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EDIÇÃO

100

NOVEMBRO

Desafios econômicos

para o crescimento

sustentável do

Brasil James Conrad

Marcos Troyjo

Massimo Volpe

Otaviano Canuto

Eduardo Giannetti

SIAC abre espaço para que economistas e especialistas avaliem o momento econômico e político do País e apresentem propostas para o reequilíbrio financeiro e social


5 Editorial

11

22 de novembro de 2016 Teatro Cetip* - São Paulo, SP

8 11º SIAC Desafios econômicos paraanual o da ACREFI Encontro debate odo futuro do Brasil crescimento sustentável Brasil PALESTRANTES CONFIRMADOS

10 Entrevista José Ribeiro Pena Neto,

Eduardo Giannetti da Fonseca Economista

Marcos Troyjo

10

James Conrad CEO da TNS

diretor-presidente da Abrapp, fala sobre soluções para a Reforma da Previdência Massimo Volpe

Diretor do BRICLab da Universidade Columbia

Foto: Eliandro Rodrigues/Divulgação

EDF

conteúdofinanceiro

Chairman do Forum for International Retail Associations

APRESENTAÇÃO: Christiane Pelajo, jornalista

Patrocínio

Realização

Apoio Institucional

Apoio R

INFORMAÇÕES DE CRÉDITO

Visite o hotsite em www.siac.org.br

16

16 Seminário

Panorama Atual do Mercado Automobilístico

20 Painel Cetip

Foto: Paulo Giandália

Foto: Luciano Piva

*Rua Coropés, 88 - Pinheiros - São Paulo, SP

22 Road Show ACREFI SP 26 Evento ACREFI

Orientação Financeira

29 Comemoração Poupa Brasil atinge R$ 30 milhões em captação

29 novembro 2016 FINANCEIRO

3


conteúdofinanceiro

33 Cadastro Positivo

33

Ilustrações: Depositphotos

Escreva o seu e-mail, faça seu comentário: acrefi@acrefi.org.br

31 Publicação

Guia Anticorrupção ACREFI

36 Perfil Corporativo Kredilink Santinvest

38 Inovação Fintechs

Foto: Carlos Renato Fernandes/MON

38 42

42 Cultura

Museu Oscar Niemeyer

46 Supermáquinas

Picape Mercedes-Benz Classe X

47 Livros 48 Saúde

Dicas do Professor Márcio Atalla

Artigos 41 Ricardo Silva

JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados

50 Nicola Tingas

Consultor econômico da ACREFI

Errata: Na edição 99 da Financeiro, houve um equívoco nas informações atribuídas à apresentação de Marcelo Pereira, gerente da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), no Road Show Acrefi, realizado dia 24 de agosto, em Florianópolis. O executivo não comentou sobre portabilidade, como foi mencionado, mas, sim, mencionou a respeito do projeto da Nova Plataforma de Cobrança, que está sendo desenvolvido pelo mercado financeiro e que prevê

4 FINANCEIRO novembro 2016

a centralização eletrônica dos boletos de cobrança bancária. Ainda de acordo com Pereira, o projeto será implementado no início de 2017 e possibilitará às instituições participantes da iniciativa a consulta prévia e eletrônica dos dados do boleto, antes da sua liquidação, mitigando assim eventuais adulterações no documento impresso e proporcionando mais segurança e agilidade ao mercado financeiro. f


editorial

DESAFIOS

para o crescimento sustentável

O

Brasil está mais otimista, mas se mantém precavido. Onde quer que se vá, percebe-se que o ambiente econômico está bem mais desanuviado em comparação ao que acontecia meses atrás. Mas, cautela ainda é a palavra de ordem, até porque o País viveu uma crise sem precedentes, que nos trouxe tantos problemas – embora, ao mesmo tempo, também tenha nos ensinado várias lições.

mais de um propósito convergente de toda a liderança, que leve o nosso país ao crescimento sustentável. As pessoas farão a diferença e para isso cada cidadão, além de ser ouvido, precisa participar da agenda do País – daí a preocupação que causou o índice de abstenções nas recentes eleições municipais.

Do lado do crédito, o brasileiro está mais consciente na Hilgo Gonçalves: tomada de novas operações e presidente da ACREFI Aprender nunca é demais, as instituições financeiras estão como mais uma vez nos ensinou o preparadas para concedê-lo, período de dificuldades que o País atravessou. E buscando crescente conhecimento sobre o coné preciso sempre olhar para a frente. Nesse sen- sumidor e as empresas, para que o crédito seja tido, ganha importância o 11º SIAC (Seminário mais adequado a cada situação. Internacional ACREFI), que acontece no próximo dia 22 de novembro, em São Paulo. Esse semiE, quando se fala de retomada, logo vem a nário tem ganhado prestígio cada vez maior, preocupação: teremos mais um “boom” que se consagrando-se como um dos mais importantes esvaziará rapidamente? A resposta é um enfátiencontros da comunidade de negócios. Focado co “não”. A previsão da ACREFI para o crédito é, em temas macroeconômicos e tratando dos sim, otimista: estimamos um crescimento entre assuntos em perspectiva, o SIAC contará mais 5% e 8% em termos nominais em 2017. Mas o uma vez com a presença de palestrantes de quadro não aponta para nenhuma disparada. altíssimo nível, que certamente propiciarão aos Desta vez, a decisão de tomar empréstimos participantes reflexões para tomada de decisão será mais racional, o que é mais saudável tanto nos negócios. para o consumidor quanto para quem empresta. Teremos, assim, um crescimento do crédito que O SIAC será mais uma oportunidade para pode até ter ritmo mais lento, mas certamente que estejamos juntos, pensando em conjunto e será mais sustentável. Assim, o crédito poderá fortalecendo a corrente que será um dos pilares cumprir seu importante papel para o desenvolda agenda positiva de que o País tanto necessita. vimento do Brasil, uma necessidade não só para O Brasil é de todos nós e precisamos cada vez nós, mas também para as gerações futuras. f

novembro 2016 FINANCEIRO

5


expediente ISSN 1809-8843

Publicação da acrefi - Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 - 28°andar - São Paulo - SP - Tel: (11) 3107-7177 - www.acrefi.org.br Diretoria - Biênio 2016-2018 Presidente Hilgo Gonçalves Vice-presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Celso Luiz Rocha, Décio Carbonari de Almeida, João Carlos Gomes da Silva, José Luiz Acar Pedro e Rubens Bution Diretores Tesoureiros João dos Santos Caritá Jr. e José Garcia Netto Diretores Secretários André de Carvalho Novaes e Rodnei Bernardino Diretores executivos Álvaro Augusto Vidigal, Edmar Casalatina, José Tadeu da Silva, Marcelo de Castro Villela, Roberto Willians da Silva Azevedo e Wanderley Vettore Diretores regionais Carlos Alberto Samogim, Felicitas Renner, Leonardo Lima Bortolini, Luis Eduardo da Costa Carvalho, Marcos Teixeira da Rosa e Romeu Zema Diretores conselheiros Alexandre Teixeira, Eliseu Cézar Colman, Giorgio Rodrigo Donini, José Carlos Alves, Marcos Westphalen Etchegoyen e Ricardo Albuquerque Montadoras Alessandra Reis Rollo, Américo da Costa Martins, Edson Fróes Castilho, Edson Tadashi Ueda, Eduardo Tavares Nobre Varella, Gunnar Alejo Ramos Murillo e Nelson Dias de Aguiar Conselho consultivo Membros Natos Alkindar de Toledo Ramos, Érico Sodré Quirino Ferreira e Manoel de Oliveira Franco Membros Alarico Assumpção Júnior, Antonio Carlos Botelho Megale, Gilson de Oliveira Carvalho, Gilson Finkelsztain, Ilídio Gonçalves dos Santos, Luiz Tavares Pereira Filho e Miguel José Ribeiro de Oliveira Conselho fiscal Domingos Spina, Geraldo Lima Vandalsen e Cláudio Messias Ferro Diretor superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultora Jurídica Lívia Esteves Auditoria Megacont Auditoria e Assessoria Contábil Contabilidade Conaupro Consultoria e Contabilidade Ltda. Assessoria de imprensa

Publisher Sergio Tamer Editores Theo Carnier e Gilberto de Almeida Editor assistente Gustavo Girotto Arte Moacyr Mw Revisor Vicente dos Anjos Impressão Eskenazi Gráfica As matérias e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

6 FINANCEIRO novembro 2016


nossasassociadas AGIPLAN FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

BRICKELL S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

AGORACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. BANCO A.J. RENNER S.A. BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. BANCO CBSS S.A. BANCO CETELEM S.A. BANCO CSF S.A. BANCO CITIBANK S.A. BANCO CNH INDUSTRIAL CAPITAL S.A. BANCO DAYCOVAL S.A. BANCO DO BRASIL S.A. BANCO FIDIS S.A. BANCO GMAC S.A. BANCO HONDA S.A. BANCO INTERMEDIUM S.A. BANCO ITAUCARD S.A. BANCO ITAÚ UNIBANCO S.A. BANCO LOSANGO S.A. BANCO PAN S.A. BANCO PAULISTA S.A. BANCO PSA FINANCE BRASIL S.A. BANCO RODOBENS S.A. BANCO SAFRA S.A. BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. BANCO SEMEAR S.A. BANCO TOYOTA DO BRASIL S.A. BANCO TRIÂNGULO S.A. (TRIBANCO) BANCO VOLKSWAGEN S.A.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CARUANA S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO DACASA FINANCEIRA S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ESTRELA MINEIRA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. FINAMAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO FINANCEIRA ALFA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS HS FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS KREDILIG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO LECCA CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS MIDWAY S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO OMNI S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO PORTOCRED S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO PORTOSEG S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO SANTANA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO SANTINVEST S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO SAX S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO SENFF S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO

BANCO YAMAHA MOTOR DO BRASIL S.A.

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BRB CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.

SUL FINANCEIRA S.A.- CRÉDITO, FINANCIAMENTOS E INVESTIMENTOS novembro 2016 FINANCEIRO

7


POR UM

Brasil

sustentável

Economistas e especialistas em mercado se reúnem dia 22 de novembro, em São Paulo, no 11º SIAC, esperado evento promovido pela ACREFI, para analisar a conjuntura econômica e política do Brasil, além de, possivelmente, sugerir caminhos que levem o País ao reequilíbrio monetário e social

8 FINANCEIRO novembro 2016

Foto: Mário Bock

H

á 11 anos, o mercado financeiro aguarda com grande expectativa a realização anual do SIAC (Seminário Internacional ACREFI). A razão para isso é muito simples: trata-se de um dos mais importantes e respeitados eventos direcionados à análise das perspectivas conjunturais do País para os próximos meses. Na edição 2016, o encontro — programado para o dia 22 de novembro, no Teatro Cetip, em São Paulo — sugere que os palestrantes abordem os diversos ângulos do tema “Desafios Econômicos para o Crescimento Sustentável do Brasil”. Os convidados pela ACREFI para esboçar os cenários mais prováveis e as suas consequências na oferta de crédito ao consumidor são: Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e escritor, falará sobre a “Nossa Histórica Identidade Difusa e a Construção do Crescimento Sustentável”; Marcos Troyjo, economista, diplomata e cientista social, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, abordará a questão “O Brasil e as Novas Megatendências”; Otaviano Canuto, economista, diretor-executivo do Conselho de Administração do Banco Mundial, discorrerá a respeito da “Economia, Finanças e Sociedade Global — a Polarização e a Transformação em Curso”; Massimo Volpe, mestre em gestão de marca e marketing, chairman do FIRAE (Forum for International Retail Associations), tratará do “Varejo Global — Inovação, Transformação e Novas Relações de Consumo; e James Conrad, CEO da Kantar TNS Brasil, apresentará os novos dados da pesquisa trimestral ACREFI / TNS, em que são detectadas as percepções relacionadas ao futuro da economia e o atual momento político do País. A mediadora do encontro será a jornalista Christiane Pelajo. A seguir, leia algumas opiniões recentes dos palestrantes do 11º SIAC publicadas na mídia. f


James Conrad CEO da Kantar TNS Brasil apresentará os novos dados da pesquisa trimestral ACREFI / TNS, em que são detectadas as percepções relacionadas ao futuro da economia e o atual momento político do País.

