Informativo 147

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INFORMATIVO DO CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5a REGIÃO JULHO - SETEMBRO DE 2018 ANO XXII- Nº147

VINHOS Da matéria prima ao consumo final

MEIO AMBIENTE Enzima descoberta acidentalmente degrada PET.

OLIMPÍADA A edição de 2018 contou com quatro estudantes brasileiros orgulhosos no pódio.


Índice MEIO AMBIENTE

Editorial pg. 3

Enzima descoberta acidentalmente degrada PET.

VINHOS

pg. 10

A edição de 2018 contou com quatro estudantes brasileiros orgulhosos no pódio.

MURAL

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Expediente Presidente Paulo Roberto Bello Fallavena Vice-presidente Estevão Segalla Secretário Renato Evangelista Tesoureiro Mauro Ibias Costa Assessoria de Comunicação do CRQ-V assecom@crqv.org.br Redação Louise Gigante Editoração Gráfica Louise Gigante Tiragem 2.000 Impressão Gráfica Ideograf INFORMATIVO CRQ-V AV. ITAQUI, 45 - CEP 90460-140 PORTO ALEGRE/RS FONE/FAX: 51-3330 5659 WWW.CRQV.ORG.BR

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A terceira edição do informativo de 2018 aborda três temas distintos, porém de grande relevância para área da Química e áreas afim.

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Da uva à harmonização, um guia com conteúdo sobre vinho para apreciar a qualquer momento.

OLIMPÍADA

Dica de Livro

Iniciamos o informativo apresentando uma descoberta inovadora e importante para a Ciência e para o planeta. Uma enzima capaz de degradar PET - uma das substâncias mais utilizadas pelo homem e uma das que mais degrada os ecossistemas - foi descoberta acidentalmente. Este avanço pode ser o começo de uma grande mudança no quesito “cuidados com o meio ambiente”. Em nossa matéria especial de capa abordamos o vinho de uma maneira especial. Neste ano em que acontece a primeira edição da Wine South America - onde o CRQ-V estará presente - viramos os olhares para esta bebida tão apreciada. Da uva até a harmonização final, apresentamos diversas características dos das frutas e do vinho, métodos de produção, conservação, melhores maneiras de consumo, etc. Além de apresentar os benefícios para a saúde, tratamos também das inovações neste mundo. Para falar sobre o assunto, entrevistamos uma profissional da saúde, além do Supervisor On Trade uma das vinícolas mais tradicionais de nosso estado e um especialista em especiarias e harmonizações e amante da culinária. Três fontes de extrema relevância para nosso assunto e que engrandeceram nosso conteúdo. Finalizando o informativo, a história dos brasileiros que subiram no pódio da Olimpíada Internacional da Química deste ano. Os medalhistas de bronze, prata e ouro representam com louvor sua comunidade. Desejamos a todos uma ótima leitura!

Atlas Mundial do Vinho O guia completo sobre a bebida chega à sua sétima edição com 215 mapas exclusivos e pesquisas dos maiores especialistas da atualidade. Publicado pela primeira vez em 1971, O Atlas mundial do vinho se tornou um livro de referência por apresentar um panorama completo sobre os territórios de cultivo, características das uvas e métodos de produção da bebida ao redor do mundo. O livro chega à sua 7ª edição com novos mapas e textos inéditos, mantendo a abrangência e a cuidadosa pesquisa que fizeram dele um clássico. Um destaque desta edição é o surgimento de novas regiões produtoras em um função das mudanças climáticas observadas desde o lançamento da edição anterior, em 2007. Neste período, a China se tornou não só um grande consumidor de vinhos como assumiu o papel de país produtor de uvas e da bebida, conquistando seu espaço.

