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TECNOLOGIA QUE MOVE NEGÓCIOS Ano 1 • Setembro de 2007 • Edição 03

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::SUMÁRIO_09.07 07 Editorial 08 Colaboradores 09 e-bites 19 negócios 2.0 30 meira.com 65 bits e idéias

.com o Mundo Web

32 consumidor é rei

A nova relação entre clientes e as suas marcas

38 Pesquisa E-life

O que falam das empresas no site de relacionamento Orkut

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Tecnologia. Negócios. Pessoas

12 Bônus Demográfico

40 Investidor on-line

Corretoras de valores chegam à WebTV para levar informações a quem quer investir na Bolsa

44 Manual do Blog

Como um blog corporativo pode ser sucesso de público

Crescimento da população economicamente ativa cria onda de oportunidades para as empresas de consumo

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Executivos elegem os campos de golfe para fechar negócios

60 DiÁrios de weber

Luiz Gustavo Dutra conta os bastidores do lançamento do Matrix em São Paulo

62 viver em seattle

Consumidores forçam empresas a migrar para o marketing social

66 PlayList

O que toca no iPod de Elaine Nucci, diretora de conectividade da Intel do Brasil

20 Medo do inovar

Conheça quatro empresários que, desde cedo, souberam correr atrás dos seus sonhos

56 TAcada certeira

Edson Romão, da Aprex

E les já contratam gente sem muita experiência

26 Empreendedores

Pequenos e Grandes Prazeres

64 blog dO PRESIDENTE

16 Headhunters

Companhias esquecem que inovação é crucial para se manter no mercado

hits

48 a desconferência

Blogueiros fazem encontro para discutir seu universo

50 Foto Expressa Fotógrafos e agências usam até satélites para apressar a entrega das imagens


::post do editor

blogosfera .br >> No final de agosto, peguei meus 19 anos de profissão – antes que me considerem perto da aposentadoria,

Os blogueiros não querem competir Com o jornalismo clássico. Eles Querem ser autores.

1 André Sarmento/Ag. NaLata

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fiz 38 em maio e vou continuar nessa atividade por muito tempo – e fui descobrir um novo mundo. Na condição de convidado, acompanhei o Blogcamp, a primeira “desconferência” de blogueiros em São Paulo. Lá estavam os principais personagens da blogosfera nacional, como eles se autodefinem. Gente que ainda nem havia nascido quando entrei na faculdade de jornalismo em 1988 e que tem a internet no seu DNA, ao contrário de muitos da minha geração. Uma das primeiras lições tomadas com os blogueiros é de que não adianta procurar fórmulas ou regras para tentar analisá-los. Esse é o grande erro da mídia tradicional. Essa expressão de comunicação on-line deixou há muito de ser um delírio de pessoas que escreviam sem sentido ou lógica. Há muito sentido e sobra lógica naquilo que diariamente alimentam os blogs nacionais. Alguns, por exemplo, têm audiência superior a muitos sites tradicionais. Outra lição: os blogueiros não querem competir com o jornalismo clássico. Cada um tem seu papel. Na realidade, os blogueiros querem ser autores baseados em suas opiniões e análises. E, nesse ponto, como observador desse novo mundo, concordo com eles e vejo um grande problema para quem insistir em tentar enquadrá-los nas regras já conhecidas. Um dos desafios de BITES daqui em diante será reduzir as resistências do mundo corporativo a esse universo e também apresentar de maneira mais transparente as demandas das empresas para os blogs. O que existe atualmente, de parte a parte, é uma desconfiança gerada pelo desconhecimento. Os gestores corporativos podem aprender muito com os blogueiros, que também terão a chance de extrair lições bem interessantes de negócios feitos por quem construiu projetos de longo prazo. Nessa edição, por exemplo, há dois exemplos desse conceito. O primeiro é um artigo do diretor de marketing da Cisco Brasil, Marco Barcellos, feito no melhor espírito colaborativo com representantes da Cisco Academy, o projeto educacional da empresa. O texto foi escrito a oito mãos. Esse mesmo recurso foi montado para a produção da reportagem sobre o BlogCamp. BITES convidou alguns dos presentes ao evento a publicar suas impressões numa página da rede. Esse trabalho virou o primeiro post coletivo publicado numa revista impressa.

Manoel Fernandes Publisher

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::COLABORADORES Conselho editorial

manoel fernandes, Aloisio sotero, silvio meira, sergio cavalcanti, ligia amorim E Fabio Costa

Publisher Manoel Fernandes manoelfernandes@bites.com.br

Redação

Diretora de Redação

Luciana Costa

Editora Executiva Associada

Fabiana Cavalheri

Editora

Roberta Queiroz robertaqueiroz@bites.com.br

Diretora de Arte

Repórter

Assistente de Redação

lucianacosta@bites.com.br

fabianacavalheri@bites.com.br

Gilda Lima

gildalima@bites.com.br

Socorro Macedo

socorromacedo@bites.com.br

Zeni Bastos

zenibastos@bites.com.br

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Ilustrações André Félix Colaboradores Fábia Prates Juliana Mariz Luiz Gustavo Dutra Fernanda Galvão Edson Lebrão Adriana Mattos Colaboradores Internacionais Marcos Swarowsky (Seatlle)

VIDA NOS ANDES

Depois de muito percorrer o Brasil, o executivo carioca Luiz Gustavo Dutra, de 36 anos, é atualmente diretor-geral da Diveo na Colômbia. Ele acompanhou de perto o nascimento dos primeiros provedores do Brasil, passando por Artplan, Matrix e Vírgula até chegar à Diveo, onde está há mais de seis anos. Na seção Diários de Weber, ele conta como a sorte ajudou a transformar em sucesso um dos primeiros provedores de São Paulo. ©2

HOMEM DE FAMÍLIA

O publicitário Edson Romão Gomes, de 42 anos, é um dos pioneiros em internet no Brasil, onde começou como diretor comercial do STI e PSINet, em 1995. Em março de 2000, ele criou o hpG, fenômeno de audiência na internet brasileira que em um ano alcançou a 3ª posição no ranking do Ibope. O serviço foi uma espécie de antepassado dos sites de blogs. Em 2001 a empresa foi vendida para o iG. Depois disso, Edson colecionou prêmios no setor. Atualmente é sócio-fundador do site www.aprex.com.br. É tão apaixonado pela família e por comida caseira quanto pela internet, que ajudou a desenvolver no Brasil. 10 • 09/2007 •

Colunistas

Silvio Meira Sergio Cavalcanti

Fotografia Produção Editorial Revisão

Ana Paula Paiva Biô Barreira Agência NaLata Istockphotos Dreamstimes Folha Imagem

fernandaspinelli@bites.com.br

Marcos Alencar

Jurídico

Douglas Cometti Fernanda Spinelli

marcosalencar@bites.com.br

Central de atendimento ao leitor

(11) 3444.3616

leitor@bites.com.br Assinaturas

assinaturas@bites.com.br Impressão: Globo Cochrane Tiragem: 20 mil exemplares Anunciantes fundadores

Filiada à

Bites é uma publicação da W3 Geoinformação Editora Ltda Rua Purpurina, 131 - 2º andar - Conjunto 21 Vila Madalena - Cep: 05435-030 - São Paulo - SP Tel.: (55 11) 3444.3616 - Fax: 3814.5928 1 Divulgação 2 Biô Barreira


::e-bites

www.bites.com.br Atenção, Ouvintes!

blog do presidente O leitor pode conferir o diário on-line de Edson Romão, sócio e diretor da Aprex, que se propõe a discutir web 2.0 e outros temas relevantes ao setor. Está no ar também o blog de Márcio Lebrão, presidente da McAfee.

Publicidade on-line

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BITES agora também está no rádio. O Minuto Bites, transmitido duas vezes ao dia pela CBN Recife, traz notícias do mercado de tecnologia nos Estados do Norte e Nordeste. O governo de Pernambuco, por exemplo, está oferecendo incentivos ao setor. Todas essas notícias podem ser lidas no blog www.digitalbits.com.

Você soube antes No site de BITES, os leitores souberam em primeira mão que o Bradesco vai delegar aos gerentes a criação de cestas de serviços customizadas para os clientes. A novidade se aproxima muito da estratégia das operadores de celular que procuram ser bastante flexíveis no pacote de serviços oferecidos. Mas, obviamente, apenas um grupo seleto de correntistas será atendido no primeiro momento.

Dúvidas sobre o futuro Nunca se vendeu tantos computadores no Brasil quanto agora. Os fabricantes estão eufóricos com a expectativa de o País saltar da quarta posição no mercado de PCs para a terceira colocação já em 2010 – atrás apenas de Estados Unidos e China. Nos próximos três anos, a venda de computadores deverá manter a taxa de crescimento anual de 20%. Mas uma dúvida ainda permanece: como

Que o Brasil padece com a falta de mão-deobra no setor de tecnologia, especialmente de programadores, não é novidade. Esse fenômeno, no entanto, está ganhando novas dimensões dentro do mercado publicitário, que não encontra pessoal qualificado para prestar serviços na área de negócios digitais. Com o déficit de talentos, os profissionais com carteira assinada são constantemente assediados pela concorrência, inflando os salários, que podem chegar a R$ 12 mil. É possível saber mais sobre essa questão no site da revista.

conectar essas máquinas à internet? Com os serviços a cabo ou por fios de cobre ofertados pelas empresas de telefonia fixa, a banda larga é uma realidade apenas nas grandes cidades. O problema está no interior e nos municípios de médio porte. Quem acompanha de perto esse mercado sabe que as operadoras não levarão os seus cabos para lugares onde a conta não fecha dentro do atual modelo econômico. Leia no site C de BITES como as empresas estão encarando esse impasse.

Tec nolo gia

A barreir a que mov e neg ócio s

São Paulo, 07 de agosto de 2007 – Edição 496 – www.bite s.com.br

Os fabrican as milhões tes de PCs já se preo de máquina cupam com o s que estã o sendo vendseus clientes irão cone idas todos os meses ctar à internet no Brasil

om permis são Nunca antes do presidente Lula. neste País capitais, a banda foram vendidos tantos ta com os serviço larga é uma realidade computadore agora. Nunca concres a terceir antes neste como ofertados pelas s a cabo ou por fios de fabricantes cobre exemp a geração de celular País de empresas de es. A Vivo, E nunca antes PC’s estiveram tão eufóric os problema está telefonia fixa. lo, intensificou por no interior O venda neste País e nos munic questão se as empresas os. médio porte. Quem de seu serviço nos últimos meses a ípios de colocou tanto uma merca acompanha de internet larga móvel das empresas na ordem do sabe que de de banda . A empresa do dia os desse setor. as operadoras perto esse usuários seus As novas máqui que estão entran já fazem uso não revela quantos nas fecha cabos para lugares onde não levarão estima do nos lares da tecnologia, a saltar da -se em 200 dentro do atual levarão o Brasil a conta não mas atual sétima modelo econô marca do produt mil clientes do VivoZa chegar uma posiçã mundial para mico. “Vai p, a hora que o. Na mesma terceira coloca o no mercado não seguir TIM, direção devem Nesse ponto será mais suficie vender computadore ção Oi já e em Brasil Teleco 2010. res o m, mas a entraUnidos e China. País ficaria atrás dos exigirão conect nte porque os consum s da do governo na Estados ido- porque discussão é ividade. Essa barreira para da de compu Nos próximos três anos fundamental é necessário será a grande o mercado”, tadores deverá a ven- vo regulamenta serviços que afirma um de um crescimento manter a taxa r os novos irão aparec executide de te essa grande fabricante de er nesse merca Por enquanto, pante é como 20% anual. O dado PCs. solução está ninguém em do. preocuconectar essas nas mãos do “Em par- os óculos futuro Brasília coloco ternet. Nas para governo. O grandes cidade máquinas à in- fio.” da banda larga está que está aconte olhar ao redor e perceb u nas s, em especi É er o cendo. A turma al nas túnel aqui que parece surgir conexões sem dos Ministérios da Esplanada a luz no com as operad oras de telefon final do morar. Nesse prefere bater palma s e comeia móvel e caso não se cansam de bordão “Nunc repetir o a antes neste País.”

10 • 07/2007 • • 09/2007 •

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Conteúdo

gerado pelo consumidor

www.acheme7.com.br Pesquisa

acheme7.com.br 12 • 09/2007 •

Negócio

acheme7@bites.com.br


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Tecnologia. Negócios. Pessoas

visão de longo prazo As 500 maiores empresas brasileiras ainda não utilizam RFID, sistema inteligente de rastreamento e controle de materiais, suprimentos e ativos. Porém, uma pesquisa do International Data Corporation (IDC) revelou que 82% vão investir em breve nessa tecnologia. Com ela, todas as informações do produto ficam armazenadas em pequenas etiquetas (como as da foto) e podem ser lidas por radiofreqüência, reduzindo custos e otimizando qualquer

operação. De olho nessa tendência, a Nec Solutions Brasil resolveu se antecipar, investindo pesado, desde 2005, em RFID. De acordo com Silvio Maemura, diretor geral da companhia, a expectativa é de que esse mercado represente um total de R$ 700 milhões em 2007 e tenha um crescimento anual de 12% nos próximos cinco anos. Até agora, a empresa já conquistou cerca de 50 clientes em setores diversos, de indústrias automobilísticas a bancos e hospitais.

leia ainda GESTÃO Por que as empresas têm medo de inovar? PÁg. 20

bônus demográfico

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Um aliado dos negócios PÁg. 12

