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PECUÁRIA EM ALTA

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PECUÁRIA EM ALTA


PALAVRA DO DIRETOR

Começamos este ano com excelentes expectativas e, principalmente, motivos para comemorar. Em 2018, atingimos um feito histórico para a Alta, comercializar 5 milhões de doses em um único ano. Agora, começo de 2020, comemoramos com vocês mais um recorde para a pecuária nacional: a Alta é a única empresa brasileira a comercializar mais de 6 milhões de doses de sêmen em um único ano. Conquistar dois recordes consecutivos não é fácil, exige muito comprometimento e trabalho, mas é muito gratificante perceber que estamos no caminho certo. Ao longo dos anos, a Alta sempre priorizou a qualidade dos produtos e um atendimento personalizado que possibilizasse a maximização dos resultados dos clientes, e é isso que estamos vendo se refletir agora nesses recordes. Cada rebanho possui necessidades e objetivos diferentes. Assim como não existe uma pessoa igual à outra, não existe uma fazenda, ou um sistema de produção igual ao outro. Por isso, nós da Alta não medimos esforços para ter uma equipe treinada e capacitada para atender você e seus reais objetivos. Uma palavra define a nossa primeira edição da Revista Pecuária em Alta: eficiência. Seja ela quando falamos em produção, reprodução, criação de bezerros ou de qualquer outro aspecto dentro da sua propriedade que exija eficiência. Aqui você vai encontrar assuntos sobre genética, economia, gestão, manejo, nutrição, enfim, tudo que seja realmente relevante para a sua realidade. Muito sucesso para nós em 2020 e quero ainda celebrar muitas vitórias com vocês ao longo do ano. Uma ótima leitura.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE Diretor Heverardo Rezende de Carvalho

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ESPECIAL EM BUSCA DA VACA IDEAL! ELA EXISTE? Vaca de 4 Eventos buscando a fêmea ideal

Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Aloma Eiterer Leão, Angelino Rossi, Danillo Rodrigues, Fábio Fogaça, Bárbara Alves, Francisco Lopes,Guilherme Marquez, Hilton do Carmo Diniz Neto, Joana Palhares Campolina, Júlia Gazoni, Lorenna Santos, Luis Alfredo Garcia Deragon, Luiza Mangucci, Manoel Sá Filho, Marcos Fava Neves, Mayara Campos Lombardi, Rafael Azevedo, Sandra Gesteria Coelho, Tiago Ferreira e Túlio Marins

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Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com

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ALTA NEWS ALTA BATE RECORDE E COMERCIALIZA 6 MILHÕES DE DOSES DE SÊMEN EM UM ÚNICO ANO

GIRO NO CAMPO Confira os registros dos nossos leitores no campo

Revisão de texto Aírton José Souza airtondesouza@yahoo.com.br Tiragem: 5 mil exemplares Impressão: Gráfica 3 Pinti

Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade. Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para produtores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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CAPA LEVANTAMENTO ALTA CRIA Falha na colostragem aumenta risco de morte de bezerras em até 2,25


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PROGRAMAS E SERVIÇOS

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CRIAÇÃO DE BEZERROS

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O QUE PAGA A CONTA É O LEITE! Eficiência reprodutiva e produtiva em busca do aumento da produção de leite AUMENTO NA TAXA DE PRENHEZ GARANTE PRODUTIVIDADE EM REBANHOS LEITEIROS Como estão os índices do seu rebanho?

CORTE

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OLHANDO E ANALISANDO OS TOUROS

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RESSINCRONIZAÇÃO: SINÔNIMO DE EFICIÊNCIA REPRODUTIVA E PRODUTIVA

Importância do Perímetro Escrotal no melhoramento genético

MOCHAÇÃO EM BEZERRAS LEITEIRAS: TÉCNICAS PARA FACILITAR O MANEJO A prática é rotineira, mas requer bastante cuidado

LEITE

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CRUZAMENTO INDUSTRIAL Qual é o indicado para o meu sistema de produção?

COLETA DE SÊMEN Otimização dos custos, aumento da lucratividade e eficiência produtiva. Garanta a vaga de seu touro melhorador na melhor Central do Brasil

CORTE

CASOS DE SUCESSO

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FAZENDAS SANTA ROSA, PROGRESSO E BOI VERDE

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FAZENDA RECANTO DOS TUCANOS

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ENTREVISTA MARCOS FAVA NEVES Desafios da construção de margens para uma pecuária cada vez mais competitiva

Mais bezerros e maior lucratividade

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ESPECIAL

EM BUSCA DA VACA IDEAL! ELA EXISTE? por Bárbara Alves, técnica de Leite e Fábio Fogaça, Gerente de Leite Importado 6

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Você conhece a campanha “Vaca de 4 Eventos da Alta”? Pois bem... após ler esta matéria, tenho certeza de que você irá criar mais fêmeas em seu rebanho que correspondem à descrição que será exposta. Digo isso, porque é uma das formas de se otimizar a maximização dos lucros e rentabilidade de sua propriedade. As vacas que recebem esse reconhecimento são aquelas que, em seus registros de manejo de dados individuais, passaram apenas por quatro eventos de relevância dentro de sua última lactação: 1. PARTO 2. INSEMINAÇÃO 3. PRENHEZ 4. SECA De uma forma simplificada, ela obtém um produto vivo

“Há mais de 20 anos, a Alta vem se preparando para ajudar os seus clientes e parceiros a produzirem cada vez mais vacas de 4 eventos em seus rebanhos” e saudável em seu parto e não apresenta problemas metabólicos, como, por exemplo, cetose, febre do leite e/ou retenção de placenta (EVENTO 1). Logo após o seu Período do Espera Voluntária (PEV), que geralmente é em torno de 45 a 60 dias, ela é INSEMINADA (EVENTO 2) e, com apenas uma tentativa, após o Diagnóstico de Gestação

(DG), já é confirmada PRENHA (EVENTO 3). Posteriormente a essa confirmação, ela segue a sua lactação, normalmente, sem repetir cio ou apresentar nenhum problema de saúde como, por exemplo, mastite, claudicação e/ou descalcificação até entrar no período de descanso e SECAR (EVENTO 4). Observe que a vaca de 4 Eventos da Alta é aquele animal que o produtor nem sequer se lembra dela. Isso acontece porque essa fêmea não causa dores de cabeça, não necessita de um manejo curativo, não gera gastos e prejuízos. Ela é exatamente o contrário de tudo isso. É claro que essa fêmea terá, em sua ficha individual, outros eventos de rotina como troca de piquete, casqueamento, vacinações etc.

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ESPECIAL

Como produzir Vaca de 4 Eventos? Há mais de 20 anos, a Alta vem se preparando para ajudar os seus clientes e parceiros a produzirem cada vez mais vacas de 4 eventos em seus rebanhos. Isso acontece através da criação e otimização de seus produtos, programas e serviços, sejam eles do acompanhamento da fertilidade de seus touros ao gerenciamento de seu rebanho. O primeiro passo é a escolha de um Plano Genético personalizado para a realidade de cada propriedade, o qual pode ser elaborado pelos consultores e representantes da Alta, que vão até a propriedade e fazem uma análise, usando também levantamento dos dados da mesma para que, junto aos produtores, possam ajudá-los a enxergar quais

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seriam os objetivos. A finalidade é a busca de um progresso genético mais rápido dentro do rebanho, com a consecutiva criação de mais vacas de 4 eventos. Nessa fase, existe ainda um programa muito relevante que é o Alta Advantage, o qual consiste na oferta da melhor genética possível entre todos os touros existentes na Alta. Dando preferência nas doses existentes, primeiramente aos clientes que são nossos parceiros, e participam desse programa. No momento da escolha dos touros que serão direcionados para o rebanho, são definidos os méritos genéticos de interesse que serão levadas em consideração para a criação de vacas mais rentáveis e produtivas de acordo

com a realidade de cada propriedade, sejam elas de produção, saúde e/ou conformação, sem nunca deixar de considerar que precisamos ter o máximo de foco para, através da seleção dos touros/vacas, conseguirmos um Progresso Genético mais rápido. Logo ao nascer, a bezerra já inicia sua trajetória como uma Vaca de 4 Eventos. Porém, para otimizar a vida produtiva desse animal, uma colostragem eficaz é algo primordial. O colostro de qualidade deve ser fornecido nas primeiras horas de vida em quantidade adequada. Como forma de substituição ou enriquecimento desse alimento tão importante, a Alta possui o Colostro em Pó, 100% natural, produzido pela Mãe Natureza.


rebanhos, tem-se também o Alta Gestão, uma importante ferramenta para a geração de índices reprodutivos, através da análise dos dados coletados. É sempre muito importante frisar que, apesar de todas esses recursos, ainda temos um importante fator que pode influenciar na produção e no desempenho dessas vacas de forma negativa (se não for controlado), que é o ambiente. Deve-se manter sempre o bem-estar das vacas, de forma a atentar-se ao estresse térmico, ao balanceamento correto da dieta, escore de condição corporal e demais situações controláveis que podem maximizar a produção e, consequentemente, os lucros de uma propriedade. Se precisar de um certo auxilio nessas questões, requisite a visita de um de nossos técnicos. Ainda nessa importante fase da vida de uma futura Vaca de 4 Eventos, outro destaque é o programa Alta Cria, sendo que esse faz o acompanhamento dos dados referentes à fase de cria, gerando informações valiosas para tomada de decisões da fazenda, bem como benchmarkings nacionais de criação de bezerras. A fim de citarmos outros exemplos de programas da Alta, outro que é extremamente relevante para os eventos 2 e 3 (INSEMINAÇÃO e PRENHEZ, respectivamente) é o Concept Plus. Esse é reconhecido como o programa de avaliação de fertilidade dos touros mais confiável e preciso de todo o mercado. A razão está no fato de que já são praticamente 20 anos de existência, com mais de 40 milhões de dados de diagnósticos de pre-

nhez (não se leva em consideração taxas de não retorno ao cio) coletados de forma imparcial, de rebanhos progressivos dos EUA e Canadá, através do software Dairy Comp 305. Ele é um programa de fertilidade de touros diferenciado no mercado por levar em consideração questões não relevadas por outros, como, por exemplo, os efeitos de inseminador e da metodologia de obtenção do cio. Posteriormente, outros dois programas indispensáveis nesse processo são, AltaGPS e o Alta Cross Mate. Ambos são fundamentais na indicação de quais são os melhores touros a serem utilizados em cada fêmea para a obtenção de produtos de genética superior. Para o gerenciamento e monitoramento da reprodução dos

Fábio Fogaça, Gerente de Produto Leite Importado Zootecnista pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado em Reprodução e Gerenciamento de Saúde de Rebanho, na International Livestock Management Schools no Canadá. Há 9 anos integra a equipe da Alta.

Bárbara Campos Alves, Trainee Comercial de Leite Graduada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) – Campus Uberaba, em 2018. Hoje atua na pasta Leite Importado na Alta Brasil

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ALTA NEWS

ALTA BATE RECORDE E COMERCIALIZA 6 MILHÕES DE DOSES DE SÊMEN EM UM ÚNICO ANO Pelo segundo ano consecutivo, a Alta supera uma barreira histórica e se consolida como a primeira empresa a comercializar 6 milhões de doses em um ano. A antiga marca era de 2018, quando a empresa comercializou 5 milhões de doses. Para o Diretor da Alta no Brasil, Heverardo de Carvalho, o resultado consolida a liderança da empresa no mercado de genética brasileiro. “Conquistar dois recordes consecutivos não é fácil, exige muito comprometimento e trabalho, mas é uma grande honra e satisfação perceber que estamos no caminho certo. Ao longo dos anos, a Alta sempre priorizou a qualidade dos produtos e um atendimento personalizado que possibilizasse a maximização dos resultados dos clientes, e é isso que estamos vendo se refletir agora nesses recordes”, destaca. Além disso, segundo ele, nos últimos anos, o pecuarista tem percebido a necessidade de investir em melhoramento genético, fator que também colabora com o bom momento do mercado. “O mercado tem exigido animais precoces, terminados mais cedo, fêmeas e machos precoces, ou com alta produção de leite, e isso tudo depende de uma série de va10

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lores, mas, principalmente, uma boa genética”, diz. Os programas de melhoramento genético realmente foram decisivos na melhoria da qualidade do rebanho e da carne. Segundo a ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), a expectativa é fechar os números de 2019 com 18 milhões de doses comercializadas, um crescimento de próximo a 17% no mercado, em relação a 2018. Até setembro, foram 11.450.505 doses entregues, contra 9.701.282 no mesmo período do ano anterior. Se as

previsões se confirmarem, significa dizer que a Alta, sozinha, representou mais de 35% do mercado em 2019. Para 2020, a meta da empresa é crescer 18% e solidificar a liderança no mercado. “Novamente, tivemos um ano realmente espetacular na Alta, mas queremos continuar avançando, ampliando programas importantes como Alta Advantage, Alta CRIA, Plano Genético, Alta Gestão, Concept Plus, entre outros, que foram extremamente relevantes na conquista dos últimos recordes”, destaca Carvalho.

LIDERANÇA CONSISTENTE

Nos últimos anos, a Alta tem alcançado resultados expressivos no mercado nacional. Desde 2008, todos os recordes de comercialização de sêmen foram alcançados e superados pela Companhia. O primeiro recorde foi conquistado em 2008 com 2 milhões de doses comercializadas em 12 meses. Já em 2011, a Central ultrapassou a marca, sendo novamente a única empresa a vender 3 milhões de doses em um ano. Em 2015, a Alta, novamente, saiu na frente ao entregar 4 milhões de doses ao mercado, superando o feito de 2011. O último recorde foi conquistado em 2018, quando a empresa comercializou 5 milhões de doses em 12 meses.