Números do Conselho JUN-AGO Fiscalizações

818

Autuações

173

Registro de Pessoa Física

251

Registro de Pessoa Jurídica

70


MEIO AMBIENTE

Enzima degrada garrafas PET de 16 milhões de barris de petróleo com o intuito de produzir garrafas e estima-se que no mínimo oito milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos anualmente. Mesmo com esforços da reciclagem, mais da metade de todo plástico produzido no mundo é utilizado apenas uma vez. O problema causado pela demora - de vários séculos - para a degradação de uma garrafa pet na natureza pode estar se encaminhando para uma solução, isto porque cientistas americanos e britânicos acidentalmente desenvolveram uma enzima que devora plástico. Os pesquisadores estavam estudando uma bactéria (Ideonella sakaiensis) descoberta no Japão – que acredita-se que evoluiu em uma fábrica de reciclagem - que decompõe o PET utilizado na produção de garrafas como forma de alimento. O objetivo era entender o funcionamento de umas das enzimas presentes na bactéria, a PETase, porém, o resultado foi sua evolução. Os pesquisadores conseguiram fazer uma versão da enzima superior à original e trabalham agora para melhorá-la, até que possa ser usada de forma industrial, degradando o plástico em pouco tempo. Participaram da descoberta a Universidade de Portsmouth (No Reino Unido), o Laboratório de Energia Renovável (NRLE) do Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Universidade de Campinas (Unicamp) localizada em São Paulo. Também tiveram participação direta da pesquisa o pós doutorando Rodrigo Leandro Silveira e o professor Munir Skaf, seu supervisor. Mesmo sendo uma modesta melhoria, a descoberta sugere que exista uma margem para melhorar ainda mais a enzima e que ela possa chegar mais perto de uma solução de reciclagem para a grande quantidade de resíduos plásticos.

FOTO: MatthewGollop/Pixabay

Refrigerantes, sucos, produtos de limpeza e água são alguns dos itens que encontramos nas prateleiras das lojas e supermercados armazenados em garrafas PET. O Polietileno Tereftalato (PET) é um polímero termoplástico, desenvolvido por Whinfield e Dickson, químicos britânicos que analisaram a reação entre o ácido tereftálico e o etileno glicol em 1941. Devido às suas propriedades termoplásticas, pode ser reprocessado diversas vezes, pois ao ser aquecido a temperaturas adequadas, ele amolece, funde e então pode ser moldado novamente. As primeiras garrafas PET começaram a ser fabricadas cerca de 30 anos após o desenvolvimento do polímero. Na década de 80, alguns países começaram a coletar as garrafas para reciclagem – inicialmente para enchimento de almofadas. Após melhorias, ainda na década de 80, surgiram tecidos, lâminas e garrafas de produtos não alimentícios com aplicação do material reciclado. Este material, que hoje faz parte da rotina da maioria da população, precisa de um destino adequado após seu uso. Porém, a realidade ainda está longe do ideal para o meio ambiente. Todos os anos, mais de oito milhões de toneladas de plástico são descartadas nos oceanos, trazendo consequências negativas para os animais marinhos, para a natureza e para a saúde humana. Estudos comprovam que a cada quilo de algas marinhas e plâncton dos mares (considerados os principais responsáveis pela oxigenação do planeta e alimentação de espécies da cadeia alimentar) existe pelo menos seis quilos de plástico. De acordo com a EBC – Agência Brasil, a cada minuto, um milhão de garrafas de plástico são compradas ao redor do mundo e todos os anos são utilizadas até 500 bilhões de sacolas plásticas descartáveis. Todo ano, são usados mais

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FOTO: Roberta Sorge/Unsplash

VINHOS

VINHOS: da uva à harmonização final Apreciado por muitos e conhecido por todos, os vinhos passam por processos determinantes desde o plantio e colheita da fruta até a hora de consumo final determinantes. São diversos tipos, cores, sabores e benefícios que tornam o vinho uma das bebidas mais populares do mundo. 4

Vinda da parreira – também chamada de videira ou vinha – a uva é uma das frutas mais tradicionais e presentes no cardápio de grande parte da população. Seu cultivo teve início cerca de 7 dimil anos atrás no Oriente Médio. Já no Brasil, a fruta começou a ser cultivada nos anos 1500, trazida pelos portugueses colonizadores. No Sul do Brasil e em São Paulo, a imigração deu um grande impulso na produção durante o século XIX e se estendeu até hoje de forma grandiosa. Hoje, o Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de uvas e seus derivados no país, contando com grande número de exportações para o mundo inteiro. Além de ser um grande exportador, o Brasil vem se tornando um importador ativo de

