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EDIÇÃO

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MARÇO - JULHO

PRONTO PARA OS DESAFIOS Luis Eduardo da Costa Carvalho assume a presidência da ACREFI confiante na recuperação econômica do País, atento às necessidades dos associados e às demandas do mercado

Isaac Sidney Ferreira, “Não devemos encarar a recente situação com pessimismo ou desânimo, presidente da Febraban mas sim como uma oportunidade de retomarmos a agenda de reformas estruturais.” Pág. 14


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EDITORIAL

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HILGO GONÇALVES Presidente da ACREFI

HORA DE PRESTAR CONTAS E DE AGRADECER

O

s últimos anos foram muito desafiadores tanto para a economia nacional quanto para a ACREFI. Entre 2016 e 2020, período que estive à frente da presidência da associação, o Brasil enfrentou inúmeros desafios, seja na política, na economia, e mais recentemente, fomos surpreendidos pela pandemia da Covid-19. Mesmo diante deste cenário a associação manteve-se fiel ao propósito de representar os seus associados e manter proximidade com todos, incluindo os reguladores, associações congêneres e com o mercado. Foram quatro anos intensos, atuando sempre em equipe: Time ACREFI, Comissões Técnicas, diretoria e conselhos, juntos, demos muitos passos à frente, principalmente no debate dos temas do sistema financeiro e na disseminação do Crédito Sustentável, da educação financeira e o incentivo na aprovação do Cadastro Positivo e sua implementação, que foram bandeiras sempre presentes, entre outras ações, que estarão detalhadas em um relatório especial com a prestação de contas para os associados. Neste período enfrentamos os desafios como um time verdadeiramente comprometido e com o apoio de muita gente, por este motivo, eu gostaria de deixar registrado alguns agradecimentos especiais. Primeiramente, agradeço a Deus por mais esta oportunidade e a minha família pela compreensão e apoio para melhor cumprir esta nobre missão. Um agradecimento especial ao Érico Ferreira, meu predecessor, que me convidou em 2016 para este importante desafio, que se revelou um grande presente para a minha vida, pois tive o privilégio de trabalhar com um time de colaboradores e consultores guerreiros, a quem agradeço imensamente por todo o apoio, suporte, ensinamentos e paciência. Com a dedicação e comprometimento de todos foi possível superarmos muitos desafios nestes

anos, e, juntos, servirmos o nosso quadro de associados. Um agradecimento igualmente especial a todos os associados pela confiança e também aos Vice-presidentes, Diretores, Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo da ACREFI e aos colaboradores das Comissões Técnicas! Dirijo-me também ao Presidente do Banco Central do Brasil e a todo o seu corpo diretivo e colaboradores que sempre estiveram próximos, e foram fontes de inspiração em tudo. Destacamos as agendas inicialmente a BC+ e depois a BC#, as quais sempre procuramos seguir. Agradeço também a todas as Associações congêneres, com as quais trabalhamos sempre muito próximos e debatendo os principais temas do setor, bem como a CNF, onde tivemos o prazer de representar a ACREFI no Conselho de Representantes nestes quatro anos. Um dos nossos compromissos sempre foi compartilhar conhecimentos. Para isto, foi fundamental o apoio dos patrocinadores, que possibilitaram a realização de mais de 80 eventos com a presença de 8.800 participantes. Como, a cada dia a atuação colaborativa se torna mais premente, destaco aqui a importância dos nossos apoiadores institucionais, em especial, ao GPTW pela parceria na criação do primeiro Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar – Instituições Financeiras, e à Kantar, que publicou oito pesquisas durante a nossa gestão. Meu muito obrigado também à imprensa, que sempre esteve atenta aos acontecimentos da ACREFI, com coberturas que resultaram em mais de 2.800 matérias ao longo desses quatro anos. E agora quero dar as boas-vindas ao estimado Luis Eduardo da Costa Carvalho e a toda a diretoria da ACREFI para biênio 2020/2022.

Um grande abraço, Hilgo Gonçalves f

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CONFIAMOS TANTO NO BRASIL QUE COLOCAMOS ELE NO NOSSO NOME. B3. BRASIL BOLSA BALCÃO. A B3 é a Bolsa do Brasil. Isso significa que estamos sempre prontos para ajudar o mercado a tomar a melhor decisão pensando no futuro. No nosso e do País. Afinal, quando o Brasil cresce, todo mundo cresce junto com ele.

acesse: b3.com.br


SUMÁRIO

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EDIÇÃO # 120

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NOVO PRE SIDENT E DA ACREFI

Luis Eduardo da Costa Carvalho fala sobre conjuntura, planos e desafios da sua gestão

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OLHAR FEBR AB AN

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C ADA ST R O P OSIT IVO

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BIBLIOT E C A ACREFI

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F O C O NA S C OMIS SÕE S

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NOVA ER A

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PI X

Isaac Sidney enxerga na crise oportunidade para retomada das reformas estruturais

Instrumento fundamental para reativar os negócios com mais segurança

E-book “Grande Voo do Crédito” registra avanços conquistados pelo Cadastro Positivo

Cleber Martins aborda o trabalho integrado dos grupos em favor dos associados

Inteligência humana e artificial em benefício do consumidor

Sistema instantâneo de pagamentos garante operações mais baratas e eficientes

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PAINEL B3

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CULT UR A

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PAL AVR A FINAL

Documentário "A Tirania da Minúscula Coroa: Covid-19" mistura informação e sensibilidade

Artigo de Nicola Tingas trata de incerteza e dos riscos provocados pelos efeitos do novo coronavírus

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ASSOCIADAS

• AGORACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• AVISTA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

• AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

• CREDIARE S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • CREDITAS SOCIEDADE DE CRÉDITO DIRETO

• BANCO DIGIMAIS S.A. • BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.

• FINAMAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO CETELEM S.A.

• FINANCEIRA ALFA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS

• BANCO CNH INDUSTRIAL CAPITAL S.A.

• GAZINCRED S.A

• BANCO COOPERATIVO DO BRASIL S.A. BANCOOB

• JBCRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO CSF S.A.

• KREDILIG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO DAYCOVAL S.A. • BANCO DO BRASIL S.A.

• LECCA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

• BANCO FIDIS S.A.

• LISTO TECNOLOGIA S.A.

• BANCO GMAC S.A.

• MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS

• BANCO HONDA S.A. • BANCO HYUNDAI BRASIL S.A. • BANCO ITAUCARD S.A. • BANCO ITAÚ UNIBANCO S.A. • BANCO JOHN DEERE S.A. • BANCO JP MORGAN BRASIL S.A. • BANCO DE LAGE LANDEN BRASIL S.A. • BANCO LOSANGO S.A. • BANCO PAN S.A. • BANCO PSA FINANCE BRASIL S.A. • BANCO RCI S.A. • BANCO RODOBENS S.A. • BANCO SAFRA S.A. • BANCO SEMEAR S.A.

• MIDWAY S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • NEGRESCO S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS • OMNI S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • PORTOCRED S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • PORTOSEG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • REALIZE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. • SANTANA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SANTINVEST S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO TOYOTA DO BRASIL S.A.

• SENFF S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO TRIÂNGULO S.A. (TRIBANCO)

• SICREDI VALE DO PIQUIRI ABCD PR/SP

• BANCO VOLKSWAGEN S.A.

• SOCINAL S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO YAMAHA MOTOR DO BRASIL S.A. • BIORC FINANCEIRA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. • BMP MONEY PLUS SOCIEDADE DE CRÉDITO DIRETO S.A. • BMW FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • BRB CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

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• UNICRED DO BRASIL – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS CENTRAIS UNICREDS • VIA CERTA FINANCIADORA • ZEMA FINANCEIRA


EXPEDIENTE

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ISSN 1809-8843

PUBLICAÇÃO DA ACREFI — ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

SUPLENTES Alexandre Teixeira Maria Virginia Moreira

Rua Líbero Badaró, 425 - 28°andar São Paulo, SP - Tel. (11) 3107.7177 www.acrefi.org.br

ADMINISTRAÇÃO/ASSESSORIAS

DIRETORIA BIÊNIO 2020 / 2022 PRESIDENTE Luis Eduardo da Costa Carvalho VICE-PRESIDENTES André de Carvalho Novaes Celso Luiz Rocha Jaime Basso José Tadeu da Silva Leandro José Diniz Nelson Dias Aguiar Rodnei Bernardino de Souza Wanderley Vettore DIRETOR TESOUREIRO João dos Santos Caritá Jr. Pedro Elias Dabbur DIRETORES Agnaldo Prado Donizeti Alfredo Dassan Jr. Edson Tadashi Ueda Heberson Góes Leonardo Lima Bortolini Marcos Alberto Loução Marcos Teixeira da Rosa Roberto Sadami Ikegami Thiago Rodrigues Urbaneja CONSELHO DELIBERATIVO Érico Sodré Quirino Ferreira Fábio Alberto Amorosino Giorgio Rodrigo Donini Hilgo Gonçalves José de Menezes Berenguer Neto Luis Eduardo da Costa Carvalho Roberto Willians Silva Azevedo CONSELHO FISCAL (EFETIVOS) Domingos Spina Lourenço Cesar de A. Gomes Wilson Diniz

