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EDIÇÃO

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MAIO - JUNHO 2018

NÓS ACREDITAMOS NO BRASIL OBSERVAMOS O FUTURO SEM ESQUECER AS IMPORTANTES LIÇÕES DO PASSADO

ENTREVISTA Maurício Costa de Moura Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC Pág. 20

ORIENTAÇÃO FINANCEIRA Equilíbrio do orçamento e uso consciente do dinheiro Pág. 24


2 FINANCEIRO I maio - junho 2018


editorial

Comemorações, desafios enfrentados e crença no futuro

F

oi com grande orgulho e alegria que comemoramos, em 7 de maio, os 60 anos da ACREFI. Tanto no jantar de comemoração, em que contamos com a presença de dezenas de pessoas que ajudaram a fazer essa história de sucesso, quanto na entrevista com jornalistas também alusiva à data, tivemos a oportunidade de rememorar a trajetória de tantos êxitos da nossa associação e, ao mesmo tempo, tratar do futuro promissor que vislumbramos para a entidade. Reconhecemos a importância de nossas associadas, colaboradores, consultores, Banco Central como regulador, associações congêneres, patrocinadores e parceiros institucionais, cujo espírito de colaboração e empenho foram fundamentais para nossa entidade construir sua história. Superamos tantos desafios nestas seis décadas e chegamos aos 60 anos com a sensação do dever cumprido e com muito entusiasmo para seguir em frente, contribuindo para o fortalecimento do sistema financeiro. Vocês poderão ver nesta edição registros do jantar do dia 8 de maio. Da mesma forma, a imprensa deu grande destaque à nossa entidade, lembrando as realizações do período e também nosso olhar em relação ao futuro. A entrevista com a mídia teve como um dos principais destaques nossa enfática defesa do Cadastro Positivo e da Cidadania Financeira, pois acreditamos que para termos um crédito cada vez mais sustentável, o nome do jogo é informação e conhecimento. No dia seguinte quem abriu os jornais ou acessou os portais noticiosos deparou-se com a manchete: “Congresso aprova texto-base do Cadastro Positivo”. Isto confirma que a ACREFI está totalmente alinhada com as prioridades do País. Também me senti honrado com a reeleição para a presidência da ACREFI, na gestão 2018/2020 e por representar os associados numa data tão marcante. Agradeço a todos os diretores da gestão 2016/2018 e ao mesmo tempo agradeço a diretoria que junto comigo tomou posse para os próximos dois

anos. Cresce a nossa responsabilidade de representar uma entidade com uma história tão bem-sucedida. Mas, como sempre foi demonstrado ao longo da história da ACREFI, contamos com pessoas acostumadas a desafios, com competência e disposição de sobra. O ambiente econômico e político continua muito desafiador, porém como temos o hábito de olhar a parte cheia do copo, iremos seguir em frente, com Hilgo Gonçalves os pés no chão. Por outro lado Presidente da ACREFI iremos buscar alternativas de potencializar as oportunidades. Para isto uma das ações será continuar o foco na “sustentabilidade do crédito” e, como bandeira da ACREFI, apoiaremos fortemente as ações da Cidadania Financeira, bem como a aprovação do Cadastro Positivo. O bom uso do dinheiro e o crédito consciente serão importantes protagonistas para o crescimento do Brasil. Somos sabedores dos inúmeros desafios que o nosso país precisa enfrentar, sendo a educação um dos principais, e de outro lado a responsabilidade fiscal, para gerar poupança e desenvolvimento. Diante disto destacamos que é mandatório que o próximo Presidente da República adote como uma das primeiras iniciativas o foco na reforma da Previdência e concentre esforços na reforma tributária, a exemplo do que aconteceu com a reforma trabalhista. Como educação deveria ser uma das principais ações do Governo e nós apoiamos, iremos fazer a nossa parte, incentivando a educação financeira, dentro do guarda-chuva maior da cidadania financeira. Se tivermos propósitos convergentes para o bem do Brasil, em que cada um procure ser protagonista na sua área, seguramente teremos melhores resultados e um futuro mais promissor. Nós acreditamos no Brasil. Boa leitura! f maio - junho 2018 I FINANCEIRO

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B3: o resultado da combinação entre a BM&FBOVESPA e a CETIP. Saiba mais em B3.COM.BR


sumário

EDIÇÃO # 109

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EDITORIAL

ENTREVISTA COLETIVA HILGO GONÇALVES Presidente da ACREFI

ACREFI 60 ANOS Confraternização

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PAINEL B3

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CADASTRO POSITIVO Um passo adiante

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PÁGINAS AZUIS MAURÍCIO COSTA DE MOURA Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do BC

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO Transformação dos negócios

ASSOCIADOS Banco Inter Grupo Zema

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ATUALIZAÇÃO REGULATÓRIA Aplicativo PO27

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PROFISSIONALIZAÇÃO CERTICREFI

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NOVA DIRETORIA ACREFI

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EXPERIÊNCIA DE CONSUMO Fórum SBVC

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ORIENTAÇÃO FINANCEIRA O poder da Educação

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ESPAÇO DO BEM Amor em mechas

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ESTRATÉGIA DE COBRANÇA Plataformas digitais

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CULTURA Farol Santander

ARTIGOS 31 Sergio Vale Economista-chefe da MB Associados

38 Tereza Fernandez Dias da Silva Sócia da MB Associados

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45 José Luiz Homem de Mello I Tiago Severo Gomes e Ana Cristina do Val Fausto Sócio e associados do Pinheiro Neto ADV

49 Nicola Tingas Consultor Econômico da ACREFI


nossosassociados • AGORACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• AVISTA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

• AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

• CARUANA S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO A.J. RENNER S.A.

• CCB BRASIL S.A. – CRÉDITO, FINANCIAMENTOS E INVESTIMENTOS

• BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.

• DACASA FINANCEIRA S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO CBSS S.A.

• ESTRELA MINEIRA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

• BANCO CETELEM S.A. • BANCO CNH INDUSTRIAL CAPITAL S.A. • BANCO CSF S.A. • BANCO DAYCOVAL S.A. • BANCO DO BRASIL S.A. • BANCO FIDIS S.A. • BANCO GMAC S.A. • BANCO HONDA S.A. • BANCO INTER S.A. • BANCO ITAUCARD S.A. • BANCO ITAÚ UNIBANCO S.A. • BANCO JP MORGAN BRASIL S.A.

• FINAMAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • FINANCEIRA ALFA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS

• HS FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS • KREDILIG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • LECCA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. • MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS • MIDWAY S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • NEGRESCO S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS

• BANCO LOSANGO S.A. • BANCO PAN S.A. • BANCO PAULISTA S.A.

• OMNI S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • PORTOCRED S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BANCO PINE S.A. • BANCO PSA FINANCE BRASIL S.A. • BANCO RCI S.A • BANCO RODOBENS S.A. • BANCO SAFRA S.A. • BANCO SEMEAR S.A. • BANCO TOYOTA DO BRASIL S.A. • BANCO TRIÂNGULO S.A. (TRIBANCO) • BANCO VOLKSWAGEN S.A.

• PORTOSEG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SANTANA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SANTINVEST S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SENFF S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO • SICREDI VALE DO PIQUIRI ABCD PR/SP

• BANCO YAMAHA MOTOR DO BRASIL S.A.

• SOCINAL S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• BMW FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

• SOROCRED CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A

• BRB CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

• UNICRED DO BRASIL – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS CENTRAIS UNICREDS

maio - junho 2018 I FINANCEIRO

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expediente

ISSN 1809-8843

Publicação da acrefi - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 - 28°andar São Paulo, SP Tel: (11) 3107-7177 www.acrefi.org.br Diretoria Biênio 2018 / 2020 Presidente Hilgo Gonçalves Vice-presidentes André de Carvalho Novaes Celso Luiz Rocha João Vitor Nazareth Menin Teixeira de Souza Leandro José Diniz Luis Eduardo da Costa Carvalho Rodnei Bernardino Wanderley Vettore Diretores Tesoureiros João dos Santos Caritá Jr. Murilo Silvério Diretores regionais Carlos Alberto Samogim Edson Tadashi Ueda Elias de Souza Giorgio Rodrigo Donini Leonardo Lima Bortolini Marcos Teixeira da Rosa Marcos Westphalen Etchegoyen Nelson Dias de Aguiar Thiago Rodrigues Urbaneja Conselho Deliberativo Álvaro Augusto Vidigal Érico Sodré Quirino Ferreira Hilgo Gonçalves José de Menezes Berenguer Neto Luiz Francisco M. de Barros Roberto Willians Silva Azevedo Rubens Bution Conselho fiscal (Efetivos) Domingos Spina José Tadeu da Silva Ricardo Albuquerque

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Suplentes Alexandre Teixeira José Garcia Neto Ricardo Kaoru Administração/Assessorias Diretor Superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultor Econômico Nicola Tingas Consultora Jurídica Cintia M. Ramos Falcão Consultor de Regulação e Compliance Sergio Odilon dos Anjos Auditoria Megacont Auditoria e Assessoria Contábil Contabilidade Conaupro Consultoria e Contabilidade Ltda. Assessoria de imprensa

Publisher Sergio Tamer Editores Theo Carnier Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Arte Mariela Tiradentes Revisor Vicente dos Anjos Impressão Mundial Gráfica

* As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.


