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os

EDIÇÃO EXTRA - SALÃO DE ARTE 2013 - SÃO PAULO

INFORMATIVO DOS ANTIQUÁRIOS, LEILOEIROS, GALERISTAS E COLECIONADORES www.areliquia.com.br / jornalareliquia.blogspot.com / facebook.com “A Relíquia” / twitter.com/areliquia ANO XV - Nº 194 - RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, AGOSTO DE 2013 - DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

20 anos do Salão

Um dos maiores eventos de arte da América Latina e o mais tradicional do Brasil, o Salão de Arte de São Paulo comemora este ano sua 20ª edição. Apresentando um mix de arte composto por obras modernas e contemporâneas, com galerias, joalherias e antiquários, o Salão ilustra com louvor a trajetória do mercado de arte nos últimos vinte anos. Nesta edição A Relíquia conta uma parte dessa história. Páginas 12, 13, 14, 24, 25, 36, 37 e 44.

Pablo Picasso e Suas Mulheres Mostra Casa Real

Os artistas do Barroco Mineiro

Páginas 42 e 43.

Página 62

Parecia impossível a Picasso ser fiel a uma mulher... Muitas ele amou, e todas foram retratadas nas suas telas. Páginas 58 e 59. Dora Maar

FERNANDO BRAGA

Affonso Romano de Sant’ Anna Página 73

O Museu do Urinol Páginas 64 e 65

Leiloeiro Público


A RELÍQUIA

Agosto de 2013

COMPRO OBRAS DE:

LEOPOLDO GOTUZZO ÂNGELO GUIDO LIBINDO FERRÁS PEDRO WEINGARTNER ADO MALAGOLI AUGUSTO LUIZ DE FREITAS FRANCISCO STOCKINGER

DISCAR (51) 3330.4763 8421.9306 e-mail: karam@saladearte.com.br Rua Cel. Bordini, 907 - Moinhos de Vento CEP 90440-001 - Porto Alegre/RS

A RELÍQUIA Circulação Nacional Publicação mensal da Sabor do Saber Editora FUNDADORES

Litiere C. Oliveira Luiz Carlos Marinho EDITOR

Litiere C. Oliveira

- Reg.Prof. MTb 15109

e-mail: litiere@areliquia.com.br RIO DE JANEIRO Publicidade: Rua Siquira Campos, 143 - Sl 73 - Copacabana - RJ Tel.: 21 2265-9945 Redação / Arquivo / Distribuição Rua Esteves Júnior 9, casa 01 Laranjeiras - CEP 22231.160 - Rio de Janeiro Tel.: 21 2265-0188 / Tel / Fax: 2265-9945 Cel.: 9613-2737 / 8899-0188 e-mail: jornalareliquia@gmail.com SÃO PAULO Representante: Juliano Alves Tel: (11) 5666-6240 / 995981145 / 97389-3445 e-mail: areliquiasp@gmail.com PORTO ALEGRE Representante: Elisa Moog Tel: 51 2112-8038 / 9955-9962 DIAGRAMAÇÃO Felipe A. Oliveira CONSELHO EDITORIAL Itamar Musse, Fernando Braga, Luis Octávio Louro Gomes, Manuel Machado, Paulo Roberto S. Silva e Francisco P. Cunha, Ricardo Kimaid, Roberto Haddad, Rudinel Vicente do Couto, Hebert Gomes, Pedro Arruda e Virgínia Arruda COLABORADORES João Ubaldo Ribeiro ( ABL), Ferreira Gullar, Ledo Ivo (ABL), Paulo Coelho (ABL), Antônio C. Austregésilo de Athayde, Rosângela de Araujo Ainbinder, Ana Beatriz Gomes, Tatiana Maria Dourado, Rachel Brenner, Luiz Marinho, Paulo Scherer Tiragem desta edição: 15.000 exemplares Os conceitos e opiniões emitidas em colunas e matérias assinadas, são de responsabilidade única e exclusiva de seus autores.

RICARDO KIMAID

Bons Ventos Três eventos inseridos no contexto da Jornada Mundial da Juventude, já noticiados por esse jornal, mereceram a atenção de grande parte dos fiéis devotos da Igreja Cristã. Parte do acervo do Vaticano e dos Museus da Itália proporcionou ao público conhecer de perto obras dos grandes mestres do período Renascentista, que nunca haviam se ausentado daquele país. Ticiano, Tintoretto, Michelangelo, Da Vinci, Rafael, entre outros, estão muito bem representados por seus trabalhos em exposições abertas ao público no MNBA do Rio de Janeiro e CCBB de São Paulo. São verdadeiras relíquias que nos remetem a uma época rica em transições culturais. Vale a pena visitar e ver ao vivo e a cores essas obras. Vou me estender um pouco mais a outro evento, que também fez parte da abertura da programação da JMJ, e está ligado à nossa história, de época não tão longínqua. Trata-se de uma mostra das obras do artista plástico Dimitri Ismailovitch, de origem Russa, que após percorrer países como a Grécia, Turquia, Istambul, EUA e Inglaterra, escolheu finalmente o Rio de Janeiro para se fixar, onde viveu até o fim de seus tempos, em 1976. Em razão da desassistência do mercado de arte e da mídia em torno de sua obra, tornou-se um tanto desconhecido pelas novas gerações, e creio até que muitos profissionais do mercado o desconheçam por completo. O Museu Villa-Lobos, abriu uma exposição com seus trabalhos, cujo tema é dedicado ao nosso grande mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. As obras que imortalizaram nosso mestre da arte barroca, e se tornaram Patrimônio da Humanidade, serviram de inspiração para que Ismailovitch dedicasse um trecho do seu acervo artístico, ao realizar trabalhos reproduzindo os traços caligráficos das esculturas do mestre em suas pinturas. Entre telas e desenhos expostos, destaca-se "A Ceia Brasileira de Dimitri Ismailovitch", uma perfeita reedição dos personagens de Aleijadinho configurados nas figuras de Cristo e seus Apóstolos. Magnífico trabalho! Para enriquecer mais ainda o evento, na noite do Vernissage os convidados ainda foram brindados com um recital de Wagner Tiso ao piano, alinhavado pelo som do violoncelo executado por Márcio Mallard, em instrumento que pertenceu a Villa-Lobos. O ápice do concerto deu-se quando ambos os músicos executaram os esperados Trenzinho Caipira e As Bachianas, com arranjos de Tiso. Também é digna de nota a presença da cantora Jane Duboc na leitura de um texto de autoria de Carlos Drummond de Andrade homenageando Ismailovitch. Parabenizo o curador do evento, Eduardo Mendes Cavalcanti, pela noite agradável e rica culturalmente. Sabem, às vezes fico me indagando: como se comportariam as novas gerações diante de eventos dessa natureza? Pessoas que estão ficando tão distantes de gerações tão recentes, como a nossa, que nos fazem parecer jurássicos quando comparadas. Como é que essas pessoas veem e interpretam, por

exemplo, uma Pietá, de Michelangelo; quem foi Pietá, quem foi Michelangelo para eles? Devem achar "maneira", "legal", ou quem sabe, "careta". Por não terem recebido esse legado cultural, certamente não desenvolveram a sensibilidade, a sutileza e o refinado gosto para avaliar tudo que estiver fora dos seus dias atuais. A mercantilização das artes plásticas enclausurou numa caixinha de fósforo tudo que precedeu a atual contemporaneidade. Arte é puro business, e desprovida do mínimo essencial que defina a sua origem e significado. Certa feita, um cidadão bilionário, cujo histórico é sobejamente familiar aos veículos de comunicação, em uma das tantas entrevistas concedidas a imprensa, confessou não ver nenhuma diferença entre uma imagem de uma folhinha e uma obra de arte. Triste realidade! O dinheiro sobrepuja tudo; a cultura, a poesia, o romantismo, o sentimento humano, o ser. Isso se aplica não só nas artes plásticas, mas também na música, no teatro, no cinema e na literatura; essa última ainda se resguardando um pouco de sua influência. Os "Mecenas" saíram de cena, e, em seu lugar, surgiram os "Mercenários" que sobrepuseram os valores patrimoniais acima dos valores intrínsecos das artes propriamente dita. Quiçá esses eventos acima mencionados façam renascer em todos os que compartilham do mercado de arte, estimulem atitudes que incitem as novas gerações a conhecerem a outra face da moeda, e ingressar num mundo fascinante, hoje ocultado pelo desconhecimento. Deixo aqui um convite a todos, para que não percam a grande oportunidade de visitar essas mostras, e para os mais novos, não deixem de, após assisti-los, pesquisar e estudá-los; verão, com isso, o quanto de novas possibilidades surgirão para seu enriquecimento cultural. Ricardo Kimaid rkimaid@uol.com.br www.rembrandt.com.br tel. 21 2273-3398


A RELÍQUIA

Agosto de 2013

20 anos do Salão

Considerado um dos maiores eventos de arte da América Latina, o Salão de Arte de São Paulo comemora este ano sua 20ª edição e se firma como o evento de arte mais tradicional do país. Apresentando um mix de arte composto por obras modernas e contemporâneas, com galerias, joalherias e antiquários, o Salão, também por sua credibilidade e profissionalismo, ilustra com louvor a trajetória do mercado de arte nos últimos vinte anos. A seguir, A Relíquia conta uma parte dessa bela história, ilustrando a matéria com fotos de peças dos salões anteriores.

A

edição inaugural do mais tradicional salão de arte do Brasil ocorreu em 1993, no Jockey Club de São Paulo. Ao tratar o mercado de arte como importante fator na preservação do patrimônio cultural, o Salão de Arte e Antiguidades, como foi nomeado inicialmente, desde suas origens, atribuiu aos bens culturais um papel de destaque e obteve o dinamismo necessário para sustentar sua própria existência. Nas edições seguintes, estabeleceu um intercâmbio entre antiquários do Mercosul e adquiriu abrangência nacional e internacional, também com galerias de arte entre os expositores. O II Salão foi montado em uma magnífica residência da Rua Venezuela, no elegante bairro dos Jardins, cedida por Ivani e Jorge Yunes (este, conhecido colecionador e amante das artes). Antes da mudança definitiva de sua sede para o Salão Marc Chagal, no Clube A Hebraica, em São Paulo, o evento ainda foi realizado no Clube Paineiras. Durante esses primeiros anos o Salão consolidou-se como um espaço para realização de grandes negócios envolvendo obras de arte, e sua fundadora, Ariane Elkins Juliani, passou a ter a companhia de Vera Chaccur Chadad na organização do evento. Em 1998, já sediado no Clube A Hebraica, a 5ª edição do Salão de Arte e Antiguidades inaugurou o segmento de mostras especiais com "Brasil Imperial". O público do Salão, que crescia a cada ano, já se habituava a apreciar obras de artistas consagrados como Aleijadinho, Marc Chagall, Di Cavalcanti, Franz Post, Portinari, Renoir, Valentin, entre outros, além de mobiliário de época e preciosos objetos de arte. Nessa época, joalherias passaram a fazer parte do evento.