SUPERINTENDENTE Carlos Alberto Marcondes Machado RELAÇÕES INSTITUCIONAIS Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) CONSULTORA JURÍDICA Cintia M. Ramos Falcão CONSULTOR DE OPERAÇÕES Cleber Martins CONSULTOR ECONÔMICO Nicola Tingas CONSULTORA DE COMUNICAÇÃO Rosângela Villa-Real CONSULTOR DE REGULAÇÃO E COMPLIANCE Sergio Odilon dos Anjos AUDITORIA Boucinhas, Campos & Conti Auditores Independentes CONTABILIDADE Conaupro Consultoria e Contabilidade Ltda. ASSESSORIA DE IMPRENSA

PUBLISHER Sergio Tamer EDITORES Theo Carnier Gilberto de Almeida EDITOR ASSISTENTE Gustavo Girotto ARTE Deise Aneli REVISOR Vicente dos Anjos

Siga a ACREFI nas redes sociais * As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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CAPA

Foto: Rogério Alexandre

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“Todos estão ávidos em dar a sua contribuição a favor da retomada da economia” Luis Eduardo da Costa Carvalho assume a presidência da ACREFI atento aos desafios exigidos para a recuperação do País e da sua missão em identificar necessidades e oportunidades dos associados, trabalhando em prol do mercado financeiro#120 março-julho 2020


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A

relevância de uma entidade começa pela alternância de poder e pela renovação de ideais. Essa receita é preservada pela ACREFI há 62 anos e os seus resultados são reconhecidos pelo mercado. É com essa mesma disposição e energia que Luis Eduardo da Costa Carvalho assume a presidência da ACREFI pelos próximos dois anos, com a possibilidade de uma reeleição. Chamado pelos amigos e conhecido no mercado apenas por Lecca, a abreviatura do seu nome tornou-se também a marca da sua financeira, fundada há mais de 45 anos. Em uma longa entrevista à Financeiro, o novo presidente da ACREFI diz que recebe a presidência de Hilgo Gonçalves preparado para defender os interesses de todos os associados com os reguladores e o Congresso Nacional. “Contem com a minha dedicação em defesa dos interesses do nosso segmento de mercado”, afirmou ele. Neste bate-papo com a revista, Lecca falou também sobre os aprendizados gerados pela pandemia da Covid-19, como esses ensinamentos devem ser absorvidos e aplicados em sua gestão à frente da entidade. Falou ainda a respeito do papel importantíssimo que as entidades de crédito representarão na retomada da economia do País e do papel disruptivo do Banco Central ao acompanhar e regulamentar medidas, como a criação da SCD (Sociedade de Crédito Direto) e da SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas) e ainda a adoção dos pagamentos instantâneos. A seguir, leia os principais trechos da sua entrevista.

Quais são os aprendizados que o mercado financeiro já pode extrair dessa pandemia? Para quem atua há mais de 50 anos no mercado financeiro, que imaginava já ter visto praticamente tudo, fomos surpreendidos com a pandemia da Covid-19. Ela mudou a maneira de todos nós agirmos. No caso da Lecca, minha financeira, nós conseguimos em 48 horas colocar 100% da nossa equipe em home office, garantindo a segurança e a saúde de todos, colaboradores e funcionários.

Nunca imaginei a minha empresa atuando 100% em regime de home office. Tudo funciona perfeitamente, transcorrendo de forma natural e tranquila. Não seria radical, como já ouvi outros empresários dizerem, que adotariam o home office em caráter definitivo. O que vivemos é a possibilidade de um sistema de trabalho diferente. Acho que devemos combinar o esquema tradicional com a opção de a equipe atuar fora da sua base operacional.

Como o sr. avalia essas alterações para o restante do mercado financeiro? O mercado financeiro brasileiro está dando mais uma demonstração ao mundo da sua solidez e da sua estrutura organizacional. Sobretudo, a atuação do Banco Central surpreendeu a todo o mercado, assim como a sociedade. Foram inúmeras medidas, algumas delas muito corajosas e arrojadas. Existe uma preocupação por parte do regulador em acompanhar o dia a dia dos mercados, fazendo todos os ajustes de forma que a atividade econômica sofra o mínimo possível.

"Estou vendo o nosso mercado reagir de um modo bastante positivo" Quais foram os principais receios do mercado? Em um primeiro momento, houve um temor em relação ao impacto nas carteiras das instituições financeiras, em termos de inadimplência. E o que foi demonstrado até agora é que esse reflexo está

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acontecendo, mas com uma intensidade bem inferior aos primeiros levantamentos realizados. De maneira geral, estou vendo o nosso mercado reagir de um modo bastante positivo e com muita qualidade. Vamos ter perdas, mas elas são absolutamente suportáveis.

economia. Estamos preparados, capitalizados, com a saúde financeira adequada, para oferecer o suporte necessário aos tomadores de crédito.

A ACREFI é a mais antiga entidade de representação de instituições financeiras no mercado. São 62 anos de atuação. Assumir a presidência da ACREFI, por si só, já um grande desafio. E assumir, durante esse processo de pandemia, eu diria que só aumenta a minha responsabilidade. Mas estou tranquilo. Na minha trajetória profissional e empresarial, acumulei experiências e conhecimento que me permitem contribuir com a ACREFI, em favor dos interesses dos associados.

mas ainda há o desafio de trazer para a base de dados informações de alguns setores. No entanto, o grande diferencial é que o mercado vai deixar de olhar o tomador de crédito apenas pelo aspecto negativo. Agora teremos condições de verificar entre os consumidores, pessoas físicas e jurídicas, aqueles que apresentam um bom comportamento. Esses poderão gozar de um diferencial no processo de concessão e no custo do crédito. Antigamente, ao avaliar apenas o mau pagador, acabavam-se penalizando também os bons pagadores.

O Cadastro Positivo auxiliará, neste momento, as empresas de crédito e De que maneira essas lições devem o consumidor? contribuir na sua gestão à frente O Cadastro Positivo já é, felizmente, uma realidade no Brasil. É uma legislação relativamente da ACREFI? nova, que vem sendo implantada pouco a pouco,

Quais são seus desafios para os próximos dois anos? Um dos meus maiores desafios é estabelecer uma gestão que dê aos associados de menor porte apoio na interlocução com os reguladores na defesa dos interesses desse grupo. Sem me descuidar dos demais associados, que gozam dos mesmos direitos e têm as mesmas expectativas. O importante é que a ACREFI os represente bem perante os reguladores, o Congresso Nacional, enfim acompanhando toda a vida política e regulatória do País.

Qual será a contribuição do setor de crédito na retomada da economia? O crédito é mola propulsora da economia. Em condições normais, o crédito já é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento da atividade econômica, ainda mais saindo de um processo de paralisação, com uma redução drástica das atividades. Acho que o setor está preparado para isso. Sinto que na ACREFI todos estão ávidos em dar a sua contribuição em favor da retomada da

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"O Cadastro Positivo já é, felizmente, uma realidade no Brasil” Qual é a sua avaliação sobre os avanços que estão sendo implantados no sistema financeiro, como os pagamentos instantâneos e o Open Banking? O Banco Central, desde a gestão anterior, já vem


fazendo grandes transformações no mercado e a atual diretoria, conduzida por Roberto Campos Neto, tem demonstrado claramente a sua disposição em tornar o mercado financeiro brasileiro mais disruptivo. A preocupação que se observa é a de oferecer oportunidade para que as instituições menores ocupem um espaço maior. Ou seja, a concentração bancária, que foi incorrência de muitas crises vividas no passado, hoje é percebida claramente pela sociedade, e o Banco Central encara isso com muita naturalidade. A concentração bancária não foi benéfica. E o BC tem apoiado todas as iniciativas para tornar o mercado financeiro brasileiro mais disruptivo. Um bom exemplo é quando o BC cria a SCD (Sociedade de Crédito Direto) e a SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas), ambas para facilitar o processo de participação das fintechs no mercado nacional.

Foto: Rogério Alexandre

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E o Open Banking e o Pix?

E os eventos digitais vieram para ficar?

São avanços que mostram que o Brasil está anos-luz à frente, por exemplo, do mercado financeiro norte-americano. Desde quando se implantou o novo SPB já foi uma grande demonstração da sua competência, provocando uma revolução no mercado. E agora teremos uma segunda onda, que é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos. O BC aposta no seu sucesso dentro desse processo de inovação.

Os eventos digitais, sem dúvida nenhuma, vieram para ficar. Não serei radical dizendo que não teremos mais eventos presenciais. Eles continuarão existindo, mas verificou-se na prática que o uso das plataformas digitais democratiza a participação, torna o custo bem menor, o que dará chance de acesso há muito mais gente. Fora a possibilidade, em um país continental, de atingir pessoas que estão em regiões afastadas dos grandes centros,

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lavando conhecimento sobre tudo o que acontece nos diferentes mercados.

Como será o trabalho das comissões técnicas da ACREFI? Essa é uma atividade em que os assuntos são tratados por especialistas de diferentes áreas. Antes, era preciso limitar a atuação desses profissionais àqueles que moram em São Paulo, pelo custo do deslocamento. Vou dar um exemplo da Lecca. Para eu descolar um funcionário do Rio para São Paulo com o objetivo de participar de uma reunião de comissão da ACREFI era impraticável. Apenas em raríssimas exceções se justificaria a viagem. Pelo meio digital, essa questão foi resolvida.

Qual será a melhor maneira de se comunicar com os associados da ACREFI? Esse será um dos nossos objetivos principais. Entendo que a gestão de uma entidade de classe deve permanecer sempre muito próxima da base, de cada um dos seus associados, ouvindo e entendendo as suas necessidades, as suas preocupações. Só assim será possível ter uma atuação que traga resultados esperados.

