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Cultura | p. 7

Esportes | p. 8

Trupe Periferia

Bola pra frente

Jovens falam de seu cotidiano em peça

Brasileirão privilegia os ataques Sergio Roberto

Divulgação

PARANÁ

Ano 4

Edição 187

8 a 14 de outubro de 2020

distribuição gratuita

REPORTAGEM ESPECIAL

Mãe diz que perdeu filho por preconceito e machismo

www.brasildefatopr.com.br

Solidariedade sempre Trabalho voluntário unifica organizações do campo e da cidade Paraná | p. 4

Com ascendência indígena e vegana, Patrícia está há 50 dias sem a criança Brasil | p. 5

Pedro Carrano

Arquivo Pessoal

Brasil | p. 4

Brasil | p. Editorial | p.6 2

Porém | p. 3

Venda de refinarias gera desemprego

Bolsonaro abraça Toffoli

Taxar as fortunas é urgente

Governo quer fatiar Petrobras e privatizar principais setores

Para vender país, governo, Supremo, Guedes e Maia apertam as mãos

Mas governo cobra de classe média e trabalhadores


Brasil de Fato PR 2 Opinião

Elites novamente apertam as mãos EDITORIAL

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olsonaro se reuniu em encontro não oficial no sábado (3) com Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o indicado ao STF, Kassio Nunes Marques, para supostamente assistirem a uma partida de futebol. O indecoroso episódio revela um jogo de outro tipo, em que Poder Executivo, Legislativo e Judiciário deveriam ser independentes, mas se abraçam em nome dos seus interesses.

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Paraná, 8 a 14 de outubro de 2020

A indicação do desembargador Kássio Nunes, figura ligada ao “centrão”, ainda depende da aprovação do Senado. Neste período, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da economia Paulo Guedes também participaram de jantar na casa do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, para tentar reaproximá-los. Assim, apesar de farpas entre ministro da economia, Congresso e Judiciário, é fato que a tarefa do governo Bolsonaro é

impor aos trabalhadores uma agenda de retirada de direitos, privatização de empresas públicas lucrativas (Correios, por exemplo) e destruição ambiental em prol do agronegócio exportador. Por isso, vimos tantos abraços sem máscaras. O sociólogo Florestan Fernandes completaria 100 anos de nascimento em 2020 e veria suas teses confirmadas ao analisar o governo Bolsonaro: para reprimir os trabalhadores, as elites apertam as mãos, em nome de menos direitos sociais e civis.

SEMANA

Ricos continuam intocáveis para Bolsonaro

OPINIÃO

Manoel Ramires

Assessor de imprensa do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) e editor do Porém.net

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esesperado com a possível perda de popularidade com o fim do auxílio emergencial de R$ 600, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenta implementar o Renda Cidadã, programa de transferência de recursos mais amplo do que o Bolsa Família. Mas a equipe econômica insiste em tirar do bolso da classe média para dar para os mais pobres. Enquanto isso, os ricos seguem intocáveis com isenções e omissão na taxação de fortuna e lucros. Após querer retirar recursos do Fundeb e do pagamento de precatórios, a hipótese da vez do governo é acabar com o desconto da declaração simplificada do Imposto de Renda - IR. Com essa medida, Bolsonaro faz o contrário do que prometeu em campanha: que era ampliar a faixa de isenção de R$ 1903 para R$ 3 mil, diminuindo assim a quantidade de brasileiros que sofrem o desconto. Isso colocaria mais recursos no bolso da maioria do povo brasileiro, reativando a economia. Porém, a famosa “canetada” do presidente ainda não aconteceu. Em ofício encaminhado a senadores e deputados do Paraná, o Sindicato dos Engenheiros exige que ocorra o reajuste da tabela do Imposto de Renda: “O Estado, novamente por meio do Executivo e do Legislativo, deve corrigir distorções e privilégios tributários que achatam o bolso da classe média e da população mais pobre enquanto aumenta a riqueza dos mais ricos”, questiona a entidade. No começo do ano, antes da pandemia, se o reajuste de 7,39% fosse aplicado, seriam injetados na economia R$ 13,5 bilhões. Desde 1996, a defasagem histórica chega a 103,87% no acumulado. Se a correção fosse feita, nenhum contribuinte do Imposto de Renda cuja renda tributável mensal seja inferior a R$ 3.881,66 pagaria o imposto.

