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Jornal da Universidade Federal de Ouro Preto

Edição 192 - novembro e dezembro de 2013

Do ensino médio para congressos científicos PÁGINA 5 Isadora Faria

A UFOP investe em iniciação científica júnior voltada para alunos que ainda não ingressaram na graduação. Com a pesquisa, o estudante pode testar técnicas e teorias aprendidas em sala de aula, além de auxiliar na escolha da profissão.

Pesquisa: concentração de metais na neblina

Sustentabilidade: reaproveitamento de equipamentos

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Entrevista:

Mais de 290 novas vagas em PÁGINA 7 moradias federais

Romero César Gomes: prevenção contra as chuvas

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Recredenciamento institucional Assistência estudantil destaca-se com conceito máximo entre as dimensões avaliadas pela Comissão do MEC

O que é ser melhor? Entre as melhores do País pelo ranking do jornal Folha de São Paulo, algumas boas estrelas pelo ranking da Editora Abril, nota máxima nos cursos de Direito e Jornalismo na recente divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e, assim, sucessivamente, vamos caminhando na busca de uma Universidade sempre melhor. Entendo a importância das avaliações, sejam públicas ou privadas, fico feliz por estarmos ganhando projeção pela qualidade de nossos cursos, mas, diante dos desafios que precisamos superar – não apenas a UFOP -, sinto que, se pensarmos nesses processos de avaliação como simples disputa entre instituições, estaremos seguindo uma direção nada saudável em termos de construção de um país que promova a pesquisa, a extensão, a cultura, a inovação, a inclusão e a inserção social. As universidades públicas têm o desafio de inovar, quebrar paradigmas, enfim, promover ações, muitas vezes nada conservadoras, nem sempre contempladas nas metodologias de avaliação. Consideremos a hipótese de que uma instituição de ensino fundamental, médio ou superior, pública ou privada, organize-se para aumentar radicalmente, em suas salas de aula, a inclusão de pessoas com deficiência. Vamos supor, ainda, que essa instituição estivesse, até então, sempre no topo de um ranking, de acordo com as metodologias em curso e, que, de repente, despencasse da primeira para a 20ª posição. Aí vem a questão: essa instituição realmente piorou ou o nosso sistema não foi capaz de aferir a profundidade dos desafios da inclusão? Parti de exemplo bastante radical para balizar uma preocupação que deve estar latente na cabeça de muitos educadores, mas pouco explícita em ciclos de discussão acerca da matéria. É inegável que as avaliações, ao indicarem os pontos fracos de uma organização, permitem aos gestores buscarem soluções para torná-la mais forte, melhorando sobremaneira a qualidade de suas ações. Recentemente, recebemos uma comissão do MEC para o recredenciamento de nossa Instituição, o primeiro de nossa história. Pelo relatório encaminhado, e a nota 4 concedida, que nos orgulha, percebemos a importância do processo avaliativo, pois os aspectos que precisam ser melhorados ficam evidenciados, facilitando, assim, a tomada de decisões para corrigi-los. No entanto, da maneira como essas questões são quase sempre tratadas na mídia, nas redes sociais, nas relações interpessoais, enfim, nos vários ciclos de formadores de opinião, vejo ações inibidoras para um debate mais plural. Se buscarmos soluções realmente transformadoras – que agreguem à educação de qualidade quesitos como igualdade de oportunidades e inclusão, como meios de se fortalecer uma democracia mais participativa, e, consequentemente, um país melhor –, como dever de casa - precisamos, urgentemente, trabalhar para que tais valores tenham lugar de destaque nos processos metodológicos de avaliação. Isso é necessário de forma a não deixar que o ranking apareça como carro-chefe de um processo que é muito mais complexo, subjetivo, abrangente, relevante e estratégico quando pensamos a Educação. Marcone Jamilson Freitas Souza Reitor

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ção positiva traz novos desafios para a Universidade: “O conceito 4, obtido pela UFOP, numa primeira análise, demonstra que estamos no caminho certo e, ao mesmo tempo, mostra desafios que precisamos vencer, principalmente no que se refere aos processos de avaliação interna. A partir desse resultado positivo, podemos planejar o desenvolvimento da Universidade para os próximos anos, garantindo melhorias e solução de problemas”. O recredenciamento faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e está sendo realizado em diversas universidades federais brasileiras. Vários aspectos são observados e avaliados pela comissão, como missão e plano de desenvolvimento institucional (PDI); política para o ensino; responsabilidade social da instituição; organização e gestão; infraestrutura física e sustentabilidade financeira.