“A vantagem de a gente ter uma certa idade é que já assistiu a muitas coisas e não se assusta com facilidade. A crise é grave, mas o Brasil tem plena condição de ultrapassá-la. Nós não podemos confundir o circunstancial da conjuntura com o permanente da cultura brasileira. E ela continua viva, como revelou, de maneira esplêndida, o evento de abertura das Olimpíadas. O Brasil vai superar esse momento difícil e aprender com os erros surgidos durante esse processo.”

Eduardo Giannetti Eduardo Giannetti da Fonseca (Financeiro – setembro/2016)

Otaviano Canuto “O Brasil está deixando para trás a política fiscal ineficaz que vinha mostrando ao longo dos anos. Tem ocorrido um uso crescente, que mostra uma adesão cada vez maior de países a iniciativas, arcabouços de gestão de médio e longo prazos das despesas públicas, que têm reforçado a eficácia da política fiscal.” Otaviano Canuto (Valor Econômico – 25/7/2016)

“No discurso com que abriu os debates da Assembleia Geral da ONU, Michel Temer não foi ousado. Abordou esses temas que inercialmente figuram nos pronunciamentos brasileiros. No entanto, foi sóbrio, discreto. Conseguiu, com elegância, descalçar a bota da retórica grandiloquente e de liderança autoatribuída da política externa de Lula/Dilma. Reaproximar o discurso brasileiro da dimensão − infelizmente diminuída − que o país hoje representa no cenário internacional é de um realismo saudável. E transmite a correta percepção de que o imenso potencial brasileiro nada garante − tudo está, também na esfera da política externa, por construir... O Presidente

Marcos Troyjo

referiu-se ao país, de maneira justa, como a superpotência ambiental que é, portanto, peça indispensável em qualquer tabuleiro em que se discuta o desenvolvimento sustentável. Marcos Troyjo (Folha de S. Paulo – 21/9/2016)

Massimo Volpe “Nem sempre o preço é o que importa. Mas a chave do sucesso é entender o público-alvo... Olhem à sua volta. Seus concorrentes de hoje podem não ser seus concorrentes no futuro. E não percam de vista os ambientes digitais”. Massimo Volpe (Valor Econômico – 10/5/2016)

PROGRAMAÇÃO 8h00 Recepção e café 8h50 Boas-vindas Cristiane Pelajo (mediadora) 9h00 Abertura Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI 9h10 Pesquisa ACREFI / TNS James Conrad, CEO da Kantar TNS Brasil 9h30 Palestra “Economia, Finanças e Sociedade Global: a Polarização e a Transformação em Curso” Otaviano Canuto, diretor-executivo do Conselho de Administração do Banco Mundial 10h00 Palestra “O Brasil e as Novas Megatendências” Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade Columbia 10h30 Coffee break / Networking 11h00 Palestra “Varejo Global: Inovação, Transformação e Novas Relações de Consumo” Massimo Volpe, chairman do FIRAE (Forum for International Retail Associations) 11h30 Palestra “Nossa Histórica Identidade Difusa e a Construção do Crescimento Sustentável” Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, filósofo e escritor 12h00 Encerramento Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI novembro 2016 FINANCEIRO

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“O País precisa criar um modelo de previdência para o novo trabalhador brasileiro”

O

tema da Reforma da Previdência Social deixou se ser um assunto dos gabinetes de Brasília. Ele já é discutido também nas mesas dos restaurantes e no bate-papo dos trabalhadores a caminho da sua jornada diária. No entanto, poucos pensam em como conter essa acelerada corrosão nas contas públicas. A maioria quer apenas salvar a sua pele diante dos inevitáveis efeitos da reforma previdenciária. Sem receio de se posicionar a respeito das questões mais espinhosas relacionadas à área, José Ribeiro Pena Neto,

diretor-presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), fala, entre outras coisas, a respeito da criação de um novo modelo de previdência para quem está ingressando agora no mercado de trabalho, trata da equalização das diferenças entre as aposentadorias daqueles que atuam na iniciativa privada e no serviço público e sugere um programa progressivo de igualdade de idade na concessão de benefícios para mulheres e homens. A seguir, leia a íntegra da sua entrevista. Por Evandro Ribeiro

Neste momento, o País discute a Reforma da Previdência de forma mais prática. Como o senhor está analisando esse debate? Já passou do tempo de fazermos a Reforma da Previdência. O primeiro ensaio de uma reforma foi o que resultou na Emenda Constitucional 20, em 1998. E ali se fez uma ‘meia-sola’ malfeita. Do ponto de vista de oportunidade, já 10 FINANCEIRO novembro 2016

passamos da hora de resolver essa questão. Evidente que o atual momento político dificulta. Mas, qual seria o melhor momento? O início de um próximo governo, lá em 2019? É muito tempo, qualquer coisa que se adie é muito ruim. Precisamos começar a debater as propostas no poder legislativo e andar com o tema.

Foto: Eliandro Rodrigues/Divulgação

Entrevista


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Entrevista Como o senhor acredita que deveria ser essa reforma, já que a de 1998 foi “malfeita”? A grande crítica que faço à reforma, entre os pontos apresentados até agora, é que estão tratando a questão apenas do ponto de vista do estoque. São propostas de reformas paramétricas. Ou seja, vamos aumentar a idade mínima, vamos igualar homens com mulheres, vamos restringir um pouco as pensões, vamos desindexar o salário-mínimo dos benefícios da Previdência Social, entre outras. Evidente que são todas questões importantes e, até óbvias, principalmente para o equacionamento do caixa do País. Essas medidas não vão mexer na estrutura do sistema, que permita garantir, por longo prazo, a sustentabilidade da previdência. Nós defendemos a criação de uma nova previdência, um novo modelo. A Abrapp e eu defendemos que é necessário criar uma nova previdência para o novo trabalhador brasileiro. Ou seja, vamos fazer a reforma paramétrica necessária para resolver o problema que temos agora, mas vamos criar também um novo modelo para o novo trabalhador. Hoje, a discussão é apenas em torno do estoque, para resolver o atual problema fiscal do governo. Não há um debate a respeito de uma solução de longo prazo.

O segundo pilar seria uma previdência de capitalização compulsória. Ou seja, todo cidadão teria de contribuir, juntamente com a empresa contratante para uma cota individual, que seria capitalizada. Quando chegasse na aposentadoria, esse colaborador transformaria essa cota pessoal capitalizada em um benefício de aposentadoria. O terceiro pilar seria a previdência complementar, opcional, para aqueles que gostariam de receber mais que o atual teto quando se aposentassem. Esse último pilar, porém, deveria contar com incentivos fiscais para o colaborador que está poupando para longo prazo e, também para o contratante, que contribui para a aposentadoria do seu funcionário. Assim, o que exceder o teto compulsório teria a opção de sua contribuição voluntária, com a parte do colaborador e do empregador. Ou para aquele que não tiver o empregador, a opção da previdência aberta, como temos hoje. Mas, para isso, é necessário um maior incentivo tributário, desde que o recurso investido fosse de longo prazo realmente.

Falar de renúncia tributária agora não seria um pouco contraditório, diante da necessidade do atual do governo de cortar gastos e aumentar a receita? Em nossa proposta, além de reduzir o teto do INSS Como seria essa nova previdência? e aumentar a parte de capitalização, diminuindo O jovem brasileiro nascido depois do ano 2000, que o risco atuarial do governo, com menor número está entrando agora no mercado de trabalho, deve- de pessoas no mercado de trabalho, precisamos ria ingressar em um novo modelo de previdência. debater o quanto o Brasil ganharia com o aumenNós acreditamos também que a previdência com- to da poupança de longo prazo. Evidente que o plementar e o modelo de capitalização devem fazer discurso de reduzir receita do governo é um arguparte da previdência do novo trabalhador. O mode- mento difícil nesse momento. Por isso, a Abrapp lo que defendemos não é novidade em termos encomendou um estudo aos especialistas para mundiais. A previdência teria que possamos dimensionar “Vamos aumentar a idade um pilar básico, de repartio quanto financeiramente o ção, parecido com o que temos mínima, igualar homens País ganharia se conseguíshoje, o INSS, porém com um com mulheres, restringir semos aumentar bastante a teto menor. Apesar de muita um pouco as pensões poupança de longo prazo no gente discordar, o atual teto País. Hoje, o Brasil precisa e desindexar o saláriodo INSS é alto. Prova disso é de investimentos de longo -mínimo dos benefícios da que a média do benefício pago prazo. Quem vai financiar os pelo INSS está muito distante Previdência Social” projetos de infraestrutura e desse teto. Mantemos assim, desenvolvimento do País? um pilar básico de repartição. Ou seja, a geração Então queremos quantificar o que ganharíamos que está trabalhando paga para a geração que com a renúncia fiscal versus formação de poujá se aposentou. Dessa forma, abriremos espaço pança de longo prazo. Portanto, financiamento de entre um teto reduzido e o teto que pagamos hoje. investimentos de longo prazo. Acreditamos muito 12 FINANCEIRO novembro 2016


EDF

Desafios econômicos para o crescimento sustentável do Brasil

11 22 de novembro de 2016 Teatro Cetip* - São Paulo, SP

ABERTURA E ENCERRAMENTO

APRESENTAÇÂO

Hilgo Gonçalves

Christiane Pelajo

Presidente da Acrefi

Evento Gratuito - Vagas Limitadas Inscrições: www.siac.org.br

Jornalista

PALESTRANTES CONFIRMADOS

Eduardo Giannetti da Fonseca Economista

James Conrad CEO da TNS

Marcos Troyjo

Diretor do BRICLab da Universidade Columbia

Realização

Patrocínio

Apoio

Apoio Institucional

*Rua Coropés, 88 - Pinheiros - São Paulo, SP

Massimo Volpe

Chairman do Forum for International Retail Associations

Otaviano Canuto

Diretor Executivo do World Bank Group


Entrevista nesse custo/benefício. Outro ponto importante é a universalização do sistema, sem diferenças entre trabalhadores de empresas privadas, servidores públicos, militares, etc. Como equalizar as diferenças entre aposentadorias de trabalhadores de empresas privadas e de servidores públicos? Já tivemos um avanço no caso dos poderes executivos e judiciários federais, com a criação do Funpresp. Hoje, o servidor público federal não tem mais vantagens. Agora, se esse servidor quer ganhar mais que o atual teto do INSS, ele precisa colaborar com seu fundo de pensão, que é Funpresp. Vale lembrar que essa iniciativa também já foi adotada pela administração de alguns Estados. Não podemos, no entanto, esquecer de um outro grande problema: os regimes próprios. Eles são bombas-relógios que vai estourar a qualquer momento. Esse é um tema que não tem merecido a devida atenção. Os Estados e os municípios, que ainda não fizeram suas reformas previdenciárias e trabalham com regimes “Os Estados e os próprios, estão com um municípios, que ainda não défice gigantesco. Isso cairá no colo dos confizeram suas reformas tribuintes para resolver. previdenciárias e É fundamental resolver trabalham com regimes o problema de estoque próprios, estão com um dos regimes próprios. É necessário criar uma défice gigantesco” nova previdência, com as mesmas regras que normatizam a previdência dos trabalhadores da iniciativa privada. O senhor considera justa a diferença de idade sugerida para a aposentadoria de homens (65 anos) e das mulheres (62 anos)? A justificativa de a mulher se aposentar mais jovem que o homem sempre foi a questão da jornada dupla que a mulher teria. Ou seja, ela trabalha fora e ainda faz os deveres de casa. É uma justificativa que tem seu fundamento, mas a cada momento tende a reduzir. Hoje, muitos lares já são administrados com uma inversão de papéis, 14 FINANCEIRO novembro 2016

