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ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU

FAZENDO HISTÓRIA ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU

Biguaçu - SC


Copyright © 2012 by Academia de Letras de Biguaçu Editoração Eletrônica: Nova Letra Gráfica e Editora Organização e Coordenação Editorial: Adauto Beckhäuser (48) 3222-7781 – E-mail: adauto@advbeckhauser.com.br Capa: Casarão Born (Sede da Academia de Letras de Biguaçu-SC) Fotografia: José Ricardo Petry. Colaborador: Evandro Thiesen Diagramação: Amanda Talita FICHA CATALOGRÁFICA

________________________________________________________ A168q Academia de Letras de Biguaçu Academia de Letras de Biguaçu : Fazendo História. / org. Academia de Letras de Biguaçu ; colaboradores : Adauto Beckhäuser ... [et al.] . – Blumenau (SC) : Nova Letra, 2012. 339 p. : il. ; 21 cm. Inclui Biografia ; Bibliografia. ISBN 1. Literatura Brasileira. 2. Escritores Brasileiros. 3. Antologia 4. Biografia acadêmicos. I. Título. II. org. Academia de Letras de Biguaçu. III. Colaboradores : Beckhäuser, Adauto.. [et al.]

________________________________________________________ Catalogação por: Bibliotecária Janice Marés Volpato. CRB 14/860 CDD B 869.9098164 CDU 93:92:869.0(81)

Reservados ao autor todos os direitos de reprodução, total ou parcial. Impresso no Brasil / Printed in Brazil Endereço Postal: Academia de Letras de Biguaçu E-mail: academia@academiadeletrasdebiguacu.com.br Website: www.academiadeletrasdebiguacu.com.br Casarão Born, Praça Nereu Ramos, s/n, Centro – CEP 88.160-000 – Biguaçu – Santa Catarina – Brasil


DIRETORIA DA ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU


NOSSOS COLABORADORES Agradecemos às pessoas aqui mencionadas pela colaboração no processo de elaboração desse livro. Consignamos nosso especial agradecimento. Adauto Beckhäuser Amanda Talita Ferreira César Luiz Pasold Dalvina de Jesus Siqueira Esperidião Amin Helou Filho Evandro Thiesen Gabrielle Beckhäuser Janice Marés Volpato Joaquim Gonçalves dos Santos José Braz da Silveira José Ricardo Petry Valdir Mendes William Wollinger Brenuvida

Todos os Acadêmicos em geral, que contribuíram com seu trabalho para essa Antologia.

“Todo homem é poeta quando está apaixonado”. Platão.

Dedicamos este livro aos 16 anos de existência da Academia de Letras de Biguaçu.


Sumário DIRETORIA DA ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU........................... 5 NOSSOS COLABORADORES.................................................................................... 7 Prefácio......................................................................................................................15 ACADEMIA DE LETRAS FAZENDO HISTÓRIA...........................................15 Apresentação........................................................................................................17 Histórico da Academia de Letras de Biguaçu..........................19 Antologia.................................................................................................................21 Josiane Rose Petry Veronese........................................................... 23 ARCO-ÍRIS: O PLANETINHA DIFERENTE.....................................................24 ADAUTO BECKHÄUSER................................................................................ 31 Poesias..........................................................................................................................34 O vagar dos pensamentos...........................................................................34 Silêncio da Noite................................................................................................35 A Noite........................................................................................................................37 Da Sinfonia do Silêncio.................................................................................39 JOAQUIM GONÇALVES DOS SANTOS..................................................... 40 CHEGANDO AOS CENTO E OITENTA ANOS................................................42 HILTA TEODORO BENCCIVENI................................................................. 45 A idéia que nasceu do pé).............................................................................46 EGÍDIO MARTORANO FILHO.................................................................... 50 A BELEZA.......................................................................................................................53 ZELKA DE CASTRO SEPETIBA.................................................................. 56 Paz....................................................................................................................................58 Saudade.......................................................................................................................58 Vida.................................................................................................................................58 RUDI OSCAR BECKHÄUSER........................................................................ 59 ACADEMIA DE ACORDEON RUDI BECKHAUSER.....................................63 GABRIELLE BECKHÄUSER.......................................................................... 68 PROCESSO ELETRÔNICO......................................................................................70


JOSÉ BRAZ DA SILVEIRA............................................................................. 72 O PORQUINHO DA SORTE.....................................................................................74 JANICE MARÉS VOLPATO............................................................................ 79 Lar do Idoso............................................................................................................81 WILLIAM WOLLINGER BRENUVIDA...................................................... 87 Para o repórter a guerra nunca acaba........................................89 A beira-mar..............................................................................................................93 Crisálida....................................................................................................................94 AIDA BARRETO R. FERNANDES................................................................ 95 COLETÂNEA................................................................................................................96 A macaca da Sergina........................................................................................96 Retalhos....................................................................................................................98 As duas mães............................................................................................................99 Mãe brasileira....................................................................................................100 O Tempo e eu..........................................................................................................101 Indelével................................................................................................................103 DALVINA DE JESUS SIQUEIRA................................................................. 105 Mãe................................................................................................................................108 Problemas sociais...........................................................................................113 ESPAÇO.........................................................................................................................114 TEMPO..........................................................................................................................115 SILÊNCIO.....................................................................................................................115 CARLOS ANTÔNIO DE SOUZA CALDAS............................................... 116 ANIMALZINHO X COMUNIDADE...................................................................118 RELAÇÃO HUMANA e, Suas considerações nas paixões........120 Quando BIGUACU será Transformado?..........................................122 MAÇONARIA X FILOSOFIA.................................................................................124 MOTOCICLISMO é uma paixão!...................................................................126 TERCEIRA IDADE X SAÚDE...............................................................................128 DEUS NO BANCO DOS RÉUS..............................................................................130 JOSÉ RICARDO PETRY............................................................................... 132 Medalha de Ouro..............................................................................................134 LUIZ NOCETTI LUNARDELLI.................................................................. 136 Tributo a Odilon Lunardelli: o nosso homem do livro.138


OSMARINA MARIA DE SOUZA................................................................. 144 SOBRE A CRÔNICA..................................................................................................145 SANTA CATARINA, UM ESTADO MULHER................................................147 A PRAGA DE DONA GENEROSA.......................................................................150 Orival Prazeres....................................................................................... 152 1964, prisão em Biguaçu?..............................................................................154 A vida na prisão..................................................................................................159 VALDIR MENDES.......................................................................................... 165 VERSOS.........................................................................................................................167 Pai – Filho – Neto...............................................................................................169 EU e VOCÊ...................................................................................................................171 CLARICE e CLARICE..............................................................................................173 PÂNTANO DO SUL..................................................................................................174 FRUTAS.........................................................................................................................175 SAUDADE.....................................................................................................................177 CONTAR O QUE?......................................................................................................178 CESAR LUIZ PASOLD................................................................................... 180 UM MOSAICO DO MEIO AMBIENTE.............................................................182 MIGUEL JOÃO SIMÃO................................................................................. 195 A literatura como espaço para todos em Santa Catarina...................................................................................................................197 ROGÉRIO KREMER...................................................................................... 202 DUAS IMORTAIS EDUCADORAS......................................................................203 XÊNIA GÖEDERT KREMER...............................................................................203 MARIA DA GLÓRIA VIRÍSSIMO DE FARIA..................................................206 VANDA LÚCIA SENS SCHÄFFER.............................................................. 207 O BURRINHO INTELIGENTE............................................................................209 A ÁRVORE E A MINHOCA....................................................................................210 ESPERIDIÃO AMIN HELOU FILHO........................................................ 212 AMIN Arvoredo – mistérios, lendas e histórias...................213


ALZIRA MARIA SILVA DOS SANTOS.....................................................................222

O Amanhecer.........................................................................................................224 NATAL............................................................................................................................226 CORAÇÃO.....................................................................................................................227 FOLCLORE...................................................................................................................228 Saci Perere.............................................................................................................230 A PAZ..............................................................................................................................231 MULHER......................................................................................................................232 CACHOEIRA DO AMÂNCIO.................................................................................233 CELEBRIDADE..........................................................................................................234 HOMERO DA COSTA ARAÚJO.................................................................. 235 Senador.....................................................................................................................237 Sindilata da Coxilha Rica.........................................................................239 Hélio Cabral Filho................................................................................ 242 1 - O peso e a pena...............................................................................................243 2 - GPS............................................................................................................................244 3 - Dúvidas cruéis .............................................................................................245 4 - Trôpego e inválido..................................................................................246 5 - Minha Flor.......................................................................................................247 DULCINÉIA FRANCISCA BECKHÄUSER............................................... 248 Mulheres e as mudanças na sociedade ou papel da mulher na sociedade...................................................................................250 VERA REGINA DA SILVA DE BARCELLOS............................................ 256 NOSSA DESTERRO..................................................................................................257 Pérola Negra do meu Brasil..................................................................259 150 anos de Cruz e Sousa 1861-2011........................................................261 MARIA DE LOURDES ZUNINO DUARTE.............................................. 263 BRUXA...........................................................................................................................264 ALFREDO DA SILVA...................................................................................... 267 MIGUELITO ..............................................................................................................269 A HISTÓRIA DE MIGUELITO ...........................................................................272


NEUSITA LUZ DE AZEVEDO CHURKIN............................................... 275 O Circo........................................................................................................................276 Poema..........................................................................................................................276 Sonha...........................................................................................................................277 Um Desbravador Português...................................................................278 José Castelo Deschamps..................................................................................281

Aprendiz da Vida...............................................................................................284 As obras estruturantes............................................................................286 LEATRICE MOELLMANN PAGANI.......................................................... 293 HOMEM DA MINHA VIDA...................................................................................294 O ANEL..........................................................................................................................295 SUFOCO........................................................................................................................296 Nossa história através da fotografia................................. 297 Posse dos novos acadêmicos e lançamento da Antologia “OS QUINZE ANOS – 1996 a 2011”........................................297 Confraternização dezembro de 2011.............................................317 Lançamento do livro Sonho, Sonhado e Realizado, do Presidente da Academia Adauto Beckhäuser........................323 Lançamento do Livro “Direitos na pós-modernidade: a fraternidade em questão”, de Josiane Rose Petry Veronese..................................................................................................................331 Lançamento dos Livros “Paróquia São João Evangelista”, de Joaquim Gonçalves dos Santos e José Ricardo Petry e “A Lei da Sustentabilidade”, de José Braz da Silveira e José Ricardo Petry..........................................................................................332 Lançamento do livro “No apagar das luzes”, da Acadêmica Dalvina de Jesus Siqueira.............................................337


Prefácio ACADEMIA DE LETRAS FAZENDO HISTÓRIA

Este é o título da presente ANTOLOGIA que foi criado pela acadêmica Dalvina de Jesus Siqueira, nossa fundadora e presidente de honra, e aprovado em reunião de Diretoria da Academia de Letras de Biguaçu. Na realidade, nossa Academia de Letras está fazendo história desde sua fundação ocorrida em 20 de setembro de 1996, quando os acadêmicos iniciaram a caminhada histórica, publicando antologias e obras diversas. Os trabalhos literários já publicados ao longo de dezesseis anos de vida da Academia de Letras de Biguaçu, enriqueceram a historiografia catarinense. Por outro lado, nas áreas de educação e cultura, os acadêmicos estão presentes em congressos, concursos, feiras de livros, palestras, encontros literários, lançamento de obras, posses, homenagens, sessões solenes, solenidades cívicas, entrevistas, etc. A sociedade biguaçuense afirma que somos uma Academia de Letras direcionada para o bem comum, e à disposição de todos sem distinção. Parabenizamos os Confrades e Confreiras pelos dezesseis anos de gloriosa e histórica existência. O lema “SUBLIME É SER” que está escrito na Bandeira da Academia de Letras de Biguaçu já diz tudo.

Joaquim Gonçalves dos Santos Acadêmico


Apresentação Academia de Letras Fazendo a História de Biguaçu

A Academia de LETRAS São João Evangelista da Barra de Biguaçu, e a cidade de Biguaçu, de mãos dadas resgatam os valores da história, neste exemplar, confraternizando o progresso da cidade e os festejos dos 16 anos da Academia, enriquecendo com isso o nosso sodalício que com certeza marcará época. Este lugar que tem brumas ao amanhecer, terral, rio, mar e costuma fazer muito frio quando o terral vem acionado pelo vento sul; é abençoado por Deus. Biguaçu é assim, cheia de encantos mil, é um pequeno diamante encravado no sul do Brasil. A Academia, fundada com coragem e dedicação sobreviveu algumas intempéries, mas está aí, renascendo das cinzas feito Phoenix, graças ao pulso forte e dedicação do então Presidente Adauto, e de todos nós que estamos sempre ao seu lado. O Presidente, nosso herói e ilustre confrade soltou as amarras que estavam entravando o progresso desta Instituição e aconteceu a explosão do crescimento. O Dr. Adauto é um advogado que luta com firmeza. Tem muita visão e faz com que a Academia ocupe lugar de destaque em qualquer circunstancia, é admirável o seu trabalho, e tem mais, ele conduz com tal supremacia a Academia, que seus Confrades só têm a aplaudi-lo A história de Biguaçu a cada ano que se passa, vai sendo contada entre as linhas (nas entrelinhas) dos escritos da Academia, e passará para a posteridade os feitos e os fatos. Causos e casos relacionados às letras, às Leis e de mãos dadas, com fé num futuro brilhante, em benefício da literatura Catarinense. O nosso Presidente, Dr. Adauto, no árduo sacerdócio de sua


gestão, com muita dignidade já colocou esta casa de letras na rede do processo virtual com o site www.academiadeletrasdebiguacu.com.br, onde faz sucesso com a Revista virtual Biguá, em franca circulação no mundo inteiro, haja vista o grande numero de acessos. É com muita satisfação e orgulho que apresento aos Senhores leitores, aos alunos, mestres, e amigos de Biguaçu esta Coletânea de poemas, poesias, contos, ensaios e histórias contidas nestas páginas. A semente que jogamos em solo fértil, brotou, deu frutos e flores, fez muitos amigos, agrupou confrades e confreiras num afetuoso abraço de muita união, onde todos trabalham por um bem comum. Parabéns meu grande amigo Adauto. Deus te dê cada vez mais entusiasmo pela Cultura. Parabéns Confrades desta casa das Letras, onde a cada dia que se passa, cresce com amor. Dalvina de Jesus Siqueira (Estrela) Ocupante da Cadeira número 14 Patrono Geraldino Ato do Azevedo Embaixadora ad Cultura do Município de Biguaçu. SC;


Histórico da Academia de Letras de Biguaçu Na antologia de 2008, intitulada “Trajetória”, publicamos um histórico da Academia de Letras de Biguaçu, que ocupou 15 páginas, contendo dados de sua fundação, os patronos e membros efetivos, os objetivos da Academia de Letras, os símbolos acadêmicos, etc. Na antologia de 2011, intitulada “Os Quinze Anos – 1996 A 2011”, demos continuidade na divulgação do histórico, dos patronos e acadêmicos, além de fotografias, textos, poesias e poemas. A atual diretoria resolveu não repetir todos aqueles dados na presente antologia, e fazer um breve histórico contendo apenas alguns registros importantes e necessários através de fotografias. 1 – Data da fundação: 20 de setembro de 1996 2 – Data da instalação: 18 de dezembro de 1996 3 – Fundadores: Dalvina de Jesus Siqueira, Osmarina Maria de Souza e Vilma Bayestorff. 4 – Antologias publicadas: 1999 – Um Passeio pela Grande Florianópolis 2000 – Sonhos de Outono 2001 – Renascer de Primavera 2002 – Devaneios de Verão 2003 – Aconchego 2004 – Veredas Literárias 2008 – Trajetória 2011 - Os Quinze Anos 2012 – Academia de Letras Fazendo História Lançamento inédito da nona Antologia, dia 20 de setembro de 2012, com a participação de 36 acadêmicos. 5 – Alteração de denominação: de Academia de Letras São João Evangelista da Barra de Biguaçu, para Academia de Letras de Biguaçu. Ficando a primeira denominação como nome histórico de fundação.


6 – Utilidade Pública Municipal: através da Lei n. 1.237/98, sancionada pelo senhor Arlindo Corrêa, Prefeito Municipal de Biguaçu. 7 – Elaboração de Website: disponível no seguinte endereço eletrônico – www.academiadeletrasdebiguacu.com.br (inclusão das obras dos acadêmicos e da academia, disponibilizadas na íntegra, em formato virtual). 8 - Elaboração da Revista Virtual (Biguá). 9 – Estatuto: devidamente registrado em cartório. 10 – Acadêmicos: vide quadro nesta antologia. 11 – Posse de nove novos membros efetivos na data de 20 de setembro de 2011: Cadeira nº 1 - Josiane Rose Petry Veronese Cadeira nº 5 - Egídio Martorano Filho Cadeira nº 8 - Gabrielle Beckhäuser Cadeira nº 12 - Angela Regina Heinzen Amin Helou Cadeira nº 13 - Aida Barreto R. Fernandes Cadeira nº 15 - Carlos Antônio de Souza Caldas Cadeira nº 19 - Luiz Nocetti Lunardelli Cadeira nº 32 - Hélio Cabral Cadeira nº 39 - José Castelo Deschamps 12 – Novo endereço da Academia: Academia de Letras de Biguaçu Centro Cultural de Biguaçu Casarão Born, Praça Nereu Ramos, n. 160, Centro – Biguaçu-SC CEP: 88160-000

Adauto Beckhäuser Joaquim Gonçalves dos Santos


Antologia ACADEMIA DE LETRAS FAZENDO HISTÓRIA


Josiane Rose Petry Veronese

Local de nascimento: Massaranduba (SC) Data: 12 de abril de 1962. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1984), mestrado em Direito(1988) e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1994). Atualmente é sub-coordenadora do curso de graduação da Universidade Federal de Santa Catarina. Professora titular da disciplina Direito da Criança e do Adolescente na graduação e nos programas de Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora do Nejusca - Núcleo de Estudos Jurídicos e Sociais da Criança e do Adolescente e sub-coordenadora do Núcleo de Pesquisa Direito e Fraternidade CCJ/UFSC. Pesquisa na área do Direito da Criança e do Adolescente. Cadeira nº: 01 Posse: 20-09-2011 Título: Escritora Patrono: Abelardo Souza Título: Escritor

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ARCO-ÍRIS: O PLANETINHA DIFERENTE Josiane Rose Petry Veronese1*

Sonho Fadas Castelos Duendes e potes de ouro. Onde ficará este lugar que o arco-íris aponta? É terra de ninguém bem pra lá de Belém. Flores por toda a parte Rosas de alegria, jasmins de paz, violetas de harmonia... Como num sonho Sonho de princesa.

Penso que cada um de nós, ainda que já adultos e maduros, sintase tocado por histórias infantis. Por vezes chego até a ousar afirmando que estas histórias consigam penetrar no nosso ser de forma mais profunda que histórias “adultas”. Os contos de fadas, as fábulas têm o 1 Professora Titular da disciplina Direito da Criança e do Adolescente, da Universidade Federal de Santa Catarina, na graduação e nos Programas de Mestrado e Doutorado em Direito. Doutora em Direito. Coordenadora do NEJUSCA – Núcleo de Estudos Jurídicos e Sociais da Criança e do Adolescente. Sub-coordenadora do Núcleo de Pesquisa Direito e Fraternidade/CCJ/UFSC. Autora de vários livros e artigos na área do Direito da Criança e do Adolescente. http://lattes.cnpq.br/3761718736777602. Endereço eletrônico: jpetryve@uol.com.br

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papel de resgate contínuo da nossa sensibilidade e isto faz com que a humanidade se sinta provocada para ser, simplesmente, melhor... Então, vamos à nossa história:

No nosso sistema solar existe um planetinha de nome Arco-

íris, os cientistas ainda não o conhecem, mas ele está lá no céu, bem distante da terra. Neste planeta tudo é muito harmonioso: crianças brincam, pulam, mas também passeiam com os velhinhos nos finais de tarde, quando já não está tão quente. Trabalhadores vão e vêm das fábricas, escritórios e lojas. Todos valorizam cada coisa que produzem. Também existem muitas máquinas, elas ajudam os trabalhadores e o mais importante: não fazem com que se sintam simples robôs que ligam ou desligam alavancas e botões, mas que colaboram para o bom funcionamento da produção. Em Arco-íris, a lei é o Amor, por isso todos são livres. A natureza é lindíssima, plantas e flores coloridas por toda parte e os animais se divertem no meio de tanta beleza. Epa! O que está acontecendo? Uma grande nuvem negra faz com que de repente anoiteça. Baroom! Baruuum!! Eis que desaba sobre Arco-íris, um GRANDE TEMPORAL. Chove, chove. Passam-se os dias e continua chovendo. Rei Felipe começa a ficar muito preocupado, pois não se trata de uma simples chuva. Arco-íris, por ser bem pequenino, com toda a água que despencou dos céus, ficou todo alagado. Pessoas e animais ficaram completamente isolados. Rei Felipe se entristece, o que fazer naquela situação? _Estou muito preocupado, pois não sei se meu povo, minhas crianças, os animais, as plantas, não estarão sofrendo? – desabafa o rei com seu amigo e assistente Luiz. Mas olhem, quem vem correndo? É o Elefante Real que quase sem fôlego diz: _ Rei Felipe, quero colocar-me a serviço de vossa majestade e

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de todo o nosso planeta. Vou começar agora mesmo, com minha grande tromba e a ajuda dos meus amigos, a bombear toda esta água. O Elefante Real parte imediatamente e inicia o seu trabalho. As águas eram sugadas e transportadas para um grande reservatório construído pelo Elefante Real e seus amigos fortões. Um... dois... três... quatro dias. Enfim, no quinto dia, todo o planetinha estava sequinho. Mas o que aconteceu? A população sai às ruas e comenta: _ Onde estão as cores? _ Sim, onde está o verde das árvores? _ O colorido das flores? Tudo em Arco-Íris está desbotado, tanta foi a chuva que as cores tinham sido lavadas. Rei Felipe resolve não perder tempo e convoca os cidadãos para uma grande assembleia. _ Queridos amigos – diz o rei - não podemos deixar que as coisas fiquem assim, temos que pensar em um meio para que as cores voltem. Por dias seguidos, a população dividida em grupos, estuda, faz planos, projetos para ver se encontra alguma solução. Alguns sugerem: _ Vamos pegar todas as tintas e pintar tudo de novo! Esta proposta é levada ao Rei Felipe: _ A ideia é boa, mas não vai dar certo, pois corremos o risco de não pintarmos com as cores certas, acabaremos quebrando a harmonia do Universo e, além do que as tintas, por serem tóxicas, poderão matar plantas e animais. As diversas equipes continuavam estudando, estudando... Montanhas de livros foram devoradas. Dias depois, uma menina chamada Letícia, descobre um texto de uma pensadora chamada Chiara, que fala de uma certa geração que tem a alegria como distintivo. _ A alegria?? - questionou Letícia - mas como, se no nosso planeta, tudo está sem cor e é tão triste... Mas continuou a leitura que dizia: “(...) A alegria, eis o distintivo gen [geração nova], aquele sorriso 26


inconfundível, que não é simples contentamento ou satisfação humana, porque floresce de uma raiz profunda: o amor. Quem ama tem o coração cheio de alegria. É claro pois quem ama é filho de Deus, que é amor, de Deus que é Felicidade.2” _ É isso! exclama Letícia, nosso planeta precisa de uma injeção de amor! Acho que nos últimos tempos não estávamos muito atentos uns para com os outros e foi por isso que as cores desbotaram, não foi somente por causa da tempestade. Letícia sai correndo para comunicar ao rei a sua descoberta. Rei Felipe estava no seu Palácio, que antes era azul e que agora estava sem cor, esperançoso a recebe. Letícia o saúda com toda a solenidade, diz tudo que aconteceu e lê para o rei o trecho do livro que fez com que surgisse a sua ideia. O Rei a escuta com muita atenção e enquanto a ouvia seus olhos recomeçaram a brilhar, pois ainda restara uma esperança e lhe diz: _ Eu também Letícia, acredito como você que só o amor dá sentido as nossas vidas, da sabor e cor a cada coisa, por mais pequena e insignificante que seja. _ Sim majestade - complementa a menina - e para a natureza esteja sempre em harmonia é preciso que o amor circule continuamente, pois qualquer interrupção pode provocar danos seríssimos e acho que foi isso que aconteceu. _ Certamente, certamente... Mas o que fazer? O que faremos para que o amor volte por toda a parte? - interroga o rei. _ Estive pensando majestade, e tenho uma ideia: lembra que o texto que eu li fala que o sorriso daqueles jovens que desejam por um mundo diferente, brota de uma raiz profunda: o amor? Assim, nada melhor do que usar este sorriso que transborda amor para recolorir nosso planeta. 2 Texto extraído dos escritos de LUBICH, Chiara, fundadora do Movimento dos Focolares, dirigido aos jovens do Movimento Gen – geração nova. http://focolares.org. pt/. Acesso em 7 de julho de 2012.

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_ Hum, hum... mas como? Interroga novamente o rei. _ Veja majestade, o plano é o seguinte: Formaremos sete grandes grupos de crianças sorrisos. Cada um destes grupos será responsável por uma cor, a começar pelo vermelho e terminar no violeta, um verdadeiro arco-íris, tal qual o nome de nosso planeta. _ Puxa! Um arco-íris de crianças, que extraordinário! Mas explique-me como isto funcionará? – pergunta o rei. _ Estas crianças sorrisos, cada uma com sua turma específica, correrão por todos os cantos do planeta, com música, danças, brincadeiras, enfim, o “incendiando” com o amor. Portanto, aquela rosa que era vermelha e que agora está descolorida, ao entrar em contato com estes meninos e meninas se sentirá inflamada, o amor circulará em suas seivas e a cor voltará. Deste modo toda a natureza vai recolorir, cada uma com sua cor de origem. _ Maravilhoso! exclama o rei - maravilhoso! Vamos começar este trabalho imediatamente. Você pode formar os grupos, vamos convocar todas as crianças do nosso reino. _ Começarei agora mesmo majestade, pois não podemos perder tempo. Até breve! _ Até breve! - responde o Rei. Letícia, com a ajuda dos mensageiros reais, convoca as crianças de Arco-íris para se encontrarem na Grande Praça. Em algumas horas, havia centenas de meninos e meninas. Letícia lê para todos o texto que havia mostrado ao rei e explica o seu plano. Quando a menina acabou de falar, aquela pequena multidão quase explode em palmas e alegria, pois estavam super-contentes em poder fazer voltar a cor à Arco-íris e adoraram a ideia dos Grupos Sorrisos. Organizam-se os grupos com seus responsáveis, na mesma sequência de um arco-íris, e inicia-se a chamada: 1. Mateus e Valentina, vocês do vermelho, tudo pronto? _ Estamos sim Letícia!!

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2. Gustavo e Luiza, do alaranjado, tudo ok? _ Prontíssimos!! 3. Ana Bárbara e Lucas do amarelo? _ Sempre avante!! 4. André e Beatriz, do verde? _Tudo OK!! 5. Isabela e Renato do azul? _ Todos a postos!! 6. Lorena e Flávio, do anil? _ Todos no amor!! 7. Eduardo e Vitória, do violeta? _ Podemos começar já!! Rei Felipe é chamado e quando vê os sete grupos com as crianças enfileiradas exclama: _ Belíssimo! Belíssimo!! Um arco-íris de crianças!!! Ops!! Letícia, não estaria faltando os grupos da cor branca? _ Aparentemente sim majestade, mas na realidade não! Pois cada uma das cores correrá por todos os lugares - por exemplo - um gatinho que antes das chuvas era branco, por ele passarão todas as cores, quando passar a última cor ele ficará branco, o senhor entendeu? _ Sim, isto significa que o amor se infiltrará por todos os cantinhos - tudo deverá ser lubrificado pelo amor. _ É isto mesmo, majestade. _ Então crianças, exclama Rei Felipe com toda as suas forças: “Sempre firmes! Juntos conseguiremos recolorir o nosso planeta!” A pequena multidão explode em um só coro: “Sim majestade, todos juntos e felizes!!!” Inicia-se o trabalho. Aqueles sorrisos alcançam cada milímetro de Arco-íris. O trabalho é árduo, mas os grupos são perseverantes, vão até o fim. Passado algumas horas, já avistamos muitos pontos coloridos. Alguns dias, o colorido se intensifica ainda mais. Em uma

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semana tem-se a impressão que tudo voltou ao normal. Mas ainda não está completo, falta porém a circulação das últimas cores, para termos, finalmente, o branco. Mais alguns dias... e... _ Olhem só como tudo está lindo novamente. Agora não são apenas as crianças que sorriem, mas também os adultos e até mesmo a natureza parece que sorri. As cores voltaram. Todo o nosso planeta é uma única festa!! Rei Felipe agradece o trabalho de todos, ninguém podia ser deixado de fora, pois todos foram um contributo imenso para que retornasse a alegria a Arco-íris e lembra ao povo: _ Amados cidadãos de Arco-íris, acredito que cada um de nós aprendeu uma lição. Constatamos que o amor é algo preciosíssimo, nada o substitui. Estejamos atentos, Letícia mostrou-me uma outra frase de Chiara que irá nos ajudar, para que de agora em diante vivamos sempre no amor: “Amar, amar, amar e no final do dia dizer: amei sempre.”3 Quando Rei Felipe terminou seu discurso, começou uma festança na Grande Praça com muita música, dança e doces de todos os tipos, sabores e cores...

3 Idem, ibidem.

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ADAUTO BECKHÄUSER

Nome: Adauto Beckhäuser Data Nascimento: 29 de julho de 1944 Filiação: Gabriel Carlos Beckhäuser e Maria Vieira Beckhäuser Naturalidade: Tubarão-SC Nacionalidade: Brasileiro Profissão: Advogado militante desde 1975. Funções exercidas: - Professor Adjunto IV aposentado pela Universidade Federal de Santa Catarina. - Professor Universitário do Curso de Pedagogia de Joinville, na Associação Catarinense de Ensino. - Professor Universitário da UNISUL. - Diretor de Escola Secundária da Rede Estadual. - Professor da rede estadual e particular de Ensino Médio. - Atualmente presta Assessoria Jurídica para grandes Empresas da Capital e de todo o Estado de Santa Catarina, desde o ano de 1975 até a presente data. Atuante nos Tribunais de 1º e 2º grau, na esfera Federal e Estadual. 31


- Presidente da AFABE – Associação da Família Beckhäuser no Brasil (2001 até a presente data) - Presidente da Academia de Letras de Biguaçu (Triênio 2010 – 2013) - Membro efetivo do Instituto dos Advogados de Santa Catarina. Formação – Graduação Superior: - Filosofia pela UFSC, Florianópolis-SC - Pedagogia pela FUMBA, Bagé-RS - Direito pela UFSC, Florianópolis-SC Pós-Graduação - Especialização: - Mestrado em Direito Tributário pela Universidade Federal de Santa Catarina. - Tecnologia Educacional pela Universidade Federal de Santa Catarina. - Cours de Langue Française Heures – Universite Catholique de Belgique – Institut des Langue Vivante – Belgique (Bélgica). Curso CAPES: - Português, registro de professor de 1º e 2º grau. - Desenho, registro de professor de 1º e 2º grau. Doutorado: - Doutorando “Doctorat spécial em Droit, Faculté de Droit – Université Catholique de Louvain-la-   Neuve – Belgique”. - Doutorando em Direito pela Universidade do Museu de Buenos Aires - Argentina, em convênio com a UNISUL. Trabalhos realizados: - Dissertação de Mestrado: Sistema Jurídico Estatutário X Consolidação das Leis do Trabalho. - Tese: Le Regime Juridique de Funcionaire Publique Bresilien e Belgique (Etude Comparative du    Statut    Juridique du Fonctionnaire Public Dans le Droit Bresilien et Dans le Droit Belge. 32


- Tese: A Prova no Direito Civil Brasileiro. - Publicação Livro: História da Família Beckhäuser no Brasil. - Publicação Livro: Sonho, Sonhado e Realizado. (Em português e Alemão). - 1862, A Saga da Família Beckhäuser no Brasil, desde a vida de Johann Karl Beckhäuser. (Lançamento previsto para o mês de setembro). - O Auto da Imigração Alemã - Em português e Alemão. (Lançamento previsto para o mês de setembro). - Músico - Escritor - Poeta Cadeira nº: 02 Posse: 14-05-2008 Título: Escritor / Poeta / Advogado Patrono/Patronesse: Aderbal Ramos da Silva Título: Político / Orador

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Poesias O vagar dos pensamentos O nada de um sonho,ao vagar Pelas ruas e praças, em busca de Uma solução para amenizar O rumo dos pensamentos. Procuro. Procuro e neste procurar, Nada encontro só pensamentos Revoltos pela força do vento E paro num banco da praça. O navegar nas ondas dos pensamentos Fico a deriva sem saber o rumo A ser seguido. E neste balançar Nas ondas fico e fico. Neste ficar nas ondas revoltas Pensamentos vão pensamentos vem. Neste vagar pelas ondas Procuro a melhor onda E onda maior de ficar se escapa E mais uma de menor intensidade Passa e não consigo surfar. E  fico no remanso das ondas. Neste remanso das ondas revoltas, Aguardo num balanço de lá e para cá Levado pelo vento ao encontro De uma onda suave e tranqüila. 34


Silêncio da Noite Silêncio. Silencio silenciando na noite. Navegando nas ondas do azul da noite estrelada. E no navegar sinto flutuar em lembranças Lembranças estas trazidas pelo pensamento. Pensamentos povoam pensamentos Pregados nos muros das lembranças. Neste balançar de pensamentos Fogem e fogem no simples sopro de vento. Busco e busco encontrar Pensamentos e sinto o ar A impulsionar como se pluma fosse A flutuar de um lado para outro. Neste flutuar por sobre as copas das árvores Sinto o seu balançar. Arvores estas dançando, dançando Como se bailarinas fossem. Nada. E nada povoa meus pensamentos E o ar frio da noite navega pelo corpo Enxugando o suor que do rosto escorria E o flutuar continua, continuando sem parar. E neste encontro com a natureza O corpo flutuando agora pelas relvas E lentamente passo a caminhar Num caminhar suavizado pelas as folhas caídas.

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E o vento da noite balança Balança as flores, flores estas Que quando no chão caem Beijam o chão por onde passo. O caminhar, por entre folhas e flores Que um dia o vento lá jogou Suavizando o navegar nas ondas do pensamento. Para navegar na sinfonia do silencio. Pensamentos vão, pensamentos vêm, Neste balançar nas ondas dos pensamentos Alguns se perdem impulsionados pelo vento Outros surgindo ao longe do Nada.

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A Noite Em casa passo a passo a olhar Elizabeth grávida e as duas filhas Pequenas frágeis a me olharem Pois, sentem a angustia do momento. Olho a mesa pouca coisa, antes mesa farta, Agora nem um pouco na dispensa. E vê as filhas baterem no prato E nada mesmo a oferecer. Saio da mesa e me recolho. Nada, o único alimento foi O sorriso da esposa Como forma de me dar força. Silêncio. Silêncio silenciando na noite. Navegando nas ondas do azul da noite estrelada. E no navegar sinto flutuar em lembranças, Lembranças estas trazidas pelos pensamentos. Pensamentos povoam pensamentos, Pregados nos muros das lembranças. Neste balançar de pensamentos Fogem e fogem no simples sopro de vento. Busco e busco encontrar Pensamentos, e sinto o ar A impulsionar como se pluma fosse, A flutuar de um lado para outro.

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Neste flutuar por sobre as copas das árvores Sinto o seu balançar. Árvores estas dançando, dançando Como se bailarinas fossem. Nada. E nada povoa meus pensamentos. E o ar frio da noite navega pelo corpo, Enxugando o suor que do rosto escorria. E o flutuar continua, continuando sem parar. E neste encontro com a natureza O corpo flutuando agora pelas relvas, E lentamente passo a caminhar Num caminhar suavizado pelas as folhas caídas. E o vento da noite balança, Balança as flores, flores estas Que quando no chão caem, Beijam o chão por onde passo. O caminhar, por entre folhas e flores, Que um dia o vento lá jogou, Suavizando o navegar nas ondas do pensamento, Para navegar na sinfonia do silencio. Pensamentos vão, pensamentos vêm, Neste balançar nas ondas dos pensamentos Alguns se perdem, impulsionados pelo vento, Outros surgindo ao longe do Nada.

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Da Sinfonia do Silêncio Nada e nada escuto. Neste procurar de som Encontro a sinfonia do silêncio. Que sinfonia. No som que vem das águas, No som que vem da relva, No som que vem das árvores, No som do pensamento. Balança o vento. No balançar das ondas no vento Embarco e navego, Navego na orquestra da natureza. Que encontro. Sinto o pulsar em minhas veias, Sangue este a correr pelo corpo E bater tão suave quanto à gota do orvalho ao cair. Este bater é mais suave do que O bater da folha ao cair no chão, E mais suave do que o barulho do cair Em pensamento. E a orquestra continua.

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JOAQUIM GONÇALVES DOS SANTOS

Historiador,

mestre em História, brasileiro, casado, nasceu a 27 de março de 1936, em Florianópolis-SC. Fez os estudos do primário, secundário e o superior na cidade de Florianópolis. Com a idade de 17 anos ingressou na Marinha de Guerra do Brasil, tendo lá permanecido no período de junho de 1953 até agosto de 1960, onde realizou os cursos de: Direção de Tiro, Combate a Incêndio, Operador de Cinema, Técnico em Eletricidade (eletricista naval) e Escrituras Sagradas. Após ter dado baixa do serviço militar, foi nomeado por concurso para o cargo de Escrivão de Exatoria Estadual, e depois para Exator Estadual (atual Auditor Fiscal). Está aposentado deste último cargo desde 1984. Ingressou no Magistério Público Estadual através de concurso. Professor no período de 1968 até 2002, tendo também exercido os cargos de Diretor de Colégio e Supervisor Estadual de Educação. Primeiro diretor da Casa dos Açores – Museu Etnográfico, em São Miguel, Biguaçu-SC, nos anos de 1979-80. Professor de Educação Moral e Cívica, de Organização Social e 40


Política do Brasil, de Geografia e História. Está aposentado no cargo de professor de História desde 2002. Na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC fez os cursos de: Antropologia Social, Etnologia Brasileira, Origens do Homem e Origens do Homem Americano, Licenciatura Plena em História e o Mestrado em História do Brasil. Vereador em Biguaçu por duas legislaturas: de 1973 a 1977 e reeleito até 1981, tendo sido Presidente da Câmara Municipal por dois períodos, na administração do Prefeito Dr. Lauro Locks, e depois com o Prefeito Senhor João Brasil de Azevedo. Escreveu e publicou as seguintes obras: A Freguesia de São Miguel da Terra Firme – aspectos históricos e demográficos – 17501894; Cônego Rodolfo Machado – 60 anos de sacerdócio; Martinho e Alzira – suas histórias; A Guarda Nacional em São Miguel; Cônego Rodolfo Machado – Cidadão de Biguaçu. Atualmente ocupa a Cadeira nº. 03 da Academia de Letras de Biguaçu, cujo Patrono é o Dr. Adolfo Konder. Eleito Presidente da mesma Academia para o período de 30 de junho de 2007 a 30 de junho de 2010. Está sempre à disposição dos interessados para proferir palestras em educandários, associações, clubes, entidades civis ou religiosas..., nas seguintes áreas: História do Brasil, de Santa Catarina e Biguaçu. Cadeira nº: 03 Posse: 25-06-2004 Título: Historiador / Escritor Patrono: Adolfo Konder Título: Político / Orador

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CHEGANDO AOS CENTO E OITENTA ANOS Na data de 17 de maio de 2013, Biguaçu estará completando 180 anos de sua trajetória histórica. Tudo começou em 17 de maio de 1833,quando foi instalado, solenemente, o município de São Miguel, com a posse dos primeiros vereadores, tendo por local o interior da Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo. O cidadão Thomé da Rocha Linhares assumiu a presidência da primeira Câmara Municipal de São Miguel na condição de vereador mais votado. Ao mesmo tempo tinha a responsabilidade na condução dos destinos do novo município, além de outras prerrogativas, como substituir juízes, etc. Estava iniciada a trajetória política-administrativas do município de São Miguel, com problemas que vão se acumulando , principalmente nas última décadas do século XIX, e que provocam em 1894, a mudança definitiva da sede municipal para Biguaçu. O município de São Miguel era muito extenso, tendo originado, por desmembramento, outros municípios: Camboriú, Porto Belo, Tijucas, São João Batista, Nova Trento e Biguaçu. Dos municípios desmembrados, posteriormente, foram criados outros: Balneário Camboriú, Itapema, Bombinhas, Canelinha,Major Gercino,Governador Celso Ramos e Antônio Carlos. Durante a existência do município de São Miguel, devido a constantes reformas judiciárias ocorridas na Província de Santa Catarina, principalmente na segunda metade do século XIX, a vila de São Miguel foi perdendo território ,seja como freguesia, seja como município, e, de certo modo, causou profundo estacionamento em seu desenvolvimento econômico, sofrendo também os percalços de sua dependência política. O contínuo declínio sócio-econômico da vila de São Miguel, somado com questões de saúde pública, deixou os vereadores representantes da Barra de Biguaçu, apreensivos, onde passaram a batalhar pela mudança da sede municipal para Biguaçu.

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Após um “vai e vem” de transferência da sede municipal, finalmente, os biguaçuenses, liderados por João Nicolau Born, conseguem através da Lei estadual número 183, de 22 de abril de 1894, trazer para Biguaçu a sede do Município e da Comarca definitivamente. Biguaçu durante todo o século XX lutou, desesperadamente, pelo seu desenvolvimento, no entanto, devido às constantes enchentes, não conseguiu atrair grandes indústrias. Sua população crescia lentamente com dificuldades, principalmente pela falta de empregos, onde os biguaçuenses encontraram em Florianópolis outras maneiras de ganhar o pão de cada dia; em compensação a cidade de Biguaçu recebeu o apelido de “cidade dormitório”. Agora com a aproximação dos 180 anos de existência do município de Biguaçu, devemos festejar, orgulhosamente,o salto de desenvolvimento sustentável, e de qualidade de vida dos biguaçuenses. Biguaçu cresceu e está crescendo com desenvoltura perante os municípios da Grande Florianópolis. Já ultrapassamos a casa dos 60.000 habitantes, cuja maioria da massa trabalhadora, exerce suas atividades, aqui mesmo no município. As temidas enchentes foram afastadas devido aos inúmeros canais de escoamento das águas, e que continuam sendo construídos. Os problemas de desemprego estão sendo resolvidos com a chegada de novas indústrias, onde são oferecidos cursos profissionalizantes e capacitação de mão de obra, inclusive pela municipalidade; gratuitamente estão sendo oportunizadas novas profissões, ou mesmo aperfeiçoadas as existentes. Muitos incentivos estão sendo criados para que o lavrador permaneça com sua família no meio rural. Nesta primeira década do século XXI, Biguaçu esta em evidência em todas as áreas: na saúde, na educação, nos meios de comunicação, no comércio diversificado, no meio ambiente, nos esportes, na construção civil, nas belezas naturais, nas atividades da Academia de Letras, no entusiasmo e fé de seu povo, etc.

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Biguaçu atualmente não é mais uma “cidade dormitório”. Recebemos um comunicado do Deputado estadual Reno Caramori, de “que o Gabinete da Presidência da Assembléia Legislativa, determinou a realização de coletânea de dados do Município de Biguaçu para confecção do livro : O LEGISLATIVO CATARINENSE CONTANDO A HISTÓRIA DA CIDADE”. Conforme informações da Coordenadoria de Documentação da Assembléia, “a coletânea de dados está sendo realizada e possivelmente o livro estará pronto em maio de 2013”. Também a Academia de Letras de Biguaçu prestará sua homenagem, em Sessão Solene, quando em 17 de maio de 2013 estaremos festejando os 180 anos desde o antigo município de São Miguel. Pedimos desculpas aos Confrades e Confreiras, pela ocupação de espaço que nos foi concedido, com um tema que não será do agrado de todos, no entanto, assim procedemos porque a HISTÓRIA esta no nosso sangue.

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HILTA TEODORO BENCCIVENI

Nasceu em Florianópolis, SC, no dia 21 de agosto de 1922. Formada pelo Curso de Formação de Monitores de Ação Gerontologica do Núcleo de Estados da Terceira Idade – NETI -, da Universidade Federal de Santa Catarina. Freqüentou o curso de Letras (Português e Literatura Brasileira) da mesma Universidade. Tem vários contos e poemas publicados em jornais da cidade de Florianópolis. Participa em várias antologias da Associação de Cronistas, Poetas e Contistas Catarinenses, das Academias de Letras de São José, (Cadeira 11) e Biguaçu, (Cadeira 4), do Estado de Santa Catarina e no Livro Contos do Professor da FUCAPRO. Participou da fundação da Academia Desterrense de Letras, de Florianópolis. Nascida e criada na Ilha de Santa Catarina, não esquece as suas origens e é com muito orgulho de ser manezinha que escreve, também, contos e poemas com o linguajar do povo ilhéu. Premiada com dois segundos lugares em crônica e conto no concurso da Fundação Viva Vida em 1997 e em primeiro lugar na categoria poesia e em terceiro na categoria conto, no concurso da mesma Fundação, em 1998. Cadeira nº: 04 Posse: 17-12-1997 Título: Poetisa Patrono: Altino Flores Título: Ensaista 45


A idéia que nasceu do pé Quem me lê, vai imaginar que pode ser uma idéia com pé, mas sem cabeça. Eu própria, que já venci vários desafios, mas às vezes, sou um pouco cética, não acreditei muito que ela fosse dar certo. Mas deu! E como! ... Quando passei por uma pequena cirurgia no pé direito, em agosto de 1994¸o médico me recomendou uma semana de repouso, na cama, com a perna esticada para cima. Cheguei a comprar uma almofada própria para a ocasião. A prescrição do repouso me alegrou sobremaneira! Puxa vida! Uma semana na cama, sem fazer nada, logo pra mim, que trabalhava tanto, era um maná, caído dos céus! Estava felicíssima, mas não podia demonstrar pra ninguém, pois, de acordo com a ‘ética’ e as circunstâncias do momento, eu era bem “valorizada” por estar preocupada, como todos estavam. O quarto foi todo arrumado para me proporcionar o maior conforto, com tudo ao meu alcance, sem precisar me levantar pra nada, ganhava, doces, revistas, presentes, e recebia muitas visitas... Pensaram em tudo, até num controle remoto para a televisão e numa campainha para chamar alguém, pois tinha uma pessoa permanentemente ao meu dispor e que estava atenta a todas as minhas necessidades. Era uma mordomia total! Eu não queria outra coisa! Feliz da vida, sem nenhuma preocupação, cheguei ao terceiro dia de repouso. ... Como dormia muito durante as tardes, passei a ficar acordada durante a noite, o que me deixava confusa e angustiada. De dia, já nada mais me alegrava: nem pratos apetitosos, nem doces, revistas, visitas... Tudo me aborrecia e me entediava, mas eu não demonstrava. Angustiada, comecei a pensar em coisas ruins e muito tristes.

