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Geral | p. 03

Leandro Taques

Mundo | p. 06

Fidel, de Cuba

Luta por saúde

Reportagem do Brasil de Fato Paraná esteve presente ao adeus do povo cubano à Fidel Castro

PARANÁ

01 a 07 de dezembro 2016

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

Indígenas ocupam distrito sanitário e cobram políticas na área da saúde distribuição gratuita Giorgia Prates

Ano 01 | Edição 22

Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Temer e maioria do congresso querem congelar o futuro do Brasil

Senado ignora manifestações populares e aprova em primeiro turno a PEC 55, que limita investimentos em saúde e educação por 20 anos. Apesar da repressão, protestos continuam. Cidades | p. 05

Esportes | p.08

Cultura | p.07

A dor não tem cor

Rap feminino

Para nossos colunistas, a tragédia de avião que vitimou 71 pessoas gera solidariedade mundial à equipe da Chapecoense, jornalistas e tripulação

Tássia Reis, Janine Mathias e Karol Conka reforçam a representatividade feminina no Rap


2 | Editorial

Brasil de Fato PR

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

Governo Temer: escândalos que ferem a democracia

EXPEDIENTE

Escancarar as terceirizações é um dos principais objetivos do golpe

Divulgação

O

Partido Socialismo e Liberdade (Psol), da bancada de oposição no Congresso, encaminhou pedido de impeachment contra Temer. O argumento é de que o presidente cometeu os crimes de tráfico de influência e advocacia administrativa (uso de cargo público para defender interesses particulares). Lideranças de oposição têm acordo com o pedido e buscam envolver também o apoio de movimentos populares. Afinal, seis meses depois do golpe aplicado por Michel Temer (PMDB), as condições de vida seguem piorando. E agora o governo Temer ainda está envolvido em mais um escândalo por tentar, ao lado do ex-ministro de Geddel Vieira Lima, coagir o ex-ministro da cultura a liberar uma obra sem autorização. Trata-se do sexto ministro do governo a se demitir. O governo Temer reforça o seu perfil antidemocrático, com ações contra a maioria do povo brasileiro. Todas as medidas impostas pelo governo são aplicadas sem consulta à sociedade e, também, com repressão policial. É o caso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55), que congela os gastos públicos por vinte anos.

OPINIÃO

Por Regina Cruz, trabalhadora da vigilância, presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT Paraná)

O

Redes sociais não perdoaram o autoritarismo e a falta de diálogo de Michel Temer

ves contra esta e outras medidas, Temer não abriu diálogo com a sociedade. É hora de o povo voltar a ter voz e poder de decisão. É hora de a sociedade cobrar uma Reforma Política. E é neTemer é acusado dos cessário o retorno da crimes de tráfico de presidente legítima ou influência e uso de mesmo a convocação de eleições diretas, cargo público para onde o povo decida. É defender interesse hora de o povo voltar a particular ter voz e poder de decisão.

Apesar das várias ocupações de escolas e universidades, dos protestos e gre-

biênio 2015/2016 ficará marcado como o período em que o Brasil sofreu um golpe. Um golpe parlamentar e midiático. Mas, acima de tudo, um golpe contra a classe trabalhadora. Não foi por outro motivo que elites conservadoras e forças do capital se uniram para retirar da presidência da república uma mulher eleita com 54,5 milhões de votos. Mas qual o objetivo de rasgar a Constituição? A luta contra corrupção? Sabemos que não. O objetivo é atacar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Previdência social, a saúde e a educação pública estão na mira. Mas, acima de tudo, os direitos trabalhistas: o Projeto de Lei 4.330/2004, aprovado na Câmara, e que agora tramita no Senado como PLC 30/2015, deve efetivamente rasgar as carteiras de trabalho de milhões de brasileiros. Com ele, fica escancarada a terceirização. Caso seja aprovado, este projeto vai piorar muito as

relações de trabalho e acabar com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Os trabalhadores serão contratados como empresas e não terão direito ao 13º salário, férias, FGTS e outros benefícios. Falo com propriedade, pois minha categoria, de vigilantes, é essencialmente terceirizada.

Previdência social, a saúde e a educação pública estão na mira. Mas, acima de tudo, os direitos trabalhistas Tem maior rotatividade no emprego, passando em média 2,6 anos a menos em seus postos, e trabalham 3,5 horas a mais por semana com salário inferior e ainda estão mais expostos a acidentes de trabalho. Este é o objetivo do golpe e ele só será concluído quando todos os avanços sociais forem destruídos. O momento é de resistência e união.

Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016

O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Ceará e Paraná. Esta é a edição nº22 do Brasil de Fato PR, que circulará sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

EDIÇÃO Pedro Carrano e Ednubia Ghisi COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Regina Cruz, Franciele Petry Schramm, Flávio Augusto Laginski, Anna Carolina Azevedo e Gibran Mendes ARTICULISTAS Roger Pereira, Manolo Ramires, Cesar Caldas REVISÃO Maurini Souza FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Leandro Taques ADMINISTRAÇÃO Clara Lume DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Gustavo Erwin Kuss, Daniel Mittelbach, Luiz Fernando Rodrigues, Fernando Marcelino e Naiara Bittencourt, Robson Sebastian TIRAGEM SEMANAL 10 mil exemplares REDES SOCIAIS facebook.com/bdfpr ANUNCIE administracaopr@brasildefato.com.br


RBrasil de Fato PR

mandou

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

FRASE DA SEMANA

bem

“Querem anistiar o caixa 2, querem congelar o nosso futuro, querem que paguemos a conta da crise. Resistiremos!”,

Divulgação

Carol Caminha

A cantora Ana Carolina deu uma “aula sobre orgasmo feminino” no programa Altas Horas. No quadro em que a sexóloga Laura Muller tira dúvidas da plateia, Ana Carolina deu a dica: “Para a mulher, é muito importante mostrar ao homem quando ela não está sentindo prazer e quando ela está. Só assim você consegue mostrar a realidade [...] Tem que ensinar o parceiro também”.

mandou

mal

Marcos Santos

A Assembleia LegislatiOs pedágios do Parava do Paraná (ALEP) aproná terão novo aumento a vou um o projeto de lei, enpartir de quinta-feira (1º), viado pela Tribunal de Juscom reajuste entre 4% e tiça (TJ), que beneficia do13%. Neste verão, para penos de imóveis milionários. gar uma praia no litoral paA proposta estabelece teto ranaense os motoristas vão de R$ 4,9 mil para cobrança desembolsar R$18,70 (só do Fundo de Reequipamenida!). Com menos de 13 mil to do Poder Judiciário (Funhabitantes, o município de rejus). Atualmente, a alíquoJataizinho, região norte, terta é de 0,2% sobre o total dos ma praça de pedágio mais imóveis vendidos. cara do estado: R$ 21.

3 | Geral

Disse Natalia Szermete, coordenadora do Movimento dos Treabalhadores Sem Teto (MTST), em ato na Avenida Paulista. Donna Bowater

Indígenas ocupam distrito sanitário e cobram políticas na área da saúde Giorgia Prates

Por Ednubia Ghisi, de Curitiba (PR) Indígenas das etnias Guarani, Terena e Tupi Guarani ocupam o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Litoral Sul, no Centro de Curitiba, desde o último dia 24 de novembro. Durante o fechamento desta edição, o Movimento recebeu um comunicado de reintegração de posse e prometiam resistir no local. Segundo as lideranças, as mais de 150 pessoas que ocupam o local são oriundos de aldeias de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, estados de abrangência da atuação do DSEI Sul. A unidade faz parte dos 34 Distritos ligados à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), integrante do Ministério da Saúde (MS). A liderança indígena Tupã Rendy explica que a mobilização é por melhores condições de saúde e saneamento. Entre os problemas listados por ela está a retirada de carros que possibilitavam levar pacientes para consultas ou emergência médicas, falta de combustível em veículos

que ainda estão nas comunidades e paralisação de obras de saneamento básico. “As comunidades estão com águas contaminadas, esgoto a céu aberto, banheiros caindo por falta de reforma, e eles [Sesai] não dão nenhuma assistência”, denuncia Tupã Rendy. Ela é da etnia Tupi Guarani, da Aldeia Piaçaguera, localizada em Peruíbe, Litoral Sul paulista, onde vivem cerca de 40 famílias. Segundo a liderança, por falta de abertura para o diálogo, as comunidades indígenas cobram a substituição da atual coordenação do DSEI Litoral Sul. “A gente quer uma pessoa que realmente tenha comprometimento com as comunidades indígenas, que

nos ouça e que vá até as bases ver como a gente está”. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde foi procurada, mas não respondeu aos pedidos de informação até o fechamento dessa matéria. Solidariedade entre ocupações Estudantes que ocupavam os prédios do complexo da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) prestam apoio à ocupação indígena desde a quinta-feira. No momento quando desocupavam os prédios, no dia 26, representantes das aldeias foram até o pátio da Reitoria para falar sobre a realidade em que vivem e os motivos da mobilização.

