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INFORMATIVO DO CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA

OUT/NOV/DEZ DE 2013 | ANO XVIII | Nº 131

VITAMINA D CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DA VITAMINA DO SOL E SAIBA OS CUIDADOS QUE DEVEMOS TER NO VERÃO

química nas mãos

CONSELHEIROS

CIÊNCIA E O CASO JANGO

Confira os aplicativos para Android e iOS que auxiliam os estudos

Confira os conselheiros desta edição

A química forense desvendando a morte do ex-presidente Jango


Índice

Editorial TECNOLOGIA

03

Aplicativos para IOS e Android ajudar nas aulas de química.

CIÊNCIA

04

Artigo - Jango: Mistério de sua morte sob a luz da química forense.

SAÚDE

06

Matéria da Capa: Vitamina D, a vitamina do Sol.

C ONSELHEIROS

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Conheça mais alguns conselheiros do CRQ-V neste edição.

AGENDA

Expediente Presidente Paulo Roberto Bello Fallavena Vice-presidente Estevão Segalla Secretário Renato Evangelista Tesoureiro Ricardo Noll Assessoria de Comunicação do CRQ-V assecom@crqv.org.br Jornalista responsável e Redação Carolina Reck Editoração Gráfica Giuliana Lopes Galvão Tiragem 2.500 Impressão Gráfica Ideograf INFORMATIVO CRQ-V AV. ITAQUI, 45 - CEP 90460-140 PORTO ALEGRE/RS FONE/FAX: 51-3330 5659 WWW.CRQV.ORG.BR

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11

Aproveitando a estação do calor, a edição 131 preparou para os leitores uma matéria sobre a vitamina do sol. Novos estudos comprovam sua relevância para o organismo. Coração, sistema imunológico, cérebro e praticamente todo o corpo humano pode ser beneficiado por ela. Em contrapartida, a sua falta causa danos algumas vezes irreparáveis. O CRQ-V amplia os conhecimentos relacionados à “D”, expondo os malefícios de sua falta, em que alimentos pode ser encontrada, como ocorre sua síntese, sua forte relação com o sol e trazendo a ideia da suplementação. Tendo em vista o paradoxo de que o sol é a principal fonte da vitamina e que no verão o cuidado com a pele deve ser redobrado, elaboramos uma tabela referente ao tempo de exposição no sol. Nela apresentamos as variações do tempo conforme o tipo de pele e localização geográfica. Para abordar a temática da falta da vitamina e suas consequências e na obtenção de dados técnicos, tivemos o auxílio da endocrinologista e Doutora em endocrinologia com ênfase em metabolismo ósseo, Gabriela Luporini Saraiva. O pediatra João Mazzola nos falou da importância da vitamina para crianças e mães. Finalizando contamos com a ajuda da nutricionista Thaís Rasia da Silva. A edição também traz o artigo da Dra. e Conselheira Elsa Nhuch. Com o objetivo de solucionar um caso do passado, a química forense se empenha em descobrir a real causa da morte do ex-presidente Jango. Pensando na época de vestibular, selecionamos os melhores aplicativos gratuitos que podem auxiliar nos estudos químicos. Apresentamos outros três Conselheiros do CRQ-V: Celso Camilo Moro, Elsa Nhuch e Mateus Antônio Gubert de Andrade. O Informativo segue aberto à colaboração, críticas e sugestões. Envie seu e-mail para assecom@crqv.org.br. Boa leitura!

Número do Conselho OUT/NOV/DEZ Registro Profissional

288

PJ

69

Fiscalizações

919

Autuações

729

Dica de Livro

O Sonho de Mendeleiev A Verdadeira História da Química Paul Strathern A obra de Paul Strathern revela a descoberta do cientista russo Dmitri Mendeleiev. A narrativa percorre diferentes épocas, desde os físicos gregos e a alquimia medieval até a fissão do átomo, transportando os leitores para as sucessivas descobertas do campo da química. As próprias palavras de Strathern resumem: “Em 1869, o cientista russo Dmitri Mendeleiev debatia-se com um problema: como colocar ordem na então recentíssima ciência da química? Exausto, caiu adormecido sobre sua mesa de trabalho. O sonho que teve – que lhe anunciava a chave para montar a Tabela Periódica dos elementos – iria mudar fundamentalmente o modo como vemos o mundo”.


