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Rede Novo Tempo de Televisão TV Novo Tempo - O Canal da Esperança

A Igreja Adventista possui uma rede mundial de televisão, “Hope Channel”, com sete ca-

nais globais, cobrindo os cinco continentes da terra. São 40 centros broadcasting, ou centros de produções profissionais. As transmissões da rede global são redistribuídas por canais abertos, cabo, internet, DTH como a SKY. O site da Hope Channel, para assistir ao vivo, é www.hopetv.org.

Na América do Sul, a igreja utiliza três canais de televisão: a TV Novo Tempo em portu-

guês, TV Nuevo Tiempo em espanhol e o Canal Executivo.

Tudo começou com o programa Está Escrito, que surgiu em 1956 nos Estados Unidos, com

o Pr. George Vandeman. No Brasil, a veiculação do programa teve início em 1991. Atualmente o diretor e orador é o pastor Fernando Iglesias. Nos países hispanos o pastor Milton Peverini, orador associado do Está Escrito realizou o primeiro programa em 1994 e hoje o programa é apresentado pelo pastor Roberto Costa.

O primeiro programa religioso na televisão brasileira foi Fé para Hoje, cuja estréia acon-

teceu em 1962 com apresentação do pastor Alcides Campolongo. Este programa permanece até hoje no ar pela TV Gazeta e Tv Novo Tempo, mantida pela Associação Paulista Sul.

Em 1996, aconteceu a primeira transmissão via satélite para o Brasil, de uma conferência

feita nos Estados Unidos sendo recebida somente por algumas congregações. Hoje, a Rede Novo Tempo, pode alcançar milhões de pessoas. O sinal de televisão é enviado para dois satélites: o NSS 806, que, como já foi dito, distribui a programação para as três Américas, parte da Europa e norte da África, e para o satélite IS-10, cobrindo Moçambique, Angola, e São Tomé e Príncipe, países de fala portuguesa.

Somando-se o número de habitantes de todos os lugares que recebem o sinal, cerca de 2

bilhões de pessoas são telespectadores em potencial – basta configurar a antena parabólica para a freqüência correta.

Na América do Sul também existem centenas de cidades que retransmitem a programa-

ção das emissoras em canal aberto, por operadoras a cabo regionais e pela SKY, canal 141, no

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Televisão | 135 Brasil. As transmissões são feitas com programação distinta em dois idiomas: em português pela TV Novo Tempo e em espanhol, através da TV Nuevo Tiempo.

Canal Executivo

A Igreja na América do Sul possui também um CANAL EXECUTIVO.

Esse canal é de uso exclusivo. Hoje possuímos aproximadamente 5 mil pontos de recepção

do sinal em igrejas, colégios, instituições e escritórios, e temos a meta de chegar a 10 mil pontos.

Através deste canal, são transmitidos programas especiais como: séries de evangelismo,

treinamentos, capacitações e apoio à transmissões ao vivo de qualquer parte da América do Sul.

Como receber o sinal

Para receber o sinal da Rede Novo Tempo de Televisão, do Canal Executivo e da Rádio

Novo Tempo, em dois idiomas, português e espanhol, basta apenas adquirir uma antena parabólica e receptor homologado pela Rede Novo Tempo de Comunicação, sintonizar a freqüência desejada e pronto.

Não há necessidade de se pagar nenhuma assinatura mensal. O sinal é transmitido vinte

quatro horas por dia, sete dias da semana, e poderá ser recebido em residências ou igrejas de qualquer parte da América do Sul, com exceção do Canal Executivo que tem programação específica com dia e hora programada. Para maiores informações, visite o site www.novotempo.org.br.

A seguir, apresentamos os diâmetros recomendados, nome dos fornecedores e parâme-

tros para sintonizar cada um das cinco possibilidades.