Inaugurando uma nova década O Salão começou a década de 2000 (7ª edição) com diversos eventos paralelos e 75 expositores mostrando - e também vendendo - o melhor da arte antiga, moderna e contemporânea, antiguidades e joias da mais alta qualidade, com profissionais da Bahia, de Brasília, de Minas Gerais, do Paraná, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de São Paulo, além de convidados especiais. Em sua maioria, o Salão apresentou peças inéditas. Tratou-se de um acontecimento ca-

Fragmento da altar, D. José, com rica policromia e douração Talha portuguesa, séc. XVIII. Barão de Ijuhy. 2.24 x 2.04m (Stand Fernando Motta) Guignard, Alberto da Veiga (1896-1962). Vaso de Flores com Girassóis, ost. 101 x 81cm - Salão de 2000

talisador de expectativas e propostas do setor. Nessa 7ª edição, o número de galerias participantes aumentou para 29, confirmando uma tendência que vinha tomando forma nas últimas edições. A Livraria Cultura também participou da feira com um estande de livros de arte e, para relaxar, os visitantes encontraram abrigo nas mesas do The Place, do Coffe Shop, do Bar à Vin, da Boulangerie e do Pain de France. A 8ª edição (2001) apresentou 90 expositores, entre antiquários, galerias e joalherias. A ambientação e cenografia proporcionaram um show à parte. Nessa edição foi inaugurada a Sala Audemars Piguet , uma exposição que contou a história dos famosos e conceituados relógios dessa marca, desde sua criação até os dias de hoje. A mostra dessa Sala já tinha percorrido vários países, sempre a convite de museus, e chegou ao Brasil através do Salão. >>>

Mestre Valentin, séc. XVIII Madeira policromada, 137 x 150cm (Steiner Galeria de Arte - 2001)


A RELÍQUIA Nessa mesma edição, uma outra Sala especial apresentou obras do jovem pintor e escultor espanhol Juan Diego Miguel, considerado um vanguardista pela utilização de diferentes materiais. Seus trabalhos fizeram sucesso na Europa e EUA. Cerca de 20 mil visitantes, entre brasileiros e estrangeiros, passaram pelo Salão, uma exposição também inédita no país. O IX Salão de Arte e Antiguidades, realizado entre os dias 17 e 25 de agosto de 2002, recebeu 85 expositores, de oito estados brasileiros, que ocuparam 115 estandes no Clube A Hebraica. Milhares de pessoas vindas de várias partes do Brasil e do exterior visitaram a mostra. Sempre organizado por Ariane Elkins Juliani e Vera Chaccur Chadad, o IX Salão trouxe um acervo de raras e importantes obras de arte moderna e contemporânea, além das mais recentes criações de design em joias. As Salas Especiais, dedicadas a segmentos específicos, combinaram a produção artística brasileira com as de convidados especiais da Europa. "Garimpo Brasil", com curadoria de Maria Alice Milliet, resgatou as raízes do país da arte antiga à moderna. "O Salão é movido por um empenho geral em resgatar e descobrir, que se renova e se fortalece a cada edição. E o resultado, como não poderia deixar de ser, é uma mostra harmoniosa de qualidade, memória e identidade", analisou a organizadora Ariane Elkins Juliani. A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) foi a entidade beneficiada pelo IX Salão, e recebeu integralmente a renda arrecada na bilheteria durante os nove dias do evento. "Estamos pelo segundo ano consecutivo em parceria com a AACD, por se tratar de uma instituição que desenvolve um importante trabalho de reabilitação e reintegração social", afirmou Vera Chaccur Chadad.

Agosto de 2013

Cândido Portinari "Baiana". ost - 1954 61 x 50cm - (Stand Ralph Camargo - 2000)

Di Cavalcanti, 1956 - Mulata ost, 98 x 63cm - (Stand Manoel Canton)

10 anos do Salão Comemorando uma década e reunindo a essência do antiquariato e da arte moderna e contemporânea, a 10ª edição do Salão de Arte e Antiguidades aconteceu entre os dias 17 e 24 de agosto de 2003, no Salão Marc Chagal do Clube A Hebraica, em São Paulo. Já consolidado no mercado como referencial do setor em toda a América Latina, o evento apresentou 90 expositores do Brasil e convidados internacionais, entre antiquários, galerias de arte e designers de joias. A s organizadoras do salão garantiam que, no X Salão, "um passeio pelos seus corredores - a área total era de 3,5 mil m2 - proporcionava uma viagem instantânea a diversas épocas, escolas e estilos, seja no mobiliário, nos objetos raros vindos de todos os cantos do planeta ou nas telas de artistas consagrados". Com o apoio cultural da Secretaria de Estado e Cultura, da Secretaria Municipal da Cultura e do jornal "O Estado de São Paulo", o Salão reverteu novamente toda a renda (inclusive a da bilheteria), de forma integral, para a AACD, a exemplo da edição passada. Em 2003, o Salão de Arte e Antiguidades teve como antiquário convidado o senhor Luis Alegria, de Portugal, e as galerias: James Goodman e Lang Fine Art, de New York (EUA); Maman, Moscatelli e Roberto Andrada , de Buenos Aires (ARG); e Galeria Sur, de Montevidéu (URY). Como sempre aconte-

Tarsila do Amaral - "Paisagem com três casas e montanhas" - osm, 25 x 20cm 1972. (Sérgio Caribé)

Anel em ouro 18 com brilhantes. (Dvoskin & cauduro - 2000)

ce, foram criadas várias salas especiais, entre elas uma que mostrou a Arte Mineira. Outra atração foi o restaurante do X Salão, transformado em um autêntico engenho de cana-de-açúcar do século XVIII.

leilões de livros, documentos e moedas raras. O Clube A Hebraica recebeu mais uma vez antiquários, galeristas e joalheiros do Brasil e do exterior. Nessa edição ficaram marcadas na memória : a mostra inédita Expoentes da Arte Popular Brasileira, com curadoria de Paulo Vasconcelos; a Sala Especial China Milenar - Brasil Hoje, com curadoria de Pedro Hiller; e a Sala Especial Clube Casa Vogue, criada por Sig Bergamin.

Elegância e sofisticação Com algumas modificações importantes em relação à última edição, o XI Salão de Arte e Antiguidades de São Paulo (2004) foi marcado pela elegância, sofisticação e sucesso de vendas. Suas organizadoras mostraram competência mais uma vez, realizando um grande evento, com salas de arte, palestras e

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A RELÍQUIA

Agosto de 2013 Continuação da página anterior Nessa mesma edição, imponentes coleções da China Milenar e da Arte Popular brasileira conviveram harmoniosamente nas Salas Especiais. Para contribuir nas comemorações dos 450 anos de São Paulo, o Salão reuniu também uma coleção de telas produzidas a partir de fotos (tiradas nas décadas de 1940 e 1950) do lendário fotógrafo Militão Azevedo." Vale ainda lembrar a homenagem prestada à artista plástica Amélia Toledo, por seus 50 anos de trajetória. Entre os expositores internacionais convidados estiveram presentes Luis Alegria e pessoas do Palácio do Correio Velho, ambos de Portugal, e a Galeria Sur, de Montevidéu, no Uruguai. Uma atração à parte foram os leilões de livros raros e papéis antigos da La Mansarde Casa de Cultura e da Fólio Livraria Antiquária, que levaram ao público obras e objetos capazes de agradar ao mais exigente dos colecionadores. O já tradicional Salão de Arte e Antiguidades teve a sua 12ª edição em 2005, no Clube A Hebraica, entre os dias 13 e 21 de agosto. Na apresentação do catálogo oficial do salão, o diretor da Pinacoteca do Estado, Marcelo Mattos Araújo, destacou que "A realização do Salão, em cada uma de suas edições, significa, para a cidade de São Paulo, e para todo nosso país, um grande momento de vida cultural. Para mim, como diretor da Pinacoteca do Estado, neste ano em que o mais antigo museu de arte da cidade comemora o seu primeiro centenário de atividade, é um grande privilégio poder saudar esta iniciativa em sua décima segunda edição, que confirma assim seu pleno êxito e sucesso." E concluiu

KOVSH, em Prata russa - Michael Tarasov, 1908-1917 - Moscow - Comp. 48 cm. Alt. 41 cm. (Stand Manuel Guimarães)

Araújo: "Experiência inesquecível de prazer, o Salão de Arte e Antiguidades se transformou em um verdadeiro ponto de encontro de toda a comunidade artística, proporcionando um diálogo extremamente oportuno e necessário entre experts e interessados, cumprindo um papel formador e social da mais alta relevância." Ressalte-se, ainda, que o XII Salão homenageou dois colecionadores importantes dentro do cenário nacional: Domingos Giobbi, importante conhecedor de arte brasileira, e Ricardo Brennand, que criou em Pernambuco o Instituto Brennand, tornando acessível ao público as sig-

COMPRO pinturas e desenhos de

KARL PLATNER LEO PUTZ e dos artistas paranaenses

Leilão de Agosto de 2013 Presencial e on-line

Porcelanas, pratarias, imagens, marfins, quadros, lustres, móveis, bronzes, tapetes, relógios, opalinas, faqueiros, aparelhos de jantar, toalhas de mesa, etc

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Leilão Residencial em Ipanema Exposição: 17 e 18 de agosto de 2013 das 15 às 22h Leilão: 19 e 20 de agosto de 2013 às 20h

Alfredo Andersen Arthur Nisio Theodoro de Bona Miguel Bakun Guido Viaro

Leilão na Galeria Exposição: 30 e 31 de agosto de 2013 das 15h às 22h Leilão: 2 e 3 de setembro de 2013 a partir das 20h Local: Rua Pinheiro Machado, 25 loja B e C,

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Tel: (21) 2553-0791 e 9974-4409 Pagamos aos proprietários uma semana após o leilão

nificativas peças de sua coleção. No total, foram 115 estandes ocupados por 80 expositores, além de três Salas Especiais com exposições temáticas: Berlim, Berlim - exposição inédita que enfocou a produção contemporânea de três artistas da vanguarda alemã: Jean Yves Klein, Dieter Finke e Reinhard Stangl; Museu Afro-Brasil - o curador Emanoel Araújo faz um recorte da arte africana em suas diferentes manifestações, com direção de arte de Paulo Vasconcellos; Bandeira / Vieira da Silva - a Pinakotheke Cultural reuniu pinturas, desenhos e gravuras do brasileiro Antonio Bandeira e da portuguesa radicada na França, Maria Helena Vieira da Silva. Eventos Paralelos - O gemólogo André Carvalho Leite, perito credenciado pela Alfândega e pelo Aeroporto Internacional Santos Dumont (RJ), fez palestra com o tema "As principais gemas do Mundo". Albert Shayo - expert internacional em Art Deco - lançou e autografa seu novo livro "Ferdinand Preiss. Art Deco Sculptor - The Fire and the Flame" - sobre a trajetória do escultor alemão. Dois leilões complementam a programação. A renda de sua bilheteria foi revertida integralmente à Associação Pró-Hope - Apoio a Criança com Câncer.

Mudança de nome As mudanças para 2006 começaram pelo próprio nome do evento, que suprime o termo "Antiguidades". "Mais do que uma nova denominação, a decisão reflete um novo conceito. "Ecletismo e contemporaneidade foram palavraschave de nossa linha de trabalho. Foi uma forma de nos adequarmos à atualidade e ao mercado, atraindo também um público mais jovem", afirmou a organizadora Vera Chadad. Acreditase que cerca de 18 mil pessoas passaram pelo local nos dias do evento, superando as 15 mil do ano passado. Para atingir este objetivo, a estrutura do Salão também contou com inovações. Nos moldes das grandes feiras internacionais de arte, foi constituída uma equipe de consultores. A Sala Especial "Novas Apostas", a equipe de consultores e visitas monitoradas foram as novidades no evento. Itens a serem observados não faltaram. Entre as peças expostas, telas de nomes representativos da produção nacional, como Cândido Portinari, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Wesley Duke Lee, Djanira, Lasar Segall, Aldo Bonadei e José Pancetti; esculturas do mestre romeno D.H. Chiparus; porcelana Cia. das Índias; mobiliário brasileiro e europeu a partir do século XVII; a arte cinética de Abraham Palatnik; edições raras de obras de Miguel de Cervantes e Cecília Meirelles; e até uma tela que reproduz o quarto do pintor Vincent Van Gogh utilizando mais de 5,4 mil brilhantes.