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“E se eu não conseguir mais andar, depois de passado o período de repouso? Oito dias numa cama, vou ficar completamente “enferrujada” e sem ação nas pernas... Com a minha idade! Logo eu, que gostava de trabalhar e andar o dia todo”. Chegava a tocar varias vezes nas pernas e levantá-las mais alto, só pra ver se ainda estavam funcionando! E chorava silenciosamente, para não chamar atenção de ninguém. ... De repente, comecei a refletir um pouco e o bom senso que ainda me restava, me aconselhou que mudasse meus pensamentos, que eu era obrigada a pensar coisas boas, se quisesse dar a volta por cima. Mais animada, já comecei a fazer planos para o futuro. Foi quando, de repente, me surgiu a idéia de fazer o vestibular da UFSC, naquele ano. “Como é que posso ser tão tola e, além de tudo, tão pretensiosa? Vestibular na minha idade? Se nem tenho o segundo grau completo? Deixei de freqüentar as aulas no meio do 2° ano do segundo grau, do “Colégio Coração de Jesus”. Alto lá! Tola não. Posso muito bem fazer o supletivo à noite e, em seis meses, completar o curso!” E o vestibular não saia da minha cabeça. Não contei meus planos pra ninguém. Quem iria acreditar em mim? Na minha idade, sem segundo grau completo. Era muita pretensão da minha parte. ... Quando terminou o repouso, ainda com o pé bem dolorido calcei um tênis confortável, vesti um casaco preto bem comprido, pois estava um frio intenso, e lá fui eu, cheia de planos, fazer minha matricula no CEPU (Centro de Estudo Pré Universitário), na Rua Deodoro. Com dificuldade, subi as escadas que davam acesso ao gabinete da diretora Ana. Depois dos cumprimentos e explicar por que queria fazer minha matricula, que foi efetuada na hora, a diretora perguntou a minha idade, e

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falou que teria muito prazer em me receber no Colégio, pois o que eu queria fazer era algo muito digno de elogios. Levou-me, então, à sala dos professores e me apresentou como a mais nova aluna (e a mais velha). Foram todos muito simpáticos comigo, o que me animou bastante. Finalmente, falei para a diretora que sentia, ainda,muitas dores no pé e perguntei-lhe se podia ficar alguns dias sem freqüentar a Escola. Ela falou que sim, mas que eu devia recuperar as aulas perdidas e trazer, também, o meu currículo escolar. No dia previsto, me arrumei toda, fiz cabelo e unha e, decentemente trajada, como exigia a ocasião, lá fui eu para o Colégio. Quando a diretora Ana me viu, falou que não estava acreditando que eu tivesse realmente, a idade que tinha dado na hora da matricula, pois, naquele momento, eu aparentava apenas uns cinqüenta e seis anos e não setenta e dois. Comecei a freqüentar as aulas muito feliz, pois era paparicada por colegas de classe e professores, embora todos fossem muito, muito mesmo, mais moços do que eu. Fui confiando e aprendendo cada vez mais, fazendo as provas com muito bons resultados, aprovada sempre. Mas numa noite de aula, dois meses depois de começar o curso, fui chamada à secretaria, porque precisavam esclarecer algumas dúvidas, com referencia á minha idade. No intervalo da aula, fui correndo ver o que queriam comigo, pois tinha ficado aflita e muito curiosa. Uma das moças pediu-me que explicasse porque na hora da matrícula, falei que tinha setenta e dois anos, se agora, na minha certidão de nascimento constataram que eu tinha nascido em 1951, tendo, portanto quarenta e dois anos. Falei que aquela certidão que ela tinha na mão não era de idade, mas sim do meu casamento. Desfeito o engano e já sem nenhuma preocupação falei o seguinte:

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“_ Quando me matriculei, tinha realmente 72 anos, mas dez dias depois, quando comecei a freqüentar as aulas, a diretora achou que, pela minha aparência, eu estava com 56 anos, e agora, vocês vêem me dizer que eu tenho 42 anos, cheguei a conclusão que se vocês continuarem a diminuir a minha idade eu saio daqui para um “Baile de Debutante”. Foi uma risada geral. Naquele ano mesmo, conclui o Curso no CEPU, fiz o vestibular na Universidade Federal de Santa Catarina e fui aprovada para o Curso de Letras (Português e Literatura Brasileira). Estava com 72 anos de idade. Como podemos ver, foi uma idéia que nasceu do pé, mas teve cabeça.

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EGÍDIO MARTORANO FILHO

1-Especialista em: - Cirugia Geral pelo Serviço do Hospital da Lagoa – RJ - Cirurgia Geral pelo MEC e Inst. De Pós Grad. Médica Carlos Chagas - Cirurgia Plástica pelo Serviço do Prof. Ivo Pitanguy – RJ - Cirurgia Plástica pela Pontifica Universidade Católica (PUC) – RJ - Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica 2-Membro: - Tiitular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Da Sociedade Brasileira de Cirurgia a Laser - Da Sociedade Brasileira de Videocirurgia - Do Colégio Internacional de Cirurgiões - Do Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Da Associação dos ex-alunos do Prof. Ivo Pitanguy 3-Prêmios: - Cidadão Honorário de Florianópolis Concedido pela Câmara Municipal de Florianópolis (SC) 50


- Supercap de Ouro / São Paulo (SP) - Comenda Colar Gran Cruz Louis Pasteur / Brasília (DF) - Os Melhores do Mercosul 99 / Porto Alegre (RS) Como cirurgião plástico do ano. Promovido pela associação dos empresários do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina - Prêmio Científico International “Spirit of Interprise” / Genebra (Suíça) - Diploma de Honra Como Convidado Estrangeiro do XVI International Cuban Medical Association Congress em Exile – Miami Beach – Flórida (USA) - Qualidade Brasil “Clínica Egídio Martorano” Em sua XXVI Edição, por apresentar serviço de excelência da qualidade – Rio de Janeiro (RJ) - Cruz do Mérito Cívico e Cultural Comenda inserida pela sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística – Ministério da Educação e Cultura (SP) - Ambassador of Arkansas Título concedido pelo Governador de Arkansas (Little Rock/EUA) - Comenda Colar Gran Cruz Louis Pasteur-Brasilia-DF - Cirurgião Senior de honra do “Cuban Medical Association in Exile”. Miami-Flórida-EUA 4-Histórico: Nasceu em São Joaquim, Santa Catarina. Foi para Florianópolis quando seu pai, Egídio Martorano Neto, elegeu-se deputado Estadual. Seguindo os passos do pai, cirurgião geral, formou-se em Medicina e optou pelos delicados caminhos da cirurgia. Foram três anos de especialização em cirurgia geral, no Hospital da Lagoa, Rio de Janeiro. Ingressou no serviço do Professor Ivo Pitanguy. Já no primeiro ano de residência foi pinçado de Santa Catarina de Misericórdia, em escolha pessoal de Ivo Pitanguy, para trabalhar na clínica particular do

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conceituado mestre. Então, como residente, atendeu consultas junto à seleta clientela e realizou cirurgias. A responsabilidade aumentava a cada dia e, ainda, foi escolhido como chefe dos residentes. Egídio Martorano Filho permaneceu por oito anos no Rio de Janeiro. Foi um importante período de aprendizado e aperfeiçoamentos que o qualificaram para retornar a terra natal. A nova técnica o levou a treinar equipes, como a do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e das Euroclínicas, em Portugal. Em seguida instalou o primeiro Centro de Vídeo Cirurgia de SC, junto com colegas de outras especialidades, onde realizaram cirurgias de rejuvenescimento facial e implante mamário pela axila. O domínio desse método o conduziu a realizar demonstrações e palestras no País criador da técnica, no Hospital Mount Senai nos Estados Unidos. Ainda operou por dois anos na Alemanha, em Berlim e Kiel, com a equipe do cirurgião Voler Buck. Egídio Martorano Filho, dentre tantos prêmios em sua carreira, destaca o “Spirit os Interprise”, criado pela fábrica de relógio Rolex na categoria ciência, recebido em Genebra na Suiça. Também o “Award of Honor” oferecido pela Cuban Medical Association in Exile, em Miami na Flórida e “Os Melhores do Mercosul” recebido em Porto Alegre.

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A BELEZA A beleza: É o somatório de todas as partes a trabalharem em conjunto de tal forma que nada necessite ser acrescentado, retirado ou alterado. Carlotti, pintor Italiano. A beleza é uma experiência, um processo cognitivo ou mental, ou ainda espiritual, relacionado a percepção de elementos que agradam de forma singular aquele que a experimenta.Suas formas são inúmeras, e a ciência ainda tenta dar uma explicação para o processo. O conceito é humano, mas suas expressões são próprias da natureza, pois em parte está assentado sobre diretrizes biológicas que são ativas em inúmeras espécies superiores de seres vivos, como por exemplo,as aves e os mamíferos.Através deste aspectos , a beleza pode ser compreendida como elemento importante no processo evolutivo das espécies em questão. Até então, a beleza pode ser mensurável, já que está subordinada a padrões específicos. Mas no universo humano, ela não se resume a isso. Há evidencias de que a preferência por rostos bonitos surge no inicio do nascimento de NATÁLIA MENIN, Deusa da beleza e dos encantos naturais da terra. Os padrões de atratividade são similares aos diferentes sexos e culturas. A simetria é também importante,pois ela sugere a ausência dos defeitos adquiridos ou genéticos. Tipo de Beleza. Beleza universal e cientifica: Os Gregos descobriram o “número de ouro”, uma relação de proporções que obedece a uma escala constante e perfeita para a harmonia. Na cultura Grega e Romana, e consequentemente na Ocidental pós Helênica, houve a constante aplicação destes padrões numéricos no renascentismo, uma era racionalista, e ainda hoje é fartamente aplicado na indústria do desing de produtos, artes plásticas,arquitetura, etc... 53


Relaciona-se desta forma, a harmonia como elemento de composição do real. Beleza Singular: A beleza Grega e Romana, a beleza matemática e cientifica são derivadas de um universalismo asséptico e puro,não contaminado com a eventualidade, de certa forma. Giulio Carlo Argan segregou e caracterizou como clássico na acepção Aganiana, em contrapartida criou a definição anticlássico, para designar tudo aquilo que seria belo em determinado momento, para uma minoria especifica. Já os quadros abstrato de Kandinski ou Miró não guardam nenhuma relação matemática e portanto, não podem ser medidos pelos critérios iniciais. Beleza Platônica e Religiosa: Para a filosofia, a beleza advém da pureza do raciocínio, da surpresa e da consistência dos axiomas. Raramente está relacionado a aparência superficial.Para os religiosos verdadeira beleza está na conduta do individuo para um plano sagrado em detrimento do mundo físico. Beleza Simbólica: Há desdobramentos e transformações a respeito do belo em toda a história da humanidade, trazendo muitas vezes elementos cômicos como as (gordinhas de renascença e a Venus de Cuillendorf, por exemplo... ou as anoréxicas comteporâneas) que comprovam a subordinação de todos os conceitos de beleza as sociedades que os geram, variando temporalmente, racialmente, socialmente e geograficamente.E muitos outros que o tornan volátil e instável para o critério humano. Beleza Humana: Entram aqui inúmeros fatores que normalmente não se aplicam a objetos e eventos. A beleza é um conceito social, e frequentemente 54


é resultado da intercecção de diversos fatores biológicos, sociais, climáticos, ambientais e históricos. Outros critérios importantes para a beleza humana é a simetria. Os rostos simétricos tendem a ser considerados mais belos.Além disso, mescla-se ao conceito de beleza corporal humana a sexualidade, quando a referencia é o corpo físico( e não a beleza interior).Nesse caso a presença de caracteres sexuais secundários mais marcantes elevam o nível de beleza.

Referências: 1.Rhodes, G..(2006).”The evolutionary psychology of facial beauty”. Annual Review of Psychology 57:199 a 226. 2.Phaedrus 3.Nicomachian Ethics 4.An inquiry inho the original of our ideas andvirtue; in two treatises.

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ZELKA DE CASTRO SEPETIBA

Filha de José Pereira de Castro e Maria das Neves Moreira de Castro. Nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de janeiro de 1943. Curso Primário: “Escola Primária D. Ida Schmidt” em Lages, 1951-1954. Curso Secundário: Científico no Colégio Diocesano de Lages, 1959-1961. Em 1963 prestou vestibular para Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Faculdade Santa Úrsula. Cursou o 1° e 2° anos na Faculdade Santa Úrsula, tendo cursado o 3° e 4° anos na Universidade Federal de Santa Catarina. Concluiu o Curso em 10/12/1967. Curso Superior: Licenciatura Plena em Letras; Português – Inglês – Literaturas Brasileira e Portuguesa; Inglês – Literaturas Inglesa e Americana. – Mestre em Lingüística Aplicada pela Universidade Federal de Santa Catarina, 1982-1985. – Tese: “Uma Introdução à Análise Semiótica – Prática”, 1985. Professora Concursada no Instituto Estadual de Educação, 1969 (onde lecionou Português e Inglês). – Professora Titular da Faculdade 56


de Educação pela Universidade do Estado de Santa Catarina, 1975-1995, lecionando Língua Portuguesa, Literaturas Brasileira, Portuguesa, Catarinense, Português Instrumental, nos Cursos de Pedagogia, Biblioteconomia, História e Geografia. – No Curso de Educação Artística da Universidade do Estado de Santa Catarina, lecionou Língua Portuguesa, Fundamentos de Expressão Humana e Comunicação – FECH, 1978-1984. – Professora de Língua Portuguesa na Academia de Polícia Militar, no Curso de Formação de Oficiais – 1º CFO, 1987-1992, convênio com a Universidade do Estado de Santa Catarina. – Professora de Teoria e Prática de Redação no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar – 2° ano, convênio com a Universidade do Estado de Santa Catarina. – Participou de diversas Bancas para Seleção de Professores na Universidade do Estado de Santa Catarina – Faculdade de Educação. – Participou da Elaboração de Provas do Vestibular da Associação Catarinense das Fundações Educacionais, 1978-1984, e da Universidade do Estado de Santa Catarina, 1992-1995. – Como Jurada participou de Concursos Estaduais para escolha de melhor Conto e melhor Crônica. - É membro da Academia de Letras de Biguaçu (Cadeira n” 6), cujo patrono é Antonieta de Barros e da Academia de Letras de Palhoça. Cadeira nº: 06 Posse: 18-12-1996 Título: Não informado Patronesse: Antonieta de Barros Título: Educadora / Política

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Paz Pelos jovens desesperançados, angustiados, drogados, eu busco a paz Pelas crianças abandonadas, violentadas, assassinadas, eu busco a paz Pelos homens injustiçados, miseráveis, famintos, eu busco a paz Pelos pequeninos que não viveram pela negligência, eu busco a paz Pelas mães que choram os âíhos-assassínados, eu busco a paz Por todas as vitimas da injustiça social, eu busco a paz Pelos governantes interesseiros, insensíveis, corruptos, eu clamo justiça. Saudade Matei a saudade Do meu coração E desde então A felicidade Viaja, passeia E ainda receia Se aproxima Saudade Vida vida vivida florida sofrida contida lida ida 58


RUDI OSCAR BECKHÄUSER

Nome: Rudi Oscar Beckhauser Nacionalidade : Brasileira Profissão : Professor de Acordeon, Advogado e Corretor de Imóveis, desde 1959 trabalha com imóveis ( compra, venda, incorporações, loteamentos e comércio de imóveis). Atualmente é o presidente do Grupo Ruma ( imóveis) composto de 12 empresas, todas com sede na Avenida Duque de Caxias, 9999 – Ubatuba – São Francisco do Sul, fone (47) 3442 3000, que foi fundado em 1959. Graduação: Direito – Faculdade de Direito de Curitiba, formado em 1965 e inscrito na OAB/PR sob nº 3703 em janeiro de 1966. Componente da criação do CRECI no PR ( conselho regional dos corretores de imóveis) inscrição no mesmo sob nº 252. Atividades profissionais:Em 1950/51, foi morar em Blumenau e trabalhou como jornaleiro vendendo a revista Ave-Maria, nas imediações da Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo hoje Catedral. 1951/3 estudou acordeon com seu Pai e Mestre Oscar Bernardo 59


Beckhauser e ajudou-o a ensinar acordeon,para alunos, nas cidades de Blumenau,Gaspar e Brusque. 1954, fundou a Academia de Acordeon Rudi Beckhauser, registrada e reconhecida pela Secretaria de Educação e Cultura de Santa Catarina, com matriz em Blumenau e filiais em Santa Catarina e Paraná nas cidades de: Chapecó, Joinville, Brusque, Rio do Sul, Itajaí, Tubarão em Santa Catarina e Curitiba-PR, sendo que milhares de alunos estudaram na Academia Rudi Beckhauser. Publicação de Livros: Em 1955, Publicou método de Acordeon Beckhauser, ( 1º volume )para os dois sistemas de Acordoen apianado e cromático, sendo o único em toda a América Latina para os dois sistemas de Acordeon, editado por Irmãos Vitale, sob nº 176/M, São Paulo, com duas edições num único ano. 2 Em 1956 publicou método de Acordeon Beckhauser, ( 2º volume ) para os dois sistemas de Acordoen apianado e cromático, sendo o único em toda a América Latina para os dois sistemas de Acordeon, editado por Irmão Vitale, sob nº 177/M, São Paulo. Em 1957, publicou método de Acordeon Beckhauser ( 3º volume )para os dois sistemas de Acordoen apianado e cromático, sendo o único em toda a América Latina para os dois sistemas de Acordeon, editado por Irmão Vitale, sob nº 178/M, São Paulo Em 1958, publicou método “Júnior” para Pianola, elaborado especialmente para as crianças, editado pela Fermata do Brasil, sob nº FB – 1.400, São Paulo O instrumento pianola foi invenção do Professor Rudi Beckhauser, e hoje pode se dizer que foi o pré-cursor do ( “Teclado Eletrônico” ), e foram doados todos os direitos de autoria à “Fabrica de Gaitas Alfredo Hering S.A”, com a marca Pianola Hering. 56 composições musicais próprias que foram editadas, durante os anos de 1954 até 1959, pelas editoras Fermata do Brasil e Irmãos Vitale – São Paulo

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Mais de 200 arranjos musicais de musicas de outros autores, também editados durante os anos de 1954 até 1959, pelas editoras Fermata do Brasil e Irmãos Vitalle – São Paulo Participação na elaboração do livro da História da Família Beckhauser no Brasil. Lançado em 26-11-06,sendo impresso na Nova Letra,Gráfica e Editora,em Blumenau SC. Na internet através do Google consta na Fundação Biblioteca Nacional, catálogo de Partituras (Pop: 27606), do Rio de Janeiro as publicações dos métodos de acordeon e pianola, em 2003. A história do acordeon quando for contada ou pesquisada no sul do Brasil , passa necessariamente pelo Professor Rudi Beckhauser. 3 Títulos Eméritos: 1955 Diploma de Prof. de Acordeon pelo Conservatório Rossini de Porto Alegre- RS. 1958 Diploma de Mestre pelo Conservatório Rossini de Porto Alegre - RS. 1958 Diploma de Prof. do Academia Hoener de Buenos Aires Argentina. 1978 Título de Labor -Turismo da cidade de São Francisco do Sul. 1988 Comenda Medalha de Mérito Cívico pela Sociedade Nacional Cívico de Curitiba. 1990 Medalha de Honra ao Mérito pela Sociedade Nacional do Mérito Cívico de Curitiba. 1987 Título Amigos de Lajes. 1997 CNEC Prêmio de Cenecista de Rio Negrinho. 1997 Amigo da Praia de Capri. 1978 Fotografia de Capri. 1986 Título de Grande Herói-Bravo de Curitiba 1965 Idealizador e Fundador do Capri Iate Clube. 1965 Idealizador e Fundador de Marinas Capri, 1ª marina legalizada no Brasil.

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Co-fundador dos bairros Capri Cidade Balneária e Sandra Regina. 2008 Diploma de Acadêmico, empossado no dia 26 de julho de 2008, cadeira nº 12 da Academia de Letras do Brasil – SC. No mesmo dia também foi eleito e empossado como Presidente da ALB/SC Municipal de São Francisco do Sul. Academia de Letras de Governador Celso Academia de Letras do Brasil Presidente Municipal da ALB/SC Atualmente Rudi Oscar Beckhauser é Vice-presidente da Associação da Família Beckhauser no Brasil – AFABE. Participou efetivamente em todos os encontros da Família Beckhauser, inclusive com o lançamento do livro da Família na cidade de São Francisco do Sul em setembro de 2007. Capri - São Francisco do Sul, 15 de agosto de 2008. Cadeira nº: 07 Posse: 20-09-2008 Título: Advogado / Empresário / Escritor / Músico e Compositor Patrono/Patronesse: Luiz Delfino dos Santos Título: Poeta

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ACADEMIA DE ACORDEON RUDI BECKHAUSER Caros confrades e confreiras, como sou musicista (acordeonista e gaiteiro) e por esta razão sou membro desta academia, resolvi participar desta antologia 2012, mostrando um pouquinho das minhas composições havidas em mais de meio século. Na época o instrumento acordeon estava no auge no Brasil, e eu dei aminha participação em Santa Catarina, durante alguns anos para divulgação e incentivo, principalmente às camadas jovens, para o desenvolvimento do acordeon. Rudi Oscar Beckhauser

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GABRIELLE BECKHÄUSER

Informações pessoais - Estado civil: divorciada - Nacionalidade: Brasileira - Idade: 32 - Naturalidade: Florianópolis – Santa Catarina Formação - Formada em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. (2001.2) – Habilitação Direito Empresarial - Pós-graduanda Latu senso em Direito Processual Civil – Universidade Anhanguera - UNIDERP - Curso de Mediação Arbitragem – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2001) - Curso de Direito Ambiental – Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2002) - Congresso dos Centros Acadêmicos de Direito de Santa Catarina (2006) - Simpósio de Direito Bancário – OAB/SC (2007) - Curso de Aprimoramento Jurídico – Escola Superior Advocacia OAB/SC (2005/2006/2007) - Palestras Proferidas: “Advocacia- o início da carreira”, promovida 68


pela Coordenação do Curso de Direito da Unisul (2004) ; Debatedora na palestra “Duração Razoável do Processo”, organizada pela OAB/ SC(2005), “Aspectos Práticos da Justiça do Trabalho” para o Curso de Preparação Prática para a Advocacia da OAB/SC(2006). Experiência Profissional - Estagiária de Direito no Escritório Beckhäuser Advocacia e Consultoria Jurídica (1997 – 2001). - Advogada – Sócia – Escritório Beckhäuser Advocacia e Consultoria Jurídica (2002 até a presente data). Informações Adicionais - Membro da Comissão de Assuntos Judiciários da OAB/SC (2003). - Defensora Dativa em Processo Ético-disciplinares da OAB/SC (2003). - Presidente da Comissão do Jovem Advogado da OAB/SC (triênio 2004/2006 e anos de 2007/2008). - Vice-presidente da Comissão de Assuntos Judiciários da OAB/SC( triênio 2004/2006). - Membro da 1a. Comissão de Admissibilidade e Instrução de Processos Ético-Disciplinares da OAB/SC (triênio 2004/2006). - Secretária da Comissão de Apoio ao Advogado Iniciante do Conselho Federal da OAB (triênio 2004/2006). - Secretária da Comissão de Apoio ao Advogado em Início de Carreira do Conselho Federal da OAB (triênio 2007/2009). - Coordenadora-adjunta da Coordenadoria das Comissões da OAB/ SC(triênio 2007/2009). - Conselheira Efetiva eleita para o triênio 2010/2012 da OAB/SC. Cadeira nº: 08 Posse: 20/09/2011 Título: Advogada Patrono: João da Cruz e Souza Título: Poeta

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PROCESSO ELETRÔNICO O processo eletrônico afetou intensamente a forma de atuação dos advogados. Como é comum em toda mudança, houve muitas dúvidas, desconfianças e resistência. Foi necessário um período razoável de adaptação. Foi em observância ao princípio da duração razoável do processo, que se procurou no processo eletrônico um meio de se atingir o objetivo de maior celeridade na administração da Justiça. Em princípio, pode-se imaginar que o processo eletrônico contribui positivamente para uma maior publicidade das informações entre as partes e advogados, agilidade de comunicação dos atos processuais e facilidade em atos rotineiros dos cartórios, tais como, atos ordinatórios, despachos de mero expediente, juntada de petições e movimentações dos autos em geral. Contudo, vislumbro que a questão mais complexa e de difícil resolução é a dos excluídos do mundo digital, seja por não acompanhar a evolução digital que ocorre ou por razões de ordem econômica. Por tal razão que a Ordem dos Advogados da Seccional de Santa Catarina, além de ministrar cursos e palestras por todo o Estado desde o advento da Lei. 11.419/2006, paramentou todas as suas salas em fóruns com as ferramentas indispensáveis ao advogado para peticionar eletronicamente. Portanto, vejamos que em nosso Estado a maior barreira ao processo eletrônico no Brasil foi ultrapassada pela OAB, ao colocar à disposição dos advogados a informação e o acesso as ferramentas necessárias a integração ao processo digital. Ademais, os Tribunais catarinenses de igual forma, cautelosos e coerentes, estão gradativamente implantando a alteração ao processo eletrônico, de modo a não impedir o advogado menos ajustado ao mundo virtual de exercer sua atividade profissional, proporcionando o lapso temporal necessário à adaptação por completo do advogado ao processo eletrônico. 70


Primeiro os advogados foram convencidos da segurança do sistema. Depois veio a necessidade de adquirir a certificação digital – uma assinatura eletrônica necessária para ter acesso aos autos virtuais e ajuizar petições eletrônicas, situação que ainda não foi integrada por completo ao cotidiano do advogado catarinense que peticiona eletronicamente, posto que na Justiça Federal e Justiça do Trabalho o sistema ainda é de credenciamento do advogado diretamente no fórum. Superado o impacto inicial, hoje os advogados celebram as vantagens da inovação, com o passar do tempo, a utilização do processo eletrônico se revela como um instrumento extremamente eficaz e eficiente, pois amplia a possibilidade de trabalho na medida em que os prazos se ampliam, já que os prazos que no processo físico findavam dezenove horas, hoje vão até vinte e três horas e cinqüenta e nove minutos.  O processo eletrônico melhorou a relação de com os clientes, posto que agora o advogado pode de forma transparente e cômoda ao cliente, mostrar tudo o que acontece com o caso, inclusive as petições da parte contrária. A perda do contato físico com os autos será superado de forma gradual, em razão das enormes facilidades da nova ferramenta, em especial o transporte, arquivamento, acesso remoto aos autos e a agilidade na tramitação.  Em suma, é uma realidade que deve ser enfrentada pelo advogado ainda não adaptado de forma mais breve possível, sob pena de se ver impedido de exercer seu múnus.

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JOSÉ BRAZ DA SILVEIRA

JOSÉ BRAZ DA SILVEIRA Rua: João Pessoa, 138, Sala 04. CEP: 88.160-000 - Biguaçu-SC Telefones: (48) 3243-4828, (48) 9972-1823. Data de Nascimento: 02 de outubro de 1959. E-mail: jbraz.adv@gmail.com FORMAÇÃO ACADÊMICA: Advogado com Mestrado em Ciências Jurídicas. • UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí Curso: Direito – Cunclusão: Em 11 de dezembro de 1998 • UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina Curso: Especialização em Políticas Públicas - Conclusão: Em 29/03/2001. • UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí. Curso: Mestrado em Ciências Jurídicas - Conclusão: Em 27/10/2003.

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EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL: ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA: Advogado militante, com escritório próprio desde 1999. Ocupou o cargo de Consultor Jurídico da Secretaria de Estado da Administração de 2003 a 2006, Gerente de Captação de Recursos da Secretaria de Justiça e Cidadania de 1999 a 2 002, Diretor Administrativo e Financeiro da Junta Comercial do Estado de 1995 a 1998, Vereador em Biguaçu em três legislaturas e Professor Colaborador da Univali, três anos. OBRAS PUBLICADAS: - SILVEIRA, José Braz da, A Proteção a Testemunha e o Crime Organizado no Brasil, Editora Juruá, Curitiba - PR, 2004. - SILVEIRA, José Braz da, ARBRITAGEM nas Locações de Imóveis Urbanos, Editora Letras Contemporâneas - Florianópolis - SC, 2001. - SILVEIRA, José Braz da, e Outros, CRÔNICAS DE ADVOGADOS, Editora da OAB/SC - Florianópolis - SC, 2001. - SILVEIRA, José Braz da, (Organizador), Talentos da Arte de Biguaçu, Editora Secco, Florianópolis - SC, 2008. • Participação em diversos Concursos Literários e Coletâneas de Contos e Crônicas Publicados por Academias de Letras e Instituições Culturais. Cadeira nº: 09 Posse: 25-06-2004 Título: Escritor / Advogado Patrono/Patronesse: Elpídio Barbosa Título: Educador / Escritor

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O PORQUINHO DA SORTE José Braz da Silveira4 Estava com a idade de quatorze ou quinze anos, quando reuni minhas economias, quarenta contos e resolvi comprar um leitão. Soube que a porca do meu tio havia criado há alguns dias e fui lá cheio de planos para fazer uma proposta de compra. Cheguei à casa do Tio Dino, disposto a fazer negócio e ele, de imediato, me levou até o curral. A porca estava deitada e os seus doze filhotes mamavam faceiros, esfregando os seus focinhos nas mamas. Notei que alguns eram mais viçosos e outros nem tanto. Um deles era bem mirradinho, que parecia estar doente. Meu tio, muito atencioso, foi me explicando que essa disparidade de tamanho acontece, porque as mamas não produzem a mesma quantidade de leite e os leitões não as trocam de jeito nenhum. Aquele mirradinho, coitado, chegou atrasado na primeira mamada e acabou ficando com a mama menos produtiva. Outra curiosidade que meu tio me falou foi que as porcas criadeiras somente acolhem os filhotes em número equivalente as suas mamas. Caso nasçam mais filhotes do que as suas tetas, elas os matam logo após o nascimento, sem o menor remorso. Prevalece a lei do mais forte ou do mais rápido. Garantiu a sua teta, está salvo, mas aquele que chegar atrasado, não tem perdão. E é muito comum isso acontecer. 4 José Braz da Silveira: Advogado, Mestre em Ciências Jurídicas pela UNIVALI e Especialista em Políticas Públicas pela UDESC. Associado a AACRIMESC – Associação dos Advogados Criminalistas de Santa Catarina. Foi Secretário Municipal de Educação em 2009 quando implantou o Programa Educação Cidadã. Ocupou diversos cargos de consultoria e gerência no Governo do Estado de Santa Catarina. Tem dez livros publicados, seis em coautoria. Diretor Cultural da Rádio Biguaçu FM e Presidente da FEMARCOM. Membro da Academia de Letras de Biguaçu e de Governador Celso Ramos. Premiado em diversos concursos literários. Inconformado com as mazelas da política, mas consciente de que os homens de bem não podem se omitir, vem dando sua contribuição também nesse campo. Vereador de Biguaçu nas Legislaturas de 1989/92, 1993/96 e 2009/12, José Braz da Silveira tem apresentado importantes Projetos na Câmara Municipal.

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Fiquei impressionado com a informação contada em detalhes pelo meu tio, mas tive que me conformar, pois é o instinto da natureza. Pior do que isto é a trágica sina do louva-a-deus, que via de regra, é devorado pela fêmea logo após o ato sexual. O louva-a-deus macho passa horas esperando uma oportunidade de atacar a fêmea por trás, de surpresa. Mesmo assim, ao terminar o ato sexual, vai precisar de muita sorte e destreza, caso contrário, será literalmente devorado. Já pensou? O mundo animal tem muitas curiosidades. O cachorro, por exemplo, é conhecido como o melhor amigo do homem. Do homem não, do seu dono, pois como se sabe, o cachorro pode atacar qualquer pessoa sem dó nem piedade para defender o seu dono. Já o gato costuma se apegar mais à casa do que às pessoas. Experimente mudar de endereço deixando lá o seu gato e verás que ele vai preferir ficar na casa com os seus novos moradores. A preguiça, o próprio nome diz tudo. A tartaruga que vive até quatrocentos anos, depois de adulta volta ano a ano para desovar na mesma praia em que nasceu. Têm animais extremamente fieis e outros nem tanto. Os gansos, quando acasalam, permanecem fieis um ao outro, até que a morte os separe. O albatroz, assim como o ganso, pratica a monogamia. O falcão e a águia, pela perspicácia e astúcia, servem de inspiração para palestrantes, citados como heróis em suas mensagens motivacionais, além de figurar nos brasões de diversos países mundo afora. Já as galinhas coitadas, são conhecidas como as mais infiéis. Mas a culpa não é delas. A culpa é dos seus donos que insistem em criar inúmeras galinhas mantendo um único galo no terreiro. Por isso, eu digo que as galinhas não podem ser consideradas culpadas por essa fama tão injusta. Se elas fossem mais unidas, já tinham mudado essa realidade. Mas, vamos voltar ao porco, o nosso personagem principal. Sabendo que aquela ninhada já estava no tempo do desmame, perguntei ao meu tio o preço do bicho e ele me respondeu com firmeza: oitenta contos os mais bonitos e sessenta os outros. Com apenas quarenta paus

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no bolso nem me arrisquei a fazer uma oferta, mesmo porque aquele mirradinho eu não tinha interesse. Fiz um elogio para as instalações e para a criação do meu tio que além dos porcos criava gado, perus e galinhas e já ia me despedindo, quando ele me perguntou. _ Mas, você não veio aqui para comprar um porco? _Pois é tio, mas eu só tenho quarenta contos. Achei que o leitão estava mais barato. Ele me olhou sério e apontando para a ninhada, me fez uma proposta irrecusável. _Tirando aqueles quatro maiores, podes escolher qualquer um que eu te faço por quarenta. Não pensei duas vezes. Levei a mão direita na perna traseira do bicho e com a esquerda abri a boca do saco de linhagem, mergulhando o porco literalmente. Entreguei ao meu tio o dinheiro e saí feliz da vida em direção a minha casa. Meu pai tinha decidido reduzir o número de vacas leiteiras e o estábulo já estava meio ocioso. Chegamos a ter mais de dez vacas em lactação, mas naquele momento, só tínhamos duas. Improvisei um curral no canto do estábulo e instalei lá o meu porquinho. Passei a cuidar daquele animal com todo carinho e dedicação, tratando-o com produtos da própria lavoura. Além da lavagem de farinha de mandioca, enriquecia a alimentação do bichinho com milho, batata doce, aipim, verduras e sobras de comida. Em pouco tempo, aquele leitão se transformou num bicho de mais de cem quilos. Pelas contas que fiz, o animal teve um ganho de peso de quase um quilo por dia. O tamanho do bicho passou a ser um problema. Aquelas frágeis instalações já não estavam comportando um bicho tão grande. Em uma ocasião, o porco chegou a fugir do curral. Foi um trabalho danado para convencer o animal a voltar ao chiqueiro. A fome do bicho foi minha aliada e finalmente consegui trazê-lo de volta. Foi duro, mas depois de muito relutar, concordei com o meu

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pai que o porco teria que ser vendido para o abate. Meu primo que trabalhava como feirante, comercializando hortaliças produzidas em Antônio Carlos, nos restaurantes de Florianópolis, me fez uma proposta de compra. Vendi o porco por 200 (duzentos) paus, à vista. Não lembro se a moeda da época era o cruzeiro, o cruzado ou cruzados novos. Real não era, pois a moeda atual veio apenas em primeiro de julho 1994, na esteira do Plano Real. Seria muito fácil pesquisar e saber com certeza qual era a moeda adotada no Brasil naquela época, mas faço isso de propósito, pois na minha adolescência chamávamos o dinheiro de “contos” ou de “paus” e quem tiver a curiosidade de saber o certo é só procurar. Mas a história do porco não termina por aí. No dia em que me foi pago o porco, resolvi passar na venda da comunidade para conversar com os amigos. Lá se praticava jogos de azar. No entardecer, a rapaziada da redondeza costumava passar por lá para jogar pife. Tinha uma mesa de sinuca e duas ou três mesas com baralho e dominó. Rolava pouco dinheiro, mas sempre tinha uns trocados nas mesas. Com 200 pratas no bolso, imaginei que poderia dobrar aquela quantia se tivesse no meu dia de sorte. Comecei a jogar por volta das 19h00min e lá pela madrugada, fui obrigado a abandonar a mesa de jogos, pois tinha torrado até o meu último centavo. Saí em direção a minha casa, arrasado. Cheguei e felizmente os meus pais já estavam dormindo e não se acordaram. Subi as escadas, pé por pé, para não fazer barulho. Minha cama ficava no sótão, onde também dormiam os meus dois irmãos menores. Deitei, mas não consegui dormir, nem naquela e nem nas duas noites seguintes. Foi horrível. Jamais me senti tão derrotado. A dor maior foi ter que mentir, quando minha mãe me perguntou em que eu estava pensando em investir o dinheiro da vendo do porco. Dei uma resposta qualquer e ela nada mais perguntou. Tenho a impressão, quase certeza, de que ela já sabia do ocorrido, mas resolveu mudar de conversa para não aumentar ainda mais o meu sofrimento.

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Era bastante comum naquela época, a prática dos jogos de azar nas bodegas de todo o Município de Antônio Carlos. Vez por outra, apareciam pessoas da cidade, fingindo estar à procura de algum morador da localidade, mas sentavam-se às mesas de jogos e aos poucos faziam a limpa na rapaziada. Meu pai já havia me alertado várias vezes. “O jogo não dá camisa para ninguém”. Essa era a frase que ele usava sempre que me surpreendia numa mesa de jogos. Sábias palavras que eu jamais me esqueci. Ele tinha toda razão. Não só em relação aos jogos de azar, mas em diversas coisas que me ensinou. Agora que tinha levado um grande tombo, eu estava entendendo o que o meu pai sempre quis me dizer. Ainda abalado com a derrota sofrida, fui à missa no domingo seguinte, disposto a conversar francamente com Deus. Em Antônio Carlos, participar de uma missa por semana, era e ainda é um compromisso certo. Entrei na igreja e antes mesmo de começar a missa, fechei os olhos e fiz um pedido a Deus. Que nunca mais tivesse coragem de sentar numa mesa de jogos. Foi um santo remédio. Até hoje, quando vejo cartas na mesa com um bolo de dinheiro ao centro, viro as costas e saio de fininho. Encaro no máximo um dominó, mesmo assim, sem dinheiro na parada. Quando vejo falar de pessoas conhecidas que tiveram grandes prejuízos em bingos ou outros jogos de azar, lembro-me do meu porquinho. Mas como aquele episódio serviu para me livrar definitivamente desse terrível mundo do vício, costumo dizer que ele foi o meu porquinho da sorte.

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JANICE MARÉS VOLPATO

Nasceu em Mafra SC, dia 23 de maio de 1953. Graduada em “Biblioteconomia” Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Especialista em “Metodologias de Atendimento da Criança e do Adolescente em Situação de Risco” UDESC. Parapsicóloga Clínica do Sistema Grisa. Membro da Academia de Letras de Biguaçu, cad. 10, da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, cad. 09, e da Associação dos Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis. Colunista do “Jornal Fique Esperto” São José. Em 1995 Idealizou e foi mentora do curso de Parapsicologia Científica para Crianças e Adolescentes. Publicações: Participação na III Jornada Acadêmica de Produção Científica sobre Criança e Adolescente – UDESC - artigo: “Parapsicologia Sistêmica: na prevenção e intervenção contra dependência química e agressividade”. Editora Cidade Futura. 2002 – “I Jornada Acadêmica de Produção Científica sobre Crianças e Adolescentes” – UDESC – “Educação Parapsicológica para Crianças e adolescentes”. Resumo, Editora Cidade Futura. Em 2006 artigo em co autoria com Araci de Fátima Bernardi: “Biblioteca Pública Professora 79


Alice Maria Roque”. 2006, Monografia: “A Parapsicologia Sistema Grisa como alternativa de Intervenção para prevenção ao uso de drogas, à criminalidade e a dificuldades de aprendizado”. Participação em Antologias: “Encontros da Primavera” 2007 da Academia de Letras de Governador Celso Ramos. “Trajetória” 2008 da Academia de Letras de Biguaçu. “Alvorada de Inverno” 2009 e “Tijucas de todos os encantos” 2110 da Ass. Escritores dos Mun. da Reg. Grande Florianópolis, e “Santa Catarina Meu Amor” da Academia de Letras do Brasil – Santa Catarina. Cadeira nº: 10 Posse: 15-12-2006 Título: Parapsicóloga / Escritora Patronesse: Alaíde Sarda de Amorim Título: Educadora / Escritora

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Lar do Idoso

O tempo passa rapidamente, e quando percebemos, somos idosos graças a Deus, pois chegar aos 60, 70, 80, 90, 100 anos ou mais é sem dúvida uma benção divina. O idoso que possui boa saúde física e mental, moradia, lazer, comando e controle sobre sua vida, e ainda pode usufruir da presença, compreensão e amor constante de familiares, é com certeza uma pessoa privilegiada. Independente da idade e classe social, o futuro é um mistério e só a Deus pertence, pois é impossível prever o que acontecerá com cada pessoa em qualquer época de sua vida e menos ainda quando se torna pessoa idosa. Quantos idosos existem no Brasil? Em Santa Catarina? Em Biguaçu? O que é feito pelo idoso atualmente? Quem são as pessoas que se dedicam a cuidar dos idosos dependentes? Quantos idosos têm seus direitos reconhecidos como determina a lei e que rege no Estatuto do Idoso, principalmente em relação à saúde, alimentação e moradia? Com que idade a pessoa passa a ser considerada idosa? Enfim, são questionamentos que em determinado momento da vida começam a fazer maior sentido, e a busca por respostas ocorre de acordo com o interesse de cada pessoa. Durante alguns anos um grupo de voluntários do município de Biguaçu, efetuava o atendimento domiciliar aos idosos, principalmente dos que mais precisavam de cuidados especiais em relação à saúde, alimentação, moradia e outras necessidades. Hoje, o município conta com algumas casas de apoio ao idoso, entre elas, destaca-se a Sociedade Beneficente de Amparo a Idosos “Lar do Idoso Osvaldo Alípio da Silva” Seu Doca como é conhecido em Biguaçu e está com 86 anos de idade. Seu Doca e Irmã Gema são os idealizadores da instituição sem fins lucrativos, que abriga atualmente

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30 idosos, a maioria com idade entre 70 e 80 anos. O Lar do Idoso foi fundado em 29 de novembro de 1988. A obra idealizada por Irmã Gema e Seu Doca e realizada pela comunidade de Biguaçu, com a participação da Câmara de Vereadores e Prefeitura Municipal. Foi uma iniciativa da Sociedade “São Vicente de Paulo”, os Vicentinos. O início da obra foi em 5 de maio de 1991 e a primeira etapa concluída em janeiro 1996, e foi inaugurada no dia 17 de março de 1996. A Cerimônia foi oficiada por Dom Eusébio Oscar Scheid, na época, Arcebispo Metropolitano de Florianópolis – SC. Assim, o grupo dos voluntários conseguiu um local para melhor atendimento aos idosos. A primeira diretoria foi formada pelos seguintes membros: Presidente: Osvaldo Alípio da Silva; Vice-Presidente: Olivério Vieira Corte; 1º Secretário: Lauro Locks; 2º Secretário: Ozildo José Prazeres; 1º Tesoureiro: Oclides Propodoski; Titulares: José Deschamps; Egídio Abelino Richartz e Pedro Paulo dos Santos; Suplentes: Dulci Stürmer Propodoski; João Brasil de Azevedo e Ireno Martins. O projeto Arquitetônico foi desenvolvido pela arquiteta Gilda Elena R. L. Ribeiro. A Missão da Instituição: “Atender os Idosos carentes em caráter permanente nas suas necessidades físicas, mentais, emocionais e sócio/familiares visando à manutenção e o resgate da sua cidadania, qualidade de vida, saúde e dignidade.” No início, durante o dia os idosos permaneciam na instituição, onde recebiam atendimento dos cuidadores e retornavam para suas casas no período noturno. De acordo com a necessidade, alguns dos idosos também passaram a pernoitar na instituição recebendo a visita dos familiares no local. Porém, alguns idosos foram abandonados por suas famílias e ficaram totalmente dependentes da colaboração dos cuidadores. Estas situações exigiram a ampliação do local para um melhor atendimento a todos. O Lar do Idoso vem melhorando sua estrutura de acordo com suas possibilidades e necessidades dos idosos, principalmente para

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oferecer melhor qualidade de vida e proporcionar um lugar agradável e alegre para as pessoas idosas e com necessidades especiais que moram na instituição. Conforme entrevista com a coordenadora da instituição Tânia Aparecida Coelho Vultuoso, que trabalha no local desde novembro de 2002: “Trabalham no Lar do Idoso pessoas voluntárias e quinze funcionários: uma especialista em cuidar de idosos, técnicos de enfermagem, cozinheiras, auxiliar de serviços gerais e um médico que é funcionário da Prefeitura de Biguaçu e passa uma vez por semana para o atendimento”. O procedimento para o atendimento ocorre de acordo com a necessidade, quando os técnicos de enfermagem observam algum problema encaminham a pessoa para ser avaliada pelo médico. Quando ele prescreve algum medicamento, normalmente é fornecido pelo posto de saúde, mas na falta é adquirido por parte dos familiares. O Lar do Idoso possui atualmente quinze quartos com duas camas cada e por enquanto a instituição não tem espaço para receber mais idosos. Porém, já conta com mais cinco quartos com banheiros, mas ainda faltam os leitos para a inauguração. Os blocos e a construção da obra foram doados pela empresa Blocaus que é uma empresa localizada em Biguaçu e desenvolve o processo de industrialização de blocos de concreto. Um padre da Paróquia São João Evangelista de Biguaçu realiza missa toda primeira sexta-feira de cada mês, no salão de atividades, além dos idosos, pessoas da comunidade também participam. O Lar do Idoso possui uma horta que é mantida por trabalhos comunitários prestados por apenados que cumprem penas alternativas por pequenas condenações. A instituição não possui uma pessoa especializada que se dedique a cuidar melhor da horta. Por isso, depende da mão de obra dos apenados, que sendo obrigatória, ocasiona uma constante troca dessas pessoas assim que cumprem a pena. O Sr. Jaime Coelho é aposentado e membro da diretoria, é um dos voluntários que coordena a fábrica de fraldas que é mantida pela

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mão de obra de pessoas voluntárias e alguns apenados. A confecção das fraldas inicia pela montagem, depois vão para o corte e colocação de etiquetas, são dobradas, embaladas e guardadas para o uso. A quantidade semanal varia entre 500 e 700 fraldas conforme o número de voluntários que se dedicam todas as terças-feiras. O consumo diário varia de 60 a 70 fraldas. A Sra. Gissela Stürmer trabalha a 19 anos como voluntária na fábrica, e coordena a parte das voluntárias após a montagem. Conforme ela relata: “Antes as voluntárias faziam trabalhos manuais como crochê, bordados, tricô e crivo que eram vendidos no bazar para arrecadar verba para ajudar na construção da obra”. Atualmente a fábrica de fraldas conta com a colaboração de dez voluntárias. O Sr. José Vitorino Miranda é voluntário operando o maquinário da fábrica de fraldas, foi presidente do Lar do Idoso no período de 1997 a 1998. Ele conta que participou desde o início dos atendimentos aos idosos, que se estendiam conforme a necessidade. “Desde banho, alimentação, encaminhamento médico, enfim, era um trabalho de visita semanal, e no retorno na semana seguinte era observado que a maioria só tinha recebido o atendimento feito pelo grupo”. A partir dessas situações, surgiu a ideia do desenvolvimento do projeto do Lar do Idoso. O grupo de voluntários passou a se mobilizar para dar um atendimento melhor e mais humano para o idoso. O projeto foi desenvolvido junto com os Vicentinos. A prefeitura fez a doação do terreno, e com ajuda de pessoas da comunidade, empresários e por meio de eventos, conseguiram construir o Lar do Idoso. Mesmo após a conclusão da obra, os Vicentinos sem manter vínculo com o Lar do Idoso, continuam fazendo o atendimento voluntário domiciliar e também ajudam as pessoas a conseguirem emprego. É um grupo que se dedica ao bem estar dos idosos e necessitados da comunidade de Biguaçu. A Sra. Dayse Nardi com 71 anos de idade, elogia o tratamento para com os idosos por parte dos profissionais e voluntários, desde a responsabilidade, o cuidado e o carinho dedicados por todos que amam o

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ser humano e o trabalho que fazem. Ela visita sua mãe Matilde que está com 89 anos e mora no Lar do Idoso por ser uma pessoa dependente de cuidados.

Ampare os Idosos (as), não os relegue ao confinamento e abandono. Aquele a quem possivelmente hoje acreditas ser um estorvo, ontem foi alguém que ao ver-te nascer, encheuse de esperança e alegria, na certeza que com sua chegada, no porvir estariam os dias finais de sua vida garantida, com respeito, proteção e afeto. Não te esqueças, que por mais saudável que seja tua juventude, no amanhã após viveres muitos anos, tuas células exaustas marcarão teu corpo e tua face trará estampada a realidade de um idoso (a) também. (ALVES, 1992.)

