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Jornalando

Escola Secundária Ibn Mucana

Número 5 - Março 2009 - 1 Ibn

Acontecimento Inesquecível O Preço certo

Um dia na pele de um Austrolopiteco

Empreendedorismo O pequeno Miguel Alcabideche e o seu desenvolvimento Nunca é Tarde para Aprender

A Turma CRASH ( Opinião ) A Importância do Amor Uma chegada inesperada

Festa do Patrono 23|24|25|26|27

março

2009


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Ficha Técnica

Colaboração Especial de: Adriana Barrento Inês Vicente Coordenação: Cecília Sucena Dalila Chumbinho Paginação: Alunos do Curso CEF de Pré-Impressão Agradecimentos: A todos quantos contribuíram para que esta edição fosse possível Tiragem: 100 exemplares

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3 St. Valentine’s Day Quiz

Por: Isabel Teixeira (Teacher of English)

On February 14th we celebrated St. Valentine once again… To celebrate this event we organized a quiz. It was a success because more than 200 students participated! Unfortunately only one won the contest… And the winner was… Sara Duarte – 11ºA Congratulations to Sara!

Projecto:

Nunca é Tarde para Aprender Este projecto teve o seu início no dia 4 de Dezembro, quando recebemos os seniores para a primeira sessão de aulas de informática. As coordenadoras estão muito satisfeitas com a adesão dos seniores e com o entusiasmo que têm vindo a demonstrar. Até ao momento, as actividades prenderam-se com a utilização do processador de texto, tratamento de imagem, criação de endereços electrónicos e envio e recepção de mensagens e fotos. O projecto conta, ainda, com a colaboração dos alunos João Teixeira e Carlos Azevedo – 10º2 e o apoio técnico do professor Luís Pessoa. Neste segundo período, o número de inscrições aumentou o que revela o interesse do projecto para a comunidade. Se queres colaborar connosco, fores um craque da informática e gostares de ajudar, podes contactar com as professoras Isabel Teixeira ou Paula Menezes.


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Visita de estudo ao Metropolitano de Lisboa Por: Filomena clemente (Professora de Geografia)

No dia 27 de Fevereiro de 2009, a turma E do 11º ano, e as professoras Filomena Clemente e Fátima Vasconcelos visitaram o Metropolitano de Lisboa. A visita realizou-se no âmbito do tema: “A população: Como se movimenta e comunica”, estudado na disciplina de Geografia. A visita foi muito interessante, apesar de ter sido quase toda realizada no subsolo e de termos apenas vindo à superfície na estação da BaixoChiado, para os alunos se aperceberam da profundidade a que se encontra a estação, 148 metros, o que corresponde a um edifício de 15 andares. Esta estação é a que está a maior profundidade. Subimos, ainda, à superfície na estação de Santa Apolónia para os alunos verem a ligação do metropolitano com o transporte ferroviário. Pretendese que o transporte seja multimodal, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida dos cidadãos. A propósito do Metro, ficámos a conhecer algumas curiosidades: • O metropolitano transporta 600 milhões de pessoas por dia. No entanto, tem-se verificado uma diminuição devido ao desemprego; • Vai-se expandir até 2013 com três alargamentos: Estação do Oriente Aeroporto de Lisboa; uma linha entre as estações da Alameda, Saldanha e São Sebastião da Pedreira e o terceiro alargamento entre a estação da Amadora Este e a Reboleira (ligação à estação ferroviária); • É um transporte altamente seguro, sendo a primeira preocupação a prevenção de acidentes e a segunda a qualidade e fiabilidade; • As carruagens têm fole de ligação para a segurança dos passageiros em geral e dos cegos em particular; • A empresa trabalha 24 horas por dia e as estações estão abertas das 6.30 h à 1 h da manhã;

• O passe social tem os dias contados. Cada vez mais, o valor que o utente vai pagar se vai aproximar do custo real, sendo a contribuição do Estado cada vez menor; • As pessoas que trabalham no subsolo têm uma noção diferente do tempo, e o seu comportamento, devido à falta de luz natural, é também diferente daquele utilizado quando estão à superfície; • A arte nas estações do metropolitano tem como um dos objectivos distrair os passageiros e também incutir a ideia de preservação do espaço.


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Empreendedorismo Projecto “Aprender a Empreender na ESIM” O Projecto Aprender a Empreender foi implementado no ano lectivo 2007/2008 e mantém-se no presente ano lectivo no Curso Profissional Técnico de Comércio, do décimo primeiro ano, turma dois, da Escola Secundária Ibn Mucana. O Projecto insere-se no programa “A Empresa” da Junior Achievement Portugal, que foi fundada em Setembro de 2005. É uma organização não governamental, financiada por empresas, fundações e pessoas singulares e é a maior organização mundial sem fins lucrativos dedicada à formação de jovens em empreendedorismo. O projecto foi dado a conhecer aos alunos no início do ano lectivo, que mostraram receptividade na sua concretização e em representar a Escola. O projecto começou a tomar forma a partir do dia 10 de Outubro de 2008, com a presença do voluntário João Bom de Sousa da empresa Microsoft. A turma foi dividida em duas Mini empresas, ficando cada uma com oito elementos. Cada ficou responsável por um departamento da mini empresa. Os nomes, Logótipo e produtos das Mini Empresas são: BOOM AE – produção de produtos para decoração. Logótipo Produto

BAGALHÃES AE – produção de capas para o computador Magalhães. Logótipo

Produto

No dia em que fomos empreendedores Por: Leonor Mendes, 9º A Gisele Fernandes, 9º A No dia 4 de Fevereiro de 2009, a partir das 8.30 da manhã, encontraram-se no espaço da estação de comboios de Cascais os alunos do 9º A, com o objectivo de concretizarem um projecto proposto nas aulas de Área Projecto, orientadas pelas professoras de Empreendedorismo: Joana e Marta Andrade. Os grupos predefinidos de alunos espalharam-se por Cascais, para locais antecipadamente pensados de forma a serem escolhidos os melhores: a feira, a estação de autocarros e de comboios, a Praça Visconde da Luz e o Largo de Camões. Cada grupo ensaiava as melhores técnicas e até discursos para promover e vender o seu produto, como por exemplo, o grupo “Sabor das Nossas Culturas”, constituído por alunas oriundas de diferentes países, como Brasil, Bulgária, … e que utilizaram este dizer: “ Bom dia, estamos a fazer um projecto na nossa escola e estamos a vender pão de queijo, bolo de iogurte e bolo da Bulgária (o mais vendido), você não quer dar uma aprovadinha? ”, e o grupo “Diamante” que utilizou esta “lengalenga”: Bom dia, isto é um projecto da nossa escola e estamos a vender pulseiras e fios, caixinhas e anéis, tudo produto artesanal, não quer dar uma vista de olhos?” Isto para não falarmos do bolo de chocolate que os funcionários (as) da farmácia fizeram desaparecer em menos de nada, no bolo de laranja, nas chamuças (uhmmm ... que estavam divinais)? Isto para não falarmos das camisolas pintadas, dos blocos de notas, dos marcadores de páginas? E quem não reparou nas flores de papel? Diferentes técnicas de venda e de charme, para tentar cativar a atenção das pessoas para os diferentes produtos… Decepções? Algumas, pelo menos no início, mas também alegrias quando os produtos eram vendidos ou confirmavam que eram bons… Também apareceram compradores de diferentes nacionalidades e culturas, pessoas curiosas por um novo sabor ou um novo paladar, que de certeza foram para casa ou para o trabalho com um novo brilho no olhar! Foi, na verdade, uma experiência muito interessante.


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Projecto “Dia do Empreendedor” do 7º F

As Árvores Por: Neide Gomes, 9º E

A turma F do 7º ano participou no “Dia do Empreendedor” com o projecto: “Fazer de Velho Novo”. No primeiro período, os alunos contactaram algumas empresas no sentido de recuperar material que pudesse ser reutilizado. Assim, conseguiram caixas e dossiers. A seguir, procederam à recolha de revistas, jornais, brochuras e outros materiais tais como areia e tecidos que aproveitaram para dar uma vida nova às caixas e dossiers. No “Dia do Empreendedor”, os alunos/ empreendedores d e s l o c a ra m - s e até Cascais para poder vender os seus produtos explicando os objectivos deste projecto aos seus clientes. As vendas foram um sucesso, pois os clientes apreciaram a arte dos “designers”, a bancada realizada a partir de cartão reutilizado, os preços escritos nos versos de embalagens…Os empreendedores foram felicitados por todos pelo esforço demonstrado na reutilização de materiais e consequente protecção do ambiente. O 7ºF está de parabéns por ter alcançado os seus objectivos! A Directora de Turma Isabel Teixeira

Muito obrigado! Estas são as minhas palavras, Foste muito importante: Deixaste-me cintilante, Com vontade de viver! Lamento aquilo que te fizeram, Não foi um acto bonito Até porque, embora inteligentes, Matam-vos com detergentes, E, mesmo assim, saem impunes. Mudando de assunto, Viraste defunto, E, infelizmente, Toda a gente mente, Dizendo que vão ajudar. Só que nada podem mudar… É um vício maldito! Só me apetece mandar um grito, Para ver se os posso acordar.


