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A VOZ DE

ERMESINDE

MAIS DE 50 ANOS – E MAIS DE 900 NÚMEROS!

M E N S Á R I O

N.º 915

• ANO LIV/LVI ABRIL de 2014 DIRETORA: Fernanda Lage PREÇO: 1,00 Euros (IVA incluído) • Tel.s: 229757611 / 229758526 / 938770762 • Fax: 229759006 • Redação: Largo António da Silva Moreira, Casa 2, 4445-280 Ermesinde • E-mail: avozdeermesinde@gmail.com

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“A Voz de Ermesinde” - página web: http://www.avozdeermesinde.com/ PINTURA VIEIRA DA SILVA

40 anos

DESTAQUE CÂMARA MUNICIPAL DE VALONGO

Finalmente proposta de PDM vai ser conhecida e discutida

DESTAQUE - Pág. 3

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE ERMESINDE

Escola Secundária no centro das atenções

DESTAQUE - Pág. 4

40 Anos do 25 de Abril - Diomar Santos e as eleições marcelistas

DESTAQUE - Pág. 5

FUTEBOL

Ermesinde 1936: nova goleada e já garantida a subida de divisão!

A c o m p a n h e t a m b é m “ A Vo z d e E r m e s i n d e ” o n l i n e n o f a c e b o o k e g o o g l e +


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Destaque

ABRIL de 2014

FERNANDA LAGE DIRETORA

EDITORIAL

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Cultivar Abril

ultivar é preciso, seja a terra, o mar, a escrita, a música, as artes plásticas, a ciência ou a tecnologia. Sempre que leio ou escrevo, que semeio ou planto, que pinto ou desenho, eu sinto que o que faço é fruto de um passado, duma cultura que me foi dada, duma água onde bebo, que pertence a um rio que corre e que eu gostava de agarrar. Hoje eu olho para trás e a vida corre à minha frente como um filme, e leio nessas imagens uma vida, um país e as mudanças que Abril nos deu. Lembrar Abril é reviver um passado tão próximo e tão intenso, que marcou profundamente o povo português, e não é por acaso que o estudo “40 anos do 25 de Abril” promovido pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, “Expresso” e “SIC Notícias”, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, revela que na sondagem realizada, quatro em cada cinco dos portugueses olha para a transição do 25 de Abril como um motivo de orgulho. No mesmo estudo são consideradas como as grandes vitórias do 25 de Abril a criação de um regime democrático e o Estado social. Estado social de que os portugueses não querem abdicar e que a presença da Troika no nosso país tem posto em causa. E porque vivemos em democracia choca-me

profundamente que nestas comemorações dos 40 anos da Revolução dos Cravos, a Assembleia da República o faça sem a participação dos militares de Abril, independentemente de estarem todos de acordo com as posições políticas por eles defendidas, é da mais elementar justiça ouvir a sua voz nestas comemorações. Que democracia é esta que não dá a palavra aos principais responsáveis pela FOTO EDUARDO GAJEIRO sua implantação? Comemorar o 25 de Abril é comemorar um ato que teve como protagonistas os militares, militares esses que derrubaram um sistema político obscurantista de direita, e abriram um caminho para a democracia que o povo referendou. E foram esses mesmos militares que abriram a porta à democracia que souberam regressar aos quartéis, sem que a isso tenham sido obrigados. Comemorar é sempre prestar um tributo e esse tributo é aos homens que fizeram o 25 de Abril, sem eles não faz sentido! Alguém dizia nestes dias: Portugal está a passar por uma desmemoriação acelerada, e é bem verdade, é preciso lembrar os factos com seriedade e reconhecer o papel das Forças Armadas neste contexto. Ninguém nega o papel do povo – dos políticos, dos operários, dos rurais, dos artistas, dos intelectuais – em todo este processo, mas o ponto de partida, o 25 de Abril, devese aos militares, e é essa a data que se comemora. Cultivar Abril é preciso, antes que tudo se apague. Semear, plantar, regar, para que floresçam todos os anos. E como em tudo na vida é preciso que deem semente para se reproduzirem….


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• CÂMARA MUNICIPAL DE VALONGO • FOTOS ALBERTO BLANQUET

Finalmente vai discutir-se o há muito aguardado novo Plano Diretor Municipal... Foi intensa a discussão na última sessão pública da Câmara Municipal de Valongo, realizada na passada quinta-feira, dia 10 de abril, com a divergência entre socialistas e social-democratas sobre se já havia ou não condições para aprovar a abertura do período de discussão pública do novo e há muito aguardado Plano Diretor Municipal (PDM) do concelho de Valongo. Os vereadores do PSD questionavam fortemente a introdução tardia de vários anexos na proposta final aos quais não tinham tido acesso em tempo mínimo. No final o consenso foi obtido com a retirada dos anexos... LC

A divergência sobre o início da discussão pública do PDM entre PSD e PS, que estalou nesta reunião pública, acabaria por ser resolvida com a retirada de um conjunto de anexos que o PSD considerou introduzidos de última hora, sem que tivesse havido tempo de os discutir. Também relativamente à proposta de abertura, discussão e preparação dos acordos de excução com as Juntas de Freguesia previstos na nova lei, o PSD exigiu o adiamento do início desta discussão, havendo nesta matéria, contudo, uma muito maior anuência por parte do presidente José Manuel Ribeiro em retirá-la. A questão do PDM, pelo contrário, foi altamente polémica, tendo sido uma proposta do vicepresidente Sobral Pires, que foi quem primeiro admitiu retirar os anexos da proposta, que acabaria por evitar uma votação em que os vereadores do PSD

votariam contra, como aliás ameaçaram fazer. A discussão foi de tal ordem que levou a uma intervenção muito exaltada de José Manuel Ribeiro que apontou estar a proposta de novo PDM a arrastar-se à espera de ser apresentada vai já para 14 anos!, que além disso os vereadores do PSD tinham toda a possibilidade de intervir durante o período de intervenção pública, o qual seria em Valongo, de 45 dias e não de 30. «Ninguém faz isso!», proclamava o presidente. E apontou ainda a presença na sala de vários técnicos (cerca de meia dúzia) que estavam presentes para poderem dar as explicações necessárias sobre a proposta de PDM (técnicos esses que mais tarde viriam a ser dispensados sem terem usado da palavra para qualquer esclarecimento. «Têm medo de isto vir a consulta pública?», perguntou ainda o presidente da Câmara no período de maior exaltação. Foi João Paulo Baltazar o

vereador do PSD que introduziu a questão, aproveitando aliás uma queixa de José Manuel Ribeiro sobre «assimetria de informação», que o autarca social-democrata tentou demonstrar que se aplicaria também ao município de Valongo. João Paulo Baltazar questionava duas questões, uma o desconforto dos presidentes de Junta em iniciar a discussão dos acordos de execução, matéria nova e com alguns contornos difíceis, sem que primeiro tenha havido uma mínima discussão preparatória razoável. A outra a introdução de alterações «de cariz nomeadamente político» na proposta de PDM ali trazida, introdução essa que seria muito recente, há menos de 48 horas, e sem que o PSD pudesse debruçar-se sobre elas. José Manuel Ribeiro, pelo contrário, considerava que as alterações introduzidas eram de caráter técnico e não político. Que muitas delas tinham, inclusive, sido solicitadas pelo PSD. O líder da vereação socialdemocrata lançou o desafio: quais das 23 alterações introduzidas tinham sido solicitadas pelo PSD? José Manuel Ribeiro insistia que só não tinha ainda apresentado mais cedo a proposta porque a Câmara, através dos seus serviços técnicos, tinha estado a trabalhar numa plataforma multimédia que permitiria aos munícipes acompanhar melhor a consulta pública do PDM. O vicepresidente Sobral Pires, por sua vez, considerava que a discussão com as Juntas de Freguesia era de competência camarária e, por isso mesmo, era necessário que a Câmara, como tal, se pronunciasse sobre a matéria, para posteriormente, o Executivo poder encetar as negociações com as Juntas. Adriano Ribeiro lembrou que esta matéria já tinha sido

adiada uma semana, pois esteve inicialmente prevista na reunião da Câmara anterior. Mas não seria por uma semana que viria daí mal ao mundo. E o vereador da CDU lembrou, uma vez mais, que continua sem um gabinete onde possa trabalhar ou receber os munícipes. Mais uma vez José Manuel Ribeiro afiançou que a resolução desse problema estava por dias: «Dia 15 ou 16 todos os vereadores terão um gabinete», prometeu. Todos os outros pontos da Ordem de Trabalhos foram votados por unanimidade e sem grande discussão: a atribuição de auxílios económicos para alimentação, no quadro da Ação Social Escolar, a proposta de criação do Serviço de Informação e Mediação para Pessoas com Deficiência ou Incapacidade, a aprovação do Plano Municipal para a Igualdade, a apreciação pública do projeto de Regulamento do Conselho Municipal de Juventude, um processo de obras em nome dos Bombeiros Voluntários de Valongo, e a autorização para elaboração de projetos pelos serviços camarários destinados à Remodelação da Casa e Quinta da Paróquia de S. Martinho do Campo para a instalação do Clube Sénior Reintegrar. Período de antes da Ordem do Dia O período de Antes da Ordem do Dia foi aberto com a informação do presidente da Câmara, José Manuel Ribeiro, sobre a intenção de criar um grupo técnico das Câmaras de Valongo, Paredes e Gondomar sobre a questão da importância estratégicas das serras do Castiçal, Santa Justa e Pias, questão que seria levada brevemente a Conselho Metropolitano. Nesse sentido, os presidentes

das três autarquias tinham-se reunido recentemente em Valongo no sentido de dar andamento a esse projeto. Dado o trabalho já feito pela Câmara de Valongo, a que melhor conhecerá o território, deverá competir a esta a liderança deste processo ainda que seja o município de Paredes aquele que possui a mais vasta mancha verde entre os três, acrescentaria mais tarde, em intervenção a propósito, o vereador social-democrata João Paulo Baltazar. Entre outros assuntos referentes a casos mais localizados, Adriano Ribeiro questionou a Câmara sobre a posição dos autarcas a propósito da privatização em curso dos transportes públicos na Área Metropolitana, sobre os cortes de energia e água a munícipes, de que pretenderia ter os dados, sobre a informação de que já existiria um acordo escrito entre a Câmara e as IPSSs a propósito so serviço de fornecimento de refeições às escolas, de que pedia igualmente os pormenores, e sobre uma proposta de anulação de uma reunião pública da Câmara a 17 de abril, e antecipação da reunião de 24 para 23 de abril, uma quarta-feira. A uma pergunta de Luísa Oliveira sobre a posição da CDU a propósito da questão da habitação social, o vereador da CDU responderia que o assunto estava ainda em análise, lembrando que não tinha uma equipa técnica a acompanhá-lo. José Manuel Ribeiro declarou-se muito preocupado com as alterações possíveis a introduzir no serviço público de transportes, receando que o concelho de Valongo pudesse vir a ser um dos mais prejudicados por «razões de racionalidade económica. Orlando Rodrigues esclareceria melhor o acordo feito com

as IPSSs, e pelo qual estas seriam ressarcidas dos investimentos feitos para pôr o serviço a funcionar. Nesse sentido tinha sido aprovado um valor de 10 cêntimos por cada refeição servida. Assim, pelos cerca de 80 dias do serviço, a ADICE iria receber uma verba ligeiramente superior a 18 mil euros, o Centro Social de Ermesinde uma verba ligeiramente inferior a isso, e o Centro Social e Paroquial de Alfena uma verba ligeiramente inferior a 10 mil euros. Orlando Rodrigues informou também que o Tribunal Administrativo Central tinha decidido que em relação a um concurso anteriormente objeto de reclamação por parte de um concorrente vencido, a ITAU, se deveria regressar à situação anterior ao concurso, significando isto que a ITAU deixaria de poder reclamar a pretendida indemnização de 540 mil euros. «Era por esta via que pretendíamos ir», frisou o vereador socialista. Adriano Ribeiro lembrou que ainda havia uma proposta de recomendação em aberto relativa a este assunto, e que este deveria ser encerrado o mais brevemente possível. O vereador da CDU, pegando neste caso, defendeu a conhecida posição política de oposição à entrega dos serviços públicos camarários a empresas privadas através de concessão oui da alienação do serviço. «Qual a privatização que trouxe benefícios ao município? A ITAU, por exemplo, não prestou o serviço, mas queria receber. E... além do mais não é líquido que todas estas empresas [da área do “catering”] não sejam, afinal, [todas] a mesma coisa. A privatização nos transportes pode começar com rebuçados, mas depois lá virão os cortes e os aumentos!


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• ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE ERMESINDE • FOTOS ALBERTO BLANQUET

Visita dos deputados do PSD à Escola Secundária chamou a atenção da Assembleia de Freguesia de Ermesinde A recente visita dos deputados do PSD com assento na Assembleia da República (AR) à Escola Secundária de Ermesinde (ESE) motivou uma reação por parte da maioria dos partidos da Assembleia de Freguesia de Ermesinde (AFE), reunida numa sessão ordinária na noite de 11 de abril último, os quais, aproveitando o tema, reforçaram uma vez mais a urgente necessidade de se avançar para as obras de requalificação do citado estabelecimento de ensino. Entre outros assuntos esta reunião ficou ainda marcada pela apreciação e votação da Conta de Gerência do ano de 2013, e pela aprovação de uma moção apresentada pela CDU mostrando o desacordo com a futura e previsível privatização das empresas públicas do Metro do Porto e dos STCP. MIGUEL BARROS

Após ter aberto a sessão com um curto período de informações, e face à posterior ausência de solicitações do público para intervir, o presidente da mesa da AFE, Raul Santos, passaria a palavra aos membros dos partidos com assento na Assembleia, cabendo a Daniela Ramalho, do Bloco de Esquerda (BE), a primeira intervenção da noite. A bloquista começaria por questionar o Executivo sobre o ponto de situação da constituição da comissão para levar por diante a questão do orçamento participativo, uma comissão que segunda ela havia sido aprovada na reunião de Junta do mês de março. Em seguida abordaria a recente visita de um grupo de deputados do PSD eleitos pelo círculo do Porto à ESE, querendo saber junto do presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE) de quem havia partido a iniciativa, se do Grupo Parlamentar do PSD, ou se do próprio Luís Ramalho. «Se foi o presidente

da JFE que programou esta visita porque não convidou as restantes forças partidárias desta Assembleia a participarem? E caso esta tenha sido uma visita de caráter partidário, até porque estamos próximos das eleições europeias, não nos parece correto que tenha sido divulgada no facebook oficial da Junta», argumentou Daniela Ramalho. Pegando neste tema Manuel Augusto Dias (PSD) usaria em seguida da palavra para antes do mais mostrar a sua satisfação pela visita dos deputados social-democratas, sublinhando em seguida que independentemente da cor política que representem o importante é que venham, que vejam as atuais condições da escola, e que isso sirva para reforçar ainda mais a necessidade de se levar por diante a cada vez mais urgente requalificação do estabelecimento de ensino. «Eu não sei de quem partiu a iniciativa desta visita, mas louvo a vinda dos deputados à ESE, e sendo eles da mesma cor política do atual Governo ainda melhor, já

que assim se pressiona diretamente sobre quem tem poder e capacidade para executar uma obra tão urgente. Devemos estar todos unidos», apelaria o social-democrata em jeito de resposta à intervenção bloquista. Ainda sobre este assunto também o socialista Tavares Queijo informaria a Assembleia de que o círculo do Porto do seu partido havia enviado uma carta ao Ministério da Educação e da Ciência onde era pretendido saber em que ponto estaria a situação da ESE. Mais à frente, no período de respostas aos membros da Assembleia, Luís Ramalho começaria por dizer que havia participado na referida visita na qualidade de presidente da Junta, acrescentando – e em jeito de resposta à intervenção do BE – que não via inconveniente de que a visita tivesse sido publicada no facebook oficial da JFE, e que aceitaria a crítica desta ser uma visita de propaganda política com vista às próximas eleições europeias caso na comitiva composta pelo Grupo Parla-

