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Cultura | p. 7

Caneladas nos tribunais

Lei Aldir Blanc

Globo e Turner jogam pesado por direitos do futebol

Artistas podem se cadastrar para auxílio

PARANÁ

Ano 4

Edição 180

20 a 26 de agosto de 2020

Divulgação

Divulgação

Esporte | p. 8

distribuição gratuita

www.brasildefatopr.com.br

Falta de água piora tudo para população

Giorgia Prates

“A gente já passou por dificuldade, mas não como agora”, diz moradora do Sabará Paraná | p. 4 Giorgia Prates

PREFEITO REABRE CURITIBA COM UTIs LOTADAS Para especialista é precipitado dizer que “pior já passou”, como fez Greca ao flexibilizar isolamento Paraná | p. 5

Editorial | p. 2

Brasil | p.|6p. 6 Cidades

Paraná | p. 4

Bolsonaro privatista

Famílias pedem socorro

Doações mofadas

Governo tem como projeto cortar direitos e vender estatais

Parentes de encarcerados relatam situação caótica em presídios

Povos indígenas recebem camas e colchões sem condição de uso


Brasil de Fato PR 2 Opinião

Brasil de Fato PR

Paraná, 20 a 26 de agosto de 2020

Bolsonaro não interrompe a venda do Brasil

EDITORIAL

N

a sequência de propostas antipopulares, a pauta do governo e da mídia comercial agora é a reforma administrativa. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cobra de Bolsonaro o envio ao Congresso e afirma que a reforma “não tem objetivo de reduzir o Estado”. Porém, a Globo busca novamente crimina-

lizar os servidores públicos. Em tempo, a máquina estatal brasileira é frágil e menor que a de vários países desenvolvidos. O que acontece (e eles não dizem) é mais uma etapa de desmonte do Estado, a exemplo de outras reformas conservadoras. Ao mesmo tempo, a mídia segue pressionando o governo pela

manutenção do Teto dos Gastos, na figura do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ainda neste mês, o governo Bolsonaro segue sua agenda de privatização do patrimônio público. Ele se desfez do Complexo Eólico Campos Neutrais, considerado o maior da América Latina, a usina que, em 2017, teve lucro líquido de R$ 345

milhões foi vendida por menos de 20% do que foi gasto na construção. Os passos são largos dentro da agenda neoliberal, que não descansa mesmo com o país chegando a 110 mil mortos. Banco do Brasil, Eletrobrás e mais de 300 ativos do governo estão na mira. O retorno das privatizações para o povo? Apenas serviços mais caros!

O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 180 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

O governo nunca esteve tão forte Ari Cardona,

Médico da Família e militante da Consulta Popular

O

Brasil de Fato PR Desde fevereiro de 2016

EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ari Cardona, Anna Carolina Sandri, Letícia Archanjo Freitas, Gabriel Carriconde e Renato Almeida de Freitas ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Douglas Gasparin Arruda REVISÃO Lea Okseanberg ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/ bdfpr CONTATO pautabdfpr@ gmail.com

SEMANA

OPINIÃO

EXPEDIENTE

meu desejo agora era de poder apontar cada falha grave no governo de Bolsonaro e anunciar, otimista, que o governo está cada vez mais encurralado. Motivos não faltariam: esquemas do Queiroz, lavagem de dinheiro, 100 mil mortes por Covid-19. Mas, infelizmente, a realidade aponta para outro lado: o governo de Bolsonaro está mais forte que nunca.

