Brasil de Fato PR - Edição 177

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Solidariedade entre trabalhadores

Cultura | p. 8

Documentário sobre realidade trans

MST e agricultores familiares doam alimentos a moradores de áreas urbanas, indígenas, instituições e hospitais

PARANÁ

Ano 4

Reprodução

Giorgia Prates

Paraná | p. 6

Em vídeos gravados com celular, “Transdemia” traz narrativas sobre vivências neste período

Edição 177

30 de julho a 5 de agosto de 2020

distribuição gratuita

www.brasildefatopr.com.br

LUTAS EXPLODEM NA PANDEMIA Metalúrgicos da Renault há mais de dez dias em greve contra demissões Trabalhadoras domésticas se esforçam para sobreviver e defender seus direitos Familiares denunciam modelo falido e falta de direitos no sistema prisional

Divulgação

Opinião | p. 2

Brasil | p.| p. 6 3 Notas BdF

Editorial | p. 2

Bolsonaro deve ser punido

Brasil ultrapassa 90 mil mortes

Greves são legítimas!

Para especialista em Saúde, governo optou por política equivocada

Governos de direita são recordistas em óbitos no mundo

Trabalhadores resistem contra ataques em tempos de pandemia


Brasil de Fato PR 2 Opinião

Paraná, 30 de julho a 5 de agosto de 2020

Greves, única política para salvar empregos EDITORIAL

Brasil de Fato PR

SEMANA

N

a semana passada, a Renault, empresa que recebe incentivos fiscais do Estado, anunciou a dispensa de 747 trabalhadores em São José dos Pinhais. A Universidade Positivo também dispensou, recentemente, centenas de trabalhadores no Paraná. Os dois casos são exemplos de como a crise sanitária tem sido usada pelas grandes empresas para criar um clima de que “tudo é possível”: dispensas em massa, desrespeito a direitos, trabalho precário. O desemprego só aumenta (são 11,1% de desempregados no Paraná) e a renda está cada vez menor. Nem Bolsonaro nem Ratinho tem políticas para garantir emprego e renda. Deveria estar proibido demitir durante a pandemia, assim como, quando necessário deveria haver ajuda para as empresas, especialmente pequenas e médias, manterem esses empregos. Para enfrentar a crise, é preciso fazer o isolamento social. Trabalho, renda e garantia de direitos, porém, são suas condições. Por isso, a importância da greve dos trabalhadores da Renault e das recentes manifestações nacionais dos entregadores de aplicativos por melhores condições de trabalho. Essas mobilizações nos mostram que, faça chuva ou faça sol, temos de lutar pelos direitos básicos dos trabalhadores!

Sobra cloroquina, faltam anestésicos OPINIÃO

Alexandre Padilha,

A

médico, professor universitário e deputado federal eleito pelo PT-SP, foi ministro da Saúde de Dilma e secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad em SP

sanha genocida do governo Bolsonaro fica cada vez mais escancarada quando analisamos a característica da execução dos recursos do Ministério da Saúde do governo federal. O último capítulo são as provas que mostram que Bolsonaro tem direcionado os recursos públicos para medicamento sem eficácia, como a cloroquina, que está com um estoque acumulado. Fora isso, existem os gastos e compras de insumos da Índia seis vezes maior do que o preço normal, ao mesmo tempo em que faltam recursos públicos e iniciativas do governo federal para a compra de medicamentos com eficácia já reconhecida e comprovada, como por exemplo, anestésicos fundamentais

para manter os pacientes em ventilação mecânica e salvar vidas. As evidências vêm das informações obtidas junto às atas de reuniões do Ministério da Saúde e do comitê de operação emergencial do governo federal, que mostram que há mais de dois meses o ministério havia sido noticiado de duas questões: uma, do risco real da falta de medicamentos anestésicos fundamentais para manter os pacientes