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Projecto Renovável

Por: Isabel Costa (Professora de Biologia)

No passado dia 27 de Fevereiro foi realizada uma visita de estudo à Herdade das Parchanas com diversas turmas do secundário. A visita foi organizada pelos alunos do 12ºA do Projecto Renovável, no âmbito da disciplina de Área de Projecto. Através dos questionários realizados e das opiniões que ouvimos, podemos concluir que a visita foi um sucesso. Todos gostaram e querem repetir. Em geral os alunos gostaram mais da parte dos jogos (como tiro com arco, matraquilhos humanos, corrida de sacos, entre outros), contudo as palestras também foram uma parte importante da visita, pois foi-nos explicado como a energia começou a ser “explorada” pelo Homem. Todos referiram que o almoço, lá confeccionado, estava muito bom. Felizmente apanhámos bom tempo e pudémos fazer um passeio pela Herdade, onde vimos a fauna e a flora do local. Tal como, as cegonhas e os seus ninhos, cavalos, porcos e uma cabra, observámos também os arrozais (nesta altura vazios) e vimos ainda parte do fim do rio Sado (o único rio que corre para Norte). Outra das actividades foi a explicação sobre a necessidade do Ser Humano de usar energia, desde os tempos primordiais. Através de experiências observámos a transformação de energia bioquímica em energia mecânica, através de roldanas ou energia radiante em energia eléctrica, através de painéis fotovoltaicos e um carro solar. Aconselhamos a quem nunca foi, a ir e a experimentar passar um fim-desemana ou umas férias diferentes e realizar actividades ou aprender um pouco mais sobre a Natureza. Tudo isto foi possível com o apoio da Junta de Freguesia de Alcabideche, que gentilmente colocou à nossa disposição dois autocarros, o que agradecemos.

David Carvalho Gonçalo Oliveira Patrícia Costa Pedro Ramos Tânia Pereira


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HISTÓRIA E GEOGRAFIA, DOIS SABERES QUE SE COMPLETAM Por: Maria José Serafino

O que fazer quando queremos ter um cão ou um gato ?

(Professora de Geografia)

Quando as professoras Luísa Correia de História e Maria José Serafino de Geografia comunicaram aos alunos do 9º A e B que íamos ao Porto de Lisboa e ao Palácio da Presidência, com passagem pelos pastéis de Belém, foi uma loucura! Não sei se pela visita se pelos pastéis, mas a verdade é que as perguntas caíram em catadupa: Quando? Como? O que vamos ver? Pode-se visitar um navio? Quando vamos aos pastéis? Que vamos ver no Museu da Presidência? Mas a presidência tem museu? Depois de pôr ordem em toda aquela curiosidade, lá fomos respondendo. Chegado o dia da visita, a primeira paragem foi na Gare Marítima Conde de Óbidos. Foi bastante gratificante observar os painéis de Almada Negreiros (a “ponte de entrada para a Europa em Portugal” por via marítima. Foi também interessante ficar a conhecer a luta que este pintor travou com o regime salazarista para o “enganar”, pintando as cenas do quotidiano que em nada agradaram ao regime político. Num dos painéis, aquelas figuras modernas das escadas de acesso ao navio que ia levar os nossos emigrantes serão de madeira cheia de nós ou os olhos da PIDE? E o painel dos saltimbancos, qual o seu significado? No anfiteatro, assistimos a uma óptima explicação sobre o funcionamento do Porto de Lisboa. E depois, terminada esta primeira parte da visita, instalámo-nos à beira-rio, comendo e nos jardins, cada um comendo o seu farnel. Já com o estômago reconfortado, fomos finalizar a refeição com um delicioso pastel de Belém! Hmmm… que bom… quentinhos… crocantes…. Tão bons que dava vontade de comer outro e outro… depois. Demos ainda um saltinho aos pastéis de cerveja que são muito menos publicitados mas igualmente muito saborosos. Por fim, aproximavase a última parte da visita: o Museu da Presidência, onde fomos muito bem recebidos por um guia simpático e brincalhão que conseguiu criar uma boa relação com os alunos. Prosseguimos então, vendo com prazer os quadros (alguns mais parecem caricaturas que me desculpe a Paula Rego, condecorações, livros interactivos, etc. Terminada a visita, passámos ao momento das fotos sempre com o Guarda de Honra a servir de fundo. De regresso ao autocarro, a passagem pelos pastéis de Belém tornou-se obrigatória. Depois, bem lanchados, cansados e felizes, regressámos. Até à próxima vez!

Quando resolvemos adquirir um cachorro ou um gatinho para nossa companhia, devemos, antes de tudo, pensar se temos condições para os podermos ter, assim como meios para lhes darmos os cuidados que eles vão necessitar ao longo da vida. Depois, também é importante pensarmos que raça vamos escolher ( raça de pêlo comprido ou curto, etc), sabermos o temperamento dos progenitores, o tamanho que irá atingir o nosso animal, se o queremos ter em casa ou não. Primeiramente, levá-los a um Médico Veterinário, onde seremos aconselhados sobre os procedimentos que devemos ter em relação ao nosso novo amigo. Aí, seremos informados sobre o programa de vacinação, as desparasitações , a alimentação, entre outros aspectos e esclarecidos sobre estas ou outras dúvidas que tenhamos.


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PRÉMIO REI D. CARLOS I Foi o Rei D.Carlos I quem mais contribuiu para colocar Cascais no mapa, conferindolhe uma importância que nunca antes tinha tido. Para além de lugar de veraneio da Corte, Cascais foi também a base das Campanhas Científicas do Rei. Ainda hoje podemos observar o edifício rosa, que dos muros da cidadela se debruça sobre o Clube Naval e o cada vez mais escondido marégrafo. Aí, D.Carlos instalou o primeiro laboratório marítimo de Portugal e um dos primeiros do mundo. Não é então de estranhar que a autarquia de Cascais tenha instituído o Prémio Rei D.Carlos I para contemplar obras sobre a história do Concelho ou de investigação relacionada com a Biologia Marinha. O último prémio atribuído contemplava esta área e foi concedido a António Sacadura Monteiro, professor da Escola Secundária Ibn Mucana, pelo trabalho intitulado “A Pesca – Sombra e Brilho da Humanidade”. Não conhecendo as razões da escolha do jurí, mas considerando o teor do referido trabalho, podemos supor que por vezes, é necessário lembrar os factos mais evidentes que, por serem tão óbvios, muitas vezes deixam de estar presentes e passam para o nível do “arquivo morto” do consciente. Talvez tenha sido esse o motivo da escolha. Será que nos lembramos, a toda a hora que a função mais importante para nós, enquanto organismos individuais, é comer? Não, e ainda bem. Será que temos consciência que quando comemos um polvo, por exemplo, estamos a ingerir proteínas naturais, selvagens e virgens? Naturais porque a pesca é a única actividade, com expressão económica, que permite recolher o alimento directamente da produção bruta da natureza, ou seja de organismos não domesticados e por isso sem a manipulação do homem, o que permite uma variedade e qualidade únicas. No caso do polvo, sendo uma espécie com semelparidade, ou seja, que se reproduz e morre de seguida, estamos também a consumir animais virgens. Além disso, a pesca é, em si mesma, um repositório da evolução tecnológica e civilizacional do Homem, que reflecte o brilho das suas realizações mas que também é ensombrada pelos seus erros, nomeadamente aqueles que tem a ver com a sua relação com a Natureza. Esta obra será publicada, talvez ainda neste ano de 2009, e ficará disponível no Museu do Mar Rei D.Carlos I, em Cascais.

