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Revistas do curso de Arquitetura e Urbanismo Centro Universitรกrio Senac

V. 3, N. 4 - 2018

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revista do tcc

#05 > 2018


Centro Universitário Senac, ARQLAB Revistas do curso de Arquitetura e Urbanismo Volume 3 número 4 - Revista do TCC 2018 | 2 / ARQLAB. Centro Universitário Senac - São Paulo (SP), 2018. 338 f.: il. color. ISSN: xxxx-xxxx Editores: Ricardo Luis Silva, Valéria Cássia dos Santos Fialho Registros acadêmicos (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo) - Centro Universitário Senac, São Paulo, 2018. 1. Divulgação Acadêmica 2. Produção discente 3. Trabalho de conclusão de curso 4. Graduação 5. Arquitetura e Urbanismo I. Silva, Ricardo Luis (ed.) II. Fialho, Valéria Cássia dos Santos (ed.) III. Título

BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC

REVISTAS DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO v.3 n. 4 - revista do tcc 2018_02 edição #05 FICHA TÉCNICA: Coordenação de curso e Editora da revista: Profa. Dra. Valéria Cássia dos Santos Fialho Edição e programação visual: Prof. Dr. Ricardo Luis Silva Produção e organização: ARQLAB


Apresentação

Este volume apresenta os Trabalhos de Conclusão de Curso da Turma 2014-1 do Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Senac, sintetizados pelos seus autores na forma de pequenos ensaios. Os trabalhos estão organizados em 6 Linhas, sob orientações dos professores abaixo listados: L1: Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo Profa. Dra. Myrna de Arruda Nascimento L2: Arquitetura do Edifício Prof. Esp. Artur Forte Katchborian Prof. Dr. Felipe Souza Noto Prof. Me. Marcelo Luiz Ursini

L3: Patrimônio Arquitetônico e Urbano Prof. Me. Ralf José Castanheira Flôres

L4: Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem Profa. Me. Marcella de Moraes Ocké Mussnich Profa. Me. Rita Cássia Canutti

L5: Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia Prof. Dr. Gabriel Pedrosa Prof. Dr. Nelson José Urssi

L6: Tecnologia aplicada ao projeto de Arquitetura e Urbanismo Profa. Dra. Valéria Cássia dos Santos Fialho

Os trabalhos na íntegra podem ser acessados no endereço virtual abaixo: https://issuu.com/ausenac Profa. Dra. Valéria Cássia dos Santos Fialho


Linha 1 Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

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Cidade em foco: tramas "in loco" Bárbara Garcia Souza Bravo

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Corpo x Espaço: marcas da arquitetura impressas no corpo Bruna Figueiredo Perez

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Narrativas de um cotidiano revisitado: O Livro-objeto como metáfora da cidade Letícia Pestana

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Espaço sagrado: além do projeto de uma igreja protestante Talita Evelyn Ferreira da Silva

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Linha 2 Projeto do Edifício

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Requalificação do clube da comunidade - Parque São Rafael Alex Moreno Ruiz

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Complexo multifuncional em Santo André Allan Fredianelli Xavier

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Escola da Praça: diálogo entre a cidade e a natureza Beatriz de Aguiar Cajado

47

Centro de lazer e cultura Jabaquara: espaço articulador de ações socioculturais Cristiane Amorim de Lima

53

Arquitetura Penitenciária: Penitenciária de segurança mínima Elâine Cristina Pedroni Rabelo de Jesus

59

Glicério: Ensaios propositivos de trasnformação urbana Fernanda Oliveira Mira de Assumpção

65

GRAACC: Ampliação através do redesenho de quadra Gabriela de Oliveira Lira

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Arquitetura do Transporte: Estação intermodal em Osasco Giovanna Rocha Sampaio

77

Arquitetura Escolar e a metodologia “Fazer a Ponte” Guilherme Pessoa Fontana

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Hostel Praça Hanna Hellen Silva Martins

89

Cemitério vertical: refletindo os espaços da morte e cidade Jose Tiago Belarmino de Lima

95

H.I.S. INTERLAGOS: Habitação de Interesse Social Interlagos Larissa Rodrigues Bezerra

101

A Habitação Multifamiliar na Roberto Marinho: a relação do prédio com o urbano Leonardo Menezes Lima

107

Parque Universitário em Embu-guaçu: espaço para ensino de Ciências Agrárias e Meio Ambiente Letícia Dupinski Inoue

113

CER - Centro Especializado em Reabilitação Guarapiranga: revitalizando espaços e reabilitando pessoas Luanna Soraya Pacheco de Sousa Conservatório Musical de Cotia Lucas Bezerra da Silva Aguiar

119

Complexo Intermodal Ponta da Praia: projeto de infraestrutura na cidade de Santos Luiza Silva Alvarez

131

Hostel 7 de abril - intervenção no edifício Jayme Loureiro Mayara Bezerra de Sousa

137

Nova sede Casa1 - República de Acolhimento LGBTQI+ Tayná Souza Simões

143

Linha 3 Patrimônio Arquitetônico e Urbano

Identidade, Patrimônio e Memória: Favela do Boqueirão Caroline Yukie Narisawa

Sete orixás: umbanda como patrimônio cultural imaterial brasileiro Murilo Campos Urbaneto

125

149 151 157

Patrimônio e Refúgio: criação de um espaço de acolhimento Raquel Rei Coronato

163

Vago: Ocupando o cine art palácio Sophia Rodrigues Silva

169

Linha 4 Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Parque linear Rio Jurubatuba Bruna Nishi Ribeiro

175 177


Da Casa à Comunidade: propostas de requalificação para a Ocupação Olga Benário Eliane Souza da Cunha

183

Parque Linear Av. Atlântica: um pulmão verde para a vida urbana Erika Tiemi Kawamura

189

Propostas de políticas públicas para o bairro de boiçucanga no município de São Sebastião Gabriela de Souza Oliveira

195

Acupuntura Urbana: Um olhar bioeficiente na requalificação de espaços Isabella Enobi Bin

201

Urbanização da favela Guian Isabella Soares Garcia Pinto

207

Sistema de espaços livres do Capão Redondo - a periferia conectada Karina Mari Soares

213

Do Dominado ao Desejado: o parque fluvial como estratégia para a reinserção de rios na paisagem urbana Laís Caroline Ferreira Fernandes

219

Parque Urbano no Grajaú Sabrina Ramos Silva

225

Plano de articulação e integração da Rede de Equipamentos Urbanos e Espaços Livres: distrito do Campo Limpo Talita Fernandes Magán de Castro

231

Parque Nove de Julho - Requalificação do córrego Rio das Pedras Victória Augusta Marques

237

Linha 5 Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

243

Escola Nova Ana Laura Mardem Brito

245

Moradia estudantil em Container Fernanda Aguiar Innocencio

251

Complexo teatral Oficina: equipamento cultural no bairro Bixiga Giovanna Farias Lima

257

NOMAD'UZ: Cidade e arquitetura digital Iago Vieira Santos

263

Tramas Urbanas: edifício CEU em desconstrução Kelly Renata Rodrigues

269

Complexo Fábrica de Sal: intervenção ao patrimônio + ampliação do Centro Cultural e Educacional de Ribeirão Pires Lucas Eduardo Souza Moço

275

Sistema Modular Pré-fabricado em Wood Frame: estudo da madeira como principal elemento estrutural Ludmila Cesário de Lima

281


Reforma e unificação em galpões industriais Mariana Garcia de Souza

287

MORAR: Alternativas tipológicas para habitação Mariana Lira Silva

293

Espaço cultural: Corpo, dança e movimento Úlima Moreira de Souza

299

Linha 6 Tecnologia Aplicada ao projeto de Arquitetura e Urbanismo

305

Chalés ecológicos em Ubatuba: sustentabilidade, permacultura e bioconstrução como alternativa de projeto Ana Beatriz Ferreira de Figueiredo

307

Arquitetura comercial de interiores: loja John John no Shopping Ibirapuera Hevelyn Vieira Palermo

313

Habitação unifamiliar modular Julia Marins Garcia

319

Apartamento Vila Mascote Lays Soares Rodrigues

325

Residência unifamiliar em Mairiporã - Habitar Lucas Silva Prata

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

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Cidade em foco: Tramas “in loco” A malha urbana tece a teia Bárbara Garcia Souza Bravo Orientadora: Prof. Dra. Myrna de Arruda Nascimento

Este projeto re(a)presenta a cidade de São Paulo através de uma narrativa em quadrinhos, Teia, da qual participam personagens selecionados pela autora que foram definidos a partir de um critério de seleção empírico, percorrendo 12 bairros relevantes para a história da cidade em que estes personagens habitam, selecionando os tipos para comporem a trama do roteiro. A narrativa em HQ desenvolve uma linguagem que permite à autora pensar espacialmente o contexto urbano, e observar as relações humanas no universo criado e desenhado, salientando sua dimensão enquanto meio comunicativo.

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Resumo

Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Figura 01: o caminhar pela cidade. Ilustração: Bárbara Bravo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução

A proposta vem de encontro a um desejo de reaproximação e estabelecimento de vínculos com habitantes do bairro, conhecendo de forma presente e constante o que é ser e como é viver naquele respectivo bairro ou vizinhança. Sempre tive muita curiosidade em saber da cidade, em uma escala mais pessoal e intimista. Desenvolver uma pesquisa participativa, acompanhando o cotidiano e compartilhando o sentimento dos moradores daquele lugar, tornou-se o objetivo formal desse trabalho, que se somou à vontade de explorar e experimentar uma linguagem que me é familiar, e com a qual consigo expressar a minha comunicação com o meio urbano. O exercício do arquiteto que projeta para a cidade, muitas vezes carece de uma reflexão mais profunda sobre a memória do lugar a ser projetado. Ignoram-se questões históricas que são essenciais para a construção do que alimenta o imaginário do lugar; e do que está tradicionalmente incorporado, e permanece presente no lugar. Portanto, são objetivos deste Trabalho de Conclusão de Curso resgatar a memória dos lugares habitados; representar a cidade através de personagens de bairros relevantes como Santa Cecília, Vila Mariana e Bom Retiro; revelar a malha de relações e conexões que fazem da maior metrópole brasileira um “mundo pequeno”, em que as histórias dos seus habitantes se entrelaçam e se esgarçam em horizontes mais expandidos, ampliando a noção de um “pequeno grande mundo multicultural e multifacetado”, vivendo em sociedade. O produto final deste desenvolvimento elaborou uma narrativa em HQ, entrelaçando a vida dos perfis urbanos relacionados aos doze bairros da cidade. Estes personagens foram identificados a partir de entrevistas e da coleta de documentos que revelaram histórias de personagens relacionados à história da cidade de São Paulo. Os doze perfis urbanos da cidade de São Paulo abordaram biografias e memórias reais dos protagonistas de doze bairros relevantes, que estão ligados particularmente a lembranças pessoais e acontecimentos fora ou dentro de um tempo cronológico. Lugares com relembranças de um período vivido pelas gerações

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

antecedentes, ou vivido pelos próprios personagens que entrarão na narrativa em HQ. As memórias coletivas dos moradores de cada bairro se desenvolvem dentro de um quadro espacial, com lugares referenciais, costumes e tradições. A sensação de pertencimento do lugar é destacada, pois entende-se que reconhecendo parte do lugar, somos capazes de conhecê-lo em nós. A metodologia usada para o levantamento dos dados, que constam ou serviram de inspiração para a construção das narrativas individuais, constituiu-se de visitas diárias nos bairros escolhidos, variando entre dias de semana, finais de semana e horários diferentes. Coletando documentos, histórias, fotografando e desenhando croquis de ruas, captando a essência dos moradores para retratá-los como personagens, os estilos arquitetônicos dos bairros, os edifícios destinados a comércios, residências e mobiliários urbanos. A pesquisa abordou a re(a)presentação da cidade de São Paulo como um fenômeno urbano construído a partir das histórias e memórias dos surgimentos de seus bairros, contadas pelos personagens.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição Os personagens da narrativa em HQ foram organizados a partir de um fio de ligação. Os filmes que estão nas referências, como o "Assassinato do expresso no Oriente", é uma trama que tem essas características, os personagens estão ligados por um único personagem. A intenção é fazer com que haja pontos em comum pela cidade, por mesmos lugares que frequentam, pessoas que se comunicam, meios de transportes e acontecimentos cronológicos. Sinopse da HQ Você pode pensar em grandes monumentos ou em restaurantes famosos e arquitetura icônica. Mas a verdade é que as cidades são feitas de pessoas e suas histórias. Neste quadrinho, vamos passear por três bairros de São Paulo, seguindo seus moradores e vivenciando situações de conflito, postura ética, espaço compartilhado, dilemas e acasos. As narrativas vão percorrer a diversidade que torna São Paulo uma cidade única, onde pessoas de diferentes culturas aprendem a conviver entre si, habitando os mesmos espaços e deixando rastros de suas experiências, como uma teia. Não vai ser difícil encontrar aquela sua amiga “gratidão” pelas ruas desenhadas, ou reconhecer o homem que não quer vender a casa onde sempre viveu com a família imigrante. Afinal, para o verdadeiro

Figura 02: Minhocão. Fonte: acervo da Teia

Figura 03: Personagem. Fonte: acervo da Teia

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

explorador, até a maior cidade do mundo pode parecer pequena.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Figura 03: Metrô Ana Rosa. Fonte: acervo da Teia

Figura 04: Metrô Ana Rosa. Fonte: acervo da Teia

Figura 05: Bom Retiro. Fonte: acervo da Teia

Figura 06: Estação Luz. Fonte: acervo da Teia

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Figura 11: Teia frente. Fonte: acervo da autora

Figura 12: Teia verso. Fonte: acervo da autora

Referências CARVALHO, Herbert. Alguma coisa acontece: a cidade de São Paulo em 22 depoimentos. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2005. COUTINHO, Rafael.Cachalote: de Rafael Coutinho e Daniel Galera. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. EISNER, Will. Will Eisner's New York: life in the big city. New York: norton & company, 2000. EISNER, Will. Avenida Dropsie: a vizinhança. São Paulo: Devir, 2009. GAMA, Lúcia Helena. Nos bares da vida: produção cultural e sociabilidade em São Paulo, 1940-1950. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 1998. MACHADO, Antônio de Alcântara. Brás, Bexiga e Barra Funda: e outros contos. São Paulo: Moderna, 2004.

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MURDER ON THE ORIENT EXPRESS. Direção: Lumet, Sidney. Grã-Bretanha: Distribuidora: Gilberto (New Line), 1974, 1 DVD. MUTARELLI, Lourenço. Os Sketchbooks / de Lourenço Mutarelli ; Cezar de Almeida e Roger Bassetto. São Paulo: Editora Gráficos Burti, 2012. RUN LOLA RUN. Direção Tykwer, Tom. Alemanha. Distribuidora: Sony Pictures, 1999, 1 DVD. TOLEDO, Benedito Lima de. São Paulo: três cidades em um século. 4. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2007. TROIS COULEURS - BLEU, BLANC, ROUGE. Direção: Krzysztof Kieśloxski. Suiça, Polônia: distribuidora Versátil Digital ,1993, 3 DVD. ZUMTHOR, Peter. Atmosferas: Entornos arquitectónicos - As coisas que me rodeiam. Barcelona: Editora GG, 2009.

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CORPO X ESPAÇO: marcas da arquitetura impressas no corpo Bruna Figueiredo Perez

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Figura 01: Parque Ibirapuera. Fonte: acervo do autor.

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Orientador a: Profa. Dra. Myrna de Arruda Nascimento


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Resumo Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga as diferentes reações e sensações do corpo humano em variados espaços dispostos pela cidade, através da observação, documentação e análise focada nas características e condições da arquitetura, e das estruturas construídas na cidade, oferecidas como suporte aos indivíduos que a habitam e frequentam. Tem por objetivo a investigação empírica do fenômeno de ocupação espontânea, ou não, dos corpos de indivíduos familiares ou estrangeiros aos locais, associada com as diferentes maneiras de apropriação da arquitetura, em processos possíveis de serem considerados performáticos, ou mesmo geradores de coreografias urbanas. A proposta desta abordagem consolida a formação em Arquitetura e Urbanismo amparada pelo repertório de dança e expressão corporal que a autora pesquisa e desenvolve, e com o qual trabalha desde a infância.

Introdução Sempre explorei o movimento do corpo como meio de comunicação. Desde os oito anos de idade escolhi usar meu corpo como expressão e essência da minha linguagem, e a dança como a minha forma de me comunicar com o espaço. Aos doze anos essa relação se tornou profissional e aos dezesseis estava fora do país dançando em grandes palcos, praças e em Escolas renomadas. Foram mais de dez anos dedicados à dança, interrompidos por uma lesão no quadril que resultou em duas cirurgias responsáveis por limitar os movimentos do meu corpo. As atividades suspensas, e o ritmo de trabalho diminuído, trouxeram à tona uma nostalgia da liberdade de movimento do meu corpo. Assim, neste Trabalho de Conclusão de Curso encontro uma oportunidade de resgatar discussões que abordam o movimento do corpo no espaço, com foco no contexto urbano. Propõem-se nesta associação entre experiência pessoal e as questões que envolvem a atuação da arquitetura,

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

enfrentar as situações limites, onde há superações, há acomodações e há aprendizados, através das oportunidades que a cidade, e mesmo a arquitetura particularmente, apresenta para o corpo. Como este corpo encontra-se na cidade, favorecido ou prejudicado, diante de diferentes situações que enfrenta no espaço urbano. Por que atravessamos a rua para fugir do sol e andar na sombra? Qual o impacto de um muro que limita, em suas diferentes representações, o corpo que anda na calçada? De que maneira a arquitetura cotidiana influencia os transeuntes? A cidade e suas membranas se comunicam; seus obstáculos convidam os corpos a ocuparem o espaço de maneiras diferenciadas em experiências únicas. Intrigada por esta pergunta, proponho neste TCC entender o papel do corpo em uma cidade caótica e a maneira de apropriação e ocupação do mesmo no espaço público, através do estudo da

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semiótica (que propõem investigar a lógica da linguagem não verbal) e da fenomenologia dos eventos cotidianos, que se manifestam de formas distintas conforme seus usos são ativados. A estratégia é representar - por meio de croquis, desenhos e fotografia - as diferentes variantes em que o corpo se manifesta em espaços públicos múltiplos, e entender as formas com que ele se adapta, encaixa e se posiciona em divergentes situações. A lente desse trabalho pretende refletir sobre como cada ser único capta e assimila o espaço onde está inserido, ou que frequenta em distintas ocupações: trabalhar, estudar, morar, passar, entre outras. Pretende-se observar estas posturas do corpo de indivíduos pela cidade e estabelecer analogias entre elas e as de indivíduos conectados com a dança, que já abordam a matéria corporal de maneira distinta, e possuem certa habilidade no manejo do corpo. Além das relações simétricas e assimétricas que se revelam nos preenchimentos da forma do corpo, do espaço e da arquitetura. A aproximação destes dois conjuntos de imagens, sendo um espontâneo e o outro “coreografado” (tendo o primeiro como inspiração), servirá de ponto de partida para projetarmos um vídeo como uma espécie de poema ao ser humano, seu corpo e seus movimentos, que segundo autores contemporâneos (ALEXANDER, CALVINO, FERRARA, HERTSBERGER, LANDOWSKI, WENDERS, ZUMTHOR, entre outros) sãos os principais motivadores dos projetos de Arquitetura e de Cidades. O que há de cidade no corpo? O que há de corpo na cidade? Proponho estudar essa relação entre o corpo, a cidade/arquitetura e a imagem que se produz a partir dessa interação como uma tríade. Além de explorar diferentes tipos de performances urbanas analisando seus locais de acontecimentos, seus autores, seus protagonistas e seus figurinos. Proposição Nas perambulações pela cidade de São Paulo e aplicando toda a teoria pertencente ao Livro 1, colhi alguns vocábulos (palavras) e pontos (locais) baseados no ver e sentir a arquitetura em todo seu contexto relacionado com o viver do corpo. Como maneira de descrição dos locais e baseada no livro Cidades Invisíveis, do escritor italiano Ítalo Calvino, proponho a elaboração de cartas visíveis para cada

discussão do corpo inserido em diferentes espaços arquitetônicos. Dada a minha formação anterior, pensar espaço é sempre uma experiência de dança e o deslocamento das pessoas é sempre uma coreografia. Portanto, eu enxergo movimento e música pela cidade, e inclusive os discuto. Em consequência desse fator o produto é áudio visual, linguagem escolhida devido ao interesse de apresentar o percurso de observação, que foi realizado ao longo do ano, sobre determinadas figuras arquitetônicas e a maneira com que o corpo se acomoda e reage sobre elas.

Como a intenção desse

trabalho não é a produção de uma coreografia artística a minha proposta é composta por flashs que constituem uma sequencia de stop motion transformando assim as cenas fotografadas em uma performance. Dentre os sete locais escolhidos como foco de estudo foram selecionados quatro deles,

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A partir dessas etapas citadas acima, esse Trabalho de Conclusão de Curso contempla a

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local, juntamente com as imagens colhidas nas visitas.


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considerando fatores de

relevância, como: localização, frequência de transeuntes, espaços

arquitetônicos mais convidativos, triagem de fotos iniciais, entre outros. A partir da pré-seleção dos locais e das fotos inicialmente tiradas para a etapa de cartas visíveis, foi eleita uma imagem base para cada local, que serviu de ponto de partida ou chegada para iniciar o roteiro de cada performance. Foi produzido um roteiro que serviu como base para compor cada flash e cada movimentação dos corpos no meio arquitetônico. Como dito antes, teve como ponto de partida ou ponto final uma foto tirada em uma etapa anterior do trabalho de outro corpo ocupando o espaço. A partir disso, foram estudadas diferentes cenas para compor o movimento de cada stop motion. O número inicial de cenas pausadas foi dado como oito, por ser de grande representatividade para o meio da dança, e ao desenrolar das gravações e dos roteiros foi sendo alterado de acordo com a necessidade de cada corpo ao ocupar o elemento arquitetônico e produzir assim o movimento. Em sequência dos storyboard elaborados vou a loco para colocar o produto em prática: registrar por meio de fotografia as cenas e os flahs que irão compor o stop motion com os bailarinos devidamente trajados. A partir disso inicia-se um trabalho de construção do produto áudio visual.

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Figura 02: sequência de cenas do CCSP. Fonte: acervo do autor.

Figura 03: sequência de cenas do Parque Ibirapuera. Fonte: acervo do autor.

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Figura 04: sequência de cenas da FAU-USP. Fonte: acervo do autor.

Figura 05: sequência de cenas do SESC Pompéia. Fonte: acervo do autor. Referências ALEXANDER, Christopher. A Pattern Language: towns, buildings, construction. New York: Oxford University Press, 1977 ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. BAUHAUS – the face of the 20th century. Direção:Frank Whitford. Produção: Frank Whitford. ArthausMusik, 1994. 1 DVD (50min).

GEHL, Jan. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2014. HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 2015. LIMA, Evelyn Furquim Wernwck. Espaço e Teatro: do edifício teatral à cidade como palco. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008. MCLAREN, Norman. Pas de deux. Youtube, 1967. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=HuwuH_Qix4. Acesso em: 26 mar. 18. PALASMAA, Juhani. Os olhos da pele: a arquitetura dos sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011. PINA – um filme de Wim Wenders para Pina Bausch. Direção: Wim Wenders. Produção: IMovision, 2011. 1 DVD (106min). ZUMTHOR, Peter. Atmosferas. São Paulo: GG, 2009.

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FERRARA, Lucrécia D’Aléssio. Leitura sem Palavras. São Paulo: Ática, 1986.

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CALVINO, Italo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.


Narrativas de um cotidiano revisitado O livro-objeto como metáfora da cidade Letícia Pestana Orientadora:Prof.ªDr. Myrna de Arruda Nascimento

Figura 01: iconicidade. Fonte: acervo da autora

urbanos que constroem o cotidiano da metrópole. Partindo da afirmação de Certeau (1994, p.69), de que a forma mais elementar de compreensão urbana se dá ao caminhar, fragmento o centro de São Paulo em doze configurações urbanas que me permitem abordar diferentes experiências da cidade reconhecidas no caminhar: avenida, vale, largo, viaduto, praça, ladeira, rua, beco, calçada, escadaria, passarela e esquina. Apresento a produção de um livro-objeto capaz de acolher narrativas das diversas cidades que podem ser construídas a partir de uma única cidade, explorando assim, as apropriações pessoais dos indivíduos.

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Este trabalho propõe uma leitura no centro da cidade de São Paulo através dos eventos

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Resumo


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Introdução Quando nos questionamos sobre o que é cidade, dificilmente obtemos como resposta uma definição de prontidão, isso por que a palavra cidade pode ter muitos significados. Ao pesquisar no dicionário vemos a polis descrita como grande aglomeração de pessoas em uma área geográfica circunscrita, com inúmeras edificações, que desenvolve atividades sociais, econômicas, industriais, comerciais, culturais, administrativa etc. A cidade também pode ser caracterizada como o espaço urbano que se contrapõe ao campo. Todo cidadão está, constantemente, falando sobre cidades: seu bairro, sua casa, o congestionamento das avenidas, o transporte público precário, a insegurança das ruas, o local de trabalho, os espaços de lazer, as viagens das férias, etc. Todos esses itens descrevem a cidade pelo seu caráter prático, porém, essa pesquisa compromete-se a interpretar as mensagens deixadas na paisagem urbana, compreendendo a cidade como um espaço de interação entre os indivíduos que aqui habitam. Olharemos, então, para os elementos que desencadeiam esse tipo de interação. O desenvolvimento da pesquisa acontece através da apropriação teórica de autores como Charles Baudelaire, Guy Debord, Michel de Certeau, Paola Berenstein Jacques e Walter Benjamin e da experiência da cidade através de perambulações em busca de simbolismos urbanos e narrativas. Partindo da afirmação de Certeau, de que a forma mais elementar de apreensão urbana se dá ao caminhar, fragmento o centro de São Paulo em doze configurações urbanas que me permitem o esgotamento das possibilidades do percurso a pé: avenida, vale, largo, viaduto, praça, ladeira, rua, beco, calçada(ões), escadaria, passarela e esquina. Esses elementos serão explorados pelo olhar do caminhante e nos possibilitarão a construção da ideia do que é cidade e o que ela revela para quem a experimenta. A escolha em abordar esses eventos que modificam a rotina da cidade, vem do interesse de estudar a metrópole através das práticas cotidianas e perceber como elas constroem um cenário despretensioso na paisagem pública. Para uma primeira aproximação das configurações urbanas e seus eventos, documento esses espaços

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através de um exercício de percepção que denomino palavrório. Esse exercício representa os fragmentos de cidade através de palavras desconexas que veem à minha mente e memória durante as visitas. Inicio também uma narrativa imagética, com linguagem fotográfica, intitulada cenafragmento. Essas cenas são manipuladas graficamente a fim de exaltar elementos urbanos e a interação do cidadão com o lugar. Tenho como objetivo construir um livro-objeto capaz de acolher as narrativas cotidianas das cidades que encontramos dentro de uma mesma cidade. Pretendo explorar assim as diversas cidades que existem a partir dos indivíduos que as experimentam, utilizam e inventam. O livro-objeto chega aqui com a necessidade de se pensar um produto enquanto território híbrido capaz de servir de suporte para toda narrativa construída.

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Proposição Partido O objeto foi pensado como um território a ser preenchido com memórias e experiências individuais. É composto por um conjunto de doze molduras, doze dobras, trinta e sete carimbos e duas almofadas com tinta. Cada configuração urbana junto ao seu evento cotidiano corresponde a uma moldura e uma dobra, que podem ser combinados livremente, misturando os territórios e seus eventos urbanos cotidianos, dando a liberdade para invenções de novas narrativas e estimulando a produção de uma linguagem experimental, trabalhando seus variados aspectos físicos e gráficos.

Figura 02: esquema de peças e montagem do livro-objeto. Fonte: acervo da autora Suporte O livro-objeto está contido em duas lâminas - base e tampa. O livro-objeto remete à experiência de

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Figura 03: base, tampa, revestimento e caixa de carimbos; livro-objeto fechado. Fonte: acervo da autora

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chegar a um lugar desconhecido, perceber seus sinais e descobrir suas qualidades.


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As molduras foram feitas em papelão cinza cru, sem acabamento; com cor e leve textura de chão da cidade e estão inteiramente ligadas as configurações urbanas, portanto, servem de perímetro; de recorte e abrigam às representações de território - aspectos físicos, paisagem vista; e envolvem as dobras.

Figura 04: 48 molduras cortadas a laser em papelão cinza cru. Fonte: acervo da autora

As dobras exigiram um material flexível e resistente e foram feitas em papel kraft de cor neutra para receber a camada de cor dos carimbos futuros e dialogam diretamente com as práticas cotidianas ou eventos urbanos. Simulam como chegar até um lugar e ter que desbrava-lo - desdobrá-lo. Sendo assim, estão localizadas no centro das molduras. As 48 dobras, 12 por livro, foram produzidas em papel kraft

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240g e os ícones foram aplicados, manualmente, através de um stencil produzido previamente.

Figura 04: aplicação de stencil nas dobras. Fonte: acervo da autora

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Carimbos A linguagem gráfica deste livro-objeto foi desenvolvida através de carimbos, a técnica foi escolhida por sugerir repetição. Uma analogia às práticas cotidianas que se repetem. Os carimbos também servem de incentivo para que os leitores visitem os territórios durante a criação de suas narrativas e o revisitem outras tantas vezes, criando camadas de memórias e experiências com a sobreposição dos registros feitos para narrar os vários deslocamentos pela cidade.

Figura 05: montagem dos carimbos. Fonte: acervo da autora

Referências BENJAMIN, Walter, Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo. Brasiliense, 1994.

CAMPOS, Augusto de. Viva Vaia - Poesia 1949-1979. Ateliê, 2014. CARERI, Francesco. Walkscapes – O Caminhar Como Prática Estética. GG BRASIL, 2002. _______, Francesco. Caminhar e Parar. GG BRASIL, 2017. DERDYK, Edith. Entre ser um e ser mil: o objeto livro e suas poéticas.Senac, 2013. JACQUES, Paola Berenstein. Elogio aos errantes. EDUFBA, 2012. _______, Paola Berenstein. Corpografias urbanas: as memórias das cidades nos corpos. Disponível em: <https://goo.gl/uRvZyq> Acesso em: 1 abr. 2018. PEREC, George. Tentativa de esgotamento de um local parisiense.GG Brasil, 2016. ______, George. Especie de espacios.Montesinos, 1974. SILVA, Ricardo Luís. Elogios à inutilidade: a incorporação do Trapeiro como possibilidade de apropriação e leitura da Cidade e sua alteridade urbana.2017.

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CERTEAU, Michel, A invenção do cotidiano. 1. Artes de fazer. Editora Vozes, 1999.

Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

BRUSCKY, Paulo. Poesia Viva. Cosac Naify, 2015.


Espaço sagrado Além do projeto de uma igreja protestante Talita Evelyn Ferreira da Silva Orientadora: Prof. Dr. Myrna de Arruda Nascimento

Este trabalho de conclusão de curso objetiva analisar a arquitetura de espaços sagrados, como uma experiencia perceptiva, além de seus atributos estéticos e funcionais. Pretende, portanto, estudar os elementos que compõem a arquitetura sagrada tornando-a capaz de transmitir emoções aos que a vivenciam. Os conceitos deste estudo serão aplicados na concepção de um espaço sagrado (um espaço destinado ao exercício da fé) onde serão incorporados símbolos da fé cristã, sendo eles cruz, água, oração, luz, céu, caminho, e por último o princípio da unidade cristã. Todos inseridos com atributos na edificação proposta.

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Resumo

Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Figura 01: croqui da igreja. Fonte: acervo do autor


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O presente trabalho pretende abordar a dimensão simbólica da arquitetura dos espaços sagrados. A motivação para o tema vem de experiências pessoais ao vivenciar espaços sagrados, voltados para o exercício da fé. Início esse com uma pesquisa sobre os elementos que compõem a arquitetura religiosa, tornando-a capaz de produzir sensações a quem a vivencia. A primeira etapa deste trabalho traz a compreensão dos conceitos de espaços religiosos e espaços sagrados a luz de teóricos como o filósofo e teólogo alemão Otto, 1982. Posteriormente propõe-se um levantamento de espaços reconhecidos por sua originalidade que servirão como estudos de caso para o projeto em desenvolvimento. Também será elaborado um critério de analise para ser aplicado em todos os edifícios religiosos escolhidos, visando a compreensão das soluções construtivas adotadas neste segmento arquitetônico, que são descritas em notas pessoais da autora. Estudos de caso:

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Figura 02: linha do tempo dos estudos de caso. Fonte: acervo do autor

Iniciamos a segunda parte da pesquisa com uma análise da arquitetura enquanto edificação, com foco no caráter religioso da mesma. Apresentamos símbolos e signos que formam esta qualidade de edificações, justificamos a escolha, pois, os mesmos serão aplicados no conceito do edifício projetado. Tenso em vista que objetivo deste trabalho de conclusão de curso é aplicar os conceitos elaborados a partir da pesquisa de concepção de um espaço que represente a narrativa simbólica da fé cristã no espaço arquitetônico, em Atmosferas analisamos conceitos de uma edificação – Cidade das artes – baseados na obra de Peter Zumthor, Atmosferas, 2009. O local escolhido para a implantação da proposta está localizado no bairro Parque Industrial Thomas Edson, pertencente ao distrito da Barra Funda. A fim de ampliar a compressão que norteará a proposição uma análise do entorno através de mapas de uso e ocupação do solo, mobilidade, equipamentos presentes na área, principais vias de acesso, e um mapa de localização, fez-se necessária. Desde 2011 faço parte de uma comunidade protestante onde estou envolvida com projetos e ações sociais que visam atender a demanda da comunidade local. Desta forma entendo que o espaço da igreja não

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

pode ignorar essas atividades como parte do compromisso que a igreja assume pessoalmente com a sociedade. Portanto o projeto proposto apresenta projeto de uma igreja que vai além do espaço para cultos, um local com abrigo provisório para imigrantes, espaço de descanso e higiene para pessoas em situação de rua, salas para aulas e workshops, praça de alimentação, livraria e biblioteca, além de contar com uma praça aberta a comunidade para atividades ao ar livre. Proposição A forma do edifício surge a partir de especulações de ângulos presentes na posição de oração, com o rosto prostrado em terra. Uma vez identificados os segmentos de reta que formavam estes ângulos iniciamos um estudo de especulação para entender que espaço a sobreposição destes ângulos nos possibilitava criar. A sobreposição de formas simples e lineares, juntamente com ângulos opostos sobrepostos, formaram a forma que dá início ao nosso estudo volumétrico para o desenvolvimento da proposta de uma igreja protestante que atenda ao programa de necessidades proposto.

O espaço arquitetônico buscou uma linguagem de uma arquitetura limpa, com linhas retas e sobrepostas. A sobreposição de formas com aberturas opostas garantindo ritmo ao conjunto, mas ainda primando ela simplicidade. Essa característica sóbria do edifício, além de condizer com a relativa singeleza das comunidades cristãs, coloca-o como uma tela vazia, pronto a ser preenchido por vivências e experiências extraordinárias. Dentro da monumentalidade bruta do edifício da igreja, dada por sua dimensão, porte e materialidade, os elementos em vidro e a entrada em balanço sugerem alguma leveza, bem como o pé direito da entrada e da praça de alimentação. Os grandes panos de vidro e os rasgos nas laterais permitem uma boa entrada de luz natural aos ambientes e proporcionam visibilidade das atividades artísticas para os transeuntes, estimulando o contato e interesse dos que circulam na praça.

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O projeto foi pensado para criar através de equipamentos públicos uma alternativa urbana, cultural e de lazer para os cidadãos do bairro Thomas Edson, pertencente ao distrito da Barra Funda. O projeto propõe novas maneiras de se aproximar e estar nos edifícios públicos e de se apropriar do espaço urbano. Traz uma proposta de relacionar o espaço privado, público e o semi-público de maneira harmoniosa. Integrar atividades diversas como, biblioteca, área de leitura e salas de aula, a um pátio com atividades de lazer, respeitando o espaço litúrgico e sagrado é o principal desafio que norteia o partido projetual. Possibilitar uma relação aberta de compatibilidade, otimização de espaços e serviços, se integram a este partido. No edifício da igreja pretende-se unir o máximo de funções sob o mesmo teto. Um desafio do projeto foi, portanto, a criação de espaços adequados para uma sala de aula, escritório, alojamento temporário, espaço para apresentações, uma biblioteca e um café/praça de alimentação sem afetar o espaço real da igreja. No paisagismo a intenção é incorporar elementos litúrgicos, focando na relação entre os espaços internos e externos. O equipamento se abre para as praças, com usos diversos, dando uma maior dinamicidade e qualidade urbana ao entorno. Fez parte do programa do projeto um teatro, e em outro nível os alojamentos de emergência para uso da igreja. Nele está localizado também um setor de diretoria que coordena as atividades, aulas e apresentações que são de interesse da comunidade.

Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Figura 03: croqui da proposição. Fonte: acervo do autor


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Figura 04: Implantação. Fonte: acervo do autor

Subtrações de formas angulares possibilitam a iluminação na nave da igreja através das grandes paredes de concreto, e possibilitam uma visão do céu para quem está assistindo ao culto. Na parte posterior da edificação o edifício ganha novas atividades e usos. Intencionando possibilitar que o edifício da igreja sirva a comunidade e tenha função educativa e cultural, cria-se salas para aulas de música e instrumentos, espaço para aula de dança e teatro. E ainda uma biblioteca de uso público. A praça de alimentação recepciona quem chega ao edifício para as atividades, e lojas, livrarias e um café fazem o acolhimento.

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Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo

Pelo papel que esses espaços assumem no projeto percebemos que a noção de caráter semi-público foi uma das diretrizes norteadoras da proposta. Tendo em vista projetar um espaço religioso, para o exercício da fé cristã onde as atividades litúrgicas sejam preservadas, sem prescindir da universalidade inclusiva.

Figura 05: Corte longitudinal. Fonte: acervo do autor

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Figura 06: Elevação frontal. Fonte: acervo do autor

CAMPOS, João Carlos Baptista. O sagrado: linguagem simbólica e construção de uma categoria. [s.n.]. Campinas: UniCamp, 2014. MOLTMANN, J. Deus na criação: doutrina ecológica da criação. Petrópolis: Vozes, 1992. OTTO, Rudolf. O Sagrado: um estudo do elemento não-racional na idéia do divino e a sua relação com o racional. (tradução: Prócoro Velasquez Filho). São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1985. PALLASMAA, Juhani. Tradução: Alexandre Salvaterra. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. 2°. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. ZUMTHOR, Peter. Tradução: Astrid Grabow. Atmosferas. 1°. Ed. São Paulo: Guatavo Gili, SL, 2009. ZUMTHOR, Peter. Pensar arquitetura. 2°. Ed. São Paulo: Guatavo Gili, SL, 2006.KUBITSCHEK, Juscelino, De Pampulha a Brasília. Os caminhos da providência, In: Revista Módulo n°41, Rio de Janeiro, dez.1975/jan.1976.

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Referências

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Figura 07: Maquete. Fonte: acervo do autor


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Requalificação do clube da comunidade – Parque São Rafael Alex Moreno Ruiz Orientador: Prof. Ms. Marcelo Ursini

Figura 01: Vista das passarelas de travessia sobre o córrego. Fonte: acervo do autor (por Barbara Bravo)

Resumo Este trabalho objetiva propor um projeto de requalificação para a área do Clube da Comunidade Parque São Rafael, localizado na zona leste da cidade de São Paulo. Atualmente o espaço conta

esportes, pista para caminhada, academia ao ar livre; e espaço para atividades culturais, acompanhado de um projeto de iluminação e paisagismo, vai oferecer um espaço agradável e seguro para quem busca uma área para prática de esportes ou um local inserido no tecido urbano para apreciar a natureza.

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nascente e um córrego em seu perímetro. A proposta de uma praça aberta, com áreas para

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com uma estrutura precária, que oferece pouca segurança aos usuários, além de possuir uma


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Introdução

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O ser humano sempre teve a necessidade de interação e relacionamento, desde os tempos mais remotos. Essa interação foi se modificando com o passar dos anos, e hoje é muito comum ver pessoas preferindo ficar em casa para usufruir da tecnologia que o celular, o computador e a televisão oferecem, do que se relacionar com pessoas de maneira que não seja virtual. Esse contato real com outras pessoas pode ser proporcionado em diversos ambientes, shoppings, teatros, cinemas, restaurantes e outros inúmeros locais. Mas tendo em vista a necessidade que temos de nos exercitar e de ter um contato com a natureza, despertou em mim o interesse de propor uma intervenção em uma determinada área verde. A origem deste trabalho se deu através da minha insatisfação com a estrutura do Clube da Comunidade do Parque São Rafael, produto de 5 de anos cursando Arquitetura e Urbanismo, discutindo a importância das áreas verdes nas grandes cidades e o desafio de conservar essas áreas, principalmente quando nelas há córregos e nascentes de água. Por ser morador do bairro onde o Clube da Comunidade está inserido, sei que o mesmo é o único espaço na região para uma possível caminhada ao ar livre, contato com a natureza e prática de exercícios, foi assim que percebi o enorme potencial para a proposta de um novo projeto para a área. Outra razão para propor melhorias para o CDC é por se tratar de uma área que é utilizada para atividades ao ar livre, mas que não oferece a segurança necessária para os usuários, o que acaba limitando o horário em que podem ser realizadas atividades com tranquilidade. No terreno também existem edificações como quadra coberta, escola infantil e associação católica que estão construídas dentro dos limites não permitidos por lei pois estão localizadas muito próximo á nascente e ao córrego, o que me motiva a propor uma remoção para essas edificações e projetar uma área de espaços livres. O projeto irá propor a requalificação do CDC, trazendo mais qualidade e modernidade para as novas edificações e espaços que irão compor o projeto do Clube da Comunidade – Parque São Rafael. Juntamente com a proposta, um novo projeto de iluminação trará mais conforto e segurança para as atividades noturnas no espaço, o que tornará o local mais atrativo até mesmo para a vizinhança no entorno imediato, auxiliando também na valorização dos imóveis. Na composição da praça também teremos uma área direcionada para atividades culturais como shows, apresentações e exposições, o que vai beneficiar a comunidade que hoje carece de espaços com esse fim. O impacto positivo vai alcançar os bairros circunvizinhos, que são totalmente desprovidos de áreas verdes como a proposta.

Figura 02: Foto aérea do terreno. Fonte: Google earth

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Proposição Levando em conta os estudos de caso e a necessidade de intervenções no espaço escolhido, algumas etapas foram necessárias para compor o conceito do projeto. Por se tratar de uma área verde com uma massa arbórea já existente, foi necessário fazer um levantamento arbóreo do terreno, já que a ideia é manter o máximo possível das árvores existentes. Os caminhos e as novas instalações propostas no projeto foram pensados respeitando os espaços livres existentes, tendo sido necessária a remoção de poucas árvores que serão replantadas no próprio CDC, e algumas dessas para o plantio de outras qualidades de árvores previstas no projeto paisagístico.

Figura 03: planta de levantamento arbóreo. Fonte: desenvolvida pelo autor

O projeto visa a requalificação do atual Clube da Comunidade localizado no bairro do Parque São Rafael, extremo leste da capital paulista. O desenho propõe a conexão entre as duas ruas que delimitam o perímetro, a integração de áreas verdes, e principalmente o resgate da relação da comunidade e da praça com a nascente que corta o terreno e desagua no córrego do Oratório. Grande parte da arborização já existente foi mantida enfatizando a necessidade de manutenção do equilíbrio ambiental e qualificando o espaço com uma área consolidada. Por ser um parque nível bairro, os caminhos foram pensados para serem compartilhados entre pedestres e ciclistas, e as conexões feitas sobre o córrego criam transversalidades que facilitam deslocamento entre os equipamentos a serem implantados em ambos os lados da praça e a travessia de moradores que queiram simplesmente corta caminho para ir ao outro lado do córrego. Nos trechos de caminhada canteiros verdes fazem a proteção do pedestre assim como ocorre nas áreas com equipamentos, como academia ao ar livre e playground. O desenho proposto para o CDC se abre para a comunidade, permitindo percursos cotidianos, turísticos e didáticos, bem como fácil acesso aos equipamentos esportivos, de lazer e cultural.

A premissa de integração entre comunidade, parque e a nascente, resulta em um desenho que prioriza o pedestre, a acessibilidade universal e restrição de velocidade aos automóveis, tornam o entorno mais caminhável, estimulando que os percursos sejam realizados andando.

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Pensando no bem-estar da comunidade, foi projetado um espaço para abrigar salas de aula, área de exposições, ateliê multiuso, sala de informática, administração, diretoria, lanchonete e vestiários, o que vai possibilitar a ministração de cursos, oficinas, aulas de ginástica, e atividades culturais no CDC.

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Não menos importante é a integração com o córrego e sua nascente, que é possibilitado por duas escadas e uma rampa que aproximam as pessoas do córrego, que acaba por criar uma área de passagem, passeio e estar as suas margens. Os equipamentos esportivos e culturais que já existiam no CDC ganharam novos espaços, sendo centralizado na parte norte do parque, criando assim um setor esportivo e cultural com acesso público, mas que não interfere no uso do parque e dos demais equipamentos urbanos.


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Os fluxos e conexões e a vegetação preexistente determinam o critério de locação dos estares, mobiliários, espaço infantil, jogos. As calcadas das residências no entorno imediato foram alargadas, o que possibilitou o desenho de canteiros verdes e o plantio de árvores nas mesmas, melhorando ainda mais a qualidade ambiental para os moradores. O alargamento das calçadas também ajudou no controle e redução da velocidade no trafego de veículos, já que as ruas ficaram mais estreitas.

Figura 04: planta. Fonte: desenvolvida pelo autor

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Figura 05: Elevação. Fonte: desenvolvida pelo autor

Figura 06 e 07: Cortes. Fonte: desenvolvidos pelo autor

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Figura 08 e 09: Cortes. Fonte: desenvolvida pelo autor

Referências ALEX, Sun. Projeto da praça: convívio e inclusão no espaço público. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. GEHL, Jan. Cidade para pessoas. 2ª Ed. São Paulo: Perspectiva, 2013. GORSKI, maria Cecília Barbieri. Rios e cidades: ruptura e reconciliação. 1ª Ed. São Paulo: Editora Senac, 2010. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. 3ª Ed. São Paulo: WMF. Martins Fontes, 2012. ROBBA, Fabio e MACEDO, Silvio Soares. Praças brasileiras. 3ª Ed. São Paulo: Edusp, 2010. SANT`ANNA, Denise Bernuzzi. Cidade das Águas: usos de rios, córregos, bicas e chafarizes em São Paulo (1822-1901). 1ª Ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007. MACEDO, Silvio Soares. Paisagismo brasileiro na virada do século 1990-2010. 1ª Ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Campinas: Editora da Unicamp, 2012. WILSON, Andrew (org.). O livro das áreas verdes. 1ª Ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2016.

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ABBUD, Benedito. Criando paisagens. 4ª Ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006.

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FARAH, Ivete; SCHLEE, Mônica Bahia e TARDIN, Raquel (orgs.). Arquitetura paisagística contemporânea no Brasil. 1ª Ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010.


Complexo Multifuncional em Santo André Allan Fredianelli Xavier Orientador : Prof. Esp. Artur Katchborian

Figura 01 : Perspectiva interna do Parque Tecnológico. Fonte: acervo do autor

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O projeto é a proposta de um complexo multifuncional na várzea do Rio Tamanduateí em Santo André, de modo a trazer para a região um equipamento de uso mistos e que crie novas conexões com o tecido urbano existente. Nesta conexão foram considerados dois serviços de importância regional: O setor de transporte com a estação de trem e dois terminais rodoviários; e a Universidade Federal do ABC – Unidade Santo André (UFABC). Atualmente o terreno abriga uma fábrica têxtil desativada a mais de 8 anos, está inserido na área qualificada como Zona de Reestruturação Urbana, tornando este lote um grande potencial para desenvolvimento da cidade e está entre a linha 10 turquesa da CPTM e a Avenida dos Estados, limitando o acesso via pedestre.

