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Edição 1 Novembro de 2010 Mensal

Minas portuguesas entre as mais seguras

Visitamos a mina de Loulé e estivemos à conversa com o eng.º Alexandre Andrade numa altura em que o assunto anda à baila pela agenda mundial.

Portugal Destinos algarvios para os dia de chuva Cultura Entrevista a Mafalda Ferreira Tecnologia As últimas do mundo TEC

Presidenciais 2011 aquecem com candidatura de Cavaco Silva.

NBA: A época que agora começa em análise.

Manel Cruz: a pessoa, o músico e o poeta.


Editorial

Nova Etapa O atleta passa o testemunho, oÉjornalista não podeuma passá-lo. assim que nasce nova Oetapa jornalista não corre, mas às do Mundo Contemporâvezes dá passos gigante. O neo. Uma novade fase que quer jornalista pequenas manter otem nívelmãos das edições eanteriores, por vezes tolas. Não inovando. saberia Inovando como passar onos testemunho. no grafismo, conteúdosOe jornalista nem sempre Porque sabe o na sua originalidade. que escrever. e cortes na de recessões Odespesa jornalista testejá onão paíspassa está osaturado, munho, passa o tesouro que lhe porque de influências politicas parece infinitamente está o sempre jornalismo farto, esta mais valioso: as palavras. revista será um conjunto de Mesmo nem sempre saiba todos osque problemas da atulidar commas elas,não mesmo queuma alidade só, será tenha de lutar para colocá-las da aliança de vontades dos alunos melhor formada noComunicação papel. O jorde Ciências nalista trabalha com da Universidade do palavras Algarve.e são das suas palavras que Vontade de aprender, von-brota atade verdade. de trabalhar, fazer mais, Porque hoje, ao passarmos este fazer melhor e principalmente “tesouro” para novasouvidos. mãos vontade de sermos hábeis e repletas de vontade Por isso, como novo dire- de triunfar somosprivilegiado nós que estamos tor, sinto-me em láser outra vez a aprender, apreno porta-voz de umaaeqder com palavras. uipa de as trabalho que, apesar Ao desta nova etapa tudo daslongo dificuldades, se juntou e oconseguiu que desejamos é que a vossa brindar os nossos caminhada seja pautada pela leitores com a continuação seriedade, rigor eprojeto. vontade que deste excelente nos moveu na criação deste projecto. E porque o MundoFilipe ContemPardal porâneo, o mundo em que vivemos hoje precisa de ser olhado e visto pelos olhos da crítica todos os dias, não podemos deixar de nos sentir orgulhosos com a vossa ânsia em agarrar este projecto. Porque como vos disse, o jornalista não passa o testemunho. Passa a vontade, passa o olhar rigoroso e atento a cada situação do dia-a-dia na certeza de

O Testemunho O atleta passa o testemunho, o jornalista não pode passá-lo. O jornalista não corre, mas às vezes dá passos de gigante. O jornalista tem mãos pequenas e por vezes tolas. Não saberia como passar o testemunho. O jornalista nem sempre sabe o que escrever. O jornalista não passa o testemunho, passa o tesouro que lhe parece sempre infinitamente mais valioso: as palavras. Mesmo que nem sempre saiba lidar com elas, mesmo que tenha de lutar para colocá-las da melhor forma no papel. O jornalista trabalha com palavras e são das suas palavras que brota a verdade. Porque hoje, ao passarmos este “tesouro” para novas mãos hábeis e repletas de vontade de triunfar somos nós que estamos lá outra vez a aprender, a aprender com as palavras. Ao longo desta nova etapa tudo o que desejamos é que a vossa

caminhada seja pautada pela seriedade, rigor e vontade que nos moveu na criação deste projecto. E porque o Mundo Contemporâneo, o mundo em que vivemos hoje precisa de ser olhado e visto pelos olhos da crítica todos os dias, não podemos deixar de nos sentir orgulhosos com a vossa ânsia em agarrar este projecto. Porque como vos disse, o jornalista não passa o testemunho. Passa a vontade, passa o olhar rigoroso e atento a cada situação do dia-a-dia na certeza de que o vosso percurso será veloz como o de um atleta. Assim, na impossibilidade de vos passarmos o testemunho, passamo-vos a melhor ferramenta de trabalho de um jornalista: as palavras. Porque foi com elas que ao longo de um ano conseguimos crescer pessoal e profissionalmente.

Isa Mestre

Estatuto Editorial Mundo Contemporâneo (MC) é uma revista digital da Licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Algarve. Surge no âmbito da disciplina de História Contemporânea e tem por objectivo oferecer aos alunos uma experiência mais prática em termos jornalísticos. MC é uma revista multimédia de informação geral e periodicidade mensal, organizada pelas seguintes seções: Portugal, Mundo, Cultura, Desporto, Lazer, Ciência e Tecnologia. A revista promove o rigor informativo e a distinção clara entre informação e opinião.

*A revista é redigida utilizando o novo acordo ortográfico *

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Index

Geral

p.4 p.8 p.10 p.15 p.18

Tema de capa

Portugal Mundo Cultura Lazer

Minas em Portugal seguem as normas da Europa e são mesmo das mais seguras do território

p.6

Desporto

Ciência e Tecnologia

p.22 Mundo Barack Obama: da fama à desconfiança.

página 8 Desporto Entrevista a Júlio Marcelino, atual treinador do clube de judo mais importante da região

p.20

Moda Lisboa

p.5 p.9 p.8 p.25

Lisboa recebeu o evento Moda Lisboa 35’

Geert Wilders

O defensor das “políticas liberais” anti-islão

De malas feitas

Sugestões gastronómicas da “aldeia global”

Os Da Vinci da NASA

O Robot que também é médico

Revista Mundo Contemporâneo DIRETOR Filipe Pardal ADJUNTO Ana Pereira DIRETOR DE ARTE Ricardo Madeira ADJUNTO Maartje Vens PORTUGAL Jorge Felício, Mª João Parente, Ângela Marques (coordenadora), Andreia Matinhos, Filipe Pardal MUNDO Ana Lourenço, Ana Pereira, Denise Horta, Ana Marques (coordenadora) CULTURA Ana Parra, Milton Lima, Isa Vicente, Luis Timóteo, Tatiana Contreiras, Susana Teixeira, Diogo Leal (coordenador) LAZER Ana Narciso (coordenadora), Raquel Viegas, Cristina Apolónia, Cecilia Palma, Orlandina Guerreiro CIÊNCIA/TECNOLOGIA Ricardo Madeira, Micaela, Sofia Chaveiro, Maartje Vens (coordenadora), Melanie Messias DESPORTO Pedro Nascimento (Coordenador), Fábio Gonçalves, Andreia Ruívo, Liliana Lourencinho CONSULTORES Isa Meste, Fábio Lima CONTACTO mundocontemporaneocc@gmail.com

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Portugal

Presidenciais 2011

por Andreia Matinhos e Ângela Marques

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om a oficialização da recandidatura de Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais de 2011, restam cada vez menos dúvidas quanto ao potencial vencedor desta corrida eleitoral, de acordo com as últimas sondagens. Com a votação para o Orçamento de Estado quase à porta, a pré-campanha para as próximas eleições presidenciais tem passado despercebida. Enquanto os nomes de Manuel Alegre, Francisco Lopes, Defensor Moura, Fernando Nobre e José Pinto Coelho surgem como presenças confirmadas à corrida presidencial, a recandidatura de Cavaco Silva permanecia incógnita. Após afirmar consecutivamente que só revelaria se se recandidataria ou não depois da votação do Orçamento de Estado, Cavaco Silva acabou por anunciar oficialmente a sua recandidatura no passado dia 26 de Outubro, pelas 20 horas, no Centro

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Cultural de Belém. Esta informação foi facultada em antemão pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa, durante um dos seus comentários semanais, e posteriormente confirmada no passado dia 20 de Outubro pelo Chefe de Estado na Covilhã, quebrando assim o “efeito surpresa” tão esperado pela presidência. Apesar de não ter admitido o conteúdo da declaração a efectuar no CCB, o atual Presidente da República avançou esta informação cinco anos depois de ter anunciado a primeira candidatura, a 20 de Outubro de 2005, no Porto. O Presidente da República é assim o último dos nomes pesados a apresentar-se à corrida eleitoral, seguindo o exemplo dos presidentes que se recandidatam – “os presidentes em exercício apresentam-se ao acto eleitoral já no fim do prazo, são os últimos a avançar” – confirma o especialista em ciência política, António Costa Espinho, que explica ainda esta

demora na apresentação da recandidatura com a instabilidade política nacional e o facto de Cavaco não ser “um político com particular apetência para campanhas competitivas”. O potencial candidato do PSD conta já com o apoio de Santana Lopes e Alberto João Jardim, sendo por agora o candidato mais forte. Esta superioridade vai ao encontro da projecção da Intercampus, levada a cabo entre os dias 4 e 6 de Outubro do corrente ano, que adianta Cavaco Silva como o vencedor das eleições com 59,4% dos votos, seguindo-se o candidato do PS, Manuel Alegre, com 26,8% da preferência eleitoral e só depois Fernando Nobre com 9,1%. O prazo para a entrega das candidaturas a Belém termina a 23 de Dezembro, e as Eleições Presidenciais realizar-se-ão no dia 23 de Janeiro do próximo ano, decorrendo as campanhas eleitorais entre os dias 9 e 21 do mesmo mês.


