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Edição #44 Dezembro de 2016

DOWNLOAD LIBERADO

Serviço de streaming de filmes passa a permitir download de vídeos, em resposta à concorrência do Amazon Prime

UBER enfrenta tribunal da UE e polêmica no Rio | PG 4


EDITORIAL

2016: um ano passado a limpo Ufa! Terminou 2016. Ano em que o Brasil está sendo passado a limpo. Dois sentimentos afloram, o primeiro nos envergonha e destrói com uma corrupção institucionalizada na classe política e disseminada na empresarial. O outro nos orgulha, ver que ainda existe salvação e que a Lava Jato simboliza a esperança. O Impeachment foi um marco para nós brasileiros e 31de agosto foi a data que destituiu Dilma Rousseff do cargo de presidente. A denúncia por crime de responsabilidade foi oferecida pelo procurador de justiça aposentado Hélio Bicudo e pelos advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal. O sentimento de vergonha e esperança caminha junto e nos mantem de pé num cenário de caos na economia onde em outubro fechou com um alarmante índice de 11,8% de desempregados. São 12 milhões de pessoas segundo o IBGE. Estamos afundados em dívidas que não contraímos. O Estado se transformou num elefante branco e sem rumo. O Estado do Rio de Janeiro que recentemente era a menina dos olhos da federação, hoje está afundado em dívidas e decretou estado de calamidade pública em junho. Dá prosperidade com o governador Sérgio Cabral, hoje preso, aos cofres totalmente vazios com os funcionários recebendo em parcelas. Tudo isso por políticas populista e eleitoreira. Nunca tinha visto um Ministério Público Federal tão atuante, fazendo o papel dos eleitos pelo povo. Criaram “As 10 medidas contra a corrupção” que recebeu o apoio popular com mais de dois milhões de brasileiros que na calada da noite foi destruída pela Câmara dos Deputados. Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República e Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, em nota declarou: “ O Plenário da Câmara dos Deputados desperdiçou uma chance histórica de promover um salto qualitativo no processo ci-

vilizatório da sociedade brasileira”. Continua Janot: “A Casa optou por excluir diversos pontos chancelados pela Comissão Especial que analisou as propostas com afinco. Além de retirar a possibilidade de aprimorar o combate à corrupção – como a tipificação do crime de enriquecimento ilícito, mudanças na prescrição de crimes e facilitação do confisco de bens oriundos de corrupção –, houve a inclusão de proposta que coloca em risco o funcionamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, a saber, a emenda que sujeita promotores e juízes à punição por crime de responsabilidade”. O Procurador-Geral da República finaliza num desabafo que é o mesmo do da nação: “As 10 Medidas contra a Corrupção não existem mais. O Ministério Público Brasileiro não apoia o texto que restou, uma pálida sombra das propostas que nos aproximariam de boas práticas mundiais. O Ministério Público seguirá sua trajetória de serviço ao povo brasileiro, na perspectiva de luta contra o desvio de dinheiro público e o roubo das esperanças de um país melhor para todos nós. Nesse debate, longe de qualquer compromisso de luta contra a corrupção, vimos uma rejeição violenta e irracional ao Ministério Público e ao Judiciário. A proposta aprovada na Câmara ainda vai para o Senado. A sociedade deve ficar atenta para que o retrocesso não seja concretizado; para que a marcha seja invertida novamente e possamos andar pra frente. O conforto está na Constituição, que ainda nos guia e nos aponta o lugar do Brasil”. Para finalizar, temos a esperança que nunca morre. O que nos resta é realmente o voto e fiscalizar os que estão tentando destruir o Brasil por ganância e interesses próprios.