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Agosto de 2013

Quatorze obras de artistas contemporâneos brasileiros e esculturas de Artur Lescher, pertencentes a uma das mais completas e importantes coleções particulares do país, compõem a Sala Especial "Novas Apostas". A presença do consagrado Nelson Leirner - além de Jorge Guinle, Dudi Maia Rosa, Daniel Senise e Emanuel Nassar, entre outros - decifra a proposital ousadia do título da Sala, que contempla uma indicação do próprio colecionador em apresentar esta que é a parte menos vista de seu acervo.

Sucesso de vendas Foi um sucesso total o Salão de Arte 2007, em sua 14° edição. Grande parte dos expositores já tinha vendido, no segundo dia da mostra, quase todas as peças expostas. As novidades implementadas pela organizadora do evento, Vera Chaccur Chaddad, deram certo também neste ano, tudo funcionando perfeitamente. O evento, como sempre realizado no Salão Marc Chagall do Clube A Hebraica, reuniu 85 expositores de seis estados, entre galerias de arte, antiquários e designers de jóias. Telas dos principais pintores da arte moderna e contemporânea, esculturas, objetos de decoração, mobiliário de diversas épocas, pratarias e porcelanas fizeram parte do acervo. "A trajetória do Salão de Arte enriqueceu-se ao incorporar novas manifestações artísticas e ao colocar em relevo a arte brasileira. Sem rejeitar o valor intrínseco de suas origens - o antiquariato e o acervo de objetos colecionáveis - o evento ofereceu uma proposta mais abrangente, evoluída", afirmou o Embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos, Osmar Chohfi, na abertura do catálogo da edição do Salão. Além dos stands, uma das atrações deste ano foi a Sala Especial "Arte Brasileira do Século XIX - O Perfil de uma Coleção" A programação paralela incluiu também um leilão de fotografia brasileira contemporânea, cujo acervo foi preparado por Emídio Luisi, cujas lentes já registraram diversas produções do Ballet Stagium e do diretor Antunes Filho. O Salão de Arte de 2008 completou 15 anos de existência e se consagrou como o mais importante evento do setor. O Salão se tornou uma tradição e funciona mesmo como um termômetro para o mercado de arte e antiguidades. A regularidade, a seleção dos expositores, a qualidade das peças expostas, o público especial, o forte apelo histórico e cultural, e a organização competente de Vera Chaccur Chadad são alguns dos ingredientes dessa receita de sucesso. Dos diversos depoimentos constantes no catálogo oficial do Salão de Arte, destacamos dois textos; o primeiro de Maria Lúcia Carneiro, ex-editora do caderno Casa, de “O Estado de S. Paulo”, que diz: "O Salão de Arte tem sido uma oportunidade quase inesperada, num país desmemo-

Escultura em mármore, Europa, séc XIX (Stand Antonio Lordello)

riado, de reconstituir o melhor do passado da vida privada brasileira. Em certos momentos, parece concorrer com as glórias de uma história mais antiga, que é a exibida no Salão dos antiquários de Paris." A segunda opinião é do jornalista Carlos Souliée do Amaral: "Por sua assiduidade e pelo dom de conciliar diversidades, o Salão de Arte tornou-se uma marca na vida cultural de São Paulo e do Brasil. Ele promove o fluxo e o encontro de relações identitárias em torno de expressões regionais, nacionais e globais do fazer artístico. Leva a arte dos lugares íntimos a se encontrar com a que traz o ruído das ruas ou as cintilações da vaidade pessoal. E, num exercício de dissociação analítica, nos faz constatar que a ação intelectual se funde à artesanal, num diálogo do tempo presente consigo mesmo e com os tempos passados." Neste ano o Salão de Arte mais uma vez reuniu antiquários, galerias de arte e designers de jóias, que exibiram suas melhores e mais importantes peças. Tradicionalmente voltado também para a divulgação de publicações relacionadas às artes visuais, o Salão promoveu o lançamento do livro "A Mão Devota - Santeiros Populares nos Séculos XVIII e XIX" do artista plástico e pesquisador José Alberto Nemer, que apresentou diversos mestres santeiros desconhecidos no mercado. O espaço gastronômico foi comandado pelo bufet Citron Gastronomia, dirigido por Eduardo Moreira e pelo chef Aléssio Batilani

Os Caminhos da Arte O diferencial dessa edição esteve com a Sala Especial Os Caminhos da Arte entre a França e o Brasil, da qual Max Perlingeiro foi curador com mestria. Tendo recebido o selo França 2009, pelo Ministério da Cultura, a exposição passou a fazer parte do calendário do ano da França n o

Brasil. A Sala Especial foi dedicada à obra de artistas brasileiros que viveram na França, como Antonio Bandeira, Cícero Dias, Flávio Shiró, Sérgio Camargo, Vicente Monteiro, Lygia Clark e Ismael Nery. A mostra marcou também o lançamento do livro de mesmo nome, de autoria da escritora e pedagoga Nereide Schilaro Santa Rosa. A edição desse ano também homenageou o paisagista, arquiteto e escultor baiano Zanine Caldas, que teve um lounge destinado a sua obra, com curadoria de Luiz Octávio Louro Gomes. Foram realizados dois leilões: um de joias e outro de relógios. O Salão de Arte deste ano reuniu obras que traduziram as tendências do mercado de arte nacional e internacional. Trata-se da mostra pioneira em seu formato realizada anualmente, sem interrupção e, por essa razão, ocupa posição consolidada no calendário cultural brasileiro. A relação de participantes incluiu importantes galerias e antiquários de todo o país e convidados do exterior. A relação de expositores incluiu, ainda, galerias especializadas em arte estrangeira, como o japonês Minoru Nakahashi e a portuguesa Manuela Lírio. Eduardo Bettega Curial, artista contemporâneo holandês, teve seu próprio stand. A programação contou também com o lançamento do livro "Caminhos da Cor" de Sergio Telles.

Sala Especial: Fotografia arte e técnica - imagens de 170 anos de história A 17ª edição do Salão de Arte ocorreu na semana que compreendeu o dia 19 de agosto, conhecido como "Dia Mundial da Fotografia", em referência à comunicação da invenção da daguerreotipia, feita em Paris, em 19 de agosto de 1839. Uma semana, portanto, mais do que oportuna para celebrar essa invenção que mudou a forma de relacionamento do ser humano com o mundo a ponto de Bachelard ter denominado o século XX de "século da imagem" e nosso tempo ser conhecido como "a civilização do olhar". O ano de 2010 assinalou o 170º aniversário da introdução da daguerreotipia no Brasil. A proposta para o 17º Salão de Arte da Hebraica foi montar uma espécie de Gabinete de curiosidades fotográficas a partir da Coleção Daniel Karp Vasquez, retraçando a evolução técnica da fotografia desde os primórdios até a atual fase de transição para a imagem digital, enfatizando o papel do livro não só como elemento de difusão fotográfica mas também, e principalmente, como meio de expressão artística e/ou pessoal para os fotógrafos; mais uma vez com curadoria de Max Perlingeiro. >>>


A RELÍQUIA

Agosto de 2013

Altar, Minas Gerais, século XVIII (Luiz Machado de Mello - 2003) Anita Malfati (1896 - 1964) - Penhacos C. 1915/1917 - osm - 30,5 x 40,5cm (Pinakotheke - 2002)

José Pancetti - Musa da paz série Bahia - ost 46 x 56cm. 1950 (Bolsa de arte - 2002) Manuel da Costa Ataíde, 147 x 87 x 47cm. (Antonio Foz Esc. Arte)

Georg Grimm - 1846/1887 - Fazenda recreio Bemposta - ost - 85 x 125cm.

Beatriz Milhazes - Policromia s/ papel - 90 x 120cm - 2000 (Galeria H.A.P.)

Cícero Dias "Casal no alpendre" ost 1950 - 65 x 54cm. (Simões de Assis)

Sergio Carybé - Maria, Óleo sobre tela, 110 x 80cm. (Galeria Sur 2008) Fernando Botero - Lying nude 1978 ost - 131 x 186cm. (James Goodman 2003)

N.S. do Carmo, séc XVIII Par de anjos tocheiros Madeira policromada - séc. XVIII. 185 x 125cm e 198 x 120cm (Itamar Musse)

Pia de batismo em mármore Carrara. Séc XVIII (Caloula Filho)

Na programação, o lançamento do livro “A Arte de Ramón Cáceres”, com texto de Enock Sacramento e prefácio de Ladi Biezus. Um dos destaques foi um desfile de sete joalherias em um formato diferente, em que as modelos andaram pelo espaço expositivo portando preciosas joias.

Novo espaço dedicado à arte contemporânea Consagrada como a mais tradicional e abrangente feira do país reunindo antiquários, galerias, joalherias e decoradores, o Salão de Arte preparou para a sua 18ª edição uma inovação na distribui-

Cômoda-papeleira miniatura D. José I Luso-brasileira, circa 1780, jacarandá. (Sandra e Márcio - 2005)

ção do espaço, com a criação do Boulevard de Arte Contemporânea. Nessa área ficaram instaladas seis das mais conceituadas galerias do Brasil. Com a nova distribuição interna os visitantes tiveram mais espaço para circulação e mais facilidade para a localização dos expositores. Comandado por Vera Chaccur Chadad, o Salão de Arte ocupou um espaço de 3.500 metros quadrados dividido entre 20 antiquários, nove joalheiros, uma livraria, um stand de decoração, além de 24 galerias de arte. Em 2012 o Salão de Arte apresentou um mix de arte composto por obras modernas e contemporâ-

Marc Chagall - L'artiste au visage rouge 1983 Oleo sobre tela - 72,5 x 53,5cm (Lang Fine Art)

neas, gravuras, peças e livros raros, galerias, joalherias, antiquários, fotografias e decoradores. Esse ano, o salão adotou um modelo de decoração oposto ao ambiente clássico das galerias e feiras do setor. Com o uso de tecido e madeira, e sem o silêncio e o branco tradicionais dos endereços comerciais, os visitantes podem se sentir à vontade para conhecer a exposição e entrar nos estandes. Participaram do Salão de Arte cerca de 70 expositores, sendo dois estrangeiros e o restante de diversos estados do país.


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Agosto de 2013

Um público estimado em 18.000 visitantes, entre artistas, apreciadores de arte e formadores de opinião, superou o valor movimentado em 2011. Em uma área de 3.500 m², a programação teve ações como abertura beneficente, coquetéis em vários estandes e noites de autógrafos.

2013 - 20 anos do salão O Salão de Arte de São Paulo comemora este ano sua 20ª edição e se firma como evento de arte mais tradicional do país. Apresentando um mix de arte composto por obras modernas e contemporâneas, gravuras, peças e livros raros, galerias, joalherias, antiquários, fotografias e decoradores, a novidade deste ano é uma sala especial dedicado à arte do Graffiti. Reconhecido também por sua credibilidade e profissionalismo, o Salão de Arte tem curadoria, organização e direção de Vera Lucia Chaccur Chadad. "São 20 anos de muita luta para fazer o Salão de Arte se tornar parte do calendário de São Paulo, prestigiando artistas e galeristas do Brasil e do exterior. O crescimento é resultado de muita dedicação tanto da organização quanto dos colaboradores", comemora Vera. Acompanhando um grande movimento do mundo das artes no sentido da arte urbana, a curadoria do graffiti está nas mãos do artista visual paulistano Thiago Mundano, criador do projeto Pimp My Carroça. Para esta edição comemorativa do Salão de Arte, Mundano convidou para integrarem a sala especial os artistas Evol, Mauro, Paulo Ito, Sliks, além de inserir uma obra dele mesmo. "O Salão é reconhecido pelas obras de grandes artistas consagrados no campo das artes e muitos deles não estão mais vivos. A ideia da sala do graffiti é trazer um frescor para esse ambiente, com artistas bons e em atividade", explica o artista. >>>

Garniture de chaminé Cia das Índias, família rosa Dinastia Qing, período yongzheng Alt. 62,48cm. (Luis Alegria 2004)

Par de vasos em porcelana francesa Velho Paris, alt 60cm França, Século XVIII. (Fernando Braga 2010)

Sopeira do Serviço dos Correios Montados D. João VI - Cia das Índias - Qing - Jiaging. (Miguel Salles 2006) Menino Jesus em madeira, policromada e dourada. Século XVIII. (Resplendor 2010)

Volpi, dec. 50 - Fachada Têmpera s/ cartão, 35 x 27cm Fragmento em madeira policromada da Igreja de São Pedro dos Cléricos. Mestre Valentim. Rio de Janeiro, século XVIII

aaaaArmário policromado e entelhado Astríaco, séc XVIII. (Marco Grili 2006)

Vicente do Rego Monteiro - Vista de Paris - ost - 81 x 100cm - 1923.