EXPEDIENTE O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 187 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

Brasil de Fato PR | Desde fevereiro de 2016 EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Rubens Bordinhão Neto e Manoel Ramires ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Douglas Gasparin Arruda REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com


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Média móvel por Covid-19 no Paraná é altíssima Tornou-se hábito falar em média móvel para tratar de contaminações e mortes por Covid-19. Com estatísticas em baixa, fica mais “confortável” para gestores públicos e empresários adotarem medidas que colocam fim ao isolamento social. Se o primeiro pico já passou, a “maquiagem” dos números esconde uma taxa ainda elevadíssima de contágio. A França registrou quase 14 mil casos no começo de outubro. Paris está tendo 260 novos casos para cada 100 mil habitantes e a taxa de ocupação dos leitos é de 36%. Aí se compara com o Paraná e Curitiba. O estado tem 62% dos leitos de UTI para Covid ocupados e 45% de leitos em enfermaria. Nessa lógica, fecha tudo. A queda na contaminação tem sido usado como argumento para adotar regras de “liberou geral” no Paraná e em Curitiba. No entanto, quando os casos disparam, qualquer redução pode trazer alívio. Mas a tal média móvel mostra índices elevadíssimos. O governo do Paraná destacou no dia 5 a redução de 17,5% dos casos em relação a 14 dias atrás. O dado, isolado, estimula o relaxamento das medidas de proteção. O problema é que há duas semanas o estado atingia o pico de contaminação. É o time que perde de 2 a 0 comemorando que não levou 4 gols. Parece bom, mas é ruim.

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Geral | 3

FRASE DA SEMANA

QUE DIREITO

“O que fizeram com a reputação do MTST (e do MST)... foi uma das coisas mais bárbaras da história da comunicação brasileira”

Rubens Bordinhão Neto*

É ESSE?

Volta às aulas e o direito à saúde e à vida

Afirmou em seu Twitter o comunicador Felipe Neto, ao se referir ao preconceito contra o movimento dos Sem Terra e dos Sem Teto. E complementou: “Eu mesmo contribuí pra isso, com piadas idiotas em vídeos antigos”. Divulgação

NOTAS DA REDAÇÃO

Candidatos entrevistados O Brasil de Fato Paraná entrevistará, toda quinta-feira, uma dupla de candidatas (os) progressistas à Prefeitura de Curitiba. A série começa em 8/10, às 19h15, com Letícia Lanz (PSOL), psicanalista, mestre em Sociologia e economista com Mestrado em Administração. E Paulo Opuszka (PT), advogado, mestre e doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Paulo é professor de Direito e Processo do Trabalho e do programa de pós-graduação em Direito da UFPR.

Cobertura das eleições Para quem não conseguir ver ao vivo, os vídeos com as entrevistas ficarão disponíveis nos canais do Facebook e do YouTube do BDF PR. Também continuam as entrevistas com candidatos (as) às câmaras municipais do Estado às sextas-feiras, 11h30. O BDF ainda trará agendas de candidaturas progressistas, definidas pela redação, no site e na edição semanal.

Volta de secretaria Em café da manhã na Federação Estadual das Instituições de Reabilitação do Estado do Paraná, o candidato pelo PDT, Goura, falou sobre suas propostas para as pessoas com deficiência. “Queremos uma política de zero acidentes na nossa cidade, acalmando o trânsito, que diariamente faz tantos curitibanos vítimas, muitas vezes com sequelas para o resto da vida”, disse. E prometeu que recriará a Secretaria Municipal de Pessoas com Deficiência, extinta pelo atual prefeito.

Bairro esquecido No sábado (3), a candidata à prefeitura Camila Lanes (PCdoB), visitou e ouviu moradores do bairro Caximba. Nas palavras da candidata, “um bairro esquecido pela atual gestão”. Em suas redes sociais, Lanes compartilhou fotos de um rio poluído e ruas sem asfalto no bairro. No início da mesma semana, Lanes também assinou Termo de Compromisso pela Cidadania e Direitos da Comunidade LGBTI+, em reunião no Grupo Dignidade.

