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Especial

1º turno do Brasileirão

Nº 9

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SETEMBRO/OUTUBRO

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2010

Reage Leão! Avaí joga returno focado na série A de 2011

CONFIRA

Sérgio da Costa Ramos Amilcar Neves Alexandrino Barreto Flávio Roberto Reforços Os 87 anos do Leão Justiça presente Leoa Avaiana Avaianos de Berço Avaianos pelo mundo

EXEMPLAR DE ASSINANTE

VENDA PROIBIDA REVISTA DO AVAÍ F.C. • Nº 9 ISSN: 1984-736X

9 771984 736001

...E MAIS A convocação do goleiro Renan para a Seleção e o sucesso da equipe na Sul-americana


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C om a palavra...

PROJEÇÃO PARA O FUTURO É

sabido que nenhum general entra numa guerra sem primeiro verificar o seu exército, quantos guerreiros ele possui, se estão capacitados, se existe disposição para a luta etc. Isto é bíblico. Também sabemos que ninguém ganha na loteria se não comprar o bilhete. Isto é fato. Assim, o Avaí está se preparando para o futuro, para que não entre numa luta sem saber o seu real potencial. E que luta é esta? A nossa permanência na elite do futebol brasileiro, o nosso desejo de ampliar o quadro de vitórias no Campeonato Catarinense, o bem representar Santa Catarina nas diversas competições que estamos credenciados e o nosso ingresso no Clube dos 13, um sonho que acalentamos e sempre buscaremos realizar. Enfim, temos várias metas para atingir e precisamos estar preparados para todas as lutas que se impuserem. Para tanto, estamos constantemente buscando reforços que mantenham o Avaí numa posição de destaque, como foi a criação da categoria Sub-23, sob o comando do técnico Luiz Antônio Verdini de Carvalho, também técnico da Seleção Brasileira Sub-19, dando novo salto de qualidade e remotivando nossos jogadores para novas conquistas. Não podemos esquecer as convocações dos nossos goleiros Vitor (Seleção Sub-17), Alex (Seleção Sub-20) e de Renan (Seleção Principal), frutos do trabalho árduo e pouco falado de um grupo que passou pelo Avaí e fez um grande trabalho, sob o comando do diretor das Categorias de Base, Sandro Zunino. E muitos outros atletas ainda poderão ser chamados, dentro das suas respectivas posições. Nunca, na história de um clube catarinense, se viu três goleiros serem convocados, na mesma época, para servir a Seleção Brasileira em categorias diferentes. Este Avaí faz coisa! Aos “meninos” convocados, os nossos sentimentos de extremo orgulho e alegria, pela vitória alcançada. Continuem trabalhando com dedicação e afinco, pois o futuro será brilhante. É uma alegria imensa poder contar com estes jovens atletas em nossas categorias de base, dando mostras de que estamos no caminho certo quando nos preocupamos com o futuro do nosso Avaí. Não basta festejar o presente, não cabe apenas rememorar o passado, mas é fundamental que se pense no futuro. Este, amigo(a) torcedor(a), é o Avaí que eu quero, que você quer, que nós queremos e merecemos. Um Avaí cuja vitória em campo seja reflexo de uma vitória fora de campo. Um Avaí que caiba no seu coração e pulse junto numa caminhada sem volta junto aos grandes do futebol brasileiro. Venha se juntar à grande família Azurra, associe-se e curta estes momentos inesquecíveis que o Avaí nos proporciona.

AVAÍ PAIXÃO PRA TODA VIDA João Nilson Zunino Presidente do Avaí F.C.

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E xpediente

Í ndice Avaí Futebol Clube Fundado em 1o de setembro de 1923

diretoria

PreparadorES físicoS

Administração

Presidente

Zé Rodrigues Eduardo Gaspar Costa Jaelson Ortiz

Superintendência de Negócios

Preparador físico e técnico de goleiros

Assessoria de Marketing

Sandro Luiz Daros

Coordenação de Comunicação

João Nilson Zunino Vice-Presidente

Nilton Macedo Machado diretorias estratégicas Diretor de Planejamento

Enio Gomes

Sidnei Luiz Speckart Vandrei Bion

MassagistaS

Projetos de Engenharia e Arquitetura

Delmar da Rosa Pereira (Pereirinha) Ademir de Souza Ramos

David Ferreira Lima

Patrimônio e Manutenção Ação Social, Comunitária e de Filantropia

João Carlos da Silva Márcio Santos Machado

Nesi Brina Furlani

Nutricionista

Gestão de Finanças

Guilherme Cysne Rosa

Nerto Laudelino Machado Assessorias

Tullo Cavallazzi Filho Amaro Lúcio da Silva Controladoria Interna

Francisco José Battistotti Qualidade

Relações Internacionais

Superintendência Executiva

Nerto Laudelino Machado Superintendência de Esportes

Moisés Candido

Sup. de Futebol Profissional

Márcio Azevedo

Coordenação de Esportes Olímpicos

Coordenação de Materiais

Ivo José de Oliveira

Wagner Valter

Coordenação de Serviços Gerais

Adenir Pedro da Silva

Médicos

Dr. Pedro Araújo Dr. Rodrigo Peris Bolasell Dr. Sérgio Campos de Mello Junior

Fisioterapeutas

Edson Cecherelo dos Santos (Edson dos Santos)

Nº 9

Marcos Padro Ricardo Lima Burigo

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SETEMBRO

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ANO 2

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2010

Geracimo Joaquim Fortunato

Coordenação de Tecnologia de Informática

Thiago Cascaes dos Santos

Técnico de Futebol

ESpECIAl

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Carlos César Souza

Fisiologista

Comissão Técnica

Superintendência de Administração

Coordenação de Recursos Humanos

Departamento Médico

Superintendências

Luciano Corrêa (Interino)

Sandro Roberto Zunino

Luiz Fernando Funchal

Misaki Tsuruta

Relacionamento de Sócios

Maria de Lourdes da Silva

Coordenação de Saúde Esportiva

Terezinha Gartner

Cláudia Santos, em um ensaio pra lá de sensual produzido pelo fotógrafo Geremia

Otília Pagani

Coordenação de Finanças e Contabilidade

Coordenação de Futebol de Base

Projetos Especiais

Alceu Atherino Neves Gastão Dubois

Luciano Corrêa

Coordenação de Futebol Profissional

Moisés Candido

Procuradoria Jurídica

A leoa avaiana

Assessores de imprensa

Coordenação de Licenciamento

MordomoS

Odilon Furtado

Nerto Laudelino Machado (Interino)

Coordenação de Logística, Organização de Jogos e Eventos

Carlos Eduardo Bonatelli Coordenação da Qualidade

Ani Souza

Assessoria Jurídica

Dr. Sandro Barreto Dr. Tiago Queiroz Secretaria Geral

Lúcia Dziedicz

É coisa nossa!

Renan, um Leão na Seleção

Reage leão Avaí joga returno focado na Série A de 2011

CONFIRA

Sérgio da CoSta ramoS amilCar NeveS alexaNdriNo Barreto Flávio roBerto reForçoS oS 87 aNoS do leão JuStiça preSeNte leoa avaiaNa avaiaNoS de Berço avaiaNoS pelo muNdo

EXEMPLAR DE ASSINANTE

veNda proiBida REVISTA DO AVAÍ F.C. • Nº 9 ISSN: 1984-736X

9 771 984 73600 1

...E MAIS A convocação do goleiro Renan para a Seleção e o sucesso da equipe na Sul-americana

CAPA | Nesta edição, a capa está montada sobre imagem do reporter fotográfico Rubens Flôres

EDITORIAL | Hora de erguer a cabeça e honrar o manto sagrado........6 SEÇÃO FLAGRANTE | E a gente não sabia que leão voava....................8 crônicaS | Sérgio da Costa Ramos............................................. 10 matéria de capa | Reage Leão!................................................. 12 Competições | Intertemporada e Copa da Hora............................ 18 súmulas | Os 19 jogos do primeiro turno do Brasileirão................. 20 Amilcar Neves | Atestado de maioridade..................................... 23

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2010

revistadoavai@avai.com.br Jornalistas responsáveis

planejamento gráfico

Nikolas Stefanovich

Ayrton Cruz

SC/JP 2122

Alceu Atherino Neves SC/JP 3245 Editor-chefe

Nikolas Stefanovich Editores executivos

Alceu Atherino Neves Luciana Pons Editor de Arte

Isaias Pinto

revisão

Ana Maria Bessa Isaias Pinto fotografia

Rubens Flôres colaboraram com fotos

Avaí Futebol Clube Carla Cavalheiro Geremia Photography Manoel Bento

colaboradores

Alceu Atherino Neves Alexandrino Barreto Amilcar Neves Carla Cavalheiro Celso Martins Frederico Tadeu Luciana Pons Rogério Cavallazzi Sérgio da Costa Ramos Edmundo Simone Neto Vandrei Bion Impressão

Gráfica Coan

A Revista do Avaí — Paixão pra Toda Vida é uma edição bimestral. Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodução total ou parcial de qualquer artigo ou imagem desta obra sem a autorização por escrito dos editores. A Revista do Avaí não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas assinadas e dos anúncios publicitários.

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Sul-americana | Avaí avança na competição................................ 24 reforços | Avaí apresenta reforços.......................................... 26 aniversário do clube | Homenagens marcam os 87 anos do Avaí..... 32 Eternos Ídolos | Flávio Roberto, avaiano à primeira vista............. 36 Tullo Cavallazzi | Elite Azul e Branca...................................... 38 Conscientização | Programa Justiça Presente reeduca torcedores. 39 personalidade | A exaltação da avaianidade................................ 40 Parceria | Eletrosul é a nova parceira do Avaí............................. 42 aconteceu no avaí | Notícias diretas da Toca do Leão................... 43 Alexandrino Barreto | Fatos e personagens avaianos.................. 54


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Rubens Flôres/AVAÍ F.C.

E ditorial

Hora de erguer a cabeça e honrar o manto sagrado O

primeiro turno do Campeonato Brasileiro de Futebol terminou com uma ponta de angústia para a grande torcida avaiana. Depois de um início recheado de incertezas e dificuldades, a pausa para a Copa do Mundo reoxigenou a equipe, que voltou a desenvolver o belo futebol dos últimos anos. Grandes esquadrões do futebol nacional como São Paulo, Palmeiras e Corinthians sucumbiram às garras do Leão da Ilha, que foi presença constante no G4 da competição. Nas últimas rodadas do certame, no entanto, após a histórica passagem para a fase internacional da Copa Sul-americana — fato inédito para o futebol da Capital — a equipe apresentou, mais uma vez, queda significativa de rendimento, deixando de pontuar em várias partidas consecutivas. A 13ª colocação, ao final da primeira etapa do Brasileirão, acendeu uma luz vermelha na Ressacada. Temos a certeza de que vivenciamos uma fase passageira, pontual, que logo estará dissipada. A confiança no grupo de jogadores, na comissão técnica e, principalmente, no corpo diretivo do Clube nos dá plena certeza de que, mais uma vez, ao chegar dezembro, estaremos entre as principais equipes do Brasil. A meta é manter o Leão na elite, na nata do futebol brasileiro. Sem dúvida, lá estaremos, com sobras. Nesta edição da Revista do Avaí F.C. — Paixão pra toda vida, apresentaremos, passo a passo, a trajetória do Leão no primeiro turno da série A. Súmulas, estatísticas e gráficos estão à sua disposição, leitor, para auxiliar no entendimento da participação avaiana. Teremos, também, mais três reportagens especiais: parti-

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cipação na Copa Sul-americana, convocação do jovem goleiro Renan para a seleção brasileira de futebol e as festividades dos 87 anos de nosso querido Avaí. Nossos repórteres foram a campo e preparam matérias especiais sobre estes três assuntos, principais focos da cobertura esportiva catarinense dos últimos meses. Os colunistas Sérgio da Costa Ramos — em dose dupla, mais uma vez, Amilcar Neves e Alexandrino Barreto também estão em seus postos nesta edição. Ao lado destes grandes mestres da literatura, dois perfis de avaianos de carteirinha: Jimena Furlani e Flávio Roberto! Vale a pena conferir! Para finalizar, as tradicionais seções Avaianos pelo Mundo, Avaianos de Berço, Leoa Avaiana e Elite Azul e Branca também estão em nossas páginas. Torcedor avaiano, aproveite a leitura da revista, afinal de contas, como proclamamos de forma exaustiva, ela foi produzida especialmente para você. Mas antes de folhear nossas páginas, apoie a caminhada do Leão no segundo turno do Brasileirão e na fase internacional da Sul-americana. Você é o nosso legítimo camisa 12. A sua presença em nosso caldeirão, a cada vez mais bela Ressacada, é fundamental para conseguirmos os resultados que tanto desejamos. Participe, interaja, critique, elogie! Mas não deixe de comparecer a nossa casa. É lá que derrubaremos todos os obstáculos em prol de nossos sonhos. E, para isso, contamos com você! Boa leitura!

Os editores


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E a gente S eção flagrante

não sabia que Leão voava... A

pós um período no departamento médico, Vandinho está de volta. E marcando gols. O atacante voltou à titularidade e, como bem mostra a foto, anda voando em campo. O flagra do voo do jogador que faz a diferença é de Rubens Flôres, feito na partida contra o Corinthians, no estádio da Ressacada. O lance é o primeiro ataque do Avaí nesta partida que colocou o time no G4. Vandinho chutou a gol e, que pena, a bola foi defendida pelo goleiro Júlio César.

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S érgio da C osta R amos

Batalha no horizonte azul

Tua vida é luta renhida Nada é gratuito, nada é fácil para o “mais vezes campeão” N

os 87 anos deste que é um dos maiores clubes de futebol do Planeta Bola, o Avaí já experimentou todas as glórias e até mesmo a inóspita região próxima aos rebaixados. O inesquecível ano de 2009 começou assim: o Avaí, “Benjamin” da série A, era apontado como “o virtualmente rebaixado”. Depois, associaram o azurra a uma zebra fugaz. Mais tarde, referiam-se ao azul e branco como a “surpresa”. E depois de uma sequência de 11 jogos invictos, os papões passaram a reconhecê-lo como “a sensação do Campeonato Brasileiro de 2009”. Mesmo depois do épico bicampeonato catarinense — “um regional não quer dizer nada”, diziam os agourentos — a atmosfera de 2010 voltou a repetir a expectativa de “candidato ao rebaixamento”. É a tal história: um lutador tem que matar um leão por dia. Mas o Leão da Ilha tem que matar dois. O desafio do presente é lutar para honrar o seu nome. Avaí, sabem os seus adversários, é nome de “batalha” e, como tal, não vive sem uma boa luta. Depois do intervalo da Copa do Mundo, vencemos o “campeonato paulista” — eis que, diante de nossas chuteiras, fizeram fila os derrotados São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos... Tão ruim assim o time não poderia ser, para experimentar, de uma hora para outra, o Calvário de uma dezena de resultados negativos. O que teria acontecido, então? De repente, instalou-se na Ressacada uma “uruca”, uma “icterícia” das brabas. Nossas bolas em direção ao gol inimigo batiam nas traves e ganhavam a linha de fundo. As dos adversários, batiam nas costas do nosso goleiro e entravam... As toutinegras além-pontes soltaram os seus foguetes, as macumbeiras contratadas tocaram os seus atabaques,

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prevendo a queda do Leão. Não sabem estes adversários que está na luta a alegria de quem nasceu predestinado a vencer, um Leão que mostra sete vidas debaixo de sua juba, vidas que se renovam ao longo da batalha.

Fora com a “zica” Quando a “zica” é excessiva — ou quando é encomendada, (por que só juízes goianos apitam jogos do Leão?) — é a hora de buscarmos ajuda do avaiano lá de cima, pois não é à toa que nossas túnicas têm as mesmas cores. Nem sempre “Ele” me atende, pois são muitas torcidas fazendo o mesmo apelo. Mas até mesmo um torcedor “neutro” admite que coisas estranhas e sinistras aconteceram ao Leão no pós Copa do Mundo. Em meia dúzia de rodadas, descemos do Paraíso a um inferno dantesco, sob a batuta do mesmo “Delegado”, que vencera tantos “papões”. O Departamento Médico avaiano coalhou-se de pacientes, o técnico transformou-se num enfermeiro — o Avaí, num hospital... É a “zica” e, contra “ela”, precisamos de outros técnicos, outras lideranças. O Senhor cofiou a barba branca e prometeu uma ajuda. “Ele” não gosta muito de se comprometer com a paixão dos estádios, porque é das arquibancadas que se derramam amor e ódio em iguais proporções. Nelson Rodrigues, esse “Papa” das paixões humanas, já advertira: — Torcida é paixão, é euforia, é fúria, é embriaguez. Ninguém vai de fraque e monóculo a um campo de futebol. Ao começar uma partida, a saliva começa a engrossar na boca. E pende, grossa e elástica, como o suor dos cavalos. Mas é essa torcida, a maravilhosa torcida avaiana, que carregará o time junto ao peito, o coração energizado de

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amor, rumo a mais uma conquista a ser celebrada na história do Leão: a permanência avaiana no campeonato mais disputado do mundo.

Cruz e o eólio amigo Compassivo, o Senhor não deixará de comparecer à Ressacada nas tardes de domingo — trazendo a tiracolo o poeta avaiano Cruz e Sousa e seu eólio aliado, o “Velho Vento”. Eu já sabia que Cruz e Sousa era avaiano roxo desde que o sublime negão marcara um gol antológico, contando com a “perna” do vento, num balão alto que atravessou o campo, do goleiro Martini até o gol inimigo. Cruz soprou para o guarda-metas avaiano, com o olho iluminado: — Manda um balão comprido que o nosso amigo vento lhe dará bom rumo... Bom rumo, é o que encontraremos, com fé e boa luta, até o final de novembro. Nos dias 21 e 28 de novembro, Cruz e Sousa estará pessoalmente na Ressacada, em missão especial. O Azurra jogará em casa duas partidas seguidas, contra Atlético Goianiense e Santos. Ao fim dessas batalhas, o vento assobiará cantigas de vitória e o “mais vezes campeão” celebrará, com festa, a renovação do seu passaporte na série A.

No colo da torcida O Avaí foi desdenhado como um “rebaixado” [avant-la-lettre], um condenado à degola. Mas a resposta virá a tempo, num sublime momento de redenção. Como um Cid, El Campeador, como um Don Quixote de La Mancha, como um Rei Arthur da Távola Redonda, o Avaí vai ressurgir como um guerreiro, sustentado pelo amor de sua torcida. O que a torcida não aceita, e Deus não perdoa, é cair sem luta. Deste pecado nos poupará a torcida — e uma recuperação que já está a caminho.