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GIRO NO CAMPO

@altageneticadevenezuela

@clemilsonsandim

@danillorodr

@fazendajabaquara

@feferamos2

@fersoaresalmeida

@geraifgoiano

@girolandoluanda

@lelis.william

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@lourencosena

@m.v.guimaraes

@marciodelfin

@ordenhamaisaltagea

@produziragropecuaria

@rafaelmazao

@rodrigohgpe

@sincrofertilreproducaobovina

@teodoro_jvvet PECUĂ RIA EM ALTA

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CAPA

LEVANTAMENTO ALTA CRIA

NÚMEROS APONTAM QUE RISCO DE MORTE DE BEZERRAS É 2,25 VEZES MAIOR EM CASOS DE COLOSTRAGEM INEFICIENTE 16

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“O Alta Cria tem-nos mostrado os principais pontos que precisamos realmente mudar. Na Fazenda Santa Luzia, nossa primeira atuação foi a colostragem. Hoje, todo o colostro da propriedade é monitorado e utilizamos o colostro bovino em pó como corretivo para o colostro que nós já temos no nosso banco. O resultado desse processo de enriquecimento já apareceu. Nós tivemos 99% de eficiência de colostragem, com 1.900 bezerras nascidas. Pra mim, isso era algo que eu jamais poderia imaginar. Eu acreditava que já estava bem, mas, com os conceitos que aprendemos no Alta Cria, percebemos que poderíamos melhorar ainda mais. Decidimos mudar e colocar tudo em prática muito rapidamente”, afirma Maurício Coelho, proprietário da Fazenda Santa Luzia, localizada em Passos (MG). A fazenda é uma das maiores produtoras de leite do país, com 35.000 litros produzidos por dia. Pertencente ao Grupo Cabo Verde, a fazenda é uma das várias propriedades brasileiras que decidiu dar mais atenção a uma das etapas mais importantes e desafiadoras na pecuária leiteira: a cria. É nesse período que o pecuarista precisa ter vários cuidados, principalmente de manejo, para que todo o investimento e a reposição genética aconteçam, tragam retorno financeiro e os animais possam se desenvolver saudáveis. Nesse cenário, a correta administração de colostro é um dos pontos que mais se destaca. Recentemente, um levantamento realizado pelo programa

Alta CRIA, idealizado pela Alta Genetics, revelou que a falha na transferência de imunidade passiva é um dos principais fatores relacionado à morte de bezerras. De acordo com o estudo, animais com baixa eficiência de colostragem têm 2,25 vezes mais chance de ir a óbito durante a fase de aleitamento.

“O mais interessante sobre todos os números apresentados pelo Alta Cria é que, na maioria das vezes, ações simples podem mudar completamente um número, porém são pontos que devem ser relembrados todos os dias e, literalmente, serem aplicadas no campo para que a gente consiga atingir nossos objetivos. ” Isso porque, ao nascer, os animais são incapazes de produzirem resposta imune suficiente contra os desafios encontrados, especialmente contra doenças. “Um colostro de baixa qualidade deixa os bezerros expostos à diarreia e pneumonia, por exemplo. Além disso, mesmo quando não em casos extremos, essas doenças reduzem o ganho de

peso diário das bezerras e impactam diretamente na produção e na expressão genética desses animais”, explica o coordenador do programa Alta CRIA, Rafael Azevedo. O projeto apresentou o levantamento da taxa de doenças e de mortalidade durante a fase de cria das bezerras leiteiras. “Percebemos que, do total de animais, foi registrado 44% de diarreia e 26% de pneumonia, na fase de aleitamento, sendo o percentual de morte de 5%”, conta Azevedo. No entanto, esses números mostram um grande avanço em relação ao levantamento do ano passado, quando a taxa de mortalidade das bezerras chegava a 10%. “O programa chega ao seu terceiro ano e temos visto um grande avanço nos resultados. Os produtores estão conseguindo enxergar seus números e perceber onde podem melhorar”, acrescenta o coordenador. Para a professora da Universidade Federal de Viçosa – UFV e conselheira do Alta CRIA, Polyana Rotta, esse é um dado extremamente importante. “Vivemos em um país tropical onde o ambiente não é favorável para as bezerras, e, mesmo assim, esse número caiu pela metade. Na minha visão, se a mortalidade diminuiu é porque o processo de colostragem está sendo mais eficiente, que é o primeiro passo. Isso já é um grande avanço porque reflete em todas as futuras etapas da vida do animal”. O Alta CRIA também avaliou a relação das doenças com o ganho de peso ao desaleitamento. No caso do gado Holandês,

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CAPA

“O Alta Cria tem-nos mostrado os principais pontos que precisamos realmente mudar. Na Fazenda Santa Luzia, nossa primeira atuação foi a colostragem. Hoje, todo o colostro da propriedade é monitorado e utilizamos o colostro bovino em pó como corretivo para o colostro que nós já temos no nosso banco. O resultado desse processo de enriquecimento já apareceu. Nós tivemos 99% de eficiência de colostragem, com 1.900 bezerras nascidas. Pra mim, isso era algo que eu jamais poderia imaginar. Eu acreditava que já estava bem, mas, com os conceitos que aprendemos no Alta Cria, percebemos que poderíamos melhorar ainda mais. Decidimos mudar e colocar tudo em prática muito rapidamente”, afirma Maurício Coelho, proprietário da Fazenda Santa Luzia, localizada em Passos (MG). A fazenda é uma das maiores produtoras de leite do país, com 35.000 litros produzidos por dia.

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“Vaca boa é sinônimo de bezerra boa. Ela é o futuro da propriedade” Alex Sica, Médico-veterinário Fazenda Colorado

Pertencente ao Grupo Cabo Verde, a fazenda é uma das várias propriedades brasileiras que decidiu dar mais atenção a uma das etapas mais importantes e desafiadoras na pecuária leiteira: a cria. É nesse período que o pecuarista precisa ter vários cuida-

dos, principalmente de manejo, para que todo o investimento e a reposição genética aconteçam, tragam retorno financeiro e os animais possam se desenvolver saudáveis. Nesse cenário, a correta administração de colostro é um dos pontos que mais se destaca. Recentemente, um levantamento realizado pelo programa Alta CRIA, idealizado pela Alta Genetics, revelou que a falha na transferência de imunidade passiva é um dos principais fatores relacionado à morte de bezerras. De acordo com o estudo, animais com baixa eficiência de colostragem têm 2,25 vezes mais chance de ir a óbito durante a fase de aleitamento. Isso porque, ao nascer, os animais são incapazes de produzirem resposta imune suficiente contra os desafios encontrados, especialmente contra doenças. “Um colostro de baixa qualidade deixa os bezerros expostos à diarreia e pneumonia, por exemplo. Além disso, mesmo


quando não em casos extremos, essas doenças reduzem o ganho de peso diário das bezerras e impactam diretamente na produção e na expressão genética desses animais”, explica o coordenador do programa Alta CRIA, Rafael Azevedo. O projeto apresentou o levantamento da taxa de doenças e de mortalidade durante a fase de cria das bezerras leiteiras. “Percebemos que, do total de animais, foi registrado 44% de diarreia e 26% de pneumonia, na fase de aleitamento, sendo o percentual de morte de 5%”, conta Azevedo. No entanto, esses números mostram um grande avanço em relação ao levantamento do ano passado, quando a taxa de mortalidade das bezerras chegava a 10%. “O programa chega ao seu terceiro ano e temos visto um grande avanço nos resultados. Os produtores estão conseguindo enxergar seus números e perceber onde podem melhorar”, acrescenta o coordenador. Para a professora da Universidade Federal de Viçosa – UFV e conselheira do Alta CRIA, Polyana Rotta, esse é um dado extremamente importante. “Vivemos em um país tropical onde o ambiente não é favorável para as bezerras, e, mesmo assim, esse número caiu pela metade. Na minha visão, se a mortalidade diminuiu é porque o processo de colostragem está sendo mais eficiente, que é o primeiro passo. Isso já é um grande avanço porque reflete em todas as futuras etapas da vida do animal”. O Alta CRIA também avaliou a relação das doenças com o

“Eu acreditava que já estava bem, mas, com os conceitos que aprendemos no Alta Cria, percebemos que poderíamos melhorar ainda mais” Maurício Coelho Fazenda Santa Luzia

ganho de peso ao desaleitamento. No caso do gado Holandês, quando não há registro de diarreia e pneumonia, a média é de 837 g/d, mas esse valor pode cair para 749 g/d – perda de 88 g/d - se houver um ou mais casos no rebanho. Esses resultados foram apresentados no Simpósio Internacional Alta CRIA, realizado no mês de novembro/2019, em Uberaba - MG. O evento recebeu palestrantes do Brasil, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos, para discutir diferentes sistemas de criação no mundo. “O mais interessante sobre todos os números apresentados pelo Alta Cria é que, na maioria das vezes, ações simples podem mudar completamente um número, porém são pontos que devem ser relembrados todos

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CAPA

os dias e, literalmente, serem aplicadas no campo para que a gente consiga atingir nossos objetivos. Na minha opinião, quem quiser falar de vaca e não voltar para o bezerreiro e fizer um trabalho bom, não terá vacas boas. Vaca boa é sinônimo de bezerra boa. Ela é o futuro da propriedade”, completa Alex Sica, Médico-veterinário da Fazenda Colorado, maior produtora de leite do Brasil, com mais de 70 mil litros de leite por dia. Coleta de Dados O levantamento foi baseado na coleta e análise de dados de mais de 70 fazendas em 10 esta-

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“A criação de um padrão brasileiro na criação de bezerras é um salto muito grande para a pecuária leiteira” Rodrigo Silveira, Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conselheiro Alta CRIA

dos brasileiros, totalizando mais de 19 mil bezerras avaliadas de outubro de 2018 a setembro de 2019. Desde o início do programa, a base de dados já passa de 40 mil bezerras analisadas. “A criação de um padrão brasileiro na criação de bezerras é um salto muito grande para a pecuária leiteira. Nós já vemos isso em outras criações como suínos e aves, mas, na pecuária, isso ainda estava um pouco solto. Acredito que, a partir de agora, vamos evoluir muito mais rápido dentro dos sistemas de produção”, afirma Rodrigo Silveira, Professor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e conselheiro do programa Alta CRIA.


O projeto Alta CRIA coleta e gerência os principais dados zootécnicos na fase de cria na pecuária de leite. Com o levantamento – fruto de questionários aplicados aos produtores e pelo envio de dados – é possível definir estratégias, realizar benchmarks, comparar resultados, além de ser um banco de dados valioso para o desenvolvimento de pesquisas no setor. “Os números levantados pelo Alta Cria são de extrema importância para a criação de bezerras. É claro que os parceiros do programa possuem informações privilegiadas e mais rápidas, mas o que me chamou a atenção é que qualquer produtor que queira entender e mudar pode ter acesso a esses números”, ressalta Viviane Gomes, Professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. O programa surgiu com o objetivo de levantar os principais índices zootécnicos na fase de cria, auxiliando no gerenciamento e permitindo um panorama de criação nacional de bezerras leiteiras. O projeto foi idealizado pela empresa de melhoramento genético de bovinos, Alta Genetics, mas também conta com a participação de um seleto grupo de conselheiros e técnicos que discutem e trabalham os resultados e as inovações relacionadas a essa etapa. “Precisamos conhecer a nossa realidade. A Alta está de parabéns com esse programa. Está fazendo um trabalho muito importante para o país. Com esses números em mãos, vamos poder traçar estraté-

gias de pesquisa, trabalhar na extensão e descobrir em quais pontos devemos ter mais critérios”, declara a Professora da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e conselheira Alta CRIA, Sandra Gesteira. Para o Médico-veterinário responsável pela Fazenda Santa Carla, no estado de Goiás, Valdir Chiogna, a grande vantagem do programa é destrinchar alguns dados que, às vezes, até são levantados pela propriedade, mas que sozinhos não conseguem tomar decisões mais acertadas. “Através do benchmarking, nós conhecemos fazendas que possuem resultados melhores e isso nos incentiva a melhorar também. Esse foi o caso da colostragem, que nós percebemos que poderíamos mudar e melhorar. Além disso, o excesso de medicação, no qual, em alguns casos, conseguimos reduzir o uso, a parte sanitária com as vacinações, enfim, uma série de estratégias que nos ajuda muito no dia a dia”, afirma. Índice Alta CRIA A grande novidade neste ano foi o lançamento do Índice de Criação de Bezerras Leiteiras Nacional, o qual levou em consideração a eficiência de colostragem, ganho de peso do nascimento ao desaleitamento e a taxa de mortalidade das fazendas participantes do programa. Foram eleitas cinco propriedades com melhor desempenho nesses quesitos. “Isso é importante porque outros produtores poderão usar essas fazendas

como referência e avaliar como está a situação dentro de suas propriedades para, a partir disso, aperfeiçoar os processos”, acrescenta Azevedo. Para a professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP e conselheira Alta CRIA, Carla Bittar, o índice é a melhor forma de agregar informações importantes para a criação de bezerras em um único número. “No início, para nós, o importante era o produtor entender a importância dessa fase. Agora, além dele se localizar, ele consegue identificar onde estão as suas possibilidades de melhoria. Tenho certeza de que estamos criando um impacto enorme nas futuras lactações desse grupo que já está sendo avaliado”, afirma. Parceira desde o início do programa, a Fazenda Figueira tem, cada vez mais, utilizado os números a seu favor, “Os números da sanidade me impressionaram. Até o ano passado, nós considerávamos a diarreia o principal desafio. Através dos números levantados pelo Alta Cria, começamos a registrar os dados de pneumonia e descobrimos que ela é, de fato, o nosso principal gargalo. Antes nós nem sequer registrávamos esse número”, conta Pedro Henrique, Médico-veterinário da propriedade, que completa, “Ainda temos muito para melhorar. Mas o Alta Cria nos trouxe direcionamentos precisos e nos mostra se estamos ou não no caminho certo”. A Fazenda Figueira está entre as mais bem avaliadas do programa no índice Alta Cria.