Um elemento importante para esta análise é a recomposição pela qual passou o governo nos últimos meses. O centrão, sempre ele, passou a ganhar cargos e atribuições de forma bem acelerada. Passaram a indicar membros no governo, gente da linha do ex-deputado Valdemar Costa Neto, ex-deputado e cacique do PL, e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que entre outros cargos, indicou o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE, que movimen-

ta nada menos que um orçamento anual de R$ 54 bilhões. Também temos assistido a certo incremento na popularidade do governo. A última pesquisa Datafolha pôs em números este crescimento. Confesso que é difícil analisar este aumento no apoio popular em um momento no qual já chegamos a mais de 100 mil mortes por Covid-19 aqui no Brasil. Se sabe que o auxílio emergencial é um destes fatores. Ao afirmar que o governo nunca esteve tão forte, não indico que a

situação esteja maravilhosa para o lado de lá. Mas, de fato, há uma conjunção de fatores que apontam para uma estabilidade até inesperada, pelo que vínhamos acompanhando desde o início do governo. Há, entretanto, um foco de conflito que pode de alguma maneira ainda mexer nesta estabilidade: o incômodo de Paulo Guedes, representando o setor ultraliberal no governo, com a expansão de gastos e com os debates em torno de uma possível revisão no teto dos gastos.


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Paraná, 20 a 26 de agosto de 2020

Geral | 3

FRASE DA SEMANA

Foi golpe ou foi impeachment? Como a presidente Dilma Rousseff foi deposta do seu cargo? O que mudou com a promoção de Michel Temer à Presidência da República? Qual é o papel da Lava Jato no combate à corrupção ou na desestruturação de um partido e de uma política considerada progressista? E como o deputado Jair Bolsonaro (sem partido) se aproveitou do cenário de polarização para se eleger presidente da República? O documentário “Pulsão” tem a audácia de apresentar algumas pistas e ainda provocar novas dúvidas no telespectador/eleitor. A obra, com pouco mais de 71 minutos, produzida pela Trópico Filmes, será lançada no próximo dia 4 de setembro, nas redes sociais. No filme, o diretor Diego Florentino resgata a turbulência social, política e jurídica no país de 2013 até praticamente o momento atual do Brasil. Com grande foco em tecnologia, uso de dados e apresentando diversos ângulos do debate nacional, “Pulsão” pode se tornar um documento histórico para mostrar como o ex-juiz Sérgio Moro interveio no debate eleitoral e, depois, se tornou ministro do candidato eleito.

“A realidade só tem piorado”

JUVENTUDE Na história e no presente: estudantes em luta!

disse o médico Olímpio Moraes, responsável por fazer aborto autorizado pela Justiça em uma menina de 10 anos, que era estuprada pelo tio desde os 6. Sobre os protestos de grupos conservadores e da igreja, declarou: “minha preocupação é apenas a de fazer o certo”.

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NOTAS BDF

Por Frédi Vasconcelos

Crime continuado Além de ser estuprada dos 6 aos 10 anos por um tio, ficar grávida e ter de lutar na Justiça para fazer um aborto permitido pela legislação, a menina nascida no Espírito Santo ainda teve seus dados e o lugar em que faria a cirurgia divulgados pela militante de extrema direita Sara Giromini (Winter), ex-empregada do ministério da Damares. Fica a pergunta, quem passou os dados para ela? Alguém do antigo emprego?

Gabinete do ódio vai pagar? Além de punições criminais, a Promotoria de Infância de Juventude do Ministério Público do Espírito Santo ingressou com ação contra Sara pedindo indenização de R$ 1,3 milhão por danos morais coletivos. “A conduta no ambiente cibernético violou o dever, previsto constitucionalmente, da sociedade assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito […] à dignidade, ao respeito (..)”, dizem os procuradores.

Sem merenda O presidente Bolsonaro vetou, na quarta, 19, item de lei aprovada no Congresso que permitia que recursos da merenda escolar recebidos por estados e municípios fossem transferidos para pais e responsáveis dos estudantes durante a pandemia. Sua justificativa foi que: “a operacionalização dos recursos repassados é complexa”.