a mulher é quem está trabalhando e o homem cuidando da casa. Temos ainda o lado atuarial, que é desfavorável ao homem. Além disso, as estatísticas revelam que a mulher está vivendo mais que o homem. Ou seja, o custo das mulheres é maior do que o dos homens para os cofres públicos. Para não tirarmos essa diferença de uma hora para outra, acredito que poderíamos adotar um programa de transição. No entanto, o regime mais justo deve ser o de igualdade de aposentadoria entre homens e mulheres. Qual seria a melhor forma de realizar a transição das mudanças que devem ser implementadas na reforma da previdência? Tem que haver uma transição para não penalizar demais as pessoas que estão muito próximas da aposentadoria. Mas, essa transição não pode ser muito longa. Esse é um remédio amargo, que causará insatisfação. A população precisa entender que a penalização é para um bem maior. A implantação da nova regra deve ser escalonada. A penalização tem que ser maior para quem tem mais tempo para se aposentar. Precisamos fazer isso, caso contrário a reforma não resolverá seu grave problema de caixa. O senhor acredita que o governo hoje tem forças para aprovar a reforma? Acho muito difícil. A reforma da previdência é complicada em qualquer lugar do mundo e não dá voto a ninguém. Quem deve apoiar e pressionar os políticos para a sua efetivação são os jovens. Eles serão os maiores penalizados se não fizermos isso. Eles vão pagar a conta, seja por meio de aumento de impostos ou de uma previdência quebrada no futuro. O problema é a falta conhecimento da população brasileira sobre educação financeira e previdenciária. Quem se mobiliza em torno do assunto são aqueles que estão próximos de se aposentar, faltando no máximo dez anos. O jovem hoje não se preocupa com aposentadoria. Assim, do ponto de vista político, é um assunto que não dá voto a ninguém, pelo contrário, tira voto. O convencimento do legislativo é uma questão muito complicada. É um tema impopular, é um desafio que precisamos vencer e os jovens precisam lutar por isso f


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seminário

A hemorragia

A

foi estancada

maioria dos setores da economia busca alternativas para estancar a crise e retomar o crescimento. Para contribuir com o segmento de veículos, um dos mais significativos para a área de crédito, a ACREFI promoveu dia 24 de outubro, no Renaissance São Paulo Hotel, o seminário Panorama Atual do Mercado Automobilístico, com a participação dos convidados Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores); Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores); Roberto Dagnoni, vice-presidente da Unidade de Financiamentos da Cetip; e Nicola Tingas, consultor econômico da ACREFI. Os anfitriões foram Hilgo Gonçalves e Celso Luiz Rocha, respectivamente, presidente e vice-presidente da ACREFI. O evento contou com o patrocínio de Bradesco, Cetip, CNSeg e Credilink. Ao saudar o público e os palestrantes, Hilgo Gonçalves ressaltou que o Brasil é nosso e, portanto, temos forças e condições de superar as dificuldades para recolocar os negócios no rumo do crescimento sustentável. Isso se faz, primeiramente, por meio

16 FINANCEIRO novembro 2016

de uma análise profunda de cada atividade para podermos planejar o que vamos fazer nos próximos meses. “É necessário pensar como líderes para implementar as mudanças necessárias”, destacou Hilgo. “Nós, da ACREFI, acreditamos que o crédito é uma das principais alavancas do crescimento. Isso exige que escutemos mais os clientes e que tenhamos equipes de vendas mais bem preparadas para oferecer todas as informações com o objetivo de que o consumidor esteja plenamente consciente antes de assinar Fotos: Luciano Piva

Panorama Atual do Mercado Automobilístico

Hilgo Gonçalves: presidente da ACREFI


Em evento da ACREFI sobre o atual momento do mercado de autos, lideranças do setor de veículos acreditam que o pior período começa a ser superado, com chance de retomada do crescimento em 2017

um contrato de crédito”, enfatizou o presidente da ACREFI. Antes de concluir, Hilgo afirmou que as projeções da ACREFI para 2017 para o crescimento da economia do País será de 1,8 a 2 pontos percentuais, com a inflação convergindo para o centro da meta e a taxa de juros voltando ao patamar de apenas um dígito, próximo de 9,75%. Antes de passar a palavra aos palestrantes, Hilgo garantiu: “Setor automobilístico, conte com os associados da ACREFI”. Presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior iniciou a sua apresentação exibindo os números preocupantes do setor de distribuição de veículos. Somando-se todos segmentos (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros) a queda em setembro foi 12,92%, em comparação com agosto de 2016. Foram emplacadas 240.326 unidades em setembro, contra 275.989 em agosto. Em relação ao mês de setembro de 2015 (310.418 unidades), a diminuição foi de 22,58%. No acumulado dos nove meses deste ano, a retração já chega a 20,84% na soma de todos os setores, com emplacamento 2.380.807 unidades, contra

3.007.585 no mesmo período de 2015. Ainda de acordo com Alarico, os automóveis e comerciais leves também apresentaram, em setembro, uma redução de 12,98% sobre agosto, com 154.979 unidades emplacadas, contra 178.100 em agosto. Se comparado com setembro do ano passado (192.591 unidades), o resultado aponta uma baixa de 19,53%. No acumulado do ano, esses segmentos caíram 22,46% sobre o mesmo período de 2015, com 1.458.952 unidades comercializadas de janeiro a setembro de 2016, contra 1.881.635

Alarico Assumpção Júnior: presidente da Fenabrave

novembro 2016 FINANCEIRO 17


Ilídio Gonçalves dos Santos: presidente da Fenauto

necessita de PIB. No entanto, temos certeza de que a hemorragia foi estancada e de que dias melhores virão. Acreditamos que 2017 será melhor, com uma projeção média positiva do setor de 3,68%”, sinalizou Alarico Assumpção Júnior. Como o segmento de veículos funciona de maneira bastante sincronizada, Ilídio Gonçalves dos Santos, da Fenauto, iniciou sua palestra fazendo votos de que a retomada das vendas dos carros novos aconteça o mais rápido possível, pois o comércio de autos seminovos e usados, que mantém performance mais equilibrada, sobrevive graças à entrada das novas unidades no mercado. “Os carros zero-quilômetro de hoje serão os seminovos de amanhã”, pontuou Ilídio. Por sinal, o mercado de seminovos e usados é um dos poucos setores que registram boa estabilidade durante o período de crise econômica do Brasil. Nos últimos cinco anos, o segmento evoluiu de 10,5 milhões de unidades para 13,5 milhões. Em 2016, até setembro, esse índice alcançou 13,1 milhões de veículos comercializados, podendo fechar o ano com queda de 2%, em relação a 2015. 18 FINANCEIRO novembro 2016

Fotos: Luciano Piva

no mesmo período do ano passado. Apesar de o índice de confiança do consumidor já ter mostrado uma discreta melhora, a taxa de desemprego permanece preocupante e as recentes mudanças no cenário político ainda não trouxeram alterações significativas na economia, com a continuidade da retração nas vendas”, lembrou o presidente da Fenabrave. Olhando para os financiamentos, de cada dez fichas de cadastros preenchidas, apenas três são aprovadas. Com a economia se movimentando pouco, a venda de caminhões, por exemplo, fica estacionada. Caminhão precisa de PIB. Sem PIB, não existe carga. O setor de máquinas agrícolas também

Roberto Dagnoni: vicepresidente da Unidade de Financiamentos da Cetip

“Apesar dessa variação negativa nesse bimestre, o acumulado deste ano aproxima-se do mesmo total registrado em 2015. “Nossa expectativa é a de um resultado semelhante ao obtido no ano passado”, avaliou Ilídio. No movimento das três engrenagens (veículos revendas, crédito e consumidor final), de acordo com o dirigente do setor, os financiamentos são responsáveis entre 28% e 30% das negociações, já os consórcios representam 40% das transações. “Para que as prestações se encaixem melhor no bolso do consumidor e consigamos impulsionar as vendas, a redução da taxa de juros é sempre muito bem-vinda”, reforçou o presidente da Fenauto. Em sua análise do segmento de autos, Roberto Dagnoni, vice-presidente da Unidade de Financiamentos da Cetip, três principais variáveis impactam na decisão do consumidor na hora financiar um veículo: confiança, emprego e renda. “Temos um cenário de elevação da confiança, mas com uma sensação de descolamento entre a situação presente e a expectativa do que ocorrerá nos próximos meses, pois o emprego e a

Nicola Tingas: consultor econômico da ACREFI


seminário renda apresentam trajetórias ainda desfavoráveis”, apontou Dagnoni. Como reflexo da atual conjuntura econômica, a quantidade de autos leves financiados caiu 13,4% no ano. Nesse sentido, a carteira de recebíveis das instituições financeiras fechou em R$ 166 bilhões em agosto/16, com queda anual de 14%. Com relação às condições de crédito, a Cetip identificou uma pequena redução nas taxas de juros para aquisição de veículos ao longo do ano. Já o prazo médio das concessões se mantém estável nos últimos quatro anos, em torno de 42 meses. Entre janeiro e setembro deste ano, foram financiadas cerca 2,7 milhões de unidades de autos leves novos

Christiane Pelajo conduz debate com os convidados do seminário da ACREFI

e usados – as regiões sul e sudeste do País representaram mais de 70% das vendas financiadas. “Atualmente, o CDC representa 87% dos financiamentos, seguido pelo consórcio, com 10% de participação, e o leasing, com apenas 1% das operações”, informou Dagnoni. O levantamento da Cetip registra que a proporção entre os financiamentos de veículos novos e usados atualmente é de um para 2,3. Em 2013, durante a isenção de IPI para veículos novos, essa comparação chegou a ser de um para 1,3. Antes de encerrar, o vice-presidente da Unidade de Financiamentos da Cetip apresentou um resumo dos financiamentos de todo o mercado automobilístico. “Entre janeiro e setembro deste ano, tivemos quase 3,5 milhões de veículos financiados no País, sendo 2,7 milhões de autos leves, 550 mil motos (16% do total das unidades) e 131 mil pesados, com destaque para as motos e os pesados que apresentaram queda entre 23% e 25%, um pouco menor que a dos autos leves”, concluiu Dagnoni. Em sua explanação sobre a conjuntura nacional,

Nicola Tingas, consultor econômico da ACREFI, falou sobre o impacto positivo que as reformas propostas pelo governo podem trazer para a economia brasileira. “Temos um governo com pouco tempo para atuar, o que significa celeridade na tomada de decisões. Estamos vivendo atualmente um processo de ‘desalavancagem’, uma vez que o modelo de oferta não se sustentou. Há boa chance de isso se transformar em oportunidade”, ponderou Tingas. Além disso, a aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso é essencial. “No setor externo, temos uma queda de exportações versus um aumento das importações. Podemos começar a reverter, revitalizando e apoiando a nossa produção industrial”. O consultor econômico da ACREFI considera ainda que o Banco Central está executando com muita eficiência a sua política de corte de juros e convergência da inflação para o centro da meta. “Com isso, os juros devem cair fortemente, conforme o Hilgo já sinalizou no início do nosso evento”, lembrou Tingas. “No entanto, ainda falta um plano de metas de médio e de longo prazos, mas acredito que estamos no caminho certo”. Terminadas as palestras, coube a Celso Luiz Rocha, vice-presidente da ACREFI, fez as considerações finais do evento, que o setor de crédito, representado pelas financeiras e pelos bancos, conta com três pilares muito importantes: a informação, representada pela qualidade dos dados no momento do preenchimento das propostas; a confiança, não só do consumidor, mas também das empresas de crédito, diante da, eventual, necessidade de retomada do bem; e a boa gestão da nossa economia, que permita a pela retomada da estabilidade financeira. f

Celso Luiz Rocha: vice-presidente da ACREFI

novembro 2016 FINANCEIRO 19


painel cetip Financiamentos de veículos somam 1,2 milhão de unidades no 3 o trimestre

O

volume de financiamentos de veículos no Brasil somou 1.167.070 unidades no terceiro trimestre do ano, queda de 11,8% em relação ao mesmo período de 2015. Desse total, entre autos leves, motos e pesados, foram financiados 431.698 veículos novos, recuo de 25,3%, ante o terceiro trimestre do ano passado, e 735.372 usados, baixa de 1,2%, na mesma base de comparação. Em setembro, as vendas a crédito de veículos atingiram 368.937 unidades, queda de 12,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. Veículos novos somaram 132.181 unidades, enquanto os usados totalizaram 236.756. O levantamento é da Unidade de Financiamentos da Cetip, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. O SNG impede que o processo de financiamento de veículos seja suscetível a fraudes sistêmicas.

