Brasil de Fato PR - Edição 231

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2 de outubro: Fora Bolsonaro Mais de 200 cidades no Brasil e no exterior já programaram atos Fora Bolsonaro para o sábado, dia 2. Em Curitiba, a concentração começa às 15h, na Praça Santos Andrade. No Paraná, há manifestações marcadas também em Cascavel, Cornélio Procópio, Foz do Iguaçu, Londrina e Maringá.

Giorgia Prates

PARANÁ

Ano 5

Edição 231

30 de setembro a 6 de outubro de 2021

distribuição gratuita

www.brasildefatopr.com.br Giorgia Prates

O pior governo do Brasil Edição especial do Brasil de Fato Paraná mostra como o país piorou na saúde, na economia, no desemprego e em outros setores com Bolsonaro. Cerca de 600 mil mortos e volta da miséria e da fome marcam o período

Porém | p. 3

Brasil | p. Editorial | p.6 2

Direitos | p. 6

Sabia e não fez nada

Lista de bizarrices

Ele não passará

Plano de governo de Bolsonaro previa chance de apagão

Três anos de Bolsonaro é contagem de crimes contra o Brasil

Movimentos populares são trincheira contra ataques do governo


Brasil de Fato PR 2 Opinião EDITORIAL

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Brasil de Fato PR

Paraná, 30 de setembro a 3 de outubro de 2021

Mil dias de caos

milhões de famintos. 596 mil mortos por Covid-19. 14 milhões de desempregados. 51% de aumento do desmatamento. Inflação de 17% nos alimentos. 1358 novos agrotóxicos. 17 empresas estatais lucrativas privatizadas. Em 1003 dias de governo Bolsonaro, quem não tem motivos para comemorar é o povo brasileiro. A semana que marca o aniversário do governo iniciou já com o anúncio do próprio presidente: “nada é tão ruim que não possa piorar”. Atestando sua incapacidade de comandar o país, Bolsonaro deu partida em sua campanha eleitoral para

É por emprego decente, em favor da vida, da renda, contra a fome, a carestia e a reforma administrativa que se busca unidade 2022, com mais previsões pessimistas: apagões na rede elétrica, elevação da inflação e aumento do preço do dólar. Tais fatores encarecem ainda mais os produtos básicos

de consumo nacional como o gás, a gasolina e os alimentos, aumentando a pobreza. Sem regulação, torna-se lucrativo para a elite entreguista exportar tais insumos ou produtos e não abastecer o povo da própria nação. É por emprego decente, em favor da vida, da renda, contra a fome, a carestia e a reforma administrativa, que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, a Frente Nacional ‘Fora, Bolsonaro’ e partidos políticos, buscam unidade. No sábado, 2 de outubro, centenas de cidades brasileiras agitarão suas diversas bandeiras com o mesmo objetivo: impeachment já!

SEMANA

A educação e o futuro do país na mira 12 OPINIÃO

Claudia Regina Baukat Silveira Moreira,

doutora em Educação, professora e pesquisadora do Núcleo de Políticas Educacionais da UFPR

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m 2014, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que instituiu o Plano Nacional de Educação, PNE. Até 2024, o Brasil havia assumido o compromisso de cumprir 20 metas para ampliar a garantia do direito à educação. O MEC é o responsável por articular, com governos estaduais e municipais, a implementação do PNE. Havia a Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino, Sase, para garantir que o PNE saísse do papel. Uma das poucas iniciativas do governo Bolsonaro foi extinguir a Sase em 2019. O recado claro: o PNE, construído com ampla participação, seria abandonado. Grande parte dos estados e municípios seguiu essa orientação e abandonou seus planos – Curitiba e o Paraná são exemplos. Outros retrocessos acontecem. A implementação da Base Nacional Comum Curricular, BNCC, tem sido impulsionada por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Os últimos editais têm submetido a produção de material didático à estreiteza da concepção da