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Alcabideche e o seu desenvolvimento Quantos de nós habitam em Alcabideche ou aqui trabalham há já vários anos e pouco sabem sobre esta freguesia? Foi esta a pergunta que a equipa do Jornalando se colocou e, por isso, considerou que seria útil fornecer a informação que muitos de nós não possui, até porque não nos devemos alhear do meio que nos circunda e onde habita a grande maioria dos nossos alunos para que melhor possamos entender a sua realidade, no sentido de um trabalho mais profícuo……. Assim, recorremos a quem, pela natureza do seu cargo, estaria mais apto a prestar as informações necessárias: o Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, que, apesar da sua preenchidíssima agenda, amavelmente nos recebeu. Se à primeira vista o seu ar sério e até um pouco austero poderia provocar uma sensação intimidatória, esse sentimento rapidamente se dissipa, pois às primeiras palavras revela-se um homem de conversa franca, simples e natural, com sentido de humor e, sobretudo, atento aos problemas da sua freguesia e dos seus habitantes, envidando todos os esforços para os resolver ou, pelo menos, minorar. Numa conversa agradável, apresentou-nos a freguesia e pôs-nos a par das obras em curso, que fomentarão o desenvolvimento de Alcabideche, proporcionando, assim, melhores condições aos seus habitantes, preocupação principal do seu Presidente, à frente da Junta pelo segundo mandato consecutivo. E porque, realmente, de uma conversa se tratou e não de uma entrevista, aqui reproduzimos, em síntese, o conteúdo da mesma, sem nos determos com preocupações formais e estilísticas que aquela exigiria. Com uma área de 39,9 Km quadrados, Alcabideche estendese desde a Biscaia e metade da praia do Guincho (???), terminando, a nascente, em Manique e confinando, a sul, com Atibá. Tem uma população de 52.200 habitantes e estima-se um crescimento de 6.700 até 2011. A freguesia apresenta uma particularidade, pois é marcada por uma zona rural, a poente, e uma zona nascente urbana, e abrange a chamada jóia da coroa: o Parque Natural Sintra/ Cascais.

Evolução O seu desenvolvimento acontece a partir de 2004 com a proposta da construção do Hospital Concelhio em Alcabideche - que contará com 272 camas para 285.000 utentes, possuirá a maternidade mais moderna do distrito de Lisboa e irá servir os concelhos de Cascais, Sintra e Oeiras

Maquete do Novo Hospital de Cascais

a partir de Março de 2010, data prevista para a sua conclusão - o que veio revolucionar o sistema Comercial e habitacional circundante de toda a área da freguesia, completando com a construção da A16/IC30. A designação deve-se ao facto de esta se iniciar em Alcabideche, indo até Ranholas – Sintra, seguindo para Mafra / Torres, ligando à A8. Por seu turno, IC30 porque é criada uma curva exterior a todo o distrito de Lisboa, originando uma coroa circular mais espaçosa da actual CREL, à qual se liga aproximadamente na descida de Alfornelos, estabelecendo a ligação com a CRIL.

Comércio No que diz respeito ao comércio, está já prevista a criação de um pólo de atracção, movimento e desenvolvimento, junto das instalações do actual Elefante Azul, com uma área coberta de 5.000 m2, onde se instalará a Decathlon. Irá contar com um conjunto de campos de jogos (Futebol de 11 em relva sintética, Hockey, Multiusos e Skate), para os quais a Junta já assinou um protocolo de utilização do equipamento por todos os munícipes. Mais investimentos estão a ser feitos na zona da Adroana e também na de Manique, nomeadamente com a construção de armazéns de logística. No que se refere ao Parque Habitacional, de destacar a construção de inúmeras habitações na zona dos campos velhos, junto à ribeira da Amealha, perto do lugar de Manique, e também de mais um bairro PER, com cerca de 120 habitações, daí confirmar-se o que inicialmente foi dito: o aumento populacional da freguesia em cerca de 6.700 habitantes, confinados ao triângulo Alcabideche / Manique / Bicesse.


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Alcabideche e o seu desenvolvimento (continuação)

Equipamento Escolar Após a inauguração, em 22 de Janeiro, do edifício antigo da escola de 1º Ciclo de Bicesse, o que proporcionou mais duas salas de aula (cerca de 48 alunos), está em construção no Alto da Peça (nas traseiras da Escola Secundária Ibn Mucana) a Escola Básica do 1º Ciclo - Alcabideche 3 - que terá acoplado um Jardim de Infância e que entrará em funcionamento no ano lectivo de 2009 / 2010. Também os Seniores não têm sido esquecidos - 15 por cento da população da freguesia é idosa – e a demonstrá-lo estão as várias medidas tomadas nesta área: inauguração do Lar da Santa Casa de Alcabideche, que conta com 64 quartos, 10 dos quais para cuidados continuados; ampliação da Associação de Idosos de Sta. Iria (Murches), ampliação da Associação de Idosos Nossa Senhora da Assunção da Malveira e, em Janes, a construção de um centro pastoral que inclui equipamento para idosos e uma creche ou berçário. Mas Alcabideche não é só evolução e aspectos positivos. De facto, a área dos transportes rodoviários, aliada ao estado deplorável em que se encontram as redes viárias (diga-se que a freguesia é atravessada por diversas vias camarárias e/ou nacionais) são aspectos que urge resolver e é nesse sentido que a Junta tem tido um papel de pressão sobre as autoridades respectivas. Algumas medidas já foram tomadas e outras foram propostas à Câmara Municipal. A título de exemplo, a reformulação de sentidos e a instituição de sentidos únicos, diga-se que com excelentes resultados, na Rua Carlos Anjos, na Estrada da Ribeira e na Rua do Pinhal. No que diz respeito ao chamado Casco Velho, foram já definidos sentidos de trânsito e apresentada a proposta à Câmara, esperando-se a respectiva aprovação. Com o actual prolongamento da Avenida de Alcabideche até à rotunda da Luta (obra em execução), pretende-se diminuir o afluxo de trânsito que vem de Manique e melhorar a rapidez e acesso à A5 Cascais. No que concerne aos transportes públicos, o problema reside no facto de não haver concorrência, uma vez que a transportadora Scotturb é soberana nesta área e, apesar das várias tentativas de, por exemplo, reformulação de horários, nos quais a Junta ou a Câmara não têm qualquer responsabilidade, ainda nada se conseguiu alterar, para infortúnio, por exemplo, dos muitos alunos que frequentam a nossa escola. No entanto, o Sr. Presidente da Junta garantiu que os esforços para solucionar o problema irão continuar, informando, até, que está em estudo um plano de reclassificação de toda a circulação frente à nossa escola (o que, de facto, acrescentamos nós, é premente, pois em determinadas horas o tráfego nesta zona é caótico), prevendo-se, inclusive, uma paragem de autocarros frente à Ibn Mucana. Também o Largo de Alcabideche irá sofrer obras de reclassificação, havendo propostas nesse sentido há já cinco anos, dependentes, apenas, da resposta da Câmara, que continua em negociação. Também as questões sociais não têm sido descuradas, daí as várias medidas de ajuda às famílias mais carenciadas da freguesia: apoio para pagamento de rendas de casa, assistência médica e distribuição de bens alimentares. Resta-nos acreditar que o nosso artigo tenha contribuído para aumentar o conhecimento dos nossos leitores sobre a “sua/nossa terra”, que o desenvolvimento da Freguesia continue e os entraves burocráticos que, muitos vezes, impedem a evolução não subsistam e, finalmente, agradecer a disponibilidade e colaboração do Senhor Presidente da Junta. Bem Haja!


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Entrevista à Presidente do Conselho Executivo Como vamos de avaliação ? 100 professores entregaram objectivos na Ibn Mucana Muito se tem falado, comentado, rejeitado o modelo de avaliação em curso. Muitos são os docentes que se opõem, muitos os que protestam, mas, na verdade, entre protestos e ansiedades, eis que este se impôs e tomou conta da vida dos docentes, quer queiramos quer não. O Jornalando falou com a senhora Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Ibn Mucana, no sentido de se inteirar da forma como tem decorrido o processo avaliativo neste estabelecimento. Jornalando- Qual a percentagem de docentes que entregou os seus objectivos? Presidente do Conselho Executivo- Face à implementação deste modelo de avaliação e após a revisão do decreto, de acordo com o calendário estabelecido, solicitaram a sua avaliação na componente pedagógico-científica 77 docentes e entregaram objectivos 100 professores. Só 13 professores não entregaram os seus objectivos. J- Como tem decorrido o processo de avaliação na escola? Quais os impedimentos? P. C. E.- Segundo a perspectiva da gestão, num primeiro momento, que decorreu entre Setembro-Outubro, surgiram grandes dificuldades devido ao trabalho excessivo em que estiveram envolvidos grupos de trabalho de pessoal docente. Centrou-se o trabalho na elaboração e aprovação dos instrumentos de avaliação(fichas, roteiros, metas, indicadores…). A partir de Novembro, e depois da reacção e movimentação dos docentes contra o modelo de avaliação vigente, vimo-nos confrontados com dois constrangimentos: por um lado o clima de tensão nas escolas que obstaculizou o processo já previamente agendado (e que nesta escola estava concluído) e, por outro, a indefinição por parte da tutela que vieram dificultar a gestão do processo. De facto, o mês de Novembro foi especialmente difícil por causa desse mal-estar vivido na escola e devido às informações contraditórias provenientes da tutela, geradoras de grandes indefinições. No final de Novembro, com as alterações regulamentadas, facilitou-se o processo. Neste momento, a situação está clarificada, os objectivos e as datas foram estipuladas. Foram já chamados docentes para reformular os seus objectivos- processo que não provocou quezílias, as pessoas aceitaram as reformulações e o processo tem decorrido normalmente. Nesta escola não tem havido problemas de maior. Mesmo não concordando com o modelo, as pessoas entregaram , na sua maioria, os objectivos. Tentou-se que houvesse na Ibn um clima de calma e de bom senso em todo este processo. Nas escolas em que a própria gestão está contra o processo, tudo se torna mais difícil. Neste caso, tentámos fazer um acompanhamento e monotorização do processo. Só uma minoria dos docentes manteve uma posição de recusa.

