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Espiritualidade na prática clínica: como fazer?

Anahy Fagundes Dias Fonseca / Leandro Timm Pizutti / Lorena Caleffi A espiritualidade pode promover efeitos positivos ou negativos na saúde do paciente, já demonstrado em alguns estudos. Entretanto, ainda temos dificuldade para abordar este assunto com nossos pacientes. Não existe uma só forma de abordar a espiritualidade, assim como não existe apenas uma forma correta. Mas, não trazer esse aspecto da vida do paciente para o tratamento pode levar a um entendimento parcial dos afetos, relacionamentos interpessoais e mesmo sintomas. O conhecimento científico e prático do assunto pode evitar conflitos na relação médico-paciente, beneficiar os desfechos clínicos e facilitar o atendimento psiquiátrico. Abordar a espiritualidade na prática clínica, portanto, promove uma relação mais completa entre o paciente e o psicoterapeuta. Pesquisadores têm criado formas de facilitar a abordagem da espiritualidade para os psiquiatras que ainda possuem dificuldades com o tema. Devemos saber o melhor momento e forma de se abordar essa dimensão, sem julgar as preferências religiosas de cada paciente, de forma a oferecer um entendimento o mais humano e integral possível. O clínico deve estar atento à dimensão espiritual do paciente, seja ela positiva ou negativa, intrínseca ou extrínseca.


Vitamina D e sintomas depressivos: o que há de realidade nessa associação

Cristiano Tschiedel / Fernando Neves / Flávio Shansis A Vitamina D é um dos hormônios mais antigos que existem e pode ser encontrada no zooplâncton, fitoplâncton, e na maioria das plantas e animais expostos à luz solar. A principal função do metabolismo da Vitamina relaciona-se com o metabolismo do cálcio e fósforo e mineralização óssea. Entretanto, o receptor da Vitamina D está expresso em quase 100% das células do homem sugerindo um importante papel na homeostase sistêmica. Estima-se que existam cerca um bilhão de pessoas no mundo com insuficiência ou deficiência de Vitamina D. Evidências relacionam níveis normais de Vitamina D com risco reduzido para diversos tipos de cânceres, doenças autoimunes, doenças infecciosas e doença cardiovascular. Haveria uma relação dos níveis de Vitamina D e de seu metabolismo com a manifestação, sintomatologia e desfecho na Depressão Maior? A proposta do grupo de estudos “Vitamina D sintomas depressivos: o que há de realidade nessa associação” é revisar a literatura e apresentar estes resultados no Ciclo de Avanços em Clínica Psiquiátrica.


Inovações e charlatanismos no Alzheimer: o que o futuro nos reserva?

Eduardo Hostin Sabbi / Bruno Guidolin / Francisco Paschoal Junior A doença de Alzheimer é considerada a demência mais prevalente, sendo caraterizada como um distúrbio degenerativo do cérebro que leva à perda de memória e mudanças de comportamento. A notícia de um diagnóstico de demência causa um intenso impacto na vida de pacientes e familiares. Os principais motivos referem-se à impossibilidade de cura e à progressão por vezes rápida dos sintomas. Novas descobertas sobre o funcionamento da Demência de Alzheimer devem resultar, nos próximos anos, em medicamentos e terapias mais eficientes para a desaceleração da doença. Pesquisas cientificas prometem um diagnostico mais eficaz e uma melhora no prognóstico da doença. Mas quais são os tratamentos propostos para o cuidado com a memória e para a demência de Alzheimer? O grupo estudou métodos farmacológicos e não farmacológicos que estão sendo usados para a tratamento da demência de Alzheimer. Foram selecionados estudos científicos que mostram a eficácia ou a ineficiência destes tratamentos para a doença. Os participantes do grupo convidam os colegas a realizar uma reflexão sobre como estão sendo utilizados esses métodos e sobre como o mercado esta vendendo alternativas ditas “milagrosas” para a cura da demência de Alzheimer.


