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PERNAMBUCO

AMAZONAS

PIAUÍ

INICIATIVA:

geodinâmica

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

PALMAS

MARANHÃO

geodinâmica

PARÁ

ALAGOAS

TOCANTINS

MACEIÓ

SERGIPE ARACAJU

DISTRITO FEDERAL

GOIÁS CUIABÁ

BRASÍLIA

GOIÂNIA

ISBN 978-85-63222-22-0

BOLÍVIA MATO GROSSO DO SUL

9

788563 222220

BAHIA, BRASIL

MATO GROSSO

V I DA , NAT U REZ A E S O C I EDA D E

TOCANTINS

BAHIA SALVADOR

GOIÁS

MINAS GERAIS

BAHIA, BRASIL VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE


CACHOEIRA DO MOSQUITO – LENÇÓIS, BAHIA, BRASIL

FOZ DO RIO UNA – UNA, BAHIA, BRASIL


BAHIA, BRASIL VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE


A ciência na formação cidadã N

este livro, a ciência está por toda parte. E com ela entendemos o mundo de modo mais claro, nos tornando melhores cidadãos. Abaixo, o secretário da Educação da Bahia, Osvaldo Barreto Filho, fala sobre a edição deste material, parte integrante do Programa Ciência na Escola (PCE).

Qual é o principal valor do PCE? É o incentivo para que os alunos gostem de aprender sobre os conhecimentos científicos, utilizando-os para estabelecer relações entre o mundo, o cotidiano e o cuidado com a natureza. Por que o livro foi concebido de maneira a contex­ tualizar a realidade da Bahia? O principal motivo é fazer um livro regionalizado, totalmente ligado à realidade do estado. Aprender sobre o solo, a vegetação, a hidrografia, a história e a cultura faz mais sentido se falarmos da própria Bahia. Assim, o estudante se apropria melhor do conhecimento científico e associa esse conhecimento a questões como o bem-estar, o desenvolvimento econômico e os problemas que ele gera. Que resultados a Secretaria da Educação da Bahia espera alcançar com esse Programa? Sem dúvida, nosso maior objetivo é que o estudante domine os conceitos científicos que explicam as dinâmicas da natureza e os impactos do homem sobre ela. Outro objetivo é que haja uma nova forma de ensino de Ciências, tanto na escola quanto na formação dos professores.

Como os professores serão beneficiados com essa ini­ ciativa? Os professores são cuidadosamente preparados para entender o livro e sua metodologia, e também para aplicar tudo isso em sala de aula. O foco é despertar o senso de pertencimento à Bahia, com­preendendo cada vez mais seus fatores naturais, a ocupação de seu território e as etnias do povo baiano.

Aprender sobre o solo, a vegetação, a história e a cultura faz mais sentido se falarmos da própria Bahia

osvaldo barreto filho secretário da educação

Qual sua mensagem para os leitores do livro? Queremos ter, na rede estadual de educação, um ensino de Ciências da Natureza voltado para uma formação cidadã, que dá autonomia às pessoas. A ciência é um produto social, que pode ser apreciado por todo mundo! Isso é essencial para levarmos em conta sua importância, seja na escola, seja na vida coletiva.


Aprender para ir além O

que aprendemos na escola pode nos ajudar a mudar o mundo. Foi com base nessa ideia que a professora Sueli Angelo Furlan coordenou a produção de conteúdo deste livro. Abaixo, ela conta um pouco mais sobre esse aprendizado que tem o poder de transformar. Como foi produzir Bahia, Brasil: Vida, Natureza e Sociedade? A preocupação maior foi: o que desejamos oferecer aos alunos leitores do livro? Pensamos nos alunos deste estado tão emblemático no país, tão rico e sociodiverso, e isso nos inspirou a comunicar com entusiasmo. Qual é a metodologia usada na elaboração do livro? Mundo, Ambiente, Pertencimento e Ação (Mapa) traduzem uma proposta pedagógica. Em outras palavras, significa aprender para ser, viver e agir. É também construir uma leitura crítica do lugar onde se vive, estimulando a formação de sujeitos ecológicos, comprometidos com sua realidade. Por que é importante ter um material voltado para a realidade da Bahia? É difícil encontrar livros escolares que se dediquem a realidades locais. Mais rara ainda é a abordagem multidisciplinar que coloca no centro de sua preocupação o protagonismo do aluno. As propostas pedagógicas do livro do professor e o trabalho de formação dos professores associado ao livro do aluno criam uma ação completa, pois o material é um dos eixos desse processo pedagógico mais amplo.

O livro não é dividido em disciplinas específicas. Por quê? Porque nem o mundo nem o lugar se apresentam divididos em disciplinas. Não partimos da especialização dos campos de conhecimento. Partimos das questões que estão postas na vida. Mas é evidente que queremos o conhecimento construído pelo saber científico sempre dialogando com os conhecimentos locais que nos ajudam a explicar o mundo.

Uma experiência escolar pode mudar uma pessoa! Eu mudei com minha escola

prof a dr a sueli angelo furlan coordenadora de conteúdo

Como o livro pode nos ajudar a mudar nossa realida­ de? Uma experiência escolar pode mudar uma pessoa! Eu mudei com minha escola. Sabemos da importância da experiência de viver o processo escolar. Ele deve ser enriquecedor, planejado pelos educadores, valorizando a liberdade de aprender de modo interessante, com boas propostas para instigar o aluno. Assim, estaremos colaborando e fazendo avançar a compreensão que temos dos fenômenos naturais, sociais e culturais. Isso pode nos levar ao infinito e além!


Tire a limpo O SEU LIVRO APRESENTA MUITAS LINGUAGENS. ENTENDA COMO LER CADA UMA DELAS

SEU LIVRO COMO LER

O

6

mundo em que vivemos é grande, e você faz parte dele. É o planeta, e é também a rua de sua casa... É isso o que o livro Bahia, Brasil: Vida, Natureza e Sociedade quer mostrar. Sentir-se parte do planeta e do local onde moramos é fundamental. Se nos dedicarmos a estudar, pesquisar e descobrir como funcionam a sociedade e a natureza, saberemos como cuidar melhor de onde vivemos. É exatamente por essa razão que uma equipe de geógrafos, biólogos, químicos, físicos, educadores, jornalistas, fotógrafos, designers e ilustradores assumiu a missão de pensar no conteúdo e na linguagem deste livro. Cada um teve um papel específico: educadores e cientistas definiram o conteúdo; os fotógrafos capturaram com olhar perspicaz as paisagens, a arquitetura e os retratos da gente baiana; os designers, por sua vez, criaram ilustrações que, somadas aos textos dos jornalistas, se tornaram infográficos – uma forma interessante de explicar temas aparentemente complicados. A cada página, textos e imagens vão surpreendê-lo com um conteúdo riquíssimo para sua vida e para seu futuro. A seguir, conheça os recursos à disposição neste livro e saiba como ler os diferentes tipos de linguagem. Use este material em sala de aula, converse sobre o conteúdo com seus colegas, leia-o em casa para sua família. Partilhe o que você aprendeu. Aprenda com os outros. Isso é bom demais!

TEXTOS TÍTULO

1

É o “nome” do texto, que já indica qual o assunto a ser abordado nele LINHA FINA

Frase curta que apresenta e resume o conteúdo a ser tratado ao longo do texto TEXTO

2

Conjunto de palavras escritas que formam uma narrativa sobre determinado assunto GLOSSÁRIO

Reúne termos técnicos ou científicos presentes nos textos. Estão grifados e são explicados no glossário ( pág. 126)

3

SIGLAS E ABREVIATURAS

Siglas são letras iniciais de um nome com duas ou mais palavras. Abreviatura é a forma reduzida de uma palavra (pág. 128) COLABORAÇÃO

O conteúdo de cada prancha é elaborado com a colaboração de especialistas que foram entrevistados e depois validaram o resultado final

GRÁFICOS Muitas vezes, os números podem ser melhor visualizados através de gráficos de diferentes tipos. No de colunas 1 é possível fazer comparações; no de “pizza” 2 , visualizar proporções; e o de linhas 3 retrata a evolução de um fenômeno ou indica uma tendência 1 Saneamento

90,4% 3 Escolaridade 90,4% BR

2 PIB Bahia (setores)

86,4% 86,4% 86,4%

7,5% 7,5% 56,5% 56,5% BR BR

c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP

FOTOS Podemos ver as coisas a partir de várias perspectivas. Olhar de cima, de lado; de perto, de longe; focado, desfocado... As fotografias também podem ser feitas de muitas formas. Veja estes exemplos: foto noturna 1 , retrato 2 e panorâmica 3

37,4% 37,4% BA BA

61,8% 61,8% BR 56,5% BR BR

47,7% 47,7% BA BA 37,4%

7,5%

47,7%

76,8%

BA 83,4%

BA

BA

26 26% 26% 2626% 26

BA

BA

66,5% 66,5%66,5% 2000 2000

Agropecuária

76,8% 76,8%

BR83,4%

Indústria Indústria Indústria

61,8% BR

Agropecuária Agropecuária

BR

90,4% 83,4%

2000

2010 2010

Serviços Serviços Serviços

2000

2000 2000

2010

28

28

BR

27 BA

2010

20102010


MAPAS

Boa V ista Linha do E q u ad o r

Arquipélago de S. Pedro e S. Paulo

AMAPÁ

RO R AIMA

Macap á

Belém

NORTE E ESCALA

AMAZO NAS

FONTE

Rio Branco

ACRE

±

CEAR Á

RIO G R ANDE DO NO RTE Nat al

Palmas

Port o Velho

MATO GR O SSO

GO IÁS

MATO GR O SSO DO SU L Camp o Grand e

SER G IPE Salv ad o r

SÃO PAU LO

Su d es te

São Paulo

ESPÍRITO SAN TO

RIO DE JAN E IR O

Rio d e Janeiro

Trópi co de

Sul

SANTA CATAR INA

RIO G R ANDE DO SU L

IMAGENS DE SATÉLITE Satélites artificiais são máquinas colocadas em órbita ao redor da Terra. Por meio da radiação eletromagnética, captam imagens, que são enviadas a estações receptoras. Depois de processadas, as imagens nos permitem ver como é a Terra a partir do espaço

Vitó ria

Curit ib a

Limites regionais

Ilha de Trindade e Arquipélago de Martim Vaz

Belo Ho rizo nte

PAR ANÁ

Capitais estaduais

Florianó p olis

Capr icórn io

Port o Alegre

Limite nacional

30°S

BAH IA

MINAS GERAIS

Goiânia

Cap ital nacional

OCEANO ATLÂNTICO

Zona Econômica Exclusiva 75°O

Maceió

ALAG O AS

Brasília

Cuiab á

LEGENDA

Recife

Aracaju

DISTR ITO FEDER AL

Centro-Oes te

Quilômetros

Nordes te

TO CANTINS

RO NDÔN IA

João Pessoa

PAR AÍBA PER NAMBU CO

520

LEGENDA

Indica a instituição que fez a pesquisa e o ano em que a informação foi publicada

PAR Á

PIAU Í

O norte indica a posição da figura em relação aos pontos cardeais. A escala gráfica mostra a extensão da realidade representada Informa o que significa cada elemento gráfico presente no mapa

Arquipélago de Fernando de Noronha

Fo rt aleza

Nor te

MAR ANH ÃO Teresina

15°S

Linhas imaginárias que dividem a terra vertical e horizontalmente. Permitem localizar qualquer ponto do planeta a partir do cruzamento de duas linhas

São Luí s

Manaus

COORDENADAS GEOGRÁFICAS

60°O

45°O

30°O

F O N T E : IBGE, 2010

INFOGRÁFICOS Resultado da combinação de imagem com texto, os infográficos facilitam a compreensão de assuntos com o auxílio de recursos visuais

ILUSTRAÇÕES É um recurso visual (desenho, pintura, figura, ou várias dessas técnicas juntas) utilizado para esclarecer ou complementar o conteúdo de um texto

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Os mapas trazem informações sobre o território. Mas para ler e interpretá-los é importante entender alguns elementos da linguagem cartográfica, tais como:

7


NATUREZA

VIDA SEU LIVRO Como ler pág. 6

BIODIVERSIDADE América do Sul Domínios de natureza pág. 24

LUZ SOLAR Fotossíntese pág. 10

FOTO-LEGENDA

SUMÁRIO

A vegetação dos nossos vizinhos

MATA DAS ARAUCÁRIAS

MATA ATLÂNTICA

COMPLEXO DO PANTANAL

Também chamada de Mata dos Pinhais. Ocorre em clima subtropical e tropical de altitude e possui plantas coníferas, como o pinheiro-do-paraná (araucária)

Possui mais de 20 mil espécies de plantas – desde as maiores, como o jequitibá, até menores, como a jabuticabeira, que vive na sombra do bosque

No cenário alagado coexistem espécies do Cerrado, da Mata Atlântica e da Amazônia. É característica do ecossistema a grande diversidade de animais

CORPO HUMANO O corpo trabalha pág. 12

Unidades de Conservação pág. 30

CAATINGA

CAMPINARANA

CERRADO

Composta de espécies resistentes à seca, como os cactos. As plantas costumam ter poucas folhas, raízes profundas e espinhos

A região possui solos pobres e ruins para a agricultura, com árvores baixas e troncos finos, gramíneas e arbustos

Tipo de savana, com gramíneas, arbustos e árvores de pequeno porte, retorcidas e com flores vistosas, como as do pequi

Vida moderna pág. 16

Territórios de identidade pág. 52

10°0'S

15°0'S

Extinção pág. 32

± 70 Quilômetros

45°0'O

SAVANA

MOBILIDADE Deslocamentos pág. 62

Vegetação pág. 34

POPULAÇÃO DE OBESOS Brasil

40°0'O

20°0'S

A região de Los Llanos, na Venezuela, é caracterizada por superfície de relva (rasteira), muito semelhante à do Cerrado

O AUMENTO DA OBESIDADE De acordo com estimativas da OMS, em 2015 o mundo terá aproximadamente 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso – desses, 700 milhões de obesos

17%

BAHIA

ALTIPLANOS

Nas áreas planas da Cordilheira dos Andes (da Venezuela até a Argentina), a vegetação é rasteira e resistente ao frio

VOCÊ ESTÁ AQUI! Fisiologia pág. 14

ELETRICIDADE Noite no planeta pág. 50

PERNAMBUCO

Salvador

14%

CAMPOS SULINOS

VEGETAÇÃO LITORÂNEA

PATAGÔNIA

Os pampas gaúchos são áreas abertas, cobertas por vegetação rasteira de pradaria – gramíneas e poucas árvores

Nas áreas lodosas de manguezal, há plantas com raízes expostas. Já as rasteiras são comuns nas planícies arenosas

Ao sul do continente (no Chile e na Argentina), o clima é semidesértico e frio e há planícies com vegetação rasteira, as tundras

Consumo ideal* Consumo no Brasil

20%

de todos os agrotóxicos produzidos no mundo são consumidos no Brasil

O cérebro e as emoções pág. 18

CONSUMO DE SAL (gramas/dia) Consumo ideal* Consumo no Brasil

5g

Aumento do mercado de agrotóxicos nos últimos 10 anos

93% Média mundial 190% Brasil

12g

Manejo sustentável pág. 38

Química do amor pág. 20

CARTOGRAFIA Desenho do espaço pág. 40 GOIÁS

PIAUÍ

MUNDO

S GOA ALA

Conexões globais pág. 64

USO DA TERRA Bahia pág. 66 RELEVO

Compartimentos pág. 68 OCEA

GEOGRAFIA DA SAÚDE Cuidados pág. 22

TINS

século 20

TOCA N

SUMÁRIO ÍNDICE TEMÁTICO

8.000 a.C.

AMAZÔNIA Impactos ambientais pág. 36

IPE

CONSUMO DE AÇÚCAR (gramas/dia)

27g 150g

MATA DOS COCAIS

Vegetação formada principalmente por diversas espécies de palmeiras, como o babaçu, o buriti e a carnaúba

SERG

(32,8 milhões (382 mil de pessoas) pessoas)

O

Menos de

1% 3%

TIC

Consumo no Brasil

NO A TLÂ N

CONSUMO DE GORDURA TRANS (do total de calorias consumidas/dia) Consumo ideal*

8 ZOOM

MINAS GERAIS

Da Bahia ao universo pág. 42

ESPÍRITO SANTO


SOCIEDADE CLIMA

ENERGIA

Atmosfera pág. 70

SAIBA MAIS

Primeiros habitantes pág. 102

Matriz brasileira pág. 84

RR

Referências bibliográficas Estrutura setorial do PIB Bahia pág. 122

AP

Agropecuária

Alternativas renováveis pág. 86

AM

População negra pág. 104 AC

MA

PA

CE PI

TO

RO

BA

MT GO

ES

MS

SOLO

Qualidades e problemas pág. 88

SP

CULTURA LEGENDA Povo brasileiro PIB das Unidades pág. 106 da Federação

ÁGUA

Vida no sertão pág. 76

LIXO

RS

LEGENDA

Brasil (BR)

Recursos hídricos pág. 78

(BA)

67% BA

Rio São Francisco pág. 80 51% BA

43%

9%

28 BR

BR

32% BR

8,9%

27 22

8,5% BA

17

7,4%

BR

BR

1991

2010

2000

2010

20003

BA

2009

Entre 48,9 e 69,1

Entre 6,9 e 18,1

Entre 19,7 e 48,8

RR

BR

47,7% BA

2010

POPULAÇÃO Demografia pág. 96

2000

!

!

!

!

Municípios mais populosos

População total por município (número de habitantes) Acima de 500.000 Entre 150.001 e 500.000 Entre 75.001 e 150.000 Entre 20.001 e 75.000 Até 20.000

!

BA

MT GO

!

2010

ES

LEGENDA IDHM dos municípios da Bahia Entre 0,65 e 0,690

Entre 0,490 e 0,540

Entre 0,600 e 0,640

Desde o nascer pág. 116 DIVISÃO DE PODERES Brasil pág. 118 SÍMBOLOS Hinos e bandeiras pág. 120

1,0 0,8 0,7 0,6 0,5

Noruega (maior do mundo) 0,955 Brasil 0,730 Bahia 0,660 Níger (menor do 0,304 mundo)

MUITO BAIXO

Entre 0,630 e 0,650

DIREITOS

Serviços

SC RS

Entre 0,651 e 0,700

OCEANO

Linha do tempo pág. 100

BAIXO

Entre 0,701 e 0,750

ATLÂNTICO

HISTÓRIA Arqueologia pág. 98

MÉDIO

RJ

Entre 0,550 e 0,590

± 110

ALTO

Entre 0,70 e 0,760

!

Quilômetros

MUITO ALTO

DF MG

LEGENDA

IDH das Unidades Patrimônios da Federação pág. 114

Indústria

Compare os IDHs

RN PB PE AL SE

PR

!

!

LEGENDA

CE PI

Acima de 0,751

BA

2000

MA

TO

SP

61,8%

Agropecuária

AP

PA

RO

BA

BR

5,5%

Siglas e abreviaturas 27,5% pág. 128 67%

MS

56,5% INDICADORES Dados sociais37,4% pág. 94

!

Entre 69,2 e 122,9

Entre 18,2 e 49,3

Mapa literário pág. 112

83,4%

76,8%

BA

Entre 113 e 208,9

AM

BR

86,4%

Entre 209 e 38.819,5

Entre 111,4 e 263,7

AC

Estrutura setorial do PIB Brasil

Quilômetros

Entre 263,8 e 462,4

Serviços

150

(em milhões de reais)

Entre 49,4 e 111,3

Pessoas e vidas pág. 110

SUSTENTABILIDADE No cotidiano pág. 92 90,4%

Bahia

PIB dos municípios da Bahia

780 Quilômetros

Povos da Bahia pág. 108

Para onde vai pág. 90

Glossário pág. 126

SC

1.349

Indústria 26%

66,5%

RJ

PR

(em bilhões de reais)

7,5%

Índices e créditos pág. 124

DF MG

Semiárido pág. 74

RN PB PE AL SE

0

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Oceanos pág. 72

9


VIDA

Energia da vida

LUZ SOLAR

GRAÇAS À FOTOSSÍNTESE, A ENERGIA DO SOL SE TORNA DISPONÍVEL PARA TODOS OS SERES VIVOS

LUZ SOLAR FOTOSSÍNTESE

A

10

energia que utilizamos para viver está nos alimentos que consumimos. Mas você já parou para pensar de onde ela veio? A resposta é simples: a maior fonte é o Sol. Mas como a luz solar vem parar no nosso corpo? Afinal, se ficarmos deitados ao Sol, o máximo que vamos conseguir é um bronzeado ou, pior, uma insolação! Quem disponibiliza essa energia para nós são os vegetais. Eles têm a capacidade de absorver a energia luminosa do Sol e, por meio da fotossíntese, transformá-la em um tipo de energia que outros seres vivos podem utilizar. No século 18, o químico francês Antoine-Laurent de Lavoisier afirmou que “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Com a energia é assim. A partir do momento em que a radiação solar entra na atmosfera e é absorvida pelas plantas, ela começa a se transformar ao longo da cadeia alimentar. A energia absorvida pelos vegetais fica contida em um tipo de molécula chamada glicose. Quando consumidores primários comem partes da planta, absorvem a glicose. E, quando eles servem de alimento para um consumidor secundário, a energia é passada adiante. Só os vegetais conseguem fazer fotossíntese, aproveitando a energia luminosa do Sol, abundante e gratuita, para manter a vida na Terra. E não são só as plantas terrestres que fazem esse processo – é nos ocea­nos que ocorre a maior parte da fotossíntese, através de plantas aquáticas e algas. c o l a b o r a ç ã o Célia Senna, doutora em Biologia Molecular pela UnB; e Fátima Valente Roberti, bióloga, chefe da Divisão de Ensino e Divulgação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo

GÁS CARBÔNICO

GÁS CARBÔNICO

OXIGÊNIO

ESTÔMATO Os estômatos são células presentes nas folhas, onde é feita a troca gasosa entre a planta e a atmosfera. Eles também regulam a quantidade de água na planta através da evapotranspiração – liberação de vapor d'água FOTOSSÍNTESE

A fotossíntese acontece no cloroplasto, que fica dentro das células vegetais. É lá que a luz do Sol é absorvida e usada para transformar a água (absorvida pelas raízes) e o gás carbônico (capturado pelas folhas) em glicose – onde fica guardada a energia que será utilizada pela própria planta ou por outros seres vivos. A fotossíntese também libera moléculas de oxigênio, que são devolvidas à atmosfera

GÁS CARBÔNICO (C02)

ÁGUA

CLOROPLASTO

GLICOSE (C6 H12 O6)

ÁGUA (H20)

LUZ SOLAR

OXIGÊNIO (02)


Fluxo de energia

Quanto mais é usada, menos fica disponível No exemplo, a planta (produtor) armazena energia na glicose, utiliza parte para a própria manutenção e disponi­ biliza o restante. Depois, formigas (consumidor primário) se alimentam das plantas; o tamanduá (consumidor se­ cundário) come as formigas; e a onça (consumidor terciá­ rio), o tamanduá. Cada um gasta parte da energia assimi­ lada e deixa outra parte para os demais.

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

A seta luminosa da ilustração representa o fluxo de ener­ gia ao longo da cadeia alimentar, que vai passando de um ser vivo para outro. Percebeu que ela vai diminuindo de largura? Isso acontece porque, depois de se alimentarem, os seres vivos gastam energia para se movimentar e res­ pirar, entre outras funções vitais, deixando uma quantida­ de menor disponível para seu predador.

11 11

RESPIRAÇÃO

Todos os seres respiram – inclusive as plantas. Não estamos falando da respiração pulmonar, mas da respiração celular, que, na maioria dos seres vivos, é realizada em uma organela chamada mitocôndria. É nela que a glicose, associada ao oxigênio, sofre transformações que provocam a liberação de energia, além de água e gás carbônico

OXIGÊNIO (O2)

ENERGIA

ÁGUA (H20)

GÁS CARBÔNICO (C02)

GLICOSE (C6 H12 O6)

MITOCÔNDRIA


Em movimento

no emprego, na escola ou na praia, estamos trabalhando e gastando energia o tempo todo

CORPO HUMANO O CORPO TRABALHA

Q

12

uem disse que trabalho é coisa só de adulto? Na verdade, a gente já nasce trabalhando. E não para nunca! Quando levantamos da cama, ajudamos nas tarefas domésticas, carregamos uma mochila, estudamos... Até quando respiramos o nosso corpo trabalha. É que a palavra trabalho pode se referir a um emprego, serviço ou tarefa, mas também é um conceito da Física que nos ajuda a calcular quanta energia é necessária para executar uma atividade qualquer. Por exemplo, tirar uma cadeira do lugar. Para deslocá-la de um ponto a outro, precisamos erguê-la ou empurrá-la. Nesse caso, o trabalho é o resultado da força utilizada para mover o objeto, multiplicada pela distância percorrida por ele. Ou seja: basta você chutar uma bola ou apertar o botão de um videogame para realizar um trabalho. Se nosso corpo trabalha o tempo todo, ele tam­ bém gasta energia sem parar – inclusive quando a gente descansa. Sim, porque o coração continua batendo mesmo quando estamos dormindo, certo? Então, há um gasto involuntário de energia aí. O mesmo vale para todos os órgãos e para cada célula do nosso organismo. A gente nem percebe, mas milhões de ações e reações estão acontecendo no corpo a todo instante, 24 horas por dia. Tanto faz se estamos num escritório, numa lavoura, na sala de aula ou na praia. Trabalho e gasto de energia são duas constantes da vida, independentemente do esforço físico ou intelectual que se faça. c o l a b o r a ç ã o Gustavo Isaac Killner, físico e pedagogo, professor do Instituto Federal de São Paulo

Força aplicada Todo trabalho envolve força e deslocamento Na Física, usamos uma série de conceitos para compreender os movimentos que estão ao nosso redor. Essa disciplina nos ensina que o trabalho é re­sul­tado da aplicação de uma força sobre um objeto qualquer, desde que ela produza um deslocamento. Podemos chamar de força todo agente físico capaz de colocar um corpo em movimento, alterar sua velocidade ou mesmo modificar sua forma. Quanto maior a massa de um corpo, maior a força necessária para deslocá-lo

MENTE ALERTA

Há vários trabalhos envolvidos no simples ato de tocar violão: executar os acordes, manter o ritmo, lembrar a sequência. Tocar um instrumento demanda atividade cerebral e gasto de energia FORÇ A

FORÇAS OPOSTAS

Quando recolhe sua rede, o pescador está executando um trabalho. Enquanto ele faz força para puxar a rede, tem de vencer a força oposta, representada pela resistência da rede, dos peixes, da água etc. A cada puxada, o pescador joga seu corpo para trás e seus músculos se contraem. Isso implica um grande gasto de energia

DO PE

SCAD

OR

FORÇ A

DE RE

SISTÊ

NCIA


Energia

Princípios aplicados

Sem ela a gente nem conseguiria respirar

Ferramentas simples facilitam nossa vida

O organismo transforma em energia grande parcela do que comemos. Parte é usada para manter as funções vitais do corpo e outra é armazenada – principalmente nos músculos, no sangue e no fígado. Ao executar uma tarefa que envolva esforço físico ou mental, essa energia entra em ação. Sob a ótica da Física, portanto, a energia está associada à capacidade que temos para realizar um trabalho ou mesmo para modificar o estado físico de um corpo ou substância

Compreender alguns princípios físicos pode ajudar a realizar tarefas com menos esforço. Já dizia o físico Arquimedes, no século 3 a.C.: “Dê-me um ponto de apoio e moverei a Terra”. Trata-se do princípio da alavanca, que permite realizar um trabalho aplicando menos força. Veja abaixo outros exemplos

EM AÇÃO

PLANO INCLINADO O CORPO NÃO PARA

Mesmo em repouso, nosso corpo consome, no período de um dia, o equivalente à energia de uma lâmpada de 100 W. Afinal, cérebro, pulmões, coração e outros órgãos trabalham sem parar

Permite fazer menos força para erguer objetos. O vendedor de sorvete, por exemplo, recorre ao plano inclinado (uma rampa) para tirar o carrinho da praia sem ter de suspendê-lo

As roldanas facilitam o trabalho de içar as velas do barco. Elas combinam cordas com polias, que dividem a força aplicada em vários elementos. É como se muitas pessoas estivessem executando a tarefa em vez de uma só

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

ROLDANAS

Atividade física intensa, a capoeira demanda bastante energia. Sem contar o trabalho mental envolvido – o jogo requer estratégia e raciocínio rápido

13

ALAVANCA

Formada por uma barra e um ponto de apoio que funciona como eixo, a alavanca potencializa a força. É um dos princípios da Física mais comuns no cotidiano – empregado, por exemplo, quando se utiliza um remo


CORPO HUMANO FISIOLOGIA

2 ESTÔMAGO Digere o que comemos graças à ação do suco gástrico, um líquido ácido e rico em enzimas. No estômago são processadas, principalmente, as proteínas ESÔFAGO

ESTÔMAGO

Processo que transforma alimentos em nutrientes

Os dentes trituram o alimento e as enzimas da saliva iniciam a digestão, quebrando as moléculas de amido (presentes em pães, batata, mandioca, arroz...)

1 BOCA

Auxilia na digestão, regula a temperatura do corpo e ajuda a eliminar toxinas. O consumo diário de um adolescente deve ser, em média, de quatro a seis copos de 250 ml

ÁGUA

c o l a b o r a ç ã o Mônica Portela, professora da Escola de Nutrição da UFBA

Os nutrientes presentes nos alimentos podem ser divididos em grupos funcionais, pois possuem funções específicas. Há os carboidratos (também chamados de açúcares), as proteínas, os lipídios (ou gorduras), as vitaminas e os sais minerais. Sem contar a água, que é indispensável para o nosso bem-estar. Tudo que ingerimos segue um caminho próprio dentro do corpo até se transformar em moléculas funcionais – compostos químicos necessários à manutenção do nosso organismo. Esse processo de transformação começa na boca, passa pelo estômago e pelo intestino; nesse caminho, os nutrientes são absorvidos e lançados na corrente sanguínea.

Digestão

omer abóbora ou cenoura faz bem para a vista. Sabe por quê? Porque esses alimentos são ricos em betacaroteno, uma substância que, processada pelo organismo, vira vitamina A – importante para o correto funcionamento da retina. Esse é apenas um dos exemplos que demonstram como a nossa saúde depende do que a gente come. Cada tipo de alimento fornece uma ou mais substâncias que mantêm o nosso corpo sempre bem. Um dos segredos para ter uma vida saudável, por­ tanto, é manter uma alimentação balanceada, que inclua alimentos variados e na medida correta, sem exageros. Um prato com ingredientes bem coloridos já é um bom sinal: indica que você está comendo de tudo um pouco – e você só tem a ganhar com isso.

C

NOSSA SAÚDE DEPENDE DOS ALIMENTOS QUE CONSUMIMOS, DAÍ A IMPORTÂNCIA DE UMA DIETA BALANCEADA

Você tem fome de quê?

14


Sua falta pode provocar...

Características de cada tipo de nutriente

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Deficiências nos ossos, nos músculos, no sangue, no funcionamento de órgãos vitais e no sistema nervoso Dificuldade para metabolizar proteínas, carboidratos e lipídios. Pode provocar osteoporose, anemia e problemas de visão Perda da capacidade de processar as vitaminas A, D, E e K, que são absorvidas pelo organismo apenas na presença de gordura Anemia, desnutrição, perda de massa muscular, fraqueza, insuficiência hepática e diferentes problemas de digestão

Cansaço, perda excessiva de peso e de massa muscular, redução da capacidade de raciocínio e alterações de humor

SAIS MINERAIS

Fazem o transporte de oxigênio e estão presentes na estrutura de ossos, dentes, músculos e sangue. Também regulam o metabolismo e devem ser ingeridos, já que o corpo não os produz

Regulam o metabolismo e ajudam a prevenir doenças. A única vitamina que nosso corpo é capaz de produzir é a D, por isso precisamos ingerir todas as outras na forma de alimentos

LIPÍDIOS

Fornecem energia e ajudam na absorção de vitaminas solúveis em gordura, entre outras funções. Presentes em óleos, castanhas, abacate, coco, derivados do leite etc.

CARBOIDRATOS

Também chamados de açúcares, são a nossa principal fonte de energia. Estão presentes em alimentos bastante consumidos, como: arroz, pão, batata, mandioca e massas

VITAMINAS

Diuréticas, essas frutas ajudam a eliminar toxinas e combatem a gordura localizada

MELANCIA E ABACAXI

Evitam lábios rachados porque contêm vitamina B2, que ajuda na reparação de tecidos

RÚCULA E COUVE

Mantêm o cabelo bonito porque são duas excelentes fontes de proteína, principal componente dos fios

OVO E FEIJÃO

Fazem bem para a pele porque são ricos em ácido fólico, um regenerador celular

LARANJA E PEPINO

Exemplos de alimentos que ajudam a cuidar da beleza

Bem na foto

PROTEÍNAS

Grupos funcionais

INTESTINO GROSSO

INTESTINO DELGADO

FIBRAS

Presentes em cereais, raízes, frutas e verduras, não são absorvidas pelo organismo. Porém são fundamentais, pois estimulam a movimentação do intestino e a multiplicação de bactérias da flora intestinal

Formam os tecidos do corpo humano e têm papel importante na produção de anticorpos. São abundantes em carnes, laticínios e vegetais leguminosos, como feijão e ervilha

Depois de absorvidos, os nutrientes são lançados na corrente sanguínea para serem transportados para as células de nosso corpo todo

5 SISTEMA CIRCULATÓRIO

Composto de duas partes (grosso e delgado), é um órgão bem importante do sistema digestório: é lá que vários nutrientes são absorvidos

4 INTESTINO

Faz a digestão de lipídios e intensifica a de carboidratos, através da ação de sais biliares e do suco pancreático

3 DUODENO

DUODENO

15


Tempos modernos L

evamos uma vida bem mais prática que a de nossos antepassados, que viveram há milhares anos, no tempo das cavernas. Naquela época, o homem era nômade e precisava caçar para sobreviver. Hoje, basta ir à quitanda ou ao supermercado para comprar alimentos. Esse é um dos muitos benefícios da modernidade. Mas o estilo de vida atual também criou problemas – entre eles, o sedentarismo e a obesidade. Embora não precisemos mais caçar para garantir nosso sustento, o corpo humano continua configura­ do para acumular energia na forma de gordura, como

nosso estilo de vida proporciona comodidades, mas pode também oferecer riscos à saúde

Alimentação na história

CORPO HUMANO VIDA MODERNA

c o l a b o r a ç ã o Mônica Portela, professora da Escola de Nutrição da UFBA

AÇÚCAR

Fatos que mudaram nossa relação com os alimentos

16

na História Antiga. A diferença é que nossos ancestrais faziam um esforço danado para conseguir comida, gastando muita energia – a gente, nem tanto. Resultado: a humanidade está engordando cada vez mais. A obesidade quase dobrou nos últimos 30 anos e atinge, hoje, cerca de 500 milhões de pessoas no mundo. Junte a isso a quantidade excessiva de sal, açúcar, gordura e conservantes contida nas comidas industrializadas e, pronto: chega-se a um cenário preocupante.

8.000 a.C. CAÇA E COLETA

6.000 a.C. AGRICULTURA E CRIAÇÃO

SÉCULO 18 INDÚSTRIA

SÉCULO 20 REVOLUÇÃO VERDE

O homem das cavernas passava a maior parte do dia à procura de alimentos. Sua dieta era composta basicamente de proteína e gordura animal, além de frutos e raízes silvestres

A humanidade passou a plantar e a criar animais e deixou de ser nômade. Surgiram assentamentos, depois vilas e cidades. Os habitantes ficavam cada vez mais fixos nas localidades

A Revolução Industrial promoveu alimentos processados, enlatados e pasteurizados. Produzidos em larga escala, alimentavam populações cada vez maiores

Para aumentar a produtividade, foi criado um novo modelo de agricultura, com muita monocultura e o uso intensivo de agrotóxicos

O consumo exagerado faz o pâncreas produzir insulina extra, o que pode provocar diabetes. Uma boa alternativa é substituí-lo por frutas, que têm vitaminas e nutrientes

CONSUMO DE AÇÚCAR (gramas/dia)

27g 150g

8.000 a.C.

século 20

Consumo ideal* Consumo no Brasil


Leia sobre alimentação saudável na página 14

Sal, açúcar e gordura podem ser perigosos A humanidade nunca teve ao seu dispor uma variedade tão grande de alimentos quanto hoje. Mas é bom tomar cuidado com as comidas de alto valor calórico e baixo valor nutricional. Para escapar dessa armadilha, é preciso fazer boas escolhas, evitando alimentos industrializados com excesso de sal, açúcar ou gordura e, sempre que possível, optando por aqueles livres de agrotóxicos

Há vários tipos: alguns são importantes para a saúde, e outros, como a gordura trans, podem provocar doenças cardíacas ou neurológicas se consumidos em excesso CONSUMO DE GORDURA TRANS (do total de calorias consumidas/dia)

Consumo no Brasil

Menos de

1% 3%

SAL

CONSUMO DE SAL (gramas/dia)

Consumo no Brasil

Ritmo frenético O corre-corre da vida moderna também pode prejudicar a saúde Hábitos alimentares ruins não são o único problema típico da vida moderna. Falta de atividade física, excesso de preocupações e dificuldade para pegar no sono podem afetar nossa saúde negativamente

Salvador

17%

14%

SEDENTARISMO (32,8 milhões (382 mil de pessoas) pessoas)

Está associado à obesidade, hipertensão arterial, diabetes, ansiedade, colesterol alto e infarto. Segundo a OMS, fazer assiduamente pelo menos 30 minutos de atividades físicas (de intensidade moderada) reduz o risco de doenças cardiovasculares e diabetes

AGROTÓXICOS

Um dos perigos do sal de cozinha é o sódio. Quando usado em excesso, pode provocar pressão alta, problemas nos rins e doenças no coração

Consumo ideal*

POPULAÇÃO DE OBESOS Brasil

GORDURA

Consumo ideal*

O AUMENTO DA OBESIDADE De acordo com estimativas da OMS, em 2015 o mundo terá aproximadamente 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso – desses, 700 milhões de obesos

5g 12g *Recomendado pela OMS

F o n t e s : MS, 2009, 2011 e 2013; Sesab, 2010; Embrapa, 2011

São substâncias usadas para o controle de pragas. No Brasil são utilizadas em excesso por manejo inadequado e falta de fiscalização. Nosso corpo não é capaz de eliminá-las, por isso se acumulam no organismo ao longo da vida. Podem causar depressão, câncer e infertilidade

20%

de todos os agrotóxicos produzidos no mundo são consumidos no Brasil

ESTRESSE

Sob tensão, as glândulas suprarrenais liberam cortisol, adrenalina e noradrenalina, que diminuem o ritmo do metabolismo. Pode gerar arteriosclerose, acidente vascular cerebral, diabetes e úlcera. Um ritmo de vida mais calmo ajuda a combatê-lo

Aumento do mercado de agrotóxicos nos últimos 10 anos 93% Média mundial 190% Brasil INSÔNIA

Quem dorme bem (entre sete e oito horas de sono por noite, em média) produz os hormônios leptina e grelina, que regulam o apetite. Já quem dorme pouco ou mal está mais sujeito a ter problemas como obesidade e diabetes, além de estresse e depressão

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O problema está nos excessos

17


Comando central gerenciando mais de cem tipos de hormônios, o cérebro regula o corpo e define humores

CORPO HUMANO O CÉREBRO E AS EMOÇÕES

Q

18

uem nunca se alegrou ao reencontrar uma pessoa querida? Ou então teve medo diante de um barulho estranho? Cada situação desperta um tipo de emoção. E em nosso corpo essas emoções despertam uma série de reações. Mas, quem diria, os responsáveis por essas respostas são processos bioquímicos ativados por nosso cérebro. Quando sorrimos, choramos, nos arrepiamos... no corpo estão ocorrendo reações químicas e descargas elétricas que induzem tais sensações. O funcionamento do corpo humano é regulado por um complexo sistema de comunicação. Trata-se de um sistema altamente especializado, gerenciado por um órgão central: o cérebro. É ele que está no comando. Dentro dele há uma pequena (mas importante!) região chamada hipotálamo, por onde passam informações sobre o estado geral do nosso corpo. Cada situação que vivemos ativa essa e outras ­áreas do cérebro, que disparam informações capazes de atingir o corpo inteiro. Para distribuir seus comandos, o cérebro usa substâncias químicas que atuam como mensageiras: os hormônios e os neurotransmissores. Hormônios são substâncias que ajudam na regulação das mais diversas funções do organismo, tais como: o crescimento, o desenvolvimento e a reprodução. Como se não fosse o bastante, eles ainda despertam uma variedade imensa de sensações físicas. Já os neurotransmissores são moléculas que passam informações entre os neurônios e desencadeiam efeitos, como o prazer, a dor e o apetite. c o l a b o r a ç ã o Antônio Pereira, professor do Instituto do Cérebro da UFRN; e Carolina T. Piza, neuropsicóloga do CPN/NANI e coordenadora do Instituto ABCD

Ação e reação Os sentidos captam, o cérebro registra e comanda o corpo O cérebro é extremamente complexo. Em um adulto, contém cerca de 86 bilhões de neurô­ nios, responsáveis pela condução de impulsos nervosos, que garantem a comunicação entre partes do corpo. O cérebro também controla comportamentos, através da liberação de neu­ rotransmissores e hormônios que produzem as mais diversas reações às situações vividas HIPOTÁLAMO

Controla o metabolismo e as funções vitais, como temperatura do corpo e pressão sanguínea. Ativa a hipófise, que, entre outras funções, regula a produção de hormônios

SINAPSES

Locais de contato entre as células cerebrais (neurônios). É nas sinapses que ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula a outra, permitindo a comunicação neuronal

CÓRTEX

É responsável pela memória, linguagem, pensamento e atenção. Recebe estímulos sensoriais e sincroniza outras partes do cérebro produzindo movimentos voluntários

GLÂNDULAS

Existem várias delas espalhadas pelo corpo. Algumas produzem hormônios. Quando se trata de emoções, destacam-se duas: a hipófise (localizada no cérebro) e a suprarrenal (localizada no abdômen)

AMÍGDALA CEREBRAL

Comunica-se com outras partes do cérebro ativando reações fisiológicas ligadas às emoções. Avalia riscos e nos torna mais cautelosos. Está ligada ao sentimento de raiva e medo

Desenvolvimento

FETO

CRIANÇA

O cérebro atravessa várias fases ao longo da vida, durante as quais suas funções passam por um processo de amadurecimento

A primeira atividade elétrica do cérebro ocorre entre a 5ª e a 6ª semana de gravidez. Na 10ª semana, nascem cerca de 250 mil neurônios por minuto

Uma criança tem o dobro de conexões neuronais no cérebro do que a média apresentada por um adulto. Nessa fase, ela aprimora capacidades motoras e cognitivas, como a linguagem


TRISTEZA

RAIVA

MEDO

Muitas vezes acarreta desânimo, irritabilidade e sensibilidade aflorada. Dá vontade de chorar ou de ficar quietinho. E a vida parece perder a graça...

