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MÚSICA NAS IGRE AS

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O Festival de Música “Os Sons de Almada Velha” realizase nas Igrejas dos núcleos históricos de Almada e Cacilhas, contribuindo para o aumento da densidade da oferta cultural da cidade, através da fixação neste território de uma iniciativa ligada à música erudita. O Programa, a decorrer em espaços de grande qualidade patrimonial, foi concebido de forma a valorizar os atributos cénicos e as particularidades de tais lugares e recorre a pequenos agrupamentos que se enquadram nas características das Igrejas de Santiago, S. Paulo, Nª Sr.ª do Bom Sucesso e Ermida de S. Sebastião. Estes edifícios encontram-se intimamente ligados à história da cidade e são testemunhas das transformações que sofreu, desde logo pela destruição que o grande terramoto de 1755 trouxe a Almada e que provocou o desaparecimento do antigo aglomerado medieval, situando assim o edificado, maioritariamente, no período pombalino e posteriores. O ciclo de reabilitação/valorização do património histórico de Almada – material e imaterial, permitiu devolver à cidade a Ermida de S. Sebastião e a Ermida do Espírito Santo (reconvertida para acolher o Centro de Interpretação de Almada Velha), a que se associa ainda a Igreja da Misericórdia, integrando-as no roteiro de turismo cultural e religioso que a cidade oferece e que integra uma diversidade de vivências em que marcam presença os espaços de cultura e lazer – Casa da Cerca e Jardim Botânico, Fonte da Pipa e Jardim do Rio, Museu Medieval e da Música Filarmónica, em contraste com os devotados ao retiro espiritual. Receba o nosso convite para associar ao programa de concertos de grande qualidade que preparámos para esta quarta edição do Festival a exploração deste núcleo histórico, dos espaços que oferece, e não se esqueça de desfrutar do estuário do Tejo num dos miradouros que a cidade proporciona. A presidente da Câmara Municipal de Almada / Lady Mayor of Almada

The Music Festival “Os Sons de Almada Velha” takes place in the churches at the historic centers of Almada and Cacilhas and aims to increase the city’s cultural value through the holding of this event focused on erudite music. The program, held in places of high patrimonial significance, was designed to enhance their scenic attributes and characteristics and it employs small clusters that fit the characteristics of the churches of Santiago, São Paulo, Nª Sr.ª do Bom Sucesso and the Chapel of São Sebastião. These buildings are intimately connected with the history of the city and are the witnesses of the transformations undergone in Almada, the first of which being the destruction by the great earthquake of 1755 that caused the disappearance of the old medieval buildings. Thus, the remaining ones are dated mostly from the Pombal period and later. The cycle of recovery of the material and immaterial historical heritage of Almada – which allowed for the return of the Chapel of San Sebastião and the Chapel of Espírito Santo to the public (converted to accommodate the Interpretation Centre of Almada Velha) - which also includes the Church of Misericórdia, integrating them into the itinerary of cultural and religious tourism that the city provides and allows for a variety of experiences that can be found in the areas for culture and leisure, which include Casa da Cerca and Botanic Garden, Fonte da Pipa and Jardim do Rio, Medieval Museum and Philharmonic Music Museum, in contrast to the places devoted to spiritual retreat. Accept our invitation to enjoy this great program of concerts that we have prepared for this fourth anniversary of the Festival and the exploration of this historic center with its cultural areas. Also, do not forget to enjoy the Tagus river estuary from one of the great vantage points that the city offers.

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/ program

PROGRAMA

Preparámos uma programação cujo ponto de partida são as comemorações dos “500 anos do Foral Manuelino de Almada 1513-2013”, que pretende mostrar a perspetiva das práticas musicais da Península Ibérica seiscentista e projetar os contextos sociais, culturais e religiosos da vila e do termo de Almada do século XVI, bem como explorar as dicotomias existentes entre o urbano e o rural, entre o sacro e o profano. Vamos ter oportunidade de ouvir claros exemplos da mescla de culturas provenientes dos processos de aculturação e miscigenação resultantes da expansão portuguesa desta época e a profunda proximidade entre a música de cariz mais popular e aquela de carácter mais académico, dando asas à improvisação e a ornamentação tão características da música instrumental dos séculos XVI e XVII. Teremos também a polifonia religiosa de Duarte Lobo (1565 - 1646), um dos expoentes máximos deste género musical dos séculos XVI/ XVII, o Cancioneiro d´Elvas (1560-1570), uma das fontes mais importantes de música profana na Península Ibérica.

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We are pleased to present a program that begins with the celebration of “500 years of the Manueline Foral Charter of Almada 1513-2013”, whose goal is to show the perspective of the musical practices of the Iberian peninsula of the XVII century and to offer the social, cultural and religious context of the town Almada of the XVI century, as well as explore the dichotomies between urban and rural, the sacred and the profane. We will have the opportunity to witness classic examples of the fusion of cultures, a product of the processes of acculturation and miscegenation resulting from the Portuguese expansion of this era, and the deep intimacy between the more popular music and that of a more academic nature, giving wings to improvisation and enrichment so characteristic of instrumental music of the XVI and XVII centuries. We will also explore the religious polyphony of Duarte Lobo (1565 - 1646), one of the leading exponents of this musical genre of the XVI / XVII centuries and the Elvas Songbook (1560-1570), one of the most important sources of secular music in the Iberian Peninsula.


28 SETEMBRO 21H00 / September 28Th, 9.00 pm

Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso / Church of Nossa Senhora do Bom Sucesso / Rua Cândido dos Reis, cacilhas

“A Morte, a doce irmã do sono” / “Death, the sweet sister of sleep” 05 OUTUBRO 19h00 / October 5th, 7:00 pm

Seminário Maior de São Paulo adega dos frades / Seminary Maior of São Paulo - Adega dos Frades / Rua d. álvaro abranches da câmara, nº1, almada

“Diáspora” / “Diaspora” 12 OUTUBRO 19h00 / October 12th, 7:00 pm

Igreja de Santiago

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Church of Santiago

/ largo 1º de maio, almada

“Fantasias, diferencias y glosas sobre música espanhola nos sécs. XVI e XVII” / “Fantasies, differences and glosses on Spanish music in the XVI and XVII centuries”

19 OUTUBRO 19h00 / October 19th, 7:00 pm

Ermida de São Sebastião

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Chapel of São Sebastião

/ largo das andorinhas, almada

“El Cancioneiro d´Elvas” / “The Elvas Songbook” 26 OUTUBRO 19h00 / October 26th, 7:00 pm

Igreja do Seminário Maior de São Paulo /

Seminary Maior de São Paulo - Church

/ Rua d. álvaro abranches da câmara, nº1, almada

“Imagens da música para tecla em Portugal dos século XVI e XVII” / “Images of keyboard music in Portugal of the XVI and XVII centuries”

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/ Church of Nossa Senhora do Bom Sucesso

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO

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A igreja, de estilo pombalino, foi reconstruída em 1756-1759, no local da antiga Gafaria de Cacilhas. É composta por uma só nave, capela-mor e sacristia, com a frontaria a possuir duas torres de sino e dois relógios de sol. No interior, as paredes são revestidas a azulejos (branco e azul) datados de 1758/60. Rebuilt in the 18th century, the church, in the “Pombalino” style, consists of a single nave, chancel and sacristy and the façade presents two bell towers and two sundials. Inside, the walls are covered with glazed tiles (white and blue), dating from 1758/60.