Pode dar um exemplo dessa atuação mais próxima aos associados? O Banco Central liberou recentemente, depois da aprovação de uma legislação pelo Congresso Nacional, que as financeiras passassem a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs). As sociedades de crédito, financiamento e investimento historicamente captavam recursos por meio de letras de câmbio. Depois, anos atrás, por um trabalho árduo da ACREFI, o BC admitiu que as financeiras emitissem RDBs (recibos de depósito bancário). No entanto, faltava às financeiras a possibilidade de emitir CDBs, que, tecnicamente, em nada diferem da letra de câmbio. Eu sempre considerei que seria um marco convencer o BC a mudar esse entendimento. Como diretor da

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ACREFI, anos atrás, levantei a tese, em uma das nossas reuniões de diretoria, de que a associação deveria levantar essa bandeira.

"O BC tem apoiado todas as iniciativas para tornar o mercado financeiro brasileiro mais disruptivo" E quais foram os próximos passos? Naquela época, pedimos um parecer técnico ao Sérgio Odilon, ex-diretor de Normas do BC, que era consultor da ACREFI, e com base nesse documento, fomos a Brasília apresentar a nossa proposta. Esse processo foi longo. Como era preciso mudar a legislação, entregamos ao BC um projeto de lei. Mais recentemente, voltamos a Brasília para defender o nosso ponto de vista em sabatina organizada pelo Congresso. O nosso PL virou uma emenda da medida provisória do agronegócio, tornando-se depois lei a possibilidade de as financeiras emitirem CDBs. Na sequência, o BC regulamentou a iniciativa e a proposta da ACREFI passou a ser realidade. Esse foi um trabalho em que estive envolvido diretamente durante as gestões do Érico Sodré e do Hilgo Gonçalves. É nessa linha que eu pretendo atuar à frente da ACREFI, identificando necessidades e oportunidades, trabalhando em prol do mercado. f


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ENTREVISTA

“O carro-chefe do novo ciclo de crescimento deverá ser o investimento privado” Em entrevista exclusiva à Financeiro, Isaac Sidney Menezes Ferreira, novo presidente da Febraban, avalia que a recente situação não deve ser vista com pessimismo ou desânimo, mas sim como uma oportunidade de retomarmos a agenda de reformas estruturais. Só assim vamos aumentar a produtividade e a eficiência da nossa economia

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Fotos: Divulgação

á quatro meses à frente da presidência da Febraban, Isaac Sidney Menezes Ferreira assumiu a entidade em um dos momentos mais desafiadores para o País, mas que instante algum chegou afetar à sólida estrutura do sistema bancário brasileiro. Nesta entrevista exclusiva à Financeiro, Isaac, como é tratado pelos diretores da ACREFI desde seus tempos de Banco Central, aborda com enorme serenidade e muito equilíbrio os problemas a serem enfrentados pelo governo, pelo sistema financeiro nacional e também pela

sociedade em geral. Suas palavras, porém, trazem um ingrediente importantíssimo para superarmos as inevitáveis dificuldades: otimismo. É dessa forma positiva e lúcida que fala sobre a retomada da expansão econômica. “Não tenho dúvida de que o carro-chefe desse novo ciclo de crescimento deverá ser o investimento privado, local e estrangeiro. E para atrair esses investidores, precisaremos seguir com o ajuste fiscal e melhorar o nosso ambiente de negócios”, analisa Isaac. A respeito do crédito local, acredita que o mercado de capitais será a principal fonte de recursos de longo prazo. “O meu otimismo deve-se ao fato de que poderemos contar com dois grandes aliados. No plano doméstico, com a inflação baixa e ancorada e as taxas de juros em níveis recordes de baixa, teremos uma oportunidade única para atrair os investidores privados para o financiamento de projetos de longo prazo. O segundo aliado está no setor externo, que tem abundância de liquidez e falta de bons projetos e oportunidades”, acrescenta o presidente da Febraban. A seguir, leia sua entrevista completa.

Qual é a percepção dos bancos para o período pós-pandemia?

ISAAC SIDNEY MENEZES FERREIRA Presidente da Febraban

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Passada a pandemia, ou pelo menos a sua fase mais aguda, esperamos que a economia brasileira retorne rapidamente à trilha do ajuste fiscal e das reformas estruturais. Infelizmente,


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famílias, empresas e pincipalmente o setor público sairão mais endividados e fragilizados desta crise. Esta é a realidade de praticamente todos os países e não seremos exceção. Mas não devemos encarar esta situação com pessimismo ou desânimo, mas sim como uma oportunidade de retomarmos a agenda de reformas estruturais. Só assim vamos aumentar a produtividade e a eficiência da nossa economia. Acho até que já podíamos ter retomado essa agenda. Nosso grande desafio é retomar o crescimento econômico, de forma sustentada e com inclusão social.Sairemos da crise com uma relação dívida/PIB pouco abaixo de 100% e, portanto, com um setor público com pouca capacidade de ampliar os seus gastos. É por isso que não tenho dúvida de que o carrochefe desse novo ciclo de crescimento deverá ser o investimento privado, local e estrangeiro. E para atrair estes investidores, precisaremos seguir com o ajuste fiscal e melhorar o nosso ambiente de negócios. Em resumo, na economia póspandemia, que virá, nossos problemas serão praticamente os mesmos e os desafios maiores. Mas agora a urgência é ainda maior.

"Sairemos da crise com uma relação dívida/PIB pouco abaixo de 100% e, portanto, com um setor público com pouca capacidade de ampliar os seus gastos"

Quais são as contribuições esperadas do setor na retomada da economia? O setor bancário, desde o início da pandemia, está contribuindo para a economia brasileira e vai continuar na fase da retomada. Tenho certeza de que, se não fosse pela atuação dos bancos, estaríamos enfrentando uma recessão bem mais profunda e a retomada da economia seria ainda mais difícil. Cito dois exemplos desta atuação proativa do setor bancário: primeiro, conseguimos manter o sistema financeiro e de pagamentos funcionando plenamente, mesmo com a estratégia de distanciamento social que foi implementada em todo o País para conter a pandemia. Isto só foi possível porque temos um dos setores bancários mais modernos e avançados do mundo. As facilidades do acesso remoto, por meio da internet, do mobile banking e dos demais aplicativos estão tão incorporadas no dia a dia da nossa população, que muitos não se dão conta de que há muito trabalho dos bancos e dos bancários por trás de todos estes processos. O segundo exemplo é o crédito. Os números oficiais mostram que houve um crescimento expressivo da oferta de recursos especialmente para as empresas, na faixa de 30%, se comparamos o segundo trimestre deste ano com o ano passado. Já estamos ajudando a evitar que a recessão se aprofunde ainda mais e estamos preparados para seguir contribuindo para a retomada: com mais crédito e mais serviços bancários. A crise também nos trouxe outro desafio, que é o de ampliar e aprofundar o nível de bancarização e de inclusão financeira em nosso país. Este desafio é de toda a sociedade, e não apenas do setor bancário.

O crédito continuará exercendo o seu papel-chave como impulsionador da demanda? Com certeza o crédito é, e será, uma das alavancas do crescimento econômico e terá um papel especialmente importante na retomada da economia. Como mencionei anteriormente, o carro-chefe da retomada será o investimento privado e, se pensarmos em termos setoriais, minhas apostas

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CAPA 16 ENTREVISTA

"Precisamos urgentemente de modernizar o setor público" são a infraestrutura, o agronegócio, a construção civil e o setor exportador. E para financiar essa expansão, teremos que contar com o crédito. No caso do crédito local, o mercado de capitais, como a nossa principal fonte de recursos de longo prazo, terá papel muito especial no financiamento desses investimentos. E meu otimismo deve-se ao fato de que poderemos contar com dois grandes aliados. No plano doméstico, com a inflação baixa e ancorada e as taxas de juros em níveis recordes de baixa, teremos uma oportunidade única para atrair os investidores privados para o financiamento de projetos de longo prazo. O segundo aliado está no setor externo, que tem abundância de liquidez e falta de bons projetos e oportunidades. E o Brasil tem muitas possibilidades. Um exemplo é o saneamento que, a partir da recente aprovação do novo marco legal, vai possibilitar um crescimento expressivo de investimento, combinando rentabilidade e impacto social.

Como deve se comportar a inadimplência? O Cadastro Positivo já deve gerar algum efeito? Infelizmente, a tendência é termos elevação da inadimplência nos próximos meses, tanto no segmento de pessoas físicas como nas operações com as empresas. As projeções de mercado apontam para uma queda do PIB de 6% a 7% em 2020 e neste cenário, mesmo com o esforço dos bancos na renegociação de dívidas, alongamento de prazos e novas concessões, será inevitável um aumento nos níveis de inadimplência. Mas tenho certeza que o setor bancário vai absorver com tranquilidade esta mudança na

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qualidade das suas carteiras de crédito. Primeiro, porque o setor é bastante capitalizado e tem níveis elevados de provisionamento. A propósito, lembro que, já nos balanços do primeiro trimestre deste ano, praticamente todas as instituições financeiras se anteciparam – como recomenda a boa prática bancária, aliás, – e fizeram um reforço importante em seus níveis de provisão. Se consideramos os quatro maiores bancos que operam em nosso mercado, este reforço foi de R$ 11,5 bilhões, um crescimento de 74% em relação ao ano passado. Outro elemento que nos dá tranquilidade é que o ponto de partida, o nível de inadimplência atual, é bastante baixo. Se voltarmos para o mês de março deste ano, que marca o início da pandemia, a taxa de inadimplência para o conjunto das operações de crédito estava em 3,2%. Mesmo que venha a crescer no ritmo das últimas recessões, na faixa de 50% a 60%, não tenho dúvidas de que o setor vai absorver essas perdas com tranquilidade. Acredito que o Cadastro Positivo será fundamental na fase de retomada. A melhoria na qualidade das informações que ele vai trazer ao mercado nos permitirá uma expansão mais acelerada das carteiras de crédito e com maior qualidade e segurança. Cresceremos mais, mais rápido e com maior segurança com o Cadastro Positivo.