Augusto de Carvalho Editor-chefe


Índice

PGR envia nota sobre votação dos 10 mandamentos

Editorial/10 Medidas contra a Corrupção

02

Uber enfrenta batalhas judiciais

04

provido de ideologias, como tem sido feito desde a Constituição de 1988. Esse ponto de inflexão e tensão institucional será ultrapassado pelo esforço de todos e pelo reconhecimento da sociedade em relação aos resultados alcançados. Um sumário honesto da votação das 10 Medidas, na Câmara dos Deputados, deverá registrar que o que havia de melhor no projeto foi excluído e medidas claramente retaliatórias foram incluídas. Cabe esclarecer que a emenda aprovada, na verdade, objetiva intimidar e enfraquecer Ministério Público e Judiciário. As 10 Medidas contra a Corrupção não existem mais. O Ministério Público Brasileiro não apoia o texto que restou, uma pálida sombra das propostas que nos aproximariam de boas práticas mundiais. O Ministério Público seguirá sua trajetória de serviço ao povo brasileiro, na perspectiva de luta contra o desvio de dinheiro público e o roubo das esperanças de um país melhor para todos nós. Nesse debate, longe de qualquer compromisso de luta contra a corrupção, vimos uma rejeição violenta e irracional ao Ministério Público e ao Judiciário. A proposta aprovada na Câmara ainda vai para o Senado.A sociedade deve ficar atenta para que o retrocesso não seja concretizado; para que a marcha seja invertida novamente e possamos andar pra frente. O conforto está na Constituição, que ainda nos guia e nos aponta o lugar do Brasil. Que seja melhor do que o que vimos hoje.

Netflix abre para downloads

08

O valor da Segurança da Informação

13

As mídias sociais para um analista de SEO

15

Google vai à caça de sites com notícias falsas

18

Rodrigo Janot Procurador-Geral da República Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público

Diagramação

Confira, abaixo, a íntegra do texto enviado por Rodrigo Janot Foram mais de dois milhões de assinaturas. Um apoio maciço da sociedade brasileira, que também por outros meios se manifestou. Houve o apoio de organismos internacionais. Foram centenas de horas de discussão, de esclarecimento e de um debate sadio em prol da democracia brasileira. Foram apresentadas propostas visando a um Brasil melhor para as futuras gerações. No entanto, isso não foi o suficiente para que os deputados se sensibilizassem da importância das 10 Medidas de Combate à Corrupção. O resultado da votação do PL 4850/2016, ontem, colocou o país em marcha a ré no combate à corrupção. O Plenário da Câmara dos Deputados desperdiçou uma chance histórica de promover um salto qualitativo no processo civilizatório da sociedade brasileira. A Casa optou por excluir diversos pontos chancelados pela Comissão Especial que analisou as propostas com afinco. Além de retirar a possibilidade de aprimorar o combate à corrupção – como a tipificação do crime de enriquecimento ilícito, mudanças na prescrição de crimes e facilitação do confisco de bens oriundos de corrupção –, houve a inclusão de proposta que coloca em risco o funcionamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, a saber, a emenda que sujeita promotores e juízes à punição por crime de responsabilidade. Ministério Público e Judiciário nem de longe podem ser responsabilizados pela grave crise ética por que passa o país. Encareço aos membros do Ministério Público Brasileiro que se mantenham concentrados no trabalho de combate à corrupção e ao crime. Que isso não nos desanime; antes, que nos sirva de incentivo ao trabalho correto, profissional e des-

Expediente Editor-chefe Augusto de Carvalho Textos Augusto de Carvalho Luis Gurgel Colaboradores Rodrigo Carvalho Silveira Gláucia Civa Kirch

Luis Gurgel


ENFRENTA RESISTÊNCIA Aplicativo enfrenta Tribunal Europeu e se defende alegando ser empresa de tecnologia e não transporte

S

eguindo o exemplo de marcas que acabaram se tornando sinônimos para os produtos que representam, como a “Coca-Cola”, que para muitos é a palavra de eleição para se referir a qualquer refrigerante, o “Uber” também caiu no gosto popular. Apesar de existirem diversos aplicativos similares, a popularização do serviço fez com que ele se tornasse parte do cotidiano das pessoas em todo o

mundo. O preço a pagar, no entanto, foi uma briga com os taxistas, que enxergam concorrência desleal por parte do Uber, e que tem rendido muitas batalhas judiciais por todo o planeta – com a mais recente delas envolvendo o mais alto tribunal europeu. A ação no Tribunal de Justiça da União Europeia surgiu após a proibição do Uber na cidade de Barcelona, uma briga


que segue desde o ano de 2014, quando o principal operador de táxi da cidade catalã acusou o Uber de prestar um serviço de transporte ilegal. Desde então, outros países e cidades também passaram a se manifestar contra o aplicativo. As queixas são bastante uniformes, e geralmente relacionadas com a isenção do Uber às taxas de licenciamento e segurança locais que são aplicadas aos seus concorrentes, o que influi direto no preço e torna a disputa desleal.

nas ruas. Em caso de derrota, o tribunal terá de decidir novas regras, mais rígidas, sobre o licenciamento do serviço, seguros e outras medidas de segurança, que da mesma forma abririam um precedente a ser aplicado a demais startups similares à Uber que possam existir, mesmo que não se encaixem dentro do setor de transportes. Uma dessas é a Airbnb, que facilita o processo de aluguéis temporários.