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CAPA

NÚMEROS BRASILEIROS IMPACTAM PESQUISADORES DE TODO O MUNDO Em sua terceira edição, os resultados foram publicados também em inglês, com ajuda de um dos conselheiros, Professor José Eduardo Portela Santos da Universidade da Flórida e do Glaucio Lopes Júnior da empresa Alta Genetics, trazendo a oportunidade de os mesmos serem lidos por pesquisadores por todo o mundo. É importante chamar atenção que levantamentos como esses geralmente ocorrem por órgãos públicos, como o levantamento realizado pelo NAHMS nos Estados Unidos. Após publicação em inglês, os dados foram enviados para os principais nomes de criação de bezerras no mundo, e os feedbacks demonstram a importância desse projeto para o mundo:

“Deixe-me expressar meus parabéns mais entusiasmados a essa equipe pelo excelente projeto! Deve ter sido uma tremenda quantidade de trabalho, mas é um corpo incrivelmente útil de informações. Seus dados são mais extensos que os dados do NAHMS que, normalmente, usamos nos EUA” Dr. Drew A. Vermeire (EUA)

“Obrigado pela pesquisa. Um dia espero visitar o Brasil para conhecer o trabalho de vocês” Dr. Michael Steele (Canadá)

“Este estudo é incrível. Os números levantados pelo Alta Cria estão criando um grande e sólido grupo de pecuaristas. O que mais me impressionou é ver como todos realmente se importam com a qualidade dos números e estão abertos para as mudanças que eles apresentam” Dr. Keith Poulsen (EUA)

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Garantia de

eficiência reprodutiva

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

COLETA DE SÊMEN

CONTROLE E RIGOR DE QUALIDADE COM PADRÃO ALTA Danillo Rodrigues, Gerente de Prestação de Serviços Em 2019, o mercado de touros melhoradores mostrou-se aquecido durante todos os meses. Os leilões quebraram recordes e alcançaram faturamentos e médias muito elevadas, o que fez com que os pecuaristas comemorassem o resultado atingido a cada final de leilão. Os touros comercializados também se mostraram com qualidade superior aos anos anteriores, com biotipo produtivo e funcional. Os reprodutores, em sua maioria, além da beleza racial, apresentavam também avaliações genéticas muito equilibradas, atendendo, assim, a todos os compradores de touros, fossem eles produtores de bezerros, touros, matrizes ou para o próprio ciclo completo.

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O fato de os pecuaristas estarem cada vez mais atentos à escolha de um bom reprodutor, seja morfologicamente falando ou na interpretação das avaliações genéticas trazidas pelos sumários, fez com que a briga pelos melhores reprodutores ficasse acirrada em todos os remates, elevando a média dos leilões e, consequentemente, seu faturamento. Quando olhamos para a realidade do campo e também consultamos as literaturas, vemos que o ideal é ter um reprodutor para cada 25 a 30 vacas, respeitando a fisiologia, a saúde e a capacidade do reprodutor, fazendo com que a vida útil do mesmo seja longa. Porém, quando analisamos a valoriza-

ção dos reprodutores nos remates, temos a necessidade de que o mesmo retorne o dinheiro investido em produtos ao caixa do pecuarista. Se estamos falando de um touro que não foi contratado por nenhuma Central de Inseminação Artificial, sabemos que o produto oriundo deste touro que reembolsará o investimento é a sua produção a campo, ou seja, seus filhos. Então, quanto mais filhos esse touro tiver, maior será o retorno que ele dará para a fazenda. Mas se a proporção é de um reprodutor para 25 a 30 vacas, como obter mais produtos deste touro adquirido no remate para se ter um maior e mais rápido retorno do investimento? É simples, basta coletar esse reprodutor em uma Central especializada e inseminar um número maior de matrizes. É uma forma de disseminar ainda mais a genética do touro adquirido, obter maiores resultados e um maior faturamento, diluindo, assim, o investimento feito na aquisição do reprodutor. Além disso, para quem já faz uso da inseminação artificial, a coleta de seu próprio touro geneticamente superior poderá refletir em uma economia financeira de 20% a 30% no preço médio da dose de sêmen. O pecuarista que toma a decisão de coletar o seu reprodutor em uma Central especializada, além de otimizar o uso de


seu reprodutor, obter vantagens financeiras como mostrado acima, também assegura a reserva genética desse reprodutor, afinal imprevistos podem acontecer e nada melhor do que o seguro do seu touro melhorador estar feito através de suas doses coletadas. A Alta é responsável e faz um trabalho referência, em todo o Brasil, de coletas de touros, seja para venda comercial ou para o próprio proprietário. A Central da Alta Brasil está localizada em Uberaba (MG) às margens da BR – 050, sendo considerado um ponto estratégico, já que é nessa região que acontecem as principais feiras pecuárias nacionais e internacionais, tornando-se uma excelente vitrine para você mostrar ao mercado seu reprodutor e também sua marca, já que são

registrados por ano mais de 14 mil visitantes entre pecuaristas, técnicos, criadores, estudantes e pessoas relacionadas ao agronegócio. A Central é considerada hoje a mais moderna da América Latina, por toda sua estrutura física funcional e por investir nos equipamentos de última geração. Além disso, possui uma mão de obra altamente capacitada, que, além de desempenhar um exímio trabalho, passa, constantemente, por treinamento e atualizações. Todos esses fatores fazem com que seu reprodutor receba toda a atenção necessária e expresse todo seu bem-estar, fazendo com que ele se sinta em casa. Todas as doses produzidas na Alta Genetics do Brasil passam por um rigoroso controle sani-

tário e possuem padrão de qualidade internacional, tudo para garantir o sucesso do nosso parceiro pecuarista no campo, afinal queremos que nosso amigo cliente comece a lucrar já nos índices de prenhez. Para você que quer otimizar o uso de seu reprodutor, aumentar sua lucratividade e sua eficiência produtiva, garanta já a vaga de seu touro melhorador na melhor Central do Brasil.

Danillo Afonso Rodrigues, Gerente de Prestação de Serviços Zootecnista formado pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), com experiências em fazendas de gado de corte nos Estados Unidos e Senegal, é gerente de Prestação de Serviços da Alta.

“Utilizamos os serviços de PS (Prestação de serviços) da Alta pelo conjunto de diferenciais que é oferecido como: estrutura física, localização, profissionais capacitados, atendimento, qualidade de fertilidade das doses e serviços com padrões internacionais de qualidade, segurança dos nossos animais. A coleta de sêmen de nossos reprodutores, das raças Gir e Guzerá, é feita com o objetivo de termos garantido a genética por mais tempo, podendo manter as doses estocadas por muitos anos. Além disso, possibilita uma maior agilidade em nosso manejo reprodutivo e nos permite comercializar, disponibilizando, assim, a genética de nossos melhores touros a outros criadores que queiram fazer o melhoramento genético em seu rebanho” Virgílio Villefort, Grupo Villefort

“O padrão de qualidade da Alta é exatamente o mesmo para todas as categorias de animais alojados na central, sejam touros para prestação de serviços ou comerciais. Assim que o animal chega à quarentena, ele recebe o mesmo procedimento sanitário. Na produção de sêmen, desde a coleta até o processamento e entrega ao cliente, também é igual. Esta é a nossa preocupação, manter o cuidado nas avaliações, controle e rigor de qualidade” Neimar Severo, Gerente Central Alta

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

O QUE PAGA A CONTA É O LEITE! Júlia Ganozi, técnica de leite e Guilherme Marquez, gerente de produto leite nacional Independente de outras ações de rentabilidade financeira em uma granja leiteira, o leite é a principal fonte de renda da atividade e, por isso, paga a conta no final. O grande desafio dos produtores de leite, bem como dos consultores nessa área, é promover o aumento da produção, diluindo cada vez mais os custos e gerando melhores resultados financeiros. Várias ações já são tomadas 26

PECUÁRIA EM ALTA

nas áreas de metas zootécnicas bem como suas implementações e avaliações. Mas, muitas vezes, esquece-se o básico e, infelizmente, o resultado é muito inferior às expectativas criadas. Os custos de uma propriedade precisam ser contabilizados e as ações propostas devem minimizar esse grande vilão. O que gera custo? De acordo com diversos programas de assistência ao produtor, o maior custo de uma granja

leiteira é a alimentação do rebanho. Esse custo impacta pesadamente a lucratividade da atividade. Podemos trabalhar alternativas de volumoso bem como de subprodutos para confecção de uma dieta total, mas também podemos trabalhar índices zootécnicos para podermos diluir esse custo. Quem gasta e quem paga a conta? A fêmea seca vazia, a vaca atrasada, a novilha no pasto, todas elas são as gran-


des protagonistas dessa pergunta. Esses animais estão custando para a fazenda e não estão ajudando a diluir o custo. A fêmea seca vazia é a pior delas, está seca, ou seja, sem produção de leite e está vazia dando a ela mais 275 dias de média, no mínimo, de custos para a fazenda. A vaca atrasada irá proporcionar maiores intervalos entre partos o que automaticamente aumentará os dias médios em leite, ou seja, menor produção, gerando menor diluição de custos. A novilha no pasto precisa parir, ou seja, tornar-se vaca e, com isso, sair do relatório de custos para o relatório de produção. Os índices zootécnicos para reprodução são essenciais para a fazenda de leite e, por isso, iremos mostrar alguns abaixo:

Índices reprodutivos Um dos pontos fundamentais da reprodução em fazendas leiteiras é aumentar a produção de leite. Mas, para promover esse aumento em rebanhos de alta persistência, é necessário reduzir os dias em lactação (DEL) das matrizes, ou seja, aumentar o número de vacas recém-paridas onde a produção de leite é mais alta e o retorno sob o custo alimentar também é mais alto, pois a conversão do alimento em leite ocorre de forma eficiente, provendo a redução desse custo. Porém, em rebanhos de menor persistência, para aumentar a produção de leite é necessário aumentar o número de vacas em lactação. Outro ponto importante na reprodução é aumentar o número de animais de reposição e

facilitar as políticas de descarte. Dessa forma, as vacas “problema” são descartadas para dar lugar a animais mais jovens, com genética superior para gerar o progresso genético e aumentar o retorno do investimento. Portanto, o objetivo de aumentar a eficiência reprodutiva, de um modo geral, é a redução do intervalo entre parto (IEP) no maior número possível de vacas. Porém, esse indicador avalia a vaca que pariu (real) ou a que emprenhou (projetado), portanto, se uma vaca possui um intervalo entre parto (IEP) longo, provavelmente demorou a emprenhar 9 meses atrás. Atualmente, na raça Girolando, com a avaliação genômica, podemos selecionar os touros que provêm a redução no intervalo entre parto. Na bateria de touros Alta, temos:

• Dialeto Shottle da Xapetuba: Podemos prever a redução tanto no intervalo entre parto (IEP) quanto na idade ao primeiro parto (IPP) de suas filhas, impactando o aumento da produção de leite.

AVALIAÇÃO GENÔMICA - CLARIFIDE 2019

GPTA

CONF %

Leite (KG)

665.13

66.10

IPP (dias)

-50.65

60.64

IEP (dias)

-8.05

24.32

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Importante destacar que, em qualquer fazenda de leite, os principais problemas relacionados com a reprodução estão ligados aos indicadores de: • Taxa de serviço TS = Número de vacas inseminadas/número de vacas aptas; • Taxa de concepção TC = Número de vacas prenhes/número de vacas inseminadas; • Taxa de prenhez TP = Número de vacas prenhes/número de vacas aptas.

Portanto, esses índices determinam a eficiência reprodutiva de um rebanho e, de acordo com os dados Concept Plus Leite 2019, as novilhas de composição racial ½ Holandês, ½ Gir, na média, possuem uma taxa de concepção de 54,1% no uso do sêmen convencional. Porém, quando é utilizado o sêmen sexado, as novilhas de composição racial ¾ Holandês, ¼ Gir possuem a melhor taxa de concepção (39,3%).

28

PECUÁRIA EM ALTA


Ao avaliarmos a taxa de concepção das vacas pelos dados do Concept Plus 2019, podemos perceber que as vacas de composição racial ½ Holandês, ½ Gir permanecem com o melhor percentual, na média. TAXA DE CONCEPÇÃO DA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL POR GRAU DE SANGUE 1/2 HO, GL

ITEM

5/8 HO, GL

3/4 HO, GL

7/8 HO, GL

15/16 HO, GL HOLANDÊS

TOTAL GERAL

MÉDIA GERAL SERVIÇOS

10.145 2.458

19.773 21.504 10.862 43.060 107.802

PRENHEZES

4.045

790

6.235

7.008

3.550

13.185

34.813

TAXA DE CONCEPÇÃO

39,9%

32,1%

31,5%

32,6%

32,7%

30,6%

32,3%

Dessa forma, a reprodução é de extrema importância para uma fazenda leiteira se manter economicamente viável, e a eficiência reprodutiva é um dos principais pontos para obter o sucesso econômico, afinal 88% da renda bruta é oriunda da produção de leite, portanto a eficiência reprodutiva deve estar aliada à eficiência produtiva para aumentar a produção de leite em vacas saudáveis, férteis e longevas, tornando imprescindível conhecer os pontos falhos nos indicadores para então iniciar um plano de ação e definir os pontos a serem trabalhados.

