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Financeiro

ano 2 nº 25 jun/2005

ACREFI - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

Em pauta, o mercado de crédito Com diferentes visões, especialistas ampliam avaliação do financiamento ao consumo

Negócios na Internet

Os reflexos da política econômica

Recursos da comunicação virtual no mundo corporativo

As avaliações de Hugo Maia, da Fenabrave


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editorial

Rua Libero Badaró, 425 - 28º andar São Paulo - SP Tel: (11) 3107-7177 Fax: (11) 3106-6082 Funcionamento: de segunda à sexta-feira das 8:30 às 18 horas www.acrefi.org.br DIRETORIA Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-Presidentes Fernando Guerreiro de Lemos, Gilberto Caldart, José Arthur Lemos de Assunção, Marco Ambrógio Crespi Bonomi, Paulo Eduardo D’Ávila Isola, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Ricardo Malcon, Ronaldo Amaral de Carvalho Pinto, Tiago Canguçu de Almeida Secretário José Dante Zanaga Neto Tesoureiros Jorge Kimura e Sérgio Marra Pereira Capella Diretores Adalberto Savioli, Daniel Capelo Pinheiro, Enílson Espínola de Souza, Genival Francisco Silva, Jerônimo Varalla Neto, Ricardo Annes Guimarães, Rubens Bution, Sérgio Antônio Cipovicci Diretores Conselheiros Aristeu Zanuncio, Edson Monteiro, Eduardo Garcia Ruiz, Guilherme Almeida de Oliveira, Hélio Lima Magalhães, Ivan Svitek, José Américo Machado, Leonel Dias de Andrade Neto, Paulo Sérgio Monteiro Castro Aguiar, Rubens Sardenberg Diretores Regionais Carlos Alberto Samogim, Félix Archanjo Bordin, Leonardo Marcondes Dadalto, Sérgio Faria Lemos da Fonseca Júnior, Aquiles Leonardo Diniz, Evanir Coutinho Ussier, Odílio Figueiredo Neto, Renato Malcon Presidente Honorário João Uchôa Borges Diretor Superintendente Antônio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Conselheiro Econômico Prof. Istvan Kasznar

Financeiro Publicação mensal da ACREFI - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento. Jornalista Responsável: Eliana Nigro MTB 15.005 Coordenação Editorial: Tamer Comunicação Empresarial Projeto Gráfico, Editoração e Produção Gráfica: EDF (www.edf.com.br) Pré-impressão e Impressão: Fabracor Tiragem: 15.000 exemplares As opiniões emitidas nos artigos assinados não refletem necessariamente as posições da ACREFI e são de exclusiva responsabilidade dos autores. A reprodução total ou parcial do conteúdo da publicação depende de autorização por escrito.

Érico Sodré Quirino Ferreira, Presidente da ACREFI

Os juros têm de cair. Certo? Claro que sim! E todos os setores da economia e do governo concordam com isso. O problema é como viabilizar essa queda. O Ministro do Planejamento abriu o debate com todos os segmentos da área de crédito. A resposta, obviamente, foi a mais objetiva possível, aquela que vimos defendendo arduamente: basta fazer o superávit, após o pagamento de juros da dívida, crescer para algo em torno de 6% a 7%. A redução rápida do endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) automaticamente faria a taxa Selic cair. O ministro disse que essa seria uma boa saída, não fosse o fato de isso representar um sacrifício grande demais para o Brasil e os brasileiros. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também participa da corrente de pensamento defendida pela Acrefi. Segundo ele, o superávit primário do governo federal, que ficou em mais de 5% do PIB em abril, terá um impacto positivo sobre a política monetária. Na prática, ele avalia que, se ficar acima de 4,25% do Produto Interno Bruto, pode reduzir um pouco o peso que acaba forçando os juros atualmente, na hora de se buscar o controle inflacionário. Já o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, reiterou que descarta um aumento até no superávit primário para este ano, que foi fixado no equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele não encontrou “nenhuma razão impor-

Luciano Zafalon

Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento

Superávit maior é a melhor ferramenta para queda dos juros

tante” para mudar o superávit neste momento em que se comemora saldo recorde para pagamento de juros da dívida em abril último – R$ 16,3 bilhões, com acumulado de R$ 44 bilhões no quadrimestre (7,26% do PIB), bem acima da meta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de R$ 35,8 bilhões para o período. O caminho para a redução dos juros passa, ainda, por medidas que contenham a pressão sobre os preços da economia, tais como a redução de tributos federais sobre bens de capital, incentivos para o desenvolvimento da tecnologia, o uso de impostos de comércio exterior para regular a oferta de setores sujeitos a condições de demanda externa fora dos padrões. Além disso, torna-se ainda essencial reavaliar o regime de indexação nos contratos dos concessionários de serviços públicos, porque os preços administrados constituem e constituirão sempre uma grande fonte de inflação inercial. É necessário lembrar que para termos crescimento estável da economia, com inflação sob controle, é fundamental o equilíbrio entre o tripé: • política fiscal responsável • política monetária rígida • política econômica adequada à capacidade de poupança do país

Nesta edição 4 Palestra

14 Artigo

6 Segurança

16 Artigo

8 Entrevista

19 Sistema Financeiro

Reunidos na Acrefi , especialistas debatem crédito ao consumo Especialista apresenta uma nova visão de futuro

Hugo Maia, presidente da Fenabrave

10 Artigo

Jorge Kimura, diretor geral do Grupo Exprinter Brasil e diretor da Acrefi

12 Tecnologia

Ações na Internet para o desenvolvimento do negócio

Jairo Sampaio Saddi, doutor em Direito pela USP, diretor do IBMEC e vice-presidente do IBEF SP Istvan Kazsnar , conselheiro econômico da Acrefi

Nova lei de falências não é a ideal, mas traz grandes avanços

21 Análise Setorial

Impactos do Novo Acordo da Basiléia no mercado de crédito

22 Legislação

Os juros bancários e os tribunais

23 Banco de Dados


palestra

Crédito ao consumo em debate na Acrefi

“O financiamento ao consumo” foi tema do debate que reuniu, no auditório da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento –, Alberto Borges Matias, diretor da Faculdade de Economia e Administração da USP, livre docente em finanças e diretor da ABM Consulting; Adriano Pitoli, economista da Tendências Consultoria; Marcel Solimeo, economista e diretor do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, e Fernando Blumenschein, economista e coordenador de projetos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Cada expositor escolheu uma vertente diferente do assunto, por si só bastante amplo, e, durante três horas, o crédito, o consumo e uma parte da história econômica brasileira foram largamente discutidos. Aqui, segue um pequeno resumo da contribuição de cada participante. Crédito é confiança no futuro O economista da Tendências Consultoria Adriano Pitoli, lembrou que a inflação anualizada, medida pelo IPCA, chega a 7,5% ao ano e, portanto, justifi ca a política monetária dura do Banco Central. De acordo com ele, há dezoito meses o crediário vem crescendo em alta velocidade, sem sinais de desaceleração, pelo menos por enquanto. As projeções da Tendências indicam crescimento real de 12% no crédito para pessoa física, abaixo dos 20% registrados em 2004. Para o economista, são vários os fatores que estimulam essa

expansão: o alongamento nos prazos (entendido aqui como o efeito conseguido através da migração das atuais linhas de crédito para o crédito consignado) e a inadimplência em níveis considerados confortáveis são alguns deles. O spread, tradicionalmente elevado Alberto Borges Matias Adriano Pitoli no Brasil, vem servindo como colchão para amortecer as elevações da Selic e ainda há espaço para que isso continue ocorrendo. Outra razão importante, segundo ele, além das recentes inovações no mercado de crédito, como a consignação em pagamento e o cadastro posi- Fernando Blumenschein Marcel Solimeo tivo (SCR) do Banco Cenalerta para a importância da análise tral, é a associação de bancos com redes dessa base de dados para a definição da de varejo e, finalmente, a estabilidade estratégia de crédito para um determimacroeconômica. nado bem de consumo. A POF abrange Pitoli encerrou afirmando que ofer30 mil domicílios das áreas rurais e tar crédito é basicamente olhar pra urbanas, de todas as regiões do País, frente, ter confiança no País e, ao cone é projetada para 50 milhões de dotrário de outras fases da economia, não micílios. O objetivo do levantamento é há nenhum cenário que indique promensurar a estrutura de gastos, recebabilidade de choque – seja da política bimentos e poupança dessa populaeconômica, seja da política externa –, ção, respondendo à seguinte questão: que possa jogar o País numa recessão onde essas famílias gastam o dinheiro? ou gerar inadimplência. A pesquisa permite ligar gastos e perfil Fernando Blumenschein, economista do consumidor e detectar as mudanças e coordenador de projetos da Fundação de hábitos das famílias brasileiras, ao Getúlio Vargas - Rio de Janeiro, discorlongo do tempo, por regiões, por clasreu sobre o tema “Mudança nos padrões ses sociais . O levantamento é feito a de consumo”, baseado nos dados da cada cinco anos. Através dele, é posPesquisa de Orçamento Familiar ( POF), sível verificar que, por exemplo, em do IBGE. A pesquisa traz um minucioso 1995/96, boa parte dos gastos das levantamento dos hábitos de consumo famílias de renda mais baixa era com das famílias brasileiras e Blumenschein

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FINANCEIRO

Fotos: Flávio Roberto Guarnieri

Maiores especialistas no tema apresentam diferentes vertentes do financiamento ao consumo, com base em pesquisas e na política econômica brasileira do presente e do futuro


Flávio Roberto Guarnieri

Com diferentes visões, palestra promoveu discussão abrangente sobre o mercado de crédito brasileiro

Encontro reuniu profissionais da área de economia

alimentação. Já o levantamento do período de 2002/2003 detecta mudança: essas mesmas famílias gastaram mais com habitação e menos com alimentos. Telefones celulares e fornos de microondas entraram em cena, nas diversas camadas. Outro item que apresentou mudança significativa foi “transporte”. Houve aumento nos gastos para as famílias das classes A e B, notadamente com viagens e troca de carro, enquanto houve queda para as famílias de renda mais baixa. Para Blumenschein, tudo isso mostra que existem dois mercados muito importantes e que devem ser analisados de forma diferente. Na alta renda, a penetração do consumo só vai mudar se houver mudança tecnológica. “Os mais ricos só vão voltar a comprar uma TV se for de maior qualidade. Mas apenas 40% da população de menor renda tem um aparelho de TV em casa. É essa fatia que vai voltar ao mercado para comprar. É majoritária no mercado brasileiro”, disse o economista. Preocupações adiadas até 2007 Já o economista Alberto Borges Matias tratou do tema “Financiamento ao consumo: evolução recente e perspectivas”. Classificou o sistema de crédito no Brasil como sendo bastante singular, uma vez que trabalha com a maior taxa de juros do mundo e apresenta a menor participação do PIB em volume de crédito, também do mundo. Perde para África do Sul, Índia, Tailândia, entre outros. ACREFI

No Brasil, a oferta de crédito é de 26% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a demanda é de 100%. Para ele, a relação entre essas duas condicionantes (taxa de juros e volume de crédito) fica muito evidente se analisado o período de 1999 até abril de 2005, quando está explícita a quase ausência de oferta de crédito. De acordo com Matias, esse dado indica a dificuldade de ajuste na taxa de juros e explica, em parte, os altos patamares que vêm sendo praticados atualmente. “Existe uma relação quase perfeita entre taxa de juros, volume de crédito e spread. Se os juros caem, o spread também cai e taxa de juros e volume se ajustam. Se o volume aumenta, o spread cai. Quanto maior a taxa média de captação, maior o spread, e a alta da Selic vai refletir a captação”. No entanto, para ele, o impacto dos juros no comércio é relativo, já que o hábito do consumidor é verificar o valor da prestação. A análise de Matias contemplou ainda “a visão do mercado de financiamento ao consumo”, “a visão do risco de crédito ao mercado de pessoa física” e “a visão da captação de recursos ao financiamento ao consumo”. O economista chamou a atenção para uma variável que começará a ganhar significado cada vez maior até o ano que vem: “a novidade é que a Selic flutua de acordo com o período eleitoral. No ano que vem, teremos um ajuste para baixo”. Marcel Solimeo, diretor do Instituto Gastão Vidigal, acredita que

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o cenário não trará novidades, pelo menos até 2007. De acordo com ele, os dados do SPC e Telecheque indicam que ainda há espaço para crescimento no varejo este ano, embora em ritmo inferior ao de 2004. Os indicadores de inadimplência subiram um pouco, mas, na avaliação de Solimeo, trata-se de um aumento sazonal e não preocupante, uma vez que o volume de financiamento também cresceu. Solimeo também criticou a política monetária, chamando de contraditório o fato do Banco Central tentar controlar a demanda através do aumento dos juros e, ao mesmo tempo, aumentar a liquidez com a ampliação do crédito consignado: “em qualquer país, quando se mexe na taxa de juros, a liquidez é contida. Mas no Brasil vivemos uma série de contradições. Enquanto a indústria cresce, o setor de bens de capital registra queda. Os preços no varejo crescem, enquanto o indicador de preços no atacado cai. Os juros crescem e o crediário também”. A pergunta de Solimeo é “até quando isso é sustentável?“ A concessão de crédito para um determinado bem e a inadimplência relativa a ele estão ligadas à importância que tem para a família, para os hábitos dessa família. Por isso é importante entender porque alguém se torna inadimplente em relação a um outro bem. Esses dados podem ser relevantes também para a análise de risco de crédito, bem como as restrições orçamentárias. As preferências do consumidor podem ser fator determinante, se o indivíduo precisar escolher qual o financiamento pagar


Flávio Roberto Guarnieri

segurança

O tema foi abordado pelo professor Martelanc, em palestra na Acrefi, sob um enfoque inusitado, surpreendendo tanto pela profundidade como pelo grau de influência no cotidiano

Compliance: especialista apresenta uma nova visão de futuro Na história da humanidade é sabido que os avanços tecnológicos sempre se deram antes das mudanças de mentalidade. Nesse começo de século, a história não parece mudar. Foi essa a premissa defendida no dia 24 de maio, pelo professor Roy Martelanc na sua palestra futurista realizada na sede da Acrefi, Associação de Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento. O tema em debate (função compliance), um assunto que, a priori, não tinha nada de vanguardista aos ouvidos da maioria das empresas, foi abordado sob um enfoque inusitado, que surpreendeu tanto pela profundidade, quanto pelo grau de influência que tem nas nossas vidas cotidianas.