13 22 de novembro de 2018 Das 8h00 Ă s 12h30

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Foto: Marcos Fiore

“UM FINANCIAMENTO BEM PLANEJADO GERA BENEFÍCIO E RENDA PARA O CONSUMIDOR E PARA O PAÍS” Em entrevista coletiva pelos 60 anos da ACREFI, o presidente Hilgo Gonçalves fala sobre os benefícios do Cadastro Positivo, da sustentabilidade do crédito e dos avanços conquistados pelos programas de educação financeira e pela Agenda BC+

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entrevistacoletiva

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ACREFI completa 60 anos e, como é natural para marcar momento, o presidente Hilgo Gonçalves reuniu a imprensa para falar sobre o posicionamento da entidade a respeito de temas que podem contribuir com o reequilíbrio financeiro das famílias e com o desenvolvimento do País. Em sua pauta com os jornalistas, ele abordou assuntos como a sustentabilidade do crédito, o Cadastro Financeiro, a educação financeira, a agenda BC+, além das projeções da economia, relacionadas ao mercado interno e externo. Nesse último ponto tratado no encontro, Hilgo Gonçalves contou com a participação e a colaboração de Nicola Tingas, consultor econômico da ACREFI. “Nós, como entidade, temos o dever de apoiar e debater os temas que orientam o País, levando informação, ouvindo e falando com a sociedade e com os nossos associados. Compartilhamos conhecimento por meio dos nossos diversos canais de comunicação ou dos eventos gratuitos promovidos pela ACREFI. Nesses encontros, debatemos assuntos de interesse do mercado financeiro e da sociedade. Procuramos observar o Brasil sempre pela perspectiva da parte cheia do copo”, destaca Hilgo Gonçalves. A seguir, leia os principais trechos da entrevista coletiva. CADASTRO POSITIVO “O Cadastro Positivo veio para democratizar as informações sobre o comportamento do consumidor. Antes da sua aprovação pela Câmara dos Deputados, apenas 5% das pessoas autorizavam a inclusão dos seus nomes no cadastro. A principal mudança é que todos agora são Cadastro Positivo. Caso não queira expor o seu histórico de bom pagador, basta pedir o cancelamento pelo telefone ou pela internet. Depois da implantação compulsória do Cadastro Positivo, as previsões dizem que sairemos de uma base de cinco milhões de cadastrados para mais de 100 milhões. Isso beneficiará o próprio cidadão, os pequenos empresários e 30% da população que ainda não está incluída no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Os bancos, as financeiras, as fintechs, com mais informações, trabalharão com maior segurança. Isso deve provocar redução substancial da taxa de juros, prazos de financiamentos mais alon-

gados e redução significativa da inadimplência. Em países em que o Cadastro Positivo já é uma realidade, a redução da inadimplência foi de 40%. Lá fora, as pessoas já trabalham pela melhoria do seu score de crédito. Esse score tem valor na negociação com os bancos. Ou seja, quem ganha é o povo, com a competitividade entre os bancos. Com mais dinheiro na mesa, o cidadão, os empresários e o SFN serão beneficiados”. SEGURANÇA DOS DADOS “As informações sobre o perfil de pagamentos do consumidor serão resguardadas com total segurança. Um artigo recente publicado pela Folha de S. Paulo revela que, nos últimos 16 meses, apenas 0,003% das reclamações de cidadãos ao BC foram sobre esse tema, o equivalente a menos de 1 para cada 32.500. Os birôs responsáveis pelo Cadastro Positivo têm responsabilidade com a confidencialidade das informações. Eles disponibilizarão apenas o score de pagamento das pessoas. Esse é um assunto que merece muito cuidado por parte do regulador. O nosso papel é transmitir tranquilidade ao consumidor. O Cadastro Positivo é algo do bem, que veio para democratizar a informação, gerar benefício para as pessoas e maior segurança para o mercado”. SUSTENTABILIDADE DO CRÉDITO “Um dos desafios da ACREFI é estimular a sustentabilidade do crédito. Um financiamento bem planejado gera benefício e renda para o consumidor e para o País. Ele tem o pressuposto de ajudar as pessoas a realizar um sonho, comprar a sua casa própria, o seu carro, reformar a casa, fazer uma viagem... No entanto, esses sonhos precisam ser muito bem esquematizados, feitos de forma responsável e consciente. É o crédito certo para o produto certo. Se aumentarmos a oferta de crédito, a economia gira e teremos, consequentemente, um reflexo positivo no PIB. A medida que se tem a retomada da economia, o crédito, por sua vez, tende a crescer junto. Do lado dos agentes financeiros, existe apetite de operar. Porém, é preciso reconhecer que as pessoas não pegam mais o dinheiro para ver depois no que vai dar. A conscientização do consumidor evoluiu muito”. maio - junho 2018 I FINANCEIRO

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EDUCAÇÃO FINANCEIRA “A educação financeira é uma das principais bandeiras da ACREFI. É uma iniciativa de tal importância que passou a fazer parte da base curricular obrigatória nas escolas. Cabe a mim, como líder, representando a ACREFI, divulgar cada vez mais esse tema e expor seus benefícios para a sociedade. Isso porque uma população mais bem-informada decide melhor. Do nosso lado, estimulamos os associados da ACREFI a cercar o consumidor com o maior número de informações disponíveis. Esse tipo de iniciativa contribui de maneira significativa com a sustentabilidade do crédito”. AGENDA BC+ “É preciso fazer justiça ao que o Banco Central tem feito por meio da Agenda BC+, um marco histórico do Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central. Está muito explícito nos propósitos da Agenda BC+, nós podemos e devemos conversar com o regulador de igual para igual. Tudo isso apoiado nos pilares da Agenda BC+ (Mais Cidadania Financeira, Legislação Mais Moderna, SFN Mais Eficiente e Crédito Mais Barato)”.

POUPANÇA “Temos que aprender a gastar menos do que ganhamos, simples assim. Se você ganha R$ 1.000,00, deve gastar menos do que isso. Se a pessoa faz isso, certamente está contribuindo com o seu bem-estar financeiro e com o desenvolvimento do País. Quando eu falo em poupança, significa reservar para isso parte da minha remuneração. Esso hábito se aprende por meio da educação financeira, que é mais um dos pilares da atual administração da ACREFI”. CENÁRIO ATUAL “A recente crise nos deixou um grande legado para construirmos um Brasil melhor. Por isso, acreditamos em um país ainda mais pujante nos próximos meses e nos próximos anos. A tomada de crédito continuará crescendo por que, apesar da taxa de desemprego ainda muita alta, não se fala mais em grandes demissões. À medida que o consumidor percebe que o seu emprego não corre risco, ele passa a ter mais confiança para buscar crédito consciente. Baseada em dados do mercado, a ACREFI prevê que o PIB, em 2018, crescerá 1,7% e o crédito livre para pessoas físicas ficará próximo de 5%. Já a taxa Selic, deve ficar em 6,5%, a inflação em 4% e taxa de câmbio entre 3,5% e 4,0%, com oscilações”.

CONJUNTURA ECONÔMICA Nicola Tingas, consultor econômico da ACREFI Estamos tendo sucesso com o plano de metas da inflação. Se o próximo governo tiver uma agenda fiscal crível, criaremos condições de trazer a inflação para patamares entre 2% e 3%. Além disso, com o Cadastro Positivo, poderemos alongar o prazo dos financiamentos. O Brasil, fazendo algumas lições de casa, principalmente na área fiscal, tem condições de dar um salto. TAXA DE CÂMBIO Fatores internacionais podem atrapalhar as facilidades que impulsionam os mercados emergentes. A taxa de câmbio, o grande vetor que precifica essa instabilidade, oscila entre 3,5% e 4,0%, mas pode subir até encontrar o seu novo ponto 12 FINANCEIRO I maio - junho 2018

de equilíbrio. A taxa de câmbio é o termômetro que mede a febre dos mercados. É ela que mostra se há algum problema no corpo da economia. TAXA DE JUROS Lá fora, existe alguns vetores que estão se agravando. Isso levou o Fed (banco central norte-americano) a acelerar a taxa de juros, saindo daquela frouxidão monetária, que os banco centrais do mundo estão buscando. Já existem banqueiros no exterior dizendo que, com os problemas geopolíticos, com a guerra de comércio, essa taxa pode chegar a 4%. Isso deve criar problema para o fluxo, principalmente em mercados emergentes, o que pode gerar desvalorização dos ativos e elevação dos juros, em alguns países. f


op in ião atitude conhecimento Há 60 anos, a ACREFI é movida pelos desafios e pela força dos associados. Você faz parte dessa comemoração. maio - junho 2018 I FINANCEIRO 13


“OLHAMOS O FUTURO SEM ESQUECER AS IMPORTANTES LIÇÕES DO PASSADO”

ACREFI COMEMORA 60 ANOS E COMPARTILHA AS CONQUISTAS EM JANTAR QUE REUNIU, EM SÃO PAULO, ASSOCIADOS, DIRETORES, CONSELHEIROS E PARCEIROS. EM SEU DISCURSO, O PRESIDENTE HILGO GONÇALVES DESTACOU O IMPORTANTE PAPEL DA ASSOCIAÇÃO NA DISCUSSÃO PERMANENTE DOS GRANDES TEMAS NACIONAIS

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oucas entidades chegam aos 60 anos sustentando a mesma representatividade, a mesma respeitabilidade e os mesmos propósitos. Esses três fundamentos se mantêm sólidos nessas seis décadas de criação da ACREFI. Para comemorar o êxito alcançado por uma das mais antigas e participativas instituições do setor de crédito, um jantar foi organizado dia 8 de maio, no Clube Alto dos Pinheiros, em São Paulo, que reuniu associados, diretores, conseFotos: Marcos Fiore

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lheiros e parceiros. “Atravessar um período de 60 anos, enfrentando diversas adversidades, só foi possível graças ao debate permanente dos temas de grande interesse para o sistema financeiro e seus participantes. Além disso, contamos sempre com pessoas e entidades cuja competência e disposição foram fundamentais para o sucesso da ACREFI”, enfatizou Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, em seu discurso de agradecimento.


Ele também destacou que uma economia só cresce se tiver no crédito uma de suas principais bases de sustentação. Lembrou, porém, que o crédito precisa ser sustentável e associado ao consumo consciente para que se torne um verdadeiro aliado do crescimento do País. “Vislumbro um futuro promissor para a nossa associação. Devemos sempre privilegiar a sustentabilidade do crédito, com o uso consciente dos recursos pelos tomado-

res e o aumento no número de informações fornecidas ao consumidor pelas instituições financeiras”, acrescentou Hilgo Gonçalves. “A ACREFI sempre atuou com esse objetivo e é assim que vai continuar trabalhando, olhando o futuro sem esquecer as importantes lições do passado. Queremos sempre proximidade com o associado porque sabemos que ela é fundamental para que a entidade cumpra a sua missão”, concluiu.

CONTAMOS COM PESSOAS E ENTIDADES CUJA COMPETÊNCIA E DISPOSIÇÃO FORAM FUNDAMENTAIS PARA O SUCESSO DA ACREFI maio - junho 2018 I FINANCEIRO 15


A PROXIMIDADE COM O ASSOCIADO É FUNDAMENTAL PARA QUE A ACREFI CUMPRA A SUA MISSÃO 1

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AMIGOS DA DEVEMOS SEMPRE PRIVILEGIAR A SUSTENTABILIDADE DO CRÉDITO

1. Lívia Esteves Assan, Domingos Spina e Rosane Peçanha. 2. Leonardo Bortolini e Élcio Azevedo.

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3. Emílio Neto, Agnaldo Prado, Nicola Tingas, Edson Ueda, Hilgo Gonçalves e Pancho.