Greve dos Correios Enquanto a estimativa de lucro dos Correios em 2020 é de R$ 800 milhões, a greve dos trabalhadores da empresa é marcada pelo protesto contra a retirada de itens básicos, ao lado da ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), caso de álcool em gel e máscaras para funcionários. A precarização das condições de trabalho numa empresa estatal lucrativa é evidente. O Brasil de Fato Paraná teve acesso ao holerite de funcionário, empregado há 23 anos nos Correios, cujo salário líquido é de R$ 818. A empresa também tem demitido para sua privatização. Os Correios fecharam 2019 com 99.443 funcionários, ante 105.349 no ano anterior (-5,61%). Agência Brasil

Fake news e a manipulação das redes influenciaram na política do Brasil

COLUNA DA

A terça-feira, 11 de agosto, foi marcada em todo País por ações feitas por estudantes. Que, ao longo da História, resistiram ao autoritarismo, à repressão e denunciaram a agenda liberal de privatização. Estiveram organizados buscando defender nossas maiores riquezas. Nesse dia produziram intervenções como vídeos, instalações de faixas e pichações deixando seu o recado: estudantes em luta! Lutando pelo direito de estudar, de morar, de trabalhar, de produzir conhecimento e por nosso direito de viver. Mais uma vez, vivemos um momento adverso de nossa História, no qual ultrapassamos 100 mil mortes por Covid-19. E, na busca pela melhoria das condições de vida da população, as e os estudantes organizam a distribuição de alimentos, cozinhas e hortas comunitárias, cursos de agentes populares de saúde, participam de projetos de extensão, produzem pesquisas, assistem e dão aulas. E cada estudante que se preocupa discute e busca respostas para os problemas que nos atingem, constrói esse movimento que denuncia e combate a política fascista e racista do governo Bolsonaro e dá passos, com criatividade e solidariedade, para uma nova sociedade. Anna Carolina Sandri e Letícia Archanjo Freitas, militantes do Levante Popular da Juventude


Brasil de Fato PR 4 Paraná

Giorgia Prates

“A gente já passou por dificuldade, mas não como agora”, diz moradora do Sabará sobre falta de água

Sanepar passa a fazer rodízio mais rígido: 36 horas com água e 36 sem Lia Bianchini

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Paraná, 20 a 26 de agosto de 2020

cafezinho da manhã, a preparação do almoço ou jantar, higiene pessoal, limpeza da casa. Todas as atividades corriqueiras demandam o uso de água, item que está entrando em extinção em Curitiba e Região Metropolitana. Na sexta (14), entrou em vigor novas regras de rodízio da Sanepar. Foi reduzido o intervalo entre suspensão e retomada do abastecimento e, com isso, a população passa a ficar 36 horas sem água e 36 com. Estima-se que, diariamente, cerca de 1,2 milhão de moradores de Curitiba e Região Metropolitana fiquem sem fornecimento. Olga Ferreira é moradora da Comunidade do Sabará, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e tem vivido com escassez de água o ano inteiro. “Desde que começou essa seca. Às vezes ficamos até dois

dias sem água”, diz. Moradora do Sabará desde o início da ocupação, na década de 1980, Olga conta que é a primeira vez que vivencia algo assim. “A gente já passou por dificuldade, mas não como agora. Está sendo a parte mais difícil”, afirma. Ali, os moradores têm contornado a falta de água como podem. “A gente está aproveitando a água da chuva. Chove e a gente coloca os galões lá fora e usa pra dar descarga no banheiro, limpar a casa. Quem tem caixa [d’água], dá pra quebrar um galho pra fazer comida. Mas e quem não tem caixa d’água?”, questiona. A comunidade usa também a água de uma fonte natural que tem na região. Segundo informações da Sanepar, o nível total do Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba está em 29,96%. As chuvas dos últimos dias foram, até agora, insuficientes para alterar o nível das barragens.

