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COMO A

SALMONELLA

SE ADAPTA E SOBREVIVE NO FRANGO E NO AMBIENTE p. 17 Profa. Dra.

Anderlise Borsoi

avicultura.info

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06

É hora de se desfazer das Tabelas de Ventilação Mínima?

23

Michael Czarick, Brian Fairchild & Connie Mou

Edson Luiz Bordin MV Patologista

College of Agricultural and Environmental Sciences University of Georgia

17

Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no meio ambiente Profa. Dra. Anderlise Borsoi Universidade Tuiuti do Paraná - UTP Curitiba /PR – Brasil

Imunopatologia da Bolsa de Fabricius com ênfase na Doença de Gumboro

30

Alimentação Perinatal em pintinhos: Nutrição In Ovo (Parte I) Alfred Blanch

Alfred Blanch Consultor na Addimus

avicultura.info 1 aviNews Brasil Março 2020


avicultura.info 39

Estresse por calor em poedeiras comerciais Guillermo Díaz Arango

Consultor em Nutrição e Produção de Poedeiras Direção Técnica

48

Enfermidades Frequentes em Reprodutoras Pesadas ao redor do mundo (Parte I)

Dr. Gregorio Rosales MVZ, MS, PhD., DACPV

Nick Dorko DVM, MAM

57

Chefe Global de Serviços Técnicos Veterinários Aviagen Incorporated - Huntsville, Alabama

Eng. Eduardo Cervantes

Avaliação da eficácia In Vivo do FloraMax-B11 administrado via spray

Dr. Guillermo Díaz Arango

Fabrizio Matté - Consultor Técnico

Consultor internacional de processamento avícola

Zootecnista e Consultor Internacional em Nutrição e Produção de Poedeiras Comerciais

Fabrizio Matté - Consultor Técnico VETANCO Brasil

61

Ovos Mantiqueira: os ingredientes do sucesso Entrevista com Leandro Pinto e Guilherme Moreira

3 aviNews Brasil Março 2020


NEM TUDO SÃO FLORES

O

ano de 2019 foi bastante produtivo para o setor avícola brasileiro. Apesar dos aumentos no custo de produção - resultante do aumento dos preços dos insumos, principalmente milho e farelo de soja - a demanda aquecida permitiu adequar este quadro carne de frango e ovos. Isto graças ao significativo crescimento do consumo interno e das exportações. O cenário tende a continuar positivo em 2020, frente à crise decorrente aos focos de peste suína africana na China e outros países da Ásia, que levou à morte e ao sacrifício sanitário de milhões de animais. O combate aos surtos da enfermidade trouxe como resultado um aumento nas importações de carne suína, bovina e de aves para suprir as demandas locais. O Brasil, maior exportador de carne bovina e de frango e quarto maior exportador de carne suína, naturalmente aproveitou esta janela de oportunidades. O quanto aumentaremos nossas exportações, entretanto, irá depender da evolução das exportações de carne de frango dos Estados Unidos para a China, reabertas no final de 2019, e da evolução da epidemia de coronavirus. Quanto às exportações de carne de perus, bastante prejudicadas pela desabilitação de plantas pela União Europeia e pelas suspensões feitas pelo MAPA, o cenário é mais otimista já que existe a expectativa da vinda de uma missão ainda no primeiro semestre para reabilitar as plantas suspensas. No caso específico do setor de postura, houve um aumento bastante significativo no consumo interno, passando de 192 ovos/ habitante em 2017 para 230 ovos em 2019.

Vários fatores foram responsáveis por esse incremento com destaque para a melhoria da imagem do produto como resultado do trabalho da Ovos Brasil e do esclarecimento da classe médica e dos nutricionistas sobre as qualidades do ovo. Já no caso da genética avícola, cabe destacar que o Brasil se consolidou como uma plataforma de exportação de avós, matrizes e ovos férteis, tanto de corte como de postura. Além de trazer divisas para o país, ajuda a manter o mercado interno ajustado, evitando aumento nos alojamentos acima da capacidade de comercialização de carne de frango e de ovos. Mas, nem tudo são flores. Temos vários desafios pela frente. Na área econômica, há os aumentos nas exportações de milho e na utilização do cereal para a produção de etanol. Na área técnica, restrições ao uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho, questões relacionadas ao bem-estar animal e uma agenda cada vez mais complicada para harmonizar a parte regulatória do MAPA e da Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, relacionadas a condenações e ergonomia, respectivamente. Meu papel como diretor técnico será o de selecionar artigos que orientem os empresários sobre as tendências de mercado, capacitem os produtores e esclareçam o consumidor, as ONGs e a classe médica e nutricionistas. A tarefa não será fácil, mas como temos bons articulistas no Brasil, aliado ao excelente conceito da revista aviNews, tenho certeza que o resultado será positivo ao final de 2020. Boa leitura a todos!

Ariel Antônio Mendes

Pesquisador e Articulador da avicultura brasileira e latino-americana

EDITOR

GRUPO DE COMUNICAÇÃO AGRINEWS S.L. DESIGN GRÁFICO & WEB Marie Pelletier Enrique Núñez Ayllón Maitê Paier Antunes Sergio Rodríguez Núñez Oriol Marquès PUBLICIDADE Luis Carrasco +34 605 09 05 13 lc@agrinews.es Karla Bordin +55 (19) 98177-2521 mktbr@grupoagrinews.com DIREÇÃO TÉCNICA Dr. Gregorio Rosales, MVZ, MS, PhD., DACPV

Eng. Eduardo Cervantes Consultor internacional de processamento de aves

Dr. Guillermo Díaz Arango Consultor técnico internacional em galinhas de postura

REDAÇÃO José Luis Valls Osmayra Cabrera Daniela Morales Priscila Beck COLABORADORES Winfridus Bakker Juan Carlos López Mike Czarick Dr. Susan Watkins Rodrigo Castillo Jorge Amado

Brian Jordan Ramiro Hernán Delgado Franco Douglas Waltman Douglas Zaviezo Víctor Naranjo

Barcelona - Espanha Tel: +34 93 115 44 15 info@grupoagrinews.com redacao@grupoagrinews.com

www.avicultura.info

A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagens: Noun Project / Freepik/Dreamstime

5 aviNews Brasil Março 2020


É HORA DE SE DESFAZER DAS TABELAS DE

VENTILAÇÃO MÍNIMA? Michael Czarick, Brian Fairchild & Connie Mou College of Agricultural and Environmental Sciences University of Georgia

controle ambiental

P

Para entender por que as tabelas de ventilação mínima são problemáticas, primeiro devemos entender que as mesmas não têm nada a ver com o controle dos níveis de oxigênio, dióxido de carbono, monóxido de carbono ou amoníaco nos galpões. De fato, todas as tabelas de ventilação mínima são projetadas para uma coisa apenas: ajudar os produtores avícolas a manejar os níveis de umidade nos galpões. Concretamente, as tabelas de ventilação mínima proporcionam uma estimativa de quanta ventilação é necessária para eliminar a umidade total que, por sua vez, depende da idade e/ou peso.

Então, ao utilizar-se uma taxa de ventilação mais baixa, não eliminar-se-á toda a umidade que as aves estão agregando ao galpão e os níveis de umidade irão se acumular no ar e na cama. Ao se utilizar uma taxa de ventilação mínima mais alta, eliminar-se-á mais umidade do galpão em que as aves estão e os níveis de umidade tenderão a cair. Isto é assim para todas as recomendações de ventilação mínima, quer sejam as proporcionadas pelas empresas avícolas, ou pelas empresas instaladoras, casas genéticas, literatura ou universidades. Todos eles fornecem uma taxa de ventilação mínima teórica para eliminar a umidade que as aves estão acrescentando ao galpão. “Teórica” é a palavra chave nesse caso.

6 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


Como calcular a taxa de ventilaçao para o controle da umidade?

Quanta umidade as aves estão acrescentando ao galpão

Quantidade de umidade que o sistema de bebedouros está incorporando ao galpão, ou seja, água não consumida pelas aves

Podemos incorporar esses valores a equações matemáticas que nos permitirão calcular a taxa de ventilação mínima para o controle da umidade.

O valor resultante das operações anteriores pode ser divido pelo número teórico das mesmas, resultando em uma tabela.

Temperatura e umidade interior

Temperatura e umidade exterior

7 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?

controle ambiental

Para calcular a taxa de ventilação para o controle da umidade, deve-se saber o seguinte:


ANÁLISE DE TABELAS DE RESULTADOS Vamos utilizar uma destas tabelas para determinar em qual velocidade devem funcionar seus ventiladores de ventilação mínima. Lembre que existe uma série de premissas muito importantes que devem ser levadas muito em conta quando utilizadas essas equações:

2

1

Mantem-se uma umidade específica no galpão, constante a uma idade, ou peso determinado.

controle ambiental

Mudar a umidade interior em +/- 10% faz com que a taxa de ventilação mínima necessária possa mudar +/- 25%.

3

Adiciona-se uma quantidade específica de água no galpão para uma idade e peso determinado das aves. Mudar o consumo de água +/- 10%, pode resultar em uma taxa de ventilação mínima necessária variando +/- 10%.

4

Mudar o consumo de água +/- 10%, pode resultar em uma taxa de ventilação mínima necessária variando +/- 10%. Quando mude a temperatura exterior em +/- 5,5ºC, a taxa de ventilação mínima necessária pode mudar +/- 15%.

8 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?

Mantem-se uma temperatura específica no galpão, sendo constante para uma idade, ou peso determinado das aves. Mudar a temperatura do galpão em +/- 2,5ºC pode fazer com que a taxa de ventilação mínima exigida mude +/- 25%.


5

Se todo o ar que entra se mistura com o ar do interior: Todo o ar fresco entra pelo sistema de entrada de ar do galpão (ou seja, sem fugas). Mantem-se abertura de entrada e pressão estática adequadas. As entradas de ar estão bem projetadas e cuidadas. Um galpão mal acondicionado pode facilmente exigir que as taxas mínimas de ventilação sejam aumentadas em 20%, ou mais, pelo fato de que o ar que entra não se aquece e seca adequadamente antes de baixar ao nível do chão. É, então, quando necessita-se mais ar fresco e úmido para secar a cama, que ar quente e seco.

Como resultado desta ampla possibilidade de variáveis, uma pessoa que cria uma tabela para sugerir uma taxa de ventilação mínima semanalmente, por ave e por peso de ave, necessita:

1

Calcular a quantidade média de água consumida pelas aves ao longo da semana, que vai variar dependendo da genética da ave, formulação da ração, clima, saúde das aves etc. A partir disso é necessário estimar quanta água foi retida pelas aves e quanta foi devolvida ao galpão em forma de ar e cama úmidos. Também é necessário estimar qual porcentagem de umidade foi agregada diretamente à cama pelo gotejamento dos bebedouros e desperdício pelas aves.

2

7

específicas e constantes para a semana/dia.

8

A temperatura e a umidade interior são uniformes em todo o galpão.

Suponha que o galpão está perfeitamente isolado e o sistema de controle ambiental funciona à perfeição.

Por cada 3,785 litros de propano queimado, agrega-se aproximadamente 3,023 litros de água a um galpão. Durante a produção, o sistema de calefação pode estar facilmente adicionando 20%, ou mais, de água que precisamos eliminar.

9

Assumir temperatura e umidade exterior

3

O ar fresco é introduzido uniformemente ao longo de todo o galpão.

específicas e constantes no galpão durante a semana/dia.

Ao variar a saída dos ventiladores +/- 10%, a taxa de ventilação mínima necessária pode variar +/- 10%.

O sistema de calefação não adiciona umidade ao galpão.

Assumir temperatura e umidade interior

Literalmente, dezenas de suposições feitas pelo criador de uma tabela de ventilação mínima, têm que ser corretas para que a mesma proporcione uma taxa de ventilação mínima precisa. O problema, certamente, é que o usuário não sabe quais suposições foram feitas para desenvolver a tabela e se as mesmas se aplicam à sua situação particular. A tabela foi desenvolvida assumindo que o galpão está na Alemanha, ou Alabama? Supunha-se que o galpão tinha um novo sistema de bebedouros, ou um sistema mais antigo? Foi desenvolvido considerando um galpão com cortinas, ou totalmente fechado? A lista continua.

9 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?

controle ambiental

6

A capacidade de movimento do ar dos ventiladores de ventilação mínima é conhecida com precisão.


