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edição

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Agosto/Setembro

Jackson Schneider

CEO da Embraer Defesa & Segurança mostra que a aviação nacional está em pé de igualdade com os concorrentes internacionais

“O crédito é a gasolina de que precisaremos depois de ter consertado o motor” Alarico Assumpção Júnior

Amaro Gomes

Presidente da Fenabrave fala como as distribuidoras de veículos enfrentam a crise e as ações criadas para contornar as dificuldades

O representante brasileiro no board do IASB (The International Accounting Standards Board)


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conteúdofinanceiro 5 Editorial 10 Entrevista do mês

Fotos: Mário Bock

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave

14 Panorama do Mercado Automobilístico Brasileiro 20 Economista do Ano

Raul Velloso

22 Desafios do Sistema Financeiro Não Bancário 26 Crédito, Desenvolvimento Econômico e a Solidez das Instituições Financeiras

10 Economista André Perfeito

32 Tecnologia & Negócios

Jackson Schneider, CEO da Embraer Defesa & Segurança

32

34 Executivo

Amaro Gomes, representante brasileiro no board do IASB

39 Fórum de Cidadania Financeira 40 Painel Cetip

14

34

Consultor Jeffrey Carmichael

20 Escreva o seu e-mail, faça seu comentário: acrefi@acrefi.org.br

22 agosto/setembro 2015 financeiro

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conteúdofinanceiro

46 Foto: Shutterstock

50

42

52 Artigos 18 Rodrigo Romero 19 Aquiles Leonardo Diniz

Equilíbrio ou 42 Cultura

Portinari na Igreja Matriz de Batatais (SP)

ruptura

47 Livros 48 Supermáquinas Jaguar F-Pace

50 Estilo

Abotoaduras cinco estrelas

52 Meio Ambiente

Jardim Botânico de São Paulo

54 Informe Fractal 4 financeiro agosto/setembro 2015

30 Patricia Peck Pinheiro 36 Denise Campos de Toledo 38 Katia Madeira Blaha 58 Nicola Tingas


Pacto da Alvorada Base Zero

editorial

Foto: Mário Bock

P

Não é possível chegar a consenropusemos na edição antesos sem esse pressuposto. Trata-se rior da revista Financeiro que de um desafio e tanto na “pátria representantes da sociedade dos direitos adquiridos”, mas é prebrasileira se sentassem em torno de ciso encará-lo para que se chegue uma mesa para elaborar um pacto a soluções aos graves problemas social, como uma das principais que o País enfrenta. As pessoas que alternativas para o País sair da difíparticipassem das conversações que cil situação em que se encontra. A levariam ao pacto precisam estar ideia é reunir representantes dos imbuídas desse espírito e levar em principais segmentos da sociedade conta que não haverá temas “fechapara que se chegue a uma agendos”, ou tabus. O objetivo é pensar o da comum, tão necessária em um Brasil das próximas gerações! momento de crescente incerteza, Assim, os debates partiriam de como o que vivemos. um ponto em que seriam zerados Como o quadro, desde nossa ediassuntos como reserva de merção anterior, tornou-se ainda mais Érico Sodré Quirino Ferreira: cado, estabilidade no emprego, nebuloso, vale a pena avançar na presidente da ACREFI aposentadoria diferenciada para proposta que aponta uma saída, sem categorias profissionais, reajusa qual não vemos perspectivas de melhora efetiva para o Brasil, mormente no longo prazo. tes automáticos de salários com base na inflação, Pequenos ajustes, aumentos recorrentes de impos- Consolidação das Leis do Trabalho, subsídios e incentos para cobrir as despesas não serão suficientes para tivos diferenciados para determinados setores, confazer o Brasil voltar à rota de crescimento sustentável. cessões “perpétuas” de rádio e TV, juros subsidiados Daí a necessidade de se fazer um grande acordo, a que e tantos outros. O Brasil precisa se livrar da mentalidade cartorial que impera desde seu descobrimento daríamos o nome de Pacto da Alvorada. Para esse pacto entendemos que, além da par- e que leva, por exemplo, taxistas a protestar contra a ticipação dos representantes de todas as camadas implantação do Uber sob a alegação que têm “direitos da sociedade, será preciso contar com o espírito adquiridos”, que não podem ser “desrespeitados” por público de todos os envolvidos nas negociações, que qualquer tipo de inovação, mesmo aquelas que podem devem participar das conversações com o espírito beneficiar o consumidor. É um desafio e tanto iniciar o debate sobre o desarmado. E, mais importante que tudo, é partirmos do que, Pacto da Alvorada partindo desse ponto. Mas não em administração, se chama de “Orçamento Base há outra saída. O Brasil precisa entender que, como Zero”, ou seja, admitirmos de início que a despesa acontece com as famílias, não é possível adaptar a vida ao orçamento, mas, sim, deve-se adaptar o orçatem que caber na receita, hoje, amanhã e sempre. Temos de ter, como premissa, que o único direito mento à vida. Basta fazer as contas para constatar que a sociedade tem é o DIREITO DE PROPRIEDADE. que o País não tem recursos para atender a todos Todos os demais são passíveis de discussão, porque os “direitos adquiridos” que, com o tempo, foram se não se chegará a nenhum lugar se o direito a ser alte- cristalizando na sociedade. O momento mostra com clareza que é preciso ir rado for apenas o da outra parte. Nesse ponto, vale a pena lembrar que há enorme em frente e fazer o Pacto da Alvorada. Nós todos, por liberalidade quando se fala de direito adquirido no Brasil. nós e principalmente por nossos filhos e netos, temos Parece que tudo passou a ser classificado dessa maneira, que optar por essa solução ousada, que nos permita mesmo o que não faz o menor sentido social ou econômi- alcançar “O Brasil com que nós sonhamos”, tema do co. Partindo dessa constatação, é necessário que as con- nosso SIAC, que acontecerá em novembro. São ações versações do Pacto da Alvorada devessem ter como ponto como essa que nos permitem pensar em um futuro de partida que esses direitos deveriam ser zerados, ou melhor, mesmo em meio a uma turbulência que teima em desafiar as previsões mais otimistas. f seja, também estariam sujeitos ao debate. agosto/setembro 2015 financeiro

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Faça parte do maior evento de crédito do País


11 de novembro de 2015 Teatro Cetip, Rua Coropés, 88 - Pinheiros, São Paulo, SP

Inscrições gratuitas: www.acrefi.org.br Palestrantes Delfim Netto Economista, professor e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento Joaquim Barbosa Ex-procurador da República e ex-ministro do STF, presidente da corte entre 2012 e 2014 Eduardo Giannetti da Fonseca Economista e cientista social formado pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge William Rhodes CEO da William Rhodes Global Advisors e professor da Brown University Patrocínio

Apoio

Apoio Institucional


expediente

ISSN 1809-8843 Publicação da acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28°andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107-7177 fax: (11) 3106-6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Décio Carbonari de Almeida, Felicitas Renner, Fernando Marsella Chacon Ruiz, José Luiz Acar Pedro, Leonardo Marcondes Dadalto, Mauro Roberto Vasconcellos Gouvêa e Rubens Buttion Diretor Tesoureiro José Garcia Neto Diretores regionais Carlos Alberto Samogim, Edmar Casalatina, Eliseu Colman, Leonardo Bortolini, Luis Eduardo da Costa Carvalho, Marcos Rosa, Paulo Henrique P. Guimarães e Romeu Zema Neto Diretores executivos Alexandre Teixeira, Gabriel José Gama Ferreira, João dos Santos Caritá Júnior e Ronaldo Rondinelli Montadoras Edson Fróes Castilho, Edson Tadashi Ueda, Eduardo Tavares Nobre Varella, Gunnar Alejo Ramos Murillo, Joelcyr Carmello Filho e Nelson Dias de Aguiar Diretores conselheiros José Carlos Alves, Ricardo Janini e Roberto Jabali Conselho consultivo Alkindar de Toledo, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Alarico Assumpção Júnior, Alencar Burti, Décio Carbonari de Almeida, Gilson Finkelsztain, Ilídio Gonçalves dos Santos, Luiz Tavarez e Miguel José Ribeiro de Oliveira (membros) Conselho fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) e Geraldo Lima Wandalsen (suplente) Diretor superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultora Jurídica Lívia Esteves Economista-chefe Nicola Tingas Assessoria contábil AG Silveira Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912, cj. 12b - Jardim Paulistano - São Paulo - SP - Tel.: (55.11) 3031.2388 - CEP: 01451-000 – www.tamer.com.br Publisher Sergio Tamer Redação Editores Theo Carnier e Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Fotografia Mário Bock Arte Moacyr Mw e Rafael Pascoal Revisor Vicente dos Anjos Impressão Eskenazi Gráfica As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

8 financeiro agosto/setembro 2015


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agosto/setembro 2015 financeiro

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entrevistadomês

Preparado para cruzar a ponte Setor de concessionárias toma iniciativas para vencer período de turbulência e conta com o segmento financeiro para ultrapassar os obstáculos, garante presidente da Fenabrave

Fotos: Mário Bock

Por Theo Carnier

10 financeiro agosto/setembro 2015


O

setor de distribuição de veículos automotores, formado por mais de oito mil concessionárias, sofreu impacto direto da turbulência econômica que atinge todos os elos da cadeia automotiva. “Voltamos 20 anos nos resultados do setor e retrocedemos 10 anos quando se trata de volume”, conta Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Para enfrentar esse cenário tão negativo, que se vê em praticamente toda a economia brasileira, as concessionárias decidiram fazer do limão uma limonada: a Fenabrave formou um comitê de crise, para analisar e propor ações diante do quadro de dificuldades e criou a caravana “Sobreviver Já”, que vai a diferentes regiões do País para levar às associadas novidades que as ajudem a enfrentar a crise. Também estreitou os laços de relacionamento com os demais segmentos que compõem o setor, como as instituições financeiras. “Não vivemos sem o setor financeiro”, afirma Assumpção Júnior. “Por isso reforçamos a busca por sinergia com esse segmento. Essa área é parte do tripé que dá sustentação à nossa atividade, que é formada por uma boa marca, por concessionários preparados e pelo crédito. Não teremos como atravessar a ponte (ou seja, a crise) com sucesso sem crédito. Só com ele conseguiremos vencer o grande desafio representado pela atual crise. Para usar uma metáfora relacionada ao setor, as instituições financeiras são a gasolina de que precisaremos quando tivermos consertado o motor”. Em entrevista à FINANCEIRO, o presidente da Fenabrave fala sobre a batalha das concessionárias de veículos para passar pela crise, diz estar preparado para melhores tempos e recorda

a importância das instituições financeiras nesse processo. A seguir, leia os principais trechos da conversa. Revista Financeiro – Quais foram os principais impactos da crise para o setor de distribuição de veículos? Alarico Assumpção Júnior – Como está acontecendo com todo o setor automobilístico, sofremos muito com a turbulência. No ano passado tivemos queda de 7,5% no volume e em 2015 a queda deverá ser maior, entre 20% e 25%. RF – Sem dúvida, o impacto foi muito forte. Assumpção – Sim, e atingiu um setor forte, como a distribuição de veículos, que gerou 5,7% do PIB em 2014. Nosso setor tem mais de 8 mil empresas em 1.100 municípios e nada menos de 556 dessas empresas deixaram de operar no primeiro semestre deste ano. Como, na outra ponta, 340 entraram no mercado no período, o balanço é que 216 concessionárias ficaram sem operar no período.

RF – Quais dos fatores de instabilidade atingiram mais fortemente o setor?

Assumpção – A retração do PIB, sem dúvida. Com a economia parada ou em retração não se vendem automóveis ou caminhões. Vivemos um período de incerteza econômica e também política, o que mina a confiança de consumidores e de empresários, resultando em queda nas vendas e nos investimentos. Como um dos resultados desse cenário, passamos a conviver com a restrição à liberação de empréstimos: hoje em dia, a cada 10 empréstimos solicitados para compra de veículo, apenas três são aprovados.

RF – E o crédito tem papel de destaque para as distribuidoras, não é?

Assumpção – Sem dúvida. Nossa atividade se sustenta em um tripé, formado por uma boa marca, por uma concessionária preparada e pelos financiamentos. A distribuição não tem como atravessar a ponte, ou seja, a situação de crise, e chegar à outra margem sem contar com o crédito.

RF – O relacionamento com as instituições financeiras tem sido positivo? Assumpção – Muito positivo. Aumentamos a sinergia com essas instituições. Sabemos que a saúde das carteiras de crédito é vital para o nosso setor. De nada vai adiantar a preparação que agosto/setembro 2015 financeiro

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entrevistadomês estamos fazendo para passar pela turbulência se não tivermos as instituições financeiras ao nosso lado. Para usar uma metáfora relacionada ao nosso setor, o crédito é a gasolina de que precisaremos depois de ter consertado o motor, para que tudo volte a funcionar.

RF – Na prática, como tem evoluído o relacionamento entre distribuição e instituições financeiras?

Assumpção – A colaboração é intensa, historicamente, entre as duas partes. Não há como imaginar que possa ser diferente. Temos apoiado, por exemplo, a lei que permite a retomada do bem em casos de inadimplência. Consideramos que essa legislação é essencial para que bancos e financeiras tenham mais disposição para emprestar, tendo em vista a redução do custo trazida pela medida. Demora um certo tempo para que a aplicação da lei seja feita de maneira ampla, mas temos que trabalhar para que isso aconteça, já que representa um benefício para todos e, principalmente, para o consumidor.

RF – Que outras iniciativas a Fenabrave e o setor têm tomado para vencer a crise? Assumpção – Não podíamos ficar de braços cruzados diante de um quadro como esse. E temos a obrigação também de estar preparados para o que vier depois da crise. Então, formamos no início deste ano um comitê de crise, que analisa a conjuntura e as saídas para sobreviver nesse período. Criamos também a caravana “Sobreviver Já”, em que levamos a diferentes regiões do Brasil noções que podem ajudar os empresários do nosso setor a estar ainda mais preparados. RF – Quais as principais mensagens transmitidas pela Fenabrave nessa caravana?

Assumpção – A distribuição de veículos tem mostrado excelente desempenho e atravessou com sucesso vários períodos de turbulência. A caravana reforça pontos importantes para os negócios, como a necessidade de reter talentos mesmo que às vezes seja necessário ajustar o quadro de colaboradores. Também reiteramos a importância de controlar o fluxo de caixa e de alcançar o equilíbrio das contas. Já fizemos 12 caravanas “Sobreviver Já” no primeiro semestre e vamos continuar com ela. Entre nossas mensagens está a lembrança de que é preciso esforço e responsabilidade ainda maiores na crise, e que devemos trabalhar sempre com a convicção de que depois da tempestade vem a bonança.

12 financeiro agosto/setembro 2015

“Já passamos por várias outras crises. Temos a convicção de que é preciso estar preparado para quando esse cenário mudar”

RF – Vocês têm outras iniciativas nessa direção? Assumpção – Uma das prioridades do setor é a formação dos profissionais que nele atuam. Temos iniciativas com essa finalidade. Por exemplo, fizemos parceria com a Universidade Northwood, dos Estados Unidos, que atende o setor naquele país e já enviamos 75 empresários do Brasil para conhecer em profundidade o que as concessionárias de lá fizeram para vencer a crise que se instalou no país em 2008. Naquele período de turbulência, a distribuição de veículos nos Estados Unidos viveu o pior período em 20 anos e agora está vivendo a melhor fase também em 20 anos. Lançamos, ainda, a Universidade Web Fenabrave, que oferece cursos on-line para todas as equipes de concessionárias.

