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Educadores ocupam a Alep

Cidades | p. 6

Parolin sofre com enchentes

Obras não são concluídas pela Prefeitura e pioram situação

Ato na Assembleia é contra os ataques do governo do Estado

PARANÁ

Ano 4

Giorgia Prates

Divulgação

Cidades | p. 6

Edição 193

19 a 25 de novembro de 2020

Greca é reeleito e casos de Covid-19 batem recordes Giorgia Prates

distribuição gratuita

www.brasildefatopr.com.br

O norte deve ser o direito à vida e à dignidade, diz vereadora eleita

Divulgação

Giorgia Prates

Opinião | p. 2

Brasil | p. Editorial | p.6 2

Representatividade de pessoas negras

Esquerda no jogo

Partidos atrasaram ou não repassaram verba pública igualitária

Segundo turno reafirma resistências e desgaste de bolsonarismo


Brasil de Fato PR 2 Opinião

O jogo continua e o governo Bolsonaro deve ser derrotado EDITORIAL

É

preciso cautela ao olhar os resultados do primeiro turno das eleições para Prefeitura e legislativo municipal, mas podemos afirmar que o bolsonarismo já saiu, ao menos, desgastado. Os candidatos apoiados pelo atual presidente derreteram em suas campanhas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Curitiba. Já os partidos mais pragmáticos, o chamado ‘centrão’ (DEM, PSD, PP etc), mostraram-se fortalecidos. Pode-se afirmar também que o campo progressista está no jogo, ainda que na defensiva, resistindo com experiências novas, candidaturas que se propuseram a encantar os eleitores que já não estão tomados pelo clima de ódio comum desde

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Paraná, 19 a 25 de novembro de 2020

2016, na onda de desgaste da Operação Lava Jato contra toda a esquerda. As candidaturas de mulheres, negros e negras, LGBT, mandatos e experiências coletivas, fizeram história nessas eleições. Agora, Psol, PC do B e PT foram para o segundo turno em cinco das 18 capitais em disputa, com batalhas centrais em São Paulo, Porto Alegre (RS), Recife (PE), Belém (PA) e Vitória (ES). Importante ainda que a influência de Bolsonaro seja derrotada no Rio de Janeiro (RJ) e em Fortaleza (CE). A esquerda, portanto, está na luta, em uma partida difícil, mas que não terminou. Precisamos aprofundar o desgaste do bolsonarismo no segundo turno.

Disputa pela representatividade política e as barreiras do racismo OPINIÃO

Giorgia Prates,

Fotojornalista e integrante da redação do Brasil de Fato. Integrou neste ano a candidatura da Mandata Coletiva das Pretas (PT)

P

or muito tempo na História do Brasil os negros foram escravizados para servir aos homens brancos, vivenciando condições desumanas e desumanizadoras. Os traços do passado escravista no processo de construção da sociedade capitalista é evidente. O legado ainda é de uma imagem depreciativa do negro, a hierarquia social rígida, o sistema carcerário, a ausência de representatividade dessa população em vários setores, incluindo a politica. O fim da escravidão legal no Brasil não foi acompanhado de políticas públicas e mudanças estruturais para a inclusão.

Neste ano de 2020, diante da pandemia, as eleições municipais foram decididas no mês em que se comemora a consciência negra. Na Câmara Municipal de Curitiba, após 327 anos, temos a primeira representante mulher e negra apontando uma enorme mudança de rumo. Neste ano, seis candidaturas de pessoas negras receberam mais de dois mil votos. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a aplicação, já em 2020, de distribuição dos partidos da verba pública de forma igualitária ao número de candidatos negros e brancos de sua legenda. Muitos partidos não cumpriram com a determinação, não fazendo ou atrasando o repasse. A alegação principal é de falta de preparo para saber como lidar com a nova

SEMANA

regra. Porém, algumas candidaturas receberam em tempo hábil o valor destinado para a campanha. Os critérios de distribuição ainda são díspares e não se justifica essa lógica. O tempo menor para uso da verba nas campanhas de mulheres e negros fez com que não se tivesse a mesma visibilidade dos demais candidatos. É importante dizer que, no mês de novembro, quando falamos em consciência negra, estamos falando da percepção histórica que o povo negro tem de si mesmo e, para além disso, falamos sobre a luta dos negros contra a discriminação racial e desigualdade social. É preciso garantir que a distribuição de verbas seja feita no tempo certo e de maneira igual. Afinal, quem entra na disputa pela representatividade não pode ser prejudicado pelo racismo.

