Informativo 148

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INFORMATIVO DO CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5a REGIÃO OUTUBRO - DEZEMBRO 2018 ANO XXII- Nº148

VERÃO Conhecimento e cuidados sobre a estação mais quente do ano

MEIO AMBIENTE Estudante gaúcha desenvolve plástico a partir da casca do maracujá.

NOBEL DE QUÍMICA Vencedores desenvolveram proteínas com princípio da evolução.


Índice MEIO AMBIENTE

Editorial pg. 3

Estudante gaúcha desenvolve filme plástico a partir da casca do maracujá.

VERÃO

pg. 4

A Química do verão: conhecimentos e cuidados.

NOBEL

pg. 9

Vencedores da edição de 2018 desenvolveram proteínas com princípio da evolução.

WINE S.A

pg. 10

Feira Internacional do Vinho leva milhares de pessoas à Serra Gaúcha.

MURAL

pg. 11

Expediente Presidente Paulo Roberto Bello Fallavena Vice-presidente Estevão Segalla Secretário Renato Evangelista Tesoureiro Mauro Ibias Costa Assessoria de Comunicação do CRQ-V assecom@crqv.org.br Redação Louise Gigante Editoração Gráfica Louise Gigante Tiragem 2.000 Impressão Gráfica Ideograf INFORMATIVO CRQ-V AV. ITAQUI, 45 - CEP 90460-140 PORTO ALEGRE/RS FONE/FAX: 51-3330 5659 WWW.CRQV.ORG.BR

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A última edição do informativo de 2018 aborda temas distintos, porém de grande relevância para área da Química e áreas afim. Iniciamos o informativo apresentando uma descoberta inovadora e importante para a Ciência e para o planeta. Uma enzima capaz de degradar PET - uma das substâncias mais utilizadas pelo homem e uma das que mais degrada os ecossistemas - foi descoberta acidentalmente. Este avanço pode ser o começo de uma grande mudança no quesito “cuidados com o meio ambiente”. Na matéria de capa abordamos o protagonista dos três meses mais quentes do ano: o verão. Destacando alguns pontos essenciais a serem observados sobre a estação, procuramos dar um olhar científico para estas coisas corriqueiras e importantes. Conhecimento, curiosidades e cuidados essenciais foram apresentados e lembrados na matéria. Piscinas, praia, sol e alimentação foram os principais pontos abordados ao longo da reportagem especial. Na terceira matéria, apresentamos o trabalho dos cientistas vencedores do Prêmio Nobel de Química de 2018. Os 3 premiados desenvolveram proteínas com princípio da evolução. Este é um passo extremamente importante para toda a comunidade científica e população em geral. Na última matéria deste informativo, apresentamos brevemente o que foi a primeira edição da Wine South America - Feira Internacional do Vinho, evento de extrema importância ocorrido em Bento Gonçalves/RS em setembro de 2018. Uma ótima leitura!

Dica de Livro

Substância Química: a história de um devir A história da Química é formada por diversos acontecimentos. Nesta obra, o leitor é convidado a conhecer o desenvolvimento de um dos conceitos mais importantes e polissêmicos da Química: a ideia de substância. Ao longo do desenvolvimento do conhecimento químico, modos de pensar o conceito de substância emergiram em diversas situações a partir de formas de falar. Atualmente é possível observar essa emergência em diferentes contextos, de modo que ter conhecimento sobre o desenvolvimento desse conceito é essencial, não só para compreensão de alguns eventos ocorridos na história da Química, mas também para uma compreensão da pluralidade de modos de pensar que surgem em sala de aula.

Números do Conselho NOTA DE FALECIMENTO É com pesar que informamos o falecimento do Prof. Dr. Valter Stefani no dia 19 de janeiro. Profissional dedicado e reconhecido por toda a comunidade Química, Valter era membro da Academia Riograndense de Química e percursor da Química Forense no Brasil. Nossos sinceros sentimentos aos familiares e amigos.