RF – São iniciativas importantes, tendo em vista que o setor é predominantemente familiar. Assumpção – Sem dúvida, podemos dizer que 90% das empresas do nosso segmento são familiares e que 99% são de capital nacional. Mas é importante dizer que a maioria delas já está se preparando para se profissionalizar. Estamos passando a ter não empresas familiares, mas famílias empresariais, o que é muito positivo ainda mais porque se trata de uma exigência do mercado.

RF – Além das iniciativas das empresas e entidades, a Fenabrave tem levado pleitos de seus


associados ao governo? Assumpção – O principal é a retomada do PIB. Se o País voltar a crescer teremos o melhor remédio. Mas não fazemos reivindicações em causa própria. Quando defendemos, por exemplo, uma carga tributária mais justa estamos pensando em todo o País, não apenas em nós.

RF – Em que outros pontos o senhor acha que o governo pode colaborar? Assumpção – O PIB em alta é o principal passo e embora esse processo não dependa só do governo tem, sem dúvida, importante participação dele. O País precisa, também, da volta da confiança, que está em falta. Sem confiança não há como pensar em crescer. RF – Não parece haver dúvida de que crescimento é a prioridade.

Assumpção – Veja o nosso setor. A queda foi generalizada e atingiu todos os segmentos. Em automóveis, a redução foi de 19% no primeiro semestre, quando se compara com o mesmo período do ano passado. Em comerciais leves, a perda foi de 23,65% e em caminhões o volume despencou 42%. Houve quedas expressivas também em ônibus (25%), motos (10,5%) e máquinas agrícolas (24%). E tivemos a maior redução em implementos rodoviários (48%).

RF – Não há previsão de que esse quadro apresente alguma melhora até o final do ano? Assumpção – Infelizmente, não. A previsão é de que o volume de automóveis vendido some 2,1 milhões de unidades até o fechamento do ano, o que representa uma queda de 24% e que os comerciais leves somem 435 mil (–18%). Somando automóveis e comerciais leves, a redução prevista é de 23%. Há segmentos com previsões de queda ainda maior, principalmente caminhões (–45%) e implementos rodoviários (–46%). No segmento de ônibus, a redução estimada é de 24% (24 mil unidades) e em máquinas agrícolas prevemos uma queda de 20% no final do ano

(51 mil unidades). Para o setor, estimamos uma queda próxima a 20%, com cerca de 4 milhões de veículos vendidos.

RF – Apesar desses dados tão pouco positivos, o setor ainda vê perspectivas otimistas, pelo menos a médio prazo? Assumpção – Temos que continuar trabalhando. Já passamos por várias outras crises. Temos a convicção de que é preciso estar preparado para quando esse cenário mudar, tendo sempre em mente que as crises passam, mas nosso setor e nossas empresas, não. Perdemos “um México”, ou seja, um milhão de veículos, mas não se pode desanimar. Veja o caso mais recente, que é o dos Estados Unidos. Lá, eram 23 mil concessionárias de veículos até a crise de 2008 e quando veio a turbulência eles perderam “um Brasil”. Estão agora com 19 mil e terão em 2015 o maior volume de vendas em muitos anos.

RF – Ou seja, ainda há esperança. Assumpção – Sem dúvida. Vamos atravessar essa ponte e chegar ao outro lado, à outra margem, preparados para um novo período de boas notícias. A travessia é dolorosa, mas pode ser feita com sucesso se usarmos as ferramentas corretas. Não se atravessa um oceano de carro, nem se cruza uma estrada de navio. E é preciso ter sempre em mente que o futuro é construído agora. f agosto/setembro 2015 financeiro 13


veículos

Fotos: Mário Bock

Pista escorregadia

O

setor de automóveis passa por um momento, no mínimo, delicado. Com números em queda e consumidores que desviam o olhar das concessionárias para evitar a tentação de comprar um carro novo, o setor deve fechar o ano com cifras bem modestas, equivalentes a estatísticas de 2007. Por acreditar que uma das alternativas para buscar saídas é encarar os problemas de frente, a ACREFI promoveu dia 20 de agosto, no Hotel Renaissance, em São Paulo, o seminário Panorama Atual do Mercado Automobilístico Brasileiro. O evento, patrocinado pela Cetip, Credilink e CNseg, reuniu: André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos; Roberto Dagnoni, vice-presidente executivo da Cetip; Isabelle Rio-Lopes, diretora do segmento automotivo da TNS Brasil; e Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Convidado para falar sobre a conjuntura nacio-

14 financeiro agosto/setembro 2015

nal, o economista André Perfeito destacou que o ajuste adotado pelo governo Dilma não é o fiscal, mas dos salários. Ele disse que, embora não seja um cientista político, prevê algum movimento político significativo para as próximas semanas, mas não acha que a presidente cairá, até porque o governo, seja ele qual for, deverá manter um canal de diálogo com os sindicatos, em função justamente desse ajuste nos salários. “Tem gente que diz que está tudo acabado. Não é bem assim. A Dilma vai continuar, o Brasil vai continuar. Mas nós não vamos voltar ao antigo paraíso de taxas de juro real de 12%. Ficou mais difícil ganhar dinheiro, mas isso é bom, porque vai nos forçar a ser mais eficientes”, afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos. Perfeito ressaltou que, em 2005, a taxa do juro real no Brasil era de quase 12%, chegou a cair para a mínima de 1,4%, em meados de 2012, e agora já está mais perto de 5%. “Em 2016, a taxa de juros


Seminário promovido pela ACREFI reúne entidades, economistas e analistas de mercado que examinaram as dificuldades por que passa atualmente o setor nacional de veículos. O momento pede reflexão, pois os primeiros sinais de melhora só devem surgir em 2016

volta a regredir, em algum momento, talvez não no início do ano.” Sobre o consumo, Perfeito disse que o volume está caindo de maneira geral por causa da queda da renda da população, pois o processo de ajuste acontece por meio da redução de salários e renda, o que impacta, invariavelmente, no consumo. Roberto Dagnoni, da Cetip, por sua vez, informou as principais variáveis que impactam o consumidor na compra de um veículo financiado: confiança, emprego e renda. “Combinado a isso, temos ainda um aumento de 45% na taxa de desemprego e uma inversão na curva de crescimento da renda, com uma queda de 2,9%, verificada em junho deste ano. Um dado positivo, porém, é que a inadimplência na carteira de veículos caiu para 3,9% na pessoa física, após o pico de 7,2% atingido em 2012”, ponderou Dagnoni. O vice-presidente executivo da Cetip mostrou também que a taxa de juros para aquisição de ve-

ículos continua subindo, como consequência do aumento da taxa básica. Um ponto positivo, segundo o executivo, é que o prazo médio das concessões tem se mantido estável em 42 meses nos últimos três anos. “Como reflexo de todos esses fatores, a quantidade de autos leves financiados já caiu 10% em 2015. Entre janeiro e julho deste ano, foram financiadas no Brasil cerca 2,5 milhões de unidades de autos leves novos e usados”, informou Dagnoni. “No mesmo período, os veículos André Perfeito: economista-chefe usados foram resda Gradual Investimentos ponsáveis por 65% agosto/setembro 2015 financeiro 15


veículos do total de financiamentos. Já os autos leves, zero-quilômetro, ficaram com 35% do total.” Antes de finalizar, Dagnoni destacou ainda que, entre janeiro e julho deste ano, foram financiadas 563 mil motos e 122 mil veículos pesados, com queda de 8% e de 50%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado. Após o coffee break, o seminário da ACREFI abriu espaço para um estudo da TNS Brasil que revela que 65% dos brasileiros estão pessimistas com o futuro e isso impacta diretamente o setor automotivo. Para se ter uma ideia do que isso significa, no ano passado esse nível era de 47%. Segundo Roberto Dagnoni: vice-presidente executivo da Cetip Isabelle Rio-Lopes, diretora da TNS Brasil, 71% dos entrevis“No segmento de automóveis e de comerciais tados consideram leves, as nossas projeções mostram que serão a situação do País vendidos 2.563.114 unidades, queda de 23%, em ruim ou péssima, relação ao passado, e número equivalente ao obticontra 34% em 2014. do em 2008. Já entre os veículos pesados, a queda Já 86% acham que é ainda maior. As projeções apontam para 75.380 o desemprego vai unidades, recuo de 45%, em comparação a 2014, aumentar nos próxi- resultado semelhante ao alcançado em 2006”, mos meses. “Quase apontou Assumpção Júnior. Feitas e refeitas as 84% não estão pro- contas, essas perdas são comparáveis às vendas pensos a fazer finan- anuais do México. ciamentos em 2015, Mesmo diante de um quadro delicado, o presie 71% declaram que dente da Fenabrave encerrou sua apresentação no têm dívidas. Para seminário da ACREFI dizendo que a entidade tem Isabelle Rio-Lopes: 46%, essa situação informado regularmente o governo sobre suas prediretora do segmento automotivo da TNS Brasil afeta diretamente a ocupações em relação ao mercado. E que se manquestão do transporte”, ressaltou a executiva. tém firme na defesa de medidas que possam trazer Para completar o painel sobre o atual cenário de volta resultados positivos ao setor. f do setor automotivo nacional, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, elencou os principais fatores que afastaram o consumidor de ir em busca do carro zero-quilômetro. De acordo com o executivo, pesaram questões como o aumento das taxas de juros, o maior custo do dinheiro, o PIB de 2015 (2,10%), o crescimento do desemprego e a alta da inflação. Além disso, o presidente da Fenabrave assinalou que o setor de distribuição de veículos se ressentiu da oferta muito seletiva de crédito, do maior número de marcas no mercado e da pressão das montadoras, provocada pela queda das vendas, e do Alarico Assumpção Júnior: presidente da Fenabrave aumento inevitável dos estoques.

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artigo Rodrigo Romero

Revisão do quadro político brasileiro

S

egundo o G100 Brasil, que é composto de cem membros (acionistas, presidentes e CEOs) efetivos e nomeados, neste momento, o sentimento do brasileiro em relação ao governo é de frustração e raiva. As pessoas votaram acreditando em algumas situações que não se concretizaram. No início do primeiro governo Dilma, havia uma expectativa muito grande e o índice de aprovação do governo era de 73%. Depois houve uma acomodação e no começo de 2013 a avaliação era bastante positiva, em junho/julho de 2013, houve queda do índice e, em julho, a aprovação caiu para 45%. A avaliação ótimo/bom do governo caiu para 31%. Naquela ocasião, todas as instâncias de governo caíram. Ao longo do segundo semestre a situação teve melhora, e o governo Dilma chegou a dezembro com 56% de aprovação. Mas, o ano de 2014 começou em ritmo decrescente. Durante a campanha eleitoral Dilma recuperou sua aprovação, terminando eleita com Rodrigo Romero: fundador e presidente do G100 58% de aprovação, ante 44% do início Brasil – Núcleo de Estudos da campanha eleitoral. Em dezembro do Desenvolvimento já houve uma queda no índice e a Empresarial e Econômico aprovação caiu para 52%. Em março de 2015, esse índice despencou para 19% de aprovação e, em junho, para 15%. Em termos de avaliação ótimo/bom para o governo, o índice foi de 9%. Essa queda é mais significativa que a ocorrida pós-manifestações de 2013. O patamar atual é o pior da série histórica, em relação até a outros governos, sendo pior até que a do Collor na época do impeachment. Segundo o levantamento de quanto a população que elegeu Dilma mudou de opinião, três em cada dez eleitores de Dilma mudaram de opinião. Tinham uma boa avaliação e passaram a ter uma opinião negativa. Quando a eleição acabou, houve uma divisão do País, que, de alguma forma, já havia se manifestado nas eleições anteriores, com o eleitorado de maior classe econômica do Sul e Sudeste votando no PSDB e o eleitorado de menor classe econômica, do Nordeste, votando no PT. Estudo recente mostrou que quanto maior a quantidade de beneficiários

18 financeiro agosto/setembro 2015

do Bolsa Família em um município, maior é a votação do PT. Quando se pergunta a razão pela má avaliação do governo, os grandes motivos são: a corrupção, a inflação e as promessas feitas na eleição não cumpridas. Para os que consideram o governo regular, as questões mais críticas são a economia, a violência e a falta de investimento em saúde e educação. Essa avaliação está homogênea entre todas as classes socioeconômicas. Mas, a questão da corrupção é mais forte para pessoas de classes sociais mais elevadas, de maior renda. Para os eleitores de menor renda, a maior preocupação é com a inflação. Para os que passaram a desaprovar o governo, os aspectos mais críticos são a inflação, a corrupção e a má gestão. As grandes questões do País para a população continuam a ser aspectos estruturais: saúde (61%), segurança (37%), educação (34%). A corrupção (27%) aparece apenas em 4º lugar. As pessoas, ao longo dos governos, têm a percepção de que existe a corrupção. Em relação à inflação, houve grande mudança e o tema começou a ganhar relevância junto com outros problemas. Queda da Bolsa de Valores, alta do dólar e da Selic, previsão de queda do PIB e aumento da inflação formam o cenário econômico do Brasil. Entretanto, quando se pergunta à população qual a taxa da inflação, 25% responde que está entre 4% e 8% e mais de 30% da população não sabe dizer de quanto é. As medidas que estão sendo adotadas não ajudarão nem resolverão os principais problemas econômicos, segundo 49% da população. O mesmo ocorre com o pacote anticorrupção, em que 55% da população acredita que não será eficaz. Para 39% da população, a corrupção faz parte da cultura brasileira. O que traz a falta de luz no fim do túnel é a falta de posicionamento do governo, que não se coloca, não se posiciona sobre a economia nem sobre a corrupção na Petrobras. Para se posicionar é necessário alguém que tenha credibilidade e hoje falta essa pessoa. O cenário é pior que no período das manifestações de 2013, muito ancorado nas questões econômicas e da corrupção. A ausência e a inoperância do governo nesses dois aspectos geram grande decepção, que se soma às frustrações em relação às promessas eleitorais quebradas. As perspectivas econômicas são negativas e isso agrava o pessimismo. f


artigo Aquiles Leonardo Diniz

Equilíbrio ou

ruptura

Ilustração: Rafael Pascoal

Artigo enviado em 3/8/2015

O

Congresso Nacional ainda não despertou para o fato de que está em suas mãos a condução responsável do destino do país. E, que, somente por meio de um pacto político-econômico amplo – suprapartidário –, capaz de aprovar e defender um projeto econômico eficaz, será possível reverter o atual quadro de desgoverno que vivemos. É o chamado para assumir o controle da situação respaldado pelo clamor das ruas. O momento não deve ser encarado como mera disputa pelo poder, mas o de estar à frente do comando de ações urgentes e necessárias para sairmos, melhores e fortalecidos, da grave crise que se instalou no País. O que proponho não é o comando de um homem só, mas a união de 300 ou mais cabeças pensantes com capacidade para tirar o País da trincheira. Chega de picuinha, esqueçam o governo federal, esqueçam o PT, pois até mesmo a maioria dos eleitores que votou na presidente não aprova seu governo. A desaprovação generalizada que repercute em todos os setores é o retrato de uma liderança caída, que nem sequer pode ir às ruas,