Provoca contração dos músculos (o rosto fica franzido) e acelera o batimento cardíaco. A pessoa perde a paciência e tende a agir intempestivamente

Altera o ritmo do coração, a respiração e a movimentação do trato gastrointestinal (daí a famosa dor de barriga). Quando é muito forte, paralisa

Quando algo nos deixa felizes, são liberadas substâncias como serotonina, endorfina e dopamina

Tem relacão com a deficiência de serotonina e aumento na produção de cortisol, o hormônio do estresse

Está associada à liberação de cortisol, adrenalina e noradrenalina e também à deficiência de dopamina

Está relacionado a altos níveis de cortisol, adrenalina e noradrenalina no organismo

ADOLESCENTE

ADULTO

IDOSO

Durante a adolescência, desenvolvem-se partes do córtex frontal que controlam decisões e a impulsividade. Neurônios pouco utilizados pelo cérebro são descartados

Estudos indicam que o auge do desempenho cerebral se dá na idade adulta. Já o momento em que se inicia o declínio é difícil de ser determinado – ele varia de pessoa para pessoa

Ao longo da vida, o cérebro acumula um tanto de conhecimento. À medida que o corpo envelhece, no entanto, o ritmo de surgimento de neurônios diminui

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

ALEGRIA

Traz sensação de bem-estar e relaxamento. A expressão facial se suaviza e emergem os sorrisos. Tudo parece bom aos olhos de quem está contente

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Rolou química? hormônios e neurotransmissores provocam sensações de desejo, paixão e companheirismo

CORPO HUMANO QUÍMICA DO AMOR

V

20

ocê vai a uma festa e, de repente, se interessa por alguém. Ao voltar para casa, mal consegue dormir. Passa os dias seguintes sem tirar aquela pessoa da cabeça. Será que foi a beleza dela o que tanto lhe atraiu? O papo? O perfume? Teria sido uma combinação disso tudo? Pouco importa. O que interessa é que rolou uma química, certo? E de fato, quando nos sentimos atraídos ou apaixonados por uma pessoa, ocorre em nosso corpo um conjunto de reações químicas – o que nos provoca uma série de sensações. Desejo, ansiedade, vontade de estar perto... Os sintomas típicos de quem está apaixonado são resultado de uma ebulição bioquímica que acontece no corpo humano. Quem comanda o espetáculo, diferente do que se costuma dizer, não é o coração, mas o cére­ bro. Ele trabalha como uma espécie de maestro, coordenando a ação de hormônios e neurotransmissores. Essas substâncias, que atuam como mensageiras, são as responsáveis pelas sensações relacionadas ao amor. Enquanto os neurotransmissores se encarregam de passar informações de um neurônio a outro no cérebro, os hormônios viajam pela corrente sanguínea até alcançar suas células-alvo. Quando chegam lá, são reconhecidos por uma proteína denominada receptora. Esse encontro desencadeia várias reações específicas, dependendo do tipo de hormônio que estiver atuando. Cada qual provoca um ou mais efeitos diferentes sobre o organismo. c o l a b o r a ç ã o Cibele Fabichak, médica com especialização em Fisiologia pela Unifesp; Martin Andreas Metzger, professor do ICB da USP; e Antônio de Souza Andrade Filho, neurologista e professor da Faculdade de Medicina da UFBA

Cupidos bioquímicos Veja quem está por trás das sensações de amor Entre os hormônios e os neurotransmissores que influenciam nossas reações quando nos interessamos por alguém, destacam-se três: testosterona, dopamina e ocitocina TESTOSTERONA

Hormônio masculino também presente nas mulheres que, entre outras coisas, determina o desejo e o ímpeto sexual. É produzido nos testículos, nos ovários e nas glândulas suprarrenais DOPAMINA

Neurotransmissor que avisa o cérebro que virá pela frente uma sensação de prazer. Ele determina o nosso comportamento quando vivemos uma situação prazerosa, como comer algo gostoso OCITOCINA

Apelidada de hormônio do amor, é produzida no hipotálamo e também está associada às sensações de prazer e bemestar emocional. É liberada, por exemplo, durante o orgasmo DESEJO E ATRAÇÃO

Homem X mulher Testosterona é a principal diferença Os homens produzem de 20 a 30 vezes mais testosterona do que as mulheres. Mas isso não quer dizer que o desejo e o apetite sexual deles sejam maiores. Na hora da paquera ou do sexo, ocorre um aumento na produção desse hormônio tanto no homem quanto na mulher

São sensações provocadas pelo aumento da testosterona, tanto em homens como em mulheres. Quanto mais testosterona em ação, maior é a libido – ou atração sexual. Geralmente acontece no momento em que duas pessoas se conhecem, mas pode ocorrer quando já convivem há tempos. Como por exemplo quando alguém passa a ver um amigo com interesse especial – e isso nem a ciência sabe o porquê! Apesar de ser mais intensa no início, pode ser experimentada ao longo de todo o relacionamento


O corpo celebra Em geral, como ocorre o orgasmo O ritmo do coração se acelera para que não falte sangue nos músculos durante o sexo Aumenta a produção de adrenalina, de efeito excitante, e de serotonina, que dá sensação de bem-estar A temperatura do corpo aumenta com a aceleração dos batimentos do coração Os pulmões trabalham mais rapidamente para oxigenar o sangue, e a respiração fica ofegante Enquanto tudo isso acontece, a ocitocina faz aumentar o desejo e a ligação emocional No momento do orgasmo, ocorre uma enorme descarga elétrica – é a celebração

Apagado o “incêndio”, a endorfina normaliza a atividade cerebral e proporciona relaxamento

Gravidez precoce Educação sexual ajuda na prevenção

ROMANCE E PAIXÃO

COMPANHEIRISMO E CONEXÃO

Nesse estado, as sensações são comandadas principalmente pela ação da dopamina, considerada um dos neurotransmissores da paixão. Outras duas substâncias bioquímicas atuam nesse processo: a noradrenalina, que influencia a ansiedade; e a serotonina, que interfere na sensação de calma e bem-estar. Com a paixão, a produção de noradrenalina aumenta e a de serotonina cai. É por isso que, na presença da pessoa amada, o coração dispara. Quando estamos longe, podemos sentir um aperto no peito

É o sentimento que se revela no momento mais íntimo, tranquilo e estável do amor. Ocorre um aumento na produção de ocitocina, que estimula uma região do cérebro conhecida como sistema límbico. É ele, principalmente, que controla nossas emoções e nosso comportamento social. A ação da ocitocina sobre esse sistema faz diminuir a ansiedade e a insegurança típicas da paixão. Simultaneamente, aumenta a produção da vasopressina, um hormônio que fortalece o sentimento de parceria entre o casal

Ter um filho exige grande responsabilidade. Por isso, a gravidez na adolescência pode levar ao abandono escolar e dificultar o início da vida profissional – sem contar que mãe e pai deixam de desfrutar atividades típicas da juventude para cuidar do bebê. A saúde da jovem gestante e de seu bebê também corre riscos. Para tirar dúvidas sobre prevenção, a escola oferece aos alunos noções de educação sexual

Diversidade sexual Todos temos o direito de amar Cada ser humano é único e preserva características individuais que se refletem em vários aspectos da vida. A sexualidade é um deles. Todos temos o direito de amar e de viver plenamente nossa sexualidade. Respeitar esse direito à individualidade faz parte do exercício da vida em sociedade

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Quando o corpo está perto do esgotamento, o cérebro libera endorfina, de efeito calmante

21


O corpo agradece PARA PREVENIR DOENÇAS COMO A DENGUE, SIMPLES CUIDADOS E ATENÇÃO AOS DETALHES BASTAM

Doenças: de onde vêm Há agentes na água, no ar e no solo As doenças podem ser causadas por agentes biológicos (como vermes, vírus, protozoários e bactérias – vide imagem destes ampliada abaixo) e químicos (substâncias usadas de forma incorreta, como produtos de limpeza, medicamentos e inseticidas)

GEOGRAFIA DA SAÚDE CUIDADOS

V

22

ocê já deve ter ouvido para não deixar água parada em pneus ou vasos e para trocar diariamente a água do pote do seu animal de estimação. Saiba que, com essas ações preventivas, você ajuda a diminuir o número de casos de dengue no seu município, evitando a reprodução do mosquito transmissor da doença. No Brasil, a maioria dos estados fica na Zona Tropical e as chuvas e a umidade contribuem para a reprodução de mosquitos. Consideram-se períodos epidêmicos aqueles cuja incidência da doença ultrapassa a média da última década. Assim, é importante que seja feita a prevenção. Quando o profissional de saúde for até a sua casa, ouça com atenção as orientações e coloque-as em prática. É em casa que começa a ação para o combate à doença. Esteja atento!

AGENTE BIOLÓGICO

NA ÁGUA

NO SOLO

É onde alguns agentes se reproduzem. Beber ou ter contato com água contaminada causa doenças

Estão em terrenos onde há fezes de animais ou de pessoas doentes (esgoto a céu aberto)

NO AR Desmatamento e aumento da temperatura podem elevar o número de vetores nas cidades

c o l a b o r a ç ã o Anthony Érico G. Guimarães, parasitólogo da Fundação

NA ÁGUA

NO SOLO

NO AR

Oswaldo Cruz; Antônio Carlos Rossin, engenheiro em Saúde Pública; e Eliseu

Esgoto e substâncias tóxicas jogados nos rios e mares causam doenças de pele e intoxicação

Lixo hospitalar e resíduos industriais enterrados sem tratamento tornam-se perigosos

Poluentes lançados na atmosfera são responsáveis por casos de infecção pulmonar

Waldman, epidemiologista, ambos professores da USP

Dengue no Brasil Jornada pelo Atlântico O mosquito Aedes aegypti recebeu esse nome por causa de seu país de origem, o Egito. A jornada do inseto até o Brasil começou nos navios negreiros no século 16. Atualmente, é problema de saúde pública

AGENTE QUÍMICO

NA ÁFRICA

EM CASA

INFECÇÃO

EM MASSA

Mosquitos puseram seus ovos em moringas e, como resistem em locais secos por cerca de um ano, os ovos sobreviveram à viagem nas moringas vazias e, no Brasil, eclodiram quando estas foram reabastecidas

As condições climáticas do Brasil e da África são parecidas, e o mosquito sobreviveu e proliferou: as fêmeas se alimentam dos sulcos de vegetais e do sangue humano

Quando a fêmea pica alguém que tem o vírus da dengue, ela o ingere e leva para outra pessoa sadia. Então, as plaquetas do sangue são destruídas, podendo causar hemorragia, que, quando não controlada, leva à morte

Clima, falta de saneamento básico e desinformação são responsáveis pelos casos de dengue em algumas regiões, como o litoral do Brasil. A alta incidência elevou a doença à categoria de epidemia em vários municípios do país

MACHO

FÊMEA


As endemias brasileiras

Chega de dengue!

Entenda algumas doenças tropicais

A prevenção deve ocorrer o ano todo

Em 1994, o Brasil erradicou o vírus da poliomielite, que causa a paralisia infantil. No entanto, há algumas doenças que oferecem um risco constante à população. Fatores ambientais, como o clima tropical, e socioeconômicos são as principais causas. Veja no mapa onde ocorrem algumas dessas endemias

BRASIL

ENDEMIAS

Endemias brasileiras

P r i n c i p a i s d o e n ç a s e n d ê m i c a s b r a s i le i r a s

Área coincidente (febre amarela e doença de Chagas)

LEGENDA Área sem números

expressivos de casos

Na Bahia, os casos da doença apresentam variações sazonais. O estado registrou, em 2013, 61.974 casos notificados de dengue – um aumento de 50% em relação ao ano de 2010. No entanto, os casos graves diminuíram de 974 para 125

DOENÇA DE CHAGAS P r i n c i p a i s d o e n ç a s e n d ê m i c a s b r a s i le i r a Chagas sbrasileiras Endemias Causada pelo contato direto com Área coincidente Esquistossomose (febre amarela doença de Chagas) as fezes de eum percevejo chamaÁrea números Febre amarela do sem barbeiro, em que se encontra expressivos de casos o protozoário Trypanosoma cruzi

maculosa Chagas EndemiasFebre brasileiras

Área coincidente ESQUISTOSSOMOSE Leishmaniose Esquistossomose (febre amarela e doença de Chagas)

A doença vem de um parasita Área sem números Malária Febre amarela expressivos casos chamadodeSchistosoma, que se

Nota: dados relativos à alta incidência das doenças.

Chagas hospeda em Febre maculosa

± 356

caramujos que vivem a dos rios

em água doce, como EndemiasEsquistossomose brasileiras

Leishmaniose Área coincidente Malária (febre amarela e doença de Chagas) FEBRE AMARELA Febre amarela

sem números Nota: dados Área relativos à alta incidência das doenças.

Na área urbana, expressivos de casos é Febre maculosa

transmitida pelo Aedes aegypti (o mesmo da Chagas Leishmaniose dengue); e na silvestre, pelo mosEndemiasEsquistossomose brasileiras quito Haemagogus janthinomys. Malária Área coincidente A vacina vale por dez anos Nota: dados Febre relativos à alta incidência das doenças. (febre amarela amarela e doença de Chagas)

±

Quilômetros

356

PREVENÇÃO 1

O mosquito coloca ovos em qualquer lugar úmido, e não apenas em água parada e limpa. Portanto, colocar areia nos pratos das plantas não adianta. Eles devem estar sempre secos

PREVENÇÃO 2

Água sanitária, borra de café ou “receitinhas caseiras” não eliminam o Aedes aegypti. O ideal é usar veneno contra larvas, aplicado por profissionais de saúde da prefeitura

Área sem números FEBRE MACULOSA expressivos de casos Febre maculosa

Quilômetros

De origem Chagas Leishmaniose

bacteriana, é transmitida por carrapatos do gênero Endemias brasileiras Esquistossomose Malária Amblyomma, como o de cavalo; e Área coincidente Nota: dados Febre relativosamarela à alta incidência das doenças. (febre e doença de Chagas) peloamarela carrapato-estrela, de Área sem números capivara. Não há vacina expressivos de casos Febre maculosa

Chagas LEISHMANIOSE Leishmaniose

Endemias brasileiras Área coincidente Área coincidente (febre amarela e doença de Chagas)

amarela Endemias (febre brasileiras

Dengue

Fonte: Ministério da Saúde,

F o n t e : SVS, 2006

Fonte: Ministério da

e

CUTÂNEA

Transmitida por insetos do gênero Esquistossomose Malária Lutzomyia (ou mosquito-palha). Nota: dados relativos à alta incidência das doenças. Febre amarela É causada pelo protozoário Leishmania Febre maculosa e produz feridas no corpo Leishmaniose

Área sem números MALÁRIA Malária doença de Chagas) Área coincidente expressivos de casos (febre amarela e doença de Chagas) Nota: dados relativos à alta incidência das doenças.Legal A região da Amazônia 2007; SVS/MS, 2005; FUNASA/MS, 2006 Chagas Área semsem números Área números

expressivos de casos expressivos de casos Esquistossomose Chagas F o n t e s SVS/MS, : MS, 2007;2005; SVS/MS, 2005; Febre amarela Saúde, 2007; FUNASA/MS, Funasa/MS, 2006 Esquistossomose Febre maculosa Febre amarela

Leishmaniose Febre maculosa Malária

concentra 99,7% dos casos, pois o mosquito vetor, o Anopheles, que vive na selva, só vai para a cidade 2006 quando há desmatamento

TRATAMENTO

O vírus pode levar até oito dias para se manifestar. Os sintomas são parecidos com os da gripe. Nesse caso, não tome nenhum remédio: procure o posto de saúde e faça o exame de sangue. Para o tratamento, repouso e muita ingestão de líquidos

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

23


Domínios do Brasil

Clima, relevo e vegetação formam grandes conjuntos naturais

Os Domínios de Natureza são conjuntos ecológicos e paisagísticos. Diferenciam-se entre si pelo tipo de vegetação, pelas formas do relevo e pelas dinâmicas do clima – entre um domínio e outro há áreas de transição. O estado da Bahia está em mais de um domínio. Observe o mapa!

AS FORMAS DE INTERAÇÃO ENTRE OS SERES VIVOS E SEU MEIO CRIAM DOMÍNIOS E ECOSSISTEMAS

BRASIL

A

c o l a b o r a ç ã o José Roberto Meireles, biólogo, professor da UEFS

DOMÍNIOS DE NATUREZA

^

RR

AP

Equador

^ ^ ^

^

^

AM

10º0'S

AC

PA

MA

^

^ ^

BA

DF^ GO ^

^

Capitais

MS

Limites estaduais

^

PR

RS

^

^

SC

Mares de morros - Áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas

^

RJ

SP

Amazônico - Terras baixas com florestas equatoriais Cerrados - Chapadões tropicais interiores com cerrados e florestas-galeria

Caatingas - Depressões intermontanas e interplanálticas semiáridas Araucárias - Planaltos subtropicais com araucárias Pradarias - Coxilhas subtropicais com pradarias mistas

ES

^

^

Domínios morfoclimáticos e fitogeográficos

^

MG

Quilômetros

LEGENDA

^

AL ^ SE ^

TO

350

^

PB ^ PE

^

RO

RN ^

CE

PI

MT

20º0'S

sua casa fica no litoral? Ela fica perto de florestas ou da caatinga? Está em uma chapada ou nas margens de um rio? As paisagens diversas são resultado da combinação de unidades de relevo, tipos de solo, seres vivos, dinâmicas climáticas e hidrológicas – e também do uso que as pessoas fazem delas! O geógrafo Aziz Ab’Sáber, principal referência em Geografia Física do Brasil, identificou conjuntos paisagísticos e ecológicos de certa homogeneidade e grande extensão, chamados de Domínios de Natureza. São áreas que se diferenciam por suas características ambientais e pe­ las comunidades de seres que vivem nelas. Foram identificados seis grandes Domínios de Natureza no Brasil: Amazônico, Caatinga, Cerrado, Mares de Morros, Araucárias e Pradarias. Entre esses domínios existem grandes faixas de transição que apresentam elementos típicos de dois ou mais domínios, sem apresentar uma fisionomia homogênea. Em cada um dos domínios existe uma variedade de ecossistemas – que são sistemas ecológicos adaptados às condições ambientais de um local específico. A Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga ou qualquer outro domínio apresentam variações na vegetação, no solo, no relevo, no clima, na hidrografia etc., e é isso que diferencia os tipos de ecossistema. A partir da página ao lado, confira os diferentes ecossistemas no território da Bahia. Começando pelas costas dos recifes, no litoral; passando por manguezais e Mata Atlântica até a Caatinga e o Cerrado.

30º0'S

NATUREZA BIODIVERSIDADE DOMÍNIOS DE NATUREZA 24

Ambiente e vida

OCEANO ATLÂNTICO

^

^

Faixas de transição não diferenciada

70º0'O

60º0'O

50º0'O

40º0'O

F o n t e : Aziz Ab'Sáber, 1965


Riqueza da vida submersa

Você sabe o que são os recifes? E os recifes de corais? Os reci­ fes são um tipo de formação rochosa sedimentar, submersa em águas oceânicas. Já os recifes de corais ocorrem sobre rochas variadas, em águas quentes, límpidas e rasas. Nesse ambiente formam-se estruturas calcárias, construídas por seres vivos, como: corais (que se parecem com algas, mas são animais),

algas calcárias, moluscos e vários outros organismos. Essas estruturas abrigam uma grande diversidade de espécies, tais como: peixes, polvos, lagostas e algas. A costa da Bahia apresenta mais de 900 km de recifes ro­ chosos, alguns com corais, e é considerada um grande hotspot de biodiversidade marinha do Atlântico Sul

VIDA DEBAIXO D’ÁGUA

BIODIVERSIDADE MARINHA

PROTEÇÃO DA COSTA

Os recifes de corais se formaram ao longo de milhões de anos e estão entre as comunidades marinhas mais antigas que se conhece. Em número de espécies, só perdem para as florestas tropicais. Estima-se que em um único recife haja mais de 3 mil espécies de animais e plantas e, apesar de ocuparem menos de 1% dos oceanos, 25% das espécies marinhas vivem neles!

Os ambientes de recifes de corais abrigam milhares de espécies de peixes, moluscos, crustáceos, cnidários e algas. Por isso, são fontes de recursos pesqueiros para as comunidades humanas costeiras e matéria-prima de farmacoterápicos. Também são barreiras naturais que protegem a costa do mar e destino para turistas que gostam de mergulhar, passear de barco, pescar...

Dunas eólicas são formações costeiras de transição entre o ambiente marinho e o terrestre. Elas protegem os reservatórios de água doce da contaminação pela água salgada. Também impedem o avanço das marés sobre as construções. Porém, a vegetação que fixa as dunas precisa ser conservada para que elas não se desloquem BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Costa dos recifes

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Florestas biodiversas A ESTIMA-SE QUE 8% DA BIODIVERSIDADE MUNDIAL ESTEJA ABRIGADA NAS FLORESTAS ATLÂNTICAS

Manguezais

Mata Atlântica originalmente se estendia por grande parte do litoral brasileiro – de norte a sul, ocupava uma área aproximada de 1,1 milhão de km2. Os desmatamentos sucessivos, desde o Período Colonial, diminuíram sua extensão para 8,5% da cobertura original. Apesar de drasticamente reduzido, esse tipo de vegetação apresenta uma biodiversidade extraor­dinária: uma das maiores do mundo!

A Mata Atlântica não é homogênea: ela possui diferentes ecossistemas, como a Floresta Semiestacional e a Floresta Mista com Araucárias. Há também os manguezais, ecossistemas de transição entre o continente e o mar; e as restingas, planícies arenosas recobertas por diferentes tipos de vegetação. c o l a b o r a ç ã o José Roberto Meireles, biólogo, professor da UEFS

BIODIVERSIDADE DOMÍNIOS DE NATUREZA

Entre o rio e o mar, berçário da vida dos oceanos

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O manguezal é um ecossistema que fica na transição entre a terra e o mar, em estuários, onde a água salgada se mistura à doce. Normalmente, ocorre em regiões da costa protegidas da arrebentação das ondas – não se formam manguezais de fren­ te para o mar aberto. Eles são considerados um dos principais berçários dos oceanos, pois produzem alimentos e fornecem abrigo para inúmeros seres vivos marinhos em sua fase jovem. O Brasil possui uma das maiores extensões de manguezal do mundo, com cerca de 20 mil km²

TODOS PRECISAM DE ALIMENTO...

...MAS DE FONTES DIFERENTES

PLANTAS HALÓFITAS

Os animais precisam de outros seres vivos para se alimentar (obter energia) e desenvolver-se. Já outros produzem seu próprio alimento, como as plantas

A cadeia alimentar é formada por produtores (plantas), consumidores (animais) e decompositores (fungos e bactérias), que decompõem seres mortos

São as plantas adaptadas ao substrato do manguezal, formado por um lodo úmido, salobro, pobre em oxigênio e rico em matéria orgânica

CADEIA ALIMENTAR

À esquerda, uma representação das relações alimentares do caranguejo aratu (vermelho). Ele come plantas e restos de animais mortos, como peixes e outros caranguejos. Também serve de alimento para peixes carnívoros, pássaros e o homem


Mata Atlântica Formada pelo trabalho conjunto de plantas e animais

MORADA NA FLORESTA

FLORESTA EM MOVIMENTO

A DISPERSÃO DE SEMENTES

AJUDA DOS BICHOS

COADAPTAÇÃO

A Mata Atlântica é o lar de mais de 1.300 espécies catalogadas de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e insetos que usam as várias espécies vegetais como abrigo e alimento

Para manter a riqueza e a variedade do ecossistema, as plantas precisam da dispersão de sementes, que garante sua reprodução em locais variados da floresta

O transporte dessas sementes é feito de muitas formas: por animais, pelo vento, pela água, pela própria planta e pelo homem; quanto mais maneiras, maior a chance de reprodução

Aves e mamíferos têm papel fundamental nessa distribuição. Ao alimentar-se de frutos, os animais carregam as sementes e depois as espalham por toda a mata

A propagação de sementes mostra que animais e plantas se ajudam: o sucesso das plantas favorece os animais, que assim colaboram para a reprodução das espécies da floresta BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

É a segunda maior floresta úmida do Brasil, na qual existem mais de 10 mil espécies de plantas catalogadas. No interior de suas matas entra luz difusa e é muito úmido. Dentro da floresta, nota-se uma grande variedade de espécies de árvores, cipós, bromélias, orquídeas, samambaias, arbustos, musgos... A fauna habita o chão da floresta, os troncos e as copas das árvores

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Sertão vivo

AMBIENTE RÚSTICO, CLIMA SEMIÁRIDO E CALOR: CARACTERÍSTICAS DO SERTÃO NORDESTINO

Caatinga, mata seca nordestina

BIODIVERSIDADE DOMÍNIOS DE NATUREZA

Em tupi, caa significa “mata”, e tinga,“branca”; daí o nome dessa vegetação A Caatinga é um ecossistema exclusivamente brasileiro. Ocor­ re em áreas semiáridas, onde há uma estação seca prolonga­ da e as chuvas se concentram em poucos meses. Ocupa uma área aproximada de 750 mil km², e sua vegetação é diversifica­ da, com campos abertos, vegetação de brejo, matas densas e abertas. Os sertanejos e indígenas que reconhecem seu valor e sabem o que ela oferece procuram conservá-la

O

Cerrado e a Caatinga são dois biomas do interior do Brasil que, juntos, cobrem uma área de mais de 2,7 milhões de km². No passado, a Caatinga não era considerada uma vegetação tão importante quanto as florestas úmidas. Com o tempo, porém, sua riqueza foi reconhecida como uma formação única do Brasil que precisa ser preservada. O Cerrado, embora não sofra tanto com a falta d’água, tem solos

pobres em nutrientes, ao contrário da Caatinga, onde falta água, mas o solo é fértil. Em geral, as plantas do Cerrado possuem caule tortuoso, as folhas são duras, e as raízes das árvores, profundas. Na Caatinga, para reter água, muitas plantas modificaram suas folhas em espinhos, raízes e caules que acumulam água. c o l a b o r a ç ã o José Roberto Meireles, biólogo, professor da UEFS

DE FLOR EM FLOR

CACTOS, PLANTAS ADAPTADAS

SOLO PEDREGOSO

Diversas espécies de morcegos, borboletas, besouros, beija-flores, moscas, vespas e formigas atuam como polinizadores. A polinização também pode ocorrer por meio do vento (anemocoria) e da água (hidrocoria)

Para viver no Semiárido é preciso economizar água. Cactos são plantas eficientes nesse quesito – seus caules são estruturas que retêm água, e suas folhas têm a forma de espinhos que evitam a perda de líquidos

Os solos da Caatinga se caracterizam, na maioria, por serem rasos, ricos em minerais e pobres em matéria orgânica, com a presença de pedregulhos e cascalhos. E a vegetação está adaptada a essas condições

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O QUE É POLINIZAÇÃO?

A reprodução de muitas plantas ocorre por meio da polinização, que é o transporte dos grãos de pólen. O agente polinizador (abelhas, vespas ou pássaros), carrega os grãos de pólen das anteras (órgão masculino) de uma flor para o estigma (órgão feminino) de outra flor ou da mesma. É assim que o gameta masculino consegue chegar até o gameta feminino, ocorrendo a fecundação


O Cerrado do oeste baiano “Nem tudo que é torto é errado; vide as pernas do Garrincha e as árvores do Cerrado” Nicolas Behr, poeta

POR DENTRO DA PLANTA

LATOSSOLOS DO CERRADO

CERTO POR CAMINHOS TORTOS

FOGO NO CERRADO

Xilema e floema são os tecidos vasculares que realizam o transporte de seiva nos organismos vegetais, comunicando o sistema radicular (raiz) às estruturas foliares (folhas) por meio do caule

O Cerrado possui solos profundos, vermelhos, alaranjados, ácidos, com alta concentração de alumínio e pobres em nutrientes essenciais. Nesses solos o Brasil expande grande parte de sua produção agrícola moderna

Plantas do Cerrado costumam ter galhos tortuosos. As queimadas, comuns na região, destroem as gemas (tecido de crescimento). As que ficavam nas pontas são substituídas por gemas laterais, tornando os galhos tortos

Nos cerrados é comum haver queimadas naturais: elas contribuem para a floração e a germinação de muitas plantas. Mas o fogo exagerado e fora de época pode causar impactos negativos no ecossistema. Deve-se evitar fazer fogueiras, soltar balões, queimar lixo e botar fogo na vegetação para agricultura e pastagens

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

É a savana mais rica e diversa do mundo, com mais de 7 mil espécies de plantas catalogadas, sendo que 44% só ocorrem na região. Sua vegetação se estende por 2 milhões de km², com diferentes fisionomias. Em geral, podemos diferenciar três grandes formações: as arbóreas (matas úmidas e cerradão); as savânicas (parque cerrado, cerrado stricto sensu); e as campestres (campos sujos, limpos e rupestres). Possui ainda algumas características marcantes, como árvores baixas, de galhos tortuosos e grossos, folhas grandes e rígidas

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BAHIA UNIDADES

BIODIVERSIDADE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

T

30

odos nós sabemos que é preciso preservar os ecossistemas. Mas nem todo mundo imagina quanta coisa isso inclui: valorizar e manter a biodiversidade, os recursos genéticos e hídricos; estimular a recuperação de ecossistemas degradados; impulsionar a economia com práticas conservacionistas; proteger a sociodiversidade; e realizar pesquisas científicas, atividades educacionais, recrea­ção e turismo ecológico. Sabendo disso, o governo federal aprovou, em 2000, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Já são 1.828 unidades de conservação no Brasil. Nos últimos 50 anos, o Brasil passou por um processo de intensa urbanização e modernização da agricultura. Sem o devido planejamento, porém, esse rápido desenvolvimento levou à devastação da cobertura vegetal de grandes áreas e à poluição de rios. O objetivo das Unidades de Conservação (UCs) é conter o processo de degradação ambiental, protegendo a biodiversidade e promovendo o desenvolvimento sustentável. Há várias categorias de UCs, cada uma delas com características próprias. Por exemplo: a Reserva do Desenvolvimento Sustentável, cuja área pertence ao governo, assegura que as populações tradicionais exerçam determinadas atividades econômicas; já a Reserva Particular do Patrimônio Natural, que é uma propriedade privada, visa também à conservação da diversidade ecológica. Os parques nacionais são áreas públicas que têm o objetivo de preservar áreas de relevância ecológica e beleza paisagística. Neles é possível desenvolver pesquisas científicas, atividades educacionais e o turismo. c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP

OCEANO ATLÂNTICO

15°0'S

O BRASIL POSSUI 1.828 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PARA PROTEGER OS ECOSSISTEMAS NATURAIS

10°0'S

Proteção da vida

DE CONSERVAÇÃO

LEGENDA Unidades de conservação da Bahia Área de Proteção Ambiental (APA) Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Estação Ecológica (ESEC) Floresta Nacional (FLONA) Monumento Natural (MN) Parque Nacional e Estadual (PARNA e PE) Reserva Biológica (REBIO) Reserva Extrativista (RESEX) Refúgio da Vida Silvestre (REVIS)

45°0'O

70 Quilômetros

40°0'O

F o n t e s : Siscom/Ibama, 2012; CNUC/MMA, 2013; Inema, 2013


Patrimônio natural protegido Há leis que visam proteger o meio ambiente Você conhece a Chapada Diamantina, o Morro do Chapéu, a Serra do Conduru...? Todas essas localidades na Bahia possuem Unidades de Conservação abertas à educação ambiental, ao turismo e à pesquisa. Mas há outras formas de preser­

var o ambiente: as margens de rios e lagoas, nascentes e cabeceiras, encostas de morros muito íngremes, entre outras, são protegidas pela Lei Florestal, e sua conservação é essencial para um meio ambiente saudável

Fauna

Está presente em regiões de clima quente e úmido. Ocorre no litoral, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Possui vegetação exuberante, densa, com árvores de médio a grande porte

Flora

mata atlântica

Quaresmeira

Tibouchina granulosa Cebus apella xanthosternos

Beija-flor-dourado Hylocharis chrysura

Schizolobium parahyba

Pau-brasil Caesalpinia echinata

Bicho-preguiça

Bradypus variegatus BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Macaco-prego

Guapuruvu

Fauna

Única no planeta, apresenta vegetação bem adaptada a regiões semiáridas (plantas xerófitas), armazenando água em suas raízes e caules, com folhas pequenas que caem na estação seca

Flora

caatinga

Barriguda

Ceiba glaziovii

Arara-azul-de-lear Anodorhynchus leari

Tatu-bola-da-caatinga

Tolypeutes tricinctus

Mandacaru

Imburana

Cereus jamacaru

Commiphora leptophloeos

Peroba-gigante-do-cerrado

Ipê-amarelo

Perereca-do-nordeste

Phyllomedusa nordestina

Fauna

Caracterizado por árvores baixas de galhos tortuosos e casca grossa com folhas grandes e rígidas, além da capacidade de regeneração após queimadas (especialmente campo limpo e campo sujo)

Flora

cerrado

Pequi Caryocar brasiliensis

Lobo-guará Chrysocyon brachyurus

Jiboia-constritora

Boa constrictor

Coruja-buraqueira Athene cunicularia

Aspidosperma macrocarpon

Tabebuia aurea

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BIODIVERSIDADE EXTINÇÃO

Tem apenas 50 cm. Antes encontrada no Cerrado e na Caatinga, agora está extinta na natureza

ARARINHA-AZUL (Cyanopsitta spixii)

Só restaram 50 espécimes, na Caatinga, no Raso da Catarina (BA). Alimenta-se de cocos de licurizeiro

Com uivos estridentes, marca território (em florestas úmidas e áreas secas no Sul e no Sudeste)

BARBADO (Alouatta fusca)

Réptil

Mamífero

Peixe

Ave

Anfíbio

Animais em risco d e extinção (por classe)

BRASIL

F o n t e : IBGE, 2005

Nota: devido à escala do mapa, as espécies encontram-se localizadas em apenas um ponto de sua área de ocorrência e somente alguns animais de cada classe estão representados

Quilômetros

550

±

ANIMAIS EM EXTINÇÃO

Símbolo da extinção na Mata Atlântica, vive entre a Bahia e Minas Gerais e dorme em troncos de árvores

MICO-LEÃO-DE-CARA-DOURADA (Leontopithecus chrysomelas)

Vive de frutas nas florestas densas do Norte, mas o desmatamento o deixou sem casa e sem comida

MACACO-ARANHA (Ateles paniscus)

Assim como nós, os animais também têm o direito de morar e se alimentar

ARARA-AZUL-DE-LEAR (Anodorhynchus leari)

Brasileiros ameaçados

c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP

visita ao zoológico muitas vezes é o primeiro (e único) contato que muitas pessoas têm com alguns animais, principalmente os silvestres. Mas esse local de lazer e de aprendizado, infelizmente, está se tornando a única “casa” possível para muitos animais. A arara-azul e a onça-pintada são exemplos. Estima-se que o Brasil possua cerca de 20% de toda a biodiversidade do planeta, mas a quantidade de animais ameaçados de extinção aumenta todos os anos e atualmente chega a 627 espécies. Algumas causas disso são os desmatamentos ilegais, que modificam o habitat dos animais, e o tráfico. No Brasil, o comércio criminoso de animais captura cerca de 38 milhões deles. Cada animal possui um papel tanto na cadeia alimentar como na própria natureza, e seu desaparecimento pode gerar grandes desequilíbrios ambientais.

A

PARA NÃO PERDER O TÍTULO DE PAÍS COM A MAIOR BIODIVERSIDADE DO PLANETA, É PRECISO PRESERVAR

Em defesa da vida animal

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É um mamífero terrestre e aquático que chega a pesar 30 kg e medir 2 m de comprimento. Excelente nadador

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O maior dos jacarés, com 5 m de comprimento, vive na bacia Amazônica. Seu couro é alvo de caçadores

JACARÉ-AÇU (Melanosuchus niger)

Vítima da devastação dos manguezais, a ave é vista na região amazônica e em trechos de manguezal

GUARÁ (Eudocimus ruber)

A carne branca é o motivo da caça da ave, que habita a Mata Atlântica e é conhecida pelo som que emite

MACUCO (Tinamus solitarius)

Alvo de caça, vive em áreas restritas (no rio Doce, em Minas Gerais, e em matas costeiras de Alagoas ao Rio de Janeiro)

Em campos e florestas não densas vive esse mamífero sem dente, lento e inofensivo (o que facilita sua captura)

Seus chifres são usados como “troféu de caça”. Habita campos e lugares inundados do Centro-Oeste ao Sul

CERVO-DO-PANTANAL (Blastocerus dichotomus)

SURUCUCU-PICO-DE-JACA (Lachesis muta rhombeata)

Maior macaco das Américas, pesa cerca de 15 kg e só é encontrado nas serras do Mar e da Mantiqueira (SP)

MURIQUI (Brachyteles arachnoides)

TAMANDUÁ-BANDEIRA (Myrmecophaga tridactyla)

Ocupa o topo da cadeia alimentar, equilibrando o ecossistema. Está presente em vários biomas brasileiros, inclusive a Caatinga

ONÇA-PINTADA (Panthera onca)

De pelo avermelhado, tem cerca de 1,20 m de comprimento. Tornou-se raro devido à degradação do Cerrado

LOBO-GUARÁ (Chrysocyon brachyurus)

ARIRANHA (Pteronura brasiliensis)

Também conhecida como gato-do-mato, é comum nas florestas tropicais e está ameaçada devido à caça

JAGUATIRICA (Leopardus pardalis)

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BRASIL

Riqueza verde ALÉM DE ABRIGAR A MAIOR FLORESTA TROPICAL DO MUNDO, O BRASIL É RICO EM BIODIVERSIDADE

Domínios Vegetacionais Brasileiros RR AP 0°

BIODIVERSIDADE VEGETAÇÃO

D

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e cada cinco plantas existentes no mundo, uma é de origem brasileira. Ou melhor: de cada cinco plantas conhecidas pelos cientistas, já que nunca conseguiremos catalogar todas as espécies vegetais existentes no mundo. Sabendo disso, é possível afirmar: o Brasil possui mais de 55 mil espécies vegetais registradas, 22% do total mundial. É por isso que, desde a chegada dos europeus às terras brasileiras, botânicos de várias origens se aventuraram pelo território buscando identificar novas espécies. O conjunto de plantas que se localizam em uma região é chamado de vegetação – sua composição e fisionomia variam conforme o tipo de solo, de água, de luz e de condições climáticas. A vegetação é importante para revestir e proteger o solo e as nascentes, filtrar água, captar gás carbônico e liberar oxigênio, abrigar a fauna, entre outras funções. Dois grandes tipos predominam: as formações florestais correspondem a 60% do país e se dividem em florestas ombrófilas (com folhas permanentes e umidade o ano inteiro – Floresta Amazônica, Floresta Pluvial Atlântica e Floresta Mista com Araucária) e florestas estacionais (com perda de folhas e umidade em apenas alguns períodos do ano – como é o caso da floresta semiestacional, que também ocorre na Mata Atlântica). As formações savânicas e campestres (com gramíneas, arbustos e poucas árvores) estão espalhadas pelo Centro-Oeste, pelo Nordeste e pelo Sul e servem, muitas vezes, para pastagem natural do gado. c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP; e Sueli Matiko Sano, bióloga, pesquisadora do MCRN da Embrapa Cerrados

VEGETAÇÃO NATURAL

AM

PA PB

PI

PE

AC RO

±

RN

CE

MA

TO

SE

MT

AL

BA

308

DF

GO

Quilômetros

Domíniosvegetacionais MG

Caatinga Campinas do rio Negro

RR

ES

MS

Campos

SP

RJ

Cerrado Complexo do Pantanal

PR

Floresta Amazônica Matas Atlânticas

LEGENDA

SC

Mata dos Cocais

AM

Vegetação

Mata das Araucárias

Caatinga

RS

Campinarana

Vegetação Litorânea

AC

Campos Cerrado

RO

ROPantanal Complexo do

FLORESTA AMAZÔNICA

É a maior floresta tropical do mundo e possui rica biodiversidade. Abriga mais de 300 espécies de árvores por hectare

±

Floresta Amazônica Mata Atlântica Mata das Araucárias Mata dos Cocais

308 Quilômetros

Vegetação litorânea

Domíniosvegetacionais

F o n t e : Simielli, 2007

Caatinga Campinas do rio Negro Campos Cerrado

M


FOTO-LEGENDA

América do Sul A vegetação dos nossos vizinhos

MATA ATLÂNTICA

COMPLEXO DO PANTANAL

Possui mais de 20 mil espécies de plantas – desde as maiores, como o jequitibá, até menores, como a jabuticabeira, que vive na sombra do bosque

No cenário alagado coexistem espécies do Cerrado, da Mata Atlântica e da Amazônia. É característica do ecossistema a grande diversidade de animais

ALTIPLANOS

Nas áreas planas da Cordilheira dos Andes (da Venezuela até a Argentina), a vegetação é rasteira e resistente ao frio

Domínios Vegetacionais Brasileiros AP CAATINGA

Composta de espécies resistentes à seca, como os cactos. As plantas costumam ter poucas folhas, raízes profundas e espinhos

CAMPINARANA

CERRADO

A região possui solos pobres e ruins para a agricultura, com árvores baixas e troncos finos, gramíneas e arbustos

Tipo de savana, com gramíneas, arbustos e árvores de pequeno porte, retorcidas e com flores vistosas, como as do pequi

SAVANA

A região de Los Llanos, na Venezuela, é caracterizada por superfície de relva (rasteira), muito semelhante à do Cerrado

PA CE

MA

PB

PI

PE

TO

SE

MT

BA

MATA DOS COCAIS

Vegetação formada principalmente por diversas espécies de palmeiras, como o DF GO o buriti babaçu, e a carnaúba MG ES

MS SP

RN

RJ

AL

CAMPOS SULINOS

VEGETAÇÃO LITORÂNEA

PATAGÔNIA

Os pampas gaúchos são áreas abertas, cobertas por vegetação rasteira de pradaria – gramíneas e poucas árvores

Nas áreas lodosas de manguezal, há plantas com raízes expostas. Já as rasteiras são comuns nas planícies arenosas

Ao sul do continente (no Chile e na Argentina), o clima é semidesértico e frio e há planícies com vegetação rasteira, as tundras

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

MATA DAS ARAUCÁRIAS

Também chamada de Mata dos Pinhais. Ocorre em clima subtropical e tropical de altitude e possui plantas coníferas, como o pinheiro-do-paraná (araucária)

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Em perigo

bserve a ilustração. Ela revela ações ilegais que ocorrem todos os dias na Amazônia – mas, como a floresta é grande, elas dificilmente poderiam ser vistas assim, juntas. Segundo o Inpe, entre agosto de 2012 e julho de 2013, foram desmatados 5.843 km² da floresta, o que equivale a mais de oito vezes

a área de Salvador e representa 28% de aumento em relação ao ano anterior. Ao alterar o ecossistema, também sofremos as consequências: o desmatamento interfere na tempe­ ratura local e nas chuvas locais e globais, na biodi­ versidade, na oferta de alimentos e na paisagem.

