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Ano II - Nº 28 - Agosto de 2014

Boletim 28 x 0

Violência

A Copa do Mundo no Brasil acabou,

e a nós o que restou? Sobre o Mundial da FIFA em 2014, e sobre os efeitos que o mesmo deixou no país pelo que foi feito antes, durante e depois do evento, há muito o que dizer. Do ponto de vista do tão aclamado desenvolvimento econômico, a população pode testemunhar muitos investimentos para que grandes empresas obtivessem muitos lucros ao tempo que pequenos empreendimentos não tinham espaço ou possibilidade real de competição para extrair lucratividade.

Houve ainda financiamentos absurdos de obras faraônicas, que pelos atrasos acabaram custando três vezes mais do que o orçado inicialmente, e, pós evento não terão uso proporcional ao investimento realizado. Os estádios, por exemplo, com um custo alto de manutenção mensal terão que servir, em algumas cidades, para realização de shows para que os custos de manutenção não saiam dos cofres públicos. De outro lado e em paralelo a isso, foram milhares de remoções forçadas e desapropriações indevidas contribuindo para a gentrificação das capitais servindo a iniciativa privada e especulação imobiliária. As obras de mobilidade não resolveram o problema do transporte público de péssima

qualidade que resultam em trânsito caótico. Sem falar que diversos serviços públicos foram mal planejados e executados, ficando no lugar do tão falado legado da copa um vazio, ou melhor dizendo um buraco. Tratando dos direitos humanos de crianças e adolescentes, também não foram melhores os resultados. A criminalização dos protestos iniciados em junho de 2013, para garantir o que os poderes públicos chamaram de ordem social, resultou em centenas de adolescentes manifestantes presos e agredidos por policias em várias capitais do país de modo irregular.

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Estabeleceu-se um estado de exceção onde importantes direitos foram suspensos, como o direito a livre e pacífica manifestação. A exploração sexual de crianças e adolescentes, denunciada anteriormente ao evento pela imprensa mundial, que, constatou o quanto era recorrente a prática e provável o aumento da violação dos direitos sexuais dessa população durante o mundial e o quanto as políticas públicas eram insuficientes para lidar com a questão, não teve a atenção cuidadosa necessária para a proteção das crianças e adolescentes. Notoriamente não houve a coerção necessária ao crime de exploração sexual, como a implantação de serviços policiais especializados para a investigação e desbaratamento das redes criminosas, tampouco houve a ampliação de serviços de atendimento ou rede de retaguarda que garantissem efetiva proteção, imprescindível às vítimas. Dados do Disque 100 apontam que as denuncias de violências sexuais cresceram 41, 2% comparado com o mesmo período

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Brasil

Uma pergunta ecoa sem resposta: Quantos serão os filhos sem pai da Copa de 2014? Precisamos agora, pensar estratégias de restituição dos direitos que foram e ainda continuam sendo violados em nome de um modelo econômico perverso, e, lembrando o passado refletir e agir para que enfim as crianças e adolescentes brasileiros possam ter um presente e um futuro garantido.

Aí galera, aguardem que em setembro teremos muitas novidades para vocês. Fiquem ligadinhos na Campanha ANA!

ana.movimento@gmail.com

Realização

de 2013, constatando um incremento nessas violações notoriamente motivado pelo mundial e pelo grande fluxo de visitantes que circularam pelas capitais e outros municípios dos Estados que sediaram o evento. Foram criados em diversas cidades fluxos de atendimento as violações de direitos humanos de crianças e adolescentes, porém estes fluxos não obtiveram sucesso em algumas capitais seja por falta de organização e planejamento dos serviços, inabilidade técnica ou falta de investimento dos governos.

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