Portugal

Moda Lisboa

Lisboa recebeu no princípio de Outubro o evento Moda Lisboa 35’, In the Market por Maria João Parente

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ste mês foi In the Market, mais precisamente no Mercado da Ribeira que os principais criadores de moda em Portugal mostraram as suas colecções Primavera/Verão para o próximo ano. A Semana da Moda decorreu nos dias 7, 8, 9 e 10 de Outubro e contou com desfiles de estilistas como Ana Salazar, Nuno Gama, Miguel Vieira, Nuno Baltazar, e marcas como Adidas e CIA. Marítima. A mostra de talentos decorreu ao ritmo de sons alternativos e complementada com poesias declamadas por Luís Miguel Cintra, ator e encenador. Pela passerelle passaram nomes do futebol e do atletismo. Figuras do mundo do desporto entre os quais Naide Gomes, Nelson Évora, Nuno Gomes e Simão Sabrosa desfilaram para mostrar o estilo streetwear da

Adidas. Fora das plataformas convidados das mais diversas áreas, desde a política, passando pela música até à elite social, estiveram presentes na primeira fila, num evento com direito a figurantes e cocktail de boas-vindas. O Moda Lisboa exibiu nesta edição 24 desfiles de 18 designers e primou pelo contraste da tradição de um mercado típico português com o espírito vanguardista e internacional do vestuário.

A estilista Maria Gambina encerrou a 35ª edição do Modalisboa com uma exposição elegante feminina e casual. A opinião geral dos convidados foi bastante positiva e a diretora da agência ModaLisboa, Eduarda Abbondanza afirmou que o evento correu conforme planeado. Ficam assim estabelecidas as tendências da época através das propostas de estilistas portugueses e convidados. Pelo menos até Março…

“O Moda Lisboa exibiu nesta edição 24 desfiles de 18 designers” Mundo Contemporâneo // 5


Minas portuguesas entre as mais seguras por Filipe Pardal e Jorge Felício

indústria mineira portuguesa está, provavelmente, longe de assistir a um episódio de dimensões tão dramáticas como aconteceu recentemente no Chile. Quem o diz é o engenheiro Alexandre Andrade, diretor da mina de Loulé, que presenteou uma pequena entrevista para a revista Mundo Contemporâneo. Os sistemas de segurança das minas europeias perfilham o mesmo padrão, assim sendo, as que estão localizadas em território europeu conservam uma situação semelhante em termos de manutenção de equipamento, bem como em questões de relatórios de segurança. Aliás, a situação trágica que decorreu no Chile foi provocada por existir apenas uma saída possível em caso de derrocada, assim que esta foi bloqueada os mineiros ficaram sem opções de salvamento. A Rússia, a China e muitos países africanos vivem em situações mais complicadas, não existindo o planeamento necessário para evitar situações infelizes. Alexandre Andrade afirma que, “as minas Portuguesas estão equipadas com os meios necessários para a extração ser produtiva e segura” e vai mais

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longe quando expressa que as falhas de segurança existentes nas três minas em laboração (Loulé, Neves Corvo e Panasqueira) são maioritariamente provocadas por falha humana. Como testemunho, no caso especifico das minas de Loulé que estão em laboração há quarenta e quatro anos, existe o registo de zero fatalidades em trabalho, chegando a laborar cento e oitenta pessoas simultaneamente. Contactado António Guerreiro, delegado sindical das minas de Neves Corvo, este atestou as declarações afirmadas anteriormente, destacando “o enorme papel que as organizações sindicais têm no que diz respeito à luta para melhores condições de trabalho e segurança para os mineiros de todo o país”. A entidade responsável pela fiscalização das minas é a DGEG – DirecçãoGeral de Energia e Geologia - que contribui nomeadamente para a coordenação dos trabalhos de definição, concretização e avaliação da política de identificação, desenvolvimento e exploração dos depósitos e massas minerais. A fiscalização é rigorosa e geralmente é consumada no seu devido momento, porém António Guer-

reiro alerta para “os equipamentos da idade da pedra”, apesar de estes usufruírem de revisões periódicas para a modificação de peças danificadas. Em termos de segurança, a maior lasca, mas também a maior luta sindical, ainda se concentra provavelmente pela falta de formação profissional dos mineiros. Não conseguimos apurar quais são as actividades extractivas com maior número de acidentes em trabalho, mas Daniel Lopes, um antigo mineiro das minas de Aljustrel afirma “Trabalhar em uma mina não deixa de ser uma profissão de risco, no entanto se a segurança for feita em condições é possível tornar a actividade mineira numa profissão sem acidentes”. Em suma, temos motivos para acreditar que Portugal está bem preparado neste sector e que apesar de algumas fatalidades pontuais que já tiveram registo, a profissão de mineiro não tem necessariamente de ser considerada uma das profissões mais perigosas, não afastando o seu esforço para conseguir trabalhar a mil metros debaixo do solo. Fotografia por Jorge Felício

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“as minas Portuguesas estão equipadas com os meios necessários para a extração ser produtiva e segura”

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Mundo

Barack Obama: Da fama à desconfiança por Ana Lourenço e Inês Gaio

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popularidade de Barack Obama parece estar a afundar-se num mar de promessas por cumprir. Em pouco mais de 1 ano e meio o atual presidente dos Estados Unidos perdeu 18% de aprovação por parte dos eleitorados.

De entre os 68% de americanos que no dia 20 de Janeiro de 2009 depositaram a sua confiança em Barack Obama ao contribuir com o seu voto para que este se tornasse seu governador, uma parte considerável põe agora em causa a sua opção. O recente presidente cumpriu pouco mais de 90 das 502 promessas às quais se propôs cumprir, o que, segundo o historiador político Evan Cornog, conduziu a uma acentuada descida da satisfação por parte da população, não só nos Estados Unidos mas também mundialmente. Este cenário não é de admirar se se tiver em conta a pesada herança que foi deixada a Barack Obama pelo anterior Governo. Ainda que tenha aterrado em campo de guerra com o Afeganistão e com o Iraque, Barack

Obama parecia ser, aos olhos da população mundial, o candidato ideal para o combate à crise. Os seus esforços concentraram-se na luta contra a crise financeira e o aquecimento globais. É de reforçar que Barack Obama foi honrado com o Prémio Nobel da Paz, o mesmo homem que, ironicamente, hoje, é apontado pelos media como um “incumpridor de promessas”. O envio de mais tropas para o Afeganistão, o aumento do desemprego da população com estudos médios, a intensificação da crise económica e a extensão da cobertura de saúde a um número mais elevado de pessoas são assim os principais fatores que estão na base do aumento da insatisfação do povo.

Geert Wilders, o defensor das “políticas liberais” anti-islão por Denise Horta

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eert Wilders, líder do Partido da Liberdade holandês, tem feito polémica com as suas afirmações antiislamitas. Certo é que a sua popularidade tem crescido na Holanda desde que se formou a coligação que governa atualmente o país. A renúncia ao cargo de primeiro-ministro por parte de Jan-Peter Balkenende, foi um passo importante para o ganho de popularidade por parte de Wilders. Após a formação de uma coligação do governo entre o VVD e o PVV, pode-se afirmar que a política holandesa ganhou um novo rumo. Segundo o The Economist “Geert Wilders é o mais proeminente representante dos partidos antiemigração e anti-islão que têm emergido na Europa”. Ideias como cobrar uma taxa pelo uso do lenço islâmico na Holanda, ou mesmo na existência da Eurábia têm causado alguma controvérsia. Surge

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ainda de sua parte a comparação do Corão com Mein Kampf de Adolf Hitler. Loiro e de olhos azuis, ele define-se a si mesmo como um ardente defensor da liberdade de expressão, facto que não exagera. Desde o início do mês de Outubro que está a ser julgado por declarações de incentivo ao ódio racial e à discriminação. A luta de Wilders não tem sido em vão e tem dado alguns frutos: no acordo de coligação as burqas e os lenços que tapam a cara vão ser proibidos; polícias e juízes não vão poder usar lenços que tapam a cabeça. O primeiro primeiro-ministro liberal desde 1918, Mark Rutte, promete a redução da imigração após pressão da parte do partido de Wilders afirmando que "não podemos continuar a deixar entrar na Holanda tantas pessoas sem perspetivas". Na Holanda vivem cerca de um milhão de islamitas.


