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Financeiro

A revista do crédito

©iStockPhoto.com/Zbigniew Majerczyk

ano 5 nº 49 dez/2007

RETROSPECTIVA

TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.000 EXEMPLARES

Os eventos internacionais da Acrefi em 2007

Tendência

Momento econômico

Perspectiva de crescimento da renda em 2008

Reflexos da era da tecnologia da informação


editorial

Feliz Natal! Feliz 2008!

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar - São Paulo - SP Tel.: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 - www.acrefi.org.br

Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Odílio Figueiredo Neto, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães e Wilson Masao Kuzuhara Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Aristeu Zanúncio e Sergio Marra Capella Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim (SP-Interior), Dirceu da Assumpção Variz (SP-Capital), Elcio Antônio de Azevedo (MG), Felícitas Renner (RS), Félix Archanjo Bordin (PR), Marcos André Maia Bonel (DF e GO), Paulo R. Tabaquim (Montadoras) e Tiziana Dadalto (ES) Diretores Adalberto Savioli, Álvaro Augusto Vidigal, Enílson Espínola de Souza, Ivan Svitek, Marcos Antonio Waideman, Rubens Bution e Sergio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Jerônimo Varalla Neto, Luiz Antônio Viana, Luiz Fonseca de Souza Meirelles Filho, Ricardo Annes Guimarães e Rodrigo Bacellar Conselho Consultivo Membros Natos: Alkindar de Toledo Ramos e Manoel de Oliveira Franco. Membros: Alencar Burti (ACSP), Elcio Aníbal de Lucca (SERASA), João Elísio Ferraz de Campos (FENASEG), Luiz Horácio da Silva Montenegro (ANEF), Miguel de Oliveira (ANEFAC), Jackson Schneider (ANFAVEA), Sergio Reze (FENABRAVE) e Walter Machado de Barros (IBEF SP) Conselho Fiscal Efetivos: Alberto Borges Matias, Domingos Spina e Roy Martelanc. Suplentes: Abílio Abreu Neto, Massimo Tagliavini e Matias Nazari Puga Neto Presidente Honorário João Uchôa Borges (In memoriam) Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Este foi o ano do crédito. O próximo ano terá essa característica de forma ainda mais marcante. Nosso setor cresceu mais de 28% e deve expandir-se pelo menos outros 20% em 2008. É por isso que podemos dizer com alegria a todos os associados e clientes: Feliz Natal! Feliz 2008! Nós nos especializamos cada vez mais em facilitar o acesso do brasileiro ao crédito e aos bens que ele tanto almeja e necessita. E sabemos a satisfação que sentimos com isso, já que é assim que permitimos que todo brasileiro possa contar com financiamento para viver e ter cada vez mais qualidade de vida. É para isso que trabalhamos, pesquisamos e evoluímos constantemente. Porém, para que o nosso Natal e a chegada de mais um ano de muito trabalho e novas realizações sejam completos, não podemos deixar de refletir sobre os últimos 365 dias e os próximos 365 dias. Afinal, sem planejamento não há sucesso! Infelizmente, é preciso lembrar que ainda nos faltam as reformas fiscal, tributária, política e previdenciária com as quais sonhamos há tanto tempo. Ainda nos falta um esforço imenso de governos, empresas e população pelo avanço da educação, ensino de qualidade para todos. É daí que virá o crescimento realmente sustentável do País.

Encontros de idéias na Acrefi

ISSN 1809-8843

6 Artigo A CPMF e a taxa de juros

8 Tendência A evolução da renda em 2008

Conselho Editorial : Érico Sodré Quirino Ferreira, Prof. Istvan Kasznar, Antônio A. A. Leite (Pancho) e Sérgio Tamer; Coordenação Editorial : Tamer Comunicação Empresarial; Jornalista Responsável: Eliana Nigro (MTB 15.005); Editoração e Produção Gráfi ca: EDF (www.edf.com.br); Pré-impressão e Impressão: Fabracor; Periodicidade: bimestral Tiragem: 20.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Além da educação como um todo, precisamos pensar também e, cada vez mais, na educação para o consumo responsável, aquela que ajuda o cliente a comprar e não se endividar em demasia, aquela que faz girar a roda da economia, sem tropeços. Mais: também é hora de projetar o que queremos para o nosso mercado e o nosso país nos próximos dez, 20, 30 anos, adotando posturas socialmente responsáveis e incluindo como premissa básica do nosso setor o respeito ao meio ambiente. Não se esqueça de que 2008 é o Ano Internacional do Planeta Terra. É com esses sentimentos de esperança que desejo a todos um Natal cheio de harmonia e união e um 2008 em que o Brasil seja um reflexo de todos os nossos sonhos! Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Frohe Weihnacht! Glückliches Neues Jahr! Feliz Navidad! Feliz Año Nuevo! Gajan Kristnaskon! Felicigan Novan Jaron! Merry Christmas! Happy New Year! Joyeux Noël! Heureuse Nouvelle Année!

Nesta edição 4 Eventos 2007

Financeiro

Andrea Felizolla

DIRETORIA

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

10 Artigo A conduta responsável do Copom

12 Momento econômico A nova economia e a era da revolução gerada pela tecnologia da informação

16 Artigo Ainda bem que alguém cuida de nós

18 Projeções O que esperar de 2008?

20 Política de parceria A negociação de alianças com fornecedores

22 Artigo Avanços institucionais do crédito imobiliário

24 Análise de mercado O crédito em perspectiva

26 Análise setorial Consolidação do setor de crédito ao consumo no Brasil

28 Varejo Consumidor e mercado: risco e retorno

29 Variedades Dom João III, Dona Maria I e as saudáveis rivalidades luso-brasileiras no Reino de Baco

31 Banco de dados


eventos 2007

Encontros de idéias na Acrefi

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Debates com especialistas nacionais e internacionais marcam a programação anual da entidade Durante todo o ano, a Acrefi realizou inúmeros seminários, incluindo vários internacionais, como o 2° Seminário Internacional “Desafios da Economia Brasileira”, realizado em 12 de junho, no Renaissance São Paulo Hotel, com a presença maciça de público (1), do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (2); de Mauro Leos, da Moody’s (3); e do Prêmio Nobel de Economia Michael Phelps (4). O seminário apresentou uma mesa bastante concorrida (5), e todos os palestrantes receberam uma placa comemorativa (6, 8 e 9). Em 13 de agosto, a Acrefi realizou, no auditório da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), o Seminário Internacional “Tendências do Cenário Econômico Futuro nos EUA e Brasil” (7), com palestras do economista da Associação Comercial de São Paulo Dr. Marcel Solimeo (10); de Istvan Kasznar (11) professor da FGV-RJ; e do convidado internacional William Charles Handorf (12), exdiretor do Fed Richmond e ex-chairman da Baltimore, diretor da Federal Home Loan Bank of Atlanta, professor de economia e finanças imobiliárias da George Washington University, contando com a abertura do presidente da OEB, Francisco da Silva Coelho (13); e do presidente da Acrefi, Dr. Érico Ferreira, além de uma seleta platéia. Ainda em agosto, aconteceu, no auditório da Acrefi , o Seminário Internacional “Governança, Direito de Propriedade e Mercado Financeiro e de Capitais”, com a presença dos economistas Alain Alcouffe (14) e Christiane Trinquier Alcouffe (15), da Universidade de Toullouse (França). Esse seminário também teve grande presença de público (16).

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Fotos: Mario Miranda

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artigo

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A CPMF e a taxa de juros

O dr. Jatene, quando propôs a contribuição, tinha em mente “universalizar os serviços de saúde”, uma causa justa, mas com um imposto de péssima qualidade

JUAREZ RIZZIERI, PROFESSOR DE ECONOMIA DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA FEA/USP

Em agosto de 1993, foi instituído o Imposto Provisório sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira (IPMF) cobrado sobre os lançamentos a débito em contas bancárias, com alíquota de 0,25%. Em outubro de 1996, foi transformado na Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), com alíquota de 0,20%. Essa alíquota permaneceu até janeiro de 1999, quando passou a 0,30%, para um ano após ir a 0,38%, em vigor até os dias de hoje, sendo 0,20% destinado à saúde; 0,10%, à previdência social; e 0,08% destinado ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, como principal fonte de financiamento do programa Bolsa Família. A arrecadação dessa contribuição saiu da casa dos R$ 7 bilhões em 1997 para algo como R$ 39 bilhões em 2007, tendo sua participação no PIB dobrado, ou seja, de 0,7% para 1,4%. Com qualquer conta que se faça, a despesa por habitante aumentou. Diferentemente de um imposto clássico, que não tem vinculação alguma a qualquer tipo de despesa, a contribuição é destinada a algum gasto específico – no caso da CPMF, seria a saúde, que pode ser classificada como um “bem de mérito”, logo, indispensável ao ser humano. O Dr. Jatene, quando pro-

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pôs essa contribuição, tinha em mente “universalizar os serviços de saúde”, uma causa justa, mas com um imposto de péssima qualidade, pois é regressivo, cumulativo e encarece a taxa de juros, que afeta toda a economia. Ainda recentemente, no calor das discussões sobre sua renovação até 2011, o presidente do Banco Central (BC) afirmou que, se não for renovado, a taxa de juros aumentará. Sob um limitado ponto de vista, ele tem razão. Ao remover a CPMF das receitas do governo, sem uma correspondente redução das despesas, surgirá um déficit público fiscal adicional de 1,4% do PIB que, se for financiado com aumento da dívida pública, fatalmente, pressionará a taxa de juros para cima. Todavia, na sua conta, faltou avaliar o impacto inverso e benéfico da remoção da CPMF na atual taxa de juros em que ele está incluído. Com a alíquota atual de 0,38%, existem cálculos(*) que revelam um acréscimo acima de 2,0 pontos percentuais na taxa real de juros, isso devido ao princípio da cumulatividade ou rotatividade do ativo tributado, que, em média, pode chegar a cinco vezes. Para reconhecer isso, basta verificar que o volume das transações totais na economia, envolvendo as etapas intermediárias e finais, supera essas últimas que constituem o PIB a preços de mer-

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cado. Ou seja, o PIB é constituído apenas dos bens e serviços finais, desconsiderando todas as transações com os insumos intermediários que nele já estão embutidos, para se evitar dupla contagem. O próprio governo tem perdas com o pagamento de juros acrescidos pela CPMF no pagamento dos juros que incidem sobre a dívida pública, que, hoje, atinge 43% do PIB. Assim sendo, acredito que a remoção da CPMF acabaria, no final das contas, reduzindo e não aumentando a taxa real de juros. Fica evidente que a declaração do presidente do Bacen tem um conteúdo político louvável em defesa da saúde e do orçamento fiscal, mas isso não o redime de estar cometendo um erro técnico. Triste mesmo foi a declaração do ministro da Fazenda, ao dizer que, sem essa arrecadação, o governo Lula está perdido. Seria tão bom se o governo programasse sua substituição pelo valor equivalente recebido pelo acréscimo dos demais impostos, ou mais radicalmente, cortasse o mesmo montante nas suas despesas de custeio (aposentadorias privilegiadas, funcionários desnecessários, assessores sem função etc) Esse imposto, disfarçado de contribuição, é conhecido na literatura como um imposto sobre débitos bancários (IDB) e justificado pela sua abrangência e simplicidade, por incluir o setor informal da economia e difi cultar a evasão fi scal, apesar de não permitir a seletividade e a progressividade na sua incidência. Foi recomendado, em 1995, pelo Prêmio Nobel James Tobin, como um instrumento para reduzir a volatilidade e garantir mais estabilidade nas transações com moeda estrangeira, porém foi abandonado em vista das distorções e da inefi ciência alocativa que causariam a esses mercados, incluindo fuga de capitais e desintermediação financeira, perdendo as vantagens da especialização dessa atividade. A Suécia, em 1984, havia adotado uma taxa de 0,5% sobre as transações de venda e compra no mercado de ações e,

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em 1989, o estendeu para títulos de renda fi xa com alíquota de 0,2% e, finalmente, em 1990 e 1991, foram todos abandonados. Estima-se que, no ano em que foi instituído, o país perdeu 30% das transações e, em 1990, já tinha atingido 50%. Na Inglaterra, algo semelhante vinha sendo usado com incidência no mercado acionário (ITF), mas sua alíquota vem se reduzindo de 2% em 1974 para 1% em 1984 e 0,5% em 1986. Estima-se a adoção desse ITF em 50% das transações no país. Na América Latina, houve tentativas de instituir os IDB, mas, como instrumentos de arrecadação e não de estabilização de mercados voláteis. Segundo estudiosos, a Argentina adotou entre 1989 e 1992 e o abandou porque o imposto estava promovendo a desintermediação fi nanceira e estimulando a informalidade. Na Venezuela, foi criado em 1994 e, praticamente, eliminado por ocasionar fuga de capitais e elevação da demanda de papel moeda pelo público. Na Colômbia, o ITF foi criado em 1998, e o mercado bancário quase colapsou com a perda de 47% no número de cheques compensados. No Equador, a fuga foi realizada pela criação de bancos offshore de fronteiras para sonegar operações bancárias. No Brasil, como visto anteriormente, a CPMF vai aumentando sua participação no PIB, o que por si só merece um estudo mais aprofundado a respeito, que leve em consideração o tamanho da alíquota, a eficiência do sistema bancário brasileiro e a capacidade das empresas de transferir esse imposto para os preços, visto que estas respondem por 60% da movimentação financeira e pagam apenas 25% dessa contribuição. De qualquer forma, a CPMF é um imposto inefi ciente e regressivo que onera os juros e desestimula os investimentos, a acumulação de capital, a produção e o emprego, presente e futuro. Deveria ser abolida e junto com ela o mesmo montante de despesas de custeio.