Greve na EBC Trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) mantém estado de greve até a assembleia prevista para 2 de dezembro. A chance de nova paralisação é possível. A EBC envolve jornalistas ligados à comunicação pública e tem sofrido uma série de ataques do governo Temer.

Cooperação? A Federação Única dos Petroleiros (FUP) recebeu com desconfiança a notícia do acordo de cooperação entre os governos de Michel Temer (PMDB) e da Noruega no setor de petróleo e gás. Por um lado, a troca de experiências é importante. De outro, o receio é de que o acordo seja pretexto para mais aquisição de poços de petróleo da estatal brasileira.

Novembro de luta Contra as medidas do Governo Michel Temer, as centrais sindicais organizaram paralisações e greves nos dias 11 e 25 do mês de novembro. E, no dia de votação da PEC 55 no Senado, enviaram à Brasília mais de 300 ônibus. As ação foram feitas em unidade com movimentos estudantis e populares e reuniram 30 mil pessoas ao todo.


4 | Cidades

Brasil de Fato PR

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

Feiras incentivam produção e consumo agroecológico A próxima feira será realizada no dia 2 de dezembro, em três bairros de Curitiba Por Franciele Petry Schramm, de Curitiba (PR)

O

dia 3 dezembro – lembrado como Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos – é também uma data para se discutir uma alimentação mais saudável: sem veneno e com variedade. Pensando na dificuldade que moradores de alguns bairros de Curitiba têm em acessar esse tipo de alimento, integrantes da

Cooperativa Terra Livre, da Lapa, passaram a comercializar produtos agroecológicos na capital paranaense. Desde outubro, a cada quinze dias, cerca de três mil quilos de frutas, verduras e legumes produzidos sem veneno e provindos da reforma agrária são vendidos em três bairros de Curitiba – a próxima feira será realizada no dia 2 de dezembro. Todos os alimentos são produzidos na Cooperativa Terra Livre, empreendimento dos mo-

radores do Assentamento Contestado. Sócio da Cooperativa, o produtor Antônio Capitani destaca a importância da comercialização desses produtos. “A feira é uma forma de ajudar na saúde do consumidor e a incentivar o produtor rural a produzir de uma forma mais saudável”. A partir do início de 2017, Cestas de Produtos Agroecológicos também poderão ser adquiridas.

STF decide que aborto até o terceiro mês não é crime Da Redação, de Curitiba (PR)

APOIADORES

Praticar aborto até o terceiro mês de gestação não é crime. É a decisão tomada pela maioria da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 29 de novembro. O voto é referente a um caso específico que vinha sendo julgado na Corte. Mas, como ocorre com as decisões do Supremo, a votação

pode influenciar outros casos e significar um avanço do debate sobre a descriminalização do aborto desde o início da gravidez. A interrupção da gravidez é autorizada a ocorrer no Brasil apenas quando a mulher é vítima de violência sexual, quando é comprovado que o feto é anencéfalo ou quando a gestação oferecer risco elevado para a saúde da mãe. Fora disso, é considerada crime com pena de um a três anos de detenção.

PRÓXIMAS DATAS | 2 e 18 de dezembro Ponto 1 Salão da Paróquia São Pedro Apóstolo à Rua Wladislau Dec, 1045, Xaxim Horário | 18h às 20h Ponto 2 Salão da Paróquia São José das Famílias, à Rua Dr. Levy Buquera, 150, Sítio

Cercado Horário | 16h às 18h Ponto 3 Associação Nossa Senhora do Pilar, à R. Jorge Simão (ao lado posto saúde Érico Veríssimo), Alto Boqueirão Horário | 16h às 18h

ONG Maria do Ingá

Wellington Lenon

Quem aborta? No Brasil, mais de 1 milhão de brasileiras entre 18 e 49 anos podem ter feito aborto ao menos uma vez, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015. Uma pesquisa nacional sobre o aborto, realizada pela Universidade de Brasília, em 2010, mostra que o perfil da mulher que aborta pode ser diferente do que se imagina: a maioria é casada, tem filhos, religião, pertence a todas as classes sociais.

PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Ocorre, no dia 10 de dezembro, das 9h às 13h, a 5ª edição da Pedalada pelo Fim da Violência Contra a Mulher, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). A atividade marca o Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres, 25 de novembro, que homenageia quatro irmãs brutalmente assassinadas em 1960, pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. Em Maringá (foto), a pedalada ocorreu no dia 27 de novembro.


R Brasil de Fato PR

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

5 | Cidades

Apesar da repressão, manifestações contra a PEC 55 continuam Violência do governo resultou em feridos. Um integrante de movimento social continua preso Mídia Ninja

Por Cristiane Sampaio, Rute Pina e Lilian Campelo, de Brasília (DF)

“A

PEC vai passar com Brasília tomada. Eles trancados lá dentro aprovando, e o povo na rua dizendo não”. Essa foi a previsão certeira da professora da Universidade Federal do Paraná, Monica Ribeiro, dita três dias antes de se formar um cenário de guerra em Brasília. O Senado aprovou, na noite do dia 29 de novembro, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que prevê o congelamento dos investimentos públicos federais por 20 anos. O resultado da votação foi 61 votos favoráveis à proposta e 14 contráformações apontam um manifesrios. O segundo turno deve ocorrer tante desaparecido um dia depois no dia 13 de dezembro. do ato. Várias pessoas ficaram feriEnquanto o plenário do Senadas. De acordo com União Naciodo discutia a votação, milhares de nal dos Estudantes (UNE), 21 estumanifestantes, de diversos estados dantes foram detidos pela PM. Um do país, fizeram um ato contra a militante de movimento social sePEC na Esplanada dos Ministérios gue preso até o fechamento desta e em frente ao Congresso Nacioedição. nal. A polícia afirAo longo do ma que o protesto ato, diversos parcontou com 10 mil ticipantes e mopessoas, mas a orvimentos denunganização estima ciaram as agresA próxima que o número tesões nas redes nha chegado a 30 sociais. O Brasil manifestação em mil. de Fato também Curitiba será na Só do Paraná, recebeu mani“domingueira”, no centrais sindicais festações de miestimam que uma dia 11 de dezembro, litantes criticancaravana de 30 do a ação das foràs 16h ônibus foi até Braças de segurança. sília, com estudan“Eles estão tendo tes secundaristas, uma reação comuniversitários, trabalhadores de pletamente desproporcional. Estão diversas categorias e de movimensendo usadas muitas bombas patos populares. ra dispersar a manifestação”, disse a professora universitária Glícia Agressões No começo da noite, Pontes, no final da tarde, quando a os agentes de segurança dispararepressão estava no auge. ram bombas de efeito moral contra a multidão, que se dispersou e Parlamentares “Não tinha nem recuou ao longo da Esplanada. Incomando pra fazer uma negocia-

ção com a gente. (…) Nunca vi uma agressividade tamanha na frente da Câmara, com cavalaria, com helicóptero, com muitas bombas de gás”, contou ao Brasil de Fato o deputado João Daniel (PT-SE), com os olhos visivelmente vermelhos em decorrência do gás lacrimogêneo. Ele conta que o grupo, com cerca de 20 parlamentares, não conseguiu acessar os manifestantes. Além dele, diversos outros parlamentares fizeram críticas à ação policial em discurso no plenário da Câmara e também nos bastidores. “Eu tentei sair pela frente do Congresso e não consegui. Depois tentei sair pela lateral e logo senti o gás. (…) Em seguida, voltei ao plenário para mostrar o que estava acontecendo”, narrou ao Brasil de Fato o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), acrescentando que a polícia lançou bombas de forma indiscriminada. “Jogaram diversas bombas, em cima do conjunto dos manifestantes, o que é um equívoco gravíssimo. Isso não pode acontecer”, criticou. Vale lembrar que havia jovens e adolescentes presentes no protesto. O parlamentar também repro-

vou a reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quando foi solicitada intervenção da instituição diante das agressões policiais. “Ele não deu atenção nenhuma, passou adiante, como se isso não fosse um problema dele, que é, de fato. (…) O parlamento está de costas pra sociedade. Se fosse um governo eleito, esses projetos deles nunca seriam aprovados”, afirmou Glauber Braga.

