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financeiro

financeiro 55 anos

arevistadocrédito edição

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fevereiro/março 2013 edição 79

A digitalização da Justiça

EM ENTREVISTA EXCLUSIVA À FINANCEIRO, FLÁVIO CROCCE CAETANO, SECRETÁRIO DE REFORMA DO JUDICIÁRIO, DISCORRE SOBRE O GRANDE PROJETO QUE ESTÁ SENDO INICIADO E TEM COMO OBJETIVO TORNAR A JUSTIÇA MAIS RÁPIDA E EFICIENTE

ESPECIAL TECNOLOGIA FACILITA A VIDA DOS CORRENTISTAS DE BANCOS

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conteúdofinanceiro

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Páginas Azuis

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Entrevista com Carlos Wizard Martins, autor do

de Reforma do Judiciário, aborda projeto que tem como

livro “Desperte o Milionário que Há em Você”

objetivo tornar a Justiça mais rápida e eficiente

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Entrevista Mercado de Veículos

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fala sobre o Projeto Fronteiras Sinivem

Especial Tecnologia Com o avanço da tecnologia, clientes de bancos

Vida Pessoal Rogério Monteiro, diretor do BNP Paribas, apresenta sua coleção de carros antigos

Jaime Scalco, sócio-diretor da Compuletra,

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Cultura

Na entrevista do mês, Flávio Crocce Caetano, secretário

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Happy Hour Carnes de qualidade, ambiente sofisticado e uma carta de vinhos são destaques do Varanda Grill

trocam as filas das agências pelo mundo digital

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Compliance Basileia III tem como principal foco

artigos

fortalecer os bancos e evitar crises financeiras

24 Carlos Henrique Almeida Consumo

Educação Financeira

38 Almir Carrion Automação 40 Breno Costa Gestão de Risco

Programa “Mais do que dinheiro” do HSBC

56 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas

beneficia 3,8 mil crianças brasileiras

66 Nicola Tingas Última Palavra

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expediente

financeiro ISSN 1809-8843

Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Diniz, Bartholomeu Ribeiro, Carlos Alberto Samogin, Cláudio Messias Ferro, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza, Felicitas Renner, Luis Félix Cardamone e Luis Otávio Matias Secretário Sérgio Cipovicci Tesoureiro Alexandre Teixeira Diretores Regionais Ciro Pitangueira de Avelino, José Agnelo Seger, Leonardo Dadauto, Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha Diretores-Executivos João Carlos de Souza Caritá Júnior, Mara Lygia Prado e Rubens Bution Montadoras Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira, Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar Diretores Conselheiros José Carlos Alves, Victor Loyola e Wanderley Vettore Conselho Consultivo Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Júlio Avelar, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros) Conselho Fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes) Diretor Superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Economista-Chefe Nicola Tingas Auditoria Pricewaterhousecoopers Assessoria Contábil Silveira & Lavorini Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial

Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – São Paulo – SP Tel.: (11) 3125–2244 – CEP 01244-020 – www.gpadrao.com.br Publisher Roberto Meir REDAÇÃO Editora Gisele Donato Editora-assistente Juliana Jadon Fotografia Douglas Luccena Arte Projeto e designer gráfico Artma Design Gráfico designer Érika Bernal Revisora Dora Wild Publicidade Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – fzuanon@gpadrao.com.br Gerente Comercial – Marco Góes – mgoes@gpadrao.com.br Gerente de Negócios – Adriana Próspero – aprospero@gpadrao.com.br Impressão IBEP Gráfica Ltda.

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editorial

O

sentimento dos agentes econômicos em relação a 2013 mostra-se bem mais animador do que aquele que prevaleceu no ano passado. As estimativas para a economia, de maneira geral, e para o crédito, em particular, são positivas e os primeiros meses mostram que o cenário está mesmo mais favorável, depois de um período de incertezas.Como exemplo, os investimentos certamente vão crescer este ano, ainda que seja pela realização da Copa das Confederações, uma espécie de prévia da Copa do Mundo de 2014. Esses aportes vão muito além da construção e reforma dos Estados, abrangendo estradas, aeroportos, telecomunicações etc. E não se pode esquecer que a Copa se avizinha, o que significa que os investimentos continuarão aquecidos. Da parte do crédito também temos boas notícias. Depois de ter crescido mais de 16% em 2012, para R$ 2,4 trilhões (mais de metade do PIB), a previsão do Banco Central é que teremos nova alta expressiva este ano, na casa de 14%. É verdade que esses índices ficam abaixo do crescimento de 2010 (20,6%) e de 2011 (19%), mas essa constatação, que a princípio poderia trazer preocupação, é muito positiva. O crédito deve crescer de forma sustentável, como está acontecendo, e não de maneira desenfreada (o que não

O otimismo está de volta

Foto: Flávio Roberto Guarnieri

seria positivo para ninguém).Com crédito em alta e mais investimentos, as previsões de crescimento do PIB também autorizam o otimismo. Depois do crescimento na casa de 1% em 2012, o País deve fechar este ano com uma elevação bem mais expressiva – talvez abaixo dos 4% previstos inicialmente pelo governo, mas com certeza muito acima do índice do ano passado. Além disso, depois de eleitos os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, o ambiente político mostra-se mais tranquilo, o que é importante quando se recorda que teremos eleições presidenciais e para governadores, além de legislativas, em 2014. Deve-se lembrar também que em 2013 não deve haver, até onde é possível enxergar, a incerteza causada pelo julgamento do que ficou conhecido como “mensalão”, que tomou grande parte da agenda política no ano passado.Embasado por essas evidências, é possível prever que este ano vai ser de retomada, ainda que não seja prudente falar em euforia. Claro que, quando se fala em previsões, é importante lembrar sempre a frase do grande economista brasileiro e professor da Universidade de Princeton José Alexandre Scheinkman, que, quando perguntado sobre estimativas, afirma: “Sou o único economista do mundo que não erra previsões, porque não as faço”. Todos sabemos que o imponderável está sempre à espreita e pode transformar completamente, de uma hora para a outra, o que até então era tido como líquido e certo. No entanto, feitas essas ressalvas, não dá para negar que este é um ano de otimismo. E que deveremos chegar a dezembro comemorando um período de boas novas, com previsões de um 2014 ainda melhor.

Érico Sodré Quirino Ferreira Presidente da Acrefi fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 5

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nossasassociadas

ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

BMW Financeira S.A. CFI

Agiplan Financeira S.A. CFI

BV Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco A.J. Renner S.A.

Caixa Econômica Federal

Banco Bonsucesso S.A.

Caruana S.A. – Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Bradesco Financiamentos S.A.

Cetelem Brasil S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco do Brasil S.A.

Credi Capixaba S.A . – Soc. Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Cacique S.A.

Credifibra S.A. CFI

Banco Carrefour S.A.

Dacasa Financeira S.A. – Socied. de Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Cifra S.A.

Finamax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Citibank S.A.

Financeira Alfa S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Citicard S.A.

Financeira BRB

Banco Daycoval S.A.

Herval Financeira S.A. CFI

Banco De Lage Landen Financial Services Brasil S.A.

HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo

Banco Ficsa S.A.

Kredilig S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Fidis S.A.

Lecca – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Gerador S.A.

Mercantil do Brasil Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco GMAC S.A.

Midway S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Honda S.A.

Múltipla CFI S.A.

Banco Intermedium S.A.

Negresco S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos

Banco Itaú S.A.

Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Itaucard S.A.

Parati Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Panamericano S.A.

Pernambucanas Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco PSA Finance Brasil S.A.

Portocred S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Rodobens S.A.

Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Safra S.A.

Santana S.A – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Santander Brasil S.A.

Sax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Semear S.A.

Socinal S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Toyota do Brasil S.A.

Sorocred – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.

Banco Volkswagen S.A.

Sul Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banco Yamaha Motor do Brasil S.A.

Todescredi S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento

Banif Banco Internacional do Funchal (Brasil) S.A.

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entrevistadomês

A digitalização da Justiça Em entrevista exclusiva à Financeiro, Flávio Crocce Caetano, secretário de Reforma do Judiciário, discorre sobre o grande projeto que está sendo iniciado e tem como objetivo tornar a Justiça mais rápida e eficiente

Por Gisele Donato A Justiça brasileira está prestes a entrar na era digital. A Secretaria de Reforma do Judiciário está iniciando um projeto que vai contar com o Atlas do Acesso à Justiça, um portal que vai englobar todas as instituições que compõem o sistema Judiciário, como o Ministério Público, Justiça do Trabalho, Defensoria do Estado e da União e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O objetivo é que o cidadão consiga localizar os serviços e instituições de Justiça que estão mais próximos dele. A reestruturação da Defensoria é um dos grandes desafios do projeto. “Para isso, já conseguimos R$ 300 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que dá por Estado de R$ 8 a R$ 14 milhões”, enfatiza o secretário de Reforma do Judiciário, Flávio Crocce Caetano. Para o secretário, o fato de o Brasil ter um corpo jurídico bem formado, um Judiciário independente e leis consideradas exemplares, faz do País um dos mais atrativos para os investidores estrangeiros, entre os membros do BRICs. Ex-chefe de gabinete do ministro da Justiça, Caetano é advogado, professor de direito administrativo e direitos humanos da PUC/SP, universidade pela qual é mestre em direito administrativo e doutorando em direito constitucional. Confira a seguir entrevista com o secretário, que aponta os principais entraves na modernização da Justiça brasileira.

Revista Financeiro Qual a importância do mapeamento do Atlas do Acesso à Justiça no Brasil, criado pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria de Reforma do Judiciário, na reformulação do sistema? Flávio Crocce Caetano A ideia do Atlas é fazer um amplo mapeamento sobre todas as instituições que compõem o sistema de Justiça, um mapeamento nacional, de juízes, comarcas, tribunais e tribunais superiores, onde houver sedes do Ministério Público, Justiça do Trabalho, Defensoria do Estado e da União e onde existam seções e subseções da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com isso, imaginamos que

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Fotos: Divulgação

Financeiro Como a “Cartilha dos Direitos Fundamentais Básicos do Cidadão” pretende vencer os obstáculos que impedem que a Justiça chegue a maior parte dos brasileiros? Caetano Teremos nesse mesmo portal noções básicas de cidadania sobre os mais diversos ramos da vida cotidiana. Então, dúvidas que a pessoa tenha sobre a área do consumidor, da saúde, da previdência, da educação, tudo isso com perguntas e respostas básicas. Podemos dizer que é uma espécie de cartilha de cidadania que é uma segunda função do Atlas. Financeiro Qual o cronograma para a realização do Atlas?

Caetano É um projeto muito amplo. Pretendemos lançar o portal em outubro deste ano, a segunda etapa em fevereiro de 2014 e a terceira em junho de 2014. A Secretaria já fez um contrato com a Universidade de Brasília, que é responsável pelo aparato técnico do Atlas e agora a fase atual é de firmar termos de parceria com os diversos órgãos do sistema de Justiça para que nos forneçam a base de dados. E, além da base de dados judicial, vamos integrar também um cadastro dos cartórios extrajudiciais (de notas, de protesto, de títulos); portanto, todos os cartórios farão parte do Atlas de Acesso à Justiça. O cidadão terá acesso a tudo relacionado à Justiça e também aos cartórios.

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Um Sistema de Justiça tecnicamente preparado e que julgue com rapidez e eficiência traz um ambiente propício para a segurança jurídica do mundo dos negócios e das operações financeiras

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onde quer que esteja o cidadão, ele vai conseguir, por meio desse Atlas da Justiça, que será um portal da internet, localizar quais os serviços e instituições de Justiça que estão mais próximos dele.

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entrevistadomês

Financeiro Além do Atlas, quais suas outras prioridades e trabalhos desenvolvidos na Secretaria? Caetano Nossa segunda prioridade é a Conferência Nacional de Acesso à Justiça, que faremos pela primeira vez. Essa conferência será precedida de cinco encontros regionais. No primeiro semestre, de março a julho, serão realizadas as regionais e em novembro desse ano, a grande conferência nacional. O objetivo é discutir uma proposta de política nacional de acesso à Justiça, que englobe fundamentalmente Durante um tempo dois pontos principais da política vamos ter de nacional, que de um lado fortaleça conviver com o uma rede de acesso à Justiça, engloeletrônico e com o papel. Como isso é bando defensoria pública, universidades, ONGs, advocacia dativa e cultural e depende de infraestrutura, pro bono (trabalho voluntário). E, a digitalização de outro, possa aprimorar a aplicanão se faz em um ção dos meios extrajudiciais de soestalar de dedos. lução de conflitos, que são quatro: Normalmente negociação, conciliação, mediação demora uma e arbitragem. Com isso, contaremos década, prazo que com a presença de representantes o Brasil conseguiu do Poder Judiciário, do Ministério em relação à Público, da advocacia pública e prideclaração do vada, da defensoria e sociedade civil. Imposto de Renda Nossa ideia é que em cada regional e o processo reunamos cerca de 300 pessoas e a eleitoral, que conferência nacional 1.500 pessoas. hoje são 100%

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eletrônicos

Financeiro Como ter um sistema mais rápido e eficiente, em uma época em que a tecnologia está cada vez mais presente na vida do brasileiro e a informação chega em tempo real? Caetano Nosso terceiro grande projeto é exatamente o aprimoramento da infraestrutura da Justiça, como no caso da Defensoria, em que aplicaremos recursos na capacitação de defensores e servidores e na compra de equipamentos de informática. A estrutura é muito frágil, precisamos fortalecer o Disque129 (número da Defensoria) para que o cidadão tenha acesso à informação de seu processo e tire dúvidas sobre o seus direitos, com um

atendimento 24 horas on-line. Esse é nosso grande desafio na Defensoria. E, para isso, já conseguimos R$ 300 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que dá por Estado de R$ 8 a R$ 14 milhões, um dinheiro que dá para equipar as defensorias. Os Estados estão aderindo para cumprir as formalidades. O dinheiro já está liberado. Financeiro A automatização dos processos do Judiciário será um dos pontos fortes dessa reforma? Caetano Estamos com outro plano em que os recursos públicos ainda não foram aprovados pelo BNDES para financiar dois objetivos principais em relação aos tribunais estaduais e comarcas estaduais. O primeiro é o processo eletrônico, para que a gente consiga atingir 100% de processo eletrônico nos tribunais e em todas as comarcas. Sendo que o grande desafio é que o processo eletrônico não seja excludente, porque há muitos lugares onde as pessoas sequer conhecem o computador. O processo eletrônico não pode ser trazido de forma a excluir o acesso à Justiça. Temos de ter todo o cuidado para introduzir o processo eletrônico sem impossibilitar que a população mais carente tenha acesso à Justiça. Durante um tempo vamos ter que conviver com o eletrônico e com o papel para depois termos só o eletrônico. Como isso é cultural e depende de infraestrutura, não se faz em um estalar de dedos. Normalmente demora uma década, prazo que o Brasil conseguiu em relação à declaração do Imposto de Renda e as eleições, que são 100% eletrônicas. Mas nos dois casos começaram timidamente até alcançar a totalidade. É um processo demorado, mas que tem de ser feito. O segundo objetivo é instalar em todos os tribunais e comarcas com mais de cem mil habitantes (depois podemos ampliar) os centros de conciliação e mediação. Financeiro Qual a importância da implantação da Escola Nacional de Mediação e Conciliação na formação de novos conciliadores e mediadores? Caetano Lançada recentemente, a Escola Nacional de Mediação e Conciliação é nosso quarto grande projeto. Foi criada pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria da Reforma do Judiciário, tendo como parceiro

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o Conselho Nacional de Justiça, para ministrar cursos de capacitação e formar conciliadores e mediadores. A escola é voltada não só para os integrantes do sistema de Justiça, como juízes, promotores, defensores, advogados, mas também para estudantes, professores de direito e, indo além, para representantes e prepostos de empresas privadas.

desses métodos de conciliação e mediação. Quanto mais implementarmos isso, teremos de um lado as pessoas mais satisfeitas, porque terão uma solução muito rápida, efetiva e buscada por ambas as partes. Essa é a chamada Justiça de solução, porque as partes é que buscam a solução. E, de outro lado, nós teremos um descongestionamento do Judiciário, por conta da retirada de uma grande massa de processos que não precisava ir para ele. Hoje, a taxa de congestionamento do Judiciário é de 74%, ou seja, só se consegue dar vazão a 25% daquilo que entra e do que é seu estoque. Financeiro Quais os maiores desafios para essa reestruturação do Judiciário? Caetano O problema é infraestrutura de um lado e cultura de outro. O desafio é mudar normas processuais, porque o Brasil vive hoje em um emaranhado de possibilidades de interposição de recursos dos processos, tanto civil, como penal e trabalhista. São ações intermináveis. A média de duração de um processo no Brasil, hoje, é de dez anos. Uma Justiça que demora em média dez anos para julgar algo é uma Justiça falha. Porque a Justiça deve ser sempre contemporânea aos fatos. A Justiça deve ser no momento em que acontece o problema e não dez anos depois quando a vida das pessoas já mudou e outras

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Tivemos um diagnóstico com base em números do Conselho Nacional de Justiça, que mostra que o Brasil tem 90 milhões de processos, desses 51% pertencem a governos (federal, estaduais e municipais), 38% a bancos e instituições financeiras, 6% empresas de telefonia e o resto diluído pela grande massa de pessoas

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Financeiro Quando essa reforma trará soluções concretas para os milhões de processos em tramitação na Justiça atualmente? Caetano Tivemos um diagnóstico com base em números do Conselho Nacional de Justiça, que mostra que o Brasil tem 90 milhões de processos, desses 51% pertencem a governos (federal, estaduais e municipais), 38% a bancos e instituições financeiras, 6% empresas de telefonia e o resto diluído pela grande massa de pessoas. Temos três grandes grupos que levam questões à Justiça ou que são demandados (tanto no polo passivo quanto no polo ativo). E por que levam? Porque tem a cultura do litígio, ou seja, qualquer conflito deve ser levado à Justiça para que seja resolvido. Quando, na verdade, a Justiça existe para resolver conflitos em que não haja a possibilidade de um consenso. O que se constata é que quando são aplicados previamente métodos de conciliação e de mediação – 90% das causas de família –, as pessoas chegam a um consenso sem precisar do Poder Judiciário. Ou seja, só deve ir para a Justiça aquilo que realmente seja um litígio, há conflitos plenamente resolvíveis, por meio

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nem mais estão vivas para ter o resultado de uma sentença. Esse é um grande desafio, diminuir o tempo médio do processo. À frente da Secretaria, há pouco mais de um ano, conseguimos fazer esse diagnóstico sobre o Sistema de Justiça, que aponta três problemas: demora do julgamento, excesso de processos – 90 milhões, quase um processo a cada duas pessoas – e a falta de acesso à Justiça. Muita gente que não conhece seus direitos, não sabe como ir à Justiça ou não confia que na Justiça seu problema vai ser resolvido. Financeiro Como o setor financeiro pode colaborar com a reforma do Judiciário? Caetano Já tivemos duas reuniões com a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e vimos das duas entidades uma vontade enorme de colaborar com esse projeto, que é um projeto mais amplo de reforma do Judiciário, porque um Sistema de Justiça tecnicamente preparado e que julgue com rapidez e eficiência traz um ambiente propício para a segurança jurídica do mundo dos negócios e das operações financeiras. E essa segurança jurídica deve ser buscada para todos os ramos da sociedade e nós acreditamos e estamos numa fase avançada de conversas com a Acrefi e com a Febraban para que celebrem conosco primeiro um termo de parceria para colaborarem com a nossa escola nacional de mediação e conciliação, temos cursos específicos para os grupos econômicos que compõem, tanto a Acrefi como a Febraban, e de outro lado temos também criado um Hoje, a taxa de congestionamento grupo de trabalho para tratar quais as principais teses discutidas perante o Poder Judiciário e que envolvam o sedo Judiciário é de 74%, ou seja, só se tor e que mereçam uma solução consensuada e de forma consegue dar vazão coletiva. Não interessa às instituições financeiras como a 25% daquilo que não interessa ao cidadão ter um processo eternizado, não interessa nem ao credor e nem ao devedor. Porque isso entra e do que é traz um campo de incerteza e de insegurança que não seu estoque interessa a ninguém.