1 Divulgação

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Com a demog

O crescimento da população economicamente ativa está ajudando 14 • 09/2007 •

1 André Félix


rafia a favor

a impulsionar os negócios, especialmente em telecomunicações. • 09/2007 •

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que a demografia tem a ver com os muito importantes na análise, assim como planos das empresas para impulsioa estratificação das demandas por idade, nar seus negócios? Na atual conjunque orientam especialmente o marketing. tura brasileira, tudo. Isso porque o País vive “Num ambiente de competição, essa queso chamado “bônus demográfico”, momento tão do bônus demográfico faz com que único da história em que a população em os executivos tenham que ficar atentos à idade ativa – de 15 a 65 anos – é maioria. Sesegmentação, às diversas necessidades de gundo explica José Eustáquio Diniz Alves, quem está nessa faixa etária.” Um exemprofessor, pesquisador do IBGE e vice-preplo, segundo ele, é o fato de os jovens serem sidente da Associação Brasileira de Estudos grandes usuários de SMS e os profissionais Populacionais, do ponto de vista demográliberais demandarem celulares que permifico, esse é o melhor momento em 500 anos tam acesso à internet. No desenvolvimento de história do Brasil para superar a pobreza, dos produtos e na estratégia de divulgação, melhorar a qualidade de vida da população é preciso ter ações sob medida para atender e promover a economia. Isso porque a força a esses públicos. produtiva é grande e o grau de dependência Ainda segundo Quadros, outro exemplo é menor. Ou seja, há menos crianças até 14 que a gente pode observar no dia-a-dia é anos e idosos acima dos 65 anos, que depeno fato de empresas de telecomunicações dem do meio da pirâmide populacional para sempre promoverem eventos culturais. “Os sobreviver. megashows têm sempre um patrocinador, Se o dado é importante para nortear as principalmente fabricantes de aparelhos ou estratégias macroeconômicas para o crescioperadoras. Isso já é uma direção de estramento, nas empresas de tégia para a faixa etária varejo é também uma jade consumo. Da mesma O brasil Passa por um nela de oportunidades. forma, há segmentos Grandes companhias patrocinando eventos momento único, em que a – de telecomunicações, teatrais. Ali, no fundo, população com idade ativa ela não está fazendo por exemplo – desenvolvem suas estratégias é maioria. Isso é ideal para aquilo por vontade de de olho nos números. fazer promoção cultusuperar a pobreza Diniz afirma que as emral. Está ligando sua presas sabem que a fase marca ao evento, poré positiva, tanto pela disponibilidade de que aquele público lhe interessa”, diz. mão-de-obra como pelo grande mercado O ambiente está propício para o consumo, consumidor. E o detalhamento das informaprincipalmente onde hoje há competição: ções sobre o universo que compõe o bônus longa distância, telefonia móvel ou interfornece mais subsídios para as estratégias net. E as empresas tentam fazer do bônus de marketing. “Quem compra mais laptops? demográfico um instrumento a favor delas Quem compra mais desktops? Quem usa para aumentar a abrangência de serviços mais banda larga? Quem troca mais de celucom pouca penetração hoje. “Em relação à lar todo ano? A demografia pode responder TV por assinatura, por exemplo, apenas 9% essas questões”, diz ele. dos domicílios brasileiros são atendidos. E Juarez Quadros, ex-ministro das Comumenos de 20% dos domicílios brasileiros nicações e sócio da Orion Consultores Astêm computador. A questão é como bonifisociados, diz que “certamente” as empresas car demograficamente essas oportunidades trabalham com pesquisas de mercado que de negócios que ainda não estão plenamenconsideram os dados demográficos para fate atendidas”, pondera Quadros. zerem seus planos de negócio. Mas, segunA Sercomtel, empresa que opera na cidado ele, os dados da Pesquisa Nacional por de de Londrina (PR), juntou o benefício do Amostra de Domicílio (Pnad), que aponchamado bônus demográfico aos dados de tam o grau de atendimento dos diversos melhoria de renda do País e criou produtos serviços de telecomunicações, também são sob medida para ampliar o atendimento às 16 • 09/2007 •


o brasil em dois tempos 1950-1980 2000-2030 82 54 19 50

48 68 31 87

58

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100

25

57

72

2,8 19

0,8 44

Anos médios de estudo das mulheres

2,1

8,5

Taxa de fecundidade total

5,5

1,9

Taxa de dependência demográfica População de 15-64 anos (em %) Idade média Taxa de urbanização (em %) Taxa de alfabetização

(em %, ambos os sexos) Mortalidade infantil (por mil) expectativa de vida crescimento demográfico Taxa de atividade feminina (em %)

(filhos por mulher) Fontes: ONU e IBGE

classes C e D. Há cerca de um ano, criou a recarga de R$ 2 para celulares. “Temos uma parcela significativa, de 15% a 20%, das recargas sendo feitas nessa modalidade, ‘aos picadinhos’”, diz o diretor de marketing da Sercomtel, Lourival de Medeiros Nóbrega Filho. Hoje a recarga de pequenos valores é feita virtualmente, mas a operadora vai lançá-la na versão cartão. A intenção, agora, é aumentar a base do serviço de banda

larga usando a mesma estratégia. Essas classes sociais estão adquirindo computadores e precisam de um serviço de internet melhor do que a opção discada. A Sercomtel já está desenvolvendo esse serviço e deverá lançá-lo ainda este ano. O mais provável é que venha em forma prépaga, que permite maior controle de gastos.

Fábia Prates • 09/2007 •

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Os

caça

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Andréa de Paula, da NeoConsulting: saber lidar com culturas diferentes e ter visão global da gestão são requisitos básicos para qualquer candidato


Com grande rotatividade, o setor de tecnologia da informação busca profissionais atualizados e dinâmicos. A boa notícia: muitas empresas não exigem experiência na área Juliana Mariz

-talentos U

m dos setores da economia que mais sofre transformações é o da tecnologia de informação. Tendências surgem, produtos são lançados todos os dias, novas áreas de negócios são exploradas. Para se adaptar a esse cenário, o profissional deve buscar atualização constante e ficar atento às oportunidades que aparecem. “Atualmente, esse mercado está especialmente veloz e em mutação”, afirma Marcelo Mariaca, diretor presidente da Mariaca, uma das empresas de recrutamento de executivos. Entre seus clientes estão Nextel, OptiGlobe, Oracle, Microsoft e Lucent. Mariaca prega que estamos nos tornando “pessoas de tecnologia”. Ou seja, de alguma forma todo profissional precisa ter noções sobre o assunto. Mariaca aponta mudanças sensíveis no setor bancário, por exemplo. “Um profissional de TI de banco vai ter uma função cada vez mais mecânica. Ele precisa estar antenado para migrar para o negócio principal da empresa”, sugere. Ou seja, não basta entender de software ou hardware, o importante é conhecer o negócio e mostrar à empresa como aumentar a produtividade e os lucros por meio da tecnologia. As freqüentes fusões e aquisições também injetam gasolina no setor, abrindo novas oportunidades. Portanto, é recomendável que o executivo acompanhe o

1Biô Barreira

mercado como um todo para ter conhecimento dessas operações e das mudanças globais. Ele não pode estar alheio, por exemplo, à trajetória que culminou no casamento entre HP e Compaq. Deve acompanhar fusões e aquisições para conhecer os desdobramentos e os impactos nos negócios e no setor. Afinal, um candidato bem informado é muito mais valioso. Mas a busca por executivos para uma empresa de tecnologia leva em consideração ainda outras particularidades. Ser capaz de lidar com culturas diversas e ter uma visão globalizada da gestão são condições fundamentais. As empresas daqui concorrem, por exemplo, com companhias instaladas na Índia, que desponta como uma potência em produção de softwares. “Uma vantagem desses profissionais é a capacidade de trabalhar sob pressão e adaptarem-se às mudanças”, diz Andréa de Paula, sócia da NeoConsulting, que já trabalhou com as companhias SAP e SAS. Segundo os especialistas, hoje não é mais fundamental ter passado por uma companhia de tecnologia para conseguir a vaga. A idade média do profissional também não é tão baixa quanto no começo da década. “As empresas estão precisando muito mais do conhecimento adquirido, de consistência e experiência, independentemente da idade”, afirma Andréa. Ter

Conhecer o negócio é mais importante do que entender de Software • 09/2007 •

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Fluência em inglês é Pré-requisito. O diferencial é um terceiro idioma

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apenas conhecimento técnico, portanto, também não basta. A alta rotatividade gera insegurança. Algumas medidas, no entanto, podem ajudar a manter o emprego. No boom da internet e com a abertura de empresas pontocom, a informalidade era natural no setor. O ambiente de trabalho e a aparência dos novos executivos tendiam para a descontração. Hoje isso não é mais recomendável. “O momento é de evitar riscos. O melhor é usar o bom senso na maneira de se vestir”, complementa Mariaca. Títulos acadêmicos são importantes, claro. “Quando você lê um currículo de alguém que fez MBA, pós-graduação, enxerga uma pessoa interessada em se atualizar, em se conectar com o mundo à sua volta”, afirma Andréa. Mas os diplomas tornamse quadros na parede se não tiverem uma aplicação conjunta com a capacidade de liderança e de obter bons resultados. Outro pré-requisito é falar várias línguas. O inglês, segundo Mariaca, é o novo esperanto, condição preliminar de contrata-

ção. Investir em um terceiro idioma torna-se um diferencial. “Mas não esqueça do português. Verificamos que há muitos que conhecem bem um segundo idioma, mas escrevem e falam mal o português. Isso é inadmissível”, diz Andréa.

VOCÊ E O HEADHUNTER Procure-o se o seu cargo for de gerente para cima e se estiver saindo da empresa. Mande um currículo resumido ou preencha a ficha eletrônica dos sites das empresas especializadas em recolocação profissional. Se receber um telefonema de um headhunter, marque um encontro mesmo se não estiver interessado na vaga. Nunca feche portas. 2 Biô Barreira


negócios 2.0 última palavra

Aviso importante aos interessados em um emprego em qualquer subsidiária do Google no mundo. Capriche na preparação do seu currículo. Informe as melhores referências, coloque seu histórico escolar (notas acima de 9 são as mais interessantes) em destaque e deseje que os fundadores da companhia, Larry Page e Sergey Brin, estejam de bom humor quando seus dados forem analisados. Ninguém entra no Google sem a aprovação da dupla. Nos primeiros anos da empresa os dois cuidavam pessoalmente das contratações e nos últimos tempos se encarregam do cargos mais graduados, incluindo gerentes. Mesmo assim ainda Page e Brin dão a última palavra nas vagas de baixo escalão após uma análise de um comitê encarregado de fazer uma varredura na vida do candidato. Essa característica faz em alguns casos a que uma simples contratação leve alguns meses antes de ser oficializada. Hoje o Google tem 10 mil funcionários no mundo.

Manoel fernandes

tempo perdido

A fusão da Brasscom, entidade que reunia empresas nacionais de terceirização de serviços de tecnologia (outsourcing), e o IBCD (Instituto Brasil para Convergência Digital) é parte de um sonho acalentado há anos por algumas marcas do setor. A idéia é repetir no Brasil o êxito da Nasscom, a associação que foi uma das responsáveis pela hegemonia da Índia no mercado mundial de outsourcing. O problema da nova entidade brasileira, que terá 27 sócios – a Nasscom tem 1.100 empresas –, é que ela pode ter chegado tarde demais. Há quem acredite que o Brasil perdeu a grande oportunidade de ganhar espaço nos contratos internacionais de outsourcing. Os indianos abriram operações em vários continentes e estão levando para dentro da casa dos adversários a disputa pelos clientes. No caso brasileiro, a Tata Consulting Service, uma das principais companhias da Índia não pára de crescer em contratos locais. Para complicar ainda mais os méritos da nova Brasscom, nome mantido após a fusão, o governo federal não emite sinais claros em relação a uma política consistente de exportação de software e serviços por empresas de capital nacional. As marcas mundiais em operação no País estão numa situação bastante favorável e irão contribuir decisivamente para que o Brasil feche o ano com US$ 1 bilhão em exportações de outsourcing e programas de computador.

A banda do UBS O banco de investimentos UBS enviou para seus clientes em todo o mundo um relatório sobre a expansão do setor de comunicações nos próximos anos, produzido em julho passado. Os analistas da instituição apostam na expansão em três áreas: banda larga, conexões sem fio (wireless) e televisão pela internet (IPTV). O otimismo do UBS é baseado nos últimos resultados dos 50 mercados onde o banco atua com suas subsidiárias. Até dezembro, por exemplo, o mercado de banda larga mundial crescerá 28% e chegará a 322 milhões de clientes. Em 2010, esse universo será de 474 milhões de pessoas que consumirão mais serviços baseados em banda larga.

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MEDO DE

INOVAR Quem resiste à inovação pode colocar em risco o futuro da empresa. O importante é aproveitar o momento de sucesso para demarcar o território contra a concorrência Adriana Mattos

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o mundo das inovações descartáveis, a idéia de colocar centenas de milhões de dólares numa nova tecnologia e esperar pelos frutos, que podem ou não vir, parece aterrorizante. No vai-e-vem de marcas e produtos, reinventar-se custa caro, pois exige, além de dinheiro, um certo sangue frio e capacidade de análise futura do mercado. No entanto, inovar pode ser a diferença entre estar dentro ou fora do cenário. Mais decepcionante do que perder tudo numa estratégia errada é ver uma marca escorregar pelas mãos porque ficou parada, alheia aos ataques de concorrentes sagazes. Essa é a análise feita por diversos especialistas sobre os temores e riscos da inovação em tempos difíceis – de fidelidade zero às empresas e forte pressão de acionistas por retorno. • 09/2007 •

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next Especialista nesse setor há 17 anos e ex-consultor da Mckinsey & Co., o analista John Hagel acredita que certos temores fazem sentido. “Companhias gastaram muito dinheiro em TI no passado, com retornos mínimos para grande parte delas”, diz ele. Por isso, os medos acabam superando até as idéias mais criativas. No entanto, ele diz que o temor, por exemplo, de que uma tecnologia inovadora torne-se apenas commodity em pouco tempo não pode impedir a companhia de se renovar. “Estratégias de diferenciação aparecem o tempo todo, baseadas menos numa inovação específica e muito mais na capacidade contínua de estar sempre se renovando. Ou seja, muito mais na inovação consistente”, afirma Hagel. Parte dessa discussão envolve fatores econômicos. Para os especialistas, os investidores estão nadando em dinheiro agora – com essa fase de bonança do mercado investidor nos grandes países –, mas ainda têm receio de aplicá-lo em novas idéias. Além disso, os grandes clientes que compram as novas tecnologias temem entrar em uma barca furada antes que um “teste de mercado”, a aplicação em massa, comprove que o investimento é líquido e certo. Tem mais: a instituição milionária da pirataria permanece forte e continua a trabalhar contra esse processo de inovação. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou recentemente que vão pelo ralo US$ 200 bilhões no mundo com softwares e hardwares ilegais – o índice médio de pirataria de software, em 2005, se manteve em inabaláveis 35%. E como se não bastasse, ainda há um fator cultural: temores crescentes com segurança e privacidade podem ajudar a frear a adoção de novas tecnologias, principalmente as digitais. Nessa soma de fatores nada animadores, um relatório recente, publicado em 2006 por uma das maiores consultorias mundiais, a Booz Allen Hamilton, deu mais uma sacolejada no setor. O relatório “Global Innovation” mostrou que, entre as mil companhias que mais investem em pesquisa e desenvolvimento no mundo, menos de um décimo pode ser considerado realmente inovador. “Eu acredito que apostar em estratégias inovadoras é sempre importante, mas não é fácil. Também acho que essa postura não é mais importante hoje do que foi no passado. Ela é e sempre será fundamental”, disse Eric von Hippel, coordenador do Grupo de Inovação e Empreendedorismo da Escola de Administração Sloan, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Ou seja, na avaliação dos dois estudiosos norte-americanos, mesmo com os riscos de uma aposta equivocada, a renovação permanente de produtos ou serviços é crucial. Além disso, dizem eles, o sucesso é resultado da transformação da tecnologia em algo mais barato e muito mais fácil de usar. Dessa forma, o investimento tem mais probabilidade de dar certo, afastando a chance de se meter 24 • 09/2007 •