Nasce o Azul, pequena história de um sucesso

O Avaí e sua vida de fazer “coisas impossíveis”

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o Carnaval de 1923, fez furor a marchinha “Papagaio Come Milho”, de Francisco Rocha — e o salão do velho Clube Doze, na rua João Pinto, estremeceu ao som do conhecido estribilho. Na música popular, brilhava o cantor das multidões, Vicente Celestino, cantando “O Cigano”, muito antes do sucesso de “O Ébrio”. Em Nova Orleans, EUA, Louis Armstrong gravava o seu primeiro disco: “Southern Stomp”, com a King Oliver’s Jazz band. Nascia no Recife o cantor Orlando Dias, enquanto Emilinha Borba dava os seus primeiros trinados numa maternidade do Rio de Janeiro.

Na Ilha formosa A população da Ilha de Santa Catarina e a do Estreito continental valiam-se de balsas para atravessar a baía, numa e noutra direção, disputando o espaço da embarcação com vacas e cavalos. Animais “arreiados” pagavam 600 réis. Pessoas, 200 réis. O serviço corria de forma tão desastrada que os humanos apelaram para o Capitão dos Portos, segundo registro dos jornais: — Na travessia Ilha-Continente, quem mais sofre é o portador de dois pés... Mas uma solução já estava a caminho. Há um ano, desde 1922, a empresa americana Byngton & Sundstron plantava na paisagem o sonho do engenheiro-governador Hercílio Pedro da Luz — e as fundações da grande ponte pênsil já estavam prontas em 20 de julho de 1923, modificando para sempre as feições urbanas da cidade. A Ilha era devotada ao esporte náutico e o remo do alviceleste Riachuelo era a sua paixão. O futebol nascera timidamente, 13 anos antes. Seu primeiro grande evento foi o jogo organizado na Praça General Osório, em 1910, largo conhecido como campo do manejo, pátio de manobras do Exército. Os jornais fizeram chamadas para o jogo de “Football Association” entre os alunos do “Gymnásio Santa Catharina” e um grupo de “Amadores Independentes”. No dia 1º de setembro de 1923 as manchetes políticas dos jornais aludiam

à “decretação do Estado de Sítio” por um presidente fraco, Arthur Bernardes, às voltas com movimentos rebeldes em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Pairava algum humor sobre a tolerância entre os beligerantes: — “Há casos de presos políticos. Mas todos têm permissão para dormir em casa”... As páginas comerciais anunciavam que “os homens e as mulheres robustas de amanhã tomam hoje a Emulsão de Scott”, óleo de fígado de bacalhau. E a Pomada “Minâncora” já constituía o maior legado à “therapêutica dermatológica”, para as afecções da pele. A batalha de nome curto Às 18 horas em ponto daquele sábado, 1º de setembro de 1923, marcados pelo exato relógio da Companhia Western, na rua João Pinto, o funcionário Arnaldo Pinto e Oliveira cerrava as portas, já muito atrasado para um importante compromisso. Na rua Frei Caneca, Agronômica, bairro mais conhecido como “Pedra Grande” — onde hoje floresce a grama da Praça Celso Ramos — uma reunião de esportistas estava prestes a terminar na casa do comerciante Amadeu Horn, o mais abastado dos presentes. Lavrava-se a ata da fundação de um clube de futebol. Já era noite quando o funcionário da Western Telepgraph chegou, atrasado para os “últimos debates”. A presença de “Cocoroca”, como era conhecido o dublê de torcedor e técnico amador de futebol, Arnaldo Pinto de Oliveira, revelou-se providencial: o manezinho Arnaldo “arrenegou-se”, como diziam os bons Manés, com o nome de batismo do novo clube: “Independência”... Seu time de rua já se chamava “Avahy”, assim, com h e com y. Em homenagem à famosa batalha naval da Guerra do Paraguai. O recém-chegado vetou com veemência o nome quase decassílabo para designar um clube que se pretendia popular: — Independência, não! É muito comprido! Nem dá pra comemorar um gol e

gritar o nome por extenso! Sugiro Avhay! E Avahy ficou, o Clube que já acumula 86 anos de glórias, reformado apenas pela nova ortografia dos anos 40 — década em que perdeu o h e o y, mas ganhou um glorioso tetracampeonato — e pelo choque de modernidade dos anos 80, com a nova Ressacada, os títulos dos anos 90 e a maioridade consagradora dos primeiros dez anos do novo milênio, já como grande colecionador de títulos estaduais, campeão brasileiro e membro da série A — a Primeira Divisão do mais disputado dos campeonatos nacionais de todo o Mundo. Estamos na luta para ficar — e de luta o Avaí entende, pois traz a “batalha” no nome.

“Coisas impossíveis” Essa tradição de 87 anos — de Amadeu Horn ao presidente João Nilson Zunino — não é apenas um clube de futebol. É a associação poliesportiva de maior torcida e maior patrimônio do Estado de Santa Catarina. É um verdadeiro “case” de sucesso e de paixão esportiva, consagrada pela lenda de “fazer coisas impossíveis”, transformando dissabores em sabores eternos. “De onde menos se espera, daí mesmo é que nada acontece”, reza a Lei de Murphy, conhecido código universal do fracasso. Pois o Avaí revogou essa lei do azar esportivo e se transformou no seu “oposto”: “De onde e quando menos se espera, aí mesmo é que o Avaí triunfa”. Talvez seja essa mistura de pertinácia com doçura — mais o azul e o branco da mais bela camisa e da mais bela história do futebol catarinense, hoje com um lugar garantido no Olimpo do futebol brasileiro — e o seu amor e destemor pela boa luta, o grande apanágio deste que é um dos maiores clubes do Sul do Brasil. Tão fiel à sua glória que hoje se pode dizer, sem medo de errar: Com glórias ou eventuais amarguras, pois estas fazem parte da vida, o Avaí é eterno. Cada novo dia é sempre o primeiro dos próximos 87 anos do Avaí Futebol Clube.

Sérgio da Costa Ramos

Jornalista, torcedor do Avaí e escreve diariamente no Diário Catarinense

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M atéria de capa

A alegria do atacante Roberto: sinônimo do sucesso avaiano no 1º turno do Brasileirão

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texto | Carla Cavalheiro fotos | Rubens Flôres

Reage Leão! Time busca união do grupo para garantir vaga na maior competição nacional no próximo ano

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s primeiros 19 jogos do Avaí na série A 2010 foram marcado por altos e baixos. Vitórias, derrotas e empates dividiram a cena com troca de técnico, jogador convocado para a Seleção Brasileira, contratações, saída de jogadores e a terceira colocação na tabela de classificação da competição. Nos primeiros jogos antes da parada para a Copa do Mundo da África do Sul, os jogadores sentiram o ritmo intenso da disputa e conquista do bi-campeonato Catarinense. Durante o que muitos chamaram de folga por causa do mundial, os jogadores do Avaí trabalharam muito. Foi

nesse período que conseguiram se recuperar do cansaço, aperfeiçoaram as partes física e técnica. Foi nesse mesmo período que o time teve troca de treinador e recebeu e despediu-se de jogadores. Péricles Chamusca aceitou a proposta e foi para o Al-Arabi, do futebol do Qatar. Chegou Antônio Lopes e, até a 10ª rodada, o Avaí voltou a pipocar como destaque na imprensa nacional. A chegada de Lopes ao Clube agregou momentos de euforia. Uma delas foi a convocação do goleiro Renan para a Seleção Brasileira. Outra foi a vitória incontestável contra o Corinthians.

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Caminho longo

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orém, uma competição longa acaba tendo momentos de preocupação. E o time caiu de produção nos cinco jogos finais do turno do Brasileirão. “Estivemos bem em campo nessas últimas rodadas, porém acredito que o Avaí não é mais uma surpresa para os adversários. Agora todo mundo estuda o Avaí.Os outros times já conhecem o Avaí e ninguém quer perder para nós. Portanto, agora depende de nós mostrarmos mais ainda a nossa força. Nosso grupo é unido. Isso foi apenas uma fase”, conta o capitão Marcinho Guerreiro.

Os sete primeiros passos

A Marcinho Guerreiro: garra e raça avaiana

Classificação

Pos. Equipe P

Fluminense 1 ) 2o) Corinthians 3o) Santos 4o) Internacional 5o) Botafogo 6o) Cruzeiro 7o) Atlético-PR 8o) Vasco 9o) Guarani 10o) São Paulo 11o) Ceará 12o) Palmeiras 13o) Avaí 14o) Flamengo 15o) Vitória 16o) Grêmio 17o) Atlético-MG 18o) Atlético-GO 19o) Grêmio Prudente 20o) Goiás o

J V E D GP GC

38 19 11 37 18 11 31 18 9 31 18 9 31 19 8 31 19 8 27 19 8 26 18 6 26 19 6 25 19 6 25 19 6 24 19 5 23 19 6 22 19 5 22 19 5 20 19 4 17 19 5 17 19 4 16 19 4 13 19 3

SG

P — pontos | J — jogos | V — vitórias | E — empates | D — derrotas | GP — gols pró contra | SG — saldo de gols | (%) — aproveitamento | Atualizada em 22/09/2010.

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%

5 3 32 16 +16 66,7% 4 3 34 19 +15 68,5% 4 5 29 22 +07 57,4% 4 5 24 19 +05 57,4% 7 4 30 20 +10 54,4% 7 4 22 17 +05 54,4% 3 8 23 28 -05 47,4% 8 4 19 18 +01 48,1% 8 5 22 24 -02 45,6% 7 6 25 25 0 43,9% 7 6 15 15 0 43,9% 9 5 21 22 -01 42,1% 5 8 28 29 -01 40,4% 7 7 14 15 -01 38,6% 7 7 22 26 -04 38,6% 8 7 23 26 -03 35,1% 2 12 23 34 -11 29,8% 5 10 22 26 -04 29,8% 7 8 19 25 -06 28,1% 4 12 16 37 -21 22,8%

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GC — gols

ntes de iniciar a disputa, quatro reforços foram apresentados. Os volantes Diogo Orlando e Rivaldo, o lateral esquerdo Pará e o atacante Marcelinho chegaram para contribuir com o time que, além do Brasileirão, tem também a disputa da Sul-americana. “Vejo empenho de todos, da diretoria, dos jogadores, da comissão técnica para repetir a campanha do ano passado”, repetiu Péricles Chamusca após a conquista do Catarinense 2010. E o retorno ao campeonato Brasileiro após a conquista do bi-estadual começou de maneira gloriosa. O Avaí aplicou uma goleada histórica. Daquelas de lavar a alma. Na Ressacada, venceu por 6 a 1 o Grêmio Prudente no dia nove de maio. O destaque da partida foi o zagueiro Émerson, que num dia inspirado, marcou três gols. Caio anotou outros dois e Roberto, um. “Quando a bola chega com qualidade, dá para definir bem e fazer os gols. É o fruto de um bom trabalho que venho fazendo e também mérito de quem coloca a bola na área”, disse Émerson após o confronto. O placar ajudou a colocar o Avaí na liderança da competição logo na primeira rodada. Na segunda rodada, o primeiro encontro com os ditos “gigantes do futebol brasileiro”. No Mineirão, em Belo Horizonte, o Avaí deixou escapar a vitória. Pará e Roberto marcaram os gols que colocaram o Leão na frente. No segundo tempo, a raposa mineira buscou e conseguiu o empate. “O Cruzeiro ficou com um jogador a menos no primeiro tempo e abrimos uma vantagem


Émerson, Roberto e Rudnei comemoram gol na partida contra o Goiás

boa. Só que voltamos com outro espírito no segundo tempo. Vamos conversar para não acontecer isso de novo”, lamentou o lateral Patric sobre o empate em 2 a 2. Antes do jogo contra o Vasco, o Avaí apresentou o atacante Anselmo Ramon, que foi um dos destaques do Paulistão, e o meia Matheus, que no Catarinense defendeu a camisa do Juventus. O jogo contra o Vasco terminou com o placar de 2 a 0, com gols de Roberto e Robinho. E não foi só. Em sua estreia na competição, o goleiro Renan evitou que os cruzmaltinos, liderados pelo também estreante Celso Roth, conseguissem amenizar a vantagem avaiana. Na quarta rodada, um tropeço amargo. O Avaí perdeu por 3 a 0 para o Grêmio do técnico Silas Pereira. No estádio Olímpico, o Avaí esteve diferente em campo. Errou passes, perdeu oportunidades e também a invencibilidade. A partida teve um lance polêmico. Davi foi derrubado na área ainda no primeiro tempo. Mas o árbitro Evandro

Roman ignorou o fato. Lamentavelmente o jogo foi mais comentado pelo desempenho do responsável pelo apito do que pelo desempenho das duas equipes em campo. Mesmo assim, o zagueiro Rafael reconheceu que o time não estava em um dia inspirado. “Faltou volume de jogo. Estamos acostumados a ir sempre em direção ao gol e criar várias oportunidades, mas infelizmente a bola não entrou. Isso acontece, futebol é dessa maneira. Temos consciência da qualidade da nossa equipe, do nosso potencial, e por isso ficamos um pouco abatidos com esse resultado”, lamentou Rafael após o confronto em Porto Alegre. O sábado do dia 29 de maio deixou o torcedor preocupado. Avaí e Vitória ficaram no 0 a 0 no estádio da Ressacada. O empate foi abafabo por uma boa notícia. O lateral Eltinho estava acertando seu retorno à Ressacada. Mas Eltinho não estaria a postos para encarar o próximo adversário que se apre-

sentava como mais um grande na disputa. O Ceará era até então a maior surpresa na competição. O Avaí viajou dois dias antes do confronto para não ter problemas. Rafael e Caio machucados não acompanharam a delegação. Mas esses não foram os problemas do time. O desafio foi tentar justificar a derrota por 2 a 0 num jogo que teve poucos lances emocionantes. O Avaí também não foi feliz na sétima rodada, a última antes da parada para a Copa do Mundo. Em casa, caiu contra o Fluminense. O placar de 3 a 0 empurrou o time para a 13ª colocação e encerrou um ciclo de nove meses sem o Avaí derrotas na Ressacada. Com o desempenho inesperado, o intervalo na tabela da Série A por causa da Copa surgia como um grande aliado. “Essa parada para nós vai ser fundamental no sentido de reorganizar a equipe, recompor todas as nossas forças. Trabalhar o grupo em todos os aspectos”, afirmou Chamusca após a derrota para o Fluminense.

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Patric e Caio cercam o atacante Éwerton do Palmeiras: banho de bola no time de Felipão

Passos de gigante!

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urante a Copa do Mundo, vários acontecimentos. O time fez intertemporada em Curitiba, onde Vandinho e Sávio reiniciaram os treinos com bola. Na capital paranaense, o Avaí recebeu de braços abertos Eltinho, que havia sido negociado com o Internacional durante o Catarinense 2010. De volta a Florianópolis, o time despediu-se de Péricles Chamusca durante a disputa da Copa da Hora. Também deu adeus ao capitão Rafael, que em menos de 10 dias, após viajar para a Coréia do Sul, estava de volta à Ressacada. “Cheguei lá e tentaram me convencer de outro acerto. Sou uma pessoa séria e fui para cumprir o que foi acertado antes de minha saída. Tentaram outra proposta, não aceitei e estou de volta. Vou buscar meu espaço no Avaí”, garantiu o jogador.

Com a chegada de Antônio Lopes, o Delegado, mudança de postura do time. No primeiro confronto pela Série A, após a Copa do Mundo, o Avaí se intimidou só no primeiro tempo. No segundo, ignorou a grandiosidade do São Paulo e, no Morumbi, passeou em campo. Voltou a vencer. Ganhou por 2 a 1. Vandinho, que entrou no lugar de Robinho e estava de volta após longo período lesionado, marcou o segundo gol. O primeiro havia sido convertido por Roberto. Na rodada seguinte, novo encontro com a torcida. Desta vez, todas as atenções voltadas para o Palmeiras. Mais especificamente para a casamata, já que a partida marcava o retorno do técnico Luiz Felipe Scolari ao futebol brasileiro. Mas se do lado do Verdão havia um pentacampeão, do lado Azurra também. Delegado e Scolari integra-

ram a comissão técnica vitoriosa da Copa de 2002 e, nessa disputa, quem se apresentou melhor foi o Avaí, que venceu por 4 a 2. A vitória foi importante até porque o time visitante saiu na frente e o Avaí teve um jogador expulso no final do primeiro tempo. A partida foi o momento de firmar o goleiro Renan na posição. O jogo teve como destaque o meia Caio, que marcou dois gols. Roberto e Robinho anotaram os outros dois gols. Na 10ª rodada, o Avaí estava de volta ao Maracanã para mais um confronto contra o Flamengo. O time contou com o apoio da torcida mais uma vez e, após os episódios lamentáveis envolvendo o goleiro Bruno, teve seu primeiro empate após duas vitórias seguidas saindo do G4. O zagueiro Gabriel foi o autor do gol do empate aos 29 minutos do segundo tempo.

Beliscada no G4

N

a Ressacada, no dia 24 de julho, foi a vez de encontrar o Atlético-MG, sob o comando do técnico Vanderlei Luxemburgo. Mesmo com a vantagem de jogar com dois a mais em campo, não foi dessa vez que o Avaí conseguiu chegar ao G4. O time empatou sem gols com o Galo, que somou um ponto após duas derrotas consecutivas. Novamente na Ressacada, o Avaí recebeu o Goiás. Jogo para espantar qualquer má impressão. A partida encerrou em 4 a 1. Émerson e Robinho marcaram para o Leão.

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Davi, em grande fase, converteu dois. Na 13ª rodada, era hora de pegar a estrada novamente. E no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, o Avaí esteve irreconhecível. Desencontrado em campo, acabou perdendo por 4 a 1. O jogo serviu para o Guarani encerrar um período de cinco rodadas sem vencer e se afastar da zona de rebaixamento. Robinho marcou o único gol avaiano. O jogo baixou a moral, mas não tirou o brilho do Avaí, que tinha que focar também na disputa da Sul-americana — o Leão igno-

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rou o recém conquistado título da Copa do Brasil pelo Santos e venceu o primeiro jogo por 3 a 1 no estádio do Pacaembu, com dois gols de Vandinho e um de Rudnei. A vitória na Sulamericana embalou o time que, numa grande partida, venceu o Corinthians por 3 a 2 pela 14ª rodada da Série A. A vitória colocou o Avaí em terceiro lugar na tabela de classificação, com 22 pontos. Davi e Rafael marcaram os gols e Chicão, do time adversário, ao tentar impedir um gol de Vandinho, acabou contribuindo com a somatória avaiana.


