Revista Abranet . 23

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Tadao Takahashi

Membro do ‘internet Hall of Fame’ da internet society

“brasilZão”

Precisa de isPs coM iMaGinação e oUsadia Abrir o leque e ir além dos serviços de acesso, informações e conteúdo. Esta deve ser a prioridade estratégica das empresas de internet nos próximos 25 anos no Brasil, observa Tadao Takahashi, um dos responsáveis pela infraestrutura de internet no País. O especialista projeta uma melhoria na oferta da internet, mas não o fim da desigualdade digital. Com relação à governança da internet, diz que “há muitas questões em aberto”. Como o senhor projeta os próximos 20 anos da Internet? Do ponto de vista tecnológico, o mundo verá transformações radicais em que a raiz estará no uso da internet – serviços de mobilidade e logística com veículos autônomos; cidades como megaentidades ativas e responsivas; atividades e aplicações recheadas de inteligência artificial com pouca ou nenhuma interferência humana etc. A parte de regulação da internet terá ultrapassado as querelas de telecomunicações versus as OTTs e enfocará desafios humanos relacionados com conteúdos, enquanto as megaempresas de serviços internet estarão cercadas por iniciativas antitruste (mas seguirão impávidas mesmo assim...!). Os governos terão definido algumas linhas inegociáveis de atuação, especialmente em segurança e defesa. E a população seguirá, como hoje, meio abobalhada entre a

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abranet.org.br dez 2017 / jan / fev 2018

evolução vertiginosa de tecnologias e aplicações, de um lado, e a apreensão com os seus impactos sociais, do outro lado. A disseminação da internet por todo o País, com velocidade de acesso e variedade de aplicações, terá melhorado, mas ainda será bastante desigual – não é possível supor que problemas sociais e econômicos que estão na base da má distribuição digital terão sido resolvidos em vinte anos...! São os provedores locais de internet e telecomunicações que estão levando infraestrutura de banda larga para o interior do Brasil ou para as cidades com menor poder econômico. Como eles devem projetar suas redes pensando nos próximos 25 anos da internet? Acho que os ISPs precisam manter e, na realidade, aumentar suas apostas em imaginação e ousadia. Começando por imaginação: tendências como IoT, Software Based Networks etc. dependerão basicamente de provedores locais de produtos e serviços para se materializarem junto às PMEs, entidades públicas e usuários em geral, nas cidades e na zona rural do “Brasilzão” da vida real; os ISPs devem se mirar e se reconhecer como os intermediários ideais entre os provedores de backbone e os clientes de internet Brasil afora, prestando amplo leque de serviços, não mais limitados a acesso, informações e conteúdo. Falando de ousadia: os ISPs têm de mudar a imagem de “underdogs” de serviços internet no Brasil e se colocarem como os verdadeiros agentes da transformação do “Brasilzão” em um Brasil Digital; parte dessa mudança implicará, por exemplo, passar a atuar ativamente no Congresso para adiantar agendas como o do Estatuto da Cidade, o Plano Nacional da

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