Gastar recursos com medicamentos sem eficácia e não investir em medicamentos com eficácia comprovada como os anestésicos, é um ato deliberado para colocar a população em risco

em ventilação mecânica; a outra é sobre a incapacidade da indústria nacional multiplicar a produção de cloroquina como queria Bolsonaro. O que fez o governo federal? Não tomou atitudes concretas - e usou mecanismos para esconder as informações em relação ao risco da escassez dos medicamentos anestésicos, que geraram uma grande crise que se arrasta há quase 2 meses nas UTI’s. E agora chegou o momento mais crítico, como por exemplo o que se passa no estado do Paraná. Este é mais um capítulo da novela genocida de Bolsonaro que mostra que existem atos deliberados para colocar a população em risco. Porque gastar recursos do Ministério da Saúde com medicamentos sem eficácia e não investir esses recursos na compra e na aquisição de medicamentos com eficácia comprovada como os anestésicos, é, sim um ato deliberado para colocar a população em risco.

EXPEDIENTE Brasil de Fato PR Desde fevereiro de 2016 O jornal Brasil de Fato circula em todo o país com edições regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta é a edição 177 do Brasil de Fato Paraná, que circula sempre às quintas-feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. EDIÇÃO Frédi Vasconcelos e Pedro Carrano REPORTAGEM Ana Carolina Caldas e Lia Bianchini COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Andréia Carvalho Gavita, Ana Keil, Fernan Santos ARTICULISTAS Fernanda Haag, Cesar Caldas, Marcio Mittelbach e Roger Pereira REVISÃO Lea Okseanberg, Maurini Souza e Priscila Murr ADMINISTRAÇÃO Bernadete Ferreira e Denilson Pasin DISTRIBUIÇÃO Clara Lume FOTOGRAFIA Giorgia Prates e Gibran Mendes DIAGRAMAÇÃO Vanda Moraes CONSELHO OPERATIVO Daniel Mittelbach, Fernando Marcelino, Gustavo Erwin Kuss, Luiz Fernando Rodrigues, Naiara Bittencourt, Roberto Baggio e Robson Sebastian REDES SOCIAIS www.facebook.com/bdfpr CONTATO pautabdfpr@gmail.com


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Paraná, 30 de julho a 5 de agosto de 2020

Geral | 3

COLUNA DA

FRASE DA SEMANA

Curitiba empresta em dólar e aposta na queda da moeda Cenário de crise econômica, queda de arrecadação, PIB negativo, risco país nas alturas e incertezas sobre o futuro. Nesta conjuntura, quem emprestaria dinheiro em dólar em 2020 quando a moeda americana disparou? A Prefeitura de Curitiba, sim. E não foi pouco dinheiro. Apenas 75 milhões de dólares. Empréstimo aprovado na Câmara Municipal – em meio à pandemia – para mais uma vez socorrer os interesses das empresas de ônibus sob argumento de investimento em mobilidade urbana. Essa dinheirama representava R$ 391 milhões. O pedido de empréstimo foi feito em junho. A gestão de Greca achou ser um bom negócio, ainda mais porque se comprometeu a investir do próprio bolso outros 18,7 milhões de dólares, subindo a conta para R$ 488 milhões. Por que a gestão preferiu tomar dinheiro no New Development Bank (Banco dos BRICS) e não no BNDES? A explicação é de que os juros compensam até a alta do dólar. E ainda fez uma aposta: daqui cinco anos, quando começar a pagar o empréstimo, o “dólar deve estar estabilizado”. Há cinco anos, em 2015, a moeda americana valia R$ 3,96. Desde então não para de subir. Daqui cinco anos, em 2025, quando o próximo prefeito começar a pagar essa conta, alguém aposta que estará maior do que o patamar atual? Mas o juro baixo compensa, segundo os técnicos do IPPUC.

JUVENTUDE

“No aniversário de Marielle Franco, reafirmamos o compromisso com as causas que ela defendia”

Em tempos de pandemia, onde há saúde?