Goleadores do Avaí 5 GOLS

ROBERTO

5’ 2T 45’ 1T 28’ 1T 15’ 2T 47’ 2T

Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Cruzeiro-MG 2 X 2 Avaí Avaí 2 X 0 Vasco-RJ São Paulo-SP 1 X 2 Avaí Avaí 4 X 2 Palmeiras

4 GOLS

ROBSON

45’ 2T 40’ 1T 32’ 2T 14’ 1T

Posição do Avaí durante o 1º Turno RODADA: 1ª

9ª 10ª 11ª 12ª 13ª 14ª 15ª 16ª 17ª 18ª 19ª

Avaí 2 X 0 Vasco-RJ Avaí 4 X 2 Palmeiras Avaí 4 X 1 Goiás-GO Guaraní 4 X 1 Avaí

ÉMERSON 9’ 1T 44’ 1T 42’ 2T 8’ 1T

Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Avaí 4 X 1 Goiás-GO

CAIO

18’ 2T 25’ 2T 24’ 1T 45’ 2T

4º 6º 8º

Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Avaí 6 X 1 G.Prudente-SP Avaí 4 X 2 Palmeiras Avaí 4 X 2 Palmeiras

3 GOLS

10º 12º

DAVI

14º

9’ 1T 41’ 1T 10’ 1T

Jogos do Turno

Jogos do Returno

1 09/05 dom 18:30 AVAÍ 6 X 1 G. Prudente 2 16/05 dom 18:30 Cruzeiro 2 X 2 AVAÍ 3 23/05 dom 18:30 AVAÍ 2 X 0 Vasco 4 26/05 qua 19:30 Grêmio 3 X 0 AVAÍ 5 29/05 sáb 18:30 AVAÍ 0 X 0 Vitória 6 02/06 qua 21:00 Ceará 2 X 0 AVAÍ 7 05/06 sáb 18:30 AVAÍ 0 X 3 Fluminense 8 14/07 qua 19:30 São Paulo 1 X 2 AVAÍ 9 18/07 dom 16:00 AVAÍ 4 X 2 Palmeiras 10 21/07 qua 21:00 Flamengo 1 X 1 AVAÍ 11 24/07 sáb 18:30 AVAÍ 0 X 0 Atlético-MG 12 01/08 dom 16:00 AVAÍ 4 X 1 Goiás 13 07/08 sáb 18:30 Guarani 4 X 1 AVAÍ 14 15/08 dom 16:00 AVAÍ 3 X 2 Corinthians 15 21/08 sáb 18:30 Botafogo 1 X 0 AVAÍ 16 25/08 qua 19:30 AVAÍ 0 X 1 Inter 17 29/08 dom 18:30 Atlético-GO 2 X 2 AVAÍ 18 02/09 qui 21:00 Santos 2 X 1 AVAÍ 19 05/09 dom 16:00 AVAÍ 0 X 1 Atlético-PR

20 09/09 qui 21:00 G. Prudente X Avaí 21 12/09 dom 16:00 Avaí X Cruzeiro 22 16/09 qui 21:00 Vasco X AVAÍ 23 19/09 dom 18:30 AVAÍ X Grêmio 24 23/09 qui 21:00 Vitória X AVAÍ 25 26/09 dom 18:30 AVAÍ X Ceará 26 29/09 qua 21:00 Fluminense X AVAÍ 27 02/10 sáb 21:00 AVAÍ X São Paulo 28 07/10 qui 21:00 Palmeiras X AVAÍ 29 10/10 dom 18:30 AVAÍ X Flamengo 30 17/10 dom Atlético-MG X AVAÍ 31 24/10 dom Goiás X AVAÍ 32 31/10 dom AVAÍ X Guarani 33 03/11 qua Corinthians X AVAÍ 34 07/11 dom AVAÍ X Botafogo 35 14/11 dom Inter X AVAÍ 36 21/11 dom AVAÍ X Atlético-GO 37 28/11 dom AVAÍ X Santos 38 05/12 dom Atlético-PR X AVAÍ

RD DATA HORA TIME CASA PLACAR VISITANTE

RD DATA HORA TIME CASA PLACAR VISITANTE

Obs.: A partir da 30ª rodada, os horários ainda não foram confirmados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

Rodadas apreensivas

A

vitória contra o Corinthians foi a última antes do Avaí encerrar o turno do Brasileirão. Pela 15ª rodada, o time foi ao Rio de Janeiro e perdeu por 1 a 0 para o Botafogo no estádio João Havelange. Além da vitória, o Botafogo tomou a terceira colocação do Avaí na competição. No dia 25 de agosto, o Avaí jogou contra o Internacional no estádio da Ressacada. Nova derrota pelo mesmo placar: 1 a 0. A segunda derrota segui-

Avaí 4 X 1 Goiás-GO Avaí 4 X 1 Goiás-GO Avaí 3 X 2 Corinthians-SP

VANDINHO 21’ 2T 22’ 1T 26’ 2T

São Paulo-SP 1 X 2 Avaí Atlético-GO 2 X 2 Avaí Atlético-GO 2 X 2 Avaí

1 GOL

GABRIEL

30’ 2T

Flamengo 1 X 1 Avaí

RAFAEL 7’ 2T

Avaí 3 X 2 Corinthians-SP

PARÁ 25’ 1T

Cruzeiro-MG 2 X 2 Avaí

VALBER 42’ 2T

Santos 2 x 1 Avaí

CONTRA

Chicão (Corinthians) 2’ 2T

da tirou o time do G4. “Perder dentro de casa nunca é bom. Não começamos bem o jogo. Depois conseguimos nos acertar em campo. Precisamos voltar a ganhar”, pediu o capitão Marcinho Guerreiro. Ainda sem poder contar com o atacante Roberto, o Avaí foi a Goiânia jogar contra o Atlético-GO. O time saiu na frente, deixou o adversário igualar e virar o jogo e teve que buscar o empate no segundo tempo. Os dois gols foram

Avaí 3 X 2 Corinthians-SP

marcados por Vandinho. No dia 2 de setembro, mesmo tendo sufocado o Santos na Vila Belmiro, o Avaí retornou para Florianópolis com mais uma derrota. O placar de 2 a 1, com gol de Válber, empurrou o time para o 10º lugar. A última partida do returno do Brasileirão teve sabor amargo. Nos acréscimos, o Avaí perdeu por 1 a 0 para o Atlético-PR e encerrou a série de 19 jogos com 23 pontos e em 13º lugar.

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C ompetições

texto | Carla Cavalheiro fotos | Manoel Bento

Intertemporada e competição no intervalo da Copa do Mundo

E

nquanto milhões de brasileiros se concentravam para acompanhar o desempenho do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul, na Ressacada, a programação prevista para o intervalo de 40 dias do campeonato Brasileiro começava a ser colocada em prática. No mesmo período, iniciava também a série de especulações. Propostas para jogadores e para o técnico Péricles Chamusca começaram a rondar a Ressacada. Pouca verdade em toda a história, mas o certo é que o momento também serviu para que jogadores e técnicos trocassem de clube em todo o país. Focada, a comissão técnica do Avaí seguiu a programação e embarcou para Curitiba com 29 jogadores. Os goleiros Zé Carlos, Renan e Paes. Os zagueiros Gabriel, Rafael, Emerson, Clayton e Léo Sam. Os laterais direitos Marcos e Patrick. O lateral esquerdo Pará. Os volantes Marcinho Guerreiro, Rudnei, Baptista, Rivaldo, Rodrigo Thiesen e Diogo Orlando. Os meias Caio, Robinho, Davi, Medina, Sávio e Dinélson. Os atacantes Roberto, Vandinho, Anselmo Ramon, Marcelinho, Cristian e Leonardo ficaram 10 dias reali-

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zando trabalhos técnicos, táticos e físicos na capital paranaense. Nesse período, novidades. Sávio e Vandinho voltaram a treinar com bola. “Para um atleta profissional ficar um longo tempo parado é muito ruim, isso já vinha me agoniando bastante. A vontade de treinar e jogar é muito grande”, disse Sávio lá de Curitiba. Enquanto os jogadores estavam em intertemporada, as negociações seguiam. O volante Bruno foi dispensado do Bahia e voltou à Ressacada. Pouco aproveitado, o volante Rodrigo Thiesen, uma das revelações do Catarinense 2010, foi por empréstimo para o Vila Nova (Goiás). Em Curitiba, o time recebeu de volta o lateral Eltinho, que havia ido para o Internacional no início do ano. Durante a intertemporada, um susto. Uma suspeita de apendicite forçou o retorno de Eltinho a Florianópolis. Após vários exames, a suspeita foi descartada e o jogador voltou ao ritmo de treinos já com o time novamente na Ressacada. No final de junho, chegou a notícia. Má para o torcedor. Boa para o zagueiro Rafael. Em entrevista coletiva, o ca-

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pitão do Avaí confirmou a proposta do futebol coreano. Rafael deixou Florianópolis no dia 30 de junho rumo à cidade de Gwangyang, na Coréia do Sul. A intenção era defender o Chunnam Dragons. Em 10 dias o jogador retornava à capital catarinense. A falta de compromisso da equipe coreana não agradou o jogador, que saiu do Brasil com um contrato e, ao chegar quase do outro lado do mundo, viu que não havia interesse dos novos “patrões” em seguir as cláusulas acertadas. No mesmo momento em que Rafael ia embora, os rumores da sondagem de Péricles Chamusca por um time árabe se concretizavam. No dia da abertura da Copa da Hora, o presidente João Nilson Zunino lamentou a saída. “Bem que esta proposta poderia ter surgido antes, ficaria mais fácil para nós. Não gosto de mudar de técnico, todo mundo sabe a pressão que sofri na época do Silas, mas não posso impedir o crescimento de um profissional”, lamentou Zunino, que via o pregão de apostas sobre o nome do novo técnico crescer, antes mesmo de Chamusca ter confirmado a saída.


Da Hora! N

o mesmo dia da saída de Rafael e da confirmação da despedida de Chamusca, a bola rolava pela Copa da Hora, que teve a participação do Avaí, Coritiba, Grêmio e Vasco. O primeiro jogo do Leão foi contra o Vasco. Um resultado nada saboroso. O placar foi 3 a 1 para os cariocas, com um dos gols da equipe cruzmaltina anotado por Léo Gago, um dos jogadores de destaque da temporada 2009 do Avaí. O gol azurra foi marcado de cabeça pelo zagueiro Émerson. No jogo seguinte, contra o Coritiba, Vandinho e Leonardo, de volta à equipe, garantem a vitória do Avaí. O Leão ganhou de virada por 2 a 1. A partida marcou também os 100 jogos do volante Batista com a camisa do Clube. No terceiro jogo, novo encontro

Sequência de imagens do pênalti cobrado por Leonardo contra o Grêmio-RS: goleiro para um lado, bola para o outro

com o técnico Silas. Desta vez um troco pela derrota no turno do Brasileirão, no estádio Olímpico. O Avaí passeou em campo e venceu por 3 a 1. Roberto, Émerson e Leonardo construíram o placar favorável aos donos da Ressacada. Este foi último confronto avaiano no quadrangular da Copa do Hora, que teve o Vasco como campeão. O Avaí ficou em segundo, com o mesmo saldo de pontos, porém, no critério de desempate, o time carioca levou a melhor porque venceu o confronto direto. Antes da partida, o presidente João Nilson Zunino apresentou na sala de imprensa o novo técnico. O experiente Antônio Lopes assistiu ao jogo contra o Grêmio e, dias depois, já estava em campo domando o Leão.

O meio-campo Batista ergue a taça do vicecampeonato da Copa da Hora

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S úmulas dos jogos

Avaí x Atlético-MG 1ª Rodada — TURNO

6

x

2ª Rodada — TURNO

1

2

2

2

x

0

Data e hora: 09/05/2010 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis-SC Arbitragem: Djalma José Beltrami Teixeira — Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues e Jackson L. Massara dos Santos

Data e hora: 16/05/2010 — 18h30min Estádio: Mineirão — Local: Belo Horizonte-MG Arbitragem: Leonardo Gaciba da Silva — Assistentes: José Antônio Chaves Franco Filho e Marcelo Bertanha Barison

Data e hora: 23/05/2010 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis-SC Arbitragem: Wilson Luiz Seneme — Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Dante Mesquita Júnior

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Rafael 3 Emerson Nunes (18) 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro (14) 6 Uendel 7 Patric 8 Rudnei 9 Roberto 19 Davi (16) 11 Caio

Elenco do g. prudente 1 Márcio 2 Paulo César 3 Paulão 4 Leonardo 5 Marcelo Oliveira 6 Diego 7 João Vitor 8 Henrique Dias (13) 9 Willian (14) 10 Carlos Eduardo 11 Flavinho (16)

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Rafael 3 Emerson Nunes (13) 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Pará (14) 7 Patric 8 Rudnei 9 Roberto 19 Davi (22) 11 Caio

Elenco do cruzeiro 12 Rafael 2 Elicarlos (19) 3 Gil 4 Leonardo Silva 5 Fabrício 6 Diego Renan (14) 7 Marquinhos Paraná 8 Henrique 9 Wellington Paulista 10 Gilberto (16) 11 Thiago Ribeiro

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Rafael 3 Emerson Nunes 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Pará (13) 7 Patric 8 Rudnei (16) 9 Roberto 19 Davi (18) 11 Caio

Elenco do vasco 1 Fernando Prass 18 Jumar (2) 44 Thiago Martinelli 26 Dedé 33 Ramon 6 Nilton 8 Rafael Carioca 27 Léo Gago (42) 14 Souza (10) 30 Philippe Coutinho 9 Elton

Suplentes 22 Renan 13 Gabriel 14 Diogo Orlando 15 Pará 16 Robson 17 Laércio 18 Cristian

Suplentes 12 Giovanni 13 Denis 14 Sasha 15 Robson 16 Anderson 17 Wesley 18 Araújo

Suplentes 22 Renan 13 Gabriel 14 Hegon 15 Batista 16 Robson 17 Laércio 18 Cristian

Suplentes 1 Flávio 14 Thiago Heleno 15 Fabinho 16 Fernandinho 17 Pedro Ken 18 Eliandro 19 Guerron

Suplentes 22 Paes 13 Leo San 14 Medina 15 Diogo Orlando 16 Robson 17 Cristian 18 Anselmo

Suplentes 50 Tiago 2 Elder Granja 13 Titi 46 Ernani 7 Jeferson 10 Dodô 42 Rafael Coelho

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Toninho Cacílio

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Adilson Batista

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Celso Roth

4ª Rodada — TURNO

3

20

x

3ª Rodada — TURNO

x

5ª Rodada — TURNO

0

0

x

6ª Rodada — TURNO

0

0

x

2

Data e hora: 26/05/2010 — 19h30min Estádio: Olímpico — Local: Porto Alegre-RS Arbitragem: Evandro Rogério Roman — Assistentes: Gilson Bento Coutinho e Bruno Boschilia

Data e hora: 29/05/2010 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis-SC Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique — Assistentes: Ricardo de Almeida e Cláudio José de Oliveira Soares

Data e hora: 02/06/2010 — 21h Estádio: Castelão — Local: Fortaleza-CE Arbitragem: Arilson Bispo da Anunciação — Assistentes: Luiz Carlos Silva Teixeira e Luiz Carlos Camara Bezerra

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Rafael 3 Emerson Nunes 4 Emerson 5 Marc. Guerreiro 6 Pará (16) 7 Patric 8 Rudnei 9 Roberto 19 Davi (18) 11 Caio

Elenco do grêmio 1 Victor 2 Edilson 3 Ozéia 5 Rodrigo (27) 6 F. Rochemback (13) 10 Joinson (12) 15 Jonas 16 Maylon 18 William 20 Hugo 25 Adilson

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Rafael (16) 3 Emerson Nunes 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Marcos 7 Patric 8 Rudnei (14) 9 Roberto 19 Anselmo 11 Caio (15)

Elenco do vitória 1 Vinícius 2 Jonas 3 Wallace 4 Reniê 5 Vanderson 6 Egídio 7 Bida (15) 8 Ricardo Conceição 9 Júnior (18) 10 Lenilson (16) 11 Elkeson

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Léo San 3 Emerson Nunes 4 Emerson 5 M. Guerreiro (18) 6 Marcos (16) 7 Patric 8 Batista 9 Roberto 19 Cristian 11 Robson (17)

Elenco do ceará 1 Diego 2 Oziel 3 Fabrício 14 Anderson 23 Ernandes 19 Careca 17 Heleno 8 João Marcos 10 Geraldo (16) 9 Washington (30) (31) 21 Misael

Suplentes 22 Paes 13 Leo San 14 Diogo Orlando 15 Medina 16 Robson 17 Cristian 18 Anselmo

Suplentes 22 Marcelo 7 Bruno Carvalho 8 Rafael Marques 9 Fernando 12 Henrique 13 Roberson 27 Bergson

Suplentes 22 Renan 13 Gabriel 14 Diogo Orlando 15 Medina 16 Robson 17 Leonardo 18 Cristian

Suplentes 12 Lee 13 Rafael Cruz 14 Vilson 15 Neto Coruja 16 Evandro 17 Jacson 18 Schwenck

Suplentes 22 Renan 13 Gabriel 14 Gustavo 15 Rudnei 16 Pará 17 Davi 18 Anselmo

Suplentes 22 Michel Alves 39 Marcos Pimentel 28 Jorge Luiz 40 Eusébio 31 Tony 16 Erick Flores 30 Lopes

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Silas

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Ricardo Silva

Técnico Péricles Chamusca

Técnico PC Gusmão

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7ª Rodada — TURNO

0

x

8ª Rodada — TURNO

3

1

x

9ª Rodada — TURNO

2

4

x

2

Data e hora: 05/06/2010 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis-SC Arbitragem: Heber Roberto Lopes — Assistentes: Ivan Carlos Bohn e José Amilton Pantarolo

Data e hora: 14/07/2010 — 19h30min Estádio: Murumbi — Local: São Paulo-SP Arbitragem: Francisco Carlos Nascimento — Assistentes: Erich Bandeira e Márcio Eustáquio Sousa Santia

Data e hora: 18/07/2010 — 16h Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Leonardo Gaciba da Silva — Assistentes: Paulo Ricardo Silva Conceição e Júlio César Rodrigues Santos

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Rafael 3 Emerson Nunes (17) 4 Emerson 5 Rodrigo 6 Pará 7 Marcos (15) 8 Rudnei 9 Roberto 19 Davi (16) 11 Leonardo

Elenco do fluminense 1 Fernando Henrique 2 Mariano 3 Gum 4 Leandro Euzébio 5 Diogo 6 Carlinhos 7 Marquinho (13) 8 Dieguinho 9 Fred 10 Rodriguinho (17) 11 Conca (16)

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho (13) 7 Caio 8 Rudnei (15) 9 Roberto 19 Robson (18) 11 Rivaldo

Elenco do são paulo 12 Rogério Ceni 2 Jean 3 Alex Silva 5 Miranda 6 Júnior César 10 Hernanes (9) 15 Fernandão 16 Marlos 18 Rodrigo Souto (8) 20 Richarlyson 25 Dagoberto

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Pará 7 Caio (14) 8 Rudnei (15) 9 Roberto 19 Robson (13) 11 Rivaldo

Elenco do palmeiras 22 Deola 3 Edinho 4 Léo 14 Vitor 34 Gabriel 5 Pierre (17) 8 Márcio Araújo (20) 26 Marcos Assunção 99 Lincoln (25) 30 Kleber 88 Ewerthon