Indígenas do Vale do Itajaí recebem doação de colchões e cobertores velhos e mofados Material foi doado pelo Exército, atendendo à demanda da Secretaria Especial de Saúde Indígena Lia Bianchini

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a última semana, as aldeias da Terra Indígena (TI) Laklãnõ-Xokleng, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, receberam doação de 50 colchões, cobertores e 25 camas levados pelo Exército para indígenas infectados pela Covid-19. Segundo relatam os indígenas, no entanto, o material estava velho, rasgado, mofado e enferrujado. “A Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) orienta a comunidade a fazer a parte higiênica, lavar mãos, usar máscara e álcool em gel e ter cuidados. Agora, o que acontece? A Sesai vai apoiar uma doação de material de péssima qualidade, sem higienização”, diz Geomar Covi Crendô, cacique da aldeia Palmeirinha. O cacique pondera que, ainda que não tenha sido doação direta da Secretaria, deveria ter sido fiscalizada pelo órgão. Antes de chegar à TI, o material já havia sido utilizado por outros indígenas infectados, na Terra Indígena Xapecó, no município catarinense de Ipuaçu. Na sexta (14), o Dsei-Isul fez a devolução dos materiais. De acordo com o cacique Geomar, o órgão se comprometeu a fazer a doação de novos materiais, ainda

sem previsão de data. Na TI Laklãnõ-Xokleng vivem cerca de 2.300 indígenas. Desde junho, por conta própria, as comunidades estão em isolamento total, com barreiras nas entradas. Segundo levantamento atualizado semanalmente pela própria comunidade, até a sexta (14), eram 137 indígenas infectados pela Covid-19. Na avaliação do cacique Geomar, existe descaso do poder público. “Não apareceu poder público municipal, estadual, federal. A Sesai precisou ser pressionada. O órgão público era pra estar prevenindo a comunidade, e não esperar o caso acontecer pra tentar prevenir. Agora os casos já estão na aldeia. Como não existe um medicamento específico, vacina, nós precisamos de profissionais para atender a comunidade”, diz. Reprodução | NSC TV


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Brasil 5

Prefeitura de Curitiba abre cidade com apenas 26 leitos de UTI livres

Crédito da foto

Especialista diz que ainda é cedo para flexibilizar regras e afirmar que “o pior já passou” GRUPO DE RISCO Ana Carolina Caldas

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pior já passou”, disse o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ao anunciar a mudança da bandeira laranja para amarela do protocolo sanitário no último final de semana. A mudança permite a flexibilização do comércio, com liberação de bares e restaurantes, reabertura de academias de natação, parques, feiras, entre outros. Mas a realidade não é o que Greca afirma. Na terça, 18, por exemplo, a lotação de UTIs na cidade era de 92,2%, com apenas 26 leitos disponíveis. O argumento para flexibilizar as regras foi que os índices de transmissibilidade, de casos e mortes, na última semana, diminuíram. Porém, o período de uma semana

é pouco para determinar que haja uma tendência consolidada. Em entrevista ao Brasil de Fato Paraná, o presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor Emanuel Maltempi, diz que há um começo de estabilidade, mas que não é um bom momento para flexibilizar. “Os números de casos e mortes são altos ainda. É precipitada a decisão de afirmar que o pior já passou. A lotação de UTIs pode subir mais ainda quando estamos em pleno inverno, o que traz outras doenças”, disse. “Em casos europeus, mesmo com estabilidade, foi mantido rígido isolamento até que, de fato, os números começassem a baixar. É preciso mais que uma semana”, diz Emanuel.

Mulheres e enfermeiras estão entre os mais infectados por coronavírus no Paraná Na segunda feira, 17, o Paraná atingiu mais de 100 mil casos de pessoas contaminadas pelo coronavírus, com mais de 2 mil óbitos. O aumento de um dia para o outro foi de 1.258 diagnósticos positivos e 42 óbitos. Segundo dados da Secretaria do Estado de Saúde do Paraná (Sesa), as mulheres aparecem em maior número de contaminados. Já os homens com mais de 68 anos são maioria nos óbitos. O perfil dos paranaenses infectados, segundo dados oficiais, traz as mulheres com média de 40 anos como as mais atingidas pela Covid-19. Até 17 de agosto, a porcen-

tagem era de 48% de homens contaminados e 52% de mulheres. Outro dado relevante é que as mulheres, no Brasil, detêm 76% dos empregos na área da saúde. E na enfermagem, onde os trabalhadores estão na linha de frente das interações com os pacientes, as mulheres também representam mais de 85% da força de trabalho, segundo dados do conselho da profissão. E os profissionais de enfermagem estão no topo do maior número de infectados pelo coronavírus no último mês, com 14.051 notificações e 2.304 confirmados.

