JA - Dezembro/2021

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Esperamos vocês em nossa nova casa! JORNAL DA APRS

Nº 11 | Dezembro de 2021

Retrospectiva das Gestões 2016-2021 pg. 5

Destaques do XV Congresso Gaúcho de Psiquiatria

Uma Epidemia Silenciosa: O Abuso Sexual e A Pandemia

pg. 26

pg. 34

Recém Criado o Núcleo de Humanidades Médicas pg. 36


Expediente do Jornal – JA Esta é uma publicação da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul Workstyle Rua Miguel Tostes, 201 | Sala 1014 Bairro Rio Branco CEP 90430-061 | Porto Alegre | RS www.aprs.org.br – aprs@aprs.org.br JORNAL DA APRS facebook – aprs.psiquiatria

DIRETORIA Gestão 2019/2021 PRESIDENTE

Flávio Milman Shansis

Sumário Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mariana Paim Santos

3

Palavra do Presidente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Flávio Milman Shansis

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Reportagem da Capa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Retrospectiva Gestões APRS 2016-2021 e A Conquista da Própria Sede

5

VICE-PRESIDENTE

Novos Associados. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

19

DIRETORA CIENTÍFICA

Destaques do XV Congresso Gaúcho de Psiquiatria Nosso Congresso – Uma Nova Vivência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Andréa Poyastro Pinheiro

26

Fernando M. Schneider Andrea Poyastro Pinheiro DIRETOR CIENTÍFICO ADJUNTO

Lúcio Cardon

DIRETORA TESOUREIRA

Caroline Peter Scherer DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Rafael Mondrzak

DIRETORA DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Berenice Rheinheimer DIRETORA DE NORMAS

Andréia Sandri

DIRETORA DE INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

Mariana Paim Santos

CONSELHO FISCAL – TITULARES

Fernando Lejderman Laís Knijnik Lizete Pessini Pezzi

CONSELHO FISCAL – SUPLENTES

Alba Tereza do Prado Prolla Ana Lucia Duarte Baron Tiago Crestana CONSELHO EDITORIAL DO JORNAL 11ª edição | Dezembro 2021 EDITORA

Mariana Paim Santos CORPO EDITORIAL

Betina Marianate Cardoso Mariana Almeida Pedro Victor Santos DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Rafael Mondrzak

PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO

Marta Castilhos

SECRETARIA DA APRS Coordenadora administrativo-financeira

Ana Paula Sarmento Cruz administrativo@aprs.org.br Secretária sênior

Sandra Maria Schmaedecke – RP 1464 aprs@aprs.org.br Auxiliar de Secretariado

Nataniele Oliveira do Nascimento atendimento@aprs.org.br Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos signatários e não representam necessariamente a opinião institucional.

Trabalhos Premiados Daniel Luccas Arenas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Raquel Wermann Foschiera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Luiza Silveira Lucas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Augusto Martins Lucas Bittencourt . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . André Luiz Girotto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

27 28 28 29 29

Voluntariado O Grupo de Voluntariado da APRS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Andréia Sandri

30

Lançamento de Livro Transexualidade, da Assistência Médica à Conquista de Direitos . . . . Maria Inês Lobato

32

Seção de Crônicas Lições da Pandemia? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pedro Victor de Lima Nascimento Santos Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes na Pandemia do COVID-19: um mal silencioso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mariana Ribeiro de Almeida

33 34

Seção de Humanidades Médicas Humanidades Médicas: quando o singular vira plural . . . . . . . . . Betina Mariante Cardoso

36

Drops Atualização em Psicofarmacologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eduardo Trachtenberg

40

Drops Vitaminado Uma Psiquiatria Canábica? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Felipe Bauer Pinto da Costa

42

Espaço do Sócio: Edição Especial de Retrospectiva do Intervalo Cultural do XV Congresso Gaúcho de Psiquiatria O Sarau Virtual do Congresso - Ana Cristina Tietzmann. . . . . . . . A Poesia na Hora - Mariana Paim Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . Minha Experiência - Andréa Poyastro Pinheiro. . . . . . . . . . . . . . . Coral UFCSPA - Pedro Henrique Iserhard Zoratto . . . . . . . . . . . . As Amigas da Poesia - Lizete Pessini Pezzi. . . . . . . . . . . . . . . . .

44 45 46 47 48

Trends in Psychiatry and Psychotherapy Novas Perspectivas Ives Passos Cavalcante, Rochele Paz Fonseca e Denise Arend. . . .

50


EDITORIAL

Gestões 2016-2021 da APRS: Consolidação do Crescimento Institucional Mariana Paim Santos* As gestões de 2016-2021 caracteri-

Além de assumirmos a responsabilidade de manter e

zaram-se por fortalecer a identida-

aprimorar a qualidade científica da APRS e promover

de científica e social. Em relação ao

importantes ações sociais, a instituição amadureceu

cunho científico da associação, po-

e desenvolveu-se no que concerne à valorização da

de-se citar um aumento do número

equidade de gênero, da sustentabilidade ambiental,

de atividades científicas e maior inte-

das artes e das humanidades médicas. Consolidamos

gração dos sócios à APRS, com mais

este crescimento institucional com a aquisição de uma

participantes nos eventos e pela criação das seccionais

nova sede. Nesta edição, realizamos uma retrospecti-

em regiões do RS, aproximando os colegas do interior.

va dos últimos 6 anos das gestões 2016-2021.

Tornou-se possível o acadêmico de medicina também se associar à APRS, abrindo espaço para as novas gerações

Perto do fim da pandemia? Países em lockdown nova-

de futuros psiquiatras. Também, é importante ressaltar

mente? Novas variantes? Fazemos planos, refazemos

outros passos importantes que foram dados na gestão,

planos, sem certezas de como serão os decretos e as

tais como a indexação da revista Trends in Psychiatry

condições sanitárias nos próximos dias. Seguimos. A

and Psychotherapy no Web of Science.

sensação deste momento da História me rememora a música Roda Vida de Chico Buarque:

Acerca do maior desenvolvimento da identidade social, foram realizados projetos importantes como o Atendimento Solidário com quase 1700 inscrições de pessoas da comunidade para atendimento e parceria com diversas entidades, o projeto contra a violência doméstica, o projeto de voluntariado e o projeto con-

“A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda-viva E carrega o destino pra lá”.

tra os maus-tratos. Parafraseando o pensador Edgar Morin: “Antes, a genDepois, veio a pandemia e uma nova realidade se im-

te achava que existia um progresso certo e agora o

pôs. Estávamos em um período de crescimento insti-

futuro é uma angústia. Por isso, suportar, enfrentar

tucional quando a pandemia se estabeleceu. Por isso,

a incerteza é não naufragar na angústia, saber que

tivemos que tanto “nós” como indivíduos quanto “nós”

é preciso, de certa forma, participar com o outro, de

como instituição aprender a lidar com as incertezas

algo em comum, porque a única resposta aos que têm

e as consequentes angústias estabelecidas pela nova

a angústia de morrer é o amor e a vida em comum”.

situação. O coletivo nunca foi tão importante, o iso-

Já estamos mais conscientes de que é um dia de cada

lamento que nos foi imposto nos fez valorizar mais a

vez, de que não temos mais a ilusão de controle do

conexão. E no momento de crise global, nos unimos

amanhã. Exige paciência. O que podemos fazer é con-

mais e a instituição consolidou seu crescimento.

tinuar estudando e mantendo o senso de curiosidade em aprender e um senso de solidariedade. Vimos que

Iniciamos as atividades científicas na pandemia com lives

conseguimos enfrentar a crise e crescer institucional-

e webinários pelo Instagram até nos adaptarmos às atuais

mente, pois estamos unidos com interesses em co-

circunstâncias e retomarmos os eventos pelo Zoom. Nos

mum, como o aprimoramento científico.Tenhamos es-

valendo do conceito do ideograma chinês para ”crise”, o

perança. Pois, como já referiu Edgar Morin, ainda que

qual é representado pelos símbolos das palavras “perigo”

a esperança não seja uma certeza, seja uma crença, é

e “oportunidade”, nos cuidamos e tomamos impulso na

ela o fermento para as grandes transformações.

oportunidade de mantermos a APRS ativa e cheia de vitalidade como tem sido nos últimos 6 anos.

Boa leitura!

* Editora do Jornal da APRS

3


PALAVRA DO PRESIDENTE

Seis anos que contam a sua História. Flavio Milman Shansis* Encerrar um ciclo traz sempre sentimentos contraditó-

Estes pilares nortearam nossas duas Diretorias de for-

rios. De um lado, a certeza de que já é chegado o mo-

ma contínua e se estabeleceram a partir de ferramen-

mento de passar o bastão e que outros seguirão, a seu

tas contemporâneas de gerenciamento. Os resultados

modo, o caminho. De outro, uma ideia de que sempre

foram inúmeros, mas a aquisição e reforma de uma

fica uma incompletude, que ainda teria algo a fazer

sede própria (pagas integramente pela atual gestão)

ou que algo poderia ser refeito de uma forma melhor.

fala por si e ficará como nossa grande herança para a

Desta ambivalência não há como escapar. Resta resig-

história da APRS. Um passo importantíssimo de auto-

nar-se com a obra (que sempre é) incompleta.

nomia que foi dado por todos os associados.

Apesar desta ambivalência, no entanto, este é um mo-

Por fim, sempre resta se desculpar. Pedir desculpas

mento de balanço. Balanço de seis anos de gestão. Ba-

pelos inevitáveis erros cometidos. Pedir desculpas por

lanço de duas gestões que se complementaram. Este

uma ou outra missão que não pode ser completada,

número de nosso jornal JA fala disso: do que fizemos.

pedir desculpas por algum mal-entendido. A única cer-

E, como diz o velho chavão, “os números não men-

teza é de estes erros foram todos cometidos com o

tem jamais”. Neste sentido, os números referentes a

intuito de acertar e, talvez, por isso, possam sem mais

estes seis anos são muito favoráveis a todos aqueles

bem compreendidos no futuro.

que estiveram envolvidos nestas duas gestões. Números referentes a profícua atividade científica (função

Pessoalmente, só tenho a agradecer o privilégio e a

primeira de nossa associação), números sobre nossa

honra que me foram dados pelos associados para ser o

saúde financeira, números sobre a quantidade de co-

presidente da nossa APRS por seis longos anos. Espero

legas que participaram, números sobre uma gestão

ter contribuído, junto com tantos colegas, para o forta-

administrativa coerente e assertiva.

lecimento de nossa instituição. Espero, ainda, ter trazido temas que antes eram poucos comuns em nosso

Mas “se os números não mentem jamais”, também os

meio: a discriminação de todos os tipos em nossa so-

sentimentos falam, por si, de como nossos associados

ciedade, a grave desigualdade social na qual vivemos e

sentiram a APRS. Neste aspecto, o clima de proximi-

a necessidade cada vez maior de inclusão, a questão da

dade (mesmo em tempos pandêmicos), de camarada-

discrepância de oportunidades entre gêneros, o cuida-

gem, de solidariedade, de associativismo e de cresci-

do com a comunidade em que estamos inseridos atra-

mento pessoal permearam estes seis anos.

vés de atividades de voluntariado. Trazer estes temas e exercê-los na prática foi uma de nossas missões. E

Para que todo este sucesso acontecesse, dois grupos

para ser coerente com isso, trago aqui a ideia de que já

distintos em duas diferentes Diretorias, junto a cole-

é momento de termos novamente uma presidente mu-

gas de Departamentos, Núcleos, Comissões e Seccio-

lher em nossa Associação que hoje possui uma maioria

nais, trabalharam de forma incessante. Todo o tem-

de sócias. Ao longo destes 83 anos, só tivemos três

po, desde 2016 até 2021, a gestão se baseou em

colegas mulheres neste cargo. Que em 2024 tenhamos

quatro pilares: sustentabilidade financeira, pro-

uma outra colega na nossa presidência.

fissionalismo dos serviços prestados, transparência nas ações tomadas e compromisso social.

Deixo aqui meu mais afetuoso abraço a todas e a todos. Mesmo sem nenhum cargo a partir de agora, sigo à disposição sempre que for chamado para auxiliar nos destinos da nossa querida Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.

* Flávio Milman Shansis Presidente APRS.

4

Vida longa à APRS!