OUT - DEZ Vistorias

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Autuações

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Registro de Pessoa Física

210

Registro de Pessoa Jurídica

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MEIO AMBIENTE

FOTO: Gabriela Morel/ IFRS - Campus Osório

Estudante gaúcha desenvolve plástico a partir do maracujá

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ilme plástico biodegradável desenvolvido a partir da casca do maracujá. Este foi o feito que levou a estudante Juliana Estradioto, de 18 anos a vencer a categoria “Ensino Médio” no prêmio Jovem Cientista, realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em outubro. A jovem, estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Osório, venceu perante adversários de todo o país. Em entrevista ao CRQ-V, a jovem explica o que a motivou para iniciar a pesquisa, que surgiu a partir de um projeto de extensão. “Eu comecei trabalhando com os agricultores do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e foi a partir daí que percebi que eles geravam muito resíduo da casca do maracujá quando faziam os processamentos nas agroindústrias”. Para ela, o que mais incomodava era o desperdício e o grande acúmulo de lixo resultante da produção de sucos, geléias e outros derivados do maracujá. Juliana conta que antes mesmo de começar o projeto, já tinha proximidade com a fruta, “Minha avó tinha um pé de maracujá em casa e eu adorava ir ver as flores e as frutas”. Hoje, sua paixão foi para

a pele e virou tatuagem, eternizando seu afeto pela flor e pelo fruto. O maracujá (produzido pela planta Passiflora edulis) é produzido em outros locais, mas é no Brasil que sua produção se destaca. Além do fruto, a flor produzida na planta é muito comercializada e apreciada. Sua cor, quando maduro é amarelada e possui grande quantidade de sementes em sua polpa e sua flor é polinizada geralmente por abelhas grandes (chamadas popularmente de mamangavas). Desenvolvido ao longo de 12 meses (entre a ideia inicial e os testes finais), a pesquisa teve o apoio do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foram realizadas algumas das análises dos plásticos. A orientadora Flávia Twadorwski foi essencial para o desenvolvimento do trabalho, “Ela que me incentivou a fazer a pesquisa, a continuar, porque muitas vezes dá tudo errado e é muito importante ter persistência, determinação e foco”, conta. O filme desenvolvido pela estudante tem como principal objetivo substituir as embalagens comuns de mudas de plantas – feitas de plástico – e se decompõe em cerca de 20 dias (sem a necessidade de retirá-lo na

hora do plantio). Estudante do curso Técnico em Administração, Juliana lembra que seu interesse pela Química foi herdado de seu pai, que quase cursou Bacharelado em Química. A jovem ressalta que esta era uma de suas matérias preferidas no Ensino Médio mas que não imaginava que se interessaria tanto. Hoje, não restam dúvidas do caminho que quer seguir, “Não quero continuar na administração depois de me envolver com a pesquisa. Acabei me descobrindo na Química e Biologia. As Ciências da natureza são minha paixão e eu quero fazer Engenharia Química”. Antes deste projeto, a moradora do Litoral Norte gaúcho já havia se envolvido em outros, também focados em meio ambiente. “Eu já trabalhei com tratamento de efluentes têxteis por absorção e agora estou participando de um projeto sobre a utilização da casca da noz macadâmia que é vinculado ao Instituto Federal do Espírito Santo”, conta.

“Abriu meu mundo e agora tenho certeza de que é isso que quero fazer para o resto da vida.” Para o próximo ano, Juliana já está com a agenda científica programada. Em 2019 ela será representante do Brasil no Seminário Internacional Jovem de Ciência de Estocolmo – Suécia, e na Genius Olympiad, em Nova York – EUA. Sua certeza para o futuro é andar lado a lado com a Ciência, “Eu nunca tinha cogitado ser cientista, nunca tinha usado um jaleco. Isso foi libertador. Abriu meu mundo e agora tenho certeza de que é isso que quero fazer pro resto da vida”, conclui. 3


