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Graziela Kunsch São Paulo, Brasil, 1979. Vive e trabalha em São Paulo. Desde a experiência de abrir a própria casa como uma “residência pública”, Graziela Kunsch fundamenta sua prática artística em situações de encontro, diálogo e colaboração. O Projeto Mutirão é uma obra processual que existe na forma de conversas onde são articulados excertos de A.N.T.I. cinema – vídeos formados por um único plano – que mostram a produção coletiva de uma nova cidade. O uso de planos únicos objetiva que o espectador vivencie a duração das ações registradas e cada excerto pode ser

entendido como peça de um processo maior: um momento de lutas políticas em andamento. Na Bienal encontra-se o arquivo do projeto e livros da biblioteca pessoal da artista sobre utopias, projetos de cidades, autogestão e educação. As apresentações acontecem dentro dos terreiros e em diferentes contextos, desde o Teatro de Arena até assentamentos rurais pró reforma agrária, passando por escolas de diferentes classes sociais envolvidas no projeto educativo da Bienal. Todas as apresentações são registradas e excertos reflexivos são incorporados ao arquivo, com o objetivo de pensar o papel de indivíduos – aí incluídos os artistas – em processos coletivos, na história.

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I / O poeta enclausurado / ou mesmo incomunicável seis

exemplo quero dizer / que a cidade à noite é o palácio / onde

meses / circula / e funciona / como um irrevogável / perfeito

privilegiados inquilinos / por estarem desempregados / não

golpe de estado. // Até Platão / esperto já sabia disso! // II / O

pagam renda… // Penso… / mas sem palavras / posso

poeta / apesar de preso / nunca tem o problema / de sentir-se

confessar muita coisa mas / ninguém sabe nada.

completamente só. // Porque a poesia não lhe permite / estar detido / e ficar sozinho. // III / A dificuldade / da verdadeira poesia não são as ideias. / São as palavras. // Quando / por

Uma cantiga em três tempos · José Craveirinha