Mundo

De Malas Feitas

por Ana Marques e Ana Pereira

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espaço De Malas Feitas surge no Mundo Contemporâneo com o objetivo de dar a conhecer aos leitores pequenas, ou grandes, curiosidades sobre a aldeia global em que vivemos. Assim, nos próximos números, procuraremos apresentar aspetos diversos que contribuem para a riqueza cultural de cada um. Neste número escolhemos trazer um dos grandes marcos da diversidade mundial: a gastronomia. A Cachupa Rica é um prato típico de Cabo Verde, e as Natinhas do Menino Jesus uma receita dos “nuestros hermanos”.

Cachupa Rica

Natinhas do Menino Jesus

Ingredientes:

Ingredientes:

1 pé de porco 500 g de frango 1 chouriço 1 farinheira 150 g de toucinho entremeado 1 morcela 500 g de carne de vaca de cozer 100 g de banha 3 dentes de alho 2 cebolas grandes 1 folha de louro 0,5 l de milho 4 folhas de couve-portuguesa (cortada aos bocados) 3 dl de feijão-pedra 300 g de batata-doce (cortada aos cubos) 3 dl de favona 300 g de banana verde (cortada em rodelas grossas) 200 g de abóbora cortada aos cubos sal q.b. piripiri q.b. 1 ramo de salsa 1 l de água

1 l de leite sumo e casca de 1 laranja 50 g de farinha maizena 300 g de açúcar 3 gemas 2 ovos canela em pó

Confeção: No dia anterior demolhe o feijão e o milho, que são cozidos no dia seguinte. Coza as carnes e o toucinho em separado. À parte, coza as folhas de couve, a batata-doce, a abóbora e a banana. Leve um tacho ao lume com a banha, a cebola e os dentes de alho picados, a folha de louro e o ramo de salsa. Quando a cebola começar a amolecer, junte-lhe as carnes cortadas aos bocados e as hortaliças. Tempere com piripiri e adicione a água da cozedura das carnes. Para que o caldo não fique muito forte, junte mais um pouco de água. Deixe ferver um pouco em lume brando para apurar. Está pronto a servir.

Confeção: Corte a casca da laranja fina e deite-a no leite, levando a ferver. À parte, misture a maizena com o açúcar, as gemas, os ovos e o sumo de laranja, mexendo bem. Adicione, em fio, o leite, já sem a casca da laranja, e, mexendo sempre com a colher de pau, leve ao lume até levantar fervura. Deite em pratinhos ou tigelinhas individuais e, depois de deixar arrefecer bem, polvilhe com canela em pó a gosto. Está pronto a servir.

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Cultura TV/Séries

Modern family : Como é a sua? por Tatiana Contreiras

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comédia «Uma família muito moderna» estreou nos EUA em 2009 e já começa a dar que falar. Na 62ª edição dos prémios Emmy realizada este ano, esta série arrecadou seis prémios realçando as seguintes categorias: melhor série de comédia, melhor actor secundário, melhor actor convidado e melhor argumento dentro do mesmo género. Teve de igual modo, uma nomeação para os Golden Globes e nos prémios Director Guild of America ganhou na categoria de melhor realização. A revista Time considerou-a como “a mais engraçada e nova comédia familiar do ano”. «Uma família muito moderna» começou a ser emitido em Portugal

em Maio deste ano no canal FOX Life, e tal como o nome indica, representa o quotidiano confuso e as relações complicadas das famílias complexas próprias do século XXI. Esta série destaca-se pela forma de realização, é semelhante a um documentário devido aos relatos ficcionais das personagens. Através desta particularidade a série aproxima-se muito da vida real e é quase impossível que o público não se identifique com uma ou outra personagem. Esta grande família divide-se em três núcleos que se relacionam entre si e ilustram os estereótipos da sociedade americana. No núcleo mais tradicional integram-se Claire (Julie Bowen), dona

Draculea Café -Bar 10 // Mundo Contemporâneo

de casa, e Phil (Ty Burrell), que são casados e têm três filhos, Haley (Sarah Hyland), Alex(Ariel Winter) e Luke (Nolan Gould). No núcleo mais moderno integram-se Mitchell (Jesse Tyler Ferguson)e Cameron(Eric Stonestreet), um casal gay que adoptou uma bebé vietnamita. Por fim do núcleo multicultural faz parte o casal Jay (Ed O’Neill) e Gloria (Sofía Vergara) natural da Colômbia, e Manny (Rico Rodriguez) que é filho de Gloria. Jay é pai de Claire e de Mitchell. A primeira temporada desta série conta com muito humor e muitos actores convidados, o que torna cada episódio imperdível para muitos espectadores.


Cultura Cinema

Wall Street: Money Never Sleeps / O dinheiro nunca dorme por Milton Lima

O filme «Wall Street: O dinheiro nunca dorme» surgiu numa espécie de spin-off do clássico de 1987 «Wall Street:Poder e Cobiça», onde o que se mantem de uma película para a outra é o galardoado Michael Douglas (Gordon Gekko) e Charlie Sheen, que mais valia não ter aparecido! Gordon Gekko é uma personagem ironicamente cativante, com uma personalidade desprezível e ainda uma lábia sociopata; pagou caro pela suas ações acabando preso, servindo de exemplo para os grandes capitalistas.

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stamos precisamente no ano de 2001, ano de libertação de Gordon que sai com pouco dinheiro, um telemóvel quase préhistórico e um bilhete para a Big Apple. Em segundos, avançamos sete anos e conhecemos Jacob/Jake Moore (representado por Shia Labeouf), um jovem brilhante, ambicioso e idealista em relação à aposta em investimentos de energia limpa e sustentável, atitude que talvez seja o único elo de ligação com a sua namorada Winnie (caracterizada pela atriz em ascenção Carey Mulligan), filha de Gordon Gekko. Winnie caracteriza-se pelo deprezo que sente pelo pai, atribuindo-lhe a culpa pela destruição da família (overdose do irmão e abandono por parte da mãe). Odeia tudo o que rodeia o pai; trabalha num blog ativista, onde denuncia todos os «podres» do mundo financeiro. Jacob trabalhava na Keller Zabel Investments (KZI), uma empresa de renome e altamente rentável liderada por Louis Zabel (Frank Langella) até que surge uma crise no mercado que força-o a vender a empresa a Bretton James (Josh Brolin) um impiedoso homem de negócios, por uma ninharia; razão, esta, que levara ao suicídio de Zabel. Abalado pela morte do mentor e patrão, Jake decide procurar Gekko e ambos fazem um acordo:Gekko ajudao a vingar-se da morte de Zabel, desmacarando Bretton e em troca Jacob ajuda Gekko a reconquistar a filha. Mentiras, boatos, escandâ-los e

traições são o mote deste filme. “Wall Street: O dinheiro nunca dorme” é de facto um bom filme, usando como pano de fundo toda a agressividade usada nos mercados bolsistas de Wall Street. Realmente, em tempos de crise, esta longa metragem parece que veio mesmo a tempo. Os guionista Allan Loeb e o também realizador Oliver Stone utilizaram, de modo inteligente, as histórias individuais das personagens principais para fazer uma crítica geral e muito pertinente, assim como uma exposição à situação atual do mercado financeiro que peca pela falta de medidas de combate à especulação. A riqueza dramática de história do filme, ainda que por vezes excessiva, serve para dar mais valor e credibilidade à história, e ainda de fio condutor de todo o seu desenrolar; deixando, no entanto, aquela “pseudo relação” entre pai e filha Gekko que faz parecer aquele ressentimento todo um pouco forçado. O filme acaba por ter uma conclusão idealista, moralmente satisfatória (atrevo-me a dizer fantasiosa, até): relativamente ao vilão, Bretton, acaba por ser responsabilizado pelas suas ações e ainda ao «final feliz» de Jacob e Winnie. No entanto a grande surpresa é o regresso de Gekko pai,acompanhado da frase «What, can´t you believe in a comeback?» Mais uma vez, Oliver Stone prova o seu valor como realizador, nunca deixando a sua vertente controversa, crítica

e polémica de lado. No entanto, em comparação aos seus trabalhos, “Wall Street: O dinheiro nunca dorme” não chega aos pés das complexidades técnicas de clássicos como “Alexandre, O Grande” ou “W”. De parabéns está ainda o diretor de fotografia Rodrigo Prieto que descreve de forma genial toda a área envolvente de New York. Com um um elenco luxuoso e experiente desde Michael Douglas, com um bom papel, mas soube a pouco; deixou-nos apegados ao Gekko de “Wall Street” (1987) que foi merecedor de Óscar. Carey Mulligan, que deu cartas no filme nomeado de 2009 “An Education”, e ainda Josh Brolin (no papel de vilão) tiveram ambos grandes perfomances. Em relação a Shia LaBeouf, pemanece a dúvida. O ator vendido às ações «transformerianas», digo, às películas de Michael Bay, ficou muito a desejar naquele que foi provavelmente os seu primeiro grande papel (à exceção de “Paranóia” e “Alpha Dog”), sendo mesmo o elo mais fraco no trio de protagonistas (Mulligan, Douglas e LaBeouf). De nota negativa, estão os atores Susan Sarandon que esteve “apagada” durante o filme, assim como James Franco que não se destacaram. Acerca de Charlie Sheen, sem comentários… «Será a ganância uma coisa boa?» Assista e tire as suas próprias conclusões, pois uma coisa é certa, «pode ser anti ética mas não é ilegal».

