Informativo nº 128

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Informativo do Conselho Regional de Química Jan-Fev-Mar de 2013 | Ano XVII | N° 128

Desvendando O

FAPERGS

Academia Riograndense de Química se reúne com a Fapergs

CONHEÇA O CRQ-V A partir desta edição uma série de perfis dos nossos conselheiros

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Índice 03 Academia Academia Riograndense de Química se reúne com a Fapergs

04 Especial

Desvendando o Cianeto

07 FEPAM

Nova medida para a remediação de área contaminadas por combustíveis

08 Conheça o CRQ-V Confira os conselheiros desta edição

10 Perfil

Rodrigo Nunes

11 Agenda

Expediente Presidente Paulo Roberto Bello Fallavena Vice-presidente: Estevão Segalla Secretário Renato Evangelista Tesoureiro Ricardo Noll Assessoria de Comunicação do CRQ-V assecom@crqv.org.br Jornarlista resp.: Vanessa Valiati Mtb 13018 Diagramação Gustavo Furstenau Redação Carolina Reck Tiragem 3.000 Impressão Gráfica Ideograf INFORMATIVO CRQ-V AV. ITAQUI, 45 - CEP 90460-140 PORTO ALEGRE/RS FONE/FAX: 51-3330 5659 WWW.CRQV.ORG.BR

*As opiniões expressas nos artigos não representam necessariamente a opinião do CRQ-V.

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Pedido de Auxílio para Eventos

Editorial O Informativo do CRQ-V traz nesta edição informações sobre um composto que tem estado constantemente na mídia, depois do desastre que vitimou 241 pessoas na cidade de Santa Maria, e está relacionado diretamente com a Química : o cianeto. Entrevistamos o engenheiro de segurança contra incêndios Cláudio Hanssen, o historiador Fabrício Dillemburg e a coordenadora clínica do Centro de Controle de Intoxicações do Hospital Universitário Antonio da Universidade Federal Fluminense, Lília Ribeiro Guerra. Junto à matéria, publicamos também um artigo esclarecedor escrito pelo membro da Academia Riograndense de Química, Nelson Calafate. Outra novidade é a atual medida exigida pela FEPAM visando a descontaminação do solo contaminado de postos de combustíveis. A partir da difusão de técnicas baseadas em estudos norte americanos, a instituição cumpre a sua finalidade: a proteção do Meio Ambiente. O Informativo do CRQ-V segue aberto à colaboração, críticas e sugestões. Envie seu e-mail para assecom@crqv.org.br . Boa leitura!

Números do Conselho DOCS

JAN

FEV

Total

AFTs Emitidas

909

488

1397

Registros Definitivos

41

-

41

Registros Provisórios

167

-

167

Certidões

26

13

39

Processos Analisados

515

162

677

Informamos que o prazo limite para o envio de solicitação de patrocínio e apoio de eventos para 2013 se estende até o dia 30 de março. Após essa data as solicitações não serão aceitas. Todos os pedidos de auxílio devem ser enviados, dentro do prazo estipulado, para o e-mail:

eventos@crqv.org.br

Dica de Livro Cozinha Geek

Ciência Real, Ótimos Truques e Boa Comida

Cozinhar é uma arte relacionada de maneira direta com os processos científicos. Cozinha Geek, de Jeff Potter, apresenta para o leitor a ciência que existe por trás das panelas. Além de curiosidades técnicas, o livro aborda questões como o tempo de cozimento, temperaturas, ar e equipamentos, que são responsáveis por reações químicas e físicas que aumentam o sabor e valor nutricional, além de reduzir as chances de intoxicação alimentar. Contendo as mais diversas receitas, a obra de Potter responde a questionamentos como: “Quais os tipos de fermentos e suas características?”, “Por que alguns alimentos são assados a 175 graus e outros a 190?” e “Quais os elementos químicos da indústria moderna?”.


