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Caravan do CremrP ~ vai aonde , o povo e....... a

rios Vital faz um balanço d~ sua gest em entrevista _.~ As comemorações dos 50 anos do Cremepe Pátio de São Pedro:

cores e sabores


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AIS DE UM SECULO, ~ DRO II CUIDOU UITA E E. AGORA A PRECISA CUIDA DELE.

o Hospital

Pedro II já f oi refa êncill em Pernalllbu co. Nele, 115 primeiras cirurgias do estado foram re alizada s e funciollava o Ho spital das Clíni cas da Fa culdade de Medicina do Recife. Ess/' palril/1 à/lio histórico agora fa z parte do 'M/P. Ma s !)tWI volt ar tl f Ull cio//ar, com at endimento médico , F. scola Téc nica de Sa úd./' ..Ccl/ t_ro de CO llllt' nções e Centro Cultu fa l, precisa passar por ll/ll a grallde rev7la IIzaça o. COLABORE COM A OBRA DE RESTAURAÇÃO DO HOSPITAL PEDRO lI. LIGUE: 2122 4799.

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N° 1 1 • Ano 5 • Ago/Set/Out 2008

Editorial revista Movimento Médico traz nesta sua décima­ primeira edição uma entrevista especial com o presi­ dente do Conselho Regional de Medicina, Carlos Vital, que estará deixando o cargo no dia primeiro de outubro deste ano. Na entrevista, o presidente do Cremepe faz um balanço da sua gestão, fala da luta da categoria médica por me­ lhores salários e condições mais dignas de trabalho, e se mostra feliz e com a consciência tranqüila pelo dever cumprido nesses dois anos e meio em que esteve à frente da presidência do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. Movimento Médico mostra também como foram as comemora­ ções pelos cinqüenta do Cremepe, que contaram com homenagens da Assembléia Legislativa de Pernambuco e da Câmara de Vereadores do Recife; a conclusão e o balanço da Caravana do Cremepe, que percor­ reu os municípios de todas as regiões do estado e uma entrevista com o novo presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Antônio Jordão, eleito para o biênio 2008/2010. Leia também uma reportagem especial enfocando os duzentos anos do ensino médico no Brasil e um artigo do infectologista José Tenório sobre as doenças reemergentes, como a dengue, a cólera e a febre amarela, que, tanto tempo depois, ainda são um desafio para a medicina e continuam vitimando a população urbana e rural. E ainda um artigo do cardiologista Creso Abreu Falcão sobre as perspectivas para a terapaia com células-tronco. Na editoria de cultura, Movimento Médico traz uma reporta­ gem especial da jornalista Mariana Oliveira mostrando a beleza ar­ quitetônica e as opções curinárias e boêmias do Pátio de São Pedro, um patrimônio histórico encrustado no coração do Recife.

Capa; Foro de Salete Hallack

Caravana do Crernepe

EXPEDIENTE Cremepe Presidente: Carlos Vital Vice-presidente: André Longo Assessoria de Comunicação: Joane Ferreira - DRT/PE 2699 Estagiária: Ailce Moreira Simepe Presidente: Antônio Jordão Vice: Silvio Rodrigues Assessoria de Imprensa: Chico Carlos - DRT/PE 1268 Ampe Presidente: Jane Lemos Vice: Silvia Carvalho Assessoria de Imprensa: Elisabeth Porto - DRT/PE 1068 Coordenadora: Sirleide Lira Fecem Presidente: Carlos Japhet Assessoria de Imprensa: Evelyne Oliveira - DRT/PE 3456 APMR Presidente: Vitor Hugo Lima Barreto Vice: Washington Luis Silva Cruz Damuc/UFPE Coordenação: Thiago Cézar Saraiva e Thaís Fernanda Lima da Silva DA/UPE Presidente: Alexandre Wagner Silva Dantas Vice-Presidente: Larissa Muniz Falcão Redação. publicidade. administração e correspondência: Rua Conselheiro Portela. 203. Espinheiro . CEP 52020-030 - Recife. PE Fone: 81 2123.5777 www.cremepe.org.br Projeto Gráfico/Arte Final: Luiz Arrais - DRT/pE 3054 Tiragem: 15 .000 exemplares Impressão: (ia Editora de Pernambuco - CEPE Coordenação Editorial: André Longo Conselho Editorial: Carlos Vital. Mário Fernando Lins e Ricardo Paiva

Fachada iluminada do Teatro Santa Isabel na .n oite das comemorações aos 50 anos de criação do Cremepe

Todos os direitos reservados.

Copyright © 2008 - Conselho Regional de Medicina Seção Pernambuco


Sumário

3 Opinião Secretário-geral da Fenam fala sobre a crise na saLlde pública

10 A Caravana do Cremepe percorreu todos os municípios do Estado de Pernambuco ~::J

&

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4 Entrevista

Seções

o Presidente Carlos Vital faz um balanço dos dois anos e meio de sua gestão no Cremepe

Editorial

1

Opinião

3

Entrevista

4

14 P t·

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10 j

Capa

I\.

A beleza arquitetônica e as opções culinánas do Pátio de São Pedro

Patrimônio

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Científica

18

Científica

Cremepe

20

Simepe

26

As perspectivas das experiências com células-tronco na visão de um cardiologista

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Medicina

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Fecem

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Última página

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20 As comemorações pelos 50 anos de fundação do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco


Opinião Mário Fernando Uns*

a defasagem histórica nos vencimentos dos médicos da rede estadual. No âmbito nacional, a Federação Nacional dos Médicos - FENAM, vem se empenhando no sentido de insti­ tuir wn Plano de Cargos que venha atender aos anseios da categoria Para isso, contratou os serviços da Fundação Getúlio Vargas como parceira na elaboração de wn pro­ jeto que está prestes a ser concluído. Também em nível nacional existem es­ forços no sentido de consolidar a Classi­ ficação Brasileira Hierarquizada de Pro­ cedimentos Médicos - CBHPM, como referencial dos médicos brasileiros no atendimento aos pacientes que utilizam os planos e seguros de saúde, haja vista que o setor público necessita da comple­ mentação da rede privada para o bom atendimento da população. O Conselho Federal de Medicina, a Associação Médica do Brasil e a FE­ NAM participam de comissões que defendem os interesses dos colegas médicos junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. O trabalho precarizado, sem vín­ culos ou contratos, tem sido objeto de acaloradas discussões com represen­ tantes de secretarias de saúde estaduais e municipais. Concurso público para médicos do Programa de Saúde da Família - PSF e da rede pública é bandeira de luta do movimento sindical médico nacional. Com toda a convicção: é preciso acabar com a visão míope, de wna maioria expressiva de gestores, de que "se gasta muito em saúde': Ora, saúde não é "gasto", é investimento! Um tra­ balhador com saúde produz riquezas para o seu município e, conseqüente­ mente, para a nação. É fundamental, de uma vez por todas, que a medicina seja tratada como coisa séria.

Medicina é coisa séria!

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ntretanto, não parece ser essa a visão daqueles que são respon­ sáveis pela implantação de poüticas que visam o bem es­ tar dos cidadãos. A saúde, o mais frágil e o maior dos bens do ser hwnano, está precisando de atenção e cuidados por parte das autoridades constituídas. O social está sendo relegado a uma situação nunca antes vista neste país, lamentavelmente, num Governo que teria todas as condições para entender o sofrimento da população usuária dos hospitais públicos que atendem ao Sistema Único de Saúde - SUS, sem dúvidas: o maior programa de in­ clusão social do planeta. Os médicos e seus dirigentes nacionais, regionais e estaduais têm sido intransigentes no sentido de sensibilizar e chamar à res­ ponsabilidade os representantes dos poderes constituídos em defesa de maiores recursos para o SUS. Infelizmente, os sindicatos médi­ cos, os conselhos de medicina, as associações médicas e a frente par­ lamentar da saúde não detêm o poder de resolver os problemas que afligem a nossa sofrida população. Apontamos caminhos, propomos soluções, chamamos para o diálogo, nos indignamos com as condições de atendimento nas emergências dos hospitais públicos, denuncia­ mos o descaso para com a saúde. Mas o que realmente importa é que medidas efetivas e emergenciais sejam adotadas para minimizar o caos que se instalou no segmento da saúde. Para problemas complexos: soluções inteligentes.

A busca por melhores horizon­ tes para os pacientes usuários do SUS certamente passa por wn adequado financiamento da saúde com a regula­ mentação da Emenda Constitucional 29. Não podemos e não devemos conti­ nua r ocupando um vergonhoso penúl­ timo lugar no continente no quesito "recursos destinados à saúde': O Brasil, pais líder da América do Sul, está en­ tre os que menos aplicam na saúde dos seus cidadãos. Não dá mais para fazer concessões. Um reconhecimento dos baixos vencimentos dos médicos é fato concreto para a carência desses profis­ sionais no serviço público nas capitais bem como nos mais distantes rincões deste país. O médico não é melhor nem pior que outros profissionais na área da saúde. Entretanto, vale lem­ brar, a medicina é uma profissão com cinqüenta e quatro especialidades que se interligam e se complementam em defesa da vida, devendo, por con­ seguinte, ser tratada com a atenção e a peculiaridade que cada caso requer. Na Constituição Federal Brasileira, no seu artigo 196, está claro que saúde é direito de todos e dever do estado. Ora, porque não reconhecer logo a neces­ sidade de uma carreira para o médico nos moldes de carreira de estado? Um plano de cargos, carreira e vencimento com abrangência nacional seria wna valiosa ferramenta nas mãos dos ges­ tores no sentido de tornar atrativo o serviço público para o médico. Em Pernambuco, graças a um movimento das entidades médicas, consegui-se aprovar um PCCV que certamente contribuirá para minorar

CARTAS

A revista das entidades médicas de Pernambuco cada vez nos orgulha mais. Em nenhum outro estado os médicos podem desfrutar de uma publicação com a qualidade da Movimento Médico. Aedição pela passa­ gem dos 50 anos do Cremepe éum bom exemplo disso. Parabéns aequipe e ao jornalista Homero Fonseca.

Parabéns a todos da revista Movimento pelo primoroso trabalho na passagem dos 50 anos do Cremepe. Belo texto, belo contexto. Ieda Lopes, Caruaru - PE iedalo_pes@gmail.com

Leonardo Henrique, Jaboatão dos Guararapes - PE leo36bca@yahoo.com

Mario Fernando Lins Secretário Geral da Federação Nacional dos Médicos - FENAM Com muita satisfação recebi a revista do Cre­ mepe comemorativa pelos jubileu de outro desta respeitada entidade. O histórico das décadas, desde a fundação do Conselho, ficou excelente e o texto pren­ deu minha atenção do começo ao fim. Todos estão de parabéns. Sebastião Freitas, Recife - PE freitasseb@gmail.com

Movimento Médico 3


CARLOS VITAL

Presidente do Cremepe Por Antonio Martins*

onsciênCia está tranqüila e a sensação é de dever cumprido. Não é todo mundo que pode dizer isso ao final ele dois anos e meio à frente de uma entidade com meio século de atuação e que representa mais de 10 mil profissionais no Estado. Mas é assim que o médICO arlos Vital Tavares Correia de Lima define seu estado de espírito ao deixar a presidência do Cremepe . A passagem de cargo está marcada par o dia 30 de setembro e desde j á ele faz um balanço de sua gestão e fala das lutas e conquIstas do Conse lho diante de temas como o exercício ilegal da profissão, a mercantilização da medicina, o caos dos hospitais públicos e o fin anciamento precário da assistência à saúde no país.

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Há anos tramita no Congres­ so Nacional a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que no seu formato original poderia ameni­ zar os problemas de financiamento da saúde pública no Brasil. Como o Cremepe avalia as alterações pelas quais passou a emenda nos últimos dois anos e meio? Olha, juntamente com as entidades nacionais, representadas na área da saúde pela Fenam (Federação Nacio­ nal dos Médicos), Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco tem par­ ticipado dos fóruns no Senado. na Câ­ mara dos Deputados e em seminários sobre a regulamentação da Emenda 29. É uma aposta significativa em um aporte de verba que não será solução para os nossos problemas de saúde, mas que certamente minimiza as nossas dificuldades de investimento nessa área. Mas, infelizmente, a partir da ultima decisão tomada a respeito do fato pela Câmara dos Deputados, nós voltamos praticamente ao início dos avanços no processo de regula­ mentação da emenda. A Câmara dos Deputados pegou um projeto que foi aprovado no Senado e simplesmente distorceu todo o projeto. Hoje as áreas onde se considera que haja aplicação de verba de saúde foram modificadas, abriu-se um leque muito grande e, naturalmente, permitindo - dentro do que se propõe a Câmara dos Deputa­ 4 Movimento Médico

dos nas suas reformulações no projeto do Senado - aplicar verbas em áreas que não são absolutamente áreas de saúde, criando-se, inclusive, outra con­ tribuição para substitutivo da CPMF, o que também não é coerente, confusões históricas das próprias casas legislati­ vas e recém tomadas. Os percentuais foram diminuídos, alargados prazos de incrementação desses percentuais. Ou seja, transformou-se essa emenda em mais uma colcha de retalhos, de forma que não é algo que venha ao encontro das nossas necessidades, dos nossos objetivos.

o que o senhor acha que deverá ser feito a partir de agora? A partir de agora acho que cabe mais uma vez à sociedade civil orga­ nizada, às representações de classe, so­ bretudo, voltarem às pressões políticas necessárias, perseverando na luta real­ mente por uma Emenda 29 coerente com as necessidades de investimento na área da saúde. o Cremepe esteve engajado em outras lutas mais pontuais nestes dois anos e meio, como por exemplo as questões do Hospital da Tamari­ neira e do Hospital do Câncer. Como o senhor avalia esse engajamento e os resultados obtidos? Em muitas lutas, os resultados são exitosos. Em outras, nem tanto. Mas o importante é estar atento e continuar fazendo o belo papel da instituição

em prol da sociedade e não só numa forma específica, no ético exercício da profissão médica, mas também em todos os fatores que se interrelacio­ nam com esse exercício. Ou seja, no índice de desenvolvimento humano, nas evoluções filosóficas e também nas modificações de planejamento, de gestão política, de mudança social como um todo. Essas circunstâncias, por exemplo, da transformação do Hospital da Tamarineira, da reforma do Hospital Pedro Il, promovida hoje pelo IMlp, evitando que aquele centro histórico de caráter hospitalar fosse transformado em um grande Shop­ ping Center, ou qualquer coisa na área comerciaL são vitórias significativas da sociedade, da classe médica. Mas são aspectos pontuais, o grande pro­ cesso mesmo é realmente lutar pela dignidade humana, porque hoje isso é um mister do médico tão impor­ tante quanto a manutenção da vida e da saúde. Não basta apenas viver, não basta apenas ter saúde. É funda­ mentalmente necessário para o ser humano ter dignidade, e passou a ser um mister fundamental no exercício da medicina. No caso específico do Hospital do Câncer, o senhor acha que a in­ tervenção foi algo que de fato trouxe resultados para aquela instituição? Bem, sem dúvida , eu acho que no momento em que foi feita a in­ tervenção não havia realmente outro


dicina não só em hospitais, mas em qualquer entidade, em qualquer âmbi­ to que esse exercício se faça presente.

caminho. Isso foi um pleito inclusive das entidades médicas, um antigo pleito, e foi assumido nesse gover­ no de Eduardo Campos. Esse é um reconhecimento que nós temos que fazer. A política de câncer no Estado inexiste, inclusive esse é um aspecto também de base, fundamental. Nós temos carências de muitas políticas em áreas especificas da saúde que são fundamentais como, por exemplo, esta do câncer. Também não temos uma política de hematologia, uma política de sangue. Nós temos hoje absoluta­ mente um sistema inadequado por atendimento à população. Foi real­ mente uma intervenção necessária para sanear aquele hospital, onde se

concentra ainda hoje a grande parte do atendimento oncológico. Começa agora a se ter uma distribuição desse atendimento. Então, hoje já se desen­ volveram centros de oncologia nas Clínicas e no próprio IMIP, que tem convênios com o Estado. Começa a se formar o embrião de uma política oncológica. Mas, no momento daquela intervenção, historicamente até ali, não havia política de oncologia no Estado de Pernambuco. Então, era preciso haver intervenção, era preciso sanear o hospital que estava na falência.