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4. Celso Rocha, Fernando Coelho, Hilgo Gonçalves, Osmar Roncolato, Gilberto Duarte e Filipe Pontual. 5. Érico Ferreira e Hilgo Gonçalves. 6. Vitor Bonvino, Pancho e Cristiano Dantas.

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7. Manoel Franco, Érico Ferreira e Hilgo Gonçalves. 8. Luís E. R. Lisbôa e Fábio Mentone. 9. Fátima Pereira, Iroilton Medeiros, Patrick Alves, Agnaldo Prado, Hilgo Gonçalves, Marcos Vanderlei e Cristiano Dantas. 10. Ricardo Gelbaum, Rosane Peçanha e Mauro Melo. 11. Fátima Pereira e Carlos Parussolo.

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12. Pancho, Wanderley Vettore e Carlos Marcondes.

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13. Élcio Azevedo, Hilgo Gonçalves e Roberto Azevedo. 14. João Caritá, João Caritá Jr., Thiago Genda e Cleber Martins. 15. José Luiz Rossi, Kelly Massaro e Ruy Shiozawa. 16. Hilgo Gonçalves. 17. Hilgo Gonçalves.

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18. Elcio Azevedo, Andre Jafferian, Roberto Azevedo, Alvir Hoffmann, Ricardo Gelbaum, Leandro Vilain e Cláudio Guimarães. 19. Ronaldo Koerich, Marcos Rosa, Carlos Samogim, Leonardo Bortolini e Thiago Genda. 20. Livia Assan , Hilgo Gonçalves e Cintia Ramos.


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AMIGOS DA

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21. Ronald Nossig, Hilgo Gonçalves e Milton Toledo. 22. Heberson Goes, Shinichiro Hirooka e André Loes. 23. Pancho, Leandro Vilain, Celso Rocha, Paulo Rossi, Flavio Croppo e Carlos Marcondes. 24. Maria Virgínia, Hilgo Gonçalves, Rafael Marcio. 25. João Caritá Jr., Murilo Silvério, José Tadeu, Hilgo Gonçalves, Wanderlei Vettore e Claudio Ferro. 26. Marcos Wanderlei, Hilgo Gonçalves e Cristiano Dantas.


Depoimentos ACREFI 60 anos GILSON FINKELSZTAIN PRESIDENTE DA B3 “A B3 parabeniza a ACREFI pelos seus 60 anos de trabalho. Ao longo desse período, a associação se manteve fiel a seus princípios e objetivos, reunindo as empresas do setor de crédito, fortalecendo as relações entre associados e promovendo iniciativas para que o mercado cresça e continue avançando. Nessa caminhada, a B3 atuou em parceria com a ACREFI, sempre tendo como foco o desenvolvimento dos mercados de financiamentos e de capitais. Sentimos muita honra por sermos um parceiro de confiança e sabemos que nossa causa conjunta é o crescimento do Brasil.”

JOSÉ LUIZ ROSSI PRESIDENTE DA SERASA EXPERIAN E DA EXPERIAN AMÉRICA LATINA “A criação da ACREFI, há 60 anos, foi fundamental para o desenvolvimento do mercado de crédito no Brasil. Nesse período, foram inúmeros os desafios da economia vividos pelo setor, com a certeza de que, nos altos e baixos, a entidade esteve presente e contribuiu para a construção de um sistema financeiro sólido no País. A comemoração da trajetória de sucesso da associação coincide com o ano em que a Serasa Experian completa 50 anos, e os aniversários são celebrados em um momento de otimismo e oportunidades para fazermos história juntos, mais uma vez.”

ÉRICO SODRÉ QUIRINO FERREIRA EX-PRESIDENTE DA ACREFI “A ACREFI, além de ser a primeira associação de classe do mercado financeiro, é das poucas entidades classistas que podem se orgulhar de completar 60 anos de existência. Esses 60 anos foram dedicados a bem servir a seus associados, dando igual atenção tanto às pequenas instituições de crédito, financiamento e investimento quanto aos maiores bancos do País, com total atenção ao consumidor, nosso cliente final.”

MAURO MELO CEO DA CREDILINK “Para nós, da CREDILINK, os 60 anos da ACREFI significa credibilidade e confiança, acoplados a ensinamentos e educação financeira ao nosso mercado. ”

RICARDO MALCON EX-PRESIDENTE DA ACREFI “A ACREFI é o resultado do trabalho associativo dos empreendedores brasileiros. Tivemos no decorrer dos anos, desde a sua criação, pessoas que dedicaram seus esforços para desenvolver esta entidade. O Professor Campiglia foi presidente durante longo período, juntamente com o inesquecível João Borges. Eu poderia citar vários nomes de amigos, ex-presidentes e diretores de SCFI, que se destacaram por suas atividades. E neste ano comemoramos 60 anos. Em memória desses dois presidentes, cumprimento a todos que de alguma maneira contribuem ou contribuíram para o sucesso da nossa ACREFI.” f


ACREDITO QUE O DIÁLOGO CONSTRÓI SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS NOVO DIRETOR DE RELACIONAMENTO INSTITUCIONAL E CIDADANIA DO BC, MAURÍCIO COSTA DE MOURA FALA SOBRE SEUS NOVOS DESAFIOS E DIZ QUE CONTINUARÁ A PROMOVER AÇÕES VOLTADAS À CIDADANIA FINANCEIRA, À REDUÇÃO DO CUSTO DE CRÉDITO E À IMPLEMENTAÇÃO DAS INICIATIVAS DA AGENDA BC+ Foto: Divulgação

Em que outras áreas do BCB o Sr. atuou tração, em que permaneci até abril deste ano, antes de ocupar a Diretoria de Relacio- quando assumi a posição de diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania. namento Institucional e Cidadania?

Atuei na Área de Fiscalização do Banco Central (BC) de 2003 a 2011. Fui inspetor no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) em São Paulo até 2009, quando migrei para o Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (Desig) em Brasília. Em 2011, passei a atuar na Área de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, na posição de chefe de gabinete do diretor. Quatro anos depois, em 2015, aceitei o convite para ser chefe de gabinete do presidente do BC. Mais recentemente, em 2017, juntei-me à Diretoria Colegiada, primeiramente na posição de diretor de Adminis20 FINANCEIRO I maio - junho 2018

O Sr. pretende dar continuidade à linha de atuação de seu antecessor? Por quê? Com toda a certeza. Além de acreditar na continuidade da administração pública, sem posturas personalistas, o fato é que o trabalho do colega Isaac Ferreira, meu antecessor nessa posição, foi memorável. Desde 1992, o BC busca fomentar debates com os principais atores envolvidos nos temas da inclusão e educação financeiras. Em 2015, quando a promoção da cidadania financeira foi elevada à condição de


páginasazuis objetivo estratégico, incorporando também a proteção ao consumidor de serviços financeiros, a alta administração dava um sinal claro: cidadania financeira contribui para a missão do BC, e toda a Instituição deve estar comprometida com o seu alcance. Exemplo é que, em 2016, a Agenda BC+, com seus quatro pilares – sendo um deles o pilar “Mais Cidadania Financeira” – trouxe endosso adicional à relevância do tema para a Instituição e, assim, para a economia e a sociedade. A relevância do tema dentro do BC, com a decorrente implementação de diferentes ações e iniciativas, é resultado do trabalho árduo de muitas pessoas que vêm se dedicando, ao longo do tempo, para desenvolver ações de fortalecimento e de promoção da cidadania financeira. Não apenas meu antecessor, mas muitos outros atores contribuíram para essas conquistas. Além da cidadania financeira, deveremos continuar avançando por outros caminhos já pavimentados. De forma a promover as mudanças estruturais necessárias à redução do custo de crédito e da implementação das diversas ações da Agenda BC+, é necessária articulação frequente com outros atores. Acredito que o diálogo constrói soluções sustentáveis, e pretendo continuar investindo nesse caminho.

Quais serão seus principais focos à frente da Diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania? Os nossos principais focos estão definidos na Agenda BC+, uma agenda de trabalho que tem como objetivo revisar questões estruturais do BC e do SFN, gerando benefícios sustentáveis para a sociedade brasileira. Mais especificamente para o pilar temático “Mais Cidadania Financeira”, que está diretamente relacionado à diretoria pela qual sou responsável, as nossas ações tem como foco aumentar o nível de educação financeira do brasileiro; ampliar a inclusão financeira da população; proporcionar maior proteção ao cidadão consumidor de produtos e de serviços financeiros; aprimorar o atendimento ao cidadão; melhorar a comunicação e a transparência entre as instituições financeiras e seus clientes; e mensurar o impacto das ações do BC, sob a perspectiva da cidada-

nia financeira. Nesse sentido, temos avançado na definição do próprio conceito de cidadania financeira, de forma a incorporar a medição de sua evolução e direcionar esforços para as iniciativas que tenham maior impacto para a sociedade.

Na sua avaliação, em que estágio está a cidadania financeira no Brasil atualmente? Penso que houve importantes avanços nos últimos anos. A Constituição de 1988 consagra dois importantes elementos para a cidadania financeira. Um deles é a função social do Sistema Financeiro Nacional (SFN), ao expressar que ele deve ser estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade. Outro é a proteção ao consumidor como direito fundamental e princípio da ordem econômica, abrindo espaço para uma série de regulamentações e iniciativas focadas na proteção aos consumidores, incluindo os de serviços financeiros. A consolidação desses parâmetros, junto com maior estabilidade financeira e macroeconômica, a partir da década de 1990, permitiu um avanço importante em todos os aspectos da cidadania financeira. Esse processo foi reforçado com as iniciativas próprias do BC para fortalecer a cidadania financeira desenvolvidas ao longo do tempo. No âmbito da educação financeira, especialmente a partir da crise financeira mundial de 2008, diversos atores públicos e privados no Brasil passaram a se reunir e organizar uma estratégia para avanço do assunto no País. Em 2010, participamos da criação da Estratégia Nacional

"Além da cidadania financeira, deveremos continuar avançando por outros caminhos já pavimentados"

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páginasazuis de Educação Financeira (ENEF). Com a ENEF, a educação financeira e previdenciária passou a ser uma política de Estado, de caráter permanente, envolvendo instituições públicas e privadas, de âmbito federal, estadual e municipal. Desde 2014 a ENEF promove anualmente a Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF). Neste ano, foram realizados mais de 5.300 eventos distribuídos em todo o território nacional, sendo que somente o Banco Central e seus parceiros foram responsáveis por quase 3.700 eventos. Vale também destacar a atuação da ENEF na recente implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com a inclusão do tema educação financeira no currículo de nossos alunos. Com relação à inclusão financeira, vale mencionar que, em dezembro de 2017, aproximadamente 140 milhões de adultos estavam bancarizados, representando 87% da população adulta, contra 60,8% em 2005. Nessa última década ainda houve evolução considerável do número de pontos de atendimento bancário no País, chegando atualmente à totalidade dos 5.570 municípios brasileiros.