Academia Riograndense de Química se reúne com a Fapergs

Academia

Divulgação/Fapergs

A

Inscrições Academia Riograndense de Quí- a instituição parceira fundamental na alamica (ARQ) esteve reunida com a vancagem deste processo”.

diretora-presidente da Fundação de Am-

Na proposta apresentada, foram elenca-

paro à Pesquisa do Estado do Rio Grande das algumas sugestões que, entre outras, do Sul (Fapergs), Nadya Pesce da Silveira, e incluem a Federação das Indústrias - FIERofereceu apoio à Fundação para ações que GS no que se refere à construção de um deem relevância e visibilidade aos pesqui- ambiente favorável para o aproveitamento sadores gaúchos.

das pesquisas científicas realizadas no Es-

“É muito importante para a Fapergs re- tado, levando-as para o mundo da produceber este suporte da Academia, fortale- ção industrial e negócios empresariais. cendo o vínculo da Fundação com a comunidade científica gaúcha”, disse Nadya.

Também estiveram presentes no encontro, além da diretora-presidente da Faper-

Para Estevão Segalla, presidente da gs, Nádya Pesce da Silveira, os acadêmicos ARQ, este encontro é resultado de uma Ione Baibich e Paulo Vellinho, e o presidensérie de reuniões em que os acadêmicos te do CRQ-V, Paulo Fallavena. identificaram a ARQ como uma entidade

A Academia Riograndense de Química foi

legítima para propiciar o amplo debate e criada no dia 20 de junho de 2008, e tem reflexões em torno das causas que histo- por objetivo congregar os segmentos da ricamente têm travado o desenvolvimento atividade química no estado do Rio Grande do Estado, no que concerne às atividades do Sul, por meio de pessoas que tenham da indústria e demais setores da Química valor reconhecido na comunidade. Busca e apontar caminhos a seguir para a re- ainda premiar e divulgar a área, reconheversão deste quadro. “Assim, a Fundação cendo cidadãos que se destacam no cotide Amparo à Pesquisa do Estado do Rio diano e gravando, assim, suas identidades

Abertas A Academia Riograndense de Química está com inscrições abertas para a eleição de novos acadêmicos. Até o dia 1º de maio, os candidatos devem ser indicados por meio da ficha de inscrição que consta no site www.academiaquimicars.com.br ou por e-mail, para crqv@crqv. org.br. Cabe ressaltar que os indicados ao título de acadêmico devem ter atividade técnico-profissional, científica ou docente (comprovada por títulos e trabalhos publicados), ou ainda, ter prestado serviços relevantes à profissão em níveis estadual, nacional ou internacional.

Grande do Sul - FAPERGS, poderá vir a ser na memória da química do RS. 3


Conheça o CRQ-V O Informativo do CRQ-V dá início a uma série de perfis com os seus Conselheiros para aproximar cada vez mais o leitor e a instituição. A cada edição, no decorrer de 2013, serão publicadas três entrevistas. Confira :

RENATO EVANGELISTA

R

enato (53) é licenciado em Ciências e em Química pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Também é graduado na Escola Técnica de Comércio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), universidade onde tem especialização em Ciência e Tecnologia dos Alimentos . Atua na área de desenvolvimento analítico, piscinas e também certificações de qualidade. CRQ-V: Como se interessou pela área da química? Renato Evangelista: Meu interesse se iniciou por meio da fluidez de entendimento a modelos moleculares apresentados nas aulas de ciências. CRQ-V : Como se tornou Conselheiro? R.E. : Por representação do Sindicato dos Químicos do Rio Grande do Sul (Sinquirs). CRQ-V : Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com a química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? R.E. : O desenvolvimento da área petroquímica e as questões ambientais. 4