Guilherme Marquez, gerente de Produto Leite Nacional da Alta Especialista em Pecuária de Leite e em Gestão de Agronegócios pela Reagro – certificada pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); possui também MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV)

Júlia Gazoni, Técnica de Leite da Alta Graduada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triangulo Mineiro (IFTM), capacitada em gestão da pecuária leiteira pelo Rehagro

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

AUMENTO NA TAXA DE PRENHEZ GARANTE PRODUTIVIDADE EM REBANHOS LEITEIROS Lorenna Santos, técnica de leite e Tiago Ferreira, gerente técnico de leite

A eficiência reprodutiva é um dos fatores que mais afeta a produtividade de propriedades leiteiras. Hoje, uma das formas mais fáceis de se mensurarem as perdas é através da taxa de prenhez, índice com alto impacto econômico para a pecuária. Prova disso está nos resultados levantados pelo Concept Plus Leite, programa idealizado pela Alta. Presente no mercado mundial há quase 20 anos, o programa apresenta, no Brasil, números reprodutivos coletados em mais de 250 fazendas cadastradas. Seu foco principal é estabelecer referên-

cias sérias, coerentes com a realidade brasileira, a fim de discutir estratégias reprodutivas, mostrar números, indicadores e envolver pessoas de sucesso no segmento da reprodução. Em uma das propriedades assistidas, a taxa de prenhez, em 2018, era 19%. Hoje, já ultrapassa os 24%. Esse salto apresentou um ganho de 1,13 litros de leite/vaca/ dia. Considerando as 350 vacas da fazenda, isso significa um aumento de 143.726,48 litros de leite/ano. Porém, o objetivo final não é apenas possuir uma boa capacidade de emprenhar as vacas, mas

também ter mais partos no fim do período. Um dos obstáculos para alcançar esse objetivo é a perda reprodutiva que ocorre da concepção até o parto. Em outra análise realizada pela Alta, através do programa Concept Plus Leite, conseguimos observar que as 20% superiores fazendas participantes possuem uma média de 13,1% de perda de prenhez de vacas e que as 20% inferiores possuem uma média de 37,9% de perda de prenhez de vacas, dando uma diferença de 50,4 pontos percentuais entre a melhor e a pior fazenda participante.

PERDA DE PRENHEZ* DE VACAS NA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL ITEM

20% SUPERIORES

DEMAIS FAZENDAS

20% INFERIORES

3.938

14.766

5.295

23.999

514

3.484

2.005

6.003

% PERDA DE PRENHEZ

13,1%

23,6%

37,9%

25,0%

MÁXIMO**

15,9%

31,1%

55,6%

55,6%

MÍNIMO**

5,2%

16,2%

31,8%

5,2%

FAZENDAS

20

63

20

103

PRENHEZES PERDAS

Foram desconsideradas fazendas com menos de 60 prenhezes no período. * Somente prenhezes com intervalo, serviço e diagnóstico menor que 36 dias. ** Referente aos dados das fazendas.

30

PECUÁRIA EM ALTA

MÉDIA GERAL


Em bovinos, a perda de prenhez é uma das maiores causas de falhas reprodutivas, sendo que a maioria dessas perdas acontece durante os primeiros 35 dias de gestação. Essas perdas irão afetar diretamente a eficiência reprodutiva do rebanho, causan-

do forte impacto negativo sobre a rentabilidade da produção e, por isso, torna-se imprescindível a detecção precoce de animais vazios num programa reprodutivo eficiente, para que possam ser tomadas ações efetivas. Quando comparamos a trans-

ferência de embrião com a inseminação artificial, percebemos que a TE possui 13,5 pontos percentuais a mais na perda de prenhez de novilhas e 9,3 pontos percentuais a mais na perda de prenhez de vacas, como mostra o gráfico abaixo.

PECUÁRIA EM ALTA

31


LEITE

Quando envolvemos a composição racial, foi observado o seguinte comportamento:

Sabemos que uma pequena taxa de perda de prenhez é usualmente observada em fazendas leiteiras. No entanto, a ocorrência de perdas representa queda na lucratividade da propriedade, portanto ações devem ser tomadas para prevenir e investigar as possíveis causas. Pensando em duas propriedades com 100 vacas cada, com mesmo potencial genético e de ambiente, onde a fazenda A apresenta 24% de perda e a fazenda B apresenta 34% de perda, isso significa que a fazenda B está tendo mais prejuízos no DEL médio, no intervalo entre partos projetados, menos nascimentos de bezerros, além de produzir 75 litros de leite/dia a menos do que a fazenda A, o que gera um impacto anual de quase 28.000 litros de leite. Portanto é muito importante manter um sistema de controle reprodutivo, que pode ser feito 32

PECUÁRIA EM ALTA

“A eficiência reprodutiva é um dos fatores que mais afeta a produtividade de propriedades leiteiras e hoje, uma das formas mais fáceis de se mensurarem as perdas é através da taxa de prenhez” através de relatórios de perda de prenhez para identificar possíveis circunstâncias que estejam causando perdas. Ao observar os relatórios, identificamos, de forma precoce, quando a fazenda está com um percentual de perda acima da média da fazenda e corrigi-las antes que as conse-

quências sejam irreparáveis e os prejuízos, certos.

Lorenna Francys Santos técnica de Leite da Alta Médica Veterinária pela Universidade de Uberaba (UNIUBE) e Técnica em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Atualmente cursa pós graduação em Pecuaria de leite da Rehagro.

Tiago Moraes Ferreira, gerente técnico de Leite da Alta Médico Veterinário pela Universidade de Uberaba (Uniube), especialista em Reprodução de vacas leiteiras pela Newton Paiva e Rehagro, Especialista em Nutrição de vacas de leite Faculdades Integradas de Uberaba (FAZU) e Rehagro, jurado oficial da Girolando e presidente do CDT da raça Girolando


D E SÊ M E

R

ORE NEL

L

A

RAÇ

DO BRASI

MAI O

Quem busca maior ganho econômico, confia em números, quer genética produtiva e pesquisa nos mais variados sumários, ADITIVA.

R

N

VE N D E D O

TOUROS EM CENTRAL

geneticaaditiva.com.br // (67) 3321.5166

PECUÁRIA EM ALTA

33


CORTE

OLHANDO E ANALISANDO OS TOUROS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES DESDE O PONTO DE VISTA REPRODUTIVO

por Luis Alfredo Garcia Deragon, gerente da Central Alta

Muitos clientes e técnicos que entendem de seleção e melhoramento animal fazem questionamentos e emitem opiniões como, “que testículos bonitos, grandes, a bolsa escrotal tem torsão, os testículos estão muito pendulosos” etc. Devido ao exposto, escrevemos as linhas a seguir. A principal função dos testículos é a produção de sêmen e hormônios que dão sustentação à produção, à libido e às características sexuais secundárias, influenciada pela testosterona, produzida pelas células de Leydig, que se encontram no espaço intersticial, ou seja, entre os túbulos seminíferos do testículo,

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PECUÁRIA EM ALTA

responsáveis pela produção do sêmen. Sabe-se que 84% a 87% do volume testicular são túbulos seminíferos onde é produzido o sêmen. O volume testicular tem uma relação direta com a quantidade e qualidade que, potencialmente, pode ser produzida de sêmen pelos testículos. Importância do Perímetro Escrotal no melhoramento genético O perímetro escrotal (PE) apresenta herdabilidade considerada média a alta, com média de 0,50 e está, favoravelmente, associado à idade e à puberdade (inclusive das meias-irmãs dos

machos) e à quantidade e qualidade de sêmen produzido. O perímetro escrotal está favorável e, geneticamente, associado à idade ao primeiro serviço, à data do primeiro e segundo parto, ou seja, à fertilidade e ao intervalo de partos. O perímetro escrotal é importante característica para a seleção indireta da fertilidade, observação documentada, desde 1979, por Brinks e colaboradores. A ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores) iniciou a mensuração do perímetro escrotal em 1988 e, no ano de 1995, de forma pioneira, lançou a DEP (Diferença Esperada da Progênie) para perímetro escrotal aos 365 dias e aos 450 dias, dessa forma, dando importantíssimo suporte à seleção para precocidade sexual da raça Nelore. A relação ao formato testicular e à produção de sêmen foi estudada, pela primeira vez, em 1996, por Bailey, registrando uma maior produção de sêmen em touros da raça Holandesa que apresentavam uma forma alongada e elíptica ou arredondada quando comparada com os testículos esféricos ou arredondados. Ao contrário das raças zebuínas, nas raças europeias, não observamos muitas diferenças de forma.


Na raça Nelore, em estudo com mais de 15 mil tourinhos de, aproximadamente, 2 anos e meio, o formato foi classificado em cinco formas que podem ser resumidas em três formatos para uma compreensão mais simples, registrando-se as seguintes percentagens para os formatos resumidos: longo ou alongado, 32%, ovoide ou elíptico, 62% e arredondado ou esférico, 6%. A herdabilidade foi estimada em 0,22, ou seja, podemos considerá-la moderada, o que permitiria a seleção, evitando o formato arredondando ou esférico que apresenta uma relação menor com a produção de sêmen e, por outro lado, um maior perímetro escrotal, podendo ser um fator de confusão devido a conceitos de que o “maior é o melhor”. Importância do perímetro escrotal na produção de sêmen O perímetro escrotal é a forma mais prática de avaliar o volume testicular e apresenta alta correlação com outras formas de avaliação. A literatura estima que um touro com 35 cm de perímetro escrotal os testículos pesam 450 g. Por cada cm que aumenta o perímetro escrotal, o peso aumenta em 50 g e que cada grama produz 15 milhões de espermatozoides por dia. Considerando que 87% do peso testicular é parênquima testicular, ou seja, são túbulos seminíferos, estima-se que um touro com 38 cm de perímetro escrotal produziria, aproximadamente, 7.8 bilhões de espermatozoides por dia, um de 35 cm produziria 6 bilhões e um de

40 cm, 9.1 bilhões, o que são diferenças muito significativas desde o ponto de vista de espermatozoides disponíveis para o serviço na monta natural ou na produção de sêmen congelado. Importância das caudas dos epidídimos O sêmen produzido em forma contínua pelos testículos em ciclos de, aproximadamente, 45 dias é amadurecido, ele adquire a capacidade de fecundação durante a passagem nos epidídimos, demorando essa passagem, aproximadamente, 12 a 15 dias. Quando observamos os testículos atentamente, podemos identificar protuberâncias na extremidade inferior dos testículos. Essas são as caudas dos epidídimos. Elas têm a função de armazenar os espermatozoides produzidos nos testículos. As caudas destacadas ou volumosas nos dão uma ideia da capacidade de estocagem e, por consequência, do volume de sêmen que pode ser ejaculado após o recrutamento gerado pela estimulação sexual. Em uma análise de 5.667 ejaculados, coletados através da vagina artificial, constatamos que os touros com caudas destacadas produziam, em média, 13,4 bilhões totais de espermatozoides por ejaculado e os touros que, na observação visual as caudas não apareciam destacadas, produziam 10,7 bilhões, sendo uma diferença de produção significativa. Podemos estar falando de, aproximadamente, 460 doses contra 350 doses por coleta, ou seja, uma diferença de 24%, o que podemos considerar como muito importante financeiramen-

te. Ainda muito importante, não encontramos relação do tamanho das caudas com o perímetro escrotal. São características que “andam separadas”. Considerando touros em monta natural, os touros com circunferência escrotal grande, com caudas destacadas, com boa qualidade seminal e provados na sua capacidade de monta, podem receber um número alto de fêmeas. Considerações finais Quando observamos a bolsa escrotal e reparamos uma pequena torsão dela, não deveríamos nos preocupar. Assim como pequenas diferenças entre os testículos, essas alterações não encontram suporte na ciência de que prejudicam a produção de sêmen ou longevidade dos touros. Testículos pendulosos de animais jovens poderiam ser um indicativo de problemas futuros. Testículos muito grandes também deveriam ser evitados, já que, normalmente, estão mais expostos a traumatismos por maior pendulosidade devido ao peso. Entendo que não podemos ter dúvidas sobre a importância do tamanho testicular quando o macho ainda é jovem, assim como não ter dúvida sobre os tamanhos das caudas dos epidídimos.

Luis Alfredo Garcia Deragon, gerente da Central Alta Possui Mestrado em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Reprodução Animal.

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

RESSINCRONIZAÇÃO: SINÔNIMO DE EFICIÊNCIA REPRODUTIVA E PRODUTIVA Francisco Rebôlo Lopes Junior, Técnico Comercial Alta e Manoel Francisco de Sá Filho, Gerente de Programas Especiais Corte Com resultados cada vez mais consistentes, o uso de programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) tem sido incorporado massivamente ao manejo reprodutivo das fazendas. A técnica é capaz de aumentar a taxa de prenhez, concentrar os nascimentos no início da estação de parição, reduzir o intervalo entre gerações, além de permitir que o melhoramento genético do rebanho seja ainda mais rápido. Outra possibilidade é a utilização da genética de outras raças para cruzamento industrial, independentemente do clima e região em que se encontra a propriedade. Existem diferentes métodos para o emprego da IATF no manejo reprodutivo. Ela pode ser empregada de forma única, seguida por monta natural ou através da ressincronização, que é a possibilidade de realizarmos outra IATF em uma fêmea que não se tornou gestante na inseminação anterior. Nesse caso, podemos ressincronizar a fêmea até duas vezes após a primeira inseminação. Para se ter uma ideia, a ressincronização elimina a necessidade de observação de cio, diminui o número de touros para repasse e melhora a eficiên36

PECUÁRIA EM ALTA

cia reprodutiva e produtiva dos rebanhos. Hoje, já existem diferentes alternativas para fazer o uso da ressincronização, que permitem inseminar as fêmeas com 24, 32 ou 40 dias após a inseminação prévia. Por isso, o objetivo aqui é mostrar por quais motivos a intensificação do uso da IATF leva benefícios ao produtor.