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O próprio governo tem perdas com o pagamento de juros acrescidos pela CPMF que incidem sobre a dívida pública, que hoje atinge 43% do PIB

Seria tão bom se o governo programasse sua substituição pelo valor equivalente recebido pelo acréscimo dos demais impostos ou cortasse o mesmo montante nas suas despesas de custeio


tendência

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A evolução da renda em 2008 SERGIO VALE, ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

Há uma discussão crescente nas páginas dos jornais sobre a sustentabilidade ou não do atual ritmo de crescimento da economia brasileira. Não se sabe ainda se há condições para a continuidade da elevação da taxa de expansão da formação bruta de capital fixo (investimento) em torno de 10% e da entrada de investimentos estrangeiros diretos nas magnitudes vistas este ano, que deve ultrapassar o recorde de 2000 e chegar a US$ 35 bilhões. A teoria econômica nos diz que o ímpeto de investimento é concretizado quando um cenário de longo prazo se torna previsível, ou seja, quando o departamento de planejamento de uma empresa consegue projetar expansões de demanda para mais de dez anos. Além disso, para que valha a pena investir, a taxa interna de retorno tem que ser compatível com o mercado. Em geral, a taxa de juros básica da economia (Selic) costumava ser maior do que a taxa interna de retorno, o que significava que podia não valer a pena fazer o investimento em capital físico, sendo mais rentável deixar o capital rendendo juros. Esses dois fatores, previsibilidade e taxas de retorno competitivas, não existiam no Brasil até pouco tempo. Com o Plano Real e o fim da hiperinflação, a previsibilidade de longo prazo ficou factível. Com o sistema de metas de inflação, as expectativas de variação de preços conseguiram ser domadas, e as taxas de juros puderam

O cenário de renda para 2008 é extremamente positivo e abre espaço para um consumo de maior valor agregado, por se dar também agora na classe média

cair a níveis mais compatíveis com o resto do mundo, dando espaço para projetos de investimento em capital físico. Pela primeira vez, desde a década de 1970, temos esses dois elementos conjuntamente. Isso significa que as condições para uma expansão mais acelerada dos investimentos, no curto prazo, estão dadas. Um dos efeitos concretos desse novo cenário se dá na dinâmica de emprego e renda. O fim da hiperinflação, aludido acima, aumentou a expectativa sobre a aceleração dos investimentos, pois se esperava uma continuidade da expansão de renda e do bem-estar social por conta do fim do processo inflacionário (gráfico 1). As turbulências internacionais da segunda metade da década de 1990 estancaram o processo de recuperação de renda, advindo de um forte choque de juros com o objetivo de manter a paridade do câmbio naquele momento. Feito o ajuste do setor externo e, a partir do estabelecimento do sistema de metas de inflação, a taxa de juros real pôde cair e iniciou-se o segundo

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ciclo de crescimento de curto prazo da economia brasileira, pelo qual estamos passando agora. Como não se espera deterioração significativa, nem da taxa real de juros nem da expectativa de inflação, a tendência é a continuidade do ciclo de expansão dos investimentos visto nos últimos dois anos. Isso significa que o investimento deve crescer substancialmente (9,6% em 2008 contra 10,9% este ano). Concretamente, isso significa que a renda também deve continuar se expandindo até 2008 de forma significativa. Melhor do que isso, a tendência é que se repita a simetria na expansão por faixa de renda vista em 2006. Diferentemente do que aconteceu entre 2002 e 2005, quando aumentos de renda substanciais aconteceram apenas nas classes mais baixas, por conta das transferências de renda (Bolsa Família) e dos fortes aumentos do salário mínimo, em 2006 praticamente todas as faixas de domicílio do País tiveram sua renda elevada (gráfico 2). De fato, quando consideramos os domicílios 10% mais ricos, o aumento de renda entre 2002 e 2006 foi de apenas 1,3%, enquanto nos domicílios 30%-40% mais pobres, a expansão real foi de 18,9%. Já quando consideramos a evolução em 2006 nessas mesmas faixas de renda, vemos um crescimento de 7,1% e de 10,7%, muito mais próximos. Isso significa que a renda da classe média se recuperou de forma surpreendente no ano passado e faz

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Gráfico 1 IPCA - Classificação x Serviços (índice 1992 = 100) Evolução do bem-estar social e doBens investimento 195

Bem-estar social

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Investimento

175 165 155 145 135 125 115 105 95 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Fonte: Neri, Marcelo (2007). Miséria, desigualdade e políticas de renda: o Real do Lula. Nota: a medida de bem-estar social é a renda vezes um menos o índice de Gini e mede o grau de evolução da renda descontada a piora ou não da desigualdade de renda; IBGE. Elaboração: MB Associados.

Gráfico 2 - Classificação Bensmédia x Serviços Crescimento realIPCA da renda domiciliar entre 2002 e 2006 Mais de 99 a 100

2006/2005

2006/2002

Mais de 95 a 100 Mais de 90 a 100 Mais de 80 a 90 Mais de 70 a 80 Mais de 60 a 70 Mais de 50 a 60 Mais de 40 a 50 Mais de 30 a 40 Mais de 20 a 30 Mais de 10 a 20 Até 10 0,0

5,0

10,0

15,0

20,0

25,0

Source: PNAD (IBGE) 2006. Elaboration: MB Associados.

Gráfico 3 IPCA - Classificação Bens x Serviços Crescimento do salário da mão-de-obra na construção civil Média e engenheiros (acumulado em 12 meses em %)

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 5,00

engenheiro

4,00

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Fonte: FGV. Elaboração: MB Associados.

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parte dessa expectativa positiva que vem dos investimentos. Quem planeja o crescimento para os próximos dez anos não o faz considerando apenas mão-de-obra barata. Pelo contrário, a necessidade de emprego qualificado se torna patente, e isso se reflete em termos de recuperação de renda também. Exemplo recente disso se dá no setor da construção civil. Até o início de 2006, o crescimento maior do salário no setor se dava nos empregos não-qualificados e decorriam da forte expansão de renda proporcionada pelos aumentos do salário mínimo. Com o deslanchar do segmento nos últimos dois anos e a falta de mão-de-obra qualificada, essa relação se inverteu, e os salários de engenheiros têm crescido mais do que a média da mãode-obra (gráfico 3). Esse é um dos exemplos de que a classe média tem recuperado o fôlego com o atual ciclo de expansão. Tudo o que discutimos aqui vale no curto prazo, ou seja, o cenário de renda para 2008 é extremamente positivo e abre espaço para um consumo de maior valor agregado, por se dar também agora na classe média. Conseqüentemente, eventuais problemas de inadimplência nas classes mais baixas podem ser relativamente compensados pela diminuição de inadimplência na classe média, por conta da recuperação mais intensa e recente de renda nessa faixa. Essa parte da população começa agora a se endividar de forma mais forte, movimento este que se iniciou há mais tempo com a classe mais baixa de renda, com o início do consignado em 2003. A chegada tardia da classe média ao ciclo de expansão da renda pode garantir outro fôlego de consumo para 2008 e assegurar renda elevada com níveis médios controlados de inadimplência. Infelizmente, para além desse período, continuam valendo as restrições de infra-estrutura, mormente no setor de energia e logística, e a deterioração gradual da política fiscal, que podem barrar um ciclo mais duradouro de expansão.


artigo

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A conduta responsável do Copom

O cenário de renda para 2008 é extremamente positivo e abre espaço para um consumo de maior valor agregado, por se dar também agora na classe média

JOSÉ ARTHUR ASSUNÇÃO, VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (ACREFI) E DIRETOR DA ASB FINANCEIRA

No dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), no mês de outubro, de manter a taxa básica de juros inalterada após mais de dois anos de cortes sucessivos, os jornais estampavam opiniões bastante enfurecidas das centrais sindicais e de entidades representativas do setor produtivo da economia. Chamou a atenção, no entanto, de um jornalista que trabalha há pouco tempo conosco, na nossa assessoria de comunicação, a minha postura e a do economista Istvan Kasznar, conselheiro econômico da Acrefi, em relação à decisão do Copom. Nós dois achamos apropriada e, sobretudo, responsável. Esse jornalista até brincou, dizendo: “Só a gente gostou da decisão do Copom.” Na verdade, para ele, foi muito interessante trabalhar com um press release que apoiava a decisão do colegiado quando todo o restante das entidades marcava posição contra a manutenção dos juros. Para que você entenda melhor: no jornalismo, é muito mais notícia o que destoa do senso comum. E nossa posição destoava. Apesar de discordar de muitas posições e atitudes do governo federal, bato palmas, desde o início, para a condução da política

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monetária. Lula entregou a Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), uma incumbência das mais importantes: manter a inflação em níveis civilizados para que definitivamente não convivêssemos mais com solavancos nem precisássemos recorrer a planos salvadores de estabilização da moeda. Não posso, de modo algum, me esquecer das conquistas de governos anteriores, principalmente na Presidência de Itamar Franco, quando o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, institui o Plano Real, base da estabilização da economia brasileira. E, apesar de creditar a volta da inflação em 2002 ao “perigo” que significava a eleição de Lula para a Presidência, ele mesmo, como já afirmei anteriormente, confiou a um banqueiro de renome internacional fazer o que faltava para que não voltássemos aos dois dígitos de inflação. Foi uma sábia decisão, que contrariou o PT, mas que rendeu uma grande vitória ao Brasil. Desde janeiro de 2003, quando elevou para 26% ao ano a taxa Selic, entregue em 25% no final do governo de Fernando Henrique, até agora, Meirelles comanda o Banco Central brasileiro de modo irretocável. Foi escolhido inclusive como

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o melhor presidente de bancos centrais de todo o mundo este ano. É preciso dizer mais alguma coisa? Muitas vezes, mais do que usar a maquininha de calcular e as projeções, é preciso usar a psicologia para tomar decisões. E é desse modo, usando um mix de cálculos, projeções, psicologia e, principalmente, bom senso que vejo o Copom tomar suas decisões no governo do presidente Lula. A taxa Selic está em 11,25% no momento e não acredito em mudança nesse patamar até o segundo trimestre de 2008. A pergunta, então, é a seguinte: esse nível de taxa é bom ou ruim para a economia brasileira? Não vou dizer que seja bom nem ruim. É o necessário para o momento que o País vive. Parafraseando o nosso presidente, nunca na história deste país tivemos uma taxa de juros nominal tão baixa quanto agora. Até mesmo os juros reais (juros nominais descontando-se a inflação) já estão bem abaixo daquela barreira dos 10% ao ano. Perdemos, enfim, a dianteira dos maiores juros reais do mundo. A questão agora é de sintonia fina. O alarde das centrais sindicais e das entidades do setor produtivo já não ganha mais tanto eco na sociedade. Ninguém ousa dizer que a condução da política monetária é ruim. Quem disser isso terá que provar em números. Com uma meta de inflação de 4,5% até o ano de 2009, se pensarmos numa taxa de juros real por

ACREFI

volta dos 4%, poderíamos chegar, numa conta rápida, a uns 8,5% a 9% de taxa nominal. Esse seria o piso da Selic até o fim de 2009. Ou seja, temos dois anos para baixar os juros em uns 2 a 2,5 pontos percentuais. Certamente, daqui em diante, as quedas de taxa, quando acontecerem, serão a conta-gotas. Não se pode cobrar do Banco Central crescimento econômico. É querer simplificar demais ao se afirmar que o País não cresce mais fortemente porque os juros são altos. Pelo contrário, o BC vem colaborando, e muito, com a economia, ao manter a inflação sob controle. Hoje, enfim, vivemos um ciclo real de crescimento sustentável, que, apesar de não ser ainda a taxas chinesas, pode vir a se equiparar com o da época do milagre brasileiro, e melhor, sem as mazelas de outrora, quando muitos indicadores eram maquiados ao bel-prazer da ditadura militar. Hoje, o dever de casa está sendo feito. Crescemos bem com inflação baixíssima e não existem esqueletos guardados no armário. É evidente que a crescente onda de gastos do governo é preocupante. Mas o problema vem sendo discutido no diaa-dia e podemos cobrar, porque a democracia nos permite. O fim do ano está chegando, e o grande presente para o Brasil em 2008 será a entrada no seleto grupo de países classificados como investment grade. Na verdade, o mundo já nos considera assim, mas,

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O dever de casa está sendo feito. Crescemos bem com inflação baixíssima e não existem esqueletos guardados no armário

no momento em que realmente obtivermos essa classificação, muitos fundos de investimento, que atualmente são impedidos de investir no Brasil, poderão entrar aqui. E a nossa situação, meu amigo, será outra. Daremos um grande salto. E talvez os indicadores que hoje nos parecem tão bons sejam muito melhores ainda. Espero ver, em breve, o nosso país alcançar o status de desenvolvido, de Primeiro Mundo. Isso não é sonho não! Fico imaginando agora o nosso jornalista, lá da assessoria de comunicação, lendo o que escrevi. Ele deve estar pensando: “Vai ser otimista assim lá no caixa prego, hein, José Arthur.” Mas como dizia o poetinha: “É melhor ser alegre que ser triste.” E para os pessimistas de plantão, eu digo: “Quem viver verá.”


momento econômico

Na atualidade, vive-se um período de revolucionárias e profundas mudanças promovidas pelo aparecimento das novas tecnologias de informação e telecomunicações (NTIT), identificáveis desde meados de 1985. Os microcomputadores; os softwares e programas eletrônicos que racionalizam o trabalho; os telefones celulares; e os i-Pods são emblemas e simples símbolos dessa nova mudança, que altera o processo produtivo das nações, o comportamento do consumidor e, logo, a demanda por bens e serviços. Os Estados Unidos da América, líderes nesse processo de mudanças de ponta, criadores do Projeto Guerra nas Estrelas e dos projetos de viagem à Lua e de circunavegação da Terra com a nave Columbia, souberam fazer engenhosas criações que, em período de paz, ingressaram na indústria, no setor de serviços e, dessa forma, na vida dos consumidores. Entre eles, são evidentes os efeitos da robótica, saindo-se dos sistemas analógicos para os digitais e das telecomunicações pela via da internet. A nova economia gerou um forte crescimento do PIB dos EUA de 1987 em diante, ao passo que reduziu o crescimento europeu e manteve o Japão num ritmo arrefecido pela subprodutividade de numerosos de seus setores. No Brasil, país de desenvolvimento tardio, mercado que propugnou os benefícios da substituição de impor-

PROF. ISTVAN KASZNAR, Ph.D., CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

São evidentes os efeitos da robótica, saindo-se dos sistemas analógicos para os digitais e das telecomunicações pela via da internet

tações entre 1930 e 1985 e defensor da mentalidade da defesa do mercado e do produto local, pela Lei de Similaridade Nacional nos anos 60 e 70, investiu-se em parques de informática e projetos satelitários autônomos com baixo a dúbio grau de sucesso, que impactaram em atrasos sensíveis até os dias que correm. Como decorrência, enquanto os países mais desenvolvidos montaram um parque produtivo pautado e alicerçado em tecnologias de ponta, no Brasil acentuou-se a importação da tecnologia do exterior, numa dependência crescente para evoluir com produtividade calcada na propriedade intelectual estrangeira. Isso impactou em custos e sacrifícios de adaptação desproporcionalmente elevados, que começaram a diminuir a partir do início dos anos 90, com a abertura mais firme ao exterior e a redução das alíquotas e tarifas de importação. E, de 1999 em diante, um modelo exportador mais agressivo tem gerado contínuos superávits na balança