ESTEVÃO SEGALLA

E

stevão (57) é graduado bacharel em Química com ênfase tecnológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua na área de laboratórios da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM). CRQ-V: Como se interessou pela área da química? Estevão Segalla: Os anos de preparação para o ingresso na universidade foram marcados fortemente pelo período de acelerado desenvolvimento da economia, com a preponderância do crescimento industrial. Na época, destacava-se e chamava a minha atenção o papel desempenhado pelo químico, como elemento imprescindível. CRQ-V: Como se tornou Conselheiro? E.S. : Muitas vezes o desenvolvimento e bom desempenho do profissional da área da química necessitam de um trabalho muito focado e assim, afastado do mundo externo. Me preocupava com esse fator, querendo estabelecer laços profissionais além de meu próprio ambiente de trabalho. Isso favoreceu a aproximação com a comunidade profissional organizada, e no momento oportuno, fui convidado à participação de forma mais efetiva, na condição de Conselheiro do CRQ-V. CRQ-V: Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com a química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? E.S. : A Primeira Conferência Mundial do Meio Ambiente, a Conferência de Estocolmo. Como citei anteriormente, o crescimento industrial favoreceu a formação de uma geração de profissionais. Até aquele momento, a sua atuação era marcada fortemente, senão exclusivamente, pelo estímulo à produção. Com a conferência, toda uma nova área de atuação se descortinou, com a participação imprescindível dos profissionais da área química.


Eventos Formaturas Fotos: Divulgação

ANAMÉLIA SAENGER DE VASCONCELLOS

A

namélia (46) é graduada em Química Industrial e licenciada em Química pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), também é mestre em Polímeros pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua como professora na Universidade Luterara do Brasil (Ulbra), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). CRQ-V: Como se interessou pela área da química? Anamélia Saenger Vasconcellos: Na hora de fazer a escolha para o vestibular alguns fatores foram decisivos. Os cursos na área da saúde foram descartados, pois se vejo sangue desmaio. Já imaginaram uma médica sem poder ver sangue? Assim, minha atenção foi deslocada para a área das exatas. Tinha muita curiosidade em saber do que é formado o nosso organismo, o que eram os medicamentos, e até mesmo os alimentos. Devido à tamanha curiosidade, a química foi escolhida. CRQ-V : Como se tornou Conselheira? A.S.V. : Por incentivo de meus colegas e como representante da ULBRA. CRQ-V : Lembra de algum momento relacionado ao seu trabalho com a química que mudou suas expectativas ou influenciou na sua escolha e modo de entender a área? A.S.V. : Quando fiz vestibular, minha escolha foi a Química Industrial. Não passava pela minha cabeça ser professora. No entanto, encontrei alguns professores excelentes, que ministravam aula como se estivessem brincando com a química. Eles mostraram o quanto é bom sabermos a razão e como os fenômenos acontecem, revelaram também que a cada questão respondida novos desafios surgem. Esse foi o motivo que me levou a ser professora de química.

Formatura do Curso Química Industrial da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) Com o representante do CRQ-V Wolmar Severo

Formatura do Curso Técnico em Química da Univates

Formatura do Curso Tecnólogo em Alimentos do Colégio Agrícola Frederico Westphalen