Já há alguns anos, existe uma tendência mundial para que as sociedades se tornem cada vez mais éticas, conforme as regras estabelecidas pela sociedade e necessariamente admitindo cada vez menos grupos marginais dentro dela. Depois do 11 de setembro, essa tendência tornou-se ainda mais forte e definida entre as grandes potências, como os EUA e as nações da Europa, preocupadas com sua segurança interna. A caça às bruxas do “dinheiro sujo” em contas bancárias de terroristas mobilizou a todos. A idéia que já vinha se desenvolvendo, de matar o mal não pela raiz, mas pelo seu ponto mais fraco, a volta do dinheiro ao mercado financeiro, tomou força e ganhou forma. Novos dispositivos foram criados, de

O tamanho de alguns mercados Crime

Mercado anual

Referência

Alcance

Custo

Ano

Fonte

Drogas

Global

U$ 400 bi

1998

Drogas

Brasil

U$ 8 bi

1997

Interpol:http://www.hartford-hwp.com/ archives/28/086.html Barros, FGV

Propriedade intelectual

Global

U$ 450 bi

1998

Roubo e furto

EUA

U$ 4 bi

1995

Colarinho branco

EUA

U$ 200 bi

1995

Corrupção

Empréstimos do BIRD 5% a 25%

2003

Corrupção

Economia global

5%

2003

Lavagem de dinheiro

Economia global

2% a 5%

2001

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Interpol: www.interpol.com/Public/Financial Crime/Default.asp http://www.hillconnections.org/jp/01/ my.htmstory/210/ http://www.hillconnections.org/ jp/01/my.htmstory/210/ http://www.globalcorruptionreport.org/gcr2005/ ownload/english/intel_finance_and_corruption.pdf http://www.indianexpress.com/ full_story.php?content_id=37059 FMI

FINANCEIRO


Flávio Roberto Guarnieri

Todo dinheiro do mercado negro é retirado ilegalmente do bolso da sociedade

Platéia participou do debate

prevenção contra o crime organizado e uma nova legislação, mais firme e rígida, foi adotada com as transações menos transparente. De acordo com o professor Martelanc, não poderia ser diferente com as leis sobre compliance que acompanharam esse desenrolar de fatos e tendências. Falando abertamente, ele demonstrou como o custo dessas economias marginais (mercado negro, tráfi cos diversos, crimes financeiros, corrupção, abuso de controle corporativo, terrorismo e ditaduras, entre muitos outros), têm um alto custo para a sociedade como um todo. Eles resultam em desperdício de preciosos recursos públicos com segurança, em vidas perdidas, em traumas diversos causados tanto por quebras de instituições financeiras como por abusos diversos (armas de fogo, drogas, seqüestros, assaltos etc). Isso coloca um assunto, que a maioria acreditava restringir-se apenas aos moldes administrativos do sistema financeiro, bem dentro de suas casas. Isso porque , como afirma o professor Martelanc: ”todo dinheiro, do mercado negro ao do cinzento, é retirado ilegalmente do bolso da sociedade. E, da mesma forma, retorna para ela sem os benefícios, mas somente com os prejuízos da transação.” ACREFI

Ou seja, ele retorna ao mercado financeiro sem ter sido produtivo para o sistema. E é nesse momento que as leis de compliance deverão ser aplicadas de forma a retirar o dinheiro de mãos indevidas e fazê-lo retornar à sociedade. Isso porque “tende a ser mais fácil identificar e coibir os fluxos e estoques do dinheiro do que as irregularidades que lhe deram origem” como afirma o professor . As definições do BIS (Bank for International Settlements) utilizam dois princípios-chave para essa ação: inserção e autonomia. Inserção no sentido de que ”o papel e as responsabilidades pela função de compliance dentro da instituição devem ficar bem definidas e claras para todos”. Autonomia porque a própria “função de compliance deve ser independente das atividades fi nanceiras do banco.” Na prática, seguem-se onze princípios básicos de aplicação, que vão desde a defi nição da supervisão geral até a própria avaliação e monitoramento dos riscos de compliance nas transações do banco. No Brasil, a lei que rege esse segmento é a Lei 9.613/98 e mesmo que pressionados pela tendência de regulamentação das economias mundiais, existe uma conscientização cada vez maior das vantagens

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que representam os esforços para o controle do risco de compliance. Descobriu-se que, se aplicados substanciais esforços na prevenção da lavagem do dinheiro, isso pode reduzir substancialmente o risco destas operações. E mais, a maioria das grandes instituições financeiras considera que as essas transações ilegais representam um risco para a reputação e um prejuízo para a empresa. Isso representa uma mudança muito importante a nível do pensamento não só do setor financeiro, mas da sociedade. A evolução tecnológica que é vista por muitos como uma ameaça para nossas individualidades, está a pleno vapor. Cada vez mais as pessoas cedem parte de suas liberdades individuais , em prol de uma maior segurança no seu cotidiano. Dessa forma, vimos os computadores invadirem os cotidianos, a internet disseminar idéias e o dinheiro desaparecer das transações diárias, substituído pelos cartões magnéticos. Bancos e compras virtuais, celulares com funções múltiplas, as facilidades do mundo moderno atraindo cada vez mais pessoas. A sociedade do futuro está assinalando desde já, a necessidade e a vontade de uma maior ética, maior honestidade e transparência,mas sobretudo uma maior responsabilidade social, não somente das empresas mas também de cada cidadão. E mesmo se hoje se impõe um controle político, administrativo e econômico o professor Martelanc não tem dúvidas: ...”o futuro está logo ali.” , e a função de compliance fará, com certeza, parte dele


entrevista

Reflexos da política econômica monetarista no comércio, na agricultura e na exportação

Divulgação Divulgação

Para Hugo Maia, presidente da Fenabrave, Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, crédito continua impulsionando vendas no setor automotivo

"Na prática, a maior dificuldade pela qual passamos na atualidade é o fato de o ano-agrícola estar perdido. Isso é péssimo para o Brasil e também para o setor de revenda de veículos”

Que avaliação o senhor faz da atual política econômica brasileira? Há anos que o Brasil adota um regime monetarista. Ao longo do tempo, porém, esse regime vem provando que não estimula o desenvolvimento. Não se trata de uma política do atual governo federal, do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, mas da adotada por uma longa série de gestões, de todos os presidentes do Banco Central do Brasil de que a maioria das pessoas se lembra, um modelo que pode ser classificado de déja vu. Por outro lado, é preciso considerar que o Brasil é um país surpreendente. Eu me recordo que, em 1959, no discurso de formatura, eu dizia, como era comum à época, que o país estava à beira de um abismo. Estava? Está? O que importa, realmente, é que não cai no precipício, mantém-se firme, apesar de a economia não estar assim tão forte como vem sendo propalado. Como é que o Brasil vem se mantendo firme, apesar de as dificuldades o estarem sempre deixando no limiar de um abismo? Embora as estatísticas não corroborem a minha opinião, acredito firmemente que o brasileiro é o povo mais empreendedor do mundo. Mesmo diante das maiores dificuldades, dos piores cenários, das crises mais profundas, ele não fica chorando, amuado, num canto qualquer. Muito pelo contrário. Na prática, o

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mais comum é ver o brasileiro indo à luta, em busca de seus objetivos, usando toda a sua criatividade e seu poder de trabalho. Na verdade, a capacidade de produção do brasileiro é muitíssimo maior do que a que aparece nos números oficiais, os dos estudos. O brasileiro é sempre uma surpresa positiva, quando se trata de produzir mais e em condições adversas. Quais são as condições adversas que o senhor percebe no momento no Brasil? Na prática, a maior dificuldade pela qual passamos na atualidade é o fato de o ano-agrícola estar perdido. Isso é péssimo para o Brasil e também para o setor de revenda de veículos, no qual atuo. A situação é tão ruim que não temos sequer como pleitear algo junto ao governo federal para remediar a situação. Não há demanda por máquinas agrícolas, muitos estão até devolvendo as que detinham. Então, não podemos nem mesmo pedir novas linhas de financiamento para maquinário como colheitadeiras, por exemplo – não há quem as queira comprar. É por isso que não temos como elevar vendas hoje. A situação é crítica, mas o alento vem da histórica grande capacidade de recuperação do agribusiness. Na verdade, o Brasil é o rei da soja, por exemplo, graças à Embrapa e ao setor privado. E, logo, a soja retomará seu reinado, pode ter certeza. É só aguardar seu novo ciclo de cultivo. Mas, antes que isso ocorra, teremos ainda FINANCEIRO


de enfrentar algumas surpresas já no segundo semestre deste ano. Que surpresas seriam essas? E qual seria a sua origem – a política econômica ou as dificuldades inerentes apenas à agricultura?

Acredito que no segundo semestre de 2005, vamos sentir os reflexos da política econômica monetarista que vem sendo adotada ao longo do tempo. O impacto das últimas medidas do governo federal ainda não foi percebido, porque existe um tempo de maturação, antes que isso ocorra. O comércio varejista e até mesmo as exportações devem penar com uma redução substancial. Na prática, as vendas ao exterior têm se agüentado às custas de um câmbio dólarreal atípico. Mesmo assim, há espaço, com base em probabilidades reais e bem sedimentadas, para um certo otimismo. Isso, pelo menos quando se trata de álcool, açúcar, laranja, suco de laranja, café, soja e celulose. Nesses agronegócios, ninguém toma a supremacia brasileira. Por outro lado, isso implica lembrar-se de que o Brasil vai continuar dependente do agribusiness, a despeito do seu desenvolvimento industrial. Nesse cenário que o senhor traçou, como se insere o setor de crédito, em especial o de fi nanciamento de veículos, tão afeito à sua atividade?

O crédito no Brasil ainda é insuficiente. Hoje, o seu volume não passa de 26% ou 27% do Produto Interno Bruto, enquanto nos Estados Unidos fica em 100% do PIB e, nos chamados tigres asiáticos, em 130%. Ou seja, tem é de ser expandido – e muito. Mesmo com os sucessivos aumentos da taxa básica de juros da economia (Selic), não acredito em redução da oferta de crédito. Muito menos ainda no setor de veículos. Hoje, não se vendem muitos veículos no Brasil sem financiamento. O automóvel é muito mais do que um bem de consumo durável, é um sonho renovado. Existem até pesquisas que indicam que há quem prefira ter um carro do que um imóvel próprio. Cerca de 60% dos automóveis são adquiridos através de linhas de crédito. E deve ACREFI

mesmo ser assim, porque não se trata de um bem a ser consumido no ato da compra, mas de algo que vai ser usado ao longo de um certo tempo. Atualmente, o valor médio dos financiamentos do setor é de R$ 28 mil, com juros igualmente médios de 2,5% ao mês. É preciso lembrar-se, porém, de que há muita confusão nesse quesito, já que quase todas as montadoras têm bancos e acaba ocorrendo uma certa mistura do que é juro de financiamento com o que é promoção de vendas. É assim que aparecem no mercado propagandas em que se oferece crédito a 0,89% mensais. Diante desses dados e análises, que projeções o senhor faz?