VERÃO

A QUÍMICA DO VERÃO

Conhecimento, curiosidades e cuidados envolvendo a Química na estação

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verão é cheio de alegria, descanso, férias e relaxamento. É a época das férias escolares e do trabalho, de viagens, de passeios e programas ao ar livre. São diversas as formas de aproveitar a estação, seja na cidade, campo ou litoral. É neste momento, que podem ser per-

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cebidos descasos com a saúde e com cuidados essenciais. Durante esta estação a atenção deve ser redobrada quando o assunto é pele, hidratação e alimentação, principalmente pelo uso frequente de piscinas, mar e longas exposições ao sol forte.


VERÃO

NA PRAIA Durante a estação mais quente, os clubes, parques aquáticos e mares ficam lotados dos mais diferentes tipos de pessoas com as mais diversas formas de cuidados e higiene com o corpo, históricos de doenças distintos, entre outras particularidades. A água do mar é composta por diversos tipos de sais que estão dissolvidos no oceano em forma de íons. Estes compostos dissolvidos são chamados de sais inorgânicos. O cloro, magnésio, sódio, bicarbonato, potássio, cálcio e sulfato são os principais constituintes químicos dos oceanos e estão ligados à salinidade da água. Esta salinidade é definida como a quantidade total de sais inorgânicos que estão contidos em um kg de água do mar. Ela é expressa sem unidades, por ser uma propriedade adimensional. Os mares abertos (que possuem ligação direta com o oceano) têm salinidade média de 35, podendo

variar para menos em regiões próximas de rios e em regiões polares, onde ocorre o degelo. Já nos mares fechados, como o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho – que não possuem ligação direta com o oceano -, a salinidade é elevada, chegando em 39 e 41. Esta água traz benefícios para o corpo. O balanço das ondas proporciona relaxamento ao corpo e trazem sensação de bem estar. Além disso, a presença do cloreto de sódio pode fortalecer o organismo contra bactérias que podem ser perigosas para a pele, além de diminuir algumas alergias dermatológicas que causam coceira e vermelhidão. Junto destes benefícios, é preciso ficar atento aos cuidados que se deve ter durante o banho de mar. A água rica em sal, diminui a proteção da pele dos raios ultravioletas, o que torna necessário o uso abundante de protetor solar.

PISCINAS Sem água não existe vida. Em águas de piscinas, caixas d’água, poços artesianos, etc, é possível que mais organismos vivos se desenvolvam, o que pode ser prejudicial para a saúde humana, visto que estas, entram em contato direto com os seres que a utilizam. Em ambientes públicos como piscinas de clubes, hotéis e condomínios, as probabilidades de se contaminar com bactérias se tornam maiores, devido aos diferentes tipos de públicos e os cuidados que cada um tem com sua saúde. O não tratamento adequado destas águas pode acarretar em problemas como desequilíbrio químico do perfil de balneabilidade das águas, em especial, a presença de agentes biocidas oxidantes (trazem prejuízos à pele), além do excesso de sais de clarificação, onde ocorre o efeito de aglutinação (aglomeração de pequenas massas de células) quando as águas estão sem usuários. De acordo com o Químico e Higienista Ocupacional, conselheiro e membro da Diretoria do

CRQ-V, Renato Evangelista, o tratamento mal feito pode acarretar em um desequilíbrio da hidrobiologia das águas, “Isto devido ao aumento de bactérias heterotróficas, presença de coliformes totais e fecais, presença de Escherichia coli (que trazem efeitos gastrointestinais), presença de Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa (que podem causar diversos tipos de infecções) presença de Trichophyton e Microsporum (podem desenvolver infecções dermatológicas)”, cita. O tratamento de águas de piscinas é essencial e deve ser cobrado por qualquer usuário desta fonte de refrescância. Este, deve ser contínuo, a fim de manter o aspecto cristalino e inibir o crescimento de microorganismos indesejados. Além das bactérias já mencionadas, outros organismos como algas, limos e biofilme podem se proliferar em águas não tratadas, tornando negativo o banho. Deve-se lembrar, também, da questão do desenvolvimento de insetos em piscinas sem tratamento, em destaque o Aedes aegypt, conhecido como “mosquito da dengue”, e transportador de outras doenças sérias como a zica vírus e a chikungunya. Com relação à composição dos produtos utilizados no 5