Angela Davis, militante estadunidense da luta antirracista, em vídeo no Twitter em 27 de julho, data em que Marielle completaria 41 anos Divulgação

NOTAS BDF

Por Frédi Vasconcelos

A “gripezinha” O Brasil ultrapassou 90 mil mortos em decorrência da Covid-19 na quarta, 29. No mundo, só os Estados Unidos têm números piores, com mais de 150 mil mortos. Em terceiro lugar, vem o Reino Unido, com cerca de 46 mil mortes. Por coincidência, os três países têm governos de direita e, no caso do Brasil e dos Estados Unidos, presidentes negacionistas e que fazem “propaganda” da cloroquina, medicamento sem efeito comprovado.

O ódio mira Felipe Neto Após gravar vídeo publicado no “New York Times” denunciando o governo Bolsonaro como o “pior do mundo”, o youtuber Felipe Neto passou a ser atacado pelo gabinete do ódio, sites e redes de apoio ao governo Bolsonaro, que veiculam fake news. Felipe denunciou, em seu perfil no Twitter, que sua equipe derrubou, na segunda (27), mais de 1.200 vídeos enviados para o Facebook e Instagram com informações caluniosas, a maioria com acusações de pedofilia.

PSOL pede inclusão em CPI Por conta desse ataque, parlamentares do PSOL protocolaram ofício na Câmara dos Deputados em que afirmam: “O modus operandi utilizado pelo ‘gabinete do ódio’ levanta séria suspeita de que o caso tenha sido mais uma peça produzida e disseminada sob os comandos desta organização criminosa conhecida”. O deputado Marcelo Freixo (RJ) também publicou no Twitter. “Eu e os demais deputados do @psolnacamara pedimos que a CPMI das Fake News no Congresso investigue os ataques criminosos contra o @felipeneto. Queremos saber quem opera e principalmente quem financia essa rede de notícias falsas.”

Segredos da Lava Jato Segundo relato da Rede Brasil Atual, “O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, tem os dados de 38 mil pessoas e funciona como uma ‘caixa de segredos’. Segundo ele, a operação tem mais dados armazenados do que todo o sistema do Ministério Público Federal.” Divulgação

A população jovem brasileira tem lidado com o estresse cotidiano pela incerteza que a pandemia traz. São os primeiros a serem dispensados de seus postos no mercado de trabalho, os que mais entram em trabalhos precarizados, como entregadores de APP, os que lidam com ensino remoto incoerente com suas realidades e os que mais morrem nas periferias do Brasil. Esse cenário estrutural de desigualdades posiciona o jovem no topo do abismo e acarreta a ele uma carga desumana de ansiedade e angústia. Em muitos sentidos, o jovem acorda e se levanta apenas porque está vivo. Embora num cenário desolador e pressionado pelas inseguranças, é da juventude a resposta de inconformismo. Protestos por vidas negras, breque dos APPs e campanhas como a Periferia Viva são ações que demonstram a força e o protagonismo da juventude na busca por melhores condições de vida. Ter vida digna é também ter saúde, e essa saúde se alcança com a compreensão de que ela é coletiva, cuidando do outro para além de si, por isso é essencial lutar por melhores condições trabalho, direito à vida e ao bem viver para sermos uma sociedade saudável: com fome de vida e de direitos, lutando pela emancipação de todos e todas. Ana Keil e Fernan Santos são militantes do Levante Popular da Juventude e pesquisadores na área de arte e linguagem


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Paraná, 30 de julho a 5 de agosto de 2020 Divulgação

Acampamento de familiares escancara condições dos encarcerados

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Trabalhadores da Renault passam de 10 dias de greve em repúdio às 747 demissões Sindicato quer cumprimento de lei que estabelece condições para empresas que recebem incentivos fiscais Ana Carolina Caldas