base, tolhendo a autonomia das redes de ensino e das escolas. O mesmo acontece com a Política Nacional de Alfabetização, que resgata de um passado remoto o método fônico, desconsiderando décadas de pesquisas e práticas. O que dizer então do Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares? As inúmeras denúncias de abusos e violações de direitos corroboram a avaliação de especialistas de que se trata de um modelo destinado ao fracasso. E mais. Nos últimos anos, o orçamento federal para manter as universidades só vem caindo. Eram R$ 9,7 bilhões em 2016. Para este ano, está previsto pouco mais de 4,6 bilhões. Queda de 19,18% em relação a 2020 e de 51,46% comparado a 2016. Essa redução compromete o atendimento à população, prejudica as condições necessárias para os professores ensinarem e, estudantes, aprenderem, além de inviabilizar pesquisas. A defesa da universidade e da educação é uma luta de toda a sociedade.

EXPEDIENTE O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 231 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas, Gabriel Carriconde e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO André de Souza, Claudia Regina Baukat Silveira Moreira e Kamila Miott ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Douglas Gasparin Arruda REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com


Brasil de Fato PR

Paraná, 30 de setembro a 3 de outubro de 2021

Brasil de Fato PR Geral

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FRASE DA SEMANA COLUNA DA

JUVENTUDE

Lições do passado, lições atuais Em 3 de outubro, a Petrobras completará 68 anos. Fruto de históricas lutas, sua mensagem é que a soberania nacional é um caminho mais sólido de conquista de direitos que parcela significativa da população jamais conheceria se não fosse defendida. Lembremos das tantas campanhas de destinação dos recursos públicos e do Pré-Sal para a Educação. Há um poema de Brecht sobre as consequências de não participar da política, de não ter posição perante injustiças. São consequências vistas na juventude. Crises que milhões de jovens sentem. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) demonstram que desde 2018 a população brasileira usa mais o fogão à lenha, e a situação vem se agravando. Isso causa incômodo, são decisões a favor de uma pequena parcela, a que lucra, e não a que sofre os impactos. A Unicef também mostra a catastrófica evasão escolar e as transformações nos lares brasileiros pelo aumento do custo de vida, e com trabalhos degradantes e mal remunerados. Comida, luz, água e o transporte também sobem. Nas lutas populares, a juventude se destaca e traduz as mensagens da sociedade. Para o que está à nossa frente, os desafios continuam, e é possível construir um novo amanhã com fora Bolsonaro, energia, comida e água a preços justos e com dignidade. André de Souza, educador popular da Assesoar e militante do Levante Popular da Juventude Kamila Miott, acadêmica de psicologia e militante do Levante Popular da Juventude

“1000 dias de governo Bolsonaro e o que vimos foi o povo trocando a carne pelo frango, o frango pelo ovo, o ovo pelo osso” Disse o senador Rogério Carvalho (PT) no Twitter. E complementou: “O que vimos, foi uma população inteira voltar para o mapa da fome. Vimos o governo trocar vacina por propina, negar a ciência, apostar na morte.

Leopoldo Silva | Agência Senado

NOTAS BDF

Por Frédi Vasconcelos

Palco pra maluco

Pagamento à saúde

A CPI da pandemia ouviu na quarta, 29, o empresário bolsonarista e dono das Lojas Havan, Luciano Hang. Em meio a muitas discussões, confusões e discursos negacionistas, ficou clara pelo menos uma grande irregularidade. Hang confirmou que sua mãe foi internada na rede Prevent Senior com Covid, tomou remédios do chamado “kit Covid”, como a cloroquina, e teve sua certidão de óbito adulterada, com a omissão da doença.

Na terça (28), a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) enviou requerimento ao secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, solicitando o pagamento da data-base dos profissionais da saúde no estado. O pagamento está atrasado há mais de cinco anos e as perdas já ultrapassam o índice de 25,44%. “Vale lembrar que os servidores da Saúde vêm trabalhando com sobrecarga de atividades há praticamente dois anos também em função da pandemia”, disse a deputada.