Coluna do Museu Maquete de Alto-forno Utilizados como instrumentos didáticos de demonstração nas aulas, a Escola de Minas importou (sobretudo da França) diversos modelos de ensino no final do século XIX e início do XX. No Setor de Metalurgia do Museu de Ciência e Técnica, por exemplo, encontra-se à disposição do público a maquete de um alto-forno, estrutura industrial que produz o ferro-gusa utilizado no processo de fabricação do aço. Os Setores de Metalurgia, Química, História Natural, Mineralogia, Mineração, Física e Ciência Interativa estão abertos à visitação pública de terça a domingo, das 12h às 17h. Já o Observatório Astronômico funciona aos sábados, das 20h às 22h. O Setor de Transporte Ferroviário funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, na Estação Ferroviária de Ouro Preto do Projeto Trem da Vale. O Setor de Siderurgia, localizado no Parque Metalúrgico Augusto Barbosa - Centro de Artes e Convenções da UFOP -, atende ao público no mesmo período, mediante agendamento. Escolas e grupos podem agendar visitas em horários e dias a combinar pelo contato: Telefone: (31)3559-3118 E-mail: museu@ufop.br Site: www.museu.em.ufop.br

Leo Hemssi

EDITORIAL

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) conquistou conceito 4 na avaliação de recredenciamento, como Instituição de Educação Superior, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (Inep). A visita dos avaliadores foi encerrada em 27 de novembro e o relatório enviado à Instituição, registra o bom desempenho da Universidade, considerado além do referencial mínimo de qualidade. Entre as dimensões analisadas, a política de atendimento aos discentes foi o item de melhor avaliação, obtendo conceito máximo (5). De acordo com o relatório, as ações de acompanhamento e atendimento aos alunos correspondem ao que está proposto no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e apresentam, em termos de qualidade, um desempenho muito além do que é exigido pelo sistema do MEC. Para o reitor Marcone Jamilson Freitas Souza, a avalia-

PUBLICAÇÃO OFICIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO Reitor: Prof. Dr. Marcone Jamilson Freitas Souza Vice-reitora: Prof. Dr. Célia Maria Fernandes Nunes Coordenador de Comunicação Institucional: Chico Daher ACI: Verônica Soares, Mariana Petraglia, Fernanda Matias, Rondon Marques Edição: Ana Paula Martins – MTb 12533 Projeto Gráfico: Mateus Marques Diagramação: Rafa Buscacio Redação: Ana Paula Martins, Bruna Sudário, Fernanda Mafia, Fernanda Marques, Júlia Mara Cunha, Mariana Borba, Tamara Pinho

Colaboração: Aldo Damasceno, Ana Elisa Siqueira, Brunello Amorim, Caroline Antunes, Douglas Gomes, Flávia Gobato, Isadora Faria, Júlia Cunha, Marília Ferreira, Nathália Viegas Núcleo Administrativo: Pedro Alexandre de Paula, Marco Antônio do Nascimento, Jeiniele Souza, Richard Dias Revisão: Ana Paula Martins Tiragem: 1.000 exemplares Impressão: MJR Editora e Gráfi ca Coordenadoria de Comunicação Institucional (CCI) Campus Morro do Cruzeiro, Ouro Preto – MG – CEP 35.400-000 Tel: (31) 3559-1222/1223 E-mail: aci@ufop.br Site: www.ufop.br

Edição 191 - setembro e outubro de 2013


Pesquisa inédita no mundo UFOP firma parceria com pesquisadores estrangeiros para estudo sobre a concentração de metais na neblina e seus efeitos no ecossistema Júlia Mara Cunha

Já imaginou como a concentração de metais na neblina pode influenciar ou mesmo prejudicar o desenvolvimento de plantas? Foi pensando nisso que a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em parceria com três pesquisadores da Technische Universitat Munchen, da Alemanha, e dois da University of Tartu, na Estônia, vão desenvolver um estudo inédito no mundo sobre os efeitos da incidência desses elementos na neblina em Ouro Preto. A pesquisa, idealizada pela professora do Departamento de Biodiversidade, Evolução e Meio Ambiente da UFOP, Alessandra Rodrigues Kozovits, objetiva a análise das plantas e os efeitos causados pelos metais que recebem por deposição úmida, especialmente via neblina. Os cientistas esperam verificar como diversos aspectos ecológicos foram modificados. “Teremos uma ideia de qual tipo funcional de plantas e microrganismos de solo, por exemplo, devem compor o ecossistema local num cenário futuro de aumento da concentração de metais na neblina e seus efeitos sobre a diversidade, as interações biológicas e o funcionamento do ecossistema como um todo. Será instalado em uma área de cerrado um conjunto de anéis, criado pelos pesquisadores da Estônia, capazes de produzir neblina com diferentes tamanhos de gotas e cujo período de funcionamento poderá ser automaticamente regulado e controlado por variáveis climáticas, como umidade relativa do ar, temperatura e vento.