Após a apresentação da defesa, a Europa se mostrou dividida. O caso ganhou Durante a defesa no tribunal, o Uber repercussão mundial, por conta do peso alegou se tratar de uma empresa de tec- de uma decisão do tribunal da União Eunologia, e não de transportes. Segundo os ropeia. Em carta, Holanda, Finlândia, Porepresentantes, trata-se de um aplicativo lônia, Grécia e a Associação Europeia do que “facilita o deslocamento das pessoas” Livre Comércio se manifestaram, enviane que, ao mesmo tempo, tem também do observações de que tendem a apoiar ajudado no “combate contra a poluição”, o Uber em sua empreitada. Por sua vez, ao citar a redução de número de carros Espanha, França e Irlanda se mostraram


contrárias à tese do Uber e dizem classificar o aplicativo como um serviço de transporte. Para a realização do julgamento, uma câmara de 15 juízes irá ouvir os argumentos com mais de 200 inscritos na audiência. A Uber está atualmente avaliada em mais de US$ 60 bilhões, e possui em sua lista de investidores grandes corporações como o banco Goldman Sachs e o G Capital. No Rio, Uber e taxistas seguem sem entendimento Em terras cariocas, o Uber também esteve em foco durante o mês de novembro. No último dia 16, a Câmara de vereadores da cidade do Rio de Janeiro aprovou, por unanimidade, projeto de lei que proíbe o Uber e outros aplicativos de transporte na cidade. Para que o projeto fosse aprovado eram necessários 26 votos. Posteriormente, o prefeito Eduardo Paes também sancionou a lei, que impediria os carros do Uber de circularem pela cidade. No entanto, apenas dois dias depois, a Justiça voltou a bater o martelo e a conceder o direito do Uber de trabalhar no Rio de Janeiro, por meio de uma liminar. Ficou determinado, ainda, multa de R$50 mil à prefeitura e ao Detro em caso de desrespeito à ordem. A decisão, ainda assim, mexe com toda a estrutura de transportes do Rio de Janeiro, e será motivo de discussão nos próximos meses. Com a sanção, os taxistas já partem para o próximo passo, que é a derrubada da liminar concedida, de forma a garantir a proibição do Uber. Em entrevista ao jornal O Dia, Marcos Bezerra, presidente do Conselho Regional dos Taxistas do Estado do Rio de Janeiro

No Rio, taxistas há muito fazem protestos e cobram por fiscalização contra a “pirataria” da empresa


(CRT-RJ), afirmou que “com a sanção do Prefeito, vamos ao Judiciário, para que o transporte clandestino possa, enfim, ser fiscalizado pelo Póder Público”.

cidade, novamente apelando para a motivação ambiental e de sustentabilidade que serviu, também, de base na sua defesa europeia.

Em comunicado enviado à imprensa, a Uber se defendeu. Segundo a empresa, atualmente são mais de 1 milhão e 200 mil pessoas que utilizam o aplicativo diariamente para se movimentar na capital carioca, optando por deixar carros particulares em casa e compartilharem viagens. Apresentando números, o aplicativo afirma que só nas Olimpíadas foram 600 mil pessoas que usaram a Uber, e que viagens compartilhadas geraram economia de 425 mil kms, 20 mil litros de gasolina e 47 toneladas de CO2 a menos para a