EXPEDIENTE Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 193 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABOROU NESTA EDIÇÃO Otto Leopoldo Winck e Giorgia Prates ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Douglas Gasparin Arruda REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com


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Paraná, 19 a 25 de novembro de 2020

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FRASE DA SEMANA

Paraná e Brasil têm nova onda de contaminações

Fusion Medical Animation | Unsplash

Após o término do primeiro turno municipal, Curitiba, Paraná e o Brasil convivem com uma segunda onda de contaminações por Covid-19, com o aumento da exposição viral e o relaxamento das medidas de saúde por parte de governantes e sociedade. O país contabiliza 5,8 milhões de casos, com aumento de 59% na média móvel e 28,7 mil novas contaminações. Curitiba colaborou para o crescimento dos casos no Paraná que, junto a outros 15 estados e o DF, estão em estado de alerta. Na capital, em uma semana, os casos saltaram de 300 na média para acima de 700. Foram 4.411 casos em seis dias e taxa de ocupação de 82% dos leitos de UTI um dia após a reeleição do prefeito Rafael Greca. O aumento expressivo foi minimizado pelo prefeito. Os gráficos do governo do Paraná mostram uma nova onda de contaminação ainda mais agressiva. A média móvel apresentou um incremento de 44,8% em 16 de novembro em relação a 14 dias anteriores. As regiões com maior taxa de contaminação são Foz do Iguaçu (taxa vermelha), Paranaguá, Telêmaco Borba, Londrina, Maringá, Cascavel, Toledo, Região Metropolitana de Curitiba e Francisco Beltrão.

“O fim do auxílio emergencial vai levar o país para um nível de miséria e pobreza que a gente nunca viu”

Vereadora ameaçada Depois de tornar-se a primeira vereadora negra eleita da história de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, no domingo, a professora Ana Lúcia Martins tem sofrido ameaças nas redes sociais. Em uma das mensagens, uma pessoa afirma: “Agora só falta a gente matar ela e entrar o suplente que é branco (sic)”.

Disse em entrevista Daniel Souza, presidente da ONG Ação da Cidadania e filho de Betinho, criador de campanhas de combate à fome. Ele lembra que mesmo com o auxílio, atualmente já existem 50 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Vereadora ameaçada 2 Divulgação

NOTAS BDF

Por Frédi Vasconcelos

Aperto em São Paulo A disputa no segundo turno pela Prefeitura de São Paulo parece que será bem apertada. Pesquisa divulgada pelo Ibope na quarta, 18, mostra Bruno Covas (PSDB) com 47% e, Guilherme Boulos (PSOL), com 35%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Em pesquisa feita em 11/11, antes do primeiro turno, a diferença era maior. Com 53% para Covas e 26% para Boulos. Na quarta, 18, Boulos recebeu apoio do PDT à sua candidatura.

Virou no Recife Embora apareçam empatados na margem de erro, a candidata Marília Arraes (PT) (foto) passou à frente na pesquisa Ibope para a Prefeitura do Recife divulgada em 18/11. Ela está com 45% das intenções de votos e seu primo, João Campos (PSB), aparece com 39%. Na última simulação antes do primeiro turno, na disputa entre os dois, João Campos aparecia com 43%, e Marília com 33%.

Eleição de negras e trans Em entrevista à Revista Fórum, quarta, 18, a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) comemorou a eleição de negros e pessoas trans em vários municípios do País. “Eu acho muito importante que isso tenha ocorrido no Brasil. Não só das candidaturas trans, mas das mulheres negras, o aumento da eleição de negros. Isso é uma questão que temos que discutir”, disse.