Volume de financiamento de veículos por categoria Autos Leves

Motos

Volume de financiamento de veículos 3o trimestre 2016

Pesados

Apesar de também estar em queda no trimestre, o desempenho dos financiamentos de usados foi superior às unidades novas. Enquanto as vendas a crédito de veículos novos recuaram 25,3%, em relação terceiro trimestre de 2015, as de usados apresentaram baixa de 1,2%.

20 FINANCEIRO novembro 2016


Vendas a prazo de autos leves novos recuam 25,1% na comparação anual Considerando apenas os automóveis leves, foram financiados 266.709 autos leves novos no terceiro trimestre de 2016, queda de 25,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já as vendas a prazo de carros usados totalizaram 675.750 unidades, recuo de 0,9% na mesma base de comparação.

Modalidades de financiamento de veículos 3o trimestre 2016

Entre as faixas etárias dos autos leves, a de 9 a 12 anos de uso apresentou alta de 18,9% no terceiro trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2015, com 83.064 unidades financiadas. A outra faixa que mostrou crescimento foi a de 4 a 8 anos, que avançou 1,4%, na mesma base de comparação, com 360.828 unidades vendidas a crédito. Financiamento por tempo de uso

O prazo médio de financiamento de autos leves novos e usados se manteve em 41 meses no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2015. f Prazo médio de financiamento por tempo de uso

Entre as modalidades de financiamento, a participação do CDC nas vendas financiadas passou de 80,6% para 80,8% no terceiro trimestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado. A modalidade continua sendo a mais utilizada pelos consumidores. No período, foram vendidos a prazo 943.137 veículos por meio do CDC, recuo de 11,5% em relação ao mesmo período de 2015.

novembro 2016 FINANCEIRO 21


roadshow

Fotos: Luciano Piva

Linha

de frente ACREFI organiza evento com entidades e empresas parceiras, em São Paulo, para compartilhar informações e serviços relacionados ao mercado de crédito

A

tenta à responsabilidade de estreitar o relacionamento entre as lideranças do mercado financeiro, a ACREFI promoveu, dia 22 de setembro, no Renaissance São Paulo Hotel, mais uma edição do seu road show, evento que procura ampliar a visibilidade dos diversos parceiros da entidade. Nesta apresentação, os convidados foram: Fábio Mentone, diretor do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); Claudio Ferro, CEO do Poupa Brasil (apresentação que será explorada em reportagem na pág. 27); Marcus Lavorato, – gerente de Relações Institucionais e Inteligência de Mercado da Cetip; Mauro Melo, CEO da Credilink; André

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Antonio Augusto de Almeida Leito, Pancho: diretor superintendente da ACREFI

Fábio Mentone: diretor do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Gustavo Ottoni, gerente de Negócios da Saque e Pague; e Mikhail Miroshnichenko, CEO da Wallet Factory, empresa internacional parceira da WebSIA. Após os agradecimentos iniciais do diretor superintendente da ACREFI, Antonio Augusto de Almeida Leito, o Pancho, a jornalista Christiane Pelajo – mediadora do encontro –, passou a palavra ao primeiro palestrante, Fábio Mentone, diretor do FGC. Ele, primeiramente, lembrou que um dos fatores preponderantes para a criação de um sistema de garantia de depósitos foi a grande crise que abalou o mercado financeiro em 1995. Essa iniciativa acompanhava uma tendência internacional surgida no início da década de 1990. Mentone fez questão de reforçar que o FGC é uma entidade civil sem fins lucrativos, voltada a administrar mecanismos de proteção de créditos depositados em instituições financeiras. Feita essa apresentação formal, Mentone falou a respeito da evolução do FGC nos últimos 21 anos, desde quando sua única atribuição era o pagamento dos depósitos classificados como garantidos, em caso de intervenção ou de liquidação da instituição financeira associada, até seu engajamento em outras atividades, que auxiliam na estabilidade do sistema financeiro. Hoje em dia, o FGC conta com 183 instituições associadas, equipe de 38 colaboradores, governança independente – conselheiros não ligados a instituições financeiras – e patrimônio líquido de R$ 48,2 bilhões, valor registrado em dezembro de 2015. “No final de 2015, o total dos depósitos elegíveis à garantia do FGC atingiu o volume de R$ 1,8 trilhão, 4,9% de crescimento em relação ao mesmo período de 2014. Já a base total de clientes totalizou 221,3 milhões. Com a limitação da garantia ordinária até R$ 250 mil,

novembro 2016 FINANCEIRO 23


roadshow Fotos: Luciano Piva

a cobertura alcançou 99,68% los novos em baixa, os finandos correntistas ou dos invesciamentos de automóveis, com tidores do sistema, que estão quatro ou cinco anos de uso, suplenamente cobertos”, inforperaram, desde o início de 2016, mou Mentone. os dos carros zero-quilômetro. Marcus Lavorato, da Cetip, Passado o coffee break, os iniciou a sua apresentação aos expectadores do road show da convidados da ACREFI abordanACREFI acompanharam a palesdo, preliminarmente, os efeitos tra de Mauro Melo, da Credilink, ainda preocupantes do períosobre a importância das ferrado de retração da economia do mentas disponíveis para proteMarcus Lavorato: País, sem deixar de identificar, ção das operações de crédito, gerente de Relações Institucionais e Inteligência porém, alguns fragmentos posegmento que continua evoluinde Mercado da Cetip sitivos para 2017. O Índice de do e se adaptando às necessiConfiança do Consumidor, da dades do mercado. “Para se ter FGV, por exemplo, que é a combinação da aná- uma ideia, há 18 anos, quando abri a Credilink, lise da situação presente com a percepção de a maioria dos pagamentos era feita por cheque. como as pessoas enxergam o futuro, releva Mesmo com a atual relevância das transações tendência de alta nos últimos meses, depois digitais, o cheque continua a ser monitorado de estabilizar-se após a forte queda registrada por nós. Até mesmo o carnê, que parecia extinem 2015. A taxa de desemprego, por sua vez, to do comércio, voltou a ressurgir nos últimos converge para números menos alarmantes. No tempos”, pontuou Melo. entanto, o rendimento do trabalhador brasileiro Sobre as fraudes, o CEO da Credilink lemainda permanece em queda. “Mesmo com me- brou que o uso indevido do CPF de terceiro connos dinheiro no bolso, o brasileiro parece um tinua sendo uma prática ainda muito comum, pouco mais animado com o futuro”, resumiu assim como a emissão de cheque sem fundo. Lavorato. Em 2015, o crescimento de registros de cheJá os dados relacionados à carteira de cré- que sem fundo atingiu 34,98% e até julho deste dito apontavam, ainda em julho deste ano, taxa ano, esse índice já tinha alcançado a marca de de crescimento negativo, de –13,9%, com sal- 18,90%. Outro cuidado com o qual as empredo de R$ 168 bilhões, aliás, o sas devem estar atentas é com menor nível dos últimos quatro o uso irregular de CPF de pesanos. No mesmo período, o prasoas mortas, principalmente zo das concessões de crédito nas compras pela internet. Fora manteve-se próximo da média as tentativas de crime, Mauro histórica e os juros para aquilembrou que os agentes que sição de veículos reflete, naoferecem crédito precisam esturalmente, os valores da taxa tar atentos a um comportamenbásica, com ligeira queda nos to recorrente do consumidor: o últimos meses. Esse cenário, círculo vicioso da inadimplêntransposto para o financiamencia. “Por falta de conhecimentos to dos veículos leves, apresenta básicos de educação financeira, tendência de queda, em contraaqueles que estão com seus posição, consequentemente, à cadastros negativados limpam Mauro Melo: taxa crescente do desemprego. seus nomes em programas de CEO da Credilink Com as negociações de veícurenegociação, voltam a contrair 24 FINANCEIRO novembro 2016


dívidas até tornarem-se, novamente, inadimplentes. É problema comportamental que só resolveremos com ações permanentes de orientação financeira”, recomenda Melo. Em seguida, foi a vez de André Gustavo Ottoni, da Saque e Pague, levar a sua mensagem ao público da ACREFI. Primeiramente, contou que a empresa, criada em 2011, é uma rede de autoatendimento multisserviços (bancários e não bancá-

rios). No entanto, faz questão de ressaltar que a Saque e Pague não se posiciona como vendedora ou locatária de ATMs (caixa eletrônico), coloca-se no mercado como recicladora de moedas. Isso pode ser entendido por meio de um exemplo simples: um depósito realizado em dinheiro, em um dos terminais da Saque e Pague, é liberado na conta do favorecido em menos de 40 segundos. Em seu histórico, a Saque

e Pague teve no ano passado um ganho bastante significativo para impulsão dos negócios, com um aporte de 40% do Grupo Stefanini, além do início das parcerias com a Zumm e com o Banestes. Focada no varejo qualificado, a empresa viu crescer, nos últimos 12 meses, seu número de terminais que pulou de 360 para mais de 900 unidades, André Gustavo Ottoni: com 32 milhões de transações gerente de Negócios da e R$ 9,5 bilhões em saques e Saque e Pague depósitos anuais, sem esquecer da adesão de outras duas recentes parcerias, os bancos BMG e Mercantil. Para concluir mais uma edição do road show da ACREFI, Mikhail Miroshnichenko, especialista em fintechs e CEO da Wallet Factory, apresentou os serviços de mobile oferecidos pela parceria WebSIA Wallet Factory, que permite gerir valores digitais originados de programas de recompensa ou de fidelidade e direcioná-los para pagamentos em contas, compras, serviços, cartões, etc. Os diferencias da WebSIA Wallet Factory garantem, entre outras coisas, conectar cartões bancários a carteiras digitais das principais bandeiras de cartões de crédito, como Visa, MasterCard e Amex; fazer pagamentos on-line pelo celular; efetuar pagamentos off-line, por meio de código QR (Quick Response), em diversos tipos de pontos de venda: grandes magazines, restaurantes, postos de combustíveis, etc. Simples de instalar, como os demais aplicativos, o serviço ainda consegue impulsionar as vendas de bens relacionados, reduz o tempo das transações, gera lucros adicionais, aumenta a fidelidade e a visibilidade das marcas pelo uso frequente do benefício. São beMikhail Miroshnichenko: nefícios da tecnologia em favor CEO da Wallet Factory, da melhoria dos resultados, da empresa internacional rapidez e da qualidade nas tranparceira da WebSIA sações digitais. f novembro 2016 FINANCEIRO 25


orientaçãofinanceira Fotos: FabioGois

Investimento nas

futuras gerações Evento organizado pela ACREFI, em São Paulo, discute a importância de disseminar, cada vez mais, entre as crianças e os jovens a orientação financeira e o consumo consciente Por Gustavo Girotto

O

s impactos da educação financeira e o uso sustentável do crédito, nos últimos anos, devido às mudanças significativas no perfil de renda da população e suas decisões de consumo, têm ganhado cada vez mais importância no cenário econômico. Atenta a esses movimentos, a ACREFI reuniu, dia 16 de setembro no Renaissance São Paulo Hotel, especialistas para debater o tema orientação financeira. O evento foi patrocinado pela Cetip, CNSeg e Credilink. Para Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, a sustentabilidade do crédito e o consumo consciente são pilares fundamentais para a manutenção de um bom ambiente financeiro. “No atual momento econômico, o uso responsável do crédito é um dispositivo importante para o crescimento do País. As empresas também têm papel importante nesse processo”, afirma Gonçalves. Ele mencionou que atualmente vivemos um período de retomada da confiança.