Formatura do curso Técnico em Quimíca do Colégio Ulbra Cristo Redentor

* Produtora: CLICK PRODUÇÕES

Diretor de Eventos: Otávio Burigo Diretora de Fotografia: Márcia Leal

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Perfil Divulgação/CRQ-V

Rodrigo Nunes

Contemporâneo implantou o Curso Técnico em Química, Nunes foi chamado para assumir a responsabilidade de coordenador. “Rodrigo sempre foi muito inteligente e seguro do que estava exercendo. Transparente em seus comentários e sugestões”, explana o colega docente Julio Claudio Vergana da Silva. professor Rodrigo Nunes A principal preocupação é tornar o (39) é exemplo para profissionais da área da química. curso cada vez melhor, e o objetivo diário do coordenador é que cada turma Atualmente cursa pós-graduação em fitoterapia e é o coordenador do seja superior às anteriores. “A ideia é que nem mesmo um dia cansativo Curso Técnico de Química do Coléimpeça o aluno de ter vontade de vir gio Contemporâneo de Camaquã, trabalho pela qual é muito elogiado para o curso”, esclarece Nunes. Para alcançar essas melhorias a por colegas e alunos. Dentre estes elogios é destacada a determinação, escola recebe apoio em forma de equipamentos, reagentes e acervos parceria e modo de educar do probibliográficos. Com o fim de atingir fissional. suas metas profissionais, Rodrigo A paixão pela química veio da conta com a direção da Escola Coninfância, e Nunes ressalva que suas lembranças mais remotas são temporâneo e seus colegas de área, relativas a experimentos caseiros ou que expressa serem como uma famífeiras de ciência na escola. Do mun- lia para ele. “A integração que existe dentro do curso faz toda a diferença e do literário, desde criança Rodrigo Rodrigo é como um pai para todos. É desfrutava das leituras voltadas para a área científica. Tudo que en- totalmente dedicado e envolvido com cada um que passa dentro da escola”, volvesse o “ser cientista” o encanassinala a atual tutora do Curso Téctava. Nos filmes, bruxas, feiticeiros e alquimistas eram os personagens nico de Química do Contemporâneo, Iara Menezes. favoritos do coordenador. Quanto Uma das famas do profissional é mais semelhante a um “cientista referente à sua capacidade de encalouco” fosse o personagem, maior minhar, praticamente todos os forera a adoração do garoto por ele. “Gostava de qualquer um que tives- mandos, para o mercado de trabalho. De acordo com seus relatos, muitos se um laboratório em meio a frasalunos estão em vias de estágio cos, fumaças e explosões”, brinca. antes mesmo do término do curso. “É Em jogos como Alquimia ou O muito estimulante quando sabemos Pequeno Químico (replicas de kits que nossos ‘frutos’ estão espalhados de laboratório) ele descobriu sua vocação. Em 2004, quando o Colégio por aí, em empresas de grande reco-

O

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O que um professor aprende com um aluno não se encontra em livros, cursos e apostilas nhecimento como Petrobrás, Ambev, Eletrobrás e Nestlé”, elucida. Da relação com alunos, o coordenador reconhece que é essencial mostrar para o educando que ele é inteiramente responsável por seu futuro. “Já dizia minha mentora, Maria Regina Soares Lopes, que se o aluno não for esforçado, ele pode estudar na NASA, Harvard ou Cambridge, que estará fadado a passar trabalho como profissional”, profere. Nunes também expõe que o aprendizado deve ser mútuo, e para ele esta é a parte fascinante na carreira de docente. “O que um professor aprende com um aluno não se encontra em livros, cursos e apostilas”, ilustra. “O exemplo de profissionalismo começa pelo professor. Rodrigo cumpre essa missão, atuando com dedicação mesmo fora de seu horário de trabalho. Isto motiva os alunos e os torna mais responsáveis, simplesmente por verem a competência de Rodrigo”, pronuncia Vergana. Iara ainda aponta que Rodrigo, sempre otimista, influencia seus alunos a acreditarem no próprio potencial. Citando “O sonho de Mendeleiev”, Rodrigo Nunes deixa uma mensagem para aqueles que pretendem seguir na área da química: “Que peculiar classe de mortais são os químicos. Impelidos por um desejo quase insano, a procurar seus prazeres em meio a fumaça e vapores, fuligem e chamas, venenos e pobreza... E no entanto, entre todos esses males, tenho a impressão que vivem tão agradavelmente que prefeririam morrer a trocar de lugar com o rei da Pérsia”.


FEPAM passará a exigir nova medida visando a remediação de áreas Divulgação/FEPAM

contaminadas por combustíveis Cumprindo sua finalidade de proteção do meio ambiente, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM) passará a exigir na Licença Ambiental nova medida de descontaminação do solo contaminado de postos de combustíveis. Baseada em técnicas e estudos norte-americanos, a ideia do engenheiro químico, Renato João Zuchetti, e dos geólogos, Vicente Biermann e Errol Gaspar dos Santos, obteve resultados positivos. Anteriormente, nos postos de combustíveis, os tanques de

Engenheiro Químico da FEPAM, Renato Zucchetti e Presidente da FEPAM, Carlos Fernando Niedesberg

armazenamento enterrados com o tempo se corroíam. Desta

Os produtos utilizados em ambos os proces-

corrosão provinham vazamentos de gasolina e óleo, que conta-

sos são: peróxido de hidrogênio, peróxido de hi-

minavam o solo dos arredores e lençóis freáticos.