Na terça-feira (6), o governo do Paraná anunciou o retorno às aulas presenciais no Estado a partir de 19 de outubro. A Secretaria de Saúde estadual informou que a retomada será gradual e ocorrerá de acordo com critérios mínimos de saúde, a partir de recomendações da OMS e Fiocruz. A questão diz respeito ao direito à saúde e à vida, já que envolve a exposição direta de profissionais da educação, estudantes e comunidades escolares ao risco de contaminação pela Covid-19, cujo índice de contágio e mortalidade é muito elevado. Coincidentemente, no mesmo dia, a Justiça de Minas Gerais suspendeu o retorno às aulas presenciais na rede pública daquele estado, cuja retomada também estava marcada para dia 19 deste mês. Aqui no estado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública já anunciou que fará greve caso o governo insista na retomada das aulas presenciais. A decisão da entidade vai ao encontro do que pensa a maioria das mães trabalhadoras do Paraná (86%) que, em recente pesquisa da CUT, não concordam com o retorno das aulas. Enquanto não há remédio ou vacina para Covid-19, a retomada às aulas presenciais é ainda muito perigosa. Apenas o distanciamento social é capaz de minimizar os efeitos da doença e assegurar o direito à saúde e à vida da população. *Integrante da Rede de Advogados e Agvogadas Populares


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Solidariedade do assentamento rural para cozinhas

Privatização de refinarias de combustível enfraquece indústria e empregos

Voluntários do projeto Marmita da Terra foram ao assentamento e ajudaram na produção

Trabalhadores analisam que medida deve apenas fechar unidades de produção Pedro Carrano

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Pedro Carrano

Pedro Carrano

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produção dos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) abastece de alimentos saudáveis ações de solidariedade na cidade e, ao mesmo tempo, convoca brigadas urbanas para participar de trabalho voluntário no campo. Foi o que aconteceu no dia 3, no assentamento Contestado, na Lapa (PR), onde 108 famílias produzem para programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Voluntários do projeto chamado Marmitas da Terra puderam passar o dia no assentamento, contribuindo na produção. Ao todo, o MST tem 25 mil famílias em 330 assentamentos no Paraná.

Da produção para cozinhas na capital O casal Rudineia Ribeiro de Souza, a Neia, e Claudinei Vicente dos Anjos, integrantes do MST da região norte do estado, contam sobre a alegria de participar desde o começo de 2020 da cozinha do projeto “Marmitas da Terra”, que já produziu comida para até 5 mil pessoas numa semana, entre moradores em situação de rua e moradores de áreas de ocupação. Ao lado disso, Neia conta que se alegra em ver uma experiência como a da cozinha comunitária no Bolsão Formosa, que surgiu a partir desse incentivo. “Quando foi falado sobre a cozinha, eu fiquei feliz, que legal a comunidade participar, a gente os vê crescendo sozinhos. Espero que se estenda para outras comunidades”, afirmou Neia.

á uma história longa de ataques contra a principal empresa pública brasileira, a Petrobras. Em 1995, o ex-presidente FHC quebrou o monopólio na exploração do petróleo. Em 2010, ao descobrir a reserva do Pré-Sal, Lula colocou a empresa com prioridade nos contratos, no chamado contrato de “partilha”. Porém, o golpe de Temer, em 2016, teve como objetivo entregar a empresa a estrangeiros, quebrando o modelo em que a maior parte dos lucros da exploração ficavam com empresa nacional. Antes disso, o ex-juiz Sérgio Moro, com a operação Lava Jato, paralisou atividades da empresa em nome do combate à corrupção, levando a gerência da Petrobras a adotar a política do chamado desinvestimento em relação aos mercados. Bolsonaro acelerou a destruição da empresa. Em 2019, leiloou o setor de distribuição de combustível, a BR distribuidora. Agora, aponta a venda das refinarias. Decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) autoriza a estatal a vender refinarias, dutos, terminais e demais ativos, sem autorização legislativa. Pressão A pressão agora de petroleiros e sociedade será sobre o Congresso Nacional, que não pode referendar uma privatização sem autorização. O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro), Alexandro Guilherme Jorge, define a decisão do STF como malandragem. “O governo busca o fatiamento da empresa mãe, transformando em subsidiária para que possa ser vendida.