Acredito que o crédito consignado para aposentados e pensionistas da Previdência Social vá ter um reflexo positivo no setor. Um aposentado que recebe R$ 2 mil pode tomar um empréstimo consignado em folha de R$ 13 mil e pagá-lo em três anos, oferecendo como garantia apenas o próprio benefício do INSS. Assim, já tem, de plano, metade do valor de um carro médio. Isso se torna importante, porque o mercado brasileiro de automóveis leves é de 1,5 milhão de unidades/ano, e não deve sair disso, pelo menos enquanto a renda per capita do brasileiro não for elevada. Por outro lado, é preciso considerar que estamos ainda dentro do período do ano em que tradicionalmente mais se vende veículos, ou seja, de março a outubro. Também temos grandes esperanças no segmento de caminhões. Trata-se de um mercado de 100 mil unidades/ano, o que é muito bom. Seu crescimento depende do aumento da produção nacional. Se, por exemplo, a nova safra agrícola for espetacular, haverá falta de caminhões para comercializar. E a nossa frota já é antiga, tem em média 13 anos. Para estimular o crescimento desse mercado de forma a evitar uma possível escassez, abriu-se uma nova linha de crédito, chamada BNDES Caminhões. São R$ 4 bilhões para financiar 30 mil caminhões novos e R$ 200 milhões para 3 mil usados com

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"Mesmo com os sucessivos aumentos da taxa básica de juros da economia, não acredito na redução da oferta de crédito. Muito menos no setor de veículos"

até sete anos, sempre via concessionárias e montadoras, de forma que o consumidor possa adquirir produtos com a devida garantia. Que tendências o senhor identifica no setor de revenda de veículos?

O setor vem mudando muito. As quatro marcas veteranas – Chevrolet, Volkswagen, Ford e Fiat – não conseguiram sustentar suas redes de mais de mil lojas cada uma com a entrada de novos players no mercado brasileiro. Por isso, fizeram ajustes e têm, atualmente, cerca de 400, 420 revendas cada uma. Além disso, as montadoras passaram a permitir que uma mesma pessoa ou grupo detivesse mais de uma concessionária da mesma marca e mais de uma de outras marcas também. Como conseqüência, passou a ocorrer concentração de empresas com um mesmo proprietário, com igual concentração de custos, oficinas comuns e coisas desse tipo. As montadoras passaram a fazer feirões em busca do consumidor final e passou-se a discutir de quem é o cliente – da fábrica ou da loja? Na verdade, de nenhuma das duas. O freguês é do vendedor que não só o recebe, mas também informa e mantém fiel através de uma outra tendência do mercado, a oferta de serviços rápidos que agregam valor, como seguros, equipamentos de som, bancos de couro, licenciamento... É isso que aumenta as margens de lucro. E que traz o cliente de volta à revenda


artigo

Flávio Roberto Guarnieri

De olho nos limites das operações de crédito

N

o Brasil em que vivemos hoje, constatamos um precedente sem igual no mercado de crédito ao consumo. Com certeza, podemos afirmar que as instituições de crédito atuaram como uma grande mola propulsora na retomada da economia e de negócios em nosso País, através do maior acesso e facilidade da população à diversas linhas de crédito e financiamento. Porém, embora tenhamos a divulgação de balanços demonstrando lucros de grande porte atribuídos principalmente ao crescimento da carteira e operações de crédito, temos que saber separar corretamente o joio do trigo, as grandes das pequenas, e perceber que as janelas das oportunidades se transformam e não ficam abertas eternamente. O momento reflete resultados de grande competição, aliada à grande liquidez de recursos. Spreads menores e agressividade comercial e ofertas maiores. O volume tenderia a compensar a menor rentabilidade. Porém, é importante que não se percam os limites. E existem fatores que compõem a rentabilidade que não dependem somente do próprio controle, e consequentemente podem fugir dos limites. Mesmo que a questão ‘juros altos’ no Brasil seja uma realidade, a outra ponta da mesma realidade brasileira

JORGE KIMURA, DIRETOR GERAL DO GRUPO EXPRINTER BRASIL (EXPRINTER FINANCEIRA) E DIRETOR DA ACREFI

É fundamental ter um contínuo e preciso acompanhamento pode demonstrar que a cautela é necessária, mesmo quando a operação parece solidamente fadada ao sucesso. Vejamos, no quadro abaixo, os principais fatores que determinam a rentabilidade final. Os fatores que aparecem na parte de cima (verde) são os que aumentam a rentabilidade, portanto devem seguir para cima. Os fatores da parte de baixo (vermelho) são os que diminuem a rentabilidade, portando devem seguir para baixo. Logo, a diferença entre

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os dois representa o spread líquido, que vai determinar a rentabilidade da operação. Quanto mais afastados estiverem os fatores verdes dos fatores vermelhos, mais larga será a faixa de spread líquido. Por outro lado, quanto mais próximos os fatores verdes e vermelhos estiverem, menor a faixa. O limite estará delimitado pelo encontro dos vermelhos e verdes. Pior então, serão os casos em que os vermelhos ultrapassarem o limite e se sobrepuserem aos verdes. Pois bem, diante deste quadro e seus fatores, podemos inferir diversas situações que podem fazer com que uma operação fadada ao sucesso, possa não ter um final tão feliz quanto aquele que foi vendido para o Board of Directors. É fundamental ter um contínuo e preciso acompanhamento.

FINANCEIRO


Luiz Carlos Casagrande

O primeiro fator que olharemos é a taxa de juro. Normalmente, ela tem uma elasticidade bem limitada, por conta das condições de mercado, que por sua vez estão ligadas a diversas variáveis econômicas e comerciais. Ou seja, não se pode estar muito fora do mercado em taxas de juros (a não ser que o mercado local seja inexpressivo), sob pena de ficar bem distante das metas de crescimento esperadas. Muita agressividade comercial também pode levar a operação a ficar sem spread líquido. Por outro lado, taxa maior pode representar inadimplência maior, por conta de operações de maior risco e valor de parcela de maior peso. Neste ponto, a importância da criação de cadastros positivos é fundamental para a análise específica do bom comportamento, podendo-se atribuir taxas mais baixas se pudermos enxergar o bom cliente, ao contrário do que hoje é permitido pelos cadastros de negativos (somente enxergar o mau cliente). As receitas agregadas, da qual a Tac faz parte, têm como objetivo cobrir os custos com a preparação da proposta e ficha cadastral. O vilão da história é que se o número de recusas for muito grande (como ocorre em alguns produtos de maior risco), e a Tac normalmente só pode ser cobrada das operações efetivamente aprovadas, o custo pode não ser suportado. O prazo, na verdade, funciona como uma enzima, que rentabiliza a operação. Quanto maior o prazo, maior a rentabilidade, permitindo taxas menores, pela diluição dos custos operacionais e comerciais ao longo de maior tempo. Porém, o problema aqui é a relação com a inadimplência, pois prazos maiores também incorrem em riscos (e incertezas econômicas e de mercado) maiores. E a grande questão neste fator diz respeito à quitação antecipada do contrato. A taxa foi acordada porque o prazo maior permitia. Porém, quando o prazo não se cumpre, o cliente teve direito à uma taxa menor, privilegiada pelo prazo, e a operação recalculada pelo novo prazo, normalmente não apresenta rentabilidade positiva. ACREFI

Passemos então aos fatores vermelhos (da parte de baixo). Ao iniciar falando de Inadimplência, temos aqui um dos grandes vilões deste modelo. Porém, o risco está intimamente ligado ao negócio, e dentro dos limites aceitáveis de cada produto e mercado, ele é perfeitamente equilibrado. Da mesma forma que dissemos que taxa alta pode ocasionar inadimplência alta, podemos dizer que inadimplência zero induz para produção zero. Para se atingir inadimplência zero pode-se criar mecanismos de concessão de crédito tão seguros e exigentes que provavelmente o cliente intermediário ou final (ou ambos) não se dêem ao trabalho de preencher a proposta, passando para o concorrente. O equilíbrio e o acompanhamento da rentabilidade devem nortear o nível de inadimplência aceitável. Em produtos que apresentam algum tipo de garantia (como veículos) ou modelo de recebimento que ofereça mais segurança (como consignação em folha de pagamento ou INSS), a taxa de juro cai acentuadamente por conta da previsão de baixa inadimplência. Porém, cabe ressaltar que ações jurídicas que invalidem ou dificultem a execução da garantia ou dos termos originais que foram fontes do cálculo das parcelas, acabam por diminuir a oferta destes produtos, ou obrigam a elevação das taxas de juros, em função da nova situação de inadimplência. O custo operacional e comercial está diretamente ligado à originação e formalização de propostas. A busca pela produtividade e ganhos de escala, produzir cada vez mais com custo cada vez menor, é uma constante. Em contrapartida, altos investimentos em tecnologia e pessoal não param, e estão sempre se superando, visando a busca permanente de melhor qualidade de serviços. Tributos e impostos incidem sobre a operação originada, e mesmo nas operações que porventura se tornem inadimplentes, eles também terão sidos recolhidos antecipadamente. Em custos comerciais, existem regras de mercado para alguns produtos

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Em negócios, o jogo só é bom quando todos ganham

que acabam elevando a taxa final do cliente. Por exemplo, em veículos o comissionamento que é pago aos lojistas de revendas chega, às vezes, a ser mais atrativo que o próprio lucro da venda do veículo. Este fato é uma distorção dentro do negócio de veículos, cujo prejudicado maior é o cliente final. Custo administrativo aqui basicamente significa a atividade de back office. Depende das características de cada instituição, porém não deixa de ser pesado manter o completo controle das operações (fundamental para o sucesso do negócio) e o cumprimento de todas as normas legais. Já o custo judicial se tornou algo relevante em termos financeiros, e por conseguinte, também acaba por onerar a taxa final. Em alguns produtos se tornou uma indústria recorrer ao judiciário, sem contar as vezes em que também somos vítimas e temos que responder e indenizar por danos morais a terceiros. Por fim, podemos falar do custo financeiro, ou de captação. Neste ponto, as grandes instituições conseguem maior volume a custos menores. Quando ouvimos as decisões mensais do Copom, sem querer pensamos neste custo, que está diretamente relacionado com a taxa Selic. Uma queda ou subida da taxa Selic e suas projeções futuras, acabam afetando diretamente este custo, podendo desta forma, refletir na taxa final da operação. Portanto, manter os olhos na rentabilidade é a maior garantia de que a espiral de crescimento sempre vai seguir em frente, porque em negócios, diferentemente de uma partida de futebol, o jogo só é bom quando todos ganham


tecnologia

Rauf Tauile Divulgação

Ações na Internet para o desenvolvimento do negócio FLÁVIO FAGGION JR., SÓCIO DIRETOR DA SISCORP

H

á dez anos a Internet iniciou sua revolução. Muitas mudanças surgiram desde aqueles dias, e hoje um endereço na Internet é tão comum quanto o número do telefone para a maioria dos negócios. Na última década, fomos da euforia – durante a bolha do crescimento das ponto.com – à realidade dos negócios, quando muitos quebraram anos mais tarde. Mas com o ruim veio o bom: A Internet mudou para sempre o mundo dos negócios. Os empreendedores estão obtendo sucesso e são exemplos de como as tecnologias aplicadas à Internet podem ser o melhor parceiro para o desenvolvimento com êxito. 1. E-mail O lado ruim - Apesar dos esforços para combater a enxurrada de e-mails invasores, o spam nos próximos anos vai multiplicar-se, com os usuários recebendo em 2007, mais de 3.900 mensagens anuais, ou seja, 10,7 e-mails por dia, em média. Neste cenário, os usuários estão eliminando qualquer mensagem genérica, supondo tratar-se de um spam, o que torna a comunicação personalizada e individualizada muito importante. O lado bom para o negócio - Focando a utilização do e-mail

no desenvolvimento do negócio, com discernimento na boa aplicação desse recurso, surgem oportunidades para estreitar o relacionamento com os clientes, através do planejamento do resultado a ser obtido e

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de instrumentos adequados: a) Mala direta segmentada: com a lista de e-mails dos clientes, segmentada por tipo ou linha de produto, sexo, faixa etária e outras formas, poderão ser enviadas ofertas, proFINANCEIRO


c) Pesquisa: com uma ferramenta adequada, coletar dados sobre a qualidade dos serviços, preferências, opiniões, etc; d) Venda eletrônica: permite a venda de produtos oferecidos via e-mail, com o atendimento via site da empresa ou por outros sistemas convencionais.