Ainda de acordo com a empresa, a proibição sancionada pelo prefeito Eduardo Paes ignora não só o direito de escolha destes usuários, mas também decisão da Justiça carioca, que havia garantido ao Uber e similares o direito de andar pelas ruas, acusando o político de agir “novamente contra a cidade”, e que coloca em situação complicada milhares de parceiros que usam o aplicativo para gerar renda para suas famílias. A medida, que provocou reações divididas, com taxistas comemorando e parte da população insatisfeita com a burocracia dificultando o transporte no dia a dia, vem apenas engrossar a lista já extensa de problemas que o atual prefeito Eduardo Paes, em fim de mandato, tem com a questão do transporte carioca. Uma delas dizia respeito a outra decisão tomada em conjunto com o Ministério Público, em 2013, de que toda a frota de ônibus seria refrigerada até 2016. No fim de 2015, o Prefeito emitiu um decreto que mudava este número para “70% da frota”, que foi negado pelo MP e classificado como uma violação da decisão judicial. A corrida contra o tempo continua.

De saída, Eduardo Paes sancionou lei que proibiu Uber no Rio de Janeiro. Medida desagradou parte da população e é mais um problema deixado para o sucessor na área


ABRE PARA

DOWNLOADS Em resposta a concorrentes diretos, empresa agora permite baixar vídeos e vê-los offline


P

ara quem é cinéfilo, o Netflix hoje em dia é quase uma necessidade. Por uma pequena taxa, o assinante tem acesso a milhares de títulos de todos os gêneros imagináveis, e, melhor, que estão constante em atualização, tudo por meio de streaming pela internet. Porém, é este último ponto que, de vez em quando, acaba por se tornar um calcanhar de Aquiles para os usuários: e se eu quiser ver meus filmes num lugar sem cobertura de internet? E se a internet cair? Pois, bem: solução encontrada. A partir deste mês, o Netflix passou a liberar o download de séries e filmes para o próprio HD do cliente. A função, que foi anunciada no último dia 30, já está disponível e funciona de

forma bastante simples. Basta encontrar o botão de ‘download’ na página de detalhes de determinado filme ou série e baixa-lo, deixando-o disponível para assistir depois, independente da presença de uma ligação à internet. O único senão é que, pelo menos neste período embrionário da função, o número de filmes e séries que estão disponíveis nesta modalidade é ainda bastante humilde. Ele está apenas funcional para produções bancadas pela própria plataforma, como as séries Narcos, Orange is the New Black e The Crown. A questão tem a ver com os direitos autorais: nas séries em que o Netflix é o detentor da copyright, a burocracia é mínima, mas para colocar filmes de outros estúdios e conglomerados, as conversas deverão ser mais demoradas, pois é pre-

Para baixar, basta abrir o aplicativo no celular, seja ele Android ou iPhone, e procurar o ícone de download para iniciar a transferência do arquivo


Apesar de mais de dobrar número de países em que atua, inscritos mantiveram mesmo ritmo de 2014. Offline é aposta para mudar isso. ciso convencê-los do valor desta iniciativa, o que requer tempo e dinheiro. Ainda assim, em comunicado lançado pela empresa, o Netflix afirma que, em breve, haverão “mais séries e filmes a caminho”.

que é exatamente o mesmo do período equivalente entre 2014 e 2015, quando o Netflix estava presente em apenas 60 países.

E é aí que entra a função off-line do Outro detalhe importante é que o re- serviço: em entrevista ao Estado de São curso está disponível para todos os planos Paulo, José Calazans, analista da consuldo serviço, desde os mais baratos aos mais toria Nielsen, afirma que a qualidade e caros, e funciona tanto para telefones An- o preço é que serão os propulsores do mercado de streaming, mas que em padroid e iOS. íses emergentes, como o Brasil, a infraesO Netflix tem estado em franca ex- trutura precária ainda é um dificultador pansão, e durante 2016 anunciou a sua na hora de selar o acordo.Assim, a função entrada em mais de 190 países. Porém, ‘offline’ pode ser um grande diferencial apesar do grande investimento feito em na hora de escolher a plataforma. É claro que infraestrutura precária não chegar a outros pontos do mundo, o número de assinantes não parece acompa- é o único problema que esta medida sana. nhar. Durante o período de setembro de Muitas vezes, o usuário simplesmente não 2015 e setembro de 2016 o aumento foi quer estar conectado à internet, e com a de ‘apenas’ 12 milhões de inscritos – em funcionalidade poderá passar a curtir os seus termos absolutos, um bom resultado, mas filmes e séries em quaisquer circunstâncias.