Wesley Duke Lee - Hera, Ártemis e Zeus - Série Olimpo, 1971 ost, 190 x 190cm. (Renato M. Gouvêa Jr. 2006)

Candido Portinari. Flores ost 73 x 60cm.1941. (James Lisboa 2009)

Antonio Bandeira - Sol Santo de roca de origem hispânica, séc. XVIII e paisagem azul - 1966 Altura 1,62m. (Virgínia e Pedro Arruda 2006) ost - 90 x 130cm. Pinakotheke Par de cômodas francesas, estilo Luis XVIII início do século XIX (Country House Antiques 2007)

Alberto da Veiga Guignard Ouro Preto, ost - 50 x 70 cm


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Agosto de 2013

Antonio Gomide - Depois da Pesca - Ubatuba, osm - 90 x 192cm. (Hilda Araújo 2010)

"As pinturas e instalações que vão compor a exposição batizada de 'Artevidade' serão inéditas e também algumas do acervo da Galeria Parede Viva". Neste ano, participam do Salão de Arte mais de 65 expositores, sendo cinco estrangeiros vindos de Portugal, Uruguai e Argentina, e o restante de diversos estados do país. A expectativa é atrair 18 mil visitantes e superar o valor movimentado em 2012. Em uma área de 3.500 m², a programação prevê ações como abertura beneficente, coquetéis em vários estandes e noites de autógrafos. Nas paredes do evento estarão ainda mural em graffiti do artista Eduardo Kobra e fotografias da cidade de Nova Iorque de Marcos Rosset. Uma exposição com cerca de dez lustres Baccarat também vai compor o espaço expositivo. O Salão de Arte vem, mais uma vez, representar a força e o crescimento do mercado de arte no Brasil e mantém a tradição de atuar em projetos de responsabilidade social. Nesta edição, como nas anteriores, o Salão terá a sua renda integral da bilheteria e do coquetel da noite de abertura revertidos à ACTC - Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração. A entidade presta atendimento multidisciplinar à criança cardíaca e aos transplantados do coração, encaminhados pelo Instituto do Coração, Incor (HC-FMUSP), bem como a seus familiares. Nomes como Luis Alegria, Imaginalis e Jose Sanina, de Portugal, Museu Lasar Segall, Jorge Quartilho, Caloula Filho, Sandra e Marcio, Resplendor, Began Antiguidades, Onze Dinheiros, Marco Grili, Almeida e Dale, Dan Galeria, Pinakotheke, Bolsa de Arte, Ruth Grieco, Fólio Livraria, entre outros, estarão presentes nesta megaexposição que traz obras inéditas e exclusivas, entre peças de artistas consagrados como Anita Malfatti, Tomie Ohtake, Di Cavalcanti e Portinari.

Giovanni Battista Castagneto - Paris, França, 1891(Sala Especial 2009)

Eliseu Visconti - A Família, 1895, ost (Sala Especial Arte Brasileira - 2007)

Cândido Portinari Óleo sobre tela - 1960 73 x 60cm. (Maurício Pontual 2004)

Nicolau Fachinetti - Praia do Russel, Óleo sobre madeira - 40 x 67,5cm. (Mauríco Pontual 2010)

Cândido Portinari, 1954 - Menino laçando o boi Óleo s/ tela, 46 x 55cm (Sérgio Caribe 2001)

Joaquim Torres Garcia - Constructivo - 1943 Óleo sobre cartão - 49 x 68cm. (Galeria SUR)

Anel em ouro 18 com brilhante central - Com 1,26 cts mais 3,01 cts de brilhantes menores (Adriana Cauduro 2002)

Belmiro de Almeida - Parque do castello do Duque de Luynes, Dampierre - 54 x 72 cm

SERVIÇO 20º Salão de Arte de São Paulo Local: A Hebraica - Salão Marc Chagall Endereço: Rua Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto, 115. Pinheiros. - São Paulo/SP 12 de agosto (19h) - Cerimônia de abertura e coquetel beneficente. Convite: R$180 - Ponto de venda: ACTC - Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração. Telefones (11) 3088-7454/ 3088-2286 ou pelo e-mail flaviana@actc.org.br, falar com Flaviana Oliveira. De 13 a 18 de agosto de 2013 Horários: Terça a Sexta-feira das 15h às 22h / Sábado das 13h às 21h / Domingo das 13h às 20h Entrada: R$ 30 - entrada integralmente revertida à ACTC. Grupo acima de 10 pessoas - entrada gratuita com agendamento pelo telefone: (11) 3088-2286 / 3088-7454 Acesso facilitado para deficientes físicos Mais informações: www.salaodearte.com.br

Cômoda D. José, séc. XVIII - Jacarandá Bahia. (Cristiane Musse 2003)

Cadeira col. Palácio Marajá da Índia (Began)

Cândido Portinari - Flores ost 73x60cm (James Lisboa 2009)


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Agosto de 2013

Mostra Casa Real no Vale do Café Primeira exposição de Mobiliário e Arte dos Séculos XVIII e XIX, realizada na Fazenda São Luiz da Boa Sorte em Vassouras - RJ começa a resgatar a memória brasileira referente a uma época de opulência e esplendor proporcionado pelo ciclo econômico do café na região do Vale do Paraíba. ealizada entre os dias 13 e 28 de julho passado, a Mostra Casa Real, surgiu não apenas como um título, mas como patrimônio material restaurado, capaz de apresentar um momento capturado pelo olhar de historiadores, especialistas em arte, arquitetos, designers e paisagistas. Ela reuniu cerca de trezentas peças, criteriosamente selecionadas, que representam o estilo de vida dos Barões em suas fazendas no período áureo do Ciclo do Café. O ciclo econômico do café foi relativamente curto - durou menos de um século - mas, além de trazer riquezas para o Brasil e para uma casta de fazendeiros, deixou para a posteridade as magníficas sedes das fazendas, casarões e solares, verdadeiros palacetes. Deixou, também, o luxo dos interiores, com colunas e pilastras, pinturas e painéis decorativos, tudo sugerindo uma ambientação neoclássica, seguido depois pelo ecletismo da arquitetura. Os salões eram mobiliados com o mesmo luxo das melhores residências da corte. Traziam da Europa espelhos e cristais venezianos, baixelas de prata e ouro, finas tapeçarias orientais e móveis de jacarandá estilo inglês, porcelanas chinesas, pratas inglesas e portuguesas, pinturas, obras de arte as mais variadas. São exatamente esses ambientes das sedes das fazendas do ciclo cafeeiro, que a Mostra Casa Real procurou recriar. Para realizar esse projeto, os proprietários da Fazenda São Luiz da Boa Sorte, Nestor Rocha e Liliana Rodriguez, convidaram Antiquários do Rio de Janeiro e São Paulo, colecionadores e arquitetos, decoradores e designers que ambientaram os espaços que foram mostrados ao público. Na Europa, Casa Real, em geral, é uma denominação familiar utilizada pela realeza. No Brasil, apenas no século XIX os Monarquistas criaram a Casa Imperial Brasileira. Um dos objetivos da exposição foi levar o visitante, a partir do momento em que transpôs os portões da sede da Fazenda, a fazer uma viagem ao passado através do contato com a beleza representada em cada obra de arte e mobiliário de época, descritos num catálogo preparado para o evento. Um selecionado acervo de obras de arte e antiguidade foi disponibilizado entre mobiliário, pinturas, prataria, porcelanas, bronzes, tapetes, tapeçarias, luminárias, cristais, esculturas, imagina-

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Fazenda São Luiz da Boa Sorte

Varadão ambientado por Gorete Colaço

rias, e muitos itens inusitados que representam o período do Império Brasileiro, com forte influência francesa. Foram reunidas mais de trezentas peças, como uma raríssima Nossa Senhora da apresentação, de Portugal do Século XVIII, um imponente Armário Pintado, de Portugal, também do século XVIII; um Par de Monumentais Esculturas de Jardim, de ferro fundido, França, século XIX; excepcional oratório de Portugal do século XVIII; um Retrato a Óleo do Conselheiro Ferreira Viana, Redator da Lei Áurea; um Serviço de Cia. das Índias do Conde e Visconde de Ipanema; re-

trato único de Infante da Casa de Bragança, de autoria de Ernest Karl Papfp, um dos pintores oficiais da corte; par de Serafins, Portugal, século XVIII, que pertenceu ao Rio Palace hotel; par de cachepots Imari e duas raras galerias Ferahan, século XIX. Teve ainda objetos curiosos como o bidê Cia. das Índias do século XIX, usado nos banhos de assento; Buda de Madeira, Laca e Ouro, Camboja, século XIX e coleção de almofarizes de bronze, ferro e mármores, utilizados tanto na culinária, quanto na manipulação de farmácia, desde a época dos Mouros. >>>


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Agosto de 2013 Luiz Musa/Itaú Cultural/divulgação

Sala dos Senhores, arquitetos Ricardo Melo e Rodrigo Passos

Essas obras foram disponibilizadas para compra, alguma através de venda direta no local, e outras num leilão especialmente montado para o evento. Participaram da ambientação os Arquitetos Gorete Colaço - Varandão, Paula Neder - Escritório do Barão, Thoni Litsz - Quarto do Barão, João Reis - Alcova, Ricardo Melo e Rodrigo Passos - Sala dos senhores, Claudia Brassaroto - Sala das senhoras, Dani Parreira e Flávia Santoro Quarto do Padre, Mariana Dornelles, Fillii Sartori e Luciana Arnaud - Quarto do Filho Viajante e quarto das meninas, Roseli Muller - Quarto do Conde D'eu, Alexandre Lobo e Fábio Cardoso Cozinha, Tatiana Lopes - Quarto do Padrinho, Cristina e Laura Bezamat - Galeria, Beth Reis Quarto da tia. A mostra teve ainda os trabalhos

Escritório do Barão por Paula Neder

da Paisagista e Decoradora Adriana Fonseca Jardim frontal e jardim das jabuticabeiras, e do decorador Ovídio Cavalleiro - Capela. A curadoria da mostra ficou a cargo de Antonio José Bethencourt-Dias, que também ambientou a Sala de jantar. Na abertura da Mostra Casa Real, cerca de 500 convidados prestigiaram a primeira exposição de Mobiliário e Arte dos Séculos XVIII e XIX, realizada na Fazenda São Luiz da Boa Sorte em Vassouras, no Vale do Café. Estiveram presentes autoridades, celebridades, artistas, políticos, antiquários e colecionadores. Foi realmente uma excelente oportunidade para se conhecer um pouco da história do Ciclo do Café, que foi beneficiado com a vinda de D. João e a família Real ao Brasil, em 1808, que aumentou

Sala das Senhoras por Cláudia Brassaroto

o incentivo à plantação do café, e fez surgir imensas fortunas e a consequente construção de verdadeiros palácios financiados pelo "ouroverde" que enriqueceu o país. A história do apogeu e da opulência dos Barões, do cotidiano da vida na sede das vivendas, e do trabalho escravo que levou o Brasil a ser o maior produtor do grão no mundo. A Mostra Casa Real não apenas começa a resgatar a memória desse período áureo, como coloca novamente o Estado do Rio de Janeiro no calendário dos grandes eventos de arte, no mesmo nível dos melhores salões de antiguidades. O evento será realizado anualmente, sempre inserido na programação do Festival do Vale do Café, que é organizado com sucesso há 11 anos pelo Instituto Preservale.