GRILEIROS

GARIMPO

MINERADORAS ILEGAIS

FRONTEIRA AGRÍCOLA

FÁBRICAS

Vendem terras alheias (com escrituras de propriedade falsas) para extração de recursos naturais

Esta técnica de extração de minerais, muitas vezes clandestina, pode gerar impactos nos ecossistemas onde é praticada

Apesar de necessária, de acordo com o tipo de minério e a tecnologia usada, a mineração causa danos permanentes na paisagem

Desmatamento ilegal avança sobre a floresta, desrespeitando o espaço de proteção e favorecendo a expansão da agricultura

Próximas às florestas, despejam agentes químicos nos rios e lançam no ar gases nocivos ao ecossistema

AMAZÔNIA IMPACTOS AMBIENTAIS

USO IRREGULAR, ESPÉCIES EM EXTINÇÃO, POLUIÇÃO E DESMATAMENTO: A REALIDADE DA AMAZÔNIA

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O


hora de pensar em como se desenvolver sem agredir o planeta. Para isso, depois de ler abaixo o que se faz de errado, vire a página! c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP; e Luis Enrique Sánchez, engenheiro de minas e geógrafo da USP

DESMATAMENTO

TRÁFICO DE ANIMAIS

ESTRADAS NÃO OFICIAIS

EXTRAÇÃO ILEGAL

QUEIMADA ILEGAL

PASTAGEM

Corte, capina ou queimada ilegal da cobertura vegetal para utilização do solo (na agricultura ou na pastagem)

São anestesiados e vendidos clandestinamente em feiras livres ou exportados para colecionadores e laboratórios

Caminhos de terra feitos por empresas particulares cortam habitats de animais e alteram o ecossistema

Em vez de serem cultivados, produtos como madeira e frutos são retirados sem a autorização do governo

O fogo abre terreno, mas reduz a umidade e contribui para a eliminação de micronutrientes e produção de fumaça tóxica

Com manejo incorreto, o pisoteio dos animais afeta o solo, atrapalha o escoamento da água e provoca erosão

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Na Amazônia (a exemplo de muitos lugares do país), as cidades avançaram sobre a vegetação, expulsando animais de seu habitat e poluindo o ar com a emissão de gases tóxicos por indústrias e automóveis. O lixo jogado nos rios modifica o ciclo da água e a vida dos animais e de vegetais aquáticos. Por isso, é

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Futuro planejado A

AMAZÔNIA MANEJO SUSTENTÁVEL

COMO CONTEMPLAR DESENVOLVIMENTO, JUSTIÇA SOCIAL E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

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Terra já ultrapassou a marca dos 7 bilhões de habitantes. Todas essas pessoas precisam comer, vestir-se, usar energia e morar. São muitos recursos naturais extraídos. Afinal, a matéria-prima para produzir comida, roupas e casas vem da natureza. Sem planejamento, a produção e o consumismo podem

gerar danos irreversíveis ao meio ambiente. Por isso, é preciso investir no desenvolvimento sustentável. O conceito é novo e se apresenta como um desafio para a sociedade. Desenvolver-se deixou de ser crescer a qualquer custo e passou a ser o ponto de equilíbrio entre economia, justiça social e meio ambiente.

CURSO DO RIO

RESTAURAÇÃO AMBIENTAL

CONSERVAÇÃO DO SOLO

TURISMO SUSTENTÁVEL

Empresas que constroem hidrelétricas devem manter a vida nos rios assim como as comunidades que dependem deste recurso

Ecossistemas degradados não voltam à condição original, mas podem ser recuperados, em parte, pela readequação ambiental

Entre as safras, planta-se uma cultura diferente da habitual ou utiliza-se um conjunto de técnicas para conservação do solo

Há hotéis que oferecem atividades de interação com o local, usando conceitos de sustentabilidade na construção e no funcionamento


identificar falhas na execução dos acordos e debater a economia solidária, a erradicação da pobreza e o papel das instituições para o desenvolvimento sustentável. c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP; e Luis Enrique Sánchez, engenheiro de minas e geógrafo da USP

REPLANTIO

ÁREAS PROTEGIDAS

TERRAS INDÍGENAS

MATA CILIAR

INDÚSTRIAS LEGAIS

POPULAÇÕES TRADICIONAIS

Recupera áreas degradadas, respeitando as características do ecossistema de cada região e garantindo a biodiversidade

Espaços que protegem a fauna e a flora, delimitam o uso (sustentável) da área e restringem sua visitação

Os índios têm posse e usufruto exclusivo das riquezas do solo, rios e lagos dos locais onde vivem

A mata nas margens de rios, córregos e lagos filtra resíduos químicos, evita a erosão e abriga fauna e flora locais

Precisam demonstrar sua viabilidade ambiental para obter licença do poder público, que deve fiscalizar suas atividades permanentemente

As leis garantem o direito de terra e o desenvolvimento sustentável de indígenas e quilombolas

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Em 1972, a questão foi debatida na 1a Conferência da ONU sobre o meio ambiente. Vinte anos depois, na Eco-92, no Rio de Janeiro, importantes documentos foram criados, como a Agenda 21 e a Carta da Terra. Em 2012, novamente no Brasil, a Rio+20 retomou o tema visando fazer um balanço das últimas décadas,

39


Mapas: como fazer? O PRIMEIRO PASSO PARA FAZER UM MAPA É ENTENDER E DESENHAR O ESPAÇO EM QUE VIVEMOS

CARTOGRAFIA DESENHO DO ESPAÇO

D

40

urante o Período Colonial (de 1500 a 1822), quando os cartógrafos faziam mapas do Brasil, eles desenhavam indígenas, árvores e grandes naus aportando no litoral. Era como se pudessem ver o país do alto. Mas ainda não existiam o avião nem o país de hoje! Por isso, mapas ricos em iluminuras eram feitos com base em informações pouco precisas: os cartógrafos ouviam os relatos dos navegadores para, então, representar continentes e oceanos. Era difícil imaginar uma embarcação vista de cima, por isso naus, caravelas e outros elementos eram retratados como se fossem vistos de frente e de lado. Atualmente, porém, com as imagens aéreas é possível fazer guias de ruas detalhados de cidades inteiras, com tudo da perspectiva de cima e do alto. Atualmente, esses conhecimentos adquiridos pela humanidade ao longo de centenas de anos são ensinados na escola. Aprendemos a observar a paisagem em que vivemos para então representá-la. Estudamos a proporcionalidade; construímos símbolos e organizamos legendas; descobrimos o que é orientação, como usar as coordenadas geográficas, como são calculadas as escalas e como se projeta um mapa. O mapa é a representação de nossa realidade vista de cima, mas de forma bem reduzida. Quando você observa o chão que pisa, por exemplo, tem dele uma visão “aérea”. É como reproduzir a paisagem que se avista a bordo de um avião. Vendo cada vez mais do alto, representamos rios, montanhas, cidades, estados, regiões e países. c o l a b o r a ç ã o Marcello Martinelli, professor de Geografia da USP; e Julia Pinheiro Andrade, geógrafa pela USP

Lá do alto Com fotos feitas de um avião é possível criar mapas diversos As fotos aéreas que mostram de perto a quadra da sua casa são tiradas de dentro de um avião. Com as fotos, estudiosos elaboram plantas de municípios, um tipo de mapa que destaca ruas e avenidas. Dependendo da altura e da rota do voo, a fotografia mostra aspectos diferentes da paisagem

N NO

NE

SO

SE

O

L S

ROSA DOS VENTOS

2

1

1

NA VERTICAL

Fazer um desenho do bairro visto de cima é muito diferente. Afinal, estamos acostumados a enxergar tudo sempre de frente. Com a ajuda de uma foto na vertical, é possível visualizar a proporção de quadras e ruas

2

O Sol nasce a Leste e se põe a Oeste ‒ assim, definiu-se a direção Leste-Oeste. A Norte-Sul é perpendicular. Esses são os Pontos Cardeais, que formam a rosa dos ventos

EM TRÊS DIMENSÕES

A foto oblíqua, em perspectiva, distorce a proporção dos elementos (o que está ao fundo é visto bem pequeno), mas ajuda a localizar pontos de referência, como vales e morros, que podem ser destacados no mapa


Como se lê

Um mapa tem signos que representam elementos isolados ou em conjunto

Com mapas, é possível representar as características do espaço geográfico, como clima, relevo e distribuição

0° da população. Existem dois tipos: o analítico, que mostra a distribuição de um só fenômeno; e o de síntese, que representa o mapeamento da integração de mais de um fenômeno. Veja os mapas abaixo e entenda melhor

BRASIL

VEGETAÇÃO

BRASIL

CLIMA

BRASIL

MORFOCLIMÁTICO

0° 0°

Domínios Morfoclimáticos LEGENDA Amazônico - Terras baixas com florestas equatoriais

LEGENDA Natural Vegetação

Araucárias - Planaltos subtropicais com araucárias

Caatinga Campos LEGENDA Tipos de Equatorial clima úmido

Floresta Amazônica Caatinga

Cerrado - Chapadões tropicais interiores com cerrados e florestas-galeria

Tropical semiárido

Campos Mata Atlântica

Subtropical úmido Equatorial úmido

Cerrado

Mata dos Cocais Floresta Amazônica

Tropical

Tropical semiárido Subtropical úmido Tropical de altitude

Mata dos Cocais

Litorâneo úmido

litorânea Campinas doVegetação Rio Negro

0 Tropical 690 de altitude

Campinas do Rio Negro

Faixa de transição não diferenciada

790

km

ANALÍTICO

O mapa à esquerda nomeia e localiza as principais unidades de vegetação do Brasil, enquanto o da 0 690 direita mostra as principais unidades climáticask m

Quilômetros

O mapa morfoclimático agrega vários aspectos da realidade: vegetação, clima, geologia, relevo, geomorfologia, hidrografia e solo

F o n t e s : Girardi, 2005; Simielli, 2010, IBGE

Dimensões espaço Veja imagens de satélite em em trêsdiferentes escalas superfícies O mundo nodo papel Abaixo, a representação da Terra O mapa é uma representação do espaço em tamanho reduzido. A escala é a proporção entre o PROJEÇÃO ESFÉRICA tamanho da área representada e o do mapa. Há dois tipos de escala: a numérica e a gráfica. Na A Terra é um geoide, numérica, a relação 1:100.000 significa que 1 cm medido no mapa representa 100.000 cm da ou seja, tem formato irregular: escalaarredondada 1:80.000.000 como uma bola e um pouco achatada nos polos

Quilômetros

Fonte

41

realidade – o equivalente a 1 km. Na gráfica, a representação é visual. Nesse caso, uma barrinha PLANISFÉRIO PROJEÇÃO CILÍNDRICA de 1 cm com o número 100 quer dizer que 1 cm no mapa equivale a 100 km na realidade. Quanto Feito com base em É como se o globo "maior" a escala, como na imagem da Baía de Todos os Santos, mais detalhes podem ser vistos cálculos, mostra os fosse envolvido por uma continentes os folha de cartolina, em escala 1:22.500.000 escala 1:e2.000.000 oceanos do planeta que seriam traçados os em superfície plana continentes

Do imenso ao pequenino Com imagens em diferentes escalas, vemos mais ou menos detalhes. Quanto maior é a escala, menor é a porção de espaço que vemos na imagem e, por isso, enxergamos mais detalhes, diminuindo a escala, ocorre o oposto: grande área em pequena imagem 800

790

Quilômetros

SÍNTESE

Brasil Veja três escalas diferentes do mesmo local

!

São

Pradarias - Coxilhas subtropicais com pradarias mistas

Tropical

Mata dos Pinhais

Vegetação litorânea Pantanal

( !

Santana de Parnaíba

Mares de Morros - Áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas

Litorâneo úmido

Mata Atlântica Mata dos Pinhais

Pantanal

Caatingas - Depressões intermontanas e interplanálticas semiáridas

Tipos de clima

Vegetação Natural

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Cerrado

Baía de Todos os Santos

Bahia

225

20

800

225

20

800

225

20

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros

Quilômetros


Viagem espacial AO NOS DISTANCIARMOS DA TERRA É POSSÍVEL VER AS PAISAGENS DE UM ÂNGULO BEM DIFERENTE. CONFIRA

uando viajamos de carro ou de ônibus, vamos passando e vendo paisagens diversas. Se formos de avião, veremos as coisas lá do alto, mas ainda assim nosso destino será uma localidade na superfície terrestre. Agora, já imaginou se fôssemos subindo, subindo, subindo... até ver a Terra de longe? O que veríamos? Primeiro, o lugar de onde saímos (só que lá do alto!), depois as cidades, as florestas, os rios, as montanhas... até vermos os continentes, oceanos e, finalmente, o planeta colorido chamado Terra.

Nas páginas a seguir vamos fazer esse percurso utilizando mapas feitos com base em imagens de satélite. Repare no que você pode identificar: locais conhecidos, aspectos geográficos, localização de cidades, estados, continentes, rios, florestas, oceanos... De repente o lugar de onde saímos ganha uma nova perspectiva e passa a ser visto como parte de um todo. Acompanhe os mapas a seguir e boa viagem! c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora de Geografia da USP

Quer ir do Farol da Barra até ver a Terra do espaço? Então vamos!

SALVADOR

DESTAQUE

42

COPYRIGHTS FOTOS DIGITAIS SAAPI®, GENTILMENTE CEDIDAS PELA ENGEMAP GEOINFORMAÇÃO, 2012

ZOOM DA BAHIA AO UNIVERSO

13°0'30"S

BAÍA DE TODOS OS SANTOS

13°0'38"S

OCEANO 40

ATLÂNTICO

Metros 38°32'O

38°31'53"O

Aqui está Salvador, que fica...

38°31'45"O


ESTADO DA BAHIA

POLÍTICO

9°0'S

R !

R !

12°0'S

R !

R !

R !

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

R !

OCEANO R !

ATLÂNTICO

R !

R !

43

15°0'S

R !

LEGENDA Capital da Bahia

R Centros regionais !

R !

Limite do estado da Bahia

18°0'S

Limites estaduais 45°0'O

42°0'O

39°0'O

...no estado da Bahia, que integra...

36°0'O

± 75 Quilômetros 33°0'O


REGIÃO NORDESTE

POLÍTICO

R !

R !

R !

R ! R !

6°0'S

R !

ZOOM DA BAHIA AO UNIVERSO

R !

44

OCEANO

R !

ATLÂNTICO

R ! R !

±

R !

13°0'S

120 Quilômetros

LEGENDA

R !

R ! R !

Capitais estaduais Limite da Região Nordeste Limites dos estados da Região Nordeste Limites dos demais estados brasileiros

47°0'O

40°0'O

... a Região Nordeste, localizada no Brasil...

33°0'O


AMÉRICA DO SUL

POLÍTICO

! O ! O

! O

! O Linha do Equador

! O

R !

! O

OCEANO

! O

PACÍFICO

! O BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

0°00'

! O

! O apri de C i co p ó Tr

có r n

io

! O

45

! O! O OCEANO ATLÂNTICO

LEGENDA

! O

Capitais da América do Sul

R !

Capital da Bahia

30°0'S

Limites internacionais Limite nacional Limite do estado da Bahia Limites estaduais 120°0'O

± 500 Quilômetros 90°0'O

60°0'O

... que está na América do Sul...

30°0'O

0°0'


180°

PLANISFÉRIO

150°O

120°O

90°O

60°O

POLÍTICO

LEGENDA Alasca (EUA)

Limites internacionais 60°N

Águas profundas

Canadá

Águas rasas Florestas densas

ATLÂNTICO

Zonas áridas

Ilhas Bermudas (RUN)

30°N

México

ZOOM DA BAHIA AO UNIVERSO

Países enumerados no mapa

46

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23

Albânia Armênia Áustria Bélgica Bósnia-Herzegovina Burundi Croácia Eslováquia Eslovênia Hungria Kosovo Lituânia Luxemburgo Macedônia Moldávia Montenegro Países Baixos (Holanda) Palestina República Checa Romênia Ruanda Sérvia Suíça

± 1.135 Quilômetros

OCEANO

Estados Unidos da América

Neve e gelo

Cuba

Bahamas

Haiti Rep. Dominicana Porto Rico (EUA) Jamaica Honduras Guatemala Mar do Caribe Barbados Nicarágua El Salvador Trinidad e Tobago Costa Rica Venezuela Guiana Panamá Suriname Colômbia Guiana Francesa (FRA) Ilhas Galápagos (EQU) Equador Belize

Havaí (EUA)

OCEANO PACÍFICO Peru

Samoa Tonga

Brasil Bolívia

Polinésia Francesa (FRA)

Paraguai Chile 30°S

1 - Albânia 2 - Armênia 3 - Áustria 4 - Bélgica 5 - Bósnia - Herzegovina 6 - Croácia 7 - Eslováquia 8 - Eslovênia 9 - Holanda 10 - Hungria 11 - Kosovo 12 - Lituânia 13 - Luxemburgo 14 - Macedônia 15 - Moldávia 16 - Montenegro 17 - República Tcheca 18 - Romênia 19 - Sérvia 20 - Suíça

Argentina

Uruguai

Ilhas Malvinas (RUN)

60°S

180°

150°O

120°O

90°O

60°O


30°O

30°L

60°L

90°L

120°L

150°L

180°

OCEANO GLACIAL ÁRTICO Groenlândia (DIN)

Islândia

Suécia

Finlândia

Rússia 60°N Estônia Dinamarca Letônia 12 Reino 17 Irlanda Unido Polônia Bielorrússia Alemanha 4 13 Ucrânia 19 8 Cazaquistão França 23 3 9 10 20 15 Mongólia Geórgia Mar Andorra San Marino 7 5 22 Mar Cáspio Uzbequistão Quirguistão Bulgária 11 Negro Itália 16 Coreia Espanha Azerbaijão Açores (PT) Portugal 1 14 do Norte 2 Turquia Turcomenistão Tajiquistão Grécia Mar Japão Ilha da Coreia China Chipre Síria Mediterrâneo Madeira (PT) Tunísia Malta Líbano do Sul Afeganistão Irã OCEANO PACÍFICO Israel 18 Iraque Ilhas Marrocos Butão 30°N Jordânia Kuwait Nepal Canárias Paquistão Argélia Líbia Egito (ESP) Saara Catar Ocidental Taiwan Arábia Saudita Cabo Emirados Bangladesh Mianmar Verde Mauritânia Mali Laos Ilhas Marianas (EUA) Omã Árabes Níger Índia Unidos Senegal Eritreia Iêmen Chade Sudão Tailândia Burkina Gâmbia Camboja Vietnã Fasso Djibuti Guiné- Guiné Estados Federados Filipinas Nigéria -Bissau da Micronésia Costa do Sudão Etiópia Brunei República Marfim Serra Leoa Kiribati Centro-Africana do Sul Palau Somália Sri Lanka Libéria Camarões Maldivas Malásia Gana Uganda Nauru Rep. Togo Quênia Gabão Democrática 21 Benin Indonésia Congo do Congo 6 São Tomé PapuaIlhas Seychelles Guiné e Príncipe -Nova Guiné Ilhas Salomão Tanzânia Equatorial Singapura Comores Tuvalu OCEANO Angola Timor Leste Maláui Zâmbia Vanuatu ATLÂNTICO Fiji Zimbábue Madagascar Ilhas Maurício Nova Namíbia Moçambique Caledônia Botsuana Austrália Suazilândia Noruega

Ma

rV

me er

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

lho

Lesoto África do Sul

47

30°S

OCEANO ÍNDICO Nova Zelândia Ilhas do Príncipe Eduardo (AFS)

Ilhas Crozet (FRA) Ilhas Kerguelen (FRA)

60°S

OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO

0 Antártida 30°O

30°L

² 1.300

2.600

Quilômetros

60°L

90°L

120°L

150°L

180°

3.900

... que faz parte do planeta Terra!


48

ZOOM DA BAHIA AO UNIVERSO


BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

49

NOTA: desenho fora de escala e com cores fantasia


Cidades luminosas NA IMAGEM NOTURNA DA TERRA É POSSÍVEL VER AS REGIÕES QUE MAIS USAM ENERGIA ELÉTRICA

ELETRICIDADE NOITE NO PLANETA

E

sta imagem, de toda a Terra à noite ao mesmo tempo, é uma montagem. Afinal, é impossível que o planeta todo esteja no escuro no mesmo momento. A Terra gira, e há sempre uma face dela voltada para o Sol! Esta composição foi feita com imagens de satélite para que possamos ver como a energia elétrica é usada no mundo. Compare a iluminação nos Estados Unidos com a do continente africano. A relação entre desenvolvimento econômico e uso da eletricidade é evidente. As luzes também indicam maior urbanização: afinal, nas cidades o uso de eletricidade é mais concentrado.

1

2

c o l a b o r a ç ã o Juan J. Verdésio, especialista em Energias Renováveis da UnB

Farol da Barra, Salvador

50 3

4

5


PLANISFÉRIO

À NOITE

11

6 7

13

8

14 10

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

12

Metrópoles acesas

51

Centros urbanos são os principais consumidores de energia elétrica. Veja alguns exemplos

9

1 2 3 4 5 6 7 8

WASHINGTON D.C.

9 JOANESBURGO

CIDADE DO MÉXICO

10 CAIRO 11 MOSCOU 12 NOVA DÉLHI

SALVADOR SÃO PAULO BUENOS AIRES LONDRES PARIS

13 PEQUIM 14 TÓQUIO 15 CAMBERRA

15

MADRI F o n t e : NOAA's National Geophysical Data Center, 2010


zoom 6 p.60

Onde você está? PARA SABER ONDE ESTAMOS, NÃO BASTA NOS LOCALIZARMOS, É PRECISO CONHECER O LUGAR

zoom 4 p.58

zoom 2 p.56

10°0'S

BAHIA TERRITÓRIOS DE IDENTIDADE

O

52

território baiano passou por muitas transformações. Foi no século 19 que assumiu a forma atual, com a incorporação da região a oeste do estado, área correspondente ao médio curso do Rio São Francisco. Mas, se a delimitação da Bahia permanece igual desde então, o mesmo não se pode dizer de seus limites internos. Há municípios seculares e outros bem recentes, como os de Barrocas e Luís Eduardo Magalhães, criados no ano de 2000. A Bahia é o quinto maior estado do Brasil, com quase 565 mil km² – área um pouco maior do que a da França. Seu território apresenta grande diversidade de paisagens, formas de uso da terra, modos de vida, atividades econômicas... A fim de agrupar lugares tão variados, foi criada, em 2010, uma divisão da Bahia inspirada em um conceito que classifica os agrupamentos em Territórios de Identidade. Essa divisão da Bahia contemplou as múltiplas dimensões da realidade geográfica, integrando diversos aspectos das esferas social, econômica, cultural, política, histórica e natural. Trata-se de uma representação bastante completa das identidades territoriais baianas. Cada lugar tem características singulares, mas certos aspectos comuns os identificam com áreas do entorno. Nas páginas seguintes, estão destacados os territórios e, no interior deles, os municípios que os compõem. Procure pelo seu município!

zoom 5 p.59

zoom 3 p.57

zoom 1 p.55

15°0'S

Veja nas próximas páginas a localização de cada um dos 417 municípios da Bahia

± 70 Quilômetros

c o l a b o r a ç ã o Marlene R. Souza Felício, professora de Geografia da SEC-BA 45°0'O

40°0'O

TERRITÓRIOS DE IDENTIDADE 1 - IRECÊ 2 - VELHO CHICO 3 - CHAPADA DIAMANTINA 4 - SISAL 5 - LITORAL SUL 6 - BAIXO SUL

7 - EXTREMO SUL 8 - MÉDIO SUDOESTE DA BAHIA 9 - VALE DO JEQUIRIÇÁ 10 - SERTÃO DO SÃO FRANCISCO 11 - BACIA DO RIO GRANDE 12 - BACIA DO PARAMIRIM

13 - SERTÃO PRODUTIVO 1420°0'S - PIAMONTE DO PARAGUAÇU 15 - BACIA DO JACUIPE 16 - PIEMONTE DA DIAMANTINA 17 - SEMIÁRIDO NORDESTE II 18 - LITORAL NORTE E AGRESTE BAIANO

19 - PORTAL DO SERTÃO 20 - VITÓRIA DA CONQUISTA 21 - RECÔNCAVO 22 - MÉDIO RIO DE CONTAS 23 - BACIA DO RIO CORRENTE 24 - ITAPARICA

25 - PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU 26 - REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR 27 - COSTA DO DESCOBRIMENTO


Encontre seu município

Divisão da Bahia respeita critérios sociais e naturais

Existem na Bahia 417 municípios, onde está o seu?

Veja abaixo os 27 Territórios de Identidade da Bahia. Repare que os nomes indicam certas características do território, sejam relacionadas a aspectos naturais ou sociais

Nas próximas páginas há mapas com todos os municípios da Bahia. Para encontrar o seu, basta ver na lista abaixo: o número da página em que se encontra, em qual território está localizado e o número do próprio município MUNICÍPIO

10°0'S

15°0'S

TERRITÓRIOS DE IDENTIDADE 1 - IRECÊ 2 - VELHO CHICO 3 - CHAPADA DIAMANTINA 4 - SISAL 5 - LITORAL SUL 6 - BAIXO SUL 70 7 - EXTREMO SUL Quilômetros 8 - MÉDIO SUDOESTE DA BAHIA 9 - VALE DO JEQUIRIÇÁ 45°0'O 10 - SERTÃO DO SÃO FRANCISCO 11 - BACIA DO RIO GRANDE 12 - BACIA DO PARAMIRIM 13 - SERTÃO PRODUTIVO 14 - PIAMONTE DO PARAGUAÇU 15 - BACIA DO JACUIPE 16 - PIEMONTE DA DIAMANTINA 17 - SEMIÁRIDO NORDESTE II 18 - LITORAL NORTE E AGRESTE BAIANO 19 - PORTAL DO SERTÃO 20 - VITÓRIA DA CONQUISTA 21 - RECÔNCAVO 22 - MÉDIO RIO DE CONTAS 23 - BACIA DO RIO CORRENTE 24 - ITAPARICA 25 - PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU 26 - REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR 27 - COSTA DO DESCOBRIMENTO

±

20°0'S

40°0'O

A numeração dos Territórios de Identidade e dos municípios obedece a critérios estabelecidos pela SEI

MUNICÍPIO

MUNICÍPIO

3

42

BOM JESUS DA LAPA

56

2

28

CATURAMA

61

24

390

BOM JESUS DA SERRA

55

20

334

59

18

288

BONINAL

56

3

49

ADUSTINA

58

17

265

BONITO

56

3

59

ÁGUA FRIA

59

19

313

BOQUIRA

56

12

200

AIQUARA

57

22

363

BOTUPORÃ

56

12

195

ALAGOINHAS

59

18

284

BREJÕES

57

9

BREJOLÂNDIA

56

BROTAS DE MACAÚBAS

56

PÁGINA TERRITÓRIO

ABAÍRA

56

ABARÉ ACAJUTIBA

PÁGINA TERRITÓRIO

PÁGINA TERRITÓRIO

56

12

Nо 196

CENTRAL

56

1

14

CHORROCHÓ

61

24

389

CÍCERO DANTAS

58

17

266

CIPÓ

58

17

258

COARACI

55

5

98

163

CÔCOS

56

23

374

23

384

CONCEIÇÃO DA FEIRA

59

19

297

2

32

CONCEIÇÃO DO ALMEIDA

59

21

343

ALCOBAÇA

55

7

127

ALMADINA

55

5

97

AMARGOSA

57

9

164

BRUMADO

56

13

211

AMÉLIA RODRIGUES

59

19

299

BUERAREMA

55

5

91

BURITIRAMA

56

11

190

CAATIBA

55

8

142

CABACEIRAS DO PARAGUAÇU

59

21

355

CONCEIÇÃO DO COITÉ

58

4

71

CONCEIÇÃO DO JACUÍPE

59

19

302

CONDE

59

18

287

CONDEÚBA

55

20

323

CONTENDAS DO SINCORÁ

56

13

217 306

AMÉRICA DOURADA

56

1

12

ANAGÉ

55

20

332

ANDARAÍ

56

3

50

ANDORINHA

58

25

397

CACHOEIRA

59

21

354

CORAÇÃO DE MARIA

59

19

ANGICAL

56

11

183

CACULÉ

56

4

202

CORDEIROS

55

20

317

ANGUERA

59

19

307

CAÉM

58

16

250

CORIBE

56

23

375

ANTAS

58

17

267

CAETANOS

55

20

335

CORONEL JOÃO SÁ

58

17

271

ANTÔNIO CARDOSO

59

19

303

CAETITÉ

56

13

218

CORRENTINA

56

23

378

ANTÔNIO GONÇALVES

58

25

395

CAFARNAUM

56

1

6

COTEGIPE

56

11

186

APORÁ

59

18

289

CAIRU

57

6

117

CRAVOLÂNDIA

57

9

150

APUAREMA

57

22

371

CALDEIRÃO GRANDE

58

25

391

CRISÓPOLIS

59

18

293

ARAÇÁS

59

18

280

CAMACAN

55

5

85

CRISTÓPOLIS

56

11

181

ARACATU

55

20

336

CAMAÇARI

59

26

409

CRUZ DAS ALMAS

59

21

348

ARACI

58

4

72

CAMAMU

57

6

108

CURAÇÁ

60

10

177

ARAMARI

59

18

282

CAMPO ALEGRE DE LOURDES

60

10

174

DÁRIO MEIRA

57

22

358

ARATACA

55

5

86

CAMPO FORMOSO

58

25

398

DIAS D'ÁVILA

59

26

408

ARATUÍPE

57

6

120

CANÁPOLIS

56

23

379

DOM BASÍLIO

56

13

215

AURELINO LEAL

55

5

103

CANARANA

56

1

5

DOM MACEDO COSTA

59

21

340

BAIANÓPOLIS

56

11

179

CANAVIEIRAS

55

5

83

ELÍSIO MEDRADO

57

9

167

BAIXA GRANDE

59

15

235

CANDEAL

58

4

61

ENCRUZILHADA

55

20

314

BANZAÊ

58

17

262

CANDEIAS

59

26

407

ENTRE RIOS

59

18

285

BARRA

56

2

36

CANDIBA

56

13

205

ÉRICO CARDOSO

56

12

194

BARRA DA ESTIVA

56

3

37

CÂNDIDO SALES

55

20

316

ESPLANADA

59

18

286

BARRA DO CHOÇA

55

20

321

CANSANÇÃO

58

4

78

EUCLIDES DA CUNHA

58

17

269

BARRA DO MENDES

56

1

2

CANUDOS

60

10

168

EUNÁPOLIS

55

27

413

BARRA DO ROCHA

57

22

366

CAPELA DO ALTO ALEGRE

59

15

242

FÁTIMA

58

17

263

BARREIRAS

56

11

184

CAPIM GROSSO

58

16

249

FEIRA DA MATA

56

2

22

BARRO ALTO

56

1

3

CARAÍBAS

55

20

329

FEIRA DE SANTANA

59

19

308

BARRO PRETO

55

5

96

CARAVELAS

55

7

125

FILADÉLFIA

58

25

393

BARROCAS

58

4

65

CARDEAL DA SILVA

59

18

283

FIRMINO ALVES

55

8

143

BELMONTE

55

27

416

CARINHANHA

56

2

23

BELO CAMPO

55

20

322

CASA NOVA

60

10

176

FLORESTA AZUL

55

5

94

FORMOSA DO RIO PRETO

56

11

191

BIRITINGA

58

4

69

CASTRO ALVES

59

21

352

GANDU

57

6

110

BOA NOVA

57

22

359

CATOLÂNDIA

56

11

180

GAVIÃO

59

15

244

BOA VISTA DO TUPIM

56

14

224

CATU

59

18

277

GENTIO DO OURO

56

1

16

A lista continua na página seguinte

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Territórios de identidade

53


MUNICÍPIO GLÓRIA

54

MUNICÍPIO

61

24

386

ITAPICURU

PÁGINA TERRITÓRIO

PÁGINA TERRITÓRIO

MUNICÍPIO

PÁGINA TERRITÓRIO

59

18

296

MARAÚ

55

5

106

MUNICÍPIO

PÁGINA TERRITÓRIO

MUNICÍPIO

PÁGINA TERRITÓRIO

PLANALTINO

57

9

161

SÃO MIGUEL DAS MATAS

57

9

162

GONGOGI

57

22

360

ITAPITANGA

55

5

102

MARCIONÍLIO SOUZA

56

3

43

PLANALTO

55

20

326

SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ

59

21

356

GOVERNADOR MANGABEIRA

59

21

353

ITAQUARA

57

9

151

MASCOTE

55

5

81

POÇÕES

55

20

333

SAPEAÇU

59

21

347

GUAJERU

55

20

330

ITARANTIM

55

8

137

MATA DE SÃO JOÃO

59

18

275

POJUCA

59

18

276

SÁTIRO DIAS

59

18

292

GUANAMBI

56

13

210

ITATIM

56

14

221

MATINA

56

2

21

PONTO NOVO

58

25

392

SAUBARA

59

21

345

GUARATINGA

55

27

412

ITIRUÇU

57

9

149

MEDEIROS NETO

55

7

129

PORTO SEGURO

55

27

411

SAÚDE

58

16

253

HELIÓPOLIS

58

17

260

ITIÚBA

58

4

79

MIGUEL CALMON

58

16

248

POTIRAGUÁ

55

8

136

SEABRA

56

3

56

IAÇU

56

14

222

ITORORÓ

55

8

MILAGRES

57

9

166

PRADO

55

7

131

SEBASTIÃO LARANJEIRAS

56

13

203

IBIASSUCÊ

56

13

208

ITUAÇU

56

13

216

MIRANGABA

58

16

255

PRESIDENTE DUTRA

56

1

13

SENHOR DO BONFIM

58

25

396

IBICARAÍ

55

5

93

ITUBERÁ

57

6

112

MIRANTE

55

20

337

PRESIDENTE JÂNIO QUADROS

55

20

328

SENTO SÉ

60

10

171

IBICOARA

56

3

41

IUIU

56

13

206

MONTE SANTO

58

4

80

PRESIDENTE TANCREDO NEVES

57

6

118

IBICUÍ

55

8

147

JABORANDI

56

23

376

MORPARÁ

56

2

35

QUEIMADAS

58

4

74

QUIJINGUE

58

4

77

QUIXABEIRA

59

15

246

RAFAEL JAMBEIRO

56

14

225

REMANSO

60

10

RETIROLÂNDIA

58

4

RIACHÃO DAS NEVES

56

11

187

10°0'S 10°0'S 141

IBIPEBA

56

1

9

JACARACI

55

20

324

MORRO DO CHAPÉU

56

3

60

IBIPITANGA

56

12

199

JACOBINA

58

21

252

MORTUGABA

55

20

319

IBIQUERA

56

14

223

JAGUAQUARA

57

9

153

MUCUGÊ

56

3

48

SERRA DO RAMALHO

56

2

27

SERRA DOURADA

56

23

382

SERRA PRETA

59

15

233

SERRINHA

58

4

64

SERROLÂNDIA

58

16

247

173

SIMÕES FILHO

59

26

406

67

SÍTIO DO MATO

56

2

29

SÍTIO DO QUINTO

58

17

270 170

IBIRAPITANGA

57

6

107

JAGUARARI

58

25

399

MUCURI

55

7

123

IBIRAPOÃ

55

7

124

JAGUARIPE

57

6

121

MULUNGU DO MORRO

56

1

1

IBIRATAIA

57

22

368

JANDAÍRA

59

18

291

MUNDO NOVO

56

14

231

JEQUIÉ

57

22

373

MUNIZ FERREIRA

59

21

338

RIACHÃO DO JACUÍPE

59

15

239

JEREMOABO

58

17

273

MUQUÉM DO SÃO FRANCISCO

56

2

33

RIACHO DE SANTANA

56

2

26

MURITIBA

59

21

350

RIBEIRA DO AMPARO

58

17

IBITIARA

56

3

51

IBITITÁ

56

1

7

IBOTIRAMA

56

2

34

JIQUIRIÇÁ

57

9

157

ICHU

58

4

63

JITAÚNA

57

22

365

MUTUÍPE

57

9

156

RIBEIRA DO POMBAL

58

IGAPORÃ

56

2

24

JOÃO DOURADO

56

1

15

NAZARÉ

59

21

342

RIBEIRÃO DO LARGO

55

IGRAPIÚNA

57

6

109

JUAZEIRO

60

10

175

NILO PEÇANHA

57

6

113

RIO DE CONTAS

IGUAÍ

55

8

146

JUCURUÇU

55

7

134

NORDESTINA

58

4

75

SOBRADINHO

60

10

SOUTO SOARES

56

3

58

259

TABOCAS DO BREJO VELHO

56

23

383

17

261

TANHAÇU

56

13

213

20

315

TANQUE NOVO

56

12

192

56

3

39

TANQUINHO

59

19

310

RIO DO ANTÔNIO

56

13

209

TAPEROÁ

57

6

115

ILHÉUS

55

5

100

JUSSARA

56

1

18

NOVA CANAÃ

55

8

145

RIO DO PIRES

56

12

197

TAPIRAMUTÁ

56

14

230

INHAMBUPE

59

18

290

JUSSARI

55

5

89

NOVA FÁTIMA

59

15

240

RIO REAL

59

18

294

TEIXEIRA DE FREITAS

55

7

128

IPECAETÁ

59

19

304

JUSSIAPE

56

3

38

NOVA IBIÁ

57

22

370

RODELAS

61

24

388

TEODORO SAMPAIO

59

19

305

IPIAÚ

57

22

364

LAFAYETTE COUTINHO

57

9

148

NOVA ITARANA

57

9

165

RUY BARBOSA

56

14

228

TEOFILÂNDIA

58

4

66

IPIRÁ

59

15

234

LAGEDO DO TABOCAL

57

9

152

NOVA REDENÇÃO

56

3

46

SALINAS DA MARGARIDA

59

26

403

TEOLÂNDIA

57

6

116

LAGOA REAL

56

13

214

58

17

257

SALVADOR

59

26

404

TERRA NOVA

59

19

301

57

9

15°0'S 15°0'S 160

NOVA SOURE

LAJE

NOVA VIÇOSA

55

7

122

SANTA BÁRBARA

59

19

312

TREMEDAL

55

20

320

SANTA BRÍGIDA

58

17

274

TUCANO

58

4

76

SANTA CRUZ CABRÁLIA

55

27

414

UAUÁ

60

10

169

IPUPIARA

56

1

4

IRAJUBA

57

9

158

IRAMAIA

56

3

40

LAJEDÃO

55

7

126

NOVO HORIZONTE

56

3

47

IRAQUARA

56

3

55

LAJEDINHO

56

14

226

NOVO TRIUNFO

58

17

268

IRARÁ

59

19

309

OLINDINA

59

18

295

SANTA CRUZ DA VITÓRIA

55

8

144

UBAÍRA

57

9

159

IRECÊ

56

1

11

OLIVEIRA DOS BREJINHOS

56

2

31

SANTA INÊS

57

9

154

UBAITABA

55

5

105

ITABELA

55

27

367

ITABERABA

56

ITABUNA

LAMARÃO

58

4

62

LAPÃO

56

1

8

410

LAURO DE FREITAS

59

26

402

OURIÇANGAS

59

18

281

SANTA LUZIA

55

5

82

UBATÃ

57

22

14

227

LENÇÓIS

56

3

53

OUROLÂNDIA

58

16

254

SANTA MARIA DA VITÓRIA

56

23

380

UIBAÍ

56

1

10

55

5

95

LICÍNIO DE ALMEIDA

55

20

331

PALMAS DE MONTE ALTO

56

13

212

SANTA RITA DE CÁSSIA

56

11

189

UMBURANAS

58

16

256

ITACARÉ

55

5

104

ITAETÉ

56

3

44

56

13

219

ITAGI

57

22

362

LUÍS EDUARDO MAGALHÃES

56

11

182

PARATINGA

56

ITAGIBÁ

57

22

361

MACAJUBA

56

14

229

PARIPIRANGA

58

ITAGIMIRIM

55

27

415

MACARANI

55

8

138

PAU BRASIL

55

5

LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA

PALMEIRAS

56

3

52

SANTA TEREZINHA

56

14

220

PARAMIRIM

56

12

193

SANTALUZ

58

4

73

2

30

SANTANA

56

23

381

17

264

SANTANÓPOLIS

59

19

311

84

SANTO AMARO

59

21

357

±

UNA

55

5

87

URANDI

56

13

201

URUÇUCA

55

5

101

UTINGA

56

3

57

VALENÇA

57

6

119

ITAGUAÇU DA BAHIA

56

1

20

MACAÚBAS

56

12

198

PAULO AFONSO

61

24

385

SANTO ANTÔNIO DE JESUS

59

21

339

VALENTE

58

4

70

ITAJU DO COLÔNIA

55

5

90

MACURURÉ

61

24

387

PÉ DE SERRA

59

15

237

SANTO ESTÊVÃO

59

19

298

VÁRZEA DA ROÇA

59

15

241

ITAJUÍPE

55

5

99

MADRE DE DEUS

59

26

405

PEDRÃO

59

18

279

SÃO DESIDÉRIO

56

11

178

VÁRZEA DO POÇO

59

15

243

ITAMARAJU

55

7

133

MAETINGA

55

20

327

PEDRO ALEXANDRE

58

17

272

SÃO DOMINGOS

58

4

68

VÁRZEA NOVA

58

16

251

ITAMARI

57

22

372

MAIQUINIQUE

55

8

135

PIATÃ Quilômetros Quilômetros

56

3

45

SÃO FELIPE

59

21

344

VARZEDO

59

21

341

ITAMBÉ

55

8

140

MAIRI

59

15

238

PILÃO ARCADO

60

10

172

SÃO FÉLIX

59

21

349

VERA CRUZ

59

26

400

ITANAGRA

59

18

278

MALHADA

56

2

25

PINDAÍ

56

13

204

SÃO FÉLIX DO CORIBE

56

23

377

VEREDA

55

7

130

VITÓRIA DA CONQUISTA

55

20

325

WAGNER

56

3

54

WANDERLEY

56

11

185

WENCESLAU GUIMARÃES

57

6

114

XIQUE-XIQUE

56

1

19

70 70

45°0'O 45°0'O

ITANHÉM

55

7

132

MALHADA DE PEDRAS

56

13

207

PINDOBAÇU

58

25

394

SÃO FRANCISCO DO CONDE

59

21

351

ITAPARICA

59

26

401

MANOEL VITORINO

57

22

369

PINTADAS

59

15

236

SÃO GABRIEL

56

1

17

ITAPÉ

55

5

92

MANSIDÃO

56

11

188

PIRAÍ DO NORTE

57

6

111

SÃO GONÇALO DOS CAMPOS

59

19

300

ITAPEBI

55

27

417

MARACÁS

57

9

155

PIRIPÁ

55

20

318

SÃO JOSÉ DA VITÓRIA

55

5

88

ITAPETINGA

55

8

139

MARAGOGIPE

59

21

34620°0'S 20°0'SPIRITIBA

56

14

232

SÃO JOSÉ DO JACUÍPE

59

15

245

40°0'O 40°0'O


zoom 1 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 5 - LITORAL SUL

Cada Território de Identidade tem um município identificado como referência

81 - MASCOTE 82 - SANTA LUZIA 83 - CANAVIEIRAS 84 - PAU BRASIL 85 - CAMACAN 86 - ARATACA 87 - UNA 88 - SÃO JOSÉ DA VITÓRIA 89 - JUSSARI 90 - ITAJU DO COLÔNIA 91 - BUERAREMA 92 - ITAPÉ 93 - IBICARAÍ 94 - FLORESTA AZUL 95 - ITABUNA 96 - BARRO PRETO/LOMANTO JÚNIOR 97 - ALMADINA 98 - COARACI 99 - ITAJUÍPE 100 - ILHÉUS 101 - URUÇUCA 102 - ITAPITANGA 103 -AURELINO LEAL 104 - ITACARÉ 105 - UBAITABA 106 - MARAÚ 7 - EXTREMO SUL 122 - NOVA VIÇOSA 123 - MUCURI 124 - IBIRAPOÃ 125 - CARAVELAS 126 - LAJEDÃO 127 - ALCOBAÇA 128 - TEIXEIRA DE FREITAS 129 - MEDEIROS NETO 131 - PRADO 131 - VEREDA 132 - ITANHÉM 133 - ITAMARAJU 134 - JUCURUÇU 8 - MÉDIO SUDOESTE DA BAHIA 135 - MAIQUINIQUE 136 - POTIRAGUÁ 137 - ITARANTIM 138 - MACARANI 139 - ITAPETINGA 140 - ITAMBÉ 141 - ITORORÓ 142 - CAATIBA 143 - FIRMINO ALVES 144 - SANTA CRUZ DA VITÓRIA 145 - NOVA CANAÃ 146 - IGUAÍ 147 - IBICU 20 - VITÓRIA DA CONQUISTA 314 - ENCRUZILHADA 315 - RIBEIRÃO DO LARGO 316 - CÂNDIDO SALES 317 - CORDEIROS 318 - PIRIPÁ 319 - MORTUGABA 320 - TREMEDAL 321 - BARRA DO CHOÇA 322 - BELO CAMPO 323 - CONDEÚBA 324 - JACARACI 325 - VITÓRIA DA CONQUISTA 326 - PLANALTO 327 - MAETINGA 328 - PRESIDENTE JÂNIO QUADROS 329 - CARAÍBAS 330 - GUAJERU 331 - LICÍNIO DE ALMEIDA 332 - ANAGÉ 333 - POÇÕES 334 - BOM JESUS DA SERRA 335 - CAETANOS 336 - ARACATU 337 - MIRANTE