1 Nomonomon, 2 Nonnomonomono

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os pés pelas mãos e acabar com john hagel, um produto rejeitado pelo conAnalista americano sumidor. Medo das Foi jogando com o apelo da simplicidade no uso (e o design companhias vem sedutor) que a Apple lançou, em dos grandes junho, um novo telefone celular com preços a partir de US$ 500. gastos com TI Ele faz tudo o que os outros fa- no Passado, que zem por um valor US$ 200 aci- tiveram retorno ma do que os concorrentes (LG, mínimo Nokia) cobram pelos seus aparelhos. Mas é pequena a possibilidade de que os rivais acabem na lona por causa disso. A inovação alheia só mata concorrentes que não se mexem, e a maioria tem se movimentado a tempo de evitar o pior. “No geral, só perdem espaço as companhias que demoram muito para investir e contra-atacar”, diz Antonio Ribeiro Neto, superintendente do Venturus, Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação Tecnológica. Por exemplo: no mesmo mês em que a Apple veio com o seu iPhone, foi lançado o BlackBerry 8830 por US$ 299,95, com discagem por voz e GPS, uma facilidade que o celular da Apple não tem. Não é só isso: a câmera digital embutida no iPhone, por exemplo, tem resolução de apenas dois megapixels – bem inferior aos modelos mais sofisticados, que chegam a cinco megapixels. Além disso, o aparelho de Steve Jobs não tem conexão do tipo 3G, que permite navegar na internet em alta velocidade. São muitas as companhias que caíram nas graças do consumidor por conta de estratégias de inovação que impactaram seus segmentos. No entanto, também não são poucas aquelas que se perderam nesse processo por diversas razões. Yahoo!, Dell e Apple são exemplos disso. Em algum momento, essas empresas tiveram de enfrentar profundas crises porque não conseguiram se manter como referência em termos de renovação de marca. Uma das primeiras companhias a explorar serviços na internet, o Yahoo! tropeçou nas próprias pernas ao tomar decisões estratégicas equivocadas. Ele deixou de apostar em seu mecanismo de busca como Eric von rippel, um diferencial enquanto o conPesquisador do MIT corrente fazia o contrário, acertadamente. A receita do Google A renovação subiu 58% no segundo trimestre de produtos e e o lucro foi a US$ 925 milhões. A empresa deve fechar o ano serviços sempre com quase o dobro de receita em será Crucial para relação ao concorrente Yahoo!, as empresas que registra lucro em queda no segundo trimestre do ano e ven-

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next das que crescem apenas um dígito. As possibilidades de uma reviravolta criativa estão nas mãos de Jerry Yang, o principal mentor da empresa. Na Apple, que estava à beira da falência, a volta de Steve Jobs em 1997 foi fundamental para fazer a companhia freqüentar o grupo das empresas mais inovadoras do mundo. A razão da virada foi, em grande parte, a estratégia de inovação. Foi por meio da criação de um produto, o iPod, e de um serviço, o iTunes, que a companhia conseguiu crescer rapidamente. Ela vendeu, só no segundo trimestre do ano, US$ 5,4 bilhões em aparelhos e serviços. O lucro foi 73% maior do que o do ano passado. Para Ribeiro Neto, esses exemplos são emblemáticos. Segundo ele, a inovação implica necessariamente ocupar espaços de tecnologias existentes e ou abrir novos espaços. No entanto, diz Ribeiro, “não há supremacia eterna sem o processo contínuo de inovação tecnológica, e essa supremacia sempre será cada vez mais duradoura quanto mais atenta estiver a marca responsável pela tecnologia”. Há caminhos arriscados nesse processo. “Para se manter no topo, as companhias tendem a esticar os seus modelos de negócios o máximo possível e, ao fazer isso, se metem em problemas. Isso porque o mercado muda e os patamares de lucratividade caem”, avalia Hippel. “Por exemplo, a Dell manteve uma estratégia de vendas baseada na customização de produtos. E ela fez isso muito bem. Mas como os equipamentos tornaram-se cada vez mais potentes, esse diferencial se perdeu”, completa. Na análise dos especialistas, é como se o período de fartura deixasse as empresas displicentes. Em sua maioria, as companhias acreditam que a inovação se dá adquirindo tecnologia, e não produzindo conhecimento ou desenvolvendo novos processos. Levantamentos recentes, no Brasil e nos EUA, mostram que têm crescido os recursos aplicados pelas empresas nessa área. O número de empresas brasileiras que investiram em inovações tecnológicas cresceu 8,4% entre os anos de 2003 e 2005, segundo a última pesquisa divulgada pelo IBGE sobre o tema. O levantamento mostrou que 33,4% das empresas industriais brasileiras investiram em inovação no biênio 2003-2005. Ou seja, de cada cem companhias, 33 desembolsaram recursos com essa intenção. Nas pesquisas anteriores, a taxa era menor, de 31,3% no período de 1998-2000. Quanto aos serviços de alta intensidade tecnológica, houve inovação em 45,9% das empresas de telecomunicações e de 57,6% nas empresas de informática. Na avaliação de Sérgio Lozinsky, vice-presidente e líder da prática de tecnologia da informação para a América do Sul da Booz Allen Hamilton, os números do IBGE não são surpreendentes. “Muitas empresas reconhecem que, para continuar crescendo ou para manter sua fatia de mercado, 26 • 09/2007 •


As empresas que mais investem em inovação no mundo

Ribeiro NEto, do Instituto Venturus Não há supremacia eterna sem o processo de inovação tecnológica

US$ 8 bilhões US$ 8 bilhões

1oo

Ford Ford

2o

Pfizer

US$ 7,4 bilhões

3o

Toyota

US$ 7,2 bilhões

4oo 1

DaimlerChrysler US$ 7 bilhões Ford US$ 8 bilhões

5o

General Motors

US$ 6,7 bilhões

6o

Siemens

US$ 6,5 bilhões

7 1oo

Johnson US$ 6,3 bilhões Ford & Johnson US$ 8 bilhões

8o

Microsoft

US$ 6,2 bilhões

9o

IBM

US$ 5,8 bilhões

10o

GlaxoSmithKline

US$ 5,7 bilhões

Pesquisa realizada no acumulado dos anos de 2000 a 2005 Fonte: Booz Allen Global Innovation 1 000

precisam inovar nos produtos e serviços ou na maneira como estão organizadas.” Lozinsky não acredita, no entanto que nesse processo exista um temor em tomar atitudes inovadoras. Mas há momentos mais ou menos propícios para isso. “Quanto maior a concorrência real dentro de um setor, maior a necessidade de inovação. Tipicamente, onde há monopólio ou cartéis, ou nas regiões onde poucos concorrentes conseguem penetrar, haverá menor movimento em torno do tema inovação”, diz ele. Além disso, o ambiente macroeconômico influencia a intensidade das iniciativas de inovação, porque o melhor momento de investir é quando a empresa está bem e ganhando dinheiro, ou pelo menos dispõe de crédito. Para os especialistas, o volume de aquisições crescentes nos últimos anos também estimula a inovação em dois sentidos: aumentar o valor do negócio para uma possível venda ou proteger-se da necessidade de vender o negócio por falta de competitividade. 1 Nomonomon, 2 Nonnomonomono

Telecomunicações e Informática foram os setores que mais investiram em pesquisa e desenvolvimento. Confira a tabela, em % de empresas entrevistadas Setor

Atividade contínua em P&D (%)

Atividade ocasional de P&D (%)

Indústria

54,9

45,1

Telecomunicações

77,1

22,9

Informática

74,5

25,5

Fonte: IBGE

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De rapazes a ´ empresArios Conheça a trajetória bem-sucedida de quatro empreendedores brasileiros que saíram do nada e construíram grandes empresas de tecnologia Adriana Mattos

C

hristian, Daniel, Rodrigo e Fernando têm trajetórias marcantes. Executivos de expressão no mercado de tecnologia brasileiro, esses grandes empresários criaram companhias a partir do nada quando mal tinham saído da adolescência. Com a ajuda de um amigo daqui ou do pai acolá, conseguiram colocar o sonho na rua. Em poucos anos, esses negócios passaram a faturar milhões, empregar muita gente e viraram referência em seus segmentos. A revista BITES, com base na indicação de especialistas e analistas de mercado, decidiu contar um pouco dos passos desses profissionais. Todos foram selecionados pela sua trajetória empresarial.

Um desses executivos passou por altos e baixos e chegou a adoecer de tanto trabalhar. Desde os 7 anos de idade, Christian Barbosa – hoje com 28 anos – sonhava em ser empresário de informática. Na pré-escola, a professora pediu uma redação sobre o tema e quando ele disse o que queria fazer de sua vida, a classe riu. Aos 11 anos, o garoto vendia pequenos objetos de madeira na rua, e aos 12 começou a fazer cardápios para restaurantes. “Eu era um nerd quando criança, tímido e retraído, mas sabia o que queria”, conta ele. Dois anos depois, o adolescente se inscreveu em um exame de certificação da Microsoft. No Brasil, a multinacional não o liberou para a prova. Barbosa ligou nos EUA e pediu à chefia do departamento que o deixasse fazer o teste. 28 • 09/2007 •

O garoto acabou tornando-se um dos mais jovens profissionais da Microsoft no mundo, em 1994. Na época, recebeu um convite para ficar na empresa e recusou. “Meu sonho era ter a minha própria companhia. Aos 15 anos, abri meu primeiro negócio com meu pai, a Blue Eagle (especializada na criação de portais para internet).” Barbosa desenvolveu os primeiros portais de conteúdo no Brasil. “Na época, tive de dividir a escola com a empresa, visitar clientes e ser capaz de enfrentar desafios de adultos.” Passada a fase de construção de uma nova empresa, quando o executivo poderia começar a pensar em algum descanso, Barbosa ficou doente. Aos 18 anos, com uma gastrite forte, ele estava debilitado e levou uma dura do médico. Sabia

que precisava desacelerar. Começou a pensar em como reorganizar o seu dia-a-dia de forma a dar conta de tudo sem estresse. Ao mesmo tempo, passou a se sentir desmotivado. Resolveu então se aprimorar num tema que tinha começado a estudar por conta da saúde fraca: a gestão do tempo. “Para tentar organizar o meu cotidiano, passei a estudar a questão e me apaixonei pelo assunto”, diz. Barbosa vendeu a Blue Eagle e abriu, a partir do zero, uma nova companhia, a Tríade do Tempo, em 2006. Hoje, o empresário ensina clientes a gerirem de forma mais produtiva as horas destinadas ao trabalho. Escreveu um livro de mesmo nome e tornou-se palestrante. Em menos de um ano, a Tríade faturou R$ 2,5 milhões. “Mudei de paixão porque precisa-


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va perseguir outro sonho”, diz. Diferentemente de Barbosa, Daniel Amato, dono da Ascenty, transformou a crise em alavanca de sucesso. Recém-formado pela Utah Valley State College, nos Estados Unidos, ele voltou ao Brasil, em 1998, como principal executivo da norte-americana Global Services. A companhia era provedora de infra-estrutura de TI. No Brasil, o modelo ganhou mercado aos poucos e a subsidiária alcançou a marca de 4 mil clientes. Os negócios iam bem até a Global Services ser vendida para a About Company.com. A nova dona não se interessou em explorar o mercado brasileiro. O datacenter seria desligado. “Naquele momento, eu estava como naqueles desenhos em que há o labirinto e parece não haver saída”, diz Amato. O executivo decidiu investir os recursos que tinha na construção de datacenters no País e, na virada do messa, porque não sei se dá”. Assim como Amato, Rodrigo ano 2000, abriu a Ascenty, provedora e quarteirizadora de infra-estru- Fragola, 34 anos, enfrentou uma fase difícil, a que ele dá tura. A proposta era inoo nome de “transição”. vadora na época: vender Fundador e sócio da “software como serviço”. “Mudei de Aker Security Solutions, “Começamos do zero”, paixão para o executivo começou diz ele. “Passamos a nos a colocar esse “projeto preocupar em aumentar perseguir um o número de operações sonho”, conta na rua” quando ainda estava na faculdade. Ele por cliente, oferecendo e um amigo da sala de produtos personaliza- christian Ciências da Computados.” A empresa tem hoje 360 clientes. A previsão é dobrar o ção, da Universidade Federal de faturamento em 2007, mas Amato Brasília, tiveram uma idéia para o projeto de final de curso em 1995: prefere não falar em valores. Para chegar onde está, o exe- desenvolver uma firewall em uma cutivo precisou colocar parte das nova plataforma. Na época, o merquestões pessoais de lado. “Tenho cado ainda questionava se firewall pouco tempo para meus filhos. era algo útil. “Resolvemos aumenMas sei que a vida não é só isso”, tar o grupo para quatro pessoas, afirma ele, que faz um trabalho co- mas mantivemos nossos empregos munitário com jovens carentes. “É de dia e dividíamos o trabalho à a minha válvula de escape. Quero noite”, conta ele. “Nossa primeira chegar aos 35 anos passando me- máquina foi construída a partir de nos tempo no serviço”, afirma. E peças velhas doadas por colegas e, completa, titubeando: “Não é pro- providencialmente, a apelidamos 30 • 09/2007 •

1 Nomonomon, 2 Nonnomonomono

Christian Barbosa, da Tríade do Tempo: negócios de R$ 2,5 milhões em um ano


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de Frank”, relembra. Quando o produto começou a ganhar corpo e evoluir tecnologicamente, os sócios já estavam prospectando o primeiro cliente. “Assim, com os potenciais clientes em vista, resolvemos abrir a empresa.” Fragola diz que a transição foi longa. “Não dava para largar tudo. Tinha que trocar a roda com o carro andando.” Ele abandonou o emprego como funcionário de uma consultoria e passou a dedicar meio período à empresa e meio período a consultorias. Em 1999, ele já conseguia receber na Aker um valor equivalente ao trabalho externo. A empresa tem hoje 85 colaboradores, 90 revendas no País e já fechou contratos no exterior. Em 2006, faturou R$ 9,5 mi- Fernando Nery, da Módulo Security: colegas de lhões e a meta é chegar aos R$ 10,5 faculdade viraram grandes empresários milhões em 2007. O executivo diz que a última coi- mação a inteligência artificial. sa que imaginava era ser empresá- Depois, resolveu focar. As primeirio. “Meu sonho era trabalhar em ras tentativas na área de seguranquatro paredes com um monte de ça foram feitas depois da criação computadores. Felizmente, não de um software contra pirataria. No entanto, era preciso aconteceu”, desabafa. driblar a inexperiência Para ele, o empreendeprofissional e o fato de dorismo sempre esteve “Tinha que no sangue. A vontade trocar a Roda esse ser um mercado, na época, quase inexplorade construir “coisas” e do. “Era preciso criar a capacidade de aglu- com o carro algo do nada. Quando tinar pessoas para um Andando”, diz nasceu a Módulo, não mesmo objetivo sempre existia nem o Sebrae”. estiveram presentes na Fragola Hoje, os três sócios osvida dele. “Não gosto da mesmice”, diz Fragola, que adora tentam no currículo a proteção pilotar kart e participar de campe- da rede por onde trafegam as declarações de Imposto de Renda e onatos regionais do esporte. O carioca Fernando Nery, 43 a votação das eleições nacionais. anos, tem uma história parecida. Entre os clientes estão Petrobras Nery e um grupo de colegas de fa- e Embraer e entre os acionistas, culdade queriam fundar um negó- a Intel Capital, braço de invescio que pudesse se transformar em timentos da maior fabricante uma grande empresa. Esse sonho de chips do mundo. Nery, assim resultou na Módulo Security So- como os outros empresários, tem lutions, empresa de 22 anos espe- a sua forma de “recarregar as bacializada em gestão de riscos. Lá terias”. O executivo participa de atrás, a empresa nasceu “atirando maratonas. “É o meu jeito de recopara todos os lados”, de progra- brar as energias”, conta.