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Resumo


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Introdução O presente trabalho de conclusão de curso se trata sobre um projeto de característica multifuncional próxima ao centro da cidade de Santo André –SP. O terreno do projeto está Localizado na Avenida dos Estados entre a estação de trem Prefeito Celso Daniel Santo André e a UFABC. Mesmo sendo um terreno enorme de 158,5 mil m² ele se encontra dentro de um espaço da região onde inviabiliza o acesso direto via pedestre e a relação que ele tem com a cidade é de certo modo uma “sobra” por conta de seus limites principais serem estabelecidos por duas barreiras físicas: Rio Tamanduateí e a linha férrea. A proposta do trabalho é também possibilitar que esta área tão grande da cidade possa se transformar em uma área de conexão e também se conectar com a cidade em volta dela, além disso o projeto viabiliza melhor aproveitamento do terreno para a cidade, uma vez que será um polo de geração de emprego e contará com residências, área para lazer e cultura. As conexões criadas foram: Estação – Complexo – UFABC e Complexo – Shopping Grand Plaza, ambas conexões são feitas através do parque e passarela, atravessado o rio Tamanduateí e a Linha férrea respectivamente. O projeto do conjunto conta com quatro edifícios: O Edifício de Moradia estudantil que deu origem a ideia do projeto; o Edifício Corporativo sendo o mais alto do conjunto; o Parque Tecnológico em formato circular e o edifício de gabinetes da prefeitura que abriga secretarias que atualmente funcionam em imóveis alugados pela cidade. O gabarito de altura segue um padrão baixo que varia de térreo +2 até térreo + 4 configurando blocos mais longos, diferente apenas no edifício corporativo onde a intenção foi subir o gabarito para embasamento + 20 andares e assim criar um marco no projeto, como mostra a figura abaixo.

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Figura 02 : Perspectiva externa do Edifício Corporativo. Fonte: acervo do autor Proposição O conjunto de edifícios foi incorporado em um grande parque que integra todo o complexo multifuncional com a cidade, trazendo uma área agradável de se caminhar e estar. A partir deste pensamento surge o principal fluxo de conexão estabelecido no projeto, uma longa fita curva laranja sobre os caminhos retilíneos do parque. Este contraste é proposital e destaca a conexão complexo - UFABC. Diariamente muitos alunos que utilizam o trem para chegar até a faculdade precisam esperar um ônibus vir busca-los

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na saída da estação e leva-los até a Universidade, A proposta desta passagem é fazer com que estes alunos não dependam dos ônibus, mas que possam fazer essa travessia por dentro do parque e a pé, pois cruza todo o terreno e possui uma passarela no final para a travessia do Rio Tamanduateí e a chegada até a universidade.

Figura 03 : Implantação - destaque para o piso laranja de conexão. Fonte: acervo do autor

O edifício é composto por 4 blocos de moradia e um bloco central de eventos e área de convivência, cada bloco de moradia tem sua própria circulação vertical, suas lavanderias, seu bicicletário e administração, ou seja, são independentes, mas ocupam o mesmo prédio e dividem fluxos e usos como por exemplo os dois cubos das extremidades do edifício, neles estão as salas de estudo, biblioteca comunitária, sala multiuso e multimídia. Cada cubo deste atende dois blocos de residência e, portanto, é conectado a elas por passarelas.

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Fig. 04: Perspectiva Edifício Estudantil. Fig. 05: Croqui conexão volumétrica. Fonte: acervo do autor

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A implantação do edifício estudantil tem um significado no conjunto, ele fica no meio do terreno entre o edifício corporativo e o Parque tecnológico, justamente porque ele é a transição entre morar e trabalhar; morar e aprender / desenvolver, essa relação pode ser vista também traves da largura destes dois edifícios laterais que tiveram origem a partir da medida do vão entre os bicicletários , 30 metros, e o fato deste volume do bicicletário ser avançado é para dar a sensação de que os três prédios são peças que se encaixam, como mostra a figura.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

O bloco central conta com uma grande estrutura de concreto revestida parcialmente com vidro u glass e serve de espaço de convivência com arquibancadas e um auditório com capacidade para 144 pessoas. É possível atravessar entre os blocos residenciais pelas passarelas e escadas e elevador que ficam no bloco central, unificando todos os alunos neste grande hall.

Figura 06 : Perspectiva externa do Edifício Estudantil – circulação vertical e Cubo. Fonte: acervo do autor

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O edifício Corporativo tem a característica de trazer para o conjunto o setor de trabalho e comércio, com o total de 160 salas corporativas e 12 lojas de 110m² cada, sendo o prédio mais alto de todo o conjunto ele é um marco no complexo e possibilita a vista da área central da cidade. O prédio é elaborado por dois volumes, um longo retângulo forma o embasamento composto por dois níveis de pé direito de 4,50m cada e a torre de escritórios com um formato de quadrado com arestas e vértices arredondados tem 20 andares e 3,00m de pé direito colocada sobre uma das extremidades do embasamento.

Figura 07 : Cortes do Edifício Corporativo. Fonte: acervo do autor

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Em 2016 o terreno foi credenciado no Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTEC), então a inclusão deste equipamento para o conjunto foi benvinda e agrega ainda mais para os alunos e os cidadãos, pois a principal função deste parque tecnológico é formar ambientes favoráveis para as startups, como incubadoras, aceleração e coworking com a presença de grandes empresas. O terreno se alarga na parte sudeste devido a Av. do Estado, sobrando uma grande área em que a implantação em formato circular se encaixou de maneira harmoniosa. Simplificando a volumetria, este prédio pode ser entendido como uma grande fita de 30 metros de largura com térreo + 2 pavimentos, todos com 4,50m de pé direito, que foi curvado em um círculo de 180 metros de diâmetro, criando uma praça interna e tendo uma das pontas a relação de conexão com o edifício estudantil.

Figura 08 : Praça central do Parque Tecnológico. Fonte: acervo do autor Referências ARCHDAILY. Citta del Sole – lábcs https://www.archdaily.com.br/br/871268/citta-del-sole-labics PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ http://www.santoandre.sp.gov.br/portalservico/Alvara/ControleUrbano/Avisos/Purbanisticos.aspx UFABC EM NÚMEROS- http://propladi.ufabc.edu.br/informacoes/ufabc-em-numeros

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VITRUVIUS - http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.122/3483


Escola da Praça Diálogo entre a cidade e a natureza Beatriz de Aguiar Cajado Orientador : Prof. Me. Marcelo Ursini

Figura 01 : Logo Escola da Praça. Fonte: acervo do autor

Resumo O tema do meu TCC surgiu com a inquietação em observar a falta de contato com

tem que ser discutida cada vez mais nos dias de hoje. A ideia do meu trabalho é poder trazer essa discussão sobre o desemparedamento da educação, junto com um projeto arquitetônico que seja uma continuação da cidade, que envolva a comunidade e que traga áreas naturais para o cotidiano dos alunos e moradores do bairro.

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um centro urbano. Acredito que a educação fora do ambiente de sala de aula é fundamental e

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natureza no desenvolvimento escolar e nos momentos de lazer de um cidadão que nasce em


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Introdução

Atualmente as questões educacionais têm desencadeado muitas discussões no Brasil, a qualidade do ambiente físico-escolar é constantemente questionada, principalmente pelas avaliações de desempenho dos alunos. É, por essência, o local do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Ao se projetar os espaços e usos de uma instituição educacional, é possível influenciar na definição do conceito de ensino e melhorar assim, sua qualidade. A inexpressiva utilização do espaço do entorno da escola, ou até mesmo a falta de acesso ao mundo exterior através das janelas da sala de aula, reproduz a separação entre o homem e a natureza. Com isso, o objetivo da minha proposta projetual é trazer de volta para o bairro Parque Jabaquara, zona sul de São Paulo, a praça Joubert Carvalho, hoje inacessível e murada por conflitos políticos e sociais. Como parte da praça, meu projeto consiste na implantação de uma escola pública, ressaltando assim, a importância do diálogo entre os dois usos do terreno.

Figura 02 : Croqui Escola da Praça. Fonte: acervo do autor

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Proposição

O projeto foi inicialmente pensado na ocupação do lote com um edifício ocupando cerca de 60% do espaço, deixando 40% de área livre e permeável. ( I. ) Ao modelar a escola, foi possível nivelar sua cobertura com a parte mais alta do terreno, possibilitando o acesso através de uma passarela. ( II.) O uso da cobertura do edifício, como praça, tornaria a ocupação do lote 100% área livre e pública para o bairro ( III. ) Voltando o acesso da escola para a parte inferior do terreno, tornando possível o diálogo com a cidade e conexões dos usos estabelecidos

Figura 03 : Diretriz de Projeto

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Antes de obter essa forma, houveram diversos ensaios até chegar no desenho final. A forma orgânica foi embasada no movimento das crianças e formas da natureza. As linhas curvas facilitam a visualização mais ampla do espaço e circulação dos alunos. O pátio interno possui duas aberturas e interliga os programas da escola. É composto por materiais naturais como grama, terra e areia. Para vencer o desnível de 1m foi projetada uma arquibancada e duas rampas laterais, transformando também em um lugar de descanso e apresentações. O projeto foi pensado seguindo os critérios ditos por Lea Tiriba, no livro Desemparedamento da infância, são eles: ▪

Experimentar-se em movimento;

Incorporar espaços com natureza ajuda no desenvolvi- mento físico, a saúde e bem estar das crianças e jovens;

Mais diversidade de terrenos e recursos naturais = mais atividade física, desafios e diversidade de movimentos e domínio corporal ;

A educação em espaços mais abertos e naturais favorece a curiosidade, a concentração, o interesse e a disposição para aprender.;

Encontros e sentir-se bem;

Troca de experiências, privacidade e refúgio, contato consigo mesmo.

Referências Figura 04 e 05 : Implantação Escola e Praça

TIRIBA, Lea. Desemparedamento da infância - A escola como lugar de encontro com a natureza, 2º edição julho de 2018. KOWALTOWSKI, Doris Cck, Arquitetura Escolar, o projeto do ambiente de ensino, São Paulo Oficina de textos, 2011. TIRIBA, Lea. Crianças e natureza e educação Infantil, 2005, tese (doutorado em educação) departamento de educação do centro de teologia e ciências humanas, PUC, RJ FIGUEIREDO, Lais, TFG Verso Arquitetura Escolar: Novas Concepções de Espaços, Nov 2017.

Figura 07 : Corte transversal

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Figura 06 : Corte longitudinal


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Figura 08 : Fachada acesso Escola da Praça

Figura 09: Planta Escola

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Figura 10: Corte da Sala Ens. Fund I

Figura 10: Corte da Sala Ens. Infantil

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Antes de obter essa forma, houveram diversos ensaios até chegar no desenho final. A forma orgânica foi embasada no movimento das crianças e formas da natureza. As linhas curvas facilitam a visualização mais ampla do espaço e circulação dos alunos. O pátio interno possui duas aberturas e interliga os programas da escola. É composto por materiais naturais como grama, terra e areia. Para vencer o desnível de 1m foi projetada uma arquibancada e duas rampas laterais, transformando também em um lugar de descanso e apresentações. O projeto foi pensado seguindo os critérios ditos por Lea Tiriba, no livro Desemparedamento da infância, são eles: ▪

Experimentar-se em movimento;

Incorporar espaços com natureza ajuda no desenvolvi- mento físico, a saúde e bem estar das crianças e jovens;

Mais diversidade de terrenos e recursos naturais = mais atividade física, desafios e diversidade de movimentos e domínio corporal ;

A educação em espaços mais abertos e naturais favorece a curiosidade, a concentração, o interesse e a disposição para aprender.;

Encontros e sentir-se bem;

Troca de experiências, privacidade e refúgio, contato consigo mesmo.

Referências

TIRIBA, Lea. Desemparedamento da infância - A escola como lugar de encontro com a natureza, 2º edição julho de 2018. KOWALTOWSKI, Doris Cck, Arquitetura Escolar, o projeto do ambiente de ensino, São Paulo Oficina de textos, 2011. TIRIBA, Lea. Crianças e natureza e educação Infantil, 2005, tese (doutorado em educação) departamento de educação do centro de teologia e ciências humanas, PUC, RJ FIGUEIREDO, Lais, TFG Verso Arquitetura Escolar: Novas Concepções de Espaços, Nov

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2017.


Centro de Lazer e Cultura Jabaquara Espaço articulador de ações socioculturais Cristiane Amorim de Lima Orientador: Prof. Me. Marcelo Luiz Ursini

Figura 01: Fachada da Rua Guaratúba. Fonte: acervo da autora

Resumo A partir da análise da distribuição de equipamentos culturais, comparando ao crescimento populacional na cidade de São Paulo, é perceptível o desequilíbrio nessa relação. Nesse contexto, inicio o desenvolvimento do trabalho, tendo como área de estudo, o distrito do Jabaquara localizado na Zona Sul de São Paulo, o terreno está localizado no bairro Vila Guarani, próximo à estação conceição, onde identifiquei potencial para inserção de um Centro Cultual e de lazer devido à falta de equipamentos desse caráter, presença de fluxo constante e

diversidades de usos, atuando como elemento integrador da paisagem, além de completar a estrutura escolar, agregando cultura e lazer a sociedade.

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O projeto visa instigar a convivência das pessoas com o espaço público, promovendo

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, também pela presença de empresas e uso residencial.


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Introdução Através da análise da malha urbana, da distribuição e crescimento populacional, e de equipamentos culturais e de lazer na cidade de São Paulo, foi possível compreender melhor essa relação, concluindo que a distribuição desses equipamentos é heterogênea e segregadora. Observando esse fato e tendo em vista o potencial transformador que o equipamento cultural e de lazer tem na cidade, não só no espaço, mas também na sociedade, busco através desse projeto ampliar as condições do distrito do Jabaquara e proximidades, além de estimular a convivência entre as pessoas e delas com a cidade.

Sobre Cultura e Lazer As definições das palavras cultura e lazer são bastante amplas, por esse motivo foram escolhidas para orientar o partido a ser desenvolvido no projeto. Para melhor compreender esses conceitos as leituras dos livros, “O que é Lazer” de Luiz Octávio Lima de Camargo, e “O que é Cultura” de José Luiz dos Santos serviram de base. Além da compreensão dos conceitos, foram utilizados estudos de caso e referências de projeto como o Centro Cultural São Paulo para entender suas dinâmicas espaciais de usos, o Sesc 24 de Maio, por sua qualidade arquitetônica, organização dos usos e resolução projetual no terreno de 2203 m², e o Sesc Franca devido a maneira com que o projeto se apropria do terreno em que está inserido e por sua relação com o entorno.

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Figura 02: CCSP. Fonte: acervo do autor

Figura 03: Sesc 24 de Maio. Fonte: Fecomercio SP

Figura 04: Sesc Franca. Fonte: Concursodeprojeto.org

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Figura 05: Sesc Franca. Fonte: Concursodeprojeto.org


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Proposição O terreno escolhido possui 7.333m² com declividade de 13m, está localizado entre a Av. Dr. Hugo Bealchi e a Rua Guaratúba, a aproximadamente 200 metros da estação conceição. O acesso foi um fator determinante em sua escolha, quanto a proposta visa atender além do local de inserção os distritos que fazem divisa com o Jabaquara como também outros bairros próximos que não tenham oferta de equipamentos públicos suficiente,

possibilita também que pessoas de outras regiões da cidade possam frequentar. Pela ausência dessa tipologia de equipamento, e devido ao crescente número de instituições privadas como bancos, empresas e edifícios residenciais, com pouca ou nenhuma relação com o espaço público, o local foi escolhido, com o intuito de gerar novas relações com o entorno.

Figura 06: Localização. Fonte: Google Earth

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O projeto pretende proporcionar um diálogo entre espaço, pessoas, lazer e cultura. Nesse contexto inicio pensando nos usos dos espaços, prezando sempre pela liberdade do indivíduo, para que novos usos sejam estimulados. Sua inserção pretende integrar-se a paisagem existente e permitir novas possibilidades de transição, ligando as vias que beiram o terreno através de rampas e escadas, gerando novos fluxos. Uma das premissas do projeto é integrar-se a topografia do terreno e organizar os usos de modo que as atividades cotidianas fiquem próximas ao acesso principal e tenham maior proximidade com a rua. O programa se distribui em um volume retangular que se eleva devido a topografia, sua materialidade translucida possibilita observar a cidade, as praças são pensadas como elementos de conexão das vias que beiram o terreno, que foi concebido a partir do estudo de diagramas que se seguem:


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Figura 07: Diagrama, definindo a volumetria. Fonte: acervo do autor

Na volumetria 1, o terreno dividido em dois níveis onde gerou um muro de 12 metros, tornou a travessia cansativa, na volumetria 2, o terreno é dividido em quatro níveis e a volumetria dividida/partida em dois blocos que gerou uma praça central dificultando a integração entre os dois blocos e seus usos e na volumetria 3, o terreno está dividido em quatro níveis como no diagrama anterior, mas os usos estão integrados ao terreno e entre si. Sendo ela a escolhida para utilizar como partido para desenvolver o projeto. Para vencer a altura total de 13m de desnível de maneira continua, foram utilizadas escadas rolantes e rampas, além dessas possibilidades de circulação o edifício conta com seis elevadores e escadas de emergência. O acesso que se relaciona com a Rua Guaratuba, possui uma praça rebaixada a 1m, que cria um ambiente mais tranquilo e acolhedor para aqueles que se usufruem do espaço de convivência e da praça de alimentação nesse mesmo nível, o acesso ao estacionamento e serviço se dá pela Rua

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Guaratuba, que possui menor fluxo de pessoas e veículos facilitando assim esses acessos.

Figura 08: Corte: acervo do autor Os usos foram organizados de maneira que o térreo (cota 798), primeiro pavimento e o segundo pavimento tenham espaços com atividades convidativas e cotidianas como exposições, convivência, oficinas, espaços multiuso e de alimentação. O terceiro e o quarto pavimento abrigam atividades mais

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especificas como o espaço da biblioteca, o auditório e a administração, o quinto, sexto e o sétimo pavimentos são dedicados a atividades físicas e esportivas, como espaços para o desenvolvimento de atividades físicas, quadra e piscina, o quinto pavimento conta com uma praça com lanchonete para atender principalmente o público que está no setor esportivo, na praça o espelho d’água cria um ambiente agradável, nesse pavimento é possível olhar a cidade de um ponto alto e contempla-la.

Figura 09: Esquema de usos. Fonte: acervo do autor

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Concurso de projetos. Concurso SESC Franca – 1º Lugar. Disponível em:<https://concursosdeprojeto.org/2013/04/15/concurso-sesc-franca-1o-lugar/>. Acesso em: 09 de abr. 2018 DINIZ, Sibelle C; FARIA, D. M. Cultura e Desenvolvimento Local: uma aposta possível? – Um estudo a partir do caso de Brumadinho, Minas Gerais. 2012. 19f. Artigo – CEDEPLAR/UFMG, Minas Gerais, 2012. LUIZ , Camargo L. O que é Lazer: 3. ed. São Paulo: Editora brasiliense Monolito, São Paulo, v. 33, Sesc SP, 2016. SANTOS, José L. O que é Cultura: 16. ed. São Paulo: Editora brasiliense,1996 CAMARGO. TELLES, L. O ser político recriando os espaços do CCSP. Web Radio TV CCSP.2012.Disponível em <http://www.centrocultural.sp.gov.br/30anos/luiztelles_video.html>. Acesso em: 08 mai. de 2018

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Referências


Arquitetura Penitenciária Penitenciária de Segurança Mínima Elaine Cristina Pedroni Rabelo de Jesus Orientador: Prof. Esp. Artur Forte Katchborian

Figura 01: imagem parcial da penitenciária de segurança mínima de Sales – fonte: acervo da autora

Resumo O crescimento carcerário tem tomado proporções cada vez maiores, as penitenciárias seguem progressivamente lotadas, com um ambiente insalubre e de difícil convivência. Esse trabalho propõem a criação de um espaço penitenciário humanizado, baseado na lei de execução penal e suas diretrizes. A partir de uma análise dos dados carcerários e dos espaços penitenciários existentes, surge a proposta dessa penitenciária que tem a arquitetura como um instrumento de ressocialização e humanização dos indivíduos, para que posteriormente os mesmos possam contribuir de maneira adequada e eficiente com a sociedade da qual ele foi

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temporariamente excluído.


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Introdução Na lei de execução penal, é prevista uma ordenação e divisão dos indivíduos de acordo com sua personalidade e seus antecedentes. Logo conclui-se que, a população carcerária não é um conjunto de pessoas exatamente iguais apenas por que cometeram algum tipo de crime. Essa segmentação é necessária para que se possa criar programas individualizados, fazendo com que se aplique de forma justa a pena ao indivíduo resignado ao cárcere. Atualmente, no nosso país ainda não há um projeto penitenciário que favoreça a execução penal individual, como orienta a lei de execução penal. Basicamente não existem políticas públicas que proporcionem diretrizes específicas à arquitetura penitenciária, infelizmente os manuais que dispomos hoje, contém erros e parâmetros ultrapassados e as vezes inconcebíveis. Os projetos existentes não levam em conta a diversidade e nem as necessidades da população carcerária, que mesmo estando privadas de sua liberdade, não deveriam ser privadas de sua dignidade enquanto seres humanos. A segurança, que muito embora seja crucial para estes projetos, tem sido utilizada de maneira errônea, como único objeto norteador desses espaços. Que se traduzem em projetos caros, insalubres e obsoletos. É necessário desatrelar-nos dos arquétipos atuais, que em sua maioria baseiam-se em preconceitos e pensamentos antiquados que não mais se aplicam a sociedade atual. A arquitetura penitenciária deve ser pensada para pessoas, com projetos funcionais e não caixas de concreto austeras. A proposta deste projeto é a criação de um espaço penitenciário capaz de cumprir sua função de ressocialização do indivíduo. Existem diversas teorias sobre a relação entre o homem e o espaço, que nos levam a conceituar a arquitetura como um instrumento fundamental para o cumprimento desta função. Não intenciono solucionar a crise carcerária com um projeto revolucionário, mas sim a concepção de um novo arranjo arquitetônico que possa influenciar de maneira positiva no comportamento do indivíduo encarcerado. Sendo assim, criou-se um espaço cuja conjuntura em nada remete a uma penitenciária, permitindo que os indivíduos que ali permanecerem, não se sintam marginalizados, mas sim que estão em um espaço de aprimoramento pessoal que os irá capacitar para contribuir de maneira efetiva com a sociedade. O cerne do projeto é a ressocialização por meio da educação, com isso, cada unidade de vivência terá um andar exclusivo com salas de aula, laboratórios e oficinas para que o tempo de cumprimento da pena

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seja melhor aproveitado. Proposição Atualmente a plástica convencional da arquitetura penitenciária não tem proporcionado condições para a integração social do apenado. Para garantir que as principais exigências da LEP sejam cumpridas o edifício foi dividido em setores, mantendo a segurança dos funcionários e também dos internos.

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O terreno tem 128.000m², conta com 4 módulos de vivência e educação onde os presos serão separados por nível de periculosidade. Cada módulo contém 28 celas que comportam 2 indivíduos e no último andar tem 30 celas individuais. Diferente dos outros espaços penitenciários, os módulos disponibilizam de um andar com salas de aula, oficinas e uma biblioteca. A ideia é que os presos possam ter acesso à educação básica e cursos profissionalizantes, podendo trabalhar dentro da penitenciária após esses cursos para se aperfeiçoarem. A penitenciária tem regime fechado e um número reduzido de internos, para que se cumpra de fato a sua função de ressocializar. Atualmente, temos em média quase 2 mil presos dentro de penitenciárias projetadas para um número infinitamente menor, o que resulta na crise que o sistema carcerário vive a décadas: Superlotação, falta de infraestrutura básica e péssimas condições para viver. Por se tratar de uma penitenciária de segurança mínima, a vigilância por torres foi sumariamente descartada. Todo o complexo contará com monitoramento eletrônico em pontos estratégicos e imperceptíveis, recriando um sistema quase panóptico. As celas foram projetadas seguindo os padrões exigidos, porém utilizou-se uma média entre a maior e menor área sugerida. Comportam dois indivíduos, contém acessórios hidro sanitários. exceto chuveiro pois os banhos ocorrerão em banheiro coletivo no andar térreo de cada módulo de vivência.

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Figura 03: Entrada da administração da penitenciária – Fonte: Acervo da autora

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Figura 02: vista isométrica do projeto. Fonte: acervo do autor


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Figura 04: Planta do andar educacional no módulo de vivência.

Figura 05 – Imagem do módulo de vivência – Fonte: Acervo da autora

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Figura 06 – Entrada do espaço polivalente – Fonte: Acervo da Autora. O espaço polivalente funciona como uma barreira limitadora entre o espaço externo, onde circulam visitantes e funcionários da penitenciária, e o espaço interno que é de uso exclusivo dos indivíduos encarcerados. O espaço foi planejado para que os visitantes se sentissem confortáveis, respeitando o limite entre o espaço dos indivíduos presos no qual não devem ter acesso. Uma das principais reclamações desses indivíduos no que se diz respeito ao espaço, era justamente o ambiente que eles dispõem para receber seus familiares, a ausência de um lugar amplo, agradável e confortável é um dos motivos principais de revolta dos presos, pois os mesmos alegam em diversas

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entrevistas e documentários que se sentem constantemente subjugados ao verem seus familiares passando humilhação e desconforto nos dias de visita.

Figura 07: Espaço polivalente em dia de visitação – Fonte: Acervo da autora.

Figura 08: Varanda do espaço de visita íntima – Fonte: Acervo da Autora O espaço de visita íntima é no mesmo módulo onde eles recebem a visita, porém está localizado no segundo andar para maior controle e privacidade durante estas visitas. O ambiente conta com 12 suítes e sala de vigia central.

Figura 09 – Planta de detalhamento das suítes do módulo de visita intima – Fonte: Acervo da Autora

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KAHN, Tulio – Além das Grades – Radiografia e Alternativas ao sistema prisional (Kindle) MEDEIROS, Andrezza Alves, 1982 – Sistema Prisional Brasileiro crise e implicações na pessoa do condenado – 1ª edição – São Paulo: Letras Jurídicas, 2007. NOVO, Benigno – A educação Prisional como instrumento de recuperação (Kindle) SÁ, Alvino Augusto de – Criminologia Clínica e Psicologia Criminal – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007. ZEVI, Bruno, 1918 – Saber ver a arquitetura / Bruno Zevi; Tradução (de) Maria Isabel Gaspar e Gaetan Martins de Oliveira – São Paulo: Martins Fontes. 1978.

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Referências


Glicério Ensaios propositivos de transformação urbana Fernanda Oliveira Mira de Assumpção Orientador : Prof. Dr. Felipe Noto

Figura 01 : Glicério. Fonte: acervo do autor

Resumo Este trabalho parte do meu interesse pessoal em entender os impactos das formas de ocupação de refugiados na cidade. Assim fui parar no Glicério. As questões problemáticas do

problemas encontrados, das mais diversas áreas de conhecimento, faço uma análise do bairro sob minha perspectiva e ensaios diretrizes a fim de propiciar melhor qualidade de vida para as pessoas mantendo a memória do Glicério.

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vida e oportunidade de acessos tal como a dos brasileiros que lá vivem. Dentre tantos

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bairro não se fundamentam pela ocupação desses imigrantes, mas afetam sua qualidade de


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Introdução A área central de São Paulo, é a região mais bem servida de infraestrutura, equipamentos e acessos na cidade. Assim, pressupõe-se que, de maneira geral, as pessoas que moram no centro vivem em condições mais privilegiadas por estarem inseridos neste meio.

O bairro do Glicério se destaca deste

contexto. Apesar de estar ao lado do marco zero da cidade e ser vizinho de bairros tradicionais como a Bela Vista e a Liberdade, o Glicério se apresenta como um recorte urbano esquecido e negligenciado. A área é tida como insegura até pelos próprios moradores e não tem atrativos de nenhuma natureza. Assim, o fluxo de pessoas nas ruas é dado, via de regra, pela necessidade de se cruzar o bairro, já que ele faz parte do centro.

A falta de segurança é justificada em parte, pela má iluminação, vielas e becos

que se confundem com a continuidade das ruas e a grande quantidade de terrenos subutilizados. Esses terrenos, muitas vezes, ocupam quase que a quadra toda, deixando ruas desertas em certos horários. Mesmo com essa oferta de terrenos na área, não vemos um interesse de mercado tão intenso como vemos no restante do centro. No bairro, encontramos apenas duas obras de um grande empreendimento em andamento e um edifício recém construído. Ambos, nas bordas do bairro.

A questão da moradia

também se apresenta de forma precária. Pelo bairro, encontramos diversas placas de pensões em sobrados pequenos degradados, autoconstruções ou até mesmo grandes edifícios que sublocam quartos oficialmente. Entre os moradores do bairro existe uma grande diversidade de etnias. A paróquia Nossa Senhora da Paz acolhe a abriga em uma casa de passagem imigrantes e refugiados de mais de 13 nacionalidades. A partir de 2014 o movimento de migração para o Brasil aumentou, e muitas destas pessoas que em primeiro momento são atendidos pela paróquia, acabam ficando no bairro pela dificuldade de acesso á moradia formal e pelo vinculo criado com os serviços prestados pela organização da igreja.

O viaduto e suas alças, começam a subir enquanto cruzam o bairro e resultam

em uma extensa área de baixios. Por sua vez, essas áreas geram aglomeração de pessoas em situação de rua e acumulo de lixo. Esses baixios coincidem com o gabarito de alturas dos sobrados ao seu redor causando, do ponto de vista da rua, uma sensação se sufocamento das edificações. Os impactos disso se refletem na paisagem de forma evidente. Inspirada pelo projeto urbano de Medellin, faço uma análise do bairro a partir de dados oficiais e por observação e averiguação a fim de entender as origens dos problemas mais emergenciais e pensar em alternativas de intervenção que oportunizem melhor qualidade de vida para as pessoas diretamente afetadas e tenham um impacto positivo no seu entorno. Proposição

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A análise do território passa por adensamento de cortiços, verticalização do bairro, uso do solo, áreas livres de edificação públicas e privadas, terrenos subutilizados, trabalho realizado pela missão paz e ocupação dos espaços por refugiados. A partir do cruzamento dessas informações levantadas, sintetizo as demandas do Glicério da seguinte forma: adensamento de habitações, degradação do eixo comercial, falta de equipamentos, terrenos subutilizados e infraestrutura da Missão Paz. Estas são as cinco frentes de demandas a serem enfrentadas por um plano urbano de diretrizes gerais e tipologias de intervenção que visam a qualificação dos espaços mantendo a memória local.

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Diretrizes gerais para o bairro: 1) Remoção do viaduto: o plano propõe a remoção do viaduto do Glicério pois considera pelos levantamentos, que ele seja o maior causador da degradação do bairro e dos índices de violência. Assim, a remoção do viaduto dá lugar a uma área de parque e o eixo da radial leste que passa pela área se dá de forma subterrânea (figura 2)*; 2) Desadensamento de cortiços; 3) Consolidação da rua do Glicério como eixo comercial; 4) Garantia de acessos pela comunidade; 5) Estímulo a produção de habitação;

*Figura 02 : Corte esquemático para trecho subterrâneo proposto.

Soluções tipológicas de intervenção:

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Figura 03: Potenciais áreas para intervenção

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Para atender as diretrizes gerais, ensaio três tipos de intervenção que se adequem as áreas sugeridas resultantes da análise do diagnóstico do bairro.


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Os tipos de intervenção se dão da seguinte forma: - Tipo 1 A: Consiste em remover ocupações no miolo de quadra, criar um acesso e implantar edifícios de 5 pavimentos sob pilotis na área desocupada. - Tipo 1 B: Consiste em desadensar cortiços que fazem frente a praça mantendo os sobrados da rua dos estudantes e reconstruindo o perímetro oposto da quadra com áreas de comércio que atendam o parque. - Tipo 2 A: Em áreas removidas na rua do Glicério, ocupar a frente do lote com edifício comercial que siga o gabarito de altura dos vizinhos e, verticalizar o miolo do terreno com edifícios habitacionais de 10 andares sob pilotis. - Tipo 2 B: Em áreas na rua do Glicério que as remoções propiciem o cruzamento da quadra, se propõe que este seja feito através de calçadas de pedestre com edifícios de uso comercial ocupando à margem. - Tipo 3 A: Tem como objetivo dar uso residencial a terrenos amplos oriundos de remoções. Seguindo o partido de trazer áreas de respiro para o bairro, esses edifícios são implantados no limite do terreno formando um pátio interno. - Tipo 3 B: Tem como objetivo ocupar terrenos livres que foram desocupados de forma muito pontual com edifícios de equipamentos que ocupem o terreno respeitando o gabarito de altura do vizinho.

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Figura 04: tipos de intervenção 1

Figura 05: tipos de intervenção 2

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Figura 06: tipos de intervenção 3

Referências KOWARIK, Lúcio, Viver em Risco, Editora 34, São Paulo,2009 UNA arquitetos, Plano Urbanístico parque Dom Pedro II, São Paulo, 2010 IZABEL, Mendes, Programa favela bairro: uma inovação estratégica?, Pós Graduação FAU USP, São Paulo, 2006 PREFEITURA, São Paulo, Programa Morar no Centro, São Paulo, 2010

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PREFEITURA, Medelin, Plano integral único , Medelin, 2010


GRAACC Ampliação através do redesenho de quadra Gabriela de Oliveira Lira Orientador: Prof. Dr. Felipe Noto

Figura 01 : Esquema de implantação e materialidade das fachadas. Fonte: Produzida pela autora.

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Este trabalho apresenta proposta de ampliação do hospital de oncologia GRAACC através do redesenho da quadra em que a instituição se encontra. Ao estudar o programa existente e a forma como está organizado atualmente, optou-se por redistribui-lo priorizando o assistencial, portanto foi necessário deslocar o administrativo para um edifício novo. Por não se tratar de uma quadra verticalizada e entendendo que a construção dos novos edifícios é inviável sem a verticalização dos mesmos, enfrentou-se a adversidade: como usar o gabarito a favor e conectar edificações privadas com o espaço público?

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Resumo


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Introdução O Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos criada a fim de garantir a crianças e adolescentes o direito de alcançar as possibilidades de cura com qualidade de vida. Atualmente o GRAACC possui quatro imóveis no bairro Vila Clementino em São Paulo, estas construções não são suficientes uma vez que a quantidade pessoas na lista de espera para conseguir o tratamento é alta e não há espaço suficiente para os colaboradores. A partir deste cenário, foi detectada a necessidade de ampliação com um Anexo Assistencial e um Anexo Administrativo. Ao estudar o programa do hospital e como está organizado, optou-se por redistribuí-lo priorizando os programas assistenciais, desta forma pode-se esvaziar pavimentos completos. Nos dias atuais o hospital atende pacientes do Brasil inteiro e os que não residem na cidade São Paulo podem se abrigar em uma Casa de Apoio com seu acompanhante. A Casa Ronald McDonald recebe majoritariamente pacientes do GRAACC, ao aumentar a quantidade de atendidos, a lista de espera da Casa tende a crescer ainda mais, portanto, para atenuar este fato, constatou-se a importância de uma Casa de Apoio na implantação. Após os levantamentos dos dados e desenvolvimento do programa, concluiu-se que o projeto interfere intensamente na quadra, portanto é necessário que a mesma seja redesenhada respeitando suas características e criando espaços de transição entre a rua e o edifício.

Figura 02 : Edifícios verticais assistenciais pertencentes ao GRAACC. Fonte: https://aflalogasperini.com.br/blog/project/graacc/

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Para alcançar o objetivo teve-se como referência projetual o complexo habitacional 149 Rue Des Suisses, autoria dos arquitetos suíços Herzog & De Meuron. Localizado em uma área residencial típica no sul de Paris, o projeto é composto principalmente por três edifícios. Conclui-se que projetos que, ao integrar o novo ao antigo, ocupam espaços respeitando e entendendo o entorno existente, demonstram como edifícios contemporâneos podem costurar quadras urbanas e otimizar espaços aparentemente perdidos. Para além, foi estudado o projeto desenvolvido pelo Metroo Arquitetos Associados, para a Ladeira da Barroquinha, eixo de ligação da Cidade Alta com a Cidade Baixa, em Salvador. O projeto leva em consideração a importância do patrimônio histórico e como conciliar os diversos usos existentes e desejados para o importante trecho. Contudo, o novo desenho da é resultado da organização de usos, permitindo e integrando o caminhar continuo e rápido, com o caminhar de permanência para contemplação, consumo ou descanso.

Figura 03 : 149 Rue des Suisses. Fachada Rue de Jonquoy. Fonte: http://housingprototypes.org

Figura 04 : Ladeira da Barroquinha. Fonte: Produzida pela autora.

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Proposição Para garantir fluidez da quadra foi projetada a Rua de Pedestres que consiste em grandes platôs que além de coincidirem com os patamares da rampa projetada na lateral, possibilita a construção de barracas As cidades podem apresentar aspectos, contudo para tem como organização a rua. Ao analisar uma temporárias para feiras. A Rua diversos possui também escadarias fluxo rápido e ininterrupto, e degraus com quadra estamos na escala mais aproximada da malha urbana e, a partir dessa aproximação, pode-se fazer espelhos maiores para que o transeunte possa sentar e permanecer. Pensando em atrair mais público o a leitura de queeouma edifício é o elemento e o lote fundiária que elenos se insere segundo bazar pequena oficina desucinto artesanato dos parcela voluntários foramem colocadas platôs fazendo da nova divisão cadastral, destainstalada forma osno domínios públicos e privados são separados. Portanto, a quadra não é rua, além da biblioteca prédio das habitações. entendida como uma forma arquitetônica por si só, visto que é o agrupamento dos edifícios autônomos e o espaço resultante do traçado das vias. Inserida na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana e localizada na Vila Clementino – São Paulo, a quadra na qual o objeto de estudo deste trabalho se desdobra, é classificada como ZEU (Zona Eixo de Estruturação e Transformação Urbana), por definição da Prefeitura da cidade de São Paulo, ZEUs são áreas que estão inseridas no eixo de transformação e correspondem a 18% da área total da cidade. A principal característica destes territórios é aproximar a população do transporte público.

Figura 05 : Perspectiva da quadra analisada com existente; uso do solo real; ocupação Figura 08 : Corte AA;volumetria corte BB; do corte CC. Fonte: Produzida pela autora. GRAACC e não-GRAACC; topografia. Fonte: Produzida pela autora.

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Há setores administrativos instalados nos dois edifícios verticais, ao realocá-las para o novo Anexo ARQUITETOS,pode-se Aflalo Gasperini. GRAACC. Administrativo ceder o espaço para Disponível ampliação em: dos programas assistenciais em um edifício que já <https://aflalogasperini.com.br/blog/project/graacc/>. Acesso em:ampliação 10 de março 2018. possui infraestrutura hospitalar. Tal decisão diminui o custo para dasde especialidades clínicas do DELAQUA, Victor. Ladeira da Barroquinha/Metro Arquitetos Associados. Disponível hospital. Após os diagnósticos da alta demanda de pacientes pode-se concluir que um novo deve em: ser <https://www.archdaily.com.br/br/781582/ladeira-da-barroquinha-metro-arquitetos-associados>. construído e, devido a ampliação da área assistencial graças ao remanejo do programa existente, oAcesso anexo previsto não precisa extenso. em: 14 de agosto de ser 2018. GUERRA, Abilio. Quadra aberta: uma tipologia urbana rara em São Paulo. Disponível em: A organização da implantação das construções surgiu, basicamente, com três finalidades: 1- afastar o <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.124/3819>. em: 10 de julho de 2018.com os bloco com as habitações da rua, devido ao barulho dos carros; 2-Acesso conexão contínua dos anexos GRAACC. Quem somos. Disponível em: <https://graacc.org.br/quemsomos/>. Acesso em: 04 de abril de hospitais existentes; 3- permitir ao transeunte permear a quadra. 2018. Nesse sentido com base node desenvolvimento teórico, pela ocupação possibilitando JACOBS, Jane.e Morte e vida grandes cidades. 3. ed. optou-se São Paulo: WMF Martinsperimetral Fontes, 2011. 296 p. integração das edificações privadas com o espaço público que as envolve, além de deixar o miolo da MEURON, Herzog & De. 149 Rue de Suisses Apartment Biuldings. Disponível em: quadra livre de construções e desobstruído. Portanto utilizou-se mais dois lotes da quadra. <https://www.herzogdemeuron.com/index/projects/complete-works/126-150/149-rue-des-suissesapartment-buildings.html>. Acesso em: 19 de abril de 2018.

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Referências


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Figura 06 : Em rosa lotes adicionais; em azul lotes pertencentes ao GRAACC. Fonte: Produzida pela autora.

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O volume do Anexo Administrativo foi implantado na cota mais baixa e escalonado, tal decisão tornou possível a concepção do vazio central que auxilia na iluminação natural. O bloco dos consultórios surgiu visto que atualmente os pacientes que vão para consulta e os pacientes que estão em tratamento, não tem fluxos separados.

Figura 07 : Esquema do partido projetual. Fonte: Produzida pela autora. As Casas de Apoio abrigam pacientes e acompanhantes que não possuem familiares na cidade onde o hospital se encontra, tampouco condições para custear tratamento e estadia. Contudo, ao expandir a quantidade de crianças e adolescentes atendidos, a lista de espera da Casa de Apoio Ronald McDonald, que atende majoritariamente pacientes do GRAACC, tende a crescer ainda mais, portanto projetou-se um edifício com habitações.

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Para garantir fluidez da quadra foi projetada a Rua de Pedestres que consiste em grandes platôs que além de coincidirem com os patamares da rampa projetada na lateral, possibilita a construção de barracas temporárias para feiras. A Rua possui também escadarias para fluxo rápido e ininterrupto, e degraus com espelhos maiores para que o transeunte possa sentar e permanecer. Pensando em atrair mais público o segundo bazar e uma pequena oficina de artesanato dos voluntários foram colocadas nos platôs da nova rua, além da biblioteca instalada no prédio das habitações.

Figura 08 : Corte AA; corte BB; corte CC. Fonte: Produzida pela autora.

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ARQUITETOS, Aflalo Gasperini. GRAACC. Disponível em: <https://aflalogasperini.com.br/blog/project/graacc/>. Acesso em: 10 de março de 2018. DELAQUA, Victor. Ladeira da Barroquinha/Metro Arquitetos Associados. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/781582/ladeira-da-barroquinha-metro-arquitetos-associados>. Acesso em: 14 de agosto de 2018. GUERRA, Abilio. Quadra aberta: uma tipologia urbana rara em São Paulo. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.124/3819>. Acesso em: 10 de julho de 2018. GRAACC. Quem somos. Disponível em: <https://graacc.org.br/quemsomos/>. Acesso em: 04 de abril de 2018. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011. 296 p. MEURON, Herzog & De. 149 Rue de Suisses Apartment Biuldings. Disponível em: <https://www.herzogdemeuron.com/index/projects/complete-works/126-150/149-rue-des-suissesapartment-buildings.html>. Acesso em: 19 de abril de 2018.

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Referências


Arquitetura do Transporte Estação intermodal em Osasco Giovanna Rocha Sampaio Orientador : Prof. Esp. Artur Forte Katchborian

Figura 01 : perspectiva da entrada principal da estação

Resumo O elemento central deste trabalho é o estudo dos meios de transporte e suas conexões, assim como o surgimento do município de Osasco em torno da estação de trem e sua ligação histórica com a linha férrea que acabou por dividir a cidade. Tem como objetivo final a realização do

localizados bem próximos. Incentivando assim o uso do transporte público, e trazendo mais qualidade, conforto e segurança para os usuários.

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integre a estação de trem aos terminais Norte e Sul de ônibus urbano e a rodoviária, que estão

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projeto arquitetônico de uma estação intermodal localizada no centro da cidade de Osasco que


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Introdução A partir de minha vivência como moradora de Osasco, identifiquei a necessidade de melhora em um dos pontos mais críticos da cidade, o transporte público. Assim como outros lugares do Brasil, a cidade de Osasco apresenta grande déficit nesta área, com terminais e estações degradados, ônibus atrasados ou com longos intervalos e infraestrutura subdimensionada para a demanda local. Resolvi então estudar mais a fundo as questões e necessidades do município, chegando à ideia de projeto arquitetônico para uma estação intermodal. Esta abrigará os modais de transporte ali presentes, trazendo mais qualidade para quem já utiliza transporte público, e mais tarde também para novos usuários. A estação trará aos usuários, um espaço mais agradável tanto de passagem, quanto de permanência, melhor distribuição de dependências e acessos, que atendam a demanda de pessoas que utilizam o local, e valorização das áreas verdes e espaços públicos do entorno sempre priorizando o pedestre, transeunte e usuário de transporte público. De acordo com Márcio Silveira: A questão é, quaisquer que sejam os modos/modais de transporte ou a combinação de modos de transportes, esses devem operar em um espaço organizado para tal, com densidades urbanas e teor social adequados para cada tipo de modo e modal escolhido. (2013, p. 48) Referências e estudos de caso Utilizei como referência para meu projeto as estações intermodais: Build Away the Barriers (BIG), Estação de Guangzhou (TFP Farrells) e ARTIC (HOK). Ambos prezam pela preferência do pedestre, trazem infraestrutura para dentro da estação como praças de alimentação e lojas, fazem distribuição de fluxos acertadamente e conectam os lados da cidade que são cortados pela linha do trem, assim como em meu projeto.

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Figura 02: esquema mostra a pretensão de conexão entre os dois lados da cidade (BIG Architects)

Figura 03: corte da estação de Guangzhou mostra a conexão dos modais e hierarquia de coberturas

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Proposição O transporte intermodal é caracterizado pela junção de dois ou mais modais de transporte, um local de acesso que distribui os usuários de modo acertado para que realizem embarques e desembarques. Neste caso temos em seu entorno imediato, os terminais de ônibus urbano Norte e Sul e a rodoviária da cidade, além de um estacionamento da rodoviária e um bicicletário pertencente a estação férrea, totalizando aproximadamente 45.000m² de área.

Figura 04: setorização dos modais existentes Neste projeto, sugiro que seja feito um hub – distribuidor central de fluxos de usuários para embarque, desembarque e acesso aos modais, a reformulação da plataforma da linha férrea, centralizando-a ao hub no sentido longitudinal, a demolição da atual rodoviária que se encontra muito degradada, para que tenha seu acesso feito via plataformas, e coberturas que levam aos dois terminais de ônibus e também a rodoviária. Por todo o distribuidor central de fluxos e no acesso ao terminal Sul, estão localizados espaços para montagem de lojas e quiosques que sejam pertinentes as necessidades dos usuários, como: mini mercados, cafés, lanchonetes e vestuário que vão de 28 a 90m². Além disso, nele também estão localizados os banheiros de caráter público e a área técnica de funcionários da CPTM. Neste mesmo corredor de acesso ao terminal Sul, está localizada a segunda grande abertura na laje para conexão indireta com a praça que está localizada logo baixo, trazendo uma visão mais ampla para os usuários que ali estão passando e para as pessoas que estão usando a praça, esta abertura impede o sombreamento total da mesma, pois acima da abertura na laje do piso, existe uma abertura zenital que

que seguem a inclinação do sentido em que o ônibus entra. No mezanino encontramos 10 guichês para acomodação de companhias de viagem dedicados à venda de passagens para os usuários, salas de espera para embarque e uma sala com acesso restrito, dedicada ao descanso e espera dos motoristas das empresas ali presentes. O acesso às plataformas é dado por escadas fixas e elevadores, um para cada plataforma.

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Para a rodoviária, também acessada através do mezanino, criei plataformas de embarque e desembarque

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cumpre essa função.


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Figura 05: planta térreo A ideia é que o fluxo de pedestre não se misture com o fluxo de automóveis, assim todo o deslocamento de pedestres é feito pelo mezanino, ele sobe compra seu bilhete e embarca de modo acertado no modal desejado. Enquanto isso, abaixo do mesmo, os automóveis se deslocam, tanto os carros quanto os ônibus

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que atendem aos terminais e à rodoviária.

Figura 06: planta mezanino

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Figura 07: corte DD, passando pelas plataformas do trem e evidenciando estrutura em treliça.

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Referências ARCHDAILY. Big propõe projeto de remodelação da estação ferroviária de västerås, suécia. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/768796/big-propoe-projeto-de-remodelacao-daestacao-ferroviaria-de-vasteras-suecia>. Acesso em: 08 mar. 2018. ARCHDAILY. Centro regional de transporte intermodal anaheim / hok. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/770064/centro-regional-de-transporte-intermodal-anaheim-hok>. Acesso em: 14 mai. 2018. ARCHDAILY. Disponível em: Estação ferroviária sul de guangzhou. <https://www.archdaily.com.br/br/01-71215/estacao-ferroviaria-sul-de-guangzhou-tfpfarrells?ad_medium=widget&ad_name=recommendation>. Acesso em: 02 abr. 2018. CPTM. Nossa História. Disponível em: <https://www.cptm.sp.gov.br/a-companhia/Pages/NossaHistoria.aspx>. Acesso em: 04 set. 2018. EMTU. Itinerários e tarifas. Disponível em: <http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/itinerarios-e-tarifas.fss> Acesso em: 05 set. 2018. HAGOP GARAGEM. Disponível em: Osasco antiga história de osasco. <http://www.hagopgaragem.com/osasco_historia2.html>. Acesso em: 20 abr. 2018. NIGRIELLO, Andreina; OLIVEIRA, Rafael Henrique De. A rede de transporte e a ordenação do espaço urbano. Revista dos transportes públicos - ANTP, São Paulo, v. 35, p. 101-121, abr. 2013. PREFEITURA DE OSASCO. Disponível em: Informações sobre a cidade. <http://www.osasco.sp.gov.br/home>. Acesso em: 20 ago. 2018. ROLNIK, Raquel; KLINTOWITZ, Danielle. (I)moblilidade na cidade de São Paulo. Estudos Avançados, São Paulo, v. 25, n. 71, p. 89-108, jan. 2011. SILVEIRA, Márcio Rogério; COCCO., Rodrigo Giraldi. Transporte público, mobilidade e planejamento urbano: contradições essenciais. Scielo, Santa Catarina, v. 27, n. 79, p. 41-53, out. 2013.