uvas chilenas, americanas e argentinas, conquistando um importante e novo mercado. Em seus cachos crescem de 15 a 300 frutas que podem ser pretas, amarelas, vermelhas, rosas, verdes, laranjas e azul-escuras. As antocianinas e polifenóis são os pigmentos responsáveis pelos diferentes tons. Hoje existem mais de 10 mil variedades de uva, que se adaptam a diferentes tipos de clima e solo, tornando-se assim, uma fruta cultivada em quase todas as regiões do planeta. Essas diferenças no solo e clima são os principais fatores que interferem no sabor, formato, acidez, doçura, quantidade de sementes, etc. Sua polpa mastigável, de sabor variável, pode conter até quatro sementes (existem tam-


VINHOS bém as espécies sem sementes, muito apreciadas no consumo direto por sua praticidade). É uma fruta que não amadurece depois de colhida, portanto deve ser colhida no momento certo de sua maturação. Com relação aos benefícios para o organismo, a uva tem grande destaque. Rica em vitamina B e C, a fruta ainda detém grandes quantidades de cálcio, ferro e potássio e é considerada muito benéfica para o coração, por ser rica em antioxidantes, que ajudam na redução do processo de oxidação do mau colesterol. “Resveratrol e quercetina são os flavonoides, que atuam como um poderoso antioxidante. Os flavonoides ajudam na proteção das paredes arteriais” explica a nutricionista Luana Lopez. “Além disto, a uva ainda auxilia na prevenção da constipação,

pois contém ácido orgânico e celulose, além de conter fibra dietética que auxilia na limpeza do trato intestinal”, acrescenta.Além de suas atuações benéficas físicas, a fruta pode ser considerada uma grande aliada da saúde cerebral, como exemplifica Luana ”A uva pode auxiliar na prevenção da doença de Alzheimer. O Esveratrol encontrado nas uvas pode ajudar no retardamento do processo de danos em células do cérebro, bem como os danos que ocorrem devido aos radicais livres.” De acordo com a nutricionista formada pela PUC-RS, a melhor maneira de consumi-la é na sua forma natural, com cascas bem higienizadas, agregando todas as fibras existentes. Além de seu consumo básico, a fruta é comumente utilizada para produção de sucos, geléias, sorvetes, vinhos, passas e outros. A levedura –

que resulta na produção de bebidas alcoólicas, como o vinho - é um dos primeiros microorganismos conhecidos pela humanidade e acontece naturalmente na casca da uva (falaremos disto mais a baixo). A uva é uma das frutas que exigem maiores investimentos e mais gente capacitada em sua produção. O processo envolve riscos, porém alta lucratividade. Existe uma série de fatores que afetam em seu desempenho de produção e devem ser destacados: espaço e condições do local; preço do produto; variedade; incidência de praga; custos de produção, etc. Para consumo direto, os cachos devem ser atraentes, com boa conservação, sabor agradável e precisam ser resistentes ao transporte. O tamanho médio do cacho é de 15 a 20 cm e seu peso acima de 300 gramas.

FOTO: Freephotos/Pixabay

CURIOSIDADES SOBRE A UVA É um dos frutos mais antigos que existe; Pode ser considerado um dos frutos mais completos por ser rico em vitaminas A, B e C, sais minerais e proteínas; Para manter conservada durante mais tempo, é indicado guardar em local fresco, de preferência na geladeira; Na medicina popular, compressas de folhas de uva secas e trituradas aliviam dores de cabeça e inflamações; Na mitologia grega, Dionísio era o deus do vinho, pois possuía os conhecimentos e segredos do plantio e colheita da uva e da produção do vinho.

Bebida alcoólica, feita a partir de uma fruta popular, que possui diversos tipos e é apreciada por muitos – principalmente no inverno. Não é preciso muito para descrever o bom e querido vinho. Independente de sua densidade, cor, acidez ou país de produção, esta bebida histórica faz parte do cardápio de muitos, há muito tempo. Sua grande importância histórica e religiosa acompanhou diversos períodos da humanidade

em diversas culturas. Cada uma explica seu surgimento de uma maneira diferente. Os cristãos crêem que Noé plantou um vinhedo e produziu o primeiro vinho do mundo; já os gregos consideravam a bebida uma dádiva dos deuses. Historicamente falando, precisar sua origem exata é impossível, pois o vinho surgiu antes mesmo da escrita. Os enólogos - maiores responsáveis pelo vinho – afirmam que a bebida surgiu por aca-

so, provavelmente por uma quantidade de uvas esquecidas e amassadas em algum recipiente que sofreram a fermentação. Fato é que esta bebida – criada acidentalmente ou não – está presente na história da humanidade, geralmente de maneira positiva.