FINALIDADE Retransmissores Uso nas Igrejas Uso Doméstico

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TAMANHO MÍNIMO FECHADA ABERTA Alumínio/Fibra Tela 2,10m 3,20m 2,10m 3,20m 1,60m 2,30m

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136 | Pontes de Esperança Fornecedores Fabricantes de Antena e LNBf: Embrasat, Telesystem e Zinwell Fabricantes de Receptores: TecSys, Telesystem, VisionTec, Zinwell Instalação empresas no Brasil: Telesystem, VisionTec, Zinwell

Especificações técnicas para codificar a antena

SATÉLITE: NSS 806 SATÉLITE Freqüência Symbol Rate FEC

TV

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LOCALIZAÇÃO: 40.5°W NSS 806 3.676 MHz 5.900 MSps 2/3

NOVO TEMPO - PORTUGUÊS PID´s DECIMAL HEXADECIMAL PID Vídeo 0258 0102 PID Áudio 0259 0103 PID PCR 8188 1FFC NUEVO TIEMPO - ESPAÑOL PID´s DECIMAL HEXADECIMAL PID Vídeo 1156 0484 PID Áudio 1257 04E9 PID PCR 8190 1FFE

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Televisão | 137 NOVO TEMPO - PORTUGUÊS PID´s DECIMAL HEXADECIMAL PID Vídeo 8191 1FFF PID Áudio 0267 0101 PID PCR 0266 0100 RÁDIO NUEVO TIEMPO - ESPAÑOL PID´s DECIMAL HEXADECIMAL PID Vídeo 8191 1FFF PID Áudio 0267 010A PID PCR 0266 010B Os Parâmetros do Canal Executivo Freqüência Symbol Rate FEC PID Vídeo PID Áudio PID PCR

3679Mhz 2960Msps 3/4 0033Dec 0034Dec 0033Dec

Link para calcular o apontamento de sua antena:

• http://www.brasilsatdigital.com.br/alinhe/index.php

Exemplo do apontamento para a Cidade de Brasília - Brasil: Resultado dos Cálculos

Azimute (Norte Magnético): 40.7499 º

Satélite: NSS 806

Elevação da Antena: 69.587 º

Cidade: Brasília

Distância do Satélite: 36127.78 Km

Latitude: -15.77º / Longitude: -47.92º

Inclinação do LNB: 24.574 º

Azimute (Norte Verdadeiro): 25.6032 º

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Como criar vídeos

Desde a sua chegada ao Brasil, na década de 1950, até a recente popularização da in-

ternet, a televisão dominou absoluta como o meio de comunicação mais popular e que exerceu maior influência e fascínio sobre profissionais e expectadores. Ainda hoje ela cria um encanto na população, cada vez mais atraída pela variedade de canais e programas que atendem aos desejos de gente de todas as idades, classes sociais e culturas. Mas esta situação de admiração diante da telinha reflete apenas a realidade do expectador passivo.

As pessoas que fazem televisão convivem com outro contexto. Elas são instigadas a todo

instante para que sejam criativas e inovem com relevância. Sim, relevância! Se produzir programas para televisão ou vídeos é um trabalho complexo, realizá-los de maneira a contribuir construtivamente com a sociedade é ainda mais difícil. Isso envolve a compreensão das reais necessidades humanas e a disposição para fazer um trabalho útil e não apenas entretenimento barato. Por causa disso a missão que a Igreja Adventista possui de levar a mensagem da salvação a todos os povos, línguas e nações é ainda mais desafiadora.

Além de enfrentar as dificuldades constantes da descoberta de idéias para novos for-

matos, os profissionais de televisão precisam superar as dificuldades naturais de produção. O segredo do sucesso para quem quer trabalhar nessa área é encontrar uma boa idéia e conseguir os meios para viabilizar a sua produção. A seguir será apresentado um esboço com algumas dicas úteis para a produção de vídeo.

Para você que é diretor de Comunicação e está tendo acesso a este material, imagine que

que ele poderá ser usado para desenvolver programas a serem usados para a igreja, a fim de enriquecer programações como cultos JA e vigílias, preparar documentários para serem apresentados no lugar de relatórios escritos, divulgar programas da igreja para outros públicos, para estruturar reportagens e entrevistas gravadas etc. Tudo isso usando apenas alguns poucos equipamentos que, hoje em dia não são tão difíceis de se conseguir, como pequenas câmeras filmadoras digitais.