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Figura 08: Perspectiva interna evidenciando a estrutura metálica vermelha que define o HUB e as lojas.


Arquitetura Escolar e a metodologia “Fazer a Ponte” Guilherme Pessoa Fontana Orientador : Prof. Mestre Marcelo Ursini

Figura 01: Render interno da escola. Fonte: acervo do autor

Resumo Este trabalho tem como principal objetivo projetar uma escola com a metodologia de

conceber um espaço adequado para tal atividade tão específica. O intuito do trabalho não é de defender e nem de criticar a metodologia tradicional ou a da Ponte, e sim, de analisar a “Fazer a Ponte” por meio de pesquisas e dados sobre o tema e conceber uma escola na cidade de São Paulo com o espaço ideal para esse programa.

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da Ponte para compreender seu funcionamento e distinções do ensino tradicional e como

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ensino alternativa “Fazer a Ponte”. Para isso, foi realizado coleta de dados sobre a própria Escola


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Introdução Localizada no distrito de Porto, Portugal, a Escola da Ponte é uma instituição pública de ensino que oferece educação básica através de um método pedagógico alternativo para crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos. Após uma ditadura de 48 anos no país, as escolas públicas se encontravam em altos níveis de precariedade, e como solução, um grupo de pedagogos junto com José Pacheco decidiram inovar e elaborar uma proposta diferente, criando a Escola da Ponte: um ensino sem séries, ciclos, avaliações e com uma arquitetura que permite a convivência, os estudantes não ficam em salas compartimentadas, mas sim em espaços amplos e abertos. Hoje, a Ponte, junto com a sua metodologia alternativa, é uma referência mundial de ensino. O objetivo da metodologia sem divisão por séries, segundo Pacheco, é educar os alunos com cidadania e autonomia. “Resolvemos mudar quando percebemos que os educadores não tinham essas características, havia apenas a obediência hierárquica comum no funcionalismo público. Ninguém dá O que não tem, muito menos ensina aquilo que não é”, afirma.

Figura 03: Fonte: acervo do autor Figura 04: Fonte: acervo do autor Em vez do professor como principal fonte de conhecimento e alunos escutando-o discursar por horas. Na Ponte, o professor orienta os alunos a como pesquisar, questionar e absorver as informações que eles obtêm através de livros, filmes, internet etc (fig. 03).

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No ensino tradicional, a área de atuação do professor é pequena. De frente aos alunos, escrevendo na lousa. A configuração da sala é com fluxo monótono, carteiras enfileiradas. Há várias turmas distintas separadas por salas. Na Ponte, o professor usufrui de todo o espaço educacional, permitindo que o próprio aluno caminhe pela sala. Dentro da sala, há grupos diferentes de alunos de “turmas” distintas, porém não divididos ou separados, pelo contrário, estudam e trabalham um do lado do outro (fig. 04).

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Partido Arquitetônico Situado na Rua Aymorés, o lote possui 7000m² e está próximo da Represa do Guarapiranga. Sua escolha para implantação deste projeto se deu devido suas características morfológicas que, somado ao baixo gabarito das edificações do entorno, permite volumetria horizontal.

Figura 05: Diagrama Inicial do Partido Arquitetônico Fonte: acervo do autor Figura 06: Diagrama Final do Partido Fonte: acervo do autor Inicialmente implantou-se blocos estrategicamente ao longo do terreno, criando entre eles áreas livres privadas para permanência, porém essas áreas ficam muito expostas sendo necessário fechá-las por completo para a cidade, o que dificulta a integração da escola com o meio urbano (fig. 05); Como solução, os blocos foram reorganizados alinhando-se na direita do terreno, deixando o outro lado totalmente livre. Assim sendo, os blocos, os quais cada um tem sua função, foram cobertos por uma envoltória, criando ambientes abertos, porém protegidos do meio externo, que funcionam como espaços multiuso (fig. 06).

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Figura 07: Esquema organizador do programa escolar

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Programa


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Figura 08: Isometria explodida (sem a envoltória) com a cor correspondente ao esquema programático

Figura 09: Corte transversal

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Ainda que o programa tenha sido repartido por caixas distribuídas dentro da envoltória, sua distribuição se deu de forma que houvesse ligação ora física através das circulações verticais, ora visual através da disposição das caixas e ora programática, como por exemplo o Foyer, que abre para a praça externa, consegue atender a quadra em eventos esportivos e, também, ao auditório (fig. 07). O saguão central possui arquibancada com frente para o Auditório cujo palco pode abrir quando necessário. Enquanto que os programas administrativos (bloco verde, fig. 08) foram organizados fora da caixa principal, resultando num bloco que serve de barreira física para a área aberta da escola. O grande espaço de pesquisa, estudo e ensino se localiza no último pavimento do bloco educacional (vermelho, fig. 07), em um espaço único e aberto, que compartilha o mesmo espaço da biblioteca e dos computadores, dando o hábito de pesquisar e produzir um caráter mais primário. O pavimento intermediário abriga todo programa que exigia um espaço rígido e fechado, como por exemplo: sala de música, laboratório, banheiro etc. Por fim, decidiu-se deixar no térreo perto da entrada o primeiro ciclo das crianças mais novas. Como pode notar na figura 09, o projeto é protegido por uma casca de madeira laminada, sustentada por um pórtico do mesmo material de 25 metros de vão livre. A casca também possui aberturas para iluminar e ventilar a escola.

Referências

RIBEIRO, Marilia Gomes de Sá, Sistema Habitacional Efêmero: A construção emergencial para desabrigados, In: Revista Arco nº441, São Paulo, Janeiro de 2018 ESCOLA DA PONTE, Disponível em: <http://www.escoladaponte.pt/novo/>. Acesso em: 14 de Março de 2018.

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C. K. KOWALTOWSKI, Doris C., O Projeto do Ambiente de Ensino, Editora Oficina de Textos, São Paulo, 2011.

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ALVES, Rubem, Escola Com Que Sempre Sonhei Sem Imaginar Que Pudesse Existir, Papirus Editora, São Paulo, 2001.


Hostel Praça Hanna Hellen Silva Martins Orientador: Prof. Dr. Felipe Noto

Figura 01: Perspectiva Vista. Fonte: Acervo do autor

Palavras Chaves: hostel, hospedagem, hotelaria, design, albergue, praça.

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O presente trabalho tem como finalidade um estilo que hospedagem alternativa de um hostel localizado na cidade de São Paulo, inserido no contexto do tema de hotelaria e turismo. Dado o nome de Hostel Praça, que surgiu da utilização de espaços públicos, influenciando nas próprias edificações. O projeto oferecerá um estilo arquitetônico com presença de conforto, design e arte, através de seus ambientes construídos. Notamos em que São Paulo há um vasto número de hostels, porém em sua maioria não possui uma conexão clara com a cidade e o espaço público. No planejamento do trabalho serão apresentados os conceitos teóricos que justificam e apresentam a escolha do tema, desde o surgimento do hostel, e como foi seu crescimento até os dias atuais.

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Resumo


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Introdução A ideia de projetar um hostel se deu a partir do crescimento do mercado turístico nos últimos anos juntos com a expansão do segmento hoteleiro e dos meios de hospedagem no Brasil e no mundo. O ponto primordial do hostel é oferecer acomodações econômicas e de ótima qualidades. Ao se falar em albergues e hostels, logo se assemelha a um lugar com quartos apertados, com beliches, invariante bagunçados, com um público jovens viajantes em busca de troca de experiências e culturas diferentes. Ocorre que este conceito está mudando ao longe do tempo, e essa mudança se dá pela tendência da valorização do design dos espaços, com ambientes bem elaborados e decorados com elementos gráficos e obras de artes. A modernização desses estabelecimentos estipulados de Design Hostel, onde seria um novo modo de ser projetar um hostel. Tem atraído também não só viajantes, mas também outros mercados como os públicos jovens, simplesmente pelo fato de alguns hostels estarem oferecendo serviços como baladas, festas e bares.

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O programa de necessidades de um hostel pode ser bastante diversificado. Porém, apesar de se encontrar em considerável heterogeneidade, identifica-se uma setorização comum na maioria desses estabelecimentos. Por meio da análise de estudos de caso, foi possível, portanto, elaborar um programa que se estrutura da divisão de cinco setores: setor de administração, uso comum, acomodação, uso misto e serviços. Todas as áreas foram planejadas de acordo com as referências projetuais.

Figura 02: Vista Frontal. Fonte: Acervo do autor

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Proposição A proposta do projeto teve como ponto de partida e referencial teórico desenvolvido e o estudo das referências projetuais analisadas. Assim concebeu-se uma nova alternativa de hospedagem; um hostel em uma praça pública, que pretende ser projetada evidenciando o uso e a convivência coletiva através de sua arquitetura nos ambientes construídos. Buscou-se uma solução arquitetônica que valorizasse a criação de áreas comuns para o uso como um incentivo à convivência e a interação social. Para melhor divisão dos ambientes o projeto se deu através de dois blocos em formatos diferentes afim de uma relação com seu entorno. Os blocos permitem o fluxo de pedestre e a divisão do programa de necessidade, sendo assim então, foram denominados de bloco A e bloco B, classificando o A como a maior parte dos setores do hostel; e no B responsável por somente a parte de lazer e entretenimento dos hóspedes. O térreo do bloco A é o mais próximo da rua consequentemente da praça. Abriga a área do setor administrativo e a área comercial com acesso do público. As áreas de lazer e convivência externas são continuas por conta de térreo do bloco B que conta com o pé direito livre, trazendo assim fluidez no piso da praça. Para atender a um público diversificados foram criadas modalidades de acomodações: sendo elas dormitórios coletivos, dormitórios semi-privativos e privativos. As unidades privativas são para hóspedes que procuram mais privacidade. Já as unidades semi-privativos atendem um caráter de uma opção intermediária, destinada a três pessoas por quarto, assim uma modalidade que se adequa a pequenos grupos de amigos que querem privacidade entre eles. E por último as acomodações coletivas que foram subdivididas em duas opções, sendo elas: coletivo feminino e coletivo misto. Para a escolha do terreno, algumas diretrizes foram abordadas para melhor atender a proposta do projeto. O terreno selecionado pra este projeto localiza-se na cidade de São Paulo. Durante a escolha do terreno buscou-se uma região da cidade onde houvesse considerável potencial turístico e, consequentemente oferta de hospedagem no intuito de contribuir para a diversificação e competitividade desta. Optou-se então por um terreno localizado de esquina na Rua Cunha Gago, no bairro de Pinheiros.

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Figura 03 :Planta de implantação. Fonte: Acervo do autor

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A localização do terreno foi observada atenciosamente quanto a diversidade de usos. Apresenta uma grande oferta de serviços e comércios no geral. Observa-se que nas proximidades dos do local do projeto há presença de lazer e entretenimento como, cinemas teatros, atrações culturais. Há também supermercados, shopping, bares, restaurantes e outros serviços gastronômicos renomados; agência de viagem e turismo, ponto de aluguel de veículos dentre outros. O terreno proposto delimita uma área de 2.400 metros quadrados. Devido a sua forma, delimitada por três vias de acesso, o terreno apresenta três fachadas com vista para as ruas: Rua Cunha Gago, Rua dos Pinheiros e a Rua Artur de Azevedo. Essas três ruas expressa um maior fluxo de pessoas e veículos, porem o maior destaque dentre elas é a Rua dos Pinheiros.


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A forma de sua volumetria proposto priorizou horizontalmente no bloco A e mais verticalmente no bloco B, marcadas por lias retas. O projeto é composto por pavimento quase comunicam através de sua expressão formal. Os dois volumes apresentam formas que se interligam e ao menos tempo se conectam, entre si, configurando assim um conjunto homogêneo e dinâmico. Nas fachadas grandes esquadrias de vidro emolduradas de metal foram escolhidas marcando um visual de transparência e delicadeza. Contando nas fachadas com a escolha de brises de madeira, para melhor conforto para os hóspedes. Os materiais do projeto se resumem em basicamente, concreto, viga aparente, madeira e vidro. O concreto representa praticamente todo o edifício; as vigas e caixilhos representados por metal preto; os brises de madeira; portas com revestimento de madeira preta; janelas, divisórias e guarda-corpo de vidro.

Figura 04: Hamburgueria. Fonte: Acervo do autor

Figura 05: Vista Superior. Fonte: Acervo do autor

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Figura 06: Área de alimentação. Fonte: Acervo do autor Figura 07: Sala de Jogos. Fonte: Acervo do autor

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Referências BRAGA, Milton, O concurso de Brasília: os sete projetos premiados, FAU USP – Dissertação de mestrado, São Paulo, 1999. OLIVEIRA E FALCÃO ; Isadora e Adriano. O “Hostel” Como um novo meio de hospedagem e sua vertente sustentável; São Paulo, 2014. ALBERGARIA, Caroline, Trabalho de Conclusão de Curso; Brasília, 2016Fernanda Costa. Albergues da Juventude, Trabalho de Conclusão de Curso; Rio Grande do Norte, 2013 ARCHDAILY. Hostel La Buena Vida <hpps://www.archdaily.com.br/br/01-74509/hostel-la-buena-vi-daarco-arquitectura-contemporanea> ARCHDAILY, Ccasa Hostel <hpps://www.archdaily.com.br/br/806398/ccasa-hostel-tak-architects> ARCHDAILY,Restaurante Bossa/Rosenbaum® + Mu� Randolph <h�ps://www.archdaily.com.br/br/789299/restaurante-bossa-ro-senbaum-r-plus-mu�-randolph U Hostels <h�p://www.uhostels.in/> ARCHDAILY, Alojamento Masculino <h�ps://www.archdaily.com.br/br/902731/alojamento-masculinozero-energy-design-lab> Hostelling Internacional <h�ps://www.hihostels.com/pt>Albergues <h�p://www.alberguesp.com.br/historia.asp> We Hostel Design <h�p://www.wehostel Brises de madeira <h�ps://www.archdaily.com.br/br/01-61426/edificio-de-salas-de-aula-na-universidadede-cuenca-javier-duran>

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Cobogos <h�ps://www.archdaily.com.br/br/767458/casa-cobogo-marcio-kogan>


Cemitério Vertical Refletindo os Espaços da Morte e Cidade José Tiago Belarmino de Lima Orientador : Prof. Dra. Valéria Fialho

Figura 01: Cemitério Vertical. Fonte: acervo do autor

Resumo As atuais necrópoles ocupam imensas áreas das cidades e não estabelecem boas relações com

relações entre os espaços de sepultamentos e o meio urbano, e tem como principal objetivo a proposição de uma edificação funerária vertical, localizada no centro da cidade de São Paulo, se abrindo à cidade dos vivos para recebe-los para além da função de memória, mas como um espaço de convivência, um símbolo de reflexão da ausência e um farol para a cidade.

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se afastando e até mesmo sendo excluídos do cotidiano das pessoas. O trabalho discute as

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seu entorno e acabam se tornando equipamentos que ao longo da história da humanidade foram


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Introdução O medo de enfrentar a morte e o desconhecido é inerente ao ser humano. A sociedade associa o ambiente do cemitério como o local onde elas irão quando não pertencerem mais a este mundo material, causando certo receio. Este temor acabou ultrapassando as barreiras naturais do ser humano e, nos tempos atuais, em que questões ambientais se sobrepõem até mesmo às de cunho cultural, há que se discutir a necessidade de novas metodologias em meio à problemática da morte e seu encaminhamento. Entende-se por cemitério o local ao qual se confia os restos mortais dos ancestrais. Local este onde o passado e o presente se confrontam, que se constituem em ambientes de reflexão, oração e comunicação. Partindo do pressuposto de que há a necessidade de se criar espaços para a prática do sepultamento, pretende-se propor, a partir desta pesquisa, uma quebra dos dogmas relacionados à construção cemiterial através de uso de técnicas tais como; percepção ambiental aplicada ao projeto de um cemitério vertical cuja multifunções, simbologia e de conceitos históricos adaptados a arquitetura contemporânea. Este estudo teve como principal objetivo a proposição de uma edificação funerária vertical, localizada no centro da cidade de São Paulo, foi realizado levantamento bibliográfico, a fim de criar base teórica estruturada da relação entre a tipologia de espaço/edifício proposto e o meio urbano, assim como as relações simbólicas entre as pessoas e a morte. Além de estudos de caso de edificações com programa similar para compreensão do funcionamento organizacional do edifício, buscando melhor relação entre o

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cemitério, espaço público e a paisagem urbana.

Figura 02: Mirante. Fonte: acervo do autor

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Proposição O homem contemporâneo tem dificuldade intensificada de assimilar o fim da vida. A morte, que por séculos era um ritual social, foi confinada, nas últimas décadas, ao âmbito do privado, condenando os enlutados a sofrerem sozinhos. O devido tratamento ao enlutado através de espaços que incentivem a reflexão saudável e aceitação da perda. A edificação proposta objetiva espaços que funcionem de forma a não criarem barreiras e sim um prolongamento vertical da cidade dos vivos, se integrando ao tecido urbano já consolidado e sendo totalmente aberto ao público. O programa da edificação se distribui pelo lote em 4 volumes distintos que compõe o conjunto de espaços dedicados aos rituais simbólicos, acolhimento aos enlutados e todo o

Fonte: acervo do autor

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Figura 03: Corte esquemático: relação do nível do terreno com a Av. 23 de maio.

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processo de preparação do corpo morto.


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Figura 04: Diagrama da disposição programática. Fonte: acervo do autor

Figura 05: Vista interna. Fonte: acervo do autor

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A verticalização assumida marca a paisagem urbana com uma tipologia espacial que historicamente se tornou repulsiva e distante do cotidiano das pessoas e consequentemente do cotidiano urbano – um dos objetivos é não tornar o cemitério vertical um elemento de degradação e sim um elemento atrator. Abre-se à cidade dos vivos e recebe-os para além da função de memória, mas como um espaço de convivência, um símbolo de reflexão da ausência e um farol para a cidade.

Referências ARIÈS, Philippe. A história da morte no ocidente: da idade média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. ______. O homem diante da morte. Rio de Janeiro: F. Alvez, 1981, 1982. 2v. BAUMAN, Zygmunt. Medo Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. Cemitérios

Públicos

e

Agências

Funerárias

de

São

Paulo.

Disponível

em:

https://www.google.com/maps/d/viewer?hl=pt-BR&mid=1AZSO7shQgVKvOkemQO4o5xEOSz0&ll=23.5539533586283%2C-46.668822341346754&z=15. Acesso em: 28/03/2018 CYMBALISTA, Renato. Cidade dos Vivos: arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do Estado de São Paulo. 1ª ed. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2002.

MATTEDI, Marcos Antonio; PEREIRA Ana Paula. Vivendo com a morte: o processamento do morrer na sociedade moderna. CADERNO CRH, Salvador, v. 20, n. 50, p. 319-330, maio/agosto. 2007.

MUMFORD, Lewis. A Cidade na História: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

RODRIGUES, José Carlos. Tabu da morte. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.

PGCN0237.pdf. Acesso em 25/03/2018.

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Florianópolis, 2003 Disponível em: http://labcs.ufsc.br/files/2011/12/Disserta%C3%A7%C3%A3o-02-

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ROSA, Edna Teresinha da. A relação das áreas de cemitérios públicos com o crescimento urbano.


H.I.S INTERLAGOS Habitação de Interesse Social Interlagos Larissa Rodrigues Bezerra Orientador : Prof. Esp. Artur Forte Katchborian

Figura 01 : Perspectiva geral H.I.S Interlagos Fonte: Autora.

Resumo Sabemos que o problema social do déficit habitacional brasileiro vem crescendo com o passar dos anos, os valores absolutos são mais expressivos em São Paulo, único estado cuja necessidade de novas unidades habitacionais ultrapassa um milhão de moradias. A forma de ocupação, da maioria das habitações de interesse social dos dias atuais, busca o empilhamento e adensamento dos locais implantados, deixando em segundo plano a qualidade arquitetônica. O objetivo deste projeto consiste em levar habitação de qualidade ao local onde será inserido e oferecer infraestrutura cultural e de lazer para a comunidade local. O projeto intervêm no viário ao reativar uma via de pedestres que passara sob uma via de tráfego de

edifícios habitacionais, uma biblioteca e uma creche. Em proporções entre áreas pública e privada generosas apresenta áreas livres entre praças e equipamentos urbanos. O conceito da habitação de Interesse Social, vinculada à uma infraestrutura cultural e de lazer traz maiores benefícios ao local de implantação.

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facilitado ao complexo usufruindo desta infraestrutura. O projeto apresenta 3 tipologias de

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veículos existente, para que os habitantes das comunidades adjacentes tenham acesso


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Introdução

O objetivo deste projeto é implantar um conjunto para moradias de interesse social em um vazio urbano, utilizando a infraestrutura urbana já existente. Oposto ao modo do sistema habitacional que ocorre atualmente, onde em sua maioria, não apresenta qualidade, opções de bem-estar, educação ou lazer. A proposta é implantar o projeto de um conjunto de Habitações de Interesse Social de qualidade, vinculado a áreas livres e infraestrutura adequada que interligam todo o programa, proporcionando apoio e lazer também para a região carente do entorno, composto por creche, biblioteca e equipamentos urbanos. Para chegar a tais conclusões, foram realizadas pesquisas a fim de compreender o histórico de habitação de interesse social no Brasil até os dias atuais, além do déficit habitacional e as legislações envolvidas na questão de habitação. Proposição

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A proposta do projeto da H.I.S Interlagos consiste em levar habitação de qualidade ao local onde será inserido e oferecer infraestrutura cultural e de lazer para a comunidade local. O projeto intervêm no viário ao reativar uma via de pedestres que passará sob uma via de tráfego de veículos existente, para que os habitantes das comunidades adjacentes tenham acesso facilitado ao complexo usufruindo desta infraestrutura. O projeto apresenta 3 tipologias de edifícios habitacionais, cada uma com uma cor complementar que a caracteriza, onde as faixas de cor acompanham as janelas e criam a identidade das mesmas. A torre tipo 1 descansa sobre pilotis e garante visibilidade agradável e sem barreiras aos pedestres. Já as torres 2 e 3 possuem apartamentos desde o andar térreo, onde se encontram as habitações acessíveis, totalizando 10% dos apartamentos. Garantindo sua inserção no sítio, em proporções entre áreas pública e privada decidi não utilizar a totalidade do potencial construtivo proporcionado pela legislação. O que resultou em generosas áreas livres entre praças e equipamentos urbanos.

Figura 02 : Implantação ilustrada H.I.S Interlagos. Fonte: Autora

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Mirante: Um largo e sinuoso eixo corta o complexo pontuado por três edifícios. Das extremidades, abrigam os programas de biblioteca e de uma creche. Já o central apresenta-se como uma grande praça elevada, revelando-se em um mirante para todo o entorno. Alinhado à rotatória pré-existente, alocasse como um portal de chegada da via reativada.

Figura 03 : Imagem Praça Central H.I.S Interlagos. Fonte: Autora

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Figura 04 : Imagem Biblioteca H.I.S Interlagos. Fonte: Autora

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Biblioteca: A esquerda do eixo temos a biblioteca, cujo programa abriga o acervo, salas de estudo e um auditório que pode funcionar de maneira independente.


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Creche: Locada à direita do eixo central temos a creche. Sem muros ou portões ela integra - -se ao conjunto e tem como programa salas, berçário, refeitório e administração, além de horta para que as crianças interajam com a natureza.

Figura 05 : Imagem Creche H.I.S Interlagos. Fonte: Autora

Torre 1: Dispostas ao longo do norte magnético recebe insolação adequada em duas de suas faces. Alinhados com a rua e com gabarito mais baixo (4 pavimentos) dispensam elevadores. Repousam sobre pilotis, que enquadram o complexo para os pedestres. Torre 2: Alinhada a 45 graus em relação ao eixo principal, além da insolação adequa - da permitem uma perspectiva exuberante do complexo. Possuem 4 unidades por andar e atingem o gabarito máximo permitido alcançando 10 pavimentos.

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Torre 3: Ocupam as arestas posteriores do terreno, possuem 8 unidades por andar e tal qual as torres duas alcançam o gabarito máximo legalmente possível.

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Referências RUBIN, Graziela, O desenvolvimento da habitação social no Brasil, Passo Fundo –RS 2014. http://www.bkweb.com.br/ http://www.mmbb.com.br/ http://www.boldarini.com.br/

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http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/


A Habitação Multifamiliar na Roberto Marinho A relação do prédio com urbano Leonardo Menezes Lima Orientador: Prof. Esp. Artur Forte Katchborian

Figura 01: o Monotrilho visto pelo pedestre. Fonte: acervo do autor

Resumo

as obras habitacionais atuais deixam de lado essas questões. Posto o cenário atual e a partir da análise de casos empíricos, o trabalho mostra que a arquitetura pode ser sim aliar a quadra aberta, e suas demandas.

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Jornalista Roberto Marinho, priorizando a questão da fachada ativa e também da quadra aberta,

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O presente trabalho tem como objetivo projetar um edifício multifamiliar inserido na Avenida


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Introdução

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Dada uma saturação na modalidade de moradia horizontal, as habitações verticais aparecem como solução prática ao problema de urbanização do município de São Paulo e sua nova dinâmica arquitetônica que começava a ganhar relevância entre os anos de 1930 e 1940. Já nos anos 2000, as construções verticais representavam cerca de ¼ das habitações da capital paulista, o que mostra uma clara aceitação por parte da população aos novos modelos habitacionais – não só em São Paulo, como em todo o mundo. Porém, com a expansão da zona central da cidade, essas obras verticais começaram a se supervalorizar, o que afastou o público de baixa e média renda para os subúrbios da cidade. O aumento maçante da densidade demográfica da cidade de São Paulo e uma leve melhora no poder aquisitivo da população – devido a fatores socioeconômicos – fizeram com que a demanda por habitações verticais nas zonas periféricas se tornasse cada vez maior. Começava agora, uma verticalização generalizada de todas as zonas ocupadas da então maior capital do Brasil. Apesar de a verticalização ter apresentado um avanço para o setor de construção civil como um todo, o aumento exponencial de sua presença nas regiões periféricas da cidade proporcionou o surgimento de alguns problemas urbanos. Um problema foi, e ainda é, a distância entre a moradia, o trabalho e as outras necessidades da população - lazer, saúde, cultura e etc. - o que acaba exigindo do Governo algumas medidas de reparação a partir de obras de infraestrutura e mobilidade urbana. Vivendo em São Paulo, sabemos que muitas dessas obras e planos de melhorias urbanas não saem do papel, e quando saem, não atendem tudo aquilo que propõem. Nesse cenário que o presente projeto se faz válido, uma vez que tem em sua base a geração de novos comércios locais – via fachada ativa – além de manter o bem-estar tanto do usuário quanto do próprio morador – via quadra aberta – que gera um fluxo de circulação benéfico para todo o entorno, sendo que, no longo prazo, o projeto se conecta a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, podendo representar uma cooperação entre o setor privado – a partir da implementação do Plano Diretor Estratégico de 2014 em obras com fins lucrativos – e o setor público, dado que a operação em questão proposta pelo Estado integra e diversifica a região. . Aqui, desenvolva mais a resposta à perguntas “o que, por, como”. Fale das suas referências (de fundamentação, de projeto, de métodos). Não precisa falar de tudo que pesquisou. Contextualize e apresente seu trabalho.

Figura 02 : Monotrilho em contrução: Folha de São Paulo

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Proposição O projeto foi criado para incentivar a construção da quadra coletiva e seu potencial, foi feito uma retirada de curvas de níveis, para assentar todo o terreno, após isso, criou-se uma outra curva de nível elevando o projeto, assim facilitando os acessos em curvas diferentes. Esse térreo foi criado uma galeria onde acontece as fachadas ativas é alimenta o seu entorno e os próprios moradores do edifício que será criado, com 20 andares é seis apartamentos por andar, totalizando 120 famílias no conjunto. O terreno possui 5.600 metros quadrados, está localizado na zona sul de São Paulo, na Prefeitura Regional de Santo Amaro, ocupando o Distrito de Campo Belo, foi selecionado ali por conhecimento do local e por sua infraestrutura estar crescendo. A geometria e a forma que o embasamento ia se projetar dependia muito dos fluxos e das quadras ao seu entorno, foi estudado e testado de diversas maneira. Já com tudo definido, de paramos com a base em um dos extemos do terreno, assim ele se daria com grande passagem de pessoas criando um movimento.

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Definido onde os fluxos iam acontecer, foi criando em embasamento, onde se concentra, a galeria, quatro níveis de garagem – sobressolo – academia, salões de festa e jogos e foi criando um térreo para ter essa nitidez a cidade ao redor e o monotrilho, onde se localiza a piscina. Com pé direito generosos, gera uma sensação.

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Figura 02 :Curvas de níveis. Fonte: acervo do autor


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Figura 03 :Corte do projeto. Fonte: acervo do autor

Referências 10º Conferência Internacional de LARES – Disponível em : Operação Urbana Consorciada Água Espraiada – 2010 - http://lares.org.br/Anais2010/images/470-443-2-RV.pdf - Acesso em 12/05/2018 ARCHDAILY : projetos habitacionais . Disponível em : < Https://www.archdaily.com.br/br> . Acesso em: 25/03/2018 BEDINELLI – Thalita - São Paulo desenha seu futuro até 2030 – 2014 – https://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/30/politica/1404156826_074730.html - acesso em 23/05/2018

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BONDARINI : projetos . Disponível em < http://www.boldarini.com.br/en/projects/residencial-corruiras/> Acesso em: 30/03/2018

:

GESTÃOURBANASP – Disponível em : Plano Diretor Estratégico https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-regulatorio/plano-diretor/ acesso em 17/05/ 2018 GESTÃOURBANASP – Disponível em : Operação Urbana Consorciada Água Espraiada http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/estruturacao-territorial/operacoes-urbanas/oucae/ - Acesso em 17/05/2018

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GOOGLE EARTH – Disponível em mapas - https://www.google.com/earth/ Acesso em : 10/06/2018 GLOBO – Disponível em – São Paulo : https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/prometida-para-antesda-copa-de-2014-linha-17-ouro-do-metro-de-sp-segue-em-construcao.ghtm Acesso em : 04/05/2018 PREFEITURA DE SÃO PAULO, prefeitura regional de santo amaro : disponível em : < https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/santo_amaro/> Acesso em <10/08/2018 SANTOS FIALHO, Valéria, Concursos de Arquitetura em São Paulo, Dissertação de mestrado - FAU USP, São Paulo, 2002. Acesso em : 10/11/2018 SPBAIRROS – Campo Belo Disponível em : - http://www.spbairros.com.br/campo-belo/ Acesso em: 15/05/2018

em:

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VITRUVIUS – Habitação coletiva e a evolução da quadra Disponível http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.069/385 Acesso em: 20/11/2018


Parque Universitário em Embu-Guaçu Espaço para o ensino de Ciências Agrárias e Meio Ambiente Letícia Dupinski Inoue Orientador: Prof. Me. Marcelo Luiz Ursini

Figura 01: perspectiva do Eixo Educacional. Fonte: acervo da autora.

Resumo O presente trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de uma plano de ocupação e o projeto arquitetônico preliminar de um Parque Universitário na cidade de Embu-Guaçu. Ao verificar que um equipamento como uma Universidade pode auxiliar no desenvolvimento urbano de uma

agrárias. O desenvolvimento do trabalho se dá através dos dimensionamentos aos equipamentos, especificidades que os cursos ali implantados exigem e de como o Parque pode se conectar com a malha urbana existente.

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para direcionar as áreas da faculdade para estudos referentes ao meio ambiente e ciências

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região, decide-se aproveitar o grande potencial para a questão ambiental e turística da cidade


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Introdução .

Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de um plano de ocupação e do projeto

arquitetônico de um Parque Universitário voltada para os estudos das áreas de Ciências Agrárias e Meio Ambiente, sendo que o lugar escolhido para a implantação deste equipamento é o Município de EmbuGuaçu. Levando em consideração que, quando implantada, a universidade pode atuar como um agente de desenvolvimento urbano, esse é o foco de qual parte este projeto. .

Para tal, foram utilizados estudo de casos e pesquisa de instituições de ensino superior que já

possuam cursos e características próximas aquelas que se quer desenvolver. Grande parte do trabalho se dá através de uma ligação pessoal com a cidade e a vivência que, muitas vezes, somente um morador tem, dos dimensionamentos adequados ao equipamento, especificidades que os cursos ali implantados exigem e de como o Parque pode se conectar com a malha urbana e ser um potencializador de desenvolvimento para a cidade.

Universidades como agentes de desenvolvimento .

Desde os anos 1960, primeiramente na Europa e nos Estados Unidos, e mais tarde no Brasil, a

implantação de campi universitários é vista como uma estratégia de desenvolvimento urbano de áreas economicamente degradadas. Isso porque a comunidade acadêmica tem um importante papel no estímulo do desenvolvimento social, cultural e econômico, além de traz consigo suas próprias necessidades como moradia, transporte e serviços, aumentando a demanda e gerando possibilidades de novos empreendimentos para esse público - dinâmica sentida, principalmente, em cidades de pequeno e médio porte, ajudando, assim, a proporcionar a modernização da estrutura urbana e econômica. (Baumgartner, 2015, p.91) Em muitos casos o orçamento das universidades são maiores que o do próprio município onde elas se localizam, reforçando ainda mais seu papel de agente econômico. Isso fora os elevados recursos públicos que são destinados para a melhoria da infraestrutura onde as mesmas serão implantadas (Oliveira Jr, 2014,p.5). Devido à essa característica agregadora de desenvolvimento econômico, a implantação de um campus também pode servir como um vetor de planejamento urbano para a administração pública pensar a gestão das cidades.

Localização .

Devido à uma motivação pessoal, por ser moradora do município e conhecer bem seus problemas,

é escolhida a cidade de Embu-Guaçu, na Região Metropolitana de São Paulo, para a localização do

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projeto. A região apresenta um grande potencial turístico para a questão ambiental. Porém, devido à falta de investimentos e cuidados públicos, a cidade atualmente encontra-se em um estado muito precário. Acredita-se que a implantação de uma universidade ali, com um foco ambiental, poderia ajudar a trazer uma atenção para a região, gerando assim investimentos, mas ainda mantendo sua forte relação com a natureza. O Município também se encontra relativamente perto de ligações rodoviárias importantes, como a BR-116 e o Rodoanel Mário Covas, facilitando o acesso de diversas localidades.

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Proposição

Figura 02: o objetivo é a preservação de algumas espécies já existentes no terreno. Fonte: acervo da autora. A ideia desse projeto parte do conceito de criar um Parque Universitário, onde seja possível um contato constante com a natureza, característica muito forte da região onde ele será inserido. O foco da área dos cursos ofertados são relacionado ao Meio Ambiente e às Ciências Agrárias, em que seja possível tanto investir em pesquisa que possa ser utilizada tanta no âmbito da preservação ambiental como em novas tecnologias para o agronegócio, que representa uma porcentagem muito significativa no PIB do Brasil. Ele mantém a característica da cidade de poucas pavimento e criando assim uma construção mais

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Figura 03: croquis de estudo de implantação. Fonte: acervo da autora.

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horizontalizada.


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O objetivo é criar um projeto arquitetônico que seja ecologicamente responsável, que gere a conscientização da importância do cuidado com a natureza e ajude na conservação da área de preservação ambiental. Ele ainda faz a integração entre o Parque Universitário e a cidade, mantendo a característica desta, de poucas pavimento e criando assim uma construção mais horizontalizada. O fluxo é um elemento importante, principalmente nos espaços livres, onde os usuários podem aproveitar e se sentir em meio à natureza mesmo ainda estando dentro do campus. O paisagismo é fundamental nesta questão, aproveitando até mesmo árvores e vegetações já existentes no local e fazendo a integração com a área de proteção dali. O projeto arquitetônico enfatiza ainda essas características como permeabilidade visual e acessibilidade aos espaços, promovendo uma maior integração entre lugares e pessoas. Para isso, áreas de convivência interna e externas, espaço para esportes e salas para uso múltiplo fazem parte do programa. Toda a estética do projeto reflete essa visão de integração entre as pessoas e a natureza, além do respeito à mesma, portanto os edifícios incorporam esses aspectos, sendo ecologicamente sustentáveis.

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Figura 04: implantação final do conjunto. Fonte: acervo da autora. A implantação do conjunto do Parque Universitário se dá através de uma separação por eixos do programa público e do programa universitário. Aproveitando a forma triangular do terreno onde se encontra o projeto, há a marcação do eixo público paralelo à linha férrea - e, consequentemente, mais próximo ao Centro da cidade -, onde encontram-se a biblioteca, o auditório e o conjunto esportivo. Perpendicular à este, encontra-se o eixo universitário, no qual se localizam todos os edifícios referentes à este ambiente,

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incluindo as salas de aula, os laboratórios, a reitoria e administrativo. A área prevista para expansão encontra-se nesse mesmo eixo. O alojamento, por ser um programa mais privado, encontra-se fora desses eixos, mais próximo ao rio. A concentração de edifícios nesses dois eixos libera o restante do terreno para a implementação do Parque, sendo este, portanto, o elemento conector do conjunto com a malha urbana.

Figura 05: a circulação por varandas promove um contato constante com o entorno. Fonte: acervo da autora. Referências BAUMGARTNER, WENDEL HENRIQUE. Universidades públicas como agentes de desenvolvimento urbano e regional de cidades médias e pequenas: uma discussão teórica, metodológica e empírica. GeoTextos, v. 11, n. 1, p. 91-111, 2015. INEP. Censo da Educação Superior. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/censo-da-educacaosuperior>. Acesso em 25 maio 2018.

OLIVEIRA JR, ANTONIO DE. A universidade como polo de desenvolvimento local-regional. Caderno de Geografia, v. 24, n. 1, p. 1-12, 2014. REUNI - Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. Disponível em: <http://reuni.mec. gov.br/>. Acesso em 30 abr 2018.

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Gerais do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais REUNI. Brasilia, DF, 2007.

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MARTINS, Antonio Carlos Pereira. Ensino superior no Brasil: da descoberta aos dias atuais. Acta Cir. Bras., São Paulo, v. 17, supl. 3, p. 04-06, 2002.


CER - Centro Especializado em Reabilitação Guarapiranga Revitalizando Espaços e Reabilitando pessoas Luanna Soraya Pacheco de Sousa Orientador : Prof. Dr. Felipe Noto

Figura 01 :Perspectiva da fachada do projeto. Fonte: acervo do autor

O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como proposta, a elaboração de um projeto arquitetônico de um Centro Especializado em Reabilitação, que será desenvolvido no bairro de Interlagos, Região da Represa de Guarapiranga em São Paulo, cujo atendimento ao público se estende à demanda da região que não possui equipamentos do porte, atribuindo um novo conceito de espaço de tratamento para pessoas com deficiência. O Centro de Reabilitação Física e Sensorial tem como objetivo integrar na sociedade, pessoas que nasceram com má formação congênita ou sofreram algum acidente, causado ou não, por violência social, que afetaram de sociais.

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alguma forma sua vida na sociedade. Os tratamentos vão desde físicos e psicológicos, aos


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Introdução O Centro de Reabilitação Física e Sensorial tem como objetivo integrar na sociedade, pessoas que nasceram com má formação congênita ou sofreram algum acidente, causado ou não, por violência social, que afetaram de alguma forma sua vida na sociedade. Os tratamentos vão desde físicos e psicológicos, aos sociais. A Reabilitação engloba vários aspectos, elementos necessários para prevenção e tratamento de qualidade, a essas pessoas que já estão fragilizadas, utilizando a arquitetura como auxílio nesse conjunto de cuidados aos pacientes. As ferramentas exigidas pelos órgãos responsáveis no setor envolvido, visando à humanização, ao bem-estar, e à funcionalidade desses equipamentos, voltados para esses pacientes bem como para a sociedade. Este trabalho é uma grande oportunidade de reflexão para nós, cidadãos. Nossa inserção na cidade, veio vinculada a esse olhar preocupado e crítico com os usuários, que aqui são chamados de pacientes. Tendo as limitações e dificuldades exaltadas, por isso, estima-se projetar um espaço que ressalte a importância da arquitetura na saúde e no bem-estar tanto físico quanto psicológico dessas pessoas durante seu tratamento, melhorando a autoestima e fazendo-os evoluírem em seus tratamentos. Por este motivo, foram realizadas pesquisas e levantamentos para compreender a demanda de pessoas com deficiência e a região mais adequada para implantação do projeto, analisando a oferta de serviços já existentes na região, além de diversas comparações de estudo

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de caso de equipamentos nacionais e internacionais, a fim de obter parâmetros para este projeto.

Figura 02 : Perspectiva conexão à represa. Fonte: acervo do autor

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Proposição O Centro de Reabilitação destina-se ao atendimento médico e ambulatorial de adultos e crianças com deficiências múltiplas, sendo física, visual e auditiva e que o grau de deficiência seja classificado como temporário, permanente ou severo. Deverá englobar todas as modalidades de assistências compatíveis com sua deficiência, com os trabalhos multidisciplinares em saúde, técnicas e atitudes destinadas a gerar um processo de reabilitação humanístico. Entre as patologias atendidas destacam-se: portadores de doenças neuromusculares, lesões ortopédicas; indivíduos com cegueira e baixa visão; e com perda de auditiva. A proposta do projeto e a leveza é um item essencial neste projeto, onde um monolítico dobrase, abrindo para uma grande praça que abraça a represa Guarapiranga, integrando o edifício e a represa. A solução arquitetônica, por si só, considerando sua implantação o tratamento de suas fachadas, já objetiva um menor impacto ambiental, proporcionando, tanto quanto possível um condicionamento térmico passivo e iluminação natural. Tornando uma edificação agradável para os pacientes e leve para o seu entorno.

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Figura 04 : Planta do Térreo projeto. Fonte: acervo do autor

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Figura 03 : Implantação do Projeto. Fonte: acervo do autor


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Figura 05 : Planta 1º Pavimento . Fonte: acervo do autor

Figura 06 : Elevação 01 . Fonte: acervo do autor

Figura 07 : Elevação 02 . Fonte: acervo do autor

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Figura 08 : Corte AA . Fonte: acervo do autor

Figura 09 : Corte BB . Fonte: acervo do autor

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Figura 10 : Imagem do Jardim do Projeto . Fonte: acervo do autor

Figura 11 : Imagem da circulação do Projeto. Fonte: acervo do autor

Referências

SECRETARIA DO ESTADO DA SAÚDE. Redes Regionais de Atenção à Saúde - RRAS. SAÚDE GOVERTO FEDERAL Brasília, 2010.

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AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução – RDC nº 50. ANVISA, Brasília, 2002. GOVERNO FEDERAL. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Brasília, 2010 GOES, Ronald, Manual Prático de Arquitetura Hospitalar. 2º. ed. [S.l.]: BLUCHER, São Paulo, 2011. IBGE. IBGE: 6,2% da população têm algum tipo de deficiência. AGÊNCIA DE NOTICIAS IBGE, 2017. GOVERNO DE CURITIBA. TERMINOLOGIA SOBRE A PESSOA QUE TEM DEFICIÊNCIA. Curitiba, 2013. KARMAM, Jarbas, Iniciação à Arquitetura Hospitalar. CEDAS. Centro São Camilo de Desenvolvimento em Administração de Saúde. USP. São Paulo, 2002. PCD. Tipos de Deficiência Física. Deficiente online, São Paulo, 2015. PLANALTO CENTRAL. Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite. Planalto Gov., Brasília, 2011. RUTMAN, Jacques, Edifícios de Saúde. Projetos e Detalhes. São Paulo, 2017. SARAH, R. D. H. Gráfico lesão medular rede sarah. Rede Sarah Hospitais de Reabilitação, s/Data. UNIDAS, N. A ONU, Pessoas com deficiência, Dezembro, 2017.

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AACD. ÁREAS DE ATUAÇÃO. AACD, S/data.


Conservatório Musical de Cotia Lucas Bezerra da Silva Aguiar Orientador: Prof. Me. Marcelo Ursini

Figura 01 : O Conservatório de Nápoles. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conservat%C3%B3rio_de_N%C3%A1poles

Resumo Este trabalho trata, sobre o ensino de música na contemporaneidade, sua história, bem como a

sendo quatro exemplos internacionais e um nacional, a pesquisa busca a interpretação da realidade do cenário da música contemporânea em Cotia e do local de implantação do projeto, que busca ser uma resposta a lacuna cultural entre o grande público e a arte e música acadêmica, bem como gerar um espaço de profissão musical no centro de Cotia.

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ao pesquisador para o projeto arquitetônico. Através de análises de cinco obras de arquitetura,

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sua relação com o espaço de um Conservatório Musical, visando oferecer o apoio necessário


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Introdução A fim de buscar uma ascensão da vida urbana da cidade e com o intuito de fazer com que as pessoas possam, culturalmente, consumir música de qualidade, idealiza-se o projeto de um Conservatório de Música na cidade de Cotia. Um equipamento cultural desse porte, funcionaria como política pública de educação musical e além de trazer maior visibilidade para a cidade, também traria crescimento sociocultural, uma vez que a música é considerada fundamental para a formação dos futuros cidadãos. O Conservatório se justifica devido à ausência em Cotia, de um complexo dedicado à prática musical, complexo que ofereça a oportunidade a qualquer cidadão de criar um relacionamento com a música erudita ou popular. Complexo que instigue pessoas, independentemente de sua classe social, a descobrirem o quão benéfica, satisfatória e constante é a presença da música no seu dia-a-dia. O quadro cultural contemporâneo brasileiro demonstra claramente a carência de programas e planejamentos que visem à diminuição das desigualdades sociais que a população brasileira apresenta. É necessária a criação de locais de inclusão, locais onde possa haver a troca, a coexistência de extratos sociais: essa coexistência será promovida pela Música. A Música foi o tema de escolha pela sua força conciliatória, seu potencial para promoção de experimentos em grupo que gerem momentos de troca e de celebração de novas ideias. Momentos que celebrem diferenças e instiguem pessoas a desenvolver o gosto pela prática musical. De acordo com essas justificativas, algumas referencias projetuais são selecionadas: Conservatório Henri Dutilleux e Conservatório de música em Aix en Provence

Figura 02 : Conservatório Henri Dutilleux. . Fonte: Eugeni Pons/ArchDaily. Figura 03: Conservatório Henri Dutilleux. Fonte: Roland Halbe/ArchDaily.

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Praça das Artes

Figura 04: Praça das Artes. Fonte: Brasil Arquitetura/ArchDaily.

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Proposição O projeto está situado na centralidade urbana da cidade de Cotia, próximo ao eixo da Rodovia Raposo Tavares e ao Terminal Metropolitano de Cotia, mais precisamente na Av. Nossa Senhora de Fátima, uma das primeiras avenidas da cidade. Nos fundos, o terreno vai de encontro a Rua Silvio Pedroso, esta localização proporciona uma orientação de passagem muito bem-vinda no terreno, uma vez que a partir da Av. Nossa Senhora de Fátima, pode-se percorrer a área do Conservatório até chegar na Rua Silvio Pedroso, criando uma transversalidade no terreno. O edifício divide-se basicamente em dois volumes, nos quais o primeiro bloco faz frente a ambos os lados do terreno, a fim de criar uma transversalidade no sítio. Este bloco ‘’cultural’’, abriga, no primeiro pavimento, os comércios relativos à música do conservatório e o anfiteatro no acesso, este servindo como área de apresentação ao ar livre e área de estar para as pessoas que estiverem aos arredores do Conservatório. No primeiro mezanino, é possível observar o centro do edifício no térreo, onde podem ocorrer apresentações internas, além de ser uma área para prática música coletiva. Este mesmo mezanino abriga o programa gastronômico do conservatório, no qual, a cozinha fica na fachada que faz frente à Av. Nossa Senhora de Fátima do edifício e a praça de alimentação, faz frente à Av. Antônio Mathias de Camargo. No último nível, está o foyer de acesso ao auditório e o setor administrativo. No volume adjacente, funciona como o centro de aprendizagem, tendo no térreo as salas de práticas teóricas e práticas. No pavimento superior, além de salas de aulas, há á também o acesso exclusivo de músicos diretamente palco do auditório e por fim no último pavimento, há o acesso exclusivo do coro ao mezanino do auditório, este pavimento, também possui as demais salas de aulas práticas e teóricas e

A estrutura é feita por vãos regulares de 8 metros no edifício cultural, que possui, dois pilares robustos nas suas extremidades, estes, tendem a comprimir as lajes, proporcionando travamento da estrutura. O volume adjacente, centro de aprendizagem, possui paredes estruturais e um grande vão de 12 metros no sentido transversal. As vigas são metálicas com perfil ‘’I’.