A PRODUÇÃO

No Brasil, os vinhedos – grandes plantações de videiras – tiveram o início 5


VINHOS de seu cultivo no começo do século 20, especialmente por imigrantes alemães e italianos no sul e sudeste do país. Atualmente no Rio Grande do Sul, as cidades que se destacam por seus vastos e numerosos vinhedos são Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Garibaldi, Caxias do Sul e Santana do Livramento. De lá saem os vinhos (e sucos naturais) mais conhecidos e apreciados do país que se espalham por outros estados e são exportados para diversos países. Em sua forma básica, a produção é simples e ocorre através da fermentação natural. A fermentação alcoólica é uma reação química realizada por micro-organismos chamados de leveduras. As leveduras são as responsáveis pela transformação do açúcar presente no suco da uva espremida em álcool etílico (etanol) em uma reação que pode levar de três dias a três semanas. Portanto, quanto mais doce for a uva, maior teor alcoólico terá o vinho. No caso do vinho, o etanol faz parte de 7 a 24% da bebida - dependendo do tipo de uva e região. Já a água representa de 85 a 90% do líquido. Além do etanol, o vinho apresenta outros álcoois em sua composição: metanol, isopropil, entre outros, em menores porcentagens. Após o processo de fermentação, a bebida pode ser maturada ou não – durante meses ou até anos.

TIPOS DE VINHO

Com relação à classe, podemos classificá-los: De mesa: Possui graduação alcoólica de 10° a 13° G.L. Estes são chamados de Vinhos Finos ou Nobres, Especiais, Comuns e Frisantes ou gaseificados; Leves: Têm graduação alcoólica de 7° a 9,9° G.L; Champanhes: É o espumante, que resulta de uma segunda fermentação alcoólica com graduação de 10° a 13° G.L; Licorosos: São doces ou secos, com graduação alcoólica de 14° a 18 G.L. Podem ter álcool potável, mosto concentrado, caramelo e sacarose adicionados; Compostos: Têm graduação alcoólica de 15° a 18° G.L, obtidas pela adição de macerados e/ou concentrados de plantas, substâncias de origem mineral ou animal, álcool potável e açúcares. Referente ao teor de açúcar: Secos: Com até 5g de açúcar a cada litro; Demi-sec: Possuem de 5 a 20g de açúcar por litro; Suaves: Mais de 20g por litro. 6

FOTO: Freephotos/Pixabay

Com relação à cor, podem ser: Tintos: Produzidos a partir de uvas tintas, suas diferenças de tom dependem do tipo de fruto e tempo de maturação, variando de vermelho escuro, quase preto até o vermelho mais claro. São os mais consumidos no Brasil. Rosados: Também produzidos com uva escuras, porém, as cascas que dão pigmentação são separadas após breve contato. Uma das regiões mais famosas do mundo que produz esse vinho é a Provence, na França; Brancos: São feitos a partir de frutas brancas ou tintas, porém, a fermentação acontece após a separação das cascas. É um vinho leve e refrescante, bom para consumo em dias quentes.