mentar do PSD estivesse o cabeça de lista do partido Paulo Rangel, algo que não se verificou. «Não houve nenhuma tentativa de aproveitamento político nesta visita, e posso ainda informar que entre os deputados que aqui estiveram um deles trabalha diretamente com o ministro da Educação, o que pode ser benéfico, no sentido de que pode ser feita ainda mais pressão para que a obra avance», frisou Ramalho. Sobre a constituição da comissão alusiva ao Orçamento Participativo o presidente da Junta gracejou ao dizer que por momentos tinha ficado preocupado, uma vez que não se lembrava de na dita reunião do Executivo do mês de março tal medida ter sido aprovada, elucidando em seguida a jovem bloquista Daniela Ramalho que, de facto, o assunto tinha sido abordado, mas nada havia sido aprovado. Outros assuntos Ainda no período destinado às intervenções dos membros da AFE, Tavares Queijo (PS) congratulou-se pelo avanço na execução da obra da passagem de nível superior no apeadeiro da Palmilheira, atribuindo aqui um certo mérito à também socialista Esmeralda Carvalho – elemento do Executivo da JFE – pela luta que esta travou ao longo dos tempos para que a concretização da obra fosse uma realidade. Luís Ramalho concordou que a persistência de Esmeralda Carvalho foi decisiva para que a obra no citado local avançasse. A CDU, na voz de Ângela Ferraz, apresentaria uma proposta de moção mostrando estar em desacordo com a previ-

sível privatização das empresas públicas do Metro do Porto e dos STCP – última empresa esta que serve a população de Ermesinde – exigindo que o Governo abandone a intenção de levar por diante esta medida. A comunista daria ainda conta de que a recente limpeza de vegetação de um terreno abandonado em frente à Vila Beatriz havia sido executada fora do período do ano indicado, e como tal ilegal, pelo facto de tal limpeza – levada a cabo pelos serviços da Câmara de Valongo – ter matado algumas espécies de animais (aves) que por esta altura do ano habitam nestas áreas de vegetação. Por falar em Vila Beatriz, a CDU, desta vez pela voz de Avelino Almeida, denunciou o mau estado dos jardins e do parque infantil do citado espaço, propondo ainda que nas traseiras do mesmo fossem plantadas algumas árvores e colocados bancos, não só de modo a embelezar o local mas também para usufruto das pessoas que ali se deslocam. Em resposta a estas intervenções comunistas, Luís Ramalho começou por dizer que iria fazer um alerta à autarquia de Valongo para o facto de a limpeza da vegetação do terreno atrás citado ter sido realizada num período que segundo a CDU ia contra a proteção das espécies animais, ao passo que quanto à sugestão de Avelino Almeida, sobre a plantação de árvores e bancos nos terrenos traseiros da Vila Beatriz, a Câmara já havia tornado pública – em tempos – a intenção de ali construir hortas biológicas. Quanto à moção apresentada pela CDU, depois de analisada, seria aprovada por unanimidade. Ainda antes da entrada no período da Ordem do Dia o so-

cialista Américo Silva deu conta do furto da grelha do lago da igreja matriz! Período da Ordem do Dia Entrados no período da Ordem do Dia procedeu-se à discussão e aprovação das atas da reunião anterior, ponto que com um ou outro – habitual – reparo rapidamente seria cumprido. Posteriormente Raul Santos lançaria para cima da mesa a apreciação e votação da Conta de Gerência de 2013, documento que seria aprovado por maioria, com os votos favoráveis das bancadas do PSD e do PS, sendo que o BE (por Daniela Ramalho) e a CDU (por intermédio de Ângela Ferraz e Avelino Almeida) votariam contra. Os comunistas justificariam este seu voto com o facto de a JFE não ter executado na totalidade o Orçamento e o Plano de Atividades, ao passo que os bloquistas sustentariam a sua posição com o argumento de que foram realizados investimentos em áreas que não eram prioritárias em detrimento de outras onde se justificava um maior investimento. O ponto seguinte aludia à discussão e votação da 1ª Revisão ao Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos de 2014, o qual seria aprovado por maioria, com votos favoráveis do PSD, PS, e CDU, e com o voto contra do BE, força partidária esta que no entanto não iria justificar o porquê desta sua posição. A reunião não iria terminar sem antes Luís Ramalho dar conta do programa das comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril a ser levado a cabo pela JFE nos próximos dias 24, 25 e 26.


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40 Anos do 25 de Abril O jornal “A Voz de Ermesinde” inicia neste número uma série evocativa dedicada à memória dos primeiros tempos que se sucederam ao 25 Abril em Ermesinde. O que interessará mais focar nestes artigos é a parte mais desconhecida das atividades desses tempos, correspondente a uma organização popular muito genuína, mas porque não (ou ainda não) organizada de uma forma partidária, ausente desses registos e, por isso mesmo, em perigo dessa memória se perder para sempre.

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Diomar Santos - memória dos tempos de cinza e das eleições marcelistas em Ermesinde

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Atualmente membro da Assembleia Municipal de Valongo, militante do Partido Socialista, Diomar Santos viveu intensamente a política de oposição ao canto de cisne do fascismo, nos seus anos de juventude. Em Coimbra, para onde tinha ido estudar Engenharia, viveu a grande crise académica e a crítica que a Associação de Estudantes, de que então era presidente Alberto Martins, impôs a Américo Tomaz na sua célebre visita à Academia. Contaminado pelas ideias de liberdade que se espalhavam como um rastilho no meio estudantil, esteve ligado aos meios da Oposição que se arriscaram a defrontar o aparelho da União Nacional ( criada em 1930 para apoiar politicamente a ditadura), no ano de 1969, quando Marcello Caetano dá início à chamada Primavera

Marcelista, permitindo então a participação da Oposição num processo eleitoral pretensamente democrático de escolha do Parlamento, e antes de em 1973, Marcello renomear a União Nacional de Acção Nacional Popular. Em 1969, e para além de uma lista monárquica – a Comissão Eleitoral Monárquica –, de muito reduzida expressão (obteve 1 324 votos no total nacional, embora descontando que estes são os votos possíveis dentro do quadro da flagrante fraude e desigualdade de meios), as forças da Oposição agruparam-se em duas listas, uma de influência comunista e de muito maior importância, a Comissão Democrática Eleitoral,

CDE (que em 69 obteve 114 745 votos), e a outra a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, CEUD, então menos relevante, de matriz socialista (que obteria nessas eleições 16 863 votos). Todos os 130 “eleitos” foram da União Nacional. Nas eleições de 1973, e depois do Congresso de Aveiro, estariam já sob uma única bandeira, a do Movimento Democrático, mas que acabaria por se retirar do sufrágio, considerando que não existiam, de forma alguma, condições para a realização de eleições livres. Dessas eleições de 1969 em Ermesinde conserva Diomar Santos alguma memória que merece ser relatada. Eram então os votos distribuídos não por uma Comissão Eleitoral independente que assegurasse a equidade do ato eleitoral, mas por sim cada uma das listas concorrentes. Assim, os boletins de voto, embora de formato igual, apareceram em papel de diferente gramagem, tornando de imediato identificável o sentido de voto de cada um. Os Correios tudo faziam para dificultar a distribuição de votos da Oposição. Assim, qual não foi o espanto de Diomar Santos quando o carteiro devolveu para sua casa, já que tinha sido um dos elementos indicados para a Mesa de Voto pela CDE, uma enorme quantidade de boletins a devolver, com todas as razões imagináveis - “desconhecido”, “morada ilegível”, “mudou de residência”, etc., etc.. Não aceitando receber semelhante devolução, a que “não tinha direito”, dirigiu-se aos Correios e despejou as cartas devolvidas em cima do balcão, recusando deixá-las no saco, que era dele. Vigorando uma distância mínima de 100 metros para entrega de votos, a CDE montou uma banca junto da Igreja, a uma distância superior à exigida em relação à Junta, onde decorreu então o ato eleitoral, para aí poder distribuir os boletins da CDE. O elemento de ligação desta a quem Diomar Santos foi buscar os referidos boletins de voto era FOTO URSULA ZANGGER o professor Teixeira de Sousa, de Rio Tinto. Diomar recorda também uma peripécia motivada pela inexistente cultura política da época. Tendo a União Nacional andado a distribuir propaganda da sua lista, aconteceu que vários dos seus apoiantes se apresentaram na Mesa não com o boletim de voto mas com um prospeto de propaganda. Os membros da Oposição obrigaram então a que a distribuição do boletim de voto fosse também feita à tal distância de 100 metros, contra o incómodo do zeloso Manuel Simões, elemento da Junta de Freguesia que na época representava o poder e que, a dada altura do escrutínio, não se conteve e gritou euforicamente: “Já ganhamos!”, anunciando o resultado mais do que

esperado, mas fazendo-o declarando o resultado com uma precisão milimétrica, como se tivesse visto os votos um por um. Desses tempos de cinza recorda Diomar Santos algumas figuras que em Ermesinde, mais ou menos, afrontaram o regime. A mais notória seria a do médico Faria Sampaio, que aliás esteve com ele na referida Mesa de Voto, e que talvez fosse já então militante do PCP. Diomar Santos, por sua vez, acabará por aderir ao MES. Recorda também Adérito Moura, grande figura republicana ermesindense apoiante da candidatura de Humberto Delgado, que depois do 25 de Abril viria a filiar-se no PSD. Outro aderente do PSD que teria sido preso, aparentemente sem grandes razões para tal, antes do 25 de Abril, foi Joaquim Moutinho. Evidentemente outras grandes figuras republicanas envolvidas na oposição ao fascismo e ligadas à cidade de Ermesinde deveriam ser honradas pela memória histórica, mas tal não é o objetivo deste artigo, que apenas procura introduzir o arrebatamento dos tempos que se seguiram ao 25 de Abril e, nesse sentido, recua um pouco, até ao período imediato que o precedeu. Albino Maia e Paulo Emílio Martins foram dois dos companheiros de propaganda anti-fascista de Diomar Santos na CDE desses tempos muito opacos. A estes oposicionistas, entre outros, poderão juntar-se alguns militantes maoistas, certamente muito menos públicos, mas já muito envolvidos em atividades militantes, como José Paiva, hoje em dia anarco-sindicalista e Carlos Basto (que chegou depois a ser deputado municipal pelo Bloco de Esquerda e ao qual dedicaremos também um artigo), presos antes do 25 de Abril, e que foram membros de uma pequena organização maoista, a ARCO. Quanto a movimentos coletivos civis, uma referência para o CPN, que foi o foco de uma atividade cultural incómoda, e onde também esteve Diomar Santos. Uma palavra ainda para uma pequena associação estudantil ermesindense, o Capa, por onde passaram figuras como Fernanda Lage, a diretora de “A Voz de Ermesinde”, ou ainda o atual vicepresidente da Câmara, Sobral Pires e, mais uma vez, o próprio Diomar Santos. Não abrigando qualquer atividade política ou até qualquer papel percursor nesse sentido, tornou-se importante por, ao nível dos costumes, ter permitido uma pequena emancipação feminina, numa altura em que ainda não era “próprio” as meninas saírem à noite. Referência ainda a um pretenso núcleo de teatro mais ou menos clandestino, que na verdade funcionou mais como grupo de estudo e iniciação marxista, animado por Serafim Riem, que curiosamente, embora o tenha encetado com a divulgação de obras de Staline, foi militante reconhecido da trotsquista LCI logo a seguir ao 25 de Abril. Mais tarde foi dirigente do FAPAS. São memórias dispersas e pouco alicerçadas em documentação, inexistente ou escassa e, por vezes, mesmo, entretanto destruída. Nesse sentido pedimos a compreensão dos leitores e, inclusive, a sua participação neste resgate das memórias.


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Delegação de deputados do PSD visitou a Escola Secundária de Ermesinde

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Uma delegação de deputados do PSD encabeçada pelo vicepresidente do Grupo Parlamentar e também presidente da Concelhia do PSD Valongo – Miguel Santos –, visitou na tarde da passada segunda-feira, dia 7 de abril, a Escola Secundária de Ermesinde. Integraram também a delegação do PSD, além de alguns dos deputados Simão Ribeiro, Maria José Castelo Branco e Margarida Almeida, eleitos pelo círculo do Porto, alguns autarcas social-democratas, como os vereadores

João Paulo Baltazar e Maria Trindade Vale e o presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, Luís Ramalho. A delegação social-democrata foi acompanhada na sua demorada e cuidadosa visita pelos membros da Direção da escola, o diretor Álvaro Pereira a a subdiretora Ana Maria Cortez, além de João Arcângelo, da Associação de Pais. A visita deu conta das condições inaceitáveis de funcionamento da escola, incluindo situações de problemas estruturais do edifício, falta de arejamento, degradação das paredes e mobi-

liário, falta de equipamento e outros, mas também de algumas recentes e parcas melhorias, como as obras entretanto realizadas na cobertura do ginásio. No final da visita, Miguel Santos, falando em nome da delegação, lamentou as «intervenções sumptuosas» da Parque Escolar, responsáveis em grande parte pelo facto de algumas escolas terem sido obrigadas a esperar pela sua requalificação, como é o caso da Secundária de Ermesinde. O deputado social-democrata, reconhecendo que «esta escola funciona bem», apontou a necessidade de reparações e

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de manutenção que lhe têm faltado, e garantiu que iria realizar novos contactos com o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário no sentido de continuar a sensibilizar para a necessidade de umas intervenção urgente a realizar nesta escola. Apontou também que as recentes obras na escola tinham sido já uma consequência das anteriores diligências dos sociais democratas locais junto do Governo. Sublinhou depois a injustiça relativa imposta aos alunos da cidade de Ermesinde, e a situação anómala se estes frequen-

taram antes escolas básicas novas ou remodeladas de boa qualidade, para depois virem estudar num edifício degradado e sem condições, o que apesar de grande trabalho pedagógico feito nesta escola tem afastado muitos alunos para outras escolas secundárias, das redondezas. O diretor Álvaro Pereira aproveitou a ocasião para insistir na necessidade de equipamento informático, pois dos 260 computadores e quadros interativos previstos recebeu até agora... zero! Miguel Santos indicou que a DGEST teria uma verba pre-

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vista para intervenções que contemplariam a Escola Secundária de Ermesinde. Como as obras, nunca realizadas, estiveram previstas, a Escola perdeu até a Expoval, transferida de local, e que era uma oportunidade regular para executar pequenas reparações. O deputado Miguel Santos, líder da delegação social-democrata terminou tranquilizando o diretor da escola: «Esteja descansado!». Como gato escaldado de água fria tem medo, nós duvidamos que Álvaro Pereira passase a dormir tranquilo...

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Viver com o inferno por cima da cabeça LC

As sapatas de um poste de alta tensão (ou melhor, de muito alta tensão), entram-lhe quase literalmente pela casa dentro. Mas como se não bastasse, o senhor Delfim Ferreira, residente no lugar do Lombelho, na alta de Alfena, sente no corpo que há alguma coisa que não está bem. E a dar-lhe razão está o busca-polos que sem tocar em aparelho nenhum, se acende no ar, no primeiro andar da sua casa, revelando ali a passagem da corrente elétrica. A história já vem de longe, mas parece ter-se agravado em agosto de 2013, quando a REN procedeu a obras de alteração da voltagem da linha elétrica aérea que passa precisamente sobre a casa deste cidadão, e a escassos metros desta, assente no tal poste que inacreditavelmente quase lhe entra pela casa dentro. E esta é uma primeira interrogação que qualquer pessoa de imediato faz: como é possível ter-se construído o referido poste em cima daquela residência? A situação é, contudo, ainda mais complicada do que logo à primeira vista parece. É que, conforme relata Delfim Ferreira, o poste e a casa foram concluídos praticamente na mesma altura e não se percebe como foi possível semelhante licenciamento soimultâneo. Aliás, na carta que, logo em 20 de setembro de 2013, depois de sentir que alguma coisa não estava bem a partir das alterações na linha realizadas em agosto pela REN, Delfim Ferreira escrevia o

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seguinte em carta àquela entidade, referindo-se à Linha Aérea a 220Kv, Recarei -Vermoim, Poste n.º 34: «(... No ano de 2000 acordei com V. Exas na construção de um poste de linha de alta tensão de 220Kv que afecta a minha propriedade sita na Rua de S.Pedro, 217/219, Alfena, Valongo, de acordo com a v/ missiva que junto em anexo para melhor apurarem a situação (...)». Na missiva referida, datada de 17 de março de 2000, entre outras coisas, refere-se: «(...) está esta empresa a proceder à construção de uma linha de alta tensão (...), tornando-se necessário para o efeito proceder à montagem de um a perna num poste que afecta uma propriedade de V. Exa. (...) Para satisfação do que nos foi solicitado igualmente se confirma que os trabalhos a realizar, que foram acordados com V. Exa e que incluem a fundação que afecta o seu lote, ficarão concluídos até ao final do mês de Março. Mais se informa que essa fundação não será removida em caso de alteração futura desta linha, por forma a não produzir ndanos nas construções de V. Exa. Agradecendo desde já as facilidades que nos teem sido concedidas, para permitir a normalidade de execução da obra, continuamos ao dispor de V. Exa para qualquer esclarecimento (...)», cumprimentos, etc.. Mas voltemos então à carta de setembro de 2013 de Delfim Ferreira: «Contudo, [h]á cerca de um mês atrás, em Agosto de 2013 constatei, o que ademais foi confirmado pelos vos-