Pessoas ilustres como Seu Doca e Irmã Gema merecem muitas homenagens, assim como todas que tornaram esse sonho realidade, as que passaram e as que continuam no trabalho, para sorte e felicidade dos idosos e dependentes do “Lar do Idoso”. São realmente pessoas dignas, de respeito e de grande valor. É um exemplo importante também para as escolas que podem passar esses valores para seus alunos, para que aprendam a valorizar os necessitados, que respeitem e colaborem assim como os voluntários que deixam uma lição de vida, que é o grande amor pelo Ser Humano. Sugestão: fazer uma visita e colaborar com o Lar do Idoso Osvaldo Alípio da Silva, Seu Doca, Rua: Irmã Maria Gema Siqueira, nº 253, Vendaval – Biguaçu – SC. CEP: 88.160-000. Fone/fax (48) 3243 3402 E-mail: lardoidosoosvaldoalipiodasilva@yahoo.com.br Site: www.lardoidososeuduca.comunidades.net.

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BIBLIOGRAFIA ALVES, Nércio Antonio. In: “Sempre Dócil Rose-Rose”, psicografia pelo Espírito Rosemeire. 1992. Cópia da página disponível no Mural do Lar do Idoso em 20 07 12. SOCIEDADE BENEFICENTE DE AMPARO AOS IDOSOS “Lar do Idoso Osvaldo Alípio da Silva”: Seu Doca. Plano de Trabalho, 1996. COELHO, Jaime; MIRANDA, José Vitorino; NARDI, Dayse; STÜRMER, Gissela; VULTUOSO, Tânia Aparecida Coelho. Entrevistas, concedidas em 20 julho, 2012.

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WILLIAM WOLLINGER BRENUVIDA

William Wollinger Brenuvida, paulista de São Bernardo do Campo (17/06/1979). Filho de Adilson Domingos Brenuvida e Elizabeth Wollinger Brenuvida. Irmão de Wellington e Caroline. Escritor e poeta radicado em Santa Catarina desde 1998. Graduado em Direito e Especialista em Processo Penal pela Universidade do Vale do Itajaí. Escreveu os trabalhos: “O Menino e as estrelas” (poesia/2003); “Trabalho Penal: fator de auto-estima, valorização e inclusão social do condenado” (monografia/2005); “Luz Lembrada – Jyoti” (poesia/2007); “Tortura como meio de prova: aspectos da lei 9.455/97 (lei da tortura)” (monografia/2008). Em andamento coletânea poética: “No cair das folhas”. Contribui com jornais da grande Florianópolis. É colunista do Jornal “O Rebate”, de Macaé-RJ. Ativista sócio-ambiental nas seguintes entidades: Academia de Letras de Governador Celso Ramos (cadeira n. 06) – patrono Francisco Wollinger; Academia de Letras de Biguaçu (cadeira n. 11) – patrono Juvêncio Araújo Figueiredo; APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais; APREMAG – Associação de Preservação do Meio Ambiente de Governador Celso Ramos; CBHRT – Comitê da Bacia 87


Hidrográfica do Rio Tijucas; Conselho da APA do Anhatomirim; Conselho de Assistência Social de Governador Celso Ramos. Delegado Territorial pela comunidade de Canto dos Ganchos, para revisão e aprimoramento do Plano Diretor. Suplente de vereador (2004). Exerceu as funções de Coordenador do Meio Ambiente (2005) e Diretor de Saneamento Básico (2005-2007) na administração municipal de Governador Celso Ramos. Especialista em Direito Processual Penal. Acadêmico de Jornalismo. Secretário da Academia de Letras de Biguaçu/SC. Membrocorrespondente da Academia Cabista de Letras/RJ. Publicou: “O Menino e as estrelas”, “Luz Lembrada (Jyoti)”. Participou de antologias de prosa e poesia. acangatu@gmail.com Cadeira nº: 11 Posse: 14-05-2008 Título: Poeta Patrono: Juvêncio Araújo Figueredo Título: Poeta

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Para o repórter a guerra nunca acaba5 Quis Deus, ou algum intérprete bem intencionado, que o Éden fosse lido como um jardim repleto de árvores enormes, plantas rasteiras, e animais de toda espécie. No princípio, não havia nada. Depois do sopro de Deus, sobreveio a vida. Mas, os degredados filhos de Eva quiseram a guerra. Para quem descesse em Saigon (atual Ho Chi Minh), capital do Vietnã, em 1968, não encontraria o Éden. Isso porque milhões de hectares de florestas; espécies de plantas e bichos (incluindo o homem) foram destruídas pelo despejo do Napalm (agente laranja) – poderosa e letal arma química utilizada pelas tropas americanas. Sobraram aldeias e pequenas plantações, mas nada de gente. Escondidos no que restou das matas, sitiados na capital, ou sepultados em montes de terra, aquele povo padecia juntamente com o lugar. Aos repórteres estrangeiros um cenário nada convidativo: um aeroporto guarnecido por canhões e metralhas; hotéis lotados; mercado monetário ilegal; prostituição; e centenas de milhares de minas explosivas espalhadas num campo de batalha disputado pelas potências mundiais. Estados Unidos da América e a Ex-União Soviética, gladiadores da Guerra Fria, dividiram um povo irmão milenarmente oprimido. Ao Sudoeste Asiático, em 1968, fora enviado o repórter José Hamilton Ribeiro, da Revista Realidade, que narrou e vivenciou a Guerra do Vietnã. Apesar do cenário nada convidativo que se encontrava o Vietnã de outrora, um repórter vai para onde a notícia se apresenta. Hamilton Ribeiro, repórter brasileiro de Realidade (hoje na Rede Globo de Televisão), experimentou a sensação de aventura e fascínio que um conflito armado possui. Mas a visão de atrocidades e seu próprio infortúnio – na Guerra – reproduziram o antigo mito do mar e do boneco de sal. Dizem que o boneco de sal quisera descobrir o que era o mar, mas o mar pediu que o boneco de sal o tocasse. Percebeu, o boneco, que

5 (*) Homenagem ao príncipe dos repórteres, José Hamilton Ribeiro.

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uma parte de si se desfizera. E indagando o mar novamente e dizendo do ocorrido, o mar insistiu que para conhecê-lo deveria continuar. Totalmente imerso no mar, desfeito o boneco, ele era também o mar. Hamilton, sabia da existência das minas explosivas e tinha ciência do perigo. O desejo, porém, de conhecer a guerra, em sua integralidade fez dele um sequelado da guerra. Após o acidente que o vitima, ainda no chão, ele reflete pesaroso sobre o ocorrido. Mas, ali tudo ainda é novo. Tem que resistir. É preciso lutar contra a dor. Tentar reunir o raciocínio que ainda resta. Ainda há esperança, mas há receio também. Depois, surge a experiência do hospital. A imagem e a mensagem do médico, e o mais terrível: o medo da morte. E porque há na morte uma dúvida pertinente e constante: o mistério do desconhecido. Hamilton passa dias na penumbra. Depois, vem a desilusão. Perdera mesmo o pé esquerdo. Sua perna estava reduzida. Ele estava reduzido. Mas houve tempo para perceber que sua dor não era apenas única. E isso se refletiu num soldado que perfurado a bala antes de morrer, canta. Canta estranhas canções. O repórter brasileiro afirma que os nove dias em que passou no hospital militar foram os mais tristes de sua vida. Dores quase insuportáveis, náuseas, ausência de fome, o desespero da cegueira, a incomunicabilidade com alguém conhecido. Veio também, o sentimento de que estava sendo maltratado, e que os americanos de gentis antes, eram verdadeiros cavalos. É bem provável que Hamilton estivesse lúcido e não cego e inconsciente quando pensou isso. A mente de um homem que está prestes a entrar para a estatística de deficientes, já não mais raciocina como um homem simples. Era apenas um homem que queria voltar para casa, e que os dois lados do conflito também voltassem. A guerra havia acabado. Ao menos, para ele. Li certa vez, em documentário, que não há “guerra santa”. Em verdade, não há guerra que não tenha embutida em si um interesse real de lucro. Mesmo as guerras primitivas objetivaram um ganho. O lucro, porém, é um conceito que chegou mais tarde. O Vietnã é reflexo das

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guerras de quintal que os americanos e soviéticos fizeram em todo mundo. Onde não conseguiram guerrear criaram Estados de Exceção. E cada lado fez suas vítimas: Brasil, Chile, Argentina, Peru, Praga, Varsóvia, Berlin. E o repórter nisso tudo tem ao seu lado o risco da profissão. Pode morrer trabalhando. Pode ele mesmo se tornar primeira página do veículo de informação que trabalha. Mas pode ter a infeliz sorte de noticiar mais desgraça. O importante é que a voz de quem oprimido está não seja silenciada, e que o repórter possa cumprir, efetivamente, esse papel: de porta-voz do mundo. Nada mais. Jornalismo é feito da matéria humana O meu avô paterno era semianalfabeto. Era um entre milhões de brasileiros do século XX. Século das misérias. Misérias humanas. Vovô falava “curintia” por quem era deslumbrado. Um eterno apaixonado que se gabava. Vangloriava-se de ter sido um exímio ponta-esquerda do Corinthians de São Bernardo. E um dia minha avó lhe transpassou o destino, e lá se foi o sonho de jogar no alvinegro de Parque São Jorge. Com minha avó vieram quatro filhos, e pra desgosto do vovô, os mais velhos torciam para o São Paulo; o caçula era santista; e a menininha sardenta que ele tanto adorava, casara. Casara-se com um palmeirense. De São Paulo, um dia veio ele radiante. Trazia aquele corpo franzino, debaixo dos braços fortes, um presente numa caixa para o caçula. Era o futuro! Na caixa vermelha de interior aveludado, um objeto verdereluzente. Em fontes serifadas vinha escrito: “Olivetti Studio 44”. Houve um tempo em que as redações dos jornais reproduziam onomatopeicos ruídos: tac-tac-tac-tac-tac-trimmmmm… track! Não apenas ruídos. Havia muita fumaça – dos cigarros – e cabeças fervilhando. Ser jornalista era charme, mas para muitos, que usaram da força, era trabalho odiento, um desserviço à pátria que vivia seus dias de “Ame-o ou deixei-o”. A resistência era muito mais armada nas redações com projeções de futuro improvisadas através de máquina. Uma máquina de escrever. Naquele tempo o homem engolia a máquina. Mas, esse foi outro tempo. Atualmente as redações são burocráticas. A máquina

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engoliu o homem. Os computadores, antes figuras imagéticas dos livros de Orwell e Huxley, davam a linha e escondiam o ponto. O ponto final da História. O futuro? É engano pensar que as novas tecnologias apagarão o brilho do jornalismo. O jornalismo independe das máquinas porque tem ligação divina com o humano. O transplante de palavras não se origina no cérebro, mas sem o cérebro a mente é vaga lembrança no universo. O tipógrafo contribuiu para evolução das prensas. A fotografia não abandonou a arte da pintura: a fez ressurgir, revolucionar. O jornal escrito aprendeu com a internet e sua forma instantânea como se apresentam os fatos. O rádio continua eterno, imbatível. A televisão começa a receber os filtros de quem a consome, e de quem a patrocina. Há mercado para tudo, existindo, sempre, o humano. A velha Olivetti não saiu de cena e o computador não assumiu o lugar do humano. É preciso, porém, acabar com a miséria humana e o jornalismo tem papel importante neste embate. O futuro do jornalismo será dado por aqueles que não se renderem a burocracia das neo-redações e suas instituições escravizantes. E se engana, também, quem o contrário pensa. As instituições que mantem veículos de comunicação, tem ciência que é a capacidade criativa do homem que agrega valor ao seu veículo. É o gênio do homem, mesmo num coração deslumbrado de condição semianalfabeta, quem acolhe a rebeldia, a ousadia, o poder e a magia. É o jornalismo feito da matéria humana.

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A beira-mar Em assim sou eu, nas linhas que de dentro observo: Parte de mim sugere a leveza do espírito, quando ferido, na epiderme da carne. Há em mim um agir lento, inocente talvez, na mudez de quem cadencia o passo, ou segue furtivo, a contento. Ao menos em parte eu observo, quando observado eu sou: O escravo, o leão, a criança. Na tua alma, janela aberta e início da jornada, sonolento eu repouso. Sinto o cheiro do café forte a beira-mar, num universo de gotas de chocolate. E de olhos abertos, a calma me preenche. Há esperança no devir. Quando sensível sou intenso; prolixo na forma e simples na alma.

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Crisálida Olhos furtivos, em silêncio sublime, dançam festivos no salão ornado em entalhes de vime. Cálido o sereno da madrugada, fez meu corpo no etéreo transitar. Adentrei, suave, ao teu sorriso-morada e me vi em fios de seda entrelaçar. Agora, dessa viagem lúcida e itinerante, entre as luzes e as sombras dos escombros, eu desperto, do sonho, num tango em Evora. As lembranças eternas, dos tempos idos, para além do teu sorriso-alvorada é a crisálida serena a rebentar. * Bang-bang em Ganchos City. Os bandidos não têm face. Há tempos foram transpostos dos filmes de western ou faroeste à milanesa - espaguete ao molho tártaro. Micaretas a cada esquina. Os mocinhos não vêm a cavalo. Os bois continuam soltos – para alegria da imensa maioria. Lei é carta de alforria, utopia. A Páscoa é sinestésica, aos olhos da rua. Lá vem Jesus, fruto de nossa miopia. Os bois continuam soltos – para alegria da imensa maioria.

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AIDA BARRETO R. FERNANDES

Cadeira nº: 13 Posse: 20/09/2011 Título: Professora e Escritora Patrono: Fritz Müller Título: Cientista

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COLETÂNEA A macaca da Sergina Surpreendida com guinchos e arranhões, abriu aporta. O’ inusitada cena ! Um filhote de macaquinha da raça prego, com fome e frio, buscava socorro. Sergina, mulher arguta, roceira experiente, deu-lhe um pouco de leite e embrulho-a num pedaço de manta velha. Pobrezinha ! Malditos caçadores ! Como se sentiriam se alguém lhe tirasse as mães? Compassiva, recebeu a primata como se fora uma criança e passou a chama-la de Menina. Menina começou a fazer parte da família. Foi crescendo em tamanho e traquinagens. Inteligente, Menina aprendia tudo rápido, gostava de lavar roupa e com frequência também lambia o sabão. Molhava a roupa, cheirava conferia-lhe o asseio e a seguir esfregava-a de volta no chão para novamente lavar. Aprendeu também a tirar água do poço e apanhar frutas no quintal, rico em mata atlântica. Fazia também birra para obter o que queria. As duas filhas de Sergina, Dolores e Rosita, balzaquianas, logo se adaptaram àquela nova presença. Tudo estava calmo quando o vizinho Louro, trouxe da pequena Imaruí a notícia de um baile. Isso era divertimento especial e raro. Na véspera as filhas de Sergina, tomaram banho com sabonete e começaram a ficar impacientes. Afinal, a localidade de Rio-Prainha, onde moravam, ficava nas cercanias de Imaruí, banhada pela lagoa do Mirim e dependia de barco para chegar-se à Imaruí, mais conhecida como Imaruí de Laguna até então, a metrópole da região. Imaruí não contava ainda com o conforto da luz elétrica e possuía um único salão de baile, iluminado por lamparinas e lampiões. 96


Sua fachada era de alvenaria e o restante de madeira o que se rendeu o apelido “Frente Única”. Enfim chegou o domingo. Dolores e Rosita tinham uma penteadeira antiga, herdada de sua avó. Sobre ela uma caixinha com pó de arroz, alguns batons rouge (blush) e esmalte de cores fortes, que as moças abusaram um pouco. Afinal tinha pressa de arrumar marido. Louro preparou a canoa, pois depressa entardecia. “Já os horizontes começavam a se encher de sangue e os duros cúmulos iam se desfazendo em cirros, se alongando em estratos.” Sergina acompanhava as filhas, como convinha a duas donzelas. Menina ficaria em casa. Afinal era confiável. O baile estava ótimo e terminou às duas horas daquela manhã de segunda feira. Novamente a canoa do Lourival à espera e nenhum sinal de pretendente. Mas... era hora de voltar. Ao chegarem em casa, que surpresa! Menina havia aprontado: era pó de arroz por toda casa, esmalte; o único perfume de rosas estava quebrado e seus dentes não deixavam dúvida: havia comido os batons. Sergina, com mãe antiga, não suportou aquela travessura. Pegou o chinelo e deu-lhe uma boa surra: - Menina safada, arteira. Vê se aprende a não ser mexilhona! Olha essa! Afinal naquela época não era fácil obter cosméticos. Cansadas, prepararam-se para dormir. As seis horas da manhã Sergina, já arrependida (nunca havia batido na sua Menina), sentiu falta daquela terceira “filha”. Puseram-se as três a procurá-la. - Coitadinha, certamente embrenhou-se na mata e foi embora. E eram chamados e mais chamados e nada?! À tarde, cansada da noite anterior, Sergina levantou parte da manta para deitar-se e tirar um cochilo. Mas qual não foi sua surpresa, quando aos pés da cama, coberta até à cabeça, enrodilhada Menina desfilava entre os dedos as contas do 97


rosário marrom e movia os lábios, silenciosa e contrita como alguém que realmente rezava. Será que macaco é gente? Ou a gente é que é macaco? -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

Retalhos Cobra-lisa se esconde N’areia branca (Leito de seus amores ...) Amendoeiras centenárias Batizam raízes Na água doce ... Do “colo” da fonte grávida Vagos murmúrios A seu amado Sem parar. Sem cansar. Amor de rio Eterno afã ... Aonde os restos mortais Das açucenas irreverentes Jazindo nas águas ? As fadas ? A menina de olhar curioso ? Há pouco Pescava peixinhos Fugia da cobra Que fugia de mim... ................................ O mormaço abrandou A água... está turva... 98


As duas mães Ali, na parede da varanda silente, No lugar mais alto e mais nitente, O meu retratinho de criança... Olhos grandes de um castanho-gris Olhavam francos o sabor feliz De mil sonhos, fartos de esperança. Boca pequena,de lábios mal-traçados Cabelos finos severamente penteados Contornavam o rosto oval de fronte chata. Depois caíam sobre os ombros rente Formando ali uma pala diferente Naquela moldura onde o ontem se retrata. Do alto da cabeça um laço desce em franja E por entre os folhos, pobre coque arranja, “Como asas coloridas à ninfa encobre. Numa diagonal quase perfeita Cruzava o peito magro a correia estreita Da bolsa à tira-colo cor de cobre. E ainda hoje bem me lembro Daquela meiga tarde de dezembro Quando a visita apontou para o retrato feio: -Quem é ? É tua filha, ou só parenta? E minha mãe, num riso de mãe ciumenta: -Sim. É minha filha. Tem sete anos e meio. É minha filha. Não é linda? Veja quanto ! Não se parece comigo tanto, tanto? A visita, de olhar severo, vacilante hesita. Depois, olhando minha mãe, concorda ainda Delicada, talvez, achou-me linda Ou... era mãe também esta visita?...

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Mãe brasileira Mãe brasileira, de todas as raças, de todas as cores, de pouca cultura, de grandes amores, estás a morrer. A fome te dói no corpo cansado; no rosto suado, os olhos te saltam. Não tens maquiagens, nem fitas, nem laços...Nos braços magros, apenas o infante a sugar-te os túmidos seios. Mãe brasileira-preocupada, a olhar inquieta por entre as farpas espinhosas do “muro da vergonha” de nossa sociedade falida. O que olhas, Mãe? O que pensas? O que pretendes? Teu semblante amargo me comove. Me faz parar. Mãe brasileira, de um filho que não sabe te chamar de Mãe. Mãe do filho que não fala nenhuma linguagem compreensível, porque é especial. Mãe-brasileira imigrante que tantas cantas cantigas que não sei entender. O que buscas aqui? O que esperas de mim? Mãe brasileira-sem-marido, que deixaste na Maternidade o filhinho para que não perecesse contigo, por que me interpelas? O que queres de mim? Mãe brasileira-preta, de pretos vestidos, de andar apressado, a buscar emprego, a mendigar justiça, onde está o teu filho? Mãe brasileira-nordestina, que o solo estorricado regas com tuas lágrimas, onde está o teu filho, Mãe ? Mãe brasileira-pedinte, sentada à soleira do rico calçadão, o que buscas aqui? Por que me abençoas pela moeda que te jogo ao colo? Este níquel só me estorvava o bolso. Mãe brasileira-vovó, que estais nos asilos de salas sombrias, quantos filhos criaste? Mãe brasieleira-india, de filho às costas e roupas de imbira, “selvagem”, inculta, quem pensa o que pensas do nosso Brasil? Mãe brasileira-da-favela, ontem mataram o teu filho. Foi um triste equívoco. Onde vais velar o teu filho? Teu barraco é pequeno demais. 100


Mãe brasileira-cozinheira, que tens por traje o avental, e por ultraje, o salário. O que teus filhos comeram hoje? Mãe brasileira-rezadeira, de rosário à mão, de olhos fechados, e lábios suplicantes, me ensina a rezar por todos os filhos que esquecem as mães. Por todos os filhos que correm mil mundos em busca do amor, e acabam não vendo o maior dos amores... Mãe brasileira-do-filho-dependente-químico, que ontem vendeu teu rosário de prata, o mesmo bebê que um dia ensinaste a rezar... Mãe brasileira-professora-catequista-enfermeira, sem diplomas nem glórias, é a maior doutora que o mundo já conheceu. Mãe brasileira-peregrina, de todas as raças, de todas as cores, de todas as crenças, eu creio em Você. Mãe brasileira, heroína ignota, minha Mãe, Invejo VOCÊ. -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

O Tempo e eu Outro dia Perguntei ao Tempo Há quanto tempo ele passava - Há tanto tempo ! ...(suspirou o Tempo) Desde que o Tempo é tempo - E há quanto Tempo que o Tempo é tempo? - Ora, não tenho tempo de contar O tempo. O Tempo urge. Quando houve a pangéia (Sem panacéia) ,já fazia tempo Que eu era o Tempo ... Já fiz chuva e sol, Nevasca e temporal A “ursa maior” eu vi nascer A “estrela d’alva” cochilava ... 101


Já fiz floradas de beijos E malmequeres A um só tempo Tornei doce a uva E amargo o aloés Uma vez, bem em tempo Fiz nascer amora Disseram que era fora Do tempo: Um temporão ! Enquanto o Tempo é tempo Ouvi juras de amor eterno Mas isso durou pouco tempo ... Ah, que amor sem raízes ! As cicatrizes ... ainda estão lá ... No Tempo, apreciei escolhas Aprovei algumas. Outras, nem tanto... A destempo, criou o homem Um tal de “passa-tempo” Pra fazer o Tempo passar ... Será que o tempo passou Ou passou seu “passa-tempo?” Já se inventou Horário Calendário Tempo hábil ... E depois dizem que eu É que sou implacável ! Alhures, alguém quis parar o Tempo. Pobre mortal ! Perdeu precioso tempo de receber lições Que só o Tempo dá ... E depois, destemperado, Inventou o Khronos e declarou: - É o deus do Tempo! - Ai, já não era sem tempo! Existe Tempo de trabalhar De aprender 102


Se arrepender De nascer e de morrer... Porém, nunca é tarde...” É sempre tempo de ser feliz “Mas é preciso dar tempo ao Tempo...” Se tu moras no Tempo E não sabes dizer o Tempo O que há de ser na Eternidade? (Impossível contar o Tempo) Se não amanhece nem anoitece Se não aumenta ou diminui Se nunca o Tempo é muito... ou pouco? Ufa ! Esse Tempo é louco ?... - Não ! Então eu sou o Tempo intemporal Eu sou o Eterno Presente. .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Indelével De boneca ao seio, pueril e insensata Incontinenti o laço da criança se desata Tão profunda e tão intensamente... Sem atinar o que se passa ou o que quer Despede-se a menina e surge a mulher... Cabelos fartos, negros e brilhantes C’os dedos jeitosos em mágicos instantes No alto da cabeça frouxo coque arranja Ora abraça ora solta-o a tênue presilha E ante a lívia nuca o enrodilha...

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Pezinhos magros no calçado arruma No toc toc dos saltos ligeira se apruma À guisa de passadas bem miúdas... Pelas ruas assim se vai insinuando E nega que os quadris vai rebolando Das alvas rendas, chitas e brocado Veste e despe o colo nu e perfumado Do perfume sutil que só essa idade traz Depois num balanço ingênuo e sensual Piscam no peito as facetas do pingente de cristal Haverá na rosa, no jasmim ou na estrela No ninho da rola, ah, quisera eu vê-la! Essa estação tão fada e feiticeira? Quando indelével o primeiro amor floresce? Ó púbere flor que a gente nunca esquece!...

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DALVINA DE JESUS SIQUEIRA

Data de Nascimento- 23 de agosto do ano de 1929 Idade atual 83 anos Filiação: Otávio Clemente Martins. Maria Martins. Naturalidade - Biguaçu Nacionalidade: Brasileira. Carteira de Identidade 1/R 105497. SSI CGC- 580 684 309/20 Administradora Esolar Aposentada por tempo de Serviço prestado ao Magistério Catarinense. Obras e participações na Literatura catarinense e brasileira. 1995- O Décimo Segundo - Poesias 1997- Constelação - poesias. 1998- Grandes Momentos- Rezas, orações, simpatias, Crônicas e poesias. 1999- Lalinha poesias e crônicas. 2.000- Biguaçu eu te amo 2.003-Biguaçu eu teamo II2.007- O Terceiro Sonho 105


Participações em Antologias. 1996- Menção Honrosa- Na Fundação Viva Vida. 1997- Antologia marco Marcovick- São Paulo pgina 43 1997 Primeiro Lugar- Na Fundação Viva Vida(poesia ) página 39. 1998-Terceiro Lugar na F. Viva Vida (crônica) página 217 1999-Segundo lugar na F,Viva Vida ( Conto ) O Cordão de Ouro. 2.003 AC. De Professores- Fragmentos da memória pg. 15 1997- FUCAPRO- Contos de professor pg 20 1997 FUCAPRO- poemas de professor. Pg 27. Neti- UFSC- Organização do Concurso de crônicas e apresentação do livro. Ajasol- 1998 Antologia pg. 39 “ 2001“ pg 69 “ 2002 “ pg 59. Academia de Letras de BiguaçuUm Passeio pela Grande Florianópolis Devaneios de Verão Sonhos de Outono Renascer da primavera. AconchegoOrganização e participação Participação no Livro do Duo Centésimo Quinquagésimo Aniversário de São Miguel. Livro - São Miguel da Terra Firme pg 121. Curso Superior de Pedagogia com licenciatura plena em Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, conforme Registro do MEC número 135.987. Especialista em Assuntos Educacionais E A E. Especialização à nível de Pós Graduação em Administração Escolar Conforme registro número 31.722. Feitos ambos na UDESC. Senadora pelo Senado Popoluskus de Florianópolis SC. Formada Monitora da Ação Gerontológica, na UFSC, Núcleo de 106


Estudos da Terceira Idade (Neti), turma 1995-2 Presidente da Academia de Letras de Biguaçu. Presidente do Conselho Municipal do Idoso de Biguaçu. Biguaçu, 08 de julho do ano 2011 Nascimento: 23-08-1929 Cadeira nº: 14 Posse: 18-12-1996 Título: Poeta / Escritora Patrono/Patronesse: Geraldino Atto de Azevedo Título: Poeta

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Mãe Mãe. Eu não venho te dizer Que estou aqui na sala, para te dizer adeus Pois eu não vou partir. Eu já parti Já fui levado pela onda bravia Da marginalidade e da desgraça Por isso me tornei recluso E tu mãe, não sabes qual a razão, nem eu. Só sei que aqui dentro destes portões enferrujados Onde eu vejo o sol nascer quadrado Em cada pedacinho de céu que descortino Te vejo mãe, o teu olhar tristonho Os teus cabelos brancos feito neve Olhar cabisbaixo, entristecido De tanto chorar baixinho pelo meu destino Oh minha mãe. Eu estou tão infeliz E trago no peito tanta dor Aqui pagando justo o que fiz Aqui sofrendo sem amor Solitário, vejo passarem as horas dos meus dias Lamento, mas foi o destino cruel avassalador Que me deixou assim... Pensando muitas vezes aqui sozinho Vejo os lindos olhos do meu menino Criança a qual eu fiz gerar E fiz sofrer, sem culpa o coitadinho. por me ver aqui Sem saber ao certo, porque e para que Mãe, hoje eu venho te pedir perdão Pelo muito que errei pelo caminho 108


Pretendo acertar o meu destino Pretendo viver a vida como gente de bem Quero somente ser feliz e ser cristão E ser um SER , um HOMEM Do qual você possa se orgulhar Quero beijar-te as mãos, preciso ouvir outra vez O teu sorriso alegre, quero abraçar-te E ao teu ouvido poder dizer. Mãe eu te amo Não te arrependas nunca por me teres gerado no teu ventre Por tudo o que fosses para mim Eu hoje, sou outra vez o teu gigante O teu filho que quer viver somente, nada mais... Mãe. Eu prometi para mim mesmo Que jamais voltaria a me enganar Tive consciência dos meus atos Quero voltar a ser gente , ser feliz Gente que sabe o que quer Mãe, quero sentir o teu coração pulsar junto ao meu rosto Quando em teu ombro eu repousar minha cabeça Quero te ver feliz, sorrindo desenvolta Para poder dizer. \mãe estou de volta E para sempre poder beijar-te as mãos Sem receio que tenhas de mim decepção Sem deixar de dizer ao meu querido pai Que eu nunca duvidei do seu amor Era o veneno do mal que me fazia dizer à ele tudo o que eu dizia Fazê-lo sofrer, ser infeliz, para mim era um prazer Pois eu sabia que com isso ele sentia grande dor.

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Obrigado meu pai, pelos conselhos Pelas palmadas, trabalhos que te dei, no fundo eu queria mesmo Era chamar tua atenção só para mim Queria que tu fosses só meu Acredito e tenho fé no SER SUPERIOR Que todas as amarguras que sofri E que proporcionei para você meu pai e minha mãe Eu nem sei o porque de tanto amargor Só sei que me tornei um estorvo Que fiz vocês sofrerem tanta dor.

Fui muito infeliz, e fiz vocês também Inclusive, foi infeliz o meu neném Que não sabia o porquê da reclusão. Mas hoje mãe, eu venho te dizer aqui na sala Onde muitas vezes te deixei sem fala Pai, mãe eu voltei... E trago comigo a esperança Me reciclei, me reconsiderei Estou de braços com o meu menino Sou , acredito, outra vez Alguém em que se possa confiar Pois lançaram-me um desafio E, cansado de tanto maltratar e tanto maltratar-me Eu topei, era tempo e Acredito, VENCI E estou com o meu coração aberto Para dizer com lágrimas nos olhos Que eu quero recobrar o tempo perdido Quero renascer, quero viver, ser confiável

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Ser gente, amar e ser amado Mesmo que esta mancha Fique feito nódoa no meu peito Mas quero recobrar o tempo que perdi. Minha mãe, meu pai e meus irmãos Eu preciso de ajuda pra viver Quero fazer boas ações, coisas que eu não fiz Quero poder dizer todos os dias Mais um dia, mais um dia, mais um dia... Quero ficar velhinho com vocês Para poder agradecer a Deus todos os dias A ventura infinita de viver De ter pais e meus irmãos, meu filho Minha mulher amada Quero criar meu filho como gente Preciso ser um espelho, um exemplo Quero ser gente outra vez. Muito obrigado meu pai e minha mãe Obrigado por tudo o que me deram E que sem saber joguei pela janela Obrigado pelos momentos de paz De alegria de sorrisos Hoje chorando eu venho agradecer E venho dizer com a minha alma Que só não se recupera, quem não quer Pois eu estou aqui, lágrimas nos olhos Abraçado aos meus pais e meus irmãos Abraçado ao mundo e à luz Que me enche a vida, que me cobre de graças Que me acalenta

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Que me devolve a cada instante A VIDA QUE QUASE PERDI. Este poema, quero dedicar para todos os pais que por desventura têm ou tiveram um filho com problemas de droga. Esta é uma história real. Aconteceu. Não esqueçam nunca, que sempre ~´e hora de se ajudar alguém a sair do fundo do poço, seja qual for a situação. Não vacile. Ele é seu filho. Amor da sua vida. não tem culpa de ter nascido. Dalvina de Jesus Siqueira

Estrela

Não deixe morrer na miséria, o filho que você beijou quando pequeno. Muitas vezes, basta só uma ajudazinha, e o milagre acontece. Não seja você o juiz do seu filho. A fé remove montanhas, mas é preciso levar uma pá , para tirar o barro...

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Problemas sociais Os problemas sociais , atualmente, são tantos e tão grandes que o ser humano que não estiver bem preparado para enfrentá-los, por certo cairá em depressão. Mas, também o ser humano, tem sempre uma necessidade, sempre uma necessidade vem em detrimento de outra, mal acaba de satisfazer um desejo, já está ansioso por enfrentar outro. Nunca está satisfeito. Como eu sempre digo, ( Nós somos uns eternos insatisfeitos ). Então pensando nos problemas sociais, que alfinetam a sociedade de um modo geral, que magoam, que fazem com que milhões de seres humanos, estejam vivendo à margem da vida, gastando suas unhas arranhando o chão do mundo para encontrar algo para comer, até para sobreviver, chego a pensar muito seriamente nos valores que estão sendo deixados de lado, valores estes que nos ajudaram a crescer e vencer muitas vezes... E neste rol, destaco três (3) importantes valores que estão sendo deixados de lado: Espaço com respeito. Tempo para efetuar trabalho. Silêncio para engrandecer momentos.

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ESPAÇO Cada qual quer ter o seu espaço e o procura desesperadamente, com medo que o outro venha e ocupe. Portanto talvez até para que você tenha o seu espaço, seja necessário saber conquistá-lo. Este espaço que precisamos tanto dele, com certeza nos faz feliz, saudáveis, alegres .Então se este espaço que você procura tanto e não o encontra, ele não poderá ser só seu, reparta-o com mais alguém , não seja egoísta, divida o seu lugar, porém não permita nunca que alguém o destrua. Disputa-se um lugar ao sol, um espaço para vencer, um lugar para passar, entrar, ou até mesmo um lugar para receber. Existe no mundo, por incrível que pareça, gente abrindo um espaço para pedir um prato de comida ou um pedaço de pão. Agora, se você conquistou o seu espaço, com sabedoria, trabalho e determinação, nunca, jamais, permita que alguém o tire de você... Todos os homens, têm o direito de conquistar o seu espaço. Vá você também em busca do seu, trabalhe, sobressaia-se , apareça , faça bem feito aquilo que lhe propuserem que sem dúvida o seu espaço estará garantido. E tem mais. Tudo o que se adquire com sacrifício é muito mais valorizado. Mostre que você não nasceu por acaso. Nasceu para Vencer...

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TEMPO Nós é que fazemos o nosso tempo, somos nós que determinamos, se podemos fazer ou não. Aquele que quer vencer na vida, sempre encontra tempo para tudo e ainda mais um pouco. O tempo, que você conquistou com dignidade, é o seu prêmio, a sua glória, o seu espaço aberto para o futuro, para que você tenha possibilidades de vencer e , ainda mais, de ajudar outras pessoas a conquistarem também o seu precioso tempo. O tempo que você souber aproveitar para fazer alguma coisa, não desperdice, use-o , porque ele vai render algo que talvez você não esperava. Reparta o seu tempo com outras pessoas que precisam aprender. Fique sabendo que quanto mais ocupado é o seu tempo, mais ele lhe renderá bons resultados.

SILÊNCIO

Ora ora porque silêncio ? por que sem silêncio você não consegue trabalhar. A pessoa que faz trabalhos, ao som de músicas, com volume muito alto, com certeza perde metade do seu pensamento. Se ao seu lado, estiver alguém conversando, e você estiver lendo, estudando,ou mesmo praticando um outro trabalho, com toda certeza, você se desconcentra, e o seu trabalho torna-se cansativo, até porque ,o ser humano, precisa de silencio até para fazer silencio. Então nunca atrapalhe ninguém, faça silêncio.

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CARLOS ANTÔNIO DE SOUZA CALDAS

DADOS PESSOAIS CARLOS ANTONIO DE SOUZA CALDAS - 57 anos de idade Brasileiro, divorciado, pai de Raphael de Souza Caldas (casado) e Mariella de Souza Caldas - (solteira) (maiores de idade); Filiação: Antonio Carlos de Souza Caldas e Rainildes Seemann de Souza Caldas (falecida). Profissão: Professor e Advogado - OAB/SC 11.957 E-mail: Advcaldas@terra.com.br GRADUAÇÃO Pedagogia – FAESC/UDESC/1981 Professor: Magistério e Administração Escolar Direito - UNIVALI/1996 Pós-Graduação - UDESC/83 - Recursos Humanos - Gestor e Treinamento de Pessoal CURSOS – Extracurriculares Áreas: Jurídica - Legislação Educacional - Italiano, Informática e Contos, Pensamentos e Poemas. PROFISSIONAL

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Professor no Ensino Fundamental, Médio (Curso Magistério - Didática de Ensino) e 3° grau - Faculdade Jaraguá do Sul/FEJ - Lecionou disciplinas: Filosofia, Hermenêutica Jurídica - Metodologia Cientifica etc. 1995 a 2000; Diretor de Escola de Educação Básica Ensino Fundamental e Médio - 1992 a 1996 Professor Especialista em Assuntos Educacionais Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina - Cargo Efetivo - 1996 a 02 de julho de 2.010 - Aposentado. Professor efetivo, a disposição da Procuradoria Geral - Advogado Prefeitura Municipal - São José - 2004 a 2008; A disposição na Secretaria de Segurança Municipal Defesa, Social e Trânsito Advogado - Prefeitura Municipal de São José - 2009. OUTRAS ATIVIDADES Mestre Maçon do Grande Oriente do Brasil - GOB Membro do Circulo Monárquico Nossa Senhora de Desterro; Membro da Academia Catarinense de Filosofia; Escreve Artigos com vários temas para vários jornais de circulação São José ­Biguaçu - Palhoça e Florianópolis - Jornal Oi São José - Jornal Fique Esperto - Jornal Folha SC - Jornal Tribuna São José - Jornal Noticias do Dia - Jornal Primeira Linha ­Palhoça - Jornal Biguaçu em Foco e Jornal Folha Metropolitana. Livro com Artigo do XXI - Simpósio Catarinense de Administração da Educação e IX Seminário Estadual de Políticas e Administração da Educação - se - AAESC/ANAIS 2009; Notas e Dados: A prece de um Juíz, autor João Alfredo Medeiros Viera, com tradução para vários países. Professor Coordenador da Coleção Justitia. Editor do livro que a Livraria Editora Xavier - LEDIX, Coleção “Degraus do Século XXI – trás a lume – A Prova no Processo Penal- 2005. Nascimento: Cadeira nº: 16 Posse: 20-09-2011 Título: Professor e Advogado Patrono/Patronesse: Holdemar de Menezes Título: Escritor 117


ANIMALZINHO X COMUNIDADE A cidade de São José é tão bonita que dá prazer de morarmos nela. Agora mais iluminada e mais segura. São José: um canteiro de obras por todos os cantos da cidade e com ações de infraestrutura, bem como a operação tapete preto e programa de aceleração do crescimento, calçado padrão, obras de revitalização, recuperação de drenagem pluvial e a volta do antigo gabarito de 12 andares para construção civil, conforme a legislação do Plano Diretor. Fato novo acontece na cidade diariamente, o cidadão por onde passa nas ruas e praças olhando para todos os lados, deve olhar menos para onde pisa. Os animaizinhos (cachorros) vão a toda parte com seus donos, caminham na beira mar e vão até em restaurantes, também passeiam no interior de veículos e participam ativamente da vida social freqüentando lugares importantes da cidade, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo mundo. Se fizermos um levantamento in loco podemos notar que há provavelmente mais animaizinhos por habitante na grande São José, que comparado a outras cidades de toda a parte do mundo. Tal fato deve-se ao resultado da combinação de alguns fatores como: o cidadão que leva seu bichano a um belo passeio nas ruas da nossa grande São José, para quem não toma a devida precaução de cuidar dos dejetos desse animalzinho. Isso é percebido claramente quando alguém que está passando na rua e tem a péssima sensação de deslizar nos dejetos destes cãozinhos. De outro lado, percebe-se o aumento vultoso da reprodução canina. Entretanto, já houve a sugestão o que os donos dos animais levem consigo um saco plástico para recolher o “coco” de imediato, e assim contribuam com a educação e a natureza. O cidadão josefense ama seus animaizinhos com uma devoção, pois, é visto cada vez mais estão sendo adotados. Todavia, eu, quando

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vejo um cachorrinho na rua ou em praças tento adivinhar; pelo tamanho ou pela cara, que peças no caminho seriam de autoria. Para finalizar, são fatos que rivalizam e ocorrem diariamente todos os dias, na variedade de dimensões e configurações. Imagino que cada animalzinho tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, é notável em muitas de suas obras aquela arrogância no seu acabamento de quem desdenha a critica e não teme a retribuição do poder público. E a vida segue a cidade precisa de melhorias, investimentos e com planejamento para o futuro com prioridade nas áreas Educação, Transporte e Habitação.

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RELAÇÃO HUMANA e, Suas considerações nas paixões Observando alguns relacionamentos humanos do nosso cotidiano, como as pessoas são diferentes em seus perfis individuais ou em grupos na maneira de conduzir suas paixões. Entretanto, fui buscar um aprendizado na leitura do livro da antropóloga americana Helen Fischer, ensinando os caminhos para saber com que tipo de pessoa você realmente combina. O livro é explicativo por que você se apaixona por uma pessoa e não por outra. Pergunta-se ao leitor, em algum momento, você certamente já fez algum tipo de indagação deste tipo: Por que ele ou ela não me quis? ou Por que jamais senti nada por fulano ou outra que gostava tanto de mim? A escritora, desenvolveu uma pesquisa com dezenas de milhares de pessoas cadastradas chegando a quatro perfis básicos de personalidade, de acordo com o maior ou menor atividade em cada um desses revelando o grau que você pode ser um explorador, construtor, diretor e negociador. Como destaca Helen: escolher um parceiro agora não se restringe a buscar alguém com quem formar família e, assim, cumprir o papel esperado na comunidade. Hoje, as pessoas esperam muito mais na relação intima do que sexo excitante. No perfil do explorador, têm disposição para correr riscos, energia e flexibilidade mental, são pessoas impulsivas, curiosas, criativas e otimistas, que estão sempre em busca de novidades. Os construtores, são os guardiões da tradição, tendem ser pessoas muito meticulosas, seguindo de normas e costumes sociais, respeitam a autoridade, cumprem horários e são extremamente leais. No entanto, os diretores, são pessoas francas, decididas e realistas. Admiram o autocontrole, costumam ser habilidosos em áreas como computação e engenharia e por fim os negociadores são imaginativos, intuitivos e idealistas, têm por sua vez uma concepção holística das situações. Portanto, costumam 120


serem simpáticos, curiosos, altruístas e em emocionalmente explosivos. Para finalizar, a antropóloga em seus estudos a dedicar-se a compreender o amor romântico e a sexualidade humana em sua concepção mais básica que é o da química cerebral e da evolução da espécie. Os que os homens não abrem mão, do projeto de vida em comum, por exemplo, em que ambos combinem na vontade de ter ou não filhos, status profissional, já que as mulheres buscam parceiros independentes e valores e nível cultural, quando os valores são comuns e um repertório cultural no mesmo patamar. Na busca da perfeição na relação humana, o que realmente importa na vida, é ser feliz, quando as pessoas escolhem alguém com que tenha em comum o nível sócio econômico, o nível de instrução, os valores e quando se encaixe no conceito de um parceiro aceitável, por fim, o ser humano não deve esquecer de buscar a espiritualidade no seu dia-a-dia.

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Quando BIGUACU será Transformado? Em maio do corrente ano comentava com alguns amigos, que o cenário político municipal será nos próximos anos de transformações com expressiva competitividade em diversos setores. Naquele grupo mostrei que entre empresários, advogados, professores, jornalistas e estudantes, dos mais diferentes segmentos, existiam a confiabilidade de que a cidade de Biguaçu continua sendo a “bola da vez”. Isso tudo exige maior grau de comprometimento entre o poder público empresa privada e o individual, capacidade de perceber novas oportunidades e acreditar que não vivemos mais em um período de mudanças, mas sim, a mudança de um novo período. Amplitude de um campo de visão: Apresentei recentemente uma palestra no setor de vendas de uma conceituada empresa. Naquela oportunidade foi enfatizado que o administrador, o profissional precisa romper a visão limitada, para atuar com uma visão de longo alcance. O interessante é que isso não pode acontecer somente na área comercial. O município é a “bola da vez”, não pode estar em um processo revitalizado, mais sim, deve passar por grandes transformações, por exemplo, geração de empregos, construções de obras: Mercado público, Rodoviária, Melhorias de obras em diversos bairros da grande Biguaçu. Nesse prisma, cada ser humano precisa aproveitar oportunidades que estão diante de si. Mas como fazer isso? Investindo e qualificando pessoas, abandonando gradativamente as frustrações e as inseguranças, na medida em que um elevado investimento educacional passa ser valorizado com inovações empreendedoras na sua comunidade. Quando se diz que a humanidade chegou a um período de transformação e que teve que se elevar na hierarquia dos mundos, não veja nestas palavras a verdade mística, mas ao contrário a realização de uma das grandes leis fatais do universo contra as quais se quebra a toda má vontade humana (os maias e os astecas). Diz um ditado popular “quem não é visto não é lembrado”:

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exemplo verídico do quanto à cidade está revitalizada é constatado na publicidade em veículos de comunicação, mas, não transformada. Quem percorre os diversos bairros, percebe nitidamente, que é necessário investir sempre em melhorias como: Educação, Segurança, Habitação, Iluminação pública, Saneamento básico, Limpeza de ruas, Creches, Postos de Saúde, Escolas, Terceira idade, Moradores de rua, Transporte coletivos com qualidade, Catadores de papéis e papelões, Moto táxis, Passeios público em condições para que as pessoas com necessidades especiais transitar etc. No seu bairro leitor, como estão os investimentos por parte da administração municipal? Quem não é lembrado, desaparece da mente do cidadão Biguacuense. O que você esta esperando para cobrar as melhorias prometidas, pois, o amanhã é incerto e o momento de cobrar e acompanhar são agora nas eleições de outubro de 2012. Para finalizar, leitor não deixe a oportunidade passar para reclamar do abandono de sua comunidade e do desenvolvimento de sua cidade, diante dos seus olhos, acredite em você, solicite a presença do seu vereador, do prefeito no seu bairro no período dos quatros anos, para que você cidadão tenha na sua comunidade melhor qualidade de vida e seja transformada com verdadeiros investimentos. Fraterno abraço a todos e a vida segue........ !

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MAÇONARIA X FILOSOFIA Atualmente a história da maçonaria deixa de ser secreta e passa ser discreta. A maçonaria é uma das sociedades mais antigas da humanidade. O maçom é identificado como “cortador de pedra bruta”, suas origens remontam ao tempo dos egípcios, onde um grupo de homens que sabiam cortar pedras e o oficio de construir, reuniam-se secretamente, passando apenas de boca para ouvido os segredos destas duas artes. Com o passar dos anos, a maçonaria foi se sofisticando e adquirindo conhecimentos que somente revelava aos seus integrantes. Entretanto, no fim da idade Média e inicio da idade Moderna, a maçonaria toma outro rumo inserindo-se ao iluminismo, de onde a frase de sua máxima de “liberdade, Igualdade e Fraternidade”. No decorrer do tempo, na sua evolução voltada ao legado histórico de puro amor em defesa à liberdade, lhe acarretaram grandes inimigos que, segundo o líder dos maçons na época, quando lhe imputaram uma série de adjetivos pejorativos, como adoradores e praticantes de rituais satânicos, ateus e outras acusações, por não terem sido aceitos na Ordem ou por oposição, a práticas que feriam seus princípios liberais. É sabido que a maçonaria não é uma religião, é uma associação de homens livres e de bons costumes, que tem por objetivo fazer feliz a humanidade pelo amor, pela tolerância e pelo aperfeiçoamento dos costumes. Atualmente a maçonaria age através da consciência de seus membros. Encontramos na sociedade homens de ilibada conduta e com capacidade e vontade de fazer. Nesse caminhar, o maçom sendo livre e de bons costumes, toma-se decisões em conjunto, em Assembléias e os dirigentes de cada loja discutem as questões maiores e as trazem para reuniões. Nas tomadas de decisões chega-se sempre a um consenso ou uma idéia força, jamais em forma de imposição. Portanto, nenhum

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maçom é obrigado a fazer qualquer coisa que possa ferir seus princípios ideológicos, mas também não pode fazer coisas que atinja a ética e a moral. Para finalizar, a maçonaria na antiguidade, já foi secreta, hoje são discretas, todas as lojas estão registradas em cartórios e seus dirigentes devidamente anotados por ata formal, pos locais onde os maçons se reúnem são chamados de templos e identificados por sinais que toda a sociedade conhece, os maçons são também conhecidos por gestos, sinais, palavras e aperto das mãos que ajudam a identificar um irmão da Ordem Maçônica. Na discrição, a maçonaria na atualidade tem espaço para as mulheres em entidades para-maçônicas, que contribuem muito na área social. Outro ponto importante, uma associação como qualquer outra denominada como irmãos e, sendo assim, como poderia exigir que um irmão permanecesse em nosso meio contra a sua livre vontade? O maçom pode sair da loja e, voltar um dia quando sentir saudade, seus irmãos o receberão.