TECNOLOGIA

QUÍMICA NAS MÃOS

Confira os aplicativos gratuitos para Android e iOS que vão te ajudar nas aulas de Química

MERCK PTE

CHEMISTRY MOBILE

CHEMISTRY HELPER

O aplicativo cede informações da tabela periódica. Além disso, é possível acessar dados de cada elemento químico, da história de sua descoberta até a classificação.

Possui uma calculadora capaz de equilibrar as equações químicas de várias dificuldades e de executar estequiometria. Estudantes de química também podem encontrar uma lista de fórmulas úteis.

O aplicativo contém tabela periódica que acessa links do Wikipedia. Além de tabela de redução de potenciais, trata de grupos funcionais da química orgânica, constantes e regras de solubilidade, calcula as massas moleculares de componentes e volume de soluções.

ORGANIC CHEMISTRY

VBS CHEMISTRY

MOLECULES

O app é divertido e abrange muitos temas, tais como reagentes, estratégia sintética e reações orgânicas. O aplicativo também tem truques para reações pouco conhecidas e pistas para reações orgânicas.

Com lições apresentadas em vídeos, dispostas a apresentar o funcionamento de fenômenos básicos, o aplicativo tem como intuito explicar a química do cotidiano.

É um aplicativo para visualizar renderizações tridimensionais de moléculas e manipulá-las usando os dedos.

PERFECT CHEMISTRY CALCULADORA

JMOL

Com uma tabela periódica interativa, o aplicativo ajuda no balanceamento de equações químicas. Há também um glossário interativo do tema.

Para quem procura um jeito melhor de visualizar ligações químicas, com moléculas em 3D, este aplicativo em Java pode ser a saída.

Com lições apresentadas em vídeos, dispostas a expor o funcionamento de fenômenos básicos, o aplicativo tem como intuito explicar a química do cotidiano.

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CIÊNCIA

JANGO: MISTÉRIO DE SUA MORTE SOB A LUZ DA QUÍMICA FORENSE Dra. Elsa Nhuch - Conselheira CRQ-V vigiado pela “Operação Condor”, uma aliança entre as ditaduras do Cone Sul e os Estados Unidos, nos anos 70, para perseguir opositores dos regimes militares da região. Sugerem ainda que ele possa ter sido assassinado por ordem da ditadura brasileira.

A morte do ex-presidente brasileiro

João Goulart, supostamente atribuída a um ataque cardíaco, volta a chamar a atenção da mídia e da população. A família de Jango suspeitou que ele tivesse sido envenenado durante seu exílio na Argentina, e entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República. Nesta, solicitava a investigação sobre o suposto complô que teria levado ao assassinato por envenenamento do ex-presidente, deposto pelo golpe de 1964, e morto no exílio em 1976, em terras argentinas. A Secretaria de Direitos Humanos, Comissão Nacional da Verdade, Ministério Público, Polícia Federal e Comitê Internacional da Cruz Vermelha endossam o movimento feito pela família Goulart, anos atrás, no sentido de recorrer à ciência para tentar esclarecer as causas e as circunstâncias da morte de Jango. Há indícios de que Jango tenha sido 4