pois já não tem mais o apoio da população. Nada foi retirado do Poder Executivo federal, ele continua com as mesmas prerrogativas e os mesmos instrumentos de gestão econômica e legislativa de que necessita. Porém, o Executivo não tem mais cara, está sem comando e, claramente, perdeu a capacidade de implementar qualquer reforma que o País necessita. Estamos vivendo um desequilíbrio entre os poderes da nação, com o Executivo totalmente deAquiles Leonardo Diniz: sarticulado, sem acesso diretor executivo do Banco ao Congresso Nacional, Intermedium e vicesem a força necessá-presidente da ACREFI ria do povo brasileiro agosto/setembro 2015 financeiro 19


artigo Aquiles Leonardo Diniz apoiando e resguardando seus atos. Nesta hora, cabe ao Legislativo o papel de ditar as regras, de assumir com responsabilidade o processo de transição, sem traumas ou rupturas, em defesa da sustentabilidade da política econômica em curso, de manutenção dos ajustes fiscais e monetários conduzidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Não se trata de defender o projeto tal qual é proposto, mas sim o único e doloroso caminho a seguir ligado intrinsecamente ao sucesso e à retomada do crescimento sustentável da economia, afastando de vez o risco real de retrocesso econômico-político-institucional. O pacto político amplo de maioria no Congresso Nacional virá de uma forma ou de outra, ou pelo equilíbrio ou pela ruptura. Melhor seria se viesse pelo equilíbrio, conduzido com prudência pelos legisladores, cientes da responsabilidade que urge o momento de crise. Não é sensato estender por mais tempo o cabo de guerra travado entre o Legislativo e o governo federal na disputa pelo poder. Até o final do ano, o País enfrentará um processo difícil de ser contornado, com o desemprego em ascensão podendo atingir a casa dos 15%. O Banco Central já não consegue segurar a inflação acentuada, caminhando para o patamar dos dois dígitos. No supermercado, a realidade inflacionária está na faixa dos 25% a 30%, dilapidando a renda do trabalhador. Todas as conquistas sociais dos que ascenderam socialmente estão em risco iminente de serem perdidas. O Bolsa Família, que antes matava a

fome de até quatro pessoas, hoje não alimenta uma. Qual o caminho mais curto para diminuir o custo social imposto pela recessão e para que as coisas comecem a acontecer de fato? Na cabeça de muitos políticos a saída posta é o impeachment. Mas o processo de impeachment hoje é apenas um detalhe num governo desmoralizado e com índices baixíssimos de aprovação popular. É preciso enfrentar com inteligência esse momento de dificuldade, assumindo para si a responsabilidade de aprovar o plano econômico que tire o Brasil do quadro de estagnação, cortando drasticamente novos gastos do Executivo e pondo fim à desconfiança impregnada de uma distante retomada do crescimento econômico. Há uma revolta muito grande por parte da população, um sentimento negativo, de que foi enganada nas urnas. Com certeza, o povo brasileiro saberá reconhecer o esforço do Legislativo em abraçar essa nobre causa de empreender o possível e o impossível para garantir o equilíbrio na realização das reformas necessárias. Se, infelizmente, a decisão vier tardiamente pela via da ruptura, será intenso o sacrifício da população, que, sem dúvidas, irá às ruas exigir dos parlamentares que façam o que tem que ser feito, ou seja, uma atitude digna de verdadeiros representantes do povo brasileiro. Está, pois, nas mãos do Legislativo decidir com rapidez e parcimônia qual postura será adotada: rompimento ou equilíbrio? f

prêmio Raul Velloso é eleito o Economista do Ano 2015

O

s números não deixam dúvida sobre a gravidade da situação econômica brasileira, mas a noite de 10 de agosto mereceu uma pausa temporária nas análises da conjuntura. O Prêmio Economista do Ano de 2015, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil, em parceria com o Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo, homenageou Raul Velloso – consultor econômico e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério

20 financeiro agosto/setembro 2015

do Planejamento. A premiação também destacou as atuações do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, do economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, e do jornalista José Paulo Kupfer. O evento foi prestigiado por Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda; Nicola Tingas, economista-chefe da ACREFI; Roberto Macedo, ex-secretário especial de Política Econômica do Ministério da Economia, além de outros expoentes do setor. f

Raul Velloso: consultor econômico e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento


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Um tamanho apenas não serve para todos

P

aul Volcker, ex-presidente do Federal Reserva, em recente entrevista ao Valor Econômico, sinalizou que a regulação do sistema financeiro não bancário é algo que deve fazer parte da pauta das autoridades. “O desafio é estar alerta às mudanças do mercado e exercitar as restrições apropriadas quando as pressões especulativas crescerem demais”, declarou o economista que dirigiu o banco central dos Estados Unidos entre 1979 e 1987. Sempre sensível aos

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temas que movimentam o mercado financeiro, a ACREFI organizou o Seminário Internacional Funções e Desafios do Sistema Financeiro Não Bancário, que reuniu, em São Paulo, Jeffrey Carmichael, diretor-presidente da Promontory Financial Group Australasia, autoridade internacional em assuntos relacionados à regulação na área financeira; Anselmo Pereira Araújo Netto, consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (Denor), e Nicola Tingas,

economista-chefe da ACREFI. O evento foi patrocinado pela Cetip e pela Credilink. Para dar um panorama do atual cenário do Sistema Financeiro Não Bancário, Nicola Tingas fez uma palestra extremamente didática, em que relacionou, primeiramente, os diversos tipos de instituições que compõem esse importante player de mercado, gerando movimento significativo na economia do País e dando capilaridade ao setor, como as cooperativas de crédito, as corretoras de câmbio, as agências de

Fotos: Máro Bock

Em seminário promovido pela ACREFI, especialista em regulação diz que as regras de Basileia III são muito complexas e atendem apenas às preocupações dos grandes bancos


fomento, as administradoras de consórcio, entre outros modelos de negócios. Tingas também destacou que são instituições dedicadas a oferecer crédito às pessoas física e jurídica em escala mais limitada que os bancos. São recursos que, tradicionalmente, atendem às demandas de consumo da população. O economista-chefe da ACREFI mostrou que essas financeiras atendem determinados nichos, como crédito pessoal, cartões de crédito, consignado, veículos leves e pesados, entre outros, e que viveram nos últimos dez anos dois momentos completamente distintos. “Entre 2004 e 2010, tivemos um ciclo de expansão, com a queda do risco relacionado ao crédito, estimulado por uma melhor distribuição da renda, pela forte expansão do emprego, pela alta das commodities, uma inflação controlada, taxa de juros moderada, estabilidade política. Ou seja, fatores positivos para a economia do País. Já o período de 2011 a 2015, no entanto, está cercado de circunstâncias que provocaram a contração do crédito, como a retração da produção da indústria, o aumento do desem-

prego, a consequente queda no consumo das famílias, a inflação bem acima da meta, a taxa de juros elevada, o câmbio desvalorizado, a instabilidade política, além de mais alguns ingredientes depreciativos”, sinalizou Tingas. Depois de exibir diversos gráficos que confirmavam as mudanças no ambiente Anselmo Pereira Araújo Netto: consultor do econômico do Brasil, o Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC economista-chefe da ACREFI diagnosticou que a demanda do ciamento de veículos apresentou queda crédito migrou do consumo para a liquidez significativa de 32% para 24% de particide caixa. “As pessoas estão comprando di- pação no segmento de crédito. nheiro para cobrir buracos no orçamento”, Para a preservação do mercado de afirmou Tingas. De dezembro de 2011 a crédito no Sistema Financeiro Não Banjunho 2015, segundo dados do Banco Cen- cário, Tingas aponta algumas recomendatral, o uso do cheque especial cresceu de ções: a normatização e regulação de “nova 3% para 4% e o crédito consignado subiu família de produtos”; avanços na legislade 29% para 36%. Já o crédito simples, ção que regulamenta produtos financeivoltado geralmente para o consumo, caiu ros e suas garantias; regras seletivas de de 15% para 14% e o crédito para finan- regulação e de capitalização bancária de

agosto/setembro 2015 financeiro 23


nãobancário

Fotos: Máro Bock

acordo com o padrão da instituição financeira; criação de condições de absorção para maior alavancagem em operações de crédito; e o aprimoramento institucional para liquidez financeira, com mitigação de risco e inadimplência. Após a exposição de Nicolas Tingas, Anselmo Pereira Araújo Netto, consultor do Denor, tratou sobre a estrutura e o funcionamento da área de regulação do Banco Central. Falou a respeito da composição do Coremec (Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização), que é integrado por representantes do BC, da CVM, da Previc e da Susep, e tem a missão de coordenar e observar a atuação dos órgãos federais que regulam e fiscalizam as atividades relacionadas à captação pública da poupança popular. Além disso, o porta-voz do BC disse que a regulação financeira tem por obrigação corrigir eventuais falhas do mercado, exigindo conduta responsável dos agentes que garantam plena eficiência do setor. “São medidas que preservam a estabilidade do sistema, aumentam a competição, reduzem disparidades ocasionais de informações, diminuindo a chance de conflitos de relacionamento com o consumidor”, ponderou Araújo Netto. Especificamente sobre as instituições não bancárias, o consultor do Denor afirmou que sua regulação deve observar as características do segmento, estabelecen-

do exigências de acordo com a complexidade dos produtos, serviços, atividades, processos e sistemas das instituições. Para isso usou uma expressão em inglês: “one size does not fit all”. Ou seja, um tamanho apenas não serve para todos. Passado o coffee break do evento, Antonio Augusto de Almeida Jeffrey Carmichael: diretor-presidente da Leite (Pancho) passou Promontory Financial Group Australasia a palavra ao convidado internacional, Jeffrey Carmichael, 347 páginas, até chegar à sua versão final que abriu a sua explanação dizendo que com 616 páginas. Diante desse quadro o mercado despertou para os benefícios pouco favorável às instituições não banda uma regulação mais bem-estruturada cárias, Carmichael recomenda que o setor com a crise global de 2008. Tudo mudou deve se adaptar às orientação de regulaem 24 horas. A Austrália foi um dos pou- ção e às novas ferramentas de tecnologia cos países que estava preparado para de maneira proporcional ao seu tamanho. enfrentar as mudanças repentinas no ce- “O custo da regulamentação pode ser muinário financeiro internacional. “O restante to alto para alguns. Uma cooperativa de do mundo foi em busca de uma trilha que crédito, por exemplo, empresta dinheiro trouxesse de volta a liquidez e a estabili- diretamente para as pessoas, oferecendo dade financeira. No entanto, cada mercado valores mais competitivos. As regras de tem suas características próprias, pois a Basileia colocam fora o setor não bancáliquidez depende das condições locais. Na rio. Um modelo apenas não pode ser apliAustrália, já tínhamos o respaldo do Liqui- cado a empresas de tamanhos diferente”, dity Coverage Ratio (LCR) – ou Índice de diz o consultor. Cobertura de Liquidez. Por sua vez, o Net Antes de finalizar, deixou uma menStable Funding Ratio (NSFR), proposto por sagem aos participantes do seminário Basileia III, contraria o modelo de liquidez promovido pela ACREFI: “As instituições do sistema bancário financeiras não bancárias estão se tortradicional”, ponderou nando um segmento cada vez mais imporCarmichael. tante do sistema financeiro. Portanto, elas Segundo o consul- devem estar atentas ao que acontece ao tor, as diretrizes de seu redor e olhar sem medo o futuro. Elas Basileia III, com o pas- precisam observar as mudanças, mas sar do tempo e com a sem perder a flexibilidade para se adaptar inclusão de ajustes, se às novas exigências. O sistema financeiro tornaram muito com- certamente se torna mais robusto com a plexas. Para se ter concorrência. Lembre-se que os grandes uma ideia desse enre- bancos gastam mais em inovação, mas damento, o documento não gastam bem. Chegam a investir em Basileia I continha ape- sistemas que não funcionam. A regulação nas 30 páginas, depois proporcional garantirá ao mercado mais Nicola Tingas: economista-chefe da ACREFI Basileia II evoluiu para diversificação e maior competitividade”. f

24 financeiro agosto/setembro 2015


Artigo enviado em 14/8/2015


segurançacontábil

Fotos: Mário Bock

Atenção à regulação e à fiscalização Em evento promovido pela ACREFI, autoridades e especialistas discutem como enfrentar os desafios que se apresentam na economia, sem perder a solidez e a excelência do padrão regulatório financeiro do País

O

mercado financeiro está bem posicionado no Brasil, tanto em relação à regulação e à fiscalização quanto à sua solidez. Ao mesmo tempo, no entanto, precisa manter-se atento aos novos cenários que se desenham no mercado internacional e no País, para que consiga enfrentar os desafios que se apresentam e mantenha seu reconhecido nível de excelência. Essa constatação foi feita durante o seminário “Crédito, Desenvolvimento Econômico e a Solidez das Instituições Financeiras: Desafios e Tendências”, realizado em julho pela ACREFI, em São Paulo. Ao falar sobre regulação financeira e o mercado de crédito durante o evento, Fábio Lacerda Carneiro, chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, lembrou a questão da provisão para perdas, que mudou nos princi-

26 financeiro agosto/setembro 2015

pais mercados globais depois da crise de 2008. “Uma lição foi aprendida em relação ao reconhecimento de perdas: o que se fez foi too little, too late (ou seja, muito pouco e muito tarde). Os modelos baseados em perda incorrida tiveram demora no reconhecimento de provisão. As alternativas foram baseadas em perda esperada (expectativa de frustração de fluxo de caixa futuro). Em vista disso, o G20 demandou que os standard setters de contabilidade fortalecessem o arcabouço de reconhecimento de provisões. Carneiro lembrou que, em consequência, o IASB (International Accounting Standards Board), comitê criado para estudar, preparar e emitir normas de padrões internacionais de contabilidade, chegasse ao IFRS 9 (International Financial Reporting Standards), que definiu novas normas para

o setor, incorporando um novo modelo de provisionamento com base na perda esperada, com publicação prevista para o segundo semestre deste ano. O provisionamento baseado na perda esperada também foi aconselhado pelo FASB (Financial Accounting Standard Board), via Current Expected Credit Losses (CECL) e também deve ser publicado até o final deste ano. De acordo com o chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, essas normas significarão aumento de 25 a 50% nas provisões dos 19 maiores bancos americanos (com CECL). Além disso,

