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Revista Alimentação Animal n.º 121

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

COMO MITIGAR O AUMENTO DA VISCOSIDADE E A OXIDAÇÃO ASSOCIADOS AOS CEREAIS RECÉM-COLHIDOS New Grain Syndrome (Síndrome do cereal recém-colhido) O trigo e a cevada, embora utilizados há décadas na alimentação de monogástricos, são altamente variáveis em termos de valor nutricional. Em alguns países, podem contribuir com até 60% do teor total de energia dos alimentos para monogástricos. Ambos os cereais se caracterizam por um teor relativamente alto de arabinoxilanos e beta-glucanos solúveis em água. Estes são componentes de polissacarídeos não amiláceos (PNA) com uma capacidade de retenção de água muito elevada, o que pode levar a uma maior viscosidade do trato digestivo, associada a fezes e camas húmidas. Portanto, a alimentação com altos níveis de trigo e cevada em dietas de monogástricos requer a utilização de xilanases e beta-glucanases para diminuir a viscosidade do trato intestinal. Consequentemente, o valor nutricional de ambos os cereais torna-se mais consistente, reduzindo também o risco de cama húmida e os problemas associados. Muitas vezes, os cereais recém-colhidos apresentam uma viscosidade mais alta em comparação com os grãos armazenados durante mais tempo. Os altos níveis iniciais de viscosidade nos cereais implicam um menor valor nutricional devido ao seu impacto negativo na viscosidade do trato intestinal. Poderíamos então prever o efeito das enzimas NSP, com base nos valores de viscosidade inicial do trigo e da cevada de diferentes origens? Também se relata na literatura e por parte de agricultores que alimentar as aves com cereais recém-colhidos pode ter efeitos prejudiciais no crescimento e na eficiência alimentar. Quando o cereal é colhido, vários processos biológicos continuam, incluindo reações enzimáticas como a atividade da enzima lipoxigenase que promove reações oxidativas. Ao moer os grãos, a enzima é libertada e fica ativa. Assim, quando se alimentam porcos ou aves com este cereal recém-colhido, isso pode causar problemas, resultando numa produtividade significativamente menor. Curiosamente, esse fenómeno parece desaparecer se o mesmo cereal colhido for armazenado por um período de, pelo menos, 1 a 3 meses (Cadogan et al., 2002). Devido a isto, os produtores geralmente armazenam os cereais antes de os usarem na produção de alimentos compostos para animais. No entanto, 32 |

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isto nem sempre é viável devido à falta de disponibilidade ou fundos para o armazenamento. Já em 1968, Connolly e Spillane relataram que os porcos irlandeses enfrentavam doenças e perda de produtividade depois de terem sido alimentados diretamente com cereal colhido durante os verões húmidos, quando as condições de secagem eram más. No entanto, existe uma escassez de informações sobre a origem do problema e grande parte das informações existentes são pontuais, na forma de relatos de agricultores afetados. O impacto negativo da “síndrome do cereal recém-colhido” pode ser substancial. Além de comprometer o bem-estar animal, muitas vezes, são necessários cuidados veterinários para os animais afetados ou inclusivamente podem ocorrer perdas associadas a uma maior mortalidade e uma redução da produtividade. Os agricultores têm então de comprar rações complementares para apoiar a produção até que o cereal da nova colheita seja seguro para alimentar o gado. Também é provável que a “síndrome do cereal recém-colhido” tenha um impacto negativo na pegada ambiental da produção, pois os agricultores podem necessitar de comprar rações ou cereais importados que, geralmente, são menos sustentáveis. A aplicação de antioxidantes nos alimentos pode ser uma estratégia eficaz para reduzir o risco de efeitos prejudiciais da alimentação com cereais recém-colhidos e os relatos pontuais sugerem que isto é eficaz. Assim, realizou-se um estudo que investigou a diferença no estado oxidativo e na viscosidade de cereais recém-colhidos, em comparação com cereais da colheita do ano anterior, e avaliou a capacidade do KEMZYME® PLUS dry, um complexo multienzimático, e do Paradigmox® White Dry, uma combinação sinérgica de butilhidroxitolueno, propilgalato e ácido cítrico (Kemin Europa N.V.), para controlar respetivamente a viscosidade e a oxidação em cereais recém-colhidos e cereais da colheita anterior.

Material e métodos Ensaio de redução de viscosidade Um total de 20 amostras de cevada e 19 amostras de trigo, de diferentes origens europeias, foram analisadas no Customer Laboratory Service da Kemin na Bélgica. As amostras misturadas com 0 g/t (controlo), 500 g/t ou 5000 g/t KEMZYME® Plus Dry foram incubadas durante 1 hora a 40 °C com agitação contínua. Os extratos foram centrifugados e mediu-se a viscosidade dos sobrenadantes (Método LB-IV-20/119-E)*. A viscosidade foi expressa em centipoises (cP).


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Revista Alimentação Animal n.º 121 by IACA - Issuu