Depois de nossa greve de fevereiro, fizemos pedido para que o STF barrasse esse processo”, relata. No debate promovido pelo Brasil de Fato Paraná “Onze e Meia”, em 5/10, foi consenso a atual falta de investimentos públicos da empresa, os riscos das terceirizações e a quebra do caráter da empresa presente em várias regiões, não apenas em São Paulo e Rio de Janeiro. Tudo isso resultado de decisão governamental. Gerson Castellano, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que ao lado de 1.000 trabalhadores conheceu o fechamento da Fafen Fertilizantes, realizado em fevereiro pelo governo Bolsonaro, questiona a necessidade de leiloar empresas públicas: “Não vai ter concorrência nenhuma, vai ter oligopólios internacionais e fechamento da unidade, vão usar os dutos que a gente tem, usar unidade como depósito e fechá-las, causando desemprego”, decreta. Divulgação | Petrobras

QUANTO?

32,7%

Redução dos empregos da Petrobras entre dezembro de 2013 e dezembro de 2019, o maior percentual entre grandes petroleiras (Fonte: FUP)


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Mãe alega que perdeu guarda de filho por discriminação racial e por ser vegana Patrícia está há mais de 50 dias separada de Sama. Defesa tenta reverter a decisão Ana Carolina Caldas

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atrícia Garcia é paraguaia e mora em Foz de Iguaçu, vendedora de produtos naturais, mestranda em Educação pela Unila e mãe do menino Sama, de 1 ano e dois meses. Porém, há mais de 50 dias, perdeu a guarda provisória do filho num processo baseado, segundo ela, em mentiras e discriminação étnico-racial. Ela tem ascendência indígena e é adepta do Hare Krishna, que não permite consumo de alimentos de origem animal. “Eles que deram essa decisão de tirar o meu bebê nunca vieram na minha casa acompanhar a minha rotina de cuidados. Um dia, chegaram quatro homens e uma conselheira tutelar e disseram que precisavam levar o meu filho, sem que eu pudesse me defender”, contou Patrícia em “live” com a atriz Gisele Itié, que tem divulgado o caso e pedido apoio num abaixo-assinado com mais de 100 mil adesões. No abaixo-assinado, informa-se, por exemplo, que Patrícia sofreu abusos psicológicos,

morais e patrimoniais do ex-marido, o professor universitário da Unila Julio Moreira, durante a gestação, o que resultou no divórcio e até em medidas protetivas. Erros médicos A denúncia aconteceu após Sama ter sido internado no Hospital Costa Cavalcanti, em Foz de Iguaçu. Segundo Patrícia, no primeiro mês de pandemia, ela e o bebê ficaram totalmente isolados. Ela chegou a pedir ajuda do pai, mas foi negada. Sama apresentou pequenos tre-

mores em uma das mãos. A mãe fez consulta “on-line”, mas a pediatra a orientou fazer presencialmente. Ela avisou ao pai, que determinou que a criança fosse levada para o hospital. Lá, segundo ela, houve uma sucessão de erros, levando o menino a ficar 12 dias na UTI. “O diretor do hospital chegou a se reunir com os pais, admitindo erros”, diz. “O pai, inclusive, fez boletim de ocorrência contra o hospital. Mas, na alta, milagrosamente, perdoou e retirou.” Arquivo Pessoal

PERDA DA GUARDA Ao voltar para casa, Patrícia diz que o pai a acusou de ser culpada pelo estado do menino e disse que tomaria a guarda. “Eu segui focada em cuidar do meu filho e, depois de 2 meses, ele estava pleno de saúde. Neste momento recebo uma ordem de busca”, conta. Tudo começa com denúncia feita à Vara da Infância e Juventude pelo Centro de Nutrição de Foz de Iguaçu, de que Sama “estaria com déficit nutricional, além de sequelas neurológicas”, dando origem a uma medida de proteção. Em nenhum momento são citados os erros do hospital nem a omissão do pai. O Brasil de Fato entrou em contato com o centro de nutrição e sua coordenação disse que o caso está em sigilo e não quis se pronunciar. O pai também foi procurado, mas, até o momento, não respondeu a pedido de entrevista. Contra a decisão que tirou Sama da mãe e entregou ao pai, houve recurso no Tribunal de Justiça do Paraná, que foi negado. Há novo recurso em fase de apreciação.