Quanto mais variadas sejam as suposições do que realmente está ocorrendo em uma granja em particular, mais imprecisa será a taxa mínima de ventilação proporcionada pela tabela. E os custos adicionais de qualidade do ar / saúde das aves / calefação estarão distantes dos ideais. Se as tabelas de ventilação mínima são tão problemáticas, porque foram desenvolvidas?

controle ambiental

As tabelas de ventilação mínima não são um conceito novo. As primeiras tabelas popularizaram-se há mais de 40 anos, quando instalou-se pela primeira vez exaustores de ar em galpões ventilados de forma natural, como um método para controlar, com maior precisão, a quantidade de ar fresco que entra num galpão durante o clima frio. Muito antes disto, os engenheiros e cientistas sabiam que as taxas mínimas de ventilação deveriam ser baseadas, principalmente, nos níveis de umidade dos galpões. As pesquisas a respeito, ontem e hoje, demonstraram que quando a umidade está sob controle, as outras variáveis de qualidade do ar como o dióxido de carbono, a umidade da cama, o pó e o amoníaco, na grande maioria das vezes também estarão controladas.

A umidade relativa é simplesmente o melhor indicador geral da qualidade do ar.

Porém, no passado, medir a umidade era difícil e trabalhoso. Tratava-se de usar um psicrômetro para medir a temperatura do bulbo úmido e do bulbo seco, em seguida usando uma tabela para calcular a umidade relativa. Os medidores digitais de umidade eram extremamente caros e, como resultado, foram relegados aos laboratórios, não aos galpões avícolas. As tabelas de ventilação mínima foram desenvolvidas para proporcionar uma estimativa muito aproximada da quantidade de ventilação necessária para controlar a umidade e, portanto, a qualidade do ar. Proporcionaram aos avicultores um ponto de partida. Eram, em certo modo, um mal necessário, melhores que não fornecer nenhuma orientação a um avicultor sobre as taxas mínimas de ventilação.

10 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


Figura 1. Tabela de ventilação mínima (1983)

A Figura 1 ilustra uma tabela de ventilação mínima do início da década de 1980. Esta figura, em particular, tenta considerar a temperatura exterior ao proporcionar uma taxa de ventilação mínima, o que muitas tabelas modernas não fazem.

Indicadores de ventilação para produção de frangos CFM* por ave Temperatura Exterior 0C

Idade em dias

-1

1,6

4,4

7,2

10

12,7

15,5

0-7

0.05

0.05

0.05

0.05

0.05

0.06

0.07

8-14

0.08

0.08

0.09

0.09

0.10

0.12

0.14

15-21

0.13

0.13

0.14

0.15

0.16

0.19

0.24

22-28

0.19

0.20

0.21

0.22

0.25

0.31

0.40

29-35

0.28

0.29

0.31

0.34

0.38

0.48

0.66

36-42

0.33

0.35

0.37

0.41

0.47

0.58

0.78

43-49

0.38

0.41

0.44

0.48

0.56

0.48

0.90

50-56

0.43

0.46

0.50

0.56

0.64

0.78

1.02

57-63

0.48

0.52

0.56

0.63

0.73

0.88

1.14

As taxas de ventilação mínima indicadas tendem a ser mais baixas que as usadas hoje porque as aves cresciam de forma mais lenta e, como resultado, bebiam menos água (e comiam menos ração), especialmente em idades mais precoces, razão pela qual era necessário extrair menos água do galpão.

controle ambiental

*CFM = pés cúbicos minuto Deposi de tudo, não usamos uma tabela de tempo de execução de aquecedores para determinar quanto precisamos fazer funcionar nossa calefação. Medimos a temperatura por nossas sondas e nossa calefação funciona, consequentemente, em função das ordens enviadas pelo computador.

Por que continuamos usando tabelas para determinar nossas taxas mínimas de ventilação, quando os sensores digitais de umidade estão disponíveis para ajudar os produtores avícolas a determinar, com precisão, se estão ventilando o suficiente durante o clima frio?

Por isso temos que começar a pensar no controle da qualidade do ar da mesma forma, sabendo que a melhor medida do ar é a umidade. Devemos monitorar continuamente a umidade do galpão e, em seguida, fazer os ajustes necessários em nossos ventiladores de mínimas para manter o nível adequado de umidade.

Se a umidade é muito alta, no mínimo aumenta-se o tempo de funcionamento do ventilador. Se é muito baixa, o tempo de execução deve ser reduzido.

11 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


É REALMENTE SIMPLES ASSIM? Qual a umidade ideal para um galpão quando faz frio?

Os sensores de umidade são considerados, com muita frequência, um artigo de luxo. Mesmo que os sensores de umidade modernos sejam relativamente caros, em torno de 300 Euros, tendo provavelmente uma vida útil realista de apenas alguns anos, vale a pena realizar o investimento para nossas granjas avícolas.

Cerca de 50%. Porém, o ideal nem sempre é alcançável, econômico, ou para o caso que seja necessário.

controle ambiental

De fato, um sensor de umidade é muito barato, quando tido em termos de perdas econômicas, o que supõe um lote de aves doentes pela má qualidade do ar, ou simplesmente uma conta de energia elétrica elevada devido à sobreventilação de um galpão avícola.

De fato, reconhece-se, geralmente, que a faixa aceitável está entre 30 e 70%.

Além disso, um galpão típico pode ter seis, ou mais sensores de temperatura que, no total, custam muito mais que um sensor de umidade. Poucos produtores poderiam manusear, adequadamente, o ambiente do galpão e/ou custos de calefação sem que os sensores de temperatura lhes diga o que está ocorrendo em sua própria instalação. O mesmo ocorre quando trata-se de ter um sensor de umidade que ajuda a manejar a saúde e o bem-estar das aves.

Da mesma forma que no caso da temperatura do galpão, o objetivo preciso de umidade é discutível e pode variar de uma granja a outra, do momento do lote. No entanto, o que é realmente discutível é que, se queremos controlar a qualidade do ar, os produtores necessitam ter uma forma de medí-lo objetivamente. Sendo a umidade o que os produtores deveriam estar medindo e tentando controlar. A gestão da qualidade do ar com o uso de um sensor de umidade é bastante simples. Durante o pré-aquecimento o produtor proporcionaria uma taxa de ventilação mínima de cerca de 0,05 m3/seg por 1000 pintinhos a colocar no galpão. Isto deve ser visto como um ponto de partida. Esta taxa de ventilação também deveria ajudar a eliminar o excesso de umidade que emana da cama, como o produzido pela combustão do propano/gas natural. Além disso, é preciso ar fresco para reduzir a acumulação de dióxido de carbono produzida pelo sistema de calefação.

12 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


Começando o dia depois de o sistema de calefação ser ligado, as taxas mínimas de ventilação devem ser baseadas no que realmente está ocorrendo no galpão, especificamente nos níveis de umidade.

De manhã cedo deve-se comprovar a umidade relativa porque é quando tende a ser mais alta e, como resultado, a qualidade do ar tende a ser pior.

Os gerentes de produção (os que checam os dados do computador) devem buscar tendências. A umidade aumenta, diminui, ou é estável?

Se a umidade está entre 40 e 60%, sendo estável, provavelmente não seja necessário realizar mudanças no tempo de funcionamento mínimo do ventilador. Porém, se o nível de umidade tende a subir, alcançando 60%, deve-se aumentar as taxas mínimas de ventilação. Quanto mais rápido reaja um gerente ante o aumento da umidade, menor será o aumento necessário para alcançar a taxa de ventilação mínima.

controle ambiental

O ideal é que esta medição seja registrada todos os dias em papel quadriculado.

É importante ter em conta que, às vezes, as taxas mínimas de ventilação podem diminuir sem prejudicar a qualidade do ar. Por exemplo, se os níveis de umidade diminuem devido às mudanças no clima, é perfeitamente aceitável reduzir as taxas mínimas de ventilação. Uma vez mais, não é muito diferente de controlar a temperatura do galpão. Se o galpão está muito quente/úmido deve-se aumentar as taxas de ventilação. Se faz muito frio/seco, as taxas de ventilação podem ser diminuídas. À medida que as aves crescem, tenderá a ser mais difícil controlar a umidade relativa e, como resultado, os níveis mais altos (ou seja, 70%) são considerados muitas vezes aceitáveis.

13 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


O QUE HÁ DE DIÓXIDO DE CARBONO?

O fato é que uma tabela de ventilação mínima desenvolvida para controlar a umidade, não garante que mantenha-se a concentração desejada de dióxido de carbono. Igual ao caso do controle da umidade, tem-se um objetivo específico de concentração de dióxido de carbono. A única maneira de garantir que esse objetivo se cumpra é medindo-o de forma contínua.

controle ambiental

É quase impossível desenvolver uma tabela de ventilação mínima para controlar com precisão o dióxido de carbono porque, durante o clima frio, parte do dióxido de carbono é normalmente produzido pelo sistema de calefação do galpão, sendo que o tempo de funcionamento do mesmo varia muito de um galpão a outro, de uma granja a outra, ou de um dia a outro.

Dito isto, na maioria dos casos, mantendo-se os níveis adequados de umidade, as concentrações de dióxido de carbono não tendem a ser problemáticas. É realmente bastante simples. Se quer aves produtivas e saudáveis, guarde a tabela de ventilação e instale um sensor de umidade.

É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima? BAIXE EM PDF

Mantenha o controle da umidade como você controla a temperatura, ajustando o tempo mínimo de funcionamento da ventilação com base no que realmente está ocorrendo no seu galpão e não em tabelas teóricas antiquadas.

14 aviNews Brasil março 2020 | É hora de se desfazer das tabelas de ventilação mínima?


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COMO A SALMONELLA SE ADAPTA E SOBREVIVE NO FRANGO E NO AMBIENTE Profa. Dra. Anderlise Borsoi

Universidade Tuiuti do Paraná - UTP Curitiba /PR - Brasil Focar em Salmonella nos frangos de corte sempre é importante, já que há perdas econômicas quando frangos positivos para salmonelas chegam à planta de abate. As perdas também são contabilizadas pelo produtor com custos adicionais na limpeza e desinfecção dos galpões.

patologia

A

s salmonelas põem em risco a saúde do ser humano e também a saúde e o desempenho das aves. Salmonelas paratíficas estão amplamente distribuídas na natureza e são resistentes ao meio ambiente, podendo sobreviver semanas e até meses fora das aves.

O presente artigo aborda a resistência da salmonela nas aves e meio ambiente, particularizando características de alguns sorovares. Talvez esses elementos sejam importantes para entender porque, com tudo o que se faz, ainda se tem salmonela na produção.

17 aviNews Brasil Março 2020 | Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente


Salmonella & resistência ao ambiente Os diferentes fatores estressantes (Figura 1) promovem mudanças na biologia das células bacterianas, o que permite modificações nas características fisiológicas conhecidas para cada gênero e determina uma maior resistência à ave e ao ambiente. Isso também ocorre em salmonelas. Figura 1: Representação da dinâmica da sobrevivência de salmonelas em situações de estresse. Células planctónicas

ácidos

Proteínas da membrana

compostos de plantas

desinfetantes

ESTRESSE ANTIMICROBIANO

MORTE OU SOBREVIVÊNCIA AO ESTRESSE

ácidos graxos da membrana

SOBREVIVÊNCIA AO FRIO

A salmonela é considerada uma bactéria mesófila, se desenvolvendo em ampla faixa de temperatura. A sobrevivência ao calor deve-se, geneticamente, aos fatores Sigma, que podem detectar alterações na membrana externa e ativar genes em resposta ao estresse térmico, para que as bactérias se adaptem a altas temperaturas. Particularmente, a resistência ao estresse térmico é muito conhecida na Salmonella ser. Senftenberg, que tem alta resistência ao calor, com uma termotolerância aproximadamente 30 vezes maior que a Salmonella ser. Typhimurium.

TOLERÂNCIA AO ESTRESSE ANTIMICROBIANO

RESISTÊNCIA CRUZADA A OUTROS TIPOS DE ESTRESSE VIRULÊNCIA

Células de biofilme

SOBREVIVÊNCIA AO CALOR

patologia

hidrofobicidade da superfície Proteínas estabilizadoras rpoS

Quanto ao frio, a salmonela utiliza proteínas de choque frio (CSP) como resposta à rápida adaptação às reduções da temperatura ambiental. Estas proteínas se desenvolvem durante a fase de aclimatação de 30oC a 10oC. Foram realizados muitos estudos sobre a capacidade da Salmonella em aumentar sua taxa de sobrevivência, expressando CSPs quando tratadas a baixa temperatura (5oC a 10oC) antes do congelamento.Comprovou-se que a Salmonella ser. Enteritidis pode sobreviver em partes do frango a 2oC e na casca de ovos a 4oC, enquanto a Salmonella ser. Typhimurium sobrevive no frango picado a 2oC.

