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Ano 07 - Edição 79

Isenção de pedágio para eixo suspenso e reserva de fretes da Conab são aprovados pelo Senado Medidas provisórias aguardam sanção presidencial para entrada em vigor. Pág. 03 Fotógrafa produz imagens da greve dos caminhoneiros que revelam o cotidiano do movimento Karol Moraes, de apenas 23 anos, acompanhou o bloqueio dos caminhoneiros em Itaboraí, e o resultado foram belíssimas fotografias. Pág. 04 9 segredos para economizar combustível que todo caminhoneiro deveria saber Manutenção em dia e direção defensiva ajudam a reduzir o consumo de diesel. Pág. 14


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EDITORIAL Tendo em vista a urgência de se debater ambos assuntos, entrevistamos dois presidentes de entidades do setor, Tayguara Helou e Flávio Benatti, para saber como se posicionam as representações de empresas de transporte de cargas frente a essas questões. As opiniões deles, vocês podem conferir nas páginas seguintes dessa edição.

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JULHO E AS EXPECTATIVAS PARA O RESTO DO ANO

ulho é sempre um mês decisivo. Junto com ele, vem todas as expectativas para o restante do ano. Em 2018, as previsões para o segundo semestre são ainda mais esperadas, pois temos uma conjuntura de continuidade do baixo desempenho da economia, que, infelizmente, ainda não conseguiu dar mostras significativas de recuperação. Neste ano, ainda temos um contexto marcado pela mobilização dos caminhoneiros que, apesar de ter sido realizada em fins de maio, acabou suscitando importantes discussões que se desdobram até os dias atuais. Uma delas, é justamente a tabela de frete mínimo, ou preço mínimo do frete, como preferem dizer alguns. O fato é que existe uma tabela em vigor que, já se sabe, vai ser alterada em pouco tempo. Outro importante assunto em discussão é o marco regulatório.

Da nossa parte, já escrevemos que somos contra a tabela, porque acreditamos que ela tem inúmeros problemas e já vem com vício de origem, pois não difere caminhoneiro autônomo de empresa de transportes e nem de cooperativa. Se pensarmos somente neste ponto já dá uma diferença no custo da operação. Se avançarmos e aprofundarmos a análise, veremos que o Brasil é um país continental, com inúmeros tipos de carga, com inúmeros tipos de caminhão, inúmeras rotas, regiões de alta criminalidade ou baixa e assim por diante. Não há como pegar tudo isso e jogar em um liquidificador e chegar a apenas cinco tipos de carga e um valor por quilômetro/peso/eixo. É um absurdo sem tamanho! Sem contar que não demora e a tabela mínima vai virar a tabela máxima. Sem dúvida, com a recente greve dos caminhoneiros, houve uma sacudida no mercado, pois todo mundo passou a ver e entender a importância do setor. Só que isso gerou um novo problema, pois todo e qualquer aumento que o comércio, indústria ou setor da agricultura aplique em seus produtos, agora a culpa é do transporte.

O JORNAL DO AMIGO CAMINHONEIRO

CHICO DA BOLEIA Por isso, a tabela, no meu ponto de vista, não é a solução. Pelo contrário, ela mais atrapalha do que ajuda, e ao que tudo indica ainda vai passar muita água debaixo da ponte até isso se resolver.

EXPEDIENTE

Tradicionalmente, o mês de julho também é de comemorações. Juntamente com o Dia de São Cristóvão, padroeiro dos trabalhadores do volante, comemorado em 25 de julho, também é celebrado o Dia do Motorista.

TIRAGEM: 50.000 exemplares Nacional

Para nós, essa é uma data de muita alegria, mas também de muita reflexão sobre o papel dos caminhoneiros e caminhoneiras para a sociedade brasileira, como profissionais da estrada e cidadãos. Por isso, na reportagem principal desta edição, preparamos uma matéria que compartilha as opiniões de motoristas que estiveram envolvidos na última greve dos caminhoneiros e como eles percebem o movimento, suas conquistas e fracassos no atual momento. Esperamos que gostem! Companheiros e companheiras das estradas, agradecemos a todos que nos dão uma audiência maravilhosa seja lendo nossos jornais, acessando nosso site ou nos acompanhando pelas redes sociais. Também agradecemos aos nossos patrocinadores que acreditam que, mais que publicidade, o importante é informar com precisão. Boa leitura, Chico da Boleia Orgulho de ser caminhoneiro.

PUBLICAÇÃO MENSAL ANO 07 - JULHO DE 2018 - EDIÇÃO 79

DIRETORA-PRESIDENTE: Wanda Jacheta EDITOR-CHEFE: Chico da Boleia chicodaboleia@chicodaboleia.com.br COORDENAÇÃO E REVISÃO: Larissa J. Riberti imprensa@chicodaboleia.com.br DIAGRAMAÇÃO E ARTE: Pamela Souza marketing@chicodaboleia.com.br FOTÓGRAFOS / REPÓRTER: Matheus Augusto de Moraes Murilo de Abreu Yuri Riberti PUBLICIDADE: marketing@chicodaboleia.com.br

ATENDIMENTO E CORRESPONDÊNCIA: Av. dos Italianos, 2300 Sala 08 Prados, Itapira – SP – CEP: 13970-080 Fone: (19) 3843-5778 As opiniões dos artigos assinados e dos entrevistados são de seus autores e não necessariamente as mesmas do Jornal Chico da Boleia.


PAPO DE BOLEIA

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CHICO DA BOLEIA

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ChICO DA BOLEIA RESPONDE

ESCREVA! ENVIE SUA OPNIÃO, DICAS E SUGESTÕES E-MAIL: chicodaboleia@chicodaboleia.com.br FACEBOOK:

Isenção de pedágio para eixo suspenso e reserva de fretes da Conab são aprovados pelo Senado Medidas provisórias aguardam sanção presidencial para entrada em vigor. Redação Chico da Boleia com informações do Jornal do Senado.

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FOTO: Reprodução / Internet

erivadas da última greve dos caminhoneiros, que praticamente parou o país por mais de 10 dias, a isenção de pedágio para eixo suspenso e a reserva de fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram as pautas da votação do Senado nesta quarta-feira, 8 de agosto. Ambas as Medidas Provisórias foram aprovadas e agora seguem para sanção presidencial.

te os seus eixos adicionais poderão ser enquadrados na infração de evasão de pedágio, que é considerada grave pelo Código de Trânsito Brasileiro. Outra Medida Provisória aprovada foi a MP 831/2018, que prevê a reserva de 30% dos fretes da Conab para cooperativas e associações de caminhoneiros autônomos. A Medida excluiu do benefício os sindicatos de autônomos.