Eleições serão pautadas por debate nacional, avaliam candidatos Regina Cruz (PT) e Rodrigo Tomazini (PSOL) foram os entrevistados no BdF Onze e Meia

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oda semana, o Brasil de Fato Paraná entrevista candidatos vereador do campo progressista. As entrevistas são feitas às sextas, na página de Facebook e no canal do Youtube. Para ver na íntegra, acesse as redes do BDF PR. No dia 2, os entrevistados foram Regina Cruz (PT) e Rodrigo Tomazini (PSOL).

Regina Cruz – PT

Ex-presidenta da CUT-PR, foi coordenadora da Vigília Lula Livre e trabalha em vigilância patrimonial. Em suas palavras, é “mulher, sindicalista, lésbica” e pretende representar a pluralidade da classe trabalhadora. “Está faltando na Câmara de Curitiba pessoas com compromisso com a classe trabalhadora e com o povo”, diz. A Divulgação eleição deste ano, para ela, será pautada por temas que envolvem a política nacional e os impactos do governo Bolsonaro. “São as pautas nacionais que estão afetando o bolso da classe trabalhadora. Tem muita gente passando fome, muita gente sem emprego”, afirma. Divulgação

Lia Bianchini e Frédi Vasconcelos

Rodrigo Tomazini - PSOL

Funcionário público estadual, diretor licenciado da APP-Sindicato, Tomazini foi candidato ao Senado em 2018. Ele também acredita que as eleições 2020 estão dentro de uma pauta mais ampla, e que a população ainda carrega os discursos de 2018. “O trabalhador foi iludido, o jovem foi iludido achando que seria empreendedor. Temos que fazer a desconstrução Divulgação desse discurso. A gente tem de estar junto aos entregadores de aplicativos, servidores públicos, desempregados, a juventude”, diz. Também critica a falta de uma política mais eficaz da Prefeitura na pandemia e a predileção de Greca pelo empresariado em vez da população.


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Paraná, 8 a 14 de outubro de 2020 Lia Bianchini

Política da Funai vai contra direitos de povos indígenas, diz advogado Lia Bianchini

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s indígenas Avá-Guarani do Oeste do Paraná têm acompanhado o retrocesso de seus direitos, especialmente neste 2020. A Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, nos municípios de Altônia, Terra Roxa e Guaíra, teve o processo de demarcação suspenso em março, após portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai) declarar sua nulidade. O processo estava em fase inicial há mais de uma década. Desde então, trava-se uma batalha judicial pela retomada da demarcação. No final de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com pedido, pela segunda vez, de suspensão da ação que anula o processo, junto ao Tribunal PUBLICIDADE

Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O primeiro pedido, em julho, teve parecer contrário. Para o assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Rafael Modesto, a atual política da Funai “vai contra os direitos dos povos indígenas”. “É o órgão responsável por demarcar terras indígenas ou, pelo menos, por iniciar o processo de demarcação, com grupo técnico, antropólogos, que vão fazer um estudo para comprovar se é terra indígena ou não. No caso de lá [Guasu Guavirá], existiu esse procedimento”, explica. O advogado avalia que a portaria que pediu a anulação do processo da TI Guasu Guavirá foi uma decisão política do órgão brasileiro, atendendo a inte-

resses “de posseiros, ocupantes ilegais das terras de ocupação tradicional”. Pela Constituição Federal, no artigo 231, a posse sobre as terras que tradicionalmente ocupam é um direito originário dos povos indígenas e cabe à União demarcá-las. Em um governo federal explicitamente contrário a essa demarcação, tal direito fica refém da política. “São indicações políticas, os espaços de demarcação. A Funai inicia, o ministro da Justiça é quem declara e quem homologa é o presidente. Então, está todo mundo alinhado com o presidente. E a política do Bolsonaro com relação aos povos indígenas é uma só: exploração das terras indígenas, exploração predatória”, analisa Modesto.