Retrospectiva APRS 2016-2021 e a Conquista da Sede Própria Nos últimos 6 anos, realizamos 577 dias de atividades científicas entre cursos, simpósios, workshops, palestras/ webinars, ciclos de avanços, congressos e rodas de conversas, sendo 274 eventos na gestão 2016-2018; e 303, na de 2019-2021. Ou seja, a pandemia, nos aproximou, nos conectamos mais, aumentando o número de atividades. Além do aumento do número de atividades científicas, destaca-se o aumento do número de sócios, com mais de 200 novos colegas associando-se à instituição nas gestões de 20162021. Ainda, a Diretoria se aproximou dos colegas sócios do interior com a criação das seccionais e jornadas realizadas em conjunto com as mesmas. Também se aproximou dos acadêmicos de medicina com a criação do Núcleo de Ligas e a possibilidade dos estudantes de medicina se associarem à instituição. 5


Foram organizados 3 Congressos Gaúchos de Psiquiatria: em 2017 e 2019 em Bento Gonçalves e em 2021 na modalidade online, totalizando 13 dias de programação e 173 atividades de alta qualidade. Foram dias de imersão em Psiquiatria Clínica, Psicoterapia, Neurociências, eventos para a comunidade

6

e culturais com palestrantes nacionais e internacionais. Estes Congressos das gestões 2016-2021 foram pioneiros nos âmbitos da sustentabilidade ambiental, da inclusão social e incentivo à cultura. Em relação à sustentabilidade aponto as iniciativas realizadas no XIII Congresso Gaúcho de Psiquiatria em


2017: as pastas utilizadas no evento foram lizando a situação de quem vive na rua”, recicladas e doadas para e a Associação de “A voz LGBTT”, “O(s) Movimento(s) Afro” e Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de a mesa ”Cultura Afrobrasileira: o que você Bento Gonçalves para as crianças customizatem a ver com isso?”. rem os materiais. O crachá também era reciclável, podendo se plantar mudas a partir do Também foram realizados 4 Ciclos de mesmo. Houve premiações para quem planAvanços, 2016, 2017, 2018 e 2019, com tou as mudas e enviou foto da sua planta, os a formação de 58 grupos de estudos. Esta premiados ganharam insé uma atividade tradiciocrições para o Congresso nal da APRS que apenas Nas atividades seguinte. Ainda, em Bento não pode ser realizada Gonçalves, foram plantanos últimos 2 anos devido realizadas neste das 60 mudas de árvores às questões sanitárias da intervalo de frutíferas e ornamentais pandemia. tempo, tivemos para a recuperação do gás carbônico. 1.304 palestrantes Neste período, estabelecemos inúmeras parcerias e 19.193 Em relação à inclusão socom importantes instituiparticipantes nos cial, foi criada a APRS Inções, como o Centro de Esclusiva no XIII Congresso tudos Luís Guedes (CELG), eventos. Gaúcho de Psiquiatria sob a Sociedade Psicanalítica a coordenação do sócio de Porto Alegre (SPPA), a Leonardo Rubin. Este espaço surgiu inicialSociedade Brasileira de Psicanálise de Pormente nos intervalos do Congresso, passanto Alegre (SBPdePA), o Hospital Psiquiátrido para a grade da programação no Conco São Pedro (HPSP), , a Associação Brasigresso seguinte em 2019. Destacamos os leira de Estudos do Álcool e outras Drogas seguintes espaços inclusivos nos Congres(ABEAD), o Ministério Público, a Associação sos, os quais tiveram o objetivo de desperMédica do Rio grande do Sul (AMRIGS) e o tar um novo olhar sobre questões sociais de Conselho Regional de Medicina do Rio Granexclusões: “Percursos Migratórios (roda de de do Sul (CREMERS). Além do contrato firconversa sobre os imigrantes e refugiados mado com a plataforma online Artmed+360 no Brasil)”, “No caminho do bem - visibipara a comercialização dos cursos da APRS.

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As atividades que se destacaram por maior procura

2.420

421

350

I Simpósio de Interligas de Psiquiatria do RS

Webinar: O mundo em tempos de pandemia: a ótica da psicanálise

Webinar: Ler, escrever, elaborar: Literatura e Saúde Mental durante a pandemia

inscritos

inscritos

inscritos


As atividades que se destacaram por maior procura refletem a pluralidade da APRS e do maior motivo para ela existir: os seus sócios. A alta demanda por atividades tão diversas como nas áreas de psicofarmacologia, psicoterapia, humanidades médicas, neurociências e espiritualidade sintetizam o psiquiatra gaúcho, plural e com uma visão interdisciplinar tanto clínica quanto psicoterápica.

250

202

198

Sobre a Morte e Renascimento: abordagens religiosa/ espiritual e psicológica

1o congresso mundial de microbioma, neurodesenvolvimento e comportamento

Curso Revisitando Conceitos em Psicofarmacologia

inscritos

inscritos

inscritos

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JORNAL DA APRS Julho 2016

Dezembro 2016

Julho 2017

Dezembro 2017

Julho 2018

Dezembro 2018

Julho 2019

Dezembro 2019

Outubro 2020

Julho 2021

Dezembro 2021

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Além destas atividades dos departamentos, núcleos, comissões e comitês, dos congressos e ciclos de avanços, foram realizadas diversas rodas de conversas sobre livros, séries e filmes, aulas inaugurais e webinários. Começamos a pandemia com diversas lives pelo Instagrams e fomos nos adaptando até retomarmos as atividades online pelo Zoom. Terminamos a gestão com a roda de conversa sobre a série This Is Us do Amazon Prime.

Para se tornar possível todo o crescimento institucional nestes últimos 6 anos, muito trabalho foi realizado, contabilizando:

24 assembleias 171 reuniões, sendo 29 com o Conselho Fiscal 23 edições da revista científica Trends in Psychiatry and Psychotherapy

11 edições do Jornal da APRS Entrega de 6 agendas

Todos estes fatores citados contribuíram para dobrarmos nosso patrimônio institucional, possibilitando a compra da própria sede da APRS, rua Miguel Tostes, 201, Rio Branco, prédio Workstyle em Porto Alegre/ RS. É de fundamental importância destacarmos que todo este desenvolvimento da Associação ocorreu sem o patrocínio da indústria farmacêutica, sendo este um marco histórico de amadurecimento e autonomia institucional. A gestão termina seu mandato fortalecendo a psiquiatria gaúcha através das mudanças administrativas, qualidade científica, iniciativas sociais e culturais, integração institucional com seus sócios e com outras associações como já mencionado, deixando uma APRS em pleno vigor. Em seus 83 anos de existência nossa querida APRS esbanja vitalidade.

A inauguração da própria sede ocorreu em 18 de dezembro de 2021. 11


Em 18 de dezembro de 2021, ocorreu a inauguração da sede própria da APRS. Entre os presentes, estavam o presidente da APRS e da AMRiGS, ex-presidentes da APRS, membros da diretoria atual, passada e da próxima gestão, além de coordenadores de departamentos, núcleos e seccionais. A partir de 3 de janeiro, a sede estará aberta para receber todos os associados.

Hans Schreen, ex-presidente da APRS e Flávio Milman Shansis fazem o descerramento da placa de inauguração da nova sede

Flávio Milman Shansis relembra a história da APRS até os dias de hoje

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Presidente da AMRIGS, Gerson Junqueira Jr.

Fernando Lejderman fala em nome dos ex-presidentes


Cris e Dani Filkenstein Arquitetos

Presidente e ex-presidentes da APRS com presidente da AMRIGS

Flávio Shansis, Roberto Bellora, Igor Ancantara e Pedro Zoratto

Neusa Lucion, expresidente e primeira mulher a presidir a instituição com o ex-presidente da APRS, Eugenio Grevet

Flávio Shansis e Fernando Lejderman com as funcionárias da APRS: Sandra Schmaedecke, Ana Paula Cruz e Nataniele Oliveira

Ex-presidentes da APRS Cláudio Eizirik e Fernando Lejderman na nova sede

Presidente, diretores da gestão atual, gestão passada, próxima gestão e coordenadores de departamento 13


GESTÃO - 2016-2018

Tradição e Renovação Diretoria Flávio Milman Shansis Presidente Matias Strassburger Vice-Presidente Luciano Rassier Isolan Diretor Científico Anahy Fagundes Dias Fonseca Diretora Tesoureira Fernanda Lia de Paula Ramos Diretora Tesoureira Adjunta

Conselho Fiscal Eugenio Grevet Jair Escobar Neusa Knijnik Lucion Conselho Fiscal Suplente Cláudio Laks Eizerik Fernando Schneider Gisele Gus Manfro

Eduardo Trachtenberg Diretor de Divulgação Andréia Sandri Diretora Secretária de Normas Ana Cristina Tietzmann Diretora Secretária Adjunta do Exercício Profissional

14


GESTÃO - 2019-2021

Consolidando o crescimento Diretoria Flávio Milman Shansis Presidente

Conselho Fiscal:

Fernando Mulhemberg Schneider Vice-Presidente

Fernando Lejderman Laís Knijnik Lizete Pessini Pezzi

Andréa Poyastro Pinheiro Diretora Científica

Membros Suplentes:

Lucas Spanembergr* Diretor Tesoureiro

Alba Tereza Veppo Prolla Ana Lucia Duarte Baron Tiago Crestana

Matheus Reche** Diretor Tesoureiro Adjunto Betina Kruter*** Diretora de Divulgação Andreia Sandri Diretora de Normas Berenice Rheinheimer Diretora do Exercício Profissional

* 01/06/2021 - Diretor Tesoureiro. Sai - Dr. Lucas Spanemberg / Entra – Dra. Caroline Peter Scherer, sendo a nomenclatura alterada para Diretora Financeira. ** 07/11/2019 - Diretor Tesoureiro Adjunto. Sai – Mateus Reche / Entra – Lúcio Cardon que após novembro de 2019 passa a exercer o cargo de Diretor Científico Adjunto, sendo extinto o cargo de Diretor Tesoureiro Adjunto. *** 18/03/2019 - Diretor de Divulgação. Sai – Dra Betina Kruter / Entra – Dr. Rafael Mondrzak. **** 28/11/2021 - Criado o cargo de Diretor de Inovação e Tecnologia. Entra – Dra. Mariana Paim Santos. 15


LINHA DO TEMPO 2016 Criado o o Núcleo de Sexualidade

2019 Núcleo de Psiquiatria e Espiritualidade torna-se Departamento

Criado o Comitê de Prevenção aos Maus-Tratos na Infância

Aprovado o Projeto de Lei que institui o “Dia Estadual do Psiquiatra” em 25/04

Revista Trends indexada na Web of Science

2020 Criado o Projeto de Atendimento Solidário em Saúde Mental: Ação conjunta da APRS com a SPPA, a SBPdePA, o CENESPI, o CEAPIA, o IEPP, o ESIPP, o CEPdePA, a Clínica Horizontes, o ITIPOA, o CELG e a Associação Brasileira de Residentes de Psiquiatria de teleatendimento profissional voluntário durante a pandemia do COVID-19. Criado o Projeto de Voluntariado Amigos da APRS: Coordenado pela Andréia Sandri com parceria das instituições AGAFAPE (Associação Gaúcha de Familiares de Pacientes Esquizofrênicos), Grupo Marias (grupo de apoio a mulheres em situação de violência doméstica e vulnerabilidade social), Rotary, Avesol (Associação do Voluntariado e da Solidariedade), o Ponto Online (empresa de marketing digital) e o Instituto Vida Solidária da AMRIGS. Desde abril/2021, 5% da mensalidade dos sócios é destinada para alguma dessas instituições e esta iniciativa irá até o fim de 2021. Realizada a 1ª Campanha do Agasalho do Grupo de Voluntariado da APRS.

Criada a Comissão de Estudos Interdisciplinares Criado o Comitê OPEN MIND Criado o Projeto contra a Violência Doméstica: Ação conjunta da APRS com o Poder Judiciário com o objetivo de discutir a notificação compulsória da violência doméstica contra a mulher e prevenir a mesma. Criação de um novo site para a APRS (www.aprs.org.br). 16


2021 Projeto Atendimento Solidário Dashboard

1.011

1.643 35,9

Idade média

SPPA APRS

367

CEAPIA

6,8%

152 90 >60 a

ESIPP

29,9%

41-59a

20-40a

Presidente da APRS, Flávio Milman Shansis, torna-se o novo editor da Revista Científica AMRIGS

Porcentagem de Registros por Instituição

Grupos Etários (nº)

NÚMERO DE

INSCRIÇÕES*

ITIPOA CELG

8,2% 8,7%

<18 a

IEPP

16,4% 10,1%

*Foram cerca de 1700 atendimentos, uma vez que os primeiros não foram registrados.