rivais, o Prime, da gigante Amazon, anunciar seus planos de expansão. De acordo com a Amazon, o intuito é levar o Prime para mais de 200 países, e, ao contrário do Netflix, já há mais de um ano que perDe certa forma, a decisão também lan- mite aos usuários fazerem download de ça um panorama interessante sobre o atu- séries e filmes para consumo off-line. A al mercado de streaming. Há alguns anos, concorrência parece ter sido o motor que o próprio Netflix havia descartado abso- moveu o Netflix para a frente. lutamente a chance de ter conteúdo para Esta situação já é verificada, também, download, quando as primeiras vozes do coro começaram a pedir essa função. De em outros serviços de streaming. O Spolá pra cá, muita coisa mudou, e já no iní- tify, líder do streaming de música, por cio do ano o presidente da empresa, Reed exemplo, já permitia aos seus usuários Hastings, havia mostrado a mudança de baixar músicas há vários anos., e o mesmo opinião ao afirmar que “chances deve- acontece com o Deezer. Questões como riam ser aproveitadas” e que era necessá- a infraestrutura e até mesmo o preço de rio ter “mente aberta”. Pois, bem, parece acesso à internet continuam pesando, e que a altura chegou exatamente numa a tendência é que mais e mais empresas hora em que o Netflix vê um dos seus passem a seguir este exemplo. É uma jogada corajosa, e que tem tudo para aumentar o engajamento dos clientes com a marca – até por ser um dos pedidos mais recorrentes na lista de sugestões da empresa.

Num primeiro momento, apenas produções que são financiadas e detidas pelo próprio Netflix estão disponíveis; é o caso de Narcos, com Wagner Moura, e ‘Orange is the New Black’.


SEGURANÇA DA

INFORMAÇÃO

Especialista alerta para riscos do crime virtual e que prevenção contra os mesmos precisa ser visto como benefício e não custo dentro de trabalho

O crime organizado no mundo digital já é um fato consumado e um excelente motivo para que as empresas concedam mais atenção ao assunto. Em recente relatório da PWC, publicamente disponível, os dados mostram que o número de ataques digitais no Brasil aumentou na ordem de 274%, enquanto a porcentagem de ataques médios no mundo como um todo subiu aproximadamente 38%. O diretor da LTA-RH INFORMÁTICA, empresa que atua focada no segmento do

governo, como integradora de soluções, Alexander Barcelos, revela que o mais importante é que seja modificada a visão da Segurança da Informação. “As organizações só veem uma coisa, que não investir em segurança é sinônimo de prejuízo, e é dessa forma há muito tempo. É evidente que os danos causados pelo descaso com a proteção dos dados de uma empresa são imensuráveis, mas, é necessário mudar esse conceito negativo. Ou seja, ao invés de pensar que evitarão prejuízos, os gestores devem ter ciência de que investir em tecnologia é inovar, é estar à frente dos concorrentes, minimizando riscos e maximizando resultados, afim de


garantir a continuidade de seu negócio, nesse mercado globalizado e competitivo”, explica. O ideal é que os portais adotem ações básicas de segurança, desde a definição dos níveis de acesso às informações, bem como a criptografia. Os colaboradores devem atentar e ter a consciência quando abrirem uma sessão. Senha de acesso é sigilosa e não deve ser utilizada em qualquer lugar, muito menos ainda repassada a terceiros. No segmento em que atuam, Barcelos cita o exemplo do Governo do Distrito Federal, que teve 6,8 mil tentativas de invasões em 2015. O Rio de Janeiro também sofre com os ataques, onde os criminosos divulgaram recentemente algumas informações para provar que a invasão acontece. Os prejuízos vão desde dados apagados até danos irreparáveis ao sistema, bem como sigilos quebrados e consequentemente privacidade afetada. “Sem que os governos tenham soluções que garantam realmente a total segurança dos dados, os hackers seguirão agindo cada vez mais precisos, pois estão cada vez mais especializados”, diz. Sobre as empresas em geral, Barcelos acredita que a ideia de enquadrarem como custo, é o que impede as mesmas vislumbrem os benefícios do investimento e do alto valor agregado. “São inúmeras as consequências positivas e podem ser vistas a curto e médio prazo, desde que, o gestor de TI tenha oportunidade de mostrar isso no seu dia a dia. Estamos falando de aumento da produtividade, de otimização do tempo, de foco na estratégia do negócio e, consequentemente, aumento das demandas, incremento financeiro e a satisfação do consumidor final, que exige excelência no atendimento e no produto que está adquirindo”, acrescenta.