Com relação ao tipo da uva, podemos destacar alguns: Cabernet Sauvignon: Vinho tinto encorpado e intenso. Teve origem na França e hoje é produzido em diversos países; Merlot: Vinho tinto um pouco menos encorpado e com maior aroma frutal. Também de origem francesa; Malbec: Tem maior envelhecimento em madeira e é um vinho encorpado com sabor intenso. Sua origem também é francesa; Tannat: É considerado o vinho emblemático do Uruguai. Tem sabor e coloração intensa e se for envelhecido em barrica de carvalho, seu sabor torna-se mais suave; Pinot Noir: É um vinho leve, encorpado e com acidez acentuada. Ainda é pouco cultivada no Brasil e tem grande destaque na produção Francesa, Chilena e Italiana. Pode ser usado como vinho base para elaboração de champanhes e espumantes. Porto: De origem portuguesa, o Vinho do Porto é um dos mais conhecidos dos “vinhos fortificados”. Tem alto teor alcoólico pois passa pela adição de aguardente em sua produção. É possível encontrar uma grande gama de vinhos do Porto, se diferenciando em aroma e sabor dependendo do tempo e tipo de envelhecimento que passou; Chardonnay: É feito com uma das uvas brancas mais nobres para a produção de vinho. Dentre os vinhos brancos, é um dos mais encorpados e de sabor marcante.


FOTO: Divulgação

VINHOS

ALGUMAS INOVAÇÕES

O universo do vinho está em constante evolução e adaptação às novas tecnologias. Isso traz benefícios para o mercado, pois aumenta a demanda por inovação e a competititividade, e para seus consumidores que encontram novos materiais, novos aromas e pequenos detalhes interessantes. Bombas a Vácuo: servem para eliminar o ar da garrafa (quando o vinho não foi completamente bebido) e manter seu frescor por mais tempo; Taças que mantêm a temperatura do vinho: após permanecerem por algumas horas no refrigerador, as taças conservam-se na temperatura ideal para o vinho. O material que mantém a taça refrigerada é um gel refrigerante colocado em suas paredes; Vinhos com sabor: o primeiro do mundo tem sabor de café e foi lançado nos EUA: o “Cabernet Coffee Expresso” e o “Chardonnay Coffee Cappuccino”. Ambos com sabor de café e apenas 6% de álcool; Vinho para grávidas: uma empresária criou uma gama de vinhos espumoso com o intuiyo de incentivar que mulheres grávidas desfrutem da bebida durante a gestação. O vinho é sem álcool e elaborado com uvas cultivadas na Austrália, cujo suco é mantido a 0°C para impedir a fermentação; Taças a prova de vazamentos: uma empresa de San Francisco - Estados Unidos da AMérica - criou o produto que é feito sobre uma borda curva na base da taça, mantendo o conteúdo sempre dentro. Vinho de mandioca: o produto desenvolvido por estudantes da Faculdade de Tecnologia (FATEC) de Araçatuba/SP é similar ao vinho, porém sem a uva como matéria prima. Para alcançar os produtos os pesquisadores ferveram a mandioca e adicionaram a levedura para fermentação (a mesma utilizada em cervejas e vinhos).

MEDICINA

Não é novidade que o consumo de vinho – desde que de maneira moderada – traz benefícios para o organismo. É possível ver efeitos na saúde mental, proteção contra certos tipos de câncer, melhora da saúde mental, para a saúde do coração, na redução de riscos de desenvolver diabetes e na redução dos sintomas da depressão. Na história, o uso do vinho na medicina é retratado desde 1900 a 1200 anos a.C. Receitas médicas escritas em papiros encontrados no Egito citam o vinho como indicado para asma, constipação, epilepsia e depressão. De acordo com a nutricionista Luana Lopez, o consumo do vinho tinto, por conter 10 vezes mais polifenóis – substâncias benéficas - que o vinho branco, pode conter mais benefícios para o organismo. Isto deve-se ao fato de o vinho tinto ser macerado junto com as cascas durante semanas, diferente do vinho branco. Polifenóis são substâncias químicas resultantes dos processos metabólicos que as plantas passam. “Estas substâncias, quando ingeridas, agem inibindo a formação de placas de gordura, reduzindo inflamação, ajudando a diminuir a pressão arterial, reduzindo a oxidação de lipídios e aumen-

tando a capacidade vasodilatadora, além de ativar a produção de proteínas“, acrescenta Luana.