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tratamento, Renato ressalta, “A química dos produtos de aplicação tem por base o Índice de Langelier (agente primordial para precipitações e dissolução de carbonatos), os vários compostos de aplicações no tratamento das águas de piscinas apresentarão seus melhores rendimentos quando se apresentarem faixas de equilíbrio ao índice citado”. Para verificar a regularidade de um local, existem a Lei n° 11.139, 11/10/2011; Lei 11.419, 19/02/2013, Norma Técnica n° 01/96, P.L. 1.192/2007 e outros. Devem ser observados diversos cuidados no uso de piscinas, além do tratamento químico das águas “O

AO SOL O personagem principal da estação mais quente do ano é o responsável pelo calor e dias mais iluminados, sendo a estrela central do nosso Sistema Solar. Todos os planetas, asteróides, cometas e poeira giram ao redor dele e sua massa é cerca de 332.900 vezes maior que a Terra, estando a cerca de 150 milhões de quilômetros de distância de nós. Sua composição é de mais de 70% de hidrogênio e hélio com traços de outros elementos como cálcio, magnésio, ferro, oxigênio, silício, entre outros. A exposição ao sol, desde que da maneira correta traz benefícios para o organismo, principalmente pela produção de vitamina D, que ocorre no corpo, resultando no aumento dos níveis de cálcio e na prevenção de doenças auto-imunes – como artrite reumatóide e esclerose múltipla. Além disso, a exposição ao sol aumenta a produção de endorfina pelo cérebro (promove sensação de bem estar) e estimula a transformação da melatonina (hormônio produzido enquanto dormimos) em serotonina (importante para o bom humor). Se expor ao sol moderadamente também estimula a produção de melanina, responsável por dar o tom mais escuro à pele e proteger a pele contra os efeitos mais tóxicos dos raios ultravioleta. Mesmo com a pouca proximidade de nosso planeta, a energia do sol nos toca de maneira intensa. Os raios ultravioleta (UVA, UVB e UVC) são um tipo de radiação eletromagnética que é transmitida pelo sol. A radiação UVA está presente em todas as estações do ano e – independente de estar mais quente ou mais frio – atinge a pele humana da mesma maneira. Estes raios penetram na pele e são grandes responsáveis pelo envelhecimento do tecido e pelo surgimento de alergias e câncer. Porém, são eles também que proporcionam bronzeado à pele, estando presentes, inclusive, nas câmaras de bronzeamento artificial. Já a radiação UVB tem parte absorvida pela atmos-

uso de trajes apropriados ao banho, não presença de alimentos, não utilização de objetos e garrafas de vidro, presença e uso de duchas para acesso às águas, presença de bóias salva-vidas, presença de escadas com o primeiro degrau de acesso, presença de ralos na formatação anti-sucção, informação de profundidades em área de boa visibilidade, isolamento da área das piscinas frente áreas de circulação, presença de sistema de emergência (acesso ao público usuário) que interrompa de imediato as bombas em caso de alguma emergência, etc.”, conclui o profissional.