Parque Estadual do Itacolomi, Fazenda da Brígida e Estação Ecológica do Tripuí são as possíveis áreas onde a pesquisa será executada Próximas etapas A pesquisa começará em 2015 e deve durar cerca de dez anos. “Esperamos que a montagem do equipamento tenha início em 2014/2015. Enquanto isso, já estão sendo realizadas no campus Morro do Cruzeiro da UFOP análises preliminares, como a caracterização das comunidades de fungos e bactérias do solo, da vegetação, interações inseto-planta, mensuração das concentrações de metais em folhas, solo, água de chuva e de neblina”, afirma Kosovits. Recursos para a construção de tal equipamento estão sendo solicitados à comunidade Europeia e às agências nacionais de apoio à pesquisa no Brasil. Além disso, empresas do setor mineral também são potenciais parceiras dessa iniciativa.

Edição 191 - setembro e outubro de 2013

Parcerias A parceria com os alemães e os estonianos surgiu no Congresso da União Internacional de Pesquisadores sobre Florestas (IUFRO), realizado em Kaunas, na Lituânia, em 2012. A professora Alessandra apresentou os dados de comparação da concentração de metais na neblina e na chuva em Ouro Preto. “Constatamos que a neblina deposita anualmente maiores quantidades de certos elementos químicos sobre a vegetação e o solo do que a chuva”, explica. Com a apresentação no congresso do trabalho da pesquisadora Anu Sõber, da University of Tartu, na Estônia, que consiste na criação de um equipamento que simula a neblina para medir os efeitos do aumento da umidade no seu país, surgiu a ideia de juntar os dois estudos. Os estonianos têm a tecnologia de produção de neblina, e a UFOP tem um interessante problema ambiental a ser estudado de maneira completamente nova. “Em Ouro Preto, vamos enriquecer a neblina produzida pelo equipamento com certos metais pesados que afetem potencialmente a saúde do meio ambiente”, explica Kosovits. A física da Estônia, Anu Sõber, ressalta a importância de a pesquisa ser desenvolvida em Ouro Preto. “A existência de metal interagindo com a neblina provavelmente ocorre em várias outras áreas do mundo, mas será estudada pela primeira vez nesta região [dos Inconfidentes], caracterizando um estudo único e de interesse de todos”. A parceria com os biólogos alemães da Technische Universitat Munchen será importante devido à experiência que possuem na área de ecofisiologia das plantas. “Eles já trabalham com a medição dos efeitos de estresse nas plantas causadas pela poluição

atmosférica, elevação da concentração de CO2,ozônio, enxofre, entre outros”, aponta Kozovits. Além dos pesquisadores estrangeiros, o estudo vai envolver professores e alunos de graduação e de pós-graduação dos cursos de Geologia, Biologia, Estatística, Computação e História da UFOP.

Convênio de Cooperação  Após o congresso da IUFRO, realizado pela primeira vez na América Latina, em setembro deste ano, promovido pela UFOP, em Ilhéus, na Bahia, dois pesquisadores alemães e dois estonianos que já haviam demonstrado interesse em participar deste estudo inédito no mundo, realizaram uma visita à Federal de Ouro Preto. Eles conheceram as possíveis áreas onde a pesquisa será feita, como o Parque Estadual do Itacolomi, a Fazenda da Brígida e a Estação Ecológica do Tripuí, para avaliar qual o local mais indicado para as análises. A área de estudo deverá ser selecionada seguindo parâmetros ecológicos criteriosos e respeitando a legislação ambiental que regulamenta as ações a serem desenvolvidas no interior de áreas de proteção ambiental.

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Visibilidade às pesquisas Repositório Institucional da UFOP reúne em ambiente virtual os trabalhos científicos desenvolvidos na Universidade

Ana Paula Martins

Recolher, organizar, disponibilizar e preservar a informação científica da Universidade Federal de Ouro Preto. Estes são os objetivos do Repositório Institucional (RI) da UFOP, que reúne, em um único espaço virtual, toda a produção da Universidade. Atualmente, o repositório tem 2.591 itens depositados, entre teses, dissertações, artigos científicos, trabalhos apresentados em eventos e livros. Entre janeiro e novembro, o RI contou com mais de 476 mil acessos. Essa é uma iniciativa do Sistema de Bibliotecas e Informação (Sisbin) com o apoio da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propp) e do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI). “É uma ferramenta muito importante, pois unifica a produção acadêmica e científica da Universidade em uma única plataforma. Mostra, ainda, como o sistema de bibliotecas tende a ser cada vez mais relevante na gestão da informação, levando em consideração o papel das novas tecnologias, com uma oferta cada vez maior de informações que precisam ser organizadas de forma profissional e sistemática”, explica o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, professor Valdei Lopes de Araújo.

Visibilidade e reconhecimento Richard Dias

A bibliotecária Gracilene Carvalho com o auxiliar administrativo Maurílio Figueiredo que também gere o RI

Regulamentação Em novembro, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) aprovou a política de informação do repositório. Essa medida “torna o repositório uma política universitária, com o reconhecimento do Conselho que fornece estabilidade à iniciativa”, acrescenta o professor Valdei. O repositório é um grande banco de dados que guarda e divulga a produção científica da Universidade. Gracilene

de Carvalho, bibliotecária responsável pelo Repositório Institucional da UFOP, explica que docentes, discentes e técnicoadministrativos podem depositar no RI seus os documentos científicos resultantes de pesquisas desenvolvidas na própria Universidade. Para as monografias de graduação e especialização lato sensu, está sendo criado um repositório especial para o armazenamento desses estudos.