o Cremepe tem fiscalizado hos­ pitais públicos e privados? Fiscalizamos o exercício da me­

E qual é o cenário encontrado? Na área pública já foi relatado: um caos, sem dúvida nenhuma, um caos e isso é um status quo, isso vem de muito tempo. Eu digo com toda a con­ vicção que neste país nunca se inves­ tiu de forma adequada na assistência à saúde. Houve época em que, por uma questão apenas de menor desen­ volvimento tecnológico, por outros parâmetros da medicina, existia uma clínica privada, mas naqueles mo­ mentos também havia dificuldades certamente para uma grande parte da população que não conseguia sequer o acesso. Hoje, essa população tem o acesso, mas o acesso ao caos. Se fizer um raciocínio simplório, com certa clareza você observa: na Constituição de 88 - está lá no artigo primeiro - a dignidade humana é um lastro do es­ tado democrático de direito; ora, na assistência à saúde pública não há condição para preservação da dig­ nidade humana - o que é fato docu­ mental com imagens veiculadas por toda a mídia nacional - ; se não tem dignidade humana na área de saúde pública, eu também não tenho estado democrático de direito. É um corolário muito simples. Então, isso vem, eu diria, dos Alcântara, passando pelos Cardoso até os da Silva. Ou seja, está na história desse país, onde a saúde é função da economia, ao inverso do mundo civilizado, onde a economia existe em função da saúde, dos direi­ tos humanos, da preservação da vida. São bens supremos protegidos pela ordem estatal, protegidos aqui no Bra­ sil teoricamente, porque a realidade é essa que nós estamos aqui criticando e lastimando. E nos hospitais privados? Os hospitais privados trabalham hoje, na imensa maioria, com con­ tratos com as chamadas operadoras de planos de seguros de saúde. Os elevados custos financeiros assistenci­ ais tornaram inexorável a intermedia­ ção da medicina. Os hospitais fazem Movimento Médico 5


esses contratos com as operadoras e, como intermediadoras, essas opera­ doras procuram o lucro. Então, há também uma circunstância de usur­ pação dos valores profissionais, dos honorários médicos. A lei 8078, de 1990, elogiável sob aspectos diver­ sos, o chamado Código de Defesa do Consumidor, colocou a partir dali, daquele ano, o médico sob sua égide e adotou-se desde então uma linguagem própria ao trato mercantil para desig­ nar as relações humanas estabeleci­ das na área da assistência à saúde. Os médicos passaram a ser chamados de prestadores de serviços, os pacientes foram nominados de usuários, a área do labor passou a ser conhecida como mercado e os contratos estabelecidos foram cognominados de pacotes. Uma linguagem, digo, clássica de trato mer­ cantil, mostrando-se, a partir daí, pelo valor da palavra, que se entendeu a medicina como comércio, a medicina como consumo. Os bens supremos aqui relatados vide saúde passaram a ser bens consumeristas. E atualmente as distorções se desdobram. A especu­ lação da indústria e do comércio com o ato médico, a propaganda enganosa, em síntese, uma série de circunstân­ cias nefastas de atitudes incompatíveis com os compromissos hipocráticos tornaram-se comuns. Isso, na área privada, vem trazendo grandes trans­ tornos, invertendo valores e eu não poderia dizer que é o terreno desejado pelos médicos. Dentro desse quadro, como se situam então os movimentos da cate­ goria médica por melhores salários e melhores condições de trabalho? Nós temos velado pelos direitos dos médicos - porque, inclusive, isso é determinação da lei 3268, de 1957, que criou os Conselhos de Medicina - de maneira explícita e interpretação ftIológica na lei que é também missão do Conselho zelar pelos direitos dos profissionais médicos. E nós fazemos isso sem em nenhum momento du­ vidarmos que a instituição pertence à sociedade. Naturalmente que o zelo pelo direito do médico é exercido em prol da sociedade, porque um médico 6 MOVimento Médico

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A luta dos médicos por melhores condições de trabalho é permanente

desprotegido, sem condições e, óbvio, fragilizado, não vai ter condições de oferecer a segurança necessária ao ato profissional. Por conseguinte, isso pode vir em detrimento dos valores sociais que estão postos. Então, nós temos unido grandes trabalhos nessa área, apoiado o Sindicato dos Médicos em todos os momentos em que há uma necessidade, em que há naturalmente a inserção da justiça nas reivindicações, o que ocorre praticamente em todos os momentos, haja vista todos esses fatores aqui já elencados, de maneira que essa é uma das áreas onde o Con­ selho tem se desdobrado de maneira muito intensa e dispensado muitos esforços. Vez por outra, surgem em Per­ nambuco pessoas atuando ilegal­ mente como médicos, inclusive no setor público. Esses casos estão mais evidentes por uma maior fiscalização das entidades ou por que, de fato, aumentou o número de pessoas que insistem em se passar por médicos? Eu acho, óbvio, que com fiscaliza­ ções, com a procura, você encontra mais as circunstâncias de delito como estas do crime, do exercício ilegal da profissão médica. Mas acho que também houve uma forma de maior inadequação entre a demanda assis­ tencial e a oferta de profissionais. Ao mesmo tempo, houve alguma dificul­ dade maior por parte dos gestores, sobretudo dos municípios menores,

promovida pela lei de responsabili­ dade fiscal, dificultando contratação de recursos humanos, ao optarem por contratos inidôneos, onde os pagamentos seriam muito menores e às vezes até contabilizados de forma equivocada para a contratação, então maior, desses criminosos que fazem o exercício ilegal da medicina. A interiorização das ações do Cremepe não seria também uma forma de coibir essas práticas? As ações do Cremepe são interio­ rizadas através de representações de três delegacias. Nós temos delegacia em Petrolina, em Caruaru e em Serra Talhada, que é mais recente e que foi inclusive substitutiva da delegacia de Arcoverde. Caruaru, mais próxima, já supria aquela região [do Agreste], mas nós tínhamos carência muito forte na área do Sertão, uma área mais extensa. A distância [é J muito grande entre Petrolina e Serra Tal­ hada, e havia necessidade daquela região ser privilegiada com uma delegacia. Não podemos abrir uma quarta no momento, por questões obvias de limites financeiros e orça­ mentários' e [por isso J o Conselho fez a transferência da delegacia de Arcoverde para Serra Talhada. Mas tem as representações? Temos, isso é um programa que é desenvolvido à medida que há uma condição orçamentária necessária


suficiente ao fato. Bom, acho que as representações nossas se associam. Nós temos vários representantes que, óbvio, não têm a estrutura de uma delegacia para trabalhar, mas eles são também profícuos, são também co­ laboradores e contribuem muito com o trabalho conselhal nas regiões mais distantes, nos municípios interiora­ nos, no Agreste, na Zona da Mata. De forma que há braços de longo alcance do Conselho. Com relação à formação do médico, como o Cremepe analisa a abertura de novas faculdades de medicina, como a de Garanhuns, inaugurada recentemente? Esse é outro âmbito de preocupa­ ção. Há muitos anos que há também uma autorização absolutamente sem critérios. Nós somos hoje o segundo país do mundo em números de escolas médicas, só perdemos para a Ínctia. Es­ tamos muito acima do que preconiza a Organização Mundial de Saúde na relação médico per capita. As escolas proliferaram sem qualidade, voltadas absolutamente ao lucro, através das interferências políticas. E quanto à Faculdade de Medicina de Garanhuns? A questão de Garanhuns, particu­ larmente, ela remete-se a um instituto, o Instituto Tocantinense. É uma funda­ ção do Estado do Tocantins, fundação privada, que quer colocar, em outro Es­ tado, uma escola de medicina em uma

região onde você não encontra um hospital que tenha condição de servir como campo do estágio e de preparo para o exercício da mecticina. Esse pro­ cesso vem através de mecanismos ile­ gais, porque há nas leis de Diretrizes e Bases da Educação, na legislação, uma brecha, um espaço, para a autorização de escola de medicina sem tramitação pelo Ministério da Educação. Mas ela é apenas essa: uma universidade esta­ dual que tem escola de medicina e que quer abrir um campus avançado no próprio Estado, esta universidade do Estado poderá, através de um parecer do Conselho Estadual de Educação, ter autorizada a abertura dessa escola, em município interiorano ou não, ou de região metropolitana, do seu Estado. Mas tem que ser uma universidade do Estado abrindo no próprio Estado, num campus avançado da universi­ dade, uma escola de medicina que já existe. Isso não acontece com o Ins­ tituto do Tocantins, que é de outro Estado. E tem que ser entidade pública. [O Instituto do Tocantins] não é uma universidade pública, é um instituto, é uma fundação privada, e é de outro Es­ tado, e o nosso Conselho de Educação deu um parecer favorável e que agora se transformou em uma portaria do próprio Conselho de Educação, publi­ cado no Diário Oficial do Estado, sob responsabilidade da Secretaria da Edu­ cação, autorizando e permitindo que se instalasse e começasse a funcionar a escola de medicina e Garanhuns, que é escola do Itepac.

A Caravana do Cremepe conheceu a realidade de todo o Interior do Estado

E O Cremepe ainda tem atuando nesse caso? Apresentamos a denúncia junta­ mente com a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco, a ABEM, Associação Brasileira de Ensi­ no Médico, aqui representado pelo Dr. Milton Arruda, que inclusive assinou a própria peça de denúncia, e a Aca­ demia Pernambucana de Medicina. (... ) A partir daí essa ação não mais nos pertence. O Ministério Público Fe­ deral apresentou sua queixa à Justiça, desenvolveu uma ação, juntamente com a AGU, a Advocacia Geral da União, atendendo inclusive a repre­ sentação do MEC. Nós não somos contra a abertura de escolas de me­ dicina, apesar dessa quantidade de escolas que existem. Nós somos a favor é que se fechem as escolas que não têm condição de ensino, e que se abram escolas com qualidade. Qual o posicionamento do Cre­ mepe com relação à prática da auto­ hemoterapia, bastante difundida atualmente? Esse posicionamento do Conselho tem que ser necessariamente coerente com a posição do Conselho Federal, porque é uma questão de ordem téc­ nica, eminentemente técnica, tem pa­ recer do Conselho Federal. [Trata-se de um] engodo. Não tem absoluta­ mente respaldo científico. Faz parte de uma panacéia, e em um país com 68% de analfabetos funcionais tem tudo para prosperar. Nos últimos cinco anos, o Cre­ mepe promoveu quatro caravanas pelo interior do Estado. Como é que o senhor avalia esse trabalho e a rea­ lidade encontrada nessas viagens? Começamos a desenvolver um programa ainda na gestão de Ricardo Paiva, que teve a idéia de um programa que se intitulou de Caravana do Cre­ mepe. É na verdade uma única cara­ vana, não chamaria de quatro. Essa caravana apenas é periódica, mas é a mesma. Ela tem intervalos, des­ cansos. Os caravaneiros descansam um período e depois retornam ao mesmo processo. Então, é um proMovimento Médico 7


grama social de reconhecimento, di­ agnóstico, da realidade de índice de desenvolvimento humano das nossas regiões interioranas, sobretudo, mas dos municípios pernambucanos como um todo. Tem foco na área da saúde, mas todos aqueles fatores que fazem parte do IDH são analisados: renda per capita, perfil econômico, sanea­ mento, educação, segurança, ou seja, tudo que compõe na verdade uma variação de IDH é alvo de estudo e de investigações dentro desse processo da caravana.

A prostituição infantil no interior de Pernambuco é um problema sem­ pre evidenciado pela caravana. Há al­ guma atuação específica do Cremepe direcionada ao problema? Nós temos um programa já especí­ fico, inclusive com peça teatral, tentan­ do fazer a exposição de doutrinas contra uma prática absolutamente, eu diria, chocante, uma prática que deni­ gre a condição humana. Há reiteradas denúncias às instâncias competentes, às autoridades que se envolvem com o combate à prostituição infantil, e nós apresentamos os dados estatísticos en­ contrados nos diversos municípios do interior. Mas é problema muito grave que assola o país e que tem aqui uma prevalência realmente maior por conta, sobretudo, da pobreza, de níveis sócio­ econômicos mais baixos. É lastimável. Em algumas regiões, nós temos coisas que são muito fortes, muito graves. Por exemplo, chegar até a fazer parte da cultura. Muitas vezes é o padrasto o primeiro estuprador da menor. Às vezes, o próprio pai. É a cultura de que eu sou o dono da minha filha e ela é para ser usada, [que] em alguns seg­ mentos existe. Nós encontramos coisas assim dantescas que a própria ficção não criou. Aí aquela velha frase: ficção imita a realidade. Nós estivemos no mais baixo índice de desenvolvimento humano no país, que é Manari, e lá nós encontramos uma circunstância que serve como exemplo desse grande problema. Era adolescente com dois filhos portador de especificidade e que tinham um só indíviduo como pai e bisavô. Ou seja, o avô estuprou a 8 Movimento Médico

neta, teve dois filhos e dois filhos com especificidades físicas. Esse homem tinha falecido uns meses antes de nós passarmos no município e essa ado­ lescente estava aí se prostituindo para poder sustentar aqueles filhos que in­ clusive portadores de especificidade requerendo cuidados especiais.

Essa história está no livro editado pelo Cremepe ("Severina, que vida é essa ?")? Isso está pelo menos no preâmbulo que tive a oportunidade de escrever. Esse país é muito complexo. Se você me perguntasse qual a frase que identi­ ficaria esse país, eu diria para você: é O país de Lázaro. Porque é o pais que tem o maior número absoluto de casos de lepra no mundo. Nós temos 22 países no mundo que concentram 80% dos casos de tuberculose e O Brasil é um deles. Recife é a cidade de maior índice de filariose do mundo. Hoje nós temos epidemias erradicáveis desde os tem­ pos de Oswaldo Cruz, a dengue, por exemplo. Ou seja, é complicado. Isso é notório, isso é conseqüência absoluta da falta de investimento em saúde e em educação. Porque você não educa para não perder poder. Porque na hora em que eu educar, verdadeiramente, (...) que investir em educação, investir em saúde, aí começo realmente a ter o desenvolvimento desejado ( .. .). Nós temos avanços, óbvio, mas, como eu digo a você, dentro de um contexto universal de progresso, porque a téc­ nica é a ciência, de alguma forma, apenas dessas irresponsabilidades de gestores, eles nos imprimem, mas im­ primem como um processo quase que corpóreo, não se evolui. Então você tem hoje uma mortalidade infantil menor, você tem algum acesso à in­ formação, à mídia. Mas se você fizer estudos comparativos entre as nossas distâncias com o Primeiro Mundo, elas se tornam cada vez maiores. Que outras iniciativas da sua gestão o senhor destacaria? Ah, tivemos muitas em termo de programa . Tivemos a instituição Medalha Professor Fernando Figueira, mas essa já se instituiu desde o tempo

do Ricardo Paiva. Se você pegar a primeira revista nossa, logo em que a gente tomou posse, [você vai ver que ali] eu deixei claro qual era o meu norte de gestão. Não tinha e não tenho nenhuma ambição a não ser o de dar continuidade ao programa de grupo, que é um só. Aqui não exis­ te, na verdade, nesses cinco anos de 2003 a 2008, duas gestões, em termos ideológicos e de planejamento. Nós temos uma gestão só, apenas com co­ ordenações renovadas. ( ... ). O norte é dá continuidade e ter coerência com as programações institucionais. C..) Aqui nós temos política de instituição, nós não temos política de gestão.

o Cremepe chega aos cinqüenta anos em que situação perante à cate­ goria médica e à sociedade? Acho que chega bem, chega com maior crédito perante a sociedade e perante a classe médica. Um dos elementos documentais disso é, por exemplo, essa eleição que se vai fazer agora. Em quinze anos é a primeira vez que nós vamos ter uma chapa única. Acho que isso é sintomático de, pelo menos, um referendo à gestão pela classe médica. E eu acredito que mais ainda pela sociedade, pois sobretudo nesses últimos cinco anos nós temos desenvolvido muitas ações junto com a sociedade, deixando muito claro que essa instituição pertence à sociedade e que os trabalhos que se faz em prol do médico e também se faz de maneira a disciplinar o próprio médico na área judicante, os trabalhos doutrinários, pedagógicos, todos são feitos no final em benefício da sociedade. E como está sendo comemorado esse meio século do Cremepe? Nós fizemos uma programa­ ção para marcar esses 50 anos, para comemorar esses 50 anos. Fizemos um programa, na verdade tivemos o apoio da Prefeitura do Recife e no Santa Isa­ bel, que nos foi cedido pela prefeitura, juntamente com um número de arte nós fizemos um evento. Fizemos um almoço festivo no Rose Beltrão reu­ nindo todos os ex-presidentes e famÍ­ lias. Publicamos um número especial


~ HQ Cremepe chega aos

ê 50 anos com maior crédito. Em quinze anos, é a primeira vez que vamos ter chapa única nas eleições"

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o

jornalista Antonio Martins com o presidente do Cremepe, em momento da entrevista

da revista Movimento Médico. Es­ tivemos presentes em homenagens que foram a partir daí desenvolvidas na Câmara dos Vereadores e na Assem­ bléia Legislativa, fizemos um programa específico de televisão. E foram essas assim as iniciativas comemorativas dos 50 anos. Eu acho que foi muito impor­ tante. Essa revista foi feita, ficou muito boa, sou até suspeito para falar, mas é que ela ficou muito boa. E tivemos a participação forte de Homero Fon­ seca, que fez um trabalho belíssimo também. Homero resgatou a história, desenvolveu a história do Conselho juntamente com a própria evolução social, mais especificamente da socie­ dade pernambucana nesse período de meio século, e de certa forma da sociedade brasileira também. Eu acho que Movimento Médico nessa edição especial sobre os cinqüenta anos do Conselho ganhou um caráter docu­ mental em relação ao passado e ao futuro do Cremepe.