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Financeiro Como o senhor avalia o sistema Judiciário brasileiro em relação aos demais países que compõem o BRICs? O Brasil é atraente para os investidores ou a morosidade do sistema acaba os afastando? Caetano Saiu uma pesquisa recente que o Brasil é o 14º entre os países emergentes em termos de atrativos. Quando se faz um recorte sobre o sistema de Justiça, os investidores estrangeiros falam que o Brasil tem alguns ganhos competitivos em relação aos demais membros do BRICs (grupo formado por cinco países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Por exemplo, tem um pessoal capacitado, os recursos humanos são bons, são

bem formados, juízes, defensores, advogados e defensores, disputam recursos concursos públicos rígidos, portanto têm boa capacidade técnica. Segundo ponto favorável ao Brasil, além de ter um corpo jurídico bem formado, são independentes, compõem um poder que é independente em relação ao outro. Não há dependência do Judiciário ao Legislativo ou ao Executivo. É um poder independente. Terceiro ponto, o Brasil tem um arcabouço jurídico, tem ordenamento jurídico, tem constituição, tem códigos, tem leis, algumas consideradas exemplares. Então, o Brasil tem a base jurídica. Claro que são necessárias adequações, mas existe a base jurídica. O problema hoje quando se olha o Sistema de Justiça é de gestão e quando se fala gestão é uma demora excessiva no julgamento dos processos que demonstra de um lado que nós temos um déficit de gestão, porque o Brasil não tem um número baixo de juízes. Não é verdade que o Brasil tem um número baixo de juízes, nem de servidores, mas há uma má alocação de recursos humanos, mas o Judiciário ainda está em uma fase de adaptação à mentalidade de planejamento estratégico. Nós não temos carreiras dentro do Judiciário, que são carreiras administrativas, fica muito sob a responsabilidade do juiz, e aí há uma sobrecarga, quando o juiz deve julgar e administrar. Financeiro Quais carreiras poderiam ser criadas para que o juiz fique menos sobrecarregado?

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mediação, para assim diminuirmos o número de processos. Todos precisam ser capacitados para isso, inclusive o juiz.

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Nós não temos carreiras administrativas dentro do Judiciário, que fica muito sob a responsabilidade do juiz e aí há uma sobrecarga

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Caetano O ideal seria ter duas carreiras administrativas para auxiliar o juiz na administração. Deveria ser criado o cargo de gestor de política judiciária, alguém que pensaria planejamento estratégico, indicadores de metas do Poder Judiciário; e administrador judicial, que seria responsável pela administração do cartório, do foro e do tribunal. Então seria um corpo permanente de funcionários que auxiliariam o juiz na administração, tanto do prédio quanto do funcionamento do trabalho judicional. Atualmente, o juiz possui assessores, mas que não têm essa qualificação. Ele se vale de analistas, escrivães, oficiais de Justiça, todos têm suas tarefas dentro de um cartório, dentro de um tribunal, mas me parece que se acrescentássemos essas duas carreiras, nós teríamos um ganho na parte administrativa das comarcas, dos foros e dos tribunais. Temos de um lado a parte de gestão, de recursos humanos e de uma melhor capacitação; a segunda que envolve o processo eletrônico e a terceira, traz a cultura de conciliação e da

Financeiro Quais os maiores desafios de estar à frente da Secretaria de Reforma do Judiciário? Caetano Nosso próximo desafio é o de firmarmos um terceiro pacto republicano entre os poderes. Já foram firmados dois: um no primeiro mandato do presidente Lula, em 2005, um no segundo, em 2009, e é chegada a hora de firmarmos um terceiro pacto, um pacto que envolva o Poder Executivo, o Poder Judiciário, o Ministério Público e o Poder Legislativo, em âmbito federal. Esse pacto deve ter dois grandes objetivos. O primeiro de projetos que tenham como finalidade a duração razoável do processo, que hoje é um princípio constitucional, o processo não deve ter uma demora excessiva. E em segundo lugar, iniciativas que fortaleçam as instituições de Justiça, como a Defensoria Pública, que hoje ainda não está presente em todo o País, que fortaleçam a magistratura, é chegada a hora de se aprovar uma nova Lei Orgânica da Magistratura e não se esqueça que não podemos enfraquecer o Ministério Publico e nem a Advocacia, então, os quatro pilares da Justiça devem ser observados e fortalecidos, em cada um deles há algo para melhorar. Sendo que hoje o enfoque maior é dado para a Defensoria Pública e para a magistratura. f fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 13

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notasmercado

EDUCAÇÃO

BB ultrapassa a marca de R$ 9 bilhões na carteira de Fies

O Banco do Brasil superou o volume de R$ 9 bilhões em operações com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com mais de 253 mil estudantes atendidos. Em janeiro de 2013, foram 21.820 operações do Fies contratadas no BB, desempenho 50% maior do que o obtido no mesmo período do ano anterior. Atuando como agente financeiro do programa há pouco mais de dois anos, o BB já efetua cerca de metade das novas inscrições. Durante todo o ano de 2012, foram formalizados mais de 180 mil contratos, o que supera o resultado de 2011 em mais de 290%.

é a posição que o Brasil ocupa no ranking de países que mais intervêm no câmbio. O País caiu no ranking, pois no ano passado ocupava a segunda posição; Suíça e Japão são os países que mais intervêm.

IMPOSTO

US$ 11 bilhões é o valor de mercado da empresa criada a partir da fusão da AMR Corp e da US Airways. A fusão vai criar a maior companhia aérea do mundo em volume de passageiros e ajudar a American e a US Air a competirem melhor com a United Continental e com a Delta Air Lines.

11,8% é a porcentagem de inadimplência no comércio varejista registrada em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CDNL).

0,29% é a variação de inflação registrada pelo Índice Geral de Preços (IGP–10) em fevereiro. Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 12 meses, acumula alta de 8,06%.

Impostômetro alcança R$ 200 bilhões no acumulado de 2013 O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) alcançou até, a segunda semana de fevereiro, a soma de R$ 200 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais pagos por todos brasileiros desde o 1º dia do ano. O painel chegou aos R$ 200 bilhões este ano, com seis dias de antecedência na comparação com o mesmo período do ano passado. Para o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) Rogério Amato, “apesar das desonerações concedidas pelo governo e do ritmo moderado da economia, os números continuam impressionantes. A expectativa é de que haja uma melhoria no controle do gasto corrente para viabilizar os estímulos e a retomada da produção”.

INTERNET

Fusões e aquisições de empresas de internet crescem 124%

As fusões e aquisições envolvendo empresas de internet (também conhecidas como “ponto com”) totalizaram 56 transações em 2012, sendo o terceiro segmento que mais concentrou operações no período. Os dados constam da Pesquisa de Fusões e Aquisições realizada trimestralmente pela KPMG. Vale destacar que o ranking inclui 43 segmentos de negócios. O que mais impressiona não é somente estar entre os setores que lideram o ranking, mas, principalmente, o crescimento em relação ao ano anterior, que atingiu 124% (na comparação entre as 56 operações de 2012 e as 25 do ano imediatamente anterior). Mais uma vez, o destaque fica no investimento das empresas estrangeiras comprando empresas brasileiras (CB1), que representaram 55,3% das operações (31 transações desse tipo).

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CRÉDITO

Juros de empréstimo pessoal e cheque especial permanecem estáveis Segundo levantamento do Procon–SP, os juros médios do cheque especial e do empréstimo pessoal ficaram estáveis pelo quarto mês seguido em fevereiro. Considerando os cinco bancos pesquisados pela entidade, a taxa média para o empréstimo pessoal está em 5,35% ao mês. Já para o cheque especial, a média está em 7,92% ao mês. Quando comparados aos níveis praticados pelos bancos no mesmo período do ano passado, as taxas mostram redução de 9% para o empréstimo pessoal e de 17% para a linha de cheque especial. Os porcentuais revelam o impacto da queda na taxa dos juros básicos no ano passado e da cruzada para reduzir o custo financeiro do País deflagrada pelos bancos públicos.

JUROS

Cresce demanda do consumidor por crédito em janeiro De acordo com a Serasa Experian, a demanda do consumidor brasileiro por crédito aumentou 12,3% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação a dezembro, a quantidade de pessoas que procurou crédito também subiu, em 2,2%. Dentre as regiões do País, a Sul apurou o maior crescimento mensal na procura por crédito no mês passado, de 6,9%. O Sudeste teve alta de 1,9%, enquanto o Centro-Oeste registrou incremento de 4,3%. Nordeste e Norte registraram queda na demanda por crédito, de 1,4% e 1%, respectivamente, em janeiro ante dezembro

BALANÇA

Balança comercial inicia fevereiro com déficit de US$ 741 milhões De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras somaram US$ 4,99 bilhões nos seis primeiros dias úteis de fevereiro (média diária de US$ 833 milhões, ou 12,2% a menos que a média obtida em igual mês do ano passado) e as importações atingiram US$ 5,73 bilhões (média diária de US$ 956 milhões, ou 11,3% a mais). Com isso, a balança comercial iniciou fevereiro com déficit de US$ 741 milhões, dando continuidade ao fraco desempenho de janeiro, quando o déficit foi US$ 4,03 bilhões, o pior resultado mensal de toda a história do comércio exterior brasileiro. A Secex registrou queda nos embarques das três categorias de produtos no início de fevereiro, comparado a igual período de 2012. Enquanto isso, o Brasil gastou mais com as importações de combustíveis e lubrificantes (65,2%), cereais e produtos de moagem (60,1%), adubos e fertilizantes (54,5%), aeronaves e partes (24,3%), químicos orgânicos e inorgânicos (20,4%) e instrumentos de ótica e de precisão (10,2%).

4,5%

é a porcentagem de economia de energia registrada durante o horário de verão. De acordo com o balanço do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), foram economizados 2.477 megawatts (MW) no período de pico – entre 18 e 21 horas.

1,98% do total de cheques movimentados em janeiro de 2013 foi devolvido (por falta de fundos). De acordo com a Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), foi a maior proporção para o mês desde janeiro de 2009.

1,5%

é a taxa do fundo de investimento atrelado ao ouro, lançado pela Caixa Econômica Federal, o Caixa FI Ouro Multimercado LP. O produto é destinado a pessoas físicas e jurídicas, consideradas investidores qualificados.

1,5%

é a porcentagem de queda da inadimplência dos consumidores brasileiros em janeiro, de acordo com a Serasa Experian, na comparação com janeiro de 2012; no entanto, houve alta de 12,9%.

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notasmercado

CONSUMO

COMPRA

Pesquisa aponta que o Brasil é o segundo país onde mais se consome produtos eletrônicos De acordo com pesquisa da Accenture, com 11 mil pessoas de 11 países, os consumidores de mercados emergentes lideram as intenções de compra de eletrônicos. A China está em primeiro lugar com gastos estimados em US$ 1,489 por pessoa. Os chineses são seguidos de perto pelos brasileiros (1,323), Índia (1,289) e Rússia (1,225), respectivamente. Nos últimos 12 meses a média de gasto do brasileiro era de US$ 1,080 – uma evolução de 22,5%. De acordo com o estudo, os produtos que lideram a intenção de compra (chamados de Big 4) em 2013 são: smartphone (41%), PC (36%), HD TV (33%) e tablet (23%). No Brasil, smartphones e HDTVs respondem – cada um – por 54% da intenção de compra. Para Marcelo Fortes, líder da área de mídia e tecnologia da Accenture, a demanda por tecnologias no setor de eletrônicos continua alta. “Com a evolução dos dispositivos para aparelhos cada vez mais multifuncionais e a vontade dos consumidores em experimentar novidades, as empresas têm uma grande oportunidade para inovar e entregar modelos de aparelhos, formatos de aplicativos e serviços na nuvem que incorporam o uso da tecnologia na vida dos consumidores.”

Cai intenção de consumo entre famílias com renda superior a 10 salários De acordo com o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio–SP), as famílias paulistanas estavam menos propícias ao consumo em janeiro. O indicador registrou redução de 3,4% em relação a dezembro e atingiu o menor valor para o mês de janeiro desde 2010, com 136,7 pontos, resultado principalmente da insatisfação do grupo que ganha mais de dez salários mínimos. Essas famílias tiveram o menor nível de satisfação desde o início da série em 2010, com 131,3 pontos, queda de 8,5% em relação a dezembro. A redução entre as pessoas com renda inferior a dez salários mínimos foi de 1,5%, atingindo 138,5 pontos. É a quarta vez na história do ICF que as famílias com renda superior a dez salários mínimos estão mais insatisfeitas do que as demais. Mesmo com a queda, o indicador ainda permanece dentro do campo de satisfação elevada que, segundo a metodologia da pesquisa, avalia em uma escala que varia de zero a 200 pontos e denota otimismo quando acima dos cem.

FAZENDA

Empresas poderão identificar Notas Fiscais Eletrônicas emitidas contra seu CNPJ As empresas poderão identificar as Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) emitidas contra seu CNPJ em qualquer Estado brasileiro. A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo desenvolveu software que permite acesso à relação de NF-e emitidas para o seu número de cadastro. A medida traz segurança aos destinatários de NF-e, que podem acompanhar o fluxo comercial, detectar indícios de fraudes ou simulações que envolvam o uso indevido de seu CNPJ e sinalizar ao Fisco se reconhece ou não determinada operação. O Aplicativo de Manifestação do Destinatário é gratuito e está disponível para os contribuintes no site da Secretaria da Fazenda. Essa funcionalidade é de uso livre e voluntário pelas empresas e traz a vantagem de indicar a ocorrência da operação e evitar cancelamentos indevidos da NF-e por erro ou fraude. A nova ferramenta simplificará também o trabalho de escrituração fiscal, pois centralizará as informações num único aplicativo.

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panoramacetip

Ano da qualidade Em 2012, bancos e financeiras foram mais seletivos no financiamento de veículos. O tema foi abordado pela Cetip em evento na Acrefi

Em 2012 o volume total de financiamentos de veículos leves novos teve aumento de 8% sobre 2011, segundo a Cetip

R$ 22,6 mil, enquanto que em 2012 foi de R$ 19,9 mil. Os veículos fabricados até 1998 representam 85% da base. Já o volume total de financiamentos de veículos leves usados teve queda de 10% versus 2011. Incentivos

A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no ano passado foi um incentivo importante para os consumidores comprarem mais veículos à vista, de acordo com o executivo da Cetip. Geralmente no final de ano o mercado automotivo se aquece por conta do pagamento do 13° salário e outros benefícios. Como consequência, o último trimestre de 2012 teve um aumento no volume de financiamentos em cerca de 4%, segundo a Cetip. A venda financiada de veículos automotores em todo o País cresceu 7% em dezembro em relação a novembro, somando 604,7 mil unidades.