O repositório da UFOP tem 2.591 itens depositados e mais de 476 mil acessos

“Não adianta a Universidade produzir muito e deixar guardado na gaveta. É preciso dar visibilidade, inclusive internacional, ao que é desenvolvido pela Instituição. A UFOP ganha, o pesquisador também, pois ele é bastante citado, e o cidadão que consegue ter um acesso aos estudos”, afirma a bibliotecária. Para o doutorando Leonardo de Paiva Barbosa – que é mestre em Engenharia Ambiental e graduado em Ciências Biológicas (ambos pela UFOP) e autor de um dos trabalhos mais visualizados (com mais de 660 acessos, no período de maio a início de novembro) –, “é um reconhecimento do nosso trabalho pela comunidade acadêmica da UFOP, o que nos deixa muito orgulhosos, visto que, a grande gama de sítios especializados para disponibilização de arquivos científicos pode ocultar alguns grupos de pesquisa, principalmente aqueles sediados em países em desenvolvimento. O repositório institucional da UFOP pode ser o grande responsável pelo preenchimento dessa lacuna. A partir do repositório, a comunidade acadêmica também pode conhecer os trabalhos científicos gerados na própria instituição e, assim, avançar no desenvolvimento da ciência e da tecnologia”. Os arquivos são de uso livre, desde que a fonte seja devidamente citada. Os interessados em ter seus trabalhos desenvolvidos na UFOP publicados na plataforma, devem entrar em contato pelo email repositorio@ufop.br. Confira o site www.repositorio.ufop.br e conheça as pesquisas desenvolvidas na Universidade.

É um projeto multiplataforma que divulga as pesquisas realizadas na UFOP. Quer divulgar seu trabalho? Mande email para aci@ufop.br

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Do ensino médio para congressos científicos UFOP investe em iniciação científica júnior voltada para alunos que ainda não ingressaram na graduação Tamara Pinho

Quando Mariana Fernandes Gonçalves (17) entrou no Programa Institucional de Bolsas para Iniciação Científica do Ensino Médio (Pibic-EM), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), ainda estava na 8ª série do ensino fundamental. A jovem participa do projeto “Amostragem manual de minério”, coordenado pelo professor Carlos Alberto Pereira, do Departamento de Engenharia de Minas (Demin), que tem o objetivo de avaliar as técnicas de amostragem manual para o minério, detalhando os limites de validade de cada uma, usando como referência estudos já realizados sobre o assunto. Ela conta que ingressou no curso técnico em Metalurgia do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG – Ouro Preto) “justamente pela experiência no projeto, o que despertou o interesse pela área”. Com a estudante Gleicilene Cas-

tro (18), Mariana Gonçalves desenvolveu o artigo inédito “Distribuição Mássica no Divisor Carrossel”. Elas foram orientadas pelo professor Carlos e supervisionadas pelos estudantes Francielle Nogueira, de Engenharia Metalúrgica, e Douglas Gonçalves, de Engenharia de Minas. O trabalho foi selecionado para apresentação oral no 25° Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa, que aconteceu em Goiânia, em outubro. O professor Carlos Alberto conta que não é muito comum ver alunos tão jovens apresentarem trabalhos na modalidade oral em eventos desse porte. “Apesar de ser um encontro nacional, o evento reúne também pesquisadores de outros países. Muitas vezes, até mesmo discentes da pós-graduação têm seus trabalhos destinados apenas para banners. Sermos selecionados já para a apresentação oral supera todas as nossas expectativas”. De acordo com a diretora de Inovação, Pesquisa e Extensão - IFMG, campus

Fotos: Isadora Faria

Francielle Nogueira, Gleicilene Castro, prof. Carlos Alberto Pereira e Mariana Fernandes Gonçalves

Ouro Preto, Elisângela Silva Pinto, existe um grande incentivo a bolsas de iniciação científica para os alunos do instituto e um significativo aumento no número de bolsas e de interessados a cada ano. “Entendemos que é fundamental esse estímulo e incentivo à pesquisa aos alunos enquanto ainda estão no ensino médio. Temos relatos de vários estudantes de que, a partir da participação em projetos de pesquisa, tomam parte em diversos congressos, nacionais e internacionais, com apresentação de comunicações orais, painéis e publicações. Com isso, o aluno do ensino médio constrói uma base para dar sequência a seus estudos no ensino superior ou inserção no mercado de trabalho”. É o caso da aluna Gleicilene Castro, que está no último ano no projeto, do qual ela participa há três anos. Como