18 aviNews Brasil Março 2020 | Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente


É interessante compreender que as salmonelas que são expostas a ambientes ácidos, com pH 5.5 a 6.0, podem apresentar posterior tolerância aos ácidos (ATR), que aumenta o potencial de sobrevivência em ambientes extremamente ácidos (pH 3.0 a 4.0). Alguns dados sobre os sorovares de salmonelas e dos ácidos citam que os isolamentos de Salmonella ser. Kentucky de carcaças de frango apresentaram maior sensibilidade ao ácido (pH 5.5) em comparação a outros sorovares de Salmonella (ser. Enteritidis, ser. Mbandaka e ser. Typhimurium). Na adaptação ao estresse em meio ácido, há implicação de genes de virulência. Descreveu-se que a virulência pode ser ativada pelo estresse do ácido acético, por exemplo, com a expressão de genes da virulência em resposta ao pH e isso foi demonstrado para diferentes sorovares de Salmonella (ser. Typhimurium, ser. Senftenberg, ser. Heidelberg, ser. Mbandanka, ser. Montevideo e ser. Infantis). Sobre o descrito, acredita-se que a Salmonella tem um potencial aumento da virulência nas infecções das aves, induzida pela sobrevivência aos estresses ácido e calórico.

Ainda neste tema de resistência das salmonelas na produção de aves, é importante considerar que a sobrevivência das salmonelas no meio ambiente pode ter outro fator envolvido, a atividade da água (aw), que para o crescimento da maioria das bactérias, incluída a Salmonella, deve ser alta. Se a aw é baixa, mas não suficiente para matar as salmonelas, pode ocorrer o fenômeno de dessecação das células bacterianas. As salmonelas podem estar expostas ao estresse da dessecação por inúmeros fatores presentes no ambiente das aves, como poeira, fezes secas e equipamentos que, inclusive após os procedimentos de limpeza e desinfecção, podem expor a Salmonella à dessecação e sobrevivência.

Nos diferentes sorovares das salmonelas, descobriu-se que as cepas de Salmonella ser. Enteritidis, Salmonella ser. Typhimurium e Salmonella ser. Mbandaka são mais tolerantes à dessecação.

patologia

Outro fator interessante que pode interferir na resistência de salmonelas é o pH baixo. A respeito de condições ácidas, as salmonelas infectam as aves principalmente via oral, chegando ao papo com pH de 4 a 5. Ao produzir-se uma adaptação a este pH, a Salmonella pode sobreviver e se adaptar a um pH mais ácido e, portanto, sobreviver aos efeitos antibacterianos do pH do trato digestivo. Os genes que conferem resistência aos ácidos atuam nas células bacterianas aumentando a resistência ao baixo pH e aumentando a sobrevivência dentro dos macrófagos. Assim, as salmonelas podem permanecer mais tempo infectando as aves.

Em termos práticos está comprovado que as células de salmonelas adaptadas à dessecação, em cama de frango reutilizada, apresentaram maior resistência térmica. A temperatura é muito efetiva na inativação das bactérias indesejáveis. No entanto, para obter um efeito inibitório satisfatório sobre organismos indesejáveis deve-se considerar a temperatura e tempo de exposição, assim como aw, pH e amoníaco no manejo nos diferentes tratamentos para reutilização da cama de frango.

19 aviNews Brasil Março 2020 | Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente


Salmonella & Biofilme Além da atual resistência das salmonelas ao calor, frio, pH e dessecação, elas podem apresentar capacidade de formação de biofilme. Essa formação permite que as salmonelas permaneçam nos diferentes ambientes da produção avícola, porque favorece a resistência e persistência bacteriana, inclusive em ambientes hostís como plantas de processamento de aves e plantas de processamento de ração.

patologia

Existem várias definições de biofilme, porém pode-se dizer que é um conjunto de células microbianas que aderem irreversivelmente (e não são eliminadas facilmente através de uma lavagem leve) a uma superfície do material, principalmente, do material de polissacarídeos. Os organismos associados com o biofilme também diferem de suas formas planctônicas em relação aos genes que se transcrevem. As células em estado de biolfilme na natureza, geralmente persistem em algumas superfícies e não são tão puras como em estado não aderido. Neste contexto, as células bacterianas em um biofilme têm a capacidade de intercambiar componentes genéticos a um ritmo maior, podendo facilitar a aquisição de novos genes para a virulência e resistência ambiental.

As bactérias produtoras de biofilme, como a Salmonella, podem ser uma ameaça grave para a saúde pública devido à possibilidade de que microorganismos patógenos derivados dos biofilmes cheguem a contaminar produtos alimentares.

A formação do biofilme aumenta a capacidade das bactérias patógenas de sobreviver aos fatores estressantes que normalmente se encontram nas plantas de processamento de ração, ou durante a infecção no hospedeiro. Os estudos com formação de biofilme comprovam que, quando as bactérias são expostas a hormônios liberados pelo animal durante a situação de estresse (catecolaminas), elas podem modificar sua capacidade de virulência para formar biofilme. O estresse ocorre nos frangos por diferentes causas, em diferentes momentos, como por exemplo temperaturas extremas, restrições de alimento e/ou água, vacinação, grande densidade e exposição a agentes infecciosos. Neste sentido, em um de nossos estudos conduzido por Hiller e colegas (2019), foi avaliada a influência das catecolaminas na formação de biofilmes em Salmonella ser. Enteritidis. Entre as catecolaminas estudadas, a noradrenalina pareceu ser mais eficiente para estimular a formação de biofilmes em amostras de Salmonella ser. Enteritidis a 12°C. Em outro de nossos estudos, a maior aderência de Salmonella à superfície foi demonstrada quando expostas as cepas de Salmonella ser. Heidelberg à indução ácida (Lucca, et al. 2020). Além disso, o aumento da resistência à ação dos desinfetantes foi detectado nas salmonelas em biofilme e, ainda, os biofilmes também conferem resistência aos antibióticos.

20 aviNews Brasil Março 2020 | Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente


CONTROLE E ELIMINAÇÃO DO BIOFILME

Outro estudo comprova que, ainda que se tenha observado forte efeito do triclosan (1000 ug/ml) nas células da fase logarítmica, apenas encontrou-se efeito fraco nas células associadas a biofilme (o triclosan foi avaliado pelo Comitê Científico de Alimentos e Autoridade Europeia de Segurança Alimentar para uso em materiais em contato com alimentos, classificado com uma restrição de 5mg/kg de alimento; esta avaliação considerou o uso de triclosan como biocida de superfície). No entanto, um exemplo demonstra que salmonelas em biofilme adaptadas ao cloreto de benzalcônio, ante a exposição a concentrações sub inibitória durante certo período de tempo, adquiriram a capacidade de sobreviver a uma exposição normalmente letal deste desinfetante. Uma estratégia para prevenir a indução da adaptação bacteriana a desinfetantes dentro de estruturas biofilme poderia ser aumentar substancialmente a concentração do agente antimicrobiano. No entanto, esta abordagem poderia não garantir a erradicação do biofilme e seria custoso, além de não respeitoso ao meio ambiente. Uma vez que o biofilme já está estabelecido, deve-se fazer o uso de processos de limpeza que utilizam ação mecânica, que são uma das medidas mais efetivas para o seu controle, ou eliminação, já que a fricção produz a ruptura da matriz, expondo camadas mais profundas e produzindo microorganismos livres para a ação dos produtos.

Considerações finais É possível observar que as salmonelas podem ser desafiadas a tornarem-se resistentes, quer seja pela ativação de genes de resistência ao estresse, genes de virulência, ou através da formação de biofilme. A habilidade das salmonelas para suportar os diferentes desafios, na maioria das vezes, são induzidas pelo homem. Quando os processos de controle não são realizados adequadamente, as céluas de salmonelas podem sobreviver, desenvolver resistência e permanecer no ambiente de produção. É plausível destacar que, na produção avícola moderna, o que potencialmente permite a permanência e o aumento da resistência das salmonelas no campo e nas plantas de processamento, são principalmente:

patologia

Provou-se que biofilme de Salmonella em superfícies de plástico, cimento e aço inoxidável são muito mais resistentes aos desinfetantes cloro e iodo, em comparação com as células planctónicas.

Falhas na higiene dos equipamentos e instalações Manejo de cama ineficiente Tratamento térmico ineficiente de rações Uso imprudente de antibióticos Manejo das aves sob estresse É necessário prestar atenção e melhorar os processos de manejo e biosseguridade para diminuir a resistência de salmonelas ao meio ambiente e conseguir reduzir a incidência na indústria avícola.

Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente

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21 aviNews Brasil Março 2020 | Como a Salmonella se adapta e sobrevive no frango e no ambiente


A FLEXIBILIDADE QUE VOCÊ QUER COM A PROTEÇÃO E TECNOLOGIA QUE VOCÊ PRECISA.

abcd aviNews Brasil Março 2020 | Imunopatologia da bolsa de fabricius com ênfase na doença de gumboro


IMUNOPATOLOGIA

DA BOLSA DE FABRICIUS

COM ÊNFASE NA DOENÇA DE GUMBORO

patologia

Edson Luiz Bordin, MV Patologista

Vamos rever o sistema imune das aves, e sua maior ameaça, ou seja, a doença de Gumboro; sua imunopatologia, e as lesões advindas da “agressão”vacinal além de alguns pontos não muito considerados, quando o assunto é discutido.

O

sistema imune é estratégico. A demanda por eficiência imune resulta da pressão ambiental, incluindo falha na biosseguridade e redução de uso dos antibióticos. Isso requer efetivos estímulos à resposta imune individual do animal, ou do rebanho, ao mesmo tempo com que se adéqua o galpão às cepas vacinais.

O birnavírus causador da doença de Gumboro, não é o único que compromete a bursa de Fabricius e outros órgãos linfóides, porém é o mais importante, até pela resistência do mesmo e sua capacidade de contaminar as instalações, notadamente em face do hábito de reuso da “cama”, além da sua infecciosidade, patotipagem e mutabilidade (novas variantes). Isso requer vigilância total dos produtores de vacina e monitoramento de campo.

23 aviNews Brasil Março 2020 | Imunopatologia da bolsa de fabricius com ênfase na doença de gumboro


A IMUNOPATOLOGIA MORFOLOGIA / HISTOLOGIA As células que compõem a bursa de Fabricius, são linfócitos B adultos ou imaturos que apresentam receptor IgM , e em menor proporção, células T, macrófagos, células dendriticas, além dos estromas epitelial e conjuntivo do órgão e o substrato vascular. O tecido linfóide se distribui pelo organismo, como na cavidade nasal, esôfago cervical e torácico, pró- ventrículo, placas de Peyer, tonsilas cecais, reto, além de timo, baço, fígado, entre outros.

patologia

Estão sempre presentes células dendriticas, células B e células T, e dependendo do folículo, o predomínio é de células B e por vezes, células T. O contato com o antígeno regula o desenvolvimento desses núcleos germinativos, notadamente no GALT. Os órgãos primários, como a bursa de Fabricius e o timo ( células B e T, respectivamente), atrofiam com respectivamente 16 -e 17 ou mais semanas, e o tecido linfóide secundário, se encarrega de toda a reação imune. O intestino é o maior tecido linfóide com milhares de conglomerados intra epiteliais e centenas de placas de Peyer (entre 200 a 300), além das tonsilas cecais.