Como o sr. avalia o andamento das reformas do governo? Como mencionei antes, acredito e torço muito para que as reformas voltem à agenda do Congresso Nacional. Precisa mesmo ocorrer isso, que é quase que mandatório. A gravidade da pandemia levou o governo a focar temporariamente em outras prioridades, mas estou certo de que a agenda de reformas estruturais continua como prioridade. Foi absolutamente necessário priorizar programas sociais e de concessão de crédito emergencial para pessoas e empresas, como tinha mesmo de fazê-lo. Vejo a reforma administrativa como um complemento necessário para a execução do ajuste fiscal, pois precisamos urgentemente de modernizar o setor público. Pelo que os brasileiros pagam de impostos, acho que todos temos


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direito a um serviço público de melhor qualidade na prestação de serviços à população. Temos de voltar a perseguir uma trajetória de equilíbrio fiscal – não poderemos fugir disso –, precisamos fazer uma reforma tributária profunda. Nosso sistema tributário é caótico e, apesar do grande potencial arrecadador, infelizmente se tornou um entrave para o crescimento econômico, por conta da sua complexidade e de várias distorções. Não conseguiremos elevar a nossa produtividade e voltar a crescer enquanto não atacarmos esses problemas.

Quais foram os aprendizados dos bancos com os desdobramentos da Covid-19? Embora seja cedo para conclusões definitivas, acho que já podemos tirar bons ensinamentos desta crise. O primeiro é o reconhecimento do acerto da decisão que os reguladores mundiais (incluindo os brasileiros) tomaram após a crise financeira de 2008, ao fortalecer a base de capital, de liquidez e operacional dos bancos em praticamente todas as jurisdições. Estamos passando por uma crise desta proporção, e o sistema bancário vem sendo parte da solução e não do problema, fornecendo crédito para as empresas, mantendo o funcionamento do sistema de pagamentos e permitindo que empresas e famílias adotem a política de distanciamento social sem problemas de continuidade em seus negócios e em suas vidas financeiras. A segunda é que a tendência de digitalização e utilização dos meios remotos no setor financeiro deve se acelerar e se aprofundar. O setor financeiro, em especial o brasileiro, sempre esteve na vanguarda da incorporação de tecnologias para melhorar o funcionamento do suas operações e para dar mais conforto a seus clientes. Esta crise mostrou o acerto desta decisão. Acredito que nos próximos anos veremos um aprofundamento desta tendência com mudanças ainda mais intensas no modelo de negócio bancário, em particular na sua interação com os clientes. Em terceiro, temos as questões da sustentabilidade e do meio ambiente, que chegaram ao setor bancário e devem ganhar relevo nos próximos

anos. A sustentabilidade, em suas várias dimensões, será uma variável cada vez mais importante na tomada de decisão dos bancos na concessão de crédito e na alocação dos seus investimentos. Por fim, mas não menos importante, pessoalmente avalio que as questões de educação financeira e de inclusão bancária terão papel crescente em nossa sociedade nos próximos anos. Quando vejo todo este esforço, admirável, que o governo vem fazendo para implementar os programas sociais, penso como teria sido muito mais simples se todas essas pessoas já estivessem bancarizadas. Esta é uma tarefa de todos nós, bancos privados, públicos e os reguladores. Todos nós temos muito a ganhar com esta agenda positiva de educação financeira e de bancarização.

"As questões de educação financeira e de inclusão bancária terão papel crescente em nossa sociedade nos próximos anos" O home office deve mudar também os hábitos na rotina dos bancos, principalmente nas agências? Durante o período de afastamento social, 230 mil bancários estão trabalhando remotamente nas suas casas cuidando da vida financeira de todos nós. Foi uma mudança importante no dia a dia do setor e deverá ter consequências positivas. Acredito que para as áreas administrativas dos bancos, o home office deverá mudar os hábitos da rotina das instituições financeiras, pois se tem mostrado uma ferramenta eficiente na condução diária dos trabalhos.

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ENTREVISTA

Também acredito que deveremos ter, nas áreas administrativas dos bancos, um misto de trabalho presencial e em home office, alternando-se dias no escritório e dias em casa. Com relação às agências, acredito que o home office não se aplicaria da mesma forma que nas áreas administrativas, pois há necessidade de se ter um mínimo da força de trabalho para o atendimento. Entendo que poderá ser mantido o atendimento de forma contingenciada, como feito no decorrer da pandemia.

tende a voltar à normalidade. A ideia é, com o Observatório, mensalmente ouvirmos a sociedade brasileira nos mais variados temas, que são importantes para a população e, portanto, importante para nós. A próxima pesquisa pública será sobre as famílias. Como estão, o que pensam, com o que se preocupam. Dados fundamentais para nós. Por que, repito, não há como atendê-las sem entendê-las.

Se já temos uma tecnologia bancária de ponta, inovadora, moderna, segura e acessível para que as pessoas sequer precisem ir aos bancos, agora os bancos devem se aproximar cada vez mais da sociedade e dos seus clientes. A Febraban entendeu que nesse novo milênio, com as mudanças nas formas de comunicação tradicionais e mesmo entre as pessoas, ela precisa se engajar nesse novo processo. Sabemos que, se não entendemos como é a sociedade atual, não temos como atendê-la de forma eficiente. Simples assim. A Febraban quer se tornar um centro de debates e um polo de notícias e conteúdo. Estamos falando mais à sociedade e sobretudo ouvindo mais a sociedade. Nesse sentido, o novo Febraban News é um instrumento importante para colocarmos nas redes sociais para toda a sociedade debates pertinentes com pessoas do setor e de fora. O Observatório Febraban, feito em parceria com o Ipespe, lançado em junho, veio também para ficar. A primeira pesquisa antecipou tendências de consumo na sociedade no pós-pandemia, que se comprovaram semanas depois. O brasileiro quer consumir mais e tem um grau de otimismo em relação a suas finanças que não havia sido identificado de forma tão clara antes da nossa pesquisa. Mostramos que ele acredita que em até um ano sua vida financeira

desafios enormes para o País, para o sistema bancário brasileiro e para a própria entidade. Em poucas semanas, organizamos, em parceria com o Governo Federal e o Congresso Nacional, ações para garantir um bem-sucedido suprimento de crédito para empresas de todos os tamanhos e para o cidadão brasileiro. E tivemos a satisfação de acompanhar ações importantes, que serão sempre paradigmas para a sociedade. Neste momento tão grave, os bancos brasileiros demonstraram que têm consciência de sua função social, por meio da doação em torno de R$ 1,7 bilhão em ações humanitárias e para infraestrutura hospitalar, além do seu papel clássico com a renegociação de dívidas e a concessão de créditos até junho, num total de R$ 1,2 trilhão, além da redução do spread em 2,2 p.p. nesse período mais agudo da pandemia. Com isso, estamos dando fôlego financeiro necessário para os cidadãos e o setor produtivo passarem esta fase. Nossas ações na Febraban vão continuar nessa direção, ou seja, aproximar ainda mais os bancos da população e da economia real, com cada vez mais transparência, e estimulando o acesso aos serviços bancários. Temos grandes desafios pela frente, mas considero que nos últimos meses tivemos uma demonstração clara da disposição que temos em ajudar. f

Quais são os desafios e planos Há algum tempo, a Febraban tem esperados para a sua gestão à frente trabalhado a sua comunicação no da Febraban? sentido de estar mais próxima do Meus primeiros meses à frente da Febraban, cidadão. Qual seria o patamar ideal de fato, foram particularmente difíceis e muito desafiadores. Assumimos em março, em um dessa relação? momento sem precedentes na história, com

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CADASTRO POSITIVO

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RESULTADOS DE POSITIVOS SCOREPRA DELÁ CRÉDITO Implantação do Cadastro Positivo será instrumento fundamental na retomada dos negócios após a pandemia, além de estimular a inclusão de mais de 20 milhões de pessoas no sistema financeiro

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Cadastro Positivo continua em evidência no mercado financeiro. Para difundir e intensificar as discussões em torno do assunto, a ACREFI e a Serasa Experian realizaram dia 25 de maio um debate nas plataformas digitais sobre o tema. O encontro virtual foi uma maneira encontrada de obedecer às recomendações oficiais de isolamento, sem deixar de lado a continuidade dos negócios. Cada um no seu espaço privado, a reunião contou com a participação de uma seleta equipe de especialistas: Otávio Damaso, diretor de Regulação do Banco Central; Isaac Sidney Menezes Ferreira, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos); Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito); Joaquim Kavakama, superintendente-geral da CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos); Leila Martins, chief data officer da Serasa Experian; Fernando Galbiatti, diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian; e Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI. A mediação do debate foi de Cleber Martins, consultor de Operações da ACREFI.