Ao longo desses dois anos e meio, que encontros, seminários, congressos foram realizados pelo Cremepe? Nos últimos cinco anos, nós tivemos um encontro do Nordeste, dos Conse­ lhos regionais de medicina, no período da gestão de Ricardo e tivemos outro encontro do Nordeste no meu período

de gestão. Então, dois encontros de medicina regionais num só Estado em cinco anos é um marco, porque nós temos muitos estados no Nordeste. Então para repetir esse encontro nos teríamos que esperar por muito tempo, mas por escolha dos próprios Estados nordestinos nós tivemos dois encon­ tros aqui nesses últimos cinco anos. Nós passamos a interagir na política nacional de saúde dos Conselhos de maneira muito mais forte, talvez de forma ímpar na história do Conselho de medicina. [Nessa gestão] eu parti­ cipei de quatro comissões nacionais do Conselho Federal de Medicina, fundamentais, [como a] Comissão de Recadastramento dos Médicos, a Comissão da Resolução Eleitoral dos Médicos e a Comissão de Revisão do Código de Ética Médica. Pernambuco hoje é o representante do Nordeste na Comissão Nacional de Revisão do Código de Ética. Em síntese, as nossas ações hoje, como o Estado, despontam no cenário nacional de caráter con­ selhal. Eu acho que é algo relevante porque é preciso Pernambuco se fazer cada vez mais presente nesse processo federativo.

No dia 30 de setembro, o senhor deixa a presidência do Conselho. Como o senhor avalia esses dois anos e meio à frente da entidade?

Foi um período de muito esforço, de dedicação quase exclusiva. A gente reduz o consultório, fica com o meta­ bolismo basal, porque é o nosso des­ tino e opção. É o destino escolhido, mas então tem que se manter. Há es­ forço familiar muito grande, a função da presidência é muito salutar que seja só por dois anos e meio, porque os en­ cargos são muito grandes, não dá para suportar muito mais tempo do que isso. E a nossa convicção política é de renovação. A gente tem por definição de grupo não perpetuar-se em cargos desse porte. Então acho que estamos fazendo o nosso sucessor de forma absolutamente tranqüila, a maior tran­ qüilidade dos últimos 15 anos. Como eu lhe disse, é chapa única, ninguém quis se inscrever, concorrer, contestar ou competir. Tivemos, então, reconhe­ cido de alguma forma pela sociedade, por que através das manifestações de várias sociedades civis organizadas, do próprio cidadão, através dos nossos acessos, através dos e- mails, das portas de entrada para a sociedade dentro do Conselho, referendos significativos de êxitos e esforços desenvolvidos. Mas eu não seria a pessoa mais indicada para fazer uma análise sobre isso.

Mas qual é o sentimento? Eu me sinto tranqüilo, me sinto com o dever cumprido. Se não posso definir isso como êxito - e não devo, por que seria êxito próprio, e quando você encara e entende assim não se pode alardear, porque aí seria ufanismo e ufanismo não seria recomendável- , agora eu posso convictamente colocar que estou em paz com a consciência, pelo dever que eu acho que está real­ mente cumprido. "jornalista

Movimento Médico 9


Caravana mostra

radiografia do Estado

Foram percorridos todos os municĂ­pios pernambucanos Ailce Moreira*


Conselho Regional de Medici­ na (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos de Pernam­ buco (Simepe) concluíram, no dia 28 de março, a última etapa da Caravana do Cremepe. Mais uma vez o paronama não é animador. A realidade de cerca de 80% dos municípios do Es­ tado, com menos de 30 mil habitantes, é bem diferente do encontrado na Região Metropolitana do Recife: um cenário de miséria, exploração e falta de acesso a direitos básicos. Nas unidades de saúde e hospitais foram constatadas falta de remédios, escalas furadas, insulficiência de pro­ fissionais e infra-estrutura deficiente. "Unidades de saúde utilizam medica­ mentos e espectros vaginais vencidos e em um dos casos, a aparelhagem médica instrumental é esterelizada numa panela de pressão': afirma o médico fiscal do Cremepe, Otávio Valença. Outro dado preocupante são as taxas de cesárias que variam entre 32% e 36% dos partos, o

O

que constitui índice elevado, e a quase inexistência de políticas públicas na área do planejamento familiar, tão importante à promoção da saúde da mulher. Além disso, os caravaneiros ainda relatam a precariedade dos transportes escolares, geralmente feitos por paus-de-arara, e a merenda escolar de baixa qualidade, dado que os municípios recebem ap­ enas R$ 0,22 por criança/dia. Ressalta-se também a grande incidência de prostitu­ ição infantil, em quase todas as cidades visitadas. "Em alguns lugares, pais alugam seus ftlhos por R$ 2 a noite e, em outros, o sexo oral custa R$ 0,10': diz Ricardo Paiva, coordenador da Caravana. De igual significância é a situação do acesso à água que, na maioria dos municípios, só é fornecida a cada 7 ou 15 dias. O caso mais grave foi constatado em Ala­ goinha, onde a população está sem água nas torneiras desde outubro do ano pas­ sado. Destaca-se também a chegada do tráfico e consumo de crack no interior,


que, sendo mais barato que a maconha, abre espaço para o envolvimento de crianças de oito a dez anos, organiza­ ções criminosas e, igualmente, usuárias de drogas. Durante o tempo de passagem da Caravana em cada município, foram realizadas fiscalizações nos hospitais e unidades de saúde e entrevistas com gestores, conselheiros municipais e tu­ telares e com a população nas ruas. Ainda foram distribuídas as cartilhas de direitos dos usuários do SUS e de hu ­ manização da saúde, além da divulga­ ção do número 100 do disque-denúncia contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Segundo o vice-presidente do Cre­ mepe, André Longo, a Caravana não tem caráter transformador, mas ob­ jetiva conhecer a realidade do povo pernambucano e alertar acerca das ne­ cessidades extremas. "Os municípios de

Carnaubeira da Penha e Manari, este com o pior IDH do Brasil, precisam de intervenções urgentes': reitera Ricardo Paiva. O Cremepe encaminhou o relatório com os dados da Caravana para os

Visita a Fernando de

Noronha foi positiva

trabalho da equipe da Caravana Cremepe/Simepe na ilha de Fer­ nando de Noronha terminou no início de junho. Segundo o coordenador da Caravana, Ricardo Paiva, os resultados são positivos. "O hospital aqui de Fer­ nando de Noronha está em ordem e as pessoas que moram na ilha gostam do lugar e da vida que levam. Isso é um resultado muito positivo': Também foram realizadas en­ trevistas com os gestores de saúde, representantes de conselhos (saúde e tutelar) e com o administrador do arquipélago. "Nós já havíamos visitado todos os municípios de Pernambuco entre 2005 e 2008, mas faltava Fer­ nando de Noronha. Agora o trabalho da Caravana está concluído': finaliza o coordenador. A equipe viajou com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), que forneceu o transporte do grupo até a ilha. RELATÓRIO - São 3.500 pessoas que se conhecem, vivendo em uma Ilha (vulcão extinto) que é um san­ tuário ecológico, a duas horas de vôo do Recife. Sua BR tem 8km de exten­ são, possuindo a Ilha, de uma ponta a outra, 18 km de distância. Setenta

O

por cento do território de Noronha é Parque Nacional e os outros 30% é Área de Preservação Ambiental (APA), seu IDH de 0,862 é o mais elevado de Pernambuco e o 10° do Brasil. O abas­ tecimento d' água cobre 87% da popu­ lação, porém só chega água potável a cada 4 dias proveniente do mar por um dessalinizador. O botijão de água mineral de 20 litros custa R$ 20,00. A coleta de lixo é de 100%, sendo todo reciclado na própria Ilha. Existe um PSF que tem a cober­ tura de 100% e um hospital de boa qualidade, havendo até telemedicina para a realização e interpretação de ECG. Duas médicas e três plantonis­ tas fazem o atendimento, entretanto, infarto, traumas ou patologias graves são encaminhados ao continente, mas há uma espera de 14 horas, em média, para o atendimento aos pa­ cientes, já que não existe avião de plantão. Tivemos a sensação de que não podemos infartar ou fraturar-se. A mortalidade infantil é baixa e a esperança de vida ao nascer é de 75 anos. Não há assaltos. Abuso sexual é muito raro, mas o alcoolismo e a violência contra a mulher são elevados, tendo a mulher medo de denunciar.

O consumo de drogas é muito alto (maconha, ecstasy, crack). Não há de­ semprego, nem Bolsa-Família, mas o custo de vida é altíssimo. Estudos mostram que a Ilha só comporta cinco mil pessoas, no limite máximo, sendo 3.500 habitan­ tes e 1.500 visitantes. Dessa forma, para morar em Noronha, tem que se enquadrar em três setores: a) Ser casado com alguém da Ilha; b) Ser empregado pela Adminis­ tração da Ilha; c) Pagar R$ 3 mil de taxa de per­ manência ao mês. O direito de ir e vir não existe. A vida é carissÍma. Há algo de alegre e mágico nessa Ilha. Há algo de triste também. Melhor se ali fosse total­ mente Área de Parque Nacional com visitação controlada e limitada, do contrário, interesses comerciais, com o crescimento desordenado, trarão agressão ambiental àquele lugar mágico. O paraíso que pertence a Pernambuco não pode conceder a coexistência com o humano que, em seu crescimento e evolução, são os maiores predadores da terra (Joane Ferreira).


Governos Estadual e Federal, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Secre­ taria Estadual de Saúde, Ministério da Saúde, Congresso Nacional e entidades nacionais e internacionais ligadas à área da saúde. Além disso, os caravaneiros pretendem produzir um ftlme, a ser exi­ bido nos próprios municípios, a fim de promover o debate e a conscientização da população. ESP ERAN ÇA - Em meio a esse cenário, o município de Carnaíba, no sertão do Pajeú, se destaca de forma positiva. Obteve uma boa avaliação em relação à educação e aos hospitais e pos­ sui uma escola de música, funcionando para 320 alunos e com 100 vagas para estudantes de cidades vizinhas. PROJETO - A Caravana foi criada há quatro anos e têm como objetivo alertar as pessoas, as autoridades e a so­ ciedade civil organizada dos principais problemas enfrentados pela popula­ ção de Pernambuco, não só na área da saúde, como também educação, violên­ cia, igualdade racial, drogas, geração de renda, prostituição e abuso sexual.

Integrantes da Caravana chegam para mais uma visita a uma cidade do interior de Pernambuco

Em 2008, foram visitadas 37 cidades do Sertão, Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife, com­ pletando assim o panorama, traçado em 2005, de 184 municípios do Es­ tado. Além de médicos e funcionários do Cremepe e Simepe, participaram da Caravana estudantes de Medicina, Psicologia, Fisioterapia, Enfermagem, Jornalismo, Direito, profissionais de

arte, de saúde, representante de etnias indígenas, movimentos populares de comunidades, promotores, delegados, advogados, jornalistas e antropólogos. Conheça o resultado dos quatro anos da Caravana no hotsite httpJ/hotsite.cre­ mepe.org.br/caravana_do_cremepe/ * Assessoria de Comunicação do Cremepe.

Movimento Médico 13


No talgia, cultura e boemia Mariana Oliveira*

S

eguindo pela Avenida Dantas Barreto, é só entrar na Rua de São Pedro. Vindo da Rua Direita, as opções são a Rua das Águas Verdes Oll a Rua Felipe Ca­ m arão. Para quem vem do Mercado de São José, a melhor escolha é cru7..ar a Rua do Livramento em direção à Praça do Carmo. Seja qual for o itinerário a seguir. o ponto final desse roteiro rá o Pátio de ão Pedro, um largo cravado no meio do bairro de ão Jose, tOrm;.l­ do por 29 casas baixas e conjugadas, algumas com dois pavimentos, que cercam e protegem seu m aior tesouro:

a Igreja de São Pedro dos Clérigos. O Pátio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938, foi ini­ cialmente criado em função da Igreja. mas tomou-se ao longo dos anos uma referenda para redfenses, boêmios e turistas. como um pólo central da cul­ tura pernambucana. Hoje, o e paço se firma como um centro aglutinador de equipamentos culturais e wna área para divulgação e apresentação da uI­ tura local. seja ela contemporânea ou tradicional. A sua vocação diversa fica clara n dizere do cordelista João

José da Silva: "Pátio das reuniões, das troças e dos folguedos, das mais belas atrações, com bonitos enredos. Pátio da camaradagem , encontro, divertido, das fe tanças do momento': A Irmandade de São Ped ro dos Clérig resolveu. em 1719, con truir sua própria igreja, cuja obras foram iniciadas em 1728 e finalizadas apenas em 1782. O projeto do edificio. desen­ volvido pelo então me tre-pedreiro Manuel Ferreira Jácome. que vivia nas imediações do local, tei traçado ob o espaço adqUirido pela Irmandade: "Uma tira de terra, onde existiam seis


A fachada da secular Igreja de São Pedro dos Clérigos contrasta com a imagem dos casarios


casas e parte de uma gamboa': conta Amaury Medeiros, no livro A Igreja de São Pedro dos Clérigos do Recife. As casas foram demolidas e o material aproveitado na obra. Dentro do espaço disponível, Jácome traçou uma planta retangular com a nave da igreja na for­ ma octogonal. Na sua fachada de estilo clássico barroco, destacam -se as três grandes janelas acima das portas, com moldu­ ras de arcos curvos - é na janela central que se encontra o brasão papal, símbo­ lo de São Pedro Papa. Acima, em outra janela centralizada, está a imagem do santo, que substituiu a original há al­ guns anos, devido ao seu estado avan­ çado de deterioração. O princípio da influência do estilo rococó é percebido nas colunas laterais da igreja, que tam­ bém dialoga com o maneirismo e com o estilo neoclássico. O casario que cerca o templo e dá forma ao pátio merece atenção. As casas conjugadas, que, inicialmente, eram residências, com o crescimento da cidade foram transformadas em pontos comerciais, mas mantiveram, em sua maioria, a arquitetura tradicio­ nal do período em que foram erguidas. O calçamento irregular e o adro da igreja compõem a harmonia do local. A amplitude do espaço e a majestade da igreja ante as casas simples formam um conjunto arquitetônico notável, re­ ferência quando se trata da arquitetura do século 18. Além da sua relevância patrimo­ nial, o Pátio de São Pedro sempre