A saúde das aves depende desses parênquimas. Alguns agentes possuem tropismo por eles, como o birnavírus, que afeta células B imaturas e em divisão, e o gyrovírus que afeta as células T, causando a anemia infecciosa aviária. Outros, como o vírus causador da doença de Newcastle, e algumas bactérias e toxinas, lesionam o tecido. Na DG aguda, em animais entre 2 a 6 semanas, há inflamação “bursal” e severa depleção linfóide (necrose). A mortalidade varia de 20 a 30%, e macroscopicamente ocorre edema do órgão, e com a continuidade, depleção e atrofia. O edema eleva seu peso a 6 g; perdura por 3 dias, com atrofia após 3-5 dias. Interessantemente há produção de anticorpos, a partir de células B maturas, multilocadas. Essas células resistem mais ao vírus que as imaturas. O título da a.c, chega a 1: 1000. Essa patologia ocorre após declínio dos anticorpos passivos. A histopatologia mostra depleção a partir da medular dos folículos, com necrose linfóide e edema inflamatório, além de característica infiltração heterofílica. Posteriormente os folículos retraem, com hipoplasia e atrofia, além de fibroplastia interfolicular,acompanhado de infiltração macrofágica nas regiões centrais. Ocorre formação pseudocística. A lesão regenera desde que se mantenha íntegra a membrana basal, a qual é revestida por células dendriticas ativantes de genes responsáveis pela clonagem de células B. Esse fenômeno foi bem caracterizado por Ivan; J ( 2001) usando como marcador, o carboidrato de Lewis, que indica a conversão gênica. Isso relativiza bastante a bursometria e sua interpretação.

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Imagem 1. Cinética da infecção (PI) Abdul R ( 2011)

PID 3 PID 5 PID 7 5 4

d

g

b

e

h

c

f

i

PID 3 PID 5 PID 7

*

3 2 1 0

cIBDV

a

4 h PI : Ingestão oral, eventualmente respiratória, com presença em macrófagos e células B nos cecos e tonsilas

B

Lesion Score

vIBDV

virus free

vIBDV Infected

cIBDV Infected

A forma clássica de DG, vem sendo substituída por aquelas devidas às variantes virais ( vvIBDV). Nessas, se observa uma rápida imunodepressão, com elevados índices de mortalidade, ocorrendo mais precocemente, e rompendo as defesas passivas com facilidade. A característica lesão bursal aguda e a fase clinica, podem não ser percebidas. As variantes dependem da região, e a patotipagem varia. Essas variantes levaram às novas vacinas, programas e monitoramentos. Cepas suaves, intermediárias, intermediárias plus e quentes, estão ligadas ao nome do pesquisador que a descreveu, como Lukert, Winterfield etc, ou indicações alfanuméricas como D78, V 877 etc. Essas denominações, são confusas, e já foi proposto um novo sistema para designar esses isolados ( Jackwood, DJ; 2018)

5 h PI : Presença nas células B do duodeno e jejuno ( placas de Peyer) e fígado Após 5 h PI: Viremia primária e chegada à bolsa, seguido por viremia secundária em conglomerados linfóides em outros órgãos. Na bursa de Fabricius e no baço é onde o vírus atinge sua concentração máxima.

patologia

Virus Free

A

De acordo com Abdul R ( 2011); o vírus permanece na bursa por 21 dias, sendo baixíssima a concentração em outros tecidos. O vírus permanece na “cama” dos frangos e na poeira por 60 e 28 dias respectivamente, requerendo a investigação da sobrevivência das cepas vacinais, importante no controle epidemiológico.

Resumindo, o birnavírus afeta células B com receptor IgM em fase de divisão. Já as células T são totalmente refratárias e importantes na inflamação e controle viral. Assim, como resultado da divisão viral nessas últimas, há inflamação, necrose/apoptose e depleção. Essa lesão é também produto de cepas vacinais, como as intermediárias plus por exemplo. As lesões refletem o “take” da vacina, que guarda relação com os anticorpos passivos. O anticorpo ativo se produz nos núcleos germinativos.

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ENVOLVIMENTO DAS CÉLULAS NA RESPOSTA IMUNE/INFLAMATÓRIA E ADAPTATIVA

patologia

1

2

Macrófagos e APCs (células apresentadoras de antígenos) : Fagocitose e reconhecimento antigênico. Contatam o agente infeccioso ou vacinal. A partir delas sobrevém uma cascata de informações. Para tal, por influência dos genes inflamatórios, reguladores e outros, liberam citoquinas como a IL1 (alvo células Th 2 e células B) , IL8 (alvo células T e neutrófilos), a IL12 que tem como alvo os linfócitos TH1 e células NK (“neutral killers”), a IL 18 (alvo, linfócitos TH1), sem contar o TNF ( fator de necrose tumoral).

Linfócitos T , CD4 e o CD8 , sendo que após a ativação pelos macrófagos e APCs o CD4 acaba se diferenciando em “helpers TH2 . Existem dois ramos da resposta imune, a celular (TH1) e a humoral (TH2). O ideal é que ambas sejam estimuladas. Esses linfócitos T, quando ativados elaboram interleucinas, entre inflamatórias e não inflamatórias. A rigor o TH1 libera as IL1, IL3, IL15, IL17, com várias células alvo entre macrófagos e outras. Já o TH2 libera as interleucinas, IL3, IL4, IL5, IL9, IL10, IL13, basicamente com os mesmos alvos. A tendência é sempre o equilíbrio entre essas interleucinas e suas funções. Por exemplo, a interleucina não inflamatória, como a IL10, contrabalança os efeitos da IL12, nitidamente inflamatória. Nas avaliações laboratoriais, em geral usando ELISA ou biologia molecular, as IL6, IL18, IL8, IL12, IL1, IFN gama, são essencialmente inflamatórios. As células T ativadas também produzem proteínas líticas, como as perforinas. que participam da necrose das células B infectadas.

3

Células B, ou são estimuladas pelas células T como vimos acima, ou interagem diretamente com o antígeno, levando a formação de anticorpos, após a ativação dos linfócitos T nos núcleos germinativos, como os do baço, principalmente. Produzem, evidentemente uma maior concentração de interleucinas não inflamatória, com as IL10 e IL14.

Por outro lado o linfócito T CD8 é toxigênico para células que albergam antígenos, principalmente virais, e as células NK ( neutral killers), um tipo de linfócito, intervém quando os outros mecanismos de “limpeza”falham, e não são capazes de reconhecer células infectadas. Essas células também dependem de interleucinas. O acima exposto é uma noção do processo de resposta, e a abordagem de todos os mecanismos imune escapam ao objetivo dessa revisão. Tampouco se mencionou a maneira pela qual os macrófagos e células apresentadoras de antígenos contatam com os diversos agentes patogênicos antes de iniciar a cascata “imunidade inata/adquirida”. Nessas células existem dezenas de receptores capazes de reconhecerem antígenos (TLRs), e no caso do birnavirus, principalmente o TLR 3. Importantes são também alguns receptores de globulinas (FCyR), envolvidos na ligação com os imunocomplexos. Na bibliografia se incluem algumas referências que podem ser úteis a quem quiser se aprofundar.

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A IMUNOPATOLOGIA DAS CEPAS VACINAIS imunocomplexo, (exemplo, a cepa V877), não são convencionais. Nelas há uma combinação entre um volume de vírus atenuado, com o volume exato do anticorpo neutralizante pré elaborado.

O vírus vacinal, quando inativo não se multiplica no ambiente. O mesmo para as vacinas vetorizadas.

Esse conjunto se liga a receptores de globulinas FcRs , mais propriamente o receptor FCy-CHIR-AB1, que está disposto, em grande quantidade em neutrófilo, linfócitos e principalmente macrófagos e células dendriticas foliculares, nos núcleos germinativos, auxiliado pelo complemento C3 presente no soro.

O vírus atenuado, além de quebrar a barreira dos anticorpos maternais, coloniza a bursa de Fabricius e o ambiente. Quanto maior a atenuação do vírus, menos ele rompe anticorpos passivos e menor é a capacidade de multiplicação. As vacinas de

patologia

Os anticorpos maternais protegem por 3 semanas. A IgY se origina do contato entre as aves com o vírus a campo ou vacinal. O pico de anticorpos, na imunidade ativa, se situa entre 3 a 5 semanas.

O ICX resiste aos anticorpos maternais. O anticorpo conjugado previne a ação do anticorpo passivo por semanas, o que permite a baixa de título do a.c passivo. Assim, se protege o antígeno vacinal imunocomplexado ( icossoma). Parte do vírus vacinal liberado, multiplica, e as lesões bursais em função disso. No entanto, a produção de anticorpos de alta afinidade e clonagem de células T e B diferenciadas ocorrem a partir da interação ICX/células dendriticas foliculares nos núcleos germinativos, como o esplênico, que são anteriores às lesões bursais. No entender do autor, as lesões bursais, indicam apenas o “take” da vacina e não guarda relação com a produção de anticorpos.

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Imagem 2: Bolsa de aves vacinadas exibindo hipoplasia folicular e retração folicular com aproximadamente 14 dias após vacinação

patologia

Imagem 3: Bolsa de aves vacinadas, exibindo total repopulação linfoide Aproximadamente 28 dias após.

Vantagens potenciais advindas do uso dessa tecnologia ( Haddad E.E; 2016): 1

2

3

Maior tempo de exposição do antígeno aos diversos efetores imunes, como as células dendriticas foliculares, células B e células T (Imunidade ativa e adaptativa)

Proteção acentuada contra os anticorpos passivos

A imunidade, decorre da estimulação das células B que predominam nas áreas de células dendriticas foliculares nos núcleos germinativos, seguidas pela ativação das mesmas pelas células T . A mutação e clonagem das células B as diferenciam como produtoras de anticorpos de elevada afinidade e pela produção de células de memória.

4

5

A multiplicação do vírus vacinal auxilia a mudar o padrão da população viral do galpão

O tipo de imunoglobulina produzida com uma vacina ICX tende a ter mais afinidade do que o obtido a partir de vírus livre

O autor chama a atenção quanto à excelência do arsenal vacinal que se dispõem no Brasil, mas também à necessidade de monitoramento efetivo de uso e a perfeita caracterização da sobrevivência das cepas vacinais no ambiente.

Imunopatologia da bolsa de fabricius com ênfase na doença de gumboro

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ALIMENTAÇÃO PERINATAL EM PINTINHOS NUTRIÇÃO IN OVO PARTE I

Alfred Blanch Consultor na Addimus

O

nutrição

s pintinhos são animais precoces e buscam alimento imediatamente após seu nascimento, dando início ao crescimento desde o momento zero de sua vida.

No entando, como demonstrado na Figura 1, na incubadora os ovos de uma mesma bandeja podem eclodir em um espaço de tempo de até 48 horas, tempo durante o qual os pintinhos que nasceram antes ficam

Figura 1. Curva de eclosão: eclosão precoce, média e tardia (Wang y col, 2014) -2σ

μ

σ

Temprana Media

60

sem acesso a alimentação durante horas.

Tardía

50

Pollitas eclosionadas

40

30

Media= 26 (h) Desviación estándar=7 (h) N=469

20

10

0

0

12

24

36 48 Tiempo de eclosión (h)

60

30 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo

72

A eclosão precoce significa, portanto, uma desvantagem devido ao período prolongado de jejum e desidratação que pode gerar.


Além da janela de nascimento —espaço de tempo durante o qual completa-se a eclosão de todos os ovos -, o manejo dos animais na planta de incubação (ex. sexagem, classificação, vacinação etc.) e o transporte até a granja implicam um novo período de espera, no qual os pintinhos continuarão perdendo peso devido à desidratação, assim como à utilização da gema e músculo. Os pintinhos, normalmente, podem ser retidos,

72 h dependendo dos fatores mencionados, até 72 horas antes do primeiro acesso ao alimento e água, produzindo certos efeitos negativos:

Atraso no desenvolvimento do trato gastrointestinal

nutrição

Perda de peso

Todos esses efeitos conduzirão a um prejuízo irreversível do rendimento produtivo e retardo do crescimento até o abate.

Demora no desenvolvimento do sistema imunológico Maior suscetibilidade a determinados patógenos

No presente trabalho, são revisadas diversas estratégias na fase da alimentação perinatal dos pintinhos, com o objetivo de minimizar os efeitos negativos da postergação do acesso ao alimento durante os primeiros dias de vida.

Parte I

Hoje, esses efeitos são ainda mais pronunciados já que as linhagens modernas de frango de corte caracterizam-se por uma taxa metabólica elevada, em comparação com as linhagens de alguns anos atrás.

Nesta primeira parte do trabalho é abordada a importância do período perinatal no desenvolvimento intestinal e imunológico do pintinho, assim como os avanços na alimentação in ovo dos embriões.

31 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo


Importância da alimentação perinatal Estratégias de alimentação durante o período perinatal

Atualmente, os frangos de corte alcançam o peso de abate antes que há uns anos, representando, o período de incubação mais a

Alimentação do embrião (inoculação in ovo)

primeira semana de vida, uma grande parte de toda sua vida.