Projeto de Ratinho JR. altera eleições nas escolas estaduais Base governista aprova proposta, que seguirá para sanção do Executivo Ana Carolina Caldas O governador Ratinho Jr. enviou para a Assembleia Legislativa, em regime de urgência, propostas que alteram o funcionamento das escolas, sem dialogar com a comunidade, segundo denúncia da APP Sindicato. Uma dessas propostas já foi aprovada, alterando as próximas eleições para diretores nas escolas estaduais. Entre as principais mudanças, a Secretaria da Educação, e não mais a comunidade escolar, decidirá sobre o afastamento dos diretores em processos abertos sob alegação de “insuficiência de desempenho da gestão administrativa-financeira, pedagógica ou democrática.” Na legislação atual, o pedido tinha de ser feito pelo “Conselho Escolar, aprovado por maioria absoluta da Comunidade Escolar, mediante votação convocada para essa finalidade, desde que essa convocação se desse mediante requerimento contendo assinaturas de 1/3 (um terço) do estabelecimento”. “Isso acaba com a garantia do processo democrático porque a

comunidade pode escolher e a secretaria da educação dizer que não quer e colocar outro no lugar, à revelia”, explica a secretária de Finanças da APP, professora Walkiria Mazeto. O projeto também acrescenta que, para ser candidato à direção de escola, será obrigatória a aprovação em curso específico oferecido pela Secretaria. O curso possui uma prova eliminatória. “Além de não reconhecer cursos de gestão escolar feitos em outras instituições, como pós-graduação em Gestão Escolar, a Secretaria está dizendo que vai fazer uma primeira escolha de quem pode ser candidato. Quem passar nesse crivo, quem sobrar, pode colocar o nome para a comunidade escolher. Isso é interferência no processo democrático,” diz Walkiria. Para o líder da oposição, deputado Professor Lemos (PT), o projeto é inconstitucional, reduz a democracia nas escolas e “as emendas são um remendo que não salvam o projeto”. A proposta ainda precisa passar por mais uma votação na Alep, para aprovação da redação final. Depois disso será enviada para sanção do governador.


Brasil de Fato PR 7 | Cultura

Cotidiano dos jovens da periferia é tema de espetáculo em Curitiba A apresentação acontecerá via YouTube no sábado, 10/10 Redação

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Paraná, 8 a 14 de outubro de 2020

scrito por jovens poetas de Curitiba, Araucária, Mandirituba e Ponta Grosa, a peça de teatro “3X4 – espetáculo retrato social brasileiro” fala sobre o cotidiano marcado por temas como preconceito, falta de oportunidades, sonhos, lutas e inclusão. Da Trupe Periferia, dirigida por Kenni Robers, a apresentação acontecerá pelo YouTube do Espaço Obragem, pela 3a Mostra MOVE de Teatro, no sábado, 10/10, às 20h. A Trupe também tem no elenco um jovem em situação de acolhimento, que é autorizado pelo juizado a participar, pois para o grupo a arte é como ferramenta de protagonismo, pertencimento e autonomia. Foi convidada também a artis-

ta Negabi. Ela é negra, poetisa surda da resistência e acadêmica da Faculdade de Artes do Paraná. O espetáculo tem interpretação em libras. Com vídeo de abertura e de desfecho, “3×4” apresenta cinco cenas ao “vivo”. Pela pandemia, toda interação foi pensada numa relação de distância. O figurino traz a arte da rua como painel e é assinado por Gui Almeida e grafitado por Gustas e Toskas. O elenco de “3×4” é formado por Naju MC (Boqueirão), Serginho Smith (CIC), Handal (Sítio Cercado), Zago (Uberaba), Mika MC (Boqueirão), Bini (Pinheirinho), Poeta Diva Ganjah (Araucária), Felipe o Poeta (Ponta Grossa), Mary Jane (CIC) e Felipe Maculan (Mandirituba).