J- Qual a sua opinião sobre a avaliação? E sobre este processo avaliativo? P. C. E.- Não concordo com este modelo avaliativo mas considero que todos devemos ser avaliados. Os professores e sindicatos aceitaram sempre o modelo que existia e que era nivelador, inóquo, nunca se lutou por uma situação de avaliação condigna. O grande problema dos sindicatos é a diferenciação. Os professores não aceitam a diferenciação e esse é o grande problema. Nunca até este momento houve a hipótese de se ser diferenciado pela positiva. Não concordo com este modelo porque o considero excessivo, burocrático, complexo e de difícil operacionalização, quer na construção dos instrumentos, quer na concretização e finalização (que aguardo para ver!!!). Relativamente à finalização, como é que esta fase se vai concretizar? Como é que se fecha todo este processo face aos instrumentos construídos? Como é que os órgãos de gestão vão formalizar isto tudo? Não tenho dúvidas que deve haver avaliação, mas face ao desgaste que todo este processo provoca, considero que o mesmo deve sofrer uma reformulação.


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DESPORTO ESCOLAR CORTA MATO Dos 161 alunos que correram no Corta Mato Interno (28 de Novembro na Escola), 53 competiram no Corta Mato Concelhio (7 de Janeiro na Quinta da Marinha) e 30 no Corta Mato Regional – Concelhos de Cascais, Sintra e Mafra (13 de Fevereiro em Mafra).

Equipa de Juvenis apurada para o Corta Mato Nacional

Beatriz Santos (7B,21), a ganhar a prova de Corta Mato Regional realizada em 13/2/2009


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Em Mafra apuraram-se os seguintes resultados colectivos e individuais:

Escalão

classif. colectiva

Nº equipas em competição

Alunos – Lugar na classificação individual

INFANTIS FEM

13º

24

Beatriz Santos (7B,21) - 1º Joana Alves (7A,14) – 78º Filipa Martins (7C,10) – 87º Ana Grilo (7C,2) – 119º

INFANTIS MAS

23

João Jesus (7D,14) – 19º Hugo Ferrão (7B,17) – 30º Miguel Fortes (7D,19) – 43º Nuno Patrício (7B,29) – 86 Francisco Fons,(7B,14)–127º Eduardo M.(7C,9) – 134º

INICIADOS FEM

11º

17

Patrícia Vala(8F,15) – 46º Melissa Carv.(9E,13) – 50º Mariana Raim.(9B,18) – 56º Ramona Br.(7F,22) - 101º Júlia Romaguera (8F,10) - 103º Calliroi Skepis (9B,9) - desistiu por indisposição

INICIADOS MAS

13º

22

Miguel Mira (9B,20) – 26º Pedro Assis (9B,22) – 39º Gonçalo Andr.(7B,15)–101º Pedro Fern.(8E,24)–105º

JUVENIS FEM

---

11

Rita Fernandes (10F,27) – 43º

JUVENIS MAS

17

José Santos (10B,15) – 4º Gonçalo Rato (10A,13) – 6º João Silva (9C,11) – 13º Tiago Esteves (10F,30) – 15º Miguel Pereira (10E,15) – 17º

JUNIORES FEM

---

6

Tânia Caetano (10º1,25) – 23º Joana Pico (11º1,12) – 28º

JUNIORES MAS

---

8

Mauro Ribeiro (11B,12) – 30º Filipe Quatorze (10º1,13) – 31º

A equipa de JUVENIS MASCULINOS ficou apurada para o CORTA MATO NACIONAL, a realizar no próximo dia 21 de Abril na Figueira da Foz.


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DESPORTO ESCOLAR PATINAGEM No passado 28 de Fevereiro em Massamá, 12 alunos do grupo/equipa desta modalidade participaram num encontro que envolveu 5 escolas dos concelhos de Cascais e Sintra. A comitiva, que podemos ver na fotografia 3, foi constituída pelos alunos do 7C – Patrícia Pereira, Filipa Martins, Gonçalo Manuel, Nuno Ferreira, Eduardo Manuel e Henrique Pereira, do 7A – Tiago Esteves, Tomás Santos e Marta Soares, do 8F – Júlia Romaguera e Carolina Costa e do 12º3 – Jorge Neto, pelo professor responsável Luís Duarte e pelo professor estagiário Hugo Pardal.

TÉNIS DE MESA Como vem sendo hábito, este ano a ESIM organizou: - Um Torneio Interno em que competiram 148 alunos - A prova CascaisPong Ocidental com a participação de 3 alunos por escalão/escola (escolas da zona ocidental do Concelho) - A prova CascaisPong Final, com a participação dos primeiros classificados no CascaisPong Ocidental e no CascaisPong Oriental (escolas de todo o Concelho de Cascais). Nesta final destacaram-se: Francisco Freitas (10B,9) – 1º Juv Mas Tiago Franco (11º1,24) – 2º Juv Mas Ana Nascimento (11A,1) – 2º Juv Fem Inês Costa (12D, ass) – 1º Jun Fem Sofia Comba (10º1,23) – 2º Jun Fem Tânia Caetano (10º1,25) – 5º Jun Fem Eduardo Fernandes (11B,2) – 2º Jun Mas Frederico Cravo 12E,11) – 3º Jun Mas Olavo Dias (10º1,17) – 4º Jun Mas

Inês Costa (12D, ass) e Sofia Comba (10º1,23) Final do CascaisPong

Março e d 5 2 TO – es, R O P S E fessor , D o r p O , s D o o e alun de educaçã FEIRA d o ã ç u rticipa carregados , apoiar, o a p a en -se der os, Espera rios, pais e ntar, apren rcícios, jog , e n xe ná funcio ar, experim , a provas, e , Badminto , r o ol jog assisti letism lada, Futeb para t e t A n e e a d sm ça, Esc s, Voleibol. simple trações,..., n a D , a s ni t demon ebol, Bicicle tinagem, Té et Pa Basqu adicionais, Tr Jogos


Jornalando Faz com que o coelho chegue ao cesto dos ovos da Pรกscoa.

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Sopa de Letras A S B A P R I M A V E R A L E

X H L P R I M E I V A D B G Z

C R I Z X C F A E F T J R P A

E O K A B I L S S F T I I O S

Abril Ovos Páscoa Flores Cruz Domingo Cesto Santa Sexta-feira Santa Chocolates Coelho Primavera Cordeiro

S E X T C A R T C H O C L T E

T A M B D H G S S K L P Á S O

O U F P D A O R E C O L H O A

S Á L F L A R C R E S S D A S

C O O C E L O V O S S D F A E

O F R L O K J A S L E F T A E

R U E P I R A D R E A I D S C

Z D S S A E D E D A U T Y O E

R C R U X A E E C O E H E P O

S E X T A F E I R A L T E A

A S U T G F E I O R H P I F V

N S A D O M I N G O O N T A S

T D O M N G O S D F R E Q U T

A S P Á S C O A R T Y U E R A


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Uma chegada inesperada Por: Mafalda 8ºE

“Apaixonei-me” por aquele gato (...)

O facto de ter o meu gato não foi planeado, aconteceu por acaso mas fico feliz que tenha acontecido.