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m 21 de julho, a diretoria da Renault, com fábrica em São José dos Pinhais, anunciou a demissão de 747 trabalhadores. Em assembleia na tarde da segunda (27), os trabalhadores decidiram manter a greve iniciada no dia das demissões, completando dez dias do movimento. Os metalúrgicos querem que a empresa reverta a demissão e que o governo do estado faça ser cumprida a Lei 15.426/2007, que apresenta uma série de condições às empresas que receberam incentivos fiscais do Estado, caso da Renault. Em entrevista ao programa “Quarta Sindical” (CUT Paraná e Brasil de Fato Paraná), o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson de Souza, disse que foi feita uma primeira conversa com Ratinho Jr. “Fizemos uma

conversa com o governador nesta terça feira (28), pedindo punição rigorosa à montadora pelo descumprimento da Lei 15.426. Que a empresa devolva tudo o que ganhou do Estado.” A lei prevê que as empresas que receberem incentivos fiscais de qualquer natureza para implantação ou expansão de atividades no Paraná deverão promover a “manutenção de nível de emprego e vedação de dispensa”. Outra conversa realizada pelo sindicato foi com o prefeito de São José dos Pinhais, Antônio Benedito Fenelon. “Pedimos audiência porque, na mesma lei, o município também concedeu incentivos fiscais. E a perda desses mais de 700 empregos, que envolvem famílias que circulam no município, vai causar grande impacto na economia local”, diz Nelson. Ele informa também que as

demissões envolveram pessoas que estavam afastadas por motivos de saúde. “Teve trabalhador com Covid-19 demitido, outro afastado por ter feito cirurgia”, afirma. “Essas irregularidades, somadas às demissões feitas sem diálogo, mobilizaram trabalhadores que não foram demitidos.” A Renault afirmou, em nota, que o corte dos funcionários no Paraná faz parte da estratégia de enxugamento da estrutura.

AUDIÊNCIA PÚBLICA Por iniciativa do deputado Arilson Chiorato (PT), será realizada audiência pública que debaterá as demissões dos 757 trabalhadores da Renault na sexta feira, 31, às 10h, por videoconferência pelo sistema Zoom, via redes sociais da Assembleia Legislativa do Paraná.

Giorgia Prates

F

amiliares de pessoas encarceradas saem às ruas por itens básicos, necessários sobretudo em tempos de pandemia. O programa “BDF Onze e Meia” contou com a presença de Carina Correia, familiar de um detento, Renato Almeida de Freitas, advogado e mestre em Direito Penal, e o assistente social Moisés. Os três forneceram um quadro completo das injustiças do sistema carcerário no Paraná e no Brasil. Carina denuncia que as famílias estão se sentindo “humilhadas enquanto lutam pela garantia dos direitos humanos dos seus familiares. Direitos esses que são obrigação dos estados. Direitos esses que todos merecem, sem discriminação”, afirmou. De acordo com informações da direção da Penitenciária Estadual de Piraquara, (PEP I) dos 67 presos que fizeram o teste de Covid-19, no dia 17 do mês de julho, 56 testaram positivo. Segundo o Mapa de Monitoramento da Prevenção ao coronavírus nas Unidades Penais do Paraná, são hoje 353 presos e 119 policiais penais confirmados com o vírus nos locais – número considerado irreal pelos familiares. Quando falamos no sistema carcerário não paramos para pensar que vivemos em um país cuja estrutura social é racista, patriarcal e que a divisão econômica não favorece a cidadania. O encarceramento responde, então, a essa estrutura social. “Para que seja efetivada a punição para essas pessoas que estão privadas da liberdade se faz necessário, diante do entendimento do capitalismo, que elas vivam de maneira ainda mais miserável do que poderiam estar vivendo do lado de fora, e temos que fazer essa crítica agora, temos que pensar sobre esses conflitos”, afirma Renato Freitas.