“A IATF pode ser empregada de forma única, seguida por monta natural ou através da ressincronização, que é a possibilidade de realizarmos outra IATF em uma fêmea que não se tornou gestante na inseminação anterior. ” Eficiência reprodutiva e produtiva A eficiência reprodutiva dos rebanhos é fundamental para o crescimento de uma pecuária

sustentável e abrange dois aspectos principiais: a eficiência reprodutiva e o melhoramento animal. Quando falamos em eficiência reprodutiva, referimo-nos ao alcance da maior quantidade de bezerros nascidos das fêmeas aptas à reprodução. Já quando se trata de melhoramento animal, destacamos, principalmente, a obtenção de maior quantidade de carne por indivíduo. Ou seja, ser eficiente é aumentar não só a quantidade, mas a qualidade dos bezerros produzidos. De maneira resumida, a eficiência reprodutiva pode ser definida como a habilidade de fazer a vaca se tornar gestante o mais rápido possível após o parto. No entanto, a alta incidência de anestro (período onde não há manifestação do cio) pós-parto é o principal fator responsável pelo baixo desempenho reprodutivo nos rebanhos de cria. Esse período, quando prolongado, resulta em aumento do intervalo parto-concepção, do IEP (Intervalo entre partos) e, consequentemente, redução do desempenho reprodutivo. Geralmente, a incidência do anestro está associada ao manejo nutricional incorreto ou à subnutrição. Sendo que algumas categorias específicas, com maior


exigência nutricional, são mais susceptíveis ao déficit nutricional e alta incidência de anestro. Como exemplo, as novilhas na recria, que estão em crescimento e vacas de primeira cria, que, além da demanda para crescimento, possuem alta demanda para lactação. A principal contribuição da IATF é permitir que fêmeas em situação de anestro possam ser inseminadas e se tornem gestantes. Com isso, várias vantagens são observadas: o aumento da eficiência reprodutiva dos rebanhos, já que conseguimos antecipar a ocorrência das gestações durante o período pós-parto, comparada com uso de touros. A intensificação do uso da inseminação como ferramenta de melhoramento genético. A antecipação das gesta-

ções, concentrando as parições nas melhores épocas do ano. E, ainda, o uso massivo de touros com elevado mérito genético, fato que acelera o melhoramento genético e aumenta a produtividade do rebanho. Intensificação do uso da IATF em rebanhos de cria Mesmo com todas as vantagens da utilização de programas de IATF no início da estação reprodutiva, o uso de touros para cobertura em vacas não prenhes após a IATF pode não ser suficiente para atingir o objetivo no sistema atual da fazenda. O desafio se refere à necessidade de um grande número de touros para servir fêmeas durante o primeiro retorno ao estro, pois as fêmeas não prenhes retornam

ao estro de forma sincronizada, devido à IATF. Portanto, apesar de todos os ganhos devidos ao uso de programas de IATF e ao sucesso da fertilidade, essa técnica não permite uma redução na quantidade de touros necessários para a realização da estação de monta (EM). Dessa forma, os programas de ressincronização têm apresentado grande avanço. Existem três opções comercialmente disponíveis: os programas de ressincronização que têm o início antes do diagnóstico de gestação, o superprecoce entre 13 a 15 dias ou o precoce entre 19 e 23 dias após a 1ª IATF, ou aqueles que apresentam início imediatamente após o diagnóstico de gestação, em torno de 28 e 32 dias após a 1ª IATF. (Figura 1).

Figura 1. Diferentes metodologias de ressincronização

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

Ressincronização após o diagnóstico de gestação: nessa opção de manejo, propõe-se a utilização de dois programas de sincronização para IATF com, aproximadamente, 40 dias de intervalo entre as inseminações. Como descrito acima, o programa é iniciado com a primeira IATF. O diagnóstico de gestação é realizado por ultrassonografia transretal cerca de 30 dias após a primeira IATF e, nesse momento, um novo protocolo de sincronização é iniciado nas fêmeas não gestantes para receberem a segunda IATF, com intervalo de 40 dias. Após a segunda IATF, touros de repasse são introduzidos nos lotes e mantidos até o final da estação de monta.

“Intensificar o manejo reprodutivo através de IATF possibilita aumento da eficiência reprodutiva e produtiva através do aumento da taxa de prenhez; aumento do peso a desmama e da concentração dos partos no início da estação reprodutiva. ”

Ressincronização antes do diagnóstico de gestação: existem duas opções de manejo para submeter as fêmeas à ressincronização pré-diagnóstico de gestação: a ressincronização precoce e a superprecoce. Na ressincronização precoce, propõe-se a utilização de dois programas de IATF com 32 dias de intervalo entre as inseminações. Novamente, o programa é iniciado com a realização da primeira IATF. Vinte e dois dias após essa IATF, todas as fêmeas recebem novamente o tratamento de sincronização (início do protocolo de ressincronização para a segunda IATF). No dia da retirada do dispositivo de progesterona, realiza-se o diagnóstico de gestação por ultrassonografia (30 dias após a 1ª IATF). Somente as fêmeas não gestantes são

direcionadas para continuar o tratamento de ressincronização para receberem a segunda IATF 32 dias após a primeira. Na ressincronização superprecoce, utiliza-se um método semelhante. A técnica propõe utilizar dois programas de IATF com intervalo de 24 dias. Isso só é possível com o auxílio da ultrassonografia Doppler e um profissional treinado para realizar a técnica, que permite fazer o diagnóstico precoce de gestação. O programa é iniciado 14 dias após a primeira IATF, quando todas as fêmeas são sincronizadas novamente. No dia da retirada do dispositivo de progesterona, o diagnóstico de gestação é realizado utilizando a tecnologia Doppler (22 dias após a 1ª IATF). O diagnóstico é baseado na irrigação sanguínea do

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corpo lúteo (CL) das fêmeas. Essa tecnologia do Doppler tem alta acurácia (90-95%) em detectar fêmeas não gestantes. Apenas as fêmeas diagnosticadas não gestantes são mantidas no protocolo e recebem a segunda IATF 48 horas mais tarde, ou seja, 24 dias após 1ª IATF. Após a segunda IATF, em ambas as metodologias de ressincronização, touros de repasse são introduzidos nos lotes na proporção reduzida 1/50 e mantidos até o final da estação de monta. A ressincronização iniciada com 14 ou 22 dias após a IATF (sem prévio diagnóstico de gestação) proporciona antecipação de oito a dezesseis dias na realização da 2ª IATF, comparada com a ressincronização tradicional. Essas tecnologias podem ser de grande interesse para fazendas que objetivam reduzir ao máximo estação de monta. Ou, especificamente, para os lotes de fêmeas com parto próximo ao final da estação, as quais terão reduzido período de serviço até o término da estação de monta. Por outro lado, o início do protocolo antes do diagnóstico de gestação (com 14 ou 22 dias) vincula a sincronização de 100% dos animais (gestantes e não gestantes) previamente inseminados em tempo fixo. Ainda, com o estabelecimento dessa tecnologia, a realização da ultrassonografia (juntamente com a retirada dos dispositivos de progesterona), torna-se menos flexível, exigindo maior organização e disponibilidade do médico-veterinário, além de


que, no método da ressincronização superprecoce, também há a necessidade de um ultrassom Doppler e um médico-veterinário previamente treinado e habilitado para esse tipo de diagnóstico. Mais recentemente, diante dos resultados positivos do emprego da IATF associada à ressincronização, algumas propriedades estão aplicando a terceira IATF (segunda ressincronização). Com a implementação de programas reprodutivos que utilizam a primeira IATF precocemente (30 a 40 dias pós-parto), seguida de duas ressincronizações, torna-se desnecessária a utilização de touros para repasse, visto que mais de 80% das fêmeas estão gestantes por inseminação artificial, com projeção de intervalo entre partos

próximo a 12 meses. Nesse manejo, propõe-se a utilização de três programas de IATF com 40, 32 ou 24 dias de intervalo entre as inseminações, aumentando o número de vacas prenhes por inseminação e eliminando a necessidade de touros na fazenda para o repasse das fêmeas vazias. Com o emprego da ressincronização precoce com 22 dias e superprecoce com 14 dias após a IATF anterior, há redução do intervalo entre a primeira e a terceira IATF de 80 para 64 dias na ressincronização precoce e de 80 para 48 dias na ressincronização superprecoce, com redução do intervalo entre partos das fêmeas ressincronizadas. Com todas essas informações, podemos concluir que in-

tensificar o manejo reprodutivo através de IATF possibilita aumento da eficiência reprodutiva e produtiva através dos seguintes aspectos: aumento da taxa de prenhez; aumento do peso a desmama através da utilização de touros de maior mérito genético para peso ao desmame e da concentração dos partos no início da estação reprodutiva. Ao usar a tecnologia da ressincronização, todos os benefícios do uso de apenas uma IATF são maximizados. Vamos ter mais bezerros provenientes de inseminação, maior concentração de partos, reduzir ou eliminar a necessidade de touros de repasse, aumento ainda mais da eficiência reprodutiva, principalmente, em rebanhos com elevada proporção de fêmeas em anestro.

Manoel Sá Filho, gerente de Programas Especiais Corte da Alta Médico veterinário e pós-doutor em Reprodução Animal pela Universidade de São Paulo (USP). Autor de mais de 70 artigos científicos, publicados em revistas especializadas e do Manual de IATF da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia)

Francisco Lopes Junior, técnico Comercial Alta Médico Veterinário pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), mestre em Reprodução Animal pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Botucatu/FMVZ), com parte do mestrado na University of Florida (EUA) e Especialista em Produção de Ruminantes pela Universidade de São Paulo (USP – ESALQ)

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CORTE

CRUZAMENTO INDUSTRIAL COMO ESCOLHER O MELHOR TOURO PARA CADA SISTEMA DE PRODUÇÃO? por Luiza Mangucci, Técnica de Corte Alta Como escolher o melhor touro para o cruzamento industrial? Qualquer reprodutor se enquadra no meu sistema de produção? Essas são dúvidas muito frequentes de pecuaristas que trabalham com cruzamento industrial. Para a segunda pergunta, a resposta é não. Não é qualquer touro que se enquadra no seu sistema de produção. Mas como identificar o ideal? O primeiro passo para escolher os indivíduos que iremos utilizar é entender qual o tipo de sistema de produção que está implantado em cada fazenda, definindo, assim, o nível de tecnologia adotado. Basicamente, possuímos três 40

PECUÁRIA EM ALTA

tipos de sistema de produção: extensivo, semi e intensivo. De uma forma bem simplista, é possível traduzir cada tipo de sistema de produção pelo nível energético nutricional trabalhado na fazenda. Pode-se dizer que o sistema extensivo é aquele que oferece um nível de energia baixo, a pastagem é a única fonte nutritiva. O semi é aquele que possui o pasto com um nível de suplementação, sendo o pasto, ainda, a maior fonte nutritiva para o animal, e o intensivo é aquele com fornecimento de alta energia nutritiva, possuindo uma proporção maior de ração do que de pasto. Após a identificação do tipo de sistema de produção, é im-

portante entender a curva de crescimento e deposição dos tecidos dos animais para saber quais são suas exigências energéticas, as quais direcionarão o sistema de produção mais adequado. A fisiologia do animal possui a seguinte ordem de deposição de tecidos: primeiro cresce osso, depois, músculo e, por último, a gordura (figura 1). Possuindo, assim, aqueles com a curva de crescimento mais acelerada e outros mais lentos. Para facilitar o entendimento, podemos classificar os animais de porte pequeno, médio e grande, sendo que cada perfil possui um sistema de produção mais adequado para otimizar seu desempenho.


Escutamos todos os dias que a pecuária eficiente é aquela de ciclo curto, certo? Então, vamos pensar juntos. Um animal de porte pequeno tende a crescer menos osso, menos músculo e chegar mais rápido à deposição de gordura (acabamento). Dessa forma, se colocarmos esse animal em um sistema com alto fornecimento de energia, ou seja, intensivo, teremos um animal terminando ainda mais rápido, pois teremos mais energia do que ele necessita para crescer o osso, o músculo e, por fim, chegar à fase de acabamento. Isso seria fantástico para o que o mercado preconiza. Um animal de ciclo curto com terminação acelerada. Mas nem sempre é assim. Precisamos avaliar. O sistema brasileiro paga pelo tempo de terminação ou pelo peso que esse animal apresenta na balança? Quando aceleramos o processo de crescimento do animal, ou seja, dando mais do que o necessário para o seu de-

senvolvimento, estamos ajudando ou atrapalhando? O fato é que, quando é fornecida mais energia do que ele precisa, como no exemplo citado acima, esse animal tem sua fisiologia toda ajustada. Ele vai chegar mais rápido à terminação e vai ficar um bom tempo depositando apenas gordura, o que é mais caro e não fornece ao pecuarista o principal ponto que paga a conta: peso. O mesmo se dá quando pensamos em animais de grande porte. Um animal de grande porte irá crescer mais osso, mais músculo, além de demorar um pouco mais para depositar gordura. Logo, se não for fornecido um alto nível energético para esses animais, eles ficarão na fazenda por um bom tempo. Por isso esse perfil de animal deve ir para os sistemas intensivo e não extensivo. Então, para facilitar o entendimento sobre fisiologia animal x sistema de produção x lucrativi-

dade, temos um resumo: Animais de porte pequeno: sistemas extensivos, nos quais irão poder explorar melhor o ganho de peso dos mesmos. Animais de porte mediano: possuem uma exigência mediana, o que implica dizer que vão precisar de um pouco mais do que somente o pasto para ter um desenvolvimento otimizado, devendo ir para o sistema semi-intensivo. Animais de porte grande: altamente exigentes, ou seja, precisam de muita energia para crescer e chegar mais rápido à fase de acabamento. Caso essa energia não seja fornecida, voltaremos à pecuária do século passado, quando o comum eram animais de cinco anos sendo abatidos. Esses DEVEM, como letras maiúsculas, irem para o sistema intensivo. E como identificamos o nível de exigência da progênie dos touros que utilizamos na inseminação? PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

Possuímos a régua de DEP’s (Diferença esperada da progênie), que é, simplesmente, o melhor norteador que temos. Não se apeguem às fotos ou às informações do indivíduo, elas podem ser “mascaradas” conforme o ambiente que esse animal está e/ou foi criado. Dessa forma, as DEPs é que vão nos falar para qual tipo de sistema de produção a progênie desse touro será otimizada. A busca incessante pelo touro TOP 1% para desempenho

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ou líder de sumário é o comum, mas será que qualquer fazenda pode receber esse touro? Conforme avaliamos acima, o touro que cresce mais tem um nível de exigência maior que os demais e, nesse caso, não é diferente. Quanto mais peso o animal colocar, maior será a exigência do mesmo. E, para que ele possa expressar todo esse ganho de peso, com certeza, ele vai pedir um ambiente favorável para isso, o que chamamos de interação genótipo x ambiente.