VINHO E COSMÉTICA

Estes benefícios já comprovados para o organismo chamaram a atenção de uma das indústrias que mais vem crescendo no Rio Grande do Sul e no Brasil. O mercado da Cosmética vem se aprimorando e ganhando cada vez profissionais capacitados. No quesito inovações, a uva e seus derivados estão ganhando espaço nos produtos cosméticos. Existem empresas que lançaram linhas inteiras baseadas nestes insumos, outras, utilizam pequenas partes para compor seus produtos e obter os resultados desejados. A vinhoterapia – tratamento com cremes, géis ou líquidos compostos de uva e vinho – promove efeito desintoxicante, clareador, nutritivo, renovador e revitalizante, em função dos polifenóis. Atualmente, este tipo de tratamento também é aplicado como redutor de medidas. Aplica-se vinho quente junto com outros ativos sobre o corpo, causando a termogênese (quando o organismo tenta manter o equilíbrio térmico), incentivando a queima de gordura e consequentemente a diminuição de medidas. 7


VINHOS O ENÓLOGO

A enologia, ciência responsável por tudo que está relacionado à produção e conservação do vinho, é moderna e interdisciplinar e foi regulamentada no Brasil em maio de 2007. Os profissionais transitam por diversas áreas como a Química, Geologia, Botânica, Fisiologia, Física, etc. Para exercer o trabalho na Enologia, é necessário, de acordo com a LEI Nº 11.476 DE 29 DE MAIO DE 2007, que o profissional possua diploma de nível superior em Enologia ou Técnico em Enologia, possuindo diversas atribuições na profissão. O enólogo é o principal responsável pelo vinho. Seu trabalho está na coordenação, supervisão e execução de todos os processos de produção. Faz vistorias, perícias, elaboração de pareceres, laudos e atestados relacionados à área da enologia. Faz toda análise química e físico-química, químico-biológca, broma-

HARMONIZAÇÃO

Para se certificar de que o vinho está apto para consumo, o Supervisor On Trade da Vinícola Aurora, Eduardo Tartaro, explica alguns pontos importantes, “Devemos avaliar a rolha quando abrimos o vinho, examinando se a mesma não encontra-se rachada ou com odor que não seja agradável. Outro fator importante é analisar a coloração do vinho e para isso é importante saber que os vinhos brancos escurecem com o tempo e os tintos clareiam. Se ao abrirmos um vinho branco, por exemplo, que no rótulo conste a safra do ano anterior, é de se esperar que esse vinho ainda esteja jovem e, portanto, a coloração esperada é um tom amarelo claro. Se este vinho apresentar um tom quase dourado, sendo que tem apenas um ano de garrafa, pode ser um sinal de que esteja oxidado ou a caminho da oxidação. No caso do vinho tinto, em linhas gerais, se com um ou dois anos de garrafa ele apresentar um tom acastanhado, é sinal de oxidação precoce e, portanto, não estará em sua melhor forma para consumo. Mesmo que não estragado, em estágio avançado de oxidação visível pela cor ele não estará saboroso, agradável ao paladar”. Além das questões visuais, a sensibilidade olfativa é ponto determinante, “também conseguimos perceber essa oxidação, assim como a presença de algum fungo que teria atacado sua rolha. Esse vinho terá aromas desagradáveis de bolor, que de fato chamarão a atenção”, acrescenta. 8

tológica e toxicológica, além do controle de qualidade das vinícolas. Entre diversas outras atribuições, o profissional também faz parte de produção, tratamentos prévios e complementares de resíduos e produtos. Em algumas vezes, ele também tem papel de vendedor, por seu vasto conhecimento do vinho produzido. A primeira escola de vinicultura e enologia surgiu na Itália em 1876, e, em 1891, um dos formandos dessa escola fundou a Sociedade dos Enólogos Italianos, chamada hoje de Associação Enológica e Enotécnica Italiana. Apenas em 1912 nasceu Emile Peynaud, frânces conhecido como “pai da enologia moderna”. Ele faleceu em 2004 deixando de legado sua vasta obra revolucionária para as técnicas de vinificação Além de trabalhar como professor, Peynaud era consultor de várias vinícolas, por exemplo a Château Margaux.