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No Paraná, estoque de remédios sedativos para intubação está no fim Governo do Estado pede ajuda ao Ministério da Saúde, que gastou apenas 29% do orçamento destinado à pandemia Ana Carolina Caldas

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stamos no limite da falta de medicamentos para manter os pacientes sedados na intubação”, disse Beto Pretto, secretário de Saúde do Paraná, em transmissão pela internet, ressaltando que o problema não é especifico do Estado e sim de todo o País. O secretário ainda disse que foram feitos vários pedidos ao Ministério da Saúde. “Fizemos a solicitação e o que sabemos é que o Ministério da Saúde está fazendo uma operação de compra no exterior através da Organização Pan-Americana de Saúde e nós vamos entrar nessa compra”, afirmou Pretto. Recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) afirma que o Ministério da Saúde gastou somente 29% do dinheiro que recebeu para as ações de combate ao coronavírus. A análise abrange os gastos da pasta desde março, quando o governo decretou estado de calamidade pública até julho deste ano. Em nota em resposta ao Brasil de Fato Paraná, a assessoria de comunicação da secretaria estadual de Saúde informou que “devido ao desabastecimento em todo o País, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) estão atuando de forma conjunta com o Ministério da Saúde (MS) para restabelecer o estoque desses medicamentos nos hospitais que fazem parte dos planos de contingência dos estados.” Sobre que medidas emergenciais vêm sendo tomadas pelo governo do Paraná, a nota informa que “apesar da responsabilidade pela aquisição dos medicamentos utilizados em

Crédito da foto

âmbito hospitalar ser do próprio hospital, ou das secretarias municipais, nos casos em que os hospitais são da gestão direta dos municípios, neste cenário de risco iminente de desabastecimento, a SESA/PR também está tomando as seguintes providências para o enfrentamento da situação: aquisição por meio de Atas de Registro de Preço vigentes de medicamentos alternativos ou adjuvantes aos analgésicos e sedativos preferencialmente utilizados e Aquisição emergencial, por dispensa de licitação (DL), dos principais itens considerados prioritários”.

“É preciso mudar a gestão da pandemia”, diz líder da oposição O deputado Professor Lemos (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, diz que os números de casos e óbitos decorrentes do coronavírus no Paraná são preocupantes e defende que haja urgente mudança na forma de gerir essa crise sanitária no Estado. “O secretário de Saúde informou que um estoque de medicamentos que era para durar 6 meses acabou em 35 dias. Isso já é um motivo para que o Paraná mude a forma como vem gerindo a pandemia do coronavírus,” diz ele. Lemos integra uma comissão especial de acompanhamento da pandemia, criada na Assembleia Legislativa, e informa que os deputados têm se reunido semanalmente para apontar propostas de mudança. “O tratamento disso tudo se mostrou ineficaz. Ontem tivemos o maior número de mortes em um dia só, foram 71 pessoas.”

Curitiba passa de 500 mortes por coronavírus Redação Por informações divulgadas pela Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba na quarta, 29, a capital do Paraná chegou a 504 mortes, cerca de 100 a mais que na semana passada. E, no total, já são 18.131 casos confirmados. Porém, o dado que mais preocu-

pa é a ocupação de UTI para Covid-19 em hospitais, que está em 89%. Na última semana, este índice tem ficado em torno de 90%. O perfil das 13 vítimas fatais do último boletim é de pessoas entre 30 e 85 anos, nove homens e quatro mulheres. Os pacientes estavam internados em hospitais públicos e privados.

MORTE DE FUNCIONÁRIA DA FAS Na segunda-feira, 27, foi registrada a primeira morte por Covid-19 de uma funcionária da ativa da Fundação de Ação Social (FAS), órgão ligado à Prefeitura de Curitiba. A educadora social Luciane Garcia Julionel, de 56 anos, morreu pelas complicações causadas pelo vírus. Ela atuava na Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) Mais

Viver, no Boqueirão. Em nota publicada pela rádio CBN, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), denunciou que a prefeitura “não disponibiliza os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados” e não oferece “condições para medidas coletivas de prevenção à doença nos locais de trabalho.”