± 30 30 Quilômetros Quilômetros

27 - COSTA DO DESCOBRIMENTO

Fon t e : SEI, 2010

410 - ITABELA 411 - PORTO SEGURO 412 - GUARATINGA 413 - EUNÁPOLIS 414 - SANTA CRUZ CABRÁLIA 415 - ITAGIMIRIM 416 - BELMONTE 417 - ITAPEBI

55


zoom 2 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 1 - IRECÊ 1 - MULUNGU DO MORRO 2 - BARRA DO MENDES 3 - BARRO ALTO 4 - IPUPIARA 5 - CANARANA 6 - CAFARNAUM 7 - IBITITÁ 8 - LAPÃO 9 - IBIPEBA 10 - UIBAÍ 11 - IRECÊ 12 - AMÉRICA DOURADA 13 - PRES. DUTRA 14 - CENTRAL 15 - JOÃO DOURADO 16 - GENTIO DO OURO 17 - SÃO GABRIEL 18 - JUSSARA 19 - XIQUE-XIQUE 20 - ITAGUAÇU DA BAHIA 2 - VELHO CHICO

56

21 - MATINA 22 - FEIRA DA MATA 23 - CARINHANHA 24 - IGAPORÃ 25 - MALHADA 26 - RIACHO DE SANTANA 27 - SERRA DO RAMALHO 28 - BOM JESUS DA LAPA 29 - SÍTIO DO MATO 30 - PARATINGA 31 - OLIVEIRA DOS BREJINHOS 32 - BROTAS DE MACAÚBAS 33 - MUQUÉM DO SÃO FRANCISCO 34 - IBOTIRAMA 35 - MORPARÁ 36 - BARRA 3 - CHAPADA DIAMANTINA 37 - BARRA DA ESTIVA 38 - JUSSIAPE 39 - RIO DE CONTAS 40 - IRAMAIA 41 - IBICOARA 42 - ABAÍRA 43 - MARCIONÍLIO SOUZA 44 - ITAETÉ 45 - PIATÃ 46 - NOVA REDENÇÃO 47 - NOVO HORIZONTE 48 - MUCUGÊ 49 - BONINAL 50 - ANDARAÍ 51 - IBITIARA 52 - PALMEIRAS 53 - LENÇÓIS 54 - WAGNER 55 - IRAQUARA 56 - SEABRA 57 - UTINGA 58 - SOUTO SOARES 59 - BONITO 60 - MORRO DO CHAPÉU 11 - BACIA DO RIO GRANDE 178 - SÃO DESIDÉRIO 179 - BAIANÓPOLIS 180 - CATOLÂNDIA 181 - CRISTÓPOLIS 182 - LUÍS EDUARDO MAGALHÃES

183 - ANGICAL 184 - BARREIRAS 185 - WANDERLEY 186 - COTEGIPE 187 - RIACHÃO DAS NEVES 188 - MANSIDO 189 - SANTA RITA DE CÁSSIA 190 - BURITIRAMA 191 - FORMOSA DO RIO PRETO 12 - BACIA DO PARAMIRIM 192 - TANQUE NOVO 193 - PARAMIRIM 194 - ÉRICO CARDOSO 195 - BOTUPORÃ 196 - CATURAMA 197 - RIO DO PIRES 198 - MACAÚBAS 199 - IBIPITANGA 200 - BOQUIRA 13 - SERTÃO PRODUTIVO 201 - URANDI 202 - CACULÉ 203 - SEBASTIÃO LARANJEIRAS 204 - PINDAÍ 205 - CANDIBA 206 - IUIU 207 - MALHADA DE PEDRAS 208 - IBIASSUCÊ 209 - RIO DO ANTÔNIO 210 - GUANAMBI 211 - BRUMADO 212 - PALMAS DE MONTE ALTO 213 - TANHAÇU 214 - LAGOA REAL 215 - DOM BASÍLIO 216 - ITUAÇU 217 - CONTENDAS DO SINCORÁ 218 - CAETITÉ 219 - LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA 14 - PIEMONTE DO PARAGUAÇU 220 - SANTA TEREZINHA 221 - ITATIM 222 - IAÇU 223 - IBIQUERA 224 - BOA VISTA DO TUPIM 225 - RAFAEL JAMBEIRO 226 - LAJEDINHO 227 - ITABERABA 228 - RUY BARBOSA 229 - MACAJUBA 230 - TAPIRAMUTÁ 231 - MUNDO NOVO 232 - PIRITIBA 23 - BACIA DO RIO CORRENTE 374 - COCOS 375 - CORIBE 376 - JABORANDI 377 - SÃO FÉLIX DO CORIBE 378 - CORRENTINA 379 - CANÁPOLIS 380 - SANTA MARIA DA VITÓRIA 381 - SANTANA 382 - SERRA DOURADA 383 - TABOCAS DO BREJO VELHO 384 - BREJOLÂNDIA

± 40 40 40 Quilômetros Quilômetros Quilômetros


zoom 3 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 6 - BAIXO SUL 107 - IBIRAPITANGA 108 - CAMAMU 109 - IGRAPIÚNA 110 - GANDU 111 - PIRAÍ DO NORTE 112 - ITUBERÁ 113 - NILO PEÇANHA 114 - WENCESLAU GUIMARÃES 115 - TAPERO 116 - TEOLÂNDIA 117 - CAIRU 118 - PRESIDENTE TANCREDO NEVES 119 - VALENÇA 120 - ARATUÍPE 121 - JAGUARIPE 9 - VALE DO JEQUIRIÇA 148 - LAFAYETTE COUTINHO 149 - ITIRUÇU 150 - CRAVOLÂNDIA 151 - ITAQUARA 152 - LAGEDO DO TABOCAL 153 - JAGUAQUARA 154 - SANTA INÊS 155 - MARACÁS 156 - MUTUÍPE 157 - JIQUIRIÇÁ 158 - IRAJUBA 159 - UBAÍRA 160 - LAJE 161 - PLANALTINO 162 - SÃO MIGUEL DAS MATAS 163 - BREJÕES 164 - AMARGOSA 165 - NOVA ITARANA 166 - MILAGRES 167 - ELÍSIO MEDRADO 22 - MÉDIO RIO DE CONTAS 358 - DÁRIO MEIRA 359 - BOA NOVA 360 - GONGOGI 361 - ITAGIBÁ 362 - ITAGI 363 - AIQUARA 364 - IPIAÚ 365 - JITAÚNA 366 - BARRA DO ROCHA 367 - UBATÃ 368 - IBIRATAIA 369 - MANOEL VITORINO 370 - NOVA IBIÁ 371 - APUAREMA 372 - ITAMARI 373 - JEQUIÉ

± 10 10 10 Quilômetros Quilômetros Quilômetros

(! ! (! (

57


zoom 4 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 4 - SISAL 61 - CANDEAL 62 - LAMARÃO 63 - ICHU 64 - SERRINHA 65 - BARROCAS 66 - TEOFILÂNDIA 67 - RETIROLÂNDIA 68 - SÃO DOMINGOS 69 - BIRITINGA 70 - VALENTE 71 - CONCEIÇÃO DO COITÉ 72 - ARACI 73 - SANTALUZ 74 - QUEIMADAS 75 - NORDESTINA 76 - TUCANO 77 - QUIJINGUE 78 - CANSANÇÃO 79 - ITIÚBA 80 - MONTE SANTO 16 - PIEMONTE DA DIAMANTINA 247 - SERROLÂNDIA 248 - MIGUEL CALMON 249 - CAPIM GROSSO 250 - CAÉM 251 - VÁRZEA NOVA 252 - JACOBINA 253 - SAÚDE 254 - OUROLÂNDIA 255 - MIRANGABA 256 - UMBURANAS 17 - SEMIÁRIDO NORDESTE II

58

257 - NOVA SOURE 258 - CIPÓ 259 - RIBEIRA DO AMPARO 260 - HELIÓPOLIS 261 - RIBEIRA DO POMBAL 262 - BANZAÊ 263 - FÁTIMA 264 - PARIPIRANGA 265 - ADUSTINA 266 - CÍCERO DANTAS 267 - ANTAS 268 - NOVO TRIUNFO 269 - EUCLIDES DA CUNHA 270 - SÍTIO DO QUINTO 271 - CORONEL JOÃO SÁ 272 - PEDRO ALEXANDRE 273 - JEREMOABO 274 - SANTA BRÍGIDA 25 - PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU 391 - CALDEIRÃO GRANDE 392 - PONTO NOVO 393 - FILADÉLFIA 394 - PINDOBAÇU 395 - ANTÔNIO GONÇALVES 396 - SENHOR DO BONFIM 397 - ANDORINHA 398 - CAMPO FORMOSO 399 - JAGUARARI

± 20 Quilômetros Quilômetros


zoom 5 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 15 - BACIA DO JACUIPE 233- SERRA PRETA 234 - IPIRÁ 235 - BAIXA GRANDE 236 - PINTADAS 237 - PÉ DE SERRA 238 - MAIRI 239 - RIACHÃO DO JACUÍPE 240 - NOVA FÁTIMA 241 - VÁRZEA DA ROÇA 242 - CAPELA DO ALTO ALEGRE 243 - VÁRZEA DO POÇO 244 - GAVIÃO 245 - SÃO JOSÉ DO JACUÍPE 246 - QUIXABEIRA 18 - LITORAL NORTE E AGRESTE BAIANO 275 - MATA DE SÃO JOÃO 276 - POJUCA 277 - CATU 278 - ITANAGRA 279 - PEDRÃO 280 - ARAÇÁS 281 - OURIÇANGAS 282 - ARAMARI 283 - CARDEAL DA SILVA 284 - ALAGOINHAS 285 - ENTRE RIOS 286 - ESPLANADA 287 - CONDE 288 - ACAJUTIBA 289 - APORÁ 290 - INHAMBUPE 291 - JANDAÍRA 292 - SÁTIRO DIAS 293 - CRISÓPOLIS 294 - RIO REAL 295 - OLINDINA 296 - ITAPICURU 19 - PORTÃO DO SERTÃO 297 - CONCEIÇÃO DA FEIRA 298 - SANTO ESTEVÃO 299 - AMÉLIA RODRIGUES 300 - SÃO GONÇALO DOS CAMPOS 301 - TERRA NOVA 302 - CONCEIÇÃO DO JACUÍPE 303 - ANTÔNIO CARDOSO 304 - IPECAETÁ 305 - TEODORO SAMPAIO 306 - CORAÇÃO DE MARIA 307 - ANGUERA 308 - FEIRA DE SANTANA 309 - IRARÁ 310 - TANQUINHO 311 - SANTANÁPOLIS 312 - SANTA BÁRBARA 313 - ÁGUA FRIA 21 - RECÔNCAVO

± 20 20 Quilômetros Quilômetros Quilômetros Quilômetros

338 - MUNIZ FERREIRA 339 - SANTO ANTÔNIO DE JESUS 340 - DOM MACEDO COSTA 341 - VARZEDO 342 - NAZARÉ 343 - CONCEIÇÃO DO ALMEIDA 344 - SÃO FELIPE 345 - SAUBARA 346 - MARAGOGIPE 347 - SAPEAÇU 348 - CRUZ DAS ALMAS 349 - SÃO FÉLIX 350 - MURITIBA 351 - SÃO FRANCISCO DO CONDE 352 - CASTRO ALVES 353 - GOVERNADOR MANGABEIRA 354 - CACHOEIRA 355 - CABACEIRAS DO PARAGUAÇU 356 - SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ 357 - SANTO AMARO 26 - REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR 400 - VERA CRUZ 401 - ITAPARICA 402 - LAURO DE FREITAS 403 - SALINAS DA MARGARIDA 404 - SALVADOR 405 - MADRE DE DEUS 406 - SIMÕES FILHO 407 - CANDEIAS 408 - DIAS D'ÁVILA 409 - CAMAÇARI

59


60


zoom 6 TERRITÓRIOS E MUNICÍPIOS 10 - SERTÃO DO SÃO FRANCISCO 168 - CANUDOS 169 - UAUÁ 170 - SOBRADINHO 171 - SENTO SÉ 172 - PILÃO ARCADO 173 - REMANSO 174 - CAMPO ALEGRE DE LOURDES 175 - JUAZEIRO 176 - CASA NOVA 177 - CURAÇÁ 24 - ITAPARICA 385 - PAULO AFONSO 386 - GLÓRIA 387 - MACURURÉ 388 - RODELAS 389 - CHORROCHÓ 390 - ABARÉ

61

± 15 Quilômetros


MOBILIDADE DESLOCAMENTOS

Q

62

uando você se desloca para outro município, qual meio de transporte utiliza? Rodoviário (carro, moto, caminhão, ônibus), ferroviário (trem), hidro­ viário (barco, balsa) ou aéreo (avião, helicóptero)? Na Bahia há uma grande variedade de opções. Também pudera: este é um estado com um território grande, que contém 417 municípios e liga as regiões Sudeste e Centro-Oeste a outros estados do Nordeste. A história da Bahia está muito ligada à variedade de meios de transporte distribuídos por suas regiões. Embora menos utilizado atualmente, o meio aquático foi de fundamental importância na história baiana. A navegação pelo Rio São Francisco facilitou o po­ voamento do interior do estado. As ferrovias já foram o meio de transporte mais importante do Brasil: por elas viajavam pessoas e mercadorias. Porém, em meados do século passado, os carros e os caminhões começaram a ser cada vez mais utilizados, promovendo o desenvolvimento rodoviário. Atualmente, a malha rodoviária do estado é de 139 mil km – a quarta maior do Brasil. Importantes rodovias, algumas federais, atravessam várias regiões da Bahia. Quais estradas e rodovias ligam o seu município à capital, Salvador? Outro meio de transporte utilizado é o aéreo. Depois de Salvador, que recebeu quase 8,5 milhões de passageiros em 2013, os terminais de Ilhéus e de Porto Seguro – portas de entrada de grande quantidade de turistas – são os que mais recebem passageiros.

Baía de Todos os Santos: porta de entrada e saída do Brasil Ao longo do século 19, a Baía de Todos os Santos recebia pelos rios mercadorias produzidas no Recôncavo Baiano e nos sertões. Com a integração de ferrovias com portos interiores no final do século 19 e início do 20, uma parte ainda maior da produção baiana pôde ser escoada pela baía. Hoje, além de receber navios de cruzeiros, destaca-se na exportação de produtos como frutas, trigo e celulose

SALVADOR

ACESSOS

12°45’S

OS MEIOS DE LOCOMOÇÃO – POR TERRA, ÁGUA E AR – CONTRIBUÍRAM PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO

Conexão com o mundo

BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Aeroporto de Salvador

13°0’S

Chegadas e partidas

PORTO DE SALVADOR

OCEANO ATLÂNTICO

LEGENDA Núcleos populacionais

Rede de transportes

Aeroportos

±

Massas d'água

Estações ferroviárias

5,5

Área urbana

Portos

Principais rodovias

Municípios

Ferrovias

Distritos

c o l a b o r a ç ã o Hilário Menezes, mestre em Geografia, professor da Rede

Uso e cobertura do solo

Estadual de Ensino de Salvador

39°0’O

38°45’O

38°30’O

Quilômetros 38°15’O

F o n t e s : SEI, 2012 e PNLT, 2007


BR-116, DIVISA ENTRE MINAS GERAIS E BAHIA

BR-116, de norte a sul

Infraestrutura de transporte

Maior rodovia totalmente pavimentada do país

Como pessoas e mercadorias circulam pelo Brasil

A BR-116 tem 4.542 km de extensão e liga o Ceará ao Rio Grande do Sul. É a principal ligação rodoviária da Bahia com o restante do Brasil – o trecho que atravessa o estado é cha­ mado de Rio–Bahia. A rodovia foi vital para o crescimento de cidades como Feira de Santana e Vitória da Conquista

Veja nos mapas abaixo os principais meios de transporte do Brasil: rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos

BAHIA

ACESSOS

BRASIL

RODOVIAS E AEROPORTOS

BR 407

10°0’S

±

BR 101

TERRA E AR

690

12°0’S

Quilômetros

BR 242

Principais rodovias Principais rodovias Aeroportos internacionais Aeroportos internacionais

BR 324

BRASIL

As rodovias são os principais meios de transporte do país. Concentram-se principalmente no Sudeste, no litoral e nas capitais

PORTOS, HIDROVIAS E FERROVIAS

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

BR 116

63 14°0’S

BR 407

16°0’S

OCEANO ATLÂNTICO

BR 101

LEGENDA Redes de transportes

BR 116

Rodovias federais

Quilômetros

18°0’S

Ferrovias

Principais portos Principais portos Principais hidrovias Principais hidrovias Malha ferroviária Malha ferroviária

Hidrovias

85

Principais portos 46°0’O

Quilômetros 44°0’O

± 690

Rodovias estaduais e municipais

Aeroportos

42°0’O

40°0’O

38°0’O

F o n t e s : SEI, 2012 ; Codeba, 2012; e PNLT, 2007

ÁGUAS E TRILHOS

Hidrovias e ferrovias são pouco exploradas. São opções interessantes por usarem energia limpa, mas precisam de investimentos Fon t e s : IBGE, 2005; Dnit, 2013


Mundaréu de peixes COM O MAIOR LITORAL DO PAÍS, A BAHIA SE DESTACA TANTO NA PRODUÇÃO DO PESCADO COMO NA CULINÁRIA

MUNDO CONEXÕES GLOBAIS

Q

64

uando o cantor baiano Dorival Caymmi entoa­ va “Cerca o peixe, bate o remo, puxa a corda, colhe a rede, ô, canoeiro, puxa a rede do mar...”, ele revelava um pouco como era a pesca na Bahia nas décadas de 1930 e 1940. Entretanto, muita coisa mudou desde então. No estado – e em diversas partes do mundo –, os peixes são pescados, criados e consumidos em quantidade cada vez maior. O litoral baiano é o mais extenso do país, com 1.180 km, por isso a pesca e a aquicultura são duas cadeias econômicas muito importantes para o estado. A pesca marinha costeira ocorre ao longo de todo o litoral, enquanto a oceânica é feita em alto-mar. A pesca continental (a que ocorre no interior do continente) também é importante, sobretudo no Rio São Francisco. Há várias maneiras de produção, como a pesca artesanal e a industrial. A atividade no estado é principalmente artesanal. A Bahia ocupa a terceira colocação no ranking nacional da produção de pescados. A venda de peixes movimenta o comércio das regiões pesqueiras, mas, por meio de modernos processos de resfriamento e armazenagem, eles podem ser consumidos a milhares de quilômetros de distância. Isso permite que a produção brasileira de pescado seja exportada para vários países consumidores, alguns inclusive bem distantes. Ao lado, é possível visualizar para onde vão os peixes pescados no Brasil; como são consumidos em diversos cantos do planeta; e também como é o processo de produção desde a pesca até a mesa do consumidor. c o l a b o r a ç ã o Eduardo Rodrigues, biólogo, assessor de projetos da Bahia Pesca

BRASIL MOQUECA

OCEANO PACÍFICO 0°

LEGENDA Consumo de pescado (por continente) Equivale a 5 milhões de toneladas/ano

PORTUGAL BACALHOADA

F ONT E : The State of World Fisheries and Aquaculture ONU/FAO, 2010

Principais destinos do pescado brasileiro (em mil t.)

de 0,5 a 1

>1a2

>2a3

acima de 3

F ONT E : Ministério da Pesca e Aquicultura, 2010

PERU CEVICHE

Caiu na rede é peixe

Da pesca ao consumidor final

PESCA Pode ser realizada de maneira artesanal ou industrial, no mar ou nos rios. Há também a criação de peixes em cativeiro, a piscicultura

TRANSPORTE Por ser o peixe um produto altamente perecível, seu transporte é feito em caminhões refrigerados para garantir sua qualidade


PLANISFÉRIO

PESCADO

REINO UNIDO FISH & CHIPS

Brasil

OCEANO ÍNDICO

ÁFRICA DO SUL SNOEK GRELHADO

±

OCEANO ATLÂNTICO

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

OCEANO PACÍFICO

1.530 65

Quilômetros

JAPÃO SUSHI

PROCESSAMENTO A forma de processar os peixes varia muito, desde a simples limpeza até a transformação em enlatados, filés, patês e empanados

DISTRIBUIÇÃO Os pescados frescos são vendidos no comércio local, enquanto os processados vão para todos os tipos de mercado, sendo exportados para outras regiões ou países

CONSUMO Tanto o pescado fresco como o processado ganham múltiplas formas de preparo, conforme a culinária de cada região, como mostram as fotos acima


De perto, de longe

PECUÁRIA E PASTAGENS

LER PAISAGENS E IMAGENS DE SATÉLITE NOS AJUDA A CONHECER MELHOR O NOSSO MUNDO

USO DA TERRA BAHIA

E

66

stamos acostumados a ver paisagens diversas, mas nem sempre nos perguntamos como elas se formaram. “O que está por trás daquilo que vemos?” O modo como a terra é ocupada e utilizada é determinado por diversos fatores – que nem sempre são óbvios. Mas, investigando, descobrimos muitas coisas. Ao olhar ao nosso redor, muitas vezes não per­ce­ bemos que existe uma história implícita na paisagem – e que muitos fatores a fizeram tomar aquela aparência. Por exemplo: uma plantação, por que foi instalada naquele lugar? Será que é porque o produto se adapta bem ao clima ou porque a terra é fértil? Onde a mercadoria é vendida? Que meio de transporte é utilizado para os produtos chegarem ao mercado consumidor? As indústrias sempre têm uma posição estratégica, ou seja, estão localizadas perto de estradas, portos ou ferrovias, visando ao escoamento da produção. Algumas cidades se estabelecem ao redor de rios; outras, de estradas, praias... Ler paisagens não é sim­ ples, é uma tarefa para estudiosos curiosos. É preciso observar, perguntar, conversar, pesquisar... O mapa de uso da terra, feito com base em imagens de satélite, ajuda nessa investigação, pois mostra a distribuição de áreas agrícolas, cidades, a distribuição da vegetação etc. Aprender a ler mapas e paisagens, portanto, nos leva a compreender melhor o mundo em que vivemos – e ver o que está além das aparências. Ao lado, observe recortes de imagens de satélite e fotos do mesmo tipo de uso representado nas imagens. c o l a b o r a ç ã o Ailton Luchiari e Sueli Angelo Furlan, professores de Geografia da USP

Nas imagens aéreas não é possível identificar o gado, mas pastagens com áreas de vegetação rasteira, de cor clara e lisa PECUÁRIA EXTENSIVA

AGRICULTURA IRRIGADA

As lavouras irrigadas apresentam tonalidades vivas de verde, com formas geométricas regulares, por causa do sistema de irrigação PLANTAÇÃO DE BATATA

LAGOS E REPRESAS

Barramentos artificiais de rios para consumo de água e geração de energia, neste caso se forma uma represa contida por uma barragem REPRESA DE PAULO AFONSO


8°0'S

O mundo visto do alto Com imagens de satélite, pode-se representar usos e coberturas da terra BAHIA

USO DA TERRA

PEQUENAS PLANTAÇÕES

São áreas de agricultura familiar que aparecem como pequenas propriedades. A produção é diversificada (policultura e pecuária)

ÁREA URBANA

Identificamos as áreas urbanas por manchas de tonalidade acinzentada e, se aproximarmos a imagem, é possível ver ruas, praças... 14°0'S

CIDADE DE SALVADOR

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

12°0'S

10°0'S

PRODUÇÃO DE SISAL

67

± 16°0'S

80

Quilômetros

LEGENDA Classes de uso e cobertura da terra

18°0'S

Agricultura/pecuária

Rios, lagos e represas

Áreas úmidas

Florestas

Caatinga

Ecossistemas litorâneos

Cabruca (cacau)

Silvicultura

Campos naturais

Área urbana

± 80

Cerrado

46°0'O

GRANDES PLANTAÇÕES

As plantações de eucalipto (silvicultura) em áreas extensas apresentam formas geométricas variadas, mais escuras que a vegetação nativa SILVICULTURA

Quilômetros

44°0'O

42°0'O

40°0'O

LEGENDA

38°0'O

Classes de uso e cobertura da terra i m ag en s d e F o n t e s : CAS/SRH/MMA, 2001 Agricultura/pecuária Áreas úmidas

s at é l i t e : Copyrights Fotos Digitais SAAPI®, Rios, lagos e represas gentilmente cedidas pela Engemap Geoinformação, 2012 Florestas

Caatinga

Ecossistemas litorâneos

Cabruca (cacau)

Silvicultura


Altos e baixos

Modelagem sul-americana

Variação do relevo no continente e suas características

É POSSÍVEL CLASSIFICAR O RELEVO DESDE O FUNDO DO MAR ATÉ O PICO DE UMA MONTANHA

68

c o l a b o r a ç ã o Jurandyr Sanches Ross, professor de Geografia da USP

HIPSOGRAFIA

0°0'

OCEANO AT L Â N T I C O

PLANALTO DAS GUIANAS

Na região de fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, o Planalto das Guianas tem grandes altitudes e apresenta vegetação única de florestas e campinas. Lá se encontra o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, com 3.014 metros

BACIA AMAZÔNICA

15°0'S

A Bacia Amazônica, com cerca de 7 milhões de km², é a maior do mundo. O Rio Amazonas nasce a mais de 4 mil metros de altitude, nos Andes peruanos, e percorre mais de 8 mil km pela floresta até desaguar no Oceano Atlântico

LEGENDA

PLANALTOS DO BRASIL

Capitais nacionais Altitudes (em metros)

Estruturas rochosas antigas, desgastadas ao longo de milhões de anos, formam planaltos no interior do país. Eles atuam como divisores de águas na América, separando a Bacia Amazônica da Bacia do Rio da Prata

4.000 3.000 2.000 1.000 500 200 0

30°0'S

RELEVO COMPARTIMENTOS

Q

uando estamos no alto de uma serra, é possível ter uma vista incrível da parte de baixo. Assim como quando estamos numa região mais baixa, as montanhas parecem gigantescas. Essa variação de formas na crosta terrestre, gerada por forças internas e externas do planeta, é o que chamamos de relevo. Apesar das diferenças aparentes, é possível encontrar características semelhantes em qualquer tipo de relevo: no fundo, rochas; e sobre elas, o solo, os quais, juntos, definem a forma. O sobe e desce é resultado de fenômenos que ocorrem no interior da crosta terrestre, como o movimento das placas tectônicas e as atividades vulcânicas. Esses fenômenos internos (também chamados de endógenos) moldam a estrutura rochosa, a base do relevo. Já os fenômenos externos (exógenos) são responsáveis por esculpir essa estrutura por meio da erosão de rochas e do acúmulo de sedimentos. Calor, frio, umidade, vento e chuva contribuem para esse processo, assim como a ação humana. São fatores que atuaram (e continuam atuando) há bilhões de anos. No Brasil, as principais categorias de relevo são planalto, depressão e planície. O planalto é uma superfície extensa e elevada, pode ter várias formas e se caracteriza por processos erosivos de longa data. A depressão é um terreno rebaixado pela erosão entre planaltos vizinhos. E a planície, área plana e baixa, é resultado do acúmulo de sedimentos em rios e mares. Observe o local onde você mora: como são as formações do relevo da região?

AMÉRICA DO SUL

60°0'O

400 Quilômetros

45°0'O

CORDILHEIRA ANDINA

BACIA DO RIO DA PRATA

A Cordilheira dos Andes se formou pelo contato das placas Sul-Americana e Nazca. É uma das maiores cadeias de montanhas do mundo, com 8 mil km de extensão e altitude média de 4 mil metros

Possui cerca de 3,2 milhões de km² entre Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Argentina. Tem grande diversidade de vegetação e abriga algumas das maiores cidades do continente sul-americano


PERNAMBUCO

PERNAMBUC ALA

PIAUÍ PERNAMBUCO

PERNAMBUCO

Bahia de muitas formas

PIAUÍ

S

GOA ALA

ESPÍRITO SANTO

Altitudes (em metros)

800 500 200

OCEA

Limites1.200 estaduais

Rios perenes Rios intermitentes

ESPÍRITO Limites estaduais SANTO

100 0

Rios perenes Rios intermitentes

ESPÍRITO SANTO F o n t e : CAS/SRH/MMA, 2001

ESPÍRITO SANTO Possuem duas formações: o planalto costeiro (que agrupa tabuleiros sedimentares e mares de morros) e o planalto pré-litorâneo (formado por serras mais elevadas, com grandes vales) PLANALTOS COSTEIROS

ESPÍRITO SANTO

ESPÍRITO SANTO

CO

NTI

NO A TLÂ

69

O

OCEA

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

CO

CO

NTI

OCEA

NO A TLÂ

NTI

MINAS GERAIS

CO

NO A TLÂ

NO A TLÂ

CO

NTI

TABULEIROS E FALÉSIAS

São relevos planos, em forma de platô, que ocorrem em terrenos sedimentares. A erosão da borda dos tabuleiros pela ação do mar (marés) gera as falésias, paredões que se estendem nos limites da praia

NTI

O

LEGENDA

A Chapada Diamantina e a Serra do Espinhaço têm a mesma constituição. A diferença é a forma tabular da Diamantina, formada por rochas sedimentares. O pico do Barbado é o mais alto do Nordeste

OCEA

MINAS GERAIS

MINAS GERAIS

MINAS GERAIS

200 100 0

NO A TLÂ N

É um conjunto de antigos terrenos do Pré-Cambriano que se estendem por quase 1.200 km. Divide GERAIS as bacias hidrográficas MINAS do São Francisco e as da porção leste, que drenam para o oceano

GOIÁS

500

OCEA

SERRA DO ESPINHAÇO

IPE

OCEA

MINAS GERAIS

Metros

800

MINAS GERAIS NO A TLÂ

IPE SERG

GOIÁS

GOIÁS

TIC

Terrenos planos formados pelo depósito de sedimentos da erosão de chapadas e serras. Podem possuir grandes “morros de pedras” isolados na paisagem, chamados de pães de açúcar

SERG

NO A TLÂ N

TIC

O

TOCA N

GOIÁS

1200

DEPRESSÃO SERTANEJA

SERG

CHAPADA DIAMANTINA

GOIÁS

IPE SERG

GOIÁS

TINS TOCA N

S

GOA ALA

OCEA

S GOA ALA

SERG

PIAUÍ

TOCA N TINS

TOCA N

TINS

Ocorre na divisa comPIAUÍ o estado de Goiás e é chamada de Espigão Mestre. São terrenos antigos, moldados por meio de processos erosivos que criaram formas tabulares em camadas planas

TOCA N

CHAPADA DO SÃO FRANCISCO

TINS

TINS TOCA N PIAUÍ

PERNAMBUCO

PERNAMBUCO

DUNAS DO SÃO FRANCISCO

Antigas dunas (paleodunas) que S GOA existiam na região, atualmente ALA cobertas por vegetação rasteira e pequenos arbustos. Estendem-se por mais de 7 mil km² e indicam que a região já foi um deserto

IPE

IPE

TINS

PIAUÍ

IPE

PIAUÍ

O relevo da Bahia tem um divisor de águas no centro do estado, formado pela Chapada Diamantina e pela Serra do Espinhaço. A oeste, estão as dunas do Rio São Fran­ cisco e a chapada do São Francisco, na divisa com Goiás e Tocantins. No litoral, há tabuleiros, falésias e planaltos costeiros. E, entre essas formas, há a depressão sertaneja

S GOA ALA PERNAMBUCO

S GOA PERNAMBUCO ALA PIAUÍ

SERG

Chapadas, depressões, planícies...


TEMPERATURA, VENTO E CHUVA NOS AJUDAM NA PREVISÃO DO TEMPO E NO ENTENDIMENTO DO CLIMA

CLIMA ATMOSFERA

A

70

gente mal acorda e já percebe os primeiros sinais de que o tempo está presente em nossa vida. Na hora de nos vestirmos começam as dúvidas: tá frio? Tá quente? Vai chover? Pois saiba que tem gente que passa a vida interpretando os sinais dos céus – os meteorologistas. Seu objetivo vai além de responder que roupa devemos vestir: podem prever tempestades, secas, geadas e outros fenômenos climáticos que têm impacto na sociedade e na economia de uma região. Para isso, analisam o movimento das massas de ar, a formação de nuvens e a temperatura dos oceanos. O clima varia muito de acordo com a região do planeta. A região próxima à linha do Equador é mais quente, pois recebe mais luz e calor do Sol ao longo do ano. Ao nos afastarmos dos trópicos, seja para o Norte ou para o Sul, o clima passa a ser temperado e, nas regiões próximas aos polos, fica gelado: são as áreas mais frias do planeta. Por ser muito extenso, o Brasil tem seis tipos de clima, que vão do subtropical ao equatorial (veja no mapa da página ao lado). c o l a b o r a ç ã o Emerson Galvani e Tarik Rezende de Azevedo, ambos

O clima é controlado principalmente pela ação das massas de ar – grandes “blocos” de ar que, depois de ficarem muito tempo sobre determinada região, adquirem suas características (umidade e temperatura). Massas de ar vindas do oceano são normalmente mais úmidas do que as que vêm do interior do continente. O relevo também é um fator importante no clima. Funciona como uma barreira natural, retendo parte das nuvens de chuva. Também ameniza a temperatura das regiões mais elevadas. Veja ao lado exemplos de três municípios com climas bem diferentes

350

35°

300

30°

250

25°

200

20°

150

15°

100

10°

50

0

BARRA

Localizada no interior da Bahia, tem temperaturas elevadas o ano todo e baixa pluviosidade média. Apresenta duas estações bem marcadas: chuvas concentradas em um período e escassas no outro

0° J F MAM J J A S ON D meses do ano

Barra

25,5 ºC / 661 mm / 406 m

MASSA EQUATORIAL CONTINENTAL

LEGENDA Temperatura média anual (ºC) Precipitação média anual (mm)

Altitude (m)

Contrastes Clima apresenta diferenças regionais De modo geral, a Bahia apresenta temperaturas elevadas no seu território, mas possui di­ ferenças na distribuição das chuvas. No litoral, o clima é úmido e chuvoso ao longo do ano. A região oeste tem um período com chuvas concentradas. Já no centro do estado ocorre o clima tropical semiárido, com um período seco acentuado e volume de chuvas baixo

professores de Climatologia da USP

CLIMA OU TEMPO? CLIMA OU TEMPO? A diferença é simples: o tempo nos diz qual a A diferença é bastante simples: o tempo nos diz qual condição atmosférica terrestre de um momento é a condição atmosférica terrestre em um momento específico (se vai chover ou ventar, se vai ficar específico (se vai chover ou ventar, se vai ficar nublado, úmido ou se vai esquentar). nublado, úmido ou se vai esquentar nas próximas O clima é o predomínio e a constância dessas horas). O clima é o predomínio, a constância dessas características do tempo em um mesmo local características do tempo em um mesmo local por um por um período longo de décadas, formando período longo, de décadas um padrão que podemos identificar

pluviosidade (em mm)

Superfície da Terra altera características do ar

40°

temperatura (em °C)

Sinais da atmosfera

Temperatura e umidade

400

mE

c mTa

± ± 230 Quilômetros

230

Quilômetros

VERÃO Nesta estação, a massa equatorial continental (mEc) traz calor e umidade, fazendo chover no oeste baiano e em áreas do sertão. A costa recebe chuvas da massa tropical atlântica (mTa), quente e úmida LEGENDA

mTa

LEGENDA

INVERNO Nessa época, o tempo fica seco na Bahia, exceto no litoral. A massa tropical atlântica (mTa) entra no continente e sobe (converge) antes de chegar ao sertão, por isso quase não chove lá nessa época

Precipitação (em mm) Precipitação (em mm) 300 500 750

300 500 750 1250 1500

1250 1500 2000

2000

F o n t e : CPRM, 2007


pluviosidade (em mm)

40°

350

35°

300

30°

250

25°

200

20°

150

15°

100

10°

50

0

IRECÊ temperatura (em °C)

400

O clima do município é típico do semiárido, com baixo volume de chuva ao longo do ano. Também tem chuvas concentradas e uma estação seca bem marcada

0° J F MAM J J A S ON D meses do ano

Irecê

O eixo da Terra é inclinado A inclinação do eixo da Terra faz com que a incidência de radiação solar varie ao longo do ano, criando as quatro estações VERÃO NO HEMISFÉRIO NORTE

VERÃO NO HEMISFÉRIO SUL

Entre junho e setembro, a incidência de luz e de calor do Sol é maior no hemisfério Norte. A inclinação do eixo do globo deixa o Sul mais distante, com dias mais frios e curtos

Entre dezembro e março, a luz e o calor se intensificam no hemisfério Sul. Já no Equador o Sol incide de forma mais constante ao longo do ano, por isso o clima é sempre quente

Climas do Brasil

Salvador

MASSA TROPICAL ATLÂNTICA

71

BRASIL 25,3 ºC / 2144 mm / 8 m

CLIMAS

Climas do Brasil

40°

350

35°

300

30°

250

25°

200

20°

150

15°

100

10°

50

0

0° J F MAM J J A S ON D meses do ano

LEGENDA temperatura (em °C)

pluviosidade (em mm)

Equador

400

SALVADOR

A capital tem temperatura e pluviosidade elevadas durante todo o ano, pois recebe umidade que vem do Oceano Atlântico. As chuvas são mais concentradas entre abril e julho

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

23,1 ºC / 653 mm / 722 m

( !

Guaíra

Equatorial úmido Tropical semiárido Subtropical úmido Tropical Litorâneo úmido Tropical de altitude

F o n t e : Simielli, 2010

Tipos de clima Equatorial úmido Tropical Trópico desemiárido Subtropical úmido Capricórnio

Tropical Litorâneo úmido Tropical de altitude

Fonte: Girardi, 2005

1.920 Quilômetros Fonte: Girardi, 2005


Clima das águas V A CAPACIDADE DOS OCEANOS DE ACUMULAR CALOR INFLUENCIA A TEMPERATURA DA TERRA

ocê sabia que cada litro de água armazena 4 mil vezes mais calor do que 1 quilo de ar? Por isso, os oceanos têm forte influência sobre o clima. Pense bem: a Terra é formada por 71% de água, então o ca­ lor acumulado por esse volume deve ser imenso! A capacidade dos oceanos de reter e transferir calor para o ar impacta inclusive no clima dos continentes. A água dos oceanos está em constante movimento: das ondas, marés e correntes marinhas – massas de água que circulam pelos mares. As correntes têm características específicas, como: cor, densidade, salinidade e temperatura. Há uma curiosidade sobre elas: não se misturam facilmente com as águas do entorno.