Durante as Olímpiadas, no Rio de Janeiro, dobrou o número de tentativas de ataques digitais, o que abriu as portas para uma série de outros criminosos se aperfeiçoarem no que há de mais moderno nessas intervenções. Segundo outra pesquisa de uma empresa brasileira, só no mês de agosto, foram bloqueados mais de 10 milhões de malwares no Brasil. Durante os jogos Olímpicos, o Estado de São Paulo liderou a lista com 2.792.240 ameaças. Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia ocupam os próximos lugares com, respectivamente, 1,2 milhão, 882 mil e 687 mil tentativas de ataques. Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Piauí, Pará e Goiás também estão na lista. Muitas são as ameaças que comprometem as empresas ao redor do mundo. Entre elas está o chamado sequestro digital, onde os computadores atingidos têm seus arquivos bloqueados até que a empresa pague um “resgate” (ransomware). Além disso, o Brasil está entre os cinco mais atingidos por outro tipo de ataque, o chamado invasão por BEC, que acontece por meio do e-mail do colaborador. “Sabemos da competência desses criminosos em encontrar brechas e da capacidade que têm de criar novas formas de invasões. Por isso, as empresas precisam compreender seu papel nesse processo, e atuar junto com os desenvolvedores no combate ao crime digital. É dessa forma, que as organizações crescerão mais fortes e prontas para qualquer obstáculo. A partir do momento em que substituirmos a palavra custo pela palavra benefício, acredita o diretor, as mudanças começarão a refletir no que realmente importa: proteger os dispositivos para que os mesmos guardem com segurança toda e qualquer informação da empresa. E vamos além, como explica Barcelos: “A organização é feita por pessoas e se as mesmas não compreenderem os riscos que correm na forma que lidam com a privacidade dos dados, muito possivelmente teremos pesquisas e resultados ainda mais chocantes”, explica. SOBRE A AUTORA

Gláucia Civa Kirch é diretora executiva da assessoria de imprensa especializada em tecnologia ‘Capital Informação’, em São Paulo.


AS MÍDIAS SOCIAIS PARA UM ANALISTA DE

por Rodrigo Carvalho Silveira Acredito que as mídias sociais já superaram aquela fase inicial nebulosa, quando as marcas investiam por intuição ou por aposta, com medo de perder o timing de uma novidade quente. Agora todos sabem que as mídias sociais não eram uma novidade quente, que elas vieram para ficar e se consolidaram, de fato, como um dos pilares mais importantes das mídias digitais. No início, os perfis corporativos encaravam métricas um tanto desconec-

tadas dos objetivos do negócio, como os milhares de ‘likes’ e ‘followers’ que nada representavam além de um indicador sintético de popularidade da marca, tanto é que na ocasião foram apelidadas de “métricas da vaidade”. Já faz algum tempo que as coisas não são mais assim, as mídias sociais tornaram-se um canal definitivamente relevante para a conversão de leads e vendas, para uma atividade de marca que pode mirar resultados muito além da


construção de audiência simplesmente. Com a sofisticação dos algoritmos sociais o cenário de atuação das marcas ficou bem parecido com o de um plano de SEO, onde o planejamento de conteúdo e a estratégia de links de referência são peças-chave. Mas assim como no universo dos buscadores, audiência orgânica e audiência paga são raias vizinhas, núcleos complementares. Não dá pra esperar um retorno razoável das ações de mídias sociais apostando somente na qualidade do conteúdo, quase sempre é preciso investir em anúncios para ampliar o alcance das publicações e segmentar a audiência. Também não dá pra explorar a ‘ferramenta de mídia’ sem cuidar do conteúdo e dizer que está fazendo um bom trabalho em mídias sociais. Já faz algum tempo que as coisas não são mais assim, as mídias sociais tornaram-se um canal definitivamente relevante para a conversão de leads e vendas, para uma atividade de marca que pode mirar resultados muito além da construção de audiência simplesmente.