Fábio Lacerda Carneiro: chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC


auditores estimam de 35% a 50% de aumento na provisão, com IFRS 9. Quanto ao provisionamento na regulação brasileira, Fábio Cordeiro tratou da visão integrada da estrutura normativa, que requer uma leitura conjunta das Resoluções 2.682/99 e 3.721/09. Além disso, mencionou a Resolução 2.682/99, que tornou mandatório o provisionamento de perda esperada e de perda incorrida e determinou que a provisão deve cobrir toda a perda esperada. “Essa situação requer reflexões e cuidados”, salientou o palestrante. “É preciso evitar excessivo foco na regra de atraso e nas ‘letras’. Além disso, não há especificação da forma de mensuração da perda esperada e há pouca sensibilidade na mensuração da PE a ser provisionada contabilmente, além de o arrasto ser estabelecido sobre a perda, não sobre a situação de default.” Quanto à definição de default, Cordeiro afirmou que a situação de descumprimento é caracterizada por atraso superior a 90 dias em qualquer das exposições do devedor; por indicativo de que o devedor não irá honrar integralmente suas obrigações; e que em operações de prestação de garantias, considera-se descumprimento o acionamento da garantia, independentemente

do efetivo desembolso. O chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC falou também sobre a estimação da perda esperada, ressaltando que na cobertura dessa perda em face do risco de crédito é necessário ter uma visão histórica conjugada com uma abordagem prospectiva. É necessário também, segundo ele, fazer a distinção entre créditos em curso normal e em descumprimento: “Quando se trata de créditos em curso normal é preciso verificar a probabilidade de descumprimento. Para os que estão em default, apenas a taxa de recuperação”. No encerramento de sua fala, Cordeiro lembrou a natu reza pró-cíclica do crédito e provisão e salientou que a necessidade de refinar conceitos também pode evitar o too much, too early. Destacou ainda que a regulação brasileira já lançou os fundamentos a serem trabalhados no tratamento da perda esperada: “O que fazer já está dado. O como fazer possivelmente acompanhará o debate internacional”. E recordou que a “supervisão bancária tende a discutir cada vez menos letras e cada vez mais conceitos mapeados para letras”. Por sua vez, Sergio Odilon dos Anjos, ex-chefe do Departamento de Regulação do Banco Central e atual sócio da consultoria Comportamental, especializada em mercados financeiro e de capitais, destacou em sua fala durante o seminário da ACREFI que o mercado brasileiro de crédito tem riscos, mas também apresenta oportunidades. Ele recordou que o crédito representa 55% do PIB e vem crescendo em ritmo acelerado, já que em 2001 essa porcentagem era de 26%. As dimensões do mercado, afirmou Sergio Odilon, são atraentes: o volume de crédito soma R$ 3,1 trilhões, com 480 milhões de operações, realizadas por 1.910 instituições autorizadas pelo BC, das quais 1.486 dedicadas à concessão de crédito. “Outros números também são

significativos”, informou o palestrante, “como as 97 milhões de contas-correntes, 162 milhões de cartões de crédito, 23.120 agências, 49.400 postos, 337 mil correspondentes pessoas jurídicas e número de empregados diretos e indiretos estimados em 1,5 milhão de pessoas”. O especialista disse também que a crise de 2008 representou um aprendizado importante para o mercado, que está totalmente regulado e com ênfase na governança e nos registros. Apesar disso, o consultor mostrou que o Brasil tem convivido nos últimos meses com um cenário de instabilidade, com a conjuntura mostrando desemprego, renda em queda, retração da demanda, menor consumo das famílias, inflação e índices de confiança em baixa. Na avaliação do especialista, a inadimplência aponta riscos futuros e segmentos do mercado como canais de distribuição convivem

Sergio Odilon dos Anjos: ex-chefe do Departamento de Regulação do BC e atual sócio da consultoria Comportamental com o esgotamento do modelo. Os riscos incluem também, salientou o ex-dirigente do Banco Central, o lado comportamental ou de conduta, com ações judiciais e ações do Ministério Público e dos Procons; a responsabilidade socioambiental, com risco presente e necessidade de entendimento da regulação; concentração de mercado versus concorrência, que cria dificuldade de acesso aos mercados; a necessidade de funding versus a de alongamento; os custos de observância; e as fraudes. agosto/setembro 2015 financeiro 27


segurançacontábil Em relação às oportunidades, Sergio Odilon ressaltou a renegociação, venda ou cessão de crédito, com foco em novas operações e os novos mercados e novos negócios no segmento habitacional home equity e reverse mortgage), além das possibilidades em mobile. Em sua fala, o consultor listou entre as oportunidades, também o novo modelo de correspondente, a mitigação de riscos (pelo lado comportamental), a autorregulação, em que as associações têm papel de destaque e a capacitação e certificação, que requerem ação permanente. E disse que a regulação também pode trazer uma oportunidade ao mercado financeiro. A análise do modelo atual de provisionamento das operações de crédito e o impacto do IFRS 9 em comparação à norma atual (IAS 39) foram os temas da palestra de Amaro Gomes (leia sua entrevista na pág. 34), membro do board do IASB, durante o seminário “Crédito, Desenvolvimento Econômico e a Solidez das Instituições Financeiras: Desafios e Tendências”, realizado em julho pela ACREFI. O IFRS 9 é o padrão contábil internacional (International Financial Reporting Standard) promulgado pelo IASB (International Accounting Standards Board), que vai substituir o padrão anterior para instrumentos financeiros (IAS 39) quando for implantado em 2018. Amaro Gomes explicou que o IAS 39 e o IFRS 9 são modelos distintos: o primeiro prevê que toda provisão só pode ser feita por perdas incorridas e o segundo, tendo como base as perdas esperadas: “Além disso, o IAS 39 estabelece que a provisão será feita se o efeito puder ser estimado de maneira confiável. O IFRS 9 prevê que na origem seja estabelecida uma provisão para a janela de 12 meses e depois, quando há deterioração, é feita para todo o período (lifetime) da operação. E o escopo de exigências inclui ativos financeiros ao custo amortizado; a mensuração dos ativos financeiros pelo método FCOCI (Free Value Through Other Comprehensive Income); recebíveis de leasing; compromissos de empréstimos e contratos

28 financeiro agosto/setembro 2015

“Na parte macroeconômica deve-se ter atenção a itens como índices de preços de residências e PIB, sem esquecer de olhar as taxas internas de default e as possibilidades de calote”

com garantia financeira, entre outros”. De acordo com o diretor do IASB, o IFRS 9 é um modelo de três estágios: no primeiro situam-se os que estão performando; no segundo se incluem os under-performing, nos quais o risco de crédito cresce significativamente; e no terceiro estágio os nonperforming, em que há evidências objetivas de que ocorrerá impairment (redução do valor recuperável de um ativo). A informação utilizada no IFRS 9 para medir a perda esperada de crédito, afirmou Amaro Gomes, deve estar disponível sem custo indevido, com histórico, com previsões razoáveis e com suporte e a informação histórica deve estar atualizada, sem esquecer de que a informação de atraso pode ser utilizada. “Uma pergunta frequente em relação às regras do IFRS 9 é se previsões razoáveis e com suporte significam prever o futuro em relação à vida inteira do instrumento financeiro”, afirmou. “Nesse ponto é bom lembrar que a regra não tem a intenção de significar o uso de uma bola de cristal. Ela significa que é recomendável usar mais informação granular, dados históricos, atualizações, etc.” O membro do board do IASB listou também, em sua palestra, que informações devem ser consideradas para uma visão perspectiva: “É necessário olhar especificidades

Amaro Gomes: diretor do IASB (International Accounting Standards Board) do emprestador, como mudanças em resultados operacionais desse tomador, avanços tecnológicos que afetam operações futuras e mudanças e obrigações colaterais de suporte. Na parte macroeconômica deve-se ter atenção a itens como índices de preços de residências e PIB, sem esquecer de olhar as taxas internas de default e as possibilidades de calote, além de preços externos, com informações de classificação de crédito das agências especializadas.” Quanto aos impactos da IFRS 9, Amaro Gomes citou pesquisa realizada pela Deloitte com grandes bancos em todo o mundo, que revelou que a maioria dessas instituições esperam que a provisão crescerá bastante a partir de 2018. Para muitos bancos, as provisões crescerão 50%. No Brasil, as provisões devem crescer 70% na carteira de imóveis, 75% no crédito a pequenas e médias empresas, 70% nas operações corporativas e 80% no varejo. Ao listar os desafios para implementação do IRFS 9, Amaro Gomes destacou a metodologia, que terá de definir “deterioração significante”, estimar as perdas esperadas ao longo do tempo para portfólio de longo prazo e incorporar cenários macroeconômicos de visão prospectiva. Ainda quanto aos desafios, afirmou que na área de Tecnologia da Informação será necessário manter informações históricas e atu-


ais e integrar sistemas de gerenciamento de contabilidade e risco. “Além disso, nos processos é preciso ter interação, coordenação e comunicação sobre contabilidade, gerenciamento de risco, estratégia e finanças e, no que se refere a estratégias, os desafios serão verificar o impacto na regulação de capital, design de produto e preço, tendo em vista a competitividade e a comunicação”.

Supervisão do BC Por sua vez, Anthero de Moraes Meirelles, diretor de Fiscalização do Banco Central, falou durante o evento da ACREFI sobre a supervisão do BC e o mercado de crédito. E lembrou que o momento é de desafios regulatórios, tanto no Brasil como no exterior. Lembrando números do setor, o diretor do BC recordou que o volume atual de registros em bases de dados para uso da supervisão bancária soma 19 trilhões e que o monitoramento do Sistema Financeiro Nacional inclui 2 mil variáveis calculadas por mês, 2 mil relatórios oficiais por ano, mais de mil sinalizações anuais, 1.500 informações de instituições financeiras divulgadas por ano no site do BC e 53 séries temporais. Em relação a títulos e valores mobiliários, Anthero Meirelles disse que o Banco Central recebe dados da Selic, CETIP, BM&FBovespa, Sistema de Pagamentos Brasileiro e instituições financeiros. Nesse trabalho processa 40 milhões de registros por dia e mais de 900 documentos por mês, produz análises diárias macro e microprudenciais sobre riscos de liquidez e de mercado das instituições financeiras. Além disso, monitora diariamente o mercado de títulos públicos federais e o comportamento das captações bancárias, além de divulgar informações no site do BCB. O palestrante informou também que o Banco Central recebe informações mensais das instituições financeiras, que se referem a 480 milhões de operações, operações de crédito ativas de 75 milhões de clientes, e que cada operação contempla 36 campos de informações. “O BC produz ainda análises mensais micro e macroprudenciais sobre risco de crédito, ge-

rencia o Sistema de Informações de Crédito (SCR) e disponibiliza informações ao público e às instituições financeiras sobre operações de crédito e também divulga informações no site do BCB”, recordou. Sobre consórcios, Anthero Meirelles listou que o BC recebe informações de 13,7 milhões de cotas, distribuídos em 21 mil grupos, dados de 9 milhões de cotas com recursos a receber de grupos encerrados, recebe a cada trimestre 880 milhões de dados e produz análises trimestrais individuais e agregadas sobre o segmento de consórcios, e que também nesse caso divulga informações no site do BCB. Quanto às operações de câmbio, o diretor do Banco Central disse que o sistema de câmbio tem 207 instituições financeiras autorizadas, e que são 7,8 milhões de operações por ano (31 mil operações por dia). Adicionalmente, o BC recebe 25,5 milhões de operações/ano via arquivo mensal, produz análises diárias microprudenciais sobre as operações de câmbio realizadas pelas instituições financeiras, monitora diariamente as captações externas e o fluxo cambial, e no câmbio também divulga informações no seu site. No monitoramento de informações contábeis, segundo Anthero Meirelles, o BC recebe mensalmente 1.136 documentos contábeis e 2.267 demonstrativos de limites (600.000 registros mensais) , mais de 7.300 documentos a cada trimestre (2,2

milhões de registros trimestrais), produz análises mensais macro e microprudenciais sobre a situação econômico-financeira das das instituições financeiras, monitora mensalmente o enquadramento das IFs aos limites operacionais regulamentares e divulga informações no seu site. O palestrante expôs o modelo de monitoramento utilizado pelo Banco Central e mostrou o crescimento expressivo do mercado de crédito nos últimos anos: “O crescimento médio do saldo nominal foi de 25,4% de 2005 a 2008 e de 16,1% de 2009 e 2014, ano em que alcançou 54,7% do PIB”, recordou. De acordo com os dados apresentados por Anthero Meirelles, o BC ampliou a captura de informações, com destaque para a criação da C3, com informações detalhadas ao SCR a partir de R$ 1 mil, criação do CED (central de derivativos), registro de derivativos no exterior, consolidado prudencial (com inclusão do shadow banking) e com fonte de informações direta com base na Lei 13.097 e indireta (convênios). Aconteceu também, segundo o diretor de Fiscalização do BC, aprimoramento dos instrumentos prudenciais (Resolução 4.019/11) e a adoção de novas técnicas e ferramentas de supervisão, incluindo verificação especial (VE) Viabilidade, VE Integridade de Dados, VE Fluxo de Caixa, metodologia de detecção de fraudes e inspeção remota. f

“O crescimento médio do saldo nominal foi de 25,4% de 2005 a 2008 e de 16,1% de 2009 e 2014, ano em que alcançou 54,7% do PIB” Anthero de Moraes Meirelles: diretor de Fiscalização do Banco Central agosto/setembro 2015 financeiro 29


artigo Patricia Peck Pinheiro

novação tecnológica é, por certo, um dos principais ativos estratégicos de qualquer instituição financeira. Os maiores avanços ocorridos no tocante à circulação de riqueza na sociedade deveram-se ao investimento maciço do mercado no desenvolvimento de novas Patricia Peck Pinheiro: ferramentas para permitir acesso advogada especialista em aos serviços bancários, maior oferDireito Digital, formada ta de crédito, aumento da velocidapela Universidade de São de do fluxo de dinheiro, bem como Paulo, sócia fundadora sua rastreabilidade. Mas, se por um do Patricia Peck Pinheiro lado, o céu é o limite em termos de Advogados. revolução digital, por outro lado, o contrapeso dessa balança é o compliance. O controle do risco se passa por conformidade legal e pela aplicação de melhores práticas desenvolvidas para prevenir um colapso sistêmico. No entanto, mesmo tendo efeito positivo e sendo extremamente necessária, a regulamentação deve limitar-se a corrigir eventuais desequilíbrios, não podendo servir como barreira a engessar o crescimento da economia. Qualquer posição extrema, seja na alavancagem do risco ou na superproteção das posições, também traz prejuízo e provoca crise. Esse duelo entre a iniciativa privada e o Estado é saudável enquanto houver transparência e regras claras. No entanto, o surgimento de novas tecnologias que possam permitir que outros participantes entrem na disputa do mercado em situação mais privilegiada, sem ter que atender à legislação brasileira, pode quebrar esse equilíbrio. Foi o que aconteceu quando empresas tradicionalmente de tecnologia passaram a competir pelo cliente dos bancos para a realização de pagamentos. Em um primeiro momento, seriam apenas o meio para realizar a operação, mas passaram a abocanhar a conta de depósito dos correntistas, a ponto de se aproximarem muito da intermediação financeira. Dentro desse cenário, uma ferramenta chamada de ewallet, ou “carteira eletrônica”, passou a provocar certa concorrência desleal entre os novos entrantes e aqueles que estão sob o olhar vigilante do regulador. Como competir em tarifas com quem não precisa cumprir tantas exigências legais? Afinal, em termos de gestão e governança, atender a requisitos de compliance sempre gera um custo adicional na operação. Então, em meio a essa guerrilha técnica, surgiu a tal da bitcoin, ou “moeda da internet”, permitindo inclusive apagar