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Cultura Manel Cruz presenteou os seus fãs com temas arrojados, com musicalidades fora dos padrões habituais do país. A revista Mundo Contemporâneo dá-vos a conhecer melhor este cantor e os seus projetos.

De Ornato a Bandido fugitivo por Diogo Costa Leal e Luís Timóteo

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anuel Gomes Coelho Pinho da Cruz, ou simplesmente Manel Cruz, artista inato, não tem como objectivo primordial a publicidade, o lucro ou o vedetismo. Escreve e cria por prazer e necessidade. «As pessoas têm mesmo essa necessidade de criar coisas, é quase como comer […] Não me identifico com essa ideia de alcançar mercados. A ideia é alcançar pessoas. […] Embora goste de saber que as pessoas gostam do que faço.» (Manel Cruz). As letras dos projectos em que esteve envolvido sempre foram caracterizadas pela evocação da figura feminina e também da materna, o sexo e as palavras sem tabus, o erro intrínseco à vida, o jogo entre os sons e as palavras, a crítica crua à sociedade, aos meios de comunicação social, à política, como também às falsas amizades e à violência, o ser solitário, insatisfeito, assim como a ironia e o sarcasmo.

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“Gosto da sonoridade, das palavras” «Gosto da sonoridade, das palavras, […] comunicar as coisas de uma forma mais simples […] a comunicação é sempre uma coisa subjectiva […] Daí o encanto da escrita, porque nunca é líquido. Esse jogo de procurar essa subjectividade e encontrar as pessoas nessa subjectividade emocional é muito fixe […] Os próprios jogos com palavras, jogos de fonética, a musicalidade das palavras. Gosto da ideia da canção.» (Manel Cruz). Na génese dos Ornatos Violeta esteve uma banda chamada «Suores dos Reis», na qual já militavam alguns elementos que viriam a formar o núcleo duro dos Ornatos, mais tarde o vocalista Ricardo sai da banda, Elísio Donas entra para as teclas e Manel Cruz passa de guitarrista a vocalista, corria então o ano de 1991.

Passados três anos a banda ganhou o prémio de originalidade no concurso de música moderna portuguesa do «Rock Rendez Vous». Depois de alguns anos passados na «garagem», em 1997 sai o muito aguardado primeiro álbum: «Cão!». Ainda em 1997 são convidados pelos Xutos e Pontapés para abrir os seus concertos, entre eles, um no Coliseu de Lisboa. Entre 1997 e 1999 editam alguns temas em várias colectâneas nacionais. «O monstro precisa de amigos» foi o título escolhido para aquele que viria a ser o segundo e último álbum da banda portuense, lançado em 1999. Este trabalho contou com a participação de vários artistas, nomeadamente Vitor Espadinha, Gordon Gano (Violent Femmes) e Corvos. Este disco veio consolidar a posição dos Ornatos Violeta no panorama musical português, este facto ganhou ainda mais fundamento quando, em 2000 a banda arrecadou todos os prémios das categorias para que estava nomeada pelo então jornal «Blitz».


Cultura Em 2002, quando nada o fazia prever – porque a banda estava a preparar um terceiro álbum – dá-se o fim da carreira dos Ornatos Violeta, sendo que no último concerto Manel Cruz despediu-se do público com a expressão «Até um dia!». Esse dia chegou ainda no mesmo ano, quando Manel Cruz formou outra banda, os Pluto. Este colectivo praticava uma sonoridade mais crua e pesada em relação ao seu grupo anterior. Para a história desta banda fica apenas um álbum intitulado «Bom dia». Curiosamente na mesma semana em que nasceram os Pluto surgiu também outra banda em que Manel Cruz era novamente vocalista, os «SuperNada», que para além de alguns concertos e de um CD ao vivo no «Hard Club», pouco mais ofereceram aos seus fãs.

José Raposo Fotografia

No

Verão de 2008 o «Bandido» edita o seu álbum/livro, constituído pela quantidade surpreendente de oitenta músicas, algumas delas com títulos bastante sugestivos, tais como «Mau hálito», «Discussão Canina», «Cabói Inglês» ou «Passaroco Motoqueiro», dividido em duas partes (O amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei), este projecto foi “cozinhado” durante dez anos e contou com a participação de vários amigos e familiares do artista. Os temas foram gravados maioritariamente num ambiente de estúdio caseiro. A primeira edição de aproximadamente 1000 exemplares esgotou num ápice e já conta com uma segunda. Entre os três primeiros projectos, Ornatos Violeta, Pluto e Supernada, até

ao último, Foge Foge Bandido, verificase uma transformação significativa do estilo musical. Antes o estilo era mais rock e no seu último projecto deparamo-nos com uma fuga aos cânones mais convencionais sendo que Foge Foge Bandido é composto por uma amálgama de sonoridades mais alternativas e experimentalistas. Este «Ornato Bandido» para além de músico explora o mundo das artes plásticas e destaca-se pelo seu estilo próprio de escrever poesia. Cresceu, aprendeu e inovou dentro da sua própria música. A escrita e musicalidade com cariz imagético estão bem perceptíveis nas suas tendências particulares. Como o próprio diz numa das suas músicas, «Meu sonho tem boca, que o digam meus ossos, tem dois olhos, sobre a nuca», é um artista sonhador, autodidacta e faz questão de cantar na sua língua materna – o português. Justifica-se mencionando que dessa mesma forma as palavras têm maior significado.

“A ideia da originalidade é uma ilusão tremenda.” Manel Cruz tem um ponto de vista muito particular no que toca à originalidade, «A ideia da originalidade é uma ilusão tremenda. As coisas estão sempre a ser inventadas e reinventadas. Não interessa fazer uma coisa que seja aparentemente original. O importante é que seja original relativamente à nossa maneira de sentir. O que me faz impressão é a desistência das pessoas face a essa procura. Essa procura é inevitavelmente difícil. Só com o tempo é que nos tornamos mais experientes. E depois, quando nos tornamos experientes podemos resignar-nos com a experiência que temos ou estabelecer novos objectivos.» (Manel Cruz).

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Cultura

Entrevista a Mafalda Ferreira por Isa Vicente e Ana Parra

Mafalda Ferreira, aluna do curso de ciências da comunicação na Universidade do Algarve, viu publicada recentemente a sua primeira obra literária, intitulada de “ Os meus sonhos nas tuas mãos”.