Deboche Ao falar da morte da mãe, Hang disse que os senadores “foram levados ao erro” e que o prontuário dela não foi alterado e, se não houve menção à Covid-19 no obituário, foi “um erro do plantonista”. “Ela adentrou ao hospital com Covid-19 e o prontuário mostra que ela saiu de lá com Covid-19.” O depoimento teve diversas intervenções da base bolsonarista no Senado, inclusive com rara participação do fi lho do presidente, Flávio Bolsonaro.

Volta da fome Capa do jornal Extra de quarta-feira, 29, mostra a volta do fome com depoimentos chocantes da realidade vivida no Rio de Janeiro. Há relatos de pessoas que fazem fila para pegar pelancas e ossos recolhidos por um caminhão em supermercados. Uma delas, Vanessa Avelino de Souza, que mora nas ruas da cidade, diz ao jornal que, com paciência, separa pelanca por pelanca, osso por osso em busca de algo melhor para pôr na sacola e levar para comer.

Plano de Governo de Bolsonaro previu apagão “se nada fosse feito” O Brasil está muito perto de ter apagões. A crise hídrica e a falta de planejamento são os principais fatores para que isso possa acontecer e o governo Bolsonaro sabia disso. Há três anos, no Plano de Governo, o tópico “energia” previa a possibilidade. “Caso nada seja feito, o setor de energia será novamente um gargalo ao crescimento econômico no início da próxima década. Crescendo de 3% a 4% ao ano, chegaremos em 2021-22 dependentes da geração termelétrica a óleo e carvão, elevando preços e ocorrências de blecautes (apagões)”, diz o plano na página 71. Bolsonaro, em lugar de buscar geração de energia limpa, tentou aprovar o aumento do uso de termelétricas e usinas de carvão. Já em agosto, o documento ‘Detalhamento do Programa para Uso Sustentável do Carvão Mineral’ prevê a expansão do sistema e uma continuação do uso de termelétricas a carvão até 2050. O que o governo não previu é a estagnação da economia, com crescimento de 1,2% em 2021, -4,1% em 2020 e apenas 1,1% em 2019. Outra previsão que Bolsonaro não acertou é em relação ao preço da energia cobrada aos consumidores. Pelo contrário, a alta dos preços aumenta apenas a rentabilidade dos acionistas privados.


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Paraná, 30 de setembro a 6 de outubro de 2021

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Paraná, 30 de setembro a 6 de outubro de 2021

Especial

Brasil piora com Bolsonaro País é o segundo país com mais mortes por Covid no mundo. Preços de alimentos, combustíveis e gás vão às alturas. Renda do trabalhador cai e aumenta o desemprego e a fome. Dólar estoura e ajuda a levar a inflação para perto de 10% ao ano Redação

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esde o início do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019, o Brasil vem piorando em praticamente todos os setores. Se a pandemia é responsável por alguns desses problemas, a falta de ação (e erros) do governo transformaram o Brasil no segundo país com mais mortes por Covid-19 no mundo, num dos que a economia menos cresce, onde o desemprego e a fome aumentam. Áreas como saúde e educação também são abandonadas. E o presidente ainda diz que o que está ruim ainda pode piorar. Confira abaixo alguns dos setores que mais sofreram no atual mandato presidencial. Reprodução

Pior inflação desde 1994 Segundo o IBGE, a prévia da inflação do mês de setembro deste ano é a maior desde o Plano Real, em 1994. O IPCA-15 foi de 1,14%. No ano, a alta é de 7,02%, e nos últimos 12 meses já ultrapassa os dois dígitos (10,05%). Principalmente pelo aumento em itens como gasolina, alimentos e energia elétrica. Em outro índice, o IPCA, a previsão é fechar o ano em 8,45%, segundo estimativas do Boletim Focus, do Banco Central (BC). Números que ainda podem piorar se continuar a atual tendência de aumento de preços.