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Figura 05 : Planta do 2° Térreo. Fonte: acervo do autor

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uma biblioteca.


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Figura 06 : Corte BB. Fonte: acervo do autor

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Figura 07 : Diagrama Explodido. Fonte: acervo do autor

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Figura 08 : Maquete eletrônica. Fonte: acervo do autor

Referências SUNYÉ, P. Centro de Arte Contemporânea. Trabalho de Graduação (Arquitetura e Urbanismo) - Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011. ALVARENGA, R. Da arte-processo ao processo-arte. Disponível em <httQ://www.revistatrogicocom.br/trggico/html/textosn 692,1 .shl>. Acesso em 13 de março de 2018. FRAJNDLICH, R. U. Praça das Artes: Sonoro monolítico Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, v. 28, n. 228, p. 24-33. 2013. GRAHAM, D. A arte em relação à arquitetua. In: FERREIRA, (3. Escritos de artistas: anos sono. 1 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. 456p. MADOFF, S. H. Art School: Propositions for the 21” Grammy. 1 ed. Cambridge: MIT Press. 2009. 373p. MARTELLI, E. Panorama mical no século XXI e o ensino de música Contemporânea: uma abordagem. Revista Eletrônica: ProDocência das Licenciaturas da Universidade Estadual de Londrina. Londrina, n.1, v.1,jan/jun, 2012. MONTANER, J. M. Sitemas Arquitectónicos Contemporâneos. 1 ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2008. 224p. MVRDV. KMS: Esoursions on capacities, 1 ed. Barcelona: Actar, 2005. 1200p.

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DUPRAT, R. A música no Brasil Colonial. São Paulo: EDUSP, 1985. FIGUEIREDO, S. Proposta curricular de música para o município de Florianópolis. MARIZ, V. História da música no Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

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DUARTE JUNIOR, J. F. Fundamentos estéticos da educação. 2. ed. Campinas: Papirus, 1988.


Complexo Intermodal Ponta da Praia Projeto de Infraestrutura na cidade de Santos Luiza Silva Alvarez Orientador: Prof. Esp. Artur Forte Katchborian

Figura 01 : Perspectiva do Complexo. Fonte: Projeto do autor

Resumo Este trabalho surgiu a partir de um diagnóstico da região da Ponta da Praia, em Santos. Observou-se a necessidade de reorganização da área próxima à travessia Santos – Guarujá e,

também a conexão com a barca para pedestres da travessia Santos – Guarujá, meio de transporte frequentemente utilizado por moradores da região, transformando a área em um grande Complexo Intermodal e potencializando os equipamentos presentes.

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compreende um terminal rodoviário que assimila ônibus municipais e intermunicipais, fazendo

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a partir da análise do local, foi proposto o projeto de um Complexo Intermodal. O projeto


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Introdução As áreas dedicadas aos meios de transporte e suas infraestruturas, atualmente, são espaços que possuem uma grande importância na nossa sociedade, principalmente em cidades superlotadas que querem incentivar o uso do transporte público ao invés dos privados. O projeto a seguir surgiu por meio do diagnóstico de uma determinada área conhecida como Ferry Boat, localizada no bairro da Ponta da Praia na cidade de Santos, litoral do estado de São Paulo. Situado próximo à travessia da balsa Santos-Guarujá, pôde-se observar uma grande necessidade de organização dos componentes deste local e, a partir de alguns estudos, foi notada uma potencialidade de intervenção nessa área, transformando os elementos presentes em um grande Complexo Intermodal. Diariamente, dezenas de ônibus intermunicipais chegam na rodoviária de Santos e seguem até a Ponta da Praia e vice-versa. Há um grande número de passageiros que embarcam nessa área da Ponta da Praia sem nenhuma infraestrutura, somente alguns guichês com poucos assentos para os passageiros. Os ônibus permanecem estacionados na Avenida Saldanha da Gama (Avenida da Praia) atrapalhando o trânsito, uma vez que existe somente uma vaga para, pelo menos, quatro companhias de ônibus. Um outro fator que motivou a escolha do local de implementação do projeto é a proximidade do terreno com pontos de ônibus municipais: onze linhas de ônibus locais possuem seus pontos finais e iniciais nessa mesma quadra, na Avenida Rei Alberto I. Inicialmente, o projeto proporia apenas um complexo rodoviário, porém a partir de estudos realizados no terreno, suas particularidades e sua geometria, foi observada um grande potencial de intervenção no viário, aprimorando o fluxo de carros presente no entorno. A proposta resultante dos estudos descritos se constitui em um terminal para ônibus intermunicipais e municipais e uma intervenção na travessia Santos – Guarujá, muito utilizada por moradores de ambas as cidades, transformando tudo em um complexo Intermodal que melhora não só a

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qualidade viária como o transporte naquela região.

Figura 02 : Área do projeto. Fonte: Google Earth/Fotomontagem

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Proposição O Complexo Intermodal Ponta da Praia constitui em um terminal para ônibus intermunicipais e municipais e uma intervenção na travessia Santos – Guarujá, tanto de pedestre quanto de automóveis. O projeto atende doze linhas de ônibus Municipais e quatro linhas de ônibus Rodoviários. As áreas de embarque estão separadas em duas áreas distintas, com uma rotatória em cada. Cada área possui o seu respectivo bloco com toda a infraestrutura necessária para esse modal, como os guichês, áreas de informações e até mesmo lojas e quiosques. Além da área dos Ônibus, o complexo possui uma área de espera da balsa de aproximadamente 4.500 m² que atende uma demanda de 112 carros parados e mais 25 carros na extensão de sua fila – uma média de quatro balsas – desafogando o trânsito antes localizado na Avenida Saldanha da Gama. Possui também uma área de embarque e desembarque para motocicletas e bicicletas, localizada ao lado da área

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Figura 03 : Planta Térreo

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de embarque dos automóveis e a área de pedestres, localizada dentro do edifício.


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Figura 04 : Corte CC Para chegar na geometria definitiva do projeto, o terreno foi estudado e testado de diversas maneiras. Em sua forma final, foi feita uma intervenção no viário, possibilitando a interação entre os modais existentes. Essa intervenção foi feita pois a possibilidade de unir esses dois tipos de transporte (ônibus e barcas) em um só complexo é muito vantajosa para a população, uma vez que há mais segurança para seus passageiros e uma infraestrutura de apoio para todos os pedestres da região. A interação com a paisagem existente e a possibilidade de uma ampla visão para o terreno e seus elementos naturais foi um dos principais pontos observados para a geometria do projeto. Esse fator, juntamente com a locação das plataformas no nível térreo, foi essencial para o desenvolvimento de seu formato. Esses estudos geraram três blocos acima do nível do solo nos quais funcionam todo o programa

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de apoio necessário para o Complexo e permitem essa interação direta com o entorno e seus elementos.

Figura 05 : Perspectiva geral do projeto

Figura 06 : Entrada principal do Complexo

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Figura 07 : Vista Plataformas Municipais

Referências ALLEN, Stan. Points+lines: Diagrams and Projects for the City. New York: Princeton Architectural Press, 1999. ARCOWEB. 5 Terminais de ônibus com boa arquitetura. Disponível em: <http://arcoweb.com.br/noticias/noticias/5-terminais-de-onibus-com-boa-arquitetura-aos-usuarios>. FUNDAÇÃO ARQUIVO E MEMÓRIA DE SANTOS. Acervo iconográfico. <http://www.fundasantos.org.br/page.php?128>. Acesso em: 22 mai. 2018.

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PREFEITURA DE SANTOS. Conheça Santos. Disponível <http://www.santos.sp.gov.br/?q=hotsite/conheca-santos>. Acesso em: 12 abr. 2018.

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PORTO DE SANTOS. Resumo histórico. Disponível em: <http://www.portodesantos.com.br/historia.php>. Acesso em: 15 mar. 2018.


Hostel 7 de Abril Intervenção no edifício Jayme Loureiro Mayara Bezerra de Sousa Orientador : Prof. Me. Felipe Noto

Figura 01 : História feita em aquarela

Resumo A proposta do trabalho tem como finalidade propor um projeto para a reabilitação de um edifício de valor histórico, o Edifício Jayme Loureiro, projetado por Ramos de Azevedo em 1927 e tem uso comercial atualmente. O novo perfil para o edifício seria de um Hostel, com características de quartos compartilhados e espaços para a socialização entre os hóspedes. A

terraço um anexo, como forma de agregar o antigo com o novo.

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isso, será conservado as suas principais características. Além disso, será implantado em seu

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ideia principal é fazer com que o turista se sinta hospedado em um marco da cidade, e, para


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Introdução

Antigamente, o turismo poderia ser considerado restrito à uma parte da população mundial, no qual apresentavam condições suficientes para usufruir desse setor. No entanto, essa ideia inicial vem mudando com o passar do tempo, e a indústria do turismo vem crescendo consideravelmente. O turismo é um setor econômico que vem se expandindo em todo o país, em virtude de seu papel relevante no desenvolvimento social e econômico, gerando renda e empregos. Dentre os diversos motivos que levam ao desenvolvimento da atividade turística, podemos considerar os principais como lazer, estudo, negócios e eventos. Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil é um dos destinos mais escolhidos pelos estrangeiros, e, o Estado de São Paulo, é o 4° destino mais visitado para o Lazer e o 1° para Negócios/Convenções. Com o crescimento do mercado de turismo recorrente ao barateamento das viagens junto ao melhoramento dos transportes e vias, é inevitável a necessidade de novas tipologias de hospedagem, visando atender diversas classes sociais. De acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo, o interesse de turistas estrangeiros no Brasil por campings ou Hostels aumentou de 1,6% em 2004 para 6% em 2016, e vem ganhando cada vez mais espaço nos dias de hoje pela juventude. Hostel é um tipo de hospedagem que se caracteriza pelos preços convidativos e pela socialização entre os hóspedes. Além disso, para que o estabelecimento seja considerado um Hostel, é necessário que a unidade de alojamento predominante seja o dormitório. Segundo estudos realizados pela EMBRATUR, um Albergue/Hostel é considerado “Meio de hospedagem peculiar de turismo social, integrado ao movimento alberguista nacional e internacional, que objetiva proporcionar acomodações comunitárias de curta duração e baixo custo com garantia de padrões mínimos de higiene, conforto e segurança (EMBRATUR, 1987)”.

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A criação de um Hostel deve ser definida por uma estratégia. Dentre elas podemos encontrar Hostels sustentáveis, Hostels que possuem baladas ou comércio, Hostels familiares, entre outros. Como esse tipo de habitação não possui necessariamente uma regra, a variedade entre eles é infinita. Para este programa, a escolha foi por um Hostel voltado para o Patrimônio Histórico. Como seria para um turista se hospedar em um marco da cidade? Figura 02 : Distribuição dos tipos de Hospedagem Fonte: Ministério do Turismo

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Proposição

A escolha do lote pode ter sido considerada como o partido do projeto. A ideia seria realocar os turistas, trazendo-os para o Centro da cidade. Logo, podemos encontrar os seguintes distritos: Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Liberdade, República, Sé e Santa Cecília. Como definição da escolha pelo distrito para a implantação do projeto, foram selecionados os seguintes requisitos: transporte e equipamentos urbanos presentes. Dentre as alternativas, a região da República foi a que mais se adequava com os requerimentos do projeto. Feita a escolha da região, o próximo objetivo seria a escolha do edifício. Ele deveria ser considerado um patrimônio tombado em quaisquer graus de tombamento, desde que a reabilitação fosse possível. Além disso, deveria ser próximo a estação, para que o programa, que é voltado excepcionalmente para o turista, fizesse sentido nesse ponto da mobilidade. O prédio selecionado foi um belo edifício de grande porte e fachada que chama atenção pela sua estética antiga, localizado na rua Sete de Abril, número 235, nomeado Edifício Jayme Loureiro.

Figura 04 : Terreno escolhido. Fonte: Google Maps Figura 05 : Edifício Jayme Loureiro. Fonte: Autoral

Além da sua localização privilegiada, o edifício Jayme Loureiro é vizinho da Galeria Metrópole, trazendo assim uma composição interessante ao projeto do Hostel. Com a ideia de continuar a linguagem da região sobre galerias e passagens diretas pelo térreo, o indivíduo que estiver na rua Sete de Abril poderá andar pela galeria Jayme Loureiro até chegar na Galeria Metrópole, por um trajeto prático e direto.

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A ideia seria manter toda a estrutura original do prédio e suas principais características (malha estrutural, circulação vertical, fachada e vazios internos), e modular paredes novas para auxiliar no novo projeto.

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O edifício foi projetado por Ramos de Azevedo, originalmente para ter uso residencial. Foi fundado em 1927 e conservado até hoje. Possui cinco andares acoplando sessenta salas. O edifício foi tomado pelo Condephaat em 1994 e faz parte do patrimônio histórico da cidade. É muito bem conservado e carrega como uma das suas principais características elevadores com portas pantográficas. A construção possui no térreo restaurante e lojas, um caráter muito comum na região. Além disso, é vizinho da praça Dom José Gaspar e a Galeria Metrópole. A construção possui um total de 6.000m² de área.


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O térreo, que atualmente contém comércio, foi o que mais sofreu alterações. Nele abrigará de um lado toda a administração do Hostel, acolhimento dos hospedes, espaço web, guarda volumes, café e duas recepções, uma para a entrada do Hostel e uma que levará direto ao terraço, onde será projetado um anexo no edifício. Depósito/almoxarifado e a lavanderia foram reservadas para ficarem no subsolo da edificação. O outro lado abrigará lojas, para atrair a movimentação do público com essa característica comum da região com galeria no térro, levando para uma passagem direta a Galeria Metrópole. Para isso, a parede dos fundos do prédio que divide os terrenos será retirada, assim como 2 lojas que estarão nesse trecho. O Hostel foi projetado para alojar 160 hóspedes, e para isso o primeiro pavimento foi reservado para um refeitório grande, assim todos ficariam confortáveis. Na parte de trás foi projetado uma sala de jogos e um boliche. Os restantes dos pavimentos (2° ao 5°) foi reservado para ser toda a área habitacional, sendo dormitórios mistos compartilhados, dormitórios femininos e masculinos compartilhados, e suítes.

O edifício possui dois elevadores originais da época, porém apenas o social funciona, já o elevador dos fundos (de serviço) está parado. Essa área se tornou uma área de acomodar entulhos. Portanto, neste caso, a ideia seria restaurar o elevador para que pudesse atender aos funcionários e a parte administrativa. Além disso, será implantado mais 2 elevadores nas laterais, um no térreo que levará direto ao terraço e um de carga. Por fim o terraço, de carater social, acolheria o projeto de um anexo ao edifício, onde será projetado uma Balada/PUB, com uma ideia de espaço livre e aberto, tendo acesso público. Para isso, será feita uma nova estrutura seguindo a mesma malha estrutural do prédio, sendo ela em madeira chumbada no concreto, assim evitaria atingir a estrutura original e daria estabilidade para à estrutura nova. Onde for laje permanecerá e onde for telhado será a nova cobertura envidraçada de vigas-calha.

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Referências EDIFÍCIO Jayme Loureiro. São Paulo. Disponível em: https://convidar.net/blog/edificio-jayme-loureiro/ GASTOS no Brasil cresce 6% no primeiro semester. Dados e fatos, Ministério do Turismo, São Paulo. Disponível em: http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/ MINERAÇÃO e metalurgia em perspectiva histórica. Museu das Minas, São Paulo. Disponível em: http://www.mmgerdau.org.br/sobre-o-museu/ RUA sete de abril terá novo calçadão. Gestão Urbana SP, Prefeitura de São Paulo, São Paulo. Disponível em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/rua-sete-de-abril-tera-novo-calcadao/

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SISTEMA brasileiro de classificação de meios de hospedagem. Turismo, Ministério do Turismo, São Paulo. Disponível em: http://www.classificacao.turismo.gov.br/MTUR-classificacao/mtursite/Entenda?tipo=5


Nova Sede CASA1-República de Acolhimento LGBTQI+ Tayná Souza Simões Orientador: Prof. Dr. Felipe de Souza Noto

Figura 01 :Perspectiva do projeto. Fonte: acervo do autor

Resumo Neste trabalho de graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo, foi desenvolvido um projeto arquitetônico que tem como foco principal acolher e reinserir o público LGBTQI+ na sociedade. O projeto parte do Centro de Cultura e Acolhimento LGBT chamado CASA1, inserido no bairro Bela Vista em São Paulo, que atualmente abriga 20 jovens, porém está com uma demanda maior do que o local suporta. O objetivo deste equipamento ser inserido no Bela Vista, além do

de um só espaço: moradia, posto emergencial, biblioteca, auditório, serviços e educação em um edifício. Serão apresentados estudos sobre o porquê manter o CASA1 no mesmo bairro que a atual sede se localiza - no bairro Bela Vista em São Paulo. O projeto se estrutura nas dificuldades e necessidades do projeto atual da CASA1, por isso o Trabalho de Conclusão de Curso recebe o nome: NOVA SEDE CASA1 - República de Acolhimento LGBTQI+.

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as necessidades do seu entorno mais imediato, e prestar auxílio ao morador de rua; tudo partindo

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acolhimento à um público específico, é abrir oportunidades para os moradores do bairro, atender


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Introdução “A cada 19 horas um LGBT morre de forma violenta vítima da LGBTfobia, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais”. (GRUPO GAY DA BAHIA (GGB), relatório 2017, p.01) No ano de 2017 foram registrados pelo GGB 445 mortes LGBTI+ (Lésbica, Gay, Bissexual, Travest i, Transexual, Intersexual) sendo 387 assassinatos e 58 suicídios, já no ano de 2016 foram registradas 343 mortes concluindo então um aumento de 30% das vítimas desse grupo (Fig,1). Dentre todos os estados Brasileiros São Paulo é o que apresenta mais vítimas, das 445 mortes 59 foram em SP (Fig,2), segundo agências internacionais de direitos humanos, se matam mais homossexuais aqui do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBT.

Figura1- GRUPO GAY DA BAHIA (GGB),

Figura2- Relatório de 2017 GRUPO GAY DA BAHIA (GGB)

Relatório de 2017, p.02

Um estudo divulgado em abril de 2016 pela Secretaria de Assistência e Desenvolviment o Social (SMADS) da Prefeitura de São Paulo mostra que um LGBT em situação de rua ou em abrigos é ainda mais propens o

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a sofrer violências do que os héteros. Com base nessas informações chego à conclusão que é de extrema importância a existência de um local especializado que de apoio a esse público que é tão vulnerável e com isso venho desenvolver um projet o que visa minimizar a vulnerabilidade do público LGBTI+, uma NOVA SEDE PARA O CASA1- REPÚBLICA DE ACOLHIMENTO LGBTI+.

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Proposição

Os jardins vieram para conectar o projeto, e acolher o visitante; a estrutura veio mais fina e modular, ela não segue a ortogonal do edifício e segue uma malha estrutural de 10m²x8m². No acesso pela Rua Conselheiro Ramalho as pessoas vão ter acesso a área educacional principal, que são as salas de aula onde vão ser realizados os cursos; administrativo /infraestrutura, que são as salas de psicologia, administrativo, sala de reuniões elevadores, escada de emergência, DML e lixo; serviços abert o ao público que se constitui pelo banheiro e área livre. No acesso pela AV. Brigadeiro Luís Antônio temos a biblioteca, auditório, uma passarela que liga os dois blocos onde possui pé

direito duplo e é possível admirar o acesso a Conselheiro Ramalho, circulação

possuir um café, circulação vertical e banheiros. No primeiro andar está localizado tudo que se refere a hospedagem, os dormitórios, cozinha e áreas de lazer. Como o andar possui mais que 30m² possui uma segunda escada de emergência.

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O andar da praça se constitui por uma grande área de contemplação do edifício e do bairro, além de

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vertical e banheiros.


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O segundo andar se concentra uma maior quantidade de dormitórios e quase tudo se repete neste



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andar, porém não possui cozinha compartilhada.

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Referências GGB,

GRUPO

GAY

DA

BAHIA.

Relatório

2017,

p.01.

Disponível

em:

<https://homofobiamata.files.wordpress.com/2017/12/relatorio -2081.pdf>. Acessado 20 maio 2018. PMSP, Prefeitura de São Paulo, Centro de Acolhida. Disponível

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Acessado 01 de maio 2018. LUCON, NETO. Conheça a Casa Florescer, que acolhe e transforma vidas de travestis e mulheres transexuais. NLUCON 22 dezembro 2017. Disponível em: <http://www.nlucon.com/2017/12/conhe c a casa-florescer-que-acolhe-e.html> Acessado 31 maio 2018.

PUCCINELLI,

BRUNO. Doutorado:

“PERFEITO PARA VOCÊ, NO CENTRO DE SÃO PAULO”:

MERCADO, CONFLITOS URBANOS E HOMOSSEXUALIDA DES NA PRODUÇÃO DA CIDADE. 2017, p.31. Disponível

em:

<http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/325394/1/Puccinelli_Bruno_D.p df > .

Acessado 31 maio 2018.

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Acessado em: 15 março 2018.

Arquitetura do Edifício

GEOSAMPA, 2018. Disponível em: <http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/_SBC.aspx # > .


Patrimônio Arquitetônico e Urbano

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Identidade, Patrimônio e Memória Favela do Boqueirão Caroline Yukie Narisawa Orientador: Prof. Me. Ralf José Castanheira Flôres

Figura 01: Cartaz sobre o fechamento da rua. Fonte: acervo da autora

fotografia viabiliza falar de um espaço socialmente desvalorizado e provocar a imersão do leitor dentro da cidade informal, a qual possui tanto valor cultural, social, identitário e patrimonial quanto a cidade formal. Aborda-se o espaço da favela do Boqueirão, localizada no bairro da previdência dentro da região do Ipiranga, sob o aspecto de um bem cultural para a cidade, através da linguagem iconográfica com a criação de um álbum de fotografias que narra o cotidiano.

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A demanda de uma inclusão social no universo patrimonial é expressiva e neste trabalho a

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Resumo


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Introdução Quando se fala sobre patrimônio em arquitetura e urbanismo, muitos de imediato pensam em antigos edifícios, algum estilo específico que os caracterize, uma manifestação cultural conhecida e identificável ou cidades turísticas que são tombadas como patrimônio. “Barroco!” “Não, neoclássico!” “Ah, esse é ArtNouveu!” Era o que dizíamos, visitantes e estudantes de arquitetura e urbanismo, enquanto andávamos pelas ruas de Belo Horizonte. Também nos encantávamos por andar pela primeira vez em Paranapiacaba – a cidade conhecida como patrimônio da Humanidade – para realizar uma oficina que abordava patrimônio e memória. Todavia, subindo morros, tropeçando em pedras, criávamos memórias além. Em todas essas experiências me pergunto sempre o que foi feito da vida de quem um dia ali habitou, por ali passou, ali viveu, ali trabalhou. O que sobrou? Matéria? Sim, também, mas memórias de um cotidiano. Então, obrigo-me a ver que patrimônio não é o somente o que já foi, mas o que é e ainda será. Assim, dinâmica, a cidade se transforma a cada instante, e quem (e como) é que dita o que permanecerá? Falarei sobre, mas não procuro responder essa questão neste trabalho. Muitos livros e teorias já o fazem. Instigo-me a olhar para o cotidiano, para a vida e a convivência dentro da cidade, o valor que isso adita a cada lugar. Entretanto, além de olhar é preciso mostrar. E porque não mostrar um recorte pouco valorizado pela sociedade? Por isso escolhi a favela do Boqueirão, que se insere dentro do quadrante Sudoeste da cidade, considerado uma região privilegiada, para reafirmar a segregação urbana existente e expor a necessidade da inclusão social no universo patrimonial. Ao longo do curso fiz trabalhos sobre o desenho da cidade em que pensávamos tecnicamente o que seria melhor para determinada área, remover a favela para construir habitação parecia fácil olhando para os mapas, mas raramente pensamos sensivelmente na história do lugar e na possibilidade de fazer dela a essência do nosso gesto de projeto. Percebi minha própria deficiência em lembrar que dentro do mapa há trabalho, há memória, há vida. Sendo assim pretendo identificar e reconhecer relatos dos moradores, fotos da memória do lugar, experiências vivenciadas, minhas (como investigadora), e dos moradores como etapas e meios fundamentais para o processo de desenvolvimento deste trabalho. Veremos a importância da fotografia documental, não como um simples registro da história formal ou oral. Mas a fotografia como narradora do

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espaço.

Figura 02: Pessoas no bar. Fonte: acervo da autora

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Proposição O projeto do álbum pretende afirmar o valor da favela do Boqueirão, que não são reconhecidos pela sociedade em geral. São usados dois recursos, o texto com base em história oral, a partir de trechos das entrevistas realizadas durante a composição deste trabalho; e imagem capturadas por mim, a partir do meu olhar sobre o lugar. Para entender este álbum, é necessário entender seu conceito e sua fundamentação, isso é explicado no caderno. Este TCC é composto de dois volumes, o caderno explicativo e o Álbum projetado. A imagem não é uma ilustração da história ou do espaço urbano, mas é a própria história. O livro é dividido em duas partes, a primeira é escrita por uma das autoras e a segunda por outra. Na primeira parte temos um texto mais técnico sobre a organização dos álbuns em análise, isso me ajudou a categorizar o álbum a partir de padrões encontrado nas fotografias, primeiro em temas. Trabalho, Lixo, Construções, Crianças, Animais, Lazer. Iluminação, enquadramento e cor também foi considerado num primeiro momento. Em seguida entendi que a organização de fotografias em sequência nos permite abordar e reforçar as qualidades dos espaços da cidade. Na segunda parte, majoritariamente entra a narrativa do álbum. Detalhes como aproximar fotos passadas e atuais, o que mostra a inconstância do espaço urbano, constroem essa narrativa.

Figura 03 e 04: Os dois volumes do TCC. Fonte: acervo da autora O álbum foi formatado no tamanho de 21x21, memória do trabalho de projeto interativo “O que é cidade?”, 21cm tamanho de um lado de uma folha A4 pela facilidade de corte para os trabalhos da disciplina. Escolhi somente pela referência da disciplina, possibilidades de diagramação e pela facilidade em manuseá-lo. A

relacionados à Patrimônio. Todos do grupo abordam temas que procuram valorizar algo desprezado pela sociedade. Então utilizamos um gaveteiro e o pintamos de preto, e quem quisesse conhecer o trabalho precisava puxar as gavetas e cada gaveta tinha um tema. Texto de um lado, colagem do outro, ao lado algumas fotos do trabalho. A luva do álbum é em craft em analogia à terra. Só é possível chegar ao desconhecido se entrar em seu território, pisar naquela terra e só é possível desvendar o desconhecido se o percorrer, ou seja, se o folhear e o ler. Esse é o principal desafio deste álbum, que o leitor possa experimentar a Favela do Boqueirão. Por isso a preocupação na construção dele desde o primeiro. A

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curso, no qual a proposta era criar um suporte para apresentação dos trabalhos do grupo de orientação

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capa preta remete ao desconhecido, o mesmo conceito da primeira etapa deste trabalho de conclusão de


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guarda é composta por um mapa, a favela é demarcada por uma máscara gradual com as 3 cores que compõem a primeira imagem do álbum, decidi fazer colorido, pois muitas vezes em diversas circunstâncias vemos a favela como local de marginalidade, que atrapalha e incomoda e está onde não deveria. Devido a isso vemos o inverso, a favela colorida, onde há vida, memória e valor.

Figura 05: Fachadas na Dom Macário. Fonte: acervo da autora Durante a realização deste trabalho algumas coisas relacionadas às práticas sociais me marcaram. Um exemplo são os cartazes ou informes, muitos deles feitos à mão, como o da primeira foto. Isso é tão comum e presente, que certo dia uma das crianças pegou um papel e disse que precisava colar o desenho dela na parede. Essa foto está acompanhada de uma colagem com imagens de cartazes e textos. Outra coisa foram as mudanças ocorridas. A instabilidade do espaço urbano. As fotografias “o era, o antes” e “construindo o depois” demonstram bem isso. Em uma semana uma casa foi construída. Em todo o tempo trabalhando na favela do Boqueirão pude presenciar o cuidado dos moradores em realizar suas casas. Em alguns casos a construção fora rápida, todavia, muitas ainda estão sendo ainda construídas desde

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que conheci a favela. Em todo o álbum podemos perceber o olhar externo, o meu olhar. Todas as fotos foram espontâneas. A única não espontânea da D. Didi, quando pedi à ela uma foto, ainda assim esperei ela se distrair para tirar. Além disso, tudo foi fruto do caminhar pela favela. Meu maior objetivo é que este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) seja um documento em memória à Favela do Boqueirão. Sabemos, e inclusive vimos através deste trabalho, que além da natural instabilidade do espaço existe um problema real que assombra os moradores de qualquer área irregular, a ordem de despejo. Já aconteceu e pode acontecer outra vez. Mas aqui ficam as memórias e o valor de um cotidiano pouco valorizado, porém com um valor inestimável, dado pelas práticas sociais. A favela do Boqueirão me ensinou que a coletividade é o caminho mais curto para a felicidade individual. A cidade formal tem sido

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formal demais, o senso de coletividade tem se perdido. A cidade informal nos ensina muito mais sobre Identidade, Patrimônio e Memória. Que existam por aí muitas outras Donas Didis. Não se trata apenas que foi ou do que será, trata-se muito mais de agora construirmos memórias que valerão a pena serem lembradas.

Figura 06: Fechamento da rua. Fonte: acervo da autora Referências ANDRADE, Carlos Drummond de, 1902-1987. Sentimento do mundo/ Carlos Drummond de Andrade. — 1a ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012. BORGES, Rudinei. Epístola.40, carta (des)armada aos atiradores. São Paulo, 2016. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. as artes de fazer; 16ª Ed. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. FERREIRA, Jõao S. W. São Paulo cidade da intolerância ou o urbanismo “à brasileira”. São Paulo, 2011.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro, 1998. MARICATO, Ermínia. Conhecer para resolver a cidade ilegal. Belo Horizonte, 2003. MENESES, Ulpiano Toledo Bezerra de. A cidade como bem cultural. NASCIMENTO, Milton. O que foi feito devera. 1978 SANTOS, Carlos Nelson F. dos. Preservar não é tombar, renovar não é por tudo a baixo. Rio de Janeiro, 1984. VILLAÇA, Flávio. São Paulo: segregação urbana e desigualdade. São Paulo, 2011.

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de consumo. Álbuns de São Paulo (1887-1954). Campinas: Mercado das Letras; São Paulo: Fapesp, 1997.

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

LIMA, Solange Ferraz de; CARVALHO, Vânia Carneiro de. Fotografia e cidade: da razão urbana à lógica


Sete Orixás Umbanda como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro Murilo Campos Urbaneto Orientador : Prof. Me. Ralf José Castanheiras Flôres

Figura 01: Objetos Dos Orixás De Carybé.

Resumo

e os preconceitos que giram entorno das religiões de matriz africana, espírita, entre outras. A proposta é trazer o mínimo de acesso e instigar a curiosidade das pessoas para o tema, a partir da criação de Sete Pavilhões, que representam sete orixás dentre as centenas de divindades existentes na Umbanda, cada pavilhão carrega características, cores e sensações que remetem a esses Orixás escolhidos.

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brasileiro, mostrando suas origens e suas influências. O tema escolhido deve-se à falta de acesso

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

O trabalho de conclusão de curso defende a Umbanda como patrimônio cultural imaterial


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

As Religiões de matriz africana como o Candomblé e as religiões brasileiras como a Umbanda, são perseguidas, malvistas e intoleradas, desde sua chegada e criação no Brasil. A igreja católica sempre presente no Brasil desde a chegada dos primeiros portugueses reprimiram as religiões indígenas e não foi diferente com as religiões africanas trazidas pelos negros, para o território brasileiro, com o tráfico de escravos. As religiões africanas foram fortemente reprimidas pela igreja católica e eram consideradas pelas autoridades eclesiásticas como “primitivas”, por serem religiões que se baseiam na magia, seus sacerdotes manipulavam objetos, pedras, ervas entre outros ritos. Alguns batuques destas religiões eram permitidos pelo governo da época e pela igreja por serem considerados apenas folclóricos, e os próprios negros diziam que os batuques eram em homenagem a santos católicos na sua língua natal, porém essa permissão tinha um caráter político de manter as tradições dos diferentes grupos de negros, como suas rivalidades, assim, as organizações de rebeliões teriam maior dificuldade de começar. Desse modo vemos que a religião dos brancos deveria ser entendida e aceita pelos negros, porém não havia interesse algum da classe dominante branca de entender a religião africana negra. Hoje, ainda se vê muitas depredações contra terreiros, figuras notáveis de religiões cristãs maldizendo e incentivando o preconceito contra a religião e seus praticantes, pois ainda carregam essa bagagem preconceituosa e intolerante do passado, não mostrando interesse algum em conhecer e entender o diferente, ainda acreditando que são religiões diabólicas, de seres do mal, feitas para conseguirem tudo a qualquer custo a partir da magia e do sacrifício. Ao longo de todos esses anos em que essas religiões estão presentes no Brasil, elas já foram enraizadas em nossa cultura. Hoje o Candomblé e a Umbanda, são considerados Patrimônios Culturais e Imateriais Brasileiros e são extremamente difundidos pelo Brasil na obra de personalidades da Música e da Literatura, como Maria Bethânia, Clara Nunes e Jorge Amado. Não temos como negar a importância dessas culturas no dia a dia do brasileiro, contudo, mesmo com a ampla divulgação e com o fácil acesso a essas religiões e culturas, ainda pairam dúvidas e receios, por esse motivo, busco facilitar ainda mais o acesso dessa cultura, a partir desse trabalho de conclusão de curso. São 7 pavilhões projetados onde cada um representa um Orixá, que são Exu, Oxum, Ogum, Iansã, Iemajá, Obaluaê/Omolu e Oxalá, expondo para o público em geral suas cores, domínios, significados, atributos etc. Dentro de cada um o visitante poderá compreender melhor a religião, suas atividades e suas crenças.

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Patrimônio Arquitetônico e Urbano

Uma das principais características desses pavilhões é que sejam móveis, itinerantes, para que possam ser levados e expostos em qualquer lugar do país.

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Proposição Os pavilhões têm como partido trabalhar com cores, texturas, ambientes e elementos que acometam ao Orixá que lhe foi destinado, para que os visitantes tenham uma experiência espacial e participativa com o ambiente, desse modo os complexos poderão ser adentrados e tocados.

Figura 02: Pavilhão de Oxum. Fonte: acervo do autor

Figura 03: Pavilhão de Obaluaê. Fonte: acervo do autor A representação dos Orixás como figuras humanizadas são muito comuns, mas na Umbanda Orixás não representam só seres humanizados como dizem nas lendas, são diferentes energias que regem nossas vidas e representam a natureza, são as forças que encontramos na natureza que não conseguimos

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Figura 04: Pavilhão de Iansâ. Fonte: acervo do autor

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

compreender somente com um tipo de interpretação.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 05: Pavilhão de Iemanjá. Fonte: acervo do autor

Figura 06: Pavilhão de Ogum. Fonte: acervo do autor Os Orixás aqui não são representados como figuras humanas, eles terão formas que simbolizem de

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Patrimônio Arquitetônico e Urbano

alguma maneira suas características e possam passar uma mensagem subjetiva e sensorial possibilitando uma nova releitura das divindades da Umbanda. Todos terão o aço inoxidável como principal material estrutural, por ser resistente ao clima e de fácil manipulação. Dois deles ficarão em uma base de concreto onde terá água na superfície, todos os outros terão como base o chão do lugar implantado. Por terem esse caráter móvel, não serão implantados em um local específico, porém devem ser instalados preferencialmente em parques e praças, para ter contato direto com a terra.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 07: Pavilhões de Oxalá e Exu. Fonte: acervo do autor

Referências

BIRMAN, Patricia, O que é Umbanda. Abril cultura/ brasiliense. 1985 SARACENI, Rubens. As sete linhas de Umbanda. Madras. 2003 __________, Rubens. Umbanda Sagrada. Madras. 2003 SILVA, Vagner Gonçalves da. Candomblé e Umbanda: caminhos da devoção Brasileira. Selo Negro. 2005.

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Patrimônio Arquitetônico e Urbano

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Corrupio. 1997.


Patrimônio e Refúgio: criação de um espaço de acolhimento Raquel Rei Coronato Orientador: Prof. Me. Ralf José Castanheira Flôres

Este trabalho apresenta um novo olhar sobre a questão dos refugiados, especificamente sua chegada em São Paulo, estudando um panorama completo de dados mundiais e a hospitalidade dos que procuram um local de acolhimento na cidade. A partir desse estudo, surge um projeto de intervenção patrimonial unindo o problema dos prédios desocupados na região do centro e da acolhida de forma digna e confortável aos refugiados que hoje se encontram e chegam em São Paulo.

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Resumo

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

Figura 01: prédio escolhido para intervenção patrimonial. Fonte: acervo da autora


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Introdução

Pensar na temática dos refugiados hoje é pensar em um mundo globalizado e em constante transformação. Nesse pensamento encontra-se um paradigma entre duas relações: a primeira é de um mundo onde a circulação de dinheiro acontece de forma fácil e ampla; a segunda é a restrição da circulação de pessoas pelo mundo, principalmente quando se trata de pessoas que necessitam de abrigo ou refúgio. A circulação de imigrantes acontece de forma abrangente, onde se deslocam com a possibilidade de volta para casa ou não são forçados a viver em outro país e cultura. No caso dos refugiados, esse processo se inverte à medida que o deslocamento é forçado, sua chegada é dificultosa e a falta de um olhar mais acolhedor acerca disso ainda é recorrente. Ao retomar a ideia de mundo globalizado, o primeiro pensamento tratando-se de imigração seria de que pessoas que se deslocam entre países deveriam ser tratadas de forma única, como imigrantes. Mas a diferença acontece em uma única e exclusiva questão: o forçamento de se mudar de país. A partir disso, o trabalho acontece à medida que a hospitalidade da chegada ao Brasil, especificamente em São Paulo, torna-se cada vez maior e defasada. O objetivo do trabalho é a criação de um novo espaço de recepção desses refugiados, com um olhar acolhedor e humano, visando amenizar o desconforto dessa mudança forçada para São Paulo. Tendo em vista este objetivo, o trabalho desenvolve-se na intervenção patrimonial de um prédio atualmente sem uso na região central de São Paulo. O prédio que antigamente abrigava um hotel dará lugar a um

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alojamento com espaços coletivos de convivência.

Figura 02: Crescente no Número de Refugiados no Brasil| 2007-2017. Fonte: ACNUR

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição

A proposta de intervenção patrimonial baseia-se fundamentalmente na chegada dos refugiados em São Paulo e a falta de local apropriado para este acolhimento. A premissa do projeto ocorre na valorização do patrimônio histórico central de São Paulo, dando um novo uso para um local que hoje está vazio e possui extrema importância histórica na arquitetura local. Na esquina da Avenida São João e do Largo do Paissandu encontra-se o antigo Hotel Municipal. A escolha do edifício aconteceu em consequência dos inúmeros imóveis subutilizados na região do Centro, além de ser um ponto de referência e grande relevância devido a infraestrutura ao seu redor. Por se localizar no centro, os refugiados que chegam em São Paulo conseguem de forma muito mais fácil encontrar o local de acolhimento sem passar por dificuldades durante a trajetória. Vale ressaltar que apesar do edifício estar tombado pelo órgão estadual, o atual estado dele é extremamente alarmante, nem mesmo os comércios no térreo que existiam após a desocupação do prédio estão mais no local. Caso alguma medida não seja tomada, o edifício está sujeito a ruir e desaparecer. Sendo assim, a intervenção auxiliará na proteção de sua história.

Figura 03: planta original do térreo. Fonte: autora, AHSP

Figura 04: planta original do pavimento tipo. Fonte: autora, AHSP

O programa do pavimento térreo se divide em grandes espaços voltados especialmente para os refugiados, como forma de auxílio às suas dificuldades e reintegração na sociedade. No

aprendizado do idioma português. As salas de aula também contém um grande fechamento em vidro e acesso a um jardim, trazendo claridade à ambas. Após passar pelo corredor, um grande átrio central que abriga também locais para exposição juntamente com espaço de espera. Esse espaço de espera destina-se para as salas de apoio psicológico e de retirada de documentos. Ao lado desses espaços, na esquina do prédio, está a administração de todo o edifício. Nesta planta as alvenarias centrais que dividiam o edifício em dois grandes ambientes foram demolidas

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pavimento térreo encontram-se duas grandes salas de aula. Estas salas têm como intuito o

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

térreo encontramos logo ao lado da recepção um grande espaço para eventos. Percorrendo o


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

como também as que faziam o fechamento para a área aberta do lote. A construção das novas alvenarias foram necessárias para atingir o programa novo desejado e faz toda a nova divisão interna e cria os novos lugares de interação social.

Figura 05: hall de entrada. Fonte: acervo da autora

Figura 06: espaço para eventos. Fonte: acervo da autora

Em todos os três pavimentos superiores, existe um refeitório de cinco ilhas com equipamentos de cozinha para cada um. Ao percorrer toda a circulação interna encontram-se os quartos para a hospedagem dos refugiados. Os quartos que totalizam-se 11 por andar e foram pensados de modo que 27 pessoas no mínimo, por pavimento, possam se hospedar, totalizando 81 pessoas somando os três pavimentos. Grandes banheiros e vestiários compartilhados estão dispostos do lado oposto ao refeitório, onde originalmente também existiam banheiros, cozinha e copa dando suporte para todos as pessoas que estão abrigadas. Na esquina de todas as plantas tipo um espaço de estar foi criado como um mirante para a ampla visão da Avenida São João e do Largo do Paissandu. Nestes pavimentos a maioria das alvenarias existentes foram

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Patrimônio Arquitetônico e Urbano

respeitadas pois auxiliaram no processo de divisão dos novos locais de acolhimento.

Figura 07: refeitório. Fonte: acervo da autora

Figura 08: mirante. Fonte: acervo da autora

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O terceiro pavimento que diz respeito ao sótão foi pensado exclusivamente para espaços de entretenimento e convívio. Logo ao lado do hall social encontra-se uma grande lavanderia que serve todas as pessoas que estão no abrigo. Percorrendo um pouco mais à frente no hall social, duas salas multiuso foram divididas no lado direito da planta. À frente da escada, duas salas de televisão foram projetadas. Ao lado das salas de televisão, uma pequena biblioteca abriga dois espaços, um para leitura e estudo e o segundo com cabines individuais para acesso à internet.

Figura 09: biblioteca. Fonte: acervo da autora

Figura 10: lavanderia. Fonte: acervo da autora

Referências ABREU, M. de A. Sobre a memória das cidades. Território / LAGET, UFRJ ano 3, n.4, jan-jun, 1998. Rio de Janeiro: Garamond, 1998 ACNUR. Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado: de acordo com a Convenção de 1951 e o Protocolo de 1967 relativos ao estatuto dos refugiados. 2011. CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Ed. Unesp/Estação Liberdade, 2001. COSTA, Everaldo Batista da. Patrimônio e Território Urbano em Cartas Patrimoniais do Século XX. Finisterra, XLVII , 93, 2012, pp. 5-285

KARA, JOSÉ Beatriz. A popularização do Centro de São Paulo: um estudo de transformações ocorridas nos últimos 20 anos. 2011. MENESES, Ulpiano T. B. de. A cidade como bem cultural – áreas envoltórias e outros dilemas, equívocos e alcance na preservação do patrimônio ambiental urbano. In: MORI, Victor H. et al (org,). Patrimônio: atualizando o debate. (IPHAN) 2. ed. ampl. São Paulo: Fundação Energia e Saneamento, 2015. SANTOS, Carlos Nelson Ferreira dos. “Preservar não é tombar, renovar não é por tudo abaixo”. Projeto, n. 86. São Paulo, abr. 1986, p. 60-61. VILLAÇA, Flávio. Espaço Intra-Urbano no Brasil. Segunda ed. São Paulo: Studio Nobel, 2001.

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HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

FRUGOLI, H. Centralidade em São Paulo, trajetórias, conflitos e negociações da metrópole. São Paulo, Cortez/Edusp/Fapesp, 2000.


VAGO: ocupando o cine art palácio Sophia Rodrigues Silva Orientador: Prof. Me. Ralf José Castanheira Flôres

Figura 01: perspectiva da sala de cinema. Fonte: acervo da autora

hoje, poucos são os que ainda funcionam como cinemas, estando a maioria abandonados ou subutilizados. Sendo parte da história do centro da cidade, a Cinelândia Paulista pode ser vista como patrimônio cultural, onde apenas sete das inúmeras salas são realmente tombadas. Por meio de uma intervenção no Cine Art Palácio, o projeto buscou o levantamento de questões sobre o porquê do estado atual dos cinemas de rua e a retomada do entendimento desses equipamentos culturais como parte da cidade.

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Os cinemas de rua já ocuparam um lugar na cidade de São Paulo diferente do que ocupam

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Resumo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução Um homem catava pregos no chão. Sempre os encontrava deitados de comprido, ou de lado, ou de joelhos no chão. Nunca de ponta. Assim eles não furam mais - o homem pensava. Eles não exercem mais a função de pregar. São patrimônios inúteis da humanidade. Ganharam o privilégio do abandono [...] (BARROS, 2001, 43) Ganharam o privilégio do abandono diz Manoel de Barros (2001, 43) de forma irônica sobre os pregos, que não servem mais para pregar. Cinemas que não servem mais para a projeção de filmes. Para que servem então? Qual função exercem a não ser a função do abandono? A “não função”. Eles contam a história de uma cidade inteira a partir do seu estado temporal. O início desse processo foi na rua, os cinemas eram parte do cotidiano do centro de São Paulo e conformavam uma vida pública, no espaço público, na calçada. Os cinemas estavam na cidade e pertenciam à cidade. O direito à cultura, talvez não tão bem explícito como hoje, já acontecia. “[...] Enquanto ‘espaço’ se tornou uma categoria neutralizada e dessemiotizada de disponibilidade e desempenho de um papel, a atenção volta-se para o ‘local’ com sua significação inespecífica e cheia de segredos.” (ASSMANN, 2011, 319). A elite e o proletariado utilizavam o espaço, transformando-o em lugar, a partir do momento em que o incluíam na sua vida e davam um pouco de si mesmos para o cinema. A cidade é ressignificada como produto da transformação de seus ocupantes. As pessoas não ocupam mais a rua. A vida pública diminui e com isso a cultura pública é deixada a esmo. O processo de abandono do centro deixa muitos lugares para trás. Cinemas de rua que viraram estacionamentos são exemplos fáceis de encontrar quando se procura por um lugar que já não é mais lugar. Eles contêm história em todas as suas paredes e contam essa história de maneira bruta e nostálgica em forma de abandono. Aquele espaço que passou a ser

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lugar volta a ser um espaço, pois perdeu sua significação. Sendo assim, como transformar o esquecimento em algo notável? O que se tem hoje são os esqueletos do que um dia já foram os cinemas de rua, esqueletos aptos a receberem uma reflexão crítica sobre a história dos edifícios e sobre o que eles são hoje. Sobre o que a cidade é e sobre como seus ocupantes são. “A intervenção é uma inscrição num fluxo mais amplo e complexo que é a dinâmica urbana. Implica entender a cidade como algo em movimento. Não na forma de vetor progressivo, orientado, mas em várias direções.” (PEIXOTO, 2012, 14). A intervenção urbana vem, então, como o impulso inicial para o início da conversa sobre o que os cinemas de rua eram e o que eles são hoje.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição O projeto de intervenção pretende promover um partido de ocupação que possa levantar a leitura do ambiente, trazendo visibilidade e questionamento sobre o que os cinemas de rua abandonados dizem sobre a cidade. É um produto de ressignificação do espaço. Uma visibilidade que vai além dos cinemas e acaba abrangendo a cidade, a rua, o centro de São Paulo. O cinema, aqui, se torna um símbolo do que resulta em forma de espaço a ser ocupado de todo o histórico pela qual a Cinelândia se enquadra como exemplo: o abandono, a memória, as mudanças, os resquícios e o próprio corpo que se perde nesse meio. Por meio da passagem do tempo, do espaço resultante dessa passagem e do corpo que ocupa esse espaço, o projeto de intervenção cria uma narrativa, onde o corpo atravessa o esqueleto estrutural do cinema para procurar preencher o espaço vago. A imagem de um espaço inútil que pode ser interpretada de maneira negativa, passa a ser a representação de uma crítica. O espaço não é mais visto como a falta de algo, mas como a possibilidade de um novo uso, de algo existente. Assim como a própria rua, onde a maior relação entre o corpo e o espaço é iniciada. Sendo assim, a experiência começa na rua. A intervenção tem como partido o espaço, a memória e o corpo. O espaço é um cinema que abriu em 1936, fechou em 2012, está abandonado e é tombado. Assim, a crítica que persiste e que deve permanecer na memória é de que são patrimônios culturais, mas qual a função de defini-los se essa definição não garante seus lugares na cidade? Já a memória está presente em toda a cidade, no centro, na calçada, no vizinho, no Plaza Hotel, no Cine Art Palácio, nas pessoas que possuem e possuirão

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Figura 02: fachada Av. São João. Chapas metálicas corrediças fazem o fechamento da fachada, mas permitem abertura e movimentação. Fonte: acervo da autora.