Alimentação na incubadora imediatamente após a eclosão

Os processos que ocorram durante o preríodo perinatal - exatamente antes da eclosão e durante os primeiros dias de vida - terão um grande impacto sobre o crescimento do frango ao longo de toda sua vida.

Alimentação durante o transporte à granja Ração pre-starter para os primeiros dias na granja

nutrição

Altas taxas de crescimento As altas taxas de crescimento (>70 g/dia em média) de hoje exigem uma reavaliação dos aportes de nutrientes durante o período perinatal. Cada grama de peso adicional aos 7 dias de idade se traduz em 5g de peso corporal extra no dia 49 —Leeson e Summers, 2001—. Portanto, um atraso na alimentação nos primeiros dias de vida reduzirá o peso corporal final.

Alimentação do embrião — in ovo

O período perinatal é crítico para o desenvolvimento intestinal. Quanto antes se complete o referido desenvolvimento, mais rapidamente o pintinho poderá utilizar os nutrientes da dieta, alcançando seu potencial de crescimento genético, ao mesmo tempo que estabelece um sólido sistema imune.

Hoje existe um método de alimentação do embrião a partir da inoculação de nutrientes no líquido amniótico do ovo, na última fase do desenvolvimento embrionário. Mesmo que ainda não exista um marco normativo que o regule na União Europeia, em outros países grandes produtores de carne de frango, como Estados Unidos, ou Brasil, trata-se de uma prática em crescimento. Será questão de tempo para que a alimentação in ovo acabe se introduzindo, também, na Europa.

32 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo


no ovo, o futuro pintinho começou a ingerir líquido amniótico, no qual estão os nutrientes inoculados, que chegarão sem

Shafey e col. (2014) incularam uma mescla de lisina, arginina, glutamina, glicina e prolina em ovos com 15 dias de incubação e observaram, não apenas um aumento significaivo do peso do embrião em relação ao peso total do ovo, comparado com o grupo controle, como também melhoras significativas no rendimento produtivo dos frangos durante as três primeiras semanas de vida.

problema algum ao intestino embrionário.

16 días

Figura 2. Alimentação in ovo Na Figura 2, apresenta-se, graficamente, o método de alimentação in ovo. Por esta metodolgia pode-se incluir diversos suplementos nutricionais.

De forma similar, Coşkun e col. (2014) demonstraram o efeito positivo da inoculação de DL-metionina no líquido amniótico aos 16 dias de incubação, observando melhor peso relativo do pintinho em relação ao peso total do ovo (72,7%) no grupo inoculado, comparado com o grupo controle (70%). nutrição

Inoculação de nutrientes no ovo

Alimentação in ovo com aminoácidos

No momento da inoculação de nutrientes

Resultados similares haviam sido obtidos por Kadam e col (2009), que observaram efeito positivo da injeção in ovo de treonina sobre o peso dos pintinhos na eclosão. Mais recentemente, Kermanshahi e col. (2017) indicaram que a inoculação de treonina em ovos de codorna resulta em um aumento do comprimento e da área de superfície das vilosidades intestinais nos pintinhos recém-nascidos.

De especial interesse é a inoculação in ovo de arginina, que pode ser utilizada para a síntese de outros aminoácidos, além de ser um aminoácido glicêmico

Inoculação de arginina A arginina participa em diversas vias metabólicas que produzem uma série de compostos biologicamente ativos, os quais também contribuem para maximizar o potencial de desenvolvimento do embrião, estimulando a secreção de hormônios de crescimento (Kusharska-Gaca e col., 2017). Atualmente, o efeito da inoculação in ovo de arginina sobre o desenvolvimento embrionário e rendimento produivo dos pintinhos eclodidos está sendo motivo de diversos estudos (Yu e col, 2018; Gao e col, 2018 a,b). O efeito positivo da inoculação de arginina em ovos com 17,5 dias de incubação, sobre o desenvolvimento do trato grastrointestinal dos pintinhos durante a primeira semana de vida e sobre a morfologia das vilosidades intestinais foi, recentemente, comprovado por Gao e col (2018a), como demonstrado na Figura 3.

33 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo


Figura 3. Efeito da inoculação de arginina in ovo sobre o quociente entre altura de vilosidades e profundidade das criptas duodenais durante a primeira semana de vida dos pintinhos (Gao e col, 2018a) Arginina in ovo

Control

9,32a

Cociente altura vellosidades (μm)/profundidad criptas

10

8,19a

8 6

4,92b

7,81a

3,73b

4

Arginina in ovo

2319,8a

2300

0 3 Días de vida

Control

2500 2400

5b

2 1

Figura 4. Efeito da inoculação de arginina in ovo aos 17,5 dias de incubação sobre o peso dos frangos aos 42 dias de vida (Gao e col., 2018b)

7

Letras diferentes junto a valores de um mesmo dia de vida indicam diferenças significativas (p<0.001)

2206,8b

2200 2100 2000

nutrição

Diferentes letras indicam diferenças significativas (p<0.001)

No entanto, esta fonte natural de glicose

Gao e col., 2018b demonstraram que o efeito positivo da inoculação in ovo de arginina prolonga-se até o final da engorda dos frangos, como observa-se na Figura 4. A inoculação de aminoácidos nos últimos estágios da incubação tem efeito positivo sobre o crescimento dos órgãos linfoides como observaram Gaafar e col. (2013), contribuindo ao estabelecimento de um sólido sistema imune em período perinatal.

não cobre as necessidades metabólicas do embrião em suas últimas fases de desenvolvimento, tendo que recorrer à gliconeogênese a partir dos lipídeos, ou proteínas disponíveis e, consequentemente, comprometendo o crescimento do embrião. Tal como indicam em sua recente revisão, Kucharska-Gaca e col. (2017), a administração de diferentes tipos de carboidratos (glicose, sacarose, maltose, dextrina) in ovo, no amnios, indubitavelmente aumenta o nível de disponibilidade de energia para o embrião e reduz o

Alimentação in ovo com açúcares O rápido crescimento do embrião está associado a uma grande demanda de energia. A glicose é armazenada nos embriões,

consumo de energia do metabolismo de proteínas e lipídeos. No entanto, Zhai e col. (2011) recomendam não inocular frutose, porque em comparação com outros carboidratos, diminui o peso corporal dos pintinhos.

principalmente, em forma de glucogênio no

O aumento do peso corporal dos frangos tratados com carboidratos

fígado e músculos.

durante o desenvolvimento embrionário pode estar relacionado com uma melhora do desenvolvimento do sistema gastrointestinal de pintinhos de um dia, tal como confirmaram as pesquisas de Bhanja e col. (2008) e de Kornasio e col. (2011) ao injetar glucose e dextrina, respectivamente, em ovos fertilizados no dia 18 de incubação.

34 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo


Smirnov e col (2006) observaram como a inoculação conjunta in ovo de diferentes carboidratos (sacarose, maltose e dextrina) aos 17,5 dias de insubação produz maior desenvolvimento morfológico do epitélio intestinal, maior número de células calciformes, assim como maior expressão genética de mucinas, primeira barreira protetora contra patógenos no intestino dos pintinhos eclodidoss —Figura 5—, contribuindo para sua boa saúde durante as primeiras horas de vida. Figura 5. Efeito da inoculação in ovo de carboidratos sobre a expressão genica em mucinasnos pintinhos durante o período perinatal (Smirnov e col., 2006) 2,0

A administração de vitaminas exógenas in ovo contribui para o crescimento dos frangos de corte e pode modular sua resistência contra enfermidades (Kucharska e col., 2017). O efeito da inoculação de vitaminas em ovos férteis foi demonstrado por diferentes autores (Bhanja e col., 2007;

1,5

Salary e col., 2014; Yair e col. 2015; Sgavioli e col., 2016).

Inoculación in ovo de carbohidratos

ECLOSÃO

ab 1,0

d

cd

a

ab

c

As vitaminas mais utilizadas nesses estudos foram a A, B1, B2, B6, C, E e D3, sendo os principais efeitos observados:

nutrição

Expresión del gen de la mucina mRNA , unidades arbitrarias

Nowaczewski e col., 2012; Selim e col, 2012; Goel e col., 2013; Control

e

Maior peso vivo no momento do nascimento e ao longo da vida do frango

0,5

INCUBAÇÃO 0

Melhor formação do esqueleto Maior desenvolvimento dos diferentes

17d

19d 17,5d

Eclosión

3d

DÍAS DE VIDA

Inoculación in ovo de carbohidratos

órgãos linfoides Melhor resposta imune

Alimentação in ovo com vitaminas Durante o desenvolvimento embrionário ocorre um grande número de processos oxidativos a partir dos lipídeos da gema, acompanhados pela produção de uma grande quantidade de radicais livres, que provocam danos em nível celular pela degradação dos ácidos graxos poliinsaturados nas membranas celulares.

A presença de vitaminas no ovo compensa os efeitos negativos dos radicais livres e, portanto, protege o embrião contra o dano celular

35 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo


Inoculação de probióticos in ovo Além de aminoácidos, açúcares, ou vitaminas, a inoculação de probióticos em ovos férteis se tornou uma prática muito difundida nos países onde a alimentação in ovo está implementada.

Inoculação de prebióticos in ovo Cabe destacar os trabalhos realizados nos últimos anos pelo Depto de Ciência Avícola da Universidade Estadual do Mississipi. Esta equipe demonstrou que a inoculação de 1,4 x 107 unidades formadoras de colônias de uma cepa de Enterococcus faecium em ovos férteis de 18 dias de incubação reduzia em 50% a mortalidade dos pintinhos durante a primeira semana de vida (Beck e col., 2016).

De forma similar, observou-se que a administração in ovo de mananoligossacarídeos resulta em um pintinho pós eclosão com enterócitos mais maduros e maior capacidade digestiva de absorção no primeiro dia de vida (Cheled-Shoval e col., 2011). C

nutrição

Posteriormente, confirmou-se que a Enterococcus faecium coloniza o intestino dos embriões e permanece nele, no mínimo, durante os sete primeiros dias de vida dos pintinhos (Blanch e col., 2017).

A administração de diferentes tipos de nutrientes antes da eclosão, a partir da inoculação in ovo parece ser uma boa estratégia para promover não só a viabilidade dos

Mais recentemente, a mesma equipe do Mississipi (Dittoe e col., 2018) observou que a inoculação in ovo de Enterococcus faecium resulta num aumento significativo do peso de cada segmento gastrointestinal em relação com o peso corporal, em pintinhos de 12 horas de vida —Tabela 1—.

também o crescimento e o sistema imune dos frangos de corte ao longo de toda sua vida. Na segunda parte deste trabalho de revisão, serão abordadas as estatégias alimentares

No mesmo trabalho observou-se que o saco vitelino, às 12 horas após a eclosão, era menor nos pintinhos nascidos de ovos inoculados com probióticos, indicando que estes haviam utilizado melhor os nutrientes disponíveis no saco durante os últimos dias de incubação.

possíveis de serem praticadas imediatamente após a eclosão e durante os primeiros dias de vida do pintinho. Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo

Injeção de Marek

Vacina de Marek + Enterococcus faecium

Valor P

Moela

5,79b

8,87a

0,0001

Duodeno

0,96

a

1,85

0,0001

Jejuno

1,27b

2,66a

0,0001

Íleo

0,9b

2,08a

0,0001

Ceco

a

0,61

0,85b

0,0001

Saco vitelino

6,95

3,00

0,1

b

pintinhos recém-nascidos, como

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Tabela 1. Efeito da inoculação de probiótico in ovo sobre o tamanho relativo do intestino (% vs. peso corporal) em pintinhos de 12 horas de vida (Dittoe e col., 2018)

36 aviNews Brasil Março 2020 | Alimentação perinatal em pintinhos. Parte 1. Nutrição in ovo

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ESTRESSE POR CALOR EM POEDEIRAS COMERCIAIS

Guillermo Díaz Arango Consultor em Nutrição e Produção de Poedeiras

O

estresse por calor é

manejo

uma das causas mais importantes de perdas

econômicas para algumas empresas do setor avícola, instaladas em regiões de clima tropical, pelo grande impacto sobre a produtividade e mortalidade. Em condições ambientais normais, as aves mantém seu equilíbrio com o meio ambiente. No entanto, ao variar a temperatura, as aves terão que compensar essas variações para acima, ou abaixo de sua zona de conforto térmico. Quando as aves começam a ofegar já iniciaram

O estresse por calor inicia quando a temperatura ambiente ultrapassa os 26,7°C e se potencializa para acima de 29,4°C.

as mudanças fisiológicas no corpo para dissipar o excesso de calor. Antes que as aves cheguem a esse ponto, qualquer coisa que possa ser feita para ajudar as aves a manterem-se confortáveis ajudará na continuidade do crescimento, incubabilidade, tamanho do ovo, qualidade da casca e produção em estado ótimo.