A opção por uma loja virtual é uma alternativa importantíssima na montagem de um negócio bemsucedido na Internet Divulgação

moções e lançamentos de produtos e serviços; b) Boletins: remeter aos clientes que se manifestaram positivamente para manter uma constante comunicação com a base de clientes; ACREFI

2. Ferramentas de Buscas Estar entre os top ten na lista de resultados da pesquisa dos principais sites de busca, pode representar uma preciosa fonte de captação de novos negócios a um custo irrisório, mas exige criatividade e algum conhecimento sobre os mecanismos de busca. Resumidamente, existem 3 ações para tentar colocar o site entre os top ten : a) Encontrar as palavras-chaves mais adequadas para o negócio: é aquela palavra que, presumivelmente, o internauta vai digitar nos sites de busca para encontrar o produto; b) Colocar as palavras-chaves nos locais corretos: as ferramentas de buscas varrem toda a página em busca da palavra-chave. Título e subtítulos da página, primeiro parágrafo, links e Url representam melhor classificação; c) Preparar a página com as metatags: tags são trechos de código com informações sobre a página e que são decodificadas pelos sites de busca. As de interesse são as tags title, description, e keywords, que devem ser incluídas no código fonte da página. 3. Sites de Leilão Um dos modelos de negócio que apresenta crescimento destacado é o dos sites de compra e venda, popularmente conhecidos como sites de leilão. Esse modelo tem sido muito valioso para os comerciantes alcançarem uma vitrine que jamais conseguiriam com um negócio estabelecido fi sicamente, e tudo a um custo bastante pequeno, geralmente 5% das vendas.

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Ao escolher um site de leilão considere alguns fatores: a) Defina com cuidado o preço mínimo, pois o preço alto dificultará a venda do produto; b) Conheça as comissões cobradas pelo site; c) Consulte no site o histórico de negócios do comprador; d) Peça referências a alguém com quem o comprador já tenha negociado; e) Cadastre o produto na categoria e modalidade correta. 4. Loja Virtual A opção por uma loja virtual é uma alternativa importantíssima na montagem de um negócio bemsucedido na Internet, o que signifi ca dizer: transformar visitantes em compradores. Os principais fatores que determinam a decisão de compra pelo visitante da loja são aqueles que têm a preocupação com o cliente: a) Oferecer informações detalhadas sobre o produto de forma objetiva, para que o visitante possa se convencer da conveniência de comprar; b) Ajudar o visitante a tomar decisões, explicitando as reais características de cada produto e seus benefícios; c) Transmitir confiança ao visitante para realizar a transação, apresentando clareza e honestidade nas informações, orientação para as medidas de segurança adotadas, seção de apoio ao usuário e esclarecimento rápido de dúvidas, garantias de entrega e devolução de produtos, depoimentos de clientes, etc; d) Ajudar o visitante a romper a inércia e realizar a compra. O prêmio pode ser um desconto especial, um outro produto de baixo custo, ou qualquer outro tipo de recompensa que faça o visitante realizar a compra. Onda do futuro Ponha a tecnologia para trabalhar para o seu negócio. Use estes recursos para trilhar o mesmo caminho que outros empreendedores começaram para fazer história (faggion@siscorp.com.br)


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Crédito consignado e crédito responsável

O

aumento dos créditos ao consumidor por meio de desconto em folha de pagamento (crédito consignado), estabelecido pela Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, já é celebrado como a maior realização do governo Lula na área. Não é à toa que o governo comemorou o aumento de 35% na oferta de crédito pessoal somente em 2004. O incremento da oferta total de crédito, segundo alguns, deve ter impactado o PIB em quase 0,5% adicionais, o que não é nada desprezível. Trata-se certamente de um tema importante, em especial por atacar um dos assuntos mais delicados da melhoria do ambiente institucional – o sistema de garantias com vistas à redução da inadimplência. Afinal estamos descobrindo que o sistema de garantias compõe a precificação dos juros: não sem surpresas, o crédito em consignação fez com que as taxas de juros cobradas de pessoas físicas caíssem cerca de 40% no período. Além das óbvias vantagens macroeconômicas, devemos apontar a democratização do crédito: só com o advento do crédito consignado foi possível a “inclusão” de cerca de 15% de excluídos bancários (de uma população de 150 milhões) na formalidade do Sistema Financeiro Nacional. Também não é pouco.

JAIRO SAMPAIO SADDI, DOUTOR EM DIREITO PELA USP, DIRETOR DO IBMEC E VICE-PRESIDENTE DO IBEF SP

Além das óbvias vantagens macroeconômicas, devemos apontar a democratização do crédito Como conseqüência do aumento do crédito, sobretudo a aposentados e a consumidores de baixa renda, entraram em discussão não mais os mecanismos de crédito e das garantias que estão funcionando, mas papéis e responsabilidades do banco e do agente financeiro ao dar crédito. Campanhas publicitárias foram vinculadas com o objetivo de mostrar ao consumidor de produtos bancários que ele só deve se endividar de modo responsável (subentenda-se por razões motivadas e justificadas); porém, tais anúncios não deixam claro exatamente como a responsabilidade deve ser cingida (por exemplo, a concessão de crédito pelo banqueiro somente se daria mediante a comprovação de que aqueles recursos seriam usados para quitar empréstimos anteriores contraídos a taxas de juros mais altas). O tema é novo e já invoca a

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grande responsabilidade do agente intermediário em resposta ao consumidor que depois não paga e acha que a responsabilidade não é sua, e sim do banco que lhe deu crédito – à semelhança de um menor que vai a um bar, bebe e, por causa do álcool, causa acidente, e então invoca como culpado o dono do bar que lhe vendeu a bebida mesmo sabendo que em um menor ela pode provoca estragos... Do ponto de vista do Direito Bancário, será que o inadimplente pode alegar em juízo que não pagou o banco exatamente pelo fato de que o banco não deveria ter concedido o emprestado em primeiro lugar? A questão já foi enfrentada pelo Poder Judiciário para um único caso, com resultado favorável aos bancos, mas mesmo assim, não impede novos avanços. Já se pode ensaiar quais seriam as teses e os indícios do debate a ser iniciado. Há o argumento da assimetria de informação: o banco tem melhores e maiores condições de analisar e julgar se o consumidor pode ou não tomar crédito. Por essa corrente, muitos julgam que a instituição financeira, por ser grande e estruturada, tem o dever de apenas emprestar àquele consumidor que sabe (não que julga) que pode pagar. Uma vez que é o banco que detém mais poder FINANCEIRO


na relação entre hipossuficientes, caberia a ele saber que, num determinado caso, as chances de não receber eram elevadas – ou seja, foi pouco diligente na concessão do crédito. E como o direito não socorre a quem dorme, sobra para o banco a responsabilidade pela inadimplência. A segunda tese que se pode levantar é a do “deep pocket ”, que vem a ser a noção de que o banco tem maiores e melhores condições de pagar. Considerando que as partes são desiguais e que o banco tem muito mais recursos e pode arcar com os prejuízos, a tese do “bolso profundo” é perversa no sentido de que aquele que arca com o prejuízo o faz apenas em virtude de poder pagar mais e ser por isso responsabilizado. A terceira tese é referente à “propaganda enganosa”, ou seja, se o salário em folha tem o limite de 30%, o consumidor deveria ser aler-

Sobra para o banco a responsabilidade pela inadimplência

tado para todos os riscos quanto ao produto e ao risco de comprometimento que ele representa. Quais seriam, na mesma linha hipotética, os argumentos dos bancos? Como eles contra-argumentariam? Com o velho e bom princípio da liberdade do contrato, e das partes contratantes. Pela noção de que as partes são livres e iguais (o que evidentemente é um exagero), cada um deve saber melhor o que faz. Ou seja, não se pode fazer tábula rasa da supremacia da vontade e da

autonomia do contrato (e o crédito em consignação em folha se baseia num contrato de mútuo). Podemos imaginar que, sob a égide dos princípios socializantes, o Judiciário se posicionará favoravelmente ao devedor? Acredito que cada caso é um caso, e talvez esta seja uma resposta precipitada. Mas a tese do crédito responsável é forte, em especial quando o agente financeiro deve entender o limite do que é crédito e do que são alimentos (já que não se pode privar alguém de sobreviver). Assim, nada melhor do que a criação de um cadastro positivo, espécie de banco de dados do Sistema Financeiro capaz de agrupar todos os dados do devedor. Quando um devedor se candidatasse a um empréstimo, ficaria mais fácil verificar se o limite a que ele tivesse direito já fora tomado. Esta pode representar a verdadeira (e não legal) proteção no Sistema Financeiro para o crédito


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Fernanda Cruz Perrone

Avaliação e perspectivas da geração de emprego e renda no Brasil

Como todo ano ingressam no mercado de trabalho 2,2 milhões de jovens em idade de produzir, é fundamental dispor e estabelecer uma política que incentive a criação de mais empregos

PROFESSOR ISTVAN KASZNAR, PhD, CONSELHEIRO ECONÔMICO DA ACREFI

U

ma das atribuições mais importantes da boa política econômica é a de assegurar o desenvolvimento da produção interna, mobilizando a maior quantidade de trabalhadores e empresários, para gerar empregos e bem-estar. A geração de empregos produtivos é vital, posto que assegura o aumento e a permanência de postos de trabalho, o que resulta numa vida mais estável e que gera mais segurança e formação de riqueza aos trabalhadores. Interessa portanto a todos, sejam trabalhadores, empresários, membros de governos, investidores e famílias, que sejam criados e mantidos postos de trabalho remunerados, de tal forma que ao longo do tempo as remunerações subam e venham a oferecer um poder aquisitivo crescente aos seus detentores. Neste sentido, o governo pode incentivar ou não a criação de empregos, pelas políticas que venha a adotar. Salários-mínimos podem ajudar a dar um tom de decência e reconhecimento aos trabalhadores, muito embora nem sempre sejam realistas e de fato cubram e satisfaçam as necessidades básicas e desejáveis, previstas para uma família padrão. Impostos sobre assalariados, como o imposto de renda retido na fonte, o INSS – que também

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recai sobre o empregador, reduzem o poder aquisitivo dos salários e o valor líquido a receber, portanto, inibem a vontade de trabalhar e encarecem a estrutura de custos. Como todo ano ingressam no mercado de trabalho 2,2 milhões de jovens em idade de produzir, é fundamental dispor e estabelecer uma política que incentive a criação de mais e novos empregos. Reduzir os custos de produção e dar incentivos a novos investimentos, ajuda positivamente, neste sentido. Contudo, nos tempos atuais isto não é sufi ciente. Na medida em que novas invenções chegam à praça; em que se liberam as importações de máquinas e equipamentos de ponta, cujo trabalho é digital e robotizado; e com o incentivo à formação de modelos de produção de capital intensivo, passa a sobrar mão de obra. Esta situação, na qual a taxa de oferta de trabalhadores supera a taxa de absorção de trabalhadores novos e outros, que perderam por demissões e afastamentos os seus postos, pressiona a queda de salários, logo de renda e gera o fenômeno da “precarização” do mercado de trabalho. Isto significa que os empregadores, para se manterem competitivos, por mais que gostem de certos trabalhadores, vão substituindo-os, na medida em que um FINANCEIRO


Luiz Carlos Casagrande

exército de desempregados se forma, e nele, os desempregados aceitam remunerações menores que as pagas aos seus colegas anteriores. Quem detém tecnologia de ponta e uma massa de capital significativa, é capaz de gerar políticas de emprego de alto valor, tal como ocorre nos países desenvolvidos. Contudo, quem investe pouco em tecnologia e dispõe de pouco capital, acaba gerando poucos empregos em quantidade e em qualidade. E infelizmente, no momento, este último é o caso do Brasil. País de potencial extraordinário, que dispõe de uma população de 184 milhões de habitantes em 2005, da qual 119 milhões está em idade de trabalhar e de ter uma ocupação, o Brasil adotou desde meados dos anos 1970 uma política industrial capital intensiva, com baixo índice de desenvolvimento tecnológico próprio. Isto lhe valeu como preço e conseqüência grandes custos sociais, que se evidenciaram a partir da abertura desordenada da economia ao exterior, a partir de 1990. Mediante este modelo tecnicista e elitista, um núcleo de trabalhadores viu a majoração de seus rendimentos, com o que passou a ganhar mais em termos reais. E por outro lado, com o ingresso de maquinário poupador de mão de obra, ao passo em que os índices de produtividade fabril cresceram à taxa anual de 14% entre 1994 e 2000, a absorção de mão de obra decresceu, deixando na penúria uma massa gigantesca de brasileiros.

Esta massa pode ser identificada como aquela que aufere entre 0,1 e 2 salários-mínimos, e que corresponde segundo o Censo do IBGE à 47% da PEA – População Economicamente Ativa – de 2003. E observe-se que na medida em que há uma população ocupada, mas menos ou mal remunerada, emerge a figura dos brasileiros sub-empregados; mal empregados e infelizmente marginalizados, por uma política que absorve e reintroduz, com dificuldades, o trabalhador. Muito embora tenham sido adotadas inegavelmente medidas meritórias favoráveis ao trabalhador, entre 1998 e 2005, elas ainda são poucas, tímidas e sem conectividade, para promover uma ação integrada em prol de toda a classe trabalhadora e da massa salarial que ela arrecada. A medida mais dolorosa e certamente menos correta, está na criação de uma malha confusa de encargos sociais e de impostos, sobre os trabalhadores e os empregadores, de tal forma que ambos são sufocados por um excesso de dispêndio fiscal, que não retorna por meio de serviços prestados pelo Estado e impacta negativamente na estrutura de custos organizacionais. Como decorrência, as empresas perdem competitividade tanto doméstica, quanto internacional, e então ao repassarem a preços estas cargas fiscais, inibem a demanda doméstica, leia-se, o consumo interno e vêem cair a potencialidade e a efetividade de suas exportações de bens e de serviços.