Ficha técnica: Editora: Corpos Editora Lançamento: 24 de Abril de 2010

Mundo Contemporâneo – Quando surgiu esta paixão pela escrita? Mafalda Ferreira – Quando percebi que a escrita podia ser o meu ponto de abrigo. Depois percebi que as pessoas gostavam do que eu escrevia, começaram a incentivar-me bastante, eu comecei a escrever mais e com mais frequência, até que tive material suficiente para criar um livro. MC – Quais são os seus pontos de inspiração? MF – A minha inspiração são pequenos momentos da vida, coisas pontuais, como experiências pessoais, histórias a que tenho acesso, ou histórias de vida com que todos os dias nos deparamos. Não posso apontar uma altura específica, dizer que estou mais inspirada consoante os estados de espírito, num determinado local ou com determinadas pessoas, é algo que quando vem é em bruto e para passar para o papel imediatamente. MC – É fácil ser-se escritor em Portugal? MF – Definitivamente não é fácil ser escritor em Portugal. É necessária muita procura e investimento da parte do autor do livro, para que consiga que o seu trabalho seja publicado. Existem

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bastantes editoras, mas especializadas, e um reduzido número de editoras está disposto a publicar trabalhos de autores desconhecidos. Haverá a possibilidade de vir a publicar outro livro? MF – Sim, quero fazer um trabalho continuado, como um crescimento tanto do meu trabalho como pessoal. Seria mais um sonho concret izado, um segundo livro. MC – Porquê o nome “Os meus sonhos nas tuas mãos “? MF – Foi um título que construí, uma ideia que era muito próxima. Achei que tinha de ser este o título do meu livro, não poderia ser outro, desde o momento em que pensei nesta frase. «Os meus sonhos nas tuas mãos» porque nós colocamos sempre os nossos sonhos nas mãos de outras pessoas, mesmo que não seja de forma indirecta, todos nós dependemos uns dos outros. MC – Quanto tempo demorou a escrever o seu livro? MF – O livro surgiu quando eu me apercebi que tinha material suficiente para colocar em livro, tanto em quantidade como em qualidade. Eu não comecei a escrever para o livro num dia, estipu-

lando uma data para o terminar. MC – Dedica este livro a alguém? MF – A todas as pessoas que conheceram o meu trabalho antes do livro ser publicado. MC – Qual a frase que mais a marca? MF – “ Eu descobri que me posso partir” MC – Este livro era um sonho? MF – Realmente eu nunca tinha pensado em ter um livro, claro que gostava de ser autora de um livro, mas nunca tinha pensado em investir nisso. Foi quando me dediquei à escrita, que surgiu a ideia do livro. Aí sim, ter o meu livro tornou-se um sonho. MC – Qual a sua opinião acerca da literatura portuguesa? MF – Actualmente, existem bons autores, de diferentes géneros. Mas todos nós podemos ser autores, e essa ideia ainda não é aceite pelos editores da literatura portuguesa. Acho que há talentos que não estão em livros, mas que são tão grandes comos os “autores da literatura portuguesa”, os autores reconhecidos.


Lazer

Algarve – 4 destinos de Inverno por Ana Narciso, Raquel Viegas e Cristina Apolónia

Ir de férias para o Algarve no Inverno? Parece não fazer muito sentido, rumar até ao Algarve sem ser para dar uns mergulhos nas belas praias da região. Mas esta é uma ideia errada. Na época mais fria do ano, o Algarve, além da tranquilidade (inexistente no Verão) possui boas condições climatéricas e inúmeras actividades ao ar livre. Caminhadas por praias desertas e descobrir o interior algarvio em veículos todo-o-terreno ou de bicicleta são apenas algumas delas. A magnífica e variada gastronomia da região e a diversidade de alojamento é algo que também não podemos esquecer. Aqui ficam as nossas sugestões.

Estoi O Palácio de Estói, construído no séc. XIX pelo Visconde José Francisco da Silva, é um bom destino para quem quer uma boa dose de cultura. Após a morte do Visconde, este Palácio continuou a pertencer à sua família até ao ano de 1987 quando é comprado pela Câmara Municipal de Faro. Em 1977, foi classificado como Imóvel de Interesse Público e actualmente é uma das Pousadas de Portugal.

A sua arquitectura e jardins estilo Versalhes são atractivos ao nosso olhar e proporcionam uma viagem pelo tempo. Este lugar, situado a 10 km de Faro, dá-nos excelentes alternativas para empreendermos o nosso tempo livre no Inverno. O Health Club inclui sauna, banho turco, piscina interior aquecida, hidromassagem e ginásio. Para quem quiser apenas envolver-se pela atmosfera acolhedora poderá usufruir do bar e, de seguida, instalar-se numa das grandes salas de chá.

Aqui, o antigo e o moderno juntam-se num só assim como a beleza e o entusiasmo de sermos transportados para outra era. Mas também há espaço para o mistério… Em 2006, duas esculturas femininas de tamanho real importadas de Itália com 200 kg cada uma, denominadas de “Preguiças”, foram “retiradas” dos jardins do palácio e, até hoje, continuam desaparecidas. É sem dúvida, um Palácio com muito potencial.

Contactos: Telef: 289990150 E-mail: recepcao.palacioestoi@pousadas.pt

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Lazer

Alcoutim Longe da agitação dos centros turísticos do litoral algarvio, Alcoutim é um paraíso de tranquilidade entre a serra do Caldeirão e o rio Guadiana, fronteira natural com a vizinha Espanha. A região dá grande importância ao seu artesanato, eminentemente ligado à vida rural. A carne derivada da caça e o peixe do rio, constituem a base de uma rica gastronomia, onde se destaca também uma apetitosa doçaria que

reflecte a abundância de mel, figos e amêndoas do Algarve. No Miradouro do Guadiana pode-se relaxar e apreciar calmamente a riqueza natural desta zona da serra algarvia. Para conhecer o Miradouro sugerimos o percurso pedestre de 14 Km, que ali tem início, onde se pode encontrar os mais diversos tipos de flora e fauna locais. O Mural de Azulejos é outro local a conhecer. Situado na entrada poente da vila, é da autoria de Carlos Luz e é composto por 31 painéis que contam

histórias da vila. Local de recreio e lazer até mesmo no Inverno, é também a Praia Fluvial do Pego do Fundo. Actualmente um dos maiores atractivos turísticos do concelho, dispõe de um parque de merendas com cobertura, um parque geriátrico, campo de voleibol e uma área para actividades lúdicas e desportivas. Por tudo isto, aliado à hospitalidade e simpatia, a vila de Alcoutim merece a nossa visita.

Onde ficar: Pousada da Juventude de Alcoutim Telef.: 281546004 Email: Alcoutim@movijovem.pt

Sagres / Vila do Bispo Com 60% da sua área inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o concelho de Vila do Bispo é um dos poucos locais da região do Algarve onde a natureza selvagem, aliada aos variados tipos de turismo e desportos, se mantém intacta. A gastronomia é similar à do restante Algarve e as bebidas características são a aguardente de medronho e a de figo. Sol, mar e um vasto património

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histórico-cultural perfazem, assim, a conjugação perfeita para quem quer sentir o misticismo do passado e a dinâmica do presente. A pequena vila de Sagres contém um enorme significado histórico e marítimo, de onde, há 500 anos, D. Henrique fez sair as caravelas portuguesas à demanda de novos mundos. Muitos amantes do surf praticam o desporto nas praias desta vila, como a famosa praia do Tonel e a do Marinhal que agrega uma escola de desportos náuticos. Para quem quiser dedicar-se à

prática de golfe, no Parque da Floresta existe um campo que foi desenhado pelo famoso arquitecto espanhol, Pepe Gancedo. A Fortaleza de Sagres e o Cabo de São Vicente são alguns dos locais onde a história e as inigualáveis falésias e paisagens nos deslumbram. Por tudo isto é, então, caso para nos juntarmos a Luís Represas e dizermos “Sagres, tu sabes como se arma um coração”.


Lazer

Onde ficar: Pousada Infante, Telef: 282620240 Parque da Floresta, Telef: 282 690 000 E-mail: reservations@vigiasa.com

Ryanair aposta no aeroporto de Faro por Cecília Palma e Orlandina Guerreiro

A

Ryanair permite viajar mais economicamente a partir de Faro. Desde Março passado, esta companhia aérea lowcost, abriu a sua segunda base nesta cidade. Oferece novos destinos aos seus passageiros, o que permitiu o crescimento e o desenvolvimento do aeroporto de Faro. Desde Março de 2010, Faro tem estacionados mais seis aviões desta companhia aérea que oferece destinos como Bruxelas, Milão, Birmingham, Billund, Marselha, Derry, Kerry, Oslo, Knock, Estocolmo, Eidhoven, Memmingen, Madrid , Paris e Munique. A cerimónia de inauguração desta nova base aérea contou com a presença de Daniel Carvalho, Director de Comunicação, Eddie Wilson, Director de Recursos Humanos da Ryanair, e responsáveis da ANA e do próprio aeroporto de Faro. Pelas palavras do presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, Nuno Aires “ esta foi a melhor notícia do ano”, pois com este novo investimento de 200 milhões de euros o aeroporto de Faro cresceu significati-

vamente, triplicando em Julho o número de passageiros para 134 mil. Deste modo a Ryanair dominou o mercado, ultrapassando a EasyJet e ganhando-lhe o título de líder. Associado a este investimento da Ryanair surgiram mais de 200 postos de trabalho directos e mais de 1000 indirectos. Esta foi uma aposta muito favorável para a cidade de Faro e para o desenvolvimento do turismo algarvio.