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MOTOCICLISMO é uma paixão! Desde os primórdios da vida, mesmo em pequenos passeios ou viagens, sempre se exigiu preparação para que fosse realizada com sucesso. De um modo abrangente, e não necessariamente, isto não ocorre no motociclismo... Já que é fruto de uma paixão, e não da razão. As pessoas observam que vestimos roupas de couro ou macações coloridos bem apertados, deconfortáveis, capacetes são para chamar atenção. Respondo que não, serve para nos proteger do frio e para a segurança do próprio piloto. Entretanto, mas uma vez que as viseiras são levantadas, o que se vê são olhos bonitos, limpos e cheios de lágrimas; olhos onde você poderia se perder neles, chegar a suas almas e ver o quanto pura elas são. Na chegada do destino, tira-se as roupas e capacetes, você leitor verá que somos como crianças grandes, nada mais que isso… Gostamos da vida, no prazer da aventura, da brisa no peito. Para os não aventureiros de plantão, que ao subir na moto, anjos e demônios vão conosco! Pode até ser verdade. É um tipo de dualismo que faz esse estilo de vida ser tão rico em emoções, que fazem o coração bater mais rápido, parecendo que vai sair pelo peito a qualquer momento... Demônios fazem você acelerar.... Irracionais e violentas aceleradas, na hora que a adrenalina corre direto pelo corpo e você fica tremendo por vários minutos... Mas nada se compara à quantidade de lembranças fantásticas, em “flashes”, que possa durar uma eternidade de risadas e que deixam a vida muito mais alegre... Risadas altas e profundas que vem do coração, tão altas que fazem o sol brilhar num dia nublado. Mas as surpresas se encontram com o legado da história de um dos nossos últimos passeios... Alguma curva da estrada de sua montanha preferida ou alguma viagem e você se perderão naqueles olhos sorridentes, naquele sorriso natural que, gradualmente, se espalha pelo rosto inteiro.

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Quando perguntado por que viaja ou passeia de moto: Não sei por que, só sei que viajo! Mas converse com qualquer um motociclista e pergunte como a vida seria, se algum dia tivesse de desistir dese imensa paixão... Para finalizar, na verdade, o motociclista não depende da viagem em si, ou da distância a ser percorida, tudo esta na paixão de ser livre nas estradas que levam ao desconhecido, já que a mesma viagem, que para alguns motociclistas é uma grande aventura, para outros é um simplesmente um passeio. Para “os motocliclistas de grandes aventuras - GAU - sem duvida, moto é o sonho que caminha”.

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TERCEIRA IDADE X SAÚDE

Apesar da população da terceira idade ser atuante na grande São José ter uma boa qualidade de vida, comparando com outros municípios da federação, ainda há muito que melhorar. Essa população há muito tempo esquecida, espera do governo, de Dilma Rousseff, um sério problema a enfrentar, o envelhecimento da população e suas conseqüências. Entretanto, estamos diante de um governo que no último debate televisivo em sua campanha eleitoral para Presidenta do Brasil, pouco ou quase nada se tratou deste importante tema, e ainda não se manifestou sobre as consequências sociais que podem ser atingidas diretamente nas contas públicas do INSS. Neste horizonte há um preocupante caminho que, com a elevação da idade mínima para aposentadoria, já que a expectativa de vida do brasileiro atingiu a média dos 73 anos e vem aumentando assustadoramente no contexto social. Diante deste fato, no âmbito da Previdência, existe um déficit de R$ 30 bilhões, podendo chegar ao final deste ano a R$ 45 bilhões, pois, este descompasso não acompanha a legislação vigente do país em relação ao futuro mais saudável as pessoas na terceira idade. Outro fato importante diz a respeito à aposentadoria integral por tempo de serviço exige 35 anos de contribuição para os homens e 30 anos para as mulheres, sem consideração da idade, já que a proporcionalidade requer 30 anos de trabalho, com o mínimo de 53 anos de idade para os homens e 48 anos para as mulheres. O que acontecerá nos próximos anos, já que o número de contribuintes para a Previdência Social não deve crescer no mesmo ritmo que a concessão de aposentadorias, o sistema, poderá entrar em colapso. Em sua campanha eleitoral no debate presidencial na TV de

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2.010, não foi apresentado nenhuma proposta dos candidatos sequer, explicando a população nessa faixa etária de idade, pois, fazem parte de descontos de salário para a Previdência. Será que isso não exige uma profunda revisão de nossos representantes no Congresso Nacional? Que futuro espera os idosos? Dentro desse parâmetro uma revisão da idade de aposentadoria paralela à valorização dos idosos no mercado de trabalho deve ser urgente. Para finalizar, é lamentável já que o mercado de trabalho é preconceituoso diante de um fator de que novos empregos deverão se concentrar na faixa etária de 45 anos de idade. Portanto, não foi debatida pelos candidatos em nenhum momento a preocupação com a idade dos mais velhos, sendo um tema delicado, urgente obrigatório, que não promove aos candidatos. A Universidade Federal de Santa Catarina fez um estudo sobre hábitos de pessoas com mais de 60 anos de idade que vive na região metropolitana de São José, foram entrevistados pessoas de 60 a 104 anos de idade, a pesquisa mostrou que boa parte de idosos estão acima do peso; não se alimentam bem, problemas de infraestrutura da cidade, como falta de locais adequados para a prática de exercícios físicos, bairros que não tem calçada, pavimentos esburacados, que em nada contribuem para a situação dos idosos. Envelhecer é bom, desde que se mantenha autonomia financeira e o prazer da vida com saúde. E a vida segue.

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DEUS NO BANCO DOS RÉUS O ilustre colega-mor advogado e brilhante escritor Dr. Paulo Leonardo Medeiros Vieira, aposentado como titular da disciplina de Direito Constitucional da UFSC, após mais de trinta anos de docência, esteve autografando no dia 10 de novembro de 2.010, o respeitado livro de sua autoria na famosa Feira do Livro na cidade de Porto Alegre – Estado do Rio Grande do Sul. Trata-se da 56º feira do livro da capital gaúcha, a onde foram apresentadas diversas obras de autores de diversos cantos do país. Entretanto, sua obra intitula-se “Deus no Banco dos Réus”, sendo uma obra prima de filosofia, teologia, teodiceia e literatura. O autor já havia publicado anteriormente outras obras intituladas “Versão Provisória da Lenda do Santinho”, “Desencontro”, “A fé de Pedro e a Ciência de Tomé, tendo diversos ensaios publicados em jornais e revistas do Brasil e do exterior, tais como o L’ Observa tore Romano”. Pertencendo à Academia Catarinense de Filosofia, mereceu aplausos elogiosos de Lauro Junques, ex-presidente da Academia Catarinense de letras, bem como de teólogo Padre Miron Estoffes e do escritor e jornalista Mário Pereira e vários autores locais e de outros Estados da Federação. O ilustre autor, brevemente estará autografando em Florianópolis o livro em questão, bem como ainda outro, sob o título de “O mundo num Ponto Luminoso”. A sua maturidade, destacando-se o homem de letras comprova sua familiaridade com universo amplo dos escritores e pensadores, com o olhar observador, com fascínio de fragmentar os relatos, pois, sua agilidade narrativa supera qualquer retórica. Medeiros Vieira, também se destaca pela sua habilidade ficcionista que se revelou na estreia com a novela a Lenda do Santinho, reafirma-se com esta narrativa que se lê de um fôlego só... Numa construção textual sofisticada porque clara e simples. Portanto, quem é do oficio sabe que não é fácil Para finalizar, o livro propõe uma reflexão sobre a resposta, 130


assim sendo, mais uma vez o notável escritor da Razão à proposta da Fé, não na perspectiva do púlpito, mas da cátedra; na perspectiva da ciência e não dogma, demonstrando que com o avanço do conhecimento, a ciência chegou ao limiar da transcendência, e se não acolher o mistério correrá o risco de mergulhar no absurdo. O autor alinha-se a Perfeita Coutinho e deplora a conduta dos 67 “sábios” da Universidade La Sapiens, também nos leva pelos caminhos da história; obriga-nos a refletir sobre o sentido da laicidade e da herança cristã. Na esteira desse entendimento, um ser que o criou, e no autor da mensagem renova o conhecimento que tem de si mesmo. Trata-se, portanto, de uma resposta da Ciência ao Ateísmo Militante. Parabéns o autor, a família Medeiros Vieira, na edição da LEDIX - Livraria Editora Xavier .

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JOSÉ RICARDO PETRY

Cadeira nº: 17 Posse: 14-05-2008 Título: Filósofo / Escritor Patrono: Cônego Rodolfo Pereira Machado Título: Cônego / Orador

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Medalha de Ouro Joaquim Gonçalves dos Santos Os Membros efetivos da Academia de Letras de Biguaçu, ocupantes de quarenta cadeiras existentes, intitulados de Acadêmicos, e que são chamados de Confrades e Confreiras, formam um elenco especializado em diversas áreas culturais. Devido a atuação dentro das normas da Academia de Letras, a participação nos eventos culturais, a criação literária, a pontualidade nos compromissos assumidos, e principalmente a contribuição em favor de todos, podemos até afirmar que uma maioria de Acadêmicos, isto é, setenta por cento, merecem uma medalha de ouro; vinte por cento ficariam com a medalha de prata, e apenas dez por cento receberiam a medalha de bronze. A nossa pretensão não é identificar, de fato, no presente momento, quem é OURO, PRATA ou BRONZE, onde damos liberdade aos confrades e confreiras de escolherem qual a medalha que realmente merecem. Nesta oportunidade em que estamos comemorando, festivamente, dezesseis anos de gloriosa existência (20/09/1996 – 20/09/2012), queremos ultrapassar os nossos limites, identificando apenas um Acadêmico que é merecedor de uma “MEDALHA DE OURO”, entre outros merecedores. Seu nome: José Ricardo Petry. Titular: Cadeira nº 17, cujo patrono é o saudoso. Cônego Rodolfo Pereira Machado. Formação: Curso Superior de Filosofia. Função: Tesoureiro da Academia de Letras de Biguaçu. Registros: Filósofo, empresário, pesquisador, escritor e expositor fotográfico, exemplar pai de família, defensor das boas causas em favor do próximo. Sua atividade como Tesoureiro na Academia de Letras de

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Biguaçu, sempre foi pautada pela seriedade, honestidade, pontualidade, presteza nos serviços contábeis, mesmo estando em recuperação de sua saúde após sofrer um atropelamento quando transitava pela rodovia federal, BR 101, em Biguaçu. José Ricardo Petry, não perdeu sua alegria, o otimismo, e o amor que nutre pelos familiares, pelos amigos e pela Academia de Letras de Biguaçu. Temos certeza (Prof. Joaquim, Ex-Presidente e o Dr. Adauto, atual Presidente), que o trabalhador José Ricardo Petry, não aprovará nossa iniciativa de escrever na Antologia 2012 (FAZENDO HISTÓRIA), defendendo e elogiando o Confrade que muito tem dedicado seu tempo e trabalho pelo reconhecimento e brilhantíssimo da Academia de Letras de Biguaçu. José Ricardo Petry, você merece muito mais do que uma MEDALHA DE OURO. Aceite os nossos parabéns e os votos de pronta recuperação em nome de todos os Acadêmicos medalhistas.

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LUIZ NOCETTI LUNARDELLI

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL Livrarias Lunardelli – Diretor Comercial e Financeiro 1965 até 1984 Editora Lunardelli – Editor, Diretor Industrial e Comercial 1970 até 1984 Jornal A Ponte – Jornalista, Editor Chefe e Diretor Geral 1976 até 1985 TV Cultura – Florianópolis – Produtor /Apresentador 1982 até 1984 TV Barriga Verde – Diretor de Projetos Especiais 1984 até 1986 Livros Luiz Lunardelli – Diretor Presidente 1984 até 2002 Super-Atacado Lunardelli – Diretor Presidente 1984 até 2004 Lunardelli Suprimentos – Conselho de Administração 2003 até hoje Marina 3 Mares – Sócio e Empreendedor 2007 até hoje Jornal Notícias do Dia – Colunista de Cotidiano 2009 até 2010 Jornal Biguaçu em Foco – Colunista de Cotidiano 2010 até 2011 Prefeitura Municipal de Biguaçu – Secretário de Comunicação 2010 até hoje EXPERIÊNCIA EM ENTIDADES CLASSISTAS, SOCIAIS E POLÍTICAS Associação Cat. de Editores e Livreiros – Fundador e Presidente 1982 até 1990 Câmara Catarinense do Livro – Fundador e Vice- Presidente 2000 até 2004 136


Fundação Hermon – Fundador e Presidente 2000 até 2003 Diretório Estadual do PP – Secretário de Comunicação Social 2007 até 2009 Associação de Moradores de São Miguel – Vice-Presidente. e Secret. 2007 até 2010 Acatmar – Assoc. Cat. de Marinas – Fundador e Presidente 2008 até 2010 FORMAÇÃO ACADÊMICA Contabilidade – Academia de Comércio de SC Administração de Empresas – UFSC Nascido em 23.01.1954 em Itajaí (SC). Cadeira nº: 19 Posse: 20/09/2011 Título: Jornalista Patrono: João Crisóstomo Pacheco Título: Jornalista

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1971 1977


Tributo a Odilon Lunardelli: o nosso homem do livro No dia 31 de Março de 1965, quando eu tinha apenas onze anos de idade, meu pai, Odilon Lunardelli, abriu as portas da primeira livraria universitária de Florianópolis. Era uma pequena sala da Rua Victor Meirelles, nº 28, na esquina do Comando do 5º Distrito Naval. Desde 1961 ele, que era funcionário público federal lotado nos Correios e Telégrafos, já vendia livros de porta em porta ou em exposições na recém criada Universidade Federal de Santa Catarina e graças ao apoio e estímulo de Felipe Mestre Jou, um engenheiro e editor espanhol, dono de uma grande Livraria em São Paulo, resolveu abrir o seu primeiro ponto comercial. Quando as portas da nova livraria se abriram eu fui o primeiro a entrar e ali passei 36 anos da minha vida, até que, em 1997 o Grande Arquiteto do Universo requisitou a presença de meu pai para o Oriente Eterno, onde ele deve estar trabalhando, provavelmente, com livros. Devo a ele tudo o que sei e o que sou. Naqueles 36 anos de convívio diário forjei meu caráter com a têmpera do trabalho, da honestidade e da lealdade, maior legado que ele me deixou. Ao ser convidado pela Academia de Letras de Biguaçu, para escrever um artigo destinado a compor a sua Antologia Anual de 2012, logo me veio à lembrança a oportunidade de conversar um pouco com os amigos dessa cidade que me acolheu de forma tão generosa, sobre esse homem, cujo trabalho teve um significado muito especial para a cultura catarinense. O mercado editorial catarinense deve muito de sua pujança atual ao empenho de Odilon Lunardelli, pioneiro que suplantou as barreiras de um tempo difícil com o idealismo e a generosidade que caracterizam os grandes homens. Do meu convívio diário, ao longo daqueles anos, trago as melhores lembranças, reavivadas agora nesta Academia, quando tenho a

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deferência de merecer confrades e confreiras que já eram nossos clientes e amigos de longa data, entre eles Adauto Beckhauser, Alfredo da Silva, Angela Regina Heizen Amin Helou, Cesar Luiz Pasold, Esperidião Amin Helou Filho, João Francisco Vaz Sepetiba, Valdir Mendes e Zelka de Castro Sepetiba, entre outros. Quem estudou em Florianópolis entre os anos de 1995 e 2000, muito provavelmente foi cliente da Livraria Lunardelli ou leu algum autor catarinense publicado pela Editora Lunardelli, ou pelo menos folheou algum exemplar do Jornal A Ponte. As experiências, as lições e o aprendizado adquiridos ao longo desses anos através do convívio com Odilon Lunardelli me estimulam a escrever, algum dia, a sua Biografia, pois terei conteúdo para uma obra expressiva. Por enquanto, e neste curto espaço, quero apenas reavivar as minhas melhores lembranças dos amigos, através do resgate de alguns depoimentos rápidos de expoentes da cultura catarinense, mostrando um pequeno perfil desse homem que tanto influenciou a minha vida. Após a sua morte, a União Brasileira de Escritores de Santa Catarina incumbiu o escritor Francisco José Pereira de organizar uma série de depoimentos sobre a sua vida e o seu trabalho , os quais foram reunidos na obra “Nosso homem dos Livros: Odilon Lunardelli”- UBE/SC, 1999, 99p.il. documento de que me valho para estas reminiscências, na voz de nossos inesquecíveis amigos. Alcides Buss (poeta) Odilon Lunardelli desempenhou um papel pioneiro na edição de livros em Santa Catarina. A partir da década de 70, contribuiu de maneira fundamental para que se criasse o conceito de literatura catarinense. Durante anos consecutivos, ajudou a revelar e apoiou novos autores. Sabendo, de antemão, ser uma empreitada difícil, jamais esmoreceu. Até o fim da sua vida manteve-se fiel a esse compromisso tão importante para a formação cultural e afirmação da identidade regional. Carlos Humberto Corrêa (historiador)

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Odilon Lunardelli dedicava um verdadeiro amor pelos livros e seus autores, fossem eles de qualquer área. Mas, além disso, consagrava grande parte de seu tempo voltado às origens de Santa Catarina, seu estado natal e, portanto, a vinculação que teve com os historiadores catarinenses não foi pequena. Tal amor proporcionou o surgimento e a consolidação de inúmeros historiadores, iniciantes ou já consagrados, que tiveram a oportunidade de ver seus trabalhos publicados por uma editora local. Odilon deu a mão, como se diz, aos novos historiadores somente pelo prazer de ver certos temas editados, muitas vezes pouco explorados; ao mesmo tempo, proporcionou também a publicação de trabalhos que se tornaram essenciais para o estudo do passado do Estado. Poucos editores contribuíram tanto e tão profundamente para a divulgação da nossa história Celestino Sachet (professor) Na convivência que mantive com o “Luna”, durante mais de 20 anos, duas qualidades solidificaram a caminhada do editor e do autor. Sempre existiu um completo respeito ao autor catarinense. Em momento algum ele exigiu ou mesmo propôs que o texto sofresse qualquer modificação. E sempre ocorreu um rigoroso respeito à questão dos direitos autorais, pagos, na sua integralidade, logo nas primeiras semanas após o lançamento. Odilon Lunardelli foi um editor modelo. Cyro Barreto ( jornalista) É de se reconhecer que o Jornalista e Editor Odilon Lunardelli, ao utilizar como armas a editoração de jornais e livros, nos limites da liberdade de expressão, merece, sem dúvida alguma, o título post mortem de “Conspirador da Paz”. Flávio José Cardozo (escritor) Ir de vez em quando conversar com Odilon Lunardelli no seu famoso refúgio da rua Victor Meirelles foi um dos bons costumes que tive em matéria de relacionamento humano. O tento numero um de Odilon Lunardelli é o que ele fez pelo livro de autor catarinense. Pouca gente apostou tanto num produto nosso quanto esse homem simples,

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formado duramente na escola da vida. Quase todos os escritores de Santa Catarina passaram pela editora que, muito propriamente, tem por logotipo um coração entre ramos que lembrar um livro aberto. Teve iniciativas pioneiras, promoveu a difusão da leitura, facilitou o acesso ao livro, entendeu a necessidade de uma estrutura editorial para os que por aqui escrevem. Iaponan Soares (escritor) Numa época em que os livros objeto de manuseio ainda mais restrito que nos dias de hoje, o pioneirismo de Odilon Lunardelli foi responsável pelo despertar de inúmeros leitores e, mais importante, pela revelação de muitos escritores cuja carreira talvez fosse precocemente abortada sem o seu empurrão inicial. Ele fazia livros por amor, pouco atento ao retorno financeiro que cada edição traria para a sua empresa. Jali Meirinho ( historiador ) Uma editora e uma livraria, das dimensões da Lunardelli, devem ser consideradas como instituições de cultura, expressão no seu tempo, ao lado de instituições, academias, associações, movimentos e universidades. A literatura catarinense teve acolhida na Lunardelli, com expressivo numero de autores, dedicados ao romance, à novela, ao conto, à crônica e à poesia, com esplêndido e rico elenco d e obras, sem contar as antologias. Instituição impregnada de regionalismo, a Casa de Lunardelli estimulou a produção literária, nas suas diferentes formas, fazendo-a conhecida no mundo de alcance de língua portuguesa. Firmou-se como uma instituição cultural, verdadeira universidade do pensamento catarinense. Marcos Konder Reis ( poeta ) Os grandes homens nunca deixam de operar milagres. Milagrosa, também a capacidade dele de ser amigo. O Luna era um amigo perfeito. Milagrosa, também, sua maneira de saber ou de sentir. Seu faro era esplêndido. Não consigo ficar calado, sem dizer, com toda a coragem que isso exija de mim: no meu amigo Lunardelli, por mais que, lembrando, eu procure, não encontrei nunca um defeito. Ah, como é grande e como dói a saudade que eu sinto dele. 141


Paschoal Apósto Pitsíca (ex-Presidente da Academia Catarinense de Letras) Sempre que um escritor, apoiado por Lunardelli, postulava Cadeira na Academia, ele se revelava um excelente “cabo eleitoral”. Odilon, recolhido no seu minúsculo gabinete de trabalho, situado nos fundos de um labirinto em sua livraria, pessoalmente telefonava para os acadêmicos e buscava os sufrágios necessários. Foi um extraordinário incentivador cultural. Produziu, por várias décadas, algumas centenas de obras voltadas aos escritores de Santa Catarina. Quando Odilon partiu, a Academia Catarinense de Letras chorou a perda de um grande e leal amigo. Salim Miguel ( escritor ) Costuma-se repetir que a paixão do livro se sustenta em dois pólos: o autor e o leitor. É um equívoco. Junto a eles estão o editor, o gráfico, o distribuidor, o divulgador, o bibliotecário, o bibliófilo, o livreiro – nesta ordem ou na ordem que desejarem. Se me pedissem para apontar um livreiro singular, eu não titubearia um segundo: Odilon Lunardelli. Raramente saia da sua toca, um pequeno escritório, também atulhado de livros. Ali chegava cedo e ia embora pela noite. Não saia nem para o almoço, que lhe vinha do lado, da Kibelândia. Com freqüência era naquela hora que eu ia lá. Ficávamos conversando, trocando idéias sobre livros, sobre as crises. Salomão Ribas Junior ( jornalista) No seu diminuto, escuro, e assim mesmo acolhedor recanto, no interior da livraria, Odilon adorava receber os amigos e conhecidos, especialmente nas manhãs de sábado. Era onde estimulava todos nós a escrever e escrever sempre. Isso valia para os jovens e para os velhos preguiçosos. Por ali passávamos todos, os de direita e os de esquerda, os do meio, e só não havia lugar para os sem-idéias. Silveira de Souza ( escritor ) No início dos anos 60, lembro que saia de uma das salas da Faculdade de Direito, que ainda funcionava na rua Esteves Junior, quando

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fui abordado no pátio pelo rapaz de conversa e sorriso francos. As suas intenções eram claras e honestas: apresentar um mostruário de livros das editoras que ele estava representando em Florianópolis. Fomos até o bar da Faculdade e, enquanto íamos levando xícaras de cafezinho do balcão até uma das mesas do salão do bar, o rapaz se apresentou como Odilon Lunardelli. Era funcionário do Correio. Disse-me que não estava nada satisfeito com a vidinha de funcionário. Iniciava-se no comércio de livros e o seu sonho verdadeiro era poder ter um dia a sua livraria e editora, e assim poder editar e divulgar os escritores de Santa Catarina. Urda Alice Klueger ( escritora) Ele passava os dias da sua vida no escritório. Era uma salinha acanhada e escura, com muitos livros, uma cadeira, uma televisão e um sofá antigo. Quem não soubesse, não diria que era ali que se decidiam os destinos da maioria dos escritores de Santa Catarina. É difícil encontrar um escritor de nosso Estado, que não tenha passado por aquela sala, que não tenha sentado no sofá escuro esperando uma decisão, que não tenha tido ao menos um livro com a logomarca da Lunardelli. Uma marca famosa. Ter na capa do livro da gente as palavras “Editora Lunardelli” era um orgulho e uma honra. Ele nunca me disse. Mas eu li na “Veja”: a Lunardelli era a sexta maior editora do Brasil. Se a editora cresceu assim, foi devido a um sonho, ao idealismo do seu criador, que trabalha pelo coração e não visava lucro. Extremamente honesto, Lunardelli nunca ligou para as leis de direitos autorais que manda as editores prestarem contas com os autores a cada seis meses. Mal e mal o livro novo ou a edição nova na praça e já estava ele a nos mandar um cheque que cobria a edição inteira. Sinto-me órfã, sem ele. E o meu coração,machucado, pulsa dizendo sempre essas palavras: “ Adeus, meu amigo. Que a luz perpétua o ilumine, como você iluminou a minha vida.”

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OSMARINA MARIA DE SOUZA

Natural de Florianópolis. Nasceu em 17 de novembro de 1929. Faz poesias e crônicas. Sócia e fundadora da Associação dos Poetas, Cronistas e Contistas Catarinenses. Fundadora da Academia São José de Letras, da Academia Desterrense de Letras e da Academia de Letras de Biguaçu, Voluntária no Núcleo de Estudos da Terceira Idade-UFSC. Fez o Curso de Monitora da Ação Gerontológica do NETI-UFSC. Tem participação em muitos seminários e Congressos bem como na Primeira Conferência Nacional para Política da Pessoa Idosa, em Brasília, Faz parte da Missão Açores com participação na Escola de Ensino Superior em Setúbal- Portugal e na Universidade dos Açores na cidade de Ponta Delgada, nas Ilhas: Graciosa, do Pico e Faial nos Açores. Cadeira nº: 20 Posse: 18-12-1996 Título: Poetisa Patrono: João Nicolau Born Título: Político / Orador 144


SOBRE A CRÔNICA Aprendi com Antonieta de Barros, de quem fui aluna nos idos de 1943 a 45 que Crônica é a maneira mais gostosa de narrar um fato, seja pitoresco ou dramático, e que a crônica deve ser curta e preferencialmente na primeira pessoa. É considerada a mãe generosa que abriga até mesmo quem não gosta de escrever. Li na internet que é a narrativa, de fatos históricos ou de temas do cotidiano e também que é de bom tom que seja curta. Porém, o grande escritor e historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, ao finalizar seu livro em dois volumes com mais de quinhentas páginas cada um agradecia a todos que leram sua crônica intitulada Nossa Senhora do Desterro. Bem longa a sua crônica, porém de leitura super agradável e importante. A crônica tem estilo coloquial, conta fatos do dia-a-dia relata o cotidiano real da vida das pessoas enquanto o conto e a fábula contam fatos inusitados e até fantásticos. Sobre crônica transcrevo a seguir palavras do escritor Júlio de Queiroz, um mago na literatura catarinense, em sua Seleta Literária – Disto e Daquilo, página 9. que diz: “A crônica é hoje um artigo de jornal que, em vez de relatar ou comentar acontecimentos do dia, oferece reflexões sobre literatura, teatro, política, acidentes, crimes e processos e sobre pequenos fatos da vida cotidiana. Sempre se prende à atualidade sem excluir a nostalgia do passado. Pode ser tendenciosa crítica, mas sem agressividade. Costuma misturar sentimentalismo e humorismo”. O título de uma crônica, preferencialmente, deve ter mais de uma palavra para atrair a atenção do leitor, e uma pitada de amor, de graça e de carinho. Se intitularmos a crônica simplesmente GATO os leitores geralmente viram a página eles já sabem o que é um gato, mas se o título for AS PERALTICES DO MEU GATO, todos querem saber o que este gato anda fazendo. 145


Se o título for simplesmente GAVETA também todos sabem o que é uma gaveta, mas se for OS SEGREDOS DA MINHA GAVETA, todos querem saber o que guarda aquela gaveta.O Título tem que atrair o leitor. - Crônica é devaneio, é a libélula do devaneio: Palavras de Júlio de Queiroz..

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SANTA CATARINA, UM ESTADO MULHER Considerada como a Europa Brasileira, Santa Catarina é na realidade uma cópia daquele continente. Belos panoramas, todas as estações climáticas bem definidas. Sol ardente e neve, brisa amena e ventos fortes. Tudo está aqui, frutas as mais sofisticadas e saborosas. Juntamente com os vizinhos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná forma o celeiro do Brasil. Um eterno jardim onde além de perfumadas flores habitam pessoas naturais e descendentes de muitos países . Povo trabalhador, feliz e festeiro. A ilha de Santa Catarina, parte deste jardim, é tida como O JARDIM DO BRASIL ; e a orquídea foi escolhida como a flor símbolo do Estado e a azálea como símbolo da cidade de Florianópolis. O povo é desbravador. O açoriano que colonizou o litoral, aventurou-se, subiu a serra e foi juntar-se aos nativos do oeste: índios guaranís, gaúchos colonizadores, descendentes de todas as raças, muitos deles emigrados do vizinho Rio Grande do Sul. Há neste Estado figuras lendárias, históricas: João da Cruz e Sousa, Luís Delfino, Nereu Ramos, Índio Condá, Hermann Blumenau, Aleixo Garcia, João Maria, José Maria e muitos outros. Para concretizar a união entre os dois estados do sul temos José Antônio Picoral, nascido na vizinha cidade de São Pedro de Alcântara- SC e é o responsável pela fundação do Balneário Picoral, marco histórico na cidade de Torres-RS que veio provocar o grande desenvolvimento e prosperidade daquela cidade. Uma lenda no litoral norte do Estado nos diz: Irina, uma fada, jogou do mar em direção à terra sementes de uma planta misteriosa. As sementes germinaram e cresceu o majestoso Flamboyan que floriu. A brisa soprou, abriu as vagens e espalhou por todo o Estado as sementes, que se encheu da bela planta. Para ser lembrada Irina foi petrificada e eis as grandes pedras de Cabeçudas no litoral da região de Itajai. 147


As bruxas também nas belas noites de luar sobrevoaram em bando a ilha Capital, e também sobre todo o arquipélago, de trinta e quatro ilhas. Cansadas choraram copiosamente. Suas lágrimas foram tantas que delas surgiu a linda Lagoa da Conceição. Outra lenda muito conhecida é a de que as fadas e bruxas fizeram uma festa nas águas de Itaguaçu. Dançaram e cantaram muito por toda a noite. Esqueceram, no entanto, de convidar o bruxo rei, que a tudo assistia da praia. Quando a festa terminou o bruxo lançou seu castigo. Petrificou todas que estavam na festa, e lá continuam até hoje na mesma formação, agrupadas ou não, as Pedras de Itaguaçu. Dizem até que uma delas, a mais bela é a Raínha Cleópatra. Muitas são as lendas e histórias de bruxas na Capital, razão de ser chamada de Ilha das Bruxas, Ilha da Magia. Além de se orgulhar de suas lendas Santa Catarina tem ainda a marca característica da Mulher. Uma delas Anita Garibaldi, a Heroína de Dois Mundos, nascida em Laguna. Exemplo de mulher forte, ativa, guerreira, sem medo que provou ser o amor, o sentimento mais forte. É de Anita esta frase: “Estarei a teu lado nos bons e maus momentos, com amor constante. Não me peças que fuja da luta, onde vives ou morres eu também viverei ou morrerei”. Uma outra mulher cujo nome jamais poderá ser esquecido entre a relação das mulheres ilustres é Antonieta de Barros, nascida em Florianópolis. Mulher negra, filha de uma doméstica, com sua irmã Leonor muito lutaram para vencer o preconceito social e racial. Nascida no início do século vinte, com muito sacrifício de seus pais, estudou. Foi professora primária. Com sua irmã fundou em sua residência à rua Fernando Machado a Escola Leonor de Barros. Foi Diretora do Instituto Estadual de Educação, ao tempo em que também lecionava português. Elegeu-se por duas legislaturas Deputada Estadual, quebrando mais uma vez o preconceito. No Estado de Santa Catarina foi a primeira mulher a eleger-se para a Assembléia Legislativa além de ter sido a primeira negra no Brasil a ser eleita para um

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cargo desta natureza. Sempre lutou pela classe dos professores, os quais achava serem muito mal remunerada. É de Antonieta de Barros a Oração do Mestre da qual transcrevemos aqui uma frase: “ .... Bem hajas Tu senhor, que na Tua infinita bondade me fizeste Mestra! Diante de Ti, de joelhos, meu coração, pela graça de Tua escolha! Mestra Senhor! Bendito sejas.....” Na área da literatura destacamos no século passado algumas mulheres famosas e bem sucedidas. Castorina Santiago, Delminda Silveira, Maura de Senna Pereira, esta última, moça pobre que se formou no Magistério. Foi professora primária, arrimo de família. Paralelo ao trabalho de mestra escrevia poesias e artigos para os jornais. Foi uma mulher de garra que explodiu nos meios literários de Santa Catarina do Brasil. Na Academia Catarinense de Letras ocupou a Cadeira nº38 É de Maura esta estrofe da poesia COLHEITA... Fui ontem colher na lua, Antúrios que lá plantei, Tomei o meu barco alado E logo à lua cheguei E pela graça Divina, Santa Catarina foi contemplada com uma jóia. Uma ilha cujo desenho para alguns tem a formação de uma baleia, para outros de um golfinho e, ainda, para outros a de uma bruxa. O que se sabe é que é a ilha mãe deste arquipélago de 34 ilhas costeiras, todas de um verde magnífico, piscosa e de belos panoramas.

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A PRAGA DE DONA GENEROSA Dona Generosa, uma viúva, morava com sua filha em uma modesta casa no Bairro Agronômica. Recebia mensalmente uma pensão muito modesta deixada por seu saudoso e amado esposo. No quintal dona Generosa tinha algumas galinhas que lhe garantiam ovos para as omeletes e também a malhada, uma cabra que diariamente de fornecia uns copos de leite, além de um pequeno cercado onde plantava cheiro verde, alface e alguns pés de nabo couve. Coisa, dizia ela, para o gasto diário. Rozinha, a filha de dona Generosa, cresceu e se apaixonou por Zé Abílio, um sargento da Polícia Militar. Apaixonados resolveram casar e dona Generosa só impôs uma condição: que esperassem até que ela construísse uma edícula, pois não queria morar junto com a filha e o genro para não interferir na vida conjugal de ambos. Tudo combinado, tudo feito e o casamento realizado muito modestamente. Dona Generosa estava feliz, o genro era bom moço, o neto já anunciava sua chegada a cabra lhe garantia o leite diário. Aos domingos sempre, ou quase sempre, uma galinha ensopada no almoço. Certo dia o genro, o Zé Abílio chegou mais tarde em casa reclamando com dor no estômago e na barriga e dona Generosa lhe deu um chá de ervas para aliviar sua dor. À tardinha dona Generosa foi buscar sua cabra no pasto onde sempre a amarrava para pastar, mas cadê a cabra? Sumiu. Quem havia roubado sua bita? Ah! Quem a roubou há de ter uma dor de barriga, gritou dona Generosa muito irada. Na manhã seguinte, penalizada com as dores de seu genro, se prontificou a ir na “Dona Araci Margarida” (senhora muito conhecida na cidade) buscar uma homeopatia, uma “doza” na sua maneira simples de falar. Na volta, já com o vidro do remédio que fora buscar, dona

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Generosa viu nos fundos de uma casa lá no Pasto Sul América, um couro de cabra esticado ao sol. Reconheceu. Era de sua cabra. Bateu á porta da casa e perguntou a uma senhora que veio atendê-la: - Pode me informar onde seu marido comprou esta cabra? - Não foi meu marido que comprou. É que ele ontem estava de aniversário e os amigos fizeram aqui um churrasco de cabra para homenageá-lo. - Sim, mas e a cabra como chegou aqui? Quem comprou foi o sargento Zé Abílio com o dinheiro de uma cota entre amigos. Eu não comi porque não gosto de carne de cabra, mas eles se refestelaram, minha senhora. Mas por que tanta pergunta.. - Nada, não senhora, é que eu pensei que fosse a minha cabra que foi roubada. Até logo e obrigada, disse dona Generosa. Já nervosa. Ao chegar em sua casa Zé Abílio veio ao encontro da sogra, querendo tomar a tal homeopatia, mas dona Generosa, bufando que nem um bode, abriu o vidro do remédio e disse: - Seu ladrão de uma figa, você roubou a minha cabra para festejar o aniversário do seu amigo e ainda cobrou de todos que lá estavam. Você não é aquele genro que eu sempre pensei que fosse. Não tem homeopatia e derramando o líquido nos pés do Zé ela completou: Vai cagar o resto da vida se depender de mim, nem uma colher de remédio, seu ladrão de cabra. Alguns meses depois encontrei o Zé Abílio, segurando a barriga. Achei-o muito fraco, não sei se a praga de dona Generosa ainda está fazendo efeito...

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Orival Prazeres

Filho de pais biguaçuenses: Esmeraldino Prazeres (In memoriam) e Georgina Faria Prazeres. Segundo uma família de 12 irmãos, é natural de Brusque (SC), nascido em 15/02/1938. É casado com Maria Helena de Lara Prazeres e possui quatro filhos: Sandro, Luciano, Daniela e Cristina, possuindo quatro netos: Mateus, Igor, Davi e Luiza. Assistente Social, graduado em 1975 pela escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O Curso de Serviço Social, teórico e prático, foi cumprido na Faculdade de Serviço Social de Santa Catarina, agregada à Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, no período entre 1962 a 1964, quando foi interrompido pelo golpe militar, com sua prisão em 07 de abril de 1964. Aposentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA em 1991, após mais de 35 anos de serviços prestados como servidor público municipal, estadual e federal. No exercício de suas funções no órgão federal durante 31 anos, atuou em Florianópolis –SC (1960 -1971 e 1987 -1991), Belo Horizonte –MG (1971 -1976) e Brasília –DF (1976 -1986).

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Pertence à Academia de Letras de Biguaçu, ocupando desde 2009 a Cadeira nº 21 – Jorge Lacerda. Possui vários artigos publicados sabre política, ética e cidadania. O presente livro “A Saga do Casarão Born” é sua primeira obra literária. Nascimento: 15-02-1938 Cadeira nº: 21 Posse: 14-05-2008 Título: Escritor Patrono/Patronesse: Jorge Lacerda Título: Político / Orador

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1964, prisão em Biguaçu? Desde o golpe militar, na madrugada do dia 1º de abril de 1964, as prisões de cidadãos em todo o Brasil eram notícia. Muitas delas, em Florianópolis e nas principais cidades de Santa Catarina, como Criciúma, Lages, Itajaí, Blumenau, São Francisco do Sul e outras. Na época era estudante de Serviço Social na Capital e trabalhava para o Governo Federal, na Superintendência de Reforma Agrária, a SUPRA, hoje INCRA. Arredio, com o temor de vir a ser preso, mesmo assim mantinha a rotina em torno dos estudos e do trabalho em Florianópolis. Em um desses primeiros dias de abril, voltando ao trabalho na rua Bocaiuva, percebo ao chegar na Praça XV, vindo da rua Conselheiro Mafra, pequena movimentação de pessoas e muita fumaça à minha frente. No meio da rua, uma fogueira de livros, jornais e revistas em chamas, onde policiais agentes do DOPS, sem o mínimo escrúpulo, consumavam o arbítrio e o terror, queimando em praça pública todo o acervo comercial da Livraria Anita Garibaldi, ali em frente. O silêncio só era interrompido pelo crepitar do fogo. As pessoas comovidas olhando, sem entender. Um espetáculo triste e vergonhoso! Tradicional ponto de venda de livros, principalmente sociologia, literatura, filosofia, política, economia e ciências sociais, muito procurado por acadêmicos e intelectuais, fechado, como se amaldiçoado fosse. Cheguei até as cordas ali colocadas pelo pessoal do DOPS e da polícia, circundando a fogueira. Apenas chamas, cinzas e livros sendo consumidos... Cabisbaixo, mais arredio ainda, segui para o trabalho. No âmbito universitário, em Florianópolis, ainda não havia notícias de prisões, mas logo, logo, certamente iriam acontecer. No início da noite do dia 07/04/1964, quando retornava de Florianópolis para a residência de meus pais em Biguaçu, o ônibus em que me encontrava foi mandado parar na entrada da cidade, no ponto de ônibus em frente da casa do Nico Freiberger, no início da rua Coronel Teixeira de Oliveira,

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por um grupo de policiais militares, comandado pelo Sargento PM Valdir Faria, de conhecida família da cidade e com quem tinha boas relações. O policial, postado na porta dianteira do ônibus, indagando sobre minha presença, deu-me voz de prisão, mandando que descesse ali, a pouco menos de 300 metros da casa de meus pais, com quem morava. Estava anoitecendo, era em torno de 19:30 horas. Vestia sobre a camisa de mangas curtas, uma blusa de malha fina, cor vermelha, quase grená. Não me deixaram ir até em casa, deixar minhas coisas: a pasta com cadernos, livros da Faculdade e uma caixinha de “slides” coloridos, utilizados no projeto de alfabetização de adultos, do conhecido “Método Paulo Freire”, material indispensável para o curso que estava desenvolvendo junto à comunidade do Morro do Céu, Agronômica, na Capital, e que poderia ser a principal prova para a minha prisão. Essa atividade se constituía em estágio prático do curso de serviço social, supervisionado pela Faculdade de Serviço Social da UFSC, com vistas à elaboração de Trabalho de Conclusão de Curso, uma exigência da escola até os dias atuais. Era o final de um dia de estudos e de trabalho. Pela manhã, a Faculdade de Serviço Social, na rua Victor Konder, Centro, Florianópolis. À tarde, o trabalho na Superintendência de Política de Reforma Agrária, a SUPRA, bem próximo da escola, na Rua Bocaiúva. Nesse dia, logo ao chegar ao trabalho, por volta das 13:00h, já sabia que minha prisão seria iminente. A informação recebida, segundo a qual o DOPS ali estivera durante a noite, e o desaparecimento de diversos documentos das gavetas e arquivos da repartição, em especial as cópias dos meus “relatórios de estágio”, não deixavam dúvidas quanto a prisão iminente. Durante todos esses primeiros dias de abril a tensão era muito grande. Sabia que a qualquer momento seria detido. Agora, com a apreensão de documentos “comprometedores”, já não mais tinha dúvidas. Foi nesse estado de alma que, após o expediente na SUPRA, como em todos os dias, retornei para casa em Biguaçu, para ser preso como “agente da subversão”.

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Desci do ônibus, sendo recebido por uma escolta de 04 a 06 militares (alguns meus conhecidos, pessoas de Biguaçu, inclusive ex-alunos de minha mãe, quando professora) e imediatamente colocado em uma kombi militar, com destino a Florianópolis. Chegando ao Morro da Bina, a viatura parou. Era uma noite muito escura. Escuridão total. Fui forçado a descer para revista. Eram ordens superiores. Retornando à kombi, no banco do meio, ladeado por dois militares, todos armados com fuzis, seguimos para a Capital. O destino, Secretaria da Segurança Pública, no Edifício das Secretarias, na rua Tenente Silveira, esquina com a Arcipreste Paiva, e posteriormente ao DOPS, em algum lugar nas imediações das ruas Anita Garibaldi, General Bittencourt e Avenida Hercílio Luz, no Centro. Na Secretaria de Segurança mandaram-me sentar em uma cadeira no centro de uma sala. Havia uma mesa de escritório, um armário ou estante. Não me lembro de nenhum outro móvel na sala. Ali fiquei durante um bom tempo, só, até que o titular da Pasta da Segurança, o todo poderoso Secretário Jáder Magalhães, líder integralista filiado ao partido político de Plínio Salgado, o grande líder nacional do PRP (Partido de Representação Popular), adentra ao recinto, cigarro no canto da boca, andando ao meu redor e inquirindo-me de forma ofensiva e desrespeitosa... - Então, você é o “comunistazinho de Biguaçu” ..! Foi nesse tom e outras do gênero, na base da gozação, inclusive com intimidações à cerca do destino a ser dado a todos os chamados “agentes da subversão” – falavam sobre a ilha das Flores e outros locais presumíveis, onde seriam encaminhados os subversivos presos pela “revolução”. Falava fumando muito e lançando fumaça ao centro da sala onde me encontrava. De vez em quando alguém lhe trazia café, outros vinham fazê-lo companhia, realizando também suas encenações. Não me lembro de haver respondido ou que tenha respondido a qualquer possível indagação feita. Sei que tudo não passou de simples intimidações e encenações, sem qualquer registro formal. Sem saber exatamente o tempo em que me mantiveram nessas condições, fui mais

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tarde conduzido ao DOPS, fora da Secretaria. No hall dos elevadores, vi meu pai acompanhado de algumas lideranças políticas em busca de minha soltura, entre eles os Deputados Lauro Locks (PSD) e Fernando Viegas (UDN), ambos meus amigos, pessoas muito ligadas à política de Biguaçu e região da Grande Florianópolis. Incomunicável, impedido de falar-lhes, cheguei ao DOPS, levado à presença do seu temido chefe. Nada além de intimidações e encenações. Arrogante, lembrava-me “que era a hora da prestação de contas”, referindose a telegramas que como presidente do Centro Acadêmico de minha Faculdade mandara algumas vezes ao Secretário de Segurança, protestando contra ações policiais realizadas em represálias ao movimento estudantil na Capital, e outras manifestações. Eram cerca de 05:00h da madrugada do dia 08/04, quando fui conduzido ao 1º Batalhão da Polícia Militar, na rua Nereu Ramos. Ali, ao lado da guarita, na entrada do Batalhão, permaneci durante um bom tempo, até que ao amanhecer fui levado ao seu interior, numa sala no andar térreo, onde já haviam alguns presos. Deixado ali, extremamente cansado, lancei-me sobre a cama-beliche. As recordações de casa, minha mãe, meu pai e irmãos, minha noiva Baiana, não me deixavam dormir. Parecia estar tranqüilo, mas era medo. Sentia muito medo mesmo. Além do mais, o murmúrio dos novos companheiros, ao meu redor, ainda desconhecidos, querendo saber quem eu era, também ajudavam a manter-me acordado, mas de olhos fechados. Durante algum tempo, assim permaneci, até a chegada do “café da manhã: pedaços de pão de trigo, com uma cobertura de margarina, que detestava, e um café muito ruim. Estava faminto e assustado. Surpreso, dei-me conta de ali ser o único estudante preso. Nenhum dos meus amigos e líderes estudantis encontrava-se ali. Será que existiam outros locais com pessoas detidas na cidade? Logo vim a saber que na Penitenciária do Estado, na Trindade, também haviam detidos, inclusive estudantes. Logo reconheci as pessoas a minha volta, entre eles o Salim Miguel (sua esposa, Eglê Malheiros, foi minha professora de História 157


no Colégio Estadual Dias Velho). Todas pessoas muito conhecidas do cotidiano do centro da cidade, na praça XV, rua Felipe Schmidt e adjacências, onde obrigatoriamente todos se encontravam. Conhecia o Salim como jornalista ligado ao Gabinete do Governador do Estado, assessor de imprensa e dono da Livraria Anita Garibaldi, localizada no centro, de frente para a praça XV, entre as ruas Felipe Schmidt e Conselheiro Mafra. A lembrança do episódio da queima dos livros na Praça XV logo me veio à mente. Era uma pequena livraria, com estante de livros na entrada em um pequeno corredor, sala aos fundos, que nunca acessei, nada comparado às livrarias dos dias atuais. Os livros da Editora Zahar, com seus temas sobre sociologia, filosofia e política, me encantavam. Ali conseguia ver o Salim Miguel, pessoa que eu sabia ter ligações com Biguaçu, onde vivera parte de sua infância e juventude. Embora nunca houvesse falado com ele. Ao vê-lo logo imaginei ser ele uma pessoa que poderia nos ajudar a sair dali, dada sua proximidade com o poder e influência que julgava possuir junto às autoridades. Os demais, o Mário Moraes, funcionário do Teatro Álvaro de Carvalho e conhecido nas rodas populares do ponto Chic (hoje o Senadinho) e redondezas, o Nezinho, funcionário dos Correios e o velho Dibo, gráfico, que sempre o via entrar na Livraria do Salim, esses todos eram uns coitados como eu me julgava ser. Assim foi o meu primeiro despertar (se é que consegui dormir) na prisão. Uma pequena sala interna, localizada no térreo, possivelmente usada como depósito ou destinada à detenção de policiais faltosos. Logo nos primeiros dias de prisão, com a chegada a todo o momento de novos companheiros detidos, lotando o ambiente, fomos deslocados para o andar superior, onde um grande salão dormitório nos aguardava, de frente para a rua Nereu Ramos. O local servia como alojamento de soldados, agora transformado em prisão política, chegando a abrigar mais de sessenta presos incomunicáveis.