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Paraná, 30 de julho a 5 de agosto de 2020 PUBLICIDADE

MST celebra Dia da Agricultura Familiar com partilha de alimentos no Paraná Desde abril, movimento dos sem-terra doou 355 toneladas de alimentos no Paraná Redação

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partilha dos frutos da terra com pessoas e instituições que enfrentam dificuldade marcaram a comemoração do Dia Internacional da Agricultora e do Agricultor Familiar no Paraná, no sábado (25). Camponeses sem-terra realizaram doações nas regiões Centro, Norte e Sudoeste do Paraná junto a pequenos agricultores e atingidos por barragens. Somente na

ação de sábado, foram 93 toneladas partilhadas com moradores de áreas urbanas, indígenas, instituições e hospitais. Com as ações, a campanha de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná já atingiu 350 toneladas. Em todo o Brasil, a mobilização soma 2.500 toneladas. O reconhecimento às inúmeras ações solidárias veio também do Vaticano. O cardeal Igor de Nadai

Michael Czerny, autoridade à frente de ações humanitárias no mundo, enviou uma mensagem ao MST, em nome dele e do Papa Francisco. Na “Carta de Roma”, o cardeal canadense transmitiu uma mensagem de gratidão às famílias da reforma agrária pelo gesto de distribuição de alimentos aos necessitados nestes tempos da Covid-19. “É um sinal do Reino de Deus, que gera solidariedade e comunhão fraterna”, diz o documento. Venilda Castanha, que é integrante da direção estadual do MST e preassentada na comunidade de Vilmar Bordin, em Quedas do Iguaçu, recebeu emocionada as palavras e bênçãos do Papa Francisco. Só do seu acampamento foram colhidas 6 toneladas de produtos. “As palavras do Papa fortalecem a nossa caminhada e nos animam a cada vez mais dividir o pão com cada irmão que passa dificuldades”, disse. “A gente não está doando o que nos sobra, mas repartindo o fruto do trabalho de 136 famílias do acampamento”, completou.

Ação de solidariedade leva comida saudável a quem precisa no sudoeste do Paraná Redação No sábado (25), o Fórum Regional das Organizações e Movimentos Populares do Campo e da Cidade do Sudoeste do Paraná e outras organizações sindicais, populares e estudantis ligadas ao comitê Resistência e Solidariedade realizaram uma ação de solidariedade nos municípios de Pato Branco e Clevelândia.

Foram arrecadadas mais de 10 toneladas de alimentos, além de produtos de higiene e roupas, vindos de agricultores familiares, atingidos por barragens, assentados, acampados e trabalhadores urbanos para a organização de mais de 300 cestas de alimentos saudáveis, que beneficiaram aproximadamente 1.400 pessoas. João Carneiro, do Sindicato dos Empregados no Comércio de Pato

Branco, destacou a relevância da ação. “Essa ação é muito importante, principalmente neste momento que nós vivemos, em que a classe trabalhadora está passando por mais dificuldades”, disse. Em Pato Branco, foram entregues 200 cestas de alimentos a moradores de sete bairros da cidade, onde se encontram famílias com maior índice de desemprego, além de famílias que

não são atendidas pela assistência social do município. Também foram distribuídos alimentos à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – APAC. Em Clevelândia, além de atender famílias de bairros periféricos, as mais de 100 cestas foram entregues também a famílias indígenas que moram em bairro da cidade e a uma ocupação urbana, que luta pela regularização da área.