Subgrupos de Participantes

6,1%

Criado o Núcleo de Humanidades Médicas

População geral (também inclui: idosos ativos laboralmente, suspeita de coronavírus em isolamento em casa, pro�ssional da saúde não trabalhando ou fazendo home-o�ce)

5,6%

11,9%

Sou pai/mãe e procuro ajuda para lidar com os �lhos Sou Idoso sem trabalho ativo Sou pro�ssional da saúde e sigo atendendo pacientes presencialmente

74,6%

Tenho diagnóstico con�rmado/ suspeito de coronavírus

Criação de um site independente para revista Trends in Psychiatry and Psychotherapy (www.trends.org.br)

Série Temporal: número cumulativo de inscrições/dia Record Count 2 mil

1,5 mil

1 mil

500

0 21 de mar. de 20… 20 de abr. de 2020 20 de mai. de 2020 19 de jun. de 2020 19 de jul. de 2020 18 de ago. de 2020 17 de set. de 2020 17 de out. de 2020 16 de nov. de 2020 5 de abr. de 2020 5 de mai. de 2020 4 de jun. de 2020 4 de jul. de 2020 3 de ago. de 2020 2 de set. de 2020 2 de out. de 2020 1 de nov. de 2020 1 de dez. de 2020

Série Temporal: número inscrições/dia 100 100

75

50

25

48 40 35 31 26 23 19 18 2119 19 17 15 14 14 11 1314141212 10 13111013 12 910 11 9 012 9 9 9 9 10 10 9 8 79986 79111 9 99 99 8 12 8 8 8810 118 8 88 88 795 8 64 710 4 4 717 2 6 23 2553155 42233723236 441456 356646763522 3513 45 2 1535363 6724 64 26 454203735721 21 62 24670454 54335474524 4 650122132116 35634236140423034217244331235230002222023111220445232232232316121113453 3

4

21

0 r.… r.… e… e… d… d… d… d… d… i.… i.… i.… e… e… d… . d… . d… de… de… l. d… l. d… l. d… l. d… . d… go.… go.… go.… go.… de… t. d… t. d… t. d… t. d… de… ut.… ut.… ut.… ut.… d… ov.… ov.… ov.… ov.… . d… ez.… n n o o o o l. l. n n n n d t. t. m a m a r. d r. d br. br. br. a i. a i. m a m a m a n. d n. d n. a a a a ov. ez ju ju ju ju go de 7 de e a b e a b de a de a de a de m de m 4 de 0 de 6 de e ju e ju de ju de ju de ju de ju de ju de de de de de a 2 de 8 de 4 de 0 de de se de se de se de se de se e ou 1 de 7 de 3 de 9 de de n 0 de 6 de 2 de 8 de de d 0 de 1 1 2 2 1 1 2 2 1 2 1 2 2 1 1 2 3 1 7 4 4 13 19 25 31 6 2 8 5 2 d 8 d 14 20 26 11 17 23 29 5 d 1 d 7 d 13 19 25

Solicitações por Cidade

Solicitações por Estado

Cidade

1,5… 1.360

1 mil

500

0

RS

1.

Porto Alegre

2.

Canoas

743 60

3.

Porto Alegre

39

4.

Viamão

39

5.

São Paulo

29

81

32

26

26

16

15

13

11

7

7

6

5

5

4

4

4

3

6.

Alvorada

26

SP

RJ

SC

MG

PR

BA

PE

CE

GO

RN

PA

RO

MA

DF

RS

AM

MS

7.

Gravataí

25

8.

Pelotas

23

9.

Cachoeirinha

22

10.

Santa Maria

22

11.

Novo Hamburgo

19

12.

São Leopoldo

19

13.

Sapucaia do Sul

15

14.

Rio Grande

15

Rio de Janeiro Total geral

Principais Motivos do Atendimento –

Ansiedade

926

Solidão

409 Atalhos do teclado

Dados do mapa

Exaustão

541 Medo

310

1.643 casos Depressão

620

Desabafar

323

14

Inauguração da sede própria da APRS.

14 1.643

Termos de Uso

Inscrições no link: https://bit.ly/2wrEBKp @LUCAS SPANEMBERG

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A APRS realizou mudanças administrativas importantes e consolidou outras no quadro administrativo: 08/2016:

Contratação da designer gráfica Marta Gomes de Castilhos para realização das artes, sendo antes realizada por estagiários;

10/2018: Efetivação de uma nova secretária, a funcionária Nataniele Oliveira do Nascimento, contratação de profissional para área de TI, Marcos da Silva, e compra de 3 novos computadores e de licenças; 05/2020: Contratação de empresa para implementação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados); 01/2021 – Coordenadora administrativa e financeira, Ana Paula Sarmento Cruz completa 6 anos dedicados à APRS; 11/2021: Sandra Schmaedecke, secretária sênior da APRS, completa 25 anos de dedicação à instituição; 11/2021: Homologação de novo estatuto da APRS.

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Destacam-se algumas alterações marcantes no novo estatuto da APRS, como: Realizar pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico ou o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos; Proporcionar atividades que aprimorem e disseminem conhecimento e desenvolvam habilidades para a promoção e o trabalho com a saúde mental e o cuidado com a doença mental e sua prevenção, que eduquem para o respeito aos direitos do doente mental e para o combate ao preconceito com a doença mental; O respeito e a equidade de gênero principalmente na diretoria, na coordenação de departamentos e núcleos e entre os participantes das atividades científicas; Combate à intolerância e ao preconceito de qualquer tipo de crença, orientação sexual e raça; Possibilidade de alunos de graduação em medicina interessados na especialidade de psiquiatria se associarem à instituição; Nova nomenclatura e cargos na Diretoria: presidente, vice-presidente, diretor científico, diretor científico adjunto, diretor financeiro, diretor de divulgação, diretor de normas, diretor exercício profissional e diretor de inovação e tecnologia. Boas-vindas aos Novos Associados / Segundo Semestre de 2021 Efetivo

Novos Residentes

Nickolle Lorandi Pasche Christiane Ribas Garcia

Ana Luisa Berrutti Aleixo Cláudia de Ceni Britto Natalia Macedo Cavagnoli Sofia Cid de Azevedo Isabela Monteiro Trois Maria Alice Pedron Carneiro Raimundo Pereira Cardoso Júnior 19


Atividades da Gestão 2019/2021 Algumas atividades

Departamentos

encontram-se repetidas abaixo, pois foram foram realizadas em conjunto com mais de um Departamento, Núcleo, Seccional, Comissão e/ou Comitê.

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APRS Departamentos Psiquiatria da Infância e Adolescência

Coordenadora: Silzá Tramontina Vice-coordenadora: Cíntia Heidemann Diretora Científica: Ana Luiza Ache Bullying: uma outra face da violência Workshop da APRS & ABEAD (Sexo, drogas e selfies) Curso A Psiquiatria e a Escola Webinar: o vírus é o vilão: as crianças, seu mundo e a pandemia Curso A Pandemia da COVID-19 e a Escola (6 aulas) Curso Transtorno do Espectro Autista (7 aulas) Curso A Psiquiatria e a Escola (6 aulas)

APRS Departamentos Dependência Química Coordenador: Leonardo Paim Vice-Coordenadora: Anne Sordi Diretor Científico: Thiago Pianca Quetamina e seus derivados: Existe limite entre o abuso e o uso? Workshop da APRS & ABEAD (Sexo, drogas e selfies) Webinar: Pandemia: Que droga é essa? O abuso de substâncias em tempos de quarentena Interfaces da dor e do prazer Quem tem medo de dependência química? Cessação do Tabagismo em Meio a Pandemia: a hora é agora! Adição, Imagem Corporal e Metabolismo: Caminhos Cruzados? Primeiro Episódio Psicótico MDMA, alucinógenos, canabidiol: Que viagem é essa? O uso de substâncias psicoativas no tratamento dos diferentes transtornos psiquiátricos


APRS Departamentos Psiquiatria Comunitária Coordenadora: Ana Cristina Tietzmann Vice-coordenadora: Vanessa Becker Competência estrutural em psiquiatria I Webinar: Ler, escrever, elaborar: Literatura e Saúde Mental durante a pandemia Competências estruturais em Saúde Mental: dialogando sobre as relações étnico-raciais Políticas públicas e saúde mental Projeto Voluntariado Amigos da APRS Cuidando dos profissionais de saúde durante a pandemia: as experiências e técnicas do Projeto TelePSI - COVID-19 Reflexões bioéticas a partir do conto rosiano “A Benfazeja” Consulta Remota e Telepsiquiatria: A experiência do TelessaúdeRS

APRS Departamentos Psiquiatria Clínica Coordenador: Eduardo Trachtenberg Vice-coordenadora: Mariana Paim Santos Diretor Científico: Lúcio Cardon Efeitos adversos a curto e longo prazo dos antipsicóticos Quetamina e seus derivados: Existe limite entre o abuso e o uso? Webinar: TelePsiquiatria: uma mudança de paradigma no cuidado em Saúde Mental? Webinar: Alterações comportamentais no idoso: algo mudou? Efeitos Colaterais dos Antidepressivos: como identificar e manejar Psiquiatria e gestação Interações Medicamentosas de Antidepressivos Primeiro Episódio Psicótico Psicodélicos: uma fronteira na Psicofarmacologia?

APRS Departamentos Psiquiatria e Espiritualidade

APRS Departamentos Psicoterapia

Coordenadora: Anahy Fonseca

Coordenador: Luciano Isolan

Vice-Coordenador: Leandro Pizutti

Vice-coordenador: Tiago Crestana

Diretor Científico: Bruno Mosqueiro

Diretora Científica: Marianna de Abreu Costa

Fórum Interdisciplinar Gaúcho de Núcleos e Grupos de Estudos em Espiritualidade Webinar: Espiritualidade e psiquismo: nossos recursos internos em tempos difíceis Abordagens Psicológica e Espiritual ao Sofrimento e à Esperança Workshop: Ferramentas da Terapia Comportamental Dialética (DBT) para pacientes com desregulação emocional Sobre Morte e Renascimento: abordagens religiosa/espiritual e psicológica Espiritualidade em momentos de crise: como abordar? IV Pré-Simpósio Internacional de Espiritualidade na Prática Clínica - Livros Negros de C. G. Jung: Encontro com a Profundidade da Alma

APRS Departamentos Psiquiatria Forense

Discussão de caso clínico: Avaliação, indicação e planejamento em psicoterapia de orientação analítica Discussão de Caso Clínico: uma abordagem através de múltiplos vértices Quem tem medo do paciente borderline? Setting e neutralidade em tempos de pandemia Workshop: Ferramentas da Terapia Comportamental Dialética (DBT) para pacientes com desregulação emocional Curso Revisitando os clássicos psicanalíticos (7 aulas) Curso Conceitos fundamentais da psicanálise utilizados na prática clínica (4 aulas) Curso Revisitando os autores psicanalíticos contemporâneos: da teoria à prática (8 aulas) Conceitos Fundamentais da Psicanálise utilizados na prática clínica: o que todo profissional de saúde precisa saber (8 aulas)

Coordenadora: Vivian Peres Day Vice-Coordenadora: Lisieux Telles Cine Psiquiatria Forense: 22 July Encontro Gaúcho dos Psiquiatras Forense Forense em tela: Feliz Ano Novo (Rubem Fonseca) - 45 anos depois: Refletindo sobre o novo O que o psiquiatra deve saber sobre o Estatuto da Pessoa com Deficiência Podemos chamar de “Burnout” o que sentimos na pandemia? Roda de conversa da APRS: Debate sobre a série Round 6 - O mundo não está para brincadeira? 21


Núcleos APRS Núcleos Psiquiatras em Formação Coordenador: Daniel Arenas Vice-Coordenador: André Schuh Diretor Científico: Augusto Bittencourt, Gabriel Mazina Smaniotto Recepção aos novos residentes em 2019, 2020 e 2021 Competência estrutural em psiquiatria I Discussão de Caso Clínico: uma abordagem através de múltiplos vértices Webinar: Os Residentes em tempo de Pandemia Burnout na Residência Médica, o que podemos fazer? Procrastinação entre estudantes, antes e durante a pandemia

APRS Núcleos Sexualidade Coordenadora: Maria Inês Lobato Vice-Coordenador: André Real Diretora Científica: Simone Dall`Agnol Curso Atualização em sexualidade (em 2020, 4 aulas) Curso Atualização em sexualidade (em 2021, 2 aulas)

APRS Núcleos

Ligas de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

Coordenador: Vicente Bigolin Hauli Vice-Coordenadora: Alessandra Tomazeli Secretária Administrativa: Carolina Navajas Diretora de Ensino: Natália Kerber Pré-Simpósio - A Saúde mental do Estudante de Medicina Durante a Pandemia I Simpósio Interligas de Psiquiatria do RS Encontro Interligas: O comportamento suicida e suas múltiplas etiologias Encontro Interligas: Do estresse à Depressão - Saúde Mental na Pandemia Jornada sobre Transtornos Psicóticos

APRS Núcleos Humanidades Médicas Coordenadora: Ana Cristina Tietzmann

Comissões APRS Comissões APRS Cursos Coordenador: Leonardo Evangelista da Silveira Curso: Desafios no tratamento farmacológico de casos difíceis Curso de Psicofármacos (8 aulas) VI Curso de Atualização em Psicofarmacologia Clínica (8 aulas) Curso Diálogos entre Pesquisa Básica e Clínica Psiquiátrica (8 aulas)

APRS Comissões Supervisora Coordenadora: Andréia Sandri Programas de Supervisão Coletiva em psicoterapia de orientação analítica, terapia cognitivo comportamental e psicoterapia da infância e adolescència - destinada a todos os sócios