drogênio + percarbonato de sódio + solução de

Para eliminar o quadro de poluição foram implementadas

ferro + peróxido de magnésio e surfactantes.

medidas exigindo a troca dos tanques antigos por novos, en-

Zuchetti explica que os surfactantes “seques-

camisados. A tática impedia que houvesse vazamentos para o

tram” os hidrocarbonetos, favorecendo o ata-

meio ambiente. Além disto, os postos com o solo contaminado

que do oxidante, ou seja, há disponibilidade de

tinham a obrigação de recuperar a área poluída. O tratamento

ataque direto. O percarbonato de sódio retarda

consistia em bombear águas do lençol freático, que passavam

a liberação do hidrogênio, como conseqüência

por um sistema de absorção com carvão ativado.

ele prolonga o período da reação química e o

No entanto, a relação de tempo e custo não era satisfatória,

produto fica ativo por trinta dias.

o sistema apontava baixa eficiência na remediação das áreas

O primeiro tratamento consiste em aplicar

contaminadas. De acordo com Zuchetti, o tratamento durava

peróxido quando removidos o tanque, solo e

de cinco a dez anos e novas medidas precisavam ser avaliadas

águas contaminadas. Neste caso são utilizados

para remediar o passivo ambiental de forma eficaz. “Em cinco

cerca de 200 litros para oxidação dos hidrocar-

anos chegávamos ao percentual de apenas 10% de desconta-

bonetos remanescentes. A operação dura três

minação. O momento exigia que uma diferente solução fosse

dias com grande chance de atingir os padrões

adotada”, revela.

internacionais de qualidade para recuperação

A nova medida busca resolver as ineficiências do método an-

de áreas contaminadas. O segundo tratamen-

tigo. Começou como uma provocação aos empresários, os ins-

to é aplicado em postos de combustível onde

tigando a mudar a rota existente e investir na ideia, que reduz

os tanques foram removidos no passado sem

custos e em curto prazo proporciona melhorias para o meio

tratamento adequado, é produzida uma malha

ambiente. A medida foi estabelecida em 24 postos, e em um

de poços (piezômetros) para a injeção do oxi-

ano os resultados foram gratificantes. “Em alguns casos bas-

dante (peróxidos) na pluma de contaminação

taram quatro meses e o índice de remoção dos poluentes foi de

mapeada. Visando atingir os padrões interna-

90%”, explana Zuchetti.

cionais de qualidade para recuperação de áreas

O presidente da FEPAM, responsável por apoiar o projeto,

contaminadas, ao longo de seis meses, são fei-

Carlos Fernando Niedesberg, ressalta que o novo sistema será

tas injeções periódicas. Tendo em vista a baixa

incluído como exigência nas Licenças. Segundo ele, existem

velocidade das águas subterrâneas e o tipo de

dois tipos de tratamento e em ambos a reação química gera

solo, esse processo é mais longo, pois dificulta o

somente CO2 + H2O.

contato do oxidante com o contaminante.

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Desvendando

O

O

incêndio na boate Kiss, de Santa Maria, somou o total de

HCN forma-se pela fácil combustão oxidativa de

241 mortes no dia 27 de janeiro. O ocorrido ocasionou

revestimentos acústicos produzidos com poliure-

uma série de investigações, onde estudos químicos são essen-

tano comum, material muito utilizado em grande

ciais na obtenção de resultados. Em entrevista ao jornal Zero

número de casas noturnas. Lília ressalva que o

Hora, a legista-chefe do Departamento Médico Legal (DML) de

cianeto pode se formar a partir da combustão de

Santa Maria, Maria Ângela Zuchetto, relata que todas as mortes

substâncias que contém em sua estrutura quími-

ocorridas na boate foram causadas por asfixia provocada pela

ca átomos de carbono e nitrogênio, que também é

inalação de cianeto e monóxido de carbono.

o caso de resinas de melamina, plásticos, seda e

O cianeto é o nome comum para compostos químicos à base

borracha sintética.