Não dá pra esperar um retorno razoável das ações de mídias sociais apostando somente na qualidade do conteúdo, quase sempre é preciso investir em anúncios para ampliar o alcance das publicações e segmentar a audiência

Com a sofisticação dos algoritmos sociais o cenário de atuação das marcas ficou bem parecido com o de um plano de SEO, onde o planejamento de conteúdo e a estratégia de links de referência são peças-chave. Mas assim como no universo dos buscadores, audiência orgânica e audiência paga são raias vizinhas, núcleos complementares. Não dá pra esperar um retorno razoável das ações de mídias sociais apostando somente na qualidade do conteúdo, quase sempre é preciso investir em anúncios para ampliar o


populares e influentes no seu mercado de atuação pode levar mais tempo, mas certamente trará um retorno exponencialmente maior.

alcance das publicações e segmentar a audiência. Também não dá pra explorar a ‘ferramenta de mídia’ sem cuidar do conteúdo e dizer que está fazendo um bom trabalho em mídias sociais.

Talvez a grande diferença nessa história seja que nas mídias sociais você não precisa se preocupar com o SEO On-Page no que diz respeito à parte tecnológica da otimização, afinal, já está usando uma plataforma de terceiros. Aproveite então para concentrar os esforços na parte de conteúdo do OnPage. Mídias sociais são essencialmente visuais e muito voláteis, e isso pode exigir um perfil específico dos profissionais que compõem a equipe de social.

Mídias sociais são essencialmente visuais e muito voláteis, e isso pode exigir um perfil específico dos profissionais que compõem a equipe de social.

Nesse paralelo entre SEO e Mídias Sociais podemos assumir que a lógica do bom conteúdo é a mesma: produza conteúdo inédito, autoral e cuidadosamente formatado para cada plataforma, abandone a ideia de automatizar postagens ou de aproveitar textos longos que saem direto do catálogo de produtos, otimize pensando na experiência de leitura do usuário e também na Outro ponto que aproxima as ações atividade dos robôs de busca, garanta de Mídias Sociais das de SEO é que frequência, atualidade e, claro, a rel- ambas as áreas demandam um trabalho evância dos temas. contínuo, onde análise, interpretação, ajustes e inovação são componentes da Os tão desejados links de referência rotina, tão triviais quanto escovar os (ou backlinks) de SEO, que indicam dentes pela manhã ou alimentar-se na relevância e popularidade, e que são fa- hora do almoço. tores decisivos no rankeamento das páginas, tornaram-se papel dos ‘influenApesar dos ótimos resultados em curciadores’ no contexto das mídias sociais, to e médio prazo, não dá pra considerar e funcionam de maneira parecida. Inve- a hipótese de colocar as mídias sociais stir algum esforço para encontrar perfis no piloto automático, é um trabalho


Se quer branding, estabeleça KPIs de branding, se quer tráfego, conversões e vendas, são outros os números a serem avaliados.

permanente. Como dizem por aí a respeito do trabalho de SEO: o ritmo é de maratona e não de sprint. Nas mídias sociais também. Para quem está começando (ou recomeçando) a desenhar um plano de mídias sociais, meu principal conselho é que o faça de forma profissional, isto é, encare este canal como uma vertical de negócios, que merece todo o aporte de planejamento, recursos, ferramentas e equipe especializada. Não o faça como se ainda estivéssemos na Idade das Trevas do social, e não convide seu sobrinho adolescente para gerir os perfis da empresa (risos!). Desde já, cobre uma estratégia assertiva e clara da sua equipe ou agência, se quer branding, estabeleça KPIs de branding, se quer tráfego, conversões e

vendas, são outros os números a serem avaliados, são outras estratégias a serem adotadas. Se você tiver sucesso nas mídias sociais vai perceber que seu relatório de SEO também melhorou, e isso acontece porque a atividade social da sua marca tem um peso relevante no algoritmo usado para o rankeamento das páginas no Google e demais buscadores. Mas isso é assunto para um outro artigo. :)

SOBRE O AUTOR Rodrigo Carvalho Silveira atua no planejamento de marketing digital com foco em estratégias de conteúdo e SEO, ajudando as empresas a ampliarem sua visibilidade e relevância no meio digital. https://br.linkedin.com/in/ rodrigocsilveira