Delfim Ferreira, à direita, explica a Adriano Ribeiro, vereador da CDU, e a Sérgio Silva, da Junta de Freguesia de Alfena, os dois em primeiro plano, as circunstâncias de terror em que vê mergulhada a sua vida e a da sua família.

sos funcionários e a própria EDP, que procederam a obras de alteração de voltagem da linha aérea em causa, sem que para tal me tenham solicitado qualquer autorização ou dado o devido conhecimento. O que tinha sido acordado era uma linha aérea de 220Kv, e o que hoje passa na minha propriedade no poste contíguo é uma linha aérea de 400Kv, quase o dobro da voltagem acordada. A partir da data desta alteração passei a ouvir um ruído infernal que me provoca, assim como à minha família, um terrível mal estar. Além do mais, a própria radiação põe em perigo o nosso bem-estar e a saúde, um bem que não tem preço. Por 3 vezes contactei os vossos serviços para o número de avarias técnicas eléctricas a relatar esta situação. No entanto estes serviços têm-se demonstrado ineficazes na resolução do problema». E o senhor Delfim terminava declarando que se no prazo de 15 dias a REN não tomasse providências para repor a linha de 220Kv, «tal como foi acordado», ou retirasse «de imediato dali a linha que invade o espaço aéreo» da sua «propriedade e residência», encetaria as «devidas diligências necessárias para terminar com esta situação abusiva e atentatória à dignidade e saúde física e mental», sua e da sua família. Não recebendo resposta, a 11 de novembro apresentou o Sr. Delfim uma reclamação em moldes idênticos. E ainda sem resposta voltaria a escrever à REN, desta vez a 30 de dezsembro, relembrando: «No ano de 2000 acordei com V. Exas a colocação/construção de um poste de linha de alta tensão de 200Kv apoiado com a sapata por baixo da gara-

gem da [sua] propriedade (...)». E precisava ainda melhor os efeitos da alteração da voltagem: «(...) um ruído infernal que provoca a toda a família um terrível mal estar e até terror. Mais, em qualquer das varandas da habitação é visível a presença de energia com um busca-polos, assim como a presença de luz numa lâmpada fluorescente. Vivemos, também, sob o efeito das consequências de um campo eletromagnético que nos prejudica na saúde e no nosso bem estar (...)». O senhor Delfim anunciava então que iria dar conhecimento, como realmente o fez, às Direções Gerais de Energia e Saúde, à Câmara Municipal de Valongo e à DECO. O mesmo fez em relação à CCDRN. De uma das queixas apresentadas à EDP, receberia o Sr. Delfim Ferreira a seguinte resposta: «(...) As linhas a que se refere são da REN. (...) Contudo não podemos deixar de informar que estas infra-estruturas são projetadas e construídas de acordo com as normas nacionais e internacionais aplicáveis, garantindo sempre margens de segurança superiores às estabelecidas. Os níveis de segurança requeridos são ainda garantidos através de acções periódicas de verificação e manutenção, pelo que, salvaguardando eventuais acções externas, o próprio índice de avarias é extremamente reduzido. Assim, e por princípio, não existem riscos de natureza elétrica para as pessoas e bens que se situem nas imediações destes equipamentos (...)». E no sentido de comprovar a não ultrapassagem desses valores, procedeu entretanto a REN a mais do que uma medição junto da casa deste munícipe, medições estas acompa-

nhadas por mais do que uma vez por uma técnica da Divisão de Ordenamento do Território e Ambiente. De resto a Câmara tem-se interessado pelo problema sobretudo através do vereador da CDU, Adriano Ribeiro, que visitou o local. Também a Junta de Freguesia de Alfena tem procurado acompanhar a situação. Um abaixo-assinado está a correr, em protesto pela situação decorrente do aumento da voltagem no local. Circunstâncias anómalas Uma vizinha, Fátima Varela, confirma o ruído ensurdecedor, que, como relata a esposa do Sr.Delfim é sobretudo medonho à noite e quando chove – «até doem os ouvidos!». «Isto vai-nos matar, a curto ou longo prazo, se nada for feito», aponta ainda o senhor Delfim Ferreira. O estranho disto tudo é que os terrenos foram urbanizados quando as linhas já estavam instaladas. A casa de Delfim Ferreira, por exemplo, só ficou concluída já depois da instalação do poste de alta tensão com a sapata por baixo da sua propriedade.

Recorda ainda que, na altura, foi «obrigado a aceitar» 400 contos pela instalação. Quem puder explicá-lo que o faça. O certo é que na reunião da Câmara em que este assunto foi discutido os autarcas foram comedidos na apreciação da perigosidade da voltagem. «Os académicos é que devem pronunciar-se sobre isso, tudo o resto é especulação», foi mais ou menos isto. E ainda que o enterramento das linhas se resolvia questões de urbanismo, deixaria por resolver as questões ligadas ao eventual perigo da radiação eletromagnética. No que todos foram unânimes foi em reconhecer o terror que paira literalmente por cima da cabeça das pessoas desta família. Mas na reunião da Câmara ninguém aventou inquirir em que condições e quem aprovou estes licenciamentos. E havendo, de qualquer modo, alertas vindos também da própria comunidade científica, alguns deles já reconhecidos pelas autoridades comunitárias, pelo sim pelo não, o mínimo que se exige é que, por elementar precaução, o direito à vida e à saúde venha em primeiro lugar. A falta de zelo em sentido contrário, essa é bem pior!


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A Voz de Ermesinde •

Cultura

Mostra de Teatro Amador 2014 - ensinar as pessoas a não serem indiferentes... SARA AMARAL

Na passada quinta-feira, 27 de março, a comemoração do Dia Internacional do Teatro foi o ponto de partida de mais uma Mostra de Teatro Amador do Concelho de Valongo. Pelas 22h00, Júnior Sampaio demonstrou que a sua aposta ousada compensou e convenceu completamente o público que encheu a Casa de Espetáculos do Fórum Cultu-

ral de Ermesinde para ver “Sexo em Paz”. Clara Nogueira e Filomena Gigante foram as anfitriãs duma noite hilariante levando a cabo um texto de Dario Fo e Franca Rame. A sua entrada em palco, imediatamente após as boas vindas de Júnior Sampaio, o encenador e responsável do ENTREtanto Teatro, foi, no mínimo, insólita. Distribuindo preservativos pela plateia, iniciaram um diálogo sobre sexo e as perspetivas diferentes sobre o

mesmo, desde a sua mãe que não falava no assunto, às perspetivas atuais. No entanto, não se dedica apenas ao sexo esta peça: as questões femininas e masculinas em volta da mesma são também aproveitadas e faladas sem tabus, de uma forma divertida, sendo esta a fórmula de ter sexo em paz. No final, Clara Nogueira e Filomena Gigante tiveram direito a vários minutos de aplausos, alguns deles com a ovação do público. Em seguida, Júnior Sam-

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FOTOS ALBERTO BLANQUET

paio pediu ao presidente da Câmara Municipal de Valongo, José Manuel Ribeiro, um pequeno discurso. O

apoio do líder autárquico a este tipo de iniciativas foi claro, garantindo que ele e o seu executivo irão continu-

ar a apoiar o teatro, sobretudo porque este «ensina as pessoas a não serem indiferentes».


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Cultura

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11º Aniversário da ÁGORArte MAD

O Auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde foi o palco escolhido para comemorar festivamente o 11º Aniversário da ÁGORArte, Associação Cultural e Artística de Ermesinde. Foi na tarde do passado dia 22 de março, sábado, a partir das 15 horas e prolongou-se até cerca das 19 horas. Logo à entrada do Auditório estava patente uma exposição com alguns bonitos trabalhos de artes, pinturas, desenhos, bordados e outros dos habilidosos alunos da Universidade Sénior de Ermesinde (USE), uma das valências desta associação ermesindense. Com a presença de alguns associados da ÁGORArte, dos diretores, convidados e presidentes da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Valongo, decorreu um interessante Sa-

rau Cultural que durou mais de 3 horas. Intervieram os autarcas, alguns professores da Universidade Sénior, o presidente da Direção e alunos da USE. Por motivos de agenda falou em primeiro lugar o presidente da Câmara Municipal de Valongo, que se congratulou com a Festa da ÁGORArte, orientando a sua intervenção sobretudo para a Universidade Sénior, formulando os votos de que dentro de algum tempo seja uma referência do Município e até uma das melhores do país, porque «matéria prima de qualidade não lhe falta» – referiu. Seguiu-se o presidente da Junta de Freguesia, que enalteceu a coletividade aniversariante pela atividade desenvolvida, sobretudo em prol das pessoas da Terceira Idade que precisam de estar ativas e de resistir ao problema da solidão. Mostrou-se disponível para dar todo o apoio possível, na li-

nha, aliás, do que tem sucedido nos últimos anos. Depois das palavras dos autarcas, o presidente da Direção, Carlos Faria, que, entretanto, ia avançando alguns dados acerca da história da ÁGORAr-

te, constituiu nova mesa, com alguns dos professores da USE presentes, Manuel Dias, Fátima Pinto e Jacinto Soares. Falou em 1º lugar Manuel Dias, que se referiu à história, ainda recente, da Universidade Sénior de Ermesinde, que come-

como médica, e da forma como veio parar a Ermesinde e à Universidade Sénior. Referiu-se ainda ao programa da disciplina que leciona na USE. Jacinto Soares, bom conhecedor da história de Ermesinde, terra onde nasceu e onde semFOTOS ALBERTO BLANQUET pre tem vivido, falou de algumas curiosidades desta antiga terra maiata, começando por se referir ao local onde nos encontrávamos – sede da Junta de Freguesia – construída, inadvertidamente, sobre a nascente de uma linha de água. Referiu-se ainda aos poços negros carboníferos e a algumas tradições da região ermesindense que se vão perdendo. Uma das valências da ÁGORArte é o “Sabor a Teatro”, grupo cénico constituído por trução, demorando-se, por isso, jovens dinâmicos que desde 2011 mais no Renascimento, Ilumitêm produzido interessantes esnismo, Revoluções Liberais, pepetáculos, levados à cena em váriríodo da República e pós 25 de os palcos do Município ValonAbril. guense. Ensaia regularmente no Seguiu-se no uso da palaFórum Cultural de Ermesinde e o vra, Fátima Pinto, que falou da próximo trabalho é uma peça insua experiência profissional çou em 2010. Foi à Antiguidade Clássica buscar o fundamento cultural do Homem e, percorrendo, desde então, a História da Humanidade, debruçou-se sobre os períodos em que se deu maior destaque ao Homem e à sua ins-

fantil de nome “Cinderela”, numa versão bem diferente da tradicional, a apresentar no Fórum Vallis Longus, na próxima Mostra de Teatro Amador do Concelho de Valongo 2014, no dia 17 de maio. Álvaro Campeão leu o texto que faz a história do grupo. A festa de aniversário prosseguiu com a apresentação de um pequeno, mas interessante sketch, interpretado por dois alunos da USE e por Carlos Faria, sob orientação de Fátima Pinto, sobre a motivação para a ocupação dos jovens da 3ª idade. Houve ainda um animado momento musical com o “Grupo de Cavaquinhos Boinas da Bela”, que deu azo a que algumas pessoas presentes tivessem aproveitado a oportunidade para dar uns pezinhos de dança. E, no fim, para encerrar com “chave de ouro” houve ainda tempo para um saboroso lanchinho.

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Local

ABRIL de 2014

• NOTÍCIAS DO CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE • ASSEMBLEIA GERAL FOI PRESIDIDA POR JOSÉ MANUEL RIBEIRO, PRESIDENTE DA CÂMARA DE VALONGO

Relatório de Contas e Atividades do CSE aprovado com uma abstenção O Relatório de Contas e o Relatório de Ativida- os apoios financeiros do Estado têm-se mantido esdes do Centro Social de Ermesinde (CSE) foram apro- táveis, mas por outro, devido à degradação da situavados em Assembleia Geral da instituição realizada ção social das famílias, as comparticipações destas na passada segunda-feira, dia 31 de março, mais uma para os serviços de que são utentes, têm vindo a diminuir, tornando mais difícil a gestão das IPSS! vez com uma diminuta afluência de associados. Devido a essa mesma degradação das condiA Mesa da Assembleia Geral, por ausência dos seus presidente e secretário, respetivamente José ções sociais das famílias, o presidente da Direção Maria Ferreira dos Santos e Manuel Vilaça, teve do CSE teme que, em próximos exercícios, a instituique ser recomposta para a sessão, sendo presidida ção tenha que enfrentar uma baixa de comparticipações agora da população idosa. pelo único elemento da Mesa FOTO ARQUIVO URSULA ZANGGER Ainda assim os resultapresente, curiosamente o seu dos do exercício de 2013 vicepresidente José Manuel registam um resultado posiRibeiro, presidente da Câmativo de 46 589,60 euros. ra Municipal de Valongo. Henrique Queirós RodriCooptados para a Mesa fogues sublinhou também uma ram dois sócios “habitués” tendência uniforme nos últinessas andanças, Raul Sanmos anos para a diminuição tos e Fátima Costa. dos encargos com o pessoal O presidente da Direção sem que isso signifique dimido CSE, Henrique Queirós nuição da força de trabalho Rodrigues, apresentou o Reao serviço da instituição. latório, sublinhando o quarto Destacou também o baano consecutivo de resultalanço positivo do programa dos positivos, apesar dos de fornecimento de refeições constrangimentos que têm escolares, que permitiu um resofrido as entidades da ecosultado positivo de 16 mil nomia social – por um lado

euros, o enquadramento de vários trabalhadores e aldeias tratassem dos seus pobres... estes deixariam de existir. a melhoria do serviço que vinha sendo prestado. Passou-se de seguida à leitura do Parecer do Partindo deste assunto, o dirigente do CenConselho Fiscal, que recomendou a aprovação das tro Social de Ermesinde fez Contas e um voto de louvor à questão de sublinhar a defeFOTO ARQUIVO MANUEL VALDREZ Direção. sa de políticas de proximidaFinalmente o Relatório de de e o entendimento das orContas e Atividades foi votaganizações da economia sodo. José Manuel Ribeiro ao lidária de que as IPSS são as anunciar o resultado surpreentidades que, no terreno, endeu alguns dos sócios ao por melhor conhecerem a sireferir que tinha sido aprovatuação concreta das famílias, do com uma abstenção (e não melhor podem prestar serpor unanimidade), esclarecenviços sociais a quem deles do que o voto de abstenção efetivamente precise, subsera... o seu, por discordâncias tituindo com vantagem atrinum documento. Naturalbuições similares do Estado mente a este voto não será central ou local. alheio o entendimento difeRessalvando o caráter rente do autarca relativamenlaico do CSE, criado precisate ao da Direção do Centro mente em oposição a ser a Social de Ermesinde no que Igreja a prestar diretamente respeita ao balanço do forneserviços de assistência socicimento de refeições escolaal, Henrique Queirós Rodrires pelas IPSS. E assim a gues lembrou contudo o Assembleia Geral foi dada ensinamento do Padre Amépor encerrada. rico, para o qual, se todas as

Um mês do projeto “Feira Venda de Saberes” Nos passados dias 2, 3 e 4 de março, os artesãos do projeto “Feira Venda de Saberes” participaram em mais uma iniciativa alusiva ao tema de Carnaval. A feira foi decorada, organizada e dinamizada pelos artesãos afetos ao projeto, com a vontade de envolver, mais uma vez, a comunidade nesta iniciativa. Com enfeito, os trabalhos produzidos pelo grupo de artesãos desempregados estão a ganhar cada vez mais visibilidade. Paralelamente, há um reavivar do Largo da Antiga Feira de Ermesinde, que associando temáticas, tem feito ressurgir o movimento e a cor de outros tempos. O evento previa algumas atividades conjuntas com a Junta de Freguesia de Ermesinde, mas que acabaram por não se concretizar devido ao mau tempo, que continuou a não dar tréguas. Contudo, depreende-se das palavras de alguns dos artesãos que tudo correu bem e só a chuva impediu que corresse melhor. Por isso, não faltou a animação típica desta data festiva nos espaços de venda, com um concurso de máscaras, pinturas faciais, aula de zumba e um baile repleto de alegria e cor de um Carnaval bastante artesanal. Ainda durante o mês de março decorreu uma oficina de iniciação ao trabalho artesanal de bijuteria com arame, dinamizado pela artesã Márcia Colibri, que contou com a presença de 12 participantes. Ficou prevista mais uma oficina, para abril, agora sobre recortes e colagens para a elaboração de álbuns fotográficos personalizados. Por fim, iniciou-se a preparação do terreno para as hortas do projeto e a realização, no dia 26, da “Feira de Mensal de Produtos Agrícolas”. Recorde-se que o projeto “Feira Venda de Saberes” surgiu do diagnóstico social realizado pelos técnicos do Centro de Formação do Centro Social de Ermesinde, no atendimento direto, e que foram percebendo a existência de um significativo número de desempregados com experiência e competências em diversas áreas, mas com dificuldade em estruturar uma ideia de negócio, divulgar os próprios saberes e escoar os seus produtos, muitas vezes diferentes das áreas que caracterizaram os seus percursos profissionais anteriores.