de ciano (C N ), com uma ligação tríplice entre o átomo de car-

O uso dos cianetos na indústria é muito abran-

bono e o de nitrogênio. A coordenadora clínica do Centro de

gente. A síntese química, a produção de colas e

Controle de Intoxicações do Hospital Universitário Antonio, da

fertilizantes, a extração de minérios, o polimen-

Universidade Federal Fluminese (UFF), Lília Ribeiro Guerra, que

to de ouro e prata, curtumes, metalurgia, reve-

também faz parte da Rede Nacional de Centro de Informações

lação de fotografia, indústria de papel e têxteis e

e Assistência Toxicológica da ANVISA, informa que os cianetos

até mesmo a fabricação de plásticos, borrachas e

podem ser de origem natural ou antropogênica (produzidos

agrotóxicos utilizam destes recursos. Tendo em

em laboratório). Segundo ela, no primeiro caso se encontram

vista a necessidade de cuidados especiais ao lidar

na forma de glicosídeos cianogênicos, como o amigdalosideo e

com o composto, Hanssen salienta que as emba-

linamarosideo, presentes em certos vegetais (mandioca brava),

lagens contendo cianetos não devem ficar próxi-

amêndoas amargas e sementes de frutas (cereja, maçã, pêra,

mas de recipientes que possuam ácidos minerais.

ameixa e pêssego). Os de origem antropogênica são: o cianeto

A medida evita o risco de derramamentos, contato

de sódio, cianeto de potássio, ácido cianídrico e cianeto de cálcio.

e liberação de cianeto de hidrogênio, ou HCN.

Absolutamente tóxico, o cianeto de potássio é um compos-

A contaminação ocorre por inalação de fumaça

to químico que ao entrar em contato com qualquer ácido se

tóxica contendo gás cianídrico, contato com a pele

converte em gás cianídrico (HCN). De acordo com o engenhei-

e até mesmo ingestão do composto ou produtos

ro de segurança contra o incêndio, Cláudio Alberto Hanssen, o

que contenham grande concentração de substâncias cianogênicas (como a mandioca brava). “O envenenamento também pode ocorrer pela ingestão de produtos químicos, que quando metabolizados pelo fígado se transformam em cianeto, como, por exemplo, os solventes contendo organonitrilos”, explica Lília. A profissional também acrescenta que fatores como a via de administração, dosagem e forma química na qual o cianeto é apresentado são responsáveis pela toxicidade deste. Os sintomas após a contaminação são relativos à concentração de cianeto no sangue.

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O quadro mostra relação entre concentração sanguínea do

Em 1782, K.W. Scheele descobriu o Ácido Cia-

cianeto (independente da via de exposição e da estrutura quí-

nídrico (HCN), aquecendo o Ácido Sulfúrico com

mica) e os sinais e sintomas que podem ocorrer numa intoxi-

Azul da Prússia, daí o antigo nome de Ácido

cação aguda:

Prússico. Em 1809, I. von Ittner obteve o com-

Concentração de cianeto no sangue (µg/ml) 0 - 0.5 0.5 - 1.0

1.0 - 2.5

2.5 - 3.0 >= 3.0

Sinais e Sintomas Sem sintomas

posto anidro. E J. L. Gay-Lussac estabeleceu sua composição atual, em 1811. Na natureza, encontra-se combinado com o

Taquicardia, rubor, dor de cabeça, hiperpneia (respiração rápida e profunda), tonturas Depressão do Sistema Nervoso Central (SNC), vertigem, taquipneia (respiração rápida e superficial), nausea, vômitos, asfixia, confusão mental.

açúcar Glicose e com outros compostos orgâni-

Depressão respiratória, convulsões, coma, cianose, apneia, colapso circulatório, midríase (pupilas dilatadas) Morte

rico e Água; se usar-se ácido concentrado, des-

Fonte: http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0910/cianetos/p6.html

O gás tóxico do cianeto foi o mesmo utilizado em câmeras de gás nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Conforme o depoimento do historiador Fabrício Gustavo Dillenburg, suicídios por meio do uso de cianeto eram comuns na época. “A cápsula de cianeto podia ser implantada em um dente falso ou transportada em uma pequena caixa metálica. Ela era utilizada em casos de captura ou extrema dor, evitando que segredos fossem descobertos pelo inimigo, ou que o sofrimento extrapolasse a capacidade de resistência”, revela Dillenburg.