Empatia e “Medical Humanities”: leituras possíveis em Psiquiatria Aleteia Crestani / Ana Cristina Tietzmann / Mariana Paim Santos

O fenômeno da empatia pode ser definido como a competência do indivíduo de se colocar no lugar do outro, mesmo quando entre eles existam profundas diferenças. A Arte destaca-se como meio capaz de promover conexão entre os indivíduos. Traduzindo aspectos profundamente inerentes ao Ser Humano, de diferentes formas, a arte comunica nossa Humanidade. “Medical Humanities” é o campo que, no exterior, estuda as disciplinas humanísticas, sobretudo a Literatura, como ferramenta para ampliar a comunicação entre médicos e pacientes e para colaborar com o tratamento de doenças. Neste contexto, a empatia tem sido um fenômeno chave, que pode ser compreendido por uma gama de leituras possíveis, como a Neurociência, a Bioética, a Antropologia, entre outras. Nosso grupo de estudos tem por objetivo integrar tais perspectivas, partindo de obras literárias selecionadas, para estudar o papel da empatia na compreensão e no tratamento de pacientes em Psiquiatria.


Onde anda o Superego? Jefferson Escobar / Angela Wirth

A ideia à este assunto surgiu a partir da observação do cenário atual, da realidade em que estamos vivendo neste momento, onde perdemos os parâmetros do comportamento social, o respeito aos limites; o comprometimento de cada um com as situações se faz esquecido. A individualidade e a busca do prazer se torna “o alvo”. Há uma exaltação e reforço dos aspectos individualistas, narcisistas e muitas vezes perverso. Nos deparamos diariamente com manchetes e notícias trágicas, graves, mas que não nos tocam mais, se banalizam em nosso meio. A figura de autoridade, com o compromisso de ser um exemplo a sociedade, minimiza seu comportamento ilegal e banaliza suas condutas antissociais. Com o objetivo de colocar este assunto em discussão, pensando na nossa responsabilidade no papel social, vamos indagar e polemizar, sem a intenção de termos as respostas objetivas e imediatas, vamos revisar o papel da CULPA – a organização do superego e fatores que influenciam na formação deste, questionando o por que este fator psicológico organizador social encontra-se esmaecido em nossa sociedade, e qual o nosso papel nisso.


Atualizações sobre o uso da cetamina

Rafael Moreno Ferro de Araújo / Diana Kuhn / Ronaldo Rodrigues de Oliveira O uso terapêutico da cetamina (quetamina ou ketamina) tem sido um tema crescente de estudos associados à redução aguda da ideação suicida e no tratamento de sintomas depressivos graves e refratários. A sua forma parenteral (intramuscular ou intravenosa) mostrou evidências preliminares de eficácia e eficiência, com efeitos colaterais mínimos a curto prazo. Outras vias de administração ainda estão em estudo (oral, sublingual, intranasal, subcutânea) e podem ser alternativas úteis à dificuldade de acesso ao ambiente hospitalar, visto que as vias paraenterais necessitam deste cuidado. O objetivo desse grupo é mostrar ao clínico os estudos mais recentes sobre o tema, assim como mostrar a prática clínica de alguns serviços que já vêm utilizando a cetamina como alternativa terapêutica.


Intervenções em Psiquiatria Positiva: Evidências e Controvérsias Félix Kessler

“A vida impõe os mesmos reveses e tragédias tanto para o otimista quanto para o pessimista, mas o otimista consegue enfrentá-los com mais tranquilidade”. – Martin Seligman –

Será que é possível ensinar ou treinar o otimismo, por exemplo? A Psiquiatria Positiva visa aumentar o bem-estar e os níveis ou momentos de “felicidade” dos indivíduos, através do estímulo dos traços de personalidade e virtudes humanas, e de intervenções fundamentadas cientificamente. Estas, por sua vez, promovem um funcionamento positivo e melhor adaptado do sujeito, quando devidamente aplicadas por um terapeuta treinado. Mas afinal, para quais perfis de pacientes devemos desenvolver a resiliência, otimismo e auto eficácia? Quais pessoas não se beneficiam de intervenções pautadas no humor e na gratidão? Quando indicar a prática da autocompaixão e ou compaixão? Através de uma revisão atualizada da literatura científica sobre o tema, o grupo pretende apresentar de forma teórica e prática algumas das evidências e controvérsias da Psiquiatria Positiva no processo da motivação, as estratégias de intervenção e o impacto na mudança de hábitos negativos.