Quem detém tecnologia de ponta e uma massa de capital significativa é capaz de gerar políticas de emprego de alto valor, tal como ocorre nos países desenvolvidos

Quadro 1 - Rendimento médio do trabalhador, índices de ocupação e taxa de desemprego Ano

Rendimento médio do pessoal ocupado Em R$ 1,00 Nominal São Paulo Rio de Janeiro Belo Horizonte

2002 2003 2004

847,5 864,9 918,7

990,0 998,2 1.060,0

805,9 821,3 869,6

Índice FIESP de salários reais*

Pessoal ocupado FIESP*

107,9 106,0 116,1a

76,5 75,6 78,7

683,0 733,1 795,9

Taxa de desemprego aberto - IBGE Brasil

RJ

SP

BH

7,1 12,3 11,5

5,4 9,2 9,0

8,4 14,1 12,6

7,1 10,8 10,6

*(Base 1994)

ACREFI

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artigo

Quadro 2 - O Produto Interno Bruto - PIB e o Consumo

Ano

PIB a preços correntes em R$ bilhoes

PIB em US$ bilhões

2002 2003 2004

1.346 1.556 1,769

459 498 605

Consumo final em R$ bilhões 1,052 1,193 1,310

Consumo final % do PIB

PIB per capita em US$

Taxa de variação do PIB real em %

78,17 76,64 74,06

2.631 2.818 3,33

1,92 0,55 5,18

Quadro 3 - Involução do PIB Per Capita em dólar 5000 4,942

4500

4,755 3,539

4000 3500

3,330 2,631

3,195

2,957

2,818

3000 2500

1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Vale salientar, que segundo a ADEMI, para cada R$ 1,00 que o trabalhador recebia em 2002, ele e seu empregador pagavam mais R$ 1,2 em impostos do tipo IRPF, FGTS, INSS, PIS, PASEP, salário-família e outros mais. Evidentemente, esta carga acaba assoberbando qualquer estrutura de custos empresarial, gerando o constrangimento de promover e incentivar a compra de equipamentos da cibernética, no lugar de promover a contratação de mais pessoal. E numa análise de dados mais recente, para o período 2002/2004, este ambiente macroeconômico e de políticas trabalhistas de longo prazo se reflete de modo inequívoco. Em que pesem os notáveis esforços dos governos FHC e Lula entre 1994 e 2004, no sentido de moralizar e reerguer o valor econômico do trabalhador brasileiro, as políticas econômicas ainda vilipendiaram severamente a mão-de-obra operária.

Conforme mostram os dados do quadro 1, os rendimentos nominativos do pessoal ocupado cresceram timidamente, mal acompanhando a evolução inflacionária. Entre 2002 e 2003, o Índice FIESP de salários reais caiu de 107,9 para 106 pontos, e daí para 116,1 pontos em 2004, sobre a longínqua base de 1994. Uma melhoria pífia, tímida e sem maiores conseqüências sobre a qualidade de vida da imensa maioria dos trabalhadores brasileiros. Ademais, as contínuas pancadas rotuladas de “pacotes estabilizadores” sobre a combalida economia brasileira, com vistas a gerar uma inflação baixa, sempre sacrificaram e impuseram fardos significativos sobre o heróico trabalhador brasileiro. Conforme mostra o índice de Pessoal Ocupado da FIESP, cujo ano base é 1994, em 2004 ele alcançou o índice de 78,7%, o que revela a severa face da crise brasileira: o desemprego maciço e de longo prazo.

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Sucedeu no período menos renda, mais formalidade e menos ocupação. A massa de trabalhadores desempregados subiu para 8,5 milhões, num aumento de 661 mil em relação ao ano de 2002. E a perda de poder aquisitivo foi de 7,4%, acontecendo por sete anos consecutivos. Ao olharem-se para os dados de PIB e de PIB per capita, contidos nos quadros 2 e 3, que dão um certo sentido de capacidade de poder aquisitivo em moeda forte, no caso o dólar, nota-se que entre 1997 e 2004 a renda per capita cai e embora oscile, seu movimento revela o empobrecimento da população brasileira. O gráfico acoplado ao PIB per capita revela claramente que o Brasil do terceiro milênio deverá valorizar de vez o trabalhador brasileiro, a sua remuneração e o emprego dele, posto que seu sacrifício suplantou tanto o curto, quanto o médio prazo. Encontrar soluções duradouras, bem baseadas na racionalidade sócio econômica brasileira e efetivadas num contexto de credibilidade institucional, se faz mister e é necessário. Afinal de contas, o trabalhador é a base de sustentação da família brasileira e foi arrochado acima de quaiquer limites de bom senso. É ele quem aporta recursos às casa, visando alimentar, vestir, educar e desenvolver todo o bem-estar real das famílias. Portanto, dignificá-lo se faz preciso, para que mediante pessoas efetivamente valorizadas, se reforce o tão almejado e merecido desenvolvimento do Brasil FINANCEIRO


sistema financeiro Tendências Consultoria Integrada

Nova Lei de Falências não é a ideal, mas traz grandes avanços Texto traz avanços e deverá estimular desenvolvimento do mercado de crédito para empresas

Embora a nova Lei de Falências (Lei 11.101) – sancionada pelo presidente Lula em 9 de fevereiro e que passará a vigorar em 9 de junho – tenha deixado escapar algumas oportunidades para tornar mais eficiente o processo de recuperação de empresas em insolvência, o texto final traz grandes avanços em relação à lei atual, podendo ser, inclusive, comparada às melhores do mundo. A sua entrada em vigor deverá proporcionar um estímulo considerável ao desenvolvimento do mercado de crédito para pessoas jurídicas no Brasil por aumentar o nível de garantia dos credores, mas, principalmente, por dar celeridade ao processo de alienação dos ativos. A princípio, o efeito prático sobre a oferta de crédito, bem como sobre o spread, poderia ocorrer de modo relativamente rápido, considerando que a concessão de empréstimos envolve uma decisão fundamentalmente prospectiva, a qual passaria a contar com uma mudança estrutural a seu favor. Além disso, é preciso lembrar que o mercado de crédito para pequenas e médias empresas tem se tornado mais competitivo, principalmente com o desenvolvimento do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, o qual obriga as instituições financeiras a compartilharem informações negativas e positivas de seus clientes com posição em crédito acima de R$ 5 mil. O mais provável, contudo, é que os efeitos sobre este mercado sejam, em um primeiro momento, tímidos, até que se consolidem uma jurisprudência ACREFI

O mais importante avanço é a extinção da figura da concordata

e um posicionamento dos tribunais superiores favoráveis à nova lei. Principais avanços da nova Lei de Recuperação de Empresas O primeiro e mais importante avanço na nova Lei de Falências, aprovada no Congresso, é a extinção da figura da concordata e a criação da recuperação judicial. Em contraste com a concordata, pela qual uma companhia em situação de insolvência podia apresentar uma proposta unilateral de reestruturação de suas dívidas sem consulta prévia aos próprios credores, na recuperação judicial a empresa em difi culdades precisa submeter uma proposta de reestruturação financeira a seus credores, que têm a prerrogativa de aceitá-la ou não. Uma vez aprovado o plano de recuperação e homologado por um juiz, a companhia pode voltar à plena normalidade, sem carregar o estigma da concordata, vista hoje como uma pré-falência. Para tanto, um dispositivo importante da nova lei é o que prevê que os novos financiamentos sejam extraconcursais em caso de falência, ou seja, que tenham preferência sobre

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todos os outros credores. Esse dispositivo deve desempenhar um papel importante para alinhar os incentivos entre os credores. A bem dizer, os bancos e os principais fornecedores – que, em geral, concentram a maior parte dos passivos e que, por esta razão, deverão comandar os comitês de credores – terão incentivos para prover recursos adicionais que venham a viabilizar o reequilíbrio da empresa. Um terceiro ponto positivo no processo de recuperação judicial é a preservação de um status diferenciado para os credores com propriedade em ativos caracterizados por alienação fiduciária, arrendamento mercantil ou promessa irrevogável de venda, caracterizados como essenciais à continuidade da operação da empresa. Pode-se dizer que a nova lei determinou um bom equilíbrio para o exercício do direito de propriedade dos credores nestes casos. Adicionalmente, ao mesmo tempo em que excluiu estes ativos da massa falida, a nova legislação também impôs uma quarentena de até 180 dias, durante os quais os detentores dos direitos de propriedade ficam proibidos de remover os ativos da empresa. Embora se possa alegar que esta restrição reduz a efetividade destes tipos de garantias, o que poderia elevar o custo destas linhas de crédito, este parece ser um efeito colateral menor do que o que aconteceria no caso de se permitir a retirada imediata dos bens de capital com este perfil, já que isto acabaria por inviabilizar a permanência da empresa em operação e, portanto, sua chance de


sistema financeiro recuperação. Na nova legislação também houve importantes avanços na direção de aumentar a possibilidade de os credores reaverem parte de seus investimentos caso o processo de falência não seja evitado, dentre os quais: - a eliminação da sucessão tributária e trabalhista; - a possibilidade de alienar os ativos da empresa antes da formação do quadro geral de credores; - o estabelecimento de um limite de 150 salários mínimos para os trabalhadores exercerem o direito de preferência; e - a decisão de que credores com garantias reais passam a ter prioridade sobre o Fisco. Há pontos que merecem novas mudanças de lei no médio prazo Embora a nova Lei de Falência do Brasil possa ser equiparada às melhores do mundo, seria possível conceber dispositivos para futuros aperfeiçoamentos. De acordo com o seu texto, o privilégio de cada classe de credores por ocasião da falência dá-se exclusivamente pela ordem de preferência. Assim, os que possuem garantias reais somente passam a receber parte de seus créditos quando toda a dívida da classe superior de credores, no caso os trabalhadores, já tiver sido saldada. Embora este princípio esteja alinhado com a experiência de vários países, uma regra mais eficiente para obter uma coalizão dos credores seria condicionar a preferência de determinada classe a uma participação relativa maior no total arrecadado por ocasião do leilão dos ativos da massa

Há pontos que merecem novas mudanças de lei no médio prazo falida, e não pura e simplesmente a sua ordem na escala de preferência. Com essa regra alternativa, os credores que possuem baixo grau de preferência, em especial os próprios acionistas da empresa devedora, teriam maior incentivo para aceitar a alienação da empresa, inclusive via falência, quando esta se mostrasse a solução tecnicamente mais promissora. Em oposição, as classes de maior privilégio, como os com garantia real, também teriam maior incentivo para aceitar alguma margem de perda, por ocasião do plano de recuperação judicial, já que teriam de levar em conta que, numa eventual decretação de falência, a probabilidade de receberem a totalidade de seus créditos também será um pouco menor. A alegação de que o processo de recuperação judicial prevê a livre negociação sem estabelecimento prévio de privilégios entre classes de credores não resolve o risco de impasse, pois cada credor toma sua decisão de cooperar ou bloquear a coalizão com base em suas expectativas de retorno para cada possível desfecho. É por esta razão que não se deve descartar o início das discussões com o intuito de estabelecer uma segunda rodada

de aperfeiçoamento da lei e buscar regras que incentivem credores e devedores a assumirem uma postura mais cooperativa no processo de negociação – como é o caso da regra que define a prioridade de cada classe de credor com base na participação porcentual no total arrecadado, a qual promove um melhor balanceamento na classificação de créditos para os casos de falência que a regra aprovada. Um segundo aspecto que mereceria esforços adicionais diz respeito à criação de dispositivos legais que estimulem o surgimento de um mercado secundário de créditos de empresas insolventes. Haveria um grande potencial de ganhos devido à possibilidade de reduzir o número de credores – o que naturalmente facilitaria a formação de maiorias – e ao estímulo para o surgimento de especialistas em operações neste mercado secundário, os quais teriam especial habilidade em coordenar credores ou mesmo em reorganizar companhias insolventes Adriano Pitoli (pitoli@tendencias.com.br)