Colaborou Ednubia Ghisi

CURITIBA EM LUTA A próxima manifestação na capital paranaense será na “domingueira”, no dia 11 de dezembro, às 16h. O local de concentração será na Praça 19 de Dezembro, espaço tradicional entre as pessoas que se somam ao movimento contra a retirada de direitos pelo governo Temer e o congresso. Os atos têm sido mobilizados via redes sociais pela articulação CWB Contra Temer, que reúne uma diversidade de coletivos, movimentos, frentes e entidades em ações conjuntas de rua.


6 | Mundo

Brasil de Fato PR B

Paraná, 01 a 07 de dezembro de 2016

Despedida de Fidel reafirma planejamento socialista de Cuba Leandro Taques

Por Gibran Mendes, De Havana (Cuba)

A

té onde a vista alcança. Esta é a medida mais exata para definir a quantidade de pessoas que participaram na noite do dia 29 (terça) da cerimônia de despedida dos restos mortais de Fidel Castro Ruz, o comandante de Cuba. Além de milhares de pessoas que tomaram a Praça da Revolução, dezenas de chefes de estados e representantes de países de diversas partes do mundo compareceram para prestar a última reverência ao líder cubano. O movimento na praça era ininterrupto desde que as cinzas foram colocadas para visitação pública. Mas, ao longo do dia, o povo cubano começou a chegar para ocupar o espaço e garantir os melhores lugares possíveis para o último adeus na capital do país. Entre eles estava Viole-

ta Gonzales, de 63 anos, que carregava um cartaz com uma foto de Fidel. Mas qual o motivo desta idolatria? “Todos nós somos Fidel, ele é nosso pai. Nos ensinou a lutar pela nossa independência, nos ensinou a sermos solidários e humanos. Sem ele estaríamos como antes de 1959, com a exploração do homem sobre o homem, a prostituição e não teríamos saúde e educação. Nós, os negros, não teríamos direitos pois devemos isso a Fidel”, disse a senhora, com brilho

nos olhos antes de embargar a voz. Os 90 anos do comandante e a certeza de que tudo está planejado para que o país siga o rumo do socialismo, ditando o exemplo de uma sociedade que busca a igualdade entre os seus e os outros povos. Foi o que disse um membro do comitê esportivo que preferiu não ser identificado. Para ele, não há mudanças previstas para Cuba com a morte de Fidel. “Está tudo planejado”, garantiu. (Leia mais no site)

PRIMEIROS PASSOS DE FIDEL CASTRO 1926 Nasce em 13 de agosto, filho de Lina Ruiz e Ángel Castro. 1945 Inicia o curso de direito em Universidade de Havana. Atua no movimento estudantil cubano.

APOIADORES

1947 Envolve-se numa expedição

com o objetivo de derrubar o governo militar de Rafael Trujillo, na República Dominicana, também no Caribe. 1950 Forma-se em Direito e presta atendimento ao povo pobre. 1953 Quando a ditadura de Ful-

gêncio Batista endurece em Cuba, Fidel organiza um ataque militar para tomar o Quartel Moncada, ao lado de 163 combatentes. Preso, é condenado a 15 anos. 1955 É anistiado e se exila no México, onde forma o Movimento 26 de julho. Conhece no país Ernes-

to “Che” Guevara, que iria segui -lo na embarcação a Cuba. 1959 O Movimento 26 de julho toma o poder em Cuba, apoiado por camponeses e pelo povo das cidades, por melhores condições de vida e distribuição de terras no campo.


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7 | 7Cultura | Cultur

CULTURA E GÊNERO | Por Anna Carolina Azevedo

O poder das mulheres do Rap Arquivo Pessoal

Tássia Reis, Janine Mathias e Karol Conka ressaltam a representatividade feminina Julio Garrido

O empoderamento feminino é pauta necessária e, por bem, tem se estendido por várias instâncias da sociedade. Somos quase 105 milhões de brasileiras, mas nossa representatividade em alguns setores ainda é pequena. O universo hip hop, até pouco tempo predominantemente masculino, tem se aberto cada vez mais à atuação das mulheres. Hoje, são muitas as artistas que se apresentam em eventos de rap, breaking e graffiti, fazendo valer o lugar que nos cabe como maioria dos habitantes do país. No último mês, Tássia