39 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias


13-24 18-24 24-29 29-32

O consumo de alimento diminui ainda mais. Os ganhos de peso são menores. O tamanho do ovo e a qualidade da casca se deterioram. A produção do ovo normalmente é afetada. Procedimentos para o resfriamento devem ser iniciados antes de chegar a esta faixa de temperatura.

32-35

Faixa de temperatura ideal. Pode-se esperar uma pequena redução no consumo de alimento, mas se o consumo de nutrientes for adequado, a eficiência de produção é boa. O tamanho do ovo pode diminuir e a qualidade da casca pode sofrer quando a temperatura se aproxima do topo desta faixa.

O consumo de alimento continua caindo. Existe perigo de prostração por calor em poedeiras, especialmente as mais pesadas e em pico de produção. A estas temperaturas deve-se por em prática procedimentos de resfriamento.

mais de 38 32-35

ºC

manejo

Zona térmica neutra. Faixa de temperatura em que as aves não necessitam alterar seu metabolismo para manter a temperatura corporal.

Tabela 1. Temperatura ambiental e estresse por calor

A prostração por calor é provável. Podem ser necessárias medidas de emergência. A produção de ovos e o consumo são reduzidos severamente. O consumo de água é muito alto. Medidas emergenciais são necessárias para esfriar as aves. A sobrevivência é o fator que deve importar nestas temperaturas.

Na Tabela 1. são expressos os diferentes eventos fisiológicos nas aves à medida que a temperatura ambiental vai variando. A faixa ideal de tempertura ambiental para as aves oscila entre 18 e 24°C e a neutra entre 13 e 24°C. Temperaturas acima, ou abaixo destas implicam o acionamento do mecanismo de termoregulação pelas aves para compensar as referidas variações.

As poedeiras podem sofrer mais que outras aves, já que a maioria das instalações nas granjas de hoje são automáticas, ou em

As aves são muito sensíveis aos surtos de calor e não podem suportar as temperaturas extremas por muito tempo. Isso ocorre porque não podem suar, já que não têm as glândulas sudoríparas. Além disso, estão cobertas por penas, o que dificulta dissipar o

gaiolas. As galinhas em gaiolas dependem totalmente do funcionamento correto dos equipamentos de ventilação para dissipar o calor do seu corpo.

calor que é gerado dentro de seu corpo, além

Com as mudanças genéticas, tipos

do que vem de fora.

de instalações e gaiolas, as galinhas perderam resistência ao calor extremo.

40 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias


À medida que a temperatura corporal da ave aumenta, o consumo de alimento,

Figura 1. Sensação térmica nas aves (Temperatura afetada por umidade). Nilipour, A. 1996

crescimento, eficácia alimentar, viabilidade, qualidade da casca do ovo diminuem. Isso é particularmente severo quando a

100%

Sensação de Calor ºC

80 70 60

Efeito combinado do calor e umidade

já que a possibilidade de perder calor por meios evaporativos (perda de calor através

60%

50

da pele) é notavelmente reduzida.

40% 20% 0%

40 30 20

temperatura ambiental sobre em extremo,

80%

A temperatura interna das aves adultas é de cerca de 40°C - 41,66°C. Se essa temperatura interna chega a 43,3°C -

24

26,7

29,4

32,2

35

37,8

45,6°C, as aves estão em perigo de morte.

Temperatura ambiental ºC As aves adultas resistem muito melhor ao frio, que ao calor, já que sua temperatura interna pode baixar a 23,9oC que continuam vivas.

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A combinação do calor com a umidade pode ser mortal. Este somatório não

Quando expostas a altas temperaturas,

deve ultrapassar 107,7, quando nos

o calor corporal das aves aumenta pela

expressamos em °C.

combinação das altas temperaturas externas e da energia associada com a

Por exemplo, quando a temperatura é de

ativação do processo metabólico necessário

26,7oC e a HR de 80%, ou seja 26,7 + 80

para a dissipação do calor corporal.

= 106,7, a partir daí tem início o estresse

Essa dissipação do calor aumenta pela

por calor.

posição que a ave tem que adotar para aumentar a área da superfície vascular

É muito importante saber manejar estes

por vasodilatação, causando aumento no

fatores, ou seja, quando há muita umidade

consumo de água e aceleração no ritmo

nas áreas tropicais:

respiratório. Essa aceleração respiratória nas aves é particularmente importante, já que a

À meia noite não deve-se utilizar

evaporação da água se torna uma maneira

as paredes úmidas, nem os foggers

de dissipação do calor. Infelizmente, este

umidificantes, ou aspersores, devendo-

resfriamento evaporativo só consegue

manejo

se oferecer maior ventilação.

reduzir o calor corporal em uma pequena proporção.

Ao meio dia, quando há manos umidade e mais calor, deve-se utilizar

A zona de conforto das aves diminui à

ao máximo a ventilação e os aspersores,

medida que avançam em idade e crescem.

foggers e pareces úmidas.

Método

Definição

Direção do fluxo de calor

MÉTODOS DE PÉRDIDA DE CALOR SENSIBLE Radiação

Fluxo de energia térmica entre duas superfícies sem a ajuda de um meio material

Todas as superfícies irradiam calor e o recebem; o fluxo líquido da radiação das superfícies com altas, para as com baixas temperaturas.

Condução

Fluxo de energia térmica através de um meio, ou entre dois objetos em contato físico

A direção da transferência de energia depende do gradiente de temperatura; o calor se move das áreas de temperatura alta às de temperatura baixa.

Convenção

Fluxo de calor através de um meio fluido como ar livre. A energia térmica se move condução entre uma superfície sólida e a camada de ar próxima à superfície, sendo removida pelo fluxo de ar sobre a superfície

A transferência de energia para o ar depende da temperatura e do movimento do ar pela superfície da pele; o calor é transferido ao ar movendo-se pela superfície da pele se o ar está a uma temperatura mais baixa que a da pele.

MÉTODO DE PÉRDIDA DE CALOR LATENTE Evaporação

É a transferência de calor em que um líquido é convertido em um gas. O calor é usado.

A transferência de energia é influenciada pela umidade relativa, temperatura e movimento do ar; o calor é transferido do corpo do animal à água, convertendo-o em vapor de água.

Tabela 2. Métodos de Perda de Calor Sensível e Latente. Anderson, K. 1997

42 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias


Uma vez que a temperatura ambiente sobre

As raças mais pesadas tendem a ter mais

a 25oC, o método de perda de calor começa

problemas com o estresse calórico já que

a mudar de sensível (radiação, condução, ou

têm menor área superficial para dissipar calor por unidade de peso. Outra variável

convenção) a evaporação, ou latente.

que exerce influência sobre a suscetibilidade

A dissipação do calor corporal por

ao estresse calórico é a exposição prévia

processo de evaporação exige um

das aves a este estresse.

gasto de energia por ofegação (hiperventilação),o que começa a ocorrer

Nos meses mais quentes, as temperaturas

a uma temperatura aproximada de 26,5oC;

podem subir a 35oC e 38oC, o que torna crítico que as aves dissipem o calor corporal ao meio ambiente. Como mencionamos

arfar, então, é respirar com a boca aberta para se refrescar através da evaporação; esta é uma reação normal das aves que

anteriormente, as aves não suam, então

querem sobreviver no surto de calor.

devem dissipar o calor de outras maneiras apra manter a temperatura corporal em

As galinhas, quando estão em sua zona

cerca de 40oC a 41oC. O calor corporal

normal e em um ambiente termoneutro

é dissipado ao meio ambiente através

respiram 25 vezes por minuto. No entanto,

de radiação, condução, convecção e

quando a temperatura passa seu limite

evaporação (ver Tabela 2).

podendo chegar a 250 vezes por minuto As três primeiras vias são conhecidas como

e morrer.

perda de calor sensível. Estes métodos são

A ofegação remove valor por evaporação

efetivos quando a temperatura ambiente

de água da umidade do trato respiratório.

está abaixo, ou dentro da zona térmica

No entanto, ela gera alor corporal e causa

neutra das aves (13 C a 24 C) (ver Tabela 1). o

o

eliminação de água do corpo das aves.

A proporção do calor perdido por radiação, condução e convecção depende da diferença de temperaturaa entre a ave e o ambiente. As aves perdem temperatura em superfícies como patas e regiões sem penas, sob as asas. O propósito da ventilação nos galpões avícolas é o de manter uma velocidade do ar suficientemente alta, ou uma temperatura no galpão suficientemente baixa, de maneira que as aves possam manter a temperatura corporal por métodos de perda de calor sensível (ver Tabela 2).

43 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias

manejo

sentem muito calor, respiram muito mais,


As poedeiras afetadas pelo estresse por calor botam ovos de casca muito fina, devido ao desbalancemaneto ácido-base do sangue, o que se traduz a começarem a ofegar (hiperventilar). À medida que as aves ofegam perdem CO2 dos pulmões em excesso. É importante entender que pela hiperventilação e ofegação a poedeira perde uma grande quantidade de íons bicarbonato (HCO3)-1, que deveriam fazer parte da casca como cristais carbonato de cálcio. Esta é uma das razões pelas quais se recomenda, nesta época, substituir 30% do sal por bicarbonato de sódio, ou pelo menos fornecer suplementos via água, que

manejo

contenham íons bicarbonato e/ou que melhorem o balanço eletrolítico das aves.

Quando a quantidade de CO2 baixa no sangue, faz com que o pH do mesmo se eleve, ou se torne mais alcalino. Quanto mais alto for o pH do sangue, a quantidade de cálcio iónico (Ca+2) no diminui. O cálcio iônico é o cálcio utilizado pela glândula cascargenosa que produz a casca do ovo. Então, mesmo que seu aumente a quantidade de cálcio na dieta, esse problema não pode ser corrigido. Quando o consumo de alimento diminui por estresse calórico, a ingestão de cálcio e fósforo também diminuem, contribuindo para a produção de cascas frágeis. E quando a perda do fósforo é mais alta pelo aumento na utilização do fósforo do osso cortical da ave, o mesmo é destruído.

44 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias


À medida que ocorre a mudança no pH dos

Normalmente, as aves mais pesadas e

fluidos corporais, o consumo de alimento vai

grandes, com menor conformação, são as

diminuindo, causando um efetio adverso no

que morrem, já que têm um ritmo excelente

crescimento, produção e desempenho geral

de produção, maior peso que causa maior

da ave.

estresse e aumenta o calor do corpo. A maioria das aves que sofrem pelos surtos de

Durante os meses quentes do verão, a perda

calor morrem nas noites, ou seja, as aves

de calor por evaporação se torna o principal

sofrem no dia, não podem dissipar o calor e,

método pelo qual as aves regulam sua

como uma esponja, absorvem todo o calor e

temperatura corporal, a menos que ventile-

morrem à noite.

se adequadamente e adote-se outras medidas para reduzir o estresse por calor.