Tendências Consultoria Integrada Sócios: Mailson da Nóbrega, Gustavo Loyola, Nathan Blanche, Denise de Pasqual, Edward Amadeo, Ernesto M. Guedes Filho, Gesner Oliveira, José Márcio Camargo e Roberto Padovani Comunicação: Alcides Ferreira / Vendas: Vilma Garcia (vilma@tendencias.com.br) Equipe Setorial Coordenação: Denise de Pasqual Analistas: Adriano Pitoli, Amaryllis Romano, Fabiana Fantoni e Sérgio Conti. Banco de Dados: Fabiana Fantoni Suporte: André Silva, Camila Saito e Elton Bicudo Edição: Benedito Sverberi


análise setorial

Divulgação Divulgação

Impactos do Novo Acordo da Basiléia no mercado de crédito

O

Novo Acordo da Basiléia, ou simplesmente Basiléia II, será implantado no sistema bancário de economias desenvolvidas entre 2006 e 2007. E surge como uma evolução do primeiro acordo de adequação de capitais, que entrou em vigor em 1988. Após mudanças ao longo da segunda metade dos anos 90 e início de 2000, em junho de 2004 foi publicada a versão definitiva do Novo Acordo de Capital. O primeiro Acordo pregava uma adequação dos ativos das instituições em função do risco de crédito. E, à medida que alterações eram feitas até se chegar ao novo Acordo, mais importância era dada à mensuração e controle de outros tipos de risco, como o risco de mercado e o risco operacional. Assim, o capital exigido é calculado também de acordo com o risco de mercado e risco operacional. Essa nova versão está baseada em três pilares. O primeiro e mais importante, diz respeito ao requerimento mínimo de capital, baseado nos riscos de crédito, operacional e de mercado. O segundo diz respeito ao processo de avaliação realizado pelos órgãos supervisores das instituições, para que a adequação de capital seja adaptada às condições de cada instituição, e assim melhor realizada. O terceiro pilar diz respeito à disciplina de mercado, em que as instituições deverão ser mais transparentes, divulgando mais informações, para que o mercado possa realizar uma completa avaliação da situação da instituição financeira. Apesar de não estar originalmente destinado a instituições de países em desenvolvimento, muitos desses países, inclusive o Brasil adotam as regras do Acordo para uma melhor adequação de capital, adaptando-as aos seus respectivos mercados. Enquanto que o Índice da Basiléia contido no acordo é de 8%, no Brasil ele é de 11%. E, a exemplo do primeiro Acordo, as instituições brasileiras deverão adotar as novas exigências contidas no Basiléia II. A adoção das práticas do Novo Acordo no Brasil dará ACREFI

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mais estabilidade ao sistema financeiro nacional, tornando-o mais seguro e menos vulnerável. Assim, as instituições financeiras terão um controle maior sobre o risco, fazendo com que esse diminua. Dessa maneira, os clientes poderão ser beneficiados por taxas de juros mais brandas, uma vez que o risco embutido nas taxas diminuirá. Por outro lado, se adaptações ao perfil do sistema financeiro nacional não forem realizadas, o Novo Acordo poderá trazer conseqüências negativas. Nem todas as instituições estarão aptas às novas regras. O fato de existir diferentes metodologias de mensuração dos riscos operacional e de crédito poderá comprometer o capital destinado ao crédito. Pois, ao adotar a metodologia padrão para mensuração de riscos, o requerimento de capital será maior, e, portanto, menos recursos estarão disponíveis ao crédito. Em contrapartida, instituições que adotarem os modelos de avaliação interna dos riscos poderão ter uma exigência de capital menor, alocando mais recursos no crédito. Em termos práticos, instituições que adotarem modelos de avaliação interna serão mais competitivas, pois terão mais controle sobre o volume do crédito, os prazos de financiamento e as taxas que serão praticadas. E, com um certo grau de certeza, apenas as grandes instituições terão acesso a esse modelo de avaliação de riscos. Pois, apesar de requerer um menor montante de capital, os custos de implantação desse modelo são altos. Cabe às autoridades brasileiras realizarem as adaptações necessárias para que os aspectos negativos levantados sejam bem menores que os aspectos positivos, e que o mercado de crédito no Brasil não seja prejudicado. O Novo Acordo veio para tornar o sistema mais seguro, e se melhorias e adaptações forem feitas, ele não se tornará mais um obstáculo o crescimento e consolidação do crédito no país Colaborou o Analista Financeiro Antônio Carlos Carvalho Filho

Rogério Reis/Pulsar Imagens

PROF. DR. ALBERTO BORGES MATIAS, DIRETOR DA ABM CONSULTING


legislação

Os juros bancários e os tribunais

Luiz Carlos Casagrande

CÁSSIO M. C. PENTEADO JR.,COORDENADOR DA COMISSÃO JURÍDICA DA ACREFI

O

tema dos encargos remuneratórios, provenientes dos contratos bancários, relativamente às normas legais e ao entendimento das Cortes de Justiça, tem se mostrado, no Brasil, ao longo do tempo, campo fértil às polêmicas, as quais – ao cabo – não contribuem para a sempre desejada redução de seus percentuais, com a conseqüente expansão do crédito para o financiamento da produção e do consumo. Na verdade, esse ambiente pleno de discussões e de debates que chegam aos tribunais causa uma certa insegurança, tanto para as instituições financeiras, quanto para os próprios tomadores de recursos, sejam as pessoas físicas, sejam – principalmente – as empresas. Referimo-nos, em particular, ao julgamento que se acha em curso, perante o Supremo Tribunal Federal, 1ª Turma, do Recurso Extraordinário 286.963/MG, originado de decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que considerou revogadas todas as normas que prorrogavam a competência do Conselho Monetário Nacional para estipular a taxa de juro, decidindo – por decorrência – que, inclusive para as operações das instituições financeiras, os encargos deveriam se limitar ao patamar da denominada “Lei de Usura” (Decreto 22.626/33), ou seja, 1 % ao mês. A questão, entretanto, não é nova, já tendo sido objeto de debates em outras oportunidades. Assim, com o

advento, em 1964, da Lei 4.595, que regulamentou o sistema financeiro nacional, diversos processos judiciais chegaram à Suprema Corte, cuidando da matéria dos juros bancários, opondo-se, naquela época, as previsões da citada Lei de Usura em confronto com aquela recém editada norma legislativa que estabelecia, dentre outras, a disposição de caber ao Conselho Monetário Nacional a de “limitar, sempre que necessário, as taxas de juros” (art. 4º, IX). Depois de inúmeros julgamentos, o Tribunal houve por bem consolidar seu entendimento, expedindo a conhecida Súmula 596, do seguinte teor: “As disposições do Decreto nº 22.626/33 não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema financeiro nacional”. Reconhecia-se, portanto, que, em havendo a regulamentação das operações do sistema financeiro nacional, não poderia persistir o comando do normativo de 1933, no sentido de fixar limite aos juros bancários. Os precedentes da jurisprudência, que se seguiram à Sumula mencionada, evidenciam o acatamento à interpretação da Corte Suprema, como dão conta inúmeras decisões, por exemplo, do Superior Tribunal de Justiça. Mais tarde, em 1988, reacendeu-se, com a vigência da nova Constituição, o debate sobre o tema dos encargos remuneratórios, em virtude do quanto encartado no art. 192, § 3º, daquela Carta Política, estabelecendo que as taxas de juros reais não poderiam ser superiores a 12 % ao ano. Novamente, o tema voltou aos tribunais, resultando – entretanto – decidido que o comando constitucional não era auto-aplicável por carecer de regulamentação legal específica, não tendo sido editada a lei complementar, prevista no “caput”

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do art. 192, sobre o sistema financeiro nacional. Em 2003, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 40 que, por sua vez, alterou o art. 192 para eliminar, de uma vez, a disposição do § 3º que tratava da limitação dos juros. Seguiu-se um período de relativa calmaria, sem que, todavia, cessassem as tentativas, sob a forma de processos judiciais, de discutir a questão do eventual limite aos encargos remuneratórios nas operações das instituições de crédito. Agora, o Recurso Extraordinário – em pauta – traz à tona, mais uma vez, a matéria. Na sua apreciação, que se acha em curso no momento que escrevemos, o Ministro Sepúlveda Pertence, que é o relator, entendeu que a delegação de competência ao Conselho Monetário Nacional continuava prevalecendo, não tendo sido revogada, nesse sentido, a Lei 4.595/64, sendo acompanhado pelos Ministros Eros Grau, Carlos Ayres Brito e César Peluso. Entrementes, o Ministro Marco Aurélio ao proferir seu voto, dissentiu da maioria, manifestando-se em anuência ao decidido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para considerar que, de fato, se havia exaurido a competência do Conselho Monetário Nacional. O Ministro Carlos Ayres Brito retificou seu voto e acompanhou a divergência, tendo solicitado vista o Ministro César Peluso, com o que se adiou o resultado final do julgamento. Vale realçar, aqui, as afirmativas do Ministro Eros Grau, a propósito do assunto, lembrando que a eventual volta ao limite de juros poderia “inviabilizar a política econômica nesse País”, trazendo, evidentemente, graves conseqüências. Esperamos, todos, que – afinal – prevaleça o bom senso entre os ministros da Corte Suprema FINANCEIRO


banco de dados por ABM Consulting TAXAS MÉDIAS GERAL DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

44,7 44,2 44,0 43,9 43,9 45,1 45,6 45,7 45,0 46,8 47,5 47,8 48,4

-0,6 -0,5 -0,2 -0,1 0,0 1,2 0,5 0,1 -0,7 1,8 0,7 0,3 0,6

15,7 17,0 17,0 16,7 16,4 17,4 17,5 17,9 17,8 18,3 18,8 19,0 19,4

-0,1 1,3 0,0 -0,3 -0,3 1,0 0,1 0,4 -0,1 0,5 0,5 0,2 0,4

29 27,2 27,0 27,2 27,5 27,7 28,1 27,8 27,2 28,5 28,7 28,8 29,0

-0,5 -1,8 -0,2 0,2 0,3 0,2 0,4 -0,3 -0,6 1,3 0,2 0,1 0,2

Variação abr-abr

3,7

3,7

0,0

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

PESSOA FÍSICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

63,3 62,4 62,4 62,0 63,1 63,2 63,2 63,4 61,5 63,4 64,0 64,0 64,5

-0,7 -0,9 0,0 -0,4 1,1 0,1 0,0 0,2 -1,9 1,9 0,6 0,0 0,5

15,4 17,2 17,4 16,7 17,4 17,5 17,3 17,8 17,6 18,2 18,6 18,7 19,1

0 1,8 0,2 -0,7 0,7 0,1 -0,2 0,5 -0,2 0,6 0,4 0,1 0,4

47,9 45,2 45,0 45,3 45,7 45,7 45,9 45,6 43,9 45,2 45,4 45,3 45,4

-0,7 -2,7 -0,2 0,3 0,4 0,0 0,2 -0,3 -1,7 1,3 0,2 -0,1 0,1

Variação abr-abr

1,2

3,7

-2,5

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

PESSOA JURÍDICA DATA

Aplicações % a.a.

Var. p.p.

Captações % a.a.

Var. p.p.

Spread % p.p.

Var. p.p.

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

29,9 30,0 29,7 29,7 28,8 30,4 31,1 30,9 31,0 32,2 32,4 32,9 33,3

-0,5 0,1 -0,3 0,0 -0,9 1,6 0,7 -0,2 0,1 1,2 0,2 0,5 0,4

15,9 16,9 16,7 16,6 15,7 17,3 17,6 18,0 18,0 18,3 18,9 19,2 19,6

-0,1 1,0 -0,2 -0,1 -0,9 1,6 0,3 0,4 0,0 0,3 0,6 0,3 0,4

14 13,1 13,0 13,1 13,1 13,1 13,5 12,9 13,0 13,9 13,5 13,7 13,7

-0,4 -0,9 -0,1 0,1 0,0 0,0 0,4 -0,6 0,1 0,9 -0,4 0,2 0,0

Variação abr-abr

3,4

3,7

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

ACREFI

23

-0,3


banco de dados por ABM Consulting JUROS E SPREAD BANCÁRIO

CRÉDITO PESSOA FÍSICA CRÉDITO PESSOAL Volume

50,0 47,5 45,0 42,5 40,0 37,5 35,0 32,5 30,0 27,5 25,0 22,5 20,0 17,5 15,0

Taxa Juros

55.000

76,00

50.000

75,00 74,00

45.000 73,00

SPREAD 40.000

72,00 35.000

71,00 70,00

Aplicações

abr/05

mar/05

fev/05

jan/05

dez/04

nov/04

out/04

set/04

ago/04

jul/04

jun/04

abr/04

mai/04

30.000

abr mai jun 04 04 04

Volume

jul ago set out nov dez jan fev mar abr 04 04 04 04 04 04 05 05 05 05 Taxa de Juros

Captações

VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - PESSOA FÍSICA - PREFIXADOS (R$ milhões) MÊS/ANO

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

AQUISIÇÃO DE BENS

CRÉDITO PESSOAL

VARIAÇÃO EM %

Veículos

Variação

Outros

Variação

OUTRAS OPERAÇÕES

VARIAÇÃO EM %

TOTAL

VARIAÇÃO EM %

34.481 35.740 36.715 37.677 38.712 39.888 41.353 42.439 43.423 44.781 47.218 49.965 52.384