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o “rastro do dinheiro” e aumentar o anonimato daquele que adquire ou vende bens e/ou serviços, em nível nacional e internacional. Claramente, seu uso se popularizou a tal ponto que desde 2014 a Receita Federal Brasileira passou a exigir que as mesmas fossem declaradas no imposto de renda. Mas como saber se alguém tem ou não tem bitcoins? Como atender às regras de combate à lavagem de dinheiro, cumprir com as exigências do COAF, a lei do “dedo duro”, a do sigilo bancário, tudo isso, enquanto há todo um mercado livre de empresas que atuam como verdadeiros “intocáveis digitais”. Essas mudanças tecnológicas já mostram seus efeitos. Hoje, já é possível comprar praticamente qualquer coisa com bitcoins pela internet. Mas elas são um meio legítimo, legal, para pagamento? São moedas? Alguém pode emitir moeda sem ser a Casa da Moeda ou sem todo o controle do Banco Central? As bitcoins são entendidas muito mais como um título circulável, ou seja, uma espécie de valor mobiliário, um ativo financeiro, para o qual se atribui um valor para a sua livre negociação, normalmente obedecendo a lei da oferta e da escassez. Então, seria o caso de receberem a atenção da CVM? Bem, do ponto de vista jurídico, pelo menos em termos de legislação brasileira, há uma grande diferença entre as bitcoins e as novas moedas digitais (ex.: moeda eletrônica via celular) nascidas da perda crescente do suporte físico do dinheiro (cartularidade). É o que vem ocorrendo com os arranjos de pagamento e seu marco regulatório trazido pela Lei 12.865/2013, pelas Resoluções BACEN 4.282 e 4.283, Circular BACEN 3.682 e demais dispositivos legais. Seja pela diminuição do uso do papel-moeda, do cheque (título de crédito) ou mesmo do cartão (débito e/ou crédito), por certo a moeda digital veio para ficar. Mas, como fica o Sistema Brasileiro de Pagamentos (SPB) quando esses dois mundos começam a convergir, o dos players tradicionais que são extremamente regulados e o dos novos desafiantes que são, em geral, grandes marcas da indústria do software e das telecomunicações, que atendem às novas necessidades de mobilidade de pessoas e bens a um preço muito menor ou até gratuito? Para resolver essa questão, há necessidade de se aplicar uma nova equação, que nem pode ser extremamente protetiva e custosa, que acabe provocando toda uma marginalização social chamada de “mercado não bancarizado”, mas que também não pode estar completamente livre e descontrolada, pois aumenta o risco operacional para todos os integrantes do sistema. É preciso avançar, mas com cautela. f

Artigo enviado em 5/8/2015

I

Mobilidade e moeda digital


1234 5678 9876 5432 Carholder Name


tecnologia&negócios

Inovação em velocidade de cruzeiro

Foto: Mário Bock

Por Gustavo Girotto

E

mpresa modelo em tecnologia de ponta, capaz de concorrer com potências internacionais em um segmento complexo, como o da aviação, a Embraer cada vez mais coloca inovação em velocidade de cruzeiro no Brasil. Seu portfólio de projetos ganha, cada vez mais, a atenção do mercado internacional. “A aviação é um tema que não o deixa sem assunto durante um bom jantar”, descontrai Jackson Schneider. Com olhar fixo e confiante em duas miniaturas sobre sua mesa, dos modelos KC 390 e Super Tucano, Schneider detalha, com entusiasmo, que essas aeronaves revelam a excelência e a capacidade contínua da empresa na execução de grandes feitos na indústria aérea. “O KC 390 é o estado da arte. Vários países já demonstram interesse em sua compra. Com capacidade para transportar até 26 toneladas, ele opera sem dificuldades em pistas não pavimentadas, muito comuns em territórios da Amazônia,

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Jackson Schneider, CEO da Embraer Defesa & Segurança, indústria líder no setor aeroespacial e de defesa da América Latina, fala sobre os avanços conquistados pela empresa e a sua representatividade no mercado internacional

em áreas desérticas e na Antártica. A aeronave de multimissão pode ser reconfigurada rapidamente para realizar diversos tipos de missões, reabastecimento em voo, tanto de aviões quanto de helicópteros; lançar paraquedistas, combater incêndios florestais e realizar evacuações. Já o Super Tucano, turboélice de treinamento, serve para ataque leve e contrainsurgência (COIN), desenvolvido e produzido pela empresa, também ganha olhares atentos de potenciais compradores internacionais, uma vez que apresenta excelentes requisitos operacionais”, garante o CEO da Embraer Defesa & Segurança. Os números repassados por Schneider sobre a companhia, no que diz respeito à infraestrutura, estão em pé de igualdade com qualquer nível de grandes produções mundiais. “A Embraer como um todo tem mais de 19 mil funcionários, sendo que 16 mil estão no Brasil. Nós temos em torno de seis mil engenheiros, cinco mil dedicados, exclusivamente, à pesquisa e ao desen-


volvimento de projetos. Mantemos contato estreito com universidades, centros de pesquisa e empresas, que trabalham permanentemente em desenvolvimento e inovação”, pontuou Schneider. Fundada em 19 de agosto de 1969, pelo Decreto-Lei nº 770, como empresa de capital misto, a Embraer foi privatizada em dezembro de 1994 e seu controle está em mãos brasileiras. “Foi uma das primeiras empresas a ser privatizada. Adotou uma gestão de excelência, transparência, e abriu seu capital na Bolsa de Nova York. É um modelo de sucesso e, a área de segurança, que começou a se expandir, hoje se consolida como a Casa de Defesa Brasileira (defence house). Exerce presença ativa em mais de 50 forças aéreas do mundo, com o Tucaninho e o Super Tucano. Este último modelo teve mais de 200 aviões vendidos em 13 países”, comemora Schneider, mencionando que “ainda outros aviões de reconhecimento, como o AEW&C e o ISR, foram vendidos

para Grécia, México, Brasil e Índia”. O Centro de Engenharia da planta industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, atrai interesse e visitas de comandantes de forças aéreas e de ministros de Defesa de inúmeros países. “O KC 390 traz um novo conceito ao mercado. Ele tem capacidade de monitorar quatro mil pontos de controle em fase de teste, é pilotado com joystick, e volta a voar, nos próximos meses, mais duas mil horas para ter sua certificação, monitorando 12 mil itens. É um avião que vai reforçar a nossa presença no mercado”, detalhou Schneider. Outra expectativa é em relação ao contrato da Embraer e a empresa sueca Saab, que estabelece um acordo de parceria para a produção no Brasil do Gripen NG, que irá renovar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB). “A Embraer e a Saab construirão um Centro de Engenharia na planta industrial da Embraer, em Gavião Peixoto, para apoiar as operações dos caças Gripen,

além de desenvolver a versão biplace (com dois lugares)”. Schneider informa que será trabalhada toda a adaptação de sistemas para o modelo nacional. Quem pensa que a área de Defesa & Segurança só trabalha com aeronaves, ainda desconhece o portfólio de produtos da Embraer. “Nós temos produtos para a área de radar, com a Bradar, que fabrica equipamentos para monitorar distâncias de até 60 quilômetros, radares aéreos, e um que acabamos de lançar, que atinge até 20 quilômetros e pode ser carregado em mochila por dois soldados. Nós temos ainda empresas que fazem o desenvolvimento de sistemas de tráfego aéreo, e com as adaptações necessárias. Acabamos de vender um sistema desses para a Índia. Outro braço é o programa Labgene, laboratório de Geração de Energia Núcleo-Elétrica para a Marinha do Brasil, que irá produzir o submarino nuclear. Somos responsáveis também pelo desenvolvimento do sistema de controle e vigilância de fronteiras (Sisfron), contratado pelo governo brasileiro, que nos dá outra presença no Exército e está sendo implementado na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul, na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. É um sistema de segurança de fronteira que dificulta entrada de armas, de entorpecentes e monitora o trânsito de gado. Somos também o maior acionista da OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal, dedicada a fabricação e manutenção de componentes de aviação portuguesa”, relata Schneider. No lado aeroespacial, Schneider recorda a joint venture com a Telebrás, com o objetivo de contratar, lançar e operar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). “O equipamento é estratégico para o setor de telecomunicações e para a defesa nacional. A Embraer será acionista majoritária do projeto e o satélite deverá atender às necessidades de comunicação via satélite do governo federal, além de transmissões estratégicas de defesa. É um objetivo social importante, uma vez que a comunicação chegará com qualidade a regiões de difícil acesso”, recorda Schneider, assegurando que a “Embraer é e continuará sendo uma empresa à frente do seu tempo em pioneirismo e inovação”. f agosto/setembro 2015 financeiro 33


executivo

O novo

Foto: Mário Bock

desafio contábil

Amaro Gomes, representante brasileiro no IASB, apresenta os impactos das novas regras contábeis para as instituições financeiras e mostra otimismo com adaptação no Brasil

Ú

nico brasileiro a fazer parte do board do IASB (sigla em inglês do Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade), Amaro Gomes compõe o seleto grupo de 14 pessoas que tem a árdua tarefa de publicar e revisar as Normas Internacionais de Relatório Financeiro, conhecidas pela sigla IFRS (International Financial Reporting Standards). Nos últimos tempos, Gomes e seus colegas do IASB (International Accounting Standards Board) estão às voltas principalmente com o IFRS 9, regras que deverão ser adotadas em todo o mundo a partir de janeiro de 2018. Na avaliação de Amaro Gomes, o principal desafio para a implantação do IFRS 9 será avaliar os sistemas internos para identificar as alterações necessárias para adoção dos novos requisitos no que se refere à captura da “perda esperada”. Mas ele considera que as instituições brasileiras terão menos dificuldades do que os bancos de outros países para implantar a nova norma.

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Leia, a seguir, a entrevista de Amaro Gomes à “Financeiro”, em que esse ex-técnico de basquete e entusiasta das Ciências Contábeis fala sobre o IFRS 9. Revista Financeiro – Como foi sua ida do Banco Central para o IASB? Amaro Gomes – Em 1992 ingressei no Banco Central, onde permaneci, sempre no Departamento de Normas do Sistema Financeiro, até meu ingresso no IASB, em 2009. Representei o BC em grupos como o Policy Development Group e o Accounting Task Force, ambos sob os auspícios do Comitê de Basileia, e o Sub-Grupo 4 do Mercosul, além de palestras em eventos do Banco Mundial, FMI, Comitê de Basileia. RF – O senhor planejava ir para o IASB? AG – A ida para o IASB não foi planejada. Em decorrência da crise internacional, participei da equipe do BACEN envolvida nas discussões de temas de regulação e supervisão. Em algumas ocasiões, debati com representantes do IASB, incluindo o então chairman David Tweedie e o trustee brasileiro, Pedro Malan. Em 2008, os trustees criaram uma posição no IASB para um representante da América do Sul e, ao final de um longo processo, fui convidado a ingressar no IASB a partir de 2009, por cinco anos. Em 2014 fui convidado a renovar por um período adicional, e final, de cinco anos. RF – Como tem sido sua experiência, um brasileiro, como membro do board do IASB? AG – Trabalhar em uma organização internacional única, como é o IASB, representa uma oportunidade profissional extremamente relevante. O IASB é composto por apenas 14 integrantes, de origens distintas (Brasil, China, Coreia, Japão, Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Holanda) e experiências mistas (auditores, reguladores, acadêmicos, analistas) o que proporciona debates interessantes. Minha principal preocupação é compartilhar com meus pares e com o staff minhas impressões sobre os temas, bem como as perspectivas sob a ótica da experiência da América Latina. RF – Seu trabalho é centrado no IFRS? AG – Além da participação direta no desen-


volvimento das International Financial Reporting Standards (IFRS) ou Normas Internacionais de Informação Financeira (NIIF), faço o acompanhamento dos processos de adoção das NIIF em toda a América Latina. Dessa forma, minha presença é constante tanto em países que estão em processo de adoção, como é o caso da Colômbia no momento, como em jurisdições que já adotam as NIIF, a exemplo de Brasil, México, Argentina, Chile, Peru, sempre à disposição para discutir normas editadas, mas que ainda não entraram em vigor, bem como os projetos em desenvolvimento. RF – Como é ser o representante da América Latina em um foro tão importante? AG – Fui muito bem recebido ao entrar no IASB, pois todos, staff e integrantes do board, se ressentiam da ausência de maior envolvimento da América Latina e sempre têm interesse em conhecer nossas opiniões. RF – O IFRS 9 deverá ser implantado em 2018. Como estar preparado para ele? AG – É fundamental avaliar os sistemas internos para identificar quais as alterações necessárias para a implementação dos novos requisitos estabelecidos pela IFRS 9 no que diz respeito à captura da ‘perda esperada’. Para isso, as áreas de contabilidade, gestão de riscos, análise econômica e tecnologia de informação devem ser envolvidas com a maior brevidade possível. Tenho a impressão de que, no caso dos bancos brasileiros, a adaptação será menos onerosa quando comparada a outras jurisdições, em virtude das exigências no mercado doméstico imputadas pela Resolução 2.682, do Conselho Monetário Nacional. RF – Há várias diferenças entre o IAS 39 e o IFRS 9. Quais merecem especial atenção? AG – É importante lembrar que essas IFRS tratam especificamente de requisitos contábeis para instrumentos financeiros, incluindo classificação, avaliação, hedge, e provisionamento para perdas. O IFRS 9 introduziu uma abordagem mais lógica para a classificação e avaliação dos ativos e passivos, dependendo agora, em parte, do modelo de negócios da entidade, que aprimorou a contabilidade de hedge com o

objetivo de refletir com maior propriedade as práticas de gestão de risco das organizações, com melhoria significativa na qualidade e na transparência. E, finalmente, reavaliou os requisitos de provisionamento para perdas com operações de crédito, que no IAS 39 são baseados no modelo de perda incorrida, o qual foi criticado duramente durante e após a crise financeira de 2008, por resultar no reconhecimento tardio e insuficiente das perdas. É nesse particular que a maioria das empresas e instituições devem ter atenção especial. RF – O que significa a mudança do IFRS 9 ao privilegiar o modelo de perda esperada? AG – O novo modelo de perda esperada assume que, ao adquirir um ativo financeiro, emprestar dinheiro ou mesmo conceder ‘linha’ de crédito ou garantia, existe sempre algum nível de expectativa de perda que não é capturado integralmente no ‘preço’ da operação (taxa de juros), em virtude de ‘imperfeições’ de mercado, tais como pressão da concorrência e estratégia de negócios (por exemplo, novos produtos ou novos mercados). Em decorrência, é requerida a constituição de provisão para essa perda no momento da contratação, considerando o período inicial de 12 meses. A partir desse ponto, deve ser avaliado periodicamente se ocorreu deterioração ‘significativa’ do risco de crédito, comparativamente com a data da contratação da operação. Se tiver ocorrido tal deterioração, a provisão é constituída considerando o prazo total da operação. RF – Como atender a essas novas normas? AG – Será necessário manter os dados da originação, e incorporar informações relevantes quanto ao tomador e à macroeconomia (entre outros), mas sem ‘custo ou esforço inadequado’ (tradução livre de ‘undue cost or effort’). Na prática, devem ser consideradas informações históricas e correntes, considerando ‘razoáveis e suportáveis informações prospectivas’, o que representa alteração significativa com relação ao IAS 39, que permite a constituição de provisão somente se detectada perda incorrida. RF – Qual será o impacto do IFRS 9 no