Ódio com Trump Durante o mandato do agora candidato derrotado Donald Trump, houve aumento de assassinatos de pessoas LGBT motivados pelo ódio. A informação está no “Relatório Anual de Estatísticas de Crimes de Ódio do FBI, divulgado em 16 de novembro. Segundo os dados, só em 2020, 34 pessoas da comunidade LGBT foram vítimas fatais de crimes de ódio, sendo que a maioria das vítimas eram mulheres transexuais negras e latinas. O departamento do FBI responsável pela investigação de crimes de ódio disse que é possível afirmar que existe uma “cultura de violência” contra a comunidade LGBT.

“Sabia que não seria fácil. Estava ciente de que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos”, afirmou Martins, em suas redes sociais. Ainda de acordo com a vereadora eleita, na noite de domingo (15), após a divulgação do resultado, suas redes sociais foram invadidas. Mais tarde, sua equipe recuperou as contas.

Consciência Negra No dia 20 de novembro, ocorre a 17ª Marcha da Consciência Negra de São Paulo. O movimento negro, organizações populares e entidades sindicais irão às ruas da capital paulista não apenas para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares e de milhares de jovens negros nas periferias, mas para se inspirar na resistência de Dandara, lutar contra o genocídio e por mais igualdade e oportunidade para a população negra num país que tem explicitado cada dia mais o seu racismo.


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Greca é reeleito, mas problemas de Curitiba se agravam Pandemia volta a bater recordes na cidade e rodízio de água é mantido Redação

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a semana em que o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, é reeleito com cerca de 60% dos voltos válidos, a cidade volta a registrar recordes de caso de Covid-19. Na terça, 17, foram 879 confirmações de infectados, maior número desde o início da pandemia. O número de casos ativos, de pessoas confirmadas com coronavírus e que têm potencial de transmissão também foi o segundo maior da série histórica, com 7.449 casos ativos. Só ficando atrás de 26 de julho, ápice da primeira onda do vírus. Apesar desta aparente segunda

Giorgia Prates

onda que atinge a capital paranaense, com aumento na ocupação dos hospitais, a Prefetura, até o momento, não tomou novas medidas de controle da pandemia ou de isolamento social. Comércio em geral, shoppings, academias, entre outras atividades, funcionam quase que normalmente. Prevendo lotação dos hospitais, o único movimento da Secretaria de Saúde da capital foi anunciar, no dia 16, “a suspensão temporária das cirurgias eletivas, aquelas que não são urgentes”. Mas, contraditoriamente, um dia depois, autorizou o retorno de crianças às aulas em escolas particulares. Giorgia Prates

Resultado da eleição A vitória de Greca já era esperada pelos resultados das pesquisas, e a concorrênca acabou sendo para ver quem chegava em segundo lugar entre o candidato do PDT, o deputado estadual Goura, e o deputado Francischini, (PSL), da base bolsonarista. Goura acabou com 13,26% dos votos e Francischini, com 6%. Rafael Greca (DEM), 59,74%.

Rodízio critico O alívio que os curitibanos e habitantes da Região Metropolitana tiveram no dia da eleição, com a suspensão do rodízio, só durou as 24 horas do domingo. Na segunda, 16, foi retomada a suspensão do abastecimento. Na quarta-feira, 18, segundo a Sanepar, os reservatórios que abastecem a região estavam com 29% de sua capacidade. Caso fiquem abaixo de 25%, começará rodízio mais severo, com 24 horas com água e 48 horas sem.

Goura (PDT), 13,26%. Francischini (PSL), 6,26%. Dr João Guilherme do Novo (Novo), 4,84%. Christiane Yared (PL), 3,91%. Carol Arns (Podemos), 2,67%. João Arruda (MDB), 2,61%. Paulo Opuszka (PT), 2,45%. Marisa Lobo (Avante), 2,22%. Professor Mocellin (PV), 0,75%. Letícia Lanz (PSOL), 0,43%. Zé Boni (PTC), 0,42%. Camila Lanes (PCdoB), 0,22%. Eloy Casagrande (Rede), 0,12%. Professora Samara (PSTU), 0,08%. Diogo Furtado (PCO), 0,01%.

Desigualdade persiste Vendida como cidade modelo, Curitiba tem, na realidade, cerca de 10% da população vivendo em ocupações irregulares, afetados fortemente pela Covid-19 e pela falta de água, já que muitas casas não têm caixa de água nem banheiro. Entre loteamentos irregulares, loteamentos clandestinos e favelas são cerca de 60 mil domicílios praticamente esquecidos pela atual gestão da Prefeitura.