Vamos a um exemplo prático: em uma fazenda no norte do Goiás, onde não havia qualquer tipo de suplementação para os animais advindos de cruzamento industrial e foram utilizados dois perfis de touros: TOP 1 e TOP 15 para peso a desmama. Teoricamente, se olharmos somente para o TOP e entendermos que os menores são sempre os melhores, o TOP 1 teria que desmamar mais pesado que o TOP 15, porém não foi isso que aconteceu, conforme abaixo (gráfico 1).


O TOP 1, com certeza, daria mais peso se tivesse um ambiente favorável para o seu desempenho, visto que sua exigência é maior que o TOP 15. Mas, além do desempenho, outra característica que pesou para que o TOP 15 se desenvolvesse melhor foi a característica de acabamento. Acabamento? Mas, por quê? Usamos dois perfis de touros diferentes, um altamente exigente para ganho de peso e negativo para gordura e outro ótimo para peso e extremamente precoce de acabamento. Esse nível de precocidade foi extremamente importante para que o animal pudesse desenvolver melhor, dando uma melhor desenvoltura em ambiente mais hostil.

Quanto mais negativo o animal for para gordura, significa que vamos precisar de fornecer um nível ainda maior de energia para que ele possa chegar à fase de acabamento. O nível de tecnologia implantado na fazenda é extremamente importante e decisivo na escolha dos touros que iremos utilizar no cruzamento industrial. As DEP’s se replicam e, por isso, é importante analisarmos a interação genótipo x ambiente para fazer a escolha certa. Nem sempre o TOP 1% é a melhor opção de acordo com o que temos na fazenda. Não é porque é cruzamento industrial que não devemos fazer a análise correta das DEPs. É muito importante excluirmos

da cabeça que, para cruzamento, pode ser qualquer touro, se realmente queremos ser eficientes e ter maior lucratividade. Para cada tipo de sistema de produção e objetivo de seleção existe um indivíduo mais adequado para alcançar os melhores resultados.

Luiza Mangucci, técnica de Corte da Alta Graduada em Zootecnia no Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) de Uberaba, Especialista em Melhoramento Genético em Bovinos de Corte e Ciências Agrárias pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e atua como técnica de Corte da Alta

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CRIAÇÃO DE BEZERROS

MOCHAÇÃO EM BEZERRAS LEITEIRAS: TÉCNICAS PARA FACILITAR O MANEJO por Hilton do Carmo Diniz Neto, Doutorando Produção Animal na Escola de Veterinária (UFMG); Mayara Campos Lombardi, Doutoranda Ciência Animal na Escola de Veterinária (UFMG); Joana Palhares Campolina, Doutoranda Produção Animal, Escola de Veterinária (UFMG); Aloma Eiterer Leão, Doutoranda produção animal, Escola de Veterinária (UFMG) e Sandra Gesteria Coelho, Professora titular do departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária (UFMG) A mochação é o procedimento realizado em bovinos jovens, com o objetivo de impedir o crescimento dos botões córneos e, com isso, o desenvolvimento dos chifres. A presença de chifres aumenta a expressão de comportamentos de dominância pelos animais, observados por exemplo, 44

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no momento da alimentação, representados pela competição intensificada durante o acesso a cochos, bebedouros e até mesmo na sala de ordenha. Além disso, esses animais podem se tornar mais agressivos, aumentando o risco de acidentes com outros animais e com tratadores.

Por isso, a mochação é, frequentemente, praticada em todo o mundo, uma vez que visa a facilitar o manejo nas propriedades, impedindo ou amenizando manifestações agressivas e dominantes por parte dos animais. Dessa forma, reduz-se o risco de disputas, lesões e acidentes.


Como todo procedimento invasivo, o ato de eliminar os botões córneos gera inflamação local, com manifestações dolorosas que podem levar à inapetência e apatia por alguns dias. Além disso, assim como em outras feridas (cirúrgicas ou não), é necessário acompanhamento, higienização e tratamento, a fim de se evitar que evoluam negativamente. Muitas pesquisas foram realizadas, há algumas décadas, com o objetivo de definir o momento ideal, melhor forma de intervenção e necessidade/uso de medicações analgésicas e anti-inflamatórias para execução do procedimento. Atualmente, com a crescente preocupação em aprimorar práticas que não levem à perda ou redução do bem-estar animal, pesquisadores voltaram a estudar o procedimento de mochação, com foco em reduzir o processo inflamatório e suas consequências sobre o bem-estar, saúde e desempenho. Qual o melhor momento para realizar a mochação ? Não há consenso entre os pesquisadores em relação ao melhor momento para realização da mochação, mas trabalhos recentes compararam a realização do procedimento em dois momentos: aos 3 e 35 dias de idade. Os pesquisadores não encontraram diferenças no ganho de peso, tempo de cicatrização e formação de tecido cicatricial. No entanto houve aumento da sensibilidade dolorosa quando o procedimento foi realizado em idade precoce, demonstrando que a realização da mochação em animais com três dias de idade não

“A mochação é o procedimento realizado em bovinos jovens, com o objetivo de impedir o crescimento dos botões córneos e, com isso, o desenvolvimento dos chifres”

aumenta o bem-estar e pode estar associada ao incremento generalizado da sensibilidade à dor. Pesquisas em cabras mostraram que estímulo doloroso em animais jovens pode alterar o desenvolvimento de vias neurais da dor, o que aumentaria a sensibilidade dolorosa durante toda a vida do animal. Com isso, pensando em bem-estar animal, recomenda-se a realização da mochação nos animais com idade mais avançada, aos 30-35 dias. Apesar dessas evidencias científicas, certificadoras das fazendas em boas praticas recomendam a mochação aos 15 dias de vida. Devido à implantação da base dos chifres, à medida em que os botões córneos se desenvolvem, realizar a mochação em idades mais avançadas, como acima dos 60 dias, torna o processo mais difícil, pois a temperatura elevada do instrumento de cauterização não é capaz de atingir adequadamente o tecido, reduzindo a eficácia do processo. Quando ocorrem falhas no procedimen-

to, os botões podem voltar a crescer, gerando chifres inteiros ou com deformidades. Além disso, a mochação tardia dificulta o processo de cicatrização devido à maior espessura dos botões e à própria presença dos chifres, mesmo que em estágio inicial de desenvolvimento. O processo de reepitelização demanda cerca de 60 dias para que possa haver completa cicatrização da ferida, quando o processo é realizado de forma mais precoce. Dessa forma, a realização tardia aumenta o tempo de reepitelização. Ainda assim, a mochação é técnica preferível à descorna, que é o procedimento realizado quando os chifres já se encontram bem implantados e desenvolvidos. A descorna é um processo cirúrgico, cruento e de recuperação mais longa quando comparada à mochação. Estresse do desaleitamento Outro ponto importante a ser considerado para a idade à mochação é a associação com eventos estressantes. A mochação tardia pode coincidir com o período de desaleitamento das bezerras, o que é totalmente indesejável, visto que o desaleitamento, por si só, já é responsável por alto nível de estresse nos animais. A associação desses manejos pode levar a perdas de peso muito acentuadas, provocadas pela união de fatores, como redução drástica do consumo de concentrado, transição do leite para dieta sólida, mudança de ambiente e socialização forçada pelo arranjo em lotes, além do estresse do procedimento, infla-

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CRIAÇÃO DE BEZERROS

mação e dor local. Embora existam algumas técnicas para mochação, na rotina a campo, o procedimento comumente é realizado por meio de uma destas duas estratégias: mochação química ou térmica (ferro elétrico ou ferro em brasa). Procedimento químico: É feita pela utilização de substância cáustica, à base de hidróxido de sódio ou cálcio, aplicada em contato direto com os botões córneos, causando necrose, saponificação de gorduras e desnaturação de proteínas. A utilização da pasta cáustica é eficaz em impedir o crescimento dos chifres. Entretanto, sua utilização merece atenção especial. Por ser material corrosivo e de consistência pastosa, quando utilizado em excesso, pode escorrer pela face do animal, com risco de atingir a região ocular, o que pode provocar lesões de graus variados de severidade na pele, olhos e mucosas. Em sistemas de criação de bezerras a céu aberto, como bezerreiros tropicais, o período das águas constitui um desafio a mais, pois a pasta será umidificada, o que aumenta o risco de lesão em tecidos adjacentes, além de perda da eficácia do processo em si, em função da diluição e lavagem do produto. Quando comparado ao processo térmico, poucos trabalhos avaliaram a sensibilidade dolorosa do procedimento, tendo respostas contraditórias quanto ao aumento do bem-estar e sensibilidade à dor. Por isso, não se pode ainda afirmar que a pasta cáustica causa menos dor no animal e que seria um procedimento mais indi46

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cado que o térmico. Procedimento térmico com ferro em brasa: É o método mais praticado nas propriedades leiteiras e consiste na utilização de ferro quente para queimar os botões córneos, inativando seu desenvolvimento através da cauterização do tecido. O procedimento é mais laborioso para o tratador (comparado à utilização da pasta cáustica) e doloroso e estressante para os animais, que necessitam ser devidamente contidos com cordas e anestesiados. Entretanto oferece vantagens em relação à eficácia e reduz os riscos de lesões secundárias.

“A mochação tardia dificulta o processo de cicatrização devido à maior espessura dos botões e à própria presença dos chifres, mesmo que em estágio inicial de desenvolvimento” Após a cauterização térmica, os animais manifestam comportamentos típicos relacionados à dor: inquietação, movimentação de orelhas, tremores na cabeça e fricção ou pressão da cabeça contra objetos. O aumento da concentração de cortisol (hormônio relacionado ao estresse) e de substâncias pró-inflamatórias endógenas levam a alterações fisiológicas, como aumento das fre-

quências cardíaca e respiratória, bem como menor consumo de alimento. Por esse motivo, durante esse processo, é recomendado o uso de anestésico local e anti-inflamátorio injetável. Sequência de procedimentos para realização da cauterização dos botões córneos: Antes da realização do procedimento, é recomendada a aplicação de anestésico local para redução da resposta imediata à dor. Geralmente, utiliza-se lidocaína (concentração de 2 a 5 %) para essa finalidade. Para boa anestesia, é necessária a aplicação de 5 ml do anestésico próximo ao nervo cornual, localizado entre a região ocular e a base da orelha (ponto central de uma linha imaginária traçada entre esses dois pontos), que inerva a região dos cornos. Trabalhos recentes mostram que a utilização de anestesia local reduz as concentrações de cortisol; porém, essa redução ocorre em curto intervalo de tempo, sendo necessária a utilização de anti-iflamatório para auxiliar no controle da dor. Para a utilização do ferro quente, alguns passos devem ser seguidos para facilitar o procedimento: 1. Preparar todo o material necessário para realização da mochação: luvas (para proteção do tratador e redução do risco de contaminação para a ferida que será causada na bezerra); cordas (contenção do animal); botijão de gás e ferro adequado ao procedimento (para cauterização eficaz, é necessário utilizar duas conformações de ferro distintas – extremidade côncava e extremidade


convexa. A primeira permite a cauterização circular da base do botão córneo, e a segunda, o achatamento do tecido cornual restante para nivelamento, controle de possíveis sangramentos e cauterização da região central do botão córneo. No mercado, encontra-se conjunto de ferros, cada um com uma extremidade ou único ferro contendo as duas); 2. Remover os pelos do local para facilitar a visualização do botão córneo e o contato do ferro com o tecido a ser cauterizado; 3. Aquecer a ponta do ferro de mochação até que fique candente (coloração avermelhada); 4. Pressionar a ponta do ferro quente contra o botão córneo, evitando-se aplicar força excessiva, para não aprofundar e atingir os ossos do crânio; 5. Realizar movimentos circulares com ambas as extremidades (côncava e convexa), de forma cuidadosa, para atingir de forma correta e homogênea o botão córneo.