A MP 833/2018, que prevê a suspensão da cobrança Na prática, portanto, os cade pedágio, prevê fim minhoneiros que desejarem do pagamento da tarifa transportar os fretes reserFim do pedágio para eixo para caminhões que vados da Conab, deverão suspenso será praticado em todas passarem pelas praças estar vinculados à alguas rodovias. Fretes da Conab serão de pedágio com um ou ma cooperativa ou assoreservados para caminhoneiros mais eixos suspensos. ciação. Assim, a reserva vinculados à cooperativas ou de fretes da Companhia associações. Vale lembrar, porém, não terá efeitos reais para que a regra já era prevista aqueles autônomos que dena Lei 13.103, de 2015, que cidirem não se filiar a alguma rege o exercício da profissão de dessas instituições. motorista, mas era aplicada apenas às rodovias federais. De acordo com a agência de De acordo com as informações oficiais, a comunicação do Senado, a medida passa a MP possibilita aos transportadores serem valer também para vias estaduais, distritais contratados sem licitação. O preço do frete e municipais. não poderá exceder o praticado pela Conab e o contratado deve atender aos requisitos As autoridades de trânsito de cada unida- estabelecidos pela companhia, vinculada de da Federação devem se encarregar de ao Ministério da Agricultura, que contrata regulamentar a fiscalização dos veículos por leilão eletrônico os serviços de transque tiverem direito à isenção. Caminhões porte. carregados que suspenderem indevidamen-

facebook.com/chicodaboleia

PERGUNTA Maycon Almeida: Chico, porque a ANTT está demorando para inserir ou fazer novos cadastros no RNTRC? Chico da Boleia: Olá amigo, agradeço a sua pergunta. O fato é que até um tempo atrás a ANTT contratava de terceiros o sistema para fazer o cadastro, e o Tribunal de Contas da União vendo que a ANTT tinha uma grande verba obrigou-a a ter o próprio sistema de RNTRC. Isso gerou um baita problema pois existem inúmeras inconsistências no novo sistema e pessoal de TI

(Tecnologia da Informação) da ANTT está apanhando bastante para botar a coisa para funcionar. As entidades sindicais, tanto patronal como dos autônomos, já fizeram inúmeras reclamações e se a situação não se resolver de maneira rápida, discutem buscar a solução no judiciário. Vamos esperar e ver o que acontece. Da nossa parte, vamos acompanhar bem de perto para informar a todos vocês assim que houver uma solução real e definitiva para esse problema. Abraço Chico da Boleia Orgulho de ser caminhoneiro


FIQUE POR DENTRO

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Fotógrafa produz imagens da greve dos caminhoneiros que revelam o cotidiano do movimento Karol Moraes, de apenas 23 anos, acompanhou o bloqueio dos caminhoneiros em Itaboraí, e o resultado foram belíssimas fotografias. Por Larissa Jacheta Riberti | FOTOS: Karol Moraes / DisparadorA

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studante dos cursos de jornalismo e filosofia, a jovem Karol Moraes nasceu na baixada fluminense e teve seu primeiro contato com a fotografia aos 8 anos. Atualmente, trabalha como colaboradora de mídias independentes apartidárias, cobrindo jornalismo de protestos e situações de conflito. O objetivo principal do seu trabalho é denunciar, através dos registros fotográficos, a violência de Estado.

sente na greve dos caminhoneiros. Também nos cedeu algumas das belas imagens que compartilhamos nessa reportagem. Confira na íntegra! Chico da Boleia: Karol, como você começou a fotografar?

Karol Moraes: Aos oito anos eu tive meu primeiro contato com a fotografia analógica, remexendo câmeras velhas da família, Karol ainda atual pela mídia independente tirava fotos de miudezas do quintal e minha “DisparadorA”, na qual publica as imagens gata Gotinha posava pra mim. A câmera de que consegue produzir em protestos e ma- filme foi um dos meus primeiros descobrinifestações de diferentes categorias. “Tam- mentos e gosto de ter câmeras analógicas bém exponho os registros das reportagens até hoje. Meu contato com a fotografia foi em eventos abertos, vendendo fodesde cedo, mas no processo polítitografias a preço de custo para co de 2013 comecei a entender continuar movimentando e a importância de registrar "Eu vi e sei as pessoas conseguirem aquilo que eu via. A fotoo quanto essa classe luta e ter acesso ao trabalho grafia como potencial de sofre pra conseguir sobreviver. que lhes é dedicado”, testemunhar e contar a explica a fotografa que Assim como outros trabalhadores do história que realmente também já atuou como importa que é a de quem mundo, só querem melhores redatora, diretora de sofre violência do Estacondições de trabalho, dignidade." fotografia e criadora de do e capital, perseguição (Karol Moraes). conteúdo para sites, revispolítica, criando novas tas e outros impressos. narrativas e, mais que isso, pautando as pessoas, sendo a A jovem esteve com os caminhomídia que se espera. neiros durante 3 dias, em Itaboraí, e suas fotografias expressam o mesmo sentimento Saía pra rua com minha câmera minúscuque ela pode captar do movimento grevis- la e estava junto de jornalistas experientes ta: a “simplicidade, honestidade e amiza- cena a cena, alguns ficavam meio bravos de” compartilhada pelos trabalhadores e as comigo porque eu realmente chegava perpessoas que transitavam por alí. to, participando das ações, enquanto "profissionais" mantem uma certa margem e Gentilmente, Karol Moraes nos concedeu muitas vezes eu não conseguia fazer a foto uma entrevista falando um pouco de seu porque participava. Eu via as matérias da trabalho e dos momentos que esteve pre- grande mídia e as denúncias não eram as

Karol Moraes | FOTO: Arquivo Pessoal

mesmas que as minhas e eu publicava incessantemente no meu perfil pessoal, as pessoas pediam pelas fotos durante e depois dos protestos e eu ficava incentivando as pessoas a irem de encontro. A cada foto que eu fazia era pra mim uma vitória nossa, eu realmente me empolguei com as ações de rua e o material que estava produzindo, tanto que não parei. Desde então eu fico revivendo 2013 nas insurreições, certo que é diferente toda vez, mas gosto de estar presente desde o primeiro estopim de iniciativa, porque em 2013 houve muita resistência tocada por poucas pessoas e laços bonitos na luta até hoje. CB: No que consistem os projetos “Retina Insurgente” e “DisparadorA”, para os quais você colabora? KM: “Retina insurgente” são minhas memórias. Inventei a “Retina” que é insurgente porque é revoltada e não está sozinha, por isso surgiram essas memórias tão coletivas e de múltiplas cores, que são basicamente meus retratos de rua e os conflitos que eu tenho emergência de participar. Sempre ressurgia essa ideia de criar algo que tivesse múltiplas mãos mexendo, fazendo, criando, que precisávamos criar "nossa máquina de

guerra", a “DisparadorA” cria suas próprias narrativas antiautoridade, é insurrecionária porque está junto das insurreições populares, radicais ou não, mas sempre evidenciando a radicalidade, desconstruindo o "ilegal", falando de autonomia. CB: Que outros movimentos sociais você pode acompanhar como fotógrafa? KM: Todas as minoridades; movimento das favelas; movimento dos negros por autonomia e contra o genocídio, movimento das mulheres e crias pelo aborto, contra o feminicídio e o patriarcado; dos trabalhadores da saúde pela defesa do SUS; dos estudantes secundaristas; dos professores e servidores; dos cotistas; dos imigrantes; movimento de despenalização e a favor da legalização de todas as drogas; contra o encarceramento em massa; pela defesa da soberania alimentar; pela demarcação de terras indígenas e o retorno dos índios às suas terras espoliadas; pela vida e respeito à soberania dos índios; movimentos contra o controle sobre nossos corpos; movimento de pessoas não binárias; pela vida de pessoas LGBTQ. Também acompanhei movimentos de desobediência civil e pela expropriação de