BRINCADEIRA TRÁGICA Por:Natacha Martina, 8ºE

Em meados do mês de Março de 2004, após sair da escola, seguia para casa do meu padrinho, ia fazer-lhe uma visita com a minha mãe e o meu irmão. De repente, reparámos em umas pessoas que estavam junto de uma senhora de idade a observarem alguma coisa. Para nossa surpresa, eram uns gatinhos bebés que a idosa dizia terem sido abandonados à sua porta mas ela não podia tomar conta deles, pois já tinha os seus. Naquela altura, só lá estavam três: uma gata, um gato preto e, por fim, um gato amarelo lindo. “Apaixonei-me” por aquele gato rapidamente e agarrei-o, certificando-me que seria meu e só meu. Falei com a minha mãe, pedi-lhe para ficar com o gato e lembro-me de dizer que era o meu primeiro gato bebé e, ainda por cima, amarelo. Lá consegui convencer a minha mãe a ficar com ele pois, de certa forma, também tinha ficado encantada com o gatinho.

“ Lá consegui convencer a minha mãe a ficar com ele “

O que eu aqui vou contar é uma história muito trágica, não muito feliz. O meu cão (Kiko) e o meu gato (Silvestre) são muito amigos, sossegadinhos e bastante fofinhos. Eles andam sempre juntos, dormem juntos, comem juntos. Quando um sai para a rua, o outro vai atrás. Nem parece verdade, pois eu sempre pensei que os cães e os gatos se davam pessimamente mal. Um dia, numa das suas brincadeiras, o meu gato, com a sua unha furou o olho do meu cão e depois o olho começou ainchar. Na altura do sucedido não estava ninguém em casa.


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Acontecimento Inesquecível Eu já tenho tido vários bons momentos com animais de estimação, sendo que todos me marcaram. No Algarve, quando eu estava a passar mais umas férias de Verão, em 2004, um cão seguiu-me até minha casa num dos meus passeios diários de bicicleta, e entrou. Eu e a minha família fazíamoslhe festinhas e miminhos, demos-lhe água para beber e comida. Passaram-se dias e semanas e o cão já não saia de ao pé de nós (de mim e da minha família). Ele era pequeno, preto e tinha uma mancha branca no peito. Entretanto, conhecemos também uma cadelinha toda branca, do seu tamanho, que brincava com ele e era muito querida. Ela chamava-se Phibie e o nosso, Ruby. No fim das férias, pedimos a uns ingleses, que eram os donos da Phibie e moravam ali pertíssimo, para ficarem também com ele, pois nós “Foi uma despedida muito triste e dolorosa, tínhamos gatos em Lisboa e não tanto para nós, como para o cão.” o podíamos levar connosco. Foi uma despedida muito triste e dolorosa, tanto para nós, como para o cão. Tínhamo-nos todos afeiçoado ao cão e ele a nós! Passou-se algum tempo, mas quando lá voltámos, num fim-de-semana qualquer, eu fui à procura dele, pensando que talvez não o voltasse a ver. Separado da casa onde ele estava agora a viver (casa dos ingleses), por outra, chamei-o pelo nome que lhe tínhamos dado e assobiei vezes sem fim, até que duma sebe, do meio das folhas, uma ‘coisa’ preta me apareceu à frente dos olhos. Só me lembro de o agarrar e começar a correr para casa! Um dia mais tarde, acordei com a Phibie toda contente a lamber-me a cara; outro dia soube que não os voltaria a ver (ao Ruby e à Phibie)…mas guardo todas estas recordações comigo e espero a felicidade deles.

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Por: Pedro Fernandes 8ºE


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Tu só tu e eu também ... Por: Ricardo Magalhães

A Importância do Amor Por: Inês Machado, 8ºE

É nos teus lábios que eu quero adormecer e acordar, Pois só eles me fazem viver, só eles me ensinam a amar. Teus olhos envenenaram os meus. Sem eles, não consigo ver. Respiro o teu olhar e mais nenhuns olhos quero conhecer! Da tua pele seria eu capaz de me alimentar. Nunca saboreei algo igual. Tua pele tem uma textura sem par. Contigo fico bem, contigo fico doente. Contigo quero receber… Contigo quero dar… Contigo entro em stress contigo fico paciente. Não sei o que quero. Não sei o que quero, mas sei que só a ti eu quero. Nada nem ninguém mais quero. Amar-te e por ti ser amado eu quero!

Para mim, o amor será sempre um complemento para a felicidade e para uma vida repleta de alegria. O amor é também um sentimento que se pode demonstrar em vários sentidos: -Amor de pais e da restante família: só com muito afecto é que crescemos saudáveis e podemos enfrentar uma vida melhor. -Amor de amigos: somos nós que escolhemos os afectos das pessoas que nos acompanham no dia-a-dia e, entre elas, escolhemos os nossos melhores amigos. -E, finalmente, o amor entre duas pessoas. Este será aquele que mais na marca, aquele que um dia nos vai fazer chorar e ter um formigueiro no estômago. Acho que será este amor apaixonado que um dia vou sentir e que me vai fazer sonhar e lutar por ele. O amor é também um dos factores mais importantes na nossa vida. Sem ele não éramos, não chorávamos não sentíamos saudades e isto tudo faz parte do nosso crescimento e da vontade de ser amado e de amar.


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A Turma Era uma vez uma turma muito mal comportada, composta por 25 alunos. Havia para todos os gostos: portugueses, ucranianos, moldavos, brasileiros, etc. Mas, comecemos pelo princípio…

7º B O primeiro dia de aulas soou nos ouvidos de todos os alunos. Um dia difícil, mas ansiado por todos. As amizades esperavam. Beijos e abraços, lágrimas e conversas

21 Por: João Mendes (Ex aluno da turma, que sempre recordaremos com saudade)

Os razoáveis ainda se safaram, mas os piores tiveram de ser punidos. Uma semana se passou e a turma tinha acalmado; pelo menos por enquanto. Ficaram assustados! Mas, como o que é bom não dura para sempre, o pesadelo dos professores voltou. Estes saturavam-se com tais situações e tiveram, de novo, de tomar medidas. Nova medida tomada: cinco rapazes da turma do 7º B tinham sido transferidos para outras turmas. Por fim, a turma parecia estar a entrar

8º B

começavam a partir desse dia. Foi um dia importante! Formou-se o 7º B, com amizades novas a fazer e uma escola a conhecer. A primeira semana passou-se bem, mas o pesadelo dos professores começava na segunda semana. Faltas disciplinares, avisos… começava a ser insuportável! Ao longo dos dias, as atitudes iam piorando e os professores tinham de tomar medidas. A informação foi anunciada: “Alguns alunos vão ser suspensos.”

nos eixos: a quantidade de negativas baixava, as participações diminuíam, tudo parecia bem, muito bem. Mas como nada estava bem na turma do 7º B, tudo mudou, de novo. Parecia o mercado financeiro: as participações subiram em flecha, as faltam também e as más notas aumentaram. O ano lectivo de 2007/2008 acabou. Mais de metade dos alunos passou, é verdade. Com algum favor dos professores, o 7º B conseguiu passar e até com dois alunos no Quadro de Valor e Excelência.

Um novo ano lectivo voltava. O 8º B continuava de pé, mais novo que nunca, pronto para colar mais uns cabelos brancos nas cabeças dos professores. Nada tinha mudado! As participações voltaram, as faltas começaram e as negativas apareceram. Tudo continuava igual no 8º B! Nem com colegas novos e sem outros a turma melhorou. Pelo contrário, novas companhias se juntavam à festa. O primeiro período passou-se sem advertências graves, mas as negativas eram muitas. Pelas contas, onze alunos chumbavam, num total de vinte e cinco. A média era má! O Natal passou-se e o segundo período vinha aí. Novas participações, muitas faltas… Os professores tomaram medidas. Novas suspensões vieram. Uma era a minha! Não era um susto, nem uma brincadeira, era real. Estava na altura de mudar… Hoje, aprendi uma coisa muito importante: o estudo faz-nos falta; por mais que não gostemos, temos de superar as dificuldades e “agarrarmonos” aos estudos. Grande turma esta, a melhor até hoje! Apesar de todas as coisas por que passámos, éramos unidos, quando queríamos. Continuem unidos e portem-se bem. Vá, tenham mais juízo do que eu!!