Como o Sr. acha que a cidadania financeira vai avançar no Brasil nos próximos anos?

Acredito que os avanços tecnológicos terão papel fundamental nos próximos anos, especialmente para a inclusão financeira, permitindo ao consumidor acesso a serviços e a produtos financeiros desenhados de forma a atender melhor às suas necessidades e a um custo mais baixo. Nesse sentido, o BC vem desenvolvendo um diálogo com a sociedade, de forma a permitir que as chamadas fintechs encontrem um ambiente regulatório amigável, mas ao mesmo tempo preserve a estabilidade do SFN e reduza os riscos para os usuários destes produtos e para as empresas. Vejo também um grande potencial para o uso de tecnologia para avançarmos na educação e na proteção financeira do cidadão. Por exemplo, em breve será lançado um concurso de aplicativos promovido pelo BC e parceiros que visa fomentar o desenvolvimento de soluções sobre a base de dados abertos, disponibilizada em nosso site. Ademais, sabe22 FINANCEIRO I maio - junho 2018

mos que o caminho da cidadania financeira não é trilhado sozinho. O estabelecimento de parcerias é essencial para a compreensão integral do ambiente, para a cobertura de um território de proporções continentais e para o desenvolvimento de conteúdos e estratégias que levem em conta as diversas nuances dos três pilares da cidadania financeira. Para avançar na cidadania financeira, o BC buscará cada vez mais engajar atores estratégicos, fomentar debates, estimular mudanças e desenhar ações em conjunto com a sociedade. Inclusive temos um relacionamento próximo com a ACREFI e participamos de diversos eventos promovidos pela Associação, a exemplo do Fórum de Cidadania Financeira, promovido anualmente com o objetivo de discutir esse tema com toda a sociedade. Buscamos também envolver cada vez mais o cidadão nesse processo. Desde a criação da Área de Relacionamento Institucional e Cidadania, ações e iniciativas para atender o cidadão têm sido aprimoradas. Um exemplo prático disso foi o desenvolvimento do aplicativo BC+ Perto, a disponibilização de dados abertos e a própria instituição e aprimoramento da Ouvidoria do BC. Esse relacionamento inclui não apenas escutar o cidadão, suas reclamações e percepções sobre o sistema financeiro, mas também oferecer a ele serviços que o ajudem na tarefa de melhor relacionar-se com as instituições que compõem o SFN. Por fim, um ambiente de estabilidade financeira e inflação controlada fazem parte de um cenário necessário para o avanço sustentável da cidadania financeira. O contexto de se ter agentes econômicos que tenham confiança no sistema financeiro e na autoridade monetária facilita a tarefa de avançar nas diversas dimensões de cidadania financeira. É por isso que os objetivos da autoridade monetária de manter o poder de compra da moeda e a estabilidade do sistema financeiro são pressupostos básicos para que as iniciativas voltadas para inclusão financeira, educação financeira e proteção do consumidor de serviços e produtos financeiros sejam alcançadas. f Mais informações podem ser encontradas no portal: www.cidadaniafinanceira.gov.br


NOVA DIRETORIA

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s associados da ACREFI escolheram, em votação realizada dia 28 de abril, a nova Diretoria da entidade. Hilgo Gonçalves foi reeleito presidente da entidade para o período 2018/2020 e a composição da nova Diretoria está na página 8 desta edição. A eleição aconteceu dias antes da comemoração dos 60 anos da ACREFI e os diretores terão nessa gestão mais um período de desafios, como tem acontecido ao longo da história da entidade. Segundo Hilgo Gonçalves, essa perspectiva não assusta – ao contrário redobra o ânimo dos diretores para manter a trajetória de seis décadas de vitórias da associação, que sempre esteve empenhada em cumprir sua missão apesar dos cenários de incertezas com que conviveu. Depois de eleita, a nova Diretoria definiu as ações planejadas para os próximos dois anos, que são:

• PROXIMIDADE COM ASSOCIADOS • SUSTENTABILIDADE DO CRÉDITO • CADASTRO POSITIVO • EXPERIÊNCIA DOS CLIENTES • CLIMA ORGANIZACIONAL • INOVAÇÃO E TECNOLOGIA • COMUNICAÇÃO TRANSPARENTE • GOVERNANÇA • RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA • RELACIONAMENTO PRÓXIMO COM ÓRGÃOS REGULADORES E ASSOCIAÇÕES CONGÊNERES

PRESIDENTE Hilgo Gonçalves VICE-PRESIDENTES André de Carvalho Novaes Celso Luiz Rocha João Vitor Nazareth Teixeira de Souza Leandro José Diniz Luis Eduardo da Costa Carvalho Rodnei Bernardino Wanderley Vettore DIRETORES TESOUREIROS João dos Santos Caritá Jr. Murilo Silvério DIRETORES REGIONAIS Carlos Alberto Samogim Edson Tadashi Ueda Elias de Souza Giorgio Rodrigo Donini Leonardo Lima Bortolini Marcos Teixeira da Rosa Marcos Westphalen Etchegoyen Nelson Dias de Aguiar Thiago Rodrigues Urbaneja CONSELHO DELIBERATIVO Álvaro Augusto Vidigal Érico Sodré Quirino Ferreira Hilgo Gonçalves José de Menezes Berenguer Neto Luiz Francisco M. de Barros Roberto Willians Silva Azevedo Rubens Bution CONSELHO FISCAL Efetivos Domingos Spina José Tadeu da Silva Ricardo Albuquerque SUPLENTES Alexandre Teixeira José Garcia Neto Ricardo Kaoru

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O PODER DA EDUCAÇÃO SEMINÁRIO SOBRE ORIENTAÇÃO FINANCEIRA PROMOVIDO PELA ACREFI REFORÇA A TESE DE QUE A DIFUSÃO DO CONHECIMENTO É UM DOS INSTRUMENTOS MAIS EFICIENTES PARA SE ATINGIR O USO CONSCIENTE DO DINHEIRO E O EQUILÍBRIO FINANCEIRO DAS FAMÍLIAS Fotos: Depositphotos

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orientaçãofinanceira fazer de diferente para atingir resultados mais satisfatórios? “Você precisa estabelecer o equilíbrio, um modelo que leve em conta o ter, o ser e as suas esperadas realizações”, recomenda o conselheiro parceiro da Cassiopae. “Além disso, a sua boa relação com o dinheiro, pautada em um consumo consciente, é também um antídoto eficaz na eliminação de conflitos”, Gisele de Andrade aconselha o educador Planejadora financeira financeiro. certificada pela Planejar Na mesma linha de pensamento de Valentim, Gisele Andrade, da Planejar, reforçou que o dinheiro permite que você sonhe e realize sonhos, mas tudo isso deve ser precedido de algo fundamental: o planejamento dos recursos. E esse planejamento as pessoas devem começar cada vez mais jovens. “Isso por que com a expectativa de vida dos brasileiros próxima dos 80 anos de idade, precisamos poupar e acumular recursos para nos sustentar por pelos menos 30 anos”, sugere a especialista em finanças pessoais. É preciso não esquecer também de organizar um plano B de vida, principalmente depois dos 40 anos de idade, quando as novas oportunidades de trabalha se tornam cada vez mais escassas. A sua tranquilidade no futuro depende de fazer, desde já, boas escolhas, planejar seu orçamento, consumir de forma consciente, pensar em longo prazo e criar uma boa reserva financeira. “O planejamento é só um trilho, escolha o trem que irá transportá-lo durante a vida. Procure conhecer melhor as características da sua personalidade e ten-

Fotos: Marcos Fiore

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ducação financeira é um assunto que deve se tratado todos os dias. Na sequência da Semana ENEF 2018, liderada pelo Banco Central, a ACREFI promoveu dia 24 de maio, no Renaissance São Paulo Hotel, o seminário Orientação Financeira — A Importância do Uso Inteligente do Dinheiro. Patrocinado por B3, Credilink e Serasa Experian, o evento reuniu os palestrantes Luiz Valentim, educador financeiro e conselheiro parceiro da Cassiopae; Gisele Colombo de Andrade, planejadora financeira certificada pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros; e o anfitrião do evento, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI. Logo no início do seminário, Luiz Valentim trouxe para a reflexão dos convidados uma frase de T. Harv Eker, autor do livro Os Segredos da Mente Milionária: “A maioria das pessoas associa o dinheiro a prazer imediato. Para mim, ele deve ser acumulado para proporcionar liberdade”. Ele compartilha do conceito difundido por Hilgo Gonçalves de que o dinheiro deve ser consumido de forma consciente, gerenciando-se os recursos, evitando-se o supérfluo, reduzindo-se o desperdício e poupando sempre. “É preciso fazer escolhas, estabelecer prioridades, planejar os investimentos e avaliar os resultados”, ensina Valentim. Porém, é preciso sempre reavaliar se Hilgo Gonçalves escolhas feitas esPresidente da ACREFI tão nos levando ao caminho esperado. O que eu poderia