Projeto “Hora do Conto Virtual” será exibido ao vivo em outubro em homenagem ao Mês das Crianças Redação O projeto “Hora do Conto Virtual”, criado pela Biblioteca Pública do Paraná para entreter o público infantil durante o isolamento social, será exibido ao vivo em outubro para homenagear o Mês das Crianças. As lives acontecerão todas as sextas-feiras, às 15h com transmissão gratuita pelo canal do Youtube BPP Conta. Nesta sexta (09/10), a equipe da

Seção Infantil da biblioteca interpretará duas histórias: “Vó, Para de Fotografar!”, de Ilan Brenman, e “Uma História Atrapalhada”, de Gianni Rodari. Todos os vídeos ficarão disponíveis após as apresentações. A Biblioteca Pública do Paraná segue fechada por tempo indeterminado devido à pandemia da Covid-19. Durante esse período, outras atividades também são divulgadas pelo site www.bpp.pr.gor.br.

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Para ficar por dentro Assista no Facebook, Instagram e no site www.bpp. pr.gov.br

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DICAS MASTIGADAS

Berinjela recheada Sergio Roberto

A cada semana, publicamos receitas com produtos agroecológicos da rede colaborativa Produtos da Terra, da Sinergia Alimentos Saudáveis e da Rede Mandala. Parte dos ingredientes pode ser encontrada no site produtosdaterrapr.com.br Ingredientes 1 berinjela orgânica. 1 cebola orgânica. 2 dentes de alho orgânicos. 2 tomates orgânicos. 2 colheres (sopa) de azeite. Sal e pimenta-do-reino a gosto. Folhas de manjericão a gosto. Queijo parmesão ralado a gosto.

Para ficar por dentro Apresentação ao vivo de “3X4” Onde: Canal do YouTube do Grupo Obragem de teatro. Quando: 10/10, às 20h.

Reprodução

Modo de Preparo Descasque e pique cebola e alho. Corte os tomates em cubos pequenos. Corte a berinjela ao meio, no sentido do comprimento e, com a ponta da faca, retire a polpa de cada metade, deixando a berinjela em formato de canoa. Pique a polpa e reserve. Leve uma frigideira ao fogo médio. Quando aquecer, regue com azeite, junte a cebola e o alho. Refogue até murchar. Acrescente a polpa da berinjela picada e misture bem. Deixe cozinhar por cerca de 5 minutos até ficar macia. Junte o tomate e o manjericão e deixe cozinhar. Tempere com sal e pimenta e desligue o fogo. Com uma colher, preencha cada metade de berinjela com o refogado, polvilhe com o queijo parmesão ralado e transfira para uma assadeira. Leve ao forno até dourar.


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Paraná, 8 a 14 de outubro de 2020

Bola para Ricardo Oliveira Por Cesar Caldas

Ricardo Oliveira é centroavante de ofício, definidor de jogadas por excelência. Em grupo de discussão de rede social, a torcedora Susan Cristine levantou questão nada fácil de responder: como fazer a bola chegar ao veterano atacante em condições de arremate a gol com o elenco que temos? Passada a era napoleônica, os exércitos ocidentais passaram a usar as chamadas “brigadas ligeiras” – de emprego tático pelos flancos – como alternativa às frentes congestionadas do centro. Regimentos seguiram existindo em batalhas por terra, como unidades elementares de emprego operacional. São nossos volantes (três). A artilharia, porém, só funciona se houver eficiência de cavalaria e infantaria pelo meio. Bem notou a inteligente torcedora: no esquema de Jorginho, o Coritiba ataca à base do chutão. Com Rafinha machucado, falta um general para comandar as jogadas.

Liderança de quem joga para a frente Brasileirão parece ter superado era da retranca. Líderes buscam gols incessantemente Divulgação | CBF

estava invicto, mas 5 pontos atrás. Com a característica de ser o segundo time que mais empatou, sete vezes. O único com mais resultados iguais é o Botafogo, com 9, mas na zona do rebaixamento. Característica que une os seis primeiros colocados é ter os ataques mais positivos. Desses o único que não está entre os mais goleadores é o Sport, que não parece ter fôlego para ficar entre os primeiros. COMO FOI EM 2019