Assim, as correntes “carregam” suas propriedades por milhares de quilômetros. Cada corrente causa um impacto distinto nas re­ giões continentais por onde passam. As de água quente, como a Corrente do Brasil, deixam o ar quente e úmido: a temperatura elevada das águas facilita sua evaporação, transferindo calor e umidade ao ar. Já correntes de água fria, como a do Peru, não evaporam facilmente, fazendo com que o ar fique seco. É o caso do clima do deserto do Atacama, no Chile, influenciado diretamente por essa corrente. c o l a b o r a ç ã o Paulo Simionatto Polito, professor de Oceanografia da USP

Correntes marinhas

CLIMA OCEANOS

A temperatura das águas influencia o clima e a vida nos mares

72

CORRENTES PROFUNDAS

CORRENTES SUPERFICIAIS

ARQUIPÉLAGO DE ABROLHOS

São correntes que se movem lentamente pelo fundo do oceano, em ciclos que podem durar milhares de anos! Em certos pontos, sobem à superfície levando nutrientes que estavam em águas profundas e servem de alimento para muitos seres vivos

Movem-se próximas à superfície do mar e têm forte influência na temperatura e na umidade do ar. Um exemplo é a Corrente do Brasil, de águas tropicais quentes, que influencia o clima da costa brasileira

As águas quentes e rasas do sul da Bahia são propícias para a formação de recifes de corais. Abrolhos apresenta o maior banco de corais do Atlântico Sul, no qual vivem milhares de espécies de peixes, além de crustáceos, moluscos e outros invertebrados

Leia mais sobre o clima na Bahia na página 74


Brisas

A temperatura na terra e no mar causa variação nos ventos

BRISA MARÍTIMA

BRISA TERRESTRE

Durante o dia, a brisa sopra do mar para o continente. Isso ocorre porque a água tem um calor específico maior que o da terra ‒ é necessário mais calor para elevar em 1ºC a temperatura de uma determinada massa de água do que para elevar em 1ºC a mesma de areia. O ar sobre a terra fica mais quente e menos denso, e o ar sobre o oceano (agora mais frio) migra para o continente (em forma de vento, brisa...)

À noite, o movimento se inverte. Com calor específico menor que o da água, o continente se resfria mais rapidamente, enquanto o mar mantém por mais tempo o calor acumulado durante o dia. Assim, o ar sobre o continente fica mais frio e denso, enquanto o ar sobre o mar permanece mais aquecido. Para compensar essas diferenças de densidade, o ar se move. Esse fenômeno é chamado de brisa terrestre

ar quente

ar quente ar mais frio

É tudo água Líquido, sólido ou vapor: saiba mais sobre os três estados da substância O que pedras de gelo, a água da torneira e o vapor que sai da chaleira têm a ver uns com os outros? Todos são água, em diferentes estados físicos. As mudanças de estado ocorrem em função da temperatura. Abaixo de 0ºC, ela se solidifica, vira gelo. Acima de 100ºC, ela evapora, passando ao estado gasoso. Entre essas duas temperaturas, a água permanece em estado líquido

FLUTUAÇÃO DO GELO

ISOLANTE TÉRMICO

Você já se perguntou por que o gelo boia sobre a água em estado líquido? Isso acontece porque o gelo é menos denso. A mesma quantidade de água (a mesma massa), quando congela, se expande, ocupando mais espaço (volume). Assim, sua densidade diminui em relação à água em estado líquido, fazendo-o flutuar

A espessa camada de gelo que cobre os mares dos polos protege a vida submarina. Por ser isolante térmico, o gelo mantém a temperatura da água abaixo dele mais amena, propiciando a vida marinha nos polos

EMPUXO

Icebergs são grandes blocos de gelo de água doce que se desprendem das geleiras. Mesmo os grandes icebergs flutuam, pois atua sobre eles o empuxo, uma força vertical que um fluido (a água) exerce sobre um corpo, empurrando-o para cima

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

ar mais frio

ar mais frio

73


Chuva e sol

S

como fenômenos climáticos globais afetam o ciclo de chuva e estiagem no sertão nordestino

NORDESTE

CLIMA SEMIÁRIDO

abia que a chuva que cai na sua casa pode vir de regiões distantes do planeta? É isso mesmo: as dinâmicas do ar e da água na atmosfera podem proporcionar chuva, calor, umidade, seca ou frio para diferentes localidades. Um aquecimento acima da média no Oceano Pacífico, por exemplo, pode causar períodos de seca no Nordeste ou na Amazônia.

Época de chuva

Em um território extenso como o do Nordeste, o clima varia de uma região para outra, influenciado por dinâmicas climáticas globais. O clima predominante na região é o tropical semiárido, que ocorre no ser­ tão nordestino. Nele, há duas estações bem marcadas: uma chuvosa (entre novembro e maio) e outra de estiagem (entre junho e outubro).

Água por todos os lados!

Chuva no sertão é motivo de festa. Ela ocorre em pouca quantidade, mas o suficiente para deixar a caatinga verde e propiciar boas lavouras. No resto do estado, as chuvas são mais volumosas. Conheça no infográfico os fatores que mais influenciam a ocorrência de chuvas na Bahia N O

ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL (ZCIT)

É uma imensa faixa de nuvens formada pelo encontro de ventos alísios vindos dos hemisférios Norte e Sul. Ela provoca chuvas no Nordeste, sobretudo entre março e abril, quando atinge sua posição máxima ao sul

L

ANTICICLONE SUBTROPICAL DO ATLÂNTICO SUL (ASAS)

CLIMA SEMIÁRIDO

S

±

74

230 Quilômetros

LEGENDA

CLIMA SECO NO NORDESTE

Veja mais sobre a vida no semiárido na página 76

LEGENDA Precipitação (em mm) 300 500 750

1250 1500

2000

A

ÁREAS DE INSTABILIDADE DO BRASIL CENTRAL

Clima semiárido Limite do Nordeste Limites estaduais

O clima tropical semiárido se caracteriza pela irregularidade na distribuição de chuvas ao longo do ano, pelos baixos índices pluviométricos e pela alta taxa de evapotranspiração. A pluviosidade média anual fica, em geral, abaixo de 800 mm

Instalado sobre o oceano, age como um imenso ventilador de teto. Intensifica os ventos alísios, que carregam umidade oceânica, como da corrente marinha do Brasil (de água quente), provocando chuvas no litoral

CAATINGA NA ESTAÇÃO CHUVOSA

De novembro a maio, o aquecimento da superfície no Centro-Oeste provoca intensa evaporação e formação de nuvens carregadas de vapor d'água, que acarretam chuvas no oeste baiano

FRENTES FRIAS

Entre março e julho, massas de ar frio vindas do sul do continente provocam queda de temperatura e chuvas no Sudeste. Quando são mais intensas, trazem chuvas para o sul da Bahia

LEGENDA ZCIT Áreas de instabilidade Frentes frias A

ASAS Nuvens de chuva


Um sistema que atua sobre a região é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – faixa de nuvens na região equatorial do globo, formada pelo encontro de ventos alísios dos dois hemisférios. Ao se deslocar para o sul, ela traz chuvas para o sertão; quando se move para o norte, ocorre estiagem. O período chuvoso varia entre as regiões, influenciado por vários fato-

Período seco

res. De março a julho, ventos úmidos do oceano provocam chuvas no litoral; e frentes frias fazem chover no sul. Entre novembro e maio, áreas de instabilidade do Centro-Oeste provocam chuva no oeste baiano. c o l a b o r a ç ã o Emanuel Fernando Reis de Jesus, professor do Instituto de Geociências da UFBA; e Franco Nadal J. Villela, meteorologista do Inmet

Chuvas se afastam do Sertão

Alterações nos mesmos fenômenos que influenciam o regime de chuvas determinam o período de seca. Assim, as chuvas diminuem em todo o estado. No sertão, elas praticamente não ocorrem. Lá, em muitos locais, é comum passar meses sem cair uma gota de chuva N

Quando ocorre, altera o clima em muitas regiões As secas prolongadas no semiárido são frequentemente associadas ao fenômeno do El Niño – aquecimento anormal da temperatura do Oceano Pacífico que provoca alterações no clima de muitas regiões do planeta. Ele costuma ocorrer em intervalos que variam de dois a sete anos e é tão imprevisível quanto temperamental. Entenda como esse rebuliço acontece SEM EL NIÑO

ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL

A partir de junho, as águas do Atlântico Sul resfriam e do norte esquentam, o que leva ao deslocamento da ZCIT para o norte. É o início da estiagem no Nordeste

As águas do Pacífico próximas à Austrália (mancha vermelha) são naturalmente mais quentes do que as próximas à América do Sul. Isso faz a circulação da atmosfera acontecer de um jeito específico: ventos úmidos sopram do leste para o oeste – provocando, por exemplo, chuvas regulares sobre o território australiano

L S

Linha do Equador Austrália

ANTICICLONE SUBTROPICAL DO ATLÂNTICO SUL

ÁREAS DE INSTABILIDADE DO BRASIL CENTRAL

No inverno, diminui a formação de nuvens carregadas. Assim, passa a chover menos no oeste baiano

A

CAATINGA NA ESTAÇÃO SECA

De maio a agosto, ele se desloca e fica mais próximo do continente. Com isso, diminuem os ventos úmidos que trazem chuva do oceano para o litoral

Temperatura

+

Oceano Pacífico

América do Sul

Correntes marinhas

-

75

COM EL NIÑO

Quando a temperatura das águas mais próximas à América do Sul aumenta, há forte evaporação no meio do oceano. Mas, conforme ganha altitude, o ar quente se resfria e perde umidade. Esse ar seco é empurrado por correntes em várias direções. Parte dele desce sobre a Amazônia e o Nordeste, dificultando a ocorrência de chuvas

FRENTES FRIAS

A partir de setembro, tornam-se cada vez menos intensas e frequentes. Raramente chegam ao sul da Bahia

Linha do Equador

LEGENDA ZCIT A

Austrália

América do Sul

Oceano Pacífico

ASAS Nuvens de chuva

Temperatura

+

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O

O bagunceiro El Niño

-

Correntes marinhas


AGROFLORESTA

Convívio com a seca tecnologias permitem que o sertanejo se adapte à escassez de água no semiárido nordestino

Prática da atividade agrícola em meio a uma área de mata conservada. A floresta ajuda a regenerar a fertilidade do solo e ajuda a regular o microclima, promovendo conforto térmico. Também permite controle biológico de pragas

CERCA VIVA

Demarca a propriedade e serve de alimento para os animais. Como é feita de plantas vivas (palma, mandacaru, xique-xique etc.), evita o desmatamento para produção de mourões

ÁGUA VIDA NO SERTÃO

“M

76

andacaru quando fulora na seca é um sinal que a chuva chega no sertão.” Esse verso do compositor Luiz Gonzaga traduz bem a relação que o sertanejo desenvolveu com a terra. Gonzagão sabia das coisas: para viver no semiárido nordestino é preciso estar atento aos sinais da natureza para aproveitar ao máximo os curtos períodos de chuva. A estiagem no sertão é um fenômeno natural, causado por fatores que provocam a concentração das chuvas em alguns meses do ano. Mas o sertanejo aprendeu a conviver com períodos de seca ao lon­ go dos séculos. Hoje, conta com tecnologias simples, mas eficientes, capazes de proporcionar boas condições de enfrentar os períodos de escassez de água. Ao armazenar a água da chuva, o sertanejo se garante na época da estiagem. Dos reservatórios ele pode retirar, no decorrer dos meses de seca, tanto a água para uso doméstico de sua família, quanto a que mata a sede dos animais. Para aproveitar ainda melhor esse recurso, ele pode utilizar a irrigação por gotejamento, um método simples que mantém o solo úmido e a plantação verdinha, evitando o desperdício. Plantas da região, resistentes à estiagem, podem servir de alimento para a criação, além de auxiliar na regeneração da fertilidade do solo e evitar a erosão. Todas essas tecnologias funcionam ainda melhor quando combinadas com a sabedoria popular do sertanejo: dá até para prever a chegada da chuva observando as plantas, os pássaros e os insetos. c o l a b o r a ç ã o Aurélio Lacerda, professor, coordenador do NIEAIS da UFBA; e Emanoel Dias, agrônomo, assessor técnico da AS-PTA

CISTERNA DOMÉSTICA

É um reservatório que armazena água da chuva para o consumo da família. Sua capacidade varia. A de 16 mil litros é suficiente para manter cinco pessoas por até oito meses. A água é coletada por calhas e canos instalados no telhado


CISTERNA CALÇADÃO

Reservatório que abastece plantações e animais. A água da chuva é captada por uma estrutura de concreto e pode ser conduzida por desnível até a cisterna

FORRAGEIRAS

São espécies vegetais muito resistentes e adaptadas ao semiárido, como a faveleira, a quixabeira e a palma. Servem de alimento para o rebanho e protegem o solo da erosão

Sabedoria popular Conhecer os sinais e os recursos da natureza Quando não chove até 19 de março, dia de São José, o sertanejo já sabe: o ano será de seca no semiárido. Esse é apenas um dos sinais que ele aprendeu a interpretar e que têm respaldo na ciência. Não por acaso, a data coincide com a época em que a Zona de Convergência Intertropical (veja na pág. 74) está mais próxima do Nordeste, o que deveria provocar chuvas. Veja abaixo outros exemplos

JUAZEIRO

Quando a florada dessa árvore acontece em novembro, é sinal de que a chuva vai atrasar

GOTEJAMENTO

Sistema de irrigação que mantém o solo sempre úmido e evita desperdício de água. Pode ser feito de maneira simples e barata: com uma mangueira comum, sacos plásticos ou garrafas PET

JOÃO-DE-BARRO

CRIAÇÃO DE GALINHAS

Quando ele constrói seu ninho virado para o nascente, é sinal de seca em breve

São animais fáceis de criar, que consomem pouca água e se multiplicam rapidamente. Enquanto elas ciscam para se alimentar, produzem esterco que serve de adubo

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

TANAJURA

Muita formiga desse tipo aparecendo é indício de que vai chover em breve

77 PROTEÇÃO SOLAR

AGUADA

Pequeno lago escavado no chão. A água da chuva acumulada não serve para consumo humano, mas pode ser usada na horta e para o consumo de animais

Além de lidar com a falta de chuva, o sertanejo aprendeu também a se defender do Sol. Ele geralmente usa um chapéu com aba longa e camisa de manga comprida. Para cuidar da pele, um dos recursos é hidratar com um creme caseiro feito à base de babosa, planta rica em nutrientes que combatem o evelhecimento


Precioso líquido

Duas faces da Chapada Diamantina A Chapada é a grande divisora de águas do estado: de um lado, os rios correm na direção do Oceano Atlântico; do outro, eles se tornam afluentes do São Francisco

A ÁGUA É ESSENCIAL PARA O EQUILÍBRIO SOCIAL, AMBIENTAL E ECONÔMICO DO PLANETA TERRA

Na Chapada Diamantina nascem 50% dos rios que banham a Bahia. Isso acontece porque ela funciona como um paredão, retendo a umidade vinda do oceano, que se precipita em forma de chuva. Por isso há tantos rios que nascem na sua face leste. Na face oeste, a umidade também fica retida, mas o volume de água é menor, o que faz com que a maioria dos rios seja intermitente. O uso adequado do solo da Chapada é fundamental para conservar seus recursos hídricos

78

c o l a b o r a ç ã o Marjorie Nolasco, professora de Geologia da UEFS; e José Galizia Tundisi, presidente do IIE

BAHIA

HIDROGRAFIA

Represa de Sobradinho 10°0'S

are para pensar: se vivemos em um planeta composto por mais de 70% de água, por que nem todo mundo tem acesso a esse recurso vital? Para começar, porque apenas 2,5% do volume da água da Terra é doce (própria para consumo humano) – e dois terços dele estão concentrados em regiões polares, em forma de gelo e neve. O restante – distribuído em rios, lagoas e lençóis freáticos – é o que chamamos de recurso hídrico: água que tomamos, que agricultores usam para regar as plantações e a indústria, para produção. As principais fontes de água que abastecem a Bahia são seus rios e os aquíferos do Recôncavo-Tucano e do Urucuia. Os rios São Francisco, Paraguaçu, de Contas, Preto e Jacuípe são alguns dos mais importantes do estado. Uma característica da hidrografia da Bahia é a presença de rios intermitentes, ou seja, que ficam secos durante o período de estiagem. Na estação chuvosa, eles são reabastecidos pelas águas das chuvas. A gestão dos recursos hídricos é feita por comitês de bacias hidrográficas, que promovem a conservação das fontes de água, garantindo seu uso sustentável. Atualmente, há dez comitês na Bahia. Desde os anos 1990, várias nações se uniram para gerenciar suas bacias, evitando a distribuição desigual e a agressão ao meio ambiente. Cada cidadão também tem uma grande responsabilidade: usar a água de maneira consciente. Afinal, mesmo se tratando de um recurso renovável, a poluição e o desperdício podem comprometer sua disponibilidade.

RIO SÃO FRANCISCO

15°0'S

ÁGUA RECURSOS HÍDRICOS

P

OCEANO AT L Â N T I C O

LEGENDA

RIO PARAGUAÇU

Rios perenes Rios intermitentes Altitudes Acima de 1200 metros Entre 801 e 1200 metros Entre 501 e 800 metros Entre 201 e 500 metros Entre 101 e 200 metros Até 100 metros 45°0'O

93 Quilômetros 40°0'O

F o n t e s : CAS/SRH/MMA, 2001

RIO DE CONTAS


Correntes úmidas O ar carregado de umidade viaja pelo céu e vira chuva no Sul do país

Água dentro da terra

As correntes de ar que carregam a umidade gerada pela Floresta Amazônica são responsáveis por boa parte das chuvas no Sul do país. Para ter uma ideia do que isso representa, a quantidade de vapor-d'água transportada nas nuvens, por dia, é equivalente à vazão do Rio Amazonas, que é de 200 mil m3/s. Se a floresta diminuir, sua evapotranspiração pode ser menor e alterar a intensidade dos ventos e a geração de umidade, causando seca no país

Você sabia que as duas principais fontes de água que abastecem a Bahia são subterrâneas?

VENTOS

Os aquíferos são reservatórios naturais de águas subterrâneas. Formam-se em rochas cheias de poros e aberturas onde a água se acumula. Funcionam como uma esponja: armazenam a água em pequenos orifícios. O aquífero Urucuia tem cerca de 142.000 km² e vai do sul do Piauí até o noroeste de Minas Gerais, mas a maior parte de sua área está no oeste da Bahia. O Recôncavo-Tu­ cano possui área de cerca de 11.500 km² e fica a leste do estado. O abastecimento de Salvador e do Polo Petroquímico de Camaçari depende principalmente desse aquífero

VAPORES

A evaporação da floresta (evapotranspiração) produz mais vapor-d’água do que o mar, intensificando a umidade do ar

AQUÍFEROS

BAHIA

!

10°0'S

!

!

!

!

!

!

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

A evapotranspiração da floresta atrai o ar do oceano e intensifica os ventos alísios, que carregam a umidade do mar para o continente

! !

!

CORRENTES

14°0'S

!

Os ventos atravessam a Amazônia e rebatem na Cordilheira dos Andes, desviando-se em direção ao Sul do país

!

!

LEGENDA !

CHUVAS

Municípios de referência Rios perenes Rios intermitentes

Principais aquíferos da Bahia 18°0'S

Os ventos levam a chuva para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país e para Bolívia, Paraguai e norte da Argentina, que podem sofrer com a seca se a Floresta Amazônica diminuir

!

Recôncavo-Tucano Urucuia 44°0'O

±

!

!

125 Quilômetros 40°0'O

F o n t e s : CAS/SRH/MMA, 2001

79


ÁGUA RIO SÃO FRANCISCO

Nada é tão típico de Minas Gerais quanto a produção de leite e a criação de rebanho bovino, que ainda pode ser vista às margens do São Francisco. O modo tradicional de fabricação do queijo canastra é patrimônio do Brasil

PRODUÇÃO LEITEIRA

São Francisco é um dos maiores rios da América do Sul – e o maior totalmente em território brasileiro. Percorre 2.863 km da nas­cente à foz. A maior parte do seu leito fica na Bahia. A jornada começa na Serra da Canas­tra, em Minas Gerais, atravessa a Bahia, pas­ sa por Pernambuco e termina entre Sergipe e Alagoas. Ao redor do rio formaram-se aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e cidades. É um importante meio de transporte: por ele navegam pessoas e mercadorias. Suas águas são usadas para consumo humano e animal, irrigação, geração de energia, entre tantos outros usos.

O

REPRESA DE TRÊS MARIAS

Rede Estadual de Ensino de Salvador

A nascente do Rio São Francisco é na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Suas águas vêm dos cerrados do Brasil central, onde chove bastante; por causa disso, o rio adquire volume de água suficiente para atravessar o sertão

BERÇO MINEIRO

pró-reitor da graduação da Uneb; e Hilário Menezes, mestre em Geografia, professor da

c o l a b o r a ç ã o Jairo L. O. de Sá, gerente da Prograd/Uneb; José B. de Carvalho,

O rio é conhecido por vários nomes. Opará foi dado por indígenas – significa “rio-mar”. O comércio de gado no entorno lhe deu o nome Rio dos Currais. Por ligar o Nordeste ao Sudeste, foi apelidado Rio da Integração Nacional. O nome oficial se deve à data em que foi identificado por exploradores europeus, em 1501: 4 de outubro, quando se celebra o dia de São Francisco de Assis.

MINEIRO DE NASCIMENTO E NORDESTINO DE CRIAÇÃO, O VELHO CHICO É RICO EM VIDA, HISTÓRIA E CULTURA

A luz do São Francisco...

80


NORDESTINO DE CORAÇÃO

Rios muitas vezes servem de limite entre cidades, estados e até países. Esse trecho do São Francisco é também um limite natural entre a vegetação de Caatinga, a leste; e a de Cerrado, a oeste

DIVISA NATURAL

Muitos rios que atravessam o sertão secam naturalmente no período de estiagem. As principais características dos rios do semiárido são a presença de grandes “avenidas” (leitos alongados e retilíneos) e a ausência de meandros (serpenteios, curvas)

RIOS INTERMITENTES

IBOTIRAMA

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

BOM JESUS DA LAPA

No morro da Lapa, ergueu-se o Santuário de Bom Jesus. A cidade foi crescendo ao seu redor e hoje recebe fiéis de várias regiões, em uma das maiores romarias do Brasil

FÉ E DEVOÇÃO EM BOM JESUS

O Rio São Francisco cruza o sertão nordestino e passa por regiões semiáridas. Tem grande importância no abastecimento de água, pesca, transporte, irrigação, entre outros usos. Muitas cidades e comunidades se instalaram no seu entorno

81

XIQUE-XIQUE

PRODUÇÃO NO SERTÃO

Ao longo da história do rio transitaram muitos tipos de barco. As barcas de velas latinas e sergipanas e os “gaiolas”, ou barcos a vapor, eram os mais comuns no Velho Chico

EMBARCAÇÕES

Embora as pequenas propriedades de subsistência sejam a marca da região, as culturas irrigadas em larga escala ganham cada vez mais espaço. Há importantes áreas produtoras, como a bacia dos rios Corrente e Grande, afluentes do Rio São Francisco


ÁGUA RIO SÃO FRANCISCO

Duas cidades que cresceram em conjunto, uma baiana, outra pernambucana, formando uma verdadeira “capital do Semiárido”. A partir da década de 1960, o governo federal estimulou a agricultura irrigada, dando apoio técnico e financeiro. Em pouco tempo, toda a região do entorno se tornou grande produtora de frutas

JUAZEIRO E PETROLINA

JUAZEIRO

c o l a b o r a ç ã o Jairo Luiz de Oliveira de Sá, gerente da Prograd/Uneb

ocupação ao longo do Rio São Francisco é bem antiga. Indígenas, bandeirantes, quilombolas, missionários e colonizadores de diversas origens já per­correram seu leito, seja em busca de um lugar para vi­ver, de metais preciosos, seja procurando um caminho para o interior. Muitos se instalaram nas mar­ gens e criaram um modo próprio de viver e traba­lhar. Convivem nesse cenário as embarcações típicas, como as jangadas e as sergipanas; os povos indígenas, como os tumbalalás; os povos ribeirinhos; as cidades; a agricultura irrigada... Há uma grande diversidade de paisagens, modos de vida, atividades econômicas e manifestações culturais que ocorrem ao redor do rio. As formas de uso do rio e do seu entorno, no entanto, podem causar impactos ambientais, tais como: poluição por esgoto doméstico; assoreamento do leito, devido ao desmatamento da mata ciliar; e excesso de projetos de irrigação (que extraem água do rio, diminuindo a vazão de água). O represamento para gerar energia nas usinas hidrelétricas também tem seu impacto. O uso sustentável é importante para que se possa utilizar os recursos do rio sem degradá-lo.

A

AS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO FAVORECEM A OCUPAÇÃO DE ÁREAS NO SEU ENTORNO

...dá vida ao sertão

82 PETROLINA

Com 320 km de extensão e uma superfície de espelho d’água de 4.214 km², a represa de Sobradinho é um dos maiores lagos artificiais do mundo!

ESPELHO D'ÁGUA

REPRESA DE SOBRADINHO

CIDADES SUBMERSAS

A construção de usinas hidrelétricas alaga grandes áreas para a instalação de represas, o que provoca o deslocamento de vilas e até de cidades. Por causa do reservatório de Sobradinho, quatro cidades foram submersas


OCEANO ATLÂNTICO

CÂNIONS

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

A foz do São Francisco abrange um complexo ambiente de planícies costeiras, ilhas, lagunas, canais e várzeas. Grandes áreas de manguezais estão sendo desmatadas para a implantação de projetos de piscicultura e carcinocultura, que acarretam impactos ambientais

ENCONTRO COM O MAR

PARA VER E OUVIR

Chapadas, planícies; matas, cerrados, caatingas e mangues; modernas plantações e tradicionais roçados – o São Francisco apresenta uma imensa diversidade de paisagens. Sem falar nas lendas e nos causos que se ouvem por lá, como a do Caboclo d’Água, do Minhocão, do Menino Romãozinho, do Vaqueiro Gritador e do Mão Pelada

ENTRE ESTADOS

OBRAS DE TRANSPOSIÇÃO

No baixo São Francisco, existem cânions e cachoeiras que correm por leitos de rochas cristalinas, estendendo-se por cerca de 100 km, de Paulo Afonso (BA) a Pão de Açúcar (AL), na barragem da usina hidrelétrica de Xingó

No final de seu percurso, o Rio São Francisco serve de limite entre os estados de Sergipe e Alagoas antes de chegar ao oceano Atlântico

O projeto de transposição pretende usar as águas do São Francisco para abastecer rios e açudes da Região Nordeste que secam durante a estiagem. Essa ideia não é recente: desde o Período Colonial já se falava em construir canais artificiais para levar água às regiões mais secas. Segundo os estudos do projeto, deverá haver a retirada contínua de 26,4 m³/s de água (equivalente a 1,42% da vazão da barragem de Sobradinho). Há muitas controvérsias em relação à proposta: a água transposta atenderia apenas à agricultura irrigada, e não ao consumo das comunidades sertanejas; o custo seria elevado e haveria atrasos nas obras; poderia ocorrer a salinização da água armazenada nos açudes. Além do fato, salientado pelo geógrafo Aziz Ab'Sáber, de que a maior demanda de água do rio se dará na época de estiagem (quando o nível do São Francisco está mais baixo), o que pode impactar negativamente a sua vazão.

Conheça um pouco mais sobre o projeto

Transposição das águas

83


SOCIEDADE

A força das águas E NO BRASIL HÁ MAIS DE 500 USINAS HIDRELÉTRICAS, PRINCIPAL FONTE DE ENERGIA ELÉTRICA DO PAÍS

studar, trabalhar, brincar... Até para respirar e pensar precisamos de energia. Sabia que cidades, estados e países funcionam de maneira parecida? Usam energia elétrica para que as máquinas das fábricas trabalhem, as ruas sejam iluminadas e os televisores das casas funcionem. Nosso corpo usa energia dos alimentos, já a energia elétrica pode ter várias fontes. No Brasil, as usinas hidrelétricas atendem 92% dos domicílios. A maioria delas está nas regiões Sudeste e Sul e está interligada nacionalmente por linhas de transmissão com cabos de ligas metálicas, que transportam a energia por longas distâncias. Isso significa que, quando uma pessoa em algum lugar da Bahia acende uma lâmpada, a energia pode vir de qualquer usina interligada a esse sistema, de norte a sul do país.

ENERGIA MATRIZ BRASILEIRA

1. BARRAGEM

84

A energia gerada pela força das águas é renovável. Se o nível do rio cai, as chuvas podem voltar a enchê-lo. E o Brasil é um dos países com mais bacias hidrográficas no mundo! Enquanto as usinas movidas pela força da água produzem 77% da energia elétrica, a média de outros países chega a apenas 17,7%. É importante ressaltar, no entanto, que esse tipo de usina depende de uma quantidade mínima de água para gerar energia. Por isso, períodos longos de estiagem ameaçam não somente o fornecimento de água, mas também o de energia elétrica. c o l a b o r a ç ã o José Ângelo dos Anjos, professor de Geologia da Unifacs; Célio Bermann, professor da pós-graduação em Energia da USP; e Rafael Lourenço dos Santos, especialista em regulação da Aneel

Caminho completo

É um muro bem largo e resistente que faz com que a água do rio fique retida, formando um reservatório, que é um lago artificial

Como a energia gerada vai parar na sua casa

2. CONTROLE Na época das chuvas, o volume de água pode aumentar e, para evitar risco de rompimento, abrem-se as comportas para controlar a vazão

Instalada num rio, a hidrelétrica usa a força da água, chamada de hidráulica, para gerar eletricidade. Veja na ilustração como a energia é produzida em uma usina, as transformações que ela sofre durante a transmissão e seu percurso até chegar à sua casa, à sua escola...

3. PELO CANO A água represada em grande quantidade atravessa as tubulações da barragem com força, fazendo as hélices das turbinas girarem

4. PRODUÇÃO Ao girar, as hélices das turbinas criam uma grande força rotacional. No gerador, a energia desse movimento é convertida em eletricidade

5. FUGA Completada a missão, a água é liberada pelo canal de fuga, situado do outro lado da usina, e volta ao seu curso

6. LONGO CAMINHO A energia em alta voltagem segue por linhas de transmissão formadas por torres, fios e cabos de ligas metálicas, até chegar à subestação da cidade


Águas que movem turbinas PAULO AFONSO

XINGÓ

O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso começou a ser construído em 1949. Hoje estão instaladas cinco usinas num raio de 4 km, que geram cerca de 4.279 MW. O complexo tem a segunda maior capacidade instalada de produção de energia do Brasil, atrás apenas de Tucuruí (uma vez que Itaipu é binacional)

Localiza-se a 65 km de Paulo Afonso, em Canindé do São Francisco (SE). Sua construção começou em 1987 e só terminou em 1994. Por estar em uma região de cânions, tem um reservatório pequeno e grande potência instalada, de 3.162 MW. Além do turismo, suas águas colaboram com projetos de irrigação e abastecimento público

SOBRADINHO

PEDRA DO CAVALO

Localizada no município de Sobradinho, a usina tem uma potência instalada de 1.050 MW. A área inundada, de 4.214 km², obrigou o realojamento de 12 mil famílias em assentamentos e outros municípios. O índice de aproveitamento das águas para produzir energia é baixo quando comparado ao de outras hidrelétricas

A Usina Hidrelétrica Pedra do Cavalo está em operação desde 1985 e fornece energia para a região metropolitana de Salvador. A potência instalada é de 160 MW. A barragem Pedra do Cavalo também tem a finalidade de controle de cheias, abastecimento de água, irrigação para a agricultura, pesca e navegação

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Abaixo, algumas usinas que fornecem energia para a Bahia

85

Quem gasta mais? Veja onde é usada a energia produzida no Brasil Existem diversas fontes de energia, como a hidráulica, os combustíveis fósseis, os biocombustíveis, o gás natural e o carvão mineral. A soma de todas as fontes existentes no país compõe a oferta total de energia. Conheça abaixo a proporção do consumo pelos diferentes setores

7. DISTRIBUIÇÃO Na subestação, a tensão da energia é rebaixada para que ela seja distribuída pelos fios dos postes da cidade

8. FIM DA LINHA Nos postes de rua, o transformador reduz ainda mais a voltagem da energia, que chega ao comércio, às indústrias, à escola e às residências

35,1%

31,3%

9,4%

9%

6,6%

4,5%

4,1%

INDÚSTRIAS

TRANSPORTES

RESIDÊNCIAS

SETOR ENERGÉTICO

OUTROS

SERVIÇOS

AGROPECUÁRIA

F o n t e : _BEN/MME, 2013


Fonte limpa

M

uita gente aproveita os fins de semana para empinar pipa, pegar um bronzeado, nadar no rio... Além de proporcionarem muita diversão, o vento, o sol e as águas são também fontes de energia. Mais precisamente, fontes renováveis de energia. Hoje, 42,4% da energia brasileira vem de fontes renováveis – enquanto a média global é de 13,2%.

há fontes de energia que são renováveis, como água, vento, sol, matéria orgânica...

Os recursos da Terra

As principais fontes renováveis de energia

Depois de décadas de grande dependência do petróleo (uma fonte não renovável), existe um esforço global para aumentar a produção de energias limpas. Hoje, há seis tipos principais. Para que o resultado seja positivo, é preciso usá-las de forma equilibrada e planejada

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ENERGIA ALTERNATIVAS RENOVÁVEIS

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ENERGIAS RENOVÁVEIS

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Energia eólica (potencial)

414 Quilômetros

Menos de 5 m/s as em fase de projeto e implantação

F o n t e s : UFPE; Cenbio/IEE, USP, 2008; CBEE, 2008; IBGE, 2000; Aneel, 2012

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Parque eólico

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414 Quilômetros

Esse tipo de energia vem de recursos naturais, como o sol, o vento, as marés etc., que são naturalmente renováveis pelo meio ambiente. Por outro lado, os recursos que levaram milhões de anos para se formar no subsolo do planeta, como o petróleo, o gás e o carvão, são chamados de não renováveis. Afinal, depois de extraídos, eles não se reno-

HIDRELÉTRICA

EÓLICA

A força das águas alimenta turbinas que geram energia, transmitida para os lares por uma complexa rede de cabos. No Brasil, mais de 70% da energia vem das hidrelétricas

Os moinhos de vento foram as primeiras construções de energia eólica de que se tem conhecimento. No Brasil, a região de maior potencial para esse tipo de energia é a Nordeste


mados, mas os vegetais dos quais derivam compensam a liberação de gás carbônico. Afinal, elas funcionam como todas as plantas: por meio da fotossíntese (veja mais sobre fotossíntese na pág. 10), capturam o gás carbônico e liberam o oxigênio, “limpando” a atmosfera. c o l a b o r a ç ã o Juan J. Verdésio, professor de Energias Renováveis da UnB

ORGÂNICA

SOLAR

GEOTÉRMICA

MAREMOTRIZ

Bagaço de cana, restos de madeira, palha de arroz ou milho, lixo orgânico... Tudo isso pode ser usado como fonte de energia, normalmente transformado em gás, óleo ou etanol

Uma das maneiras de obter essa energia é por meio de placas fotovoltaicas, que transformam a luz do Sol em energia elétrica. Pode ser parte ou a única fonte de energia de uma casa

O calor do interior da Terra aquece a água, que é “espirrada” do solo ‒ processo chamado de gêiser. As usinas geotérmicas canalizam o vapor, que alimenta termelétricas

A energia é gerada pela oscilação entre as marés baixa e alta. O movimento do mar, ao encher e esvaziar o reservatório, roda turbinas que geram eletricidade

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

vam na natureza. Além de acabarem um dia, precisam de combustão para liberar a energia: são queimados e exalam gases poluentes na atmosfera, aquecendo-a. Até os combustíveis dos carros, que antes vinham só do petróleo, agora também têm origem vegetal, como cana-de-açúcar, soja, mamona, dendê e palma – são os chamados biocombustíveis. Também são quei-

87


Suporte da vida

SOLO QUALIDADES E PROBLEMAS

NOSSA EXISTÊNCIA DEPENDE DO SOLO. POR SER UM RECURSO FINITO, É PRECISO CUIDADO NO USO

88

V

ocê já ouviu a expressão “perder o chão”? Pois isso está acontecendo literalmente com o planeta. Por falta de cuidados, a humanidade está perdendo uma parte fundamental para nossa existência: o solo. É dele que obtemos alimentos para o corpo, terreno para casas, entre outros benefícios. Até a umidade do ambiente é influenciada por ele, pois, ao absorver a chuva e depois devolver a água ao ar pela evaporação, mantém a temperatura estável. O solo não é qualquer amontoado de terra. Ele é formado basicamente por água, matéria orgânica e compostos minerais. Cada camada possui funções

específicas. A matéria orgânica – composto rico em nitrogênio, potássio, cálcio e fósforo – está ligada à fertilidade. Quando o solo perde essa qualidade, fica pobre, sem capacidade de produzir. Estamos falando de um bem precioso: apesar da imensa extensão no planeta, cada centímetro de solo leva cerca de 10 mil anos para se formar! Por isso, ele é um recurso natural não renovável e precisa de cuidados. Pelo mau uso, muitas terras deixaram de ser agricultáveis. c o l a b o r a ç ã o Marcos Roberto Pinheiro, especialista do Laboratório de Pedologia da USP

De cima para baixo Ações na superfície refletem no solo Cuidar do solo é nossa responsabilidade. Afinal, ele é a superfície sobre a qual vivemos! O manejo ade­ quado do uso da terra é fundamental para preser­ var as qualidades do solo e evitar sua degradação. A erosão, por exemplo, é um fenômeno natural, mas pode ser prejudicial quando acelerada pela ativida­ de humana. Desmatamento, plantio incorreto, con­ taminação da água e deposição de lixo irregular po­ dem causar impactos graves na integridade do solo

SOLO TROPICAL

O solo de massapê (ou massapé) é um dos mais férteis do Brasil e está presente em partes do litoral nordestino. Tem origem na decomposição de algumas rochas, como gnaisses, granitos e calcários, razão pela qual apresenta cor escura. Foi neste tipo de solo que foram cultivadas as plantações de cana-deaçúcar do Período Colonial (de 1500 a 1822)

FILTRAGEM

DEGRADAÇÃO

RAVINA

Parte da água é filtrada pelo solo até chegar ao lençol freático, onde fica armazenada

Os raios solares degradam o solo sem cobertura vegetal

Veios abertos na terra, causados pelo escoamento de água em solo exposto


PASTAGEM

EROSÃO

ÁREA URBANA

O peso e o pisoteio do gado compactam o solo e o tornam menos poroso, com menor capacidade para absorver líquidos e nutrientes. Essa compactação pode aumentar o escoamento superficial, promovendo a erosão

Algumas regiões sofrem maior erosão, um processo natural ligado à ação do clima e ao tipo do relevo. A retirada de cobertura vegetal pelo homem acelera esse processo, causando a perda do solo

A impermeabilização gerada pelas áreas urbanas aumenta o escoamento superficial da água, fazendo com que a vazão dos cursos d'água aumente. Assim, ela chega mais rápido nas baixadas, podendo provocar enchentes nas cidades

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

PLANTIO INCORRETO

É a atividade agrícola irregular perto de rios, lagos, terrenos muito inclinados e nascentes (as chamadas áreas de preservação permanente). Isso pode provocar assoreamento do rio ou contaminação da água por agrotóxicos

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VOÇOROCA

ÁGUA CONTAMINADA

NOVO RELEVO

IMPERMEABILIZAÇÃO

É a fenda produzida na terra por forte enxurrada ou mesmo por uma chuva forte e demorada

O que chega ao lençol freático é um líquido poluente escuro

Lixo e entulho cobrem os solos urbanos e formam áreas elevadas artificialmente

Asfalto e concreto impedem a infiltração de água no solo, causando seu empobrecimento

Leia mais sobre lixo na página 90


Restos gigantescos CONSUMIR DE MODO CONSCIENTE, SEM DESPERDÍCIO, É O PRIMEIRO PASSO PARA GERAR MENOS LIXO

LIXO PARA ONDE VAI

G

90

eralmente esquecemos o nosso lixo assim que ele é retirado da porta de casa. A sujeirada parece ir embora para sempre. Será mesmo? Não. Na verdade, ele continua interferindo em nossa vida – e na vida da comunidade – por muito tempo. Imagine uma montanha formada por garrafas, latas e brinquedos jogados fora. Agora aumente essa montanha com restos de comida e resíduos biodegradáveis. Com a nossa contribuição, todos os dias essa montanha cresce um pouco. A fração orgânica do lixo, formada principalmente por sobras de alimentos, representa, em geral, 60% de tudo o que descartamos em casa, na escola ou nas ruas. Esse tipo de resíduo gera gases poluentes e uma substância gosmenta chamada chorume, formada pela mistura de vários elementos. Se não houver tratamento do resíduo orgânico, o chorume atravessa o solo e chega ao lençol freático, contaminando a água. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 5% das emissões de gases do efeito estufa são causadas pela decomposição de matéria orgânica em lixões e aterros sanitários. Para ter qualidade de vida, é preciso ter respon­ sabilidade com os resíduos que geramos. Devemos reduzir a geração de lixo, reaproveitar o que for possível e planejar bem o destino do que sobrar. Em 2012, na Bahia, 21% dos domicílios não foram atendidos com coleta regular de resíduos sólidos (lixo). E só existe coleta seletiva em 28 dos 417 municípios. c o l a b o r a ç ã o Luiz Roberto Santos Moraes, engenheiro e sanitarista, professor da Poli-UFBA; e Aruntho Savastano Neto, engenheiro civil da Cetesb

O que não se pode fazer Muitos municípios do país ainda possuem lixões Nesses terrenos, o lixo fica a céu aberto, sem tratamento. É uma das piores formas de se desfazer dos resíduos. Causa doenças, mau cheiro e contamina o solo e os lençóis freáticos

POLUIÇÃO DO AR

SOLO CONTAMINADO

DOENÇAS

MAU CHEIRO

A decomposição de matéria orgânica libera o gás metano, um dos causadores do efeito estufa

A decomposição do lixo gera um líquido chamado chorume, que contamina o solo e os lençóis freáticos

Quando o lixo não recebe nenhum tratamento, é mais fácil haver proliferação de pragas e doenças

O lixo jogado a céu aberto cheira muito mal, o que é repulsivo para quem mora na vizinhança


Há dois tipos de aterro: o controlado e o sanitário O aterro controlado é originado de antigos lixões e, apesar de atender às normas de segurança, pode contaminar o terre­ no. Já no aterro sanitário, destino mais adequado dos resí­ duos domiciliares, o solo é impermeabilizado para receber o lixo, que é coberto por terra

Cada um no seu lugar Confira uma boa maneira de separar o lixo Você conhece um bom jeito de separar o lixo doméstico? Bas­ ta dividi-lo em dois recipientes diferentes: o lixo úmido, não reciclável; e o seco, reciclável. Essa separação reduz a quan­ tidade de resíduo que vai para o aterro, diminuindo o impac­ to no meio ambiente, além de facilitar o trabalho de triagem nas cooperativas

LIXO SECO

Sistema integrado

RECICLÁVEIS

NÃO-RECICLÁVEIS

Este recipiente deve receber materiais limpos e secos, como embalagens plásticas e de vidro, caixas ou folhas de papel e latas

Aqui devem vir materiais orgânicos (restos de comida) e resíduos não recicláveis, como papel higiênico usado e fraldas

LIXO ÚMIDO

Conheça o manejo do lixo em uma usina de compostagem

BIOGÁS

COMPOSTAGEM

INCINERADOR

ESGOTO

O gás metano liberado na decomposição orgânica é coletado e vira energia elétrica para a própria usina

Montes de resíduos orgânicos são tratados por cerca de 100 dias. O material peneirado serve de adubo

O lixo químico ou infeccioso (de hospitais) é queimado a 800oC para diminuir os danos ambientais

Detritos gerados no funcionamento da usina são tratados antes de serem lançados no rio

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O meio do caminho

91 CHORUME

Líquido gerado no aterro, armazenado em tanques e tratado. Sua evaporação também gera energia


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26,4 kWh Com aquecedor solar de baixo custo 6,6 kWh

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SUSTENTABILIDADE NO COTIDIANO

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TRANSPORTE PÚBLICO

O maior uso de transporte coletivo reduz as emissões de poluentes e diminui o número de carros nas ruas, amenizando o trânsito

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92

Com torneira aberta

AQUECEDOR SOLAR

Sua fabricação pode ser caseira e de custo acessível. Reduz até 40% o gasto mensal de energia, antes usada em chuveiros elétricos

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Escovar os dentes (por dois minutos e meio)

Socioambiental da Fundação Espaço ECO®

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USO DA ÁGUA

c o l a b o r a ç ã o Juliana Furlaneto Benchimol, coordenadora de Educação

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CISTERNA

A água da chuva captada por calhas em um reservatório simples de fazer serve para regar, limpeza externa e até descarga

A PÉ OU DE BICICLETA

Quanto mais pedestres e ciclistas, menos trânsito, poluição, barulho... logo, mais qualidade de vida

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pequenas atitudes no nosso dia a dia podem gerar grandes resultados. entenda o porquÊ

Afinal, se contabilizarmos cada roupa usada mais vezes, teremos um impacto em toda a cadeia produtiva. Veja só: haverá menos demanda por área para plantar algodão, mais economia de água pelas tecelagens, menos viagens de caminhões transportadores, menos lixo, entre tantas outras economias. São exemplos de atitudes que consideram os impactos de produção, distribuição, consumo e descarte dos produtos.