16 Movmento Médico

Interior de um dos inúmeros bares típicos do Pátio de São Pedro

esteve relacionado diretamente aos movimentos culturais e históricos da cidade. Na década de 70, o então prefeito Geraldo Magalhães decidiu reformular o espaço, ocupado em sua maioria por funilarias e depósitos de batatas, transformando-o num ambi­ ente que pudesse ser freqüentado por todos os recifenses. Nessa época, o Pá­ tio ganhou um administrador, o poeta e radialista Aldemar Paiva, e tornou-se um pólo da boemia e dos i.ntelectuais da cidade. Passaram por seus bares nomes como Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, os jornalistas Cristina Tava­ res e Duda Guennes, Caetano Veloso, Gilberto Gil , Paulinho da Viola e até Geraldo Vandré, que cantou "Pra não dizer que não falei das flores': no res­ taurante Bangüê, que existe até hoje. A programação do Pátio incluía ci.randas,

repentistas, serestas, quadrilhas ma­ tutas... Data desse período a primeira revitalização da área. Nos anos 80, um grupo de poetas que freqüentava o local ficou conhe­ cido como a Geração do Pátio. To­ das as sextas-feiras o grupo se reunia no Bangüê e regados a muita cerveja. vodka e cachaça. sempre acompanha­ dos por guloseimas da terra, soltavam a imaginação e escreviam sonetos, trovas, prosas ... Em 1985, o grupo for­ mou o bloco "Poeteiros do Pátio': que ganhou as ruas com hino de Toinho Alves, e participação massiva de in­ telectuais locais e nacionais. Ao invés de água, os integrantes jogavam poe­ mas e mensagens artísticas à multidão. O grupo se desintegrou em 1987. De lá para cá, o Pátio passou por alguns momentos de crise, abandono e decadência. No entanto, há alguns anos, passou a receber uma atenção maior da administração municipal e voltou a ser um pólo de referência para a cultura pernambucana. Segundo a atual dire­ tora do Espaço Cultural Pátio de São Pedro, Tania Silveira de Sá, as ativida­ des culturais do Pátio têm aumentado. Há uma programação fixa durante al­ guns dias da semana e três ciclos cul­ turais ao longo do ano. "Temos a Terça Negra, organizada pelo Movimento Negro Unificado e pelo Grupo Afro da prefeitura; nas sextas temos o Dançan­ do no Pátio, quando o povo vem para dançar mesmo; e o Sábado Mangue,


a tomarem outro rumo. que Como boa parte do compõe o Pátio pertence à Prefeitma do Recife, os imóvei são apr0veIta­ dos para a instalação de eqwpamentos culturais diversos. Já funciona no lo­ cal. desde 1984, a Casa do Carnaval. idealizada por Claudionor Germano,

que visa à preservação e difusão das tradições carnavalescas do Estado atravé de expu ições, curso e pa­ I tras. O Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães ganhou um anexo

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de

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movim~

como objetivo atrair o públk:o recifense. sem esquecer tu­ ristas. formando um grupo de freqüentado tanto de pes­ soas da terra quanto de pes- ..........._ ­ soas de fora. "O Pátio é um pólo cultural que já faz parte do complexo turístico Recife-Olinda~

Aqui 4cmrça boImitL Artee magia sàDgbneas. Aqui opovo ~ poesia. Jornalista e editora da revista Continente


Perspectivas pa ra a terapia

com células-tronco

elevação da expectativa de vida da população mun­ dial verificada nas últimas décadas foi acompanhada de uma mudança do perfil epidemio­ lógico para um aumento considerável da prevalência das doenças crônicas e degenerativas. A maior longevidade da população mundial tem intensificado a preocupação dos gestores de Saúde Pública com a elevação do número de consultas e internamentos por neopla­ sias, diabetes mellitus, cardiopatias e doenças degenerativas do sistema nervoso central. O aprimoramento das técnicas de biologia celular que cul­ minaram com a clonagem da ovelha Dolly por Wilmut e colegas, em 1997, e a criação em laboratório da primeira linhagem de células-tronco embrion­ árias pluripotentes por Thomson e colegas, em 1998, representaram quase

A

18 Movimento Médico

que simultaneamente marcos defini­ tivos na ciência moderna, trazendo a expectativa de uma nova terapia, que teria como principal objetivo a substituição das células dos tecidos considerados deficientes. (1) Os estudos atualmente realizados nas cardiopatias ilustram fortemente este novo cenário da pesquisa médica. As doenças do coração permanecem como a causa mais freqüente de morte, e a insuficiência cardíaca tem pre­ valência em ascensão na maioria dos países, com impacto socioeconômico considerável. Os custos econômicos da doença cardiovascular são enormes, estimando-se que o custo direto anual na Europa seja de € 473 .000.000.000, e que o custo indireto anual seja de € 15.392.000.000.000. (2) Diversas pro­ postas terapêuticas eficazes para o tratamento da insuficiência cardía­

ca foram desenvolvidas nas últimas décadas, algumas delas com reconhe­ cido sucesso quanto à extensão da sobrevida dos doentes. No entanto, o tratamento definitivo das formas mais graves somente é possível com a cirurgia de transplante cardíaco. O transplante cirúrgico, no entan­ to, é dificultado por fatores diversos, a começar pela necessidade de um doa­ dor com morte cerebral, e por ser um procedimento multidisciplinar com­ plexo, não-exeqüível na maioria dos hospitais. A terapia com células-tronco tem sido sugerida como uma terapia regenerativa do coração doente(3l, isto é, uma terapia que substituiria parte do tecido cardíaco, sem a necessidade de um transplante cirúrgico. Na maior parte das pesquisas re­ alizadas atualmente em seres huma­ nos, o indivíduo recebe amostras de

j


suas próprias células- tronco adultas. Questões éticas angustiantes ainda envolvem a idéia de se extrair cé­ lulas-tronco de embriões, os quais geralmente têm que ser sacrificados - muito embora grupos de alguns cen­ tros avançados tenham obtido sucesso na preservação da vitalidade dos em­ briões quando da retirada de células­ tronco dos mesmos. No Brasil, o Congresso Nacional aprovou desde 2005 o Projeto de Lei de Biossegurança, no qual estaria ad­ mitida a utilização em pesquisas de embriões congelados há mais de três anos. Como se sabe, tais embriões têm como destino serem descartados pelas clínicas de fertilização, isto é, não são mais utilizados porque não têm aplicação prática - sua implan­ tação no útero não é aconselhável, devido à maior probabilidade de abortamento e de má formação . Em maio de 2008, em meio a numerosos embates entre eticistas, cientistas e autoridades religiosas, o Supremo Tribunal Federal julgou improce­ dente uma ação direta de inconsti­ tucionalidade existente contra a Lei de Biossegurança de 2005, e liberou sem restrições a continuidade das pesquisas com células-tronco em ­ brionárias. O Brasil então passou a fazer parte definitivamente do grupo de países em que as pesquisas com

células-tronco embrionárias são per­ mitidas por lei. Por sua vez, ainda não foram supe­ rados problemas técnicos importantes relacionados com os implantes de cé­ lulas-tronco embrionárias, os quais incluem, por exemplo, o fenômeno da rejeição e a potencial transformação das células embrionárias transplanta­ das em tecido neoplásico. No presente momento, os transplantes autólogos de células-tronco de medula óssea ainda são de longe os mais freqüentemente empregados pelos centros de pesquisa em todo o mundo. O Brasil é um dos países onde os estudos com células-tronco adultas nas cardiopatias se encontram em nível avançado. A cidade do Recife tem vári­ os pesquisadores que colaboram para um grande ensaio clínico duplo-cego, placebo-controlado e randomizado do Ministério da Saúde, o qual inclui 1200 pacientes, denominado Estudo Multi­ cêntrico Randomizado de Terapia Ce­ lular em Cardiopatias (EMRTCC). Os resultados iniciais deste estudo estão previstos para 2008. O pólo médico-científico reci­ fense também iniciou suas próprias pesquisas com células-tronco, já se encontrando em andamento ensaios clínicos desenvolvidos por grupos de cientistas locais. Em iniciativa con­ junta de pesquisadores do Hospital

Agamenon Magalhães (SUS-PE), Hospital Esperança, HEMOPE, Ins­ tituto de Hematologia do Nordeste (IHENE), Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães e Fundação Oswaldo Cruz (RJ), o estudo TRANSPOSE (Trans­ plante Autólogo de Células-Tronco Hematopoiéticas e Tecido Estromal de Medula Ossea para o Tratamento da Cardiopatia Isquêmica Crônica) testa atualmente uma nova técnica para o tratamento de pacientes infartados, baseada nos transplantes convencio­ nais para as doenças hematológicas. Os resultados estão previstos para 2009. As perspectivas da terapia com cé­ lulas-tronco são certamente estimu­ lantes, e deverão assumir no Brasil uma importância ainda maior, após a aprovação definitiva das pesquisas com células-tronco embrionárias. No entanto, não há ainda diretrizes indi­ cando o uso de células-tronco para quaisquer condições clínicas - exceto para as doenças hematológicas, onde o êxito observado após décadas de transplantes de medula óssea tornou­ se o protótipo do sucesso que pode ser alcançado com a utilização da terapia celular. O reconhecimento do benefício de novas terapias é obtido às custas de complexos e rigorosos ensaios clínicos, nos quais finalmente se comparam os resultados das novas estratégias com o tratamento convencional. Tais estudos costumam representar avanços históri­ cos na Ciência Médica - tal como se espera que ocorra, muito em breve, com as evidências que serão obtidas com as células-tronco. (1) Lovell-Badge, R. The future of stem cell research. Nature. 2001 Nov

1;414(6859):88-91. (2) Mathur A, Martin JF. Stem cells and repair of the heart. The Lancet 2004;

364: 183-92. (3) Orlic, D., Anversa P. et aI. Bone Mar­ row Cells Regenerate Infarcted Myocar­ dium. Nature 2001; 410 (5):701-705. Creso Abreu Falcão é cardiologista, Professor Assistente da Universidade de Pernambuco e Conselheiro do CREMEPE. Email: creso.abreu@oi.com.br)

Movimento Médico 19


CREMEPE


os 煤ltimos 50 anos na hist贸ria do Brasil


REMEPE Conselho Regional de Medicioa/PE ------~--1

Médicos

recebem

medalha

no Cremepe Isabella Valle*

Os médicos Fernando Cruz, Christiane Violet e Gilberto Wanderley comemoram o reconhecimento do destaque deles no exercício da medicina

entrega da Medalha de Honra à Ética e à Dig­ nidade Médica Professor Fernando Figueira foi feita no estacionamento do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco. Este já é o quarto ano da cerimônia, que foi criada pela atual diretoria do Cremepe e homenageia os nomes de maior destaque no exercício da medicina no Estado. Desta vez, a comenda foi entregue aos médicos Fernando José Barbosa da Cruz, Christiane Marie Violet Jatobá e Gilberto Antônio Wanderley Fernandes Lima. A solenidade foi iniciada com as palavras de Carlos Vital, presidente do Cremepe, e seguiu com a entrega das medalhas. Logo após as homenagens, o superintendente do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira, An­ tônio Carlos Figueira, filho de Fernando Figueira, contou sobre a história e os ensinamentos do patrono da comenda e fundador do IMIP. Para encerrar a solenidade, foi servido um café da manhã aos agraciados e a todos os presentes.

A

OS HOMENAGEADOS

Fernando Cruz - Pediatra, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Recife em 1962. Foi cirur­ gião do Hospital do Pronto Socorro o Recife (atual Hos­ pital da Restauração, HR), diretor médico e diretor geral do HR; cirurgião pediátrico do Hospital Infantil Manoel de Almeida, Hospital Getúlio Vargas e Hospital Barão de Lucena; chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica da

22 Movimento Médico

Faculdade de Ciências de Pernambuco, da qual também exerceu funções de direção; diretor médico do Hospital Oswaldo Cruz, supervisor da Residência de Cirurgia Pediátrica da Faculdade de Ciências Médicas; membro da Comissão de Ensino e Título de Especialista da So­ ciedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica e conselheiro do Cremepe. É professor do Departamento Materno Infantil do HUOC, diretor médico adjunto do Hospital da Unimed Recife II, membro da Academia Nacional de Cirurgia Pediátrica e consultor científico do IMIP. "O Dr. Fernando tem se dedicado, há mais de 40 anos, no serviço público, a aplacar a dor, o sofrimento, a manter viva a esperança de pais desesperados que recebem seus filhos de volta, para tê-los libertos para a vida': destacou o conselheiro do Cremepe, Francisco Atanásio, que entregou a medalha ao colega. O homenageado é um destaque no exercício da medicina no Estado, por sua titude enérgica, dedicada e comprometida com o Serviço Público de Saúde, inovando a prática médica e construindo espaços, como Berçário, UTI Pediátrica, Nutrição Parenteral e um exem­ plar Serviço de Oncologia no Hospital da Restauração e criando o Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Oswaldo Cruz. Christ iane Violet - Clínica Geral, formada pela Uni­ versidade Federal de Pernambuco em 1981. Foi a primeira pernambucana a fazer residência médica no Intituto Nacional de Câncer. É membro efetivo da Sociedade


Brasileira de Oncologia Clínica, preceptora de ensino na área de oncologia da Faculdade de Ciên­ cias Médicas e membro associado da European Society for MedicaI Oncology. Atua na área de Onco­ logia Clínica do Centro de On­ cologia da Universidade de Per­ nambuco desde 1986 e tem vasto currículo acadêmico. A Dra. Christiane, natural de Garanhuns, agreste do Estado, é conhecida por seu atendimento humano aos pacientes e por sua luta diária em construir uma so­ ciedade mais justa e digna para todos. É grande referência em on­ cologia e uma profissional com­ promissada, que vem colaborando intensamente na construção do Instituto Cristina Tavares. Gilberto Wanderley - Clínico Geral, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976. É especializado em Medicina do Trabalho, pelo Departamento de Medicina Social da UFPE, e em Administração de Serviços de Saúde, pelo Instituto Nacional de Administração para o Desen­ volvimento da UFPE. Foi diretor médico do Hospital da Restauração e chefe do SAME. É médico clínico da Emergência do Hospital da Res­ tauração desde 1981; médico clíni­ co-gastro da Clínica Santa Helena, desde 1980; médico do trabalho do Hospital da Restauração, desde 1990, e do Grupo Bompreço/Wal­ Mart Brasil, desde 1980 e médico clínico-gastro em clínica privada, desde 1980. O Dr. Gilberto é um exemplo de relação médico-paciente. Ele detém os princípios básicos do exercício de uma medicina de qualidade: o respeito, afeto e a intimidade com o paciente. Conhecido por não se limitar à falta de equipamentos e por sua eficiência diagnóstica através de exames clínicos, é um exemplo de profissional dedicado e de bom humor. *Assessoria de Comunicação do Cremepe.

o pernambucano

Edmundo Ferraz é

o primeiro eleito

fora do eixo Rio-São

Paulo

eBe el~ge novo

preslaente

omou posse no Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) o primeiro presi­ dente fora do eixo Rio-São Paulo. No discurso de encerramento de sua gestão, o ex-presidente José Reinan Ramos lembrou a importân­ cia da eleição do pernambucano, do Recife, Edmundo Machado Ferraz para a presidência da entidade. "É com muita satisfação que transmito o cargo ao primeiro presidente do CBC fora do eixo Rio São Paulo. Edmundo Machado Ferraz disputou uma eleição histórica, em que concorreu com o Mário Ribeiro, de Minas Gerais. É a concretização de um sonho, cujos primeiros passos foram dados na gestão de Orlando Marques Vieira e alavancados na gestão do saudosís­ simo José Wazen da Rocha:' Em seu discurso de posse como o presidente do 36° Diretório Nacio­ nal do Colégio Brasileiro de Cirur­ giões, Edmundo Ferraz, formado pela UFPE em 1963 e que atua no Hospital das Clínicas (HC), lembrou o com­ promisso com a tradição histórica da

T

entidade em adaptar-se à evolução da cirurgia no Brasil. Em conversa com a reportagem da revista Movimento Médico Edmundo Ferraz falou da satisfação em tomar posse no CBC. "Foi uma eleição direta e muito difícil. No total 1.200 cirurgiões votaram, sendo 300 do Rio de Janeiro, 300 de São Paulo e 600 do restante do Brasil. Por isso que em seus 79 anos de existência, o Colégio só tinha presiden­ tes do eixo Rio-São Paulo'; explica Fer­ raz. "De Pernambuco foram 37 votos, dos quais obtivemos 30 . Vencemos com 60% do total dos votos no Brasil" comemora. "Esse percentual nos dá força para realizar as mudanças que o Colégio pre­ cisa para se tornar realmente brasileiro. Essa é a principal mudança que que­ remos fazer no CBC. Já começamos o trabalho criando comissões descentrali­ zadas do CBC em estados como o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Ama­ zonas. Em breve, novas comissões em outros estados também serão criadas. O Colégio precisa chegar perto de todos os cirurgiões desse país" concluiu. Movimento Médico 23


-

MEPE Conselho RegionaJ de Medicina/PE

,..",

Assessoria de Comunicação do Cremepe FORMATURA Durante a solenidade de formatura das tur­ mas de Residência Médica em Oftalmologia do Hospital de Olhos Santa Luzia e do Instituto de Olhos do Recife [2008) foi prestada uma homenagem ao presidente do Cremepe, Carlos Vital, e ao vice-presidente da instituição, André Longo. Também receberam homenagem os médicos Mário Fernando Lins eAntônio Jordão [atual presidente do Simepe).