26 FINANCEIRO novembro 2016

Hilgo Gonçalves: presidente da ACREFI


“Precisamos trabalhar em cima de uma agenda única, em que os interesses do Brasil estejam em primeiro lugar. O crédito é um grande aliado no desenvolvimento do País. Devemos lembrar de onde estávamos e para onde queremos ir. Um dos nossos principais aliados é a sustentabilidade do crédito, ferramenta que permite a conquista de sonhos”, enfatizou o presidente da ACREFI, alertando para o detalhe de que as pessoas mais bem informadas levam, consequentemente, à redução da inadimplência. “Precisamos trabalhar cada vez mais pelo bom uso do crédito e a ACREFI apoia um movimento nacional em prol da educação financeira, concluiu Gonçalves”. Kiko Mistrorigo, diretor da TV PinGuim, um dos responsáveis pela criação da série brasileira Peixonauta, mostrou aos convidados do seminário promovido pela ACREFI a importância do conteúdo infantil como forma de educar as futuras gerações. “No passado, nós importávamos conteúdo de caráter infantil, mas hoje estamos na mão inversa, somos produtores e criadores. Algo educativo é transformador, uma vez que as crianças imitam os personagens. Além disso, aqui no Brasil, pais e filhos assistem tevê juntos. Dessa forma, podemos usar esse canal para educar as famílias”, frisou. Em um dos episódios da série Peixonauta, Mistrorigo tratou especificamente do uso adequado do dinheiro. “Usamos o entretenimento infantil para estimular de maneira lúdica o planejamento financeiro entre as crianças”, pondera Mistrorigo, que também coleciona muito sucesso com a série O Show da Luna!, uma menina de 6 anos totalmente apaixonada por ciências. Carlos Henrique Alves, gerente executivo

de Varejo – Microfinanças do Bradesco, falou sobre o empreendedorismo e a educação financeira como atitude de sucesso. “Precisamos criar uma sinergia entre quem consome e quem concede o crédito. Esperamos uma retomada da economia em 2017, que envolve a reconquista de 700 a 800 mil vagas de trabalho, e o crédito é parte desse processo”, pontuou. Alves projetou a importância de empreender com energia e com renovação, em um mundo no qual a informação é dinâmica. “O empreendedorismo faz parte desse crescimento, amparado em conceitos de orientação financeira. É um sistema de engrenagens, em que todas as instituições devem trabalhar de forma conjunta e coordenada, ajudando as pessoas a organizar e a estruturar sua vida financeira”, explicou o gerente executivo de Varejo do Bradesco. André Eduardo Demarco, diretor de Engenharia de Produtos, Serviços e Educação da BMF&Bovespa, falou a respeito dos benefícios da bolsa educacional para o desenvolvimento do mercado, em um ambiente de ensino contínuo. “Fazer todo mundo crescer é o que faz sentido. O processo de educação financeira passa pela contribuição individual de cada um. Poupança e investimento são importantes e, nessa trajetória, trabalhamos por meio do nosso instituto educacional a orientação financeira, com vídeos para crianças e adultos, e com cursos voltados para cada área de atuação do indivíduo”, detalhou Demarco. Isaac Sidney Menezes Ferreira, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central, mostrou dados que nos colocam entre os maiores países, em termos de alta diversidade socioeconômica. “Temos a novembro 2016 FINANCEIRO 27


orientaçãofinanceira quinta maior população do mundo, com 206 milhões de habitantes, dos quais 159 milhões são adultos. Desse contingente, 68% possuem conta no sistema financeiro e 34% deles são tomadores de crédito. Segundo Ferreira, quanto menor o nível educacional e a renda, menor é o acesso à internet. Entre os adultos (15-64 anos), 69% têm baixo padrão educacional, 27% são analfabetos funcionais e 42% são considerados de Kiko Mistrorigo: diretor da TV PinGuim

Carlos Henrique Alves: gerente executivo de Varejo – Microfinanças do Bradesco

André Eduardo Demarco: diretor de Engenharia de Produtos, Serviços e Educação da BMF&Bovespa

28 FINANCEIRO novembro 2016

Isaac Sidney Menezes Ferreira: diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central

nível elementar. O Brasil apresenta o menor percentual de adultos com poupança, comparado com outros países, até mesmo abaixo da América Latina. “Fortalecer o hábito de poupar é um desafio relevante”, afirmou. Um dos dados que preocupa, mediante análise do diretor do BC, é que os cidadãos de menor renda são os mais numerosos entre os tomadores de crédito. “Até três salários mínimos contabilizam 63,9% de tomadores de crédito; de três a cinco salários, 13,7%; de cinco a dez salários, 11,8%; e acima de dez salários, 7,7%. “Ou seja, temos um grande compromisso pela frente para inserir esses cidadãos em programas de orientação financeira”, reconheceu o diretor do BC. Ele finalizou mencionando ainda que educar é um trabalho desafiador, que exisge foco e sacrifício. “O Banco Central acredita que esse é um trabalho coletivo, em que os resultados dependerão da concordância e da união das instituições financeiras”. f


comemoração

Sucesso entre PEQUENOS E MÉDIOS INVESTIDORES

A

ACREFI acompanha e apoia a evolução das iniciativas que nascem dentro da instituição e comemora os R$ 30 milhões alcançados em captação pelo Poupa Brasil, plataforma digital de investimentos que oferece rentabilidade acima da caderneta de poupança e do tesouro direto. Para marcar o feito, Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, entregou uma placa come-

Foto: Paulo Giandália

Fundadora do Poupa Brasil, ACREFI comemora R$ 30 milhões captados pela plataforma digital de investimentos que oferece rentabilidade acima da caderneta de poupança e do tesouro direto

Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, e Claudio Ferro, CEO do Poupa Brasil

morativa para Claudio Ferro, CEO do Poupa Brasil. “É uma honra para nós vermos o êxito de um projeto do qual participamos desde o começo e que facilita o acesso dos pequenos e médios investidores a taxas de juros que antes só eram obtidas pelos grandes aplicadores do mercado”, afirma Gonçalves. “Nosso objetivo é oferecer uma maneira simples e fácil de os pequenos e médios inves-

novembro 2016 FINANCEIRO 29


comemoração tidores aplicarem seus recursos, sem necessidade de deslocamento, sem burocracia e com uma linguagem totalmente descomplicada”, explica Ferro. RDB via POUPA BRASIL RDB via Poupa Brasil CDB´s de Grandes Bancos Poupança Rendimento do período via Poupa Brasil

33%

Rendimento do período via Poupa Brasil

55%

Rendimento do período via Poupa Brasil

79%

R$ 17,9 mil

R$ 14,5 mil

R$ 13,3 mil R$ 11,5 mil Valor do Investimento Inicial R$ 10 mil

Tempo investido

12 meses

Remuneração atrelada ao CDI 110% em 1 ano

24 meses

36 meses

48 meses

112% em 2 anos

114% em 3 anos

116% em 4 anos

Além da ACREFI, como sócia fundadora do serviço, o Poupa Brasil conta com outros onze associados: Omni Financeira; Lecca Financeira; Portocred; Via Certa Financiadora; Agiplan Crédito e Investimento; Caruana Financeira; Dacasa Financeira; Estrela Mineira Crédito; Santana Financeira; Santinvest Crédito; e Banco Semear.

O sucesso dos R$ 30 milhões captados pelo Poupa Brasil é ainda mais importante ao olharmos a capilaridade dos investimentos, que começam a partir de R$ 1 mil até o limite de R$ 100 mil por CPF e por instituição financeira associada. “Se a quantia investida por uma pessoa superar os R$ 100 mil, a plataforma digital redireciona o valor entre duas ou mais instituições”, esclarece Ferro. Além disso, todas as operações do Poupa Brasil são registradas pela Cetip. Para ser ter uma ideia dos benefícios, um RDB (Recibo de Depósito Bancário) de R$ 10 mil, via Poupa Brasil, alcança nos primeiros 12 meses, a cifra de R$ 11,5 mil. Aos 24 meses, passa para R$ 13,3 mil, com rendimento de 33% no período. Aos 36 meses, atinge os R$ 15,5 mil, com ganho no intervalo de 55%. Ao final dos 48 meses, a valorização chega aos R$ 17, 9 mil, com aumento de 79%. Além do atrativo da rentabilidade, se alguma instituição tiver algum problema financeiro, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) assegura o investimento até R$ 250 mil por CPF. Pela atratividade e pela confiança já conquistada pelo Poupa Brasil, a ACREFI terá muitos motivos para comemorar novos feitos desse seu afilhado institucional. f

Fique ligado


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Para ler e reler

SEMPRE...

Cuidadosa do seu papel e da sua responsabilidade no mercado financeiro, a ACREFI publica seu Guia Anticorrupção, em que explora os conceitos relacionados ao tema, o histórico do combate ao ilícito, a legislação e sua regulamentação, além de um programa que facilita a aplicação de procedimentos que facilitam a transparência e o gerenciamento interno das empresas

Q

uem acompanha o trabalho da ACREFI sabe que a entidade trabalha em várias frentes para difundir diferentes temas relacionados ao universo do mercado financeiro e do crédito. Além das atividades nas comissões internas, dos seminários e road shows gratuitos, realizados em diversas capitais do País, a ACREFI apoia publicações, entre outras, do COAF e do Ministério da Justiça. No entanto, a sua mais recente novidade na área editorial é uma obra realizada internamente por alguns co-

laboradores da entidade: o Guia Anticorrupção ACREFI. Idealizado pela Comissão de Compliance e PLD-FT, o projeto contou com a colaboração de outros profissionais que fazem parte do grupo: Rosimara Raimundo Vuolo (Itaú-Unibanco), presidente do colegiado; Thiago Genda (Portoseg); Regina Araujo (Portocred); Rita Bittencourt (Caruana Financeira); Roberta Bueno (Santana Financeira); Solangela Cordeiro (Banco Yamaha Motor); Wellington Martins Flaviano (Sax Financeira); e Leonardo Abate (Banco CBSS). novembro 2016 FINANCEIRO 31


publicação

De forma prática e objetiva, o Guia Anti- corrupção no Brasil tenha retrocedido em sua corrupção apresenta uma visão geral sobre o última aferição, colocando o País em posição mais do que desconfortema e suas implicações, “Não restam dúvidas, tável no cenário interexplorando seu conceito, nacional, são inegáveis o histórico cronológico portanto, de que as os esforços empreendo combate à corrupção, instituições financeiras didos nas esferas legal o detalhamento da Lei devem manter seus e judicial na tentativa Nacional Anticorrupção, sistemas de controle de criar um ambiente do Decreto Presidencial atualizados, gerenciando os adequado de combate 8.420 e da regulamenriscos de forma agregada” a práticas ilícitas, o que tação estabelecida pela tende a produzir resulControladoria Geral da União, além da apresentação de um programa tados positivos no futuro próximo. Em outro ponto, Odilon afirma que o papel de integridade, que facilita a transparência e o gerenciamento interno, e do case de sucesso do das instituições financeiras é de inquestionável importância, o que pode ser corroborado pela sistema de compliance do Morgan Stanley. Para Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, própria Operação Lava Jato, que teve início a são indispensáveis para uma instituição finan- partir de uma comunicação de um banco, soceira a definição e a implementação de contro- bre uma operação cambial suspeita, ao COAF, les internos que minimizem a exposição a ris- órgão que tem por finalidade disciplinar, aplico de atividades ilícitas. “Esse material traça car penas administrativas, receber, examinar e uma linha racional, de maneira simplificada, de identificar ocorrências suspeitas de atividades como agir para prevenir um possível risco des- ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro. “Não restam dúvidas, portanto, de que as se tipo”, diz Hilgo. “É fundamental que cada instituição financeira debata o assunto e envolva instituições financeiras devem manter seus toda a sua equipe e se torne consciente de seu sistemas de controle atualizados, gerenciando papel frente ao combate a esses crimes. É uma os riscos de forma agregada. O guia, em sua batalha diária que deverá ser travada de forma introdução, confere a correta dimensão ao asconsciente e, unidos, sairemos vencedores des- sunto ao mencionar que estruturas de controsa guerra em prol da solidez do sistema finan- le bem-dimensionadas de acordo com o porte ceiro nacional e do bem-estar dos cidadãos”, e a complexidade de cada instituição conseguem, de forma econômica e eficiente, mitigar enfatiza o presidente da ACREFI. Em seu prefácio dedicado ao Guia Anticor- o risco da ocorrência de ilícitos em seus nerupção da ACREFI, o consultor Sergio Odilon, gócios e aumentar a percepção de valor para ex-chefe do Departamento de Regulação e Nor- o mercado, atraindo, simultaneamente, mais mas do Banco Central, lembra que não obstan- clientes e investidores”, destaca o consultor te o índice que mede a percepção do risco de sobre a obra publicada pela ACREFI. f

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cadastropositivo

TRUNFO DO CONSUMIDOR;

garantia do mercado Ilustração: Depositphotos

Regulamentado há três anos, o Cadastro Positivo é um diferencial importante daqueles que buscam juros menores e prazos mais elásticos nas negociações de crédito

N

ada como ter o nome limpo e poder usufruir do passaporte de bom pagador nas negociações de crédito com bancos, financeiras e varejistas. Promulgado pelo governo em 2012 – implantado um ano depois –, o Cadastro Positivo é um instrumento

importante para valorizar o potencial de crédito das pessoas e é essencial na hora de o cliente negociar a taxa de juros e o parcelamento dos financiamentos. Sem o Cadastro Positivo, bons e maus pagadores ficam nivelados e pagam juros e taxas parecidos.