Cesta básica fora da mesa

Dólar descontrolado Apesar do discurso de que iria consertar a economia, o governo Bolsonaro é responsável pelo estouro do preço do dólar, que tem impacto na inflação. Quando assumiu, em janeiro de 2019, eram necessários 3,18 reais para comprar a moeda americana. Hoje, são cerca de 5,40 reais. O que encarece combustíveis e a comida, já que o agronegócio prefere exportar em dólar que vender aqui produtos como carne e deixa o mercado interno com problemas de abastecimento.

O valor médio de produtos da cesta básica saltou para quase 670 reais, cerca de 65% da renda média do trabalhador brasileiro, de acordo o Dieese. O famoso PF, por exemplo, ou prato feito, com arroz, feijão, carne e salada, teve um aumento de quase 23% em um ano, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. O arroz aumentou 37% e, a carne, 32%, em doze meses.

Falta de dinheiro na educação

Floresta queima Com Bolsonaro, as queimadas aumentaram para os maiores índices da história. No ano passado, o Brasil teve o maior número de focos de queimadas em uma década, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrando 222.798 focos, contra 197.632 em 2019, um aumento de 12,7%. O presidente teve seu ministro anterior da pasta, Ricardo Salles, envolvido em escândalos de corrupção envolvendo venda ilegal de madeira, chegando a ser investigado pelo FBI.

O Brasil está no grupo de países que não aumentaram os recursos para educação em meio à pandemia. Segundo o relatório Education at a Glance 2021, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país gastava, em 2018, 4% do seu PIB com a área, e mesmo com a pandemia, e o desafio de adaptar as escolas ao modelo híbrido, manteve o mesmo patamar de investimento de 2018. Só no primeiro ano da pandemia, cerca de 172 mil estudantes deixaram a escola no Brasil, aumento de 12%, como aponta o relatório do Banco Interamericano do Desenvolvimento. O impacto também é sentido nas universidades federais, sendo que 30 das 69 afirmam não ter dinheiro para fechar o ano.

600 mil mortes na pandemia O Brasil é o segundo país do mundo em que mais morreram pessoas por conta da pandemia, com cerca de 600 mil óbitos, ficando atrás apenas dos EUA. Desrespeito ao isolamento social, demora para comprar vacina e incentivo a remédios que não funcionam, como a cloroquina, estão por trás da atuação do presidente e de seus ministros da saúde nesse desastre.

Sem dinheiro para água e luz

Giorgia Prates

Miséria e fome voltam A renda do brasileiro despencou, sendo a menor desde 2017. De acordo com a PNAD, do IBGE, neste trimestre a renda média do trabalhador ficou em 2.433 reais. Com o fim da política de valorização do salário-mínimo que vigorou entre 2011 e 2019, e a inflação alta, a queda na renda ficou em 9%, de acordo com a FGV, e só não foi maior por conta do auxílio emergencial durante a pandemia. O desemprego também aumentou de 11 milhões no último trimestre de 2018 para a casa dos 14 milhões de pessoas sem trabalho. E teve e volta da fome. O relatório mais recente da Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta que 23,5% da população brasileira tenha vivenciado insegurança alimentar moderada ou severa entre 2018 e 2020.

Além do racionamento de água, risco de apagão na energia elétrica, os preços das contas não param de subir. Na luz, a sobretaxa pela bandeira vermelha foi aumentada em cerca de 50%, com o valor médio de 14 reais pelo kWh. Mas os aumentos já vinham de antes, segundo números levantados pelo Dieese. No Paraná, nos últimos cinco anos, de junho de 2016 a julho de 2021, a energia elétrica subiu 49,55%, com inflação de 22,98%. Aumento real de 21,61%. Na água, de abril de 2016 a abril de 2021, a conta subiu 47,47% para uma inflação de 23,45%, aumento real de 19,46%.

Gasolina e gás nas alturas A gasolina já passou de R$ 7 em regiões do país, com a política de reajustes no preço dos combustíveis feita pela Petrobras. Em mil dias de gestão Bolsonaro, o valor da gasolina saiu, na média, de 4,26 para 5,92. Já o gás de cozinha pulou de R$ 69, em 2019, para mais de 100 reais atuais, variação de cerca de 45%.