Investimento em iniciação científica A iniciação científica tem grande importância para uma formação mais qualificada em diferentes áreas do conhecimento. Com a pesquisa, o estudante pode testar técnicas e teorias aprendidas em sala de aula, além de ampliar seus conhecimentos. Tendo em vista os bons resultados desse tipo de pesquisa na graduação, agências de fomento, como CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) investem para que alunos do ensino médio desenvolvam, em parceria com a Universidade, projetos de iniciação científica. A UFOP possui dois programas que

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estimulam a participação de alunos de ensino fundamental e médio em projetos de pesquisa conhecidos como iniciação científica júnior. A Bolsa de Iniciação Científica Júnior (Bic-jr) e o Programa Institucional de Bolsas para Iniciação Científica Ensino Médio (Pibic-EM) disponibilizam bolsas para que estudantes de escolas da rede estadual, municipal ou federal possam desenvolver projetos, em diversas áreas, sob a orientação de professores da graduação da UFOP e colaboração de estudantes da graduação. O pró-reitor adjunto de Pesquisa e PósGraduação, André Talvani, garante que a experiência da Universidade com os discentes do ensino médio é muito boa. É notável a motivação, a responsabilidade e o bom desempenho nos laboratórios. “Esses alu-

nos passam, desde cedo, a conhecer o universo da pesquisa como congressos, seminários científicos, participação e apresentação de trabalhos, convivência com os estudantes da pós-graduação e da graduação. A UFOP tem investido em futuros alunos de iniciação científica advindos das escolas de Ouro Preto e espera obter excelentes resultados”. A instituição disponibiliza 45 bolsas para a iniciação científica júnior, sendo 30 para o Pibic-EM e 15 para o Bic-Jr. Os interessados em participar de algum dos projetos devem ficar atentos à divulgação de editais na página da PróReitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp) e nas escolas.

já concluiu o ensino médio, ela pretende prestar vestibular para Engenharia Mecânica ou de Minas, a escolha por um desses cursos também se deve à sua participação no projeto do Pibic-EM.

A UFOP disponibiliza 45 bolsas para a iniciação científica júnior, sendo 30 para o Pibic-EM e 15 para o Bic-Jr Bic-Jr - O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior tem por finalidade incentivar alunos do ensino médio de escolas, municipais, estaduais e federais, a participarem de trabalhos de pesquisa em universidades, o que proporciona o contato com a pesquisa científica antes mesmo de os discentes estarem na graduação e, ainda, pode auxiliar na escolha profissional. Pibic-EM - O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do CNPq é destinado aos estudantes do ensino fundamental, médio e profissional de escolas da rede municipal, estadual e federal. Tem o objetivo de contribuir na formação dos alunos de forma consciente e participativa, além de despertar a vocação para a pesquisa científica.

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Iniciativa sustentável Setor de Patrimônio da UFOP reaproveita equipamentos que seriam descartados Fernanda Mafia

O descarte incorreto de materiais eletrônicos pode causar danos ao meio ambiente e, consequentemente, afetar a qualidade de vida dos seres humanos. Com o objetivo de diminuir o número de descarte desses equipamentos, o Setor de Patrimônio da UFOP tem iniciativa que segue diretrizes sustentáveis. O departamento recebe computadores, impressoras, telefones e até móveis que não estão em condições de uso, faz a reciclagem desses materiais e redistribui para outros setores da Universidade ou entidades ouro-pretanas sem fins lucrativos. A iniciativa partiu do próprio Setor de Patrimônio que há cerca de dois anos realiza o projeto. O coordenador da área, Afonso Henrique, observava que muitos móveis que poderiam ser reaproveitados pela Instituição eram descartados. Aluno de Turismo, Petrus Rogotti é o bolsista responsável pelo reaproveitamento dos computadores e outros eletrônicos. Ele conta que, além de reduzir a emissão de lixo, essa ação promove a redução dos gastos públicos. “Nosso intuito é reaproveitar ao máximo os equipamentos danificados para que eles ganhem vida útil, o que propicia economia ao erário público”, afirma. Recentemente, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ouro Preto recebeu 12 computadores completos que foram consertados e doados pela Universidade. A vice-diretora e pedagoga da Apae Ouro Preto, Mara Regina Ferreira Guimarães, explica que as máquinas recebidas são usadas na alfabetização e no lazer dos alunos. “Com computadores conectados à internet, os alunos terão um professor responsável pelo laboratório, e o processo de aprendizagem será estimulado por meio de jogos educativos”, afirma.