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orientaçãofinanceira te direcionar o seu futuro no caminho do equilíbrio e da tranquilidade”, incentiva Gisele. Como anfitrião do evento, Hilgo Gonçalves foi o terceiro palestrante dessa jornada de conhecimento promovida pela ACREFI. Ele lembrou que a cidadania financeira é uma das bandeiras da sua gestão Luiz Valentim à frente da associaConselheiro parceiro ção, pois ela aumenda Cassiopae ta a inclusão social e contribui de forma expressiva com o desenvolvimento do País. “A difusão de conhecimento sobre educação financeira, entre outros benefícios, protege o consumidor, reduz as despesas e a ainda aumenta a eficiência do sistema financeiro”, afirma o presidente da ACREFI. Para ilustrar a sua apresentação, Gonçalves trouxe para os convidados do seminário dados sobre um estudo realizado pelo IBOPE, em parceria com a Serasa Experian,

que revela que apenas 30% dos brasileiros têm o hábito de poupar. O cartão de crédito e os carnês ainda são os produtos financeiros mais utilizados e que 56% dos entrevistados não fazem orçamento familiar. Além disso, a pesquisa CNC (Consumidor da Confederação Nacional do Comércio) apontou, em março deste ano, que 60% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida. “São números e informações que só aumentam a nossa responsabilidade para tentar reverter essa situação o mais rápido possível”, convoca a todos o presidente da ACREFI. No entanto, Hilgo fez questão de exaltar o papel preponderante do Banco Central nessa tarefa nacional de difundir conhecimento sobre educação financeira por meio das ações da Agenda BC+ e da Semana ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira). Lembrou as contribuições à causa por parte da CVM, Previc, Susep, B3, Ambima, CNseg, Febraban, Sebrae, dos Ministérios da Fazenda e da Educação, como também da própria ACREFI. “Se cada um de nós fizer a sua parte, em pouco tempo, teremos uma população mais bem-informada, capaz de gerar suas finanças de forma mais consciente e equilibrada”, finalizou Gonçalves. f

Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), Luiz Valentim, Christiane Pelajo, Gisele de Andrade e Hilgo Gonçalves

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Fotos: Marcos Fiore

MUITO ALÉM DAS PLATAFORMAS

DIGITAIS

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estratégiadecobrança

AO TENTAR REDUZIR A INADIMPLÊNCIA, AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS CRIAM PONTOS DE CONTATO ON-LINE COM OS CLIENTES, BUSCAM RESTABELECER UMA RELAÇÃO DE CONFIANÇA E OFERECEM SOLUÇÕES PERSONALIZADAS

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om mais de 60 milhões de brasileiros inadimplentes e cinco milhões de pessoas jurídicas na mesma situação, o mercado financeiro se mantém atento a soluções eficientes de cobrança. Para compartilhar conhecimento sobre esse tema fundamental para a estabilidade das empresas financeiras, a ACREFI e a Serasa Experian realizaram, dia 22 de março, no Renaissance São Paulo Hotel, o seminário Cobrança Digital – Visão sobre o Momento Atual e Futuro. Na linha de frente dos debates: André Luiz Calabró, diretor de Crédito e Cobrança do Banco Pan; e Phelipe Alvarez, diretor Comercial e de Marketing do Grupo Intervalor, assessoria especializada em cobrança digital. Antes de passar a palavra aos palestrantes, Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), superintendente da ACREFI, e Paulo Melo, diretor de Relações Institucionais da Serasa Experian, saudaram os convidados e ressaltaram a importância da educação financeira na recuperação do crédito das famílias, lembraram ainda que a ACREFI e a Serasa há 18 anos trabalham pela efetivação do Cadastro Positivo, como um grande aliado para quem busca uma avaliação mais justa na hora de contratar um financiamento, com a possibilidade de conquistar melhores taxas e condições de pagamento. CLIENTE PROTAGONISTA Antes de avançar no tema da cobrança digital, André Calabró lembrou que interação on-line com o cliente vai muito além de uma boa plataforma digital. “É preciso ter um time treinado para tornar o cliente protagonista do processo. Isso implica em ter uma

equipe capaz de entender o negócio e as necessidades do cliente, ouvindo, gerando ideias e oferecendo soluções personalizadas”, explicou Calabró. Segundo o executivo do Banco Pan, a cobrança passou a ser mais um produto a ser gerido pelas instituições financeiras. Ele avalia que a cobrança pode ser considerada até uma nova venda, capaz de devolver ao cliente sua saúde financeira. “É preciso estender a mão para que ele volte ao mercado e consiga tomar um novo crédito”, diz ele. No entanto, essa é uma jornada que não tem fim. “Por mais que se faça, permanece a sensação de frustração, pois nunca conseguiremos estar em plena sintonia com as exigências e as expectativas do consumidor”, afirma Calabró.

André Luiz Calabró Diretor de Crédito e Cobrança do Banco Pan

PONTOS DE CONTATO Outro desafio é transformar os dados gerados em ações estratégicas e eficienPhelipe Alvarez Diretor Comercial tes. A partir das informações e de Marketing do fornecidas pelo próprio Grupo Intervalor cliente é possível diversificar e criar novas ofertas. Além disso, segundo Calabró, é preciso estabelecer diversos pontos de contato com os clientes. Em todos eles, porém, é necessário manter o mesmo padrão de excelência no atendimento. maio - junho 2018 I FINANCEIRO 29


estratégiadecobrança em busca do consumidor inadimplente: localizar os devedores (68% deles têm celulares pré-pagos ou usam aplicativos para bloqueio de chamada); despertar o interesse para quitar o débito (36% dos devedores desconhecem o valor das dívidas); adequar a oferta (25% dos endividados pertencem à classe alta, 40% têm ensino superior e 10% são pós-graduados); e manter o relacionamento (60% dos consumidores voltam a ter o nome negativado em até um ano). “São informações importantes que nos ajudam a produzir campanhas criativas e soluções que efetivamente sensibilizem o cliente inadimplente”, lembra o diretor do Grupo Intervalor. Dentro do universo digital, as possibilidades são múltiplas, mas, para encontrar o ponto de contato ideal e soluções eficientes, as instituições financeiras precisam investir em inteligência estratégica e em recursos personalizados. f

Do ponto de vista das assessorias de gestão de cobrança, Phelipe Alvarez reforçou que os clientes já estão conectados nas plataformas digitais. Isso favorece as negociações, pois os canais proporcionam, segundo pesquisa de mercado, entre outros atrativos, praticidade (59,2%), discrição (24,5%) e horários flexíveis (15,2%). Os estudos mostram também que os principais meios digitais de negociação são os portais de autonegociação (48,7%), o WhatsApp (48,2%), o chat (36,3%), o e-mail (26,9%), o agente virtual (22,4%), o SMS (14,1%) e o Facebook/Messenger (8%). DESAFIOS Ainda no campo da estatística, Alvarez aponta outros desafios a serem superados

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artigo Sergio Vale*

Foto: Divulgação

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CRESCER SEM REFORMAS PROFUNDAS? SEM CHANCE

economia brasileira vem patinando desde o início do ano e surge a dúvida de por que tal fraqueza está acontecendo. A razão mais provável, e que nos serve de alerta para a frente, é que o País perdeu o ímpeto reformista em maio de 2017, depois da crise que abateu o Presidente Temer. Até ali, havia espaço para aprovação de reformas importantes como a da previdência e o Cadastro Positivo. A conjunção de estabilidade política com continuidade de reformas teria o efeito de manter as expectativas elevadas, especialmente para o investimento. E a aprovação de reformas importantes como o cadastro positivo teria o efeito de queda de spread de juros, altamente benéfico para estimular o consumo este ano. Essa estabilidade política provavelmente ajudaria na convergência de um centro democrático formado e menos fragmentado como temos hoje. Em outras palavras, Temer e o MDB seriam bem menos tóxicos do que são hoje. Parte da forte pressão cambial que estamos vivendo decorre dessa sensação de paralisação que nos acomete desde maio de 2017. A não continuidade das reformas em conjunção com uma eleição inédita em termos de incerteza abre espaço para o mercado se preocupar com o regime fiscal ainda incompleto. A reforma mais importante de todas, a da previdência, ficou para 2019 e dada a fraqueza política da maioria dos candidatos que temos hoje fica a dúvida sobre a capacidade dessa aprovação. A grande dificuldade é que depois da quase depressão que nos abateu entre 2014 e 2016, as grandes reformas ficaram mais do que evidentes. Não há muita margem para pequenas manobras de política econômica. A necessidade de grandes mudanças em um mundo que avança a passos largos na indústria 4.0 nos coloca à margem do processo de desenvolvimento se não avançarmos não apenas na previdência, mas ainda nas reformas tributária e comercial, com maior abertura da economia. É imperativo que o próximo Presidente entre com essas três linhas de frente de modernização. Se não, continuaremos emperrados no trágico passado recente que parece insistir em voltar. f

(*) Sergio Vale é economista-chefe da MB Associados. Artigo enviado em 18.5.2018

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Desafio na transformação dos negócios Fotos: Marcos Fiore

SEMINÁRIO DA ACREFI MOSTRA COMO A TECNOLOGIA E A INOVAÇÃO LEVAM A B3 E O BANCO CENTRAL A BUSCAREM NOVOS CAMINHOS, SEM PERDER DE VISTA A TRILHA DA RESPONSABILIDADE 32 FINANCEIRO I maio - junho 2018


tecnologiaeinovação

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evolução da tecnologia é um processo cada vez mais rápido. Em prazos cada vez mais curtos, o mundo dos negócios precisa investir e rever estruturas. Para contribuir com essa urgência corporativa, a ACREFI realizou, dia 17 de abril, no Renaissance São Paulo Hotel, o seminário Inovação e Tecnologia na Evolução dos Negócios. Mediado pela jornalista Christiane Pelajo, o encontro trouxe os palestrantes Rodrigo Fernandes Pereira, superintendente de Novos Negócios e Inovação da B3, e Ricardo Terranova Favalli, coordenador da equipe de Fiscalização de Instituições de Pagamento, do Banco Rodrigo Fernandes Pereira Central. Superintendente de Novos Antes de iniciar Negócios e Inovação da B3 as apresentações, Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), além agradecer a presença dos convidados e do público e também o apoio dos patrocinadores B3, CNseg, Credilink e Serasa Experian, fez questão de compartilhar com todos a notícia da nomeação de Carolina Barros, interlocutora constante da ACREFI no Banco Central, para a diretoria de Administração do BC. “Desejamos a ela felicidades e êxito em seus novos desafios”, afirmou Pancho. Passada a palavra aos palestrantes, Rodrigo Fernandes Pereira, da B3, logo no começo da sua exposição, disse que a “a tecnologia não é mais uma barreira para ninguém. E que ela pode ser absor-

vida em qualquer lugar do mundo”. Diante desse cenário mais recente, o Foresse foi lançado há pouco mais de um ano e reúne o que existia de melhor na Cetip e na Bovespa – empresas que deram origem à B3. A ações da B3 são direcionadas à inovação das instituições e de seus colaboradores, apoiadas em três pilares: desenvolvimento do mercado baseado em parcerias, difusão do conhecimento e em geração de novas oportunidades. “Como posso me aproximar de uma empresa? Em que estágio de desenvolvimento ela está? Como atingir seu potencial máximo? São perguntas que fazemos o tempo todo”, explica Pereira. “E acreditamos que as respostas podem estar nos próprios funcionários, os verdadeiros agentes da transformação.” Um exemplo disso é a parceria que a B3 fez com o Cubo, centro de empreendedorismo tecnológico do Itaú, para inserir funcionários com o objetivo interagir e explorar o universo das fintechs. Outra parceria do Foresse foi com a UP Innovation Lab, iniciativa da Accenture, que reúne startups que já têm seu produto validado e estão atrás de uma chance para apresentar a sua solução e trabalhar com as maiores empresas do País. Esses são dois de alguns movimentos de integração e de interação da B3 diante dos avanços tecnológicos que impulsionam os mercados.

