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Edição da Academia de Letras Biguaçu – SC 2013 Copyright © 2011 by Academia de Letras de Biguaçu Capa: Dulcinéia Francisca Beckhäuser Editoração Eletrônica: Amanda Talita Organização e Coordenação Editorial: Adauto Beckhäuser (48) 3222-7781 – E-mail: adauto@advbeckhauser.com.br

FICHA CATALOGRÁFICA

_________________________________________________________ A168q

Academia de Letras de Biguaçu Quem Somos Nós / org. Academia de Letras de Biguaçu; colaboradores: Adauto Beckhäuser. [et al.]. – Biguaçu: Nova Letra, 2013. 248p. : Il.; 23 cm. Inclui Biografia Acadêmicos; Bibliografia. ISBN

1. Literatura Brasileira. 2. Escritores Brasileiros. 3. Antologia 4. Biografia acadêmicos. I. Título. II. org. Academia de Letras de Biguaçu. III. Beckhäuser.Adauto. [ET al.]

_________________________________________________________ Catalogação por: Bibliotecária Janice Marés Volpato. CRB 14/860 CDD B 869.9098164 CDU 93:92: 869.0(81)

Reservados ao autor todos os direitos de reprodução, total ou parcial. Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Endereço Postal: Academia de Letras de Biguaçu E-mail: academia@academiadeletrasdebiguacu.com.br Website: www.academiadeletrasdebiguacu.com.br Casarão Born, Praça Nereu Ramos, s/n, Centro – CEP 88.160-000 – Biguaçu – Santa Catarina – Brasil


Diretoria da academia de letras de biguaรงu


Nossos colaboradores Agradecemos às pessoas aqui mencionadas pela colaboração no processo de elaboração desse livro. Consignamos nosso especial agradecimento. Adauto Beckhäuser Amanda Talita Ferreira Dalvina de Jesus Siqueira Dulcinéia Francisca Beckhäuser Evandro Thiesen Gabrielle Beckhäuser Janice Marés Volpato Joaquim Gonçalves dos Santos José Ricardo Petry Osmarina Maria de Souza William Wollinger Brenuvida Todos os Acadêmicos em geral, que contribuíram com seu trabalho para essa Antologia.


“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.” Fernando Pessoa

Dedicamos este livro a todos os acadêmicos que integram essa obra.


Sumário

Prefácio.........................................................................................15 Dalvina de Jesus Siqueira

Apresentação.................................................................................17 Osmarina Maria de Souza

Antologia - “Quem somos nós” Josiane Rose Petry Veronese...........................................................21 Cadeira nº: 01

Adauto Beckhäuser........................................................................30 Cadeira nº: 02

Joaquim Gonçalves dos Santos......................................................42 Cadeira nº: 03

Hilta Teodoro Bencciveni..............................................................49 Cadeira nº: 04

Egídio Martorano Filho.................................................................58 Cadeira nº: 05

Rudi Oscar Beckhäuser.................................................................61 Cadeira nº: 07

Gabrielle Beckhäuser.....................................................................76 Cadeira nº: 08

Janice Marés Volpato.....................................................................78 Cadeira nº: 10


William Wollinger Brenuvida........................................................92 Cadeira nº: 11

Angela Regina Heinzen Amin Helou...........................................100 Cadeira nº: 12

Zaida Barreto R. Fernandes.........................................................109 Cadeira nº: 13

Dalvina de Jesus Siqueira.............................................................117 Cadeira nº: 14

Carlos Antônio de Souza Caldas..................................................125 Cadeira nº: 16

José Ricardo Petry.......................................................................130 Cadeira nº: 17

Stela Máris Piazza Souza..............................................................133 Cadeira nº: 18

Luiz Nocetti Lunardelli...............................................................143 Cadeira nº: 19

Osmarina Maria de Souza...........................................................152 Cadeira nº: 20

Orival Prazeres............................................................................160 Cadeira nº: 21

Valdir Mendes.............................................................................173 Cadeira nº: 22

Gustavo Sérgio Heil....................................................................180 Cadeira nº: 23

Valéria Maria Kravchychyn..........................................................188 Cadeira nº: 24


Miguel João Simão......................................................................199 Cadeira nº: 25

Rogério Kremer...........................................................................211 Cadeira nº: 26

Vanda Lúcia Sens Schäffer...........................................................218 Cadeira nº: 27

Esperidião Amin Helou Filho......................................................222 Cadeira nº: 28

Homero Costa Araújo.................................................................232 Cadeira nº: 31

Hélio Cabral Filho......................................................................236 Cadeira nº: 32

Dulcinéia Francisca Beckhäuser...................................................244 Cadeira nº: 33

Vera Regina da Silva de Barcellos.................................................249 Cadeira nº: 34

Alfredo da Silva...........................................................................257 Cadeira nº: 36

Pedro Paulo dos Santos................................................................267 Cadeira nº: 37

José Castelo Deschamps..........................................................273 Cadeira nº: 39

Leatrice Moellmann Pagani.........................................................279 Cadeira nº: 40


Prefácio Quem somos nós é o nome do livro, e cada Acadêmico fez a sua parte. Quem sou eu? E com certeza absoluta o resultado está impecável, cheio de detalhes com requintes de qualidade. Quem sou eu ficará na história da literatura Catarinense para engrandecimento dos nossos confrades. Nós somos um grupo que realmente trabalha e que atua brilhantemente na literatura Biguaçuense mostrando o valor de se resgatar a história de uma cidade que agora no século XXI, é que está saindo do marasmo de cidade provinciana. Biguaçu, completou este ano 180 anos de emancipação política. A biografia de cada um de nós, vai despertar a curiosidade dos nossos leitores. Nós somos os baluartes da Educação na cidade, pois muitos dos nossos confrades foram professores. A história de cada um de nós, traz resquícios de uma infância vivida à luz de lampiões abastecidos com querosene ou óleo de mamona, pois nascemos quase todos na segunda metade de século XX, e moramos no sitio, dentro de engenhos de fabricar farinha ou açúcar de cana. Alguns deles nasceram na cidade, mas outros nasceram por aqui no sítio e sabem contar a sua história com detalhes e a de sua cidade também. Além de sermos um grupo dinâmico, somos presididos por um excelente amigo e grande colaborador, que não permite que alguém não participe da coletânea. Aos nossos confrades, o nosso cordial abraço, à diretoria o nosso sincero amor e gratidão pelos trabalhos apresentados, e ao nosso Presidente, o nosso abraço muito especial. Dalvina de Jesus Siqueira

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Apresentação Mesmo que fales a linguagem dos anjos, dos Santos e dos homens, mesmo que tenhas o dom de profetizar, lembra-te: sem amor nada serás. (Paulo de Tarso)

É uma jovem academia, conta somente dezessete anos, porém pela estrada porque já passou deixou um rastro de luz. E agora continuando a iluminar sua trilha de amor, de literatura e de história nesta cidade tão querida, apresenta mais uma coletânea de trabalhos de seus acadêmicos, todos elaborados com muito amor e cuidado. É a coletânea de número 13, na comemoração do seu décimo sétimo aniversário que vem para alegria de todos com escritos responsáveis, leves e acima de tudo escritos com muito amor. Vale a pena, todos serem lidos, pois trazem além de belas mensagens, dá ao leitor a oportunidade de novos conhecimentos pela variedade de assuntos abordados, por seus acadêmicos. Foi de bom tom a resolução pela nobre Diretoria, do assunto a ser abordado neste número treze da Coletânea. “Quem sou eu” Era esta a pergunta a ser respondida pelos nobres confrades e confreiras, e por esta razão o leitor terá como disse acima a oportunidade de conhecê-lo mais de perto. E esta casa de Letras que é tida como orgulho da cidade de Biguaçu tem também orgulho no lançamento deste trabalho. 17


Na certeza do sucesso de mais um livro agradeço a oportunidade e parabenizo a ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU. Osmarina Maria de Souza Cadeira nº 20 Patrono João Nicolau Born

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Antologia

“Quem somos nós”


Josiane Rose Petry Veronese Cadeira nº: 01

QUEM SOU EU

Caminhos em primavera: Nasci em uma pequena cidade no interior de Santa Catarina: Massaranduba, no dia 12 de abril de 1962, em um horário que tenho como muito especial e, praticamente, regente da minha vida: a Hora do Angelus ou Toque das Ave-Marias, às 18h. Este fato sempre teve no meu coração uma enorme representação, a sensação de algo sublime, que não era simplesmente obra do acaso. Meus amados pais Luiz Felipe Ramos Petry e Marina Petry foram os meus primeiros motivadores para o ingresso nas primeiras 21


letras. Percebendo o meu amor por tudo o que era impresso, tive uma infância repleta de gibis e livros infantis que devorava apaixonadamente, imersa em uma família grande: seis filhos, dos quais quatro homens e duas mulheres. O antigo “Primário”, que corresponderia hoje aos primeiros anos do Ensino Fundamental, cursei no Colégio de Aplicação e o “ginásio” no Colégio Estadual Profa. Maria da Glória Veríssimo de Faria, em Biguaçu, onde meus pais passaram a residir, quando eu tinha cinco anos de idade. O “segundo grau”, que seria hoje o Ensino Médio, foi cursado no Instituto Estadual de Educação, na nossa Capital do Estado de Santa Catarina, período em que pude dar continuidade ao estudo da música, em especial o piano. E ali, enquanto estudava pude participar e ser premiada em um concurso literário, com a obra de José Lins do Rego: Menino de engenho. Foi a minha primeira premiação oficial, cuja solenidade realizara-se no Teatro Álvares de Carvalho. Anos depois, em 1999, receberia com Luciene de Cássia Policarpo, o Prêmio Jacques Maritain, Instituto Jacques Maritain, em São Paulo e em 2003, também seria premiada no Concurso de Crônicas dos 70 anos da Faculdade de Direito da UFSC, Fundação Boiteux/Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina. Minha infância e adolescência foram tocadas pela música, com nove anos passei a ter aulas de violão com uma religiosa mineira de Juiz de Fora, já na adolescência comecei a estudar piano e sozinha aprendi a tocar flauta doce. Este instrumento fez com que tivesse um grupo de vinte crianças que eram meus alunos, as aulas eram ministradas gratuitamente nas salas da paróquia de São João Evangelista, espaço no qual tive o complemento da minha formação católica. Ingressei com dezessete anos no curso de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina, e percebendo que a prática do Direito longe estava do ideal de Justiça, intuí que este fato exigiria 22


uma mudança em seu fundamento primeiro: a academia e, assim, concomitante ao exercício da advocacia, passei a dar continuidade aos estudos jurídicos com o Mestrado em Direito Público, concluído em 1988, bem como o Doutorado também pela UFSC, cujo término foi em 1994. Tive a honra, mas sobretudo a enorme responsabilidade em ser a primeira doutora em Direito da Criança e do Adolescente do país, com tese sobre os “Interesses difusos e o Direito da Criança e do Adolescente”. Recentemente conclui, em junho de 2012, o pós-doutorado pela Pontifícia Universidade Católica - PUC/RS. Em 1988 casei-me com Sérgio Luiz Veronese Júnior, também advogado, e temos dois amados filhos: Eduardo Rafael Petry Veronese e Gustavo Felipe Petry Veronese. O mais velho, interessou-se pelo Direito e o caçula revela um encantamento pela Arte, tanto que já ilustrou uma das histórias infantis que escrevi: Maria e os sinais matemáticos. Em 1990, ingressei como docente na Universidade Federal de Santa Catarina, sendo professora titular da disciplina Direito da Criança e do Adolescente na graduação e nos programas de Mestrado e Doutorado, instituição na qual coordeno o Nejusca - Núcleo de Estudos Jurídicos e Sociais da Criança e do Adolescente, do Centro de Ciências Jurídicas, bem como o Curso de Direito. O ensino e a pesquisa na Universidade constituem parcela importante da minha existência. É um espaço que possibilita a realização de uma utopia possível: a construção de um projeto de mundo que valoriza a tolerância ao invés da discriminação, do preconceito, de um pensar coletivo sobre a nossa história ao invés de um materializante individualismo. No plano técnico compreendo que o aperfeiçoamento do docente deve ser contínuo, priorizando a crítica ao nosso campo de conhecimento - o Direito -, isto porque é necessário fazer com que o acadêmico descubra, primeiramente, que nem sempre, as leis exis23


tentes são favoráveis ao ser humano e em segundo lugar, a clareza de que um professor não é responsável tão-somente pela “transmissão” de conhecimentos, mas na efetiva formação de pessoas completas. Enquanto especialista no Direito da Criança e do Adolescente empenho-me em comunicar o novo paradigma que esta área contempla: a importância do ser sujeito criança e adolescente, como pessoa em processo de desenvolvimento e, portanto, receptora de um cuidado especializado e integral. As palestras, debates, artigos e livros são instrumentos indispensáveis não apenas para a divulgação, mas sobretudo, a compreensão desse ramo do direito tão especial, cuja publicação pode ser acessada no link: http://lattes.cnpq.br/3761718736777602. No que concerne às pesquisas, nossos estudos se concentram, como é possível constatar, na área do Direito da Criança e do Adolescente e se realizam no contexto de um núcleo de estudos interdisciplinar vinculado ao Centro de Ciências Jurídicas da UFSC, denominado Núcleo de Estudos Jurídicos e Sociais da Criança e do Adolescente - Nejusca. Compõem o núcleo, advogados, promotores, juízes, pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, bem como estudantes de graduação e pós-graduação em Direito. A produção do nosso núcleo é bastante diversificada: seus membros atuam ora em conjunto ora singularmente, no desenvolvimento de pesquisas relativas à condição sócio-jurídica da população infanto-adolescente brasileira, estudando, por exemplo, a questão da garantia material e formal de direitos, o papel da família e da escola na formação integral de crianças e adolescentes, a formulação e execução de políticas públicas voltadas para a população infanto-juvenil, como também temas delicados como a exploração do trabalho precoce, a violência e exploração sexual praticadas contra crianças e adolescentes, bullying, além da recorrente discussão acerca da inimputabilidade dos adolescentes. 24


Uma característica da minha existência, a qual reputo como delineadora do meu caráter, de todo o meu ser, diz respeito à amizade. É conhecido o jargão de que “o amigo é o irmão que nós mesmos elegemos”. Não restam dúvidas, o amigo, a amiga, guarda esta característica singular: a da liberdade de escolha, a eleição pela via da empatia. Certa vez li em Aristóteles a seguinte frase: “A amizade é uma alma que habita dois corpos”. Sim, de modo paradoxal, o amigo por ser o outro além de mim, nos resgata a alteridade, e ao mesmo tempo, convoca para a ideia da unidade – o ser um com o outro, com seu coração: amenizando a dor na partilha e multiplicando a alegria na cumplicidade... Somado a atividade profissional, um campo que me envolve, cada vez mais, é a literatura, em especial, a poesia. E assim, aproveito este espaço para apresentar alguns dos meu poemas, mosaicos da minha existência. Magia O encanto de viver Nem que seja por segundos um mundo fantástico... Onde a magia é o real e a fantasia tem lugar. Este mundo é pequeno e grande ao mesmo tempo, Sonho e realidade Sorriso e lágrima Silêncio e cantiga de ninar... Este é o mundo que guardas nos teus olhos eterna criança, poema no país de “Oz”. 25


O sonho de Noel Certa vez o velho Noel teve um sonho... Havia na galáxia duas estrelas que numa noite de Natal combinaram de brilhar de modo tão intenso como se fossem duas bolas de fogo. Queriam gritar ao mundo que o amor é possível que a unidade é algo palpável. Pelos planetas aquela luz contagiou a todos. Em cada semblante o sorriso era constante. Noel acordou até chorou com seu sonho E disse para si mesmo: ‘Neste Natal não mais levarei presentes, levarei a promessa de um amanhã melhor No qual os homens se reconheçam como filhos do universo composição de amor’. Sonho do velhinho Sonho de Noel.

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Infância De olhar triste e perdido Caminha pela multidão À procura do teto que lhe foi roubado do alimento negado do brilho alegre que não lhe deixaram ter. A solidão é a companheira comum... Não é mais menino À identidade de criança não tivera direito. Sem lar Sem afeto Sem nome Caminha só... jogado à sorte nas calçadas nos becos. Tudo lhe foi negado Mas ele é menino Menino na idade Menino nas fantasias do coração. Espelho Um dia saí pelo mundo... Encontrei flores e perfumes. Encontrei corações ardentes, revolucionários. Encontrei também homens de metal, coração de aço, alma sem brilho. Um dia encontrei algo que me pareceu um espelho. 27


Ansiava com minhas angústias, brincava com a criança que eu levava dentro de mim embora já adulta. Chorava com a minha dor. Outro dia, outra descoberta. Aquele algo não era um espelho, era um ser que como eu desejoso de um mundo diferente, de um mundo reflexo do castelo interior. Girassol Infinito mistério é a vida que transborda a cada instante seus segredos, suas contradições. Num só segundo deixo-me envolver por negras nuvens Percebo que nelas não consigo respirar, não há vida. E numa confusão de vozes como que entre várias e ensurdecedoras buzinas Uma se faz ouvir: “Repare o girassol, siga o seu exemplo. Mesmo quando tudo parece negro porque nuvens escondem o sol, ele não se preocupa e mesmo não vendo, volta-se em sua direção”.

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Gaivota Desperta gaivota! É chegada tua hora. Os céus clamam por teus voos que encantam e indicam ao homem o caminho da liberdade. Voa gaivota! Voe alto, alto... Nasceste para céus abertos Lá entenderás o significado desses voos. Sei que já voaste uma vez tão baixo que quase esquecestes o que eras. Tiveste a sorte de encontrar uma outra da tua espécie que não somente te relembrou quem és como te re-ensinou a técnica de voar. Sim! Desperta gaivota E vá! Não te aflijas Todo passo, todo voo é um desafio Vá gaivota Não és da terra És do céu.

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Adauto Beckhäuser Cadeira nº: 02

QUEM SOU EU Quem é esse que me olha de tão longe com os olhos que foram meus

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Adauto e Anita, gĂŞmeos. Foto de 1949.

Adauto com 18 anos

Adauto com esposa Dulcineia, em 2013

O recanto onde nasci e vivi Poesias

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Neste caminhar por entre lembranças, Estas fixadas nos morros e rio, De um lugar tranquilo entre águas, Que descem para refrescar o passado. Passado, passado e não tão distante, Onde uma familia de 16 filhos Vivia do trabalho e de luta sobrevivente, Para tudo dar, dar aos filhos e netos. O pouco, o pouco era muito neste viver, Num viver vivendo de amor e carinho, Carinho para sobreviver, Neste recanto de vargem e morro. Da vargem e do morro, onde a família Buscava no dia a dia, o sustento. Neste buscar, buscando onde se sobrevivia, Num sustentar sustentando. Gabriel Carlos Beckhäuser e Corina Mendonça viviam felizes neste recanto. Ventos revoltos mudam o destino, Levando Adelia e Carlos deste mundo. Neste caminhar, caminhando, Ventos surgem e surgem revoltos, Com a morte de José, filho amado. Ficam amargurados, amargurados. 32


Gabriel, não estava em teu sonho A morte, morte de três belos filhos. Sem saber que também não estava no sonho A morte da esposa amada, grávida. Sem rumo neste caminhar neste belo recanto, E num caminhar, caminhado, sem a Corina. Agora com 5 filhos nas mãos e, Sem a esposa amada, amargurado. Triste, e neste triste caminhar por entre Fatos, não antes sonhado. Busca forças, forças que sobrevivem O seu caminhar neste sonho, não sonhado. Os pés cansados de seu caminhar Encontram um caminho cheio De flores, que passaram a suavizar O seu caminhar neste belo recanto. E a bela professora Maria Vieira Caminha e caminha sem saber Que este não era o seu sonho, Em suavizar o sonho de Gabriel. Neste embarque de um sonho, De viver não mais de professora, E sim, levar o sonho, sonhado, De cuidar dos cinco filhos de Gabriel e Corina. 33


Neste novo rumo com Maria Vieira, A professora deixa seus alunos, Passando a navegar nas ondas Do sonho de Gabriel e filhos. Viviam somente da produção da propriedade. Num recanto belo, Gabriel revive a saga De seu avô Johann Karl Beckhäuser, Que perde a mão amada Kropp. E Margareth Schuch embarga no sonho, Não antes sonhado de Johann Karl, O imigrante, que no Brasil escolheu um recanto Para para viver e criar seus descendentes. Nesta saga de Gabriel, perde a mão amada E mais quatro filhos, sendo o último No útero da mãe Corina. Que grande perda, sua amada Corina, No dia do casamento da própria irmã. Quando no enterro de Maria Vieira, Ao abrir o caixão, uma surpresa, O corpo de Corina intacto estava. Todos diziam que ela esperava Maria. Esta espera de Corina por Maria Emocionou a todos. Pelos cuidados de Maria Aos filhos Laura, Dário, Valdomiro e os gêmeos Ester e Estélio. 34


Com Maria,Gabriel teve oito filhos, Sendo três vezes gêmeos, além De cuidar dos outros filhos Do primeiro casamento. Do segundo casamento teve o primeiro Filho, César, e após Adauto e Anita. Em seguida Valquiria, Nadir, Nair Dimas e Dilmar. Neste ambiente de sobrevivência passei Boa parte de minha infância, Infância feliz e tudo de bom encontrei. Ambiente harmonioso, uma bela infância. Viví entre irmãos e irmãs, com os ensinamentos De minha mãe professora, compartilhado Com os conhecimentos de meus irmãos, Levando a adquirir em cada dia mais conhecimento. Os filhos mais velhos estudaram em Vargem Do Cedro, onde havia colégio interno para os meninos E para as meninas. Os filhos José, Dário, Laura, Ester e Estélio. Lá estudavam alunos de todo Brasil. Ficavam eles internos. Com bons professores, Recebiam uma educação de alto nível, Que todos que lá passaram, foram bem sucedidos. 35


Este período de 1930 à 1945, Gabriel Tudo fazia para dar o melhor à seus filhos. Escolhendo o estudo, apoiado pelo avô Carlos Eduardo Caeser Beckhauser. Carlos Eduardo era casado com Ana Arns, Irmã de Gabriel Arns, pai do Cardeal Dom Evaristo Arns e Zélia Arns. Meu pai levou o nome de seu avô Gabriel. O Avô Karl Eduard, Viveu por muitos anos ajudando Na educação de seus netos, Recordado por todos o belo convívio. Laura relata que era um homem alegre, Bons conhecimentos e tudo Fazia para alegrar seus netinhos. Lá permaneceu por muitos anos. Com a vinda da família Beckhauser Para o centro de Armazém, seu pai Retornou para São Martinho, vindo A viver com a neta Maria. Lá viveu até a morte em 1949. Lia E falava bem o alemão. Gostava De ler e procurava fazer tudo Sozinho. Em nada encomendava. 36


Em Armazém passamos a estudar No colégio das irmãs franciscanas, Educados pelas professoras Mônica, irmã Helena e Irmã Maura, todas vivas. Ao término do primário, seguí para O Seminário Nossa Senhora de Fátima, Na cidade de Tubarão, até o termino do Segundo grau, adquirindo bons ensinamentos. Hoje sempre recordo com saudade das Lições dos padres e convívio dos colegas. Os mestres davam um ensino de alto nível E o melhor de si para os seus seminaristas. Foram oito anos de uma vida longe do Convívio da familia. Só 15 dias no final Ano poderíamos passar em nosso Seio familiar, com a condição de prestar ajuda paroquial. Os outros filhos César estudou no Colégio Deon,e Anita e Valquiria no colégio Das irmãs franciscanas em Tubarão Dimas veio também para o seminário, E Dilmar e Nadir e Nair estudaram na Cidade de Armazém pois lá com a doação por Gabriel De uma grande área para instalação de um bom Colégio de nome Mons.Francisco Gisberts 37


Em 1963 segui para a ilha da magia Dando adeus ao seminário pois,vi que O caminho de minha vida Seria bem deferente. Pelo bom nível de estudo dado pelo seminário Passei a fazer um curso de português E além de tocar órgão nas igrejas em casamento Dando uma boa renda a após passei a professor de português. Aqui um novo caminho se descortinou Vindo a conhecer minha amada esposa, Como linda aluna e oportunidade não escapou Deste novo sonho quatro belas meninas. Conclui o curso de Filosofia na UFSC Em 1967 e pedagogia universidade de Bagé E passei a lecionar na cidade de Criciúma , Morro da Fumaça em Tubarão. Com fundação da Unisul em 1969 Passei a exercer a função de professor Além de continuar na rede estadual Vindo a morar em Florianópolis em 1974. Em 1974 ingressei como professor na Universidade Federal de Catarina E antes como professor no ensino médio E além de colar grau em Direito 1975. 38


E minha amada esposa Dulcineia Colou grau em Português e Francês Na Universidade federal de Santa Catarina, Fazendo um belo trabalho como diretora e professora. Vários cursos foram feitos na universidade Como forma de ter maior nível E dar o melhor para os alunos e cliente E além de exemplo para as filhas. As filhas Annelize,Lizeanne ,Gabrielle E Dulcianne tiveram uma boa educação Nos melhores colégios da Capital e Colaram grau em direito. O caminho de Annelize chegou ao fim No dia primeiro de março deixando Duas lindas filhas Luiza e Fernanda E deixou grandes ensinamentos. No dia do seu velório todos os lá Tiveram nos confortavam dizendo Que eu e Dulcineia demos um Anjo e este anjo passou pela nossa vida. Lizeanne tem uma linda filha de nome Helena,que nos seus 8 anos nos Encanta e irá passar o bastão para O filhinho Artur de Dulcianne e leonardo de 8 meses. 39


Gabrielle e o casamento com Alfredo Rodrigues assume as suas Duas filhas e além de passar A cuidar das filhas de Annelize. Biografia Funções exercidas: - Professor Adjunto IV aposentado pela Universidade Federal de Santa Catarina. - Professor Universitário do Curso de Pedagogia de Joinville, na Associação Catarinense de Ensino. - Professor Universitário da UNISUL. - Diretor de Escola Secundária da Rede Estadual. - Professor da rede estadual e particular de Ensino Médio. - Atualmente presta Assessoria Jurídica para grandes Empresas da Capital e de todo o Estado de Santa Catarina , desde o ano de 1975 até a presente data. Atuante nos Tribunais de 1º e 2º grau, na esfera Federal e Estadual. - Presidente de Honra- AFABE – Associação da Família Beckhäuser no Brasil, 2001 - Presidente da Academia de Letras de Biguaçu (Triênio 2010 –2013) Formação – Graduação Superior: - Filosofia pela UFSC, Florianópolis -SC - Pedagogia pela FUMBA, Bagé -RS - Direito pela UFSC, Florianópolis -SC Pós-Graduação - Especialização: - Mestrado em Direito Tributário pel a Universidade Federal de Santa Catarina. - Tecnologia Educacional pela Universidade Federal de Santa Catarina. 40


- Cours de Langue Française Heures – Universite Catholique de Belgique – Institut des Langue Vivante – Belgique (Bélgica). Curso CAPES: - Português, registro de professor de 1º e 2º grau. - Desenho, registro de professor de 1º e 2º grau. Doutorado: - Doutorando “Doctorat spécial em Droit, Faculté de Droit – Université Catholique de Louvain -la- Neuve – Belgique”. - Doutorando em Direito pela Universidade do Museu de Buenos Aires - Argentina, em convênio com a UNISUL. Trabalhos realizados: - Dissertação de Mestrado: Sistema Jurídico Estatutário X Consolidação das Leis do Trabalho. - Tese: Le Regime Juridique de Funcionaire Publique Bresilien e Belgique (Etude Comparative du Statut Juridique du Fonctionnaire Public Dans le Droit Bresilien et Dans le Dr oit Belge. - Tese: A Prova no Direito Civil Brasileiro. - Publicação Livro: História d a Família Beckhäuser no Brasil.2007 - Publicação Livro: Sonho, Sonhado e Realizado. (Em português e Alemão) - 2012 - 1862, A Saga da Família Beckhäuser no Brasil, desde a vida de Johann Karl Beckhäuser - 2013 - O Auto da Imigração Alemã - Em português e Alemão -2013

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Joaquim Gonçalves dos Santos Cadeira nº: 03

QUEM SOU EU Sou filho do Divino Pai Eterno, irmão de Jesus Cristo, e afilhado de Nossa Senhora conforme registro de batizados na Igreja Matriz da cidade de São José (SC). Nasci em 27 de março de 1936, na maternidade Dr. Carlos Correa, em Florianópolis (SC). Filho Legítimo de Martinho Félix dos Santos e Alzira Benta Gonçalves, de saudosas memórias. 42


São meus irmãos legítimos: Ilá Dilza, Maria Helena, Alzira, Arlindo, Vilson, e Nelson. Na graça de Deus todos estão vivos e residentes no Bairro Kobrassol, cidade de São José. Nossos pais foram maravilhosos, onde crescemos unidos e com muito amor. Sou casado pela segunda vez, e resido na cidade de Biguaçu (SC). Do primeiro casamento com Célia Emília da Silva, tenho os seguintes filhos: Rita de Cássia, Luiz Gonzaga, Maria de Fátima, Claudemir Martinho, e Célio Joaquim. Do segundo casamento com Celina Emília da Silva, não temos filhos, no entanto, estamos criando desde o nascimento o neto João Victor dos Santos Goedert, com amor filial. Minha trajetória: os estudos primário, ginasial, médio e superior, foram realizados no município de Florianópolis. O período de infância, em grande parte, foi no Bairro Coqueiros (Florianópolis). Tudo transcorreu normalmente, isto é, estudava, ajudava nos afazeres domésticos quando solicitado, e brincava nas horas de folga. Quando estudava no ginasial da Escola Industrial de Florianópolis, repentinamente, resolvi ingressar na Marinha de Guerra do Brasil. Na ocasião, o meu pai não aprovou a idéia, no entanto, atendeu o apelo da minha querida mãe, assinando o documento de “Autorização”. Com dezessete anos de idade, em 22 de junho de 1953, iniciei o curso na Escola de Aprendizes-Marinheiros. Concluído os estudos com eficiência, fiz o “Juramento”em 12 de janeiro de 1954. Em seguida fui transferido para a cidade de Rio de Janeiro ( Capital Federal),tendo viajado pelo navio mercante “Carl Hoepcke” 43


Fiquei no Quartel de Marinheiros (Ilha das Cobras), até 16 de maio de 1954, sendo embarcado no navio mercante “Rodrigues Alves” com destino à cidade de Natal (Rio Grande do Norte), mais precisamente para a Base Naval. A viagem durou nove dias de mar, devido às paradas obrigatórias nos portos do litoral nordestino. Trabalhei na Base Naval de Natal no período de 26 de maio de 1954 até 01 de agosto de 1956. Selecionado para Curso de Direção de Tiro, embarquei num avião bimotor da FAB (Força Aérea Brasileira), com destino ao C.I.A.W. (Centro de Instrução Almirante Wandenkolk), na cidade de Rio de Janeiro. Durante dois anos (1957-1958) estudei muito, sendo aprovado. Na data de 05 de fevereiro de 1959, fui lotado no D-23 – “BRACUÍ”(Contra Torpedeiro Escolta),onde conheci muitos portos do litoral brasileiro. Um fato marcante foi quando pela primeira vez após ter saído da casa de meus pais, recebi autorização de férias em janeiro de 1957. Viajando para Florianópolis num avião bimotor da “Cruzeiro do Sul”, quando bem distante da Cidade de Santos (SP), um dos motores parou de funcionar. Na Graça de Deus, o avião lotado de passageiros, com apenas um motor, conseguiu retornar ao aeroporto de Santos, onde foi feita a troca por outra aeronave. Em férias posteriores continuei utilizando o transporte aéreo com meio de locomoção (ida e volta). Quando terminou o meu tempo de serviço ativo da Marinha de Guerra, solicitei “baixa” porque não tinha mais interesse pela 44


carreira militar, tendo recebido Certificado de Reservista de Primeira Categoria, em 22 de agosto de 1960. Já em Florianópolis, na condição de civil , reiniciei meus estudos, onde participei de um Concurso Público Estadual para escrivão de Coletorias(Exatorias), sendo aprovado e nomeado para Biguaçu, onde assumi o cargo em 06 de janeiro de 1961. Durante o exercício no cargo de Escrivão, trabalhei nas Coletorias de Biguaçu, Antônio Carlos, Governador Celso Ramos, São José, Florianópolis, e Videira. Na condição de Coletor (Exator), exerci o cargo em Palmitos (Oeste do Estado),no período de 1981 até 1985.Tendo averbado o tempo de serviço ativo da Marinha de Guerra, obtive a merecida aposentadoria. No âmbito da política biguaçuense, aceitei o convite do Dr. João Paulo Rodrigues, para ingressar na ARENA (Aliança Renovadora Nacional), sendo candidato ao cargo de Vereador, cujo “santinho” propagava: “O Homem Certo No Lugar Certo”. Eleito para oitava legislatura (1973-1977), ocupei o cargo de Presidente da Câmara por dois anos(1973-1974). O “Homem Certo” foi reeleito para um novo mandato(1977-1983),ocupando novamente a Presidência do Poder Legislativo(1977-1978). Cumprindo remoção como funcionário público estadual, renunciei ao mandato de Vereador (01/08/1980), para ocupar novas funções em Exatorias no interior do Estado. Durante o período em que participei da política partidária, pertenci às siglas ARENA, PDS, e PMDB. Desde 1996 não tenho mais filiação partidária e nem pretendo ter, pois acredito que já dei minha contribuição. 45


Na área cultural, fui colocado à disposição do Estado, onde ocupei o cargo de Diretor da Casa dos Açores- Museu Etnográfico, em São Miguel (Biguaçu), como o primeiro administrador daquela casa(1979-1980). No magistério público estadual, exerci o cargo de Professor Designado (História, Educação Moral e Cívica, e Organização Social e Política do Brasil), no período de 01/03/1968 até 01/08/1980, no C. E. Prof.ª Maria da Glória Viríssimo de Faria (Biguaçu). Através de Concurso Público Estadual, fui aprovado em primeiro lugar na disciplina História, sendo nomeado professor efetivo em 14/02/1985. Nomeado Diretor do C.E. Prof.ª Maria da Glória Viríssimo de Faria (Biguaçu), de 25/01/1988 até 13/10/1989. Nomeado Supervisor Local de Educação (Biguaçu), de 13/10/1989 até 01/03/1991. Nomeado novamente Diretor da C. E. Prof.ª Maria da Glória Veríssimo de Faria (Biguaçu), de 01/02/1995 até 02/02/1996. Solicitei remoção para a C. E. Getúlio Vargas (Florianópolis), na disciplina História, em fevereiro de 1996, lecionando até março de 2002, obtendo aposentadoria por tempo de serviço. Tenho diplomas e certificados dos seguintes cursos: Na Marinha de Guerra do Brasil: *Direção de Tiro; *Combate a incêndio; *Operador de cinema; *Eletricista Naval; *Escrituras Sagradas; No Ensino Médio em Florianópolis: 46


*Técnico em Contabilidade, pela ETC ”São Marcos”. Na Universidade Federal de Santa Catarina: *Antropologia Social; *Etnologia Brasileira; *Origens do Homem e Origens do Homem Americano; *Licenciatura Plena em História; *Mestrado em História do Brasil; Academia de Letras *Posse na Academia de Letras de Biguaçu em 25/06/2004, na cadeira nº03, tendo como Patrono Dr. Adolfo Konder. *Eleito Presidente da Academia de Letras de Biguaçu para o período de 30/06/2007 até 30/06/2010. *Posse na Academia de Letras de Governador Celso Ramos em 14/06/2008, na Cadeira nº 39, tendo como Patrono José Arthur Boiteux; *Presidente da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina-Seccional de Biguaçu (ALB/SC) desde 2009; Obras Publicadas: *1996 – A Freguesia de São Miguel da Terra Firme – aspectos históricos e demográficos -1750-1894. *1997 – Cônego Rodolfo Machado – 60 anos de sacerdócio – 1937-1997. *2002 - Martinho e Alzira – suas histórias. *2008 – Cônego Rodolfo Machado – Cidadão de Biguaçu. *2011 – Paróquia São João Evangelista – 70 anos - 19412011. Coautor José Ricardo Petry. *2012 – Martinho e Alzira – outras histórias. 47


*2013 – História de Biguaçu ao Alcance de Todos. (No Prelo). *Prefácios, apresentações, e artigos em livros, revistas e jornais. *Articulista semanal do Jornal Biguaçu em Foco (JBFOCO) – sob título “ Nossa História”. Participação em Obras *1997 – São Miguel da Terra Firme- 250 anos (1747-1997). *2004 – Antologia da Academia de Letras de Biguaçu – Veredas Literárias. *2008 – Antologia da Academia de Letras de Biguaçu – Trajetória. *2011 – Antologia da Academia de Letras de Biguaçu – Os Quinze Anos. *2012 - Antologia da Academia de Letras de Biguaçu – Fazendo História. *2012 – Antologia da Academia de Letras de Governador Celso Ramos - Luz do Amanhecer. Câmara de Vereadores de Biguaçu *Título de “CIDADÃO HONORÁRIO DE BIGUAÇU”, por indicação do Vereador André Clementino da Silva, em 12/05/2010. *Título de “EMBAIXADOR DA CULTURA DO MUNICÍPIO DE BIGUAÇU”, por indicação do vereador Luiz Roberto Feubak, em 17/10/2011. Gratidão - Sou grato aos meus familiares e amigos que sempre deram muito apoio. - Sou grato ao Senhor por todos os benefícios recebidos, por todos estes dons, e por todas estas dádivas. 48


Hilta Teodoro Bencciveni Cadeira nº: 04

QUEM SOU EU Uma pequena historia da minha vida Nasci numa família modesta, porem fui feliz, apesar de termos enfrentado altos e baixos. Meu pai, para o qual fiz uma crônica, era um artista: tocava qualquer instrumento, inclusive piano, fabricava, ele próprio, o violão e o violino, de onde tirava os seus acordes, desenhava, pintava e esculpia, mas trabalhava mesmo era como construtor, isto é, pedreiro; embora tenha freqüentado, o Liceu de Artes e Ofícios durante nove anos. E era um grande matemático. 49


Tinha fórmulas próprias para calcular raio, circunferência, diâmetro, etc, e resolvia, mentalmente, os inúmeros problemas de matemática que lhe apresentavam para provocá-lo, quando estava em grupo. Era muito admirado por todos que o conheciam, mas poucos valorizavam seu trabalho. Hoje, ainda existem, em Florianópolis, casas feitas por ele, que foram reformadas, mas os proprietários fizeram questão de conservar as colunas e os afrescos feitos por ele, numa valorização, que, embora tardia, é muito gratificante. Para manter a família, trabalhava mesmo era como operário, mas nem sempre recebia o pagamento, pois, naquela época, não tínhamos, ainda, Legislação Trabalhista. Nos meses de setembro e outubro, como todos quisessem arrumar os túmulos, por causa do Dia de Finados, meu pai trabalhava, quase a noite toda, no cemitério, além de trabalhar durante o dia nas construções. Como não tinha, ainda, luz elétrica no Cemitério, meu pai, para clarear o local do trabalho, usava as velas que os parentes acendiam, durante o dia, para seus mortos, mas se apagavam com o vento. Certo dia, minha mãe questionou com ele, por não respeitar os “pobrezinhos dos defuntos” roubando-lhes as velas, o que era um crime, além de dar muito mau exemplo para os seus filhos. Meu pai falou que ela não se preocupasse, porque os filhos nunca iriam trabalhar no cemitério à noite, e que, mesmo assim, ele não estava roubando; sempre pedia licença. Que olhava o nome na lápide e falava: _ Seu Fulano, quer praticar um ato de caridade, que pode ajudar na sua salvação? Então, me empresta estas velas, que também vou acendê-las pela sua alma. E como ele permitia... 50


E minha mãe, mais que ligeira, falou que isso era impossível, porque defunto não fala. Ao que meu pai respondeu, alegre e bem humorado e com bastante irreverência: - Mais uma razão, QUEM CALA CONSENTE. Minha mãe, para a qual fiz o poema Fantasia, e da qual tenho muita saudade, trabalhava bastante, era muito alegre, eficiente, perfeita na arrumação da casa e em tudo que fazia, vivia cantando, Reportando-me, ao ano de 1927, me lembrei como chorava diariamente, quando tinha cinco anos de idade, porque queria ir para a escola com minha irmã, nove anos mais velha do que eu. Como a cena se repetia por muitos e muitos dias, para desespero de todos, inclusive da vizinhança, que naquela época participava de tudo, dando palpites e fazendo sugestões a respeito, minha mãe e mãe Vina, que foi minha ama de leite, foram ao Colégio, cuja diretora, a pedido delas, mas não sem muita relutância, permitiu que eu frequentasse as aulas, sem, no entanto, participar efetivamente delas, mesmo assim só “encostada” (este era o termo), porque, naquela época, não era permitida a matrícula para alunos da minha idade. Como o horário das aulas era das 8 às 14 horas, com um intervalo para o almoço, as professoras sugeriram que me levassem ao Colégio somente das 9 às 12 horas, para que eu não ficasse muito cansada. Minha mãe caprichava na minha arrumação; o vestido mais bonito, desenhado e cortado pelo meu pai, sempre feito por ela à mão, porque não tinha máquina de costura, pulseira no bracinho roliço, laço de fita, invariavelmente combinando com o vestido, amarrado nos cabelos bem penteados e com cheiro de sabonete, lá ia eu, levada pelo Avelino, filho da mãe Vina, para aula. 51


Ao mencionar esta segunda mãe, tão boa e dedicada, e como, carinhosamente, me acalentava e me protegia quando era criança e tinha medo de alguma coisa, chorando comigo quando eu chorava, senti uma saudade enorme dela. Naquela hora, em reconhecimento a tantos anos de dedicação e amor, fiz, em sua homenagem o poema MÃE PRETA. Cursei até o 2° Normal no Colégio “Coração de Jesus”, de onde sai em 1939. Casei com José Bencciveni, em 1950. Companheiro, colaborador, sempre presente, amava muito a família, da qual tinha o maior orgulho e a quem não deixava faltar nada. Mineiro, de origem italiana, gesticulava e falava alto, como se estivesse sempre brigando. Pura aparência, porque, no fundo, era uma pessoa maravilhosa, querendo sempre o melhor para a família. Tão honesto e trabalhador, que em certa ocasião, como tivesse fraturado a mão, o médico que o atendeu, lhe concedeu um mês de licença. Uma semana depois, ele voltou ao médico, solicitando o cancelamento da licença, porque queria retornar à Empresa, “pois podia, muito bem, trabalhar com uma mão só”. Surpreso, o médico lhe perguntou se ele era funcionário de categoria e diante da sua afirmativa, o ortopedista falou que agora compreendia a sua atitude, pois, se ele fosse um simples empregado, aquela fratura ia durar, no mínimo, três meses. Fui muito feliz. Hoje sou viúva. Criei e eduquei quatro filhos: uma das filhas saiu de mim e três entraram em mim, foram adotados. Amo a todos igual; e eles se amam bastante e a mim também. No ano de 1994 ingressei no Curso de Formação de Monitores de Ação Gerontológica do Núcleo de Estudos da Terceira Idade 52


– NETI, que é um curso de extensão da UFSC e destinado a formar pessoas da 3ª idade, num curso de monitor de gerontologia. Frequentando esse curso, gostei tanto, que resolvi terminar o 2° grau e fazer vestibular para Letras (gosto de Português e Literatura Brasileira); e foi exatamente o que fiz. No mesmo ano fiz o vestibular e fui aprovada, estava com 72 anos de idade. Fui a primeira idosa a passar e frequentar a Universidade Federal de Santa Catarina. E comecei a recordar às vezes em que fui levar minhas filhas ao Colégio, em épocas bem diferentes, nos seus primeiros dias de aula. O mesmo orgulho mal disfarçado, a mesma ansiedade, as mesmas preocupações e o mesmo zelo de todas as mães. Eu as olhava subindo para o pátio e ficava gritando: _ Cuidado nas escadas, minha filha; segura bem no corrimão, pra não cair, come o teu lanche todo; assim, que terminar a aula a mamãe vem te buscar! E acenava e jogava beijos, até ela desaparecer. Finalmente, chegou o dia tão ansiosamente esperado: ir à Universidade Federal assistir a primeira aula. Inexplicavelmente, estava me sentindo completamente revigorada, como se tivesse dormido a noite toda. Bem cedo, recebi um telefonema da minha filha mais velha, dizendo que tudo ia dar certo e que, em qualquer eventualidade, estaria lá, no Centro Tecnológico. Quando fui para a mesa do café, já encontrei minhas duas filhas, ansiosas e cheias de curiosidade. Falei que não dormi a noite toda, que pensei muito em coisas do passado, que fiquei nervosa, mas que, naquele momento, estava bem, apenas com a preocupação de não achar a minha sala de aula, no meio daquele labirinto todo. 53


Na mesma hora, elas falaram que eu podia ficar tranqüila, que já tinham combinado me levar à Universidade nos primeiros dias de aula, que eu não precisava me preocupar, que elas, até, sabiam onde era a minha sala. Quando chegamos no “Campus” e estávamos caminhando para o Prédio onde ficava a minha área, elas me seguraram a mão, uma de cada lado, e, assim de mãos dadas, caminhamos até o térreo, onde estava a escada, de dois lances, para o meu andar! Olhei-as agradecida e percebi nelas o mesmo orgulho mal disfarçado, a mesma ansiedade, as mesmas preocupações e o mesmo zelo de todas as mães. E assim protegida e amparada, eu me sentia como se fosse uma criança indo ao Colégio no primeiro dia. _ Daqui eu vou sozinha, falei. E fui subindo os degraus devagarzinho, um de cada vez. Olhei para traz, e vi que elas falavam alto: _ Cuidado nas escadas, segura bem no corrimão, se tiveres fome, tem uma lanchonete no térreo, aonde podes comer alguma coisa; quando terminar a aula, nós vamos estar aqui para te pegar. E me acenavam e jogavam beijos até que subi o último degrau. Procediam exatamente como eu, quando ia levá-las para o Colégio, nos primeiros dias de aulas. Então, nesse momento, constatei, surpresa, que estava havendo uma completa e inesperada inversão de valores, o que me deixou muito feliz e emocionada. E agradeci a Deus, por me ter dado filhas tão maravilhosas. Perdida pelo corredor, ponderando se era isso mesmo que eu queria e devia fazer, cheguei, finalmente, à sala de aula. A aula inaugural era de Literatura Brasileira. 54


Agora, eu estava novamente insegura. Sentei-me bem na frente e fiquei imaginando o que estariam pensando os meus colegas, diante de cena tão inusitada. Percebi que estavam ligeiramente constrangidos. Fiquei, porém, mais descontraída quando a professora solicitou que cada um fizesse, naquele momento, uma pequena autobiografia, falando dos motivos e anseios que os trouxeram àquela sala. Escrevi, então “que tinha feito o vestibular para desenvolver um potencial adormecido; que não esperava ser tratada de igual para igual, pelos meus colegas, porque, entre as nossas idades, havia uma diferença cronológica de mais de meio século, mas que eu queria ser aquela avó, aquela tia que cada um tem em casa e pode colaborar com a sua experiência; que sabia de minhas limitações, mas tinha certeza que iria superá-las” E entre outras coisas, terminei dizendo: “mas também era verdade que se, entre nós, existiam tantas e tão flagrantes diferenças, tínhamos duas coisas em comum, que nos identificavam e podiam, até, nos aproximar: a ânsia do saber e o amor à Língua Portuguesa”. Fui aplaudida de pé. Jamais esquecerei aquele momento! E passei, efetivamente a fazer parte do grupo. Durante todo o tempo em que frequentei a Universidade, fui tratada sem privilégio, mas também sem discriminação. Era uma aluna como qualquer outra. Dia a dia, aprendendo sempre mais, fui observando como os professores, cheios de competência, abnegação e carinho, iam transmitindo os seus ensinamentos e como ficavam felizes, observando o progresso intelectual dos seus alunos. Era como se fôssemos uma grande família, onde todos trabalhavam e produziam para elevar, cada vez mais alto, o nome já tão 55


conceituado dessa Universidade, Centro de Excelência que é!!! Rompendo barreiras, sem me preocupar com a idade cronológica, mas contando, sempre, com o total e indispensável apoio da minha família, fui caminhando cada vez mais para frente, feliz e cheia de planos. Já se passou uma década do dia em que dei meu grito de liberdade, e constato, com muita alegria, que esse tempo foi fundamental para o meu crescimento pessoal e para a minha formação. E vejo, feliz, que valeu a pena!!! Um dia, juntarei estes pedaços de mim a outros pedaços que guardo no coração e escreverei uma grande e bela história da minha vida! Mas enquanto esse dia não vem, continuarei sonhando... E, à medida que esses sonhos forem se realizando, eu os soltarei no espaço em noites de epifania e, através das lágrimas de emoção, eu os verei, céleres e ufanos, voando cada vez mais alto, até que, iluminados pela luz da lua, se percam no Cosmo em forma de estrelas! Por gostar de escrever, fui convidada a participar da Academia de Letras de São José, onde ocupo a Cadeira 11, da Academia de Letras de Biguaçu, ocupando a Cadeira 04, do Estado de Santa Catarina e do Livro Contos do Professor da FUCAPRO. Participei da fundação da Academia Desterrense de Letras, de Florianópolis. Fui premiada com dois segundos lugares em crônica e conto, no concurso de Fundação Viva Vida em 1997 e em primeiro lugar na categoria poesia e em terceiro na categoria conto, no concurso da mesma Fundação, em 1998. No próximo mês, estarei completando 91 anos de vida. Nessa data, tenho certeza, que o dia vai amanhecer, magnífico e belo! Um raio de sol entrará pela fresta da janela do meu quarto, e animado pela 56


minha receptividade, vai iluminar e aquecer mais ainda a minha alma e o meu coração. Os anos não pouparam o meu corpo, que ficou mais frágil e vulnerável. Em compensação, as experiências adquiridas através de amigos, colegas e professores, durante tantos anos de convivência, enriqueceram muito mais a minha fé e o meu espírito, que continuam sendo esteio e fortaleza da minha família.