cos, como o glicosido “Amigdalina”, que existe nas amêndoas amargas e em outras plantas. Preparação usual: 1) Destilando uma mustura de Cianeto de Potássio pulverizado, com uma mistura de volumes iguais de Ácido Sulfúprende-se considerável Monóxido de Carbono (CO). 2) Passando gás sulfúrico sobre o Cianeto de Mercúrio. O chamado “Cianeto de Hidrogênio” – como os cianetos em geral – puro é um dos venenos mais mortíferos, letais que se conhece, exigindo cuidados especiais em suas operações. Curiosamente, o Ácido Cianídrico é um ácido fraco e, por isso, seus sais hidrolisam-se fortemente em solução aquosa. Os mais importantes são o Cianeto de Sódio e de Potássio. Os cianetos de outros metais são obtidos por dupla decomposição com Cianeto de Potássio.

ARTIGO

O presente caso de formação de HCN por

Nelson

combustão de poliuretanos (estes podem ser

Gonçalves

lares muito grandes, não mensuráveis. Por

Calafate *Químico industrial, engenheiro químico e engenheiro de segurança do trabalho e membro da Academia Riograndense de Química.

auto-extinguíveis ou não), de pesos molecuexemplo, o monômero tipo poliéter. HO(-CH2CH2-O-CH2CH2-O)nH tipo poliéster pode reagir com o 2,4 e 2,6 – diisocianato de tolileno (TDI)

O Ácido Cianídrico (Antigamente denominado Cianeto de Hidrogênio) Referência: Química Inorgânica Moderna, J. W. Mellor (Livraria Globo – Porto Alegre/ RS, 1947).

2,4 e 2,6 - diisocianato de tolileno (TDI) 9


à temperatura ambiente e sob catálise de aminas, produzindo cadeias poliméricas que se estendem em estruturas múltiplas (poliuretanos).

-Sistema automático de “sprinklers” (chuveirinhos), principalmente para os clubes noturnos. - Revisão e endurecimento da relação de materiais de revestimento e decoração que possam ser liberados pelos Corpos de Bombeiros. É marcante a atividade NFPA (“National Fire Protection Association”), que, apesar de não ter autoridade para a fiscalização, ela monitora as atividades dos Corpos de Bombeiros. Por exemplo, “bloquear uma saída de emergência custa a licença ou impede a sua renovação”. O desafio para a Segurança é manter o Padrão. Com o passar do tempo, a sensação de perigo diminui, e o risco é o Poder Público relaxar de novo. Já na Europa, como a França, é impossível abrir-se

Propriedades mais importantes: resistência muito

uma casa noturna, discoteca, com apenas uma porta de

alta à abrasão; capacidade de formar polímeros celula-

saída: devem ser duas e sem obstáculos. Não deve haver

res de larga faixa de densidade e flexibilidade.

incêndio pelo teto ou pelo superaquecimento de cabos

Aplicações industriais típicas: como massa flexível,

elétricos, como ocorreu em Santa Maria/ BR.

em estofados, formação de tapetes, de couros sinté-

O alarme de incêndio deve interromper a música de

ticos; como espuma rígida, em substituição à madeira,

imediato e ser divulgada uma mensagem que oriente as

em molduras e peças de móveis; em fibras; em tintas.

pessoas a seguir rumo para as saídas.

Nomes comerciais mais conhecidos: Lycra, Vulkolane. Referência: Introdução a Polímeros, Eloisa Biasotto Mano9, UFRJ (Editora Edgard Blucher Ltda, São Paulo/SP), 1985.