Ricardo Terranova Favalli Coordenador da equipe de Fiscalização de Instituições de Pagamento do BC


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Debate mediado pela jornalista Christiane Pelajo com Rodrigo Fernandes Pereira e Ricardo Terranova Favalli C

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Esse ambiente de inovação também mexe e instiga o Banco Central. Haja vista que há três anos a instituição reguladora do mercado financeiro estuda todos os passos e o cotidiano que circunda as fintechs. A preocupação do BC é apenas regular o funcionamento dessas fintechs e dar segurança ao mercado. “O regulador não pode bloquear as inovações que chegam ao mercado. No entanto, é preciso que estejam protegidas por normas do BC”, afirma Ricardo Terranova Favalli, do Banco Central. Para o coordenador de Fiscalização de Instituições de Pagamento do BC, diariamente os espaços estão sendo preenchidos por novas soluções tecnológicas. E esse é um desafio a que o regulador deve estar permanentemente atento. “Precisamos estar muito próximos dos geradores de tecnologia e inovação. O nosso objetivo não é coibir a inovação, mas devemos observá-la a partir do olhar da responsabilidade”, conclui Favalli. f 34

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"O regulador não pode bloquear as inovações que chegam ao mercado. No entanto, é preciso que estejam protegidas por normas do BC" Ricardo Favalli

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Financiamentos de veículos somam 461 mil unidades em abril Vendas a crédito de autos leves novos crescem 43,4% na comparação com mesmo mês do ano passado

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s financiamentos de veículos novos e usados avançaram 29% em abril de 2018 na comparação com o mesmo mês do ano passado, encerrando o período com um total de 461.014 unidades financiadas, entre autos leves, motos e pesados. Desse total, foram vendidos a crédito 174.328 veículos novos, alta de 39,2% em relação ao mesmo período de 2017. Já os usados atingiram 286.686 vendas a crédito em abril deste ano, avanço de 23,4% na mesma base de comparação.

O levantamento é da B3, empresa resultante da combinação de atividades da BM&FBOVESPA, uma das maiores bolsas do mundo em valor de mercado, e a Cetip, maior depositária de títulos privados da América Latina. A B3 opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil.

VARIAÇÕES

Entre os automóveis leves, as unidades novas avançaram 43,4%% em abril 2018, em relação ao mesmo período de 2017, ao somarem 109.541 carros financiados. Já os autos leves usados cresceram 23,2%, na mesma base de comparação, e totalizaram 263.087 unidades financiadas em abril deste ano. Os percentuais indicam uma retomada no ritmo de financiamento de veículos, em linha com a alta de vendas de veículos novos registrada em abril pela FENABRAVE (34,8% na comparação entre abril de 2018 e abril de 2017).

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Considerando as modalidades de financiamento, o CDC continua sendo a categoria mais utilizada pelos consumidores, com 84,5% de participação. O Consórcio, que vinha apresentando quedas, mostrou recuperação, avançando 18,8% na preferência dos consumidores em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A participação dos Consórcios no universo de financiamentos, entretanto, segue inferior a 14% do total.

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artigo

Tereza Maria Fernandez Dias da Silva*

Foto: Divulgação

VENDAS DE AUTOMÓVEIS VOLTAM A CRESCER NO BRASIL

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epois de uma queda forte nos últimos anos, a indústria automobilística vem se recuperando desde o ano passado, com um crescimento de 9,4% no segmento de autos e comerciais leves em 2017, projetando uma expansão próxima a 15% em 2018 nas vendas do mercado interno. No primeiro quadrimestre do ano as vendas de automóveis e comerciais leves avançaram 20,5% para 737,3 mil unidades, sendo o maior volume desde 2015, quando foram emplacadas 860,3 mil unidades. Mesmo com essa recuperação ainda estamos longe do nosso máximo de vendas. As projeções para o ano de 2018 apontam para volume de vendas no mercado interno de aproximadamente 2,5 milhões de unidades no segmento. O volume máximo comercializado no mercado interno foi de 3,6 milhões de carros em 2012. Ou seja, este ano estaremos comercializando 70% do total de 2012. Mesmo não retomando ao nosso maior patamar de vendas, temos que reconhecer que esta retomada está muito acima do crescimento médio de outros setores da economia. Estamos falando de 26% de crescimento em volume no final de 2018, em relação ao fechamento de 2016. São muito poucos os setores que apresentarão esse desempenho, se os nossos números para o final do ano se concretizarem. Melhoria nas condições da economia – queda da inflação, redução nas taxas de juros, diminuição, mesmo que ainda suave, nos indicadores de desemprego, menor índice de inadimplên-

cia, em especial da pessoa física, contribuiu para a ampliação do crédito para o setor, com consequente aumento nas vendas, cenário que se consolida neste ano. Quando tentamos olhar para 2019, não conseguimos afirmar se haverá uma continuidade nesse movimento positivo. A recente desvalorização da nossa moeda, refletindo o cenário internacional, e também as dúvidas presentes em relação às eleições e aos seus desdobramentos, na economia brasileira abre um leque de possibilidades nas expectativas. Para que o crescimento do setor continue, será necessário manter as condições favoráveis atualmente em relação à aquisição de veículos, assim como indicar a manutenção do crescimento econômico de forma a trabalhar positivamente com a expectativa dos consumidores. f

FENABRAVE: EMPLACAMENTOS DE AUTOMÓVEIS E COMERCIAIS LEVES

(*) Tereza Maria Fernandez Dias da Silva é sócia da consultoria MB Associados. 38

Artigo enviado em 18.5.2018


históricodepagamentos

Foto: Depositphotos

DIVISOR DE ÁGUAS NO MERCADO DE CRÉDITO A aprovação pela Câmara dos Deputados da inclusão automática no Cadastro Positivo permitirá que os consumidores e as instituições financeiras negociem melhores taxas e condições de pagamento, além da redução de inadimplentes

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dia 9 de maio de 2018 será considerado, em muito pouco tempo, um marco no setor de crédito nacional. Isso porque nessa data a Câmara dos Deputados aprovou, por 273 votos a 150, Projeto de Lei Complementar que permite a inclusão automática de consumidores no Cadastro Positivo – banco de dados com o histórico de pagamentos, construído a partir das contas pagas em dia ou não. Assim como já acontece em diversos países de primeiro mundo, ele será um instrumento essencial na análise de crédito. Sua implantação permitirá que as pessoas e as instituições negociem melhores taxas e condições de pagamento. Uma das bandeiras da atual administração da ACREFI, a inclusão automática dos dados no Cadastro Positivo vai baratear o crédito e trará também maior segurança para as instituições financeiras, pois será possível estimar com mais clareza o risco de cada operação. “O Cadastro Positivo é um divisor de águas para o Sistema Financeiro Nacional. Com mais informações e conhecimento, as decisões de crédito serão

mais conscientes”, afirma Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI. Segundo Gonçalves, existem atualmente no Brasil 60 milhões de inadimplentes. A adesão automática ao Cadastro Positivo trará uma redução significativa nesse contingente. “Com o Cadastro Positivo, temos também a chance estabelecer um mercado de crédito mais estável e sustentável, o que certamente contribuirá com o desenvolvimento do País”, destaca o presidente da ACREFI. Embora já existisse desde 2011, o Cadastro Positivo, antes da última decisão da Câmara dos Deputados, era opcional e resultava em pouca adesão do consumidor. Agora, aqueles que não quiserem ter os seus dados registrados no histórico de bom pagador poderão pedir a exclusão por telefone ou pela internet. Para proteger as pessoas e evitar o uso indevido das informações, as instituições financeiras que descumprirem as regras poderão ser penalizadas por danos morais e materiais, de acordo com os termos do Código de Defesa do Consumidor. f maio - junho 2018 I FINANCEIRO 39


Foto: Divulgação

associados

PIONEIRISMO E ARROJO João Vitor Menin Presidente do Banco Inter

O BANCO INTER TORNA-SE A PRIMEIRA FINTECH A ABRIR O CAPITAL NA B3

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Banco Inter, associado da ACREFI e um dos pioneiros entre os bancos digitais no Brasil, reforçou seu perfil dinâmico e, desde 30 de abril, começou a negociar as suas ações na B3, tornando-se a primeira fintech a abrir o capital na bolsa brasileira. O Inter chegou à B3 valendo R$ 1,9 bilhão, levantando R$ 541,463 milhões na oferta primária e outros R$ 180,487 milhões na secundária. Já no primeiro dia de negociação, o papel da companhia chegou a registrar alta de 16% e fechou estável. Passados 15 dias do IPO, o Banco Inter divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2017, quando registrou lucro líquido de R$ 11,2 milhões, aumento de 78% na comparação anual. Esse bom desempenho foi motivado pelos esforços do banco em diversificar produtos e serviços oferecidos aos clientes. O crescimento da carteira de crédito, a redução de custos de funding e monetização da base de clientes também contribuíram com o desempenho. "O forte crescimento financeiro e operacional 40 FINANCEIRO I maio - junho 2018

do Banco Inter neste primeiro trimestre confirma a receptividade do mercado ao nosso modelo de negócio e ao propósito de revolucionar a experiência bancária", afirma João Vitor Menin, presidente do Banco Inter. "Temos um modelo de negócio único, pois oferece uma proposta de valor disruptiva e inédita que reúne as características da indústria bancária e das fintechs. O Banco Inter é um banco digital e gratuito que atua como um dos líderes na modernização da indústria bancária brasileira", destaca Menin. No primeiro trimestre, o número de transações realizadas foi de 9,5 milhões, aumento expressivo de 565% em comparação ao mesmo período do ano passado. O volume transacionado foi de R$ 5,8 bilhões, incremento de 167% em relação ao primeiro trimestre de 2017. Este é um bom indicador do nível utilizado dos serviços do banco e um indício de que mais clientes têm usado o Banco Inter como seu banco primário: recebendo seus salários, usando o cartão de débito de forma recorrente e investindo seus recursos na instituição. f