Como um dos anfitriões de evento, Hilgo saudou os convidados e lembrou que o atual momento é desafiador e que um dos pilares da sua gestão à frente da ACREFI é o apoio incondicional ao Cadastro Positivo. “A ACREFI acredita na sustentabilidade do crédito e do seu papel fundamental neste período de incerteza para a continuidade dos negócios. O Cadastro Positivo traz inúmeros benefícios, principalmente para a base da pirâmide, para os micros e pequenos empresários. Estamos vivendo uma conjuntura muito desafiadora, quando cuidar das pessoas se torna primordial, seguindo as orientações das autoridades de saúde e estimulando as atitudes solidárias”, enfatizou Hilgo. “Além das informações do histórico de crédito, é essencial manter em dia os pagamentos das utilities (energia, água, telefonia, etc.) e do crediário oferecido pelas redes de varejo, uma vez que isso irá compor um banco de dados ainda maior. O Cadastro Positivo não tem contraindicação, pois trará benefícios para todos”, reforça o presidente da ACREFI. Para Otávio Damaso, diretor de Regulação

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CADASTRO POSITIVO

HILGO GONÇALVES Presidente da ACREFI

OTÁVIO DAMASO Diretor de Regulação do Banco Central

ISAAC SIDNEY MENEZES FERREIRA Presidente da Febraban

ELIAS SFEIR Presidente Executivo da ANBC

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do BC, as potenciais beneficiadas do Cadastro Positivo são as micros e pequenas empresas. “São elas que enfrentam os maiores obstáculos para contratar crédito em melhores condições, além da dificuldade em oferecer garantias reais. O Cadastro Positivo pode substituir, em parte, esse problema, com a construção de uma “garantia reputacional” por meio do seu histórico de bom pagador”, explica. “Em países onde o Cadastro Positivo já é tradição, o consumidor acompanha regularmente o seu score e quando detecta que algo prejudica sua pontuação, ele mesmo vai atrás de corrigir o problema. Isso se chama educação financeira”, comentou o diretor do BC. Em seguida, Isaac Sidney, presidente da Febraban, mencionou que estamos envoltos contra uma crise sanitária e econômica. “A economia enfrenta um choque de oferta e de demanda. O mundo, por sua vez, atravessa um período de retração muito forte – e o Brasil não está imune”, alerta. “Os reflexos serão substanciais e as nossas projeções apontam que passaremos por uma das recessões mais severas da história. Os primeiros indicadores, depois do início da crise, mostram que a produção industrial recuou 9%, a venda no varejo diminuiu 13% e houve redução no setor de serviços. É uma queda significativa. Isso nos leva a enxergar a dimensão do problema sob a óptica econômica. Temos pressão no câmbio e no risco Brasil. Ao debatermos o Cadastro Positivo como ferramenta, é uma iniciativa importante para combatermos a inadimplência”, enfatizou Isaac. De acordo com Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC, o Cadastro Positivo opera em mais de 70 países e, nos Estados Unidos o score já existe há mais de 30 anos. “A principal modificação gerada pela Lei Complementar 166/2019 foi a possibilidade de as pessoas físicas e jurídicas serem incluídas nos bancos de dados de Cadastro Positivo sem a necessidade de autorização prévia, podendo, porém, saírem a qualquer momento, caso queiram. Isso pode incluir 22 milhões de pessoas no mercado de crédito. E pode significar uma queda de inadimplência de 45%, beneficiando de maneira significativa micros, pequenas e médias empresas. Essa ferramenta nos dá uma visão mais clara, justa e saudável do histórico de crédito, além


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JOAQUIM KAVAKAMA Superintendente-geral da CIP

LEILA MARTINS Chief data officer da Serasa Experian

FERNANDO GALBIATTI Diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian

CLEBER MARTINS Consultor de Operações da ACREFI

de ajudar na recuperação da economia”, alertou. Joaquim Kavakama, superintendente-geral da CIP, afirmou que a instituição desenvolve, implanta e suporta soluções e serviços para o sistema financeiro, a fim de viabilizar processos e produtos que agreguem valor à sociedade. “Defendemos a implementação do Cadastro Positivo, atuando como hub integrador para os sistemas da operação do cadastro. Ele é indispensável neste momento, em que precisamos olhar para uma recuperação econômica”, classificou. Segundo Leila Martins, chief data officer (CDO) da Serasa Experian, a nova lei proporcionou a inclusão de um volume bastante expressivo de informações, complementando os dados existentes e possibilitando o desenvolvimento de soluções analíticas muito mais precisas. “Isso está conectado com nosso propósito de construir um futuro melhor – de incluir pessoas e empresas no mercado de crédito. Esse é um momento único e especial, cada um trabalhando com um cenário diferente, mas todos com o desafio de preservar negócios sustentáveis e manter empregos – e o Cadastro Positivo possibilita isso”, analisou. Fernando Galbiatti, diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian, afirmou que a aprovação do Cadastro Positivo é uma vitória para a sociedade, uma vez que o score pode fomentar o crédito e prover um crescimento sustentável. “Com a nova lei aprovada pelo Congresso, os gestores de informação terão acesso a um conjunto de dados completamente novos. Isso irá melhorar a capacidade de analisar os consumidores e empresas, sua capacidade e hábitos de pagamento, além de gerar melhores scores. Com isso, as empresas terão mais informações e instrumentos para construir estratégias melhores para consumidores e empresas. Do ponto de vista do desenvolvimento de scores, temos um forte benchmark global dentro da Experian. Em mercados em que os dados positivos já são realidade há mais tempo, por exemplo, a nossa empresa já desenvolveu centenas de scorings e de atributos que complementam a jornada de crédito de empresas e consumidores pelo mundo. Podemos colaborar muito para a expansão e a retomada do mercado de crédito no País, de forma sustentável para consumidores e

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CADASTRO POSITIVO

empresas”, ponderou. Ainda falando sobre os benefícios do Cadastro Positivo, Hilgo Gonçalves enfatizou que teremos a inclusão da população desbancarizada no sistema financeiro, a redução da inadimplência e das taxas de juros, aumento do índice de aprovação e, consequentemente, uma expansão da relação crédito/PIB. Prevemos que haverá crescimento futuro desse indicador. No Chile, por

exemplo, quando implementaram o Cadastro Positivo, essa relação passou a ser superior a 100%. No Brasil, ainda estamos abaixo de 50%. “Estima-se a inclusão de mais de 20 milhões de cidadãos e também de micros, pequenos e médios empresários – considerados grandes geradores de emprego – que serão diretamente beneficiados com o Cadastro Positivo”, finalizou o presidente da ACREFI. f

Considerando a importância do Cadastro Positivo, principalmente durante este momento de pandemia de Covid-19, a ACREFI elaborou, em 28/4/2020, uma comunicação especial endereçada à CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), à ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) e à CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), visando incentivar ações para potencializar ainda mais o Cadastro Positivo.

AÇÃO DE POTENCIALIZAÇÃO DO CADASTRO POSITIVO Em nome da ACREFI, recomendamos avaliar uma ação sobre o CP para este momento. Considerando a pandemia, quando a situação financeira das pessoas e das empresas, em especial as pequenas, serão alteradas substancialmente, e com isso a sua capacidade de cumprir os compromissos financeiros serão prejudicadas. Diante deste cenário, entendemos que o CP será um importante aliado para as pessoas e para as instituições financeiras na melhor avaliação do risco de crédito. Ou seja, uma pessoa que tinha uma boa escoragem de crédito antes, seguramente após passar a pandemia tenderá a ter o mesmo comportamento. Considerando isso, acreditamos se tornar imperativo o uso das informações, que já possuímos do sistema financeiro. Porém, entendemos que deveriam fazer parte do banco de dados as demais informações das utilities, etc. Para isso, seria recomendável uma força tarefa para transformar o CP em um grande aliado neste momento. Vale dizer que tivemos um amplo apoio de todas as entidades mencionadas e que, como consequência, já ocorreram reuniões com as companhias telefônicas e de energia elétrica, sendo que, recentemente, foi celebrada a adesão das operadoras de telecomunicações ao Cadastro Positivo. Com isso, o cliente dos serviços de telecom (celular, internet, telefonia e TV por assinatura) passaram a incluir esses dados em seu histórico do Cadastro Positivo.

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BIBLIOTECA ACREFI

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MARCO NA HISTÓRIA DO CRÉDITO E-book lançado pela ACREFI registra avanços conquistados e outros avanços que virão com a aprovação do Cadastro Positivo

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aprovação da inclusão automática dos dados de pagamentos do cidadão é um marco tão importante para a sociedade que a gestão de Hilgo Gonçalves à frente da ACREFI tornou o tema uma das suas bandeiras durante seus dois mandatos. Foi um movimento tão intenso que seus principais momentos foram registrados no e-book Cadastro Positivo – O Grande Voo do Crédito por meio de declarações de importantes protagonistas. Veja a seguir alguns desses depoimentos. “O Cadastro Positivo permite a inclusão de mais de 20 milhões de cidadãos e muitos micros e pequenos empresários. É estimado que atualmente o mercado de crédito está na ordem de 48%, em relação ao PIB. Esse percentual pode atingir, nos próximos anos, 60% a 70% – evolução que contribuirá para o crescimento econômico do País”. Hilgo Gonçalves – Presidente da ACREFI (2016/2020) “Durante muitos anos tínhamos apenas as informações negativas dos consumidores e com isso era impossível diferenciar os bons dos maus pagadores. Com as informações que começam a ficar disponíveis será possível 'separar o joio do trigo', ou seja, os consumidores que forem apontados no Cadastro Positivo passarão a dispor de mais crédito e, certamente, em condições de juros bem mais favoráveis”. Luis Eduardo da Costa Carvalho – Novo Presidente da ACREFI (2020/2022)