FOTOS CFCSE


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• A Voz de Ermesinde

História

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Revolta da Sé foi há 55 anos

– uma tentativa para depor o regime

MANUEL AUGUSTO DIAS

uando nos aproximamos do 40º aniversário do “25 de Abril” recordamos uma das tentativas de depor o regime de Salazar! Esteve programada para o dia 12 de março de 1959 – fez agora 55 anos! Só que, mais uma vez, a PIDE mostrou-se bastante eficiente ao ponto de fazer abortar o “movimento” antes mesmo de ele ter tempo de sair à rua. Ficou conhecida como “Revolta da Sé” porque muitas das reuniões preparatórias tiveram lugar na Sé Catedral de Lisboa, e alguns dos revoltosos estavam ligados à Igreja Católica, sobretudo à

Juventude Operária Católica. Entre as várias dezenas de pessoas mais diretamente implicadas neste movimento revolucionário estavam militares, como o Capitão Vasco Gonçalves (bem conhecido dos portugueses no pós 25 de Abril), ligado ao General Humberto Delgado, o Capitão Carlos Vilhena, o Major Pastor Fernandes e, entre outros, o Capitão Almeida Santos, oficial ligado a Craveiro Lopes (que no ano anterior tinha terminado o seu mandato presidencial sem que Salazar lhe tivesse proposto a continuação no cargo). Esta revolta esteve planeada para dezembro do ano anterior mas acabou por ser adiada. Entre os civis, merece destaque Manuel Serra (dirigente da Juventude Operária Católica, que estaria ligado, aliás, a uma série de intentonas), Asdrúbal Pereira, Horácio Queirós, Eurico Ferreira, Raul Marques, Jaime Conde, Amândio da Conceição Silva, que, dois anos mais tarde, também se envolveria no desvio do avião da TAP em 1961, e várias figuras ligadas à Igreja Católica, a começar pelo Pároco da

freguesia da Sé de Lisboa, João Perestrelo de Vasconcelos. É uma das primeiras vezes que, em Portugal, se envolvem, de uma forma muito direta, pessoas ligadas à Igreja Católica. Talvez isso justifique a seguinte passagem no livro Portugal Amordaçado, de Mário Soares, acerca desta tentativa revolucionária: «um movimento de clara inspiração católica, embora com a participação importante de elementos não católicos, democratas de diferentes correntes oposicionistas». Esta intentona surgiu na sequência da conjuntura da derrota oficial de Humberto Delgado para a eleição presidencial de 1958. Embora a história pormenorizada desta tentativa revolucionária ainda não esteja concluída, já se sabe que a polícia política portuguesa, apesar da sua eficácia, nunca conseguiu descobrir todos os envolvidos. Alguns chegaram a fazer contactos com pessoas ministeriáveis para o novo governo que haveria de gerir o país nos primeiros tempos, logo após o triunfo revolucionário.

No Relatório da PIDE sobre esta tentativa revolucionária, os polícias concluíram que os “revolucionários” pretendiam «libertar o país do regime de força e ditadura pessoal a que se encontra sujeito, obrigando o governo a abandonar o poder, pela efetuação de um golpe militar». Mais – segundo a Pide – pensava-se colocar no poder uma “Junta Militar Nacional” cujos membros seriam afetos ao Movimento Militar Independente e os revolucionários já tinham técnicos preparados para assegurar, no caso de vitória, o funcionamento das rádios, correios, telefones, centrais elétricas, transportes públicos e todos os meios de informação. A investigação da PIDE apurou ainda que, desde o início do ano, os revolucionários haviam trabalhado num plano que dividia a cidade de Lisboa em quatro partes, em cada uma das quais atuaria um grupo operacional, constituído por cinco homens, sob as ordens de um oficial miliciano. Aprincipal missão de cada um desses grupos era prender os membros do governo e outras autoridades,

que, posteriormente, seriam entregues às autoridades militares revolucionárias, e após a vitória seria da responsabilidade desses mesmos grupos operacionais a manutenção da ordem. Tudo ficou marcado para as 23 horas do dia 11 de março, e o movimento ainda se iniciou, mas, durante as primeiras movimentações, os dirigentes souberam que o Governo já estava informado

da intentona (devido a fuga de informações) e abortaram, de imediato, a sua sequência. Seguiram-se as prisões de militares e civis. Em 14 de janeiro de 1961, o Tribunal chegava ao veredicto final, que impôs penas não muito graves, uma vez que oscilaram entre os três e os vinte e dois meses de prisão, cumpridos nos estabelecimentos prisionais de Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas.

EFEMÉRIDES DE ERMESINDE - MARÇO

Associação Cultual de Ermesinde Aquando da Primeira República e, sobretudo, após a aprovação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, em 20 de abril de 1911, por parte do Governo Provisório da República Portuguesa, Ermesinde foi uma das freguesias que teve a sua Associação Cultual, em funcionamento pleno, a partir de março de 1912, há, portanto, 102 anos. Isto porque o Pároco de Ermesinde era uma figura monárquica e que tomou partido pela restauração da Monarquia em Portugal. Logo na primeira sessão da Comissão Administrativa da Junta da Freguesia de Ermesinde, após o 1.º aniversário da República, o Presidente, Amadeu Vilar, «participou que como era do dominio publico o parocho d’esta freguesia Paulo Antonio Antunes tinha abandonado o seu logar no dia um do corrente mez e em vista d’isso tinha recebido ordem do administrador do concelho para tomar conta da residencia assim como de tudo que pertencia á Igreja o que foi cumprido» (cf. ata da sessão da Junta da Freguesia de Ermesinde, de 15 de outubro de 1911). Amadeu Vilar, enquanto republicano com responsabilidades administrativas, teve de lutar contra a declarada hostilidade do pároco local, Monsenhor Paulo António Antunes. Este no dia 1 de outubro de 1911 abandonou a Igreja de Ermesinde, tendo-se envolvido na 1.ª incursão monárquica de 5 a 17 de outubro desse ano, após o que se exilou no Brasil. Por isso, Amadeu Vilar, cumprindo a legislação da Separação do Estado das Igrejas, e apesar de não ser católico, fundou uma associação cultual (designada Associação Beneficência e Culto de Ermesinde) que se encarregou da organização do culto católico em Ermesinde, entre março de 1912 e agosto de 1913, tendo como capelão, o Padre Paulo José Pereira Guimarães. Para conciliar o povo com a sua associação cultual, Amadeu Vilar organizou, ele próprio, a festa ao padroeiro S. Lourenço. Mas, mesmo assim, em agosto de 1913, os Corpos Gerentes pediram a dissolução da Associação Beneficência e Culto de

Ermesinde, e o Administrador do Concelho, Dr. conveniencia de se representar ao Ministerio do Maia Aguiar, através do seu ofício n.º 391, decidiu Interior afim de que esta freguesia passe a denoque ficava a cargo da Comissão Administrativa Pa- minar-se freguesia de Ermezinde» (Livro de Atas roquial de Ermesinde, presidida por Amadeu Vilar, da Junta, n.º 4, fls. 20 v. e 21). Foi ele que, ainda «a guarda da Igreja e seus pertences». em 1910, terminou com a divisão do Cemitério, Recordemos que Amadeu Vilar foi um impor- que separava os católicos dos não católicos. E é a tante empresário industrial, tendo sido o primeiro ele, igualmente, que se deve a criação da primeira sócio gerente da Fábrica de Fiação e Tecidos de creche da região, destinada às crianças pobres. LemErmesinde, sita no lugar de Sá, que só há poucos brou o assunto na sessão da Junta Paroquial de 21 anos deixou de estar em atividade. Para tornar mais cómoda e fácil a vida dos seus operários, Amadeu Vilar estabeleceu uma panificação na fábrica destinada exclusivamente ao fornecimento de pão aos operários e, mais tarde, criou uma cooperativa de consumo, onde eles poderiam abastecer-se dos géneros de primeira necessidade, a preços muito mais baixos que os do circuito comercial normal. Foi por sua iniciativa que se fez uma primeira ampliação da fábrica para melhor corresponder ao aumento da produção que se ia registando de ano para ano, e que se criou uma cantina, mais uma vez, destinada aos operários. Republicano convicto e histórico foi, com o Dr. Maia Aguiar, um dos fundadores do núcleo republicano local, por volta de 1908, denominando-se, depois do 5 de Outubro de 1910, Centro Republicano de Ermesinde, cuja sede se inaugurou, em edifício novo, nos começos de 1912, no lugar da Estação. Como Regedor e Presidente da Comissão Paroquial Republicana, a sua ação multiplicou-se em numerosas diligências que concorriam para a concretização de dois principais objetivos: melhorar a vida dos cidadãos, sobretudo dos mais pobres e desprotegidos, e trazer o povo para a República. Foi ele APormenor da entrada da Quinta Vila Beatriz, que que propôs, na reunião da Comissão Pasidência de Amadeu Vilar. roquial de 6 de Novembro de 1910, «a

de maio de 1911, e ofereceu o 1.º donativo em setembro desse ano: 3 mil réis que recebeu como membro da Comissão Recenseadora, mais 400 réis a que tinha direito dos emolumentos de Regedor. A creche foi mesmo uma realidade e funcionou em parte do edifício da antiga residência paroquial, sob administração da Junta de Paróquia. É durante a sua presidência, no ano de 1911, que os antigos caminhos de Ermesinde passam a ter nomes de ruas. Assim, como já aqui tivemos oportunidade de referir, ao caminho da Ermida à Travagem é posto o nome de Rua de Miguel Bombarda (ainda hoje se mantém); à estrada da Formiga passa a chamar-se Rua de Cândido dos Reis (nos anos 30, passou a denominar-se José Joaquim Ribeiro Teles); à estrada que parte da Estação, Rua de 5 de Outubro; à estrada da Travagem, Rua de Elias Garcia; e à estrada da Travagem a Ardegães, Rua de Simões Lopes. Como livre-pensador e republicano convicto, Amadeu Vilar encarregouse de comemorar dignamente os aniversários da Revolução Republicana em Ermesinde, de celebrar festivamente o Dia da Árvore e de aproveitar todas as oportunidades para bem propagandear o credo republicano. Após 1914, os desgostos da luta política, que não reconhece muitas vezes aqueles que de forma abnegada se entregam a um ideal doutrinário que não partidário, levam-no a refugiar-se, quase a tempo inteiro, na sua fábrica de tecidos. A partir daí abandona a vida política ativa, apesar de manter o seu interesse pelo progresso de Ermesinde e das suas instituições e coletividades. Foi, assim, que se tornou um dos fundadores e o foi reprimeiro Presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde.


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A Voz de Ermesinde •

Património

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• TEMAS ALFENENSES •

D. Bernarda Clara – um espião nas origens do Concelho de Valongo «Quem é António Dias de Oliveira? Explica Silva Carvalho numa nota a uma outra carta remetida ao mesmo Agostinho José Freire, em 26 de Setembro de 1835, assinada “De v. ex. amiga cordial e obrigadíssima. Bernarda Clara”: “Nota de Silva Carvalho – Esta Bernarda Clara é António Dias de Oliveira, hoje Desembargador do Porto – que foi nosso espião.” Nem mais nem menos». ARNALDO MAMEDE (*)

artificialidade do Concelho de Valongo é facto! Por mais que se tentem encontrar explicações para existência desta entidade administrativa, essas colidem sempre com factos concretos incontestáveis, que corroboram a falta de unidade que sempre existiu neste Concelho. Desde logo, as duas freguesias mais ocidentais (Alfena e S. Lourenço) integradas maioritariamente no Vale do Leça, sempre tiveram mais proximidade às suas congéneres do Concelho da Maia (ao qual pertenceram até 1836), e muito pouca afinidade com as congéneres orientais, as quais integram o Vale do Ferreira (Bacia do Douro). É inegável que a linha de cumeadas que, desde a Serra do Penedo, passando pelos Sete Caminhos, Portela e Asas do Fojo, Montes do Preto, da Vela e Cardoso e finalmente o Cabeço da Mulher Morta, constituem como que uma fronteira natural que divide as terras da Maia das terras do Sousa, sendo que a única “ligação natural” existente consiste no estreito vale da Ribeira de Cabeda, o qual permite a ligação entre Alfena e Valongo. E todos sabemos que contrariar a Natureza nunca traz bons resultados. Por outro lado, historicamente, o médio Vale do Leça sempre integrou a Terra da Maia, e dentro da Terra da Maia, Alfena (ou, pelo menos, parte da freguesia, o histórico lugar de Alfena) chegou mesmo a constituir uma Honra autónoma, administrada pela Gafaria, com poder judicial autónomo em alguns assuntos, que respondia diretamente ao Senado do Porto. Mas se é assim, por que ra- António Dias de Oliveira, zão foi criado o Concelho de e s p i ã o » . Valongo? Pois, é sobre esta história esquecida, e quiçá desconhecida por muitos, que nos vamos debruçar, um pouco, neste artigo. António Dias de Oliveira nasceu em Valongo, a 20 de julho de 1804, filho de Manuel Pereira Enes e de Ana Dias de Oliveira. Destinado a uma carreira em Direito, frequentou o curso de Leis da Universidade de Coimbra, na qual se formou bacharel em 1825. No pós-Guerra Civil, notabilizou-se de tal modo nas intrigas de bastidores dos primeiros anos do Liberalismo que o já citado Prof. Espinha da Silveira lhe dedica uma boa parte de um capítulo do seu livro acerca da Reforma Administrativa Liberal. Mas, contextualizemos. Com o País governado por D. Miguel, “o usurpador”, um punhado de Liberais, refugiados na Ilha Terceira, criam o Governo no exílio preparando o regresso de D. Pedro do Brasil. A 16 de maio de 1832, Mouzinho da Silveira dá origem à Reforma Administrativa Liberal, publicando três decretos sobre a Fazenda, Justiça e Administração. Dois meses depois, D. Pedro desembarca na Praia dos Ladrões (atual Memória), no então Concelho da Maia, e avança com 7 500 “bravos” em direção à Cidade Invicta, onde ficará cercado pelo exército absolutista de D. Miguel (o famigerado “Cerco do Porto”).

Prof. Espinha da Silveira, in “Território e Poder – Nas origens do Estado Contemporâneo em Portugal” Depois de dois anos cercados na Invicta, os Liberais conseguem ludibriar os absolutistas, enviando uma expedição, por mar, que desembarca no Sotavento Algarvio e avança, quase sem resistência, sobre Lisboa, onde entra a 24 de julho de 1834, precipitando o fim da guerra e a partida de D. Miguel para o exílio, após a Convenção de Évora Monte. O pós-Évora Monte é um período conturbado em que as fações direita e esquerda dos Liberais se vão degladiar numa luta feroz pelo poder. Voltando a citar o Prof. Espinha da Silveira: «Oliveira, membro da maçonaria, desde 1833 que, secretamente, desempenhava no Porto, um bastião da esquerda, as funções de informador de Freire e Silva Carvalho. A sua atividade, diligente, terá sido útil quando, em 1834, a oposição tomou a Câmara daquela cidade, sendo várias as missivas que a esse assunto se referem. Se os prefeitos trabalhavam mal, lá estava Oliveira oferecendo os seus préstimos para “fabricar” eleições. Em troca pedia ao ministro a melhor atenção para o bacharel José Vitorino, portador da missiva, «moço de muito merecimento e gosto literário», que estava a necessitar de emprego. Para os mais distraídos, fazendo a tradução para o inglês, mais em voga atualmente, moço=boy, nada de novo, portanto… Mas é sobretudo no debate sobre a instituição dos distritos que a astúcia e a espionagem de Dias de Oliveira, ao serviço de Silva Carvalho e Agostinho Freire (Grão-mestre e Grande Administrador do Grande Oriente Lusitano, respetivamente) vai atingir o seu clímax, surgindo, em 8 de abril de 1835, Dias de Oli«a D. Bernarda Clara, o veira como primeiro subscritor de um projeto de Lei sumário que, basicamente, colocaria nas mãos do Conselho de Ministros a definição dos distritos, a nova entidade administrativa que viria a substituir as anteriores comarcas. No entanto, Oliveira era cauteloso e recomendava a Freire, em julho de 1835, «o maior segredo das nossas ligações e até certa aparência de hostilidade». Perante toda esta atividade nos corredores do poder, não seria de estranhar que, na subsequente reforma dos concelhos, a «nossa D. Bernarda Clara» tenha logrado conseguir que a sua terra natal fosse erigida em sede de um novo concelho, surgido do desmembramento de dois grandes antigos concelhos, o da Maia (freguesias de Alfena, Asmes [Ermesinde] e Valongo) e o de Aguiar de Sousa (Campo, Sobrado e Gandra). Estávamos em novembro de 1836, e Passos Manuel, um outro maçon, subscreO novo Concelho veu o Decreto.