A suspeita de assassinato ganhou mais força em 2006, quando Mario Neira Barreiro, que trabalhou para o serviço de inteligência uruguaio, declarou à Polícia Federal que teve participação na morte de Jango. Ele afirmou que o ex-presidente foi envenenado pela adulteração de um de seus medicamentos de uso contínuo, como Isordil, Adelpan e Nifodin. Alegou também que houve cautela para que Jango não fosse examinado durante 48 horas, pois aquela substância poderia ser detectada. Jango faleceu dias depois, na madrugada de 6 de dezembro de 1976, em sua Fazenda Villa, na cidade de Mercedes, Argentina. Oficialmente, foi constado que o ex-presidente faleceu de ataque cardíaco. Seu corpo foi enterrado em São Borja, sem passar por autópsia. No dia 13 de novembro de 2013 o corpo de João Goulart, foi exumado com o objetivo de tentar esclarecer as causas de sua morte. Durante dezoito horas os peritos trabalharam na exumação do corpo do ex-presidente, na cidade de São Borja. Começaram pela perfuração das paredes do jazigo, para fazer a extração de gases tóxicos e substâncias que eram utilizadas pela “Operação Condor”. A Polícia Federal e uma equipe de pe-

ritos forenses brasileiros e estrangeiros foram convocadas para desvendar este mistério. Primeiramente, os restos mortais encaminhados ao Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal em Brasília, foram submetidos a exames periciais, como os testes antropológicos (medição de ossada, tomografia e radiografias), e a coleta de material para determinação de DNA e comparação com os familiares, afim de confirmar a identidade. Após a identificação do corpo, amostras de cabelo, ossos e tecidos foram coletadas para os exames toxicológicos, cujo objetivo é verificar a hipótese de morte por envenenamento. Serão procurados traços de medicamentos que eram utilizados por Jango, além de substâncias que poderiam ter provocado a sua morte. Segundo dados oficiais, estas amostras foram enviadas a dois laboratórios no exterior. Esta prática de envio de amostras a dois laboratórios forenses certificados e independentes é muita utilizada para possibilitar a comparação dos resultados, que poderão tardar mais de seis meses. Um fato tão importante na história brasileira apenas será desvendado com o auxílio da ciência, mostrando a importância do papel do Químico Forense. Cabe ao governo e a sociedade incentivar a formação de pessoal e laboratórios especializados para o crescimento desta área tão estratégica da Química.


A situação atual Após ser levado à Brasilia, com o intuito de realização de exames no Instituto Nacional de Criminalística (INC) do Departamento da Polícia Federal, o corpo de Jango retornou a São Borja, no dia seis de dezembro deste ano. A data escolhida é o 37º aniversário de morte do ex-presidente, e na ocasião os restos mortais do ex-presidente foram enterrados com honras militares. No dia onze, deputados e senadores se reuniram em uma sessão solene do Congresso Nacional para devolver simbolicamente o mandato presidencial de Jango. A investigação quanto a causa de morte continua. No exterior serão feitos os testes para averiguar a causa da morte de Jango e sua possível relação com envenenamento. No INC serão coletadas amostras de cabelo, dente, osso e tecidos. Após a coleta serão lacradas em segurança e enviadas para dois laboratórios estrangeiros. Baseada em literatura acadêmica e depoimentos, a Polícia Federal (PF) elaborou uma lista de substâncias que eram utilizadas pelas ditaduras do Cone Sul em meados da década de 1970. Não há certeza quanto aos laudos serem conclusivos, tampouco previsão para a divulgação de resultados concretos.

EXAME TOXICOLÓGICO 1

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ENVIO DAS AMOSTRAS

Nos laboratórios as amostras são trituradas com solventes, a finalidade deste processo é extrair as substâncias pesquisadas.

Depois da coleta, amostras são enviadas para o exterior. Anexados a estas irão relatórios e protocolos com o detalhamento do Caso Jango.

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PREPARO DAS AMOSTRAS As amostras são filtradas e preparadas para análise, após são colocadas em tubos de ensaio. Testes verificam se são ácidas, básicas ou neutras.

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TRITURADOR

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EQUIPAMENTO As amostras são analisadas em equipamentos específicos, dependendo do composto que se quer determinar.

PROCURA DOS VENENOS Os resultados são comparados com padrões de remédios que foram utilizados por Jango, como Isordil e Adelfan, além de substâncias que podem levar a morte em doses elevadas, como cloreto de potássio, clorofórmio e escopolamina. 5


SAÚDE

VITAMINA DO SOL

O verão é a estação ideal para repor os estoques da substância. Associada ao bom funcionamento de todo o organismo humano, a presença da vitamina D é essencial.