Giorgia Prates

Paraná inicia parceria com Rússia para produção de vacina Lia Bianchini

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a quarta (12), o governo do Paraná assinou memorando de entendimento que dá início à parceria com a Rússia para desenvolvimento da vacina Sputinik V contra a Covid-19. A vacina russa ainda é controversa na comunidade científica, uma vez que não foram divulgados abertamente os resultados dos testes clíni-

cos e não existem indícios científicos transparentes sobre sua eficácia. A produção do primeiro lote da Sputinik V na Rússia teve início no sábado (15). O diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, explicou que o início da parceria com a Rússia não indica, necessariamente, que a vacina será produzida aqui. Antes, é preciso esta-

belecer protocolo de pesquisa e validação de sua eficácia pelos órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). “Esperamos que os resultados todos que estão em pesquisa no Brasil sejam promissores e que o Brasil tenha alternativa de imunização. Independente do estágio, se existem algu-

mas incertezas sobre isso, as análises nos dirão, os órgãos reguladores do país nos dirão”, afirmou Callado. A produção da vacina no Brasil depende também da transferência de tecnolo-

gia e da viabilidade. Callado estima que poderia começar a ser produzida aqui no segundo semestre de 2021. Antes disso, comprovada sua eficácia, poderia ser importada.


Brasil de Fato PR 6 Cidades

Sindicato denúncia falta de equipamento para auxiliares de enfermagem visitarem pacientes de Covid-19

Gabriel Carriconde O Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec) está denunciando a Prefeitura de Curitiba pela falta de aparelhos de proteção para auxiliares de enfermagem que fazem visitas domiciliares a pacientes com Covid-19. De acordo com a presidenta do Sismec, Raquel Padilha, os auxiliares estão correndo risco de se infectar e infectarem outras pessoas. ‘’A Prefeitura entregou máscaras para nós. Mas o mate-

rial é insuficiente e de qualidade inferior, os profissionais acabam tendo que reutilizar equipamentos descartáveis’’, relatou Padilha em entrevista ao “Jornal da Cidade”, da Rádio Cidade. Além da falta de material, a Secretaria de Saúde teria determinado que esses funcionários façam as vistas sozinhos, sem supervisão de um enfermeiro, contrariando o que manda a lei. Em nota, o sindicato anunciou que a diretoria debateu o assunto com o Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR)

Familiares de encarcerados pedem “socorro” no Paraná Situação nos presídios está dramática, com falta de medicamentos e avanço da pandemia Frédi Vasconcelos

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situação nos presídios do Paraná, e no Brasil, nunca foi ideal, com problemas como a superlotação e falta de funcionários. Mas tem se agravado muito com a pandemia. Foi o que relataram familiares de encarcerados e especialista no programa Brasil de Fato 11h30 da sexta, dia 14. No dia anterior ocorrera manifestação em frente ao Complexo Penitenciário de Piraquara, porque havia denúncias de que os presos estavam sofrendo represálias e deixados sem alimentação e água por conta da morte de um agente peni-

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tenciário em sua casa. “Estão apanhando devido à morte do agente. Querem que confessem, mas como vão fazer isso se nem sabiam o que tinha acontecido lá fora”, disse uma fonte. Além dessa situação específica, Carina Correia, do movimento “Todos pela Causa” e familiar de encarcerado relatou no programa que a situação atual é terrível, porque “não podem fazer visitas, enviar carta ou e-mail para saber o que de fato está ocorrendo.” Vários outros comentários apareceram durante o programa com familiares narrando sua situação e pedindo “socorro”, desesperados, sem saber o que fazer. Giorgia Prates