APRS Comissões Estudos Interdisciplinares Coordenador: Paulo Henrique Seixas

Vice-Coordenador: Pedro Victor de Lima N. Santos Diretora Científica: Léia Maria Silva Klöchner

APRS Comissões APRS Acadêmica Comissão APRS Acadêmica Coordenador: Gustavo Soares

APRS Comissões APRS Comunitária

Coordenador: Fernando Lejderman (2016-2018)

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Comitês APRS Comitês De Prevenção do Suicídio Coordenadores: Berenice Rheinheimer, Jair Segal e Sayra Catalina Castro Ciclo de Palestras da AMRIGS - Doença Mental e Prevenção desde a Infância Mês de Prevenção ao Suicídio - Atividade 2 - Estadiamento clínico como suporte ao diagnóstico psiquiátrico e ao manejo de pacientes em risco de suicídio Ciclo de Palestras da AMRIGS - Setembro da Pessoa Idosa: depressão, suicídio e conscientização sobre o Alzheimer Mês de Prevenção ao Suicídio Suicídio em médicos Mês de Prevenção ao Suicídio - Suicidalidade em tempos de pandemia: o desafio da prevenção Risco de suicídio: manejo clínico baseado em evidências

APRS Comitês Prevenção aos Maus Tratos na Infância Coordenadora: Ana Margareth Bassols Abuso sexual na infância e adolescência hoje Abuso infantil online e offline

Seccionais APRS Seccionais Centro-Oeste Coordenadora: Alba Prolla

Coordenadora: Solange Gomes

Vice-Coordenador: Francisco Botti

Você-Coordenador: Andres Kieling

Diretora Científica: Ana Emília Silveira

Diretora Científica: Ana Carolina Dias

Secretária Administrativa: Adriana Jacobsen

Secretário Administrativo: Melissa Brum

Tratamentos add-on para Depressão

APRS Seccionais Vale do Taquari e Rio Pardo Coordenador: Fernando Godoy das Neves Vice-Coordenador: Daniel Rockenbach Diretor Científico: Rafael Moreno Secretário Administrativo: Bruno Borba

APRS Comitês Open Mind Coordenador: Luís Motta Foram realizadas reuniões deste grupo de estudos, o qual visa descrever os locais e o número de leitos de internação psiquiátrica, públicos e privados, lotados no Rio Grande do Sul (RS). O objetivo desse levantamento é mapear a estrutura de assistência em Saúde Mental terciária do RS a fim de desenvolver estratégias de pesquisa.

APRS Seccionais Vale dos Sinos

3ª Jornada de Psiquiatria da Seccional Vale do Taquari e Rio Pardo Sono e Saúde Mental na Pandemia

O Impacto do atendimento psicoterápico online no Terapeuta e no Paciente em época de Pandemia

APRS Seccionais Norte Coordenador: Jacson Hubner Você-Coordenador: Diego Giacomini Diretor Científico: Jorge Alberto Salton Secretário Administrativo: André Real Tratamentos adjuvantes na depressão não refratária

APRS Seccionais Sul Coordenadora: Natália Tessele Barreto Você-Coordenador: André Patella Diretor Científico: Juliano Romano Porto Secretário Administrativo: Amanda Bento 23


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Nossa janela para o mundo nestes últimos tempos

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DESTAQUES DO CONGRESSO

Nosso Congresso Uma Nova Vivência *Andréa Poyastro Pinheiro No início de 2021, ainda nos mantínhamos otimistas com tradição e inovação, de criarmos juntos, um enquadre o início da vacinação e a melhora da pandemia, e orgacientífico digital. Assim, nosso congresso pôde aconnizávamos nosso congresso no sistema híbrido, em que tecer (e todas as demais atividades de nossa APRS). estaríamos juntos em Bento Gonçalves por um período Nosso estado mental científico, interno, manteve-se e menor, mas, ainda sim, um tempo juntos, nossos sócios adaptou-se rapidamente aos tempos difíceis. Fomos reunidos novamente. Entre o desejo e a realidade, a necapazes de manter nossas mentes abertas ao conhecicessidade de nos adaptarmos, e veio a difícil decisão de mento, à ciência, à troca, ao aprendizado e expansão, realizarmos nosso evento integralmente online. E assim genuíno pensamento em espiral de Bion. Nosso víncufoi, pelo cuidado necessário devido às conlo especial, como grupo que se liga pela dições sanitárias do momento. A pandemia identificação profissional, em suas múltiainda não nos deixou. Acertada decisão. plas combinações e interesses, dinâmico, Entre o diverso, mantém uma sociedade rica de desejo e a Em psicanálise, fala-se do enquadre analírecursos internos/institucionais que se tico, uma série de combinações e acertos ampliam em uma pluralidade saudável. realidade, a feitos no início do tratamento, sob a fornecessidade Nosso XV Congresso reflete este “estado ma de um contrato terapêutico, instituído de nos verbalmente pela dupla analista/ paciente. mental/institucional” interno da APRS. FaDentro desta perspectiva, o que nos permiadaptarmos, lar da rica programação científica e cultute trabalhar, quando necessário, em outros ral que foi desenvolvida desde o final de e veio a difícil 2020, pela comissão científica com todo ambientes que não somente o consultório, é nosso estado mental, que cria uma respaldo da diretoria e da equipe de fundecisão de atmosfera emocional específica em cada cionárias da APRS seria redundante; e imrealizarmos encontro. A sessão de análise/ psicoteraplementado pela Acontece Eventos com pia ou mesmo atendimento clínico, é um nosso evento tanta competência. Assim como o setting espaço interno, localizado nas mentes dos o nosso setting científico digiintegralmente tradicional, participantes da dupla. O enquadre analítital teve lá suas vicissitudes, rapidamente online. co digital se fortaleceu a partir da migração superadas, fortes emoções para quem esforçada causada pela pandemia e colocou à tava na retaguarda, com alguma apreenprova o que dá sustentação ao trabalho do são para que tudo corresse bem. Findo profissional de saúde mental: o vínculo especial que se nosso evento, sensação de grande contentamento, pois constrói entre paciente e analista, que transcende o esnossa programação e palestrantes estiveram sempre paço físico habitual, que permite o acolhimento, a escuta a altura. A expressiva participação de nossos queridos empática e o acesso ao inconsciente do paciente. associados, que responderam a nosso chamado e insistentes convites foi recompensadora (nunca gravei Hoje, passado nosso congresso, penso nestas modificatantos vídeos!) E, para os inscritos, o conteúdo fica ções necessárias ocorridas em nosso meio e me ocordisponível até o final de 2021. Acessem e aproveitem re que fomos capazes, enquanto uma sociedade com (www.congressoaprs.com.br). Chegamos aqui saudáveis, vivos e vacinados, com desafios pela frente e grande amor ao conhecimento. Eros prevalece. *Andréa Poyastro Pinheiro Diretora Científica do XV Congresso Gaúcho de Psiquiatria

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Trabalhos Premiados 1o Lugar Voto Popular USO TERAPÊUTICO DE ROLE-PLAYING GAMES (RPG) EM SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO DE ESCOPO.

Prêmio

Votação Popular

Role-Playing Game (RPG) é um termo que abrange uma série de formas e estilos de jogos que envolvem a criação, representação e progressão de personagens que interagem em um mundo ficcional baseado em uma narrativa e sistema de regras estruturado. Suas aplicações e efeitos sobre o comportamento humano são, no entanto, uma área ainda pouco explorada. Dessa forma, nossa revisão foi a primeira a se propor a mapear a literatura sobre o uso do RPG em saúde mental de forma sistemática. Dos 50 estudos incluídos, 84% focaram no uso terapêutico de RPGs complementando abordagens psicoterápicas ou como técnica gamificada. A maioria das intervenções utilizou RPG de computador individual (50%) ou de mesa (44%), principalmente com abordagens terapêuticas cognitivas/comportamentais (52%) e visando adolescentes (70%). 90,9% dos estudos empíricos relataram melhora objetiva ou subjetiva nos desfechos avaliados. Os achados sugerem um potencial uso de RPGs como ferramenta complementar em psicoterapias. No entanto, identificamos considerável heterogeneidade nas definições, populações, desfechos e intervenções utilizadas, sendo necessários mais estudos empíricos bem delineados.

Daniel Luccas Arenas* Médico (UFCSPA), psiquiatra (HPSP). Residente em psiquiatria da infância e adolescência (UFCSPA). Mestrando do PPG de Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS).

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1o Lugar Psiquiatria da Infância e da Adolescência

Prêmio

Ieda Bischoff Portella

A Coorte de Nascimentos de Rio Grande 2019 é um estudo longitudinal, com o objetivo de avaliar, entre outras questões, a saúde mental e comportamentos das mães que tiveram bebê em 2019. Com a pandemia da COVID-19, o acompanhamento precisou ser adaptado para o formato online. Assim, sabe-se que a ansiedade pode se acentuar em situações de risco, como é o caso do medo de contaminação durante situações estressantes. A prevalência de ansiedade moderada/grave nas mães foi de 25,9%. A probabilidade de ansiedade se mostrou 2,7 vezes (IC95%: 1,2-5,7; p<0,05) maior nas mães com medo de que alguém mais da casa se contaminasse com o coronavírus do que nas mães sem medo. Os resultados mostram que as mães que tinham preocupação de o bebê e outros residentes da casa contrairem COVID-19 apresentaram maior chance de ansiedade moderada ou grave. Uma vez que a ansiedade pode persistir a longo prazo, medidas de apoio psicológico e estudos que evidenciem essa emergência são fundamentais.

Graduanda de Psicologia (FURG). Aluna de iniciação científica na Coorte de Nascimentos de Rio Grande 2019.

1o Lugar Psicoterapia O projeto de pesquisa Vale a Vida foi apresentado no XV Congresso Gaúcho de Psiquiatria, e tivemos a honra de receber o Prêmio David E. Zimerman, como melhor trabalho de Psicoterapia.

Prêmio

David E. Zimerman

O Vale a Vida estuda as telepsicoterapias para tratamento e prevenção de sintomas depressivos, de ansiedade e irritabilidade durante a pandemia de Covid-19. São atendidos moradores das regiões do Vale do Taquari e Vale do Rio Pardo que estejam em sofrimento psíquico. Todo o processo de atendimento ocorre em uma plataforma inovadora, que fica hospedada em www.valeavida.com.br. Mais de 600 pessoas se cadastraram na plataforma, contando com mais de 700 atendimentos até final de outubro. Os resultados parciais apontam para redução dos sintomas depressivos e ansiosos com as telepsicoterapias. O projeto foi desenvolvido em uma parceria entre pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade do Vale do Taquari, com coordenação do Prof. Dr. Flávio Shansis, e pesquisadores das Universidades de Santa Cruz do Sul e Estadual do Rio Grande do Sul, em conjunto com o Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari e as empresas de tecnologia Tummi e Tekann. O fomento é da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul.”

Luiza Silveira Lucas Médica (PUCRS), psiquiatra (HCPA), mestranda do PPG em Ciências Médicas da Univates. Especialista em psicoterapia de orientação analítica (CELG). Preceptora da residência de psiquiatria da Rede de Saúde Divina Providência.

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1o Lugar Neurociências

Prêmio

Iván Izquierdo

O Estresse Precoce na infância é um importante fator de risco ambiental para o transtorno por uso de cocaína. Devido à alta plasticidade do cérebro durante o desenvolvimento, a exposição ao estresse precoce pode levar a alterações de longa duração na estrutura do cérebro e maior vulnerabilidade para o transtorno. Estas alterações parecem ser mais pronunciadas em regiões cerebrais relevantes para a motivação, impulsividade e controle inibitório, como as áreas do cíngulo. Com o objetivo de investigar o efeito do abuso de cocaína na espessura de quatro áreas do cíngulo, 78 usuários de cocaína e 53 controles saudáveis foram submetidos a exames de ressonância magnética. Nossos resultados demonstraram que o estresse precoce está relacionado ao transtorno por uso de cocaína e medeia o seu efeito na diminuição da espessura do istmo cingulado. Isso apoia o papel do trauma na infância como um estressor ambiental importante que influencia as trajetórias de desenvolvimento do cérebro associadas ao transtorno por uso de substâncias.

Augusto Martins Lucas Bittencourt Psiquiatra (HSL/ PUCRS). Mestrando em Neurociências (PUCRS). Diretor Técnico do Hospital Espírita de Pelotas.

1o Lugar Psiquiatria Clínica O objetivo do estudo foi avaliar a associação entre o consumo de bebidas alcoólicas e depressão durante a pandemia de COVID-19 em uma população de mães da cidade de Rio Grande utilizando dados coletados entre julho e dezembro de 2020. As participantes foram questionadas quanto à alteração na quantidade de bebidas alcoólicas consumidas desde o início da pandemia. Além do mais, avaliou-se a associação dessas alterações com a pontuação obtida na Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS).