FIQUE POR DENTRO terras sobre a exploração agrária; ocupações de espaços urbanos e rurais, de praças, fábricas, empresas, instituições; pela defesa dos animais; pela conquista, defesa e resistência da moradia; contra os megaeventos; contra a política partidária; contra a bancada evangélica; contra o Estado e o Capital; movimento de mães vítimas de violência policial; contra as polícias e a violência policial; movimentos antiautoridade; movimento de trabalhadores autônomos contra a guarda-municipal, roubo de carrocinhas e materiais e outros abusos de poder; dos trabalhadores do campo; pelo direito à terra, permacultura. Cobri movimentos que defendem a soberania energética contra o saque dos Estados Unidos e Europa; pela defesa da água; resistência dos povos da América Latina; pela defesa da Palestina; a favor de guerrilhas urbanas autônomas tais como Rojava; contra a escolarização e o apagamento de culturas e revoluções; pela emancipação dos povos contra o monopólio da igreja; contra o monopólio sobre o culto religioso, sobre o corpo e mente. Resumindo, todas as lutas que eu souber eu estou lá! CB: Você tem algum objetivo principal ou busca enquadrar determinadas ações/ cenas quando se propõe a fotografar movimentos? KM: Quando estou na rua tento sentir a energia e a vibração do que está acontecendo antes de começar a fotografar. Claro que com a lente sempre à mão. Adoro fotografar pessoas, registrar suas passagens naquele momento que estão vivendo, suas emoções, mas claro que, como fotojornalista, tenho que estar atenta aos detalhes para não perder nada. CB: Antes de fotografar a greve dos caminhoneiros de 2018, já conhecia a categoria, ou já tinha tido outra experiência com esses trabalhadores? KM: Eu viajo muito, e sempre que estou na estrada fico curiosa com os caminhoneiros, como interagem com outros veículos, nas paradas, mas nunca tinha tido um contato como tive agora. A possibilidade de estar ali, conversar e ouvir suas histórias foi realmente algo engrandecedor que vou levar pra vida.

acontecendo. Sabe como é hoje em dia, pela internet falam de tudo, eu precisava saber a verdade, queria registrar e poder passar o que estava acontecendo para outras pessoas entenderem melhor e não ficarem supondo, inventando ou repassando boatos. CB: Você esteve com eles quantos dias? KM: Fiquei por 3 dias, no quarto dia quando cheguei eles já tinham sido expulsos pela Polícia Federal e pelos militares, restaram alguns poucos que me contaram o que tinha acontecido. Uma pena! Mas eles são muito guerreiros, foi a primeira vez que vi tanta gente de uma mesma classe trabalhadora se unir e ficar tantos dias acampados na rua por uma causa. CB: Quais experiências puderam ser compartilhadas? KM: A simplicidade, honestidade e amizade foram muito fortes, estávamos juntos, sabe? Eles me contaram muitas de suas histórias, pude entender melhor o estilo de vida e também como é viver com essa profissão. CB: Quais suas impressões do movimento dos caminhoneiros? KM: Hoje eu tenho opinião formada pela minha experiência, não foi ninguém que me contou nem uma mídia que escreveu ou passou sua informação na tv. Eu vi e sei o quanto essa classe luta e sofre pra conseguir sobreviver. Assim como outros trabalhadores do mundo, só querem melhores condições de trabalho, dignidade. Minha impressão é que a diferença deles pra maioria dos outros trabalhadores é que eles tiveram a coragem de parar por dias e o mais bacana, foi um movimento horizontal, sem partidos, sem lideranças. Eles decidiram, se organizaram, foram lá e mostraram pro mundo sua força. Um exemplo que todos deveriam seguir pra ajudar a melhorar o mundo. CB: Algum momento em específico que quer compartilhar conosco sobre a greve dos caminhoneiros e/ou sua experiência nela?

CB: O que te levou a acompanhar o bloqueio dos caminhoneiros de Itaboraí?

KM: São muitos momentos, ver as famílias ligando, pessoas passando pra dar um apoio nem que fosse com uma jarra de café, caminhoneiros cansados e com saudades de seus familiares...

KM: Me senti na obrigação comigo mesma de ir até lá ver o que realmente estava

CB: Sua concepção da categoria mudou depois de acompanhar o movimento?

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CHICO DA BOLEIA Como você vê os caminhoneiros hoje? KM: Não digo que mudou porque não sou uma pessoa preconceituosa, pelo contrário, mas que a ideia do que penso sobre eles agora está melhor formulada na minha cabeça. Eles são trabalhadores, são pessoas comuns, como todos nós.

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Tem gente que se acha diferente, melhor que os outros, e neles eu pude perceber que isso não existe. Ficou em mim algo precioso que me foi passado: o ensinamento da estrada pra vida. Só tenho a agradecer por tudo e torço muito por eles!

25 de Maio de 2018, Greve dos Caminhoneiros de Manilha Fotografias por Karol Moraes / @retinainsurgente / disparadorA


COPA TRUCK

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GIAFFONE E ROBERVAL VENCEM COM CASA CHEIA EM CAMPO GRANDE Público presente no autódromo da Cidade Morena foi recompensado com um espetáculo de primeiro nível, decidido apenas na bandeirada; dupla sai do MS empatada na disputa da Copa Centro-Oeste, que será concluída em Goiânia. FONTE: Copa Truck | FOTO: Duda Bairros/Copa Truck

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elipe Giaffone e Roberval Andrade foram os grandes protagonistas deste domingo na etapa de Campo Grande da Copa Truck. Os dois dividiram as vitórias do dia e travaram disputas de prender o fôlego do público que lotou as arquibancadas do circuito, recebendo a bandeirada das duas corridas separados por centésimos de segundo.

páreo para os dois. Desta vez à frente de Giaffone, foi a vez de Roberval transformar seu Scania em um tanque e bloquear todos os caminhos possíveis, terminando 0s134 à frente, com Marques crescendo no fim e completando o “top3” a somente 0s762 do vencedor. Giuliano Losacco e Luiz Lopes, ambos da Iveco, fecharam o pódio da corrida 2.

Na primeira prova, Giaffone fez valer a pole position e passou todas as 14 voltas com Roberval em seu cangote. Se, nas curvas, o caminhão do Corinthians ficava emparelhado ao do rival, nas retas o ex-piloto da Indy conseguia o respiro necessário para se manter na liderança. No fim da prova 1, a diferença entre os dois foi de somente 0s296, com Cirino completando o pódio.

“Estou muito feliz. Achei muito bacana, foi um domingo mágico dentro e fora das pistas e isso era tudo o que eu desejava para o fim de semana. A disputa com o Felipe foi incrível nas duas provas. Conquisto mais uma vitória e, assim como o Corinthians, volto para casa satisfeito. Agora é ir para Goiânia brigar pela Copa Centro-Oeste”, comenta Roberval.

Já na segunda corrida, os dois pilotos largaram da quarta fila por conta da inversão dos oito primeiros no grid e foram escalando tudo e todos até chegarem no líder André Marques, que, a princípio, não foi

Com uma vitória e um segundo lugar, Giaffone e Roberval partem empatados para a decisão da Copa Centro-Oeste em Goiânia (GO), no dia 26 de agosto, com 38 pontos cada. Como Giaffone venceu a

Pódio da corrida 1 da Copa Truck em Campo Grande | FOTO: Duda Bairros/Copa Truck

Chegada da corrida 2 da Copa Truck em Campo Grande | FOTO: Duda Bairros/Copa Truck

primeira prova, que vale mais pontos, ele levaria a melhor no critério de desempate caso a decisão fosse hoje. Marques é o terceiro, com 29, seguido de Losacco, com 26. Lopes e Debora Rodrigues (que largou na pole da corrida 2) estão empatados com 22 pontos na sexta posição.

“Eles são o que temos de mais importante e quisemos recompensá-los por terem lotado as arquibancadas debaixo desse sol forte. Foi lindo”, destaca a única piloto feminina do grid. Com isso, tanto pilotos quanto espectadores puderam voltar para casa com um sorriso estampado no rosto.