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‘O eixo norteador deve ser o direito à vida e à dignidade’, diz Carol Dartora

Especialistas analisam resultados

Para ela, não ter uma vereadora negra eleita antes é símbolo da exclusão Divulgação

Ana Carolina Caldas

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surpresa na bancada de vereadores em Curitiba foi a eleição de Carol Dartora (PT), primeira negra eleita para a Câmara Municipal e a terceira mais votada entre todos os candidatos. Carol é professora da rede pública estadual, historiadora, especialista em Ensino de Filosofia, feminista negra e ocupa o cargo de secretária de Mulheres Trabalhadoras e Direitos LGBTI da APP-Sindicato. Aos 37 anos, Carol comemorou o feito histórico em suas redes sociais logo após o encerramento da apuração: “Elegemos a primeira vereadora negra em Curitiba, uma cidade que rejeita sua negritude e que agora irá escurecer sua Câmara!” Em entrevista ao Brasil de Fato Paraná no dia seguinte

à vitória, falou sobre a falta de representação negra na capital do Paraná. “Quando me aproximei da luta pela educação pública, contra a violência às mulheres, contra a violência racial, me dei conta da sub-representação de mulheres negras em espaços de poder. Curitiba nunca teve uma vereadora negra e isso é o símbolo da exclusão e da invisibilidade.” Ela destaca que o principal compromisso para começar seu mandato na atual realidade deve ser “o direito à vida e à dignidade”. “O pós-pandemia é desemprego, desemprego das mulheres, tudo precarizado. O eixo norteador deve ser o direito à vida e à dignidade. A gente pensar no incentivo a emprego, geração de renda. O trabalhador se reerguer com dignidade”, diz.

Divulgação

2016. Além de Carol, a Professora Josete foi reeleita para seu terceiro mandato e o advogado Renato Freitas assumirá pela primeira vez.

Indiara Barbosa (Novo)12.147 Carol Dartora (PT)8.874 Denian Couto (PODE)7.005 Marcelo Fachinello (PSC)5.326 Renato Freitas (PT)5.097 Flavia Francischini (PSL)4.540 Pastor Marciano (Republicanos)4.483 Joao da Loja 5 Irmaos (PSL)4.423

Divulgação

Professora Josete, vereadora reeleita “Vejo como uma grande importância (os novos nomes que chegam), são pessoas que agregam com as demandas diversas e orgânicas dos movimentos sociais e fortalecerão nossa atuação como oposição.”

Renovação de 47% Dos 38 vereadores de Curitiba, 20 foram reeleitos. E 18, o equivalente a 47%, assumem no próximo ano. Confira a votação de quem chegou agora à Câmara de Vereadores de Curitiba

Bancada maior Outra novidade desta eleição é que a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) passou a ter três integrantes, contra apenas uma representante em

“O professor de sociologia da Federal do Paraná e autor do livro “O Silêncio dos Vencedores: genealogia da classe dominante no Paraná”, Ricardo de Costa Oliveira, disse que a eleição em Curitiba e em nível nacional surpreendeu com a renovação de quadros da esquerda. “A esquerda, de fato, está trocando de pele com uma nova geração. Estamos verificando que há uma grande capilaridade de resistência e diversidade.” Já para a advogada, co-criadora da Tenda das Candidatas e mestranda de Política Pública em Direitos Humanos, Laura Astrolabio, é preciso levar o debate da interseccionalidade para dentro dos partidos. “Somos todos seres humanos, mas somos todos diversos. Por isso, ter Carol e Renato como novos vereadores em Curitiba é um grande avanço. A partir de agora é trabalhar para que outras candidaturas negras venham para 2022.”

Renato Freitas, vereador eleito “Olho para 20 anos atrás, quando era empacotador de mercado. De repente a gente se vê vereador da capital. Tive a oportunidade de estudar e me formar advogado. A educação me proporcionou levar o conhecimento aliado às necessidades das comunidades e me transformar em uma liderança.”