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meira.com

silvio meira

o paraguai e a política de informática A MP 380 tenta conter o caos na Ponte da Amizade. Mas ela é realmente eficaz?

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m quase todas as cidades do Brasil, até em Taperoá, na Paraíba, há uma “feira do Paraguai”. Se não há feira, tem pelo menos alguém na cidade com acesso a tudo o que existe do outro lado da Ponte da Amizade. Principalmente pequenos produtos digitais, de maior valor agregado e maior lucro para os sacoleiros – a preços que fazem sentido para qualquer consumidor. Em junho, reconhecendo a impossibilidade de conter a bagunça na fronteira paraguaia, a Medida Provisória 380 criou um regime especial de tributação (25%) para produtos vindos do país vizinho e estabeleceu uma cota anual de importação (R$ 240 mil) por sacoleiro. Isso diminui o caos, bota mais gente na legalidade, recolhe imposto. Em teoria, o País fica mais simples. Resta ver se a 380 será suficiente. Veja o exemplo: o preço de um iPod de 4 GB – que no Paraguai custa menos de R$ 500 e, no Brasil, mais de R$ 1.000 – dista mais de 100%, sem procurar muito. Se os sacoleiros importarem só iPods e iPhones, poderão dominar o mercado nacional. O que seria, de novo, muito bom para os consumidores. Porém, isso leva a perguntas importantes: por que o Brasil insiste em cobrar impostos de importação estratosféricos sobre produtos que não produz e que não tem a 32 • 09/2007 •

menor chance de produzir? Será que alguém imagina que o mercado nacional é suficiente para a Apple pensar em produzir iPods e iPhones para consumo local? O Brasil não é competitivo hoje como plataforma de produção para o mercado mundial. Se fosse, os artefatos digitais que inundam o planeta estariam sendo produzidos por aqui e não na China. Manter o País fechado – com reservas de mercado vazadas pelo contrabando – acaba nos tornando ainda menos competitivos. Lançar produtos (digitais, inclusive) no mercado mundial, sem base local, é muito mais difícil e caro... Tivéssemos uma MP 380 genérica, para tudo o que vem do exterior, estaríamos participando de muito mais sistemas de negócio no mundo todo. E teríamos um mercado local muito mais

competitivo. E o que rolasse aqui, (principalmente) pensado e (talvez) feito aqui, seria vendido no mundo todo também. Está mais do que na hora de entender que não podemos competir, no mundo atual, na base de substituição de importações e verticalização de cadeias de valor. O mundo é plano e em rede. Um negócio pode ficar em qualquer lugar onde o mercado esteja ou seja competitivo para a produção. O Brasil hoje, para a economia digital (e do conhecimento), não se encaixa em nenhum dos dois critérios. Mas podemos ser competitivos para produzir. Basta tentar a sério. Silvio Meira é professor titular de Engenharia de Software do CIN/UFPE e cientista-chefe do CESAR – Centro de Sistemas e Estudos Avançados do Recife. http://blog.meira.com.


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o mundo web

Leitores, ao trabalho! Com uma queda de circulação de 30% desde 1985, os jornais americanos estão pondo os leitores para trabalhar. A tendência está sendo rapidamente copiada pelas revistas do país. No site do New York Times e da Wired, já é comum ver jornalistas pedindo perguntas que possam ser feitas a executivos, artistas e outros personagens. Por trás dessa tendência se vê uma clara influência dos blogs, que estão mudando a forma de se multiplicar as informações.

leia ainda Alô, investidor Novos caminhos da informação PÁg. 40

Blog do presidente Conheça a receita do sucesso PÁg. 44

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o novo guarda-chuva do

consumidor 34 • 09/2007 •


O conteúdo gerado pelo consumidor já é um fenômeno social que modifica os modelos existentes de construção das marcas tradicionais Manoel Fernandes

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next Heinz, o catchup mais famoso do mundo: prêmio de US$ 57 mil para comercial feito pelo cliente

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o princípio, surgiram as marcas. E ninguém perguntou como elas deveriam ser. E disseram as marcas: haja o consumidor; e fez-se o consumidor. E as marcas prevaleceram e se perpetuaram. Essa era a verdade até o dia que alguém parou na frente do seu computador conectado à internet e percebeu que poderia emitir uma opinião sobre determinado produto que encontraria ressonância junto a outras pessoas com o mesmo sentimento. Esses grupos descobriram que o conjunto das suas avaliações mudaria o monopólio do discurso corporativo na construção das marcas. Foi assim que um dos maiores dogmas da economia moderna caiu para a aparição de um novo fenômeno social: o conteúdo gerado pelo consumidor, que a cada dia cresce e muda a forma como as empresas se relacionam com os seus clientes. Quem ainda resiste à idéia deve ler um dos últimos estudos da consultoria Accenture, que entrevistou os 100 principais executivos de empresas de mídia do planeta e chegou à conclusão de que o consumidor tem o poder. A comunicação com as marcas ficou bidirecional e com mais força, em alguns casos, para o lado do cliente. Os exemplos não param de pipocar. Gente do tamanho do Wal-Mart, IBM, Intel e o fabricante de alimentos Heinz já se renderam ao novo modelo de relacionamento com a sua massa de potenciais compra-

dores. Pela primeira vez o símbolo

®, que representa historicamente o conceito de marcas registradas, está perdendo a quebra de braço para @,

o ícone da internet. “Nunca na história do capitalismo o consumidor teve tanto poder como agora”, afirma Marcelo Coutinho, diretor executivo do Ibope Inteligência. “O cliente é o rei e algumas empresas estão descobrindo da forma mais dolorida esse novo conceito.” Existe até um novo termo antropológico para definir o estudo do comportamento desse novo consumidor no mundo on-line: Netnografia, uma variante da Etnografia. O professor americano Robert V. Kozinets já vem oferecendo aos seus clientes corporativos análises baseadas nos princípios da Netnografia. E não são poucas as empresas que tentam de alguma forma criar algum vínculo com o consumidor que sabe como levar seus direitos e opiniões ao extremo. Sobram casos para ilustrar a afirmação. Um dos mais emblemáticos aconteceu no final do ano passado. A maior rede de varejo do planeta, o Wal-Mart, foi flagrada mentindo para seus clientes no projeto WalMarting Across America. A história começou com a viagem de dois blogueiros entre Las Vegas e Georgia, nos Estados Unidos, com paradas programadas nos estacionamentos do supermercado e onde relatavam suas impressões sobre os habitantes do local. O blefe caiu quando se des• 09/2007 •

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next cobriu que os dois eram jornalistas profissionais contratados pela Edelman, a agência de comunicação da empresa. Numa tentativa de reverter o mal-estar com a situação, o WalMart tentou patrocinar um grupo do Facebook, rede social que reúne excolegas de escolas e universidades americanas. A ação não deu certo e os próprios usuários se encarregaram de barrar a entrada da marca no grupo do Facebook. O pedido de desculpa

pânico em relação à situação e se recusa a montar uma estratégia de diálogo com esse novo universo. As empresas mais espertas preferem correr o que muitos consideram um risco, mas que no final das contas pode se tornar uma vantagem competitiva. Só no Brasil, segundo o IBOPE NetRatings, há 9 milhões de internautas que regularmente lêem blogs. O número representa 46% dos internautas do País. É um contin-

US$ 57 mil em dinheiro e até a escolha dos 15 finalistas ficou por conta dos clientes. O trabalho vencedor foi exibido no último dia 16 de setembro durante o intervalo do Oscar da televisão americana, o Emmy. “Podem falar o contrário, mas esse fenômeno não é passageiro, porque ele reúne uma série de forças sociais em que a tecnologia é apenas o catalisador”, diz Peter Kim, analista sênior da consultoria Forrester Research.

Wal-Mart: projeto montado pela assessoria de imprensa com blogueiros falsos foi descoberto e provocou danos à imagem da empresa nos EUA

da rede de varejo chegou tarde e encontrou uma grande discussão sobre como as marcas devem se relacionar com essa nova mentalidade dos consumidores que usam seus blogs, os grupos que freqüentam nas redes sociais, como Orkut, MySpace e Facebook, para dizer o que pensam e acham dos produtos que consomem no seu dia-a-dia. Nesse ponto, há duas correntes entre os executivos das corporações. A primeira assume o seu completo 38 • 09/2007 •

gente significativo de consumidores ou potenciais clientes das marcas. A fabricante do ketchup Heinz – que é a maior compradora de tomates do mundo: dois milhões de toneladas anuais –, por exemplo, deixou nas mãos dos seus consumidores a produção de um comercial a ser exibido no horário nobre das TVs americanas. Em abril passado, a companhia abriu um concurso para escolher a melhor propaganda feita pelos consumidores. Ao ganhador caberia

À medida que os consumidores descobrem seu poder, mais a sua força é sentida pelas empresas. No ano passado, 22% da população adulta dos EUA era leitora regular de blogs, 19% participava de redes sociais e 18% assistia a vídeos produzidos por outros internautas. “O exercício do poder dos consumidores sobre as marcas é feito diariamente”, afirma Peter Kim. O desafio é como enfrentar esse cliente com uma capacidade nunca


antes vista de complicar a vida de uma marca. “O meu primeiro conselho é olhar para o próprio umbigo e perceber se a página da empresa na internet está pronta para interagir com as demandas do cliente”, afirma Claudia Woods, diretora da Predicta, cujo negócio é mapear o comportamento dos usuários de internet quando ele está navegando nas páginas das empresas. “A maior parte dos atuais sites ainda está na pré-história da internet. Por exemplo, pergunte a qualquer executivo se a página dele está preparada para ser acessada por celular de forma clara?”, diz Woods. Um bom site é apenas parte do problema. Criar um canal efetivo de comunicação com esse novo consumidor exige muito mais da marca. São necessárias visão e uma alta dose de transparência. Algumas empresas estão preparadas para fazer esse movimento. Outras nem sabem direito o que devem fazer. “É importante dizer em alto e bom som: a lealdade do consumidor à marca já não é a mesma de anos atrás. Agora ele pode dizer claramente: não gosto de sua marca e pronto”, diz Aloisio Sotero, diretor de marketing do grupo Duffry, que administra os freeshops dos aeroportos brasileiros e um dos editores do blog Acheme7 (www.acheme7. com.br) sobre conteúdo gerado pelo consumidor feito em parceria com a revista BITES. E quem seria esse consumidor? Esse é um dos problemas. Não há como identificá-lo com precisão cirúrgica. Ele se comunica de diversas formas com a marca. Ou através do seu blog pessoal de grande audiência. Ou nas comunidades da rede. Ou mesmo pelo seu programa de comunicação instantânea, como o

Messenger da Microsoft. Esse cliente sem rosto e com grande poder está conseguindo realizar proezas inimagináveis. A Intel soube entender o poder de pressão dessas pessoas reunidas na internet. A companhia foi obrigada a retirar um comercial de revistas de todo o mundo quando vários blogs na Rússia passaram a considerar a peça racista. No material, um grupo de corredores negros estava perfilado num escritório à espera do sinal de partida do juiz branco. Nada que negasse a realidade de situações se-

melhantes, mas a pressão foi muito forte e, para evitar problemas, a fabricante de chips nem quis discutir e suspendeu a campanha. “O maior efeito do conteúdo gerado pelo consumidor é a pressão coletiva que chega de todos os cantos”, afirma J.D. Lasica, presidente da consultoria americana Social Media Group. “Um simples abaixo-assinado se transforma em um instrumento tão poderoso que nenhuma corporação tentará ignorá-lo.” Em alguns casos, o caminho de algumas empresas é de radicalização do modelo para tentar mudar a cultura interna. A gigante IBM seguiu esse caminho e decidiu permitir que seus 150 mil funcionários no mundo utilizassem as novas ferramentas de comunicação. Tudo pode na corporação: Messenger, Orkut, Skype ou qualquer outro programa do gênero. O uso dos mundos virtuais, como o Second Life, é de livre acesso como também está sendo estudado como instrumento de aumento de produtividade das equipes. “Ou você acompanha o modelo. Ou fica para trás”, afirma Armando Toledo, diretor da IBM Brasil. Esse é o grande desafio para as marcas. Algumas estão ficando para trás e seus clientes seguem em frente. Em algum momento a distância será tão grande que ficará difícil recuperar o tempo perdido. Anúncio da Intel: onda de críticas sobre conteúdo racista levou companhia a um pedido público de desculpas. A peça foi cancelada. • 09/2007 •

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O que falam de

sua empresa? Pesquisa BITES/E-Life mostra as marcas de tecnologia, bancos, telefonia e varejo mais citadas no Orkut Roberta Queiroz

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mídia gerada pelo consumidor está mudando as estratégias de marketing das empresas. As interações entre web, busca por produto e consumidor estão inaugurando uma era de transparência nos negócios. O rastreamento e análise on-line dessa nova mídia é uma das maneiras encontradas pelas companhias para mapear, entender e atender às necessidades desse novo público. No primeiro levantamento do gênero com foco no mundo corporativo, a revista BITES e a consultoria E-Life mapearam as marcas mais citadas da internet em cinco setores: bancos privados, telefonia fixa e móvel, empresas de tecnologia e varejo. O resultado, divulgado na BITES de julho, levava em consideração 20 serviços de blogs e fotoblogs, com uma amostra total de 34.428 depoimentos entre 2003 a 2007. Na segunda etapa da pesquisa, foram monitoradas as comunidades do Orkut,

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com cerca de 25 milhões de pessoas cadastradas. “O Orkut representa sozinho 50% do boca-a-boca virtual, de acordo com a pesquisa que a E-life realizou recentemente sobre o perfil da blogosfera brasileira. Isso demonstra a importância desses resultados para que as empresas entendam como o consumidor vê suas marcas”, afirma Jairson Vitorino, diretor de tecnologia da E-Life Comunicação, especializada neste tipo de monitoramento. Diferentemente da primeira etapa, em que os dados foram classificados apenas quantitativamente, no levantamento das comunidades do Orkut as informações foram classificadas de acordo com o sentimento positivo ou negativo em relação a cada marca. No total, foram acompanhadas 90.152 comunidades da rede social, com 1,69 milhão de participantes.