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de transações correntes, com produtos da linha tradicional e mais ênfase em produções agrícolas que positivamente incrementaram os avanços da biogenética e da pesquisa, assim como a mecanização, em suas hostes. Dessa forma, é importante perceber que as recentes, as atuais e as futuras mudanças tecnológicas prosseguirão gerando efeitos, ações e reações, nas empresas e em sua administração. Inexistem empresas incólumes, isentas com as transformações que se passam. E elas pedem soluções de gestão estratégica aos empresários, executivos e gerentes que lidam com as empresas. Antecipar proativamente esse conjunto de vetores geradores de transformação e encontrar respostas para permanecer moderno e competitivo é vital para assegurar uma posição no concorrido mercado brasileiro e mundial (3). A seguir, serão mostradas as principais transformações que mudaram a economia e o processo de gestão empresarial no mundo e no Brasil entre 1985 e 2007. 1.1. As mais significativas evoluções atuais e do amanhã na nova economia A nova economia incorporou definitivamente os avanços da tecnologia cibernética a todos os setores da economia tradicional. Nesse sentido, aumentou a produtividade dos setores já existentes e criou novas atividades, o que aumentou de modo marEDF

Renato Fogal

A nova economia e a era da revolução gerada pela tecnologia da informação

FINANCEIRO


cante o Produto Interno das nações detentoras de tecnologias de ponta. Isso fica bem estabelecido no setor de serviços, que conta com o carregamento e uso de logiciais, músicas e planilhas eletrônicas de cálculos e contábeis; leilões eletrônicos; a visita virtual a apartamentos, casas e obras públicas; a seleção e o pedido de produtos entregues em domicílio advindos do mundo inteiro; o banco por internet; a educação a distância; a e-formação contínua; o e-recrutamento; os e-jogos; as e-visitas e e-viagens turísticas e de aventura a qualquer ponto do Planeta, e afins. Normalmente, com um pequeno pagamento, com preços populares, compra-se um serviço que habilita o consumo, a poupança, o investimento ou o lazer à vasta parte da população mundial. Na nova economia(5), pode-se perceber que seis áreas receberam e receberão significativas alterações, a saber: 1) Os países desenvolvidos controlaram com rigor e reestruturaram os déficits e as dívidas do setor público; modernizaram o aparelho do setor público; e regularam com atenção as taxas de juros, para elas caírem; 2) Aumentou o sucesso do modelo liberal na linha anglo-saxônica, com aumento da competição, que obrigou a maior busca de competitividade e maiores controles de resultados empresariais, por parte dos acionistas; 3) Os bancos centrais obtiveram maior independência, e sua agilidade para interferir em crises iminentes ou problemas de mercado acelerou-se; 4) Os países perceberam a baixa

produtividade do capital em mãos do setor público, em comparação com o setor privado. Aumentou a onda de privatização de serviços públicos e forçou-se o fim de monopólios. Políticas de desregulamentação e antitruste se espalharam e anularam projetos de fusão que poderiam criar megaimpérios empresariais – o caso mais notório foi o da Microsoft; 5) Os ganhos de produtividade do capital e da nova administração de empresas (NAE) – que encolhe as burocracias e o trabalho de papel a um mínimo – reduziram os riscos de inflação, apesar da alta do petróleo e seu preço batendo os US$ 90/barril; e 6) Aumentou o equilíbrio financeiro das nações, especialmente na Europa do euro forte, em face de um dólar mais fraco, com a passagem à moeda única. 1.2. As mais significativas evoluções atuais e do amanhã no processo de globalização Podem-se enfatizar seis evoluções marcantes da globalização: 1) As tecnologias de informação, telecomunicações e pela via da internet, sobretudo, difundiram-se de forma cada vez mais acelerada pelo mundo. Em tempo real, existe comunicação entre os antípodas. O Brasil fala claro e em bom som a qualquer hora com o Japão e sumiu a barreira do tempo na gestão da informação; 2) Os bens e serviços tornaram-se mais homogêneos, senão iguais. O padrão ditado pelas transnacionais, como a Microsoft, o McDonald’s e a

Coca-Cola, é conhecido mundialmente pelos habitantes do Planeta; 3) Apesar das complexas negociações de Doha, da Agenda 21 e da Organização Mundial do Comércio (OMC), as barreiras alfandegárias e comerciais vão sendo reduzidas, levantadas e até eliminadas. Acelera-se o comércio mundial e aparece um parceiro de monta, a outrora fechada China Comunista, para gerar riqueza própria e oferecer expansão ao capitalismo moderno, secundada pela contrastante Índia; 4) A Europa envelheceu e depende de políticas de imigração. Os brasileiros aproveitam, e descendentes de portugueses, italianos, espanhóis e afins emigram do Brasil, onde a taxa crescente de desemprego de longo prazo alcança os 9,2% em 2007; 5) Rússia, Índia e China recebem maciços investimentos diretos, e é reforçado o investimento empresarial no Japão na medida em que este se abre mais ao exterior; e 6) As empresas competitivas brasileiras descobrem sua multinacionalização, comprando empresas no exterior e lançando ações e títulos como ADRs nos mercados mais evoluídos. 1.3. As mais significativas evoluções tecnológicas Neste particular tecnológico, cabe destacar cinco elementos: 1) Os sistemas de comunicação com ou sem fio se multiplicam, por cabo ou via satélite. O wireless torna-se uma realidade mundial. O GPS localiza mercadorias e cidadãos em qualquer parte do Planeta. Fazer

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momento econômico um download de músicas, dados estatísticos, vídeos, seminários e shows de toda sorte tornou-se lugar-comum e a preço praticamente zero. Daí decorre que serviços outrora caros de música ou de consultoria passam a ter preço quase zero e deixam de ser feitos por consultores experientes que precisavam obter, com viagens e negociações, os dados vitais de novos negócios. Poucos líderes de ponta de informática açambarcam para si todo o mercado e revolucionam a oferta dos serviços da tecnologia da informação, sendo importante a Dell como uma empresa pioneira; 2) A difusão e a multiplicação dos microcomputadores individuais e dos serviços oferecidos via internet e intranet alcançam uma taxa de crescimento de 22% ao ano entre 1996 e 2006. No Brasil, essa taxa é estimada em 17% no mesmo período e envolve investimentos anuais médios de US$ 5,7 bilhões, com a inclusão na sociedade de uma “geração digital” composta por 64 milhões de brasileiros; 3) Com a globalização das NTIT, as transações se aceleram tanto em quantidade quanto em volume de negócios. No Brasil, a inclusão digital aumenta as transações do comércio varejista à média anual de 9,8% entre 2003 e 2006, numa demonstração de vitalidade crescente dos ramos da nova economia; 4) A revolução oferecida pela biogenética, pelo projeto Genoma e pela nanotecnologia começa a apontar para espaços dinâmicos de transformação espetacular de certos setores. A indústria farmacêutica, os sistemas de saúde e a produção das novas matrizes energéticas começam a mudar estruturalmente e de forma significativa setores como o agrícola e o industrial. O Brasil enxerga e lidera uma grande oportunidade: a produção de álcool etanol e de biomassa energética advinda de grãos geradores de óleos diversos, no que faz novos acordos internacionais para suprir energia não-poluente e renovável aos sedentos mercados norte-americanos, europeus e japoneses.

1.4. As mais significativas evoluções empresariais As mudanças de natureza empresarial são as mais numerosas, pois lidam com a dimensão microeconômica e a sutileza da textura organizacional. Em resumo, pode-se afirmar que são bem notáveis as seguintes mudanças de 1995 para os nossos dias, e esse processo está longe de acabar, merecendo atenção as que seguem. 1) O mercado está cada vez mais ofertado. Especialmente no mercado de serviços. E estes aportam de todo canto do globo, pois a internet gerou a integração global dos mercados. A ofertas maiores correspondem preços menores e margens de lucro mais apertadas (2) ; 2) O cliente é um consumidor voraz. Ele quer mais quantidade com qualidade, e sua fidelidade some se há ofertas diferenciadas e concorridas. O marketing personalizado ganha espaço com o aumento do relationship management, e esse cliente é um internauta cada vez mais bem informado, que cobra o que lhe é anunciado (1); 3) O sistema econômico, que se molda nos embates entre a oferta e a procura, na geração do mercado, aperfeiçoa-se notavelmente. O aumento da circulação dos dados e das informações gera mercados cada vez mais transparentes, e os riscos de erros decisórios e alocativos caem nas empresas; 4) Surgiram novas maneiras de comprar e vender. O e-sales e o e-commerce são uma realidade. Compra-se a cesta doméstica do supermercado de casa, de forma impessoal, por internet e, nas lojas, um par de funcionários (quando muito) põe nos carrinhos as mercadorias, que passam pelo código de barras sem a presença das moças do caixa; 5) Os empregos manuais e de baixo conhecimento nos meios urbanos somem, lançando a população a um desenfreado aprendizado inovativo e técnico, em que se acelera a reeducação de massas. Nos países emergentes, criar empregos fixos e salários mínimos altos é uma temeridade e gera enrijecimento produtivo, o que

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promove a baixa produtividade de longo prazo; 6) A logística é globalizante e globalizada, com a equação marcante de “oferecer cada vez mais, mais rápido e a custo unitário menor”. A cadeia de suprimentos há de funcionar em tempo real, e a satisfação do cliente se mede pela qualidade total; 7) A governança corporativa e a gestão responsável das empresas autosustentáveis (Greas) moldam a nova organização, que há de prestar contas crescentemente aos seus acionistas, às autoridades e à comunidade na qual estão inseridas; 8) A obtenção instantânea de uma massa marcante de informações em tempo real corta serviços de consultorias; elimina ou apequena bibliotecas; reduz drasticamente o custo e o tempo de pesquisa e aumenta, sobremaneira, a produtividade dos trabalhadores intelectualizados, com elevado capital humano por função educacional universitária, no setor terciário. Com menos gente se faz muito mais, as comunicações se popularizam e os dados se remetem a mínimo custo com banalidade; 9) As empresas de tecnologia de ponta passam a ser altamente prestigiadas e valorizadas. Suas idéias e propostas de transformação, assim como seus produtos, tornam-se bens de alto valor. Mesmo que ainda não-maduras, são objeto da cobiça dos acionistas, e algumas recebem propostas bilionárias nas ações de compra; 10) Ao avaliarem-se empresas pelo seu retorno futuro – incerto – em tecnologias sonhadas e sujeitas a altos riscos, os gestores de fundos e carteiras de investimentos inauguram um novo tipo de capitalismo – o que se define de Capitalismo de Riscos Crescentes (CRC) – em que normas prudenciais e de segurança de retorno do capital são substituídas ou apequenadas, para evitar-se “ficar fora da nova onda”. 11) Como o mercado de idéias e a propriedade intelectual passam, enfim, a ter valor global, expandem-se as agências de direito autoral, marcas e patentes, que endossam

FINANCEIRO


o valor dos inventos a realizar. Daí decorre uma multiplicação na abertura de firmas ofertantes de novos negócios e dos fundos alocados para o seu crescimento; 12) Surgem numerosos e variados sistemas logiciais e eletrônicos que permitem enquadrar os sistemas de gestão em moldes estruturados e padronizados, capazes de responder a inúmeros negócios, projetos, estratégias, macroprocessos, processos, tarefas, rotinas e métodos de gestão. Quem produz essas novas ferramentas, personalizando-as, assume a ponta tecnológica e, com pequenas mudanças, empreende a conquista de mercado em empresas similares do mesmo mercado (4) ; e 13) Surgem e evoluem novas formas de se relacionar com e entre as empresas. É comum o trabalho terceirizado, em casa, sem patrão direto aparente. E as relações a distância aumentam em número: o Brasil compra fotocópias feitas no Chile que chegam por avião em seis horas a São Paulo (isso sem greves aeronáuticas); e bancos de dados chegam da Índia com planilhas primárias que emanam de Campinas em fração de segundos. De fato, surge a real aldeia global sob regime do virtual. 1.5. Ação empresarial, perspectivas e conclusões Como agir e reagir, antecipar-se e decidir sobre tantas mudanças em curso e que o futuro nos traz? Nas empresas, a quais medidas dar prioridade? De que forma tratar uma competição

O poderio e o crescimento da nova economia prosseguirão, com a provável manutenção da rota de queda do preço de venda de numerosos bens e serviços

que exige cada vez mais recursos, tanto humanos quanto de capitais financeiros e tecnológicos, acirrando-se numa desenfreada competição? Os dirigentes e executivos de empresas, organizações e instituições públicas e privadas têm o interesse e a necessidade de pensar e dispor de momentos para exercitar a reflexão estratégica e pensar nos efeitos da resposta proativa a favor de seus negócios (3). O poderio e o crescimento da nova economia prosseguirão, com a provável manutenção da rota de queda do preço de venda de numerosos bens e serviços e, logo, dos custos. As margens de retorno ficarão apertadas em inúmeros setores e ramos, o que exigirá a identificação de novas e imaginosas políticas de invenção, comerciais, de vendas e de marketing. Portanto, em conclusão, os empresários terão pelo menos cinco grandes desafios estratégicos e geradores de valor a direcionar em suas evoluções organizacionais: • Definir a variedade e a gama de preços dos produtos e serviços atuais e do futuro;

• Definir a cadeia globalizada de suprimentos e de demandas, em regime de logística e localização ótima (6); • Reestruturar e redimensionar as empresas, as unidades estratégicas e as ilhas de trabalho, toda vez que a tecnologia criar impactos redutores de uso de fatores (7); • Otimizar a política financeira, a gestão dos ativos e passivos, o lançamento de ações em bolsa nacional e internacional e assumir posições dominantes em mercados de tecnologias inovadoras; e • Entender e responder aos desafios das instituições políticas e públicas, às exigências da burocracia e às mudanças dos novos acordos internacionais num mundo com menos amarras alfandegárias e comerciais (8).