Cremepe recebe homenagem da Assembléia Legislativa o

Cremepe completou, em março, 50 anos de existência. Para comemorar a data, a Assembléia Legislativa, por iniciativa da deputada e médica Nadegi Oueiroz [PMN], pro­ moveu, na primeira quinzena de maio, um Grande Expediente Especial. "AAlepe integra-se às festividades do Cremepe, cumprimentando toda a diretoria da entidade e os médicos de Pernambuco pela data", afirmou o 2' secretário da Assembléia e também médico, deputado Raimundo Pimentel [PSDB], que coordenou o início da reunião. Oparlamentar destacou como iniciativa importante do Conselho a Caravana do Cremepe, que, entrE; outras atividades em todos os municípios de Pernambuco, fiscalizou hospitais e unidades de saúde. Nadegi Oueiroz salientou que o Cremepe "é um dos órgãos que mais evoluiu e ajudou a sociedade pernambucana nos últimos 50 anos. Por isso, fiz questão de registrar essa data nos Anais da Alepe", completou a parlamentar. Opresidente do Cremepe, Carlos Vital, agradeceu a homenagem afirmando que o gesto da Assembléia é uma honra e um estímulo para todos os integrantes do conselho.

FACULDADE DE GARANHUNS O desembargador Élio Si­ queira, do Tribunal Regional Federal da 5a Região, acatou um pedido de reconsidera­ ção feito pela União Federal, determinando ao Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos [ITPAC) a suspensão das atividades da Faculdade de Medicina de Garanhuns. Omagistrado havia, anteriormente, assi­ nado uma liminar favorável ao Instituto. Desta forma, é mantida a decisão da primeira instân-

24 Movimento Médico

cia da Justiça Federal em Pernambuco, do juiz subs­ tituto da 23 a Vara Federal, Bruno César Bandeira Apoli­ nário que havia suspendido as atividades da Faculdade de Medicina de Garanhuns. De acordo com o Ministério Público Federal, o ITPAC fundou a Faculdade de Medicina e abriu inscrições para o primeiro vestibular sem a devida autorização do Ministério da Educação (MEC), amparando-se ape­ nas no parecer do Conselho

Estadual de Educação de Pernambuco. Para o MPF, a decisão do Conselho Estadual de conceder o credencia­ mento à Faculdade afronta a legislação ordinária e a Constituição da República. A Lei N° 9394/95 diz que com­ pete à União a organização do sistema federal de ensino e, por conseguinte, a autori­ zação, o reconhecimento e o credenciamento dos cursos de educação superior, manti­ dos pela União ou pela inicia­ tiva privada.

iBEST O site do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Cremepe, desenvolvido pela 20 Virtual e administrado pela Assessoria de Comunicação do Conselho, concorreu em duas categorias, ao respeitado Prêmio iBEST. As cate­ gorias foram Regional [Pernambuco) e Lazer [Saúde). OPrêmio iBest é a maior premiação da Internet Brasileira.

GALERIA DOS PRESIDENTES O vice-presidente do Cremepe e diretor da Fenam, André Longo, foi homenageado pela diretoria do Simepe com a colocação de sua fotografia na Galeria dos Presidentes, na sala de recepção da entidade. Oentão presidente do Simepe, Mário Fernando Lins, expressou a importância daquele ato solene não apenas pelo fato de que o médico André Longo passa a integrar a galeria dos ex-presidentes, mas sobretudo porque em duas gestões, período de 2002 a 2005, atuou com dignidade e respeito em defesa da classe médica.

ENSINO MÉDICO O Cremepe está participando e apoiando todos os eventos comemorativos dos 200 Anos do Ensino Médico no Brasil, uma homenagem ao médico pernambucano Correia Picanço, Barão de Goiana, fundador do ensino médico no Brasil.

IENCM Aspectos referentes às atividades extracurricu­ lares dos estudantes de Medicina e o exercício ilegal da profissão também tiveram espaço durante as palestras e debates do I ENCM. D tema foi abordado pelo presidente do Cremepe,


Carlos Vital, e pelo representante da Associação Brasileira de Educação Médica [ABEM] e coor­ denador do Curso de Medicina da Universidade Positivo [UP].lpojucan Calixto Fraiz.Para opresi­ dente do Cremepe e representante da ABEM, Carlos Vital, a troca de papéis entre médicos e estudantes em alguns estabelecimentos de saúde é praticado, principalmente, para conter custos.

PROMOTORIA OE JUSTI ÇA Opresidente do Cremepe, Carlos Vital,juntamente com André Longo, vice-presidente do Cremepe e oconselheiro Mário Jorge Lobo, participaram de uma reunião na Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde do Ministério Público Estadual, a fim de discutir as condições de atendimento, leitos ecirurgias dos Hospitais da Restauração, Otávio de Freitas, Getúlio Vargas, das Clínicas eOswaldo Cruz, entre outros. Também estavam presentes cinco promotores, representantes dos referidos hospitais e de órgãos públicos, assim como do Corpo de Bombeiros e SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] .

NOTA DO CREMEPE Osecretário adjunto da Secretaria Estadual de Saúde [SES]. Cláudio Duarte, procurou o Cremepe, o Sindicato dos Médicos e a Associação Médica manifestando preocupa­ ção com os surtos endêmicos de dengue que têm ocorrido em Pernambuco e solicitou o apoio das entidades médicas no combate à doença. De acordo com o presidente do Cremepe, Carlos Vital, apesar das divergên­ cias - entre os médicos e aSES - provoca­ das pela falta de valorização do médico e condições de trabalho adequadas, a classe médica está, nesse momento, ao lado da Secretaria Estadual de Saúde no combate à dengue, em benefício da população.

ABUSO EEXPLORAÇÃO SEXUAL Oalerta vem da Organização das Nações Unidas [ONU] e da Organização Mundial de Saúde [oMS]: 20%das mulheres no mundo são víti­ mas de abuso e violência sexual quando crian­ ças eadolescentes. No Brasil, os dados são esti­ madamente maiores, pois há subnotificação. A lei federal 10.778/2003 determina notificação compulsória dos casos acima e de qualquer outra forma de violência contra a mulher. Em quase 70%dos casos o abuso, a exploração e a violência são perpetrados pelos pais, cônjuges, tios, irmãos e no Brasil há déficit de 40% de municípios sem conselho tutelar, promotoria,

Opresidente do Cremepe, Carlos Vital, e a presidente da Unimed-Recife, Maria de Lourdes Correa de Araújo, durante a solenidade de apresentação da conclusão da reforma da emergência pediátrica da Unimed-Recife, na Avenida Agamenon Magalhães. delegados ejuízes, razão pela qual as entidades médicas vêm lutando para que seja realizado concurso público para provimento desses car­ gos. OCremepe orienta os médicos que éobriga­ ção legal, tratando-se de abuso eviolência contra amulher, ser efetuada notificação em formulário próprio, se houver na localidade, ou, do contrário, em receituário do hospital, para ser enviado à Gerência de Polícia da Criança edo Adolescente [GPCA] ou Ministério Público, direcionando a Promotoria da Criança e do Adolescente. Em se tratando de mulheres maiores de idade, havendo lesão corporal grave, o procedimento é omesmo, entretanto, não havendo, énecessária a concordância da mesma. OCremepe informa que vem por todos os meios buscando viabilizar apresença de psicólogos na assistência básica [Programa de Saúde da Família - PSF] como ação de imperiosa necessidade para elaboração dos traumas das mulheres que, com certeza, implicará em menor medicalização, agudização e psicosomatização. O Conselho conclama a toda sociedade e à classe médica a integrar-se nessa cruzada cidadã de combate a violência contra a mulher por todas as formas e meios. O número do disque-denúncia da Secretaria Nacional de Direitos Humanos é o 100, contra abuso e exploração sexual de crianças e ado­ lescentes.

DELEGACIA REGIONAL EM SERRA TALHADA OCremepe inaugurou no último mês de junho, em Serra Talhada, no sertão pernambucano, uma nova Delegacia Regional. Oevento, realiza­ do no Sertão late Clube, contou com a presença do vice-presidente do Cremepe, André Longo, do chefe de fiscalização do Conselho, José

Carlos Alencar e do presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Antônio Jordão. De acordo com o otorrinolaringologista José Jared de Carvalho Júnior, que tomou posse como Delegado Regional, a instalação da delegacia em Serra Talhada aproxima ainda mais o Cremepe dos médicos do interior. Também tomou posse, como secretário da regional, o gastroenterolo­ gista José Roberto Vieira de Barros. Já existem duas delegacias do Cremepe funcionando no interior, uma em Petrolina, também no sertão, e outra em Caruaru, no agreste.

PARCERIA COM AHONOA Apartir de agora os médicos que estiverem com a anuidade do Cremepe em dia podem comprar veículos Honda com descontos vigentes natabe­ la do acordo. Oconvênio foi firmado esta sema­ na e os interessados devem se dirigir a uma das concessionárias Honda de Pernambuco: Autoline Veículos, avenida Mascarenhas de Moraes, 1818, Imbiribeira; Recife Motors, rua José Bonifácio, 894, Torre. Leia a íntegra do convênio e confira a tabela no site do Cremepe www.cremepe.org.br

CÓOIGO DE ÉTICA Já está funcionando o site que vai receber sugestões de médicos eentidades da sociedade civil para a Revisão do Código de Ética Médica. Acesse o site do Cremepe [www.cremepe.org. br J. clique no link "Revisão do Código de Ética Médica" e saiba como, quem pode participar e como contribuir. No site também estão as opções para 'Sugestão para inclusão de arti­ gos' e 'Sugestão para alteração de artigos', entre outras. Movimento Médico 25


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Da esquerda para a direita: Carlos Japhet (Presidente da Coopecárdio), Marcio Bichara (Vice-Presidente da Fenam), Luciano Siqueira (Vice· Prefeito do Recife), Antonio Jordão (Presidente do Simepe) e Mário Fernando Lins (Secretário-Geral da Fenam)

Posse de nova Diretoria em grande estilo no Arcádia A categoria conquistou salários mais dignos, mas não abre mão da melhoria nas condições de trabalho Chico Carlos*

26 Movimento MédICO

D

ata marcante, 18 de abril, para o SIMEPE. Tomou posse, em solenidade reali­ zada no Arcádia do Paço Alfândega, Bairro do Recife, a nova diretoria do SIMEPE, formada por 77 profissionais para o biênio 2008/2010. A mesa de posse foi composta pelos presidentes do Simepe - Mário Fernan­ do Lins e Antonio Jordão de Oliveira Neto - pelo então secretário estadual de Saúde, Jorge Gomes, o vice-pre­

feito Luciano Siqueira, o presidente do Cremepe, Carlos Vital, o diretor da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Márcio Bichara, o vice-presi­ dente da Associação Médica/PE, Bento Bezerra e o presidente da Federação das Cooperativas de Especialidades Médicas (Fecem), Carlos Japhet. Re­ presentantes de entidades sindicais, instituições universitárias, diretores de hospitais, entre outros convidados estiveram presentes.

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MEDALHA NAíDE TEODÓSIO

Médica recebe honraria

PE

A homenageada, a médica Maria José de Souza Ferrera e o presidente do Simepe, Antonio Jordão

Sindicato dos Médicos de Pernambuco [Simepe] realizou, em 28/03, em seu au­ ditório, a solenidade de entrega da "Medalha de Honra ao Méri­ to Professora Naíde Teodósio". Nesta segunda edição do prê­ mio, a homenageada foi a médi­ ca/professora e pesquisadora da Universidade de Pernambuco, Maria José de Souza Ferrera. Na abertura do evento, o presidente do Simepe, Mário Fernando Lins, fez uma breve saudação aos pre­ sentes, destacando a importân­ cia da medalha e a homenagem feita à professora da UPE. Por sua vez, o então vice-presidente do Simepe, Antonio Jordão e as dire­ toras Paula Magalhães e Adriana Valentina salientaram sobre as trajetórias de luta, compromisso e responsabilidade tanto de Naide Teodósio como da professora Maria José de Souza Ferrera. A homenegeada fez um dis­ curso emocionado de agradeci­

O

Em seu discurso de despedida, o presidente Mário Fernando fez uma retrospectiva das lutas e ações reali­ zadas em dois anos de mandato e em seguida agradeceu a participação de todos os companheiros (as) que esti­ veram em sua gestão, bem como do apoio dos funcionários da entidade. Por sua vez, o presidente eleito e empossado, Antonio Jordão, pautou seu discurso com comentários sobre desigualdade, educação, habitação, distribuição de renda, saúde, sindi­ calismo e solidariedade. Dignidade é a palavra de ordem da nova gestão. Nesta oportunidade, os que fazem o SIMEPE (diretores e funcionários) expressam reconhecimento e gra ­ tidão ao Df. Mário Fernando Lins pela brilhante administração rea­ lizada nos últimos dois anos à frente da entidade.

mentos aos familiares, amigos e, sobretudo, ao Simepe. "Estou muito feliz de receber a medalha de honra que tem nome de uma grande mulher", afirmou . Para finalizar, Vanda Ferreira, da Pe­ tros, proferiu uma palestra sobre a participação da mulher no con­ texto social e político. Após a solenidade oficial, as comemo­ rações continuaram com um coquetel. A homenagem contou com a parceria da Petros e da Unimed Recife. Além da colaboração da Murilo Jóias. A "Medalha de Honra ao Mérito Professora Naíde Teodósio" teve início no ano passado com o objetivo de homenagear as mulheres que trabalham para a melhoria da saúde do gênero feminino. Por isso, as solenidades são sempre em março, "o mês da mulher". Na primeira edição, a homenageada foi a médica Maria Fernanda Al­ meida Lins Ghersmam. Movimento Médico

27


e e amb

Que projetos a nova gestão do SIMEPE pretende desenvolver nos próximos dois anos? A nova Diretoria assume o SIMEPE com os compromissos de manter a en­ tidade combativa, porém de diálogo convergente e plural. A luta histórica por melhoria da qualidade de vida do médico pode se traduzir por ganhos de remw1eração, carreira de estado com cargo específico, busca incessante por condições de traballio adequadas, am­ pliação da oferta de serviços ao médico com destaque para a defensoria médica e defesa intransigente do cooperati­ vismo. Para o fortalecimento da enti­ dade, esperamos associar mais colegas e transformar os atuais pagamentos efetuados por meio de boletos bancári­ os para débito em conta bancária ou desconto em folha de pagamento. Hoje, a atual diretoria é composta por 77 médicos. Como eles estão dis­ tribuídos? O traballio abrangente e em equipe é fundamental. A ampliação da Dire­ toria passa pela interiorização do tra­ balho do Sindicato. São 15 Diretores 28 Movimento Médico

na Executiva e os demais distribuídos como Diretores Regionais (Recife, Ca­ ruaru e Petrolina), Diretores Sindicais municipais (Olinda, Cabo) e Diretores Sindicais de hospitais (HR, HBL, HC, HGV, HOF, HAM, PROCAPE, HUOC, CISAM, Correia Picanço, Maternidade Brites Albuquerque, PSF) .

Falando para os médicos, espe­ cificamente, como é o processo de sindicalização? Associar-se ao SIMEPE é muito fácil. Basta preencher uma ficha de sindalização e autorizar o débito em conta corrente ou desconto em foUla de pagamento de órgão do Estado, Mu­ nicípio do Recife ou instituições parcei­ ras como IMIP, UNIMED, UNICRED, FECEM, entre outros. Tal ficha foi en­ viada à casa de todos os médicos para associar-se ou para atualizar seus dados (recadastrar-se) . Visando diminuir o trabalho do médico neste processo de associação, disponibilizamos em nosso site (wv,rw.simepe.org.br) esta ficha, que após devidamente preenchida, pode ser enviada on line. O valor da mensali­ dade é de apenas R$ 30,00 (trinta reais).

