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ZKM


NUBIS Acrylic on canvas 100x100 cm. Series: Nubis 2014


HURRICANE Acrylic on canvas 120x90 cm. Series: Indigo 2016


TEMPESTA Acrylic on canvas 130x90 cm. Series: Indigo 2016


NUBIS Acrylic on canvas 100x100 cm. Series: Nubis 2014


PENSIERI NEBULOSI Oil on canvas 106x180 cm. Series: Nubis 2015


CAMERETTA DI COMEMRCIO Acrylic on paper 60x40 cm. Series: Indigo 2015


PIOVE, GOVERNO LADRO Mixed media on cardboard 100x800 cm. Series: From trash with love 2016


MORE MONEY Mixed media on cardboard 100x80cm. Series: IFrom trash with love 2016


NUBIS Acrylic on canvas 40x40 cm. Series: Nubis 2016


HURRICANE AND STORM Oil on canvas 100x70 cm. Series: Indigo 2014


Ha appena compiuto quindici anni, dice che per quando ne avrà trenta non ci sarà più nulla. E' tutto papà. Apocalisse verrà. Uragano urlerà e Tempesta soffierà, si apriranno come scatole i palazzi di cartone, Vulcano brucerà gli inutili soldi di Monopoli. E ,non, lucevan le stelle, ma meteore a cancellar montagne. Sublimi le ultime immagini, Natura che vince la nostra guerra contro gli stupidi. "Odia gli stupidi, aiuta i deboli". Taglio il cartone delle valigie di mio nonno, raccolgo quello delle barche perdute, che portano al parco giochi i bambini affogati, ad abrracciar Godzilla, "formidabile mostro giapponese, dagli occhi di fucina". Raccolgo cartone abbandonato, veicolo di infinite merci effimere, nascondiglio di esuli e droghe. Come barbone su cartone e cotone, dipingo Apocalisse attesa da generazioni. Fossi anche io uragano, che distrugge a caso senza spiegazioni, che lancia automobili nel vuoto, che ammutolisce i telefoni e spegne le tv, che staziona sul pulpito a risucchiare preti e capi, eroi e dotti, la saetta nella coppa dei campioni, il terremoto nell'idromassaggio delle modelle. Poveri umani! e povera terra nostra! Terribile coacervo di disastri! E' passato l'uragano Zakamoto! Ha distrutto anche le case dei cattivi. Ha portato difetti, rimpianti, male, ignoranza,

e nemmeno una goccia di speranza. Alla faccia di Voltaire. Ce ne andiamo a vedere la fine del mondo ad ovest, sperando che Colombo non sia mai partito, Ulisse non sia mai tornato, e che il Cracken o Gamera appaiano all'orizzonte. ZKM


Ele acaba de fazer quinze anos, diz que quando terá trinta Já não haverá mais nada. É tal como o pai. Apocalipse virá. Furacão gritará e Tempestade soprará, vão se abrir como caixas os palácios de papelão, Vulcão vai queimar o dinheiro inútil de Monopoli. E ,não, estavam brilhando as estrelas, mas meteoros apagando montanhas. Sublimes as últimas imagens, Natureza a vencer a nossa guerra contra os estúpidos. "Odeie os estúpidos, ajude os fracos". Corto o papelão das malas do meu avô, Recolho o dos barcos perdidos, que levam ao parque infantil as crianças que morreram afogadas, para abraçar o Godzilla, "Formidable Monstro japonês, com olhos de forja." Recolho papelão abandonado, Veículo de infinitos bens efémeros, esconderijo de exilados e drogas. Como um sem abrigo sobre papelão e algodão, Eu pinto Apocalipse esperada por gerações. Fosse eu também furacão, destruindo aleatoriamente, sem explicação, jogando carros no vazio, silenciando os telefones e desligando a TV, ficando no púlpito engolindo sacerdotes e líderes, heróis e estudiosos, a seta na Liga dos Campeões, o terremoto na banheira de hidromassagem dos modelos. Pobres humanos! e pobre terra nossa! Terrível confusão de desastres! Foi o furacão Zakamoto! Também destruiu as casas dos maus. trouxe defeitos, arrependimentos, mal, ignorância,

e nem mesmo uma gota de esperança. Que se lixe o Voltaire. Vamos ver o fim do mundo para o oeste, esperando que o Colombo nunca se tenha ido embora, e que o Ulysses nunca tenha voltado, e que o Cracken ou o Gamera apareçam no horizonte. ZKM


"I giochi di magia son terminati. Come t’avevo detto, quegli attori erano solo spiriti dell’aria, ed in aria si son tutti dissolti, in un’aria sottile ed impalpabile. E come questa rappresentazione un edificio senza fondamenta così l’immenso globo della terra, con le sue torri ammantate di nubi, le sue ricche magioni, i sacri templi e tutto quello che vi si contiene è destinato al suo dissolvimento; e al pari di quell’incorporea scena che abbiam visto dissolversi poc’anzi, non lascerà di sé nessuna traccia. Siamo fatti anche noi della materia di cui son fatti i sogni; e nello spazio e nel tempo d’un sogno è racchiusa la nostra breve vita." La tempesta, Shakespeare