fera e os raios que a ultrapassam, são nocivos à pele e são os principais responsáveis pelas queimaduras de sol (das moderadas até as mais graves). Os raios UVC são absorvidos pelo oxigênio e ozônio da atmosfera, não chegando a ter contato com os seres humanos. Esta radiação é extremamente perigosa e, caso entrasse em contato com os seres terrestres, seria danosa à saúde. Indispensável em qualquer estação do ano, o uso do protetor solar merece atenção redobrada durante o verão, onde a exposição ao sol ocorre por longos períodos. Desenvolvidos para bloquear totalmente ou parcialmente o contato dos raios UV com a derme (parte interna da pele) e a epiderme (parte externa), os protetores – também chamados de filtros – solares podem ser encontrados em diferentes fatores de proteção solar (FPS) e podem vir agregados a outros processos dermatológicos (ação contra envelhecimento e rugas, controle da oleosidade, efeito de maquiagem, etc.). Já os bronzeadores possuem efeito atrativo aos raios ultravioleta, com o intuito de proporcionar bronzeado mais intenso e de forma rápida. No mercado, são inúmeras marcas de valores variados e duração diferente na pele, além da distinção entre resistentes ou não à água, aromas, densidades, etc. Sua aplicação deve ser feita de 15 à 30min antes da exposição solar para que seja absorvido corretamente pela pele e deve ser reaplicado

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de acordo com as instruções do fabricante. Existem dois tipos de protetor solar: o físico e o químico. O físico é comumente chamado de bloqueador solar e possui quantidade maior de dióxido de titânio (responsável por criar uma barreira contra a passagem dos raios UV, funcionando como um refletor). Já o químico possui substâncias que interagem com a radiação, absorvendo e sofrendo alterações em sua estrutura. Dessa forma, a radiação é absorvida e não atinge a pele de forma negativa. A composição de cada um dos produtos vai depender de cada empresa e seus diferenciais e critérios de produção, porém, devem ser seguidas as normas que regulam o produto. A FDA (Food and Drug Administration – agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) permite as seguintes substâncias ativas em filtros solares: Ácido p-aminobenzóico (PABA), Avobenzona, Cinoxato, Dioxibenzona, Homosalato, Mentil antranilato, Octocrylene, Octyl methoxycinnamate, Octyl salicylate, Oxybenzone, Ácido fenilbenzimidazol sulfônico, Sulisobenzona, Dióxido de titânio, Salicilato de trolamina, Óxido de Zinco. Em 1938, Franz Greiter, estudante de química suíço desenvolveu em um pequeno laboratório em sua casa um produto chamado por ele de “Creme Gletscher” que tinha o intuito de proteger dos raios. Este foi considerado um dos primeiros protetores químicos produzidos. Na década de 40, em meio à Segunda Guerra Mundial, onde muitos soldados sofriam com queimaduras do sol, Benjamin Greene, farmacêutico, criou no forno de sua casa uma substância viscosa e avermelhada. Este produto, originado do petróleo e similar à

ALIMENTAÇÃO Sucos, drinks alcoólicos, sorvetes, milkshakes e saladas de frutas. Estes são alguns dos meios alimentícios escolhidos para aproveitar a estação. O consumo de frutas – de todos os tipos - aumenta significativamente durante o verão. Seja na forma de sucos, na famosa caipirinha brasileira ou para temperar peixes e carnes, o limão é uma fruta extremamente cítrica que ganha destaque. Além da alimentação, o fruto aparece na composição de produtos para limpeza e remédios. Sua composição é formada por muitas vitaminas como a vitamina C, o ácido fólico e a tiamina, além de diversos minerais como o cálcio, magnésio e potássio, encontrados em grande quantidade. O ácido cítrico é um ácido orgânico tricarboxílico presente em grande parte das frutas, em especial nas ácidas. Sua fórmula química é C6H807 e ele representa de 5 a 7% da composição do limão. Ao contrário do que se imagina, o ácido cí-

Vaselina, funcionava bloqueando fisicamente os raios do sol. Ao longo dos anos, a indústria desenvolveu produtos de grande eficácia e duração, até chegarmos aos filtros solares atuais. No Brasil, a empresa Johnson & Johnson introduziu em 1984 o primeiro filtro solar, da marca Sundown e três FPS diferentes. Vale lembrar que, mesmo em dias nublados, onde o sol está parcial ou completamente encoberto, a radiação atinge a pele e pode trazer problemas sérios. É comum vermos queimaduras de sol de “mormaço”, pois o cuidado intenso e o uso de proteção solar acabam sendo esquecidos em dias que o sol não está visivelmente brilhando.