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Fotos: Nathália Viegas

O bolsista Petrus Rogotti é responsável pelo conserto dos equipamentos

"Nosso intuito é reaproveitar ao máximo os equipamentos danificados para que eles ganhem vida útil, o que propicia economia ao erário público"

E-lixo O Brasil está entre os países que mais produzem lixo eletrônico, também conhecido por e-lixo. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indicam o Brasil, na categoria dos emergentes, como o maior gerador desse tipo de resíduo por habitante anualmente. Cada brasileiro produz cerca de meio quilo de resíduo eletrônico por ano. Com o objetivo de conscientizar alunos, professores, funcionários e também a comunidade local em relação ao descarte adequado do lixo, é desenvolvido no Instituto de Ciências Exatas Aplicadas (Icea), em João Monlevade, o projeto de extensão Reciclagem Socioambiental. São divulgados panfletos educacionais, exibidos curtas-metragens, apresentação de slides na área aberta do Icea, instalação de lixeiras para coleta seletiva, descarte de pilhas e baterias e descarte de óleo proveniente da cantina do instituto. Além dessas ações, a iniciativa chega à população, principalmente por meio de palestras nas escolas públicas e privadas da cidade. A professora Lucilia Linhares, uma das coordenadoras do projeto, defende que são “crianças e adolescentes que vão levar essas informações para suas famílias. Se todos tiverem a dinâ-

mica da colaboração, toda a população e principalmente o meio ambiente terão um grande ganho no que diz respeito à sustentabilidade”. “Concluiu-se que o Brasil não possui ampla estratégia para lidar com o problema do lixo eletrônico. Por isso, países que geram em descontrole esse tipo de resíduo, se não começarem a pensar e desenvolverem estratégias de reaproveitamento, reutilização e reciclagem de equipamentos e insumos de componentes eletrônicos, sem dúvida, terão sérios problemas ambientais e de saúde pública”, relata Linhares, citando a pesquisa realizada pela ONU. Anualmente, a Pró-reitoria de Administração faz um inventário patrimonial. Com base nesse levantamento, os bens públicos são analisados e classificados e, a partir disso, é dado o destino correto para os equipamentos. A pró-reitora de Administração, Sílvia Rodrigues, reforça que “não podemos tratar o patrimônio público com descaso, o nosso objetivo é usar o recurso da melhor maneira possível. O Setor de Patrimônio tem realizado um trabalho de responsabilidade pública”. Sobre as doações, ela acrescenta: “O mais importante é que serve para uma causa social”.

Edição 191 - setembro e outubro de 2013


Novas moradias federais UFOP vai construir 15 casas que totalizam 294 novas vagas Ana Paula Martins

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) construirá 15 moradias, o que representa a implantação de 294 novas vagas em repúblicas estudantis federais no bairro Vila Itacolomi (Bauxita), em Ouro Preto. Todo o projeto está pronto, e a verba de R$6,5 milhões está garantida pelo governo federal. “Com a construção dessas novas casas, nós vamos conseguir minimizar um pouco o problema habitacional na cidade”, garante o reitor Marcone Jamilson Freitas Souza. “Trata-se de um momento histórico para a nossa Universidade. Isso significa um avanço para a UFOP e para Ouro Preto”, exalta. Os estudantes também comemoram as novas moradias. “Nós teremos lugares para acolher quase 300 estudantes que chegam a Ouro Preto, pessoas que, às vezes, não permaneciam na UFOP por falta de condições de pagar um aluguel, por exemplo. Agora, mais alunos terão a de estar na Universidade, formar e construir um futuro melhor”, aponta o presidente da Associação das Repúblicas Federais de Ouro Preto (Refop), Victor Schittini Teixeira.

Para a liberação das obras, o emÍris Zanetti preendimento foi aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Ambiental de Ouro Preto (Codema). O Conselho fez apenas duas recomendações: implantação de grupo de trabalho executivo para acompanhar o desenvolvimento do projeto e que seja promovida uma reunião com a comunidade para que sejam esclarecidas as dúvidas dos moradores. “A Universidade tem interesse em dialogar e vai se reunir com a comunidade da região da Bauxita para detalhar como será o empreendimento”, completa o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento, João Apartamentos de moradias estudantis já existentes na UFOP Luiz Martins. A data dessa reunião ainda não está definida. De acordo com o prefeito do campus Conheça o empreendimento universitário, Edmundo Dantas GonçalO projeto é composto por 15 casas coleta de esgoto, instalações elétricas, ves, a empresa responsável pela execução com um total de 294 vagas para estudan- pavimentação, abastecimento de água) e dos trabalhos já está licitada, e as obras serão iniciadas assim que o alvará for tes. A ocupação de cada casa varia entre dois lotes de casas a serem entregues. O expedido pela Prefeitura de Ouro Preto. 18 e 24 moradores, sendo que algumas valor do empreendimento totaliza cerca A previsão de construção de todo o em- possuem adaptação para portador de ne- de R$6,5 milhões, com recursos do governo federal. O período de duração das preendimento é de dois anos, sendo que a cessidades especiais. O empreendimento está previsto em obras gira em torno de dois anos, com entrega das moradias será feita no decorrer desse período, conforme cada uma for três etapas, sendo uma de infraestrutura entregas pontuais (infraestrutura e dois urbana (sistema de coleta de água pluvial, lotes de casas). concluída.