3,89% 3,65% 2,73% 2,62% 2,75% 3,04% 3,67% 2,62% 2,32% 3,13% 5,44% 5,82% 4,84%

32.550 33.106 33.591 34.126 34.740 35.383 35.573 36.754 38.065 38.855 39.340 40.221 41.050

1,59% 1,71% 1,47% 1,59% 1,80% 1,85% 0,54% 3,32% 3,57% 2,07% 1,25% 2,24% 2,06%

5.388 5.537 5.599 5.750 5.925 6.179 6.639 6.840 7.225 7.375 7.313 7.394 7.571

1,10% 2,76% 1,13% 2,68% 3,05% 4,29% 7,45% 3,02% 5,62% 2,08% -0,83% 1,10% 2,39%

5.302 5.417 5.385 5.331 5.400 5.495 5.559 5.625 5.471 5.621 5.834 6.177 6.441

2,23% 2,17% -0,59% -1,01% 1,31% 1,76% 1,17% 1,18% -2,74% 2,74% 3,78% 5,88% 4,29%

95.967 98.249 99.986 101.362 104.057 106.539 108.478 112.358 113.272 116.987 121.288 125.547 129.895

2,27% 2,38% 1,77% 1,38% 2,66% 2,39% 1,82% 3,58% 0,81% 3,28% 3,68% 3,51% 3,46%

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

TAXAS DE JUROS PREFIXADOS - PESSOA FÍSICA (R$ milhões) CRÉDITO PESSOAL SALDO TOTAL

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS

TAXAS DE JUROS

SALDO TOTAL

% Variação % Variação MÊS/ANO R$ milhões a.m. p.p a.a. p.p abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

34.481 35.740 36.715 37.677 38.715 39.888 41.353 42.439 43.423 44.781 47.218 49.965 52.384

4,79 4,66 4,62 4,61 4,71 4,72 4,71 4,71 4,56 4,75 4,79 4,74 4,77

-0,06 -0,13 -0,04 -0,01 0,11 0,01 -0,01 0,00 -0,15 0,19 0,04 -0,04 0,03

75,30 72,70 71,90 71,70 73,80 73,90 73,80 73,80 70,80 74,50 75,30 74,40 75,00

-1,20 -2,60 -0,80 -0,20 2,10 0,10 -0,10 0,00 -3,00 3,70 0,80 -0,90 0,60

R$ milhões 32.550 33.106 33.591 34.126 34.828 35.383 35.573 36.754 38.065 38.855 39.340 40.221 41.050

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 2,53 2,55 2,61 2,60 2,61 2,58 2,57 2,57 2,57 2,63 2,61 2,64 2,66

-0,01 0,02 0,06 -0,01 0,01 -0,04 -0,01 0,00 0,00 0,06 -0,02 0,03 0,02

SALDO TOTAL

% Variação a.a. p.p 35,00 35,30 36,30 36,10 36,30 35,70 35,60 35,60 35,60 36,50 36,20 36,70 37,00

AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS

-0,10 0,30 1,00 -0,20 0,20 -0,60 -0,10 0,00 0,00 0,90 -0,30 0,50 0,30

R$ milhões 5.388 5.537 5.599 5.750 5.921 6.179 6.639 6.840 7.225 7.375 7.313 7.394 7.571

TAXAS DE JUROS % Variação a.m. p.p 4,11 3,99 3,96 3,91 3,93 4,03 4,07 4,13 4,36 4,24 4,19 4,12 3,87

-0,06 -0,19 -0,04 -0,08 0,02 0,10 0,04 0,06 0,23 -0,13 -0,04 -0,07 -0,25

% a.a.

Variação p.p

62,20 59,90 59,40 58,50 58,80 60,60 61,40 62,50 66,90 64,50 63,70 62,40 57,70

-0,70 -2,30 -0,50 -0,90 0,30 1,80 0,80 1,10 4,40 -2,40 -0,80 -1,30 -4,70

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting.

24

FINANCEIRO


VOLUME DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO - CRÉDITO CONSIGNADO CRÉDITO PESSOAL AMOSTRA*

MÊS / ANO abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05 Var. abr-abr

34.481 35.740 36.715 37.677 38.712 39.888 41.353 42.439 43.423 44.781 47.218 49.965 52.384 51,92%

CRÉDITO PESSOAL % Amostra

CONSIGNADO Públicos

27.730 28.748 29.457 30.202 30.985 31.925 33.178 33.881 34.721 35.522 36.921 39.126 41.470 49,55%

80,4% 80,4% 80,2% 80,2% 80,0% 80,0% 80,2% 79,8% 80,0% 79,3% 78,2% 78,3% 79,2%

Privados

7.015 832 7.135 965 7.528 1.135 8.072 1.316 8.406 1.463 8.913 1.591 9.581 1.704 10.078 1.805 10.742 1.869 11.080 1.969 11.953 2.065 13.304 2.205 14.220 2.330 102,72% 179,94%

% Consignado** Total

7.847 8.101 8.664 9.388 9.869 10.504 11.286 11.882 12.611 13.049 14.018 15.509 16.549 110,91%

CONSIGNADO TOTAL Estimativa ABM Risk

Consignado

Pessoal

Diferença***

9.757 10.071 10.798 11.712 12.330 13.123 14.067 14.884 15.771 16.451 17.927 19.805 20.905

38,8% 39,0% 38,6% 38,3% 38,5% 39,0% 39,2% 38,5% 39,2% 38,9% 37,4% 37,1% 36,5%

75,3% 72,7% 71,9% 71,7% 73,8% 73,9% 73,8% 73,8% 70,8% 74,5% 75,3% 74,4% 75,0%

36,5% 33,7% 33,3% 33,4% 35,3% 34,9% 34,6% 35,3% 31,6% 35,6% 37,8% 37,3% 38,5%

28,3% 28,2% 29,4% 31,1% 31,8% 32,9% 34,0% 35,1% 36,3% 36,7% 38,0% 39,6% 39,9%

Taxa de Juros %aa

FONTE: ABM Consulting / BC * Pesquisa com treze das maiores instituições que operam com crédito pessoal. ** Total consignado sobre o total de crédito pessoal da amostra *** Taxa Crédito Pessoal de Mercado - Taxa de Consignado.

INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS CRÉDITO PESSOAL (R$ mil)

Mês/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

30.842.592 31.874.938 32.846.771 33.605.016 34.395.189 36.330.048 36.429.717 38.174.691 39.269.395 41.398.232 43.853.143 45.411.427

874.484 998.004 979.871 1.269.799 1.603.160 1.071.229 1.854.350 910.690 1.081.995 1.113.012 1.263.104 1.192.456

2,45% 2,72% 2,60% 3,28% 4,02% 2,59% 4,37% 2,10% 2,42% 2,36% 2,53% 2,28%

1.136.548 1.040.267 1.014.235 1.048.360 1.123.560 1.150.369 1.347.591 1.241.283 1.220.396 1.349.410 1.427.796 1.352.177

3,18% 2,83% 2,69% 2,71% 2,82% 2,78% 3,18% 2,86% 2,73% 2,86% 2,86% 2,58%

2.269.154 2.250.929 2.337.093 2.333.029 2.358.439 2.444.849 2.478.395 2.490.724 2.597.523 2.649.416 2.800.103 2.955.047

6,35% 6,13% 6,20% 6,03% 5,91% 5,91% 5,84% 5,74% 5,80% 5,61% 5,60% 5,64%

35.739.766 36.715.137 37.676.568 38.712.343 39.888.408 41.353.350 42.438.810 43.422.690 44.781.159 47.218.466 49.965.156 52.384.478

3,65% 2,73% 2,62% 2,75% 3,04% 3,67% 2,62% 2,32% 3,13% 5,44% 5,82% 4,84%

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS (R$ mil)

Mês/Ano

mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

Saldo

Com atraso

sem atraso

de 15 a 30 dias

29.719.227 30.333.668 30.927.564 31.647.980 32.105.124 32.340.462 33.650.225 35.183.751 35.794.379 36.219.687 36.869.843 37.465.466

1.271.432 1.205.501 1.199.259 1.197.763 1.266.622 1.217.895 1.177.013 1.123.870 1.243.330 1.183.837 1.386.782 1.257.673

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

3,84% 3,59% 3,51% 3,45% 3,58% 3,42% 3,20% 2,95% 3,20% 3,01% 3,45% 3,06%

1.138.068 1.106.926 1.039.556 1.007.462 1.136.700 1.089.188 1.100.391 954.090 1.025.747 1.156.706 1.205.748 1.257.724

3,44% 3,30% 3,05% 2,90% 3,21% 3,06% 2,99% 2,51% 2,64% 2,94% 3,00% 3,06%

973.258 941.782 960.569 883.791 871.118 922.225 823.190 800.832 788.925 776.871 756.356 743.900

2,94% 2,80% 2,81% 2,54% 2,46% 2,59% 2,24% 2,10% 2,03% 1,97% 1,88% 1,81%

33.105.519 33.591.319 34.125.996 34.740.423 35.382.584 35.572.761 36.753.547 38.065.281 38.855.103 39.339.842 40.221.467 41.049.731

1,71% 1,47% 1,59% 1,80% 1,85% 0,54% 3,32% 3,57% 2,07% 1,25% 2,24% 2,06%

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

ACREFI

25


banco de dados por ABM Consulting INADIMPLÊNCIA - OPERAÇÕES PREFIXADAS AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

4.485.011 4.561.384 4.707.381 4.877.281 5.036.740 5.472.671 5.650.757 6.105.428 6.147.604 5.990.515 5.948.868 5.738.134

224.733 226.935 232.066 235.179 263.115 263.448 266.926 247.018 323.728 325.200 364.990 330.262

4,06% 4,05% 4,04% 3,97% 4,26% 3,97% 3,90% 3,42% 4,39% 4,45% 4,94% 4,36%

256.197 249.029 237.290 234.775 261.585 272.977 287.900 246.571 275.200 354.267 417.733 373.056

4,63% 4,45% 4,13% 3,96% 4,23% 4,11% 4,21% 3,41% 3,73% 4,84% 5,65% 4,93%

561.445 552.488 563.322 568.248 608.388 621.100 625.283 616.087 618.340 633.331 652.454 633.700

10,14% 9,87% 9,80% 9,59% 9,85% 9,35% 9,14% 8,53% 8,38% 8,66% 8,82% 8,37%

5.536.836 5.599.317 5.749.605 5.924.969 6.179.110 6.639.404 6.840.214 7.224.939 7.374.918 7.313.439 7.393.980 7.570.681

2,76% 1,13% 2,68% 3,05% 4,29% 7,45% 3,02% 5,62% 2,08% -0,83% 1,10% 2,39%

Fonte: Banco Central do Brasil/ ABM Consulting

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO OUTROS BENS - PREFIXADO Abril/2005 (em R$ mil)

INADIMPLÊNCIA - CRÉDITO PESSOAL - PREFIXADO Abril/2005 (em R$ mil) Atraso de 15 a 30 dias 1.192.456

Atraso de 15 a 30 dias 330.262

21,7% Atraso de mais de 90 dias 2.955.047

24,7% Atraso de mais de 90 dias 633.700

53,7% 24,6%

Atraso de 31 a 90 dias 1.352.177

16,3% Atraso de mais de 90 dias 791.179

38,6% Atraso de 31 a 90 dias 1.257.724

Atraso de 31 a 90 dias 373.056

15 a 30 dias 243.450

Atraso de 15 a 30 dias 1.257.673

22,8%

27,9%

INADIMPLÊNCIA - OUTRAS OPERAÇÕES - PREFIXADO Abril/2005 (em R$ mil) Atraso de

INADIMPLÊNCIA - AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS - PREFIXADO Abril/2005 (em R$ mil) Atraso de mais de 90 dias 743.900

47,4%

53,5%

30,1%

38,6%

Atraso de 31 a 90 dias 446.139

OUTRAS OPERAÇÕES (R$ mil)

Mê s/Ano

Saldo sem atraso

Com atraso de 15 a 30 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso de 31 a 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Com atraso maior que 90 dias

% sobre Saldo da Carteira

Saldo total CarteiraBrasil

Variação em %

mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

3.446.978 3.429.475 3.403.043 3.427.678 3.411.009 3.453.875 3.586.571 3.579.408 3.654.442 3.796.891 4.060.034 4.212.512

211.053 228.923 204.489 220.111 230.730 218.566 186.260 183.304 207.002 214.947 226.263 243.450

3,90% 4,25% 3,84% 4,08% 4,20% 3,93% 3,31% 3,35% 3,68% 3,68% 3,66% 3,78%

340.596 334.332 314.235 319.305 384.060 383.012 348.687 338.569 356.159 381.234 417.153 446.139

6,29% 6,21% 5,89% 5,91% 6,99% 6,89% 6,20% 6,19% 6,34% 6,54% 6,75% 6,93%

845.248 824.206 818.283 821.802 809.917 783.905 778.224 679.473 705.436 716.611 742.541 791.179

15,60% 15,31% 15,35% 15,22% 14,74% 14,10% 13,83% 12,42% 12,55% 12,28% 12,02% 12,28%

5.417.094 5.385.064 5.330.634 5.400.460 5.495.355 5.559.467 5.625.320 5.471.407 5.621.076 5.833.611 6.176.684 6.441.487

2,17% -0,59% -1,01% 1,31% 1,76% 1,17% 1,18% -2,74% 2,74% 3,78% 5,88% 4,29%

Fonte: Banco Central do Brasil/ABM Consulting

26

FINANCEIRO


DESEMPREGO TAXA DE DESEMPREGO (%) DATA

Brasil

Var. p.p.