O pessoal de Segurança deve ter formação especial e, de preferência, deve haver uma Brigada de Incêndio. Para o uso de fogos em locais fechados, primeiramente deve haver um teto muito elevado, mínimo de 6 me-

A Experiência Exterior

tros e dispor-se de um sistema contra incêndio. Hoje, há cerca de 2.400 discotecas na França; há 20

A preocupação dos Estados Unidos/EUA, com re-

anos, eram perto de 10.000.

gulamentação e fiscalização federais, vem do ano de

Em 1970, mais de 140 jovens morreram em incêndio,

1811. Principalmente ao longo da última década, após o

em Saint-Laurent-du-Pont: as portas de emergência es-

fogo consumir a Boate “The Station”, em Rhode Island

tavam trancadas para impedir a entrada dos chamados

(2003), vitimando 100 pessoas e com erros semelhan-

“penetras”. O fogo pro pagou-se rapidamente porque a

tes à Boate Kiss/Brasil. Havia superlotação e material

decoração era de poliuretano e papel “machê”.

proibido no revestimento das paredes e teto, para não

A aprovação de uma boate é procedida por uma co-

vazar som, e foi usado um sinalizador para espetáculo

missão de policiais, bombeiros, representantes das ad-

pirotécnico sem autorização.

ministrações locais, do serviço de controle de qualidade

Regras rígidas passaram a ser reforçadas:

dos alimentos e do serviço de verificação das regras de

- Duas portas de saída para estabelecimentos com

acessibilidade. Custo mínimo de 500 mil euros.

mais de 100 pessoas; com largura desenhada para um

Ênfase para sistemas elétricos, bem como tipo de pin-

número específico de pessoas que permita um preciso

tura e decoração dos locais: por exemplo, tipo de tecidos

cálculo de evacuação emergencial. Essas saídas, tam-

de móveis – tudo auto-extinguível (à prova de fogo).

bém, devem ter separação entre elas, assegurando vários pontos de fuga.

10

Em alguns casos, é exigida a presença de profissional bombeiro trabalhando no local.


Cuidados Médicos A pneumonia química: problemas respiratórios (falta de ar) causados pela inalação da fumaça ácida (aqui, também, efeito do Ácido

Agenda

Cianídrico), cujos sintomas poderão ser sentidos, evoluídos somente depois de alguns dias (ainda há 16 vítimas em hospitais próximos). Alguns doentes tiveram quadro de queimadura pulmonar, também pela fuligem tóxica do isolamento do som, do poliuretano. 20 a 30 ventiladores mecânicos estão, agora, disponíveis para ultimar os trabalhos médicos. A Perícia Segundo os primeiros passos da Perícia Técnica, deu-se a asfixia de um grande número de vítimas (241 mortos e 16 sobreviventes, até hoje), devido à formação de gás cianídrico, altamente tóxico, letal pela queima de espuma do material poliuretano irregularmente instalado como isolamento acústico. E, em menor escala, ocorreu a queima dos corpos. Os laudos produzidos pelo Instituto Geral de Perícias/ IGP são

18 e 19 de abril Curso Teórico/Prático de Microbiologia de Lodos Ativos

Informações e inscrições: Umwelt Biotecnologia Ambiental Rua Quixabas, 245 - Velha Blumenau, SC Telefone: (47) 33253703

18 e 19 de abril I Workshop em materiais híbridos multifuncionais Anfiteatro do ILEA - Campus do Vale - Ufrgs - Porto Alegre – RS Informações e inscrições: www.hibridosmultifuncion.wix. com/2013

fundamentais para a conclusão do inquérito, já que podem provar cientificamente a tese da polícia de que houve homicídio qualificado doloso por asfixia motivada, repetindo à exaustão, pela ação corrosiva do Ácido Cianídrico surgido da combustão de isolamento de poliuretano de má qualidade. Aquela tese está comprovada nas primeiras amostras analisadas e expostas às autoridades policiais.

23 a 26 de abril VI Congresso Latino Americano e XII Congresso Brasileiro de Higienistas de Alimentos Informações e Inscrições: www.higienista.com.br

26 de abril Curso de Transporte de Cargas Perigosas Informações e Inscrições: Telefone: (51) 3072-6508 E-mail: iapc@iapc.org.br

13 a 16 de agosto 1º Seminário Internacional de Química Forense

Informações: www.abqrs.com.br/portal/img/siquif/ folder.pd OU www.abqrs.com.br/portal/php/siquif. php

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