Bancos Na categoria finanças, foram monitorados os quatro maiores bancos privados do País, segundo o ranking de ativos do Banco Central. Foram analisadas 79.861 comunidades, com 169.016 pessoas. O Bradesco é o banco com o maior número de comunidades e com 43,19% de comentários positivos, seguido do Unibanco, com 22,54%. Em terceiro aparece o Itaú, com 20,19%, e por último o Real, com 14,08%. Na qualificação negativa, o banco menos citado foi o Unibanco, com apenas 9,52% dos comentários. O Bradesco teve o maior número de comunidades negativas, 38,10%. Em segundo ficou o Itaú, 33,33%, seguido do Real, com 19,05%. Em citações dentro de comunidades, o Bradesco é campeão, com 46,99% do total. Em segundo lugar aparece o Itaú (709), com 33,38%. Em terceiro ficou o Unibanco (293) com 13,79% das comunidades, e por último está o Real (124), com 5,84%. Um aspecto importante da pesquisa aponta que em número de participantes por comunidades que citam a marca, o Itaú, com 47,25%, troca de lugar com o Bradesco, que aparece com 39,84%. O terceiro lugar fica para o Unibanco, 9,18%, seguido pelo Real, 3,73%. Telefonia Móvel Empate técnico no número de comunidades que citam as principais operadoras de telefonia celular no Brasil. Claro, Oi e Tim aparecem com 32,81%, 32,72% e 32,68%, respectivamente. A Vivo conseguiu apenas 1,79%. Em número de participantes, a Tim fica na frente com 34,45%. O segundo lugar foi da Claro, 29,47%, seguida pela Oi, 20,52% e pela Vivo, 15,56%. Em relação ao sentimento das comunidades, a Claro conseguiu o primeiro lugar em aprovação, 25,61%, um pouco à frente da Tim e da Vivo, que empataram com 25% cada. Por último, aparece a Oi, com 24,39% do sentimento positivo. A Oi foi a operadora que conseguiu o maior número de comentários negativos das comunidades, 27,78%. Na qualificação negativa, a Tim e a Vivo empatam de novo com 25% cada uma, seguidas da Claro, 22,22%. Varejo Casas Bahia é a marca que conquistou o maior número de comunidades do Orkut, 33,18%. Em segundo lugar está o Carrefour, 31,87%, seguido do Pão de Açúcar, 21,46%, do Wal-Mart, 7,34%, e do Ponto Frio, 6,15%. O Ponto Frio foi a empresa de varejo que conseguiu o maior número de comentários positivos, 23,11%. Em segundo apare-

ce o Pão de Açúcar, 22,17%, seguido por Wal-Mart, 21,70%, Carrefour, 18,40%, e Casas Bahia, 14,62%. As Casas Bahia tiveram o maior número de críticas, 50%. O segundo lugar ficou com o Carrefour, 28,95%, seguido do Wal-Mart, 10,53%, e do Pão de Açúcar, 7,89%. O Ponto Frio teve o menor número de comentários negativos no Orkut, 2,63%. Quanto ao número de participantes de suas comunidades, as Casas Bahia disparam na frente com 63,18%. O Carrefour aparece com 34,42%; e bem atrás estão Pão de Açúcar, 1%, Ponto Frio, 0,77%, e Wal-Mart, 0,63%. Telefonia Fixa A Telemar conquistou o primeiro lugar em número de comunidades no Orkut, 35,34%. Em segundo aparece a Telefônica, com 31,24%. Em seguida, estão a Brasil Telecom, 17,49%, e a Embratel, 15,93%. Em número de participantes, a Telefônica fica com o primeiro lugar, 40,84%, seguida pela Brasil Telecom, 31,79%. A Telemar aparece em terceiro lugar, 18,83%, e por último, a Embratel, 8,54%. Já em relação à qualificação positiva das comunidades, a Embratel conquista o primeiro lugar, com 31,33%. A Brasil Telecom conseguiu o segundo lugar, 25,33%. Em terceiro está a Telemar, 22,67%, seguida da Telefônica, 20,67%. A Embratel também é a empresa de telecomunicações com o menor número de comunidades com comentários negativos, 6%. A Telefônica aparece com a maior rejeição, 38% de comentários negativos, seguida da Telemar, 32%, e da Brasil Telecom, 24%. Tecnologia A Microsoft foi a marca com o maior número de comunidades no Orkut, 396 no total, o que representa 32,22% da amostragem. A IBM ficou em segundo lugar (350), 28,48%, e em seguida vem a Intel (333), 27,10%. Por último aparece a Oracle (150), 12,20%. Em relação à quantidade de participantes nas comunidades, a Microsoft também sai na frente com 57,59%, seguida pela Intel, 24,05%, e pela Oracle, 11,09%. A IBM fica na última posição com apenas 7,27%. Porém, na pesquisa qualitativa, a IBM lidera em comentários positivos sobre a marca, 55,70%. Em seguida, e com uma diferença percentual significativa, aparecem Oracle, com 15,44%, e Microsoft e Intel, que empatam com 14,43% cada. A Oracle é a empresa com menor número de comunidades com comentários negativos, 16,66%. A Microsoft divide com a Intel o topo da lista de críticas, 29,17% cada uma, seguidas pela IBM, com 25%.

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.com ©1

“Investidor,

tem mensagem pra Empresas, corretoras e instituições financeiras buscam formas de comunicação mais interativas, amigáveis e didáticas com clientes Fernanda Galvão 42 • 09/2007 •

1 Ana Paula Paiva


Sucesso de público: os programas de Marco Melo e Álvaro Bandeira registram as maiores audiências da TV Ágora, dando dicas diárias de investimentos

você!”

N

a quarta-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo tem recorde de movimento. Na quinta, as bolsas asiáticas caem e a Bovespa acompanha. Em meio ao sobe-edesce e, especialmente, com todos os analistas entusiasmados com as previsões para o mercado de ações no ano, apesar da crise, restam dúvidas e mais dúvidas para os investidores principiantes. Calculadora em punho, o novato parte em busca de informações sobre como aplicar seu dinheiro. Aí começa o desafio: onde encontrá-las? Como decifrá-las? Quais as mais importantes? Quem são as fontes confiáveis? Mas ele não está sozinho. Questionamentos do mesmo quilate estão na ordem do dia também para aplicadores experientes e para todo tipo de profissional do mercado. A quantidade e a velocidade de produção de informações no setor financeiro tornam a orientação e atualização sobre investimentos uma necessidade constante. Sugestões e respostas para os interessados no assunto não faltam, assim como são múltiplos os canais de acesso a elas. A internet, claro, consolida-se como um dos principais veículos, seja pela quantidade ilimitada de dados, seja pela facilidade de acesso e de interatividade ou pela agilidade de informar em tempo real. Para mergulhar na web, porém, o investidor deve preparar-se. Ele irá se deparar com quase todo tipo de ferramenta de comunicação: e-mail, chat, fórum, webcasting (espécie de conferência ou encontro virtual), vídeos, áudios, mensagens pelo celular (SMS), sala do acionista virtual, webTV. Tudo espalhado em milhares de sites, blogs e comunidades virtuais de empresas, corretoras, bancos, bolsas de valores, consultorias e todo tipo de agente do mercado de capitais, além dos portais de veículos de comunicação tradicionais. Mas o investidor que não se engane: há muito produto descartável ou de má qualidade e estar sintonizado com os últimos acontecimentos pode ser decisivo para a carteira. Entre as empresas de capital aberto, a maioria já entendeu que

transparência costuma se traduzir em lucro. E a falta dela pode resultar em prejuízo. Por isso, o famoso site de RI (sigla para Relações com Investidores) hoje já é oferecido por quase todas as companhias listadas no pregão. Porém ainda há muito a ser feito. A tendência, segundo Paulo Esteves, sócio-diretor da consultoria Capital Partners, é a convergência de mídias também nessa área. “Atualmente boa parte dos sites de RI é muito parecida. É preciso inovar”, diz. Para isso, ele recomenda que sejam adotadas novas ferramentas, por exemplo, de busca e de atualização automática (como o RSS, sistema que reúne em uma única tela informações de sites preferidos e ainda avisa o usuário das novidades publicadas). “O conteúdo deve ter fácil localização, o design deve ser bonito e agradável, customizado de acordo com a identidade da empresa”, avalia Esteves. O investimento, garante, tem retorno imediato, porque a informação impacta diretamente na liquidez do papel. Realidade hoje no País e já bastante difundidas, as transmissões de vídeos de análise de mercado • 09/2007 •

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.com via internet auxiliam investidores e profissionais financeiros. A pioneira na prestação desse serviço é a corretora Ágora. Há cerca de dois anos, a corretora iniciou a transmissão de dois pequenos programas apenas para alguns clientes cadastrados. Era o início da ÁgoraTV, modelo tão bem-sucedido que levou a corretora a investir num estúdio próprio de gravação na sede da empresa, no Rio de Janeiro. Os analistas que apresentavam os programas foram treinados para se tornarem verdadeiros “âncoras” de TV, recebendo até aulas de dicção. “A idéia é oferecer um conteúdo consistente numa linguagem simples para qualquer investidor, evitando gírias e jargões de finanças”, explica Hélio Pio, diretor comercial. Depois de pesquisas com clientes, a grade de programação foi ampliada. Hoje, são cinco atrações diárias. A maior audiência é pela manhã, com programas que traçam as perspectivas para o dia, apresentados por

Marco Melo, economista-chefe da Ágora, e pelo analista Álvaro Bandeira. “O objetivo é ser didático, dar as informações e apresentar alguma conclusão sobre elas”, explica Pio. “Assim, o investiconteúdo consistente e liguagem simples são essenciais dor aprende a in- Estratégia: para o investidor, revela o diretor Hélio Pio terpretar os fatos e tomar decisões por conta própria.” Os programas home page da Bolsa (e ler a nosão acessados por cerca de 2 mil tícia na íntegra) e acessar dados clientes por dia. do Ibovespa (pontuação, valor de Quem não quer esperar um pro- abertura mínimo, máximo e mégrama na TV ou na web e sequer dia), evolução dos demais índices agüenta a hora do almoço longe (IBrX, ISE, IGC etc.), entre outras do computador para acompanhar informações – tudo em tempo real. suas ações também pode ser aten- Há possibilidade ainda de consuldido. Recentemente, a Bovespa ta da cotação de qualquer uma das desenvolveu uma versão de seu empresas listadas, com delay de 15 site exclusivamente para acesso minutos. O serviço da Bolsa é gravia handhelds para cadastrados no tuito, mas o investidor não escapa programa pelo site da Bolsa. Ali é da conta de telefone: é preciso papossível visualizar a manchete da gar a conexão à internet.

Informações estão também no Os investidores brasileiros perceberam a importância de não enfrentarem sozinhos os percalços do mercado de ações e procuram formas de se ajudar mutuamente. Com isso, multiplicam-se fóruns on-line e comunidades virtuais que debatem a Bolsa e seus problemas. Legislação, regras de negociação, dicas, boatos, piadas, tudo pode ser encontrado nos tópicos de discussão. Uma das comunidades que se tornou famosa entre investidores amadores está no Orkut. “O Investidor Agressivo” foi criada em 2004, pelo engenheiro Allan Arantes, um autodidata que opera sozinho no mercado de capitais. A popularidade crescente do Orkut fez o resto do trabalho. Pouco tempo atrás, a comunidade contava com cerca de 17 mil participantes. Em meados de julho, um fato polêmico demonstrou a força desse tipo de iniciativa. Segundo Arantes, a página da comunidade e seu próprio perfil foram “apagados”

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e no do Orkut sem aviso prévio depois que a corretora de valores Banif enviou notificações para ele e para o site, devido a comentários colocados no fórum que, segundo a empresa, estariam denegrindo sua imagem. A Banif alega que apenas solicitou a retirada dos comentários negativos, mas antes que isso pudesse ser feito pelo moderador, o Orkut já havia deletado tudo. Arantes refez seu perfil e criou uma nova comunidade com o mesmo nome. Em poucos dias, ultrapassou 4 mil participantes. Ainda no Orkut há dezenas de outras comunidades de investidores. Embora pequenas, algumas são respeitadas, como a “Pelicano Investidor”. Em geral, o público dessas comunidades é jovem, entre 20 e 30 anos, e, segundo levantamento informal do “Investidor Agressivo”, ganha entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por mês. “É um público que opera via homebroker, então precisa buscar mais informações”, diz Arantes. 2 Ana Paula Paiva


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MANUAL DO

BLOG CORPORATIVO Se os diários virtuais são o prato do dia na internet, quando produzidos por CEOs de renome ganham tempero extra Fernanda Galvão

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specialistas em web 2.0 e interatividade gostam de afirmar que produzir um diário virtual de sucesso exige uma receita relativamente simples: pegue um bom naco de polêmica, tempere com notícias quentes e acrescente artigos e frases picantes de autores famosos. Distribua tudo em doses equilibradas e bem atualizadas de categorias. Por fim, polvilhe com tags (palavras-chaves) extraídas de todos os posts e devidamente indexadas em sites de busca especializados, como o Technorati ou, no Brasil, o Blogsblog. Adicione comentários a gosto. Para impedir que o “prato” em questão se transforme num blog feijão-com-arroz, são essenciais a qualidade e o frescor das informações postadas. Porém, a exemplo do que ocorre na gastronomia, a assinatura do cozinheiro pode fazer toda a diferença. Foi a partir dessa idéia que começou a avançar a moda dos blogs de CEOs, espalhada pelo mundo todo e que agora ganha força aqui.

Um número cada vez maior de representantes de altos executivos decide se aventurar on-line, a maioria deles em blogs em que se identificam e podem opinar abertamente sobre qualquer tema. A premissa comum é de que o blog corporativo, quando assumido pelo ocupante da mais confortável cadeira da empresa, oferece um canal de comunicação muito mais saboroso e atraente com investidores, empregados e clientes. Mas o segredo é não confundir o veículo com os 1 Nomonomon, 2 Nonnomonomono


O blog de Jonathan Schwartz, presidente da Sun, traz comentários sobre a empresa, a vida de CEO e até críticas à política americana

demais canais de relacionamento da companhia. “É importante ter consciência de que o blog é, em primeiro lugar, uma ferramenta de conversação, ou seja, o autor tem de colocar ali um pouco de sua personalidade, espelhar suas características de liderança”, analisa Fábio Cipriani, consultor empresarial e autor do livro Blog corporativo, editado pela Novatec. Cipriani explica que, embora possa tratar de infinitos assuntos, o blog de um CEO deve ter um caráter pessoal. “Se o executivo não

quer dialogar com outras pessoas, para que fazer um blog?”, questiona o consultor. “Essa é uma atividade que requer atualização e interatividade. Quem coloca um post espera uma resposta personalizada, mesmo que o texto seja orientado por advogados”, completa. No exterior, os CEOs que seguiram tal modelo estão entre os mais bemsucedidos blogueiros. O caso mais notório é o do presidente da Sun Microsystems, Jonathan Schwartz. Vanguardista, ele foi um dos pri-

meiros executivos da lista das 500 maiores empresas da revista Fortune a criar um blog. Hoje, cerca de 3,5 mil de seus funcionários têm seus próprios diários virtuais. Schwartz usa o espaço para refletir sobre a vida como CEO, discutir produtos e até desafiar o governo em questões polêmicas. A fórmula está funcionando. De acordo com o jornal Los Angeles Times, numa conferência na cidade de São Francisco, Schwartz declarou que seu blog já atraiu 60 mil leitores num dia de pico. “O que • 09/2007 •