O roteiro

Em vídeo, tudo se inicia com o roteiro. Ele é a forma escrita de qualquer projeto audiovi-

sual. “O roteiro é a história contada com palavras, olhares, sons, movimentos, silêncios, pausas,

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Televisão | 139 imagens e emoções, engrenadas num conjunto incrivelmente complexo de interações entre os elementos técnicos e artísticos e que possuem mil relações entre si.”¹ O roteiro é a materialização do espetáculo audiovisual apresentado em um texto. Nele se antecipam todas as possibilidades imaginadas e também se testam as implicações para a sua produção. Qualquer pessoa pode sonhar em produzir um vídeo, mas sua realização será infinitamente menos dificultosa se primeiro for escrito um roteiro.

Como o nome indica, roteiro é uma rota, uma bússola, um caminho a ser seguido. Para se

alcançar o objetivo no fim da estrada é preciso seguir cada passo desse mapa. O cineasta Stanley Kubrich, um dos grandes diretores da história do cinema, dizia que “se uma história não consegue ser bem escrita ou pensada, não pode ser filmada”. A arte de escrever roteiros compreende a organização harmônica das estruturas narrativas, de modo a prender a atenção do expectador do começo ao fim da trama. E na execução do roteiro que todas as engrenagens são amarradas, de modo a deixar a história com começo, meio e fim, valendo-se de técnicas como antecipação, surpresa, pontos de viradas, clímax e resolução.

Mas, afinal, como se constrói um roteiro? É possível concebê-lo organizando-o através da

execução de algumas etapas.

1. Idéia

Um bom roteiro começa sempre a partir de uma idéia ou de algum acontecimento que

provoca na mente do escritor a necessidade e também a importância de relatá-lo. A busca por uma ótima “sacada” não é uma atividade fácil de se realizar. Você pode acompanhar algumas maneiras de descobrir boas idéias na lista abaixo:

a) Produto da vivência de cada um. São as experiências pessoais, as histórias de vida,

as tragédias, superações, ou a pura observação do mundo e sua complexidade. Elas provêm da nossa memória e são evocadas das experiências recentes, dos episódios de um passado remoto ou extraídas do ambiente que nos rodeia. Selecionar idéias a partir da vivência é o ato de sonhar acordado. Não depende de outras pessoas ou de fatores externos. 1. Essa definição de roteiro, bem como e algumas idéias contidas nesta seção, foram retiradas do livro Da Criação ao Roteiro, de Doc Comparato (São Paulo: Artemídia ROCCO, 1995).

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140 | Pontes de Esperança Ilustração: Rascunhei uma idéia recentemente. É sobre pessoas que fazem algo de modo extraordinário. Creio que dará um bom institucional para ser veiculado na TV Novo Tempo. A idéia surgiu a partir da convivência com a dona Neide. Conheci essa senhora há cerca de oito anos, quando encomendei a ela um assado de espinafre. Depois que experimentei pela primeira vez as suas iguarias, nunca mais deixei de comprar alguma coisa para ocasiões especiais. Ao descobrir o seu passado percebi que tinha uma boa idéia para um comercial institucional. dona Neide é uma excelente cozinheira. Na década de 1960 ela trabalhava para uma importante família de usineiros da região de Limeira e Araras, interior de São Paulo. Nessa época, o governador do Estado, Paulo Maluf, participou de um almoço preparado por dona Neide e depois de experimentar sua comida resolveu levá-la para cozinhar no Palácio dos Bandeirantes. Algum tempo mais tarde, o presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, após comer uma refeição preparada por dona Neide na sede do governo paulista, resolveu levá-la para Brasília. Nossa personagem ficou alguns anos cozinhando na Granja do Torto. Teve a oportunidade de viajar para a Europa e Estados Unidos, acompanhando as família de senadores e ministros. Hoje dona Neide está aposentada, mora em Engenheiro Coelho e faz uma renda-extra, preparando iguarias para ocasiões especiais. A grande sacada desse episódio é que dona Neide é um exemplo perfeito do que o sábio Salomão escreveu em Provérbios 22:29: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto e não entre a plebe.” Acredito que esta idéia dará um excelente vídeo sobre fazer algo bem feito. Servirá para estimular os jovens a se dedicarem no trabalho e nos estudos, confiando que Deus tem uma promessa para aqueles que fazem seu trabalho de modo extraordinário. b) Resultado da leitura e informação. Surge a partir da cultura e do conhecimento. Provém de pesquisas em fontes interessantes, do acúmulo de informações, da análise de obras literárias, históricas, etc. Essa é, sem dúvida, a maior fonte de idéias para qualquer pessoa que deseja ser criativa em vídeo. Todos os que aspiram ser bons roteiristas devem reconhecer que a leitura é o melhor caminho para a aquisição de conhecimento e, conseqüentemente, para a elaboração de ótimas idéias. Alguns autores dizem que as idéias são gratuítas e que apenas esperam os roteiristas encontrá-las por meio da leitura.