“Como esta é uma pista difícil de ultrapassar, o show ficou mais legal ainda”, diz Felipe. “O Roberval e eu passamos o fim de semana disputando no braço. A temperatura alta foi um grande desafio para nós dois. Na primeira corrida ele tentava, vinha pra cima, mas eu consegui segurar; na segunda, o caminhão dele ‘acabou’ e eu fiz o máximo possível para passar, mas não consegui. Mais duas voltinhas eu passava. No fim, a gente foi pra galera e foi uma das coisas mais legais que fizemos”, garante Giaffone.

CLASSIFICAÇÃO DA COPA CENTRO-OESTE

Para o público presente, foi uma experiência inesquecível: após a bandeirada, todos os presentes puderam entrar na pista para acompanhar o pódio e puderam tomar um banho de champanhe dos pilotos. Até quem não foi para o pódio – caso de Débora Rodrigues – não quis ficar de fora da festa.


ONDE ESTÁ O CHICO DA BOLEIA

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PRESIDENTES DE ENTIDADES FALAM SOBRE O ATUAL CENÁRIO ECONÔMICO DO TRC

Flávio Benatti e Tayguara Helou deram entrevistas à Chico da Boleia durante evento realizado por Setcesp

Redação Chico da Boleia | FOTO: Murilo de Abreu

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o dia 24 de julho, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região, o SETCESP, realizou o tradicional almoço da diretoria plena que, neste ano, contou com a participação do Governador do estado de São Paulo, Márcio França. Durante o evento, foram debatidas questões relacionadas ao TRC brasileiro que, no atual momento, vive a expectativa de algumas transformações, como a eminente aprovação do Marco Regulatório e a tramitação de uma tabela de frete mínimo para o setor. Chico da Boleia esteve presente no almoço e pode conversar com Flávio Benatti, presidente da FETCESP, e com Tayguara Helou, Presidente do SETCESP e anfitrião do evento. Ambos falaram sobre o cenário econômico atual e as expectativas do setor para o este novo semestre. Confira na íntegra. Chico da Boleia: Flávio, estamos praticamente iniciando o segundo semestre. Qual a expectativa para o setor dos transportes? Flávio Benatti: Olha Chico, na realidade a economia brasileira dá sinais de uma pequena recuperação. Atualmente se tem falado de um crescimento de 1,5% do PIB. Isto é insuficiente! Ou seja, a economia brasileira ainda está andando de lado. Consequentemente o nosso setor é um dos mais afetados por isso, porque não havendo um acréscimo da produção, um aumento da economia, o setor do transporte é muito

prejudicado. Nós vemos com certa preocupação essa situação. O único setor que tem respondido bem economicamente é o agronegócio, que cresce acima dos índices do PIB. Esse setor nesse momento está sendo afetado pela questão do tabelamento de frete. Há uma grande discussão sobre esse ponto e nós precisamos realmente avançar nisso, saber como ele vai ficar, para que possamos ter um resultado melhor. Lamentavelmente o que temos para colocar é isso. Não podemos comemorar aquilo que na realidade não existe. Estamos próximos a um processo eleitoral e esse momento traz incertezas para investidores. A gente vê que os investimentos para o país ainda não estão acontecendo como deveriam - embora o Brasil seja um país que precise de grandes investimentos, de uma parceria público-privada, não só no discurso. Nos últimos anos a gente tem visto que essas parcerias não saem do papel muito em função da incerteza de credibilidade na política do país, incerteza sobre os ajustes que precisam ser feitos, como a questão da previdência, da carga tributária, entre outros. Se fala muito em reformas, mas as coisas não estão saindo do papel. Então, o Brasil vive esse momento que é de muita incerteza e de muita expectativa, para que a gente possa saber qual é o rumo que ele vai tomar daqui em diante. Chico da Boleia: Tayguara, como você vê o cenário econômico para o setor de transporte aqui em São Paulo nesse segundo semestre? Tayguara Helou: Chico, em primeiro lu-

Flávio Benatti, presidente da FETCESP | FOTO: Reprodução / Setcesp

gar, é um prazer recebe-lo aqui. O Chico da Boleia é o melhor periódico multimídia do nosso setor. É um prazer conversar contigo, com seus leitores e ouvintes. A gente acredita que o segundo semestre de 2018 seguramente será melhor do que o primeiro. Isso é natural, é histórico! Alguns dos indicadores de desenvolvimento foram reduzidos agora e foram reavaliados por grandes instituições, grandes autarquias públicas. Mas o Brasil é um país que já deu certo. Eu sou pragmático e sou fã de carteirinha do nosso país. O nosso setor tem uma responsabilidade muito grande em viabilizar indústria, comércio, varejo e a sociedade brasileira. Hoje, a gente realiza aqui na Federação um grande evento. Recebemos o governador do estado de São Paulo, Marcio França, que trouxe uma palavra muito positiva em relação ao estado. Então eu me sinto satisfeito e muito feliz. Chico da Boleia: Está acontecendo a discussão sobre a tabela do frete que tem gerado muitos debates entre o poder público e o

setor. Também está em pauta no Congresso Nacional a questão do marco regulatório. Qual a posição do SETCESP sobre isso? Tayguara Helou: São dois assuntos muito polêmicos e a gente sabe disso. Sobre o preço mínimo de frete, que é diferente de uma tabela, o setor está muito dividido. Uma parte apoia e a outra não. Enquanto entidade, nosso posicionamento é técnico, por isso estamos fazendo um estudo junto com o DECOP, Departamento de Estudos Econômicos da NTC & Logística, para que a gente possa elaborar uma nota técnica e sair com uma sugestão daquilo que está errado na tabela, na base de cálculo, na aplicabilidade, e por assim vai. Então a posição da nossa entidade é neutra e técnica. Em relação ao marco regulatório, ele tramita pelas casas legislativas. Está ainda sob análise do Senado nacional, que vai abrir um prazo para que se faça o rito necessário para a aprovação do marco. E nós estamos acompanhando e dando sugestões de muito perto.


REPORTAGEM

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Especial Dia do Motorista Caminhoneiros falam sobre a convivência entre a categoria e suas experiências durante a greve Profissionais acreditam que a sociedade passou a valorizá-los após a mobilização. TEXTO: Larissa Jacheta Riberti | FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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ia 25 de julho é uma das datas na qual se comemora o Dia do Motorista no Brasil. Nesse período, são tradicionais as festas, celebrações, homenagens e procissões à São Cristóvão, considerado o santo protetor de todos os motoristas. Mas neste ano, a celebração pode ter um significado diferente para os caminhoneiros e caminhoneiras. Após a grande mobilização da categoria que eclodiu a partir do dia 21 de maio, e que praticamente parou o país por mais de dez dias, é certo que a sociedade brasileira tem uma imagem diferente dos trabalhadores da estrada. Vale relembrar, primeiramente, um pouco das condições que motivaram a organização do movimento. A primeira delas, foi justamente a necessidade de se estabelecer definitivamente o fim da cobrança de pedágio sobre eixo suspenso. A determinação já era estabelecida pela Lei 13.113/2015, também conhecida como Lei do Motorista, mas não era aplicada devidamente. Apenas as rodovias federais praticavam a isenção da taxa de pedágio em caminhões que trafegassem com um ou mais eixos suspensos. A insatisfação com o não cumprimento de tal norma, agravado pelos altíssimos preços cobrados em pedágios de todo Brasil, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, foi um dos “combustíveis” para a organização do movimento que resultou em bloqueios de rodovias e paralisações por quase todo território nacional.