“Significa um avanço para a UFOP e para Ouro Preto”, exalta o reitor

Apoio acadêmico Temáticas variadas são discutidas em workshops realizados pela Prace Em busca de oferecer opções de formação e atualização, que vão além das grades dos cursos da Universidade, a Pró-reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace) promove uma série de workshops com temáticas variadas para os alunos, que serão realizados quinzenalmente, no período de 16 de dezembro a 7 de fevereiro, nos três campi (João Monlevade, Mariana e Ouro Preto). As questões discutidas são planejamento financeiro, gestão e organização do tempo, estratégias para apresentações em público, estratégias de estudos no ensino superior e reorientação profissional. As oficinas fazem parte do programa Caminhar, de Acompanhamento Acadêmico dos Estudantes, iniciado em 2010. A ação integra a área de orientação estudantil por meio dos apoios pedagógico, psicológico e social aos alunos da UFOP que vivenciam dificuldades acadêmicas. A técnica em Assuntos Educacionais

Sabrina Magalhães Rocha explica que os workshops tiveram início em 2011, e o formato atual, com temáticas independentes, foi implantado em 2012. A cada semestre, o número de participantes vem crescendo: no semestre 2013.1, os integrantes chegaram a 180. Segundo ela, o intuito é oferecer aos alunos um tema a cada 15 dias e promover todos os assuntos nos três campi. Para o psicólogo do Núcleo de Assuntos Comunitários e Estudantis, Leandro Andrade, que ministrou o curso de “Estratégias para Apresentações em Público”, a adesão vem melhorando a cada encontro. “O formato é bem interessante, pois conseguimos, em pouco tempo, trabalhar de forma clara e objetiva com os alunos. Caso o participante da oficina tenha interesse, pode dar continuidade ao trabalho de forma individual ou em grupos”, ressalta.

Edição 191 - setembro e outubro de 2013

Programa Caminhar O Caminhar procura desenvolver a autonomia do estudante para que ele possa percorrer todas as oportunidades do curso da melhor forma possível. Oferecida pela Prace, a iniciativa tem como público-alvo os estudantes assistidos com bolsas, com coeficiente de rendimento semestral inferior a 5 pontos, e também aos demais discentes da UFOP. As atividades propostas pelo programa estimulam o envolvimento dos alunos com o processo de aprendizagem para combater a evasão, a retenção e o baixo desempenho acadêmico. Além das oficinas temáticas, são ofertados workshops de apoio acadêmico e acompanhamento individual. Todas as atividades oferecem certificados aos participantes. Os alunos interessados em participar do Caminhar devem enviar e-mail para orientacaoestudantil@prace.ufop.br.

Bruna Sudário Mariana Borba

Os workshops serão realizados de dezembro a fevereiro nos três campi da UFOP Agende-se! Confira a programação no site: www.prace.ufop.br

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ENTREVISTA

Prevenção contra chuvas Professor Romero César Gomes Estamos chegando a mais uma nova temporada de chuva. Por que, todos os anos, acompanhamos notícias semelhantes de tragédias?

Foto:Nathália Nunes

A temporada de chuvas começa em novembro e se estende até meados de março do ano seguinte. Para informar sobre a prevenção de problemas desse período, com destaque para a Carta Geológica de Ouro Preto desenvolvida na Universidade, o Jornal da UFOP entrevista o geólogo ouro-pretano Romero César Gomes. Doutor em Geotecnia pela USP e mestre em Geotecnia pela UFRJ, Romero formouse em Engenharia Civil e em Engenharia Geológica pela Escola de Minas da UFOP. Hoje, é professor associado da Instituição, atuando no curso de graduação em Engenharia Civil e no Programa de Pós-Graduação em Geotecnia. Trabalha, ainda, como consultor em empreendimentos de mineração, pavimentos ferroviários e barragens.

“Mais de 60% do espaço urbano de Ouro Preto é caracterizado como área de risco”

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A época de chuvas se inicia em novembro e fica até o final de março. É sempre um período crítico para as cidades brasileiras que têm topografias acidentadas, ocupações desordenadas, encostas com problemas geológicos e geotécnicos desfavoráveis. Fatores tanto ligados ao meio físico quanto à ocupação desordenada e ao baixo nível da construção civil propiciam elementos desfavoráveis que, junto à água da chuva, provocam instabilidade nas encostas. Então, não é de se estranhar que esses locais que já têm condicionantes perigosos se tornem pautas nas épocas de chuvas.

Quais fatores instabilidade?

influenciam

a

Ana Paula Martins Fernanda Marques

Ela foi desenvolvida pela UFOP?

Você tem conhecimento de quais são as áreas de risco de Mariana?