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.com

Alonso, CEO do HSBC: perfil no Orkut levou à criação do diário on-line

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torna o blog do presidente da Sun tão especial é que Schwartz é transparente e inteligente”, define Cipriani, que entrevistou o executivo para seu livro sobre o tema. Debbie Weil é chamada de a “Mona Lisa” dos blogs corporativos nos EUA por seu trabalho como consultora de alguns dos mais importantes executivos globais. Ela concorda que o aspecto de intimidade que esse canal de relacionamento oferece é fundamental. “Os posts humanizam o CEO”, afirma em seu site. “Se você dirige uma grande corporação, as pessoas querem saber sobre isso.” Foi justamente para responder à demanda por informações e contatos que nasceu um dos primeiros blogs de executivos do Brasil, assinado por Emilson Alonso, CEO do banco HSBC. Atuando há 20 anos no setor bancário, foi pelas mãos da filha que o executivo chegou à blogosfera. O caminho começou com um convite da menina, no final de 2005, para que ele participasse do site de relacionamentos Orkut. Ali, sua página começou a receber perguntas pertinentes ao banco feitas por usuários que o reconheceram. Como não podia escrever sobre a empresa naquele ambiente, Alonso decidiu criar um canal pessoal de comunicação com os funcionários. O resto ficou com a equipe de TI do banco, que colocou no ar um blog

de acesso restrito em abril de 2006, na intranet da instituição. “A idéia inicial era criar um grande fórum de discussão e neutralizar a conhecida ‘rádio corredor’, ou seja, os boatos que surgem internamente e atrapalham o clima organizacional”, diz Alonso. De lá pra cá, já foram 5 mil comentários e mais de 2 milhões

Para o CEO do HSBC, o blog ajuda a neutralizar os boatos internos que tanto atrapalham o clima da organização 48 • 09/2007 •

de acessos. Em média, o CEO gasta cerca de uma hora por semana para responder comentários e atualizar o blog. Os temas variam de sugestões para a vinda do CEO mundial ao Brasil a dicas sobre saúde e empregabilidade. Agora, a idéia de estruturar um blog externo está sendo estudada. Mas as características deverão ser outras. “Queremos criar comunidades de interesses entre os funcionários nesse espaço”, diz Alonso. O CEO afirma que quer evitar um “culto à personalidade”. A discussão sobre o blog criar um conflito de interesses entre a divulgação da empresa e uma “propaganda” do próprio executivo pode ser interessante, mas há casos mais graves e polêmicos. Entre eles está o recente episódio envolvendo John Mackey, CEO da rede americana varejista de produtos orgânicos, a Whole Foods. Em julho passado, Mackey confessou que, durante oito anos, enviou comentários para fóruns de finanças sob identidade falsa, nos quais criticava sua concorrente, a Wild Oats, que a Whole Foods tenta adquirir. Os posts vieram à tona em uma investigação da Federal Trade Comission, órgão regulador do mercado nos EUA. Com o processo, Mackey pode ter criado o primeiro “bug” da blogosfera executiva. Ele mantinha um diário virtual no site da companhia que, após as denúncias, deixou de ser atualizado. Debbie Weil não pôs panos quentes e, na imprensa americana, tachou os comentários anônimos de antiéticos. Segundo ela, bom senso e discernimento são suficientes para definir a conduta dos blogueiros. “Sua reputação on-line não pode ser apagada”, declarou ela ao Washington Post. “Há um rastro deixado por você na web e as pessoas podem achá-lo.” Por isso, para quem é CEO e blogueiro, cuidado com o excesso de pimenta. 1 Nomonomon, 2 Nonnomonomono


Top five dos blogs corporativos Confira cinco CEOs que assinam alguns dos diários virtuais listados entre os melhores do mundo, segundo avaliação da consultora americana Debbie Weil. Os links estão listados no site da consultora (www.blogwriteforCEO.com) e não pressupõem uma classificação

Jonathan Schwartz

Jonathan Schwartz, CEO da Sun Microsystems. Pioneiro entre os autores de blogs de CEOs, começou em junho de 2004. Em um post recente, escreveu: “Eu adoraria que um dia o termo ‘blogueiro’ fosse eliminado do vocabulário da internet. Os CEOs que têm celulares não são ‘celuleiros’, os que têm e-mail não são ‘e-maileiros’, os que dão entrevistas na televisão não são ‘televiseiros’ – são apenas líderes que usam a tecnologia para se comunicar”.

http://blogs.sun.com/jonathan/

Richard Edelman

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Richard Edelman, CEO de uma das maiores empresas globais de relações públicas, a Edelman. Está no universo dos blogs desde setembro de 2004. O leitor deve se preparar para muito texto em cada post – claro, trata-se de um comunicador. Além de análises da indústria da comunicação em geral, o executivo comenta também perspectivas e tendências de negócios apuradas em encontros com grandes líderes e empresários mundiais (caso do CEO e fundador do site MySpace, Chris DeWolfe).

http://www.edelman.com/speak_up/blog/

mark cuban

Mark Cuban, bilionário excêntrico, é CEO do Dallas Maverick, um dos times de elite da NBA, a liga americana de basquete. Entre muitos negócios, também investe em empresas pontocom na fase inicial. Blogueiro desde 2004, Cuban levou para sua página, onde analisa prioritariamente o mercado de TI, seu conhecido estilo sincero e polêmico. Há algum tempo ficou famoso por declarar que “só um idiota compraria o YouTube (site de vídeos adquirido logo depois pelo Google)”.

http://www.blogmaverick.com/

bill marriott

ALAN MECKLER

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Bill Marriott é um dos mais recentes integrantes da blogosfera. O CEO da rede hoteleira Marriott International lançou seu blog “Marriott on the Move” em janeiro passado. Ali ele trata de temas que abrangem desde o início de seu trabalho, há 40 anos, como bispo da religião mórmon, até as iniciativas da cadeia de hotéis para economizar e reciclar energia. http://www.blogs.marriott.com/

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Alan Meckler, CEO da holding Jupitermedia, fornecedora global de imagens digitais, pesquisas e eventos. Em seu blog, ele fala sem reservas sobre competidores, fornecedores e sobre seu próprio mercado. Nos posts, comenta até sobre a cobertura da mídia sobre fatos envolvendo a empresa. Mas não acredita que todo CEO precisa usar a ferramenta: “Eu escolhi este veículo porque tenho uma perspectiva interessante sobre o setor de mídia que posso compartilhar e que poderá ajudar a gerar negócios”.

http://weblogs.jupitermedia.com/meckler/

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.com blogcamp 20 07

O

Blogcamp reuniu no último final de semana de agosto mais de 100 blogueiros em São Paulo. BITES acompanhou de perto as discussões e os debates. A forma encontrada pela revista para fazer esta reportagem é aquela que mais se aproxima do espírito da blogsfera, como é conhecido esse universo. Em lugar de um texto linear, BITES escolheu trechos dos posts dos principais blogs do País numa espécie de diário off-line das discussões que ocorreram no evento e continuam dando o que falar na rede.

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Tecnocracia

Tecnocracia www.tecnocracia.com.br 25 de agosto

Techbits www.techbits.com.br 25 de agosto

Os blogs são o principal representante do tal Consumer Generated Content (Conteúdo Gerado pelo Consumidor), mas ainda precisamos superar um grande obstáculo: conquistar leitores, formá-los, aumentar a quantidade de pessoas que lêem blogs. A melhor resposta é continuar escrevendo conteúdo relevante e de qualidade. Escrever cada vez mais e melhor sobre assuntos que são do interesse de seu público. Pessoalmente, não acredito no modelo de sustentabilidade atual, baseado em publicidade contextual que se apóia principalmente em visitantes de sites de busca. Aqueles que carinhosamente chamamos de pára-quedistas, que não lêem mais que o título (quando muito o primeiro parágrafo) e clicam novamente no link mais próximo (estrategicamente posicionado um anúncio que paga por clique). Os blogs que não produzirem conteúdo relevante e de qualidade tenderão a ser mal indexados, perderão visitas e conseqüentemente dinheiro.

Pelo jeito o Twitter (www. twitter.com) está em alta com os blogueiros. Ao invés de live-blogging, a maioria dos blogueiros ficou com seus smartphones ou notebooks postando notas rápidas no Twitter. Todos participaram das discussões e entre uma fala e outra corriam para os smartphones para postar algumas impressões no Twitter. Ocorreram discussões sobre o Wasabi, redes sociais, blogs. Também não poderia faltar o assunto recorrente na blogosfera, monetização. Como sempre as discussões foram interessantes, mas o melhor de tudo é o networking. Conhecer pessoas ligadas à blogosfera que fazem a diferença e estão transformando essa mídia em coisa séria, sem tirar o tom informal da ferramenta. Os blogs precisam ter responsabilidade sem se eximir de opiniões. Por responsabilidade entendo apurar corretamente as informações, corrigi-las se algum leitor apontar erros. Opinião é diferente. Cada um tem a sua o que pode agradar ou desagradar os leitores.

1,2 André Sarmento/Ag. NaLata


Interney www.interney.net 27 de agosto

Ladybug ladybugbrazil.blogspot.com 27 de agosto

Oitopassos www.oitopassos.com 28 de agosto

Foram dois dias intensos. Dormi apenas 3 horas do sábado para domingo, passei 12 horas em bares, 4 horas almoçando e 4 horas tomando café. Tirando o tempo gasto com outras atividades devo ter discutido sobre blogs (sóbrio) durante 16 horas, ou cerca de 8 horas por dia. Conheci muita gente com quem eu só tinha contato pela internet, muitos blogueiros cujos blogs eu só conhecia de relance, reencontrei diversos amigos e fiz vários novos. Além da confraternização, o evento foi palco de diversos debates produtivos, definitivamente blogs amadureceram muito, ninguém ouviu falar de blogs como diarinhos, aliás a maioria dos blogs como diários de adolescentes que existiam por aí foram abandonados nos últimos dois anos. Gostei muito da estrutura anárquica do evento, embora tenhamos descoberto de maneira não muito agradável que ainda não estamos preparados para tanta anarquia assim, e um pouco mais de ordem e controle foram adotados no segundo dia do Blogcamp. A experiência foi muito válida.

Não vou dar conta de ler tudo o que foi escrito. Isso é ponto pacífico. No e-mail pipocam comentários das fotos no Flickr. No telefone, alguém sem-blog, mas com uma estratégia que envolve blogs pede relatório. Nos blogs, artigos enormes, listas ou pequenas notas tentam explicar ao leitor o que aconteceu entre estes muitos seres durante 48 horas –­­ intensas, cheias de informação, com as tendências flutuando, algumas muito tênues, entre homens e mulheres que são farejadores natos. Entre ontem e hoje, surgiram na rede mais 50 textos falando do assunto. Já somam, no mundo em português, 348 (e vai aumentar). O que provamos? Enquanto o jornalão está à beira de disparar mais polêmica (publicidade de O Estado de S. Paulo que faz uma referência pouco elogiosa aos blogueiros ao associá-los a um macaco que fica alimentando seu blog de economia), entre os blogueiros presentes vão surgindo ótimos resumos e a nossa maturidade começa a aparecer.

Teve gente que achou que foram discutidos assuntos já manjados. Eu concordo que poderíamos ter discutido coisas um pouco mais novas, mas acho que algumas pessoas foram até lá atrás de conclusões e respostas. Na minha opinião, o BlogCamp foi um evento para formular novas perguntas, e isso é ótimo. Afinal, já dizia Sócrates, “tudo que sei é que nada sei”. Ou seja, o homem sábio não é aquele que tem todas as respostas, mas o que sabe formular as perguntas certas. Alguns anos atrás, uma amiga disse: “Ei! Entra nesse blog, é muito maneiro!”. Quem diria que alguns anos depois eu estaria conversando com a blogueira em questão, tietando e descobrindo que não só o blog dela é legal, como ela também corresponde totalmente às expectativas. Foi ótimo fazer e rever amigos. Muita coisa ainda está por vir, novos BarCamps e novas amizades. A blogosfera é a primeira banda que faz música de qualidade sem precisar de um maestro.

1 Lucia Freitas / Ladybug Brazil /2,3 André Sarmento/Ag. NaLata

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.com blogcamp 20 07 Tecnocracia

Dia de folga www.diadefolga.com 03 de setembro

Cabianca www.cabianca.net 07 de setembro

Meio bit www.meiobit.com.br 08 de setembro

O melhor do BlogCamp Brasil 2007 aconteceu fora das desconferências. Conhecer gente ao vivo e a cores continua sendo uma das coisas mais interessantes da face da Terra. Os almoços, botecos e cafés foram o ponto alto. Admito que não tive paciência para boa parte das discussões travadas. Quando me falam em querer organizar a blogosfera, meu espírito anárquico se arrepia. Acho impossível e infundado querer enquadrar tantos e tão diferentes blogs dentro de uma forma única. Deixem correr, gente. Sim, houve papos sobre monetização (aka “ganhar dinheiro com blogs”), mas quem não tinha interesse encontrava outra sala com um tópico diferente.

Conversando com o Manoel Netto em São Paulo, no último BlogCamp, iniciamos o raciocínio para realizar um novo encontro no ano que vem, com proporções nacionais e quem sabe internacionais. Esta possibilidade não é remota, pelo contrário, temos capacidade de atrair muitas pessoas para participação e a atenção do mercado em geral. Passadas algumas semanas, alguns blogueiros começaram a se organizar para realizar encontros “regionais”, em Fortaleza, Minas Gerais e propostas para Porto Alegre e Curitiba (que cunharam o nome BotecoCamp).

Com o término do primeiro BlogCamp surgiram diversas iniciativas para ampliar o debate na blogosfera brasileira. Agora o principal desafio é: replicar o modelo do BlogCamp em âmbito nacional para alcançar uma audiência maior e integrar os blogueiros desse país de dimensões continentais. A idéia é organizar cinco BlogCamps, um em cada região do país, simultâneos. O BlogCamp foi um momento importante para discutir a importância dos blogs como mídia. Além de temas relevantes como monetização, direitos autorais, redes sociais e rankings. Houve ainda uma forte integração entre os participantes.

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1 André Sarmento/Ag. NaLata


OPINIÃO Comunicação Unificada: o novo caminho para a simplicidade A rede corporativa tem de suportar todo tipo de interação entre os usuários, onde eles estiverem. O conceito de convergência no Brasil já evoluiu e hoje as empresas não buscam apenas integrar redes de voz e dados. A ampliação desse modelo de comunicação para uma plataforma totalmente integrada coloca em pauta o conceito de Comunicação Unificada, o grande tema das comunicações corporativas nos próximos anos. O objetivo é transformar a rede de uma empresa em plataforma para todo e qualquer tipo de interação. Independentemente da mídia usada e do local onde o usuário esteja. Algumas aplicações cada vez mais em sintonia com esse conceito são: Mobilidade: usuários podem e devem acessar e ser acessados de qualquer lugar e por qualquer dispositivo, tendo a mesma experiência e usufruindo das mesmas facilidades e aplicações. Quem estiver fora do escritório, deve ter a possibilidade de acionar as mesmas informações que acessa quando está sentado na mesa de trabalho. As aplicações de mobilidade são diversas, incluindo os softphones e celulares dual mode. ©1

Presença: como o próprio nome diz, são aplicações que indicam se um usuário está presente em determinado momento, indicam o seu status (em uma ligação, respondendo e-mail etc.) e ainda como ele prefere ser contatado. Esse tipo de aplicação integra telefonia corporativa, e-mail e ferramentas de

mensagens instantâneas. Tudo para que se consiga entrar em contato com quem se quer logo na primeira tentativa. Não faz sentido ligar para alguém que você já sabe que está ao telefone. As aplicações de presença

avisam sobre o melhor meio de entrar em contato e otimizam a comunicação. Colaboração: hoje já existem companhias que apóiam toda a sua estratégia de treinamento para funcionários em aplicações de colaboração. Essas aplicações permitem que, em uma sessão de treinamento, por exemplo, os alunos possam ter simultaneamente uma conferência de áudio, vídeo e compartilhamento de arquivos. Além disso, eles podem fazer perguntas ao instrutor, trocar comentários entre si e gravar a sessão. Em outras palavras: os usuários podem efetivamente colaborar como se estivessem quase ao vivo. Esses exemplos mostram que cada vez mais as mídias e dispositivos devem estar integrados e unificados para oferecer mais facilidades e opções. Hoje há muitos recursos interessantes mas que, às vezes, não se comunicam e não se entendem. A comunicação unificada proporciona o compartilhamento desses recursos. O resultado? Facilidade de comunicação e, conseqüentemente, maiores índices de produtividade para pessoas e empresas.