O movimento iniciado em fins de maio, também pleiteou a defesa da redução do preço do óleo diesel, bem como de outros derivados do petróleo, como a gasolina e o gás de cozinha. A inclusão dessa pauta na lista de reinvindicações, suscitou a discussão de um aspecto importante que é, na verdade, de interesse nacional: a política de preços do então presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Na edição passada e retrasada do Jornal Chico da Boleia, publicamos reportagens que explicam que tipo de política é essa e como ela afeta diretamente o bolso do consumidor e, sobretudo, o planejamento dos custos do caminhoneiro autônomo. (O leitor mais curioso poderá encontrar todas essas informações nas edições digitais publicadas em nosso site).

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos), no período de 22 de abril a 22 de maio de 2018, a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do diesel nas refinarias 16 A sociedade sentiu o impacto vezes.

Para muitos especialistas da área, como engenheiros da estatal e pesquisadores do mercado do da crise do abastamento e percepetróleo – que pude beu a importância da categoria para O estudo mostra que entrevistar nas edições o desenvolvimento econômico do o preço da gasolina saiu anteriores do jornal país, construindo uma nova visão de R$ 1,74 e chegou a R$ Chico da Boleia –, tal 2,09, alta de 20%. Já o do sobre ela. política de preços é a diesel foi de R$ 2,00 a R$ responsável por promover 2,37, aumento de 18%. Para o os sucessivos aumentos no consumidor final, os preços mévalor do combustível, já que atrela dios nas bombas de combustíveis subiesses preços às oscilações do mercado in- ram de R$ 3,40 para R$ 5,00, no caso do ternacional. litro de gasolina (crescimento de 47%), e Assim que explodiu o movimento grevista, no entanto, algumas entidades sindicais defenderam a hipótese de que os tributos eram os grandes responsáveis pelo aumento do preço dos combustíveis. Com o passar do tempo, as discussões foram sendo aprofundadas e as informações que circularam já davam conta de que o que havia afetado, de fato, o valor dos derivados do petróleo no Brasil, havia sido a política de preços da Petrobras.

de R$ 2,89 para R$ 4,00, para o litro do óleo diesel (alta de 38,4%).

A suspensão da cobrança do pedágio sobre eixo suspenso e a redução do preço dos combustíveis foram, portanto, as duas principais reivindicações do movimento grevista. Vale destacar que, num primeiro momento, a mobilização contou com a adesão de motoristas de frota e caminhoneiros autônomos. Também não foi raro ver circulando as opiniões de donos de transportadoras apoiando tais pautas.

Por isso, grande parte da imprensa passou a destacar que a greve poderia ser fruto de um lockout, que é quando os patrões impedem que seus funcionários tenham acesso aos meios de produção, forçando a explosão de uma mobilização. No entanto, vale lembrar que após a primeira tentativa de negociação entre entidades sindicais e governo federal, ocorrida na quinta-feira daquela mesma semana, os caminhoneiros autônomos se recusaram a desmobilizar-se, alegando que suas demandas não haviam sido atendidas. Pela segunda vez, então no domingo transcorrido daqueles primeiros dias, esses autônomos permaneceram nos bloqueios, rejeitando novo acordo entre sindicatos e governo. O quadro que se configurou durante esses dias de greve nos mostra, então, que o movimento grevista contou com a participação de uma série de sujeitos, emanados de diferentes grupos que compõem o setor, bem como motoristas de frota e autônomos. Pelas conversas que pude estabelecer com alguns caminhoneiros, também foi possível notar que muitos deles aderiram espontaneamente à mobilização, sem necessariamente terem respondido à uma convocação formal das entidades representativas da categoria. Através dessas conversas, também constatei que existiam outras demandas feitas pelos trabalhadores. Por mais que elas não compusessem a pauta formal de negociações entre os representantes da categoria e o Estado, estavam sempre presentes nos bloqueios, nas entrevistas, nos vídeos em redes sociais, nas faixas e placas espalha-


REPORTAGEM das pelas rodovias. Eram os pedidos por melhores condições de trabalho. Essa genérica reivindicação, por mais vaga que possa parecer ao leitor que não é do setor do transporte rodoviário de cargas, tem um efeito prático muito claro para os caminhoneiros: melhoras em termos de segurança, infraestrutura, frete e legislação trabalhista. Também é interessante notar que, em meio a todo esse movimento plural e diverso, e em meio à existência de pautas expressas formalmente ou não pelos caminhoneiros, ficou muito evidente para mim, jornalista que acompanhou alguns pontos de mobilização, um outro aspecto da organização da categoria: a forma como os caminhoneiros e caminhoneiras se relacionavam entre si enquanto companheiros de luta e com sua própria profissão. Após esse momento de luta coletiva, eu não tenho dúvidas de que o ano de 2018, pela magnitude da mobilização dos caminhoneiros e os impactos causados por ela na sociedade como todo, foi um divisor de águas para a categoria.

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a sociedade achava que eles eram trabalhadores irresponsáveis. Podendo responder mais de um item, mais de 55% deles também acreditava que a sociedade imaginava que eles eram imprudentes no trânsito e usuários de drogas. Apenas 12,6% dos caminhoneiros assinalou que achava que a sociedade os via como importantes para a economia do país. É verdade que para saber se, de fato, a percepção desses mesmos caminhoneiros sobre a imagem que a sociedade tem deles atualmente mudou, seria preciso fazer a mesma pergunta aos mesmos entrevistados.

“Hoje, depois da nossa demonstração da força que temos, aquele que ia oferecer uma gorjeta pra carregar ou descarregar na frente dos outros está pensando bem. Porque sempre tem alguém fiscalizando. Achei isso ótimo, mas ainda temos muito pela frente!”, concluiu. Essa percepção de que a sociedade agora vê com outros olhos a categoria, também é compartilhada por Clari Rodrigues, motorista de frota. Segundo ela, as pessoas agora veem os caminhoneiros com “olhos diferentes e melhores do que no passado”.

Felipe Melgarejo Rodrigues | FOTO: Arquivo Pessoal

No entanto, não seria exagero supor que, após maio de 2018 e a grande mobilização da categoria, boa parte desses profissionais já se vê diferente aos olhos dos outros, ou seja, da sociedade brasileira em geral. Isso pode ser atribuído, em grande medida, ao fato de que processos de mobilização social mais amplos tendem a empoderar seus sujeitos e serem também períodos de construção pedagógica de uma consciência de classe.

Acredito que tal ponto de cisão está relacionado, principalmente, com a própria for"Tem muitos lugares que ma como os trabalhadores tu chega, tipo eu, quando da estrada passaram a se chego em casa e vou no mercado. enxergarem como peças As pessoas sabem que eu sou centrais da economia motorista e dizem “se não fossem brasileira.

Por isso, também não é equivocado afirmar que durante o movimento grevista, muitos caminhoneiros ganharam vocês, nós dependemos de vocês”. consciência do seu pa(Clari Rodrigues) pel social e profissional. É fato que muitos deles Além disso, a sociedade já reproduziam o conhecido sentiu o impacto da crise mote “Sem caminhão, o Brasil do abastamento generalizado para”. Mas a partir de maio dese pode perceber a importância da cate ano, foi ainda mais expressiva a forma como eles se sentiram parte integrante e tegoria para o desenvolvimento econômico fundamental de todo um sistema econô- do país, tendo a oportunidade de construir mico que depende de uma distribuição de uma nova concepção sobre ela. produtos essenciais feita essencialmente por eles. Porém, nem sempre foi assim! E essa diferença pode ser constatada através da pesquisa “Perfil do Caminhoneiro”, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes em 2016. Nela, foram entrevistados 1066 caminhoneiros, sendo 729 deles autônomos, e 337 empregados de frota. Uma das perguntas realizada pela pesquisa era sobre a imagem que os caminhoneiros entrevistados imaginavam que a sociedade em geral tinha dele. Naquela época, 44,7% deles respondeu que acreditava que

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Com o objetivo de entender que tipo de relação alguns caminhoneiros e caminhoneiras estabeleceram com o movimento grevista, portanto, realizei algumas entrevistas com membros da categoria que participaram da mobilização. A partir delas, foi possível identificar algumas expectativas, frustações, conquistas e contradições que se revelaram com o movimento. A pluralidade de sentimentos que ficaram depois de maio deste ano pode ser sentida, por exemplo, através da fala de Felipe Melgarejo Rodrigues. O caminhoneiro autônomo de Coxim, Mato Grosso do Sul, dirige um 113 e trabalha junto com seu sogro.