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cadastropositivo Fotos: Divulgação

Mesmo com benefídas suas informações cios tão significativos, as do Cadastro Positivo. empresas que adminisAliás, nada impede que tram informações pesas pessoas liberem soais relacionadas ao seus dados para mais crédito, como a Serasa de um bureaux. Experian, a Boa Vista No entanto, em agosSCPC e o SPC Brasil, ainda to do ano passado, a Boa penam para atrair interesVista SCPC divulgou que sados em divulgar o histópossuía três milhões de rico de suas operações de adesões ao Cadastro Fernanda Monnerat: empréstimo e de finanPositivo desde que ocordiretora da Serasa Consumidor ciamento. Isso porque a reu a sua regulamentalegislação, com a intenção ção, há três anos. “Saber “A mesma lei que garante de proteger o consumidor, que a maioria dos conao consumidor o poder exige que ele assine uma sumidores inscritos no abrir, suspender ou cancelar autorização específica Cadastro Positivo honra o seu Cadastro Positivo para que seus dados do os seus compromissos também acaba sendo Cadastro Positivo sejam financeiros é animador. um fator inibidor para a compartilhados. Esse comportamento expansão do serviço” “A mesma lei que garandemonstra alto grau de te ao consumidor o poder consciência e de comabrir, suspender ou cancelar o seu Cadastro Positivo prometimento para com a sustentabilidade das também acaba sendo um fator inibidor para a finanças pessoais, e é benéfico para o mercado expansão do serviço”, diz Fernanda Monnerat, de crédito”, avalia Dirceu Gardel, diretor Jurídico diretora da Serasa Consumidor. “É por isso que da Boa Vista. desde o lançamento do Cadastro Positivo em Em outros países, como Estados Unidos, 2013, a Serasa tem feito campanhas regulares, Inglaterra, México, Chile e Peru, por exemincentivando a adesão, explicando os benefícios plo, a média de adesão dos consumidores ao do serviço e a segurança da lei que cerca os Cadastro Positivo está entre 90% e 100%. Isso consumidores que autorizam a divulgação de porque a legislação desses lugares não solicita seus dados por meio dos bureaux de crédito”, autorização prévia dos clientes, pois o comparconta Fernanda. tilhamento dos dados é obrigatório. Embora o Por uma questão estratégica, as empresas modelo brasileiro seja mais cauteloso, a expanque armazenam os dados dos clientes preferem são do Cadastro Positivo beneficiará principalser discretas quando se trata de noticiar o núme- mente as pessoas de menor poder aquisitivo, ro daqueles que autorizaram o compartilhamento pois essas pessoas têm mais dificuldade de 34 FINANCEIRO novembro 2016


“Saber que a maioria dos consumidores inscritos no Cadastro Positivo honra os seus compromissos financeiros é animador. Esse comportamento demonstra alto grau de consciência e de comprometimento para com a sustentabilidade das finanças pessoais”

comprovar a sua renda para o mercado”. e ainda continuam sendo A pesquisa identifiidentificadas entre aquecou também que o renlas que apresentam altos dimento da maioria dos Dirceu Gardel: índices de inadimplência. cadastrados (61,8%) diretor Jurídico da Boa Vista SCPC Para o consumirecebe até dois salários dor mais desconfiado, mínimos, mostrando Gardel esclarece que o que o Cadastro Positivo Cadastro Positivo não é muito bem visto pela reúne informações sobre população com menor movimentações bancápoder aquisitivo. Além rias, Imposto de Renda disso, o estudo detecou patrimoniais. Nele, tou que 15% das pesconcentram-se apenas soas que fazem parte os dados do comportada amostra têm entre mento de crédito, como 31 e 35 anos, 14,5% (26 a data da concessão do a 30 anos) e 12,9% (36 crédito, o valor concedido a 40 anos). pela instituição financeiAlém do esforço ra, as datas de vencimenfeito pela Serasa, pela to e de pagamento, etc. Boa Vista SCPC e pelo Tudo muito parecido com SPC Brasil nos últimos o cadastro de devedores, três anos, o benefício que contém as informado Cadastro Positivo ções das pessoas que estão com restrição de deve ganhar um novo impulso nos próximos crédito no mercado. meses. Isso porque os cinco maiores bancos Por sinal, um levantamento da Serasa apre- que atuam no País – Banco do Brasil, Bradesco, sentado há três meses revela que de uma Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e amostra de 3,087 milhões de consumidores Santander – movimentam-se para criar sua que abriram o Cadastro Positivo com a empre- própria empresa de gestão de dados relaciosa, 63,9 % não estão inadimplentes e 24,5% nados ao crédito, com grande poder para estidesse grupo não tiveram seu nome negativado mular, entre outras ações, a adesão dos cliennos últimos 24 meses. Na época, Fernanda tes ao Cadastro Positivo. Espera-se que essa Monnerat, do Serasa Consumidor, declarou: “O investida seja mais uma contribuição em favor estudo mostra que o consumidor compreendeu do consumo consciente do crédito, objetivo pelo o fato de que estar ou ter estado negativado qual a ACREFI tem se empenhado com grande não inviabiliza seus compromissos financeiros firmeza. f novembro 2016 FINANCEIRO 35


perfilcorporativo Foto: José Valdonir Correa/Divulgação

Foco na sustentabilidade

dos negócios

Criado há 61 anos, o Grupo Koerich reúne, em Santa Catarina, diversas atividades voltadas ao varejo. Entre elas, a Krediling, empresa de crédito constituída para financiar, com recursos próprios, as compras na sua rede de varejo. À frente do conglomerado está o patriarca Antonio Koerich

U

m negócio administrado por três gerações: pai, filhos e netos. É assim que o empresário Antonio Koerich, aos 80 anos, gosta de apresentar o Grupo Koerich, organização que fundou em Florianópolis (SC), dedicada ao varejo de móveis e eletroeletrônicos. Embora toque o dia a dia das empresas com a ajuda da família, é Seu Antonio quem mantém o controle do timão, que conduz 92 lojas, distribuídas em 43 cidades de Santa Catarina; 1.400 funcionários; um centro de distribuição de 30 mil metros² − investimento próprio de R$ 35 milhões −, em fase de finalização; um shopping center, o Beiramar, em Florianópolis; uma empresa de empreendimentos imobiliários, a WOA; e outra na área de credito, a Krediling, criada há 13 anos para financiar, também com recursos próprios, as compras dos seus clientes da rede de varejo. Tudo está interligado. “É preciso ter o domínio das peças, manter o controle muito próximo, com os departamentos totalmente integrados. Por isso, a nossa gestão é estruturada e profissional, sem perder o perfil popular, a simplicidade, a eficiência, a produtividade e zero de burocracia”, ensina Koerich. Outra marca da sua administração é o cuidado com que os pro36 FINANCEIRO novembro 2016

jetos são executados, nada é realizado de afogadilho. A tecla verde só é acionada depois que todos os estudos e testes foram realizados. “Nossa grande preocupação é estarmos sempre focados na diversificação das atividades, sem perder de vista a sustentabilidade do negócio. Por isso buscamos sempre agregar novas marcas e produtos ao mercado.” De olho nessa proposta de inovação permanente, a Krediling lançou, por exemplo, há dois anos, o cartão de crédito Koerich, com bandeira própria, que conta com um programa de relacionamento que envolve mais de 200 mil pessoas cadastradas. “São projetos como esse que nos ajudam a pensar no futuro. Já estamos planejando o nosso centenário. No entanto, tendo como premissa manter a empresa capitalizada, com foco em resultados. Costumo dizer que o futuro será o amanhã de hoje. Construímos uma história, uma tradição, uma credibilidade, alicerçados em nossas crenças e nossos valores. Por isso defendemos a ideia de que continuemos a ter a nossa administração na família, mas sempre apostando na profissionalização da gestão”, garante o patriarca Antonio Koerich. f


perfilcorporativo Foto: Divulgação

Direcionados

para o amanhã Fundada há mais de 30 anos, em Florianópolis (SC), a Santinvest foca em tecnologia e na qualidade dos seus serviços com o objetivo de tornar-se, em breve, no único banco privado, de capital 100% catarinense, atuando em Santa Catarina. Esse é o projeto do diretor-presidente Luiz Carlos Santiago

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uscar satisfação e credibilidade com o público, além de agir com responsabilidade, é uma preocupação diária de Luiz Carlos Santiago, diretor-presidente da Santinvest Participações, holding que reúne, em Santa Catarina, as empresas Santinvest Crédito, Financiamento e Investimentos e Santinvest Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

É dessa forma que o empresário há mais 30 anos procura fazer o melhor a cada dia. Outro diferencial do grupo é desenvolver soluções financeiras sob medida para seus clientes. “Essa nossa flexibilidade é decorrente do tamanho do grupo, que permite fugir dos modelos de prateleira oferecidos pelos bancos”, explica Santiago. “Hoje, o nosso foco, além do crédito consignado para clientes PF, são operações de recebíveis para PJ, sempre respeitando as características do empresariado catarinense, que é empreendedor e exigente no que diz respeito à reputação de seus parceiros”, reforça. Atenta ao futuro, a Santinvest acompanha de perto o movimento de modernização do mercado financeiro e tem se aproximado das fintechs que possam contribuir com esse salto tecnológico. “Estamos certos de que mudanças virão para tornar os processos mais amigáveis aos clientes, permitindo nos relacionarmos de maneira simples e direta”, garante Santiago. Embora a automação bancária no Brasil seja uma das mais avançadas do mundo, ele entende que a questão da modernização vai muito além da digitalização ou de uma solução mobile. “Esse pacote de tecnologia deve transformar a forma como concedemos crédito ou disponibilizamos investimentos aos nossos clientes. Depois desse movimento, estaremos prontos para focar em um plano estratégico maior, que é alimentado desde a fundação da Santinvest: nos tornarmos o único banco privado, de capital 100% catarinense, atuando em Santa Catarina”, prevê Santiago. Ao olhar para economia em 2017, o fundador da Santinvest enxerga nos próximos meses uma expectativa positiva. “Santa Catarina tende a antecipar tendências de queda ou de avanço da economia, pois tem uma homogeneidade maior em sua distribuição de renda, e felizmente os indicadores por aqui são positivos, revertendo perdas, estimulando o consumo, a produção e o emprego, evolução que o crédito naturalmente acompanhará.” f novembro 2016 FINANCEIRO 37


inovação

Ilustração: Depositphotos

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Encantos das fintechs

Com 55 milhões de brasileiros ainda fora do sistema bancário, plataformas digitais de serviços financeiros conquistam clientes pelo acesso fácil, custos baixos e zero de burocracia

E

las chegaram sem fazer grande alarde. Aos poucos, foram abrindo espaço e conquistando, cada vez mais, a confiança e a credibilidade dos clientes. Estamos falando das fintechs – combinação das palavras em inglês financial e technology – que oferecem serviços financeiros por meio de aplicativos, sem a necessidade da estrutura e dos trâmites administrativos dos bancos tradicionais. Tudo é resolvido por meio da internet. Seu sucesso é tão grande que, segundo estimativa da empresa de pesquisa Venture Scanner existem mais de 1.400 fintechs no mundo, das quais cerca de 130 estão no Brasil. E dados levantados pelo Goldman Sachs e pela Fintech Lab revelam que o segmento já captou US$ 30 bilhões e receita de mais de US$ 4,5 trilhões.