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Brasil de Fato PR 6 Direitos

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Ele não passará!

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Diversos setores da sociedade resistem em 2021 contra as políticas de Bolsonaro Giorgia Prates

Giorgia Prates e Pedro Carrano Movimento indígena Desconsiderando o direito histórico de acesso às terras dos povos originários, em 2021 os setores ruralistas e o governo Bolsonaro tentaram aprovar o chamado Marco Temporal, que reconhece apenas as demarcações de terras indígenas a partir de 1988. Os povos indígenas ocuparam Brasília na mesma semana que Bolsonaro convocou manifestações golpistas, no 7 de setembro. Mesmo sob ameaças, realizaram a II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas. A tese do Marco ainda está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A resistência indígena acontece da Amazônia ao Paraná, onde as famílias dos povos kaingang e guarani nhandewa, acampados na Floresta Estadual de Piraquara (PR), conquistaram autorização do Estado para permanecer no local. Lutas LGBTQIA+ O Brasil é um dos países que mais discrimina e mata pessoas LGBTs no mundo, resultado de um governo que tem o preconceito como pauta. Levantamento, em 2020, do grupo Acontece Arte e Política LGBTQIA+ e Grupo Gay da Bahia, aponta 237 mortes violentas de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Em São João do Triunfo (PR), 2021 foi marcado pelo assassinato do educador, jovem, camponês, gay, Lindolfo Kosmaski, que teve o corpo carbonizado. O que gerou repercussão e atos públicos em todo o estado. Movimento Negro Em Curitiba e por todo o país a luta do movimento negro se deu em vários espaços. No parlamento, nas ruas, nos bairros, questionando o impacto da atual crise

e a ausência de políticas para a população negra, uma vez que o que se vê é a violência do Estado e da polícia contra essa população. Diante disso, ocorreram vários atos no Paraná. No 2 de setembro, uma gama ampla de entidades entregou para a Prefeitura de Curitiba documento posicionando-se contra o racismo presente nas práticas da Guarda Municipal – a partir dos casos de prisão e violência contra o vereador Renato Freitas (PT). Atos reivindicando políticas públicas foram feitos pela Coalizão Negra por Direitos. E, ainda, o projeto de cotas étnico-raciais para o serviço público em Curitiba, proposto pela vereadora Carol Dartora (PT) foi tema de enfrentamento na Câmara de Curitiba. Lutas feministas Ao lado das lutas do 8 de março e do Julho das Pretas, mulheres resistem no dia a dia contra as políticas do governo Bolsonaro, que deixou de usar um terço do Giorgia Prates

orçamento autorizado para políticas voltadas para mulheres, tanto na área de combate à violência, quanto em políticas de saúde, de acordo com o site Azmina.com.br. Lutas operárias e a resistência na Repar No Brasil, 28% das greves no primeiro semestre se deveram às condições sanitárias com a Covid-19. Os trabalhadores da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar – parte do sistema Petrobras) decidiram entrar em greve devido à recusa da suspensão da parada de manutenção da unidade, procedimento que envolve mais dois mil empregados, causando riscos de morte que se confirmaram. De 366 greves, 92% ocorreram por manutenção de direitos sob risco e exigindo os equipamentos necessários de proteção. Giorgia Prates

Direito à moradia A crise empurra as pessoas a deixar o aluguel e buscar áreas de ocupação. Entre 2020 e 2021, várias novas ocupações surgiram em Curitiba. Caso das áreas Nova Guaporé 2, Jardim Veneza, Nova Esperança e Vila União. Apesar da tentativa de Bolsonaro de vetar a orientação de não haver despejos forçados na pandemia, os tribunais do Paraná e a Defensoria Pública do Paraná reforçaram, em cada área citada, a orientação de não deixar as pessoas sem alternativa de moradia.