Rodrigues me contou que está na profissão muito em função do pagamento dos estudos de sua mulher, que atualmente cursa enfermagem. “Trabalho pra formar minha mulher e vou sair do ramo, porque está muito defasado e muito sucateado o transporte brasileiro. Somos completamente abandonados por nossas autoridades políticas”, disse Felipe. Ao contrário dos outros entrevistados, o caminhoneiro contou que teve uma experiência bastante frustrante no movimento. “Estávamos há 10 dias fazendo uma paralisação justa da nossa classe. Fomos traídos pelo exército e o povo fazia fila pra abastecer mais caro do que estava antes do movimento. Não teve apoio nesse sentido. Nós nos sentimos péssimos com isso, mas bola pra frente!”, comentou. Felipe ainda relatou que tem receio do desaparecimento da categoria, devido ao baixo valor do frete pago aos caminhoneiros. Para ele, a concorrência com as transportadoras é, na maioria das vezes, desleal, já que as empresas não precisam obter lucros grandes em fretes de retorno, por exemplo, apenas cobrir os custos de operação. “Nós autônomos temos que manter uma casa e pagar o caminhão. Por isso, temos que ter lucro com todos os fretes”, expressou. Apesar do sentimento de frustração, Felipe acredita que, após a greve deste ano, a sociedade brasileira vê os caminhoneiros com outros olhos. Além disso, os próprios caminhoneiros mudaram seus “conceitos e princípios”, de acordo com ele.

“Tem muitos lugares que tu chega, tipo eu, quando chego em casa e vou no mercado. As pessoas sabem que eu sou motorista. Às vezes eu chego com o caminhão na frente e eles dizem “se não fossem vocês, nós dependemos de vocês”. A gente nunca recebeu isso, então eu acho que a sociedade nos enxerga de maneira mais positiva depois da greve”, opinou. Clari paralisou suas atividades no dia 18 de maio e contou um pouco da sua experiência nesses dias. Segundo a caminhoneira, um dos pontos de paralisação da categoria, era justamente atrás da sua casa, em Lajeado, no Rio Grande do Sul. “Meu caminhão ficou parado na frente da minha casa e eu ia lá todos os dias. A gente participava, tomava chimarrão. Tinham muitos colegas que eu já conhecia, mas também fiz boas amizades”, relata. Entre os profissionais que participaram do bloqueio estavam, evidentemente, profissionais e seus familiares de outros estados, que não contavam com a mesma estrutura que Clari. Por isso, ela conta que ajudou algumas pessoas como podia.

Clari Rodrigues | FOTO: Arquivo Pessoal


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REPORTAGEM

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“Tinha um casal que estava lá. E naquele lugar era ruim para tomar banho, não tinha estrutura. Então eu fiz amizade com ela e com ele, principalmente. Eles iam na minha casa, tomavam banho, jantavam, quase toda noite. Pra não ficarem só no posto, porque foram 12 dias pdos, né?”, explicou a caminhoneira. Esse cotidiano de amizade e solidariedade entre os membros da categoria também é relatado por Moisés Oliveira. Caminhoneiro autônomo residente em São Paulo, mas nascido na Bahia, Moisés foi um dos prota- Moisés Oliveira | FOTO: Arquivo Pessoal gonistas da mobilização na rodovia Regis Bittencourt e acompanhou o dia a dia sou, após o movimento grevista, a ver a categoria com outros olhos. “O motorista de companheiros no bloqueio. antes estava sem moral nenhuma, depois da “Os caminhoneiros se organizaram por greve, o pessoal começou a olhar pra gente várias razões, mas as principais delas fo- de maneira diferente. As empresas princiram o aumento desordenado do diesel e a palmente. Mudou o tipo de comportamendefasagem do preço do frete. A nossa mo- to. Antigamente, o pessoal da logística fabilização, dos autônomos, começou pelas lava alto com você. Agora, eles se dirigem redes sociais, em grupos de whatsapp e a gente com educação, pelos menos nas facebook. Em pouco tempo, tomou aquela duas, três empresas que eu trabalho. Mudou bastante!”, concluiu. proporção”, contou o motorista. De maneira geral, os caminhoneiros enSegundo Oliveira, a convivência entre os trevistados acreditam que houve melhoras motoristas era tranquila. Algumas para o exercício da profissão. No atividades reuniões aconteentanto, eles também temem reciam para que se pudespresálias futuras e são recese explicar para outros " O motorista antes osos quanto à durabilidade motoristas que alguns estava sem moral nenhuma. das medidas provisórias e tipos de produtos não Depois da greve, o pessoal comedas promessas do goverpoderiam passar peçou a olhar pra gentede maneira dino que visam atender as los bloqueios, apenas ferente. As empresas principalmente. suas demandas. itens essenciais, como Mudou o tipo de comportamento". medicamentos. (Moisés Oliveira) Independente, no entanto, das contradições, frustra“A gente também teve ções e vitórias do movimento uma grande ajuda da populados caminhoneiros, é preciso reção. Pessoas que nos davam coconhecer que esses profissionais passaram mida, porque na carga a gente não mexia por uma renovação, real e subjetiva. Real não, só em último caso – era complicado, tinha seguro, etc. Então o auxílio da po- porque agora são vistos com outros olhos pulação foi bastante importante para nós”, pela sociedade brasileira, inclusive por empresários e pelas forças políticas que articurelatou. lam os interesses do transporte rodoviário Para Moisés, os caminhoneiros aprende- de cargas dentro das instâncias governaram muita coisa durante aqueles dias. A mentais. primeira delas foi identificar como alguns segmentos da direita fizeram uso dos caminhões paralisados para colocar placas de intervenção militar. Moisés ainda relatou que a polícia atuou de maneira repressora em alguns pontos, impedindo a paralisação dos caminhoneiros e o exercício do direito de greve. Apesar dos percalços enfrentados, o caminhoneiro acredita que a sociedade pas-

Subjetiva, porque os próprios caminhoneiros e caminhoneiras tiveram uma grande oportunidade de retificarem a maneira como enxergam aos seus companheiros e sua própria profissão. Talvez esta tenha sido, então, a grande conquista da greve da categoria. Que eles possam, portanto, seguir adiante com sua luta por dignidade trabalhista e pela manutenção de sua profissão.

Tabela de frete é obrigatória nos contratos de transporte Puxado pela retomada da economia, mercado de caminhões fora de estrada representou 16,5% do mercado total de caminhões no primeiro trimestre.

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Fonte: Agência Câmara Notícias | FOTO: Reprodução / Internet

medida provisória sobre o frete rodoviário aprovada pela Câmara dos Deputados concede à tabela de frete mínimo uma natureza obrigatória nas relações de contratos de transporte, sujeitando aquele que não a seguir a indenizar o transportador em valor equivalente ao dobro do que seria devido, descontado o valor já pago, sem prejuízo de multa a ser aplicada pela agência.