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A vida na prisão Guardo na consciência aqueles dias sombrios, de muita angústia, medo e de incertezas. Completados meus 26 anos de idade, confesso que não me sentia preparado para viver aquele momento estranho e grave da vida política e institucional do País. O fato de estar preso, guardado sob severa vigilância militar, incomunicável, me era tão absurdo quanto estúpido. Não conseguia imaginar estar eu ali, na condição de preso político. Até hoje, não consigo ver-me preso, sob algemas, visto como um criminoso pelas pessoas. Afinal, que crime havia cometido? Como liderança estudantil, buscava na discussão interna, na faculdade, interpretar a realidade política e social à luz de textos bíblicos, do Evangelho de Cristo e de encíclicas papais, amparado nos estudos e avaliações junto à JUC – Juventude Universitária Católica. Fora da escola, na repartição onde trabalhava, a SUPRA – Superintendência de Política e Reforma Agrária, minha atuação se baseava na lei e normas institucionais vigentes, emanadas da Administração Central. Na condição de mero servidor administrativo, atuava na conformidade de contratado sob o regime da CLT, com remuneração mensal calculada de acordo com número de horas trabalhadas, em razão de meus estudos não permitir tempo integral. Afinal, que crime tão hediondo poderia ter cometido, para estar ali preso, incomunicável, um mero servidor público celetista, morador de uma cidade periférica como Biguaçu, um barnabé de salário mínimo? Como um estudante de uma faculdade dirigida por freiras, sem nenhum “status” no meio universitário, poderia representar um perigo iminente para a sociedade local ou nacional? Ex-seminarista (1949-1951) e exudenista desde 1960, quando ingressei no Serviço Social Rural, absorvido depois pela SUPRA em 1962, não mais exercia qualquer atividade ou vinculação político-partidária. Vivenciava na época uma grande transformação ideológica: uma nova visão do Homem e do Mundo me contagiava. Lebret, Jacques Maritain, Frei Carlos Josaphat, Celso Furtado e 159


as encíclicas de João XXIII me influenciaram muito nessa época. Sempre buscando a construção de um mundo solidário, democrático e mais justo socialmente. Onde estava o perigo, afinal? Em Biguaçu, onde vivia com meus pais, algumas pessoas com quem, de quando em vez, discutia assuntos do momento, relacionados com as “ reformas de base”, entre as quais o Reduzino Romão de Faria, me associavam ao comunismo e ao socialismo, coisas as quais, consciente ou inconsciente, jamais pude imaginar pudessem minhas concepções e ações tão singelas suscitar um quadro de periculosidade ao “bem-estar” da sociedade. Aliás, naqueles anos, qualquer manifestação de apoio a causas sociais ou populares era associada como simpatizante dos regimes de Moscou e Cuba. Vivia-se o maniqueísmo estúpido: democrata àquele que defendia o “statu quo”, e comunista, todos aqueles que defendiam um mundo com mais justiça social. Uma das ações que eu desenvolvia consistia em distribuir o jornal “BRASIL URGENTE”, editado em São Paulo pelos padres dominicanos (Frei Carlos Josaphat), com grande influência no meio estudantil ligado à JUC e Ação Popular-AP. Assim, com o jeito provinciano e ingênuo, amanheci na prisão, cercado de pessoas com as quais nunca havia convivido ou tivera qualquer relacionamento, embora os conhecesse como cidadãos. Perplexo diante do que estava ocorrendo, não tinha outro pensamento senão o da aflição de minha mãe, meu pai, minha noiva, a Baiana, irmãos e amigos. E assim, foram os dias seguintes, sempre povoados de incertezas e apreensões, na expectativa diária de retornar para junto dos pais e amigos, um pesadelo e um sonho constantes. O local onde estávamos presos em uma sala aos fundos do prédio, logo ficou pequena. Numa outra sala, muito bem guardada pelos policiais militares, estavam o Francisco Pereira (conhecido advogado na área administrativa e trabalhista, com atuação no campo sindical, recentemente falecido, escritor conceituado, com vários livros publicados) e outros presos de Blumenau, entre eles Herbert Giorgi, também advogado

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e Erwin Loeschner, relojoeiro, este, mais tarde, se incorporaria ao nosso grupo, que cresceu bastante, tendo que ser encontrado um outro local, no segundo andar, de frente para a rua Nereu Ramos, onde abrigou mais de 50 companheiros. Os advogados Francisco Pereira e Herbert Giorgi sempre estiveram isolados dos demais e incomunicáveis durante a maior parte do tempo, mesmo no horário diário de “banho de sol”, que conquistamos após os primeiros dias absolutamente fechados na prisão-alojamento. Era um momento sempre aguardado com ansiedade por todos. Saíamos em fila, “protegidos” por guardas, em direção ao pátio interno do Quartel. Lembro-me de alguns desses momentos, um dos quais quando fomos molestados por um policial, que nos chamou de “comunistas”. Segundo soubemos o mesmo teria sido penalizado por isso... Era um local bastante familiar. Quando estudante ginasial, entre 1952 e 1955, recebia ali aulas de educação física com o Professor Born. Em algumas das sessões de “sol” era possível ver pessoas conhecidas nos prédios vizinhos nos acenando, o que me confortava. Uma delas, filha do Seo Joãozito, (avô do Ronaldo Viríssimo), pessoa de minhas relações, muito querida na cidade e conhecido pelo seu importante trabalho artesanal-profissional na construção de túmulos e peças de granito, usando grânulos de mármore ou granito e adição de cimento e ferro. Guardo lembranças de muitos dos companheiros presos, em torno de sessenta ou mais, entre os quais, o estudante secundarista Waldir Silveira, de Itajaí, o Luiz Henrique da Silveira e os irmãos Caon, de Lages. Mas as minhas relações diárias e constantes se resumiam ao grupo inicial formado na prisão: Salim Miguel, Nezinho, Mário Morais e posteriormente o Erwin Loeschner. Era com esses que normalmente conversava e dividia comida, frutas e cigarros, que recebia de minha mãe, através do Comando, que exercia severa censura. Não suportava a comida que nos ofereciam. Minha mãe soube por soldados conhecidos que mal comia na prisão. Não era nenhuma guerra de fome. A comida ora horrorosa

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mesmo. Dona Eglê mandou algumas vezes ao Salim Miguel pratos da cozinha árabe, que dividia também conosco e era apreciadíssima por todos. No meu caso, o recebimento de comida e cigarros, permitia o contato com o exterior da prisão. Minha mãe sempre mandava bilhetes sub censura. Aliás, as mensagens de minha mãe só se reportavam a fatos diretamente ligados a saúde dos familiares e amigos e nenhuma palavra sobre política. Tudo o mais era absolutamente ignorado, mesmo porque a informação não chegaria até nós. E pior, qualquer deslize seria motivo para suspender a remessa dos suprimentos que vinha recebendo regularmente. O amigo Salim Miguel se constituia num dos companheiros mais procurados pelos colegas presos. Conversava com todos, ouvia-os e fazia muitos registros em seu caderno de anotações. Exercia muita liderança no grupo. O Mário Morais, sempre extrovertido e irreverente, tentava mostrar-se superior aos acontecimentos, muitas vezes até ridicularizando-os. Admirava-o bastante. Soube mais tarde, quando morava em Brasília, da ocorrência de seu falecimento. O Erwin Loeschner falava-me muito sobre Berlim Oriental, as razões do Muro, da presença dos prédios destruídos próximos à porta de Brandenburg, o corredor aéreo de Berlim, a sua visão do socialismo, o bem-estar social dos trabalhadores na Alemanha-Oriental e em todo o mundo socialista... Falava-me sempre do seu trabalho em Blumenau, onde exercia a profissão de relojoeiro. Um dia deu-me uma pedra semi preciosa para que eu presenteasse minha noiva com um anel. Anos mais tarde, em abril de 1969, mandou-se carta de próprio punho, escrita em 17/04/1969, em Berlim, República Democrática Alemã. Trazia comentários sobre o seu filho, a vida na cidade, suas largas avenidas, o trabalho na fábrica e toda sua alegria com a vida naquele país. Guardo-a até hoje. Durante os longos dias, as únicas novidades eram trazidas pelos novos companheiros presos que chegavam. Tudo muito silenciosamente.

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Os boatos eram constantes e vagos, dando conta do destino dos presos, o que nos era preparado pela repressão. E assim, foram se passando os dias, sempre os mesmos, muita boataria, num ambiente de incertezas e ansiedades. Quando serei levado para depor? O que acontecerá? Voltarei ou serei transferido para outro local? Em Florianópolis? Fora do Estado? Os dias e noites se sucedendo. De quando em vez, alguém era levado. Os soldados vinham armados, geralmente à noite, já altas horas e lá ia um de nós, incomunicável, retornando pela madrugada, cansados, deprimidos... E a minha vez, finalmente chegou. Já era o mês de Maio. O Dia das Mães estava se aproximando. Meus pais estavam agindo com amigos políticos, na tentativa de minha soltura. Era grande a expectativa que estava vivendo com a possibilidade de ser solto. Já eram mais de 25 dias preso, incomunicável. Fui levado ao Quartel do Exército, no bairro do Estreito, no dia 05 de maio de 1964, uma sexta-feira, ante véspera do dia das mães. A sessão de inquirição foi presidida por um oficial capitão ou major, num ambiente de absoluto respeito. Ao contrário do que ocorrera quando da prisão em 07 de abril, quando ouvido na Secretaria de Segurança Pública e DOPS. No dia seguinte, 06 de maio de 1964, fui solto sob condições: quinzenalmente me apresentar no então 14º Batalhão de Caçadores, no Estreito e proibido de viagem, salvo com autorização militar. Em liberdade condicional, certa manhã, muito cedo, ainda em maio ou junho/64, um “jeep” do Exército levou-me ao 14º BC para novos depoimentos. Só retornei ao final da tarde, já escurecendo, após cansativos depoimentos respondendo a indagações feitas sobre um trabalho curricular que vinha desenvolvendo no Morro do Céu, na Capital, campo de estágio da Faculdade de Serviço Social, obrigatório aos seus alunos. O estágio escolar consistia na realização de um projeto de alfabetização de adultos, utilizando a metodologia desenvolvida pelo Professor Paulo Freire, sociólogo e educador pernambucano

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da Universidade Federal do Recife. Falecido em 1997, seu nome é internacionalmente conhecido por suas obras. Desde então é o Patrono da Educação Brasileira. Paulo Freire notabilizou-se especialmente ao delinear a Pedagogia da Libertação e por sua influência em movimentos como o das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). A prisão marcou-me profundamente. Foi uma grande experiência de vida. Tinha alcançado uma visão transcendental do Homem e do Mundo. Era outro. Havia alcançado uma consciência crítica da sociedade, libertária, democrática, bem diferente de outrora. Já era um social-democrata, embora ainda sem o saber.

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VALDIR MENDES

Filho de Lauro Mendes e Clarice da Silva Mendes, nascido em 01 de novembro de 1947, em Florianópolis-SC. Casado com Clarice Aparecida Cabral Mendes. Filhos: Pierre, Michel, Bianca, Michelli, Lauro, Davi e Ana Clara. I – Comércio: Gerente da Seguradora “Mendes”; Secretário da empresa “Nova Sauna”; Secretário da Empresa “Mendes Representação”; Diretor Proprietário da “Pousada Sol da Costa”, em Florianópolis. II – Professor: Grupo Escolar Lauro Müller (diurno) / 1965; Escola Arquidiocesana São José (noturno) / 1966; Colégio Antonieta de Barros (noturno) / 1967; Instituto Estadual de Educação – IEE (diurno/noturno) / 1968/1969; Colégio Catarinense (diurno/noturno) / 1969/1973; Diretor proprietário da Escola de Datilografia Pierre Mendes / 1973/1985. III – Órgão Público: Chefe da Assessória Jurídica da Secretária de Estado da Justiça – 1980/1985. IV – Advocacia: Presidente da Associação dos Advogados Criminais do Estado de Santa Catarina A.ACRIMESC; Advogado Militante. V – Jornalismo: Apresentador do Programa Toque Ilhéu – TV AI TV Capital; Apresentador do Programa Passaporte Catarinense – 165


TV São José / Viamax 2003/2005; Colunista do Jornal Fique Esperto 2003/2005. Cadeira nº: 22 Posse: 17-12-2005 Título: Escritor / Advogado Patrono: Vidal Mendes Título: Empresário

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VERSOS

Por quase dois séculos de distância Casimiro de Abreu, nos seus conhecidos e reconhecidos versos expressava:

        

Todos cantam sua terra

       Também vou cantar a minha

       Nas débeis cordas da lira         Hei de fazê-la rainha.  

E assim, inicio minha apresentação, na Antologia da nossa academia, expressando alegria...

BRASIL Nós cantamos nossa terra O Brasil varonil E no vento que assobia Piso no solo pátria amada. 167


Sorridente por planaltos Robusta e forte na mata Rica, vaidosa na flora e na fauna Desperta cobiça de olhos outros. Meu Brasil, nosso Brasil Povo, pois, hospitaleiro; Elegante, inteligente e de origem Segue eterno sempre amando.   Erguem-se gerações promissoras No vai vem sob olhar vigilante De cuidados importantes Crescem de namoros envolventes.   Então que assim seja Brasil, brasileiro Brasil, hospitaleiro, Brasil das cores, do amor que Nos abriga como filhos verdadeiros 168


Pai – Filho – Neto De LauroMendes para LauroNeto Lauro Avô e Lauro Neto

Emoções se perpetuam Diferenciadas, pois, Mas fortes no amor Afetividade continuada Lauro Avô e Lauro Neto

Lauro... Lauro Que bom assim somar Da minha origem lembrar E saudar a geração que segue Observa-se que ambos Estão presentes nos corações.                                              

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Meu pai, meu filho, ambos Lauro, Épocas diferentes, momentos importantes. Mas sempre serĂĄ a doce lembrança De gente para gente, importa lembrar. Â

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EU e VOCÊ Amar é cuidar, é dizer eu te amo. Estar amando nos leva ao romance Pela paixão, pela compreensão. Sim eu te amo e tu me amas Afirmo, pois bem sei que o Olhar desperta este dizer.   Um abraço, por favor Um sorriso, alimenta a alma Leva e eleva o nosso eu Espírito forte a concordar Com a alma gêmea Que bom estar.   É, sem contrário dizer, Que alegria de bem querer Ao seu lado, mãos dadas, Apertadas carinhosamente De olhar para olhar Como é gratificante. 171


Caminhando lado a lado Estrelas a brilhar; Por vezes a brisa do mar E você, enamorada, a escutar  Entre outras eu a cantar.    

                         TEMPO   O tempo segue célere E nós com ele. A natureza por igual Segue em celeridade E nós com ela. Os animais correm no tempo E nós com eles.   Temos que dar tempo ao tempo Aceitá-lo, pois é verdadeiro. Entender este porque, De onde para onde caminhar, Tudo Deus observa e sempre observará. 172


CLARICE e CLARICE

Tenho, sim...Clarice e Clarice Mãe e esposa Celulas vivas e fortes Seres reveladores do amor.   Mãe Clarice que saudade Fostes mas deixastes o seu Eu. Sua evolução espiritual Deu-se por força divina Entendemos mas...que saudade   Esposa Clarice presente Estende a mão e nos afaga Compreende e nos acalma Está presente, compartilha Esposa Clarice...Te amo.  

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PÂNTANO DO SUL Sul da ilha  mar de quebra mar Azul  com ondas de céu a copiar; Pesca artesanal Tainha na rede Pescador faceiro a se orgulhar. Mar de brigadeiro barco a navegar E olha que eu volto lá.   Turistas nos cantos e recantos Morros esbeltos circulam o mar. Surfistas navegam nas ondas Gaivotas voam no céu. Crianças brincam na areia E todos em bem estar.   Restaurantes a beira mar encantam com sabores Pescados, ostras, mariscos  fantasiam; Muito bom estar lá no sul da Ilha da Magia Fitar   extasiado o mar, Com brisa suave a nos recomendar Elevar o espírito e com Deus ficar. 174


FRUTAS Ameixa cachos, mais cachos delas maduras, Algumas picadas pelas aves, outras, vamos colher. Folhas verdes, frutos amarelados Época do inverno. Árvores  perdem folhas e frutos. Ameixeira ali está a enfrentar o frio, a geada.   Amora, vou dizer ao seu pai que namoras. Momento de floração, primavera chegar. Cor vermelhada, preparar geléia ou Na sombra da árvore colher uma a uma. Adocicada, espremê-la e curtir o momento. A sós ou acompanhado que alegria Vamos encher uma bandeja.   Uva, verde, preta ou rosada, belos cachos Parreiral colorido, cuidado  pássaros Ora, deixar, compartilhar, Basta levantar as mãos e os cachos alcançar Ali chupar ou frescas em geladeira, Confesso gostar.  

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Melância no verão. De fatia em fatia mãos passar. Verde por fora vermelha por dentro. Vistosa, elegante, majestosa e saborosa. Crianças quem quer melancia? Eu, eu também. Adulto pode?

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SAUDADE Do dia de ontem... Do tempo passado... E como era? Andar de bicicleta ou futebol jogar. Pisar na lama, sujo ficar. Mamãe dizia:- Vá se lavar.   Sem TV, celular, ou outra mania do tempo, Bastava o rádio escutar e em especial A Ave Maria, então rezar. Correr, pular, brincar com alegria Sem maldade a espreitar. Respeito, sim,    Mamãe dizia: -Está na hora de estudar.   Brinquedos a parte, quarto arrumado Sim senhor, sim senhora, com licença, desculpe, Palavras de ordem que não são esquecidas Mas obedecidas. Mamãe dizia: - Papai está a chegar. 177


Para finalizar deixo um lembrete a respeito de quantas coisas boas temos para contar.

CONTAR O QUE?

Tantas e tantas coisas boas. Mas, por onde começar? No que principiar? Temos tantas e tantas coisas boas. Por certo a maior delas é Deus e vem a família o que nos faz pensar na sociedade.  E então, pensar no amor, na fidelidade, no respeito, na educação, na lealdade E entre outras tantas e tantas coisas boas.  Na cultura, claro, as prosas e versos, os contos, a música, a arte, os escritores,  Especialmente aos que se destacam nesta antologia, que por certo é coisa boa.  Ora, sim, temos tantas e tantas coisas boas que nos perdemos entre elas.  Olhar para o mar, o céu, as estrelas, a lua e curtir a brisa a nos envolver com o perfume das flores.  E, olha que temos tantas e tantas coisas boas que por vezes algumas deixamos passar. 178


Sonhar, claro que é coisa boa. Sonho suave, embalado. A dança, por certo é coisa boa. Dançar, valsa,  salsa, bolero,  samba e tantas e tantas outras danças boas. O esporte merece atenção. É saudável, combativo e é coisa boa.  Namorar, ficar, estar, noivar e casar sem dúvida alguma é coisa boa. E você o que tem de coisa boa?  Com certeza tantas e tantas coisas boas.

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CESAR LUIZ PASOLD

Doutor em Direito do Estado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco - Universidade de São Paulo-USP; Pós-­Doutor em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná-UFPR; Mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo-USP; Mestre em Instituições Jurídico-Políticas pela Universidade Federal de Santa Catarina-­UFSC. É Advogado Militante ( OAB/SC 943), Diretor Presidente do Advocacia Pasold e Associados (OAB/SC 059/90). Advogado, Professor e Escritor. Membro das: Academia de Letras de Biguaçu; Academia de Letras de Palhoça; e, Academia Desterrense de Letras. Docente da Universidade do Vale do Itajaí, lecionando no Curso de Doutorado em Ciência Jurídica e no Curso de Mestrado em Ciência Jurídica. Consultor Científico da Universidade do Oeste de Santa Catarina-UNOESC. Detentor da Medalha Professor San Thiago Dantas outorgada pela Associação Nacional dos Procuradores Federais. Condecorado com a Medalha da Ordem Catarinense do Mérito Judiciário do Trabalho- 2° Grau, outorgada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. Condecorado com a Medalha do Mérito Judiciário Catarinense - Grau Mérito, comenda outorgada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. AUTOR das seguintes obras: O Estado e a Educação (Florianópolis: Editora Lunardelli, 1980); Reflexões sobre o Poder e o Direito (2 ed. Florianópolis: Editora Estudantil, 1986); Comunicação nas Relações 180


Humanas e Organizacionais (2 ed. Florianópolis: Editora Estudantil, 1987); O Advogado e a Advocacia (3. ed. Florianópolis:OAB/SC Editora, 2001); Função Social do Estado Contemporâneo (3 ed. Florianópolis: OAB/SC co-edição Editora Diploma Legal, 2003); Jorge Lacerda uma Vida Muito Especial (2 ed. Florianópolis: OAB/SC-Editora, 2004); Personalidade e Comunicação (2 ed. Florianópolis: Plus Saber Editora, 2005); Técnicas de Comunicação para o Operador Jurídico (2 ed. Florianópolis: OAB/SC Editora, 2006); Metodologia da Comunicacão nos Trabalhos Científicos (Florianópolis: Conceito Editorial, 2007); Lições Preliminares de Direito Portuário (Florianópolis: Conceito Editorial, 2007); Ensaio Sobre a Ética de Norberto Bobbio (Florianópolis:Conceito Editorial,2008); Metodologia da Pesquisa Jurídica: Teoria e Prática ( 11 ed. Florianópolis: Conceito Editorial/Millennium. 2008). CO-AUTOR das seguintes obras: Direito, Estado. Política e Sociedade, em transformação (Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor/CPGD, 1995); Sete Ensaios Jurídicos (Tubarão: Editora Unisul, 1997); Momento Decisivo: Apresentação de Trabalhos Acadêmicos. (Florianópolis: Editora Momento Atual, 2003); Temas de Política e Direito Constitucional Contemporâneos (Florianópolis: Editora Momento Atual, 2004); Teoria Jurídica das Relações Interpessoais (Coordenação-Florianópolis: Editora Momento Atual, 2004); Direito e Processo-Estudos em Homenagem ao Desembargador Norberto Ungaretti (Florianópolis: Conceito Editorial, 2007); Direito & Argutnehtação no Pensamento de Manuel Atienta (Rio dê Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2007); Novos Direitos-Conquistas e Desafios ( Curitiba: Juruá,2008): Novos Direitos após Seis Anos de Vigência do Código Civil de 2002 (Curitiba: Juruá, 2009); Aprovação em Concursos - Recomendações Estratégicas (Florianópolis: Conceito Editorial, 2009). Imbituba,17 dê agosto de 2009. Acadêmico: César Luiz Pasold Cadeira nº: 24 Posse: 25-06-2004 Título: Escritor / Advogado Patrono: Paschoal Apóstolo Pitsica Título: Escritor 181


UM MOSAICO DO MEIO AMBIENTE Cesar Pasold6 Introdução Pretendo compor, a seguir, um mosaico simples, conceitual e opinativo, não exaustivo, com o propósito de objetivamente contextualizar doutrinária e juridicamente, o Meio Ambiente, como modesta contribuição ao processo de conscientização e reflexão sobre este tema fundamental para o presente e o futuro da Humanidade.Na elaboração deste mosaico cuidei para resgatar algumas manifestações de valor histórico além do seu valor intrínseco de conteúdo. Na redação tive zelo com relação à paráfrase, optando pela transcrição literal sempre que me acometeu a dúvida quanto à minha capacidade de comunicar – efetivamente- com minhas palavras a idéia do autor selecionado.7

6 Doutor em Direito do Estado pela USP; Pós-doutor em Direito das Relações

Sociais pela UFPR; Mestre em Instituições Jurídico-Políticas pela UFSC; Mestre em Saúde Pública pela USP. Professor nos Cursos de Mestrado e Doutorado em Ciência Jurídica da UNIVALI. No Mestrado leciona as disciplinas “ Fundamentos da Percepção Jurídica” e “ Produção e Aplicação do Direito Portuário”. No Doutorado leciona a disciplina “ Teoria do Estado e da Constituição”. Advogado – OAB/SC 943, Consultor organizacional nos campos jurídico e axiológico. Diretor de Cultura Jurídica e Orador do IASCINSTITUTO DOS ADVOGADOS DE SANTA CATARINA. Membro da Academia de Letras de Biguaçu, da Academia Desterrense de Letras e da Academia de Letras de Palhoça. Membro Emérito do Instituto Histórico de Santa Catarina. Autor, entre outras, das seguintes obras: Reflexões sobre o Poder e o Direito (2 ed. Florianópolis: Editora Estudantil, 1986); Função Social do Estado Contemporâneo (3 ed. Florianópolis: OAB/SC Editora coedição Editora Diploma Legal, 2003); Ensaio sobre a Ética de Norberto Bobbio (Florianópolis: Conceito Editorial, 2008); Metodologia da Pesquisa Jurídica: Teoria e Prática. (12 ed. rev. São Paulo: Conceito Editorial, 2011).Coautor, entre outros, de: Novos Direitos- Conquistas e Desafios (Curitiba: Juruá, 2008); Os Quinze Anos-1996 a 2011. (Biguaçu: Nova Letra, 2011). Email: clp@ advocaciapasold.com.br ; CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/6851573982650146 7 Veja PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da Pesquisa Jurídica: Teoria e Prática, p. 165. Sobre Norberto BOBBIO e a paráfrase, vide PASOLD, Cesar Luiz. Ensaio sobre a Ética de Norberto Bobbio. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008, p. 228 a 230.

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Um mosaico O mosaico inicia aqui com o registro de que, na perspectiva da Política Jurídica, Osvaldo MELO consagra o seguinte conceito operacional para Meio Ambiente: “Conjunto de condições naturais de uma determinada área geográfica que interage com os seres vivos, garantindo-lhes a sobrevivência”. O mesmo autor afirma que “a preservação do meio ambiente é prioridade nas ações político jurídicas”.8 Antonio Silveira Ribeiro dos SANTOS conceitua meio ambiente assim: “conjunto de condições físicas, químicas, biológicas, entre outras, favorável à existência, manutenção e desenvolvimento da vida animal e vegetal, em interdependência”.9 Já em 2003, José Rubens Morato LEITE10 após expor sólidas fundamentações e “alinhando os diversos matizes de meio ambiente”, compôs uma “acepção conceitual” de forma esquemática e sob a égide de dois sentidos: o sentido genérico e o sentido jurídico. No sentido genérico, o autor acima citado, abre três perspectivas relevantes. A primeira enfatiza a condição conceitual interdependente do meio ambiente, realçando a interação do homem com a natureza. Na segunda salienta que a interdisciplinaridade ou a transdisciplinaridade são necessárias à concepção de meio ambiente. Na terceira e última, realça que na base do meio ambiente deve estar uma visão antropocêntrica “alargada mais atual”. Informa que tal concepção integra o sistema jurídico brasileiro, e defende a tese da proteção do meio ambiente tanto para o aproveitamento do humano quanto “com o intuito de preservar o sistema ecológico em si mesmo”.

8 Conforme MELO, Osvaldo Ferreira de. Dicionário de Política Jurídica. Florianópolis: OAB/SC Editora, 2000, p. 64. 9 SANTOS, Antônio Silveira Ribeiro dos. Meio Ambiente. In DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico Universitário. 1.ed. 3. tir.São Paulo: Saraiva, 2011.p.210. ( verbete Meio Ambiente, 4). 10 Conforme LEITE, José Rubens Morato. Dano Ambiental- Do Individual ao Coletivo Extrapatrimonial. 2 ed. rev.atual.amp. São Paulo : Revista dos Tribunais, 2003, p. 91 e 92.

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No sentido jurídico LEITE consagra quatro características.A primeira é que a legislação brasileira “adotou um conceito amplo do meio ambiente”, englobando elementos naturais, artificiais e culturais.A segunda consagra a tese de que o meio ambiente ecologicamente equilibrado deve ser considerado um “macrobem unitário e integrado”, sendo um bem “incorpóreo e imaterial, com uma configuração também de microbem”.A terceira é a identificação do meio ambiente como um bem de uso comum do povo, sendo portanto “um bem jurídico autônomo de interesse público”.A quarta e derradeira põe em evidência o meio ambiente como direito fundamental do homem, “considerado de quarta geração”, ressaltando que a sua concretização supõe “participação e responsabilidade partilhada do Estado e da coletividade”. Conclui: “Trata-se, de fato, de um direito fundamental intergeracional, intercomunitário, incluindo a adoção de uma política de solidariedade”. Simone Martins SEBASTIÃO aponta uma condição que é basilar para o sentido jurídico: “como substrato das políticas públicas, das medidas econômicas e da gestão ambiental, o Direito tem importante papel na preservação do ambiente e da qualidade de vida no planeta.”11 Paulo de Bessa ANTUNES12, ao ocupar-se com as definições jurídicas de Meio Ambiente e de Impacto Ambiental, expressa uma constatação importante, e o faz de maneira didática e enfática: “[...] o conceito jurídico de meio ambiente é amplo, como não poderia deixar de ser, pois, como se sabe, o meio ambiente possui uma amplitude extraordinária”. Prossegue ponderando que “esta, talvez, seja a grande dificuldade posta para a nossa análise sobre este candente problema jurídico”, e essa imensa abrangência do conceito de meio ambiente é causa do fato de que tanto o Direito Ambiental quanto os estudos de impacto ambiental “possam vir a assumir uma amplitude assustadoramente grande”.

11 SEBASTIÃO, Simone Martins. Tributo ambiental- Extrafiscalidade e Função Promocional do Direito. Curitiba: Juruá, 2006, p. 184. 12 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 9. ed. rev.amp. e atual. Rio de Janeiro : Lúmen Júris, 2006. p. 255.

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De outra parte, sob a ótica da superação da díade saúde x doença, Paulo Leme MACHADO adverte que a “saúde dos seres humanos não existe somente numa contraposição a não ter doenças diagnosticadas no presente”. Indica que se deve considerar o “estado dos elementos da Natureza- águas, solo, ar, flora, fauna e paisagem” para que se afira “se esses elementos estão em estado de sanidade” e que “de seu uso advenham saúde ou doenças e incômodos para os seres humanos”.13 Aliás, permito-me ponderar aqui que, na conformidade com a doutrina clássica da Saúde Pública, a preservação do meio ambiente e sua proteção, a promoção da sua maior qualidade e a sua recuperação quando danificado, são obrigações decorrentes não apenas do princípio/direito fundamental ao meio ambiente sadio, mas, também e com igual peso, em consequência do princípio/direito fundamental à saúde14. Registro, por pertinente, que ambos - princípio/direito fundamental ao meio ambiente sadio e princípio/direito fundamental à saúde- têm, na realidade brasileira, uma distância perversa entre a retórica constitucional/legal e a execução efetiva destes direitos constitucionais. Ademais, entendo que as ações de Estado e de Governo em favor do meio ambiente integram o conceito de Função Social, elemento essencial do Estado Constitucional Democrático de Direito, constituindo-se em dever de agir do ente público que precisa ser traduzido em agir permanentemente legitimado, eficiente, eficaz e efetivo.15 De outra banda, preocupada com a questão da biossegurança, 13 Conforme MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 14 ed.rev.atual.amp. São Paulo : Malheiros, 2006, p.54. 14 No caso específico do direito à saúde, sob a perspectiva do poder e da comunicação, recomendo a leitura de: PILAU SOBRINHO, Liton Lanes. Comunicação e Direito à Saúde. Tese de Doutorado aprovada pelo Programa de Pós Graduação em DireitoNível Doutorado, da Universidade do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2008. E especial p. 150 e seguintes. A Tese está disponível em http://bdtd.unisinos.br/tde_arquivos/11/TDE-2008-10-17T073131Z-600/Publico/ comunicacao%20e%20direito.pdf 15 Sobre Função Social, dever de agir e agir do Estado, vide PASOLD, Cesar Luiz. Função Social do Estado Contemporâneo. 3 ed. rev. atual. amp. Florianópolis: OAB/ SC Editora co-edição Editora Diploma Legal. 2003.

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Carina Costa de OLIVEIRA informa que o Brasil, em 2009, já era um dos cinco países mais desenvolvidos em biotecnologia no mundo, com “mais de 1.700 grupos de pesquisa apoiados pelo CNPQ” e formando “mais de 1.200 doutores no país”. Alerta para o fato de que os avanços na área da biotecnologia contemporânea levam à sua incorporação “em diversos setores da economia, tais como a agricultura, medicina, pecuária, meio ambiente, determina a edição de normas que garantam a segurança para a saúde pública e para o meio ambiente”. Pondera que a garantia da saúde pública e do meio ambiente é o “escopo da biossegurança que, apesar de sua relevância, não dispõe de tratamento eficaz e efetivo na legislação brasileira.” E conclui: “Nesse sentido, há uma grande contraste na valorização e no investimento alto em biotecnologia, sem a preocupação com a garantia na segurança desse sistema”.16 De sua parte, Silvana COLOMBO sobrepesando interesses, direitos e soberania estatal, propõe com clareza e objetividade como equacionar a lide ambiente X soberania de Estado. Pondera que é necessário “que a soberania dos Estados esteja em conformidade com a regra da co-responsabilidade ecológica e também se submeta à lei internacional.” Esta autora insiste, com razão, que a problemática ambiental não pode ser alcançada pela soberania dos Estados. Por isto, “conviria mais admitir um ordenamento da soberania às exigências ambientais do que simplesmente tornar obsoleta (sic) o valor da soberania estatal” .17 Adyr Sebastião FERREIRA, por sua feita, é incisivo na manifestação quanto à intransigência necessária no que concerne à “preservação a qualquer custo dos recursos naturais que propiciem bem estar à geração presente e garantia de sobrevivência às gerações 16 OLIVEIRA, Carina Costa de. Biossegurança: a eficácia e a efetividade da legislação brasileira. In BARROS-PLATIAU, Ana Flávia e VARELLA, Marcelo Dias (orgs). A efetividade do Direito Internacional Ambiental. Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UnB,2009, p.115 a 138.Em especial p.115. 17 COLOMBO, Silvana. Da Noção de Soberania dos Estados à noção de Ingerência Ecológica. In Revista da Esmesc, vol.14,n.20, 2007, p. 255-272, em especial p. 265.

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futuras”. E mais adiante: “ Uma verdade deve ser vista como absoluta: sem a natureza e a higidez do ambiente o homem não sobreviverá.” Por isto “o desenvolvimento sustentável somente será possível se ele não significar um déficit para o ambiente”. Enfim: “a preservação da água, das florestas, do equilíbrio da fauna, a manutenção do vigor da flora, são bens insuscetíveis de qualquer negociação,ou até mesmo de substituição por indenizações”.18 Já em 2001 Antonio Herman BENJAMIM constatava : “Ninguém duvida de que, hoje, a proteção do meio ambiente constitui tema da mais alta relevância e complexidade.” E prosseguia : “ Constitucionalizada , a matéria vem recebendo crescente atenção do legislador, atento aos reclamos sociais e à visível – e, muitas vezes,irreversível- degradação dos nossos recursos naturais.” 19 Na mesma época, Ney de Barros BELLO FILHO20 apresentava três constatações muito apropriadas e pertinentes, e que permanecem atuais.Na primeira diz que “foi-se o tempo no qual o Direito sequer volvia seus olhos para a desenfreada poluição ocasionada pelos parques industriais, repletos de chaminés a lançar, na atmosfera, gases poluentes ou canos endereçados aos riachos e córregos, desembocando infindável quantidade de detritos, sem que as normas jurídicas tratassem o assunto ao menos como lícito de natureza civil.” Na segunda constata a mudança da concepção da proteção ao meio ambiente que se deslocou da perspectiva somente antropocêntrica para alcançar o “sentido mais amplo do Direito ambiental, como garantia da biodiversidade”, o que fortalece 18 FERREIRA, Adyr S. Danos ambientais causados por Hidrelétricas. Brasília: OAB Editora, 2006.p.27 e 28.(sublinhados e itálicos no original), 19 BENJAMIM, Antonio Herman. Prefácio à 1ª. Edição. In COSTA NETO, Nicolao Dino de Castro ; BELLO FILHO, Ney Barros; e, COSTA, Flávio Dino de Castro e. Crimes e Infrações Administrativas Ambientais- Comentários à Lei nº 9.605/98. 2. Ed. rev.atual. Brasília: Brasília Jurídica, 2001.p.9. 20 BELLO FILHO, Ney de Barros, Disposições Gerais. In COSTA NETO, Nicolao Dino de Castro ; BELLO FILHO, Ney Barros; e, COSTA, Flávio Dino de Castro e. Crimes e Infrações Administrativas Ambientais- Comentários à Lei nº 9.605/98. 2. Ed. rev. atual. Brasília: Brasília Jurídica, 2001.p.16.

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e dá garantia de “uma aceitação social às regras coibidoras de posturas antipreservacionistas.” Na terceira, prossegue o raciocínio encetado na segunda, para concluir que “neste sentido, a visão do Direito Ambiental como integrante de uma plêiade de normas que se intercomunicam e são analisadas de forma não isolada, permite que a proteção ao meio ambiente seja menos autopoiética e mais interdisciplinar, oferecendo uma nova perspectiva para o direito”. Avançando neste diapasão, aliás, está Simone Martins 21 SEBASTIÃO , em aporte valorizador da exogenia, considerando que “uma das grandes características do Direito Ambiental é a sua interdisciplinaridade não só com os outros ramos do próprio Direito, mas também com outras ciências, como a Biologia, a Antropologia, a Geologia, dentre outras, abrangendo holisticamente a problemática ambiental e o respectivo amparo jurídico”. No contexto de uma análise da efetividade do direito internacional ambiental, Carla Patrícia Frade Nogueira LOPES22 pontua que certos aspectos específicos estimulam o interesse. Destaca dois, sendo o primeiro “a instabilidade do surgimento desse ramo do Direito, dificultando a formação de consciência em torno do necessário cumprimento às normas ambientais”. O segundo aspecto estimulante é o fato de o disciplinamento da preservação do meio ambiente ocorrer majoritariamente através de tratados, que ela classifica como “instrumentos legislativos dotados de pouca coercibilidade e nem sempre voltados à produção de eficácia social [...]”. Renato NALINI, sob a perspectiva da Ética Ambiental, é incisivo: “ Toda ação pró-ambiental é bem vinda. Toda omissão na defesa do ambiente é inadmissível. A quem foi dado enxergar a realidade e não 21 Conforme SEBASTIÃO, Simone Martins. Tributo ambiental- Extrafiscalidade e Função Promocional do Direito, p. 187. 22 LOPES, Carla Patrícia Frade Nogueira. A efetividade do Direito Internacional Ambiental- o caso CITES. In BARROS-PLATIAU, Ana Flávia e VARELLA, Marcelo Dias (orgs). A efetividade do Direito Internacional Ambiental. Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UnB,2009, p.51 a 114.Em especial p.59 e 60.

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se cimporta de acordo com ela, não haverá escusa. Nem será perdoado aquele que, podendo fazer algo para tirar a venda ao seu semelhantes, o não fizer. Nem a ignorância é escusável.” E mais : “Falha ética intolerável é o desconhecimento consentido e o descomprometimento com aquilo que é tarefa de todos: conhecer melhor, para melhor saber conservar o ambiente.” Apresenta, logo ao início da obra, uma “derradeira advertência”, dizendo que o “saber ecológico não é para os eruditos, os especialistas, os iniciados”. É para todas as pessoas”. 23 Mais adiante constata que o “homem não agride a natureza sem se auto agredir”, e nesta lógica,“se a destrói, inconscientemente está a se autodestruir”.24 Também quando trata do desenvolvimento sustentável prossegue com a ênfase axiológica, e leciona: “Preservação e progresso não são ideais incompatíveis.” Ressalta que a necessidade de progresso para o Brasil é “perfeitamente conciliável” com a tutela do ambiente. Arremata: “Neste país de paradoxos, pode parecer sofisticação preocuparem-se alguns com o desenvolvimento sustentável, alternativa de criação de riquezas sem destruir os suportes dessa criação”.25 Quando trata de “uma política estatal para a sustentabilidade” evidencia conexões preciosas, assim: “Só existe economia, porque a ecologia lhe dá suporte. A ecologia permite o desenvolvimento da economia”. Equaciona: “a exaustão da primeira reverterá em desaparecimento da segunda. Seria matar a galinha dos ovos de ouro”. E pontua: “Depois, a ecologia não tem por exclusiva função o sustento da economia”. Isto porque, afinal, “Ela é também fator da qualidade de vida da espécie humana”.26 Edis MILARÉ27 enquadra o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado na condição de direito da personalidade. Parte do

23 Conforme NALINI, José Renato. Ética Ambiental. 2.ed. Campinas: Millennium, 2003, p.XXXIX ( itálicos no original); 24 Assim está em NALINI, José Renato. Ética Ambiental, p.9. 25 NALINI, José Renato. Ética Ambiental, p.143.( itálico no original) 26 NALINI, José Renato. Ética Ambiental, p. 149 ( itálico no original). 27 MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: a gestão ambiental em foco:doutrina, jurisprudência, glossário. 7. ed. rev. atual. e reform.São : Revista dos Tribunais, 2011, p. 129.

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pressuposto de que “não existe qualidade de vida sem qualidade ambiental”, identificando aí um “liame indissociável” que consagra o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado como um direito humano fundamental, “e, mais que isso, a uma das espécies dos chamados direitos personalíssimos. Mais especificamente declara que “o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado é direito subjetivo de ordem material e alcança a seara dos direitos fundamentais”. Diz que o curso normal de desenvolvimento das personalidades depende crucialmente do equilíbrio ambiental, e que a Sociedade toda e em particular o indivíduo são afetados pelos “desarranjos emocionais e físicos provocados pela poluição (sonora,atmosférica, hídrica etc..)”. Desde o ponto de vista do Direito Constitucional, José Rubens Morato LEITE e Luciana Cardoso PILATI registram o importante fenômeno da contemporaneidade que é o “esverdeamento das Constituições, vale dizer, a incorporação do direito ambiental equilibrado como um direito fundamental constitucional”. Isto ocorreu a partir do estabelecimento da “necessidade de compatibilizar o progresso com a preservação do ambiente – o chamado desenvolvimento sustentável”, sob a inspiração da Conferência de Estocolmo em 1972.28 Prossigo para encaminhar o encerramento deste mosaico, afirmando que considero essencial finalizar este mosaico sobre meio ambiente exatamente com uma objetiva descrição e sucinta análise sobre este relevante tema na Carta Constitucional brasileira vigente. A nossa Constituição - valendo-me da feliz expressão empregada por LEITE e PILATI - “esverdeou” em seu texto original promulgado em 05 de outubro de 1988 e assim se mantém até hoje.29 O tema recebeu status especial na Constituição da República Federativa do Brasil, 28 Assim está em LEITE, José Rubens Morato e PILATI, Luciana Cardoso. Crise Ambiental, Sociedade de Risco e Estado de Direito do Ambiente. In MORATO LEITE ( coord.). Direito Ambiental Simplificado. São Paulo: Saraiva, 2011, p.10. 29 O seu texto atualizado até a Emenda Constitucional nº 70, de 29 de março de 2012, encontra-se disponível em http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/ CON1988_29.03.2012/index.shtm -acesso em 27 de maio de 2012

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ocupando o artigo 225 caput e seis parágrafos ( tendo o primeiro sete incisos), no Capítulo VI, intitulado “Do Meio Ambiente”, inserido no Título VIII denominado “ Da Ordem Social”. O caput do artigo 225 diz: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserválo para as presentes e futuras gerações.”30Muito foi, e é, examinado e analisado este texto do caput do artigo 225. Não resisto, contudo, a pontuar nele alguns aspectos necessários para a composição final do mosaico encetado no presente ensaio.Inicialmente o artigo consagra o princípio/direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, qualificando o meio ambiente duplamente: (1) investindo-o à condição bem de uso comum do povo, e (2) reconhecendo-o como essencial à sadia qualidade de vida. Da primeira qualificação pode-se dizer que decorre automaticamente a sua intrínseca natureza jurídica de interesse público, pelo que deve se sobrepor a qualquer interesse individual particular ou empresarial privado ou estatal. Ademais, como bem registra Simone Martins SEBASTIÃO, o constituinte de 1988 conferiu esta conotação de res communis omnium e “ não de bem público stricto sensu,exacerbando a classificação dada pelo antigo Código Civil Brasileiro limitada à enumeração de bens públicos e privados (no que não difere o novo Código Civil), pois está-se diante de um bem jurídico de patamar difuso”.31 No segundo atributo estabelece indelével conexão com dois outros direitos fundamentais, à vida e à saúde, de modo que tem solidez constitucional a argumentação que defende conceito de desenvolvimento sustentável que condicione totalmente o econômico, de maneira clara e contundente, à proteção da vida (e não apenas a do ser humano) e à promoção e preservação da saúde ( também não apenas a do ser humano). 30 Conforme http://www.amperj.org.br/store/legislacao/constituicao/crfb.pdf acesso em 03 de junho de 2012. 31 Assim está em SEBASTIÃO, Simone Martins. Tributo ambiental- Extrafiscalidade e Função Promocional do Direito, p. 185.

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Outro aspecto importante da regra constitucional é que o dever da defesa e da preservação do meio ambiente é tanto do poder público quanto da coletividade. A responsabilidade pela consagração do princípio e pelo cumprimento da norma constitucional é, portanto, compartilhada. A nenhum dos dois – Estado e Sociedade- é permitida a omissão, a desídia, a falta de empenho: trata-se de dever constitucional a cumprir, de princípio maior a realizar! E, last but not least, conforme o artigo 225 em seu caput, o direito/ dever de zelo quanto ao meio ambiente é para o presente e para o futuro, não podendo ser submetido a nenhuma restrição de ordem temporal. Considerações Finais O Meio Ambiente, como procura demonstrar o mosaico até aqui exposto, é tema jurídico e político dotado de três características expressivas. A primeira é a sua complexidade epistemológica, cujo enfrentamento compreensivo requer perspectiva multidisciplinar seriamente trabalhada e responsavelmente posta, da biociência ao jurídico, passando pela sociologia, economia e gestão, pelo menos. A segunda é sua conectividade total com os direitos fundamentais, o que lhe confere uma privilegiada posição no contexto da vida individual e coletiva. A terceira, last but not least, é a sua indissociabilidade com a Ética comprometida com a qualidade da Vida. Por estas fundadas razões, o Meio Ambiente deve estar sempre ocupando posição central, nodal, essencial no disciplinamento de qualquer atividade individual ou coletiva.