28 SETEMBRO / 19H00 “A Morte, a doce irmã do sono” September 28Th, 9.00 pm / “Death, the sweet sister of sleep”

Requiem a 6 vozes/ Requiem for 6 voices Manuel Cardoso Atriz / Actress and Diseuse: Ana Zanatti Grupo Vocal Olisipo/ Olisipo Joana Seara, Elsa Cortez – Soprano Maria de Fátima Nunes – Mezzosoprano/ Mezzo-soprano João Rodrigues – Tenor Armando Possante – Baixo / Bass Ricardo Martins – Baixo/ Bass Direção/ Direction – Armando Possante

Vocal Group:

Na Grécia antiga, a Morte, talvez pela sua inevitabilidade, não tinha uma conotação tão negativa como hoje, pelo contrário, era encarada como uma outra qualquer etapa da vida. Aliás, Thanatos, a personificação grega da Morte partilhava alguns traços de personalidade como a suavidade e a doçura com o seu irmão gémeo, Hypnos, a personificação do sono. É exatamente a evocação deste espírito de suavidade e doçura na contiguidade entre a morte e o sono, tão presentes na mitologia grega, que nos é proposta pelo Grupo Vocal Olisipo, neste concerto que pretende unir a música do século XVII à poesia contemporânea, e cuja linha condutora será a criação artística portuguesa. Partindo desta ideia, a interpretação da Missa de Requiem a seis vozes de Frei Manuel Cardoso será enriquecida pela voz da atriz Ana Zanatti através da declamação de vários poemas de autores consagrados, todos eles sob a temática da morte, e pela estreia de um texto em primeira audição da autoria de Ana Reis Felizardo. Apesar da distância de séculos que separa a música e a poesia apresentadas, o GVO propõese mostrar a proximidade do estado emocional entre ambas, a sua visão da morte, um processo que parte da sensação inicial de tristeza, que passa pelo desespero causado pela ausência, e que culmina na aceitação da paz da eternidade. Nas palavras de Agostinho da Silva, “Tanto mais alto subiremos

quanto menos considerarmos a morte como um enigma ou um fantasma, quanto mais a olharmos como uma forma entre as formas.” In ancient Greece, death, perhaps because of its inevitability, did not hold such negative connotations as it does today. On the contrary, it was seen as just another phase of life. Moreover, Thanatos, the Greek personification of death, possessed some personality traits in common with his twin brother, Hypnos, the personification of sleep, such as gentleness and sweetness. It is exactly the evocation of this spirit of gentleness and sweetness in contiguity between death and sleep, so present in Greek mythology, which is presented to us, by the Vocal Group Olisipo, in this concert that aims to unite the music of the XVII century with contemporary poetry and whose guiding principle will be the Portuguese’s artistic creation. Building upon this idea, the interpretation of the Requiem Mass for six voices of Friar Manuel Cardoso will be enriched by the voice of actress Ana Zanatti through the recitation of several poems by renowned authors, all under the theme of death, and the first presentation of a text by Ana Reis Felizardo.

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/ Seminary Maior of São Paulo - Adega dos Frades

Seminário Maior de São Paulo - adega dos frades

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O atual Seminário da Diocese de Setúbal, conjunto com elementos arquitetónicos e decorativos maneirista e barroco na talha e azulejos, foi fundado em 1569, para ser casa de oração e estudo. O terramoto de 1755 provocou danos consideráveis e apenas a Igreja foi alvo de restauro. A propriedade foi vendida a particulares (e sucessivamente vendido a diversos proprietários) até à sua aquisição em 1934 pelo Patriarcado de Lisboa e à instalação de um Seminário, inaugurado em 1935. The current Seminary of the Diocese of Setúbal, a cluster of buildings that demonstrates Mannerist and Baroque architectural and decorative elements in the carvings and tiles, was constructed in 1569, to be a sanctuary of prayer and study. The earthquake of 1755 caused considerable damage and only the church has undergone subsequent restoration. The property was sold to individuals (and subsequently sold to different owners) until its acquisition in 1934 by the Patriarchate of Lisbon and the installation of a seminary, opened in 1935.


05 OUTUBRO / 19H00 “Diáspora” October 5th, 7:00 pm / “Diaspora”

Sete Lágrimas: Filipe Faria, Sérgio Peixoto – Voz / Voice Inês Moz Caldas – Flautas de Bisel/ Beveled flutes Tiago Matias – Tiorba, Alaúde, Vihuela e Guitarra Barroca/ Theorbo, Lute, Vihuela and Baroque Guitar Mário Franco – Contrabaixo/ Bass

Rui Silva – Percussão Histórica/ Historical Percussion

Com a expansão portuguesa do século XV inicia-se um período de aculturação e miscigenação que influenciou mutuamente as práticas musicais dos países dos Descobrimentos e de Portugal. O projeto Diáspora, do consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas, iniciado em 2008 e já com três títulos: Diaspora.pt (2008), Terra (2011) e Península (2012), mergulha nos géneros e formas musicais dos cinco continentes de ontem e de hoje, arriscando novas fórmulas interpretativas de repertórios populares e eruditos do século XVI ao século XX, do vilancico ibérico ao fado, dos vilancicos “negros” do século XVI/XVII ao “chorinho” brasileiro, passando pelas “mornas” africanas e pelas canções tradicionais de Timor, Macau, Índia, Brasil ... Uma vertigem experimental pela viagem, caminho, peregrinação, terra, água, saudade... O projeto Diáspora explora, numa combinação inédita de instrumentos (e discursos) antigos e tradicionais, eruditos e populares, essa dinâmica de interação musical entre Portugal e o mundo.

Direção/ Direction: Filipe Faria e Sérgio Peixoto

With the Portuguese expansion of the XV century, a period of acculturation and miscegenation began, which influenced the musical practices of the countries of the Discoveries and of Portugal. The Diaspora project, an endeavor of the early and contemporary music group Sete Lágrimas, began in 2008 and already encompasses three albums: Diaspora. pt (2008), Earth (2011) and Peninsula (2012). Their arrangements delve into genres and musical forms of the five continents of yesterday and today, exploring new interpretative formulas of popular and erudite repertoires from the XVI to the XX century, from the Iberian Vilancico to Fado, from the “black” Villancicos of the XVI/ XVII centuries to the “Chorinho” of Brazil, through the African “Mornas” and the traditional songs of Timor, Macau, India, Brazil, etc. ... An experimental vertigo through journey, path, pilgrimage, earth, water, nostalgia ... The Diaspora project explores, in a unique combination of instruments (and speeches) both old and traditional, erudite and popular, the dynamic of musical interaction between Portugal and the world.