Fotos: Shutterstock/Divulgação

No ano passado, a cautela imperou na oferta de financiamentos de veículos automotores. Como resultado, a qualidade das carteiras dessa área foi maior. “Com um ambiente mais seletivo e um risco menor, consequentemente a qualidade das carteiras das instituições é maior”, explica Cristiano Dantas, gerente comercial da unidade de financiamentos da Cetip, em palestra na Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). O ticket médio de financiamentos diminui, o que demonstra que os clientes deram entradas maiores na compra de carros. Em 2011 esse montante foi de

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Em veículos leves novos houve aumento de 18% em dezembro sobre o mês anterior, somando 218,3 mil unidades. Com relação ao mesmo período do ano anterior, o crescimento é de 9%. No acumulado do ano, o volume total de financiamentos de veículos leves novos teve aumento de 8% versus 2011. Montadoras e bancos criaram subsídios para o pagamento do bem em 24 vezes sem juros, o que impulsionou o prazo médio dos financiamentos para baixo – em 2011, o prazo médio era de 40 meses, já em 2012, de 24. f

Cristiano Dantas, da Cetip “Com um ambiente mais seletivo e um risco menor, a qualidade das carteiras das instituições é maior”

Financiamentos por segmento % total 5,3

0,5

novos 6,1

0,4

usados 4,5 3,1

0,5

15 25,6 79,2

68

91,9

A venda financiada de veículos automotores cresceu 7% em dezembro em relação a novembro Autos leves Motos Pesados

(dez/2012)

Fonte: Cetip

Outros

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mercadodeveículos

Radar financeiro Projeto Fronteiras Sinivem é alternativa na localização de veículos com mandado de busca e apreensão. A tecnologia também pode ser utilizada por bancos e financeiras na identificação de perfis de clientes e na mitigação de risco Com o avanço da tecnologia, o crime organizado pode estar com os dias contados. Um veículo roubado, com placa clonada, adulterada ou com parcelas em atraso que passa por uma fronteira já pode ser identificado em tempo real. Um sistema fotografa e reconhece o automóvel, placa, modelo, cor e cruza essas informações com as bases do governo. Se alguém tiver alguma queixa sobre esse carro, um policial será informado, seja por meio de um computador ou smartphone, e tomará as medidas necessárias. A ação faz parte do Projeto Fronteiras Sinivem (Sistema Integrado Nacional de Identificação de Veículos em Movimento), que iniciou recentemente uma parceria junto a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Algumas das associadas testam o serviço na localização de veículos com mandado de busca e apreensão. Todavia esse recurso também pode ajudar na identificação de perfis de clientes e mitigação dos riscos na concessão de financiamentos automotivos. O mercado de seguros já utiliza essa ferramenta há alguns anos de maneira eficaz. A fornecedora de tecnologia da informação Compuletra é responsável por instalar o sistema e fazê-lo operar 24 horas por dia e sete dias por semana. De acordo com Jaime Scalco, sócio-diretor da empresa e diretor do Projeto Fronteiras Sinivem, quanto mais tecnologia implantada nas estradas, mais delitos serão derrubados. Cada detalhe do projeto acontece com a orientação do governo federal. O objetivo de Scalco é o de ampliar o projeto, torná-lo conhecido e conquistar parcerias. Atualmente, são apenas dez pontos cobertos em todo o Brasil, um número muito pequeno para a dimensão do solo nacional, segundo o executivo. Acompanhe entrevista com Scalco.

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Financeiro Explique o projeto Fronteiras Sinivem. Jaime Scalco Esse projeto começou com uma iniciativa do mercado segurador em 2001 para diminuir o sinistro de roubo, furto e fraude. Conforme foi evoluindo, observamos que possuía outras utilidades, servindo também para sanar uma série de outros problemas. No início de 2003, o projeto ficou de pé e começou a andar. Ele combate, por exemplo, o crime organizado, ajuda na segurança pública e, consequentemente, baixa índices e quebra a cadeia do crime. É a máxima que aprendemos com a polícia: o veículo está na base Para identificar da matriz criminal. Um o veículo, o sistema automóvel roubado é utifotografa e lizado no tráfico, no assalreconhece a placa, to a bancos e em diversas o modelo e a cor outras atividades irregulares. Com a frota controlada é possível quebrar a cadeia criminal e melhorar os índices de segurança pública no Brasil. Financeiro Cite exemplos de como esse sistema funciona na prática. Scalco Para identificar o veículo, o sistema fotografa e reconhece a placa, o modelo e a cor. Em uma fração de segundos transforma a imagem em informações e cruza os dados obtidos com as bases do governo federal. Identifica, por exemplo, o número do Registro

Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e verifica se existe alguma queixa contra esse carro. Imediatamente, o policial recebe a informação, seja por meio de um telefone móvel ou computador e faz a abordagem. Os papéis de cada agente atuante no projeto são bem definidos. O nosso é o de instalar, desinstalar e deixar o sistema funcionando ininterruptamente. Só colocamos a tecnologia à disposição e, a partir disso, os órgãos responsáveis adotam as medidas necessárias. Tudo acontece automaticamente. Financeiro Como o mercado de seguros utiliza essa ferramenta de maneira eficaz? Scalco O mercado segurador pode analisar o perfil de cliente. O segurado informa, por exemplo, que é médico e que só usa o carro para ir ao trabalho. No entanto o veículo é fotografado diversas vezes em alguma fronteira do País. Essa situação aponta que há algo errado e que deve ser observado pela seguradora. Financeiro Qual a importância desse projeto para o mercado financeiro? Scalco Recentemente essa ferramenta começou a ser vista como algo que pode auxiliar o mercado financeiro na localização de veículos com mandado de busca e apreensão. Em uma situação em que o carro foi financiado, por exemplo, e o comprador não pagou todas as parcelas, a financeira precisa retomá-lo. No entanto,

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mercadodeveículos

em muitos casos, o veículo continua rodando e sendo gasto. Por isso, começamos um projeto piloto junto à Acrefi e algumas das principais associadas para a localização. Teve início em outubro e irá durar até abril. Fizemos algumas localizações com sucesso. O desafio atual é o de ajustar os sistemas de informação judiciais de mandado de busca e apreensão. Financeiro Qual o objetivo da parceria com a Acrefi? Scalco É lograr sucesso e mostrar ao mercado financeiro que existe

No primeiro momento, privilegiamos as fronteiras do Brasil, com a meta de não deixar os veículos saírem do país de maneira irregular ou entrar itens proibidos mais essa ferramenta para ajudar. O que nos motivou e nos mostrou que o uso pode ser eficaz também nesse setor é que o crime organizado estava financiando veículos em determinada região do País, com pagamento de uma ou duas parcelas e, posteriormente, utilizando os carros para realizar furtos em outro Estado. Conseguimos sensibilizar as autoridades para quebrar essa cadeia criminal. Financeiro Qual a abrangência do Fronteiras Sinivem? Scalco No primeiro momento, privilegiamos as fronteiras do Brasil, com a meta de não deixar os veículos saírem do país de maneira irregular ou entrar itens proibidos. Atualmente, contempla também lugares internos como a Via Dutra, Itapecerica da Serra, a Rodovia Regis Bittencourt. Possui uma abrangência nacional, mas com uma capilaridade muito pequena. Hoje, se não houver tecnologia para ajudar, não é possível controlar nada. Financeiro Quais as expectativas de crescimento? Scalco Acreditamos que entre dois e quatro anos, outros órgãos tanto públicos, quanto privados, vão incrementar e interligar as informações dessa base.

O uso da tecnologia no mercado segurador Veículos segurados 11.408.221 Mais de 400 mil são furtados por ano no Brasil. Desses, em torno de 50% são recuperados

120 mil pessoas são indenizadas pelas seguradoras por ano R$ 3,2 bilhões de indenizações de R/F de veículos Fonte: Projeto Fronteiras

Financeiro Esse projeto engloba qualquer mercado que nele enxergar alguma oportunidade? Scalco Essa é a premissa. Uma das iniciativas que temos é trazer mais parceiros e outros segmentos públicos e privados que tenham interesse. Financeiro Em que fase está a adoção dessa tecnologia no Brasil comparada a outros países? Scalco Existem os projetos inglês, australiano e chileno. O inglês começou um pouco depois do nosso. Enquanto

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Em números 10 pontos estratégicos de monitoramento 24 horas, sete dias por semana em tempo real 95% de índice de leitura 100% análise de imagem

Fotos: Shutterstock/Divulgação

Jaime Scalco, do Fronteiras Sinivem “Se não houver tecnologia para ajudar, não é possível controlar nada”

o Fronteiras Sinivem possui dez anos, o desenvolvido na Inglaterra tem sete anos. Entretanto o projeto inglês evoluiu mais rápido. Para efeito comparativo, a nossa iniciativa possui apenas dez pontos de presença em rodovias junto ao governo federal, enquanto que o inglês possui 1,5 mil. Estamos comparando uma ilha ao nosso País. Dessa maneira, dá para perceber o quanto estamos atrasados na evolução desse mapeamento. Levando em conta o tamanho da Inglaterra e o do Brasil, deveríamos

ter 15 mil pontos. Ainda conseguimos enxergar uma fração ínfima da frota. É preciso avançar com mais parceiros, investimentos e divulgação da tecnologia. Financeiro Quais são os principais entraves para o desenvolvimento do Projeto Fronteiras Sinivem? Scalco Acredito que a visão estratégica e a formação cultural das instituições ainda impedem essa evolução, além de, é claro, da amplitude do território brasileiro. f fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 23

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artigoconsumo artigoconsumo

por Carlos Henrique de Almeida

Um estudo da Serasa Experian com base em mais de um milhão de consultas ao banco de dados da companhia identificou quatro grupos etários e seus respectivos comportamentos na busca por crédito e serviços. São eles: veteranos, nascidos até 1945; baby boomers, de 1946 a 1965; geração X, de 1966 a 1977; e geração Y, a partir de 1978. A análise considerou o segmento financeiro, de varejo, telefonia, seguradoras, serviços básicos e outros. No topo da lista de consumo, entre todas as gerações pesquisadas, está a tomada de crédito junto a bancos e financeiras. Comparando-se a geração mais idosa, os veteranos, com a geração presente, a Y, percebe-se como diferem em suas relações de consumo, crédito e serviços. Enquanto 21,2% das propostas dos veteranos são com seguros, 22% das dos jovens da geração Y são com serviços de telefonia. A explicação para comportamentos tão distintos encontra-se na trajetória de cada geração. Os veteranos, por exemplo, têm uma visão mais patrimonialista. Pensam no que vão deixar para os filhos e não são fortes consumidores, pois poupam.

Advêm de uma época em que o crédito era restrito e, portanto, para eles é fundamental assegurar conquistas. A geração Y, consumista e conectada tecnologicamente, concentra as propostas de contratação em serviços de telefonia. É interessante notar como a geração baby boomer é próxima dos hábitos dos veteranos. Na geração X, o consumo e a tecnologia dão seus primeiros passos. As pessoas dessa geração valorizam a sofisticação e formam a transição para a geração atual, a Y. Esses são alguns dos destaques do amplo estudo. Seu maior valor é revelar a importância de conhecer e fazer a abordagem correta do consumidor que está se financiando no crédito para a aquisição de produtos e serviços. Neste momento de inadimplência alta, de redução dos juros e de estímulos ao consumo, saber com quem se negocia é determinante para a rentabilidade das empresas. f

Carlos Henrique de Almeida é economista da Serasa Experian

Artigo enviado em janeiro de 2013

As diferentes gerações e o crédito

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especialtecnologiabancária

Cada vez mais

conectados Faz meses que Gláucia Resende Pereira, professora de administração, não entra em uma agência bancária. Seu iPad e seu iPhone são dois grandes aliados nos momentos em que precisa efetuar uma transação bancária. Com aplicativos dos três bancos em que é correntista, baixados nos aparelhos, ela consegue rapidamente acessar a conta corrente, efetuar transferências, consultar fundos, simular investimentos – com gráficos e tabelas ilustrativas –, além de realizar diversas outras operações. Para ela é muito mais conveniente. “Não perco tempo no trajeto até uma agência bancária ou em filas. Hoje, com as ferramentas disponíveis, realizo a transação financeira que preciso em qualquer lugar”, diz. Para ampliar o uso dos canais remotos – internet banking, terminais de autoatendimento e qualquer outro

tipo de acesso que dispense a necessidade de estar em uma agência bancária – e oferecer novas soluções tecnológicas, as instituições financeiras não medem esforços. Em 2011, os investimentos e despesas dos bancos com Tecnologia da Informação (TI) tiveram um crescimento de 11%, atingindo R$ 18 bilhões e se consolidando o setor como o principal usuário de TI no Brasil. Os dados são da última pesquisa “O setor bancário em números”, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Essa tendência indica um processo importante de transformação no papel do atendimento aos clientes, passando de transacional para uma prestação de serviços mais ampla e consultoria financeira profunda e qualificada. O mobile banking, canal preferido da professora, apresentou crescimento exponencial nos últimos quatro anos.

Fotos: Shutterstock/Douglas Luccena/Divulgação

Por Juliana Jadon

Com o avanço da tecnologia, a maioria dos clientes de bancos trocou a fila das agências por uma tela – computador, tablet, celular. Em 2011, as operações de internet banking representaram 24% do total, um crescimento de 20% sobre o ano anterior. A conveniência está em primeiro lugar na relação entre bancos e correntistas

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Era praticamente inexistente em 2008 e passou de mais de três milhões de contas correntes em 2011. Esse cenário também é impulsionado pela venda de smartphones no País, que obteve crescimento anual de 88% desde 2009, com projeções de aumento para os próximos anos. Clientes como Gláucia fizeram com que as transações por meio do internet banking atingissem 24% do total do setor em 2011, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Esse já é o principal meio de realizar movimentações financeiras. Como canal mais utilizado, o Itaú Unibanco obteve um crescimento médio mensal de transações de 159% nos últimos quatro anos. Em contrapartida, segundo a Febraban, as transações financeiras feitas em agências diminuíram sua participação – passando de 12,6% em 2007 para 10,9% em 2011. Diante desse cenário, os bancos estão em uma corrida tecnológica e os clientes ávidos por mais conveniência. Em qualquer lugar

As instituições financeiras hoje querem acompanhar o cliente onde ele estiver. No Bradesco, cerca de 550 pro-

dutos e serviços podem ser acessados remotamente, por meio da internet. Para acompanhar a evolução do cliente e criar novidades, o banco investiu nos últimos anos mais de R$ 20 bilhões em tecnologia. “Somente no acumulado de 2011, foram destinados R$ 4,1 bilhões para essa área”, aponta Luca Cavalcanti, diretor de canais digitais do Bradesco. Já o Itaú Unibanco reformulou em outubro do ano passado seu portal. Ele está mais intuitivo e tem o objetivo de aumentar a facilidade na navegação. A mudança vem fundamentada em sugestões dos próprios clientes e está sendo feita em fases. “Quem buscar nosso site para tirar dúvidas conseguirá fazer isso de forma muito mais rápida e objetiva”, conta Fernando Chacon, diretor-executivo do Itaú Unibanco.

Gláucia Resende Pereira, professora de administração “Não perco tempo no trajeto até a agência bancária ou em filas. Hoje, com as ferramentas disponibilizadas pelos bancos, realizo qualquer transação financeira que preciso em qualquer lugar”

Na tela da TV

Em dezembro passado, o Bradesco avançou mais uma casa na questão da tecnologia bancária. O correntista da instituição financeira já pode acessar a conta corrente, fazer previsões de investimentos, ter acesso aos telefones úteis, fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 27

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acompanhar o mercado financeiro e de ações e utilizar outras diversas funcionalidades sentado no sofá da sala de estar, com o controle remoto em mãos. Basta, para isso, estar conectado ao aplicativo do banco, por meio da TV. O aplicativo, que pode ser baixado por meio do Google Play, disponibiliza 150 produtos e serviços. Cerca de 700 mil pessoas já tinham

baixado o aplicativo uma semana após seu lançamento. A aposta do banco em tecnologia é de longa data. Em 1996, o Bradesco criou o primeiro internet banking do Brasil. De lá para cá muita coisa evoluiu. Em 2012, o banco alcançou pela primeira vez a marca de quatro bilhões de transações realizadas pelos clientes por meio da internet no acumulado de

Participação no total de transações bancárias (em % – 2011) 3% Outras 5% Correspondentes 7% Origem externa

Internet banking 24%

11% Caixas das agências

Atendimento avançado Na agência– conceito do Bradesco, um robô presta o primeiro atendimento ao cliente

um ano. Somente no último mês de novembro foram realizadas 320 milhões de transações por esse canal. E ainda, segundo Cavalcanti, a cada piscar de olhos, 3,5 mil pessoas usam o aplicativo da instituição de mobilidade no celular. Em dezembro, o Bradesco atingiu a marca de 50 milhões de transações mensais por meio desse dispositivo. A conveniência é premissa. “No Google, temos o conceito das quatro telas: computador, tablete, celular e TV. O Bradesco é o primeiro banco a disponibilizar esse serviço aos clientes no Brasil”, conclui Hugo Assis, executivo responsável pela indústria financeira no Google. Estratégias lançadas

13% Cartões

Origem interna 23%

14% Autoatendimento Fonte: Febraban

O Itaú Unibanco fechou o ano de 2012 com um total de 3,9 milhões de downloads das ferramentas disponíveis para acesso móvel. O resultado significa um boom no