“São números que impressionam. Em boa medida, o surgimento e o crescimento das fintechs podem ser relacionados aos efeitos da crise de 2008. E, felizmente, esse movimento se consolidou e o cliente passa a ter alternativas aos bancos tradicionais”, observa Cesar Akira, professor de Inovação da Saint Paul Escola de Negócios. “Ao contrário de outras bolhas de investimentos do passado, as fintechs conseguiram identificar necessidades muito específicas dos clientes, como comodidade e condições financeiras mais atraentes, comparadas às praticadas pelos bancos tradicionais. Além das transações básicas, as fintechs oferecem outras possibilidades, como tecnologia para auxiliar no controle financeiro e noções de educação financeira”, explica o especialista.

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inovação

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Foto: Mário Bock

Foto: Divulgação

No Brasil, os exemplos mais populares de fintechs são o Banco Original e o Nubank, mas existem outros modelos também de muito sucesso, como é o caso da ZUUM, joint-venture entre a MasterCard e Telefônica/Vivo, que há mais de três anos oferece serviço de conta-corrente digital voltado para clientes de baixa renda, não Eduardo Abreu: bancarizados, mas portadores de celular. diretor de Produtos e É um senhor mercado, afinal um levantaMarketing da ZUUM mento do Instituto Data Popular revelou que no País existem 55 milhões de brasileiros fora do sistema bancário e movimentam co 24 Horas, transferência de dinheiro, recarga de cerca de R$ 665 bilhões por ano. Foi exatamente bilhete de transporte, etc.”, conta Eduardo Abreu, nesse quinhão do mercado que a ZUUM atraiu mais diretor de Produtos e Marketing da ZUUM. “Realide 600 mil usuários, dos quais 150 mil possuem o zamos 90% das operações bancárias, só não temos cartão e 140 mil estão ativos – ou seja, que movi- financiamento e investimento”. A falta desses dois mentaram a conta nos últimos três meses. benefícios, no entanto, não prejudicou em nada o “O nosso perfil de clientes são homens e mulhe- crescimento de 140% da empresa em 2015. res, de 18 a 30 anos, universitários ou com segundo Além da ZUUM, o professor Cesar Akira, da grau completo, que conseguem por meio do nosso Saint Paul Escola de Negócios, lembra de outras serviço, sem pagar tarifas, realizar a maioria dos fintechs que também exploram com sucesso esse serviços bancários: pagamento de boletos, conta de nicho por aqui, como a Controly, a PayPal, a Contaluz, de água e de celular, saques nos caixas do Ban- Super, a ContaAzul, a Vérios, o GuiaBolso, o Minuto Seguros, a Geru e o F(x). “As características de mobilidade e as vantagens financeiras entre elas variam, mas os benefícios estão presentes em todos os casos. Por isso, considero as fintechs brasileiras muito competitivas, mesmo quando comparadas com seus pares globais”, avalia Akira. Ao olhar para os próximo cincos anos, o especialista acredita em um movimento de consolidação do setor por meio de aquisições. Isso por conta da disponibilidade financeira dos bancos e do incômodo que essas empresas causarão em futuro breve. Além disso, os grandes bancos têm um movimento bem organizado de conexão com essas startups. O Itaú já abriga 55 delas no Cubo, programa de coworking e inovação da instituição. O Bradesco, por sua vez, tem a InovaBRA, como aceleradora, e o Santander investe em um laboratório de inovação. “Do ponto de vista de negócios, parece fazer sentido, pois há oportunidades de siCesar Akira: professor nergia e potencial ampliação da base de clientes. de Inovação da Saint Paul Do ponto de vista do cliente, um cenário com mais Escola de Negócios competidores torna-se ainda mais interessante”, conclui Akira. f


artigo* Ricardo Silva

Fintechs e ÓRGÃOS REGULADORES

Enviado em 12/9/2016

A

atuação dos órgãos reguladores e de supervisão do Sistema Financeiro Nacional, no campo das startup relacionadas às fintechs vem aumentando na medida em que cresce o interesse da população por essas inovações e a consequente necessidade em se entender esse novo modelo de negócio e os riscos inerentes a essas operações. Fica claro que não existe a intenção, por parte dos reguladores e dos supervisores, de parar ou interferir, restritivamente, no processo de inovação de tecnologias proporcionado por esses novos agentes de mercado. Entendem que, para a economia ser revigorada e competitiva, necessita haver o desenvolvimento do processo de inovação tecnológica, observa, contudo, a procedimentos que visem reduzir os riscos oferecidos pelos novos produtos ou serviços colocados à disposição do cidadão. No Brasil, onde podemos observar uma maior concentração de fintechs nos meios de pagamentos, foi editada a Lei 12.865, de 2013, que possibilitou a participação do setor de telecomunicações na oferta de serviços de pagamento, gerando ao cidadão não detentor de conta bancária, a possibilidade de participar de novas tecnologias ancoradas em celulares e outros sistemas móveis de sua propriedade. A referida lei e os normativos dela decorrentes, editados pelos reguladores, criam um ambiente de inovação e competição que proporciona uma maior oferta de serviços de pagamentos e transferências de valores executados por intermédio de empresas não financeiras, contribuindo, assim, para o processo de inclusão financeira, princípio este assegurado pelo artigo 7º da Lei 12.865, de 2013, observados os padrões de qualidade, segurança e transparência. O Banco Central do Brasil, em termos regulatórios, optou pela atuação escalonada quanto

aos arranjos de pagamentos, tendo em conta o potencial risco ao normal funcionamento das transações de pagamento no varejo, de forma a garantir a inovação, a diversificação e o funcionamento Ricardo Silva: seguro e eficiente. Nesse sócio da JL Rodrigues, Carlos sentido, estão sujeitos Átila & Consultores à regulação apenas arAssociados. ranjos que apresentem números superiores a R$ 500 milhões de valor total de transações ou 25 milhões de transações, acumulados nos últimos 12 meses, entre outros parâmetros aplicados pela autarquia. A tendência do Banco Central é de também acompanhar a evolução desse mercado de fintechs e entender seu processo, sem, no entanto, abandonar as preocupações relacionadas à segurança nas operações, à privacidade de dados, à qualidade da informação prestada ao usuário e à observância de outras regras de compliance. No campo das fintechs que atuam no mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instituiu, em junho de 2016, o Núcleo de Inovação em Tecnologias Financeiras (FinTech Hub), com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento e a aplicação das novas tecnologias financeiras nesse mercado. Diante dessa nova tendência mundial e do fato de que essas novas tecnologias financeiras podem criar novos produtos, mercados e promover transformações em modelos de negócios tradicionais, é fundamental que os órgãos reguladores atuem de maneira proativa, avaliando os possíveis impactos nos mercados financeiro e mobiliário a serem eventualmente regulados. f

*Os artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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FAVORITO DOS

curitibanos

Com uma área erguida de 35 mil metros2, o Museu Oscar Niemeyer atrai média anual de 330 mil visitantes e é considerado por 35% da população da capital paranaense a construção mais bonita da cidade

Foto: Marcello Kawase/MON

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cultura Foto: Joel Rocha/MON

N

ão faltam boas referências artísticas em Curitiba, mas, desde 2002, a capital paranaense ganhou mais um motivo para se orgulhar do seu patrimônio cultural: o Museu Oscar Niemeyer ou simplesmente MON, como é chamado por muitas pessoas. Sua história, porém, começa bem antes. Ainda em 1967, Niemeyer projetou no local um prédio, que foi inaugurado 11 anos depois e recebeu o nome de Edifício Humberto de Alencar Castello Branco. No entanto, em 2001, o Estado do Paraná resolveu remover os

gabinetes do governo do prédio e transformar o espaço em museu. Feitas as adaptações necessárias, o projeto ganhou um anexo, também idealizado por Niemeyer e chamado popularmente de Olho. Batizado inicialmente por Novo Museu, o local não demorou a se tornar uma homenagem oficial dos paranaenses ao grande arquiteto. Tendo ao fundo a área verde do Bosque do Papa / Memorial Polonês, o MON tem mais de 35 mil metros² de área construída. Ou seja, é a moldura perfeita de uma obra de arte.

Foto: Marcello Kawase/MON

PROGRAMAÇÃO Com uma média anual que ultrapassa os 330 mil visitantes, o MON conquistou de tal forma a população de Curitiba que uma pesquisa encomendada no ano passado pelo Jornal Gazeta do Povo revelou que o museu é a construção mais bonita da cidade, indicado por 35% dos entrevistados. E sua programação também faz jus à beleza do conjunto arquitetônico. Atualmente, o espaço abriga, entre outras novembro 2016 FINANCEIRO 43


Foto: Carlos Renato Fernandes/MON

atrações, uma exposição interativa inédita sobre vida e obra de Oscar Niemeyer, com seus principais projetos e alguns que ainda não foram concluídos; uma mostra com retratos de personagens que contribuíram para a construção da identidade de Curitiba; e a exibição de MAC MON – Um Diálogo, com 55 obras dos acervos do MON e do Museu de Arte Contemporânea do Paraná, com destaque para trabalhos de Arcângelo Ianelli, Juliana Stein, Daniel Senise, Eliane Prolik, Emanoel Araújo e Maria Bonomi.

Foto: Leonardo Finotti/MON

LAVA JATO Em tempos de Operação Lava Jato, a Justiça Federal tem determinado que os quadros e as esculturas apreendidos nas residências e nos escritórios dos envolvidos na investigação devem permanecer sob a guarda do Museu Oscar Niemeyer. Entre as obras apreendidas, há cinco gravuras de Salvador Dalí, quadros de Vik Muniz, Cícero Dias e Amílcar de Castro. Só essa coleção vale aproximadamente R$ 20 milhões. Os investigadores suspeitam que as obras de arte foram usadas para lavagem de dinheiro.