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Cuidado com o plágio! O plágio é a transcrição ipsis litteris de uma obra ou de um trecho

sem dar o devido crédito ao autor. A elaboração em cima da observação do mundo é diferente. O autor explora assuntos comuns, a partir de idéias estabelecidas, mas faz isto a partir do seu ponto de vista. As referências são apenas pontos de partida, devendo inclusive, ser citadas como informações bibliográficas nos créditos da obra audiovisual.

c) Fruto da imaginação. Esta é uma maneira de criar um roteiro que pode dar certo, po-

rém é arriscada no sentido de que a imaginação pode estar desconectada da realidade das pessoas ou ser fruto dos devaneios do autor. Todo roteirista deve ser capaz de escrever mais do que os seus próprios pensamentos. Contudo, é a imaginação que transforma uma informação adquirida ou arquivada num banco de idéias em um excelente vídeo. Essa é a capacidade que a pessoa criativa tem de ver o que todo mundo viu e imaginar o que ninguém pensou. É o poder de manipular os dados, de adaptar histórias, de observar um vazio nas grades de programação das emissoras e preenchê-lo com uma sugestão impecável.

As idéias nascem com mais ou menos abundância a partir da curiosidade, dos questiona-

mentos e da inteligência de cada um. Há pessoas que observam tudo ao seu redor, que abandonam suas certezas e se relacionam de maneira interativa com tudo o que as rodeia.

DICA 1: O processo criativo não convive bem com algumas atitudes bloqueadoras,

tais como:

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■ O conformismo com o que se é, ou que já está feito;

■ O autoritarismo, que impõe sempre a última palavra;

■ O medo do ridículo, que receia a opinião dos outros;

■ A intolerância contra o que é diferente ou tradicional;

■ O medo dos riscos envolvidos nas mudanças ou inovações;

■ A hostilidade das divergências, mesmo que benéficas;

■ A falta de avaliação das idéias e reflexões sobre elas;

■ Os sistemas normativos fechados que não admitem mudanças organizacionais.

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DICA 2: Uma maneira de armazenar informações que podem virar um excelente projeto

de vídeo é desenvolver um arquivo de idéias. Você pode organizá-lo separando por áreas e reunindo informações que serão gatilhos para a criatividade na hora de elaborar um roteiro. Faça isso com versos bíblicos, recortes de revistas, trechos de livros, propagandas, reportagens, biografias, etc. Outro dia, assistindo um documentário sobre a história dos jogos olímpicos, guardei dois trechos que poderão me ajudar a desenvolver uma excelente idéia para um vídeo sobre perseverança. Quem não organiza as informações, as esquece rápido; portanto, aproveite esta dica e comece hoje a registrar suas idéias em um bom arquivo.

2. Conflito ou trama

Toda produção de vídeo deve considerar que a atenção do espectador é fortemente cap-

tada pela resolução de situações conflitantes. Desde os desenhos mais ingênuos até as superproduções do cinema, a trama de um roteiro é a confrontação entre forças opostas através das quais a ação se organiza e se desenvolve. Isto pode ocorrer por meio da luta entre o gato e o rato ou entre um asteróide que vai destruir a terra e os cientistas que tentam explodi-lo. Os conflitos exploram a dialética do homem, suas lutas internas e externas, as angústias, conquistas e frustrações.