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Egídio Martorano Filho Cadeira nº: 05

QUEM SOU EU Eu, Egidio Martorano Filho, nasci na fria cidade de São Joaquim, Santa Catarina, fui para Florianópolis quando meu pai, Egidio Martorano Neto, elegeu-se Deputado Estadual. Seguindo os passos do pai, cirurgião geral, me formei em medicina e optei pelos delicados caminhos da cirurgia. Foram três anos de especialização em cirurgia geral do Hospital da Lagoa, Rio de Janeiro. Ingressei no serviço do professor Ivo Pitanguy. Já no primeiro ano de residência fui pinçado da Santa Casa de Misericórdia, em escolha pessoal de Ivo Pitanguy, para trabalhar na Clínica Particular do conceituado médico. 58


Então como residente e posteriormente auxiliar, atendi consultas junto a seleta clientela. E realizei Cirurgias. A responsabilidade aumenta a cada dia e, ainda, fui escolhido como chefe dos residentes. Permaneci por oito anos no Rio de Janeiro. Foi um importante período de aprendizado e aperfeiçoamento que me qualificaram para retornar a terra natal. Com a implantação da cirurgia a laser e Vídeo cirurgia, levou me a treinar equipes, como a do hospital das clinicas de Porto Alegre (RS), e da Euro clinica de Portugal.Em seguida instalei o primeiro centro de Vídeo cirurgia em cirurgia plástica na capital catarinense, aonde realizei cirurgias de face e implante mamário pelas axilas.O domínio deste método conduziu-me a realizar demonstrações e palestras no país criador da técnica , no hospital Mont Sinai nos EUA.Ainda operei por dois anos e meio na Alemanha, em Berlin e Kiel. Para mim, a família fornece base, equilíbrio emocional e suporte para a boa realização do meu trabalho, levando uma vida plena e feliz. Os pais Leda e Egidio me deram a base para a construção do caráter e solidez de meus objetivos. Maçon há quinze anos, aonde é venerável mestre de sua loja (mestre instalado), aprendeu que “Deus é o arquiteto do universo”. Pratico esportes para alimentar corpo e espírito, como tiro ao prato (Trap Americano) e sou faixa preta em Taekondo, indo já ao primeiro DAN. Como prêmios destaco; -Cidadão honorário de Florianópolis concedido pela Câmara Municipal De Florianópolis (SC) -Supercap de ouro São Paulo (SP); -Os melhores do MERCOSUL como cirurgião plástico do 59


ano. Promovido pela associação dos empresários do Rio do Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. -Prêmio Internacional “ Spirit of interprise” Genebra Suiça. -Diploma de Honra Como convidado estrangeiro do XVI International Cuban Medical Association Congresso in Exile. -Miami Beach- Flória (USA) -Qualidade Brasil “Clinica Egidio Martorano”. Em sua XXVI edição, por apresentar serviços de excelência de qualidade-Rio de Janeiro (RJ). -Cruz do mérito cívico e cultural. Comenda inserida pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística – Ministério de Educação e Cultura (SP) -Ambassador of Arkansas Título concedido pelo governador do Arkansas (little Rock/ EUA). -Comenda e medalha do Legislativo Catarinense concedida pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina (SC). Sou membro: -Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica; -Da sociedade de cirurgia a laser; -Do colégio Brasileiro de cirurgiões; -Do colégio internacional de cirurgiões; -Do colégio Brasileiro de vídeo cirurgia; -Da associação dos ex-alunos do professor Ivo Pitanguy; -Da Federação Ibero Latino Americana de Cirurgia Plástica.

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Rudi Oscar Beckhäuser Cadeira nº: 07

QUEM SOU EU Sou apenas um gaiteiro (acordeonista, sanfoneiro, fisarmonicista, estradelista, etc) bem sucedido. Há 11 anos conheci meu primo (ele veio depois de mim), Adauto Beckhäuser (esnobe até nos pontinhos e tremas), mas com uma simpatia ímpar. Como ele estava organizando as festas da Família Beckhauser, sabia que eu era musicista como ele, e dizia-me ao telefone: Rudi, traga a gaita. Eu respondia: Adauto, não é gaita, é acordeom. Assim fizemos uma bela amizade, extensiva à minha querida prima Dulcinéia e suas lindas e queridas filhas. 61


Lembrei-me deste fato porque aos 10 para 11 anos de idade aprendi a tocar acordeom com meu pai, Oscar meu professor (o melhor), porque era pai e acordeonista. Apaixonei-me pela música, gostava de executá-las, e aos 14 anos compus a minha primeira obra (música e letra): Menina Moça! Como era bonita a menina que me inspirou. Daí em diante, compus mais de 50 músicas e fiz mais de 400 arranjos, para acordeom de outros compositores. Tudo isto editado pela Editora Irmãos Vitalle e pela Fermata do Brasil. Fundei uma academia de acordeom com o meu nome em Blumenau e espalhei filiais desde Chapecó até Tubarão. Eu ia às cidades onde havia filiais, nos finais de ano, fazer exames dos alunos, e sempre havia nesses locais um festival de acordeom, com todos os alunos participando e recebendo seus diplomas. Antes disto, eu e meu pai lecionávamos acordeom em Blumenau; um dia por semana nas cidades de Itajaí e Brusque e meio dia na cidade de Gaspar. Tínhamos alunos das 7h às 12h30, das 13 às 18 e das 19 às 22 horas. Eu me sentia muito bem vendo meus alunos evoluindo e melhorando suas técnicas, até chegarem a ser professores. Meu lema era: Non nova, sed nove (não coisas novas, mas de uma nova maneira). Não satisfeito com o método do professor Mascarenhas, resolvi compor o meu próprio método de acordeom (pioneiro nas Américas e segundo no mundo para os dois sistemas de acordeom – apianado e cromático). Tive que, necessariamente, antes aprender a executar também no acordeom cromático (aquele de botõezinhos redondos). 62


Consegui registrar e reconhecer a academia na Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Santa Catarina. Em 08/12/1958, consegui realizar no Teatro São Pedro, em Porto Alegre – RS, o primeiro concerto clássico de acordeom do sul do Brasil. Na programação estavam, entre outras peças, o Guarany (Carlos Gomes) e Moto Perpetuo (Paganini). Aprendi que, querendo exercitar seu cérebro, a pessoa pode ter capacidade de abrir e olhar uma partitura de duas páginas fechá-la novamente e executá-la. Eu tinha uma memória fotográfica. Estudei acordeom em 1958, em Porto Alegre, com o grande maestro Italiano Ângelo Caffi, que tinha o Conservatório Rossini. Para testar-me, pois ele não acreditava que, ao me dar músicas para treinar em casa, eu voltasse três dias após (ele me dava aulas duas vezes por semana) com todas elas decoradas e bem executadas, compôs na hora uma música chamada Giovanella e deu-me para olhar, solicitando que a tocasse em seguida, e eu toquei. Quando a gente é jovem faz coisas que até Deus duvida. Aos 15 anos inventei um instrumento que chamei de pianola (era um acordeom na horizontal). Esse instrumento era voltado principalmente às crianças. Compus um pequeno método, de fácil aprendizado, para que os jovens pudessem aprender a tocar pianola. Hoje, sei que a pianola foi a origem do atual teclado eletrônico. Fiquei muito satisfeito quando o Adauto avisou-me que na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro estão arquivadas, e podem ser facilmente visitadas virtualmente, minhas obras, inclusive os métodos de acordeom e pianola. Em todas as festas da Família Beckhauser, realizadas anualmente, a pedido do Adauto, tinha eu que levar e tocar meu acordeom. 63


Há já uns cinco anos, viemos tocando por vezes algumas músicas, ele no cavaquinho e eu no acordeom. Quando eu era criança, aos 8 anos de idade, meu pai comprou um sobrado de dois andares em Laguna, chamado Café Tupi, Bar e Restaurante. Minha mãe, Blandina, cuidava da cozinha e um garçom atendia no restaurante e bar. Ela ensinou-me a colocar em um braço uma pequena toalha e comecei a servir as mesas. Certo dia, o capitão de um navio que havia aportado em Imbituba veio fazer suas refeições em nosso restaurante. Eu o servi. Ele gostou tanto do meu atendimento que me deu uma boa gorjeta. Mensalmente ele voltava e somente queria ser servido por mim. Com as gorjetas que ele me deu, minha mãe abriu uma caderneta de poupança na Caixa Econômica Federal. Dizem que o pescador empresta seu tempo a Deus e o musicista conversa com Ele. Eu acreditei nesta frase. Quando tocava certas músicas, como o Guarani e outras, eu me sentia leve, flutuando como se estivesse nas nuvens, falando com Deus. Quando era criança eu queria ser padre (influenciado pela família, que tinha muitos padres, freiras e mais tarde Cardeal) ou advogado. Para ser padre entendi que não seria possível, pois desde os 11 anos de idade gostava muito de namorar as meninas. Como é bom sentir o amor! Minha mãe ensinou-me a “fé” e meu pai, o “trabalho”. Trabalhei duro desde criança; aos 10 anos fui morar em Blumenau com meus pais e minha irmã Marli. Cheguei a Blumenau em 1950, ano do centenário da fundação da cidade. Como parte dos festejos, existia um grande parque de brinquedos. A Melhoral havia confeccionado alguns milhares de bonezinhos de papel, como propaganda, e fez farta distribuição deles na cidade. Então, fiz amizade com a pessoa que distribuía os bonés e consegui mil exemplares para mim. Assim, logo 64


que terminou a entrega gratuita, comecei a vendê-los a um cruzeiro cada, o que me rendeu um bom dinheiro, aos 10 anos. Em Blumenau fui jornaleiro. Vendia, na frente da Igreja Matriz, onde o Frei Brás era pároco (na época não era ainda Catedral), a revista católica Ave Maria, que custava 50 centavos – metade de um cruzeiro – ganhando do Frei Fulgêncio 10 por cento para vendê-las. Chegava a vender, em certos domingos, perto de 100 exemplares. Foi quando tive a ideia de pedir a Frei Fulgêncio autorização para vender os números atrasados. Cobrava um cruzeiro cada exemplar, e desta forma faturava 55 centavos de cruzeiro. Quando os compradores reclamavam que o número atrasado era caro, eu respondia que exatamente por ser atrasado era mais difícil de encontrar e essa era a razão de custar um pouco mais. Comecei ali a aprender a ser comerciante, desde cedo vivendo com os frutos do meu trabalho. Em 1960, fui morar em Curitiba, onde instalei a academia de acordeom e abri uma loja de música e instrumentos musicais. Comecei a fazer a escola de Direito e sou jubilado pela OAB/ PR, sob nº 3703, desde 14/12/2011. Em 1958/59, comecei a comprar terras na belíssima ilha de São Francisco do Sul. Eu e meu pai fizemos 167 compras de terrenos, pagamos, escrituramos e os registramos no Cartório de Registro de Imóveis. Entre muitos empreendimentos em São Francisco, destaco dois: O bairro de Capri (a escolha do nome foi minha, pois sou de Capricórnio e havia recém conhecido a Ilha de Capri, na Itália) voltado para esportes náuticos; ali construímos um Iate Clube, um hotel, 300 casas, e fizemos a infraestrutura necessária. Existem casas de até 65


15 milhões de reais e barcos (iates) de até 25 milhões de reais. Capri hoje é um belo cartão de visita da cidade de São Francisco do Sul. O bairro Sandra Regina (nome de minha sobrinha menos jovem), que hoje é o terceiro bairro mais populoso de nossa cidade. Por um infortúnio, fui acometido no dia 15/12/2009 pela Síndrome de Guillain-Barré (inflamação dos nervos periféricos do organismo, paralisando de fora para dentro); se não diagnosticada e tratada em até três dias leva a óbito. Felizmente, com o apoio de minha mulher, Marysa (minha eterna namorada), de meus queridos filhos Mônica e Rudi, e ainda ajudado por enfermeiros e fisioterapeutas (secos e aquáticos), estou conseguindo vencer mais esta batalha. Como é difícil depender de tudo e de todos! Já estou conseguindo dedilhar o teclado do acordeom no lado direito, pois do lado esquerdo ainda não tenho força para percutir os baixos. Sem o apoio incondicional de meus secretários não seria possível chegar onde estou. Em 2008, por convite dos acadêmicos Adauto Beckhäuser e Valdir Mendes, fui aceito e empossado nesta Academia, na cadeira nº 7, cujo patrono é Luiz Delfino. É um grande orgulho para mim estar lado a lado com confreiras e confrades tão importantes como são os outros 39 acadêmicos. Também no mesmo ano fui aceito pela Academia de Letras do Brasil, na cadeira nº 12. Em 29 de setembro de 2008, idealizei, organizei e presidi a fundação da Academia de Letras e Artes de São Francisco do Sul, da qual sou Presidente desde sua fundação. Sou muito feliz por poder conviver com pessoas de grande saber e de vivência ímpar, com colegas, confreiras e confrades da Alasfs. Sinto-me realizado pelo pouco que fiz, mas fiz prazerosamente. Feliz do elemento humano que faz o que gosta, porque o faz melhor. 66


Tenho conseguido fazer lançamentos de livros de autores componentes de nossa Academia. Acredito muito nos jovens com a experiência dos menos jovens. Experiência não se compra se vive. Tenho convicção que todos nós nascemos iguais, somos um corpo energético. Entretanto, a energia que está na parede de nossas casas só se torna uma luz que ilumina se for tocado um pequeno botão (interruptor). O Iluminado que passou aqui há dois mil anos disse que o Reino de Deus estava dentro de nós. E eu creio nisso. Depende muito de nós, do nosso interior, fazer luz que ilumina a tudo e a todos, oriunda da nossa energia. Aprendi a ganhar tempo, pois já tenho 73 anos, não posso desperdiçar um só minuto com assuntos que não sejam importantes para mim e para os outros. Daí a razão pela qual tiro três vezes ao dia alguns minutos para meditação e para agradecer e dar valor a tudo o que eu tenho, e pedir ao Supremo Criador que dê uma energia espetacular e uma luz maravilhosa para todos nós, para que só o bem nos aconteça e só o bem façamos. Que tenhamos também muita saúde, muita paz e muito bem estar. Sou uma pessoa muito simples, de hábitos simples e gosto de ser alegre, possibilitando o prazer de também tentar alegrar os outros. Minha descendência alemã e italiana (dois povos muito alegres e também muito belicosos) ajuda-me a ir sempre em frente. Minha vida tem sido como as ondas do mar, que sobem e descem, voltam a subir e sempre chegam a uma praia onde exista um porto seguro. Estou trabalhando na minha autobiografia, cujo título será “Nasci, Vivi e Venci”. Para quem me leu, meu muito obrigado. Rudi, o gaiteiro vencedor. 67


Minha acordeon, minha vida, em fotos

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Gabrielle Beckhäuser Cadeira nº: 08

Nunca é fácil traçar características tão de perto, assim, do lado de dentro. Entretanto dizem que somos aquilo que nós gostamos e, caso essa máxima for realmente verdadeira a infinidade de personalidades que tenho levaria a reforma do termo bipolar. Para começar se fosse uma estação seria verão. Ou inverno. Sou dos extremos, ou tudo ou nada, oito ou oitenta, ou meu santo bate com o seu, ou... Sou Chico Buarque, Tom Jobim, Paulinho da Viola, Tim Maia, Djavan, Caetano Veloso, Lenini, Renato Russo e Cazuza. Sou da bossa nova, do samba de raiz. Sou vinho e massas, porém por incrível que pareça de italiano só tenho a voz alta. Sou alemã por parte dos Beckhauser e portuguesa 76


pelos Viera e Martins, no entanto o chucrute e o bacalhau não entraram na minha descendência. Sou chá verde com limão espremidinho, sou sushi o tempo todo e sou pizza de alho sem me preocupar com a companhia. Sou água sempre e desde os 13 não faço parte da geração coca-cola. Sou livros de direito, vários deles. Sou cabeceira da cama com Nietzsche e Sartre. Sou Romero Britto e Monet.Sou vogue e também veja, pois a beleza passa mas o conteúdo é eterno.Sou Seinfeld, Friends e Big Bang Theory (e no meu lado criança ainda sou smurfs). Sou comédia romântica e filmes históricos, novamente a bipolaridade. Mas com certeza não sou filme de terror, não sou tanto que fujo desses sempre que possível. Sou avaiana, azul da cor do céu. Guerreira como um leão. Sou pedalada, musculação, muay thai, handebol, polo aquático e atualmente sou corrida, corrida e corrida. Acho que sou tanto corrida que nem do trabalho me desvencilho dessa. Sou direito civil, direito processual e do trabalho. Não sou política, bom, talvez a institucional. Sou tanto advocacia que poderia nascer de novo e essa ainda seria a minha vocação. Sou a risada da minha mãe, o colo do meu pai e amizade verdadeira das minhas irmãs. Sou a sinceridade do meu marido e a paixão incontrolada. Sou a ternura da Clara e a pureza da Catarina. Sou a bondade da Helena e a irmã dos meus cunhados. Sou o amor incondicional pela Luiza e a Fernanda. Sou mais sexta do que sábado, mais salgado do que doce e mais dia do que noite. Sou esmalte clarinho, rímel e blush. Sou teimosia, mas eu juro que ela é sempre necessária. Sou ciúme bobo e carinho sem hora marcada. Sou Gabrielle, mas não a Coco Channel. Sou impulso. Sou eu mesma.

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Janice Marés Volpato Cadeira nº: 10

QUEM SOU EU A Descoberta do SER Eu sou Janice Marés Volpato, apaixonada pela vida, por seres humanos e pela natureza. Considero instigante e fantástica a personalidade das pessoas e sua evolução. Por que vim para o planeta terra? Por que nasci? Até aonde vou? Existe realmente uma missão para cada pessoa? Um tempo de vida determinado? Enfim, são vários os questionamentos em relação à vida, por muitas pessoas, que poderia ser preenchida uma página ou mais com argumentos que provavelmente teria lógica. Mas, existem 78


questões que são impossíveis de se obter uma resposta concreta, principalmente sobre os quesitos da vida e da morte, mistérios que só a Deus pertence. Mas quem sou eu afinal? Aí sim é necessário procurar saber e se conhecer para poder viver com melhor qualidade de vida, pois conforme a célebre frase de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”, enfatiza o quanto é prioridade se conhecer. Existem letras de músicas, poemas, poesias, histórias e frases que abordam sobre: “quem sou eu”. Um exemplo é a letra da música de Nilton César: “Eu sou eu foi meu pai que me fez assim quem quiser que me faça outro se achar que eu sou ruim...” Realmente os pais é que fazem, que educam, ensinam e encaminham para a vida, e independente da situação, chega o momento em que é a própria pessoa que se encaminha. Faz parte do processo de evolução, e principalmente quando chega o tempo que é preciso caminhar com as próprias pernas, e começar a pensar nas escolhas é fundamental. Também observar que tipo de pensamento está processando durante o dia. Ao buscar autoconhecimento para melhorar é necessário compreender o verdadeiro sentido da vida, e não apenas “deixar a vida levar”. Todo ser humano tem sua história de vida e cada ser é único no universo. Mas, ao mesmo tempo em que as histórias diferem entre si, outras também podem ter alguma semelhança ou mera coincidência, assim como a história da minha vida pode ter episódios que coincidam com outras. A origem Meu pai nasceu em Mafra Santa Catarina, no dia 16 de março de 1924 e faleceu no dia 18 de janeiro de 1980, com 55 anos de idade. Meus avôs paternos: Santhiago Marés, natural do México e Francelina Maria da Graça Marés, natural de Mafra - SC. Meus bisavôs por parte dos pais do meu pai: Gumercindo Marés e Maria da 79


Conceição Degalhada da Luz Marés, ambos espanhóis. Meus bisavôs por parte da mãe do meu pai: Ludugiro de Souza e Antonia Carvalho, ambos naturais de São Francisco do Sul - SC. Minha mãe nasceu em Krasna na Polônia, no dia 14 de agosto de 1926 e faleceu no dia 17 de julho de 2009. Meus avôs maternos: Estanislau Wisowaty e Natalia Wisowata, ambos natural da Polônia. Meus bisavôs por parte do pai da minha mãe: João Wisowaty e Maria Wisowata e bisavôs por parte da mãe da minha mãe: José Visowaty e Maria Wisowata, os nomes coincidem , e eram todos poloneses e primos. Minha mãe veio para o Brasil em 1929 a bordo do navio Gelria. No útero A temperatura agradável e o local aconchegante proporcionavam segurança, mas me sentia como se fosse invisível, pois minha mãe não percebia minha presença. Eu estava crescendo e me desenvolvendo, quem sabe inerte ou num sono profundo? Ninguém sabia de minha existência, e menos ainda, que eu estava evoluindo e me preparando para viver no planeta terra. Três meses se passaram para que minha mãe percebesse que estava grávida. Primeiro veio o susto, a surpresa, depois a torcida para que fosse uma menina, e no dia 23 de maio de 1953 eu nasci em Mafra, Santa Catarina, e para a alegria da família a menina desejada. Meus pais já tinham o primeiro filho Jairo Eli Marés, ele faleceu com 36 anos de idade. Três anos após meu nascimento nasceu meu outro irmão que se Chama Jorge Eneás Marés e é casado com Sonia Longo Marés e têm dois filhos e duas netas. Meus padrinhos, Tadeu, falecido, e Lídia Wrubel me batizaram em Rio Negro, Paraná. Estudei no Colégio São José em Rio Negro e morei em Mafra até janeiro de 1966 quando viemos morar em São José, Santa Catarina, município que resido até hoje e divido meu tempo de lazer entre Governador Celso Ramos - SC e Imbituba - SC. 80


Mafra Meus primeiros passos ocorreram com nove meses de idade. Desde pequena era muito curiosa, peralta e desbravadora, o que não condiz com minha situação durante os três primeiros meses de gestação, pois após, estava mais para hiperativa, com muita energia. Assim que descobri o quintal, percorria todos os lotes da família, além do nosso também o dos meus tios. As casas eram cercadas por árvores frutíferas, os portões eram presos com borrachas de câmara de pneu que por serem elásticas facilitava a passagem e as tramelas não eram usadas. Muito cedo aprendi a subir nas árvores para apanhar frutas frescas e sinto o sabor como se fosse hoje. Por ser magra e leve chegava até aos galhos mais altos e finos, para apanhar gabiroba, pêra, uva do Japão, ameixa branca, maçã e outras. Não era usado agrotóxico em nada e era um verdadeiro paraíso ter o pomar saudável. Costumava brincar com minhas amigas que moravam bem próximo a minha casa, a Maria Tereza Peters, que também estudava no colégio comigo, a Silvia da Silva, e a Lorena. Além das amigas vizinhas também tinha as amigas do colégio, meus primos e primas. Andávamos de bicicleta, de carretão feito em casa, brincávamos de bola de gude, de boneca, roda cutia, trapézio, barra, esconde - esconde, pião, ioiô, bambolê, bola, escravos de Jó, jogos de ludo, gamão, xadrez, forca, mágica, baralho, barra, trampolim, bicicleta, enfim, muitas brincadeiras. Não tínhamos TV e nem computador, mas atividades o tempo todo, pois a criatividade era hábito comum. Tia Adelina, irmã da minha mãe, trabalhava com alta costura e tinha a assinatura do Jornal das Moças, revistas que despertavam minha atenção, pois os trajes eram impecáveis. Minha tia usava tecidos finos e bordados para costurar, além da máquina de costura tinha 81


duas máquinas de fazer plissê, e minha mãe costurava só para casa. Sempre tinha sobra de retalhos dos mais simples aos mais luxuosos. As filhas da tia Adelina costuravam roupas para as bonecas e aprendi com elas a usar retalhos para fazer roupas para as minhas bonecas. Ainda conservo três bonecas de porcelana e um bebê de borracha. As minhas bonecas tinham um guarda roupa bem variado, desde fantasias de carnaval, roupas de praia, vestidos de festas e até de noivas. Brincadeiras que viraram realidade, pois fiz o curso de estilista e modelagem em Curitiba Paraná e me tornei empresária no ramo de confecções atuando por dezoito anos. Também aprendi a bordar e a fazer tricô quando era criança, além de desenhar e pintar fazia utensílios de barro para brincar. Minha primeira comunhão foi na Igreja de Rio Negro - Pr. em 1962. Também fui bandeirante em Mafra. Convidava as amigas para brincar de teatro na varanda de nossa casa, pois me inspirava nas apresentações que participava e assistia no colégio onde também declamava poesias. Durante as férias escolares íamos para Ubatuba em São Francisco do Sul. Lá tinha um senhor que passava filme do Gordo e do Magro e dos Três Patetas, na parede da casa e muitos vizinhos se reuniam para assistir. Eu também gostava muito de brincar na cachoeira de Mafra, a água era limpa as pedras formavam uma linda paisagem que podemos apreciar no todo, na única foto guardada, onde está minha mãe e que foi batida em 1949. Infelizmente a cachoeira hoje está assoreada. Meu pai costumava comprar revistas, seleções, manchete, almanaque, livrinhos de bolso, coiote. Minha mãe lia fotonovelas e romances, e para nós ele comparava os gibis do Walt Disney, Mandrake e super heróis. Eu achava muito lindo os livros e revistas nas estantes, até gostava de passear com eles, várias vezes pegava alguns e saia car82


regando pela estrada de ferro da Rede Viação Paraná Santa Catarina, mas não tinha muita paciência para a leitura. Provavelmente um pouco de dificuldade de concentração, pois a mente parecia uma tela de cinema, com imagens rápidas o tempo todo e adorava inventar brincadeiras. Com a metodologia da parapsicologia aprendi a forma de como ter o domínio e o controle mental e o aprendizado sobre como obter e manter a concentração nas leituras e em sala de aula. Após este aprendizado passei a compreender o que significa para as pessoas ter dificuldade de concentração. Portanto, também uso a metodologia do Sistema Grisa para colaborar com quem apresenta dificuldades de concentração, pois a possibilidade de mudança é grande e as boas notas são consequências do uso correto das técnicas aplicadas e da compreensão e uso correto da mente humana e suas funções. Tendo a visão como canal principal de comunicação, as gravuras chamavam mais atenção. Certa vez peguei uma fotonovela da minha mãe, fiquei com medo da história que li e vi, as imagens mostravam que a madrasta jogou álcool e ateou fogo na enteada por ciúmes. A menina na condição de incapaz de se defender morreu queimada. Hoje a violência e a criminalidade, também por parte dos próprios familiares contra as crianças e as pessoas indefesas, chocam quando são mostradas por meio da mídia, e acontecem com muita frequência e se continuarem dessa forma, o risco é se tornarem banais aos olhos das sociedades, por isso também são necessárias mudanças nas leis, com medidas mais punitivas para coibir certas ações. Em torno dos seis anos de idade, assisti ao primeiro filme no cinema, foi no Cine Rio Negro. Sem a mínima noção do que era aquilo, levei um susto que quase saí correndo quando uma tribo de índios apareceu na tela correndo para um ataque, pois achei que vi83


nham em minha direção. O coração parecia que ia saltar. Depois me acostumei a assistir aos filmes, pois o cine ficava ao lado da casa da minha tia e a porta lateral ficava aberta, eu e minhas primas entravamos para assistir as matinês. Encontro com as vizinhas Era costume as vizinhas se encontrarem para um café de vez em quando, para comentarem vários assuntos, entre eles muitas histórias de assombração e visagem. Eu quase morria de medo quando elas iam a nossa casa. Mas, a curiosidade era tanta que ficava atrás da cortina para escutar, e na hora de dormir era um horror e só dormia com a luz do quarto acesa, pois via todos os fantasmas que elas descreviam. Na Rua onde morávamos tinha uma casa chamada de casa das visagens, e nós crianças altamente sugestionáveis, parávamos na frente da casa e ouvíamos o balde descer até o fundo do poço e bater na água, logo saíamos correndo e gritando. Mas a curiosidade era maior que o medo, e outros dias ouvíamos mais alguns barulhos vindos da casa, como portas batendo, coisas arrastando e também uma cadeira de embalo que se movia na varanda. Também tínhamos medo do velho corvo, apelido de um senhor que andava pelas ruas com uma capa preta até os pés e um chapéu que quase cobria o rosto. Depois de muitos anos, quando eu já tinha conhecimento sobre os fenômenos paranormais, lembrei da casa das visagens e do velho corvo. Perguntei para minha mãe sobre os fatos. Ela explicou que costumavam nos assustar com as histórias para nos proteger, pois o velho corvo, que não lembro mais qual era seu nome, poderia atacar alguém. E a casa não era mal assombrada, mas ela e minhas tias falavam que era para que não entrássemos na casa, pois poderia desabar sobre nós, ou alguém também poderia cair no poço. 84


Um dia perguntei ao Mestre da Parapsicologia Científica do Sistema Grisa, Dr. Pedro Antonio Grisa, sobre esses fenômenos. Ele respondeu que ouvíamos os barulhos por crer na existência de fantasmas e por medo, “Vemos o que acreditamos e com muita emoção a imaginação se torna fantástica”. Conforme Grisa “A Parapsicologia do Sistema Grisa, iniciou seus estudos e pesquisas buscando compreender esses fenômenos, desde casas mal-assombradas, fantasmas, aparições, levitação, visões e tantos outros. Com as descobertas e constatações da Parapsicologia Científica, de que é o próprio ser humano que desencadeia os fenômenos, surge uma nova visão e perspectiva de uma grande mudança na mentalidade da espécie humana, em sentido positivo claro”. Considerando que “A mente humana é tão poderosa que é capaz de escolher o que quer ver, como ser e como viver é claro que a maioria é de forma subconsciente”, como aborda Grisa. Portanto, é possível por meio de conhecimento aprender a comandar a mente, de forma consciente para se obter resultados construtivos ao invés de destrutivos. Ano passado estive em Mafra e conversei, sobre a casa das visagens, com uma irmã mais velha de uma amiga de infância. Ela contou que lá morava uma moça que era noiva e que foi abandonada pelo noivo antes de casar, e que ficou louca e se embalava na cadeira até que morreu de desgosto. Depois, todos abandonaram a casa que foi apodrecendo até se acabar. Em poucos anos que morei em Mafra, tenho muitas histórias para contar, agora entendo minha mãe quando lembrava e contava muitos causos de Mafra. Minha infância em Mafra foi divertida, maravilhosa e muito feliz. Não fiquei com trauma de nada, pois os sapos gigantescos, as aranhas e os fantasmas que me assombravam, eliminei definitivamen85


te com as técnicas da metodologia parapsicológica, com os métodos da reprogramação mental, por meio da compreensão, da imaginação e da repetição. Acho muito bom relembrar a infância e achar graça, mas principalmente pensar que tudo faz parte do desenvolvimento e crescimento, e lamento que poucas crianças tenham uma infância tão bem aproveitada, pois ficam presas aos recursos modernos da tecnologia sem participar do que a natureza tanto oferece. São José Apenas dá para escrever uma pequenina parte desse maior período aqui vivenciado, por isso apenas alguns dos fatos mais relevantes serão mencionados. Meu pai era funcionário do Departamento nacional de estradas de Rodagem - DNER, hoje é DNIT. Ele veio transferido para trabalhar em Florianópolis e viemos morar em São José. Na época formamos uma pequena comunidade, como uma grande família, pois o DNER construiu algumas casas em Barreiros para as famílias que vinham transferidas. Minhas amigas de maior convivência desta época: Maria da Graça conhecida como Graci, Fátima e Madalena. Também Jogávamos vôlei em Barreiros, na Federação dos trabalhadores da Agricultura do Estado de SC, - FETAESC. Estudei no Ginásio Moderno Aderbal Ramos da Silva, no Estreito. Entre as amigas da escola, formamos um grupo inseparável, eu a Estela a Silvia e a Juçara. Com 17 anos fiz um curso de datilografia e iniciei no meu primeiro emprego no escritório de Despachante Sonaglio no Estreito. Casei em 1977 com Pacelli Volpato e como já trabalhava, não via mais necessidade de continuar estudando, (santa ignorância). O empresário Sr. Moritz, diretor ORAN, confecção de roupas para bebê, convidou-me para trabalhar como desenhista, pois ele gos86


tou de um desenho meu que estava na parede do escritório. Trabalhei um ano e meio na fábrica, desenhando para as roupas que eram bordadas em ponto de sombra. Depois montei minha confecção. E com minha amiga Zenite costurávamos desde pijamas, agasalhos a vestidos de noiva. Em 1987 chegaram meus os filhos gêmeos, Laércio e Leonardo, motivo da minha maior dedicação aos estudos parapsicológicos. Tive duas sociedades no ramo de confecção, uma de pijamas e outra com roupas de lã e linha. Mas, chegou um determinado tempo que tive vontade de mudar, aprender a usar o computador e voltar a estudar, pois eu costumava dizer: “um dia faço faculdade nem que seja com 50 anos”, então parei a confecção e comecei a me dedicar aos estudos e a parapsicologia. Em 1995 fui a mentora e idealizadora do primeiro “Curso de Parapsicologia Científica Sistema Grisa para Crianças e adolescentes”. As aulas iniciaram no IPAPPI, junto com duas parapsicólogas. Depois com outras parapsicólogas os cursos se estenderam por vários locais: FAED, UDESC, UNISUL, escolas, igrejas, empresas, e associações. Em 2003 a participação no projeto e desenvolvimento da reabertura da Biblioteca Pública Professora Alice Maria Roque em Governador Celso Ramos SC. Após 13 anos sem biblioteca no município eu e minhas amigas: Ane Terezinha Madeira de Freitas, Araci de Fátima Bernardes, Lúcia Verônica da Silva, Claire Cascaes de Aquino, Elaine Santos da Silva e Lízia Zarbato Longo, do curso de Biblioteconomia da FAED – UDESC, iniciamos as atividades para o desenvolvimento do projeto para a comunidade. Fui contratada pela Prefeitura por um ano, para a organização do acervo e em 2004 a Biblioteca foi inaugurada. A ESAG Fez a doação dos moveis e conseguimos uma grande quantidade de material, por intermédio de doações para o acervo. Esta experiência está descri87


ta no artigo disponibilizado via online na Rev. ACB. Biblioteconomia em SC, v.10, n2, p221- 229, jan.,/dez. 2005, autoras: Janice Marés Volpato e Araci de Fátima Bernardes. Em 14 de março de 2004, em comemoração ao dia da poesia, consegui reunir poetas e escritores do município que foram homenageados com uma placa doada pela prefeitura. Em 2006 foi desenvolvido um trabalho com 85 crianças da Vila de Palmas em Governador Celso Ramos, onde foi utilizada a metodologia da Parapsicologia do Sistema Grisa durante quatro meses, junto ao projeto da Vera Vieira. Por esta dedicação em prol das pessoas do município fui honrada com o título de Dr. Honoris Causa da Academia de Letras do Brasil. Alguns Diplomas e Certificados Em 1979, Diploma do Curso MIND CONTROL INSTITUTE INC. LAREDO, TEXAS, Curso de Controle Mental. Alguns anos depois o curso mudou o nome para Associação Azul, depois Desenvolvimento e Orientação Mental – DOM, ainda participo quando é possível, a última participação foi no seminário na Costa do Sauipe - BA em 2010. Em 1983, primeiro Certificado do Curso de Parapsicologia e Controle Mental. Em 1984, Dr. Pedro Antonio Grisa funda o Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico Ltda. IPAPPI. Neste período dividia meu tempo entre as aulas e cursos de parapsicologia, a família e a confecção. Durante muitos anos participei de todos os cursos e seminários apresentados no IPAPPI. Em 2002, Diploma do Curso de Parapsicologia Clínica do Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico. Em 2003, Diploma de Bacharel em Biblioteconomia, Biblio88


tecas Especializadas e Universitárias, da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Lembrei da minha afinidade com os livros quando era criança e que achava lindo nas estantes, e para confirmar o poder da palavra me formei com 50 anos de idade, assim como costuma falar. Em 05 de junho de 2004, Certificado de membro da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, ocupando a cadeira de número 09 e tendo como Patrono o Ilustre Sr. Francisco Pedro da Costa. Evento realizado na Biblioteca do município. Em 2006, Pós-Graduação em “Metodologias de Atendimento da Criança e do Adolescente em Situação de Risco” – Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Monografia: “A Parapsicologia Sistema Grisa como Alternativa de Intervenção para Prevenção Ao uso de drogas, à Criminalidade e Dificuldades de Aprendizado.” Em 2006, Certificado do Curso de Mediação e Arbitragem do Centro Catarinense de Resolução e Conflito. Foi desenvolvido um trabalho voluntário como mediadora na Vara da Família e da Infância no Fórum em Florianópolis – SC. Em 15 de dezembro de 2006, Diploma de Acadêmica da Academia de Letras de Biguaçu, ocupando a cadeira de número 10 e tendo como Patronesse a Ilustre Imortal Senhora Alaíde Sardá de Amorim. Academia de Letras do Brasil/SC. e da Associação dos Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis. Em 2007, I CONGRESSO DAS ACADEMIAS DE LETRAS E DAS ASSOCIAÇÕES DE ESCRITORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA; em 2008, II CONGRESSO; e em 2009, III CONGRESSO. Em 2011 Diploma como Membro Imortal da Academia de Letras do Brasil, título: Doutora em Filosofia Universal. Ph.I- Filósofo Imortal – Honoris Causa – Academia de Letras do Brasil. 89


Publicações Participação na III Jornada Acadêmica de Produção Científica sobre Crianças e Adolescentes – UDESC - artigo: “Parapsicologia Sistêmica: na prevenção e intervenção contra dependência química e agressividade”. Editora Cidade Futura. Em 2002, I Jornada Acadêmica de Produção Científica sobre Crianças e Adolescentes – UDESC: “Educação Parapsicológica para Crianças e adolescentes”, Resumo, Editora Cidade Futura. Em 2005, Artigo de Revista em co-autoria com Araci de Fátima Bernardi: “Biblioteca Pública Professora Alice Maria Roque no município de Governador Celso Ramos – SC”. Em 2006, Monografia: “A Parapsicologia Sistema Grisa como alternativa de Intervenção para prevenção ao uso de drogas, à criminalidade e a dificuldades de aprendizado” - UDESC. Em 2008 – “Jornal a Cidade – Governador Celso Ramos”, Coluna: “Pescadores”. De 2006 a 2013: “Jornal Fique Esperto” – São José. Coluna: “Janice Marés Volpato”. No prelo a obra intitulada “Alaíde a Imortal” em co-autoria com Dalvina de Jesus Siqueira (Estrela) e Osmarina Maria de Souza (Luzmarina). Participação em Antologias “Encontros da Primavera”, Academia de Letras de Governador Celso Ramos: “O Gancheiro e a sua Tradição”, 2007. “Trajetória”, Academia de Letras de Biguaçu: “Lapidar a Essência Humana”, 2008. “Alvorada de Inverno”, AEGF: Comunicação Telepática salva família no mar, 2009. “Tijucas de todos os encantos” AEGF: “Mistério no Rio Tijucas”, 2012. “Santa Catarina meu Amor”, ALB: “Marianna”, 2010. “Os Quinze Anos: 1996 A 2011”, ALBG, “Farol do Arvoredo”, 2011. “Luz do Amanhecer”: “Palmas para o Ser Sol” Org. Miguel João Simão, 2012. “Academia de Letras de Biguaçu: Fazendo História”, ALBG: “Lar do Idoso”. 2012. 90


Atuação, colaboração voluntária Atendimento Parapsicológico na casa Paroquial Sagrados Corações, em Barreiros São José - SC. Organização das Bibliotecas das Academias de Letras: Biguaçu e Governador Celso Ramos. Colunista do Jornal Fique Esperto de São José, SC. A colaboração para melhorar a qualidade de vida das pessoas alegra minha alma, pois faço com muito amor. Seja no trabalho voluntário com crianças e adolescentes possibilitando maior facilidade no aprendizado, nos estudos, nas leituras e no controle das emoções, tendo como resultado as boas notas, o entusiasmo e a diminuição da manifestação de violência e da agressividade, ou com pessoas adultas para eliminar traumas, fobias, indecisão, ansiedade e depressão. São maneiras que encontro para participar da evolução do Ser Humano de forma solidária e gratificante. AMOR Por amor te atendi Estendi minha mão! Quando mais precisei, Muitas mãos estendidas No caminho encontrei. Mesmo que obtenha ajuda, Deixe fluir a energia do amor A força vem da alma, é sua. E quando encontrar a solução, O mérito é caminhar por si próprio. Janice Marés Volpato E-mail: jamarv@gmail.com 91


William Wollinger Brenuvida Cadeira nº: 11

QUEM SOU EU Um, dois, três, quatro, cinco, seis… …sete. São sete os pecados capitais e sete as virtudes divinas. Entre as quais, a paciência, a caridade e a humildade. São sete as cores do arco-íris e dos chakras metafísicos. Nos Açores, donde proveio parte dos meus, há tal lenda das Sete Cidades. São sete os mares e os sacramentos, também as notas musicais. Há sete dias na semana, e Deus escolheu um para o descanso; e sete são as cabeças da Hidra de Lerna, por alguns, pior que o próprio demônio. São sete os sábios da Grécia, e também as virtudes humanas. Entre elas: a esperança, o amor e a justiça. Há sete belezas no mundo antigo e outras sete no mundo moderno. William tem sete letras, provem do teutônico e 92


significa guardador zeloso. São sete os meus contos da resistência, publicados em 2012. E sete são as páginas limites desse trabalho biográfico. A Academia de Letras de Biguaçu, de modo irreverente, inova: o acadêmico vai apresentar um pouco de si e suas obras. Há! São sete as artes. Entre elas, aquela que eu mais aprecio: a Literatura. Antes, o eu… A palavra “eu”, diminuto termo da língua portuguesa, tem origem, quem sabe, no latim “eo”. A união de duas vogais forma um pronome pessoal, masculino, da 1ª pessoa do singular. O lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda diz, em seu Novo Dicionário da Língua Portuguesa, que o “eu” é a personalidade de quem fala; e a individualidade metafísica da pessoa. Uma digressão no tempo, e nós vamos compreender que o “eu”, em grego, como prefixo, substitui o “ev”, em palavras como evangelho, por exemplo, e por uma razão muito simples: o “eu” está relacionado aos termos “bem” e “bom”. Quando sufixo, o “eu” nos dá a dimensão de origem: “judeu”, “europeu”, “fariseu”. Para responder a indagação que a antologia me faz, eu preciso, porém, ir mais além. No preâmbulo de “7 contos da resistência”, nossa terceira obra literária, eu citei o pensamento do polímata bengali Rabindranath Tagore: “A vida é apenas a perpétua surpresa de que eu existo”. O eu é um desafio existencial. O “eu” está sempre associado ao pensamento. E o pensamento, de acordo com Jiddu Krishnamurti: “é tempo, tempo é movimento, e o tempo é mensurável”. Ir além do “eu”, do “pensamento” e do “status quo” para a consciência expandida. O “eu” é sempre o ego. O ego é antes de tudo, mero conteúdo, uma confluência de histórias pessoais. É por isso, que o eu constante é uma ilusão.