Fontes bibliográficas: (1) Don Pepper & Martha Rogers. Marketing One to One. Éditions d’Organization, Paris, 1999. (2) John Hagel & Arthur Gamstrong. Net gain: Expanding Markets through Virtual Communities. Boston, Harvard Business School, 1997. (3) Istvan Kasznar e Ary Graça. Estratégia Empresarial. Mbooks, 2006. (4) Istvan Kasznar. Definição de Competências estratégicas em bancos e seguradoras em face da Nova Economia. IBCI - Institutional Business Consultoria Internacional, 2006. (5) Istvan Kasznar. A Economia Virtual é Real: como agregar valor e estabelecer competências estratégicas no Terceiro Milênio. IBCI - Institutional Business Consultoria Internacional, 2007. (6) Istvan Kasznar. Sistemas de Inteligência Gerencial, Tecnologia da Informação e Localização ótima de redes Integradas de Varejo na era da Cibernética e da Inteligência Artificial. IBCI - Institutional Business Consultoria Internacional, 2007. (7) Michael Hammer e James Champy. Reengineering the corporation: a manifest for business revolution. Harper Collins Publishers, New York, 1993. (8) Jean Brilman. Les meilleures pratiques de management. Éditions d”Organization, 3 ème édition, 2001.

(istvan@acrefi.org.br)


artigo

Divulgação

Ainda bem que alguém cuida de nós

Às vezes, o nosso trabalho torna-se pesado e desagradável. Passo por um desses momentos. Estou lendo o memorial do Comitê de Basiléia (II) e comparando-o com as adaptações e interpretações dadas pelas autoridades monetárias da América Latina e, em especial, do Brasil. A leitura é de uma aridez ímpar e a primeira coisa que vem à mente é: será que esta gente tem alguma idéia, mesmo que vaga, sobre o que é lidar com situações de risco? Tenho certeza de que todos os envolvidos na redação das brilhantes normativas contidas no citado texto freqüentaram MITs e Harvards com proveito e hoje dominam as técnicas da esperança matemática, da regressão e mesmo da simulação de Montecarlo. Mas isso tudo tem muito pouco a ver com gestão de risco lato sensu. São apenas instrumentos (os poucos e imperfeitos que temos) para medir se “algo vai dar errado”. Uma vez que existe o instrumento as almas simples, esquecidas da natureza intrínseca do risco, se sentem tentadas a tomar o caminho mais fácil: prevenir! Prevenção é a palavra de ordem. Não vamos deixar que o mal aconteça. É a sabedoria popular: “Prevenir é melhor do que remediar, minha filha.” Para evitar que uma meia dúzia de irresponsáveis alcooli-

MASSIMO TAGLIAVINI, RHO CONSULTORIA

Uma vez que existe o instrumento, as almas simples, esquecidas da natureza intrínseca do risco, se sentem tentadas a tomar o caminho mais fácil: Prevenir! zados corra demais nas madrugadas, andamos todos pulando como cabritos monteses, arruinando, como subproduto, as já insatisfatórias suspensões dos nossos automóveis. E para vender um desses automóveis, eu preciso comparecer pessoalmente ao cartório e registrar a venda num livro. Também não posso comprar álcool a 90º, não posso comprar um vidrinho de acetona (com o qual poderia – segundo as autoridades – refinar cerca de 0,00000001 g de cocaína, e o Estado me impede de comprar 100 cc. de benzina retificada para, realmente, acabar com manchas. Não posso andar armado. Não posso ter armas em casa. Os bandidos podem. E eles têm acetona e benzina retificada à vontade. Prevenir! As preclaras autoridades salvam cerca de 4,7 crianças por ano de queimaduras ao proibir a venda do perigosíssimo álcool a 90º, não se contabilizam os acidentes derivados de insistir em acender fogos com

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álcool a 45º E, sobretudo, nos esquecemos convenientemente de que, ao salvar uma vida em briga de trânsito (fato raríssimo) por ter proibido armas, muitos e muitos cidadãos morrem, tendo em vista a maior segurança outorgada aos bandidos. Dizem as autoridades que a prevenção funciona. Apenas sendo o Estado pobre e não tendo suficientes “quadros” e viaturas, o sistema falha. Deve ser por isso que a gente vê todo dia dúzias de viaturas novas e motocicletas também novas aglomeradas em torno do Gol 1908 da velha senhora que amassou o pára-choque. É a “ocorrência” sendo atendida. É o “auto” sendo lavrado. Aí, claro, faltam viaturas no Jardim PolPot, onde as águas dos esgotos ao ar livre têm cor levemente avermelhada. E a fiscalização dos modelos de caráter preventivo? O fiscal já não procura o esqueleto dentro do armário. Ele procura um possível e suspeito excesso de armários onde, se e quando o crime for praticado, um esqueleto poderá ser escondido. Procura também um perfil de executivo com tendência, uma vez de posse do esqueleto, a escondê-lo no armário. Há uma saída (dentro da filosofia da prevenção): eliminem-se os armários! Que as medidas de segurança de caráter preventivo são de escassa

FINANCEIRO


utilidade já era sabido no Império Romano do primeiro século, de fato, Decimo Junio Juvenal, poeta satírico, perguntava aos que queriam colocar guardas nos aposentos das mulheres: “sed quis custodiet ipsos custodes? ” E quem fiscaliza os fiscais? A administração do risco tem que ser de caráter punitivo e não de caráter preventivo Vamos esclarecer o assunto: caráter punitivo não significa a volta do Fascismo e a montagem de forcas e outros patíbulos na Praça da Sé. Caráter punitivo, em português, tem o sentido vago de: “tem que ter uma sistemática voltada à punição” em oposição a “uma filosofia de prevenção e perdão”. Sistemática voltada à punição depois de cometida a infração, claro. Notem: quando o “sistema preventivo” se instala, a imensa máquina do Estado, com todo seu poder, só fará pressão sobre o cidadão de bem. Só para este existirá a alfândega, a restrição às armas, um código de trânsito draconiano e uma autoridade florestal que interditará seus quatro alqueires devido à derrubada de um eucalipto raquítico. É bom esclarecer (pois já pressinto objeções) que, no mundo físico a segurança de caráter preventivo é válida. É ao propor uma segurança de caráter preventivo que Basiléia falha E os Bancos Centrais seguem-lhe o mau caminho. É verdade que, por enquanto, algumas instituições podem “efetuar a gestão de risco com modelos próprios”, já outras (e com o tempo, quiçá, todas) deverão fazê-lo de acordo com certos parâmetros fortemente aconselhados pelos mestres de Basiléia – e legitimados pelos Bancos Centrais, nunca é demais repetir. Isso pode levar a que seja dado um imenso “poder de carimbo” a algumas consultorias internacionais, repetindo o fenômeno dos anos 70/80, quando os grandes bancos americanos não operavam com quem não tivesse o balanço examinado por alguma das grandes auditorias. Deu no que deu. Não vamos revirar a faca na ferida.

ACREFI

Quando o “sistema preventivo” se instala, a imensa máquina do Estado, com todo seu poder, só fará pressão sobre o cidadão de bem

Mais grave ainda: imaginem que algum cidadão desenvolva um modelo de gestão de risco mais brilhante do que os fortemente recomendados pelos mestres de Basiléia. Este cidadão será chamado a explicar como o modelo funciona (apenas para homologação, é claro), entregando, assim, o proverbial ouro aos já não proverbiais bandidos. Digo “poderia acontecer” porque já aconteceu em matéria muito semelhante à que Basiléia trata. Parece que o “pessoal da prevenção” não distingue claramente risco e perigo. Darei, pela milésima vez, o exemplo – perigo é um tubarão, risco é a probabilidade (portanto, um número) de virmos a ser mordidos por ele. Segue-se, e isto é muito importante, que “administrar risco, para um pescador, por exemplo, equivale a estabelecer a que distância vai se aventurar da praia e quanto tempo pretende ficar pescando”. O problema é que o “pessoal da prevenção” nos passa, muitas vezes, a desagradável impressão ora de querer dizimar os tubarões (utópico), ora de querer que fiquemos na praia, onde, embora não mordidos, nada pescaremos (inútil). Nós, caiçaras, só queremos determinar a qual distância da praia devemos ficar para cada nível de risco que estejamos dispostos a aceitar e por quanto tempo vamos ficar por lá. Podemos fazer isso sem interferência externa. Limitem-se, por favor, apenas a multar o pescador mais afoito, enlouquecido, que provoca o grande branco e que espanta os nossos peixes. Mas deixem que o resto de nós pesque sem entraves nos nossos mares generosos. Para encerrar, parece-me que cabe

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um exemplo retirado da Física, mais especificamente da termodinâmica, para ilustrar, apenas ilustrar e apenas com o intuito de esclarecer, porque o conceito de segurança preventiva é falho: Dizem os físicos que uma rocha à beira de um despenhadeiro possui alguma “energia potencial” com relação ao sistema Rocha-despenhadeiro-chão do despenhadeiro. O que significa? Significa que, se alguém empurrar a rocha e ela cair do despenhadeiro, a energia potencial nela contida poderá realizar trabalho (por exemplo a cratera que abrirá no fundo do despenhadeiro). Agora (dizem os físicos), o sistema não tem mais energia potencial. Esses mesmos físicos têm uma medida e um nome para a “energia não utilizável de um sistema”: entropia. Dizem então que, antes de a rocha cair, o sistema tinha energia potencial e agora só tem entropia. Dizem ainda que, antes de a rocha cair, o sistema estava instável e estava “em ordem”. Depois de a rocha cair, o sistema tornou-se estável e está em desordem. A entropia é também uma medida de desordem de um sistema. Podemos provocar uma diminuição local de entropia no nosso sistema? Claro, levando a rocha de novo para o topo do despenhadeiro, com esforço muscular ou por meio de máquinas. Pronto: o sistema está de novo em ordem, instável, não tem mais entropia e tem de novo energia potencial. É isso: mutatis mutandis, a gestão do risco por prevenção, ao fechar tantas porteiras, ao regulamentar tantos processos “naturais”, cria tensões desnecessárias que, em algum tempo, levarão a situações desagradáveis. Poderá haver menos “crises”, mas a “Crise”, quando vier, será de proporções respeitáveis. Mas durmamos tranqüilos. Nada acontecerá. Sabemos que os “Custodes” e os “Custodes dos Custodes” velam para que nada nos aconteça. Mesmo assim faço uma prece a St. John (Von Neumann) para que não se estabeleçam demasiadas matrizes de cooperação...


projeções

Flávio Roberto Guarnieri

O que esperar de 2008?

TEREZA MARIA FERNANDEZ DIAS DA SILVA, SÓCIA DA MB ASSOCIADOS

A economia brasileira encerra 2007, do ponto de vista econômico, com um desempenho acima das expectativas. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve ficar muito próximo a 5%, com contribuição importante dos investimentos, mas principalmente por causa do aquecimento da demanda interna, que deverá fazer do Natal deste ano o melhor da década. O setor externo continuou apresentando resultados positivos com forte acumulação de reservas, a inflação esteve “bem comportada” em relação à meta estabelecida pelo Banco Central, e o setor público, mesmo com aumento de despesas, não deteriorou o seu resultado. O ponto de partida para o próximo ano é, nesse sentido, muito positivo, mas algumas observações se fazem necessárias quando tentamos projetar o próximo ano. • A crise imobiliária dos Estados Unidos significa menor crescimento. A princípio, esses impactos não serão suficientes para reverter a tendência de crescimento do resto do mundo, em especial a Ásia e, nessa região, a China, porque a Europa já tem uma importância econômica relevante no mercado asiático1. Se esse cenário internacional se confirmar, a economia brasileira vai continuar crescendo de forma importante.

O crescimento da massa salarial real deverá ser ligeiramente inferior ao dos últimos anos, influenciando na velocidade de crescimento da demanda

• A expectativa de que a inflação brasileira se eleve no próximo ano já fez com que o Banco Central interrompesse a queda nos juros básicos da economia – Selic, que deverá ficar nesse patamar por alguns meses. Passado o impacto do choque de oferta ocorrido pela elevação de preços nos alimentos, a inflação deverá se aproximar do centro da meta no próximo ano, por fatores característicos de aumento de demanda, não apenas aqui, mas no resto do mundo. A elevação no preço do petróleo2 fez com que alguns insumos das empresas subissem de forma importante (gás natural, nafta, querosene, GNV, óleos

combustíveis), a aceleração na construção civil também implicou aumento em custos (preço de terreno, aluguel de equipamento, mão-de-obra) que se transformaram no maior preço de construção por metro quadrado. Além disso, a elevação dos Índices Gerais de Preços (IGPs) para níveis próximos a 6%3 implicam maior correção nos preços administrados (luz, telefone etc.) em 2008. Todos esses fatores somados indicam que a política monetária será mais conservadora. • A primeira conseqüência do aumento de inflação, principalmente na alimentação, é a diminuição do poder de compra da população de mais baixa renda e, portanto, do seu consumo, que foi muito importante para o crescimento da demanda nos últimos anos. Por essa razão, o crescimento da massa salarial real deverá ser ligeiramente inferior ao dos últimos anos, influenciando na velocidade de crescimento da demanda (+4,4% em

1 O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a sua revisão do crescimento em outubro /07, reduzindo o PIB mundial para um número ainda muito positivo -4,8% em 2008. A maior desaceleração está projetada para os Estados Unidos, com expansão de apenas 1,9%. 2 A expectativa é de que, mesmo se reduzindo, o preço dessa commodity continue acima de US$ 70/barril em 2008. 3 A projeção da MB Associados é de que o IGP-M seja 5,4%, e o IGP-DI, 5,6% em 2007. Esses valores foram para ambos os índices 3,8% em 2006.