Hora de acender Por Marcio Mittelbach

Apagão. Não existe palavra que descreva melhor o momento que vive o Paraná Clube. Não bastasse a série de quatro partidas sem vitória, os dois últimos jogos foram interrompidos por problemas técnicos na iluminação do estádio Santa Cruz e da Vila Capanema. Quem também anda sofrendo com o apagão são os atacantes do Paraná. O último gol marcado por um deles foi em 4 de setembro. Foi de Bruno Gomes na vitória sobre o Figueirense, em Florianópolis. Depois de doze rodadas figurando no G4, parte delas na liderança, o Paraná Clube encerrou a décima quarta rodada na quinta posição, com os mesmos 23 pontos do quarto colocado, o Juventude. Não é só a parte elétrica da Vila Capanema que está pedindo uma geral. Daqui até sábado o técnico Allan Aal terá que quebrar a cabeça para colocar o tricolor em ordem e devolvê-lo ao caminho das vitórias.

Frédi Vasconcelos

A

14ª rodada do Brasileirão estava para começar no fechamento deste texto, o que pode, como numa partida de futebol, ter mudado tudo num lance. Mas o Brasileirão 2020 vem mostrando que os times que buscam as vitórias, privilegiando o ataque, estão em vantagem. O líder, Atlético-MG, tem média de mais de 2 gols por partida, com 25 tentos em 12 jogos, com o detalhe de ser o único time sem empates na competição. Como comparação, o Palmeiras, em terceiro lugar, com média de 1,83 gol por partida,

Fica difícil a comparação de um campeonato com outro exatamente porque, em 2020, por vários motivos, há times com 10, 12 e 13 jogos no momento. Mas na 12ª rodada do ano passado, o campeão Flamengo estava na terceira posição, com 24 pontos, atrás de Santos e Palmeiras, mas já era o time com melhor ataque, tendo então feito os mesmos 25 gols do Galo em 2020. É bom lembrar também que times que buscam o gol e não se contentam com o empate levam vantagem, mesmo perdendo algumas partidas, porque o número de vitórias é o primeiro critério de desempate. Fazendo com que a vitória valha mais de 3 pontos.

ELAS POR ELA A base vem como? Por Douglas Gasparin Arruda

O Athletico foi o time com maior número de atletas convocados pelo técnico André Jardine para a seleção sub-20 que vai disputar o Sulamericano no ano que vem: Léo Linck (19 anos), Khellven (19), Luan Patrick (18) e Jajá (19). Para quem acompanha o furacão não é nenhuma surpresa. O investimento do clube na formação de uma base forte já vem de longa data. Somando com os convocados por Tite já são 8 atletas que ganharam destaque atuando com a camisa rubro-negra e que agora brigam por um espaço entre a seleção de base, a principal e a olímpica. A julgar pelo último treinamento de Tite na terça-feira, é possível que tenhamos 3 destes jogadores iniciando a partida contra a Bolívia na sexta, pelas Eliminatórias da Copa de 2022: Bruno Guimarães, Renan Lodi e, no gol, Santos ou Weverton.

Fernanda Haag

Retorno da série A2 O campeonato Brasileiro da série A2 está paralisado desde março deste ano, por conta da Covid-19. Mas o retorno ocorrerá agora em outubro, a CBF divulgou esta semana a tabela detalhada dos jogos, cumprindo suas próprias previsões para a retomada da competição. A partida entre Fortaleza x São Valério, às 15h do dia 18, dará o pontapé inicial. Lembramos que a série A2 conta com 36 clubes, divididos em 6 grupos com 6 equipes cada um. Os dois melhores e os quatro melhores terceiros dos grupos se classificam para as oitavas.

Os times que chegarem à semifinal garantem o ascenso para a série A1 na próxima temporada. Graças ao Licenciamento de Clubes da CBF, times como Atlético-MG, Sport, Bahia, Vasco, Fluminense, entre outros, participam da disputa. O Paraná tem três representantes: Foz Cataratas; Athletico e Toledo (em fevereiro havia firmado uma parceria com o Coritiba também em decorrência do licenciamento). Na rodada de retorno, o Foz joga com o América-MG. Athletico e Toledo se enfrentam pelo grupo F.

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Brasil de Fato PR - Edição 187  

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