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“Quando nasci e vi a luz/Não era nenhum estranho neste mundo/Algo inescrutável informe e sem palavras/Aparecem na forma de minha mãe./ Assim, quando eu morrer, o mesmo desconhecido/Surgirá novamente/ Como sempre o conheci…” (Tagore) QUEM SOU EU? (ensaio para um trabalho biográfico) Fizeram de tudo para que eu nascesse em 14 de junho de 1979, aniversário de meu avô materno. Há quem diga que ninguém nasce ou morre antes do tempo. Nasci no começo de uma tarde cinza e fria de outono, às treze horas, do dia dezessete, na maternidade Rudge Ramos, perto da Praça dos Meninos, em São Bernardo do Campo. Tinha pouco mais de três quilos, com cinquenta centímetros. O Rudge Ramos é o maior bairro urbano de São Bernardo do Campo. Antes, apenas Os Meninos – onde se supõe, os bandeirantes deixavam os filhos havidos fora do casamento. Parte dos meus ancestrais do Vêneto, em 1877, começou ali, uma história de resistência. Antes de eu chegar, meu avô materno partia. E esconder aquele fato de minha mãe foi tolice. Na mão dela crescia uma ferida. Toda despedida é emocional, também a chegada. A vida é plataforma, meta não medida. E minha mãe foi original na dor, de uma coragem ímpar. Tinha que extrair a calosidade, e fez isso sem anestesia. O instinto materno impediu que qualquer droga agisse. O parto deveria ser normal, mas foi cesariana. Conselho de médico que sempre diz saber tudo. Como reflexo, na infância a bronquite e a bronquiopneumonia. Meu pai entendeu que meu nome deveria ser Francisco José, em homenagem aos meus avôs materno e paterno. Minha mãe decidiu por William, seguindo uma mania teimosa do meu avô materno em fechar questão por nomes estrangeiros. Meu primeiro ato de resistência foi uma convulsão febril que pediu um tratamento até os sete 94


anos de idade. Venci e segui. O problema de saúde a passagem não abreviaria. Nasci na estação das folhas caídas. Quando eu cheguei, em 1979, muita gente retornava do exílio. O ABC Paulista era sacudido por movimentos de protesto contra a ditadura militar; e o Corinthians era campeão paulista pela segunda vez depois da quebra do jejum, em 1977. A convulsão deu-me uma memória invejável. Em alguns flashes de memória… Meu bisavô Francisco em uma cadeira de balanço, lá na casa antiga de Biguaçu, rodeado de objetos que o avô dele trouxera da Alemanha; as mãos calejadas de meu avô paterno e as histórias lindas de um tempo de muitas lutas; o carinho de minha avó paterna, indispensável aos meus primeiros tempos de luta pela vida. Em nosso primeiro televisor a cores, um Mitsubishi adquirido por ocasião da Copa do Mundo de 1982, eu assisti a derrota do Brasil para Itália, o palanque das Diretas e as Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. A primeira imagem marcante de Santa Catarina em minha memória foi a enseada da praia do Estaleirinho e pequenas outras reentrâncias, a partir da visão que tive do Morro do Boi, já em Itapema, quando viajamos com um ônibus da autoviação Nossa Senhora da Penha de São Bernardo do Campo para Ganchos. Aprendi a ler e a escrever e fui matriculado, aos cinco anos, na Escola Municipal de Educação Infantil, Rui Barbosa, na Vila Duzzi, em São Bernardo do Campo. Um ano depois, fui transferido para a escola Antonio de Lima, no Jardim Silvina, onde morávamos. A socialização foi deveras importante. No Rui Barbosa aprendi a me defender. Meu primeiro amor foi Cibele, filha da professora Selma. O ensino regular foi realizado na Escola Estadual Maria Iracema Munhoz. Iracema era como nós chamávamos o antigo Grupo Escolar São Bernardo, próximo ao Casarão do Alferes Bonilha, na Praça Lauro Gomes. Lá eu fiz do 1º ano do primário ao 3º ano do colegial. Eu de95


testava tanto aquele lugar que o amava incondicionalmente. Tristeza foi quando lá voltei em 2011. O palco de teatro havia sido destruído para ampliação do refeitório. Meu irmão nascera em 1980, e eu lhe atribui a alcunha de “Ton”, diminutivo carinhoso para a dificuldade em chamá-lo de Wellington, nome inglês carregado de consoantes, mesmo para nossa pronúncia com erre retroflexo. Em 1984, a casa se enchia de alegria com a chegada da menininha do papai. Minha irmã, Caroline, trouxe luz ao período de muita tristeza em nossa casa com a doença e falecimento do vô Zé, em 1985. Ele chorou muito ao saber que não poderia ver a neta. Homem de fibra aguentou tamanha dor física que deu sentido ao silêncio. Recebi orientação católica. Minhas catequistas, em Ferrazópolis, na Capela de N. Sra. de Fátima, foram Dona Zezé e Neide, de quem guardo saudade e carinho. Um evangelho de libertação abriu meus olhos. Fiz Crisma e participei do grupo de jovens Fanuel, idealizado pelo padre Reinaldo Scrócaro, na Matriz de N. Sra. da Boa Viagem. Na escola acompanhei um movimento estudantil fragmentado após 1984. As aulas de história, no ginásio, impediram que um alienado surgisse. Fui descoberto por um professor de literatura que enxergou poesia em minha narrativa em prosa. A escola perdeu o texto! Da adolescência à fase adulta foram os movimentos ambientalistas, ecologistas e da espiritualidade que me posicionaram com as lutas sociais, indigenistas e com o coração do planeta. E eu que nasci na pavlistarvum terra matter, a cidade mãe de todos os paulistas fui radicar meu traço literário em terras catarinas. Ao estudar minhas origens descobri na genealogia forma de auxiliar a busca por meus antepassados. Graduado em direito e especialista em Processo Penal, defendi: as monografias: “Trabalho Penal: fator de autoestima, valorização 96


e inclusão social do condenado” (2005); e “Tortura como meio de prova: aspectos da lei 9.455/97 (lei da tortura) (2008)”. Em 2013, em jornalismo, veio o TCC: “Peregrinos da Cura: tratamentos complementares de saúde no Núcleo Espírita Nosso Lar”, que rendeu uma grande reportagem impressa. Filiado ao movimento das academias de letras sou membro da Academia Parano-catarinense de Letras/SC/PR; Academia de Letras de Biguaçu/SC; da Oficial Academia Tijuquense de Letras/SC; da Academia de Letras de Gov. Celso Ramos/SC; e membro-correspondente da Academia Cabista de Letras/RJ. Publiquei: “O menino e as estrelas” (2003); “Luz lembrada – jyoti” (2007); e “7 contos da resistência” (2012). Participei de diversas antologias de prosa e poesia. Em 2005, representei o Estado de Santa Catarina na 1ª Conferência Nacional da Cultura, em Brasília/DF; e em 2012 recebi uma menção honrosa por trabalhos prestados a cultura literária, no Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (InBRASci), na cidade do Rio de Janeiro. Membro do Coletivo Catarinense: Memória, Verdade e Justiça que debate temas relacionados ao regime militar; também desenvolvi trabalhos socioambientais: a implantação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Gov. Celso Ramos/SC (APAE); o Movimento Ação e Cidadania de Canto dos Ganchos (1999-2003); e a Associação de Preservação do Meio Ambiente de Gov. Celso Ramos – Apremag. Lecionei na rede pública municipal e estadual. Disputei três eleições para vereador (2004/2008/2012). Diretor de Saneamento Básico (2005-2007) e assessor parlamentar na Assembleia Legislativa Catarinense (2011-12) Atualmente, Secretário Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano, e Meio Ambiente de Gov. Celso Ramos. 97


No segundo semestre de 2009 fui premiado com o blog “Mosaicosderua.com”. Colunista do jornal A Cidade – Governador Celso Ramos sou correspondente, no Brasil, para o site Graciosa Online, de Santa Cruz da Graciosa, nos Açores. Artigos e crônicas nos /blogs: Redação Itinerante e Dies Venit. Breve genealogia Paterna: Valentim e Josepha Zimborski eram pais de Andreas e Mariana. Andreas uniu-se a Eva Premebida, filha de Vazil e Maria, e irmã de Julia, Sophia, Anna, Michalé e Catharina. Meu avô registrado José Brenuvida se casou em 1933 com Dalgisa Costa, filha de Domingos Costa e Maria Rocco, e neta de Coriolano Cavitioli Costa e Rosa Stortti, e de Francesco Vittorio Rocco e Elizabeta Pezzotto. Os italianos chegaram em 1877 e 1887; os eslavos em 1890. Daí veio meu pai, Adilson Domingos Brenuvida, em 1950. Materna: Michael Wollinger, da Boêmia austríaca (1715) é a nona geração de minha mãe Elizabeth (1952). Cristoph, Wirrer, Pongratz e Kieslinger são sobrenomes que meu tetravô Georg trouxe ao Brasil, em 1873. Uniu-se o bisneto dele Francisco Wollinger Filho com Maria Cerina da Silva, que tinha ascendentes nos Açores. O precursor foi Simeão Eustáquio de Alves, da Ilha Terceira. O bisavô de minha mãe Bernardino Antonio Narcizo (Furtado) casou-se duas vezes. Com Regina, e depois com Adelina: primas de Leoberto Laus Leal e descendentes de Modesto (Leal) Nunes, médico de Dom José I, rei de Portugal em 1765. Somos também: Franken e Bayer.

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SONETO COM PEDAÇOS DA VIDA Sou da estação das folhas caídas em vento de quase inverno. O sangue peregrino vingou-despertou em terra tupiniquim, no instante que a democracia retornava do exílio-inferno. Cresci, na terra de Tibiriçá e Ramalho, aprendiz-estopim. Discípulo das letras que reconfortavam e enchiam de regalo, insurgi-me aos que multiplicavam e dividiam os desgraçados. Desde sempre, dos números, fui cativo-estúpido, açoitado. Números! Cifras traduzidas dos hindus aos arábicos. Deixar a terra de meus antigos, na passagem à fase adulta, não foi e nunca esquecer, macular e desdizer o berço. Quis eu a alforria do espírito, e porque a luta perdura. Irmão das letras e sentimento, lugar-tenente e loquaz. Poemas, balança e espada, natureza, alma em movimento… Renasci na Rerityba Guarani, em Ganchos: céu, vento e mar.

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Angela Regina Heinzen Amin Helou Cadeira nº: 12

QUEM SOU EU Nasci em Indaial, a quarta filha de Pedro João Heinzen e Petronila Marta Schmitt Heinzen. Somos seis mulheres e três homens, na seguinte ordem de nascimento: Adélia, Tadeu, Leonida, eu, Luiz Fernando, Rita de Cássia, João José, Lúcia Helena e Maria Cecilia. Tive uma infância muito rica de experiências e de oportunidades. Frequentei o Jardim de Infância Santa Terezinha, vinculado à 100


igreja católica em Indaial, alternando, por um pequeno período de estada em Gaspar, o Jardim de Infância São José, onde vivi com o vô Zeca, tia Iria e tio Arno, estes irmãos de minha mãe, que ainda eram solteiros. A tia Iria nunca casou e o tio Arno casou com a tia Maria Schramm. Minha estada em Gaspar foi por um período curto, mas com muitas aventuras. Além de frequentar o jardim de infância, fui companheira da tia Iria, que, talentosa costureira, ia sempre a Blumenau, comprar aviamentos e tecidos, ou visitar suas clientes para provar os trajes. Uma das clientes que lembro bem foi a Muche, mãe da Ivone, esposa do Rubinho, do Hotel Maria do Mar, ambas clientes, que moravam em Balneário Camboriú. Um episódio fruto desse pequeno período vivido em Gaspar, eu vivenciei numas das campanhas do Esperidião em Blumenau. O tio Valdir, que nos ajudava politicamente, na região, sugeriu que visitássemos um líder na Itoupava Central, que tinha sido motorista da linha Blumenau - Gaspar nessa época. Durante nosso contato, ele comentou as viagens da tia Iria, feitas em ônibus por ele dirigido. E lembrou de uma sobrinha que viajava com ela, muitas vezes pedindo para ele esperar um pouco eis que ela estava chegando ao ponto de parada do ônibus. Ficou muito feliz ao saber que essa sobrinha era eu. Abraçou- me como se tivesse encontrado um grande e velho amigo. Voltei para Indaial graças a uma artimanha do meu pai. Ele percebeu que a tia Iria, solteira, estava se apegando a mim e vice versa. Foi a Gaspar me buscar com a justificativa de que tínhamos que ir a Urubici, fazer uma visita ao seu pai, que estava doente. A tia insistiu no pedido de que, depois da viagem, eu retornasse. É claro que isso não aconteceu. Uma marca de nossa infância eram as viagens de trem, em geral a Gaspar, onde passávamos o Natal e o aniversário do vô Zeca, que coincidia com o Dia dos Pais. Da estação, em Gaspar, íamos de 101


carro de mola até a casa do vô; esse era o táxi da época. Lá, passávamos o dia com os demais primos. O almoço era “no capricho” e a mesa de sobremesa e o café da tarde contavam com as inúmeras tortas, todas feitas pela tia Íria. Outras viagens de trem que fazíamos com frequência era para IBIRAMA, visitar a tia Acelina Heinzen, uma das irmãs do pai que era religiosa, da Congregação Franciscanas de São José, ela era radiologista do Hospital Miguel Couto, morreu em Angelina. Brincávamos o dia todo nos jardins do Hospital e o que mais nos chamava a atenção era o elevador para levar a comida dos pacientes nos diversos andares do hospital. Esse elevador ainda existe, o prédio funciona, ou funcionava como Unidade da Educação do Estado da região. O pai tinha mais quatro irmãs religiosas, a tia Herondina, tia Maria, tia Julita, estas ainda vivas, e a tia Cecília que faleceu em Curitiba. Outros momentos inesquecíveis de nossa infância eram propiciados pelas passagens de Dom Daniel Hostins, Bispo de Lages, pela nossa casa, quando de suas viagens a Florianópolis. Invariavelmente, seu almoço fazia com que o dia fosse de gala. A mãe, sua querida sobrinha, tinha uma toalha de mesa, adamascada, engomada por ela de maneira impecável, que só era usada no dia do almoço do Dom Daniel, padrinho de batismo da Adélia, nossa irmã mais velha, que nasceu em Lages. Tínhamos na família, ainda, Dom Carlos Schmitt, primo da mãe que exerceu suas funções no Mato Grosso, e o Frei Elzeário Schmitt, primo da mãe, cuja dedicação ao aprimoramento do aprendizado da língua portuguesa, além da missão de evangelizar, o notabilizaram. A Escola Primária que frequentei foi o Grupo Escolar Raulino Horn, cuja diretora era minha mãe. Boas lembranças dos professores, principalmente do Sr. Hermínio e de dona Dominga Lanznaster, que 102


eram casados e responsáveis pelo cuidado e limpeza da Escola. Seu zelo é motivo de boas recordações até hoje. Escola limpa, encerada e florida, com um misto de cheiro – cera, grama cortada e rosas - é o que me vem à mente. A merendeira, dona Maria Martins, era um primor no bem tratar da nossa merenda: o sabor da sopa e do toddy servidos era especial. Não lembrar dos primeiros professores é ingratidão. A professora Lia Lanermann me alfabetizou. As professoras Lea Inês Zimermann Koerich, Dona Rose Wolf, Tia Eligia Rauh, Mirian Schroeder Saut e Mariana Petters completam o plantel de inesquecivelmente amorosas e dedicadas professoras. Belas lembranças e ensinamentos proveitosos, de acordo com a característica de cada qual. Um episódio vivido nessa fase foi marcante em todos nós. Eu tinha sete anos de idade, quando recebemos em casa tia Nilda Pamplona, trazendo consigo Chico e Luciano, seus filhos para passar uns dias de férias conosco. Era fevereiro. Na noite em que chegaram, brincamos até tarde, na rua, como era nosso hábito, pois não existia televisão na época. Ao nos recolhermos, o Luciano, que tinha cerca de sete anos de idade, sentiu-se mal, vindo a falecer. Imaginem nosso trauma por vivenciar uma situação tão inédita quanto triste. É impossível esquecer! Eu estava ainda no então chamado primário (primeiras quatro séries do ensino fundamental), em Indaial, quando os três irmãos mais velhos, Adélia, Tadeu e Leonida, foram “estudar fora”. Adélia e Leonida foram para o internato do Colégio em Canoinhas, onde minha mãe tinha estudado, e o Tadeu foi para o Seminário de Rio Negrinho. Passei a assumir o papel de “mais velha”, com responsabilidade nos cuidados da casa e atenção aos irmãos mais novos, já que os pais trabalhavam. A nossa casa era o ponto de encontro dos amigos e vizinhos, 103


pelo fato de a mãe trabalhar o dia todo. “Aprontávamos” bastante e a senha para encerrar os folguedos do que se chamava “bagunça”, era o sinal de saída dos operários da empresa em que nosso pai trabalhava. Como ele saía pouco depois, o aviso nos dava o tempo de deixar a casa em ordem e a janta encaminhada. Eles nem desconfiavam das brincadeiras que tínhamos “aprontado”. Em 1963, com o fechamento dos internatos, a Adélia e a Leonida retornaram para casa e passaram a estudar em Blumenau, no Colégio Sagrada Família. O Tadeu foi para o Colégio Santo Antônio. Terminando o primário, também passei a estudar no Colégio Sagrada Família. Dois anos após, o Tadeu ficou muito doente. O diagnóstico foi osteomielite. Os gastos da família com colégio, ônibus e o tratamento do Tadeu, com várias cirurgias em Blumenau e Curitiba, complicaram as finanças da família. Como para o pai e a mãe os estudos eram a prioridade, uma decisão foi tomada. Precisávamos ajudar o orçamento da casa. Adélia passou a lecionar no Colégio e a mãe, já aposentada da escola,  Leonida e eu passamos a e bordar para fora. Bordávamos roupas de bebê para as Malharias Cisne e Diana. Foi a forma que encontramos de ajudar a pagar o Colégio e nossas despesas pessoais, próprias de adolescentes.  Há poucos anos, numas de nossas idas a Timbó, para o enterro de Orlando Mueller, tio do nosso amigo Johann Mueller (Perú), tive a grata satisfação de encontrar o seu Heinz Curt Starch, marido de dona Vilma, que era quem nos orientava a respeito do trabalho a ser feito. Ele e eu ficamos muito felizes em nos rever. Quando precisávamos de roupas, para festa, por exemplo, a tia Coca (Claudete Reinert, irmã da mãe) era procurada para ajudar-nos. Retribuíamos, colaborando com a nossa “mão de obra quase qualificada” na confecção de roupas encomendadas a ela. Eram serões muito 104


bons, em que a solidariedade e a alegria nos faziam, com a ajuda do sempre bem humorado Tio Valdir e sua irmã - a tia Rosa, adentrar a noite, rindo bastante. O resultado prático era que assim, fazíamos por merecer uma roupinha nova, feita pelo conjunto das nossas mãos. Outra oportunidade de festejo que o pai e a mãe garantiram para as seis meninas, foi a respectiva festa de 15 anos, com o Baile de Debutante. Fico imaginando o esforço deles para garantir que nós seis pudéssemos “debutar”. Quando chegou a minha vez, fiquei vários dias na casa da tia Coca, para ajudar, e assim ganhar meu vestido. Plissei toda a renda sob os olhos exigentes da tia e fiz vários outros serviços para ajudar a pagar o vestido. É lindo. Ainda tenho esse vestido, sempre bem cuidado. Para minha alegria, a Maria, minha filha o usou como vestido de noiva no seu casamento neste ano. Foi pura emoção para mim, para minha mãe e para a tia! E um pouquinho de vaidade, pois os retoques necessários foram mínimos!... Outra lembrança boa que tenho dessa fase eram as viagens de ônibus, entre Blumenau e Indaial. Iniciei fazendo as viagens pela estrada velha como era chamada, sem asfalto. Quando fazia sol, a poeira era um horror. Quando chovia ou furava um pneu, o que não era raro, ficávamos na estrada por horas. Quando a mãe viajava para reuniões ou cursos em Florianópolis, o pai ficava responsável por nos acordar e preparar o café e lanche. Como a preocupação era grande, para não perdermos o ônibus, muitas vezes éramos acordados uma ou até duas horas antes. Chegávamos ao ponto de ônibus muito antes da hora e, então, voltávamos para casa para esperar a hora certa. O exagero da preocupação com relação o horário virava gozação. Quando a BR 470 foi inaugurada, o percurso para Blumenau virou só alegria. A novidade era poder viajar em rodovia asfaltada! Nossa vida foi bastante facilitada. Não precisávamos mais levantar tão cedo e sem dúvida as viagens eram bem mais tranquilas. 105


O interessante acontecia com a minha irmã Lúcia. Em dias de chuva, não queria ir pela BR 470. Tinha medo. Preferia ir pela estrada velha, que para ela era mais segura. Outra fase rica em aprendizado foi a da organização da formatura do segundo grau, no Colégio. Assumi a coordenação da comissão. Vários eventos foram realizados para arrecadar recursos, pois um dos objetivos era custear uma viagem para o grupo. Tendo pedido ajuda, fomos para Florianópolis para termos uma audiência com o hoje meu grande amigo Governador Colombo Machado Salles. Com a participação do Deputado Aldo Pereira de Andrade, conseguimos o auxílio financeiro pleiteado. Foi uma grande alegria para o grupo. Com essa ajuda, conseguimos ir até a Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Foram 20 dias de muito boa convivência. Com uma gestão marcada pela economia, sobraram recursos, o que nos permitiu fazer mais uma viagem, desta vez, para Foz do Iguaçu. Concluído o segundo grau, a busca pelo curso superior passou a ser meu. Em dezembro de1972, que vim para Florianópolis para prestar o vestibular. Aprovada, tratei de procurar a forma de me sustentar. Graças a uma grande amiga, mais ligada na época à Adélia, Célia Freiberger, que trabalhava na TELESC (Telecomunicações do Estado de Santa Catarina) e no ITAG (Instituto Técnico de Administração e Gerência), órgão de pesquisa da ESAG, fiquei sabendo da possibilidade de vagar o cargo de responsável pela documentação da escola, na época denominada Didática. Fiz o teste seletivo e fui aprovada, vindo a suceder a Suzana Fontes, que casava, então, com o jornalista Sérgio da Costa Ramos. Foi assim que, a partir de 15 de janeiro de 1973, iniciei minha atividade profissional na ESAG, iniciando, logo depois, o curso de Matemática na UFSC. Foi na ESAG que conheci o então professor Esperidião. 106


O primeiro encontro fora da escola, isto é, fora das atividades profissionais foi resultado de uma aposta entre ele e o professor Carlos Wolowski Mussi, sobre quem venceria a disputa para participar do campeonato nacional de 1973. Deu Figueirense, time do Mussi. O Esperidião tinha que pagar um jantar, para convidada Célia e testemunha da aposta. Quando marcaram o jantar a Célia perguntou se eu não a acompanharia pois não queria ir sozinha. Assim, fomos jantar no Plaza Itapema, para nossa surpresa o restaurante do Hotel Plaza quando lá chegamos estava fechado. Decidimos jantar em Blumenau, no restaurante Frohsinn, que foi alcançado aberto. O jantar seguinte, aí sim, no restaurante do Plaza Itapema, foi em 26 de novembro de l973, data inicial de uma convivência de 40 anos a completar esse ano. O noivado também contou com o “fator” derrota do Avaí. Era maio de 1975, mês das mães e aniversário da Maria Cecília, nossa irmã mais moça, que permaneceu em Indaial. No domingo dia 4, lá estava eu, quando no início da tarde, o Esperidião liga comunicando que me apanharia em Indaial, na volta de Joinville, onde tinha ido assistir ao jogo Avaí x Caxias. Disse ao seu companheiro de viagem, nosso amigo Alfredo Fernandes, já falecido, que se o Avaí perdesse ele noivaria comigo. As alianças estavam no porta-luvas do fusca. Acho que posso concluir este relato reafirmando o que diz o Miguel Livramento: “Esse Avaí faz coisa!”. O Esperidião assumiu a Prefeitura Municipal de Florianópolis, em agosto de 1975. A tensão dos primeiros dias desse desafio com que passássemos semanas sem nos ver, mesmo morando na mesma rua e trabalhando a alguns passos de distância. Casamos em fevereiro de 1979, depois de sua eleição a Deputado Federal. Dois episódios curiosos marcaram nosso casamento. O Paulo Dutra, fotógrafo do nosso casamento civil, que contou com a animadíssima presença do Juiz de Paz Hypólito do Valle Pereira, e 107


do querido Frei Junípero Beier, nunca nos entregou as fotos, alegando que sua máquina fotográfica havia sido roubada. O casamento na igreja, realizado em 16 de fevereiro, em Indaial, teve que ser relocado para a Igreja Luterana porque uma semana antes ocorreu um incêndio na Igreja Matriz Santa Inês. O padre que celebrou nosso casamento foi Frei Wilson Steiner, diretor do Colégio Santo Antônio, no qual a maioria de nós estudou. Dessa união tivemos João Antônio Heinzen Amin Helou, formado em administração pela ÚNICA, com mestrado na UFSC, hoje Vice-Prefeito de Florianópolis, Maria Heinzen Amin Helou, publicitária formada pela UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina), com especialização na ESPM/SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing, São Paulo), hoje finalizando o curso de Direito na UNISUL, e Joana Heinzen Amin Helou, formada em arquitetura pela mesma UNISUL. Excluo deste relato os preciosos fatos e fascinantes observações que a atividade e a vivência política ensejaram, como Vereadora, Deputada Federal e Prefeita da Cidade que me acolheu, Florianópolis. Hoje, estou empenhada na conclusão da minha tese (Doutorado) no programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC. Posso dizer, portanto, que estou viva, vivendo e fazendo o que gosto!

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Zaida Barreto R. Fernandes Cadeira nº: 13

QUEM SOU EU O que vejo e o que sinto da vida, isto sou eu. Nasci na cidade de Tubarão-SC, em 05-04-48. Fui criança inquiridora, embora um tanto tímida. Depois de meu irmão (primogênito), após dois anos, cheguei. Muito miudinha, mal chegando a dois kg, mas, segundo minha mãe, com nove meses já caminhava e também cedo comecei a falar; tão logo aprendi a escrever, senti forte gosto pela escrita, deixando em segundo plano a matemática. Á princípio não me dava bem com os números. Mais tarde, no tempo do ginásio, entendí, finalmente a matemática. Tinha ótimos professores, sendo alguns, um tanto abusivos em sua autoridade. 109


Havia uma professora de matemática, que achava que sua matéria era o auge das ciências. Dizia ela: “desde que uma criança nasce, a primeira coisa que se seguia, era a matemática. Por quê? “Que horas são?” –“ Quanto pesou o nenê?” Um dia me irritei e disse que descordava. A primeira coisa que o bebê faz quando nasce, é chorar. E isso é comunicação, é linguagem. “E se não chorar?”, retrucou uma colega. – Ainda assim, é comunicação: então comunica que algo está errado. Não, está bem, insisti. Desta minha audácia em contradizê-la, naquele mês, levei vermelho no boletim e um grande sermão em casa, pois meu Colégio era particular. Hoje, graças a Deus, sabemos o quanto é importante a Linguagem. Durante o curso primário, fui tachada de aluna “atrasada”, por causa da matemática. Por sorte não criei bloqueio, prejudicando-me nos anos sequentes. No Ginásio superei esta dificuldade, de tal forma que não precisava fazer provas finais em Português, Matemática, Inglês e Francês, que na época faziam parte do Currículo. Até à oitava série, estudei no Colégio São José, administrado pelas Irmãs da Divina Providência. A seguir comecei a trabalhar durante o dia como Auxiliar de Escritório e passei a estudar à noite. Fiz um ano de Contabilidade e dois anos de Magistério. Em 1970 fui aprovada no vestibular para Humanas (Letras e uma Língua Estrangeira). Devido a grande dificuldade financeira, não concluí o Ensino Superior 110


Mais tarde, estudei Francês na Aliança Francesa, pois tenho grande simpatia por este idioma, bem como a cultura de seu povo. O que vejo e o que sinto da vida, sou eu, nos meus versos, com seus ritmos próprios, suas cadências, vibrações, severidades, belezas, liberdade de expressão, urgência, etc. O que vejo e o que sinto da vida, sou eu, como acontece nos meus diversificados poemas. Meu pai trabalhou durante mais de trinta anos na extinta Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina. Trabalhava na parte administrativa. Minha infância, (e de meus irmãos) foi povoada de viagens de trem, donde surgiu o poema, O Trem Horário. O Trem Horário Da janela do trem Vejo a menina de laço de fita Ponte. Pontilhão. Balalão. Balalão. Dunas de areia Correndo apressadas Lavouras de milho Gado cevado Balalão. Balalão. Olh’o joão! No fio de alta tensão! Cuidado, joão! Você é de barro A vida é breve 111


O tempo prescreve!... Esvai-se em cogumelo de fumaça Atrás do Horário ... Balalão. Balalão. E a menina de laço de fita? Ficou encurvada Usa lenço de chita ... A paisagem ... está nublada ... Nossas férias passavam-se em Imbituba, entre os carinhos da vovó e tias. Que saudade! Eis o poema Gênesis: Gênesis Imensidão ! Sua Majestade – O Mar ! Genésico. Bravio Indomável sede do Eterno Ondas escoam Mãozinhas mexilhonas Garimpam mexilhões... Choroso vagido de búzio Confessa saudade.... Feliz Imbituba ! Em tuas dunas Escalei pirâmides Coxins de areia guardei Na barra de vestidos franzidos 112


Vagalhão rolando. Passando... Inexorável Apagou pegadas Levou meu castelo... ...Nas águas rasas Suspiros salgados “Brancos dos meus cabelos...” Em teu ronco absinto Presságios de extremo roncor... ...Depois...Serei nuvem. Conchinha... Areia encantada... Ao teu seio fecundo Retornarei... Na casa da vovó paterna, não menos carinhosa, na pequena cidade de Imaruí, conhecemos uma vida mais rústica, isto é, sem luz elétrica, água tirada do poço, gamela, pilão, etc. Com os primos e primas, aprendemos a pescar siri com jereré e pequenos peixes. Vó Maria tinha todas as idades: sua inteligência era notável. Eu, como inquiridora que era, a cercava de perguntas ao que ela respondia com agrado. Soube que esteve na escola durante seis meses, no tempo da lousa e do método do beabá, como era conhecido. Ainda assim lia e escrevia cartas e tinha um caderno de receitas escrito por ela, doceira requisitada para casamentos e festas. Seu quintal era um grande pomar, cortado por uma fonte de água cristalina, onde brincávamos com as piavinhas e fugíamos da cobra d’agua. Falo disso no poema Retalhos: 113


Retalhos Cobra-lisa se esconde N’areia branca (Leito de seus amores ...) Amendoeiras centenárias Batizam raízes Na água doce ... Do “colo” da fonte grávida Vagos murmúrios A seu amado Sem parar. Sem cansar. Amor de rio Eterno afã ... Aonde os restos mortais Das açucenas irreverentes Jazindo nas águas ? As fadas ? A menina de olhar curioso ? Há pouco Pescava peixinhos Fugia da cobra Que fugia de mim... O mormaço abrandou ... A água ... está turva ...

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O que vejo e o que sinto da vida, sou eu nos meus poemas, às vezes saudosíssimos, de vez em quando, tristes, chocantes e ásperos; outras vezes, descontraídos, mas sempre trazendo o que sinto, o que vejo, o que sou. Não aceito ver a vida passar através da janela. Tenho de estar lá, participar, como árvore que se planta no chão e aninha o ninho do beija-flor. Sou roseira, semente púbere do biguaçu , estrela, vento, a gema da orquídea... Quero ter simbiose com a natureza, sincronismo com a terra e a chuva, ainda que para isso haja de errar mil vezes. Prefiro a interação, como humus que sou. Procuro retratar parte desta interação com o tempo, no poema: Meu balamço Meu balanço Por entre as alhetas verdes Sibila o vento caprichoso Das manhãs da minha infância Canto toadas sem compasso Esvoaçam vestidinhos Trincando o doce alfenim Ergo ao céu os pezinhos (Ó Coisas da inocência!) Creio tangê-los assim Sabe Deus quanto eu quisera Dest’ hora cerrar o véu 115


Me embalar no tosco madeiro E outra vez tocar o céu Longe... Longe vai o abacateiro... Do teimoso vai-e-vem Cicatrizes no ferroso braço E no meu coração (Velho) também Hoje bem sei Fazendo balanço do tempo Quantas vezes vai a vida Por um fio Como corda rompida Do meu balanço Num eterno desafio...

P.S. Sou casada com Gabriel, aviador aposentado e professor na área militar. Mãe de três filhos, aposentada como funcionária publica e moradora da cidade de Biguaçu – SC.

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Dalvina de Jesus Siqueira Cadeira nº: 14

QUEM SOU EU Participação para a Coletãnea da Academia de Letras de Biguaçu. Quem sou eu? Nome Dalvina de Jesus Siqueira. Dalvina de Jesus Siqueira, nascida aos 23 de agosto do ano de 1929, na cidade de Biguaçu, Estado de santa Catarina.Filha legítima de Otávio Clemente Martins e Maria Martins. Seu pseudônimo é “ Estrela”, pois sua mãe dois dias antes dela nascer, estava sentada à soleira da porta da cozinha, quando viu uma Estrela correr no céu .Assustada sentiu a criança se mo vimentando . Mais tarde dizia à filha que na hora que viu a estrela correr no fir117


mamento, pensou assim: Se nascer uma menina vou dar-lhe o nome de Estrela, ou Estrela Dalva. Porém sua mãe e sua sogra, acharam que Estrela não era nome de gente. Então entre um nome e outro, em vez de Dalva, colocaram Dalvina. Seus pais eram descendentes de Alemães, Escravos, franceses, Portugueses e Negros(escravos). Sua avó paterna, escrava, criada na casa dos pais de João Nicolau Born, tornou-se sua amante ( era uma história de amor de juventude,criaram-se juntos, brincando ) continuaram aquele amor,e dele concebeu três filhos;sendo que um deles foi seu avô paterno. Seu nome era Antônio Fernandes Martins, casado com Luiza Eustáquio, cujos pais haviam vindo da Alemanha para viver em paz no Brasil, especialmente em Santa catarina. Otávio Clemente Martins era o filho mais velho de Antônio Fernandes Martins ( Vô Nico ) , que casou-se com Maria Alexandrina, filha de Alexandrina de Jesus, descendente de Franceses e Euzébio Zeferino de Souza, português legítimo, padrinhos de Dalvina. Dalvina de Jesus foi a filha caçula de casal. A mais velha ´era Laura ou Lalinha como era e é carinhosamente chamada, até os 10 anos de idade quando seus pais foram buscar uma criança que a mãe era sua prima, e morreu de parto na noite do dia 13 de maio de 1939, era um menino e se chamou Miltom Martins, morreu aos 50 anos de idade. Quando Dalvina entrou para a escola aos 6 anos e meio de idade, já sabia ler e escrever, pois aprendera com sua irmã e suas colegas, brincando de escolinha , onde ela sempre era a professora... Sua primeira professora foi a senhora dona Elza Ribas Pessoa, que viveu até os 100 anos de idade.também foi sua professora a senhora Nila Sardá, dona Neném, que lhe ensinou muita didática, bons princípios, muitos valores, relações humanas, pois ela era uma excelente pessoa, isto aconteceu até no Curso Complementar, quan118


do Dalvina fez o Estágio de Pedagogia e Didática, pois estas disciplinas faziam parte do Currículo do Curso Complementar que era de 2 (dois) anos. No terceiro e quarto ano primário, sua professora doi dona Alaíde Sardá de Amorim, que viveu até os 97 anos de idade, morreu quando participava da Academ ia de Letras de Biguaçu. No começo do ano seguinte, já foi indicada por dona Neném para substituir uma professora que havia tirado licença para tratamento de saúde, era uma quarta série, e os alunos eram maiores e mais velhos do que Dalvina, pois naquela época havia repetência nas Escolas. A experiência foi muito boa e valeu para Dalvina, um grande referencial, pois logo depois substituiu por varias vezes , o que fez o tempo de 3 anos, que serviu para acrescentar-lhe 1 triênio, quando foi feita a Lei dos Triênios. Voltando a experiência adquirida na escola, Dalvina aprendeu muito, inclusive formou sua personalidade como professora que sabia manter a classe em silencio, tinha manejo de classe. estudou muito para não errar, e entre erros e acertos chegou lá. O salário era( cem mil réis)100.000,00. Em 1947, casou-se com o jovem Alvim Levi Siqueira, exatamente há 66 (sessenta e seis anos) dos quais teve um casamento de 60 anos, teve 11 filhos, 30 netos e por enquanto 12 bisnetos. Espera com urgência o primeiro tataraneto, pois sua bisneta mais velha já tem mais de 20 anos. Dalvina se Deus quiser, quer logo poder dizer: Minha neta, me dá cá o teu neto. Em 1949, no dia 4 de abril, foi nomeada Professora Extranumerária mensalista Complementarista, com um salário mensal de ( Hum conto de Réis ), no Rio Deserto, Urussanga, numa EScola 119


Isolada Desdobrada, com primeira, segunda, terceira e quarta série. À noite lecionava para o Curso Supletivo para adultos. Em 1950, já esperando o segundo filho, fez o curso normal regional Carmem Linhares Colônia, no Grupo Escolar Professor José Brasilício, de onde foi diretora no ano de 1973. A 3* série deste Curso, foi feita por exames vagos ( Decreto 105 /49 ) frequentando a quarta série, formando-se professora Regente de Ensino Primário ( REP). Continuou trabalhando no Magistério, tendo trabalhado em várias escolas, como Rio do Braço em Rio do Sul e Pouso Redondo também em Rio do Sul, e em Encruzilhada dos Três Riachos até 1964, quando por força de uma lei assinada em 1899, não podia ter segundo grau a não ser no Colégio Catarinense e Coração de Jesus em Florianópolis, esta lei foi assinada para valer 50 anos.( Esta é uma das partes negras da educação das elites em SC,) Em 1964, teve início o Curso Normal”Magistério “em Biguaçu. Foi aluna da primeira turma, recebendo seu Diploma de professora Normalista no dia 6 de dezembro do ano de 1966, onde teve acesso automático no cargo de professora normalista efetiva no magistério Catarinense. professora primária. Entretando com a falta de professores na época, foi convidada para fazer o CADES disciplina matemática. Este curso era realizado nos meses de janeiro, fevereiro e julho. Durante o curso, já iniciou seus trabalhos como professora de matemática no Grupo Escolar professor José Brasilício. Em 1972, iniciou o Curso Superior de Pedagogia na UDESC formando-se professora Licenciada Plena em Psicologia e Sociologia da Educação e Didática e Prática de Ensino para 2* grau Registro N*135987 e em 1975 fez Especialização à Nível de Pós Graduação em Administração Escolar 1* e 2* graus com Registro N* 31722. Lecionou no ( CIRPRO) Curso Normal de Férias, durante 3 anos, a disciplina Didática e Prática de Ensino da Língua Portuguesa; 120


Os alunos destes Cursos, eram professores não titulados , que à eles foi oferecida a oportunidade de atualização. Nesta época , elaborou e confeccionou juntamente com os alunos, uma cartilha, para ser aplicada de primeira à quarta série, que não saiu do projeto, por falta de recursos e de apoio. Alguns alunos professores do curso, levaram para suas escolas, para tentar a validade. Nesta época, Dalvina escreveu muito, também escreveu composições para adaptação à melodias , para que seus alunos, cantassem nas formaturas. Ministrou Cursos para Diretores de 2* Grau no Estado de Santa Catarina.Para isto, foi treinada pelo ( CENAFOR ) de São Paulo;Foi Professora de Matemática para 1* e 2* Graus, por 18 anos. Foi Diretora Geral do Colégio Estadual Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria da cidade de Biguaçu por 12 anos consecutivos, e neste tempo, só não lecionou: Química, Física e Inglês. Aposentou-se no dia 17 de julho de 1981 com, exatamente 35 anos de efetivo serviço, prestado ao Magistério Catarinense.Logo a seguir, foi convidada pela Secretaria de Educação para permanecer no cargo, onde atuou por mais 4 anos. Por motivos que não interessam, foi ser Administradora na Escola Prefeito Avelino Muller, no Bairro Vendaval, Biguaçu, por 2 anos. Lecionou na UDESC em Florianópolis a disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino de 1* Grau. Trabalhou durante 4 longos anos como Secretária do Curso Supletivo Luiza dos Reis Prazeres, depois Colégio Educar, Biguaçu, onde tirou de uma folha de papel o referido, Curso, pelo Projeto executado pelo sr Diretor e aprovado pelo C.E.de Educação.tendo feito a primeira matrícula. No ano de 1995, fez na UFSC , no Núcleo de Estudos da Terceira Idade ( Neti) o Curso de Monitores da Ação Gerontológica, Fez o Curso de pintura em tela, pintura em porcelana e confecção de flores.Colaboru com os Grupos de Idosos, ministrando 121


palestras sobre saúde , qualidade de vida, sendo mais tarde Presidente dos Grupos de Idosos por 6 anos.Foi a primeira Presidente da Associação dos Poetas, Cronistas e Contistas do Estado de Santa Catarina.Fundou, junto com duas amigas a Academia de Letras São João Evangelista da Barra de Biguaçu, na cidade de Biguaçu, onde ocupa a Cadeira n* 14 cujo Patrono é o 1* Poeta de Biguaçu: Geraldino de Azevedo. Hoje é Presidente de Honra É Acadêmica na Academia e Letras de São José , Cadeira n* 23, Patrono Dr Jorge Lacerda. Participou de vários concursos efetuados pela Fundação Viva Vida, onde obteve primeiro e segundo lugares e mensões honrosas por várias vezes.Participou e participa de Antologias e Coletãneas em SC, e São Paulo. É membro da Academia de Letras do Brasil tendo recebido a comenda de Doutora Honóris Causa PH1. Recebeu também a comenda da Câmara de vereadores de Biguaçu” Embaixadora da Cultura do Município de Biguaçu” recebendo também da ACIBG , CDL, o Título de Mulher Cultura.É senadora pelo senadinho Popoluskus de Fpolis; Em 1995, lançou o seu primeiro livro, intitulado o Décimo Segundo ( Poesias), depois veio o livro Constelação (poesias ) a seguir, Grandes Momentos, poesias, crônicas, rezas, orações , benzeduras. Lalinha, Biguaçu eu te amo, Biguaçu eu te amo II, O Terceiro Sonho para os grupos de idosos, Mosáico e No Apagar das Luzes. No prelo, Memorial Gedo, Biguaçu,o cidadão do momento. Ressignificando poesias e à Luz de Lamparina. Foi Radialista por dois anos na Rádio Comunitária de Biguaçu, com o Programa aos Sábado das 17 às 19 horas, cujo nome era “ Encontro com a Estrela”. Tem uma vez por semana uma coluna no jornal Biguaçu em Foco, “ A Educação sob o meu ponto de vista “. Escreveu durante dois anos ma vez por mEs na Folha Catarinense de 122


Biguaçu, uma coluna “ Reflexões”. Uma vez por semana trabalhou na Rádio Eldorado de Florianópolis Sc. Na sua carreira no Magistério, como professora e diretora geral, realizou mais de cem,( 100) formaturas de 1* e 2* Graus, e, em todas elas fez o trabalho de Cerimonial, compôs as letras das músicas, fez os ensaios com os alunos e muitos discursos. Na sua Carreira no Magistério catarinense, ocupou vários cargos:professora, administradora, inspetora e diretora técnica da primeira UCRE,Tem esperança no futuro da Educação. Aposentou-se como Especialista em Assuntos Educacionais, E A E. Sua mensagem: Amar acima de qualquer suspeita. Palavra de Fé- Trabalho Esperança- virtude dos homens AcreditaNa igualdade da humanidade Rejeitao falso moralismo. Medo-

Inversão de valores Descrédito Calúnia Oportunismo Dor O seu Vaticínio ? PAZ CELESTIAL Na mata virgem o entardecer é mais escuro, quase não se vê o céu. Por entre os galhos gigantes de velhas árvores, só se escuta o cantar dos passarinhos, que saltitam de galho em Galho em revoada, retornando ao ninho para adormecer. É um barulho de chilreios diferentes, e a noite desce sobre o 123


mundo, fazendo anoitecer de breu, fazendo a passarada acomodar-se em bandos, entre, galhos, folhas, flores e ninhos, entre asas, bicos penas e pios. E por baixo desta maravilha imensa, deste pedaço de Paraiso sem limite, corre preguiçosamente uma cachoeira, farfalhando entre as pedras do caminho , fazendo espuma branca rendilhada e refletindo o céu em pedacinhos. E quando amanhece o outro dia( já no terceiro milênio), o sol brilhando na linha do horizonte, a cachoeira mansa feita espelho d’água, reflete o sol por entre a mata, torna-se verde azulada, transparente e faz espuma e serpenteia e canta, como de um galho próximo, um sabiá. É o aconchego do mundo celebrando, a renovação da vida em toda plenitude, celebrando o alvorecer de um novo dia, de um novo mundo cheio de esperanças, cintilante de luz, de sol de vida de amor, de paz celestial, de amizade entre os homens, animais, pássaros, floresta, é o desabrochar pra reviver. E por entre esta mata virgem, deslumbrante, pedaços de céu, cachoeira e passarinhos,a vida corre despreocupadamente , porque não existe nada a temer,porque o mundo recriou a natureza,reciclou o homem que se fez ouvinte participativo, elaborou um clima de verdura e flores, fez o deslumbramento do viver. O sabiá que canta pousado na mangueira, dobra uma canção de paz e de ternura,ensaia versos para festejar a vida, em liberdade canta e em liberdade voa.É o recomeço do mundo de meu Deus, que há de reviver por muitos séculos.na esperança de sempre poder dizer, glória, glória, aleluia, num mundo de paz Celestial. Nota: Escrito na terceira pessoa do singular. Dalvina de Jesus Siqueira (Estrela) 124


Carlos Antônio de Souza Caldas Cadeira nº: 16

QUEM SOU EU

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“Agora, pois, vem e eu te enviarei a faraó, para que tire do Egito meu povo, os filhos de Israel.” Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, para que vá a faraó e tire do Egito os filhos de Israel? Respondeu-lhe Deus: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que te enviei: Quando houveres tirado do Egito o meu povo, eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando tirado do Egito o meu povo, servireis a Deus neste monte.” Êxodo 3:10-12. CARLOS ANTONIO DE SOUZA CALDAS, Advogado ou Escritor? Contador de história ou um Filósofo? Escritor ou um Poeta? Professor ou Pós-graduado? Colunista ou Cronista? Engenheiro ou um Pedagogo? Consultor Imobiliário ou Administrador Escolar...? Acho que, apenas, eu sou mais um sonhador que quis ser tudo, com os pés no chão e o pensamento nas nuvens e nas estrelas. Vivo na cidade de São José, na grande Florianópolis: A ponte, minha travessia diária, em Biguaçu ou Palhoça naquele vai-e-vem de todos os que sonham para a sua comunidade um mundo melhor. 127


Eu sou alegria, amor e muita disposição para que tudo culmine na felicidade. Pratico o modo feliz de viver em harmonia com a natureza. Sou todas as coisas porque eu mesmo costumo notar os pontos bons das pessoas, coisas e partes muito boa da sociedade, mais este modo de ver os fatos, paisagens e ver o cotidiano mais alegre. Sou os olhos para a fartura, a alegria e a beleza deste mundo, podemos compreender que vivemos cercados de coisas belas, amorosas e gratificantes. Sou o cotidiano, repleto de alegria e sinto alegria de viver, ao descobrir tantas coisas belas, gratificantes e elogiáveis. Quanto ao mundo concreto, sei que existem muitas pessoas que não conseguem alimentar-se todos os dias. Não ignoro essa pessoa, mas, por tê-las sempre em mente, procuro cooperar e ser solidário a praticar o bem. Eu sou o inverno disparado e ligeiramente o verão, as estações transitórias. Eu sou, a gente é o que a gente gosta e, nesse comando preferido, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, as estações do ano preferidas, como o esporte, as cidades que nos encantam. Eu..eu..nem sei mesmo sei, nesse momento, eu enfim... sei o que eu era, quando levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então. Perdidos entre mobilidade urbana e sonhos de ilusão quando por pequenos passos invisíveis de amor, sigo pelas mãos delicadas dos anjos, por justiça luto, e o amor novamente busca. Sou eu o que sou e cada vez o que quero ser. Eu às vezes não entendo! As pessoas que não se compreendem e não se entendem, fico a meditar, que isso não está bem. Sei que as pessoas são o que são ou são os que elas têm? Sou o que sou eu queria que comigo fosse tudo diferente. Sei de alguém que pensasse em mim e soubesse que eu sou gente. Falasse do que eu penso, lembrasse do que falo, pensasse no que eu falo e soubesse por que me calo. 128


Porque eu não sou o que visto, eu sou o que sou. Estou aqui com pés no chão e o pensamento nas nuvens e nas estrelas. Carlos Antônio de Souza Caldas, filho de Antonio Carlos de Souza Caldas e Rainildes Seemann de Souza Caldas (in memória) dos quatros filhos do casal, dois já partiram para Oriente Eterno, João Felipe de Souza Caldas e Rosemar de Souza Caldas (in memória); Eu e minha irmã Rosecleia Caldas Brognoli, Sou pai de dois filhos Raphael de Souza Caldas, casado com Camille Brognoli Caldas e Mariella de Souza Caldas, avô de Malú de Souza Caldas e duas sobrinhas Leticia de Souza Caldas e Paula Brognoli. Advogado Criminalista, Professor e Escritor. Graduado em Pedagogia pela Udesc/SC - 1981 e Pós Graduado em Recursos Humanos – 1983 - UDESC. Incansável na busca de seu aperfeiçoamento profissional formou-se Direito pela Univali – Itajaí – Campus de Biguaçu-SC – 1996. Acadêmico da Academia de Letras de Biguaçú/SC, cadeira nº 16 e Acadêmico da Academia de Letras do Brasil – Florianópolis/SC, cadeira nº 06. Funcionário Público da Prefeitura Municipal de São José, concursado – 1995. Assim como em sua atuação profissional, área jurídica e atuante no Tribunal do Júri, altamente inspirado e crítico, escrevem artigos para jornais entre outras publicações. Busca incessantemente a perfeição, a fraternidade e bons costumes, encontrando na ética o caminho para evolução de suas virtudes. Participa no Movimento de Iluminação da Humanidade da Seicho-No-Ie do Brasil e Grande Oriente do Brasil. Alma de poeta, aventureiro do motociclismo, ama a vida e a liberdade. Encontra no motociclismo uma de suas paixões, além das inúmeras viagens pelo Brasil e outros países da América e Europa. Carlos Antonio de Souza Caldas - Advogado, Professor e Escritor Telefone (48) 9981.0467/ 3034.0457 129


José Ricardo Petry Cadeira nº: 17

QUEM SOU EU José Ricardo Petry Nasci em 22 de novembro de 1958 em Florianópolis, registrado no Cartório Faria de Florianópolis. Filho de Luiz Felipe Ramos Petry (em memória) e Marina Petry; são irmãos: Luiz Renato R. Petry; Carlos Roberto Petry; Marcia Regina Petry, Josiane Rose Petry e João Felipe Correa Petry. Meus pais são maravilhosos, onde cresceram unidos com muito amor. Sou casado com Cátia Regina Petry, tenho os seguintes filhos: Ricardo Luiz Petry; Julia Gonçalves Petry e João Vitor Gonçalves Petry. 130


Minha trajetória: os estudos primário e ginasial foram realizado em Biguaçu, médio e o Superior foram realizados em Florianópolis. O curso médio fiz no Colégio Comercial Pio XII no bairro Estreito, o Curso Superior fiz na Universidade Federal de Santa Catarina, curso de Filosofia. Meu primeiro empregoi foi em 1976 no Banco Real, em 1978, abri meu próprio negócio, uma loja de fotografia, esta funcionando até hoje pelo meus filhos com nome de Cine Foto Ricardo. Em 2008 entrou na Academia de Letras de Biguaçu, tendo como patrono Cônego Rodolfo Pereira Machado. Algumas trajetórias através de data: 1989 – Presidente da Acibig (Associação Comercial e Industrial de Biguaçu). 1998 – 1º colocado em Concurso de Foto Social em Joinville. 2000 – Exibiu sua 1ª Exposição Fotográfica (Atividades Cônego Rodolfo Pereira Machado) na Casa dos Açores e Museu Etnográfico de São Miguel. 2004 – Câmara de Vereadores de Biguaçu, homenagem (Cidadão Honra ao Mérito) pelo Vereador Pastor Nacet. 2008 – Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Lazer de Biguaçu (Honra ao Mérito Bom Cidadão). 2008 – Toma posse Academia de Letras de Biguaçu, cadeira nº 17. 2009 – Exposição Fotográfica (Varal Biguaçu Açoriano) exposto na cidade Brotas de Macaúba, Bahia. 2010 – Exposição Fotográfica no Casarão Born, sobre as Igrejas de Biguaçu de todas as religiões. 2011 – Exposição Fotográfica na Igreja Matriz de Biguaçu de todas as Grutas existentes na Comarca. 2011 – E Tesoureiro da Academia de Letras de Biguaçu na chapa do Presidente Adauto Beckhauser. 131


2011 – Paróquia São João Evangelista – 70 anos – 1941 a 2011 coautor Joaquim Gonçalves dos Santos. Coluna Social e artigos no Jornal Biguaçu em Foco. 2012 – Antologia da Academia de Letras de Biguaçu – Fazendo História. 2012 – Sofri um atropelamento na BR 101; que perdi a perna. Agradecimento especial aos meus filhos: Ricardo Luiz, Julia e João Vitor e a maravilha dos meus netos: Lucas e Sabrina, Biguaçu é minha vida, agradeço a Deus pela Cidade Maravilhosa.