O vinho, quando consumido sozinho, já é apreciado por muitos e considerado como a melhor das bebidas alcoólicas. Quando associado a algum alimento – da maneira correta – esta experiência torna-se ainda mais intensa e interessante. Com o avanço das tecnologias em todos os campos, os alimentos ganharam novos temperos, texturas e sabores diferenciados. Da mesma maneira, o vinho vem evoluindo e tornando-se ainda mais especial. Existem regras que podem – ou não – serem seguidas para se conseguir excelentes combinações. Cláudio Klein, especialista em especiarias e harmonizações, explica que os alimentos interferem diretamente no sabor do vinho, “Por exemplo, quando acompanhado de um prato salgado, a bebida se torna mais agradável ao nosso paladar, o vinho fica mais rico, menos amargo e menos ácido”, cita. Cláudio, que também é proprietário de uma loja de produtos gourmet localizada na zona sul de Porto Alegre, explica que a presença de acidez na comida também pode ser benéfica para a harmonização, pois equilibra com a acidez do vinho, tornando-o suave ao paladar. “Já a o degustar uma sobremesa temos que cuidar pois o açúcar mascara o vinho seco –por exemplo –, tornando-o mais amargo. Para harmonizar pratos doces, o ideal é que o vinho tenha um nível mais alto de açúcar”, acrescenta. Para aqueles que não possuem muito conhecimento com relação às possíveis harmonizações, Cláudio sugere

que consumam alimentos com vinhos mais leves, com menos estrutura e corpo (vinhos brancos ou tintos jovens, por exemplo) e conclui, “Para apreciar um vinho, o ideal é servir na temperatura certa, meia taça, sentir o aroma e então degustar. Deixe essa sensação aquecer a alma e alegrar o espírito”. Eduardo Tartaro explica que as temperaturas adequadas e as harmonizações podem ajudar na experiência, mas que o importante é a bebida ser apreciada da maneira que cada um julgue melhor para si, da forma que mais gostar. Para ele, algumas dicas simples – como a questão de temperatura indicada - para iniciantes podem ser levadas em consideração. “Vinhos brancos em geral pedem a temperatura de serviço entre 8 e 10 graus aproximadamente, os mais jovens podem ser servidos em torno de 4 graus, temperatura indicada para os espumantes em geral. Os tintos leves ficam melhores se servidos em torno de 14 e os mais encorpados, 18 graus”, explica. “Para servir os tintos, uma dica prática é colocar a garrafa fechada deitada na geladeira, na prateleira de baixo, por 30 a 60 min. No caso dos brancos, na prateleira de cima por umas 2 horas antes de servir ou mergulhar a garrafa em um balde apropriado com gelo e um pouco de água. Neste caso, em apenas 30 min o vinho ficará ideal para consumo. O mesmo pode ser feito com os espumantes, mergulhando a garrafa no gelo por quase uma hora ficam perfeitos”, conclui o supervisor.


A compatibilização vinho-alimento é, antes de tudo, questão de gosto pessoal. Todos nós temos o direito de consumir nossos pratos prediletos com o vinho que nos parece oferecer a melhor combinação com eles. No entanto, existem alguns “casamentos” consagrados pelo simples motivo que agradam à maioria das pessoas que os experimentam. Por outro lado, pelas razões contrárias, há combinações notadamente antagônicas. As combinações enogastronômicas vêm sendo testadas ao longo dos séculos e várias “regras” foram sendo criadas. Dentro das limitações acima expostas, essas regras servem como diretrizes gerais, podendo ser quebradas quando o gosto pessoal assim o determinar. Para começar, é preciso levar em conta que para qualquer tipo de harmonização são considerados quatro sabores principais: doce, salgado, amargo e ácido. Associando-os, o resultado é:

INFOGRPÁFICO: Louise Gigante/CRQ-V

VINHOS

 O salgado reforça o amargo;  O amargo reduz a acidez;  O doce atenua os sabores ácidos, amargos e salgados;  O ácido deve ser igualado. As regras mais usadas são:  Carne vermelha ou caça com vinho tinto.  Peixes ou frutos do mar com vinho branco.  Cada prato acompanhado de um vinho.  Grandes vinhos com pratos simples  Combinações difíceis: vinagre, frutas cítricas, ovos, aspargos, alcachofras,chocolate. Pratos orientais: indianos, japoneses, tailandeses e coreanos. Empregamos, ainda, o princípio da complementaridade. Assim, uma sobremesa de caráter doce predominante e sabores cítricos, será harmonizada, por antagonismo, com um vinho de acidez marcante, mas que, complementarmente, também seja doce – para não ressaltar a doçura do prato - e, se possível, apresente aromas de frutas cítricas. Nem sempre o resultado é previsível, pois, algumas vezes, a interação entre os componentes cria novos sabores que podem ser agradáveis, como os do queijo com o vinho tinto; ou desagradáveis, quando usamos um vinho tânico com peixe oleoso, criando um terceiro sabor que é um desastre. O único modo de testar um “casamento” é, após levantar as hipóteses possíveis, degustar o vinho e a comida conjuntamente, analisando-se o resultado final. FONTE (texto acima): SISICAD EDUCAÇÃO PE/BRASIL

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OLIMPÍADA

Quatro brasileiros medalhistas na Olímpiada Internacional de Química

Equipe brasileira (FOTO: Divulgação) A Olimpíada Internacional de Química - International Chemistry Olympiad (IChO), é um evento que ocorre uma vez por ano em país itinerante. O evento é destinado aos estudantes do Ensino Médio e teve sua primeira edição em 1968 contando com a participação de três países, na cidade de Praga, na República Tcheca. Na mesma cidade, em 2018, aconteceu a 50ª edição da Olimpíada, que nesta edição contou com 76 países competidores. Neste ano, ocorrido no fim do mês de julho, a competição teve em seu pódio quatro brasileiros. Vinícius Figueira Armelin, morador de São Bernardo do Campo e Ivna de Lima, moradora de Fortaleza levaram as medalhas de ouro para casa. João Victor Moreira Pimentel e Orisvaldo Salviano Neto foram, respectivamente, os responsáveis pelas medalhas de prata e bronze. 10

O evento teve mais de 300 competidores de diversos países divididos em times de quatro participantes cada um. A avaliação consistia em provas teóricas e práticas individuais, cada uma tendo 5h30min de duração. Na parte teórica, os alunos resolveram uma prova de oito exercícios, enquanto o teste prático consistia em três atividades (síntese de composto orgânico, análise química de água mineralizada e cinética química). Depois de corrigidas as provas e revisadas as notas, elaborou-se um ranking baseado na nota total de cada um, consideram 40% para a parte prática e 60% para a teórica. Além das premiações destinadas aos alunos melhores colocados, são entregues prêmios extras para os participantes de maior desempenho global, o de melhor nota na prova prática e também na parte teórica. Cada país é

representado por uma delegação de estudantes com um professor líder. A equipe brasileira é selecionada a partir da Olimpíada Brasileira de Química que ocorre todos os anos. Em 1997 o Brasil teve sua primeira participação no evento e desde então, conta com grande participação de estudantes do nordeste do país. Nos últimos dez anos, alunos paulistas também tiveram sua participação decorrente. Em entrevista para o G1, o líder da equipe e Reitor da Universidade Federal do Piauí, José de Arimatéia Lopes, afirmou, “A Olimpíada de Química tem sido uma ferramenta altamente eficiente para cativar o interesse científico de jovens brasileiros, que, medalhistas, tornam-se uma referência positiva para todos os demais estudantes. Estamos muito orgulhos de nossa equipe e dessa conquista grandiosa para o país”.


MURAL

conselheiro wolmar SEVERO em formatura dos cursos de licenciatura, bacharelado em química e química indusTRIal da unisc.

conselheiro wolmar SEVERO em formatura dos cursos TÉCNICO EM QUÍMICA E EM ALIMENTOS DO CENTRO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL UNIVATES.

CONSELHEIRO RENATO EVANGELISTA EM FORMATURA DO CURSO TÉCNICO EM QUÍMICA DO COLÉGIO DOM FELICIANO.


CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5ª REGIÃO

A VIDA É NOSSO PRINCIPAL ELEMENTO

Av. Itaqui, 45 Av.Itaqui,- CEP 45 90460-140 Porto Alegre/RS Porto Alegre/RS CEP 90460-140 Fone: (51)- 3330-5659 Fone/Fax: (51) 3330-5659 www.crqv.org.br facebook.com/crq5regiao/ www.crqv.org.br


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