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alguma relação com esse espaço. Por fim, o corpo é quem ocupa o espaço e cria a memória.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figuras 03 e 04: vistas do saguão para a calçada. O saguão possui uma possibilidade maior de permanência, por ser o local que possui contato direto com a rua, sendo assim, ele possui duas salas de cinema e mobiliários fixos e móveis. Fontes: acervo da autora. O espaço do saguão, o que faz a ligação entre a rua e a sala de cinema, se tornará um espaço para troca e criação de novas experiências. Um espaço mutável, oscilante, que se conforma ao tempo das pessoas que o ocuparem. É o preparo para o que está por vir, sendo isso a sala ou a rua

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Patrimônio Arquitetônico e Urbano

novamente.

Figura 05: vista da entrada da sala 1. Elementos como o chão quebrado, mobiliários, luzes e sombras provocam o questionamento sobre o estado do cinema. Fonte: acervo da autora.

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Figura 06: corte longitudinal. O corte mostra os espaços definidos pela intervenção (fachada, saguão, sala 1 e sala 2), mas criados pela estrutura do cinema. Fonte: acervo da autora.

A intervenção é uma narrativa: entrar em um espaço, andar sobre ele, conhecê-lo e sair, porém sair diferente de quando entrou. A narrativa buscará a mudança de perspectiva sobre aquele espaço para então gerar a reflexão sobre ele e os outros. Todos os espaços do cinema possuem significado e cada um pode gerar um sentimento diferente sobre a cidade.

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ALMEIDA, Guilherme de, Cinematographos – Antologia da crítica cinematográfica, Unesp, São Paulo, 2015. ANDRADE, Carlos Drummond de, Boitempo – Esquecer para lembrar, Schwarcz s.a., São Paulo, 2017. ART Palácio, Época São Paulo Revista, 2009. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=LOdW2QGmPWQ>. Acesso em: 30 mar. 2018. ASSMANN, Aleida, Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural, UNICAMP, São Paulo, 2011. BARROS, Manoel de, Tratado geral das grandezas do ínfimo, Record, Rio de Janeiro, 2001. CUNHA, Thais, Os cinemas de rua de SP: Parte 1 – Cinelândia. Disponível em: <http://saopaulo2go.com/index.php/2016/06/29/os-cinemas-de-rua-de-sp-parte-1-cinelandia/>. Acesso em: 25 maio. 2018. MENESES, Ulpiano T. Bezerra de, A cidade como bem cultural – Áreas envoltórias e outros dilemas, equívocos e alcance na preservação do patrimônio ambiental urbano. Patrimônio: atualizando o debate. Iphan, São Paulo, 2006. _____, Memória e Cultura Material: Documentos Pessoais no Espaço Público, 1998. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view%20File/2067/1206>. Acesso em: 20 jun. 2018. PEIXOTO, Nelson Brissac, Intervenções Urbanas: Arte/Cidade, SENAC, São Paulo, 2012. RESOLUÇÃO nº 37/92, Prefeitura de São Paulo, 1992. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/d475b_37_T_Vale_do_Anhangabau.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2018. SIMÕES, Inimá, Salas de Cinema de São Paulo, Pw, São Paulo, 1990.

Patrimônio Arquitetônico e Urbano

Referências


Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

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PARQUE LINEAR RIO JURUBATUBA Bruna Nishi Ribeiro Orientadora: Prof. Ms. Marcella de Moraes Ocke Mussnich

Figura 01: Área de intervenção para o Parque Linear. Fonte: acervo do autor

diversas formas espaciais, onde normalmente o verde se expressa com maior protagonismo tornando uma “barreira visual”. Já os cursos d´água se tornam cada vez mais “barreiras físicas”, sendo encontradas como áreas de abandono, e geralmente ocupadas por edificações irregulares e até mesmo tornando-se um depósito de lixo. Buscando encontrar uma resposta para os problemas citados, este projeto tem como objetivo a requalificação de uma grande área fragilizada, localizada às margens do Rio Jurubatuba, tal como rios e córregos, além da recuperação de áreas degradadas, visando uma forma de reinserção urbana dos mesmos, já que estes se encontram em locais carentes de espaços públicos, na forma de um parque linear.

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Esse trabalho de conclusão de curso mostra que as áreas livres de edificações, podem assumir

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Resumo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução Afinal, o que seria um espaço público? Seria talvez áreas livres de edificações? Parques urbanos ou lineares? Praças, talvez? E as áreas que circundam rios e córregos? O que elas são? Por que normalmente são áreas degradadas e com um caráter de abandono? Se sairmos observando a cidade de São Paulo, provavelmente muitas áreas que têm algum tipo de vegetação, sem grades delimitando sua área ou sem algum tipo de barreira física, visual, de uma maneira superficial são consideradas áreas públicas. Mas será que são mesmo? E será que conseguimos identificar todos os cursos d´água existentes, se seguirmos a malha urbana? Em um contexto físico, podemos considerá-los como os vazios urbanos, rodeados pelos volumes construídos da cidade e muitas vezes são os espaços em que o verde da cidade se expressa com maior protagonismo. O espaço público assume muitas formas espaciais, incluindo parques, ruas, calçadas, praças, jardins, trechos de vegetação e até mesmo ambientes fechados. Já os cursos d´água se tornam “barreiras”, sendo encontradas como áreas de abandono, geralmente ocupadas por edificações irregulares e depósitos de lixo. Mas de acordo com o Código Florestal, todas as áreas próximas de córregos e rios são áreas de A.P.P. (área de preservação permanente), onde se tem um planejamento de proteção e conservação dos recursos hídricos e dos ecossistemas aquáticos. Ou seja, a prática de autoconstrução e de descarte em áreas como estas, só aumentam, gerando riscos ao equilíbrio ecológico, poluição de rios e córregos e possíveis deslizamentos de encostas. Dessa forma, os cursos hídricos encontram-se cada vez mais desconectados com a sociedade. Buscando achar uma resposta para os problemas citados, este projeto tem como objetivo a requalificação de uma grande área fragilizada, localizada às margens do rio Jurubatuba, tal como os rios e córregos, além da recuperação de áreas degradadas, visando uma forma de reinserção urbana dos mesmos, já que estes se encontram em locais carentes de espaços públicos, na forma de um parque linear.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Proporcionar o contato com a natureza, uma melhor qualidade de vida para a população, criação de conexões transversais, viveiro de vegetação nativa, revitalização de uma área degradada, subutilizada como lixão, extensão da ciclovia existente, novas opções de lazer, cultura e de atividades físicas, são alguns dos objetivos do projeto. Por meio de levantamento de dados, histórico da região e visitas ao território real, foi possível realizar uma análise e entender como se deu a formação territorial e o porquê da “barreira” física existente, gerando ocupações irregulares e degradações as margens do rio Jurubatuba. Desta forma foram criadas diretrizes para atender as demandas necessárias da população local, e diretrizes para apropriação da extensão do rio, e sob a área subutilizada do lixão para a melhoria de qualidade de vida dos moradores.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição Após um breve levantamento sobre a região em questão, visitas ao local e em diferentes níveis do entorno da área escolhida para a intervenção, foi possível ver quais são as necessidades da população local, e se a proposta do projeto é viável ou não. Dessa forma, foram estabelecidas as principais necessidades que o projeto deverá atender para ser consistente. 1 - FUNCIONAL: Proporcionar conexões transversais práticas para o pedestre e atividades próximas as habitações; 2- FIGURATIVO:

Inserir o parque no cotidiano da população local, com

o intuito de acabar com as “barreiras” físicas e visuais existentes entre a população e o rio; 3- AMBIENTAL:

Conservação da mata ciliar e de nascentes, formação

de vegetação nativa, arborização de relevância ambiental, vegetação significativa e alto índice de permeabilidade.

Após o estabelecimento das principais necessidades que devem ser atingidas, cabe em seguida estabelecer diretrizes mais específicas, como: 1. acesso ao terreno; 2. criação de conexões transversais, em pontos estratégicos; 3. criação de programas voltado para a população; 4. criação de atividades esportivas, culturais e de lazer; 5. criar relação indivíduo x rio;

O parque linear contém um programa que abrange as seguintes áreas:

DESLOCAMENTO: Dar continuação à ciclovia existente em um trecho do terreno, fazendo com que percorra toda a extensão do parque. Tem início na Av. Marginal e finaliza na Rua Alexandre de Gusmão, atualmente. Distância atual: 1,5km | Distância proposta: 7km;

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7. ciclovia no decorrer do parque.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

6. criar relação indivíduo x meio ambiente;


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

MEIO AMBIENTE: Criação de grandes canteiros de vegetação, onde surjam caminhos de passeio entre eles, nos córregos existentes, seja utilizada algum tipo de infraestrutura verde, e uma horta comunitária para a população da região.

CULTURAL: Criação de uma edificação voltada para diversas atividades culturais, desde exposições a ações espontâneas, como músicos, apresentações, etc., trazendo assim, um caráter de diversidade ao parque;

ESPORTIVO:

Criação de áreas esportivas com quadra de futebol, quadras poliesportivas,

quadras de vôlei, quadras de basquete, pista de skate, aparelhos de ginástica ao ar livre;

MIRANTE: Criação de mirantes no terreno do antigo lixão com a vistas voltadas para o parque, o

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

rio Jurubatuba e para a represa Billings.

Figura 02: Proposta Parque Linear Rio Jurubatuba. Fonte: acervo do autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 03: Ampliação trecho 05 Parque Linear Rio Jurubatuba. Fonte: acervo do autor

Referências ABBUD, B. Criando paisagens, guia de trabalho em Arquitetura Paisagística. São Paulo: Ed. SENAC, 2016. BARCELLOS, V. Os parques como espaços livres públicos de lazer: O caso de Brasília. São Paulo, tese doutorado FAU- USP, 1999. FEIBER, S. Áreas verdes urbanas, imagem e uso - O espaço geográfico em análise. Curitiba, 2004.

KLIASS, R. - Os parques urbanos de São Paulo. São Paulo: Ed. Pini, 1993. MACEDO, S. Parques urbanos no Brasil. São Paulo: Ed. Edusp, 2003. MACEDO, S. Quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo, Quapá, 1999. ROGERS, R. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2001. SANCHES, P. De áreas degradadas a espaços vegetados. São Paulo: Ed. SENAC, 2014. SUN, A. Projeto da praça: Convívio e exclusão no espaço público. São Paulo: Ed. SENAC, 2008.

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GORSKI, M. Rios e cidades - rupturas e reconciliação. São Paulo: Ed. SENAC, 2014.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2013.


Da Casa à Comunidade Propostas de Requalificação para a Ocupação Olga Benário Eliane Souza da Cunha Orientadora: Profª Ms. Rita Cássia Canutti

Este trabalho apresenta uma proposta de requalificação urbana para a região da comunidade Olga Benário, localizada no Capão Redondo, partindo da premissa em atender a demanda habitacional e de equipamentos públicos, em consonância com a necessidade de recuperação e preservação ambiental.

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Resumo

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 01 : Implantação geral da proposta. Fonte: acervo do autor


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução

De acordo com o Censo de 2010, a subprefeitura do Campo Limpo ocupa o 3º lugar no ranking de densidade demográfica da cidade de São Paulo, precedido por Sapopemba e Itaim Paulista, também regiões periféricas. Essa posição foi alcançada majoritariamente através da ocupação informal, loteamentos irregulares e da autoconstrução ao longo das últimas décadas. Consequentemente, a ausência de planejamento urbano resultou numa região que carece de infraestrutura adequada para atender sua população. Inserida nesse contexto, e iniciada há aproximadamente 11 anos, a comunidade Olga Benário ocupa um terreno às margens do córrego do Engenho, no distrito do Capão Redondo. Local de muitos conflitos, já enfrentou desapropriações, disputas, e carrega um histórico complicado junto aos moradores da região desde a época em que era um terreno vazio, cujos usos ilícitos retratavam estatísticas que, apesar de significativa melhora, ainda hoje apontam o distrito como o 2º mais violento da capital (SSP-SP). Atualmente, aproximadamente 700 famílias residem no local que, além de diversas nascentes, possui parte do terreno classificado como Área de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA). Ao passo que propostas para o projeto de reurbanização não se concretizam, a comunidade avança sobre as áreas verdes, aumentando o desmatamento e degradação dos

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cursos d’água.

Figura 02: Vista aérea da ocupação em 2018. Fonte: Google Earth- elaboração da autora

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Proposição

Pensar em viabilizar um projeto para um local com tantos problemas foi um desafio que optei por enfrentar com a intenção de discutir temas que costumam ser antagônicos dentro do planejamento urbano: a preservação ambiental e a ocupação do solo urbano. Como tratar as necessidades da sociedade pelo direito fundamental à moradia e as de proteção das áreas de preservação, dentro de um território consolidado que possui demandas urgentes em ambas as frentes? Como pensar a ocupação do espaço de maneira a combinar e estabelecer uma relação de equilíbrio entre esses aspectos, buscando maximizar os benefícios para a população local e a cidade? Foi a partir destes questionamentos que defini as quatro premissas fundamentais da intervenção: O tratamento dos cursos d’água: além do córrego degradado, existem diversas nascentes ao longo do terreno ocupado. Atualmente, a maioria delas está assoreada/soterrada pelo processo de ocupação. O curso principal recebe esgoto não tratado de boa parte das casas. Como parte do planejamento de infraestrutura de saneamento básico, promover a recuperação desses cursos d’água seria essencial para mudar a relação estigmatizada que se identifica na cidade de dar as costas para as águas urbanas, vendo-as como um percalço no avanço do desenvolvimento e constante fonte de proliferação de doenças e tragédias. Figura 03: Situação atual do território. Fonte: acervo da autora

A manutenção do verde: As áreas verdes remanescentes compõem um dos poucos respiros

dezembro/2011 era de 0,90 m²/hab. A recomendação mínima é de 15 m²/hab, segundo a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana. Preservar esse recurso natural está diretamente associado tanto a preservação das águas a longo prazo, quanto a manutenção da qualidade de vida na região. Figura 04: Situação atual do território. Fonte: acervo da autora

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Ambiente, na subprefeitura do Campo Limpo o índice de áreas verdes por habitante em

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existentes num distrito extremamente adensado. Segundo Secretaria do Verde e Do Meio


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Pensar em usos que estimulem a preservação e valorização dessa área pela comunidade foi a premissa para a intenção de criar um parque com um programa que se desenvolva em torno de grandes maciços, minimizando a intervenção nesses biomas após recuperação de partes já desmatadas, e desestimulando o reassentamento nesses trechos. O tratamento dos espaços públicos e de uso coletivo: Assim como as áreas verdes, o índice de áreas de lazer em parques não ultrapassa 1m²/hab. A oferta de equipamentos públicos é escassa, e dessa maneira o lazer acontece de maneira improvisada nos mais diversos espaços. O beco, a viela, o escadão, a calçada e a rua. O sistema viário é muitas vezes o único espaço público existente em bairros inteiros, e é deles que as comunidades legitimamente se apropriam para se reunir, fazer festas, churrascos, brincadeiras e praticar esportes. Ainda que de maneira consequente à um cenário desfavorável, nas periferias e principalmente dentro das favelas a conexão com os espaços coletivos tem uma intensidade muito positiva. Essa foi a principal característica que busquei reforçar no tratamento dos espaços públicos. Criar um passeio que conectasse os bairros e o miolo das quadras, estimulando seu uso não só pelos moradores das edificações

projetadas,

mas

também

pelas

comunidades vizinhas foi a base dessa premissa. Figura 05: Situação atual do território. Fonte: acervo da autora

O Projeto Tendo em vista a dualidade presente no projeto e a definição das premissas, o foco foi direcionado à provisão habitacional, considerando o histórico de remoções e reocupações da

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

área de maneira precária, o que aumenta o nível de degradação do meio ambiente, além da necessidade básica de acesso à moradia digna por parte das famílias assentadas. Em um último levantamento havia aproximadamente 700 famílias vivendo na ocupação. Essa foi a faixa considerada durante

a

elaboração

do

projeto, uma vez que pautada pelas premissas apresentadas, optei por não edificar grande parte do terreno, mantendo-o

Figura 06: Planta tipo dos edifícios. Fonte: acervo da autora

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como parque de preservação. Dada a condição das moradias, a necessidade de infraestrutura, e de recuperação dos cursos d’água, a decisão tomada foi a de remoção completa da ocupação para a execução do projeto. O tipo de edificação escolhida foram lâminas de 5 pavimentos, com estrutura modular e térreo comercial nos prédios voltados para a rua principal.

Figura 07: Cortes e seção. Fonte: acervo da autora Referências

BONDUKI, Nabil Georges. Origens da habitação social no Brasil. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. CARRIL, Lourdes. Quilombo, favela e periferia: a longa busca da cidadania. São Paulo:

cidade de São Paulo: Hapisp. 2012. Tese (Doutorado em Geografia Humana) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. doi:10.11606/T.8.2013.tde-20052013-111444. Acesso em: 2018-06-05. GROSTEIN, Marta Dora. Metrópole e expansão urbana: a persistência de processos "insustentáveis". São Paulo em perspectiva, v. 15, n. 1, p. 13-19, 2001.] MARICATO, Ermínia. Metrópole na periferia do capitalismo: ilegalidade, desigualdade e violência. São Paulo: Hucitec, 1996.

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COELHO, Eliene Correa Rodrigues. Sistema de Informações para Habitação Social na

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Annablume; Fapesp, 2006.


Parque Linear Av. Atlântica Um pulmão verde para a vida urbana. Erika Tiemi Kawamura Orientadora: M.e. Marcella de Moraes Ocke Müssnich

Atualmente existem várias categorias de parques: privados, públicos, temáticos, lineares. A categoria de Parque Linear, geralmente, tem sua implantação no meio urbano ao longo da margem de seus cursos d’aguas. Esses equipamentos de lazer requalificam a paisagem urbana, buscam o equilíbrio entre a cidade e o meio ambiente. Esse Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) teve como área de intervenção as margens da Represa Guarapiranga e propõe um Parque Linear para requalificar as bordas desse curso d’agua, mais especificamente ao longo da Avenida Atlântica, Zona sul de São Paulo. O projeto visou criar espaços de convivência, que possam oferecer lazer para a população. Além disso realizar o reencontro das pessoas com os cursos d'água, proteger o meio ambiente, dar um novo uso ao patrimônio da arquitetura, fortalecer o turismo para a região, e criar espaços para a manifestação cultural.

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As três últimas décadas foram marcadas pelas variações do desenho paisagístico, tais evoluções acompanham as mudanças urbanísticas da cidade. Projetos de parque urbanos nascem a partir da necessidade da população por lugares com o uso exclusivo para o lazer.

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Figura 01 : Diagrama setorização do Parque Linear Av. Atlântica. Fonte: autoria própria


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Introdução Esta pesquisa trata da requalificação de uma área livre de edificação existente às margens da Represa Guarapiranga, propondo a criação de um Parque Linear na região. O Plano Diretor Estratégico determina que, assim como as vias públicas e o sistema de transporte; a rede hídrica também é considerada um eixo estruturador da cidade. A zona sul de São Paulo é uma área cercada por dois grandes elementos hidrográficos: Represa Billings e Represa Guarapiranga. A segunda é responsável por abastecer boa parte da população paulista. Ao longo dos anos sua margem sofreu com a degradação e o crescimento desordenado da cidade de São Paulo. Assim como diversas cidades do Brasil a partir da década de 1940, São Paulo passou por um grande desenvolvimento que acabou atraindo a atenção de diversas pessoas. Resultando em uma grande expansão urbana, sem um prévio planejamento adequado que considerasse os grandes mananciais como elementos importantes da paisagem urbana e não apenas áreas funcionais. Dentro desse contexto, São Paulo tornou-se a segunda maior cidade do país, tanto em aspectos de área, e importância econômica. Neste processo de urbanização começa a ocorrer o esvaziamento das áreas centrais da cidade, e a urbanização das periferias. A cidade passa a ter uma relação estreita com os importantes cursos d’aguas existentes, para suprir as necessidades básicas da ocupação humana. A região da zona sul de São Paulo, mais especificadamente na Avenida Atlântica e Avenida Interlagos também sofreram com a não consolidação dos projetos propostos para sua ocupação e urbanização local. Essa área tinha como premissa implantar o conceito de cidade Jardim, a partir do projeto urbanístico de Alfred Agache. Porém, com a instalação da população de classe média baixa, os equipamentos urbanos e a infraestrutura prevista não atendiam a demanda e as necessidades da população residente. A proposição do Parque Linear na Avenida Atlântica foi baseada em estudos de caso de Parques Urbanos (áreas livres de edificação, implantados no meio urbano, cercado pela massa vegetal), e Parques Lineares. (criações urbanísticas que visam a requalificação de áreas lineares associadas a rede hídrica). Para atingir o objetivo desse TCC de propor um Parque Linear na Avenida Atlântica o trabalho teve como procedimentos metodológicos levantamentos: bibliográfico e iconográficos, estudos de caso de parques semelhantes. E além disso, foram realizadas diversas visitas ao terreno.

Figura 02: Implantação geral. Fonte: autoria própria

.

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Proposição O Parque Linear Avenida Atlântica foi projetado com objetivo principal de requalificar as margens degradadas da Represa Guarapiranga. O intuito também foi criar um local que ofereça lazer, entretenimento, qualidade de vida e espaços de áreas verdes, para a população local. O Parque possui aproximadamente uma extensão de 3,2km. Para dar início ao projeto foram analisadas as curvas de nível do terreno. Nota-se que a máxima da represa já atingida encontra se na cota 738.0. A Avenida Atlântica encontra se na cota 740.0. O projeto partiu de alguns aspectos: o ponto inicial foi a retirada de toda a extensão do gradil existente que separa as pessoas do contato direto com a paisagem natural, possibilitando assim realizar de forma respeitosa o reencontro do ser humano com a água. O segundo ponto é o programa que foi inserido ao longo do Parque. Foram implantados equipamentos de lazer como: restaurantes, quadras poliesportivas, áreas para animais domésticos, equipamentos de ginásticas, Parquinho Infantil, áreas, aquáticas, decks contemplativos e como medida para a recuperação e preservação do Patrimônio Arquitetônico a implantação de um centro cultural na Garagem de Barcos Sta. Paulo (Vilanova Artigas).Conforme analisado durante as visitas ao local de intervenção, há restaurantes implantados nas margens da Represa, estes foram realocados e sua arquitetura reformada, para se adequar ao novo equipamento de lazer. Ao longo de toda sua extensão o Parque Linear possui uma hierarquia de caminhos. O caminho 1, marcado pela cor Cinza (piso intertravado), tem como função integrar a calçada da Avenida com o interior do Parque, criando uma orla por todo o percurso. Permitindo o livre acesso do pedestre e ciclistas ao interior do Parque. O caminho 2, marcado pela cor Vermelha (piso intertravado), permite o acesso das pessoas a todas as dependências do Parque Linear. Além desses dois caminhos, também foi projetado um piso de madeira (decks), que permite o contato direto com a água. Ainda para compor o desenho do projeto de paisagismo foram utilizadas diversas vegetações, as quais permitem para o usuário do Parque caminhar e contemplar de espaços arborizados. Para a realização desse projeto o terreno foi dividido em três setores:

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Figura 03: Planta e corte ampliação Praia Paulistana.Fonte: autoria própria

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Setor I-Praia Paulistana: O desenho dos caminhos foi pensado a partir das curvas de nível. Valorizando sempre a integração das pessoas com a represa. Programa: Foram implantados restaurantes, espelhos d’aguas e áreas aquáticas


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Setor II-Parque Central: Assim como em outros setores, o desenho dos caminhos foi pensado a partir das curvas de nível do terreno. No vão existente entre as entranhas dos caminhos foram implantados diversos programas voltados ao lazer de todas as faixas etárias: - Áreas para animais domésticos, quadras poliesportivas, parquinho infantil, área para a pratica de exercícios físicos, restaurantes com vista para a represa Guarapiranga e bosques.

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Figura 04: Planta e corte ampliação Parque Central. Fonte: autoria própria

Figura 05:Perspectiva área para Food Trucks. Fonte: autoria própria Setor III-Preservação: Este setor visou a preservação do patrimônio arquitetônico: Garagem de Barcos Sta. Paula- (Arquiteto Vilanova Artigas). A requalificação do edifício foi feita através da implantação de um Centro cultural, abrigando diferentes tipos de atividades, tais como: oficinas, palestras, apresentações voltadas para o tema ambiental, manifestações culturais.

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Figura 06: Corte Setor III-Preservação. Fonte: autoria própria

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Referências ABBUD., Benedito. CRIANDO PAISAGENS. São Paulo: Editora Senac, 2008. ANDRADE, Liza Maria Souza de. O conceito de Cidades-Jardins: uma adaptação para as cidades sustentáveis. 2003. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/637>. Acesso em: 05,12,16 e 19 abr. 2018. FRIEDRICH, Daniela. O parque linear como instrumento de planejamento e gestão das áreas de fundo de vales urbanas. 2007. 12 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. HISTÓRICO, Departamento do Patrimônio. Interlagos: memória e qualidade de vida. 2009. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/regionais/capela_do_socorro/noticias/?p=2680>. Acesso em: 21 abr. 2018. MACEDO, Silvio Soares; SAKATA, Francine Gramacho. PARQUES URBANOS NO BRASIL. São Paulo: Edusp, 2001. MAGNOLI, Miranda Martinelli. O parque no desenho urbano. Paisagem e Ambiente, São Paulo, n. 21, p. 199-213, june 2006. ISSN 2359-5361. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/paam/article/view/40250/43116>. NAGANO, Wellington Tohoru. A experiência paulistana na implantação dos parques lineares: Estudo do Parque Linear Itaim. 2018. 201 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018 OTTONI, Dácio A. B.; SZMRECSÁNYI, Maria Irene. CIDADES JARDINS A BUSCA DO EQUILIBRIO SOCIAL E AMBIENTAL 1898-1998. São Paulo: Fauusp, 1997.

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Figura 07:Perspectiva área para prática de exercícios físicos. Fonte: autoria própria


Propostas de políticas públicas para o bairro de boiçucanga no município de São Sebastião. Melhorias ambientais e socioeconômicas para boiçucanga. Gabriela de Souza Oliveira Orientador : Prof. Mestre Rita Canutti

Figura 01 : vista do bairro de Boiçucanga, cercado pela serra do mar.(fonte:googlemaps).

veio a partir dos anos 60 e 70 com uma ocupação sem muitas diretrizes, causando ocupações em áreas de riscos de alagamentos, escorregamentos e até na área de preservação permanente, o Parque Estadual Serra do mar. Boiçucanga acabou se tornando o bairro mais importante do município, por estar no meio das duas costas, Norte e sul, tendo em sua área serviços básicos necessários por mais que seja um bairro completo, boiçucanga foi habitado mais pela população local, de média e baixa renda. O Bairro também sofre como grande parte do município com a falta de infraestrutura necessária para atender as necessidades socioeconômicas e ambientais. As políticas públicas são necessárias para que a prefeitura e o estado possam promover as melhorias necessárias para o bairro.

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São Sebastião é um município extremamente importante para o litoral norte de São Paulo, sua expansão

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Resumo


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Introdução A Zona costeira de São Paulo tem uma grande complexidade de ocupação a ser entendida, levando em consideração seus diferentes agentes espaciais e seu conflito de interesses. (Kumori, Juliana 2014). Os espaços de conservação estão sendo invadidos, tanto pela população de melhor renda, quanto a população de menor renda, não pelas mesmas razões, porem as duas atendendo interesses econômicos. Consequentemente, a paisagem natural tem se descaracterizado ((Kumori, Juliana 2014). São Sebastião que possui uma faixa costeira extensa muito valorizada pela especulação imobiliária. O município apresenta diversas atividades ligadas a veraneio, lazer, turismo, atividades portuárias e petrolíferas, essa última devida a implantação do Terminal da Petrobras – TEBAR, permitindo um destaque para a região. (JUNG, Daniel) A implantação do TEBAR trouxe uma nova dinâmica para o município de São Sebastião, trazendo um desenvolvimento significativo para as atividades econômicas e turísticas para a região. Diversos novos vetores de crescimento estão sendo estudados ou sendo implantados, entre eles grandes empreendimentos da Petrobras, como um complexo industrial, duto viário para exploração do Pré – sal. Além disso, é obvio que existem novas perspectivas para o setor turístico, setor de pesca tradicional, além de investimentos para saneamento ambiental (JUNG, Daniel). Para esse contexto de mudanças no litoral norte e seu crescimento, o Estado de São Paulo, regulamentou pelo decreto estadual nº 49.215/04, o Zoneamento Ecológico econômico (ZEE/LN), pensando na necessidade de promover o ordenamento territorial e de disciplinar os usos e atividades de acordo com a capacidade de suporte do ambiente, além de estabelecer normas de manejo. Seu objetivo visa organizar as ações dos agentes públicos, quanto aos planos, obras e atividades públicas e privadas, estabelecendo medidas e padrões de proteção ambiental destinadas em garantir a qualidade ambiental dos recursos hídricos e do solo, além da conservação da biodiversidade, para garantir o desenvolvimento sustentável e melhor a condição de vida da população (JUAG, Daniel 2014). A urbanização de São Sebastião foi implantada de forma intensa, por conta do crescimento do município. As Leis de Uso e ocupação do solo, são derivadas da Lei Organica e pelo Plano Diretor que se encontra em revisão.

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A falta de coerência das informações gerais, tanto do ZEE/LN, zoneamentos ambientais e do plano diretor ocorrências como alagamentos e ocupações irregulares em áreas de restrição ambiental, como o Parque Estadual Serra do mar. Segundo André Cunha, existem no mínimo 45 ocupações irregulares em áreas irregulares no interno do Parque.

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Proposição O bairro de Boiçucanga está localizado na costa sul de São Sebastião. Devido as dificuldades impostas pela Serra, a locomoção para o centro de São Sebastião era extremamente complicada. Por isso, muitos serviços públicos foram locados em Boiçucanga, como posto de saúde, cartórios, escolas, delegacia, entre outros. Com a instalação desses serviços o bairro sofreu uma intensa urbanização. Além desses serviços, Boiçucanga também contém fortes atrações turísticas, como a Praia Brava e cachoeiras, trazendo também para o bairro atividades turísticas, além de hotéis e pousadas e até um shopping center. Boiçucanga está localizada na Bacia do Rio Grande e é comporta pelas Zonas Z1AEP, sobreposta a área da serra do mar, Z1, Z2 e Z4 no decreto de lei do Zoneamento econômico ecológico (ZEE).

conservação permanente, ocorrência de áreas de preservação permanente e existência de comunidades tradicionais, Boiçucanga está inserindo junto ao Parque Estadual serra do mar que é uma unidade de conservação permanente. As áreas delimitadas Z2 são consideradas áreas que também existem ocorrências de áreas de preservação permanente, ocorrência de áreas de inundação e de risco geotécnico, ocorrência de assentamentos humanos dispersos e existência de comunidades tradicionais. As áreas delimitadas Z4 são consideradas com assentamento descontinuados, ecossistema primitivo e modificado e cobertura vegetal significativamente modificada.

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As áreas delimitadas de Z1 são consideradas áreas isoladas, tendo predomínio de Áreas de

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Mapa 1: zoneamento ecológico econômico de Boiçucanga (DATAGEO,2010)


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Nas diretrizes delimitadas para áreas de Z4 foram ignoradas as áreas de inundações, além de serem delimitadas como áreas de uma certa estrutura urbana, o que a área que é demarcada no bairro de Boiçucanga não atende. Essa divergência faz com que a área centrar e a orla do bairro fosse habitada. Essa negligencia com essa problemática faz com que as áreas de alto ou muito alto risco de inundações se tornassem áreas de expansão urbana, fazendo com que as pessoas habitassem essas áreas por conta de serviços que também foram colocados à disposição na área de urbanização de Boiçucanga, deixando as assim em áreas precárias. (Jung, Roberto.2014). Para completar o cenário, existem 5 núcleos informais de habitações e 1 área de interesse social na área de expansão urbana da Z4 e inundações conforme o mapa abaixo.

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Mapa 2: áreas de alagamentos e áreas de interesse social (fonte: DATAGEO e Prefeitura de São sebastião).

Politicas publicas Boiçucanga é um bairro de estrema importância para a costa norte de são Sebastião, principalmente por existirem inúmeros serviços básicos que a população dos outros bairros em volta tem acesso. As áreas de inundação do bairro cobrem grande parte do bairro, causando não só prejuízos para aqueles que ali tem suas casas de veraneio, mas também e principalmente famílias de baixa renda que se encontram nos núcleos urbanos informais. A malha de drenagem deve ser aumentada com urgência, principalmente nas áreas alagáveis e nas ruas asfaltadas que não tiverem esse cuidado.

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As áreas de restrição de boiçucanga também devem ser regularizadas com ações para retiradas de famílias de áreas de risco de escorregamentos que se encontram principalmente na área de preservação permanente Parque Estadual serra do mar.

Referências KUMORI, Juliana. Anásile do conflito no uso e ocupação do solo no município de São Sebastião –SP, TCC Geografia Universidade Estadual de campinas, Campinas, fev/2014 Instituto Polis, Resumo executivo de São Sebastião, São Paulo, Jan/2017 Prefeitura de São Sebastião, Plano municipal integrado de saneamento básico, São Sebastião, jun/2017 Prefeitura de São Sebastião, lei complementar 110/2010, São Sebastião, mai/2010 Governo do Estado de São Paulo, dados DATAGEO, São Paulo, set.2014

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Governo do Estado de São Paulo, zoneamento ecológico economico, São Paulo, 2017


Acupuntura Urbana Um olhar bioeficiente na requalificação de espaços Isabella Enobi Bin

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Figura 01: ilustração acupuntura urbana. Fonte: Acupuntura Urbana de Jaime Lerner

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Orientadora: Profa. Dra. Valéria Fialho


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Resumo Em pequenos passos, a acupuntura urbana “sara a dor” das cidades e constitui uma nova organização do espaço, regenerando-os de maneira eficaz e eficiente. Esses espaços são arquitetados para as pessoas, que ao utilizarem o mesmo, o tornam propriamente arquitetura. Este trabalho consiste em aplicar o conceito de acupuntura urbana ao bairro Baeta Neves em São Bernardo do Campo, São Paulo, a partir do estudo de usos, práticas e deslocamentos dentro dele. Ao decidir por alguns pontos particulares que necessitam de requalificação de modo bioeficiente, ou seja, sustentável e eficaz, aumentando a biodiversidade, mobilidade e trabalhando sua densidade.

Introdução O trabalho desenvolvido é reflexo de uma experiência de intercâmbio realizada pela autora no primeiro semestre de 2018 em seu último ano de graduação. Ao estudar o urbanismo na Europa e depararse com o Plano Especial de Indicadores de Sustentabilidade de Sevilha, e as questões que ele traz como solução para os desafios que apresenta como os principais para o homem que estuda e pensa a cidade para as pessoas, percebe-se que há sim uma maneira eficaz e relativamente simples de evolução benéfica dentro destes. Ao levar mais a fundo o estudo destes Indicadores e então seu produto final descrito como um ecobairro, viu-se uma nova oportunidade de reestruturação de um bairro não planejado. O arquiteto e urbanista Jaime Lerner foi quem introduziu essa aposta no Brasil e ao fazê-lo criou a chamada “acupuntura urbana” que a partir de intervenções de pequena escala transforma o espaço urbano e melhora a vida local. O contexto de acupuntura urbana se encaixa de forma muito eficiente em espaços de todo o país, nas cidades com vida e principalmente nas que a necessitam resgatar. Esse modelo de requalificação do

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espaço encaixa perfeitamente também, no bairro do Baeta Neves em São Bernardo do Campo, distrito da Grande São Paulo. Com o aprofundamento do estudo de Indicadores, são valorizados pontos específicos em um território que não Sevilha. Tendo que ser ajustado e incorporado de maneira correta e de fato eficiente para o bairro são-bernardense. Fugindo do lado extremamente técnico, mas não o deixando de lado, apenas integrando uma porção mais humana e viva, onde o homem que usufrui do espaço o cria.

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Proposição Os Indicadores de Sustentabilidade de Sevilha (figura abaixo) são divididos em sete temas, que são tratados em três diferentes níveis – a superfície, a altura ou o subsolo – e cada um deles capta para si uma responsabilidade social e ambiental diferente. A superfície se faz na rua, no plano, na planta baixa de todo o conjunto, como a diferenciação das ruas, do viário, do espaço público. Já na altura estão alguns casos de sustentabilidade e do bom processo de metabolismo, como o aproveitamento da luz solar, das águas da chuva e da paisagem urbana. Por fim, no subsolo são resolvidos dilemas como de estacionamento, infiltrações e carga e descarga. Dentro da setorização utilizada no Plano, se encontram os Indicadores relacionados com a morfologia urbana, relacionados com o espaço público e a mobilidade, relacionados com a organização urbana e sua complexidade, relacionados com o metabolismo urbano, relacionados com o aumento da biodiversidade, relacionados com a coesão social e a função guia da sustentabilidade. Todos estes tópicos são aprofundados ainda mais dentro do documento, mostrando com números, fatos e imagens como deve ser colocado em prática cada assunto: a dimensão das ruas, a quantidade de árvore por habitante, a porcentagem de cada espaço utilizado do solo, entre outros. De forma que, quando respeitados, transformam o espaço em um ecobairro. Existem hoje alguns ecobairros já construídos no mundo, o primeiro, mais completo e mais famoso, é o chamado Bo01 planejado por Renzo Piano para a cidade de Malmo na Suécia. No Brasil, já Jaime Lerner o pioneiro a fazer o projeto de um ecobairro, denominado Bairro Quartier em Pelotas, Rio Grande

Figura 02: Bo01. Fonte: Urbanitarian.

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do Sul.


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Figura 03: Bairro Quartier. Fonte: Site oficial Quartier.

Os ecobairros funcionam quando nascem de um terreno vazio, um projeto do zero, com todas os ciclos fechados dentro dele. Quando fala-se em um terreno já estabelecido, com potencialidades e fragilidades já constituídas, para chegarmos a um bairro mais vivo, de uso misto, com pessoas os olhos da rua, uma solução de fato eficiente é a chamada acupuntura urbana. Este conceito, criado pelo arquiteto e teórico social finlandês Marco Casagrande faz parte de uma teoria de ecologia urbana. No Brasil, o lançamento da acupuntura urbana foi realizado pelo arquiteto

e

urbanista Jaime

Lerner em

Curitiba.

A

proposta

contribui,

principalmente,

para

o desenvolvimento sustentável. Muitas vezes o planejamento de uma cidade toma tempo e precisa tomar tempo, mas isso não impede que algumas intervenções criem uma nova energia. A acupuntura urbana é um conjunto de ações pontuais e de revitalização que podem mudar progressivamente a vida na cidade. Essas intervenções na tessitura urbana ajudam a sarar a dor de forma instantânea, eficaz e funcional. Quanto maior o contato entre as pessoas e maior a diversidade, os locais se tornam mais humanizados, a convivência é um ponto extremamente importante e que deve ser beneficiado. A

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cidade é uma relação de funções, de renda, de idade. Quanto mais misturado for, mais humana e tolerante a cidade fica. Não podemos mais viver em guetos de gente rica ou de gente pobre. Desse modo, estudado o bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, São Paulo, desenvolve-se o método de requalificação urbana em pequenas intervenções em locais pontuais no bairro, para resgatar a vida urbana e trazer as pessoas para a cidade, de fato, a começar por seus respectivos bairros.

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Figura 02: Vista aérea bairro Baeta Neves. Fonte: Google Maps. Após a análise do bairro como um todo, divide-se o bairro em três zonas segundo sua homogeneidade, e então define-se os pontos de intervenções e como cada uma influencia, afeta e melhora seu entorno e a vida geral do bairro. À esquerda em pontos pequenos e específicos, à direita em todo o

Referências ECOLOGIA URBANA DE BARCELONA, Agencia de. Plano Especial de Indicadores de Sustentabilidade de Sevilha, Sevilha, 2007. GEO SÃO BERNARDO, Governo do Estado de São Paulo. GEHL, Jan. Cidade para pessoas. São Paulo; 1ª edição, 2013. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. LERNER, Jaime. Acupuntura urbana. Rio de Janeiro: Editora Record, 2015. LERNER, Jaime. Bairro Quartier. Pelotas, Rio Grande do Sul. PIANO, Renzo. Bo01. Malmo, Suécia, 2000.

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Figura 02: Propostas de intervenções no bairro. Fonte: acervo do autor.

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seu problema de densidade do bairro, onde há muita gente, pouco espaço e raríssimo cuidado.


Urbanização da favela Guian Isabella Soares Garcia Orientadora: Profa. Me. Rita Canutti

Figura 01: a ausência das áreas de lazer na favela Guian. Fonte: Street View

Resumo

os impactos ambientais, e a atual situação dos assentamentos precários. Assim, o local escolhido para área de estudo está localizado no distrito do Jabaquara, é conhecido como Favela Guian, a qual encontra-se em condições vulneráveis, principalmente por estar instalada as margens do Córrego Água Espraiada, uma área que possui riscos geológicos. A proposta para o projeto refere-se à urbanização da área de estudo, procura resolver os problemas ambientais, a remoção de moradias que se encontram em situações precárias, como a falta de infraestrutura urbana, sem acesso ao viário oficial, riscos de solapamento, e o reassentamento das mesmas, propondo novas Habitações de Interesse Social e a canalização do córrego, e ofertando melhorias nas áreas para lazer.

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Urbana Consorciada Água Espraiada, como se deu o processo de ocupação da área abrangida,

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

O presente trabalho analisa as primeiras mudanças ocorridas com a criação da Operação


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O distrito do Jabaquara conta com uma boa oferta de infraestrutura viária, possui o Terminal Rodoviário, o Terminal Intermunicipal e duas estações da linha 1-Azul do metrô. No entanto, passou por muitas transformações desde a criação da primeira Lei da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, o que antes seriam projetos de intervenções pontuais para determinadas áreas, acabou por afetar uma boa parte da região. Grandes áreas foram removidas pelo DER, e após muitas complicações, acabaram abandonadas sem nenhum tipo de fiscalização pública. Assim, atraíram a população de baixa renda, procurando por terra barata, e diversos imigrantes vindos de outras regiões do Brasil para o distrito do Jabaquara, o qual ocasionou em milhares de famílias ocupando as margens do Córrego Água Espraiada. Atualmente, a presença das favelas vem se fortalecendo cada vez mais, pois as famílias não têm alternativas além de se instalar em áreas de APP, onde há falta de políticas públicas e fiscalizações. E apenas algumas favelas passaram por processos de urbanização ou remoção, são poucos os projetos de HIS construídos e a região ainda tem 20% do seu território ocupado pelas moradias irregulares. Deve-se deixar de lado o pensamento onde favela é uma coisa, bairro outra, não se faz necessário a segregação e exclusão. A mesma está inserida no meio urbano, e tem o direito da cidade e moradia. O número elevado de moradores de favelas mostra a real situação de que é necessário intervir, urbanizar e requalificar a área precária. O desenvolvimento desse trabalho intensifica a importância em que o Arquiteto e Urbanista tem sobre a cidade, inserir a favela de forma legal no tecido urbano. Urbanizar uma favela trás consequência positivas para toda a região, oferecer iluminação pública aumenta a segurança, melhorar e asfaltar o viário, oferece melhor passeio público a todos, inclusive o possuem mobilidade reduzida, inserir áreas verdes e de lazer, melhora a qualidade de vida de todos. Sendo assim, foi eleita como área de estudo uma das favelas que se encontram na área atuação da OUC, para proposta de um projeto urbanístico.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Proposição Após análises de todos levantamentos, iniciam-se os estudos referentes às moradias que se encontram em situações necessárias para remoção. As justificativas enquadram-se em 8 grupos: I- Área de projeto: 5 famílias removidas; llCondições precárias tipo 1: 59 famílias removidas; lll- Condições precárias tipo 2: 25 famílias removidas; lV- Condições precárias tipo 3: 109 famílias removidas; V- Fundo de lote: 6 lotes; Vl- Ponte: 7 pontes; Vll- Sem acesso ao viário oficial: 92 famílias removidas; Vlll- Terreno abandonado: 5 lotes. Ao todo, foram removidas 289 famílias e 14 comércios, dentre eles, lanchonetes e bares, salão de beleza, manicure, estúdio de tatuagem, loja de ração, mini mercearias, bombonieres.

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Figura 02: mapa de remoções, sem escala. Fonte: acervo do autor

O Córrego Água Espraiada, na área da favela, foi totalmente canalizado, e seu leito implantado de forma mais coerente ao terreno; haverá faixa não edificável mínima de 3 metros, onde será implantada de cada lado do leito caminhos com largura de 3 metros, pontos de encontros/permanência; quanto aos fundos de lote das moradias não removidas, pequenas praças arborizadas e brinquedos infantis, buscando tornar o ambienta mais seguro e agradável. Todas as 289 famílias e os 14 comércios removidos, serão reassentados no mesmo terreno. Foi necessário desenvolver uma tipologia de dois dormitórios por unidade, atendendo a demanda

variam até 13m. Em alguns edifícios, dependendo de sua localização, o térreo é destinado a usos comerciais e de serviço, e nessa tipologia o núcleo possui escada e elevador, para atender ao público com mobilidade reduzida, com 3% das unidades adaptadas. Os edifícios destinados apenas ao uso residencial, não tem elevador, pois as unidades adaptadas encontram-se no térreo. Ao todo 14 edifícios que variam de 4 a 7 pavimentos, com 352 novas unidades habitacionais e 42 comércios, atendendo a demanda total da população que teve sua moradia removida.

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foram implantados por todo terreno da favela, buscando se adequar aos grandes desníveis do terreno que

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

de 3,7 pessoas por moradia removida. Assim, os conjuntos habitacionais são dispostos em lâminas, e


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 03: plantas das unidades, onde a unidade comum possui 45m² e a adaptada a PNE com 48m², ambos com dois dormitórios. Fonte: acervo do autor

A habitação não é a única necessidade da população residente dessa área. Lazer, acessibilidade, saúde, oferta de emprego e mobilidade urbana são estruturadores do projeto urbano e para uma boa condição de vida. Quanto ao viário, prolongamento da Avenida João Maria de Almeida, a qual era ocupada por uma parte da favela, e a pavimentação adequada em toda área da favela, implantação de calçadas acessíveis com no mínimo 1,5m de largura para passeio acessível.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Abertura de novos caminhos ligando pontos extremos das ruas, próximos a pontos de ônibus e ruas de usos comerciais, com pontes acessíveis para atravessar o córrego, desta forma, contribuirá para melhor circulação do bairro. As áreas de lazer são ofertadas por duas quadras (tamanho 20x40m), novo mobiliário urbano contando com mesas e bancos. Playground para crianças, e equipamentos de ginásticas para todos, e vegetação de pequeno e médio porte. Os mesmos vão atender não só a favela Guian, mas a vizinhança carente de equipamentos públicos. No terreno serão implantados grandes lances de rampas, para vencer os desníveis, todas com no máximo 6% de inclinação, sendo possível acesso por pessoas com mobilidade reduzida, as mesmas dão acesso as áreas de lazer, ao passeio pelo córrego canalizado e a todas as unidades habitacionais.