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Stela Máris Piazza Souza Cadeira nº: 18

QUEM SOU EU Nascida a 4 de julho de 1932, em Florianópolis, SC, na Avenida Rio Branco Nº 56, filha de Luiz Boiteux Piazza e Carolina Taranto Piazza, tendo como irmãos, Marília Piazza casada com Francisco José Pfeilsticker, Filhos – Renata Maria, Carlos Paulo e Luiz; Maria de Lourdes Taranto Piazza casada com Euler Vidigal; Salvador José Piazza (In Memoriam) casado com Romy Willerding, Filho – Ricardo Piazza; Hipólito Luiz Piazza casado com Zélia Maria Piazza, Filhos – Fátima, Hipólito Luiz, Déborah Carolina e Alexandre; Aloisio Acácio Piazza casado com Sueli Machado Pereira, Filhos – Adriana, Marcelo, Ana Lucia e Rodrigo; Nelza Terezinha Taranto Piazza e Bernardete Maria Taranto Piazza. 133


Casada com Max Fleysleben de Souza (In Memoriam), tendo como filha Raquel Carolina Souza Ferraz D’Ely casada com Newton Schaefer Ferraz D’Ely e mãe de Camilla, Newton e Carolina. Residente a Rua Dom Joaquim 866 Apto 902, Residencial Mansão dos Flamboyants, centro, Florianópolis. Stela estudou no Colégio Coração de Jesus fazendo o pré-primário, cursos fundamental e médio até se formar em Normalista. Exerceu várias atividades estudantis, como representante de classe e foi presidente da Comissão do Folclore Catarinense naquele estabelecimento de ensino, dirigido pelas Irmãs da Divina Providência, sempre envolvida nos eventos cívicos e culturais. Trabalhou na Equitativa dos EEUU do Brasil (Companhia de Seguros) durante cinco anos até casar. Com o falecimento de Max em 1960, em 1961 fez o vestibular para Serviço Social na Universidade Federal de Santa Catarina. Morou em Trinidad e Tobago, nas Ilhas Ocidentais Inglesas durante dois anos, ocasião em que seu marido Max F. de Souza foi designado para trabalhar como Engenheiro na Shell and Texaco Company, depois de estagiar por seis meses na mesma companhia em Glasgow, Escócia, Reino Unido. Em Trinidad e Tobago – Port of Spain (127A, Long Circular Road, Maraval) continuou seus estudos de inglês, os quais haviam começado em Florianópolis ainda quando aluna do colégio e posteriormente no Instituto Brasil/EEUU nesta cidade. Sua permanência em Trinidade e Tobago permitiu que fizesse amizade com casais ingleses e holandeses, executivos da Shell and Texaco Company e, por conseguinte colegas de seu marido. Durante sua permanecia em Port of Spain teve oportunidade de falar sobre o Brasil uma vez que os ingleses e holandeses tinham muita curiosidade em saber sobre nosso país. Alguns haviam morado 134


no Brasil quando diretores da Companhia, principalmente no Rio de Janeiro, tendo apreciado a gastronomia brasileira, criando grandes expectativas sobre o Estado de Santa Catarina. Neste local pode vivenciar o drama do preconceito entre os nativos da Ilha e os estrangeiros, principalmente indianos, que exploravam o comércio local, revertendo recursos para a Índia em vez de aplicar na comunidade. O conflito gerava destruição de escolas dos nativos e mesquitas indianas. A língua falada era o inglês, sendo Trinidad e Tobago possessão inglesa até 1962, tornando-se república em 1976. O carnaval de Port of Spain é muito famoso, trazendo para a cidade muitos turistas, principalmente americanos. A economia é fundamentalmente industrial baseada no petróleo. Neste aspecto é interessante citar o Pitch Lake, ou depósito natural de asfalto, constituindo-se uma atração para os visitantes. Trinidad tem praias muito bonitas e a mais famosa é Maracas Bay. Esta vivência proporcionou a Stela, observar e entender a cultura de outro povo, e estabelecer um relacionamento amistoso com casais ingleses, holandeses e italianos. Em 1960, Stela voltou para o Brasil fixando residência no Rio de Janeiro. Em Junho deste mesmo ano com o falecimento de Max retornou a Florianópolis com a filha Raquel Carolina. Em março de 1961 prestou vestibular para o Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina, tendo sido aprovada em 1º lugar e em 1964 graduou-se; tendo seu trabalho de conclusão de curso se intitulado Serviço Social em uma Clinica Hospitalar, consequência do estágio no Hospital de Caridade de Florianópolis, desenvolvendo um trabalho visando o saneamento básico na Lagoa da Conceição. Em 1964 candidatou-se para uma bolsa Fullbright tendo sido aprovada em 1º lugar. Matriculada no curso de Relações Humanas 135


e Comunicação da Universidade de Pittsburgh (EUA) em Julho de 1965, posteriormente realizou especialização em Desenvolvimento de Comunidade, na Universidade de Michigan (Ann Arbor, EUA). Neste período cursou Língua Inglesa no English Language Institute entre outubro de 1965 a julho de 1966. Estagiou no Senior Citizen Guild of Ann Arbor, centro comunitário, trabalhando com idosos na faixa etária de 60 a 90 anos, desenvolvendo várias atividades de grupo. Além das atividades de grupo, os idosos também desenvolviam trabalhos de marcenaria, carpintaria, pintura, artes plásticas e leitura de “best sellers”, ocasião em que um professor de literatura da Universidade vinha conversar com o grupo para esclarecer dúvidas. Muito interessante. Experiência que foi transferida para o trabalho com idosos em Florianópolis. Em Ann Arbor teve como moradia Nelson Internacional House, à Tappan Street, uma casa com doze universitárias (cada uma de um país), cujo relacionamento foi muito bom e proveitoso. Nesta ocasião foi indicada como coordenadora do grupo, assessorando a diretora da casa, Mrs. Yates. Reuniões festivas periódicas eram realizadas para que cada moradora apresentasse seu país aos convidados e moradoras. Convém salientar que em Michigan existem duas universidades: Michigan State University em Lansing (estadual) e a University of Michigan em Ann Arbor (Federal). Quando estudando em Ann Arbor (Michigan) pode visitar o Canadá tendo em vista a proximidade da fronteira entre os dois países, conhecendo a famosa ponte Mackinaw Bridge. Esteve em Quebec, Montreal, Toronto e Ontário. Quando estudante em Michigan conviveu com famílias americanas que convidavam a festejar datas especiais como Thanksgiving Day (Dia de Ação de Graça) e Natal, onde experimentou iguarias como pumpkin pie (pudim de abobora) e brownies. 136


Em sua permanência nos EEUU Stela teve oportunidade de visitar várias cidades americanas, entre elas Detroit, Chicago, Washington, New Jersey, Boston, Cape Cod, New Orleans, e o estado de Vermont, o mais rural dos EUA, entre outras. Visitou as Cataratas do Niágara, que faz fronteira dos EUA com o Canadá (Ontário). É muito procurada pelos casais que lá realizam seus casamentos. Mais urbanizada que Iguaçu, as calçadas e os arredores das cataratas são muito bem cuidados e proporcionam aos visitantes passeios, além de todos os serviços especiais e vestimentas para apreciação. As Cataratas de Iguaçu são mais impressionantes, caudalosas e selvagens – 273 quedas d’água). Voltando ao Brasil atuou como professora titular do Departamento de Serviço Social da UFSC na cadeira de Serviço Social de Grupo; cursou Mestrado em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre - 1990; Mestrado em Inovação do Sistema Educativo, Pedagogia Aplicada (Universidade Autônoma de Barcelona - 1996); Doutoranda Inovação do Sistema Educativo, Pedagogia Aplicada (Universidade Autônoma de Barcelona - 2006); Professora de Sociologia Aplicada à Administração - ESAG/UDESC de 1969 a 1970; Professora de Sociologia (assistente do professor Alcides Abreu na Faculdade de Educação UDESC, entre 1968 e 1971; Co-fundadora e professora (Serviço Social de Grupo) do Curso de Serviço Social - Universidade do Contestado (UNIPLAC), Caçador/SC; Titular de Metodologia do Serviço Social na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas), em 1996; Professora da disciplina Serviço Social e Família no Curso de Especialização (ULBRA - Canoas) de 1998 a 2000; Professora de Serviço Social de Grupo da Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe (FEARPE) em Caçador entre 1978 a 1980. A vivência em Barcelona permitiu conhecer a cidade catalã 137


como a maravilhosa arquitetura de Antonio Gaudi, a famosa catedral da Sagrada Família, a Vila Olímpica que foi fundada para sediar as Olimpíadas de 1992, as ramplas, Plaza Mayor, Parque Güell, Palácio Güell, Casa Milà, Casa Vicens, museu Pablo Picasso e Bairro Gótico. A colina de Montjuic e o Estadio Camp Nou (Clube Barcelona de futebol) também foram visitados. A Universidade Autônomas de Barcelona, onde Stela estudou, situava-se em Sardañola del Vallés a 10 km do centro de Barcelona. Conheceu neste período outras cidades da Espanha como Valência, Madri, Toledo, a famosa praia de Sitches. No Principado de Andorra visitou o SPA de Anna Aslan, famoso em rejuvenescimento, motivo pelo qual atrai muitos turistas. Atuou na área administrativa como Coordenadora do Curso de Serviço Social junto a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), cargo em substituição em Julho de 1979; Vice coordenadora do Curso de Serviço Social junto a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1980; Chefe do Departamento do Curso de Serviço Social na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em substituição ao afastamento simultâneo da chefe e subchefe, período de 1 a 30 de Agosto de 1985; Chefe do Departamento do Curso de Serviço Social na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de Agosto de 1986 a 1988; Coordenadora do Curso de Pós-graduação a nível de especialização em Serviço Social em 1982, 1983; Coordenadora do Curso de Pós-graduação a nível de especialização em Serviço Social do Trabalho em 1985. Entre as homenagens que recebeu destacam-se: Paraninfa do Curso da Faculdade de Serviço Social em Florianópolis em 1968, 1974 e 1976. Paraninfa das formandas de Serviço Social em 1985/1 da Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis em 1985. Paraninfa do Curso de Serviço Social e Saúde da Fundação Educacional do Alto Vale do Rio do Peixe 138


(FEARPE) em Caçador – 1982. Patrona do Curso da Faculdade de Serviço Social em Florianópolis em 1971, 1972 e 1973. Patrona dos formandos de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina em 1984/2. Foi nome da Turma do Curso da Faculdade de Serviço Social em Florianópolis em 1972. Participação no Congresso Internacional de Serviço Social em Buenos Aires, Julho de 1967; XVII Congresso Internacional em Nairobi, Quênia, África em Julho de 1974 representando o Estado de Santa Catarina. XVII Congresso Nacional das Escolas de Serviço Social (ABESS) em 1973. XIX Congresso Nacional da Associação Brasileira de Escolas de Serviço Social (ABESS), SP em Julho de 1975 e XX Congresso Nacional da Associação Brasileira de Escolas de Serviço Social (ABESS) em Setembro de 1977, Belo Horizonte. A visita à África foi especial. Conheceu Johannesburgo na África do Sul, onde teve oportunidade de ver de perto o preconceito racial. No comércio local havia distinção entre brancos e pretos com os dizeres (NO WHITE / NO BLACK) sinalizados com placas. Nas alamedas dos jardins públicos o mesmo ocorria. Também esteve em Pretória, uma das cidades visitadas da África do Sul. Na África do leste (Quênia), em Nairóbi teve oportunidade de fazer um safari no Lions Park, ocasião em que viu a diversidade de animais na natureza local. É uma das maiores cidades da África, com grande influencia cultural, econômica, politica e educacional. Incluído o Curso de Serviço Social. Não teve oportunidade de visitar as cataratas do lago Vitória (em Zimbábue, Rodésia), porque na época as autoridades governamentais não garantiam a segurança dos turistas. Da África Stela seguiu para Europa, visitando as cidades de Zurique, Amsterdam, Londres e Paris. Autora do livro “Serviço Social e Universidade - Resgate de Lembranças” Editora da UFSC - 1994; Cronista do Jornal “A Gazeta” 139


Florianópolis, com o pseudônimo de ASTER. Membro da Comissão Editorial da Revista Katalysis, do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Atuou profissionalmente como Diretora da Divisão de Promoção Social junto a Secretaria dos Serviços Sociais de Santa Catarina (Florianópolis) entre 1970 e 1973; Coordenadora da Promoção Social da Secretaria do Trabalho e Promoção Social do Estado de Santa Catarina entre 1977 a 1979; Coordenadora da Promoção Social na Secretaria do Bem-Estar Social do Estado de Santa Catarina entre 1979 e 1989. Membro do Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social (CBCISS) para a Região Sul entre 1974 a 1978. Atuou como Delegada em Santa Catarina entre 1971 e 1991. Foi membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Promocional do Menor Trabalhador (PROMENOR) em Florianópolis entre 1972 e 1977. Foi Vice-presidente da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social (ABESS), Região Sul I entre 1975 a 1979. Membro da Comissão Especial do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina para implantação do Serviço Social neste hospital entre 1975 e 1979. Membro da Comissão Estadual do Ano Internacional da Criança em Florianópolis em 1979. Membro da Comissão Estadual do Ano Internacional da Pessoa Deficiente em Florianópolis em 1981 (Decreto Estadual nº 13.391 de 19/01/1981). Assessora do Departamento de Comunicação Social da Cruz Vermelha entre 1981 a 1988. Stela desenvolve trabalhos na área de voluntariado como o Clube Soroptimista Internacional de Florianópolis, organização existente em cem países do mundo, cuja sede da Soroptimist Internacional of The Americas é na Philadélphia, EEUU. O objetivo é a promoção da mulher e da menina. Presidente do Clube Soroptimista Internacional de Florianópolis - 1976/1978 - 1978/1980 - 1993/1996 - 2006/2008 - 2008/2010 - 2010/2012 - 2012/2014. 140


Entre as atividades do Clube Soroptimista participa anualmente dos Congressos Nacionais, sendo que em Maio de cada ano é realizado nos estados brasileiros. Também participa dos encontros interclubes entre os Clubes do Estado. Em 1976 participou do Congresso Internacional em Atlantic City – EEUU, acompanhada da Governadora da Região da América do Sul, Haydeé de Benavente, peruana. Na mesma ocasião visitou o Clube Soroptimista de Los Angeles, Califórnia, vindo a conhecer a presidente do SIA (Soroptimist of The Américas), entidade representativa de todos os Clubes Soroptimistas da América do Sul, Central, do Norte e Canadá. Em Lima no Peru, visitou o Clube Soroptimista daquela cidade, vindo a conhecer Cusco e Machu Picchu, atração turística mundial. Em 1984 participou do Congresso Internacional em Santiago – Chile, e com as Soroptimistas daquele país conheceu os vinhedos da região bem como as cidades de Valparaiso, Vinha Del Mar e os lagos andinos que fazem fronteira com a Argentina. Merece destaque o museu Chileno de Arte Pré-colombiana em Santiago. No SI Florianópolis exerceu a função de Coordenadora de Laços da Amizade para a região da América do Sul e recebeu o prêmio de Soroptimista Perseverança. Coordenou o Congresso Soroptimista Internacional da Região da América do Sul em 1982 no Florianópolis Palace Hotel, e no ano de 2000 o Congresso Nacional do Soroptimista da Região Brasil no Hotel Cambirela, Estreito, Florianópolis. Desenvolve projetos de cunho internacional como Oportunidade para Mulheres, Violet Richardson, liderança de jovens do sexo feminino de 14 a 17 anos. Projetos referentes a instituições que trabalham com mulheres e gestantes, meio ambiente, entre outros. Entre outras atividades voluntárias destaca-se: conselheira da Fundação dos Professores de Santa Catarina - FUCAPRO/FPOLlS 141


2000/2003; membro da Irmandade do Senhor dos Passos e Imperial Hospital de Caridade. Stela produziu trabalhos de cunho científico tais como: Objetos e objetivos do Serviço Social – Objetivos da Formação Profissional (Curitiba, 1975); Serviço Social na Empresa – apresentado a Faculdade de Serviço Social de Santa Catarina (1976); Histórico da Implantação do Serviço Social em Santa Catarina e sua Evolução, Florianópolis 1968; Estudo comparativo sobre a Concepção Diagnostica na Metodologia Básica de Serviço Social em Harriet Bartlet, Ricardo Hill e Maria Teresa Scaron Quintero. Temas Sociais em Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS, Rio de Janeiro, 1990); Relevâncias e Limitações de Método Americano de Organização de Comunidade relacionado ao ambiente brasileiro - Escola de Serviço Social da Universidade de Michigan, EEUU, em 1966; Um grupo de moradia de Ann Arbor – Escola de Serviço Social, Universidade de Michigan, EEUU, 1966; Conteúdo Programático das Unidades de Ensino na Região Sul I, Curitiba, 1977; Sistema de Funcionamento o Ensino Teórico Prático nas Escolas de Serviço Social da Região Sul – apresentado na 17ª Convenção Nacional da ABESS – São Luiz do Maranhão, 1973; Desenvolvimento Urbano para o Estado de Santa Catarina – Aspecto da Organização Social – Serviço Social – Convenio SUDESUL, SERFHAU, Florianópolis em maio 1974. Membro da Academia de Letras de Biguaçu publicando: As Lembranças de Mariana em 2003 e na Antologia da Academia de Letras, Trajetória em 2008, o conto Billy, O Peralta, entre outros textos. Entre tantas atividades também a destacar a de avó, mãe, irmã, cunhada, sobrinha, prima, amiga e cidadã desta terra tão linda e generosa que nos abriga, nos acolhe e nos impele a fazer o bem para aqueles que de nós se aproximam.

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Luiz Nocetti Lunardelli Cadeira nº: 19

QUEM SOU EU “Quem sou eu neste caminho?” Duvido que alguém tenha facilidade de escrever sobre si mesmo. Mas não posso deixar de aceitar o desafio do nosso Presidente da Academia de Letras de Biguaçu, Adauto Beckhauser, e deixar registradas algumas observações sobre a vida deste humilde escriba, que abre o seu coração para falar, pela primeira vez, sobre si próprio. Desconfio que tal assunto interesse a muito poucas pessoas. Mesmo sabendo da insignificância de tais informações pessoais, deixo 143


o registro, pelo menos para compartilhar com aqueles a quem tive a satisfação de retribuir amizade e carinho sinceros durante esta nossa curta existência terrena. Definitivamente não é o meu estilo, mas, já que é pra escrever, aí estão as informações. A leitura corre exclusivamente por conta e risco de cada um. Ao final, não venham me dizer que eu não avisei antes que não valeria à pena. Vida Pessoal Nasci em Itajai (SC) no dia 23 de Janeiro de 1954. Meu pai chamava-se Luiz Gonzaga Nocetti ( natural de Florianópolis) e minha mãe Beatriz Espíndola Nocetti (natural de Itajaí), ambos falecidos. Meu avós paternos eram Rômulo e Orlandina Nocetti ( de Florianópolis) . Ele era empresário e eu tinha uma quantidade enorme de tios: Sidney ( jornalista falecido no acidente aéreo que vitimou inúmeros políticos catarinenses, inclusive Nereu Ramos), Osvaldo ( casado com Cacilda Nocetti, grande radialista da década de 50), Divo, Newton (Prático do porto de Itajai), Agamenon ( dirigente da Cruzeiro do Sul), Ubaldo ( cientista e inventor), Celina ( casada com Lírio Bez, de Gravatal) , Stella (casada com Heitor Bittencourt – Café Otto), Dirce ( casada com João Heicke ), Irene e Iracema.( doces gêmeas portadoras de necessidades especiais). Já os avós maternos eram José e Morena Espíndola ( de Itajaí ), ele empresário do ramo de importações e dono de restaurante. Dos tios, pelo lado materno, tive o Luiz (falecido) , a Maria Helena, casada com o Paulo Zen, a Cece, (casada com o Henry Brasil, de Tubarão – meus padrinhos) e o Padre. José Espíndola, pároco em Urubici por mais de 30 anos, onde está sepultado, dentro da Igreja Matriz que construiu naquela cidade. Daquela união, somos em 4 irmãos, sendo eu o caçula. Mi144


nhas irmãs mais velhas chamam-se Bernadete Nocetti Gall, casada com Joel Renato Gall, hoje residente em Balneário Camboriú; Maria de Lourdes Duda Nocetti ( falecida ) e Maria Terezinha Nocetti, residente em Florianópolis. Existem duas coisas na vida que eu não suporto: hospital e cemitério. Não vou a velórios nem enterros e fujo de hospital como o diabo foge da cruz. Meus amigos até brincam comigo dizendo que, no dia em que eu morrer, não haverá quem segure as alças do meu caixão, pois eu jamais segurei numa. Por isso já decidi pela doação total dos meus órgãos que ainda estiverem funcionando e que possam servir para alguém, e posterior cremação sendo minhas cinzas lançadas, preferencialmente, ao mar, pois sou um aquariano legítimo. Essa ojeriza por hospitais e cemitérios tem uma explicação lógica. Minhas primeiras lembranças desta encarnação remontam aos meus onze meses de idade. Ainda hoje vejo-me, nitidamente, engatinhando na sala de estar da casa dos meus avós em Itajaí, agarrando o tornozelo de uns caras que estavam carregando um caixão de defuntos porta à fora. A lembrança seguinte me remete à Igreja Velha de Itajaí, no colo de alguém que, assim como todos os demais presentes, chorava sentidamente pela perda de alguém. O terceiro ato dessas lembranças da minha primeira infância me remete ao banco traseiro de uma camionete, onde acordo assustado e, olhando pelo vidro traseiro do carro, noto uma multidão, em baixo de chuva, carregando um caixão ladeira acima no velho cemitério de Itajaí. Depois das três meninas, meu pai se realizaria com o nascimento de um filho homem, que não pode curtir. Durante toda a gravidez, minha mãe foi sua acompanhante de quartos em hospitais no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Blumenau e Itajaí, onde ele 145


sofreu por quase dois anos com um câncer no cérebro, vindo a falecer dois anos depois, quando eu tinha apenas 11 meses de vida e ele apenas 33 anos de idade. Ele era comerciante e a família possuía uma empresa de seguros e outra de refrigerantes ( Guaraná Knot ) muito famoso na época. Também foi sócio da T.A.C. – Transportes Aéreos Catarinenses, mais tarde incorporada pela Cruzeiro do Sul. Minha mãe ficou viúva, com quatro filhos pequenos para criar (minha irmã mais velha tinha apenas 7 anos), com apenas 23 anos de idade. Mudou-se para Florianópolis e, três anos depois se casou com Odilon Lunardelli ( de Brusque) que era um jovem telegrafista recém aprovado num concurso dos Correios. Odilon foi o pai que eu conheci, amei e respeitei. Ele me criou, me deu o seu sobrenome e me legou uma herança inestimável de conceitos morais e éticos justos e perfeitos. A ele devo tudo o que sou hoje. Partiu para o Oriente Eterno em 2009, dois anos após a morte de minha mãe, depois de inscrever seu nome na história da Literatura Catarinense como Editor, Jornalista e Humanista. Dessa união, ganhei mais dois irmãos, Fábio e Adriana. Com 21 anos de idade casei-me com Anita Regina de Oliveira ( de Florianópolis) e dessa união, que durou 33 anos, tive quatro filhos: Cristiano, Luiz Henrique, Ricardo e Heloisa, e quatro netos: Beatriz, Bruna, Luiz Felipe e Giovanna. Atualmente, casado com Diva Amaral ( de Goiânia ) tenho, ainda, o Gabriel, que me completa, hoje com 5 anos de idade. Vida Acadêmica Fiz o primário no Grupo Escolar Presidente Roosevelt, em Coqueiros, em cuja lateral ficava a casa onde morávamos. Para ir à escola eu apenas pulava um muro. Nunca fui estudioso e fazia os de146


veres de casa “ na marra” sob a supervisão atenta do chinelo da minha mãe. Mas eu prestava muita atenção nas coisas que aconteciam ao meu redor e talvez por isso tenha obtido o primeiro lugar nos quatro anos do curso primário. Cada boletim recheado de nota 10 era uma festa para meus pais e sempre um reconhecimento material através de um presentinho melhor no Natal. Éramos muito pobres e o prêmio no primeiro ano foi uma reforma geral e pintura numa bicicleta velha que eu já tinha desde os 6 anos. No segundo foi uma sandália de dedos, objeto de luxo para a nossa condição financeira. No terceiro ano as coisas já estavam melhores e ganhei um relógio de pulso, “prá nunca mais me esquecer da hora da missa”. Já no quarto ano, o prêmio pela obtenção do primeiro lugar na classe e no exame de admissão ao ginasial, foi um sapato de couro: o primeiro que usei, aos dez anos de idade; afinal, no ano seguinte eu iria estudar no “Instituto”. Aos 11 anos comecei o Ginásio no Instituto Estadual de Educação, em curso noturno, já que no mesmo ano comecei a trabalhar com o meu pai na Livraria. Pela primeira vez experimentei o amargo sabor de uma “segunda época” em Geometria. O professor “terrível” era o Arnaldo Cardoso e com ele tive certeza de que as ciências exatas não faziam a minha cabeça. Com 15 anos iniciei o Curso Técnico de Contabilidade na Academia de Comercio de Santa Catarina, também conhecida como “Academia do Jacaré”. Apesar das tentações da “Kibelândia”, que ficava a apenas uma quadra, consegui terminar o curso no tempo normal. Algumas lembranças vivas de colegas de turma são Jorge Mussi, Rômulo Coelho, Edgard Scheidt e Elsinho Ávila. No ano seguinte “levei pau” no vestibular da Esag, mesmo tendo feito um Intensivão no Curso Barriga Verde, do professor Cori. Mas, pensava eu: vestibular é como carnaval: tem todo ano. No ano seguinte ( 1973) a UFSC implantou o sistema de correção de provas 147


do vestibular através dum computador “à válvulas”. Acho que o sistema era um Forsyth ou Cobol, e as respostas eram gravadas num cartão perfurado que depois eram lidos pelo computador enorme, que ocupava várias salas do Centro Tecnológico. Seus recursos, há 40 anos, com aquele tamanhão todo, correspondiam a apenas 1% da capacidade de um notebook de hoje. Creio que por algum erro do computador, passei em segundo lugar na classificação geral da UFSC daquele ano, e em primeiro no meu curso de Administração de Empresas. Tive dois bons momentos na Universidade: quando entrei e quando saí. Como eu já trabalhava desde os 11 anos de idade, havia adquirido uma experiência prática que nenhum professor teórico me convencia. Tanto que, embora tenha concluído os Cursos de Administração e de Economia ( aproveitei os créditos e fiz os dois em 6 anos), jamais fui buscar os meus diplomas. Depois do advento da Internet, ainda fiz uma pós graduação à distância em Administração de Turismo. Vida Profissional Comecei a trabalhar no dia 1º de Março de 1965, com 11 anos de idade, quando meu pai abriu a sua primeira Livraria Lunardelli. Originalmente ela se chamava Livraria Universitária e trabalhávamos apenas com livros importados destinados aos cursos superiores que começavam a surgir em Florianópolis a partir da abertura da UFSC em 1960. Com meu pai eu aprendi a fazer de tudo um pouco no ramo comercial, tendo crescido com ele e com a sua capacidade empreendedora. Participei da criação da Livraria, da Distribuidora, da Editora e do Jornal A Ponte. Trabalhei com ele durante 20 anos, até 1985, quando assumi o papel de distribuidor atacadista da empresa, fixando-me, por conta própria, com a marca Distribuidora Estudantil e 148


posteriormente Livros Luiz Lunardelli, com atuação em todas as capitais do litoral brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Maranhão, durante mais 20 anos, até 2005. Minha aposentadoria compulsória aconteceu em 2006 quando um incêndio criminoso nas instalações da minha empresa destruiu todo o estoque com mais de 300 mil exemplares de livros. Depois de 40 anos de trabalho árduo e sofrido para conquistar um patrimônio cultural incalculável é difícil continuar no ramo, até porque eu cometi o mesmo erro da grande maioria dos empresários de não contratar seguro por achar que os sinistros só ocorrem com os outros. Em 2008, atendo ao convite dos amigos Luiz Alberto, Emanuel e Jorge Martins, mudei o ramo de atividades para o setor náutico e vim morar em Biguaçu para administrar a Marina 3 Mares e instalar o seu Restaurante. No campo do jornalismo profissional, tive experiências como diagramador, fotógrafo, colunista e editor do Jornal A Ponte, o primeiro semanário catarinense em formato tablóide, durante 15 anos, entre 1970 e 1985. Ainda atuei por dois anos (1982/1984) na Televisão Cultura como co-apresentador do Programa Mesa Quadrada, no qual dividia a bancada com o jornalista Manoel de Menezes, pai do Cacau Menezes. Na TV Barriga Verde, sob a direção do Ivan Bonatto, apresentei por dois anos ( 1984/1986) um programa de variedades culturais chamado “Mural”. Como colunista de cotidiano do Jornal Notícias do Dia, entre os anos de 2009 e 2010 criei a série “Bom dia, Biguá!” onde comecei a conhecer mais de perto e a me encantar com os valores da cidade. Quando o JND fechou a sucursal de Biguaçu, mudei-me com a mesma coluna para o Biguaçu em Foco, onde escrevi por mais dois anos ( 2010/2011) até assumir, a convite do Prefeito Castelo, a Superinten149


dência de Comunicação Social da Prefeitura Municipal de Biguaçu, cargo que exerço com enorme satisfação, por estar fazendo aquilo que mais gosto, até hoje. Vida social, política e classista Sempre tive comigo uma máxima; “tempo é uma questão de prioridade”. Por isso, sempre procurei ocupar o meu tempo com o rigor e a exatidão de uma régua de 24 polegadas, distribuindo as horas do dia de forma a obter o melhor rendimento profissional, sem descuidar da vida pessoal e familiar. Não sei tenho uma liderança nata ou se é uma predestinação para trabalhar pelo coletivo, mas a verdade é que em todas as fases da minha vida profissional sempre estive às voltas com a criação e administração de entidades de classe. Assim, entre 1982 e 1990, fui fundador e presidente da ACELAssociação Catarinense de Editores e Livreiros ( depois transformada em Câmara Catarinense do Livro), que marcou o surgimento da Feira do Livro de Florianópolis, hoje na sua 31ª edição. Organizamos as primeiras oito primeiras edições da feira de rua, que acontecia no Largo da Catedral. Entre 2000 e 2004 atuei como Vice-Presidente da Câmara. Catarinense do Livro. Na virada do século, entre 1999 e 2003 participei como fundador e primeiro presidente da Fundação Hermon, o braço social da maçonaria catarinense que atua discretamente nas áreas da educação e recuperação de dependentes químicos. Nunca tive vocação para exercer cargos eletivos, embora tenha sido requisitado a iniciar uma carreira como candidato à vereador nos 150


anos 70, o que repeli por entender que os compromissos de uma vida pública através da política limita o exercício do caráter individual. Apenas para contribuir, de forma voluntária e não remunerada com o Partido Progressista, pelo qual sempre nutri uma simpatia pessoal muito grande, exerci durante os anos de 2007 e 2009 a função de Secretário de Comunicação do seu Diretório Estadual. Vindo morar em Biguaçu, entre 2008 e 2010 colaborei com a AMAS – Associação dos Moradores de São Miguel ( meu bairro) na função de Vice-Presidente e Secretário. Envolvido com a atividade náutica e com a intenção de virar Santa Catarina de frente para o mar, fui fundador e primeiro presidente da ACATMAR – Associação Catarinense de Marinas. ................................................. Concluindo, quero dizer a você, que conseguiu ler até aqui, que lá no início eu avisei que talvez não valesse a pena gastar o seu tempo. Afinal, a minha vida não tem nada de excepcional e é apenas a vida de uma pessoa comum, que não consegue parar de trabalhar e produzir coisas boas para si mesmo e para os seus próximos. Mas este balanço, mesmo que não sirva para nada, nem para ninguém, me foi muito útil, pois me deu a certeza de que toda a minha vida foi pautada pela ação voltada para o bem, para o crescimento pessoal e de todos os que me rodeiam, de todos os que eu amo, respeito e admiro, a começar por você, que teve paciência de ler-me até aqui. Mais oportuna, ainda, é a convicção de que se eu tivesse que começar de novo, faria tudo exatamente igual, pois, citando Cyrano de Bergerac: “Nada escrever, jamais, que eu mesmo não o produza; e o que importa dizer-te, oh minha altiva musa, seja do teu pomar, teu próprio o que tu colhas: embora frutos, flor ou, simplesmente, folhas”. 151


Osmarina Maria de Souza Cadeira nº: 20

QUEM SOU EU EU, Conversando com nossa Presidente de honra ela me perguntou se eu já havia feito o trabalho para a nova Antologia da Academia. Respondi que não sabia do assunto.Foi então que ela me falou que devíamos escrever um trabalho que versaria na resposta à pergunta: Quem sou eu? Aqui, então tento responder. Sou uma pessoa feliz que ao abrir minha janela pela manhã sempre digo: Bom dia, dia pode entrar com tua luz. Obrigado Senhor sei que És o meu pastor e nada me faltará. Nasci no dia 17 de novembro de 1929, na Maternidade Car152


los Corrêa, as seis horas da manhã e segundo minha mãe neste momento ouvia-se as seis badaladas do carrilhão da Matriz. Sou filha da doméstica Maria e do boêmio João. Maria era filha de agricultores da Águas Mornas quando Maria era ainda bem pequena se mudaram para a localidade de Sul do Rio em Santo Amaro da Imperatriz. onde Maria cresceu e trabalhou na roça. João era filho de Silvestre um descendente de açorianos e de Izabel Ignácia, uma escrava liberta pela Lei Àurea. Sou a filha mais velha deste casal de vez que Maria perdeu a primeira gestação, como também perdeu a terceira e a sexta. Tive uma irmã e um irmão que infelizmente já faleceram. Cresci num lar com problemas de alcoolismo, onde por vezes a fome se fez presente. Desta época tenho presente na memória a luta de minha mãe em defesa de seus filhos, em alimentá-los, e para isso muitas vezes à noite estava plantando verduras e frutas para que não nos faltasse o que comer, porque durante o dia ela trabalhava como doméstica e lavadeira. Das minhas saudades? Lembro de um grande pé de framboesa que mamãe cuidada para com os frutos fazer geléias e caldas para nós. Lembro também com saudades o grande ingazeiro em frente a nossa casa que além dos frutos nos dava muita sombra onde estava o tanque para lavar a roupa. e também muitas vezes subi para colher os frutos doces e macios. Como também me lembro da primeira amiga, a Linaura que como eu sofreu a fome, dormiu sobre esteiras, sua casa como a minha não tinha assoalho. Era meiga e com ela brincava de fazer comidinha em cacos de louças com folhas de laranjeiras. Ela não tinha pai nem mãe era criada por seus tios. Sinto também muita saudade de minha avó Izabel, a escrava, 153


que morava conosco, pitava seu cachimbo, benzia as pessoas que a procuravam com um problema qualquer, que fez a touca para que eu me batizasse e que ainda tenho em meus guardados. Lembro dela na roca fiando e no tear tecendo panos para seus saiotes. As saudades são inúmeras e seria impossível aqui dizê-las todas. Com seis anos em 1936 entramos no Jardim no Grupo Escolar Arquidiocesano Padre Anchieta. A professora? Dona Helena Borba. Em 1937 entrei para o primeiro ano no Grupo Escolar Lauro Müller. A professora? Altair Barbosa Marçal. Em 1938 fui para o 2º Grupo Escolar Arquidiocesano São José. A Professora – lº dona Glória Oliveira depois dona Ruth. Em 1939 fui para o 3º ano no Grupo Escolar José Boiteux. A professora Dona Flora Pauwezang, daí fui transferida para o Padre Anchieta com a p Professora Izaura Dominoni. Em 1940 voltei para o Grupo José Boitenx para cursar o 4º ano com a Professora Urssulina de Senna Castro e novamente transferida para o Grupo Escolar Modelo Dias Velho, ao lado no antigo Instituto de Educação na Rua Saldanha Marinho, ali com a professora Julieta Torres, tão meiga. Recebi nesta escola meu primeiro diploma do curso primário. Em 1941 fui para o lº ano Complementar no Grupo Escolar Silveira de Souza e em 1942 para o 2º ano Complementar no Grupo Escolar Lauro Müller onde recebi o diploma de conclusão do Curso Complementar. Em 1943 fui para o Instituto de Educação. Como era grande o número de candidatas para o primeiro ano Fundamental foi feito um exame de seleção no qual fui aprovada e diretamente matriculada no segundo ano. 154


Em 1945 fiz o Curso de datilografia com a querida professora Lígia dos Santos Saraiva nora do dicionarista Santos Saraiva. Casei aos dezoito anos com um militar que foi transferido para o 23 RI em Blumenau e lá trabalhei na Companhia de Fumo em Folhas, para ajudar nas despesas pois a boemia limpava o bolso do esposo. De volta para Florianópolis trabalhei como camareira, como lavadeira, como cozinheira e por fim consegui uma nomeação para datilógrafa em uma Secretaria do Estado onde fiquei por trinta anos até a aposentadoria., quando eu já estava divorciada e com as filhas criadas e casadas. Em 1994 entre no NETI para fazer o Curso de Monitora da Ação Gerontológica. No NETI fiz ainda um curso de Interações Humanas e um mini curso de Técnicas de Jornalismo. Atualmente faço lá uma Oficina de Literatura Ingressei no Programa Intercâmbio Comunitário e dediquei meu tempo disponível como voluntária, o que me satisfez plenamente. Preenche meu tempo vago. No NETI a colega Maria Vilma Campos me convidou para ajudá-la a fundar a Associação dos Cronistas Poetas e Contistas Catarinenses e com Vilma Bayestorff a associação se tornou realidade. Entre os associados estava Zoraida Hostermann Guimarães que nos convidou para fundar a Academia São José de Letras que em 24-04-1996 já estávamos fazendo a ata de sua fundação. Nesta Academia ocupo a Cadeira nº 24 que tem como patrono o poeta desterrense Luiz Delfino dos Santos. A seguir com Dalvina de Jesus Siqueira e Vilma Bayestorff também ajudava a fundar em 20-09-1996 a Academia de Letras São 155


João Evangelista da Barra de Biguaçu.Nesta Academia ocupo a Cadeira nº 20 que tem como patrono João Nicolau Borhn, o primeiro Superintendente da cidade de Biguaçu e um político de escol. A Associação dos Cronistas, Poetas e Contistas Catarinenses foi convidada para com alguns associados participar da fundação de uma academia municipal em Florianópolis que após algumas reuniões aconteceu no dia 28-05-1998 a fundação da Academia Desterrense de Letras. Nesta Academia ocupo a Cadeira nº 10 cujo patrono é o grande historiador catarinense Oswaldo Rodrigues Cabral. Mas recentemente fui convidada para ajudar na fundação da Academia Alcantarense de Letras na cidade de São Pedro de Alcântara no dia 06-10-2009. Nesta Academia não aceitei uma Cadeira devido a minha idade e a distância do meu domicílio, sou então Acadêmica Honorária. Fundei ainda no NETI o Grupo Literário Terceiro Tempo, hoje desativado. Lá fizemos Oficinas de poesias, publicamos uma antologia com trabalhos de alunos do NETI, fizemos vigília de Natal e trabalhos voluntários em jardins de Infância, casas de longa permanência, colégios e em grupos de terceira Idade. Tenho muito orgulhos destas Instituições, pois em todas fui a primeira secretária e autora das atas de fundação. A Academia de Letras de Governador Celso Ramos me deu o titulo de Acadêmica Correspondente. Todo este movimento no qual me envolvi deu-me muito prazer e dedicação além de trazer-me alguns certificados e honrarias como: - Medalha de Mérito pela Câmara Municipal de São José, - Troféu Cruz e Sousa pela Academia Desterrense de Letras, - Casa do Saber Gerontológico (2) 156


- Dalvina de Jesus Siqueira - Manezinho do Ilha (pela Prefeitura Municipal de

Floria-

nópolis - Senatus Popolusque (p/Prefeitura Municipal de Florianópolis - Medalha de Mérito pela Academia de Letras de G o vernador Celso Ramos - Medalha Lauro Lockes pela Academia de Letras de G o v . Celso Ramos, - Certificado de Mérito Honorífico pela Academia de Letras do Brasil – Brasília - Certificado de Honra ao Mérito- Homenagem Especial Pelo Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais – Rio de janeiro - Fui patrona do Concurso de Crônicas Osmarina Maria de Souza promovido pelo SENAC - Certificados de participação em Fóruns, Encontros (64) - Participação na Primeira Conferência Nacional da Política para a Pessoa Idosa em Brasília. - Apresentação na Escola Superior de Ensino Técnico em Setúbal-Portugal e na Universidade Federal em Ponta Delgada –Ilha de São Miguel nos Açores. - Participação no Programa Intercâmbio Comunitário entre UFSC e Prefeituras Municipais de Santa Catarina, em 27 municípios, e muito outros certificados - Participação nos Encontros de Estudantes Universitários da Terceira Idade e atuante também com membro da Mesa Plenária nas cidades de Santa Maria-RS, Juiz de Fora-MG, Ilhéus-BA, Campo Grande-MS, São Luiz-MA, Aracajú-SE e Caxias do Sul-RS Publiquei com ajuda de amigos três livros: DIVAGANDO, 157


de poesias, RELICÁRIO DE SAUDADES de crônicas e poesias, e DONA CLARINDA de histórias vividas por minha mãe. Estou com um livro no prelo intitulado ERA UMA VEZ EU E A FELICIDADE. Em parceria com Dalvina de Jesus Siqueira fiz BIGUAÇU EU TE AMO onde escrevo sobre a questão: VOCÊ SABIA? E novamente com Dalvina participei em um livro que está no prelo onde escrevo passagens da vida de Alaíde Sardá Amorim primeira poetisa da cidade de Biguaçu e pessoa conceituada na sociedade da cidade. Dois outros livros estão prontos; Panegíricos e outros Escritos e Crônicas do Baú. Muito mais teria para dizer, porém isto me satisfaz e por isso já sou muito feliz. Agradeço a meus familiares, ao NETI e especialmente ao grande número de amigos que alentam minha vida. POR QUE? Sou feliz porque Vejo o mundo perfeito... ou às avessas Vejo rios e vales, Banho-me em águas frescas das cachoeiras, que despencam do alto das pedreiras. Mergulho no mar sereno ou bravio Sinto a beleza de praias e dunas da minha terra, que tem palmeiras, altaneiras, castanheiras, mangueirais e seringais, onde ao amanhecer de cada dia 158


cantam cotovias e sabiás, ou arrulham nos galhos, na hora da Ave Maria. Sou feliz, porque vivo. Sou feliz porque amo a natureza, Simples, pura exuberante. Vejo rosas com gotas de orvalho desabrochando. Vejo flores despetalando ao sopro da leve brisa. Sou feliz porque chorei e sorri, sobre meus erros eu refleti. A consciência, humilde soube ouvir, e o perdão soube pedir. A diferença do ter e do ser, eu compreendi. Sou feliz porque saudade também sentiu. Sou feliz porque obstáculos ultrapassei. Tenho o coração desarmado de ódio. Realizo sonhos. Subo no pódio. Vou livre, Pés descalço, pelos caminhos da vida, Admirando cores de pássaros e borboletas. Sinto odores e olores de flores mil. Vejo e ando com a graça de Deus. Sou feliz porque sinto vergonha, sinto orgulho. Tenho amigos. Sou feliz porque a luz de Deus, em mim jamais se apagou. Sou feliz porque tive um grande amor. Osmarina 159