Sala de Jantar ambientada por Antonio José Bethencourt-Dias


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Agosto de 2013

Salão de Arte 2013 20 anos do salão O Salão de Arte de São Paulo comemora este ano sua 20ª edição e se firma como evento de arte mais tradicional do país. Apresentando um mix de arte composto por obras modernas e contemporâneas, gravuras, peças e livros raros, galerias, joalherias, antiquários, fotografias e decoradores, a novidade deste ano é uma sala especial dedicado à arte do Graffiti. Reconhecido também por sua credibilidade e profissionalismo, o Salão de Arte tem curadoria, organização e direção de Vera Lucia Chaccur Chadad, que lutou e trabalhou muito para fazer o Salão de Arte se tornar parte do calendário de São Paulo, prestigiando artistas e galeristas do Brasil e do exterior.

Neste ano, participam do Salão de Arte mais de 65 expositores, sendo cinco estrangeiros vindos de Portugal, Uruguai e Argentina, e o restante de diversos estados do país. A expectativa é atrair 18 mil visitantes e superar o valor movimentado em 2012. Em uma área de 3.500 m², a programação prevê ações como abertura beneficente, coquetéis em vários estandes e noites de autógrafos. Nas paredes do evento estarão ainda mural em graffiti do artista Eduardo Kobra e fotografias da cidade de Nova Iorque de Marcos Rosset. Uma exposição com cerca de dez lustres Baccarat também vai compor o espaço expositivo.

EXPOSITORES ANTIQUÁRIOS: Luis Alegria, Sandra e Marcio e Elisa Pacheco Fernandes, Began Antiguidades, Miguel Salles, Country House Antiques, Manuel Guimarães, Maurício Meirelles, Caloula Filho Antiguidades Galpão de Antiguidades, I. Sanina, Marco Antonio S. Bruco, Onze Dinheiros Escritório de Artes, Resplendor Antiguidades, Cristiane Musse Arte & Antiguidades, Luiz Machado de Mello, Girardi e Marques, Pedro Tinoco, Rafael Moraes Escritório de Arte, F. Quartilho, Marco Grili, Fernando Motta, Homenco Antiguidades, Antonio José Chalhub & Victor José Fernandes da Silva. GALERIAS: Sergio Gonçalves Galeria, A Ponte Galeria de Arte, Simões de Assis Galeria de Arte, Galeria Murilo Castro, Dan Galeria, AB

Galeria, James Lisboa, Lordello & Gobbi Escritório de Arte, Antonio Luiz Bei - Arte Brasileira, Pinakotheke Max Perlingeiro, Luiz Caribé Escritório de Arte, Galeria 22 Arte Brasileira, Almacén Galeria, Dominique Edouard Baechler, Bolsa de Arte, T NT Arte Galeria, Antonio Lordello, Buenos Aires Fine Arts, Galeria Estação, Almeida e Dale, Hilda Araújo, Galeria Sur, Escritorio de Arte Vera Simões. JOALHERIAS: Mônica Botelho, Ruth Grieco, Carlos Rodeiro Joalheiro, Renato Guelfi, Sara, Thomas Cohn, Marisa Clermann, Letícia Linton. LIVRARIA: Fólio Livraria/Rogério Pires & Paulo Rosenbaum

SERVIÇO 20º Salão de Arte de São Paulo Local: A Hebraica - Salão Marc Chagall

De 13 a 18 de agosto de 2013

Endereço: Rua Dr. Alberto Cardoso de Melo Neto, 115. Pinheiros. - São Paulo/SP

Horários: Terça a Sexta-feira das 15h às 22h / Sábado das 13h às 21h / Domingo das 13h às 20h

12 de agosto (19h) - Cerimônia de abertura e coquetel beneficente. Convite: R$180 - Ponto de venda: ACTC Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente Cardíacos e aos Transplantados do Coração. Telefones (11) 3088-7454/ 3088-2286 ou pelo e-mail flaviana@actc.org.br, falar com Flaviana Oliveira.

Entrada: R$ 30 - entrada integralmente revertida à ACTC. Grupo acima de 10 pessoas - entrada gratuita com agendamento pelo telefone: (11) 3088-2286 / 3088-7454 Acesso facilitado para deficientes físicos Mais informações: www.salaodearte.com.br


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O "Ponto de convergência" na Fundação Iberê Camargo A exposição que reúne trabalhos dos artistas modernos Xico, Vasco e Iberê e a mostra individual de Angela Detanico e Rafael Lain abrem ao público a partir do dia 06 de setembro

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temporada do segundo semestre na Fundação Iberê Camargo irá abrir com a exibição de duas exposições contrastantes. A primeira, "Xico, Vasco e Iberê - O ponto de convergência", reúne trabalhos de três expoentes da arte moderna no Brasil. Apesar de impelidos por distintos caminhos poéticos, inquietudes e angústias, Xico Stockinger, Vasco Prado e Iberê Camargo se encontram no modo como constroem sua visão sobre a condição humana. Em meio as 65 obras, divididas entre pinturas, esculturas e desenhos, estão marcantes trabalhos dos artistas, como peças das séries "As idiotas" e "Tudo Te é Falso e Inútil", de Iberê, "Gabirus" e "Magrinhas", de Xico, e a escultura "Acrólito", de Vasco. A mostra tem a curadoria do Professor

Doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e Crítico de Arte, Agnaldo Farias. A segunda exposição é "Alfabeto Infinito", uma mostra de arte contemporânea baseada em uma reflexão de 10 anos feita pelos artistas Angela Detanico e Rafael Lain sobre sentido e representação gráfica, relações entre abstrato e concreto, forma e conteúdo, objetos e seus nomes, sobre a imagem, o texto e o som. O ponto de partida para a pesquisa e a produção dos 16 trabalhos que serão expostos foi o seguinte questionamento: "é o mundo que se organiza para que possamos decodificá-lo ou somos nós que projetamos significado sobre as coisas?". Grande parte das obras, que contemplam a primeira mostra individual dos ar-

tistas gaúchos em Porto Alegre, foi adaptada para a Fundação. A curadoria é da diretora da Associação Cultural Videobrasil, Solange Farkas. SERVIÇO EXPOSIÇÃO: "XICO, VASCO E IBERÊ O PONTO DE CONVERGÊNCIA" Abertura: 05 de setembro, das 19h às 21h Visitação: de 06 de setembro a 17 de novembro Local: Fundação Iberê Camargo - Av. Padre Cacique, 2000, Praia de Belas - Porto Alegre - RS Exposição: "Alfabeto Infinito" Abertura: 05 de setembro, das 19h às 21h Visitação: de 06 de setembro a 17 de novembro Local: Fundação Iberê Camargo - Av. Padre Cacique, 2000, Praia de Belas - Porto Alegre - RS Entrada franca: as empresas Gerdau, Itaú, Vonpar e De Lage Landen garantem a gratuidade do ingresso.


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Agosto de 2013

Companhias de Comércio

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stas companhias, também chamadas guildas, hansas, sociedades,fraternidades, corporações, uniões, eram associações de comerciantes com objetivos comuns, possuindo variadas formas de organização. Surgiram na Idade Média, a partir do século XI-XII, para atender aos interesses decorrentes do comércio a longa distância - principalmente marítimo , de determinadas regiões do mundo. Serviam também para garantir a segurança contra a pirataria e assaltos ou evitar a concorrência desleal de outros comerciantes. Normalmente só as despesas comuns eram divididas, cada participante com liberdade total de comprar e vender o que e a quem quisessem. A primeira Companhia Regulamentada surgiu na Inglaterra, no século XIII, fundada pela Associação dos Comerciantes do Entreposto (nos países baixos) que comercializava lã inglesa. A seguir vieram, dotadas de "cartas" (autorizações) pela coroa, a Carta dos Comerciantes do Báltico (1404), a Carta dos Comerciantes Aventureiros (inglesa-1407) e a Carta dos Comerciantes da Noruega, Suécia e Dinamarca (1408). Na Itália predominavam as associações de capitais e pessoas, incluindo os empréstimos marítimos assegurados

pelo navio ou pela carga, que se desenvolveram em Veneza e Gênova a partir do século XIII. As companhias de comércio desempenharam nos séculos XVI-XVIII, durante a Era Mercantilista, um papel importante na expansão comercial e colonial das potências marítimas européias, assumindo a forma das Companhias de Carta (Chartered Companies). Eram de dois tipos: as Companhias Regulamentadas pelo Estado e as joint-stocks, de capital privado, por ações. Os investidores lucravam com os dividendos e a valorização das ações, não podendo ser responsabilizados pelos débitos da companhia. As primeiras companhias de capital privado surgiram na Inglaterra, no século XVI , entre elas a dos Comerciantes Aventureiros, que foi transformada na Cia. da Moscóvia ou Cia. Russa, em 1555. Outra foi a Cia. de Veneza, em 1583, e a Cia. das Índias Orientais, constituída pelos ingleses em 1600. Essa companhia possuía o monopólio, no Reino Unido, do comércio com as Índias Orientais e se tornou mais poderosa em 1763 (Tratado de Paris), quando as vitórias de Clive fizeram os franceses abandonarem a Índia. Entre as companhias da Holanda, destacou-se a Cia. Holandesas das Índias Orientais, formada em

1602 pela união de seis grupos que vinham, isoladamente, realizando o comércio com o Oriente. Passou a ter o monopólio de navegação, comercio e administração das regiões do Oriente, cabendo ao estado supervisiona-la. Possuía todos os poderes e privilégios de um Estado Soberano, mas em nome da República das Sete Províncias Unidas. Em 1621 foi fundada a Cia. Holandesas das Índias Ocidentais, com o monopólio do comércio da América, costa ocidental da África e Oceano Pacífico a leste das Molucas. As primeiras companhias de comércio da França foram criadas por Henrique IV, entre elas a Cia do Canadá, em 1599 e a Sociedade para o Comércio das Índias Orientais em 1604, e depois a Cia. das Ilhas da América e a Cia. das Índias Ocidentais. As Companhias de Comércio da Península Ibérica foram constituídas a partir do século XVI. De Portugal destaca-se a Cia. Geral de Comércio do Brasil (1649), a Cia. de Cacheu e Rios de Guiné (1676) e a Cia. do Comércio de cabo Verde e Cacheu. A Espanha criou, em 1728, a Cia. de Caracas e em 1747, a das Índias Orientais, de curta duração. O capitalismo antimonopolista veio acabar com o sistema das Companhias do Comércio.

salão de arte 2013 Stand 19

CALOULA FILHO Antiguidades GALPÃO DE ANTIGUIDADES Loteamento Guarajuba 45 (Estrada do Coco). Praia de Guarajuba, Camaçari - BA

55 71 3334-5635/9985-5635 caloulafilho@ig.com.br

ANTIQUÁRIO Avenida Cardeal da Silva 111, Rio Vermelho Salvador - BA. Cep: 41950-495


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Agosto de 2013

Exposição de Lustres Baccarat no Lounge do Salão Reflexos do Brasil: um toque de brasilidade aos lustres Baccarat

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m parceria com a Began Antiguidades, o design de interiores José Roberto Moreira do Valle apresenta, através de O Brazil S/A, a exposição que veio diretamente de Milão durante a Design Week, a exposição Reflexos do Brasil. A convite da curadoria do Salão de Arte, a mostra, instalada no lounge do Salão Marc Chagal, reúne dez grandes nomes da arquitetura brasileira: Ana Maria Vieira Santos, Brunete Fracarolli, Débora Aguiar, escritório In House, Jayme Bernardo, João Armentano, Jóia Bergamo, Maithia Guedes, Patrícia Anastasiadis e Ruth Leme. Reconhecidos tanto no Brasil quanto internacionalmente, os arquitetos e designers de interiores refletem sua criatividade por meio de uma interferência gráfica em lâminas de tecido com a silhueta dos lustres Baccarat que serão aplicadas em estruturas metálicas. Os lustres franceses Baccarat são considerados objetos únicos, lapidados à mão em um processo totalmente artesanal com pedras preciosas. A mostra reúne o que há de mais sofisticado e tradicional com a criatividade e espontaneidade brasileira.