Marco Barcellos, diretor de marketing da Cisco, foi o coodernador deste artigo, feito em colaboração com Daniel Marson Guedes (Main Contact NetAcademy e coordenador dos cursos de IT e infra-estrutura do Senac São Paulo), Diene Monteiro (aluna da NetAcademy e do projeto Escola de Fábrica, em Brasília) e Paulo Alberto Violada (instrutor da NetAcademy e profissional do Núcleo de Tecnologia da Informação do Senai Florianópolis). Este é um“Artigo Colaborativo”, concebido dentro do conceito da Web 2.0, em que várias pessoas expressam seus pontos de vista. O resultado reflete a opinião do grupo, e não simplesmente a soma das diferentes opiniões. Você pode ler, participar ou até iniciar um “Artigo Colaborativo” e convidar seus colegas no portal da Comunidade Cisco (www.cisco.com.br/comunidade/). 1 iStockphoto

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.com

Saiu bem na

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Laptops, celulares e até satélites encurtam as distâncias entre fotógrafos, agências e redações Roberta Queiroz

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epórteres fotográficos enfrentam todos os dias uma maratona. Além de disputar uma boa posição para capturar a melhor imagem, precisam ainda enviá-las o mais rápido possível às agências e redações. Todo o sucesso do trabalho depende da operação tecnológica. Foi pensando nisso que Jefferson Bernardes, do Rio Grande do Sul, instalou um verdadeiro aparato digital para atender as diversas agências de notícias, jornais e revistas para as quais trabalha em todo o mundo. Com uma câmera, um laptop e um celular, Bernardes já conseguiu ga-

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foto nhar até meia hora de antecedência no envio de uma imagem em relação aos concorrentes. “Quando Ronaldinho Gaúcho acendeu a pira olímpica em Porto Alegre, havia cerca de cinco mil pessoas lá. Todos os fotógrafos tiveram que buscar um local seguro para usar o computador para enviar as imagens. Eu consegui mandar pelo celular”, afirma. Com um cartão de memória SD adaptado à câmera e ao celular, o fotógrafo ganhou tempo e publicou suas fotos antes dos outros profissionais. Criador do banco de imagens Preview, Bernardes cobre os acon-

tecimentos do dia e disponibiliza um arquivo atemporal para agências, como France Press e Getty Images, e para veículos de comunicação no Brasil. Para isso, o fotojornalista comprou uma câmera compatível com o celular, um smartphone, que por sua vez precisava ser compatível com o sistema de transmissão do site que ele utiliza para publicar as imagens, o Preview. O laptop e o celular têm Bluetooth e um sistema de edição de imagem em tempo real. Bernardes ainda investiu no desenvolvimento de um robô para o site, capaz de ler o IPTC, padrão que 1 Divulgação/Jefferson Bernardes


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Custo do satélite, de US$ 7 por megabite faz da banda larga e do wi-fi as melhores opções para os fotojornalistas

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Na Reuters, Rickey Rogers (acima), o tempo ideal para envio de uma foto é de 30 segundos. O fotógrafo Jefferson Bernardes (ao lado) desenvolveu um robô para identificar as imagens automaticamente

descreve a legenda de cada imagem, e fazer o upload dos arquivos automaticamente. Cada profissional autônomo, agência e veículo de comunicação adquiriu equipamentos e desenvolveu sistemas para tornar a transmissão mais rápida. Mas, numa coisa eles concordam: sem uma boa conexão de banda larga, a operação está perdida. A Agência Reuters utiliza a mesma tecnologia em todo o mundo. Para Rickey 2,3 Divulgação

Rogers, chefe do departamento de fotografia na América Latina, ter uma conexão lenta é sempre um risco. “Para evitar problemas, contratamos a banda larga com antecedência. Se acontece de ficar lenta, prejudica todo o trabalho, porque não conseguimos enviar as imagens no tempo ideal, que é em média de 30 segundos por imagem”, explica Além da câmera, o laptop e o celular com cartão 3G, que permite

maior velocidade de envio, mas que não funciona em todas as partes do Brasil, a agência internacional usa tecnologia via satélite. A transmissão ocorre através de um modem, que é uma caixa menor do que um laptop e com uma antena. “Ligamos o aparelho ao computador por cabo USB ou internet e fazemos o envio”, afirma. Segundo Rogers, a tecnologia não é usada com frequência. “O custo é de US$ 7 por megabite, inviável no dia-a-dia”, avalia. O sistema de edição da agência, o Paneikon, foi desenvolvido em 2006, antes da Copa do Mundo da Alemanha. Com ele, o fotógrafo só precisa apertar um botão para enviar as imagens em baixa resolução para um dos servidores em Nova York, Londres ou Singapura. O editor avalie as fotos de onde estiver. “Isso nos permite editar as melhores, e automaticamente o programa envia em alta resolução as fotos escolhidas”, diz Rickey. • 09/2007 •

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j ornada de Atualização tecnológica

UMA GRANDE OPORTUNIDADE PARA MOSTRAR SEUS PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA EMPRESAS DO INTERIOR DE SÃO PAULO. A Jornada de Atualização Tecnológica tem como objetivo apresentar para as empresas das regiões de Campinas, Bauru e Ribeirão Preto os benefícios que as novas tecnologias podem trazer para seus negócios. Temas como redução de custos em chamadas telefônicas, customização de infra-estrutura, gestão de SLA, novas tecnologias de rede, otimização da força de trabalho, ganhos de produtividade, aumento na velocidade das informações e alternativas empresariais para a inclusão digital estarão na pauta das apresentações. O projeto prevê a realização, em cada cidade, de um evento de dois dias, com a discussão desses oito temas, que serão desenvolvidos com apresentações de cases, demonstrações de produtos e soluções, sempre seguidos de debates com a platéia. Nossa expectativa é reunir, em cada evento, 100 profissionais das áreas de TI, Telecom e Redes, de níveis gerencial e executivo, de empresas usuárias.

Sobre os eventos: Calendário: Ribeirão Preto 23 e 24 de outubro de 2007, das 9 às 18 horas. Coquetel dia 23 de outubro às 18:30 hs. Campinas 21 e 22 de novembro de 2007, das 9 às 18 horas. Coquetel dia 21 de novembro às 18:30 hs.

Temas Principais:

Gestão de Infra-Estrutura Gestão de Contratos (SLA) O que é VoIP e como funciona - Como economizar em chamadas telefônicas; Telefonia IP e seus benefícios; Mobilidade: WiFi, WiMAX - Quando e como adotar; Convergência de Redes; Segurança de Redes

Bauru 11 e 12 de dezembro de 2007, das 9 às 18 horas. Coquetel dia 11 de dezembro às 18:30 hs.

realização:

Contato: Para mais informações sobre patrocínio ligue para:

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BIANCA DIAS telefone: 11 3596 3799 email: bdias@bmkt.com.br


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pequenos e grandes prazeres

Retrô ultramoderno A Loit, fabricante de equipamentos de áudio de Cingapura, encomendou ao designer russo Art Lebedev esse sistema de som tão bonito quanto eficiente. De acordo com Lebedev, o Loit Eagle, apresentado no início de setembro, tem a mais alta fidelidade de som possível. O equipamento tem a base triangular e amplificadores para lá de minimalistas. O preço não foi revelado.

leia ainda Sala ao ar livre Campo de golfe vira mesa de reunião PÁg. 56

Marketing social

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Por uma imagem mais engajada PÁg. 62

1 Divulgação

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hits O golfe ajuda os executivos a lidar com o estresse, melhorar a concentração e ainda fechar negócios e estratégias Juliana Mariz

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Sterenberg: durante o jogo, ele observa como o parceiro age sob pressão 58 • 09/2007 •

Tacada


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ill Gates, Warren Buffetf, Jack Welch, além dos CEOs e presidentes de Motorola, Coca-Cola, AT&T e American Express se encontram no Augusta National, o mais seleto clube de golfe do mundo, localizado em Augusta, no Estado da Geórgia. Para ser sócio, tem de ser convidado. Bill Gates, por exemplo, ficou dois anos na lista de espera. Agora, engana-se quem pensa que o principal interesse de todos ali é jogar em um dos mais difíceis gramados do planeta. Entre uma tacada e outra, os sócios do Augusta National querem mesmo é falar de negócios. A vocação do golfe em reunir a elite, muitas vezes representada por executivos proeminentes, deu ao esporte um atrativo extra. Ele propicia um cenário incomparável para a costura de parcerias e ampliação da rede de relacionamentos.

No Brasil, a tribo dos golfistas aumenta ano a ano. Esse grupo reúne atletas que participam de competições oficiais e muitos executivos que encontraram no esporte uma fuga contra o estresse ou até uma opção de sala de reunião ao ar livre. Há dez anos, existiam 50 campos de golfe no País e sete mil praticantes. Hoje são 107 campos e 25 mil praticantes. “A modalidade está em franca ascensão. No Brasil, há dois pólos de desenvolvimento. No Nordeste, cresce o número de resorts com campos que também atraem estrangeiros e, no Sudeste, a expansão se dá nos condomínios e campos públicos”, afirma Álvaro Almeida, presidente da Confederação Brasileira de Golfe. Um fator determinante para que um executivo troque a gravata pela camisa pólo é ser um esporte de estratégia. “Você tem que al-

cançar seus objetivos com menos tacadas. Podemos fazer uma analogia com o mundo dos negócios”, afirma Raul Pavão, diretor de marketing da EverSystem e praticante há três anos. “Fiz até um campinho pequeno em casa.” Porém, o cenário deslumbrante dos campos é insubstituível, por ser um convite à contemplação e à serenidade. A partida dura três, quatro horas, e durante esse período fatalmente a conversa vai girar em torno da vida profissional. “É um ambiente ótimo para desenvolver o relacionamento”, completa Raul. José Luiz Liberato, diretor de publicidade e imagem da TIM Brasil, compara o golfe ao futebol. “Cada tacada é um pênalti. Você não pode errar e tem de manter a calma”, conta o executivo, que começou há 11 anos. Vencer desafios, manter a concentração, criar

A ETIQUETA DO GOLFE O silêncio é essencial para a concentração

As luvas ajudam a dar firmeza ao segurar o taco

O celular deve estar desligado

Chapéu ou viseira são convenientes para se proteger do sol

Não falar alto

Cuidar do figurino é essencial. É recomendável a camisa pólo e deve-se evitar shorts muito curtos

certeira 1 Biô Barreira /2 infografia sobre imagem de divulgação

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Exclusividade: no Augusta National, Bill Gates ficou dois anos na fila de espera para se tornar

estratégias, se superar são requisitos experimentados no campo e levados para a rotina do escritório. Os praticantes contam que durante uma partida é possível conhecer o caráter de uma pessoa. “Você consegue observar como ela se comporta sob pressão, como se relaciona com outras pessoas, qual o comportamento quando ganha ou perde”, relata Jack Sterenberg, diretor da Oracle e adepto do esporte há 10 anos. Com o perfil do companheiro de jogo traçado, é possível avaliar se ele também é um bom parceiro para o seu negócio. “É ainda uma terapia, você joga contra você mesmo, tem de se superar”, acrescenta Sterenberg. A aura conservadora é inerente ao golfe. Existem regras de conduta que são defendidas para preservar o espírito do esporte. A etiqueta orienta o comportamento e o figurino. Cada clube define o seu “código de vestimenta”. Os jogadores profissionais, por exemplo, não podem trajar bermudas. Os locais mais rigorosos determinam até que os freqüentadores usem

apenas terno e gravata em qualquer evento na sede. Para incentivar o encontro entre “executivos-golfistas”, há muitos eventos dirigidos a esse público. Segundo estimativa da Confederação Brasileira de Golfe, o esporte movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano no País. Natural, portanto, que muitas empresas queiram ver suas marcas ligadas à modalidade. A TIM, por exemplo, patrocina a TIM Golf Champions League, cuja primeira etapa aconteceu em junho e a segunda, em agosto. “É uma boa oportunidade para reunirmos líderes empresariais e amigos”, diz Liberato. Um evento inédito no Brasil vai testar ainda o alcance do golfe como ferramenta de marketing. Entre os dias 3 e 6 de outubro, acontece o Brasil Golf Show no Marriott Hotel & Resort Costa do Sauípe, na Bahia. O encontro deve reunir toda a cadeia de produtos e serviços ao redor desse esporte: incorporadores, investidores, construtores, operadores hoteleiros, órgãos de turismo, arquitetos e projetistas. Haverá workshops, área de exibição para os fornecedores e, claro, torneios.

Lista dos melhores campos do Brasil, segundo a revista Golf Digest

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Rio de Janeiro Fone: (21) 3323-6050 www.gaveagolf.com.br

Gávea G. & C.C.

5 Trancoso, Bahia Fone: (73) 3668-1735 www.terravistagolf.com.br

Terravista G. Cse.

Una, Bahia Fone: (73) 3686-1007 www.transamerica.com.br

4

(Ocean)

Ilha de Comandatuba

3 São Paulo Fone: (11) 4612-2741 (11) 4612-2544 www.saofernando.com.br

São Fernando G.C.

2 Rio de Janeiro Fone: (21) 2494-2507 www.itanhanga.com.br

Itanhangá G.C.

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1, 2 e 3 Divulgação


São Carlos, São Paulo Fone: (16) 2106.6000

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Damha G.C.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul (51) 3264.0144 / (51) 3264-1826 www.bngc.com.br

8

Belém Novo G.C.

Itapeva, (11) 45918016 / 45918001 São Paulo www.fazendadagrama.com.br

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Fazenda da Grama G. & C.C.

Curitiba, Paraná Fone: (41) 3551.1389 www.clubealphaville.com.br

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Alphaville Graciosa C.

Bragança Paulista, São Paulo Fone: (11) 4487.8544 www.quintadabaroneza.com.br

Quinta da Baroneza G.C.