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Igreja de Santiago

/ Church of Santiago

Edificada no séc. XIII, reedificada em 1724 e restaurada a seguir ao terramoto de 1755. O interior do edifício, de uma só nave, encontrase integralmente revestido a azulejos oitocentistas relacionados com o Santo que lhe dá o nome e a fachada ostenta a Cruz de Santiago de Espada, ordem à qual pertencia.

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Originally built in the 13th century, rebuilt in 1724 and restored after the 1755 earthquake, the church has undergone major changes over time. The single nave interior of the building is fully coated in nineteenth-century tiles related to the saint whose name it bears. The façade still bears the Cross of Santiago de Espada, the order to which it belonged.


12 OUTUBRO / 19H00 “Fantasias, diferencias y glosas sobre música espanhola nos sécs. XVI e XVII” October12th, 7:00 pm / “Fantasies, differences and glosses on Spanish music in the XVI and XVII centuries”

Accademia del Piacere (Espanha): Fahmi Alqhai, Rami Alqhai, Johanna Rose –Viola da Gamba/ Viola da Gamba Alberto Martínez Molina – Cravo/ Harpsichord Percussão/ Percussion

Enrique Solinís – Guitarra Barroca/ Baroque Guitar

O grande objetivo deste programa proposto pela Accademia del Piacere, e que consiste essencialmente na apresentação de uma coleção de peças espanholas reunidas sob o título de Fantasias, diferencias y glosas, é ir um pouco mais além do que a maioria das interpretações a que estamos habituados a ouvir e que se apresentam sob a égide da chamada interpretação histórica informada, frequentemente diluídas na forma e cada vez mais esvaziadas de conteúdo e autenticidade. É assim sua proposta recuperar todos os patamares da prática musical dos instrumentistas dos séculos XVI e XVII; qualquer excerto musical serve de pretexto para se desenvolver novos apontamentos, paráfrases ou glosas, isto sobre um material musical pré-existente originalmente composto por outros músicos e, em muitos casos, criado apenas para este fim. A Accademia del Piacere procura com este programa recuperar a prática instrumental hispânica e a leitura musical dos séculos XVI e XVII, distanciando-se das interpretações superficiais das fantasias, diferencias e glosas, muitas vezes apresentadas como verdadeiros exemplos de uma praxis, centrando-se na pura criação e interpretação segundo os critérios historicistas:

David Chupete,

o verdadeiro objeto e a finalidade dos músicos ao longo dos tempos. The main goal of this program is to stretch beyond the limits of common performances, which present, under the aegis of allegedly informed historical inspiration, interpretations that are often diluted in form and increasingly empty of content and authenticity. Its purpose, therefore, is to recover all levels of musical practice of the instrumentalists from the XVI and XVII centuries that have been lost over the years. Any musical passage serves as a pretext to develop new notes, paraphrases or glosses on pre-existing musical material originally composed by other musicians and, in many cases, created for this purpose. The Accademia del Piacere seeks to recover the Hispanic instrumental practices and musical readings of the XVI and XVII centuries, distancing themselves from the superficial performances of fantasies, substitutions and glosses, often presented as true examples of a praxis, focusing instead on pure creation and interpretation according to historical criteria: the ultimate objective and purpose of musicians throughout the ages.

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/ Chapel of São Sebastião

Ermida de São Sebastião

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A Ermida foi construída no decurso do século XVI. No século XIX, serviu para usos vários (habitação, abegoaria e até taberna), tendo a propriedade sido vendida em 1903. Em 1993 foi adquirida pela Câmara Municipal de Almada e em 2009, após uma obra de reabilitação, foi devolvida ao culto e à população de Almada. The Chapel of St. Sebastian was built during the 16th century. In the 19th the building served several uses – housing, a barn and even a tavern. After a profound restoration work, it finally returned to being a building of worship and to the people of Almada.


19 OUTUBRO / 19H00 “El Cancioneiro d´Elvas” October19th, 7:00 pm / “The Elvas Songbook”

Soprano/ Soprano: Orlanda Isidro e Alaúde / Vihuela and Lute

El Canto del Caballero (Espanha): Alfred Fernández, Alfonso Marin – Vihuela

Quando olhamos para os cancioneiros ibéricos do Renascimento torna-se evidente que estas obras possuem algumas características curiosas e extraordinárias, nomeadamente o quão gratificante é o seu resultado musical. Estamos na realidade perante exemplos musicais de extrema qualidade e beleza, com texturas musicais de maravilhosa simplicidade e clareza que combinam de forma extraordinária com poemas de surpreendente lucidez e sagacidade. O Cancioneiro d´Elvas é um exemplo claro dessa forma de fazer música. Este códice, um dos quatro cancioneiros da Renascença Portuguesa, tendo sido provavelmente compilado entre os anos de 1560 e 1570, encontra-se constituído por música de compositores ibéricos sob poemas portugueses (16 peças) e espanhóis (49 peças). A grande maioria das obras são anónimas sendo Juan del Enzina e Pedro de Escobar os únicos compositores conhecidos, com a inclusão de quatro peças de cada um deles. O ensemble El Canto del Caballero propõe-se com este recital apresentar o conjunto completo das obras portuguesas do Cancioneiro d´Elvas em estreia moderna, que contará com a

participação da cantora portuguesa OrlandaVelez Isidro. The Iberian Renaissance songbooks have curious and extraordinary characteristics, especially in their musical result. We are in the presence of musical examples of extreme quality and beauty with wonderful textures, simplicity and clarity that seamlessly combine with poems of astonishing lucidity and wit. The Elvas Songbook is a clear example of this musicmaking technique. This codex is one of four songbooks of Portuguese Renaissance, and was probably developed between the years of 1560 and 1570. It is composed of musical pieces by Iberian composers, mostly anonymous - Juan del Enzina and Pedro de Escobar are the only known ones – and poems in Portuguese (16 pieces) and Spanish (49 pieces). With this recital, the ensemble El Canto del Caballero aims to present the complete set of the Portuguese works of the Elvas Songbook in a modern debut, which will feature the talents of Portuguese singer Orlanda Velez Isidro.

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/ Seminary Maior de São Paulo - Church

Seminário Maior de São Paulo – Igreja

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A Igreja de uma só nave, coberta com uma abóbada de berço, é parcialmente revestida a azulejos azuis e brancos do século XVIII, que representam cenas da história sagrada da Ordem de S. Domingos. O altarmor e os colaterais apresentam retábulos de calha barroca do Século XVIII. A sacristia, revestida a azulejos do tipo padrão azuis e amarelos do Séc XVII é uma das mais bonitas zonas de clausura. The Church of a single nave, covered with a cradle vault, is partly covered with blue and white glazed tiles of the 18th century depicting religious scenes of the Order of St. Dominic. The High Altar and the collaterals present altarpieces in baroque woodwork from the 18th century. The Vestry, covered with blue and yellow glazed 17th century tiles, is one of the most beautiful of the enclosure areas.