A artificialidade geográfica do novo concelho, já atrás explanada, é tal que a sua criação apenas se justifica por estas intrincadas lutas pelo poder, onde o caciquismo teve uma forte palavra a dizer. No Termo do Porto (designação dada às terras em redor da Cidade Invicta) tínhamos, no Antigo Regime, quatro grandes concelhos: Feira (Terra de Santa Maria), Maia, Refojos e Aguiar de Sousa. A par desses três grandes concelhos, surgiam depois algumas divisões mais pequenas, normalmente coutos ou honras, como era o caso do Couto de Rio Tinto, o Couto de Santo Tirso, o Bailio de Leça, o Couto de Campanhã, a Honra de Aveleda, o Julgado de Bouças, entre outros. Com a Reforma do Liberalismo, os grandes concelhos de outrora perdem importância, alguns são, pura e simplesmente, extintos (casos de Aguiar de Sousa e Refojos de Riba d’Ave) em processos, por vezes, pouco claros e, muitas vezes, ditados pelas lutas dos vários caciques liberais, recentemente chegados ao poder. Essas lutas vão perdurar ao longo dos primeiros anos do Liberalismo, com várias alterações no mapa administrativo, sempre ao sabor dos ventos do caciquismo, culminando no célebre Código Martens Ferrão que, de reforma radical do mapa administrativo, rapidamente passou a um rotundo falhanço, não sobrevivendo à Revolta da Janeirinha (o novo mapa administrativo apenas esteve em vigor cerca de um mês entre dezembro de 1867 e janeiro de 1868). Mas, voltando à década de 30, a situação política em Lisboa estava em perfeita ebulição, e no meio de golpes e contra-golpes palacianos, Dias de Oliveira acaba sendo eleito vicepresidente do Congresso Constituinte que redigirá a efémera Constituição de 1838, assumindo interinamente a Presidência entre Março e Maio de 1837, e acabará mesmo nomeado Presidente do Conselho de Ministros no Verão desse ano. Fazendo uso de uma terminologia mais recente, um “Verão Quente”… No entanto, como tão depressa e inesperadamente é nomeado, em junho, logo é demitido, em agosto. No entretanto, Valongo é elevado a Vila e o recém-criado Concelho perde a sua sexta freguesia, Gandra, para Paredes, terra de outro importante cacique que despontava… (*) Membro da AL HENNA – Associação para a Defesa do Património de Alfena.

de Valongo (1836)


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Crónicas

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Deixar sozinha a solidão!

GLÓRIA LEITÃO

tema solidão inquietavame, andava a ouvi-lo muitas vezes, sempre associado à terceira idade que sabemos está refém da solidão. De forma propositada, utilizo o termo “refém” tendo em conta que o aplico às pessoas que já não têm condições de saúde, de mobilidade e até financeiras para se moverem para lado algum. No final da linha estão mesmo “reféns” da decisão da vida, enquanto entender mantê-los vivos. Remetidos à solidão, o tempo terá a impressão de ter muito mais que 24 horas, que passam sobre outras 24 e mais outras 24, num ciclo que só a vida se encarregará de interromper. Mais pesado este tempo porque faremos o “balanço” e, como “esse tempo é cheio de tempo”, recua-se à meninice, juventude e idade adulta. Palmilham-se lembranças passo a passo, agora numa estrada que é de “sentido único” e só nos será permitido parar quando a vida nos acender o “sinal vermelho”. Não tinha compreendido bem este processo mas, quando pisei solo académico ensinaramme isso e… muito mais. Serei sempre grata a quem sabe e gosta de ensinar, porque sentados nas salas de aula coisas há que aprendemos e que nos mudam a perspetiva da vida e sobre a vida – de tal forma que nos fazem encontrar… uma vida que aprendemos a amar porque também aprendemos como fazer a travessia. Não por negativismo mas tão somente por uma questão de bom senso eu já estou atenta às “luzes do meu caminho”, verdes, algumas vezes amarelas e algum

dia terá que haver a vermelha, uma das certezas que trazemos quando nascemos. Continuo a querer aprender com os outros do tanto que não sei e isso leva-me à perceção de que se está a seguir uma tendência quase instintiva de nos focarmos na solidão dos idosos – preocupante!, e eu tenho consciência disso mas, por exemplo, não me tinha dado conta de uma outra solidão de que pouco ou nada se fala: a solidão de que estão a padecer as gerações mais novas. Chamo-lhe uma “solidãosó”, por ser aquela de que ninguém se dá conta, ainda mais porque é pouco valorizada e até a própria pessoa que “padece dessa maleita” nem se aperceberá disso. Cada vez encontro mais gente nova só, numa solidão tal que assusta. Seres humanos que se esvaziam – o que é semelhante a um poço que vai secando lentamente até não restar nada. Silenciosa esta maleita, desentendida por quem acha que “não lhe faltando nada, não há motivos para isso”. Remetida para um canto por quem acha que isso é um sinónimo de fraqueza e não gosta de lidar com “gente fraca”. Pais que entram em desespero, agarrando tudo o que lhes é possível para assegurar o mínimo dos mínimos para os seus “rebentos”, que por sua vez têm que ficar cada vez mais “sós”, vítimas de horários intermináveis de trabalho. Pessoas que têm que ficar para trás a cuidar de quem fica mais fragilizado – entregam tudo de si, sem se aperceberem que depois, eles mesmos, ficam entregues a uma vida cheia de nada, pois em tempos de hoje, a vida “devora-nos” e ninguém está a ter tempo para ninguém. Certo é que esta solidão começa a tomar proporções gigantescas dentro de cada um. Tenho-me deparado com situações que já ultrapassaram o “tanto moeu” porque já “matou” as pessoas (e muitas) que já “se entregaram à sua sorte” e desistiram de si mesmas, ainda mais agora nem sequer dispõem de meios para procurar ajuda. A vida parece que cada vez mais vai multiplicando os “coveiros”, aqueles que nem sonham nem deixam os outros ter a capacidade de sonhar, se calhar até como forma de banirem a solidão. Ao fazer-se isso, até de forma inadvertida, nem sequer daremos conta que estamos a remeter os outros para um mundo que começa a nublar

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lentamente até ficar uma bruma cerrada que impede de enxergar caminhos e onde, pelo tardio, já nenhuma “medicina” fará efeito. Um dia ouvi – “eu sei por aquilo que ela está a passar”. Não, não sabemos. Será esse o nosso grande erro – medir pelo nosso barómetro. Termos perdido a capacidade de olhar para pessoas e onde só passamos a ver “coisas”, que só serão úteis se forem de alguma utilidade. Há pouco tempo queria aprender mais sobre aquilo que não sei. Participava num projeto de partilha de saberes, onde um punhado de gente que passava pelo flagelo do desemprego (agora um dos principais responsáveis pelo despoletar do desânimo e da descrença que lentamente encerra as pessoas no vazio) está a ser apoiada por uma equipa de técnicos do Pólo de Formação do Centro Social de Ermesinde. Ajudam-nos a transformar as fraquezas em forças e as ameaças em oportunidades: tornaram-se “artesãos” dos seus próprios saberes. A mim tocou-me sentar ao lado de uma pessoa ainda na fase da “meiaidade”, que estava em processo de transição de luto. Naquele momento sentia-lhe um abatimento que me contagiou, “desassossegando-me”. Percebi que a “equipa” estava atenta – é que a adversidade fê-los juntar e unir todos no mesmo barco. Tinha-lhes sentido isso quando partilhei com elas um espaço onde davam os primeiros passos na implementação do tal projeto da “venda dos seus saberes”. Fã da visão sistémica, poucos meses se tinham passado e foi-me permitido assistir a um novo avanço – trabalhavam na ideia da constituição de uma “cooperativa”. Surpreendente, como é a vida, naquela reunião chegava um sinal de respeito por parte de quem também estava no mesmo barco e abriu portas a este projeto, importando

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o seu conceito. Na tarde de uma quintafeira, a vida de um grupo representativo desta “gente de muitos saberes” enchiase de sonhos e esperanças, quanto mais não seja pelo reconhecimento, pelo voto de confiança e pela oportunidade de arriscarem. Com tudo isto e já no final deste dia, uma das pessoas precisava de etirarse a tempo de ir ouvir uma “missa por alma de alguém muito querido”. Até lá não arredou o pé de junto da equipa que organizava o espaço que lhes estava destinado e isto porque no dia seguinte ela ia precisar de deixar para trás a solidão e a tristeza que lhe tinha sentido dias atrás, porque as suas forças tinham que ser canalizadas para a sua coragem e para o colorido dos “saberes” que lhe saem do trabalho das mãos de artesã. Ela e outros tantos como ela, que estão a habituar-se a conviver uns com os outros, precisavam ainda de recorrer à capacidade de rir, quando muitas vezes lhes apetece chorar e desistir quando o único caminho será continuar. O abraço de despedida que recebi quando precisei de deixá-las a trabalhar para os seus sonhos, encheu-me a alma mas acima de tudo “sossegou” o meu “desassossego”. Graças ao trabalho de toda a equipa que está envolvida nesta “arrojada aventura”, fui percebendo que além da oportunidade que cada um tinha de encontrar saberes que desconheciam, este tipo de projetos são um potenciador de coragem para se recomeçar. Como requerem a colaboração de todos, todos são precisos, todos cuidam uns dos outros, e isso dá a motivação suficiente para se sair fora de portas e desta forma deixar sozinha a solidão.

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Quanto vale um nome?

NUNO AFONSO

largo d’à Bica era o fórum da localidade, ao lado da igreja e da antiga casa paroquial, depois e durante muitos anos, escola primária de janelas voltadas para o largo. Ali se cruzavam todos os caminhos que traziam homens, mulheres e crianças dos vários bairros, além de visitantes chegados da cidade a pretextos vários. Os homens da aldeia passavam em direção ao local de trabalho, as mulheres vinham encher os cântaros e pôr em dia as novidades e os mexericos de ocasião, as crianças brincavam, pin(t)chavam (1) amoras mal estas negrejavam por entre as folhas da amoreira de cima e enchiam de gritos e risos a tranquilidade do lugar. Nas tardes de domingo, homens que já não tinham apetência nem desembaraço para os jogos do fito (2), dos paus (3), do ferro (4) e da pedra (5) , sentavam-se nas lajes do largo e conversavam acerca do tempo e das colheitas, os mais idosos queixavamse dos respetivos males e relembravam tempos idos, pessoas e acontecimentos, a juventude inquieta cirandava alegremente entre o largo e o espaço destinado aos jogos. Via-os passar quando ali me encontrava, em tempo de ócio ou aguardando que a cântara se enchesse, em obediência à ordem da minha mãe, numa época em que ainda não havia, nas habitações, água canalizada. Eram irmãos mas nunca vinham juntos, embora seguissem na mesma direção. Agora um, daqui a nada outro, cada qual munido de uma sacha, de umas ganchas ou de outro utensílio agrícola, que não é próprio de trabalhador rural andar de “de mãos a abanar”, desciam o caminho da Requeixada, davam as boas horas (6) a quem encontravam ao passar e rumavam ao seu destino. Não havia memória de os terem visto dirigir a palavra um ao outro e constava que, à mesa, se qualquer deles precisava de cortar fatia do pão, pôr pingo de azeite nas batatas cozidas ou servirse da garrafa do vinho que estivessem ao alcance do irmão, pedia ajuda à cunhada viúva ou à sobrinha que já estavam habituadas e achavam aquilo natural. Iam para onde determinasse o sobrinho António d’ó Santo que, após a morte do pai, era, por direito consuetudinário, o chefe da família. Lembro-me deles já velhotes, solteiros, colaborando nos trabalhos segundo as possibilidades de cada qual ainda que nenhum tivesse uma área em que fosse mais expedito. O povo parecia não dar muita importância à falta de diálogo dos irmãos, penso que ninguém sabia ao certo se qualquer desaguisado os tinha separado algures no tempo ou se nada mais era do que uma questão de feitios. Num ímpeto de romancista, poderia introduzir, neste ponto, uma jovem que ambos tivessem requestado e cuja inclinação por um ou por outro e o óbvio ciúme recíproco lhes tivessem aquecido os ânimos conduzindo a um corte de relações, mas parecia de todo inverosímil que consequências mais graves não tivessem daí resultado. Em

vermelhos de primaveras, papoilas e de outras flores do campo num embriagante festival de cor, serviam, tradicionalmente, para varrer as casas e respetivos acessos. A determinada altura, o tio João Simão teve a lembrança de confecionar vassouras mais bonitas e mais fáceis de usar para oferecer a pessoas amigas. Decepava uma quantidade de giestas bem compostas, aparavaas com esmero e usava vime (7) para as apertar na extremidade inferior. Chamou-lhes vassouros para os distinguir de quaisquer outros objetos que fossem utilizados nas mesmas funções. Nada pedia em troca mas aceitava uns tostões para adquirir a onça de tabaco e respetiva mortalha que produziam a muralha de fumo atrás da qual procurava ocultar o limitado sentido da sua vida. Mas o que lhe dava maior satisfação era constatar o agrado que lia nos olhos das pessoas agraciadas: - Ó senhora Marquinhas, trago-lhe aqui um vassouro. Desculpe, é só um agradinho. (8) - Que bonito, senhor João! – dizia a senhora, apreciando a obra de arte. Obrigada pela lembrança. Ia buscar uns trocados e metia-lhos na mão e o tio João Simão, “contente como um cuco”, regressava à rotina diária. A ideia de uma possível empresa de fabricação e comercialização de vassouros não é mais que piada tendo em vista a febre de criar um negócio tão em moda na atualidade. Nem o tio João Simão tinha capacidades para imaginar e pôr em prática tal empreendimento nem a aldeia é o que foi no tempo em que viveu. A terra despovoou-se e os moradores atuais preferem os artigos que encontram facilmente FOTO HENRIQUE MARTINS nos supermercados da cidade a que acedem nos autocarros de transporte coletivo que ali vão duas ou três vezes por dia.

alternativa, talvez a protagonista da mútua devoção houvesse falecido, qual “dama das camélias” configurada ao tempo e ao lugar, e cada qual guardasse dela egoística e duradoura lembrança, subsistindo entre os dois homens um surdo rancor que a vida persistiu em manter. Em pequenas localidades como esta, não escaparia ao conhecimento e consolidação na memória coletiva de uma história com semelhante perfil dramático. A única explicação plausível era o feitio especial que os distinguia dos demais. Se hoje vivesse, o tio João Simão talvez mudasse de nome, sonho que parece ter alimentado e, inúmeras vezes, referia: - Porque me puseram João? Se me pusessem Diogo, outro galo me cantaria. Talvez sim, talvez não, a verdade é que João não era nome prestigiado na aldeia. “Os Joões são todos tontos” era expressão corrente, que ninguém sabia definir, porque os seus comportamentos eram semelhantes aos de toda a gente e aí tínhamos como exemplo esses dois irmãos de nomes diferentes – um João, outro Manuel – mas parecidos nas atitudes. No entanto, o João Simão que, no registo, era Pires como os irmãos, preferia ser Diogo vá-se lá saber por que cargas d’água, uma vez que este nome não era usual na aldeia ou nas aldeias próximas onde predominavam os Manuéis, os Josés, os Antónios, os Franciscos e os Joões. Enquanto o irmão falava apenas o indispensável, por sofrer de um problema neurológico que lhe dificultava a fluência, saindo as palavras como que marteladas, inclusive nas boas horas que mais pareciam pancada