trico não é um acidificante para o organismo humano. Após sua ingestão, o corpo humano o transforma em sais alcalinos. Prova disso é que o consumo frequente de água com limão pode até neutralizar problemas comuns de acidez no estômago. Apesar de todos os benefícios agregados à esta fruta, é necessário ter cuidado ao manuseá-la durante o verão. Na estação, o que predomina durante o dia é o sol forte e quente, o que aumenta o risco de manchas no tecido epitelial. Quando manuseamos o limão, nossa pele absorve uma substância chamada bergapteno – que está presente na casca e no suco. Quando o bergapteno é tocado pela radiação ultravioleta, ele a absorve mais intensamente, fazendo com que as células chamadas melanócitos passem a produzir melanina de maneira exagerada. Esta produção acima do normal é o que causa as tão temidas manchas. Dependendo da quantidade de bergapteno que a pele absorver, estas manchas podem se tornar lesões graves, que necessitem de cuidados médicos. 7


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Além disso, o tempo de exposição ao sol e a sensibilidade de cada pele são fatores determinantes na gravidade da mancha. Vale ressaltar que apenas filtro solar não protege contra este tipo de mancha, é necessário lavar as mãos ou a parte do corpo que entrou em contato com a fruta (tanto com o suco como com a casca) com água e sabão imediatamente após o manuseio. Caso não possa lavar no momento, procure cobrir a área com algum tecido. Permanecer em baixo do guarda-sol também não o protegerá totalmente da radiação, que pode rebater na areia ou no piso e retornar para a pele. Além do limão, é preciso estar atento ao manuseio de outras frutas como a laranja, abacaxi e bergamota. Em casos superficiais, a mancha sai ao longo do tempo, mas é importante protegê-la para que não escureça mais. Também pode ser indicado por dermatologistas o uso de hidratantes e clareadores para a pele. E em casos mais graves onde apareçam bolhas, coceira e ardência é necessário receber o atendimento de um especialista que indicará o melhor método de tratamento. As frutas, no geral, são grandes colaboradoras para a proteção do organismo. A vitamina C e o betacaroteno possuem grande efeito antioxidante que atuam contra os danos causados pela exposição ao sol. Destes, podemos destacar a manga, goiaba, melão, laranja, melancia e morango além dos vegetais como tomate, brócolis, abóbora, cenoura, etc. Por serem ricos em selênio e vitamina E, as castanhas, milho, amendoim, nozes e amêndoas também colaboram com a foto proteção. Para evitar sobrecarga do organismo, sugere-se a ingestão de 5 ou 6 refeições leves e completas ao longo do dia, mantendo o fornecimento de energia adequado. Nesta época o consumo de sorvetes, picolés, açaís e outros alimentos gelados aumenta. Além de refrescante, o sorvete é encontrado nos sabores mais variados, agradando a grande maioria dos paladares. Atualmente, o produto é composto basicamente por água, açúcar e leite. Aromatizantes também são adicionados para acrescentar cheiro e sabor. Ele é uma emulsão, ou seja, uma combinação de dois líquidos que geralmente não se misturam (as gotículas de gordura do leite estão dispersas em uma mistura de água, açúcar e gelo). Para manter sua textura cremosa e seu volume, é necessário incorporar ar à mistura nos estágios iniciais de congelamento. Os componentes são misturados, batidos para a introdução de ar e resfriados lentamente. Algum tempo depois, é necessá-