Sargento Tania Guerreiro (PSL)4.422 Alexandre Leprevost (SD)4.385 Nori Seto (PP)4.085 Jornalista Marcio Barros (PSD)3.946 Eder Borges (PSD)3.932 Sidnei Toaldo (PATRIOTA)3.618 Hernani (PSB)3.136 Amália Tortato (NOVO)3.092 Leonidas Dias (SD)2.704 Salles do Fazendinha (DC)2.527


Brasil de Fato PR 6 Cidades

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Paraná, 19 a 25 de novembro de 2020 PUBLICIDADE

Com casas alagadas, moradores se dizem esquecidos pela Prefeitura Obra em rio perto do Parolin, iniciada em 2016 e não concluída, agrava a situação Ana Carolina Caldas e Giorgia Prates

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er as torneiras secas por conta do rodízio, mas as casas invadidas pelas águas da chuva, é apenas mais uma das ironias vividas pela comunidade do Parolin, próxima ao centro de Curitiba. “Quando começa a chover, o morador do Parolin não sai de casa porque tem medo de voltar e ter perdido tudo e, às vezes, não consegue voltar mesmo pelas ruas alagadas”, conta Angélica, de 27 anos. Na última chuva forte em Curitiba, na semana passada, disse

que não conseguia atravessar a Rua Brigadeiro Franco para chegar em casa. “O que a gente mais queria é que melhorasse a situação desse rio para que a comunidade pudesse transitar em dia de chuva.” E o problema vem de alguns anos, e que piorou com obra iniciada em 2016 para conter as cheias do Rio Pinheirinho e seus afluentes e até hoje não finalizada. Entre eles, o Rio Guaíra, que passa no “valetão”, como a obra é chamada pelos moradores. Na última chuva forte muitos moradores perderam pertences pessoais e móGiorgia Prates

veis. Apesar disso, o prefeito Rafael Greca usou redes sociais para dizer que “as fotos publicadas por moradores eram fake”. Porém vídeos, fotos e depoimentos de moradores desmentiram Greca. A moradora Adriana Soares de Lima contou ao Brasil de Fato que, nessa última chuva, a casa da irmã alagou. “Por sorte, estávamos por perto e conseguimos salvar tudo subindo rápido os móveis. Mas essa é a vida do morador do Parolin. Essa obra nunca acaba, tamparam as entradas das pontes de concreto e agora enche mais.” Para ela, o que resta é ajudar uns aos outros, já que sabem que o morador da periferia é esquecido mesmo. “Somos da periferia, favelado, preto, pobre e nunca temos voz”, diz.

RESPOSTA Segundo a Prefeitura de Curitiba, a obra será finalizada e está concentrada na implantação do conduto forçado junto ao leito do Rio Vila Guairá, na altura da ponte da Rua Brigadeiro Franco, no Parolin.

Educadores acampam no Palácio Iguaçu e ocupam Alep Redação Em reunião realizada na terça (17) com dirigentes da APP-Sindicato, o governo do Paraná não deu respostas sobre a suspensão de prova para contratação de professores por apenas um ano, via Processo Seletivo Simplificado (PSS). O posicionamento desagradou a categoria, que está há semanas pedindo a

revogação do edital. Com o resultado, trabalhadores da educação decidiram permanecer em vigília em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo. Depois, ocuparam prédio administrativo da Assembleia Legislativa. O presidente da APP-Sindicato, Hermes Silva, criticou a ausência do governador, Ratinho Junior (PSD), e do secretário da Educação,

Renato Feder, na reunião. “É um secretário que não participa dos debates, não compreende a pauta e finge desconhecer a realidades das nossas escolas. Uma equipe que não tem compromisso com a realidade da educação do campo, da cidade, quilombola, indígena. Não tem responsabilidade sobre a vida de professores, funcionários, pedagogos”, afirmou.

Além da revogação do edital n. 47/2020, os educadores reivindicam a realização de concurso público, o cancelamento do processo de terceirização de funcionários de escola, a prorrogação dos contratos desses profissionais contratados pelo regime PSS, pagamento do salário mínimo regional e das promoções e progressões. Hermes relata que tam-

bém houve debate a respeito das ilegalidades no processo de consulta para implantação de escolas cívico-militares em colégios com aulas no período noturno. Segundo o dirigente, a lei não permite que essas instituições sejam selecionadas para o programa de militarização, mas como o governo não respeitou essa regra, cerca de 400 turmas poderão ser fechadas.