O Sindicato é a segurança do médico e segurança não tem preço. É verdade que os médicos pre­ cisam fazer anualmente uma atuali­ zação cadastral? A comunicação direta do SIMEPE com os colegas associados se dá através da atualização sistemática dos dados cadastrais (endereço, locais de traballio, telefones e e-mai!). Por isso, pedimos que periodicamente, no mês do seu aniversário ou sempre que houver al­ guma mudança, o colega ligue (81) 3316.2400, ou envie um e-mail para o SIMEPE atualizando estes dados (filia­ cao@simepe.org.br) .

Quais os benefícios que o médico sindicalizado tem? Que serviços o Simepe oferece? Além da luta coletiva geral, o SIMEPE tem ampliado seu rol de ser­ viços. A Defensoria Médica (jurídico) é o maior seguro no exercício da pro­ fissão médica. Atua nas áreas traba­ lhista, ética, administrativa, penal, de família , previdenciária, além de con­ sultoria em todas as áreas. O PRO BEM


(Programa de Benefícios para o Médico do SIMEPE) promove várias parcerias e oferece inúmeras vantagens nas as­ sinaturas de jornais, mensalidades de escolas, ingressos de cinema, serviços de contabilidade, plano de saúde sem carência como o Unimed Recife e fi­ nanciamentos com juros baixíssimos pela UNICRED, além de outras van­ tagens.

o SIMEPE em conjunto com o CREMEPE trabalha nas mobiliza­ ções em defesa de uma saúde pública de qualidade. Este ano, existe algum movimento programado em curto prazo? O Trabalho das entidades médicas (SIMEPE, CREMEPE e AMPE) é cons­ tante. Estamos sempre presentes nos Consellios de Saúde, nas fiscalizações nos hospitais, nas demandas levadas ao Ministério Público, na sugestão de ações específicas como a do Hospital de Câncer e em hospitais no interior. No entanto, durante as campanhas de negociação, e devido às mobilizações da categoria é que nossas ações se tornam mais evidentes. Como o senhor avalia a saúde pública na rede estadual? A rede Estadual possui grandes necessidades, além do subfinancia­ mento, não se dispõe de uma política global para o setor. Não existe um correto dimensionamento de deman­ das nem a formulação de políticas específicas. A rede hospitalar é inad­ equada, inclusive no que tange aos recursos humanos. Apesar de algumas reformas e aumento setoriais de leitos, os hospitais públicos são os mesmos de quarenta anos atrás. O déficit de recursos humanos poderá inviabili­ zar o funcionamento dos três hospi­ tais metropolitanos prometidos para os próximos anos. Para se ter uma idéia, serão (se construídos os três) 450 leitos. Apenas O Hospital Geral Otávio de Freitas, depois de concluir todas as reformas, acrescentaria soz­ inho mais de 300 leitos aguardados e contingenciados há anos. Fica evi­ denciada a concentração de leitos e a incapacidade de atendimento da de­

manda de pacientes que precisam de internamento na região metropolitana do Recife. A solução passa, neces­ sariamente, pela descentralização dos serviços de saúde. A rede de atendi­ mento do Interior do Estado precisa começar a dar resolubilidade aos casos da região. Entretanto, dos hospitais regionais que estão sob o comando do Estado, apenas o Hospital Regional do Agreste (Caruaru) é tratado como hospital regional, e a despeito deste tratamento diferenciado, este serviço também funciona com dificuldades. A política macro tem que envolver transparentemente a responsabilidade do Governo Estadual e a de cada mu­ nicípio. O Estado tem a atribuição de formular, orientar, supervisionar e fis­ calizar os municípios e seus próprios órgãos no cumprimento dos preceitos do SUS. O Estado precisa promover de forma efetiva a prestação de forma digna dos serviços de saúde para os usuários do SUS. Basicamente, o que é preciso para melhorar o setor saúde do Estado? Ser tratado como prioridade. O financiamento adequado é imprescin­ dível. A construção das políticas espe­ cíficas para O setor deve ser discutida entre os servidores, governantes e en­ tidades afins. A complementação do quadro deficitário de recursos humanos urge. E a rapidez na implementação das ações não pode ser esquecida, afinal, a saúde não pode esperar. Qual é a realidade dos médicos que trabalham na rede pública es­ tadual de saúde? Péssima. Sobrecarga de trabalho, ausência de política de educação con­ tinuada, baixa remuneração, insegu­ rança e incompreensão - enfim, o pro­ fissional está entregue a um processo adoecedor crônico tanto psicológico quanto físico. Precisamos exercer nossa profissão em condições dignas, porque para salvar vidas o médico precisa estar saudável. Durante a Caravana do CRE­ MEPE/SIMEPE em todos os mu­ nicípios entre 2005 e 2008, o que se

pode dizer da situação dos hospitais no interior de Pernambuco? A situação no interior é de baixís­ sima resolutividade. Os hospitais públi­ cos millÚcipais, quando não estão aban­ donados, conseguem realizar somente consultas médicas de pronto atendi­ mento e em outros, partos normais. Já as unidades de referência - hospitais regionais estaduais - não cumprem o seu papel, acarretando no "transporte terapia': no qual, ambulâncias e outros veículos são usados no deslocamento inadequado de pacientes do interior que passam a superlotar os hospitais da capital. Isto gera o ciclo vicioso que alimenta O caos nos serviços de saúde. Qual é o déficit de médicos na rede pública de Pernambuco? Só na rede da Secretaria Estadual de Saúde são necessários aproximada­ mente 1.000 (mil) médicos. E o con­ curso público, prometido para o ano passado, ainda não foi chamado em edital. Não estão aí incluídos outros órgãos estaduais, como o Hemope. Não temos ainda esse dimensionamento nos municípios.

o SIMEPE também está engajado, junto com todas as entidades médicas em nível nacional, visando a aprova­ ção da EC 29. A Emenda já passou no Senado. O que a aprovação dessa Emenda vai trazer de forma objetiva em benefício da população? Todo recurso financeiro é impor­ tante para um setor carente e não prio­ rizado como a saúde. Se aprovada a EC 29, os 10% que o Governo Federal deveria assumir de imediato, só viria plenamente em 2011. Se fosse hoje, ao invés de 48 bilhões, o orçamento da união contribuiria com 64 bilhões para a saúde. Não podemos esquecer que em uma sociedade mais justa as prioridades sociais devem ser implan­ tadas de fato, fora dos palanques e dos discursos populistas. São necessárias a participação e a cobrança de todos. Di­ reitos não são dádivas, são conquistas, e precisam ser cobrados com o exercício da cidadania. *Assessor de Imprensa do Simepe

Movimento l"1édico 29


Si--·­ EMERGÊNCIAS

Faltam recursos humanos e

condições de trabalho

Sindicato dos Médicos [Simepe] e o Conselho Regional de Medicina [Cremepe] realizaram, em junho, uma série de visitas às emergências das uni­ dade de saúde nos hospitais da Restau­ ração, Getúlio Vargas, Agamenon Ma­ galhães, Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco e Otávio de Freitas. A fmalidade é dar prosseguimento ao trabalho iniciado desde o ano passado, visando verificar as condições de tra­ balho e de atendimento aos pacientes. Ao final das visitas, o Simepe e o Cremepe constataram que a situação é de precariedade nas emergências - fal­ tam condições de trabalho e equipes de plantão estão incompletas, com o agravamento na clínica médica, onde tem sido sistemática a falta de profis­ sionais neste setor. Hoje, o quadro encontrado é de problemas. Como por exemplo: três pa­ cientes necessitam de UTr no Hospital da Restauração; 50 em leitos improvisa­ dos no Agamenon Magalhães, sendo que 17 são da emergência cardiológica e 33 da clínica médica; 13 em leitos improvisados no Procape; 61 em lei-

O

tos improvisados no Otávio de Freitas, sendo que 15 pacientes com fraturas desde segunda-feira passada aguardam transferência no setor de Traumato­ logia, 45 em macas com rodas, 3 em macas sem rodas, 5 em cadeiras e 8 em macas retidas em ambulâncias. No Hospital Getúlio Vargas, o quadro é de 140 pacientes em leitos improvisados no setor de urgência, sendo que 45 pacientes estão em sala

de recuperação; 10 com indicação de cirurgia ortopédica e 2 com indicação de UTr aguardam vagas no hospital. As entidades médicas destacam que vários pontos do acordo celebrado o ano passado com o Governo do Estado não foram cumpridos e, em especial, o Concurso Público. Com isso, a crise se agrava nas emergências da rede es­ tadual de saúde por falta de recursos humanos.

Problemas no Hospital de Jaboatão

D

iretores do Sindicato dos Médicos de Pernambuco rea­ lizaram uma vistoria no Hospital de Jaboatão dos Guararapes, em Prazeres, em junho e constataram uma série de problemas no setor de atendimento da Emergência. De acordo com os médicos José Tenório e César de Andrade, que estiveram naquela unidade de saúde, faltam recursos humanos e, principalmente, condições de 30 Movimento Médico

trabalho aos profissionais devido ao excesso de pacientes vindos de várias comunidades do mu­ nicípio. Além disso, há uma desorga­ nização na sala de reanimação e da pediatria. Eles salientaram que os colegas médicos reclamaram que os problemas aumentaram nos últimos três meses por conta do Hospital Santa Elisa ter deixa­ do de atender os pacientes SUS.

O Simepe alerta que a Secretaria de Saúde, através da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, precisa ampliar o número de Policlínicas e Serviços de Pronto Atendimen­ to [SPAs] para minimizar o caos estabelecido na emergência do hospital. Hoje, a situação é de precarie­ dade e os profissionais de saúde estão indignados com o descaso da atual gestão municipal.


De olho na notícia

PSF sem remédio

Americanos [OEA] condenou o Brasil por negligência e

Moradores de várias co­

omissão pela demora de 19 anos para punir o ex-marido

munidades do Recife de­

de Penha, Marco Antonio Herredia Viveiros, e recomendou o

nunciaram a falta de medi­

pagamento de indenização à biofarmacêutica.Sancionada

camentos em Postos de

pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, a Lei

Saúde da Família [PSF],

Maria da Penha prevê que os agressores sejam presos em

localizados em bairros

flagrante ou tenham decretada prisão preventiva.

da região. De acordo com os moradores, a centra­

Parto humanizado

lização da distribuição de

Os seNiços de atendimento obstétrico e neonatal têm até

remédios nas Farmácias

dezembro para adotar medidas que incentivem o parto hu­

da Família, implantadas há pouco mais de um ano, obriga

manizado e a redução dos índices de mortalidade materna

pessoas atendidas por alguns postos a se deslocarem a

e neonatal no país. As novas normas, que definem alguns

outros bairros, o que aumenta os gastos com passagem

pontos que mudam a relação "seNiço x mulher x bebê x

e quando chegam lá, faltam até os medicamentos mais

acompanhante", constam da resolução RDC 36 (PDF] e

básicos. Hoje existem sete farmácias na cidade, nos bair­

da Instrução Normativa 02 [PDF], da Agência Nacional de

ros da Madalena, Tamarineira, Casa Forte, Ponto de Parada,

Vigilância Sanitária [Anvisa]. "O desafio de vincular o pré­

Totó e Alto do Pascoal, além de Beberibe.

natal ao ambiente do parto, além dos demais conteúdos

Fiscalização

gia de política pública e responde ao anseio da sociedade",

Especialistas em saúde e produtos farmacêuticos, convi­

destacou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

incluídos pela Anvisa nas novas regras, fortalece a estraté­

dados a participar de audiência pública no Senado Federal, foram unânimes em afirmar que o combate à falsificação

Anorexia

de medicamentos passa, obrigatoriamente, e, prioritari­

O maior ambulatório para tratamento de transtornos ali­

amente, por uma fiscalização efetiva na cadeia produtiva

mentares da América Latina, o Ambulim, da USP [Universi­

desses produtos, principalmente na distribuição, com

dade de São Paulo], inaugurou neste ano uma ala exclusiva

mecanismos de rastreamento que permita m garantir a

para o tratamento de pacientes do sexo masculino. A

autenticidade dos medicamentos. Apesar do Ministério da

decisão foi tomada após os especialistas do centro de­

Saúde tem conseguido reduzir a falsificação de medica­

tectarem um aumento significativo de casos de anorexia,

mentos no Brasil, a carência na fiscalização ainda é muito

bulimia e compulsão alimentar em homens. "O Ambulim

grande.

existe desde 1992. De lá até 2007, atendemos cerca de

Reajuste de preços

pazes", revelou o coordenador do ambulatório, o psiquiatra

D Departamento Intersindical de Estatística e Estudos

Táki Cordás.

1900 meninas e três rapazes. Em 2008, já foram 20 ra­

Socioeconômicos [Dieese] rejeita a tese de que a alta da inflação se deve a um processo de aumentos gene­ ralizados dos preços. Esta tese vem sendo defendida e difundida por uma parte considerável de analistas do mercado financeiro. A rejeição toma como base a evolução dos preços dos alimentos bem como a magnitude que eles deram para a alta do índice do Custo de Vida [ICV] de maio. A inflação apurada por este indicador subiu 0,87% e só os alimentos contribuíram com 0,66 ponto porcentual.

Maria da Penha recebe indenização Depois de sete anos, a biofarmacêutica Maria da Penha, que dá nome à lei que endureceu as penas para quem pratica violência doméstica, recebeu indenização de R$ 60 mil do governo do Ceará. Em 2001, a Comissão Interameri­ cana de Direitos Humanos da Organização dos Estados

Movimento Médico 31


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CABO DE SANTO AGOSTINHO

NOTAS

Médicos aprovam

proposta sala ria I

médicos da Prefeitura Municipal do Cabo de

Santo Agostinho, reunidos em Assembléia em

17/04/08, decidiram aprovar as propostas da Pre­

feitura: a)Reajuste salarial para os médicos dia­

ristas, equiparando ao salário-base dos médicos plantonistas (R$ l.973,01); b) Reajuste salarial de 15% para os médicos do Programa de Saúde da Família (PSF); c) Retroatividade dos reajustes a janeiro de 2008; nas mesmas condições já conce­ didas ao médico plantonistas (R$ l.973,01 + R$ l.000,00) e médicos do SAMU (R$ 2.468,00 + R$l.OOO,OO); d) Continui­ dade aos trabalhos da Comissão de Implantação e Desenvolvi­ mento do Plano de Cargos Carreira e Vencimentos (PCCV),

com cargo específico de médico a ser implantado ainda na

gestão atual; e) Início dos trabalhos da Comissão de Acom­

panhamento das Condições de Trabalho e de Atendimento;

Manutenção da Pauta de Concurso Público para o médico do

PSF; Outras gratificações importantes conquistadas durante o

movimento: Chefia de Plantão: R$ 493,25; Difícil acesso para

o PSF: R$ 366,54 (praias) e R$ 488,73 (engenhos). O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) re­

conhece o esforço e a

sensibilidade do pre­

feito Lula Cabral que permitiram um des­ fecho que atende a to­ dos, principalmente, à população cabense.

O

S

Crítica social com humor

o livro O Condomínio dos Nudis ­ tas, de autoria do médico e escritor Mozart Specht, foi lançado no Simepe. A festa promovida pelo médico e es­ critor Mozart Specht contou com a presença de amigos e familiares em clima informal e descontraído. Com 145 páginas, editado pela Editora da UFPE, o trabalho é uma crítica bem humorada de situações do dia-a-dia das pessoas nas suas relações afetivas e sociais. Regado por personagens inspirados na realidade misturados à fan­ tasia literária, foi escrito há aproximadamente 10 anos e guardado pacientemente para ser lançado no Recife, já 32 Movimento Médico

A diretoria do Simepe recebeu em sua sede para uma reunião·almoço os diretores da Unimed Recife.O objetivo foi de estreitar laços de amizade e, ao mesmo tempo, discutir a parceria e os benefícios para os médicos as­ sociados e seus dependentes, através da parceria com o Plano de Saúde. Foi um encontro cordial e proveitoso entre as duas entidades.