Disputa eleitoral teve muitos problemas com falsos rumores e notícias inverídicas

GOOGLE À CAÇA DE

NOTÍCIAS FALSAS

Após conturbada eleição, com proliferação de notícias falsas, Google adota postura mais dura com sites criados para enganar leitores Quantas vezes você estava no Facebook e viu um amigo ou familiar compartilhar uma publicação com um título muito duvidoso, normalmente sobre um acontecimento bombástico? As notícias falsas têm se espalhado pela internet nos últimos anos, dando origem a sites que começaram a ganhar renda a ludibriar os seus leitores. De olho nestas práticas, o Google anunciou que suas ferramentas de publicidade passarão a ser fechadas para sites que promovam

notícias inverídicas, numa tentativa de tentar fechar o fluxo de receita de praticantes desta manobra. O Google Adsense, como é conhecido, remunera os donos dos sites por cliques. A cada clique que o site recebe, página carregada, o criador da página recebe um valor bastante pequeno. Para a grande maioria dos sites, é um valor irrisório, e a única forma de conseguir aumentar esta receita é gerando mais visitas e mais cliques. Assim, notícias sensacionalistas, que


atraem a atenção dos internautas, têm sido um dos artifícios utilizados por pessoas que visam burlar o sistema. Com esta decisão, no entanto, o Google ataca diretamente a prática, desencorajando assim sites de se aliarem a esquemas similares. Em declaração à agência de notícias Reuters, o porta-voz da empresa afirmou que “em frente, restringiremos a veiculação de anúncios em páginas que deturpem, distorcem ou escondem informações sobre o editor, o conteúdo do editor ou o objetivo principal da propriedade da web”. Esta não é a primeira vez que o Google age neste sentido, com a empresa já tendo desabilitado o AdSense para sites que façam publicações de vídeos e imagens de teor violento, além de conteúdo pornográfico ou

que seja considerado como incitador de discurso de ódio. Esta medida vem, também, no seguimento de um período conturbado do ambiente online nos Estados Unidos. Durante a época eleitoral, com a eleição disputada entre Hillary Clinton e Donald Trump, vencida por este último, notícias falsas sobre ambos os candidatos foram um dos grandes problemas enfrentados. Ao término do pleito, por exemplo, um site que respondia à questão de “quem ganhou o voto popular” nos Estados Unidos chegou a estar no topo dos resultados da pesquisa do Google, ao dar erroneamente a informação de que teria sido o presidente eleito Donald Trump – que venceu nos colegiados mas foi derrotado em números absolutos pela sua rival, Hillary Clinton.

#CURTAS Após sucesso de Pokemon Go, Nintendo colhe frutos de uma marca revitalizada Em sua primeira real investida no mundo dos smartphones, com Pokémon GO, a Nintendo conseguiu revitalizar a marca “Pokémon”, mostrando que o público dos celulares pode sim criar interesse por aparelhos dedicados a games. Recém-lançados, Pokémon Sun e Pokémon Moon, exclusivos da plataforma Nintendo 3DS, bateram recordes mundiais de venda, com 7.5 milhões de cópias já comercializadas em pouco mais de duas semanas. O game também se tornou o título com vendas mais rápidas da história da França, assim como o título mais vendido de 2016 da maior franquia de lojas de games dos Estados Unidos, a GameStop.

Rolou no Confira alguns dos assuntos em voga na rede social

Hashtags No grupo “Digital Marketing”, um post discute a importância, assim como as dicas e pontos importantes a se ter em mente na hora de utilizar e criar uma hashtag. Quando usá-la? De que forma? Várias ou apenas uma? Confira e aprenda mais sobre o recurso.

Desafio do profissional No grupo “O Melhor do Marketing”, segue discussão promovida pelo post de Marcelo Trevisani, professor de Marketing e Mídias convidado pelo MdM para falar sobre os desafios do profissional de marketing da atualidade. As respostas falam sobre a necessidade de entender o básico, de forma a poder construir uma base sólida, assim como as complicações encontradas na hora de tentar mudar atitudes já enraizadas na prática de pessoas, que são o órgão vivo de organizações e empresas. Vale a leitura.


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Revista AC Digital #44  

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