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Desporto

LA Lakers iniciam defesa do título por Fábio Gonçalves

Com o início de mais uma temporada na National Basketball Association, as atenções do mundo do basquetebol viram-se, naturalmente, para os pavilhões norte-americanos.

A

época 2010-2011 apresenta-se com 3 grandes candidatos ao título: os vencedores das duas últimas edições, Los Angeles Lakers; os atuais campeões da conferência este e finalistas vencidos na época transata, Boston Celtics; e ainda os super-reforçados, Miami Heat. Estes últimos sofreram uma autêntica revolução no plantel durante o verão, com a entrada de 9 caras novas, destacando-se obviamente a contratação da antiga estrela dos Cleveland Cavaliers, LeBron James, e do ex-Toronto Raptors, Chris Bosh. Apesar do favoritismo destas 3 franchises, outras equipas deverão ter uma palavra a dizer na luta pelo maior troféu do basquetebol mundial, como os Orlando Magic, de Dwight Howard; os Phoenix Suns, de Steve Nash; os Dallas Mavericks, de Dirk Nowitzki; ou ainda os Oklahoma City Thunder, de Kevin Durant. Estas e outras equipas garantem uma interessante e animada contenda pelas posições cimeiras da

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tabela durante a época regular, e emotivas e competitivas rondas nos decisivos Play-offs. Com um verão calmo em Los Angeles no que toca a transferências de jogadores, a grande nota do defeso dos Lakers acabou por ser a permanência do treinador Phil Jackson. O homem que já foi campeão da NBA por onze vezes na sua carreira de treinador, tendo cinco dos títulos sido alcançados ao leme da sua atual equipa, decidiu avançar para a sua última temporada na NBA, esperando alcançar o seu 4º tricampeonato. Esta situação, juntamente com o facto de nenhum dos jogadores mais influentes da formação liderada por Kobe Bryant ter saído, trouxe à equipa uma estabilidade que pode ser decisiva ao longo da época. O plantel é sensivelmente o mesmo que dominou as duas últimas edições, sendo apenas de notar a saída de Jordan Farmar, que partiu para New Jersey, e as entradas de Matt Barnes e

Steve Blake. A contratação destes dois jogadores visa, sobretudo, fortalecer a 2ª linha da equipa, procurando garantir a manutenção do nível de jogo nos períodos de descanso dos jogadores mais influentes. Comandados por Kobe Bryant, e com o contributo de jogadores como Pau Gasol, Adrew Bynum, Derek Fisher, Ron Artest ou Lamar Odom, os Los Angeles Lakers partem para a temporada 20102011 como a equipa a bater. Com o desaire na final do ano passado ainda na mente, os Boston Celtics trabalharam intensamente durante o verão para conseguirem o título que lhes foge há duas edições. O treinador, Doc Rivers, vai poder contar esta época com o contributo de dois jogadores vindos de Cleveland, o veteraníssimo Shaquille O’Neil e Delonte West, e de Jermaine O’Neil (ex-Miami Heat). Em sentido inverso, Tony Allen rumou a Memphis e Rasheed Wallace terminou a sua carreira.


Desporto Os atuais vencedores da conferência este, que na época passada perderam no jogo 7 da final da NBA por somente 4 pontos, iniciam a época com uma baixa de peso, Kendrick Perkins, que ficará fora dos planos de Doc Rivers até meados de Janeiro. Tendo em conta esta situação, a adaptação de Jermaine O’Neil, seu provável substituto, ao estilo de jogo da equipa será crucial para um bom arranque por parte da equipa de Boston. A base da equipa permanece inalterável, com o trio de veteranos com maior qualidade da liga (Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett) a transitar do ano passado, tal como a jovem estrela, Rajon Rondo, que pode aproveitar este ano para se afirmar como um dos jogadores de topo da liga. Em comparação com o ano passado, os Celics possuem um banco de qualidade superior, com jogadores como O’Shaq, Delonte West, Glen Davies ou o pequeno Nate Robinson a darem uma grande base de jogadores de qualidade à equipa. Reputados de melhor defesa da liga, os Boston Celtics iniciam a temporada 2010-2011 com a ambição de repetirem o êxito de 2008, ano em que foram campeões pela última vez, embora saibam que a concorrência é feroz. Os Miami Heat foram indubitavelmente a franchise mais ativa durante o defeso, conseguindo reunir o chamado Big Three: LeBron James, Chris Bosh e Dwayne Wade. As expetativas sobre este trio são grandes, mas 3 jogadores não fazem uma equipa campeã, e é nesse particular que a formação de Miami fica a perder para a concorrência. Pat Riley, presidente da franchise, teve que deixar sair vários jogadores

importantes, como Michael Beasley ou Jermaine O’Neil, para libertar orçamento para as contratações de LeBron e Bosh, o que levou a que o valor da sua 2ª linha não acompanhasse o salto qualitativo registado nos principais jogadores. Com a qualidade garantida no ataque, a chave do sucesso dos Heat acabará por ser a solidez defensiva que a equipa apresentará. Erik Spoelstra, o treinador, terá que contar com jogadores

tel equiparável ao de outras equipas, podem, ainda assim, ter uma palavra a dizer, pois jogadores como Dwight Howard, Vince Carter, Jameer Nelson ou Rashard Lewis são claramente acima da média. Os Phoenix Suns também são uma equipa a ter em conta. Finalistas vencidos da conferência oeste, perderam Amar’e Stoudemire para os Knicks, mas a equipa de Steve Nash e Hedo Turkoglu é forte e, quando inspirada,

como o gigante Zydrunas Ilgauskas, Joel Anthony ou Udonis Haslem para assegurar a consistência defensiva necessária, bem como com a disponibilidade de qualquer um dos Three Kings. Sendo provavelmente o maior candidato a derrubar os Lakers do trono, os Miami Heat esperam que as suas estrelas consigam disfarçar as várias lacunas do plantel, de forma a alcançar o seu segundo título da história. Continuando na conferência este, encontramos os Magic, de Orlando. Esta equipa, que na época transata logrou chegar à final da sua conferência, tem desenvolvido um trabalho de continuidade, mantendo a base da equipa do ano passado. Não possuindo um plan-

é capaz de grandes feitos. Na mesma linha aparecem os Dallas Mavericks, que colocam as suas esperanças no título nos ombros do alemão Dirk Nowitzki e do veterano Jason Kidd. Em clara ascensão estão os Thunder. Após uma motivante campanha com a seleção americana no mundial, Kevin Durant, forte candidato ao prémio de MVP, aposta forte em liderar a franchise de Oklahoma City a uma classificação histórica. No fundo esta ambição é comum a todas as equipas. A ambição de entrar para cada época com a ideia de a colocar na história da NBA, da franchise e dos seus fãs.

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“O Algarve é uma referência no judo nacional”

Foto por Liliana lourencinho

Desporto

por Pedro Nascimento

O judo é uma modalidade em ascensão no nosso país. No Algarve, a Associação Distrital de Judo é já uma instituição com mais de 30 anos de existência e sobre a sua importância ouvimos o atual treinador do clube mais importante da região, o mestre Júlio Marcelino. Mundo Contemporâneo – Há quanto tempo está ligado ao judo e à Associação Distrital de Judo do Algarve (ADJA)? Mestre Júlio Marcelino – Estou ligado ao judo há bastante tempo, sensivelmente, desde os meus 8 anos, onde já passei por várias etapas, pois comecei em França e agora estou no Algarve. Quanto à Associação, encontro-me ligado há 14 anos, ocupando atualmente a função de diretor-técnico distrital. MC – Estando ligado à modalidade há tanto tempo, pensa que tem havido uma progressão no judo que se pratica no Algarve? Mestre JM – Obviamente. Embora os meus conhecimentos dos princípios do judo no Algarve não sejam muitos, sei que no passado houve, nomeadamente após o 25 de Abril, um boom de todas as modalidades, sendo que o Algarve não foi exceção e surgiram, portanto, bastantes clubes e praticantes. Depois acabou por haver uma quebra bastante grande mas penso que, desde que eu cá estou, têm vindo a abrir novos clubes e a estabilizarem, ou seja, não abrem num dia para fecharem no outro. MC – Que clubes fazem atualmente parte da ADJA e qual o mais representativo? Mestre JM – Antes de mais, penso que é importante referir

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que a nível de clubes o Algarve está bem distribuído, embora faltem talvez alguns na zona interior, como por exemplo, em São Brás de Alportel. Neste momento pertencem à ADJA os seguintes clubes: Academia de Artes Marciais do Guadiana e o Clube de Ju-jitsu e modalidades associadas, ambos pertencentes a Vila Real de Santo António; Clube Recreativo Alturense, que é também um clube com vários anos de existência; em Faro temos o Judo Clube do Algarve e o Clube de Judo de Faro; Sociedade Recreativa Cacelense; Clube Desportivo Areias de São João; Judo Clube de Albufeira; Judo Clube de Portimão; Academia de Judo do Sul, em Silves; Gil Eanes de Lagos e peço desculpa se me estou a esquecer de algum. Quanto ao clube mais representativo, esse é, indiscutivelmente, o Judo Clube do Algarve. MC – Considera que o Algarve é hoje uma região de referência a nível nacional? Mestre JM – Felizmente o Algarve é hoje uma referência e especialmente por causa de um clube, o Judo Clube do Algarve. Este tem trazido inúmeras medalhas, não só para a região, mas também para Portugal, pois tem vários atletas que já foram medalhados em campeonatos internacionais. Fazendo o somatório total de medalhas, somos, neste momento, a 3ª ou 4ª associação do país mais medalhada a nível nacional.