Ci vuole il deus ex machina. L'avevano già compreso gli antichi greci, secoli e secoli fa. L'ha compreso anche Zakamoto, che nei suoi quadri dipinge degli dei controversi e munifici, ambivalenti e giocosi, che interloquiscono col mondo immanente elevandolo a dimensioni superiori. Ma qui il divino non è qualcosa di estraneo a noi, bensì è dentro di noi. E questi dei a volte incarnano sembianze umane, di bambini illuminati o di ninfe eteree, a volte appaiono come cataclismi naturali, altre volte ancora come personaggi dei fumetti. E a questi dei l'artista fa compiere un atto rivoluzionario e catastrofico, che rispetta letteralmente l'etimologia della parola "catastrofe": un capovolgimento della realtà ordinaria e conosciuta, appunto, sia sul piano semantico, sia sul piano formale. Ed ecco che l'Apocalisse allora può compiersi, fedele al suo autentico significato. Come Siamo destinati dunque a dissolverci? Il rivelazione. nostro mondo, con tutte le sue artificiose costruzioni, con le sue superbe e leziose Perchè nulla è possibile ricostruire, se prima non si architetture, con la sua tracotante distrugge. pretenziosità, scomparirà nell'oblio? E non sarà probabilmente nemmeno Chiara Manganelli necessario scomodarsi e ingegnarsi troppo: siamo fatti di pulviscolo impalpabile, e basta un tiepido soffio di Libeccio per spazzarci via. La Natura sì invece che ha una sua maestosa grandiosità, una sua potenza eccelsa e stupefacente. E' terribilmente meravigliosa nelle sue manifestazioni violente e distruttive. L'uomo no. L'uomo è comunque e sempre piccolo, gretto e meschino, in ciò che fa e in ciò che distrugge. Non può competere con Lei. Nemmeno nella catastrofe. E' goffo e patetico. Niente a che vedere con la vorticosa e illimitata forza degli eventi naturali. Quindi se passiamo dalle catastrofi naturali alle catastrofi dell'animo umano, tutto diventa molto più indecoroso e imbarazzante, suvvia! La magia ci può forse salvare? Sembra salvare Prospero. Ma tutto rimane sempre in bilico, incerto e traballante. L'intervento del divino, allora, pare essere l'unica soluzione. La magia da sola non basta.


"As brincadeiras de magia terminaram. Como tinha te dito, esses atores eram apenas espíritos do ar, e no ar dissolveramse todos, num ar fino e impalpável. E como esta representação um edifício sem fundação assim o imenso globo da terra, com suas torres camuflada nas nuvens, as suas ricas mansões, os templos sagrados e tudo o que eles contêm destinase a sua dissolução; e como nessa cena incorpórea que temos visto se dissolver há pouco, não vai deixar qualquer vestígio de si mesmo. Somo feitos do mesmo material de que são feitos os sonhos; e no espaço e no tempo de um sonho é fechada a nossa breve vida". “A tempestade”, Shakespeare

Também o percebeu o Zakamoto, que em seus quadros pinta deuses controversos e generosos, ambivalentes e brincalhões, que dialogam com o mundo imanente elevandoo para dimensões superiores. Mas o divino aqui não é algo estranho para nós, mas é algo dentro de nós. E esses deuses, por vezes incorporam forma humana, crianças iluminadas ou ninfas etéreas, às vezes aparecem como desastres naturais, outras vezes como personagens duma banda desenhada. E esses deuses cumprem pela mão do artista um ato revolucionário e catastrófico, que literalmente atende a etimologia da palavra "catástrofe": uma inversão da realidade comum e conhecida, de facto, seja a nível semântico, seja a nível formal. E então o Apocalipse pode ser realizado, fiel ao seu significado autêntico. Como revelação.

Estamos, portanto, destinados a nos dissolver? O nosso mundo, com todas suas contrucções Porque nada pode ser reconstruído a menos que antes artificiais, com todas suas arquiteturas soberbas e seja destruído. afetadas, com sua pretensão arrogante, desaparecerá Chiara Manganelli no esquecimento? E provavelmente nem será preciso de se preocupar e se esforçar muito: somos feitos de pó muito fino, apenas um sopro quente do Libeccio para nos varrer. A Natureza, sim, tem uma sua grandeza majestosa, um seu poder sublime e surpreendente. É terrivelmente maravilhosa nas suas manifestações violentas e destrutivas. O homem não. O homem é sempre pequeno, tacanho e mesquinho, no que ele faz e no que ele destrói. Ele não pode competir com Ela. Nem mesmo na catástrofe. É deselegante e patético. Nada a ver com a força rodopiante e ilimitada dos eventos naturais. Então, se passamos das catástrofes naturais para as catástrofes da alma humana, tudo se torna muito mais inconveniente e constrangedor, vamos lá! A magía possa talves nos salvar? Parece salvar Prospero. Mas tudo fica a balançar, incerto e instável. A intervenção do divino, então, parece ser a única solução. A magia só não é suficiente. É preciso o deus ex machina. Os gregos antigos já tinham percebido isso, há muitos séculos atrás.


PIGS, WHORES AND PUPPETS Collage 90x90 cm. Series: From trash with love 2012


UNIVERSITA' DEGLI STUDI Acrylic on paper 40x70 cm. Series: Invasion 2015


TO MARIO Mixed media on cardboard 130x70 cm. Series: From trash with love 2016


ASTRO Mixed media on cardboard 50x35 cm. Series: From trash with love 2012


TO ISHIRO Mixed media on cardboard 130x90 cm. Series: From trash with love 2016


44 Mixed media on cardboard 130x90 cm. Series: From trash with love 2016


ZAKAMOTO Apocalipse fantástica Fàbrica Braço de Prata LISBOA Junho 2016

Apocalipse fantástica - Akira Zakamoto  

Apocalipse fantástica Fábrica Braço de Prata * Lisboa 9 - 30 de Junho - 2016 zakamoto.com

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