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Um dia na pele de um Austrolopiteco Por:Beatriz Santos, 7º B

Hrrrr… Hoje foi um dia horroroso! Eu e os outros lá do meu bando fomos à caça, como habitualmente, mas desta vez as presas íamos sendo nós! Nada, não há mesmo nada que se aproveite deste dia. Não caçámos aquele enorme bisonte, choveu e a nossa caverna está fria e molhada. Não caçámos o bisonte, logo, não temos alimento, não temos peles para cobrir a cabana e para nos aquecer, não temos ossos para fazer uma nova caverna, não temos NADA! E, ainda por cima, hoje chove a potes e ainda não descobrimos aquilo a que os estranhos e evoluídos homem erectus e homem habilis chamam de fogo! Eles dizem que aquela espécie de magia aquece, afugenta os animais ferozes, cozinha a carne (dizem até que lhe dá um estranho e delicioso sabor), e que faz com que as mulheres e as crianças fiquem sossegadas sem medo dos bichos que nos tentam comer! Sortudos que eles são! O que isso me fazia falta agora..! Agora estou aqui, tal como o resto do bando, a preparar novas lanças e arpões, de ponta afiada como espinhos, para ver se ainda hoje conseguimos caçar alguma coisa, se não ficamos sem comer um dia inteiro, coisa que também acontece bastantes vezes dado o estado da nossa situação. Cada vez há menos alimentos, os frutos já escasseiam, estou memo a ver que vamos ter de nos mudar outra vez. Isto de ser nómada não é nada fácil. Ainda por cima, os mais fracos ficam sempre para trás, os velhos, as crianças, e muitos de nós adoecem pelo caminho. Como ia a dizer, aqui estamos nós a construir arpões e furadores de ossos e, ainda, propulsores para amanhã caçarmos aquele maldito bisonte. Estou a morrer de fome e as crianças já choram por comida. Isto não está nada bom! Se ao menos tivéssemos inteligência suficiente para perceber como fazer o fogo…! Bem!!!!!!!!!!!!!!!! Acabo de receber uma óptima notícia! Os meus homens saíram lá fora e apanharam o bisonte. Que bom! Mas, infelizmente, um morreu… bem, paciência… aqui, na vida recolectora, isto é a lei do mais forte. Pelo menos morreu a servir os do seu povo. É para verem o quão difícil é viver nestes tempos. Temos de caçar para sobreviver, não existe nada que cure as nossas doenças e andamos sempre com a casa às costas! Bem, agora vamos mas é dar umas trincas, sim, porque sendo tantos, a carne do bisonte não chegaria para todos se cada um comesse muito! Mais uma desvantagem da vida recolectora. Já comi e agora está na hora de dormir. Amanhã acordamos mal nasça o sol! Sim, porque isto não é como os “australopitecos “ da vossa época que acordam tarde, com a comidinha já preparada à frente e tudo isso sem qualquer esforço. Realmente, há espécies com muita sorte. Logo, tínhamos nós de ser os sacrificados! Bom, tenho mesmo de ir dormir e, felizmente, agora já possuímos a pele do bisonte para nos aquecermos, já que não temos FOGO! Vou dormir porque o amanhã vai ser mais um longo e interminável dia, em que nenhum de nós sabe se os nossos corações voltarão a bater!


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Escola Profissional de Teatro de Cascais oferece

“A Casa de Bernarda Alba” à Ibn Mucana Por: Prof. Rosa Sousa

No dia três de Fevereiro a EPTC abriu as portas do Pavilhão Zita Duarte para os alunos da Escola Secundária Ibn Mucana que quiseram ir assistir ao trabalho de alunos do 3º ano de Representação Teatral. A representação decorreria às 14.45, por isso, dependendo da hora a que terminavam as suas tarefas na Ibn Mucana, assim eles, num dia em que S. Pedro mostrava a sua ira (vento e chuva a não acabar…) tomaram o caminho, a maior parte deles a pé, outros de autocarro, com os seus professores, para a EPTC. Que imagem interessante (e preocupante pelas constipações que se adivinhavam iminentes) ver o grande átrio da escola cheio de gente com os cabelos a escorrer da chuva teimosa, as calças e sapatos alagados, mas ninguém a querer ir para casa mais cedo! A possibilidade de ver alunos da nossa idade exibirem o seu trabalho de escola de forma tão diferente daquela a que estamos habituados, tinha de ser aproveitada. Ninguém arreda pé! Todos, através dos seus professores, tinham sido avisados da importância do silêncio num espaço em que se vive a representação, e todos fizeram o que puderam. Éramos mais de setenta! Mas se o silêncio não foi tanto antes da peça, ele só ia sendo quebrado quando, dentro da sala do espectáculo, alguma personagem expressava os seus sentimentos como nós só o fazemos se soubermos que ninguém nos vê. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando vimos entrar uma velha louca (mãe da Bernarda Alba, aquela mulher que queria as suas cinco filhas enclausuradas em casa para mostrar à sociedade o sofrimento pela morte do seu marido) com um vestido de noiva, com os lábios muito mal pintados de vermelho a dizer que queria casar “lá para as bandas do mar” – Parecia ridículo, sim… mas as suas falas já não deixaram o mesmo espaço para o riso quando ela aparece pela segunda vez. Agora, já se percebeu que a ‘Velha’ requeria para si o que a falta de senso de uma mãe espanhola ultraconservadora, não deixava acontecer às suas filhas, na idade “em que o sangue novo atiça”, apenas para dar aos outros uma imagem de ‘mãe perfeita(mente) católica’. Foi o que aconteceu quando Adela, a mais nova, a inconformada, que, às escondidas, amava e se deixava amar pelo homem que estava prometido à irmã mais velha, reagiu ao anúncio de que o seu amado (Pepe) tinha sido morto por um tiro de Bernarda Alba. Por isso, ela gritou “Peeeepee!...” E mais ninguém riu quando se percebeu que Adela, não aguentando a perda da sua razão de vida, se suicida. E mais ninguém riu, pelo contrário, houve lágrimas a saltarem aos olhos de alguns de nós, quando a mãe, Bernarda Alba, se lamenta de não lhe ter acertado! E alguém terá rido de sarcasmo ao ouvir Bernarda, sem verter uma lágrima, de cabeça levantada, ordenar às filhas e às criadas que ninguém chorasse, pois “A minha filha morreu virgem, ouviram? A minha filha morreu virgem!” E todos são unânimes de que, estas, não são futuras actrizes. Elas são-no! Até quando há algum engano. Elas resolvem-no com o profissionalismo das verdadeiras estrelas. E não havia professoras a representar, como alguns estavam convencidos. “Ó ‘stora’, quando é que podemos ir outra vez?” – é a introdução e a conclusão das nossas conversas depois desta grande peça. Parabéns, EPTC! Parabéns, alunos da nossa escola, que souberam estar e dignificar uma ESCOLA PÚBLICA. Foi esta, também, a opinião de Eunice Munhoz, que connosco via a sua neta, ‘Adela´, no palco!


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CRASH ( Opinião )

Por: Beatriz Branco, 10º C

COLISÃO é um filme de Paul Haggis que contou com um prémio de melhor elenco e também um Óscar para melhor filme do ano, em 2006 (ano do seu lançamento). Este filme tem como ideia central a questão do racismo/preconceito e o choque entre culturas e pessoas diferentes. O filme decorre numa metrópole onde são mostradas diferentes realidades dentro do mesmo espaço. Essas realidades colidem constantemente e é exactamente essa colisão que gera diversos problemas. Entre muitas histórias cruzadas, são experimentados sentimentos diferentes. Amor, ódio, inveja, medo, preconceito: tudo misturado com a falta de tempo, de dinheiro, ou mesmo de carinho, pode causar em todos nós frustração e a levar a reacções e comportamentos menos agradáveis. Esta longa metragem mostra exactamente isso: a reacção de diversos tipos de pessoas, com problemas distintos, que acabam por se encontrar todos os dias e depender umas das outras. Mas, como qualquer relação entre seres humanos, essa relação não é fácil e acaba por colidir, por entrar em confronto e causar destruição. O filme deve ser visto por um público vasto, pois, os temas abordados são realmente importantes. A luta contra o racismo, xenofobia e o conflito entre culturas continuará.