Profissionais da imprensa de Pernambuco participaram de encontro com a diretoria do Simepe, no espaço Barctéria Net. A proposta da reunião-almoço foi para ampliar as relações entre o movimento médico sindical e a Mídia, bem como trocar informações econhecimentos. OSIMEPE ressaltou a decisiva participação da Imprensa no pro­ cesso democrático, além do papel na formação da opinião pública e construção da cidadania.

que nessa década o autor esteve morando fora de Per­ nambuco. Mozart Specht tem 52 anos, quatro filhos, morou em vários lugares do Brasil, entre eles, Fernando de Noronha, Pantanal do Mato Grosso e Jundiaí, que con­ sidera a sua segunda terra. É formado em Biologia (mo­ dalidade médica) pela UFPE em 1982 e em Medicina pela UPE em 1989. Trabalhou com parto humanizado durante oito anos. Desde então, Specht trabalha com a estratégia de saúde da família, com experiência acumu­ lada em municípios de vários estados e concentra as suas atividades na área médica, na reeducação alimentar e mudanças de hábitos de vida como forma de prevenção das doenças (Chi co Carlos).


D

oenças reemergentes são aqu.elas devidas ao reapa­ reCimento ou, aumento do número de infecções por uma doença já conhecida, mas que, por ter vindo causando tão pou­ cas infecções, já não estava sendo considerada um problema de saúde pública, tais como a cólera, dengue, febre amarela, tuberculose, febre rift vallery (rvf) e etc. A população mundial continua a crescer, a um ritmo de aproximada­ mente 70 milhões ao ano. Já chegamos aos seis bilhões de habitantes no pla­ neta. A maior parte deste incremento se dá hoje nos países subdesenvolvi­ dos , e nestes países verifica-se uma crescente urbanização. Isto significa aglomeração intensa, com populações grandes vivendo em espaço reduzido; saneamento inadequado, tanto em relação ao abastecimento da água, quanto aos sistemas de esgotamento sanitário e destinação de resíduos sóli­ dos; habitação precária; proliferação de fauna sinantrópica; falta de infra­ estrutura urbana e agressão ao meio ambiente. Por outro lado, nos países desen­ volvidos o aumento da expectativa de vida, queda da natalidade, fazem com que a população mais idosa se torne mais suscetível a determinados agen­ tes infecciosos e favorecendo também

a yjnda de emigrantes para o mercado de trabalho. Ao tentar especificar mais este contexto mundial, verificam-se dois principais focos de atenção: o surgimento ou identificação de novos problemas de saúde e novos agentes infecciosos; e a mudança no compor­ tamento epidemiológico de doenças já conhecidas, incluindo a introdução de agentes já conhecidos em novas popu­ lações de hospedeiros suscetíveis. Existe, portanto, um número grande de fatores que fazem relação direta com esta situação e podem ser agrupados em sete grandes gru­ pos: ] - fatores demográficos; 2 - fa­ tores sociais e políticos; 3 - fatores

econômicos; 4 - fatores ambientais; 5 - fatores relacionados ao desempenho do setor saúde; 6 - fatores relacio­ nados às mudanças e adaptação dos microorganismos e 7 - manipulação de microorganismos com vistas ao de­ senvolvimento de armas biológicas. Em nosso país o exemplo mais eloqüente é, sem sombra de dúvida, a epidemia de dengue e a falta de uma coordenação adequada, por parte da saúde pública, em especial a esfera fede­ ral, bem como a estadual e municipal, o que gerou um número de óbitos bem acima do que é aceitável pela OMS (Organização Mundial de Saúde) . No Brasil, o modelo da transição epidemiológica nunca foi aplicável com perfeição. O país necessita de um reforço e da revalorização da vigilân­ cia epidemiológica, com o aprimora­ mento da capacidade dos agentes de saúde (médicos, enfermeiros e etc.), ampliação da rede de laboratório de saúde pública de forma hierarquizada, com complexidade crescente e equi­ pamentos, além de adequados su­ primentos e insumos, de uma política de recursos humanos e de um Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) que dignifique o profissional que nela atua. "José Ten ório de Cerqueira Filho é infectolo­ gista e diretor do SIMEPE

Movimento Médico 33


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34 Movimento MĂŠdico


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o pioneiro Correa Picanço portuguesa em 1807 foi obrigada a refu­ giar-se no Brasil, trazendo profissionais de várias áreas de conhecimento, entre eles, um pernambucano de Goiana, o médico José Correa Picanço. Ele morava em Portugal e fez seu curso médico em Paris e Montpellier exer­ cendo a Medicina e a Docência em Coimbra e Lisboa. Em seguida foi no­ meado médico da Corte. Retornando com a famüia real para o Brasil, propôs a D. João VI, em 18 de fevereiro de 1808, a criação da primeira Faculdade de Medicina do Brasil. A mesma foi fundada, na Bahia, com o nome Escola de Cirmgia, no Hospital Real Militar de Salvador, iniciando o ensino médico no Pais. Picanço ficou conhecido como o Barão de Goiana. As Faculdades de Medicina da UFPE com 93 anos e de Ciências Médicas da UPE, com 58 anos, são responsáveis pela formação da maioria dos médicos que atuam em Pernambuco e em outros Estados do Pais. Professores ilustres, como Waldemar Soares Miranda, Rai­ mundo Teodorico de Freitas, Fernando Jorge Simão Figueira, entre outros, des­ sas faculdades, têm nomes destacados no Brasil e no exterior. Na opinião do Diretor de Ensino da UPE, médico Marcelo Azevedo, a questão do ensino rnédico é extrema­ mente complexa e sofre a influência de vários fatores. Um deles é o impacto do avanço tecnológico na área de saúde que tantos benefícios têm proporcionado à humanidade mas trouxe também,

Faculdade de medicina da UFPE

quando não adequadamente utilizado, uma visão fragmentada do paciente que passou a ser visto como doença, sem falar do encarecimento da assistência. O diretor de Ensino informa, ainda, que nesse contexto tem havido nas últi­ mas décadas no Brasil, assim como em outros centros desenvolvidos, um forte movimento visando a melhor adequa­ ção do ensino médico a nossa realidade social, respeitando os princípios básicos do SUS, buscando resgatar a integrali­ dade da atenção, através da ampliação do cenário da prática, anteriormente res­ trito nos hospitais universitários, para o ensino em diferentes níveis de atenção da rede de serviços. NOVAS FACULDADES - A criação de novas faculdades de Medicina no Brasil é polêmica. O vice-reitor da UFPE revela que o governo precisa usar em lugar de critérios politicos, para fundar uma nova faculdade, dados que estão disponíveis com as entidades médicas: relação médico e população; número de médicos baseado com o crescimento da população e o impacto social que repre­ senta uma nova escola na região. "Por sua vez, é mais fácil exercer um controle sobre a qualidade do ensino praticado nas Escolas no País porque temos ex­ celentes ferramentas de avaliação, do que ter controle sobre a qualidade de médicos formados nos países latinos­ americanos'; diz. O Diretor de Ensino da UPE, Mar­ celo Azevedo, não concorda com a cria­ ção de mais Faculdades de Medicina no

Brasil. "Considero que há excesso de faculdades de Medicina nos grandes centros do Pais. Porém, há regiões com carência de médicos e sem cursos de Medicina. Posso citar como exemplo a região norte. Esse problema deve­ ria ser mais observado pelo Governo. Outro fato importante e que precisa ser analisado é a qualidade do ensino médico nessas novas faculdades'; critica o médico Marcelo Azevedo. O ENSINO X PACIENTE - A maio­ ria dos médicos das décadas de 40 e 50 aftrma que antigamente havia mais aproximação do médico com o pacien­ te. A evolução do ensino médico mudou a conduta dos médicos? O Vice-reitor Gilson Edmar concorda que o ensino médico e a atividade médica evoluíram muito com o avanço da ciência e da tecnologia. Há mais ferramentas tec­ nológicas hoje para um diagnóstico pre­ ciso e um melhor tratamento. "Porém, a máquina não deve interpor entre o médico e o seu paciente. É preciso ter em mente que o doente é o centro da nossa atividade profissional': destaca o médico Edmar. Formado pela Facul­ dade de Medicina da UFPE desde 1966 e com mestrado realizado na França, em Marseille, no serviço de Nemofisiologia Clínica, na Faculdade de Medicina da Universidade d' Aix-Marseille, e douto­ rado no Serviço de Nemologia e Nemo­ fisiologia da Escola Paulista de Medici­ na, Gilson Edmar observa como sendo muito importante a prática humarustica que exige uma relação de reciprocidade Movimento Médico 3S


Associa -o •__•__ dePemam do profissional com seu paciente, dentro dos princípios solidários e éticos. O médico e Diretor de Ensino da UPE, Marcelo Azevedo, considera que o avanço tecnológico possibilitou mais capacidade do médico na sua especia­ lização que atende ao interesse do capi­ tal. "Passou-se a ter um profundo conhe­ cimento de pontos do indivíduo, mas muitas vezes deixando de apreender o paciente como um todo, o que leva à possibilidade de ocorrerem oportuni­ dades perclidas'; acrescentou Azevedo, formado em Medicina pela UFPE em 1971 e com curso de cirurgia gastro­ enterológica no John Radcüff Hospital Oxford, na Inglaterra. No final do ano passado, foram comemorados os 50 anos da segunda turma da FCMPE, com uma missa na capela do Hospital Oswaldo Cruz. Dois desses ex-alunos da Faculdade, méclicos Fernando Bemcio de Mello e Mauro Pe­ drosa Peixoto, criticaram as mudanças da relação do médico com o paciente. "Na prática, hoje há um excesso de pedi­ dos de exames pelo médico ao paciente, devido à evolução da tecnologia. Não existe consideração à experiência do próprio médico. Isso é muito ruim, no meu entender, para a medicina'; cliz o cirurgião e pneumologista Mauro Pei­ xoto. "Sou de uma época que não existia ressonâncias, tomografia, endoscopias e outras novidades de tecnologia de ponta. Devido a isso podían10s nos aproximar mais do paciente. O méclico ia até à casa do paciente e havia uma boa conversa para consulta. Hoje, isso acabou. Mas eu e alguns colegas, ainda, resistimos a essas mudanças e continuamos aten­ dendo pacientes com humanismo'; reve­ lou o cirurgião geral Fernando Benício. Na opinião dele, o ensino na Medicina deve reforçar um melhor contato do médico com seu paciente. O ENSINO NO RECIFE - O Curso de Medicina da UFPE adotou o sistema modular, como seu novo projeto políti­ co -pedagógico. O vice-reitor Gilson Edmar informa que a primeira turma neste novo curriculum está prestes a concluir o seu curso enfrentando rea­ ções contrárias, pois foge do modelo tradicional de um curso segmentado em clisciplinas. "Essas continuam a exis­ 36 Movimento Médico

UOO- - - - - - - - -1

Prédio do curso de Medicina no campus da UFPE

tir como lócus de geração de conheci­ mento, podendo estar presente em todo o curso e não somente em uma pequena fração de tempo. Por isso, é importante que docentes e cliscentes conheçam bem a estrutura do curso, porque o conheci­ mento do modelo facilitará a adesão do mesmo'; argumenta o médico Edmar. Na Faculdade de Ciências Médi­ cas o processo de mudança do ensino não é fácil. O diretor Marcelo Azeve­ do ressalta a demanda de uma ampla participação de docentes, discentes e funcionários, através de uma prática dialógica continuada. Para ele, não há como não enfrentar os conflitos e cita como exemplo uma estruturação dos módulos interdisciplinares que precisa de um recorte dos conteúdos essenciais, para formação do médico das antigas disciplinas e que exige uma grande dis­ ponibilidade de todos os docentes para um trabalho coletivo. Por outro lado, a mudança no modelo pedagógico na Faculdade de Ciências Médicas, antes centrado nas aulas magnas e hoje com prioridade ao aprendizado ativo dos alunos, im­ plica em investimentos na área de infor­ mática, biblioteca, salas para cliscussão em pequenos grupos, enfun recursos que a universidade pública não clispõe. O estreitamento das parcerias com os serviços públicos de saúde constitui­ se em outra prioridade. "Apesar das dificuldades, estamos caminhando e conseguindo sucesso em competições nacionais, como a do Promed e Pro­ Saúde. Alunos têm tido seus traba­ llios de iniciação científica premiados

demonstrando assim um cenário posi­ tivo" garante Azevedo. O Curso Médico da UFPE começou com o sonho de Otávio de Freitas de criar uma Faculdade de Medicina no Recife, na última década do século XIX. Não logrou êxito na sua primeira em­ preitada. Porém, não desanimou e con­ vocou um grupo de méclicos e profes­ sores, na Faculdade de Farmácia, para numa reunião memorável, em 5 de abril de 1915 criar, oficialmente, a Faculdade de Medicina do Recife. Era a primeira reunião da Congregação. A partir daí foram cinco anos de dificuldades, até que, em 1920, ocorreu o processo sele­ tivo para ingresso da primeira turma de estudantes, tendo a aula inaugural sido dada pelo seu Diretor, Otávio de Freitas, em 16 de julho de 1920. Na ocasião, o fundador da Escola, em seu discurso, disse ser a Faculdade de Meclicina o seu "sonho dourado de tanto tempo': A primeira turma colou grau em 24 de dezembro de 1925, tendo como paraninfo, o Professor Otávio de Freitas e cujos concluintes eram apenas seis: Porfírio de Andrade Sobrinho, Benedito Alves de Carvalho, Aníbal Bruno de Oliveira Firmo, João da Silva Correia de Oliveira Andrade, Argemiro Costa Filho e Antônio Ignácio de Barros Ribeiro. Em 1946, a Faculdade de Medicina do Reci­ fe, junto com as Faculdades de Direito, Engenharia, Filosofia, Belas Artes, cons­ tituíram a recém-criada Universidade do Recife, posteriormente, na década de 60, denominada Universidade Federal de Pernambuco. Na Reforma Univer­ sitária de 1975, foi reduzida a Curso


Médico do Centro de Ciências da Saúde e fragmentada em sete departamentos profissionais e seis básicos. Durante todo este tempo foram formados numerosos profissionais de excelente qualidade, que foram a base para o nosso Sistema de Saúde e o nosso Pólo Médico. "Atualmente, estamos finalizando um projeto, que inclui uma mudança politico-pedagógica (já implementada), as instalações físicas condignas (pois já perdemos dois prédios como sede) e o retorno à Faculdade de Medicina, com um modelo gerencial moderno e ade­ quado à nossa realidade. A recuperação da Faculdade de Medicina é o sonho de todos: professores, ex-professores, estu­ dantes, ex-alw10s e os dirigentes atuais e anteriores. Sonho que, com certeza, seria do nosso fundador, o Professor Otávio de Freitas'; revela o vice-reitor da UFPE. O mundo começava a respirar me­ lhor com o fim da 2a Grande Guerra trazendo para o homem esperança de

novos tempos. Foi vivendo esse pano­ rama que alguns jovens, no Recife, dese­ josos de participar da construção dessa nova ordem, ansiavam pela oportuni­ dade de serem médicos. Neste cenário, um grupo de "Homens Idealistas" se atirou na árdua tarefa de criar uma nova escola de medicina e fundaram em 28 de fevereiro de 1950 a Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, tendo como seu primeiro diretor o Pro­ fessor Waldemar Soares Miranda. Do sonho de seus fundadores de criar wna escola diferente, que ensinasse através da vivência prática junto ao paci­ ente, aos dias atuais, a Faculdade passou por várias fases institucionais; inicial­ mente como escola isolada até 1966, ano em que compôs, junto com a Escola Politécnica de Pernambuco, a Faculdade de Odontologia de Pernambuco, a Fa­ culdade de Enfermagem, a Faculdade de Ciências da Administração e outras, o núcleo inicial da Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (FESP), trans­ formado, no início da década de 90 em

Universidade de Pernambuco (UPE). A Faculdade de Ciências Médicas é hoje considerada uma das melhores do país na Avaliação das Condições de Oferta dos Cursos de Medicina do MEC. Do casarão da rua Benfica, na Ma­ dalena, onde iniciou suas atividades, até os dias atuais, ocorreram muitas dificuldades, mas as conquistas e vitórias prevaleceram. O pioneirismo dos seus fundadores, as lutas pela consolidação da Universidade de Pernambuco, a resistên­ cia às ameaças mais recentes, a crença de que o ensino público e de qualidade é fundamental para o desenvolvimento da nação, mantêm unidos professores, alunos e servidores objetivando cons­ truir uma escola médica que orgulhe Pernambuco. AMPE - E importante lembrar que a Associação Médica de Pernambuco teve atuação importante no progresso do ensino médico no Estado. Muitos debates importantes, com médicos, para fundar a primeira Faculdade de Me­ dicina foram realizados na AMPE.