4

uem nunca ouviu uma bronca da própria mãe: “Menino, apague a luz!”; “Filha, feche a torneira direito”; “Não deixe a porta da geladeira aberta”, e por aí vai? Pode parecer pouco, mas são com esses pequenos atos – até sem entender bem o porquê – que começamos a ter atitudes sustentáveis. Os exemplos são muitos: o conserto de um videogame ou de uma roupa (para não precisar comprar novos), o aproveitamento de comida... a lista é infindável. Essas atitudes, multiplicadas pelo número de habitantes da Terra, fazem uma diferença brutal.

2 01

Atitudes sustentáveis Q

E:


TELHADO VERDE

Entre as boas alternativas ao telhado convencional está a cobertura vegetal, que traz benefícios como: drenagem da chuva, isolamento acústico e melhoria térmica

ÁREAS VERDES

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Orgânico 51%

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Reciclável 32%

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Quando se escolhem produtos ou serviços de fornecedores da região, há fortalecimento da economia local, geração de emprego e menos emissões com transporte

Composição do que é jogado no lixo*

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ECONOMIA LOCAL

RESÍDUOS SÓLIDOS

* R es

Alimentos da época e in natura são mais indicados. Um prato saudável tem alimentos coloridos e diversificados

A educação nos informa, faz pensar, mudar hábitos e atitudes. Os 5 Rs são para lembrar de Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Recusar e Repensar

A/

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Sua preservação gera benefícios em muitos aspectos: regulação do calor, da umidade e da chuva; proteção contra ventos fortes e contra a erosão da terra; diminuição da poluição sonora; filtragem do ar; e presença de animais

TE

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MINHOCÁRIO

De fabricação simples, permite a decomposição de resíduos orgânicos no próprio local e ainda produz fertilizantes naturais

COLETA SELETIVA

HORTA

Cerca de 83% do lixo doméstico é compostável e/ou reciclável. Deve-se fazer o possível para reduzi-lo e destiná-lo corretamente

Pode ser adaptada a variados locais, como escola, casas e até apartamentos! Fornece legumes, verduras, temperos e ervas

93


Bahia sob medida Q

ual o melhor jeito de saber se, de fato, o local onde vivemos está se desenvolvendo? Observando, reunindo dados e comparando-os. Para isso existem os indicadores – números que, como o nome INDICADORES DÃO UMA VISÃO MÚLTIPLA DA REALIDADE, diz, indicam determinado aspecto da realidade. É FACILITANDO AS COMPARAÇÕES E O PLANEJAMENTO possível ter indicador de praticamente tudo. Quer fazer um teste? Quantas meninas e quantos meninos há na turma? Pronto: o resultado dessa simples pesquisa já é um indicador. Os indicadores nos ajudam a identificar questões importantes à nossa volta. Do total de alunos da turma, quantos têm água potável em casa? Com o resultado em mãos, as possibilidades são muitas. Sua classe pode compará-lo, por exemplo, com o resultado de

INDICADORES DADOS SOCIAIS

Por um mundo melhor

Brasil (BR)

Bahia

94

(BA)

outras turmas da escola. Ou com o de turmas de anos anteriores – nesse caso, é possível saber se o índice está evoluindo. Dá também para compará-lo com o estado da Bahia, com o Brasil e até com outros países! O objetivo dos indicadores é este: proporcionar uma visão melhor sobre uma ou várias questões da nossa sociedade. Com eles, fica mais fácil saber o que deve ser feito, por exemplo, em termos de políticas públicas – além de analisar o que está sendo feito pelos governos. Confira a seguir alguns indicadores da Bahia. Eles revelam o que melhorou e o que ainda precisa ser melhorado. c o l a b o r a ç ã o Carlos Freire da Silva, doutor em Sociologia pela USP

Indicadores das Metas do Milênio da ONU avaliam o desenvolvimento

POBREZA

GRAVIDEZ PRECOCE

MORTALIDADE INFANTIL

ESCOLARIDADE

SANEAMENTO

Esse dado mostra a porcentagem de pessoas1 que vivem com até meio salário mínimo2 por mês. Na Bahia, mais da metade da população vive nessa condição

O indicador revela a porcentagem de jovens de 10 a 17 anos que tiveram filhos. Para a jovem mãe é mais difícil conciliar os estudos e entrar no mercado de trabalho

Esse dado indica o número de crianças que faleceram antes dos 5 anos de idade (a cada 1.000 nascidas vivas). Acesso à saúde, saneamento básico e boa nutrição diminuem o índice

Revela a porcentagem de pessoas maiores de 15 anos que são alfabetizadas. Quanto mais escolarizada é uma população, mais ela se desenvolve. Na Bahia há 16,6% de analfabetos

O dado se refere à porcentagem de domicílios que contam com água potável e esgotamento sanitário. Pesquise: sua comunidade tem saneamento básico adequado?

67% BA

90,4% 51% BA

43%

9%

28 BR

BR

32% BR

8,9%

27

Leia mais sobre Metas do Milênio na página 117

2010

BA

2010

BA

56,5%

22

8,5%

17

7,4%

2000

83,4%

76,8%

BA BA

BR

37,4%

BR

BR

1991

BR

86,4%

20003

N o t a s : (1) Exceto pessoas sem rendimento e sem declaração de rendimento; (2) Em 2010 era de R$ 510; (3) Dado da Bahia é de 1999

2009

61,8% BR

47,7% BA

BA

2000

2010

F o n t e s : IBGE, Censo 2010; Atlas Brasil 2013 Pnud; Datasus, 2009

2000

2010


BRASIL E BAHIA

Riqueza produzida

RR

Uma das principais economias do país - e que está em expansão

Estrutura setorial do PIB Bahia

AP

Agropecuária AM

MA

PA

CE PI

AC

BA

MT GO

7,5%

AL SE

TO

RO

RN PB

PE

Indústria

DF

26% MG

ES

MS SP

66,5%

RJ

Serviços

PR SC

LEGENDA

RS

PIB das Unidades da Federação

LEGENDA PIB dos municípios da Bahia

(em bilhões de reais)

780

1.349

Quilômetros

(em milhões de reais)

Estrutura setorial do PIB Brasil

150 5,5%

Quilômetros

Entre 263,8 e 462,4

Entre 209 e 38.819,5

Entre 111,4 e 263,7

Entre 113 e 208,9

Entre 49,4 e 111,3

Entre 69,2 e 122,9

Entre 18,2 e 49,3

Entre 48,9 e 69,1

Entre 6,9 e 18,1

Entre 19,7 e 48,8

Agropecuária

27,5% 67%

BRASIL E BAHIA

Desenvolvimento

RR

Quando a riqueza econômica tenta encontrar o desenvolvimento humano O IDH é uma medida baseada em indicadores de longevidade, educação e renda e que tem como objetivo comparar países, estados e municípios. Neste último caso, é usado o IDHM, que adota indicadores de educação e base de cálculo diferentes do IDH no que se refere à qualidade de vida. Em 2010, os estados do Nordeste possuíam índices piores do que os das regiões Sul, Sudeste e CentroOeste – como se pode ver no mapa ao lado

MA

PA

CE PI

TO

RO

BA

MT GO

IDH E IDHM(2)

Compare os IDHs

RN PB PE AL SE

MUITO ALTO

DF MG SP

ALTO

ES

MS

MÉDIO

RJ

BAIXO

PR

LEGENDA IDH das Unidades da Federação

Serviços

AP

AM

AC

Indústria

1,0 0,8 0,7 0,6 0,5

SC RS

Acima de 0,751 Entre 0,701 e 0,750

Entre 0,70 e 0,760

Entre 0,550 e 0,590

Entre 0,651 e 0,700

Entre 0,65 e 0,690

Entre 0,490 e 0,540

Entre 0,630 e 0,650

Entre 0,600 e 0,640

F o n t e s : (1) IBGE/SEI, 2011; (2) ONU/PNUD, das Unidades da

Federação, 2010; dos municípios da Bahia, 2010; dos países, 2012

Brasil 0,730 Bahia 0,660 Níger (menor do 0,304 mundo)

MUITO BAIXO

LEGENDA IDHM dos municípios da Bahia

Noruega (maior do mundo) 0,955

0

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O PIB é a soma dos valores de bens e serviços produzidos por um país, um estado ou um mu­ nicípio durante um ano – e é o indicador mais utilizado para avaliar o crescimento econômico. Na Bahia, a soma de todas as riquezas produzi­ das foi de quase 160 bilhões de reais (em 2011), o que coloca o estado como a oitava maior eco­ nomia do Brasil. Entre os anos de 2010 e 2011, a expansão do PIB baiano foi de 2%

PIB(1)

95


Ponto de encontro

Bahia urbana Concentração de pessoas nas cidades é tendência mundial

ECONOMIA, HISTÓRIA E LOCALIZAÇÃO FAZEM A POPULAÇÃO SE CONCENTRAR EM CERTAS ÁREAS

BAHIA

URBANIZAÇÃO

As pessoas se concentram cada vez mais em cidades – uma tendência que vigora na Bahia, no Brasil e em vários países do mundo. No estado, a urbanização vem ocorrendo de forma acelerada: na década de 1970, 59% (quase dois terços) da população baiana vivia na área rural. Em 2010, a porcentagem caiu para apenas 28%, ou menos de um terço do total de habitantes

!

!

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LEGENDA !

Municípios mais populosos

Total: 14.016.906 hab. Densidade: 24,82 hab./km²

±

População total por município (número de habitantes) Acima de 500.000 Entre 150.001 e 500.000

c o l a b o r a ç ã o Patricia Dias, mestre em Geografia, gestora da SEI

POPULAÇÃO DA BAHIA

OCEANO ATLÂNTICO

Entre 75.001 e 150.000

Urbana: 72% Rural: 28%

110

Entre 20.001 e 75.000 Até 20.000

Mulheres: 51% Homens: 49%

Quilômetros

F o n t e : IBGE, 2010

F o n t e s : IBGE/SEI, 2010 PIRÂMIDES ETÁRIAS - BAHIA

Mais adultos e menos jovens

Com a redução da média de filhos e o aumento da expectativa de vida, a proporção de jovens diminuiu, e a de adultos e idosos aumentou. As pirâmides etárias revelam essa mudança. Entre 1980 e 2010 a base ficou mais estreita, e o topo, mais largo

Homens

80 e +

1980

Mulheres

Homens

80 e +

2010

2020*

Mulheres

70 a 74

70 a 74

70 a 74

60 a 64

60 a 64

60 a 64

50 a 54

50 a 54

50 a 54

40 a 44

40 a 44 30 a 34

30 a 34

20 a 24

20 a 24

20 a 24

10 a 14

10 a 14

10 a 14

0a4

0a4 8

6

4

2

0

2

4

6

8

10

Mulheres

40 a 44

30 a 34

10

Homens

80 e +

(idade)

Diferentes idades

(idade)

96

eja o mapa ao lado. As cores roxa e vermelha representam os municípios mais populosos. Mas o que faz com que essas localidades concentrem tanta gente? Uma importante atividade econômica, a relevância histórica, a localização... ou tudo isso junto. Salvador, a capital, reúne quase um quinto dos habitantes do estado. Em sua região metropolitana, os municípios Camaçari e Lauro de Freitas são os mais populosos. No interior do estado, destacam-se Feira de Santana e Vitória da Conquista, importantes centros de prestação de serviços. Ambos ficam na confluên­ cia de rodovias federais e estaduais. Juazeiro fica às margens do Rio São Francisco e tem grande produção agrícola para exportação. Ilhéus e Itabuna são polos de turismo e comércio – seu crescimento remonta à economia do cacau. O tamanho populacional de Jequié está ligado à implantação de uma ferrovia e da BR-116.

(idade)

POPULAÇÃO DEMOGRAFIA

V

POPULAÇÃO

0a4 10

8

6

4

2

0

2

4

6

8

10

10

8

6

4

2

0

2

4

% da população

% da população

% da população

POPULAÇÃO: 9,5 milhões

POPULAÇÃO: 14 milhões

POPULAÇÃO: 15 milhões

6

8

10

Font e s: IBGE/SEI. *Projeções de população por sexo e idade


Perto do mar

Grandes marchas

População brasileira se concentra na região costeira

Embora intensos, os fluxos migratórios atuais são mais concentrados

A distribuição da população no Brasil apresenta alta concentração nas áreas costeiras. Desde o Período Colonial (de 1500 a 1822), a ocupação foi mais intensa no litoral. Atualmente, um terço dos brasileiros reside à beira-mar

BRASIL

Os mapas retratam quatro momentos dos fluxos migratórios no Brasil. Inicialmente, foi marcante o fluxo de nordestinos para o Sudeste, o que persistiu nas duas décadas seguintes, assim como a migração de sulistas para a Região Norte. Já nos anos 1990 teve início uma diversificação nos fluxos migratórios e uma redução em seu contingente. Nessa década também começou o retorno de muitos nordestinos para sua região, movimento que se intensificou ainda mais a partir da década de 2000. Desde então, os fluxos migratórios voltaram a se concentrar em algumas rotas

DENSIDADE DEMOGRÁFICA

^ Linha do Equador

0°0'

^ ^

BRASIL

^

^

^

^ ^

RR

^ ^ ^ ^

^

RR

AP

AP

AM

CE

PA

MA PI

AC

TO

RO

AM RN PB PE AL SE

PA

RO

MT

GO ES

MG

MS

ES RJ

^

SC

RS

^

RS

OCEANO

Período entre 1950 e 1970

ATLÂNTICO

^

^

^ RR

^

^

^

Capitais estaduais

AM

30°0'S

De 6 a 15 Até 5 75°0'O

PA

MA

CE PI

AC

TO RO

BA

MT GO DF

AM

TO

RO

BA

Quilômetros 60°0'O

45°0'O

30°0'O

F o n t e : IBGE, 2000

Década de 1990

MG ES

MS SP

SP

RS

RN PB AL

SE

MT

RJ

PR

SC

340

PI CE PE

GO

RJ PR

MA

PA AC

MG

MS

^

RN PB PE AL SE

DF

ES

De 61 a 150 De 31 a 60

AP

^

Acima de 150

De 16 a 30

RR

AP

Trópico de Capricórnio

^

Densidade demográfica por município (hab./km2)

97

Período entre 1970 e 1990

LEGENDA

SP

PR

SC

^

MG

MS

RJ

SP

PR

RN PB PE AL SE

BA

DF

DF GO

^

PI

MT

BA

^

CE

MA TO

AC

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

^

15°0'S

FLUXOS MIGRATÓRIOS

SC RS

Década de 2000 F o n t e : Maria Elena Simielli, 2007


Antes do Brasil O TERRITÓRIO QUE VEIO A SE CHAMAR BRASIL JÁ ERA OCUPADO POR GRUPOS HUMANOS HÁ MILÊNIOS

HISTÓRIA ARQUEOLOGIA

V

98

ocê sabia que mais de 10 mil anos atrás o continente americano já era habitado por grupos humanos? Descobrir de onde vieram esses povos, quando chegaram e como viviam são questões que fazem parte da Arqueologia, ciência que estuda as sociedades humanas com base nos vestígios deixados por elas. Os locais onde são encontrados esses vestígios – como vasos de cerâmica, machados de pedra e restos de fogueira – são chamados de sítios arqueológicos. No Brasil, encontra-se o sítio que apresenta o mais antigo vestígio da presença humana no con­ tinente: a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no Piauí, com mais de 50 mil anos. Essa descoberta levantou novas questões sobre o povoamento humano nas Américas, pois demonstrou que os primeiros habitantes chegaram ao continente bem antes do que muitos arqueólogos pensavam. No sítio Lapa Vermelha, em Minas Gerais, foi encontrado o crânio mais antigo das Américas, que tem cerca de 11,5 mil anos. O crânio pertencia a uma mulher, apelidada de Luzia, que apresenta traços negroides parecidos com os de grupos que habitavam a África e a Austrália. No Nordeste, especialmente no Piauí, em Pernambuco e na Bahia, descobertas arqueológicas apontam para uma significativa população de caçadores coletores entre 9 mil e 10 mil anos atrás. Na Bahia, inúmeros registros provam que, muito antes da che­ gada dos colonizadores portugueses, todo o território era povoado por diferentes grupos indígenas. c o l a b o r a ç ã o Carlos Etchevarne, professor de Arqueologia da UFBA

Megafauna, antigos habitantes do continente Mamíferos gigantes, extintos há cerca de 10 mil anos, estavam espalhados pelo Brasil No Nordeste foram encontradas centenas de fósseis da megafauna (mamíferos gigantes), principalmente na Bahia, no Ceará, na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Animais como a preguiçagigante, o tigre-dentes-de-sabre, o tatu gigante e o mastodonte (ancestral do elefante) eram parte das paisagens da região. No entanto, mudanças climáticas ocorridas no planeta durante a última era glacial, entre 12 mil e 10 mil anos atrás, levaram esses animais à extinção

PREGUIÇA-GIGANTE (Eremotherium laurillardi) É a maior espécie de preguiça que habitou as Américas. Alimentava-se de plantas, chegava a medir 6 metros de altura e a pesar 5 toneladas! Um esqueleto quase completo do animal foi encontrado submerso no Poço Azul, na Chapada Diamantina 50.000 A.P.* Vestígios mais antigos da presença humana nas Américas (São Raimundo Nonato, PI)

12.000 A.P. Presença marcante de pinturas rupestres da Tradição Nordeste (São Raimundo Nonato, PI)

11.500 A.P.

11.000 A.P.

Data do mais antigo fóssil humano encontrado nas Américas (Lagoa Santa, MG)

Data do esqueleto quase completo de uma preguiçagigante encontrado na Chapada Diamantina (Nova Redenção, BA)


Sítios arqueológicos na Bahia Riqueza histórica preservada

LEGENDA

URNA FUNERÁRIA ARATU

Objetos e vestígios de cerâmica

Recipiente de cerâmica, com forma semelhante a uma pera, usado para sepultamentos por indígenas horticultores que viveram na Bahia entre os séculos 9 e 14

Instrumentos de pedra lascada Ocupação da megafauna na Bahia

F ONTE : Etchevarne, 2001

Registros de arte rupestre

ARTE RUPESTRE

Pintura feita nas rochas por caçadores coletores, em sua maioria. Registros de mais de 10 mil anos foram encontrados no Piauí. Na Bahia há muitos deles, mas as datas são incertas. Os mais antigos representam homens e animais em cenas de caça, coleta ou luta

CAÇADORES COLETORES

Os primeiros habitantes do continente americano viviam da coleta de frutos e da caça de animais. Eram nômades ou seminômades, por isso é possível que construíssem abrigos. Conviveram com animais da chamada megafauna 9.000 A.P. Idade do registro mais antigo de cerâmica no Nordeste (São Raimundo Nonato, PI)

7.600 A.P. Data mais antiga de instrumentos líticos da Tradição Itaparica (Petrolândia, PE)

4.100 A.P. Ocupação do médio Rio São Francisco por grupos ceramistas

2.800 A.P. Data do sambaqui mais antigo da Bahia (Peri-Peri)

2.300 A.P. Ocupação da margem baiana do Rio São Francisco por grupos ceramistas

FERRAMENTAS

Povos antigos da Bahia usavam instrumentos feitos de pedra lascada para derrubar a mata e preparar o solo de roças

850 A.P.

700 A.P.

Idade das 120 urnas aratu encontradas na Vila de Piragibe (Muquém do São Francisco, BA)

Data mais antiga da presença de grupos tupis na Bahia

(*) AP “Antes do Presente” = Antes de 1950

CERÂMICA TUPI Fabricada por povos tupis, é encontrada em abundância no litoral, que era habitado por esses grupos até o início da colonização

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Vestígios como ferramentas de pedra, objetos de cerâmica, restos de esqueletos humanos, pinturas e gravuras rupestres, encontrados em toda a Bahia, constituem um acervo histórico de grande valor. São os únicos testemunhos da ocupação humana desse território antes da chegada dos colonizadores, sendo, portanto, fundamentais para conhecer melhor o passado mais remoto do estado

99


Legado baiano

A BAHIA FOI CENÁRIO DA CHEGADA DOS PORTUGUESES E DE OUTROS EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DO BRASIL

É

impossível olhar para o que o Brasil se tornou sem considerar a importância da Bahia. Palco da chegada dos portugueses em 1500, o estado foi o local onde foram travadas as batalhas iniciais pela posse do novo território com seus primeiros habitantes: os indígenas. Parte do movimento colonizador era também disseminar a religião católica, portanto, foi na Bahia que se rezou a primeira de muitas missas. Durante o Período Colonial (de 1500 a 1822), foi em terras baianas que se instalou o primeiro governo-geral do Brasil. E também onde o comércio do açúcar consolidou sua importância para a economia de Portugal. A Bahia, depois da escravidão indígena, recebeu também os primeiros africanos escravizados para trabalhar nas lavouras e nas cidades, num fluxo crescente do século

16 ao 19. A Bahia foi cenário de batalhas onde lutaram, entre outros, holandeses e portugueses pela posse do açúcar no século 17. No século 19, escravos promoveram rebeliões, como a dos Malês, e fundaram territórios de liberdade, os quilombos. A Independência do Brasil também está associada à história da Bahia. A Revolta dos Alfaiates – e outras revoltas nativistas – culminou na Independência da Bahia em 2 de julho de 1823. Os conflitos continuaram por todo o Brasil Império (de 1822 a 1889), fazendo da Bahia um cenário não de uma, mas de muitas lutas importantes ao longo da história do país! c o l a b o r a ç ã o Marli Geralda Teixeira, historiadora pela UFBA, doutora em História Social pela USP

HISTÓRIA LINHA DO TEMPO

DESEMBARQUE DE CABRAL EM PORTO SEGURO, DE OSCAR PEREIRA DA SILVA

1624

1500

1557

1591 E 1595

Expedição de Cabral chegou à terra que hoje é o Brasil, onde viviam milhões de indígenas distribuídos por todo o território

Mem de Sá foi o terceiro governadorgeral do Brasil e consolidador da colonização

Importantes avanços para o interior, liderados por Gabriel Soares (1591) e Belchior Dias (1595)

Invasão holandesa na Bahia, que terminou com a expulsão dos holandeses um ano depois

1694

Criada na Bahia a primeira Casa da Moeda do Brasil

100

1500

1600

1700 FUMO, AGUARDENTE E FARINHA DE MANDIOCA

PAU-BRASIL, AÇÚCAR E ALGODÃO COMÉRCIO DE ESCRAVOS

1566

1534

Doação das primeiras capitanias: a da Baía de Todos os Santos, de Porto Seguro e de Ilhéus

TOMÉ DE SOUSA, DE MANOEL VICTOR

1549

Instituição do governo-geral no Brasil. Na Bahia, Tomé de Sousa foi o primeiro governador e é fundada a cidade de Salvador

1550

1591

Foi doada a Visitação do Santo Ofício Capitania de à Bahia (até 1593) Paraguaçu (ou do Recôncavo) a Dom Álvaro da Costa

Início do tráfico de escravos: chegaram a Salvador os primeiros africanos

NEGROS NO PORÃO, DE JOHANN MORITZ RUGENDAS

MINERAÇÃO, OURO


O PRIMEIRO PASSO PARA A INDEPENDÊNCIA DA BAHIA, DE ANTÔNIO PARREIRAS

IGREJA DE SANTO ANTÔNIO, EM CANUDOS

DIRETAS JÁ, EM FRENTE AO PALÁCIO RIO BRANCO

POLO PETROQUÍMICO DE CAMAÇARI

1930-49

Movimento autonomista em que elites locais buscam retomar o poder perdido com o Estado Novo Guerras pela Independência na Bahia: Batalha de Pirajá

Abolição da escravatura

Transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro

1945 EM DIANTE

Proclamação da República

Fomento à indústria e ao turismo 1964

1920

1823 Expulsão das tropas portuguesas da Bahia e consolidação da independência

1763

1889

Descoberta de petróleo no município de Lobato

Revolta Sertaneja: é decretada intervenção federal

1800

1985

Início do Regime Militar

2009

Primeiro leilão de energia eólica na Bahia e no Brasil

Fim do Regime Militar, com aprovação de eleições diretas para presidente

1900

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

1888

1822

1939

101

2000 AUGE DA PRODUÇÃO DO CACAU DECADÊNCIA DO CACAU CRIAÇÃO DA REFINARIA DE MATARIPE E DA SUDENE MINÉRIO DE FERRO, NÍQUEL

1798

Nativismo regional: Revolta dos Alfaiates

TURISMO

1808

1850

1877

Chegada da Família Real a Salvador

Proibição do tráfico de escravos no Brasil

Grande seca no Nordeste

1835

Revolta dos Malês

1837

Sabinada

1937

1967 1897

Guerra de Canudos

1978

2o Congresso AfroBrasileiro é realizado em Salvador Realização do plano urbanístico de Salvador. Implantação do Centro Industrial de Aratu

Início de operação do Polo Petroquímico de Camaçari

LEGENDA

Principais atividades econômicas

Agropecuária Indústria Mineração

1969

Turismo e serviços

Morte de Carlos Marighella, um dos organizadores da luta armada contra a ditadura

Sistema escravocrata


Povos da terra

Passado e presente Abaixo, um pouco da trajetória dos indígenas MANTO TUPINAMBÁ

ANTES DA CHEGADA DOS PORTUGUESES, NUMEROSAS E DIVERSAS ETNIAS INDÍGENAS OCUPAVAM O BRASIL

Os chefes tupinambás vestiam mantos de penas de pássaros, muito valorizados. Nos séculos 16 e 17, alguns exemplares foram levados à Europa, onde hoje estão os últimos seis exemplares. Os tupinambás, que há muito tempo não o fabricam, tentaram a repatriação do patrimônio. Ao lado, um manto de 1,27 m de altura, do Museu Nacional da Dinamarca

HISTÓRIA PRIMEIROS HABITANTES

A

102

chegada dos colonizadores à terra que viria a ser o Brasil é muitas vezes chamada de Descobrimento. Isso na visão dos europeus, que não conheciam a região. Mas essa terra já era habitada por muita gente: os povos nativos que viviam nela. Vestígios arque­ ológicos in­dicam que, por volta do ano 1000, só na Amazônia havia cerca de 5 milhões de pessoas! Dados demográficos do início da colonização são imprecisos, mas sabe-se que os nativos eram numerosos e estavam por todo o território. O número diminuiu muito por causa de guerras, da captura de indígenas que foram escravizados e por doenças e pela fome, que dizimaram centenas de povos. Fazia parte da política colonial reunir indígenas em missões na tentativa de convertê-los ao catolicismo e se apropriar de sua força de trabalho e de seu conhecimento. Esse confinamento em aldeamentos liberou terras de nativos para a ocupação colonial, que avançou rumo ao interior. Os indígenas aldeados sofriam pressão sobre seus hábitos tradicionais, muitas vezes proibidos, sobretudo os ligados à cosmologia. No Nordeste, o governo incentivou a miscigenação em busca da transformação dos indígenas em caboclos. No final do século 19, documentos negavam sua existência na região. Com o fim dos aldeamentos, essas áreas foram anexadas às vilas ou adquiridas por proprietários, e os indígenas ficaram novamente sem essas terras. A luta dos povos pelos direitos originários à terra se fortaleceu com a Constituição de 1988. c o l a b o r a ç ã o Maria Rosário Carvalho, antropóloga, presidente do conselho-diretor da Anaí

RESISTÊNCIA

A invasão dos territórios indígenas pelos colonizadores não se realizou sem resistência. No Nordeste, grupos como pataxós, maxakalis, kamakãs, botocudos e aimorés resistiram por três séculos à conquista de suas terras, atacando vilas e engenhos. Um exemplo foi a Confederação dos Kariris, que começou em 1687 e terminou somente em 1720 POPULAÇÃO ESTIMADA

POVOS RETOMADA DAS TERRAS

A invisibilidade social dos indígenas começou a mudar na Bahia na década de 1930, quando grupos se mobilizaram para retomar as terras dos antigos aldeamentos. Lideranças foram até o Rio de Janeiro para falar com membros do Serviço de Proteção aos Índios. Na foto ao lado (em destaque, à esquerda) está João Gomes Tuxá, liderança dos antigos habitantes de Rodelas RITUAL DO PRAIÁ

É característico de muitos povos do Nordeste, como os pankararés, que vivem no Semiárido baiano. No ritual se manifestam os Praiás, espíritos encantados, incorporados apenas nos homens iniciados, vestidos com trajes de fibra de caroá. Ao som dos maracás, dançam e cantam

Atikum Fulniô/Kariri-Xokó Kaimbé Kamakã Kambiwá Kantaruré Kiriri Pankararé Pankaru Pataxó Pataxó Hã-Hã-Hãe Payayá Potiguara Tapuia Truká Tumbalalá Tupinambá Tuxá Tuxi Xakriabá Xukuru-kariri

176 40 1.002 sem dados sem dados 331 2.418 1.400 70 10.450 2.542 60 sem dados sem dados 22 1.181 4.818 1.977 sem dados sem dados 48

F o n t e : SESAI, 2011


Nova realidade

Povos nativos

Na Bahia há cerca de 40 mil indígenas de 21 etnias

No Brasil há cerca de 230 grupos que falam mais de 180 línguas e dialetos

BAHIA

TERRAS INDÍGENAS ( !

9°0'S

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A presença indígena é significativa em vários estados do país, pelos quais estão distribuídas as mais de 670 áreas dos povos nativos. Na Bahia, assim como no Brasil, os indígenas têm lutado para garantir seus direitos à terra. No entanto, ainda sofrem com a violência – sobretudo por causa de disputas com latifundiários.

Muitos grupos não falam mais sua língua, somente o português, e tradições se transformaram ao longo de séculos. No entanto, do sertão ao litoral, os povos na Bahia conquistam espaço na sociedade, reafirmando sua identidade enquanto valorizam conhecimentos e práticas ancestrais que marcam sua vida cotidiana

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12°0'S

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LEGENDA

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Terras indígenas ! Cidades de referência Rios perenes Rios intermitentes Biomas

18°0'S

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CULTIVO DA MANDIOCA

ARMADILHA DE PESCA

COLETA DE MEL SILVESTRE

A mandioca é um elemento central na dieta alimentar dos pataxós, habitantes do extremo sul. Com ela, fazem farinha, beijus e uma bebida tradicional conhecida como cauim

Os tupinambás, que vivem na região de Mata Atlântica, no litoral sul, usam uma armadilha feita de varas trançadas com cipó – o jequi – para pescar nos rios em época de chuva

É uma das atividades de subsistência dos kiriris – povo que vive no sertão. Além de complemento alimentar, o mel é importante para o preparo de xaropes e chás medicinais

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103

Caatinga Cerrado Mata Atlântica 45°0'O

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

15°0'S

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130 Quilômetros

JOVENS INDÍGENAS NA UNIVERSIDADE

Fon t e s: ISA e Funai, 2012

42°0'O

39°0'O

CERÂMICA KIRIRI

Os kiriris habitam a faixa de transição entre o agreste e a Caatinga, vivem da agricultura de subsistência e da coleta de frutos silvestres. Fabricam artesanato característico, com destaque para a cerâmica feita por mulheres: potes e panelas modelados à mão

COLARES DE SEMENTES

Os pataxós são conhecidos pelos colares e pulseiras feitos com sementes coletadas em áreas remanescentes da Mata Atlântica, onde vivem. A venda do artesanato em regiões turísticas é uma das principais fontes de renda

Na Bahia, existem programas de ações afirmativas voltadas para a inclusão de indígenas em universidades. Em 2005, a UFBA selecionou 55 estudantes por meio do sistema de cotas, como é o caso de Arissana Pataxó, artista plástica formada na Escola de Belas Artes


Bahia africana

Do século 16 ao 19

POVOS AFRICANOS

Ao lado, representações da fisionomia de alguns dos povos vindos da África, na visão do pintor francês Debret. A escravidão vitimou povos de várias nações. Nas guerras locais entre reinos africanos, os povos vencidos eram entregues aos traficantes europeus, que os vendiam nas Américas

Reconstruções criativas em meio à escravidão

A DISPERSÃO DO POVO AFRICANO PELO MUNDO TEM NA BAHIA UM DE SEUS PRINCIPAIS DESTINOS

HISTÓRIA POPULAÇÃO NEGRA

P

104

ara muitos, o oceano Atlântico, que separa o continente africano do americano, também os une. Por suas águas, ao longo do Período Colonial (de 1500 a 1822), estima-se que 12 milhões de pessoas foram trazidas (a maioria, à força) de inúmeros territórios na África para outros tantos na América. Esse número não inclui os milhões que não sobreviveram à travessia do oceano. Cerca de 4 milhões de pessoas escravizadas foram trazidas para o Brasil. A Bahia, o Rio de Janei­ ro e Pernambuco foram os estados que receberam o maior número de africanos. Desterradas, pessoas de variadas etnias – angolas, congos, nagôs etc. – viramse obrigadas a reconstruir e a reinventar seus costumes e suas tradições. Diante do sofrimento de serem transformados em mercadoria – hábito que já existia em algumas regiões da África antes da chegada dos portugueses –, aprenderam a viver refazendo laços familiares, religiosos e culturais. As fugas e as rebeliões foram uma forma de resistência dos escravos, que assim mantinham a ordem social em constante tensão. As lutas que levaram à abolição da escravidão em 1888 não bastaram para acabar com a situação marginal dos negros no Brasil. Atualmente, as várias manifestações de matriz africana compõem a cultura brasileira: em sua religiosidade, sua culinária, sua música e em muitas outras formas de expressão. Ao lado desse legado, persistem as lutas pela reparação dos direitos de toda a população negra. c o l a b o r a ç ã o Marli Geralda Teixeira, historiadora pela UFBA, doutora em História Social pela USP

VIDA DE TRABALHO

Parte fundamental da economia colonial, os escravos trabalhavam no cultivo das grandes lavouras – ou nas cidades, em diversas funções, como pedreiro, carpinteiro, estivador, carregador, cozinheiro, ama de leite, entre outras

FAMÍLIA E RELIGIÃO

Recriar laços familiares e religiosos foi importante para enfrentar o desterro e fortalecer a solidariedade

Do século 20 ao futuro Reinventando a cultura e os direitos Desde que foram trazidos para o Brasil, os negros sofreram opressão, mas também obtiveram conquistas. Entre elas: o reconhecimento dos quilombos, o ensino de história e cultura africana nas escolas, e as políticas afirmativas

UM BRASIL MESTIÇO

Em 1930, começa a se consolidar uma visão positiva da participação de negros na política, na economia e na cultura. Candomblé, capoeira, samba e outros passam a ser vistos como parte da identidade brasileira


ANTILHAS

NEGROS ESCRAVOS, LIBERTOS E LIVRES

Na área rural ou nas cidades, as fugas e as revoltas de escravos mostravam sua insatisfação. Uma das principais lideranças foi Zumbi dos Palmares, que fundou uma comunidade com mais de 30 mil habitantes

Havia coexistência entre os negros escravizados, aqueles que tinham conquistado a alforria e os que haviam nascido livres. Isso estimulou distintas formas de conflito e colaboração, como a banda de músicos retratada no quadro ao lado

FLUXO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

A imagem indica as principais regiões de embarque das populações africanas escravizadas e também os locais de desembarque no Brasil, como Salvador, Olinda e Rio de Janeiro. Nesses locais eles eram vendidos para o trabalho nas lavouras ou nas cidades

OCEANO ATLÂNTICO

FIM DA ESCRAVIDÃO

PÓS-ABOLIÇÃO

Vários fatores contribuíram para a assinatura da Lei Áurea, em 1888, que determinou o fim da escravidão: pressão internacional, que levou ao fim do tráfico; atuação crescente do movimento abolicionista; e pressão dos próprios escravos (que desobedeciam a legislação, fugiam e formavam quilombos). Nesse ano, grande parte dos escravos já havia sido alforriada

Na virada do século 19 para o 20, os negros combateram a repressão a seus costumes e tradições, como a capoeira, oprimida pela polícia. A violência era sustentada pela teoria do racismo científico e pelo Código Penal

Fon t e: Júlio Quevedo, 1998

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

FUGAS, REVOLTAS E QUILOMBOS

105

LUTAS ANTIRRACISTAS

COMUNIDADES QUILOMBOLAS

Marcam a busca pela igualdade de direitos para a população negra. Ganham força na década de 1970, em diálogo com os movimentos negros de outras partes do mundo e com as lutas anticoloniais no continente africano

A Bahia, seguida pelo Maranhão, possui a maior concentração de comunidades quilombolas do Brasil: 584. São grupos que resistiram à escravidão e que atualmente vivem em territórios próprios. Têm como princípio a valorização da cultura afrobrasileira


Síntese do mundo “A A DIVERSIDADE MARCA A CULTURA BRASILEIRA, QUE TEM RAÍZES INDÍGENA, EUROPEIA E AFRICANA

Matrizes culturais

gente vem do tambor do índio; a gente vem de Portugal; vem do batuque negro...” Essa mistura cantada pelo compositor pernambucano Lenine revela a complexidade da formação social do país. Mesmo quem não é descendente direto de indígenas, africanos ou portugueses faz parte desta sociedade, surgida de encontros e desencontros que marcaram – e ainda marcam – a história do Brasil. Os fios dessa trama são os diferentes povos que se aliaram, guerrearam, formaram vilas e cidades. Assim,

A mistura de hábitos e costumes forma a cultura brasileira

CULTURA POVO BRASILEIRO

À MODA DA CASA

106

A moqueca, um prato típico brasileiro, tem origem indígena e, na Bahia, sofreu fortes influências africanas, com a introdução do azeite de dendê e do leite de coco. O arroz e o suco de frutas, que acompanham refeições, são elementos portugueses

LÁ NA QUITANDA

A palavra “quitanda” é de origem africana, assim como o quiabo e a pimenta-malagueta vendidos ali. Azeite de oliva, vinho, folhas de louro, ovos e laranja são produtos trazidos pelos portugueses. Já mandioca, milho, feijão, batata-doce, amendoim, abacaxi, mamão, caju, seriguela... sempre foram cultivados pelos indígenas

compartilharam espaços, festejaram, trocaram objetos, palavras, sentimentos, ideias, costumes, comidas, músicas, idiomas, danças, saberes... O Brasil é um país com grande diversidade so­ cial, pois, além das etnias já citadas, a imigração nos séculos 19 e 20 trouxe uma nova leva de povos, como: italianos, japoneses, alemães, espanhóis, árabes e tantos outros, que ainda hoje aportam por aqui. Não é fácil falar de cultura brasileira, pois ela não é homogênea no país. Em cada canto se encontram


ENCONTROS MUSICAIS

O samba é um ritmo brasileiro, fruto de intensas trocas culturais. Seus instrumentos ilustram bem essa mistura: o pandeiro e a viola chegaram com os portugueses; o ganzá é primo distante do “pau de chuva” indígena; e os atabaques, o ritmo e a dança são traços africanos

primeiras pregações. A língua oficial, o português, falada em todo o território nacional, reflete bem essa complexa identidade do brasileiro. Afinal, é a síntese de diversas influências, desde palavras de origem indígena até outras de origem africana, francesa, americana... As aquarelas representadas nestas páginas ilustram um pouco da diversidade cultural presente na vida dos brasileiros. c o l a b o r a ç ã o Lilia Moritz Schwarcz, professora de Antropologia da USP

Ô DE CASA!