“Uma das principais dificuldades das micro e pequenas empresas para acessar crédito em melhores condições é a dificuldade em oferecer garantias reais. O Cadastro Positivo pode substituir, em parte, esse problema, com a construção de uma ‘garantia reputacional’ por meio do seu histórico de bom pagador”. Otávio Damaso – Diretor de Regulação do Banco Central “A economia enfrenta um choque de oferta e demanda e o mundo irá atravessar uma retração muito forte – e no Brasil não estamos imunes. Isso nos leva a enxergar a dimensão do problema sob a ótica econômica. Temos pressão no câmbio e no risco Brasil. E debater o Cadastro Positivo, como ferramenta, é uma iniciativa importante para combatermos a inadimplência”. Isaac Sidney – Presidente da Febraban Acesse o link e leia o conteúdo completo do e-book: https://bit.ly/2E8QAjo f

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FOCO NAS COMISSÕES

ENERGIA RENOVADA PARA INÍCIO DE UM NOVO CICLO Cleber Martins*

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esta edição, além de comemorar o encerramento de um ciclo vitorioso e de muito trabalho na gestão de Hilgo Gonçalves, inauguramos este espaço para apresentar os principais pontos relacionados ao trabalho das 10 Comissões Técnicas da ACREFI, as quais, segundo o próprio Hilgo, é o “coração da associação”. Agora, na gestão de Luís Eduardo Costa Carvalho (Lecca), o momento é oportuno para desejar sucesso à sua administração. “Reforço, em nome de cerca de 300 colaboradores das associadas, que passam mensalmente pelas reuniões da ACREFI, que os grupos continuarão empenhados em debater as boas práticas, temas que impactam a transformação do setor, normas, legislações e demais pontos que possam subsidiar as decisões da associação, garantindo que a soma de esforços das instituições associadas contribuam para o resultado do grupo e de cada uma delas. Há cerca de 18 meses, quando Hilgo decidiu reforçar a atuação das comissões, aceitei o convite para coordenar os trabalhos pela visão que já tinha como ex-colaborador de associadas e ex-presidente da Comissão de Veículos. Faço este destaque apenas para salientar que o resultado obtido até então é de todos, não de ninguém ou de nenhum fato isolado. Este ponto fica ilustrado pela análise dos indicadores de frequência aos encontros, que cresceram 78% nos primeiros meses de 2020, quando comparado a 2019, que já tinha registrado uma alta de 20%.

Mesmo em trabalho remoto, os grupos permanecem fortes e integrados, sempre recebendo convidados de relevância em suas áreas de atuação para compartilhar conhecimento e práticas de forma próxima. Diversos pontos que foram endereçados aos reguladores, órgãos governamentais e ao legislativo nos últimos meses tiveram subsídios extraídos destes encontros: prorrogação de implantação de normas, ajustes no Fundo Garantidor de Crédito, temas voltados a crédito e cobrança (negativação, NDPGE, inadimplência) e tantos outros, que poderiam render diversas páginas. Outro exemplo de atuação é a Comissão de Pessoas, que discute as medidas sanitárias, médicas e o home office para retomada e continuidade dos trabalhos nos escritórios. Reforço o pedido de contribuição na participação nos encontros para garantir a continuidade nos trabalhos da associação, em patamar cada vez mais elevado. Não poderia deixar de citar os presidentes de cada comissão, que dedicam parte do tempo de sua jornada de trabalho para planejamento e realização das atividades: Agustin Celeiro (GMAC), Bruno Dantas (PAN), Carlos Kiyoshi (BV), Domingos Spina (SINDICREFI), Fábio Rodrigues (Midway), Filipe Pena (Creditas), Kely Mikevis (Losango), Leonardo Bortolini (Agoracred), Paula Gasola (PSA) e Paulo Santana (Losango). Muito obrigado pela dedicação e confiança. Nas próximas edições, trataremos dos principais temas cobertos pelo grupo no último bimestre. Até lá! f

(*) Cleber Martins é consultor de Operações e coordenador das Comissões Técnicas da ACREFI.

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NOVA ERA

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TECNOLOGIA EFICIENTE E INDISPENSÁVEL A combinação da inteligência humana com a inovação da inteligência artificial potencializa os resultados das empresas e favorece a satisfação dos clientes

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inteligência artificial tem despertado a atenção de muita gente, especialmente, nos últimos anos, quando estudos têm avançado e prometem diversos benefícios, com tecnologia de ponta para melhorar a automação e ganhar ainda mais velocidade. Nesse contexto, a ACREFI promoveu, dia 22 de junho, o webinar “Inteligência Humana e Inteligência Artificial – Como potencializar os benefícios de forma sustentável”. O evento contou com as participações de Luis Eduardo da Costa Carvalho, novo presidente da ACREFI; Cauê de Oliveira, diretor de Capacitação do Great Place to Work (GPTW) Brasil; Fernando Manfio, diretor de Desenvolvimento de Negócios da FICO, empresa líder no setor de software analítico; e Percival Lucena, pesquisador do IBM Research Lab Brazil. O mediador do evento digital foi Cleber Martins, consultor de Operações da ACREFI.

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NOVA ERA

Ao abrir o encontro, Luis Eduardo da Costa Carvalho, da ACREFI, falou sobre um tema que já faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, mesmo que seja apenas de maneira teórica ou indutiva. Ele lembrou que desde o filme Metrópolis, obra-prima lançada em 1927 pelo diretor Fritz Lang, a indústria cinematográfica criou inúmeras produções envolvendo robôs, computadores e programas digitais que atuam em favor da humanidade. Carvalho também citou que durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, os cientistas Warren McCulloch e Walter Pitts apresentaram um artigo em que falam pela primeira vez das redes neurais e das estruturas dos raciocínios artificiais. Ou seja, um assunto que há muito tempo faz parte do nosso cotidiano. “Tenho certeza de que proveremos hoje mais um importante debate a respeito de um tema tão instigante”, pontuou o novo presidente da ACREFI. Em seguida, Percival Lucena, da IBM Research Lab Brazil, ressaltou que há inúmeras definições sobre Inteligência Artificial. “Um exemplo, dentro da IBM, é o Watson Assistant, que visa ajudar as empresas a desenvolver suas interfaces personalizadas de voz”, contou. “A IA, quer queira ou não, já está presente entre nós. Se você já falou com algum assistente virtual, esteve conversando com alguns mecanismos

Foto: Rogério Alexandre

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de inteligência artificial, que passaram por um aprendizado de máquina para conseguir dar a resposta mais adequada à sua pergunta”, exemplificou. Outro efeito prático dessa tecnologia aplicada ao nosso dia a dia se dá no reconhecimento de imagens. “Se você já usou o recurso do streetview, do Google, saiba que todo o mapeamento, como são as fachadas e os endereços, nada disso tem interação humana. Tudo é feito por algum algoritmo.” Segundo Lucena, o uso de inteligência artificial em instituições financeiras já acontece de longa data e se tornou grande aliada no combate a fraudes. “Isso evoluiu muito nos últimos anos e usamos o Watson para garantir maior segurança nas transações”. Cauê de Oliveira, do GPTW Brasil, apresentou aos convidados do webinar um panorama sobre a nova era da “touchnologia” e a sua importância aplicada à gestão de excelência das empresas. Para ser mais preciso, citou uma frase de Clay Shirky, consultor dedicado aos efeitos sociais e econômicos das tecnologias digitais: “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas. O executivo disse que na “touchnologia” existe a combinação do melhor da tecnologia aliada também ao que há de melhor do ser humano.

"Um importante debate a respeito de um tema tão instigante" LUIS EDUARDO DA COSTA CARVALHO Novo presidente da ACREFI

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"A IA, quer queira ou não, já está presente entre nós" PERCIVAL LUCENA Pesquisador do IBM Research Lab Brazil

"Precisamos distinguir postura de liderança com uso de tecnologia" CAUÊ DE OLIVEIRA Diretor de Capacitação do Great Place to Work (GPTW) Brasil

"A inteligência artificial sempre existiu, ela está dentro da cabeça do ser humano." FERNANDO MANFIO Diretor de Desenvolvimento de Negócios da FICO

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NOVA ERA

CLEBER MARTINS Consultor de Operações da ACREFI

Trazendo para o contexto da pandemia, Oliveira disse que o atual momento impôs uma nova postura das lideranças: “Acreditamos que os responsáveis pelo comando ou controle estão enfrentando grande dificuldade diante da prática do home office, embora sendo essa uma modalidade de trabalho muito antiga. Precisamos distinguir postura de liderança com uso de tecnologia, relação de confiança, que é o que construirá uma empresa muito melhor no futuro. É um novo momento”, ressaltou o diretor do GPTW. Na sequência, Fernando Manfio, da FICO, abordou o tema eficiência integral, como inovar