Cuidados pós-mochação As feridas provocadas pela mochação por meio de ferro quente levam em torno de 9 semanas até a completa cicatrização. O tecido necrótico formado (tecido escuro com odor fétido – casca da ferida) deve ser retirado, uma vez que atrapalha a absorção da medicação tópica (local), inibe o processo de cicatrização e prolonga a permanência da ferida. As pomadas cicatrizantes podem ser utilizadas para acelerar o processo de regeneração do tecido. Além delas, a utilização de aeros-

sóis ou pomadas repelentes é fundamental para evitar a ocorrência de “bicheiras” na lesão. Em síntese, a mochação é prática rotineira e importante nos sistemas de produção de leite, já que apresenta benefícios em longo prazo para tratadores e para os próprios animais. Contudo, a eliminação dos botões córneos e cicatrização dos tecidos envolvem processos delicados, que devem ser assistidos e contornados com cuidado, seguindo-se as recomendações para manutenção da saúde, bem-estar e desempenho produtivo das bezerras.

Controle da dor Segundo pesquisas e observações a campo, é aconselhável a utilização de anti-iflamatório não esteiroidal (AINE) antes da realização da mochação. Os AINE apresentam propriedades antitérmica (controle da febre), anti-iflamatória e analgésica. Dentre os AINE presentes no mercardo, o flunixin meglumine e o meloxicam são os fármacos mais utilizados. Sua utilização tem como principais objetivos controlar a dor, inflamação e hipertermia nos animais, o que impede a redução no consumo de alimento e queda do desempenho das bezerras.

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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO SUCESSÃO FAMILIAR X EVOLUÇÃO GENÉTICA UM PROJETO PECUÁRIO EM CONSTANTE CRESCIMENTO

Angelino Rossi, Médico Veterinário; Daniel Modesto, filho do proprietário e Milton Modesto, Proprietário da Fazenda

A história da família Modesto, na pecuária de corte, tem início no final dos anos 70, quando os irmãos Albino e Américo Modesto adquiriram, em parceria, uma propriedade na Região das Conchas em Porto Esperidião (MT). Em 1984, com a divisão dos bens, Albino assume a Fazenda Esplanada e a Fazenda Vale do Sol. Ao longo dos anos, com uma visão bastante progressista, as novas tecnologias e a evolução foram as grandes aliadas para o crescimento do projeto. Após o falecimento de sua esposa, Conceição, em 2017, Albino decide dividir os bens para os três filhos: Antônio Carlos Modesto, Marli Modesto e Milton Modesto. A partir de então, Milton Mo48

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“Atualmente o foco é continuar investindo na base da fazenda que tem sido a grande responsável pelos resultados, ou seja, nas fêmeas” desto, um de seus sucessores, dá continuidade ao projeto pecuário da família nas fazendas Santa Rosa e Progresso, além de uma área arrendada da irmã, a Fazenda Boi Verde. Toda essa trajetória familiar contada aqui tem um único propósito: apresentar uma importante história de sucessão fami-

liar e a evolução de um projeto pecuário. Desde o início, a raça escolhida foi a Nelore. De lá para cá, muitas mudanças e investimentos foram inseridos em todas as propriedades. Hoje, o foco está todo voltado em produzir animais que carregam precocidade e habilidade materna, além da forte ênfase em eficiência alimentar. A tradução disso é terminar animais mais jovens, de 20 arrobas, com menos de 24 meses. Para isso, o sistema de produção atual é todo a pasto, com módulos de pastejo alternados, com piquetes de, no máximo, 70 animais. Tanto a cria quanto a recria recebem suplementação aditivada durante o ano todo. Reprodução Desde o início do trabalho da Estação de Monta, viu-se a necessidade de acompanhar o mercado com a produção de animais pesados e mais novos. Para isso, precisavam com muita rapidez multiplicar os animais, além de imprimir neles maior peso frigorífico, musculatura e ossatura, além de acabamento e precocidade de abate. Sendo que era fundamental a melhoria da base genética Nelore (fêmeas), com a necessidade de aumento do número de matrizes da propriedade. “Com essa visão e trabalho focado nessa lacuna genética


que a fazenda apresentava, tivemos a grata resposta genética em 2014, quando realizamos a primeira grande venda frigorífica com um número considerado de animais com menos de 24 meses, criados a pasto e média superior a 18 arrobas”, conta Angelino Rossi, Médico-veterinário da Realiza Consultoria Veterinária, responsável pela parte reprodutiva do rebanho, que completa: “Atualmente o foco é continuar investindo na base da fazenda que tem sido a grande responsável pelos resultados, ou seja, nas fêmeas”. Após a desmama, todas são desafiadas a mostrar seu potencial no mesmo sistema de manejo preparado para ter a primeira concepção, criar e reconceber. São avaliadas constantemente no ponderal de ganho de peso e na pré-estação de monta. Morfologicamente, são avaliadas uma a uma. Nessas novilhas, que são a maior riqueza genética da propriedade, utilizam o máximo de conhecimento técnico, além da genética de animais jovens, voltados para precocidade e habilidade materna, com ênfase em eficiência alimentar. As fêmeas improdutivas são descartadas e encaminhadas ao abate. O objetivo principal da fazenda é produzir bezerros de qualidade superior. Para isso, utilizam intensamente os protocolos de IATF (inseminação artificial em tempo fixo). No manejo reprodutivo estabelecido pela propriedade, as fêmeas podem ser submetidas a até três serviços: a primeira IATF seguida de mais duas ressincronizações, para as

que, por ventura, não tenham se tornado gestantes. Essa medida garante que a maioria dos bezerros nascidos na propriedade sejam provenientes de touros melhoradores. No último ano, mais de 5 mil fêmeas entraram em estação de monta. Após o último serviço, a fazenda persiste com um lote de

35 touros repassadores para uso aleatório, e 60% são renovados todo ano. Resultados Segundo o Médico-veterinário, quando começaram o trabalho, os técnicos eram constantemente questionados em relação à genética, dada a necessidade

TOUROS DESTAQUES

Mukesh Col

REM Dulldog

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CASOS DE SUCESSO

de um conjunto de melhorias e aperfeiçoamentos técnicos e práticos a serem adotados. “Por isso, utilizamos o conceito do planejamento genético do rebanho, em busca por touros que atendessem à soma das nossas necessidades. Acredito que esse foi o sucesso da atividade, pois conseguimos selecionar um máximo de características desejáveis para a fazenda em um curto espaço de tempo. À medida que as diferenças genéticas foram se manifestando, juntamente com a parceria da Alta e o Programa Concept Plus, o desenvolvimento dessa tarefa foi ficando mais fácil”, conta. Desde a estação 2010/11, o rebanho apresentou uma escala de crescimento bastante consistente. Naquela época, os índices médios, na primeira IATF, ficavam entre 50 e 53%. A partir de 2014, com o projeto de ressincronização e utilizando touros Concept Plus, os índices de produção de bezerros, filhos de touros melhoradores na fazenda, atingiram 58 a 62% de média na primeira inseminação. A média geral final está entre 85 e 87%. “Ao longo dos últimos anos, a Alta conseguiu montar, na bateria genética e informações técnicas, uma engrenagem específica no projeto pecuária moderna, de forma que a consulta e busca de informações seja uma parceira de confiança, clareza nos resultados e satisfação de dever cumprido. Se a pecuária brasileira tem uma seleção de animais melhoradores, essa seleção veste as cores da Alta”, afirma. O peso médio da última desmama dos machos ficou em 245kg 50

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e das fêmeas, 200kg. “Desde 2017, a produção de machos, que são animais disponibilizados para os clientes que trabalham com terminação, são vendidos apenas com reserva antecipada e com valorização média de 12 a 15% a mais do que os preços

ofertados na região”, finaliza. Para o futuro, além do projeto de crescimento para as 10 mil vacas, o próximo passo é estruturar a propriedade e começar a trabalhar com as precocinhas, emprenhando as fêmeas aos 14 meses de idade.

Sobre a regional A Regional Alta (Total Rural Representações) em Pontes e Lacerda no Mato Grosso é parceira da Alta desde 2015. Atua na região, prestando serviços nas áreas de melhoramento genético, tanto de leite quanto de corte, além de oferecer serviços veterinários aos seus clientes. Sua equipe de profissionais é formada por técnicos, veterinários, zootecnistas e agrônomos. Para mais informações: (65) 3266-6103


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RESULTADOS CONSISTENTES

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DA TERRA BRAVA

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Registro: EPCF 2502 | Nasc.: 14/10/2017

Registro: EPCF 2389 | Nasc.: 06/09/2017

MGTe 19,82 - TOP 0,5%

MGTe 16,75 - TOP 1%

iABCZ 21,72 - DECA 1

iABCZ 19,72 - DECA 1

IQG

43,51 - TOP 1%

IQG

FORASTEIRO

DA TERRA BRAVA

SULTÃO DA TERRA BRAVA x FAO DO IZ

40,50 - TOP 1%

2299

DA TERRA BRAVA

1070 DA TERRA BRAVA x FAO DO IZ

Registro: EPCF 1771 | Nasc.: 22/07/2016

Registro: EPCF 2299 | Nasc.: 31/07/2017

MGTe 20,83 - TOP 0,1%

MGTe 13,73 - TOP 4%

iABCZ 13,07 - DECA 1

iABCZ 14,16 - DECA 1

IQG

26,43 - TOP 1%

IQG

23,20 - TOP 1%

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CASOS DE SUCESSO

FAZENDA RECANTO DOS TUCANOS Localizada em Lagoa Formosa (MG), a Fazenda Recanto dos Tucanos começou sua produção leiteira em 1980. Na época, eram apenas 17 vacas em lactação com uma genética cruzada e sistema de produção bastante rústico. Há cinco anos, com a sucessão da família para a geração atual, vários investimentos começaram a ser feitos, a fim de intensificar e modernizar a atividade. Atualmente, o leite ocupa 90 hectares da propriedade com 5.200 litros de leite produzidos de 170 vacas em lactação. O sistema de produção consiste no confinamento em Compost Barn para os animais lactantes, com baias maternidade anexas ao barracão. A cria utiliza sistema de bezerreiro argentino e a recria é feita em sistema de semiconfinamento em piquetes. “Buscamos nos consolidar cada vez mais no mercado leiteiro, produzindo um produto de qualidade e rentável. O foco da fazenda é na produção do leite e entrega aos laticínios, não pretendendo agregar valor ou beneficiá-lo na fazenda. A longo prazo e com a produção estabilizada dentro dos objetivos alcançados, temos a intenção de começar a comercializar nossa genética, através da venda de embriões e animais”, diz Antônio Ribeiro Vinhal, proprietário da fazenda. Para a fazenda, alguns pilares são fundamentais para o sucesso. Um deles é a gestão de pessoas. Desde o início, 52

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tem grande preocupação em ter uma mão de obra treinada, comprometida e satisfeita com a atividade que exercem. Outro foco é a melhoria do sistema de gestão, principalmente a financeira. Cada vez mais a margem de trabalho entre receita e despesas fica menor e somente uma gestão eficiente conseguirá se manter e atingir seus objetivos dentro do mercado do leite. E, por fim, os resultados dos índices reprodutivos. “Uma fazenda que não investe tempo e foco na busca da melhoria dos seus índices reprodutivos terá muita dificuldade de alcançar o sucesso na atividade, por se tratar de um trabalho diário e que, normalmente, os frutos são colhidos a médio prazo”, afirma Antônio. Reprodução “Nosso foco em reprodução é grande. Por mais que você tenha uma reprodução boa, sempre temos que buscar a melhoria contínua, pois a atividade exige isso. Se não buscar essa melhoria, através de metas e objetivos, com o passar do tempo você vai ficando para trás”, diz Antônio. A taxa de concepção sempre esteve dentro do esperado, porém, na taxa de serviço, não era alcançada. Antes, o sistema de produção era no semiconfinamento, por isso os números não eram padronizados, ao longo do ano, por causa das condições climáticas. Sendo assim, ficava difícil analisar seus números e mantê-los dentro de uma meta definida.

Antônio Ribeiro Vinhal e sua esposa Ana de Fátima Canedo Vinhal

Para a melhoria da taxa de serviço, iniciaram, há alguns anos, um trabalho reprodutivo quinzenal. O incremento foi de 3% na taxa de prenhez (de 17% para 20%). Há alguns meses, iniciaram um trabalho de reprodução semanal e já colhem frutos na melhoria dos índices. Fecharam os meses de julho e agosto de 2019 com uma taxa de concepção de 48% e uma taxa de serviço de 65% (PEV = 55 dias), portanto uma taxa de prenhez de 31%. O foco atual continua na melhoria da taxa de serviço, principalmente no foco do período de transição. Pretendem diminuir o tempo da 1ª inseminação após o parto (atualmente em 67 dias), para atingir a meta. Para isso, investiram, recentemente, em baias maternidade, confinamento do pré-parto e acompanhamento diário dos animais no pós-parto. Começaram a utilizar também a fita na identificação dos cios de retorno.