Orival Prazeres Cadeira nº: 21

QUEM SOU EU A proposta do título Confesso não ter me sentido confortável, naquele momento e seguintes, ao recebimento da proposta da Academia para a produção da Antologia 2013, reunindo auto-biografias dos acadêmicos, sua trajetória, seus feitos, suas obras, sob o título “Quem sou eu”. Como discorrer a essa afirmação – quem sou eu, ou não seria uma questão a ser esclarecida – quem sou eu? A trajetória, os feitos e obras, por si sós, não me parecem poder responder a questão “quem sou eu?”. Aos leitores 160


e à sociedade, em um momento, poderiam se bastar com a revelação afirmativa. Mas, satisfaria ao meu ego o relato “quem sou”, afirmativo dos benfeitos e obras, não raro escondendo o homem, o cidadão, o profissional, o pai, o irmão, o amigo? O relato, pois, terá que demonstrar um pouco além do resultado da ação, do fato, da proeza do feito, algo que expresse também o imaterial da pessoa, sua alma e espírito, os seus vínculos com o próximo e a natureza, os valores morais e éticos, o respeito às diferenças étnicas e culturais. Sem envaidecimentos e trocas. Assim, tentarei no limite do espaço proposto, revelar “Quem Sou Eu”, relatando uma fase importante de minha trajetória, procurando deixar, também, mesmo de forma velada, um pouco da personalidade e do caráter, em um relato de saudade e de reconhecimento a um homem probo, determinado e comprometido com as causas sociais de nosso tempo. É o que tentarei revelar a seguir, discorrendo sobre um momento muito especial de minha formação e prática política, como fiel discípulo do educador e amigo, Professor da Udesc/Esag, Jacó Anderle, sociólogo e Mestre em Ciência Política, morto em 02/07/2005, no exercício do cargo de Secretário de Estado da Educação e Inovação. Discípulo de Jacó O ano era 1987. Fevereiro, o mês do meu aniversário de 49 anos. Foi o meu retorno a Santa Catarina e ao INCRA em Florianópolis, como servidor público, após ter servido a autarquia em Belo Horizonte e Brasília nos 16 anos anteriores. A Capital, Florianópolis, como de resto os municípios catarinenses, vivia momentos de ódio e paixão com a posse dos eleitos em 1986. O PMDB comemorava a posse de Pedro Ivo ao governo do Estado. Na sede estadual do INCRA, instalado no edifício Ceisa Center, todos aguardavam a posse do novo Superintendente Regional, indicado pelo governo Pedro Ivo Campos para coordenar as ações de reforma agrária no Estado. Em161


bora não fosse ele engenheiro agrônomo, advogado, ou pessoa com vínculos na agricultura ou com a questão da reforma agrária, havia um clima bastante favorável entre os servidores da autarquia ao nome indicado pelo PMDB estadual. Recém-chegado de Brasília e Belo Horizonte, locais em que havia atuado durante dezesseis anos, assistia com naturalidade a movimentação política de futuros assessores, ansiosos com a posse do novo Superintendente Regional e formação da equipe dirigente. Foi quando, fui apresentado ao Professor Jacó Anderle, nomeado Superintendente Regional do INCRA em Santa Catarina, ainda sem perceber estar diante de alguém com o qual convivera em uma fase da adolescência, há muitos anos passados. A convivência no INCRA, semanas após, logo trouxe à mente a sua imagem e lembrança dos tempos idos, no seminário de Azambuja, na cidade de Brusque, em 1950, quando, como seminaristas, eu com apenas 12 anos, ocupamos o mesmo espaço em preparação ao sacerdócio secular. Ele, Jacó, cursando a quinta série, quase pronto para os cursos superiores de Filosofia e Teologia em Viamão, no Rio Grande do Sul. Eu recém-chegado do Seminário de São Ludgero, um iniciante em seu segundo ano como seminarista. A diferença de idade, eu adolescente e ele um jovem próximo dos quinze/dezesseis anos de idade, por si só nos distanciava, mesmo nas relações de convivência sob o mesmo teto, no salão de estudos, no refeitório, no dormitório e corredores comuns, inclusive nos pátios e campos de esporte, onde a recreação obedecia a regras disciplinares e comportamentais restritas às idades/séries e respectivas enturmações, sempre, em todos os momentos, sob o olhar atento do prefeito padre Alfredo Junckes, que mais tarde veio a ser pároco de Antônio Carlos. Não lembro ter havido algum momento de conversa com Jacó ou fato que nos tivesse aproximado. Por certo nunca houve. Minhas leves lembranças vêm dos jogos de futebol e de corridas com “bastão” 162


nos pátios do seminário, ao lado do Santuário de Azambuja, onde Jacó se destacava por sua velocidade, corpo entroncado, pernas curtas e fortes. Assim, embora tendo lembranças da turma de Jacó (o Maneca, João Paulo Rodrigues, Sthaelin, Emendöerfer e outros), o certo é que Jacó não guardara lembranças minhas. Foi um curto tempo, onde as circunstâncias do ambiente e do cotidiano da vida reclusa, não permitiam que nos conhecêssemos o suficiente para estabelecer relações de convívio e amizade. Ao final de 1951, decorridos três anos de estudos no seminário, após reunião de análise e avaliação com o padre Valentim, o guia espiritual e Dom Afonso Niehus, o reitor, decidiu-se pelo meu desligamento dos estudos por razões vocacionais para o sacerdócio religioso. Meus pais sentiram muito. Para eles um sonho desfeito! Já no mundo profano, em janeiro de 1952, próximo dos quatorze anos de idade, defrontei-me com o fato absurdo de ter que me submeter a exames de admissão para o curso ginasial no Colégio Dias Velho, em Florianópolis, nada valendo os estudos no seminário, na época, não reconhecidos pelo governo. Assim foram retomadas as atividades no mundo real, com todas as marcas ditadas pelos regulamentos de conduta e disciplina impostas no seminário, influenciando profundamente no comportamento e na formação do meu caráter e personalidade, com suas qualidades e defeitos, virtudes e vícios. Jacó seguiu, ao que se sabe a carreira sacerdotal nos graus superiores. Assim, do mesmo modo como nossos caminhos se cruzaram em Azambuja/ Brusque, também nos levaram adiante cada qual com seus sonhos e realizações, até que um novo momento de construção do processo da vida se realizasse, aproximando-nos no trabalho de construção política, sob os princípios da ética, do diálogo e da justiça social. Não tenho dúvidas, quão edificante foi a experiência no seminário para a minha formação, como homem e cidadão, enriquecida 163


e fortalecida ao longo dos anos por acontecimentos extraordinários colocados por Deus em minha trajetória de vida – primeiro, o acesso ao mundo acadêmico da universidade, de modo especial a participação na política estudantil nos anos de 1962 a 1964, abrindo-me ao mundo da consciência crítica; segundo, a condição de preso político durante 28 dias, entre 7 de abril a 5 de maio de 1964, após o golpe militar que derrubou o presidente da República, Jango Goulart; terceiro, a experiência da paternidade iniciada em 1966, com minha esposa Maria Helena, na construção de nossa família de quatro filhos: Sandro, Luciano, Daniela e Cristina; quarto, o envolvimento com a doutrina espírita e a espiritualidade a partir de 1972 em Belo Horizonte-MG e, por último, a experiência pessoal vivida em 1980, em Brasília e Belo Horizonte, diante de um tumor maligno na bolsa escrotal, um seminoma, segundo diagnosticado pelo amigo Dr. Eudes Fernandes, médico urologista e cirurgião, do quadro de servidores do INCRA, que operou-me em Brasília e acompanhou todo o processo de tratamento e cura. Durante esse longo tempo, 1951 a 1986, eu e o Professor Jacó não mais nos encontramos. Soube depois, já no INCRA em Florianópolis, que Jacó ordenara-se padre e durante algum tempo cumprira seu mister, em Santa Catarina, quando conheceu o seu grande amor, a irmã Elisabete, fazendo-a sua esposa, com quem teve três filhos: Fernando, Eduardo e Elisa. O reencontro com Jacó Anderle em 1987, portanto, ocorreu em circunstâncias bastante peculiares, 36 anos após. No primeiro momento, dias antes de sua posse, recusara convite de seus futuros assessores, entre os quais, Célio Silva e Sérgio Locks, para integrar a equipe dirigente da Superintendência, alegando meu recente retorno ao órgão em Santa Catarina, não sendo meu desejo disputar espaços e não ser pessoa das relações do novo Superintendente, naquele momento 164


um desconhecido, como ele a mim. Mas, ao ser-lhe apresentado em sua posse, percebi logo que sua fisionomia não me era estranha, como se já estivéssemos juntos em algum tempo e lugar. Dias ou semanas após, confrontadas as experiências e lembranças da adolescência, inclusive a vida no seminário, nos reencontramos num grande e afetuoso abraço, pelo qual registramos a celebração de um novo e singular momento de nossas vidas. Não tínhamos consciência de estarmos naquele momento selando o início de um pacto de amizade, admiração e respeito mútuo, que se prolongaria por muitos anos. Passei a integrar ainda em 1987 a equipe dirigente do INCRA em Santa Catarina, na condição de Chefe de Planejamento e Coordenação. Não poderia me omitir a uma convocação do amigo e professor Jacó Anderle, num momento de grande euforia do povo brasileiro com o retorno dos civis ao poder, com a eleição de 96% dos candidatos do PMDB nos 27 estados brasileiros onde ocorreu eleição para governadores. O professor Jacó tivera destacada atuação na campanha vitoriosa do MDB e das esquerdas ao governo do Estado, em especial no Instituto de Formação Política do partido. Sua ascensão ao INCRA foi em reconhecimento por sua militância política junto aos movimentos sociais, sendo o seu nome bem recebido pela Coordenação Estadual do Movimento dos Sem Terra - MST, com a qual teve durante toda sua gestão uma relação respeitosa e atuante. Em pouco mais de dois anos no INCRA, o professor Jacó deixou como marca de sua gestão democrática a implantação dos Conselhos Municipais de Reforma Agrária, constituídos por representantes dos órgãos governamentais do município e do estado com funções executivas na administração dos assentamentos, como também os representantes do INCRA e dos assentados, inclusive da Coordenação Estadual do MST. Foram instalados oficialmente conselhos municipais de reforma agrária em Campos Novos, Caçador, Abelardo Luz, 165


Dionísio Cerqueira e outros municípios com projetos implantados ou em implantação. Nesses foros de discussão e decisão eram tratadas as questões envolvendo o interesse dos projetos de assentamento: escola, saúde, estradas, crédito, assistência técnica, cooperativismo, habitação, distribuição de lotes às famílias de sem terra do município, etc. A forma democrática de gestão da reforma agrária executada em Santa Catarina, contudo, tinha forte oposição de setores conservadores da sociedade, contrária à desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária, especialmente nas regiões do planalto serrano, rio do Peixe e planalto norte, com o apoio do então deputado federal Puzina, representante do PMDB da região norte do Estado. Em meados de 1989, não resistindo às fortes pressões, o Professor Jacó foi exonerado, mesmo com o apoio do MST e de setores da Igreja comprometidos com a reforma agrária, como os bispos de Chapecó, Caçador e Joinville. Sempre foi muito expressivo o seu compromisso com a reforma agrária, o que lhe custou a exoneração intempestiva, sustentada pelo latifúndio e o conservadorismo das forças políticas presentes nos governos estadual e federal. Para o professor Jacó Anderle, “fazer reforma agrária é modificar a estrutura fundiária (injusta). É distribuir a propriedade rural (concentrada). É fazer justiça social (necessária e urgente). É fazer com que “os que têm pouco não percam e os que têm muito dividam”” A convivência com o professor Jacó em sua passagem pelo INCRA entre 1987 e 1989 fez com que se estabelecesse entre nós uma relação de grande amizade, respeito e admiração. Mas foi a partir de sua opção política pela Social Democracia em 1989, defendida pelo Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB - por influência direta de seus amigos Senador Dirceu Carneiro e Deputado Federal Francisco Kuster, e de lideranças nacionais como Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, que nossas relações se estrei166


taram definitivamente, além da amizade, muito mais como aluno e professor, discípulo e mestre. Acompanhei sua militância social-democrata, nas reuniões, encontros, seminários e congressos do PSDB com os companheiros do partido em todo o Estado. Na organização do Instituto Teotônio Vilela, o ITV, órgão de formação política do partido, e em sua gestão na preparação dos companheiros e novos filiados, o professor Jacó sempre foi a referência do partido, por seu conhecimento teórico e vivência prática. Embora um sonho nunca realizado, o Professor Jacó tentou a eleição à Assembléia Legislativa no pleito de outubro de 1990, com o número 45613, numa dobradinha com o então Deputado Federal Francisco de Assis Küster, que concorria à reeleição com o nº 4513, também sem sucesso. Em Biguaçu, o PSDB consagrou os nomes de Jacó Anderle para Deputado Estadual e de Francisco Kuster para a Câmara Federal, embora com votação inexpressiva. O partido apenas iniciava sua trajetória no município, sem nenhuma estrutura política e econômica para sustentar uma campanha frente aos partidos tradicionais e um eleitorado extremamente conservador. Jacó nunca mais concorreu a cargo eletivo, embora mais tarde viesse a colocar seu nome à disposição da convenção do partido, em 2002, no caso de candidatura em chapa pura ao Senado Federal nas eleições daquele ano. A derrota nas urnas, no entanto, não arrefeceu seus ânimos e o compromisso político-partidário com a social democracia. Logo após as eleições de 1990, em que o PSDB concorrendo em chapa pura ao Governo do Estado, com o Senador Dirceu Carneiro e Vilson de Souza como seus candidatos, quando sofreu humilhante derrota nas urnas, o Professor Jacó assumiu a presidência do partido com a incumbência de reerguê-lo das cinzas e da humilhação por elevadas dí167


vidas contraídas na campanha. Sua pertinácia e credibilidade fizeram o partido reviver e continuar o trabalho sério de construção de uma sociedade mais democrática e justa. Nunca esmoreceu, ao contrário, o ânimo, o entusiasmo e a coragem em avançar eram elementos de sua conduta, sua maneira habitual de ser, caracterizando sua personalidade e caráter. E assim, durante todos esses anos em que o acompanhei, no trabalho e na política, o professor Jacó sempre foi um exemplo de fé, amor, confiança e coragem, em relação ao futuro. Acreditava apaixonadamente no trabalho em equipe e no sucesso dos projetos que empreendia. Após o pleito de 1989, a primeira eleição direta para a presidência da República no país desde 1960, com a vitória do candidato Fernando Collor de Melo (votei em Leonel Brizola/PDT no1º turno e em Luiz Inácio Lula da Silva/PT no 2º turno), decidi filiar-me ao Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB, onde se encontravam Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros grandes líderes nacionais. Empolgado pelos seus postulados e princípios programáticos, aceitei convite de ex-militante do PMDB, Vereador José Braz da Silveira, e juntos fundamos em janeiro de 1990 o partido em Biguaçu, após trinta anos sem qualquer vinculação político-partidária, neles incluído o período de 21 anos de ditadura militar, entre 1964 e 1985. Recordo que, em 1960, com 22 anos de idade, quando integrava a extinta União Democrática Nacional-UDN, exercia a função de secretário do Diretório Municipal em Biguaçu. Nessa ocasião, por força de exigência legal para ocupar cargo público federal no então Serviço Social Rural, requeri junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina o meu desligamento da UDN, tendo sido o primeiro partido a filiar-me até a decisão que me levou ao PSDB em 1990. 168


O período entre 1962, quando ingressei na Faculdade de Serviço Social da UFSC, até março de 1964, quando ocorreu o golpe e o início do regime militar no país, foi um marco de grande significado em minha formação política. Fora dois anos e três meses de um aprendizado riquíssimo, quando passei a ter uma percepção humanista do mundo, a conhecer o significado das instituições e da primazia do social sobre o individual, a perceber o papel do homem-sujeito da história com o grande educador pernambucano, Paulo Freire. A prisão sofrida com o golpe militar não me fez mudar a consciência crítica de cidadania, em seu conceito de homem em sua integralidade e do mundo, mas foi capaz de produzir a insegurança e o temor, com conseqüências irrecuperáveis em minha formação acadêmica, profissional e funcional, além de seqüelas jamais dissociadas do consciente. A crença na Espiritualidade, a dedicação ao trabalho atuante e fecundo no INCRA e a satisfação da vida familiar, durante todo o regime militar, em Florianópolis, Belo Horizonte e Brasília, foram a energia e luz a me iluminar e a sustentar-me naqueles vinte anos de ditadura, até o reencontro com Jacó Anderle. Tendo me aposentado no INCRA em 1991, passei a dedicar-me à construção do PSDB em Biguaçu, vindo a aceitar o compromisso de candidatura majoritária a Prefeito nas eleições de 1992, numa aliança com o PT e o PDT, formando a Frente Popular. O grande diferencial da campanha, sob o lema – CORAGEM PARA MUDAR, foi o programa de governo assentado no modelo de gestão democrática e participativa. Um jornal de campanha, sob o título BASTA!, foi o canal de comunicação com a comunidade e o eleitorado, onde marcávamos posição contrária ao conservadorismo sustentado pelas outras duas candidaturas, representantes das forças políticas tradicionais no município – o PMDB, o PFL e o atual PP, num tempo em que não dispunha a cidade de um jornal ou rádio local, predominando 169


as velhas práticas de gestão empírica, o atraso e a ignorância política. Como já se esperava, as forças políticas conservadoras do município venceram as eleições, desta vez com o PMDB e seu candidato Sadi Peixoto, por apenas quatorze votos de diferença em relação ao segundo colocado, o PPB/PFL. O Prefeito eleito, Sadi Peixoto, havia sido colega de serviço no IBRA, sendo meu amigo até os dias de hoje. O PSDB recebeu 943 votos, elegeu o seu primeiro vereador, sendo a votação majoritária decisiva para a vitória do PMDB naquela eleição municipal. O professor Jacó Anderle participou de nossa campanha, especialmente através de curso de preparação de nossos candidatos a vereador, no âmbito da formação política e do exercício do mandato popular. As experiências vividas com o professor Jacó no INCRA e posteriormente nas campanhas eleitorais do PSDB, em 1990 e 1992, criaram um ambiente fraternal e de absoluta confiança mútua, renovados ao longo dos últimos anos de convivência, no partido e nas instituições governamentais onde juntos atuamos. Em 1993, após avaliar proposta de trabalho que me foi apresentada pelo amigo e empresário Joaquim Severino, proprietário da empresa Agrária Engenharia e Consultoria SA, com sede em Curitiba, no Paraná, firmei contrato de consultoria por quatro meses – abril a agosto, para atuar na cidade de Rio Branco, capital do Estado de Roraima, onde desenvolvi estudos e levantamentos junto ao INCRA local e Secretaria da Agricultura do Estado com vistas a subsidiar a criação e funcionamento do Instituto de Terras de Roraima, o ITERAMA. Ainda em Roraima, recebi convite do professor Jacó para realizar missão gerencial na Superintendência da Legião Brasileira de Assistência- LBA em Santa Catarina, no contexto do projeto da Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, em debate no Congresso Na170


cional. A partir de setembro, já em Florianópolis, o professor Jacó Anderle recebeu-me com a distinção e afeto dados somente àqueles que nos são muitos caros. Foram cerca de dezoito meses de intensa atividade na LBA, onde realizamos uma gestão administrativa e financeira responsável, através do processamento, análise e controle dos recursos federais repassados às entidades assistenciais cadastradas e registradas junto aos Conselhos Nacional e Estadual de Assistência Social, para suas ações continuadas e projetos especiais, incluindo as creches com crianças de 0 a 6 anos de idade. A missão institucional delegada ao Professor Jacó Anderle, no entanto, consistia em preparar o órgão e as entidades públicas e privadas da rede de proteção social no Estado, para adequarem-se às profundas mudanças constantes na Lei Orgânica da Assistência Social, inclusive a extinção da LBA, em fase final de discussão no Congresso Nacional. Tratava-se, pois, de missão delicada e extremamente sensível, envolvendo diretamente os programas voltados aos mais carentes do processo de inclusão social: o auxílio à maternidade e à infância, os programas de ação continuada dirigidos aos idosos, às crianças de 0 a 6 anos, aos portadores de deficiências, etc. Eram centenas de instituições e entidades, assistenciais e filantrópicas, que dependiam dos recursos repassados pela LBA para suprir seus programas assistenciais. Somente pessoas com responsabilidade política, dotadas de grande sensibilidade social, poderiam desempenhar essa difícil missão. Foi efetivamente um trabalho digno de reconhecimento de todos, que exigiu muito da capacidade de diálogo, compreensão e de convencimento do Professor Jacó Anderle, que soube como mestre realizar a transição para o governo do Estado das ações então realizadas pelo órgão federal, encerrando seu mister ao final do primeiro semestre de 1995, enquanto meus serviços a partir de janeiro daquele ano passaram a ser prestados na Assembléia Legislati171


va do Estado de Santa Catarina, na qualidade de Chefe de Gabinete do Deputado Francisco de Assis Kuster e durante todo o seu mandato expirado em 01/02/1999. Esse o relato de uma fase de minha vida, envolvendo aspectos da experiência profissional e política, entre 1987 a 1999, com rápidas passagens entre 1951, no Seminário de Azambuja aos 11 anos, e 1964, aos 26 anos, com a prisão pelo regime militar que assumiu o poder no Brasil. O professor Jacó já não mais está entre nós. Ao seu lado, atuando na Chefia de Gabinete, acompanhei sua luta heróica contra um câncer, que o levou para o Oriente Eterno no dia 02/07/2005, em pleno exercício das funções de Secretário de Estado da Educação e Inovação, no Governo Luiz Henrique. Os que o conheceram, não esquecem jamais, o homem, o amigo, o professor, o social democrata. Saudades! Julho - 2013

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Valdir Mendes Cadeira nº: 22

QUEM SOU EU... Por vezes as indagações surgem em nossas mentes e vamos evoluindo com a pergunta quem sou eu...e então vamos reavaliando nossa vida, nosso passar no tempo, dos momentos, das amizades, dos encontros e tantas e tantas outras motivações. É comum dizer: “recordar é viver” E lembrando o passado, em resposta a indagação de quem sou eu, iniciamos a um processo de alto análise, ou seja de reflexão pelo que levamos a efeito em nossa vivência terrestre, até então, é claro, pois ainda temos muito mais para estar com tudo e com todos. Recordando, pois, o passado, onde tudo em cada um de nós inicia, passamos a destacar. 173


Nosso nascedouro foi na Maternidade Carmela Dutra, em data de primeiro de novembro de 1947. Meu irmão Vilson Mendes já tinha nascido. Nossos pais: Lauro Mendes e Clarice da Silva Mendes. Minha infância foi “curtida” na Chácara do Espanha, centro de Floripa, com ruas de barro, com aproximadamente cinco casas. A nossa casa estava situada à Rua Martinho Callado – nº 3, local onde vivíamos com alegria, em família e com os vizinhos, poucos é verdade, mas grandes na amizade com virtude. Todos se conheciam. A casa dos meus pais era acolhedoura, simples, como se fazenda fosse, pois tínhamos cachorro, a braba “Ladi”; tínhamos frutas: abacate, uva, ameixa e até uma mini horta e galinhas, também. Para mim a casa e o quintal era o meu mundo particular. Pulava muro, corria com a “Ladi”, colhia ovos no galinheiro, subia em árvores apanhava abacates para dar aos vizinhos e vender em frente ao Colégio Coração de Jesus. Um mundo mágico que não mais existe, salvo na memória e fotos. É, recordar é viver. Hoje não tenho mais a convivência dos meus pais e irmão que me deixaram com saudade posto que até o final de minha vida estarei em memória, muito viva, com eles. Também não tenho mais minha querida cachorra Ladi e o quintal e a casa que não estão no local, pois lá foi construída uma empresa. A rua de barro onde jogávamos bola e em poças de água e lama sujávamos as roupas era o momento principal da brincadeira e também não mais está lá, vez que por cima temos asfalto, carros e as crianças que por ali residem não mais podem brincar. 174


E da infância para a juventude foi uma celeridade no tempo, logo, logo estávamos correndo atrás dos 15 anos e depois em busca dos 18 para obtermos a carteira de motorista e em final a maioridade dos 21 anos. Que loucura, corríamos atrás no tempo para alcançarmos algo e hoje assim não pensamos. A beleza, a pureza, a alegria de estarmos como criança não tem preço e se pudéssemos assim ficaríamos por todo o tempo, correndo atrás da bola, da pipa, brincando de esconde esconde, enfim brincando de tudo no mundo fantástico da infância. E na juventude começamos com os namoricos, os bailes, a dirigir carros, a criar barba e bigode. Então dizíamos: - Agora somos homens adultos. Ora, que coisa, mas era verdadeiro o pensar. Neste caminhar vem a faculdade, o emprego, o namoro sério o noivado e o casamento. A responsabilidade começa a pesar em nosso ombros e somos mais um ser a contribuir para o dia dia nosso e de todos. Mas nesta vivência temos passagens absolutamente lindas, alguns momentos de tristeza, de melancolia, é claro, mas entendemos que tudo faz parte da nossa vivência. Aqui estamos por uma força divina e a ela e com ela temos que alcançar nossos objetivos até o final do nosso tempo. Amei muito na vida e penso que fui muito amado. Tive muitos amigos na passagem da infância para a juventude e desta para a vida de adulto. Aprendi a separar o mal do bem. A entender o próximo e com ele poder conviver pacificamente. Estudei no primário no Grupo Escolar Lauro Miiller, onde minha mãe foi professora e diretora e lá também fui professor. 175


Passei pelo Instituto Estadual de Educação; Colégio Catarinense e enfim na Universidade Federal de Santa Catarina que ficava na Rua Esteves Junior, após passou para a Trindade. Durante 19 anos fui professor de diversos colégios de Florianópolis e quando conclui a universidade – direito – comecei a atuar como advogado com escritório à Rua Tenente Silveira – centro – em Florianópolis, local onde fiquei estabelecido por 37 anos e após passei a sediar meu escritório à Rua Saldanha Marinho – 244, também centro. Fui Chefe da Assessoria Jurídica da Secretaria da Justiça durante o Governo de Espiridião Amin; Presidente da Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de Santa Catarina; Coordenador do Comitê Catarinense de Combate á Tortura – CCCT, voluntário do Lar Recanto da Esperança, até hoje me dedicando a esta tarefa, e muito atuante na defensoria dativa em favor dos necessitados. Com a referência do meu irmão Vilson Mendes, em vida, integrei como Membro da Academia de Letras de Biguaçu, tendo a frente a querida Presidente Dalvina, e após ingressei na Academia Alcantarense de Letras, de São Pedro de Alcântara , com a responsabilidade pela Assessoria jurídica em ambas as academias. Formei a Academia de Letras do Brasil, em Florianópolis, onde atualmente estou como Presidente, sendo meu patrono o inesquecível Saul Oliveira, advogado, narrador de futebol e jogador, também. Atualmente atuo como advogado e participo como acadêmico das academias, procurando levar a cultura literária adiante. Em 19 de julho, na sede da OAB/SC, Lancei meu livro AMIGOS...AMIGOS, revisitando o sentido da palavra.

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O evento em referência foi muito bom, prestigiado, diria, com meus filhos Michel e Bianca. E mais...Lauro, Davi e Ana Clara.

Sinto que o ser humano necessita de entendimento – amizade – para que a sociedade tenha uma interação de respeito, face este valor ser levado a efeito. 177


Aristóteles, filósofo Grego, em sua famosa obra Ètica à Nicômaco, bem definia esta valorização de ser humano para com outro ser humano... ”a amizade é uma virtude ou está conectada com a virtude...” Conceituava também que... “homens que são bons e semelhantes na virtude...” Já buscava a felicidade por esta conceituação. E é o que pretendemos, alcançar a felicidade e para tanto procuro ser bom para com o próximo, aconselho aos meus familiares que por igual sejam bons para com seus semelhantes, esta virtude é algo fantástico, eis que alimentamos nosso ser com espiritualidade inconteste. Assim, Aristóteles estará em seu divino lugar, feliz com a nossa sociedade. E Deus, o máximo dos máximos, louva esta atitude entre os homens posto que esta é sua vontade divina, que a paz esteja entre os seres. Então quem sou eu? Um ser humano tal qual outro ser humano que procura honrar com seu trabalho e comportamento social para com os demais seres humanos. Agora, pois, já sexagenário, com a visão embora fraca, sei olhar, sim, para um horizonte de luz de compreensão de paz e felicidade. Atualmente tenho uma banca de advocacia, com três advogados, sendo um deles o meu filho Michel Polli Mendes, atuamos na área criminal, empresarial, cível, família e trabalhista. Estar como advogado defendendo o direito de nosso seme178


lhante muito no honra e nos leva ao entendimento de que este trabalho eleva nossa responsabilidade. Ademais sou empresário, possuo uma Pousada “Pousada da Praia” situada no sul da ilha ao lado da minha residência, local onde resido com minha esposa Clarice, meus filhos Lauro, Michelli, Davi e Ana Clara e é claro com Deus.

Com simplicidade apresento este artigo nominado como “Quem Sou Eu”, inserindo fotos. Ao final conceituo que sou eu uma pessoa voltada ao carinho, a amizade, ao bem querer, ao bem estar e acima de tudo sou AMIGO. Que Deus em sua plenitude saiba quem somos nós e ilumine nossos caminhos. Valdir Mendes escritor 179


Gustavo Sérgio Heil Cadeira nº: 23

QUEM SOU EU Por trás do meu olhar Esta é uma história de alguém que conheci há 34 anos. O nome Gustavo foi escolhido pela mãe. A opção por compô-lo com Sérgio provavelmente deve ter sido do pai. O patronímico gravado é Heil (progenitor Urbano Heil), mas também é descendente da família Silva (avó paterna Guiomar da Silva Heil), além da linhagem Bardança e Oliveira, derivadas da ascendência materna (avós Astrogildo Manoel de Oliveira e Maria Cecília Bardança). É o segundo filho dos virtuosos pais Sérgio Izidoro Heil e Neusa de Oliveira. Tem um irmão mais velho chamado Sérgio Au180


gusto Urbano Felipe Heil. Foi seu guardião nos tempos escolares. Sua irmã caçula, Lara Isadora Heil, filha de seu pai com a segunda esposa, Rosana Castro Chaves Heil, é só doçura e formosura. Nasceu em 1978, no centro da ilha de Florianópolis, na maternidade Carlos Corrêa. Em 3 de outubro, 276º dia do ano no calendário gregoriano, Santa Catarina era, então, governada pelo Senhor Jorge Bornhausen, por indicação do Presidente Ernesto Geisel. Tempos áureos do Corcel II. Já fazia 3 anos da construção da ponte Colombo Salles quando o ar entrou pela primeira vez em seus pulmões. Da infância à adolescência, foi um salto. Amizades, brincadeiras, passeios, tudo fez parte do seu parque de diversões. Era afamado comedor de limão, apaixonado pelos doces e sempre gostava de estar ao lado de um bom cão de estimação. Era assim que o conheciam. Desde pequeno, sempre foi adepto das tradições sulriograndenses. Morou, por alguns anos, no oeste catarinense e lá apaixonou-se pelo ritual do chimarrão, os contos e cantos gauchescos. Quis o destino que se enamorasse uma prenda de Santa Rosa-RS. Hoje, está casado com a gaúcha Raquel Pellenz Heil. Com ela teve a graça de ter dois maravilhosos filhos: Miguel Pellenz Heil (2008) e Gabriel Pellenz Heil (2012). A família – ancestral e contemporânea – representa a base de sua história. Desenvolveu um interesse em estudá-la. Compreendeu que ela era a referência para sua trajetória. É como se em seu sangue percorresse a energia de todos eles. Aprendeu a honrá-los, abraçá-los e amá-los. Com a família sentiu como um clarão, como se visse num mapa a verdadeira orientação: de onde ele veio e para onde precisava caminhar. Tanto a formação acadêmica como a atuação profissional estão alicerçadas na Ciência Jurídica. Com ela, observa melhor o mundo a partir de um telescópio social. Acredita na evolução da Justiça 181


pela capacidade do homem em vivenciar a honestidade, a gentileza e o respeito. Outras disciplinas da escola da vida desenvolvem de forma contínua a sua plúrima condição. A procura por um conhecimento que aperfeiçoe a alma humana, o desejo por assimilar a beleza em toda a manifestação, a tentativa heróica de enxergar incessantemente o novo e de reinventar-se a cada dia, a certeza de que a humanidade está num processo de eterno aperfeiçoamento representam - não de forma exaustiva - a paixão, o entusiasmo, a razão do seu viver. Foi desse modo que cultuou o sagrado gosto pela leitura, uma mistura de ternura e de paz que, juntas, acalmam o seu peito e acariciam o espírito. Desde os clássicos como Leon Tolstói (O Reino de Deus está em Vós), William Shakespeare (Julio César), Marco Túlio Cícero (Como saber envelhecer), Luccio Anneo Sêneca (Aprendendo a Viver), aos contemporâneos como Leonardo Boff (Experimentar Deus), Mário Sérgio Cortella (Qual é a tua obra?), Fabrício Carpinejar (Canalha! Crônicas), Eliane Brum (A Vida que ninguém vê) e Mário Quintana (Preparativos de Viagem). Com esses instrutores, a impressão sobre o mundo sofreu uma metamorfose: tudo ao redor mudou diante de um [re]significado do universo e versos. É como disse Nietzsche: “Sábio é aquele que saboreia”. O plano paralelo da poesia também contribuiu para o engrandecimento de sua percepção. Começou a experimentá-lo aos 14 anos por influência de uma tia - Glaucenara Heil. Mas a marcha seguiu adiante. Tempos de vestibular, faculdade, casamento... Perdeu temporariamente o foco dessa “vida que ninguém vê”, como diria a escritora Eliane Brum, para, em 2010, voltar a degustar desse doce alimento. Na leitura do poema “Bilhetinho”, de autoria do estimado amigo Felipe de Faria Ramos, burilou o olhar sobre a poesia, utilizan182


do essa lente que enaltece o novo e imprime maior profundidade a temas variados, aos amores. Para conceber um poema, percebeu que havia de se ter uma destreza, um conhecimento que não se extraía tão somente em livros. Verificou ser preciso experimentar a existência, deixar essa vivência transmutar a razão para só então traduzir em palavras os mistérios do coração. Após continuar nesse processo de pacificação do Ser, seguiu em frente, assistindo a palestras capazes de contribuir para uma visão, um entendimento diversificado daquilo que se costuma ouvir. Mais uma relevante contribuição foram os estudos relacionados ao livro Sri Bhagavad Gita (A Canção do Senhor). Os ensinamentos relativos aos princípios da sabedoria, do amor, da justa ação e da síntese desses três preceitos foram responsáveis por aquilo que ele denominou “aprendizado das regras do jogo”. Trabalhar no dia a dia com um senso de que se deve fazer o melhor sem esperar recompensas. Tomar uma decisão equânime para, após, entregar-se por inteiro à escolha feita. Esses foram alguns dos preciosos estudos que passou a aplicar no laboratório denominado Gustavo Sérgio Heil. Daí um de seus poemas chamado “Certeza da escolha”: A escolha é uma arte, é um galho de árvore carregado com os frutos de minhas ações. Nasci de uma escolha. Recebi o dom de compreender que tudo o que precede uma ação advém de uma escolha vinculada ao meu ser. O que é a escolha? 183


É sedimentar um dos possíveis caminhos a trilhar. É a eleição de um candidato por mim mesmo criado capaz de me capacitar para a vida que está a me esperar. Qual é a melhor escolha? Tudo o que sei é que ela é uma escola em que é preciso critérios de conhecimento e amor. Estabelecer uma visão que me conforte, me torne forte, que me anime o suficiente a continuar indo em frente. Mais do que escolher, é preciso permanecer, estabelecer um nexo que me faça consciente, presente. Quando vivo a escolha, esqueço do resto, entrego-me, mergulho na profundeza de um oceano de incertezas até encontrar o alvo da melhor decisão. Nesse cenário, dedica-se à prática de meditação, a fim de estabelecer um significado maior da existência. O escritor Robin Sharma afirmou que “o propósito de uma vida é uma vida com propósito”. Assim, ele começou a organizar suas prioridades e avaliar o que era essencial, aquilo que em verdade não podia ser mais deixado de lado. É claro não parecer fácil executar ações consistentes em um viver com maior leveza dentro de um cotidiano, de uma realidade 184


que impõe um ritmo inumano, uma regra de consumismo, de estética formal distante do melhor significado de beleza. Foi no livro chamado “Como Proust pode mudar sua vida”, de Alain de Botton, em que encontrou a lição de ser a beleza a capacidade de enxergar. Você pode viver num lugar simples e ver o belo em tudo, numa cadeira de madeira desgastada pelo tempo, no assobio de um pássaro, no silêncio de uma árvore, em uma fruta posta sobre a mesa. Olhar é diferente de enxergar. Sua missão, seu experimento, é mirar para qualquer direção e contemplar a magia de testemunhar. O grande obstáculo por ele encontrado, todavia, é o que foi introjetado na consciência coletiva de que a beleza está longe, fora das pessoas, geralmente num ambiente luxuoso a quilômetros de distância de alcance. Não que ali o belo também não esteja presente, é certo que está, mas, a partir do momento em que há um contentamento interior, tudo é passível de ser apreciado e valorado. Como se pode ver, a peregrinação para fora aos poucos foi conduzindo esse amigo para dentro de sua morada interna. Foi assim que se apaixonou mais pela vida ao seu redor. Goethe, nessa vertente, enfatizou de que se pode viver uma vida inteira num único dia. Ora, não deixar nada para amanhã, valorizar o hoje. Entender o presente como o melhor momento. Encerrar o dia sem pendência com colegas e familiares. Rever o que for preciso, corrigir os desacertos, utilizar a ferramenta chave: o perdão. Há pessoas que vivem uma vida inteira sem aproveitar a grandeza dessa experiência; outras, por sua vez, desfrutam várias vidas numa única. Meu amigo filia-se, pois, a essa segunda corrente. Para harmonizar-se com os objetivos planejados, remontou o significado da palavra próximo, baseado no profundo conhecimento do filósofo Soren Kierkegaard. Em seu livro “As Obras do Amor”, esclarece que o próximo deve ser a própria pessoa, cuja vontade seja 185


a de aproximar-se de alguém. Quando absorveu essa ideia, valorou as necessidades legítimas das pessoas que com ele tinham contato. O destino de meu amigo tomou uma direção baseada naquilo que Tolstói muito bem descreveu como a busca por um eterno processo de aprimoramento. É válido o provérbio chinês que afirma: “Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá com alguém”. É dessa forma que ele tenta qualificar o conhecimento por compreender que a maior barreira a ser vencida é a si próprio. Este é o legado que ele pretende deixar aos estimados filhos: um homem que aproveitou um sentimento de inquietação para buscar reencontrar-se numa química entre aquilo que está dentro e fora dele. Entender que é preciso caminhar, encontrar uma cadência, enfim, uma segurança dinâmica que o capacite a explorar o velho e o novo com igual voracidade. Que esse amigo possa ter a vocação de manter-se apaixonado pela vida. E é esse estado que ele chama de [real]ização. Tornar-se mestre de si mesmo. Querer se especializar na arte de se compreender. Foi numa conversa íntima, tomando uma taça de vinho bordô que ele me confidenciou quase sussurrando: Por mais que eu leia, que converse com outrem, minha concepção de mundo e do homem não é suficiente para arrancar o meu corpo do lugar. Preciso de um combustível que exploda em meu peito uma força centrípeta para transpassar o que sou. Não ouso me catalogar, classificar-me como alguém bom ou ruim, engraçado ou triste. Desse momento em diante, percebo que tudo e nada está em mim. Minha percepção vai depender da conexão que fiz com os sutis desejos e pensamentos que envolvem a minha despreparada mente. Se eu tiver coragem para caminhar para um lugar desconhecido, para dentro de mim, vou desvendar um segredo, vou compensar minha dúvida de 186


uma rima que não combina, de um olhar míope que não vê o suficiente para desenhar o que não pode ser dito. Uma ruína quase desmoronando, que não cai porque é quase invencível. Quero a ajuda daquilo que há de mais forte em mim para entrar na resposta – e mais do que entendê-la -, tornar-me a resposta daquilo que sou.

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Valéria Maria Kravchychyn Cadeira nº: 24

QUEM SOU EU Quando me foi solicitado escrever sobre o tema proposto, devo confessar que embora normalmente eu tenha a facilidade de fazê-lo sobre praticamente qualquer tipo de assunto, discorrer sobre minha própria pessoa, pareceu-me uma tarefa quase impossível. O que veio de imediato em minha mente foi a frase de Confúcio a seguir: “Não fales bem de ti aos outros, pois não os convencerás. Não fales mal, pois te julgarão muito pior do que és”. 188


Portanto, não falarei nem bem nem mal sobre mim, e embora seja naturalmente prolixa, tentarei ser o mais literal e sucinta possível. Quem sou eu? Quem me conhece, sabe que costumo dizer que não sou; eu uso dizer: eu estou. Pois, ao contrário de todas as existências que são dinâmicas, o “Ser” poderia significar um estado estático e que não evolui. Eu não sou colunista. Eu estou colunista. Eu não sou loira, eu estou loira. Eu não tenho uma opinião formada; prefiro dizer que tenho uma “opinião em formação”, pois se vivencio tudo o que vivo e observo o que os outros vivenciam ao meu redor, para ser honesta comigo mesma e para com os outros, ainda terei que mudar ou até mesmo adaptar minha opinião aos novos dados ou informações que no decorrer da vida sempre se apresentam. Todos os passos que já dei, trouxeram-me até onde hoje estou, mas só o futuro mostrará onde estes que atualmente estou dando, ou darei amanhã me levarão. Mas, como toda regra pressupõe exceções, algumas constantes sempre fizeram parte de minha existência. A primeira é possuir uma personalidade de certa forma curiosa, a qual sempre me levou a ter interesses diversificados. O resultado foi (talvez infelizmente), o de eu nunca ter me tornado uma “especialista” em nada. Sempre procurei saber de tudo um pouco, não me dedicando inteiramente a um único assunto (talvez felizmente). O resultado desta “fome de conhecimento eclética, foi o fato de eu quase ter me tornado uma “especialista” em conhecimentos gerais, conhecimentos estes que tem sido de grande utilidade em minha vida, tanto pessoal como profissional. Vale ressaltar, que embora ao contrário de muitas pessoas, 189


nunca tenha sentido o “chamado” de alguma vocação específica, sempre executo com dedicação e até com uma boa dose de perfeccionismo todas as atividades as quais me proponho desenvolver. Acredito que foi também em virtude desta primeira característica, que mesmo quando adolescente, nunca pertenci a nenhuma “tribo”. A segunda constante em minha vida é gostar muito de animais. Sou apaixonada por todos, em especial pelos cães. Desde pequena convivi com eles, pois em minha casa sempre tivemos muitos bichinhos de estimação, dentre eles inúmeros cães, gatos e até um papagaio. Atualmente tenho 06 cachorros. A terceira é a de, mesmo desde muito jovem, ter estado sempre envolvida em atividades relacionadas com arte em geral. Tal interesse me levou a participar como atriz em diversas peças de teatro amador, bem como a fazer parte como cantora em duas bandas de música. Também dentro desta linha artística, nunca deixei de participar de projetos de cunho beneficente, tanto da organização e captação de obras, bem como de recursos para diversos eventos (leilões de quadros, shows musicais, jantares e feiras). Já quanto à convivência social, vejo a coisa de um modo simples, procurando viver de acordo com um ensinamento de mais de 2.000 anos, o qual se adotado pela maioria das pessoas, acredito eliminaria grande parte das tristezas e injustiças do mundo. “Não faça aos outros, o que não queres que te façam”. Ela só não funciona se for aplicada por um masoquista. Neste caso, melhor seria lançar mão da tal da “exceção regra” (esta eu não podia deixar passar!). Mas, deixando os devaneios de lado, farei a seguir um relato dos tópicos principais de minha jornada até os dias atuais.