Suplentes 22 Renan 13 Gabriel 14 Batista 15 Medina 16 Robson 17 Gustavo 18 Anselmo

Suplentes 12 Ricardo Berna 13 André Luis 14 Digão 15 Júlio César 16 Equi Gonzalez 17 Alan 18 André Lima

Suplentes 22 Paes 13 Marcos 14 Emerson Nunes 15 Diogo Orlando 16 Davi 17 Sávio 18 Vandinho

Suplentes 22 Bosco 7 Jorge Wágner 8 Cleber Santana 9 Washington 12 Fernandinho 13 Xandão 27 Diogo

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Emerson Nunes 15 Diogo Orlando 16 Davi 17 Sávio 18 Vandinho

Suplentes 1 Bruno 6 Pablo Armero 15 Maurício Ramos 17 Tinga 20 Tadeu 25 Vinícius 40 Patrick

Técnico Péricles Chamusca

Técnico Muricy Ramalho

Técnico Antonio Lopes

Técnico Ricardo Gomes

Técnico Antonio Lopes

Técnico Luiz Felipe Scolari

Avaí x Grêmio Prudente 10ª Rodada — TURNO

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Data e hora: 21/07/2010 — 21h Estádio: Maracanã — Local: Rio de Janeiro-RJ Arbitragem: Jaisson Macedo Freitas — Assistentes: Alessandro Álvaro Mattos e Katiuscia Mayer Berger Mendonça

Data e hora: 24/07/2010 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden — Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues e José Antônio Chaves Franco Filho

Data e hora: 01/08/2010 — 16h Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Heber Roberto Lopes — Assistentes: Dibert Pedrosa Moisés e Moisés Aparecido de Souza

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Caio (18) 8 Diogo Orlando (13) 9 Roberto 19 Robson (16) 11 Rivaldo

Elenco do flamengo 29 Marcelo Lomba 2 Léo Moura 23 Welinton 4 Ronaldo Angelin 7 Corrêa (39) 6 Juan 15 Klebersom (37) 8 Qillians 49 Diogo Martins 10 Petkovic 22 Vinícius Pacheco (34)

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 M. Guerreiro (13) 6 Eltinho (17) 7 Caio 8 Rudnei 9 Roberto 19 Robson (18) 11 Rivaldo

Elenco do atlético-mg 1 Fábio Costa 2 Diego Macedo 3 Jairo Campos 4 Werley (17) 5 Cáceres 6 Fernandinho 7 Sérginho 8 João Pedro 9 Dieso Tardelli (16) 10 Siego Souza (18) 11 Daniel Carvalho

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 Rivaldo 6 Eltinho 7 Caio (13) 8 Rudnei 9 Roberto 19 Davi (15) (17) 11 Robson

Elenco do goiás 1 Harlei 2 Douglas (15) 3 Rafael Toloi 4 Ernando 5 Jonilson 6 Wellington Saci (13) 7 Everton Santos 8 Amaral 9 Otacilio Neto (18) 10 Bernardo 11 Carlos Alberto

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Emerson Nunes 15 Rafael 16 Davi 17 Rafael Costa 18 Vandinho

Suplentes 27 Paulo Victor 20 Fabrício 32 Rodrigo Alvim 39 Rômulo 34 Camacho 37 Cristian Borja 33 Paulo Sérgio

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Rafael 15 Diogo Orlando 16 Pará 17 Davi 18 Vandinho

Suplentes 20 Aranha 13 Lima 14 Rafael Cruz 15 Rafael Jataí 16 Fabiano 17 Neto Berola 18 Ricardinho

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Rafael 15 Pará 16 Diogo Orlando 17 Vandinho 18 Leonardo

Suplentes 12 Fábio 13 Marcão 14 Valmir Luvas 15 Wellington Monteiro 16 Jadilson 17 Wendel Santos 18 Diego Galvão

Técnico Antonio Lopes

Técnico Rogério

Técnico Antonio Lopes

Técnico Wandrlei Luxemburgo

Técnico Antonio Lopes

Técnico Fernando Leão

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13ª Rodada — TURNO

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Data e hora: 07/08/2010 — 18h30min Estádio: Brinco de Ouro da Princesa — Local: Campinas-SP Arbitragem: Djauma José Beltrami Teixeira — Assistentes: Ediney Mascarenhas e Claudio José de Oliveira Soares

Data e hora: 15/08/2010 — 16h Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Péricles Cortez (Fifa-RJ) — Assistentes: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Alessandro Rocha de Matos (Fifa-BA)

Data e hora: 21/08/2010 — 18h30min Estádio: Engenhão — Local: Rio de Janeiro-RJ Arbitragem: Nielson Nogueira Dias-PE — Assistentes: Jossemman José Diniz e Ubirajara Ferraz

Elenco do Avaí 1 Zé Carlos 2 Patric 3 Gabriel 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho (16) 7 Caio 8 Rudnei 9 Roberto (18) 19 Davi (13) 11 Robson

Elenco do guarani 1 Douglas 2 Rodrigo Heffner 3 Fabão 4 Aílson 5 Renan 6 Márcio Careca 7 Paulo Roberto 8 Baiano (16) 9 Ricardo Xavier 10 Mário Lúcio (18) 11 Mazola (17)

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Rafael 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Caio 8 Rudnei (15) 9 Vandinho 19 Davi (13) 11 Robinho (16)

Elenco do corinthians 1 Júlio César 2 Alessandro 3 Chicão (— ) 4 William (15) 5 Ralf 6 Roberto Carlos (11) 7 Elias 8 Jucilei 23 Jorge Henrique 10 Bruno César 21 Iarley (20)

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Marcos 3 Gabriel 4 Emerson 5 Diogo Orlando 6 Pará 7 Bruno Silva 8 Leandro Bomfim 9 Vandinho (18) 19 Batista 11 Cristian (16)

Suplentes 22 Alex 13 Marcos 14 Rafael 15 Diogo Orlando 16 Pará 17 Leonardo 18 Vandinho

Suplentes 12 Juliano 13 Apodi 14 Rodrigão 15 Maycon 16 Geovane 17 Fábio Souza 18 Diego

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Gabriel 15 Bruno Silva 16 Jeferson 10 Sávio 18 Leonardo

Suplentes 34 Bobadilha 25 Tcheco 11 Danilo 13 Paulo André 17 Edu Gaspar 15 Paulinho 20 Defrederico

Suplentes 22 Zé carlos 13 Cleyton 14 Emerson Nunes 15 Jeferson 16 Válber 10 Sávio 18 Leonardo

Suplentes 12 Renan 13 Danny Morais 14 Fahel 15 Lúcio Flávio 16 Caio 17 Edno 18 Loco Abreu

Técnico Antonio Lopes

Técnico Vagner Mancini

Técnico Antonio Lopes

Técnico Adilson Batista

Técnico Antonio Lopes

Técnico Joel Santana

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Elenco do botafogo 1 Jefferson 2 Somália 3 Antônio Carlos 4 Fábio Ferreira 5 Leandro Guerreiro 6 Marcelo Cordeiro 7 Maicosuel (13) 8 Marcelo Mattos 9 Jóbson 10 Renato (18) 11 Herrera (17)

16ª Rodada — TURNO

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Data e hora: 25/08/2010 — 19h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Ricardo Marques Ribeiro-MG (FIFA) — Assistentes: Márcio Eustáquio Sousa Santiago-MG (FIFA) e Jair Albano Félix-MG

Avaí x Atlético-PR 17ª Rodada — TURNO

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x

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Rafael 4 Gabriel 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Marcos (10) 8 Bruno Silva (16) 9 Vandinho 19 Válber 11 Robinho (15)

Elenco do inter 1 Renan 2 Bolivar 3 Indio 4 Nei 5 Wilson Matias 6 Kleber 7 Taison (18) 8 Tinga 9 Rafael Sobis (15) 10 D’Alessandro 11 Glaydson

Suplentes 22 Zé carlos 13 Emerson Nunes 14 Rudnei 15 Cristian 16 Jeferson 17 Sávio 18 Leonardo

Suplentes 12 Abbondanzieri 13 Juan 14 Soronto 15 Derlei 16 Marquinhos 17 André 18 Leandro

Técnico Antonio Lopes

Técnico Celso Roth

18ª Rodada — TURNO

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Data e hora: 29/08/2010 — 18H30min Estádio: Serra Dourada — Local: Goiania-GO Arbitragem: Leonardo Gaciba da Silva — Assistentes: Marrubson Melo Freitas e João Antônio Souza Paulo Neto

Data e hora: 30/08/2010 — 21h Estádio: Vila Belmiro — Local: Santos-SP Arbitragem: Carlos Eugênio Simon-RS (FIFA) — Assistentes: José Javel Silveira-RS e Alexandre A. P. Kleiniche-RS

Data e hora: 31/10/2009 — 18h30min Estádio: Ressacada — Local: Florianópolis — SC Arbitragem: Renato Cardoso da Conceição-MG — Assistentes: Márcio Eustáquio S. Santiago-MG (FIFA) e Jair Albano Félix-MG

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Rafael 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Jeferson (18) 8 Rudnei (16) 9 Vandinho 19 Válber 11 Robinho (10)

Elenco do atlÉtico-go 1 Márcio 6 Thiago Feltri 8 Pituca 10 Elias 4 Jairo 15 Ramalho (11) 19 Marcão 20 William (30) 26 Victor 29 Daniel Marques 77 Diguinho (17)

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Marcos (13) 3 Rafael 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Cristian (18) 8 Rudnei 9 Vandinho 19 Váber 11 Jeferson (16)

Elenco do santos 1 Rafael 2 Edu Dracena 3 Alex Sandro 4 Pará 5 Arouca 6 Durval 7 Zé Eduardo (18) 8 Danilo 9 Keirrison (16) 10 Marquinhos (17) 11 Neymar

Elenco do Avaí 1 Renan 2 Patric 3 Rafael 4 Emerson 5 Marcinho Guerreiro 6 Eltinho 7 Caio (10) 8 Rudnei (15) 9 Vandinho 19 Valber (16) 11 Robinho

Elenco do atlético-pr 1 Neto 2 Wagner Diniz 3 Manoel 4 Rhodolfo 5 Chico 6 Paulinho 7 Guerrón (18) 8 Deivid (15) 9 Nieto (13) 10 Branquinho 11 Maikon Leite

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Gabriel 15 Bruno Silva 16 Leandro Bomfim 10 Sávio 18 Leonardo

Suplentes 12 Edson 14 Welton Felipe 11 Juninho 16 Chiquinho 17 Erandir 22 Pedro Paulo 30 Anailson

Suplentes 22 Zé carlos 13 Emerson Nunes 14 Pará 15 Bruno Silva 16 Leandro BomFim 17 Sávio 18 Laércio

Suplentes 12 Felipe 13 Bruno Aguiar 14 Roberto Brum 15 Madson 16 Alan Patrick 17 Zezinho 18 Marcel

Suplentes 22 Zé carlos 13 Marcos 14 Emerson Nunes 15 Leandro Bomfim 16 Davi 17 Sávio 18 Natan

Suplentes 12 João Carlos 13 Leandro 14 Vitor 15 Olberdam 16 Ivan Gonzalez 17 Dennis 18 Bruno Mineiro

Técnico Antonio Lopes

Técnico Renê Simões

Técnico Antonio Lopes

Técnico Dorival Júnior

Técnico Antonio Lopes

Técnico Paulo César Carpegiani

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| Rubens Flôres

A milcar N eves

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Atestado de maioridade Q

uando pouco se espera, surge a notícia, trazendo a comprovação da maioridade atingida pelo Avaí. Na realidade, a comprovação de uma situação que os números e o desempenho em campo já gritavam aos quatro ventos, já faiscava pelos cinco continentes, já se insinuava nos sete mares. Só os surdos e os cegos não ouviam, não viam, não percebiam a realidade fulgurante que se impunha. O Brasileirão é um dos campeonatos mais importantes do planeta. Tão importante que o mundo todo vem aqui em busca dos melhores jogadores. Isto vale especialmente para os chamados grandes campeonatos, aqueles de uns poucos países europeus que não cansam de se abastecer aqui de craques. Como, outrora, fizeram à exaustão com ouro, prata, pedras preciosas, pau-brasil, impostos, o que de melhor cá houvesse. Craques que muitas vezes desconhecemos porque daqui foram levados com 18, 17, 15 anos — ou menos. Como se fizessem uma ultrassonografia para descobrir o DNA de craque antes mesmo que o próprio garoto possa perceber que, de verdade, ele é um cracaço em gestação. Pois desse campeonato assim rico de talentos só participam 20 clubes. O Avaí é um desses, um dos 20 melhores

do Brasil (com 27 unidades na Federação, muitas aí já ficam fora dessa elite). Ao terminar em sexto lugar em 2009, o Avaí só teve, no ano, cinco times melhores do que ele. Sorte de iniciante, acaso que logo cederá lugar à verdade do futebol? Pode ser. Apenas acontece que, na última sexta-feira de julho, data em que esta crônica vai para o papel, o time azul e branco da Ressacada, após 11 rodadas, é o quinto melhor do país em 2010. Mas então chega o atestado formal, oficial, indiscutível do alto nível do futebol avaiano: Renan, o garoto Renan de 19 anos de idade e 1,92m de altura, nascido aqui do lado, em Nova Trento, morando aqui perto, em São João Batista, formado nas bases do Avaí, revelado e atuando na equipe principal do Leão da Ilha, o goleirão Renan Soares Reuter foi convocado pelo novo técnico Mano Menezes para o selecionado brasileiro, para a Seleção principal — pois nas seleções nacionais de base já temos os goleiros Vítor, na Sub-16, e Alex, na Sub-19. Se mantiver os pés no chão, o que parece ser da sua personalidade, Renan irá muito longe, a começar pela titularidade da Seleção que disputará as próximas Olimpíadas — tomara que ainda envergando a gloriosa camisa avaiana.

Amilcar Neves é avaiano e escritor de crônicas, contos e romances, com sete livros publicados.

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Competência azurra

S ul-americana

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texto | Carla Cavalheiros fotos | Rubens Flôres Lance do jogo em que o Leão da Ilha eliminou o Peixe da competição, mesmo tendo perdido a partida pelo placar de 1 a 0

Avaí é o primeiro time catarinense a avançar à etapa internacional da

Sul-americana

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amos fazer as contas bem por alto. Em 2008, o Avaí retornou à elite do futebol nacional. Em 2009, voltou a ser campeão Catarinense depois de mais de uma década. No mesmo ano, terminou o campeonato Brasileiro em sexto lugar sendo tratado pela imprensa nacional como uma “revelação”. Teve gente que ficou tão embasbacada com o desempenho da equipe que chegou a sugerir um estudo de caso. Ainda no ano passado, garantiu vaga para disputar a Copa do Brasil e a Sul-americana. Esse ano já é destaque de novo no Brasileirão e, no dia 18 de agosto, tornou-se o primeiro time catarinense a avançar à etapa internacional da Sul-americana. Como tem feito desde que se credenciou a ser um dos grandes times do Brasil, o Avaí ignorou o histórico do Santos que, só nesse ano, foi campeão Paulista e da Copa do Brasil. Venceu o primeiro confronto por 3 a 1 no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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O jogo no dia 11 de agosto não teve Robinho, que voltara dias antes para o Manchester City. Também não teve André, vendido para o Dínamo de Kieve. Paulo Henrique Ganso e Neymar ficaram no banco de reservas. Foram poupados pelo técnico Dorival Júnior. Uns dizem que a medida foi tomada porque eles, assim como o goleiro do Avaí, Renan, tinham acabado de voltar de jogo amistoso da Seleção Brasileira. Todavia, há quem diga também que o Santos jamais pensou que fosse sentir o bafo do Leão no cangote. Mas o time tinha outros entendidos da bola, entre eles o ídolo avaiano Marquinhos Santos, que também tem se destacado no time da Arena da Baixada. Tinha Madson, Zé Eduardo e Marcel. “É um time que mesmo não tendo os titulares continua sendo muito forte e competente”, avaliou o técnico Antônio Lopes quando soube que o time dos “Meninos da Vila” não estaria em sua formação completa.

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omo o Avaí vai a campo para jogar independente do adversário, o time mostrou-se firme e decidido. Com saídas rápidas e abusando dos contra- ataques, não deixava o Peixe entrar na área. Aos 16 minutos, Patric armou boa jogada com Caio pela direita e cruzou para a área. A defesa santista não conseguiu roubar a bola. Na tentativa de impedir o gol, o goleiro Rafael buscou o corte na marca do pênalti, mas, sem perdão, Rudnei acertou a bola no fundo da rede. O gol abalou o Santos, que na afobação e na pressa exagerou nos passes errados, porém, ainda forçou boas defesas do goleiro Zé Carlos. Na volta para o segundo tempo, Dorival Júnior foi forçado a colocar Ganso e Neymar em campo. A torcida se animou, mas pouca coisa mudou. Muito bem marcado pelo Avaí, o Santos seguiu com poucas chances de mudar a situação da partida. Aos 13 minutos, um fato grave paralisou a partida. O goleiro Rafael foi atingido na cabeça pelo joelho do companheiro Durval e teve de deixar o estádio. Refeitos do susto, os jogadores voltaram ao confronto. Cinco minutos depois, Vandinho fez um golaço. Após ganhar na corrida de Edu Dracena, o atacante avaiano encobriu o goleiro Felipe e fez 2 a 0 para a equipe catarinense. Quando a torcida do Santos ensaiava as primeiras vaias, Neymar acordou e arrancou pelo meio até passar a bola para Zé Eduardo que chutou forte e fez 2 a 1. Aos 31 minutos, mais uma alegria avaiana. Caio cruza para Vandinho que, sozinho pelo meio da área, fez 3 a 1 e deixa o Avaí com uma grande vantagem para o jogo da volta.

Perdeu mas ganhou! P

odendo perder por até um gol de diferença ou por 2 a 0, o Avaí recebeu o Santos na Ressacada no dia 18 de agosto. O jogo não foi nada fácil. Afinal, o time comandado por Dorival Júnior, também tinha como objetivo seguir na disputa. E o Peixe bem que tentou. Venceu o jogo. Mas precisava fazer gols e a partida ficou 1 a 0. Ao final do jogo, o torcedor vibrou naqueles momentos estranhos do futebol em que a derrota é uma vitória. O Avaí enfrenta agora o Emelec (Equador). A primeira partida das oitavas de final será no dia 13 de outubro, em Guayaquil. O jogo de volta está agendado para a semana seguinte, 20 de outubro, na Ressacada.


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R eforços Avaianos Fotos: Alceu Atherino/AVAÍ F.C.