A arquitetura colonial, herança de Portugal, enfeitou as casas brasileiras com deliciosas varandas, onde é comum repousar em uma rede após o banho de todo dia – dois elementos indígenas incorporados pelos brasileiros. O cafezinho adoçado com açúcar e o quindim são influências portuguesas

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

costumes próprios, jeitos de se vestir e de falar, comidas, feições, entre tantas características próprias, que são fruto de uma história bastante peculiar. Na Bahia, por exemplo, foi onde primeiro se desenvolveram a capoeira, o samba de roda e o candomblé – ícones da cultura afro-brasileira. Também nessa terra, onde as primeiras vilas foram construídas, há registros de traços da arquitetura característica das casas portuguesas. Além do catolicismo, forte herança lusitana, que realizou na Bahia suas

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Bahia diversa

RIQUEZA CULTURAL É RESULTADO DE UMA IMENSA VARIEDADE DE PRÁTICAS E COSTUMES TRADICIONAIS

“V

ejam esta maravilha de cenário.” Assim começa a música Aquarela Brasileira, do compositor Silas de Oliveira, que homenageia o que o país tem de melhor: o povo e as riquezas naturais. A diversidade de sotaques, cenários, ritmos, danças, religiões, artesanatos e costumes faz deste país único muitos “brasis”. Essa riqueza cultural, constituída ao longo de milhares de anos, teve influência de indígenas, europeus,

Um legado comum

JANGADEIROS

Vivem no litoral nordestino, desde o Ceará até o sul da Bahia. Para a pesca em alto-mar, utilizam a jangada, embarcação feita originalmente com troncos de piúba, madeira leve difícil de encontrar hoje em dia. Há tempos as jangadas são feitas com outro tipo de madeira

Costumes locais mantêm acesas as tradições das comunidades espalhadas por toda a Bahia POVOS TRADICIONAIS

10°0'S

CULTURA POVOS DA BAHIA

BAHIA

15°0'S

108

45°0'O

LEGENDA

SERTANEJOS

Comunidades e culturas tradicionais Jangadeiros, marisqueiros, piaçaveiras e pescadores Sertanejos e caatingueiros Pescadores ribeirinhos Quilombolas

125 Quilômetros

africanos e de muitos estrangeiros que mais tarde chegaram ao país. A Bahia, assim como o Brasil, é formada por uma grande diversidade de povos. Nesse contexto, existem as chamadas comunidades tradicionais, que possuem identidade e formas de organização próprias. Muitas vezes apresentam culturas particulares, transmitidas oralmente, de geração em geração. Os povos e as comunidades tradicionais variam de região

40°0'O

F o n t e : DIEGUES, 2001; ANJOS, 2009

Símbolo do sertão, o vaqueiro se caracteriza por suas vestes de couro: chapéu, luvas, perneiras, guarda-peito e gibão – usadas para adentrar na caatinga. De seu modo de vida, baseado na criação de animais soltos em áreas comuns, originaram-se algumas comunidades tradicionais


para região. Cada comunidade tem uma relação própria com a terra que tradicionalmente ocupa, criando assim uma forma específica de se relacionar com seu ambiente. Utiliza recursos da terra para viver e trabalhar e, além disso, possui um rico repertório de conhecimentos sobre a natureza, os ciclos de reprodução das espécies, os segredos e as histórias de sua região. Muitas comunidades organizam suas ativida-

des com uma lógica particular, que na maioria das vezes respeita laços de parentesco e de compadrio. Veja abaixo aquarelas do Brasil que ilustram o cotidiano, os saberes e as características de algumas comunidades tradicionais que vivem na Bahia. c o l a b o r a ç ã o Franklin Plessmann de Carvalho, pesquisador do Instituto Nova Cartografia Social e doutorando em Antropologia na UFBA

QUILOMBOLAS

Descendem de africanos escravizados, mantêm antigas tradições e vivem de forma comunitária em terras doadas, compradas ou ocupadas há vários séculos por seus antepassados. Muitos grupos vivem de pesca, agricultura familiar e extrativismo

CAATINGUEIROS

É o nome genérico dado aos habitantes das caatingas. São representados por inúmeras comunidades tradicionais, como os fundos de pasto, os moradores dos brejos, quilombolas, pescadores, entre outras comunidades que vivem da agricultura familiar

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

PIAÇAVEIRAS

Moradoras do litoral baiano, dominam a arte de trançar palha de piaçava, palmeira nativa da Mata Atlântica e abundante na região. Colhem e preparam a palha e com ela fazem bolsas, chapéus, tapetes e sandálias

109

MARISQUEIROS

A mariscagem é realizada principalmente por mulheres nas praias e nos manguezais. Além de mariscos, são catados caranguejos e siris, cuja venda ajuda na renda familiar. Com frequência, crianças capturam mariscos, mas também aproveitam esses momentos para brincar

PESCADORES ARTESANAIS

Grandes conhecedores dos rios e do mar. Confeccionam eles mesmos os instrumentos de pesca, como redes e armadilhas. A canoa é ainda a principal embarcação desses grupos, que pescam boa parte dos peixes consumidos no estado


Brava gente

A

PESSOAS CUJA VIDA SE TRANSFORMOU EM ARTE, LUTA, FÉ E SABER SIMBOLIZAM O ESTADO DA BAHIA

história é feita por cada um de nós, mas há sempre algumas personalidades que se destacam. Na Bahia, há inúmeros personagens dignos de nota: uns são pouco conhecidos, outros são bastante famosos; uns são baianos de origem, outros o são de coração. O fato é que cada um, a seu modo, deixou uma marca. Mãe Menininha do Gantois, quando perguntada sobre sua singularidade, disse: “Nasci de uma mulher e de um homem. Quem nasce na Bahia, não tem sol, não tem vento que tire a magia”. Seja como for, a Bahia é berço de incontáveis personalidades que se destacaram e se destacam nos ce-

nários nacional e internacional. Músicos, escritores, intelectuais, artistas, líderes que marcaram a história e a vida política e cultural baiana, deixando um legado muito especial para as novas gerações. E no local onde você vive, quais são os personagens que se destacam? Qual é a contribuição deles para a sociedade? Veja aqui algumas pessoas que marcaram a história da Bahia e entenda porque elas são reconhecidas como personalidades baianas. c o l a b o r a ç ã o Marli Geralda Teixeira, historiadora pela UFBA, doutora em História Social pela USP

CULTURA PESSOAS E VIDAS

SÉCULO 20

CARYBÉ (1911-1997)

Artista plástico argentino naturalizado brasileiro, retratou em um estilo próprio a cultura baiana, que admirava muito

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MÃE MENININHA DO GANTOIS (1894-1986)

Mãe de santo conhecida por sua generosidade e seu carisma, conduziu por 64 anos um dos terreiros de candomblé mais respeitados do país

ANÍSIO TEIXEIRA

AUGUSTO DE LACERDA

(1900-1971)

(1836-1931)

Educador baiano, revolucionou a educação ao defender a ideia de uma escola pública e integral, modelo que hoje serve de exemplo para o país

MANUEL QUERINO (1851-1923)

Um dos fundadores da Escola de Belas Artes, foi artista, abolicionista, jornalista, líder operário e estudioso da cultura africana MESTRE PASTINHA (1889-1981)

Fundou em 1941 a academia que seria reconhecida como estilo de capoeira angola

Engenheiro responsável pela construção do Elevador Lacerda – um marco no estilo art déco na paisagem de Salvador e principal elo entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa MESTRE BIMBA (1900-1974)

Reconhecido como fundador da capoeira regional. Em 1932, criou sua primeira academia

DORIVAL CAYMMI (1914-2008)

PIERRE VERGER (FATUMBI)

MESTRE DIDI (1917-2013)

Cantor, compositor e músico, homenageou o povo baiano em suas canções. É um ícone na história da música popular brasileira

(1902-1996)

Sacerdote nagô, artista que cria objetos para rituais religiosos. Contribuiu em projetos de apoio e divulgação da cultura africana

Fotógrafo francês, encontrou na Bahia sua casa e ganhou um novo nome: Fatumbi. Autodidata, era especialista em cultura negra no Brasil e na África

IRMÃ DULCE (1914-1992)

Religiosa chamada de Anjo Bom da Bahia, dedicou toda a sua vida a ajudar os mais pobres


C

7 O1 L U

SÉCULO

CULO 18

16

DIOGO ÁLVARES CORREIA (1475-1557)

S

Filha de um cacique tupinambá, foi mulher de Diogo Caramuru (ao lado). Eles foram decisivos na aliança entre indígenas e colonizadores

GREGÓRIO DE MATOS (1636-1696)

Nascido em Salvador, é o maior poeta satírico da literatura barroca de língua portuguesa. Sua visão crítica lhe rendeu o apelido de Boca do Inferno

CASTRO ALVES (1847-1871)

Escritor romântico conhecido como Poeta dos Escravos, era um libertário engajado em causas políticas e sociais, como o abolicionismo

ANTÔNIO CONSELHEIRO (1830-1897)

Peregrino e líder religioso, foi fundador de Belo Monte – povoado que acolheu milhares de pobres, sertanejos, ex-escravos e indígenas

JOÃO GILBERTO (1931)

Nascido em Juazeiro, é um dos principais intérpretes do país. É tido como o criador da Bossa Nova, junto com Tom Jobim

MARIA FELIPA DE OLIVEIRA (18--? -1873)

LUIZA MAHIN

Escravizada e liberta em 1812, destacou-se em inúmeras revoltas escravas na Bahia no século 19, como a Revolta dos Malês, de 1835

Geógrafo baiano, professor e pesquisador de destaque, recebeu em 1994 o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia

Um dos representantes do cinema novo, movimento que se iniciou nos anos 1960 e deu uma identidade nova ao cinema brasileiro

Um dos maiores romancistas do Brasil, teve sua obra traduzida para cerca de 45 idiomas. A Bahia e sua gente foram sua fonte de inspiração

Pintor, dourador e restaurador, é considerado o fundador da chamada Escola Baiana de Pintura. Foi ele que pintou o teto da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, localizada em Salvador

111

GILBERTO GIL, MARIA BETHÂNIA, GAL COSTA E CAETANO VELOSO

GLAUBER ROCHA (1939-1981)

JORGE AMADO (1912-2001)

(1737-1807)

Nascida em Itaparica, foi uma liderança marcante na organização da resistência durante as lutas pela Independência. Ficou conhecida como a Heroína Negra

(SÉC. 19, DATAS IMPRECISAS)

(1942), (1946), (1945), (1942)

RAUL SEIXAS (1945-1989) MILTON SANTOS (1926-2001)

É

19 LO U C

JOSÉ JOAQUIM DA ROCHA

Chamado de “pai do rock brasileiro”, inspirava-se em Elvis Presley e Luiz Gonzaga

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

CATARINA PARAGUAÇU (1503-1583)

Um dos primeiros portugueses a morar na costa, conviveu com os tupinambás, dos quais recebeu o nome Caramuru. Foi figura central nos primeiros anos da colonização

Doces Bárbaros é o nome pelo qual ficou conhecido o quarteto baiano, formado por estrelas da MPB, após o show de estreia, realizado em 1976, em São Paulo. Cada um deles seguiu carreira própria e ganhou reconhecimento dentro e fora do Brasil


Bahia em letras POETAS, MÚSICOS E ESCRITORES SEMPRE VIRAM A BAHIA COMO UM CENÁRIO INSPIRADOR

CULTURA MAPA LITERÁRIO

A

112

literatura, a música e a geografia sempre andaram lado a lado na formação da cultura nacional. A identidade da Bahia é descrita com riqueza em letras de música, romance, poesia... O estado foi polo de atração para os autos de Anchieta, o barroco de Antônio Vieira e Gregório de Matos, o espírito romântico de Castro Alves e o inconformismo de valores étnicos de Luiz Gama. O mapa ao lado faz um paralelo entre algumas canções e trechos de romances com as pai­ sagens, os hábitos e os costumes da Bahia. São lendas e histórias que se tornam matéria-prima da melhor qualidade para registrar as várias bahias que existem. O terreno da literatura baiana ultrapassa as fronteiras do Brasil – de Jorge Amado, Adonias Filho e Herberto Sales aos atuais João Ubaldo Ribeiro, Antônio Torres e Osório Alves de Castro, além de uma infinidade de outros talentos espalhados pela Bahia. Assim, a obra literária transforma-se num espaço de referências afetivas e de memórias da vida de cada lugar. Com a revolução universitária, promovida por Edgard Santos, nos anos 1960, a Bahia transbordou em novas identidades na música, na dança, no teatro, aflorando a literatura de cordel e o cinema. Despertou, assim, para as múltiplas e significativas expressões culturais que marcam identidades, até hoje reconhecidas, como se vê ao lado. Por falta de espaço, muitas outras, injustamente, deixam de ser citadas. O fato é que novos nomes seguem escrevendo a história, dia após dia, num valioso processo de produção cultural. c o l a b o r a ç ã o Jorge de Souza Araújo, professor de Literatura Brasileira na UEFS

Tudo, tudo na Bahia bem Faz a gente querer m jeito, u m e t a i h a AB a terra tem! Que nenhumival Caymmi) (Dor

1 CAPIM-GUINÉ

(Wilson Aragão e Raul Seixas)

Plantei um sítio No sertão de Piritiba Dois pés de guataíba Caju, manga e cajá Peguei na enxada Como pega um catingueiro Fiz acero, botei fogo "Vá ver como é que tá" Tem abacate, jenipapo E bananeira Milho verde, macaxeira Como diz no Ceará

4 PONTA DE AREIA (Fernando Brant e Milton Nascimento)

2 A VOLTA DA ASA BRANCA (Zé Dantas e Luiz Gonzaga)

Rios correndo, as cachoeiras tão zoando Terra moiada, mato verde, que riqueza E a Asa Branca tarde canta, que beleza! Ai, ai o povo alegre, mais alegre a natureza! 3 SOBRADINHO (Sá e Guarabyra)

O homem chega e já desfaz a natureza Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar O São Francisco lá prá cima da Bahia Diz que dia menos dia, vai subir bem devagar E passo a passo vai cumprindo a profecia Do beato que dizia que o sertão ia alagar O sertão vai virar mar... Dá no coração O medo que algum dia o mar também vire sertão

Ponta de areia ponto final Da Bahia-Minas estrada natural Que ligava Minas ao porto ao mar Caminho de ferro mandaram arrancar Velho maquinista com seu boné Lembra do povo alegre que vinha cortejar Maria fumaça não canta mais Para moças, flores, janelas e quintais Na praça vazia um grito um ai Casas esquecidas viúvas nos portais

2

5 CAMPO BRANCO (Elomar)

Pela sombra do vale do ri Gavião Os rebanhos esperam a trovoada chover Num tem nada não tembém no meu coração Vô ter relampo e trovão Minh'alma vai florescer Quando a amada a esperada trovoada chegá

6 CARCARÁ ( João do Vale e José Cândido)

Lá no sertão... É um bicho que avoa que nem avião É um pássaro malvado Tem o bico volteado que nem gavião Carcará...

14


8 O JOGO DA DISSIMULAÇÃO

(Wlamyra Albuquerque)

9

... se convenceu de que os africanos eram libertos retornados, ou seja, já haviam cruzado o Atlântico, deportados da Bahia para a costa da África, e agora voltavam dispostos a se instalar como comerciantes na mesma cidade onde haviam sido escravos

3

10 8

10 JUBIABÁ

( Jorge Amado)

Cidade religiosa, cidade colonial, cidade negra da Bahia. Igrejas suntuosas bordadas de ouro, casas de azulejos azuis e antigos, sobradões onde a miséria habita, ruas e ladeiras calçadas de pedras, fortes velhos, lugares históricos, e o cais

1

5 12 CACAU ( Jorge Amado)

11

13 7

12

Caem gotas de sol através dos cacaueiros. Vão rebentar em raios no chão, quando batem nas roças de água lhe dão um colorido de rosachá. Como se houvesse uma chuva de topázio caindo do céu, virando pétalas de rosa-chá no chão de poeira ardente 14 SÃO FRANCISCO (Paulo Gabiru e Carlos Marral)

7 SAMBA DE RODA

(Domínio público)

Eu aqui no samba, eu cheguei agora Vou batendo meu pandeiro, Vou tocando minha viola!

4 15

Vai lambendo teus barrancos, teus beirais Vai levando pedras, peixes e pontais Mais que tudo, vai levando o meu olhar São Francisco, tu não paras de passar

9 ALEGRIA DA CIDADE (Lazzo)

Eu sou o sol da Jamaica Sou a cor da Bahia Eu sou você (sou você) E você não sabia Liberdade, Curuzu, Harlem, Palmares, Soweto Nosso céu é todo blue e o mundo é um grande gueto 11 FREVO DO TRIO ELÉTRICO (Dodô & Osmar)

Pula gente bem Pula pau de arara Pula até criança E velho babaquara O frevo da Bahia Alegria nos dá Com o trio elétrico de Dodô e Osmar 13 SAVEIROS DO RECÔNCAVO (Odorico Tavares)

Olhem esses mares, esta luz, estas linhas, vejam essas velas que vêm de longe, como elas se aproximam brancas, tranquilas como se fossem rainhas puras e imaculadas: são os saveiros da Bahia, os saveiros do Recôncavo que nunca serão encontrados em nenhuma parte do Brasil ou do mundo

15 SUÍTE DO PESCADOR (Dorival Caymmi)

Minha jangada vai sair pro mar Vou trabalhar, meu bem querer Se Deus quiser quando eu voltar do mar Um peixe bom eu vou trazer

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

6

113


Marca registrada O A BAHIA É UM VERDADEIRO BERÇO DE TRADIÇÕES CULTURAIS VARIADAS, LEGADO DE SEU POVO E DO PAÍS

por exemplo, é marcante no estado. Essa mistura, fruto da miscigenação entre negros, brancos e indígenas, influenciou inclusive a formação da identidade do povo brasileiro, e pode ser vista no candomblé, no samba e em pratos típicos como acarajé e abará. Seja qual for a origem e a forma de expressão, todas as manifestações culturais são maneiras dos indivíduos se encontrarem com sua história pessoal e com identidades coletivas. Esses patrimônios (naturais e culturais) foram e devem ser preservados ao longo de gerações. Veja alguns exemplos. c o l a b o r a ç ã o Elisabete Gándara, arquiteta, diretora-geral do Ipac da Bahia

CULTURA PATRIMÔNIOS

Álbum de fotos

que representa a “baianidade” para você? A resposta vai depender. Para o sertanejo, talvez seja a festa de São João, a sanfona e o ofício dos vaqueiros. Para quem vive no litoral, a pescaria e a lavagem da escadaria da igreja do Senhor do Bonfim. No agreste, a capoeira e o samba de roda. A cultura está ligada às nossas origens, ao ambiente, à religiosidade, à alimentação, ao modo de falar, de fazer... em resumo: à maneira como vivemos e nos expressamos. E a Bahia, um estado tão extenso e diversificado, tem em seu tabuleiro cultural uma grande variedade de tradições. Os baianos vivem imersos nas manifestações de sua cultura. A influência da tradição afro-brasileira,

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OFÍCIO DAS BAIANAS DO ACARAJÉ

OFÍCIO DOS VAQUEIROS

SAMBA DE RODA DO RECÔNCAVO

RODA DE CAPOEIRA

As baianas são figuras marcantes na paisagem de Salvador. São mestras de uma prática tradicional de produção e venda, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, como acarajé e abará, ligadas originalmente ao universo do candomblé

Desbravadores do sertão nordestino, os vaqueiros ocuparam a região à procura de pastos. Seu ofício se reflete em aspectos culturais, tais como: roupas, modos de cantar, falar, morar e lidar com o gado

Presente em toda a Bahia, essa manifestação cultural afro-brasileira é tradicional do Recôncavo. É uma das matrizes do samba, que foi influenciado por baianos que migraram para o Rio de Janeiro entre os séculos 19 e 20

Espaço de expressão da capoeira – jogo e dança que apresenta elementos de herança africana recriados nas cidades do Brasil colonial. Os mestres Bimba e Pastinha consolidaram os dois principais estilos: regional e angola


MORRO DO PAI INÁCIO

A formação geológica é uma das mais marcantes da paisagem da Chapada Diamantina, na região central da Bahia. Segundo relatos, seu nome se deve à lenda do escravo Inácio, que fugiu da perseguição de um coronel, pai de sua amada, ao conseguir escapar pulando lá do alto

Festa é tradição! A Bahia é palco de eventos que levam milhares de pessoas às ruas CORTEJO DE 2 DE JULHO

Em 2 de julho de 1823, tropas brasileiras venceram o Exército português, que ocupava Salvador. É a data da Independência da Bahia, desde então celebrada com um desfile que homenageia os principais heróis da batalha. Na figura do caboclo são representados os guerreiros indígenas, e há ainda soldados, vaqueiros, negros e mulheres que lutaram pela independência, como Maria Quitéria de Jesus e Maria Felipa

CENTRO HISTÓRICO DE PORTO SEGURO

Porto Seguro é um dos municípios da Costa do Descobrimento, no litoral sul, onde foram fundadas as primeiras vilas coloniais. Por ter sido um dos locais onde a colonização portuguesa teve início, reúne inúmeros monumentos históricos

Veja mais informações na página 111

CENTRO HISTÓRICO DE RIO DE CONTAS

Tem origem nas festas de santos da Europa. No solstício de verão do hemisfério Norte era comemorado o dia de São João. O nome era de festa “joanina”, mas, por ser celebrada em junho, passou a ser chamada de “junina”. No Brasil, várias tradições se mesclaram e deram nova cara à festa. Fazem parte: fogueiras, bandeirinhas, roupas de caipira e comidas, principalmente feitas à base de milho

Município mais antigo do centrosul baiano, Rio de Contas teve sua origem ligada à mineração de ouro no século 18 e era parada obrigatória do Caminho Real. A arquitetura barroca caracteriza as construções coloniais tombadas pelo Iphan

FESTA DO BONFIM

Celebrada desde o século 18, em Salvador, é uma das cerimônias religiosas mais relevantes da Bahia. Seu ponto alto é a lavagem das escadarias e do adro da Igreja do Bonfim pelas baianas, que, em cortejo, trazem água de cheiro desde a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Simboliza o sincretismo religioso, no qual Nosso Senhor do Bonfim é identificado com Oxalá – orixá cultuado no candomblé

CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR

Salvador foi a capital do Brasil por 214 anos. A arquitetura do centro revela sua importância durante o Período Colonial (de 1500 a 1822). O Pelourinho, um dos principais marcos do Centro Histórico, é Patrimônio da Humanidade, título dado pela Unesco

FESTA DA BOA MORTE

É realizada sempre no mês de agosto em Cachoeira, no Recôncavo, pela Irmandade da Boa Morte, grupo formado exclusivamente por mulheres negras. Sua origem remonta à Salvador do século 19, onde havia a devoção por Nossa Senhora da Boa Morte, ligada a um pedido pelo fim da escravidão. De tradição portuguesa, a festa ganhou características próprias de um catolicismo afro-brasileiro

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

FESTA DE SÃO JOÃO

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Viver bem UMA VIDA DIGNA DEPENDE DE VÁRIOS FATORES. E TODOS SÃO CONTEMPLADOS PELAS LEIS DO BRASIL

Dois brasileirinhos

“O

homem é do tamanho do seu sonho”, disse o poeta português Fernando Pessoa. Sonhar, planejar a própria vida e fazer escolhas são direitos do ser humano. Todos precisam de condições dignas de vida, o que inclui saúde, educação, trabalho e lazer. Para avaliar como os governos dos países cuidam da população, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede a relação entre educação, longevidade e renda. Só que há imprecisões nesse índice, já que ele não abrange, por exemplo, as condições em que se encontra o meio ambiente.

Em 2012, o Brasil foi considerado um país de alto desenvolvimento, com índice de 0,730 (o máximo é 1), ficando na 85a posição entre 187 nações. Também é calculado o IDH dos estados: em 2010, o índice da Bahia ficou em 0,660, número que indica um desenvolvimento médio. Inspirado na iniciativa da ONU, o Brasil criou o IDHM, um índice municipal, que segue os mesmos critérios, mas numa amostragem menor, o que reduz a margem de erro. Descubra o IDHM do seu município! c o l a b o r a ç ã o Flávio Vasconcellos Comim, professor de Economia da UFRGS

Vida plena: direito a saúde, educação, lazer, trabalho...

DIREITOS DESDE O NASCER

Para ter os direitos respeitados, é preciso conhecê-los. Mas o que é indispensável na vida de uma pessoa? Na historinha, João e Maria vivem, desde bebês, com dignidade. Veja só que história legal

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DESDE CEDO

BRINCAR, LER, CORRER!

CLARO COMO ÁGUA

SENTIR É VIVER

ASAS NOS PÉS E NA ALMA

TRABALHO DIGNO!

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante à gestante o direito ao pré-natal. Ao nascer, o filho deve ser aleitado e vacinado e ter acompanhamento médico

De acordo com a Constituição do Brasil e o ECA, toda criança tem direito a estudar, a se divertir e a viver em um ambiente seguro e acolhedor, em casa ou na rua

Em uma comunidade sem água potável nem rede de esgoto, as pessoas podem ficar doentes. O serviço é uma obrigação do governo e deve ser oferecido a todos os cidadãos

Temos direito de amar, expressar nossa sexualidade e decidir como será a nossa família. Além disso, homens e mulheres devem ter o mesmo tratamento

Ninguém pode proibir o acesso a locais públicos, como rios, ruas e praias. Preconceito e repressão também são crimes, pois temos direito à liberdade de expressão

No Brasil, a vida profissional pode começar aos 16 anos. Antes, aos 14, só como aprendiz. Já o direito à opinião política é garantido em qualquer lugar: em casa, no trabalho, na escola


Metas do milênio

Inclusão: escola para todos A lei garante escola regular para crianças com ou sem deficiência É direito de toda e qualquer criança em idade escolar (dos 4 aos 17 anos) estar na sala de aula regularmente. Inclusive quem tem deficiência. Classes e escolas especiais não são lugares apropriados, pois excluem as crianças do convívio com os colegas. Da mesma forma, a criança sem deficiência não tem a oportunidade de compreender muitas coisas, como respeitar o ritmo do outro e a importância de aprender junto.

Para isso, não basta a matrícula: a escola deve ter adaptações para a acessibilidade (como rampas, sinalização e barras de apoio no banheiro), sala de atendimento educacional especializado (para ensinar braile aos cegos ou a Língua Brasileira de Sinais aos surdos, por exemplo) e cursos para os professores. Escola é lugar de todos: não importam as necessidades especiais, a cor, a religião, o pensamento, a orientação sexual ...

Caminhos diferentes para direitos iguais

A ONU criou em 2000 um conjunto de metas sociais, ambientais e econômicas. O desafio foi assumido por 191 países signatários e deve ser atingido até 2015. Para isso, é necessário o envolvimento de governos, empresas e organizações sociais 1. Acabar com a fome e a miséria

5. Melhorar a saúde das gestantes

2. Educação Básica de qualidade para todos

6. Combater a aids, a malária e outras doenças

3. Igualdade entre sexos e valorização da mulher

7. Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente

4. Reduzir a mortalidade infantil

8. Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

F o n t e : ONU

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EM MOVIMENTO

PARA TODOS OS GOSTOS

EXPERIÊNCIA

COM A TURMA

CURTIR A VIDA

É dever do governo fornecer transporte público eficiente e que atenda às necessidades da população. De carro, a pé, de ônibus, de metrô ou de bicicleta? A opção é sua!

Sertanejo ou rock? Teatro ou cinema? Nenhuma escolha é melhor do que a outra. Da música de raiz à eletrônica, o que vale é o acesso à cultura e o respeito às diferenças

O Estatuto do Idoso (e a boa educação) garante o respeito por quem já viveu mais. Dê atenção aos mais velhos: eles têm histórias para contar e muito que ensinar

O idoso tem direito a conviver com outras pessoas e a trabalhar em uma vaga que valorize sua experiência e suas habilidades. Nada de preconceito!

As necessidades dessa fase têm de ser supridas, como óculos e aparelhos de locomoção. E não é só isso! O idoso tem direito a cultura, educação e lazer


O nosso poder

no brasil, todo cidadão tem direito ao voto livre, que garante a escolha dos governantes

V

ocê é um cidadão. Seus familiares, amigos e qualquer brasileiro também. O significado dessa palavra já variou bastante ao longo da história da humanidade. De 500 a.C. a 400 a.C., na Grécia Antiga, o título era dado apenas aos homens livres, apesar de o local ser considerado o berço da democracia – do grego demos (povo) e kratía (poder). Lá, mulheres, estrangeiros e escravos não votavam nem participavam do Conselho dos Quinhentos – que decidia desde questões do dia a dia até julgamentos e condenações. No Brasil, os tipos de governo mudaram muito e, com eles, os direitos civis. Passamos pelo Império, em que todos eram súditos da família real e só vota-

DIVISÃO DE PODERES BRASIL

Legislativo, Executivo e Judiciário

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Legislativo

FEDERAL

Em cada esfera política, elabora leis, fiscaliza e controla os atos do Poder Executivo

CONGRESSO NACIONAL No Brasil, existem duas instâncias legislativas independentes: Câmara dos Deputados e Senado

O Executivo colabora com o Legislativo, sancionando ou vetando seus projetos de lei

Executivo

FEDERAL

Presta serviços públicos por meio de órgãos diretos (ministérios e secretarias) e indiretos (entidades administrativas)

Judiciário Julga de acordo com as regras da Constituição e as leis criadas pelo Poder Legislativo

SENADO FEDERAL São três senadores por estado. Analisam e julgam os projetos de lei elaborados pela Câmara. Mandato: 8 anos

ESTADUAL ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

CÂMARA DOS DEPUTADOS Eleitos pelo povo (por estado), criam leis sobre assuntos de interesse nacional Mandato: 4 anos

MINISTÉRIOS Cada um coordena uma área específica, como Saúde e Educação

ESTADUAL

GOVERNADOR Por estado Mandato: 4 anos

DEPUTADOS ESTADUAIS Criam leis sobre assuntos MUNICIPAL de interesse estadual CÂMARA MUNICIPAL Mandato: 4 anos

SECRETARIAS (como a de Educação)

REGIONAL

FEDERAL

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Decide sobre causas em que há violação da Constituição, como trabalho escravo

TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO Decide ações sobre causas trabalhistas TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL Organiza e administra as eleições e garante a execução das leis eleitorais TRIBUNAL SUPERIOR MILITAR Específico para julgar militares

VEREADORES Criam leis sobre assuntos de interesse municipal Mandato: 4 anos

ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA Como autarquias e fundações públicas

ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA Como empresas públicas

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Dá o veredicto em causas decididas pelos demais tribunais (federais ou estaduais)

O Executivo define os membros do Judiciário, como ministros do Supremo e dos demais tribunais

c o l a b o r a ç ã o Menelick de Carvalho, professor de Direito da UnB

Veja qual é o papel de quem atua nos Três Poderes que regem o país

ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA Como agências reguladoras PRESIDENTE DA REPÚBLICA Chefe de Estado e do governo, comanda as Forças Armadas Mandato: 4 anos

vam os homens livres e com alto poder aquisitivo. Em 1889, com a proclamação da República, instituíram-se o presidencialismo e o voto livre para maiores de 21 anos. Em 1932, o código eleitoral incluiu as mulheres. O Brasil passou por duas ditaduras: a primeira (de 1937 a 1945), com Getúlio Vargas, e a outra (de 1964 a 1985), com os militares. Em ambas, o voto popular sofreu restrições e só foi garantido em 1988, com a atual Constituição, aos maiores de 16 anos. Conhecer a história do país nos incentiva a exercer a cidadania e a valorizar a conquista das pessoas que lutaram por ela.

MUNICIPAL

PREFEITO Por município Mandato: 4 anos

SECRETARIAS OU DEPARTAMENTOS (Na Bahia, usa-se o primeiro termo)

TRIBUNAL DE JUSTIÇA Órgão judiciário estadual

JUÍZES DE DIREITO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL Julga processos que envolvam a União

JUÍZES FEDERAIS

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO Julga causas trabalhistas no estado

JUÍZES DO TRABALHO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL Fiscaliza as eleições no estado

JUÍZES ELEITORAIS

JUÍZES MILITARES


A nossa Constituição

A importância dos documentos

“Todos são iguais perante a lei”

Veja quais são e para que serve cada um

}

Ministério Público Defensor e porta-voz da sociedade Recebe as queixas da população, fiscaliza o cumprimento das leis e defende os cidadãos, atuando em causas particulares ou coletivas, ligadas a temas como meio ambiente, direitos do consumidor, crianças e adolescentes, minorias étnicas e sociais e pessoas portadoras de deficiência

Tribunal de Contas Controle da administração pública Controla os gastos públicos nos âmbitos municipal, estadual e federal. Órgão independente, fiscaliza de onde vêm as verbas usadas na administração pública e como elas são gastas. Caso haja qualquer irregularidade, os fiscais do Tribunal de Contas podem fazer uma denúncia ao Ministério Público

CERTIDÃO DE NASCIMENTO

Sem ela, a pessoa não pode acessar serviços públicos (como hospitais e escolas). O documento é gratuito e feito nos cartórios REGISTRO DE IDENTIDADE CIVIL (RIC)

O conhecido Registro Geral (RG) está migrando para o Registro de Identidade Civil (RIC) ‒ que possui chip e reúne vários documentos CADASTRO DE PESSOA FÍSICA (CPF)

Permite a abertura de conta em banco e empréstimos. Pelo CPF, o governo checa se o trabalhador pagou o imposto de renda

Dá direito ao voto (opcional aos 16 anos e obrigatório dos 18 aos 70 anos). Identifica o eleitor e evita votos duplicados

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

O trecho acima faz parte do Artigo 5º da Constituição Federal, em vigor desde 1988. A elaboração dessa Carta Magna – como também é chamada – foi cercada de expectativa. Afinal, marcava a redemocratização do país após 21 anos de regime militar. Ao todo, o Brasil teve outras sete Cartas. Apesar de algumas terem sido feitas com a participação da sociedade, a última garantiu, definitivamente, o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade – além de eleições diretas para os cargos do Executivo e do Legislativo, incluindo a Presidência da República. Deu, ainda, ao Poder Judiciário a tarefa de interferir sempre que houver lesão ou ameaça aos direitos do cidadão

CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO (CNH)

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TÍTULO DE ELEITOR

Com a CNH, maiores de 18 anos podem dirigir. Os departamentos estaduais de trânsito a emitem após testes teórico e prático PASSAPORTE

Necessário para sair do Brasil, é emitido pela Polícia Federal. Exigido em portos, aeroportos e fronteiras internacionais CARTEIRA DE TRABALHO

Obrigatória para quem trabalha, só é permitida para maiores de 14 anos e registra dados como cargo, salário e período de férias


Identidade OS SÍMBOLOS UNEM PESSOAS E AS FAZEM PARTILHAR O SENTIMENTO DE PERTENCER A UM LUGAR OU GRUPO

SÍMBOLOS HINOS E BANDEIRAS

T

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odo país tem um hino e uma bandeira. Para o povo, não são apenas letra e música ou um tecido estampado, e sim parte de sua identidade. Esses símbolos expressam um sentimento de pertencimento, e existem em diversos espaços da vida, como times de futebol, escolas, clubes, estados, cidades e até pessoas! Em Portugal, por exemplo, até o século 19, os hinos eram feitos para os reis. Geralmente, hinos são compostos por renomados maestros e têm letras que enaltecem um lugar e seus fundadores. O do Brasil surgiu para fortalecer sua identidade quando deixou de ser colônia, mas levou um século para ser oficializado. Acredita-se que sua melodia tenha sido composta em 1822 – ano da Independência – por Francisco Manuel da Silva, copista da orquestra da corte (que copiava as partituras à mão). A letra só foi escrita, em 1909, pelo crítico literário Joaquim Osório Duque Estrada. A bandeira do Brasil tem uma história curiosa. O lema “Ordem e Progresso” tem origem em outro lema, “O amor por princípio, a ordem por base, o pro­gres­so por fim”, criado pelos positivistas franceses. Os governantes da época, porém, entendiam que a palavra “amor” poderia ser mal interpretada e a excluíram. O hino da Bahia, oficializado somente em 2010, foi escrito na época da guerra pela Independência do Brasil por Ladislau dos Santos Titara, que participou de batalhas da Independência. O autor da música é José dos Santos Barreto. c o l a b o r a ç ã o Agacir Eleutério, historiadora, responsável pelo Centro de Memória e Integração Cultural

Hino Nacional do Brasil ( Letra: Joaquim Osório Duque Estrada Música: Francisco Manuel da Silva)

I Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heroico o brado retumbante, E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante.

II Deitado eternamente em berço esplêndido, Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó, Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte!

Do que a terra mais garrida Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; "Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó, Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido, A imagem do Cruzeiro resplandece. Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza. Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

Ó, Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa flâmula - Paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra adorada Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó, Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

BANDEIRA DA BAHIA 1 TRIÂNGULO a principal versão é a de que se trata de uma homenagem à inconfidência mineira

2 QUADRADO E FAIXAS o formato é inspirado na bandeira dos estados unidos

3 LISTRAS BRANCAS E VERMELHAS

é uma referência aos estados unidos, que tinham se tornado independentes em 1776


Hino ao 2 de Julho

(Hino do estado da Bahia)

(Letra: Ladislau dos Santos Titara | Música: José dos Santos Barreto)

Nunca mais o despotismo Regerá nossas ações Com tiranos não combinam Brasileiros corações Com tiranos não combinam Brasileiros corações

BANDEIRA DO BRASIL 1 CORES

BANDEIRA DE SALVADOR 1 POMBA BRANCA

HÁ VÁRIAS INTERPRETAÇÕES, UMA DELAS É A DE

trata-se de uma analogia de uma passagem

QUE REMETEM ÀS DOS BRASÕES DA FAMÍLIA REAl

bíblica de noé após o dilúvio e simboliza a paz

2 ESTRELAS

2 FUNDO AZUL

SIMBOLIZAM OS ESTADOS E ESTÃO DISTRIBUÍDAS

representa a esperança e a liberdade

COMO NO CÉU DO RIO DE JANEIRO EM 15 DE

alcançada após muitas lutas

NOVEMBRO DE 1889

3 LEMA É ATRIBUÍDO AO POSITIVISTA FRANCÊS AUGUSTE COMTE, QUE TINHA SEGUIDORES NO BRASIL

4 FORMATO É UMA ADAPTAÇÃO DA BANDEIRA IMPERIAL, NA QUAL O ESCUDO PORTUGUÊS FICAVA NO LOSANGO

3 RAMO DE OLIVEIRA a pomba volta após o dilúvio com um ramo de

oliveira, indicando tratar-se de um local fértil

4 INSCRIÇÃO EM LATIM

significa "assim ela voltou à arca", em referência às palavras de noé

Cresce, oh! Filho de minha alma Para a pátria defender O Brasil já tem jurado Independência ou morrer.

Nunca mais o despotismo Regerá nossas ações Com tiranos não combinam Brasileiros corações Com tiranos não combinam Brasileiros corações Salve, oh! Rei das campinas De Cabrito e Pirajá Nossa pátria hoje livre Dos tiranos não será Nunca mais o despotismo Regerá nossas ações Com tiranos não combinam Brasileiros corações Com tiranos não combinam Brasileiros corações

Hino de Salvador (Letra e melodia: Oswaldo José Leal) Salvador teu céu famoso De brilhantes cor de anil Relembra no Dois de Julho A libertação do Brasil... Erigida bem no alto, És da Pátria o seu altar Em tuas formosas praias, Beija a areia o verde mar

Cidade de tanta glória Povo nas lutas, viril, Salvador, tua história, É a mesma do Brasil...

Cidade de tanta glória Povo nas lutas, viril, Salvador, tua história, É a mesma do Brasil...

O teu nome é um símbolo De prestígio e de amor, O teu povo é culto e nobre Ó cidade do Salvador... Tens poesia e nobreza, Tua vida é um esplendor... Em toda parte beleza, Ninguém te iguala em valor...

Em tudo tens muito encanto, És um presépio, um jardim, Tens igrejas, tens ladeiras, Terra do Senhor do Bonfim...

Cidade de tanta glória Povo nas lutas, viril, Salvador, tua história, É a mesma do Brasil...