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a partir de cada decisão humana. “A inteligência artificial sempre existiu, ela está dentro da cabeça do ser humano. Quem assistiu ao filme Matrix entende o que estamos falando. Coloquei esse conceito na prática, ou seja, construindo modelos estatísticos e preditivos de crédito com base em tecnologia. Em toda a vida, sempre olhamos para confiança a partir do comportamento humano. Essa confusão entre inteligência artificial e humana é forte – quando não ajustada, o que precisamos é estabelecer o equilíbrio entre essas cadeias”, ponderou Manfio. Ao ser questionado por Cleber Martins sobre a habilidade-chave para um profissional de crédito destro desse contexto, o executivo da FICO disse que essa qualidade não é uma escolha das pessoas. Isso porque ela é inata ao ser humano: a criatividade. Só que a maioria deles não a trabalha da melhor maneira possível. “Hoje o mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo revela vulnerabilidade da nossa vida. Isso não é ruim, isso é bacana. Essa é a razão da nossa existência. Estamos vivos porque somos vulneráveis. Isso é belo, é criatividade. Quando você traz as técnicas de autoconhecimento para o mundo dos negócios é possível melhorar o perfil da equipe de trabalho, estimulando a criatividade de cada um”, afirmou. “Outros pontos de atenção são a valorização da intenção, que motiva cada instante da vida, o exercício do livre arbítrio e passar a responder ao mundo de maneira integral", concluiu o diretor da FICO. f


PIX

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TRANSAÇÕES NUM PISCAR DE OLHOS PROGRAMADO PARA ENTRAR EM FUNCIONAMENTO EM NOVEMBRO, NOVO SISTEMA DE PAGAMENTOS E DE TRANSFERÊNCIAS INSTANTÂNEO GARANTE OPERAÇÕES BANCÁRIAS MAIS BARATAS, EFICIENTES, SEGURAS

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ada além de 10 segundos. A partir de novembro, esse será o tempo máximo previsto para efetivação completa das transações financeiras. Estamos falando do PIX, novo sistema instantâneo de pagamentos e transferências que está sendo implementado e coordenado pelo Banco Central. Tudo funcionará em um piscar de olhos, em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana. Para tratar desse novo marco nos meios de pagamento, a ACREFI

promoveu dia 16 de julho um webinar, com a participação dos convidados João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central; Leandro Vilain, diretor de Negócios e Operações da Febraban, e José Arimatea Moreira Jr., CIO (chief information officer) e head de Operações do Banco PAN. Luis Eduardo da Costa Carvalho, novo presidente da ACREFI, foi o anfitrião institucional do evento e Cintia Falcão, consultora

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PIX

Jurídica da associação, atuou como mediadora do debate. Antes de passar a palavra aos convidados, Luis Eduardo agradeceu a participação dos palestrantes e dos mais de 600 inscritos no webinar. “A ACREFI está muito satisfeita em realizar um debate sobre um importante avanço na área de meio de pagamento. É mais um benefício alinhado à agenda e BC# e que, certamente, tornará o mercado financeiro mais competitivo e inclusivo”, destacou o novo presidente da ACREFI, que naquele momento ainda era vice-presidente da entidade. Na sequência, João Manoel Pinho, diretor do BC, explicou de maneira bastante didática o funcionamento do sistema PIX e ressaltou seu papel relevante no dia a dia da economia do País. “Trata-se de algo único, que reúne características, como velocidade, disponibilidade, segurança, conveniência. É uma plataforma com baixo custo e que favorecerá a competição entre as instituições financeiras”, garantiu o executivo. “Em um contexto mais amplo, estamos vivenciando uma revolução digital com o uso de um instrumento de interação de dados por meio de telefonia móvel. Esse é um benefício que gera diversas possibilidades para novos segmentos de negócios e também para sistemas de pagamentos”, acrescentou. Segundo Pinho, o Brasil, comparado com outros países, ainda usa muito papel-moeda, que tem alto custo de produção, de manejo e segurança. “Argumento que em si já justifica o investimento em sistemas de transações eletrônicas”, afirmou. “A plataforma PIX vem para preencher essa lacuna, com velocidade, disponibilidade, segurança, conveniência, multiplicidade em casos de uso, informação agregada e ambiente aberto. A informação do pagamento será feita em até 10 segundos, o recebedor será notificado imediatamente, evitando, por exemplo, que você tenha a luz cortada em uma sexta-feira, por atraso no pagamento”, exemplificou o diretor do BC. Outro benefício importante é que o custo do sistema será relativamente barato, tanto para

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Foto: Rogério Alexandre

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LUIS EDUARDO DA COSTA CARVALHO Novo presidente da ACREFI


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JOÃO MANOEL PINHO DE MELLO

LEANDRO VILAIN

Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central

Diretor de Negócios e Operações da Febraban

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PIX

JOSÉ ARIMATEA MOREIRA JR. CIO (chief information officer) e head de Operações do Banco PAN

comerciantes como para o consumidor. Mais uma vantagem prevista na agenda evolutiva do PIX é a possibilidade de saques em redes de varejo. Na prática, o consumidor abrirá o aplicativo do seu banco e usará um QR Code para identificar o valor gasto com a compra do cashback (dinheiro de volta). Para Leandro Vilain, diretor da Febraban, o PIX deve revolucionar o sistema de pagamentos rápidos. “Se nós olharmos o histórico desse tipo de serviço, sempre existiu a busca por uma operação mais barata e mais eficiente. O avanço da tecnologia permitiu também o uso de câmeras de melhor qualidade nos celulares, de sistemas mais seguros, além da necessidade de tudo ser instantâneo. “E o PIX vem exatamente para isso, trazer instantaneidade às transações financeiras. Se tudo funcionar bem, o pagamento pelo sistema PIX será mais rápido que o consumidor tirar o dinheiro do bolso”, comparou. Vilain alertou, porém, para a necessidade de se-

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CINTIA FALCÃO Consultora Jurídica da ACREFI

guir à risca as normas de segurança previstas na cartilha elaborada pela Febraban. "É importante ficar atento, até porque durante a quarentena as fraudes, envolvendo senhas e dados pessoais, se intensificaram”, lembrou o executivo. “Os fraudadores usaram até o Ministério da Saúde para pedir atualização de dados e cometer novos crimes”, reforça. No caso do PIX, garante que o sistema é seguro e que o combate ao ilícito será permanente. Ao fechar a roda entre os palestrantes convidados pela ACREFI, José Arimatea, do Banco PAN, destacou a representatividade do celular no cotidiano das pessoas, ao lembrar que 66% das aberturas de contas são feitas via mobile banking. Se o sistema de fato conseguir engajar clientes, ampliaremos a tendência de inclusão bancária, com a redução do dinheiro físico”, diz o executivo. “Estamos dando um passo importante para que as transações bancárias se tornem mais ágeis, eficientes e seguras”, completou Arimatea. f


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PAINEL B3

PRIMEIRO SEMESTRE TEM QUEDA DE 20% NOS FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS NA COMPARAÇÃO COM 2019 Junho registra 385,7 mil veículos entre autos leves, motos e caminhões novos e usados vendidos a crédito, menor marca para o mês desde 2016; na comparação com maio de 2020, financiamentos crescem 44%, indicando recuperação As vendas financiadas de veículos em junho de 2020 somaram 385,7 mil unidades, entre novas e usadas, incluindo autos leves, motos e pesados Esse número representa uma queda de -14,7 em relação a junho de 2019 e engloba veículos novos e usados — incluindo motos, autos leves e pesados — em todo o País. Na comparação com maio de 2020, quando foram financiadas 385,7 mil unidades, os dados indicam uma recuperação de 43,9 em junho.

1

268.057 unidades

VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (JUNHO 2020)

452.499 unidades

195.535

385.774

172.831

72.522

mai/19

unidades Novos: 116.314

O acumulado do ano, no entanto, registra 20,2% de queda nas vendas a crédito, com 2,29 milhões de financiamentos no primeiro semestre de 2020 contra 2,87 milhões no mesmo período de 2019. Os números são da B3, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), a maior base privada do País, que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil.

279.668

jun/19 VARIAÇÕES

Usados: 269.460

Novos + usados

Novos

Usados

jun/20 x jun/19 = -14,7% jun/20 x mai/20 = 43,9%

jun/20 x jun/19 = -32,7% jun/20 x mai/20 = 60,4%

jun/20 x jun/19 = -3,7% jun/20 x mai/20 = 37,8%

Entre os automóveis leves, as vendas a crédito de zero-quilômetro atingiram 67,4 mil unidades em junho de 2020, queda de 36,1% sobre junho de 2019; já as vendas financiadas de leves usados registraram queda de 5,2% na mesma base de comparação e somaram 241,6 mil unidades.