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Os efeitos do golpe de calor, ou estresse

Também utiliza-se a suplementação

calórico, podem ser reduzidos a partir

com multivitamínicos, eletrolitos e,

de um plano integral, que envolve todos

individualmente, soluções de teeter e

os aspectos que poderiam influenciar

vitamina C na água.

em melhorar as condições das aves para enfrentar o referido evento. A estratégia deve incluir: Um plano completo de biosseguridade Um plano de manejo de ventilação e manejo da água em termos de qualidade e temperatura Um plano de alimentação e nutrição adequados

Os melhores resultados apresentaramse com o uso de uma mescla de solução de teeter e vitamina C. Há uma infinidade de práticas utilizadas há anos com bons resultados como: Melhorar a densidade das aves durante a etapa crítica; Utilização de dietas frias, ou de

A disponibilidade, qualidade e temperatura da água são importantes.

verão, que incluem níveis de fordura adicionada até 4,5%.

manejo

Concentração das dietas no uso de A única forma de as galinhas manterem seu ritmo de produção alto em tempos quentes é pela facilitação da dissipação

aminoácidos sintéticos e inclusão de níveis maiores de Cálcio e Fósforo para prevenir a fadiga de gaiola.

do calor do corpo, ao mesmo tempo que continuam tendo atendidas suas exigências nutricionais diárias durante as horas mais frescas do dia, quando é mais fácil perder as calorias extras pela digestão. Isto pode ser feito aplicando jejum temporário, já que comer nas horas mais quentes do dia pode ser mortal. Digerir o alimento a estas horas gera calor nas aves, agravando mais a situação. Isso significa que os comedouros devem estar vazios 1-2 horas antes do calor e 1 hora depois; pode-se complementar com um plano de alimentação de meia noite, o que pode contibuir para manter a produção das galinhas a qualquer idade e não interfere em sua maturidade sexual, melhorando também a qualidade do ovo e a cor da casca. Estresse por calor em poedeiras comericias

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46 aviNews Brasil Março 2020 | Estresse por calor em poedeiras comericias


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ENFERMIDADES FREQUENTES EM REPRODUTORAS PESADAS AO REDOR DO MUNDO PARTE I

reprodutoras

Nick Dorko DVM, MAM Chefe Global de Serviços Técnicos Veterinários Aviagen Incorporated - Huntsville, Alabama

48 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


A

s enfermidades avícolas observadas ao redor do mundo mudam constantemente nos

diferentes continentes, países e regiões. Muitas delas dependem das condições de biosseguridade, dos programas de vacinação, presença de aves migratórias e movimentos globais de pessoas, entre

artigos, onde será feito um breve resumo das enfermidades encontradas com maior frequência por veterinários, produtores e o próprio autor nas reprodutoras pesadas em lotes de várias regiões produtoras de frango de corte do mundo.

reprodutoras

outros muitos fatores.

Esta é a primeira parte de uma série de dois

49 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


Mycoplasma synoviae (MS) Esta enfermidade esteve presente, de forma persistente, mas nos últimos 5 anos parece ter se convertido em um problema de maior envergadura. Muitas vezes se apresenta como uma infecção silenciosa, na qual os lotes de reprodutoras podem seroconverter (aparecer positivas em testes sorológicos) em MS sem apresentar sinais da doença, nem observar-se impacto negativo sobre seu rendimento (que pode ser algo difícil de medir). Há algumas razões possíveis que poderiam

reprodutoras

explicar a reemergência do MS: Em primeira instância, parece haver mais cepas patógenas de MS que no passado. Estas cepas podem provocar: Os típicos problemas de sinovite (inflamações articulares e plantares) nos frangos provenientes de reprodutoras infectadas Problemas respiratórios secundários (especialmente em broilers) Figura 1. Um exemplo de anomalias do vértice do ovo Um efeito relativamente novo

(Eggshell Apex Abnormalities - EAA), ou a conicidade do

observado nos ovos, conhecido

vértice (Top Coning) associadas a MS.

como anomalias do vértice do ovo (do inglês, Eggshell Apex Abnormalities - EAA), ou a conicidade do vértice (Top Coning), que ocorre com maior frequência em poedeiras comerciais, mas também se tem visto em reprodutoras pesadas (Figura 1).

50 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


Outra possível razão são as reduções no uso de antibióricos para controlar infecções causadas por Mycoplasma. Isto se deve ao aumento no número de empresas que iniciaram programas livres de antibióticos, ou programas para minimizar o uso dos mesmos. Ou como consequência de sua proibição em alguns países. Como resultado, houve maior número de lotes de reprodutoras serologicamente positvas a MS.

Outro fator é a introdução das vacinas vivas de Mycoplasma gallisepticum (MG). Inicialmente, poucas vacinas vivas de MG que foram introduzidas ao redor

reprodutoras

do mundo deram bons resultados. As empresas que começaram a usar estas vacinas deixaram de usar antibióticos continuamente no alimento para o controle de Mycoplasma. Isto também parece ter permitido uma ressurgência e propagação do MS. Recentemente e devido a surtos, algumas empresas produtoras de frangos começaram a usar vacinas de MS em combinação com vacinas de MG em suas reprodutoras.

A última razão poderia ser que as empresas produtoras melhoraram seus programas de biosseguridade e realizam testes de detecção de MS com maior frequência, à medida também que os mesmos são cada vez mais baratos. Vale a pena destacar qeu boas práticas de manejo, biosseguridade e a obtenção de reprodutoras livres de MS é essencial para evitar esta enfermidade.

51 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


Coccidiose Esta doença é observada com maior

A imunossupressão severa, por

frequência devido às práticas inadequadas

exemplo, se as aves padeceram

de manejo que acompanham o uso

a Doença de Marek, ou a Anemia

de vacinas vivas de coccidiose. Tudo

Infecciosa Aviária, é outra causa comum

começa com uma vacinação adequada

que pode desencadear surtos de

na planta de incubação (mais comum) ou

coccidiose, inclusive em aves vacinadas.

no campo. A vacina deve ser manejada corretamente (por exemplo, a vacina não deve ser congelada) e administrada de forma adequada. Lembremos que durante a preparação da vacina os oocistos podem se precipitar rapidamente na solução se não houver agitação suave e contínua.

A tenosinovite bacteriana (infecção nas articulações das pernas, como as causadas pro estafilococos), são observadas muitas vezes como resultado de uma reação severa das vacinas vivas de coccidiose.

Uma vez que as vacinas são aplicadas

reprodutoras

corretamente, deve-se ter condições adequadas na granja para permitir a esporulação dos oocistos, promover sua reciclagem entre as aves e sua distribuição ao longo do galpão. Este processo pode não ocorrer por várias razões tais como cama muito seca, ou úmida, densidade de animais muito alta, ou baixa, administração de produtos anticoccidiósicos etc. Se algum destes eventos ocorre, as aves terão uma reação severa, provocando problemas de coccidiose em pouco tempo (normalmente aos 14-30 dias de vida) ou, se não são expostas a oocistos vacinais suficientes e/ou sua reciclagem na cama, o resultado pode ser um surto de coccidiose semanas mais tarde (6-20 semanas de vida).

52 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


Vírus da Doença de Newcastle Velogenica & Viscerotrópica (VVND) Esta forma exótica do vírus da Doença

Se as aves não estão suficientemente

de Newcastle foi detectada em muitas

protegidas, é comum uma ligeira queda

regiões do mundo. Em áreas onde o vírus

da postura (5 - 15%) e leve aumento da

é edêmico, as aves devem ser vacinadas

mortalidade (0,5 - 1%).

da postura, associadas à enfermidade.

Em aves não vacinadas e expostas a estes vírus, a morbidade e mortalidade podem

Entre os sinais típicos da doença observa-se: Torcicolo (pescoço torcido, especialmente durante a recria – Figura 2)

chegar a 90-100%, similar a surtos de

Hemorragias Petequiais na traqueia,

influenza aviária altamente patógena (do

proventrículo, intestinos, amigdalas

inglês, highly pathogenic avian influenza, ou

cecais e algumas vezes, o cérebro.

HPAI).

reprodutoras

para proteção contra a morbidade e queda

Aumento súbito nos valores de vírus

Normalmente os programas de vacinação

da Doença de Newcastle.

incluem combinações de vacinas vivas e

Também podem ser observadas alterações

inativadas para conseguir altos valores

na qualidade da casca, com afinamento

de proteção. Vacinas de baixa qualidade,

e cor esbranquiçada (notório nos

práticas deficientes de vacinação e/ou

ovos marrons) geralmente

administração de quantidade insuficiente

depois da queda da postura.

de vacinas, podem resultar em níveis de anticorpos incapazes de proteger as aves contra a morbidade, mortalidade e queda da postura.

É fundamental contar com um bom nível de biosseguridade, junto com um programa adequado de vacinação para que as aves tenham proteção adequada e completa.

Figura 2. Torcicolo (pescoço torcido) devido a VVND.

53 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


Histomoníase (Doença da cabeça negra) Esta doença se apresentava apenas nos

Os principais portadores das histomonas

Estados Unidos, porém, recentemente,

são os nemátodos cecais (Heterakis

vem causando problemas em vários países

gallinarum) e algumas lombrigas da terra.

da União Europeia e em algumas

Existem evidências de que os cascudinhos

partes da Ásia e América Latina.

também são portadores deste patógeno.

A razão pela qual esta enfermidade se tornou um problema é que, na maioria dos locais, todos os produtos terapêuticos, ou

poderia existir transmissão direta entre as aves.

preventivos, foram oficialmente retirados

A melhor forma de prevenir, ou controlar a

do mercado.

doença da cabeça negra é através de uma

Nos Estados Unidos a maioria dos galpões têm piso de terra e, muitas vezes, reutiliza-se a cama, o que torna difícil

reprodutoras

Também há a crença de que, inclusive,

conseguir uma limpeza e desinfecção

completa e eficaz limpeza e desinfecção dos galpões. Em alguns casos, recomendase aplicar sal no piso, ou tratamentos como o hipocloreto de sódio.

completas para controlar os portadores do

Também é importante limpar as caixas e

protozoário Histomonas meleagridis, que é

gaiolas de transporte de pintainhas, já

o causador da doença (Figura 3)

que elas podem ser contaminadas e ajudar na transmissão das histomonas durante o processamento. A doença da cabeça negra foi vista em alguns galpões a partir dos 13 dias. Desta forma, os tratamentos iniciais e frequentes

Figura 3. Exemplo de infecção por Histomonas, observando-se lesões no fígado e cecos.

contra parasitas internos (nemátodos) é uma forma muito eficaz para controlar a enfermidade. Isto implica administrar tratamentos até 4-5 vezes antes do início da postura e o uso de mais de um produto antiparasitário. A administração de tratamentos durante mais de um dia também parece colaborar para que todas as aves recebam a dose efetiva do produto desparasitador.

Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo - PARTE I

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54 aviNews Brasil Março 2020 | Enfermidades frequentes em reprodutoras pesadas ao redor do mundo


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Fabrizio Matté - Consultor Técnico VETANCO Brasil

OBJETIVOS: Quantificar a colonização do papo e do intestino por cepas probióticas presentes no FloraMax™-B11 em frangos de corte após aspersão do produto em pintinhos no incubatório.

MATERIAL E MÉTODOS: Frangos de corte (54), linhagem Ross, com 1 dia de vida foram submetidos a aspersão de FloraMax™-B11 (0,6g/100mL - 0,6%). Cada caixa contendo 100 aves foi aspergida via spray com 15-20mL de FloraMax™-B11 diluído em água pura desprovida de desinfetantes (cloro).

57 aviNews Brasil Março 2020 | Avaliação da eficácia in vivo do FloraMax-B11 administrado via spray


Após o tratamento os animais foram encaminhados para o Laboratório de Medicina Aviária-LMA/UEL (LMA) para colheita de material e análises. Os tratamentos estão descritos na Tabela 1.

Assim que as aves chegaram ao LMA, nove aves por grupo foram sacrificadas e colhidos os papos e intestinos (duodeno, jejuno íleo e cecos) para a determinação da população de Lactobacillus spp (UFC/mL).

probiótico

Para a determinação (UFC/mL) da população de Lactobacillus spp. presentes no papo e intestino, os órgãos foram macerados e diluídos em PBS (pH 7,2) e na sequencia realizado a diluição seriada e plaqueamento em ágar rogosa (Acumedia) seguido de incubação a 37°C por 48h.

Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética No Uso de Animais – CEUA/UEL N° 14676.2019.56.

TRATAMENTO

DESCRIÇÃO

NÚMERO

T1

Controle negativo - Não serão utilizados antimicrobianos e Probiótico spray

9

T2

Probiótico spray (0,6%)

9

T3

Probiótico spray (0,6%) + Ceftiofur in ovo (0,12 mg/ aves)

9

T4

Ceftiofur in ovo (0,12 mg/ aves)

9

T5

Probiótico spray (0,6%) + Gentamicina in ovo (0,2 mg/ aves)

9

T6

Gentamicina in ovo (0,2 mg/ aves)

9

Tabela 1. Descrição dos tratamentos.

Os dados foram submetidos à análise de variância, seguido de teste de comparação de médias, Scott-Knott, adotando 5% de significância.