26 OUTUBRO / 19H00 “Imagens da música para tecla em Portugal dos século XVI e XVII” October 26th / 7:00 pm / “Images of keyboard music in Portugal of the XVI and XVII centuries”

João Paulo Janeiro: Órgão/Cravo/ Organ / Harpsichord

Neste recital apresentam-se alguns dos tópicos mais atrativos da música de tecla no contexto musical da Península Ibérica dos séculos XVI, XVII, XVIII. Desde a raiz vocal, presente em várias peças, passando pela música de dança, frequentemente marcada pela escrita de variações, até à sonata bipartida, diversos são os recursos utilizados pelos compositores para dar forma à escrita para tecla. Em finais do século XVI, a apropriação do reportório vocal podia passar pela execução ornamentada de peças vocais ou pela incorporação de fórmulas rítmicas características, partindo daí para uma elaboração composicional autónoma, especificamente instrumental, como no caso da canção glosada de António Carreira, inspirada nos modelos da chanson franco-flamenga. Na Península Ibérica, a escrita de variações designava-se por diferencias, e integrava um reportório especificamente instrumental em ampla expansão no maneirismo quinhentista, fundando-se amiúde num conjunto de padrões melódicos ligados à música de dança, reunidos e retransmitidos nos mais importantes círculos musicais. A ampla difusão destas estruturas melódicas, tais como, La folia — de origem portuguesa —, Passamezzo antigo e Romanesca, contribuiu para a formação de um reportório muito rico e diversificado, em que a improvisação desempenhava um papel relevante, tendo permanecido como fonte de inspiração musical até bastante tarde. Quanto às sonatas bipartidas, estas pertencem já a uma fase tardia da sonata barroca para tecla em Portugal. Numa estrutura de dois andamentos, as

sonatas de Scarlatti e Gomes da Silva exibem uma escrita profusamente ornamentada, com recurso frequente a tercinas de semicolcheias, onde sobressai a linha de mão direita. This recital presents some of the most attractive themes of keyboard music in the musical context of the Iberian peninsula of the sixteenth, seventeenth and eighteenth centuries. From vocals to dance music to the bipartite sonata, composers utilize a wide range of resources to shape the writing for keyboard music. At the end of the XVI century, the appropriation of the vocal repertoire could be achieved through the performance of vocal pieces or by the incorporation of characteristic rhythmic formulas. From there, on to a compositional autonomous development, specifically instrumental, as in the case of the “canção glosada” by António Carreira, inspired by the models of the French –Flemish chanson. In the Iberian Peninsula, the writing of variations was designated as “differencias” and was part of a broad instrumental repertoire that was widely used in sixteenthcentury Mannerism, often based on a set of melodic patterns linked to dance music, collected and propagated in the most important of musical circles. As for bipartite sonatas, these belong to a late phase of the Baroque sonata for keyboard in Portugal. Sonatas of two movements, the sonatas of Scarlatti and Gomes da Silva, show a profusely ornamented writing with frequent use of sixteenth triplets, where the musician’s right hand movement is pronounced.

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BIOGRAFIAS / biographies


Grupo Vocal Olisipo O Grupo Vocal Olisipo nasceu em 1988, e é desde então dirigido por Armando Possante. Com repertório vasto e eclético, abrange obras desde o período medieval até aos dias de hoje. Colabora com diversos compositores, tendo apresentado em primeira audição obras de Bob Chilcott, Ivan Moody, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso, Vasco Mendonça, Luís Tinoco e Manuel Pedro Ferreira, entre outros. Trabalhou com dois dos mais prestigiados ensembles mundiais da atualidade – “Hilliard Ensemble” e “The King’s Singers” para além de ter contracenado com Jill Feldman, numa ópera barroca. Conquistou já inúmeros primeiros prémios em concursos nacionais e internacionais e vários prémios de interpretação. Já atuou por todo o país, nos principais festivais de música e em palcos como os do Centro de Arte Moderna, CCB, TNSC, Casa da Música, Rivoli, Culturgest, entre muitos outros.

Colabora com várias orquestras, como o Quarteto Lacerda, Quarteto Arabesco, Capella Real, Músicos do Tejo, Academia de Música Antiga, Orquestra de Cascais e Oeiras, OrchestrUtopica, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra do Algarve, Orquestra Filarmonia das Beiras e Orquestra Metropolitana de Lisboa. Tem-se apresentado em concertos por toda a Europa. Participou como convidado em Sunderland, Inglaterra no Festival 500, em St. John’s no Canadá e no International A Cappella Festival, em Singapura. Nestes festivais o grupo orientou diversos workshops para coros e maestros de todo o mundo. Gravou o Officium Defunctorum de Estêvão de Brito, as Matinas de Natal de Estêvão Lopes Morago, Cantatas Maçónicas de Mozart, Tenebrae com música de Francisco Martins e Manuel Cardoso e o Magnificat em Talha Dourada de Eurico Carrapatoso.

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BIOGRAFIAS

/ biographies

Ana Zanatti

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Em 1968 abandona o curso de Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa e dá entrada no Conservatório Nacional onde faz o curso de teatro. Estreia-se ainda esse ano no teatro Trindade, com a peça de Pirandello «Cautela Libertino», passando a fazer parte da Companhia de Teatro Nacional Popular dirigida por Ribeirinho. A televisão surgiu na sequência de um convite inesperado para apresentar as emissões que a R.T.P. ia inaugurar no horário do almoço. Aí, ao longo de 25 anos, fez reportagens, entrevistas, apresentação de telejornais e continuidade de emissões, de concursos

e de inúmeros festivais da canção e festivais internacionais além de dar a sua voz a um vasto leque de documentários. Durante esse período, conciliou a sua carreira televisiva com o teatro, cinema, rádio, publicidade e a autoria de programas, tendo estado sempre ligada à representação. Como atriz, tanto no teatro como na televisão, não resistiu ao desafio de experimentar todos os géneros desde a comédia ao drama passando pelo teatro de revista onde foi 1ª figura ao lado de Camilo de Oliveira, Eugénio Salvador, Carlos Coelho, entre outros.