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Em 1994, havia 32 mil terminais de autoatendimento (ATMs) no Brasil. Em 2011, esse número foi multiplicado por quase seis vezes, somando 182 mil equipamentos instalados uso dos aplicativos, sendo que em janeiro do ano passado eram 1,1 milhão de baixados. Somente no ano que passou, foram 2,8 milhões de novos downloads. “Experimentamos um bom crescimento no uso das ferramentas de mobile banking. Os clientes percebem a facilidade e a conveniência que esse canal proporciona. Estimamos que esse será o segundo maior canal de transações do banco em alguns anos, atrás somente da internet”, conta Ricardo Guerra, diretor

de canais digitais do Itaú Unibanco. Foi em julho de 2010 que a instituição lançou o seu primeiro aplicativo para iPad. Ao longo do tempo, as ferramentas existentes foram aperfeiçoadas. O cliente Itaú Unibanco também pode se cadastrar para receber o código do iToken via SMS e operações via internet sem a necessidade de portar aparelho. Um serviço recentemente lançado nesse canal é a contratação do seguro viagem por meio de smartphones. O cliente consegue simular

os tipos de coberturas disponíveis e fazer a contratação na hora. Ao confirmar a opção desejada, a cobertura é imediata. Está disponível para aparelhos com o sistema BlackBerry, Android ou IOS (iPhone). Atualmente, mais de 20% das vendas de seguro viagem são feitas pela internet. Essa facilidade foi lançada em janeiro de 2012. Agências-conceito

As apostas dos bancos na tecnologia não param por aí. Alguns deles criaram no ano passado agências conceito com a ideia de apresentar as tecnologias e novas maneiras de usar produtos e serviços financeiros. Diversos dispositivos do espaço do Luca Cavalcanti, do Bradesco, e Hugo Assis, do Google Parceria viabiliza acesso à conta bancária por meio da TV

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Projeções mostram que os bancos brasileiros vão aumentar o nível de despesas e investimentos em tecnologia em 42% até 2015. O número é 2,5 vezes maior que o ritmo de crescimento da média global estimado em 18% no mesmo período Bradesco, no Shopping JK, em São Paulo (SP), já irão ser multiplicados para a rede bancária da instituição. O Itaú Unibanco não ficou atrás. Colocou uma agência no Shopping Villa Lobos, também na capital, com layout diferenciado e inspirado na concepção visual de uma loja. O espaço é aberto e confortável para realizar negócios. A mão é a senha

No início deste ano, Gláucia experimentou uma nova tecnologia. Cadastrou sua mão como forma de autenticação para acessar a conta bancária em um terminal de autoatendimento. Em 2009, o Bradesco adotou de maneira pioneira a biometria nesses equipamentos. O setor bancário segue a mesma tendência. Desde o final do ano passado, os clientes do

Itaú Unibanco podem efetuar saques em caixas eletrônicos até um determinado valor sem uso do cartão da conta, por meio dessa tecnologia. Além disso, nas operações com cartão, o uso da biometria dá mais agilidade à operação. Com ela, o cartão da conta é necessário somente na identificação inicial do cliente. A ampliação da tecnologia nos terminais bancários aumenta a segurança dos clientes e a confiabilidade das transações. “Com esses novos procedimentos, nossos clientes passam a acessar seus dados e informações de forma mais rápida e segura”, explica Luiz Veloso, diretor de produtos para pessoa física do Itaú Unibanco.

Futurista Layout diferenciado da agência do Itaú Unibanco é inspirado na concepção visual de uma loja. A ideia é que o espaço seja convidativo e confortável para realizar negócios

Mobile banking

Encostar o celular em uma maquininha POS e pagar a conta sem a necessidade do uso de um cartão poderá ser realidade dentro de alguns anos no Brasil. De acordo com Raul MoAcesso global reira, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito A penetração do internet banking nas contas correntes ativas e Serviços (Abecs), e do Banco do no Brasil (46%) está em patamar comparável a dos países Brasil, estima-se que cerca de mil desenvolvidos como Alemanha (50%), Estados Unidos (54%) e Reino Unido (56%). Isso demonstra que o País já apresenta uma máquinas estão preparadas para maturidade no uso do internet banking. receber esse tipo de tecnologia. No Fonte: Febraban entanto a ampliação do uso dessa 30 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

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Fernando Chacon, do Itaú Unibanco “Quem buscar nosso site para tirar dúvidas, fazer isso de forma rápida e objetiva”

ferramenta ainda depende de definições mais claras do próprio segmento de aplicações e dispositivos móveis. Ainda há um grande entrave para essa evolução. No Brasil, os celulares não possuem a tecnologia Near field Communication (NFC) – que possibilita esse tipo operação – embarcada. A mudança é gradual, as empresas de celulares devem começar a fabricar aparelhos com essa tecnologia, por meio de parcerias.

Segundo Moreira, para a indústria de cartões essa mudança representa uma evolução. A Abecs acredita que a nova tecnologia de pagamento só vira para trazer valor agregado. Novo patamar

O papel das agências bancárias está mudando. O cliente que, assim como Gláucia, acessa os aplicativos bancários por meio de dispositivos móveis vai até agência somente para sacar dinheiro, resolver algum problema ou conversar com o atendimento. O gerente passa a representar um consultor financeiro. A população caminha para ter cada vez mais esse perfil. Segundo a Febraban, a estimativa de uso Raul Moreira, da Abecs “A tecnologia de pagamento móvel irá trazer valor agregado para o mercado de cartões”

O Itaú Unibanco fechou o ano de 2012 com um total de 3,9 milhões de downloads das ferramentas disponíveis para acesso móvel do mobile banking pode chegar a patamares comparáveis ao internet banking em número de contas correntes habilitadas nos próximos sete anos. Moreira, da Abecs, acredita que o Brasil é um país avançado comparado a outros na adoção de tecnologia bancária. Para ele, a sociedade brasileira aceita muito bem esse tipo de conveniência, por isso, no avanço de cada degrau tecnológico, investimentos por parte dos bancos não vão faltar. fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 31

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especialtecnologiabancária

Pagamento por celular Ainda existem alguns entraves na adoção do mobile banking. Confira a opinião do especialista no tema Jefferson Denti, consultor da Deloitte: Financeiro Como você avalia o uso dos aplicativos financeiros móveis no Brasil? Compare com outros países. Jefferson Denti Ainda tímido na adoção, porém apresenta motivação e crescentes investimentos por parte do setor financeiro. Diferentemente de outros países da África e Ásia, onde existia um forte motivador social, no Brasil esse motivador está relacionado à capacidade de geração de novos negócios e também na redução de custos. Se compararmos com os Estados Unidos, o uso de smartphones e a dinâmica de mercado ajudam o crescimento de aplicativos financeiros. No Brasil, precisamos transpor essa barreira dos aparelhos e da flexibilidade da rede. Muitos conceitos são testados e em breve teremos novidades no mercado. As instituições encontram os meios necessários para viabilizar projetos dessa natureza. Financeiro Quais as principais barreiras enfrentadas por bancos e clientes no cenário da mobilidade? Denti As diversas tecnologias em diferentes aparelhos, a regulamentação não definida, os custos de implementação da tecnologia (terminais, chip, aparelhos), as questões de segurança da informação, a dependência de diversos agentes da cadeia para entrega de valor ao cliente, a disponibilidade e velocidade de rede de telefonia, a interoperabilidade entre as diferentes operadoras. Alguns países conseguem superar essas barreiras por meio de implementação de modelos de negócio colaborativos entre bancos, operadores de telefonia, empresas de pagamento e varejo. Financeiro Quais as expectativas com o uso da mobilidade para serviços financeiros? Acredita que ainda existam entraves culturais? Denti No Brasil, a aceitação pode ser excelente, mas não pode ser focada no público não bancarizado. Tem de capturar o potencial de geração de novos negócios para os bancos. Essa captura se dará por meio de maior integração das plataformas de negócios e com uso de ferramentas analíticas. Com o banco enxergando o cliente de forma

única e realizando ofertas que vão além de serviços financeiros, como, por exemplo, conversão de moeda virtual, programas de fidelidade etc. Barreiras culturais existem e continuarão existindo com essa troca de paradigma, tanto do lado do cliente como das organizações financeiras. Para as instituições financeiras, muito vai mudar no modelo de negócio: novo conceito de agência, mix entre produtos financeiros e não financeiros, integração maior com internet e telefonia, mídias sociais, cloud computing, entre outras. Financeiro Quais os modelos de aplicativos financeiros que podem dar certo no Brasil, em sua opinião? Denti O brasileiro é um early adopter de tecnologia, em vista dos 50 milhões de usuários de internet. No Brasil e no mundo, alguns aplicativos mais tradicionais são de pagamento móvel e de oferta de crédito ao cliente. Porém já existem soluções mais inovadoras em aplicativos financeiros em games, em mobile para compra em lojas de conveniência, educação financeira, bancos com atendimento por intermédio de mídias sociais, wikis e assim por diante. O limite está na criatividade e no apetite de cada banco em expandir negócios e fidelizar clientes. f

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compliance

Medidas necessárias Acrefi e PricewaterhouseCoopers debatem Basileia III. Regulamentação, ainda em momento de ajustes no Brasil, tem como principal foco fortalecer os bancos e evitar crises financeiras

Um sistema financeiro mais estável é o principal objetivo de Basileia III, acordo que exige dos bancos o aumento das reservas de capital para se protegerem em momentos conturbados da economia. O tema foi apresentado por Marcelo Baldin, gerente sênior da unidade de risco e compliance da PricewaterhouseCoopers (PwC), em evento da Acrefi, em São Paulo (SP). O cronograma de adesão dessa fase da norma internacional no Brasil é gradual – começou em 1º de janeiro deste ano e se encerra em 1º de janeiro de 2019. Todavia muito do que se fala sobre a norma ainda está em debate pelo Banco Central do Brasil, que analisa as

Funções de Basileia III Nível 1 Elementos que demonstrem capacidade efetiva de absorver perdas durante o funcionamento de uma instituição financeira Nível 2 Recursos capazes de absorver perdas em caso de ser constatada a inviabilidade do funcionamento de uma instituição financeira Fonte: PwC

maneiras mais viáveis da implementação em todo o sistema financeiro nacional. No País, de acordo com o executivo da PwC, os elementos de Basileia III são capazes de absorver perdas em caso de ser constatada a inviabilidade da operação de uma instituição. “Basileia III traz uma série de medidas que tentam evitar situações como as que ocorreram na crise de 2008, quando bancos como Lehman Brothers e Washington Mutual fecharam suas portas”, aponta Baldin. As novas regras, ressalta ele, tentam melhorar a qualidade de capital e o nível de liquidez dos bancos e instituições financeiras. “Toda a instituição bancária, por natureza, tem processos robustos que podem suprir quaisquer condições de mercado e atender às métricas que, se cumpridas, podem gerar uma segurança maior”, diz.

Fotos: Shutterstock/Divulgação

Por Juliana Jadon

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Adesão global

Principais propostas Com mais exigências que os acordos anteriores, Basileia III tem como meta fortalecer o sistema financeiro global. Confira suas metas:

1. Elevar a qualidade, a consistência e a transparência da base de capital

2. Reduzir a prociclicalidade por meio de parcelas adicionais de capital

3. Endereçar o risco sistêmico 4. Complementar o requerimento de capital baseado em risco com um índice de alavancagem

5. Aprimorar a cobertura dos riscos por meio do fortalecimento das exigências de capital para riscos de crédito de contraparte existente em derivativos, operações de recompra e outros 6. Introduzir novos padrões de gestão de liquidez, incluindo testes de estresse para os índices propostos Fonte: PwC

Alguns países ainda estão se adequando à norma anterior. De acordo com Baldin, quem está na vanguarda da implementação de Basileia II é o mercado chinês. O executivo lembra que nos Estados Unidos a composição das regras é divergente do Brasil. Existem duas regulamentações. A primeira voltada para os médios e grandes bancos e a segunda voltada para pequenos, em que as exigências são mais adequadas a sua realidade e visam a comprometer menos as instituições menores. No entanto ele considera esse o mercado onde a implementação de Basileia é a mais atrasada, pois adiou a implementação da versão mais atualizada da regra. “A maneira como cada banco deverá operar no mundo depende muito de como o órgão regulador de cada mercado considera que as normas devem ser atendidas.” fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 35

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compliance

Impactos

Não há dúvida de que para o mercado financeiro Basileia III é um processo contínuo de aprendizado em relação às regras a serem aderidas de maneira clara. No entanto, de acordo com o levantamento PricewaterhouseCoopers, essa regulamentação também terá efeitos colaterais na economia. Afinal, os bancos e financeiras são o principal instrumento de alavancagem. A exigência de 1% de aumento na relação de capital requerido geraria uma redução de 0,19% de redução no PIB depois de quatro anos e meio. No mesmo período, a exigência de 25% no aumento da retenção de ativos líquidos, somada a extensão dos vencimentos dos bancos, pode gerar aumento de 0,14% nos spreads de crédito e o declínio de 0,08% do PIB. f Marcelo Baldin, da PricewaterhouseCoopers “As métricas de Basileia III, se cumpridas, podem gerar uma segurança maior ao sistema financeiro”

Índices e metas de capital de Basileia III Nova definição de capital e maior transparência

l Nível 1 consiste principalmente de ações ordinárias

Novas proteções contracíclicas

l Capital de conservação: absorção de perdas no setor

e lucros acumulados

l Acrescenta, continua ou modifica diversas deduções do nível 1 l Elimina gradativamente os instrumentos híbridos de capital l Eliminação do capital nível 3

bancário em um ambiente de estresse financeiro e econômico

l Capital contracíclico: extensão do capital de conservação

durante períodos de crescimento de crédito associado ao acúmulo de risco sistêmico

Introdução de índice de alavancagem

l Bancos não devem emprestar mais de 33 vezes o seu capital l O objetivo é limitar a alavancagem do setor bancário

e introduzir garantias adicionais contra o risco do modelo e de mensuração

Para o mercado financeiro, Basileia III é um processo contínuo de aprendizado em relação às regras a serem aderidas de maneira clara

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artigoautomação

por Almir Carrion

Com o assédio dos bancos de grande porte no Brasil ao mercado de crédito consignado, as instituições de pequeno e médio porte deverão se estabelecer em novos setores para evitar a concorrência e dilapidação dos resultados. Essas instituições focaram durante longo período em consignado, com uma operação enxuta e enquadrada nessa realidade, sem back office de crédito e um setor de crédito propriamente dito. Nesse novo cenário, muita coisa deverá ser recriada e remontada, forçando as instituições menores a entrar em novas modalidades de crédito, como veículos, crédito pessoal e Crédito Direto ao Consumidor (CDC), mas, principalmente, obrigando-as a se adequarem às necessidades dessas modalidades. É inimaginável o ingresso ou retorno com oferta nos produtos acima citados sem o investimento em ferramentas de automação e refinamento da concessão de crédito, além de outras soluções de maior eficiência operacional, que proporcionem a redução dos altos custos com Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED) e head count que inviabilizariam tal ingresso. A era dos robôs de extração/inclusão de dados, e

mecanismos de liquidação diferente da TED são coisas do passado. O alento a essas instituições é que a indústria de software para o segmento financeiro avançou no atendimento a essas necessidades nos últimos anos, além de tornar essas tecnologias mais acessíveis com a adoção do modelo SaaS (software como serviço) na modalidade de contratação, fato que reduziu o custo e tempo de implantação gritantemente. Dessa forma, opções antes disponíveis somente para instituições de grande porte, como modelagem de score personalizado por produto e comercializado no modelo SaaS, esteira completa de decisão, workflow, front-end entre outras facilidades, estão disponíveis para comercialização hoje para instituições com qualquer volume. Portanto o cenário desafiador poderá ser facilmente navegado por instituições que combinarem estratégias de produto bem definidas com a adoção de vanguarda tecnológica que suporte essas estratégias. f Almir Carrion é diretor de assuntos institucionais da C&M Software

Artigo enviado em janeiro de 2013

Mercado exige mais eficiência

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artigogestãoderisco

Perspectivas do Crédito

por Breno Costa

O ano de 2012 foi bastante desafiador no que tange a receitas, perdas e crescimento do mercado de crédito em geral. Mas o que nos aguarda para 2013? Nossa abordagem visa a utilizar a pesquisa da Febraban, realizada com as principais instituições financeiras do País, acerca da expectativa delas com relação à economia ao crédito no que tange o crescimento econômico, inflação, crescimento do crédito e da inadimplência. Nessa abordagem também trazemos para cada uma das variáveis estudadas qual era a expectativa do mercado para o ano seguinte. Dessa forma, podemos calibrar nossas próprias expectativas às do mercado. Vejamos cada variável em detalhes. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para esse ano de 2013 é de 3,1%. Resultado melhor que os obtidos em 2011 e 2012, mas comparado com os anos de 2006 a 2008 estamos bastante aquém do patamar esperado para uma economia em desenvolvimento. Os anos de 2009 e 2010 estão bastante afetados pela crise financeira e pela recuperação que veio a seguir, mas o fato é que desde 2011 não conseguimos taxas de crescimento relevantes. A perspectiva para os anos de 2011 e 2012 foram otimista com relação ao ocorrido um ano depois. As expectativas de crescimento vêm sendo revisadas para baixo a cada pesquisa. Portanto a expectativa do mercado de crescimento de 3,1% pode estar um pouco otimista. A inflação (medida pelo IPCA de 12 meses) vem tendo expectativas também otimistas. Nos

últimos três anos, o mercado sempre esperou uma inflação mais baixa cerca de um ponto a 0,5 ponto. A expectativa é de recuo dos patamares atuais ao longo desse ano para 5,7%. No caso do crescimento do crédito total do mercado brasileiro, percebemos um cenário oposto. O crescimento esperado e o realizado andam bastante em linha ao longo dos anos até com algumas surpresas positivas. Nesse caso essa variável tem um controle maior das instituições financeiras (público que opina nessa pesquisa da Febraban). Observamos que para 2013 as expectativas são de crescimento à mesma taxa do ano passado (16% ao ano), o que representa uma acomodação da desaceleração, ou seja, não teremos nem uma continuidade das quedas nas taxas de crescimento do mercado de crédito, nem tão pouco uma retomada do crescimento às taxas observadas anteriormente. Outro ponto que vale destacar é a relativização desse crescimento com relação ao PIB. Estamos falando de um crescimento na ordem de cinco vezes maior, o que evidência que a expectativa do mercado é de continuidade do crescimento da relação crédito/PIB. Analisando esse crescimento nos três grupos que o compõe: recursos direcionados, recursos livres pessoa jurídica e recursos livres pessoa física, podemos observar as três linhas em patamares muito próximos de expectativa de crescimento para 2013, respectivamente, temos 17,8%, 16,1% e 15,1%.