Burnout na formação médica: o custo da empatia Simone Hauck / Claudio Eizirik

Cada vez mais se acumulam evidências sobre a morbidade associada a formação médica. Risco aumentado para doença psiquiátrica e certamente prejuízo ao bem estar e vida pessoais, ainda pouco estudados, estão presentes desde a preparação para o vestibular. Pelo menos dentro da carreira acadêmica, esse risco parece aumentar ao longo do tempo, chegando a 6x o risco da população geral no doutorado. É fundamental o desenvolvimento de projetos que possam auxiliar no entendimento desse processo, viabilizando ações e mudanças embasadas no aprofundamento da compreensão da trajetória dos médicos. Acreditamos que um dos fatores importantes dentro desse processo é a empatia. Desde a sua definição, ainda há muito para compreender sobre como ela interage com outros fatores na qualidade do trabalho com os pacientes e no impacto deste sobre o profissional. Ao dialogar com outras metodologias e cenários, a compreensão psicanalítica nos parece fundamental, tendo muito a contribuir ao sair das paredes dos consultórios e institutos de formação


Estudando a violência doméstica: 15 anos de avanços? Vivian Peres Day / Lisieux Telles

Motivadas pelo convívio diário com doentes mentais agressores no Instituto Psiquiátrico Forense de Porto Alegre, as coordenadoras, em 2003, se propuseram a estudar o tema da violência doméstica ao se depararem com a dura realidade de que as vítimas preferenciais destes pacientes eram membros da família - dos homens, suas companheiras ou mães, e das mulheres, seus filhos. O tema mostrou-se muito mais complexo e perpassando os muros de nossas precárias e pobres instituições psiquiátricas. Aderiram ao grupo, além de colegas psiquiatras, outros profissionais, em especial da área do direito que incansáveis e também perplexos, tentam entender e coibir tais atos. Nestes quinze anos, o grupo se remodelou, expandiu seus horizontes, assim como a sociedade que avançou em conquistas, leis e transparência. Percebeu-se que o tema abrange muitos aspectos além da doença mental, do uso de drogas, das desigualdades sociais, diferenças culturais e questões de gênero. Neste ano, refletiremos sobre o tema juntos e convidamos a todos para seguirmos nessa jornada. Resta saber se poderemos ou não comemorar reais avanços.


A prescrição psiquiátrica em comorbidades clínicas complexas: o papel integrador do psiquiatra Luis Guilherme Streb

A interface entre a Psiquiatria e a Clínica Médica, incluindo Cirurgia e Ginecologia, é muito ampla e freqüente. Os pacientes psiquiátricos muitas vezes já tratam doenças sistêmicas crônicas, principalmente se forem idosos, que devem ser consideradas tanto no diagnóstico quanto no tratamento de afecções psiquiátricas co-mórbidas. Estes pacientes em geral são polimedicados e podem inclusive apresentar sintomas pseudo-psiquiátricos que são efeitos colaterais de seus tratamentos. Um fluxo etio-patogênico de duas vias existe envolvendo transtornos psiquiátricos e doenças físicas. Nosso grupo vai apresentar inicialmente o panorama de co-morbidades (superposições sintomáticas e etiológicas); num segundo momento, veremos como os tratamentos podem se sobrepor positiva ou negativamente, dando ênfase às interações medicamentosas mais comuns e prejudiciais. Vamos colocar o psiquiatra como integrador tanto no diagnóstico quanto no tratamento de situações complicadas, no sentido de uma prescrição enxuta e racional. Vamos incentivar e convidar os participantes a tomarem uma posição orientadora no contato com colegas de outras especialidades na execução de tratamentos específicos ao paciente, mas amplos em suas abordagens, especialmente psicofarmacoterapêuticas.


Complexo de Édipo: nada será como antes? Idel Idel Mondrzak

A descoberta do Complexo de Édipo, foi e continua sendo um dos pilares da psicanálise. Pretendemos contextualizar esse tema, dentro do mundo atual, e examinar suas implicações na nossa tarefa psicoterápica. Faremos uma breve introdução da sua descoberta por Freud, a expansão do conceito com M. Klein e posteriormente com Bion. Através de situações clínicas, procuraremos trazer questões, dúvidas e problemas atuais que se impõem no nosso trabalho, incluindo temas referentes a diversidades sexuais, tendo como objetivo o debate com todo o grupo.

Onze grupos resumos  
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