mercado financeiro brasileiro? AG – Uma análise mais profunda e detalhada é o ideal, a exemplo das pesquisas conduzidas no exterior. No entanto, minha percepção é de que o impacto para as instituições financeiras brasileiras, tanto em termos operacionais como monetários, não será tão significativo quando comparado com outras jurisdições. Isso se dá em virtude da adoção no Brasil, desde o ano 2000, da Resolução 2.682, do CMN, a qual incorpora princípios bastante semelhantes aos incluídos na IFRS 9, tais como a responsabilidade da administração para constituir provisões adequadas e a constituição de provisão na data da concessão da operação (obviamente com exceção daquelas classificadas na categoria AA). RF – Quais são os pontos fortes do Brasil em relação à implantação do IFRS? AG – O ponto forte é a familiaridade com princípios como deterioração do crédito e a incorporação de informações macroeconômicas para a classificação das operações em níveis de risco. Quanto a pontos fracos, não tenho experiência recente para poder destacar com propriedade. RF – Além dos segmentos bancário e de seguros, quais outros serão impactados? AG – Talvez as empresas de arrendamento mercantil, tendo em conta a natureza dessas operações. Mas, sem dúvida, o segmento mais afetado será o bancário. RF – Alguns países, como Canadá, Reino Unido e Austrália, estão se preparando antecipadamente para o IFRS 9. Em sua avaliação, essas experiências já dão sinais de como será a adaptação ao redor do planeta? AG – É difícil extrapolar o resultado de algumas experiências localizadas. Mas, acho que a constatada elevação dos níveis de provisão, resultado naturalmente da aplicação dos preceitos de perda esperada, o aprimoramento da qualidade das informações disponibilizadas nas notas explicativas e a necessidade de maior integração entre as áreas de contabilidade, gestão de riscos e tecnologia da informação, serão igualmente identificados nas jurisdições que adotam as IFRS. f agosto/setembro 2015 financeiro 35


artigo Denise Campos de Toledo

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or mais que surjam tentativas de se abafar as crises de curto prazo, tanto no campo econômico como no político, o Brasil vive dificuldades de mais longo prazo que não serão superadas tão facilmente. Falta um programa de governo que estabeleça, de fato, perspectivas melhores para o País. O governo continua muito preocupado em apagar incêndios. Procura garantir um mínimo de superávit das contas públicas, pra afastar o risco de um efetivo rebaixamento da nota de avaliação do País, com a perda do selo de bom pagador. Sendo que as agências internacionais, com perspectiva negativa ou estável, nos deixaram a apenas um passo desse tropeço, da perda do investment grade. Em relação à inflação, o Banco Central acredita que a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, mais o processo recessivo, com expansão do desemprego, e a expectativa de menor aumento dos preços administrados, possam derrubar a inflação, hoje perto dos dois dígitos na variação anual, para o centro da meta – os 4,5% – até o final do próximo ano. Por isso, quando surgem fatos novos, ou ameaças, como um avanço mais forte do dólar, o BC não consegue ficar à margem do processo. Acaba interferindo. Por mais que se queira um dólar mais alto, para assegurar maior competitividade para a produção brasileira, uma mudança mais brusca do câmbio pode ameaçar uma das poucas metas que, talvez, se consiga cumprir, que é a de inflação. A preocupação com a competitividade, com o estímulo às exportações e uma maior atividade, especialmente para o setor industrial, continua presente, mas ainda tem aquelas prioridades de curto prazo, como o controle da inflação. E seguimos pagando a conta dos ajustes. O próprio ajuste fiscal é uma trava importante para a economia, pelo menos, da forma como foi proposto e vem sendo executado. Não houve cortes estruturais maiores dos gastos do governo. Até por limitações políticas, o acerto das contas envolve muito mais a redução dos investimentos do governo, inclusive em áreas prioritárias, com aumento da carga tributária. Por mais que se questione a gastança do governo, reduzir a presença num momento de queda da atividade e de investimentos do setor privado só complica mais o quadro geral. O governo já não pode recorrer Denise Campos de Toledo: jornalista, comentarista de economia da Rádio Jovem Pan e do Jornal da Gazeta e editora do site www. economiaemfoco.com.br

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às famosas medidas anticíclicas que, artificialmente, seguraram o crescimento por um longo período. Ao contrário, apesar de estarmos convivendo com a recessão mais pesada dos últimos 25 anos, que deve comprometer também o desempenho da economia em 2016, o governo continua promovendo medidas contracionistas pra tentar colocar a economia numa rota mais saudável e melhor estruturada. Retomar os superávits das contas públicas, sem defasagens de preços administrados e com perspectiva de inflação dentro dos limites da meta, tem contribuído muito para a contração da economia. Paralelamente, aos problemas concretos que o País enfrenta, ainda tem a “caixinha de surpresas” da Lava Jato, também com implicações bem negativas para o País. Fora o fato de ter estabelecido uma crise moral em meio às várias outras crises, representa um comprometimento significativo do nível de investimentos. A Petrobrás e as empreiteiras envolvidas nas denúncias podem acarretar perdas da ordem de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em termos de investimentos que estão deixando de ser feitos, paralisia de obras, cortes de emprego, contratações, compra de materiais. A correção de rota da economia já teria um custo pesadíssimo sem a Lava Jato. Com a operação e todos os seus desdobramentos, a conta a ser paga pelo País fica muito maior e colabora, sem dúvida, para uma crise mais profunda e prolongada. Por outro lado, ainda não se veem ações mais eficientes que possam estabelecer uma agenda positiva capaz de melhorar o horizonte de recuperação do País. Até existem programas positivos nesse sentido, como de estímulo às exportações, às concessões de infraestrutura e da área energética. Mas tudo ainda está muito emperrado e até limitado por essas ações de correção de rota da economia. Sem esquecer da questão da confiança. Consumidores, empresários, investidores continuam muito cautelosos diante do atual cenário e do que se pode esperar da economia brasileira. E isso compromete muito as decisões e ações que poderiam ajudar a tirar a economia da paradeira. Ainda se trabalha muito com a possibilidade de uma piora do quadro econômico e político, antes que o País possa entrar numa rota mais benigna. Já enfrentamos muitas crises. Desta vez não vai ser diferente. Em algum momento todas essas crises vão passar. É esperar que o Brasil saia desse processo com maior solidez institucional, moral e econômica. f

Artigo enviado em 14/8/2015

Horizonte: mais distante


artigo Katia Madeira Blaha

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iante de tantas incertezas que o Brasil vive hoje, pergunto-me: será que teremos, algum dia, paz com o tema terceirização? Será que, após a aprovação do Projeto de Lei (PL) Katia Madeira Blaha: 4.330/2004, que no Senado advogada do escritório MKA é o Projeto de Lei da Câmara 30/2015, ou de qualquer outro texto legal que venha a ser aprovado pelo Congresso Nacional, teremos aumento ou decréscimo dos inúmeros processos trabalhistas em curso sobre a terceirização? Embora tenhamos que reconhecer os avanços obtidos com o texto do PL 4.330, aprovado pela Câmara dos Deputados, no sentido de regularizar o tema, os novos pontos em aberto, tais como se apresentam para o início do debate no Senado, não nos parecem indicar que momentos pacificadores virão. Ademais, recentes notícias indicam que o Senado estuda apresentar novo projeto de lei. Independentemente dos novos passos legislativos, temos que trabalhar com o que há hoje para nos desvencilharmos da arapuca da fonte inesgotável de incertezas. De acordo com recente debate realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, traduzido em matérias publicadas pelo jornal em 7/8/15, nenhuma das partes envolvidas está satisfeita, já que empresários não conseguiram a liberação ampla do processo e sindicalistas não evitaram uma abertura para a terceirização da atividade-fim. Se, por um lado, abriu-se a possibilidade de terceirizar a atividade-fim para empresas especializadas – e como contraponto, alterou-se a reponsabilidade da contratante para solidária –, do ponto de vista empresarial ainda permanece a dúvida sobre o que significa a terceirização ser a transferência feita pela contratante da execução de “parcela de” qualquer das suas atividades à contratada. Não há indicação no PL 4.330 de qual seria essa parcela (qual porcentagem?) e, assim, no vácuo legal, o Judiciário precisará definir tal expressão. Ou seja, haverá mais processos na esfera trabalhista, se assim permanecer sem uma definição legal. No que tange aos processos de terceirização no setor financeiro, destaco o Artigo 8º do PL 4.330: “Quando o contrato de prestação de serviços especializados a terceiros se der entre empresas que pertençam à mesma categoria econômica, os empregados da contratada envolvidos no contrato serão representados pelo mes-

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mo sindicato que representa os empregados da contratante, na forma do art. 511 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.” A atual dicotomia entre atividade-fim e atividade-meio traz intermináveis discussões sobre o enquadramento sindical do funcionário da contratada. Então, pelo menos que que diz respeito ao enquadramento sindical, o PL deve trazer segurança jurídica, definindo a extensão do referido Artigo 8º. Importante destacar que representação sindical não se confunde com categoria sindical. Durante o processo legislativo na Câmara dos Deputados, o Artigo 8º sofreu adaptações, sendo que a sua redação contava com a frase final “observadas as respectivas convenções e acordos coletivos”. Ou seja, pode haver a representação sindical diferenciada, mas o respectivo enquadramento da categoria sindical dos empregados da contratada deve ser garantido e respeitado, até porque, conforme já bem explicado por especialistas, o cruzamento sindical é inviável na prática. Outro ponto é o critério de classificação da atividade econômica, para fins de interpretação do Artigo 8º. Esse critério já existe na Classificação Nacional de Atividade Econômicas – CNAE, que é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento, aplicado a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços. Por exemplo, as atividades de serviços financeiros encontram-se na divisão 64, que compreende as atividades com a finalidade de criar, coletar, intermediar e redistribuir recursos financeiros próprios ou de terceiros sob sua responsabilidade. Entendo que o CNAE é o critério o que deve ser adotado pela Justiça do Trabalho, para fins de definição de atividade econômica do Artigo 8º. Por fim, e ainda sobre o enfoque da terceirização do setor financeiro, destaco o Artigo 20 do PL 4.330 sobre os correspondentes no País. Além de excluir as exigências de especialização e objeto único de modo a abarcar esse modelo no PL, o que demonstra sua importância para o Brasil, o PL 4.330 teve o benefício de trazer para uma lei a terminologia correta do modelo, abolindo por vez a expressão “correspondente bancário” (vale ressaltar que a expressão chegou a constar nas primeiras versões desse artigo, mas foi posteriormente corrigida pelo Deputado Arthur Oliveira Maia). Aliás, foi memorável a defesa pelo Deputado Arthur Maia, na leitura do projeto, do modelo dos correspondentes. Emocionou-me. f

Artigo enviado em 19/8/2015

Terceirização no Brasil: teremos paz?


evento

BC realiza, em novembro, edição anual do

Fórum de Cidadania Financeira

O

fórum sobre inclusão financeira, realizado anualmente pelo Banco Central desde 2009, foi reformulado. A partir deste ano, o encontro passará a se chamar Fórum de Cidadania Financeira. Todo o formato do evento, programado para os dias 4 a 5 de novembro, em Brasília, foi aprimorado com o objetivo de aumentar a abrangência das discussões sobre o tema. “Não é só a mudança do nome, mas do próprio escopo do Fórum, mais abrangente. A ideia é incluir no debate, além dos aspectos de acesso e de uso dos serviços financeiros, a dimensão da qualidade da inclusão financeira de cidadãos e de pequenos negócios. O desafio agora é qualificar o processo de inclusão financeira, melhorando a oferta de produtos e de serviços, tornando-os cada vez mais acessíveis”, explica Luiz Edson Feltrim, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central.

Formato

Luiz Edson Feltrim: diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central

De acordo com Feltrim, nas últimas edições do fórum sobre inclusão financeira, embora houvesse discussões sobre a importância da proteção ao consumidor e da educação financeira para o processo de inclusão, o maior peso estava no diagnóstico e nos avanços normativos relacionados às questões de acesso e de uso do sistema financeiro. “O próprio formato do Fórum será bastante modi-

ficado. As duas últimas edições, por exemplo, foram organizadas em torno de palestras e de apresentações de trabalhos. Agora, teremos um evento mais participativo, com a ampliação do modelo de oficinas técnicas, com foco no debate com o público sobre cada tema”, detalha Elvira Cruvinel, chefe do Departamento de Educação Financeira e coordenadora geral do fórum. Em cada oficina, três ou quatro especialistas comandarão a discussão e o debate com a plateia, no sentido de provocar novas ideias e de propor caminhos e soluções para que o processo de inclusão continue avançando.

Temas Os dois dias de atividades do fórum serão organizados em torno de quatro grandes temas: “Inclusão financeira dos pequenos negócios”; “Relacionamento do cidadão com o Sistema Financeiro Nacional” – com ênfase em proteção ao consumidor e educação financeira; “Cidadão e bem-estar financeiro”, que vai debater formas de se mensurar a inclusão financeira; e “Cidadania e vulnerabilidade financeira” – com foco em educação financeira de grupos vulneráveis, como jovens, idosos e beneficiários de programas assistenciais do governo. “Desde já, estamos realizando pré-oficinas com parceiros do governo e do setor privado, delimitando os assuntos que iremos explorar e decidindo que tópicos iremos discutir”, reforça Elvira. f

Fórum de Cidadania Financeira Dias: 4 a 5 de novembro Local: Centro Internacional de Convenções do Brasil – CICB (Brasília) https://cidadaniafinanceira.bcb.gov.br/forum/ agosto/setembro 2015 financeiro 39


painelcetip

Financiamentos de veículos somam 467 mil unidades em julho

O

s financiamentos de veículos no Brasil somaram 466.910 unidades em julho, sendo 206.359 novas e 260.551 usadas. O volume representa alta de 5,1% em relação a junho e queda de 13,1% na comparação anual. No acumulado do ano até julho, as vendas financiadas de veículos atingiram 3.178.960 unidades, recuo de 11% em relação ao mesmo período de 2014. Os números levam em consideração automóveis de passeio, comerciais leves, motos e pesados. O levantamento é da Unidade de Financiamentos da Cetip, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. O SNG impede que o processo de financiamento de veículos seja suscetível a fraudes sistêmicas. Volume de financiamento de veículos (Jul/15)

“Os financiamentos de veículos continuam sendo impactados pelo desaquecimento da economia. Com isso, quando comparamos os resultados de julho com os volumes do ano passado, percebemos que o mercado segue em queda”, afirmou Marcus Lavorato, gerente de Relações Institucionais da Cetip. Em julho, os financiamentos de veículos usados mantiveram um melhor desempenho em relação aos novos. Foram financiados 206.359 unidades novas no período, queda de 22,4%

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em relação ao mesmo mês de 2014. Já as vendas a crédito de unidades usadas somaram 260.551, recuo de 4% na mesma base de comparação. No mês, os financiamentos de automóveis leves novos somaram 128.805 unidades, acumulando queda de 24,3% em relação a julho de 2014. Já os autos leves usados totalizaram 239.083 unidades, volume 3,8% inferior na mesma base de comparação. No acumulado do ano, os autos leves novos atingiram 873.810 unidades, queda de 22,4% ante o mesmo período de 2014, enquanto os carros usados somaram 1.612.305 unidades, recuo de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Volume de financiamento de veículos por categoria


No ano, vendas financiadas de automóveis leves novos acumulam queda de 22,4% Modalidades de financiamento de veículos (Jul/15)