58 aviNews Brasil Março 2020 | Avaliação da eficácia in vivo do FloraMax-B11 administrado via spray


No gráfico 1 estão expressos os valores (Log UFC/mL) de Lactobacillus spp. quantificados nos papos dos animais. Os grupos FloraMax™-B11 spray, FloraMax™-B11 spray + Ceftiofur in ovo e FloraMax™-B11 spray + Gentamicina in ovo, apresentaram as maiores médias, 1,37, 1,05 e 1,31 respectivamente e diferiram (p<0,05) dos demais grupos que não receberam FloraMax™-B11. Quanto à determinação de Lactobacillus spp. nos intestinos das aves (Gráfico 2), foi possível observar que os grupos 1, 4 e 6 foram aqueles que apresentaram menor contagem bacteriana diferindo significativamente dos grupos que receberam FloraMax™-B11 (2; 3; 5). Indicando que o fornecimento de FloraMax™-B11 permite uma colonização intestinal precoce e que a presença dos antimicrobianos (Ceftiofur - 3 e Gentamicina - 4) não inibiram a população de Lactobacillus spp. 1,6 1,4 1,2 1,0

1,370a

1,050a

1,310a

0,6 0,4 0,2 0,0

0,222b

0,000b

1,8 1,6 1,4 1,2 1,0

1,830a

Gráfico 2. Determinação de Lactobacillus spp. (Log UFC/mL) no intestino de frangos de corte quatro horas após tratamentos. 1 - Controle negativo - não foi utilizado antimicrobiano e FloraMax™-B11; 2 – FloraMax™-B11 spray; 3 – FloraMax™-B11 spray + Ceftiofur in ovo; 4 - Ceftiofur in ovo; 5 – FloraMax™-B11 spray + Gentamicina in ovo; 6 - Gentamicina in ovo. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05).

1,490a

0,6 0,4 0,2 0,0

0,000b

0,274b

0,000b

Controle Probiótico Probiótico Ceftiofur Probiótico Gentaminina spray spray + spray + Ceftiofur Gentaminina

Observou-se neste estudo que os animais que receberam FloraMax™-B11 apresentaram uma população significativamente maior de Lactobacillus spp. em relação aos animais que não receberam as cepas probióticas. A colonização intestinal precoce por bactérias ácido lácticas permite efeitos positivos, já que acelera a estabilidade da microbiota e protege contra bactérias patogênicas e oportunistas (SEIFI et al., 2017; GRIMES et al., 2008), além disso, modulam a resposta imune das aves (BRISBIN et al., 2010; ROCHA et al., 2012), dessa forma, inferese que os animais que receberam FloraMax™-B11 podem apresentar uma melhor resposta frente a infecções por patógenos intestinais como Salmonella spp. (ANDREATTI FILHO et al., 2006), Campylobacter spp. (STERN et al., 2001) e Clostridium spp. (DECROOS et al., 2004 )

0,000b

Controle Probiótico Probiótico Ceftiofur Probiótico Gentaminina spray spray + spray + Ceftiofur Gentaminina

1,900a

0,8

CONCLUSÃO

0,8

2,0

probiótico

RESULTADOS:

Gráfico 1. Determinação de Lactobacillus spp. (Log UFC/mL) no papo de frangos de corte quatro horas após receber FloraMax™-B11 via spray. 1 - Controle negativo - não foi utilizado antimicrobianos e FloraMax™-B11; 2 – FloraMax™-B11 spray; 3 – FloraMax™-B11 spray + Ceftiofur in ovo; 4 - Ceftiofur in ovo; 5 – FloraMax™-B11 spray + Gentamicina in ovo; 6 - Gentamicina in ovo. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente pelo Teste de Scott-Knott (P<0,05).

A aspersão de cepas probióticas do FloraMax™-B11 via spray aumenta a colonização por bactérias ácido lácticas no papo e intestino dos pintinhos. A utilização de cepas probióticas no primeiro dia de vida permite uma colonização precoce do intestino das aves.

Avaliação da eficácia in vivo do FloraMax-B11 administrado via spray

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59 aviNews Brasil Março 2020 | Avaliação da eficácia in vivo do FloraMax-B11 administrado via spray


OVOS

MANTIQUEIRA

os ingredientes do sucesso

Entrevista com

Leandro Pinto e Guilherme Moreira Empresário e fundador do Grupo Mantiqueira

Gerente Executivo de Avicultura do Grupo Mantiqueira

Porém, a empresa não se destaca apenas pelos 6 milhões de ovos que produz ao dia, mas pela atuação vanguardista no que tange à produção e comercialização de seus produtos. De forma pioneira, a Ovos Mantiqueira lançou, em 2019, o N.Ovo, primeiro substituto plant based do ovo. A empresa também vem crescendo na produção em escala de ovos cage free e no início de 2020 instalou um aviário de aves livres num supermercado do Rio de Janeiro, com acesso para crianças acompanhadas.

A Ovos Mantiqueira oferece ao consumidor mais de uma dezena de opções de linhas de ovos, que variam entre plant based, orgânico, gourmet, solidário, ômega 3, happy egg, do sítio, de codorna, caipira, além do ovo líquido

entrevista

Em pouco mais de 33 anos, a Ovos Mantiqueira alcançou o posto de maior produtora de ovos da América do Sul e 12ª do mundo. Suas 11,5 milhões de galinhas correspondem a pouco mais de 10% a população total de poedeiras do Brasil. São mais galinhas do que habitantes na Bolívia, que poderia vir seguido ainda por mais 116 países.

A empresa também oferece o maior clube de ovos, por assinatura, da América do Sul, com opções de 5 kits diferentes. À frente deste negócio tão bem-sucedido está o empresário Leandro Pinto, que trabalha com avicultura desde 1987, quando iniciou as atividades da Granja Mantiqueira com 30 mil aves, no município de Itanhandu (MG). Ele diversificou seu negócio ampliando para os setores da pecuária e agricultura e hoje gera mais de 2.200 empregos diretos. A aviNews Brasil conversou com Leandro Pinto e com o médico veterinário, Guilherme Moreira, que desde 2008 atua como Gerente Executivo de Avicultura do Grupo Mantiqueira. Acompanhe a seguir o resultado da nossa conversa.

61 aviNews Brasil Brasil Março 2020 | Ovos Mantiqueira: os ingredientes do sucesso. Entrevista com Leandro Pinto e Guilherme Moreira


27, 28 e 29 Outubro 2020 I

M A I

M

PROGRAMAÇÃO TÉCNICA DE ALTÍSSIMA QUALIDADE

Ponto de Encontro dos decisores da avicultura e nutrição de monogástricos da América Latina e Brasil

TRAD. SIMULTANEA ESPANHOL PORTUGUÊS PORTUGUÊS ESPANHOL

lpncongress.com


aviNews Brasil - Quais ingredientes básicos do êxito da Ovos Mantiqueira são possíveis de serem utilizados por qualquer produtor de ovos do Brasil e da América Latina? Leandro Pinto - Desde o início nosso foco nunca foi sermos o maior. Mas, desde sempre, nos esforçamos e trabalhamos para sermos os melhores. Buscamos inovar. Nos antecipamos em importar a mais alta tecnologia para oferecer qualidade diferenciada nos nossos produtos, levando o melhor e mais completo alimento aos consumidores. Essa cultura é o que move a Mantiqueira desde sua fundação e acredito que são os elementos fundamentais para empresas e empreendedores de qualquer segmento buscarem o sucesso.

Leandro Pinto - Estar atento ao setor e antecipar os desejos do consumidor e do mercado com produtos diferenciados. Isto, somado a trabalho duro, persistência e foco na busca de soluções diante das dificuldades. AN - Escuta-se produtores ponderando sobre a impossibilidade de atender a demanda mundial por ovos a partir de um sistema de aves livres, por falta de espaço suficiente. Ao mesmo tempo, assistimos experiências como a da Ovos Mantiqueira, que instalou um aviário de aves livres num supermercado do Rio de Janeiro. Para que lugar o setor vai caminhar? Leandro Pinto - No momento não posso dizer muito. Mas o que posso dizer é que acreditamos muito no modelo e constatamos que, em muitos lugares do mundo, só se fala em cage free. E a Mantiqueira está sempre buscando acompanhar as principais tendências mundiais da avicultura. O pequeno galinheiro instalado na Rede Zona Sul faz parte de uma experiência para que crianças e adultos possam conhecer o processo da postura de ovos e interagir com o clima da fazenda, em meio ao ambiente urbano.

AN - Em março de 2019, um ano antes desta entrevista, a Ovos Mantiqueira lançou o N. Ovo, que é o ovo a base de vegetais. O N. Ovo é ovo? Ou é um ovo, que não é ovo? E qual o balanço em termos de vendas e aceitação do produto, após esse um ano de lançamento?

entrevista

AN - E quais os ingredientes, que não são básicos, mas são essenciais / obrigatórios para o sucesso de uma produção de ovos?

Leandro Pinto - O N.ovo é um substituto para ovos, a base de plantas. Chegamos numa formulação que garante os resultados do N.ovo em receitas como bolos, pães, massas, panquecas entre outras, que ficam iguais às versões com o ovo tradicional. E, por isso, ele passou a ser popularmente conhecido como Ovo Vegano. AN - Qual o espaço da automação na Mantiqueira e quais os critérios adotados para esse investimento em tecnologia? Leandro Pinto - A Mantiqueira foi a primeira granja a investir em automação no Brasil. No nosso setor, fomos pioneiros em acreditar nestes sistemas que otimizam a produção e elevam a qualidade do alimento. Hoje é inevitável não contar com a tecnologia na Mantiqueira. Nosso investimento é constante e estamos sempre importando as últimas novidades mundiais do setor.

63 aviNews Brasil Brasil Março 2020 | Ovos Mantiqueira: os ingredientes do sucesso. Entrevista com Leandro Pinto e Guilherme Moreira


AN - Do ponto de vista da Mantiqueira, qual foi a invenção / descoberta mais importante dos últimos anos para a avicultura de postura em termos de: genética; nutrição; manejo; equipamentos; saúde.

entrevista

Guilherme Moreira - Vejo que a busca por automação e tecnologia é constante em nossos processos produtivos, logísticos e comerciais. Seja por meio de automação, otimizando os custos de produção e dando maior confiabilidade aos processos. Seja também por meio de adoção de tecnologia para melhorar controles e monitoramentos com foco em aumentar a eficiência produtiva e reduzir perdas. Ainda temos, no Brasil, um custo alto na tecnologia já utilizada em países da Europa e EUA, que dificulta o payback. Acredito que espaço para isso se constrói. Fomos pioneiros nos galpões verticais e estamos sempre abertos e buscando a otimização que a automação e a tecnologia pode trazer.

Guilherme Moreira - Pessoalmente, vejo que a avicultura de postura não cresceu devido a uma dessas áreas isolada. O crescimento da avicultura de postura no Brasil se deve justamente à evolução conjunta dessas áreas, que nos permite produzir tão eficazmente. Em genética, as aves estão cada vez mais produtivas, convertendo tão bem ração em ovo, com grande persistência de postura. Ao mesmo tempo, ficaram mais exigentes em relação a uma nutrição de qualidade e de precisão. Empresas de nutrição têm desenvolvido bons aditivos, que também auxiliam a digestibilidade e favorecem as aves para que expressem todo o potencial que têm. A tecnologia também tem favorecido o desenvolvimento de vacinas recombinantes e autógenas, que têm sido boas ferramentas no controle das doenças emergentes e reemergentes na avicultura. E, por último, temos passado por uma grande revolução em equipamentos, favorecendo o bem-estar animal e o aumento da eficiência produtiva. Destaco os avanços nos equipamentos para ambiência e na automação para coleta de ovos, esterco e distribuição de ração. Estamos vivendo uma grande mudança com a integração de sensores e controladores, ou seja, a inteligência artificial a serviço das aves. Ovos Mantiqueira: os ingredientes do sucesso. Entrevista com Leandro Pinto e Guilherme Moreira

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64 aviNews Brasil Março 2020 | Ovos Mantiqueira: os ingredientes do sucesso. Entrevista com Leandro Pinto e Guilherme Moreira


Desempenho comprovado dos nossos produtos

A Hendrix Genetics é líder mundial de seleção e distribuição de galinhas poedeiras brancas e marrons. Através do nosso programa de seleção genético equilibrado, selecionamos aves de primeira qualidade que produzem ovos de primeira qualidade. Nossas galinhas poedeiras provaram seu alto desempenho em sistemas de produção tradicionais e alternativos sob diferentes condições climáticas. Diferentes regiões globais têm condições únicas e exigem uma solução personalizada. Oferecemos uma abordagem regional para cada mercado, fornecendo seis linhas genéticas diferentes: ISA, Bovans, Dekalb, Hisex, Shaver e Babcock. layinghens.hendrix-genetics.com layinghens@hendrix-genetics.com


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Revista aviNews Brasil Março 2020  

A revista brasileira de avicultura mais internacional do mundo!

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