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Figura 04: implantação do terreno, sem escala. Fonte: acervo do autor Referências - Câmara Municipal de São Paulo. Projeto de Lei 01-000722/2015 do Executivo. Disponível em <http://gest aourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads2016/02/ PL0722-2015.pdf>

- LabHab – FAUUSP. Parâmetros Técnicos para a urbanização de favelas. Disponível em <http://labhab. fau.usp.br/biblioteca/produtos/paramtecnicos_urbafavelas.pdf> - Legislação habitacional e urbana. Decreto n. 7217/2010 - Regulamenta a Lei do saneamento. Disponível em <http://www.unmp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=417:decreto-n-72172010regulamenta-a-lei-do-saneamento&catid=37:lei-federal&Itemid=96> - Prefeitura de São Paulo. Implantação Parque Linear. Disponível em <http://www.prefeiturasp. gov.br/cidade/secretarias/upload/infraestrutura/sp_obras/16.jpg>

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- HABITASAMPA. Prefeitura de São Paulo. Habita Sampa mapa. Disponível em <http://mapab.habisp.inf. br/>

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- EMURB. Informações gerais RIMA. Disponível em <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ upload/chamadas/2_Inform_gerais_1273001368.pdf>


Sistema de Áreas Livres no Capão Redondo A periferia conectada Karina Mari Soares Orientador : Prof.ª Me. Marcella de Moraes Ocke Müssnich

Figura 01 : Render geral do projeto, com áreas de intervenção maiores circuladas. Fonte: autoria própria

Resumo Cidades muito densas como São Paulo sofrem com a falta de espaços livres públicos que atendam a população de forma adequada ou, grande parte dos espaços existentes possuem pouca qualidade. Alguns localizados em “sobras” da cidade, acabam se tornando locais pouco conectados com a malha urbana. Devido a isso, é de extrema importância que haja, em uma

qualidade ambiental, sensorial e seja acessível. O presente trabalho analisa e propõe um Sistema de áreas livres na Avenida Ellis Maas e na Avenida Prof. Dr. Telêmaco Hippolyto de Macedo Van Langendonck, localizadas no distrito do Capão Redondo, periferia de São Paulo. A proposta apresenta melhorias pontuais ao longo das Avenidas e a criação de uma praça, que, além de espaço de convivência, funcionará como área de recepção das pessoas no Parque resultando na melhoria do fluxo local e oferecendo aos moradores e usuários das infraestruturas existentes uma área livre pública de qualidade, com lazer e segurança a todos.

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Livres, que realize o papel integrador entre esses espaços e que o caminhar pela cidade tenha

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

cidade, um projeto que não só pense nos espaços livres, mas também em um Sistema de Áreas


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Introdução Um Sistema de Espaços Livres (SEL), segundo MACEDO (2010, p.3) é definido como “os elementos e as relações que organizam e estruturam o conjunto de todos os espaços livres de um determinado recorte urbano – da escala intra-urbana à regional”, ou seja, são as conexões feitas pela cidade pensando em todas as escalas de projeto e em todos os espaços livres, seja ele público ou privado. O melhor desempenho no dia a dia das pessoas, a imagem da cidade, as relações ente público e privado, o atributo cultural e a preocupação ambiental são destacados pelo autor como aspectos importantes em se constituir um SEL. Dentro desse contexto de pensar a cidade rearticulando seus espaços livres, o seguinte trabalho propõe um Sistema de Áreas Livres que engloba dois terrenos vazios na Av. Ellis Maas e toda sua extensão, além da Avenida Prof. Dr. Telêmaco Hippolyto de Macedo Van Langendonck, visando conectar pontos importantes e de uso diário da população, como a Estrada de Itapecerica, a Av. Carlos Caldeira Filhos e o Metrô Capão Redondo - Linha 5 Lilás, com áreas de grande importância, mas desconectadas, como o Parque Santo Dias e até mesmo a COHAB Adventista, que atualmente se encontram desgastados pelo tempo e pouco seguros, pois ambos não recebem cuidados e estão “escondidos” devido a sua falta de conexão com a cidade. Os locais possuem acessos limitados, fazendo com que lugares de grande potencial se tornem lugares pouco convidativos. Devido a isso, o seguinte trabalho irá melhorar o caminhar da população por meio de pequenas mudanças, como o plantio de arborização viária, a realocação dos postes, os retirando da passagem livre, e alargamento das calçadas em alguns pontos de interesse. Haverá também a elevação de dois cruzamentos que precedem a entrada no bairro, fazendo com que a velocidade seja reduzida nesse trecho e o pedestre seja priorizado. Por último, foram avaliados alguns espaços residuais, mas com potencial para se transformar em espaços de qualidade para a população. Este Trabalho de Conclusão de Curso será realizado por meio de pesquisas bibliográficas, levantamento iconográfico, por meio de mapas, fotos antigas e fotos próprias, tiradas durante as visitas.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

A visita ao local é parte chave para a realização da pesquisa, pois é assim que será melhor entedida a área e suas reais necessidades - por meio da experimentação. Ajudando então, com a elaboração do projeto de forma mais humanizada. Estudos de casos serão realizados para auxilar no desenvolvimento do projeto, onde a busca de referências servirá de base para a resolução das problemáticas encontradas durante o estudo, fazendo é claro, suas devidas adaptções de acordo com as necessidades.

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Proposição

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Com o objetivo de melhorar não só o espaço público, mas a qualidade de vida em seu entorno, o projeto foi de grande importância para a sociedade, que atualmente se encontra excluída das infraestruturas que atingem apenas partes da cidade de forma desconexa e inapropriada, mais uma vez salientando a desigualdade que afeta a periferia de São Paulo. O meu Trabalho de Conclusão de Curso faz, então, com que essa área seja valorizada pelos moradores e por aqueles que possivelmente passem por lá, pois o espaço público, quando com qualidade, tem esse poder. Acredita-se que as melhorias planejadas para a área, mais a praça que foi inserida em um local muito denso e com poucos espaços públicos de qualidade, trouxe consigo esse desenvolvimento, tendo o seu terreno, no passado, destinado a esse mesmo tipo de uso, além de se encontrar em frente ao Parque Santo Dias. Uma área que já possui potencial para serviços e comércios pequeno s, poderá crescer trazendo renda para a população residente, aumentando seu poder aquisitivo, podendo talvez, diminuir a desigualdade social. A questão ambiental é muito presente no meu TCC, que lida com problemas de drenagem em uma avenida que tem histórico de alagamentos, como a implementação de micro drenagem no decorrer da mesma, além de utilizar a praça para escoamento de água, pois o fundo de seu terreno acaba no Córrego Água dos Brancos, um córrego problemático que também foi tratado em todo o recor te do trabalho. A praça em si, não tem um aspecto muito verde, porém sempre pensando em pisos mais permeáveis e árvores que sejam adequadas a esse tipo de piso. A ideia de uma praça com menor área destinada a grama veio da importância e da tipologia do Parque Santo Dias, que também tem seu limite colado ao terreno destinado a praça, quese tornou um “hall” de entrada ao parque - remanescente de mata atlântica -que se encontra 95% protegido e atualmente possui um caráter inseguro para apopulação, por isso é pouco usado. Entendendo isso e a importância do parque, a praça é não só um ponto de lazer à população, agregando valor e qualidade de vida ao bairro, mas chama a atenção de um lugar extremamente importante para o desenvolvimento sustentável da área e do mu ndo.


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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 02 : Maquete eletrônica da praça. Fonte: Autoria própria.

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Com simplicidade no desenho e nenhuma mudança muito radical na área, o meu TCC traz então, possibilidades para o bairro, como a melhoria no viário em um trecho muito utilizado, mas que é visível a falta de preocupação com as calçadas e por consequência com as pessoas que ali transitam. Ele abrange também a valorização do existente, como o Parque Santo Dias e sua nova entrada que será realizada por meio do desenvolvimento de uma praça em um terreno vazio. Além de terrenos que foram transformados em pequenas praças com diferentes usos, mais uma vez agregando valor ao bairro, além de propiciar aos moradores espaços livres públicos de qualidade. Referências HUET, Bernard. Espaços públicos, espaços residuais. Os centros das metrópoles: reflexões e propostas para a cidade democrática do século XXI. São Paulo: Associação Viva o Centro, 2001, p. 147-151. HULSMEYER, Alexander Fabbri. O CONCEITO DE SISTEMA ESTRUTURAL DE ESPAÇOS LIVRES: um estudo de caso em Umuarama-PR, 2014. LANDEZINE,

2018.

Genius

Loci

of

Cable

Factory.

Disponível

www.landezine.com/index.php/2018/03/genius-loci-of-cable-factory-by-waterlily-studio/>

em:

Acesso em

12/ 04/ 2018. MACEDO, Silvio. QUAPÁ-SEL – um projeto de pesquisa em rede. QUAPÁ, Rio de Janeiro, p. 1-15, 2010. MAGNOLI, Miranda. Em busca de “outros” espaços livres de edificação. Fundamentos , São Paulo, n. 21, p. 141-174, 2006. MATARAZZO,

2011.

Outro

olhar

sobre

o

Capão

Redondo.

Disponível

em:

<http://andreamatarazzo.com.br/outro-olhar-sobre-o-capao-redondo/> Acesso em 21/04/2018. NACTO. Global de Desenho de Ruas. Editora Senac. 2016 QUEIROGA, Eugenio Fernandes; BENFATTI, Denio Munia. SISTEMAS DE ESPAÇOS LIVRES URBANOS: Construindo um Referencial Teórico, São Paulo, p. 81 - 88, 2007. TAGLIANI, Simone. Como surgiram as praças (e suas diferentes funções sociais) ao longo da história, 2017. Disponível em: <https://blogdaarquitetura.com/como-surgiram-as-pracas-eduas-diferentes-funcoes-sociais-ao-longo-da-historia/> Acesso em 08/08/2018.

TOLEDO, Lívia Louzada de. Conexões urbano-ambientais: sistema de espaços livres em Taubaté. Disponível

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2008.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

TARDIN, Raquel. Espaços livres: sistema e projeto territorial / Raquel Tardin. – Rio de Janeiro: 7Letras,


Do Dominado ao Desejado: O parque fluvial como estratégia para a reinserção de rios na paisagem urbana Laís Caroline Ferreira Fernandes Orientadora:Prof. Me. Marcella Ocke

Este trabalho de conclusão de curso (TCC) tem como foco a discussão sobre o processo de ruptura na relação entre as cidades e seus rios através da investigação do histórico de ocupação das várzeas, sinalizando os resultados das intervenções antrópicas nos cursos hídricos e na qualidade da paisagem e do meio ambiente. Como propósito projetual, apresenta a concepção de um parque urbano em formato linear às margens do Rio Pinheiros, localizado em São Paulo, como uma ferramenta de aplicação dos conceitos de infraestrutura verde e um instrumento de reaproximação da população com os cursos d’água urbanos; recorrendo à água como um elo na relação “homem – território – meio ambiente”.

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Resumo

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 01 : Caminhos e decks incentivando o contato com o rio. Fonte: acervo do autor


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O desordenado processo de desenvolvimento da cidade de São Paulo, marcado pela urbanização acelerada e falta de planejamento urbano eficaz foi um dos fatores que colaborou com mudanças drásticas nos aspectos formais e funcionais do ambiente urbano, impactando a população e a natureza, através de um intenso processo de degradação, responsável pelo desequilíbrio dos ecossistemas e a descaracterização da paisagem natural. Como explica Alexandre Delijaicov (1998) em “Os rios e o desenho da cidade”, o urbanismo rodoviário associado à especulação imobiliária e a falta de infraestrutura urbana transformaram os rios que tiveram seus leitos aterrados e ocupados pela cidade, sob a lógica de argumentos sanitaristas e hidráulicos que mascaravam as reais intenções do mercado imobiliário: lotear e vender as várzeas. Estratégias como o “Plano de Avenidas”, elaborado por Prestes Maia em 1930, colaboraram para a utilização de medidas paliativas como a construção de avenidas de fundo de vale e a canalização de rios, desprezando a navegação fluvial e transformando os rios em “lixões cobertos por lajes de concreto”, como caracteriza o autor. Consequentemente, rios e córregos passaram a sofrer com o esquecimento e rejeição, já que suas imagens estavam agora relacionadas a aspectos negativos, como enchentes, poluição e doenças.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 02: Rio Pinheiros. Fonte: Odair Faria

Figura 03: Rio Tietê. Fonte: Helio Suenaga

Fica nítido o descaso com os cursos d’água ao refletirmos sobre esse processo e as decisões equivocadas e insustentáveis, que fizeram com que os rios passassem de marcos paisagísticos para áreas de conflito e degradação ambiental. É a partir dessa reflexão e da observação da necessidade de mudança de paradigmas projetuais quanto à cidade e suas águas que surge a proposta aqui apresentada para este TCC: a concepção de um parque urbano linear às margens do Rio Pinheiros, um dos cursos d’água mais significativos para a cidade de São Paulo. A proposta é oferecer para a cidade um instrumento de reaproximação da população com a água, através de novas abordagens e novas interações, capazes de incorporar os rios ao dia a dia do homem.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A proposta projetual deste TCC foi implantada às margens do Rio Pinheiros, no trecho compreendido entre a Ponte do Socorro e a Av. Jair Ribeiro da Silva. O terreno é atualmente propriedade da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e possui uma extensão de aproximadamente 4,7km. Como acontece em grande parte da cidade de São Paulo, a região apresenta uma carência de áreas verdes e espaços de lazer. Assim, o projeto visa explorar o potencial das margens do rio com a criação de um parque fluvial, articulando a cidade, seus habitantes e os cursos d’água. Levando em conta o desejo reaproximar a população com o Rio Pinheiros e as necessidades apresentadas na área de intervenção, foram elaboradas as seguintes diretrizes: 1. Conectar as duas margens do rio, criando transposições próprias para pedestres, a fim de expandir o acesso às estações da CPTM e melhorar a integração entre os bairros. 2. Detectar os pontos onde há concentração de população com alto grau de vulnerabilidade social, elaborando medidas de apoio para que elas sejam também beneficiadas com a implantação do parque, evitando a gentrificação. 3. Buscar a criação de um sistema de espaços verdes estruturados pelo canal do Rio Pinheiros, utilizando os canteiros centrais como conexão. 4. Identificar âncoras, principalmente aquelas ligadas ao setor de educação, conferindo ao parque um papel importante também para a educação ambiental. 6. Resgatar as funções primordiais do Rio Pinheiros, integrando-o ao atual sistema de transporte público. 7. Incentivar o contato direto com o rio. 8.

Utilizar tipologias de infraestrutura verde a fim de auxiliar os processos de drenagem urbana e

promover a biorremediação.

tensão por toda a sua extensão, que exigem uma faixa de servidão de 30m de largura para cada torre. Assim, todo o percurso longitudinal foi implantado às margens do rio, o que contribuiu para criar uma relação mais próxima entre os visitantes e a água. A estrutura desse percurso foi pensada em palafita, preservando a mata ciliar e mantendo a permeabilidade do solo. A fim de integrar o linhão ao restante do parque, a faixa de servidão foi definida como um repositório de espécies arbustivas da Mata Atlântica, exercendo funções ambientais como a regeneração e a atração de fauna, contribuindo para a biodiversidade.

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Um dos maiores dilemas encontrados na área de intervenção foi a presença de torres de alta

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

9. Recuperar a vegetação nativa e atrair fauna


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Figura 04 : Espaço de convivência às margens do rio. Fonte: acervo do autor

A dificuldade de acesso para os pedestres foi outra característica marcante para o projeto. Havia uma forte necessidade de conectar as margens do rio, permitindo um fluxo mais livre entre os bairros. Para isso, foram criadas três transposições ao longo do parque, facilitando o acesso e integrando melhor a população residente com a rede de transporte público, em especial a Estação Jurubatuba, que conta com uma ligação direta ao parque. A ciclovia existente foi incorporada ao projeto, permitindo a integração com as estações da CPTM e estimulando a utilização das bicicletas para deslocamentos mais curtos. Vale ressaltar que o projeto prevê a inclusão do rio ao sistema de transporte público, explorando

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

o potencial de navegação do Rio Pinheiros e devolvendo a esse curso d’água uma de suas funções primordiais. Dessa forma, o rio deixa de ser visto com uma barreira e passa a exercer o papel de conector geográfico e social.

Figura 05 : Corte mostrando a transposição que conecta o parque diretamente à Estação Jurubatuba. Fonte: acervo do autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 06 : Deck contornando a área dos wetlands, criando um espaço de contemplação à natureza e aproximando o visitante aos mecanismos de infraestrutura verde. Fonte: acervo do autor

Referências ALVES, Maristela Pimentel; PELLEGRINO, Paulo Renato Mesquita. A recuperação de rios degradados e a sua reinserção na paisagem urbana: e experiência do Rio Emscher na Alemanha. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

GORSKI, Maria Cecília Barbieri. Rios e Cidades: Ruptura e reconciliação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010. SANCHES, Patrícia Mara. De áreas degradadas a espaços vegetados. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2014. TRAVASSOS, Luciana Rodrigues Fagnoni Costa. Revelando os rios: Novos paradigmas para a intervenção em fundos de vale urbanos na Cidade de São Paulo. Tese (Doutorado – Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

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DELIJAICOV, Alexandre Carlos Penha; MARTINO, Arnaldo Antônio. Os rios e o desenho urbano da cidade: proposta de projeto para a orla fluvial da Grande São Paulo. Dissertação (Mestrado do Curso de Pós-Graduação em Estruturas Ambientais Urbanas) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

BENINI, Sandra Medina. Infraestrutura verde como prática sustentável para subsidiar a elaboração de planos de drenagem urbana: estudo de caso da cidade de Tupã/SP. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista - UNESP, Presidente Prudente, 2015. Disponível em: http://www2.fct.unesp.br/pos/geo/dis_teses/15/dr/sandra_benini.pdf> Acesso em: 13.abril.2018


Parque Urbano no Grajaú Sabrina Ramos Silva Orientadora: Profª. Me. Marcella de Moraes Ocke Müssnich

Figura 01 : Implantação Parque Urbano no Grajaú. Fonte: acervo da autora

urbano no extremo sul de São Paulo, região da Prefeitura Regional Capela do Socorro, no distrito Grajaú. O projeto visa oferecer áreas verdes somadas a equipamentos de lazer para uma população que mora na periferia e não conta com espaços públicos de lazer próximo às suas residências. Além disso, a proposta tem a expectativa de auxiliar na proteção aos mananciais, visto que os mesmos estão correndo risco por conta da desenfreada expansão de ocupações irregulares.

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Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como objetivo a criação de um parque

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Resumo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução Segundo pesquisas realizadas no presente trabalho e com base na secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (2017), podemos contar atualmente com 113 parques distribuídos pela cidade de São Paulo. No entanto, ocorre uma má distribuição quando se trata das áreas periféricas. Quando essa distribuição é feita

de

maneira

desigual

acaba

prejudicando

a

população

desfavorecida, pois dificulta seu contato com a natureza, afetando assim, a educação ambiental com o meio em que vivemos e não oferecendo espaços adequados de lazer. Sendo assim, a região escolhida para implantação foi no extremo sul de São Paulo, localizada na Prefeitura Regional Capela do Socorro, distrito Grajaú. Esta escolha se deu pelo fato de grande parte do Grajaú ser banhado pela Represa Billings, ou seja, uma área de mananciais, logo uma área de preservação. É importante destacar a necessidade de protegê-la, porque o crescimento excessivo das ocupações irregulares está oprimindo o espaço e ajudando na poluição desse recurso natural tão importante para toda a cidade de São Paulo. Com base nisto, o trabalho busca fundamentar-se na Lei Estadual de de proteção aos Mananciais, que disciplina o uso do solo para a

Figura 02: Parques Urbanos na cidade de São Paulo. Fonte: Prefeitura de São Paulo.

proteção dos mananciais, cursos, reservatórios de água e demais recursos hídricos de interesse da Região Metropolitana da Grande São Paulo e na Lei Estadual Nº 1.172, que delimita as áreas de proteção relativas aos mananciais, cursos e reservatórios de água. Procura basear-se também em autores que discutem sobre conceitos de áreas verdes, como Rosa Gena Kliass, Silvio Soares Macedo, Francine Gramacho Sakata e entre outros. Para a realização a metodologia utilizada foi por meio de referências bibliográficas, analise de documentos, principalmente os cedidos pela Prefeitura de São Paulo e informações coletadas em

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

pesquisa de campo.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A partir de todos os levantamentos obtidos foi possível determinar as diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Parque Urbano no Grajaú. As áreas primordiais a serem projetadas foram: · Recreativa · Esportiva · Cultural · Gastronômica · Contemplativa · Mirante · Caráter Ambiental Diante dessas diretrizes o seguinte passo foi mergulhar no terreno para identificar essas possíveis áreas, porém como a área escolhida para o parque possui um desnível consideravelmente desafiador, os levantamentos realizados pelo site Geosampa e os dados levantados em campo não foram suficientes para total compreensão da topografia, então foi necessário à criação de uma maquete topográfica para a realização de estudos.

Figura 03 : Maquete topográfica. Fonte: acervo da autora Com o estudo topográfico realizado com a maquete, foi possível perceber quais áreas, de fato, poderiam ser utilizar para propor áreas admissíveis para o pedestre, ou seja, onde seria possível projetar de acordo com a norma de acessibilidade NBR 9050, sem agredir e danificar o meio ambiente. Baseando – me nisto, eis que surgiu o primeiro plano de massas.

E por fim o último aspecto estabelecido foi a área contemplativa, onde oferece um desnível de 80m, em um comprimento relativamente pequeno, por este motivo a criação de um espaço habitável acessível seria inviável, visto a condição de não agredir e nem gerar impacto negativo no meio ambiente, definida então, como área destinada a recuperação da vegetação arbórea. Figura 04 : Plano de massas. Fonte: acervo da autora

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Outro aspecto já estabelecido foi a área de preservação em torno do córrego, como determina a Lei dos Mananciais.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

O resultado do plano de massas foi a identificação de áreas entre os braços do córrego, áreas onde a topografia é possível ser trabalhada de forma que não cause impactos negativos para o meio ambiente.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Ao final do processo, o parque resultou com o seguinte programa: - Área Recreativa: Espaço com playgrounds, aparelhos de ginásticas, banheiros e áreas destinadas à quiosques com churrasqueiras. - Área Gastronômica: Espaço com quiosques e áreas destinadas a piquenique. - Área Contemplativa: Espaço de estar. - Área Cultural: Espaço com pista de skate, palco do estilo arena e áreas cobertas por pergolados. - Área Esportiva: Conta com um campo de futebol, três quadras de futebol, uma quadra de vôlei, uma quadra de basquete, banheiros e áreas molhadas destinas as cascatas de água. - Área de Preservação: Espaço destinado a proteção do córrego. - Bosque: Espaço não permitido para usuários, destinado a recuperação da vegetação arbórea. - Praça Mirante: Espaço aberto 24h destinada a uma praça de uso local e mirante para o parque. Abaixo segue uma das ampliações realizadas no trabalho. A ampliação é da área recreativa, podendo observar também a área contemplativa e gastronômica.

A 2

C

B

1

3

4 5

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

6 D

7

E F Figura 05: Ampliação área recreativa. Fonte: acervo da autora

1 Quadra de Futebol

5 Banheiros

B Caminho Secundário

2 Estacionamento

6 Área Gastronômica

C Caminho Terciário

3 Área Recreativa

7 Área contemplativa

D Ponte

4 Área Playground

A Caminho Principal

E Área Preservação

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F Bosque


Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 06: 3D Área Esportiva. Fonte: acervo da autora Referências BOVO, Marcos C; AMORIM Margarete C. C. T. Efeitos Positivos Gerados Pelos Parques Urbanos: Um Estudo de Caso Entre o Parque do Ingá e o Parque Florestal das Palmeiras no Município de Maringá/PR. In. XIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, 2009. KLIASS, Rosa Grená. Os Parques Urbanos de São Paulo. Pini, 1993. LIMA, A. M.L.P. Problemas na utilização na conceituação de termos como espaços livres, áreas verdes e correlatos. In: Congresso Brasileiro de Arborização Urbana. Anais. São Luís: EMATER/MA, 1994. p. 539 . 553.

LEI Nº 9.866, DE 28 DE NOVEMBRO DE 1997. Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/1997/lei -9866-28.11.1997.html>. Acesso em: Abril 2018. PARQUES E ÁREA VERDES. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/areas-verdes-urbanas/parques-e-%C3%A1reas-verdes>. Acesso em: Abril 2018. PARQUES MUNICIPAIS. Prefeitura de São Paulo. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambient e/parques/programacao/index.php?p=1 44010>. Acesso em: Abril 2018.

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LEI Nº 1.172, DE 17 DE NOVEMBRO DE 1976. Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/1976/lei -1172-17.11.1976.html>. Acesso em: Abril 2018.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

MACEDO, S. S & SAKATA F.G. Parques Urbanos no Brasil. São Paulo. Edusp. 2003.


Plano de articulação e integração da Rede de Equipamentos Urbanos e Espaços Livres Distrito do Campo Limpo Talita Fernandes Magán de Castro Orientadora: Profª. Me. Rita Canutti

Figura 01: Equipamentos Urbanos. Fonte: acervo do autor.

Resumo

não é suficiente. É necessário que seja feita uma reestruturação e uma articulação entre eles, para que o espaço público seja protagonista das transformações urbanas e sociais. Este trabalho teve como objetivo, partindo da identificação de um território dotado de equipamentos urbanos e espaços livres, localizado na região do distrito do Campo Limpo, a articulação e integração destes equipamentos, por meio de caminhos e espaços livres qualificados. Esta articulação foi feita por meio da requalificação dos principais caminhos que dão acesso a esses equipamentos, priorizando os deslocamentos a pé e/ou por bicicleta e, dos espaços livres que permeiam estes equipamentos, que foram transformados em espaços de lazer para a população local.

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territórios locais. Mas muitas vezes, apenas a presença destes equipamentos em um território

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Uma rede de equipamentos urbanos e espaços livres é essencial na requalificação dos


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução A presença, nas grandes cidades, de áreas de lazer equipadas, bem como de outras formas de espaços públicos de uso coletivo, é um aspecto da qualidade do ambiente urbano que se mostra mais deficitário à medida que nos afastamos das áreas centrais e valorizadas pelo mercado imobiliário. Neste contexto, São Paulo apresenta contrastes amplamente conhecidos de oferta de equipamentos públicos e de áreas qualificadas para o uso coletivo, quer pela sua dimensão, quer pela sua ocupação, sobretudo na sua periferia, formando um desenho fragmentado do tecido urbano na paisagem, e onde grande parte destes espaços encontra-se perdidos no descaso e no abandono dos órgãos públicos. O PDE prevê uma série de instrumentos, entre eles o Plano de Articulação e Integração da Rede de Equipamentos e o Plano de Gestão de Áreas Públicas, que de forma integrada propõe a intensificação da ocupação de áreas públicas, equilibrando a oferta de equipamentos sociais e consequentemente, reduzindo a vulnerabilidade social destes locais. A rede de equipamentos urbanos e espaços públicos é essencial na requalificação dos territórios locais, por estruturar o atendimento as necessidades básicas de seus moradores e possibilitar espaços de encontro e convívio cotidiano das mais variadas formas. A escolha do tema, neste caso, surgiu posteriormente a escolha da área de intervenção. Por se tratar do bairro onde eu moro e faço meus deslocamentos diários, foi mais fácil identificar a existência de um problema, que ao mesmo tempo, é uma potencialidade. Por se tratar de uma região periférica, seria “comum” se houvesse um déficit na oferta de equipamentos urbanos e espaços livres nessa região. No entanto, felizmente esta oferta existe, mas por mais que estes equipamentos estejam na mesma área, eles funcionam de maneira isolada e independente, o que traz uma serie de dificuldades aos usuários que em grande parte, são os próprios moradores do bairro. Acredito que um projeto que articule esses equipamentos existentes e ao mesmo tempo integre e requalifique os espaços livres que permeiam esses equipamentos, traria uma transformação urbana e social para este local. A conexão é feita por meio de caminhos com passeios acessíveis e qualificados, mediante

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

adequada sinalização. Isso facilita o acesso dos moradores e proporciona um caminhar de forma segura. A requalificação é feita por meio de arborização, iluminação, reforma das calçadas e intervenções viárias. A pesquisa aqui desenvolvida partiu de um questionamento pessoal em uma determinada área de intervenção. Foram realizadas pesquisas de fundamentação teórica, para o entendimento a problemática, além de levantamentos de legislação urbana, que afirmam a importância e o enquadramento de uma proposta de projeto. Também foi realizado um diagnóstico de ondem empírica, que partem da vivencia da pesquisadora e dos dados obtidos através dos levantamentos bibliográficos.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A rede de equipamentos urbanos e espaços livres de edificação é essencial na requalificação dos territórios locais, por estruturar o atendimento as necessidades básicas de seus moradores e possibilitar espaços de encontro e convívio cotidiano das mais variadas formas. Mas essa rede ainda necessita de uma reestruturação e articulação. A intenção é tornar o espaço público protagonista das transformações urbanas e sociais. Esta articulação será feita por meio da requalificação dos principais caminhos que dão acesso a esses equipamentos, priorizando os deslocamentos a pé e/ou bicicleta e, dos espaços livres de edificação que permeiam esses equipamentos, que serão transformados em espaços de lazer.

. Figura 02 :Tabela de propostas. Fonte: acervo do autor.

A partir da identificação dos equipamentos urbanos e sociais, constatou-se que a maior parte dos equipamentos existentes são de educação (amarelo). Aos espaços livres que permeiam estes equipamentos, foram atribuídos usos que condizem com os equipamentos aos quais estão ligados, como lazer infantil (“parquinho”), esporte (quadra poliesportiva e/ou pista de skate), áreas de lazer e contemplação etc. Também foi considerada as apropriações que eles tem atualmente, por isso, uma das

alguns comércios, de escala local para atender o público ali presente. Próximo a UBS citada anteriormente e próximo á Arena Poringá. Também foram realizadas melhorias no viário, com a implementação de uma minirrotatória, para organizar o fluxo de carros e também, com o intuito de priorizar a segurança dos pedestres e ciclistas. Pensando nos ciclistas, a ciclofaixa existente passou por uma alteração, com o objetivo de aproximar e facilitar o acesso a outros equipamentos do bairro. Ainda pensando nos pedestres, foram propostos tratamentos no passeios e também nas escadarias, que fazem a ligação, principalmente, entre o percurso do ônibus e o acesso aos equipamentos e espaços livres.

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área destinada ao público da unidade básica de saúde (UBS). Próximo à duas áreas, foram instalados

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

áreas foi destinada à uma área de eventos, outra para espera do transporte público e, também, uma


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 03 :Mapa Implantação Geral. Fonte: acervo do autor. Tratamento dos caminhos Cruzamento X Minirrotatória Os cruzamentos nos contextos de bairro, onde as ruas de pequena escala se encontram, devem reforçar a circulação dos veículos a baixas velocidades. Esses cruzamentos devem ser redesenhados de forma a proporcionar um uso seguro e a facilitar a travessia de todos os usuários, incluindo as crianças que

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

caminham para ir à escola e os moradores idosos vivenciando suas rotinas diárias.

Figura 04 :Cruzamento antes e depois. Fonte: acervo do autor. Caminhos Os tipos e volumes de pessoas que utilizam uma determinada rua são influenciados pelo uso do solo, pela densidade do entorno, destinos-chave e período do dia. Fora de um carro fechado e movendo-se a velocidades mais lentas, os pedestres envolvem todos os seus sentidos ao usar ruas urbanas. A maneira como as pessoas utilizam as ruas dependerá do espaço disponível para elas, das instalações que oferecem um momento para pausas e da experiência geral da rua. Os desenhos das ruas devem sempre priorizar instalações seguras para os pedestres, e o seu sucesso é medido a partir da perspectiva deles. Uma cidade propícia a caminhadas e que seja de navegação fácil e segura oferece um nível adequado de independência e equidade aos seus cidadãos.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 05: Caminhos. Fonte: acervo do autor. Escadarias Devido a topografia da região, há a necessidade de uma conexão em diferentes níveis de sua paisagem. Como resultado, o bairro apresenta inúmeras escadarias com diferentes formas, contextos e tipologias, que apresentam um enorme potencial para a criação de um novo espaço livre público – criando interessantes atalhos para pedestres, conectando a comunidade e oferecendo locais para que as pessoas possam se encontrar, relaxar e, muitas vezes, desfrutar de vistas bem interessantes. A idéia e requalificar algumas escadarias que encontram-se degradadas, tornando-as, não só parte do sistema de

Referências GATTI, S. Espaços públicos: diagnósticos e metodologia de projeto. São Paulo, 2013. GISLON, J. Intervenções urbanas: renovação, requalificação e revitalização. 2016. GROSBAIM, M. O espaço público no processo de urbanização de favelas, Dissertação (Mestrado), FAU USP, São Paulo, 2012. ABRAHÃO, Sérgio Luís, Espaço Público: do urbano ao político, Annablume, Fapesp, São Paulo, 2008. ALVAREZ, K, O projeto de espaços públicos na periferia de São Paulo: uma questão sócio-ambiental Dissertação (Mestrado), FAU USP, São Paulo, 2008. ALVAREZ, K, O projeto de espaços públicos na periferia de São Paulo: uma questão sócio-ambiental Dissertação (Mestrado), FAU USP, São Paulo, 2008.

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Figura 06: Escadarias. Fonte: acervo do autor.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

mobilidade, mas também, uma extensão da rede de espaços livres.


Parque Nove de Julho: Requalificação córrego Rio das Pedras Victória Augusta Marques Orientadora : Prof. Ms. Rita Canutti

Presente na zona sul de São Paulo, nos distritos Cidade Dutra e Grajaú, ambos localizados dentro da Área de Manancial, que apresentam descuido com a área ambiental e ausência de espaços públicos destinados ao lazer local, temos o córrego Rio das Pedras, objeto de estudo do respectivo trabalho. O projeto apresentado tem como objetivo o destaque do córrego existente, suas conexões e a oportunidade da transformação do seu entorno em um local destinado à utilização da população. Foi possível de realizar determinados aspectos a partir de intervenções urbanisticas em diferentes escalas e meios, sendo uma delas o Parque Nove de Julho.

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Resumo

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 01 : Corte deck do Parque Nove de Julho. Fonte: acervo do autor


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Introdução A expansão da cidade de São Paulo, apresenta como consequência de um crescimento desordenado e de um planejamento urbano excludente, a ocupação altamente adensada das periferias, causada pela impossibilidade de acesso ao mercado formal por parte da classe trabalhadora e seu baixo rendimento vinculados a ausência de projetos destinados a moradias populares à época. Tratando-se da zona sul de São Paulo, esses aspectos acabaram por gerar um uso do solo sem preocupação com seu caráter ambiental. Por conta desse formato informal de ocupação, ocorre a falta de diversos aspectos que tornam uma área pública de qualidade. Entre esses está a ausência de espaços públicos destinados ao lazer. A partir da observação em relação a falta de espaços destinados aos usos de recreação e a necessidade de conscientização do meio ambiental, se fez possível a percepção do potencial de determinado uso no entorno do córrego Rio das Pedras, no qual já se apresenta uma tentativa de utilização pela população local. Analisando o córrego como um corpo d’água único, percebe-se que sua inserção no meio urbano se faz em diferentes áreas, com usuários e edificações relacionados a diversos usos, mas tendo como predominância o uso residencial, o qual apresenta divergências em relação as classes econômicas, de modo que a segregação socioeconômica também interfere no caráter usual de cada trecho do córrego. Tendo em vista o público local, a ligação com a Represa Guarapiranga (área inserida no Parque Nove de Julho), seus espaços a céu aberto (com apresentação urbana) e seu trecho soterrado (abaixo de uma das principais vias da região), somados a ausência de espaços públicos de diferentes modalidades, que geram a necessidade de locomoção da população para um momento de lazer e a falta de interação entre os diferentes públicos das regiões abrangidas, a requalificação e o destaque da área ambiental como um possível momento de conscientização, contemplação e recreação torna o espaço mais do que um local com potencial, e sim uma área que necessita do tratamento para uma melhoria geral, entre elas a conexão da população e a preservação ambiental. A proposta da requalificação do córrego Rio das Pedras vem como uma possibilidade de eixo estruturador de uma parcela do espaço público presente na zona sul de São Paulo. Através de sua parte a céu aberto, encontra-se uma possibilidade de conscientização da parte hídrica presente no local e o contexto ambiental, além da preservação na área que realiza ligação com a represa Guarapiranga, objeto importante para a cidade.

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Relacionando a área escolhida com suas necessidades de tratamento a serem solucionadas e os aspectos discutidos anteriormente em um contexto de metrópole, surge um mapeamento de possíveis usos e setorizações, esses que foram designados a partir de diferentes levantamentos como: potencialidades de utilização, diretrizes do planejamento urbano para área e projetos com causas, programas e áreas semelhantes. Com a vista do todo parcelado se fez possível a realização de diferentes tratamentos, cada qual específico a sua área, alguns mais detalhados, mas todos visando a melhoria do espaço público, o destaque da importãncia ambiental e a possibilidade de uso recreativo e contemplativo da população local.

Figura 02 : Corte praça de acesso Parque Nove de Julho. Fonte: acervo do autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A proposta de intervenção vem com o intuito de melhoria dos espaços citados anteriormente, procurando tratar cada um de acordo com as necessidades analisadas e dentro das diretrizes legislativas, onde procura-se possibilitar o uso, mas de forma consciente.. Utilizando o critério de setorização citado anteriormente, as diversas escalas de intervenção se apresentam em diferentes modos de representação, aos setores 1, 2 e 4 foram propostas tipologias de adequações do uso já existente, de forma que não se estenda muito sobre esses trechos. Já os setores 3 e 5 que apresentavam maiores possibilidades de mudanças e potencialidades de uso, devido seus aspectos naturais estarem mais presentes, foram escolhidos para a realização de um projeto mais esmiuçado, onde a intervenção propõe mudanças radicais e estuda a melhoria do espaço urbano local para a população.

O projeto se inicia a partir das conexões possíveis, as mesmas são realizadas por rampas que conectam os diferentes níveis da praça. A primeira rampa liga o acesso realizado por um mirante na Av. Senador Teotônio Vilela ao deck de contemplação, nove metros abaixo e contém uma segunda parte que possibilita o acesso do mesmo ponto de partida à área de eventos, a qual contém uma grande arquibancada e uma escadaria que permite a mesma ligação. O Deck de contemplação serve como um grande patamar de distribuição tendo além da primeira rampa apresentada mais duas, que proporcionam acesso aos níveis mais baixos da praça. Estando essa estrutura acima do córrego e de um grande espelho d’água, explicando assim a necessidade de duas rampas, as quais estão em lados opostos separados pelo corpo d’água.

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Setor 3 - Praça

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 03 : Setores definidos. Fonte: acervo do autor


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Figura 04 : Corte longitudinal da praça. Fonte: acervo do autor Setor 5 – Parque Nove de Julho

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Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Apresenta três acessos principais, os quais se dividem para automóveis e pedestres.Os três estacionamentos apresentam conexões para os pedestres com as praças de acesso. São das praças de acesso que saem os principais caminhos do parque, onde dois chegam diretamente aos decks presentes às margens da represa Guarapiranga e um em sentido transversal, proporcionado a ligação entre eles, estes caminhos passam por outras partes importantes do parque, como as quadras poliesportivas e a praça de eventos.

Figura 05 : Implantação Parque Nove de Julho. Fonte: acervo do autor Além das utilizações descritas, existem caminhos secundários que fazem ligações específicas a espaços que atendem a um número menor de pessoas, como: administração, área gourmet e lago.

Figura 06 : Corte praça de eventos e lago Parque Nove de Julho. Fonte: acervo do autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

O destaque do parque, é o deck com função comtemplativa e esportiva, à beira da represa Guarapiranga, que “invade” sua reserva. Ele é dividido em quatro partes e usos, onde o primeiro se apresenta como acesso e praça para contemplação à beira d’água, proporcionando diferentes sensações aos usuários, o segundo seria o de transição, contemplaçã o e distribuição, um nível abaixo ao anterior, o qual proporcina a “invasão” na represa e realiza a ligação entre os outros dois níveis, um destinado ao uso de velas e o outro ao de pedalinhos, possibilitando tais atividades aquáticas.

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Referências ARCHDAILY. Clássicos da arquitetura: as arquiteturas do parque ibirapuera / oscar niemeyer. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/tag/parque-ibirapuera>. Acesso em: 13 nov. 2018. ARCHDAILY. Parque da juventude: paisagismo como ressignificador espacial. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/880975/parque-da-juventude-paisagismo-como-ressignificadorespacial>. Acesso em: 14 nov. 2018. ARCHDAILY. Parque minghu / turenscape. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/778365/minghu-wetland-park-turenscape>. Acesso em: 13 nov. 2018. ARCHDAILY. Passarela de pedestres e espaço recreativo bostanlı / studio evren başbuğ. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/875956/passarela-de-pedestres-e-espaco-recreativobostanli-studio-evren-basbug>. Acesso em: 01 jun. 2018. ARCHDAILY. Urbanização do complexo cantinho do céu. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-157760/urbanizacao-do-complexo-cantinho-do-ceu-slash-boldariniarquitetura-e-urbanismo>. Acesso em: 01 jun. 2018. MARTINS, Maria Lucia Refinetti. Moradia e mananciais tensão e e diálogo na metrópole: Impasses urbanísticos, jurídicos e sociais da moradia nas áreas de proteção a mananciais na região metropolitana de são paulo. São Paulo: FAPESP, 2006. PAULO, Prefeitura Do Município De São. Plano diretor estratégico do município de são paulo: Lei nº 16.050. [S.L.: s.n.], 2014. PREFEITURA DE SÃO PAULO. 100 parques para são paulo. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/index.php?p=49467>. Acesso em: 09 nov. 2018. PREFEITURA DE SÃO PAULO. canalização do córrego rio das pedras está a todo vapor. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/capela_do_socorro/noticias/?p=2916 >. Acesso em: 09 nov. 2018.

Projetos Urbanos e Arquitetura da Paisagem

Figura 07 : Corte CC Parque Nove de Julho. Fonte: acervo do autor


Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

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Escola NOVA Ana Laura Mardem Brito

Resumo Este trabalho tem como objetivo reinventar o edifício escolar seguindo a educação progressista, conhecida no Brasil como o movimento da Escola Nova. Depois de um estudo sobre as diferenças do ensino tradicional com o ensino construtivista, fica claro os pontos importantes que devem ser repensados para um projeto escolar que reflita essa metodologia, no qual busca, como princípio, uma autonomia saudável do aluno e a criação de um espaço dinâmico que foge do mecanismo da educação tradicional.

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Figura 01: A Realidade na Escola Tradicional. Fonte: www.filosofiahoje.com

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Orientador: Prof. Dr. Nelson Urssi


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O espaço escola vem sofrendo alterações de acordo com o desenvolvimento social que sofremos desde seu primeiro surgimento. Deixaram de ser em construções impróprias como residências e igrejas e começaram a ter seu próprio programa arquitetônico, ganhando ambientes específicos para seu tipo de atividade, mesmo nem sempre sendo o mais correto. O importante é que cada mudança foi nos mostrando pontos que deveriam ser melhorados e inseridos em projetos futuros, até um dia chegarmos a algo considerado ideal. Foi então no século XX, que chegou ao Brasil o movimento “Escola Nova”, que tinha como ponto principal, educar de forma a ensinar aos alunos uma autonomia na busca de conhecimento. Uma resposta ao nosso desenvolvimento tecnológico, onde a informação é quase 100% acessível. O foco desse trabalho de conclusão é então, mostrar como estamos tentando mudar essa pedagogia mecânica tradicionalista, através da discussão de novos conceitos pedagógicos e principalmente como a arquitetura escolar deve ser um reflexo dessa nova metodologia. Mostrando a importância da construção de um espaço próprio para criar no aluno, interesse, criatividade e interação com um mundo dinâmico. Podemos então, citar 10 pontos que funcionam como um embasamento para o desenvolvimento desse espaço escola, de forma a garantir esse dinamismo e estrutura educacional. a) Conforto ambiental; b) Flexibilidade nas salas de aula; c) Transformar o único pátio em vários nichos pela escola, criando diferentes ambientes. d) Ensinar aos alunos como o edifício funciona. Ex.: sustentabilidade; e) Colocar a teoria em prática através de jogos, espaços especiais, ambientes de apoio, áreas sociais, etc; f) Reconhecer que o “bem feito” não é luxo;

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

g) Fazer desenhos didáticos pela escola, ex.: paredes com desenhos da tabela periódica, ou desenhos dos ângulos no chão; h) A utilização de fechamentos dinâmicos, eliminando o uso de grades e muros altos. i) Criar ambientes variados, eliminando as plantas padronizadas (longos corredores e salas de aulas iguais); e j) Manutenção constante do edifício, para que a criança aprenda a ter cuidado com aquele espaço. Seguindo essas informações e exemplos reais como a Escola da Ponte em Portugal e a Wish School no Brasil, foi então desenvolvido o projeto da Escola NOVA como reflexo de uma linha de pensamento pedagógico que surgiu para substituir a disfuncionalidade do ensino tradicional.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A proposta é criar um projeto que incentive o melhor dos seus usuários, que busque tornar a “escola” um lugar atrativo, onde os alunos tenham vontade de ir, de usar como seu, como um escape do mundo, onde eles aprendam mais do que matérias, aprendam um espírito de comunidade, respeito, cidadania, amizade e curiosidade sobre como as coisas funcionam. O partido então, foi criar um ambiente que quebrasse qualquer padronização de espaço, extinguindo as salas de aula tradicionais e corredores de passagem. A solução encontrada foi criar um edifício circular, que funcionaria como molde no terreno e não exatamente uma barreira física. Implantado no centro, acaba criando nichos de pátio e permite uma volta completa pelo lado externo. Outro ponto importante foi a criação de um anfiteatro no centro do círculo, para marcar um espaço de encontro e

A planta principal acaba tendo poucas barreiras fixas, criando uma grande flexibilidade em sua ocupação. Para conversar com o interior, toda a parede limite exterior recebe cortes amplos, marcados por pequenas áreas verdes que se encontram tanto de fora, como dentro, definindo as passagens. Estas aberturas são criadas para que sua percepção de interno e externo seja amenizada, para que crie um fluxo

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Figura 02: Planta térreo, que praticamente se define pelo layout desenvolvido, enfatizando as sete divisórias pivotantes em forma de um “V” aberto para criar ambientes que podem ser modificados de acordo com o uso do momento. Fonte: acervo do autor

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

compartilhamento de conhecimento e cultura.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

constante e que não seja marcado por direções específicas. Isso é possível evitando as portas comuns, o que ainda proporciona uma melhor entrada de luz natural. O anfiteatro acaba criando um vazio que se repete em todos os níveis, criando uma interação entre os andares. Essa interação é ainda maior entre o térreo e 1º andar, pelos recortes no piso deste, como podemos ver na figura 03. Nele está a biblioteca, administração e algumas salas caso a atividade exija silêncio. O anfiteatro é o espaço que molda o subsolo, dividindo os camarins com um auditório para 400 pessoas e sendo cobertura para uma oficina que acontece embaixo da arquibancada. O auditório tem uma

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

entrada separada, que acontece no volume secundário, que define o limite da escola.

Figura 03: Planta 1º andar

Figura 04: Corte longitudinal. Fonte: acervo do autor

O corte nos mostra que a cobertura foi resolvida em dois níveis para que aconteça uma ventilação zenital. No nível mais alto foi criado uma laje para cultivar, integrando o cultivo ao programa da escola. A parte mais baixa é um terraço jardim, onde pode ser utilizado para atividades ao ar livre. Também podemos perceber a relação entre os ambientes proporcionada pelo vazio do anfiteatro.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 04: Linguagem visual do projeto. Fonte: acervo do autor Em síntese, o projeto se resolve em quatro níveis: térreo, com espações de estudo projeto se resolve em quatro níveis: térreo, com os espaços de estudo, anfiteatro, refeitório, pátios, entrada do auditório, etc; o subsolo com estacionamento, oficina, camarins e palco do auditório; o 1º andar com a biblioteca, salas multimídia e administração; e por fim, a cobertura com a horta e terraço jardim. Referências ALVES, Rubem. Rubem Alves fala sobre a Escola da Ponte. 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MtGyHzIafLc

CARVALHO,

Monica.

Educação

3.0:

Novas

Perspectivas

para

o

Ensino.

Porto

Alegre:

Sinepe/RS/Unisinos, 2017 apud MORAN, José. Como Transformar nossas Escolas: Novas Formas de Ensinar a Alunos Sempre Conectados. 2017 EDUCA BRASIL. Escola Nova. Disponível em: http://www.educabrasil.com.br/escola-nova/ FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 2003. Capítulo I. LEÃO, Denise. Paradigmas Contemporâneos de Educação: Escola Tradicional e Escola Construtivista. 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/n107/n107a08.pdf LIMA, Mayumi Souza. A Cidade e a Criança. São Paulo: Nobel, 1989 – Coleção Cidade Aberta. NASCIMENTO, Mário F. P. Arquitetura para a Educação: A Contribuição do Espaço para a Formação do Estudante. 2012. Disponível em: file:///C:/Users/Ana%20Laura/Downloads/dissertacao_mario.pdf

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o Cotidiano Escolar de 1949 a 1959. Revista Mack. Arte. 2005.