Destaque do PCdoB aprovado pelo Plenário retirou do texto a atribuição de responsabilidade subsidiária também aos responsáveis por plataforma tecnológica da internet, aplicativo ou outra tecnologia que possibilite a veiculação desses anúncios. DOCUMENTO Na operação de transporte rodoviário de cargas, o motorista deverá portar o contrato de frete, com informações do contratante e do contratado, da carga, da origem e do destino, da forma de pagamento do frete e indicação expressa de seu valor e do piso mínimo aplicável.

Uma emenda apresentada pelo relator e aprovada pelo Plenário concede anistia dessa indenização aos infratores da regra entre os dias 30 de maio de 2018 e 19 de julho de 2018. Assim, somente a partir do dia 20 de julho deste ano é que a indenização passará a ser devida por aquele que não Outra emenda do relator que o Plenário seguir a tabela do frete mínimo. acatou determina a especificação do valor do frete que ficará com o subcontratado, Pisos mínimos diferenciados poderão ser quando houver. estabelecidos para o transporte de contêineres e de veículos de frotas específicas, dedicados (quando não há compartilhamento do espaço do caminhão por cargas de diferentes proprietários) ou fidelizados por razões sanitárias ou por outras razões consideradas pertinentes pela ANTT. O projeto de lei de conversão atribui responsabilidade subsidiária pelo pagamento da indenização pelo frete contratado abaixo do preço mínimo aos responsáveis por anúncios de ofertas de frete em valores inferiores.


FIQUE POR DENTRO

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Brasil é palco da maior competição mundial de mecânicos de caminhões e ônibus Evento promovido pela Volvo desde 1957 foi realizado pela primeira vez fora da Europa Fonte: Assessoria Volvo | FOTO: Reprodução / Internet

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rodada final do VISTA (Volvo International Service Training Award), maior competição mundial em qualificação técnica de mecânicos e mecatrônicos de caminhões e ônibus do mundo, aconteceu na fábrica da Volvo em Curitiba (PR). Reunindo as 40 melhores equipes de concessionárias da marca em todo o mundo, a rodada decisiva teve 200 participantes, divididos em times que disputaram entre si o título de “a melhor equipe de mecânicos do mundo”. Depois de uma acirrada disputa, a vitória ficou com o time VIIES RATAS, da Estônia. “Ficamos muito orgulhosos de termos sido escolhidos para sediar a primeira final fora da Suécia, país-sede da Volvo. O Brasil é um dos principais mercados globais da marca, com estrutura de ponta e profissionais altamente qualificados”, afirma Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina.

CONHECIMENTO MULTIDISCIPLINAR A primeira edição do VISTA foi realizada em 1957. Mas desde que o computador passou a ser uma ferramenta essencial nas oficinas a profissão teve uma mudança de base. Os caminhões e ônibus modernos são máquinas extremamente avançadas, que exigem conhecimento mais amplo. Hoje, os técnicos precisam ter conhecimento de mecânica, eletrônica e digital. “O tema dessa edição foi: VISTA – ‘Desempenho é Tudo’. Nossa meta é ter os melhores técnicos de serviços do mundo. Através de uma competição saudável, valorizamos e reconhecemos o trabalho de nossos concessionários, além de atrair novos talentos para uma profissão com um futuro promissor,” diz Anna Rogbrant, gerente global do Projeto VISTA. EQUIPES DO BRASIL

COMPETIÇÃO GLOBAL O VISTA teve duração de oito meses, com rodadas classificatórias regionais na Europa, América Latina, América do Norte, África, Ásia, Oriente Médio e Oceania. Ao todo, a edição deste ano envolveu 19.700 participantes. A cada dois anos, os mecânicos e mecatrônicos Volvo têm a oportunidade de testar e comprovar seu conhecimento numa disputa com colegas de todo o mundo. O foco da competição está nas habilidades para execução do trabalho do dia a dia e na vanguarda em competências técnicas, promovendo a cooperação em grupo.

O Brasil teve quatro equipes na etapa final: Suicide Squad (concessionária AutoSueco SP), Joker (concessionária Dipesul), Série 1 (concessionária Treviso) e Hard Work (concessionária Dicave). “O VISTA é uma parte importante da nossa estratégia em atingir a mais alta qualidade em serviços em todos os mercados onde estamos presentes”, observa Karen Wasman, gerente de Desenvolvimento de Competências do Grupo Volvo na América Latina. “A competição motiva os técnicos a serem cada vez melhores. Faz com que os profissionais se preparem mais e pos-

Equipe VIIES RATAS, da Estônia, é a campeã do VISTA 2017-2018 | FOTO: Reprodução / Internet

sam atender aos clientes de forma rápida e eficiente. É uma superação do trabalho em equipe e o Olimpo da marca Volvo”, destaca Adriano Merigli, diretor de Desenvolvimento de Concessionárias do Grupo Volvo na América Latina.

• Realizada a cada dois anos desde 1957. 19.700 pessoas de todo o mundo participaram da edição deste ano. • 40 equipes disputaram a final em Curitiba. • A vencedora foi a VIIES RATAS da Estônia

SOBRE O VISTA

MEMBROS DA EQUIPE VENCEDORA:

• A sigla significa em inglês Prêmio Internacional Volvo para Treinamento em Serviços (Volvo International Service Training Awards). • Competição global em serviços entre mecânicos de caminhões e ônibus da Volvo.

• Meelis Šmeiman (supervisor) • Madis Reinpõld (líder técnico) • Maksim Golenkov (técnico) • Lauri Raamat (líder técnico) • Maksim Toots (instrutor técnico)


DE BOA NA BOLEIA

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TOP FIT TRUCK A CABINE COMO SALA DE GINÁSTICA Kit para exercícios durante a viagem é uma ideia da Mercedes-Benz que pode ser adaptada por qualquer caminhoneiro FONTE: Estradão | FOTO: Reprodução / Internet

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rotina estressante do caminhoneiro não se limita somente aos prazos, à insegurança nas estradas, ao preço do diesel e à saudade de casa. Embora muitas vezes não se dê importância, trabalhar sentado por longos períodos traz consequências prejudiciais para a saúde. A postura provoca esforços mais do que desejados nos músculos e na coluna vertebral. Sem movimentos para compensar, com o tempo as dores nas costas serão companheiras indesejáveis, sem contar os riscos de problemas vasculares. Complica ainda mais a alimentação nem sempre regrada e a falta de tempo para atividades físicas como medida de prevenção de doenças. Pesquisa recente encabeçada pela Arteris, uma das maiores concessionárias de rodovias do País, com mais de 3.500 caminhoneiros entrevistados apontou que 30% deles se encontram obesos, 35% apresentam colesterol alto, 37% a taxa de glicemia está anormal e mais da metade dorme na cabine. Movimentar-se, portanto, é uma das soluções para mudar o cenário, uma realidade comum a todo motorista profissional, independentemente do país, normalmente sem tempo de visitar uma academia no fim do dia. Como instrumento para uma vida mais saudável, a time de desenvolvimento de Mercedes-Benz, na Alemanha, concebeu o TopFit Set, um conjunto de acessórios para o caminhoneiro poder fazer exercícios na privacidade da cabine. O kit, composto de elásticos tubulares