Desporto MC – A nível de atletas, quais pensa serem as maiores referências da região? Mestre JM – Referindo-me apenas aos atletas atuais, a principal referência é claramente a Ana Cachola, uma vez que já foi várias vezes campeã da Europa. A seguir, estará provavelmente o Tiago Lopes, que é também um atleta de topo. Há também a Filipa Almeida e a Joana Santos, que é bicampeã do mundo e campeã olímpica dos deficientes auditivos, o que é igualmente bastante importante. MC – Também a nível de atletas, quais são as maiores esperanças do judo algarvio? Mestre JM – Temos alguns jovens a despoletar, como por exemplo a Marta Silva e a Catarina José do Judo Clube de Portimão e outros atletas que se evidenciaram nos escalões mais jovens, mas é necessário aguardar para ver até que ponto amadurecem e continuam a ganhar. O facto de ser medalhado nos escalões etários mais jovens não significa, necessariamente, que se seja um grande atleta, enquanto sénior. Pela minha experiência posso dizer que o judo é uma modalidade bastante complexa e na qual é preciso ter talento, querer e poder e, muitas vezes, aparecem atletas com talento, mas que não podem ou não querem.

MC – Para concluir, acha que daqui para a frente o judo algarvio tem capacidade para evoluir e tornar-se ainda mais competitivo? Mestre JM – Eu penso que neste momento não só há referências a nível de treinadores, como também há resultados desportivos e, havendo estes dois fatores, julgo que se poderá ir sempre mais além. No entanto, reconheço, tal como disse há pouco, que o judo não é uma modalidade fácil, pois é extremamente desgastante. É então fundamental que os treinadores incutam nos atletas a vontade e o sacrifício, já que estes normalmente pretendem resultados rápidos que, habitualmente, só se atingem dos 25 anos para cima. Para resumir, penso que é complicado fazer previsões para o futuro, mas creio que, embora não seja fácil, com vontade os resultados irão aparecer.

Foto por Liliana lourencinho

MC – O mestre é, incontornavelmente, uma das maiores figuras do judo no Algarve. Para além de si, quais pensa serem as outras figuras que mais ajudaram a desenvolver o judo na região?

Mestre JM – Vou ter algumas dificuldades em responder a esta pergunta, porque a região tem um passado, do qual eu não faço parte. No entanto posso dizer que António Menau, Fausto Martins Carvalho, César Nicola e João Carrasquinho são exemplos de pessoas que desenvolveram um trabalho bastante importante no desenvolvimento do judo algarvio. Sou também obrigado a referir algumas pessoas que já se encontram há bastante tempo na modalidade, como o Sr. Jorge Sanina Marques ou o Sr. Reinaldo Aquilino, em Vila Real de Santo António e em Altura, respetivamente. Em suma, posso dizer que se não houver um bom passado é impossível haver um grande futuro.

Mundo Contemporâneo // 21


Ciência e tecnologia

Actualidade

Fibra óptica por Maartje Vens

M

uito se ouve falar da nova tecnologia fibra óptica, mas poucos de nós sabem realmente como este funciona. Esta tecnologia promete-nos uma qualidade de transmissão da internet, telefone e televisão muito superior ao que estamos habituados e muitos operadores já nos oferecem este serviço. As linhas de fibra óptica são um conjunto de fios longos e finos (comparável à espessura de um cabelo) de vidro puro, dividido em cabos ópticos que transmitem luz ao longo de grandes distâncias. Comparando este método de transmissão

àquele a que estamos habituados (por fio de cobre), este é mais barato, consome menos energia, são leves e flexíveis, e por serem mais finas têm uma capacidade de transmissão maior, por conseguir conter mais fibras do que fios de cobre em determinado diâmetro. A origem poderá localizar-se, por exemplo, num computador que envia a informação electricamente ao transmissor, constituído por um LASER ou LED, que converte o sinal eléctrico num sinal óptico na forma de impulsos de luz. Estes, por sua vez, são guiados e transmitidos pela fibra óptica até

ao recetor localizado na outra extremidade da fibra. Atualmente estamos numa fase de exploração desta nova tecnologia, ou seja, ainda falta atingir o seu potencial máximo. Não está longe, porém, a possibilidade de atingir velocidades até 100 Megabits por segundo, e para o bem das máquinas de que tanto dependemos, já não existirá tanto a necessidade de deixar o PC ligado durante a noite para que se tenha concluído o tão desejado download no dia seguinte.

Novidades

BlackBerry Torch 9800

Loewe Individual Slim

Playstation Move

Apple MacBook Air

Playstation.com

Apple.com

Já sabíamos que os BlackBerry eram peritos no que toca ao e-mail, mas com um novo sistema operativo, um ecrã maior, câmara de 5 MP e mais funcionalidades multimédia, este smartphone está finalmente a sair da sua área de conforto.

Este televisor não só é potente, como oferece uma gama de hipóteses de designs diferentes. Uma variedade de escolhas em tamanhos de ecrã, todos retroiluminados a LED, opções de áudio, possibilidade de disco rígido de 250GB com gravador, e muito mais.

O novo comando de movimento oferece uma experiência inovadora e extremamente envolvente para o sistema PS3. Graças aos avançados sensores de movimento, esta tecnologia vai permitir aos utilizadores jogar uma variedade de títulos como se eles próprios fizessem parte do jogo.

Com uma nova aparência, este é o portátil da Apple mais pequeno de sempre, apresentando uma espessura de 1.7 cm atrás que vai até 0.3 cm á frente. O modelo chega em duas versões – ecrã de 13,3 e 11,6 polegadas - e promete, entre outras melhorias, até 7 horas de uso da bateria e um arranque quase instantâneo.

Blackberry.com

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Loewe.maygap.com


Ciência e tecnologia

Open Source – Software Livre por Mónica Gaião

O

pen Source ou Código Aberto descreve práticas de produção e desenvolvimento que promovem o acesso aos materiais de origem ou código fonte. Mais do que uma prática, algumas pessoas consideram-no uma filosofia. O conceito de open source já existia muito antes da era dos computadores, por exemplo, sob a forma de receitas culinárias que têm vindo a ser partilhadas desde o inicio da cultura humana. Este sentimento de partilha continuou, mas na época do desenvolvimento automóvel, começaram a surgir direitos e patentes, o que fez com que os capitalistas monopolizassem a indústria, obrigando os produtores a ceder conforme as suas exigências. Para combater este tipo de exigências e a fim de manter a filosofia que

é baseada na partilha, foram surgindo ao longo dos anos pequenos indícios, a ARPANET, por exemplo, utilizou um processo chamado Request for Comments para desenvolver os protocolos de telecomunicação que tornou possível o nascimento da Internet em 1969, do que viria a ser mais tarde o conceito open source. A Janeiro de 1998, vários membros do Open Source Movement reuniram-se para o que seria a divulgação do código fonte da Navigator, no entanto, vários entusiastas como Linus Torvalds (criador da Linux), já se tinham adiantado, espalhando a sua visão ideológica acompanhada do termo freesoftware. Antes do termo ser conhecido, foi utilizada uma variedade de frases para descrever o conceito, numa frase de

três palavras nasceu o open source software. Iniciando uma batalha com os direitos de autor e outros processos legais. O termo Código Aberto em termos de software permite com que os programadores não tenham de se debruçar sobre questões éticas e legais. O objetivo do conceito para os programadores é o de poder criar software sem limites e poder partilha-lo e optimiza-lo com outros programadores contribuindo assim para o surgimento de novas aplicações inteiramente grátis. A Mission Open Source Initiative ou OSI é uma empresa cujo principal objetivo é o de nos informar sobre os benefícios do open source, alargando a sua iniciativa a outros países.