Artigo enviado em fevereiro de 2013

no Mercado Brasileiro

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Já a expectativa para a inadimplência é de melhoria do atual incômodo patamar. Incômodo, pois observamos que a média do ano de 2012 (6,4%) foi a pior desde 2005. No entanto, as expectativas (ou desejos) são de uma queda ao longo de 2013 (média de 5,3%) e um retorno aos patamares médios. No entanto, PF já adiantamos que as projeções pelo menos para os próximos três meses são de conservação dos patamares. No caso de PJ, observamos o mesmo patamar de inadimplência pelos últimos 15 ou 18 meses e não dá sinais também de recuperação. Salvo termos uma movimentação sensível dos critérios de concessão de crédito e dos processos de cobrança, dificilmente veremos o patamar da pesquisa ser realizado em 2013.

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para esse ano de 2013 é de 3,1%. Resultado melhor que os obtidos em 2011 e 2012 Os dados colhidos pela Febraban e demonstrados nas análises deste texto, mostram que o ano de 2013 não se desenha como promissor ou como um ano de recuperação do “tempo perdido” em 2012. Essas expectativas mais contidas denotam a cutela que o mercado vem tratando o tema crédito. Sinais de tempos mais maduros, mas também de menores retornos.

Artigo enviado em fevereiro de 2013

Breno Costa é sócio consultor e economista da GoOn

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educaçãofinanceira educaçãofinanceira

Programa global do HSBC beneficia 3,8 mil crianças no Brasil com lições sobre finanças

Aprendizado para o futuro Por Juliana Jadon

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Fotos: Shutterstock/Divulgação

Para a analista de sistemas do HSBC Paula Pereira o trabalho não se traduz somente nos afazeres que possui dentro da instituição. Em sala de aula, a moça de 31 anos também tem o papel de ensinar crianças e adolescentes da periferia de Curitiba (PR) a sonharem e conquistarem um futuro financeiro melhor. Paula, com cinco anos de atuação no grupo financeiro, é uma entre 280 colaboradores do HSBC Brasil que participam voluntariamente do programa de educação financeira “Mais do que Dinheiro”, do inglês “More than Money”. A iniciativa é global e coloca o Brasil como um dos países prioritários na difusão desse programa. Conta ainda com uma parceria com a Junior Achievement, associação sem fins lucrativos especializada em negócios, economia e empreendedorismo. “A ideia é a de atuar na formação da criança e do jovem da comunidade, que logo irá se bancarizar e se tornar um profissional atuante no mercado de trabalho. Nesse momento, ele deverá estar preparado, com uma boa cultura de como administrar o orçamento”, aponta Cláudia Malschitzky, diretora-executiva do Instituto HSBC Solidariedade (IHS) e superintendente de sustentabilidade do banco. Já foram destinados U$ 3,4 milhões em três anos para a ação em 15 países. O custo de cada um dos programas é de US$ 30 mil. O resultado é mensurado com números. Quase 3,8 mil estudantes brasileiros já foram beneficiados com a iniciativa, desde o início das atividades em 2009. Os próprios funcionários da instituição que, assim como Paula, se candidatam a participar, são treinados pela Junior Achievement e vão até as escolas nas capitais São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro para multiplicar o que aprenderam. A inscrição é simples e pode ser feita no portal de sustentabilidade do banco. Neste ano, o programa deverá chegar também a escolas no interior de São Paulo. Atendimento qualificado

O HSBC, aponta a superintendente de sustentabilidade, é um banco que figura um relacionamento de longo prazo com os clientes. Todavia, para que esse ciclo de vida seja extenso, é preciso que os correntistas saibam utilizar os produtos e serviços financeiros com consciência. Por isso, a ideia de Cláudia e dos gestores

Paula Pereira, do HSBC “Quando o curso termina o que fica é a sensação de que foi feito um bom trabalho e a vontade de dar continuidade a esse programa”

do HSBC foi a de ensinar primeiramente os colaboradores e os alunos das escolas de comunidades – locais que mais carecem de educação. A meta do banco é divulgar a ação e engajar no programa de educação financeira 85 colaboradores e mil estudantes por ano. Anualmente, a companhia supera o objetivo, chegando a uma média de cem novos funcionários participantes. Além disso, neste ano a instituição quer preparar todos os funcionários para que tenham o tema na ponta da língua. A empresa já efetuou mais de 40 mil treinamentos.

O programa “Mais do que Dinheiro” conta com 280 funcionários do HSBC Brasil, que participam voluntariamente da iniciativa. Quase 3,8 mil estudantes de escolas públicas já foram beneficiados, desde o início das atividades em 2009 fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 43

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educaçãofinanceira Cidadania Em portal de voluntariado do HSBC, colaboradores se candidatam a participar do programa de educação financeira e se informam sobre outras ações sociais da instituição

O objetivo é que o atendimento da rede de agências e de toda a área administrativa esteja qualificado a falar sobre educação financeira. Ensino lúdico

Por meio de um tabuleiro, que funciona como um jogo da vida financeiro, crianças e jovens aprendem a ter iniciativas que podem contribuir para uma boa situação financeira no futuro. De acordo com a Programa casa indicada pelo dado, o aluno escolhe, por exemplo, se vai comprar um brinquedo ou guardar o diglobal nheiro que possui, no intuito de adquirir um bem de PARCERIA valor mais elevado. “Não damos o peixe. Ensinamos Junior Achievement a pescar”, diz a voluntária Paula. Mundial No final do jogo, a soma de despesas e ganhos APLICAÇÃO 15 países, entre é feita. Quem terminar com mais dinheiro obtém o eles o Brasil melhor desempenho e escolha. A mesma brincadeiRECURSO ra é realizada de maneira mais complexa em outra US$ 3,4 milhões aula. Nessa etapa, os alunos aprendem a pensar como foram gastos empresários e fazem o papel de pessoa jurídica. em três anos

Ensino global No Brasil, já foram 2,6 milhões de alunos beneficiados e cem mil voluntários envolvidos nas atividades da Junior Achievement. Os programas educativos são aplicados junto aos jovens por meio de parcerias com escolas e voluntários dispostos a compartilhar suas experiências e conhecimentos com estudantes de diferentes faixas etárias. Globalmente, dez milhões de jovens ao ano participam dos projetos da entidade, consolidando a formação de uma cultura empreendedora ao redor do mundo, dentro de uma perspectiva ética e responsável. Os trabalhos reúnem assuntos de economia e negócios para alunos entre o quinto e sétimo anos do ensino fundamental. Enfatiza conteúdos de estudos sociais ao mesmo tempo em que trabalha matemática, leitura e escrita.

Cláudia Malschitzky, do HSBC “A situação mais delicada que o setor econômico sofre é a inadimplência. A base e a solução para esse cenário são a educação financeira”

Paula ministrou o curso pela primeira vez no ano passado para alunos da quinta série. Geralmente, dois funcionários do HSBC vão juntos a uma escola dar as aulas. Segundo ela, o banco e a instituição parceira concedem todas as ferramentas e as condições necessárias para os colaboradores participarem das iniciativas sociais. A sala de aula era agitada e para conter a euforia a moça ofereceu um dos tabuleiros como prêmio ao grupo de alunos que se comportasse melhor. Isso faz com que os alunos se empenhem a ganhar o item. No final das aulas, tanto os alunos quanto os voluntários recebem um certificado de participação no curso. O resultado da iniciativa é mensurado com atividades e exercícios e sempre é positivo. Para Paula, no entanto, a participação no programa não pode ser calculada. Ela se sente melhor enquanto cidadã e também por atuar em uma instituição que apoia essa nobre causa. A moça indica aos colegas da instituição a participação. “Quando o curso termina o que fica é a sensação de que foi feito um bom trabalho e a vontade de dar continuidade a esse projeto”, conta. O ganho desse ensino é para toda a sociedade. “A situação mais delicada que o setor econômico sofre é a inadimplência. A base e a solução para esse cenário são a educação financeira”, conclui Cláudia, do HSBC. f

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cultura

Segredos do ouro Carlos Wizard Martins, autor do livro “Desperte o Milionário que Há em Você” e dono da Multi Holding - detentor de dez empresas, ensina a empreender com sucesso Por Juliana Jadon

Financeiro Fale sobre o livro “Desperte o Milionário que Há em Você”. Carlos Wizard Martins O Brasil vive seu melhor momento econômico. A cada dia temos 30 novos milionários no país. Isso significa que no final de fevereiro teremos quase 900 novos milionários. Parte da população está ciente desse cenário. No

entanto a maioria das pessoas não sabe. O meu objetivo em lançar o livro é uma forma de divulgar e difundir as oportunidades que temos no mercado e quais os passos que a pessoa precisa seguir para que possa tirar proveito desse momento favorável e atingir uma boa condição financeira. Financeiro Como a sua trajetória pessoal ajudou na criação dessa obra? Wizard Martins Alguns autores de livros de empreendedorismo e educação financeira falam de técnicas, teorias e conceito. O meu é puramente uma trajetória de um professor de inglês que há algum tempo dava aula para poucos alunos, posteriormente abriu uma escola, transformando-a em uma atividade empresarial, líder

mundial no seu setor com um faturamento milionário. Financeiro Você diz que tão importante quanto o cenário econômico é a postura mental. Explique esse conceito. Wizard Martins A atitude mental e a postura da pessoa, em minha opinião, são mais importantes do que o cenário econômico. Em períodos e contextos de oportunidades, assim como o que estamos vivendo, as fortunas costumam trocar de mãos e ir para as pessoas que estão preparadas e ávidas por uma oportunidade de negócios para empreender. Mesmo em um mercado desfavorável, com a atitude mental correta, é possível encontrar oportunidades.

Fotos: Divulgação

Carlos Wizard Martins é um empreendedor nato. Ele não guarda o segredo do crescimento de sua rede de empresas somente para si. Nos últimos cinco anos, ele ajudou a formar mais de cem milionários no País, situação que o motivou a escrever o livro “Desperte o Milionário que Há em Você”. Após seis meses de lançamento, já são 70 mil exemplares da obra vendidos no Brasil e um projeto de levar o conhecimento para outros países. A publicação já está sendo traduzida em três outras línguas: inglês, espanhol e chinês. Acompanhe a entrevista com o executivo, que revela alguns dos elementos do sucesso.

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Financeiro O brasileiro possui vocação para empreender? Wizard Martins Acredito que o brasileiro tem esse talento, sendo muito criativo, comunicativo e expansionista. Isso explica o porquê de o País ser hoje um dos líderes mundiais no setor de franquias no mundo, ocupando a terceira posição em número de empreendedores que atuam nesse setor. É um reconhecimento de que temos essa inclinação e facilidade para o empreendedorismo. Financeiro Quando decidiu escrever o livro? Wizard Martins Nos últimos cinco anos, ajudei a formar mais de cem milionários no País. São pessoas que tem escolas como a Wizard, o Yázigi, Skill, Microlins, entre outras. Por meio dos princípios que praticamos, deram largada com poucos recursos e ao longo de um curto espaço de tempo fizeram fortunas. Por isso tive essa determinação para escrever. É um trabalho recente. Está há seis meses no mercado, mas semanalmente está entre os livros mais vendidos no Brasil. Escrevi também outras obras como “O Desejo de Vencer”, “Como Sonhar e Realizar os seus Sonhos” e também tenho uma coleção de pensamentos motivacionais. O livro “Desperte o Milionário que Há em Você” atingiu 70 mil exemplares em seis meses, o que para o contexto brasileiro é um excelente resultado. Financeiro Pretende traduzir o livro para outras línguas? Wizard Martins A obra está sendo traduzida para espanhol, inglês e chinês. Já estive sete vezes na China

e tenho inclusive uma unidade da Wizard por lá. Uma das metas neste ano é lançar o livro em outros países. Primeiro para a América Latina. Financeiro Quais os principais erros cometidos pelos empreendedores que os impedem de conquistar mercado? Wizard Martins Um dos conceitos que explico é que a pessoa precisa dominar aquela atividade, aquele serviço ou produto que vai representar. Às vezes, a pessoa não tem a experiência, não pesquisou e cai de paraquedas. O conselho é identificar um talento, uma habilidade natural, porque dominando a área, a pessoa vai trabalhar com prazer e satisfação. Outro elemento que pode fazer a atividade comercial não prosperar, é achar que terá uma fila de clientes batendo na porta logo no início. Cada negócio possui um período de maturação, que é variável. É preciso ter consciência, paciência e disciplina. Financeiro Como você vê o papel do crédito no empreendedorismo? Wizard Martins É um elemento de expansão do negócio depois que já foi testado e não no período em que o negócio ainda está em fase experimental. Financeiro Uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 43% das pessoas sonham em ter o próprio negócio. O que falta para esse sonho deslanchar? Wizard Martins Uma série de fatores. Em primeiro lugar, a pessoa fica entre deixar o conforto finan-

ceiro em que se encontra e aceitar uma situação de risco, onde não há garantia ou segurança. Financeiro Onde estão as oportunidades de empreender? Wizard MartinsNo Brasil, o setor de serviços é muito carente. Não importa se é alimentação, prestação de serviços de limpeza, educação. O serviço precisa ser mais rápido do que a concorrência oferece, com qualidade superior e preço justo. Essa combinação é metade do caminho para alcançar o sucesso. A população, em geral, paga mais caro por um serviço mais rápido e melhor. Financeiro Quais os melhores investimentos? Wizard Martins O mercado possui vários produtos. Analisamos, medimos a projeção e comparamos. Eu recomendo investir, a partir do momento em que a saúde financeira da empresa esteja em uma situação equilibrada. Considero-me um apaixonado pelo sistema de franquias. Acho que é forma mais segura e rentável de um empreendedor ter um negócio rentável e de sucesso. Já tem tradição, marketing e modelo de negócios. Financeiro Cite um momento da sua vida em que uma decisão foi importante para a evolução dos seus negócios. Wizard Martins Meus filhos mais velhos estudaram nos Estados Unidos e quando retornaram, em 2004, me disseram que o mercado de educação era muito maior do que eu imaginava, que os mercados estavam se consolidando, formando grupos e tínhamos a oportunidade de comprar outras empresas. Formamos um grande grupo educacional. Na ocasião resisti, pois já éramos líderes de mercado. Quando aceitei a sugestão, liberei R$ 1 milhão para fazerem a aquisição de uma pequena rede de ensino. Eles compraram e foi uma operação bem-sucedida. A última compra que fizemos foi a do Yázigi, por R$ 100 milhões. f

Elementos do sucesso 70 mil exemplares da obra foram vendidos nos últimos seis meses

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vidapessoal

Emoldurado na parede da sala de Rogério Monteiro, diretor jurídico do BNP Paribas, está um Aston Martin DB5, carro de James Bond que estreou nos cinemas em 1964 no filme “007 contra Goldfinger”. A imagem do Bondcar diz muito sobre a sua personalidade. Desde criança Monteiro gosta de carros. Nos finais de semana se dedicava com prazer a cuidar dos veículos do pai, lavando-os e os deixando bem polidos. Durante muito tempo não teve condições de dar continuidade a essa brincadeira até que, aos 41 anos, decidiu comprar um carro antigo. O escolhido foi um Fusca 62, na cor azul pavão, cuja reforma e o garimpo de peças foram relativamente fáceis, segundo Monteiro. O executivo gostou dessa atividade e hoje possui dez carros antigos. Não se considera um colecionador devido ao número de automóveis que possui – no Brasil existem colecionadores com mais de 50 carros antigos –, mas se diz um amante deles. “A diferença entre os brinquedos de uma criança e de um adulto são os valores”, aponta.

O segundo carro adquirido foi um Fusca 1961, em bom estado geral, de acordo com o executivo. Nele, poucos ajustes e peças eram necessários. Logo passou para o próximo e maior desafio. Após oito meses de pesquisa, comprou um Studebaker Champion 1951, visto até então somente em fotos. Sua aparência não era boa – vermelho com a capota branca – e o interior, conta Monteiro, lamentável. Antes da aquisição vieram as ponderações racionais: quanto será o custo da reforma? Conseguiria um bom valor na revenda? Há outros iguais no Brasil? Mas a frente do automóvel, semelhante a de um avião, o deixou deslumbrado. Ele acreditava que seria uma reforma fácil e que as peças seriam encontradas na internet. Achava que iria se divertir. Afinal, comprou a “jabiraca” ou “jabi”, como a esposa chamou na época. “Se for racional, nunca vai comprar um carro antigo”, aponta. Quando o carro chegou, era muito pior do que ele esperava. A reforma durou oito anos para ser concluída.