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Referências das Fontes Citadas ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 9. ed. rev.amp. e atual. Rio de Janeiro : Lúmen Júris, 2006. BELLO FILHO, Ney de Barros, Disposições Gerais. In COSTA NETO, Nicolao Dino de Castro ; BELLO FILHO, Ney Barros; e, COSTA, Flávio Dino de Castro e. Crimes e Infrações Administrativas Ambientais- Comentários à Lei nº 9.605/98. 2. Ed. rev.atual. Brasília: Brasília Jurídica, 2001. BENJAMIM, Antonio Herman . Prefácio à 1ª. Edição. In COSTA NETO, Nicolao Dino de Castro ; BELLO FILHO, Ney Barros; e, COSTA, Flávio Dino de Castro e. Crimes e Infrações Administrativas Ambientais- Comentários à Lei nº 9.605/98. 2. Ed. rev.atual. Brasília: Brasília Jurídica, 2001. COLOMBO, Silvana. Da Noção de Soberania dos Estados à noção de Ingerência Ecológica. In Revista da Esmesc, vol.14,n.20, 2007, p. 255-272. FERREIRA, Adyr S. Danos ambientais causados por Hidrelétricas. Brasília: OAB Editora, 2006. LEITE, José Rubens Morato. Dano Ambiental- Do Individual ao Coletivo Extrapatrimonial. 2 ed. rev.atual.amp. São Paulo : Revista dos Tribunais, 2003. LEITE, José Rubens Morato e PILATI, Luciana Cardoso. Crise Ambiental, Sociedade de Risco e Estado de Direito do Ambiente. In MORATO LEITE (coord.). Direito Ambiental Simplificado. São Paulo: Saraiva, 2011. LOPES, Carla Patrícia Frade Nogueira. A efetividade do Direito Internacional Ambiental- o caso CITES. In BARROS-PLATIAU, Ana Flávia e VARELLA, Marcelo Dias (orgs). A efetividade do Direito Internacional Ambiental. Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UnB,2009, p.51 a 114. MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 14 ed.rev.atual.amp. São Paulo : Malheiros, 2006. MELO, Osvaldo Ferreira de. Dicionário de Política Jurídica. Florianópolis: OAB/SC Editora, 2000 .

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MIGUEL JOÃO SIMÃO

Miguel João Simão Professor Miguel João Simão é natural de Canto dos Ganchos, Governador Celso Ramos. É presidente da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina (ALB/SC). Idealizador, Fundador e primeiro presidente da Academia de Letras de Governador Celso Ramos. É membro: Academia Virtual de Letras, Academia de Letras de Biguaçu, Academia de Letras de Canelinha. Fundou mais de 30 Academias de Letras Seccionais da ALB/SC em Santa Catarina. Fundador e Presidente de Honra da Associação dos Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis. Cônsul de Governador Celso Ramos pelo Movimento Internacional dos Poetas Del Mundo. Dr. Honóris Causa em Filosofia Universal (PhI) pela Academia de Letras do Brasil. Escritor e Historiador têm os seguintes livros:

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“Ganchos” Um pedacinho de Portugal no Brasil (1997) Ed. Autor. De Ganchos a Governador Celso Ramos (2001) Ed. Autor. Devaneios de Verão (2002) Co-autor – O último Sorriso, Academia de Letras de Biguaçu; Aconchego (2003) Co-autor – Tributo a Mulher amada e Homenagem ao Pescador, Academia de letras de Biguaçu; Encontros da Primavera (2007) – Organizador, Academia de Letras de Governador Celso Ramos; Mulheres de Ganchos (2008) Ed. Autor; Trajetória (2008) Co-autor – A Rosa que eu perdi, Academia de Letras de Biguaçu; Alvorada de Inverno (2009) Organizador, Associação dos Escritores (AESGF) Cantos e Encantos de Canelinha (2009) Na casa da avó de Jesus, Grupo de Poetas e Escritores Sol Nascente; Tijucas de Todos os Encantos (2010) Organizador, Associação dos Escritores (AESGF); Santa Catarina Meu Amor (2010) Organizador, Academia de Letras do Brasil/SC; A Saga de Zé Gancheiro e Outros Contos (2010) Ed. Autor. Os Quinze Anos (2011) Co-autor – Governador Celso Ramos de Todos Nós, Academia de Letras de Biguaçu; Luz do Amanhecer (2012) Organizador, Associação dos Escritores (AESGF) Cadeira nº: 25 Posse: Não informado Título: Educador / Escritor Patronesse: Luiza dos Reis Prazeres Título: Educadora

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A literatura como espaço para todos em Santa Catarina São vários os nomes que fortalecem a literatura catarinense, alguns renomados nacionalmente e outros se destacando por toda Santa Catarina. Contudo, na última década foi dado um grande salto na área literária aparecendo no cenário regional um grande número de escritores que estavam no anonimato e tiveram a oportunidade de serem vistos nas vitrines da literatura. Na Grande Florianópolis, região que abrange mais de 20 municípios, o responsável no trabalho de difusão da literatura foi o nosso saudoso Lauro Junkes, que não media esforços para reunir os escritores catarinenses dando abertura aos menos favorecidos, oportunizando-os a divulgarem seus trabalhos. Professor Lauro Junkes fez dois grandes encontros e reuniu escritores de várias cidades catarinenses nos anos de 2009 e 2010, respectivamente nas cidades de Florianópolis e Orleans. Além do Professor Lauro, a disseminação da arte literária, que conquistou espaços e pessoas, deve-se a participação brilhante de Dalvina de Jesus Siqueira e Osmarina Maria de Souza, fundadoras da Academia de Letras de Biguaçu e de outras instituições literárias, que aproveitaram o incentivo de ambas e tornaram-se afiliadas desse trabalho. Não podemos esquecer Maura Soares, do Grupo de Poetas Livres de Florianópolis, de Janice Pavan, da Associação Florianopolitana de Escritores, e de Célio Gilberto da Silva, que mesmo sem pertencer a qualquer Instituição literária, já propagava a literatura de forma individual, percorrendo várias cidades catarinenses. Esses homens e mulheres citados representam aqui a força de cada um de nós que unidos fortaleceram o grupo. Foi a partir de 2002, quando, a convite de Dalvina, passei a ocupar a Cadeira de Número 25 da Academia de Letras de Biguaçu, que veio a inspiração e a vontade de formar um grupo e organizar uma Academia de Letras em Governador Celso Ramos. No ano de 2004, foi

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dada a posse para 13 Membros na Academia de Letras e daí não parou mais. A injeção de ânimo dada por Dalvina fortaleceu o amor próprio e nos vimos valorizados por alguém especial. Formamos um batalhão e temos levado a várias cidades catarinenses a mudança na arte literária. Desde ano de 2008, estamos à frente da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina. Como Presidente dessa Instituição em nosso estado, tenho feito valer a voz dos pequenos. Nunca se viu tanto evento e pessoas defendendo o meio literário a partir dai. A ideia que se tinha de Academia de Letras como grupo de intelectuais fechados num mundo de 40 pessoas, foi transformado num grande palco onde todos podem soltar a voz nos saraus e contar suas experiências. Criamos Seccionais da ALB/SC (Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina) em diversas cidades onde não havia uma Academia de Letras, e que alguns Escritores sonhavam em divulgar seus trabalhos e não tinham oportunidades. Do Norte ao Meio Oeste Catarinense, passamos pelas cidades de Itapoá, onde há uma Academia de Letras, mas que a partir da Seccional da ALB/SC foi criado o maior evento literário daquela região. Tivemos a oportunidade de nos aliar ao Consulado dos Poetas Del Mundo em Santa Catarina através de nossa representante no estado, a Escritora Terezinha Manczak. Criamos parceria com o Grupo de Poetas Sol Nascente de Canelinha e daí o nascimento das Seccionais da ALB/SC das cidades de Canelinha e Nova Trento. Participamos juntos com Dr. Celso Leal da Veiga Junior, Neusita de Azevedo Churkin e William Brenuvida, da organização para fundação da Oficial Academia Tijuquense de Letras. Apoiamos a criação da Seccional da ALB/SC da cidade de Antonio Carlos através de nosso amigo Professor Rogério Kremer. Em Florianópolis, através de nosso estimado Valdir Mendes formou sua Seccional da ALB/SC, e na cidade de Imbituba, tivemos a oportunidade de reunir vários Escritores e criar sua Academia de Letras, e foi dado posse para 09 acadêmicos. Na cidade de Alfredo Wagner, a partir da posse

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da Presidente da Seccional, foi criada a Academia e pelo terceiro ano consecutivo organizou-se o evento “Encontro Catarinense de Escritores de Alfredo Wagner e Região”. São saraus literários nos colégios de várias cidades, eventos organizados pelas diversas Seccionais, traduzindo a arte literária como meio de integrar as cidades, unir pessoas e unificar a arte. Nesse contexto de união, temos feito valer a credibilidade que a Senhora Dalvina de Jesus Siqueira nos deu. Hoje notamos um sentimento de alegria e de partilha nas pessoas que se expressam através da arte, seja na música, na poesia, no conto e na arte de declamar. Independente da idade, da classe social, do gênero, todos participam. Do simples ao mais ousado, uníssonos num só canto a favor da divulgação da arte. São livros espalhados pelas mesas, da gente da terra, do manezinho, do caboclo, mas que é poeta, que sonha, que conta história, que faz rir e chorar. Livros para quem nunca imaginou um dia poder pegar em suas próprias mãos o resultado de seus sonhos. Nesse sentimento fraterno, divido com todos os amigos escritores, confrades e confreiras a alegria de poder um dia ter tido a oportunidade de colaborar nesse processo de transformação da arte literária com diversas pessoas. Por ter quebrado as algemas que prendiam as mãos do poeta serrano, do mato, do mar. Por não ter sido infeliz e irresponsável, tentando abortar trabalhos de companheiros usando expressões de má qualidade como ”prefiro levar 10 anos para publicar um livro do que dar aos meus amigos algo sem substância”. Frase doente de gente infeliz que não percebe que lá no interior, onde o homem simples conta a história da vida da sua gente, que soletra a poesia na alma pura, que em garranchos traduz ao mundo a cultura esquecida. São esses que tentam de forma camuflada, mostrando suas falsas ideologias, abortar os simples. Cada um escreve sua história, cada qual se move pelos sentimentos. Quem somos nós, aprendizes capazes de julgar? Os tempos são outros. Uma nova era surgiu na literatura a partir de Adauto Beckhauser, Alfredo Silva, Arlete Carminati, Cesar

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Pasold, Dalvina, Janice Volpato, Joaquim, Neusita, Osmarina, e outros tantos companheiros que colaboram nesse processo, fazendo valer a voz de Todos. Não daria para citar todos, mas esses representam, com certeza, os homens e mulheres de bom senso contra essa opressão que faz morada na mente infértil de idealistas visionários de seus próprios bolsos. Nessa certeza, continuarei defendendo nossos escritores pequenos, simplórios, que desenham as palavras do jeito que o povo gosta de ler. São eles os verdadeiros escritores da terra onde nasceram. Isso seria “algo sem substâncias?”

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ROGÉRIO KREMER

Natural de Antônio Carlos – tem 72 anos de idade, casado pela segunda vez, tem dois filhos, uma filha, um neto e duas netas. Residente em Santo Amaro da Imperatriz. E-mail: kremerogerio@hotmail.com. É pedagogo, oficial de farmácia, pesquisador, escritor, historiador, coralista e aposentado. Cofundador e membro das Academias de Letras de Biguaçu, São Pedro de Alcântara e Antônio Carlos e Presidente da Seccional Antônio Carlos da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina. É autor de 5 livros e organizador e proprietário de um ARQUIVO HISTÓRICO PARTICULAR DE ANTÔNIO CARLOS em onze volumes encadernados. Coautor de 9 antologias. Em 2012, está com 5 livros no prelo, já com títulos definidos. Foi vereador de Antônio Carlos em 1965 e 1972. Cadeira nº: 26 Posse: 18-12-1996 Título: Escritor Patronesse: Maria da Glória Viríssimo de Faria Título: Educadora 202


DUAS IMORTAIS EDUCADORAS XÊNIA GÖEDERT KREMER Nasceu no dia 10 de fevereiro de 1938 às 18h30min em Antônio Carlos, SC. Pesando 3,600 quilos, medindo 47 cm e tendo como grupo sangüíneo, O fator RH positivo. Sua parteira foi Anastácia Guesser * 24-10-1909+05-07-2005. Nome de seus pais: Lebório Frasncisco Göedert e Philomena Heiderscheidt Bunn Göedert. Em 1938, foi batizada, na Capela do Sagrado Coração de Jesus, hoje Igreja Matriz. Celebrante: Cônego Nicolau Schaan. Padrinhos: Humberto Kremer e Maria Schmitz (Maricha Vendelino). A Crisma foi realizada na Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara, em data ignorada. Celebrante: Dom Joaquim Domingues de Oliveira. Sendo Madrinha Ana Apolônia Pereira Kremer. Recebeu a Primeira Eucaristia em 27 de abril de 1947, na Capela do Sagrado Coração de Jesus, pelo celebrante: Cônego Roberto Wyrobek. Casou-se com Rogério Kremer às 15 horas do dia 08 de fevereiro de 1964, na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, em Antônio Carlos, sendo celebrante Pe. Alfredo Junkes. Desta união nasceram: Rogéria Göedert Kremer *23-11-1964, e Xérxes Göedert Kremer *09-02-1968. Rogéria está casada com Christian Bruhl, sendo pais de Natália *16-05-1995 e Camila *26-01-1998. Xérxes tem um filho de nome Vitor Göedert Kremer *15-07-1995. De 1947-1950, concluiu o Curso de 1ª a 4ª série do 1° Grau, no Grupo Escolar Altamiro Guimarães, no Distrito de Antônio Carlos, Biguaçu, SC. Em 1951-1954, fez o Curso Normal Regional Espírito Santo, em Tijucas, SC. Já em 1955-1957, fez o Curso Normal (2° Grau) São Luiz, em Brusque, SC. Concluiu vários cursos na área da educação durante a sua vida profissional. Foi professora na Escola Pública da Cidade de São João 203


Batista, SC, de 1958-1963. Nesta data, pertenceu ao primeiro Corpo Docente, nos primeiros anos de funcionamento do Curso Ginasial, lecionando matemática, química, física e biologia. Assume a direção do Grupo Escolar Altamiro Guimarães, em Antônio Carlos, SC, em 06 de abril de 1963. Nomeada por concurso público através da Certidão Decreto/28/03/1963, onde foi diretora até o seu falecimento ocorrido em 30 de novembro de 1975. Exerceu o cargo de Auxiliar de Inspetoria Escolar, cumulativamente, com a direção do Grupo Escolar Altamiro Guimarães, também em Antônio Carlos de 1963 a 1975. Foi professora do MOBRAL, período noturno, em Antônio Carlos de 1968 a 1970 e professora de educação para o lar no Curso de 1° Grau na Escola Básica Altamiro Guimarães, também em Antônio Carlos de 1973 a 1975. Foi educadora, catequista, líder comunitária e grande batalhadora no combate ao analfabetismo em Antônio Carlos. Quando foi professora de Educação para o Lar, tinha o hábito de ensinar aos seus alunos trabalhos manuais, tais como: pintura em tecidos, em vasos e garrafas, bordados, costurar, executar receitas de doces e salgados, confeccionar flores, trabalhos em madeiras e outros. Organizou um pequeno museu escolar com peças antigas, tais como: panelas de ferro, panelas esmaltadas e de barro; ferros de passar roupas; louças antigas; máquinas de costurar, caldeirões; guizos e outros. Diante da realidade sócio econômico de muitos alunos do Grupo Escolar, relacionados a poucos agasalhos, calçados e material escolar, esta realizava campanhas com os pais e professores com a finalidade de distribuir e minimizar a realidade enfrentada pelos alunos. Recebeu Medalha de Honra ao Mérito do Governador Celso Ramos, pela eficiente organização nos preparativos para instalação do Município de Antônio Carlos que aconteceu nas dependências do Grupo Escolar Altamiro Guimarães, em 21 de dezembro de 1963 e da inauguração do velho Grupo Escolar. Foi condecorada com Certificado de Participação no Censo Escolar 1964 e na Comissão Estadual do Censo Escolar de Florianópolis em 19 de outubro de 1969. No dia 01 de

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dezembro de 1975, emprestou o seu nome à Biblioteca Professora Xênia Göedert Kremer da Escola de Educação Básica Altamiro Guimarães, onde havia doado um grande número de livros (romances) de seu acervo particular, antes de seu falecimento. Lei n°935/2002, denomina “Núcleo Escolar Municipal Professora Xênia Göedert Kremer” a Escola Municipal de Louro, situada na localidade de Louro de Fora, inaugurada em 27 de agosto de 2004, na administração do Prefeito Geraldo Pauli. Ela também é Patrona da Cadeira n°01 da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina Municipal de Antônio Carlos. No dia 30 de novembro de 1975, faleceu às 15 horas de domingo, no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis. Causa da morte: Leucose aguda (Leucemia). Internada no dia 22 de outubro de 1975, apartamento 720. Médico Assistente: Dr. Teodoro Henrique B. Corrêa. Óbito registrado às folhas 174 do Livro n°04, sob n°1334. O sepultamento aconteceu à tarde do dia seguinte no Cemitério Municipal de Antônio Carlos, com Missa de Corpo Presente, celebrada pelo Pe. Alfredo Junkes e no final da Missa Dr. Lauro Locks proferiu discurso de despedida. Mais de mil e quinhentas pessoas participaram do funeral. Era um dia de muita chuva. A homenagem ao Dia das Mães em Antônio Carlos foi evento de Xênia que acontecia no antigo Grupo Escolar. Com o fechamento do Educandário Nossa Senhora de Fátima, os alunos do Grupo Escolar foram transferidos para lá devido o seu alto número de alunos matriculados na referida escola. Com o funcionamento da nova escola, esta homenagem passou a ser realizada no Sábado das Mães à noite com missa e ofertório de flores na Igreja Matriz. Após seu falecimento, esta homenagem também passou acontecer nas dependências da Escola Altamiro Guimarães acompanhada de festejos externos realizadas pela APP. Fonte: Arquivo do autor.

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MARIA DA GLÓRIA VIRÍSSIMO DE FARIA Nasceu em 24 de setembro de 1924, em Caieira, Governador Celso Ramos, SC. Filha de Firmino Viríssimo e Julieta Amorim. Em fins de 1945 casou-se com Orlando Romão de Faria, com quem teve os filhos Marcos, Márcia, Marcelo e Marcélia. Aos sete anos de idade iniciou os Estudos Primários na Escola Isolada de Caieira, sua terra natal, tendo como mestra sua dedicada mãe. Cursou o Curso Complementar no Grupo Escolar Professor José Brasilício da Cidade de Biguaçu e o Segundo Grau no Colégio Coração de Jesus em Florianópolis, sendo sua formatura em 1943. Formou-se em 1945 no Curso de Educação Física. Inicialmente trabalhou como professora primária no Grupo Escolar Castro Alves da Cidade de Araranguá, SC. Em 1945, após concluir o Curso de Educação Física, foi trabalhar no Grupo Escolar Raulino Horn de Indaial, SC, vindo em seguida removida para o Grupo Escolar Professor José Brasilício da Cidade de Biguaçu (hoje Escola de Educação Básica de 1º Grau). Maria da Glória Viríssimo de Faria deixou o Grupo Escolar Professor José Brasilício em 11 de setembro de 1959, aos 35 anos de idade, por falecimento, vítima de câncer. Viveu pouco, porém fez muito pela família, sociedade e principalmente pela educação. Grande e exemplar mestra da educação biguaçuense. Emprestou seu nome ao Colégio Estadual Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria da Cidade de Biguaçu, que antes denominava-se Colégio Normal de Biguaçu, criado pela Lei nº3.410/17-03-64. È Patrona da Cadeira nº26, do Titular Rogério Kremer, da Academia de Letras São João Evangelista da Barra de Biguaçu, da Cidade de Biguaçu, SC. (hoje Academia de Letras de Biguaçu), fundada em 20 de setembro de 1996. Fonte: Orlando Romão de Faria, em 19-10-1996. Arquivo do Colégio Estadual Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria. 206


VANDA LÚCIA SENS SCHÄFFER

Filha de Francisco Sens e de Olinda Thiesen Sens. Nasceu aos 22 de setembro de 1952, em Taquaras, município de Rancho QueimadoSC. Fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar daquela localidade. Vanda, mais tarde, estudou como interna, no Colégio “ Nossa Senhora”, no município de Angelina-SC. Por motivos alheio a sus vontade, não concluiu os estudos. Pensou então, dedicar-se à música, mas em sua bucólica cidade, não havia aula para tal. Além da música, gostava muito de ler. No seu primeiro livro intitulado “A DANÇA DAS FLORES”, publicado pela Editora Paulus de São Paulo, ela relata com veemência que a natureza é a sua maior fonte de inspiração. Em todos os seus contos e poesias, viaja-se por um mundo colorido, cheio de pássaros, flores e noites enluaradas. Casada com Adilso Arno Schäffer desde 1972, vanda tem três filhos: Keila, Mateus e Lucas; e quatro netos: Beatriz, Heloisa, João Aníbal e Júlia. Além de escritora e poetisa, Vanda que é temente a Deus, descobriu-se também compositora de músicas sacras que já somam ao todo noventa e cinco. 207


E brincando Vanda diz: - Ser apenas uma partícula em busca do seu Criador. Cadeira nº: 27 Posse: 17-12-1997 Título: Poetisa Patrono: Mário Quintana Título: Poeta

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O BURRINHO INTELIGENTE Senhor Manoel era um esperto comerciante. Além de comercializar material de construção, possuía muitos cavalos de montaria. Era um de seus passatempos preferido. Um dia, porém, seu amigo Joaquim como se chamava aquele português brincalhão, ofereceu-lhe de presente um burrinho velho. Manoel desconfiou, mas aceitou. Fez, ainda, uma piada e disse: Burro é burro! E burro velho não se olha os dentes. O burrinho entendia tudo; só não falava. Não gostou da piada e pensou consigo: “Se o meu novo dono me deixar sem fazer nada, passarei por burro mesmo. Mas se me puser algo no lombo, vou mostra-lhe que não sou tão burro assim!” Certo dia, Sr. Manoel pôs duas sacas de sal no lombo de seu burrinho, para leva-las para seus cavalos. O burrinho tinha que atravessar um riacho enquanto seu esperto dono passava numa ponte de arame. No meio do riacho, o burrinho se fez cair de todo o comprimento, pois sabia ele que o sal se dissolvia na água. Sr. Manoel irritou-se e disse: Só podia ser um burro velho mesmo! No dia seguinte, o burrinho, novamente, na água se jogou. Manoel ficou intrigado e disse em alta voz: Da próxima vez, vou pegar este espertinho! No lugar do sal, colocarei tijolos. Se estiver me provocando, vai se dar mal. Mas, a surpresa de Manoel foi tamanha. O burrinho empacou e não saiu do lugar. Manoel se zangou e foi devolver o presente. Joaquim, por sua vez, não queria aceitá-lo, mas para não apanhar do amigo, que era como se fosse parente, deu-lhe um aperto de mão e disse, disfarçadamente: Puxa amigo, nem eu sabia que este burrinho era tão inteligente! 209


A ÁRVORE E A MINHOCA Em uma praça que outrora fora muito arborizada, hoje vive uma saudosa árvore preta e chamuscada pela poluição dos carros. Quando chove, suas folhas tomam banho. Alegra-se um pouco. Para ela é um analgésico, cujo efeito passa depois de alguns minutos, não cura a saudade. A pobre árvore não sabe mais o que fazer. Chorar não adianta; ninguém a ouve. Conversar, jamais. Os pássaros que faziam lindos ninhos em seus galhos, foram todos embora para a mata mais próxima, onde ela gostaria de estar. Era com esses sentimentos que a velha árvore vivia: ao som estridente dos carros e as pichações dos moleques. Seu tronco parecia um quadro negro riscado de giz. Cercada pelas calçadas, tinha somente um pequeno espaço ao seu redor. E, assim, a maior parte do tempo, a saudosa árvore passava chorando. Chorando e pensando... Pensando... Quando um temporal com forte vento surgia, arcava-se toda para quebrar. Pensava consigo: “morrerei, servirei para uma fogueira, mas prefiro; ao invés de viver queimando aos poucos nesse sofrimento que parece não ter fim.” Um belo dia de Sol, ela chorosa como sempre, sentiu em sua raiz uma leve cócega; olhou para baixo junto dela; lá estava uma minhoca quase morta a se abanar. Ufa, ufa! Dizia ela! Tive que andar muito para encontrar este espaço e sair debaixo da terra. Estou apavorada. Em outros tempos, quando queria ver o sol, era só subir e lá estava eu vendo o sol e as nuvens. Sentia-me livre. Hoje, quase morri para chegar aqui. Céus, que mundo é este! Reclamou a minhoca, ainda refazendo-se da caminhada. A árvore começou a falar: Nós somos muito diferentes, mas tenho certeza, agora, mais do que nunca, que precisamos uma da outra. A minhoca respondeu:

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Senhora árvore, eu não posso ficar! Meu universo é debaixo da terra. Permanecer aqui com este barulho e esta poluição me causaria muito mal. A árvore, novamente, se pôs a chorar. Suas lágrimas iam até o chão. A minhoca aproveitou as lágrimas, tomou um banho e despediu-se, mas com um firme próposito de visitá-la sempre que estivesse com vontade de ver o sol e tomar banho. Daquele dia em diante, a árvore não mais chorou. Guardava suas lágrimas para o banho da sua amiga. A amizade da minhoca não acabou com o problema da tão saudosa e chorosa árvore, mas amenizou-o. Hoje, até as crianças daquele bairro, tornaram-se amigas da árvore e da minhoca. Para elas é uma curiosidade ver uma minhoca passeando na calçada e conversando com uma árvore. Hoje a árvore vive mais feliz. E para o banho da minhoca, chora de felicidade.

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ESPERIDIÃO AMIN HELOU FILHO

Esperidião Amin Helou Filho é filho de Esperidião Amin Helou e Elza Marini Amin Helou. Nasceu em Florianópolis-SC em 21/12/1947. É formado em Administração pela ESAG, Bacharel em Direito pela UFSC e Mestre em Administração também pela UFSC, tendo feito especialização e extensão nas áreas de Economia e Direito. Exerceu o magistério na UFSC de 1968 até 1990. Exerceu diversos cargos públicos, como: Diretor de Administração, chefe de Gabinete, Secretário de Estado da Educação e Cultura, Assessor de organização e Métodos, Diretor Financeiro do BADESC, Prefeito Municipal de Florianópolis, por duas legislaturas, Presidente da AMGF – Associação dos Municípios da Grande Florianópolis, Deputado Federal, Senador da República, Presidente Nacional do PPR e do PPB, e Governado do Estado de Santa Catarina. Atualmente é professor no curso de Administração da UFSC e Doutor em Engenharia de Gestão do Conhecimento e Deputado Federal pelo partido PP. Cadeira nº: 28 Posse: Não informado Título: Político / Orador / Professor Patrono: Manoel de Menezes Título: Jornalista 212


AMIN Arvoredo – mistérios, lendas e histórias A Ilha do Arvoredo é muito mais do que um extraordinário acidente geográfico: é o polo de um complexo sistema de vida e de histórias, lendas e segredos. Como geografia, sabemos que sua superfície chega a 270 hectares (dois milhões e setecentos mil metros quadrados, ou quase 300 campos de futebol) de um terreno acidentado que chega a alcançar 300 metros de altura além do nível do mar. É a maior de um grupo integrado também das ilhas de um arquipélago formado também pelo rochedo denominado Calhau de São Pedro e pelas ilhas Deserta e Galé. Além disso, a atual Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIOMAR) é constituída por este pequeno arquipélago e por uma extensão de mar que perfazem uma área de 17.800 hectares, ou seja, mais de sessenta vezes o tamanho da Ilha. Vale lembrar que a Reserva e as ilhas estão situadas ao norte da Ilha de Santa Catarina. A Ilha do Arvoredo possui importante sítio arqueológico, com sepulturas Sambaquis e Itacoatiaras e inscrições rupestres que são evidências da ocupação humana datadas de cerca de 4.000 anos. Na parte submersa, cavernas submarinas escondem peixes de várias espécies, tais como arraias, moreias, garoupas e meros. Ricas em alimentos, as águas adjacentes às ilhas são visitadas, no verão, por cardumes de sardinhas em seu estágio inicial de vida, atraindo para a região cardumes de lulas, além de outros predadores 32. Na extremidade sul da Ilha, está localizado o Farol do Arvoredo, cuja torre em ferro fundido começou a ser pré-fabricada na Inglaterra em 1878 e foi inaugurado em 14 de março de 1883, com o objetivo de auxiliar a navegação na parte mais larga do canal norte da ilha de Santa Catarina, onde o Farol de Anhatomirim não era avistado. Atualmente, emite uma luz branca com quatro ocultações a cada sessenta segundos,

32 A Reserva Natural do Arvoredo, Brasil, disponível em http://www.horta.uac.pt/ projectos/MSubmerso/old/199907/artigo.htm

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visualizada a até 24 milhas náuticas (ou 44 quilômetros) de distância33. A Reserva foi instituída pelo Decreto No 99.142,34 do então presidente José Sarney, datado de 12/03/1990, ou seja, a três dias do término de seu mandato. Dentre as denominadas unidades de conservação ambiental, a reserva é a mais rígida categoria, cerceando a presença, mesmo restrita, de cidadãos sem credenciamento próprio e específico. Por causa desse rigor e da proximidade com núcleos urbanos e balneários, já foram apresentados na Câmara dos Deputados três projetos de lei para transformar a REBIOMAR em Parque Nacional Marinho, categoria que permitiria alguma forma de visitação monitorada. O exemplo mais conhecido de parque marinho é Fernando Noronha, “sonho de consumo” de milhões de brasileiros. O primeiro desses projetos, de autoria do deputado Vânio dos Santos (PL 3611/1997), foi arquivado apesar do relatório favorável do deputado Serafim Venzon. O segundo projeto, do deputado Edison Andrino (PL 4922/2001), indiscutivelmente um grande conhecedor do assunto, teve a mesma sorte. Atualmente, tramita o PL 4198/2012, de autoria dos deputados Rogério Peninha e Esperidião Amin (não por acaso, autor deste artigo). Ao longo dos anos de 2011 e 2012, diversas reuniões foram realizadas no Ministério do Meio Ambiente e no Instituto Chico Mendes para tratar do assunto. A Reserva Biológica Marinha da Ilha do Arvoredo foi criada por um ato de vontade presidencial, sem qualquer debate com a sociedade, sem diálogo com pescadores artesanais ou entidades ligadas ao turismo. A proposta de recategorização visa permitir a geração de oportunidades de trabalho e renda a partir do aproveitamento do potencial turístico do arquipélago da Ilha do Arvoredo, resguardadas as condições de sustentabilidade. 33 Wikipédia, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_do_Arvoredo. 34 BRASIL, Presidência da República. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99142.htm

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Em Florianópolis, no dia 9 de julho passado, foi realizada memorável audiência pública, na Assembleia Legislativa, para discutir o assunto. O evento lotou o auditório Antonieta de Barros de cidadãos dos municípios confrontantes à ilha, setor pesqueiro, setor turístico, operadoras de mergulho, entidades ambientais, professores e estudantes universitários, sob a regência do ICMBio (Instituto Chico Mendes), responsável pela fiscalização ambiental. Prestadas essas homenagens ao universo objetivo e legal, convido o leitor a conhecer alguns aspectos pitorescos da Ilha do Arvoredo e do seu entorno. Vale citar a magistral descrição da lavra do nosso Virgílio Várzea, que assim inicia: “À proporção que avançávamos, porém, a ilha se detalhava, semelhante a uma monstruosa tartaruga negra, cuja cabeça o perfil aguçado e vertical do farol armava de um grande chifre”35. Segue-se o relato da visita que o nosso marinhista maior fez à Ilha. Não é demais registrar o trabalho do saudoso amigo Iaponan Soares de Araújo, “Virgílio Várzea & Outros”36, resgatando o livro “O centenário do Marinhista”37. A descrição da Ilha é um texto imperdível, que consta das páginas 143 a 147 do livro “Santa Catarina – A Ilha”, de Virgílio Várzea. A ele recorrerei em tópicos seguintes. O romance “Taberna do Brigue Velho”38, do consagrado escritor Almiro Caldeira de Andrada, abre as portas da imaginação e dos pecados do contrabando para colocar a Ilha do Arvoredo como o ambiente ideal para a “guarda da muamba” (p.57), referindo-se à sua serventia como entreposto de mercadorias que na última década do século XVIII supriam a demanda do consumismo da época, tais como tecidos finos, tapetes, vinhos, lâmpadas, leques, gravatas, luvas, louças (p.75), para cá trazidos principalmente por navegadores holandeses. Adiante, nosso 35 VÁRZEA, Virgílio. Santa Catarina, a Ilha. Disponível em: http:// www.l iter atur ab r as i l e i r a.u f s c.b r / _ d ocu m e n ts /santacatari na-vi rgi li o-1. htm#ILHASEILHOTAS 36 SOARES, Iaponan. Virgílio Várzea & outros: literatura e vida literária em Santa Catarina. Florianópolis: ACL, 2002. 37 VÁRZEA, Paulo. Centenário do marinhista, Virgílio Várzea. Editora Alba, 1963. 38 CALDEIRA, Almiro. Taberna do Brigue Velho. Florianópolis: ACL, 1995.

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Santo (por direito de vida consagrada a fazer o bem) Irmão Joaquim, ao colher donativos dos próprios contrabandistas (p. 91) para o nosso Hospital de Caridade, estabeleceria a ligação entre a contravenção e o bom propósito, antecipando penitências e reduzindo remorsos... Como diria um jesuíta heterodoxo, “Tudo para maior glória de Deus!”. Singularidade extraordinária é o fato de a Ilha do Arvoredo ter albergado numa furna de pedras ninguém menos do que o Monge João Maria de Agostini, daí decorrendo a designação de Gruta do Monge. É o nosso Virgílio Várzea quem fornece notícia de repercussões dessa estada, ocorrida no primeiro semestre de 1849. Mesmo sem identificar o monge, frisa que sua presença na Ilha foi percebida pelos moradores de Canasvieiras e Ponta das Canas por causa de “uma fogueira que viam arder todas as noites naquela parte da ilha”4 (p.145). A identificação do personagem foi feita por Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva, o nosso Arcipreste Paiva, que, pessoalmente, foi interrogar o Monge, em 10 de fevereiro de 1849. A razão da ida à Ilha para cumprir tal missão, deve-se ao fato de que o monge para estas bandas viera expulso do Rio Grande do Sul, por ter em torno de si reunido multidões de crentes na sua santidade, particularmente pela descoberta e utilização de “águas santas”. O caso deixou preocupadas as autoridades daquela província, a ponto de seu governante, o General Francisco José de Souza Soares de Andréa, em 25 de novembro de 1848 (curiosamente, dia de Santa Catarina), ter despachado o incômodo líder para o presidente da Província de Santa Catarina, Marechal Antero Ferreira de Brito, em termos contraditoriamente peremptórios e respeitosos: “Ilmo. Sr. Nesta ocasião, faço seguir para essa província ao estrangeiro João Maria Agostinho, geralmente conhecido aqui por Monge. É uma medida de polícia, que faz com que o mande para fora da província por se ter desenvolvido grande fanatismo a respeito deste indivíduo, ter ele mesmo nomeado empregados e estabelecido certos regulamentos com boas intenções, sim, mas para que não estava autorizado, e que poderiam causar distúrbios. E não tendo eu a menor indisposição com

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ele, recomendo a Vossa Excelência para que lhe faça o agasalho de que o julgar merecedor. Sou com toda a estima de V. Excia.”39. Uma bela lição de como se livrar de uma “batata quente” sem queimar os dedos. Foi durante a realização do Seminário Nacional 100 Anos da Guerra do Contestado, promovido pelo Ministério Público estadual em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Santa Catarina, nos dias 1º a 3 de agosto de 2012, que tomei conhecimento desse fato extraordinário. O sardo Giovanni Maria de Agostini, personagem que seria de capital importância no Contestado, episódio singular e fascinante da história de Santa Catarina e do Brasil, escolheu a Ilha do Arvoredo para refúgio, depois de ter sido recebido respeitosamente pelo presidente (hoje seria o governador) de Santa Catarina, que o acolheu como hóspede por nove dias. Em 20 de maio de 1849, tendo Antero Ferreira de Brito sido substituído por Antônio Oliveira Pinto, a aglomeração de fieis que passaram a acorrer à Ilha do Arvoredo, atraídos pelo Monge, levou o novo governante a despachar o Monge para a Capital do Império, enviando correspondência destinada ao Ministro da Justiça Eusébio de Queirós, que lhe deu abrigo e possibilitou encontro com o Imperador D. Pedro II. Este incidente integra o corpo de alentada tese (480 páginas), ainda não publicada, de autoria do Professor Alexandre de Oliveira Karsburg, da UFRJ, sob o título “O Eremita do Novo Mundo: trajetória de um peregrino italiano na América do século XIX”. Do Rio de Janeiro, o Monge viria a partir em nova jornada pelo continente americano, tendo falecido no estado do Novo México, nos Estados Unidos, em abril de 1869, onde há registros e homenagens à sua estada naquela região. Registre-se que dois riograndenses de indiscutível cultura, o cronista e político republicano Felicíssimo de Azevedo (em 1895 e 1898) e o médico e senador José Martins da Cruz Jobim (em 1874), referiram-se à

39 KARSBURG, Alexandre de O. O Eremita do Novo Mundo: a trajetória de um peregrino italiano na América do século XIX (1838-1869). Tese de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ. Rio de Janeiro, RJ, 2012. 480p (não publicado).

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marcante passagem do anacoreta João Maria de Agostini pelas terras do Rio Grande do Sul. Foi no estado vizinho que ele angariou a reputação de São João Maria, designação perenizada na memória da região do Contestado e, especialmente, nos sertões do nosso Estado. O relatório escrito pelo padre Paiva sobre sua entrevista com o monge, solicitado pelo presidente interino da província, Severo Amorim do Vale (vice de Antero Ferreira de Brito), para apresentar ao ministro da Justiça, Eusébio de Queirós (que viria a conceder ao italiano o salvo conduto definitivo), termina com o seguinte parágrafo: “Estou convencido que este eremita nada tem de hipocrisia; a sua vida austera e penitente, a sua linguagem franca, a pureza de seus costumes e a abnegação de todos os negócios terrenos bastam para testemunhas da sua virtude. O povo, porém, que se dirige àquela ilha, cheio de prevenções e ideias do maravilhoso, que vai beber a boa água do Arvoredo, possuído da mais ardente fé (o que muitas vezes só por si basta para curar graves moléstias, como a experiência tem mostrado); o povo, que quando volta quer contar mais alguma novidade, eis quem nos faz suspeitar de um indivíduo digno de admiração, que neste século adotou uma vida solitária de que tivemos tantos exemplos nos primeiros tempos do Cristianismo”8. Reconheçamos: a Ilha do Arvoredo fez bem ao Monge. Continuou a ser um personagem desconcertante, mas, sem dúvida, passou a ser mais respeitado. Dentre as singularidades da Ilha do Arvoredo, destaque especial deve ser conferido ao farol, cujas obras civis foram iniciadas em 1881, sob as ordens do almirante catarinense Marques Guimarães, tendo sido inaugurado, como já assinalado, em 14 de março de 1883. Suas características técnicas mereceram a seguinte descrição por Virgílio Várzea, realçando a breve descrição técnica feita no início deste texto: “O maquinismo da lâmpada está suspenso à altura de 10 metros acima da base da torre. Esta é toda de ferro, a forma troncônica, pintada de branco, e circulada externamente por uma galeria que fica na parte

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fechada por grossos vidros de cristal, onde está o aparelho (2ª. dióptrica, com 25 milhas de alcance), de luz fixa e branca, com lampejos brancos e vermelhos de 2 em 2 minutos. A torre mede 14,70 metros na sua maior altura e o maquinismo da lâmpada acha-se na elevação total de 90 metros sobre o nível do mar”40 (p. 146). O farol tem garantido a manutenção de guarnição da nossa Marinha do Brasil na Ilha, contribuindo para sua preservação e para rico conjunto de relatos que compõem a sua memória. É o caso do testemunho estampado na edição do jornal Diário Catarinense de 3 de abril de 2012, em que a jornalista Viviane Araújo, cujo progenitor foi telegrafista da Marinha, descreve o impacto do isolamento na Ilha do Arvoredo sobre sua própria família”41. A Ponta do Letreiro é o mais instigante marco da Ilha do Arvoredo. É referida, juntamente com a própria Ilha do Arvoredo e as ilhas do Coral e do Campeche pelo pesquisador e autor Gavin Menzies42(p.187). Para Menzies, as inscrições rupestres cumpriam o papel de estelas, ou seja, continham informações para outros navegadores chineses sobre os recursos naturais de que os lugares onde se situavam dispunham. O grande cientista jesuíta Padre João Alfredo Rohr, de quem tive o privilégio de ser aluno, em seu livro “Petroglifos da Ilha de Santa Catarina e Ilhas Adjacentes”43, e o professor Keler Lucas, em “A Arte Rupestre em Santa Catarina”44, descrevem este misterioso painel45. Meu amigo Adnir Ramos, o Maninho, mentor do IMMA (Instituto 40 VÁRZEA, Virgílio. Santa Catarina, a Ilha. Disponível em: http:// www.l iter atur ab r as i l e i r a.u f s c.b r / _ d ocu m e n ts /santacatari na-vi rgi li o-1. htm#ILHASEILHOTAS 41 ARAÚJO, Viviane. Um misto de mistério. In: Diário Catarinense. Florianópolis, 3 abr. 2012. Disponível em: http://www.esperidiaoamin.net.br/?retrospectiva=ummisto-de-misterio. 42 MENZIES, Gavin. 1421 – O ano em a China descobriu o mundo. Bertrand Brasil, 2006. 43 ROHR, João A. Petroglifos da Ilha de Santa Catarina e Ilhas Adjacentes. Pesquisas, Série Antropologia, n. 19. São Leopoldo: Instituto Anchietano de Pesquisas, 1969. 44 LUCAS, Keler. Arte Rupestre em Santa Catarina. Florianópolis: Rupestre, 1996. 45 PAINEL DA ILHA DO ARVOREDO – Rohr X Keller – disponível em: https://docs.google.com/open?id=0B7-A_fOjZAlsQkJfb0JhVm5IYlE

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Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia), dedicou sua inteligência e sensibilidade a tentar interpretar este majestoso e misterioso painel de 8 metros de extensão por metro e meio de altura, “pendurado” na escarpas da Ilha. Penso que cabe a ele, e não ao autor destas linhas, divulgar o resultado de suas pesquisas. Sabe Deus o que moveu mãos primevas a expressar suas artes e propósitos de comunicação a nós e a nossos sucessores, que, pretensamente dotados de tanta ciência, não conseguimos compreender sua mensagem! As singularidades derivadas da pesca e dos pescadores são de mais fácil compreensão. Há fotos que relatam pescarias de abundância “bíblica” nos mares da Ilha. Fotos e relatos dão conta de lagostas a garoupas, de olhetes a lulas, em número e tamanho ampliados pela tradicional “capacidade multiplicadora e agigantadora” de que todos os pescadores somos dotados. É um sítio piscoso e a reserva, justiça seja feita, tem permitido um processo de repovoamento bastante significativo de espécies dizimadas pela irresponsabilidade de predadores humanos. Dentre os personagens quase míticos, destaco um certo Tiririca, em cuja homenagem se batizou um parcel situado ao sul da Ilha do Arvoredo. Este Tiririca – não confundir com o deputado-artista meu amigo – foi um solitário habitante da parte sul da Ilha, nos anos 1960 e 1970, tendo nascido em Governador Celso Ramos, denominado Ganchos na época. O nosso Tiririca gancheiro, rezam as lendas, era bom pescador de garoupas. Mas, há muitas histórias e estórias de outros “especialistas”, da caça submarina à pesca de tarrafa, espinhel e rede. Finalmente, quero trazer um depoimento pessoal. Todos os membros da nossa família fizeram o curso de mergulho autônomo contemplativo (com tubo de oxigênio) com o mestre Júlio, nas águas que banham a Ilha do Arvoredo. Angela, João Antônio, Maria, Joana e eu mergulhamos juntos, também, nas águas da Ilha de Fernando Noronha. Conheci os extraordinários pontos de mergulho contemplativo do Mar Vermelho, onde o solo calcário daquele mundo submarino garante níveis de visibilidade quase sobrenaturais.

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Angela e eu tivemos o privilégio de mergulhar, num dos últimos dias em que isto era lícito, no lado norte da Ilha do Arvoredo, agora vedado a nós, mortais. A visibilidade era superior a 20 metros. No silêncio inesquecível do mundo submarino, defrontamos com arraias, meros, moreias, cardumes de robalos (nunca mais vi!) e de peixes coloridos, debochadamente exibidos e destemidos. Quem sabe, um dia possamos revisitar esse cenário de sonhos! Os especialistas dão conta de que três correntes – a do norte, a do sul e a das Malvinas – confluem e se confundem no Arvoredo, dando-lhe riqueza biológica muito especial, cuja preservação deve ser assegurada, pela reserva ou pelo parque. Por sua beleza, história, imponência, riqueza, mistérios e lendas, ter alguma intimidade com a Ilha do Arvoredo me motiva a erguer meus braços aos céus e repetir a frase que o saudoso amigo Ledo ensinou a exclamar: “Obrigado, Senhor!”. Esperidião Amin Helou Filho.