Prêmio

Juliano Moreira

Dentre 997 respondentes, 29,4% obtiveram uma pontuação indicativa de risco de depressão. 5,2% afirmou que seu consumo de álcool aumentou durante a pandemia. As mães cujo consumo de álcool aumentou durante a pandemia tiveram 3,2 vezes mais chance de apresentar sintomas depressivos se comparadas às que não bebem.

André Luiz Girotto Acadêmico de medicina (FURG). Aluno de iniciação científica do Grupo de Pesquisa e Inovação em Saúde (GPIS)

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O Grupo de Voluntariado da APRS Andréia Sandri*

O

grupo de trabalho voluntário da APRS foi criado em 2020, a partir da constatação de que era hora da nossa Associação, que tanto vinha se desenvolvendo cientificamente, cuidar desse aspecto tão importante para a saúde mental de todos nós... fazer o bem, faz bem!, para quem faz e para quem recebe. Em tempos tão difíceis como os que estamos vivendo, em que solidariedade e empatia são tão necessários, tivemos a ideia de criarmos esse grupo e nos unirmos a pessoas que também pensam assim! Como temos certeza de que “juntos somos mais fortes”, convidamos algumas instituições para se juntarem a nós e, assim, foi criado o grupo. Ser voluntário é doar, entre outras coisas, tempo e energia, é ser humano...é fazer parte da solução, por entender que, unidos, podemos enfrentar os problemas. Hoje, estão trabalhando conosco a AGAFAPE, a AVESOL, o ROTARY e o GRUPO MARIAS, a quem agradecemos muito por terem acreditado e se juntado a nós nessa caminhada. Ao longo desse curto tempo de existência, realizamos várias atividades online, com diversos profissionais ligados à prática do cuidado em saúde mental. Sempre que foi possível, também realizamos atividades

presenciais, como visitas a Unidades de Saúde, colaboração em festas comemorativas relacionadas às entidades que fazem parte do grupo. A nossa grande conquista foi, junto à Diretoria da APRS, ter aprovado a doação mensal de parte das mensalidades arrecadadas, ao redor de 5%, para reverter em cestas básicas e distribuir entre as entidades que trabalham conosco, na forma de rodízio entre elas. Todas essas atividades, participações e doações foram amplamente divulgadas ao longo de todo esse ano nas mídias da APRS, a fim de que os associados acompanhassem o nosso trabalho. Chegamos ao final dessas 2 gestões muito exitosas lideradas pelo presidente Flávio Shansis, com a participação decisiva de suas diretorias, das quais fiz parte, e com a colaboração de diversos associados nas atividades que realizamos. Nosso sentimento, como Grupo de Voluntariado, é de muita gratidão. Parabéns por tudo que foi realizado e sucesso à nova Diretoria.

Seguiremos trabalhando juntos por essa causa tão importante!!! 30


*Andréia Sandri Médica Psiquiatra e Mestre em Clínica Médica (PUCRS). Preceptora do ambulatório de psicoterapia de orientação analítica (HSL/PUCRS).

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LANÇAMENTO DE LIVRO

Dra Maria Inês Lobato com os residentes de Psiquiatria do 1º ano do HCPA.

Transexualidade, da Assistência Médica à Conquista de Direitos Maria Inês Rodrigues Lobato* No dia 15 de novembro de 2021, tivemos a sessão de autógrafos do livro Transexualidade, da Assistência Médica à Conquista de Direitos na 67ª Edição da Feira do Livro de Porto Alegre. A ideia de escrevê-lo surgiu a partir da necessidade de registrar a história de um projeto assistencial que surgiu em 1998 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e que acabou produzindo mudanças sociais, legais e culturais inesperadas. O tema sexualidade ainda é pouco naturalizado e suscita questionamentos morais conflitivos.

Dra Maria Inês Lobato autografando na Feira do Livro.

O livro é constituído pela soma dos depoimentos de diversos atores que participaram do processo e contribuíram na construção do PROTIG (Programa Transdisciplinar de Identidade de Gênero), os quais contextualizam os desafios vividos desde a organização da equipe médica hospitalar até a legitimação perante os órgãos de regulação do estado. Uma revelação inesperada na leitura do livro é a percepção de que todos expressam o envolvimento emocional no contato com o tema da transexualidade e com o sofrimento vivenciado pelos seus portadores. A sensibilidade aflorada auxiliou na formação de toda uma geração de novos médicos, que temos certeza se tornaram mais abertos à diversidade humana e propensos a enfrentar desafios profissionais. Na foto, o editor, Esalba Silveira e os autores Hanna Zacca e Paulo Leivas *Maria Inês Rodrigues Lobato Coordenadora do Núcleo de Sexualidade da APRS. Coordenadora do Programa de Identidade de Gênero do HCPA. Profª do PPG em Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UFRGS

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CRÔNICAS

Lições da Pandemia? Pedro Victor de Lima Nascimento* Em março de 2020, o mundo fechou. Todos nós sabemos, estávamos lá. Naquele momento, nenhuma pessoa sabia o que fazer a não ser se proteger em casa. Hoje, somos testemunhas e sobreviventes de um evento histórico. Mais de 18 meses se passaram, milhões de vidas perdidas, vacinas desenvolvidas, opiniões debatidas e comportamentos anticientíficos escancarados, aproxima-se o tão famigerado novo normal. Mas como será esse retorno tão antecipado? A verdade é que não sabemos, e acredito estar tudo bem com isso, já que, assim como não soubemos antes, teremos que lidar com a realidade conforme avançamos nas novas rotinas e aplicamos as descobertas à vida. A pandemia mostrou que ainda somos capazes de lidar com novas situações. O isolamento social afetou pacientes e terapeutas. As incertezas geraram medo em todos e, com isso, tornou o trabalho dos que atuam na área da saúde mental mais essencial e também aproximou todos, de certa maneira, já que ninguém tinha qualquer tipo de experiência com pandemias globais desde 1918.

Gostaria de fazer um apanhado das lições ensinadas pela pandemia, e de dizer que a pandemia ensinou o valor das vidas, a união dos povos, e todo um sonho de mudanças comportamentais, mas não sinto confiança nessa previsão. No entanto, é seguro afirmar que depois desse período doloroso não olharemos mais uns para os outros da mesma maneira. A pandemia descortinou comportamentos que não voltarão para onde antes se escondiam. É importante não esquecermos disso. Talvez a grande lição que pode ser tirada do último ano e meio seja semelhante a que tirou Billy Pilgrim, personagem principal do livro Matadouro 5, de Kurt Vonnegut, testemunha do massacre de Dresden: “é assim mesmo” (“and so it goes”, no original). Perdemos familiares, amigos, conhecidos, nos deparamos com a dor e impotência diante do desconhecido, ajudamos outras pessoas a lidar com aquilo que nós mesmos estávamos lidando, podendo oferecer apenas a companhia enquanto estivéssemos ali, sem seguranças, porque dificilmente haveria. É assim mesmo.

*Pedro Victor de Lima Nascimento Santos Médico pela Faculdade Pernambucana de Saúde. Residência em psiquiatria e psiquiatria da infância e adolescência (HCPA). Especialista em psicoterapia de orientação analítica (CELG).

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CRÔNICAS

Abuso sexual contra crianças e adolescentes na pandemia de COVID-19:

um mal silencioso Mariana Ribeiro de Almeida*

O abuso sexual contra crianças e adolescentes é um problema de ordem global cuja dimensão exata é desconhecida, pois, no mundo todo, é subnotificado. As estimativas globais de prevalência variam de 3 a 31%, e as meninas têm um risco duas vezes maior de serem vitimadas em comparação com os meninos. A violência sexual ocorre especialmente na infância e é de natureza predominantemente intrafamiliar, ou seja, é perpetrada por familiares ou por pessoas conhecidas da vítima – somente 20% das denúncias envolve34

ria um perpetrador desconhecido. Os abusadores são, em sua grande maioria, do sexo masculino. Padrastos e pais são os principais perpetradores, mas diversos outros membros da família estendida também vitimam crianças e adolescentes, tais como avós, tios e mesmo primos e irmãos que ainda não alcançaram a maioridade, mas possuem diferença de idade e desenvolvimento significativos em relação às vítimas. Embora parte da população ainda entenda o abuso sexual como sinônimo de intercurso vaginal, uma gama diversa de situações pode ser enquadrada como estupro de vulnerável, como beijos e carícias em locais apropriados, incluindo a manipulação de mamas e genitália, a exposição a material pornográfico e o assédio através de mensagens em redes sociais. As agressões sexuais são de forma geral de difícil investigação, pois a vítima costuma ser, na grande maioria das vezes, a única testemunha do próprio sofrimento, e, devido à dinâmica do segredo que se estabelece através, muitas vezes, de ameaças e chantagens proferidas pelo agressor com o intuito de acobertar as próprias ações, a revelação usualmente ocorre muito tempo depois dos fatos, podendo mesmo vir à tona somente na idade adulta ou, em alguns casos, jamais ocorrer. Some-se a isso a dificuldade de entendimento da própria vítima sobre o que ocorre a ela, as limitações verbais em crianças em idade pré-escolares, a inespecificidade dos sintomas apresentados e, ainda, o fato de que a grande maioria dos exames de verificação de violência sexual não trará achados altamente sugestivos de violência sexual e temos um cenário particularmente desafiador, o qual, no entanto, precisa ser devidamente abordado, visto as inúmeras consequências deletérias


não apenas a curto prazo, mas, principalmente, a longo prazo para suas vítimas – a lista é vasta, mas podemos citar a maior prevalência de quadros depressivos e ansiosos, de transtorno por uso de substâncias e de disfunções sexuais como algumas das consequências observadas em adultos que foram abusados sexualmente na infância e/ou na adolescência. Se o cenário em condições normais já impõe inúmeras dificuldades aos familiares das vítimas, aos profissionais de saúde mental e aos agentes da segurança pública e da Justiça, entre tantos outros atores envolvidos na rede de proteção à infância e à adolescência, a pandemia de COVID-19 trouxe ainda mais desafios a serem enfrentados. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, referente às estatísticas do ano anterior, mostraram uma redução de 9,4% no total de registros de estupros de vítimas de 0 a 19 anos entre 2019 e 2020 – infelizmente, esse dado não sinaliza uma melhora real do cenário, mas sim um aumento da subnotificação, visto que as delegacias funcionaram com horários reduzidos, muitos policiais foram afastados de seus postos por serem do grupo de risco e o distanciamento social se impôs como medida necessária para conter o avanço do vírus, em especial nos meses de março e abril. Em um artigo de opinião publicado no prestigiado jornal norte-americano The New York Times em 7 de abril de 2020, intitulado “O coronavírus pode causar uma epidemia de abuso infantil”, alguns dos fatores de risco para um aumento dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes durante a pandemia de COVID-19 mencionados são: o isolamento social; o aumento das tensões em casa devido ao cenário de inúmeras incertezas (em termos sanitários, econômicos, educacionais); a suspensão das aulas presenciais durante vários meses e por consequência, a ausência do olhar vigilante dos educadores sobre potenciais vítimas de abusos; e um aumento

das tensões em lares previamente disfuncionais, com piora da violência doméstica, aumento do uso de álcool e drogas e agravamento das doenças mentais. A pandemia, embora arrefecida em nosso país no presente momento devido, principalmente, ao avanço expressivo da vacinação, ainda não acabou. As incertezas são muitas, e o temor de uma nova onda de casos não é infundado, visto o que observamos atualmente no continente europeu. O saldo real de tudo o que vivenciamos não pode ser ainda devidamente mensurado, e não seria diferente em relação ao abuso sexual infantil, que já impõe inúmeras dificuldades em condições usuais e ganha camadas ainda mais indigestas de complexidade em um cenário tão desafiador. É importante, no entanto, que sigamos na batalha por amparar as vítimas desses crimes terríveis e que acreditemos que, quando bem conduzidas, as situações possam ter desfechos favoráveis. Deixo aqui a sugestão de um excelente filme sobre o tema, o francês Polissia, da diretora Maiwenn – escrito errado mesmo, como uma criança o faria. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2011, a película expõe o cotidiano dos policiais da Brigada de Proteção ao Menor de Paris, apresentando-nos casos de prostituição infantil, abuso sexual de crianças e adolescentes e maus tratos, entre outros. O filme tem estilo documental e não trata os policiais como heróis, mas sim como pessoas normais, com seus problemas pessoais e com o sofrimento adicional da exposição cotidiana a toda sorte de atrocidade que o ser humano é capaz de impor às crianças e adolescentes. Não é um filme leve, por certo, e o final sem dúvida permanecerá na mente do espectador muito tempo depois de subirem os créditos na tela – pela sua crueza, sim, mas também pelo raio de esperança que se entrevê na escuridão, o qual deve mover todos aqueles diretamente envolvidos na proteção da infância e da adolescência.