TOP 3 jogos flash do mês Ordena as pedras preciosas de acordo com a sua cor e passe horas agarrado ao ecrã! Se não acreditas então o melhor é experimentar, não custa nada:

Bejeweled

http://www.popcap.com/games/free/bejeweled2?mid=bejeweled2_pcweb_en_full

Género: Puzzle Transporta-te para uma banda sonora de cliques a fim de evitar um acidente de helicóptero! Se não acreditas então o melhor é experimentar em: http://www.helicoptergame.net/

N Género: Acção

The Helicopter Game Género: Arcade e Clássico

Se gostas de ninjas este jogo é para ti! Tens de apanhar os tesouros e evitar uma queda mortal! Se não acreditas então o melhor é experimentar: http://www.addictinggames.com/ngame.html

Mundo Contemporâneo // 23


Ciência e tecnologia

Entrevista com Tiago Casanova por Micaela Leal e Sofia Carvalho

P

ara descobrir como são trabalhadas as Ciências e Tecnologias na Universidade do Algarve, decidimos abordar o curso de Engenharia Elétrica e Eletrónica, dando a conhecer a sua atividade aos interessados por esta área. Tiago Casanova, aluno do 3º ano deste curso, disponibilizou-se para falar à Revista Mundo Contemporãneo do funcionamento e da empregabilidade do seu curso. Ao concluir a entrevista sugere ainda alguns rumos possíveis que os estudantes desta área podem seguir.

MC – Na tua opinião, achas que a escola tem equipamento em condições favoráveis para a vossa aprendizagem? TC – Acho que sim. Nesse aspecto, a escola dá-nos boas condições para fazer os nossos projetos. Por exemplo, neste semestre substituiram vários computadores e os materias das salas práticas são mais que suficientes para a realização dos nossos trabalhos. Mundo Contemporâneo – Como são geridas as cargas horárias de teoria e prática no teu curso? Tiago Casanova – Temos ambas as componentes, teórica e prática, porém são dedicadas mais aulas à teoria. MC - Achas que aprendes mais com a prática ou com a teoria? TC - Tanto a teoria como a prática são extremamente importantes, pois ambas se complementam. Na minha opinião se só uma delas fosse lecionada, não seria suficiente para nos preparar para o mercado de trabalho. MC – Quais são as atividades práticas que desenvolvem nas aulas? TC – Fazemos vários trabalhos práticos mas alguns deles são sistemas de bombagem de água, experiências com circuitos elétricos (resistências), sistemas de controlo de uma escada rolante, por exemplo, e outras experiências. MC - Quais são os tipos de trabalhos que gostarias de vir a desenvolver numa aula? TC – Muitos dos trabalhos que apenas aprendemos na teoria e que seriam interessantes trabalhá-los na prática, como, por exemplo, a implementação de um posto de transformação, que transforma energia para baixar a tensão. E acho que seria bastante interessante e importante para a nossa aprendizagem se houvesse mais visitas de estudo a diferentes fábricas e obras para compreender mais aprofundadamente a teoria que nos é ensinada nas aulas.

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MC - Achas que a tecnologia substitui a importância do Homem na vossa área? TC - Eu acho que não. Na minha opinião a tecnologia vem como um assistente ou suporte ao trabalho do Homem, apenas com o papel de o ajudar. Imaginemos que numa empresa ou fábrica, existe uma máquina que trabalha consoante o tempo, não será necessário uma pessoa para controlar esse mesmo tempo, pois a tecnologia assim o permite. MC - Mas na tua opinião, a tecnologia não irá substituir o Homem em vários postos de trabalho? TC –Claro que irá substituir, aliás, já hoje em dia o faz. Esse é um dos fatores negativos que a tecnologia carrega consigo. Mas, por outro lado, a substituição de pessoas por computadores, imaginemos, ajuda a reentabilizar o investimento, diminuindo os custos da empresa. MC – Achas que o desenvolvimento da tecnologia na tua área é algo positivo? Ou na tua opinião se não tivesse havido desenvolvimento o trabalho teria a mesma qualidade? TC – A meu ver, a evolução tecnológica é sempre uma ajuda para o ser humano, apesar de em certas situações o desfavorecer, como já referi na questão anterior. Na minha área a tecnologia poupa-nos tempo e na maioria das vezes o trabalho tem uma qualidade superior , como tal, acho que só temos a beneficiar com ela. É claro que não devemos desvalorizar o trabalho do Homem, muito pelo contrário. Acho que devemos interiorizar que temos de mover tudo o que nos possa ajudar, e a tecnologia é definitivamente uma ferramenta poderosa e em constante atualização.


Ciência e tecnologia MC – Olhando para o passado o que achas que te levou a escolher o curso de Engenharia Elétrica e Eletrónica? TC – O meu interesse por esta área já vem desde a secundária. Eu frequentei a área de Ciências e Tecnologias e gostei. Para além disso, a electricidade e electrónica foi algo por que sempre me interessei. E acho que foi o caminho certo, vamos ver. MC – Parece-te que escolheste um bom curso, no que diz respeito a saídas profissionais? TC – Sim. Penso que é um dos melhores em termos de empregabilidade. Mesmo sendo um curso mais difícil e que necessita de mais estudo, na maioria das vezes, os licenciados conseguem emprego nesta área, por isso sim, acho que tem muita saída profissional.

nos quisermos inscrever na ANET (Associação Nacional de Engenheiros Técnicos), temos de fazer um estágio. Mas, se tirarmos o mestrado já não precisamos de o fazer. Porém é importante fazer estágio, para quem não tire mestrado, porque só assim podemos assinar projetos. MC – Acerca da tua perspetiva profissional, como vês o teu futuro? TC – Ainda não penso no que quero para o meu futuro, mas existem algumas áreas que me suscitam interesse, como trabalhar uma empresa que crie projetos relacionados com a minha área. Interesso-me também pela área de fiscalização e instalações eléctricas. Enfim, sinto-me à vontade com tudo o que envolva projetos de eletricidade, de telecomunicações, toda esta área.

MC – No teu curso, tal como em outros cursos, têm de fazer um estágio para concluir a licenciatura? TC – Não. O nosso curso não tem estágio obrigatório, mas em casos excepcionais temos de o fazer. Por exemplo, se

Os Da Vinci® da NASA por Melanie Messias

O

s robôs desenvolvidos pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) criados inicialmente para operar os astronautas a longa distância, alastram hoje por todos os blocos operatórios do mundo. Já são mais de 300 Da Vinci® a demonstrar as suas capacidades e relevância em prol do internado. Esta tecnologia caracteriza-se por alguns pontos negativos, como os custos elevados devido ao investimento necessário na manutenção dos instrumentos utilizados pelo robô, que leva alguns hospitais a optarem pelo método mais tradicional. Contrariamente ao que se considerava sobre a utilização dos robôs nas operações, os profissionais de saúde continuam a ter um papel fundamental. No entanto, é necessária a compreensão do que é afinal um robô e de como operar com o Da Vinci® System. O sistema inovador permite ao médico operar o doente sem lhe tocar, pois o robô Da Vinci® exerce essa função. Assim, evita que existam acidentes, por

exemplo provocados pelo nervosismo, como pode suceder numa operação em que haja contacto físico entre paciente e médico. Muitos são os benefícios adquiridos quando o paciente opta por uma cirurgia deste tipo. As dores e as dificuldades presentes numa cirurgia diminuem significativamente, sendo menor a probabilidade de sofrer perdas de sangue as transfusões de sangue são reduzidas. Em termos de estética, a nova solução deixa uma cicatriz menos visível do que o método mais tradicional. Quanto aos gastos dados pela utilização de Da Vinci®, os custos de permanência do doente no hospital serão claramente reduzidos devido à rápida recuperação que este método permite. O único robô Da Vinci® de Portugal encontra-se no Hospital da Luz adquirido para a equipa de Urologia. Sendo ainda a única área de intervenção possível é, no entanto, a mais adequada. Segundo José Vilhena-Ayres, diretor da equipa de Urologia do Hospital da

Luz, Da Vinci® permite uma visão tridimensional. Faculta a possibilidade de aumentar a imagem as vezes que forem necessárias, para que o médico tenha uma visão mais precisa da área. Da Vinci® resume-se a um robô comandado por um médico que o dirige através de uma ferramenta idêntica a uma consola de jogos, que tem como objetivo remover tumores na próstata. Em Portugal, apenas os doentes que têm possibilidades de pagar os serviços de saúde numa unidade privada têm acesso a este método moderno.

Mundo Contemporâneo // 25


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22 // Mundo Contemporâneo

Revista Mundo Contemporâneo- Edição 1  

Primeira edição da segunda temporada da revista Mundo Contemporâneo.

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