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FINANCEIRO


Resumo das Projeções dos Principais Indicadores Macroeconômicos – Cenário 1

PIB (a preços de mercado) Indústria Geral (PIM-IBGE)

2004

2005

2006

2007

2008

5,7

2,9

3,7

4,9

4,5 4,5

8,3

3,1

2,8

5,6

Taxa de Desemprego (médio)*

11,5

9,8

10,0

9,8

9,5

Taxa de Desemprego (último trimestre)*

10,2

9,2

9,2

9,4

9,0

Massa Real de Rendimentos

1,9

4,6

6,4

5,6

4,4

Balança Comercial (US$ bi)

33,7

44,7

46,5

40,5

32,0

Transações Correntes (US$ bi)

11,7

14,0

13,6

8,7

-1,5

1,8

1,6

1,3

0,7

-0,1

Câmbio (R$/US$) - Médio

2,93

2,44

2,18

1,95

1,84

Câmbio (R$/US$) - Final de Dezembro

2,65

2,34

2,14

1,82

1,85

SELIC (acumulada no ano)

16,5

19,1

15,2

11,8

10,9

17,75

18,00

13,25

11,25

10,25

7,6

5,7

3,1

3,9

4,3

12,4

1,2

3,8

5,7

4,3

-4,3

-4,4

-3,9

-4,2

-3,6

6,6

7,3

6,9

6,1

5,4

Transações Correntes (% do PIB)

SELIC (final de período) IPCA IGP-M Contas Fiscais (% do PIB)** Resultado Primário Juros (com desvalorização cambial) Resultado Nominal (com desval.) Dívida Pública Líquida

2,3

3,0

3,0

1,9

1,8

47,0

46,5

45,0

43,0

41,5

Fonte: IBGE, Banco Central. Projeções: MB Associados 0/1/1900. *Nova PME. ** Superávit (-); Déficit (+).

2008, 6,4% e 5,7% em 2006 e 2007, respectivamente). Com a Selic caindo de maneira mais lenta, a estrutura dos juros da economia ficará mais elevada, e os prazos médios dos financiamentos deixarão de ser ampliados ou diminuirão de maneira suave. O crédito segue crescendo, mas como conseqüência do movimento acima, em uma velocidade menor. • O resultado deverá aparecer na diminuição da aceleração do crescimento, que, vista de hoje, projeta um PIB de 4,5%, ligeiramente inferior ao resultado de 2007, mas ainda em um bom patamar4. No setor externo, amplia-se o tamanho do vazamento com a balança comercial recuando de um superávit de US$ 40 bilhões em 2007 para um valor próximo a US$ 30 bilhões em 2008. Esse recuo não deverá significar perdas de reservas, pois os investimentos diretos e as aplicações financeiras devem

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continuar positivos. Também aqui, a velocidade é menor, mas o vetor continua positivo com as reservas evoluindo entre US$ 55 bilhões e US$ 60 bilhões em 2008. O resultado de menor balança pode significar que o processo de valorização do real está mais próximo do fim. Os investimentos devem desacelerar em relação a 2007, mantendo-se em patamares mais elevados nos setores que já vêm recebendo maiores volumes nos últimos anos: mineração, siderurgia, petróleo e gás, etanol e, mais recentemente, construção civil. A privatização das estradas deve contribuir na rubrica de investimento somente a partir de 2009. • Do ponto de vista fiscal, mesmo com aumento de despesas, o déficit nominal e a relação dívida líquida-PIB seguem diminuindo, por causa da queda nas taxas de juros dos últimos anos.

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Os investimentos devem desacelerar em relação a 2007, mantendo-se em patamares mais elevados nos setores que já vêm recebendo maiores volumes nos últimos anos

O cenário de 2008 é positivo para o Brasil mesmo com um crescimento pouco abaixo deste ano, com chances reais de se tornar investment grade com reflexos positivos nas expectativas. Feliz 2008 para todos os leitores da revista Financeiro.

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Nesse cenário, a CPMF é aprovada sem restrições ou alteração no projeto da Câmara, dando sustentação ao aumento das despesas do governo federal.


política de parceria

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A negociação de alianças com fornecedores

A implantação de alianças requer uma mudança radical na natureza do relacionamento com o fornecedor. Ao contrário do processo transacional, as alianças exigem uma atitude de alta confiança e boa vontade legítima

JOSÉ CARLOS MARTINS F. DE MELLO, PROFESSOR CONVIDADO DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL

As alianças são processos de relacionamento entre empresas nos quais elas cooperam para produzir mais valor (ou custos mais baixos) do que seria possível em uma transação de mercado. Para criar esse valor, as organizações têm que concordar com uma questão básica: elas necessitam umas das outras para alcançar e partilhar os benefícios (Lewis, 1997). Há pressupostos fundamentais nesse processo: dependência mútua e alguma integração operacional entre as empresas; os riscos devem ser aceitos e compartilhados pelas empresas aliadas; e só deve ser feita uma aliança com outra organização se ela criar mais valor do que o processo de negociação competitivo convencional. Vários autores se perguntam: por que existem tão poucas alianças?

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Uma das hipóteses é a questão cultural: como os negociadores, especialmente os ocidentais, estão acostumados a negociar de forma transacional, a mudança para outro modelo de relacionamento pode nem ser considerada como alternativa mais eficiente. Outra hipótese, talvez mais simples, é de que algumas empresas podem até pensar em construir alianças com fornecedores, mas desistem por não saber como negociar para construir essa relação. A mudança do modelo transacional para o modelo de alianças não é um processo fácil e depende, fundamentalmente, de dois fatores. Primeiro, deve existir um desejo da alta administração em construir alianças com alguns fornecedores considerados estratégicos. Segundo, é preciso

FINANCEIRO


mudar a forma de encarar o relacionamento com os fornecedores escolhidos como aliados. Esse é um ponto vital, descrito por Liker e Choi (2004): “Por mais de 20 anos, empresas americanas tentaram, sem sucesso, construir alianças com os seus fornecedores. Como parte do movimento rumo à qualidade da década de 1980, essas empresas adotaram ostensivamente o modelo de aliança japonês. Reduziram o número de fornecedores, premiaram os vencedores com contratos de longo prazo e encorajaram os melhores classificados a administrar os de categoria mais baixa. Porém, por mais que as empresas norte-americanas tenham criado relacionamentos que lembravam superficialmente as dos seus competidores japoneses, elas não mudaram a natureza básica dos seus relacionamentos com os fornecedores. As alianças não duraram muito tempo e, logo, compradores e vendedores voltaram a lutar asperamente, só mudando os temas: em vez de lutarem por preço por meio de coletas, como no passado, passaram a lutar em temas como melhoria contínua, prazos de entrega e reduções anuais nos preços contratados”. A implantação de alianças requer uma mudança radical na natureza do relacionamento com o fornecedor. Ao contrário do processo transacional, em que o princípio é espremer ao máximo o outro, as alianças exigem uma atitude de alta confiança e boa vontade legítima, num fluxo contínuo de informações e de idéias nos dois sentidos. Assim, embora muitos

executivos desejem transformar fornecedores em aliados, não o conseguem facilmente e há fortes razões para isso. Um motivo pode ser de ordem técnica: os negociadores simplesmente não sabem como se comportar em negociações que visam construir alianças. Outro é emocional: durante décadas, os negociadores exploraram uns aos outros usando o poder para obter vantagens, sem se preocupar com o lucro ou mesmo com a sobrevivência da outra parte. O relacionamento tem sido tradicionalmente competitivo, há pouca troca de informações e existe um nível muito baixo de confiança. Coloque-se no lugar de um negociador que sempre agiu dessa forma: qual seria sua reação se, de repente, o outro lado mudasse de postura e o convidasse a trabalhar dentro de um ambiente em que a confiança, o compartilhamento de riscos e a troca de informações tivessem papel decisivo e fundamental? Para construir e desenvolver alianças, alguém tem que “dar o primeiro passo” e quebrar o ciclo. Historicamente, isso é mais fácil quando a iniciativa é do comprador ou da empresa que, aparentemente, detém o maior poder. O grande desafio é estabelecer formas de convencer os fornecedores a mudarem de postura e passarem a negociar em um ambiente em que a transparência e a construção de uma relação de confiança mútua sejam fatores fundamentais na obtenção de melhores resultados. Mas há um problema sério – para mudar o comportamento do outro, é necessário primeiro mudar o nosso comportamento. É a partir daí que o processo toma rumo.

O grande desafio é estabelecer formas de convencer os fornecedores a mudarem de postura e passarem a negociar em um ambiente em que a transparência e a construção de uma relação de confiança mútua sejam fatores fundamentais na obtenção de melhores resultados


artigo

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Avanços institucionais do crédito imobiliário

A concentração dos ônus nas matrículas dos imóveis é a mais relevante. Ela já foi adotada por outros países que precisavam reduzir os riscos dos adquirentes finais, das instituições creditícias e dos demais envolvidos nas operações de incorporação, construção e venda de imóveis

DÉCIO TENERELLO, PRESIDENTE DA ABECIP

Estabilidade econômica, ritmo mais forte de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da renda desempenharam papel decisivo para acelerar os negócios imobiliários no Brasil nos últimos anos. Mas a velocidade da recuperação do setor também foi muito influenciada pela redução dos custos de transação propiciada por institutos jurídicos mais modernos – alienação fiduciária, patrimônio de afetação, criação das securitizadoras, das companhias hipotecárias e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) –, no bojo das reformas microeconômicas aplicadas ao longo da última década e, mais recentemente, defendidas tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto pelo Ministério da Fazenda. Mas, embora tenham ocorrido enormes avanços e a desoneração efetiva das transações imobiliárias, inclusive do ponto de vista tributário (Imposto de Renda, IPI, CPMF na securitização), cabe enfatizar que algumas reformas vitais para a continuidade da recuperação do setor ainda não foram feitas, por mais importantes que sejam. Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a intenção do governo de alterar a legislação dos cartórios de registros de imóveis, com o objetivo de concentrar, na matrícula do registro de imóveis, os ônus que incidem sobre a propriedade. Além disso, as autoridades

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gostariam de permitir a portabilidade dos empréstimos imobiliários. Nos dois casos, trata-se de objetivos sensatos, desde que sejam tomados os devidos cuidados para sua adoção. A concentração dos ônus nas matrículas dos imóveis é a mais relevante. Ela já foi adotada por outros países em que prevalecem as instituições do Direito Romano, como a Espanha e Portugal, que precisavam reduzir os riscos dos adquirentes finais, das instituições creditícias e dos demais envolvidos nas operações de incorporação, construção e venda de imóveis. Os resultados dessas políticas foram excepcionais. Eliminou-se boa parte da burocracia ainda presente nas operações imobiliárias. Sobretudo, a segurança das partes aumentou muito, estimulando as transações cuidadosas e jogando para o limbo operações com imóveis carentes de documentação. Note-se que, na crise do subprime, não há questionamento jurídico das transações, mas avaliação deficiente de riscos e posturas altamente especulativas. Países que modernizaram suas legislações adicionaram, assim, mais segurança aos contratos imobiliários – e isso significa menos juros, pois os financiadores deixam de incluir no custo uma parcela reservada para eventos fortuitos, como a eventual reclamação por parte do Estado de tributos não recolhidos ou a inscrição dos vendedores na dívida ativa da União, Estados e mu-

FINANCEIRO


nicípios. Em resumo, aprovadas as mudanças, também no Brasil deixará de ser necessário constituir maiores provisões para devedores duvidosos. E, ao que tudo faz crer, com a centralização dos ônus na matrícula, conforme sugerido pelo ministro da Fazenda, deixará de ser preciso consultar dezenas de cartórios de protestos, às vezes, em vários Estados, para conferir a idoneidade dos compradores. Também será possível afastar surpresas desagradáveis para os compradores, que, às vezes, chegam a levar anos até poder registrar em seu nome o imóvel adquirido. Ou, ainda pior, vêem contestado um direito que consideravam líquido e certo. Cabe notar que a expressão registro único de imóveis é pouco precisa, sendo usada mais para facilitar o entendimento pelo grande público de um conjunto de normas jurídicas sobre tema complexo. Trata-se, repita-se, da concentração dos ônus nas matrículas, não se alterando, no essencial, a atividade registral, da maior importância para a segurança das transações imobiliárias. Uma segunda ordem de medidas, em que se destaca a idéia da portabilidade do crédito imobiliário, deve ser vista sob o aspecto do custo das transações. Ao contratar um crédito, a instituição precisa de um lastro (funding) cujo custo terá de ser compatível com aquele cobrado do devedor final. Historicamente, nas décadas de 1980 e 1990, o descasamento entre a captação e a aplicação ameaçou a própria existência do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), quando a

hiperinflação se combinava com recessão e desemprego. Mas, ainda hoje, em que há equilíbrio macroeconômico, regulamentos imperfeitos poderiam provocar descasamento oneroso para as instituições de crédito, que tenderiam a se ressarcir mediante a cobrança de taxa dos financiados. A portabilidade, portanto, poderá implicar algum ônus adicional às operações que será tanto menor quanto mais rapidamente declinarem os juros e forem reduzidas as obrigatoriedades relativas ao crédito direcionado. Chega-se, pois, a uma terceira ordem de mudanças, espécie de complemento natural das reformas microeconômicas: a reavaliação das regras de direcionamento dos recursos captados pelas cadernetas de poupança. Essa revisão assegurará dinamismo ainda maior para o crédito imobiliário, além de abrir espaço para a expansão do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que tende a ser o mecanismo ideal para assegurar o ritmo vigoroso da construção civil e dos investimentos em imóveis. Parece evidente que toda essa seqüência de iniciativas de política microeconômica em curso no Brasil foi levada em conta pelos investidores estrangeiros que têm chegado crescentemente ao País, seja diretamente, seja subscrevendo emissões de ações de companhias abertas brasileiras, pois têm perfeita consciência do êxito que a modernização legal das transações trouxe para os mercados dos países desenvolvidos.