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em bombo invisível, o tio João usava a linguagem sem dificuldades de maior mas ambos tinham comportamentos semelhantes aos das restantes pessoas da comunidade. No entanto, ele próprio alinhava com os demais no preconceito, repudiando o nome que os pais lhe deram. Em consequência de tal convicção, se, até aí, havia poucos homens com esse nome, contavam-se pelos dedos das mãos e ainda sobravam dedos como diz a expressão popular, nas gerações seguintes quase deixou de constar em assentos batismais e civis. O povo, que dizemos sábio, tem destas coisas, admissíveis em crianças mas não muito justificáveis em gente crescida. Nos dias que vivemos, talvez o tio João Pires, digo João Simão, tivesse aderido à febre do empreendedorismo. As giestas, que abundam à beira dos caminhos da aldeia e que, na primavera, emprestam tanta beleza com suas flores amarelas, em contraste com o verde que vai despontando em torno mais os brancos e os

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Pin(t)chavam – deitavam abaixo, tombavam. Fito – jogo a que, noutros lugares, chamam malha, muito simples, em que há um pino em cada extremidade e cada jogador usa uma pedra ou malha de ferro para atirar visando derrubar o pino ou deixar a pedra mais perto do pino do que o adversário. Pode ser jogado a dois, a quatro ou a seis, individualmente ou em equipa. (3) Paus – jogo característico da terra fria transmontana em que, sobre uma pedra lisa e pouco elevada, se colocam nove paus numa determinada ordem. Joga-se com bolas de madeira de forma elíptica seccionadas nas pontas, que se atiram sobre os paus, apoiando um dos pés em pedras (malhões) colocadas a distância igual de um lado e do outro da pedra central, tentando derrubar os paus e fazendoos ultrapassar uma raia feita alguns metros para lá de cada malhão em terreno ligeiramente mais alto dum lado do que do outro. De baixo para cima, o atirador tem que fazer a bola ultrapassar a raia. Se não o conseguir, perde o jogo. Cada pau que ultrapasse as raias vale dez pontos e cada pau tombado mas não passado além da raia vale um ponto. Um jogo vale 40 pontos. (4) Ferro – ferramenta em ferro rebatida nas pontas que é utilizada para levantar objetos pesados e para perfurar a terra. Pode ser utilizado para atirar à distância, ganhando quem o atirar mais longe. (5) Pedra – uma pedra de certa dimensão que se tenta lançar o mais longe possível. (6) Dar as boas horas – desejar bom dia ou boa tarde consoante a hora a que for pronunciada. (7) Vime – ramo ou vara flexível do vimeiro (família das salicácias) usada para atar molhos, vinhas ou quaisquer objetos, além de trabalhos de artesanato como cestas. (8) Agradinho – diminutivo afetivo de agrado, presentinho, atençãozinha. (2)


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Crónicas

O declínio do Ocidente

REINALDO BEÇA

as páginas do “El País”, li uma crónica do inglês Timothy Garton Ash, professor catedrático na Universidade de Oxford, em que este escrevia «Chamem-me Oswald Spengler, se quiserem, mas é difícil evitar a conclusão de que os Estados Unidos e a União Europeia não estejam hoje a competir para serem os primeiros a alcançar a decadência. Os dois gigantes da economia mundial estão à beira da bancarrota, do “eurocalipsis” e do “dolarcalipsis”». São expressões apocalípticas da sua economia. Isto chamou-me a atenção, porque, em 2004, publiquei, aqui e noutros jornais, alguns textos em que me referia à decadência da Europa, no que dizia respeito aos seus valores perante a invasão islâmica, embora não me referisse aos Estados Unidos, que tinham sido sempre assim e a sua crise económica ainda não era visível. E não há dúvida que a Europa e a América eram o que se chama ainda hoje o Ocidente, a cultura ocidental, hoje, embora rivais, parceiros no processo de globalização económica. Estão no mesmo barco e afundam juntos. De facto, Oswaldo Spengler, historiador e filósofo alemão, já escrevia “O Declínio do Ocidente”, em 1918, não pelos motivos atuais, mas pelo pessimismo, depressão e descrença que os horrores da primeira guerra mundial trouxeram à humanidade, nomeadamente ao mundo intelectual, com

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ramificações no historicismo e, mais tarde, a segunda guerra, ainda mais horrível mas a que Spengler já não assistiu, pois morreu em 1936, embora ainda testemunhasse os seus preliminares com Adolfo Hitler e as suas SA, já no poder. Com Spengler, também Arnold Toynbee, William Butler Yeats, Ciryl Connolly, Thomas Man, James Joyce, Alberto Camus, etc., acreditaram no declínio do otimismo histórico e na fragilidade das civilizações. Max Weber tinha apreensões semelhantes quanto à Europa moderna, pois, segundo ele, o século XIX privara o homem dos seus deuses, levando a uma anarquia de valores, ilusões e infelicidades com o laicismo adotado. Emile Durckheim, no princípio do séc. XX, referia-se a uma sociedade que, desvinculada das suas crenças e tradições, sofria duma “anomie”, duma desorganização, dum colapso geral da consciência coletiva baseada na religião, família e na pátria, sentido romântico duma identidade nacional e na falta de mitos coletivos. «Estamos a assistir ao começo da barbarização da Europa», escrevia Nicolas Berdyaev, em 1933, e o historiador académico Fredrich Meinecke afirmava: «A razão do Estado não é irracional mas levava a comportamentos bárbaros, só porque Leopold von Rancke, o historiador da Europa, seu mestre, defendia que o Estado sempre defendera a Europa do mau uso do poder». E «a Europa está em quarto minguante», dizia Yeats, em 1936, no ano da morte de Spengler. Passados dez anos, em 1946, Ciryl Connolly escrevia “O Declínio da Europa” e Arthur Koestler, em 1951, afirmava: «Acontece que acredito que a Europa está condenada. Um capítulo da história está a chegar ao fim». Um desencanto, um pessimismo decadente, comentários funéreos como Bernard Shaw em Heartbreak House e Back to Methusaleh, «a Natureza a vingar-se da sociedade culta, ociosa e negligente da Europa que fugiu das suas regras». Mas também declarações típicas de pessoas que se acham epígonos, como testemunhas do fim duma era ou duma civilização decadente em que o poder da máquina, da industrialização cedia lugar ao poder da finança na economização do mundo atual.

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Ortega y Gasset (1930), escreve “A Rebelião das Massas”, não de trabalhadores mas de técnicos altamente especializados, os tecnocratas a quem faltava a cultura integral, sem princípios nem sentido do dever histórico. Uma nova classe social sem história e sem passado. Nada se reconhece do passado, só se reconhece o mundo da técnica, o uso da máquina, dos desportos, da velocidade, do perigo, da adrenalina. Os existencialistas como Karl Jaspers e até Jean-Paul Sartre, com a sua “Náusea”, alinham neste mundo moderno materialista das emoções FOTO ARQUIVO

onde [impera] o desencanto cultural provocado pela hipertrofia da máquina, perda da alma e cultura das massas, expressões estas proferidas “ad nauseam”. Max Ernst consegue exprimir, na sua arte, todo este sentimento nas obras “Bárbaros” e “A Europa depois da Chuva” (1933). Karl Popper, o filósofo contemporâneo que definiu a limitação humana e escreveu “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos” (1943), já denuncia os efeitos do capitalismo e sua contribuição na falência duma sociedade aberta, embora achasse que o sociologismo fosse longe de mais, no seu “absolutismo falibilístico” que não implicava que a procura da verdade fosse errada e que a verdade fosse relativa. Após este exibicionismo cultural, um tanto sem nexo, do pós-férias, aproveitando a sinergia dum cérebro descansado em que tudo surge em catadupa, aterremos no campo da realidade atual que, de facto, creio que é um Ocidente em declínio, à beira da bancarrota, e deixemos o pessimismo decadente de Fin-de-Siécle e da “Segunda Guerra dos Trinta Anos”, como W. Churchill chamou ao espaço das e entre as

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duas grandes guerras, ou seja entre 1914 e 1944. A falha de todos os valores e mitos referidos, o livre pensamento sem limite, a própria comunidade europeia pluricultural e plurirracial, onde tudo cabe e tudo se admite, torna-se “anómica”, desprovida de normas, individualista ou egoísta, cada um virado para si, deixando de ser uma sociedade altruísta. De facto, como sinal de decadência, estamos a passar duma sociedade altruísta, de cariz social e humano para uma sociedade, individualista, egoísta, economicista, em que o homem vale menos do que os dividendos das empresas ou a cotação das ações. É o «pior dos mundos que já existiram”» como afirmava Ortega y Gasset e veio quando a saúde humana é sacrificada à saúde da economia. Para que a economia cresça, cortase nos medicamentos, na assistência e nos benefícios sociais, uma irracionalidade. Se a economia não estiver ao serviço da humanidade, para que serve? Isto acontece nos tempos atuais do neoliberalismo económico, uma mutilação do liberalismo, que privilegia a economia em detrimento do homem. Contudo, hoje, o declínio do Ocidente parece emergir da própria civilização, dos próprios valores que a Europa espalhou pelo mundo, o valor virtual da moeda e da Economia que hoje domina o homem e todo o chamado mundo económico e civilizado. No entanto, no mundo globalizado pela nova economia um novo poder surgiu, que está a provocar, no próprio local de origem, um declínio em que novas potências se afirmam. Aqueles que foram dominados, colonizados e aculturados irão dominar o Ocidente materialista e decadente que está novamente a ser barbarizado pelos novos bárbaros, como afirmou Nicolas Bardyaev na barbarização da Europa. É o fim duma era, dum poder que dominou o mundo conhecido durante tantos séculos, repelindo civilizações e culturas estranhas que o quiseram dominar. A menos que algo de imprevisto aconteça, que um salto quântico surja, estaremos agora a contemplar a Morte da Europa como disse André Malraux, o erudito político e académico francês, e eu acrescentaria, dando razão a O. Spengler:.. e também ao declínio do Ocidente.

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ABRIL de 2014

• A Voz de Ermesinde

Opinião

Atribuir consequências à abstenção, votos nulos e brancos

A. ÁLVARO SOUSA

ui Rio reiterou o seu entendimento de que o número de deputados da Assembleia da República deveria corresponder aos votos efetivos dos eleitores, abatendo ao número atual de 230 os correspondentes à abstenção, aos votos nulos e aos votos em branco. Dito de outra maneira e como ele gosta, criar cadeiras vazias no Parlamento. Naturalmente que esta proposta é imediata e vigorosamente rejeitada pelos partidos políticos para quem o “statu quo” é que é bom, porque qualquer que seja o número de votos validamente expressos, o número de eleitos não sofre qualquer alteração e as subvenções

recebidas do Orçamento do Estado também não são globalmente afetadas por qualquer redução em resultado do número de votos recolhidos. Assim sendo, este interesse partidário não poderá, jamais, acolher as vozes que repetidamente ecoam de que os partidos devem regenerar-se e que a vontade dos eleitores deve ter tradução no funcionamento das instituições democráticas. Caso contrário, uma das soluções adequadas seria adotar a proposta de Rui Rio que, quando vier a ser acolhida, dará conteúdo à expressão usada e abusada de que o eleitorado expressa a sua satisfação ou desagrado através do voto. Atualmente, quer se abstenha, vote em branco ou inutilize o seu voto, não haverá qualquer consequência para os partidos concorrentes, principalmente para os que habitualmente têm representação parlamentar. Com efeito, com a legislação em vigor, mesmo que no final do último ato eleitoral ocorrido em 2011, dos 9 624 133 eleitores constantes dos cadernos, apenas cerca de 500 000 expressassem o seu voto (válido, nulo ou em branco), teríamos uma Assembleia da República exatamente idêntica à que temos: 230 deputados, uma mesa composta por um presidente efetivo e quatro suplentes,

quatro secretários e outros tantos “à chamada”. E, assim sendo, cabe perguntar: onde está refletido o descontentamento dos cidadãos? Decorre do exposto que, se quando o número de deputados foi estabelecido, o universo dos eleitores fosse metade dos 9,5 milhões, certamente que ninguém se atreveria a avançar com o exagerado número de 230. Há, pois, na defesa da democracia, que rapidamente se proceda à atualização desta representação, para que o funcionamento deste importante órgão de soberania seja adequado ao universo de quem quer ser representado, para que os partidos tenham interesse na mobilização do eleitorado disponibilizando-lhe candidatos de elevada craveira profissional e política, acima de quaisquer suspeitas de corrupção, compadrio ou dependência de lobbies estranhos à coisa pública. Imaginemos por instantes o que teria acontecido nas últimas eleições legislativas se previamente a legislação tivesse sido alterada, considerando os seguintes dados de partida: eleitores inscritos, 9 624 133; deputados elegíveis no limite máximo, 230; votos expressos, 5 588 594; votos brancos, 148 378; votos nulos, 79 995; abstenção de 4 035 539 eleitores; e abs-

CONDURIL -

tenção máxima, não considerada para efeitos de redução de eleitos, 15%; Com estas premissas obteríamos um total de votos úteis para efeitos de cálculo de deputados a eleger da ordem dos 70,7% do universo dos eleitores inscritos, mais concretamente 6 803 841 que por sua vez, incidindo sobre os 230, daria um Parlamento de 163 deputados, distribuídos pelos partidos concorrentes, segundo o método Hondt. Consequências: respeito pelo voto dos eleitores, reforço do “músculo” da democracia, um Parlamento mais ajustado às necessidades, redução substancial dos custos de funcionamento da Assembleia da República, diminuição das subvenções pagas aos partidos em função do número de deputados eleitos, interesse dos partidos em escolher candidatos que mobilizem o eleitorado, etc., etc.. Nesta altura estarão os caros leitores de “A Voz de Ermesinde” a perguntar: e como é que se sai desta quadratura do círculo? Não sei, porque se soubesse já o problema estava há muito resolvido. Mas equaciono duas

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IMAGEM•ARQUIVO

hipóteses: uma é Rui Rio e António Costa conseguirem a liderança dos respetivos partidos em simultâneo e prestarem um inestimável serviço patriótico a Portugal, aos portugueses e ao regime, libertando a democracia dos nós cegos em que a meteram, alterando a Constituição e reformulando a legislação que regula o funcionamento das instituições, para que a vontade do povo seja por elas observada; a outra, mais gravosa e indesejada, é qualquer dia um general ou capitão sair de Braga ou manifestar-se em Lisboa e tudo começar de novo.

CONSTRUTORA DURIENSE, S.A.


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A Voz de Ermesinde •

Lazer

Efemérides

Coisas Boas

11 ABRIL 1814 – O imperador francês Napoleão Bonaparte abdica em Fontainebleau em favor de seu filho.

Palavras cruzadas

Beleza nevada

HORIZONTAIS

Cobertura: 3 colheres de sopa de açúcar mascavado claro 1/3 de chávena de leite vegetal à temperatura ambiente 1 colher de sopa de amido de milho ou farinha de araruta sumo de 1 limão pequeno 3 colheres de sopa de óleo de coco extra virgem

VERTICAIS

SOLUÇÕES: VERTICAIS 1. Aves; fas. 2. Celeres; pe. 3. Eram; boer. 4. To; Aar; ler. 5. Reboco. 6. Tais; sosia. 7. Ostia; SS. 8. So; ja; lo. 9. Ao; calma. 10. Galaxia; ra.

HORIZONTAIS 1. Acetato; Ag. 2. Vero; assoa. 3. Ela; Tito. 4. Sema; si; ca. 5. Ar; Ajax. 6. Febres; ali. 7. Aso; bom; ma. 8. Elos; la. 9. Preciso. 10. Se; roas; Sa.

Anagrama Descubra que rua de Ermesinde se esconde dentro destas palavras com as letras desordenadas: LEI DO AÇOR.

Preparação: Misturam-se os ingredientes secos e depois os húmidos até se obter uma massa homogénea. Unta-se uma forma com óleo de coco e enfarinha-a. Leva o bolo ao forno a cerca de 180ºC. A meio da cozedura protege-se com papel de alumínio se necessário. Para a cobertura, num tacho, colocam-se todos os ingredientes exceto o sumo de limão. Leva-se a lume médio e mexe-se sempre com uma vara de arames até espessar. Retira-se do lume, deixa-se arrefecer um pouco com o tacho tapado. Junta-se o sumo de limão e mexe-se bem com a vara de arames até se obter um creme homogéneo. Cobre-se o bolo desenformado e um pouco arrefecido. Polvilha-se com coco ralado, frutos secos, etc.. “A Voz de Ermesinde” prossegue neste número uma série de receitas vegetarianas de grau de dificuldade “muito fácil” ou “média”. A reprodução é permitida por http://www.centrovegetariano.org/receitas/, de acordo com os princípios do copyleft.

Sudoku

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Rua do Rio Leça.