Mar,

sol e bronzeado marcam o verão. Entre preocupações como o número correto de protetor solar e manter a hidratação do corpo está o paradoxo da substância comumente conhecida como vitamina D. Importante para a formação e desenvolvimento ósseo, para o sistema imunológico, coração, cérebro e na regulação do pâncreas com a liberação de insulina, provém especialmente do contato com o sol. Entretanto, devido à poluição da camada de ozônio, o acesso à luz solar de forma benéfica é restrito, e a estação mais quente do ano pode se tornar um empecilho não apenas para a pele, mas para a produção da vitamina D. Novos estudos assinalam a importância da “D”, e tanto a sua ausência quanto o seu excesso causam danos à saúde de crianças e adultos. Pouca exposição ao sol (uso de bloqueador solar, estação do ano ou localização geográfica) é o principal motivo para a deficiência da vitamina. Podendo ser adquirida via alimentação, ao ser ingerida na maior parte das vezes permanece inativa, e, consequentemente, incapaz de participar de processos orgânicos. Para ser ativada é imprescindível que passe por uma etapa que provém da radiação ultravioleta vinda do sol. No organismo a D pode ser classificada em quantidades como adequada, insuficiente ou deficiente. Um exemplo do quadro existente no momento é uma pesquisa relacionada a juventude e a vitamina D. Os resultados apontam que em Porto Alegre apenas 9,4% dos adolescentes (14 a 18 anos) apresentam níveis adequados da vitamina no organismo. Enquanto isso, o grau de insuficiência atinge 54,3% e 36,3% dos 6

jovens, caracterizando a deficiência. Em exames, a deficiência é detectada caso os níveis sejam inferiores a 20 ng/ ml de 25 (OH) vitamina D (forma medida no sangue), enquanto níveis acima de 30 ng/ml de 25 (OH) vitamina D são considerados adequados (uma variação entre 30-100 ng/ml é apropriada).

A exposição ao sol A endocrinologista e doutora em endocrinologia com ênfase em metabolismo ósseo, Gabriela Luporini Saraiva, revela que para reverter este quadro é necessária a exposição ao sol durante horários seguros para a pele, que não provoquem queimaduras ou estimulem a existência de outros problemas de saúde, como o câncer de pele. “Antes das 9h e depois das 16h, de 15 a 30 minutos de exposição de braços, colo e rosto seriam satisfatórios. Quando isto não é possível, ou até mesmo insuficiente, a suplementação oral de vitamina D pode ser necessária”, complementa Gabriela. Fatores como a época do ano (inverno e verão), região do país (com maior ou menor incidência solar) e tonalidade da pele são determinantes para a produção da vitamina pelo organismo, sendo assim a quantidade de tempo de exposição ao sol para que os níveis da D sejam adequados pode ser consideravelmente variável. “Como consequência de uma menor concentração de melanina na pele, pessoas de pele clara tem maior facilidade em produzir vitamina D do que pessoas de pele negra quando expostas ao sol. De acordo com um

“Em Porto Alegre apenas 9,4% dos adolescentes (14 a 18 anos) apresentam níveis adequados da vitamina D no organismo.” estudo realizado em Belo Horizonte, 5 a 10 minutos é um tempo típico de exposição ao sol, ao meio-dia de um dia ensolarado, para que uma pessoa de pele clara adquira a concentração adequada de vitamina D”, informa a nutricionista Thaís Rasia da Silva. Apesar dos benefícios que o sol proporciona para o organismo, devido à produção da vitamina mencionada, ele é o principal fator de risco para o câncer de pele. Dermatologistas atentam que todo o cuidado é necessário durante o verão, relembrando que o tempo estabelecido para que ocorra a síntese de vitamina D não deve ser ultrapassado e que cada tipo de pele, a localidade e o horário determinam a exposição e seus efeitos colateriais. No caso de crianças com menos de dois anos, que não podem utilizar o protetor solar devido aos componentes químicos deste, a proteção ideal é com guarda-sol, roupas e chapéu. Pediatras recomendam que crianças sejam submetidas a exames de dosagem de vitamina D no sangue, e caso seja necessário recorram à suplementação.