Com a centralização do ônus na matrícula, conforme sugerido pelo ministro da Fazenda, deixará de ser preciso consultar dezenas de cartórios de protestos, às vezes, em vários Estados, para conferir a idoneidade dos compradores

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análise de mercado

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O crédito em perspectiva CARLOS THADEU DE FREITAS GOMES, CHEFE DA DIVISÃO ECONÔMICA DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO E EX-DIRETOR DO BANCO CENTRAL

Arquivo Acrefi

MARIANNE LORENA HANSON, ASSESSORA ECONÔMICA DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO

Apesar dos problemas estruturais, a tendência de crescimento do nível de crédito em diversas modalidades deve continuar, embora com menos intensidade

Um dos problemas mais freqüentemente apontados como inibidores do dinamismo da economia brasileira é o baixo volume do financiamento à atividade privada. A partir de 2003, as operações creditícias voltaram a crescer, dando início a um novo ciclo de crédito na economia brasileira, que se intensificou a partir de 2004 e segue com fôlego ainda este ano. Segundo o Banco Central, as operações de crédito, que representavam cerca de 26,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2003, atingiram 33,1% em setembro de 2007. Apesar de haver uma tendência de alta em diversas modalidades, esse novo ciclo baseia-se especialmente na expansão das operações de crédito às pessoas físicas e, principalmente, no financiamento do consumo de bens duráveis e, mais recentemente, no financiamento imobiliário. Entretanto, existem fatores estruturais, que afetam no longo prazo, e conjunturais, no curto prazo, os quais colocam em dúvida o ritmo da trajetória futura do crédito e a durabilidade desse ciclo. Os fatores estruturais mais importantes são aqueles que geram taxas de juros e spreads bancários elevados e um acesso limitado aos canais de financiamento. Entre eles: elevada

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carga tributária e distorções causadas pela grande necessidade de financiamento da dívida pública. Apesar dos problemas estruturais, que proporcionam uma combinação de taxas de juros e spreads bancários elevados, a tendência de crescimento do nível de crédito em diversas modalidades deve continuar, embora com menos intensidade, ainda como reflexo das quedas promovidas na taxa Selic que, além de promoverem um barateamento do crédito, induzem as instituições financeiras a reverem suas carteiras de ativos, disponibilizando uma parcela maior de recursos para o financiamento do setor privado. O crescimento da atividade econômica está intimamente ligado com o desenvolvimento da atividade creditícia. Ao mesmo tempo em que o crédito promove uma maior expansão do PIB, o oposto também ocorre. O maior incremento do PIB levará a um aumento do crédito. Num ambiente em que existem várias restrições para que o mercado de crédito funcione plenamente, o crescimento do PIB se torna uma variável muito importante para evolução do crédito. Dado o baixo nível do crédito persistente no Brasil, sua elasticidade em relação ao PIB é ainda alta, hoje cor-

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respondente a cerca de 4%. Logo, considerando as expectativas para a expansão do PIB, da ordem de 4%, o crescimento real médio esperado para as operações de crédito livre acumulado entre 2008 e 2010 poderá atingir cerca de 16%. A pausa nos cortes das taxas de juros Selic, determinada pelo Banco Central em outubro, ocasionou elevações nas taxas futuras de juros, que, por sua vez, encarecerão o crédito. Caso o dólar continue com seu processo de queda, como é esperado, a reversão dos recentes aumentos do IPCA continuará até o primeiro trimestre de 2008, quando haverá elevações sazonais de alguns preços de serviços. Logo, a possível demora do Banco Central em cortar novamente a taxa de juros Selic, num contexto de quedas futuras esperadas nos preços, tornará o custo real do crédito mais elevado para o consumidor. O arrefecimento do IPCA em setembro, passando de +0,47% em agosto para +0,18%, corrobora as projeções de queda dos alimentos, a diminuição da pressão desses preços sobre os índices gerais. O grupo, após um forte choque negativo de oferta ocorrido a partir do início do ano de 2007, começou a sofrer a desaceleração, variando 0,44% em setembro contra a média de 1,2% nos últimos três meses. O cenário de inflação para o ano corrente e para o próximo período ainda é benéfi co, uma vez que, além dos pontos positivos mencionados

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acima, o câmbio tende a continuar a ser um grande aliado no comportamento dos preços. As perspectivas de corte da taxa de juros nos Estados Unidos, mantendo o diferencial de juros elevados, reforçam a tendência de queda do dólar. O comportamento do IPCA, tanto em 2007 como em 2008, deverá ficar abaixo do centro da meta de inflação. Apesar de o crédito continuar a ajudar o varejo para os resultados deste ano, espera-se uma continuidade da desaceleração das vendas dos bens duráveis. As causas principais que explicam esse desaquecimento são os fatores conjunturais de curto prazo. O primeiro deles consiste na resistência na ponta dos juros ao consumidor que não acompanhou a queda da taxa básica de juros na mesma proporção. Além disso, poderá haver uma surpresa inflacionária positiva, com a queda dos preços livres que produzirá menor inflação esperada e, conseqüentemente, taxas de juros reais ex ante bastante elevadas. Em segundo lugar, está a inadimplência, que pode se tornar mais preocupante, pois as facilidades das novas modalidades de crédito (o consignado em particular) afetam a capacidade de pagamento e podem comprometer a renda futura dos tomadores mais endividados. Como o crescimento do crédito à pessoa física tem superado a expansão da renda, mesmo que esta tenha sido vigorosa, espera-se um esgotamento da capacidade de endividamento,

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O principal limite para o ciclo atual do crédito e seu desenvolvimento a médio e longo prazo é a própria sustentabilidade do crescimento econômico

senão houver uma expansão mais forte da atividade econômica com repercussões positivas no mercado de trabalho. Apesar das perspectivas menos favoráveis dos juros e das limitações geradas pelo nível de renda e endividamento do consumidor, o crescimento da liquidez interna beneficia o crédito. A expansão dos agregados monetários amplos nos últimos anos corresponde a um crescimento da oferta potencial de crédito na economia. Com base em previsão otimista, ao extrapolar a performance do varejo no primeiro semestre, espera-se que o comércio ainda será beneficiado pelo crédito em 2008. Hoje, o principal limite para o ciclo atual do crédito e seu desenvolvimento a médio e longo prazo é a própria sustentabilidade do crescimento econômico, que depende de que sejam criadas saídas para a redução da carga tributária e da dívida pública, e de que a evolução da economia internacional continue favorecendo o País.


análise setorial

Mario Miranda/Agência Foto

Consolidação do setor de crédito ao consumo no Brasil PROF. DR. ALBERTO BORGES MATIAS, PRESIDENTE DO INEPAD – INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO

U

ma retrospectiva do mercado de crédito para pessoas físicas mostra uma evolução no saldo com recursos livres na ordem de 26% no último ano, e de 108% nos últimos três anos, considerando dados de setembro corrigidos. O saldo total atingiu R$ 295 bilhões em setembro e, para o próximo mês, deve ultrapassar a barreira dos R$ 300 bilhões, o que representa aproximadamente 12% do PIB. Entre as modalidades que mais se destacam, temos: crédito pessoal, crédito consignado e aquisição de veículos. O crédito pessoal apresentou expansão de 20% no último ano, e de 112% nos últimos três anos. A taxa média de juros em setembro para essa modalidade foi de 49,43% ao ano, uma diminuição de quase 10 pontos percentuais com relação ao mesmo período de 2006, e de 20 pontos percentuais desde que a taxa Selic iniciou sua trajetória de declínio, em setembro de 2005. O crédito pessoal é a modalidade com maior saldo de empréstimos, representando 33% do crédito total para pessoas físicas, e deve manter sua trajetória de crescimento nos próximos anos. O crédito consignado apresentou expansão de 424% em três anos e meio de existência, atingindo R$ 60,8 bilhões em setembro de 2007. O cres-

Os prazos médios apresentaram aumento de 21% no último ano, e expansão de quase 50% nos últimos três anos, o que incentiva a tomada de empréstimos pelo consumidor

cimento desse segmento deve-se, em grande parte, às taxas de juros atrativas, em torno 30% ao ano. Por ser descontado direto na folha de pagamento dos tomadores do empréstimo, o consignado propicia às instituições financeiras maior segurança e menor risco de inadimplência ou insolvência, permitindo a cobrança de taxas menores do que outras modalidades de crédito. Além disso, o consignado vem sendo cada vez mais utilizado na quitação de dívidas mais onerosas, aumentando sua importância como modalidade de crédito para pessoas físicas. O crédito para aquisição de veículos é outro segmento em franca expansão. No último ano, apresentou crescimento real de 19%, e nos últimos três anos de 88%. Os principais fatores que vêm contribuindo para a consolidação do crescimento do crédito para veículos são as taxas de juros para essa modalidade, na faixa dos 28% ao ano

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nos últimos três meses, a mais baixa quando comparada às outras modalidades de crédito, e o aumento dos prazos de pagamento, que já estão chegando a oito anos. Ademais, as taxas de inadimplência e insolvência mantiveram-se estáveis em 7% e 3%, respectivamente, nos últimos anos, o que incentiva a extensão dos prazos e diminuição nas taxas de juros. Dentro desse contexto de crescimento do financiamento ao consumo, temos uma taxa média de inadimplência em torno de 26% para pessoa física, e uma taxa média de insolvência em 8,8%, considerando os dados de setembro de 2007, queda de 1 ponto percentual para ambas as taxas, quando comparadas com o mesmo período de 2006. O spread para pessoa física apresentou diminuição de 2,3 pontos percentuais no último ano, ficando em 11,9% em setembro. Os prazos médios apresentaram aumento de 21% no último ano, e expansão de quase 50% nos últimos três anos, o que incentiva a tomada de empréstimos pelo consumidor. Além desses fatores, tem-se uma perspectiva de continuidade de queda da taxa Selic no próximo ano, e a inflação deve manter-se estável, o que favorecerá ainda mais a expansão do crédito para pessoas físicas.

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GRÁFICO 1 Volume de crédito com recursos livres pessoas físicas

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R$ bilhões corrigidos setembro/2007

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GRÁFICO 2 Volume modalidades de crédito PF

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Média Saldo total

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R$ milhões corrigidos setembro/2007

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Imagem do fundo: ©iStockPhoto.com/Jorgen Udvang

Esse movimento de expansão traz para os tomadores de empréstimos uma condição a que, muitas vezes, não estão acostumados, de necessidade de administração de suas dívidas de forma responsável, programando-se

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para os pagamentos. O maior desafio para as instituições financeiras é o de educar seus clientes, atentando-os para os conceitos de finanças pessoais e planejamento financeiro, de forma a manter sob controle seus níveis de

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risco simultaneamente à oferta de taxas menores e prazos maiores, possibilitando a efetiva consolidação do setor de crédito ao consumo. Colaborou a analista financeira Ariadne Aranha Arnosti


varejo

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Consumidor e mercado: risco e retorno

O importante é reconhecer aquele que é o que se pode chamar de consumidor saudável, aquele que alimenta seus sonhos à base de prestações mensais, que não deixa de quitar, que se individa, mas não a ponto de quebrar

ROSELI GARCIA, SUPERINTENDENTE DE PRODUTOS E SERVIÇOS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO

O consumidor é a força-motriz de qualquer mercado. Sem ele, a economia não gira, não há movimento no varejo nem na indústria. É por isso mesmo que as empresas concorrem pela sua preferência em todos os níveis: com bom atendimento, produtos de qualidade elevada e facilidades de pagamento, especialmente crédito. Dessa forma, crescem as linhas de financiamento, alongam-se os prazos, inova-se para aumentar o acesso ao crédito. O consumidor, em demanda reprimida, compra mais e, em conseqüência disso, endivida-se mais. Muito mais. As ferramentas de gerenciamento de risco massificado, por sua vez, se multiplicam, visando ao tratamento adequado de cada consumidor. Afinal, é o comprador saudável que permite que o mercado continue a existir. Essa relação mercado-consumidor é tão importante, tão forte e também tão complexa que exige reflexões profundas. Como tratar com isonomia aqueles que querem comprar, mas pagam de forma diferente? Que empresário nunca se perguntou como expurgar de sua carteira o mau pagador? Quem nunca se esmerou em trazer de volta ao mercado, flexibilizando o processo de cobrança, aquele que quer quitar seus débitos, mas não pode fazê-lo já ou na totalidade?

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Deve-se ou não vender mais para quem deve e costuma pagar? Na verdade, o importante é reconhecer aquele que é o que se pode chamar de consumidor saudável, aquele que alimenta seus sonhos à base de prestações mensais, que não deixa de quitar, que se endivida, mas não a ponto de quebrar, ou seja, o que não deixa de fazer o mercado funcionar. Além disso, não se pode esquecer o nicho formado pelos consumidores que ainda se encontram na economia informal, que soma 62% da população economicamente ativa do País, algo em torno dos 75 milhões de brasileiros. Trata-se de cidadãos que não têm carteira de trabalho assinada, muito menos contracheque que comprove renda, mas são uma força importante no lado da demanda ainda menos trabalhada. Não se pode negar que, nesse segmento, o risco é maior, bem como a dificuldade de precificação do crédito, o que é imprescindível; ou seja, mais uma vez, diversificação, novas ferramentas de gerenciamento de risco e inovação são palavras-chave nesse negócio. Sendo assim, precisamos sempre estar em busca de ações voltadas à concessão e ao monitoramento de crédito, valorizando cada vez mais a qualidade e procurando obter a melhor relação possível entre risco e retorno dessas operações.