INVESTIMENTO, TRANSPARÊNCIA, INOVAÇÃO E SINERGIA Foto: Divulgação

QUATRO PALAVRAS QUE DIRECIONAM O CRESCIMENTO DO GRUPO ZEMA EM 2018

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az parte dos objetivos da ACREFI participar de momentos importantes dos seus associados. Uma dessas ocasiões foi o Road Show promovido pelo Grupo Zema, dia 24 de abril, em São Paulo, quando apresentou ao mercado os resultados conquistados no ano passado e as projeções para 2018. “As nossas equipes estão muito bem preparadas para aprovar e monitorar a estratégia proposta para este ano”, garante o CEO do Grupo Zema, Cézar Chaves, executivo que há 42 anos faz parte da organização. Essa estratégia, porém, deve seguir à risca alguns princípios básicos determinados pelo Conselho do Grupo Zema, como: sustentar 100% de transparência em suas iniciativas; investir 98% do lucro para financiar o crescimento do grupo; e manter programas de inovação e de sinergia entre

Da esq. para a dir.: Adilson Santos, Juliano Oliveira, Walisson Gomes, Leceandro Martins e Samuel Borges. Na fileira da frente: Cezar Chaves, Wagner Bueno e Michelle Andrada dos Reis Santos

as áreas de atuação – postos de combustíveis, lojas de eletros, financeira, consórcio e concessionárias de automóveis. São direcionamentos que têm trazido resultados significativos. No ano passado, o grupo atingiu faturamento de R$ 4,4 bilhões e projeta fechar 2018 com 4,9 bilhões. Em seu quarto ano de funcionamento, a Zema Financeira – a caçula do grupo – na área de operação de crédito, entre 2016 e 2017, obteve crescimento em receita de 103%, saltou de R$ 66,6 milhões para R$ 135,4 milhões. Já a carteira de crédito ampliada, no mesmo período, conquistou aumento de 113%, pulou de R$120,6 milhões para R$ 256,6 milhões . Os dados da Zema Financeira sinalizam que este será também, em pouco tempo, mais um segmento relevante do Grupo Zema. f

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PoupaBrasil Investimentos

fundador institucional: acesse e invista em até 7 instituições diferentes

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atualizaçãoregulatória

FICOU MAIS FÁCIL CONTROLAR AS normas de financiamento de veículos APLICATIVO PO27 PERMITE ATUALIZAÇÃO ON-LINE DE PROCESSOS, FLUXOS, MODELOS, PREÇOS E OBRIGAÇÕES EM CADA UM DOS 26 ESTADOS BRASILEIROS E NO DISTRITO FEDERAL

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ontrolar as mudanças regulatórias que envolvem os financiamentos de veículos é um enorme desafio para qualquer instituição financeira. Para se ter uma ideia, nos últimos 12 meses foram publicadas 89 novas normas; ocorreram 23 alterações nos preços dos registros, surgiram 17 novas empresas de registros de contrato, nove só em 2018; e mais 5 milhões de operações registradas. Para aliviar o trabalho das financeiras e dos bancos, que levam cerca de 30 dias para se adequar a cada mudança, a ACREFI promoveu dia 18 de maio um workshop com a advogada Lívia Assan (ex-consultora jurídica da ACREFI) e o administrador Daniel Stephens, criadores da start-up PO27, plataforma operacional dedicada à atualização de processos, fluxos, modelos, preços e obrigações em cada uma das 27 unidades da federação (26 Estados e o Distrito Federal). “A ideia do aplicativo Fotos: Divulgação surgiu porque é praticamente impossível às instituições financeiras acompanhar com eficiência a velocidade das

mudanças regionais das normas e ainda exercer a sua principal função: vender financiamentos”, avaliou Lívia, durante workshop realizado na ACREFI para apresentação do novo serviço. “Por ser uma plataforma 100% on-line, conseguiremos dar maior visibilidade e transparência aos processos operacionais em 27 Detrans, de forma simples e segura”, garante Stephens. Além de emitir alertas sobre as principais mudanças em cada Estado, o App permite troca de mensagens via chat e a criação de grupos de trabalho e Daniel Stephens áreas exclusivas para e Lívia Assan participantes de uma determinada instituiCriadores do ção financeira, com as aplicativo P027 informações das operações que envolvem os clientes. “O objetivo dessa interação, entre outras coisas, é estabelecer uma inteligência coletiva e gerar maior clareza sobre as regras do jogo e dos riscos envolvidos”, acrescenta Stephens. Lívia enfatiza, porém, que as orientações têm características técnicas e são baseadas em dados públicos, sem análise de critérios jurídicos. f

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Certi

profissionalização

Crefi

Foto: Depositphotos

PADRÃO DE QUALIDADE CERTIFICADO EMITIDO PELA ACREFI AVALIZA CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM NO SEGMENTO DE CRÉDITO E FINANCIAMENTOS

44 FINANCEIRO I maio - junho 2018

A

o navegar pelo site da ACREFI, dedique alguns minutos e conheça melhor os benefícios do CERTICREFI. É um exame que avalia com rigor os conhecimentos absorvidos pelas forças de vendas, relacionados aos cursos de capacitação oferecidos pelo mercado. Aliás, essa certificação é uma tendência internacional, que já é bastante difundida no Brasil nos segmentos de agentes autônomos de investimento e de corretores de imóveis. Nesse contexto, o documento avalizado pela ACREFI vincula-se à necessidade de proteger o público e os próprios profissionais, garantindo um padrão mínimo de atuação. Isso porque a concessão de crédito pessoal é uma prática de alcance nacional. Levando-se em conta as dimensões continentais do Brasil, esse modelo de prestação de serviço deve ser uniforme nos 26 Estados e no Distrito Federal. Considerado esse quadro, o Banco Central tem contribuído para a formação dessa força de vendas, começando pela identificação dos pontos vulneráveis a serem trabalhados. Em uma segunda etapa, qualifica os profissionais, difundindo conhecimentos gerais e específicos sobre as operações de crédito; atuação das instituições financeiras; e noções relacionadas às normas legais e regulatórias, vinculadas aos empréstimos e aos financiamentos. É a ACREFI sempre cumprindo seu papel educativo e social. f


artigo Por José Luiz Homem de Mello* Tiago Severo Gomes** Ana Cristina do Val Fausto**

TERMO DE COMPROMISSO EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS SANCIONADORES NO BANCO CENTRAL DO BRASIL

O

processo administrativo sancionador no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, do mercado de capitais e do sistema de pagamentos brasileiro foi reestruturado por meio da edição, em 13 de novembro de 2017, da Lei nº 13.506, a qual substituiu a Medida Provisória nº 784. A Lei 13.506/17 foi regulamentada pelo Banco Central do Brasil por meio da edição, em 14 de novembro de 2017, da Circular nº 3.857. Entre as diversas inovações trazidas pela Lei 13.506/17 e pela Circular 3.857/17, destaca-se a previsão de possibilidade de propositura e celebração de Termo de Compromisso em processos administrativos instaurados pelo BACEN. Assim, a referida autarquia passa a contar com um instrumento alternativo de solução de conflitos, o qual tem caráter negocial. Também, de forma inédita, passa a ser permitida a celebração de termo de compromisso em processos administrativos instaurados pelo BACEN em razão de infrações administrativas relacionadas aos crimes de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, conforme previstos na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, desde que tais infrações não sejam caracterizadas como graves, nos termos do artigo 61, §3º, Circular 3.857/17. A proposta de termo de compromisso pode ser apresentada em qualquer momento processual até que seja deferida uma decisão pelo BACEN. Em referida

proposta, o interessado deverá indicar ao BACEN obrigações objetivamente verificáveis e delimitadas no tempo, de forma a demonstrar não só que cessou a prática objeto do Processo Administrativo, mas também, e principalmente, quais medidas serão adotadas a fim de corrigir as irregularidades apontadas e reparar eventuais danos causados. Em linha com o que já ocorre com a CVM, a celebração do termo de compromisso não implicará a confissão de culpa do interessado. Ademais, para celebrar termo de compromisso, o interessado deverá recolher um valor a ser negociado com o BACEN. Aqui vale uma importante ressalva: não se trata do pagamento de uma multa, mas, sim, de uma contribuição pecuniária ao BACEN como contrapartida para a realização de um acordo. Caso o BACEN aceite a celebração do termo de compromisso proposto, o respectivo Processo Administrativo é suspenso e o interessado passa a estar sujeito ao cumprimento das obrigações acordadas. Se cumpridas tais obrigações e findo o prazo estipulado no termo de compromisso, o respectivo processo administrativo é encerrado. Assim, em termos práticos, os termos de compromisso permitem, de um lado, ao BACEN garantir o cumprimento das normas por parte das entidades reguladas e, de outro lado, aos administrados uma alternativa a ser considerada em sede de Processos Administrativos. f

(*) José Luiz Homem de Mello é sócio do Pinheiro Neto Advogados. (**) Tiago Severo Gomes e Ana do Val Fausto são associados do Pinheiro Neto Advogados. maio - junho 2018 I FINANCEIRO 45


experiênciadeconsumo Foto: Divulgação

ÀS SUAS ORDENS FÓRUM DA SBVC MOSTRA QUE A TECNOLOGIA É O CAMINHO MAIS SEGURO PARA FIDELIZAR OS CLIENTES E AINDA PROPORCIONAR UMA EXPERIÊNCIA DE COMPRA MAIS AGRADÁVEL