Armando Possante Armando Possante fez os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa (IGL) e na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) onde concluiu os Cursos Superiores de Direção Coral, com o Professor Christopher Bochmann, Canto Gregoriano, com a Professora Maria Helena Pires de Matos, e Canto, com o Professor Luís Madureira. Estudou Canto em Viena com a Professora Hilde Zadek e frequentou masterclasses de canto com os professores Christianne Eda-Pierre, Christoph Prégardien, Siegfried Jerusalem e Jill Feldman. Frequentou também cursos de Canto Gregoriano em Itália e Portugal com os professores Nino Albarosa, Johannes Göschl, Alberto Turco e Luigi Agustoni. É professor no IGL e na ESML. Orientou workshops de canto e música coral no Canadá, Inglaterra, Singapura e Portugal, destacando-se as Jornadas Internacionais de Música da Sé de Évora, onde trabalha frequentemente ao lado de Owen Rees e Peter Phillips. É diretor musical e solista do GVO e do Coro Gregoriano de Lisboa e foi membro convidado do

Nederlands Kamerkoor, tendo-se apresentado em concertos na Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão, Luxemburgo, Marrocos, Polónia, Singapura e Suíça. Conquistou o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de Bach no 1º Concurso Vozes Ibéricas, o 3º prémio e o prémio para a melhor interpretação de uma obra portuguesa no Concurso Luisa Todi de 2003 e o 1º prémio no 7º Concurso de Interpretação do Estoril. Foi-lhe atribuído como maestro o prémio Bärenreiter para a melhor interpretação de uma obra renascentista no concurso C. A. Seghizzi em Itália e, com o Grupo Vocal Olisipo, quatro primeiros prémios e vários prémios de interpretação em concursos internacionais na Bulgária, Finlândia e Itália. Gravou cerca de duas dezenas de discos com grande reconhecimento crítico, pelos quais recebeu, entre outras distinções, o Choc du Monde de la Musique e o Diapason d’Or.

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BIOGRAFIAS

/ biographies

Sete Lágrimas

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Assumindo o nome da famosa e inovadora coleção de danças do compositor renascentista John Dowland, Filipe Faria e Sérgio Peixoto definiram o mote que preside ao destino de Sete Lágrimas, consort vocal e instrumental fundado em Lisboa no ano 2000. Profundamente dedicados aos diálogos da música antiga com a contemporaneidade bem como da música erudita com as tradições seculares, Filipe Faria e Sérgio Peixoto juntam ao Sete Lágrimas músicos de diferentes horizontes musicais e enorme talento em torno dos seus projetos conceptuais animados por profundas investigações musicológicas mas também por reconhecíveis processos de inovação, irreverência e criatividade em torno dos sons, instrumentário e memórias da música antiga. Nestes projetos são identificáveis três fios condutores: os diálogos entre a música erudita e a popular, entre a música antiga e a contemporânea e por último entre a secular diáspora portuguesa dos descobrimentos e o eixo latino mediterrânico, convertidos em som através da fiel interpretação dos cânones interpretativos da música antiga ou de uma aproximação a elementos definidores da música tradicional ou do jazz. Desde a sua fundação, o grupo desenvolve uma intensa atividade concertística, com mais de duzentos concertos realizados, em que se destacam: Portugal (Centro Cultural de Belém 2009, 2011-2012, Fundação Calouste Gulbenkian, Festival Terras sem Sombra - 2003-2010 como ensemble residente -, Encontros de Música Antiga de Loulé, Festival de São Roque, Museu de Aveiro, Festival das Artes de Coimbra, Festival dos Capuchos, Festival Internacional de Música da Madeira, Festival Internacional de

Música dos Açores, Festival Fora do Lugar, Festival de Leiria…), Bulgária (Sliven), Itália (Ravenna, Festival Internazionale W. A. Mozart a Rovereto), Malta (BirguFest), Espanha (Festival de Música Antigua de Gijón, Festival de Música Antigua de Úbeda y Baeza, Museo Nacional de Valladolid, Fundación Juan March/Madrid, Abulensis Festival Internacional de Musica…), Macau (Macau Internacional Music Festival), Suécia (Stockholm Early Music Festival), França (Festival Baroque de Sablé 2012), Bélgica (Gent Festival van Vaanderen), … Em Portugal, como no estrangeiro, as temporadas de concertos e a sua extensa discografia é consistentemente elogiada pela crítica e pelo público. Os títulos Lachrimæ #1 (2007), Kleine Musik (2008), Diaspora.pt; Diáspora, vol.1” (2008), Silêncio (2009), Pedra Irregular (2010), Terra: Diáspora, vol.2 (2011), En tus brazos una noche (2012) e Península: Diáspora. vol.3 (2012) recebem frequentemente o número máximo de estrelas (5 em 5), Escolha do Editor, Melhor do Ano, etc… nos principais jornais, rádios e revistas de Portugal. Internacionalmente destacam-se as críticas discográficas na International Record Review, Doce Notas, Goldberg, etc.. ou as críticas aos concertos na Europa e na Ásia. Em 2008, 2011 e 2012 os três títulos do projeto Diáspora atingem o primeiro lugar do TOP de vendas das lojas FNAC. Em 2010, Diaspora.pt foi eleito no Guia da Música Clássica da mesma cadeia de lojas como Discografia Essencial e a carreira do Sete Lágrimas destacada na publicação Alma Lusitana. É representado pela produtora Arte das Musas e editado pela etiqueta MU Records.


Filipe Faria Inicia os estudos musicais com quatro anos de idade na Fundação Musical dos Amigos da Crianças onde estuda violino com as professoras Leonor Prado e Klara Erdei. Mais tarde estuda com Rui Guerreiro. Licenciado em Ciências Musicais pela FCSH/ Universidade Nova de Lisboa (1999). Possui diversas Pós-graduações, nomeadamente em Musicologia - Técnicas de Edição Musical dos Séculos XVI a XVIII - pela Universidade Autónoma de Lisboa (2000), em Ciências Documentais, em Arquivologia, pelo Departamento de História da Universidade de Évora (2002), e em Arte, Património e Restauro do Instituto de História de Arte pelo Departamento de História, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa (2004). É fundador e diretor da produtora cultural Arte das Musas (2002-) para além de ter sido fundador, produtor e diretor artístico do Festival Terras sem Sombra (2003-2010) no Alentejo (Portugal) declarado pelo Ministério da Cultura como de Superior Interesse Cultural. É elemento efetivo do Coro Gulbenkian desde 1998 e músico freelancer entre 1998 e 2008, atuando, nomeadamente com o Grupo Vocal Olisipo, o Ensemble Vocal Introitus, o Tetvocal, os Vozes

Alfonsinas, os Voces Caelestes, Coro do Teatro Nacional de São Carlos, Canto de Loor (que fundou), Concertus Antiquus, Coro D. Luis I, Coral Vértice, Cantus Firmus, Ricercare, Madrigalistas de Lisboa, Lusitaniae Musica, Smoking Voices (que fundou), Ensemble Barroco do Chiado, Ensemble Orphée et Coetera, etc… . É fundador, produtor e co-director artístico do consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas (2000-) com uma carreira de 9 discos e mais de 200 concertos em Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Bulgária, Bélgica, Noruega, Suécia, China, etc., Ensemble Associado Temporada 2012/13 CCB/Lisboa, etc. Sob encomenda da Arte das Musas e de outras entidades estreia obras de compositores portugueses e estrangeiros como Ivan Moody, Andrew Smith, Christopher Bochmann e João Madureira, especialmente compostas para o grupo. Da sua discografia fazem parte os títulos: Lachrimae #1 (2007), Kleine Musik (2008), Diaspora.pt, Diáspora, vol.1 (2008), Silêncio (2009), Pedra Irregular (2010), Vento (2010), Terra, Diáspora, vol.2 (2011), En tus brazos una noche (2011) e Península, Diáspora, vol.3 (2012).