Crash – Colisão “Moving at the speed of life we are bound to collide with each other” Título Original: Crash País de Origem: EUA / Alemanha Tempo de Duração: 122 minutos Ano de Lançamento: 2004 Site Oficial: http://www.crashfilm.com Direcção: Paul Harris

O comentário dos nossos alunos: “Este filme refere-se principalmente ao racismo e aos preconceitos entre as diferentes raças e culturas. Vemos como o racismo e o preconceito actuam sobre as pessoas, levando-as a agir de modo arrogante e agressivo. Em situações incríveis, agem até de forma correcta e racional. Achei o filme muito interessante e cativante porque apresenta aspectos da vida com os quais nos confrontamos todos os dias.” Joana Domingues, 10ºC “ Colisão mostra-nos que não devemos julgar as pessoas pela aparência porque isso prejudica quem é alvo do preconceito, assim como quem o tem. Um facto interessante e revoltante é o abuso de poder da autoridade, sendo uma mulher abusada por um polícia, sem que ela nada possa fazer. O filme mostra-nos a realidade em que vivemos, uma dura realidade para a qual, infelizmente, muitas vezes, não contribuímos para que a sociedade mude.” Thiago Nascimento, 10ºC “ Este filme retrata a diversidade cultural. Com este filme aprendemos que, apesar de vivermos na mesma cidade ou até no mesmo país, as pessoas possuem hábitos e culturas diferentes. Este filme diz-nos também, de certa forma, que ninguém é suficientemente mau, pois todos realizamos boas e más acções. É um bom filme para se ver porque se aprende! Mariana Silva, 10ºD”


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CRASH ( Opinião ) A acção de Colisão decorre na cidade de Los Angeles. Na minha opinião, este filme retrata bem a nossa vida quotidiana, fazendo transparecer os verdadeiros conflitos, tanto a nível cultural como de valores, que podem existir numa sociedade se as pessoas que lá vivem não se respeitarem umas às outras. Pois, o que para uns é bem, para outros é mal, e aquilo que alguns acham justo, outras pessoas podem achar injusto. Por outro lado, o que numa religião é tradição, noutra pode ser uma coisa completamente invulgar. Destaca-se também o quanto as pessoas são racistas, principalmente, em relação à raça negra Neste filme, podemos assistir a várias cenas que nos transmitem o quanto é importante a existência de respeito entre as pessoas. Por exemplo, o rapaz que arranjava fechaduras era olhado de lado por ser de raça negra. Quando foi a casa de uma mulher para prestar serviço, esta estava insegura quanto ao seu trabalho, ficando bastante desconfiada, ao ponto de discutir com o marido dizendo-lhe que não se sentia segura e que tinha a certeza de que o rapaz iria fazer uma cópia das chaves a fim de lhes assaltar a casa. Este mesmo rapaz foi a uma loja de um homem iraniano, pois também este tinha uma fechadura por arranjar (pensava ele), pois o que precisava mesmo de arranjo era a porta. O rapaz tentou arranjar-lhe a fechadura mas avisou-o que era melhor chamar um técnico para lhe consertar a porta. Qual é o espanto do rapaz, quando o dono da loja desatou aos gritos com ele, dizendo-lhe para lhe devolver o dinheiro, porque a porta estava na mesma. Esta parte é bastante injusta, pois o rapaz afirmou várias vezes que não queria dinheiro nenhum, explicitando ainda que a porta precisava de arranjo. Este choque entre estas duas etnias é bastante interessante para percebermos os conflitos que podem surgir entre duas pessoas de culturas diferentes. Estas são duas das várias cenas que este filme transmite tão bem. Colisão é um excelente filme para debater a diversidade cultural. Ele retrata a vida de várias pessoas e todas elas de etnias diferentes, que se cruzam, pois vivem na mesma cidade. Estes conflitos raciais, muitas vezes, trazem sérios problemas, como por exemplo: um polícia matar uma pessoa de raça negra, só por achar que ela tem uma maneira de vestir “estranha”, ou mesmo por ser de cor diferente. É importante sabermos conviver uns com outros, mesmo que as culturas sejam diferentes, pois ninguém é igual a ninguém e, por isso mesmo, cada um tem uma noção diferente sobre os diversos conceitos. Adorei o filme e acho que para identificar exemplos de confronto de valores e de multiplicidade cultural, ele é perfeito! Débora Melo, 10D


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O pequeno Miguel No dia 31 de Outubro de 2008, a turma do 11º E visitou a Companhia das Lezírias e trouxe 2 landes, erradamente chamadas de bolotas, e que foram plantadas na semana seguinte num pequeno vaso que ficou esquecido na sala C4. De repente, reparámos, no inicio de Fevereiro, que um pequeno sobreiro estava a nascer. Na segunda-feira seguinte, sentimo-nos muito tristes porque, para nosso espanto, o pequeno sobreiro tinha morrido. Facilmente concluímos que a funcionária fechara o estore da sala na sexta-feira e que o sobreiro não sobrevivera à falta de luz (não realizou a função vital – fotossíntese). Novamente, passados alguns dias, começou a nascer um novo sobreiro, que eu levei para casa durante o fim-de-semana. Durante o tempo que lá ficou, tirei-lhe algumas fotografias para mostrar aos alunos como ele estava grande. Enviámos um mail para a Companhia das Lezírias para obtermos informações sobre quais os cuidados que deveríamos ter com o nosso sobreiro. Fomos rapidamente informados que este deveria ser imediatamente plantado na terra, num sítio abrigado por outra árvore e que nos podíamos esquecer dele até ao Verão. No Verão, deveríamos regá-lo uma vez por semana com pouca água. A Dr.ª Lívia Ala informou-nos, ainda, que o sobreiro era uma árvore fácil de tratar. Assim, a turma escolheu um local com as características necessárias e o pequeno Miguel, como se chama o nosso sobreirinho, foi plantado com pompa e circunstância no canteiro entre o pavilhão D e o pavilhão F. Sempre que o vamos visitar, é com espanto que vemos que está de boa saúde e cada vez maior. O seu maior predador são os coelhos, (existem várias tocas próximas), mas ele está bem protegido com uma rede metálica. Gostaríamos que vissem no youtube o vídeo “Save Miguel”, um pequeno vídeo realizado por um actor norte-americano e que é um dos melhores contributos para a preservação da espécie – o sobreiro.

Memórias

Por: Prof.Filomena Clemente

Ao fim de 20 anos na Escola Ibn Mucana, quando chego ou parto, atenta ao que me rodeia, são muitas as vezes que penso na intensidade e velocidade com que o homem altera a paisagem. Vi acabar de construir a escola, a A5, o shopping, e todas as grandes superfícies que o rodeiam, o pavilhão desportivo e, ultimamente, o hospital e as novas acessibilidades. Sou do tempo em que onde está o pavilhão Desportivo, a maioria das pessoas não saberá ou não se lembrará, era uma pedreira de calcário abandonada. E é uma história sobre este espaço que vos quero contar: Nos primeiros anos da Ibn, não sei precisar qual, ia a sair da escola, de carro, quando vejo um aluno agarrado à mão, cheia de sangue. A funcionária que estava no portão foi buscar uma toalha e embrulhou a mão do aluno (não recordo o seu nome) e rapidamente mandei-o entrar no carro e levei-o ao hospital. Mais tarde, soube que ele e outros colegas tinham ido para a pedreira brincar e tinham achado um cartucho de pólvora que era utilizada no rebentamento da rocha na pedreira e que a incúria dos responsáveis deixara por ali. O aluno ficou sem dois dedos na mão esquerda, o polegar e o indicador, e traumatizado psicologicamente. Quando voltou à escola, usava uma luva ou punha a mão no bolso. Moral da história que conto às minhas filhas e às vezes aos meus alunos: Não devem brincar com explosivos porque as consequências podem ser imprevisíveis.