Válber, jogou no Avaí em 2008/09, com passagens por Portuguesa de Desportos-SP, Avaí e Daejeon Citzen, da Coreia, tem 28 anos, é natural de São Luís-MA, 1,73m e 72 kg

Leandro Bonfim, com passagens por Vasco da Gama-RJ, Fluminense-RJ e Bahia-BA, tem 27 anos, é natural de Salvador-BA e tem 1,77m e 70kg

Jéferson, com passagens por Guarani-SP, Santo André-SP e Vasco da Gama-RJ, tem 27 anos, é natural de Brasília-DF, tem 1,80m e 76 kg

Avaí apresenta reforços Válber, Jéferson e Leandro Bonfim chegaram em agosto na Ressacada

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presidente do Avaí, João Nilson Zunino, acompanhado do empresário Luis Alberto, da LA Sports, apresentou, no último dia 10 de agosto, três reforços para a continuidade do Campeonato Brasileiro da Série A e para a Copa Sul-Americana. Os meias Jéferson, Leandro Bonfim e Válber, velho conhecido da torcida do Avaí, foram apresentados de forma oficial para a imprensa da Grande Florianópolis,

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que esteve em massa no auditório do Estádio da Ressacada. Zunino logo tranquilizou a torcida do Avaí, que está preocupada em função de Rivaldo ter deixado a Ressacada. “O torcedor sabe de nosso esforço em não deixar que os atletas saiam da Ressacada na janela de agosto. Foi assim em 2009. Infelizmente, neste ano, Rivaldo se foi, mas estamos fazendo todo o esforço ne-

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cessário para manter este grupo até o fim do ano, podendo assim repetir a campanha de 2009, onde terminamos na sexta colocação.” Para Luis Alberto, o momento é de dar confiança ao elenco. “Trouxemos três excelentes meias e vamos fazer de tudo para manter a equipe até o fim da competição. A equipe está forte e o trabalho vai ser recompensado no fim da temporada”.


currículo

Alceu Atherino/AVAÍ F.C.

Atividades atuais

zz Técnico da seleção brasileira de futebol sub-20 zz Professor de futebol da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) zz Membro do grupo de estudos para o desenvolvimento técnico do futebol sub-20 e sub-17 da FIFA zz Professor da Prefeitura Municipal de Duque de Caxias

Principais conquistas

Leão contrata técnico da Seleção Brasileira Sub-19 Treinador Verdini será o orientador técnico da equipe de base do Avaí

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ando continuidade ao processo de profissionalização e qualificação da Coordenação de Futebol de Base, o Avaí Futebol Clube anunciou, na tarde de 10 de agosto, a contratação do treinador de futebol da categoria Sub19 da Seleção Brasileira. Luis Antônio Verdini de Carvalho, conhecido como Verdini, chega ao Avaí com a missão de ser o orientador técnico das categorias de base do Avaí e formar uma equipe Sub-23 com grandes talentos que podem num futuro próximo compor a equipe principal do Clube. “A chegada do Verdini ao Avaí faz parte de nosso planejamento estratégico de qualificar cada vez mais nossos departamentos. Queremos aproveitar todo o conhecimento do Verdini para

ter bons resultados na revelação de atletas que possam ser aproveitados na equipe principal”, comentou João Nilson Zunino, presidente do Clube. Para Verdini, o Avaí está saindo na frente e pensando em fazer um trabalho diferenciado com a preparação de atletas recém-saídos da base para que cheguem à equipe principal com experiência. “Que me desculpem as outras equipes, que fazem bons trabalhos, mas o Avaí está saindo na frente ao pensar em qualificar e preparar seus atletas de base para o profissional. É isso que vou fazer aqui”, concluiu. A apresentação aconteceu na sala de imprensa do Estádio da Ressacada e contou com a presença da imprensa da Grande Florianópolis, de funcionários e torcedores do Avaí.

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zz 2009 | vice–campeão mundial Seleção Brasileira Sub-20 zz 2009 | campeão sul-americano Seleção Brasileira Sub-20 zz 2008 | campeão da Sendai Cup (Japão) Seleção Brasileira Sub-20 zz 2008 | vice-campeão do torneio OPG Botafogo/RJ | Sub-20 zz 2003 | campeão estadual de futsal Flamengo/RJ zz 2000 | campeão da liga nacional de futsal | Vasco da Gama/RJ zz 1998 | tri-campeão estadual de futsal Tio Sam Esporte Clube/RJ zz 1997 | campeão estadual de futebol série B | Tio Sam Esporte Clube/RJ zz 1993 | vice campeão da President Cup ( Dubai ) | Al Wasl-Eau

Formação zz Especialização em Treinamento Desportivo | UFRJ, 2000 zz Especialização em Futebol | UFRJ, 1990 zz Licenciatura em Ed. Física | UFRJ, 1989 zz Inglês | Dubai International Linguage Institute, 1993 zz Informática (MS Office) | UFRJ, 1998

Experiência profissional 2009 zz Preparador físico da seleção brasileira de futebol sub-20 zz Auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol sub-20 zz Preparador físico da equipe sub-20 de futebol do Botafogo/RJ 2008 zz Preparador físico da seleção brasileira de futebol sub-20 zz Preparador físico da equipe sub -20 de futebol do Botafogo/RJ 2007 zz Preparador físico da seleção brasileira de futebol sub-18 zz Preparador físico da equipe sub-20 de futebol do Botafogo/RJ 2006 zz Preparador físico da equipe sub-20 de futebol do Botafogo/RJ 2005 zz Preparador físico da equipe sub-20 de futebol do Bangu/RJ 2000 a 2004 zz Preparador físico da equipe de futsal do Vasco da Gama/RJ 1996 a 1999 zz Preparador físico da equipe de futebol do Tio Sam/RJ zz Preparador físico da equipe de futsal do Tio Sam/RJ 1995 zz Preparador físico da seleção de futebol sub-18 dos Emirados Árabes Unidos 1993 a 1994 zz Preparador físico da equipe de futebol do Al Wasl Sports Club | Dubai, UAE zz Preparador físico da seleção brasileira de futebol sub-17 1992 zz Preparador físico da equipe de futebol do América/RJ zz Preparador físico da equipe sub-20 do América/RJ

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texto | Carla Cavalheiro fotos | Rubens Flôres

S eleção Brasileira

! a s s o n a s i o Éc

Renan,

um Leão na Seleção E

u não pensava em ser goleiro. Agora trabalho o dia-a-dia para chegar o mais perto da perfeição. Claro que uma hora você vai errar. Mas estou preparado para o que der e vier”

O contato com o esporte começou no colégio. “Até os 13, 14 anos, eu jogava na linha. Era atacante. Era ruim pra caramba”, brinca o goleiro Renan, o primeiro jogador do Avaí a ser convocado para a Seleção Brasileira. A convocação do técnico Mano Menezes foi no dia 26 de julho, uma segunda-feira à tarde. Renan estava na academia e, quando foram contar a novidade, ele achou que fosse um trote. “O pessoal brinca muito e por isso eu demorei a acreditar. Foi um momento de alegria muito grande para mim e para minha família”, afirma. A ainda curta, porém promissora, carreira começou pra 28

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valer em 2007, quando um empresário de sua cidade, São João Batista, resolveu investir no jogador após vê-lo participando de um campeonato amador. Laudi Kammer gostou da atuação de Renan e o contratou para jogar em seu time. O treinador Humberto Maurici se encarregou da preparação e em poucos meses ele passou de forma relâmpago pelo Criciúma e desembarcou no Avaí. Nas categorias de base do Avaí, foi

um dos destaques do time na disputa da Copa São Paulo em 2008, quando a equipe chegou à semifinal e perdeu para o Corinthians. Dedicado, Renan logo foi alçado à função de terceiro goleiro do time principal. Esse ano Renan foi acionado no campeonato Catarinense e mostrou que estava pronto para compromisso mais sério. Na retomada do Brasileirão após a parada para a Copa do Mundo Renan foi

o titular no primeiro jogo sob o comando do recém chegado técnico Antônio Lopes. E não foi um confronto qualquer. Foi contra o São Paulo, no Morumbi. O Avaí venceu por 2 a 1. “Claro que entrar em campo sempre dá frio na barriga. Estou em um time, um grupo experiente, uma diretoria, uma comissão técnica que sempre me apoia. Eu estava preparado para jogar no Morumbi. Esse momento iria chegar”, garante.

Convivendo com a fama R

enan não é mais um desconhecido. Ser convocado para a Seleção Brasileira lhe rendeu visibilidade. Em transição da adolescência para a vida adulta, aos 19 anos ele busca aprender com os mais velhos a como lidar com o sucesso e como não fazer desse momento algo passageiro. “Eu sonhava sim ser convocado. Mas não esperava que fosse tão rápido. O objetivo do atleta é chegar à Seleção. Isso é sonho de qualquer atleta. Eu imaginava chegar primeiro na Seleção sub 20, subir degrau por degrau. Mas eu tive essa benção, fui convocado e agora tenho que lidar com essa nova situação”, explica. Além do apoio do Avaí, Renan afirma que a família, o primeiro empresário, Laudi Kammer e o Carlos Corcini, da Mais Sport, empresa que cuida dos interesses do atleta, estão por perto para orientá-lo. “Foi tudo muito rápido. Às vezes é difícil você chegar. Mas acho mais difícil você manter. Agora vai vir empresário, dinheiro. Então estou consciente de que

não adianta eu pegar algo que não vai dar certo. Por isso escuto muito tudo o que eles me dizem. Eles são mais velhos. Têm experiência”, comenta. Renan reforça que não esperava aos 19 anos estar vivendo um dos melhores momentos de sua vida. “Aconteceu tudo da noite para o dia. Quero dar seqüência a esse trabalho para que o clube possa se destacar ainda mais no cenário nacional”. O goleiro fala com convicção sobre o futuro. “A gente trabalha o dia a dia para chegar o mais perto da perfeição. Tenho que estar bem preparado para o que der e vier. Tenho que saber lidar com a tensão e com esse momento. Queira ou não queira a torcida, a imprensa vai pressionar. Agora é trabalhar para me manter. Para melhorar. Estou me preparando para que nada dê errado. Eu era o terceiro goleiro. Busquei meu espaço. A responsabilidade só aumenta. Agora é pensar no pré-olímpico. Manter o foco. Fazer um bom campeonato Brasileiro para chegar à Olimpíada”, garante.

O jovem goleiro avaiano sabe conviver com o assédio e a cobrança da fanática torcida avaiana

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As dicas do Marcão

A tleta revelação

Amado e odiado: Qualidades de um campeão A missão do goleiro não é das mais fáceis

Marcos Cardoso, o Marcão, fez questão de enviar para a Revista do Avaí cópia do material que ele distribui aos jogadores: Qualidade 01 — Esforço

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ifícil é encontrar um menino que queira ser goleiro. A preferência é o ataque. A escolha por ser o goleador se justifica, afinal, quem faz gol é o responsável por movimentar a massa. Já o goleiro não tem a missão das mais fáceis. Ele começa a partida sendo amado por sua torcida. Em segundos, pode ser odiado. Basta que o time adversário balance a rede. Mas não é só nisso que o goleiro é diferente dos demais jogadores de um time de futebol. A roupa não é a mesma. E o treino é muito diferente. Um goleiro em geral tem um treinamento mais intenso do que os outros companheiros de equipe. É preciso desenvolver habilidades, agilidade, rapidez, elasticidade que nem sempre são requeridas em outras posições. É preciso trabalhar o fator emocional, afinal de contas, errar num estádio lotado, ser vaiado, pode proporcionar maior destaque na imprensa do que agarrar um pênalti. O goleiro Renan iniciou no mundo da bola como atacante. Depois é que passou a ser goleiro. E para hoje ser um jogador de nível da Seleção Brasileira, conviveu e convive com grandes profissionais. Um deles é Marcos Cardoso, o Marcão, que após 10 anos como goleiro, há 18 se dedica a preparar arqueiros. Hoje, Marcão está no Qatar, no Lakwhuya E.C., time da segunda divisão, que foi campeão invicto da Star Second League nesta temporada. Sobre a convocação de Renan, Marcão afirmou que isso nada mais é do que resultado da dedicação do jogador com quem ele trabalhou durante três anos. “Achei que ele estava sendo convocado para a seleção Sub-20. O goleiro Dennys, que está na Finlândia, foi quem me falou que era a convocação para a seleção principal quando me parabenizou pelo ‘meu pupilo’”, relata. Marcão conta que Renan sempre foi focado e que, apesar de parecer cedo, isso acabaria acontecendo. “É um momento que reflete a dedicação dele aos treinos e o desempenho nos jogos. E para continuar sendo convocado, ele precisa manter essa regularidade”, diz. O preparador de goleiros garante que o assédio que Renan está sofrendo desde a convocação não irá abalá-lo emocio-

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nas como a preguiça, desobediência, mentira etc. “Você será mais assertivo se você tiver um objetivo claro na mente e provavelmente o objetivo te fará mais disciplinado.” Steve Redgrave, 5 medalhas de ouro em 5 olimpíadas, 9 títulos mundiais (Remo)

Todos concordam que o trabalho duro traz recompensas. Esforço é uma qualidade, pois está relacionado com produtividade, crescimento e a busca de objetivos de curtos e longos prazos. Entretanto, muitas vezes o sucesso exige, além de esforço, sacrifícios, ou seja, maneiras de superar os obstáculos. “Posso aceitar falhas. Todo mundo falha em alguma coisa. Mas não posso aceitar a falta de tentativas” — Michael Jordan, Campeão da NBA

Qualidade 04 — Determinação Um dos aspectos que mais destaca a determinação e a perseverança de um atleta é o inconformismo em aceitar certas situações. A insatisfação com um resultado, com as dificuldades, com as limitações e com a falta de vitórias deve gerar um estímulo e a motivação necessária para ocorrer mudanças para melhor e para se alcançar os objetivos!

Qualidade 02 — Inteligência O atleta deve buscar seus objetivos através da inteligência e da sabedoria (capacidade de corrigir erros e adquirir um grande conhecimento das coisas), ou seja, saber quando se deve ter determinação, persistência, coragem, aprender com os erros e mudar de planos e estratégias.

Qualidade 05 — atitude positiva O que pensamos, atraímos, ou seja, aqueles que querem muito uma coisa têm mais chances do que os desanimados e descrentes. “Também acredito que você pode alcançar qualquer coisa se acreditar totalmente que irá conseguir. E é isso que eu faço.” Peter Robertson, três títulos mundiais (triatlon).

Qualidade 03 — Disciplina A autodisciplina no esporte significa se submeter a um planejamento pré-determinado, tendo o compromisso com o objetivo e evitando as fraquezas huma-

Conselhos de um novato R

enan é novo para dar conselhos. Mas pelo que já viveu no futebol sabe o quanto sua convocação para a Seleção Brasileira vai inspirar a meninada. “Sei que agora muitos vão querer ser goleiros. Mas os pais têm que cuidar. Os meus pais sempre me apoiaram. Os pais não podem forçar o filho a ser jogador se ele não quer.

nalmente. “Sabemos da expectativa que uma convocação gera em torcedores, na imprensa em geral e em jogadores novos e experientes. Por isso que a humildade tem de ser mantida. Não dá para esquecer as origens, o caminho que foi trilhado. E também não dá para parar. É preciso buscar novos objetivos. Tive a oportunidade de conversar sobre isso com o Renan e

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Tem que descobrir qual é o dom e ir atrás como eu fui. No momento que eu vi que daria certo, que alguém investiu em mim eu busquei. Treinei, me esforcei. Não adianta o pai falar que tem que ser igual ao Renan, igual ao Zé Carlos. Cada pessoa tem o seu dom. Não podemos criar adultos frustrados”, afirma o goleiro.

mostrar a ele vários goleiros vitoriosos que podem servir como modelo. Ele sabe da responsabilidade e é equilibrado. Quando fomos para a Copa São Paulo eu disse a ele: ‘Ou tu vais bem e voltas valorizado ou nós dois seremos massacrados’. E sabe o que ele me respondeu? ‘Voltaremos valorizados’”, lembra Marcão sobre a participação do Avaí na competição em 2008.


Gratificação que aumenta a obrigação enan reconhece que sem o apoio da família, dos empresários, do Avaí e dos preparadores de goleiros, não estaria agora em sua primeira vitrina profissional. É preciso lembrar ainda que se ele não tivesse a oportunidade de atuar em bons jogos, o caminho para chegar à Seleção Brasileira teria sido um pouco mais longo. No jogo contra o Vasco, no estádio da Ressacada, no dia 23 de maio, Renan fechou a meta na vitória avaiana por 2 a 0. Ele substituiu Zé Carlos que teve de cumprir suspensão. Na oitava rodada, no primeiro jogo após a parada para a Copa do Mundo da África do Sul, Zé Carlos estava no departamento médico. Renan foi escalado pelo recém-chegado técnico Antônio Lopes para atuar contra o São Paulo, no estádio do Morumbi. Vitória avaiana por 2 a 1. No jogo seguinte, no estádio da Ressacada, outra boa atuação do jogador. O Avaí venceu por 4 a 2 o Palmeiras. Na outra rodada, o empate em 1 a 1 contra o Flamengo no estádio do Maracanã. Antes da convocação, o empate sem gols contra o Atlético-MG. Desde que Renan começou a se destacar nas categorias de base do Avaí, o preparador de goleiros, Sandro Daros, tem observado o desempenho e a evolução do atleta. Contribuir para que o jogador pudesse ser alçado à condição de titular do time princi-

pal fazia parte do projeto de Sandro, quando chegou ao Clube há cinco anos. A meta era revelar jovens para o time principal. Além de Renan, os goleiros Vitor Moreira Paes e Aleksander Douglas de Faria também foram convocados este ano para a Seleção Brasileira nas categorias sub 16 e sub 19. “Atraímos os holofotes e agora a cobrança será maior. É uma responsabilidade a mais. É gratificante, mas traz uma carga de responsabilidade e preocupação muito grande”, avalia Sandro sobre Renan, Vitor e Aleks. Sobre a convocação de Renan, Sandro se mostrou surpreso. Não que não acreditasse na capacidade do jogador. Mas pela juventude. “Esperava que fosse uma coisa mais para frente, mesmo sabendo da condição dele. Foi uma carga de motivação a mais”, avalia. Sandro garante que Renan é um jogador dedicado. “Você precisa cobrar pouco para ele se empenhar no trabalho. Ele treina da forma mais potencializada possível. Trabalha no limite e às vezes pede mais. É um jogador que está sempre se cobrando”. Além da exigência em melhorar a condição física e técnica, Renan também tem personalidade forte e se impõe perante o grupo. “O goleiro tem de estar bem com ele mesmo. Tem de ser uma pessoa muito

segura porque o goleiro que não é seguro do seu potencial e do que ele pode representar para o grupo está fadado a encerrar a carreira na primeira falha”. O técnico lembra que, além da aptidão natural de alguns jogadores, é preciso trabalhar o equilíbrio emocional. “O trabalho tem de ser feito de forma gradual. Eu vejo alguns jogadores que estavam muito bem numa posição nas categorias de base, foram para o profissional e não renderam. E não conseguiram mais. A gente teve a possibilidade de no ano passado colocar o Renan para disputar a Copa Santa Catarina e em seguida ele passou a treinar com o grupo principal. Depois ele participou do Catarinense e fez um brilhante jogo contra o Cruzeiro, o que certamente o credenciou para ser o reserva do Zé Carlos”, relata. Sandro lembra que Renan está em fase de transição de adolescente para homem e que o momento agora é de conversar para evitar que o jogador caia no “oba oba” da badalação. “Agora a gente segura na conversa. Mas o Renan tem os pés no chão. Ele vislumbra coisas sem voar, de uma forma bem tranquila. É uma satisfação grande estar com um garoto dessa idade. Ele já é grande e está em busca de um futuro melhor”, garante. Divulgação CBF