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BIOGRAFIAS

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Sérgio Peixoto

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Iniciou a sua formação musical aos 5 anos de idade na Academia dos Amadores de Música e aos 8 anos como coralista e solista, tendo mais tarde ingressado no Instituto Gregoriano de Lisboa. É licenciado pela Universidade Nova de Lisboa no curso de Ciências Musicais. Foi membro do Grupo Vocal Olisipo de 1994 a 1998, com o qual participou em festivais internacionais para grupos vocais na Alemanha e Bélgica e em concursos internacionais na Bulgária, Finlândia e Itália, conseguindo em todos eles o 1º lugar na categoria de Coros de Câmara. Com o GVO grava dois discos de música polifónica portuguesa e participa em cursos com o prestigiado grupo vocal Inglês The King’s Singers. Ainda como membro do GVO participa na Convenção Anual da Association British Choral Directors em Inglaterra (1997) e é convidado a realizar uma série de Masterclasses no Canadá (Newfoundland e Labrador) integrados no Festival 500 (2000) para grupos corais e de câmara. É membro efetivo do Coro Gulbenkian desde 1998, com o qual tem vindo a abordar as grandes obras do repertório sinfónico e de música de câmara em

concertos pela Europa, Ásia e América. É também membro do grupo Tetvocal (1999) com o qual tem realizado numerosos concertos pelo país, Brasil (2000 e 2002) e Tailândia (2002 e 2003 a convite da casa real tailandesa). Com o Tetvocal grava em 2003 “Um tributo a Sua Majestade o Rei da Tailândia” e em 2004, o Lado A, um disco que homenageia a música ligeira portuguesa dos últimos 20 anos. Em 2000 funda com Filipe Faria o Sete lágrimas consort especializando-se na área da música antiga europeia, tendo participado nos mais importantes festivais de música na Europa e Ásia. É com este grupo que grava pela editora Murecords em 2007,o album “lachrimae #1”(2007), “Kleine musik” (2008), “Diáspora.pt” (2008), “Silêncio” (2009), “Pedra Irregular”(2010) e “Vento” (2010), “Terra” (2011), “En tus brazos una noche” (2011) e “Península” (2012) É diretor artístico de diversos agrupamentos corais, destacando-se o trabalho musical desenvolvido com alunos surdos, na Universidade Católica Portuguesa.


Accademia del Piacere A Accademia del Piacere é um dos mais reputados agrupamentos espanhóis de música antiga. Desde os seus primeiros projetos, em 2002, dedicados à música alemã do século XVIII, tem aprofundado e revelado os mais diversificados repertórios. Sob a chancela Alqhai & Alqhai, a Accademia del Piacere gravou quatro aclamados e premiados discos dedicados à música italiana do século XVII (Le Lacrime di Eros, Prémio Prelude Classical Music, 2009, e Amori di Marte), à música de Marais e Forqueray (Les violes du ciel et de l’enfer, nomeado para os International Classical Music Awards, 2011), ou ainda Las idas y las vueltas, em colaboração com o cantor Arcángel. Este último projeto resultou de uma singular e inédita incursão pelos mundos do flamenco e da música barroca – desafio distinguido pela crítica

na Bienal de Flamenco de Sevilha, em 2012. O mais recente disco gravado intitula-se Rediscovering Spain e propõe a redescoberta do mundo da improvisação na Espanha de 1600. Em todos eles a crítica tem destacado o fascinante e direto poder de comunicação com o público e a interpretação viva e emocionada dos instrumentistas. O reconhecimento nacional e internacional levou a Accademia aos palcos mais prestigiados do mundo, sendo os concertos frequentemente transmitidos em direto pelas mais importantes rádios e canais televisivos europeus. A Accademia del Piacere tem igualmente colaborado com o agrupamento More Hispano, sob a direção de Vicente Parrilla.

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BIOGRAFIAS

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Fahmi Alqhai

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Apesar de ter nascido em Sevilha, Fahmi Alqhai viveu até aos onze anos na Síria, onde iniciou os estudos musicais. Ao voltar para Espanha, ingressa no Conservatório Superior de Sevilha Manuel Castillo para estudar viola da gamba com Ventura Rico. Continua a sua formação na Schola Cantorum Basiliensis e no Conservatorio della Svizzera Italiana, em Lugano, sob a orientação de Paolo Pandolfo e Vittorio Ghielmi, respetivamente. A sua carreira é brilhantemente firmada quando apresenta as sonatas para viola da gamba e cravo obbligato de J. S. Bach, gravadas em 2004 com Alberto Martínez Molina. Pouco antes, em 2002, nascia a Accademia del Piacere, da qual é diretor. Fundou também, com o seu irmão Rami Alqhai, a editora discográfica Alqhai & Alqhai. É convidado

habitual do Hespèrion XXI, sob a direção de Jordi Savall, e do Il Suonar Parlante, de Vittorio Ghielmi. É também membro fundador do More Hispano. Trabalhou como solista com a Orquestra Nacional de Espanha, a Filarmónica da Galiza, o Ensemble Vocal de Lausana, a Orquestra Barroca de Sevilha e Al Ayre Español. Tem também desenvolvido alguns projetos no âmbito da música contemporânea e do jazz, colaborando, entre outros, com Uri Caine. Realizou inúmeras gravações para as editoras Alia Vox, Glossa, Winter & Winter, Tactus, Arsis, Enchiriadis, bem como para diversas televisões e rádios europeias, asiáticas e americanas. É desde 2009 diretor artístico do FeMAS, Festival de Música Antiga de Sevilha.


El Canto de Caballero A sonoridade doce mas ao mesmo tempo intensa de duas “vihuelas” serve de base a um ensemble que se dedica aos repertórios pré-clássicos sobre uma perspetiva subtil e íntima. El Canto del Caballero apresenta as suas performances como um espaço musical e poético, que nos revela as diferentes nuances e possibilidades tímbricas que nos podem ser oferecidas por dois instrumentos de corda dedilhada e voz. Na Europa, durante o século XVI, as transcrições de obras polifónicas vocais eram uma importante fonte de repertório para instrumentos como a guitarra e alaúde. Na Península Ibérica os tocadores de vihuela adaptavam para o seu instrumento peças dos mais notáveis compositores da época. O conhecimento íntimo desta música incentivou uma nova forma de abordar este tipo de repertório; o intimismo, a subtileza e a introspeção eram os recursos principais usados pelos vihuelistas do século XVI.