Giorgia Prates


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Para artistas paranaenses, Bolsonaro atua para acabar com a cultura Censura, gestores desqualificados, cortes orçamentários e extinção de ministério marcam a gestão Ana Carolina Caldas

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svaziamento da pasta de cultura, extinção do Ministério da Cultura, desmonte da Agência Nacional de Cinema, Ancine, acusações de censura, citações nazistas, alusão à ditadura militar, troca de gestores, moral religiosa para escolha de projetos a serem financiados são algumas marcas da gestão da cultura do governo Bolsonaro, considerada pelos artistas ouvidos pelo BdF Paraná a pior das últimas décadas. Com uma medida provisória, em 2 de janeiro de 2019, Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura. O conjunto de competências e órgãos articulados e dinamizados pelo MinC em parte foi distribuído para outros ministérios, outra parte acabou extinta. A Secretaria Especial de Cultura está

no Ministério do Turismo, e entre suas funções está assessorar “o ministro do Turismo na formulação de políticas, programas, projetos e ações que promovam o turismo por meio da cultura”, conforme site oficial do órgão. Além do esvaziamento, a troca de gestores foi marcada por pronunciamentos absurdos. Roberto Alvim protagonizou talvez o episódio mais emblemático de uma pessoa à frente da Secretaria. Reproduziu parte de discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista, ao lançar o Prêmio Nacional das Artes. Ele foi substituído pela atriz Regina Duarte em março de 2020. Ela não conseguiu encaminhar nenhuma ação e, em uma entrevista à CNN Brasil, minimizou as mortes por

Covid-19 e tentou atenuar a ditadura e suas práticas de tortura. Após sua saída, assume o posto o ator do programa global “Malhação”, Mário Frias, que foi denunciado por trabalhar armado e ameaçar funcionários do MinC. Em sua gestão, um festival de jazz a ser realizado na Bahia teve captação de recursos pela Lei Rouanet negada. No parecer, é justificada a recusa como “desvio de objeto e risco à malversação do recurso público”. No documento, afirma-se que “o objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e a renovação da alma”. O Brasil de Fato Paraná ouviu opiniões e análises de artistas paranaenses sobre o governo Bolsonaro e a cultura. Veja algumas delas:

Alvo de ataques “Bolsonaro já deixava claro seu projeto de ataque aos artistas antes mesmo de chegar ao poder. Durante a campanha eleitoral, elegeu artistas e Divulgação professores como alvos preferenciais de seus ataques. Isso se materializou em seu governo de uma forma ainda pior do que imaginávamos”. Adriano Esturilho

presidente do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Paraná

Projeto de desmonte

“Eu cito algumas frases do próprio presidente que já explicam esse projeto. Quando houve o incêndio da Cinemateca ele disse “tá, e daí, querem que eu faça o quê?” Outra frase “se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine”, se referindo à censura em filmes, entre outras falas que expressam os ataques à cultura”. “Se antes tínhamos à frente da Cultura nomes como Juca Ferreira, Gilberto Gil e Ana de Holanda, que ampliaram as políticas para as diversas expressões culturais, agora temos só o desejo de silenciamento da cultura brasileira. Mas os artistas reagem. Mesmo com milhões de trabalhadores da cultura desempregados, fizemos muita pressão e conseguimos aprovar a Lei Aldir Blanc, proposta pela deputada Benedita, e que garantiu auxílio emergencial a estes”.

“A começar pela extinção do Ministério da Cultura, depois as sucessivas indicações de pessoas desqualificadas para a pasta, paralisação de Duda Dalzoto uma série de políticas publicas de cultura, abandono da Cinemateca com consequências terríveis, como o incêndio, que recentemente destruiu parte do acervo do cinema nacional. A única política implementada por este governo é a perseguição aos fazedores de cultura. Estamos vivendo um verdadeiro desastre”.