rio bater novamente para a incorporação de mais ar. Caso os ingredientes sejam apenas misturados e levados ao congelador, o resultado será um picolé. Isto porque a introdução de ar ajuda a promover uma rede de gotículas de gordura, que mantém as bolhas de ar aprisionadas. Durante a fase de resfriamento, a parte aquosa da mistura começa a se transformar em pequenos cristais de gelo. Também podem ser adicionadas as misturas pequenas quantidades de emulsificantes e estabilizantes. Emulsificantes são substâncias principalmente derivadas de gorduras ou ácidos graxos, que modificam as propriedades de superfície de algum sólido ou líquido e diminuem a tensão entre os dois componentes. Esta substância produz uma sensação de maior maciez ao paladar. Eles são geralmente ésteres compostos de um final hidrófilo (água) e um final lipofílico (gordura). Os estabilizantes mais utilizados na indústria alimentícia são a carragena, os alginatos, a caseína, a goma guar, a goma Jataí, a goma xantana, e a carboximetil celulose sódica. Eles inibem a formação de grandes cristais de gelo, também produzem suavidade e textura, dando uniformidade ao produto e o tornando resistente ao derretimento. Devido as altas concentrações de sal e açúcar presentes na mistura, ocorre a diminuição da temperatura de fusão da água, ou seja, quando está no sorvete, a água precisa estar a temperaturas abaixo de zero graus para congelar. Isto também ajuda a manter o sorvete cremoso (e não completamente congelado) mesmo recém tirado do refrigerador, permitindo que possa ser consumido de colher. Esta sobremesa não deve ser ingerida em excesso, pois possui um alto nível de gordura e açúcar, o que pode causar obesidade, cárie e outros problemas de saúde. Aprecie sem exageros. Melhor amiga de qualquer organismo por ser essencial em todos os processos metabólicos vitais, a água deve estar ainda mais presente na rotina de todos durante a estação. Normalmente, o organismo de um adulto elimina em média 2 litros de água por dia (incluindo suor, fezes e urina), por isso, recomenda-se a reposição de em média 2 litros de água diariamente. Quando a perda torna-se maior que a reposição, o organismo entra em processo de desidratação, o que é grave, e dependendo da situação pode levar a óbito. Durante o verão, o suor torna-se recorrente, facilitando a desidratação, por isso, é necessário ingerir mais água do que costuma-se em outras estações.

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NOBEL

Nobel de Química 2018:

vencedores desta edição desenvolveram proteínas com princípios da evolução Frances H. Arnold, George P. Smith e Sir Gregory P. Winter foram os agraciados com o Nobel de Química de 2018 por suas descobertas que contribuem para uma química mais verde. No mês de outubro a Academia Sueca anunciou que os vencedores dividiriam o prêmio equivalente a mais de quatro milhões de reais. Frances H. Arnold é a quinta mulher da história a receber o Nobel em Química. A americana faz parte do Instituto de Tecnologia da Califórnia e conduziu a primeira evolução dirigida de enzimas que podem ser usadas para manufaturar desde biocombustíveis até fármacos. Antes dela, a última mulher a ganhar o prêmio foi Ada Yonath em 2009. Já George P. Smith, também americano, da Universidade do Missouri, desenvolveu um método chamado “exibição de fago”, onde um vírus que infecta uma bactéria pode ser usado para desenvolver novas proteínas. O britânico Sir Gregory P. Winter, da Universidade de Cambrigde trabalhou a partir do método desenvolvido por George para produzir novos fármacos. A exibição de fago produziu anticorpos capazes de neutralizar toxinas, curar câncer metastático e combater doenças autoimunes. Em entrevista ao portal G1, Nor-

berto Perorine Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Química e professor na USP Ribeirão Preto explicou que a pesquisa de Arnold alcançou um marco ao estabilizar proteínas, através de mutações. “As proteínas, essas enzimas, degradam muito fácil, então estabilizar é uma coisa extremamente difícil. Depois de conseguir produzir essas enzimas em larga escala, Arnold conseguiu que elas catalisassem, ou conduzissem, as