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Vida Pessoal Nasci no dia 15 de dezembro de 1956, na cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná. Sou a única filha mulher dentre os 04 filhos de Waldomiro Kravchychyn, nascido em Joaçaba-SC (in memorian), e Pierina Possamai Kravchychyn, nascida na região de Cocal no município de Criciuma-SC, sou solteira e não tenho filhos. Na época de meu nascimento, meu pai, era um 1º tenente do exército, (onde iniciou sua carreira militar como voluntário aos 16 anos de idade), recém reformado devido a um AVC, que na época, aos 25 anos de idade o deixou com todo o lado esquerdo do corpo paralisado. Mesmo em tal situação, com muito sacrifício, ele ingressou na faculdade de odontologia de Ponta Grossa. Ao lado de sua jovem esposa de mesma idade, e com 02 filhos para criar, contrariando a todos os prognósticos médicos, ele recuperou quase totalmente seus movimentos, e depois de formado, iniciou uma carreira na odontologia, carreira esta que desempenhou até se aposentar. Com o passar dos anos a família aumentou, e além de mim e do primogênito Jefferson Luiz Kravchychyn (58 anos, advogado, ex-presidente da OAB/SC, e atualmente conselheiro do CNJ, casado com Mª do Carmo Lemos Kravchychyn e pai de Alex, Gisele e Larissa), chegaram também Augusto Sérgio Kravchychyn (54 anos, médico acupunturista, homeopata e nutrólogo, e membro da Câmara Técnica de Acupuntura do CFM, casado com Leonice Furlam e pai de Ludmila e Helena), e o caçula da turma, Miguel Ângelo Kravchychyn, que tal qual o pai seguiu a carreira de dentista até os 28 anos, idade com a qual infelizmente veio a falecer em um trágico acidente automobilístico, que também vitimou sua esposa Neide de 191


Fátima Pergher, de mesma idade, e o filho do casal por nascer. Vida acadêmica Iniciei meus estudos no Colégio Sagrado Coração de Jesus em Canoinhas, onde minha família residiu desde o meu 1º ano de idade até os meus 09 anos, época em que nos mudamos para Curitiba no Paraná. Lá terminei o meu último ano do primário no Colégio Dom Manuel da Silveira Delboux (que hoje não existe mais). Em seguida, após ser aprovada no exame de admissão, ingressei no Colégio Estadual do Paraná, onde estudei até a metade do último ano. No último semestre do científico, devido ao início de minha vida profissional, após conseguir transferência, concluí o segundo grau no meu antigo colégio Dom Manuel da Silveira Delboux. Embora tenha vindo de colégios públicos e não ter feito nenhum cursinho preparatório (sempre tive vontade de fazer), dois meses após minha formatura, fui aprovada no vestibular da Faculdade de Direito de Curitiba, onde após uma interrupção de 01 ano (também por motivos profissionais), retornei e colei grau no curso de Direito-Turma de 1982. Vida Profissional Iniciei profissionalmente no cargo de escrituraria do extinto Banco Sul Brasileiro, no dia 1º de abril (não é mentira), de 1975. Após o término de minhas aulas do dia, ao passar em frente de uma bonita loja inaugurada uma semana antes no calçadão da rua XV de novembro, resolvi tentar um emprego. Entrei de uniforme e pasta escolar, e pedi para conversar com alguém sobre contratação. O gerente me atendeu, e mesmo antes de saber meu nome perguntou: Já trabalhou em algum lugar? Eu respondi que não. Você sabe dati192


lografia? Eu respondi que também não, mas que se ele me permitisse trabalhar por uns dias, e se neste período não gostasse do meu serviço, além de me mandar embora não precisaria me pagar. Mais tarde ele me contou ter achado tão engraçado aquela menina de uniforme se oferecendo para trabalhar de graça se não se mostrasse competente, que resolveu me dar uma chance. Fui colocada para abrir cadernetas de poupança, sendo que na época quase ninguém, inclusive eu, não sabia o que era. Ele me explicou com um exemplo: Se você compra um quilo de feijão hoje, com a inflação (naquela época era grande), no mês que vem você comprará apenas um pouco mais de meio quilo. No entanto, colocando o seu dinheiro na poupança, você terá a correção monetária, que manterá o valor do seu dinheiro, e ainda juros que incidirão sobre o valor do depósito; isto não só viabilizaria a compra do mesmo quilo de feijão, como também teria a vantagem de ainda sobrar dinheiro. E foi isso. Com a explicação na ponta da língua eu me sentia pronta! A minha disposição era enorme. Mas pelo fato de a maioria das pessoas não saberem do que se tratava, ninguém entrava na loja, e não era raro eu sair e convidar as pessoas que passavam pelo calçadão para tomar um cafezinho. Para aquelas que aceitavam o convite, eu logo vinha com a estória do feijão. Como resultado, em muito pouco tempo, e muitos feijões depois, lá estava eu, a campeã de abertura de contas da loja! Nesta função, fiquei conhecendo pessoas que tinham cargos de chefia do escritório local da Petrobrás, e que gostando do meu atendimento me convidaram para trabalhar como telefonista na referida empresa. O salário era o dobro, o horário era de apenas 6 horas contra 193


as 8 horas do banco, fora os horários extras (não remunerados), necessários para fazer as “guias de implantação” das contas abertas (na época não existiam computadores, e tudo era manual e feito após o expediente). É claro que troquei! Mesmo antes de começar a trabalhar com carteira assinada, por ser alta, tenho 1,80m de altura, e magra, em diversas ocasiões eu era convidada para fazer alguns trabalhos como modelo. Aos poucos fui me profissionalizando mais na área, e em decorrência disto foram surgindo muitos trabalhos. Isto somado ao fato de eu ter ingressado na faculdade, obrigou-me a ter que fazer uma opção profissional. Não só pela parte financeira que era bem melhor, mas também por estar gostando do que fazia, pedi demissão, e durante certo tempo me dediquei somente aos estudos e ao mundo da moda. Atuei como modelo e manequim dos 17 aos 38 anos. Mais tarde, paralelamente, também comecei a desenvolver outras atividades profissionais, dentre elas, representante comercial de roupas e organizadora de desfiles eventos. Após minha formatura, com uma responsabilidade a menos e mais tempo livre, embora não fosse como hoje, pois quando se falava em carreira de modelo internacional significava desfilar somente no Paraguai, Argentina e Uruguai, eu tive a oportunidade de viajando a trabalho, conhecer diversos locais e culturas interessantes. Um ano antes de eu terminar a faculdade, meus pais com os meus irmãos haviam fixado residência em Florianópolis. Aos 28 anos, para estar próxima da família, também me mudei para aquela cidade, onde além de continuar com os desfiles, representação e organização de eventos, fui proprietária de uma loja de confecções, trabalhei na área administrativa dos escritórios de advo194


cacia de meu irmão Jefferson, fui gerente de restaurante e também, durante 10 anos atuei como corretora de imóveis. Apenas dois anos após minha chegada, meus pais transferiram residência para Biguaçu. Permaneci residindo em Florianópolis até 2007. Neste mesmo ano, para estar mais próxima e melhor atender meu pai, que na época estava com a saúde muito debilitada, também resolvi fixar residência neste município. O meu contato com o colunismo social, atividade que desenvolvo atualmente, escrevendo 05 colunas sociais semanais de página inteira para o Jornal Biguaçu em Foco, foi por intermédio da colunista Cláudia Gomes (que eu conhecia por ter sido professora de dança de minha mãe). Após um bom tempo sem nos encontrarmos, ela que na época escrevia uma coluna social no caderno regional do jornal Notícias do Dia (das regiões de Biguaçu, Palhoça e São José), me pediu para fotografar alguns eventos de Biguaçu. Comecei então, em inúmeras ocasiões, a enviar fotos com as respectivas legendas. Gostando do que eu escrevia e com minha autorização, ela passou a usar tanto as fotos como os textos. Devida a quase impossibilidade de uma só pessoa acompanhar os eventos em tantas cidades, a direção do ND resolveu dividir a região. Ela então sugeriu o meu nome para a comarca de Biguaçu. Na entrevista inicial, eu me senti mais ou menos como na história do banco. Você tem experiência como colunista social? A resposta foi igual a que dei naquela época: não! Você é fotógrafa? Novamente não. Após um bom tempo de procura e sem encontrar alguém para o cargo (aquele que fotografava não escrevia, e quem escrevia não fotografava), a solução encontrada pelo meu entrevistador, o diretor 195


de redação do ND, Sr. Luiz Meneghin, foi pedir para eu enviar 03 colunas simuladas para ele analisar. Assim o fiz, e aprovada iniciei no dia 12 de dezembro de 2009, assinando 03 colunas semanais por 06 meses. Nesta época, o jornal resolveu cancelar seus cadernos regionais que dedicavam 08 páginas para cada região, passando para apenas uma página. Embora na ausência de espaço para 03 colunas semanais, fui convidada a permanecer com uma página aos sábados, mas para tal teria que aguardar o novo projeto do jornal. Resolvi não esperar, e apenas dois dias após a minha saída do ND, a convite do Décio Baixo Alves, iniciei no JBFOCO, onde caminhando a “passos largos” estou quase atingindo o marco de 1.000 colunas, e onde permaneço até os dias atuais. Vale ressaltar, que o meu nome foi indicado para o Décio pelo meu ex-colega de ND e atual confrade Luiz Lunardelli e o ex-presidente da Câmara de Vereadores Luiz Roberto Feubak. Aos poucos, fui deixando de lado a corretagem de imóveis, e desde então, profissionalmente tenho me dedicado exclusivamente ao colunismo. Vivência literária Durante o período em que eu trabalhava como corretora, a convite da jornalista Lau Furlan, passei a assinar na extinta revista Tribo da Ilha, e depois na revista Renome, uma coluna mensal voltada para assuntos imobiliários. Também coleciono um grande número de pensamentos e poemas, rabiscados aqui e ali, os quais talvez agora eu finalmente organize e me encoraje a publicar. Outro projeto, já em vias de acabamento, é um livro que estou 196


escrevendo “a duas mãos” com minha amiga Dora Angélica Segóvia, de nome “Manual de Relacionamentos”. A obra trata de técnicas, por intermédio das quais, você pode interagir melhor com as pessoas, tanto com as conhecidas, bem como com as quais acabou de conhecer. Quando por exemplo, você compra um aparelho eletrônico qualquer, este sempre vem acompanhado de um manual não é mesmo? A razão para tal, todos sabem, é que se o mesmo for manuseado ou ligado da forma incorreta estragará, ou na melhor das hipóteses, não funcionará. No entanto, quando se tratam de pessoas, ninguém entra em nossas vidas com um “manual de instrução”. Por isso, sem saber a forma correta de proceder com as mesmas, muitas vezes estragamos, ou não conseguimos fazer funcionar nossos relacionamentos familiares, amorosos, profissionais ou de amizade. A idéia do livro surgiu há mais ou menos uns 14 anos, mas devido ao fato dela na época ter duas filhas pequenas e eu viajar muito por motivos profissionais, o livro embora com toda sua base pronta, ficou “parado no estaleiro”. Mas, mesmo sem os retoques finais, tanto eu como ela, temos durante todo este tempo aplicado o método, geralmente a pedido de conhecidos, tendo sempre obtido resultados certeiros nas mais variada situações. Nossa intenção é publicá-lo no máximo no início do próximo ano. Encerrando. Quando eu tinha uns 17 anos, li na capa de um LP (lembra deles?) do Carlos Lyra, que também é o autor da frase. De certa forma, parece que ele está falando um pouco de mim: 197


“Houve um tempo em que eu era espontâneo, mas não sabia de nada. Hoje, que sei demais até, às vezes permaneço calado por temer ser exato. Hoje, apesar de sentir saudades do que fui não me arrependo de não ser mais.” Valéria Mª Kravchychyn Contato: (48) 3066-1661, 9631-0766 ou 8413-7808 E-mail: nagalleria@gmail.com

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Miguel João Simão Cadeira nº: 25

QUEM SOU EU PROFESSOR MIGUEL JOÃO SIMÃO – FUNDADOR DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL PARA SANTA CATARINA. Miguel João Simão é natural de Canto dos Ganchos, Município de Governador Celso Ramos, local onde reside. Sua trajetória literária se inicia no ano de 1997, época em que ocupava o Cargo de Secretário Municipal de Educação e Cultura de seu Município. Ligado as raízes, a cultura e a história da terra, Miguel sempre procurou conhecer através dos mais velhos os costumes e a tradição do povo gancheiro. 199


Professor por profissão desde 1980, ocupou por 4 vezes a função de Diretor de Escola, cargo que ocupa atualmente na Escola de Ensino Fundamental Areias de Cima. No ano de 1992, foi eleito Vereador em sua cidade, tornando-se presidente da Câmara Municipal no primeiro biênio de mandato, eleito por unanimidade dos votos de seus pares. Assumindo a Secretaria de Educação e Cultura em 1997, organiza o primeiro material histórico e cultural de Governador Celso Ramos, baseado em recortes de jornais, entrevistas com a comunidade e alguns dados bibliográficos que existiam sobre a fundação da cidade. Posteriormente o material foi levado a uma gráfica e transformado em livro com o título de “Ganchos: Um pedacinho de Portugal no Brasil” O livro tornou-se referência para pesquisas nas Escolas públicas da região, sendo um material muito explorado por estudantes.

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1º livro – Lançado em 1997 2º livro – lançado em 2001 No ano de 2001 lança o Livro “De Ganchos a Governador Celso Ramos” com biografias de algumas personalidades da terra e a história política de Governador Celso Ramos. O livro relata todo movimento para emancipação do Distrito de Ganchos, as eleições municipais, os eleitos e suas administrações. Reconhecido por Dalvina de Jesus Siqueira, é convidado a ingressar na Academia de Letras de Biguaçu no ano de 2002, nessa época Miguel era Professor no Curso de Pedagogia na UNIVALI –BIGUAÇU. Nesse ano participa da Antologia, “Devaneios de Verão” pela Academia de Letras de Biguaçu com o Conto “O Último Sorriso” Sua posse aconteceu no auditório da Univali, em Biguaçu, com a presença de familiares e amigos, além de figuras especiais no meio literário catarinense como Paschoal Apóstolo Pitsica, Solange Rech e outros. No ano de 2003 participa da Antologia Aconchego pela Academia de Letras de Biguaçu com o texto “Tributo a Mulher Amada” e a poesia ”Homenagem ao Pescador”. Envolvido com as questões literárias encoraja-se e cria a Academia de Letras de Governador Celso Ramos no ano de 2004, empossando os primeiros 13 Acadêmicos no dia 05 de junho do mesmo ano. A parir desse momento começou a dedicar-se a vida literária e cultural da cidade e da região criando de forma inédita eventos literários com saraus e músicas, sempre acompanhados pela esposa Lucineide de Azevedo Simão, grande companheira e incentivadora, dos filhos Diego, Eduardo e Iolanda e dos amigos que sempre se fizeram 201


presentes, entre eles Dalvina de Jesus Siqueira, Janice Marés Volpato, Neusita Luz de Azevedo Churkin, Susana Arruda, Joaquim Gonçalves dos Santos, Carmen Tridapalli Facchini e outros. No ano de 2006 lança sua Obra dedicada as mulheres da região, intitulado “Mulheres de Ganchos” livro que aborda a luta das mulheres de Governador Celso Ramos. Esse trabalho foi elaborado a partir de entrevistas com as mulheres de diversos bairros do município. No ano seguinte (2007) organiza pela Academia de Letras de Governador Celso Ramos “Encontros da Primavera” com a participação de 25 Escritores. Nesse ano de 2007 ingressa na Academia Virtual Brasileira de Letras tendo como Patrono José Hipólito de Azevedo. Em 2008 lança o Romance “Maria de Ganchos”, numa linguagem regional, tendo como pano de fundo as questões religiosas e econômicas da região de Ganchos. O ano de 2008 foi marcado por grandes Acontecimentos literários na região, sendo o ano que se deu a arrancada do sucesso da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina. Miguel João Simão toma posse na Oficial Academia Tijuquense de Letras. Junto com Waldir Gomes, funda a Academia de Letras de Canelinha e funda a Associação dois Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis. Convidado pelo Dr. Mário Carabajal, o Professor Miguel Simão traz para Santa Catarina a Seccional da ALB e começa um grande movimento literário nesse ano, empossando os primeiros Presidentes das Seccionais Municipais: ALB/SC Município de Antonio Carlos – Presidente Rogério Kremer; ALB/SC Município de Biguaçu 202


– Presidente Joaquim Gonçalves dos Santos; ALB/SC Município de Blumenau – Presidente Dorothy de Brito Steil; ALB/SC Município de Canelinha – Presidente Waldir Gomes; ALB/SC Município Florianópolis – Valdir Mendes; ALB/SC Município de Nova Trento – Presidente Maria do Carmo Tridapalli Facchini; ALB/SC São Francisco do Sul – Presidente Rudi Oscar Beckhauser. Após empossar os primeiros Presidentes das Seccionais Municipais, o Professor Miguel João Simão recebeu e-mail da Presidência Nacional da ALB parabenizando-o pelo momento histórico para a Instituição: “ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL Brasília, 27 de julho de 2008. Palavras do Presidente da ALB dirigidas ao Representante em Santa Catarina, Imortal Miguel Simão, por ocasião da organização e sucesso na implantação das unidades municipais da ALB. O dia 26 de julho, dia do Escritor, comemorado em nosso país, passa a contar com mais um motivo a ser comemorado nacionalmente. Pois, neste dia, no ano de 2008, Santa Catarina, nos braços do Imortal Miguel Simão, contou com a posse e diplomação dos primeiros presidentes municipais da ALB na Região Sul. É sempre motivo de alegria receber as notícias da ALB/SC, atuante, vigorosa e exemplar unidade Estadual da ALB em nosso país. Parabéns Presidente e Imortal Miguel Simão, braço de luz, energia e sustentação da Academia de Letras do Brasil. Cérebro de criação eferente de inferências profícuas e Imortais a um fazer paradigmaximizativo do axiológico cultural como base de sustentação evolutiva Humana. Um forte, eterno e Imortal Abraço! Prof. Dr. Carabajal - Ph.D.Presidente/ALB e Conalb” 203


No ano de 2009 organiza pela Associação dos Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis o Livro “Alvorada de Inverno” com a participação de vários Escritores e participa da Antologia “Canelinha Cantos e Encantos”. Ainda no ano de 2009, no dia 29 de junho, o Professor Miguel participa das festividades em homenagem ao Rio Tijucas, organizada pela Prefeitura Municipal de Tijucas com a participação da Associação dos Escritores (AESGF). O ano de 2010 foi marcado por grandes conquistas para a Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina. No dia 06 de março foi criada a Academia de Letras do Brasil, Seccional de Imbituba, tendo como Presidente a Escritora Janira Lisboa Furtado. Nesse mesmo dia ocorreu a posse de 12 Escritores na Academia de Letras local. No dia 13 de março fomos à cidade de Zortea, no Meio Oeste Catarinense, ocaisão em que foram empossados12 Presidentes de Seccionais Municipais da ALB/SC das seguintes cidades: Capinzal, Herval do Oeste, Ipira, Joaçaba, Ouro, Pinheiro Preto, Videira Zortea, No dia 10 de abril o Professor Miguel João Simão deu posse a Presidente da Seccional da ALB/SC de Alfredo Wagner, Bertolina Maffei. Outra posse organizada pelo Presidente da ALB/SC Professor Miguel João Simão, ocorreu na cidade de Itapoá, no norte de Santa Catarina, onde estiveram presentes diversas autoridades municipais e estaduais. Também no ano de 2009, o Professor Miguel organizou a Antologia “Tijucas de todos os Encantos” em homenagem ao sesquicentenário da cidade e “Santa Catarina Meu Amor” com a participação dos Escritores da ALB/SC. 204


Ainda nesse ano foi realizado um encontro de Escritores na cidade de Alfredo Wagner com a participação da ALB Estadual, que reuniu centenas de Escritores Catarinenses e de outros estados brasileiros. No ano de 2010 o Professor Miguel João Simão lançou a obra “A Saga de Zé Gancheiro” que reuniu sete Contos de sua autoria. O ano de 2011 começa com festas para os Escritores Catarinense. A ALIFOR (Associação Literária Florianópolitana), presidida pela Escritora Janice Pavan, realizaou um grande evento literário para homenagear diversos Escritores, dentre eles o Presidente da ALB/SC Professor Miguel João Simão, que foi homenageado na noite de 19 de abril, na cidade de Florianópolis. Um grande evento que reuniu dezenas de Escritores, apoiadores da cultura e populares foi realizado dia 30 de abril no Hotel e Resort Águas de Palmas, na cidade de Governador Celso Ramos. Organizado pelo Professor Miguel João Simão Presidente da Associação dos Escritores dos Municípios da Região da Grande Florianópolis e com o apoio de alguns Escritores Membros da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, o evento reuniu Escritores e Cantores que declamaram, cantaram e fizeram a festa literária. Dia 06 de agosto de 2011 a Academia de Letras da cidade de Nova Trento (SC) organizou um belíssimo evento onde reuniu dezenas de escritores do estado catarinense. De Governador Celso Ramos representando a Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina foi homenageado o Presidente Escritor Miguel João Simão. Na noite do dia 16 de agosto de 2011, a Prefeitura Municipal de Governador Celso Ramos, através da Secretaria de Educação e Cultura homenageou 15 personalidades da região com serviços prestados a cidade. Entre os homenageados estava Professor Miguel João 205


Simão, nativo de Ganchos, Historiador e Escritor que recebeu uma placa de honra ao mérito por serviços prestados a cultura literária. Também no ano de 2011 ocorreu a feira do livro de Governador Celso Ramos, que contou com a participação da Associação dos Escritores presidida pelo Professor Miguel João Simão. No dia 03 de setembro de 2011, às 17:30h, no Restaurante Saborear, no Bairro Areias de Cima, na cidade de Governador Celso Ramos, um grande encontro que reuniu Escritores de toda região. A solenidade de posse de novos Acadêmicos da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, presidida pelo Professor Miguel João Simão, empossou nove novos Membros na Academia e homenageou com Títulos de Membros Correspondentes outros nove Escritores. Nesse ano de 2011, no dia três de novembro, o Professor Escritor e Historiador Miguel João Simão, por seus feitos em prol da cultura literária, foi contemplado com a Medalha Nagib de Oliveira Campos, maior honraria da Câmara Municipal de Vereadores de Governador Celso Ramos para Homenagear personalidades ligadas as mais diversas áreas. Na ocasião o Professor Miguel João Simão usou da palavra e representando os demais homenageados falou da importância da emancipação de Ganchos e do crescimento da cidade nesses últimos 48 anos. Ainda em 2011, com um público bastante considerável e com mais de 120 Escritores reunidos, o evento literário organizado pelo Professor Miguel João Simão através das Academias de Letras do Brasil e de Governador Celso Ramos marcou a data de comemoração de emancipação da cidade pesqueira e turística, situada a menos de 50 km de Florianópolis (Capital de Santa Catarina), na tarde do dia 05 de novembro. Entre diversas personalidades do meio cultural estava presente Doutor Mário Carabajal Presidente Nacional da Academia de Letras do Brasil. 206


No dia seguinte, em 6 de novembro de 2011, o Presidente da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina, Professor Miguel Simão faz abertura da Sessão solene de aniversario da Academia de Letras de Antonio Carlos. Na ocasião, o auditório da Prefeitura Municipal da cidade de Antonio Carlos tornou-se pequeno diante do grande público que prestigiou a Sessão solene de aniversário de um ano da Academia de Letras do Brasil Seccional de Antonio Carlos. O ano de 2012 inicia com uma festa literária na cidade de Tijucas promovida pela ALB/SC coordenada pelo Professor Miguel Simão em parceria com a Prefeitura Municipal com o lançamento da Antologia “LUZ DO AMANHECER” No dia 17 de março o Professor Miguel João Simão foi homenageado na cidade de Blumenau pela Associação Internacional dos Poetas Del mundo em distinção as Artes pela criação das Academias de Letras no estado de Santa Catarina. No dia 17 de maio de 2012 Professor Miguel Simão organizou um grande Sarau Literário em parceria com a Escola de Educação Básica Cruz e Sousa da cidade de Tijucas/SC, estando presente mais de 200 alunos, Professores e autoridades literárias. No dia 01 de junho foi marco importante na cultura literária Catarinense. Na cidade de Florianópolis, capital Catarinense diversas Instituições Literárias participaram do 1º ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO BRASIL DO ESTADO DE SANTA CATARINA onde mais uma vez esteve presente o Presidente Estadual da ALB/SC Professor Miguel João Simão.

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Certificado expedido pela ALB/SC Florianópolis

Entrevista TV ALESC

Aconteceu no dia 30 de junho na cidade de Itapoá/SC o 1º Encontro da Arte, Literatura e Cultura da cidade de Itapoá, organizado pela Seccional daquela cidade em parceria com a ALB/SC. Entre diversas autoridades presentes estavam o presidente Nacional da ALB/SC e o Professor Miguel João Simão Presidente da ALB/SC.

Professor Miguel com Dr Mário Carabajal

Evento na cidade de Nova Trento 01/09/12.

No dia 01 de setembro de 2012 Professor Miguel Simão esteve presente fazendo a abertura do evento literário na cidade de Nova Trento. No evento marcaram presença Escritores de toda região Catarinense. 208


No dia do mês de setembro o Acadêmico da Cadeira 25 da Academia de Letras de Biguaçu Professor Miguel João Simão participou do lançamento do livro “Fazendo História” por essa Academia de Letras. E no dia 22 de setembro Professor Miguel é homenageado pela Associação dos Escritores (do qual é fundador) com o Troféu Osvaldo Deschamps. Outro grande momento na literatura Catarinense sido prestigiado pelo Professor Miguel João Simão foi a Instalação da Academia Militar de Letras de Santa Catarina com a presença da várias autoridades no dia 25 de outubro de 2012. Outro grande evento que reuniu mais de uma centena de Escritores e colaboradores culturais foi o lançamento do livro “ Ganchos: Pesca, Maricultura e Turismo” de autoria do Professor Miguel Simão no dia 20 de outubro de 2012 no Hotel e Resort “Águas de Palmas”. Prof } Miguel e Esposa Lu – lançamento do livro - Evento Troféu Osvaldo Deschamps No dia 30 de novembro Miguel João Simão é homenageado na cidade do Rio de Janeiro pelo Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (IMBRASCI) recebendo a Medalha Jorge Amado de Literatura, a Medalha do IMBRASCI, e CERTIFICADO DE RECONHECIMENTO por suas atividades culturais. Já no dia 13 de dezembro a Academia de Letras de Brasil Seccional de Florianópolis homenageia o Professor Miguel João Simão.

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Nesse ano de 2013 o Professor Miguel João Simão fortalecendo ainda mais os Projetos Literários abre o ano literário da ALB/SC no dia 02 de março numa grande festa em Governador Celso Ramos com a presença de um grande público. No dia 16 de março na cidade de Blumenau assumiu a Vice-Governadoria da Associação Internacional dos Poetas Del Mundo. No dia 02 de abril cria a Seccional da ALB/SC na cidade de Palhoça e empossa os primeiros Acadêmicos. No dia 13 de abril Professor Miguel João Simão criou 8 Seccionais da ALB/SC nas seguintes cidades do Sul Catarinense: Cocal do Sul, Criciúma, Içara, Morro da Fumaça, Orleans, Sangão, Urussanga e Infanto Juvenil de Urussanga. No dia 10 de agosto Professor Miguel João Simão deu posse a Presidente da Seccional de Brusque num evento literário na Câmara Municipal de Vereadores. Professor Miguel João Simão continua acreditando que a função da Academia de Letras do Brasil Seccional de Santa Catarina é oportunizar todos os Escritores, resgatando valores e descobrindo talentos.

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Rogério Kremer Cadeira nº: 26

QUEM SOU EU O AMIGO DAS LETRAS ROGÉRIO KREMER,Nascido em 05 de abril de 1940 e natural do Parque Aquático Usina D´Àgua, Antônio Carlos, Santa Catarina. Filho dos agricultores Humberto Kremer *29-10-1914 + 1407-1974 e Ana Apolônia Pereira *13-04-1919. Casou-se com Xênia Goedert, *10-02-1938, em 08-02-1964, sendo celebrante Pe. Alfredo Junkes. Filha de Lebório Francisco Goedert e Philomena Heiderscheidt Bunn. Xênia foi professora e diretora de escola. Dessa união, nasceram: Rogéria *23-11-1964, Assistente Social e Gerontóloga, mãe de Natália *16-05-1995 e Camila *26-01-1998 e, Xérxes *09-02-1968, 211


Tecnólogo em Processo Industrial, pai de Vitor *15-07-1995. Enviuvou em 30-11-1975. Casou-se, pela segunda vez, com Anastácia Marques, *29-01-1947. Casamento celebrado por Pe. Alfredo Junkes em 29-10-1977, na Igreja Matriz de Antônio Carlos. Desse casamento, nasceu Xênio *10-12-1979, Farmacêutico e Bioquímico Tecnólogo em Alimentos. Foi batizado pelo Cônego Rodolfo Pereira Machado, em São Pedro de Alcântara, em abril de 1940, e seus padrinhos foram: Apolônia Kremer Bunn e Jacob Antônio Pereira e a madrinha carregadeira foi Albertina Pereira Reitz. Também, foi crismado em São Pedro de Alcântara pelo Arcebispo Metropolitano Dom Joaquim Domingues de Oliveira, sendo padrinho Francisco Mathias Kremer, em data ignorada. Aos dez anos de idade, recebeu a Primeira Eucaristia pelas mãos do Padre Frei HumbertoWeil, Capelão do Hospital-Colônia Sant’Ana. Sua primeira catequista foi Maria Sens Koerich. Locais onde residiu: De 05-04-1940 a julho de 1946 = Antônio Carlos, SC. De agosto de 1946 a janeiro de 1955 = Sant’Ana, São José, SC. De fevereiro de 1955 a dezembro de 1955 = São Ludgero, SC. De fevereiro de 1956 a julho de 1957 = Azambuja, Brusque, SC. De agosto de 1957 a 05-04-1963 = Sant’Ana, São José, SC. De 06-04-1963 a 18-11-1963 = São Pedro de Alcântara, SC. De 19-11-1963 a 01-03-1980 = Antônio Carlos, SC. De 02-03-1980 a 14-01-1981 = Angelina, SC. De 15-01-1981 a 28-02-1983 = Antônio Carlos, SC. De 01-03-1983 a 09-12-1985 = Biguaçu, SC. De 10-12-1985 a 30-06-2010 = Antônio Carlos, SC. De 01-07-2010 até a presente data = Santo Amaro da Imperatriz, SC. 212


Endereços: Rogério Kremer Rua Jaime Estefano Becker, 15 88.140 – 000 – Santo Amaro da Imperatriz, SC. E-mail : kremerogerio@hotmail.com Em 1954, concluiu o Curso Primário na Escola Reunida Professor Joaquim Santiago em Sant’Ana, São José. Gostava de declamar poesias e cantar nas Homenagens Cívicas organizadas pela sua escola. De 1955 a 1957, passou por uma crise espiritual que o faz matricular-se nos Seminários de São Ludgero, SC e, posteriormente, em Azambuja, Brusque, SC. Recebeu o Certificado de Prático de Farmácia Habilitado, pelo Departamento de Saúde Pública de Florianópolis, em 11 de abril de 1962, hoje, Vigilância Sanitária do Estado de Santa Catarina, com registro no Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina sob o nº 364 N, como Oficial de Farmácia. Concluiu o Curso Secundário (1° Grau) na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em 30 de agosto de 1970. Recebeu o Diploma de Professor Primário (2° Grau), no Colégio Estadual Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria, Biguaçu, em 12 de dezembro de 1972. Colou Grau em Pedagogia – Licenciatura Plena, nas Disciplinas de 2° Grau para o Curso de Magistério, pela Faculdade de Educação da Universidade para o Desenvolvimento de Santa Catarina – UDESC, em Florianópolis em 05 de dezembro de 1975. De 1978 a 1998, participou dos seguintes Cursos: A Escola Frente à Prevenção ao Uso de Drogas, Atualização e Recursos Humanos para Revitalização dos Cursos de Magistério de 1° Grau – 1ª a 4ª série, Atualização em Pedagogia e Administrativa para Diretores de 1° e 2° Graus, Capacitação em Recursos Humanos para Professores e Especialistas da 1ª UCRE, Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério – CEFAM, Escola e Saúde, Gerontologia 213


Social, Higiene e Segurança no Trabalho, Iniciação para o Trabalho, Nova Proposta Curricular para Professores do Magistério de 1ª a 4ª série do 1° Grau, Cântico, Teoria musical, e Liderança de Leigos. Foi professor substituto na Escola Reunida Professor Joaquim Santiago, em Sant’Ana, São José, SC, em 1958. De 1959 a 1963, prestou serviços na Farmácia do Hospital-Colônia Sant’Ana, em Sant’Ana. Nos últimos meses de 1963, abriu um Socorro Farmacêutico no Distrito de São Pedro de Alcântara e uma Farmácia em sociedade no Estreito, que logo foram extintos. Prestou serviços em seu Socorro Farmacêutico em Antônio Carlos de 1963 a 1973. Proprietário de uma Agropecuária, também em Antônio Carlos, nos idos de 1973 a 1979. Professor de 5ª a 8ª série na Escola Básica Altamiro Guimarães nos anos de 1973 a 1979 e 1981. Em 1980, professor de Ciências e Biologia no Colégio Estadual Nossa Senhora, em Angelina. De 1982 a 1985 e 1991 a 1992, Professor do Curso de Magistério no Colégio Estadual Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria, em Biguaçu. Nos anos de 1986 a 1988, Diretor dos Cursos de 2° Grau do Colégio Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria, em Biguaçu e, de 1988 a 1991, Diretor da Escola Básica Altamiro Guimarães, em Antônio Carlos. Portaria n°6476/92/SJA concede aposentadoria por tempo de serviço a Rogério Kremer. Após ser aposentado como Professor e Diretor de Escola, voltou a ser proprietário e responsável técnico da Drogaria Kremer de Antônio Carlos e se aposenta pelo INSS, em 2007. Autor dos livros: DATAS HISTÓRICAS DE ANTÔNIO CARLOS 1830–1992, ano 1993; ANTÔNIO CARLOS 175 ANOS DE HISTÓRIA: 1830-2005, ano 2007; ENTRANDO NAS ESCOLAS DE ANTÔNIO CARLOS 1830-2009, ano 2010; MEMÓRIAS DE NOSSAS FAMÍLIAS, ano 2.010; RECONSTITUIÇÃO DO TEMPO E DA HISTÓRIA DE ANTÔNIO CARLOS, 214


ano 2011; E A IMPORTÂNCIA DO NEGRO NO CENÁRIO DE ANTÔNIO CARLOS, ano 2013; todos com registros na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e Organizador e proprietário de um ARQUIVO HISTÓRICO DE ANTÔNIO CARLOS, em onze volumes encadernados. Tem vários ARTIGOS publicados em jornais. Coautor dos livros: UM PASSEIO PELA GRANDE FLORIANÓPOLIS, ano 1999; SONHOS DE OUTONO, ano 2000; ACONCHEGO, ano 2003; VEREDAS LITERÁRIAS, ano 2004; ENCONTROS DA PRIMAVERA, ano 2007; TRAJETÓRIA, ano 2008 ; SANTA CATARINA MEU AMOR, ano 2010; OS QUINZE ANOS DA ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU: 1996-2011, ano 2011, ANTOLOGIA DA ACADEMIA DE LETRAS MUNICIPAL DE ANTÔNIO CARLOS – ALB/SC, ano 2011, ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU FAZENDO HISTÓRIA, ano 2012 e QUEM SOU EU: COLETÂNEA DA ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU, ano 2013; todos editados pelas Academias de Letras de Biguaçu, Governador Celso Ramos, Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina e Academia de Letras Municipal de Antônio Carlos/ALB/SC. Também está escrevendo os livros: SANT’ANA NO VALE DO RIO MARUIM; ANTÔNIO CARLOS O GRANDE MUNICÍPIO POLÍTICO; ANTÔNIO CARLOS O CELEIRO DE VOCAÇÕES SACERDOTAIS, RELIGIOSAS E LEIGAS; E 36 ANOS DE TRAJETÓRIA DA ASSOCIAÇÃO CORAL SÃO SEBASTIÃO DE SUL DO RIO, SANTO AMARO DA IMPERATRIZ, SANTA CATARINA. Participou, por longos anos, da Mesa Diretora dos Diretórios do PSD, ARENA e MDB. Foi eleito vereador pelo PSD, em 1965 e em 1972, pela ARENA à Câmara Municipal de Antônio Carlos. Foi coroinha e harmonista prático em Sant’Ana; coralista dos 215


Corais Pe. Déco e do Sagrado Coração de Jesus; organista prático; catequista de crismandos; primeiro Ministro da Eucaristia e palestrante nos Cursos de Noivos na Paróquia de Antônio Carlos, quando Pe. Alfredo Junkes era o pároco. Atualmente é coralista da Associação Coral São Sebastião de Sul do Rio, em Santo Amaro da Imperatriz - S/C. Foi secretário das Sociedades Esportivas e Recreativas “ESTRELA AZUL” e “ANTÔNIO CARLOS”. Associado da Associação Nacional de Gerontologia – ANG – Delegacia de Santa Catarina; do Arquivo Público de Florianópolis; da Associação Catarinense de Professores; e da Associação POESIS de Antônio Carlos. Tem colaborado com a Cultura, patrocinando mais de trezentos livros às bibliotecas públicas, escolares, universitárias, acadêmicas e à Biblioteca Municipal de Antônio Carlos. É Conselheiro do Conselho Municipal de Educação de Antônio Carlos, com posse em 18 de maio de 2011; Conselho criado pela Lei Municipal n°1288/2010. Condecorado, em 06-11-1993, pelo Município de Antônio Carlos, por seus destacados serviços prestados à comunidade, quando da passagem dos 30 anos de emancipação política e administrativa do município. Em 15-11-1995, recebeu homenagem da Câmara de Vereadores pela participação e atuação no Poder Legislativo, pela passagem dos 30 anos de instalação do Legislativo Municipal . Recebeu Menção Honrosa da Associação Catarinense de Professores, por sua contribuição à Cultura do Estado de Santa Catarina, em 16 de março de 2004. Recebeu Homenagem da Associação Catarinense de Professores e o reconhecimento do seu talento literário e de sua participação no processo cultural e histórico de nossa sociedade, em 21 de agosto de 2006 e o Troféu de Mérito daquela Associação pela passagem do Dia do Professor e pelo lançamento do Livro ANTÔNIO CARLOS 216


175 ANOS DE HISTÓRIA, em 07 de novembro de 2007. No dia 6 de novembro de 2007, foi-lhe conferida MEDALHA CÔNEGO DOUTOR RAULINO REITZ, pelos relevantes serviços prestados ao Município de Antônio Carlos em 06 de novembro de 2007. Em 31 de julho de 2010, é empossado Membro Fundador Vitalício à Cadeira número 004/ALB/SC – ANTÔNIO CARLOS da Academia de Letras do Brasil, por força e mérito de sua Expressão Literária; é Imortal. Foi homenageado com a Placa Amigo da Cultura, da Associação dos Escritores da Região da Grande Florianópolis, em Sessão Solene na Academia de Letras de Governador Celso Ramos, em 23/04/2011. A Academia de Letras de Biguaçu homenageia o Acadêmico Rogério Kremer que se destaca por seus títulos e serviços à causa das Letras e das Artes em 20/09/2012. Em 06/10/2012 é condecorado com a Medalha do Dia do Escritor Alcantarense. A AESGF – Associação dos Escritores dos Municípios da Grande Florianópolis homenageia Rogério Kremer com a Placa Amigo da Cultura – Dalvina de Jesus Siqueira. É um dos sete sócios fundadores da Academia de Letras de Biguaçu, na qual é Acadêmico da Cadeira n°26, e tem como Patrona a Professora Maria da Glória Viríssimo de Faria, desde 18 de dezembro de 1996. É co-fundador da Academia Alcantarense de Letras de São Pedro de Alcântara, onde é Membro Amigo da Cultura; essa Academia foi fundada em 6 de outubro de 2009. Fundador e primeiro presidente da Academia de Letras Municipal de Antônio Carlos – ALB/ SC; essa Academia foi fundada em 01 de agosto de 2010 e instalada em 05 de novembro do mesmo ano; também é presidente da Academia de Letras do Brasil para Santa Catarina Seccional Antônio Carlos. Membro fundador da Academia de Letras de Biguaçu. Mentor do dia do escritor Antoniocarlense, comemorado sempre no dia 01 de agosto. Santo Amaro da Imperatriz, em 05 de abril de 2013. 217


Vanda Lúcia Sens Schäffer Cadeira nº: 27

QUEM SOU EU Lá pelos idos 1952, portanto século passado, mas ainda tão recente, nascia uma menina chamada Vanda Lúcia. Filha de Francisco Sens e Olinda Thiesen Sens. Como teve o privilégio de nascer no interior, também gozava das boas coisas que ele oferece: o ar puro, o canto dos pássaros, o passeio na mata, o andar na relva molhada e o observar as estrelas a olho nu. Aqui faltaria espaço para descrever tudo, pois no interior todos os dias para ela eram singulares; do nascer ao pôr do sol. O que mais a fascinava era o poente, porque junto vinham a lua e as estrelas. Como sempre, exuberantes com um novo colorido. Então ela exclamava: que maravilha! Essa menina era eu. Aliás, essa menina sou eu! Apesar dos meus sessenta anos. 218


Infância saudável. Longe das luzes de neon, TV, computador e outras tantas modernidades que o avanço tecnológico e a ciência trouxeram, eu vivia sorridente e feliz. Aos onze anos, fui estudar em Angelina – SC, no Colégio das Irmãs Franciscanas, em regime de internato, pois em Taquaras, onde residia na época, tinha apenas o Primário. Mesmo assim, não pude concluir os estudos que o Colégio oferecia. O meu pai me levou para casa assim dizendo: filha, agora você já aprendeu o suficiente; então vá ajudar a sua mãe nos afazeres domésticos, assim você paga as fraldas que usou. E fraldas descartáveis ainda não existiam. Eram fraldas de pano confeccionadas por minha mãe e, em cada fralda, havia a inicial V bordado em ponto atrás. Para maior economia o mais velho chamava-se Vânio Luiz, eu Vanda Lúcia e o terceiro Valter José. Os outros quatro, que nasceram posteriormente, não ganharam fraldas novas somente nomes diferentes: Tarcisio, Isaias, Jonei Fancisco e Cláudio Umberto. Eram tempos mais difíceis, mas assim mesmo eu era muito feliz. Como sou até hoje! O pai trabalhava com pecuária; a mãe com comércio de secos e molhados como na época era chamado um pequeno mercado. Eu ajudava minha mãe nos afazeres, aprendi de tudo um pouco, pois ela era uma pessoa muito sábia, gostava muito de ler e esse amor pela leitura transmitiu para mim. Hoje, sinto-me uma pessoa com conhecimentos gerais. Aos 20 anos casei-me com Adilso Arno Schäffer, com quem tenho três filhos maravilhosos; Keila, Mateus e Lucas que já me deram cinco lindos netos: Beatriz, Heloisa, João Aníbal, Júlia e Felipe. Trabalhei durante vinte e cinco anos no comércio de roupas, nunca abandonando a boa literatura. Até que um dia, surpreendi-me. Estava escrevendo contos infantis, dos quais tenho um publicado pela “Editora Paulus”, de São Paulo, intitulado ”A Dança das Flores”, não 219


demorou muito eu me peguei escrevendo poesias e crônicas, algumas delas foram lidas por mim num programa de TV. Porém o mais curioso foi quando um belo dia, eu estava varrendo a cozinha, pus-me a cantar. Jamais havia pensado tal caminho percorrer. E assim sucessivamente, vieram todas as canções que já somam mais de cem. Trinta delas já estão gravadas. Hoje faço aula de canto para aprimorar a voz, pois quero cantar muito ainda, cantar a natureza e louvar o Criador. Costumo dizer que Ele é a minha fonte energética e de amor. Então “Quem sou eu”? Uma pessoa absolutamente comum, porém muito abençoada e é o que me basta. E agora, peço licença para escrever um poema, pois falar de si mesmo dá muito trabalho. A CRIANÇA NÃO MORREU Deste mundo efêmero só quero levar boas lembranças. Por isso, tento alimentar dentro de mim a criança, aquela que nunca morreu e jamais morrerá. Nos gestos cotidianos, coloco-a em primeiro plano. Se, estou triste, ela me alegra. Se, choro, ela sorri. Se, estou zangada com alguém, ela perdoa Incondicionalmente. Se, estou fraca e aflita, ela me reabilita. Se o ódio me cega até a dor, ela me fala de amor. Gosto muito da criança que mora em mim. Quisera encontrar-me com muitas crianças assim. 220


Não que ela seja tão boazinha. É criança, faz lambança, é peralta, chocólatra, gulosa e teimosa. Mas como todas as crianças; não é mentirosa! É até poetiza, aumenta mais não inventa. Porém, não nega que enxerga o mundo de cabeça para baixo. Vanda Lúcia Sens Schäffer

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Esperidião Amin Helou Filho Cadeira nº: 28

QUEM SOU EU AMIN Quem sou eu? Quem é esse que me olha de tão longe, com olhos que foram meus? Preâmbulo Cada um de nós tem o que relatar acerca do que aconteceu e do que imagina que poderia ter acontecido. Sobre o acontecido atua nossa premissa, dentro da lógica que ensina que “as coisas têm a cor dos cristais pelos quais são olhadas”. (Las cosas tienen la color de los cristales por donde se las miran!). 222


Portanto, os relatos têm um variado conteúdo de ficção, ou mentira, de acordo com nossa subjetividade, opinião ou interesse. As autobiografias ou relatos da própria vida sempre carregam esse conteúdo mais ou menos corrompido pela subjetividade. Por isto, este texto contém um relato de aspectos da infância vivida e, a partir de certas influências que marcaram o autor, depois do momento em que houve uma escolha literalmente crucial, viaja pela alternativa de vida que poderia ser a vida do “Peregrino que me olha de tão longe, com olhos que já foram meus”. Infância e Valores O talento de Roberto Pompeu de Toledo descreve de maneira inigualável as circunstâncias do nascimento do filho do casal Elza Busetti Marini e Esperidião Amin Helou: “É homem! O comerciante Esperidião Amin Helou, um dos mais ricos de Santa Catarina, dono de três revendedoras Ford no Estado, deixava-se tratar pelo barbeiro Quido quando recebeu a notícia. Finalmente, depois de três tentativas em que só nasceram meninas - a primeira morreu no parto, as outras duas sobreviveram -, a mulher, Elza, acabava de dar-lhe o tão sonhado herdeiro varão. O velho Esperidião tinha 35 anos. Nascera no Líbano e, conduzido pela mãe viúva, Zahia, chegara ao Brasil aos 13 anos, em 1926 - o ano da inauguração, em Florianópolis, da Ponte Hercílio Luz. Sempre tendo como sócio o irmão mais velho, Dahil, Esperidião começou sua escalada com uma loja de tecidos, logo transformada na maior da cidade. Em 1939, o libanês Esperidião já percorria a cidade dirigindo um vistoso Oldsmobile 1938. Foi por essa época que cruzou, bem embaixo da figueira, o lugar mais central e histórico de Florianópolis, com a filha de vênetos Elza Busetti Marini. Elza era a mulher que agora lhe dava um filho. 223


O varão, naturalmente, teria o nome do pai: seria Esperidião Amin Helou Filho. Era o dia 21 de dezembro de 1947. Esperidião pai ficou tão contente que deu uma gorjeta de 500 cruzeiros ao barbeiro Quido, um dinheirão”. Meu pai era cristão ortodoxo, nascido na mesma Kfarsaroum em que nasceu o nosso grande Salim Miguel. Aqui chegou com a matriarca, a viúva Zahia, como está relatado acima. Minha mãe era duas vezes migrante. Seu pai, meu avô Pellegrini Marini, nasceu em Verona, minha avó Marina Busetti, nasceu em Pádua, o que explica a devoção a Santo Antônio. Fugiram da Itália em face da invasão da Região do Vêneto pelos austríacos, na I Guerra Mundial. Ela nasceu no Cantão Turgal (alemão) da Suíça, na cidade de Aadorf, em 1916. Ao fim da guerra, voltaram para a Itália e, diante da miséria reinante, migraram para o Brasil. Passaram por São Paulo, estabeleceram-se em Curitiba, onde, depois de trabalhar na Papelaria Requião, Elza foi aprovada em concurso para contadora (guarda-livros) da TEXACO. Nesta condição, veio a Florianópolis fazer uma inspeção, acompanhada pela mãe. Entre a Felipe Schmidt e a figueira da Praça XV, foi capturada pelo olhar apaixonado do quase solteirão Esperidião, cuja prosperidade já o fazia dono do vistoso Oldsmobile ’38 acima mencionado. Esta origem diversificada impressionou minha infância fortemente. Educação e livros, família, respeito às pessoas, disciplina e amor à liberdade foram os primeiros valores transmitidos a todos nós. Lembro até hoje das feições respeitosas do meu pai, entregando-me aos cuidados de LEONOR de BARROS, minha primeira professora. Compreendi que sinalizava confiança absoluta na mulher que exerceria autoridade de “outra mãe” sobre mim. Sorte minha que se tratava de uma doce pessoa.