pele muito branca

de o p Tem

horários de exposição

ção i s o Exp

8h às 11h

11h às 15h

15h às 18h

8h às 11h

11h às 15h

15h às 18h

abaixo dos trópicos

3 a 5 min

1 a 5 min

3 a 5 min

5 a 10 min

2 a 8 min

5 a 10 min

acima dos trópicos

3 a 5 min

1 a 5 min

3 a 5 min

10 a 15 min

5 a 10 min

10 a 15 min

fator de proteção

pele branca/parda

pele morena

8h às 11h

11h às 15h

15h às 18h

8h às 11h

11h às 15h

15h às 18h

8h às 11h

abaixo dos trópicos

10 a 15 min

5 a 10 min

10 a 15 min

15 a 20 min

10 a 15 min

15 a 20 min

acima dos trópicos

10 a 20 min 10 a 15 min 10 a 20 min

15 a 30 min

15 a 20 min

15 a 30 min

fator de proteção

fator 15

O caminho da vitamina A síntese de vitamina D ocorre apenas com a incidência de um raio solar específico, o ultravioleta B (UVB). Ao incidir nas células da epiderme, os raios UVB transformam um derivado do colesterol, o 7-DHC, em colecalciferol. Este é comumente conhecido como a vitamina D3, uma forma inativa da vitamina D. Pela corrente sanguínea a D3 chega ao fígado, onde é convertida em 25-hidroxivitamina D (ou 25OHD). Após, a 25OHD chega aos rins, se converte em vitamina D e é levada para todo o organismo. No intestino, por exemplo, a vitamina estimula a produção de proteínas responsáveis pela absorção do cálcio pelos ossos. Pesquisas recentes confirmam que praticamente todos os tecidos e órgãos do corpo possuem receptores da vitamina D. Estes são capazes de

fator 30

fator 30

pele moreno-clara

horários de exposição

pele branca

pele negra

15h às 18h

8h às 11h

20 a 25 min 15 a 20 min

20 a 25 min

20 a 30 min 15 a 20 min

20 a 30 min

30 a 40 min 20 a 25 min

30 a 40 min

30 a 45 min 20 a 30 min

30 a 45 min

fator 15

11h às 15h

fator 8

responder à ação da vitamina que vem dos rins e até mesmo de transformar a 250HD que provém do fígado na vitamina.

A falta e suas consequências Diversas pesquisas vão reconstruindo os conhecimentos e assinalando a importância desta vitamina. Estudos têm evidenciado que a diminuição da vitamina D está associada ao aumento do risco de câncer, doenças auto-imunes e infecciosas, ao aumento da hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, insuficiência renal crônica, infarto agudo do miocárdio, sendo que a deficiência tem sido considerada como fator independente e modificável de risco cardiovascular. Diretamente ligada aos ossos, a vitamina influência nas condições destes. “Na regulação do cálcio, a vitamina é

11h às 15h

15h às 18h

fator 8

responsável pela absorção intestinal deste, reabsorção das perdas renais de cálcio e tem uma ação direta nas paratiróides, controlando a secreção de PTH (paratormônio). O objetivo desse sistema é manter a quantidade de cálcio no sangue, mesmo que para isso tenha que sacrificar a qualidade dos ossos”, explana Gabriela. A endocrinologista acrescenta informando que para compensar a falta de cálcio do organismo o corpo encontra como solução retirar este dos ossos, o que os enfraquece e predispõe a doenças como a osteoporose. Em crianças a sua falta causa raquitismo, que no adulto corresponde a osteomalácia ou amolecimento dos ossos. Em outros casos ocorre o enfraquecimento do sistema esquelético e a predisposição a fraturas. O pediatra João Mazzola ressalva que a vitamina é essencial para crianças, gestantes e mães que estão amamentando, por ajudar na fixação do cálcio e do fósforo nos ossos e dentes. “Em