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

AMBROGI, Ingridi H. A Arquitetura Escolar Moderna na Cidade de São Paulo e sua Proposta para Pensar


Moradia Estudantil em Container Fernanda Aguiar Innocencio

Resumo Esse trabalho consiste na viabilização do projeto de moradia estudantil, atendendo os estudantes da Unifesp campus Osasco, tendo o container como elemento construtivo de destaque e tomando o concurso de projeto realizado em 2015 como base para a proposta. Busca-se propor um projeto que se adeque facilmente às diversas tipologias pedidas, tendo como premissa a acessibilidade, podendo atender aos diferentes estudantes que habitarão estas moradias. Para sua realização, foram estudadas as características do container e suas possibilidades de utilização na arquitetura.

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Figura 01 : Moradia Estudantil em Container. Fonte: imagem feita pelo autor

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Orientador: Prof. Dr. Gabriel Pedrosa


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O projeto teve como objetivo inicial pensar a inclusão de novas práticas e de novos métodos construtivos na arquitetura residencial. Para isso, buscou mostrar como uma nova tipologia flexível e modular pode ser aplicada em vários tipos de projetos, desenvolvendo a proposta de uma moradia estudantil a partir do uso de contêineres. Discute-se quais os tipos de contêineres podem ser utilizados para habitação, e como devem ser tratados e revestidos para este uso, garantindo uma construção mais rápida e limpa. Aponta-se também aspectos relativos ao conforto ambiental, uma etapa importante para iniciar-se um projeto. O trabalho foi organizado por pesquisas de dados e referências que são fundamentais para a compreensão do uso do container na arquitetura, para, por fim, apresentar o projeto de moradia estudantil em container, com base no concurso de projetos realizado em 2015 para a moradia estudantil do campus de Osasco da Unifesp. Container Dry Standard

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Container High Club

Figura 02 e 03 : tipos de container. Fonte: Container Atlas, A practical Guide to Container Architecture. Pag. 23 Primeiramente, o container deve possuir um tratamento especial para evitar corrosão, um tratamento que recupera todo o metal com zinco, o próximo passo é a lavagem do container, um processo onde são removidos todos os materiais da superfície que são prejudiciais para a pintura, como óleos, graxas, poeiras etc. depois é preciso fazer a remoção da corrosão da chapa. Esta remoção é essencial para a pintura funcionar, sendo necessário utilizar tinta de maior durabilidade, anticorrosiva e de alto desempenho que possui flexibilidade, aderência e impermeabilidade. Os revestimentos mais utilizados, inseridos no interior das paredes e tendo como finalidade reduzir a entrada de ruído externo para o ambiente interno e amenizar sua temperatura, são: Lã de pet; Lã de Vidro; Isopor e Lã de rocha (fabricada a partir de rochas basálticas especiais e outros minerais, capaz de suportar o frio e o calor). Os revestimentos internos têm uma função decorativa, pois eles escondem os isolantes termo acústicos e dão um acabamento às paredes e teto do container. Existem muitos produtos que podem ser utilizados como acabamento, mas os mais utilizados são: Drywall; OSB; PVC; e Compensado.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição

Com a proposição inicial de projetar habitação estudantil, para a escolha do terreno, defini como um dos critérios principais a proximidade a faculdades públicas, que têm muitos estudantes de outras cidades e estados, com maior necessidade de alojamento. Pela disponibilidade e organização das bases, optei por desenvolver o projeto seguindo o programa e o terreno do concurso realizado pela Unifesp, Campus Osasco, para Moradia Estudantil em 2015. De acordo com o programa a ser seguido, o projeto contará com áreas coletivas gerais associadas ao térreo das moradias e de uso privado dos moradores do conjunto. Essas áreas são preenchidas com Hall de entrada, Espaço Multiuso, Biblioteca, Sala de Jogos, Cozinha central, Lavanderia compartilhada, Academia e Auditório. Serão previstas áreas de uso coletivo intermediário, espalhadas entre os pavimentos e dormitórios, espaços de estar para os respectivos moradores de cada pavimento (área de estar, lazer, espaço de convivência etc.). O projeto das unidades de dormitório feitas em container contará com formas variadas. A cada pavimento os dormitórios serão de tipologias diferentes (dormitórios individuais, compartilhados e acessíveis). Cada dormitório sendo compartilhado ou não, contém cama, armário, área de estudo, cozinha e banheiro.

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O objetivo central do projeto, com a disposição dos blocos, é criar, ao longo do eixo determinado pelos dois acessos ao terreno (na Rua General Newton Estilac Leal e na Avenida Parque), uma sequência de praças internas, formando áreas de estar e de convivência, algumas ensolaradas e outras mais sombreadas, para o uso dos estudantes e dos frequentadores dos equipamentos públicos, como a biblioteca e o auditório. A cota 771 dá entrada ao conjunto pela Avenida Parque, a principal em frente à Unifesp. Deste platô é possível acessar o Hall de entrada do 2° bloco, posicionado ao lado esquerdo do terreno. A cota 774 dá acesso ao Espaço Multiuso do 2° bloco e à Cozinha Central, no 3° bloco, no lado direito da entrada principal. A cota 777 dá acesso à Biblioteca e Ateliê comunitários e à Sala de Jogos do 2° bloco, bem como à Academia e à Lavanderia para os estudantes, no 3° bloco. A cota 780 é a principal, porque está localizada no meio do terreno e além de ter os pilotis do 2° e do 3° bloco, pensados como áreas de convívio, ela dá acesso ao Auditório, no 1° bloco, e à quadra poliesportiva do conjunto. A cota 783 dá acesso à área administrativa e de serviços do conjunto residencial, localizada no 1° bloco. Na cota 786 localiza-se a entrada pela Rua General Newton Estilac Leal, e o térreo livre do 1° bloco, pensado como um mirante de onde se pode ver todo o conjunto.

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Interferindo minimamente no terreno, a proposta anterior era a implantação de 5 blocos de habitação, possuindo um único térreo que não seria construído por contêineres, e onde ficariam todas as áreas de uso coletivo geral. Com o decorrer do trabalho, vi que não seria necessário 5 blocos para atender ao número de habitações necessárias para o projeto. Verifiquei, também, que a ideia de um térreo unificado numa cota única era inadequada à topografia muito acidentada do terreno. Com isso, implementei 3 blocos com 4 pavimentos de dormitórios feitos em container, com térreos livres e seus embasamentos em estrutura metálica contendo os usos coletivos dos estudantes e usos coletivos abertos ao público (ateliê comunitário, biblioteca e auditório), todos com acessos às praças internas. Como a topografia do terreno é bem íngreme, a disposição dos blocos e das entradas para os usos coletivos nos embasamentos não era simples. Resolvi interferir moderadamente no terreno, projetando 6 platôs, com intervalos de 3 metros de altura. Para o acesso de um platô a outro, foram projetadas escadas/rampas.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 04: Implantação. Fonte: imagem feita pelo autor Figura 05: corte DD e elevação 4. Fonte: imagem feita pelo autor

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Os apartamentos serão feitos em contêineres sobrepostos, sem precisar de nenhum reforço estrutural, já que o empilhamento poderia atingir até oito pavimentos. Os pavimentos ficam acima do nível do chão, para que os apartamentos tenham mais privacidade. Em cada pavimento de dormitórios, há áreas coletivas e de convivência para o uso dos estudantes, localizadas em frente às circulações verticais, com vista para a praça central. Essas áreas também dão acesso à cobertura de alguns contêineres, criando varandas de uso comum. Cada dormitório, tanto nos individuais quanto nos coletivos, já contaria com o mobiliário mínimo para o uso dos estudantes. Dormitório Individual: 1 cama de solteiro, 1 armário, mesa para estudos, cozinha completa e banheiro completo. Dormitório Coletivo: 2 camas de solteiro, 2 armários, 2 mesas para estudos, cozinha e banheiro completo para o uso de 2 pessoas. Dormitório Adaptado/Coletivo: 2 camas de solteiro, 2 armários, 2 mesas para estudos, cozinha e banheiro completo para o uso de 2 pessoas com mobilidade reduzida.

Figura 06: dormitórios adaptados, coletivos e individuais. Fonte: imagem feita pelo autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Referências

Livro - Container Atlas: A Practical Guide to Container Architecture. Editora Gestalten – Hardcover. 2010 TCC Gabriela Andrade Koski - A adaptação do container na arquitetura residencial: o estudo de tipologias flexíveis e modulares. 2014 TCC Priscila Dias Fernandes – Uma nova proposta de moradia estudantil para a cidade de Vila Velha utilizando containers marítimos. 2015 Concurso

Moradia

estudantil

Unifesp

Campus

Osasco,

Disponível

em:

http://iabsp.hospedagemdesites.ws/concursounifesp. Acesso: fevereiro de 2018 Tratamento do container para reuso. Disponível em: https://minhacasacontainer.com. Acesso: Abril de 2018 Tipos de container. Disponível em: https://mirandacontainer.com.br. Acesso: Fevereiro de 2018 Pintura

do

container.

Disponível

em:

www.minhacasacontainer.com/pintura-de-container-dicas-e-

cuidados-para-se-ter-uma-protecao-anticorrosiva-e-eficiente. Acesso: Março de 2018 Primeiro

lugar

no

concurso

moradia

estudantil

Unifesp

Osasco.

Disponível

em:

www.archdaily.com.br/primeiro-lugar-no-concurso-para-moradia-estudantil-da-unifesp-osasco-herenuplus-ferroni-arquitetos. Acesso: Março de 2018 Cite a Docks Student Housing. Disponível em: http://aspastilhascoloridas.blogspot.com/2010/10/citedocks-student-housing-moradia.html Comunidade Residencial em Joanesburgo. Disponível em: https://www.designboom.com/architecture/lot-

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

ek-drivelines-studios-shipping-containers-johannesburg. Acesso: Outubro de 2018


Complexo Teatral Oficina Equipamento cultural no bairro Bixiga Giovanna Farias Lima

Resumo O distrito da República, localizado na região sul de São Paulo, conta com um bairro de caráter composto por diversas etnias popularmente conhecido como Bixiga. Possui um histórico de formação altamente diversificado, que possui uma rica carga cultural que se projetou também nos imóveis em suas fachadas e elementos de decoração. Este trabalho tem como objetivo de estudo a criação do projeto de um anexo complementar ao atual Teatro Oficina, onde de acordo com estudos feitos sobre o teatro, há a necessidade e demanda da utilização do espaço para fazer a integração além do limite físico e visual do teatro.

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Figura 01: implantação geral do complexo. Fonte: acervo do autor

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Orientador : Prof. Dr. Nelson Urssi


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução O assunto de anexo complementar surgiu ao relembrar uma visita técnica no teatro que fiz em 2016 junto com meus colegas de classe. Enquanto aguardávamos o início da visita, nos sentamos no chão ao lado do teatro, pois não havia lugar para sentar. Com isso, tive a sensação de que poderia haver uma expansão do equipamento cultural existente, tanto no sentido físico quanto no visual. Expansão esta que utilizaria o lote ao lado do Teatro Oficina, que legalmente pertence ao Grupo Silvio Santos, e que tem o potencial de constituir um programa de necessidades e demanda para a região. Sem contar o fato de que não existe atualmente, uma integração do teatro com o seu entorno.

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Figura 02: foto aérea do terreno e teatro oficina. Fonte: Google Earth

O intuito desejado neste projeto é conseguir criar a atmosfera de um espaço cultural composto por diversos usos, como outros teatros que possuirão maior capacidade de assentos além de um edifício destinado a receber outras companhias de teatro. Equipamentos que irão fazer seu papel de constituir uma imagem harmônica do complexo cultural adicionado ao importante bairro histórico do Bixiga. Como metodologia de pesquisa, utilizei de algumas questões que considero essenciais, principalmente a partir de levantamento de dados de diversas categorias tais como: estudo bibliográfico – leitura de livros e derivados sobre a temática do Teatro Oficina além do histórico da região em que se encontra atualmente –; qual a demanda e necessidade encontradas para, com isso, conseguir chegar à constituição de um programa que possa atender a estas questões percebidas de acordo com estudos aprofundados e seleção de prioridades percebidas pelo ponto de vista geral – uso para a população, transeuntes e corpo artístico do Oficina preliminarmente– como do ponto de vista pessoal, do entrevistador.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição Com o intuito de constituir a característica de fazer a integração física e visual do Teatro Oficina, o programa escolhido para o terreno é um complexo teatral composto de três tipos de teatros, sendo eles: o italiano, de bolso e arena além de um edifício onde acontecerão ensaios, manufatura de cenários além de outros usos do mundo cênico. Como justificativa de escolha do projeto para este terreno, é conseguir chegar em uma utilização do espaço além do limite físico do Teatro Oficina, além da integração do edifício

O teatro italiano possui sua entrada principal pelo nível 753, onde é possível ser acessada pela rampa com início no nível 755 que desce dois metros. Na entrada principal, há uma antessala onde acontece o acesso para a plateia inferior, que conta com 280 assentos, sendo quatro destinados às pessoas com deficiência (PcD). A entrada da doca para descarregamento dos equipamentos para peças, está no mesmo nível do acesso principal do teatro. No mezanino, que tem acesso pelas escadas laterais, há a plateia superior com 126 assentos, além da cabine de projeção e dois banheiros. Localizado no nível 747.5, há o fosso destinado à orquestra, quatro camarins e a quartelada, um equipamento hidráulico com divisões de piso com função de movimentar e demarcar o palco. Com quatro salas destinadas a receberem o material técnico das peças e figurinos, o nível 744.5 está localizado abaixo dos camarins e fosso da orquestra.

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Figura 03: implantação nível 753. Fonte: acervo do autor

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com seu entorno atual.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

O teatro de bolso possui capacidade de 51 assentos, onde dois são destinados à PcD. Possui dois camarins com acesso no mesmo nível do palco e da plateia. A entrada principal deste teatro encontra-se no nível 753, sendo também feito pela rampa. O teatro de arena tem seu acesso feito pela escadaria com patamar inicial no nível 755 ou pelos elevadores localizados ao lado da mesma. Com profundidade de três metros, conta com assentos circulares onde é possível acomodar cerca de 400 espectadores.

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Figura 04: implantação nível 755.7. Fonte: acervo do autor

Figura 05: implantação nível 758. Fonte: acervo do autor

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Referências

AGUIAR, Douglas, Urbanidade e a qualidade da cidade ano 12 n. 141.08, Vitruvius – Arquitextos, São Paulo 2012. FERRAZ, Marcelo, Olho sobre o Bexiga, ano 08 n. 087.00, Vitruvius – Arquitextos, São Paulo, 2007. GALLMEISTER, Marília; MATZENBACHER, Carila, O talento cultural do Bixiga & o Anhangabaú da Feliz Cidade, ano 15 n. 180.05, Vitruvius – São Paulo, 2015. MACHADO, Rogerio Marcondes, Teatro oficina: patrimônio e teatro. Os processos de tombamento junto ao Condephaat e ao Iphan, ano 16 n. 188.00, Vitruvius – Arquitextos, São Paulo, 2016. P.M. BARDI, Instituto Lina Bo, Lina Bo Bardi: Teatro Oficina, editorial Blau ltda. Lisboa, 1999. WHYTE, William H., The Social Life of Small Urban Spaces, The Municipal Art Society of New York, Nova Iorque, 1980.

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Figura 07: corte BB. Fonte: acervo do autor

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Figura 06: corte AA. Fonte: acervo do autor


NOMAD’UZ Cidade e arquitetura digital Iago Vieira Stos Orientador: Prof. Dr. Nelson Urssi

Figura 01: Ilustração

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Observando os desenvolvimentos tecnológicos da última década e analisando seus impactos na construção dos centros urbanos ao redor do globo, foi possível identificar e caracterizar um grupo de habitantes por meio de suas relações urbanas. Investigando os desenhos dos fluxos na malha urbana, foi descoberto a necessidade dos moradores de zapearem sobre o território urbano, para fim de concluir as atividade sociais diárias. Utilizando equipamentos eletrônicos para de maximizarem o tempo útil de atividade e interações sociais, durante as horas perdidas no transporte ao longo do território, a conexão constante com a camada de dados suspensa sobre a cidade, permite virtualização de possibilidades existentes para atender esse público. Softwares e aplicativos destinados a smartphones, difundidos ao redor do globo, apesar de gerarem ações em uma camada digital, já demonstraram sua influência em redesenhar fluxos urbanos e impactar a economia de vilas, bairros e cidades. Partindo desde ponto revolucionário e essencial para a construção da malha urbana atual, é iniciado o processo de especulação tecnológica e suas possibilidade de aplicação sobre território urbano. Aliando a necessidade deste grupo de habitantes que usufruem dos territórios contemporâneos e os avanços tecnológicos, nas áreas de realidade aumentada, simuladores, e a capacidade de geolocalização dos dispositivos eletrônicos, é viável especular interferências e construções sobre a malha da cidade existente através de uma plataforma digital, fixada sobre terreno construído, que possa ser acessada por meios eletrônicos.

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Resumo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Implantação A praça Franklin Roosevelt localizada na região central de são Paulo, cobrindo a via expressa que liga as zonas leste e oeste, circundada pelas ruas da Consolação, João Guimarães rosa, Praça Franklin Roosevelt e Augusta tem sua construção datada da década de 1970 - auge do regime militar. Anteriormente usado como estacionamento nos anos 50, a região o logradouro chegou a ser utilizado para realizar feiras livres, porém em 1970 o projeto do paisagista Roberto Coelho Cardozo foi inaugurado a pedido do prefeito José Vicente Faria Lima. Composto por uma megaestrutura de concreto, o projeto recebeu uma série de críticas desde o período de sua pré-construção com a função de mostrar à

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

população o potencial e o poderio do Estado.

Figura 02: Implantação na Praça Roosevelt

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Plataforma Através da especulação de possibilidades tecnológicas que se demonstram cada vez mais palpáveis, a proposta de explorar novas dimensões arquitetônicas que se relacione com a interação entre a camada digital de informação que se sobreporá ao solo urbano das megalópoles, e através de fibra e sensores

acoplados

nas

indumentárias

cotidianas

aliado

uso

da

ao

realidade

aumentada, a vivência das condições urbanas enfrentada

pelos

nomad'uz

poderá

ser

remodelada por meio de uma camada que propõe

o

Hiperaproveitamento

das

construções urbanas. Apropriando-me da praça Franklin Roosevelt, um espaço com amplas potencialidades de intervenção, e portadora de um grande fluxo de usuários e transeuntes.

A Plataforma

propõe ampliar as possibilidades existenciais do projeto original da praça, devido a sua área massivamente construída, a viabilidade de aproveitamento máximo do solo para tal intervenção

se

demonstra

propícia.

a Plataforma Digital sobreposta a camada física existente, permite a interação e flexibilização de componentes necessários no local. Personalizável, a Plataforma Digital se apresenta como uma alternativa aos diversos públicos que se apropriam do território, apesar de ilustrar um cunho artístico de instalações temporárias, com potencial de convidar os usuários de uma região para transformarem seu território diretamente, criando uma nova vertente na urbanidade das cidades. O alinhamento entre o território físico e digital agiliza o dimensionamento virtual das experiências disponibilizadas. Por meio de ondas eletromagnéticas emitidas pelas vestimentas, a criação de densidades contribuem para aprofundar o fator de vivência nestes espaços. Visando incentivar os fenômenos culturais existentes na praça e apropriando-me deste espaço em constante transformação, construímos meios para que a multiculturalidade existente na praça se faça presente também em sua formulação formo-espacial, através de elementos concebidos sobre o acumulo

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dos habitantes sobre a malha contemporânea,

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Conhecendo a volubilidade das necessidades


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

de signos étnicos. O uso educacional do espaço é incentivado através do Observatório Cósmico, que permite a observação e aprendizado livre aos seus usuários, convidando a retomada dos espaços públicos dentro da educação formal. Com projeções de imagens espalhadas por todo o circuito caminhavel da praça, permitimos seu uso para incentivo da produção artística local, como grafites e exposições digitais, além de viabilizar seu uso para desenvolver eventos, feiras-livres, e cinemas ao ar livre. Atraindo novos públicos e potenciais investidores para a praça, desenvolve-se um ambiente colaborativo saudável, onde seus potenciais como um espaço público poderão ser explorados em benefício da comunidade local, contribuindo com toda a cidade. Elementos digitais Extrudando elementos verticalizados sobre os canteiros e construções existente que atravessam as limitações da praça, a inexistência de sua matéria física permite sua manipulação além da gravidade, criando elementos de projeções e formas que contribuam para exposições, feiras, eventos culturais e campeonatos dos mais variados tipos, como de vídeo game e batalhas de Rap. Contando a visão horizontal da praça, os elementos verticais e horizontais se apresentam demarcando a praça, insistentemente, sobre a malha urbana, permitindo seu vislumbre a distancias consideráveis. Com o intuito de atender a população criativa que se concentrar sobre a praça Roosevelt, o envio de conteúdo multimídia a fim de ser projetado nos elementos será permitido, ampliando o poder de alcance de grafiteiros, artistas e fotógrafos, fomentando uma galeria digital, acessível “fisicamente” aos transeuntes,

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

além de aumentar o uso do espaço público existente.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Considerações A procura por novos caminhos de comunicação e criação tem tornando-se inevitável na sociedade contemporânea diante das constantes transformações ocorridas em paralelo com os diversos avanços tecnológicos alcançados. O projeto Nomad'uz-cidade e a Arquitetura digital, propõe uma grande interação entre o físico e o digital, sobrepondo -os uns aos outros, como um único elemento. Visando esse meio, a plataforma digital desenvolvida sobre a malha urbana já existente, traz uma nova forma de se pensar urbanidade, discutindo e cogitando uma remodelagem digital na cidade e o como ela se relaciona com seus habitantes. Intervindo na praça Franklin Roosevelt, a Plataforma procura ampliar e proliferar os fenômenos culturais que ali ocorrem. Localizada no bairro da Consolação, rodeada de espaços boêmios, a praça tem o costume de atrair um público variado de perfil jovem, que se adequam as características descritas sobre os Nomad'uz. Criando um espaço com signos multiculturais, voltado para os transeuntes, a Plataforma implantada na praça incentiva a produção artística local, o uso de espaços públicos para função educacional, desenvolvimento de eventos voltados para a comunidade e amplia sua capacidade de atração de usuários para o espaço público, atendendo majoritariamente a população NOMAD'UZ.

Referências BIBLIOGRAFIA Castells, Maniel. A socidade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra. 2012

Mitchel, Willian J. E-topia. A vida urbana - mas não como a conhecemos. São Paulo: Senac. 2002 WEBGRAFIA http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/11/paulistanos-que-moram-longe-do-emprego-perdem20-dias-no-transito.html https://exame.abril.com.br/marketing/16-usos-inteligentes-de-realidade-aumentada-em-campanhas/ https://www.ibtimes.com/pokemon-go-tips-how-buying-pokecoins-makes-nintendo-richer-2389963 https://www.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2018/07/a-era-dos-nomades-futuristas.html https://www.tecmundo.com.br/produto/131035-papo-inventor-hololens-realidade-aumentada-mudar-omundo.htm https://www.tecmundo.com.br/realidade-aumentada/34450-universidade-japonesa-demonstra-realidadeaumentada-de-verdade-video-.htm https://www.tecmundo.com.br/realidade-virtual/89679-teslasuit-traje-fazer-voce-imergir-completamenterealidade-virtual.htm/ https://www.theguardian.com/business/2016/jul/11/nintendo-value-surges-6n-on-new-pokemon-app

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Greenfield, Adam. Against the smarth city. In: The city is here for you to use. New York: Do Projects. 2013

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Ceteau, Michel de. A invenção do cotidiano. Petrópoles: Editora Vozes. 1998


Tramas Urbanas Edifício CEU em desconstrução Kelly Renata Rodrigues

Resumo O presente trabalho tem como finalidade compreender como a arquitetura manifestada através de traços, formas e espaços pode atuar como elemento transformador do ambiente urbano. Para tanto, utilizará dos edifícios âncoras de cunho cultural e social como base analítica para discutir os reais impactos do projeto arquitetônico, associado também ao planejamento urbano, na vida das pessoas e da cidade. A partir das questões levantadas, o produto final da pesquisa surge na forma de um projeto que abrange a escala urbana e arquitetônica, fundamentado no conceito dos Centros Educacionais Unificados (CEU‟s) e alinhado com as estratégias de requalificação do Urbanismo Social.

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Figura 01: Edifícios e percursos. Fonte: acervo da autora.

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Orientador: Prof. Dr. Nelson José Urssi


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Introdução

A arquitetura, entendida como a arte responsável pela criação dos ambientes que abrigam as atividades humanas, pode causar grandes impactos tanto na esfera urbana quanto na psicológica do indivíduo. Nas residências pode oferecer sensação de conforto e privacidade, na catedral gótica lembra homem de sua pequenez diante de Deus e nas cidades pode estimular a reestruturação de territórios degradados e esquecidos pelo Estado. É precisamente sob a luz deste último fato que a presente pesquisa se desenvolve, buscando compreender os impactos da arquitetura, aliada ao planejamento urbano, na cidade real e vice-versa. Com esse intuito, o estudo utiliza dos edifícios denominados de âncoras culturais como base analítica necessária para o entendimento global do processo. Entende-se que tais âncoras geram diversos tipos impactos na malha urbana e na vida das pessoas, entre eles esta, como um tipo de efeito colateral, a gentrificação. Diante desse contexto, a pesquisa abordará as seguintes questões: Para quem esses edifícios âncoras são pensados? Quais são os agentes urbanos que influenciam na sua elaboração? Como eles afetam no cotidiano da cidade e das pessoas? A partir da critica acerca do impacto e da funcionalidade destas obras na cidade, seguindo o ponto de vista da sustentabilidade social, é que se encontrou no Urbanismo Social de Sérgio Farjarro uma estratégia de requalificação urbana pontual e muito bem planejada, que se concretiza através da implantação de diversos equipamentos âncoras pensados para a população mais carente. Tais edifícios são usados aqui como estudo de caso, onde atentaremos para a questão da permeabilidade urbana e a função social do edifício. Por fim, a proposição final é feita através de um projeto experimental de reestruturação urbana,

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

que usará de uma parcela do bairro Americanópolis, no Distrito Jabaquara (São Paulo-SP), como corpo de prova para aplicação de todas as discussões apresentadas. O projeto utiliza como referência projetual o programa dos Centros Educacionais Unificados (CEU‟s), que tem o seu programa multifuncional, contido dentro um único edifício, explodido e seus agrupamentos funcionais distribuídos pelo território através de pequenos projetos voltados ao uso cultural, multiuso e de esportivo. Desta maneira, desconstruímos o conceito de unificação dos módulos programáticos, encarados quase como um “pacote” de soluções aglutinado, e readequamos o programa às estratégias de requalificação urbana do Urbanismo Social. Utilizando desses parâmetros projetuais o intuito da proposta se mantem criando assim uma trama urbana que juntamente com os equipamentos já existentes irão oferecer para população local e regional o acesso á cultura, esporte e à qualificação profissional, promovendo assim uma autoestima social e suprindo principalmente a demanda por equipamentos públicos numa região onde há um grande adensamento populacional e pouca oferta de equipamentos voltados para estas áreas.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição

Figura 02: Programa CEU explodido e agrupamentos funcionais escolhidos. Fonte: esquema elaborado pela autora a partir da cartilha do Território CEU.

A fundamentação da pesquisa permitiu a compreensão e a crítica acerca dos impactos sócioespaciais dos projetos âncoras culturais e dos denominados equipamentos âncoras, como são o caso do CEU e dos Parques Bibliotecas de Medellin. Através dessa percepção foi possível traçar critérios para

essa experimentação. A escolha dessa área resultou da busca por um local que apresentasse alta densidade demográfica, alta vulnerabilidade social e uma carência de equipamentos urbanos públicos de qualidade. Dessa forma, o Jabaquara se encaixou perfeitamente com a tipologia urbana buscada, mostrando ser um território propício. Por sua vez, o projeto se desenvolveu com intuito promover uma reestruturação urbana no trecho mais carente do bairro Americanópolis, através de uma readequação do programa Centros Educacionais Unificados às estratégias de requalificação do Urbanismo Social, estudado anteriormente. Para isso o projeto busca desconstruir o conceito de unificação dos módulos programáticos do CEU, implantando três projetos, sendo eles o cultural, multiuso e esportivo ao longo do território escolhido. Cada um dos projetos busca se adequar da melhor maneira possível à realidade do seu entorno, identificando problemas, propondo soluções e possibilidades de ocupação e uso público. A topografia bastante acidentada, que inicialmente se apresentou como um grande desafio em todos os

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urbanos. Para isso foi escolhida uma área no Distrito Jabaquara, que servirá como “corpo de prova” para

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

proposição de três pequenos projetos de equipamento público que juntos formarão uma rede de espaços


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

terrenos se mostrou ao longo das experimentações projetuais com maquete física e eletrônica um elemento balizador dos espaços públicos dos três edifícios que ora se torna arquibancada, ora plateia. Apesar de suas singularidades tanto na questão das formas quanto na questão dos programas é de interesse do projeto que as partes ofereçam evidências de um todo comum, para isso a constância dos materiais construtivos como concreto, aço e vidro e a presença das áreas verdes foram utilizados como estratégia de uniformização visual, ainda que reinterpretada em cada um dos projetos.

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Figura 03: Maquetes de experimentações projetuais. Fonte: acervo da autora.

Figura 04: Implantação do projeto. Fonte: acervo da autora.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 05: Edifício Esportivo.

Figura 06: Edifício Multiuso.

Fonte: acervo da autora.

Fonte: acervo da autora.

Figura 07: Edifício Cultural.

Fonte: acervo da autora.

desmanchando consensos, In: ARANTES, Otília. Uma estratégia fatal: A cultura das novas gestões urbanas, p. 11-74. Petrópolis: Vozes, 2000. CHOAY, Françoise (1965), O urbanismo: utopias e realidades, uma antologia, São Paulo: Perspectiva, 2005. JACOBS, Jane (1961), Morte e vida de grandes cidades, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011. KARA JOSÉ, Beatriz,

Politicas culturais e Negócios Urbanos: A instrumentalização da Cultura na

Revitalização do Centro de São Paulo (1975-2000), São Paulo: Annablume; Fapesp , 2007. KOOLHAAS, Rem; OMA; MAU, Bruce; S, M, L, XL.

In: KOOLHAAS, Rem. Whatever Happened to

Urbanism?, p. 28-31. Nova York: The Monacelli Press,1995. PASQUOTTO, Geise Brizotti, O edifício cultural como estratégia de intervenção urbana: A cidade das artes na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, São Paulo: Tese de Doutorado – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2016.

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ARANTES, Otília; VAINER, „Carlos; MARICATO, Ermínia, A cidade do pensamento único,

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Referências


Complexo Fábrica de Sal: Intervenção ao Patrimônio + Ampliação do Centro Cultural e Educacional de Ribeirão Pires Lucas Eduardo Souza Moço

Resumo Este trabalho de conclusão de curso se trata de uma requalificação no Complexo Ibrahim Alves de Lima, localizado na cidade de Ribeirão Pires – SP. Este complexo dispõe de uma escola, uma antiga fábrica, que está abandonada e uma biblioteca.

O intuito é trazer o

interesse da população pelo lugar novamente, dando um uso cultural e artístico à fábrica, além da construção de um edifício de esportes, um teatro de arena e marquises que conectam os quatro prédios, transformando e conectando o complexo.

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Figura 01 : Vista Perspectiva do Complexo. Fonte: acervo do autor.

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Orientador :Prof. Dr. Nelson Urssi


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução A ideia de requalificação do Complexo Ibrahim Alves de Lima, localizado na cidade de Ribeirão Pires, no Grande ABC, surgiu através do cotidiano. Morei em Ribeirão Pires durante quinze anos e estudava na cidade vizinha, Mauá. Sempre que voltava da escola de transporte público, passava pelo Complexo e pensava que aquele espaço poderia ser mais atraente, um local de permanência e não apenas de passagem. Na época a antiga fábrica de sal já havia sido abandonada, mas a escola municipal e a biblioteca municipal funcionavam normalmente, como acontece até os dias de hoje (2018).

Figura 02 : Vista Panorâmica do Complexo. Fonte: acervo do autor.

O Edifício Dom Helder Câmara, mais conhecido como antiga fábrica de sal, já teve inúmeras funções, com o decorrer dos anos, foi sofrendo alterações para se adequar a cada uma delas. A partir de 2003, foi feita uma reforma e a antiga fábrica passou a abrigar um centro cultural. Em 2009, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) realizou um estudo no Edifício, onde sais foram encontrados, o que ocasionou a deterioração dos elementos metálicos, alvenarias e revestimentos. Para manter o funcionamento, seria necessária uma reforma, no entanto a prefeitura alegou não ter verba suficiente para o reparo e interrompeu as manutenções em todo complexo, o que gerou o abandono do centro cultural e

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educacional e desinteresse da população pelo local.

Figura 03 : Escola Municipal, Antiga Fábrica de Sal e Biblioteca Municipal. Fonte: acervo do autor.

O propósito dessa requalificação é trazer de volta o interesse das pessoas pela área, todas as exigências do IPT serão atendidas para a reabertura do antigo prédio, um edifício de esportes será implantado ao centro educacional e cultural, visto que a cidade carece desse quesito. Elementos vazados, cheios e vazios e uma marquise darão características próprias ao complexo. O intuito é levar a educação, cultura e esporte à cidade.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Proposição A ideia do projeto surge a partir do momento em que acredita-se no potencial do Complexo, com a falta de manutenção por parte da prefeitura, o local perdeu sua essência, e a biblioteca teve uma redução de 40% de seus visitantes, segundo os próprios funcionários. A proposta é manter a escola municipal e a biblioteca municipal funcionando e exercendo suas devidas funções, um edifício de esportes será incorporado ao complexo, e a fábrica de sal sofrerá as intervenções necessárias para sua

4 – Novo Edifício de Esportes. Fonte: acervo do autor.

O partido do projeto é criar uma linguagem entre as edificações, já que uma é do século XIX e as outras do século XXI. Estudos foram feitos e como resultado, nasceram os elementos vazados nas fachadas, inspirados em cristais de sal, que é o marco do complexo. Em seguida, foi criada uma marquise não retilínea que conecta todos os prédios e a partir disso, surgiram os pergolados, espelhos d’água e o lago. A fábrica, com seus cheios vazios, inspirou as aberturas criadas no primeiro pavimento da biblioteca e o furo central na praça do edifício de esportes, o que facilita a iluminação e ventilação dos

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Figura 04 : Implantação. 1 – Escola Municipal, 2 – Antiga Fábrica de Sal, 3 – Biblioteca Municipal,

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recuperação.


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ambientes. O teatro/ cinema e usos que serão propostos à fabrica de sal, influenciaram na ideia do teatro de arena no centro do complexo.

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Figura 05 :Vista Fachada Frontal da Antiga Fábrica de Sal. Fonte: acervo do autor.

Figura 06 :Vista Fachada Frontal da Biblioteca Municipal. Fonte: acervo do autor.

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Figura 07 :Vista Fachada Lateral do Edifício de Esportes. Fonte: acervo do autor.

Referências

BARDA, Marisa. Espaço (meta) Vernacular na Cidade Contemporânea. Kronos 26, editora Perspectiva. CATP. (2003). Histórico do antigo Moinho de Trigo. Ribeirão Pires. DOU. (23 de Agosto de 1934). Revista da Propriedade Industrial. Diário Oficial da União,p. 93. GERGHI, L. (2012). Estudo de caso - Centro Educacional - Ribeirão Pires - Brasil. Sobreposições de arquiteturas como forma de intervir no espaço urbano consolidado.

PAIVA, Marcelo. VITRUVIUS (16 de março de 2016). Acesso em 04 de abril de 2018. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.188/59655

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AURÉLIO, Cláudio; SCALABRINI, Marina. Patrimônio e cidade: “sobrevivências” do passado em Ribeirão Pires. [S.I.]: Vitruvius, 2004. Disponível em :<http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/ arq000/esp233.asp>. Acesso e em: 20 de abril. 2018

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

ABCDOABC (13 de dezembro de 2016). Secretaria do estado da cultura. Acesso em: 04 de abril de 2018. Disponível em: http://www.abcdoabc.com.br/ribeirao- pires/noticia/condephaat-tomba-fabrica-salribeirao-pires-44534


Sistema Modular Pré-fabricado em Wood Frame. Estudo da madeira como principal elemento estrutural. Ludmila Cesário de Lima Orientador : Prof. Dr. Gabriel Pedrosa

Este trabalho de conclusão de curso estuda o sistema construtivo wood frame, um dos sistemas construtivos mais utilizados em países desenvolvidos para projetos de caráter unifamiliar. Neste trabalho também é apresentado o desenvolvimento de um sistema modular pré-fabricado que usa a tecnologia construtiva estudada. Foram elaborados diferentes módulos pré-fabricados que utilizam wood frame como seu sistema estrutural. Foram elaborados no total oito diferentes módulos. Estes foram posteriormente, divididos em duas famílias: Família T e Família O. Foi também apresentados neste trabalho, detalhes construtivos de todos os módulos desenvolvidos, assim como algumas das possíveis combinações entre estes. Estas combinações entretanto, foram limitadas à escala unifamiliar.

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Resumo

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Figura 01 : combinação de módulos, corte perspectivado.. Fonte: acervo do autor.


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Introdução Este trabalho tem por objetivo o estudo da madeira como elemento principal de uma estrutura, assim como a elaboração de um sistema de módulos pré-fabricados que utilizem o sistema estrutural wood frame. Este método construtivo tem como principal elemento o frame, um quadro estrutural formado por perfis leves e organizados igualmente ao longo do perímetro da parede. A técnica de construção wood frame pode ser observada como um grande trabalho de carpintaria, todavia, esta tecnologia construtiva supera alguns dos métodos tradicionais de construção populares no Brasil, além de ser o principal método construtivo utilizado em construções de escala unifamiliar em muitos países desenvolvidos.

Figura 02 : Módulo – estrutura em wood frame. Fonte: acervo do autor.

Através de uma análise do sistema construtivo e da revisão bibliográfica foram elaborados ensaios de módulos pré-fabricados. Estes módulos apresentam por características o uso de estrutura em madeira, muitas vezes aparentes e materiais não convencionais como policarbonato translúcido e telha

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conjugadas como revestimento nas paredes.

Figura 03 : Referências de projeto: Naust, Unimog, Slow Cabins. Fonte: Archdaily. Foram elaborados ao todo oito módulos, divididos em duas “famílias”, Família T (translúcido) e Família O (opaco). Foram apresentados neste trabalho também sete possibilidades de arranjos entre os módulos, porém as possibilidades de arranjos são inúmeras. Em alguns casos, em que o arranjo entre os módulos é de dois ou mais pavimentos, é necessária a criação de um módulo extra, com função escada. Para este trabalho porém é apresentado, de forma simplificada dois módulos escada, para duas possibilidades de arranjo de dois pavimentos.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Para os detalhes construtivos foram usadas as normas da American Wood Council e da Australian Standards para construções em wood frame. Proposição

Figura 04 : Colagem – combinação módulos. Fonte: acervo do autor

Na primeira etapa foram desenvolvidos os desenhos das paredes portates. Onde o revestimento externo ou interno, ou os dois, é translúcido, como nos módulos T, os travamentos entre as vigas de madeira são também feitos em madeira. Já onde o revestimento das paredes é opaco, como nos módulos O, os travamentos são feitos por tiras de aço.

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Figura 05 :A-parede portante família T, B- paredes portante família O . Fonte: acervo do autor.

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A ideia central deste projeto é a criação de diferentes módulos multifuncionais pré-fabricados, que usem o sistema construtivo wood frame. Desde o desenvolvimento dos quadros estruturais que compõem os módulos, os materiais escolhidos para este projeto, as funções e dimensões de cada módulo, os arranjos entre os módulos, e o detalhamento construtivo.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Na segunda etapa foram escolhidos os materiais de revestimento. Serão usados neste projeto o compensado, placas de policarbonato translucida e telhas conjugadas. No primeiro diagrama, foi escolhido como revestimento interno e externo, placas de policarbonato translúcido, este arranjo de paredes está presente em ambientes sociais como nas paredes da sala de estar e na cozinha. Já no segundo diagrama, foram utilizados o policarbonato como revestimento externo e a placa de madeira compensada como revestimento interno. Para as áreas molhadas, como cozinha, lavanderia e banheiros, será utilizada uma cada de revestimento adicional de azulejos. No terceiro foi utilizado como revestimento externo a telha conjugada preta fosca. Este revestimento está nas paredes em ambientes como quartos, e banheiros.

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Figura 06 Revestimento paredes. Fonte: acervo do autor.

Figura 07 Colagem – vista do interior de um módulo T . Fonte: acervo do autor. Foram apresentados também, algumas das possíveis combinações entre os módulos. Existem muitas possibilidades de arranjos, entre dois, três ou mais módulos iguais e diferentes entre si, com um, dois e até cinco pavimentos - a quantidade de pavimentos permitida pela estrutura.

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Figura 08 Colagem – Combinação entre módulo T e O . Fonte: acervo do autor.

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ALLEN, E.; THALLON, R. Fundamentals of Residential Construction. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, 2011. AMERICAN WOOD COUNCIL. Wood Frame Construction Manual for One- and Two-Family Dwellings. Leesburg, VA, 2015. A tiny house/study pod for an NYU Professor….on wheels. Disponível em: <http://relaxshacks.blogspot.com/2014/07/a-tiny-housestudy-pod-for-nyu.html> Acesso em: 08 maio. 2018 Australian standards. Disponível em:<https://www.standards.org.au/standards-catalogue/sasnz/building/tm-010> Acesso em: 19 julho. 2018 BATISTA, F. D. A Tecnologia da Construção em Madeira na Região Curitiba: Da Casa Tradicional à Contemporânea. Florianópolis: Monografia, Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2007 BELMETAL.DISPONÍVEL em: <http://www.belmetal.com.br/app/webroot/files/ products /archives/archives/88/telha-de-policarbonato.pdf> Acesso em: 18 maio 2018. CARDOSO, L. A. Estudo do método construtivo wood framing para construção de habitações de interesse social. Santa Maria: Monografia, Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Tecnologia Engenharia Civil, 2015. Divisare. Disponível em: <https://divisare.com/projects/272166-gianluca-pelizzi-prefabricated-woodenhomes> Acesso em: 14 maio. 2018 ESPÍNDOLA, L. R.; INO, A. Diretrizes para a produção de componentes do sistema construtivo wood frame no Brasil visando a sustentabilidade. In: Congresso Luso-Brasileiro de Materiais de Construção Sustentáveis, 2014, Guimarães – Portugal.

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Referências


Reforma e Unificação em galpões industriais Mariana Garcia de Souza Orientador : Prof. Dr. Gabriel Pedrosa

1 IMAGEM- Imagens ilustrativas das propostas para as áreas de produção e administração.

O trabalho concentra-se no diagnóstico e no projeto de reforma que visa à unificação de duas empresas, Guarutemper e ZincoMetal, localizadas na região da Água Chata, Guarulhos, SP. Para entender os locais de estudo, foram feitas visitas que resultaram em uma leitura dos espaços por meio de levantamentos fotográficos, modelos eletrônicos tridimensionais e croquis esquemáticos, dando suporte à fase posterior de projeto. Na primeira etapa, foram estudadas as localizações das áreas, para entender o funcionamento da fábrica, fluxos e maquinários dos processos produtivos. Na fase de projeto, foram selecionadas as áreas mais críticas para serem trabalhadas, além de soluções que auxiliam na eficiência energética e no conforto ambiental.

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Resumo

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Figura 01 :Perspectivas ilustradas dos ambientes internos. Fonte: acervo do autor.


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Introdução O trabalho concentra-se no diagnóstico de duas empresas, Guarutemper e ZincoMetal, localizadas na região da Água Chata, - Guarulhos, que são prestadoras de serviços para a indústria metalúrgica, sendotêmpera e zincagem. Além do diagnóstico, o trabalho propõe um projeto de reforma e unificação dos galpões. Para compreender o objeto de estudo, foi realizado um diagnóstico do cotidiano e dos processos produtivos das empresas, que auxiliou na leitura dos espaços e fluxos, resultando no partido do projeto de reforma, que tem como uma de suas finalidades a unificação das áreas comuns (estoque, administração, laboratório, área dos funcionários e expedição). Devido à urgente necessidade de produzir, os galpões foram ocupados de forma rápida. Como consequência, os espaços criados evidenciam essa tentativa de se ter uma ocupação funcional para a produção, carecendo, porém, de melhorias. Partindo deste princípio, o trabalho proporá reformas no local, com base no estudo dos fluxos, entrevistas informais e percepção individual. Na primeira fase do trabalho, de diagnóstico, foram realizados levantamentos fotográficos, as áreas que compõem os galpões foram sinalizadas na volumetria 3D, relatórios com dados referentes ao funcionamento de cada maquinário foram feitos, assim como sua representação gráfica, além da compreensão dos fluxos no processo produtivo.

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Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

Além das áreas identificadas como foco da proposta, o trabalho também propôs soluções para melhorar a renovação do ar por meio do efeito chaminé e a iluminação, com o uso de Sheds na cobertura. Claraboias foram instaladas ao longo do corredor administrativo para contribuir com uma melhora na eficiência energética.

PLANTA TÉRREO- Localização das áreas trabalhadas

.

ZincoMetal

Guarutemper

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PLANTA 1 PAVIMENTO- Localização das áreas trabalhadas Produção Laboratórios Área dos funcionários Estoques ZincoMetal

Administração

Guarutemper

Mantido

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Demolido

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PLANTA TÉRREO- Atual


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PLANTA 1 PAVIMENTO- Atual

PLANTA TÉRREO- Proposta

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Proposto Mantido

Proposição

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PLANTA 1 PAVIMENTO- Proposta

MEEL, Juriaan van; MARTENS, Yuri; REE, Hermen Jan. Como planejar os espaços de escritórios: Guia prático para gestores e designers. Edição especial. São Paulo: Gg Brasil, 2014. BURGUER, Thomas. Pensando arquitetura industrial e logística: Uma forma prática de entender a teoria. 1.ed.São Paulo: J.J.Carol,2017. REBELLO, Yopanan. A concepção estrutural e a arquitetura. 10 ed. São Paulo: Zigurate, 2000. MARQUES, Fernanda Cristina. Design na Fábrica: Arranjo de posto de trabalho e armazenagem. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. LUKIANTCHUKI, Marieli Azoia; SHIMOMURA, Alessandra Prata; SILVA, Fernando Marques; CARAM, Rosana Maria. Sheds extratores e captadores de ar: Análise da influência da geometria na ventilação natural. São Paulo, ENCAC, 2015.

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Referências

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Sem escala


MORAR: Alternativas tipológicas para habitação Mariana Lira Silva Orientador : Prof. Dr. Gabriel Pedrosa

Figura 01: Perspectiva ilustrada, vista superior. Fonte: acervo do autor;

Resumo

uma lógica de coordenação modular, composto inicialmente por plantas livres, com definições estruturais e de circulação, de modo que os moradores possam ter autonomia para mudar sua habitação ao longo do tempo e, consequentemente, transformar o edifício em sua estética, forma e dimensão. O terreno se localiza na região central de São Paulo, foi escolhido e pensado devido às demandas de moradia da região, ocasionada pela oferta de emprego e mobilidade presente. O projeto de pesquisa nasce com questionamentos sobre o habitar atual, e pergunta qual seria o melhor jeito de morar? Não tem o objetivo de dar respostas, mas de lançar hipóteses que possam problematizar a forma como se pensa e projeta os espaços destinados à habitação.