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Antigos e requintados Rogério Monteiro, diretor jurídico do BNP Paribas, mostra sua coleção de carros Por Juliana Jadon

“Tudo que podia ter dado errado com aquele carro, deu. Foi uma aventura típica de ‘Senhor dos Aneis’, mas valeu. Hoje estou muito feliz com a conclusão.” Atualmente o Studebaker Champion 1951 é o carro preferido de Monteiro. Pelo carinho com ele, em especial, colocou direção hidráulica, ar-condicionado e freio hidráulico, diferente do modelo original. Sua ideia era ter nesse veículo todo o conforto e segurança para utilizá-lo a qualquer momento. Já os demais automóveis de Monteiro são puristas, onde todos os componentes são originais e seguem a linha da época de fabricação. Cereja do bolo

Para Monteiro, uma das maneiras de sair do lugar comum, da preocupação do dia a dia, e relaxar é fuçar nos carros. Colecionadores de carros antigos, em geral, gostam de garimpar, procurar peças originais, mas o caminho para achá-las e tê-las em mãos, não é fácil.

A maioria dos itens é encontrada em portais internacionais, nos quais o único contato do comprador com o produto geralmente é uma foto. O tempo da entrega entre um item e o valor do frete varia. Logicamente, em peças maiores o gasto com a entrega costuma ser mais elevado e a chegada mais demorada. Neste ano, Monteiro comprou um motor para seu segundo Studebaker, que demorou oito meses para chegar. Foi a maior peça que importou. Todavia, existem veículos com peças mais fáceis de encontrar. Segundo ele, os carros antigos da Ford, como Mustang ou Thunderbird, por exemplo, possuem todas as peças disponíveis no mercado. Seria fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 49

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vidapessoal

Brincadeira de adulto Dez veículos antigos compõem a coleção de Monteiro. Alguns deles chegam a ser avaliados em R$ 260 mil

va ansioso pela parte que faltava. Com a imagem terminada, ia ao jornaleiro e trocava pelo item que representava a figura. “Encontrar a peça que falta é como achar a cereja do bolo”, coloca.

Veículos originais Os veículos de colecionador com mais de 30 anos, que possuem um porcentual de originalidade de 80% e estado de conservação de 70%, podem ser pleiteados junto à federação internacional a emitirem a placa preta, que mostra que é um carro de coleção. Esses veículos, conta Monteiro, obtêm algumas vantagens em termos de impostos e possuem livre trânsito em todo o território nacional, mas, por outro lado, é difícil e custoso fazer o seguro desse bem

Motor para a vida

Diariamente, quando vê uma oportunidade, o diretor vai trabalhar com um dos carros. “O mercado financeiro requer muita dedicação e fuçar em carros antigos e vê-los serem recuperados me traz benefícios”, assegura. Monteiro está satisfeito com a coleção que possui, mas, como é detalhista, o trabalho dele não termina por aqui. Ele assegura que vê qualquer defeito, mesmo que mínimo, com facilidade. Há quem veja oportunidades financeiras na brincadeira dele. Reformar carros antigos e depois vendê-los pode ser um bom negócio no longo prazo. No momento de ofertar o bem no mercado, ele aconselha a colocar o preço e esperar. Em algum momento aparecerá um comprador. “Hoje a busca por carros antigos é maior e os preços são mais salgados do que de carros novos”, conta. Atualmente, alguns dos brinquedos de Monteiro chegam a ser avaliados em R$ 260 mil. O Thunderbird 1955 é um dos mais valiosos. Já o sentimento e o carinho que o executivo possui com seus automóveis não têm preço. “O projeto agora é manter os carros e usá-los sempre que puder”, finaliza. f

Fotos: Douglas Luccena

possível montar um veículo Ford antigo nos dias de hoje. Mas a graça, para ele, está em encontrar o que é raro e compartilhar a conquista com os amigos e grupos com afinidade nesse ramo. Uma dessas raridades foi o achado do painel de Studebaker 1951, ainda com aparência de novo, na caixa e funcionando. Outro entrave para os colecionadores é a mão de obra especializada de carros antigos. É cara e nem sempre é a melhor. Por isso, é preciso encontrar pessoas que entendam e participem de clubes. A sensação de finalizar, para ele, compensa. Ele compara o que sente com um momento do tempo de criança. Quando montava álbuns de figurinhas, espera-

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Preferido Rogério Monteiro, do BNP Paribas, e seu Studebaker Champion 1951. Reforma do veículo, que lembra a frente de um avião, levou oito anos para ser concluída

Dicas Monteiro escreveu páginas e mais páginas sobre “a saga da reforma do Studebaker Champion 1951”. Confira algumas das dicas para antigomobilistas principiantes: l Honestidade é fundamental.

Mas nesse ramo de carros antigos, um mecânico honesto é ouro l Nunca deixe de relacionar as

peças do carro e fotografar seus detalhes antes de entregá-lo a um mecânico l Arrume tempo para

acompanhar a reforma, visitando a oficina sempre que possível l Nunca permita a aplicação

de tinta, fundo ou proteção, sem que você veja l Antes de qualquer decisão,

pergunte sobre tudo. Converse com amigos e com especialistas. Certas decisões não voltam atrás l É preciso ser paciente no

garimpo das peças e cuidadoso no trato com os mecânicos

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happyhour

Churrasco aprimorado Boa carne, ambiente sofisticado e uma carta de vinhos de destaque geram a receita de sucesso do Varanda Grill, restaurante que figura entre os melhores do País Por Juliana Jadon O corte, a maneira como é feita, a origem, o tempero, entre outros fatores ditam o sabor e a maciez de uma carne. Sylvio Lazzarini, diretor-geral do restaurante Varanda Grill, sabe bem disso. Desde a inauguração, o foco é ser a melhor casa de carnes do Brasil. Esse trabalho é reconhecido, ano a ano, por críticos e frequentadores. Exemplo desse prestígio é o prêmio de melhor casa de carnes, realizado pela edição “Comer & Beber” da revista “Veja São Paulo”, que o restaurante ganha desde 2009. Lazzarini foi criador de gado até 1996, quando decidiu vender a participação em quatro fazendas de criação intensiva situadas em Goiás, São Paulo e

Minas Gerais. Ele diz que precisava conhecer a outra ponta da cadeia, que era o comércio varejista e os restaurantes. Para isso, viajou no primeiro momento para os Estados Unidos, França e Itália, no segundo, para Argentina e Uruguai. “Acredito que a boa carne depende do processo de criação do gado, que inclui condições ambientais, alimentação, seleção genética, técnicas de manejo, entre outros fatores”, pontua o especialista. No mesmo ano surgiu a ideia de reunir em um cardápio só as três principais escolas de churrasco global: a argentina, a brasileira e a

52 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

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Ocasiões especiais Para eventos, o Varanda Grill conta com espaços e salões reservados, o que garante a privacidade. O maior espaço possui capacidade para cem pessoas com entrada, bar independente e estrutura para apresentações em audiovisual. Os cardápios são oferecidos de acordo com cada ocasião.

Fotos: Douglas Luccena

Grelhado dos pescadores Prato traz camarão, polvo, lula, lagosta e peixe, acompanhado de risoto de camarões

norte-americana e abriu a primeira unidade do Varanda Grill nos Jardins, em São Paulo. Dessa empreitada participam dez sócios, sendo oito minoritários, que representam 20% do capital. “O incentivo veio da necessidade de comprovar que o Brasil possui uma pecuária de grande nível e, consequentemente, carnes de qualidade. Esse foi o grande desafio”, conta. O Varanda Grill se tornou referência em carnes de qualidade, pois o especialista busca oferecer o que há de melhor. “Gostamos de inovar, como aconteceu quando trouxemos pela primeira vez ao Brasil o kobe beef, carne oriunda do gado japonês wagyu e considerada a melhor do mundo”, conta Lazzarini. O carré de cordeiro também é uma das pedidas de destaque. A carne advém de um cruzamento entre duas raças: a merilo (espanhola) e a ile de France (francesa). É criado e abatido no Uruguai.

Vinhos O Varanda Grill conta ainda com uma equipe de sommeliers e com uma carta de vinhos diversificada. São cerca de 625 rótulos – entre tintos, brancos, espumantes e de sobremesa – de mais de 92 diferentes regiões, trazidos por mais de 25 importadoras.

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happyhour

Premiações O restaurante Varanda Grill possui um longo histórico de reconhecimentos. Confira as conquistas de 2012: l Melhor restaurante de carnes de São Paulo – “Veja São Paulo”, edição especial “Comer e Beber” l Melhor carta de vinhos de São Paulo – “Época São Paulo”, edição especial “Comer e Beber” l Melhor restaurante de carnes do Brasil – “Guia 4 Rodas”

Sylvio Lazzarini, do Varanda Grill “Acredito que a boa carne depende do processo de criação do gado, que inclui condições ambientais, alimentação, seleção genética, técnicas de manejo, entre outros fatores”

O Varanda Grill também conta com um cardápio de pescados e frutos do mar. Nessa linha, Lazzarini recomenda o grelhado dos pescadores, que traz camarão, polvo, lula, lagosta e peixe, acompanhado de risoto de camarões. Além disso, o local oferece um ambiente sofisticado e uma boa carta de vinhos (ver quadro). A casa recebe clientes de todas as idades e perfis distintos, como executivos, casais e famílias.

restaurante que leva o mesmo nome no requintado Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. O empreendedor também é um dos proprietários da distribuidora de carnes Intermezzo Gourmet, que fornece iguarias para alta gastronomia brasileira. A meta do executivo para os próximos anos é a de expandir a rede de atuação e continuar a trazer novidades para a sua cozinha. f SERVIÇO ALMOÇO E JANTAR DE SEGUNDA A DOMINGO O VALOR DOS PRATOS, ATÉ O FECHAMENTO DESTA MATÉRIA, VARIA ENTRE R$ 52 E R$ 85

Diversificação

Varanda Jardins Rua General Mena Barreto, 793, Jardim Paulista – São Paulo (SP) Contato: 3152–6777

Lazzarini é pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e suas conquistas não terminam no restaurante. Além da unidade nos Jardins, possui outro

Varanda JK Iguatemi Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, Itaim Bibi – Shopping Center JK Iguatemi – Piso 2 Contato: 3887–8870

54 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

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análiseeperspectivas

Prévia de uma análise financeira do segmento de crédito, financiamento e investimento no Brasil O mercado de crédito passa por um período de grandes transformações desde o início da crise financeira em 2008, que se intensificou com o agravamento da crise europeia de 2012. Um dos focos da crise, bancos e instituições financeiras ainda sofrem com a quebra de confiança e adequações ao novo cenário encontrado. Apesar de o Sistema Financeiro Nacional (SFN) não ter sofrido profundamente com os efeitos das crises externas, Por prof. dr. Alberto Borges Matias é notório que tais acontecicom colaboração de Renata Karoline Polo mentos de alguma forma surtam consequências. Somada a essa situação, o governo brasileiro promoveu no ano de 2012 mudanças significativas nos mecanismos pertencentes aos mercados de crédito. A baixa consecutiva da taxa Selic e o apoio dos bancos públicos na redução dos juros bancários, seguido pelos bancos privados, resultaram em uma reconfiguração das instituições no País. Dentre as várias instituições que compõem o SFN, neste artigo será apresentada uma análise prévia sobre as atuantes no segmento de crédito, financiamento e investimento. Os dados correspondem a demonstrativos financeiros do primeiro semestre dos anos de 2010 a 2012 e a compilação foi feita pela mediana de uma amostra significativa. Contas do ativo, passivo, demonstrativos de resultado e indicadores financeiros específicos foram selecionadas, conforme tabela 1.

As principais variações de contas, utilizando a análise horizontal, foram: As operações de crédito apresentaram um crescimento menor de 2011/2012, 8,97%, no comparativo com 2010/2011, que registrou variação de 23,78%. Os depósitos (conta de passivo) apresentaram comportamento semelhante, com variação de 9,03% no período 2010/2011 e crescimento menor de 4,10%, em 2011/2012. Na mesma tendência, o patrimônio líquido obteve variação de 10,05% em 2010/2011, e de 7,20%, em 2011/2012. As receitas de intermediação financeira, que já haviam apresentado crescimento de 9,11%, 2010/2011, registraram crescimento maior em 2011/2012, 16%. Registrou-se também o crescimento das despesas de intermediação financeira que em 2010/2011 foi de 8,91%, passando no período 2011/2012 para 32,51%. Esse resultado, em particular, confirma a recente discussão empreendida por alguns especialistas sobre um possível erro no cálculo do PIB do setor financeiro. A provisão para crédito de liquidação duvidosa foi a conta com maior variação na análise, cresceu 0,47% de 2010/2011, e 59,44% entre 2011/2012. As possíveis causas desse resultado podem ser previamente identificadas pelo significativo crescimento das operações de crédito no período anterior e suas consequências nos atrasos e perdas de pagamentos no período seguinte.

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Por fim, o resultado operacional apresentou melhora, variou -24,91%, em 2010/2011, e entre 2011/2012 registrou -5,39%. As principais variações de contas, utilizando a análise vertical, foram: A conta de operações de crédito – passando de 70%, 2010/2011, para 62,40%, 2011/2012. Também a conta de depósitos, passando de 63,81%, 2010/2011, para 55,08%, 2011/2012. E, por fim, o resultado operacional com 11,10%, 2010/2011, e 7,88%, 2011/2012. As principais variações nos indicadores foram: A conta de rentabilidade líquida anual do patrimônio líquido apresentou mediana de 11,54% entre o 2010 e 2011. Já no período que compreende os anos de 2011 e 2012 foi de 8,32% Grande foco das discussões políticas do ano de 2012, o indicador de spread apresentou redução mediana. De 2010 para 2011 registrava 7,40%, já entre 2011 e 2012 o indicador registrou 5,4%. Na análise do spread cabe considerar o comportamento de operações de crédito, receitas Análise horizontal

2011/2012 (mediana – 1º sem.)

23,8% 9,0% 10,0% 9,1% 8,9% 0,5% -24,9%

9,0% 4,1% 7,2% 16,0% 32,5% 59,4% -5,4%

2010/2011 (mediana – 1º sem.)

2011/2012 (mediana – 1º sem.)

70,0% 63,8% 16,9% 95,1% 57,8% 14,4% 11,1%

62,4% 55,1% 14,0% 93,5% 60,1% 15,4% 7,9%

2010/2011 (mediana – 1º sem.)

2011/2012 (mediana – 1º sem.)

11,5% 7,4% 6,6% 3,3%

8,3% 5,1% 7,2% 3,6%

Op. de crédito/ativo total Depósitos/passivo total PL/passivo total Receita de intermediação/receita líquida Despesa de intermediação/receita líquida Provisão/receita líquida Resultado operacional/receita líquida Indicadores/índices

ELABORAÇÃO: Alberto Borges Matias –Diretor presidente do INEPAD. Professor titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto. Livre docente em Finanças, atuando nos programas de graduação, pósgraduação e MBAs da Universidade APOIO: João Gabriel Sehn – Pesquisador do Centro de Pesquisas do Inepad – Núcleo CEPEFIN. Graduando em economia empresarial e controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo no Campus de Ribeirão Preto

2010/2011 (mediana – 1º sem.)

Operações de crédito (CP + LP) Depósitos Patrimônio líquido Receitas de intermediação financeira Despesa de intermediação financeira Provisão para crédito de liq. duvidosa Resultado operacional Análise vertical

e despesas, no qual, apesar do aumento das receitas de intermediação, o volume de operações não conseguiu contrabalancear as despesas. Confirmando o comportamento das provisões, o indicador de inadimplência passou de 6,60% no período 2010/2011 para 7,24% no período 2011/2012. Já o indicador de insolvência passou de 3,27% no período 2012/2011 para 3,61% em 2011/2012. f

Rentabilidade anual líquida do PL final (%) Spread (%) Inadimplência (%) Insolvência (%) Elaborado pelo Centro de Pesquisas do INEPAD – Núcleo CEPEFIN

fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 57

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bancodedadosinepad Taxas médias: geral Data

Aplicações

Var. p.p.

Captações

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

nov/11

38,47

-1,1

10,32

-0,3

28,15

-0,7

dez/11

37,05

-1,4

10,18

-0,1

26,87

-1,3

jan/12

38,00

1,0

10,20

0,0

27,80

0,9

fev/12

38,10

0,1

9,70

-0,5

28,40

0,6

mar/12

37,30

-0,8

9,30

-0,4

28,00

-0,4

abr/12

35,30

-2,0

8,80

-0,5

26,50

-1,5

mai/12

32,86

-2,44

8,22

-0,58

24,64

-1,86

jun/12

31,00

-1,9

7,94

-0,3

23,12

-1,5

jul/12

30,70

-0,30

7,70

-0,2

24,64

1,5

ago/12

30,10

-0,6

7,60

-0,1

23,12

-1,5

set/12

29,90

-0,2

7,60

0,0

22,30

-0,8

out/12

29,30

-0,6

7,30

-0,3

22,00

-0,3

nov/12

28,90

-0,40

7,30

0,00

21,6

-0,4

0,7

-3,0

0,0

-6,9

-1,1

Captações

Var. p.p.

Variação nov/nov

-9,6

Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa física Data

Spread

Var. p.p.

nov/11

44,73

-2,4

10,06

-0,4

34,67

-2,0

dez/11

43,75

-1,0

10,07

0,0

33,68

-1,0

jan/12

45,10

1,4

10,20

0,1

34,90

1,2

fev/12

45,40

0,3

9,60

-0,6

35,80

0,9

mar/12

44,40

-1,0

9,30

-0,3

35,10

-0,7

abr/12

42,10

-2,3

8,90

-0,4

33,20

-1,9

mai/12

38,84

-3,3

8,27

-0,6

30,57

-2,6

jun/12

36,47

-2,4

8,00

-0,3

28,47

-2,1

jul/12

36,20

-0,3

7,80

-0,2

28,40

-0,1

ago/12

35,60

-0,6

7,90

0,1

27,70

-0,7

set/12

35,80

0,2

7,90

0,0

27,90

0,2

out/12

35,40

-0,4

7,60

-0,3

27,80

-0,1

nov/12

34,80

-0,6

7,50

-0,1

27,30

-0,5

-9,9

1,8

-2,6

0,3

-7,4

1,5

Var. p.p.