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Para ser um bom goleiro é preciso ter aptidão e muita força de vontade O

goleiro Renan é a representação de um atleta que tem um dom e que, com muita força de vontade, está conseguindo seus objetivos. Sua carreira esportiva foi construída de forma natural. “Eu nunca fui obrigado a jogar bola”, lembra o goleiro avaiano. Com quase 30 anos de profissão, 25 deles dedicados ao Avaí, o preparador de goleiros Nilson Iomar de Souza, o Nilsão, confirma que o Renan é diferente. “Ele é um jogador que nasceu para ser goleiro. Não adianta o pai de uma criança querer que o filho seja jogador de futebol. É preciso que a criança tenha o dom. E mesmo com o dom é preciso dedicação”, afirma. Nilsão comenta que já viu vários pais levarem os filhos para treinar para serem jogadores de futebol. E lembra que com a chegada de Renan à Seleção Brasileira será natural que o número de meninos

aspirantes a goleiro Renan com a camisa da seleção brasileira durante aumente também. treino em Nova Jersey, na estreia de Mano Menezes “É preciso ter cuidado para não gerar André reforça o que diz Nilsão. Um uma frustração. Não goleiro tem de aliar aptidão e interesse. é a vontade do pai que prevalece. O go“No caso do Renan o potencial é imenso. leiro tem que ser alto, tem que ser maEle é um líder. O que ele faz com facigro e repito, tem que ter vontade para lidade, outros demoram em entender. A trabalhar, em alguns casos, até mais do autoconfiança dele e a base dos outros que os jogadores de linha”, lembra. preparadores ajudaram muito a transforQuem também convive com a rotina má-lo nesse jogador que agora desponta de preparar goleiros é André Croda Borem nível nacional”, diz André. ges. Com oito anos de experiência e há Além do dom e do interesse, André um ano no Avaí, ele recorda que Renan afirma que Renan se destaca por outro fajá era destaque nas categorias de base. tor. “Tudo é novo para ele. Mas ele é mui“Quando ele foi para o Brasileiro Sub-20 to humilde. Ele ajuda os goleiros da base. ele já estava em transição para o proVejo o Renan hoje como o mesmo menino fissional. Era o quarto goleiro. Quando o que estava no passado comigo. Treinava torneio acabou, ele já se apresentou para com pouca luva. Hoje, dá as que ele tem a o time principal. Iniciamos então, junto mais para os goleiros da base. Não mudou com o Sandro Darós, um trabalho específinada”, declara. co com ele”, diz. REVI S TA DO AVA Í

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A niversário do Clube

fotos | Manoel Bento

Homenagens

marcam a celebração dos 87 anos do Avaí F.C. Um dia de Leão

Paixão Pra Toda Vida

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orcedores, sócios e moradores do Sul da Ilha tiveram acesso a atendimentos como consulta jurídica, orientação nutricional, massagem relaxante e ensaio fotográfico. Para as crianças, espaços de recreação e práticas esportivas, de lazer e intelectual. Torcedores fanáticos puderam mostrar as relíquias e contar histórias que marcaram a trajetória do Avaí. Um churrasco celebrou a união da comunidade avaiana.

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ito times entraram em campo para a disputa do 2º Torneio Paixão pra toda Vida. Os jogos foram disputados nos campos do Centro de Formação de Atletas. O Time 4 foi o campeão ao derrotar o Time 2 na disputa de pênaltis por 3 a 2.

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Painel de Tércio da Gama

Paixão eterna por | Sérgio da Costa Ramos

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lém de um jantar oferecido a convidados, o dia 1º de setembro, data da fundação do Avaí, foi marcado pela inauguração de um painel confeccionado pelo artista plástico Tércio da Gama. No painel instalado no hall do Setor D, está registrada a trajetória dos 87 anos do Clube. A obra é inspirada em um texto do jornalista Sérgio da Costa Ramos, que destaca a importância do Avaí e sua relação com a cultura da Capital catarinense.

Pés eternos! D

ois craques que marcaram época no Avaí deixaram os pés eternizados na Calçada da Fama da Ressacada. Os pés de João Carlos da Silva, o Balduíno, e Milton Cavallazzi uniram-se aos de Adolfinho, Zenon, Adílson Heleno, Marquinhos Santos, Ronaldo Fenômeno e Orivaldo.

ste presente que o Tércio da Gama nos dá, nos 87 anos de nossa paixão, é talvez o primeiro mural esportivo de um clube brasileiro. É o que eu chamo de o Evangelho segundo Tércio, ou o Primeiro Testamento da era Zunino. Ali está o Gênesis do Avaí e a sua atual Santissíssima Trindade: o Leão que representa a torcida; o Guga, o herói brasileiro que representa o Avaí cosmopolita — e o Presidente Zunino, o homem que dividiu as escrituras alvicelestes entre o Antes e o Depois. Ali está o Avaí provinciano, mas gigantesco em sua paixão. E o Avaí brasileiro, internacional, que começa a nascer com a ascensão à série A e à Copa Sul-americana. Este mural, diz o Tércio, nasceu de uma frase minha — mas, na verdade, tudo o que fiz foi registrar um momento de emoção, que sei dizer exatamente como nasceu: foi na noite de 11 de novembro de 2008, uma terça-feira inesquecível — isso, no tempo em que jogávamos às terças-feiras... O jogo estava indefinido, caminhando para o final do segundo tempo. Um único gol nos colocaria no Nirvana. E Evando fez o gol da série A. Neste momento fui para o computador — e escrevi: — Quatro letras. Uma paixão. Um sonho. Uma torcida derramada em ondas azuis, bandeiras ao vento, estandartes imunes ao tempo — chova ou faça sol, eles se erguem na dança do “azul” para levar seus guerreiros à vitória. Avaí, nome de batalha. Três sílabas, o coração forte como um acento tônico e a clarinada, o grito oxítono no final. Seu Cocoroca, que Deus o tenha, nos deu esse nome genial: curto para lembrar, eterno para ficar. E há o tesouro da torcida. Uma torcida campeã, que cultiva um profundo apego à Ilha Formosa, que exerce o ofício de torcer com certo inconformismo matizado de humor, e que vive banhada por duas baías e duas lagoas, recheadas de camarões e de camaradagem. [Avaí sinônimo de beleza. A Ilha mais bela, o hino mais belo, a mais bela camisa — um manto inconsútil, que cresce junto com as crianças, veste o peito dos adultos e, paixão invencível, atravessa uma vida — rumo ao azul infinito, que é a cor da eternidade.] Uma frase simples — que tem como intrusa a palavra bíblica “inconsútil”, que quer dizer “sem costura”, como o “manto de Cristo”. Intrusão justificada porque era a única que expressava o que eu queria dizer: a camisa do Avaí veste as crianças e vai crescendo junto com elas, como se fosse uma elástica e milagrosa epiderme. Duvido que a camisa de outro time faça mágica igual. Todo o mérito deste mural é do seu autor, Tércio da Gama, que interpretou a frase e a compôs pictoricamente, a partir da epifania que foi a descoberta do baú avaiano e de seu escudo, Santo Graal de uma vida, que passa pelas brincadeiras de infância na bela paisagem da Ilha Formosa e ganha o mundo para conquistar suas glórias — entre as quais a de ser o único clube de futebol... que é tricampeão mundial de tênis. Graças ao Guga e a Trindade do epicentro do mural: o Leão, o Torcedor-Símbolo e o Presidente-Vencedor. Daqui a muitos anos este mural será lembrado — e a arte do Tércio equiparada a um Diego Rivera, a um Portinari, a um Martinho de Haro.O Avaí é isso: arte dentro e fora de campo. Até nisso damos banho nos rivais. Meyer Filho era avaiano — e já o vejo, berrando do além: “arrombassi né ô, Tércio!”. O grande Hassis, também muralista, era avaiano. E avaianos são o Mausé, o Átila e todos os grandes artistas que inauguram hoje a galeria avaiana das belas artes. Meu caro presidente: mesmo que “eles” queiram, “essa” eles não conseguirão imitar.

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A niversário do Clube

Noite em azul e branco

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jantar de comemoração dos 87 anos do Avaí foi o momento do Clube homenagear seus patrocinadores, que tanto contribuem para o desenvolvimento. “O Avaí será um Clube de ponta dentro de quatro anos. Poderemos chegar à Libertadores em breve, mas, antes, vamos nos preparar para a Copa do Mundo de 2014. A Ressacada estará com capacidade para 40 mil pessoas já para a Copa das Confederações. A expansão do patrimônio é algo inevitável”, afirmou o presidente João Nilson Zunino.

Copa Avaí 87 Anos

Sub-15 é campeã da Copa Avaí

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equipe de ciclismo Avaí/FME Florianópolis/APGF venceu a 14ª etapa do Campeonato Estadual de Ciclismo. A equipe conquistou do 1º ao 5º lugar na competição que encerrou as comemorações de mais um aniversário do Clube. O circuito foi disputado ao redor do estádio da Ressacada e, após 29 voltas, Ramiro Cabrera Gonzalez sagrou-se campeão. A etapa foi denominada “Copa Avaí 87 anos” em homenagem a Cláudio Alexandre Fullgraf, ex-atleta do Clube nas décadas de 50 e 60 e grande incentivador da modalidade.

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oi contra o Guarani de Palhoça que a equipe Sub-15 do Avaí conquistou o título de campeã da 4ª edição da Copa Avaí. “Estamos iniciando uma jornada onde nosso lema é o trabalho e, acima de tudo, a formação de atletas para a equipe principal”, garante o treinador João Gualberto Neiva de Mesquita.


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E ternos ídolos

texto e fotos

| Celso Martins

Flávio Roberto: paixão pelo Leão da Ilha passada de pai para filho

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dolo da torcida que recebia aplausos até nas derrotas, o meia Flávio Roberto Severo Albano guarda com carinho duas pastas com recortes de jornais, fotos e outros documentos de sua carreira de jogador profissional que começou no Grêmio (RS) e passou, ainda, por Fluminense (RJ), Avaí e Marcílio Dias (SC). A matéria anunciando que ele estava deixando o futebol contém uma observação escrita com caneta: “Rescindi o contrato e devolvi o dinheiro das luvas. 8 de abril de 1990. FIM”. Fim de apenas um ciclo da vida do atleta nascido na cidade gaúcha de Dom Pedrito, cuja trajetória foi pautada por empenho, observância dos princípios éticos de berço e dedicação aos colegas, amigos e familiares. Flávio largou a carreira devido a lesões, primeiro no joelho direito, onde tem um pino até hoje, e depois na panturrilha da perna esquerda. Mas, sobretudo, seguiu parcialmente a orientação de Telê Santana, que, quando ainda no Grêmio, “dizia que o atleta deve analisar a cada ano o seu desempenho, fazer um balanço. No momento em que passar a jogar apenas para pagar as contas, deve procurar outra ocupação”. Ao contrário de boa parte dos colegas, Flávio Roberto já preparara a retirada e investira em imóveis, sentindo que sua hora havia chegado.

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Reprodução: Rubens Flôres/Avaí F.C.

Flávio Roberto Avaiano à primeira vista PA I X Ã O P R A T O D A V I D A

Flávio Roberto em ação com o manto sagrado na Ressacada: família sempre presente


Tragédia e paixão O

filho de Gaspar Gonzáles Albano e de Orfila Severo Albano começou a jogar efetivamente aos 16 anos nas categorias de base do Grêmio de Porto Alegre, onde permaneceu entre 1976 e 1982, acumulando 11 títulos. Antes disso, atuara em times locais de sua cidade natal, apoiado pelo pai, que foi jogador e técnico no esporte amador. Profissional a partir de 1981, Flávio trocou o Grêmio pelo Fluminense carioca, onde também ganhou títulos, vindo então para o Avaí. A presença na Capital catarinense foi marcada inicialmente por um drama e uma paixão. Drama devido ao falecimento do pai Gaspar, 49 anos, o sogro José Cândido Lopes, 55, e a sogra Iná Hunter Lopes, 50 anos, num acidente na BR-101 quando se dirigiam de carro de Porto Alegre a Florianópolis. Apenas a mãe, Orfila, sobreviveu. Eles pretendiam visitar o neto Rafael, fruto do casamento de Flávio Roberto com Eveline Lopes Albano e recém-formado em Administração pela

ESAG-Udesc, então, nesta época, com dois meses de vida. Foi nesse momento que surgiu a paixão pela cidade e pelo Avaí. “Recebi dos dirigentes e da torcida tudo que precisava para superar aquele momento difícil, como auxílio funeral e apoio psicológico”, recorda Flávio. Foi exatamente isso que fez com que ele recusasse os pedidos do Grêmio, a quem seu passe estava vinculado, para que retornasse ao time. Transferido em definitivo para o Avaí, Flávio Roberto já havia caído nas boas graças da torcida e dos dirigentes. “Nunca fui um grande craque, mas sempre tive uma atuação regular, me empenhava nos jogos, fui útil”, avalia, revelando outra característica, a humildade. Seu desempenho chamou a atenção de times como o Internacional gaúcho, o Pinheiros do Paraná, e o Palmeiras paulista, que sondaram sua transferência. Recusou todas as investidas. Estava decidido a morar em Florianópolis.

Bicicleta e panturrilha permanência de Flávio Roberto no Avaí, por seis anos, entre 1984 e 1989, foi coroada de êxitos, bons e maus momentos, vitórias e o respeito dos torcedores, dirigentes e da crônica esportiva. “O Miguel Livramento e o Roberto Alves, por exemplo, nunca pediram para eu ir embora, nem a torcida. Isso indica o quanto eu era útil ao time e, após largar o futebol, fui contratado pelos mesmos para atuar no rádio e na TV”, reflete o atleta, hoje no ramo do comércio de artigos esportivos. Segundo levantamento de Felipe Matos, do blog VidAvaí, Flávio Roberto vestiu o manto azurra por 187 jogos, acumulando 47 derrotas, 60 empates e 80 vitórias. Seu último jogo, como atleta avaiano, foi no início de 1989, um clássico sem gols contra o time do Estreito no Orlando Scarpelli. “A conquista do campeonato em 1988 foi o ponto alto de minha carreira no Avaí”, destaca o jogador. Afinal, há 13 anos o Leão da Ilha não vencia um estadual. Também foi nesse ano que ele fez um gol de bicicleta, com assinatura de craque, mas que acabou anulado pelo juiz Antônio Rogério Osório, sob a alegação de “jogo perigoso”. A pérola do futebol catarinense, que pode ser conferida no YouTube, não representou perigo para nenhum jogador. “Quando eu ajeitei a bola com o joelho, os za-

gueiros sentiram o que eu ia fazer e se afastaram”, assegura. No intervalo do jogo, o juiz pediu desculpas pela anulação do feito. Outro que pediu desculpas foi o atleta e técnico Lico. Sentindo uma distensão na panturrilha, Flávio Roberto se negou a entrar em campo em certa ocasião, o que motivou a irritação de Lico, com quem se desentendeu. “Realmente eu estava machucado e foi isso que provocou, logo em seguida, meu afastamento do futebol. Mais tarde, o Lico entendeu o que havia acontecido e fizemos as pazes”. Mas, para Flávio Roberto, os dias de Avaí estavam mesmo chegando ao fim. Logo ele seria emprestado ao Marcílio Dias e, na sequência, anunciaria a decisão de abandonar a carreira.

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uando era jogador do Grêmio, os dirigentes orientavam os jovens atletas a não adquirir carros novos e outros bens perecíveis, aplicando os ganhos na compra de imóveis. Flávio Roberto seguiu à risca o conselho, semelhante aos que recebia em casa, adquirindo em pouco tempo propriedades em Porto Alegre. Quando chegou a Florianópolis, alguns atletas do Avaí moravam em apartamentos caros, pagos pelo Clube, localizados na avenida Beira-Mar, por exemplo. “Eu decidi morar num local mais simples e receber a diferença”, recorda Flávio Roberto, que passou a aplicar a economia na aquisição de casas, apartamentos e terrenos. Outro investimento foi em amizades e no bom relacionamento com todos, desinteressadamente, mas que lhe renderam frutos, a exemplo do convite para atuar como cronista desportivo. Com passagem pela RBS por cinco anos e outras emissoras de rádio e TV, ele continua no ramo. Antes de deixar o futebol, em 1988, adquiriu com o jogador Toninho a loja Planeta Sports, então em Forquilhinhas (São José), e há seis anos no Kobrasol (rua Koesa, 422), sendo atualmente o único proprietário. E não se desligou do Avaí. Além de torcedor assíduo, coordena a equipe Master do Clube ao lado de Balduíno. O time, acredita, “está no caminho certo”. Sempre disposto a vencer desafios, Flávio Roberto estuda Educação Física na Univali, mesma instituição onde a esposa Eveline, eterna companheira, cursa Pedagogia. Também está presente na Internet, com página no Orkut onde possui uma comunidade “Flavio Roberto sempre craque”, pois é assim chamado nas vinhetas da rádio: “o craque de ontem e comentarista de hoje”.

Reprodução: Rubens Flôres/Avaí F.C.

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O craque não para

Flávio Roberto em formação com o time muito REVI S TA DO AVA Í master | PA I Xdo à OAvaí: P R Aainda T O D joga A VID A | 37


E lite Azul e Branca

T ullo Cavallazzi

Dias de jogo

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Seu Tullo era o torcedor típico do Avaí. Por meio das atitudes e das opiniões dele ficava fácil entender e responder qualquer questionamento sobre a torcida avaiana. Sobre a fila, por exemplo: nos domingos, com jogo na Ressacada, o almoço tinha de ser servido pontualmente às 11h30min. Caso fosse comer num restaurante, seguia o mesmo horário e era ele quem abria o buffet. O motivo, vocês sabem, era o malfadado engarrafamento da Costeira (e mais recentemente da via expressa Sul). Com isso, quando perguntado, Seu Tullo fazia um cálculo simples para definir o tempo necessário para se assistir um jogo do Avaí: “— Leva oito horas! Quatro pra ir, quatro pra voltar!”, dizia ele.