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o setor de varejo, um dos desafios mais importantes nos últimos tempos é identificar e entender as necessidades do consumidor. Além de enfrentar essa tarefa diária, é preciso encontrar na tecnologia as ferramentas que ajudem a atrair e fidelizar os clientes. Esse assunto tem mobilizado tanto os empresários que a SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo) discutiu o tema durante o Fórum de Varejo e Consumo, dia 15 de maio, no Transamérica Expo Center. Mediado por Helio Biaggi, presidente do Conselho Deliberativo da SBVC, o debate reuniu Cesar Tsukuda, diretor-geral da Beauty Fair; Altino Cristofoletti, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising); Bráulio Bacchi, CFO da Artefacto Móveis; e Danilo Nascimento, conselheiro da SBVC. Para Cesar Tsukuda, a maior dificuldade está em encontrar, entre tantas soluções oferecidas pelo mercado, aquela que vai gerar uma jornada de compra mais agradável pelo consumidor. “A tecnologia é uma aliada para que os clientes tenham uma melhor experiência de consumo e tornem-se fiéis ao serviço. Com a ajuda da tecnologia, é possível, por exemplo, fazer agendamento digital nos salões de beleza e pagar pelo serviço sem precisar tocar no cartão de crédito. “Esse tipo de facilidade permite que os cabeleireiros tenham mais tempo para se dedicar às clientes. Ou seja, a 46 FINANCEIRO I maio - junho 2018

tecnologia não substitui outro item fundamental na relação com o consumidor: o calor humano”, explica Tsukuda. Ainda do ponto de vista de mais conforto gerado aos clientes, Altino Cristofoletti lembra que a tecnologia pode e deve reduzir os chamados atritos com o consumidor, reduzindo filas e acelerando o processo de pagamento. Ele chamou a atenção também para os avanços conquistados por meio da tecnologia no setor bancário, com a revolução provocada pelas fintechs. Já Danilo Nascimento comentou que o consumidor anda cada vez mais informado e exigente. Ele chamou a atenção também para a tendência do omnichannel, que permite a integração das lojas físicas e virtuais, sem que o cliente perceba a diferença entre o mundo on-line e o off-line. “Aquele que resistir aos avanços exigidos pelo consumidor está arriscado a perder mercado”, alerta o conselheiro da SBVC. Para completar a roda de debatedores, Bráulio Bacchi afirmou que atualmente é essencial cuidar bem de tudo o que envolve a sua marca. Isso significa, entre outras coisas, gerar uma boa experiência dentro das lojas. “É preciso criar fidelidade. É preciso oferecer mais do que estamos acostumados. É preciso investir no treinamento dos colaboradores. É preciso amarrar tudo isso por meio da tecnologia”, garante. f


espaçodobem

BELO EXEMPLO COLABORADORES DA OMNI FINANCEIRA DOAM CABELOS PARA CONFECÇÃO DE PERUCAS DESTINADAS A MULHERES EM TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO

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azer o bem faz bem. Esse modo de entender o seu papel social leva os colaboradores da Omni Financeira, associada da ACREFI, a abraçar mensalmente uma causa que reverta em benefício do bem-estar da sociedade. Sua mais recente iniciativa foi a doação de cabelos para o projeto Amor em Mechas, entidade que oferece perucas para mulheres em tratamento quimioterápico, mantendo elevada a sua autoestima – estado emocional essencial para manter a confiança dos pacientes. Com as doações obtidas durante a visita do Amor em Mechas à Omni foi possível montar quatro novas perucas, sendo que cada uma delas precisa, em média, de oito metros de cabelos. Graças aos colaboradores da Omni foi possível fazer a diferença na vida de algumas mulheres, oferecendo a elas muito mais do que mechas, mas carinho e alegria para que enfrentem esse momento com mais disposição e muita coragem. Detalhe importante: as doações tiveram também a contribuições de alguns homens. Além de ajudar para que mais e mais mulheres, em tratamento quimioterápico, continuem a receber perucas gratuitamente, a ação “omnizadora” – maneira como as iniciativas de engajamento são tratadas internamente – para o Amor em Mechas também envolveu a organização de um bazar (bijuteria, lenços e produtos de beleza) com as vendas revertidas em benefício da entidade. f Fotos: Divulgação

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Fotos: Divulgação

cultura cultura

Fotos: Divulgação

LUZES DA CIDADE O FAROL SANTANDER, NO CENTRO DE SÃO PAULO, É UMA ÓTIMA OPÇÃO PARA QUEM BUSCA CULTURA, BELAS PAISAGENS, CONHECIMENTO, DIVERSÃO E ROMANTISMO

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antiga torre do Banespa sempre foi motivo de orgulho dos paulistanos. Esse cartão postal ficou ainda melhor depois que o Santander, atual proprietário do imóvel, transformou o antigo espigão, no centro de São Paulo, em um polo de cultura: o Farol Santander. Inaugurado há seis meses, o edifício dedica onze andares para exposições de arte, atelier de objetos de sucata, área para palestras e troca de ideias sobre empreendedorismo, um loft e até uma pista de skate. São diversas conexões que integram a criatividade às pessoas. Do alto do prédio, é possível ter uma visão de 360 graus da capital. Os olhos alcançam a Serra do Mar, o Pico do Jaraguá, o corredor da Avenida Paulista e ainda diversas edificações do centro de São Paulo. Para quem acha que café e arte formam uma combinação perfeita, o Farol Santander conta também com uma unidade do Café Suplicy, com brunch nos fins de semana. Quem quiser dormir por lá, o espaço oferece ainda um loft, no 25º andar do edifício, com 400 m², pé-direito de 5 metros e uma vista excepcional. Se optar por preparar um jantar especial ali mesmo, observando o skyline da cidade, o local conta com uma cozinha completa e equipada. É ou não é mais uma boa tentação paulistana? f Rua João Brícola, 24, Centro de São Paulo Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 20h, e aos domingos, das 9h às 18h. Tel.: (11) 3553.5627 E-mail: farolsantander@santander.com.br Site: www.farolsantander.com.br

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palavrafinal

Nicola Tingas*

Foto: Divulgação

O DESAFIO DA TRANSFORMAÇÃO GLOBAL: COMO PROMOVER A INCLUSÃO ECONÔMICA E SOCIAL?

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contínuo avanço tecnológico global não parece estar garantindo que as sociedades futuras possam gerar, unicamente por mecanismos de mercado, postos de trabalho – ainda que flexíveis – compatíveis em qualidade e renda com as necessidades básicas da população mundial. A lógica da globalização e do fracionamento das cadeias produtivas incorporou parte dos bolsões de mão de obra barata mundiais sem necessariamente elevar-lhes a renda. Os postos de trabalho formal crescem menos que os investimentos diretos. Se, por um lado, surgem oportunidades bem remuneradas no trabalho flexível, por outro, o setor informal também abriga o emprego muito precário e a miséria. E, especialmente nos países da periferia, os governos – comprometidos com a estabilidade – não têm orçamento suficiente e estruturas eficazes para garantir a sobrevivência dos novos excluídos. O paradigma do emprego está em definitiva mudança, e há inúmeras razões para preocupação quanto ao futuro da exclusão social no novo século.” (1)

Essa foi a reflexão analítica manifestada há 20 anos pelo economista Gilberto Dupas. É uma análise consistente, compatível com a atual situação do emprego no Brasil e em boa parte do mundo. Muhammad Yunus, empreendedor social, fundador do Grameen Bank, pioneiro em conceitos de microcrédito, contribuiu no debate: “O Sistema Econômico Transformado requer mudanças significativas em diversos níveis, das nossas escolas e faculdades até nossa infraestrutura de negócios, do nosso sistema financeiro até as leis que regem as corporações. Algumas das mudanças que precisam acontecer já começaram. Mas a transformação vai somente dar frutos quando as pessoas demandarem mudanças e insistirem que seus líderes as apoiem – o que inclui um compromisso com práticas de boa governança e proteção de direitos humanos.” (2) (4) Esse tema também foi “chamamento aos líderes globais” no World Economic Forum 2018: “Como na crise financeira de 2008, quando a

sustentação do sistema global estava ameaçada, a base do nosso relacionamento social está sobre grande pressão. Essa crise social é tão ameaçadora para a saúde do nosso futuro quanto a crise financeira era há uma década, e requer um esforço igualmente concentrado de todos os “acionistas” para evitar desastres. Durante a crise financeira uma década atrás, por necessidade, foram os governos que tiveram que liderar esforços de resgate financeiro, trabalhando uns com os outros internacionalmente, em conjunto com os bancos centrais, os órgãos de fiscalização, e o setor bancário. Quem deve liderar os esforços de recuperação da crise social? Eu acredito que desta vez os negócios, com sua abrangência e influência global, devem assumir o comando. O setor de negócios é um grande interessado na saúde do sistema socioeconômico global. Se o sistema está quebrado e o contrato social falhando, líderes empresariais, em Davos e pelo mundo, devem desempenhar um papel para repará-los.” (3) (4) maio - junho 2018 I FINANCEIRO 49


palavrafinal

Nicola Tingas* A CONTRIBUIÇÃO DO CADASTRO POSITIVO PARA A INCLUSÃO FINANCEIRA NO BRASIL No Brasil, o Banco Central por meio da Agenda BC+ busca evolução qualitativa do Sistema Financeiro Nacional. O programa estimula melhores condições financeiras por meio da educação financeira e de avanços estruturais de inclusão financeira. O Cadastro Positivo, por exemplo, poderá oferecer melhores condições e menor custo de acesso ao crédito para boa parte dos 100 milhões de futuros cadastrados no sistema de informações. f

(1) “A lógica da economia global e a exclusão social”. Gilberto Dupas. Revista “Estudos Avançados” da USP, set/dez. 1998 (2) “A World of Three Zeros – The new economics of zero poverty, zero unemployment, and zero net carbon emissions”. Muhammad Yunus. Public Affairs, New York, 2017. Page 225. (3) “The world needs qualitative easing and business must lead”. Klaus Schwab, World Economic Forum, Davos, January 2018. (4) Tradução livre do original.

(*) Nicola Tingas é Consultor Econômico da ACREFI. Artigo enviado em 14.5.2018

COMISSÕES ACREFI

PROGRAMAÇÃO JUNHO/DEZ Daqui até o fim do ano, as Comissões da ACREFI têm uma programação intensa. Acompanhe o calendário das reuniões previstas COMISSÕES Assuntos Jurídicos Assuntos Trabalhistas Compliance e PLD-FT Crédito e Cobrança Inovação e Tecnologia Pessoas Prevenção à Fraude Relacionamento com Clientes e Ouvidoria Varejo Veículos

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JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 10/7 7/8 11/9 9/10 13/11 4/12 6/8 1/10 3/12 13/7 10/8 14/9 19/10 9/11 14/12 12/7 9/8 13/9 18/10 8/11 13/112 17/7 14/8 18/9 16/10 23/11 11/12 28/6 26/7 30/8 27/9 25/10 29/11 20/12 11/7 8/8 12/9 10/10 14/11 5/12 27/6 25/7 29/8 26/9 31/10 28/11 19/12 20/6 18/7 15/8 19/9 17/10 21/11 12/12 16/7 13/8 17/9 15/10 12/11 10/12


Foto: Maurício Nahas

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1991

1998

2013

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Financeiro 109/Maio-Junho 2018  

A revista do crédito

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