ESTRUTURA Para comportar tantas exposições simultâneas, a estrutura do complexo do MON é bem dividida e planejada. O prédio principal comporta três pavimentos. 44 FINANCEIRO novembro 2016

TÉRREO Na extremidade Norte, estão a bilheteria, o café e a lojinha com os suvenires do MON. Na ala Sul, ficam a entrada do museu e o salão de eventos. PRIMEIRO PISO O pavimento abriga nove salas de exposição, que têm acesso por meio de escadas, rampas e elevador, facilitando a circulação de portadores de necessidades especiais.


cultura

Museu Oscar Niemeyer Rua Marechal Hermes, 999 Centro Cívico – Curitiba (PR) Tel.: (41) 3350.4400 www.museuoscarniemeyer.org.br

SUBSOLO É aqui que se encontra a exposição permanente de projetos, fotos e maquetes de obras do arquiteto, batizado de Espaço Niemeyer. O espaço também comporta um pequeno auditório, as salas administrativas, a

área do Projeto Ação Educativa, em que são realizados cursos e oficinas e, ainda, o pátio das esculturas. ANEXO Instalado à frente do edifício principal e interligado por um túnel, o anexo, conhecido como Olho, tem 30 metros de altura e é estruturado em concreto e vidro, com quatro pavimentos. O salão principal possui 1,5 mil metros² para exposições e a estrutura se completa com o Espaço Araucária e mais um miniauditório. f novembro 2016 FINANCEIRO 45


supermáquinas Foto: Divulgação

Estilo country da Mercedes-Benz A

Mercedes-Benz saiu da zona de conforto. A montadora alemã, em parceria com o grupo Renault-Nissan, acaba de divulgar sua estreia no segmento de picapes médias. Chamado de Classe X, o protótipo do novo modelo foi apresentado dia 25 de outubro, na Suécia, e só deve chegar por aqui no início de 2018, produzida na linha de montagem da Renault em Córdoba (Argentina). Com cabine dupla e comodidade para cinco passageiros, a Classe X, aparentemente, foi pensada mais para os motoristas que desejam uma picape para apresentar aos amigos do que para transportar carga. Isso fica bem evidente ao analisarmos o requinte de seu acabamento interno, em couro, madeira, alumínio polido e escovado. Seus equipamentos embarcados também lembram o pedigree

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Mercedes-Benz, câmeras, sensores de obstáculos, radar, central de conectividade com smartphone e tablete, além enviar sinal por GPS para identificação do local em que o veículo está estacionado. Ao levantar o capô, a versão top da Classe X terá motor V6 turbodiesel, câmbio automático de sete velocidades. Haverá outras opções de motores quatro cilindros a gasolina e diesel, ambos turbo, associados a um câmbio manual. A tração será 4x4 e capacidade de carga é de 1,1 tonelada e a força de tração, de até 3,5 toneladas. Seu chassi, porém, é convencional, semelhante ao usado na S10 ou na Ranger. Dois detalhes importantes, a montadora alemã preferiu não divulgar: os dados de potência e o preço. Só nos resta agora esperar para conhecer de perto o estilo country da Mercedes-Benz. f


livros Remando contra a maré Os construtores da democracia brasileira

A

construção da democracia no Brasil foi Autor: Luiz Felipe d’Avila resultado da obra de pesEditora: Moderna soas que tiveram a coragem e a capacidade de enfrentar grandes desafios para trazer progresso ao País. José Bonifácio, Joaquim Nabuco, D. Pedro II e o trio paulista, Prudente de Moraes, Campos Salles e Rodrigues Alves, são

exemplos de homens que revelaram a convicção profunda nos valores democráticos e nos princípios éticos que moldaram a política nacional. Nesse livro, o cientista político Luiz Felipe d’Avila revela tudo o que separa essas figuras fundamentais da nossa história daquelas interessadas apenas no poder, colocando em pauta o real significado de valores como liberdade e democracia. f

Fora da curva Autor: Carlos Maranhão Editora: Cia. das Letras

os segredos dos grandes

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rganizado pelo investidor Florian Bartunek, pelo advogado Pierre Moreau e pela jornalista Giuliana Napolitano, o livro reúne depoimentos de alguns dos maiores investidores do País, como André Jakurski, Antonio Bonchristiano, Luis Stuhlberger, Guilherme AffonAutores: Florian Bartunek, so Ferreira, Guilherme Aché, José Pierre Moreau e Giuliana O Dono da Banca Carlos Reis de Magalhães Neto, Luiz Napolitano o auge do seu império na EdiFernando Figueiredo, entre outros. Editora: Portfolio Penguin tora Abril, Roberto Civita teve No total, eles administram cerca de 80 bilhões de reais. Muitas dessas personalidades mais de 300 títulos e 10 mil funcionários. Exsão avessas a entrevistas, mas decidiram contar tremamente criativo, curioso, grande formador a história de suas carreiras a fim de compartilhar de talentos, homem de convicções fortes, mas valiosas lições de negócios. Outro atrativo da publi- avesso a confrontos, Civita redefiniu o jornalismo cação é o prefácio do megainvestidor Jorge Paulo no Brasil ao criar publicações como Veja, Quatro Rodas, Exame e Realidade e por influenciar os Lemann, controlador da AB InBev. f rumos do País e da sociedade por meio desses veículos. Desde as suas origens familiares na burguesia italiana à crise da mídia impressa no O Juiz Sergio Moro e os início do século 21, Carlos Maranhão reconstitui, com elegância, isenção e rigor na apuração, os Bastidores da Operação acertos e os equívocos desse personagem tão fundamental da mídia brasileira. f que Abalou o Brasil

ROBERTO CIVITA

N

LAVA JATO

Autor: Vladimir Netto Editora: Primeira Pessoa

S

e os seus filhos estão cursando entre o 6º e o 9º ano do Ensino Fundamental II, converse com a professora ou indique para a escola o livro Lições de Valor – Educação Financeira Escolar. Especialista no tema, a educadora Andy de Santis propõe iniciativas que estimulam o uso consciente do dinheiro e promovem a cultura da educação financeira. Além das atividades para os alunos, o título oferece também um portal exclusivo para a família com ferramentas, planilhas, textos e orientações para melhorar sua relação com o consumo e com o dinheiro. f novembro 2016 FINANCEIRO 47


Dicas exclusivas do Professor Marcio Atalla

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Após realizar exames de rotina, quais são exercícios indicados para quem deseja abandonar o sedentarismo? O principal da atividade física é que ela seja feita com regularidade, e que seja fonte de prazer. O tipo de exercício quem escolhe é o praticante, conforme seu gosto, sua disponibilidade. Se for feito com frequência, trará os benefícios à saúde e à boa forma.

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Até que ponto o exercício físico ajuda a reduzir o estresse diário? Ajuda bastante. Não apenas a reduzir o estresse, como melhora o humor, a autoestima e a qualidade do sono, e todos esses fatores juntos aliviam bastante o estresse a pressão do dia a dia.

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Passar fome ajuda no controle do peso? Não, só atrapalha, na verdade. Para se perder ou manter o peso, é preciso, antes de mais nada, que se tenha uma relação “amigável” com a alimentação, sem culpa, sem necessidade de sacrifícios, sem grandes mudanças. Que tal ter mais cuidado na hora de fazer o prato, e substituir pequenas coisas? Uma carne grelhada ou empa-

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nada? Um legume no vapor ou com molho de 30 queijos? Ou seja, equilíbrio e inteligência na hora de fazer as escolhas é o caminho. Passar fome ou se privar de alimentos só gera compulsão, o que acaba levando as pessoas a comerem escondidas ou de forma descontrolada.

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Abdômen dilatado deve ser motivo de preocupação? O abdômen é um músculo que pode ser distendido, ou seja, pode ficar “inchado” com excesso de alimentos e líquidos. Se permanecer assim por mais tempo que o normal, deve-se consultar um médico. Mas, se for uma questão postural, o pilates é uma boa maneira de resolver. Se for permanente, pode-se tratar de hérnia na região do abdômen.

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Quais são os benefícios de manter o corpo bem hidratado? Qual é a quantidade ideal de líquido que deve ser ingerido diariamente? A água auxilia o corpo em quase todas as suas funções, sobretudo as de transporte. Logo, um corpo hidratado funciona melhor, elimina mais toxinas, faz o intestino funcionar bem, hidrata a pele. Não existe uma quantidade padrão, mas beber um copo, que não precisa ser grande, a cada hora é uma boa maneira de manter a hidratação em dia. f

Foto: Divulgação

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Qual é a dieta mais adequada para as pessoas que devem controlar o colesterol? Não gosto de dietas. Acho que podemos falar em trocas inteligentes e ingestão de alguns alimentos que ajudam de fato a reduzir o colesterol. Por exemplo, consumir maçã, aveia, laranja, outros alimentos ricos em fibras solúveis, regularmente, reduz a taxa de colesterol. Ao mesmo tempo, reduzir alimentos ricos em gorduras saturadas, como carnes, e embutidos, e ter atenção ao consumo de álcool.

Foto: Shutterstock

saúde

Marcio Atalla é Professor de Educação Física, com especialização em treinamento de alto rendimento, e pós-graduação em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP). É também consultor da TV Globo


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Ponto de Criação

SONHAR Kaike, paciente do GRAACC, com Reynaldo Gianecchini

CERCA DE 70% DE CURA, 90% DE PACIENTES DO SUS E REFERÊNCIA NO TRATAMENTO DO CÂNCER INFANTIL COM A AJUDA DE MUITA GENTE, AMPLIAMOS O NOSSO HOSPITAL E AS CHANCES DE RECUPERAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER. NOSSO ORGULHO É PODER MOSTRAR A CADA DOADOR QUE SUA CONTRIBUIÇÃO É INVESTIDA COM MUITA RESPONSABILIDADE PARA OFERECER AOS PACIENTES, COMO O KAIKE, UM TRATAMENTO DIGNO, HUMANO E COMPARADO AOS MELHORES DO MUNDO. JUNTE-SE A NÓS! SEJA UM DOADOR.

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1991

1998

2013


artigopalavrafinal este início de efetividade do governo Temer, o cenário de conjuntura ainda é diverso: o “ajuste fiscal” tem avanço circunstancial, a economia ainda está fragilizada, mas as expectativas seguem positivas. Em paralelo, continuam as investigações e prisões da Operação Lava Jato, que trazem o risco do imprevisto ao cenário político e econômico. O governo começa a avançar em sua “ponte para o futuro”; mas, ainda com dificuldades para ampliar e acelerar ações para efetivo resgate da confiança e recuperação do crescimento econômico. O principal avanço de agenda foi legislativo, priorizando aprovação da PEC do Teto de Gastos, que segue positivamente no Congresso Nacional com conclusão prevista para fim de novembro no Senado. Contudo, as votações estão sujeitas à volatilidade no apoio político, condicionado por interesses diversos. Mesmo assim, o ajuste fiscal segue na direção da sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos; mas, requer complementaridade da reforma da previdência, tema difícil de negociar e aprovar sem amplo apoio popular. O PIB ainda estava em queda significativa no 3º trimestre, frustrando expectativas de estabilização no período, gerando incerteza sobre possibilidade de tênue recuperação no 4º trimestre de 2016. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) contraiu 0,91% em agosto, em relação a julho, interrompendo bruscamente certa estabilidade desde maio. O setor de Serviços (IBGE) retraiu 1,6% em agosto em relação a julho (3,9% em re-

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lação a agosto de 2015). O volume de vendas no Varejo Restrito (IBGE) recuou 0,6% em agosto contra julho (recuo de 6,7% em 12 meses) e o Varejo Ampliado recuou 2,0% (10,2% em 12 meses). As revisões do PIB têm sido para pior, em função desses e de outros dados de conjuntura que evidenciam retardo na estabilização para posterior recuperação da economia. Nossa projeção atual do PIB é de -3,3% para 2016 e de 1,7% para 2017. Mesmo com a difícil conjuntura para empresas e famílias, afora finanças públicas em forte deterioração, os índices de confiança empresarial e ao consumidor tem tido evolução positiva embalados pelo novo governo, sua proposição de resgate da economia, correção de preços relativos. Esse é quadro recentemente ampliado pelo avanço do ajuste fiscal, pelas expectativas de atração de investimento externo, queda da inflação e por perspectiva de queda de juros. Os mercados de câmbio e Bolsa de Valores têm precificado essas expectativas positivas. Em outubro o COPOM iniciou cautelosamente o corte da taxa de juros com redução de 0,25% para 14% ao ano. As razões são que, embora a inflação esteja em queda especialmente em alimentos, o ajuste fiscal ainda está em curso inicial e os preços de serviços estancaram sua queda. Dia 30 de novembro o COPOM poderá ainda manter cautela, mas estima-se que será agressivo no corte de juros ao longo de 2017. O crédito total no SFN deverá expandir entre 5% a 8% nominal com a redução de juros e avanços na agenda macro e microeconômica. f

Artigo concluído em 23/10/2016

Nicola Tingas: Consultor econômico da ACREFI

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N

CORRIDA de obstáculos


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Financeiro 100 / Novembro 2016  

A revista do crédito

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