Foi um trabalho realizado durante dez anos dentro da UFOP e culminou na Mariana tem problemas nas encosdissertação de mestrado do aluno Michel tas, sendo o maior deles as inundações Morandini Fontes, realizado pelo Núcleo nas zonas mais baixas e próximas ao Ride Geotecnia da Escola de Minas e que beirão do Carmo. A cidade sofre devido sintetizou todo esse trabalho na formula- aos trabalhos de impermeabilização em ção de macrossinais e da proposição da Ouro Preto e da regularização do curso chamada Carta Geotécnica. Esse docu- das águas de Passagem de Mariana. mento é, hoje, um martelo do geólogo, mas a utilização efetiva desse instrumento pelo poder público regional precisa conAlém da Carta Geotécnica, o que tar com um profissional da área, além da mais a UFOP tem feito nessa área? divulgação junto à comunidade, principalmente às das áreas de maior risco. É um A UFOP realiza diagnósticos de situatrabalho multidisciplinar, que engloba ções e áreas de risco em meios urbanos há pessoas de diversas áreas. A Defesa Civil um bom tempo, envolvendo não apenas o e o Ministério Público são os grandes Núcleo de Geotecnia (Nugeo) mas tamparceiros nesse processo em uma cidade bém os Departamentos de Engenharia de como Ouro Preto que é Patrimônio da Minas e Geológica. Humanidade.

Quais são as medidas que a populaVocê sabe se em Mariana e em João ção deve tomar? Monlevade também existe uma Carta Geotécnica? Para se prevenir, as pessoas devem, principalmente, impermeabilizar ao reFomos procurados pela Prefeitura dor de suas casas, controlar a água de de Mariana para tentar fazer o mesmo escoamento envolta de suas construções, trabalho desenvolvido em Ouro Preto, a garantir a limpeza dos bueiros próximos, fim de caracterizar as áreas de risco na cidade. Mas não tenho conhecimento so- fechar imediatamente fendas e trincas que forem abertas para evitar vazamentos bre a situação de João Monlevade. e manter o controle de monitoramento simples das encostas. Qual é a influência da atividade O que o poder público pode fazer minerária no solo, nos impactos e em Nos casos em que as ocorrêndeslizamentos? para prevenir novos acidentes? cias não puderem ser evitadas, qual O princípio fundamental de qualquer O grande problema é que Ouro Preto a providência que a população deve prevenção de acidentes geotécnicos na se situa em um vale entre a Serra de Ouro tomar? Existem cinco fatores que têm uma conotação bastante científica, mas o principal é o aumento do peso do material que se torna susceptível de ser escoriado. Veja a diferença do peso de um saco de areia seca para um saco de areia molhada. Com a saturação e o encharcamento do solo, o peso do volume de solo que antes era instável aumenta por causa das águas que infiltram o terreno.

época das chuvas é a elaboração pelos municípios da Carta Geotécnica do seu espaço urbano. Ela é a síntese de todos os estudos do meio físico local e da concentração urbana desordenada. É um instrumento capaz de definir quais são as áreas de risco baixo, médio e alto.

Ouro Preto já tem a Carta Geotécnica. Como ela foi criada? Ouro Preto dispõe de uma Carta Geotécnica bem elaborada. Ela se fundamenta na geologia do município, que tem uma base de sustentação do ponto de vista da engenharia subsidiada por um diagnóstico dos eventos geotécnicos que aconteceram em Ouro Preto. A cidade tem um registro muito bom dessas ocorrências, feito pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil, formalizado com a Carta.

Preto e o Itacolomi. A cidade não tem área de expansão, o que faz com que as pessoas ocupem serra. Essa ocupação cada vez maior da população em áreas retrabalhadas por eventos de antigas minerações torna-se o maior problema em um espaço que já é desfavorecido para a população urbana dos pontos de vista geológico e geotécnico.

Quais são as áreas consideradas de risco em Ouro Preto? Mais de 60% do espaço urbano da cidade é caracterizado como áreas de risco alto e muito alto, o que representa um espaço urbano extremamente agressivo do ponto de vista de ocupação urbana. Os principais focos de risco são as áreas da Serra de Ouro Preto que são retalhos de antigas minerações. Essa serra começa desde o Vale do São Cristóvão e se estende até o bairro do Taquaral.

É importante que as pessoas acompanhem o Serviço de Alerta Meteorológico de Ouro Preto (Samop), disponível no site da Prefeitura de Ouro Preto (www.ouropreto.mg.gov.br), que indica a probabilidade de chuvas na região. Sempre se preocupar com os alertas e, caso for detectado sinal de rachaduras na parede, entrada de água e quebras de telha, acionar a Defesa Civil.

TELEFONES ÚTEIS Corpo de Bombeiros: 193 Polícia Militar: 190 Defesa Civil: Ouro Preto: 199 / (31)3559-3121 Mariana: 199 / (31)3558-4412 João Monlevade: (31)3852-8100

Edição 191 - setembro e outubro de 2013


Jornal da UFOP | Nº 192