Em geral, os conflitos predominantes nos roteiros são de três naturezas:

a) problemas humanos, caracterizados pela disputa profissional, pela formação da famí-

lia, por problemas financeiros, crimes, tragédias, guerras, terrorismo, etc.

b) conflitos entre forças ou problemas não-humanos. São as catástrofes naturais, como

enchentes, terremotos, pestilências, etc., muito exploradas nos filmes de ficção.

c) Conflito entre forças ou problemas internos. É o homem tentando superar suas limita-

ções, vencer uma deficiência, superar um desafio intelectual, a luta contra um vício ou contra a dependência química e psíquica.

Encontrar e definir bem o conflito dentro de um roteiro é o grande teste para saber se a

história é interessante. Uma dica prática é a produção do story-line. Esse é o termo usado para descrever o conflito-matriz do enredo. Ele deve ser expresso em poucas palavras, algo como três a sete linhas. O story-line deve destacar que algo acontece, que traz conseqüências e, portanto,

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Televisão | 143 precisa de uma solução. Não se deve confundi-lo com a sinopse, que é a visão de conjunto e uma descrição global do que trata o projeto.

DICA: O story line do filme institucional Velho Joga Fora, feito para a Igreja Adventista pelos alunos de publicidade do Unasp, turma de 2004, poderia ser escrito assim: “O índice crescente de maus tratos aos idosos é assustador. Numa sociedade caracterizada pelo descartável, muitas famílias pensam que podem fazer o mesmo com seus velhinhos. Afinal, se jogamos objetos velhos no lixo, o que fazer com os avós? ”

Agência: Curso de Publicidade e Propaganda - Unasp Cliente: Igreja Adventista do Sétimo Dia Produto: Institucional Título: Velho Joga Fora Numa casa, mãe e filha fazem uma limpeza geral e jogam produtos velhos no lixo. O filho mais novo observa tudo e fica aflito com o destino do vovô. - Filha: Mãe, o que eu faço com o casaco xadrez? - Mãe: Se tiver muito velho, joga fora! - Filha: E essa bolsa sem alça, o que eu faço? - Mãe: Se tiver muito velha, joga fora! - Filha: E esse tênis, está com um cheiro horrível! - Mãe: Se tiver muito velho, joga fora! - Mãe: Tudo que estiver velho nesta casa é pra jogar fora! - Garoto: E o vovô? - Lettering: No Brasil, cerca de 145 mil idosos, por ano, são maltratados e abandonados por suas famílias. - Filha: Acorda vovô, você está sonhando. - Assinatura: Igreja Adventista do Sétimo Dia

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NÃO SE ESQUEÇA: Em publicidade e propaganda, o conflito ou a trama serve apenas para destacar o produto, objetivando aumentar suas vendas. Quando se trata de temas bíblicos e ideológicos, esses mesmos conflitos ou tramas servem para fixar a mensagem. A força deve sempre se concentrar no conteúdo a ser transmitido e não na trama em si mesma. É a abordagem dos valores cristãos que enriquece projetos feitos para o evangelismo e sua fixação deve ser o principal objetivo do vídeo.

3. Personagens São os personagens que dão vida ao roteiro. Ao escrever as primeiras linhas de uma idéia deve-se ter em mente a presença desse elemento de ligação entre a criação audiovisual e o seu público alvo. Ele é o elemento humano, comum entre autor e espectador. Uma vez concebida a idéia, é fundamental criar os personagens em todas as dimensões. a) Os aspectos interiores, que dão personalidade ao personagem : Através dessas informações, que podem ser totalmente explícitas ou apenas sugestivas, revelam-se detalhes estratégicos para a compreensão e fixação da mensagem a ser transmitida. b) Os aspectos exteriores: os seus relacionamentos, sua condição

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Televisão | 145 financeira, o que faz para viver, como se relaciona com o patrão, com seu cônjuge, suas experiências de vida, etc. Esses aspectos podem indicar sua autoridade para endossar a lição central defendida no filme.