*Mariana Ribeiro de Almeida Médica (PUCRS). Residência em Psiquiatria e Psiquiatria Forense (HCPA). Perita Médico-Legista/Psiquiatra do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul.


HUMANIDADES MÉDICAS

Humanidades Médicas: quando o singular vira plural Betina Mariante Cardoso* O estudo das Humanidades Médicas, especialmente a Medicina Narrativa, é um campo que ocupa meu interesse e curiosidade há mais de quinze anos. Lembro de estar ainda no segundo ano da formação em Psiquiatria, em 2004, e, lendo um artigo na Cantina do Hospital de Clínicas enquanto tomava um expresso duplo, me deparei com o termo “Narrative Medicine”. Esse termo foi cunhado ao redor do ano 2000 pela médica americana, também professora de literatura, Rita Charon. Rita não só cunhou o nome: desenvolveu um programa de Medicina Narrativa na Columbia University de Nova Iorque, e este passou a fazer parte do currículo da Faculdade de Medicina daquela Universidade. Objetivo? Ensinar Literatura e outras Artes aos futuros médicos, a fim de aprimorar sua “ausculta” da história contada pelo paciente.

Desenvolvimento da comunicação, da sensibilidade, da leitura atenta, da capacidade de compreensão de metáforas e da simbolização para os alunos de Medicina eram seus objetivos principais. A partir dessa descoberta, dei início à busca por seus artigos e à leitura do site Narrative Medicine. Durante a faculdade, ainda em 1999 e 2001, já havia de certa forma tomado contato com esta área de estudo, dentro do que se chamava “Medical Humanities”: trechos das obras “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann, e “A morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, respectivamente, foram aplicados como vinhetas aos artigos. Os temas eram já de meu interesse, como o funcionamento do paciente crônico, a adesão ao tratamento médico, a escuta do paciente e, descobri naquela etapa da formação médica, a profícua intersecção com a Literatura. Segui estudando o tema, mas de forma incipiente e durante as atividades da formação em Psiquiatria. Sobrava pouco tempo. Era sempre com curiosidade e nos intervalos para o café que eu acabava descobrindo um novo artigo do programa de Rita Charon para ler. Ainda era cedo para

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descobrir que, no Brasil, já tínhamos esse campo aberto na USP, através do trabalho desenvolvido pelo Prof. Dr. Ricardo Tapajós. Em nosso meio, naquela época, não encontrava colegas que compartilhassem desse entusiasmo e o tempo era escasso para ir mais adiante. Esse foi o ponto principal do meu desânimo com o tema, por várias ocasiões. Parecia não adiantar seguir com o estudo, não via horizonte, pois não via com quem partilhar o entusiasmo e as possibilidades da área. Em Florença, em um congresso internacional da WPA em abril de 2009, a cena começou a mudar. Apresentações sobre obras literárias em Psiquiatria, temas em Psiquiatria Transcultural, aulas com discussões belíssimas a respeito do desenvolvimento de competências culturais e de comunicação, convite para participação no setor de Literatura e Psiquiatria na WPA: todos esses ativaram a força motriz para dar novos passos na direção das Humanidades Médicas. No ano seguinte, a edição e participação, com duas colegas da área da Literatura, do livro “Kate Chopin: contos traduzidos e comentados- Estudos Literários e Humanidades Médicas’’ pela Casa Editorial Luminara (editora que tive de 2008 a 2018), trouxe finalmente o contato com o Prof. Dr. Ricardo Tapajós, de São Paulo. Tapajós defendeu sua Tese de Doutorado na USP, em março de 2005, intitulada “O ensino da medicina através das Humanidades Médicas: análise do filme And the band played on e seu uso em atividades de ensino/aprendizagem em educação médica”, tendo um consistente caminho neste campo e le-

cionando Humanidades Médicas na mesma Universidade. Tapajós participou também do livro “Memórias de um corpo eviscerado”, de Elizabeth Brose, comentando a obra pela perspectiva das Humanidades Médicas, também pela Luminara. Segui, com insistência, o estudo. Em 2011, no Congresso Mundial de Psiquiatria de Buenos Aires, pelo setor de Literatura e Psiquiatria da WPA, apresentei o tema que tinha pesquisado para aquele congresso: “Borges e o Estetoscópio”, para homenagear o escritor Jorge Luís Borges em sua cidade, através da pesquisa sobre a intersecção entre trechos de seus contos e a anamnese em Psiquiatria. Auditório lotado para assistir aos palestrantes do setor de Psiquiatria e Literatura naquela manhã, várias perguntas, colegas gaúchos participando do congresso. O sentimento de prosseguir tornou-se mais forte. Por circunstâncias da vida profissional e por gosto pessoal, ingressei no Mestrado em Teoria da Literatura na PUCRS, em 2015, com conclusão em 2016. Neste mesmo período, fui convidada, junto

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à Profª. Dra. Léa Masina e à Profa. Dra. Clotilde Favalli (In memorian) para compor a Comissão Cultural na primeira gestão da presidência do Dr. Flávio Shansis. Em meados de junho, ele propôs uma atividade conjunta do Núcleo de Psiquiatras em Formação, representado pela colega Mariana Paim Santos, e a Comissão Cultural, representada pela minha participação. Foi quando criamos o Workshop de Humanidades Médicas, com a presença da Ana Cristina Tietzmann, a Mariana Paim, o Eduardo Sabbi e outros colegas. Nesta ocasião, comecei a partilhar o interesse pelo tema e a partilha nas atividades com a Mariana e a Ana Cristina. Ali começou a amizade que segue até hoje, e que fomentou a energia para seguirmos com o Ciclo de Avanços para o ano seguinte. Aleteia Crestani, que participou como inscrita no evento, uniu -se ao grupo, para o Ciclo de 2017. O workshop foi, então, o estímulo inicial para a etapa que culmina com a fundação do Núcleo de Humanidades Médicas. Tinha iniciado, naquele ano de 2016, o grupo de estudos em Humanidades Médicas para o Ciclo de Avanços em Psiquiatria da APRS. Novos colegas compartilhavam do gosto por este campo, os colegas Léia Klöchner, Eduardo Sabbi e Ana Cristina Tietzmann, ensaísta, poeta e, agora, coordenadora do Núcleo recém fundado. Somaram-se Mariana e Aleteia. O grupo crescia. Todos acrescentavam entusiasmo, ideias e conteúdos muito ricos e, a cada ano, começávamos a pensar no Ciclo de Avanços do ano seguinte, com amálgama entre o grupo, encanto pelas Humanidades Médicas e uma amizade que vem crescendo, desde 2016. Em 2017, éramos em 5: Ana Cristina Tietzmann, Léia Klöchner, Mariana Paim Santos,

Aletéia Crestani e eu, Betina. Em 2018, contamos com a participação da colega Rochelle Marquetto no Ciclo realizado em Novo Hamburgo. Em 2019, nova apresentação no Ciclo de Avanços, com planos para o ano seguinte e a presença da colega Ana Soledade Graeff Martins no grupo. Eram momentos especiais do ano quando nos reuníamos para preparar o estudo e, felizes da vida, compartilhávamos com colegas o que vínhamos pesquisando na área. Mais do que um estudo em conjunto e objetivo em comum, o grupo tornou-se um espaço de partilha e de discussão, com um WhatsApp para nossa comunicação sobre temas em Humanidades Médicas, assuntos correlatos e, sobretudo, a amizade que se formou com o tempo. Pela pandemia, em 2020 nosso grupo encontrou-se apenas para discussões no Whats, mas nunca perdemos contato. Cada vez mais, Medicina Narrativa era o elemento que havia nos unido como amigas e como colegas com interesse no tema. A colega e amiga Mariana Paim me convidou para integrar o corpo editorial do Jornal da APRS, e estamos novamente em um projeto em comum. Neste ano de 2021, a própria Mariana Paim trouxe a ideia da formação do Núcleo de Humanidades Médicas em Psiquiatria da APRS, junto ao então Presidente, Dr. Flávio Shansis. E une-se a nós o colega Pedro Victor de Lima Nascimento Santos, integrando o Núcleo como Vice-Coordenador. Assim, forma-se o Núcleo ainda na gestão do Dr. Flávio Shansis, que compartilha conosco o prazer pela Literatura e as ideias que alicerçam as Humanidades Médicas. Que alegria! Ana Cristina Tietzmann como coordenadora, Pedro Victor Nascimento Santos como Vice-Coordenador e

Ana Cristina Tietzmann Pedro Victor Nascimento Santos Coordenadora Vice-Coordenador 38

Léia Klöchner Diretora-Científica


Léia Klöchner como Diretora-Científica. Mariana Paim Santos, Aletéia Crestani e eu seguimos como participantes e, ingressando também ao grupo, a colega Mariana Ribeiro de Almeida. A propósito, o atual Conselho Editorial da APRS está presente neste novo Núcleo de Humanidades Médicas: Mariana Paim, como coordenadora, e Pedro Victor, Mariana Ribeiro de Almeida e eu, Betina, como membros do Conselho. E, a partir de agora, esperamos por novos colegas para unirem-se a nós neste estudo encantador, que fala de Medicina, de Literatura, de Sensibilidade, de Escuta e de Relação Médico-Paciente, e tanto mais, através das artes. O processo que começou narrado pela primeira pessoa do singular tornou-se, progressivamente, narrado pela primeira pessoa do plural. Quando

“eu” passou a ser “nós”, pelo grupo do Ciclo de Avanços a cada ano, este Núcleo pôde nascer. Agradeço às colegas desse “barco”, que, desde 2016, vêm participando com ideias, prazer, entusiasmo e temas ricos para nossas discussões e que tornaram possível a realização deste grupo, tão importante para levar em frente um tema da relevância das Humanidades Médicas. Agradeço às queridas secretárias da APRS, Ana Paula e Sandrinha, presentes sempre nas nossas “empreitadas”. E, com muito carinho, agradeço ao Dr. Flávio Shansis, por oportunizar este núcleo e todas as ideias que temos proposto nos Ciclos. Muito obrigada, agora, aos leitores desse percurso, que chegaram até aqui e que, espero, estejam conosco em nossas atividades! Um abraço,

* Betina Mariante Cardoso Médica (PUCRS) e Psiquiatria (HCPA), especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica (CELG). Mestrado em Psiquiatria (UFRGS). Mestrado em Teoria da Literatura (PUCRS). Membro do Núcleo de Humanidades Médicas da APRS.

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Atualização em Psicofarmacologia

Pacientes com TEPT grave com frequência obtêm resposta incompleta com as terapias convencionais. Neste estudo randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, de fase 3, foi testada a eficácia de psicoterapia assistida por MDMA para pacientes com TEPT grave, em um total de 90 participantes. O grupo controle foi submetido à psicoterapia, sem medicação. A intervenção com MDMA foi em ambiente seguro e protegido. Foram incluídos pacientes com comorbidades, como depressão e transtorno por uso de substâncias.

Este estudo retrospectivo identificou mais de 400 mil pares mãe-criança, através de registros eletrônicos e, dessas, 706 haviam sido expostas a antipsicóticos durante a gestação.

Os pacientes submetidos ao MDMA mais psicoterapia apresentaram melhor recuperação funcional, bem como mais pacientes desse grupo deixaram de apresentar critérios para TEPT (67%, versus 32% no grupo placebo). Não houve aumento de risco de suicídio, alargamento do QTc, ou abuso no grupo do MDMA. O FDA concedeu o status de “Breakthrough Therapy” para a psicoterapia assistida por MDMA para TEPT, e tem o potencial de mudar de forma dramática o tratamento desses pacientes, se for aprovado.

A presença de doença psiquiátrica na mãe foi o fator que se mostrou de risco para desenvolvimento de filhos com TDAH ou TEA.

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Não houve diferença nas taxas de TDAH, transtorno do espectro autista (TEA), nascimento pré-termo ou pequeno para a idade gestacional (PIG) entre as crianças expostas e as não expostas aos antipsicóticos, mesmo após o ajuste para fatores de confusão.

* Eduardo Trachtenberg Coordenador do Departamento de Psiquiatria Clínica da APRS. Professor de psicofarmacologia nas residências da Fundação Mário Martins, Hospital São Pedro e Hospital Bruno Born.

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Recentemente, foi aprovada pelo FDA a brexanolona para depressão pós-parto. Trata-se de um neuroesteróide, modulador alostérico positivo GABA, mas de posologia por vezes desconfortável – infusão endovenosa contínua, ao longo de 60 horas.

Neste estudo caso-controle, a partir de dados de base finlandeses, se procurou identificar se o uso de antipsicóticos que podem aumentar a prolactina contribuiu para o desenvolvimento de câncer de mama, em pacientes com esquizofrenia.