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A escola e a convivência social foram marcando o garoto tímido, vítima de constantes resfriados e amigdalite (aos sete anos de idade, uma cirurgia extirpou minhas amígdalas). Os heróis da minha infância foram determinando os valores que conformaram meu caráter e meus ideais. Eu os homenageei decorando e recitando suas histórias. Decorei a história de Robin Hood, contada em disco. A “decoreba” me levou a relatar a vida de Tiradentes e longos trechos do Novo Testamento. Logo depois, eram as vidas dos santos que absorviam minha capacidade de memorizar e recitar histórias e biografias. São Jorge, São Francisco de Assis e Santo Antônio foram os primeiros. Depois, já frequentando o Colégio Catarinense, desde 1958, passei a fazer dos jesuítas, especialmente os missionários, meus ídolos. As biografias de Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier determinaram minha decisão de ser Jesuíta. Sim, não apenas ser padre; ser Jesuíta – esta era a minha vocação e a minha decisão! O componente político também chegava nessa época: Judas Iscariotes foi um traidor ou teria sido um patriota que se sentiu traído? São Tomé, padroeiro do dia do meu nascimento (mais tarde, a Igreja mudou seu dia), foi – ou não - o mais inteligente e racional dos apóstolos? Lincoln, Ghandi e Getúlio são os ídolos políticos que me impressionam desde os anos ’50. O Outro Caminho - Inspirações Até aqui, vem o relato. Os fatos da juventude e da vida pública são mais ou menos conhecidos. Daqui para diante, “quem me olha de tão longe, com olhos que foram meus” é o Peregrino, ou melhor, o Padre Peregrino SJ, que eu quis ser. A desistência foi determinada por uma breve contenda com meu pai. Era inadmissível para um libanês que seu único filho homem deixasse de constituir família, ter filhos e “perpetuar a estir225


pe”. Sucumbi à pressão familiar sem maior trauma, mas, até hoje, faço comparações hipotéticas com a vida que o sacerdócio me permitiria viver. O noviço Peregrino teria, além de seus ídolos já mencionados, os educadores jesuítas que marcaram sua vida. O primeiro foi o professor de Religião, Padre Beno Brod. Com seu sucessor nessa disciplina, Padre Otto Berwanger, tive meus primeiros embates. Diante da afirmação, feita em sala de aula, de que os maçons praticavam rituais de magia negra e de natureza obscena, reagi e questionei. Foi uma discussão memorável e atrevida. No Grêmio Cultural Padre Schrader, estreei com um discurso repetindo a crítica marxista aos princípios sociais do Cristianismo. Imaginemos a cena: o Padre Décio Andreotti, também professor de Matemática, e meus colegas ouvindo “Os princípios sociais do cristianismo glorificam a covardia, a submissão, todas as qualidades da canalha!... Os princípios sociais do cristianismo levam a marca do servilismo e da hipocrisia, ao passo que o proletariado é revolucionário!”. O recurso à encíclica RERUM NOVARUM me salvou da “fogueira”. Os professores de português, Padre Armando Conti, João Cardoso e Pedro Geremia, o famoso Pomboca, imprimiram a marca da busca da perfeição, dado o grau de exigência em matéria de regras e rigor na sua aplicação. Devo ao Padre Cardoso uma eficaz preleção contra a “decoreba” que impregnara meu modo de raciocinar e uma reprimenda ao estilo “barroco” que, segundo ele, marcava minhas redações. Não bastasse isso, “dispensou” minha presença da Cruzada Eucarística, apressando meu ingresso na Congregação Mariana. Afinal, a mãe é o refúgio seguro dos excluídos! Os professores de História, o já mencionado Padre Beno Brod, e de Geografia, Padre Benno Lermen, conseguiram me estimular a ter 226


um interesse irreversível nessas duas disciplinas fascinantes. Até hoje, os livros de História me seduzem e os de Geografia representam verdadeiros códigos cuja decifração significa liberdade e vida. O Padre Tomé Kerbes, professor de Canto Orfeônico, além de Religião, representa o mais “franciscano” dos jesuítas que conheci. Somente neste século XXI pude compreender a grandeza de seu caráter. Um sábio escondido pela humildade silenciosa. Foi confessor do meu pai. Certamente, o único que dele pode ter ouvido as palavras que permitem obter o perdão de nossas faltas. O Padre Benno Schorr, professor de Física, sempre foi um animador e grande psicólogo. Conseguia identificar traços das personalidades de seus alunos, transformando essa capacidade em importante apoio pedagógico. Dava verdadeiros shows de aplicação de princípios de Física, fazendo-nos aplaudir suas aulas e seus recursos didáticos, simples e eficazes. O Padre João Alfredo Rohr, arqueólogo de contribuição ímpar em Santa Catarina, professor de Química, botânico, mestre em nutrição, talvez tenha sido o mais completo sábio que pude conhecer na escola. Era temido por seu gênio e por sua geniosidade, intolerante com as “malandragens” dos alunos. Suas “sabatinas”, pequenas provas aplicadas semanalmente, faziam com que déssemos atenção plena às suas aulas e aos deveres que nos passava. O Museu do Homem do Sambaqui é o legado mais conhecido de sua obra científica. A estes é preciso acrescentar o suíço Padre Werner José Soell, o chamado Padre Espiritual, fumante de cigarros Liberty, verdadeiros “mata-ratos” que aromatizavam seu gabinete de trabalho, ao qual acorríamos na busca de orientação. Foi ele quem me acolheu na Congregação Mariana depois da minha “dispensa” da Cruzada. Os padres Montenegro, Paulo Englert (Paulão), Aloísio, Alvino Bertholdo Braun, Eugênio Rohr (o Cascavel) e Antônio Loe227


bmann completavam o time de dirigentes – Prefeitos e Diretores da minha época. Os Irmãos, os seminaristas e os professores leigos também exerceram forte influência sobre nós. O Professor Mário Bonessi, com uma bronca inesquecível, me fez desistir de gaguejar, hábito cretino em que, por gozação e imitação, cheguei a ser especialista. Este, certamente, era o plantel que dava ao noviço Peregrino os fundamentos para sua iniciação na vida religiosa. O Caminho – Seria Assim? A vida num seminário jesuíta, no caso, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, combina disciplina com reflexão e muito estudo. Os jesuítas são bons nisso e exaltam a atividade esportiva e a preparação física. Afinal, Santo Inácio, antes de ser religioso era um militar de nobre estirpe. Os famosos Exercícios Espirituais constituem um conjunto de modos de examinar a consciência, meditar, contemplar, rezar vocal e mentalmente para ordenar sentimentos, adquirindo a capacidade de “vencer a si mesmo”, seguramente, o objetivo mais ambicioso que um a pessoa pode pretender alcançar. Sua denominação completa é “Exercícios Espirituais para Vencer a Si Mesmo e Ordenar a Própria Vida, Sem Se Determinar por Nenhuma Afeição Desordenada”. Trezentas e setenta regras são extraídas a partir das quatro etapas iniciais, que abrangem a contemplação dos pecados na sua inteira dimensão, a vida pública de Jesus – ou, “O Verbo se fez Homem”-, sua paixão e, finalmente, sua ressurreição e ascensão. A solidez dos fundamentos desse processo educacional é aprimorada por uma visão muito ampla e universal. Fui estimulado a ler, antes de completar 13 anos de idade, o monumental “Ensaio sobre Deus, o Homem e o Universo”, traduzido pelo Padre Agostinho Veloso SJ. Trata-se de um esforço extraordinário para conciliar religião e 228


ciência, abrindo portas e favorecendo a curiosidade, mãe do conhecimento e, não raro, das descrenças... As bibliotecas sempre atraem. Mesmo sem terem os mistérios da biblioteca de “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, reservam tesouros de que o tempo livre e a disposição para aprender se apropriam. Dois livros merecem destaque nesse período do seminarista. O primeiro é “Imitação de Cristo”, traduzido para o português pelo jesuíta Padre Leonel Franca SJ. O segundo chegou ao jovem Peregrino para confundir e criar controvérsias. Trata-se de “O Diabo”, livro que valeu a excomunhão do seu autor, o grande escritor italiano Giovanni Papini, que, anos depois, reconciliou-se com a Igreja, escrevendo a memorável obra “História de Cristo”, cuja página intitulada “Paternidade” é inigualável. O primeiro dos livros aqui mencionados fortalece a fé; o segundo formula dúvidas muito instigantes sobre o mal e sua encarnação, o ex-favorito de Deus, Lúcifer, o Anjo da Luz. José Saramago seguiu nesta linha em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. O fato é que o jovem Peregrino passou a desejar mais do que converter os gentios; passou a desejar a salvação do próprio Diabo, que andaria queixoso dos homens, cada vez mais suscetíveis às tentações, verdadeiros “oferecidos”. Afinal, Papini chegou a insinuar que Deus tinha responsabilidades pela queda de Lúcifer, criado mais elevado do que os outros anjos, segundo Dante Alighieri, para ser “a síntese de todas as criaturas”. Para o sagaz Papini, o criador onisciente de uma tão especial criatura não poderia desconhecer que a soberba e a ambição desmedida, embutidas no caráter da criatura, prevaleceriam nas decisões e impulsos desse favorito. Afinal, os Exercícios Espirituais dos Jesuítas, que poderiam refrear tais defeitos, eram, então, coisas do futuro...

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Daí para diante, jovem foi ficando mais jesuíta do que padre! Sim, mais disciplina e mais conhecimento, certamente, vão construindo a assertiva “Há que ter disciplina, sim, sem perder a misericórdia, jamais!”, parodiando a celebrada “Há que endurecer, sim, sem perder a ternura, jamais!”. A Ordenação e a Vida do Padre Peregrino SJ A ordenação do Padre Peregrino foi “aceita” pela mãe e pelas irmãs. Conformaram-se, enfim, diante do inexplicável fato consumado. Como sacerdote, Padre Peregrino SJ optou por exercer o magistério, dedicando-se a pesquisas e inovações na área da Tecnologia da Informação e da Comunicação. Como confessor, seguiu o modelo combinando o método do Padre Werner José Soell SJ, aquele que fora seu preferido na juventude, com o do Frei Junípero Beyer, verdadeiro santo franciscano que veio para o Convento anexo à igreja de Santo Antônio, em Florianópolis, nos anos 1970. O resultado dessa combinação só poderia ser uma mistura de leniência com magnanimidade na “dosagem da penitência” e compreensão diante das reincidências decorrentes da fraqueza humana. De todas as atividades que o sacerdócio enseja, dentre os sacramentos que o padre ministra ou celebra, a confissão é o mais divino. Ouvir as faltas, avaliando se a contrição é – ou não – perfeita, se é movida por bom propósito ou se é fruto de oportunismo ou medo, constitui um verdadeiro mergulho na intimidade da natureza humana e suas circunstâncias. Os sete pecados capitais permeiam faltas confessadas. A gula, a luxúria, o egoísmo, o desejo de prosperar sem trabalhar, a cobiça, a falta de caridade e de amor são confessados mais facilmente do que a inveja. Peregrino aprendeu: o ser humano tem mais facilidade de confessar crimes gravíssimos como homicídio e roubo do que a in230


veja que nutre por alguém. Seria porque a inveja implica reconhecer inferioridade? O jesuíta é um missionário; não tem domicílio fixo! É um servidor do mundo todo e de todo o mundo! Como disse o Padre Vieira, “para nascer Portugal; para morrer, o Mundo!”. Vivenciando a experiência dos humanos de várias latitudes e tantas outras longitudes, Peregrino pode conhecer a diversidade de anseios e ambições que movem homens e mulheres que vivem vidas tão diferentes. Seu olhar me desconserta, desconcerta ou me conforta? O Peregrino é meu clone ou meu eu no mundo paralelo? Sabe tudo ou sabe pouco sobre a vida deste seu outro eu? Sabe de mim tão pouco quanto sei dele? Seu olhar, de tão longe, é, ainda o meu olhar? Parece inquiridor, não inquisidor! Sugere solidariedade, cumplicidade, compreensão ou perdão? Esta vida diferente que vivi ou teria vivido concorre ou se adiciona à minha vida? Ele parece ser mais velho do que eu, seus olhos parecem mais serenos. Já sei por que. Esse Peregrino que me olha de tão longe, com olhos que foram e são meus, sabe que não é a inveja que me leva a chegar mais perto dele: é o desejo de saber mais sobre a sua vida, sua experiência do viver. Admiro esse Peregrino que deu os passos decisivos que não dei; que fez a opção que eu poderia ter feito. Tomara que possamos nos rever e, quem sabe, conversar, ou, ainda, nos confessarmos... Este encontro fugaz, depois de tantos anos de jornadas diferentes, traz para ele e para mim o conforto da mútua compreensão. Por ser a “outra via” da mesma pessoa, ele sabe e compreende que, como canta Frank Sinatra, na música que gostaríamos de merecer na nossa despedida deste mundo, cada um de nós pode pronunciar como síntese “I did it my way!”, sim, “Fiz do meu jeito!”. 231


Homero Costa Araújo Cadeira nº: 31

QUEM SOU EU Autobiografia Aproximava-se o mês de maio de 1948 e, em pleno planalto serrano das plagas de Lages, o inverno já mos­trava a sua cara, com as manhãs embranquecidas de ge­ada e os pinhões acastanhados (maduros), trazendo uma expectativa muito grande aos meus pais em torno do meu nascimento. Meus avós e tios estavam muito ansiosos para sa­ber sobre o primogênito do casal Antônio e Helma Hele­na que estava “nos dias de vir ao mundo”. Qual o peso? Qual será o sexo? Qual a cara?... Qual isso, qual aquilo...? Tomara que seja homem torcia meu avô Solon, no que de 232


imediato era interrompido pela mi­nha avó Prudência: “Não importa o sexo, nem o tama­nho, nem nada, desde que seja forte e sadio, está bom!”. As “comadres” da época examinavam a barriga da minha mãe e sempre arriscavam um palpite: barriga pon­tuda é guri (piá); barriga longa e achatada nas laterais é menina (guria). Assim, cada “comadre” que chegava para visitar minha mãe dava o seu diagnóstico. E eu? Quietinho, dentro da barriga da minha mãe, assistia tudo aquilo sem poder fazer alguma coisa. Tinha também a figura da “linha na agulha”. Como, é que funcionava? É fácil, muito fácil. Coloca-se a linha na agulha e leva-se próximo da barriga da parturiente segurando firme. Se a agulha fizer o movimento de vai-e-vem é guri (piá); se, no entanto a agulha girar em torno da linha (balançar para cá e para lá é menina (guria). E assim ia aquela rotina das amigas da minha mãe. Cada uma com seu palpite e a sua aposta em torno do sexo do futuro nenê. E eu? Quietinho, dentro da barriga da minha mãe... Naqueles tempos (1948) não existia ultra-sonografia para se saber o sexo do nascituro. Tinha mesmo é que esperar o parto acontecer. Não tinha outro jeito. Hoje os tempos são outros: já se sabe o sexo antes mesmo do nascimento e, em alguns casos, a criança nas­ce aos 3 (três) meses após o casamento, e, em outros, até há casos dos filhos que assistem o casamento dos pais. Coisas do modernismo. Passei a maior parte da minha infância na fazenda do meu avô Solon (Fazenda do Castanheiro), no Painel. Andei a cavalo, tirei muito leite, fiz queijo, sabão, vela, pinhão 233


na chapa e paçoca de carne. Tempo bom. Tempo de fartura. Comida de fogão a lenha. Abundante e gostosa. Tomei muito banho de rio, comi muita fruta e pe­guei muito passarinho no alçapão e/ ou na arapuca. Ado­rava olhar para o céu e ver os papagaios em revoada em algazarra, quando no final da tarde, voltavam para casa. Tentava contá-los. Eram muitos. Impossível. Coisas de guri. Eram muitos, muitos, mesmo... Coisas de guri. Um dia ainda terei um papagaio só meu... Quero ensiná-lo a assobiar e gritar Flamengo... Trabalhei de offíce-boy, fui coroinha durante três anos na Catedral Diocesana de Lages; tomei muito vinho do padre, e comi muita hóstia; adorava participar da procis­são de Corpus Christi. Depois que o bispo passava sobre os tapetes que eram feitos com muita arte e carinho, vi­nha eu, todo garboso e pisava-os também com orgulho (parecia um mini-bispo), maravilha. Cheguei até a pen­sar algumas vezes: “um dia ainda vou ser bispo e quero que todo mundo beije a minha mão... “. Não gostava quando morria alguém na cidade e ti­nha que ajudar o padre na cerimônia fúnebre. Gostava sim de bater o sino da Catedral pendurado no carrilhão e acompanhando o belém-belém pra cá e pra lá, doce enle­vo de adolescente. Parecia o Tarzan pendurado no cipó da floresta. Pobre Tarzan... Morei em República de estudante onde aprendi o ofício de pipoqueiro. Nunca comi tanta pipoca. Cachor­ro-quente e ovo cozido, nem te conto o tanto que comi. Hoje, nem morto. Tomei muito vinho de garrafão, dividido com meus amigos de República: Celso, Dercílio, Galena, Pedro, Peter, Mário Krüger, Vinicius Waltrick, Cesar Ramos, Guta (Pinto Louco). Gostava de namorar mas era impedido pela falta de dinheiro: quem gostaria de ter como namorado um estudante duro? Quem? 234


Quando queria ir na Soireé do Lira (domingo à tar­de), tio Caetano conseguia com o Celsinho Pamplona os ingressos, e, eu, tinha ainda que arranjar o traje com os amigos da pensão (cada um emprestava o que tinha de o que tinha de melhor), maravilha. Joguei muito futebol, briguei muitas vezes na rua, e sempre trabalhei para ganhar uns trocadilhos. Graças aos meus pais (Antônio e Helena), tios e amigos que me incentivaram, formei-me em Direito e Administração de Empresas, casei-me e tenho 04 (quatro) filhos maravilhosos: Fabrício, Fernanda, Felipe e Homero Filho. E o resto? Toco a vida do meu jeitão procurando trazer felicidade aos qui me fazem feliz... E você. Quem é? Diz aí...

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Hélio Cabral Filho Cadeira nº: 32

QUEM SOU EU 1. Embora o soneto já sintetize toda a mensagem necessária, mesmo assim, gostaria de deixar alguns comentários a respeito da vida e da obra deste humilde poeta.   Nasci e cresci nos morros de Florianópolis. No morro da Mariquinha, Tico-Tico e Morro do Bode. Neste último passei grande parte da minha infância e adolescência. Em um casebre simples, com minha mãezinha (que tanto adoro), meus dois irmãos e minhas três irmãs. No terreno tinha diversas árvores frutíferas (goiabeiras, amoreiras, laranjeira, cajueiro, pitangueiras, mamoeiros, abacateiro, etc...). O banheiro era na rua, sobre uma vala que passava no terreno. Co236


nhecia cada canto dos morros de floripa. Tomei banho de mar, catei berbigão, joguei bola e me diverti muito no Aterro da Baia Sul. Viver no morro  Eu vivi muito tempo na favela, Por toda a minha infância e adolescência. Que vida tão difícil foi aquela; Que nobre e inesquecível experiência.   Embora a roupa rota, a casa rela; A droga circulando; a violência; A gente era feliz; a vida bela, Na mais audaciosa convivência.   Muitas vezes não ter o que comer; O desafio pra não se corromper, Diante das pressões do dia a dia...    No entanto, agi de forma sempre honesta, Exemplo que na lama mais modesta, Também pode brotar a poesia.     2. Comecei a trabalhar muito cedo. Fui cobrador, vendedor, pasteleiro, cozinheiro, garçom, copeiro, crediarista, e outras tantas profissões e ofícios. Vendia goiaba, picolé, milho cozido; cuidava de carros; fazia carreto (carregava sacolas na feiras livres). Aos 15 anos fui Diretor da Associação de Moradores da Prainha (Bairro de Florianópolis onde fica o Morro do Bode). Sempre fui apaixonado pelo trabalho comunitário e voluntário. Convivi com todo o tipo de drogas 237


e violência, no entanto, eu e meus irmãos nunca nos deixamos corromper. Graças a minha mãe, que nos educou com bastante rigor (e algumas surras).      Mutação  Se eu nunca renovasse o meu vernáculo, Se eu não me introduzisse na fonética, A língua mãe seria um obstáculo, Seria tão banal minha poética.    Se eu não tivesse como sustentáculo Minha busca incessante pela estética, Eu não procuraria o espetáculo Da forma mais sutil e mais sintética...   Mergulho de cabeça; me intrometo... Eu sei, nunca terei pleno domínio, Na produção dos meus pobres sonetos.   A perfeição é sempre o meu algoz. Embora sem brilhante raciocínio, A emoção ecoa em minha voz...    3. Trabalhei como copeiro na Pastelaria Kiki, na antiga rodoviária de Florianópolis, durante dois anos, onde conheci algumas celebridades da ilha, como por exemplo: Dakir Polidoro, Zininho, Mayer Filho (Galo), dentre outros. Lá ouvi, pela primeira vez, o poeta Zininho declamar o poema “Os versos que te dou” de J.G. de Araú238


jo Jorge. Aqueles versos maravilhosos depositaram em minha alma o gérmem da poesia. Dali em diante comecei a compor. Meu primeiro poema foi em homenagem a Florianópolis e o dediquei ao jornalista e escritor Amaro Seixas Neto, grande figura da ilha. Os versos foram publicados no Jornal “A Notícia” e declamados pelo Dakir Polidoro na Rádio Diário da Manhã no programa “A hora do despertador”.     Suor   Não quero nada mais do que mereço; Só quero receber o que for justo: O fruto do trabalho que eu forneço, Da minha devoção, o nobre custo.   Agir honestamente. Esse é o meu preço; Crescer e prosperar eu sempre busco; Meu senso de justiça eu mostro e exerço; Também o brilho alheio eu nunca ofusco.    Silenciosamente eu ganho espaço, E ali vou construindo a minha história, Sem muita propaganda ou estardalhaço.   Minha família é a minha fortaleza. A minha verdadeira e grande glória, É o abençoado pão na minha mesa.  4. Aproveitei bastante minha juventude. Frequentei discotecas e boates (Dizzi, Baturité, Clube 15). Era muito tímido e reservado, mesmo assim, namorei bastante.  Formei-me no ginasial, sendo o 239


líder da turma o orador e o primeiro lugar do colégio Celso Ramos na Prainha. No ensino médio formei-me como Desenhista de Instalações Elétricas no Colégio Getúlio Vargas no Saco dos Limões,  também sendo o líder, o orador e o primeiro lugar do colégio (cara metido!), claro, sempre com muita simplicidade e humildade.   Sentimento   Não quero ser escravo da cultura; Não ser nenhum herói ou paladino; Nem quero ser julgado o assassino, Da nobre arte da literatura.    Eu quero a liberdade em desatino; A forma respeitosa; a imagem pura; A força da palavra sem censura; O coração aberto e cristalino.    Eu quero o sentimento que arrebata; O pensamento que desperta; o anseio; A paixão que emociona e que arremata.   E, nessas emoções que exteriorizo; Quero causar no coração alheio: Um suspiro, uma lágrima, um sorriso...   5. Sempre amei a poesia. Quase todos os finais de semana eu me reunia na sala de som do meu amigo Edson Furtado (sala onde fiz diversos desenhos nas paredes com tinta de tecido fosforescente, 240


preservados até hoje), com alguns casais e outros amigos para curtirmos música e, a pedido, aproveitava para declamar alguns versos, da minha autoria e da autoria de outra poetas (Bilac, Castro Alves, JG, Cruz e Sousa, dentre outros). Publiquei, por minha conta, vários livretos de poesias (xérox) que distribuía aos amigos e conhecidos.     Alfaiate das palavras  Eu passo a vida a remendar sonetos; E passo o tempo costurando trovas. Faço poemas de tecidos pretos Com versos brancos e com linhas novas.   Os meus arranjos são provindos, feitos Dos moldes tidos pelas minhas provas. Os meus retalhos são assim estreitos, Mas têm texturas bem harmoniosas.   Às vezes sai algum pesponto torto. A frase, às vezes, já sai travestida... Dando ao estilo certo desconforto.    Quantas costuras nessa minha lida. Corto tecidos do meu próprio corpo E bordo em versos minha própria vida.    6. Conheci minha esposa no fim da tarde do dia 10 de agosto de 1990, em uma pracinha ao lado do Teatro Álvaro de Carvalho. Paixão a primeira vista. Seus olhos verdes, seu jeitinho meigo, sua beleza 241


(de conteúdo e de continente) me cativaram. Três anos depois nos casamos (27/02/1993). Hoje temos dois filhos maravilhosos (Victor-19 e Marília-13). Formei-me em Administração de Empresas e trabalho atualmente como Técnico dos Correios.   Hélio Cabral Filho (Sua vida em um soneto) Nasceu e cresceu lá na periferia Do morro do bode, na linda Floripa. A infância tão pobre, difícil, restrita, Mas sempre com muito carinho e alegria. Com mais cinco irmãos em um quarto dormia. A casa tão pobre, mas sempre tão limpa. O mercado público, a pastelaria... Goiabas, os jogos, as festas, as pipas... Sem pai, trabalhou e lutou desde cedo; A mãe na faxina – a grande heroína – Leu muito, estudou, sem ter vícios, sem medos. Formou-se, casou, teve filhos queridos; Poeta e escritor. Nessa vida ele estima O livro, a família, o trabalho e os amigos...  7. Tenho três livros editados pela Editora Virtual Books (Sonetos de otimismo e outros sonetos 2009 - Meus sonetos prediletos - 2011 e Caderno de Sonetos - 2013). Coordeno oficinas de poesia e de teatro nos colégios públicos de Biguaçu. Quero deixar meu legado 242


não apenas na arte, na cultura e na literatura, mas, principalmente na vida, como exemplo de dedicação a família, fidelidade aos amigo, honra a minha pátria e respeito a natureza. Temos que lutar sempre por aquilo que acreditamos, buscando a realização dos nossos sonhos e a concretização dos nossos ideais.        7. Soneto da posteridade  Por expressar aqui meus sentimentos; Por registrar aqui as emoções; Eu nunca busco reconhecimento, E nem espero condecorações. Eu sei que as poesias são momentos, São os retalhos das recordações, Trazendo a tona alguns encantamentos E sensibilidade aos corações. Eu sei, não vou ter prêmios, nem ter glórias, Nem homenagens, nem idolatrias, E nem solenidades meritórias.  Se o mundo não me exalta ou me premia, Eu sigo costurando a minha história Com as linhas mais humildes da poesia.  Hélio Cabral Filho Academia de Letras de Biguaçu Cadeira 32 3954-4099 - 9167-4320 - 8432-2648 243


Dulcinéia Francisca Beckhäuser Cadeira nº: 33

QUEM SOU EU Dulcinéia Francisca Beckhäuser filha de Albertina e Manoel Inocêncio Martins, nascida em Florianópolis /SC Brasil no dia onze de agosto de 1947. De uma família de sete irmãos, sendo cinco mulheres e dois homens. Sendo a caçula das mulheres. Um dos irmãos faleceu aos trinta anos e o mais novo, com cinquenta e nove anos. E duas irmãs já falecidas restando, ainda quatro. O estudo foi a dedicação principal. Além de gostar muito de animais como macaco, cachorro e papagaio. Nascida na Maternidade Dr. Carlos Correa e criada na Trindade desde a infância até a 244


juventude. Tanto a Trindade como toda a Cidade de Florianópolis é um lugar adorável, sendo considerada a Ilha da Magia. Manoel Inocêncio Martins era um homem público e de visão, levando a trazer grandes beneficio para a Trindade. Sempre Manoel se pautou pela honestidade, ética tanto na política como no comercio. Sendo conhecido por Mané Intendente pelo cargo que ocupava junto a Prefeitura da Capital. Administrando com carinho a região da Trindade por muitos anos levando para região pelo seu prestígio político água, telefone, luz e além do asfalto em volta ao morro, graças ao Prefeito da época Sr. Osmar Cunha. Com esta obra facilitou o acesso ao Aeroporto,pois antes ir ao centro para depois chegar ao Aeroporto..Além desta obra importante para a região ,conseguiu junto ao governo do Estado sendo governado por Sr. Celso Ramos e em conjunto com o Reitor Ferreira Lima reitor da Universidade trazer para a Trindade o Campus Universitário. Centralizando todos os cursos, antes espalhados pelo centro de Florianópolis. E Albertina Francisca Martins, mãe dedicada e carinhosa aos seus diletos filhos e filhas e excelente esposa exercendo a atividade do lar. Ao falar dos meus pais sinto saudades, saudades. A atividade profissional como professora se iniciou, após o termino do curso do Magistério realizado no Instituto de Educação. Embora antes já exercia o magistério aos 16 anos de idade. Após, licenciada em Letras Português e Francês e Literatura Portuguesa e Brasileira e literatura Francesa pela Universidade Federal de Santa Catarina. E pós-graduada em nível de mestrado e o curso de Metodologia do Ensino. E na Bélgica nos anos de 1983 a 1985 o curso de “La Langue Francaise” na Université Catholique de Belgiqué no Institut des Langue Vivant. Curso de Escola de Governo e Cidadania de 148 ho245


ras/aulas com defesa de trabalho em 2003. Curso de formação Continuada,seminário Estadual sobre Segurança Pública sendo eleita a primeira Presidente do Conselho de Segurança dos Bairros da Trindade,Santa Monica,Anchieta,Parque São Jorge e Córrego Grande e Pantanal se dedicando com muita eficiência. Atuando, ainda em trabalho voluntário na comunidade do Bairro Santa Monica. E Secretaria da Associação da Praia Brava período de 2000 a 2002. Curso continuado sobre a proposta Curricular do Estado de Santa Catarina. Curso de Tecnologia Educacional e Gerencial. E curso de Qualidade Total na Educação. Por estes cursos passou a exercer as funções, primeiro de Professora e depois diretora eleita por todos os seguimentos, alunos, pais, funcionários e professores no ano de 1990 no Colégio Estadual Lauro Muller, criando o segundo Grau. Após passou a exercer as funções junto da Secretaria de Educação de Gerente de Tecnologias Educacionais e gerente de Pesquisa e Inovação da Diretoria do Ensino Superior da Secretaria de Educação do Estado. Além de ser secretária por dois mandatos e três como Presidente do PMDB/mulher. E do Diretório Municipal do mesmo Partido foi delegada durante seis mandatos. Ao exercer estas funções ficou claro que jamais poderemos separar homens e mulheres. São iguais em tudo, inclusive na Política, nos estudos e no trabalho. Uma indagação se faz necessária no tocante a ser igual ou ser desigual. E repensar em todos os aspectos desta sociedade contraditória, adequando a encontrar um caminho para uma nova realidade de igualdade entre mulheres e homens para redefinir seus papeis e desenvolvendo cada um com suas potencialidades. Iniciando estas mudanças com a família e escola. Mentalidade esta que vai se mudando de forma lenta e gradual. Embora, a história é rica em situações

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adversas em que sempre houve a supremacia do homem. Os tempos atuais tudo converge para uma igualdade nos trabalhos e na vida em Sociedade. Em 1964, aos 16 anos quando cursava o secundário encontra em seu caminho um professor de Português com 19 anos de idade. Adauto e eu casamos e estamos juntos há 45 anos. Desta união nasceram quatro lindas, belas, carinhosas e inteligentes filhas: Annelize, Lizeanne, Gabrielle e Dulcianne. Luiza e Fernanda filhas de Annelize e Helena filha de Lizeanne, todas lindas e inteligentes. E Athur nasce em outubro filho de Dulcianne. Sempre alegre até o dia que Annelize nos deixou no dia primeiro de março de 2013, arrancando de nosso convívio. Que a conheceu sabe do emprenho de Annelize em ajudar aos pequenos e muito querida por onde passou. Sendo um anjo que passou em nossas vidas. Annelize saudades ,saudades. No dia 11 de agosto de 2012 escreve o seguinte a sua querida mãe; Mãezinha querida: Parabéns pelo teu dia. Mãe quatro vezes e mais três duplamente. Mãe carinhosa preocupada. Mãe que deseja que todos os seus pintinhos estejam embaixo de suas asas para cuidar. Mãe especial e amada. A mulher mãe do mundo que poderia ter. Te amo muito mãezinha. Ès um exemplo de mulher”.as. Annelize 1305-12. Annelize partiu deste mundo deixando uma lacuna em nossas vidas. Arrancando de minhas vísceras, deixando um vazio enorme. Às vezes, estou sorrindo, porém, minhas entranhas choram e choram muito. Jamais, acostumarei com a sua ausência. Atualmente, acadêmica da Academia de Letras de Biguaçu, 247


ocupando a cadeira numero 33, sendo patrono o Prof. Osvaldo Rodrigues Cabral. Além de ser artista plástica com muitas obras feitas, servindo inclusive como capa em duas obras: uma da Academia e outro do Adauto Beckhauser. Pessoa simples gostando de estar junto com a família. Família esta construída com meu esposo Adauto, pessoa linda por dentro e por fora de um grande coração, cheio de carinho, amor e sinceridade. Terminando dizendo que acima de tudo sou simplesmente mulher. E amo a todos que fazem parte de minha existência. Dulcineia Francisca Beckhäuser

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Vera Regina da Silva de Barcellos Cadeira nº: 34

QUEM SOU EU Poderemos sem dúvida falarmos do Quem sou eu? Mas as benesses da Iniciação do Aprendiz falaram em meu viver mais alto. Ela está tão inserida no contexto interior de nossos corações, onde a luz do Verdadeiro Caminho se vislumbra através dos seus mistérios, que de uma forma relevante, depende exclusivamente da sensibilidade de cada iniciante. Hoje será a data! Silenciosamente feliz diz para si mesmo o aprendiz: - Darei hoje os meus primeiros passos na senda para encontrar A Verdade das Grandes e Infinitas Verdades? 249


Com persistência, devoção, discernimento, humildade e sabedoria, deverei descobrir a mim mesmo, conhecer-me nas trajetórias de minha vida, sabendo vencer os desafios de cada curva e discerni-los. Superarei fortalecido aos lances que se apresentam no caminho da Iniciação. O desejo do aprendiz será agora vivenciado, materializado e registrado nas profundezas de sua alma com os mais sensíveis e transcendentais sentimentos, registrados nas folhas etéricas dos tempos. Com a calma dos que conhecem a muito, os rituais místicos de outros tempos, o aprendiz se despoja de seus metais e valores, nestes instantes um sentimentos indelével demonstra que ao despojar-se, continua a ser o mesmo verdadeiro homem, com toda a sua potencialidade interior e os mais nobres sentimentos para com a humanidade... Vendam-lhes os seus olhos, mas o aprendiz calmamente descobre-se a observar com mais clareza tudo o que lhe rodeia, pois sua terceira visão é aguçada e nesta observação, com os olhos da alma vê os corações de cada um, que dele se aproximam. Observa sem querer, o presente, o passado e o futuro de cada um, como um rolo de filme, onde não há espaço e nem tempo... O ritual continua. É- lhe retirado suas vestes e outras lhe cobrem o corpo, e nestes instantes um sentimento de conforto aflora de seu coração sentindo-se aquecido, sabendo que no mundo, muitos não tem o que vestir em seu corpo físico e muitos não aquecem seus corações com os mais puros e relevantes sentimentos, dificultando sua caminhada e retardando sua evolução. Segui doravante, com os pés descalços, em sinal de respeito 250


para quando se aproximar de um Lugar Sagrado, despojando-se do orgulho intelectual, buscando sempre a verdade com discernimento na fraternidade e na beleza da sabedoria. Aí está o grande mistério, de despojar-se dos sentimentos análogos à Lei do Amor Incondicional, que interferem no crescimento interior. Assim com o coração sincero estará aberto para galgar as alturas de outras dimensões. Um laço corrediço de corda é colocado em seu pescoço, simbolizando o cordão umbilical, sua ligação com a Mãe Terra, unidade de partilha, acolhimento e experienciação, seio de conhecimento e escola de aprendizagem. Começa a peregrinação, pelas cavernas da vida. Nada mais lhe amedronta, pois sente que não está sozinho junto ao guia que lhe indica o caminho a seguir. Sente o perfume da relva macia, percebe seus amigos na invisibilidade dos tempos, escuta o cantar do silencio e descobre-se junto à quietude de seu próprio deserto ao adentrar na Câmara das Reflexões. Tiram-lhe a venda dos olhos, observa neste ressinto a sutileza e o significado de cada objeto, seus conceitos universais. Velho amigo de outras paragens... O altar à sagração e a meditação, a beleza de contemplar o inusitado... O tempo! Ah! O tempo marcado pelas ampulhetas da vida. O esqueleto demonstrando a inutilidade dos nossos desejos e anseios, pois o futuro está a nos esperar, a direção da morte amiga para a verdadeira vida, caminho real na Universidade dos Tempos... 251


O pão de trigo, a semente do trigo que se fez pão, alimento para o corpo e fertilidade da terra para a união das fronteiras fazendo da humanidade, um só caminho, uma entrega na continuidade em evolução... A água, elemento indispensável à vida no planeta, líquido abençoado pelo Criador, bebido pelo Aprendiz para saciar a sede dos esforços nos contratempos na caminhada pela vida... Sal, enxofre e mercúrio, elementos descobertos e usados milenariamente, manuseados pelos antigos alquimistas, que desenvolvendo o saber e chegaram à Sabedoria dos Grandes Mistérios. Guardaram eles o segredo dentro de seu coração, sabendo que a essência da trajetória da vida, reproduz , multiplica, transforma e evolui, manifestando em si mesmo o crescimento interior, compreensível aos que falam a mesma linguagem. A Taça contendo o líquido doce e amargo, simbolizando as contradições na curva da nossa caminhada, procurando, nós os Homens, a seguir avante, discernindo o caminho e sabendo fazer sempre a melhor escolha, para que o nosso trilhar seja sempre iluminado. A figura do galo representa o alerta que temos que ter com as nossas escolhas, discernir com sabedoria a hora de agir e de calar. Saborear o silêncio e degustar a beleza da sabedoria que se opera em nosso dia a dia... VITRIOL, lind,o perfeito e correto, grande mistério, que no decorrer da caminhada do aprendiz, indo ao interior da terra, que significa entrar em si mesmo, descobre a maravilha de sua essência imanada pelo Criador, manifestado pelo Mestre dos Mestres, “Sois Deus em ação, vós fareis mais maravilhas do que as fiz, estarei junto ao Pai e lhes enviarei o Espírito Santo” 252


A Foice e o alfanje, representando a morte física, lembrando-nos que somos pó e ao pó retornaremos. Neste mistério está contido o conhecimento da reencarnação, idas e vindas para o burilamento do espírito, até alcançar as Dimensões Eternas da Infinita Luz de Deus... E a caminhada continua até a porta do Templo, momento de reflexão e expectativa, sabendo que irá buscar a Verdade, a Sabedoria e encontrar a Fraternidade Universal. Seu coração serenamente perguntava: Será este um Lugar Sagrado, onde o Saber, as Virtudes e a Justiça, são as forças primordiais entre todos os irmãos que aqui irei encontrar? Quando uma voz suave sussurrou em seu coração: “Tenhas olhos para ouvir e ouvido para observar, quando a essência em sua trajetória evolutiva agir sempre dentro da Lei da Fraternidade Universal. Estarás pronto para refletir e discernir os revezes da vida e encontrar tua própria Luz? Nestes instantes, sentiu algo a tocar o seu peito esquerdo, com sua visão intuitiva vislumbrou a mais bela luminosa espada, segura por mãos hábeis e fraternas, e o coração do aprendiz amorosamente definiu que era ele o responsável pelo controle de suas emoções e sentimentos vindas de seu cérebro. Deveria sempre agir com sabedoria, agir no momento certo e silenciar quando não for compreendido, pois cada um está no patamar de sua própria evolução transcendental. Sendo colocado entre colunas passa a realizar as três viagens simbólicas. A primeira viagem é tumultuosa, repleta de barulhos, demonstrando as inquietações e indecisões da humanidade, não sabem 253


ainda definir o caminho a ser percorrido, são ineficiências em suas conjecturas e atitudes, desconhecem as verdades da Sabedoria Superior e também não pretendem conhecê-la... Na Segunda viagem os tumultos, são de intensidade menor. Os seres inflexíveis já partiram, ficando somente os que podem dialogar tirar conclusões e objetivar a Unidade, Liberdade e a Fraternidade, chegando a um acordo para continuarem a caminhar neste plano terreno... Ah! O melhor momento! A Terceira viagem! O momento do silêncio absoluto, nada se move, o ar torna-se fresco e agradável, até um delével perfume se encontra no ar e o coração do aprendiz inebriado de paz, por estar de volta ao lar, no deserto de sua própria alma, respira fundo e segue confiante para a próxima etapa ritualística... Passa então o aprendiz pelos portais dos elementais, da Terra, da Água, do Ar e do Fogo. Respectivamente, a Terra simbolizando o chão- mãe que nos recebeu gratuitamente e que devemos aprender a pensar, a exercitar a meditação e refletir, “somos pó e ao pó retornaremos”. Sem sabermos como ou quando será... A Água desenvolve em nós a sensibilidade pelos acontecimentos que nos cercam, a criatividade para superarmos os percalços de cada degrau para a evolução do SER. O Ar auxilia a retirada dos desejos e das paixões, fazendo com que cada um possa adentrar na Luz e conhecer a Verdade da Verdadeira Vida, enquanto que o Fogo é o impulsionador da força, do entusiasmo, são o ardor correto que leva o aprendiz as atitudes nobres 254


e generosas, demonstrando desta forma que está agindo dentro da Lei da Fraternidade Universal. Ao atingir o mundo astral, desenvolvemos com perspicácia as nossas percepções, escutaremos a voz interior, a sensibilidade estará mais aguçada, discernindo os momentos de perigos em nossa trajetória, podemos nesta circunstância recorrer aos elementares da Terra, da Água, do Ar e do Fogo, com segurança, proteção e auxílio imediato. Terminando de passar pelo portal dos elementais a venda é retirada dos olhos do Aprendiz, vindo a receber a Luz de um novo nascimento, uma nova vida, expansão da sabedoria e do discernimento. Sua alma então descansa alegre e repousa na Luz da Egrégora Maior, onde a Verdade, o Conhecimento, a Ciência, o Saber, as Instruções e a Prática lhe serão demonstradas pelos verdadeiros irmãos... Desta forma através do exemplo dos confrades e confreiras, além de seu próprio esforço interior, discernimento, sabedoria, o aprendiz saberá que a Fraternidade Universal terá uma só linguagem além das fronteiras do Universo do GADU. O aprendiz percebe estar dentro do iluminado Templo, continuando respeitoso atento ao seguimento ritualístico. Com a alma acalentada pela mais bela sinfonia fraterna, compromete-se junto as três grandes colunas, Sabedoria, Força e Beleza, a agir com lealdade, conhecendo seus deveres e compromissos, avaliando com solene interiorização os juramentos realizados sob o plano físico, astral e etérico. O aprendiz sublimando sua consciência e olhando a Estrela Flamígera de seis pontas pendente no teto e a outra colocada no solo, 255


à luminosidade expandiu-se em tonalidade violeta por todos os cantos do templo e nestes instantes o aprendiz sabia dentro de sua alma que a sua essência alcançaria um dia, os píncaros de mais uma elevação, em direção as Leis do Grande Arquiteto do Universo... Sim um dia. No limear de cada caminho... No exemplo de cada irmão... Há limites e dissonâncias evolutivas... Basta conhecermos as diferenças e aprendermos com elas! Discernimento, Sabedoria, Compaixão, Paz e Amor Incondicional, são as molas impulsionadoras para vivermos a eterna felicidade na Terra, junto aos irmãos que não se distinguem “Quem sou eu” mas no infinito saber dos mistérios evolutivos “Quem Somos”. - Um eterno aprendiz, um átomo na transformação dos tempos, viajando pelas descobertas de sua própria evolução Cósmica nos tempos que sempre foram Tempos... Vera De Barcellos

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Alfredo da Silva Cadeira nº: 36

QUEM SOU EU

Da esquerda para a direita. Filhos: Alfredo da Silva Júnior, Renata Domingues da Silva e Gustavo Rafael da Silva e Alfredo da Silva.