Lustre Baccarat unfocused by Philippe Starck 24 luzes - 1,10 x 1,10 m

Lustre Baccarat Zenith 24 luzes - 1,10 x 1,10 m

GRANDE LEILÃO DE ARTE Leilão de Agosto

Dunquerque, dito Boule, em madeira. Guarnições em bronze cinzelado Crucifixo com Cristo em madeira com apliques em prata. Séc. XIX.

EDGAR WALTER - ANGRA DOS REIS OST - 83x100cm. Dat. 49

Quadros europeus e nacionais - pratas - marfins esculturas - estatuetas - móveis - cristais - imagens

Faqueiro em prata portuguesa, com 175 peças

Exposição: Dias 23, 24 e 25 de Agosto de 2013 (sexta, sábado e domingo), das 16:00h às 22:00h NOVIDADE: Leilão online (com transmissão ao vivo) e presencial. Leilão: Acesse e cadastre-se no site: www.iarremate.com.br/valdirteixeira Início dia 26 de Agosto de 2013- segunda-feira, às 20:00h Continuação dias 27 e 28 de Agosto de 2013 - terça e quarta-feira às 20:00h

Le Corbusier - Chase Longue em metal com forração em pele de animal. Assinada SIRON FRANCO - FIGURA OST - 24x19cm.

Todas as pecas com foto e descrição no site: www.valdirteixeiraleiloeiro.com.br

Rua Assunção, 210 - Botafogo - RJ - CEP. 22251-030 - Tel/Fax: 2539-4907 / 2537-4040 / 8205-3736 Email-leiloeiro@vadirteixeiraleiloeiro.com.br / www.valdirteixeiraleiloeiro.com.br / www.areliquia.com.br/valdirteixeira


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Agosto de 2013

Pablo Picasso e Suas Mulheres Por Tais Luso de Carvalho

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icasso nasceu em Málaga, cidade de Andaluzia, sul da Espanha, em 25 de outubro de 1881. Mais tarde preferiu usar o sobrenome da mãe: Picasso - e não o do pai, Ruiz. Picasso se parecia com a mãe, Maria Picasso Lopez, uma pequena andaluza, de olhos e cabelos negros. Seu pai José, um homem alto e ruivo foi quem encorajou Picasso a pintar desde cedo. Era professor de desenho numa escola de arte local e completava o salário modesto com outros empregos, como curador do museu da cidade e restaurador. Pablo tinha duas irmãs mais novas, Lola e Concepción - esta morreu de difteria aos oito anos. Quando Picasso estava com 10 anos o museu fechou; seu pai conseguiu o cargo de professor na Escola de Belas-Artes no porto atlântico de La Coruña. Mudou-se com toda a família. Pouco depois José reconheceria o talento do filho para a arte e decidira desistir ele próprio da pintura para dedicar-se a desenvolver a carreira artística de Pablo.

O jovem Picasso Picasso foi à Paris em outubro de 1900, com seu amigo Carlos Casagemas. Foram morar em Montmartre no estúdio do artista espanhol Isidro Nonell, que decidira retornar à Espanha. Lá, permaneceu apenas o tempo suficiente para encontrar um marchand que se oferecesse para vender seu trabalho. Após, voltou à Espanha para passar o natal com a família. Picasso pintou Garota com pés descalços em 1895, aos 14 anos. A modelo é desconhecida, mas claramente uma garota de seu tempo. Uma pintura surpreendente para alguém de sua idade, uma das preferidas de Picasso. Pode ser que lhe recordasse sua irmã, Concepción, que morreu naquele ano.

Retrato de Olga - 1917

Garota com pés descalços - 1895

Suas mulheres...

A arte na época de Picasso Em sua primeira visita à Paris em 1900, Picasso penetrou numa cidade povoada de artistas à procura de novas e diferentes concepções para a pintura. O impressionismo já era bem conhecido, e um de seus expoentes, Claude Monet, já tinha prestígio internacional. Grupos dissidentes, como os pontilhistas - uma forma de pintura em que pequenos pontos de cores primárias são usados para gerar as cores secundárias - competiam com os impressionistas. Edgar Degas e Auguste Renoir seguiam caminhos próprios. Solitários como Paul Gauguin e Vincent van Gogh haviam desenvolvido estilos bastante individuais. Picasso fez experiências a partir de todas estas novas tendências, mas rapidamente fixou um padrão próprio de pintura que logo conquistaria seguidores conhecidos. Por volta de 1905 um novo estilo chamado “fauvismo” desenvolveu-se, liderado por Henri Matisse - o principal objetivo do fauvismo era usar a cor como meio de expressão. Matisse e Cé-

zanne influenciaram enormemente o curso da pintura no começo do século XX, mas nenhum contribuiu tanto quanto Picasso, que sempre manteve sua individualidade, mesmo trabalhando paralelamente a movimentos como o cubismo, o surrealismo, o expressionismo, o futurismo e muitos outros 'ismos'.

Marcelle Humbert - 1913

Parecia impossível a Picasso ser fiel a uma mulher. Depois que Fernande o abandonou, em 1911, ele começou a cortejar uma amiga dela, Marcelle Humbert a qual chamava de Eva, querendo dizer que era seu primeiro grande amor. Foi nessa época que começou a aparecer em seus quadros as palavras Ma Jolie (minha bela), que apareciam em quase todos seus quadros. Porém Eva morreu, tragicamente de uma doença em 1915. Em 1918 que ele casou-se com Olga Khoklova, filha de um general russo e uma das dançarinas do famoso balé russo. Nasceu Paulo em 1921. Por algum tempo, Picasso foi um pai dedicado e sempre se deliciava em fazer esboços e pinturas do filho. Porém a estabilidade não durou muito, em poucos anos estavam separados. Mesmo não obtendo o divórcio de Olga, Picasso conhece - em 1927, nas ruas de Paris - MarieThérèse Walter, uma garota de dezessete anos. Nasce a filha Maya. Em 1936 a Guerra Civil eclodiu na Espanha. O retrato da filha de três anos parece quase sinistro. É como se o trabalho de Picasso fosse assombrado pelos horrores da guerra, tivesse se tornado incapaz de recuperar a inocência da infância. >>>


A RELÍQUIA

Agosto de 2013 Fotos: Reproduções

Marie Thérèse Walter - 1939

Desde o rompimento com Olga, Picasso viveu sozinho, passando apenas os finais de semana com Marie-Thérèse e pequenos períodos com Dora Maar. Com Françoise Gilot o pintor sentiu-se diferente; conheceu-a na Paris ocupada pelos nazistas em 1943. Quando a guerra terminou, Picasso aos 64 anos e Françoise 40 anos mais nova, eram amantes. Foram morar juntos em Antibes, onde em 1947 Françoise teve um filho chamado Claude. Pouco tempo depois tiveram uma filha a quem deram o nome de Paloma. Jaqueline Roque tornou-se a segunda esposa de Picasso. A morte de Olga, em 1955, deu a Picasso a liberdade de casar-se. A casa onde moraram, em Cannes, era ampla, com imensos ambientes e vista para a baia de Cannes, tornou-se um enorme estúdio onde Picasso prosseguia com sua imensa produção de pinturas e de esculturas. Jaqueline tornou-se os temas de suas pinturas assim como de todas as mulheres de sua vida. Ele a pintou obsessivamente, reduzin-

Françoise Gilot com Paloma e Claude - 1954

Jacqueline Roque - 1954

do a forma a contornos e cores, linhas e texturas. A vida em La Californie era agitada e diversificada. Interessado em política, Picasso atiçou o debate quando os tanques soviéticos invadiram a Hungria. Jacqueline tornou-se secretária, agente, enfermeira e protetora do pintor. Era obcecada pelo marido, afastando-o um pouco dos amigos e da família. Foi a mulher, a musa mais pintada por Picasso. Embora o artista tenha deixado uma fortuna ao morrer,

isso não a poupou de suicidar-se em 1986 com um tiro na cabeça. Deixou dito que a vida não tinha sentido sem ele. Fontes: título original- Picasso Breaking the Rules of Art trad. Luiz Antonio Aguiar / Marisa Sobral Cia Melhoramentos de São Paulo Grandes Pintores / Paulo Ramos Derengoski

A visão de Picasso É necessário conhecer bem a arte de Pablo Picasso para assimilar toda a extensão da importância de sua obra no mundo, a partir do século XX. Na realidade, Picasso nos ensinou a "ver" a realidade. Ao desfocá-la, ao buleversá-la, ao misturar traços e formas, levou-nos a reconhecer que temos necessidade de, para entender uma realidade, penetrar-lhe os traços e laços através de um movimento visual que separe suas partes e nos faça conscientes de seu significado, diria mesmo, de sua "alma". Claro que, no começo, acharam-no louco. Então mulher era aquele conjunto aparentemente sem sentido, em que seios e sexo pareciam estar nos lugares errados? Como podiam os olhos apresentar aquele aspecto de estranhos bichos, ou de ovos jogados numa frigideira? Não foi com muita rapidez que o mundo ultrapassou o espanto inicial e passou a "ver", naquela espécie de confusão, um significado maior e uma liberdade que nos obrigava a não só

"ver", mas "saber" e "pensar". A influência que a "visão" de Picasso teve no mundo foi muito forte, não só sobre os pintores de seu tempo e os artistas em geral, mas também sobre o homem comum, o que sai de manhã e não sabe se uma bomba do estilo Hiroshima cairá sobre sua cidade, ou se existe um animal escondido em jardim ou numa sala de moça bonita ou mesmo não-bonita porque a boniteza de ontem não vale mais, exatamente por causa de Picasso, e não pode ser aceita sem análise. Mas não foi só isso que ele nos ensinou a ver quando olhamos um de seus quadros. Provou-nos também que nós, cada um de nós, somos aquele homem, aquela mulher, aquela crian��a, que aparecem no meio de objetos, ou sem eles, dandonos a certeza de que, somente através de sua "visão", podemos alcançar vislumbres de entendimento sobre o que somos e como somos. (LCO)

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A RELÍQUIA

Agosto de 2013

Os artistas do Barroco Mineiro Manoel da Costa Ataíde Barroco Mineiro, que teve em Aleijadinho sua figura mais conhecida, era uma arte de luxo, proporcionada pelo ciclo do ouro e incentivada pela igreja católica. Os povoados da região do ouro só começaram a se desenvolver no início do século XVIII, e somente duas ou três décadas depois é que os arraiais ganharam ares de pequenas cidades. O que mais deu movimentação à vida social mineira nesta época foi a organização de diversas irmandades e confrarias religiosas, a Igreja então aproveitava-se da prosperidade econômica da colônia para multiplicar o número de templos. Como registra o livro Brasil Barroco "Os mais ricos associam-se na Ordem Terceira de São Francisco ou do Carmo; os mulatos juntam-se na Irmandade de São José ou Nossa Senhora da Boa Morte; os negros crioulos inscrevem-se sobre a invocação de Nossa Senhora das Mercês, Santa Ifigênia e São Benedito e os africanos têm por emblema Nossa Senhora do Rosário". Cada um desses grupos sociais movimentava-se pela construção de suas próprias igrejas geralmente custeadas por doações. Os principais artistas do barroco mineiro nada mais eram que simples artesãos e homens de ofício, que não possuíam sequer profissão reconhecida, pois a maioria deles era de mulatos e estes, no máximo, conseguiam autorização oficial para trabalhar. Somente os brancos e os bem estabelecidos recebiam o título de mestre de ofício. Alguns pintores, pedreiros, carpinteiros, arquitetos e entalhadores de grande criatividade e habilidade foram, mais tarde, considerados artistas. O reconhecimento vinha quando o artesão apresentava trabalhos de grande notoriedade e era responsável pela ornamentação de igrejas patrocinadas por fidalgos. Salvo em raríssimas ocasiões, este trabalho manual nunca era associado a um dom artístico pessoal.