Spread

Var. p.p.

Variação nov/nov

Aplicações

Var. p.p.

Fonte: BC/Inepad

Taxas médias: pessoa jurídica Data

Var. p.p.

Captações

nov/11

29,79

0,0

10,57

-0,2

19,22

0,3

dez/11

28,23

-1,6

10,28

-0,3

17,95

-1,3

jan/12

28,70

0,5

10,20

-0,1

18,50

0,5

fev/12

28,60

-0,1

9,80

-0,4

18,80

0,3

mar/12

27,70

-0,9

9,30

-0,5

18,40

-0,4

abr/12

26,30

-1,4

8,80

-0,5

17,50

-0,9

mai/12

24,95

-1,4

8,18

-0,6

16,77

-0,7

jun/12

23,77

-1,2

7,88

-0,3

15,89

-0,9

jul/12

23,60

-0,2

7,60

-0,3

16,00

0,1

ago/12

23,10

-0,5

7,40

-0,2

15,70

-0,3

set/12

22,60

-0,5

7,30

-0,1

15,30

-0,4

out/12

22,10

-0,5

7,10

-0,2

15,00

-0,3

nov/12

21,70

-0,4

7,00

-0,1

14,70

-0,3

-8,1

-0,4

-3,6

0,1

-4,5

-0,6

Variação nov/nov

Aplicações

Fonte: BC/Inepad

58 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

Finan79_INEPAD tabelas.indd 58

2/21/13 10:04 PM


Crédito consignado

Spread financeiro

R$ milhões

45%

190.000

40%

185.000

35%

180.000

28,0% 27,0% 26,0%

175.000

30%

170.000

25%

25,0%

165.000 20%

24,0%

160.000

15%

155.000

Aplicações

23,0% 22,0%

Captações

nov/12

set/12

Consignado

out/12

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

fev/12

mar/12

jan/12

dez/11

21,0%

nov/11

nov/12

out/12

set/12

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

0

140.000

fev/12

145.000

jan/12

5%

dez/11

150.000

nov/11

10%

Taxa de juros % a.a.

Fonte: BC/Inepad

VOLUME PREFIXADOS –

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

Mês/Ano

Cheque Especial

Variação em %

Crédito Pessoal

Variação em %

Financiamento Imobiliário

Variação em %

Cartão de Crédito

Variação em %

nov/11

20.972,07

-2,5%

241.596,96

1,4%

43,1

3,4%

36.433,21

0,4%

dez/11

18.882,41

-10,0%

241.653,11

0,0%

44,8

3,8%

35.637,97

-2,2%

jan/12

21.176,51

12,1%

244.757,84

1,3%

45,0

0,4%

36.756,87

3,1%

fev/12

22.012,75

3,9%

248.146,64

1,4%

46,8

4,1%

37.654,62

2,4%

mar/12

21.830,06

-0,8%

250.979,63

1,1%

45,4

-3,1%

37.374,42

-0,7%

abr/12

22.766,31

4,3%

255.260,22

1,7%

47,1

3,8%

37.653,60

0,7%

mai/12

21.891,63

-3,8%

260.152,16

1,9%

46,3

-1,7%

37.024,24

-1,7%

jun/12

21.193,06

-3,2%

265.355,75

2,0%

46,0

-0,7%

37.149,52

0,3%

jul/12

21.311,37

0,6%

267.862,89

0,9%

45,6

-0,9%

37.425,18

0,7%

ago/12

21.054,08

-1,2%

272.027,40

1,6%

44,9

-1,6%

37.421,80

0,0%

set/12

20.690,82

-1,7%

271.602,24

-0,2%

44,2

-1,4%

37.310,91

-0,3%

out/12

21.204,41

2,5%

275.335,07

1,4%

43,7

-1,3%

37.176,47

-0,4%

nov/12

20.561,95

-3,0%

277.997,86

1,0%

43,6

-0,2%

37.580,97

1,1%

Variação em %

Total

Variação em %

Fonte: BC/Inepad

VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA

PREFIXADOS/CONTINUAÇÃO –

RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)

AQUISIÇÃO Mês/Ano

Veículos

Variação em %

Outros

Variação em %

Total

Variação em %

Outros

nov/11

170.554,47

1,1%

9.179,58

1,8%

179.734,04

1,2%

7.386,58

1,1%

486.166

1,1%

dez/11

173.301,89

1,6%

9.348,56

1,8%

182.650,45

1,6%

7.769,86

5,2%

486.639

0,1%

jan/12

174.680,92

0,8%

9.291,31

-0,6%

183.972,22

0,7%

7.800,39

0,4%

494.509

1,6%

fev/12

176.191,48

0,9%

9.442,44

1,6%

185.633,92

0,9%

7.540,76

-3,3%

501.036

1,3%

mar/12

177.546,16

0,8%

9.339,87

-1,1%

186.886,02

0,7%

7.648,83

1,4%

504.764

0,7%

abr/12

178.076,90

0,3%

9.206,31

-1,4%

187.283,21

0,2%

7.823,74

2,3%

510.834

1,2%

mai/12

178.494,29

0,2%

9.326,84

1,3%

187.821,14

0,3%

8.139,16

4,0%

515.075

0,8%

jun/12

182.153,66

2,1%

9.244,58

-0,9%

191.398,24

1,9%

8.250,35

1,4%

523.393

1,6%

jul/12

183.913,74

1,0%

9.142,04

-1,1%

193.055,77

0,9%

8.355,71

1,3%

528.057

0,9%

ago/12

186.132,77

1,2%

9.344,74

2,2%

195.477,51

1,3%

8.469,08

1,4%

534.495

1,2%

set/12

186.393,41

0,1%

9.416,36

0,8%

195.809,77

0,2%

8.602,53

1,6%

534.061

-0,1%

out/12

186.310,26

0,0%

9.602,49

2,0%

195.912,75

0,1%

11.008,78

28,0%

540.681

1,2%

nov/12

186.379,80

0,0%

9.708,42

1,1%

196.088,22

0,1%

11.482,65

4,3%

543.755

0,6%

Fonte: BC/Inepad

fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 59

Finan79_INEPAD tabelas.indd 59

2/21/13 10:04 PM


bancodedadosinepad VOLUME

DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO

CRÉDITO CONSIGNADO (R$

CONSIGNADO

Mês/Ano

Crédito Pessoal*

Públicos

Privados

nov/11

271.256

135.984

22.595

158.579

115.559

dez/11

271.810

135.836

22.792

158.628

115.333

jan/12

275.388

137.849

23.134

160.983

fev/12

279.185

139.863

23.920

mar/12

283.058

141.625

abr/12

287.790

mai/12

% CONSIGNADO***

MILHÕES)

CONCENTRAÇÃO DO CONSIGNADO

TAXA DE JUROS % A.A.

Estimativa INEPAD

Consignado

Pessoal

Diferença

58.5%

72,9%

27,2%

48,6%

21,4%

58.4%

72,7%

27,0%

48,2%

21,2%

116.174

58.5%

72,2%

27,5%

50,3%

22,8%

163.783

118.299

58.7%

72,2%

27,6%

50,6%

23,0%

24.451

166.076

119.449

58.7%

71,9%

27,1%

48,8%

21,7%

143.796

24.909

168.705

121.342

58.6%

71,9%

25,9%

44,7%

18,8%

292.964

146.913

25.287

172.200

124.005

58.8%

72,0%

25,3%

41,4%

16,1%

jun/12

298.228

149.160

26.078

175.238

125.270

58.8%

71,5%

24,6%

39,6%

15,0%

jul/12

301.035

150.985

26.658

177.643

127.048

59.0%

71,5%

24,6%

39,9%

15,3%

ago/12

306.169

153.523

27.385

180.908

129.302

59.1%

71,5%

23,6%

39,4%

15,8%

set/12

307.519

153.360

28.407

181.767

130.354

59.1%

71,7%

23,8%

39,7%

15,9%

out/12

311.330

155.505

29.310

184.815

132.557

59.4%

71,7%

23,5%

39,1%

15,6%

nov/12 Variação nov/nov

314.650

157.055

29.848

186.904

134.460

59.4%

71,9%

23,5%

38,0%

14,5%

16,00%

15,50%

32,10%

17,86%

16,36%

1,61%

-1,28%

-13,68%

-21,81%

-32,17%

Total

Amostra**

Fonte: BC/Inepad * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito ** Pesquisa com 13 das maiores instituições que operam com crédito pessoal *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS % Sobre

Com atraso

CRÉDITO PESSOAL (R$ % Sobre

Com atraso

MIL)

% Sobre

Saldo total

Variação em %

5,40%

241.596.963

1,43%

5,45%

241.653.105

0,02%

13.774.887

5,63%

244.757.839

1,28%

2,58%

13.941.885

5,62%

248.146.635

1,38%

6.393.418

2,55%

13.263.639

5,28%

250.979.631

1,14%

2,52%

6.657.244

2,61%

13.914.798

5,45%

255.260.224

1,71%

6.375.340

2,45%

6.621.515

2,55%

14.802.116

5,69%

260.152.159

1,92%

237.782.075

5.805.571

2,19%

6.621.516

2,50%

14.802.117

5,58%

265.355.751

2,00%

jul/12

239.123.083

6.003.783

2,24%

6.994.273

2,61%

15.741.752

5,88%

267.862.891

0,94%

ago/12

243.157.599

5.822.853

2,14%

6.752.405

2,48%

16.294.543

5,99%

272.027.399

1,55%

set/12

242.237.413

6.160.128

2,27%

6.938.320

2,55%

16.266.383

5,99%

271.602.244

-0,16%

out/12

245.139.500

6.126.544

2,23%

7.172.139

2,60%

16.896.883

6,14%

275.335.066

1,37%

nov/12

247.713.148

6.177.153

2,22%

6.861.903

2,47%

17.245.658

6,20%

277.997.862

0,97%

Saldo sem atraso

Com atraso de 30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

nov/11

217.550.528

5.050.272

2,09%

5.940.290

2,46%

13.055.873

dez/11

218.121.588

4.742.796

1,96%

5.621.166

2,33%

13.167.555

jan/12

219.312.227

5.670.345

2,32%

6.000.380

2,45%

fev/12

221.943.486

5.848.687

2,36%

6.412.577

mar/12

225.408.614

5.913.960

2,36%

abr/12

228.253.823

6.434.358

mai/12

232.353.188

jun/12

saldo da carteira

carteira-Brasil

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS % Sobre

AQUISIÇÃO DE BENS % Sobre

Com atraso

VEÍCULOS (R$

Variação em %

4,89%

170.554.465

1,12%

5,01%

173.301.894

1,61%

9.181.932

5,26%

174.680.916

0,80%

5,03%

9.718.168

5,52%

176.191.480

0,86%

8.890.296

5,01%

10.116.427

5,70%

177.546.157

0,77%

3,30%

9.321.380

5,23%

10.433.499

5,86%

178.076.901

0,30%

6.040.597

3,38%

9.168.149

5,14%

10.885.690

6,10%

178.494.293

0,23%

156.624.704

5.740.064

3,15%

8.852.142

4,86%

10.936.746

6,00%

182.153.656

2,05%

jul/12

158.302.956

5.925.590

3,22%

8.673.636

4,72%

11.011.554

5,99%

183.913.736

0,97%

ago/12

160.792.538

6.131.662

3,29%

8.275.364

4,45%

10.933.209

5,87%

186.132.773

1,21%

set/12

160.695.372

5.859.420

3,14%

8.640.875

4,64%

11.197.737

6,01%

186.393.405

0,14%

out/12

161.267.367

5.757.377

3,09%

8.360.135

4,49%

10.925.381

5,86%

186.310.260

-0,04%

nov/12

161.995.244

5.384.781

2,89%

8.472.163

4,55%

10.527.611

5,65%

186.379.799

0,04%

Saldo sem atraso

de 15 a30 dias

saldo da carteira

de 31 a 90 dias

saldo da carteira

maior 90 dias

nov/11

147.989.270

5.841.417

3,42%

8.388.009

4,92%

8.335.769

dez/11

151.409.644

5.470.180

3,16%

7.747.212

4,47%

8.674.858

jan/12

151.295.533

5.944.994

3,40%

8.258.457

4,73%

fev/12

151.730.673

5.875.155

3,33%

8.867.484

mar/12

152.189.861

6.349.573

3,58%

abr/12

152.441.130

5.880.893

mai/12

152.399.857

jun/12

% Sobre

MIL)

Saldo total

Com atraso

Com atraso

saldo da carteira

carteira-Brasil

Fonte: BC/Inepad

60 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

Finan79_INEPAD tabelas.indd 60

2/21/13 10:04 PM


INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS Com atraso

% Sobre

Saldo sem atraso

de 15 a 30 dias

saldo da carteira

nov/11

7.166.439

322.619

3,51%

dez/11

7.398.461

293.299

3,14%

jan/12

7.281.585

354.078

fev/12

7.395.159

mar/12

7.280.027

abr/12 mai/12

AQUISIÇÃO DE BENS

Com atraso

% Sobre

Com atraso

OUTROS (R$ % Sobre

MIL)

Saldo total

Variação em %

saldo da carteira

maior 90 dias

saldo da carteira

422.377

4,60%

1.268.141

13,81%

9.179.576

353.421

3,78%

1.303.375

13,94%

9.348.556

1,84%

3,81%

347.253

3,74%

1.308.392

14,08%

9.291.308

-0,61%

347.599

3,68%

411.438

4,36%

1.288.245

13,64%

9.442.441

1,63%

357.302

3,83%

492.722

5,28%

1.209.814

12,95%

9.339.865

-1,09%

7.132.293

348.564

3,79%

486.542

5,28%

1.238.906

13,46%

9.206.306

-1,43%

7.235.833

329.259

3,53%

464.977

4,99%

1.296.776

13,90%

9.326.844

1,31%

jun/12

7.176.905

310.846

3,36%

453.064

4,90%

1.303.769

14,10%

9.244.584

-0,88%

jul/12

7.111.907

307.859

3,37%

421.582

4,61%

1.300.690

14,23%

9.142.038

-1,11%

ago/12

7.366.086

292.641

3,13%

401.493

4,30%

1.284.521

13,75%

9.344.741

2,22%

set/12

7.463.659

294.394

3,13%

403.609

4,29%

1.254.701

13,32%

9.416.363

0,77%

out/12

7.599.594

302.781

3,15%

458.566

4,78%

1.241.553

12,93%

9.602.494

1,98%

nov/12

7.813.992

308.006

3,17%

410.371

4,23%

1.176.050

12,11%

9.708.419

1,10%

de 31 a 90 dias

carteira-Brasil

1,85%

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA – Mês/Ano

OPERAÇÕES PREFIXADAS % Sobre

OUTRAS AQUISIÇÕES (R$

saldo da carteira

carteira-Brasil

Saldo total

Variação em %

691.743

9,36%

1.468.126

19,88%

7.386.579

1,13%

915.590

11,78%

1.392.790

17,93%

7.769.857

5,19%

5,34%

659.418

8,45%

1.679.400

21,53%

7.800.394

0,39%

408.896

5,42%

674.097

8,94%

1.674.445

22,21%

7.540.758

-3,33%

4.790.733

398.775

5,21%

723.609

9,46%

1.735.716

22,69%

7.648.833

1,43%

4.871.860

410.234

5,24%

735.997

9,41%

1.805.651

23,08%

7.823.743

2,29%

mai/12

5.062.140

386.074

4,74%

662.663

8,14%

2.028.284

24,92%

8.139.161

4,03%

jun/12

5.348.052

390.441

4,73%

719.354

8,72%

1.792.499

21,73%

8.250.346

1,37%

jul/12

5.418.793

438.061

5,24%

681.941

8,16%

1.816.910

21,74%

8.355.705

1,28%

ago/12

5.558.268

416.627

4,92%

652.736

7,71%

1.841.446

21,74%

8.469.076

1,36%

set/12

5.612.939

441.155

5,13%

739.122

8,59%

1.809.318

21,03%

8.602.534

1,58%

out/12

8.197.258

404.991

3,68%

705.316

6,41%

1.701.217

15,45%

11.008.782

27,97%

nov/12

8.545.006

419.976

3,66%

719.670

6,27%

1.797.996

15,66%

11.482.648

4,30%

saldo da carteira

nov/11

4.917.007

309.703

4,19%

dez/11

5.135.116

326.361

4,20%

jan/12

5.045.000

416.576

fev/12

4.783.320

mar/12 abr/12

de 31 a 90 dias

% Sobre

MIL)

maior 90 dias

de 15 a 30 dias

Com atraso

Com atraso

saldo da carteira

Com atraso

Saldo sem atraso

% Sobre

Fonte: BC/Inepad

INADIMPLÊNCIA – Com atraso de mais de 90 dias 17.245.658 Atraso de até 30 dias 6.177.153

21% 55% 24%

Atraso de 31 a 90 dias 6.861.903

INADIMPLÊNCIA –

AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS

Com atraso maior que 90 dias 10.527.611 Com atraso de 15 a 30 dias 5.384.781 Com atraso de 31 a 90 dias 8.472.163

Finan79_INEPAD tabelas.indd 61

INADIMPLÊNCIA –

CRÉDITO PESSOAL

22%

Com atraso maior que 90 dias 1.176.050 Com atraso de 15 a 30 dias 308.006 Com atraso de 31 a 90 dias 410.371

INADIMPLÊNCIA –

35%

15%

63%

Com atraso de 31 a 90 dias 719.670

22%

OUTRAS

Com atraso maior que 90 dias 1.797.996 Com atraso de 15 a 30 dias 419.976

43%

AQUISIÇÃO DE BENS

13%

62%

25%

2/21/13 10:05 PM


bancodedadosinepad TAXA

DE DESEMPREGO SP

Var. %

-0,6%

5,0%

-0,01

4,7%

-0,5%

4,7%

0,00

jan/12

5,5%

0,8%

5,5%

0,01

fev/12

5,7%

0,2%

6,1%

0,01

mar/12

6,2%

0,5%

6,5%

0,00 0,00

Data

Brasil

nov/11

5,2%

dez/11

Var. % – Brasil

10%

1,0%

9%

0,8%

8%

0,6%

7%

0,4%

6% 0,2% 5%

abr/12

6,0%

-0,2%

6,5%

mai/12

5,8%

-0,2%

6,2%

0,00

jun/12

5,9%

0,1%

6,5%

0,00

3%

jul/12

5,4%

-0,5%

5,70%

-0,01

2%

ago/12

5,3%

-0,1%

5,80%

0,00

1%

-0,6%

set/12

5,4%

0,1%

6,50%

0,01

0

-0,8%

out/12

5,3%

-0,1%

5,90%

-0,01

nov/12

4,9%

-0,4%

5,50%

0,00

0,0% 4% -0,2%

Brasil

nov/12

out/12

set/12

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

-0,4%

São Paulo

Var.p.p.