O presente artigo, da JAMA Psychiatry, avalia um outro fármaco, a zuranolona, de mecanismo de ação semelhante à brexanolona, porém com posologia oral. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, ambulatorial, de fase 3. Setenta e sete pacientes receberam zuranolona 30mg, por 2 semanas, e 76 pacientes foram alocadas no grupo placebo.

Foram identificadas mais de mil mulheres com esquizofrenia que desenvolveram câncer de mama na Finlândia nas últimas décadas. O uso de antipsicóticos poupadores de prolactina (incluindo a clozapina, a quetiapina e o aripiprazol) por mais de 5 anos não foi associado ao aumento de incidência de câncer de mama. Já o uso de antipsicóticos com potencial de aumentar a prolactina, por mais de cinco anos, foi associado ao câncer de mama (OR 2,36 (95% IC, 1,46-3,82)). Dentre os antipsicóticos que podem elevar a prolactina, encontram-se a risperidona, a clorpromazina, o haloperidol e outros.

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Na escala de Hamilton de depressão (HAMD17) avaliando resposta, no dia 15, a zuranolona foi superior ao placebo (OR 2,63; 95% IC, 1,34-5,16; p=0,005), assim como na avaliação da HAMD-17 para remissão (OR 2,54; 95% IC, 1,24-5,17; p=0,01). O fármaco foi também considerado bem tolerado.

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É importante frisar que alguns antipsicóticos mais recentes e que não estavam disponíveis quando do diagnóstico e tratamento desses pacientes, como o brexpiprazol, a cariprazina e a lumateperona, não foram incluídos no estudo. Esses achados reforçam a importância de ativamente avaliar prolactina sérica, bem como questionar sobre sintomas sugestivos de hiperprolactinemia, em pacientes em uso de antipsicóticos que podem causar essa condição.


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Uma Psiquiatria Canábica? Felipe Bauer Pinto da Costa* Recentemente, o uso de derivados de Cannabis para fins medicinais tem sido sugerido por diversos autores em múltiplas áreas da medicina, inclusive na psiquiatria. Na neurologia, o canabidiol tem seu uso aprovado pela FDA para o tratamento de convulsões associadas à Síndrome de Lennox-Gastaut e na Síndrome de Dravet. Há evidências consistentes de eficácia do canabidiol para o tratamento de síndromes epilépticas refra-

a partir de resultados em estudos pré-clínicos, estudos observacionais, ou ensaios não-controlados. Apesar disso, ainda há poucas evidências de eficácia e segurança em ensaios clínicos controlados. Por exemplo, metanálise publicada em 2020 identificou 3 ensaios clínicos que investigaram o uso de óleo de canabidiol para esquizofrenia, como monoterapia ou tratamento adjuvante, não encontrando diferença estatisticamente sig-

tárias, como droga de associação ao tratamento usual, bem como há recomendações de uso de extrato oral de Cannabis para o tratamento da Esclerose Múltipla. No Brasil, há 7 produtos de Cannabis com autorização sanitária validada pela Anvisa. Com o aumento do interesse no tema, passou-se a ter periódicos indexados especializados em publicações sobre o uso de Cannabis e seus derivados, um artigo que sugere em seu título que a Cannabis seria uma droga milagrosa, e até portais na internet que prometem ajudar “a encontrar um médico prescritor de cannabis”. Esse contexto leva a uma realidade de aumento na quantidade de prescrições médicas de derivados de Cannabis para o tratamento de transtornos psiquiátricos e um número crescente de solicitações judiciais para que o estado custeie seu uso. Antes de considerar a indicação do uso de derivados de Cannabis, se faz necessário entender se há evidências de eficácia e segurança que justifiquem sua prescrição.

nificativa quando comparado a placebo, no que diz respeito à eficácia no controle de sintomas de esquizofrenia e cognição.

Existe uma série de transtornos psiquiátricos – Transtornos de Ansiedade, Depressão, Esquizofrenia e psicose, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Transtorno do Espectro Autista (TEA), sintomas neuropsiquiátricos da Demência – em que o uso de canabidiol e outros derivados de Cannabis é considerado por alguns autores como potencialmente benéfico,

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Entre as condições psiquiátricas que geram solicitações judiciais de fornecimento pelo ente público (poder executivo) de derivados da Cannabis, podem ser destacadas o Autismo e as alterações comportamentais da Demência. Em relação à primeira condição, as evidências disponíveis indicam que o benefício dos derivados de Cannabis nessa condição ainda é incerto. Foi realizado parecer técnico recentemente, sob encomenda do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que sumarizou os dados atuais acerca da eficácia e segurança dos derivados de Cannabis para o tratamento dos sintomas comportamentais do TEA, tanto em adultos quanto em crianças. Os dados encontrados reforçam a incerteza atual acerca dos benefícios do uso de tais substâncias nessa condição: entre 19 ensaios clínicos selecionados, apenas um ensaio clínico randomizado foi considerado com baixo risco de viés, e não mostrou resultados estatisticamente significativos acerca da melhora clínica com uso de canabidiol, quando comparado a placebo. A respeito do uso de derivados de Cannabis para o tratamento de sintomas neuropsiquiátricos da Demência, uma revisão sistemática publicada


recentemente na plataforma Cochrane avaliou o uso de canabinoides para o tratamento da Demência, incluindo entre os desfechos primários alterações comportamentais e sintomas psicológicos, além do déficit cognitivo. Os autores concluíram que os poucos ensaios clínicos disponíveis sobre o tema eram de tamanho amostral pequeno, de curta duração e heterogêneos, não sendo possível chegar a conclusões seguras acerca de sua eficácia e segurança nesse contexto. Em resumo, atualmente existem poucos ensaios clínicos randomizados controlados que avaliam o uso de derivados de cannabis, para a maioria das condições psiquiátricas. Há um número significativo de ensaios clínicos sobre o tema registrados no site www.clinicaltrials.gov, que podem ajudar a esclarecer se há e quais são seus potenciais usos clínicos. A judicialização das demandas em saúde tem levado a uma oneração crescente do ente público, que com isso passa a ter menos ingerência sobre a destinação dos recursos disponíveis, causando potencial déficit na alocação de verbas em um sistema que geralmente já conta com recursos escassos. Nesse sentido, se faz necessária uma análise criteriosa das evidências disponíveis para justificar a solicitação de que o estado custeie algum tratamento em saúde. No presente momento, ainda não há evidências que permitam conclusões acerca da eficácia e segurança do uso de derivados de Cannabis nos transtornos mentais. À medida que mais estudos forem publicados, espera-se que o papel da Cannabis e seus derivados no tratamento dos transtornos mentais possa ser melhor compreendido e que seja possível definir sua eficácia e segurança de forma mais consistente.

* Felipe Bauer Pinto da Costa Psiquiatra (HCPA) no Tribunal de Justiça/RS, mestre em Ciências Médicas: Psiquiatria (UFRGS), médico teleconsultor no TelessaúdeRS-UFRGS, professor de psiquiatria da Unisinos.

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ESPAÇO DO SÓCIO

O Sarau Virtual do Congresso Ana Cristina Tietzmann*

A importância das manifestações artísticas e culturais, e seu papel na manutenção da saúde mental, tem sido tomada com grande seriedade nos países desenvolvidos (WHO-Europe/HEN, 2019). Pensando nisso, foi com grande alegria que recebi o convite para coordenar a organização dos intervalos culturais do congresso. Dentre as muitas ideias que surgiram para dar lugar às artes dentro do evento, optamos por disponibilizar o espaço para a participação dos sócios e o compartilhamento de suas experiências através de pequenos vídeos. Com certeza, foi enriquecedor tanto para quem pôde participar quanto para quem conseguiu assistir. Parabéns a todos que fizeram acontecer o nosso Sarau Virtual! Fancourt D, Finn S. What is the evidence on the role of the arts in improving health and well-being? A scoping review. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe; 2019 (Health Evidence Network (HEN) synthesis report 67).

* Ana Cristina Tietzmann Coordenadora do Departamento de Psiquiatria Comunitária da e do Núcleo de Humanidades Médicas da APRS. Psiquiatra e consultora em Bioética Clínica. Publicou seu primeiro livro de poemas “Canto Próprio” no final de 2019 pela editora Artes e Ofícios.

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A Poesia na Hora Mariana Paim Santos*

A vida na hora A vida na hora. Cena sem ensaio. Corpo sem medida Cabeça sem reflexão. Não sei o papel que desempenho. Só sei que é meu, impermutável. De que trata a peça devo adivinhar já em cena. Despreparada para a honra de viver, mal posso manter o ritmo que a peça impõe. Improviso embora me repugne a improvisação. Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas. Meu jeito de ser cheira a província. Meus instintos são amadorismo.

No Intervalo Cultural do último Congresso da APRS, escolhi alguns poemas da poetisa Wislawa Szymborska, polonesa e vencedora do prêmio Nobel da Literatura em 1996, para declamar neste momento lúdico de trocas entre colegas.

O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante. As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis. Não dá para retirar as palavras e os reflexos, inacabada a contagem das estrelas, o caráter como o casaco às pressas abotoado eis os efeitos deploráveis desta urgência.

A poética da autora navega com simplicidade entre temas profundos. A respeito do seu trabalho referiu: “ No poema tento conseguir o efeito que na pintura se chama chiaroscuro.

Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira antes ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez! Mas já se avizinha a sexta com um roteiro que não [conheço.

Gostaria que o poema contivesse o sublime e o trivial, as coisas tristes e cômicas - lado a lado, misturadas”. Aqui trago uma de suas poesias lidas no Intervalo Cultural, a qual aborda o imprevisível, os medos diante do novo e a falta de controle sobre o destino. A minha interpretação da mensagem do texto é carpe diem uma vez que o futuro é incerto.

Isso é justo - pergunto (com a voz rouca porque nem sequer me foi dado pigarrear nos bastidores). É ilusório pensar que esta é só uma prova rápida feita em acomodações provisórias. Não. De pé em meio à cena vejo como é sólida. Me impressiona a precisão de cada acessório. O palco giratório já opera há muito tempo.

Aproveite o poema também!

Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas. Ah, não tenho dúvida que é uma estreia. E o que quer que eu faça, vai se transformar para sempre naquilo que fiz.

* Mariana Paim Santos Diretora de Inovação e Tecnologia da APRS

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Minha experiência Andréa Poyastro Pinheiro*

Últimos momentos de preparação para o nosso congresso, muita empolgação e uma certa apreensão com a novidade e necessidade de termos um evento totalmente online. Nossa comissão científica trabalhou arduamente e a expectativa era grande (e deu tudo certo!). Enquanto isso, nossa querida colega Ana Cristina Tietzmann cuidava do Intervalo Cultural, organizou a atividade, fez o vídeo convidando os colegas a enviarem seu material. Eu acompanhava de longe, trocávamos mensagens, curiosa por saber se os colegas estavam se entusiasmando com a ideia, vencendo algum constrangimento, talvez receio de se “soltar”?, expor-se um pouco mais. Falo por mim. Mas como deixar de lado a cultura, arte, literatura, poesia, esse bálsamo que nos ajuda a escoar nossas angústias, a expressar nossos sentimentos mais profundos? No dia anterior, chegou a mensagem da Ana cedo pelo celular: “Tu não te animas?” Olhei rapidamente, me preparava para sair, apressada que estava para levar o filho ao colégio. Antes de entrar no carro, fui rapidamente na estante e dei uma olhada nos livros lidos em 2021. Como que por impulso, tirei dali o livro da Carolina de Jesus e saí. No retorno pra casa, tenho alguns minutos para atender o pedido da Ana, e também um desejo meu. O dia estava bonito, ouvia os pássaros no jardim, e é pra lá que eu vou, aproveitar o silêncio da manhã, de cara e alma lavada, falar um pouco sobre esse livro que tanto me emocionou, leitura há muito

Como disse a Carolina, para que servem os livros? “Para adquirirmos boas maneiras e formarmos nosso caráter.”

devida – Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Uma obra que toca fundo, literatura denúncia? Sim, trata da fome e da desigualdade social que tanto persistem em nosso país, de questões raciais, de uma mãe lutando para alimentar seus filhos, com comida, com amor. Fazer aquele vídeo de forma rápida (a versão que enviei foi a segunda que fiz), tornou-se uma experiência tão interessante, uma declaração de amor pelos livros, uma oportunidade ímpar de compartilhar com os colegas aquilo que me faz tão bem, expandir minha mente, desafio constante de aprender a ouvir e olhar para o outro. Como disse a Carolina, para que servem os livros? “Para adquirirmos boas maneiras e formarmos nosso caráter.”

*Andréa Poyastro Pinheiro Psiquiatra. Membro Aspirante SPPA.