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variedades

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A história dos vinhos no Brasil confunde-se com a dos primórdios de sua colonização. Dom João III enviou o almirante Martim Afonso de Souza de 1532 em diante, com intenção de assentamento, e com ele vieram da Ilha da Madeira e dos Açores ótimos agricultores. Junto destes, vieram as primeiras videiras. Daí fizeram-se os vinhos. Na colonização de São Vicente, destacou-se o fidalgo Brás Cubas, o primeiro viticultor do Brasil. Líder, bom agricultor e comerciante astuto, em 1535 plantou parreiras nas sesmarias outorgadas por el-Rei. E as vinhas frutificaram bem em Tatuapé e no Planalto de Piratininga, pelos idos de 1551. Por causa do excesso de chuvas e do calor abafado do litoral, o parreiral brasileiro foi interiorizado. Entre 1549 e 1576, os padres Nóbrega, Vasconcelos e Anchieta confirmavam muito vinho popular, de mesa, gerado na Vila de São Paulo e imediações. Como interessavam o enriquecimento imediato e a exploração completa das dádivas oferecidas pela natureza, as bandeiras foram descobrindo o ouro de aluvião em Minas Gerais, e a mão-de-obra rural abandonou a agricultura paulistana e suas videiras. Nos séculos 18 e 19, a viticultura paulista praticamente desapareceu. E as ricas descobertas auríferas no Sabarabuçu, em Ouro Preto, em Tiradentes, São João Del Rei e outras cidades hoje históricas facilitaram a importação farta dos portos de Portugal, dos chateaux e champagnes franceses, dos renos germânicos e dos chiantis italianos. Com o desenvolvimento minerífero, alavancado pelo saber paulista, Portugal se sentiu ameaçado, como colonizador a longa distância e país de pequena população com grandes levas de emigrantes a Minas. No auge da mineração, nos anos 1640-1680,

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Dom João III, Dona Maria I e as saudáveis rivalidades luso-brasileiras no Reino de Baco OPIMIANO

partiam de Portugal até 60 mil pessoas ao ano, formando produção e mercado no interior do Brasil e com grande gosto por vinhos. Em 1720, o território mineiro deixa de ser bandeirante, sua jurisdição é outra. Daí, Minas Gerais passou a produzir mais vinhos, das variedades Dedo de Dama, Moscatel e Ferral. Dado o quadro ameaçador que se formava, Dona Maria I, em 1785, proibiu as indústrias no Brasil, com isso, entre outras, a produção de uvas e a elaboração de vinhos, para que as castas portuguesas se assegurassem e tivessem mercado cativo. Essa proibição só foi revogada em 1808, quando Dom João VI e sua corte fugiram das tropas de Napoleão Bonaparte. Sem opção, encurralado, pressionado pelo apoio britânico, necessitado, o rei permitiu a industrialização, e sua primeira fábrica foi um paiol de pólvora. No final do século 19, a viticultura se exercia em toda Minas Gerais e, especialmente, em localidades da Serra da Mantiqueira. No século 20, esse crescimento se reforçou em raras e altas áreas montanhosas. E é dessa

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No auge da mineração, partiam de Portugal até 60 mil pessoas ao ano, formando produção e mercado no interior do Brasil e com grande gosto por vinhos região que provêm dois vinhos que experimentamos com prazer e sucesso, sendo merecedores de apreciação. Os vinhos Doberdo são finos e da variedade Vitis Vinifera. A Cabernet Sauvignon tem 13º de teor alcoólico; cor rubi vibrante; esquenta a garganta; tem leve sabor floral, de violeta; as amoras evoluem; um tanino delicado e que diminui com temperatura maior; e cereja madura com madeira nobre. Esse Cabernet é nobre, tal como o brasão Doberdo que o decora e sua concentração forte, por onde se sente a pimenta verde e um delicado gosto herbáceo. A Adega da Vinícola ABN (veja o site www.vinicolabn.com.br) oferece outras delícias barrocas, bem mineiras. É celestial o seu vinho Doberdo – Syrah, perfumado; de álcool a 12,5º; gosto de uvas maduras, com passas e rosas a molhar os lábios. No final, surge um gosto delicado de mel com morangos maduros e bem docinhos. É ótimo perceber que os vinhos brasileiros estão se qualificando, e o Sudeste tem segredos cada vez melhores a oferecer, que se desvendam. Experimente e saúde!


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Var. p.p.

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

41,5 41,4 41,0 39,8 39,9 39,3 38,5 38,1 37,4 36,7 35,9 35,7 35,5

-0,4 -0,1 -0,4 -1,2 0,1 -0,6 -0,8 -0,4 -0,7 -0,7 -0,8 -0,2 -0,2

13,7 13,4 13,1 12,6 12,5 12,1 12,0 11,7 11,2 10,9 10,8 11,0 10,9

-0,7 -0,3 -0,3 -0,5 -0,1 -0,4 -0,1 -0,3 -0,5 -0,3 -0,1 0,2 -0,1

27,8 28,0 27,9 27,2 27,4 27,2 26,5 26,4 26,2 25,8 25,1 24,7 24,6

0,3 0,2 -0,1 -0,7 0,2 -0,2 -0,7 -0,1 -0,2 -0,4 -0,7 -0,4 -0,1

Variação set-set

0,9

0,8

0,9

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

53,8 53,5 53,6 52,1 52,3 50,8 49,9 49,1 48,6 47,8 47,0 46,6 46,3

-0,1 -0,3 0,1 -1,5 0,2 -1,5 -0,9 -0,8 -0,5 -0,8 -0,8 -0,4 -0,3

13,7 13,2 12,9 12,5 12,3 12,1 11,9 11,5 10,9 10,7 10,7 11,3 11,3

-0,6 -0,5 -0,3 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2 -0,4 -0,6 -0,2 0,0 0,6 0,0

40,1 40,3 40,7 39,6 40,0 38,7 38,0 37,6 37,7 37,1 36,3 35,3 35,0

0,5 0,2 0,4 -1,1 0,4 -1,3 -0,7 -0,4 0,1 -0,6 -0,8 -1,0 -0,3

Variação set-set

0,9

0,8

0,9

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

27,3 27,4 26,6 26,2 26,2 26,0 25,4 25,3 24,3 23,7 23,0 23,1 23,2

-0,6 0,1 -0,8 -0,4 0,0 -0,2 -0,6 -0,1 -1,0 -0,6 -0,7 0,1 0,1

13,8 13,6 13,2 12,8 12,6 12,2 12,0 12,0 11,5 11,1 10,9 10,7 10,5

-0,7 -0,2 -0,4 -0,4 -0,2 -0,4 -0,2 0,0 -0,5 -0,4 -0,2 -0,2 -0,2

13,5 13,8 13,4 13,4 13,6 13,8 13,4 13,3 12,8 12,6 12,1 12,4 12,7

0,1 0,3 -0,4 0,0 0,2 0,2 -0,4 -0,1 -0,5 -0,2 -0,5 0,3 0,3

Variação set-set

0,8

0,8

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

31

0,9


banco de dados por INEPAD SPREAD FINANCEIRO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volum e R$ Milhões

45,0

Taxa de Juros 80,00

100.000

40,0

95.000 35,0

75,00

90.000

30,0

SPREAD FINANCEIRO

70,00

85.000

65,00

80.000

25,0

75.000

20,0

60,00

70.000 15,0

55,00

65.000

Aplicação

60.000

set/07

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

set/06

10,0

50,00

set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago set 06 06 06 06 07 07 07 07 07 07 07 07 07

Captação

Volume

Taxa de Juros

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados - Recursos Livres (R$ milhões) MÊS / ANO

CHEQUE ESPECIAL

VARIAÇÃO EM %

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

VARIAÇÃO EM %

CARTÃO DE CRÉDITO

VARIAÇÃO EM %

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

12.768 13.348 13.194 11.738 13.287 13.794 13.771 14.218 14.195 13.906 14.155 14.066 13.964

-2,4% 4,5% -1,2% -11,0% 13,2% 3,8% -0,2% 3,3% -0,2% -2,0% 1,8% -0,6% 0,9%

76.513 77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.551 95.338

1,4% 1,5% 1,9% -0,3% 1,9% 2,4% 2,9% 2,2% 3,2% 1,3% 2,8% 1,6% 1,2%

221 227 233 236 237 244 223 39 262 277 260 279 294

0,9% 3,0% 2,3% 1,3% 0,6% 3,2% -8,7% -82,6% 576,9% 5,5% -5,9% 7,1% 5,4%

13.293 13.511 13.838 13.418 14.135 14.973 14.974 15.627 15.677 15.873 16.140 16.446 16.674

0,1% 1,6% 2,4% -3,0% 5,3% 5,9% 0,0% 4,4% 0,3% 1,2% 1,7% 1,9% 1,4%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - Prefixados/continuação Recursos Livres (R$ milhões) AQUISIÇÃO MÊS / ANO set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

VEÍCULOS

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

OUTROS

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

61.384 61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.198 76.123

1,9% 0,2% 2,0% 1,2% 1,6% 1,3% 2,6% 2,0% 2,3% 1,7% 1,6% 2,8% 2,6%

9.956 10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.454 11.636

-1,3% 1,8% 1,0% 5,1% 1,0% -1,5% -0,5% -0,3% 3,0% 0,6% 1,7% 2,4% 2,2%

71.340 71.652 72.957 74.225 75.327 75.996 77.624 78.903 80.786 82.045 83.381 85.652 87.759

1,4% 0,4% 1,8% 1,7% 1,5% 0,9% 2,1% 1,6% 2,4% 1,6% 1,6% 2,7% 2,6%

9.813 9.766 9.624 9.646 9.835 9.931 9.893 10.432 11.113 11.121 11.456 11.691 11.460

6,0% -0,5% -1,4% 0,2% 2,0% 1,0% -0,4% 5,4% 6,5% 0,1% 3,0% 2,1% -2,0%

183.947 186.197 188.993 188.213 193.285 197.346 201.269 205.844 211.432 213.737 218.487 222.039 225.488

1,3% 1,2% 1,5% -0,4% 2,7% 2,1% 2,0% 2,3% 2,7% 1,1% 2,2% 1,6% 1,6%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

32

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO MÊS / ANO set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 Var. set-set

CRÉDITO PESSOAL* 85.446 86.707 88.383 88.709 90.417 92.665 95.204 97.339 100.829 101.876 104.311 106.287 107.340 25,62%

CONSIGNADO Públicos

Privados

Total

Amostra**

39.119 40.304 41.406 42.069 43.595 44.923 46.206 47.625 49.274 49.970 51.088 52.151 52.988

5.542 5.730 5.889 6.016 5.982 6.283 6.638 6.869 7.145 7.331 7.502 7.678 7.870

44.660 46.034 47.295 48.086 49.578 51.206 52.845 54.494 56.419 57.301 58.590 59.829 60.857 36,27%

30.442 31.171 31.727 32.318 33.216 34.106 35.186 36.316 37.495 38.248 39.184 40.246 40.989 34,65%

% Consignado***

(R$ milhões)

Concentração Taxa de Juros %aa do Consignado Estimativa INEPAD Consignado Pessoal Diferença

52,3% 53,1% 53,5% 54,2% 54,8% 55,3% 55,5% 56,0% 56,0% 56,2% 56,2% 56,3% 56,7%

68,2% 67,7% 67,1% 67,2% 67,0% 66,6% 66,6% 66,6% 66,5% 66,7% 66,9% 67,3% 67,4% -1,19%

34,7% 34,4% 33,5% 33,3% 33,0% 32,4% 32,3% 32,2% 32,1% 31,5% 30,9% 30,7% 30,3%

58,9% 58,6% 58,6% 57,2% 74,5% 70,7% 68,1% 67,5% 65,2% 64,7% 65,3% 64,1% 64,1%

24,2% 24,2% 25,1% 23,9% 41,6% 38,4% 35,8% 35,3% 33,1% 33,1% 34,4% 33,4% 33,8%

FONTE: INEPAD / BC * Inclui empréstimos realizados pelas cooperativas de crédito. ** Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. *** Total consignado sobre o total de crédito pessoal.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

68.197.101 69.000.361 70.336.983 70.448.643 71.854.490 73.570.737 75.724.397 77.477.719 80.753.893 81.617.798 83.998.607 85.025.566 85.982.898

1.728.112 1.905.877 1.880.683 1.555.472 1.924.553 1.947.444 1.965.245 2.104.310 1.799.396 1.753.380 2.069.028 2.085.416 2.036.228

2,26% 2,45% 2,38% 1,97% 2,39% 2,36% 2,32% 2,43% 2,01% 1,94% 2,22% 2,21% 2,14%

1.854.593 2.074.095 2.105.536 1.997.449 2.025.346 2.178.932 2.224.387 2.349.275 2.057.019 2.134.484 2.088.671 2.055.724 2.159.631

2,42% 2,67% 2,66% 2,53% 2,52% 2,64% 2,62% 2,71% 2,30% 2,36% 2,24% 2,18% 2,27%

4.732.732 4.712.214 4.824.837 4.948.546 4.659.338 4.711.130 4.869.072 4.693.467 4.787.649 5.009.886 4.938.496 5.052.267 5.159.550

6,19% 6,07% 6,10% 6,27% 5,79% 5,72% 5,74% 5,42% 5,36% 5,53% 5,30% 5,36% 5,41%

76.512.538 77.692.547 79.148.039 78.950.110 80.463.727 82.408.243 84.783.100 86.624.771 89.397.957 90.515.548 93.094.802 94.218.973 95.338.307

1,43% 1,54% 1,87% -0,25% 1,92% 2,42% 2,88% 2,17% 3,20% 1,25% 2,85% 1,21% 1,19%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

54.649.627 54.889.283 56.153.133 57.051.982 57.821.270 58.321.834 59.775.228 60.950.697 62.462.921 63.765.089 64.702.492 66.872.373 68.584.096

2.127.183 2.187.755 2.084.382 2.083.888 2.155.433 2.186.406 2.411.754 2.297.945 2.389.587 2.283.022 2.467.511 2.398.659 2.373.488

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,47% 3,56% 3,32% 3,28% 3,34% 3,35% 3,60% 3,37% 3,42% 3,21% 3,42% 3,23% 3,12%

2.468.754 2.413.166 2.436.630 2.257.921 2.397.753 2.638.787 2.586.281 2.818.775 2.680.328 2.705.644 2.701.213 2.563.719 2.686.913

4,02% 3,92% 3,88% 3,56% 3,72% 4,04% 3,86% 4,13% 3,84% 3,81% 3,74% 3,46% 3,53%

2.138.638 2.029.110 2.051.880 2.078.322 2.088.318 2.143.955 2.203.488 2.215.581 2.319.711 2.297.783 2.324.273 2.350.787 2.478.523

3,48% 3,30% 3,27% 3,27% 3,24% 3,28% 3,29% 3,24% 3,32% 3,23% 3,22% 3,17% 3,26%

61.384.202 61.519.314 62.726.025 63.472.113 64.462.774 65.290.982 66.976.751 68.282.998 69.852.547 71.051.538 72.195.489 74.185.538 76.123.019

1,90% 0,22% 1,96% 1,19% 1,56% 1,28% 2,58% 1,95% 2,30% 1,72% 1,61% 2,76% 2,61%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

ACREFI

33


banco de dados por INEPAD INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

7.951.506 8.026.888 8.059.766 8.687.035 8.694.031 8.397.077 8.235.034 8.143.789 8.460.771 8.507.756 8.638.250 8.835.707 9.038.041

393.093 433.439 439.183 403.893 489.754 510.540 548.495 529.358 511.452 501.282 511.622 509.350 521.015

3,95% 4,28% 4,29% 3,76% 4,51% 4,77% 5,15% 4,98% 4,68% 4,56% 4,57% 4,47% 4,48%

435.990 465.070 485.090 447.832 480.312 606.859 665.478 663.180 604.950 603.150 592.191 576.446 610.251

4,38% 4,59% 4,74% 4,16% 4,42% 5,67% 6,25% 6,24% 5,53% 5,49% 5,29% 5,06% 5,24%

1.175.506 1.207.138 1.246.811 1.213.636 1.199.728 1.190.552 1.198.493 1.284.037 1.356.536 1.381.682 1.443.056 1.461.461 1.466.560