Pernambucano premiado em Cannes

cineasta pernambucano Bruno Bezerra (foto ao lado), 25 anos, conhe­ cido como Tião, recebeu o prêmio de melhor curta metragem no Festival de Cannes, com o filme Muro. Para Tião, foi um privilégio entrar num festival com a dimensão de Cannes e ganhar o prêmio com o seu segundo curta. "Me sinto feliz por ter conseguido mostrar meu filme lá e por ele ter tocado algumas pessoas que estão tão distantes de mim geo­ graficamente;' revela o cineasta. Na opinião de Tião, hoje, no Bra­ sil, há possibilidade de fazer filmes autorais com qualidade, e Pernam­ buco está incluído neste contexto cinematográfico. "Já se passaram alguns anos do que se chamou de retomada e agora, ao invés de ape­ nas ficar pensando se vai conseguir

O

ou não fazer um filme, já há uma preocupação maior de se pensar bem sobre o filme que está fazendo. De se preocupar em dialogar estética e linguagens contemporâneas com os mais diversos cinemas do mundo" revela Tião. Filho do médico e diretor da AMPE, Bento Bezerra, e proprietário da produtora Trincheira Filmes com mais dois sócios, Leonardo Lacca e Marcelo Lordello, Tião tem vários empreendimentos a ser realizados. "Leonardo e Marcelo têm projetos de curtas e longas bem maduros. Durante os anos em que fiz Eisentein e Muro escrevi idéias em um cader­ no, mas não comecei a desenvolvê­ las. Agora, depois da premiação em Cannes, quero respirar um pouco, viajar com o filme e voltar a escrever'; confessa o cineasta premiado. Movimento Médico 37


Educação médica em geriatria

Alexandre de Mattos* Brasil tem hoje quase 18 milhões de idosos, e neste cenário nacional Recife se des­ taca como a terceira capital em números relativos de idosos, ficando atrás apenas do Rio e Porto Alegre. A longevidade é uma grande con­ quista da humanidade, mas, no Brasil e demais países em desenvolvimento, este processo acelerado do envelhecimento não permitiu que houvesse uma reor­ ganização social e econômica frente às demandas deste fenômeno demográfico e epidemiológico, sendo a otimização da saúde para o atendimento geriátrico e a educação universitária em saúde na área da geriatria e gerontologia uma das maiores necessidades em resposta a este fenômeno. A geriatria dos meios acadêmicos defmitivamente não é aquela pseudogeriatria ortomolecular, dos poli­ vitamínicos ou das ditas práticas "antien­ velhecimento': É fundamental que todo médico, mesmo que não geriatra, uma vez que não teremos geriatras suficientes para atender a demanda de tantos idosos, tenha ao menos uma formação básica dos princípios desta prática médica. É essencial entender que a avaliação do pa­ ciente idoso deve ser feita de forma mul­ tidimensional, dentro da chamada AGA (Avaliação Geriátrica Ampla), quando é avaliado, juntamente com uma equipe in­ terdisciplinar, aspectos físicos, psíquicos, funcionais, suportes sociais e econômicos, e até características do ambiente onde vive o idoso. Esta abordagem multidi­ mensional a idosos selecionados tem im­ pacto relevante na morbimortalidade e na qualidade de vida destes gerontes, aspecto este já comprovado em publicações de respeitados periódicos médicos. A Avaliação Geriátrica Ampla, além de incluir a anamnese e o exame clínico tradicional, enfatiza outros domínios, como a avaliação da capacidade funcio­ nai, da cognição, dos aspectos psicológi­ cos e da qualidade de vida, baseando-se em escalas e testes quantitativos validados cientificamente e utilizados universal­ mente pela geriatria.

O

38 Movimento Médico

É comwn encontrarmos idosos com várias doenças crônicas não transmis­ síveis. Sabe-se que 85% das pessoas com 60 anos ou mais apresentam pelo menos uma doença crônica não curável, enquan­ to que 10% apresentam cinco ou mais patologias crônicas em comorbidade. Portanto, ser um idoso, principalmente após os 80 anos, sem nenhuma doença é privilégio de muito poucos, mas existe um novo paradigma do processo saúde­ doença na geriatria, que considera o idoso saudável aquele que tem capacidade fun­ cional para realizar suas atividades diárias com independência e autonomia apesar da sua hipertensão arterial, diabetes mel­ litus ou osteoartrite, e este paradigma de saúde deve ser alcançado através do adequado controle das comorbidades e pela reabilitação com resgate da fun­ cionalidade. Na prática da geriatria é fundamental eleger prioridades ao invés de tentar tratar de uma só vez todas as doenças, sintomas, queixas ou limitações que o idoso traz, em uma primeira con­ sulta, ao consultório, pois esta é a forma mais acertada de resolver os problemas de saúde dos idosos sem incorrer em iatrogenias e sem onerar absurdamente a proposta terapêutica com a prática da polifarmácia. Um médico que é chamado para atender um paciente de 85 anos, embora possa encontrar um indivíduo saudável, pois se trata de população heterogênea,

necessita ter em mente que existe a sig­ nificativa probabilidade de encontrar wn paciente dependente de cuidados, com múltiplas patologias, com déficit cogni­ tivo, com déficit sensorial ou até mesmo em um processo de fmitude, e este médi­ co precisa estar preparado para lidar com todas estas situações comuns para um paciente muito idoso, e este preparo teria que ter sido ofertado na educação médica universitária. Temas como insuficiência cognitiva, instabilidade postural, imobilidade, in­ continência e iatrogenias devem ser bem conhecidas pelo médico, acadêmico ou internista que atende um idoso, pois estas cinco síndromes geriátricas compõem os chamados 5' 1s da geriatria ou gigantes da geriatria e, em uma boa prática geriátrica, devem ser pesquisadas e abordadas sem­ pre. Doenças ou condições muito preva­ lentes em idosos devem ser investigadas exaustivamente e de forma pró-ativa para evitar os tão comuns subdiagnósticos. Então, déficits sensoriais auditivos e vi­ suais, depressão, demências, incontinência urinária, hipotensão postura}, quedas e instabilidades posturais, transtornos de movimento como Parkinson, medica­ ções inapropriadas para idosos e todas as modalidades de iatrogenias são exemplos de condições que devem ser sempre ras­ treadas no atendimento ao idoso. Não é incomum o idoso chegar ao consultório médico solicitando uma vitamina para suas queixas de adinamia e dores mal definidas. Neste caso, podemos estar di­ ante de um idoso com uma síndrome depressiva menor ou depressão subsin­ drômica com sintomas somáticos prepon­ derantes e um médico desavisado, sem wna base de educação médica geriátrica, pode cair na armadilha de prescrever wn polivitamínico, ao invés da medicação correta que aquele idoso necessita. É sempre um desafio da consulta geriátrica administrar e coordenar a chamada polifarmácia. Muitos idosos fazem uso de vários fármacos prescritos por vários especialistas diferentes e outros usados por conta própria para tratar uma


constipação intestinal, uma "labirintite", etc. O médico que atende idosos necessita ter um alto grau de suspeição para efeitos colaterais de fármacos. É fundamental conhecer as interações medicamentosas, os fármacos ditos inapropria­ dos para uso em idosos esempre, em toda nova consulta, revisar os medicamentos do idoso com vistas a buscar uma prescrição "enxutà: porém, nunca deixar de usar medicamentos que têm boa evidência de impacto na morbimortalidade apenas pela idade avançada, como anticoagu­ lantes na fibrilação atrial, antidepressivos para tratar uma síndrome depressiva, dentre outros exemplos de iatrogenias passivas. Trabalhar com idosos impõe ao médico ter uma formação educacional consistente para lidar com firutude, saber decidir quando o foco do tratamento deixa de ser curativo e passa a ser paliativo e entender e dominar aspectos éticos que envolvem ortotanásia versus distanásia. Também está no domínio da geriatria o suporte ao cuidador de idosos. Estes desempe­ nham papel fundamental no cuidado do idoso dependente para suas atividades de vida diária, então, esta atitude de "cuidar do cuidador" tem impacto importante na qualidade do cuidado que o idoso vai receber, refletindo diretamente nas suas condições de saúde. A boa prática geriátrica não pode negligenciar o cuidador que assiste ao geronte dependente. É urgente que toda esta formação médica em geriatria para o adequado atendimento aos idosos da nossa sociedade componha os cur­ rículos dos cursos médicos brasileiros. A mu­ dança acelerada de un1 perfll epidemiológico materno-infantil para um perfil de doenças crônicas que se acumulam em uma sociedade que envelhece já é, há algum tempo, uma reali­ dade do Brasil, porém, a maioria das faculdades de medicina na região norte- nordeste do nosso país aillda não contempla educação médica em geriatria dentro de seus currículos. A imensa maioria dos hospitais-escolas universitários que oferecem residência médica em geriatria está localizada nas grandes e conhecidas uni­ versidades do eixo sul-sudeste do país. Este é um cenário que as universidades e entidades médicas do nosso Estado e região precisam mudar de forma célere, pois a educação médica em geriatria, além de representar um avanço da formação médico acadêmica, é um instrumento necessário para o resgate da plena cidadania do idoso inserido em nosso sistema de saúde. Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - Seção - PE

As forças visíveis

de um caminho

sendo construído

Assuero Gomes* saúde como um bem da família humana, um direito . não alienável, pois dom de Deus, através dos bens da natureza donde vêm toda a ciência e todos os fármacos. O ofício do médico e da médi­ ca se insere nesta natureza, como dom. A sua arte e sua ciência postas a serviço do bem comum, como quem constrói uma casa habitável para todos, devem ser partilhadas. Os mecanismos sociais que distribuem os bens comuns entre os povos são inerentes a cada cul­ tura e a cada organização política advindas da vontade soberana destes povos. O nosso pais, cuja nação se comprometeu a dotar seus ci­ dadãos e cidadãs de caminhos de acesso aos meios de promoção da saúde, infelizmente não cumpre sua obrigação pátria. A organização e as forças soci­ ais devem ser dirigidas para uma saúde pública, digna, de alto pa­ drão técnico e principalmente hu­ manizada, distribuída igualitari­ amente entre toda a população, que é quem paga por ela através de pesados impostos e tributos. A precariedade desse sistema, que se torna cruel, especialmente para com os mais pobres, fez surgir uma rede suplementar de saúde, formada por consultórios, clínicas, hospitais e serviços di­ versos; no seu bojo trouxe os in­ termediários (atravessadores) que lucram com o trabalho médico.

A

A única resposta ética e democrática para tal situação é o cooperativismo. Médicos e médicas se associam com iguais direitos e deveres, partilhan­ do os frutos de seu trabalho e organizadamente resistem à ex­ ploração e à mercantilização da medicina. No cenário do nosso estado, as entidades médicas como o Cremepe, o Simepe e a AMPE têm recebido e dado apoio ao movimento cooperativista, atra­ vés da Unimed Recife e da Fe­ cem e suas afiliadas, parceiras na construção do caminho seguro a ser caminhado. É importantíssima a coesão destas forças para que organis­ mos predadores estranhos a Per­ nambuco, atraídos pelo brilho do metal, encontrem uma forte resistência na nossa terra. Basta de exploração! Uma cooperativa há que ter raízes na terra, responsabilidade social, cuidado com nossas cri­ anças e idosos. Há que ter com­ promisso com a sustentabilidade e se mostrar presente nas horas de luta e de festa. Ser cuidada e cuidar, pois dono é aquele que cuida. Creio que o caminho está posto, a ser trilhado, removendo­ se as pedras e os espinhos, po­ dando-se as arestas, semeando concórdias, aguando jardins. Um caminho de caminhar juntos. *Diretor de Imprensa do Simepe. assuerogomes@terra.com.br

Médico preceptor de Geriatria do HUOC/UPE

Movimento Médico 39


Valéria Barbalho

Acapital do Agreste de

Nelson 8arbalho

F

oi em 1957 que meu pai, Nelson Barbalho, co­ nheceu Luiz Gonzaga . Meu pai estava jogando bilhar, no Bilhar do Bechara, quando Onildo Almeida o pro­ curou para lhe apresentar o Rei do Baião. Eles queriam encomen­ dar a letra para uma música. Era o Centenário de Caruaru e Luiz Gonzaga queria fazer uma home­ nagem à cidade, cantando um novo baião. Ocorre que ele não queria uma letra "comum", ou seja, apenas com rimas e um tema livre. Gonzaga queria que a letra falasse sobre a história de Caruaru. Onildo já estava com a músi­ ca pronta, por sinal, muito boa, e lembrou que para fazer uma letra contando a História de Caruaru tinha que consultar o meu pai, pois naquela época, ele já pesqui­ sava e escrevia artigos sobre esse tema, publicados nos jornais da cidade. Diante de Gonzaga, meu pai lhe disse que nunca havia escrito letra de música e que não era poeta, mas, mesmo assim, pediu para ouvir a melodia que já estava pronta. Foram, então, para o Café Magestic, ao lado do bilhar e, enquanto Onildo solfejava a música, acompanhado por Luiz Gonzaga batendo com o pé no chão, meu pai, imediatamente, tal como um repentista, comple­ tou: "Quem conhece o meu nor­ deste, certamente há de saber

40 Movimento Médico

que Caruaru do Bonito há cem anos veio nascer. Da fazenda Cururu, povoado se tornou. Foi crescendo, foi crescendo, e a vila logo chegou. João Vieira de Melo, Coronel cabra da peste, da vila fez a cidade hoje Capital do Agres te( ... )': E assim continuou até termi­ nar toda a letra da canção. Foi desse jeito, durante uma pausa de uma partida de bilhar, que foi composta "Capital do Agreste': a música do Centenário de Ca­ ruaru. Neste 18 de maio que passou, Caruaru completou 151 anos e "Capital do Agreste", de Onildo Almeida e Nelson Barbalho, faz 51 anos de existência. Assim "nasceu" o compositor Nelson Barbalho! Luiz Gonzaga gostou tanto da música que a gravou imedia­ tamente. Lançou um compacto simples de 78 rotações, pela RCA Victor. Foi um sucesso danado! Vendeu foi disco! Alguns meses depois, deste inusitado episódio, ao passar pelo Banco do Povo, o gerente disse ao meu pai que havia chegado do Rio de Janeiro, enviado pela RCA, um depósito para ele e Onildo, no valor de 80 contos de reis (40 para cada um). Meu pai, feliz feito sertanejo quando vê chuva, retirou logo a sua parte. Foi o primeiro dinheiro extra que ele ganhou na vida. Justo ele que vivia com o sálario apertado de funcionário público, já que

colaborava gratuitamente para os jornais da cidade. Saindo do banco, ele atraves­ sou a rua, e, na loja de eletrodo­ mésticos de Quinzinho, comprou a primeira geladeira da família. Era uma GE, bem grande, a maior que tinha na loja. Final­ mente ia tomar água gelada sem sair de casa. Gastou vinte contos com a compra. Com os outros vinte, fez uma pequena reforma no sobradinho da rua Vidal de Negreiros, onde morávamos. Depois deste feliz aconteci­ mento, meu pai se descobriu compositor e danou-se a compor músicas. Compôs mais de cem (a maioria permanece inédita). Escreveu baiões, xotes, frevos, maracatus, cocos e até boleros. Luis Gonzaga gravou oito delas: Sertão Sofredor, Gibão de Couro, Xote do Véio, a Marcha da Petro­ bras, Comício do Mato, Xote das Moças, Rosinha, todas essas em parceria com um amigo dele e colega de repartição, o grande músico Joaquim Augusto. No entanto, a mais famosa delas foi em parceria com o próprio Luiz Gonzaga: A Morte do Vaqueiro, em homenagem a Raimundo Jacó, que deu origem a Missa do Vaqueiro. Mas isso já é outra historia ... * Pediatra e produtora do documen­ tário "Nelson Barbalho, o Imortal do "País de Caruaru': e filha de Nelson Barbalho.


CREMEPE

L

Toda terca-feira , às 19 horas, na

TV Universitária, Canal 11

Quem se a ssocza ao Clube Médic o p o d e garantir uma re nda mensal de at é um ano em ca so de a cidente, f azendo u m Seg u ro com A u xílio Doença *. E d e quebra, só se preocupa r com a s COl sas boa s d a vida.

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Revista Movimento Médico - N 11