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ALZIRA MARIA SILVA DOS SANTOS

Alzira Maria da Silva dos Santos nasceu aos 05 de julho de 1950. Filha de Oscar Silva e Nair Bunn Silva é natural do Município de Biguaçu/SC, onde cresceu, estudou e viveu a maior parte da sua vida. Formou-se normalista em 1970 no Colégio Normal Professora Maria da Glória Veríssimo de Faria. Gosta de crianças, de flores, do mar e de escrever poesias. Alzira descobriu a afinidade pelas letras quando, em Joinvile, onde atuou três anos como professora, fez duas paródias das músicas “Lencinho” e “Jardineira” para apresentação das crianças, em comemoração ao aniversário daquela cidade. Em 1999, em Biguaçu, olhava a neblina, ou serração que vem do rio-mar conforme dizem, através da janela da cozinha de sua casa, inspirou-se, pegou um guardanapo e uma caneta e escreveu um dos seus primeiros poemas, intitulado “Nebliguá”. Nunca mais parou de escrever. Quando a inspiração abre as portas, saem de seu coração lindos poemas, em sua grande maioria, enfatizando a terra natal, seus lugares, sua natureza. Alzira tem, em muitas de suas poesias, o desafio de chamar a atenção para a defesa do meio ambiente, e também o valor cultural da cidade que nasceu. Também chama atenção para o cuidado com as nossas crianças, o folclore, entre outros temas. E assim, 222


de verso em verso, Alzira vai descrevendo seus costumes, seu povo, sua preocupação com o mundo. Nascimento: 05 de julho de 1950 Cadeira nº: 29 Posse: 14-05-2008 Título: Poetisa Patrono/Patronesse: Maura da Senna Pereira Título: Poetisa

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O Amanhecer É lindo o amanhecer Tudo se torna diferente então Os pássaros gorjeiam, os galos cantam E o orvalho cai bem leve sobre o chão Aos poucos vamos nos remexendo Nos viramos de cá e também para lá Abrimos os olhos de um sono gostoso Amanheceu! É hora de acordar No horizonte o sol vem surgindo Clareando os montes, o céu e o mar Dando brilho e luz a todas as coisas Que belo espetáculo o sol a raiar As flores cobertas do orvalho da noite Sentem de leve o calor a secar Aquelas gotinhas vão evaporando Pois o rei-astro vem elas beijar O véu da noite vai se rompendo Dando lugar ao calor e a luz O dia está amanhecendo Que fenômeno lindo a natureza produz Abrimos a janela logo cedinho Sentimos uma aragem por ela entrar Esse ar puro muito nos acalma Faz bem para o corpo e também pra alma As vezes amanhece chovendo muito Céu nublado ou garoando É mais escuro, porém natural O novo dia desse jeito está chegando 224


Quando amanhece elevo uma prece Para o Criador dessa imensa beleza A Ele agradeço com todo fervor E peço perdão por minhas fraquezas Amanhecer é mesmo assim Com esperança de melhores dias Estamos inseridos nessa riqueza Dando alento as nossas agonias Muito obrigada Senhor por cada amanhecer Pois não sei se vou anoitecer Viver cada dia com muito empenho Com coisas boas que o mundo tem a oferecer

Alzira Mª Silva dos Santos 30de Julho de 2011

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NATAL Natal é algo especial Pois significa vida nova Emanuel – está conosco É amor a toda prova

Foi o sei de Maria O primeiro território conquistado Quem confia nesta mãe Tem seu lugar abençoado

Natal vem de nata Nata vem do leite Dos seis que amamentam A vida dos inocentes

Sempre damos um presente Um abraço ou um cartão Neste Natal quero te dar Minhas preces em oração

Comemorar o Natal É festejar o aniversário De quem neste mundo esteve Num período temporário

Para a chegada do Natal Toda a natureza se alegra Cantam pássaros e cigarras E o povo se congrega

O mês é Dezembro 25 é o dia Que nasceu o Salvador Para nós grande alegria

Todos, nos cinco continentes Já conhecem um pouquinho Deste Filho do Senhor Que nasceu tão pobrezinho

Que belo nascimento este De Jesus o Nazareno Entre palhinhas foi deitado O Rei dos grandes e dos pequenos

Demos graças e louvor E glória a deus nas alturas Que a paz reine na terra Entre todas as criaturas FELIZ NATAL

Hoje em dia muitas luzes Acendem-se por todo lado Para anunciar uma vez mais Perdoe para ser perdoado

Alzira Mª Silva dos Santos Dezembro/2004

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CORAÇÃO I Tu és chamado de órgão Chamam-te também de aparelho Sabemos és um músculo Que bomba sangue vermelho

VII O coração tem saúde O coração tem amor O coração tem ciúme O coração tem calor

II Aparelho circulador Que vibra com emoção Chora e ri com o que recebe Do cérebro seu consultor

VIII Perdoar de coração É algo maravilhoso O perdão é dom divino É benção do Pai bondoso

III Músculo forte e valente Que pulsa constantemente Acelera com nervosismo Volta a calma com mensagem da mente

IX Já escutamos falar Aquele não tem coração Porque não sabe cuidar Daquilo que é precisão

IV Ah! Coração querido Precisas de muito cuidado Tanto do sangue venoso Ou do arterial bem dosado

X Precisamos de um bom coração Para correr e andar Trabalhar e estudar E depois descansar XI Quem ama de coração Ama sem distinção Está sempre feliz Porque ele é amigão

V Coração órgão sagrado Está escondidinho Dentro do peito guardado É caixa de segredinho

XII Que alegria meu povo Quando tudo vai bem Com saúde, paz e harmonia Aí o coração vai além

VI Pessoal preste atenção No que vão comer e beber Pois o coração responde: - Não me faças sofrer

Alzira Mª Silva dos Santos 227


FOLCLORE Hoje nós vamos falar Das coisas de tradição Que chamamos de folclore Trazidas pelo povão

Temos medo de mau-olhado Corremos logo pras benzedeiras Com arca caída ou com caxumba Ou também com uma ligeira

O famoso pão-por-Deus São cartõezinhos de papel Em forma de coração Escritos a lápis ou pincel

Quando a mãe pede uma praga Só madrinha pode tirar E essa praga pega Muita gente vai pagar

As brincadeiras de rodas Estas não podem faltar Brinca criança, brinca jovem E alguns vão pra namorar

Acreditamos em lobisomem Em bruxas e sereias do mar E nas noites de lua cheia Vimos coisas se transformar

Cacumbi e boi-de-mamão São as danças de terreiro Quem acompanha essas danças Não é nenhum bagunceiro

Há muito tempo atrás As louças eram de barro As panelas eram de ferro E os bois puxavam carros

Os meninos soltam pipa E também jogam peão Coloridas bolinhas de vidro Também brilham lá no chão

Bonecas todas de pano Que vovó e mamãe faziam Com roupinhas bem rendadas Outro jeito não existia

Tocatas e cantorias Nas festas de Santos Reis É o terno que vem chegando Alegrando o lar outra vez

Em nossa querida Biguaçu Tem folclore de montão Acreditamos em feitiçaria Mas temos os Santos de proteção

Com crivos e com bordados Os panos ficam mais belos E com esses artesanatos Tecem roupas e chinelos

Agora pra terminar Uma coisa que importa Para correr com visita chata Põe vassoura atrás da porta.

Pirão com peixe e lingüiça Melhor comida não há Mas o melado e a farinha Não podemos dispensar

Alzira Mª Silva dos Santos 09/09/2004 228


I A família tem seus nós Mas também é um grande laço Pois é feita de pessoas E Deus a tem entre seus braços

VII As pessoas tem um tesouro Guardado no coração E é dentro da família Que esses raios brilharão

II Por causa das diferenças Ali habita muita riqueza Quando o Criador nos fez Acertou! Com certeza

VIII Toda família mora em casa De pedra ou de madeira É lá que se reúnem E se abrigam da sua maneira

III O amor deve reinar Nesse núcleo de humanos Para sermos sempre felizes Nos inserimos no divino plano

XIX Quando estamos desiludidos Desanimados e humilhados Corremos para a família Lá é lugar sagrado

IV Tem famílias de muito jeito Amam e são amadas A harmonia é constante Ajudam e são ajudadas

X Alguns não dão valor à família E dizem: - Vou seguir meu caminho Mas um dia voltam arrependidos Pedindo perdão, desculpas e carinho

V Na família tem problemas E por isso tem que cuidar Pois se não tiver bem forte Ela tende a desabar

XI Deus nos faz a Sua imagem E também a Sua semelhança Na família de Nazaré Tem amor em abundância

VI O amor de pai e mãe É um tanto diferente Daquele amor entre irmãos Dos tios, avós e parentes

Alzira Mª Silva dos Santos Agosto/2005

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Saci Perere I Um negrinho barrigudo Que pula num só pé Ele é muito estranho Poucos sabem como é

V Faz bagunça no terreiro Joga barro no feijão Góra os ovos das galinhas Bota açúcar no pirão

II Alguns dizem que ele fuma Um enorme cachimbão Usa gorro vermelhinho E assobia de montão

VI O famoso homem branco Se acha muito valente Por ter duas pernas fortes E andar todo contente

III A família dos Sacis Fazem casa na floresta Contam seus estudiosos Que eles gostam é de festa

VII O Saci por sua vez Tem uma perna só Como é que tanta gente Corre tanto do cotó?

IV Saem à noite de mansinho Quando todo mundo dorme Contam aqueles que acreditam Que a família é enorme

VIII Essa lenda de Saci Eu ouvi a vovó contar Nunca vi esse estranhíssimo Me arrepio só de pensar.

Alzira Mª Silva dos Santos

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A PAZ I A paz é bem clara È branca e transparente Ela é contagiante Pois atinge muita gente

VII Vamos promover a paz No ônibus ou no mercado Em casa e na escola Na rua e por todo lado

II Equilibrada e solidária A paz é muito calma Porque com harmonia Tranqüiliza nossa alma

VIII Tem outras igrejas hoje Também promovendo a paz Eles querem ser solidários Serem amigos e tudo mais

III Nossa arma é o sorriso Nosso alvo o coração Nossa guerra é pela paz Nossa luta a oração

IX Quem tem a paz consigo São pessoas bem amadas Estão sempre mui felizes E vivem sossegadas

IV Procurar a Paz de Deus É muito importante Primeiro ela está em mim Depois, nos semelhantes

X Os pássaros e as flores Tem uma paz interessante Pois a natureza é bela E a harmonia é constante

V Com os pobres e com doentes Podemos ser solidários Com os tristes e sofredores E também com os carcerários

XI Peço a paz, querido amigo Solidariedade e amor Para que em nosso mundo Tenhamos respeito e valor

VI Já ouvimos alguém falar Ajudei o meu irmão Me sinto tão feliz Quando estendo minha mão

XII Ajudar nada nos custa É alento ao coração Que a justiça nos proteja Promovendo boa ação Alzira Mª Silva dos Santos 23/02/2005 231


MULHER Alguém pode negar? Que a mulher é especial Ela tem força e vigor E também seu ideal. A mulher tem grande Dom Pois filhos podem gerar Deus Pai que é muito bom Deu a ela esse lugar. Ela educa os seus filhos É amiga e companheira Ela é meiga e amável E também trabalhadeira. Foi um dia em oração Com carinho e humildade Que um anjo a mulher falou Teu filho será santidade. No começo ela tremeu - De onde vem graça e beleza? - Sou a serva do Senhor! - Não tenho essa certeza. O anjo lhe confirmou Vás gerar um belo menino Que será o salvador Cantem glória os pequeninos. Agora peço a todos E clamo sem cessar A mulher é grandiosa Todos devem respeitar Alzira Mª Silva dos Santos 05/05/2002 232


CACHOEIRA DO AMÂNCIO I Cachoeira gigante Linda... Maravilhosa Podemos saborear Sua água tão gostosa

VII Rodeada de palmeiras De cipó e de bambu Essa bela cachoeira Fica aqui em Biguaçu

II Tens uma queda enorme Até parece um véu Aquela água caindo Dá impressão que vem do céu

VIII Ela tem uma irmã É a cachoeira São Miguel Essa já moveu engenho De burguês e coronel

III As pessoas de Biguaçu Algumas não te conhecem Mas quem te vê de perto Suspira como uma prece

IX Cachoeiras, Cachoeiras... Vocês são nossas riquezas Com tanta água potável É coisa de rara beleza

IV Por sobre as pedras correm Uma água cristalina Tão clara, tão limpinha Que nos dá adrenalina

X Em Sorocaba do Sul Tem um canto especial A melodia da cachoeira É musica divinal

V Cuidado! Não jogue lixo Nem contamine com veneno Pois esse líquido precioso Forma a chuva e o sereno

XI Ao querido Pai celeste Temos muito a agradecer Porque essas belezas Ele veio nos oferecer.

VI Quem quer momentos felizes Vá o Amâncio visitar Pois aquela cachoeira É um encantado lugar

Alzira Mª Silva dos Santos Maio/2005

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CELEBRIDADE Palavra moderna Que está em evidência Mais muita gente sabe Que a água é preferência

Preocupe-se com os esgotos Com fossas e sumidouros Porque daqui a alguns anos A água vai valer ouro

Quanta celebridade Encontramos na natureza O solo, a água e o ar Precisamos com toda certeza

Água nasce na fonte Corre cautelosa e sem parar E ao chegar lá na foz Água salgada vai encontrar

O ar a gente não vê O solo podemos pegar A água é uma beleza A luz é pra clarear

Água salgada tão importante Pra navegar e pescar E pra dar um mergulho Quando o verão chegar

Em nossa querida terrinha Temos água cristalina Correndo por sobre as pedras Coroando-as como rainhas

Água – Água – Água Precisamos te defender Porque se estiveres limpinha Todos nós poderemos beber!

Oh! Água deliciosa Nossa celebridade Estamos te defendendo Pois és preciosidade

Celebridade água Filha especial do criador Fonte de vida saudável Foste feita com todo amor!

Cuidado com a Água Doce Pois ela poderá faltar Conscientize nossa sociedade Para as fontes não sujar

Alzira Mª Silva dos Santos

O povo de Biguaçu Tem dor no coração Porque o nosso Rio Poluíram de montão

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HOMERO DA COSTA ARAÚJO

Nascimento: 06 de maio de 1948; Local de Nascimento: Lages-SC; Filiação: Antônio Alencar Araújo Furtado e Helma Helena da Costa Araújo. Formação: Curso Primário: Colégio Vidal Ramos Júnior, LagesSC; Curso Secundário: Colégio Diocesano de Lages: Curso Científico; Academia de Comércio de Lages: Curso Técnico de Contabilidade. Curso Superior: Administração de Empresas na UFSC; Direito na UFSC. Experiência Profissional: Professor da Escola Técnica Federal de Santa Catarina – ETFSC, na disciplina de Organização e Normas (ano 1972 – 1998). Administrador, na Companhia Catarinense de Águas e Saneamento – CASAN (1972 – 1979). Administrador, na Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina – CODESC; Advogado Autônomo, OAB-SC 3144; Diretor da Empresa Vida, Importação Comércio e Representações Ltda. (1986 – atual). Autor das seguintes obras: Fogo de Chão, então, então; Caminho das Tropas; Prosas de Galpão; Por detrás das Taipas; Cama de Pelego; Confraria da Coxilha. Membro da Academia de Letras de Biguaçu, cujo patrono é o ilustre lageano Nereu Ramos.

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Cadeira nº: 31 Posse: 15-12-2006 Título: Escritor Patrono: Nereu de Oliveira Ramos Título: político / Orador

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Senador Quando foi Governador do Estado, o Dr. Aderbal Ramos da Silva nomeou para Exator Estadual de Indaial, interior do Esta­do, o Sr. Alcides Hermógenes Ferreira, mais conhecido pela alcu­ nha de “Senador”, marca registrada que adquiriu por ser freqüen­tador assíduo do Senadinho - Ponto Chie, situado na Rua Felipe Schmidt, na Capital. Ali o Senador toma seu cafezinho no pires, ou seja, após ser servido na xícara ele o derrama no pires e o bebe­rica aos goles. O Senador, tão logo assumiu a Exatoria daquela localidade, alugou uma pequena casa de madeira e ali se instalou: Exatoria na parte da frente e residência na parte de trás, com aluguel pago pelos cofres do Tesouro Estadual, é claro. O banheiro, ou melhor, a patente, ficava no meio do lote, há mais ou menos 15 metros da porta dos fundos, em meio às árvo­res frutíferas ali existentes. Luz elétrica nem pensar. Tudo se re­sumia aos lampiões, lamparinas e velas. O Senador, recém-chegado da Capital do Estado, costuma­ va andar de terno de linho branco e gravata, que normalmente eram doados pelo Dr. Aderbal (tio Deba). Em certa ocasião, o Senador foi jantar com as lideranças políticas da região, representando o Sr. Governador, e pôs-se a provar de todas as iguarias que havia naquela festividade. Retornou para casa, já um pouco tarde da noite, disposto a repousar na casa-coletoria. Durante o percurso, clube-casa-coletoria, que fez a pé, sentiu algumas fisgadas na barriga, que foram aumentando pouco a pouco. Achou que não conseguiria chegar em casa a tempo de ocu­par a casinha. Parava e continuava. Continuava e parava. Chegou em casa, acendeu a vela e dirigiu-se para o quintal para aliviar as dores. No entanto, quando estava próximo da casi­nha, viu que não conseguiria chegar até lá; agachou-se e, após baixar as calças,

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mandou fogo ... , agarrado no tronco de duas ba­naneiras: cagou de dar dó. No entanto, cometeu um descuido que jamais imaginou acon­ tecer: cagou em cima da gravata. O que fazer naquelas alturas? Não podia sair daquela posição. E agora? Teve apenas a seguinte idéia: um caco de vidro. Foi o que fez, quebrando uma garrafa que achou próxima. De pronto, pas­sou a mão no caco de vidro, cortou a gravata próximo ao nó e foi dormir em seguida, deixando no local o resto da gravata e o mon­te de merda. N o outro dia, foi abrir a coletoria vestido com o terno da noite anterior e o toco da gravata. Trabalhou normalmente como se nada tivesse acontecido, se bem que notou que a fisionomia dos contribuintes era um pouco estranha, é claro. Dali em diante, sempre passou a usar terno de linho branco com gravata- borboleta; e assim sempre é visto pelas imediações da Felipe Schmidt até o Cartório Hercílio Luz (Ciloca), amiga in­separável de todos os dias. Terno de linho branco (ganho de ex­Governador) com gravata-borboleta.

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Sindilata da Coxilha Rica o proprietário da Fazenda Santa Helena (Coxilha Rica - SC), Antônio Alencar, meu pai, contou-nos, ao redor do fogão de chão, a seguinte passagem: foi procurado em seu escritório de advoca­cia, em Lages, por um fazendeiro da Coxilha Rica que estava di­ante de um impasse muito grande e não sabia como resolvê-lo, diante da situação provocada pelos tatus e lagartos que residem em sua fazenda já há vários anos. Dizia ele que fora surpreendido pelo presidente do Sindica­ to dos Tatus, Lagartos e Similares da Coxilha Rica e adjacências SINDILATA, que o notificou e estabeleceu o prazo de cinco dias para que pudesse encontrar a solução para o grave problema ha­bitacional que estava ocorrendo nas terras de sua propriedade. De acordo com o último censo realizado naquela localidade, constatou-se que haviam sido detectadas trezentas e sessenta to­ cas e que o número de tatus e lagartos encontrados somava um mil e oitocentos, ou seja, para cada toca encontrada, havia cinco moradores. O caso causava grande apreensão e deveria sofrer so­lução imediata. A situação não poderia permanecer como estava, porque já havia ocorrido muitos conflitos causados por disputas de tocas numa população que até então mostrava-se sempre amistosa e pacífica. Na semana anterior ao nosso encontro, houve uma briga muito grande entre dois tatus, antigos ocupantes da mesma toca, e, infelizmente, um deles foi conhecer São Pedro. _ Novos conflitos poderão ocorrer e temos obrigação de in­tervir para evitar aborrecimentos, não é mesmo? Temos que en­contrar uma solução rápida e pacífica (afirmou o presidente do SINDILATA). Se no prazo estabelecido pelo nosso sindicato não houver a manifestação do prezado amigo fazendeiro, informo-lhe que, conforme o que foi decidido em assembléia, seremos obriga­dos, muito a contragosto, a realizar uma passeata que sairá da Coxilha Rica e irá até Lages, com acampamento

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marcado para frente da prefeitura municipal, onde notificaremos as autorida­des constituídas sobre a situação que estamos enfrentando. _ Também ficou decidido que: se não houver a manifestação do Senhor Prefeito Municipal, a nossa caravana tomará o rumo da Capital do Estado, e aí o negócio vai engrossar, pois convocare­mos para a oportunidade o presidente nacional do Sindicato dos Tatus e Lagartos para nos acompanhar. - O que fazer diante de tudo isto? Perguntou o sindicalista ao Dr. Antônio. - Tenha calma. A solução é bastante simples. Não precisa maiores preocupações. Vamos por parte. Convoque uma reunião, ainda hoje, com a diretoria do Sindicato dos Tatus, Lagartos e Similares (SINDILATA), e proponha ceder uma das mangueiras da sua fazenda que, depois de coberta, passará a abrigar os asso­ ciados do sindicato e seus dependentes durante a noite, durante o dia continuarão usufruindo das benesses encontradas nas inver­ nadas da fazenda. Estabeleça um cronograma de desocupação das tocas para que não haja problemas de filas nas primeiras noites, pois haverá necessidade de se demarcar na mangueira os locais que serão ocupados pelas famílias. Ceda, graciosamente, a man­ gueira para não haver rejeição da proposta, não esqueça desse detalhe, pois ele será muito importante na negociação. Se houver necessidade de se fazer um contrato de cessão do local, volte aqui que eu faço uma minuta do mesmo que, após submetida à apreci­ ação do SINDILATA e aprovada, entrará em execução final de imediato. Depois fica apenas na dependência de apanhar as assi­ naturas de cada lagarto e tatu interessado. A grande vantagem que eu vejo pela cessão da mangueira, além das já apontadas, e que não poderá ser dita aos futuros ocupantes de jeito nenhum, é a seguinte: como as suas mangueiras são cercadas de taipa, sugi­ro que se abra um buraco entre as pedras, uma espécie de janela, que possibilitará a oportunidade de abater um lagarto ou tatu. A

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coisa funcionará assim: você irá abaixado atrás da taipa, e após verificar que a população já está dormindo, estica o braço pelo buraco da taipa e puxa para o lado de fora da mangueira o primei­ro habitante que encontrar. Sente o peso, e após verificar se está gordo,passa ao abate. Foi isso que fiz na minha fazenda e nunca mais tive que recorrer à lua cheia, lanternas, lamparinas, cachor­ros e caminhadas para abater um lagarto ou um tatuzinho. E tem outra vantagem proporcionada pelo buraco na taipa: como tatu e lagarto têm o sono muito pesado e não acordam com facilidade, permite que você escolha só os mais gordos, pois, caso você puxe um magro, é só devolvê-lo calmamente pelo buraco da taipa e apa­nhar outro, e assim sucessivamente, até encontrar o que for do seu agrado. Lembre-se de uma coisa, o tatu, quando é muito gor­do, costuma roncar durante a noite e, às vezes, encontra-se al­gum que é sonâmbulo, isto mesmo, sonâmbulo. (falou Dr. Antônio ao seu cliente). Noite dessas, puxei um que me disse o seguinte: - Não é a mamãe, não é mamãe. - A expressão deixou-me assustado, é claro, mas concluí em seguida que o tatu estava apenas sonhando com o seriado de TV ­Família Dinossauro. Despediram-se um do outro e lá se foi o fazendeiro da Coxi­ lha Rica feliz da vida com as soluções apresentadas pelo seu ad­vogado Antônio Alencar. - Advogado eclético é para essas coisas. Disse-me meu pai. - Também acho. Respondi-lhe em seguida.

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Hélio Cabral Filho

Nascido em 10/01/1965 Natural de Florianópolis Formado em Administração de Empresas em 2006. Dois livros editados: “Sonetos de otimismo e outros Sonetos”, Editora Virtual Book, 2009 e “Meus sonetos Prediletos”, Editora Virtual book, 2011. Dirige um Grupo de teatro para adolescentes em Biguaçu. Recebeu o prêmio “ O manézinho da Ilha “ como Destaque literário de Florianópolis em 1992. Cadeira nº: 32 Posse:20/09/2011 Título:Poeta Patrono/Patronesse:Nila Sardá Título: Poeta

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O peso e a pena Os teus defeitos e deformidades; Teus aleijões e depauperamentos; Que só transformas em dificuldades, Em só: tristezas e aborrecimentos... As dores e os fatais padecimentos; Deficiências e necessidades, Que tratas como injustas crueldades... São só: aprendizados, crescimentos... ... Se tens tudo nas mãos, nada te custa; Quem enfileira pedras, busca tombos; Ninguém jamais encontra o que não busca... A vida não nos dá somente escombros, E Deus nos deixa sempre a cruz mais justa Que pode suportar os nossos ombros!

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GPS Tem gente que se perde na procura De algum caminho ou mesmo algum atalho Que o leve até o sucesso; a um bom trabalho; A vida mais serena, mais segura... Tem gente que se perde na aventura, Buscando o nada – feito um bom paspalho – Querendo ter nas mãos (num só estalo), Qualquer conquista nobre, grande e pura. São incansáveis peregrinações, Em busca do prazer, amor, riqueza... No entanto, encontra apenas frustrações. E assim vai construindo uma certeza: Ninguém pode exigir em ter nas mãos, Aquilo que não põe na própria mesa...

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Dúvidas cruéis O que haverá depois da etérea ponte, Que um dia todos atravessarão? Por conta dessa vida que é inconstante, Se é que existe alguma ligação? Um sol maravilhoso no horizonte, Ou só a noite - extrema dimensão -? Toda a incerteza que – enfim - se irrompe? Anjos sublimes nos esperarão?... O passaporte ao nada ou à verdade? Será o nosso prêmio a solidão? Será nosso castigo a liberdade?... O que haverá no fim dessa estação? A luz divina de uma eternidade Ou somente o silêncio e a escuridão?...

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Trôpego e inválido Não cresce, não prospera o povo estático; A nação conformista, morna, plácida... O povo fraco, de atitude flácida; O cidadão indiferente, apático... Quem não se movimenta ante a denúncia; Quem não se mostra indignado, enfático, Diante de um problema sintomático, É um povo que à verdade faz renúncia! Não vinga uma nação que segue hermética, Não vendo a exploração tão problemática, Nem mesmo a injustiça tão frenética. Um povo é pobre e tem visão raquítica, Quando reclama a condição dramática Mas não protesta a enganação política.

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Minha Flor Tudo nesse teu corpo me completa: Teus lábios têm meu gosto mais querido; Teu cheiro meu perfume preferido. Teus olhos minha cor mais predileta. Tua vida em minha vida se completa; O teu sorriso é o meu maior abrigo; O sol que dá mais brilho e colorido; A luz que no meu mundo se projeta... O gosto doce dos teus doces beijos; O calor dos teus braços nos meus braços; A troca de carícias e desejos... Assim eu vou somando essa paixão; Te amando enquanto houver na vida espaço, Na eternidade do meu coração....

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DULCINÉIA FRANCISCA BECKHÄUSER

Data Nascimento: 11 de agosto de 1947. Filiação: Manoel Inocêncio Martins e Albertina Francisca Martins. Estado Civil: Casada. Naturalidade: Florianópolis-SC. Nacionalidade: Brasileira. Profissão: Professora. Funções Exercidas: – Gerente de Tecnologias Educacionais no período de 1995 a 1988. – Diretora de Tecnologia Educacional. – Gerente de Pesquisa e Inovação da Diretoria do Ensino Superior. Gerente do Ensino Superior. – Secretária da Associação da Praia Brava (período 2000 a 2002). – Secretária do PMDB / mulher Florianópolis. – Presidente do PMDB / mulher Florianópolis (durante 3 mandatos). – Secretária do PMDB / mulher – Estadual (durante 2 mandatos). – Delegada do mesmo partido PMDB (durante 6 mandatos). – Presidente do Conselho de Segurança nas seguintes localidades: Jardim Santa Mônica – Parque São Jorge – Córrego Grande – Jardim Anchieta – Pantanal – Trindade. – Diretora do Colégio Estadual Lauro Müller (cargo eletivo) em 1985. – Reeleita Diretora do Colégio acima citado em 1990 com 99% da votação. – Atualmente desenvolve Trabalho Voluntário na Comunidade – Instituto Lagoa Social – Idosos. Jardim Santa Mônica – Diretora 248


Social e Comunitária do Conselho de Segurança. – Atualmente exerce a função de Secretária do Jardim Santa Mônica e membro do Conselho Diretor do mesmo. Formação - Magistério: – Licenciada em Letras: Português, Literatura Portuguesa e Brasileira, Francês, Literatura Francesa. Curso de Especialização: – Comunicação e Expressão Português Francês – UFSC. – Mestrado em Metodologia do Ensino na Bélgica – 1983 a 1985. – Cours de Langue Française Heures – Universite Catholique de Belgique – Institut des Langue Vivante – Belgique (Bélgica). – Lecionou 18 anos Francês – Português, 1º e 2º Grau. – Literatura Francesa e Portuguesa. – Cursou Escola de Governo e Cidadania durante um ano – Total de horas aulas e trabalhos com defesa, 148hs, 2003. Cursos de formação continuado: – Seminário Estadual sobre Segurança Pública – julho 2003. – Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina. – Tecnologias Educacionais. – Curso de Gestão Educacional e Gerencial. – Curso Qualidade Total na Educação. – Artista Plástica. Cadeira nº: 33 Posse: 14-05-2008 Título: Escritora / Artista Plástica / Professora Patrono: Oswaldo Rodrigues Cabral Título: Historiador

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Mulheres e as mudanças na sociedade ou papel da mulher na sociedade Se o mundo está mudando, hoje se pode dizer que uma parcela ou até mesmo em boa parte isso foi obra da mulher, pois existem mulheres que lutam pelos direitos das outras, que buscam igualdade entre o sexo masculino e feminino. As mulheres estão cada vez mais à parte de seu tempo, estão conquistando novos espaços na sociedade. Muitas vezes, não é dado o devido valor a mulher pelo fato de alguns grupos a considerarem sexo frágil. Sinceramente, de frágil a mulher não tem nada, somos tão fortes que a nós foi dado o dom de gerar o ser humano e não aos homens, isso é um grande mérito, vocês não concordam? Ser mulher pode não ser fácil, e sem querer ser pretensiosa ou feminista, ser mulher é melhor, apesar de todas as dificuldades, mas o que importa é que as dificuldades são ultrapassadas. Vencemos barreiras e tabus quebrados, pela luta diária por um amanhã mais justo e igual tanto para o homem como para a mulher. Todo mundo já sabe que as mulheres têm aumentado seu espaço no mercado de trabalho inclusive que hoje elas ocupam profissões que antes eram estritamente masculinas. As empresas procuram mulheres com características próprias, com diz o livro “mulheres são de Marte, Mulheres são de Vênus”. Isto porque os homens se preocupam com as grandes coisas, grandes realizações, dinheiro, sucesso. Já nós mulheres damos valor as pequenas coisas, aos detalhes que parecem insignificantes, mas que quando notados fazem a diferença. Sou uma educadora e meu trabalho é fundamentado na igualdade então os sexos nos trabalhos de educação dos filhos e netos nas atividades domésticas. As mulheres realmente estão invadindo o mercado. Foi-se o tempo em que as profissões eram consideradas adequadas para um 250


ou outro sexo. Hoje em dia com o mundo globalizado é possível ver profissões que são tradicionalmente ligadas a um sexo específico, sendo exercidas pelo outro. Mas nesse quesito a transformação de estereótipos a mulher tem tirado nota 10. Profissões e áreas dominadas pelos homens têm sido invadidas pelas mulheres de maneira surpreendente. Um exemplo é a profissão de piloto, motorista de caminhão, ônibus e taxi. As mulheres têm confirmado que o sexo frágil pode ser mais forte do que se pensa e tem ganhado muito espaço. Na construção civil é outro setor que as mulheres estão também dominando. E como são detalhistas, as grandes empresas da construção estão preferindo a contratação de mulheres para finalização da obra, ou seja, para dar acabamento final. A explicação pra tal está em características comuns entre as mulheres, o detalhismo, a delicadeza e a minúcia com qual elas exercem essas tarefas. No conhecimento também não tem sido diferente. A primeira astronauta mulher foi a russa Valentina Tereshkova em 1963, tornouse o ícone da luta feminina provando que as mulheres podem fazer e ir onde quiserem, até mesmo as estrelas”. No esporte as mulheres fizeram e fazem história. As forças armadas antes eram restritas aos homens, hoje elas estão presentes. Apenas citei essas para exemplificar, mais e mais importante, e saber que o preconceito entre os sexos está sendo quebrado. As mulheres a cada dia vêm conquistando o seu espaço e realizando tarefas com empenho único e uma visão excepcional. Isso faz a diferença. Em uma época marcada pelo comodismo e o consumo. Quantos de nós queremos realmente ser algo melhor nesse contexto o evoluir ao invés de procurar somente acumular bens? Quando observo, vejo que as pessoas priorizam seu tempo e seu dinheiro. Fico imaginando como querem evoluir se a maioria não gosta de ler. Fazer contas usando máquinas, óbvio mais fácil. Em minha opinião evoluir é usar o cérebro. Isso percebo no que as pessoas conversam e falam. Precisamos mudar esse paradigma e usar muito nossa razão. 251


Outro assunto pertinente nos dias atuais são os casamentos. Faz quarenta e quatro anos que sou casada e não me arrependo. Sabem por quê? Quando as coisas não estão bem nós dois tentamos consertar. Infelizmente, a maioria dos casais até tentam. O maior problema é que apenas um entre 10% a tentativa de acertar o que não está bom, às vezes depende apenas de um. O número de casais que se separam é assustador em minha opinião, as mulheres têm que ser mais valorizadas por determinados grupos de homens. Falo isto porque existe muito que são excelentes parceiros. Em minha opinião as mulheres têm que ser mais valorizadas por alguns homens, pois alguns se acham donos das mulheres, exemplo: elas não podem sair de casa e se saem não podem voltar tarde, ou eles até deixam ela mais tarde, mas eles vão atrás para saber aonde vão. Acho um erro de alguns homens eles têm que confiar na mulher que tem. Quem não tem confiança não merece confiança. Outro problema é os celulares, que alguns usam como controle remoto, o relatório tem que ser feito. Ou confia ou some da vida da mulher que não confia. Com este controle, ninguém consegue ser feliz. Todos nós temos o direito a felicidade e liberdade, o importante é ser feliz e cada um pode ser feliz de um jeito diferente. Nós mulheres somos por natureza mais ansiosas em relação aos homens. O homem pensa cada coisa de uma vez e já as mulheres pensam e fazem diversas coisas ao mesmo tempo. Acredito que a mulher desempenha e vai desempenhar ainda mais um papel importante para desenvolvimento do país. As mulheres trabalham muito mais do que os homens somando mais trabalhamos uma jornada dupla, somando por semana trabalhamos por semana 5 horas a mais do que o homem. Uma pesquisa mostra que 90% das mulheres não têm o apoio do parceiro nas tarefas domésticas. A maioria diminui a jornada de trabalho devido à falta de colaboração de seus parceiros. O ideal é dividir as tarefas domésticas em comum acordo. Penso que esta medida irá reduzir os problemas entre os casais. 252


E sabemos que desde os primórdios da humanidade que as mulheres eram usadas como sendo escravas e objetos sexuais. Faziam tudo que lhes era imposto, eram consideras um ser desprezível. Eram úteis apenas para cuidar dos filhos, executarem as tarefas domésticas e satisfazer os homens. Aliás, infelizmente, ainda são tratadas assim em certos países. Sabemos, contudo, e graças à mulher que nossa espécie continua. A mulher é um ser único, e como alguém já afirmou “a flor mais sublime que a natureza deixou na terra pelo seu perfume de conseguir tudo que anseia”. Como dizem os poetas, a mulher assemelha-se a uma rosa que exala seu perfume nos momentos mais tensos. Nós inspiramos os grandes pintores, grandes escritores literários, as músicas, os músicos se inspiram ao criarem as mais belas canções. Nós podemos nos considerar um ser romântico e único. Por que além de ser mãe, feminina, mulher etc. Também ser trabalhadora, participativa e capaz de contribuir de algum modo para a evolução e revolução dos tempos em nossa sociedade. A meu ver uma mulher não deve apenas vender sua imagem para anúncios de produtos, mostrando seu corpo fazer filmes de pornografia esta imagem de mulheres deve ser eliminada do contexto em que vivemos. Se quisermos ser respeitadas não devemos permitir de ser vista de maneira diferente e sim ser considerada um ser vivo que pensa, agi e reagi, para ter os mesmos direitos que os homens. Penso que a mulher deve assumir uma postura de ser humano e exerçer a sua atividade de acordo com as suas posses, situação social ou grau de intelectualidade, contudo, não deve permitir desrespeito. Em alguns países como o nosso podemos ver que algumas mulheres já aderiram ao mundo da política, mundo este que desde sempre envolvia apenas os homens. Nós mulheres participamos não só da política, mas também do desporto, saúde e da engenharia, direito, medicina e odonto. Desde o início as mulheres participaram ativamente, acredito que o mundo talvez fosse melhor, com mais paz, amor e carinho.

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Na saúde temos a história da medicina de Santa Catarina, a pioneira Wladyslwa Mussi, sempre associada ao pioneirismo. Ela ocupava a cadeira numero 09 da Academia de Medicina de Santa Catarina, e foi na década de 1940 a única médica de Fpolis. Faleceu dia quatorze de julho de 2012, aos 101 anos. Perdemos uma lutadora, mulher que sempre se dedicou a profissão e aos familiares. Antes de morar na capital ela enfrentou vários desafios e antes de chegar a Fpolis morou em Orlenas e Laguna, onde despertou desconfiança dos moradores. Comentavam como podia uma mulher ser médica? Essa ilustre mulher veio alavancar ainda mais nossos valores. Linda era sua especialidade como médica, trazer seres humanos ao mundo. Pois, era ginecologista e obstetra. Reconhecia a dupla jornada de trabalho das mulheres naquela época. A mesma exercia esta atividade com maestria, viúva aos 48 anos, antes de sair para o trabalho determinava as atividades domésticas com a empregada e diariamente e ainda encontrava tempo para auxiliar seus três filhos nas atividades escolares, exemplo de esposa, mãe e profissional e liderança agregada. Assumindo o papel de pai e mãe, tenho o prazer de ser amiga de sua filha Zuleika Lenzi. Quem a conhece sabe o valor que esta mulher tem. Zuleika é um dos nossos ícones no movimento das mulheres. Respeitada por quem a conhece sabe do que estou falando, cultiva os valores da ética, da moralidade de trabalho. Herança de sua querida mãe, pois uma liderança agregada. Podemos dizer que sua mãe não morrerá nunca em nossa memória. Exemplo de mulher profissional, mãe e liderança desbravadora de nosso sexo em Santa Catarina. Que essa história de uma mulher relatada sirva de exemplo, Imaginamos barreiras enfrentadas por esta vencedora. Vamos fazer a nossa parte pra uma vida melhor, nos próximos anos. Com o título da notícia “elas são mais espertas”, da coluna de Cacau Menezes no dia 20 de julho de 2012 dizia o seguinte: ”Confirmado

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o que desconfiei há dezessete anos tentando argumentar com a própria, o QI feminino é maior que o masculino. Quer dizer, para os especialistas isso só se tornou verdade agora. “Renomado estudioso do assunto o professor James Flynn da universidade de Otago, na Nova Zelândia, afirma que pela primeira vez as mulheres ultrapassaram os homens nos testes. A vitória foi apertada, por meio um ponto de vantagem. No seu estudo mais recente, Flynn avaliou dados coletados na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Estônia e Argentina. Em cada país foram testados pelo menos 500 homens e 500 mulheres, com uma chance igual de interagir com o mundo moderno, disse Flynn”. Elas se igualam no QI e vão além no desempenho acadêmico. Esta matéria só veio confirmar o que sempre digo, somo vitimas de uma cultura machista. Porém comprovamos cientificamente ou não que somos seres humanos com muita capacidade de agir pensar, falar, fazer e dar muito amor a tudo que fazemos. O mais importante, somos autênticas, e por estes motivos e muitos outros que estamos presentes nas mais diversas profissões do mercado de trabalho. Bibliografia: Mulheres de Marte, Mulheres de Venus. Diário Catarinense de 14/07/2012 e do dia 20/07/2012;

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VERA REGINA DA SILVA DE BARCELLOS

Vera De Barcellos nasceu em Florianópolis, SC, compositora, artista plástica, escritora e poetiza. Iniciou sua caminhada literária em 1996, lançando as obras Na luz à dor da saudade tua e Cores poéticas em seu Coração. Em 2005 lançou em co-autoria a obra infantil A ratinha orgulhosa e a solidariedade em BH MG. Pertence hoje a dezenove Casas Literárias incluindo seis Academias de Letras. Colabora em jornais e periódicos culturais e literários. Em 2002 recebeu a Comenda Mérito Cultural Josefense da Câmara dos Vereadores de São José, em 2003 recebeu o Diploma do Mérito Consciência Cidadã em Brasília Distrito Federal e o Troféu Cruz e Sousa da Academia Desterrense de Letras de Florianópolis- SC, na qual é fundadora e acadêmica. Em 2010 recebeu o colar de Mérito Literário Haldument Nobre Ferraz do Clube dos Escritores de Piracicaba- SP Possui hoje um acervo de oitenta e duas coletâneas e antologias literárias. No prelo estão as obras infantis: O pequeno professor, Elisa a dançarina, Marcela e o pônei, O sapo Jururu e A estrelinha azul. Possui trinta e cinco obras literárias registradas (não editadas) na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 2011 lançará em homenagem aos 150 anos de Cruz e Sousa uma obra literária Pérola Negra, um disco com 12 músicas neo-clássica de sua autoria e um álbum de partitura com músicas e literatura referencial ao imortal simbolista Cruz e Sousa. 256


Cadeira nº: 34 Posse: 17-12-1997 Título: Não informado Patrono: Othon da Gama Lobo D’Eça Título: Poeta

NOSSA DESTERRO O vento sul bradava forte e seguro No alto verde do Morro da Cruz... Saudando a Velha Desterro cantava: Tu, minha Desterro, Vejo nos meus sonhos despertos da mocidade Teu véu brumoso do salitre branco e puro Das noites frias do teu inverno rigoroso... Enamorada! A tua lua que faceira e brejeira beija carinhosa As águas claras e límpidas da tua lagoa encantada... As carícias! Do teu mar crespo pelo vento nordeste Acariciando em paixão as espumas brancas Que nas areias rendadas vêem tocar... Vejo com carinhos Os diferentes tons de verde das tuas matas O contorno sensual dos teus morros e montanhas E me perco neles numa noite de paixão... Ouço! As rapsódias dos teus pardais e belas pombinhas Em revoadas junto aos centenários trinta réis Bailando sobre as beiradas das tuas águas, nas baias... Delicio-me a observar 257


O desfolhar das folhas dos teus outonos E meu coração vibra... Com os cantos dos teus versos, das tuas prosas E dos teus lindos vesperais O encanto dos teus incansáveis escritores, Desponta viril e inovadora a nova casa literária hoje Academia Desterrense de Letras Vertendo suores e desvendando os mistérios Da Velha e Maravilhosa DESTERRO Defraudas com orgulho e fraternidade Tuas sinfonias literárias No hino da história da tua gente Com os mistérios da Terra de Sol e Mar... Eu vejo o tempo passar transformador e operante Renovando em delírios poéticos No alto do MORRO da CRUZ! Teu vento sul... De hoje Teu vento sul de outros tempos... Teu anjo protetor, tu VELHA DESTERRO...

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Pérola Negra do meu Brasil Pérola Negra da literatura do meu país Vislumbrei o toque silencioso das tuas preces Li a Antífona e dedilhei pouco a pouco No limiar dos teus desertos. Vi as formas alvas das divinas nuvens Que vem e vão à simbiose ondulante das rimas Salmodiei em surdinas preparando-me Para a fecundidade melindrosa dos venenos pueris Da aurora que despertava no pólen Em todos os eflúvios por onde passavas... Galguei os píncaros dos teus desmaios Teu céu ansioso das estrelas Junto aos arcanjos e cristais Subindo em cantos formulando ritos De diferentes ângulos musicais Vesti as vestes angelicais com aromas de incenso Que se perdiam nos sonhos da tua eternidade... Sim... Da tua eternidade! Brasil meu povo, Minha bandeira... Meu chão! Um grito alucinante percorreu caminhos Introspectivos desalentos Que se iam à sutileza do que já era... Vestes brancas em sonhos juvenis Figura em noite de temporais eternos Dos santos que da liturgia nada tinham Qual flor desabrochando em desalinho Intrépida manhã no arrolho em pio Surge o negro cantando e poetando Na Ilha que descobre concha Clara, intrépida, no recôndito do teu mar 259


Das brumas do teu salitre Pérola fibra de poeta, És tu, Cruz e Souza Enaltecendo o nosso Brasil Nas fibras de teu manto poeta Nas siderações ansiosas das estrelas Então desperta com tuas rezas Teus trechos das ave-marias O poeta na madrugada dos dias E reza baixinho o terço intumescido Entre seus dedos enrugados pelo cansaço Das descrenças e dos preconceitos Que doíam na carne ainda jovem dos teus dias Crê em um novo estandarte Libertação... O devaneio das letras Dirigindo poemas... Poesia e contos Desfraldando com galhardia um novo continente, Poeta simbolista... Poeta do nosso Brasil.

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150 anos de Cruz e Sousa 1861-2011 Hoje meu canto descortina na madrugada Ciclos nostálgicos de um outono Que mansinho chega desenrolar suas matrizes d ‘ almas Na nova estação na terra da antiga Desterro Gostaria de descortinar num manto primaveril Os gorjeios dos pássaros em revoadas E sentir em minha própria pele Todos os sentimentos que tiveste outrora Hoje, comemoramos teus cento e cinqüenta anos, E reluzes em brilhos poéticos saudosamente Nos ângulos profundos da evolução eterna Fizeste a ti poeta nos teus delírios saudosos Quando a alma sofrida em desalinho Discorrendo de profundas feridas angustiosas Pela tua pele negra Do teu povo escravo alforriado Teus passos em estradas fantasmas Perambulando por matizes cada vez mais acinzentados... Tua raiz, teu grito buscando a pátria e a tua liberdade. Hoje poeta quero cantar Um hino de libertação pelo teu grito de vitórias Que retumbou tambores, Parou guerras literárias e rompeu fronteiras, Seguiste rios e ergueste bandeiras E delineaste a milhões de almas O império literário do teu verbo Sensibilizaste a muitos, poucos te compreenderam E alguns te desprezaram. Tua coragem nas mãos erguidas abolicionantes Tuas palavras nas letras históricas e políticas Teus gritos poéticos de liberdade 261


Foram traduzidos por dezenas de línguas Tuas linhas poéticas circulavam diretrizes concordativas Tocaram corações, Simbolizando contornos sensíveis as almas que Cantam o eterno musical da Libertação Universal Possas hoje em repouso eterno Olhar os horizontes profundos dos teus feitos, Poeta Negro, Pérola Iluminada, farol para outros poetas Caminhos para tantos discípulos literários Em direção as obras dos imortais da Liberdade Nacional. Teu manto de Luz toca todos aqueles Que seguem resolutos os compêndios eternos Da Luminosidade dos pequenos grãos de areia Caminho em direção ao Solo Eterno Sim, ao Solo Eterno (Apresentado em 22 de novembro de 2011 Sessão Solene na Câmara dos Deputados em Brasília- Distrito Federal- Plenário Ulisses Guimarães homenageando os 150 anos de Cruz e Sousa)

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MARIA DE LOURDES ZUNINO DUARTE

Biografia – Maria de Lourdes Zunino Duarte, natural de São João Batista, professora aposentada, filha de João Zunino Neto e Fidelvia Gomes Zunino, filhos de imigrantes italianos e portugueses, respectivamente. Livros de autoria – O encanto; Lendas, Ilhoas e Catarinas – Era uma vez – Poesias e contos editados em livros e jornais. Em andamento o livro São João Batista. Cadeira nº: 35 Posse: 17-12-1997 Patrono/Patronesse: Padre Raulino Reitz Título: Escritor

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Bruxa (Marlou)

Num Bairro de uma cidade do interior, distante 70 quilômetros da Capital, a cultura se parece um pouco com a nossa ilha. Povoada por imigrantes italianos e portugueses, possuía engenhos de açúcar, de farinha e de cachaça. Tinha como diversão a “FARRA DO BOI”. Lá eu nasci e me criei. A gente pobre e simples do lugar acreditava, e ainda acredita, na existência de bruxas e lobisomens. “A Sinhá Maria”, como era chamada pela população mais jovem daquele lugar, era parteira-entendida, ajudava as senhoras na hora do parto. A cidade mais próxima com hospital e médicos, ou parteiras formadas, ficava a 45 quilômetros; e de estrada de barro. Por esta razão, até as senhoras com um pouco mais de recursos econômicos chamavam “Sinhá Maria” para ajudá-las a ter seus filhos. Só iam para a cidade ou chamavam médicos em caso muito graves. Era difícil e caro chamar um médico em casa, no interior, para fazer um parto. “Sinhá Maria”, como a chamavam e “Comadre” para os mais velhos, era uma senhora, idosa, rosto enrugado, nariz fino, queixo comprido, magra e feia. Usava sempre um lenço escuro e desbotado na cabeça, tipo cigana, amarrado no cocuruto. Era viúva. Vestia-se de preto, conforme a moda da época. Saia longa com bolsos laterais embutidos, bata com mangas abaixo dos cotovelos. A saia era bem franzida. Tudo de cor preta e desbotada. Usava tamancos de sola reta e baixa, de madeira e bem gastos, e tinha sempre no canto da boca um toco de “cigarro de palha”. Era uma figura estranha e feia. Dentes amarelos e estragados. Todos a 264


conheciam por “Bruxa”. Diziam que ao chegar em uma casa onde exalasse cheiro de algo, corria apavorada. Seu marido, já falecido, segundo as más línguas, era “Lobisomem”. Não me lembro de vê-la nem uma vez sem aquele toco de cigarro na boca ou entre as pontas dos dedos polegar e indicador. A garotada costumava gritar de longe quando a avistava: “Lá vem a bruxa! Olha a Bruxa! Cuidado com ela, ela é perigosa”. Conta-se que as crianças nascidas com a sua ajuda, nas noites de sextas-feiras, se nascessem de bruços viravam bruxas quando adultas. Eu nasci de barriga para cima e não foi numa Sexta-feira, “palavras de minha mãe”. Naquela época as crianças das cidades acreditavam na existência de “cegonhas”, porém, ali no interior, acreditava-se que os bebês que fossem encontrados nas touças de bananeiras por “Sinhá Maria”, que os levava para as mães que os esperavam deitados nas camas. Seus instrumentos de trabalhos, conforme fiquei sabendo bem mais tarde, eram: um caco de telha, um pires com banha de galinha (unto) e brasas acesas. Ao fazer o parto, ela aquecia as mãos lambuzadas na banha e passava na barriga da parturiente, num movimento de cima para baixo, facilitando o nascimento da criança, segundo ela. No bairro corre a lenda que “Sinhá Maria”, uma vez foi chamada para atender uma cliente, numa noite de Quinta para Sexta-feira. Chovia muito. Era uma dessas noites “TEMÍVEIS” o marido de “Sinhá Maria”, seu Chico, não queria que ela saísse. Mas, como não era mulher de deixar influenciar pelo marido, saiu para cumprir seu dever. Logo após a encruzilhada, acompanhou-a um grande cachorro que se atravessava em sua frente, não a deixando caminhar. Com pressa, ela tirava o tamanco e batia no cachorro que cada vez mais a impedia de andar, até que, com raiva, tirou do bolso um canivete, que sempre trazia consigo, e lascou um golpe na pata direita e dianteira do animal, que saiu aos gritos pelo mato e desapareceu. No outro dia, seu marido estava com um corte idêntico ao do cachorro, na mão direta, e não sabia como havia se ferido. Daquele dia em diante “Sinhá Maria”, nunca mais duvidou da identidade do marido.