SOLUÇÕES:

Veja se sabe 01 - Britânico, um dos Prémios Nobel da Paz em 1925. 02 - Povo do altiplano da Ásia Central cuja capital é Lhasa. 03 - Norte-americano, realizador de “Ao Encontro de Mr. Banks” (2013). 04 - Afluente do Ave, nasce a leste de Braga, de onde lhe vem o nome. 05 - A que classe de animais pertence a estrelinha? 06 - A que país pertence a região do Tirol (parte norte)? 07 - Em que país fica a cidade de Sirte? 08 - Qual é a capital da Crimeia? 09 - A abreviatura Cru corresponde a qual constelação? 10 - Elemento metálico mole, n.º 64 da Tabela Periódica (Gd).

SOLUÇÕES:

Em cada linha, horizontal ou vertical, têm que ficar todos os algarismos, de 1 a 9, sem nenhuma repetição. O mesmo para cada um dos nove pequenos quadrados em que se subdivide o quadrado grande. Alguns algarismos já estão colocados no local correcto.

01 – Austen Chamberlain. 02 – Tibetanos. 03 – John Lee Hancock. 04 – Rio Este. 05 – Aves. 06 – Áustria. 07 – Líbia. 08 – Porto Alegre. 09 – Crux. 10 – Gadolínio.

Provérbio Quando vem março ventoso, abril sai chuvoso.

(Provérbio português)

Diferenças

SOLUÇÕES:

Sudoku (soluções) ILUSTRAÇÃO ARQUIVO

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Descubra as 10 diferenças existentes nos desenhos

FOTO ARQUIVO

Massa: • 2 chávenas de farinha de trigo com fermento; • 2 chávenas de açúcar mascavado claro; • 1/2 chávena de farinha de coco; • 1/2 chávena de farinha de amêndoa chávenas de água; • 2 colheres de chá de baunilha; • 2 colheres de chá de vinagre de maçã; • 1/2 chávena de óleo de coco extra virgem derretido.

1. Transparência; prata (s.q.). 2. Verdadeiro; limpa o nariz. 3. Pronome pessoal; imperador romano. 4. Unidade mínima de significação de uma palavra; nota musical; cabelo branco. 5. Atmosfera; herói da mitologia grega. 6. Anormais temperaturas altas; naquele lugar. 7. Agarro; bondoso; ruim. 8. Laços; tecido animal. 9. Exato. 10. Catedral; rates; lugar de Ermesinde. 1. Animais com penas; seguidores. 2. Rápidos; base. 3. Pertenciam; colonizador holandês da África do Sul. 4. Porco; rio suíço; interpretar a escrita. 5. Argamassa da parede. 6. Espécie de bigorna; pessoa muito parecida. 7. Cidade costeira do Império Romano; Santíssimo Sacramento. 8. Sozinho; agora; barlavento. 9. Contração de preposição e artigo; paciência. 10. Agrupamento de estrelas; batráquio.

ABRIL de 2014

01. Cabeça da 1ª criança. 02. Calções da 1ª criança. 03. Meias da 1ª criança. 04. Sapatos da 2ª criança. 05. Sapato da senhora. 06. Chapéu da senhora. 07. Árvore. 08. Coelho. 09. Caixa. 10. Cadeira.


ABRIL de 2014

• A Voz de Ermesinde

distros em linha...

Este mês o site de divulgação de distribuições de software livre Distrowatch assinalou o lançamento das seguintes novas distribuições: LaciOS e CruxEX (em lista de espera na sua base de dados oficial). Outro motivo de interesse foi o lançamento de duas distribuições especialmente destinadas a hardware obsoleto, Legacy OS 2.1 LTS e antiX MX-14. Outras distribuições lançadas recentemente: OpenMandriva Lx 2014.0 Beta, Kwheezy 1.5, Webconverger 24.0, openSUSE 13.2 Milestone 0, Tails 0.23, Zentyal 3.4, SparkyLinux 3.3, Tiny Core Linux 5.2.1 "piCore", OpenELEC 4.0 Beta 2, PC-BSD 10.0.1, Proxmox 3.2 "Virtual Environment" e Puppy Linux 5.7 "Slacko".

Legacy OS 2.1 LTS http://puppylinux.org/wikka/ LegacyOS Foi lançado o Legacy OS 2.1 Long Term Support edition, uma distribuição baseada em Puppy compatível com hardware obsoleto, como PCs Pentium III e outros. Ambiente gráfico IceWM. Imagem CD .iso (696MB).

antiX MX-14 http://antix.mepis.com/ Foi lançado o MX-14 "Symbiosis", uma versão especial do antiX desenvolvida em colaboração com a comunidade MEPIS Community, e destinada à arquitetura 32 bits. Baseado em Debian, vem com ambiente gráfico Xfce. Imagem CD .iso (696MB).

LaciOS http://lacios.org/ O projeto, de origem portuguesa LaciOS, é uma nova distribuição Linux baseada em Debian testing e, na sua forma padrão, utiliza o ambiente gráfico Xfce 4.10. Os principais conceitos de desenvolvimento do LaciOS são a facilidade de uso e a máxima estabilidade. Imagem de desenvolvimento (fase beta) DVD .iso otimizada para arquitetura PC 64 bits (1,0 GB).

CruxEX http://cruxex.exton.net/ O CruxEX é uma nova distribução Linux, baseada em CRUX e com ambiente gráfico LXDE. Trtata-se de uma distribuição leve e destinada a utilizadores experientes, que vem com o kernel Linux especial 3.13.6cruxex. Imagem CD .iso otimizada para arquitetura PC 64 bits (281 MB).

Tecnologias

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Outernet e Project Loon – projetos de internet para todos (*)

A Outernet A Outernet é um novo projeto que pretende levar a internet a todos os habitantes da Terra, graças a uma centena de pequenos satélites. A Internet, hoje em dia, tornou-se um bem indispensável, se bem que só uma pessoa em cada três no mundo possa aceder-lhe. São muitos os países e os locais onde não está disponível uma conexão internet, e por esse motivo muitas são as empresas que estão a trabalhar numa solução que possa garantir um acesso à internet a toda a população mundial. Uma solução possível poderia ser o Project Loon da Google, que pretende levar a conexão internet a zonas remotas, rurais, desérticas ou de montanha através de balões aerostáticos. Uma outra solução é o projeto Outernet, desenvolvido pelo Media Development Investment Fund, de Nova Iorque, que é um projeto que pretende fazer chegar a internet às zonas mais remotas através de uma rede de pequenos satélites em órbita ao redor da Terra.

Seriam cerca de uma centena de satélites (denominados CubeSat) os necessários para poder cobrir todo o planeta e deveriam já estar ativos a partir do mês de junho do ano de 2015. De início o serviço estará ativo só para alguns utentes, com conexões possibilitadas só por algumas estações, ficando no fim desta fase de testes a conexão disponível para todos e gratuitamente mediante antenas dedicadas de forma a interagirem com CubeSat. Muito provavelmente a conexão terá uma velocidade muito baixa, contando sobretudo a possibilidade de se poder ligar em mar aberto ou em ilhas isoladas, uma funcionalidade muito importante sobretudo em operações de salvamento. A Outernet não substituirá as nossas conexões internet, mas consentirá, por exemplo, pedir ajuda se estivermos perdidos na montanha, no mar alto, etc., por exemplo com a possibilidade de contactar os nossos amigos no facebook, pedindo ajuda.

O Project Loon Também a Google tem um projeto para permitir a ligação net a zonas remotas em qualquer parte do mundo – o Project Looon, desenvolvido por Mountain View, graças a balões aerostáticos. Este projeto pretende proporcionar a todos os utentes uma solução de internet veloz e económica. Os balões seriam transportados pelo vento a uma altitude de quase o dobro da dos aviões comerciais, fornecendo um acesso à internet através de uma antena dedicada instalada no teto ou parte lateral de uma casa. Segundo a Google, o Projeto Loon estará em condições de fornecer uma velocidade de conexão similar às atuais ligações internet móveis ou até superior, a um custo acessível, além de fornecer uma solução válida também em casos de desastres naturais em que as comunicações fiquem fora de uso. Segundo a Google, um anel de balões girando à volta do mundo, poderá fornecer um acesso à internet em áreas remotas, rurais, desérticas e de montanha a um preço muito competitivo. O projeto- piloto já se iniciou na Nova Zelândia, na zona de Canterbury, e se os testes trouxerem os resultados esperados novos balões serão lançados em outros lugares do mundo. (*) A informação aqui apresentada foi recolhida a aprtir do site italiano Lffl - Linux Freedom for Life.


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A Voz de Ermesinde •

Arte Nona

Entretanto

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357º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa KUENTRO

Realizou-se no passado dia 4 de março (Dia de Carnaval) o 357º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, que contou, naturalmente, com uma meia dúzia de mascarados entre a trintena de tertulianos presentes, e que, como encontro especial de Carnaval, não teve autor convidado. Mas em contrapartida realizou-se o concurso de máscaras, que teve como vencedores Cátia Alves e Hugo Tiago. O habitual comic jam foi obra, desta vez, de Álvaro, Andreia Rechena, Ana Saúde, Inês Ramos, João Sá Chaves e Nuno Viegas. Presenças

Inauguração de exposição individual de João Chambel Foi inaugurada na quinta-feira, dia 20 de março, na El Pep Store&Gallery, situada no Centro Comercial Imaviz, em Lisboa, uma exposição individual de João Chambel. Sobre o autor: «Da urgência dos fanzines nos finais de 80 (Novos Panoramas do Globo/Baladas de Hollywood; Beijos, Sonhos, Vertigens, Amnésia; Há Festa na Selva; EspantaPardais) à corrida de fundo que foi Heróis da Literatura Portuguesa (Íman Edições, 2002), 120 páginas em split com Daniel Lopes (soterradas nos escombros da casa editora), tem serpenteado entre a banda desenhada e a psicologia, com pernoitas na ilustração e outros afazeres domésticos. Participa em diversas publicações colectivas de BD, de que é destaque maior a antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne, 2001), Futuro Primitivo (CCC, 2011) e Mesinha de Cabeceira #23 (CCC, 2012). Publica regularmente ilustração e banda desenhada no blogue Pele Vermelha (http://apelevermelha.blogspot.com/) com destaque para Das kabinett des Doktor Dmitri Mochalische, fluxo gráfico narrativo (ou nem por isso), lançado em Março de 2010, publicação em curso».

Fonte: http://tkuentro.blogspo.pt

1. Álvaro Santos 2. Ana Catarina Tiago 3. Ana Lúcia Tiago 4. Ana Saúde 5. Andreia Rechena 6. António Isidro 7. Bruno Martins 8. Carina Santos 9. Carla Costa 10. Cátia Alves 11. Clara Botelho 12. Geraldes Lino 13. Helder Jotta 14. Hugo Tiago 15. Inês Ramos 16. João Vidigal 17. José Pinto Carneiro 18. Machado-Dias 19. Marta Ascenção 20. Miguel Costa Ferreira 21. Carlos Moreno 22. Nuno Viegas 23. Paulo Costa 24. Policarpo 25. Rui Domingos 26. Sá Chaves 27. Sandra Rosa 28. Simões dos Santos 29. Victor Jesus 30. Vítor Nascimento Ao lado o comic jam do 357ª Encontro da Tertúlia BD de Lisboa.

Fonte: http://kuentro.blogspot.pt

Exposição “Riso Amarelo” (obras de José de Lemos no extinto “Diário Popular”) em Setúbal Uma exposição de desenhos do antigo “Riso Amarelo”, rubrica criada pelo ilustrador José de Lemos no extinto “Diário Popular”, foi inaugurada no passado dia 14 de março, na Casa da Cultura, em Setúbal. A mostra, patente até 9 de abril, exibe algumas das ilustrações publicadas no vespertino, com a particularidade de suprimir a legendagem original de cada trabalho, o que deixa ao imaginário dos visitantes a interpretação das figuras e realça o rigor da linguagem estética de José de Lemos. Organizada pela Câmara Municipal de Setúbal e pelo atelier DDLX, foi inaugurada pelo ilustrador José Ruy e por Rosário Alçada Araújo. O acervo em exposição pertence a Eugénio Fidalgo, proprietário do restaurante Fidalgo, em Lisboa, a quem o ilustrador ofereceu

muitas das criações de o “Riso Amarelo”. José de Lemos nasceu em 1910 e morreu em 1995. Além de criar o “Riso Amarelo”, rubrica que se tornou famosa pela visão crítica da sociedade portuguesa da época através de desenhos e comentários assertivos, notabilizou-se ainda por um vasto conjunto de trabalhos desenvolvidos na área do desenho e da ilustração, além de criar diversas obras de cariz infantil, para as quais concebeu as imagens, assim como as histórias. A mostra, de entrada livre, pode ser visitada na Galeria de Exposições da Casa da Cultura de terça a quinta-feira, das 10h00 às 24h00, às sextas-feiras e aos sábados, das 10h00 à 01h00, e aos domingos, até às 20h00. Fonte: http://kuentro.blogspot.pt

JOSÉ DE LEMOS


21 Arte Nona

O Observador de impossíveis (17/18)

ABRIL de 2014

• A Voz de Ermesinde

O Observador de impossíveis (03/04)

autor: PAULO PINTO


A Voz de Ermesinde •

Serviços

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Farmácias de Serviço Permanente

Telefones CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE • Educação Pré-Escolar (Teresa Braga Lino) (Creche, Creche Familiar, Jardim de Infância)

De 01/04/14 a 05/05/14 Dias

• Infância e Juventude (Fátima Brochado) (ATL, Actividades Extra-Curriculares) • População Idosa (Anabela Sousa) (Lar de Idosos, Apoio Domiciliário) • Serviços de Administração (Júlia Almeida) Tel.s 22 974 7194; 22 975 1464; 22 975 7615; 22 973 1118; Fax 22 973 3854 Rua Rodrigues de Freitas, 2200 4445-637 Ermesinde • Formação Profissional e Emprego (Albertina Alves) (Centro de Formação, Centro Novas Oportunidades, Empresas de Inserção, Gabinete de Inserção Profissional) • Gestão da Qualidade (Sérgio Garcia) Tel. 22 975 8774 Largo António Silva Moreira, 921 4445-280 Ermesinde • Jornal “A Voz de Ermesinde” (Fernanda Lage) Tel.s 22 975 7611; 22 975 8526; Fax. 22 975 9006 Largo António da Silva Moreira Canório, Casa 2 4445-208 Ermesinde

Telefones

ECA

Telefones de Utilidade Pública

ERMESINDE CIDADE ABERTA

• Sede Tel. 22 974 7194 Largo António Silva Moreira, 921 4445-280 Ermesinde • Centro de Animação Saibreiras (Manuela Martins) Tel. 22 973 4943; 22 975 9945; Fax. 22 975 9944 Travessa João de Deus, s/n 4445-475 Ermesinde • Centro de Ocupação Juvenil (Manuela Martins) Tel. 22 978 9923; 22 978 9924; Fax. 22 978 9925 Rua José Joaquim Ribeiro Teles, 201 4445-485 Ermesinde

Auxílio e Emergência

Saúde

Avarias - Água - Eletricidade de Ermesinde ......... 22 974 0779 Avarias - Água - Eletricidade de Valongo ............. 22 422 2423 B. Voluntários de Ermesinde ...................................... 22 978 3040 B.Voluntários de Valongo .......................................... 22 422 0002 Polícia de Segurança Pública de Ermesinde ................... 22 977 4340 Polícia de Segurança Pública de Valongo ............... 22 422 1795 Polícia Judiciária - Piquete ...................................... 22 203 9146 Guarda Nacional Republicana - Alfena .................... 22 969 8540 Guarda Nacional Republicana - Campo .................. 22 411 9280 Número Nacional de Socorro (grátis) ...................................... 112 SOS Criança (9.30-18.30h) .................................... 800 202 651 Linha Vida ............................................................. 800 255 255 SOS Grávida ............................................................. 21 395 2143 Criança Maltratada (13-20h) ................................... 21 343 3333

Centro Saúde de Ermesinde ................................. 22 973 2057 Centro de Saúde de Alfena .......................................... 22 967 3349 Centro de Saúde de Ermesinde (Bela).................... 22 969 8520 Centro de Saúde de Valongo ....................................... 22 422 3571 Clínica Médica LC ................................................... 22 974 8887 Clínica Médica Central de Ermesinde ....................... 22 975 2420 Clínica de Alfena ...................................................... 22 967 0896 Clínica Médica da Bela ............................................. 22 968 9338 Clínica da Palmilheira ................................................ 22 972 0600 CERMA.......................................................................... 22 972 5481 Clinigandra .......................................... 22 978 9169 / 22 978 9170 Delegação de Saúde de Valongo .............................. 22 973 2057 Diagnóstico Completo .................................................. 22 971 2928 Farmácia de Alfena ...................................................... 22 967 0041 Farmácia Nova de Alfena .......................................... 22 967 0705 Farmácia Ascensão (Gandra) ....................................... 22 978 3550 Farmácia Confiança ......................................................... 22 971 0101 Farmácia Garcês (Cabeda) ............................................. 22 967 0593 Farmácia MAG ................................................................. 22 971 0228 Farmácia de Sampaio ...................................................... 22 974 1060 Farmácia Santa Joana ..................................................... 22 977 3430 Farmácia Sousa Torres .................................................. 22 972 2122 Farmácia da Palmilheira ............................................... 22 972 2617 Farmácia da Travagem ................................................... 22 974 0328 Farmácia da Formiga ...................................................... 22 975 9750 Hospital Valongo .......... 22 422 0019 / 22 422 2804 / 22 422 2812 Ortopedia (Nortopédica) ................................................ 22 971 7785 Hospital de S. João ......................................................... 22 551 2100 Hospital de S. António .................................................. 22 207 7500 Hospital Maria Pia – crianças ..................................... 22 608 9900

Serviços Locais de venda de "A Voz de Ermesinde" • Papelaria Central da Cancela - R. Elias Garcia; • Papelaria Cruzeiro 2 - R. D. António Castro Meireles; • Papelaria Troufas - R. D. Afonso Henriques - Gandra; • Café Campelo - Sampaio; • A Nossa Papelaria - Gandra; • Quiosque Flor de Ermesinde - Praça 1º de Maio; • Papelaria Monteiro - R. 5 de Outubro.