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Campo do Damha, em São Carlos, interior paulista: entre os 10 melhores do País

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diários de weber

Luiz GusTAVO DUtra

A CAMPANHA DE SUCESSO da Matrix Executivo contou com a sorte para criar um dos maiores provedores de São Paulo

considerado mágico no mercado: R$ 30. Um provedor oferecia 20 horas mensais de acesso por R$ 30 e o outro oferecia 30 horas pelo mesmo preço. Aumentava-se o número de horas de acesso, mas o preço era sempre igual. No meu caso, resolvi partir para o acesso ilimitado por R$ 30. Era o grande diferencial, mas ainda faltava aparecer para o público. Naquela época, as Organizações Globo ainda não tinham idéia se 62 • 09/2007 •

investiriam em um portal ou em provimento de acesso. A idéia da Globo.com ainda estava em gestação. Eu conhecia o Fernando Coelho, diretor de marketing da Net São Paulo, um dos braços da Globo em TV por assinatura, e tentei negociar com ele a colocação de um encarte dentro do guia do assinantes. Ele ficou bastante reticente por ser um negócio em que o grupo ainda poderia investir e não me deu qualquer garantia de que seria possível fechar um contrato. Numa sexta-feira à noite, ele me ligou. “Pode preparar o encarte para segunda-feira. Vamos colocar na

revista”, afirmou. Foi um final de semana de enlouquecer: gráfica, agência e preparação do anúncio. Além disso, ainda resolvi oferecer a instalação domiciliar gratuita e o pagamento no cartão de crédito. Tudo foi entregue no horário combinado. Foram 500 mil encartes para um público superselecionado. Só por isso já dava para ficar satisfeito. Aí entrou a sorte: na hora de embalarem a revista, colocaram o encarte sobre a capa. Foi uma loucura. A base de assinantes foi de zero para oito mil em menos de três

meses – o que deu início a uma nova correria. Como entregar o serviço para o cliente? Cheguei a embarcar às sextas-feiras para Miami só para voltar na segunda com novas peças e equipamentos para a operação. Fora ter de montar toda a logística de instalação domiciliar numa cidade absurdamente grande como São Paulo. A Matrix continuou crescendo bastante e, como todo ©1

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heguei em São Paulo, no início de 2006, como gerente de internet da Matrix. A empresa foi pioneira no provimento de acesso à internet em Santa Catarina e sabíamos que precisaríamos de escala para mantê-la. O jeito era investir em novos mercados, especialmente São Paulo. Mais do que o desafio de fazer a companhia crescer, assustei mesmo foi com o tamanho do mercado paulista. Apesar de ser formado em Ciências da Computação com especialização em Marketing, não tinha dimensão dos custos de uma campanha na capital. Se eu quisesse cobrir toda a cidade, precisaria de 500 outdoors ao custo de US$ 1 mil cada. Seria meio milhão de dólares só nisso. Sem esse dinheiro em caixa, o jeito era procurar novos caminhos. O primeiro deles foi competir com preço. Havia um número

negócio bem-sucedido, logo apareceram os compradores. Em julho de 1999, às vésperas de assinar um contrato de venda, uma série de problemas governamentais adiou o negócio. Por um novo golpe de sorte, as coisas acalmaram e ele foi fechado em novembro, com a Primus Telecommunications. Na virada do ano, surgiram iG e Bradesco com o acesso gratuito, que mudaram todo o paradigma do setor, desvalorizando os passes de quem já estava no mercado. Apesar de todo o estresse e da enorme correria, só consigo pensar que foram ótimos tempos. Dá saudade...

Luiz Gustavo Dutra é diretor-geral da Diveo na Colômbia 1 iStockphoto


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A ONDA

As causas sociais são a nova bandeira dos consumidores e das empresas americanas Marcos Swarowsky

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s estrangeiros, como eu, que chegam aos Estados Unidos facilmente percebem como a sociedade norte-americana está envolvida em causas sociais. As pessoas sentem uma certa obrigação em ajudar os outros. Tem gente que afirma ser consciência pesada. Eu prefiro crer em engajamento. Os americanos têm a exata medida do poderio econômico do país e, portanto, não podem deixar de dar bom exemplo e cobrar medidas de combate à pobreza, à destruição ambiental, ao racismo, entre outras tantas bandeiras importantes. O mais bacana é perceber que essa consciência social já está arraigada às novas gerações. São adolescentes e jovens adultos completamente envolvidos e preocupados em defender seus pontos de vista. E eles sabem exatamente com que armas cobrar iniciativas em prol do que acreditam. Pode-se dizer que os adolescentes de hoje serão os maiores marketeiros da história, pois já começam no ramo cedo, com sua própria imagem pessoal. Sabem criar uma marca para

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si e para o grupo que freqüentam, seja pelas roupas, pela maneira de falar, pelo esporte ou pela causa que abraçam. Uns fazem porque querem realmente ajudar, outros por pressão social e outros ainda para montar e formar a sua marca pessoal. O bracelete amarelo do Live Strong, que teve sua renda revertida para as vítimas de câncer, foi apenas a ponta do iceberg. Entrou para a história ao provar o poder dos jovens em atrair e engajar a sociedade em prol de um bem maior. O passo seguinte está em andamento: trazer as empresas para dentro desse universo. A maioria das grandes companhias já realiza esforços corporativos em projetos sociais. Agora, elas começam a ligar essas ações ao marketing, tentando construir sua própria imagem de engajamento. Elas estão interessadas em lucrar com isso? Sim, claro.


M E B DO Mas estão ajudando pessoas ao redor do mundo? Sim, também. Vejamos dois exemplos antes de tirar uma conclusão. – Iniciativa Red (www.joinred.com), que combate a Aids na África e é um dos maiores casos de marketing da atualidade americana. A iniciativa conseguiu mobilizar as grandes marcas, da Apple às operadoras de cartões de crédito, a lançar produtos Red. Parte da renda vai para projetos de assistência a soropositivos e outra para as empresas. Os consumidores gostam porque ajudam uma causa e ainda reforçam o próprio marketing, já que passam a imagem de modernos e antenados. – Campanha de marketing do Windows Live Messenger (http://im.live.com): transferiu para a internet as ações participativas. Na tentativa de ganhar 1 Divulgação

mercado, a Microsoft permite que os usuários americanos associem o uso pessoal do Messenger a uma determinada causa ou organização social. Quanto mais o cliente usa o Messenger, mais a Microsoft doa em seu nome à associação escolhida. Individualmente, as quantias são pequenas, mas, somadas, passam a ser significativas. Obviamente, assim que o usuário se conecta, aparece o ícone da campanha junto ao seu nickname, aproveitando do ambiente viral natural do Messenger, reproduzindo em massa a iniciativa. Tem gente que dirá que essas campanhas são pura hipocrisia, que todos só querem satisfação pessoal ou lucro. A meu ver, se é possível aliar satisfação ao benefício de alguém, ótimo. O importante é que todos estão fazendo a sua parte – como podem – para construir um mundo melhor. • 09/2007 •

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blog do ROMÃO

edson romão

saga web 2.0

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NOVA BOLHA?

Com o avanço da web 2.0, a internet mudou nesta segunda metade da década – e para bem melhor. As mudanças chegaram a ponto de derrubar marcas já consagradas que se tornaram antigas do dia para a noite, desencadeando uma onda de novos produtos criativos e inovadores que influenciaram o comportamento do internauta, e se refletiram de forma direta nos negócios. Mas os bons profissionais estão preparados para estas mudanças velozes. Estamos vivendo num laboratório de experimentos e lançamentos e muitos acham que é um fenômeno característico de uma bolha. Para mim, não se trata de bolha e sim de adequação a um novo comportamento do próprio usuário e das facilidades que a tecnologia nos oferece.

nada de espuma

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Há mais de um ano os primeiros acordes da web 2.0 soaram aqui no Brasil. Pouca gente se arriscava a falar ou escrever a respeito. Não se sabia se era uma revolução de espuma (a famosa bolha), ou uma revolução tecnológica e de costumes. Os empreendedores e desenvolvedores mergulharam fundo para traduzir na prática o que é a web 2.0. Observamos a avalanche que o Google, ícone irrefutável dessa vertente, promoveu sobre alguns gigantes da concorrência, tanto com aquisições como na área de desenvolvimento de serviços. O Google cativou o público pela facilidade de uso e pela liberdade de movimento – qualquer hora em qualquer lugar.

INTERNET COLABORATIVA

As APIs, Application Programming Interface (ou Interface de Programação de Aplicativos), que permitem a um programa usar funcionalidades de outro software, são uma demonstração do DNA colaborativo da web 2.0 na sua essência mais profunda. Que coisa! Também na essência da web 2.0 está a comunicação, interação e participação dos usuários da base da pirâmide para o topo. Tecnologias como blogs, wikis e compartilhamento de vídeo revolucionam a comunicação das companhias com seus públicos, impulsionando-os a fazer o que jamais fizeram com suas estruturas de marketing. Um efeito concreto de uma tecnologia que mostra que não é de espuma toda essa movimentação.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS?

Felizmente são centenas de milhões de pessoas conectadas em “mãos duplas” que trazem essas mudanças para o mercado. É o laboratório vivo da web 2.0. Não tem volta. É importante estar sintonizado e pronto para evitar obsolescência dos seus serviços ou para melhorá-los. Ou ainda, aproveitar e realizar transformações profundas por meio da compreensão dos benefícios que a web 2.0 pode trazer para seu negócio. É hora de começar a olhar para isso.

Alguns serviços consagrados podem servir de guia para percebermos as virtudes da web 2.0 e a necessidade de adotá-la. Ferramentas essenciais como documentos, agenda, planilhas e calendário estão saindo dos desktops para a internet, pois adquiriram funcionalidades colaborativas. A compatibilidade é outro forte da web 2.0. Google docs & Spreadsheets e outras tantas aplicações são compatíveis com programas da Microsoft. Calendários usam formatos iCal permitindo o uso descentralizado com outros clientes. Os gerenciadores de projetos on-line possibilitam uma efetiva interação das equipes. E podem ser acessados por meio do PC, MAC, celular, pocket PC, lan house, micro do vizinho, Playstation, Firefox etc.

Edson Romão Gomes é sócio-fundador da Aprex (www.aprex.com.br)

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bits & idéias

Sérgio cavalcanti

Personal trainer para o cérebro É verdade que a expectativa de vida da população aumentou significativamente nas últimas décadas. Mas as pessoas ainda pagam o preço de uma vida cheia de estresse, o que aumenta a importância da medicina preventiva, dos cuidados com o corpo e a mente. Se você quer manter ou melhorar a performance do seu cérebro, vale a pena conhecer o My Brain Trainer (www. mybraintrainer.com). O site oferece um programa interessante de treinamento de atividades cognitivas e custa menos de US$ 4 por mês.

alta performance Muitas pessoas acreditam que a vida é uma maratona. Os autores do livro The power of full engagement, Jim Loehr e Tony Schwartz, no entanto, garantem que ela é uma série de corridas de 100 metros. Para eles, a chave do sucesso é gerenciar bem a energia. A leitura é divertida e o livro traz, além de exemplos reais, planos de como gerenciar sua energia e obter alta performance. Como os autores preparam atletas profissionais, sabem bem do que estão falando.

Novo Blackberry é uma versão pós-SPA O novo Blackberry Pearl 8100 lembra muito aqueles modelos antigos, mais gordinhos, mas ele está menos largo, parecendo mais com um aparelho celular e... funciona muito bem! Depois de uma semana com o aparelho, confesso que estou bastante satisfeito. A configuração da conta de e-mail foi relativamente simples. Bastou acessar uma página na internet e informar o e-mail e a senha, o restante foi feito automaticamente. O aparelho custa entre R$ 170 e R$ 2.000, dependendo do plano. Quanto ao serviço, o plano corporativo custa R$ 79,00 por mês para envios e recebimentos de e-mails ilimitados – incluindo aí arquivos do Microsoft Office. Outra função interessante é a sincronização com o Outlook da empresa. Os adeptos do Palm, como eu, podem exportar seus dados (contatos, agenda e memos) para o Outlook e, de lá, fazer a sincronização. Para não dizer que só há pontos positivos: o teclado menor tem mais de um caractere por tecla, o que obriga a utilização freqüente da tecla Shift e, em alguns casos, fazer uma revisão no oftalmologista.

Telefone de rebeldes Para quem se rebela contra as tarifas das operadoras e não tem sempre um computador à mão, Rebtel é a solução (www.rebtel.com). É simples, prático e funciona mesmo. Você cadastra até cinco telefones para originar chamadas. Exemplo: o de sua casa, seu celular, o celular de sua esposa e outros dois. Pode-se criar uma lista de até 20 contatos, constando os telefones a serem chamados. O sistema gera, a partir dos números cadastrados, 20 telefones locais em São Paulo ou no Rio (as únicas cidades atendidas por enquanto), um para cada contato. Assim, o número de um amigo nos Estados Unidos, que seria 203-456-7611, se transforma num

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número local em São Paulo, tipo 3353-1241. Quando você disca para o número local, o sistema redireciona a ligação via internet e... voilá! Você consegue falar com qualquer lugar pagando tarifa local, e a qualidade da ligação é bem superior à do Skype. Os preços são bastante atraentes: R$ 0,07 por minuto para telefone fixo nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do Brasil.

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playlist

no iPod de...

Elaine Nucci, diretora de conectividade da Intel do Brasil

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“Por você”, como várias músicas do Barão Vermelho, dosa bem romantismo, rebeldia e rock. Também é uma ótima pedida para espantar o baixo astral e deixar o dia mais alegre. Há outras boas opções, na mesma linha, no álbum Pedra, flor e espinho.

cássia eller “Dois sóis” é a minha preferida da Cássia Eller, que faz muita falta na cena musical brasileira. Toda a irreverência e talento de Cássia também podem ser conferidos no álbum gravado ao vivo em 1996. Cássia nunca escondeu que se sentia oprimida em estúdios e preferia os palcos, onde sua presença e voz grave tornavam o show contagiante.

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Além do iTunes, costumo procurar novidades também no YouTube. Um clipe bem atual que recomendo é o do ministro da Cultura, Gilberto Gil, Banda larga. Gil mergulhou de cabeça no mundo virtual e não deixa de se encantar com ele. Sorte nossa!

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gilberto gil

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barão vermelho

“Casa (O eterno retorno)”, de Lulu Santos, é uma das músicas que não podem faltar no meu MP3 player. Ela traz aquela energia boa, meio adolescente, perfeita para animar o dia ou ir cantado no carro, na saída do trabalho.

Não perco um episódio. Faço parte de comunidades no mundo todo e ainda fico na internet atrás dos capítulos para ver antecipadamente. Jack Bauer se tornou uma espécie de James Bond americano e uma verdadeira febre mundial. Adrenalina pura! Não vejo a hora de o filme chegar às telas do cinema. ©6

lulu santos

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24 horas

Comecei a gostar da música “Kyrie eleison”, da Sinéad O’Connor, por causa de um comercial. A melodia e os vocais me chamaram a atenção, e me remetem a coisas boas. Ela faz parte do álbum Faith and courage. ©5

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sinéad o’connor

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Bites edição3