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Cidades | 7

“Minhas patroas me dispensaram e optaram por não me pagar”, relata Nilma Antes da pandemia, diarista trabalhava todos os dias. Agora, chega a uma vez por semana Ana Carolina Caldas

N

o início da pandemia, o Ministério Público do Trabalho recomendou que “trabalhadores domésticos sejam dispensados com remuneração assegurada, no período em que vigorarem as medidas de contenção da pandemia do coronavírus, com exceção de casos em que a prestação de seus serviços seja ab-

solutamente indispensável, como o cuidado a idosos que residem sozinhos e a pessoas que necessitem de acompanhamento permanente”. Mas essa recomendação não valeu para Nilma Gonçalves Pinto, 44 anos, que há 5 trabalha como doméstica e foi dispensada do trabalho na maioria das casas em que estava como diarista, sem remuneração. Antes da pandemia, atendia a quatro

clientes, trabalhando todos os dias, das 8h às 18h. “Desde maio, eu perdi a renda de duas casas. Antes, eu trabalhava até sábado e essa era a renda que me permitia viver,” diz Nilma, que hoje mora junto com uma amiga com quem divide as despesas. Ela conta que chegava a trabalhar em duas casas no mesmo dia e, atualmente, tem semanas que trabalha uma vez só. Giorgia Prates

Ela afirma que compreende o momento, mas não vê perspectivas para sobreviver financeiramente. “As patroas que me dispensaram optaram por não me pagar. E eu também não consegui o auxílio emergencial do governo”, conta. Nos trabalhos que ainda realiza, diz que alguns novos hábitos foram incorporados como o uso de máscara, álcool gel e pouco contato com a família.

Empregadas domésticas lutam por garantia de direitos na pandemia Ana Carolina Caldas

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TRABALHO DOMÉSTICO NÃO É ESSENCIAL As trabalhadoras domésticas lutam para a aprovação de uma lei que não considere o trabalho doméstico como essencial na pandemia. Algumas cidades e estados decidiram definir a função como essencial, o que coloca a saúde e a vida dessas trabalhadoras em risco devido ao contágio

da Covid-19. Em 16 de julho, a presidente da Fenadrat, Luiza Pereira, junto com a deputada Benedita da Silva (PT/RJ) e Sâmia Bonfim (PSOL/SP), se reuniram com o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM/ RJ), para pedir que o Projeto de Lei 2477/20 entre na pauta de votação da Casa.

m maio de 2015, o Senado aprovou, por unanimidade, uma emenda constitucional que regulamentava direitos às domésticas. Porém, a pandemia deixou às claras a desvalorização dessas trabalhadoras e a exploração do trabalho doméstico. Segundo o IBGE, no Brasil são 5,5 milhões de trabalhadores domésticos. Desse total, apenas 28,5% (1,5 milhão) possuíam carteira de trabalho assinada em abril. Desde o início da pandemia, aumentaram em cerca de 60% as denúncias de abusos e falta de pagamentos nos treze sindicatos estaduais que compõem a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). A reclamação mais comum é a dispensa dessas trabalhadoras sem o recolhimento do FGTS, da contri-

buição ao INSS e outras verbas rescisórias. Segundo a Fenatrad, esse é o triste retrato da situação de boa parte das trabalhadoras domésticas, em sua maioria negras, com baixa escolaridade e filhos para criar. É a terceira maior categoria de trabalhadores do Brasil, e mais de 73% vivem na informalidade. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a ONU Mulheres, diz que as principais causas da vulnerabilidade de trabalhadores domésticos e a dificuldade para se garantir direitos são a não fiscalização e o componente do “afeto e intimidade com a família como moeda de troca.” Para os pesquisadores, a frase “Ela é como se fosse da família” mascara a ideia de ‘trabalho’ e justifica horas extras não contabilizadas, sobrecarga de trabalho e situações de abuso.