SAÚDE

“Em crianças a deficiência desta vitamina causa raquitismo, que é uma doença que desenvolve transtornos de crescimento e desenvolvimento da criança” crianças a deficiência desta vitamina causa raquitismo, que é uma doença que desenvolve transtornos de crescimento e desenvolvimento da criança”, assinala o pedriatra. “As crianças, na fase lactente têm menos exposição solar e o leite materno é pobre em vitamina D. Portanto, a Organização Mundial da Saúde e as Sociedades de Pediatria recomendam que se faça suplementação de vitamina D desde o nascimento até o primeiro ano para prevenir o surgimento de raquitismo”, informa. O profissional relata que, por causa da suplementação de rotina, são raros os casos de raquitismo atualmente. No caso de idosos, a exposição solar e modificações na estrutura da pele dificultam a produção da vitamina D endógena (própria), consequentemente estes ficam deficientes de vitamina e podem adoecer. Conforme a pesquisa1 da qual Gabriela fez parte, referente a estudos com idosos e influência de vitamina D nestes, foi observado que mais de 50% dos idosos analisados (pacientes ambulatoriais e institucionalizados) apresentam pequena quantidade da vitamina D no organismo. “Cada vez mais a população vem envelhecendo, usando mais protetor solar quando se expõe ao sol e tornando-se mais confinada em ambientes fechados. A parte boa é que cada vez mais os médicos estão atentos a deficiência desta vitamina e é mais comum encontrarmos pacientes com suplementação de vitamina D”, comenta Gabriela. Alterações no corpo humano modifi-

cam as estruturas, dificultando a existência da vitamina e até mesmo de cálcio no organismo. “Com o processo de envelhecimento ocorre uma diminuição natural da síntese de vitamina D na pele e diminuição de sua absorção intestinal. Em mulheres na pós-menopausa a queda dos estrogênios pode levar a menor ação do paratormônio e acarretar em redução da vitamina D ativa”, evidencia Thaís, que enaltece que algumas vezes é necessária a complementação de cálcio na dieta de mulheres na menopausa.

Fontes alimentares As quantidades presentes nas dietas normalmente são pouco consideráveis. A vitamina, relacionada a fontes alimentares, pode ser encontrada em peixes gordurosos, como o salmão, no óleo de fígado de bacalhau, cogumelos do tipo shiitake, gema de ovo e leites enriquecidos. De acordo com Thaís, no caso alimentar é improvável que haja absorção excessiva de vitamina D, a menos que seja rotineiro o consumo de óleo de fígado de bacalhau. É indispensável que além da alimentação haja o tempo de exposição ao sol, para que seja efetuada a síntese. São poucas as fontes ricas em vitamina D e capazes de assegurar uma alimentação diária equilibrada e capaz de alcançar níveis suficientes da vitamina. Para tal, seria necessário ingerir cerca de três latas de sardinha, dois pedaços grandes de salmão ou de 50 a 100 gemas de ovo todos os dias.

1

Intitulada: “Prevalência da deficiência, insuficiência de vitamina D e hiperparatiroidismo secundário em idosos institucionalizados e moradores na comunidade da cidade de São Paulo, Brasil”, 2006. 8