e um tabuleiro de madeira, permite treinamentos com o objetivo de fortalecer os músculos e compensar os esforços aos quais o corpo é submetido durante muitas horas sentado. Para fazer os exercícios corretamente, o motorista tem orientação no aplicativo do sistema de gerenciamento de frota da Mercedes-Benz FleetBoard, por meio de vídeos elaborados com o auxílio de fisioterapeutas. A ideia não é nova, foi lançada em 2015 pela marca, mas já apresenta resultados na rotina de alguns motoristas e interesse de transportadoras alemãs que não querem contabilizar dias de caminhoneiros afastados por motivo de doença. Há um ano, o alemão Heiko Gebhardt, de 40 anos, motorista da transportadora Spedition Fehrenkötter, decidiu que tinha de dar um basta na dor crônica que sentia nas costas, além de perder alguns quilos dos 115 kg que pesava. A solução da Mercedes-Benz deu um jeito no problema do profissional. O caminhoneiro associou exercícios regulares nos intervalos de trabalho a uma alimentação saudável e, hoje, pesa 80 kg e sem mais os incômodos nas costas. O kit é um produto oferecido pela marca somente na Europa e desenvolvido especialmente para ser usado nas cabines de caminhões que possuem piso plano. Não é por isso, no entanto, que com um pouco de criatividade e força de vontade, o caminhoneiro não possa se beneficiar de exercícios regulares e das boas práticas para uma vida mais saudável.

Para fazer os exercícios corretamente, o motorista tem orientação no aplicativo do sistema de gerenciamento de frota da Mercedes-Benz FleetBoard, por meio de vídeos elaborados com o auxílio de fisioterapeutas. | FOTO: Daimler

A própria estrutura do caminhão pode servir de apoios para alongamentos e pontos de fixação de elásticos para fazer exercícios de fortalecimento dos músculos das costas, braços e pernas. Antes de começar, porém, é importante procurar orientação de um profissional para não prejudicar ainda mais com movimentos errados, além de fazer um checkup. O auxílio está mais perto do que se imagina. É comum inciativas de empresas concessionárias de rodovias colocarem foco na saúde do caminhoneiro, como o programa

Estrada para a Saúde, da CCR, o Saúde na Boléia, da Arteris, ou o Parada Legal, da Rota do Oeste. Independentemente de exercícios físicos regulares, cabe seguir dicas simples e fáceis de serem aplicadas no dia a dia que garantem boa qualidade de vida e mais disposição para encarar o trecho como alongamentos, uma alimentação mais leve com menos fritura, prestar atenção na postura ao dirigir e não deixar de descansar, sabotar uma noite de sono para cumprir prazo coloca a segurança e a saúde em risco.


OFICINA DO CHICO

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9 segredos para economizar combustível que todo caminhoneiro deveria saber

Manutenção em dia e direção defensiva ajudam a reduzir o consumo de diesel. Por Jeniffer Elaina | FOTO: Reprodução / Internet

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atual greve dos caminhoneiros não foi sem motivo, mas além de conseguir uma redução no custo do combustível, é importante que todos saibam quais são os principais segredos para economizar combustível. E, é exatamente isso que mostraremos neste artigo. A melhor maneira que os caminhoneiros podem encontrar para aumentar seus lucros é economizando combustível. No entanto, nem todos esses profissionais conhecem os segredos para economizar combustível. Pensando em ajudar essas pessoas, criamos este artigo, afinal, reduzir os gastos com abastecimento pode acabar promovendo mais lucros a esses profissionais. Acompanhe esse texto e veja como isso é possível. Conheça os principais segredos para economizar combustível em caminhões DEIXE A MANUTENÇÃO EM DIA O equilíbrio da balança chamada custobenefício é muito importante quando o assunto são os segredos para economizar combustível. Manter a manutenção do caminhão em dia faz com que o veículo se torne mais leve e, consequentemente, consuma menos combustível. PLANEJE CORRETAMENTE SUAS VIAGENS Planejar corretamente as viagens poupa ao caminhoneiro gastos extras com situações inesperadas ou rotas mais longas, que

consumam mais combustível, além de tornar estas mais curtas, possibilitando a realização de mais fretes, e assim mais lucros.

uma viagem procure sempre abastecer apenas em postos de confiança. Combustíveis adulterados promovem sérios danos ao motor e acabam muito mais rápido que os de qualidade.

AUMENTE A DURAÇÃO DAS PEÇAS DO CAMINHÃO

FIQUE ATENTO À DIREÇÃO DEFENSIVA

A vida útil das peças do caminhão depende diretamente da maneira como o veículo é usado e da quantidade de revisões realizadas. Quando o caminhão não recebe os cuidados necessários, acaba sofrendo com reparos e trocas de peças constantes, além de consumir mais combustível também.

A direção defensiva, além de promover menores gastos com combustíveis, também proporciona mais segurança no trânsito e menores índices de estresse nas rodovias. Outra maneira de ter mais segurança em suas viagens é contar com um seguro auto para caminhão, pois caso ocorra um acidente ou uma pane seca, você não terá gastos com guincho, por exemplo, nem precisará contar com a sorte para ver algum profissional disponível.

PROCURE SEMPRE ABASTECER EM POSTOS DE CONFIANÇA Por mais difícil que isso seja, ao longo de

USE O AR CONDICIONADO COM MODERAÇÃO Para funcionar, o ar condicionado necessita de muita energia, que por sua vez é obtida do sistema de ignição, que é alimentado pelo combustível do seu caminhão. Logo, um dos segredos para economizar combustível é diminuir o uso do ar condicionado. MANTENHA OS PNEUS EM ORDEM Assim como com os carros, os caminhões também precisam estar com os pneus devidamente calibrados. Isso evita esforço extra do motor e gastos a mais de combustível. FAÇA UM BOM PLANEJAMENTO FINANCEIRO Manter um caminhão em bom estado de uso não é simples e nem barato. Essa tarefa exige muita atenção no cumprimento dos prazos de revisão do veículo, mas também evita desperdícios de combustível. Portanto, mantenha-se atento a esses detalhes. EVITE PESO EXTRA O peso transportado pelo veículo influencia no consumo do combustível, então evite carregar peso extra. Estes 9 segredos para economizar combustível são simples de serem seguidos e muito funcionais. Esteja atento a eles e, com certeza, seus gastos com as viagens diminuirão e seus lucros serão bem maiores.


ENTRETENIMENTO

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PALAVRAS CRUZADAS

Torta de Frango de Frigideira

• Azeite de oliva para refogar

MODO DE PREPARO

• ½ cebola cortada em cubos

Em uma frigideira, refogar a cebola, o alho e adicionar o frango desfiado. Adicionar o extrato de tomate, uma pitada de sal e o orégano. Reservar.

ingredientes

• 1 dente de alho picado • 300g de peito de frango cozido defiado • 2 colheres de sopa de extrato de tomate

No liquidificador, bater o ovo, o leite, o azeite, a farinha, o amido de milho e uma pitada de sal. Dispor em uma tigela e agregar o fermento delicadamente.

• 1 pitada de sal • 1 colher de chá de orégano • 1 ovo • 1 xícara de leite • 4 colheres de sopa de azeite de oliva

Aquecer uma frigideira untada com azeite em fogo médio.

• 6 colheres de sopa de farinha de trigo

Despejar a massa. Cozinhar em fogo baixo por uns 5 minutos.

• 1 pitada de sal

Virar a massa, espalhar o frango desfiado com molho, polvilhar o queijo mussarela e dispor colheradas de catupiry pela torta.

• 100g de queijo mussarela ralado

Esperar o queijo derreter e servir.

• 1 colher de sopa de amido de milho

• 1 colher de chá de fermento em pó

• 200g de catupiry FONTE: Tastemade

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79ª Edição Nacional – Jornal Chico da Boleia  
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