Nena Inoue

Aly Muritiba

Acabar com políticas públicas na cultura

atriz paranaense premiada com o Premio Shell em 2019

Elenize Desgenieski

premiado como o melhor filme no Festival de Gramado


Brasil de Fato PR 8 Especial

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Paraná, 30 de setembro a 3 de outubro de 2021

As mentiras que contaram (e contam) para você Umas das principais estratégias dos grupos bolsonaristas é divulgar fake news em sites, redes sociais e até mesmo em discursos do presidente uem nunca ouviu falar de “Mamadeira de Piroca”? Tem muita gente que garante ter visto e muitos foram influenciados nas eleições de 2018 por mentiras divulgadas em sites e redes sociais. Ou até mesmo em

discursos e “lives” do presidente. E a prática continua nos últimos anos, mesmo em plena pandemia, levando as pessoas a acreditarem em informações falsas e preconceituosas. Veja algumas delas desmentidas por agências de checagem de dados e pela redação do BdF-PR.

Reprodução

Reprodução

Frédi Vasconcelos

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Manifestação de 7 de setembro

Corrupção no governo

“No último 7 de setembro, data da nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas na maior manifestação de nossa história” (Bolsonaro, em discurso na ONU)

“Estamos há dois anos e oito meses sem qualquer caso concreto de corrupção” (Bolsonaro, em discurso na ONU)

Para a Agência Lupa a afirmação é falsa. A agência descreve que em São Paulo, no 7 de setembro, foi estimado pela PM público de 125 manifestantes. Muito menor que em outras manifestações. Em Brasília, foram cerca de 105 mil pessoas. Só para lembrar, as manifestações por Diretas Já reuniram milhões de pessoas em diversas capitais do país. Mesmo os atos Fora Bolsonaro, como o de 2 de outubro, reúnem pessoas em mais cidades e estados.

Foras os escândalos das “rachadinhas” e compra de mansões sem recursos declarados para isso por parentes de Bolsonaro, para a Agência Lupa a fala do presidente é falsa. Há denúncias de irregularidades desde janeiro de 2019, que já levaram ao cancelamento de contratos para a compra de laptops para escolas públicas e para a aquisição de vacinas contra a Covid-19, à exoneração de um diretor do Ministério da Saúde suspeito de cobrar propina e ao afastamento do vicelíder do governo no Senado, flagrado pela Polícia Federal com dinheiro na cueca.

Vacina em jovens

Capa do Washington Post com Bolsonaro

Há diversos vídeos nas redes sociais atribuindo a mortes de jovens à vacinação contra a Covid. Em um deles, segundo o G1, uma mulher afirma que três irmãos, de 13, 16 e 18 anos, morreram depois de receber a CoronaVac. Segundo o site, “No vídeo, a mulher não dá o nome de nenhuma das vítimas, só diz que são filhos de uma amiga sua.” O Instituto Butantan nega que isso tenha acontecido e afirma que menores de idade nem sequer podem participar dos testes com a vacina. Informa ainda que nenhum voluntário apresentou reações adversas ao imunizante até o momento.

“O melhor presidente brasileiro da história” (Capa de jornal falsa que circula na internet)

Reprodução

Segundo a Agência Lupa, há nas redes sociais uma falsa capa do jornal norteamericano The Washington Post, que teria publicado que Jair Bolsonaro (sem partido) seria “O melhor presidente brasileiro da história” após seu discurso na ONU. Essa capa nunca existiu. Diz a Lupa, que entre a data do discurso de Jair Bolsonaro na ONU e a data da publicação do post o jornal The Washington Post não publicou nenhuma capa em que constavam elogios ao brasileiro na manchete. Reprodução

Urnas fraudadas Outra mensagem falsa que circula é que “80% das urnas eletrônicas do Brasil estão fraudadas. Mentira que teria sido passada em vídeo do cantor Eduardo Costa. Para a agência de checagem a informação também é falsa. “Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nenhuma fraude foi comprovada em 24 anos de uso do equipamento. Além disso, a Polícia Federal não encontrou registros de investigações sobre fraudes que comprometessem o sistema desde que começou a ser usado.”