11,81% 11,91% 12,19% 11,29% 11,04% 11,12% 11,26% 12,09% 12,41% 12,57% 12,90% 12,84% 12,60%

9.956.095 10.132.535 10.230.850 10.752.396 10.863.825 10.705.028 10.647.500 10.620.364 10.933.709 10.993.870 11.185.119 11.382.964 11.635.867

-1,32% 1,77% 0,97% 5,10% 1,04% -1,46% -0,54% -0,25% 2,95% 0,55% 1,74% 1,77% 2,22%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil) 22% Atraso de mais de 90 dias 5.159.560

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de 15 a 30 dias 2.036.228

Atraso de 31 a 90 dias 2.686.913

55% 23%

Atraso de 31 a 90 dias 2.159.631

20% 57%

23%

31%

33%

Atraso de mais de 90 dias 2.478.523

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Setembro/2007 (em R$ mil)

Atraso de mais de 90 dias 1.466.560

36%

Atraso de mais 15 a 30 dias 2.373.488

15 a 30 dias 406.157

Atraso de 15 a 30 dias 521.015

13% Atraso de mais de 90 dias 1.857.218

62%

25%

Atraso de 31 a 90 dias 610.251

Atraso de 31 a 90 dias 774.016

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

6.802.995 6.870.515 6.709.696 6.942.319 7.011.923 7.056.329 7.295.110 7.623.602 8.067.248 8.246.036 8.423.342 8.527.240 8.422.133

408.868 436.865 336.144 343.725 413.678 389.162 393.142 403.470 420.605 428.272 437.103 419.638 406.157

4,17% 4,47% 3,49% 3,56% 4,21% 3,92% 3,97% 3,87% 3,78% 3,85% 3,82% 3,59% 3,54%

761.583 737.893 727.844 719.019 687.315 698.976 743.079 750.283 740.604 773.675 778.089 769.093 774.016

7,76% 7,56% 7,56% 7,45% 6,99% 7,04% 7,51% 7,19% 6,66% 6,96% 6,79% 6,58% 6,75%

1.839.889 1.720.506 1.850.678 1.640.746 1.722.427 1.786.746 1.462.019 1.654.375 1.884.705 1.672.696 1.817.103 1.975.135 1.857.218

18,75% 17,62% 19,23% 17,01% 17,51% 17,99% 14,78% 15,86% 16,96% 15,04% 15,86% 16,89% 16,21%

9.813.335 9.765.779 9.624.362 9.645.809 9.835.343 9.931.213 9.893.350 10.431.730 11.113.162 11.120.679 11.455.638 11.691.106 11.459.524

5,97% -0,48% -1,45% 0,22% 1,96% 0,97% -0,38% 5,44% 6,53% 0,07% 3,01% 2,06% -1,98%

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

34

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

10,00 9,80 9,50 8,40 9,30 9,90 10,10 10,10 10,10 9,70 9,50 9,50 9,00

-0,60 -0,20 -0,30 -1,10 0,90 0,60 0,20 0,00 0,00 -0,40 -0,20 0,00 -0,50

11,10 10,50 10,30 9,00 10,10 10,60 11,50 11,60 11,20 10,20 10,30 10,10 9,40

TAXA DE DESEMPREGO Taxa (%)

Var. p.p. -0,50 -0,60 -0,20 -1,30 1,10 0,50 0,90 0,10 -0,40 -1,00 0,10 -0,20 -0,70

Fonte: IBGE/INEPAD

Variação (p.p.)

12,0

1,00

11,5 0,50

11,0 10,5

0,00

10,0 9,5

-0,50

9,0 8,5

-1,00

8,0 -1,50

7,5

set 06

out 06

nov 06

dez 06

Brasil

jan 07

fev 07

mar 07

SP

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Brasil

Var. %

SP

Var. %

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

1.085,69 1.104,89 1.106,78 1.118,42 1.106,52 1.127,78 1.127,40 1.130,33 1.133,66 1.128,12 1.114,63 1.109,40 1.115,00

-1,0% 1,8% 0,2% 1,1% -1,1% 1,9% 0,0% 0,3% 0,3% -0,5% -1,2% -0,5% 0,5%

1.211,29 1.229,21 1.255,96 1.271,93 1.244,74 1.297,79 1.279,44 1.271,07 1.274,93 1.252,51 1.224,92 1.226,70 1.231,00

-2,1% 1,5% 2,2% 1,3% -2,1% 4,3% -1,4% -0,7% 0,3% -1,8% -2,2% 0,1% 0,1%

Fonte: IBGE/INEPAD

1.350 1.300 1.250 1.200 1.150 1.100 1.050 1.000 950 900 850 800 750 700

2,5% 2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% -0,5% -1,0% -1,5%

set 06

out 06

nov 06

dez 06

Brasil

jan 07

fev 07

mar 07

SP

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/INEPAD

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data ago/06 set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 Variação ago-ago

Hipermercados e Veículos,Motos, Índice Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças 120,91 120,20 123,48 125,29 171,78 121,49 112,06 127,93 124,62 133,33 127,48 128,08 132,83 9,9%

3,2% -0,6% 2,7% 1,5% 37,1% -29,3% -7,8% 14,2% -2,6% 7,0% -4,4% 0,5% 3,7%

117,07 118,79 120,22 119,69 154,43 115,91 112,46 127,14 125,21 122,27 121,80 121,58 124,86 6,7%

0,6% 1,5% 1,2% -0,4% 29,0% -24,9% -3,0% 13,1% -1,5% -2,3% -0,4% -0,2% 2,7%

141,61 130,76 141,17 145,42 149,82 135,15 119,95 153,96 144,42 156,83 149,63 160,25 178,21

190,00

8,5% -7,7% 8,0% 3,0% 3,0% -9,8% -11,2% 28,4% -6,2% 8,6% -4,6% 7,1% 11,2%

180,00 170,00 160,00 150,00 140,00 130,00 120,00 110,00 100,00 90,00 80,00

ago 06

out nov dez 06 06 06

Índice Geral

25,8%

Fonte: IBGE/INEPAD

ACREFI

set 06

35

jan 07

fev mar abr mai jun 07 07 07 07 07

Hipermercados e Supermercados

jul 07

ago 07

Veículos, Motos, Partes e Peças


banco de dados por INEPAD PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2007

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,44 4,74 4,74 4,75

3,52 3,70 3,60 3,63

4,09 4,73 4,72 4,74

3,09 4,52 4,48 4,47

4,18 5,08 5,13 5,18

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

11,72 11,02 11,06 11,11

4,18 5,20 5,63 5,74

4,02 4,03 3,91 3,90

2,23 1,89 1,84 1,81

38,16 42,32 41,88 41,79

Var. p.p.

DATA

Previsão 02/01/2007 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 19/10/2007

Ano de 2007 Previsão 02/01/2007 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 19/10/2007 Fonte: BC-Focus/INEPAD

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

ago/06

82,88

1,03

ago/06

114,77

0,11%

set/06

82,55

-0,33

set/06

115,27

0,44%

out/06

82,75

0,20

out/06

115,51

0,21%

nov/06

82,68

-0,07

nov/06

115,77

0,23%

dez/06

80,08

-2,60

dez/06

116,46

0,60%

jan/07

79,90

-0,18

jan/07

116,86

0,34% 0,32%

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Var. %

fev/07

80,30

0,40

fev/07

117,23

mar/07

82,30

2,00

mar/07

118,02

0,67%

abr/07

81,60

-0,70

abr/07

118,79

0,65%

mai/07

83,3

1,70

mai/07

119,79

0,84%

jun/07

82,50

-0,80

jun/07

120,75

0,80%

jul/07

82,40

-0,10

jul/07

121,88

0,72%

ago/07

83,60

1,20

ago/07

122,76

0,72%

Variação ago-ago

0,87%

Variação ago-ago

Fonte: CNI/INEPAD

6,88%

Fonte: IBGE/INEPAD

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

84,0 83,5 83,0

124

82,5 82,0 81,5 81,0 80,5

120

122

118 116 114

80,0 79,5 79,0

112

Fonte: INEPAD

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

ago/07

jul/07

jun/07

mai/07

abr/07

mar/07

fev/07

jan/07

dez/06

nov/06

out/06

set/06

ago/06

110

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

36

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO

(em unidades)

Data

Produção

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

204.104 227.351 222.001 185.330 203.703 203.450 246.475 223.304 258.911 246.404 266.044 279.730 252.786

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

223.589 225.064 217.819 211.561 203.678 197.494 217.876 224.410 242.897 242.873 257.120 264.059 265.946

-39.633 23.247 -5.350 -36.671 18.373 -253 43.025 -23.171 35.607 -12.507 19.640 13.686 -26.222

Variação set-set

-16,3% 11,4% -2,4% -16,5% 9,9% -0,1% 21,1% -9,4% 15,9% -4,8% 8,0% 5,1% -9,4%

(em unidades)

300.000 280.000 260.000 240.000 220.000 200.000 180.000

set 06

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

Produção

23,9%

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

jul 07

ago 07

set 07

jul 07

ago 07

set 07

jul 07

ago 07

set 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

(em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

163.449 170.911 180.800 176.202 149.348 150.636 200.475 186.647 208.663 207.635 217.377 239.564 222.906

166.572 169.807 171.720 175.971 168.783 158.729 166.820 179.253 198.595 200.982 211.225 221.525 226.616

-11.611 7.462 9.889 -4.598 -26.854 1.288 49.839 -13.828 22.016 -1.028 9.742 22.187 -16.658

-6,6% 4,6% 5,8% -2,5% -15,2% 0,9% 33,1% -6,9% 11,8% -0,5% 4,7% 10,2% -7,0%

Variação set-set

(em unidades)

225.000 215.000 205.000 195.000 185.000 175.000 165.000 155.000 145.000

set 06

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

Vendas

36,4%

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

Média trimestral

Fonte: Anfavea/INEPAD

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL

(em unidades) (em unidades)

Data

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

Exportações Média Trim.

71.929 72.497 61.294 66.159 47.751 64.233 68.239 59.128 70.979 63.740 83.161 67.911 66.007

Variação set-set

74.416 72.520 68.573 66.650 58.401 59.381 60.074 63.867 66.115 64.616 72.627 71.604 72.360

Variação

Variação(%)

-1.205 568 -11.203 4.865 -18.408 16.482 4.006 -9.111 11.851 -7.239 19.421 -15.250 -1.904

-1,6% 0,8% -15,5% 7,9% -27,8% 34,5% 6,2% -13,4% 20,0% -10,2% 30,5% -18,3% -2,8%

85.000 80.000 75.000 70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000

set 06

nov 06

dez 06

Exportações

-8,2%

Fonte: Anfavea/INEPAD

ACREFI

out 06

37

jan 07

fev 07

mar 07

abr 07

mai 07

jun 07

Média trimestral


banco de dados por INEPAD INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA LICENCIAMENTO DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

128.637 141.497 148.613 168.431 123.269 118.693 155.536 143.987 171.096 161.076 175.349 187.803 163.127

74.003 79.788 82.096 92.838 70.208 66.981 86.989 80.228 95.241 88.985 98.055 102.133 84.823

57,5% 56,4% 55,2% 55,1% 57,0% 56,4% 55,9% 55,7% 55,7% 55,2% 55,9% 54,4% 52,0%

53.061 59.849 64.341 73.335 51.103 50.145 66.340 61.459 73.373 69.776 75.162 83.617 76.515

41,2% 42,3% 43,3% 43,5% 41,5% 42,2% 42,7% 42,7% 42,9% 43,3% 42,9% 44,5% 46,9%

1.573 1.860 2.176 2.258 1.958 1.567 2.207 2.300 2.482 2.315 2.132 2.053 1.789

1,2% 1,3% 1,5% 1,3% 1,6% 1,3% 1,4% 1,6% 1,5% 1,4% 1,2% 1,1% 1,1%

Fonte: Anfavea/INEPAD

LICENCIAMENTO POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 set 06

out 06

nov 06

dez 06

jan 07

fev 07

mar 07

1000 cc

abr 07

SALDO TOTAL

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

76.513 77.693 79.148 78.950 80.464 82.408 84.783 86.625 89.398 90.516 93.095 94.551 95.338

3,93 3,92 3,92 3,84 4,75 4,56 4,42 4,39 4,27 4,24 4,28 4,21 4,22

-0,01 -0,02 0,00 -0,08 0,91 -0,19 -0,14 -0,03 -0,12 -0,03 0,03 -0,06 0,00

58,90 58,60 58,60 57,20 57,20 54,50 53,40 52,50 51,70 51,10 50,60 49,90 49,40

-0,20 -0,30 0,00 -1,40 17,34 -3,79 -2,69 -0,53 -2,33 -0,54 0,63 -1,22 0,06

R$ milhões 61.384 61.519 62.726 63.472 64.463 65.291 66.977 68.283 69.853 71.052 72.195 74.198 76.123

jul 07

ago 07

set 07

(R$ milhões)

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p set/06 out/06 nov/06 dez/06 jan/07 fev/07 mar/07 abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07

jun 07

1000 cc a 2000 cc

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL

mai 07

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,40 2,40 2,41 2,36 2,39 2,34 2,29 2,24 2,20 2,17 2,12 2,12 2,19

0,01 0,00 0,01 -0,05 0,03 -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,03 -0,05 0,00 0,07

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 33,00 33,00 33,10 32,30 32,70 32,00 31,20 30,50 29,80 29,40 28,70 28,70 29,70

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

0,10 0,00 0,10 -0,80 0,40 -0,70 -0,80 -0,70 -0,70 -0,40 -0,70 0,00 1,00

R$ milhões 9.956 10.133 10.231 10.752 10.864 10.705 10.648 10.620 10.934 10.994 11.185 11.454 11.636

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 4,05 3,94 3,94 4,05 3,96 3,88 3,74 3,76 3,76 3,74 3,70 3,73 3,79

0,09 -0,11 0,00 0,11 -0,09 -0,07 -0,14 0,02 -0,01 -0,02 -0,03 0,03 0,06

% a.a.

Variação p.p

61,00 59,00 59,00 61,00 59,30 57,94 55,40 55,80 55,64 55,30 54,70 55,20 56,20

1,60 -2,00 0,00 2,00 -1,70 -1,36 -2,54 0,40 -0,16 -0,34 -0,60 0,50 1,00

Fonte: Banco Central do Brasil/INEPAD

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FINANCEIRO


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Financeiro 49 - Dezembro 2007  

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