reações químicas. Com isso, foi possível a criação de diversos combustíveis sem usar petróleo, ou seja, combustíveis verdes, inclusive para aviões. Isso é incrível”, comenta. O professor explica que a pesquisa de Smith e Winter permite que se pense em tratamentos direcionados de maneira específica a células cancerígenas ou a doenças autoimunes. “Eles conseguiram introduzir sequências de DNA

em um vírus. Quando o vírus infectava a bactéria, ela produzia anticorpos, chamados monoclonais, que podiam ser depois isolados, purificados, para serem usados em remédios”, cita. De acordo com ele, os cientistas foram os primeiros a humanizar a técnica, fazendo a bactéria produzir um anticorpo que não causa reação ao paciente, porque o anticorpo fica “limpo”, sem as regiões que são reconhecidas pelo corpo como estranhas a ele e que causam reações adversas. O Prêmio Nobel de Química (Nobelpriset i kemi em sueco) é atribuído pela Academia Real das Ciências da Suécia todos os anos a cientistas de diversos campos da área da Química. Este faz parte de um dos cinco Prêmios Nobel atribuídos a notáveis contribuições para a sociedade nas seguintes áreas: química, física, literatura, fisiologia ou medicina, economia e paz. Os prêmios foram criados em 1895 por Alfred Nobel e é administrado pela Fundação Nobel. O vencedor do primeiro Nobel de Química foi Jacobus Henricus Van’t Hoff em 1901 por sua descoberta das leis da dinâmica da química e pressão osmótica em soluções. A cerimônia de premiação ocorre sempre no dia 10 de dezembro (dia do falecimento de Nobel) em Esctocolmo, capital da Suécia. FONTE: g1.com / FOTO: Divulgação 9


WINE SOUTH AMERICA

Feira Internacional do Vinho leva milhares de pessoas à Serra Gaúcha FOTOS: Louise Gigante/CRQ-V

Neste ano aconteceu a primeira edição da Wine South America Feira Internacional do Vinho. De 26 a 29 de setembro, a cidade Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, pôde prestigiar o evento que contou com cerca de 250 marcas expositoras do estado, do país e de outros países como Itália, Uruguai, Argentina, Austrália, entre outros. Foram expostos diversos tipos de vinhos, espumantes, sucos de uva, cachaças, azeites, chocolates e outras especiarias que possuem relação com o produto principal: o vinho. Além dos expositores, a feira ocorrida no Fundaparque (parque de

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eventos da cidade) abriu espaço para mais de 50 atrações de qualificação para profissionais da área e público interessado. Foram oferecidos mini cursos, degustações, distribuição de brindes e diversas oportunidades de negócio. O grande evento foi realizado pela Milanez e Milaneze, pertencente ao Grupo Veronafiere (realizador de exposições na Itália) e registrou cerca de seis mil visitantes durante os quatro dias. O Conselho Regional de Química e outras entidades estiveram presentes colaborando para a grandiosidade da feira. Em nosso stand

passaram profissionais da Química, da Enologia e outras áreas, além de diversos estudantes. O setor de Comunicação e o setor de Eventos puderam auxiliar e tirar dúvidas referentes a atribuições, registro e o papel do CRQ-V no mundo do vinho. Para 2019, A Wine S.A. já tem data e local confirmados. O evento ocorrerá no mesmo local da edição de 2018 e terá três dias de duração, de 25 à 27 de setembro. As informações estão disponíveis no site da feira, bem como outras notícias relacionadas com a edição de 2018: www.winesa. com.br


MURAL conselheiro ricardo noll em palestra na 8a semana acadêmica de tecnologia ambiental do instituto federal de educação - campus pelotas

premiação dos alunos vencedores da xvii edição da olimpíada de química do rio grande do sul

CONSELHEIRO WOLMAR ALÍPIO SEVERO FILHO EM FORMATURA DOS CURSOS DE BACHAREL EM QUÍMICA, LICENCIATURA EM QUÍMICA e QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNISC

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CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5ª REGIÃO

A VIDA É NOSSO PRINCIPAL ELEMENTO

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