fonte: http://www.stockfreeimages.com/


Suplementação Existem dois tipos de vitamina D: o ergocalciferol (vitamina D2), de origem vegetal, e o colecalciferol (vitamina D3), encontrado nos animais e produzido pelos seres humanos. Os suplementos podem ser elaborados a partir de qualquer uma destas fontes, que possuem a mesma eficiência. Em locais como o Canadá, que em determinadas regiões tem invernos com duração de até sete meses, o governo determina que a indústria alimentícia produza leites e margarinas enriquecidos com a vitamina D. As políticas de fortificação dos alimentos podem ser observadas principalmente na indústria dos laticínios. “Esta medida não impede, mas minimiza o percentual de pessoas com deficiência ou insuficiência de vitamina D. Em um estudo recente realizado com adolescentes, daqueles que receberam 200 ml/dia de leite fortificado com 1.000 UI de vitamina D, apenas 18,9% apresentavam hipovitaminose enquanto que ela estava presente em 94,1% daqueles que não receberam o leite fortificado”, exemplifica Gabriela. Os suplementos da vitamina podem ser encontrados na forma de comprimidos ou gotas. Para que seja mais eficiente, é recomendável que tenha algum componente oleoso em sua composição, visto que a vitamina D é lipossolúvel e será mais facilmente absorvida quando diluída em óleo. “O uso de suplementos contendo até 2.000 UI por dia é considerado seguro, doses muito elevadas podem desencadear náuseas, diarréia, cefaléia, fraqueza muscular, depósitos de cálcio e cálculo renal”, garante Thaís. Gabriela completa a informação, revelando que o excesso de vitamina com consequências é descrito a partir de doses diárias maiores que 10.000 UI/ dia e que no caso de idosos a dosagem recomendada constam na reposição de 800 UI a 2.000 UI por dia.

Hormônio ou vitamina? A vitamina do sol, conhecida como vitamina D, guarda em seu nome um equívoco: não é uma vitamina. O erro é histórico e data em 1922, quando a substância foi denominada vitamina devido ao fato de acreditarem que apenas poderia ser obtida por intermédio da alimentação. O “D” é referente à sua descoberta após a das vitaminas A, B e C. Nos anos 70 a ideia foi questionada e estudos comprovaram que ao contrário do que se supunha o corpo humano produz vitamina D. Tendo em vista que as vitaminas não podem ser sintetizadas pelo nosso organismo, percebeu-se que a substância na verdade é um hormônio. Apesar da constatação, até mesmo profissionais da saúde e pesquisadores continuam chamando a D de vitamina.

Aproveitando o verão Para manter-se saudável no verão e adquirir o estoque de vitamina D necessário, a nutricionista Thaís Rasia da Silva aconselha que atividades físicas sejam realizadas em ambientes externos e que alimentos ricos em vitamina D sejam ingeridos, como peixes e leites enriquecidos. “Alimentação equilibrada e exercício físico são a chave para manter-se sempre saudável”, garante. 9


C ONSELHEIROS

CONHEÇA O CRQ-V CELSO CAMILO MORO Celso (60) é químico, engenheiro químico, mestre e doutor em Engenharia Química. Atualmente é professor do Instituto de Química da UFRGS onde atua como docente no Setor de Química Analítica Quantitativa e como pesquisador nos programas de pós-graduação do Instituto de Química e do Departamento de Engenharia Química nas áreas de Química Inorgânica e Catálise. Futuramente pretende continuar lecionando química e trabalhando no campo da pesquisa. CRQ-V: Como se interessou pela área da química? Celso Camilo Moro: O meu interesse pela ciência surgiu no Ensino Médio por influência dos professores de Química e de Física. Ao final do curso optei por estudar Química por entender que ela me daria mais oportunidades profissionais. CRQ-V: Como se tornou Conselheiro? C.C.M: Tornei-me conselheiro por convite do Presidente do CRQ-V na época, Ennecyr Pilling Pinto. Eu era o Secretário Regional da Sociedade Brasileira de Química e participava com as outras entidades ligadas à química das comemorações do Dia do Químico, assim surgiu o convite e me candidatei. CRQ-V: Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? C.C.M: Foram dois momentos. O primeiro quando cursava a faculdade e fui atuar como monitor na disciplina de Química Analítica Quantitativa. Percebi que mais do que entender o comportamento das substâncias químicas eu podia manipulá-las, isto é, controlar suas propriedades. O outro momento foi quando decidi fazer o doutorado em Catálise, o que foi uma mudança, pois até o momento as minhas atividades químicas estavam diretamente relacionadas com a Química Analítica. 10