Brasil de Fato PR 7 | Cultura

Paraná, 19 a 25 de novembro de 2020

Universidade Federal tem ampla programação no mês da Consciência Negra Exposição, feira literária e debates fazem parte da programação do mês Ana Carolina Caldas o mês de novembro a Universidade Federal do Paraná (UFPR), numa articulação entre pró-reitorias, núcleos de pesquisa e extensão, coletivos de estudantes e grupos artísticos, promoverá uma série de ações artístico-culturais nos diversos campi com o objetivo de discutir temas relacionados à Consciência Negra. Confira alguns dos eventos:

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Exposição “A Saia Que Gira Cartografando o Feminismo Negro nas Portas Bandeiras das Escolas de Samba de Curitiba” De 4 a 19/11, no hall de entrada do prédio Histórico da UFPR - Praça Santos Andrade. De 20 a 31/11, irá para o hall de entrada do campus Rebouças. Feira Cultural e de Afroempreendedorismo Dia 10/11, das 14h às 18h. Praça Zumbi dos Palmares - Rua Eloi Orestes Zeglin, Pinheirinho. De 21 a 23/11, das 10h às 18h30 no Pátio da Reitoria - Campus Reitoria. A programação completa do Mês da Consciência Negra você acessa em: proec.ufpr.br/links/cultura/negritude.html Pesquisadoras lançam livro sobre a

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Por Otto Leopoldo Winck

A garota do brinco de argola

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e o amor é um engano eu prefi ro andar enganada – disse a garota de brinco de argola. – O problema é que o príncipe nunca chegará porque ele não existe – disse a de brinco de pérola. – O jeito então é transformar o sapo em príncipe. Ou engolir o sapo. – Não dá. Chega de sapos. Riram. Estavam no fi m do terceiro daiquiri. E não estavam acostumadas a tanto álcool. – Vamos pedir mais um? Por mim eu tomava todas esta noite – disse a do brinco de argola. – Se o amor é um drinque eu quero viver bêbada. – Menina, você vai acordar de ressaca. E quando olhar pro lado, em vez do lindo príncipe da noite anterior, vai ver um sapo. Um sapo gigantesco, de mau hálito, que vai querer te comer de novo. E a garota de brinco de pérola soltou uma sonora gargalhada, fazendo com que todos os sapos do recinto olhassem para as duas.

DICAS MASTIGADAS

Sorvete de chocolate A cada semana, publicamos receitas com produtos agroecológicos da rede colaborativa Produtos da Terra, da Sinergia Alimentos Saudáveis e da Rede Mandala. Parte dos ingredientes pode ser encontrada no site produtosdaterrapr.com.br Reprodução Mondial Divulgação

presença e circulação negra em Curitiba As autoras Brenda Santos, Geslline Braga e Larissa Brum lançam Boletim Especial da Casa Romário Martins “Dos Traços aos Trajetos: a Curitiba Negra entre os séculos XIX e XX”. O livro resgata histórias, nomes e lugares de presença e circulação negra e disponibiliza um mapa a partir dessas memórias. No dia 27 de novembro, das 19h às 20h40. Teatro Londrina – Memorial de Curitiba – Rua Claudino dos Santos, 79.

Ingredientes 1 abacate maduro; 3 colheres de sopa de cacau em pó ou achocolatado; mel ou açúcar mascavo a gosto. Modo de preparo Corte o abacate em pedaços pequenos. Coloque no liquidificador e acrescente os demais ingredientes. Bata até ficar uma pasta cremosa, sem pedacinhos da fruta. Transfira a mistura para recipiente e leve até que fique com consistência firme (cerca de duas horas). Antes de consumir, deixe em temperatura ambiente para que volte a ficar cremoso.