O

A Pintura Barroca de Ataíde Manoel da Costa Ataíde foi um dos grandes artistas do barroco mineiro. A marca do talento do pintor Ataíde, está evidenciada em diversas pinturas e afrescos nos tetos e laterais de Igrejas mineiras. Nasceu em Mariana, Minas Gerais, no ano de 1762. O dia do seu nascimento é desconhecido, embora alguns historiadores apontem o dia 18 de outubro, mesma data do seu batismo. Era filho do militar Luís da Costa Ataíde e de Maria Barbosa de Abreu. A convivência com os engenheiros militares amigos de seu pai possibilitou o acesso a cartas geográficas e desenhos arquitetônicos, primeiro passo para o desenvolvimento de sua arte. Foi sargento e Alferes da ordenança de sua cidade, onde também possuía o título de professor de pintura e arquitetura. Começou a pintar por volta do ano de 1781, ano em

Obra prima de Ataíde: pintura do teto da nave da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto

que há registro de seu primeiro trabalho: encarnação de imagens para o santuário de Bom Jesus dos Matozinhos, em Congonhas do Campo. Foi o único pintor mineiro do período a receber destaque. Fiel à temática religiosa, seus santos, anjos e demais personagens tinham como principal característica os inconfundíveis traços mestiços, bem brasileiros. Buscava inspiração na Bíblia, nos missais e nos livros piedosos que chegava da Europa, que já evidenciavam a transição para o Rococó. Muitos de seus trabalhos foram feitos paralelamente às obras do Mestre Aleijadinho, como por exemplo, o painel que decora o teto na nave da Igreja de São Francisco de Assis da Penitência, em Ouro Preto, sua obra prima, e painéis laterais que imitam azulejos - que contam os principais episódios da vida de Abraão: A Promessa de Abraão, Restituição de Sara a Abraão, os Anjos anunciam a Abraão o nascimento de Iasaac, Abraão oferece hospitalidade aos anjos, o sacrifício de Isac, a Morte de Abraão". Uma das principais características da pintura barroca é o efeito de ilusão e movimento, um

jogo de luz e sombras que ajuda a ampliar os espaços quando feitas em elementos arquitetônicos como tetos, colunas, balcões e escadas. A profundidade dos céus - sempre muito azuis e límpidos dá a impressão de que eles realmente estão lá, e não as paredes. Outra obra notável de Ataíde é a pintura do teto da nave da Igreja do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo, onde estão os Doze Profetas de Aleijadinho. Há obras suas na Matriz de Santa Bárbara - Ascensão de Cristo e cenas da paixão de cristo na matriz de Conceição do Mato Dentro. Manoel da Costa Ataíde também foi o melhor pintor de cavalete de sua época. A Ceia, pertencente ao refeitório do Colégio da Caraça é uma de suas últimas obras. O artista teve quatro filhos mas nunca se casou. Morou boa parte de sua vida em Vila Rica, mas faleceu em sua cidade natal, Mariana, no dia 2 de fevereiro de 1830, e seu corpo, como o do Aleijadinho, está no interior da Igreja de São Francisco de Assis, em Mariana.


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Agosto de 2013

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

A fonte

V

ocê sabia que o urinol que Marcel Duchamp mandou para o Salão dos Independentes, em Nova York (1917), está completando 96 anos e foi eleito a obra mais importante de tudo o que se produziu em artes plásticas no século XX? Você sabia que, na verdade, o urinol de parede, que Duchamp intitulou de "Fonte" e assinou como sendo de R. Mutt, produzido pela J. L. Motta Iron Works Company, nem chegou a ser exibido naquele salão, porque foi censurado e a peça original, relegada, desapareceu? Você sabia que a obra considerada fundadora da contemporaneidade, portanto, não existiu, foi uma simples ideia e que permaneceu "in absentia" até os anos 1940, quando Duchamp começou a fazer réplicas dela para vários museus, e que, em 1990, a Tate Galery pagou um milhão de libras por uma dessas cópias? Você sabia que a polêmica fomentada na ocasião pelos jornais de Nova York foi organizada pelo próprio Duchamp, sua amante Beatrice Wood e pelo seu marchand Arensberger? Você sabia que embora Duchamp dissesse que o urinol era apenas um urinol, um objeto deslocado de suas funções, alguns críticos, como George Dickie, começaram a ver nessa porcelana as mesmas virtudes plásticas das obras de Brancusi? Você sabia que outros críticos, -já que o urinol havia desaparecido, começaram a ver na fotografia do mesmo feita por Stieglitz uma referência à deusa Vênus, que surgiu das águas? Você sabia que outros críticos considerando bem a fotografia do urinol concluíram que ali estava projetada a efígie de Nossa Senhora? Você sabia que a mulher do músico de vanguarda Eduardo Varese sustentava que o urinol era a reprodução da imagem de Buda? Você sabia que Duchamp, embora dissesse que o artista não deve se repetir, mandou fazer várias réplicas desse urinol para vender para museus, e confeccionou uma caixa portátil com miniaturas de suas obras para vender também para museus e colecionadores? Você sabia que o homem que dizia que a pintura estava morta era marchand e vendia quadros e esculturas de seus colegas? Você sabia que em 1993, numa exposição em Nîmes, o artista francês Pierre Pinnocelli se aproximou de um dos urinóis de Duchamp e decidiu se "apropriar" da obra, primeiro urinando nela e dizendo que o fato de ter urinado nela a obra de Duchamp agora lhe pertencia? Você sabia que depois de ter urinado no urinol, Pinnocelli, pegou um martelo e quebrou a obra de Duchamp com o argumento de que agora a obra era dele, ele havia se "apropriado" conceitualmente dela? Você sabia que ele foi processado pelo estado francês que lhe exigiu uma hipoteca de 300.000 francos e que a questão deixou de ser estética para ser policial e até o Ministro da Justiça e da

Urinol de parede que Duchamp intitulou de “Fonte” e assinou R. Mutt. A peça desapareceu

Cultura na França tiveram que opinar? Você sabia que o mesmo Pinnocelli em 2005, obcecado pelo urinol, insistindo que o urinol é de quem "intervem" nele, atacou a marteladas a cópia dessa obra no Beaubourg, em Paris, o que provocou novos problemas com a polícia? Você sabia que esse urinol comprado originalmente em loja de ferragens, com a assinatura de Duchamp vale hoje US$3.6 milhões? Você sabia que Sherry Levine mandou fazer uma réplica de bronze dourado do urinol entronizando de vez a obra como uma espécie de Mona Lisa de nossa época?

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Você sabia que Duchamp dizia que o nome "Mutt" que botou no urinol, como sendo o do pretenso autor (que era ele mesmo) era uma homenagem aos personagens em quadrinho- Mutt e Jeff? Você sabia que mesmo assim Jean Clair- considerado o maior critico francês da atualidade-, prefere entender que "Mutt" remete para uma gíria em inglês significando "imbecil" e que o pseudônimo "R. Mutt" lembra "armut, que em alemão significa "indigência", "penúria"? Você sabia que Calvin Tomkins-o biógrafo de Duchamp acha que aquele urinol é a imagem que Duchamp tinha da mulher como receptáculo do líquido masculino, em consonância com os futuristas italianos que diziam que a mulher era um "urinol de carne"? Conheça o Museu do Urinol na página 64

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A RELÍQUIA

Agosto de 2013

Museu do Urinol Fotos: reproduções

Tudo o que sai das mãos do homem pode ser pura arte, incluindo estas engenhocas chamadas "urinol".

A

história e a estética, utilizando o coletor de um dos objetos mais íntimos da vida cotidiana, são apresentadas neste museu único na cidade de Rodrigo, Salamanca, na Espanha, e já considerado o maior do mundo, de propriedade de José María del Arco "Pesetos" e família. Trata-se de peças recolhidas ao longo de muitos anos, com a ajuda de sua família e de inúmeros amigos, que visitaram lojas, mercados de pulga, sótãos, casas de campo, armazéns, hospitais e outros lugares, procurando peças para engradecer esse museu, que tem uma coleção constituída por cerca de 1.320 peças, todas singulares e de diferentes tamanhos, formas, materiais e épocas, provenientes de 27 países, sendo a mais antiga um urinol islâmico do século XIII de barro, com oito pinceladas de óxido de cobalto em estado puríssimo, e assim por diante, até o século XX. Alguns são feitos de lata, madeira, bronze, porcelana, cerâmica, cobre, alumínio, pedra, argila, vidro, ferro, esmalte, ouro, prata; o menor é como um grão de bico, feito por um joalheiro sueco em platina, e o maior tem 45 centímetros de altura, é de barro e vem da Cidade de Rodrigo (Salamanca). Esse museu é um das mais inusitados e sua inédita coleção não havia sido catalogada ainda. Essa bela e por vezes estranha seleção de utensílios conhecidos como urinol ou "penico" encerra dentro de si objetos do cotidiano mais íntimo de seus proprietários e jamais falados ou mostrados. Essa exposição nos envoca, através de suas origens e de sua própria história, as utilizações conhecidas, e recupera peças esquecidas por personagens das mais variadas situações sociais. É por isso que a oportunidade única de examinar esses aparelhos curiosos nos faz conhecer uma faceta da arte baseada em

Fachada principal do Museu do Urinol na cidade de Rodrigo, Salamanca - Espanha

nossa condição mais humana. Através desse museu, nos ilustramos sobre tantos majestosos exemplares, recordando a história de nossas mais íntimas e intrínsecas tradições. Fazendo um breve histórico, diremos que o penico foi mudando de forma com o tempo, pois na antiguidade foi oblongo, mais tarde escafoide (lembrando a quilha de embarcação), e nos séculos XIII e XV, como os hispano-árabes, em argila. Os cilíndricos, de estanho. Os redondos, os mais comuns, existem desde o século XVII, em todos os materiais. É uma peça que tem sido utilizada por milênios, já que há relatos de sua necessidade desde as primeiras dinastias dos egípcios. A partir do século XIX seu uso começou a desa-

parecer completamente, devido ao progresso, sendo utilizados nos hospitais para os enfermos, em aço inox, ou feito desse material que está em todo lugar, chamado plástico. Os gregos o chamavam de "amigo" e os romanos de "matula", ou "metella", e ele fazia parte do mobiliário, sendo geralmente de bronze. O imperador Petrônio (III a.C.) e o historiador grego Juvenal (II a.C.) dão notícias do urinol, e San Clemente, no século I d.C, relatou sobre peças refinadas , feitas de prata.