Para a doutora Isabel Mendes, presidente do Conselho da Comunidade, e que há mais de 40 anos acompanha o sistema prisional, este já era “cruel e medieval”, mas a situação tem se agravado. Uma das deficiências é não ter funcionários, médicos, enfermeiros e remédios suficientes para tratar os doentes. “Todas as penitenciárias estão com problemas, se a pessoa apresenta sintomas, é colocada numa galeria, contaminando outras pessoas... E falam para ter hábitos de higiene, mas como vão fazer isso se o estado não fornece os produtos. Antes, quem levava era a família, que agora está impedida de fazer visitas”, diz. Carina também fala sobre a situação atual, em que tudo mudou. “Só podemos mandar sacola com produtos por Sedex, que demora a ser entregue. Uma mãe veio me falar que o filho recebeu 30 dias depois e acabou chegando com o pão que ela mandara já estragado. E quando os Correios entrarem em greve, o que vamos fazer?”, questiona. Há relatos também que os presídios estão cortando água, luz e alimentação no final da tarde e só restabelecendo no dia seguinte de manhã. O BDF está apurando essas informações.

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e encaminhou uma sugestão de normatização. Prefeitura se justifica Em nota, a Prefeitura de Curitiba se justificou sobre as irregularidades. ‘’Quando necessário, os servidores são orientados a ficar do lado de fora da residência, a uma distância mínima de 1,5 metro de pacientes, familiares e cuidadores, que também devem estar usando máscara”. A nota também diz que todos os servidores têm os EPIs necessários à disposição, ao contrário do que relata o sindicato.


Brasil de Fato PR 7 | Cultura

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Paraná, 20 a 26 de agosto de 2020

Começa cadastro para artistas poderem receber recursos da lei Aldir Blanc Reprodução

Confira as regras para ter direito a recursos votados pelo Congresso

Redação

O

s recursos da lei Aldir Blanc, de cerca de R$ 3 bilhões, para proporcionar renda ao setor artístico afetado pela pandemia, serão repassados, em parcela única, para estados, municípios e o Distrito Federal. A exemplo do auxílio emergencial pago a informais, os trabalha-

dores da cultura terão direito a três parcelas de R$ 600, pagas em uma única vez, nos valores e condições definidos pela lei. A ideia da lei aprovada na Câmara, relatada por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e no Senado, por Jaques Wagner (PT-BA), é proporcionar condições de sobrevivência a artistas que estão sem trabalho na pandemia.

Regras para acessar o auxílio Ter 18 anos ou mais, atuação social ou profissional nas áreas artística e cultural nos últimos dois anos

O trabalhador não poderá ter emprego formal ativo, ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Bolsa Família. Também não poderá receber a ajuda se tiver recebido rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2018 Poderão receber os R$ 600 até duas pessoas de uma mesma família. Mãe solteira receberá o dobro do benefício (R$ 1.200), em seis parcelas de R$ 600, que também serão pagas de uma vez

LUZES DA CIDADE Por Renato Almeida de Freitas

Beco sem saída Na esquina da miséria com a tragédia se reúne meia dúzia de jovens. O funk na caixinha fala das bebidas mais caras nos lugares mais bonitos com as mulheres mais sedutoras. Um vai e vem que inveja os comerciantes da região. O mais novo, descalço e mancando, vai até o carro que para. Tira a bucha da boca, pega o dinheiro. Uma moto, vai o gordinho ainda de luto pelo seu irmão mais novo que morreu afogado no rio, vende três pra fumar uma. E assim segue o revezamento até que se perdem na ordem: - sai fora seu burro, não sabe contar não? - burro é você cara, nem vem, toda hora quer passar a mão na minha cara, você viu que eu entreguei pro carro vermelho aquela hora, agora é minha vez! - bem eu que sou burro né seu índio, não sabe nem falá e ainda tá querendo pagá de pá. - firmeza, pode continuar assim... nem era mais

Renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos (R$ 3.135), o que for maior

pra você tá trabalhando aqui cara, só dá prejuízo. - se eu quiser eu saio daqui, falta só um ano pra mim terminar os estudos, não vou ficar aqui pra sempre - então vai lá o espertão, se você fosse tão estudado assim não tava pegando luz do poste dos outro - o poste é seu agora? Vai arrumar esses dente aí que pelo menos eu tenho todos Sujou, sujou! Grita o manquinho com a caixa na mão. Um gol branco passa, policiais à paisana saem rapidamente, os dois, pegos de surpresa engolem o flagrante, a multidão dispersa. - Mão na cabeça seus lixo. De repente um dos jovens cai, havia engolido algumas buchas que provavelmente se abriram em seu estômago. Horas depois a rua cheia de polícia, IML e curiosos. A lojinha fechou. O rapaz que tinha o sonho de voltar a estudar morreu na contramão atrapalhando o tráfico.

Ser agente cultural há dois anos, com comprovação, por foto

DICAS MASTIGADAS Sopa de alho-poró A cada semana, publicamos receitas com produtos agroecológicos da rede colaborativa Produtos da Terra, da Sinergia Alimentos Saudáveis e da Rede Mandala. Parte dos ingredientes pode ser encontrada no site produtosdaterrapr.com.br

Ingredientes 2 colheres de chá de azeite 1 xícara de alho-poró orgânico em rodelas 1 xícara de cenoura orgânica ralada 1 alho picado 1 colher de sopa de cebola picada 300 gramas de batata orgânica descascada e picada 1 litro de caldo de galinha ou legumes sal a gosto Modo de Preparo Coloque o azeite em uma panela e refogue a cebola e o alho. Acrescente o caldo de galinha e o sal. Deixe ferver por cerca de 5 minutos. Junte as batatas, o alho-poró e a cenoura. Quando estiver cozido, bata no liquidificador até obter uma textura cremosa ou, se preferir, deixe com pedaços.


Brasil de Fato PR 8 Esportes

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Globo e Turner disputam transmissão de jogos com “chutes” e “pontapés” nos tribunais Frédi Vasconcelos

A

lém de sua ação populista de a cada dia aparecer com a camisa de um time de futebol diferente, o presidente Jair Bolsonaro “embolou” o meio de campo na transmissão pela TV dos jogos do Brasileirão. Ele editou, a pedido da direção do Flamengo, a medida provisória “do

Mandante”, a MP 984, que dá o direito de transmissão aos times que jogam em casa. Mudando a regra anterior, em que os direitos eram compartilhados. Como os contratos de TV da atual edição foram assinados antes dessa medida, a Globo foi aos tribunais para impedir que as emissoras do Grupo Turner exibam jogos dos Divulgação

ELAS POR ELA Fernanda Haag

times que tem sob contrato, alegando que as assinaturas foram feitas antes da MP e que as regras não podem ser mudadas. A quarta rodada, na quarta-feira, 19, começou debaixo de uma decisão favorável à Globo, proibindo a Turner de exibir confrontos por causa da MP do mandante. Porém os tribunais têm revezado decisões favoráveis a um e outro grupo, deixando os torcedores sem saber onde será transmitida a partida até minutos antes do início das rodadas. E muitos pontapés e muitas caneladas ainda acontecerão nesse jogo até o final do campeonato, no ano que vem. Foco no pay per view Para rentabilizar ainda mais seus contratos, a Globo tem optado por transmitir as partidas dos times de maior torcida apenas no sistema pay per view, em que é necessário pagar todos os meses para ver os jogos. Isso fez com que o próprio Flamengo tivesse três de seus quatro jogos transmitidos, até agora, apenas pelo sistema de pagar para ver.