Brasil de Fato PR 8 Esportes

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Paraná, 19 a 25 de novembro de 2020

Para que as mulheres sejam, cada vez menos, a exceção Coletivo Atleticaníssimas comemora vaga e acredita que o time pode subir para a série A1 Fernanda Haag e Douglas Gasparin Arruda

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a última sexta-feira, o Athletico enfrentou a Chapecoense pela última rodada da primeira fase do Brasileirão Feminino (A2). O primeiro tempo foi sofrido. Com uma tempestade no CT do Caju, o jogo acabou travando e, com isso, a Chape conseguiu segurar o placar até os 48 minutos, quando Karen acertou

um belo chute e abriu a contagem. Na segunda etapa, a chuva deu uma trégua e, assim, o jogo fluiu. Melhor para as atleticanas, que fecharam o placar em 5 x 2, com gols de Karen, Milena (2) e Rafa. O próximo confronto, pelas oitavas, é contra o Bahia, que até

aqui venceu todas por placares elásticos. A classificação para o mata-mata gerou muita expectativa nas Atleticaníssimas. Daiane da Luz, integrante do coletivo, nos contou que elas estavam ansiosas pelo jogo contra a Chapecoense e de olho no Fluminense, que lutava

pelo segundo lugar do grupo também. Mas deu tudo certo para o Furacão. As Atleticaníssimas comemoraram a vaga e acreditam que o time tem potencial para subir para a série A1, sim. Reconhecem que os jogos com o Bahia serão “pedreira”, mas garantem o seu apoio incondicional. Reprodução

O lema das ‘Atleticaníssimas’ é: “viver o Athletico intensamente e contribuir para que a arquibancada seja um lugar em que as mulheres são, cada vez menos, a exceção”

A indiferença custa caro

Projeto verão

Por Cesar Caldas

Por Marcio Mittelbach

O time do Coritiba “cai pela tabela” no Campeonato Brasileiro, com o segundo pior aproveitamento de pontos da competição (31,7%). O futuro do clube será decidido nas urnas três semanas depois do próximo jogo – sábado, 21/11, contra o Flamengo, no Rio. Os sócios, contudo, parecem alheios à responsabilidade de escolher o próximo presidente, os quatro vices e os 160 conselheiros do clube. Pouco se lê nas redes sociais sobre as propostas das três chapas inscritas ao pleito de dezembro. Os comentários nos grupos de discussão do Facebook e os tweets sobre a eleição têm sido raros. Há mais postagens em torno das trapalhadas do time em campo do que sobre o imenso contraste entre os programas postos à mesa para reflexão e votação. Isso não é bom. O momento que o clube vive (o pior de sua história) decorre da mesma indiferença havida em 2014 e 2017.

O coletivo atleticano surgiu em 2016, quando a fundadora Milene Szaikowski criou um grupo de WhatsApp aglutinando mulheres que tinham uma vivência forte no Athletico. O lema delas é: “viver o Athletico intensamente e contribuir para que a arquibancada seja um lugar em que as mulheres são, cada vez menos, a exceção”. A questão da representatividade feminina é central. Elas já realizaram diversas ações: campanhas de conscientização do Outubro Rosa; participações em eventos e ações como Torça como uma Mulher; até se juntaram com as Gurias do Couto e as Gralhas da Vila para “lives” sobre relacionamentos abusivos. Coletivos organizados de mulheres e um time competitivo são fundamentais para que a exceção se torne a regra e o futebol feminino cada vez mais forte!

O Paraná Clube está hoje na nona posição na Série B, bem no meio da tabela. Com 29 pontos em 21 jogos, estamos a oito pontos do G4 e a 9 da Z4. O curioso é que outros três times, CRB, Operário e Confiança, estão com a mesma pontuação. Se a gente juntar nesse grupo o Avaí, com 30, e o CSA, com 28, completamos a zona morta do campeonato. No caso do Paraná, esse posicionamento é reflexo da soma de um início brilhante com uma segunda metade de primeiro turno decepcionante. Vencemos apenas uma vez nos últimos 11 jogos. Chegou a hora de entrar em um terceiro campeonato. Aprender com os erros da má fase e tentar resgatar o que ficou lá no início do semestre. Caso contrário, a zona neutra da tabela, que hoje é motivo de frustração, pode vir a ser o objetivo. O que estragaria um verão que tem tudo para ser emocionante, com jogos até o dia 30 de janeiro.

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Brasil de Fato PR - Edição 193  

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