Fonte: IBGE/Inepad

MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) Var. %

4,50%

3,14%

0,00

4,00%

0,00

3,15%

0,00

1,90%

0,00

3,40%

0,08

fev/12

2,00%

0,05

3,30%

-0,03

mar/12

2,10%

0,05

3,80%

0,15

2,50%

abr/12

2,00%

-0,05

3,70%

-0,03

2,00%

mai/12

2,00%

0,00

3,70%

0,00

1,50%

jun/12

2,00%

0,00

3,70%

0,00

jul/12

1,90%

-0,05

3,60%

-0,03

ago/12

2,00%

0,05

3,90%

0,08

0,50%

set/12

2,00%

0,00

3,80%

-0,03

0,00%

out/12

2,10%

0,05

4,00%

0,05

nov/12

2,00%

-0,05

3,80%

-0,05

3,50% 3,00%

SP

nov/12

out/12

set/12

1,00%

ago/12

jan/12

jul/12

1,90%

jun/12

dez/11

mai/12

-0,05

abr/12

1,90%

mar/12

nov/11

SP

fev/12

Var. % – Brasil

jan/12

Brasil

dez/11

Data

nov/11

RENDIMENTO

Brasil

Fonte: IBGE/Inepad

CRÉDITO PESSOAL Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

Data

Volume

Taxa de juros

jan/09

132.282,85

3,80

mai/10

180.849,11

3,03

set/11

235.550,20

3,42

fev/09

134.308,50

3,69

jun/10

183.608,92

2,97

out/11

238.200,69

3,56

mar/09

137.284,08

3,48

jul/10

186.715,25

2,98

nov/11

241.596,96

3,36

abr/09

141.064,96

3,37

ago/10

191.025,56

2,97

dez/11

241.653,11

3,33

mai/09

145.457,84

3,24

set/10

194.474,73

2,94

jan/12

244.757,84

3,45

jun/09

147.804,50

3,18

out/10

197.645,23

3,06

fev/12

248.146,64

3,47

jul/09

150.852,21

3,13

nov/10

201.482,21

2,97

mar/12

250.979,63

3,37

ago/09

154.003,98

3,10

dez/10

202.377,26

3,09

abr/12

255.260,22

3,13

set/09

156,472,41

3,13

jan/11

206.767,09

3,34

mai/12

260.152,16

2,93

out/09

159.967,04

3,19

fev/11

209.078,62

3,32

jun/12

265.355,75

2,82

nov/09

161.497,41

3,06

mar/11

212.600,86

3,28

jul/12

267.862,89

2,84

dez/09

162.263,33

3,11

abr/11

216.453,86

3,43

ago/12

272.027,40

2,81

jan/10

164.926,16

3,13

mai/11

220.807,56

3,42

set/12

271.602,24

2,82

fev/10

167.772,83

3,07

jun/11

225.067,57

3,38

out/12

275.335,07

2,79

mar/10

172.371,66

3,01

jul/11

229.084,55

3,36

nov/12

277.997,86

2,72

abr/10

176.505,45

3,02

ago/11

232.571,36

3,41

Fonte: IBGE/Inepad

62 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

Finan79_INEPAD tabelas.indd 62

2/21/13 10:05 PM


PREVISÕES

ECONÔMICAS

Ano de 2013

Previsão 31/12/2012

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

0,99

-0,19

-0,3

1,8

-2,32

3,28

3,83

3,29

3,25

3,12

3,2

3,97

3,41

3,24

3,35

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

(2012/2012) 1 semana antes 07/01 Previsão 18/01 Ano de 2013

IPCA % a.a.

IGP–DI % a.a.

Selic Taxa anual

7,36

8,08

5,48

2,08

247,03

1 semana antes 07/01

7,32

5,45

5,51

2,07

262,36

Previsão 18/01

7,36

5,31

5,65

2,08

262,37

Pevisão 31/12/2012 (2012/2012)

Fonte: BC-Focus/Inepad

ATIVIDADE

ECONÔMICA Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

Var. p.p.

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

nov/11

82,70

-0,60

dez/11

79,40

-3,30

nov/11

126,65

-0,74%

dez/11

126,88

jan/12

80,00

0,18%

0,60

jan/12

126,08

-0,63%

fev/12 mar/12

80,10

0,10

fev/12

126,06

-0,02%

81,30

1,20

mar/12

125,51

-0,44%

abr/12

80,60

-0,70

abr/12

125,64

0,10%

mai/12

81,90

1,30

mai/12

124,80

-0,67%

jun/12

80,80

-1,10

jun/12

124,40

-0,32%

jul/12

81,40

0,60

jul/12

124,27

-0,10%

ago/12

82,10

0,70

ago/12

125,20

0,75%

set/12

82,20

0,10

set/12

125,64

0,35%

out/12

83,00

0,80

out/12

126,09

0,36%

nov/12

82,80

-0,20

nov/12

125,60

-0,39%

Variação nov/nov

0,12%

Variação nov/nov

-0,83%

Data

Data

Fonte: CNI/Inepad

Fonte: IBGE/Inepad

PRODUÇÃO X

CAPACIDADE

Capacidade (%)

Produção (índice)

85

133

84 129

83 82

125

81 121 80 117

79 78

113

77 109 76 105

Fonte: Inepad/CNI/IBGE

Taxa da utilização da capacidade instalada

nov/12

out/12

set/12

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

jan/12

dez/11

nov/11

75

Índice de produção física média móvel trimestral

fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 63

Finan79_INEPAD tabelas.indd 63

2/21/13 10:05 PM


bancodedadosinepad IPCA MENSAL

BALANÇA

0,90%

COMERCIAL (US$

MILHÕES)

25.000

0,80% 20.000

0,70% 0,60%

15.000 0,50% 0,40% 10.000 0,30% 0,20%

5.000

0,10%

IPCA

M.M 12 meses

Exportações

Fonte: Inepad/MDIC

dez/12

out/12

ago/12

jun/12

fev/12

dez/11

dez/12

out/12

ago/12

jun/12

abr/12

fev/12

dez/11 Fonte: Inepad/IBGE

abr/12

0

0,00%

Importações

PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS. MISTOS. VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)

Data

Produção

Média Trim.

Var. Mensal

dez/11

262.000

267.367

-12.500

-4,55%

jan/12

211.764

249.421

-50.236

-19,17%

fev/12

217.848

230.537

6.084

2,87%

350.000

mar/12

308.500

246.037

90.652

41,61%

300.000

abr/12

260.800

262.383

-47.700

-15,46%

mai/12

280.800

283.367

20.000

7,67%

jun/12

273.600

271.733

-7.200

-2,56%

jul/12

297.800

284.067

24.200

8,85%

150.000

ago/12

329.300

300.233

31.500

10,58%

100.000

set/12

282.540

303.213

-46.760

-14,2%

50.000

out/12

318.701

310.180

36.161

12,8%

nov/12

301.679

300.973

-17.022

-5,3%

dez/12

259.364

293.248

-42.315

Var. Mensal (%)

PRODUÇÃO –

250.000 200.000

set/12

out/12

nov/12

dez/12

set/12

out/12

nov/12

dez/12

jul/12 jul/12

ago/12

jun/12 jun/12

ago/12

mai/12 mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

-14,0%

jan/12

dez/11

0

-1,01%

Variação dez/dez

AUTOMÓVEIS LEVES E PESADOS

Unidades

Fonte: Anfavea/Inepad

EXPORTAÇÃO

UNIDADES)

48.403

51.867

-6.547

-11,91%

jan/12

33.075

45.476

-15.328

-31,67%

fev/12

36.461

39.313

3.386

10,24%

mar/12

42.225

37.254

5.764

15,81%

abr/12

48.700

42.462

6.475

15,33%

mai/12

26.700

39.208

-22.000

-45,17%

jun/12

36.000

37.133

9.300

34,83%

jul/12

29.700

30.800

-6.300

-17,50%

ago/12

42.900

36.200

13.200

44,44%

set/12

27.194

33.265

-15.706

-36,61%

out/12

41.797

37.297

14.603

53,70%

nov/12

36.536

35.176

-5.261

-12,59%

dez/12

41.194

39.842

4.658

Variação dez/dez

12,75% -14,89%

Unidades 60.000

50.000

40.000

30.000

20.000

10.000

0

abr/12

Var. Mensal (%)

dez/11

mar/12

Var. Mensal

fev/12

Média Trim.

jan/12

Exportações

Data

dez/11

DE AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM

Exportações

Média Trimestral

Fonte: Anfavea/Inepad

64 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

Finan79_INEPAD tabelas.indd 64

2/21/13 10:05 PM


LICENCIAMENTO

DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM

UNIDADES)

Total

1000cc

% no Total

+1000cc a 2000cc

% no total

+2000cc

% no total

dez/11

251.606

110.860

40,4%

137.344

54,6%

3.402

1,4%

jan/12

196.654

86.608

56,4%

107.608

54,7%

2.438

1,2%

fev/12

185.483

78.953

46,7%

104.784

56,5%

1.746

0,9%

mar/12

220.172

88445

35,9%

129.404

58,8%

2.323

1,1%

abr/12

189.232

73014

46,7%

114.158

60,3%

2.060

1,1%

mai/12

210.216

85432

34,7%

122.532

58,3%

2.233

1,1%

jun/12

275.929

120194

31,0%

153.905

55,8%

1.830

0,7%

jul/12

281.420

117366

42,7%

162.179

57,6%

1.875

0,7%

ago/12

326.914

133660

35,9%

191.167

58,5%

2.087

0,6%

set/12

214.351

90205

62,4%

122.402

57,1%

1.744

0,8%

out/12

250.598

105244

36,0%

143.910

57,4%

1.444

0,6%

nov/12

233.279

97.802

45,1%

134.278

57,6%

1.199

0,5%

dez/12

267.302

111.103

36,6%

155.168

58,0%

1.031

0,4%

Data

Fonte: Anfavea/Inepad

LICENCIAMENTO

POR CATEGORIA

AUTOMÓVEIS

Unidades 250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

1000cc

Fonte: Anfavea/INEPAD

TAXA

DE JUROS PREFIXADOS

PESSOA FÍSICA (R$

CRÉDITO PESSOAL

+ 1000cc a 2000cc

dez/12

+ 2000cc

MILHÕES)

AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS

AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

TAXA DE JUROS

nov/12

out /12

set/12

ago/12

jul/12

jun/12

mai/12

abr/12

mar/12

fev/12

dez/11

jan/12

0

% a.a.

Variação p.p.

55,50

-2,30

Mês/ ano

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

% a.m.

Variação p.p.

% a.a.

Variação p.p.

Saldo total R$ milhões

nov/11

241.597

3,36

-0,21

48,60

-3,60

170.554

2,03

-0,08

27,20

-1,20

9.180

3,75 -0,13

dez/11

241.653

3,33

-0,02

48,20

-0,40

173.302

1,96

-0,07

26,20

-1,00

9.349

4,31

jan/12

244.758

3,45

0,12

50,30

2,10

174.681

2,00

0,04

26,80

0,60

9.291

4,11 -0,20

62,10

-3,80

fev/12

248.147

3,47

0,02

50,60

0,30

176.191

2,01

0,01

27,00

0,20

9.442

3,90 -0,21

58,30

-3,80

mar/12

250.980

3,37

-0,10

48,80

-1,80

177.546

1,98

-0,03

26,50

-0,50

9.340

4,10

0,19

61,90

3,60

abr/12

255.260

3,13

-0,24

44,70

-4,10

178.077

1,94

-0,03

26,00

-0,50

9.206

4,17

0,07

63,30

1,40

mai/12

260.152

2,93

-0,20

41,41

-3,29

178.494

1,77

-0,17

23,43

-2,57

9.327

3,98 -0,19

59,75

-3,55

jun/12

265.356

2,82

-0,11

39,58

-1,83

182.154

1,58

-0,19

20,66

-2,77

9.245

4,02

0,04

60,50

0,75

jul/12

267.863

2,84

0,02

39,94

0,36

183.914

1,60

0,02

20,95

0,29

9.142

3,92 -0,11

58,56

-1,94

ago/12

272.027

2,81

-0,03

39,43

-0,51

186.133

1,57

-0,03

20,52

-0,43

9.345

3,94

0,03

59,06

0,50

set/12

271.602

2,82

0,01

39,65

0,22

186.393

1,59

0,03

20,90

0,38

9.416

3,85 -0,09

57,44

-1,62

out/12

275.335

2,79

-0,03

39,09

-0,56

186.310

1,58

-0,02

20,68

-0,22

9.602

3,78 -0,08

56,03

-1,41

nov/12

277.998

2,72

-0,07

38,02

-1,07

186.380

1,56

-0,02

20,43

-0,25

9.708

3,90

0,13

58,33

2,30

% a.m.

Variação p.p.

0,56

65,90 10,40

Fonte: BC/Inepad

fevereiro/março 2013 FINANCEIRO 65

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palavrafinal

Por Nicola Tingas

As expectativas divulgadas por financeiras e bancos apontam na direção da melhora da oferta e demanda de crédito ao consumo em 2013. Contudo a intensidade ainda é incerta. Há fatores que limitam um maior otimismo, mas não impedem uma retomada mais forte, principalmente no segundo semestre do ano. A intensidade de retomada do Produto Interno Bruto (PIB) condiciona o consumo e sua alavancagem por meio do crédito. Estamos no primeiro trimestre e ainda não temos clareza sobre o ritmo de retomada do crescimento do PIB brasileiro. Há sinais de retomada em comparação aos últimos dois anos, quando o ritmo de crescimento do PIB foi decrescente. Ainda não há evidência de “propulsão” suficiente para atingir um “cenário de PIB alto” de 3,5% ou mais em 2013 (detalhes na edição 78 da Financeiro). As revisões de expectativas de início de ano trouxeram as projeções de crescimento do PIB 2013 para um patamar menor, próximo a 3% no ano. Há incerteza sobre o padrão de distribuição desse crescimento. Não há evidências de que essa retomada econômica será bem distribuída em todos setores da economia ou se ainda será situada com maior intensidade em setores como agricultura e serviços. Assim a incerteza e gradualismo da recuperação econômica limitarão a propensão a investir dos empresários. Esse ambiente limita a confiança das famílias em relação ao incremento de oferta de emprego e melhoria de renda e consumo. As famílias têm um “orçamento doméstico” bem mais restrito para atender às iniciativas ou aos dese-

jos de consumo. Isso ocorre devido à perda de poder aquisitivo advindo da permanência de um patamar elevado de inflação para padrões internacionais e pela crescente elevação do ônus tributário (direto e indireto) em seu orçamento, em anos recentes. Tudo isso resultou em elevado grupo de famílias inadimplentes. A demanda por crédito de consumo tem sido menos intensa e cautelosa. A oferta de crédito de consumo, por parte dos bancos e financeiras, tem sido limitada e cautelosa desde o agravamento do quadro de inadimplência. O alto risco de inadimplência limita a concessão de crédito devido ao alto potencial de perda patrimonial decorrente. De fato, as perdas são expressivas, como atestam os balanços deste início de ano, como no ano passado. Esse processo cria condições para a retomada das operações de crédito ao consumo com maior equilíbrio para ambas as partes, tomador e financiador. As famílias estão modificando seu comportamento, passaram a tomar crédito com maior critério e melhor consciência de sua real condição financeira, melhorando sua capacidade de pagamento. À medida que os bancos conseguiram melhorar os critérios de concessão de crédito, melhoraram também a qualidade e adimplência das novas operações de crédito. Com a queda da inadimplência, absorção e recrudescimento dos prejuízos em balanço, há uma expectativa de que provavelmente no segundo semestre deverá ocorrer uma retomada em ritmo mais acentuado da demanda e da oferta de crédito, reforçando assim a contribuição da demanda de consumo na composição do PIB 2013. f Nicola Tingas é economista-chefe da Acrefi

Foto: Divulgação/Artigo enviado em fevereiro de 2013

Crédito ao consumo em

66 FINANCEIRO fevereiro/março 2013

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Financeiro 79 - Fevereiro-Março 2013  

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