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São Paulo, 14 de janeiro de 2008 – E dição 543 – www.bites.com.br

Brasileirinho A estratégia da Microsoft para liderar no Brasil o mercado de software de gestão empresarial.

É

raro um software da Microsoft que não tenha uma versão em português. A sofisticação da tradução depende da complexidade do programa, mas um desses produtos pode ser considerado a exceção à regra em função do tempo e das variáveis envolvidas até o seu desembarque no mercado nacional. Esse é o caso do Microsoft Dynamics. Foram consumidos dois anos na tradução do software, no treinamento do exército de vendedores e na montagem de uma estratégia para ganhar espaço em um mercado bem ocupado pelos concorrentes. O Dynamics esperou tanto para a sua grande estréia porque os técnicos da Microsoft precisaram inserir uma série de dados, especificações tributárias e fiscais que não existiam na sua versão original em inglês. Dessa forma o programa pode ser considerado o mais “brasileirinho” de todos comercializados no País. Tudo para agradar o cliente final: pequenas e médias companhias que precisam ajustar seus processos internos. É com o Dynamics que a companhia es-

pera assumir a liderança do mercado nacional de software de gestão empresarial, conhecido pela sigla ERP. “Temos um exército de 1 mil pessoas dedicadas exclusivamente a esse produto, entre equipe própria e parceiros”, afirma Maurício Prado, diretor-geral da divisão de Business Solutions da Microsoft. Fazem parte desse contingente o time de 23 pessoas subordinadas a Prado – número que deve dobrar até o final do ano – e centenas de vendedores e técnicos espalhados em 40 canais de distribuição nas maiores cidades brasileiras. A Microsoft está de olho em clientes que precisam de ERP’s para garantir sustentabilidade ao crescimento do negócio, mas que não têm fôlego financeiro nem tecnológico para comprar de gigantes multinacionais como a SAP e a Oracle. No meio do caminho da Microsoft um adversário com envergadura suficiente para segurar por algum tempo a busca pela liderança da empresa de Bill Gates. É a Totvs, que há anos deixou para trás uma dezena de concorrentes no mercado de ERP.

“Gostamos e valorizamos a concorrência, mas sabemos como conquistar os nossos clientes”, afirma Laércio Cosentino, presidente da Totvs. A companhia controla quase a metade desse mercado no País e não pára de crescer após a sua abertura de capital e uma série de aquisições nos últimos dois anos. “Muitos falam em avançar sobre nosso mercado, mas poucos o entendem como nós da Totvs.” O diretor da Microsoft evita fazer comparações do Dinamics com outros programas, mas repete à exaustão que os negócios em torno do ERP no Brasil são os que mais crescem em todos os mercados onde a empresa vende esse software, incluindo os Estado Unidos. “Já temos 300 mil clientes no mundo e no DNA do programa está o entendimento perfeito das necessidades das pequenas e médias empresas”, diz o executivo da Microsoft. Essa será uma disputa que merece ser acompanhada de perto. E a Microsoft está disposta a pagar o preço necessário para conquistar a liderança.


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