É exatamente esse espírito que El Canto del Caballero usa nas suas próprias transcrições ou nas transcrições originais que usa aquando da construção dos seus programas de concerto. El Canto del Caballero projeta nos seus programas uma visão muito singular e profunda, conjugada com os mais altos padrões de rigor histórico e expressão artística. Tanto Alfred como Alfonso são artistas bem conhecidos na área da música antiga e desfrutam de uma notável reputação tanto como solistas, como em ensembles de música de câmara. El Canto del Caballero já se apresentou em importantes festivais de música na Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria e Espanha. Apresentam-se com instrumentos construídos para eles por Sebastian Nuñez (Holanda), Alexander Batov (UK) e Martin Haycock (UK).

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BIOGRAFIAS

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Alfonso Marin

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Alfonso Marin iniciou os seus estudos musicais no Conservatório de Tenerife (Espanha), e posteriormente no “Conservatorium van Amsterdam”, onde obteve graduação em guitarra clássica e vihuela sob a orientação de Lex Eisenhardt. A partir de 1998 dedicou-se exclusivamente ao estudo de instrumentos históricos de cordas dedilhada, continuando os seus estudos no mesmo conservatório por mais cinco anos sob a orientação do alaudista Fred Jacobs. Após a conclusão do curso deu início a uma atividade intensa de concertos como solista, como acompanhador de voz e outros instrumentos, bem como baixista, teorbista e archalaudista. Tem colaborado com

inúmeros ensembles, orquestras e coros holandeses que se dedicam à prática da música renascentista e barroca como os Les Perucas de Amsterdam, Arion Ensemble, The Royal vento Consort, Bachkoor Holland, Concergebouw Kamerorkest, Nieuwe Opera Academie (DNOA), Amsterdam Orquestra Sinfónica, Concerto d’Amsterdam, Barokensemble De Swaen e Orquestra Barroca de Veneza, entre outros. Juntamente com o vihuelista Alfred Fernández, fundou o ensemble El Canto del Caballero que se dedica essencialmente à música renascentista espanhola. Com este ensemble realizaram diversos concertos na Holanda, Espanha, Portugal, Bélgica e Alemanha.


Orlanda Velez Isidro Nasceu em Évora, onde iniciou os estudos de violino e piano aos 7 anos, tendo terminado o curso geral do Conservatório nestes dois instrumentos. Os estudos de canto iniciou aos 19 anos, com Maria Repas Gonçalves. Em 1997 foi para a Holanda onde concluiu em Junho de 2000 a licenciatura em Canto pelo Conservatório Real de Haia. Residiu na Holanda até Março de 2011 onde é soprano residente do Amsterdam Baroque Choir (Ton Koopman), Dutch Chamber Choir, no Dutch Bach Society Choir and Orchestra e foi soprano residente do Radiokoor; canta ainda em grupos de câmara como o Quinteto Kassiopeia (grupo vocal para repertório madrigalista renascentista e barroco, que conta com os 6 volumes gravados da integral dos madrigais de Gesualdo).

Em Portugal apresenta-se com os grupos: Divino Sospiro, dirigido por Enrico Onofri, com apresentações nos Festivais de Ambronay 2005, Nantes 2006, Festa da Música Lisboa 2006 e Flores da Música, dirigido por João Paulo Janeiro, em vários festivais de Música Antiga em Portugal e com o qual gravou em Março último a obra Te Deum de Francisco António de Almeida. Já se apresentou a solo com os maestros Frans Brüggen, William Christie, Ton Koopman,, Eduardo Lopez Banzo, Frederik Malmberg, Enrico Onofri, Gabriel Garrido, entre outros, em projetos com gravações de CD e DVD de compositores como J.S. Bach, C.P.E. Bach, Buxtehude, Charpentier, Moulinié e Mendessohn. É licenciada em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa, vertente de Animação Musical.

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BIOGRAFIAS

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Alfred Fernández

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Alfred Fernandez é um especialista no repertório europeu para instrumentos históricos de cordas dedilhadas (guitarra, alaúde e guitarra barroca). Os seus trabalhos de investigação e as suas interpretações de música ibérica colocam-no como um dos artistas atuais com mais projeção e reconhecimento internacional. Nascido em Barcelona, estuda mestres de guitarra clássica como Jordi Codina, Fernando Rodriguez e Manuel Gonzalez. Posteriormente dedica-se ao estudo da música antiga e de instrumentos de corda dedilhadas (alaúde, vihuela, guitarra barroca e teorba). A sua formação é essencialmente autodidata, tendo no entanto trabalhado com os mais prestigiados alaudistas da atualidade como Gasser Lluís, William Waters, Paul O’Dette e Rolf Lislevand. Tem participado como solista em vários festivais de música nacional e internacional como o Festival de prestígio Oude Muziek Utrecht realizada em agosto de 2008. Outros desempenhos notáveis incluem LAUS POLIPHONIAE Festival (Antuérpia, 2012), Festival Guitarrísimo São Paulo (Brasil, 2007), o III Festival Alte Musik aus Spanien da Munic

(Alemanha, 2005), a 37º Festival Musica Antiqua de Bruges (Bélgica, 2000), o ciclo de St.Truiden sacrale Muziek (Bélgica, 2000), l’Altro Suono (Turim, Itália, 2000), o Festival de Música Antiga de Úbeda e Baeza (Jaén, 2006, 2012), o Festival de Guitarrísimo Munique (Alemanha, 2005) e o Ciclo de Música da Capela Real de St. Elizabeth de Portugal (Zaragoza, 2001). Foi convidado pelo Instituto Cervantes para participar em diversos ciclos de música em diferentes locais como Atenas, Nova York, Rabat, Tetouan, Tânger, Casablanca e Fez. As suas três gravações obtiveram ótimas críticas e as mais altas considerações internacionais em revistas como, a Repertoire, Goldberg, Gramophone, Le Monde de la Musique, The Society Magazine Lute, Bulletin de la Société Française de Luth, Scherzo, CD Compact e Rhythm. O seu CD a solo mais recente, intitulado Nunca más veran mis ojos (enchiriadis, em 2004), foi premiado com o 10 R do revista francesa Repertoire. É o diretor artístico do ensemble EL canto del caballero com os qual se apresentou em Espanha, na Bélgica, Holanda, Alemanha e Áustria.