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Alfredo da Silva “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”. (Inscrição do templo de Delsos-Livro VI-PITÁ­GORAS (...) Edouard Schiré - Os grandes Iniciados - Vol.II - Orfeu-Pitágoras-Platão-Jesus- Livros do Mundo Inteiro - Rio de Janeiro). ... O discípulo de Delfos caminhava por uma gar­ganta estreita e profunda entre rochedos escarpados na noite sombria ouvia-se somente o murmúrio das águas do rio entre as margens coberta de relva. Afinal, por trás de uma montanha, mostrou-se a lua cheia fazendo aparecer no vale uma claridade elísia (...) (opus cito p ­ ag. 14) Foi em local semelhante ao narrado pelos deu­ses, em cujas proximidades, numa casinha de barro construída pelos meus pais, José Alfredo da Silva e Luiza Vargas da Silva, que eu nasci, em 29 de agosto de 1934, de onde se podia ouvir o musical de uma catarata que deslizava da montanha, formando embaixo um poço ­cercado de pedras com as águas deslizando por um tortuoso vale ver­dejante e florido numa disparada para encontrar o Rio Tubarão e se infiltrar como cobra sorrateira no Oceano Atlântico, próximo a LAGU­NA. Trata-se do Rio da Prata, distrito de Anitápolis, município por onde passou na década de trinta do século XIX, Anita, abrindo pica d ­ as para Jose Garibaldi, que subia a serra a partir de Laguna para continuar a luta de Bento Gonçalves pela República Riograndense ­na direção de Lages e posteriormente Curitibanos, contra as forças imperiais. Mas não posso deixar de dizer em resumo his­tórico, “QUEM SOU EU”. É quando vou recorrer agora à outra fonte (...) “um sábio 258


propôs aos discípulos: escrevam em uma folha de papel, sem identificação, o que pensam de mim e onde posso estar deixando a desejar? A resposta foi dada em três folhas. Na primei­ra, “um ponto de interrogação”; na segunda,” reticência” e a ter­ceira devolvida em branco. O sabia interpretou: A primeira significa que não devo deixar de questionar e aprender (111) conhecer meu uni­verso interior. A segunda confida a reflexão sobre a continuidade caminhada; e a terceira (folha em branco) representa as páginas do livro de minha existência onde forçosamente terei de escrever usando a preciosa fa­ culdade do livre arbítrio (Geraldo Esteves Sobrinho-Revista Internacional Espirita-Nº/-Matão-agosto-2013-SP-pag.348)Nos primeiros aninhos eu já caçava borboletas azuis para vender a um alemão que de vez em quando passava pelo Rio da Prata. Na década de quarenta eu, com a família fomos de mudança para Criciúma atraídos pela valorização do carvão nesse período da Segunda Guerra Mundial. Lá meus pais trabalhavam na mina da PROSPERA Nosso veiculo de transporte da mudança foi um asno encilhado com um cargueiro com um sesta de cada lado que levavam as bugigangas e as crianças e meus pais a pé, puxando o burro. Foram cinco dias de via­gem com hospedagem em alguns ranchos cedidos por colonos da beira da estrada, percurso - Rio da Prata - Anitápolis - Santa Rosa - Rio Fortuna - Braço do Norte - São Ludgero - até alcançar Criciúma. Se filmada essa mudança se assemelharia a fuga de Maria e José com O MENINO JERSUS COM SEU BURRINHO, para salvar a vida diante da perseguição do REI. Meu pai José, além de cansado, várias vezes cantarolava:

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... laranjeira vergamota tira os galhos do caminho quero passear de noite tenho medo dos espinhos. Mas ainda no Rio da Prata, fiz os primeiros anos do curso primário, tendo como professora Luci do Carmo e Silva de saudosa memória. Como agricultor, a permanência de meu pai como mineiro durou pouco. Nova mudança para local próximo a Cocal onde retorna â agricultura, plan­tando” à meia” em terras da família Pascual que franqueava o armazém e o resultado foi fatal. Próximo a colheira, quando a produção seria dividida, fomos convidados a nos retirar sob a alegação que a mesma não cobria a dívida. Dai fomos para Cocal onde meu pai se dedicou a trabalhos gerais inclusive num frigorífico, com os mes­mos argumentos e provocada uma discórdia e foi levantado acampamento para Tubarão - com residência no Bairro Humaitã. Eu começo a tra­balhar com aproximadamente onze anos, agora pago pelo Estado, como trabalhador de estrada e profissão de “pinante”, fazer café e almoço para os operários que estavam construindo o Colégio Coração de Jesus, que seria dirigido pelos padres católicos. Entre os operários, também meu pai. Observado pelo Padre Diretor quando trocava a roupa de trabalho pelo uniforme do Grupo Escolar Hercílio Luz para onde a tarde ia estudar, cruzando o Rio Tubarão por grande ponte de arame que até hoje ainda deve estar no lugar, se não foi levada pela grande enchente de 1974. Terminada a construção do colégio exatamente quando terminei - também, o primário, primeira parte do ensino fundamental, fui -convidado pelo Padre Dionisio para me inscrever no Curso de admissão ao Ginásio, com a promessa me con260


seguiria uma bolsa de estudo. Aceitei. Fui aprovado, matriculei-me, mas infeliz­mente três meses depois me foi negada a bolsa, tive que me retirar levantando para o Grupo Escolar Hercílio Luz, fazendo o complementar, e depois iniciando o Curso Normal Regional, equiparado ao Ginásio, que terminei no Estreito, Florianópolis, no Grupo Araldo Callado e já como soldado do Exercito Brasileiro, 149 Batalhão de Caçadores, hoje 63º BI. No - Hercílio Luz me ficaram na memória as professoras Ligia Cabral e D. Carminha e no Estreito D. Bianchini. Não posso deixar de registrar também que na época, cursar o ginásio em colé­gio particular seria somente para rico e remediado e não para um simples filho de operário. Mas também algumas lembranças boas fica­ram. Da mesma sala em que fui dispensado, muitos anos depois tive o prazer de ministrar aulas de Historia Moderna e Contemporânea para a Fundação ao Sul de Estado, origem da atual e conceituada ­Universidade, (UNISUL). Voltando a minha vinda de Tubarão, ainda no Grupo Aroldo Callado, foi criada a Escola de Comércio Senna Pe­reita, onde iniciai o Curso Técnico de Contabilidade que acabei concluindo na ESCOLA TÉCNICA DE COMERCIO DE LAJES em 1956. Entretanto quase toda a adolescência passei em Tubarão. Primeiro como auxi­liar de cozinha, cozinheiro da noite, garçon, balconista, entrega d ­ or de comprar em bares, restaurantes e mercearia que pertenceram p ­ rimeiro A Vitorino Fernandes, meu tio: e depois a família lima destacando-se Roberto Patrício Lima. De um dos restaurantes que não me lembro bem se o são Luiz ou o Regina, dei um passo para o Rádio Tubá como locutor. O teste? Foi um anúncio que fiz, por brincadeira quando servia um cafezinho para o Senhor Edgar Lemos, diretor da rádio: ---CAFÉ CASTRO. CEM POR CENTO 261


MELHOR”- - Quer trabalhar na minha rádio?, foi a pergunta dele; --- Senhor não conheço nem microfone. Mas, num sábado de carnaval, na falta de um locutor fui requisitado ao meu chefe e já retornei ao restauran­te onde trabalhava como radialista, integrante dos meios de comunicação onde permaneci por mais de vinte anos atuando também na Rádio Anita Garibaldi do Dr. JJ Barreto, ainda quando servia o Exercito Brasileiro com um programa de musica e poesia, “RETALHOS D’ALMA”. Depois, subi a Serra como já aleguei uma parte, e inaugurei com mais alguns colegas levados de Florianópolis, Ailor Barbosa e Edson Roog, a RADIO DIÂRIO DA MANHA DE LAGES onde permaneci desde 1955 até meados de 1951. Quando re tornei para a Capital, como integrante da RADIDO DIÂRIO DA MANHÃ DE FLORIANÓOLIS, que havia inaugurado um transmissor de ondas curtas, trinta e um metros e na minha ânsia e vaidade queria ser ouvido no mundo inteiro, mesmo perdendo dinheiro, pois em Lages, como gerente da rádio, além do fixo ainda recebia dez por cento da renda bruta da emissora que me dava um montante do que recebe hoje um desembargador. Se me propuseram hoje, emprego em qualquer rádio ou televisão e já com mais experiência aceitaria imediatamente. FOI NA RÁDIO GUARUJÂ DE FLORIANÓOLIS que acabei encerrando minha carreira de Locutor, narrador de futebol, rádio-ator de novelas, onde tive comigo por muitas dé­cadas, elementos consagrados como radialistas e jornalistas cujos nomes gostaria de ressaltar todos, mas o espaço da presente histó­ria é pequeno. Entretanto dentre todos os fãs que tive, duas par­celas dos meus ouvintes não posso deixar de ressaltar. Primeira, ­os ouvintes da Hora da Ave Maria, que fiz por mais de dez anos, protegido pelo manto azul 262


e iluminado de Nossa Senhora de Guadalupe. Todos os dias, às 18 horas. A segunda parcela foi a dos desportis­tas que só faltou criarem torcida organizada para mim. Principal ­mente torcedores do Hercílio Luz e Ferroviário de Tubarão; Inter­nacional de Lages; Barroso e Marcilio Dias de Itajaí e principalmente, Paula Ramos, Figueirense e Avaí de Florianópolis, onde figura­ram comigo Humberto Fernandes Mendonça, Edgar Bonassis da Silva, L ­ auro Soncini, Fernando Linhares da Silva, Luiz Osnido Martinelli, e hoje ainda na ativa em rádio e tv, Roberto Alves e Miguel Livra­mento. Desse periodo quero ainda destacar, primeiro o convite que recebi do Presidente da República Jucelino K. de Oliveira, quando de sua passagem por Lages, para integrar sua comitiva onde se desta­cava também o general Lot, depois de ter pronunciado para ele um discurso em nome dos madeireiros e lhe presenteado com duas pinhas antes de decolarem com seu avião. Surpreso, com o convite, agradeci e “DEIXEI O CAVALO PASSAR ENCILHADO” como dizem os lageanos. Segundo, quando fui convidado por Pedro Luiz, Diretor de Esportes da Rádio Bandeirante, para integrar sua equipe, estando eu em São Paulo irradiando a corrida de são Silvestre que se repete a cada final de ano.Também agradeci prometendo voltar depois para não tra­ir minha responsabilidade em Florianópolis. Outro cavalo que deixei passar encilhado. Retornando agora minha caminhada escolar, isso com muita saudade dos meus alunos, mestres e colegas professores - relato que fiz na Universidade Federal de Santa Catarina o Curso de História e Licenciamento e com ele fui professor do Instituto Estadual de Educa263


ção, Escola Técnica Federal de Santa Catarina, tendo inicia­do na Escola Técnica de Comércio Senna Pereira, como professor de História e outras matérias correlatas. Posteriormente fazendo con­curso para a cadeira de Sociologia fui professor desta matéria na UFSC por mais de vinte e um anos, até a aposentadoria. Ainda com­plementando, fiz Direito, Pós Graduação em Direito e Mestrado. Ainda não alcancei o Doutorado e nem a sigla importada “PHD”. Tal v­ ez ainda chegarei lã na próxima reencarnação, se for necessário por amor e ajuda ao próximo. E na continuação de alegar” quem sou eu”, continuo ain­da como militante, advogado formado em Direito em 1971. De inúmeras causas já participei e estou participando. Muito poucas com alguma reputação nos meios jurídicos. Entretanto, o relacionamento e a aceitação dos meus colegas advogados, delegados, desembargadores, juízes, promotores, procuradores, incluindo também os nobres e respeitáveis serventuários da Justiça, sempre foi muito cordial. Tenho a honra ain­da de afirmar que muitos deles foram meus alunos. Para um pouco de recreação vou somente contar duas ocorrências na minha lide causídica. Primeira, foi a defesa de uma senhorita que foi processada por estelionato por ter passado um che­que para um “PAI DE SANTO” e não ter dado cobertura. Era um trabalho de terreiro, para trazer de volto o noivo que a havia abandonado. Esperou muito. Esse não voltou. Por sua vez não providenciou fundos bancários. Isso foi relatado em Juízo com a presença de representante da vitima, o -”MEDIUM” -- que disse, “o cheque foi passa­do para o meu preto-velho. O Juiz determinou. -- Traga-o aqui para confirma. Resposta: -- Não dá Doutor. O ambiente aqui é muito carre­gado. Suspensa a audiência, a moça foi absolvida. 264


Outra foi uma Ação de Divórcio, acompanhada inclusive de um requerimento de Justiça Gratuita. Passou a demorar muito a sen­ tença, pois, faltava a juntada de uma certidão que deveria vir de são Paulo. E minha cliente, Senhora que estava ansiosa para casar novamente, me apoquentava pela’ demora. Resolvi ir a São Paulo por conta própria buscar o documento. Não demorou mais e ela estava divorciada. Um belo dia, fui à vara da Família, peguei a sentença, e a entreguei no Fórum onde ela já estava esperando e perguntei-­--Agora a senhora poderá até casar hoje - está contente; ?-------­resposta:---Contente estou, mas que o senhor é muito enrolão, é. Foi o que recebi de honorários. Por outro Lado, ainda não me con­tratou “uma viúva rica” para impetrar em Juízo um inventário ou um renomado parlamentar do Congresso Nacional para lhe defender de falsa acusação de participação no -mensalão - mas estou muito satisfeito com a advocacia. Meus nobres colegas acadêmicos e o dono da cadeira que em boa hora, mesmo sem merecimento, tenho a honra de ocupar ­graças a D. Dalvina, cardeal D. Jaime de Barros Câmara, agora cheguei ao ponto mais difícil. Que direi de minha vida intima e do meu relacionamento de amizade; Tenho árvore genealógica digna de lisonja; esta árvore deu e está dando bons frutos? Vou agora arriscar escrevendo o que me sopraram, que por parte de mãe tenho uma ligação com a Espanha e até com o saudoso Presidente Getúlio Vargas pois meu avô chamava-se Manuel Generoso Vargas com raízes na Penin­sula Iberica. Por parte de pai tenho ligação com Portugal e Itália, pois os avós Alfredo da Silva era descendente de açoriano e Maria Cristina Fiorezano da Silva era descendente de imigrantes italianos. Brotando dessa árvore tenho três filhos que amo, Alfredo da Silva Jr advogado, casado 265


com Rejane Rosa e duas filhinhas muito Lindas, --­ Manuela e Maria Luiz.; Renata Domingues da Silva de extraordinária beleza, principalmente interior, e artista, bailarina, e ainda neste ano 2013 está em turnê pela Europa, na Itália integrante de um grupo de jovens do Brasil. e Gustavo Rafael Domingues da Silva, integrante da Segurança do Município de São José, honrosa Guarda Municipal é também acadêmico do Curso Superior de Biologia da UFSC. Não posso deixar de citar mães carinhosas e devotadas - Ana Maria dos San­tos e Mara Regina Domingues. Lembro ainda pessoas de reconhecida de­dicação e amizade Zilma Schimitz e suas filhinhas Angela e Marcela e Maria Juraci Tripoli e suas filhas Dayane, Diana e netinha Érika. De saudosa memória lembro com carinho, Maria Nair da Silvei­ra Telles e Marina Picoli. Finalmente todos os meus parentes e amigos encarnados e desencarnados. Na verdade é que pessoas citadas ou não se fizeram parte de minha vida e ainda o fazem, seja de perto ou de longe, nessa indispensável e necessária inteiração social foram os que me plantaram e fizeram crescer muitos ainda regando com água cris­talina, para que me atreva dizer QUEM SOU EU, mostrando-me como uma daquelas arvores anônimas que ainda estão sustentando o encanto da catarata do Rio da Prata. Alfredo da Silva 13/08/2013. ACADEMIA DE LETRAS DE BIGUAÇU. 266


Pedro Paulo dos Santos Cadeira nº: 37

QUEM SOU EU? “Por que você me pergunta? Perguntas não vão lhe mostrar Que eu sou feito da terra Do fogo, da água e do ar...” Paulo Coelho/Raul Seixas Eis aí, como se diz popularmente, uma perguntinha “danadinha”, difícil de responder, uma situação um tanto quanto complicada, pois num lampejo do pensamento passam mil coisas pela cabeça, e ao mesmo tempo em que julgamos que somos ou fizemos muita coisa, algo de muito importante, para uma vida relativamente curta, chegamos à conclusão que tudo foi tão pouco, diante da grandiosidade do tempo desta vida. 267


Mas, o momento não é para divagações e sim para dizer algo a nosso respeito. E assim passarei a dizer quem sou eu e a descrever: nasci numa pequena vila de pescadores, nos idos da década de quarenta, em Canto dos Ganchos, então distrito de Ganchos, município de Biguaçu. Meu pai Miguel Pedro dos Santos, foi um exemplo de filho, um bom marido, pai excepcional, avô espetacular, e homem de múltiplas atividades: carpinteiro, comerciante, político, proprietário rural, e uma forte liderança na comunidade, e como por lá não tínhamos médicos, nem farmacêuticos, ele ainda benzia de afogamento por espinhos de qualquer espécie, e segundo afirmam, realmente curava; além disso ainda gostava de seresta, de promover bailes, especialmente de carnaval com rei momo, rainha e toda a corte, e de tocar um violão, que nos alegrava quando éramos pequenos, principalmente minha irmã Natália, a quem ele adorava, que com seus dedinhos fininhos ficava também mexendo nas cordas e atrapalhando a música, contudo, ele era só sorrisos. Minha mãe, superdedicada, superprotetora, dona de casa, exímia cozinheira, costureira, bordadeira, disciplinadora aos extremos, que o diga o meu irmão Carlinhos (o aprontador), além de também auxiliar nas tarefas de cuidar da venda, ou armazém como se diz atualmente. Minha infância, como a de todos os “gancheiros”, transcorria entre períodos na escola, na praia jogando bola e no mar tomando banho, nadando, etc. Como todas as crianças, independente da condição financeira, religião, cor, etc., nosso traje era um calção de algodão feito em casa, sem camisa, a correr pela praia. Nossos limites eram o mar de um lado, de um azul imenso que se estendia até onde a vista alcançava e do outro lado, a montanha, o pico que para nós estava lá atrás tocando o céu. Vivi ali com meus irmãos Antonio Carlos, Maria Natália, José Miguel e Márcia Maria a mais feliz infância. Fiz o meu curso primário da época na mesma comunidade, na escola reunida Leontina dos Santos Negreiros, começando com o pro268


fessor Belarmino Hypólito de Azevedo, e passando por várias outras professoras. Na época eu já era escolhido para declamar poesias nas festas escolares. Terminado o curso primário, meu pai e minha mãe entenderam que minha vocação não seria para a profissão de pescador, e resolveram que deveria prosseguir estudando em Biguaçu, morando com meus avós maternos Serapião Lisbôa e Maria Rodrigues de Amorim Lisbôa (dona Bicota). E de lá de Canto dos Ganchos, parti numa madrugada, ainda escura, na carroça do grande amigo de meu pai o Sr. Ari Wollinger, com destino a Biguaçu, pois não existia outro meio de transporte a não ser carroça ou carro de bois para Biguaçu, ou São Miguel e lancha para Tijucas ou Florianópolis. Com o coração apertado, os olhos marejados, uma dor indescritível de deixar para trás toda a alegria de minha infância simples, porém livre e cheguei a Biguaçu, com 10 anos de idade, e aqui para mim tudo era novidade, cidade movimentada, com iluminação elétrica que eu não conhecia, muita gente na rua, sem praia, sem mar, uma solidão que doía nos ossos, muito embora meus avós e meu tio Antonio (Tonho) e sua esposa tia Maria (Dinha), tudo faziam para me estimular. Sentia saudade dos meus irmãos, dos amigos, do cheiro do mar, da praia, enfim, passei a viver num mundo totalmente diferente e estranho. Matricularam-me no Grupo Escolar Prof. José Brasilicio, tendo como professora a Da. Maria da Glória Virissimo de Faria, de gratíssima memória, no antigo ensino complementar uma série entre o primário e curso normal regional, pois a minha preparação anterior era muito acanhada. Ali repeti um ano e não consegui passar no exame de Admissão, no ano seguinte meus pais mudaram-se também para Biguaçu, aí com a fiscalização nos calcanhares passei no curso complementar e no exame de admissão, e comecei a cursar o Curso Normal Regional Carmen Linhares Colônia, que correspondia ao ginásio, e aí até formar-me na quarta série, onde sempre fui um aluno destacado. Tive inúmeras 269


professoras, dentre as quais eu destacaria Da. Eloisa, Da. Salete, Da. Eli, Da. Mariza, Da. Zenaide, Da. Avanir, o professor José Alcides, prof. Sérgio Locks, o Côn. Rodolfo Machado. Durante o período em que estudei no Grupo sempre foi designado para leituras, discursos, recitar poesias, participar de festas, etc. Concluído o meu curso normal, entendi que deveria fazer o Curso Científico, e matriculei-me no Instituto Estadual. Com a minha fraca preparação, saindo de um curso destinado ao magistério, minha tentativa foi um verdadeiro fracasso, mas não desisti, no ano seguinte matriculei-me novamente e a tragédia se repetiu, desta vez, estávamos no ano de 1965, e tive que servir o exército. Como fiquei um período de, mais ou menos 60 dias de prontidão, sem poder sair do quartel, perdi as aulas e lá se foi tudo de água abaixo novamente, com a atenuante de que fui aprovado no curso de Cabo e o Exército custeou um curso de datilografia. No ano seguinte, matriculei-me no Curso Técnico de Contabilidade, inicialmente na Academia de Comércio de Santa Catarina, na Av. Hercílio Luz, próximo ao clube 12, e dali fiz a transferência para Academia de Comércio Senna Pereira, no Estreito, onde conclui o curso de Técnico em Contabilidade. Fiz o vestibular para o curso de Direito e obtive êxito na segunda chamada, iniciando a Faculdade, ali na Rua: Esteves Júnior, mais conhecida como Alfaiataria do Didico. Neste período eu já exercia a atividade de Oficial do Registro Civil do Distrito da Sede da Comarca de Biguaçu, aprovado em concurso, e respondia interinamente pelos Cartórios dos Distritos de Guaporanga (São Miguel) e de Sorocaba, quando seus titulares aposentaram-se. Durante toda a minha juventude aqui em Biguaçu e até após a idade adulta, participei das Diretorias do Clube 17 de Maio, do BAC, da Ação Social, além de participar ativamente da política em nosso Município, ter sido eleito Vereador, Presidente da Câmara, e, posteriormente, candidato a Vice Prefeito. No Governo do Dr. Antonio Carlos Konder 270


Reis fui indicado para exercer o cargo comissionado de Diretor de Administração da Secretaria do Trabalho e Promoção Social, na reforma administrativa de seu governo, fui convidado pelo caro amigo Dr. João Paulo, como inúmeros outros Biguaçuenses, para trabalhar no IPESC, onde aposentei-me. Pelas atividades que desenvolvi aqui em Biguaçu, principalmente junto a Prefeitura Municipal, onde trabalhei como Secretário dos Prefeitos Arlindo Corrêa, José Eduardo da Costa (Zezinho), e, novamente, com Arlindo Corrêa, quando fui nomeado o primeiro Procurador Geral do Município, tive a satisfação de conviver com toda a população, isto, sem a menor sombra de dúvidas, proporcionou-me um vasto conhecimento, do que muito me orgulho, pois foi uma experiência gratificante, lidar com todas as pessoas, de vários níveis sociais, culturais, etc. Na minha juventude, numa época em que não tínhamos TV, vivíamos na praça (local de encontro), de namoros. Nas saudosas tardes dançantes do 17, aos domingos, onde se encontravam os jovens casais, namorei a mãe de meus filhos e posteriormente, nos casamos, e o resultado mais lindo de toda a minha vida está aí personificado pelo Guilherme, pela Gabriela e pela Geórgia. Atualmente vivo uma nova união, e sou grato e tento retribuir o amor, carinho, atenção e dedicação que recebo da Ivânia, de seus filhos Israel e Tamara, e dos netos do coração, o quieto João Victor e o espevitado Matheus Otávio, que estão sempre me provocando e sacudindo, não querendo deixar-me sossegado um minuto sequer. Mesmo assim, volta e meia tiro um pouco do meu tempo dedicado à leitura e resolvo escrever alguma coisa, algum fato que vivi, ou que ouvi no dia a dia, assuntos que deram origem a várias crônicas, publicadas no jornal “Biguaçu em Foco”, e outras na “Folha Catarinense”. Faço parte da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, convidado por meu primo professor Miguel, onde ocupo a cadeira cujo patrono é meu pai, e mais recentemente, convidado pela 271


nossa “eterna” professora Da. Dalvina, passei a integrar a Academia de Letras de Biguaçu, na cadeira cujo patrono é Tomé da Rocha Linhares. Participei de várias publicações patrocinadas e promovidas pela Academia de Governador Celso Ramos sempre com crônicas, narrando casos, etc. Como falei no início, não é fácil fazer uma retrospectiva da vida e colocá-la no papel, em poucas laudas, neste curto espaço descrevi toda uma trajetória de mais de cinquenta anos, muitos fatos aconteceram e se perderam na poeira do tempo, outros, a memória já esmaecida, esqueceu, quantos grandes, velhos e bons amigos perdi ao longo desta caminhada, mas, para compensar, quantos ótimos e novos amigos fiz, quantas vezes falhei nesta trajetória, quantos ajudei, acredito que a ninguém prejudiquei, pelo menos intencionalmente, e se o fiz, solicito sinceras desculpas. E para encerrar, volto ao “Maluco Beleza”, citado no preâmbulo, concluindo que: “Pedro, onde você vai eu também vou Mas tudo acaba onde começou.”

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José Castelo Deschamps Cadeira nº: 39

QUEM SOU EU Inicialmente, quero cumprimentar o Presidente da Academia de Letras de Biguaçu, Adauto Beckhauser, pela iniciativa de reunir nesta publicação a resenha biográfica de todos os nossos nobres acadêmicos. Mesmo que de forma sintética, é uma oportunidade excelente de conhecermos um pouco mais sobre a vida de cada um dos nossos confrades e confreiras que fortalecem, com a sua participação, as colunas desta veneranda Instituição. Ao mesmo tempo, uma oportunidade ímpar de abrirmos o nosso coração e falarmos um pouco sobre nós mesmos, nesta aproximação muito simpática com os nossos leitores e amigos. 273


Vida Pessoal Nasci no dia 04 de abril de 1956, em Biguaçu, na localidade de Rio Antinha, hoje pertencente ao município de Antônio Carlos (SC). Sou o 2º filho de João Pedro Deschamps e Catarina Kreis Deschamps. Meus pais trabalhavam na agricultura familiar e, depois, vindo morar no centro de Biguaçu, meu pai foi trabalhar como carpinteiro.  Tenho três irmãos, que são: 1) – Adelmo Deschamps (em memória), que me deu os sobrinhos, Isaque Deschamps e Isaquely Deschamps. 2) - João Deschamps, que me deu uma sobrinha, Tamile Deschamps. 3) – Maria Ivone Deschamps Simas, que me deu dois sobrinhos, Israel Simas e Mário Sergio Simas. A origem do nome Deschamps remonta à origem francesa sendo os meus avós paternos, Vilibaldo Deschamps e Maria Dorvarlina Bongaerten Deschamps,  cujos ancestrais vieram da Alemanha em 1828. Já minha mãe, Catarina Kreis Deschamps, é filha de  Jorge Kreich e Maria Zimermmann Kreich  e seus ancestrais também vieram da Alemanha, em 1828. Fui batizado em na Igreja de Rachadel hoje pertencente a Antônio Carlos,  sendo meus padrinhos o casal José Hoffman  e Maria Dorvalina Bongaerten. Meu nome de batismo é José Deschamps, sendo que o nome CASTELO foi incorporado no ano de 2001 em função do apelido de Castelo, em virtude de ser muito branco e se assemelhar ao presidente Castelo Branco.  274


Aos 22 anos de idade, em 04 de Março de 1978, tomei como esposa a minha companheira de uma vida inteira, Teresinha Ernestina Deschamps, natural de Três Riachos, Biguaçu, filha de Aloir Humberto Decker e Ernestina Schmidt Decker. Tivemos dois filhos. O primogênito foi o Robson Deschamps hoje com  34  anos.  Depois veio o Lincoln  Castelo Deschamps,  hoje com 31 anos, casado com a Eliane Jacinto Deschamps. Ainda estamos, Teresinha e eu, na espera pela emoção sem igual de sermos avós.  Minha primeira escola foi em Rio Antinha, onde cursei até a quarta série do ensino primário. No Colégio Arquidiocesano São José, em Florianópolis, fiz o Ginásio e no Colégio Coração de Jesus fiz o segundo grau. Vida Profissional:  Minhas primeiras lembranças na área comercial remontam à época em que ainda criança  morava em Rio Antinha, trabalhando na lavoura, vendendo pêra, ovos, alho, hortaliças e cuidando das criações de gado e porcos.  Em 1971, aos quinze anos de idade, fui trabalhar em Florianópolis como servente de pedreiro na empresa da construção civil Emedaux,   como forma de custear os meus  estudos. Trabalhava de dia e estudava a noite e durante muito tempo dormia no barraco de obra para ganhar um pouco mais como vigia.  Em 19 de dezembro de 1973 tive meu primeiro emprego formal na Construtora CEISA, como apontador almoxarife. Em 1975, com 19 anos,  fui morar sozinho em Itapema,  onde gerenciei a Construtora Zunino & Campos na função de condutor de obras. 275


Com o casamento e a chegada do primeiro filho, tive que suspender os meus estudos e retornei para Biguaçu onde fundei a BECO – Biguaçu Empreendimentos e Construções, hoje BECO CASTELO. Iniciei a minha empresa construindo várias casas e pequenos loteamentos, até que em 1983 construí o meu primeiro edifício com 24 apartamentos (Carlos Magno) em Barreiros. Em meu décimo oitavo empreendimento em 1996 construí o primeiro prédio de grande porte em Biguaçu.( Cônego Rodolfo)   Daí em diante, com muita disposição para o trabalho e responsabilidade com meus clientes e fornecedores, tive a grata satisfação de   consolidar a minha  empresa no mercado imobiliário, estando próximo de atingir 50 empreendimentos de grande porte concluídos.   Tudo isso eu devo, em boa parte, à contribuição de minha esposa e filhos e das pessoas que sempre acreditaram na nossa capacidade de trabalho e que vieram trabalhar comigo. Tenho orgulho e consciência de dever cumprido, por ter implantando um revolucionário conceito  de qualidade e alto padrão em minhas obras, que serve de modelo para diversas empresas bem conceituadas do ramo. Vida Social. Esportiva e Classista Fui  sócio fundador e diretor,  em vários mandatos, do SINDUSCON – Sindicato da Construção Civil da Grande Florianópolis; Fui fundador e primeiro presidente do SECONCI – Serviço Social da Construção Civil; Fui fundador e vice-presidente da AEMFLO – Associação Empresarial da Grande Florianópolis e também fundador da ACIBIG – Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu. 276


Sou Católico praticante, e já fui presidente do CAEP – Conselho Administrativo da Paróquia São João Evangelista, de Biguaçu. Na área esportiva, sempre gostei muito da prática do Tiro, tendo sido presidente do Clube de Caça e Tiro José Nitro da Silva, situação na qual representei o Brasil, em 1993, na modalidade de Tiro ao Prato, em campeonato mundial realizado nos Estados Unidos. Vida Política Filiei-me  ao Partido Progressista  em  1980, convidado pelo saudoso João Brasil de Azevedo. Disputei as eleições de Prefeito Municipal no ano de 2000, não tendo logrado êxito, mas adquirindo uma sólida experiência política e ampliando as minhas amizades, que foram fundamentais nas minhas vitórias subseqüentes. Atualmente exerço o meu segundo  mandato como Prefeito Municipal de Biguaçu, eleito em 2008 e reeleito 2012, em ambos os casos, tendo como Vice-Prefeito o meu leal companheiro Ramon Wollinger. Instituímos em Biguaçu uma  Gestão de Desenvolvimento Sustentável, trazendo para município mais de 120 milhões de reais em recursos federais para obras de infra-estrutura, valor jamais recebido pelo município ao longo de toda a sua história. O meu sucesso na vida pública e nas empresas, sempre atribuo a toda a minha equipe, pois sempre procurei cercar-me de pessoas competentes, corretas e honestas. Temos  procurado dotar  a cidade de Biguaçu, com obras de real importância para a sustentação do seu desenvolvimento e geração 277


de emprego e renda para a comunidade. Entre outras, podemos citar as grandes avenidas interligando os bairros, a construção do Hospital Regional da Comarca e de uma nova unidade de pronto atendimento 24 horas. Implantamos, ainda, o projeto de macrodrenagem urbana, visando eliminar os riscos de alagamentos na cidade, além de uma série de obras nas áreas da saúde, educação, saneamento, iluminação pública, segurança, transportes e pavimentação entre outras. Estou sempre à disposição de todos e quero afirmar que foi um prazer enorme participar desta Antologia da Academia de Letras de Biguaçu, no ano de 2013, dividindo com os amigos um pouco mais sobre a minha vida pessoal.

 

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Leatrice Moellmann Pagani Cadeira nº: 40

QUEM SOU EU MEMÓRIAS Filha do amor. Meus pais Egberto da Costa Moellmann e Rodolfina Treska Moellmann casaram-se por amor e eu nasci primogênita, em posição podal, o que dizem dar sorte. Titio Djalma, médico, irmão do papai, fez o parto. E se tornou quase outro pai. Meu pai foi vereador em Florianópolis, ao tempo em que o cargo se denominava “conselheiro” e não era remunerado, Construiu nossa casa ao lado da do vovô, Eduardo Moellmann, em frente à capela do então Ginásio Catarinense, na Rua Esteves Júnior, no Centro de 279


Florianópolis. É nesta rua que eu espero passar meus derradeiros dias. Depois de viver pelo mundo, no Brasil e em viagens ao exterior, cá estou na minha terra, na minha Ilha, de residência fixa. Mas não deixo de viajar. Só que não permaneço fora do Brasil mais de vinte dias. A casa do vovô era um casarão estilo português grande e confortável, com espaçosas janelas dando para o mar e recebendo o vento nordeste, que mitigava o calor no verão. Papai construiu nossa casa mais abaixo, no mesmo terreno. Era um bangalô construído por um suíço – Tom Wildi – cuja esposa era dentista, Dona Maria Passerini, que cuidava dos meus dentes, na própria residência, na Rua Presidente Coutinho. Lá pela primeira vez vi uma lareira. Na nossa casa, os rigores do inverno eram combatidos com garrafas térmicas embrulhadas em panos, ou até mesmo ferro de engomar embrulhado. Das nossas janelas avistávamos a Baía Norte, então chamada Praia de Fora. A Rua Esteves Júnior, que fora antes Rua Formosa, era só de chácaras e ligava o Centro, a Praça XV e arredores, à Praia de Fora. Entre o casarão do vovô e a nossa casa havia um lindo jardim, com quatro estátuas em tamanho natural, representando as quatro estações. Nos fundos, havia uma estrebaria, onde era abrigado o pangaré usado por vovô para ir trabalhar na firma da família, a Casa Moellmann, fundada na então Desterro no ano de 1869. Posso dizer que me criei num paraíso: a chácara possuía toda espécie de frutas. Vovô fazia vinho das uvas. Titio Djalma morou aí até casar, pelos quarenta anos de idade. Nossa empregada Dodô, que servira na casa do governador Hercílio Luz, era exímia cozinheira, e titio adorava carne assada feita por ela. Titio iniciou seu curso de Medicina em Porto Alegre. Como sua mãe, Arícia da Costa Moellmann, tivesse falecido de tuberculose e tendo-lhe aparecido uma mancha no pulmão, vovô mandou-o para a Suíça a fim de curar-se. E assim ele estudou nas mais renomadas es280


colas de Medicina. Era o irmão mais velho de três: Djalma, José (Juca) e Egberto (Bety), meu pai. Chegou a ocasião de os irmãos terem também a tísica, uma “mancha” num pulmão. Mas aí já se sabia que o clima da serra catarinense também curava. Por isso eu possuo uma bela casa em Rancho Queimado, colônia de origem alemã, construída por papai. Ele contava que, após adormecer uma tarde apanhando sol debaixo de um pinheiro, teve início a sua cura. Mamãe era filha de Francisco Treska, austríaco, e Elisa Moritz, descendente de alemães. Tinham padaria na Rua Deodoro. Mamãe, caprichosa, estudou na Escola Alemã durante sete anos, aprendeu a escrever em letra gótica. Formou-se na Escola Normal, onde foi colega de turma da poetisa Maura de Senna Pereira e de Antonieta de Barros, deputada estadual. Casou-se aos dezoito anos , depois de viúva, em 1955, estudou Francês, fez pós-graduação em Grenoble, na França, e lecionou no Instituto Estadual de Educação. Tinha o apelido de Rudy, mulher de princípios sólidos e grande bondade. Eu tinha cinco anos, ela me perguntou se eu queria entrar no jardim da infância. E assim lá fui eu para o “Kindergarten” da Escola Alemã, cujo prédio, na Rua Nereu Ramos, ainda lá está. Lembro-me do impacto emocional que sofri. Mamãe me entregou à “freulein” e, quando percebi que ia me deixar com a estranha, quis fugir, correr para ela, mas a professorinha se encostou na porta fechada e me prendeu. Inesquecível! O pouco que sei de alemão aprendi lá. Mas infelizmente um belo dia o prof. Schneider, alemão, me deu uma reguada na mão. Papai me tirou da escola. Que pena! Matriculou-me no Colégio Coração de Jesus da Divina Providência, uma congregação de freiras alemãs. Frequentei-o durante doze anos, saindo para o vestibular de Direito, na Faculdade de Direito de Santa Catarina. Aí já estava casada, pois tive a infelicidade de me casar aos dezessete anos com quem não merecia. 281


Vou voltar à infância: na pracinha da Praia de Fora. Pequenina, eu brincava de amarelinha, de pular corda, de roda, cantando as canções folclóricas em torno de um belo chafariz. Brincava também de anel, que consistia em fechar as mãozinhas para uma coleguinha deixar o anel (ou coisa que o valha) na amiguinha escolhida. Gostava também de brincar sozinha no meu quarto com bonecas de papelão, que tinham roupas de papel para trocar. Eram três, cada qual com seu nome. Colocava-as no chão sobre o tapete e soltava a imaginação. Tínhamos um pé de amora no quintal. Alguém, já não me lembro quem, pegou uma amora e se feriu: era uma bicha cabeluda que usava o mimetismo... Betinho, meu irmão, pegava galhos da amoreira e punha sobre a mesa da copa, para fazer seda com os casulos do bicho da seda. Ele odiava relógio, pois o da copa (que hoje está na casa do meu filho) ficava pendurado na parede contígua ao nosso quarto, e batia as horas para levantar e ir para a escola. Sempre gostamos muito de cachorros. Primeiro os ladrões de frutas mataram o Bugre (fox preto), depois a Faísca morreu atropelada. E o segundo Bugre ia para o Café do Katcips, na esquina defronte à pracinha, e os beberrões lhe davam cachaça. O cachorro dormia e roncava a tarde toda. Eu passava horas trepada nas jabuticabeiras, cantando marchinhas carnavalescas. E pensava num menino que vira num baile infantil do Lira. Teríamos dez anos... Nunca nos falamos. Eu tomava banhos de mar na casa da Laurinha Galluf, que dava fundos para o mar. Mas corria o risco de machucar os pés nos ouriços e nos cacos de garrafa. Adolescente, ganhei do titio uma bicicleta alemã marca Wanderer. Eu atravessava a ponte Hercílio Luz com ela e no trapiche perto de casa dava voltas arriscadas. Vovó tinha um gavetão cheio de roupas em desuso. Puxávamos tudo pra fora e nos fantasiávamos. Vovó ralhava, sabia que eu era 282


quem inventava tudo isso. No seu étagere, espécie de cristaleira, havia um licoreiro pequenino lindo pelo qual me apaixonei. Vivia pedindo-o. Ela respondia que quando eu fizesse 15 anos me daria. E cumpriu: ele está na cristaleira na minha casa. E o étagere foi levado para o Rio de Janeiro, onde enfeita o apartamento da prima Lígia Moellmann Doutel de Andrade, que foi Deputada Federal. Eu certa feita, fui convidada a me candidatar a Deputada Estadual, pela UDN. Não aceitei. Vovô morreu em 1940 de angina pectoris. Estavam um dia em torno da mesa a discutir repartição da herança, quando me meti a dar palpite... Levei um esculacho. Muito bem dado, aliás. Papai, o filho que se dedicou à firma, ficou com suas ações. Anos antes ele a havia transformado em sociedade anônima. Lembro-me de que ele vivia com livros, estudando o assunto. Tio Juca, dedicado à política, não tinha casa própria: ficou com o casarão. Titio Djalma, que pretendia construir uma Casa de Saúde, ficou com os fundos da chácara para localizá-la. E deu-lhe o nome de São Sebastião, porque no terreno ficava (e fica) embutida a capela desse Santo. Papai e tio Djalma sempre festejavam o dia de São João. Soltavam-se lindos balões, e um vizinho reclamava com medo de que caíssem sobre sua casa. Era o austríaco Molenda. Fiz grande amizade com sua filha Vera, que durou até sua morte, septuagenária... No quintal, a fogueira enorme, em que se assavam canas, batata doce, espigas de milho etc. Nem faltavam as brincadeiras de tirar a sorte, adivinhar prováveis casamentos... Esse procedimento acho que se foi com o tempo. Pena! Papai gostava de pegar ou comprar animais do mato e por isso construiu um viveiro enorme no quintal. Certa feita atropelou um guará (cachorro do mato), curou-o e o colocou no seu “zoológico”. O guará fedia muito. Uma ocasião, estando a conversar com o titio na Rua João Pinto, defronte à Casa Moellmann, no Centro, passou um matuto com um lindo filhote de jaguatirica para vender. Papai já 283


estava negociando, quando titio perguntou: “Bety, tu esqueceste que esse bicho vai crescer?” Foi água fria na fervura. Um primo, também sócio da Casa Moellmann, o Hugo, possuía um iatezinho. Da ilha do Arvoredo traziam pedras de granito redondas ou ovais, amoldadas pelas águas do mar no secular embalo. Iam lá para pescar e traziam gostosos peixes, como garoupas e robalos. Um dia pegaram um puma, que nadava. Papai enfrentava lobos-guarás e jaguatiricas, mas quando os gambás iam ao galinheiro para comer as penosas, pela madrugada, quem ia afugentá-los era a mamãe. Ela era muito disposta. Certa vez descobriu que o empregadinho da chácara levava os ovos de casa e as frutas de conde do quintal para vender no mercado e embolsava o lucro. Não se conteve e meteu-lhe o braço! Papai era um grande beijoqueiro e me mimava muito. Tinha orgulho dos meus sucessos na escola. Aprendi a pintar, copiava paisagens, retratava pessoas. Uma ocasião resolvi pintar o papai. Preparei o cavalete, as tintas, e lhe pedi para posar, mas ele não teve paciência. Fiquei frustrada. Mamãe era do tipo secarrão. Manifestava seu amor de outra forma: todo sábado eu estreava um vestido novo feito por ela. Certa ocasião todo mundo leu o livro “E o vento levou”. Pois ela me fez um vestido de Scarlet O’Hara, a heroína do romance transformado em filme. Quando me viu mocinha quis me ensinar a costurar. Eu não aceitei. Tia Lala (Clara Carolina Moellmann) era a irmã mais moça do vovô. Ele julgava que a estava protegendo ao impedi-la de namorar. Era uma bela mocinha de olhos azuis. Ficou para titia e depois para tia-avó. Substituiu a avó, mãe do papai, que falecera. Criou os sobrinhos e agora era a nossa avó. Ela era professora de piano. Era moda tocar piano. Na casa da outra avó, mãe da mamãe, todas as mulheres sabiam tocar. Eram quatro filhas. O esperado era que eu aprendesse também. Mas quem disse que tia Lala tinha energia para me obrigar 284


a sentar frente a um piano durante horas? Havia tanta coisa melhor para fazer no meu paraíso... Se eu ficava doente, ela fazia promessa aos santos (embora luterana) para eu me curar. E quem deveria pagar a promessa era eu... Eu achava absurdo. Certa feita ela sonhou que Nossa Senhora do Carmo saía de dentro do mar com o Menino Jesus no colo, para me curar. Era um sinal... Pobre tia Lala: tanto amor e dedicação pra dar e a impediram de ter seus próprios filhos. Já quarentona, viajou a São Bento e encontrou um pretendente. Mas foi ensinada a reprimir-se e ficou solteirona. Depois que criou os sobrinhos, foi ajudar a criar os filhos deles. Seu único namorado, na juventude, chamava-se João Carvalho. Ela faleceu aos 79 anos. Morava com meus pais. Durante alguns anos vovô deu uma casa na Rua Presidente Coutinho para ela e outra irmã (tia Emy) morarem. Tia Emy foi operar o coração na Alemanha. Eu sempre digo que a tia Lala era o catalisador das relações entre os parentes. Ela os visitava e os mantinha unidos. Quando eu ainda ia a cemitério, sempre depositava flores no seu túmulo. Na mocidade ela cuidava de um dreno não sei em que órgão da sua avó Liseta Moellmann, a que emigrou para o Brasil, trazendo seu filho Carl Filho com 17 anos. Ele morreu de febre amarela, na Ilha dos Guarazes, num lazareto, aos 32 anos. Deixou a esposa grávida da tia Lala. Há muitos anos escrevi sobre ela e publiquei. Vou procurar. No cemitério do Itacorubi, no setor dos alemães, foram sepultados todos os Moellmann, inclusive os imigrantes. As indicações estão escritas em alemão. Inocência Quantos anos eu teria? Era a idade da inocência, da pureza imaculada. Mamãe não estava em casa, ou apenas em outro cômo285


do. Uma menina pedia roupa. Fui ao meu quarto, ali na gaveta das minhas roupas boas, em uso, para doar. Quando ia ao encontro da pedinte, mamãe chegou. Então me admoestou carinhosamente que eu não podia me desfazer daquelas roupas em uso porque me fariam falta. O que resultou dessa admoestação não me lembro. Não estou escrevendo um conto, estou tentando recordar a realidade, uma realidade desgastada pelo tempo. É como se a memória tivesse variações luminosas: alguns pontos claros, outros escuros. Um dia, saída do banho, eu me deitei na cama só de calcinha. Teria uns sete ou oito anos. Trabalhava lá em casa um rapaz de seus dezoito anos, vindo da colônia alemã para serviço doméstico. Ele limpava o quarto. Papai entrou, me viu descansando tão inocente sobre a cama, e, conhecedor do mundo, mandou que fosse me vestir. Notei a malícia... Em contrapartida, meu irmão levara para a cama uma rapariga também da colônia, sendo flagrado... Não houve reclamações. Desde que me sinto por gente considero o meu corpo o templo da mente. E sempre o respeitei como tal. Por exemplo, nunca fumei, nem para experimentar. Era o tempo em que a afirmação feminina levava as adolescentes a imitarem os hábitos masculinos. Lembro-me de uma excursão do colégio na Lagoa, em que as meninas experimentavam o cigarro. Eu me abstive. Acho que foi uma atitude intuitiva ou talvez proveniente do aprendizado no seio da família. Eu tinha um tio médico, com quem convivi estreitamente desde que nasci. Sempre me preservei muito: mente sana in corpore sano. No meu poema “Hino à vida”, eu digo:” Obrigada por ter recebido/ Amor na infância”. Aliás, já foi dito – e eu sei – que os meus poemas são a história da minha vida. A obra é sempre a projeção do autor, é seu filho unigênito. A revolução de 1930. O gaúcho Getúlio Vargas rebelara-se. Destróieres bombardeavam Florianópolis. Transeuntes foram feridos, 286


atingidos no centro da cidade, entre eles Terezinha, a filha do “compadre Crespo” de meu pai. Então, quem tinha condições, mudava-se para o interior da Ilha, local afastado do bombardeio. Foi assim que papai alugou uma casinha de chão batido no Itacorubi. Só me lembro de que o lugar era cheio de pulgas, que nos atacaram. Uma recordação leva a outra. Penso na Dica, que residia no Itacorubi e vinha a pé pela estrada empoeirada até nossa casa, no Centro (Rua Esteves Júnior) onde filava o almoço. Comia agachada contra a parede da cozinha, onde degustava o pirão e o “conduto”, um pedaço de peixe ou um osso de galinha, ou um pedaço de carne, o que houvesse. Dica não usava calça por baixo da saia rodada comprida. Não precisava de banheiro no caminho, bastava abrir as pernas e se aliviar. Outra que usava a mesma maneira de trajar era a nossa cozinheira, Sinha Raquel. Lembro-me de meu irmãozinho pequeno deitado debaixo da mesa da cozinha a ver se conseguia vislumbrar “as partes” da pobre mulher. Anos mais tarde, encontrei Sinha Raquel na Rua Bocaiúva, desarvorada, perdida, entregue à própria sorte, sem ter onde cair morta. Impressionada e penalizada, essa imagem nunca me saiu da memória. Naquele tempo não havia CLT nem nada capaz de minorar o sofrimento dos pobres trabalhadores, Uma história faz memorizar outra. Minha avó (2ª esposa de Eduardo Moellmann) a vovó Luizinha, dava esmolas aos sábados. A Tomázia, mulher com pequeno defeito numa das mãos, vinha todo sábado, religiosamente, buscar a esmola. Um dia, ao pegar o dinheirinho, perguntou simploriamente à vovó: - A senhora podia me adiantar a esmola da semana que vem? Reminiscência, provavelmente, do tempo da escravidão, havia na nossa cozinha dois tipos de açúcar: branco e mascavo, o branco para os patrões, o escuro, certamente mais barato, para a criadagem. 287


Mal sabiam que o mascavo era mais saudável. “A inguinorança é que astarvanca o porgresso”. Conheci na rua, montado num cavalo do Exército, aquele que foi meu primeiro marido. Eu estava com algumas amiguinhas. Em breve ele se insinuou e conseguiu visitar-me em casa. Era o tempo da 2ª grande guerra, e militares foram convocados. Ele foi chamado. Então impôs: “Vou para a Europa, ou casamos agora ou não sei quando poderá ser.” Eu disse a papai que não queria casar. Mas ele retrucou com uma frase que nunca esqueci: “Acho que deve casar.” E deu-se o desastre. Para encurtar lembranças desagradáveis, felizmente não tivemos filhos. Um dia dei um basta: chamei meu irmão e com sua ajuda fugi da casa que fora do meu pai. Fui morar na casa de umas primas solidárias. Fiz concurso para o Instituto Estadual de Educação e fiz vestibular para a Faculdade de Direito. Trabalhava e estudava. Nessa época me apaixonei por um jovem da Laguna, que fora meu aluno: Romano Pagani, com quem tive dois filhos, Márcia e Romano Augusto, que me deram os netos: Rafael, Clarice e Isabela e mais João Sol, Ana Luz e André. Rafael me deu um bisneto: Pietro. Agora transcorria a década de 50. Houve concurso público pelo DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público) para o cargo de Auxiliar Administrativo. Eu passei no concurso e fui nomeada para o Ministério da Saúde. Puseram-me a trabalhar na Biblioteca do Ministério, que funcionava no térreo de onde foi a casa de Nereu Ramos em Florianópolis. Consegui transferência para a sede do Ministério, no Rio de Janeiro. Lá fiz vestibular para jornalismo e fui aprovada. Depois viajei para Florianópolis a fim de gozar férias. Esqueci de trancar a matrícula... Foi no Rio que constituí minha família. 288


Eu tinha feito curso de taquigrafia em Florianópolis, juntamente com Sylvia Amélia Carneiro da Cunha e outras amigas. Então passei a me preparar para fazer concurso. Fiz para o Senado, para o Tribunal Superior Eleitoral e para o Supremo Tribunal Federal. Passei em todos e escolhi o Supremo Tribunal Federal, com a melhor remuneração. Em 1960, acompanhei-o para Brasília, onde trabalhei muitos vinte anos. Eu entrara com o desquite litigioso, que só foi decidido dezoito anos depois, quando eu já era funcionária do Supremo Tribunal Federal. Em primeira instância, em Florianópolis, eram impetrados pelo meu ex todos os recursos cabíveis só para procrastinar a decisão final. Divórcio não havia. Já na Faculdade de Direito, em Florianópolis, eu escrevia no jornalzinho e fazia campanha por divórcio. Em Brasília, tenho foto na arquibancada da Câmara dos Deputados, quando Nelson Carneiro o defendia. E, dezoito anos após haver requerido o desquite, já residindo na Capital Federal, eu me vi “livre”. Mas criara pavor de casamento. Só muito mais tarde, quando o pai dos meus filhos adoeceu com câncer, foi que casei, para facilitar as questões burocráticas na minha existência. E eu lhe tenho sobrevivido muitos e muitos anos. Escrevi e publiquei: Confissões de Amor/1987, Florianópolis (poesia); Em Busca de Ti/1990, Rio de Janeiro (poesia); A obra inédita de Carlos de Faria e a Guerrilha literária em Santa Catarina/1994, Florianópolis, (ensaio); Depois do Verão/1997, Florianópolis (poesia); Gatos Ariscos/1998, Florianópolis (romance); Amor nos Anos 90/1999, Florianópolis (poesia); Anita-mulher (Uma trajetória de amor) /2000, Florianópolis (poesia); Anita Garibaldi (Uma trajetória de amor) /2001, Florianópolis, 2ª ed., bilíngue (italiano); Harpia, a bruxa/2004, Florianópolis (contos), Sedução/2004 Florianópolis (poesia), João Moritz e o desenvolvimento de Florianópolis no século XX /2007, Florianópolis (História) com 2ª edição, Uma Rosa (poesia), 289


2009 e Na História da minha Vida (contos e poemas) 2010. Dobraduras publicadas: Poemas de Leatrice/1997, Florianópolis; Anita Garibaldi (Uma trajetória de amor) /2000, Florianópolis; Sonetos de Leatrice/2004, Florianópolis. Na história da minha vida De quem seria essa mão que a minha toma e acaricia? que com respeito e ternura me extasia? Em que momento senti a tua mão na minha que não sei precisar não consigo lembrar? E quem és tu qual dos homens que amei qual dos homens que me amaram? Pesquiso na minha memória a ver se posso encontrar essa mão misteriosa que me veio acariciar assim tão de repente assim tão simplesmente... Fico perplexa e perdida na história da minha vida... LEATRICE MOELLMANN 290


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Antologia 2013 - Quem somos nós  

Academia de Letras de Biguaçu

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