A RELÍQUIA

Agosto de 2013 O imperador Heliogábalo superou a todos no luxo, pois sentava-se entre as flores frescas de seus jardins em um penico de ouro. Em Roma, passou a ser usado a partir do século III, com o imperador romano Diocleciano. Posteriormente, nos castelos e mosteiros, foram dispostos nos cantos das escadas, por um canal que desembocava no fosso. Charles V da França alertou em 1374, em Paris, que as casas tinham de ter latrinas suficientes. No século XVII fabricavam-se penicos de faiança em grande escala e, no século XVIII, de todos os materiais. A "galanga" é um penico do tipo garrafa que aparece em 1800 e, logo depois, o urinol chato para enfermos, com pescoço e funil curvo. A "comadre" é utilizada sendo colocada entre a cama e a parte de trás do paciente, e em geral com duas alças para crianças. Há também os "dompedros", que são móveis (cadeiras, poltronas) de madeira nobre, como mogno, jacarandá, carvalho, castanheiro, cerejeira etc., e os "aparadores" , alguns deles de marfim, porcelana ou folha de ouro, como os penicos escondidos que enchem as salas das casas senhoriais, palácios e castelos. Um modelo menor, de couro ou madeira, era levado durante as viagens. Há muitas coisas que se poderiam comentar sobre essa parte da história, e de que os escritores de todos os tempos quase nunca falam, mas eles existiram e estão aí expostos. O primeiro penico inodoro e com água corrente foi inventado por Sir John Harrington, em 1596, para sua prima, a rainha Elizabeth I da Inglaterra, mas não conseguiu prosperar. Louis XIV, o Rei Sol, que governou a França entre 1643 e 1715, tinha em seu palácio os "limpadores oficiais", trabalho muito bem remunerado. Por volta de 1700 o local ideal para os penicos era na sala de jantar, escondidos em armários, cadeiras e poltronas. Em 1775 Alexander Cummings inventou a válvula para o banheiro, e o primeiro banheiro com água corrente em 1850 parece quase perfeito. O papel higiênico apareceu em 1857, vendido atrás de balcões e em caixas planas. O rolo apareceria em papel macio em 1932, mas não foi muito bem aceito na época, e em 1957 surgiu o papel colorido. Todos os nossos idosos usaram penico até muito recentemente. Essas peças estavam em quase todas as casas do mundo e, como sempre, tudo dependia do poder de compra de cada um. Primorosos e requintados artesãos de todo o mundo usavam de todo conhecimento e perícia para realizar essas joias, sendo muitas delas verdadeiras obras de arte, que hoje podem ser vistas neste museu e são notícia para vários jornais regionais e nacionais, assim como comentado por todas as estações rádio e TV, que têm lhe dedicado boa e extensa reportagem. O grande escritor e Prêmio Nobel de Literatura, D. Camilo José Cela, em sua época, dedicou-lhe uma página inteira, publicada no jornal diário ABC , falando sobre este museu único, como também o fez a revista O Antiquário na sua edição de nº 260, dedicando-lhe cinco páginas centrais com boas fotos em cores. Este museu a cada dia torna-se mais conhecido e visitado por milhares de pessoas, de todas as classes sociais, sendo surpreendido com a quantidade e a qualidade das exposições e do estado de conservação dessas peças. Fonte: Museo del Orinal

Dompedros - cadeiras/poltronas com aparadores de marfim ou porcelana, com os penicos escondidos


Agosto de 2013

A RELÍQUIA

Salão dedica Sala Especial à arte do Graffiti

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Salão de Arte deste ano dedica sua Sala Especial à arte do Grafite, com a mostra Artevidade, organizada pela Galeria Parede Viva, com a participação dos grafiteiros Mundano, Evol, Mauro, Paulo Ito e Sliks. A ideia é apresentar o universo artístico e democrático do graffiti, movimento que tomou as ruas de todo o mundo nas últimas décadas, por meio de telas, murais e instalações. A Parede Viva é uma iniciativa cultural que busca através da expressão artística do grafitti tocar as pessoas para a conscientização sobre a promoção do bem estar coletivo e a reflexão política. Tem como principal foco de trabalho o tema da reciclagem de resíduos sólidos e a divulgação de artistas da atual cena da arte de rua do Brasil. A Galeria é responsável pelo projeto social Pimp my Carroça, dedicado aos catadores de materiais recicláveis e grafiteiros, realizado nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e em fase de itinerância para novas cidades. Também participa de outras ações que buscam incluir a arte como estratégia de sustentabilidade alternativa.

EVOL Grafiteiro desde 1998, é conhecido por suas letras impressionantes em três dimensões, às vezes acompanhadas de cenários urbanos e personagens muito originais. Há poucos anos transcendeu a rua e hoje utiliza o mesmo talento em telas cada vez mais incríveis.

EVOL - Sem Título - Spray Sobre Tela 120 x 90 - 2013

MAURO É grafiteiro e arte educador do Grajaú, mas tem trabalhos em São Paulo por toda parte, como poucos. O experiente artista escreve poesias que remetem à reflexão sobre a cidade nos mais variados suportes, sempre ao lado de personagens com expressão corporal única e que levam consigo uma pequena casa amarela e marrom, uma de suas marcas registradas.

MUNDANO Conhecido por seu graffiti "papo reto" em muros, viadutos e em mais de 180 carroças dos catadores de materiais recicláveis (o projeto Pimp My Carroça, do qual é criador), o grafiteiro e ativista Mundano procura questionar conceitos e comportamentos das pessoas por meio de frases de impacto. Transcendeu as tintas e hoje é palestrante do TED e curador de outros projetos culturais e sociais de sucesso. >>>

SLIKS Sem Título (detalhe) Spray sobre tela 220 x 180 2013


A RELÍQUIA

Agosto de 2013 O jovem artista já pintou murais em Nova Iorque, Buenos Aires, Quilmes, Cochabamba, Santiago, Valparaiso, Alto Xingu, São Paulo, Rio de Janeiro, Poços de Caldas, Belém, Salvador, Brasília, Tokyo e Istambul.

Fotos: divulgação

PAULO ITO Não pinta telas desde 2009, portanto as obras que serão expostas no Salão de Arte já são uma raridade. Seu trabalho está no momento totalmente ligado aos muros das cidades, onde desenvolve murais com humor ácido sobre diversos temas da atualidade.

SLIKS

MAURO - Ver a cidade - Técnica Mista Sobre Tela 70 x 90 - 2011

Grafitti - Mundano - técnica mista sobre tela 120 x 90 cm - 2013

Fortemente afetado pela textura da cidade, sua degradação pelo tempo e pela poluição, seu trabalho é a síntese de experimentações que passam pela cor, pela espessura dos traços, pelos cruzamentos entre o micro e o macro na composição, pela passagem do suporte do muro para o suporte da tela. Na trama de linhas variadas, pelas técnicas do spray com fatcap ou na linha do diâmetro de um fio de cabelo, compõe obras que migram do figurativo para o abstrato, aleatório, sintético e micro. PAULO ITO - Sem Título - 150 x 100 - 2009

EVOL - Sem Título - Spray Sobre Tela 120 x 90 - 2013

Grafitti - Mundano - Técnica mista sobre madeira 220 x 160 - 2012


A RELÍQUIA

Agosto de 2013

Telas brasileiras na Espanha Fotos: reprodução

D

ois quadros do pintor paulista Rafael Murió serão expostos na mostra "Art Meeting in Barcelona", a partir do dia 24 de agosto, na BCM Gallery, situada no centro de Barcelona. O evento reunirá diversos artistas europeus e americanos. "Trata-se de um encontro anual nessa cidade que já é das Artes e da Cultura, um verdadeiro museu a céu aberto, que abriga obras de Gaudí e a coleção mais completa do mundo de Picasso", afirma a curadora Geni Settanni, da Waylight Eventos Culturais. Rafael Murió está completando 50 anos de carreira e vem se destacando por ser um dos pintores com maior presença em eventos internacionais. Só neste ano, participou de exposições no Carrousel du Louvre, em Paris (França), em Nova York (EUA) e na cidade do Porto (Portugal). Suas obras estão presentes em acervos de grandes colecionadores, principalmente europeus, americanos e australianos. No País, podem ser encontrados nos principais leilões do mercado de arte, além de galerias e museus. Detém inúmeros certificados, prêmios e menções honrosas, além de registros em diversos guias de arte.

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Barcelona 2013 - bx

SERVIÇO "Art Meeting in Barcelona" Exposição: de 24 a 31 de agosto de 2013

Local: BCM Gallery - Bailén, 134, Barcelona - Espanha


A RELÍQUIA

Agosto de 2013

Toz, Traço e Trajetória B

aiano, de Salvador, sempre foi desenhista. Toz conta em seu livro biográfico "Toz, Traço e Trajetória" que desde pequeno desenhava seu cotidiano, na capital baiana e criava suas histórias. Percebeu também que desenhava para expressar seus sentimentos, os mais diversos. O grafite começou a entrar em sua vida anos mais tarde, em 1998, quando estudava design no Rio de Janeiro e frequentava a Lapa para "conhecer os personagens da cena carioca", diz, acompanhado de seu amigo Rodrigo - ROD - conhecedor do grafite e principal incentivador de Toz. No livro, Toz conta que começou a grafitar copiando e aos poucos foi criando seu próprio traço; no início usava as letras, mas percebeu que seu negocio eram os personagens clássicos como: herói, princesa, apaixonado, bonzinho, sábio, chato e o vilão, e suas histórias por eles ilustradas. Sempre produzindo muito, foi além dos muros e das duras da polícia e em 2007, pela primeira vez, mostrou seu trabalho em uma galeria de arte, em Belo Horizonte - MG e garante que essa, também, foi a primeira vez que conseguiu reunir suas "ideias, desenhos, telas e objetos e comunicar um conjunto, uma unidade, uma linguagem própria".

Vendedor de Alegria Tropical

Insônia O primeiro personagem apresentado no livro é o "Insônia, um personagem noturno, urbano, estranho, sobrenatural e carismático" inspirado nos cariocas boêmios e freqüentadores da madrugada, que Toz gosta de freqüentar e observar. Além dos insones e boêmios, Insônia tem elementos da Feira Popular de São Joaquim, em Salvador, local que sempre atraiu o grafiteiro e onde gosta de visitar.

Vendedor de alegria Indo mais além, criou um personagem que saiu das telas, trazendo-o à realidade palpável e com a ajuda de uma costureira, transformou o desenho em um boneco de pano com a cabeça de bolas coloridas e o expôs. O Vendedor de Alegria surgiu, mais uma vez, da cena carioca, mas dessa vez trocando a noite pelo dia e o asfalto pela areia; é resultado do fascínio de Toz por um vendedor diferente, que não vendia mate ou biscoito globo, mas sim bolas gigantes e coloridas, ganhando dinheiro com a diversão das crianças. Depois da exposição as bolas do Vendedor foram doadas para uma creche, mais uma vez divertindo crianças.

Liberdade - Presídio Frei Caneca - RJ Carlos Vergara, artista plástico, convidou-o ara participar de sua mostra "Liberdade", como foi intitulada, no Complexo Penitenciário Frei Caneca, que seria implodido. Grafitou, direto no muro no presídio, portas de celas, janelas.

Painel na Zona Portuária do Rio de Janeiro

Sinais do Fazer - Juazeiro do Norte, CE

Painel Maracanã

Em 2012 viveu mais uma nova experiência, a convite da professora cearense Agalíze Damasceno e da curadora Isabel Portella, Toz foi para o Ceará para um projeto com workshop com estudantes locais e a criação de um painel para a cidade. Conta que se surpreendeu em todos os momentos da viagem e passou a enxergar seu próprio trabalho de maneira diferente e diz, positivamente, acreditar ser esse o objetivo das viagens "acho que é para isso mesmo que viajamos: para mudarmos o nosso ponto de vista".

O muro da supervia, localizado em frente ao estádio de futebol Maracanã, com uma extensão de 20m de largura por 2,5m de altura, virou uma tela feita pelo grafiteiro com a ajuda de 11 jovens do Instituto Bola pra frente, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, na faixa etária de 6 a 17 anos. A obra faz parte do projeto "Several Players, one Goal", da Missão Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas e demais Organismos Internacionais. A obra será fotografada e transformada em plotagem para ser exposta na sede da ONU, em Genebra.


Edção 194 ipad