Fases da Lua

Cheia: 1155 ; Q. Minguante: 2222 ; Abr 20 20114 LLuaua Nova: 29 29;; Q. Crescente: 7 .

Mai 2014

Lua Cheia: 14 14;; Q. Minguante: 21 21;; Lua Nova: 28 28;; Q. Crescente: 7 .

Ficha de Assinante A VOZ DE

ERMESINDE Nome ______________________________ _________________________________ Morada _________________________________ __________________________________________________________________________________ Código Postal ____ - __ __________ ___________________________________ Nº. Contribuinte _________________ Telefone/Telemóvel______________ E-mail ______________________________ Ermesinde, ___/___/____ (Assinatura) ___________________ Assinatura Anual 12 núm./ 9 euros NIB 0036 0090 99100069476 62 R. Rodrigues Freitas, 2200 • 4445-637 Ermesinde Tel.: 229 747 194 • Fax: 229 733 854

ABRIL de 2014

Cartório Notarial de Ermesinde ..................................... 22 974 0087 Centro de Dia da Casa do Povo .................................. 22 971 1647 Centro de Exposições .................................................... 22 972 0382 Clube de Emprego ......................................................... 22 972 5312 Mercado Municipal de Ermesinde ............................ 22 975 0188 Mercado Municipal de Valongo ................................. 22 422 2374 Registo Civil de Ermesinde ........................................ 22 972 2719 Repartição de Finanças de Ermesinde...................... 22 978 5060 Segurança Social Ermesinde .................................. 22 973 7709 Posto de Turismo/Biblioteca Municipal................. 22 422 0903 Vallis Habita ............................................................... 22 422 9138 Edifício Faria Sampaio ........................................... 22 977 4590

Bancos Banco BPI ............................................................ 808 200 510 Banco Português Negócios .................................. 22 973 3740 Millenium BCP ............................................................. 22 003 7320 Banco Espírito Santo .................................................... 22 973 4787 Banco Internacional de Crédito ................................. 22 977 3100 Banco Internacional do Funchal ................................ 22 978 3480 Banco Santander Totta ....................................................... 22 978 3500 Caixa Geral de Depósitos ............................................ 22 978 3440 Crédito Predial Português ............................................ 22 978 3460 Montepio Geral .................................................................. 22 001 7870 Banco Nacional de Crédito ........................................... 22 600 2815

Transportes Central de Táxis de Ermesinde .......... 22 971 0483 – 22 971 3746 Táxis Unidos de Ermesinde ........... 22 971 5647 – 22 971 2435 Estação da CP Ermesinde ............................................ 22 971 2811 Evaristo Marques de Ascenção e Marques, Lda ............ 22 973 6384 Praça de Automóveis de Ermesinde .......................... 22 971 0139

Desporto Águias dos Montes da Costa ...................................... 22 975 2018 Centro de Atletismo de Ermesinde ........................... 22 974 6292 Clube Desportivo da Palmilheira .............................. 22 973 5352 Clube Propaganda de Natação (CPN) ....................... 22 978 3670 Ermesinde Sport Clube ................................................. 22 971 0677 Pavilhão Paroquial de Alfena ..................................... 22 967 1284 Pavilhão Municipal de Campo ................................... 22 242 5957 Pavilhão Municipal de Ermesinde ................................ 22 242 5956 Pavilhão Municipal de Sobrado ............................... 22 242 5958 Pavilhão Municipal de Valongo ................................. 22 242 5959 Piscina Municipal de Alfena ........................................ 22 242 5950 Piscina Municipal de Campo .................................... 22 242 5951 Piscina Municipal de Ermesinde ............................... 22 242 5952 Piscina Municipal de Sobrado ................................... 22 242 5953 Piscina Municipal de Valongo .................................... 22 242 5955 Campo Minigolfe Ermesinde ..................................... 91 619 1859 Campo Minigolfe Valongo .......................................... 91 750 8474

Cultura Arq. Hist./Museu Munic. Valongo/Posto Turismo ...... 22 242 6490 Biblioteca Municipal de Valongo ........................................ 22 421 9270 Centro Cultural de Alfena ................................................ 22 968 4545 Centro Cultural de Campo ............................................... 22 421 0431 Centro Cultural de Sobrado ............................................. 22 415 2070 Fórum Cultural de Ermesinde ........................................ 22 978 3320 Fórum Vallis Longus ................................................................ 22 240 2033 Nova Vila Beatriz (Biblioteca/CMIA) ............................ 22 977 4440 Museu da Lousa ............................................................... 22 421 1565

Comunicações Posto Público dos CTT Ermesinde ........................... 22 978 3250 Posto Público CTT Valongo ........................................ 22 422 7310 Posto Público CTT Macieiras Ermesinde ................... 22 977 3943 Posto Público CCT Alfena ........................................... 22 969 8470

Administração Agência para a Vida Local ............................................. 22 973 1585 Câmara Municipal Valongo ........................................22 422 7900 Centro de Interpretação Ambiental ................................. 93 229 2306 Centro Monit. e Interpret. Ambiental. (VilaBeatriz) ...... 22 977 4440 Secção da CMV (Ermesinde) ....................................... 22 977 4590 Serviço do Cidadão e do Consumidor .......................... 22 972 5016 Gabinete do Munícipe (Linha Verde) ........................... 800 23 2 001 Depart. Educ., Ação Social, Juventude e Desporto ...... 22 421 9210 Casa Juventude Alfena ................................................. 22 240 1119 Espaço Internet ............................................................ 22 978 3320 Gabinete do Empresário .................................................... 22 973 0422 Serviço de Higiene Urbana.................................................... 22 422 66 95 Ecocentro de Valongo ................................................... 22 422 1805 Ecocentro de Ermesinde ............................................... 22 975 1109 Junta de Freguesia de Alfena ............................................ 22 967 2650 Junta de Freguesia de Sobrado ........................................ 22 411 1223 Junta de Freguesia do Campo ............................................ 22 411 0471 Junta de Freguesia de Ermesinde ................................. 22 973 7973 Junta de Freguesia de Valongo ......................................... 22 422 0271 Serviços Municipalizados de Valongo ......................... 22 977 4590 Centro Veterinário Municipal .................................. 22 422 3040 Edifício Polivalente Serviços Tecn. Municipais .... 22 421 9459

Ensino e Formação Cenfim ......................................................................................... 22 978 3170 Colégio de Ermesinde ........................................................... 22 977 3690 Ensino Recorrente Orient. Concelhia Valongo .............. 22 422 0044 Escola EB 2/3 D. António Ferreira Gomes .................. 22 973 3703/4 Escola EB2/3 de S. Lourenço ............................ 22 971 0035/22 972 1494 Escola Básica da Bela .......................................................... 22 967 0491 Escola Básica do Carvalhal ................................................. 22 971 6356 Escola Básica da Costa ........................................................ 22 972 2884 Escola Básica da Gandra .................................................... 22 971 8719 Escola Básica Montes da Costa ....................................... 22 975 1757 Escola Básica das Saibreiras .............................................. 22 972 0791 Escola Básica de Sampaio ................................................... 22 975 0110 Escola Secundária Alfena ............................................. 22 969 8860 Escola Secundária Ermesinde ........................................ 22 978 3710 Escola Secundária Valongo .................................. 22 422 1401/7 Estem – Escola de Tecnologia Mecânica .............................. 22 973 7436 Externato Maria Droste ........................................................... 22 971 0004 Externato de Santa Joana ........................................................ 22 973 2043 Instituto Bom Pastor ........................................................... 22 971 0558 Academia de Ensino Particular Lda ............................. 22 971 7666 Academia APPAM .......... 22 092 4475/91 896 3100/91 8963393 AACE - Associação Acad. e Cultural de Ermesinde ........... 22 974 8050 Universidade Sénior de Ermesinde .............................................. 93 902 6434

Farmácias de Serviço

01 Ter. Formiga (Erm.) 02 Qua. Sobrado (Sobr.) 03 Qui. Vilardell (Campo) 04 Sex. MAG (Erm.) 05 Sab. Marques Cunha (Val.) 06 Dom. Nova Alfena (Alf.) 07 Seg. Palmilheira (Erm.) 08 Ter. Outeiro Linho (Val.) 09 Qua. Sampaio (Erm.) 10 Qui. Santa Joana (Erm.) 11 Sex. Bemmequer (Alf.) 12 Sab. Travagem (Erm.) 13 Dom. Bessa (Sobr.) 14 Seg. Ascensão (Erm.) 15 Ter. Central (Val.) 16 Qua. Confiança (Erm.) 17 Qui. Alfena (Alf.) 18 Sex. Marques Santos (Val) 19 Sab. Formiga (Erm.) 20 Dom. Sobrado (Sobr.) 21 Seg. Vilardell (Campo) 22 Ter. MAG (Erm.) 23 Qua. Marques Cunha (Val.) 24 Qui. Nova Alfena (Alf.) 25 Sex. Palmilheira (Erm.) 26 Sab. Outeiro Linho (Val.) 27 Dom. Sampaio (Erm.) 28 Seg. Santa Joana (Erm.) 29 Ter. Bemmequer (Alf.) 30 Qua. Travagem (Erm.) 01 Qui. Bessa (Sobr.) 02 Sex. Ascensão (Erm.) 03 Sáb. Central (Val.) 04 Dom. Confiança (Erm.) 05 Seg. Alfena (Alf.))

Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Maia (Alto Maia) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Martins Costa (Alto Maia) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Giesta (Areosa) Hosp. S. João (Circunv.) Oliveiras (Areosa) Sousa Torres (MaiaShop.) Hosp. S. João (Circunv.) Areosa (Areosa) Maia (Alto Maia) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.)

FICHA TÉCNICA A VOZ DE

ERMESINDE JORNAL MENSAL

• N.º ERC 101423 • N.º ISSN 1645-9393 Diretora: Fernanda Lage. Redação: Luís Chambel (CPJ 1467), Miguel Barros (CPJ 8455). Fotografia: Editor – Manuel Valdrez (CPJ 8936), Ursula Zangger (CPJ 1859). Maquetagem e Grafismo: LC, MB. Publicidade e Asssinaturas: Aurélio Lage, Lurdes Magalhães. Colaboradores: Afonso Lobão, A. Álvaro Sousa, Ana Marta Ferreira, Armando Soares, Cândida Bessa, Chelo Meneses, Diana Silva, Faria de Almeida, Filipe Cerqueira, Gil Monteiro, Glória Leitão, Gui Laginha, Jacinto Soares, Joana Gonçalves, João Dias Carrilho, Sara Teixeira, Joana Viterbo, José Quintanilha, Luís Dias, Luísa Gonçalves, Lurdes Figueiral, Manuel Augusto Dias, Manuel Conceição Pereira, Marta Ferreira, Nuno Afonso, Paulo Pinto, Reinaldo Beça, Rui Laiginha, Rui Sousa, Sara Amaral. Propriedade, Administração, Edição, Publicidade e Assinaturas: CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE • Rua Rodrigues de Freitas, N.º 2200 • 4445-637 ERMESINDE • Pessoa Coletiva N.º 501 412 123 • Serviços de registos de imprensa e publicidade N.º 101 423. Telef. 229 747 194 - Fax: 229733854 Redação: Largo António da Silva Moreira, Casa 2, 4445-280 Ermesinde. Tels. 229 757 611, 229 758 526, Tlm. 93 877 0762. Fax 229 759 006. E-mail: avozdeermesinde@gmail.com Site:www.avozdeermesinde.com Impressão: DIÁRIO DO MINHO, Rua Cidade do Porto – Parque Industrial Grundig, Lote 5, Fração A, 4700-087 Braga. Telefone: 253 303 170. Fax: 253 303 171. Os artigos deste jornal podem ou não estar em sintonia com o pensamento da Direção; no entanto, são sempre da responsabilidade de quem os assina.

Emprego Centro de Emprego de Valongo .............................. 22 421 9230 Gabin. Inserção Prof. do Centro Social Ermesinde .. 22 975 8774 Gabin. Inserção Prof. Ermesinde Cidade Aberta ... 22 977 3943 Gabin. Inserção Prof. Junta Freguesia de Alfena ... 22 967 2650 Gabin. Inserção Prof. Fab. Igreja Paroq. Sobrado ... 91 676 6353 Gabin. Inserção Prof. CSParoq. S. Martinho Campo ... 22 411 0139 UNIVA ............................................................................. 22 421 9570

Tiragem Média do Mês Anterior: 1100


ABRIL de 2014

• A Voz de Ermesinde

Serviços

Agenda Desporto FUTEBOL 06 DE ABRIL 2014, 15H00

Er mesinde 1936 - Estr elas de Fânz Estrelas Fânzer eres er es 26ª jor nada do Campeona jornada Campeonato Divisão visão,, Série 1, da to da 2ª Di visão bol do P to Futebol Por orto to.. Associação de Fute or – Estádio de Sonhos. 27 ABRIL 2014, 15H00

Er mesinde 1936 - Spor ting SS.. Vítor Sporting 28ª jor nada do Campeona jornada Campeonato Divisão visão,, Série 1, da to da 2ª Di visão bol do P to Futebol Por orto to.. Associação de Fute or – Estádio de Sonhos.

(Agenda Associação Futebol do Porto)

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01 abr - 30 abr Festivais e exposições ATÉ 16 MAIO 2014

Centro Cultural de Alfena PINGOS DE COR Está patente até ao próximo dia 16 de maio, no Centro Cultural de Alfena, uma exposição coletiva de pintura e desenho, promovida pelo ateliê Pingos de Cor com o apoio da Câmara Municipal de Valongo. A mostra foi inaugurada no passado sábado, dia 22 de março, e conta com trabalhos de mais de três dezenas de artistas do concelho. A entrada é livre. (Agenda da Câmara Municipal de Valongo).

ATÉ 23 DE MAIO 2014 tes do Fór um Vallis Longus Artes Fórum Sala das Ar e Fórum Cultural de Ermesinde MOSTRA DE TEATRO AMADOR 2014 Teve início no passado dia 27 de março de 2014 – Dia Mundial do Teatro – e prolonga-se até ao dia 23 de maio, a Mostra de Teatro Amador 2014, organizada pela Câmara Municipal de Valongo e que conta, mais uma vez, com a colaboração do ENTREtanto TEATRO. Novidade na edição deste ano é que serão atribuídos prémios aos participantes, nas seguintes categorias: Melhor Espetáculo de Teatro, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Luminotecnia, Melhor Figurino, Melhor Cenografia, Melhor Encenação e Melhor Música/Sonoplastia. (Agenda da Câmara Municipal de Valongo).


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A Voz de Ermesinde •

Última

ABRIL de 2014

Era (mais) uma vez... uma escola em quem todos punham os olhos ... menos quem o devia! Escola terceiro-mundista, que se “conserva de pé” pela teimosia e amor da sua comunidade de professores, funcionários e alunos, a Secundária de Ermesinde chama a atenção de todos (tal como agora, a-

quando da visita dos deputados do PSD) pelo abandono a que foi votada. Só as entidades ditas “responsáveis”, ao nível da política educativa parece nunca a verem. Esperemos que seja desta... LC

FOTOS URSULA ZANGGER

AVE_915  

Jornal "A Voz de Ermesinde" n.º 915, de abril de 2014. Edição completa em http://www.avozdeermesinde.com

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