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Coral UFCSPA

Pedro Henrique Iserhard Zoratto* Quando fiquei sabendo que haveria o Intervalo Cultural no Congresso Gaúcho de Psiquiatria, pensei logo em compartilhar a última apresentação do Coral UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre). Trata-se da música “Mariposa Tecknicolor”, de Fito Páez (1994), dentro do projeto deste ano que passa por canções de países da América Latina. O arranjo é do regente Marcelo Rabello dos Santos e nesta apresentação participaram 52 coralistas. O Coral iniciou suas atividades em 2012, é formado por alunos, professores, funcionários, bem como por pessoas da comunidade em geral. Para entrar basta participar de uma reunião em que é feita a classificação vocal. Devido a pandemia do COVID-19 as apresentações passaram a ser virtuais, e foi neste contexto que ingressei no grupo. A partitura da música escolhida

te: retornar pela porta da cultura, e num momento de

é enviada aos coralistas, sendo que cada um estuda

pandemia. Apesar da atividade ser solitária, aprendi

individualmente, grava os vídeos e envia ao regente,

que o coletivo prevalece no canto coral. A expectativa

que faz a edição de áudio e de vídeo, separando sopra-

de ver o resultado da união de todas as vozes só quan-

nos, contraltos, tenores e baixos, para depois uni-los

do o trabalho é concluído, sem ao menos conhecer os

no concerto virtual.

demais participantes, é muito gratificante. Neste sentido os cantores são também plateia.

Ingressei no Coral em 2021, sem experiência prévia em canto coral, depois de ter participado de um curso

Convido os colegas a conferirem o trabalho no canal

de introdução à leitura de partitura musical na UFCSPA.

do Coral UFCSPA no YouTube, e também aproveito

Além do interesse por música, o fato de ter concluído

este espaço para convidar os interessados para partici-

a graduação em medicina na mesma universidade há

par desta experiência, na esperança de que possamos

mais de três décadas, trouxe uma motivação à par-

também cantar presencialmente assim que possível.

* Pedro Henrique Iserhard Zoratto Médico (UFCSPA) e Psiquiatra (PUCRS) com especialização em Perícia Médica (ABMLPM) com atuação em Psiquiatria Forense na área criminal (Instituto Psiquiátrico Forense). Membro do Departamento de Psiquiatria Forense da APRS.

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As Amigas da Poesia Lizete Pessini Pezzi*

O estímulo foi dado e o grupo, autointitulado “Amigas da Poesia’’, que há anos se reúne para ler... poesia, e já participou de alguns saraus, se organizou rapidamente, com muitas mensagens de whatsapp, e montamos nossa apresentação que esperamos que tenham gostado. Habitualmente, a mesma poesia é lida por duas pessoas diferentes, duas vozes, cada uma com sua própria ento(n)ação. Bem, posso descrever nossas reuniões com as palavras de Daniel Stern, como um Momento de Encontro Para Uma Viagem de Sentimentos Compartilhados, e essa foi a intenção em participar do Intervalo.

* Lizete Pessini Pezzi Psiquiatra, associada e encantada com a APRS.

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Beth Baldi, diretora da Escola Projeto: “Sempre bom de ler, Especialmente com as amigas. Poemas que trazem reflexão e prazer, Sendo, pra quem ouve e pra quem diz, como doces cantigas “. Como somos um coletivo, solicitei para as amigas relatarem sobre a participação neste Intervalo. Luiza Goidanich, professora, se sentiu sem penso, neste momento (porque tem muuuuito penso) e ficou fazendo bonecas de pano. Dulce Franco, professora, disse que achava que não tinha participado (e achou certo, não tivera tempo para participar da gravação) e: Agora, em arco-íris mental. Vera Mayer, psicopedagoga, prontamente escreveu: “Participar do Intervalo Cultural do XV Congresso Gaúcho da APRS, levando um pouco de arte-poesia, trouxe um intervalo para sentir, refletir e intensificar a esperança”. Alice Lewkovicz, psiquiatra e psicanalista foi convidada a reeditar a introdução de um sarau anterior e, modestamente, disse; “Com tanta contribuição inspirada acho que não precisa minha introdução, né?!?!”. Pois sendo um coletivo, muito do que nos liga está no entre leituras, nosso grupo é um entre tantas demandas da vida, um grupo para viver leveza, onde compartilhamos e nos acompanhamos em momentos diversos de alegrias e dores. Márcia Ivana Lima e Silva, professora e, no momento trabalhando em São Paulo: “A arte nos salvou do isolamento social E a poesia é a vacina mais eficaz para desenvolver nossa poesia e conexão com o outro. Viva as Amigas da Poesia”. Carmem Keidann, psiquiatra e psicanalista: “Sentimos que a poesia nos traz sensibilidade, emoção e reflexão ao cotidiano! Essencial à nossa saúde mental”. Verônica Alfonsin, psicopedagoga: “A poesia acaricia a alma! É uma maravilha poder oferecê-la, em pequenas doses, para quem trabalha com saúde mental!”. Laís Knijnik, psiquiatra que é nossa Spielberg, pois recebe as gravações, faz editoração, a arte, a criação e mais um monte de coisas que só quem entende do assunto sabe como é. Falou com a ação. A posteriori, resolveu se manifestar: “Achei interessante pensar em porque gostamos e escolhemos haicais para nossa participação no Congresso. Haicais são poemas curtíssimos, simples e diretos. São rápidos e tendem a prender o leitor (e o ouvinte) com uma só tacada/sacada. Acho que foi por aí nossa escolha”. Um dos haicais de nossa apresentação: “descalça na areia o planeta me faz cócegas nas plantas dos pés”. Maria Valéria Rezende

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Novas Perspectivas para a Trends in Psychiatry and Psychotherapy A revista científica Trends in Psychiatry and Psychotherapy foi fundada em 1979 com o nome de Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, sendo vinculada à Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS). Pelo esforço de vários editores ela vem avançando internacionalmente. Em 2011, o nome da revista foi modificado para o atual. Em 2015, a revista foi indexada no PubMed, ganhando visibilidade fora do Brasil. Em 2019, a revista foi indexada na ISI/Web of Science, vencendo os 24 critérios de qualidade para entrar nas “Emerging Sources”, que fazem parte da coleção principal dessa plataforma. Em 2020, ela foi indexada no PubMed Central e, assim, passou a ter seus artigos armazenados em texto integral na central PMC da MEDLINE. Em 2020, ainda, a revista passou a ser registrada no Journal of Citation Report. Além dessas indexações mais recentes, há muitos anos a Trends já fazia parte de outras bases de dados, como SciELO, Scopus, PsycINFO, Embase, Redalyc, BIOSIS, LILACS, Latindex e EBSCO. A missão da revista é publicar artigos originais e revisões sólidas com foco na interação entre pesquisa clínica e pesquisa experimental na área de psiquiatria, psicologia e saúde mental, psicoterapia, neurociências, neuropsicologia, e ciências do comportamento. A revista vem sendo publicada de modo ininterrupto ao longo dos seus mais de 40 anos de existência. Na atual gestão, destacam-se três inovações: (1) a busca pela equidade de gênero com distribuição igualitária entre editores e editoras associado(a)s; (2) a contribuição pela primeira vez de uma editora não médica psiquiátrica, mas sim psicóloga, fonoaudióloga e neuropsicóloga; e (3) a marca da interdisciplinaridade com editores associados de diferentes áreas da saúde e da educação, como educação física. A neuropsicologia e a educação física são especialidades cada vez mais envolvidas na pesquisa e na prática com 50

desfechos e preditores de saúde mental, tanto no âmbito da avaliação quanto das intervenções. O caráter multidisciplinar dos artigos faz da Trends in Psychiatry and Psychotherapy um veículo relevante para a discussão e integração das diversas áreas com interesse na saúde mental. Os artigos publicados vão desde investigações sobre a saúde mental das populações, passando por relatos clínicos e análises culturais sobre questões psicossociais, até validações de instrumentos de pesquisa e avaliações do estado da formação em saúde mental e de políticas de saúde pública. Cada número tem sido preparado levando em conta critérios de qualidade definidos por indexadores como SciELO, PubMed e Web of Science. Como exemplo, o periódico tem acesso aberto, em texto integral, na plataforma SciELO e também no PMC; não cobra taxas de processamento/ submissão nem de publicação; inclui contribuições e possui conselhos de variada origem nacional e internacional; publica apenas materiais inéditos e tem todos os artigos revisados por pares. A troca do nome, realizada a partir do final de 2011, passando o título para Trends in Psychiatry and Psychotherapy, atingiu o objetivo de refletir o caráter interdisciplinar e abrangente da revista, reconhecendo já em seu título as áreas de psicoterapia e psicologia, com as implicações naturais disso para os campos das ciências sociais e humanas. Além disso, a guinada reflete uma decisão definitiva de tornar a revista realmente um veículo internacional, ao receber exclusivamente artigos escritos em língua inglesa. Com isso, especialmente após a indexação MEDLINE, tem-se atingido uma audiência progressivamente maior de leitores e também de autores e revisores (e, claro, citações). Todas essas mudanças são não apenas desejáveis e positivas, como também necessárias. Elas estão ocorrendo de forma natural e progressiva na trajetória da Trends in Psychiatry and Psychotherapy.


E quais são as novidades para a revista? Recentemente, foi selado um acordo com a World Psychiatric Association, a principal associação internacional no campo da psiquiatria. O acordo consiste na publicação de uma edição suplementar anual na Trends in Psychiatry and Psychotherapy acerca de um tópico de interesse das duas entidades. Esse tipo de parceria dará mais visibilidade à nossa revista no cenário internacional, pois contaremos com essa associação na divulgação dos artigos publicados. O primeiro suplemento será sobre transtorno por uso de cannabis. Criamos também páginas da revista nas principais plataformas de redes sociais (Twitter, Linkedin, Facebook e Instagram). O objetivo é traduzir o conhecimento científico publicado na revista para a sociedade. Os posts ocorrem de 1 a 2 vezes por semana e são organizados seguindo uma lógica de acordo com cada plataforma, com pequenas variações devido às particularidades de cada rede social. Cada post descreve, em palavras acessíveis à comunidade, o artigo em questão da revista e é acompanhado de uma imagem que ressalta alguns pontos dos achados do referido estudo. O texto que acompanha cada imagem é dividido em dois parágrafos, sendo um deles feito em português, enquanto o outro é em inglês, visando a inclusão do público internacional. Para desenvolver suas plataformas digitais, a revista conta com dois editores juniores: Alana Castro Panzenhagen e Thiago Henrique Roza, grandes aquisições para nosso importante time

de esforço editoral contínuo e constante em busca sempre de mais avanços para a Trends. A novidade mais recente que temos para compartilhar é o lançamento do site próprio da revista, www.trends.org.br. A partir dessa plataforma, os leitores poderão se atualizar sobre os mais recentes artigos da revista e conhecer um pouco mais sobre os editores que compõem o corpo editorial. Acreditamos que todas essas medidas tomadas com o apoio da APRS vão pavimentar o futuro da revista no sentido de ser um instrumento para a divulgação de material científico de qualidade no campo da saúde mental com o objetivo de ajudar a sociedade.

Os endereços das páginas citadas anteriormente, em cada uma das plataformas, são os seguintes:

Instagram: https://www.instagram.com/trendspsych/ Facebook: https://www.facebook.com/Trends-in-Psychiatry-and-Psychotherapy-109492941345113 LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/trends-in-psychiatry-and-psychotherapy-b0aa13213/ Twitter: https://twitter.com/trends_psych Ives Cavalcante Passos Editor-Chefe da Trends in Psychiatry and Psychotherapy. Professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina e do PPG em Psiquiatria da UFRGS.

Rochele Paz Fonseca Editora-Chefe da Trends in Psychiatry and Psychotherapy. Professora Titular do Curso de Psicologia e do PPG em Psicologia da PUCRS - Grupo de Pesquisa Neuropsicologia ClínicoExperimental e Escolar.

Denise Arend Editora Gerente da Trends in Psychiatry and Psychotherapy

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Prêmio Marlene Araújo para o melhor trabalho em Psiquiatria Comunitária

Nascida em 3 de junho de 1940, no Estado de Alagoas, viveu sua infância e juventude em Recife, onde se formou médica pela Universidade Federal de Pernambuco. Mudou-se para Porto Alegre em meados dos anos 1960. Profissionalmente, Marlene foi muito reconhecida, especialmente na área de Psicoterapia e Psicanálise da Infância e Adolescência, sempre com um olhar voltado para as questões sociais. Era associada da Associação de Psiquiatria do RS e Analista Didata na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre. Destaca-se em todo o seu longo e profícuo trabalho de Marlene, sua preocupação com a vulnerabilidade social em nosso país. Por isso, a APRS decidiu, a partir do XVI Congresso Gaúcho de Psiquiatria, conceder o “Prêmio Marlene Araújo” ao melhor trabalhado apresentado

Prêmio

Marlene Araújo

na área de Psiquiatria Comunitária. Com muito pesar e tristeza, Marlene Silveira Araújo nos deixou no dia 22 de fevereiro de 2021, em decorrência da COVID-19.