Retratas bem o passado Em Pirajá e Pedrões O progresso não impede O teu culto às tradições

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Nasce o sol a 2 de julho Brilha mais que no primeiro É sinal que neste dia Até o sol é brasileiro

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______. A Bahia no Nordeste e no Brasil: indicadores econômicos comparados 2002 - 2009. Vol. 3. Salvador: Publicações SEI, 2011 ______. Atlas dos Territórios de Identidade do estado da Bahia. Salvador, 1 CD ______. Bahia em números 2010. Vol. 10. Salvador: Publicações SEI, 2011 ______. Base cartográfica digital. Salvador, 1 CD ______. Direitos humanos na Bahia: situação, monitoramento e perspectivas 2001 - 2006. Série Estudos e Pesquisas. Salvador: v. 89, 2011 SCHWARCZ, Lilia Moritz; REIS, Letícia Vidor de Souza (orgs.). Negras imagens: escravidão e cultura no Brasil. São Paulo: Edusp, 1996 SILVA, Aracy Lopes; GRUPIONI, Luís Donisete B. (orgs.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1° e 2° graus. 1a edição. São Paulo: MEC, Mari, Unesco, 1995 SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Atlas geográfico escolar. 34a edição. São Paulo: Editora Ática, 2007 ______. Primeiros mapas: como entender e construir. 6a edição. São Paulo: Editora Ática, 2006 TAVARES, Luiz Henrique Dias. História da Bahia. 6a edição. São Paulo: Ática, 1979 TEIXEIRA, Wilson; LINSKER, Roberto. Chapada Diamantina - águas no sertão. 1a edição. São Paulo: Editora Terra Virgem, 2005 TUNDISI, José Galizia. Água no século XXI: enfrentando a escassez. 2a edição. São Carlos: RiMa Editora, 2005 VEIGA, José Eli da. Cidades imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. 2a edição. Campinas: Autores Associados, 2003 VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Baía de Todos os Santos: dos séculos XVII a XIX. 4a edição. Salvador: Currupio, 2002

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

GUERREIRO, Goli. Terceira diáspora, o porto da Bahia. Salvador: Corrupio, 2010

123


SAIBA MAIS ÍNDICES E CRÉDITOS 124

Índice geral

Seu livro | Como ler...........................................................p. 6

Bahia | Territórios de Identidade..................................... p. 52

História | Arqueologia...................................................... p. 98

Sumário | Índice temático..................................................p. 8

Mobilidade | Deslocamentos........................................... p. 62

História | Linha do tempo.............................................. p. 100

Luz solar | Fotossíntese.................................................. p. 10

Mundo | Conexões globais............................................... p. 64

História | Primeiros habitantes..................................... p. 102

Corpo humano | O corpo trabalha................................... p. 12

Uso da terra | Bahia......................................................... p. 66

História | População negra............................................ p. 104

Corpo humano | Fisiologia............................................... p. 14

Relevo | Compartimentos................................................ p. 68

Cultura | Povo brasileiro................................................ p. 106

Corpo humano | Vida moderna........................................ p. 16

Clima | Atmosfera............................................................ p. 70

Cultura | Povos da Bahia............................................... p. 108

Corpo humano | O cérebro e as emoções....................... p. 18

Clima | Oceanos............................................................... p. 72

Cultura | Pessoas e vidas.............................................. p. 110

Corpo humano | Química do amor.................................. p. 20

Clima | Semiárido............................................................ p. 74

Cultura | Mapa literário................................................. p. 112

Geografia da saúde | Cuidados........................................ p. 22

Água | Vida no sertão....................................................... p. 76

Cultura | Patrimônios.................................................... p. 114

Biodiversidade | Domínios de natureza........................... p. 24

Água | Recursos hídricos................................................. p. 78

Direitos | Desde o nascer.............................................. p. 116

Biodiversidade | Unidades de Conservação.................... p. 30

Água | Rio São Francisco................................................. p. 80

Divisão de poderes | Brasil............................................ p. 118

Biodiversidade | Extinção................................................ p. 32

Energia | Matriz brasileira............................................... p. 84

Símbolos | Hinos e bandeiras........................................ p. 120

Biodiversidade | Vegetação.............................................. p. 34

Energia | Alternativas renováveis.................................... p. 86

Saiba mais | Referências bibliográficas........................ p. 122

Amazônia | Impactos ambientais.................................... p. 36

Solo | Qualidades e problemas........................................ p. 88

Saiba mais | Índices e créditos...................................... p. 124

Amazônia | Manejo sustentável....................................... p. 38

Lixo | Para onde vai.......................................................... p. 90

Saiba mais | Glossário................................................... p. 126

Cartografia | Desenho do espaço.................................... p. 40

Sustentabilidade | No cotidiano....................................... p. 92

Saiba mais | Siglas e abreviaturas................................ p. 128

Zoom | Da Bahia ao universo........................................... p. 42

Indicadores | Dados sociais............................................. p. 94

Eletricidade | Noite no planeta........................................ p. 50

População | Demografia.................................................. p. 96

Índice de mapas

Brasil | Endemias............................................................ p. 23

Planisfério | Político......................................................... p. 46

Nordeste | Clima semiárido............................................ p. 74

Brasil | Domínios de natureza......................................... p. 24

Planisfério | À noite......................................................... p. 50

Bahia | Hidrografia........................................................... p. 78

Bahia | Unidades de Conservação................................... p. 30

Bahia | Territórios de Identidade..................................... p. 52

Bahia | Aquíferos............................................................. p. 79

Brasil | Animais em extinção........................................... p. 32

Salvador | Acessos........................................................... p. 62

Brasil | Energias renováveis............................................ p. 86

Brasil | Vegetação natural............................................... p. 34

Bahia | Acessos................................................................ p. 63

Brasil e Bahia | PIB.......................................................... p. 95

Brasil | Vegetação............................................................ p. 41

Brasil | Rodovias e aeroportos........................................ p. 63

Brasil e Bahia | IDH e IDHM............................................ p. 95

Brasil | Clima................................................................... p. 41

Brasil | Portos, hidrovias e ferrovias............................... p. 63

Bahia | População............................................................ p. 96

Brasil | Morfoclimático.................................................... p. 41

Planisfério | Pescado....................................................... p. 64

Brasil | Densidade demográfica...................................... p. 97

Salvador | Destaque......................................................... p. 42

Bahia | Uso da terra......................................................... p. 67

Brasil | Fluxos migratórios.............................................. p. 97

Estado da Bahia | Político................................................ p. 43

América do Sul | Hipsografia........................................... p. 68

Bahia | Arqueologia......................................................... p. 99

Região Nordeste | Político............................................... p. 44

Bahia | Pluviometria........................................................ p. 70

Bahia | Terras indígenas................................................ p. 103

América do Sul | Político................................................. p. 45

Brasil | Climas................................................................. p. 71

Bahia | Povos tradicionais............................................. p. 108


Capa e quarta capa Imagem de satélite: Nasa's Earth Observatory/ Geodinâmica, 2010 Ilustração: Eber Evangelista

Contracapa e terceira capa Fotos: Roberto Linsker/ Terra Virgem P. 6 e 7 Foto noturna e retrato: Vinicius Tupinamba/ Shutterstock Foto panorâmica: KamilloK/ Shutterstock Gráficos: Mario Kanno Mapa do Brasil: Geodinâmica Infográfico: Alexandre Jubran Imagem de satélite da América do Sul: Nasa's Earth Observatory Imagem de Salvador: Fotos digitais SAAPI®, cedidas pela Engemap Geoinformação, 2012 Ilustração mico-leão-de-cara-dourada: Sattu Aquarela pescador: Meire de Oliveira P. 10 e 11 Ilustração: Sattu P. 12 e 13 Infográfico: Eber Evangelista P. 14 e 15 Infográfico: Luiz Iria e Marcelo Garcia P. 16 e 17 Infográfico: Mario Kanno P. 18 e 19 Infográfico: Fido Nesti P. 20 e 21 Infográfico: Fido Nesti P. 22 e 23 Ilustrações: Sattu Mapa endemias: Geodinâmica P. 24 Mapa domínios de natureza do Brasil: Geodinâmica P. 25 a 29 Infográficos: Marcelo Garcia P. 30 Mapa Unidades de Conservação da Bahia: Geodinâmica P. 31 Foto macaco-prego: Simon_g/ Shutterstock Foto beija-flor-dourado: elnavegante/ Shutterstock Foto bicho-preguiça: Erni/ Shutterstock Foto quaresmeira: Sueli Angelo Furlan Foto guapuruvu, ipê-amarelo e pau-brasil: Mauro Halpern Foto arara-azul-de-lear: Fábio Nunes/ Acervo Associação Caatinga Foto tatu-bola-da-caatinga, perereca-donordeste e imburana: Acervo Associação Caatinga Foto barriguda: André Dib Foto mandacaru: G. Evangelista/ Opção Brasil Imagens

Foto lobo-guará: Maxim Kulko/ Shutterstock Foto jiboia-constritora: Guilherme Jófili Foto coruja-buraqueira: Wagner Machado Carlos Lemes Foto pequi: Sergio H. Mourao Faria/ Shutterstock Foto peroba-gigante-do-cerrado: Mauricio Mercadante

P. 55 a 61 Mapas: Geodinâmica Imagens de satélite: Nasa's Earth Observatory

P. 32 e 33 Mapa animais em extinção: Geodinâmica Ilustrações: Sattu

P. 63 Foto trecho BR-116: Marcos André/ Opção Brasil Imagens Mapa acessos da Bahia: Geodinâmica Mapas infraestrutura de transporte: Geodinâmica

P. 34 Mapa de domínios vegetacionais do Brasil: Geodinâmica Foto da Floresta Amazônica: André Dib P. 35 Foto da Mata das Araucárias: André Dib Foto da Mata Atlântica: Felipe Seibel Foto do Complexo do Pantanal: Roberto Tetsuo Okamura/ Shutterstock Foto da Caatinga: Acervo Associação Caatinga/ Divulgação Foto da Campinarana: Joana Autuori Foto do Cerrado: Diana Salles Foto da Mata dos Cocais: Lara Montenegro Foto de Campos: Décio Corrêa Marques Foto de vegetação litorânea: milezaway/ Shutterstock Foto de altiplanos: Kanji Roushi Foto de savana: Vadim Petrakov/ Shutterstock Foto da Patagônia: Tibby Jones P. 36 a 39 Infográfico: Alexandre Jubran P. 40 e 41 Ilustração sobrevoo do avião: Sattu Foto da cidade: Geodados Tecnologia Imagens oblíqua e vertical: Spotmaps Mapas: Geodinâmica Imagens em três escalas: Nasa's Earth Observatory P. 42 Imagem: Fotos Digitais SAAPI®, cedidas pela Engemap Geoinformação, 2012 P. 43 a 47 Mapas: Geodinâmica Imagens de satélite: Nasa's Earth Observatory P. 48 e 49 Ilustração galáxia: Sattu Imagens: Space Telescope Science Institute/ Nasa P. 50 e 51 Imagem de satélite: 2010, Geodinâmica/ NOAA's National Geophysical Data Center Foto noturna: Vinicius Tupinamba/ Shutterstock P. 52 Mapa: Geodinâmica Imagem de satélite: Nasa's Earth Observatory

P. 62 Foto porto de Salvador: Manu Dias/ Secom-GOVBA Mapa acessos de Salvador: Geodinâmica

P. 64 e 65 Mapa consumo mundial de pescado: Nasa's Earth Observatory/ Geodinâmica, 2010 Foto moqueca: Luiz Rocha/ Shutterstock Foto bacalhoada: Francesco83/ Shutterstock Foto ceviche: Ildi Papp/ Shutterstock Foto fish & chips: Hannamariah/ Shutterstock Foto snoek grelhado: Daleen Loest/ Shutterstock Foto sushi: Marcelo_Krelling/ Shutterstock Ilustração pesca: Tato Araújo P. 66 e 67 Mapa uso da terra da Bahia: Geodinâmica Foto pecuária: John Copland/ Shutterstock Fotos cultivo de batatas e eucaliptos: Manu Dias/ Secom-GOVBA Foto represa de Paulo Afonso: Antônio Galdino/ Ascom PMPA Foto produção de sisal: Alberto Coutinho/ Secom-GOVBA Foto cidade de Salvador: Vinicius Tupinamba/ Shutterstock Imagens de satélite: Fotos Digitais SAAPI®, cedidas pela Engemap Geoinformação, 2012 P. 68 e 69 Mapa topografia da América do Sul: Geodinâmica Ilustração relevo da Bahia: Sergio Ricardo Fiori P. 70 e 71 Infográfico: Tato Araújo Ilustração eixo da Terra: Sattu Mapa climas do Brasil, mapas precipitação na Bahia e climogramas: Geodinâmica P. 72 e 73 Infográfico correntes marinhas e densidade do gelo: Lígia Duque Infográfico brisas marinhas: Sattu P. 74 e 75 Infográfico: Luiz Iria e Marcelo Garcia Fotos caatinga no verão e no inverno: Acervo Associação Caatinga P. 76 e 77 Infográfico: Tato Araújo

P. 78 Mapa hidrográfico da Bahia: Geodinâmica Fotos Rio São Francisco e Rio Paraguaçu: Manu Dias/ Secom-GOVBA Foto Rio de Contas: Marcos André/ Opção Brasil Imagens P. 79 Infográfico correntes úmidas: Sattu Mapa aquíferos da Bahia: Geodinâmica P. 80 a 83 Infográfico: Sattu P. 84 e 85 Ilustrações: Sattu Foto usina Paulo Afonso: LGStudio/ Acervo Chesf Foto usina Sobradinho: Tavares/ Acervo Chesf Foto usina Xingó: LGStudio/ Acervo Chesf Foto usina Pedra do Cavalo: Emídio Bastos/ Opção Brasil Imagens Gráficos: Geodinâmica P. 86 e 87 Mapa energias renováveis: Geodinâmica Infográfico: Fido Nesti P. 88 e 89 Infográfico: Alexandre Jubran P. 90 e 91 Infográficos: Alexandre Jubran P. 92 e 93 Infográfico: Simon Ducroquet P. 94 e 95 Infográfico: Mario Kanno Mapas PIB e IDH: Geodinâmica P. 96 Mapa população da Bahia: Geodinâmica Foto criança: Samuel Borges Photography/ Shutterstock Fotos mulher e homem: Carla Ornelas/ Secom-GOVBA Pirâmides etárias: Geodinâmica P. 97 Mapa população do Brasil: Geodinâmica Mapas fluxos migratórios: Geodinâmica P. 98 e 99 Infográfico: Sattu P. 100 e 101 Foto de fundo: Ivan F. Barreto/ Shutterstock Infográfico: Mario Kanno Quadro Desembarque de Cabral em Porto Seguro: Oscar Pereira da Silva, 1922. Museu Paulista, São Paulo Quadro Tomé de Sousa: Manoel Victor Quadro Negros no Porão: Johann Moritz Rugendas, 1835. Biblioteca Mario de Andrade Quadro O primeiro passo para a independência da Bahia: Antônio Parreiras, 1931. Palácio do Rio Branco, Salvador, Bahia Foto Igreja de Santo Antônio em Canudos: Flávio de Barros/ Arquivo Histórico do

Museu da República (Instituto Brasileiro de Museus, Ministério da Cultura) Foto Diretas Já: Arlindo Félix/ Ag. A Tarde Foto polo petroquímico de Camaçari: Manu Dias/ Agecom P. 102 e 103 Foto manto tupinambá: Rômulo Fialdini Quadro Guerrilha: Johann Moritz Rugendas, ca. 1835 Foto liderança tuxá: Acervo Tuxá de Rodelas/ Restauração: Franco Santos Foto ritual do Praiá dos Pankareré: Lilane Sampaio Rêgo Foto cerâmicas: Ana Magda Carvalho/ Acervo Anaí Foto menina pataxó em Barra Velha, cultivo da mandioca: Arissana Pataxó Foto jequi, armadilha de pesca: Susana Viegas Foto coleta de mel silvestre: Danilo Conti Foto sementes: Ragne Kabanova/ Shutterstock Foto Arissana Pataxó: Jussimar-Kamarutê Pataxó Mapa terras indígenas: Geodinâmica P. 104 e 105 Imagem rostos africanos: Jean Baptiste Debret Quadro Calceteiros: Jean Baptiste Debret, 1824. Museu Castro Maya, Rio de Janeiro Quadro Casa de Negros: Johann M. Rugendas Foto estátua de Zumbi: Antonio Queirós/ Secom-GOVBA Quadro Marimba: Jean Baptiste Debret,1826. Museu Castro Maya, Rio de Janeiro Imagem Carta da Abolição: Acervo do Arquivo Nacional, Rio de Janeiro Quadro Negros lutando com passos de capoeira: Augustus Earle, 1824, Rio de Janeiro Mapa tráfico de escravos: Geodinâmica Foto grupo Olodum: Aguinaldo Novais/ Secom-GOVBA Foto baiana: Vinicius Tupinamba/ Shutterstock Foto homem Olodum: Mateus Pereira/ Secom-GOVBA Foto comunidade quilombola: Thiago Teixeira/ Agência A Tarde Imagem de fundo: Nasa's Earth Observatory/ Geodinâmica, 2010 P. 106 e 107 Ilustrações: Meire de Oliveira P. 108 e 109 Ilustrações: Meire de Oliveira Mapa: Geodinâmica P. 110 e 111 Infográfico: Geodinâmica Foto Elevador Lacerda: Jorge Cordeiro/ Secom-GOVBA Foto Mestre Pastinha: Arestides Baptista/ Ag. A Tarde Foto Mestre Didi: Margarida Neide/ Ag. A Tarde Foto Pierre Verger: Fundação Pierre Verger

Foto Jorge Amado: Acervo Zélia Gattai/ Fundação Casa de Jorge Amado Foto Anísio Teixeira: Marco Aurélio Martins/ Ag. A Tarde Fotos Dorival Caymmi, Doces Bárbaros, Glauber Rocha, Mãe Menininha e Mestre Bimba: Arquivo Ag. A Tarde Foto Raul Seixas: Antônio Carlos Piccino/ Agência O Globo Foto Milton Santos: Luciano da Mata/ Arquivo A Tarde Foto João Gilberto: Beti Niemeyer/ Divulgação Foto Irmã Dulce: Arquivo/ Obras Sociais Irmã Dulce Quadro O beijo de Judas e Pedro cortando a orelha de Malchus: José Joaquim da Rocha, 1786. Museu de Arte da Bahia, Salvador Ilustração Maria Felipa: Filomena Modesto Orge Ilustrações de Gregório de Matos e Luiza Mahin: Arquivo Histórico Municipal de Salvador/ FGM Foto estátua de Antonio Conselheiro: Elistênio Alves Foto estátua de Catarina Paraguaçu: João Luiz Araújo Pinturas de Diogo Álvares Correia (Caramuru) e Castro Alves, foto de Manuel Querino: domínio público P. 112 e 113 Ilustração: Lígia Duque P. 114 e 115 Foto ofício das baianas do acarajé: Adenilson Nunes/ Secom-GOVBA Foto ofício dos vaqueiros: Adenilson Nunes/ Secom-GOVBA Foto samba de roda: Manu Dias/ SecomGOVBA Foto roda de capoeira: Shahril KHMD/ Shutterstock Foto Morro do Pai Inácio: Danilo Conti Foto centro histórico de Porto Seguro: Elói Corrêa/ Secom-GOVBA Foto centro histórico de Rio de Contas: Edwilson A. Ramos Foto centro histórico de Salvador: Vinicius Tupinamba/ Shutterstock Foto Cortejo de 2 de Julho: Secom-GOVBA Foto Festa de São João: Alberto Coutinho/ Secom-GOVBA Foto Festa do Bonfim: João Ramos/ Bahiatursa Foto Festa da Boa Morte: Mateus Pereira/ Secom-GOVBA P. 116 e 117 Ilustração: Caeto P. 118 e 119 Organograma: Céllus Foto: Folhapress Imagens documentos: Eduardo Delfin P. 120 e 121 Ilustrações bandeiras: Geodinâmica

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Créditos

125


Entenda termos e palavras A

ADRO Pátio externo localizado em frente ou em torno de uma igreja AGENDA 21 Instrumento que visa sugerir ações para promover a sustentabilidade através de parcerias entre pessoas, organizações da sociedade civil e autoridades locais para implementá-la ALDEADOS Pessoas que vivem em aldeias ANTICORPO Proteína produzida pelo sistema imunológico que identifica e neutraliza corpos estranhos como bactérias e vírus

SAIBA MAIS GLOSSÁRIO

AQUICULTURA Criação e cultivo de organismos aquáticos, como peixes, crustáceos e algas para o consumo do homem

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ART DÉCO Estilo arquitetônico decorativo caracterizado pelo uso de materiais novos e pela acentuada geometria de suas formas ASSOREAMENTO Processo físico que leva à obstrução, por areia, detritos ou sedimentos, de um rio, lago, canal ou estuário, resultando na redução da profundidade e diminuição da correnteza ATERRO SANITÁRIO Área de destino dos resíduos sólidos dentro das normas sanitárias. Contempla a impermeabilização do terreno, o tratamento dos gases e do líquido (chorume) eliminados na decomposição do lixo ATLÂNTICO SUL Porção do Oceano Atlântico situada no Hemisfério Sul ATMOSFERA Camada de ar que envolve a Terra com cerca de 480 km de espessura. É formada por cinco subcamadas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera

B

BACIA HIDROGRÁFICA É o conjunto de terras que drenam a água das chuvas e de nascentes naturais para o curso de água. Constitui uma área geográfica, medida em quilômetros quadrados BETACAROTENO Pigmento natural que, processado pelo organismo, dá origem à vitamina A. Combate a formação de radicais livres e ajuda a evitar doenças cardiovasculares e tumores BIODIVERSIDADE Compreende a totalidade das múltiplas formas de vida que se pode encontrar na Terra (inclui a variedade genética dentro das populações e a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos e de micro-organismos, as associações e a paisagem) BIOQUÍMICO Nome dado aos processos químicos que ocorrem em organismos vivos

C

CABOCLO Termo de origem Tupi, deriva provavelmente da palavra caa-boc, que significa “o que vem da floresta”. No português, tem vários significados, um deles se refere a uma pessoa que é filha de brancos e de indígenas CADEIA ALIMENTAR Sequência que representa a transferência de energia alimentar entre os organismos CADEIA PRODUTIVA Conjunto de etapas ao longo das quais as matérias-primas são transformadas até a constituição de um produto final e sua distribuição para o mercado CALORIA Unidade de medida de energia definida como a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 grama de água em 1ºC. Significa também a quantidade de alimentos que equivale a determinado valor energético medido em calorias CÂNION Vale profundo, de paredes verticais, moldado pela ação da água

CARAMURU Significa "homem de fogo" em Tupi. Diogo Correia recebeu esse apelido porque, ao chegar ao litoral depois de sobreviver a um naufrágio, ele atirou em uma ave. Os indígenas, que desconheciam armas de fogo, ficaram perplexos e começaram a chamá-lo de Caramuru CARCINOCULTURA Criação de camarões em viveiros CAROÁ Bromélia litorânea nativa do Nordeste CARTA DA TERRA Documento divulgado inicialmente na Rio-92 que declara princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica no século 21 CARTOGRAFIA Refere-se à ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas CARTÓGRAFO Pessoa que trabalha ou é versada em cartografia, autor de mapas CLOROPLASTO Presente em organismos que fazem fotossíntese, é uma organela celular que contém clorofila, pigmento capaz de absorver a energia da luz solar e transformá-la em energia química CNIDÁRIO Filo de animais invertebrados aquáticos que inclui as águas-vivas, corais e anêmonas-do-mar COMBUSTÃO Queima de algo em estado líquido, sólido ou gasoso, que libera gases COMUNIDADE Conjunto de seres vivos que habitam um mesmo ecossistema ou local

CONSUMIDOR PRIMÁRIO Na cadeia alimentar, é o ser que consome organismos autotróficos (que produzem o próprio alimento), como as plantas e as algas CONSUMIDOR SECUNDÁRIO Ser que se alimenta do consumidor primário

CONSUMIDOR TERCIÁRIO Ser que se alimenta do consumidor secundário COORDENADAS GEOGRÁFICAS Linhas imaginárias que cortam a Terra e servem como referência para localizar qualquer ponto na superfície do planeta. A localização é feita através do cruzamento entre duas linhas perpendiculares (chamadas paralelos e meridianos) COSMOLOGIA Ramo da astronomia que estuda a estrutura e a evolução do universo. Para povos indígenas, significa também as ideias da origem de tudo

D

DENSIDADE Propriedade da matéria que se caracteriza como uma grandeza que identifica uma substância. É expressa pela razão entre a massa e o volume ocupado por ela, cuja unidade mais comum é g/cm³ (1 grama por 1 centímetro cúbico)

que um corpo tem de realizar um trabalho ou uma ação

as folhas. Podem ser aluviais, submontanas e montanas

ENZIMAS Substâncias responsáveis por ação catalisadora, ou seja, ação própria para dinamizar reações químicas, com efeito no aumento da velocidade de reação. São indispensáveis ao metabolismo humano

FLORESTAS ESTACIONAIS São florestas cuja vegetação está associada a uma dupla estacionalidade climática: chuvas intensas de verão, seguidas por um período de estiagem. Na estação seca perde parte das folhas (20 a 50%). As caatingas arbóreas são consideradas Florestas Estacionais

EÓLICO Movido, vibrado ou produzido pela ação ou força do vento EROSÃO Processo ou resultado de desgaste da superfície terrestre pela ação mecânica e química da água corrente, do clima, (vento e chuva), da gravidade ou de outros agentes geológicos ESTATUTO Conjunto de regras que organizam o funcionamento de grupos, instituições, órgãos, estabelecimentos e empresas

FLORESTAS OMBRÓFILAS São florestas úmidas de vegetação sempre verde. Ocorrem em regiões de clima tropical úmido, com precipitação bem distribuída durante o ano, praticamente sem períodos de seca FORÇA Agente físico capaz de alterar o estado de repouso ou de movimento de um corpo material FULORAR
 Forma popular do verbo "florescer"

ESTIAGEM Fenômeno climático caracterizado pela ausência de chuva em certa região por determinado período

FUNDO DE PASTO Modo de viver e criar no qual áreas sem cercamento são utilizadas de forma compartilhada por várias famílias

G

DIZIMAR Reduzir a 10%, praticamente exterminar, arruinar

EVAPOTRANSPIRAÇÃO Abrange dois processos de perda de água: o do solo, através da evaporação; e o das plantas, pela transpiração e evaporação

E

F

DESIGNER Denominação dada aos profissionais responsáveis pelo planejamento gráfico de projetos

ECOLÓGICO Diz-se das interações entre os meios físicos e bióticos, também entre o homem e o meio ambiente EMISSÕES (ATMOSFÉRICAS) Partículas, gases e aerossóis – que se formam dos processos de queima ou das transformações de matéria-prima – lançados à atmosfera

FARMACOTERÁPICO Pesquisa para elaboração de medicamentos FERTILIZANTES NATURAIS Substância natural, mineral ou orgânica, que fornece nutrientes para as plantas

ENDEMIA Manifestação de doença infectocontagiosa que ocorre de forma contínua e com incidência significativa em uma população e/ou região

FLORESTA MISTA COM ARAUCÁRIAS Floresta Ombrófila mista é a floresta úmida em que ocorre a associação com coníferas. No Brasil, há três espécies de coníferas: o pinheiro-doparaná (araucária) e duas espécies de pinho-bravo (podocarpus)

ENERGIA Energia, em grego, significa “trabalho” (do grego enérgeia e do latim energia). Por definição, energia é a capacidade

FLORESTA SEMIESTACIONAL São florestas que, em função de dois períodos de influência climática (chuva e estiagem) perdem parcialmente

GARRINCHA Jogador de futebol da seleção brasileira dos anos 1950 e 1960. Era conhecido por dribles desconcertantes e por suas pernas tortas GLICOSE Molécula que é a principal fonte de energia para os organismos vivos GORDURA TRANS Tipo de gordura que passa por um processo de hidrogenação e que está presente, principalmente, em alimentos industrializados

H

HECTARE Unidade de medida de área representada pelo símbolo ha; é equivalente a 10.000 metros quadrados HOTSPOT Área extremamente rica e diversa em espécies, porém muito ameaçada pela ação do homem


ILUMINURAS Peças originadas da arte ou ato de ornamentar texto, página ou letra inicial com desenhos, miniaturas e grafismos

IN NATURA Expressão em latim que significa a qualidade de algo não processado industrialmente INSOLAÇÃO Estado causado pela excessiva exposição ao Sol. Os principais sintomas são: desidratação, dor de cabeça, vômito, febre e fraqueza INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA Incapacidade do fígado para exercer plenamente suas funções normais

L

LENÇOL FREÁTICO Reservatório de água subterrânea decorrente da infiltração da água da chuva no solo LÍTICOS Relativo a rocha LONGEVIDADE Qualidade do que tem durabilidade. Duração da vida (de um indivíduo, de um grupo, de uma espécie)

M

MANGUEZAL Ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestres e marinhos MASSA É uma grandeza, medida em quilogramas, que indica a quantidade de matéria de um corpo e sua inércia, ou seja, a tendência a manter sua velocidade MATA CILIAR Vegetação situada nas margens dos rios e mananciais que funciona como uma espécie de “cílio” MATRIZ Fonte ou origem de algo MEIO AMBIENTE Conjunto de fatores físicos, biológicos

e químicos que cercam os seres vivos, influenciando-os e sendo influenciados por eles MIGRAÇÃO Movimento de entrada (imigração) ou saída (emigração) de indivíduo ou grupo de pessoas entre países diferentes ou dentro do mesmo país MITOCÔNDRIA Organela celular limitada por membrana cuja principal função é gerar energia MOLÉCULA Grupo de átomos que se mantêm unidos por uma ligação química covalente. Formam muitas substâncias como: gases, água e açúcar MONOCULTURA Sistema de exploração do solo com especialização em um só produto

N

NAU Navio de grande porte utilizado na época das grandes navegações NATIVISTA Relativo à atitude de proteção da cultura nacional contra estrangeirismos ou a aculturação

O

ORGANELA Estrutura presente no interior das células mais complexas, que possuem núcleo definido por uma membrana ORGÂNICO Pertencente a uma classe de compostos químicos que contêm cadeias ou anéis de carbono ligados a hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, incluindo plantas e animais

P

PESCA ARTESANAL Caracterizada pela mão de obra familiar, embarcações de porte pequeno, como canoas ou jangadas, ou ainda sem embarcações, como na captura de moluscos perto da costa PESCA INDUSTRIAL Utiliza embarcações de grande porte, geralmente bem equipadas, capturando pescados em grandes

quantidades, e utiliza trabalho assalariado PLACAS FOTOVOLTAICAS São placas que geram eletricidade pela ação da luz do Sol

PROPORCIONALIDADE Aquilo que se mantém na mesma relação que outra coisa em intensidade, grandeza ou grau

SATÍRICO Aquele que escreve sátiras. Na literatura barroca, a poesia satírica criticava a sociedade da época

R

SINCRETISMO Sistema filosófico ou religioso que combinava princípios de diversas doutrinas

PLAQUETAS Elemento do sangue que desempenha um papel importante na coagulação sanguínea

RACISMO CIENTÍFICO Teoria de base cientificista muito utilizada durante o século 19 para justificar a superioridade de uma raça em detrimento de outra

PLUVIOSIDADE Quantidade de chuva precipitada em uma região em determinada época. É medida em milímetros: 1mm equivale ao volume de 1 litro de chuva acumulada sobre uma área igual a 1m2

RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA Emissão de energia na forma de ondas eletromagnéticas, que decorrem da interação entre campos elétricos e magnéticos

POLIA Peça usada para transferir força e movimento, o que facilita a execução de tarefas como levantar ou puxar objetos. É formada por uma roda que gira em seu próprio eixo quando acionada por uma corda ou corrente

RADIAÇÃO SOLAR Energia emitida pelo Sol

POLÍTICAS AFIRMATIVAS Medidas determinadas pelo Estado com o objetivo de eliminar desigualdades históricas e proporcionar igualdade de oportunidades e tratamento para todos

RECURSOS PESQUEIROS Animais aquáticos utilizados para consumo humano, sobretudo peixes, crustáceos e moluscos

POLO PETROQUÍMICO Polo industrial que concentra indústrias petroquímicas – que têm o petróleo como matéria-prima POLUIÇÃO Degradação dos aspectos físicos ou químicos do ecossistema por remoção ou adição de substâncias PORTO INTERIOR Situa-se no interior de uma baía ou rio POSITIVISTAS Seguidores do positivismo, doutrina francesa criada no século 19 pelo filósofo Auguste Comte PRANCHA Nesta publicação, é o nome dado a uma dupla de páginas PROJETO DE LEI Texto ou versão preliminar de lei antes de ser aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo – dois dos poderes do Estado

RECURSOS GENÉTICOS Materiais hereditários com valores econômicos, científicos ou sociais contidos nas espécies

RENDA Total das quantias recebidas por uma pessoa ou entidade em troca de trabalho ou de serviço prestado REPRESSÃO Ação de constranger, reprimir, castigar, punir

S

SAIS BILIARES Substância produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar. Ajuda na digestão de gorduras e na eliminação de toxinas do corpo SALÁRIO MÍNIMO Valor mínimo a ser pago a todo empregado com carteira assinada. É definido pelo governo federal SANEAMENTO BÁSICO Conjunto de medidas que tornam uma área sadia e habitável, oferecendo condições de vida adequadas para a população. Envolve o abastecimento de água, tratamento de esgoto, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos e controle de pragas

SISTEMA LÍMBICO Conjunto de estruturas cerebrais que desempenha várias funções, especialmente com relação à memória e às emoções, além de influenciar o comportamento humano SOLAR (ENERGIA) Proveniente da energia do Sol

TERMELÉTRICA Queima de combustíveis fósseis ou, mais atualmente, de biomassa para produção de vapor e, a partir deste, a energia elétrica TERRITÓRIO DE IDENTIDADE Espaço físico, geograficamente definido, caracterizado por critérios que relacionam: ambiente, grupos sociais, economia, cultura, política e instituições TUMBALALÁ Povo indígena que habita terras entre os municípios de Abaré e Curaçá, às margens do Rio São Francisco

U

SOLSTÍCIO Dias do ano de maior inclinação da Terra em relação ao Sol, o que provoca maior incidência solar em um hemisfério e menor no outro

URBANIZAÇÃO Processo de concentração da população em aglomerações de caráter urbano

SUBSTÂNCIA Qualquer espécie de matéria formada por átomos de elementos específicos. Cada substância possui um conjunto de propriedades e uma composição química específica

VAZÃO Volume de determinado fluido que passa por uma seção de um conduto livre ou forçado, por uma unidade de tempo. Medida da rapidez com a qual um volume escoa

SUCO PANCREÁTICO Líquido secretado pelo pâncreas que contém enzimas SUPRARRENAL Glândula localizada acima de cada um dos rins. Sintetiza hormônios como a adrenalina e o cortisol, além de estimular a transformação de proteína e gordura em glicose SUSTENTABILIDADE É a capacidade de satisfazer às necessidades atuais sem reduzir as oportunidades das gerações futuras SUSTENTÁVEL Qualidade de um elemento que permite a sua utilização no longo prazo de forma a não degradar o meio ambiente e garantir o bem-estar social

T

TENSÃO Intensidade de energia elétrica que percorre fios e cabos ou que alimenta um circuito elétrico, como o de uma TV

V

VENTOS ALÍSIOS São ventos que sopram nos dois hemisférios, Norte e Sul, dos trópicos (de alta pressão) para o Equador (de baixa pressão) VETOR Em infectologia, é todo ser vivo capaz de transmitir um agente infeccioso (parasita, bactéria ou vírus); hospedeiro, transmissor VISITAÇÃO Período no qual um representante do Tribunal do Santo Ofício visitava um local para averiguar se a comunidade seguia os preceitos do catolicismo


X

XERÓFITO Refere-se à vegetação própria de lugares secos

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

I

127


Pesos e medidas

Siglas e abreviaturas A a.C. - Antes de Cristo AFS - África do Sul Anaí - Associação Nacional de Ação Indigenista Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica A.P. - Antes do Presente AS-PTA - Agricultura Familiar e Agroecologia

B

SAIBA MAIS SIGLAS E ABREVIATURAS

BEN - Balanço Energético Nacional

128

C CBEE - Centro Brasileiro de Energia Eólica Cenbio - Centro Nacional de Referência em Biomassa Cetesb - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CNUC - Cadastro Nacional de Unidades de Conservação Codeba - Companhia Docas do Estado da Bahia CPN/NANI - Centro Paulista de Neuropsicologia/ Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar CPRM - Serviço Geológico do Brasil

D Datasus - Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde DIN - Dinamarca

Dnit - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes

IDHM - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal

Dra - Doutora

IEE - Instituto de Eletrotécnica e Energia

E ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente Eco-92 - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Embasa - Empresa Baiana de Águas e Saneamento Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EQU - Equador ESP - Espanha EUA - Estados Unidos da América

F FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação FRA - França Funai - Fundação Nacional do Índio Funasa - Fundação Nacional de Saúde

I

IIE - Instituto Internacional de Ecologia Inema - Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos

NIEAIS - Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Ações Integradas no Semiárido NOAA - National Oceanic and Atmospheric Administration

O OMS - Organização Mundial da Saúde

Sesab - Secretaria de Saúde do Estado da Bahia Sesai - Secretaria Especial de Saúde Indígena Siscom - Sistema Compartilhado de Informações Ambientais SRH - Secretaria Nacional de Recursos Hídricos

Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia

ONU - Organização das Nações Unidas

Sudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste

Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

P

SVS - Secretaria de Vigilância em Saúde

Ipac - Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia

PIB - Produto Interno Bruto

U

PNLT - Plano Nacional de Logística e Transportes

UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana

Pnud - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

UFBA - Universidade Federal da Bahia

Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ISA - Instituto Socioambiental

M MCRN - Núcleo de Manejo e Conservação dos Recursos Naturais mEc - Massa equatorial continental MMA - Ministério do Meio Ambiente MME - Ministério de Minas e Energia

Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

MPB - Música Popular Brasileira

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

mTa - Massa tropical atlântica

ICB - Instituto de Ciências Biomédicas

N

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano

Nasa - Agência Espacial Norte-Americana (sigla em inglês)

MS - Ministério da Saúde

Pág. - Página

Poli-UFBA - Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia Profa - Professora Prograd - Pró-Reitoria de Graduação PT - Portugal

R RUN - Reino Unido

S S. - São SEC-BA - Secretaria da Educação do Estado da Bahia Secom-GOVBA - Secretaria de Comunicação Social do Governo da Bahia SEI - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia

UNIDADES NUMÉRICAS: mi - Milhão bi - Bilhão tri - Trilhão LINEARES: mm - Milímetro cm - Centímetro m - Metro km - Quilômetro DE SUPERFÍCIE: mm² - Milímetro quadrado cm² - Centímetro quadrado m² - Metro quadrado km² - Quilômetro quadrado

DE VOLUME: mm³ - Milímetro cúbico cm³ - Centímetro cúbico m³ - Metro cúbico ml - Mililitro L - Litro

DE VAZÃO: m³/s - Metro cúbico por segundo

DE MASSA: mg - Miligrama g - Grama kg - Quilograma t - Tonelada

DE POTÊNCIA: W - Watt kW - Quilowatt MW - Megawatt

DE TEMPERATURA: ºC - Grau Celsius

DE VELOCIDADE: m/s - Metro por segundo km/h - Quilômetro por hora

Unidades federativas

AC Acre

MA Maranhão

RJ Rio de Janeiro

UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte

AL Alagoas

MG Minas Gerais

RN Rio Grande do Norte

UnB - Universidade de Brasília

AM Amazonas

MS Mato Grosso do Sul

RO Rondônia

Uneb - Universidade do Estado da Bahia

AP Amapá

MT Mato Grosso

RR Roraima

Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

BA Bahia

PA Pará

RS Rio Grande do Sul

CE Ceará

PB Paraíba

SC Santa Catarina

Unifacs - Universidade Salvador

DF Distrito Federal

PE Pernambuco

SE Sergipe

Unifesp - Universidade Federal de São Paulo

ES Espírito Santo

PI Piauí

SP São Paulo

USP - Universidade de São Paulo

GO Goiás

PR Paraná

TO Tocantins

UFPE - Universidade Federal de Pernambuco UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Bahia, Brasil: Vida, Natureza e Sociedade / [Sueli Angelo Furlan, coordenadora de conteúdo].

GOVERNO DA BAHIA

B A H I A , B R A S I L – V I D A , N AT U R E Z A E S O C I E D A D E

Jaques Wagner |

Vinicius Saraceni |

Otto Alencar |

governador

vice-governador

Felipe Seibel |

diretora pedagógica

Célia Maria Piva Cabral Senna |

Vários colaboradores. Bibliografia.

S E C R E TA R I A D A E D U C A Ç Ã O

ISBN 978-85-63222-22-0

Osvaldo Barreto Filho |

1. Bahia (Estado) - Aspectos ambientais 2. Bahia (Estado) - Descrição - Ensino fundamental

Paulo Pontes da Silva |

3. Bahia (Estado) - Geografia 4. Bahia (Estado) História 5. Cultura - Bahia (Estado) I. Furlan,

Eni Bastos |

Sueli Angelo.

Irene Cazorla | Paulo Assis |

Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Bahia : Estado : Vida, natureza e sociedade: Ensino fundamental 372.8 geodinâmica rua irmã pia, 422 - 12º andar 05335-050 são paulo sp tel. e fax: (55 11) 3768 9999

s u b s e c r e tá r i o

Anna Mey Doo Marmo |

chefe de gabinete

superintendente de educação profissional

c o o r d e n a d o r d e d e s e n v o lv i m e n t o d e e d u c a ç ã o s u p e r i o r

diretora-geral do instituto anísio teixeira

( i at )

s u p e r i n t e n d e n t e d e o r g a n i z a ç ã o e at e n d i m e n t o d a r e d e e s c o l a r

Ana Catapano |

superintendente de recursos humanos da educação

Wilton Teixeira Cunha |

c o o r d e n a d o r a d o t o pa

Cláudia Oliveira |

assessora de comunicação

t o d o s p e l a a l fa b e t i z a ç ã o

c o o r d e n a ç ã o d o n ú c l e o d e c o n t r o l e d e at o s a d m i n i s t r at i v o s

José Francisco Barretto Neto |

www.geodinamica.com.br

Aline Aliste |

assistente editorial

diretor de arte

editora de arte

Fernanda Pedroni |

diagramadora

Alessandro Meiguins | Caio Magalhães | Eduardo Lima |

p r oj e to g r á f i c o

c o n s u lt o r d e c o n t e ú d o

coordenador de produção

Ana Paula Alfano, André Gravatá, Antonio Afonso Cordeiro, Majoí Gongora,

diretor-geral

Francisca Alves |

Marcela Andrade |

editora

a n a l i s ta d e p r o j e t o

Juliane Kaori Matsubayashi | Isaac Barella |

o u v i d o r d a s e c r e ta r i a d a e d u c a ç ã o

Marina Spirandelli, Mauricio Acuña, Tiago Cordeiro e Yuri Vasconcelos | Gabriela Souza |

Izilda Canosa |

g e o p r o c e s s a m e n t o e i m a g e m d e s at é l i t e

pesquisadora de imagens revisora de cartografia

Ivana Gomes e Solange Martins | João Luiz Campinho Araújo | Washington Oliveira | Bruna de Andrade | Gabriela Chamelet | Juciléia Portugal |

gestor financeiro

a s s i s t e n t e a d m i n i s t r at i v a

suporte operacional

REALIZAÇÃO:

geodinâmica

129

revisoras de texto

r e p r e s e n ta n t e t é c n i c o d e v e n d a s

c o o r d e n a d o r a a d m i n i s t r at i v a

Rosiane Fonseca de Araujo |

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

pesquisadores

c o o r d e n a d o r a d e c o m u n i caç ão e p r oj e to s

Luiz Fernando Messias Bissoli |

Maria Elena Simielli |

INICIATIVA:

coordenadora de conteúdo

coordenadora editorial

Clara Werneck Massote |

s u p e r i n t e n d e n t e d e a c o m pa n h a m e n t o e a v a l i a ç ã o d o s i s t e m a e d u c a c i o n a l

Nildon Pitombo |

CDD-372.8

Diana Gonçalves |

s u p e r i n t e n d e n t e d e d e s e n v o lv i m e n t o d a e d u c a ç ã o b á s i c a

Antonio Almérico Biondi Lima |

coordenadora pedagógica

Sueli Angelo Furlan (geografia - usp) |

s e c r e tá r i o d a e d u c a ç ã o

Aderbal de Castro Meira Filho |

Amélia Maraux |

14-02188

diretor de conteúdo

Julia Pinheiro Andrade |

-- São Paulo : Geodinâmica, 2014.

diretor-geral

BAHIA, BRASIL: VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

suporte operacional

-

nordeste


em materiais grá cos

odo material “certi cado” deve carregar o selo FSC.

aplicação do selo segue normas de caracterização de dade visual determinadas pelo FSC:

ores e Formas: do - Positivo ou Negativo em Pantone 378, retrato ou paisagem;

Cert no. XXX-XXX-XXXX

Cert no. XXX-XXX-XXXX

rt no. XXX-XXX-XXXX Cert no. XXX-XXX-XXXX

Positivo ou Negativo, retrato ou paisagem.

Cert no. XXX-XXX-XXXX

Cert no. XXX-XXX-XXXX

ert no. XXX-XXX-XXXX Cert no. XXX-XXX-XXXX

Este livro foi composto nas fontes Adobe Caslon Pro e DIN, em papel Couché

115 g/m , impresso offset na gráfica Pancrom19mm em maio de 2014 Retrato (nãoFoscopode ser emmenor que de altura) e Paisagem (não pode ser r que 11mm de altura). 2


CACHOEIRA DO MOSQUITO – LENÇÓIS, BAHIA, BRASIL

FOZ DO RIO UNA – UNA, BAHIA, BRASIL


PERNAMBUCO

AMAZONAS

PIAUÍ

INICIATIVA:

geodinâmica

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

PALMAS

MARANHÃO

geodinâmica

PARÁ

ALAGOAS

TOCANTINS

MACEIÓ

SERGIPE ARACAJU

DISTRITO FEDERAL

GOIÁS CUIABÁ

BRASÍLIA

GOIÂNIA

ISBN 978-85-63222-22-0

BOLÍVIA MATO GROSSO DO SUL

9

788563 222220

BAHIA, BRASIL

MATO GROSSO

V I DA , NAT U REZ A E S O C I EDA D E

TOCANTINS

BAHIA SALVADOR

GOIÁS

MINAS GERAIS

BAHIA, BRASIL VIDA, NATUREZA E SOCIEDADE

Livro do Aluno - Bahia, Brasil (2014)  

Bahia, Brasil: Vida, Natureza e Sociedade

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