No Adolfo Konder N

o início da década de 1980, o Estádio Adolfo Konder — onde hoje se localiza o Shopping Beiramar (para os mais novinhos) — já estava sendo demolido. Embora tenham sido retiradas as arquibancadas, o gramado permaneceu lá. A turma da rua aproveitou então para montar um campinho de peladas e formar um time que usufruiu por pelo menos três anos daquele gramado em animadas partidas ou ríspidos jogos contra a “turma do parquinho” ali da Rua Rafael Bandeira. O nome do time? Souza França Futebol Clube, sugestão de nome dada pelo Seu Tullo em alusão à rua em que morava e também a um dos bons times amadores de sua época de guri. Hoje, a antiga rua Souza França (aquela travessinha que desemboca no Shopping, não tem?) curiosamente recebeu outro nome: Rua Maestro Tullo Cavallazzi. Justa homenagem, não?

Momento Cultural

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s que conheceram e conviveram com Seu Tullo normalmente tinham dificuldade em defini-lo com uma só palavra ou com um rótulo, tamanha a sua versatilidade. “Artista plástico”, diria o Aldírio. “Maestro”, diria o Beto Laus. “Um grande cunhado”, diria o Xandoca. A verdade é que toda a admiração surgia invariavelmente daquela que era talvez a sua maior qualidade: a cultura. Conhecedor de história, da literatura, da Bíblia e sempre atualizado, não se cansava de pesquisar e buscar dados para responder das mais simples às mais complexas perguntas. Certa vez, após um jogo do Avaí no Adolfo Konder, chega uma turma para aquele churrasquinho pós-jogo e um deles sentencia lá do portão da casa do Seu Tullo: “ — Ô, Tullo! Duvido que tu saibas! Quem foi o Souza França?”. E ele, sem pestanejar: “hum, foi ministro da Justiça. Foi ele quem nomeou o Feliciano Nunes Pires para presidente da nossa Província.” E com um sorriso meio sacana continuou espetando umas linguicinhas pra comer com pão.

Os protegidos do Seu Tullo

De olho nos repórteres

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Postagens antigas

Paulo Brito

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que mais encantava no jeito do Seu Tullo tratar e defender o Avaí era justamente a sua posição clara: “eu sou torcedor, não tenho compromisso com a imprensa”, dizia ele. E a partir daí ele marcava todo mundo em cima. Dependendo do tempo de grito de gol do narrador ele sentenciava: “— Esse é secador”. Outro dia, ele leu uma crônica que falava dos “quero-queros” que habitavam o gramado de um determinado time. Ele não perdoava: “ | Estão querendo desviar o foco!”. E assim ele ia observando, com olhos de torcedor, cada um dos repórteres e jornalistas da crônica local. Então, uma das nossas brincadeiras para mexer com ele era perguntar: “ | E aquele, torce pra quem?” . “ | Esse é nosso!”, respondia ele. “E o outro fulano?”. “— Ô, é doente por ‘eles’ ”. E assim ia. Numa dessas, ele foi contestado por nós. “ | Ah, pai...esse não. De vez em quando ele rasga uns elogios pro Avaí.”. E ele saiu com essa: “ | Não te engana, conheço ele desde pequeno....é um faaaalsssooo!.”

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chamos que lembrar umas postagens antigas, escritas pelo próprio Tullo, nos fará lembrar o jeito dele escrever. Então aí vai uma pequena postagem. Agora contextualizem bem e imaginem a alegria. Ela foi redigida minutos após a vitória por 2 x 0 do Avaí no chamado clássico do “Créu”. Olha o que o “velho” escreveu: “TEJE PRESO !!! Estava previsto: não há mal que sempre dure. Zorro está na cadeia, Sargento Garcia venceu. Dois a zero no Scarpelinho, contra um time endoidecido pela indisciplina, que não soube receber a derrota, partindo infantilmente atrás dos jogadores que festejavam o segundo gol. A dança do Créu é um modo de festejar os gols no Brasil inteiro. Não vais querer que em Florianópolis seja diferente só porque foi no campo do Estreito. O Avaí não tem nada com a expulsão. Azar dele, indisciplinado tem que ir para a rua. Queriam o que, que o Sargento Garcia levasse o Zorro para a prisão e a turma no Avaí não gozasse. Quanta ingenuidade de nossa imprensa com a preocupação de agradar o time perdedor”. E aí? Vai dizer que não dá saudades?

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Turma do Parapeito: protegidos do Seu Tullo

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ma legião de torcedores era adorada pelo Seu Tullo. Muitos deles não sabiam disso. A Turma do Parapeito era protegida por ele. Sérgio, Hercílio, Lima, Kowalsky, Lacau, Mauro e seus asseclas, como ele mesmo dizia. Quando pensaram em tirá-los dali, ele foi o primeiro a gritar. “ — Vou ligar pro Zunino...”. Ficava aguardando a chegada do Carlinhos Pessi e do Carlos Eduardo com sua faixa. Quando o Edinho Nunes chegava em cima da hora do jogo, ele dizia “O Edinho tá atrasado”. Outro dia o Eca Medeiros mudou de lugar e o Avaí tomou um gol em seguida: “ — Eca, volta pro teu lugar, meu filho, que aí tá dando azar”. E assim ele foi criando uma legião de “protegidos”, avaianos que ele passou a ter como irmãos. A Mancha, a Raça da Curva e, por último, já na reta final, a turma do Setor B, lá do outro lado, passou também a derramar homenagens a ele e, quando se viu, já era amado por todo um estádio, por toda uma nação. E notem, depois que ele “subiu”, o Avaí também não pára mais de subir...

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Paulo Brito, que era colega do “Maestro” na Orchestra Philarmônica Destherrense, estava sempre disposto a contestar suas opiniões. Não que o Brito seja contestador, mas é que o futebol é um assunto polêmico mesmo. Então, a troca de e-mails era constante e os dois sempre travaram um debate engraçadíssimo, porque, volta e meia, com a intimidade que tinham, o Tullo muitas vezes terminava as mais acaloradas discussões com ironias que só a amizade permitia. Outras vezes, fingia indignação e, quando a gente perguntava qual o motivo, ele dizia: “ — Ora, ele pode (o Brito) até ter opinião contrária, mas não pode discordar. Eu sou ou não sou o Maestro!” e, assim, sempre com o semblante sério, disfarçava sua resignação, fingindo estar brabo! Só fingindo, porque mau humor não existia para ele!


C onscientização

Programa Justiça Presente

reeduca torcedores A

s estatísticas das ocorrências comprovam que o projeto Justiça Presente reduziu números de ocorrências, beneficiando os torcedores e as famílias que comparecem aos estádios de futebol para o lazer e diversão. Lançado no ano de 2006, o projeto tem por finalidade acompanhar, por meio de unidade volante, os eventos com grande fluxo de pessoas, e que possam gerar ocorrências de competência do Juizado Especial Criminal, tais como jogos de futebol, espetáculos artísticos e festas populares. Além disso, o projeto busca coibir e sancionar práticas delituosas de menor potencial ofensivo (onde a pena privativa de liberdade é de até dois anos de reclusão — art. 61 da Lei n. 9.099/95), praticadas dentro e, ou, no entorno das praças esportivas com a aplicação imediata e, no local do fato, de sanção (transação penal) aos autores dos delitos. No Avaí, o projeto nasceu no dia 15 de julho de 2006, quando aconteceu no estádio da Ressacada o descerramento da placa de inauguração do projeto “Justiça Presente”. Fotos: Alceu Atherino/Avaí F.C.

João Nilson Zunino, presidente do Avaí, e desembargador Pedro Manoel de Abreu, então presidente do TJ-SC, lançam projeto na Ressacada

Em Santa Catarina, a iniciativa está presente também nos municípios de Brusque, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Ibirama, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Timbó, Tubarão e Palhoça. A cada nova realização do projeto, são necessárias as participações de membros das instituições Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Ministério Público Estadual, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa do Cidadão, OAB e Federação Catarinense de Futebol. A composição da equipe é formada por: juiz de direito, promotor de justiça, escrivão judicial, delegado de polícia e sua equipe, polícia militar, advogado indicado pela OAB e pessoal de apoio (informática do TJ). Desde que o projeto iniciou, os números estatísticos apontam para uma redução drástica das ocorrências de delitos cometidos dentro ou no entorno dos estádios catarinenses. “O projeto Justiça Presente em Santa Catarina serve de exemplo para o mundo esportivo na questão agilidade na resolução dos casos. É preciso exaltar esta atividade do Poder Judiciário que contribui diretamente com a segurança pública e o direito de ir e vir do cidadão. No Avaí, o Justiça Presente faz a diferença e mostra à sociedade que o esporte é instrumento de cidadania com a colaboração da justiça”, comentou João Nilson Zunino, presidente do Avaí. Em 2010, na cidade de Florianópolis, o projeto foi realizado em 37 partidas, sendo 22 no estádio da Ressacada e 15 no Orlando Scarpelli. Neste período, que compreendeu 16 de janeiro a 1º de agosto, foram registradas apenas três ocorrências.

Estatística comprobatória da redução dos delitos Marlon Farias (advogado), Wilmar dos Santos (advogado), Thiago Carriço de Oliveira (promotor), Ana Luisa Schmidt Ramos (juíza), Ester Coelho (delegada) e José Tiago M. de Albuquerque (servidor do TJ)

Ano

2006 2007 2008 2009

Partidas

Ocorrências

29 150 195 136

11 45 47 05

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Percentual Gráfico da evolução

38% 30% 25% 3,7%

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P ersonalidade

texto e fotos | Celso Martins

A exaltação da avaianidade E

la não quer mais saber de clássico. No mais recente, aos 40 minutos do primeiro tempo, o time do Estreito marcou um gol contra o Avaí. A sensação de desconforto foi tamanha que entregou as chaves do carro a uma amiga e saiu do estádio da Ressacada, caminhando na direção de casa, no Campeche. O radinho de pilha com fone de ouvido permaneceu desligado. Soluços logo se transformaram em choro de copiosas lágrimas.

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Na altura da ponte do Trevo da Seta, observou uma família comemorando o que parecia um gol avaiano. Ligou o radinho, conferiu, desligou novamente. Seguiu a jornada a pé. Vez ou outra voltava a ouvir, mas o adversário estava sempre com a posse de bola. Desligava. O suor do esforço se somava ao da angústia e do nervosismo. A certa altura, passou por um cachorro com as cores preta e branca que a mordeu na perna, na altura do joelho.

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O azar era mínimo quando comparado aos minutos de um segundo tempo interminável e sofrido: um a um. Menos mal, pensou ela. Só relaxou na altura do terminal do Rio Tavares, quando olhou para o chão e viu uma nota de R$ 20,00. O simbolismo do “dois” na nota de dinheiro parecia apontar para um final feliz: seremos bicampeões do Estado! Duas horas e dez minutos depois de deixar a Ressacada, estava em casa. O episódio de sofrimento vivi-


do pela professora Jimena Furlani, 45 anos, nascida em Florianópolis, evidencia sua paixão pelo Avaí, em particular, e pelo futebol de um modo geral. Atualmente, é a diretora de Extensão, Cultura e Comunidade da FAED-UDESC. Bióloga, com mestrado (pela UFSC) e doutorado em educação (pela UFRGS), é uma estudiosa do campo da educação sexual com publicações de livros e artigos de reconhecimento nacional que refletem 16 anos dedicados à formação de educadores. Morou no Paraná sete anos de sua infância, onde a única relação com o futebol foi uma camisa, sem escudo, que ganhou do Fluminense. O retorno para Florianópolis a obrigou a definir um time local para, pelo menos, expressar simpatia. A partir de 1999, tornou-se sócia do Avaí pela influência apaixonada de sua mãe — Nesi Brina Furlani — diretora social do Avaí. Hoje, Jimena é conselheira do Clube com cadeira cativa no estádio. A casa em que reside esbanja avaianidade; originalmente amarela, agora está totalmente azul e branca. Detalhes avaianos não faltam: utensílios, coleções de camisas, álbuns de figurinhas, chaveiros, estojo de palhetas para instrumentos de corda, decoração interior e da piscina, tudo lembra o time do coração. Sem faltar a bandeira, ou melhor, o “manto sagrado”, desfraldado num mastro central no terreno de sua casa. O encantamento com o Leão da Ilha é herança no DNA da família. Passou de mãe para as filhas e filho, que quase sempre estão juntos na Ressacada. Aconteceu o mesmo com as integrantes da Banda Umas&Outras, da qual Jimena participa com Eliza Coral, Cíntia Maya e Sandra Sobrinho que se aproximaram por amizade, hoje estão unidas, também, pelo amor ao Leão e são torcedoras com presença assídua aos jogos. As quatro já se apresentaram na Ressacada, abrilhantando a festa dos 70 anos de idade de dona Nesi e torcem para repetir a dose.

Jimena Furlani: paixão pelo Leão da Ilha é de família

Sonhos e mascotes avaianos

J

imena alimenta alguns sonhos que deseja realizar. Primeiro vestir o uniforme completo de goleira, que guarda com carinho, e usá-lo em algum jogo de futebol. “Não tenho time, então fica difícil”, lamenta. Outro desejo é entrar no estádio da Ressacada e “fazer de conta” que está jogando como atacante numa partida do Leão, fazer um gol e comemorar como fazem os atletas profissionais. “Recentemente, existia dois escudos no chão, ao lado do gramado onde eles comemoravam. Agora, com a ampliação do estádio, foram retirados, mas espero que sejam construídos novamente. É ali que eu quero pular e comemorar”.

Amante dos animais, especialmente protetora dos cães e gatos, Jimena partilha com a amiga Eliza, a gata Pina e o gato Wicca e as cadelas (que um dia foram de rua) Isis (abandonada no Rio Vermelho) e Tamiris (largada nas imediações de sua casa no Campeche). Por esse motivo, ela sugere que num dia de jogo especial, os jogadores entrem em campo tendo como mascotes cães de rua adotados, vestidos com roupinhas do Avaí. “Vou sugerir que isso seja feito, não acho difícil, pois o Avaí apoia a campanha em favor dos cães abandonados. Sei que é uma ação da Diretoria Social. Vou levar a Ísis como mascote”, salienta.

Formação de jovens e produção literária O

envolvimento de Jimena com o Avaí não se limita a ser Conselheira e estar sempre no campo torcendo, incentivando o time. Ela também desenvolve atividades nos bastidores. Em 2009, por exemplo, realizou um trabalho com os atletas infantis e juniores, a partir de dúvidas sobre sexualidade apuradas pelo setor de psicologia do Clube. “Foi uma tarde muito especial. Conversei com os rapazes assuntos importantes, como sexualidade, relacionamentos, gravidez, sexo e esporte, paternidade etc. E estimulei a leitura doando livros meus sobre o assunto”. A torcedora é pesquisadora da área e autora de livros e artigos sobre a “Educação Sexual na Escola” (Florianópolis: Udesc, 2008), onde figura como organizadora e autora da maioria dos capítulos. Destaca-se também o livro “Mitos e tabus da sexualidade humana” (Belo Horizonte: Autêntica, 2009), no qual aprofunda o olhar histórico sobre as representações da sexualidade nas sociedades. REVI S TA DO AVA Í

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Fotos: Jamira Furlani/AVAÍ F.C.

P arceria

Eletrosul é a nova parceira do Avaí

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a manhã do último dia 6 de agosto foi assinado na sede da Eletrosul, em Florianópolis, o contrato de patrocínio da empresa com os dois maiores times de futebol de Santa Catarina. O evento contou com a presença da diretoria do Avaí Futebol Clube, funcionários e empregados da Eletrosul, além de convidados e dos atletas Sávio, Batista, Léo San, Emerson Nunes e Renan. Paixões à parte, a iniciativa da empresa fez com a rivalidade histórica entre os dois times fosse colocada de lado e a união em torno de um objetivo comum vigorasse. ”Queremos que a Eletrosul tenha seu nome vinculado a uma paixão nacional, que é o futebol, e esteja no coração e no dia-a-dia dos catarinenses”, disse Eurides Mescolotto, presidente da Eletrosul. Na solenidade, bastante prestigiada, foram apresentadas as duas novas camisetas — já com a logomarca da Eletro-

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Patrocínio de 17 meses foi assinado pelo presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto (centro), e pelo presidente do Avaí, João Nilson Zunino

bras/Eletrosul — que serão usadas pelos times. O contrato passa a ter validade já no mês de agosto de 2010 e termina em 31 de dezembro de 2011. A representatividade dos patrocínios foi ressaltada pelo presidente João Nilson Zunino. “A Eletrobras e a Eletrosul tiveram uma grande sensibilidade com este gesto”. Cada time receberá mensalmente R$ 220 mil, totalizando R$ 7,8 milhões até o fim do contrato para os clubes realizarem investimentos em infraestrutura. “Isso certamente reverterá em benefícios para o Estado, como o crescimento econômico e a geração de trabalho e renda para as pessoas”, ressalta Mescolotto, lembrando que a sede da empresa está situada na cidade. “O patrocínio é o mesmo para os dois times, mas o objetivo é único: oferecer condições para que a cidade possa sediar algumas das seleções que disputarão a Copa do Mundo de

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2014, que acontecerá no Brasil”. O presidente João Nilson Zunino afirmou ainda que o clube trabalha nos bastidores para sediar os jogos da Copa das Confederações em 2013. “Sabemos que os estádios não estarão prontos um ano antes da copa. O Avaí tem um projeto diferenciado que visa atender a demanda da Copa das Confederações e também a necessidade das seleções que virão treinar antes da Copa de 2014. Estamos trabalhando para receber uma ou mais seleções na estrutura do Clube que será amplamente expandida”. Prestigiaram ainda o evento na sede da Eletrosul, em conjunto com os diretores do Avaí, o diretor de Gestão Comercial e Marketing da Unimed, Octávio Lebarbechon Neto, e o diretor da Komeco, Denisson Freitas. Colaboração | Vandrei Bion


Conselho aprova novo organograma do Clube

A conteceu no Avaí colaboração | Vandrei Bion fotos | Divulgação/Avaí

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Conselho Deliberativo aprovou por unanimidade, em reunião na noite do dia 2 de agosto, o novo organograma do Clube. A nova estrutura organizacional é composta agora pelo presidente e vice-presidente, por diretorias estratégicas, assessorias especiais e superintendências. Na parte de diretorias estratégicas, mantêm-se as pastas do Planejamento, de Projetos de Arquitetura e Engenharia, de Patrimônio e Manutenção, de Ação Social, Comunitária e de Filantropia e de Gestão de Finanças. Nas assessorias ficaram: a Procuradoria Jurídica, a Assessoria de Projetos Especiais, a Controladoria Interna, a Assessoria da Qualidade e a Assessoria de Relações Internacionais. Quanto às superintendências, a nova estrutura começa pela Superintendência Executiva com três vertentes: de Esportes, de Negócios e de Administração. A reunião também aprovou a ata da reunião ocorrida em 28 de abril e cinco novos nomes para o Conselho Deliberativo que

IFFHS divulga ranking e Avaí aparece na frente do Boca Juniors A

Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) divulgou o seu ranking que classifica os principais clubes do mundo considerando os resultados dos últimos 12 meses em competições nacionais. O Avaí aparece na 263ª colocação, empatado com o Atlético Paranaense, mas à frente do Boca Juniors, um dos clubes mais conhecidos no mundo. Entre os brasileiros, quem lidera o ranking é o Cruzeiro, que ocupa a 28º colocação. Em segundo está o Internacional, na 29ª colocação, depois São Paulo (36º), Fluminense (37º), Flamengo (43º), Corinthians (45º), Vitória (109º), Santos (137º), Botafogo (150º), Grêmio (170º), Palmeiras (204º), Goiás (215º), Atlético-MG (250º).

foram indicados por outros conselheiros. São eles: Edson Antonio dos Santos, Marco Augusto Ghisi Machado, Daniel Cardoso, Fábio Mariot e Rodrigo Franzoni. O encerramento da reunião do conselho foi marcado pela participação do superin-

tendente de esportes, Moisés Candido, que fez uma avaliação das atividades do departamento de futebol no primeiro semestre. Ele projetou ainda as metas do time para a continuidade da série A e para a Copa Sul-americana.