João Paulo Janeiro Intérprete de instrumentos de tecla históricos, divide a sua atividade profissional entre a investigação, concertos, gravações e a docência. Fez a sua formação em Lisboa, onde completou os estudos em cravo, órgão e clavicórdio; completou a licenciatura e o mestrado em Musicologia Histórica na FCSH da UNL. Participou em diversos cursos e seminários, onde estudou com Joaquim Simões da Hora, Ketil Haugsand, Ton Koopman e Bob van Asperen, entre outros. Fundou os agrupamentos Flores de Música e Capela Joanina, com os quais tem divulgado a música barroca portuguesa. Colaborou com as principais orquestras e coros nacionais, e outras orquestras estrangeiras em concertos e gravações de música portuguesa. Gravou um CD em dois órgãos históricos da cidade de Évora. Com o Avondano Ensemble, difunde a obra musical da família Avondano, tendo gravado dois CD com as sonatas de João Baptista André Avondano e os trios de Pedro António Avondano em instrumentos históricos do Museu da Música de Lisboa. Gravou vários CD e programas para a RTP com o Coro Gulbenkian. Responsável pelas edições críticas das sonatas e duetos de João Baptista Avondano e pelo projeto editorial das obras completas de Francisco António de Almeida, completou recentemente a edição crítica da partitura e

o registo em CD do Te Deum de Almeida. Concluiu recentemente a edição em CD da Missa em Fá. Concebeu os projetos e dirige os festivais Temporada de Música Antiga, Ciclo de Teclas Fim da Tarde, Série Ibérica de Música Antiga e Jornadas de Órgão do Alentejo. Realizou o Inventário de Órgãos Históricos do Alentejo para o Ministério da Cultura e orientou processos de restauro naquela região. Concebeu e dirige com António Carrilho os Cursos Internacionais de Música Antiga e os Concursos Internacionais de Jovens Intérpretes de Música Antiga. É membro fundador do grupo Le Concert d’Ouest. Dirige o Concerto Ibérico - Orquestra Barroca. Leciona órgão, cravo, música de câmara e baixo contínuo e as classes de interpretação histórica na ESART e na EMNSC. Orientou um projeto de divulgação da música portuguesa seiscentista no Conservatório de Santa Cecília em Roma e tem dirigido masterclasses de cravo, baixo contínuo e orquestra barroca. É presidente da Música Antiga Associação Cultural (MAAC), membro fundador do CESEM (FCSH-UNL) e da Sociedade Portuguesa de Investigação em Música (SPIM).Tem apresentado comunicações e publicado diversos artigos na área da organologia e música barroca portuguesa. Prepara o doutoramento em Ciências Musicais com um trabalho sobre a prática do baixo contínuo em Portugal no século XVII.

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Legenda Metro

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Parque Igreja Casa da Cerca Centro de Arte Contemporânea

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Igreja do Seminário Maior de São Paulo Rua D. Álvaro Abranches da Câmara, nº1, Almada Coordenadas GPS: Latitute: N38º 40 ‘48” Longitude: W -9º 08 ‘55” Ermida de São Sebastião Largo das Andorinhas, Almada Coordenadas GPS: Latitute: N38º 40 ‘43” Longitude: W -9º 09 ‘41”

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Igreja de Santigo Largo 1º de maio, Almada Coordenadas GPS: Latitute: N38º 41 ‘02” Longitude: W -9º 09 ‘24”

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Igreja da Nossa Senhora do Bom Sucesso Rua Câncido dos Reis, Cacilhas Coordenadas GPS: Latitute: N38º 41 ‘13” Longitude: W -9º 08 ‘55”

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Freirinha

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/ VISITS TO THE CITY

VISITAS À CIDADE

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A propósito deste ciclo de concertos, convidamo-lo a organizar semanalmente uma visita a esta zona da cidade, onde se localiza um conjunto de equipamentos culturais, de que destacamos a Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, o Museu Medieval, o Museu Naval, a Fragata D. Fernando II e Glória. Pode também usufruir, a partir do circuito dos miradouros do Castelo ao Elevador da Boca do Vento, do Seminário de S. Paulo ao Cristo Rei, da magnífica paisagem do estuário do Tejo e da cidade de Lisboa, mas também, se o tempo se apresentar de feição, de uma tarde no Jardim do Castelo, no Jardim Botânico ou, junto ao plano de água, no Jardim do Rio. Termine a(s) viagem(ns) numa das esplanadas da renovada R. Cândido dos Reis ou descobrindo a diversidade da oferta gastronómica de Almada e da frente ribeirinha da cidade. Receba assim o nosso convite para disfrutar deste ciclo de música, adicionando-lhe também, outros sentidos que Almada Velha e Cacilhas têm para lhe oferecer.


With regard to this series of concerts, we invite you to organize a weekly visit to this area of the city, home to a number of cultural experiences, of which we highlight some Centre for Conteporany Art, the Medieval Museum, the Naval Museum, the Frigate D. Fernando II e Gl贸ria. Also not to be missed is the circuit of viewpoints - from the Castle to the Boca do Vento elevator, from the Seminary of St. Paul to Christ the King, the magnificient landscape of the Tagus estuary and the city of Lisbon, but also, if time permits, an afternoon in the Castle Garden, the Botanical Garden or along the water in the Garden River. End your trips in one of the renovated terraces of C芒ndido dos Reis street or by discovering the diversity of culinary afferings of Almada and the riverfront City. Please enjoy our invitation to this sng cycle by also indulging your senses in the other delights that Almada Velha and Cacilhas have to offer.

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INFORMAÇÕES ÚTEIS

/ USEFUL INFORMATION:

INFORMAÇÕES / Information:

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Academia de Música de Almada / Academy of Music of Almada Telefones / Phones: 21 294 58 07 / 21 294 58 06 / 960 175 767 Câmara Muncipal de Almada / City Hall of Almada Telefone / Phones: 21 272 40 08

RECOMENDAÇÕES AO PÚBLICO: / Recommendations to the Public: Os concertos têm entrada livre, mas esta encontra-se limitada à capacidade das salas. Desligue o telemóvel e o alarme do seu relógio antes do início do concerto. The concerts are free admission, but this is limited to the capacity of the rooms. Please turn off your phone and silence your alarms before the concert starts.


Direção Artística / Artistic Director Academia de Música de Almada Edição e Revisão de Textos / Editing and Proofreading Academia de Música de Almada Câmara Municipal de Almada Tradução de Textos / Text Translation: FIT - Found in Translation

Apoios e Patrocínios / Sponsors TAP Meliã Capuchos Agradecimentos / Thanks Rev. Pe. Fernando Belo, Prior de Almada Rev. Pe. Fernando Paiva, Prefeito e Ecónomo do Seminário Maior de S. Paulo Rev. Pe. Horácio Noronha, Prior do Pragal Rev. Pe. João Luís Paixão, Prior de Cacilhas Rev. Pe. José Rodrigo Mendes, Vice-Reitor do Seminário Maior de S. Paulo

FICHA TÉCNICA

Fotografias / Photos José Carlos Nascimento

/ CREDITS

Produção / Production Academia de Música de Almada Câmara Municipal de Almada

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SETEMBRO & OUTUBRO / September & October

Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso Semin叩rio Maior de S達o Paulo Igreja de Santiago Ermida de S達o Sebasti達o

www.m-almada.pt

Programa IV Sons de Almada Velha 2013  

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