A menor queda nos financiamentos de autos leves usados, em relação aos novos, foi impulsionada pelas vendas financiadas dos carros com 4 a 8 anos de uso, que cresceram 1% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2014, e somaram 125,7 mil unidades comercializadas. No acumulado do ano, a categoria também se destacou, ao atingir 877,9 mil unidades, aumento de 2,6%, superando inclusive o volume de autos leves novos financiados (873,8 mil unidades). Financiamento por tempo de uso (Jul/15) Já em relação ao prazo médio de financiamento por tempo de uso, em julho, o levantamento aponta que ficou praticamente estável, na comparação mensal e anual, em todas as categorias. Os automóveis leves novos apresentaram um prazo médio de 37,5 meses, enquanto o prazo para os de quatro a oito anos de uso ficou em 42,5 meses. f Prazo médio de financiamento por tempo de uso (Jul/15) Quanto às modalidades de financiamentos de veículos, entre autos leves, motos e pesados, o consórcio foi a única opção que apresentou alta no acumulado do ano. Os dados consideram as aquisições de veículos por cotas contempladas, mas não quitadas de consórcio. Foram vendidas 508,5 mil unidades por meio de cotas de consórcio de janeiro a julho, aumento de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho da modalidade foi impulsionado principalmente pelos automóveis leves usados, que somaram 148,9 mil unidades comercializadas por meio do consórcio no acumulado do ano, volume 20,9% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado. Os dados consideram as aquisições de veículos por cotas contempladas, mas não quitadas de consórcio. agosto/setembro 2015 financeiro 41


cultura

A estética sacra de Portinari

Fotos: Projeto Portinari

Nossa Senhora D’Aparecida

Em Batatais, a 360 quilômetros da capital paulista, a igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde exibe 28 telas do artista, que retratam passagens bíblicas pintadas no início dos anos 50. O acervo atrai 3.500 visitantes por mês

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uem vai relaxar uns dias em Nova York, se puder, sempre arruma um tempinho para ver os painéis Guerra e Paz no sede da ONU. Eles estão entre os trabalhos mais conhecidos e significativos de Cândido Portinari (1903 – 1962). Quando as obras estiveram no Brasil há quatro anos, depois de passarem por um período de restauro, atraíram mais de 270 mil visitantes em exposições montadas no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. O que muitos de seus admiradores desconhecem é que em Batatais, interior de São Paulo, a 360 quilômetros da capital, a igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana

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A transfiguração

O batismo de Jesus

Sagrada família

São Sebastião

Verde abriga um dos mais importantes acervos do artista, com 28 telas — 14 ilustram a via-sacra de Jesus — tombado desde 1982 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico). Para quem aprecia arte, o passeio é quase que obrigatório durante um fim de semana prolongado. Depois de passarem por um minucioso processo de restauro em 2014 — projeto de R$ 355 mil, financiado pelo Governo do Estado de São Paulo —, as telas sacras de Portinari voltaram a encantar há um ano as 3.500 pessoas que visitam por mês o santuário. Antes do trabalho de recupe-

ração, as obras da Matriz de Batatais estiveram seriamente ameaçadas pela ação de cupins. Foram trocados os chassis de todos os quadros e fechado o fundo das telas para impedir o acúmulo de poeira, além de reaplicar o revestimento de verniz de cada peça. Segundo a restauradora Florence Maria White de Vera, responsável pela recuperação do acervo, as obras estão preservadas, mantidas em condições ideais, por pelo menos 35 anos. Até então, a última manutenção dos quadros da paróquia tinha acontecido em 1975. Entre os destaques da coleção sacra estão as telas

Sagrada Família, Fuga para o Egito, Nossa Senhora Aparecida e Jesus e os Apóstolos. Idealizada a partir das linhas sóbrias da Catedral de Bréscia, Itália, o arquiteto Julio Latini iniciou a construção da nova Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde ainda em 1925. Posteriormente, em 1949, o engenheiro Carlos Zamboni assumiu a conclusão do projeto e convidou Portinari para fazer as pinturas do santuário. Os grandes painéis foram executados em 1952 e as telas da via-sacra em 1953. O que nem todo mundo sabe é que Cândido Portinari, mesmo tendo nascido em Brodowski, a 15 km agosto/setembro 2015 financeiro 43


cultura Espírito Santo Senhor Bom Jesus de Cana Verde

de Batatais, coincidentemente, havia sido batizado naquela paróquia. A inauguração da nova matriz, em 14 de março de 1953, foi acompanhada de uma inesperada polêmica local. Isso porque as autoridades religiosas da região torceram o nariz pela indicação de Portinari, pois o artista era simpatizante e filiado ao Partido Comunista, além de ter saído candidato pela legenda ao Senado em 1947, pouco antes da cassação da agremiação. Sobre o fato, a grande imprensa publicou na época a seguinte declaração do artista: “Como sempre, fiz o melhor que pude. Mas quem vai julgar é o público. Não fiz concessões nem de ordem política, nem de ordem artística. Não houve, pois, como querem alguns críticos, recuo de nenhuma natureza. Trabalhei com absoluta liberdade na realização dos quadros. Aliás, devo assinalar que a Comissão das Obras da Matriz, que me havia convidado para decorar a igreja, resistiu bravaA fuga para o Egito

Portinari com o arcebispo Dom Luiz Amaral Mousinho, na cerimônia de inauguração da Matriz de Batatais

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mente a todas as tentativas de perturbar essa liberdade e garantiu o compromisso que assumira comigo nesse sentido”. Mas Portinari já estava acostumado a esse tipo de polêmica. Entre 1944 e 1945, cerca dez anos antes do diz que diz pelos trabalhos em Batatais, o artista já tinha sido alvo de críticas quando pintou os quadros da via-sacra da igreja de São Francisco de Assis, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, a pedido do arquiteto Oscar Niemeyer e do então prefeito Juscelino Kubitschek. Nesse caso, a controvérsia foi gerada, entre outros motivos, pelas linhas deformadas dos personagens bíblicos e pela presença de um cachorro no lugar do lobo junto a São Francisco. A contestação foi tão grande que as cerimônias religiosas na igreja foram proibidas durante mais de dez anos. Voltando a Batatais, em 1953, quando a nova igreja matriz foi inaugurada e as telas de Portinari passaram a fazer parte do acervo e, posteriormente, tornaram-se atração turística, o pintor já apresentava sinais da doença que o mataria em menos de dez anos, intoxicado por algumas substâncias que faziam parte da composição das tintas com que trabalhava. f

Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde: Praça Cônego Joaquim Alves, centro de Batatais. Horário: terça a domingo, das 8h às 17h30 – exceto durante as missas. Tel.: (16) 3761.2489


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livros Capitalismo: Modo de Usar

Comunicar para Liderar Autores: Leny Kyrillos e Mílton Jung

Autor: Fabio Giambiagi

Editora: Elsevier mbora o título possa causar certo desconforto, este livro do economista Fabio Giambiagi não é direcionado a economistas. Trata-se de um texto leve que procura conquistar o leitor com argumentos bem defendidos, desenvolvido em uma linguagem suave e sem tecnicismos. Economistas podem, naturalmente, ter seu interesse pela temática, mas não é, definitivamente, mais um manual. O autor apresenta a realidade, os desafios e os “mitos” da economia brasileira, de forma a despertar no leitor o interesse pelo tema e, consequentemente, aprofundar suas reflexões. Giambiagi aborda questões que vão desde o debate sobre os traços paternalistas de nossa sociedade, passando por teses que envolvem educação, imprensa e sistemas políticos, até atingir um dos conceitos básicos do capitalismo: a competição. O livro discute também como o Brasil sofre com as “falsas virtudes”, com ações aparentemente nobres, mas que, de fato, atravancam o crescimento econômico e o desenvolvimento do País.

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Editora: Contexto scrito pelo jornalista Mílton Jung, âncora da rádio CBN, em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, o livro aborda a comunicação como competência indispensável para o exercício da liderança, seja no âmbito das empresas, da política, das salas de aula, da família, até da liderança pessoal, de nossa própria vida. Ao longo de 192 páginas, os conceitos são apresentados de modo claro e objetivo, levando em conta os princípios da boa comunicação, e tratam as diferentes situações em que essa ferramenta é exigida. Carregado de dicas práticas e de fácil aplicação, é um instrumento necessário e indicado a todos os que buscam liderar em seu meio. “Entendemos que os líderes só são capazes de exercer essa função quando se comunicam bem! E nós podemos ajudá-los a desenvolver essas habilidades com base em nossos questionamentos, em nossas diferentes formações e em nossas reflexões em conjunto. Foi dessa grande vontade de oferecer algo melhor que surgiu esse livro, que, até então, era apenas um conceito na nossa cabeça”, lembrou Jung.

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História do Futuro: O Horizonte do Brasil no Século XXXI Autora: Míriam Leitão Editora: Intrínseca jornalista Míriam Leitão apresenta uma audaciosa investigação sobre o horizonte do País, com o desafio de olhar para além do imediatismo do presente e mapear as principais tendências para as próximas décadas. O livro é fruto de quatro anos de entrevistas, viagens, análises de dados e depoimentos de especialistas que revelam o que está por vir — considerando as vocações e potencialidades do Brasil. A autora ressalta que, por mais que a crise aponte para um cenário pessimista no curto prazo, é possível supor que o País atingirá níveis elevados de desenvolvimento nas próximas décadas. Em dez anos, por exemplo, considera possível dobrar sua produção de grãos e, ao mesmo tempo, alcançar o desmatamento líquido zero. Segundo Míriam, não se trata de um mero exercício de futurologia. “Nas últimas décadas, o País atravessou uma série de desafios: vencemos a ditadura, a hiperinflação e enfrentamos a corrupção de forma mais contundente. Se olharmos atentamente a cena atual, veremos no presente os vestígios do passado e também as sinalizações para o futuro. Esse caminho já está mapeado. Basta darmos os passos certos”, garantiu a autora. f

Fotos: Divulgação

A

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Fotos: Divulgação

supermáquinas

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m crossover para alto desempenho. É assim que a Jaguar define o novo modelo Jaguar F-PACE, que deve chegar ao Brasil ainda este ano. Criado a partir do conceito C-X17 — vencedor da categoria Design de Veículo Conceito no Automotive Expo de Stuttgart, em 2014 —, o bólido integra o perfil de carro familiar com a ousadia e a esportividade dos veículos projetados para o público jovem. “É uma mistura de conceitos, já que o modelo precisa ter condições de levar duas pessoas com algum estilo esportivo, mas também precisa ser versátil a ponto de levar a família toda ou os amigos a bor-

do e ainda garantir a conexão à internet para todos”, diz Ian Callum, diretor de Design da Jaguar. O F-PACE traz motorização a gasolina de 200 cavalos, 240 cv — lembra o Land Rover Discovery Sport e o Ford Fusion. A versão esportiva apresenta um motor V6 de 340 cv. Já o câmbio usa o padrão do XE, com caixa manual de seis marchas e automática de oito. A opção top “R”, com 550 cv, foi desenvolvida para manter a tradição da Jaguar como fabricante de esportivos robustos. Gostou? Então precisará aguardar um pouco, pois o Jaguar F-PACE deve desbancar por aqui no primeiro trimestre de 2016. f

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estilo

Punhos firmes E Foto: Divulgação MGM

las se tornaram raras no vestuário masculino, mas quando são resgatadas por homens que preservam elegância, chamam a atenção do olhar feminino. Sem sua coleção de abotoaduras, James Bond, ou simplesmente o Agente 007, não seria o mesmo. Esse detalhe de sofisticação, no entanto, deve ser escolhido com algum cuidado, pois qualquer escorregão pode Antonio Bernardo quebrar a harmonia do traje social. A função da abotoadura é manter firme o punho da camisa, que precisa ser duplo para garantir o toque impecável. Ouse e experimente. f Posição correta: um centímetro acima da barra do punho

Armani

Bulgari Gucci

Fotos: Divulgação

Gemelli

50 financeiro agosto/setembro 2015

Montblanc


meioambiente

Muito além Fotos João Gabriel Fava

do jardim

Em uma área de 360 mil m2 da Mata Atlântica, o Botânico de São Paulo abriga mais de 380 espécies de árvores, orquidário, estufas, museu, além de animais silvestres e as nascentes do Riacho do Ipiranga

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uita gente conhece o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mas não faz ideia de que existe em São Paulo um parque com o mesmo nome e com tantos atrativos. Em uma área de 360 mil m² da Mata Atlântica, suas alamedas e trilhas acolhem mais de 380 espécies de árvores. Além da exuberante vegetação e da profusão de flores, o visitante encontra ainda alguns animais que vivem ali livremente, como o tucano-de-bico-verde, a preguiça, os bugios e roedores. No final do século passado, a região do Jardim Botânico de São Paulo era ocupada por sitiantes e chacareiros. Por determinação do governo, as primeiras desapropriações começaram a acontecer em 1893, visando à recuperação da floresta e a preservação dos

Alamedas: limpeza, tranquilidade e organização

recursos hídricos. Seu principal idealizador foi o botânico mineiro Frederico Carlos Hoehne, que, em 1928, implantou as primeiras mudas do Orquidário do Estado. No entanto, a enorme área verde só foi oficializada em 1938, com a criação do Departamento de Botânica do Estado. Hoje, o Jardim Botânico e o Instituto de Botânica fazem parte do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Outras atrações do espaço são o Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues, o Jardim de Lineu, inspirado no Jardim Botânico de Upsala (Suécia), onde trabalhou Carolus Linnaeus, considerado um dos pais da taxonomia (classificação de animais e plantas), as tradicionais estufas e o marco das nascentes do Riacho Ipiranga. f

Grevíela-anã: atração dos beija-flores


Escadarias do Jardim de Lineu (1928): inspiradas no Jardim Botânico de Upsala, Suécia

Coleção de bromélias: amostra das 140 espécies encontradas em São Paulo

Terceira maior reserva de Mata Atlântica: preservação de centenas de árvores, flores e plantas nativas Estufas: marco inicial do Jardim Botânico SP

agosto/setembro 2015 financeiro 53


Informefractal Novas fronteiras para a análise dos dados após o aumento da concentração bancária