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O que não aconteceu com ela, pois até hoje não se pôde provar, se de fato ela era bruxa, mas que se parecia, isso eu garanto.; Outra vez, contam os mais antigos, “Sinhá Maria” foi chamada para atender uma de suas clientes. Depois de 8 horas de trabalho de parto, com brasas e unto, ela nada conseguiu, pois a criança estava sentada. Mãe e filha estavam cansadas e sem força. Vendo que corriam sério risco de vida, chamou seu Chico na cozinha, e depois de longa conversa, ela propôs; “Deixa que batize a menina e garanto a vida das duas” o compadre não tinha outra escolha: de um lado a morte rondando a esposa e filha, do outro, a bruxa madrinha da filha. Como iria sobreviver sem esposa e com cinco filhos menores? Que fazer? O jeito era aceitar a proposta da bruxa. Selado o acordo, ela correu para a cozinha, pegou um caldeirão com água, tirou do bolso uns bagulhos e colocou dentro. Foi ao quintal, escolheu umas ervas estranhas, jogou-as no caldeirão, pôs uma caneca daquele chá e levou para a Comadre. Num alguidar pôs mais um pouco daquela mistura, pegou um pano e pôs-se a massagear a barriga da doente. Benzeu, fez alguns sinais esquisitos, e depois de passados vinte minutos a criança nasceu e a mãe estava fora de perigo. Os presentes ficaram espantados com o fato. Dizem que a menina nasceu com cara de bruxa, detestava alho, seu passatempo favorito era brincar com uma vassoura. O boato correu livre pelo bairro e vizinhança. A pobre mãe não se conformava, porem, não havia nada a fazer. Nunca vi a tal menina, mas dizem, até jura, que ela existiu e era bruxa sim, isto a firma a população da época. E até hoje passado mais de 100 anos a população mais antiga do lugar acredita. Eu mesma escutei muitas vozes pela gente pobre e ignorante do lugar. Assim toda cidade mais antiga juram de joelhos da existência da Bruxa! Maria de Lourdes Zunino Duarte

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ALFREDO DA SILVA

Natural de Rio da Prata, Anitápolis-SC, com 1º e 2º graus a partir da terra natal, passando por Criciúma, Tubarão e Lages, onde concluiu na Escola Técnica de Comércio de Lages o curso de Técnico em Contabilidade iniciado na Escola Sena Pereira, Estreito, Florianópolis, quando servia o Exército Brasileiro, no 14º BC, o 63º BI. 3º grau, Bacharel e Licenciado em História. Posteriormente, Bacharel em Direito e PÓSGRADUAÇÃO, com Mestrado, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Exerceu também as profissões de comerciário, radialista como locutor e rádio ator (Rádio Tuba, de Tubarão, Rádio Diário da Manhã de Lages e de Florianópolis, Rádio Guarujá de Florianópolis, além da colaboração na antiga Rádio Anita Garibaldi e Rádio Jornal a Verdade também de Florianópolis). Professor da Escola Técnica Sena Pereira, Instituto Estadual de Educação, Escola Técnica Federal de Santa Catarina, Fundação Educacional do sul do Estado, originária da UNISUL e da Universidade Federal de Santa Catarina, nas cadeiras de História e de Sociologia. Foi

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também assessor do Conselho Estadual de Educação no governo do ilustre e conceituado político, Antônio Carlos Konder Reis. Atualmente membro da Associação de Imprensa de Santa Catarina, Academia de Letras de Biguaçu, Cadeira Dom Jaime de Barros Câmara, Presidente do Clube dos 100, Coqueiros, Florianópolis-SC e advogado militante na grande Florianópolis, com escritório em Biguaçu-SC. Cadeira nº: 36 Posse: 14-05-1998 Título: Escritor / Advogado Patrono: Dom Jaime de Barros Câmara Título: Orador

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MIGUELITO

Menino Mexicano Cidadão Honorário de Biguaçu Alfredo da Silva A narração de um conto que agora passamos a fazer une dois mundos. O material, mundo terra consagrado pela natureza da qual germinamos fisicamente e dela usufruímos e vivemos e o mundo espiritual, tendo Miguelito como personagem principal sendo continuação de outros dois contos que esta honrosa Academia já publicou em anteriores antologias, intituladas ‘’SONHOS DE OUTONO’’ com o conto Penitência a Virgem de Guadalupe, ano 2000 e o conto Os Dois Mundo de Maria-Nair ano 2008, edição “TRAJETÓRIA”. Antecipamos o pedido de respeito, aos colegas, amigos, leitores ou Instituições Religiosas que não aceitam a filosofia Espírita-Cristã, fundamental da presente mensagem. A história começa em uma localidade mexicana próxima dos Estados Unidos da América em período de grande desenvolvimento de missões de evangelização no México e toda a América Central, do Norte e América do Sul em grande parte integrada pela ORDEM FRANCISCANA MENOR (OFM), onde destacamos o grande missionário Frei Francisco de Assis, que catequizava índios mexicanos, norte-americanos e circunvizinhos com o maior numero de descendentes de Astecas, Incas e Norte-Americanos, intitulados “pele-vermelha”. Na encosta de uma montanha, na Fazenda Motezuma, vivia abastada família mista, mãe asteca e pai pele-vermelha, que segundo tudo indica que era dona de um grande tesouro, posteriormente chamado “Tesouro da Sierra Madre”. Um grupo de bandoleiros, muito comum no México, composto de assaltantes, ladrões e mercenários registrados pela história, em busca do tesouro resolveram assaltar a Fazenda Motezuma a que se constitui num verdadeiro massacre. A mãe fazendeira, desesperada pega o filho

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menor, criança de poucos dias de vida, enrola-o num manto, desce sorrateiramente e o deixa na beira da estrada, debaixo de um cacto gigante, retornando para morrer junto do marido e dos filhos mais velhos. É quando aparece Frei Francisco, cansado, retornando de uma missão, foi surpreendido com um choro de criança, descobre o menino, como se fosse um milagre de Deus e uma graça recebida por São Miguel, com a ajuda da “Virgencita de Guadalupe”. E aqui, se abre também um espaço para dizer “de que maneira a pouco tempo apareceu milagrosamente a sempre Virgem, Santa Maria, Mãe de Deus, nossa Rainha, La no Tepeyac, também denominado Guadalupe. Primeiro ela se mostrou a um pobre digno chamado João Diego; mais tarde sua formosa imagem apareceu na presença do novo bispo Dom Frei João de Zumárraga. Também se narram todas as coisas admiráveis que ela fez “(Clodomiro L. Siller Acuña, Para Compreender A MENSAGEM DE MARIA DE GUADALUPE, pag. 19- Editorial Guadalupe, Buenos Aires, 1989). Continuando, Frei Francisco leva o menino para o Convento de Madre de Las Dolores, onde passa a ser carinhosamente tratada. É batizada com o nome de Miguelito e se desenvolvendo passou a ser o encanto da comunidade, o maior musico batedor de sino da capela. O encanto do Frei Francisco cada vez que retornava das missões. Num desses retornos, comovente, Frei Francisco, com um menino de dez anos nos braços, o filho querido que Deus lhe deu, trajado de branco com um grande ‘’sombrero’’ (chapéu mexicano), deixando transparecer seus grandes olhos negros e derramando lagrimas abundantes, recebe a extrema unção com a despedida, sendo levado pela “Virgencita de Guadalupe”. Frei Francisco, cada vez mais triste e cansado das missões, que não é preciso lembrar, sempre caminhando a pé, “pisando sobre espinhos” embora somente com trinta e oito anos de idade, também partiu para a eternidade. E quem lhe vem buscar na hora do desencarne? – Miguelito,

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liderando uma iluminada falange de anjinhos, o ex-herdeiro da Fazenda Montezuma e do Tesouro da Sierra Madre, que não se sabe se já foi encontrado. Essa história chegou ao nosso conhecimento através de mensagens espíritas mediúnicas, trazidas pelo próprio Frei Francisco e pelo próprio Miguelito, usando a mediunidade de Maria-Nair, já citada, que sempre viveu na clandestinidade durante toda a sua vida em Florianópolis (1913-2007). Entretanto, falta justificar, porque Miguelito, Menino Mexicano – Cidadão Honorário de Biguaçu. É que tanto ele, quanto Frei Francisco, são filhos de Nossa Senhora de Guadalupe, rainha do México e Padroeira da América Latina, Consagrada com uma Gruta em Biguaçu, na estrada geral para Antonio Carlos, doado pela família Don cidadão local José Reitz e inaugurada pela Paróquia de São João Evangelista em 1965. Nossa Senhora de Guadalupe hoje protege Biguaçu e seu povo. “Porque então, Miguelito, anjo, que espiritualmente para cá, ajudou a trazer e divulgar o nome da “Virgencita de Guadalupe”“ não poderá obter TITULO ESPIRITUAL de Cidadão Honorário de Biguaçu? E para complementar o presente conto, se encerra com os versos do Autor publicados em 1971 em seu opúsculo intitulado ‘PAZ 14 x 3“ – Teoria dos 14 sistemas da Organização Humana – sociólogo Antonio Rubo Müller.

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A HISTÓRIA DE MIGUELITO Era “um niño” mexicano Ainda não tinha um ano Herdeiro de um tesouro Que entrou para a história Tesou da Serra Madre Tema de filmes e de gloria. Ambição de bandoleiros Num país em transição Choque de raças Preconceito em profusão Se a sua mãe era asteca E seu pai pele vermelha Dominavam uma montanha Com nobreza altaneira. Mas eram os mesmo apedrejados se desciam ao “pueblito” e o mundo não conhecia o menino Miguelito. E a noite do terror Levados pela ambição Os bandoleiros atacam A Fazenda “Motezuma” Um verdadeiro massacre Pobre mãe desesperada Para salvar Miguelito Enrola-o num velho manto Pondo-o a beira da estrada. Tendo sangue de guerreiro Voltou no mesmo instante 272


P’ra também tombar ferida Ao lado dos seus triunfantes. Um raio de luz brotara das montanhas Francisco de Assis, jovem frade missionário Aparecera cansado da jornada E fora buscar asilo Naquele recanto esquisito Em baixo de um cacto gigante Onde estava Miguelito. E naquele instante Sinfonia angelical de vozes Brotava das entranhas da terra E ressoava no alto da serra. U,a estrela pequenina Ofuscando seus olhos cansados Brilha a seus pés. Milagre! Milagre! Francisco ajoelhara-se Seria o Menino Jesus Ali, esperando sua ajuda? O que fizeres a estes pequeninos A mim farás. Agradecer ao Senhor A graça deste momento Brotada do mundo das dores Partira para as missões Levando a pobre criança Entregando-a com cuidado Aos braços da irmã Dolores. E em pouco este menino franzino De olhos grandes, expressão bela 273


Tornara-se o encanto de todos O melhor músico O maior tocador de sino da capela! Os massacres Os assaltos A catequese As viagens O trabalho cansativo. Francisco sempre voltava P´ra rever o filho adotivo. Era-lhe um novo alento Cada vez que estava no convento. Mas nun destes dias de regresso Já trazia oprimido o coração Só dera ao filho querido A graça da “extrema-unção”. O tempo A vida vazia Só Deus a guiar seu caminho Francisco também fora chamado ao Senhor. E quem lhe vem buscar Nesta passagem suprema? Deste para o outro mundo? Miguelito. Com seus olhos grandes Sua meiga voz Seu sorriso profundo! - E o tesouro da SERRA MADRE? - Até hoje, ninguém o levou. -Não seria de maior grandeza O menino que o Frei encontrou? Câmara Municipal reunida em Sessão Extraordinária. Do líder da comunidade de SÃO MIGUÉL é voto garantido.

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NEUSITA LUZ DE AZEVEDO CHURKIN

Nasceu em Canto dos Ganchos – Governador Celso Ramos, em 28 de dezembro de 1946. Filha do casal de professores: Belarmino Hipólito de Azevedo (1907-2009) e Dalma Luz de Azevedo (1909-1976). Casada com Claudinei Churkin é mãe de Samuel de Azevedo Churkin. Tem diversos trabalhos publicados nos jornais locais e participou de diversas coletâneas. É autora das obras: Cantando Meu Chão – Tributo a Canto dos Ganchos, As vogais e Casinha Pensante. Membro efetivo do Grupo de Poetas Livres. Membro das Academias de Letras de Biguaçu e Governador Celso Ramos; membro da Associação dos Escritores e Artistas dos Municípios da Região da Grande Florianópolis e membro da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina. Cadeira nº: 38 Posse: 25-06-2004 Título: Poetisa Patrono/Patronesse: Lauro Locks Título: Político / Educador / Advogado / Escritor / Orador

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O Circo O circo passou, dando risada O circo foi uma palhaçada O palhaço agora sou eu Daquele circo todo mundo esqueceu O circo, que era só alegria Hoje não passa de uma grande utopia A plateia, de tudo está esquecida, E o palhaço ri, chorando, da esperança perdida Neusita Luz de Azevedo Churkin

Poema Em lampejos de aurora me estremeces Qual brisa singular, suavemente evolas Qual lira a entoar um sublime canto Em solfejos singulares místicos de aurora A música sublime espalha-se em magia Fulgura qual estrela singular O brilho esfusiante é sinfonia Que me faz doce musa em teu altar O sonho revigora a esperança A música espalha a sinfonia A clara noite em singular silêncio É meiga e doce aurora que extasia Neusita Luz de Azevedo Churkin 276


Sonha Sonha, Soninha Com o sol que se põe no acaso De vagarinho E se levanta de manhã cedinho Sonha, Soninha Baila Embala o teu sonho Dormindo bem de mansinho Sonha, Soninha Teu sonho colorido Azul violeta Rosa arco-íris Voa, borboleta! Sonha, Soninha Com o céu Bordado de cores Poemas e amores, Beijos e flores Sonha, Soninha Com a vida alegre em festa Música, poesia e seresta Sonha, sonha, Soninha...

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Um Desbravador Português Os ventos lusitanos sopravam fortes e alvissareiros para as “bandas de cá”. Na Ilha Terceira, Arquipélago dos Açores, havia excesso de mão de obra, de maneira que o Governo Português estava incentivando os jovens a virem para o Brasil, premiando-os com a isenção do Serviço Militar, caso aceitassem a proposta. Manoel José de Azevedo, um jovem cheio de ideais, gostou da ideia. Falou com os pais, preparou-se, colocou em dia a documentação exigida, arrumou a bagagem, despediu-se dos entes queridos rumando para o Brasil. Deixou os seus entes queridos chorosos, mas, não resistiu à aventura. Partindo das terras lusitanas em um pequeno “vapor”, o jovem português rumou para o Brasil, a nova terra de seus sonhos, enfrentando ventos impetuosos e mares encapelados. Após uma longa viagem, de três meses, chega finalmente, ao porto desejado. Aportando em Florianópolis, começa a explorar seus arredores valendo-se do transporte marítimo feito a remo e a vela. Chega a Canto dos Ganchos onde encontra apenas três casas de feitura muito simples cujo piso era de chão batido cobertas com folhas de sapé. O jovem subiu a montanha, contemplou a vegetação verdejante e aromática. O cheiro de relva invadiu seus sonhos. Os pássaros aos bandos pareciam cantar para ele, pulando de galho em galho. As borboletas, aos centos,voavam de flor em flor, como se estivessem convidando-lhe a ficar perto delas, para desfrutar da suave beleza daquele voo colorido e despretencioso. Os olhos do recém chegado, brilhavam diante da novidade. A combinar com o sol iluminando a vegetação serrada, do pacato lugarejo, o cafezal verde-rubro exibindo seus frutos, instigavam o jovem a ficar, a estabelecer-se ali naquela “nova terra”.

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Apesar das novidades que o Brasil oferecia, a saudade apertavalhe o peito, pois estava tão longe dos seus entes queridos e da sua terra natal. Mas, afinal, foi este destino que escolheu, devendo assim, sentirse satisfeito. Por isso resolveu ficar. Fixando residência em Canto dos Ganchos, Manoel desenvolveu suas atividades pesqueiras, tornando-se exímio pescador, explorando toda a região vizinha. Com as velas enfunadas para os lados da Ilha de Santa Catarina, além de peixes, Manoel consegue “pescar” uma linda jovem, Luíza Flausina, natural da Ponta Grossa, um Forte, localizado na referida ilha. Com Luíza, contraiu matrimônio e constituiu família, composta de quatro filhos: Hipólito, Francisco, Maria e Margarida. Hipólito e Margarida casaram-se e continuaram residindo em Canto dos Ganchos, Maria foi residir em Florianópolis e Francisco em Imbituba. Aos trinta anos de idade, Manoel foi acometido de cegueira. Com os parcos recursos da medicina, na época, o jeito foi se conformar com a situação. Mesmo assim, continuou suas atividades pesqueiras, arvorando-se ao mar em busca do sustento da família auxiliado pelos filhos Hipólito e Francisco. Certa feita, numa de suas idas à pescaria acompanhado pelos filhos, deparou-se com uma grande tempestade. Em sua pequena embarcação, sob trovões, chuva, vento e mar emcapelado, pensou que não escapariam. A fúria da procela levou-o a clamar pelos “santos” de sua devoção, mas nenhum deles pode socorrê-lo. Foi então que lembrouse de Deus, aquele a quem até os ventos obedecem. Assim sendo, pai e filhos conseguiram chegar em casa salvos. Meio desgostoso com aquilo que acontecera Manoel virou os quadros de seus “santos” de devoção ao contrário, para a parede, ficou intrigado com o ocorrido. Ciente de uma “nova religião” que aparecera em Jordão ficou ávido por conhecer e saber a respeito, afinal!... Mandou chamar o presbítero Manoel Enéias que lhe informou a respeito, recomendandolhe à leitura do livro sagrado, a iniciar pelo Novo Testamento. 279


O filho, Hipólito, inicia a leitura pelos quatro Evangelhos, seguidos de Atos dos Apóstolos. Ao chegar no capítulo nove referente à conversão de Saulo de Tarço (Apóstolo Paulo), Manoel José convertese ao Cristianismo Presbiteriano, denominação evangélica iniciada por missionários, em Jordão. Com a família Azevedo inicia-se o trabalho presbiteriano em Canto dos Ganchos, cujas reuniões ou cultos, eram realisados na residência de Manoel José e posteriormente do filho Hipólito com a presença de pastores de várias regiões do Brasil, americanos, entre outros. O trabalho não parou, apesar das perseguições, principalmente pelo Clero Romano. Os filhos de Hipólito, Belarmino e Davi, desenvolveram o trabalho evangélico atuando como presbítero e pastor respectivamente. Lucas Azevedo Silva, tataraneto de Manoel é Pastor em Campinas – SP. Consideramos esses fatos, de grande importância, pois desta semente outras denominações surgiram na região de Ganchos, constituindo-se um grande número de evangélicos. A semente produziu “a trinta, a sessenta e as cento por um”.

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José Castelo Deschamps

Biografia Vida Familiar: José Castelo Deschamps nasceu na localidade de “Rio Antinha” hoje pertencente ao município de Antônio Carlos, no dia 04 de abril de 1956. É filho de João Pedro Deschamps e de Catarina Kreiss Deschamps e possui quatro irmãos. Casou-se em 04 de Março de 1978 com Teresinha Ernestina Deschamps, com quem tem dois filhos, Robson e Lincoln Castelo. Vida Acadêmica: Fez o curso primário ainda na localidade onde nasceu, na Escola Isolada de Rio Antinha, o ensino fundamental no Colégio Arquidiocesano São José e o ensino técnico no Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis. Vida Profissional: Em 1971, aos quinze anos de idade, foi trabalhar em Florianópolis como servente de pedreiro como forma de custear o seu estudo, em cursos noturnos. Em 1973 trabalhou como pedreiro na Construtora Ceisa e em 1975, com 19 anos, mudou-se para Balneário Camboriu, onde gerenciou a Construtora Zunino & Campos. Com o casamento e a chegada do primeiro filho, teve que suspender 281


os estudos e retornou para Biguaçu onde fundou a BECO – Biguaçu Empreendimentos e Construções, hoje BECO CASTELO. Iniciou construindo várias casas e pequenos loteamentos, até que em 1983 construiu o seu primeiro edifício com 24 apartamentos (Carlos Magno) em Barreiros. Em 1996 construiu o primeiro prédio de grande porte em Biguaçu.( Cônego Rodolfo) Daí em diante consolidou-se como empresa líder de mercado, estando próximo de atingir 50 empreendimentos. Castelo foi inovador em seu ramo tendo implantando um revolucionário conceito de qualidade e alto padrão em suas obras, que serviu de modelo para diversas empresas bem conceituadas do ramo. Vida Social. Esportiva e Classista Castelo foi sócio fundador e diretor em vários mandatos do SINDUSCOM – Sindicato da Construção Civil da Grande Florianópolis; Foi fundador e primeiro presidente do SECONCI – Serviço Social da Construção Civil; Foi fundador e vice-presidente da EMFLO – Associação Empresarial da Grande Florianópolis e também fundador da ACIBIG – Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu. Católico praticante, foi presidente do CAEP – Conselho Administrativo da Paróquia São João Evangelista, de Biguaçu. Como atleta, aficcionado pela prática do Tiro, foi presidente do Clube de Caça e Tiro José Nitro da Silva e representou o Brasil, em 1993, na modalidade de Tiro ao Prato, em campeonato mundial realizado nos Estados Unidos. Vida Política Filiado ao Partido Progressista, José Castelo Deschamps exerce o seu primeiro mandato como Prefeito Municipal de Biguaçu, eleito em 2008, onde institui a Gestão de Desenvolvimento Sustentável, trazendo para município mais de 110 milhões de reais em recursos federais para obras de infra-estrutura, valor jamais recebido pelo município ao longo de toda a sua história, em apenas 3 anos e meio de uma gestão.

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Tem dotado a cidade com obras de real importância para a sustentação do seu desenvolvimento e geração de emprego e renda para a comunidade, tais como grandes avenidas interligando bairros, construção do Hospital Regional da Comarca e de uma nova unidade de pronto atendimento 24 horas, projeto de macrodrenagem visando eliminar os riscos de alagamentos na cidade, além de uma série de obras nas áreas da saúde, educação, saneamento, iluminação pública, pavimentação entre outras. Cadeira nº: 39 Posse: 20-09-2011 Título: Político Patrono/Patronesse: Virgílio Várzea Título: Poeta

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Aprendiz da Vida Confesso que fiquei muito preocupado quando recebi o convite para ocupar a cadeira de numero 39 da Academia de Letras de Biguaçu, que tem como patrono o escritor catarinense Virgílio Várzea. Afinal, eu nunca fui um homem das letras, pois a vida me impôs um ritmo de trabalho tão intenso, desde a minha mais tenra infância e juventude, que não me restou alternativa nem espaço para me aprofundar na nobre arte da literatura. Confesso-me um leitor abaixo da média e jamais arrisquei qualquer investida no ramo da criação literária de ficção, não ficção, poesia ou jornalismo. Por isso eu me perguntava freqüentemente se eu merecia a honra do convite para ser um Acadêmico e ter como confrades e confreiras de Academia os mais notáveis professores, historiadores, filósofos, oradores, escritores, poetas, jornalistas e fotógrafos de Biguaçu e região. Só depois tomei conhecimento de que o meu titulo distintivo na Confraria é o de “Político”, adjetivo que se aproxima bem mais da minha atividade neste estágio da minha vida. Digo que se aproxima bem mais porque sei que, embora corra em minhas veias a paixão pela política, ainda me defino como um eterno aprendiz: aprendiz de pedreiro, aprendiz de construtor, aprendiz de empresário, aprendiz de acadêmico e aprendiz da vida. Só perco a modéstia quando falo do meu amor pela cidade em que nasci que me viu crescer, que formou a minha família, consolidou as minhas amizades e forjou o meu caráter na têmpera do trabalho honesto e produtivo. Meu amor por Biguaçu não é pequeno. Tanto que, aos 52 anos, vivendo uma fase de plenas realizações pessoais e empresariais que me permitiriam pendurar as “chuteiras” que carrego desde os 12 anos de idade, passando os negócios para os meus filhos e indo “aproveitar a vida” junto à minha amada esposa, Terezinha, optei por dedicar parte da minha existência para ajudar na construção dos alicerces fortes da minha cidade, preparando-a para o inevitável

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crescimento que se aproxima. Por isso, e só para isso, ingressei na política e fui eleito prefeito da minha querida Biguaçu, pela vontade da maioria da sua população, em 2008. Acredito que assim fica justificada a minha presença nesta honorável instituição, assim como neste livro. Tenho plena convicção de que a minha condição de político, sobrepor-se a minha condição de humilde aprendiz. Por isso peço a paciência dos possíveis leitores, para dizer que me sinto muito honrado em fazer parte desta Antologia Anual da Academia de Letras de Biguaçu, não como literato, mas como um político que deseja o melhor para a sua terra e a sua gente. E quero aproveitar este espaço que me é cedido gentilmente pela Academia para registrar, neste artigo, uma modesta prestação de contas com a minha comunidade, imortalizada nas páginas deste belo livro. Gestão de Desenvolvimento Sustentável Quando assumimos a Prefeitura, em Janeiro de 2009, eu e o meu vice, Ramon Wollinger, definimos com a nossa Equipe de Governo o que seria a principal bandeira da nossa administração; fazer em Biguaçu uma “Gestão de Desenvolvimento Sustentável.” E como definimos isso? Proporcionando um desenvolvimento que satisfaça as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Isso significa possibilitar que os biguaçuenses, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social ,econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra, preservando as espécies e os habitats naturais. Uma Gestão de Desenvolvimento Sustentável tem três componentes principais: A sustentabilidade ambiental, que consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de modo sustentável, podendo igualmente designar-se como a capacidade que o ambiente natural tem 285


de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta a habitabilidade, a beleza do ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis. Nosso plano de governo procurou garantir ou melhorar a sustentabilidade ambiental, através de quatro objetivos principais: Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas municipais e reverter a perda de recursos ambientais. Reduzir de forma significativa a perda da biodiversidade. Reduzir para metade a proporção de população sem acesso a água potável e saneamento básico. Alcançar uma melhoria significativa para que uma boa parcela da população deixe de viver abaixo do limiar da pobreza. A sustentabilidade econômica, um conjunto de medidas e políticas que visam a incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais. Aos conceitos tradicionais da economia são adicionados os parâmetros ambientais e sócio-econômicos. Assim, o lucro não é somente medido na sua vertente financeira, mas igualmente na vertente ambiental e social, o que potencia um uso mais correto quer das matérias primas, quer dos recursos humanos. Há ainda a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos naturais, de forma a garantir uma exploração sustentável dos mesmos, ou seja, a sua exploração sem colocar em risco o seu esgotamento. A sustentabilidade sócio-política centrada no equilíbrio social através da humanização da economia, e, ao mesmo tempo, reforçando o nosso tecido social nos seus componentes humanos e culturais. As obras estruturantes Passei a minha vida inteira construindo casas e apartamentos e 286


posso dizer que essa experiência profissional me ensinou que os bons alicerces são os elementos indispensáveis para a boa qualidade de uma construção. As obras da minha empresa sempre foram reconhecidas pela excelente qualidade, dos seus alicerces ao acabamento, e eu não poderia fazer nada diferente como gestor da minha cidade. Por isso, com a minha Equipe de Governo, definimos dotar Biguaçu de toda a Infra Estrutura necessária para alicerçar o crescimento que se avizinha, como município “bola da vez” na região da Grande Florianópolis. Diz um ditado popular muito citado em política que “obra enterrada não rende votos”. Essa é a razão pela qual a grande maioria dos políticos tem medo de investir em drenagem de águas pluviais e redes de tratamento de esgotos sanitários e industriais. Eu nunca tive essa preocupação, até porque sempre primei pela qualidade. Mesmo antes de ser empossado eu já andava percorrendo os gabinetes federais em Brasília buscando recursos que me possibilitassem fazer as obras estruturante que eu pretendia. Num dia desses um amigo me disse: “Olha, Castelo, em apenas três anos e meio da tua Administração, você já trouxe para a cidade um volume de recursos federais, muito maior do que Biguaçu conseguiu nos últimos 50 anos.” Não tenho essa estatística e nem sei se esses números procedem, mas tenho a consciência tranqüila por ter buscado todas as alternativas, ter batido em todas as portas, ter tido a humildade e a honra de sempre cumprir a minha palavra e de sempre deixar de lado a politicagem em favor de um bem maior para a minha cidade. Hospital da Comarca – Há mais de 25 anos que não se constrói um novo Hospital na Região da Grande Florianópolis. A população de Biguaçu sempre esteve à mercê do atendimento na rede hospitalar da Capital ou de São José e cultivava um antigo sonho de ter o seu próprio hospital. Fomos buscar uma parceria com o Governo Federal, Governo Estadual e a Organização Mundial da Família para dotar a cidade de um moderno hospital de baixa e media complexidade, com

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UTI e Maternidade que estamos prestes a entregar para a comunidade vencendo, uma a uma, todas as adversidades e negativismos plantados em nosso caminho. UPA 24 Horas – Ainda na área da saúde conseguimos recursos federais que nos auxiliaram na construção de uma moderna Unidade de Pronto Atendimento 24 Horas. Eu sempre ficava muito aflito quando imaginava uma mãe levando seu filho doente de madrugada para um Hospital em Florianópolis. Para aqueles sem carro e sem dinheiro para o taxi a situação era pior ainda. Tinham de ficar rezando a noite inteira para que nada de mal acontecesse com seus filhos. A nossa UPA 24 Horas mudou esse panorama e hoje atende muito bem a nossa gente. Tão bem que até moradores de cidades vizinhas preferem vir buscar pronto atendimento em Biguaçu em seus casos de urgência e emergência. Novos Centros de Saúde – É lógico que este não é o espaço nem o local apropriado para uma prestação de contas detalhada das nossas ações na Prefeitura de Biguaçu, pois precisaríamos deste livro inteiro para detalhar tudo o que fizemos só na área da saúde, como os novos progressos na saúde familiar, saúde bucal, saúde mental, melhoria no atendimento das unidades básicas, redução e até eliminação, em alguns casos, das filas de espera para exames e consultas especializadas. Mas, ainda neste segmento não posso deixar de enumerar mais duas importantes conquistas para a comunidade de moradores dos bairros Centro e Fundos, as quais estão sendo beneficiadas com a construção de dois novos Postos de Saúde para aumentar e aperfeiçoar a nossa rede de atendimento ao cidadão. Novas e modernas avenidas - Com a construção da Avenida Marcondes de Mattos conseguimos encurtar as distâncias entre o Centro de Biguaçu e o bairro da Praia João Rosa, dotando a cidade de uma moderna via pavimentada em pista dupla com uma faixa exclusiva

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para ciclistas e amplos passeios para pedestres. A conclusão prática é que a cidade ganhou uma nova área de lazer e de esportes com a prática de caminhadas e do ciclismo, além de uma área privilegiada para grandes eventos populares como os desfiles de carnaval e outros eventos. O mais importante é que a população não precisa mais se submeter aos perigos do trânsito na BR 101 e suas marginais, em seus deslocamentos entre os dois bairros. No lado oposto da rodovia federal, conseguimos obter a devolução de um terreno doado à Univali para construir uma nova avenida ligando os Bairros Universitário e Rio Caveiras, também sem necessidade de usar a BR 101. A Avenida Jorge Fernandes de Alcântara será construída nos mesmos moldes da Marcondes de Mattos e sediará uma área institucional de segurança, onde deverão ser instalados os novos prédios da Policia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Delegacias de Polícia. A área ainda será dotada de equipamentos de esporte e lazer, além de sediar a nova sede da APAE de Biguaçu. Nessa linha também temos o trabalho de drenagem pluvial e pavimentação de vários trechos da Estrada Geral de Sorocaba beneficiando as vilas da Fazenda, Sorocaba de Dentro e Sorocaba de Fora, além da Limeira, em nossa zona rural, sem contar a revitalização das avenidas Treze de Maio e Francisco Roberto da Silva, para citar apenas algumas. Projeto de Macrodrenagem Urbana de Biguaçu – A fúria das águas tem sido terrível ao longo dos anos, manifestando-se na forma de enchentes devastadoras em Biguaçu. Ocorreram grandes inundações em 1927, 1932, 1937, 1957 e 1972. Mais recentemente, foram registradas enchentes em níveis de calamidade pública em agosto de 1984, novembro de 1991 e dezembro de 1995, além de alagamentos pontuais com freqüência anual. Em face desta situação, mesmo antes de ser empossado, ainda em 2008, iniciei uma peregrinação junto ao Governo Federal, buscando os recursos financeiros necessários para enfrentar a problemática das freqüentes cheias em Biguaçu, tendo obtido êxito, com o apoio do então Secretario Nacional de Saneamento

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Ambiental, Leodegar Tiscoski, junto ao Ministério das Cidades, através da Caixa Econômica Federal, que destinou em torno de R$ 35 milhões para a cidade concretizar a sua velha aspiração de ver-se livre das enchentes. O projeto do Sistema de Macrodrenagem Urbana de Biguaçu visa apresentar solução para minimizar as freqüentes inundações, principalmente na área urbana na cidade. Prevê a execução de galerias fechadas e abertas em diversos bairros da cidade, com a finalidade de canalizar os escoamentos das águas pluviais lançando-as sem obstruções ou obstáculos naturais ao seu destino final que é o Rio Biguaçu e a Praia João Rosa. Esgoto Sanitário – Outra obra indispensável para a construção de uma cidade melhor é a implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário. Trata-se de outra importante conquista, uma vez que o município, com 179 anos de emancipação política, não possuia um metro sequer de esgotamento sanitário tratado. O nosso projeto prevê o assentamento de 52 mil metros lineares de rede coletora, a execução de 5.718 ligações domiciliares e a construção de 13 estações elevatórias e uma estação de tratamento, correspondendo a uma cobertura, apenas nesta fase inicial, de 50% da área urbana do município. Novas Super Creches- Uma das conquistas que mais me emocionaram durante esta minha primeira passagem pelo Executivo Municipal aconteceu no dia em que fui recebido pela Presidenta Dilma Roussef, representando todos os municípios dos estados de SC, PR e RS, quando assinamos o Termo de Compromisso para a construção de creches do Programa Proinfância – PAC 2. Conforme foi anunciado pela Presidenta Dilma, ao lançar o “Programa Brasil Carinhoso”, serão construídas 1.500 super creches em 709 cidades brasileiras, sendo 15 em Santa Catarina. Biguaçu foi habilitada com dois projetos, elaborados pela nossa equipe técnica As duas novas super creches de Biguaçu serão construídas, uma no Bairro Saudade (ao lado da Escola Estadual Profa.

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Maria de Lourdes Scherer) e outra no Loteamento Di Napoli (entre o Bairro Bom Viver e o Jardim Janaína) para melhorar ainda mais o serviço de educação municipal naquelas comunidades. Cada creche terá capacidade para atender 240 crianças em período integral e o valor a ser aplicado em cada unidade é de R$ 1,2 milhões. Após a construção elas serão mobiliadas, equipadas e aparelhadas com o que existe de mais moderno em tecnologia pedagógica, com verbas do Governo Federal. É uma vitória expressiva para a nossa cidade e fruto da competência da nossa equipe que soube elaborar os projetos corretos na hora certa para que fossemos habilitados junto ao Governo Federal para receber esses recursos que irão trazer mais benefícios para a educação em Biguaçu.” Resgatando a auto-estima - Não vou cansar as pessoas que me honram com a sua leitura deste artigo, relacionando infinitamente as realizações do nosso Governo entre os anos de 2008 e 2012. Até porque, teríamos tanta coisa para contar que mal caberia neste espaço discorrer sobre obras de pavimentação, drenagem, urbanização, trânsito, habitação, educação, iluminação pública, saúde, agricultura e segurança. E obras são obras: elas se incorporam no cotidiano das pessoas e são feitas pela administração pública com o objetivo de tornar melhor as suas vidas. Por outro lado, o emocional, o humano, sinto uma alegria muito grande ao sentir, no contato com as pessoas, que possibilitamos o resgate da auto-estima da nossa gente. Biguaçu sempre foi muito humilde e submissa. Dependente da Capital, quase sempre era tratada como uma cidade-dormitório, sem vida, sem vontade própria, sem iniciativa. Nós trabalhamos para reverter esse quadro e hoje Biguaçu é tida e respeitada, em todo o Estado, pela sua pujança, seu desenvolvimento econômico e social e pelo bem estar e qualidade de vida da sua população. Uma grande cidade não se constrói apenas com obras físicas. A valorização e respeito conquistado pela nossa gente, a alegria e a felicidade de um maior numero de pessoas, o orgulho de morar ou trabalhar em Biguaçu me realizam mais, como administrador municipal,

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que o conjunto de todas as minhas obras. Obrigado, Biguaçu, por ter-me permitido ser útil na construção dos alicerces para a grande cidade que teremos pela frente.

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LEATRICE MOELLMANN PAGANI

Natural de Florianópolis-SC, Leatrice Moellmann é formada em Direito e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tem onze livros publicados, três dobraduras e inúmeros artigos em jornais, revistas e antologias. Pertence à Academia Catarinense de Letras, à Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, à Academia de Letras de BiguaçuSC e outras instituições culturais. Cadeira nº: 40 Posse: 17-12-1997 Título: Escritora Patrono: Visconde de Taunay Título: político / Orador

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HOMEM DA MINHA VIDA Sim, tu és o homem da minha vida Só tu consegues me fazer feliz Não é retórica, é coisa sentida É o que meu coração sente e diz Tu és a referência mais querida De tudo que na existência eu fiz És a lembrança jamais esquecida A teu lado estou pedindo bis   Este soneto é mais uma expressão Do amor que impera no meu coração É assim que eu entendo o verbo amar   Eu tenho orgasmos quando penso em ti É uma loucura como nunca vi Só a morte nos há de separar.                                                                       

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O ANEL Às vezes me lembro daquele anel antigo, que me coube na família de meu pai, delicado anelzinho de ouro, aro largo rasgado em dois por uma chanfradura, segurando dois brilhantes tamanho médio. Diziamme, desde tenra idade, ter pertencido à minha avó, que uma tísica levará aos 33 anos. Destinaram-no a meu pai. Não foi bem assim: havia a história do anel. Meu pai era o mais moço de três irmãos homens. Contava a tia-avó querida a verdadeira jóia da casa, essa tia Lala contava que a meu pai coubera um anel com um brilhante maior, mas que, feitos moços os três herdeiros, o segundo filho noivara em São Paulo e solicitara a troca de seu direito num dos brilhantes do anelzinho duplo, pelo brilhante único. E assim eu perdera um brilhante e ganhara dois, pois o tio mais velho, solteirão inveterado e encantado com a sobrinha mais velha (eu), abrira mão do seu direito (seu meio direito). Pois eu, muito jovem, mudei-me para o Rio de Janeiro e lá fiz amizade com uma moça que possuía um anel novo, moderno, uma água marinha verde clara engastada entre dois brilhantinhos. Fiquei encantada. Peguei num anelão de ouro pesado de meu pai, no anel herdado da avó e os entreguei ao ourives que fizera o anel da mencionada amiga. Ela se encarregou de encomendar a jóia. Veio lindo o anel e comeu todo ouro, Ah! Esquecia-me: levou também um pedaço de correntinha de platina que restava da minha infância, e mais os dois brilhantes e uma pedra nova – água marinha esverdeada clara, tal qual a da minha amiga. Fiquei muito feliz. Transcorridas décadas, hoje eu preferiria mil vezes o anelzinho antigo, a jóia de família. Arrancar duas pedras nobres de um singelo anel cheio de valor estimativo, para colocá-las em posição acessória ao lado de uma pedra semipreciosa, num anel abrutalhado... Quem disse que o gosto da gente não muda? Pois não mudam as modas? E já não uso o anel, primeiro porque não gosto mais dele, segundo porque, nos dias que correm, os brilhantes enfeitam mesmo são os cofres de Bancos.

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SUFOCO O ser humano é um sacrário O ser humano é um salafrário Tudo é imaginário Onde está o meu rosário?... Somos agora como dois estranhos Que nunca se conheceram E nunca se amaram Acho que nasci pra solidão Era criança e havia já Uma tarja de tristeza Em meu coração Canalha! Calhorda! Cafajeste! Sabes como eu sou? Eu sou tão aberta... Eu me fecho Pra fugir do sofrimento Como aquela ervinha rasteira verde... E quem sabe aí sofro mais ainda?... Ah! vida! Não há como fugir de ti! Ficar desmemoriada Perder o dom de pensar Pra não mais lembrar...

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Nossa história através da fotografia Posse dos novos acadêmicos e lançamento da Antologia “OS QUINZE ANOS – 1996 a 2011”

Acadêmicos Josiane Veroneze e José Petry.

Acadêmicos Leatrice M. Pagani e Egidio Martorano Filho.

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Acadêmicas Gabrielle Beckhauser e Dulcineia Francisca Beckhauser.

Acadêmicos Ângela Amin e Cesar Luiz Passold.

Acadêmicas Aida Barreto e Dalvina de Jesus Siqueira.

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Acadêmicos Carlos Antonio de Souza e Valdir Mendes.

Acadêmicos Luiz Lunardelli e José Braz da Silveira.

Acadêmicos Helio Cabral Filho e Joaquim G. dos Santos.

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Acadêmicos José Castelo Deschamps e presidente Adauto Beckhauser.

Acadêmicas fundadoras Dalvina de Jesus Siqueria e Osmarina M. Souza.

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AcadĂŞmicas fundadores com os nove novos acadĂŞmicos.

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Acadêmica Leatrice M. Pagani.

Acadêmica Alzira Maria Silva dos Santos.

Acadêmica Aida Barreto.

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Acadêmica Neusita Churkin.

Acadêmico William Wollinger Brenuvida.

Acadêmica Maria Delfino Zunino Duarte.

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AcadĂŞmica Dulcineia Francisca Beckhauser.

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Acadêmica Josiane Rosi Petry Veroneze.

Acadêmica Josiane Rosi Petry Veroneze e sua mãe.

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Acadêmica Gabrielle Beckhauser.

Acadêmica Gabrielle Beckhauser e sua mãe acadêmica Dulcineia F. Beckhauser.

Acadêmica Aida Barreto.

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Acadêmica Aida Barreto e seu esposo.

Acadêmico Luiz Lunardelli.

Acadêmico Luiz Lunardelli e sua esposa.

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Acadêmico Helio Cabral Filho.

Acadêmico Helio Cabral Filho e sua esposa.

Acadêmico Egidio Martorano Filho.

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Acadêmico Egidio Martorano Filho e sua esposa.

Acadêmico Carlos Antonio de Souza Caldas.

Acadêmico Carlos Antonio de Souza Caldas e Dr. Gilberto Callado de Oliveira.

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Acadêmica Ângela Regina Heinzen Amin Helou.

Acadêmica Ângela Regina Heinzen Amin Helou com filho Vereador João e Madrinha.

Acadêmico José Castelo Deschamps.

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Acadêmico José Castelo Deschamps e sua esposa.

Acadêmico José Castelo Deschamps e Jornalista Moacir Pereira.

Acadêmica Ângela Regina Heinzen Amin Helou e Jornalista Mario Motta.

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Acadêmica Josiane Rosi Petry Veroneze com representante do Comando Militar.

Acadêmico Luiz Lunardelli com Jornalista Tadeu Soares.

Acadêmico Egidio Martorano Filho com o Maestro da Banda Militar Alécio T. Costa.

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Acadêmico Joaquim Gonçalves dos Santos com Evandro Thiesen

Acadêmica Ângela Regina Heinzen Amin Helou e o cantor da Banda Militar Giovani Cascaes Pacheco.

Acadêmico Cesar Luiz Passold.

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Acadêmica Dalvina de Jesus Siqueira.

Acadêmica Osmarina Maria de Souza.

Acadêmicas Dulcineia, Dalvina e Osmarina.

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Acadêmicas Dulcineia, Dalvina e Osmarina e Acadêmico Adauto.

Foto dos acadêmicos.

Acadêmico Rudi Oscar Beckhauser e Acad. Gabrielle Beckhauser.

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AcadĂŞmico Ricardo Petey e sua esposa.

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Confraternização dezembro de 2011

Acadêmicos Adauto, José Castelo, Helio e Willians.

Acadêmicos Willians, Petey, Helio e Dulcineia.

Petry entre Dulcineia e Gabrielle.

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Joaquim e Gabrielle.

Janice e Joaquim.

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JosĂŠ Castelo e Janice.

Luiz Lunardelli e Osmarina.

JosĂŠ Braz e Lunardelli.

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JosĂŠ Braz e Leatrice.

Dalvina, Orival e Osmarina.

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Dalvina e Alzira Maria.

Carlos Antonio e Alzira Maria.

Willians e Dulcineia.

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Gabrielle e Leatrice.

Leatrice e sua filha.

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Lançamento do livro Sonho, Sonhado e Realizado, do Presidente da Academia Adauto Beckhäuser

Paulo Borba, Adauto, Péricles e Marcio Vicari.

Adauto ,Hilta e sua filha Fernanda.

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Autor Adauto Beckhauser.

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Helena Beckhauser Ubaldo e Dra. Dulcianne.

Dr. Leonardo Borchardt.

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Presidente da Academia Catarinense de Letras, acadêmico Péricles Luiz Medeiros Prade.

Acadêmico Egidio Martorano Filho.

Acadêmico Valdir Mendes.

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Jornalista Alexandre de Mendonça.

Acadêmico Cesar Luiz Passold.

Autor Adauto Beckhäuser com Ângela Amin e sua filha.

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AcadĂŞmicos Cesar e Dalvina.

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Lançamento do Livro “Direitos na pósmodernidade: a fraternidade em questão”, de Josiane Rose Petry Veronese

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Lançamento dos Livros “Paróquia São João Evangelista”, de Joaquim Gonçalves dos Santos e José Ricardo Petry e “A Lei da Sustentabilidade”, de José Braz da Silveira e José Ricardo Petry

Acadêmicos com os autores da Obra.

Os autores Joaquim e Petry.

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Acadêmico Esperidião Amin Helou Filho.

Acadêmicos José Castelo e Adauto.

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O Autor José Braz da Silveira.

Autor José Ricardo Petry.

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Os autores Petry ,Joaquim e José Braz.

Acadêmica Dalvina de Jesus Siqueira.

Acadêmica Alzira Maria.

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Os autores Joaquim e Petry.

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Lançamento do livro “No apagar das luzes”, da Acadêmica Dalvina de Jesus Siqueira Segundo a autora, o livro reúne “um punhado de crônicas, contos, lendas, poemas e poesias, que talvez um dia haverão de servir como resposta para alguém desprevenido, que esteja com saudades…” A obra é dedicada aos seus confrades e confreiras da Academia de Letras São João Evangelista da Barra do Rio Biguaçu, ao Magistério Catarinense, à Câmara Municipal de Biguaçu e, em especial a inseparável amiga Osmarina Maria de Souza assim como ao escritor Miguel João Simão.

Capa e contracapa da Obra.

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Autora da Obra “No apagar das luzes”, Dalvina de Jesus Siqueira.

Prefeito de Biguaçu José Castelo Deschamps, Acadêmica e Ex presidente da Academia e Autora da Obra “No apagar das luzes” Dalvina de Jesus Siqueira, Presidente da Academia Adauto Beckhäuser e ex Presidente Joaquim Gonçalves dos Santos.

Autora da Obra, Dalvina de Jesus Siqueira com a família.

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Autora da Obra, Dalvina de Jesus Siqueira com seu filho (d) e Prefeito de Biguaçu JosÊ Castelo Deschamps (e).

Autora da Obra Dalvina de Jesus Siqueira com convidado.

Autora da Obra Dalvina de Jesus Siqueira com convidados.

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Antologia 2012  

Academia de Letras de Biguaçu Fazendo História

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