MATEUS ANTÔNIO GUBERT ANDRADE Mateus (64) é licenciado em Química, bacharel pela PUCRS e mestre em Físico-Química pela UFRGS. Trabalha com atividades na graduação da Faculdade de Química da PUCRS e pretende continuar lecionando. CRQ-V: Como se interessou pela área da química? Mateus Antônio Gubert Andrade: Meu interesse pela química surgiu quando ainda aluno do “científico” na Escola Estadual Júlio de Castilhos (Julinho), na 3ª série, oportunidade em que fui aluno do Prof. Silvio Dani, excelente professor e grande motivador. Suas aulas eram espetaculares. Apesar de hoje ser físico-químico, meu entusiasmo inicial surgiu com orgânica. O Prof. Silvio Dani mostrava uma química próxima do dia-a-dia, o que tornava o estudo atrativo e interessante. CRQ-V: Como se tornou Conselheiro? M.A.G.A: Sempre estive muito ligado ao CRQ-V, pois durante muitos anos fui delegado eleitor indicado pela Faculdade de Química. Em função desta participação fui recomendado por meus colegas para integrar uma chapa de conselheiros e, aqui estou. CRQ-V: Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? M.A.G.A: Quando acadêmico sempre gostei muito da área da físico-quimica, mas não ministrava nenhuma disciplina específica em meu curso. Como graduei com o 1º lugar de minha turma, um ex-professor da graduação e, na época meu colega professor da Faculdade de Química, me convidou para ministrar uma das disciplinas de físico-química, o que para mim foi um desafio. Ao aceitá-lo procurei direcionar meus estudos posteriores (mestrado) para esta área, tendo a honra e a satisfação de ser orientado pelo Prof. Dr. José Schifino, por quem tenho grande estima.


Agenda ELSA NHUCH

18 de Janeiro Elsa é bacharel e licenciada em Química (PUC-RS) e mestre em Química Inorgânica (PUC-RJ). Tem especialização em Tecnologia de Alimentos (Technion- Israel), doutorado em Tecnologia de Alimentos (Univ. de León – Espanha) e pós-doutorado em Análises Ambientais (FIU - Miami). Hoje atua como assessora da presidência do CRQ-V e é presidente da Associação Brasileira de Química- RS.

CRQ-V: Como se interessou pelo área da química? Elsa Nhuch: A minha primeira ideia era cursar Matemática, mas achei que seria muito aborrecido. A Química se mostrou mais atrativa, principalmente devido às aulas práticas e as inúmeras aplicações desta ciência. CRQ-V: Como se tornou Conselheira? E.N: Fui indicada pela Universidade a qual me dediquei por 17 anos. CRQ-V: Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? E.N: Fazendo uma retrospectiva da minha vida profissional, constatei que a Química me deu ferramentas importantes para desenvolver a vontade de conhecer e aplicar os conhecimentos adquiridos. Esta busca me levou a estudar em três países, nos quais, além de enriquecer minha carreira, conheci e respeitei culturas diferentes da nossa, e o mais importante, aprendi outros idiomas.

Curso de Tratamento de Águas de Piscina Informações e inscrições: Telefone: (51) 3225 9461 www.abqrs.com.br

07 de fevereiro Curso de Transporte de Cargas Perigosas Informações e inscrições: Telefone: (51) 3072 6508 E-mail: iapc@iapc.org.br

22 a 25 de abril Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente 2014 Informações e inscrições: www.fiema.com.br

Nota de Falecimento Com pesar informamos à comunidade química o falecimento do Químico Industrial Bernard Copstein. Nascido em 1926, foi formado em Química Industrial e Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 1949, com Jaime Zalmom, fundou a Indústria Química Star, empresa pioneira na fabricação de resinas no RS. Copstein foi diretor do Sindiquim de 1947 até 2013. Em 2010 foi homenageado como destaque profissional do ano pelo CRQ-V. O profissionalismo e trabalho de Bernard ficarão em nossas memórias.

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CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5ª REGIÃO

A VIDA É NOSSO PRINCIPAL ELEMENTO

Av.Itaqui, 45 Porto Alegre/RS - CEP 90460-140 Fone/Fax: (51) 3330-5659 www.crqv.org.br


Informativo CRQ-V 131