“Quero voltar logo, porque quero jogar futebol” A frase acima foi dita pela menina de 10 anos que foi estuprada em São Mateus-ES, após dar entrada no Cisam de Recife para ter o seu direito ao aborto garantido. Por mais que a coluna fale sobre futebol, não poderia me furtar de abordar o tema esta semana, menos ainda depois da fala tão singela dessa criança. O objetivo aqui é chamar atenção para um ponto que une o futebol de mulheres e a história dessa menina (infelizmente, longe de ser a única): a necessidade de discutirmos gênero no espaço público. Isso passa por educação sexual nas escolas e por possibilitarmos acesso ao esporte desde a infância, nos espaços formais e informais de educação. Ainda nessa direção, é importante trazermos as discussões de gênero para o campo esportivo. Não é mais possível aceitarmos o silêncio que permeia a violência contra a mulher no futebol. Chega de histórias de jogadores agredindo suas esposas e todas as outras práticas que continuam afastando mulheres desse espaço ou prejudicando sua existência.

Pastana se sustenta?

Enfim, boas apostas

O duelo dos campeões estaduais

Por Cesar Caldas

Por Marcio Mittelbach

Por Douglas Gasparin Arruda

O superintendente de futebol do Coritiba, Rodrigo Pastana, chegou ao clube em novembro de 2018 já contestado pela má fama de imodesto e afetado, que foi ganhando corpo à medida em que clubes com poucos recursos financeiros (Criciúma, Barueri e Guarani) ascendiam a divisões superiores sob sua gestão, apesar dos fracassos no ABC e Goiás. Esse currículo não só fez crescer a inflada soberba do executivo, como também ganhou a confiança de clubes com estrutura melhor, como Figueirense e Paraná Clube, na busca da Série A do Brasileiro. Não se atentou, porém, para o recorrente fato de que falta feeling a Pastana para montar e gerir um departamento de futebol mais sofisticado. Sua saída do Ceará, por exemplo, precisou da intervenção da polícia, dada a fúria da torcida do Vozão. A coxa-branca, tal qual a paranista o fez pouco tempo atrás, também pede sua demissão.

Contratações são apostas. Algumas têm mais chance de dar certo, outras, errado. No Paraná, são dezenas de tentativas todos os anos. Por pagar salários abaixo da média, os acertos são mais raros. Dos quinze jogadores que atuaram na vitória sobre o Guarani, nove chegaram este ano. Dos 30 que figuram no elenco, apenas 10 são remanescentes. Com tanta rotatividade, uma hora tinha que dar certo. Quem sabe em 2020. Depois da consolidação de “Zinedine” Bressan com a 10, o recém-chegado Bruno Gomes está próximo de garantir a 9. Tem ainda os laterais Paulo Henrique e Jean Vitor e o volante Higor Meritão. Todos chegaram há pouco tempo, mas já estão consolidados no time titular. O lado ruim desses acertos é a cobiça. A mesma que já fez Gustavo Mosquito voltar para o Corinthians, que levou o Carlos Dias, prata da casa, para o Apoel, do Chipre, e que seguirá ocorrendo com nossos destaques.

O jogo dessa quarta entre Athletico e Palmeiras, na Arena da Baixada, coloca em disputa duas propostas de futebol bem diferentes e que deram bons resultados nos estaduais. O Athletico chega para a 4° rodada com a difícil tarefa de manter a efetividade dos primeiros 2 jogos no Brasileirão. Contra o Santos, o time teve um excelente começo de partida. Chegou a ter mais de 70% de posse de bola, criou algumas jogadas interessantes, mas teve dificuldade para romper as linhas defensivas do Peixe. O Palmeiras, por sua vez, ainda não venceu na competição. Com um futebol pouco inspirado, baixa criatividade no meio e uma dificuldade imensa de construir jogadas de ataque, Luxemburgo chega para a partida com a corda no pescoço - e a missão de convencer alguém (além dele mesmo) de suas opções táticas.

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