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Visitas de estudo – Musicais – Expressão Dramática Nos dias 15 e 29 de Janeiro de 2009, os alunos de Expressão Dramática assistiram aos espectáculos de musical “O meu é de laranja lima” e “West Side Story”,no teatro Politeama, em Lisboa. No 1º caso, foram os alunos dos 7ºs A e B e 8ºs E e F acompanhados pelos respectivos professores. No 2º caso, foram os alunos dos 9ºs A e B e alunos do Clube de Teatro, e um grupo grande de professores da escola, interessados em ver este tipo de espectáculo, que só decorreu em horário nocturno. “O meu pé de laranja lima”, baseado no romance de José Mauro de Vasconcelos, e de saudosa memória da infância de muitos de nós, é uma terna mensagem sobre a necessidade de afecto e compreensão, e marca (ou pode marcar) dolorosamente a nossa infância e o nosso crescimento físico e, sobretudo, emocional. História profundamente comovente, que arrancou lágrimas a muita gente (a muitos alunos também), não porque caia no cliché lamechas, mas porque retrata o que há de mais humano em nós, da forma simples e pura que tem a inocência da infância, e com a dignidade e o respeito que sentimentos como o amor e a amizade merecem. E como é difícil crescer! Quando abre o pano, somos surpreendidos por uma estética cenográfica que roça o minimalismo, sobretudo tratando-se de um musical. A opção do encenador, Rui Luís Brás, traduz uma carga simbólica que diverte e encanta: o feixe de luz que representa a árvore que “fala” de afecto, e com afecto (na voz calma e cálida de Rui de Carvalho), com Zézé, o menino protagonista; O surgimento inesperado de um carro, em cartão, do chão, que transportará Zézé e o “portuga”, mas tão verosimilhante que nos surpreende pela incrível simplicidade; os diversos locais e ruas que vão surgindo de um único painel cenográfico colocado ao fundo do palco; a simulação do movimento de caminhada, que nos dá a ilusão de andamento sem que se saia do mesmo sítio. A imaginação está no centro de tudo e, sobretudo, obriga o espectador a participar, imaginando também. O “West Side Story”, uma obra-prima do teatro musical americano, encenado em Portugal por Filipe la Féria, é toda uma concepção diferente: baseado na obra de Shakespeare “Romeu e Julieta” (que os alunos de Expressão Dramática visionaram em DVD) pretende transportar a problemática shakespeareana para a actualidade, retratando com fidelidade e muito realisticamente (diria até quase naturalisticamente) os problemas sociais de integração e de aceitação social, de luta pelo poder, entre dois grupos (gangs) rivais de emigrantes, na zona oeste de Nova York. Em pleno século vinte, meados dos anos cinquenta, o amor proibido entre dois elementos dos dois grupos rivais será sacrificado para que possa surgir a resolução do conflito (tal como em “Romeu e Julieta”). Se a concepção cenográfica de “O meu pé de laranja lima” surpreendia pela simplicidade simbólica, a de “West Side Story” surpreende por uma (e igualmente bem conseguida) estética realista, seguindo a genial coreografia de Jerome Robbins, e numa profusão de ritmo, cor e alegria: Nova York com os seus arranha-céus, ao fundo; a ponte com uma circulação de carros que vai rareando com o declinar da noite, até quase se reduzir o tráfego a um único carro de polícia; nesta perspectiva, mais próximo dos espectadores,

Por: Célia Sequeira (professora de Expressão Dramática)

decorrem os problemas e conflitos dos amores proibidos no meio da rivalidade dos grupos, nas ruas, becos e interiores das próprias casas. Nesta tragédia, em que um dos amantes (Tony) morre às mãos dos elementos do grupo rival, sendo o sacrifício, brutal, mas necessário para a resolução do conflito, Já que leva à consciencialização de quão inútil e nocivo ele é, há, a par do excelente grupo de bailarinos do Ballet de Moscovo, uma musicalidade de grande profissionalismo, e acompanhando a fabulosa música de Leonard Bernstein, os belíssimos timbres das vozes dos protagonistas mostram também um apurado trabalho vocal. O desenvolvimento da tecnologia aplicado às artes do espectáculo permite uma complexidade cenográfica que o La Féria usa com mestria. Do melhor que cá se faz: desde a mobilidade e a simultaneidade cénicas, à conjugação de planos cénicos de diferentes níveis, acompanhados por um bom gosto estético cenográfico que faz jus ao bom nome que ele alcançou no país. Está portanto de parabéns, o La Féria. Mais uma vez. Para os nossos alunos, a convergência e interacção de diversas linguagens artísticas: canto, dança, representação, cenografia, sonoplastia, luminotecnia, são uma excelente forma de apreensão das diversas possibilidades nas artes do palco, estimulando-lhes a apreciação estética e o juízo crítico, fundamentais na formação do cidadão consciente, conhecedor e interventivo.

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O PREÇO CERTO Por: Paula Lacerda (professoira de Português-Francês) Tudo tem de ser avaliado, neste mundo. É o preço de sermos ou estarmos. Até a nós próprios o fazemos constantemente: “Terei feito bem?”, “Como seria se tivesse feito de outra maneira?” “Será que consigo?”, “Talvez seja melhor assim!”, “ou assado?”, “Terei eu razão?”, “Maldito ponto de vista, cada um com o seu!”, enfim, um turbilhão de hesitações e balanços nos seres pensantes que somos. Nesta “coisa” da avaliação do desempenho docente (ADD, para os íntimos), dizem a lei / a tutela / os e-mails não assinados da DGRHE que os professores devem estabelecer os seus objectivos individuais, tendo, por referência o PEE, o PAA, os PTT’s, os PCT’s (mais uma catrefada de siglas, que somos preguiçosos para escrever tudo, além de que o espaço no jornal é caro). Ora, já dizia o Jacinto d’A Cidade e as Serras que a fórmula perfeita da existência, ou seja, a plenitude, era conseguida pela articulação da ciência e da potência: “suma potência” X “suma ciência” = “suma felicidade”. Assim, para que o Ministério da Educação (ME, para os amigos) alcançasse a sua suma felicidade, era necessário todo um processo científico e potente, tipo “mente sã em corpo são”, detalhadamente construído, em que as cúpulas da lei (entenda-se o 15/2007, ou ECD) já fizessem prever a minúcia e a super-produção legal posteriores (de 2008 e 2009) que o regulamentariam até à medula, sua suma consistência. Mas a Equação Metafísica do ME, apenas atravessada pelas lentes dos nossos óculos de ver ao pé, logo revela “os presuntos, os queijos, os boiões de geleia e caixas de ameixa seca”. Se, às nossas lentes de fora, juntarmos as de dentro (“o essencial é invisível para os olhos, só se vê bem com o coração”), lá se vai a fórmula num instante. Porque dividiram para reinar, cortaram para se enriquecer, lançaram mais carga em quem já trabalhava muitíssimo, humilharam e espezinharam com uma linguagem deselegante e sem nível todos aqueles que tanto dão e davam, muitas vezes de forma voluntária, ao país. E tudo isto sem critério, arbitrariamente, como se a riqueza, nas nossas escolas, não nascesse da diversidade e do empenho de cada um. Como se tivéssemos andado todos a viver à conta do Estado, sem pudor e sem vergonha. Como se não possuíssemos qualquer dignidade, princípios, formação moral e ainda profissional de nível superior. Como se nunca os professores tivessem sido avaliados: eles que redigem os seus relatórios e se submetem ao olhar dos outros a cada minuto do dia; eles, a quem basta um dos trinta filhos, sessenta pais, outros tantos padrastos e madrastas, cento e vinte avós, algumas amas, tios, primos, etc., estarem descontentes, para se confrontarem com esse olhar, nas escolas e até nos cafés das aldeias, vilas e cidades deste país. Como se de futebol se tratasse.

Acrescentando, agora, à perversidade, dizem que, sem definição de objectivos individuais (como se a nossa vontade democrática tivesse contribuído para a formulação de alguma das regras deste jogo), não há avaliação. E que, sem avaliação, não há carreira, nem concursos. Queriam que definíssemos três a cinco objectivos (umas visitas de estudo, uns apoios à aprendizagem, umas intervenções nuns projectos, uns envolvimentos dos Encarregados de Educação, uns jantares, umas festas, umas actividades extra de enriquecimento), nós que nos espreguiçamos por tantos campos diferentes numa escola: tiramos fotocópias em máquinas sofisticadas; desencravamo-las, por vezes; vamos ao e-mail em casa para receber informações e instruções de trabalho; manipulamos o computador; preparamos e damos aulas (das nossas disciplinas, de EA, de AP, de FC, de SE e Fóruns), seleccionamos materiais; usamos manuais; fazemos e corrigimos fichas, testes e outros trabalhos escritos e orais, telefonamos, escrevemos, recebemos os pais, ouvimos queixas e lamentos, sérias reprovações sobre nós e outros assuntos, tentando sempre arranjar soluções, porque achamos que é nossa obrigação e trabalho. E reunimos constantemente. Ah! Mas o mais interessante foi a obsessão da quantificação: depois de simplificada a fórmula (só para este ano) cortando-se o peso da obrigatoriedade do resultado dos alunos, ainda ficavam mais dois jantares com, pelo menos, 50% dos EE’s da turma, três visitas de estudo, a recuperação de, pelo menos 50% dos alunos atribuídos nos Apoios, a elaboração e aplicação de 4 fichas diferenciadas, e não sei muito mais porque não fiz. Trocamos agora correspondência registada com a escola, notificam-nos sobre o incumprimento, mandamnos ler a lei que já lemos, os códigos determinando procedimentos administrativos, enviam-nos os e-mails não assinados da DGRHE, que julgam constituírem esclarecimentos iluminados, absolutas e últimas interpretações de uma lei que não está escrita em lado nenhum. Dizemo-nos: “Não desesperes, Mãe! Não passarão!”, porque tudo passa, até eles..

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jornal esciolar de Março de 2009

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