SP

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

13,10 12,20 11,70 11,20 11,40 10,90 10,50 10,60 9,60 10,20 10,60 10,80 10,80

0,30 -0,90 -0,50 -0,50 0,20 -0,50 -0,40 0,10 -1,00 0,60 0,40 0,20 0,00

14,50 13,60 13,30 12,50 12,60 11,70 11,20 11,20 9,80 11,10 11,50 11,50 11,40

TAXA DE DESEMPREGO Var. p.p. -0,10 -0,90 -0,30 -0,80 0,10 -0,90 -0,50 0,00 -1,40 1,30 0,40 0,00 -0,10

Fonte: IBGE/ABM Consulting

Taxa (%)

0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 -0,20 -0,40 -0,60 -0,80 -1,00 -1,20 abr 04

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

mai 04

jun 04

jul 04

Brasil

ago 04

set 04

out 04

SP

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

Var. p.p. mensal Brasil

Fonte: IBGE/ABM Consulting

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)

RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$) DATA

Variação (p.p.)

15,0 14,5 14,0 13,5 13,0 12,5 12,0 11,5 11,0 10,5 10,0 9,5 9,0

Brasil

Var. %

931,00 924,25 941,34 947,32 933,86 949,82 938,26 938,96 921,60 941,47 950,54 955,44 938,70

-0,9% -0,7% 1,8% 0,6% -1,4% 1,7% -1,2% 0,1% -1,8% 2,2% 1,0% 0,5% -1,8%

SP 1.061,62 1.083,25 1.100,65 1.092,12 1.076,02 1.093,72 1.075,96 1.076,96 1.055,48 1.083,25 1.099,79 1.114,38 1.077,50

Var. % -2,0% 2,0% 1,6% -0,8% -1,5% 1,6% -1,6% 0,1% -2,0% 2,6% 1,5% 1,3% -3,3%

Fonte: IBGE/ABM Consulting

1.100

0,025

1.050

0,02 0,015

1.000

0,01

950

0,005

900 -0,005

850

-0,01

800

-0,015

750

-0,02

700

-0,025

abr 04

mai 04

jun 04

Brasil

jul 04

ago 04

set 04

out 04

SP

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

Var. % mensal Brasil

Fonte: IBGE/ABM Consulting

COMÉRCIO VAREJISTA VOLUME DE VENDAS

VOLUME DE VENDAS Data

Índice Hipermercados e Veículos,Motos, Var. % Var. % Var. % Geral Supermercados Partes e Peças

mar/04 abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05

103,38 104,19 109,37 104,56 109,69 106,50 103,74 111,32 109,58 154,93 105,15 97,10 112,28

Variação mar-mar 8,61%

9,1% 0,8% 5,0% -4,4% 4,9% -2,9% -2,6% 7,3% -1,6% 41,4% -32,1% -7,7% 15,6%

102,50 106,90 104,27 100,57 107,70 104,86 103,82 112,27 107,59 142,81 106,03 96,37 111,73

5,3% 4,3% -2,5% -3,5% 7,1% -2,6% -1,0% 8,1% -4,2% 32,7% -25,8% -9,1% 15,9%

121,79 108,23 113,91 116,80 118,40 121,95 121,56 120,31 125,95 137,60 119,03 99,38 127,89

160

21,5% -11,1% 5,2% 2,5% 1,4% 3,0% -0,3% -1,0% 4,7% 9,2% -13,5% -16,5% 28,7%

150 140 130 120 110 100 90 80

Índice Geral 9,00%

5,01%

Fonte: IBGE/ABM Consulting

ACREFI

mar abr mai jun 04 04 04 04

27

jul 04

ago set 04 04

out nov dez jan 04 04 04 05

Hipermercados e Supermercados

fev mar 05 05

Veículos, Motos Partes e Peças


banco de dados por ABM Consulting PREVISÕES ECONÔMICAS Ano de 2005

PIB Total % a.a.

PIB Agropecuário % a.a.

PIB Indústria % a.a.

PIB Serviço % a.a.

Produção Industrial % a.a.

3,62 3,63 3,53 3,47

3,96 3,89 3,90 3,61

4,40 4,36 4,34 4,24

2,81 3,00 3,00 2,96

4,67 4,87 4,50 4,43

Selic Taxa anual

IGP-DI % a.a.

IPCA % a.a.

Taxa de Câmbio R$/US$

Saldo Comercial US$ bilhões

15,91 17,52 17,90 18,01

6,51 6,94 6,53 6,37

5,75 6,15 6,39 6,38

2,95 2,79 2,71 2,70

26,46 33,10 34,78 34,83

Var. p.p.

DATA

Índice de Produção Física Média Móvel Trimestral

Previsão 03/01/2005 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 20/05

Final de 2005 Previsão 03/01/2005 4 semanas antes 1 semana antes Previsão 20/05 Fonte: BC-Focus/ABM Consulting

ATIVIDADE ECONÔMICA DATA

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

mar/04

82,06

2,42

mar/04

104,44

0,7%

abr/04

81,23

-0,83

abr/04

105,10

0,6%

mai/04

82,39

1,17

mai/04

106,58

1,4%

jun/04

83,13

0,74

jun/04

107,52

0,9%

jul/04

83,53

0,39

jul/04

108,69

1,1%

ago/04

83,85

0,33

ago/04

109,43

0,7% 0,4%

Var. %

set/04

83,76

-0,09

set/04

109,91

out/04

84,00

0,24

out/04

110,12

0,2%

nov/04

83,40

-0,61

nov/04

109,95

-0,2%

dez/04

81,10

-2,30

dez/04

110,41

0,4%

jan/05

81,01

-0,09

jan/05

110,77

0,3%

fev/05

80,60

-0,41

fev/05

110,68

-0,1%

mar/05

83,20

2,60

mar/05

110,61

-0,1%

Variação mar-mar

Variação mar-mar

1,14

Fonte: CNI/ABM Consulting

5,91%

Fonte: IBGE/ABM Consulting

PRODUÇÃO (ÍNDICE) X CAPACIDADE (%) Capacidade (%)

Produção - Índice

85

112

84

110

83

108

82 106 81 104

80

Fonte: ABM Consulting

mar/05

fev/05

jan/05

dez/04

nov/04

out/04

set/04

ago/04

jul/04

jun/04

100 mai/04

78 abr/04

102

mar/04

79

Índice de Produção Física Média Móvel Trim estral

Taxa da Utilização da Capacidade Instalada

28

FINANCEIRO


INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS, MISTOS, VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS PRODUÇÃO

PRODUÇÃO (em unidades) (em unidades)

Data

Produção

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

169.991 179.224 187.124 187.777 199.843 203.062 190.302 201.893 188.970 160.830 188.514 218.611 203.473

Média Trim. Var. Mensal Var. Mensal (%)

171.960 180.057 178.780 184.708 191.581 196.894 197.736 198.419 193.722 183.898 179.438 189.318 203.533

-20.965 9.233 7.900 653 12.066 3.219 -12.760 11.591 -12.923 -28.140 27.684 30.097 -15.138

Variação abr/04-abr/05

-11,0% 5,4% 4,4% 0,3% 6,4% 1,6% -6,3% 6,1% -6,4% -14,9% 17,2% 16,0% -6,9%

220.000 210.000 200.000 190.000 180.000 170.000 160.000 150.000

abr 04

mai 04

jun 04

jul 04

ago 04

set 04

Produção

19,7%

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/ABM Consulting

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS

VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS (em unidades) (em unidades)

Data

Vendas

Média Trim.

Variação

Variação(%)

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

119.966 119.403 123.793 129.300 132.739 139.182 130.473 140.793 155.432 100.909 115.436 149.026 137.759

126.324 125.039 121.054 124.165 128.611 133.740 134.131 136.816 142.233 132.378 123.926 121.790 134.074

-15.781 -563 4.390 5.507 3.439 6.443 -8.709 10.320 14.639 -54.523 14.527 33.590 -11.267

-11,6% -0,5% 3,7% 4,4% 2,7% 4,9% -6,3% 7,9% 10,4% -35,1% 14,4% 29,1% -7,6%

Variação abr/04-abr/05

165.000 155.000 145.000 135.000 125.000 115.000 105.000 95.000

abr 04

mai 04

jun 04

jul 04

ago 04

set 04

Vendas

14,8%

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

Média trimestral

Fonte: Anfavea/ABM Consulting

EXPORTAÇÃO TOTAL

EXPORTAÇÃO TOTAL (em unidades) (em unidades)

Data

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

Exportações Média Trim.

43.132 49.282 61.452 61.562 68.434 57.406 62.856 60.579 59.049 45.582 62.015 67.502 68.754

43.071 48.377 51.289 57.432 63.816 62.467 62.899 60.280 60.828 55.070 55.549 58.366 66.090

Variação abr/04-abr/05

Variação

Variação(%)

-9.585 6.150 12.170 110 6.872 -11.028 5.450 -2.277 -1.530 -13.467 16.433 5.487 1.252

-18,2% 14,3% 24,7% 0,2% 11,2% -16,1% 9,5% -3,6% -2,5% -22,8% 36,1% 8,8% 1,9%

70.000 65.000 60.000 55.000 50.000 45.000 40.000 35.000 abr 04

jun 04

jul 04

Exportações

59,4%

Fonte: Anfavea/ABM Consulting

ACREFI

mai 04

29

ago 04

set 04

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

Média trimestral

fev 05

mar 05

abr 05


banco de dados por ABM Consulting INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA VENDAS INTERNAS NO ATACADO DE NACIONAIS E IMPORTADOS - AUTOMÓVEIS (em unidades) Data

Vendas

1000cc

% no Total

1000cc a 2000cc

% no total

>2000cc

% no total

abr/04 mai/04 jun/04 jul/04 ago/04 set/04 out/04 nov/04 dez/04 jan/05 fev/05 mar/05 abr/05

99.968 97.420 103.260 107.215 109.270 113.456 106.228 116.998 129.579 82.256 95.954 125.031 115.228

56.345 56.151 57.800 58.216 59.743 61.404 60.318 65.451 72.331 44.720 51.736 70.179 63.612

56,4% 57,6% 56,0% 54,3% 54,7% 54,1% 56,8% 55,9% 55,8% 54,4% 53,9% 56,1% 55,2%

43.221 40.830 44.923 48.607 49.074 51.607 45.548 51.019 56.738 37.267 43.924 54.197 51.062

43,2% 41,9% 43,5% 45,3% 44,9% 45,5% 42,9% 43,6% 43,9% 45,3% 45,8% 43,3% 44,3%

402 439 537 392 453 445 362 528 510 269 294 655 554

0,4% 0,5% 0,5% 0,4% 0,4% 0,4% 0,3% 0,5% 0,3% 0,3% 0,3% 0,5% 0,5%

Fonte: Anfavea/ABM Consulting

VENDAS POR CATEGORIA - AUTOMÓVEIS

80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 abr 04

mai 04

1000 cc

jun 04

jul 04

ago 04

set 04

out 04

nov 04

dez 04

jan 05

fev 05

mar 05

abr 05

1000 cc a 2000 cc

30

FINANCEIRO


Documentação confiável é um dos principais requisitos para definir políticas, decidir limites e reduzir riscos. Nem todos os proponentes de crédito têm comprovantes de renda e, muitas vezes, a documentação apresentada não é confiável, o que dificulta suas decisões de crédito e análises de risco. Esta solução estima a renda das diversas atividades profissionais, diferenciada por região, considerando as informações completas e abrangentes do mercado.

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O Brasil e o cenário Internacional José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário do Ministério da Fazenda

Realização

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil

ACREFI - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

Perspectivas do mercado de crédito Joelmir Beting, jornalista e comentarista econômico

Patrocínio Michel Klein, principal executivo da Casas Bahia

O judiciário e os juros Edson Vidigal, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e Nelson Jobim, Presidente do Supremo Tribunal Federal

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Financeiro 25 - Junho 2005  
Financeiro 25 - Junho 2005