Reis, Janine Mathias e Karol Conka se reuniram em Curitiba para apresentar um espetáculo inédito que, além da proposta musical, trouxe à cena a força das mulheres do rap no contexto artísti-

co brasileiro. As cantoras possuem um trabalho consistente, aclamado por público e crítica. A curitibana Conka, idealizadora da proposta, convidou suas colegas de ritmo e

poesia para criar uma bemvinda parceria musical. Juntas, compuseram uma nova canção, registro da união para além dos shows. “Se tem protagonismo, tem coletividade”, cantam as rappers, ressaltando a relevância da periferia e da mulher num Brasil de preconceitos sociais, raciais e de gênero. Além da apresentação gratuita no palco da Boca Maldita, o itinerário da mini-turnê passou pelo Teatro do Paiol e pelas regionais Cajuru e Boqueirão, em concertos exclusivos voltados a estudantes da rede pública. No entanto, a mobilização pouco eficaz nas

comunidades comprometeu a abrangência dos eventos. Realizado no Alto Boqueirão, bairro em que Conka passou a infância e a adolescência, um dos shows contou com um público muito aquém do grau de alcance do projeto. O antigo reduto na região sul guarda marcas da vivência da cantora: ali estão amigos, colegas de colégio, vizinhos e a própria família. Merecia, pois, mais prestígio ao trabalho artístico da ex-moradora mais famosa, que está conquistando o mundo com sua mensagem de empoderamento e que continua citando o Boqueirão em suas rimas.

AGENDA 0800

E La Nave Va

Curta Criança 3

O quê: Junho de 1914. O navio Gloria N. deixa Nápoles levando as cinzas da cantora lírica grega Edmea Tutea, que serão jogadas no mar da Grécia. Entre os passageiros estão diversos artistas e nobres, de vários países. Durante a viagem o navio acolhe refugiados sérvios, e os problemas começam. A ficção dirigida por Federico Fellini é uma co-produção entre Itália e França, de 1983. Quando: 6 e 7 de dezembro, às 19h Onde: Cinemateca de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174, São Francisco Quanto: 0800

O quê: Sete curtasmetragens brasileiros voltados especialmente para a criançada. Entre os filmes estão “O Avô do Jacaré”, “O Farol de Santo Agostinho” e “Contatos Siderais Antes do Colegial Quando: 6 a 9, de 11 a 16, de 20 a 23 e de 27 a 30 de dezembro, sempre às 16h Onde: Cine Guarani – Portão Cultural, Av. República Argentina, 3430, Portão Quanto: 0800

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Gibi em retrospectiva e exposição

Nada é Imagem, Nada é Mirage

O quê: O grupo Urban Sketchers Curitiba apresenta seus melhores trabalhos, resultado de um ano e meio de produção todos os sábados, em algum lugar da cidade. São retratos das paisagens, da arquitetura, das histórias e das pessoas de Curitiba. A mostra traz os trabalhos de 19 desenhistas do grupo, sob curadoria de Simon Taylor Quando: até 5 de fevereiro, de terça a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 18h Onde: Gibiteca de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Solar do Barão, Centro Quanto: 0800

O quê: A artista Maria Baptista propõe uma reflexão sobre o Abismo, a partir de imersões nas paisagens planálticas da Chapada Diamantina, na Bahia, e dos Campos Gerais do Paraná. As obras revelam um entrecruzamento da experiência com a imagem e a palavra Quando: Até 4 de dezembro, de terça a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h, e sábado e domingo das 12h às 18 Onde: Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Solar do Barão, Centro Quanto: 0800

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8 | Esportes

Brasil de Fato PR

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LUTO | Homenagem à Chapecoense

ATLÉTICO | Por Roger Pereira

PARANÁ | Por Manolo Ramires

Não fosse a tragédia

Adeus, Caio Júnior

A coluna desta edição era para ser comemorativa. Para elogiar as duas últimas atuações do Atlético e vislumbrar a chance de voltar a sonhar em conquistar a América. Sonho que esteve bem próximo de virar realidade para nossos vizinhos da Chapecoense, que com um elenco humilde e um investimento infinitamente inferior ao dos “grandes”, aposta no trabalho sério, no planejamento e na identificação com sua cidade para alcançar resultados surpreendentes e empolgar um país inteiro. Curitiba preparava uma grande festa para receber a Chape na decisão da Sulamericana. O dia 7 de dezembro ia ficar marcado para a história do amor ao futebol em nossa cidade, com atleticanos, coxas-brancas e paranistas deixando de lado a rivalidade para torcerem juntos pela façanha dos nossos vizinhos. A tragédia nos tirou essa chance, mas as manifestações de solidariedade que a sucederam nos dão esperanças em seguir sonhando com a união pelo esporte. Que o exemplo da boa gestão, planejamento e do trabalho em equipe fique eternizado e que as famílias encontrem conforto ao lembrar das histórias deste grupo campeão.