Governador recebe Renan O

governador do Estado de Santa Catarina, Leonel Arcângelo Pavan, recebeu, no dia 28 de julho, no centro administrativo do governo de Santa Catarina, o goleiro Renan, do Avaí. A audiência com o governador foi em homenagem ao feito histórico do jovem atleta, convocado para a Seleção Brasileira de Futebol pelo técnico Mano Menezes. Acompanharam Renan, de 19 anos, o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, Antônio Lopes, técnico, Márcio Antônio de Azevedo, coordenador administrativo de futebol e Tullo Cavallazzi, procurador jurídico do Clube.

Diretoria nomeia Cônsul Especial do Clube em Portugal

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o mês de agosto, no dia 16, a diretoria executiva do Avaí Futebol Clube concedeu o título de cônsul especial do Clube em Portugal ao dr. João Batista Martins Zabot. A concessão faz parte do projeto de expansão dos consulados avaianos pelo mundo. O novo cônsul especial foi recepcionado por Tullo Cavallazzi, procurador jurídico do Avaí, toda a diretoria e recebeu um diploma das João Batista Martins Zabot e presidente Zunino mãos do presidente João Nilson Zunino. REVI S TA DO AVA Í

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Rubens Flôres/AVAÍ F.C.

estudante de jornalismo Jorge de Oliveira Junior apresentou, no dia 29 de junho, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a trajetória do presidente João Nilson Zunino à frente do Avaí. O trabalho “Ele ficou! A trajetória de João Nilson Zunino na presidência do Avaí” vai virar livro em 2011. O estudante recebeu nota 9,5. O presidente Zunino compareceu à banca e elogiou o trabalho. “É muito gratificante ser homenageado. O trabalho foi muito bem feito e agora parte para uma pesquisa mais ampliada. No ano que vem, daremos todo o apoio necessário para o Jorge finalizar o projeto do livro”. Fizeram parte da banca os jornalistas Mauro Pandolfi, Carla Cavalheiro e Paulo Scarduelli, coordenador do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá.

Da esquerda para direita: presidente Zunino, Carla Cavalheiro, Jorge Júnior, Paulo Scarduelli e Mauro Pandolfi

Avaí na Copa Sub-23 O

Avaí Futebol Clube vai participar da Copa Sub-23 que irá reunir dez grandes clubes do futebol nacional. A competição será realizada nas preliminares do Campeonato Brasileiro da Série A. A estreia do Leão da Ilha aconteceu no dia 15 de setembro diante do Santos, na Vila Belmiro, com vitória por 1 a 0. Os dez times serão divididos em duas chaves de cinco. No grupo A, estarão as equipes do Fluminense, Palmeiras, Vasco, Avaí e Internacional. Já o grupo B contará com Corinthians, Santos, Flamengo, Atlético Mineiro e Botafogo. Na primeira fase, os times de um grupo jogam contra os do outro em turno único. Ao final, os dois primeiros de cada grupo disputam entre si, num único jogo, as vagas para a final. A decisão do campeonato também será disputada em uma partida única.

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mentares, que atende 500 crianças e adolescentes nas modalidades: futsal, futebol de campo e voleibol. O presidente João Nilson Zunino destacou a importância do projeto para o Clube e para a cidade de Ituporanga. “Essa parceria é extremamente importante para a integração social dessas crianças. O projeto permite ao jovem o complemento do dia através de atividades esportivas. Na prática, é a geração de cidadania que o Clube tem o dever de incentivar e fazer.” A comitiva aproveitou a oportunidade para acompanhar a vitória do Moitas/Avaí sobre o Seara por 7 a 6, de virada.

diretoria do Avaí Futebol Clube esteve, no último dia 8 de julho, na cidade de Ituporanga, a 160 km da Ilha de Santa Catarina, para formalizar uma parceria que já é sucesso desde março deste ano. O presidente João Nilson Zunino e o prefeito municipal Osni de Fragas assinaram um contrato de licenciamento e parceria desportiva com o Moitas, equipe que disputa a primeira divisão do Campeonato Estadual de Futebol de Salão. O contrato prevê apoio logístico do Clube, bem como o fornecimento de material esportivo para a equipe principal do Moitas e jovens de 6 a 17 anos que fazem parte do projeto de atividades comple-

Dia Especial

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dia 15 de agosto foi especial para a torcida avaiana. Antes da partida Avaí 3 x 2 Corinthians, na Ressacada, aconteceu no restaurante do Clube a 4ª edição da Feijoada do Avaí, promovida pela ASSTA, — Associação Social e Cultural dos Torcedores do Avaí. Ao todo, dois mil torcedores aproveitaram o evento para curtir as atrações Em Cima da Hora, Turbinados do Forro e Sambaráh, que animaram os participantes do evento cuja renda foi revertida para a diretoria social do Avaí.

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Fotos: Manoel Bento/AVAÍ F.C.

A trajetória de Zunino

Avaí F.C. formaliza parceria com Ituporanga Fotos: Vandrei Bion/AVAÍ F.C.

A conteceu no Avaí


Estreia do gigante

Avaí Camp

Fotos: Divulgação/AVAÍ F.C.

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ambém no dia 15, momentos antes de a bola rolar, os torcedores que compareceram ao estádio viram a estreia do maior bandeirão do Sul do Brasil. O gigante, como está sendo chamado pelos torcedores, foi idealizado por um grupo de torcedores do setor D que já fez uma série de eventos no estádio. O principal deles foi o “Ressacada On Fire,” que por cinco vezes deu um brilho especial ao espetáculo. Com 3.800 m², o bandeirão deu

trabalho aos organizadores. Cerca de 40 pessoas ficaram responsáveis pelo translado, monitoramento e também pela abertura do material na arquibancada. Com as frases, “O Time da Raça” e “Jamais Estarás Só”, o gigante de tecido especial (similar ao utilizado em paraquedas) subiu o setor D com muita imponência. Foram 160 quilos distribuídos entre milhares de torcedores que puderam tocar, vibrar, cantar e comemorar.

Avaí campeão do Regional do JASC A

equipe de basquete Adiee/AVAÍ/ FME conquistou mais um importante título na categoria adulta. Representando a cidade de Florianópolis, a equipe conquistou o regional Sul e de quebra se classificou para a fase final dos Jogos Abertos, que aconteceu no mês de setembro, na cidade de Brusque. A partida final foi contra a forte equipe de Criciúma, que jogou em casa, com o apoio de sua torcida. O resultado final foi de 97 x 69, com destaque para o armador Claudinho e o ala (juvenil) Rafael Henn.

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as férias escolares de 2010, o Avaí lançou uma grande novidade que mobilizou crianças, torcedoras do Avaí, com idade entre 08 e 13 anos. Denominada de Avaí Camp, a 1ª edição da Colônia de Férias do Avaí teve a participação de atletas profissionais, diretores do Clube e de treinadores de futebol do Avaí que palestraram aos jovens torcedores. O local das atividades foi o Costão do Santinho, no Norte da Ilha, e durante os dias de “concentração”, a garotada realizou uma série de atividades esportivas, culturais e ações voltadas à preservação do meio ambiente. O encerramento aconteceu com a entrega de um certificado de participação, momentos antes do início da partida entre Avaí 0 x 0 Atlético Mineiro, na Ressacada, em Florianópolis.

Copa Avaí

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Instituto Avaí de Responsabilidade Social realizou mais uma edição da Copa Avaí, que contou com a participação de mais de duas mil crianças de escolinhas de futebol de todo o Estado de Santa Catarina. A iniciativa, que conta com as categorias Sub-12 e Sub-15, está em sua 4ª edição e já faz parte do calendário esportivo das escolinhas de futebol de Santa Catarina.

Top of Mind 2010

Nova modalidade de associação

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nova modalidade é válida paras as cadeiras inferiores dos setores “C”, “D” e “E”. O valor da mensalidade para o novo sócio adulto é de R$60,00. As mulheres com mais de 18 anos pagarão R$40,00. Este valor também será destinado ao torcedor júnior, com a faixa etária de 13 a 18 anos. Já para os torcedores mirins, categoria que vai até os 12 anos, a mensalidade proposta é de R$15,00.Além de pagar a primeira parcela da associação, o torcedor terá de desembolsar ainda uma taxa de R$15,00 referente à confecção da carteirinha. Mais informações nas secretarias do Clube da Ressacada e do Centro. 2 mil assentos estão à disposição

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Avaí Futebol Clube recebeu no dia 28 de julho, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio Top of Mind 2010. Em sua 16ª edição, a pesquisa aponta a marca mais lembrada em um determinado segmento. No caso do Avaí, a pergunta foi: “qual a primeira marca que lhe vem à cabeça quando se fala em futebol?”. A solenidade de entrega do Top of Mind 2010 aconteceu na Fiesc, em Florianópolis, e contou com a presença de João Nilson Zunino, presidente do Avaí, e do goleiro do Clube Renan, que recentemente foi convocado para a Seleção Brasileira.

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L eoa Avaiana

Glaudia

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Perfil A

da leoa

Leoa Avaiana desta edição é a bela torcedora Claudia Conceição dos Santos, de 27 anos. Claudinha, como gosta de ser chamada, nasceu no dia 3 de agosto de 1983, em Florianópolis. Adora futebol e não perde nenhum jogo do Avaí, seu time do coração. Dedicada em sua profissão, enfermeira e bombeira comunitária, é uma grande sonhadora. “Tenho alguns sonhos e acredito em todos eles. É por isso que estão se realizando. É um prazer representar esse time de guerreiros, que a cada dia nos dá mais orgulho de ser avaiano”. REVI S TA DO AVA Í

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Bate

bola

Nome completo | Claudia Conceição dos Santos Apelido | Claudinha Data nascimento | 03 de agosto de 1983

Naturalidade | Florianópolis Signo | Leão Altura | 1,68 m Peso | 63 kg Cintura | 75 cm Profissão | Bombeira Comunitária e enfermeira. Estou estudando Arqueologia na UFSC também. Música que gosta | Adoro pagode Filme | O Amor é Contagioso Comida preferida | Lasanha Jogador que mais gosta | Eu gosto de todos, somos um só corpo, um só coração, juntos em tudo, nas vitórias e nas derrotas. Sonho | Eu acredito nos meus sonhos, ser reconhecida como profissional, representar esse time que eu amo de coração, são sonhos que estão se realizando. Então acredite você também, pois o poder do querer é superior ao que os outros acham. Fotos by Geremia www.photogeremia.blogspot.com Modelo | Claudia Santos Edição | Stefania Geremia Make up | Nana Souto Produtora de Moda | Marisa Remor

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P elo Mundo 2

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Quem? 3

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1 | Fábio Fernandes Massaro na estação de esqui de Valle Nevado — Santiago/Chile 2 | Conselheiro Alceu Neves e esposa Maria em Monenvásia — Interior do Peloponeso/Grécia 3 | Ana Paula Pereira em Valle Nevado — Santiago/Chile 4 | Paula, Maurício e Leadro na estação de esqui — Farellones/Chile 5 | Sabrina Silvestre Rittes Teive, Renato Silvy Teive e Eliane Silvy Teive — Mercado Velho/Rio Branco/Acre 6 | Lua de mel dos avaianos Luciano Albino, o Lula, e Carla Boing — Paris/França 7 | Fábio e Joelma Massaro na estação de esqui de Valle Nevado — Santiago/Chile 8 | Ana Paula Pereira com a amiga Suzane no estádio do Colo Colo — Santiago/Chile 9 | Toninho Avaiano no jogo Avai x São Paulo no estádio do Morumbi — São Paulo/SP 10 | Estevão Knabben Ribeiro e esposa Cynara Ribeiro — Machu Pichu/Peru Envie sua foto devidamente identificada para nosso email e aguarde a próxima edição. revistadoavai@avai.com.br

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A vaianos de Berço

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Quem? 1 | Davi Gama, filho de Isaias e Karina — 1 ano e 8 meses 2 | Ricardo Zanatta, filho de Juliana

e Renato Zanatta — 1 ano e 7 meses, em Jacinto Machado/SC

esposa Ana Mara Laus — no batismo do afilhado Gustavo Laus Silveira

3 | Primas Amabili e Maria Eduarda na entrada do Leão da Ilha — Ressacada

6 | Luis, com Enzo Mangrich Martins — com 4 anos de idade

4 | Luis e sua filha Kimberly

7 | Nivaldo e esposa Elisângela com o filho Gabriel — 5 meses

5 | Anderson Paulo da Costa com a

8 | Livia Vieira Machado — 1 ano

9 | Gabriel Nivaldo da Silva — 3 meses 10 | Gustavo Miroski, com a filha Ana Luiza — 5 meses 11 | Gustavo Azevedo Ávila — 2 anos e sete meses 12 | Luidi Longhi Guesser — 3 anos

Mostre seu avaianinho do coração! Envie a foto da criança para o e-mail revistadoavai@avai.com.br, indicando o nome, idade e local.

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ESTE RESULTADO, NÓS PREFERIMOS NÃO MANTER EM SIGILO.

Santa Luzia Laboratório Médico. Vencedor do prêmio TOP of MIND 2010. REVI S TA DO AVA Í

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O CONVOCADO

P ersonagens avaianos

F atos e

Goleiro da Seleção Principal do Brasil

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conversa era informal e o entrevistado era Marcão, treinador de goleiros da base do Avaí, e com Renan, jovem promessa das categorias de base do Clube. Papo descontraído, a entrevista seguia tranquila. O assunto? Só poderia ser futebol. Em determinado dia, antes da entrevista, percebi o entusiasmo de Marcão quando elogiava um jovem que vinha se destacando dos demais pela dedicação e seriedade nos treinamentos diários no estádio da Ressacada. Sentindo a empolgação do treinador, que hoje está no Catar, não pensei duas vezes para fazer um convite e, convite feito, convite aceito. Tive o privilégio e o prazer de em 1999 entrevistar no programa Esporte Cidade, na TV Capital, a “promessa”, hoje uma realidade, o jovem goleiro Renan, do Avaí. Impressionou-me a simplicidade e a demonstração espontânea e consciente das obrigações como atleta do jovem simpático e de sorriso fácil. Escrever sobre uma pessoa, descrever suas aptidões, seus costumes, personalidade e o que ela representa ou irá representar, é uma tarefa prazerosa e ao mesmo tempo difícil. Pela grandeza do inédito fato na história de um dos maiores clubes de futebol do Estado, não sei se o espaço será suficiente, mas tentaremos prestar nossa homenagem ao ilustre filho da pequena São João Batista e que, a cada dia, cada jogo, com muita simplicidade e defesas monumentais, vem conquistando não só os apaixonados torcedores avaianos, mas também todos os apaixonados pelo futebol.

Renan

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a época, era comum as senhoras grávidas de São João Batista darem à luz no município vizinho, Nova Trento, terra da Santa Madre Paulina, cuja devoção o acompanha e considera uma benção para seu sucesso. Mas Renan se orgulha em ser um “batistense”, cuja infância, vivida em toda plenitude no querido bairro Tajuba, sempre na companhia do irmão Darlan, dois anos mais velho. A diferença entre este “gigante menino” e as demais crianças nas brincadeiras (andar de bicicleta, tomar banho no rio, dançar em grupos folclóricos, ajudar o vô Zé Francisco na roça e, é claro, bater uma bolinha com os amigos) era o sorriso franco e espontâneo, marca registrada do garoto de olhos azuis.

O goleiro Adolfinho em ação: referência para Renan e para outros arqueiros do país

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Alexandrino Barreto

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De família simples, o pai Silézio, mesmo separado de dona Cleide, sempre fez questão de mostrar a importância do trabalho, da simplicidade e da honestidade ao garoto. Aos seis anos, conseguia conciliar o trabalho, o ensino fundamental e ingressar na Escolinha Municipal de Futsal, no Ginásio Manecão. Era o começo de uma trajetória que hoje, passados somente treze anos, já se deslumbra no horizonte com o sucesso da simplicidade, perseverança e dedicação. Adolfo Martins Camilli foi apontado por todos que puderam assistir este fenômeno como o mais perfeito goleiro do Avaí em todos os tempos, — um dos melhores do Brasil, que com apenas 16 anos assumia a titularidade absoluta do Avaí da década de 40, permanecendo por mais de dez anos no posto. Em entrevista a este repórter e amigo, Adolfinho dava a receita para ser um bom goleiro, um grande atleta. Receita que Renan parece ter levado em consideração. Qual o segredo? Vontade, respeito ao corpo, dedicação total nos treinamentos, comprometimento com a profissão de atleta, com os colegas e com o Clube e sua torcida e, como Adolfinho, a admiração dos adversários. Claro que para muitos não passa de uma receita simples, uma receita de bolo. Mas para chegar até aonde chegou, Renan passou por dificuldades, como quando não conseguiu completar uma semana de testes no Grêmio (RS), pois a saudade da família falou mais alto e o retorno a sua São João Batista foi imediato. Voltou a jogar no amador e logo chamou a atenção de um empresário que, impressionado com o garoto, levou-o a treinar por um período de dez dias no Criciúma e logo em seguida para o Avaí. Finalmente, no dia 26 de julho de 2010, a recompensa pela perseverança e dedicação do ainda garoto, mas com a formação de um atleta adulto, responsável, e o prêmio sonhado por muitos, mas alcançado por poucos, a Seleção Brasileira de Futebol.

Renan Soares Reuter Dados: 19 anos, 1,92m de altura. Natural: Nova Trento/São João Batista. Profissão: Goleiro. Clube: Avaí Futebol Clube. Convocado: para Seleção Brasileira.

Outra atuação de Adolfinho: a muralha avaiana


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Revista do Avaí #9