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aos empreendimentos produzidos atualmente, o projeto tem como premissa ser feito dentro de

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Este trabalho tem como objetivo projetar um edifício habitacional multifamiliar em contraponto


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução No âmbito da produção imobiliária existe um ambiente dominado por edifícios padronizados, elaborados por uma lógica de redução de custos e demanda dos incorporadores. Dessa forma o mercado se coloca em um estado conservador, onde as habitações são desenvolvidas a partir da mesma planta convencional com pequenas alterações, duas ou três possibilidades pré-determinadas de transformação do espaço interno¹, em que muitas vezes não atendem a todos os perfis familiares e suas diferentes necessidades. Atualmente há uma grande demanda para apartamentos studios e de até 2 dormitórios, mas ainda existe uma parcela para apartamentos maiores. Na Região Centro/Oeste de São Paulo o percentual de unidades de até 45m² lançadas em 2017 é de 50% e metragens com 80 e 130 estão a 11%. Desde a década de 50, surgiram projetos expressivos para a adequação de diferentes perfis familiares, onde o edifício conseguia abrigar apartamentos de diferentes dimensões. Como o edifício Copan, por exemplo, projetado por Oscar Niemeyer, que distribui suas 1.160 unidades habitacionais em trinta e dois pavimentos tipo, dividindo-as em seis blocos, cada um deles comportando um tipo de moradia. A partir dessas dinâmicas, foi questionado se existiria uma forma de construção que possa atender as duas demandas, um projeto onde seu sistema construtivo racionalizasse a obra resultando num processo mais rápido e barato, e com isso atenderia as diferentes necessidades familiares. Diante desse cenário, este trabalho tem como objetivo projetar um edifício multifamiliar dentro de uma lógica de construção de baixo custo que viabilize variações nos espaços internos de uma unidade e até mesmo de todo um pavimento e que pudessem ser ocupados por seus usuários de acordo com suas necessidades. Para o desenvolvimento do projeto, foi feita uma pesquisa bibliográfica que engloba o mercado da

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construção civil e os tipos de industrialização das construções, e estudos de casos com projetos que abordam os conceitos de uma produção mais racional e eficiente, e com conceitos formais. Com esta pesquisa foram desenvolvidos diagramas procurando entender como seria a produção desse edifício “customizado”, focando num sistema modular, onde as unidades são formadas a partir de um módulo inicial de 40m² e ocupam o andar partindo de uma malha pré-definida pelo sistema do steel frame. Proposição Este projeto de pesquisa para habitação multifamiliar partiu das diferentes tipologias que poderiam surgir dentro de um sistema modular, permitindo variações nas unidades e assim trazendo uma progressão de crescimento, onde sua administração se difere do mercado imobiliário atual. O bairro da Consolação tem um caráter misto por conter diferentes tipos de ocupações e possui equipamentos de emblemáticos que atraem públicos de diferentes regiões da cidade. Situado entre Bela

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Vista e Higienópolis os perfis de renda e familiares são bem diferentes, pensar num projeto que abrigue esses diferentes perfis, influenciaram na escolha do terreno. Localizado próximo a importantes nomes como a Praça Roosevelt, o Parque Augusta, a Faculdade da PUC e a nova estação de metrô Higienópolis Mackenzie o terreno escolhido está no cruzamento da R. Caio Prado e da R. Gravataí e possui uma área equivalente a 1.561,33m². Inicialmente foram desenhados alguns diagramas a fim de entender as intenções de projeto e como as unidades ocupariam cada pavimento. A primeira definição foi o módulo de 40m², e a partir dele, com junções de dois e três módulos, são feitas as outras opções nas metragens de 80m² e 120m². A circulação vertical é centralizada e as unidades residenciais ocupam a laje a sua volta. Foram feitos alguns estudos de como seria essa ocupação e sua influência na fachada do edifício. Resultando em dois blocos de alturas diferentes que se unem pela circulação central com uma malha de cheios e vazios inspirados no jogo Jenga.

Figura 01: diagramas. Fonte: acervo do autor. Figura 02: Jogo Jenga. Fonte: https://medium.com/collect-moments--not-things/love-is-like-jengaf9686ede207a. Acesso em: 23 deSetembro. 2018

comuns que buscam as faces do edifício, trazendo uma característica única nas fachadas e permitindo ventilação e iluminação natural.

Figura 03: Diagramas e ocupação e vazios. Fonte: acervo do autor

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partindo do módulo de 40m, os outros mostram os vazios da circulação e os vazios projetados como áreas

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O segundo conjunto de diagramas foram feitos a fim de mostrar as hipóteses de ocupação dos pavimentos,


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

O térreo foi criado pensando na integração do terreno com a cidade, as calçadas foram alargadas em dois pontos e invadem o terreno se misturando com o desenho de piso, resultante da volumetria do próprio edifício, como uma forma de convite. Por estar localizado na esquina, além dos recuos principais, o edifício cede uma parte de sua área para a criação de uma praça com uma árvore de grande porte, sinalizando a entrada aos moradores. Dois ambientes são destinados para uso público, utilizados neste projeto como academia, entrada pela R. Caio Prado, e pelo café que se apropria da praça interna dando uso significativo ao espaço com entrada pela R. Gravataí. A lavanderia coletiva é um ambiente privativo destinado apenas aos moradores.

Figura 04: perspectiva ilustrada praça interna. Fonte: acervo do autor.

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As demais plantas do edifício foram feitas a partir dos diagramas de possibilidades de ocupação.

Figura 05: planta. Fonte: acervo do autor. Figura 06: planta terraço de lazer. Fonte: acervo do autor.

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Figura 07: corte BB. Fonte: acervo do autor. Referências Carmel Place/ My Micro NY. Disponível em: http://narchitects.com/work/carmel-place/. Acesso em: 14 marc. 2018. LOWELL. Nomadism, 2011 Disponível em: http://lowellintheworld.blogspot.com.br/2011/11/nomadism.html Acesso em: 10/03/2018 Márcio Minto Fabricio, Industrialização das construções: revisão e atualização de conceitos, são paulo. Junho 2013, Disponível em: https://www.revistas.usp.br/posfau/article/viewFile/80930/84572

Sistema "Pixel Facade" traz a natureza aos espaços de trabalho. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/893815/sistema-pixel-facade-traz-a-natureza-aos-espacos-de-trabalho Acesso em: 04 maio. 2018. TRAMONTANO, M. Habitações, metrópoles e modos de vida. Por uma reflexão sobre o espaço doméstico contemporâneo. 3o. Prêmio Jovens Arquitetos, categoria "Ensaio Crítico". São Paulo: Instituto dos Arquitetos do Brasil / Museu da Casa Brasileira, 1997. 210mm x 297mm. 10 p. Ilustr. Disponível em: http://www.nomads.usp.br/site/livraria/livraria.html Acessado em: 13 / 03 / 2018 TRAMONTANO, M. ; VILLA, S. . Apartamento metropolitano: evolução tipológica.. In: Seminário História da Cidade e do Urbanismo, 2000, Natal, UFRN. Anais, 2000. 210mmx297mm. 09 p. Disponível em: http://www.nomads.usp.br/site/livraria/livraria.html Acessado em: 21 / 02 / 2018

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Pixel façade, a flexible biophilic façade system for the next generation of offices. Disponível em: https://www.designboom.com/architecture/pixel-facade-biophilic-facade-system-next-generation-offices04-032018/?utm_source=designboom+daily&utm_medium=email&utm_campaign=pixel+fa%C3%A7ade%2C+ a Acesso em: 03 abril. 2018.

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One Nine apartments. Disponível em: https://www.hickory.com.au/projects/one9-apartments/. Acesso em: 04 abril. 2018.


Espaço Cultural: Corpo, dança e movimento Úlima Moreira de Souza

Resumo Equipamentos culturais têm papel importante nas diretrizes de política pública, auxiliando na redução de problemas de acesso aos bens, serviços e valores culturais, além de colaborar na atenuação do desequilíbrio da distribuição, a fim de democratizar o acesso à cultura. Ao promover ações culturais diversas, os equipamentos culturais geram fruição de seus espaços, aprendizados e práticas artísticas, além de garantir abrangência em seu público. Baseando-se nisso, a proposta do presente Trabalho de Conclusão de Curso é projetar um equipamento cultural de importância local e regional, com espaços de caráter multiuso, capaz de promover e disseminar atividades e conhecimento sobre a dança e suas vertentes para diversas faixas etárias, e que possibilite o desenvolvimento de exposições e apresentações.Como partido arquitetônico, foi pensado um complexo de três prédios interligados por uma extensa cobertura que tirasse proveito da horizontalidade do terreno escolhido, possibilitando conexões entre espaços internos e externos da edificação e utilizando de iluminação natural.

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Figura 01 : maquete do projeto. Fonte: acervo do autor

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Orientador : Prof. Dr. Nelson Urssi


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Introdução Rica em diversidade cultural, a cidade de São Paulo detém de museus, parques, bibliotecas, locais para shows e centros culturais. Entretanto a distribuição desigual desses equipamentos dificulta o acesso de toda população. Localizados, regularmente, em bairros mais abastados, a cultura é usufruída por uma parcela pequena da sociedade. A realidade encontrada nas periferias demonstra que quando equiparados ao número de moradores, os equipamentos existentes nessas regiões não são suficientes. Tendo isso em vista, o presente trabalho procura debater o cenário cultural atual, qual foi o elemento motivador para chegar a essa condição e sobre a importância de uma distribuição mais igualitária desses equipamentos na cidade. A metodologia utilizada é a de pesquisa qualitativa, embasando-se em autores como Vladimir Bartalini, Isaura Botelho, Ricardo Ohtake, Maria Arminda e Beatriz Kara-José. Como produto final, será proposto um projeto arquitetônico de equipamento cultural com enfoque na disseminação da dança, inserido em um bairro periférico da zona norte de São Paulo. A escolha do local deu-se por resultado da leitura sobre a disparidade de distribuição de equipamentos culturais pela cidade e a carência de tais em regiões periféricas, onde há um maior número populacional. A proposta final deste estudo é um projeto arquitetônico de um espaço multiuso onde a população tenha acesso, não apenas a aulas, mas ao uso do local para lazer e entretenimento, acesso a exposições e apresentações.

Figura 02 e 03 : locais de disseminação cultural em São Paulo. Fonte: google imagens

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Proposição Neste projeto, o elemento crucial foi o terreno. A partir da configuração de seu entorno e topografia, surgiram a arquitetura e sua disposição. O objetivo principal era criar um edifício que incoporasse com a paisagem existente, afim de não criar incoerência na região. Como se o mesmo estivesse presente desde sempre: um resultado natural do relevo local.

Figura 04, 05 e 06 : esquema do projeto. Fonte: acervo do autor

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Figura 07, 08 e 09 : esquema do projeto. Fonte: acervo do autor

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Figura 10 e 11 : plantas: térreo e subsolo. Fonte: acervo do autor

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Outra preocupação era possibilitar uma circulação intra-lote que fizesse a conexão entre as duas avenidas que margeiam o terreno, uma vez que a quadra onde encontra-se o projeto é extensa e não há demais passagens. A partir disso, o equipamento foi segmentado em duas edificações que convergem em um ponto central, criando desenho de um “x” e demarcando o “coração do projeto”. A subtração de espaços do desenho inicial geraram os caminhos e áreas livres, que tem como função convidar o transeunte a adentrar e conhecer mais do equipamento.


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As áreas externas, bem arborizadas, criam uma grande praça que permeia todo o complexo de prédios. A adoção de uma edificação térrea parte da iniciativa de manter o gabarito médio da região, e para que seu programa fosse comportado melhor, funções secundárias (administrativo, café, vestiários e biblioteca), foram locados no subsolo da edificação.

Figura 12 à 16 : cortes. Fonte: acervo do autor

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Por fim, como materialidade proposta, foram escolhidos madeira (para os brises, escadas, esquadrias e guarda-corpo), vidro (para os fechamentos de portas e janelas) e o concreto (estrutura).

Figura 17 à 20 : elevações. Fonte: acervo do autor

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Referências ARMINDA, Maria. Metrópole e cultura o novo modernismo paulista em meados do século . Tempo social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 9(2): 39-52, outubro 1997. Disponível em: < https://bit.ly/2A216Xd > AYRES, Andreia Ribeiro e SILVA, Luana dos Anjos. Equipamentos culturais e acesso à cultura: convergências entre a política cultural do município do rio de janeiro e o plano nacional de cultura. RBPO. Brasília - Volume 6, n°1, 2016. Pgs 25-40. Disponível em < https://bit.ly/2M2iOeO > BARTALINI, Vladimir. Paisagem e cultura em São Paulo. 049.01. Ano 05, maio 2004. Disponível em: < https://bit.ly/2LxqN6s > BOTELHO, Isaura. Os equipamentos culturais na cidade de São Paulo: um desafio para a gestão pública. Revista de Estudos regionais e urbanos. São. Paulo; Editora Annablume, n. 43-44, 2004. GESSI, Hennan. A Difusão do lazer na Cidade de São Paulo: O caso do Parque Shanghai (1937-1968). XXVIII Simpósio Nacional de História. Disponível em: <https://bit.ly/2ObenzZ > IZUMI, Livia Regina Midori. Políticas públicas para a cultura em São Paulo: Uma reflexão sobre a ocupação dos espaços públicos, os equipamentos culturais e as manifestações culturais nas ruas da cidade. 2014. 26f. Trabalho de Conclusão de Curso de Pós Graduação – CELACC/ECA-USP, São Paulo, 2014 KARA-JOSÉ, Beatriz. A associação entre Cultura e Política Urbana na produção de desigualdades socioespaciais no Centro de São Paulo. Disponível em: < https://bit.ly/2JRdM2O > NEVES, Fernando Henrique. Planejamento de equipamentos urbanos comunitários de educação: algumas reflexões. Cad. Metrop., São Paulo, v.17, n.34, pp.503-516, nov 2015. Disponível em: <https://bit.ly/2LCUn7t >

< https://bit.ly/2t6Y0vh >

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SANTOS, Fabiana Pimentel e DAVEL, Eduardo Paes Barreto. Gestão de Equipamentos Culturais e Identidade Territorial: Potencialidades e Desafios. XVII ENANPUR – São Paulo, 2017. Disponível em:

Arquitetura de Interiores, Desenho do Objeto e Cenografia

OHTAKE, Ricardo. A cultura na cidade. Disponível em: < https://bit.ly/2Luh8xK >


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Chalés Ecológicos em Ubatuba: Sustentabilidade, permacultura e bioconstrução como alternativa de projeto. Ana Beatriz Ferreira de Figueiredo

Resumo Atualmente, muitas construções são ditas “sustentáveis” ou “ecológicas”; porém muitas vezes sequer sabemos o que estes termos significam. A partir desta questão, este trabalho tem como um de seus objetivos, esclarecer brevemente as definições dos termos selecionados para o tema. O intuito principal deste trabalho é, através do conhecimento adquirido com pesquisas aprofundadas, exemplos e estudos das características urbanas e técnicas do terreno, produzir edificações ecológicas de alto desempenho, ou seja, ter um processo eficiente e não degradante ao meio ambiente, desde seus materiais até seu funcionamento diário.

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Figura 01: Render do projeto. Fonte: acervo do autor

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Orientadora: Prof. Dra. Valéria Fialho


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Introdução Um problema de pesquisa tem um percurso inusitado; nossos desvios também fazem parte do caminho. Essa introdução tem como objetivo contextualizar o percurso e apresentar o processo cheio de idas e vindas, que se tornam o projeto em si. “As pessoas podem mudar o mundo, desde que comecem por elas mesmas e por suas próprias casas.” (Marcelo Bueno, 2013) Reconhecidamente, o setor da construção civil é uma das atividades humanas que mais consome recursos naturais, responsáveis pela demanda de energia e de materiais que produzem gases de efeito estufa derivados, prejudicando o meio ambiente. Internacionalmente, há estimativas de que entre 40% e 75% dos recursos naturais existentes são consumidos por esse setor, resultando assim em uma enorme geração de resíduos. Só no Brasil, a construção gera cerca de 25% do total de resíduos da indústria. Tendo isto em vista, o intuito dessa pesquisa foi estudar práticas e soluções a partir de métodos alternativos à construção civil como a conhecemos. Foi então que, por meio de pesquisas, foram selecionados os conceitos de Sustentabilidade, Permacultura e Bioconstrução, através de conteúdos ensinados por Marcelo Bueno - Bioarquiteto, praticante da permacultura e morador de Ubatuba a muitos anos – entre outras referências. A proposta deste trabalho traz consigo a conscientização sobre o equilíbrio para com o meio ambiente - o que deveria existir em todos os projetos arquitetônicos e civis - e o incentivo para futuros projetos, demonstrando que existem inúmeras possibilidades de materiais, construção e moradia sustentáveis, como também práticas no cotidiano, e, de aplicação extremamente simples e necessária.

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Por se tratar de chalés dispostos para a locação, o projeto terá grande impacto não apenas para o município e seus moradores, mas aos hóspedes que passam pelo local e que quando voltarem à sua cidade, levam o que vivenciam e aprendem; afinal, sempre deixamos um pouco de nós e levamos um pouco do mundo conosco por onde passamos.

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Proposição O terreno de aproximadamente 700m² localizado em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, casa onde morei boa parte da vida, o que me traz conhecimento e vivência grandes do local. Cidade litorânea, Ubatuba tem superlotação em época de temporada. Água de bairros acabam, praias são sujas, há lotação em hotéis e/ou pousadas e os moradores são prejudicados pela falta de estrutura da cidade em receber um número tão grande de visitantes. Porém, o turismo é grande fonte de renda para os mesmos cidadãos. Durante a temporada temos uma grande margem de lucro, que, por muitas vezes, é o sustento de outros meses do ano para algumas famílias. Ao implantar este projeto na cidade, temos maior número de vagas de hospedagem; mas passando a não sobrecarregar a cidade; ao utilizar de sistemas de energia sustentável e renovável, o projeto passa

Espera-se que o projeto se torne referência de economia energética e reutilização de materiais e que possa ser tomado como exemplo para multiplicar tais construções na cidade. A construção existente no terreno será considerada demolida, e o material de demolição pode constituir matéria prima para fins de reciclagem; principalmente a madeira para a estrutura e o agregado para concreto ecológico, sendo assim, a obra além de seguir sustentável, também será econômica. A grande busca aqui é a harmonia e equilíbrio entre pessoas, cidade e natureza. Para isso, haverá cursos sobre ecologia, sustentabilidade, permacultura e bioconstrução no local, e a verba arrecadada será investida na manutenção do espaço.

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Figura 02: Situação do Terreno. Fonte: Google Maps.

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a ser um local sustentável, não somente para os donos, mas para todo o município.


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O logradouro é Avenida Marginal, 841, no bairro Praia da Enseada. Localizado a 200 metros da Praia da Enseada e em frente à BR101, acesso principal ao município, ao centro da cidade e aos demais bairros. Com ponto de ônibus nas duas mãos da avenida, o que possibilita o acesso de diversas formas.

Figura 03: Implantação + Térreo.

Figura 04: Implantação + 1º Pavimento.

Fonte: acervo do autor

Fonte: acervo do autor

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Legenda: Tipologia 1

Tipologia 2

Tipologia 3

Recepção

Ateliê

Mezanino Tipologia 1

Em frente ao acesso principal temos um pátio de convivência, e ao centro, um espiral de ervas, conceito de aplicação da Permacultura. Com os espirais de ervas é possível criar microclimas e plantar diferentes espécies em um mesmo terreno, se adequando a necessidade de cada uma delas. Passando pelo espiral, cria-se um acesso direto para a recepção, ou em um segundo momento, para os chalés. Na recepção temos a parte de check-in, banheiro unissex acessível e um depósito de materiais de manutenção. Subindo ao primeiro andar temos o ateliê, onde acontecerão as aulas teóricas e palestras, contendo também banheiro e depósito para materiais dos cursos. Indo aos chalés, temos três tipologias; a tipologia 1, com mezanino que explora a luz zenital para economia de energia, acolhendo em média quatro pessoas. A tipologia 2 é adaptada às pessoas com necessidades especiais (PNE), pois, já que falamos de integração e equilíbrio, temos que oferecer este tipo de acesso; Acolhe em média duas pessoas, propositalmente liberando um maior espaço de circulação. Já a tipologia 3 se encontra no primeiro andar, acima da tipologia 2; é um chalé menor, com o objetivo inicial de abrigar os donos dos chalés, podendo também ser alugado e suporta em média duas pessoas.

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Figura 05: Corte do terreno. Fonte: acervo do autor.

Todas as tipologias possuem captação da água da chuva e painéis fotovoltaicos aplicados em sua cobertura, que geram energia para os chalés por inteiro, abastecendo tomadas, lâmpadas e chuveiros elétricos. Visando diminuir o consumo de recursos naturais e a poluição, foram utilizados materiais reaproveitáveis, como concreto ecológico para as fundações, madeira de reflorestamento para a estrutura e madeira de reflorestamento e bambu para o fechamento. O projeto, então tem responsabilidade ambiental desde sua implantação, uso de materiais de demolição, até a questão econômica e de manutenção. Serve como exemplo vivo de todo o processo

GAUZIN-MULLER, Dominique, Arquitetura Ecológica, Editora Senac, São Paulo, 2011. KEELER, Mariana; BURKE, Bill, Fundamentos De Projeto De Edificações Sustentáveis, Bookman, Brasil, 2010. ALLEN, Edward, Como Os Edifícios Funcionam, Martins Fontes, São Paulo, 2011. KWOK, Alison G; GRONDZIK, Walter T, Manual De Arquitetura Ecológica, Bookman, Brasil, 2013. RICHARDSON, Phyllis, Xs Ecológico - Grandes Ideias Para Pequenos Edifícios, Editora GG, Brasil, 2007. PROMPT, Cecília, Curso de Bioconstrução, MMA , Brasília, 2008.

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Referências

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acima explicado, para atitudes responsivas e que envolvem a preservação do meio em que habitamos.


Arquitetura Comercial de Interiores Loja John John no Shopping Ibirapuera Hevelyn Vieira Palermo

Resumo O presente trabalho se refere a um projeto de loja comercial da marca John John, escolhida para ser implantada no Shopping Ibirapuera, em que o local escolhido passará por uma reforma seguindo a identidade da marca e as diretrizes que abordam a arquitetura comercial de interiores, bem como especificações e procedimentos adequados a sua execução, elaborada no manual técnico do Shopping Ibirapuera. A proposta é criar um ambiente customizado e cenográfico que explora as emoções e as sensações de seus usuários, proporcionando assim, uma ótima experiência de compra e vivência.

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Figura 01: Interior da loja. Fonte: acervo da autora

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Orientadora: Prof.ª Drª. Valéria dos Santos Fialho


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Introdução O comportamento do consumidor ao longo das décadas mudaram completamente em decorrência dos fatores socioculturais da sociedade contemporânea, que exige inovação sobre produtos e serviços que satisfaçam os seus novos desejos e necessidades de compras. O setor comercial se altera de acordo com as mudanças de comportamento do consumidor e sobre suas necessidades para atender novas demandas. Isso se deve ao avanço tecnológico sobre os meios de comunicação. As pessoas passam a receber um grande volume de informações, obtendo uma mutua influência entre seus usuários. Essa influência gera um vínculo coletivo que fortalece a ideia do grupo e o produto passa a agregar valor ao consumidor, tornando-o parte do mesmo grupo (GRANADO E MORAES, 2017, pag.2). Os comércios varejistas passam a criar estratégias que se concentram na satisfação do consumidor, investindo na abertura de lojas diferenciadas para apesentar seus produtos e/ou serviços e criar vínculos a partir de novas experiências. Diferente do modelo tradicional de loja, a loja-conceito surgiu com o intuito de criar espaços que proporcione novas experiências aos consumidores. Mais do que um ambiente de compras, é um ambiente que comunica a identidade da marca, conta a sua história, apresenta o produto com exclusividade e estimula os sentidos sensoriais de seus clientes. Na arquitetura de uma loja-conceito é importante se pensar na vitrina, layout, luz, iluminação, material, revestimento, cor, som e aroma, como forma de criar um meio influenciador de compras em um ambiente personalizado e atraente. Além disso, é importante considerar no projeto de loja, à definição do fluxo de exposição dos produtos, a fim de compreender se o projeto fará o uso de exposição igual “galeria de arte” sem a venda em si ou como promovedor de vendas dos produtos em exposições. Inclui-se também criar estímulos

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sensoriais ao sentir o sabor do chocolate ou até mesmo ter a sensação de estar em uma balada. Utilizar a tecnologia através de catálogos virtuais ou telas sensíveis ao toque. Sem contar com a proposta de espaços diferenciados com café, frigobar, área de games, sofás confortáveis e até mesmo espaço zen, como forma de ações promocionais ou lançamento de produtos no mercado. É importante considerar também que para uma loja comercial atingir o seu público alvo e se diferenciar no mercado competitivo, ela contará com o auxílio de diferentes áreas, a fim de promover ações dentro da empresa para tornar a sua marcar conhecida e alavancar as suas vendas, que são: Branding, Merchandising, Visual Merchandising, Comunicação Visual e o Marketing.

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Proposição O partido será implantado no Shopping Ibirapuera porque maior parte do público que o frequenta é da classe social A, com 36% e a B, com 55% (Mundo Plug, 2017). Isto significa que o público que o frequenta possui boas condições financeiras para investir em um produto de qualidade e também, as pessoas que vão até lá tem o intuito de comprar, pois não há áreas de lazer com parques, recreações infantis e cinemas. A implantação da loja será localizada no piso Ibirapuera, na área térrea entre dois corredores próximo a entrada e saída do shopping, sentido a Alameda Jurupis. O partido será implantado nesta área por estar localizado em uma área nobre do Shopping Ibirapuera e o projeto da loja John John pode agregar valor ao seu entorno imediato, aumentando o seu fluxo de pessoas no corredor secundário (fluxo baixo) e entre o corredor principal (fluxo médio).

Para o desenvolvido do projeto da loja, foi feito um levantamento da planta no local. O espaço tem uma área de 90.00m², com medidas de 6.4m x 1.60m de frente e 12.40m de comprimento, 7.72m de fundo e 4.70m de pé direito. Com o novo partido, a loja passará a ter uma área de 84.28m², retirando 5.72m² de frente que será compensando com um mezanino de 18.65m² de área, totalizando 102,93m² de área construída.

Proposta O conceito da marca integra o estilo industrial no ambiente, tendo a forte presença do aço cortem puro, revestida com couro nos mobiliários de mesas, armários e objetos à mostra, trazendo uma leve sofisticação e leveza devido a sua materialidade. O ambiente é escuro, com luminárias focais, iluminando lugares estratégicos dos produtos à venda. A tecnologia invade o ambiente, com um painel luminoso em led que passa vídeos clipes no mesmo momento que a música toca na loja.

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Levantamento

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Figura 02: Fluxograma e Localização. Fonte: acervo da autora


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Pensando no fluxo de pessoas que caminham pelo shopping, o acesso à loja ficou localizado entre dois fluxos (baixo e médio) em que a pessoa que caminha entre ambos os fluxos, terá a visibilidade das duas vitrines e o ambiente interno da loja. A loja terá 2 vitrines fechadas para o acesso do público, com entrada nas laterais próxima à entrada da porta, para troca a de mostruário e manutenção. O aço entrará como fechamento entre as vitrines e a loja, servindo como apoio de cenário para a vitrine 1 (lado direito), com o marco da era industrial. Na vitrine 2 (lado esquerdo), o destaque é para a composição de quadros coloridos e de diferentes tamanhos, para mostra a passagem entre a era industrial para a retro.

Figura 03: Implantação. Fonte: acervo do autora A loja terá como foco principal, o departamento de calça jeans que apresentará uma grande variedade de peças, incluindo bermudas, shorts e saias para o público feminino, masculino e infantil. Este departamento é um dos primeiros lugares que o cliente observará quando olhar para o ambiente interno,

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sendo pensado como um elemento principal de atração, com o objetivo de entreter, divertir e chamar a atenção das pessoas que caminham próximo ou passam em frente à loja.

Figura 04: Ambiente Interno. Fonte: acervo do autora

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Há três provadores idênticos (1,10x1,30), com espelhos luz de led e carpete para amenizar o gelado do chão quando o cliente estiver descalço. Na primeira porta antes de chegar aos vestiários, dará acesso à escada que leva ao mezanino. É um ambiente de estoque da loja, onde há um pequeno espaço para o refeitório dos funcionários, e no final do corredor é onde estará localizado a área de máquinas de ar condicionado.

Figura 05: Ambiente Interno. Fonte: acervo do autora

Referências

BUENO, Beatriz Piccolotto Siqueira. SÃO PAULO: um novo olhar sobre a história. A evolução do comércio de varejo e as transformações da vida urbana. São Paulo: Via das Artes, 2012.

MORAES, Bruno M. C. Granado; MORAES, Juliana B. Nogueira de. Estratégias Comerciais: Visual Merchandising Aliado a Arquitetura. Revista Científica Semana Acadêmica. Fortaleza, 2017, Nº. 000105, 24/03/2017. Disponível em:<https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/estrategias_comerciais_visual_merchandisi ng_aliado_a_arquitetura_0.pdf>. Acesso em 30 Abril 2018. MORGAN, Tony. Visual Merchandising: Vitrines e interiores comerciais. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2011. MUNDO PLUG. Disponível em: <https://www.mundoplug.com/single-post/2017/07/26/41-curiosidadessobre-o-Shopping-Ibirapuera>. Acesso em 27 Maio 2018. STRUNCK, Gilberto. Compras por impulso! Trade Marketing, merchandising e o poder da comunicação e do design no varejo. Rio de Janeiro: 2AB, 2011. SHOPPING CENTER IBIRAPUERA. Manual de Elaboração de Projetos e Execução de Obras. Departamento de Engenharia. Rev.04, Setembro 2017.

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GURGEL, Miriam. Projetando Espaços: Guia de Arquitetura de Interiores para Áreas Comerciais. Ed. Senac São Paulo, 2017.

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DEMETRESCO, Sylvia. Vitrina: Teu Nome é Sedução. São Paulo, 1990.


Habitação Unifamiliar Modular Julia Marins Garcia Orientador: Prof.ª Dr.ª Valéria Fialho

Este trabalho propõe um projeto de habitação unifamiliar modular a partir de questões levantadas em sua fundamentação, tais como a necessidade de repensar a ocupação de lotes em diversas escalas e conformações, as possibilidades da utilização de sistemas construtivos leves e pré-fabricados e da necessidade de criação de distintas configurações funcionais. O desenvolvimento do presente projeto foi baseado em estudos referenciais.

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Resumo

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Figura 01: planta em perspectiva da residência S1. Fonte: acervo do autor


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Introdução Com o constante e desordenado crescimento populacional das metrópoles, as questões e condições habitacionais do país são desiguais e muito divergentes. O Brasil tem um déficit habitacional de 7,757 milhões de moradias, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O dado é de 2015, o mais recente, e tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Este é um problema histórico no país. Há famílias morando em residências não servidas por saneamento básico (abastecimento de água e esgotamento sanitário), mais de uma família em uma única habitação, em favelas, em cortiços, em pequenos cômodos e até embaixo de pontes. A metrópole paulistana sempre teve parte de sua população vivendo em condições precárias de habitação. Atualmente, enfrenta-se problemas como a ausência de serviços de infraestrutura, de segurança do imóvel - como risco de desmoronamento, de inundação, de incêndio devido a ligações elétricas precárias, além do perigo de se contrair doenças decorrentes do acúmulo de lixo e de condições insatisfatórias de higiene. Observa-se também o acúmulo de pessoas num diminuto espaço físico, sem condições de salubridade. Devido ao crescimento das cidades, o elevado índice de desemprego, as políticas e programas habitacionais do país que não atingem a demanda necessária, muitas famílias por diversas vezes constroem suas habitações por conta própria, ou até mesmo ocupam imóveis e terrenos até então desocupados. Na grande maioria das vezes, essas construções improvisadas ocorrem de maneira e com técnicas precárias, não atendendo aos critérios básicos, essenciais e adequados de moradia e de saúde. Há notável urgência em atender as necessidades da população de baixa renda, investir em melhorias e instalar essas moradias próximas a infraestruturas da cidade, estruturar um projeto de habitação mais coerente e acessível à população de baixa renda do município. O problema de habitações no Brasil vai além da escassez de edificações para seus moradores. É necessário também que essas pessoas possam desfrutar de uma arquitetura coerente e

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adequada às necessidades de seus moradores. A ergonomia, mobilidade, flexibilidade e a estética, são pontos importantes a serem considerados nessas habitações futuras e que influenciam na qualidade das moradias. Após a análise e aprofundamento de diversos dados relacionados ao déficit habitacional e as condições de moradia em São Paulo, será apresentado neste trabalho a viabilização de projetos de habitações unifamiliares acessíveis a população de baixa renda. Além da redução dos custos e do tempo de construção, o projeto tem como partido a arquitetura modular e pré-fabricada. Com o adensamento urbano, o loteamento e as porções do território da cidade sofreram alterações. Por isso, a necessidade de um projeto que se adequasse com maior facilidade aos terrenos e suas diversas tipologias e metragens. Possibilitando assim, a flexibilidade e a variedade de soluções a fim de atender as necessidades das famílias, qualitativa e quantitativamente.

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Proposição É uma residência modular baseada no conceito de pré-fabricação e montagem, capaz de abrigar os espaços essenciais de uma construção tradicional num protótipo. Estrutura-se a partir de módulos cuidadosamente estudados, que são articulados e conferem flexibilidade, transformação e adaptação aos projetos. O método construtivo utilizado foi o steel frame. O steel frame ou light steel frame é um sistema construtivo industrializado e altamente racionalizado, formado por estruturas de perfis de aço galvanizado. Seu fechamento foi feito por placas de madeira e de drywall. Sua estrutura é composta basicamente por: fechamento externo, isolantes termo acústicos e fechamento interno. Uma das vantagens desse sistema é a limpeza do canteiro de obras, pois não há necessidade do uso de água, proporcionando uma construção seca.

e quantidade de perfis, que são produzidos industrialmente junto às conexões, e que posteriormente são encaixados e parafusados. Após a compreensão do funcionamento e da composição da estrutura, foram criados dois módulos como partidos iniciais. O primeiro, com 6 metros de largura por 3 metros de profundidade e, o segundo, com 3 metros de largura por um 1 metro e 80 centímetros de profundidade. A partir de diversos testes, a família de componentes do projeto foi sendo criada. Devido ao espaçamento modular regrado entre os montantes, as aberturas (portas e janelas) foram estrategicamente dispostas e pensadas junto ao desenvolvimento técnico do projeto. Cada componente do projeto foi desenhado para ser adaptado e ajustado aos módulos. Minimizando o trabalho no local e de acabamentos, reduzindo desperdícios, custos ambientais de transporte, tempo de execução, impacto no lugar e imprevistos na obra.

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A estrutura é previamente calculada de modo a encontrar as corretas dimensões, espaçamentos

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Figura 02: representação e composição da estrutura. Fonte: acervo do autor


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Figura 03: estrutura – espaçamento dos perfis. Fonte: acervo do autor

Figura 04: desenho das portas e janelas. Fonte: acervo do autor Com a família de componentes e módulos definidos, surgiram algumas conformações espaciais. A primeira é a residência S_1, que possui 41,4 m². Surgiu com a junção de dois módulos grandes (3x6 metros) e um pequeno (1,80x3 metros).

Figura 05: layout residência S_1. Fonte: acervo do autor

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Referências BONDUKI, Nabil, Origens da habitação social no Brasil, São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, Análise Social, 1994. Déficit de moradias no país. Disponível em <http://www.valor.com.br/brasil/5498629/deficit-de-moradiasno-pais-ja-chega-77-milhoes>. Acesso em 27/03/2018. Light Steel Frame. DA SILVA, Fernanda Benigno. Sistema construtivo a seco - Light Steel Frame. Disponível em <http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/195/sistema-construtivo-a-seco-light-steelframe-294078-1.aspx>. Acesso em 10/10/2018.

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Figura 07: perspectiva interna residência S_1. Fonte: acervo do autor

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Figura 06: estrutura residência S_1. Fonte: acervo do autor


Apartamento Vila Mascote Lays Soares Rodrigues Orientadora: Profª. Drª. Valéria Fialho

Este trabalho apresenta o projeto de layout e mobiliário de uma unidade habitacional em um condomínio vertical com qualidade, praticidade e multifuncionalidade. O conceito do projeto parte do desenvolvimento de mobiliário que permita diversas configurações de ocupação, otimizando os usos a partir da flexibilidade. A setorização dos ambientes foi pensada de modo que todos os espaços fossem conectados e pudessem assumir mais de uma função / tipo de ocupação.

Neste contexto, temos móveis projetados (e por vezes modulares) que

desempenham múltiplas funções (compondo e dividindo os espaços). A escolha dos revestimentos e dos materiais buscam a criação de espaços aconchegantes, acolhedores, coloridos, joviais e informais. Os ambientes propostos permitem a ocupação do espaço (que é reduzido) para diversas funções (sociais, de trabalho/ateliê de costura, de estar, de descanso).

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Resumo

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Figura 01 Fonte: Acervo do autor


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Introdução

O projeto se inicia com estudos e a contextualização do que é a habitação. Seu significado literal, aplicado na arquitetura, além do ato ou efeito de habitar, utilizando o auxílio dos subtítulos, a saber, habitação privada, habitação na cidade contemporânea e por fim, análise de mercado imobiliário. Após isto, é apresentada a arquitetura de interior, onde com referências arquitetônicas é possível mostrar aplicações práticas de apartamentos, mobiliário e habitações que se assemelham a proposta da obra apresentada. O Projeto é apresentado, o apartamento (dados e medições), a proposta da obra em conjunto com o desenho do mobiliário e especificações. O projeto, layout e mobiliário de uma unidade habitacional em um condomínio vertical, propõe uma habitação com qualidade, praticidade e multifuncionalidade. O conceito do projeto parte do desenvolvimento de mobiliário que permita diversas configurações de ocupação, otimizando os usos a partir da flexibilidade. A setorização dos ambientes foi pensada de modo que todos os espaços fossem conectados e pudessem assumir mais de uma função / tipo de ocupação. Nestes contextos, temos móveis projetados (e por vezes modulares) que desempenham múltiplas funções (compondo e dividindo os espaços). Por exemplo, foi projetado um módulo base em forma de cubo, que serve como estante, divisória, conector, composição. O mesmo princípio é aplicado no desenho “mesa de jantar”, que se transforma, de acordo com a necessidade em diversos tampos e/ou assentos. A escolha dos revestimentos e dos materiais buscam a criação de espaços aconchegantes, acolhedores, coloridos, joviais e informais. Os ambientes propostos permitem a ocupação do espaço (que é reduzido) para diversas funções

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(sociais, de trabalho/ateliê de costura, de estar, de descanso). O programa proposto surge a fim de mudar os layouts pré-definidos que encontramos na maioria dos apartamentos divulgados no mercado imobiliário de hoje em dia.

A unidade de 89m², inicialmente

composta por cozinha, área de serviço, 2 suítes, lavabo, sala de estar e jantar, perde as predefinições de espaços, onde foram retiradas as paredes internas de alvenaria, transformando-a numa habitação sem ambientes delimitados e com espaços fluídos.

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Figura 02 Fonte: trisul-sa.com.br

Figura 03 Fonte: Acervo do autor

Proposição

O projeto, layout e mobiliário de uma unidade habitacional em um condomínio vertical, propõe uma habitação com qualidade, praticidade e multifuncionalidade. O conceito do projeto parte do desenvolvimento de mobiliário que permita diversas configurações de ocupação, otimizando os usos a partir da flexibilidade. A setorização dos ambientes foi pensada de modo que todos os espaços fossem conectados e pudessem assumir mais de uma função / tipo de ocupação. Nestes contextos, temos móveis projetados (e por vezes modulares) que desempenham múltiplas funções (compondo e dividindo os espaços). Por exemplo, foi projetado um módulo base em forma de cubo, que serve como estante, divisória, conector, composição. O mesmo princípio é aplicado no desenho “mesa de jantar”, que se transforma, de acordo com a necessidade em diversos tampos e/ou assentos.

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Os ambientes propostos permitem a ocupação do espaço (que é reduzido) para diversas funções (sociais, de trabalho/ateliê de costura, de estar, de descanso).

Tecnologia Aplicada ao Projeto de Arquitetura e Urbanismo

A escolha dos revestimentos e dos materiais buscam a criação de espaços aconchegantes, acolhedores, coloridos, joviais e informais.


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Figura 04 Fonte: Acervo do autor

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Figura 05 Fonte: Acervo do autor

Figura 06 Fonte: Acervo do autor

Figura 07 Fonte: Acervo do autor autor

Figura 08 Fonte: Acervo do

Figura 09 Fonte: Acervo do autor

Figura 10 Fonte: Acervo do autor

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Figura 11 Fonte: Acervo do autor

Figura 12 Fonte: Acervo do autor

Figura 13 Fonte: Acervo do autor

Figura 14 Fonte: Acervo do autor

Referências HEIDEGGER, Martin, Entre a Terra e o Céu: a questão do habitar em Heidegger, Departamento de Filosofia da PUC-Rio, 2011.

ÁBALOS, Iñaki “A boa vida” – 2003 RENATO, Ferreira Franco. O espaço de habitação e sua importância para a produção de subjetividade (Psicologia em revista. vol.18 no.3 Belo Horizonte dez. 2012) FIGUEIREDO, L. C. F. (1995). Foucault e Heidegger: a ética e as formas históricas do habitar (e do não habitar). Revista de Sociologia da USP. BOLLNOW, O. F. (2008). O homem e o espaço. Curitiba: Editora UFPR HEIDEGGER, Martin. (2011). Ser e tempo.

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HEIDEGGER, Martin. (1951). Construir, habitar, pensar.

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TOUSSAINT, Michel, Conceitos de Habitar em Arquitetura.


Residência Unifamiliar em Mairiporã Habitar Lucas Silva Prata Orientadora: Profª. Drª. Valéria Fialho

Figura 01 : Vista lateral direita. Fonte: acervo do autor

unifamiliar em Mairiporã, cidade interiorana da cidade de São Paulo onde há uma massa considerável de pessoas adquirindo lotes afastados da metrópole com o objetivo de morar em lugares com mata preservada, buscando segurança e um lugar mais prazeroso para habitar. Em um condomínio de classe média alta, a partir de estudos de caso para método construtivo, obteu-se como resultado uma construção com estrutura pré-fabricada de madeira, deixando de lado os métodos construtivos convencionais escolhidos por demais proprietários vizinhos. A discussão abordada neste trabalhou teve como resultado um desenho arquitetônico de moradia para um casal com dois filhos, afim de que tenham em sua residência hábitos comuns a pessoas que vivem na grande metrópole, mas também com novos hábitos como o de contemplação da natureza que envolve o condomínio, ter novas sensações ao estarem em convívio com o meio natural além de vivenciarem a materialidade da obra com materiais como madeira, lajes com jardins, cheios e vazios.

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Este trabalho teve como objetivo a concepção de um projeto arquitetônico para uma residência

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Resumo


BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Introdução A arquitetura para habitação, seja para edifícios de grande porte ou residências unifamiliares tem sido explorada em grandes cidades, em sua maioria como projetos compactados, mas que servem como habitação tendo em si um desenho com uma busca cada vez maior pela funcionalidade, do que um lugar para estar e permanecer. Em uma cidade como São Paulo, o crescimento de grandes edifícios residenciais tem aumentado principalmente por conta de ser uma cidade que nunca para de crescer e com seus espaços de terra em grande parte já construídos e ocupados, a solução encontrada, é a de verticalização, diminuindo o número de lotes únicos para moradia e podendo comportar em um único lote inúmeras moradias, adensando cada vez mais os espaços da cidade, porém, o cotidiano de uma cidade como São Paulo tem trazido insatisfação no modo de viver para algumas pessoas que buscam ter momentos de lazer mais prolongados, ou de simplesmente chegarem em suas residências após um dia conturbado de trabalho e ouvirem o som dos carros durante a noite ou de qualquer outro movimento maior de eventos espalhados pela cidade. A partir deste pressuposto, buscou-se então uma proposição para a concepção de um projeto arquitetônico residencial em uma região afastada da cidade de São Paulo onde há investimentos em loteamentos que são criados em meio a grandes áreas verdes, que proporcionam um estilo de vida diferenciado de uma metrópole, buscando também o método construtivo de estruturas pré-fabricadas, modelos de construção não convencionais que trazem menos desperdício de materiais, e rapidez em sua execução. “Chegará um dia – quiça muito breve – em que se reconhecerá o que falta a nossas grandes cidades: lugares silenciosos, vastos e espaçosos, para a meditação. Lugares com largas galerias cobertas para os dias de chuva e de sol, aos quais não atingira o ruído dos carros nem o pregão dos mercadores, e onde uma etiqueta mais sutil proibira até ao sacerdote de orar em voz alta, edifícios e construções que, em seu conjunto, expressarão o que há de sublime na meditação e no isolamento do mundo. ”

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Nietzsche, Frederick Nietzsche, 1882, em Gaia Ciência. Como objeto de estudo para o projeto arquitetônico de uma residência unifamiliar, o terreno escolhido para implantação encontra-se na cidade de Mairiporã em uma área de novos empreendimentos, loteamentos que visam um estilo de vida diferente do que se encontra nas grandes cidades brasileiras e também em pequenas cidades que estão em desenvolvimento como a cidade de Mairipoã. Em uma cidade com menos de 100 mil habitantes ali encontrou-se uma alternativa para pessoas que buscam outras formas de viver além das dispostas nos dias de hoje, dentro das grandes cidades. O local onde se instaurou o loteamento, era uma antiga fazenda que foi comprada e loteada. Dispondo de uma boa vegetação e com uma topografia acidentada e vistas a se valorizar, decidiu-se então como lote para concepção deste projeto, o lote N 20, que está localizado na cota 890, tendo seu ponto mais baixo na cota 877.

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Trabalhos de Conclusão de Curso | 2018_2

Figura 02 : Implantação. Fonte: acervo do autor Ao analisar o terreno foi decidido que sua topografia seria pouco afetada para implantação da residência tendo-a como próprio partido projetual, um projeto que se insere no terreno procurando utilizar o mínimo de pontos de apoio para evitar interferências no solo húmido e tendo também como princípios não ser uma barreira na paisagem, mas sim fazer parte dela e absorver dela as suas mais belas vistas. A partir dos estudos de caso já apresentados neste trabalho, foi colocado como prioridade a busca por métodos construtivos não convencionais como alvenaria, estruturas totalmente metálicas ou alvenaria, mas, sim trabalhar com peças pré-fabricadas. A partir destes estudos optou-se por estruturas préfabricadas em madeira, utilizando para fechamentos caixilhos em madeira e estrutura para paredes em steel frame. Proposição

tomando partido do perfil natural do terreno, obedecendo aos recuos exigidos pelo condomínio. Alguns fatores nortearam a concepção do projeto: o método construtivo que deveria se destacar diante do convencional explorado por grande parte dos condôminos, estabelecer relação direta com a natureza, Iluminação natural, transparência, ventilação e contemplação. Uma grelha estrutural em madeira, com módulos de 4,5x4,5x3m é inserida em um corte no terreno, engastada em um muro de arrimo e com seus demais apoios de concreto direto no solo, utilizados para suspender a residência por conta da umidade do local e possibilitando o mínimo de interferência no solo. Na cota 890 do terreno pensou-se em um platô de chegada como área de parada para carros e de manobra.

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terrenos que interferem na implantação da residência. A implantação foi resolvida de maneira simples

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A primeira questão analisada foi o entorno do terreno, que além das áreas verdes, faz divisa com dois


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Figura 03: Vista Frontal. Fonte: acervo do autor A cota 890 é composta por um platô que faz a ligação com uma cota mais baixa onde a residência começa a surgir a partir do muro de arrimo, no primeiro pavimento há uma volumetria menor que serve como casa de máquinas, jardim e garagem coberta seguida pelo hall de entrada. Do lado direito da residência está o bloco de circulação, uma parte da grelha composta por fechamentos de vidro e de brises que auxiliam no equilíbrio da temperatura, diminuindo o efeito da luz solar e trazendo também

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ventilação.

Figura 04. Fonte: acervo do autor No segundo pavimento, na cota 886, está distribuído na grelha a maior parte do programa composta por cozinha, área de serviço, sala de jantar e sala de TV que se conectam a uma varanda que serve como mirante sendo também uma área com espelho d’agua dividido em 2 partes, uma a -0,10cm abaixo do nível do piso e outra a -40cm com espreguiçadeiras que estão espalhadas nesta parte externa do pavimento que também dispõem de um jardim do lado direito da residência. Em seu último pavimento, na cota 883, estão as áreas íntimas, com os 3 quartos, sendo 1 suíte, 2 quartos para filhos e hóspedes, um deck que serve a todos os quartos, área de leitura e mirante.

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Figura 05. Fonte: acervo do autor A grelha é composta por módulos ocupados por ambientes fechados, ou totalmente vazados, permitindo que a iluminação e ventilação natural do local tragam uma harmonia térmica para residência além de proporcionar em alguns vazios o contato direto e também apenas visual com os jardins inferiores e externos. O paisagismo da residência procura enriquecer as vistas de quem está na residência e também fazer parte da inserção da obra na paisagem, trazendo mais proximidade também com a

Referências ÁBALOS, Inãki. Aboa vida, Visita guiada às casas da modernidade, Barcelona, Gustavo Gili, 2001. ARCHDAILY, escritório de arquitetura FGMF, Casa Grelha. Disponível https://www.archdaily.com.br/br/01-18458/casa-grelha-fgmf. Acesso em: 14 de outubro. VITRUVIUS, escritório de arquitetura FGMF, Casa Grelha. Disponível em: http://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/08.092/2918. Acesso em: 07 de outubro.

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Figura 06. Fonte: acervo do autor

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natureza além de seus benefícios naturais.


Esta revista foi produzida em dezembro de 2018 pelo ARQLAB, com as famĂ­lias tipogrĂĄficas Arial, Cambria e Futura.


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