2016 é um ano trágico em todos os sentidos. Para o Paraná Clube não foi diferente. Além de não conquistar o acesso à Série A, correu o risco de ir para C. O ano inesquecível vai terminando com a perda de Caio Jr., na tragédia que vitimou quase todo o time da Chapecoense. Em nota oficial, o Paraná Clube destacou seus dois gols anotados no pentacampeonato de 1997. Caio Jr ainda foi responsável por conquistar a vaga à Libertadores de 2007 como treinador. Ele será lembrado por momento único no futebol brasileiro, mundial e em nossa sociedade. A tragédia que vitimou 71 pessoas fez com que o Atlético Nacional (Colômbia) abrisse mão do título da Sulamericana, adiou a fi nal da Copa do Brasil e a última rodada do Brasileirão. De pronto, fez com que os times oferecessem um atleta sem custos e ainda anistia de três anos para rebaixamento. Ainda venceu a solidariedade entre as torcidas. A morte de Caio concedeu “três pontos” à nossa humanidade neste campeonato em que o individualismo, o egoísmo e o clubismo têm vencido, infelizmente.

CORITIBA Por Cesar Caldas

A dor não tem cor O Coritiba cedeu o estádio do Alto da Glória para que os alviverdes Chapecoense e Nacional de Medellín decidissem a Copa Sul-Americana em dezembro. Todo o mundo do futebol, contudo, foi tomado por imensa e pesarosa consternação pelo acidente aéreo que ceifou a vida de 71 pessoas na Colômbia, em 29 de novembro. Dentre as vítimas fatais, há três profissionais que já vestiram a camisa Coxa: o lateral Dener e os volantes Gil e Sérgio Manoel. Ao co-irmão de Chapecó, que perdeu jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes e funcionários, o clube expressou condolências que não se resumem a palavras, mas se traduzem em auxílio efetivo. Com outros clubes de distintas cores, propôs ceder atletas e manter a Chape na Série A pelas próximas três temporadas, independentemente de resultados em campo. Nada é capaz de aplacar a dor desse momento, mas toda solidariedade é necessária.

Clubes paranaenses buscam acabar com a síndrome do patinho feio tadores da América, desbancando muitos clubes intitulados de “grandes”. Isto só está sendo possível porque a diretoria atleticana criou um ode não ser a evolução tanto alambiente favorável para o time que, mejada pelos torcedores do Copor sua vez, empolgou a torcida, que ritiba e do Atlético. Mas já é algo. A “comprou a briga” e passou a levar dupla paranaense que disputa a elium bom número de torcedores ao te do futebol brasileiro está deixanseu estádio, que do de lado a síntem sido um difedrome do patinho rencial. Para cafeio, em que fazia rimbar de vez o apenas o papel de passaporte para figurante, e está Dupla Atletiba quer esta competição, passando a mirar participar mais vezes o Atlético depene marcar presença de apenas de si. nos torneios conde competições O último jogo do tinentais. internacionais ano será contra o Com uma Flamengo, em cacampanha boa no sa. Brasileiro, o rubro O Coxa, embora tenha desperdi-negro, atualmente na quinta coloçado uma grande oportunidade ao cação, está praticamente com as duperder em casa para o Vitória, ainda as mãos em uma vaga para a Liber-

Divulgação

Por Flávio Augusto Laginski, Curitiba (PR)

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tem chances para entrar no grupo que vai para a Sul-Americana. Contudo, o alviverde precisaria de uma combinação de resultados para obter este feito O erro do Coritiba foi insistir em técnicos com péssimo histórico e sem muita experiência. Somente com a chegada de Paulo César Carpegiani é que as coisas passaram a melhorar pelos lados do Alto da Glória. Se a vaga não vier, ao menos o torcedor tem esperança de um 2017

melhor, pois a diretoria Coxa Branca confirmou o atual treinador no comando técnico do clube. O Coritiba se despede dos gramados contra a Ponte Preta, em Campinas. É fato de que a dupla Atletiba ainda precisa de muito chão para marcar mais presença nestas competições e até mesmo lutar por títulos nacionais e internacionais. Entretanto os torcedores destas agremiações podem, ao menos, sonhar com dias melhores.


Brasil de Fato PR - Edição 22