O

ligopólio, também conhecido como concorrência entre poucos, refere-se a uma estrutura de mercado de concorrência imperfeita, na qual o mercado é controlado por um número reduzido de firmas, de tal forma que cada uma tenha algum poder, mas não total, no mercado. Isso impõe aos participantes dessa arena que tenham que considerar os comportamentos e as reações dos demais quando tomam decisões de mercado. Nada é decidido, senão a partir das considerações sobre as reações dos rivais. Todos tentam antecipar ou reagir aos movimentos e manobram para ter uma fatia maior do lucro. Aos menos atentos, a discussão sobre oligopólios faz crer que exista uma única teoria sobre o assunto, quando, ao contrário, uma variedade de modelos multiplica as perspectivas da conduta econômica em oligopólios reais. De modo geral, nessas estruturas de mercado as escalas econômicas falam alto e podem ser decisivas para a sobrevivência dos players. Os bens produzidos tendem a ser bastante homogêneos ou, quando não, apresentam-se com baixo grau de diferenciação. As commodities ilustram bem esse tipo produto. Por essa razão, a concorrência se dá mais claramente ao nível dos fatores e menos ao nível dos preços. Para concorrer, as empresas trabalham na qualidade de seus produtos, na reputação de sua marca, nos serviços de pós-venda que prestam aos seus clientes. A teoria econômica tradicional afirma que a redução da concorrência dá um poder excessivo às empresas líderes. Elas teriam o arbítrio de produzir menos do que o desejável e cobrar mais pelos produtos. Se houvesse uma estrutura concorrencial mais perfeita, nenhuma empresa conseguiria definir sozinha o preço de mercado. A complexidade desse tema impõe discordâncias fundamentais. Nesse sentido, Schumpeter é lembrado por afirmar que a concentração potencializa economias de escala, nas quais o aumento da produção reduz o custo unitário da produção. Os preços só subiriam se os métodos de organização e produção continuassem os mesmos, o que, para ele, não ocorre normalmente. Schumpeter, em sua lógica escorreita, afirma ainda que sempre há uma concorrência potencial, mantendo a possibilidade de que novos competidores entrem no mercado e, quanto mais altos o produtor mantiver preços e lucro, maior a probabilidade de novos concorrentes sentirem-se atraídos por essas perspectivas de ganhos e remunerações superiores. Com as últimas aquisições ocorridas no sistema bancário brasileiro, esse dilema está posto. Analistas e gestores debruçam-se sobre dados e tentam entender os impactos dessas aquisições. Do ponto de vista do gestor, as respostas não podem demorar. Afinal, os rivais não são tão poucos e seus tamanhos são exuberantes. As estratégias, minimamente, devem: 1. Potencializar as economias de escala, favorecendo a redução dos custos unitários, para repassá-los aos preços, preser-

54 financeiro agosto/setembro 2015

vando as margens da operação. Nesse caso, o aumento do lucro total decorre apenas do provável aumento das Celso Grisi: quantidades; diretor-presidente da 2. Identificar as economias de escopo Fractal – Forma, Acaso existentes. Da mesma maneira que as e Dimensão economias de escala trazem benefícios em relação ao custo unitário, as economias de escopo podem também provocar reduções nos custos médios, decorrentes da produção conjunta de bens distintos, a preços dados dos insumos; 3. Buscar, com iguais propósitos, por sinergias e por complementariedades das estruturas empresariais; 4. Preservar os ganhos de segmentações anteriores; 5. Reavaliar critérios de segmentação e posicionamento para evitar perdas de clientes provenientes de bancos adquiridos; 6. Aprofundar o relacionamento com objetivos de expansão de receitas 7. Revisar a matriz produto/mercado para os segmentos atuais e incorporados; 8. Redefinir novas linhas de crescimento para os produtos e mercados; 9. Incrementar a eficiência das estruturas e das equipes de vendas de produtos e serviços; 10. Ampliar a precisão das estimativas referentes a tamanho de mercados; 11. Desenvolver modelos preditivos e orientar decisões referentes a mercados e produtos. As decisões não são simples. Requerem agora novas informações e com maior grau de precisão. Além disso, os resultados provenientes de pesquisas devem articular-se a outras existentes, em bases de dados diversas. Essa proposta analítica permitirá o confronto dos dados produzidos pela investigação com outros originados por bases de dados externas, como é o caso dos dados do Bacen, de associações de classe, IBGE, etc. Analistas precisarão reconhecer que pesquisas só não bastam. A necessidade de integrar seus resultados ao universo de dados secundários existentes produzirá novos caminhos para o aperfeiçoamento do processo decisório e, em paralelo, induzirá níveis de investimentos superiores aos atuais. Os oligopólios costumam apresentar fortes barreiras para novos entrantes. Nesse sentido, o investimento em informações promoverá um continuado crescimento da produtividade e da competitividade bancária. Isso, por si só, desestimula decisões de novos rivais virem a participar desse mercado e promove, pelo repasse, parcial ou total, dos ganhos decorrentes desse regime, a sustentabilidade do modelo e o apaziguamento das relações com demais stakeholders.


Autores da Fractal Celso Grisi: Professor titular da FEA-USP e diretor-presidente da Fractal Celso Miori: Consultor de empresarial, doutor pela FEA-USP e professor dos cursos de MBA da FIA Rodrigo Neman: Advisor da prática de Business Analytics da Fractal e professor de Gestão Analítica de Desempenho em programas de MBA

Economia mundial: Energia em foco Retrospectiva: O gráfico anexo mostra a evolução do consumo de energia nos Estados Unidos desde 1776 (ano de sua independência) até 2014. São notáveis, em termos seculares, o declínio da madeira, a ascensão (e posterior declínio) do carvão, seguindo-se movimento semelhante, mas não tão intenso, com o petróleo. Também é crescente a participação do gás natural ao longo das últimas décadas. Este chega, em 2014, a ocupar posição proeminente na matriz de consumo energético norte-americano, quase tão relevante quanto a do próprio petróleo. As energias renováveis têm uma participação ainda não importante, embora crescente.

Fossil fuels have made up at least 80% of U.S. fuel mix since 1900

Notável velocidade: Em perspectiva mais recente, vemos, no gráfico ao lado, o breakdown da produção bruta do gás natural nos Estados Unidos, ao longo dos últimos 24 anos. Vem declinando a importância do gás oriundo de zonas ou reservas de

Análise: Celso Miori gás natural (ou gas wells) e de instalações de extração de óleo (ou oil wells), enquanto é notável o forte crescimento do gás de xisto (ou shale gas), possível graças a uma verdadeira revolução em termos de desenvolvimento tecnológico. Em apenas sete anos (2007-2013), o gás de xisto atingiu uma produção praticamente equivalente à do gás natural. Visão do futuro: Por outro lado, a Agência de Informação sobre Energia do governo norte-americano (US Energy Information Administration) também projeta o consumo de energia, por modalidade, até 2040, conforme gráfico a cima. Nele podemos confirmar a crescente importância do gás natural, evoluindo de uma participação de 23% em 1990 para 29% em 2040, e das fontes renováveis (de 7% em 1990 para 10% em 2040). Já o carvão e o petróleo apresentam importantes reduções de participação (carvão: de 23 para 18% no período; petróleo: de 40 para 33% no período).

Primary energy consumption by fuel in the Reference case, 1980-2040 (quadrillion Btu) – Fonte: US EIA

U.S. Natural Gass Gross Withdrawals and Production (Million Cubic Feet)

agosto/setembro 2015 financeiro 55


Informefractal Economia mundial: o impressionante avanço chinês em milho e trigo

A

s tabelas ao lado, da evolução da produção e dos estoques chineses de milho, apresentam uma notável evolução nos últimos 12 anos: crescimento de 76% na produção (chegando a 229 milhões de toneladas em 2015), o que colaborou para um importante incremento dos estoques no período, atingindo 92 milhões de toneladas. Em termos comparativos, a produção chinesa, comparativamente à dos Estados Unidos, passou de 43% em 2004 para 67% em 2015. Com essa impressionante reserva, e com a continuidade da elevada produção, as importações previstas de milho pela China, para os próximos anos, devem ser bastante reduzidas. A estratégia chinesa, no caso do milho, busca evitar a dependência de grandes grupos estrangeiros que o país desenvolveu, por exemplo, no caso da soja. E isso explicaria as ações recentes de Pequim no comércio de alimentos em geral, o milho inclusive. Uma dessas ações é buscar controlar melhor as cadeias de abastecimento das importações agríco-

Milho: Evolução da produção e estoques nos últimos 12 anos

Trigo: Evolução da produção e estoques nos últimos 12 anos

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las por meio de investimentos no exterior. Segundo o Financial Times, seguem essa estratégia as decisões da estatal China National Cereals, Oil and Foodstuffs Corp. de estabelecer uma joint venture com o Noble Group e também de adquirir o controle da trading holandesa Nidera. De acordo com as tabelas ao lado, observa-se o mesmo tipo de fenômeno no trigo: no período 2004-2015, a produção chinesa saltou de 92 milhões para 130 milhões de toneladas, superando em muito a produção norte-americana de 58 milhões de toneladas, praticamente estável no período. Da mesma forma, os estoques registraram um importante avanço, da ordem de 50 milhões de toneladas. A constatação desses movimentos lança um alerta ao agronegócio brasileiro, ainda muito baseado em commodities agrícolas (das quais a China, como vimos no caso do milho, tende a se tornar cada vez menos dependente). Seria importante buscar mais expertise em especialidades agrícolas e produtos processados (de maior valor agregado).


Relação entre estilo de vida e uso de produtos financeiros Tabela 1: Descrição dos segmentos levando em conta as variáveis de estilo de vida 24/08/2015 Respondentes % 1

314

13,4%

2

377

16,0%

3

522

22,2%

4

551

23,5%

5

585

24,9%

O

Descrição Perfil de liderança influênciando a compra dos amigos e os aconselhando. Costuma discutir marcas e produtos e privilegia decisões de consumo informadas. Apresenta otimismo quanto ao futuro financeiro e satisfação com relacionamentos pessoais, familiares, saúde e trabalho. Grupo com a maior satisfação com relacionamentos pessoais, familiares, saúde e trabalho. Ao mesmo tempo apresenta menor auto-confiança, perfil de liderança e é o grupo que menos lê (revistas, livros e jornais). Grupo que mais passa tempo na internet, frequenta shoppings, restaurantes, cinema, faz reunião com amigos e escuta música e rádio. Leem frequente livros, revistas e jornais. São financeiramente otimista com relação ao futuro, autoconfiantes, independentes e dotados de habilidades pessoais. “Vida cultural diversificada frequentando teatro, cinema, concertos, museus e galerias de arte. Praticante de esportes e frequentador de academias. Engajado em projetos que envolvem comunidade. Satisfeito com consquistas pessoais.” “Financeiramente pessimista quanto ao futuro. Menos satisfeito com conquistas pessoais, profissionais e relacionamentos. “

conceito de estilo de vida em marketing surgiu da necessidade de enriquecer as segmentações demográficas com informações e “insights” sobre as características da audiência a qual se pretendia entregar mensagens e, com isso, aprimorar os processos de planejamento de marketing e publicidade. Segmentar uma determinada população com base em estilo de vida demanda mensurar as atividades das pessoas (amostra), em um nível econômico, levando em conta como elas gastam seu tempo, seus interesses, a importância dada a tudo aquilo que as rodeiam, as percepções sobre si próprias e sobre o ambiente ao seu redor, finalmente, as características demográficas básicas. A premissa por trás da análise do estilo de vida para as empresas é que quanto mais se conhece e entende o cliente, maior é a efetividade da comunicação e do serviço prestado (relacionamento). Nesse contexto, grupos de pessoas com estilos de vida similares compõem consumidores potenciais que tendem a apresentar padrões homogêneos sobre a necessidades de produtos e preferências por atributos. A Fractal, em seu painel de pessoa física com renda mensal acima de R$ 4.000,00, além do uso de produtos financeiros, colecionou os dados de estilo de vida de 2.349 respondentes nas principais regiões metropolitanas no País, utilizando os testes AIOV (atividades, interesses, opiniões e valores). Foi aplicado um questionário com cinco blocos específicos para cada dimensão AOIV

totalizando 100 questões (itens). Utilizando a teoria estatística de análise do item, por meio de testes de hipóteses, excluíram-se 24 itens com baixa discriminação de respondentes, devido à concentração de respostas em uma determinada opção. Sobre os itens remanescentes aplicou-se a técnica estatística de Análise Fatorial para extrair dez fatores que agruparam questões similares. Os fatores foram segmentados (clusterizados) contra os itens, gerando os cinco segmentos descritos na tabela 1, com os seus respectivos tamanhos. Apesar de não haver diferença significativa de renda entre cada segmento, dado que essa variável não foi utilizada para a clusterização, cada um dos segmentos apresenta perfil distinto de contratação de produtos financeiros. O segmento 2 apresenta a menor taxa de

Análise: Rodrigo Neman contratação de produtos de investimento, previdência, seguros, cartão de crédito, empréstimo pessoal e crédito imobiliário. Por outro lado, é o segmento que mais contrata crédito consignado. A figura 1 apresenta a penetração dos principais produtos de crédito para cada segmento, ou seja, o percentual de pessoas em cada segmento que possui o produto contratado. A linha vermelha representa a penetração média (número de entrevistados com o produto dividido pelo número total de entrevistados). No caso do empréstimo pessoal, o melhor segmento para prospecção é o segmento 1 cuja penetração é aproximadamente 20% superior à penetração média de mercado. Analogamente, o segmento 2 é interessante para a oferta de crédito consignado e financiamento de veículos. Crédito imobiliário é menos indicado para indivíduos que pertencem ao segmento 4. Os resultados da segmentação de estilo de vida e dados sociodemográficos constituem uma metodologia eficiente para a análise do mercado de crédito, identificação e capitalização das oportunidades de nicho. Esses segmentos servem de base para o planejamento de mensagens e mídias e, quando combinados com modelos apropriados de propensão a produto, levam a uma otimização da efetividade das campanhas de marketing direto. f

Figura 1: Penetração de produtos de crédito em cada segmento.

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artigopalavrafinal Retração severa da economia deprime consumo e crédito

O consumo das famílias, que liderou o crescimento por vários anos, perdeu sua capacidade de estimular a

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Evolução do Crédito Total no Sistema Financeiro Nacional Variação % em 12 meses

Essa situação de crescente deterioração financeira do orçamento familiar provocou a mudança no padrão de tomada de recursos pelas famílias no sistema financeiro. Em anos recentes, desde 2011 houve decrescente demanda por “crédito para consumo”, como aquisição de veículos, em favor de maior demanda por “crédito para liquidez”, como consignado, cartões de crédito e cheque especial. Ocorre que as famílias têm tido suas finanças fragilizadas e restritas, fazendo com que reduzam o consumo de bens e serviços e busquem dinheiro para cobrir seus orçamentos deficitários, pagar ou rolar dívidas em atraso e/ou dívidas antigas. Portanto, a severa retração econômica tem provocado a ampliação das dívidas em atraso no curto prazo, sejam elas oriundas de contas de consumo ou de crédito bancário. Seguida pela tendência de aumento da inadimplência (atraso acima de 90 dias) no crédito em geral. f

Fonte: BACEN. Elaboração ACREFI

Foto: Mário Bock Fonte: IBGE. Elaboração ACREFI

Evolução do PIB e do Consumo das Famílias, em % anual

demanda na economia e sofre forte retração, implicando na contração do crédito no sistema financeiro nacional (vide gráfico). Na prática, as famílias estão muito endividadas, com a renda real reduzida pela inflação, em meio ao crescente desemprego e à incerteza sobre o futuro. Tudo isso força a redução do consumo e a desalavancagem na utilização do crédito.

Artigo enviado em 19/8/2015

A

forte contração econômica em curso está acarretando amplo re­ cuo do emprego, da renda, da capacidade de consumo, do crédito, da oferta de bens e serviços, da poupança e dos investimentos. Em termos agregados, está resultando no encolhimento do PIB potencial e na redução em escala ainda desconhecida da distribuição de renda realizada em anos recentes. Por Nicola Tingas: Depois da expressiva execonomista-chefe pansão entre 2004 e 2010, a da ACREFI economia perdeu vigor a partir de 2011, culminando na profunda recessão de 2015 e na previsão de contração de menor intensidade em 2016 (vide gráfico). Essa severa recessão resulta do significativo desajuste macroeconômico, da corrupção estrondosa e aguda crise política, da expressiva queda da confiança dos agentes econômicos, da forte contração dos investimentos e da intensa contração do emprego, da renda e do crédito.


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Financeiro 93 - Agosto 2015  

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