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Estreia “Transdemia”, web-série documental feita por pessoas trans e travestis Narrativas de vivências na pandemia são contadas por meio de vídeos de celulares

Gibran Mendes

Andréia Carvalho Gavita

Fausta ferida

Divulgação

Ana Carolina Caldas Narrativas sobre as vivências transvestigêneres no contexto da pandemia do coronavírus no Brasil são contadas por meio de celulares em “Transdemia”, primeira web-série curta documental realizada 100% por pessoas trans e travestis. São episódios de 5 minutos que serão lançados no mês de agosto. A estreia acontece no próximo sábado, dia 1º. O filme é fruto do trabalho do projeto “Afronta Digital”, criado em março de 2020 por Ravi Spreizner, comunicador e pessoa transmasculina não-binária. O projeto tem como objetivo empoderar as narrativas LGBTIQ+, por meio da educação e da comunicação, focado no audiovisual e na produção de narrativas com o celular, uma forma de democratizar a área. A “Afronta” foi um dos oito projetos acelerados pelo programa Impacto, da Todxs Brasil, a primeira startup social LGBTQI+ brasileira,

que cria soluções para transformar o Brasil em um país verdadeiramente inclusivo e livre de discriminação. Durante o programa desenvolvido para os projetos selecionados, foi ofertada oficina de documentários com celular. “Transdemia” é um suspiro profundo de afetos, histórias e estratégias de sobrevivência de pessoas trans e travestis no Brasil de 2020, durante a pandemia de coronavírus. Nos episódios, pessoas compartilham seus olhares atrás e

à frente dos celulares. Para Ravi, “o projeto nasceu da dor existente da falta de representatividade não somente na frente das telas, mas também no acesso ao trabalho dignificado para pessoas trans e travestis no audiovisual brasileiro.” Serviço Web-série curta documental “Transdemia” Quando: Estreia dia 1/8 Onde: Nos perfis do Instagram e Youtube da @afrontadigital

Espírito expulso das tribos, alma errando pelos trigos. Tigre projétil gingando exu. É meu órfão e é azul esquivo. Anil de interiores, despido. De becos inferiores, rendido. Sem teto, sem túmulo. Da alquimia, homúnculo. Da ventania, matuto. Da carne eterna, sepulcro. A pele hematoma, a verve de uma bomba atômica, quando ora o pão e recebe a hóstia. Bebe malte dentro da garganta do diabo, neblinando lúpulus na levedura das nuvens. Forja a glória no fermento das deusas chuvosas, cintilando código de cidra nas ordens místicas pela orelha dos cogumelos. Fotodramatiza a missionária com mão selvagem no drink celeste dos matagais. Está no medo que incita a presa da naja, no esporo da bactéria, no tentáculo da caravela-do-mar, na toxina da mariposa, no temor na expedição em labirinto, no fluxo da areia movediça, no sono do feto alado, no balé do inseto capturado, no expiro das gemas e das geminídeas, na filiação do sol na máscara, na fagulha ritualística nos tinteiros, nos discursos invisíveis, nos aliens, nos aborígenes, nas palavras rezadas em saltos ornanentais. Ainda espero-te, gota densa, desenhada, pronunciada. Rascunho de deus em lábios flamejantes.

DICAS MASTIGADAS | Por Jeferson de Souza

Salada de folhas de beterraba Ingredientes 2 dentes de alho orgânico (ou quantos desejar) 200 gramas de trigo de quibe folhas de duas beterrabas orgânicas cheiro verde ou hortelã sal e pimenta azeite de oliva Modo de preparo Hidrate o trigo de quibe por algumas horas, escorra a água e esprema

para retirar o excesso, utilizando as mãos ou um pano de prato. Higienize as folhas de beterraba e corte longitudinalmente, incluindo os talos. Em uma panela ou frigideira, coloque o alho e utilize um fio de azeite para dourá-lo. Adicione as folhas picadas, um pouco de sal e pimenta a gosto, adicione o trigo e mexa até misturar bem. Adicione cheiro verde ou hortelã e está pronto. Se preferir, regue com mais um pouco de azeite de oliva. Je

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