Evolução do rebanho O início do trabalho com IA e IATF é recente, somente há oito anos. Desde então, o banco genético da fazenda é 100% da Alta. “Como nossos animais tinham muitos aspectos a serem melhorados, todos os touros que escolhemos com melhoradores tiveram excelentes resultados. Não mensuramos o sucesso de um determinado touro, mas sim, do plano genético proposto em geral. Os resultados que estamos colhendo são surpreendentes, com animais entrando em lactação com uma padronização muito grande, alta produção e fertilidade que nos possibilitam atingir nossos índices estabelecidos”, diz. Alguns índices que evoluíram: Taxa de prenhez: 15% para 22% Produção média diária: 17 litros/dia para 31 litros/dia. Produção total diária: 800 litros para 5200 litros. PECUÁRIA EM ALTA

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CASOS DE SUCESSO

Primeira inseminação: 17 meses para 14,2 meses. Primeiro parto: 28 meses para 25 meses. Há alguns anos, a Fazenda Recanto dos Tucanos faz parte da Alta Advantage, um programa criado pela Alta, que é adaptado para cada rebanho, a fim de maximizar o progresso genético em direção aos objetivos do criador. Com esse plano, o cliente Alta tem acesso prioritário e exclusivo aos melhores touros do mundo, a mais alta qualidade para seu plano genético personalizado. “O rebanho evoluiu muito desde que iniciamos os trabalhos na fazenda. Podemos dizer que o rebanho era totalmente heterogêneo e adquiriu um excelente padrão com a vinda das netas e bisnetas. O que contribuiu muito para isso foi acreditarem no foco do planejamento genético e não mudarem em momento nenhum tudo o que foi proposto e decidido para o rebanho”, avalia Túlio Marins, Técnico de leite da Alta, que atende a propriedade. Dentro do programa, a fazenda escolheu o plano de conformação. “Nosso objetivo inicial era padronizar nossos animais. Havia animais de diferentes graus de sangue e cruzamentos. Percebemos que os touros desse grupo eram os mais completos. Assim, conseguimos melhorar nossos animais em conformação, sem deixar de lado aspectos importantes como a saúde e produção”, diz Antônio. Em sua maioria, os touros utilizados no rebanho são genômicos. Muitos ainda nem estão sendo comercializados no Brasil. Além disso, possuem preços 54

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acessíveis e apresentam resultados para atingir índices e metas estabelecidos. “Para nós, genética e sucesso devem caminhar juntos na atividade leiteira. Sem genética, não há como atingir seus objetivos, tendo, assim, negócio de sucesso. Cada vez mais temos um mercado competitivo

e exigente, e a genética nos possibilita ter cada vez mais animais que produzem uma média diária superior, com mais qualidade de leite (CCS e Sólidos), com uma vida produtiva mais longa, saúde e fertilidade para auxiliar no crescimento e expansão da nossa atividade”, diz.

TOUROS DESTAQUES

AltaHOTJOB

AltaJAKE


Cuidados com a nova geração A fazenda faz parte do Alta Cria, um programa exclusivo da Alta, que tem por objetivo conhecer e gerenciar os principais dados zootécnicos, na fase de cria, na pecuária de leite. Uma importante ferramenta para o pecuarista ter mais confiança na tomada de decisões. “Iniciamos nosso trabalho dentro do Alta Cria em 2018. Já tínhamos uma cria com números satisfatórios dentro daquilo que imaginávamos ser o ideal, mas não conseguíamos nos posicionar dentro do cenário das melhores fazendas leiteiras

do Brasil. O programa nos dá, através de seus conselheiros, um grande suporte na melhoria do nosso sistema de cria em geral, atualização, novas didáticas de trabalho e o que há de mais recente nesse assunto”, conta Antônio. Com o programa, o pecuarista consegue comparar os índices com outras fazendas integrantes do programa, mensurar as oportunidades para a atividade, além de trocar informações e conhecimentos, que ajudam a todos os integrantes a atingir seus objetivos. “Após o ingresso no programa, tivemos um grande salto

na parte da colostragem das bezerras, onde começamos a mensurar a qualidade do nosso colostro e a padronizá-lo através do enriquecimento com o colostro em pó. Criamos também um banco de colostro mais homogêneo com uma qualidade maior. Com a aferição da imunidade adquirida pelas bezerras, conseguiremos, no futuro, confrontar esses dados com dados de produção, incidência de doenças, dentre outros parâmetros. Assim, poderemos verificar o quão importante é a colostragem bem feita para a futura vida produtiva do animal”, finaliza.

Sobre a regional A Regional Patos de Minas (GEPLAN) é parceira da Alta desde o início da Alta no Brasil. Atua na região do Alto Paranaíba e parte do Noroeste de Minas, prestando serviços nas áreas de melhoramento genético de gado de leite e, recentemente, na criação de bezerras leiteiras. Possui um curso mensal de Inseminação Artificial desde 1993 com o compromisso forte de não deixar nossos clientes sem inseminadores em suas propriedades.

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ENTREVISTA

MARCOS FAVA NEVES 2020: DESAFIO PARA A PECUÁRIA: CONSTRUÇÃO DE MARGENS PARA UMA PECUÁRIA CADA VEZ MAIS COMPETITIVA Marcos Fava Neves, nascido em Lins (SP), é professor em tempo parcial das Faculdades de Administração da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em 1991, fez toda a carreira de pós-graduação (mestrado, doutorado e livre-docência) em estratégias empresariais e chegou a professor titular da USP aos 40 anos. É autor e organizador de 67 livros publicados no Brasil, Argentina, Estados Unidos, África do Sul, Uruguai, Inglaterra, Cingapura, Holanda e China, por 10 editoras diferentes. Fava é também fundador do grupo Markestrat, Centro de Pesquisas e Projetos em Marketing e Estratégia, além da plataforma Doutor Agro de conhecimento. Quais os principais desafios e oportunidades para o setor pecuário, tanto para o leite quanto para o corte, quando avaliamos o mercado nacional e internacional em 2020? Em ambos os segmentos, o desafio se resume sempre na “construção de margens”, que, na minha visão, é o principal gargalo de um produtor. Para isso, é importante que o produtor controle seus custos de produção, entenda a melhor época de comprar produtos e re56

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alize uma correta gestão interna da propriedade em termos técnicos, para poder tirar o máximo possível dos recursos que estão sendo utilizados. Em resumo, como o produtor de carne e de leite não controla os preços de mercado, a construção de margens se dá pela eficiência do seu negócio, pelos custos de produção, compras e pela gestão adequada, para produzir sempre mais com menos. Em relação aos mercados nacional e internacional, em virtude das questões estruturais de crescimento da população mundial, melhoria de renda, crescimento do Brasil, na minha visão, são mercados muito positivos. Em 2019, tivemos uma explosão no preço da arroba em virtude do mercado de exportação aquecido. Você acredita

que o valor da arroba pode voltar ao preço do ano passado e se estabilizar? 2019 foi realmente um ano atípico para a pecuária de corte com a incrível variação no preço da arroba em um curto intervalo de tempo. Isso nunca é bom para os negócios, porque você traz uma instabilidade grande e falta de previsibilidade, que são coisas que prejudicam a parte administrativa. Logicamente, aqueles preços foram muito altos e o consumo caiu como reflexo desse aumento. Na minha visão, a arroba deve ficar em um patamar mais elevado, principalmente pelas questões estruturais de crescimento que eu mencionei. Portanto, preços de R$ 140, por exemplo, não são mais para serem observados. O patamar será superior a esse valor médio do


ano passado. Como os novos patamares de preço da arroba do boi vão influenciar a pecuária de cria nos próximos anos? O novo patamar de preços incentiva todas as atividades, por isso, provavelmente, a pecuária de cria deve ter um incentivo de crescimento. O que o pecuarista deve tomar cuidado é com a questão da inflação nos insumos. Isso não pode existir e vai contra a construção de margens de que eu sempre falo. Pode ser que, ao comprar insumos mais caros, lá na frente o produtor não tenha preço para absorver o aumento de custos de produção. Esse é um ponto para se ter muito cuidado, mas eu acredito sim em um incentivo na pecuária de cria nos próximos anos. Ano passado, os animais para reposição e fêmeas tiveram alta demanda no mercado, puxados pela alta da arroba. O que podemos esperar este ano para o mercado de reposição? O bezerro continuará em alta? Eu acredito que sim, o bezerro vai continuar em alta pela necessidade do crescimento da atividade por todo o aspecto estrutural que eu já mencionei e o conjuntural, que é a peste suína africana na Ásia e a nova demanda chinesa e asiática por carne bovina. Na minha visão, esses são pontos que também ajudam no fortalecimento da atividade. Quais são os principais impactos na arroba do boi e do bezerro com o conflito ente Irã

“Como o produtor de carne e de leite não controla os preços de mercado, a construção de margens se dá pela eficiência do seu negócio, pelos custos de produção, compras e pela gestão adequada, para produzir sempre mais com menos”

e Estados Unidos? Esse conflito pode impactar o preço dos insumos? Sobre essa questão, eu até já tive uma preocupação maior, até porque o Irã e o Oriente Médio são grandes consumidores de produtos do Brasil, mas, aparentemente, inclusive estou nos Estados Unidos enquanto esta entrevista é concedida (21/01/20), percebo que o assunto sumiu. Eu tenho a Impressão de que a gente passou por essa situação. Mas, claro, não deixou de ser um problema. Na questão dos insumos, o produtor tem de controlar muito o seu custo e acompanhar a variação dos insumos ao longo do ano. É um jogo diário que, na minha visão, só joga bem quem tem o dado na mão. Então é importante acompanhar o mercado e ter as planilhas de controle sempre em mãos e atualizadas. Em relação ao câmbio, eu

não acredito em grandes variações ao longo desse ano. Talvez o dólar fique aí em torno dos R$ 4 reais, mas estável. O que é um valor bom para a exportação. Quando falamos no mercado de inseminação artificial, só a Alta cresceu 24% no último ano quando comparado com 2018. Para este ano, como avalia esse mercado? O crescimento da Alta é realmente impressionante. Eu avalio que o mercado da inseminação artificial tem um potencial muito grande no Brasil. Durante muito tempo, eu trabalhei nesse mercado e ficava assustado com o índice de uso da IA no Brasil, tanto no leite quanto no corte. Eu acredito muito na continuidade desse crescimento até porque nós vamos precisar de um choque no aumento da produtividade. E esse aumento é uma roda contínua e favorável. Com o aumento na capacidade de investimento, aumenta a tecnificação, a qualidade dos animais e, com isso, traz mais margem ainda. A infraestrutura brasileira está preparada para comportar toda a demanda crescente de importações e exportações do setor? A infraestrutura brasileira vai passar por uma grande transformação com o trabalho dos ministérios e com a visão de um governo mais liberal, ou seja, eu confio em uma grande modernização de uma infraestrutura portuária, aeroportuária, hidroviária, ferroviária e rodoviária no Brasil nesse período. Finalmente, o país destravou na infraesPECUÁRIA EM ALTA

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ENTREVISTA

trutura da logística e todos esses pontos tendem a melhorar para a atividade do agro brasileiro, pela eficiência e competição dos modais de transporte. A forma mais rápida de aumentar a produtividade é com a utilização de tecnologias. Com a inseminação artificial, por exemplo, é possível produzir mais, em menos tempo e menor espaço, contribuindo inclusive para a preservação ambiental. Ainda assim, cerca de 90% dos pecuaristas ainda não inseminam hoje no Brasil. Na sua visão, quais as medidas deveriam ser tomadas pelo governo para incentivar a utilização das novas tecnologias para a evolução? O papel do governo em todas as esferas é a conscientização. A busca pelo conhecimento e a divulgação desse conhecimento perante os órgãos produtores e a cadeia produtiva para que ela aumente o uso da tecnologia. O papel do governo é, tanto na pesquisa, para avaliar os resultados que as tecnologias apresentam e ajudar a divulgar esse conhecimento para os produtores. De que forma o crescimento de alguns nichos de mercado, onde algumas pessoas não consumem produtos de origem animal, podem afetar a pecuária? Um ponto que a pecuária brasileira tem que acompanhar é o chamado Plant Based (Produtos produzidos para dietas baseadas em vegetais, com poucos ou nenhum produto animal) que eu tenho visto bastante nas gôndolas 58

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“O crescimento da Alta é realmente impressionante. Eu avalio que o mercado da inseminação artificial tem um potencial muito grande no Brasil” de supermercados americanos e na Europa. São fontes alternativas de produtos para suprir uma necessidade, ou desejo pela carne. O movimento orgânico, por exemplo, tem um espaço, mas eu não acredito que isso seja uma ameaça à pecuária mundial e brasileira, porque ainda tem muita gente que não teve acesso a comer carne e que começou a experimentar agora. Na minha visão, esses nichos de mercado de pessoas que não comem produto animal afetam a pecuária de maneira negativa. É uma situação a ser monitorada, mas não acredito em grande crescimento do mercado. Que pontos mais importantes destacaria em uma análise para o setor? Em 2019, as exportações do agro/alimentos/bioenergia totalizaram quase US$ 97 bilhões, 43% do total que o Brasil vendeu ao mundo, deixando saldo de US$ 83 bilhões. Sem o agro, a balança comercial brasileira registraria um déficit de mais de US$ 36 bilhões, que impactaria negativamente a taxa de câmbio, traria aumento da inflação e

consequente aumento da taxa de juros, jogando “por terra” nossa chance de retomada econômica. Em 2019, o valor total da produção agropecuária (o que foi produzido x o preço médio de venda) foi recorde, de quase R$ 631 bilhões, sendo 2,6% maior que 2018. Geramos R$ 411 bilhões nas lavouras e R$ 220 bilhões nas carnes. Imaginemos todas as oportunidades criadas nas cidades com os gastos de parte desses bilhões, vindos do trabalho na terra, em imóveis, automóveis, restaurantes, supermercados, entre outros. Num mundo onde potências medem forças em diversas áreas, coube ao Brasil se posicionar na geopolítica na nobre missão como fornecedor mundial de alimentos e energias renováveis, contribuindo para o controle dos preços dos produtos e provendo maior acesso da população mundial graças à transferência contínua de ganhos de produtividade aos preços dos produtos. Continuaremos essa conquista com duas grandes evoluções: no setor público, amplo conjunto de reformas estruturantes que melhorem o ambiente de negócios e a competitividade (previdência, tributária, trabalhista, logística, jurídica, concessões e privatizações, entre outras) e reduzam o peso do Estado na economia, e, no setor privado, a estruturação permanente de projetos de planejamento estratégico por setores, visando entender onde estão as oportunidades, reduzir as vulnerabilidades e ter projetos estruturantes para aumentar o tamanho e rentabilidade dessas cadeias produtivas.


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Pecuária em Alta - Edição 25 - Fevereiro/Março de 2020  

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