2 VOLUME DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS POR CATEGORIA (JUNHO 2020) Novos

Usados

AUTOS LEVES

2020 JUNHO

67.477

241.657

MOTOS

2020 JUNHO

37.124

15.686

PESADOS

2020 JUNHO

11.414

11.443

Novos + usados – 309.134

Novos + usados – 52.810

Novos + usados – 22.857

MAIO

MAIO

MAIO

41.932

173.110

22.792

7.605

9.007

Novos + usados – 215.042

Novos + usados – 35.646

Novos + usados – 16.612

2019

2019

2019

JUNHO

105.660

255.012

JUNHO

55.831

13.062

JUNHO

10.599

10.934

Novos + usados – 360.672

Novos + usados – 68.893

Novos + usados – 21.533

VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

VARIAÇÕES

Novos Jun/20 x Jun/19 = -36,1% Jun/20 x Mai/19 = 60,9% Usados Jun/20 x Jun/19 = -5,2% Jun/20 x Mai/19 = -39,6% Novos + Usados Jun/20 x Jun/19 = -14,3% Jun/20 x Mai/19 = 43,8%

financeiro#120 março-julho 2020

Novos Jun/20 x Jun/19 = -33,5% Jun/20 x Mai/19 = 62,9% Usados Jun/20 x Jun/19 = 20,1% Jun/20 x Mai/19 = 22,0% Novos + Usados Jun/20 x Jun/19 = -23,3% Jun/20 x Mai/19 = 48,2%

Novos Jun/20 x Jun/19 = 7,7% Jun/20 x Mai/19 = 50,1% Usados Jun/20 x Jun/19 = 4,7% Jun/20 x Mai/19 = 27,0% Novos + Usados Jun/20 x Jun/19 = 6,1% Jun/20 x Mai/19 = 37,6%


35

3 MODALIDADES DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS (JUNHO 2020) 0,1

12,5

0,7

Período

CDC

Consórcio

Leasing

Outros

Total

Junho/2020

334.259

48.324

422

2.769

385.774

Junho/2019

390.153

55.632

3.004

3.670

452.499

Maio/2020

231.254

34.368

331

2.104

268.057

*Os dados referem-se a todas as categorias de veículos (autos leves, motos e pesados)

CDC CONSÓRCIO

CDC Jun/20 X Jun/19 = -14,3% Jun/20 X Mai/19 = 44,5 %

LEASING OUTROS

86,6

VARIAÇÕES

Consórcio Jun/20 X Jun/19 = -13,1% Jun/20 X Mai/19 = 40,6%

Leasing Jun/20 X Jun/19 = -86,1% Jun/20 X Mai/19 = 27,5 %

O CDC continua sendo a categoria de financiamento mais utilizada pelos consumidores, com 86,6 de participação. O Consórcio segue com participação estável entre as modalidades de financiamento, com share de 12,5 na preferência dos consumidores em junho.

4 FINANCIAMENTO POR TEMPO DE USO (AUTOS LEVES) — JUNHO 2020 Total Geral

Milhares de unidades

309,1

360,6

JUN/2020

JUN/2019

até 3 anos Seminovos

Novos

de 4 a 8 anos Usados Jovens

108,1 67,5

105,7

JUN/2020 JUN/2019

56,3

de 9 a 11 anos Usados Maduros

132,9 58,5

53,4

JUN/2020 JUN/2019

+12 anos Velhinhos

53,2 18,8

JUN/2020 JUN/2019

JUN/2020 JUN/2019

15,5

JUN/2020 JUN/2019

Em relação à faixa de uso, entre todos os autos leves comercializados a crédito em junho de 2020, 67.477 são zero-quilômetro, 56.309 têm até três anos de uso e 108.064 unidades somam entre quatro e oito anos de uso.

5 PRAZO MÉDIO DE FINANCIAMENTO POR TEMPO DE USO – AUTOS LEVES (MESES) – JUNHO 2020 Novos

até 3 anos

seminovos

até 4 a 8 anos

usados jovens

até 9 a 12 anos

usados maduros +12 anos

velhinhos

Novos

39,5

44,6

44,7

43,2

39,3

Total Geral

42,7

44,0

JUN/2019

JUN/2020

até 3 anos

seminovos

até 4 a 8 anos

usados jovens

até 9 a 12 anos

usados maduros +12 anos

velhinhos

41,5

45,0

45,9

43,9

38,5

O prazo de financiamentos para automóveis leves aumentou em relação a junho de 2019, para 42,7 meses. O maior prazo para crédito foi observado entre os autos usados entre 4 e 8 anos de uso, com 45,9 meses.

financeiro#120 março-julho 2020


36

CULTURA

Olhar diferenciado sobre a pandemia Com depoimentos de ilustres profissionais das áreas de saúde, ciência, esporte, economia, cultura, jornalismo e direito, série documental analisa os feitos gerados pela Covid-19

O

s documentários costumam ser registros divulgados longe do calor dos fatos, com um tempo maior para reflexão daqueles protagonistas convidados a deixar seu depoimento sobre acontecimentos que normalmente abalam a sociedade. Não foi esse o padrão escolhido pelos idealizadores e produtores da série documental "A Tirania da Minúscula Coroa: Covid-19" – Gustavo Girotto (jornalista, assessor da ACREFI e integrante da equipe da Tamer Comunicação), Ricardo Sartori e Juliano Sartori. Tudo foi feito e continua sendo realizado em sintonia com a evolução e os efeitos gerados por essa surpreendente pandemia. Apenas uma orientação foi mantida na organização dos episódios, para melhor entendimento e análise do tema: a categoria dos profissionais reunidos em cada episódio. Até agora, a série já ouviu dezenas de profissionais ligados à saúde, à ciência, ao esporte, à economia, à cultura, ao jornalismo, ao direito, etc. Com tempo de duração de cerca de 50 minutos, os capítulos semanais trazem depoimentos de pessoas ilustres, como os economistas Monica de Bolle, Otaviano Canuto, Roberto Macedo e Nicola Tingas (assessor econômico da ACREFI). Na área do direito, o documentário contou com

financeiro#120 março-julho 2020

a contribuição do ministro do STF Luís Roberto Barroso, do ex-ministro da Justiça Sergio Moro e do jurista Ives Gandra Martins. No setor da cultura, os relatos foram do maestro João Carlos Martins, dos atores e produtores Genézio de Barros, Bárbara Bruno e Odilon Wagner, entre muitos outros. "Criamos um documentário in house – até como desafio pessoal –, respeitando as recomendações exigidas pela quarentena. A construção desse material foi possível graças à doação de tempo de cada um. O nosso principal objetivo é esclarecer e avaliar os impactos sob a ótica desses grandes profissionais. É um trabalho inteiramente voluntário de todos os envolvidos”, reforça Girotto. Sobre o aspecto inovador do projeto, Girotto acredita que essa é uma tendência que veio para ficar, com a criação de canais específicos para divulgação de temas relevantes. “Precisamos aprender, daqui para a frente, a filtrar o que consumir. Sou defensor da imprensa, dos canais sérios de comunicação, que compartilham informação de qualidade. Esse nosso movimento mostra que a credibilidade também pode estar presente nos meios”, garante o idealizador da série documental “A Tirania da Minúscula Coroa: Covid-19". f


PALAVRA FINAL

37

NICOLA TINGAS*

PANDEMIA COVID-19 Incertezas provocadas pelos efeitos na economia X disposição ao risco financeiro O impacto da pandemia Covid-19 tem sido pior que a expectativa inicial de duração previsível (algo como seis meses) e de intensidade limitada. Decorridos quatro meses, ocorreram efeitos intensos, como forte contração do PIB, alto número de contaminados e elevada quantidade de óbitos. Há incertezas sobre quando ocorrerá efetiva redução dos efeitos da pandemia e "normalização" da saúde e da economia. Na saúde ainda há elevado número de contágio e de óbitos no Brasil. Contudo, em algumas cidades e/ou regiões há sinais de que foi atingido o "teto da curva epidemiológica" e há expectativa de queda em breve. Entretanto, em cidades fora das capitais atingidas primeiramente, ainda há ascensão da curva, tornando o cenário brasileiro o segundo pior do mundo. Para mitigar o efeito econômico, como ocorre no mundo, o governo e o Banco Central têm implementado intensas medidas de estímulo

fiscal e monetário. Nestes quatro meses, há crescentes sinais da retomada gradual da atividade econômica. O "Boletim Cielo" relata que desde o início do surto de Covid-19, o índice de faturamento do varejo total no Brasil apresentou queda de 26,9% e a última semana apresentou a menor queda desde a terceira semana de março. O gráfico semanal indica a gradual retomada da economia. O índice desagregado tem três segmentos. O de "bens não duráveis" (farmácias, supermercados, postos de gasolina) teve queda de 1,4%, mas os supermercados tiveram expansão de 15,8%. O de "bens duráveis" (vestuário, móveis e eletros, material de construção) teve queda de 33,8%. O segmento de "serviços" (turismo e transportes, bares e restaurantes, serviços automotivos) teve queda 62,1%. O setor de serviços tem maior número de PMEs e é o que mais emprega. Nele, o quadro de recuperação é bastante desigual.

VAREJO TOTAL 0,0% -10,0% -20,0% -30,0% -40,0% -50,0% -60,0%

financeiro#120 março-julho 2020


38

SERVIÇOS 0,0% -10,0% -20,0% -30,0% -40,0% -50,0% -60,0% -70,0% -80,0% -90,0%

Qual será o patamar de fechamento de empresas e desemprego, entre outubro e dezembro, sem apoio emergencial do governo? Contudo, apesar da incerteza, os mercados de ativos de risco (ações) acumulam valorização expressiva nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países. Os mercados têm precificado os

elevadíssimos estímulos fiscais e monetários da maioria dos países, assumindo expectativa futura de lucros elevados, principalmente de 2021 em diante. Essa disposição de tomada de risco agressiva indica um viés otimista, que tem sido interpretado como possibilidade de formação de uma "bolha de preço de ativos". f

S&P 500 x IBOVESPA - Pontos

120.000

3.400

115.000

3.300

110.000

3.200

105.000

3.100 3.000

100.000

2.900

95.000

2.800

90.000

2.700

85.000

2.600

80.000

2.500

75.000

2.400

Ibovespa (esquerda)

70.000

2.300

S&P 500 (direita)

65.000

2.200

60.000

(*) Nicola Tingas é consultor econômico da ACREFI. Artigo concluído em 15.7.2020.

financeiro#120 março-julho 2020

15/7/20

15/6/20

15/5/20

15/4/20

15/3/20

15/2/20

15/1/20

2.100


Kaike, paciente do GRAACC, com Reynaldo Gianecchini

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1991

1998

Ponto de Criação Foto: Maurício Nahas

SONHAR

39

2013

financeiro#120 março-julho 2020


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