Agência: Curso de Publicidade e Propaganda - Unasp Cliente: Igreja Adventista do Sétimo Dia Produto: Institucional Título: Apressado O personagem do filme Apressado criado pelos alunos de publicidade do Unasp, turma de 2006, reflete bem a caracterização de um personagem. Um homem sempre com pressa, de tênis, bermuda, camisa e gravata. Ele tenta correr enquanto come e trabalha em seu notebook. Uma situação caricata da realidade de muita gente. O personagem, que simboliza o homem moderno, reflete confusão, falta de controle do trabalho e da vida pessoal.

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4. Ação dramática Ação dramática (ou estrutura dramática) é a maneira como o roteirista explica sua história para o público. É a estratégia mais criativa, harmoniosa e emocionante de narrar um episódio em vídeo. Numa narrativa oral, os acontecimentos relatados parecem acontecer como um bloco, sem divisões. Num projeto de vídeo para televisão, essa mesma história deve ser montada a partir de pequenos fragmentos, numa determinada ordem que reforce os pontos centrais estabelecidos para fixar a essência da mensagem e obter o máximo de atenção. Um produtor criativo distinguese pela maneira como organiza e monta essas unidades. A estrutura dramática é divida em seqüências e planos. Os planos são a forma, o ângulo, a distância, etc., pelos quais a câmera grava a cena. A seqüência é um conjunto de cenas de um vídeo que se passam num só ambiente ou que se caracterizam por certa unidade de ação. Uma das estruturas mais importantes na elaboração de um roteiro é a utilização do plot point (ponto de virada). Ele é um evento ou incidente que engancha na ação e a reverte para frente e noutra direção. Ele defende a história e evita que ela perca a intensidade. Pode-se afirmar que o sucesso de qualquer iniciativa em vídeo depende da clareza dos plot’s.

Agência: Talent Cliente: Ipiranga Produto: Postos Ipiranga Título: Ambulância Nos corredores de um pronto-socorro, médicos apreensivos empurram uma maca com um paciente em estado grave e chegam até uma ambulância que está sendo cuidadosamente lustrada por um funcionário. - Funcionário: O quê? Colocar ele aqui? Que é isso gente, acabei de lavar! (os dois médicos se olham sem entender) - Funcionário: Gente, carro branco... suja! Quer que eu chame um táxi? (o paciente solta um gemido de dor)

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Televisão | 147 - Funcionário: Tá vendo? Vai emporcalhar tudo lá dentro. (corta para imagens de um posto Ipiranga) Locução: Se você é apaixonado por carro como todo brasileiro, você tem de passar num posto Ipiranga.

Nota: Nesse caso, o plot point é a reação do motorista. Essa atitude muda toda a lógica da história e serviu para surpreender, chamar a atenção e fixar a mensagem que o comercial deseja transmitir. Para contar a sua história em vídeo, monte-a a partir de pequenas partes. Tente imaginar as cenas e sua relevância para a compreensão da mensagem. Existem vários tipos de cenas: a) cenas de exposição: esclarece os motivos, os problemas, a trama central (cuidado para não ser demasiadamente explicativo e redundante). b) cenas de preparação: informam as complicações que virão a seguir (não deixe que se perca a curiosidade). c) cenas de clímax: são o ponto alto da trama, também conhecidas como cenas obrigatórias. Ao trabalhar em uma idéia para vídeo, filme, documentário ou qualquer outro programa para televisão, pense antes: ■

O assunto ou problema ficam claros no princípio da estrutura? Eles são realmente

importantes? ■

Quantas cenas são necessárias para expor o problema?

Há credibilidade, relevância e interesse no assunto?

Quantos plot’s existem? São suficientes?

A crise ou problema estão bem colocados dentro da ação dramática?

Quais são as cenas essenciais? De que maneira diferente se especifica o passar

do tempo?

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O conflito-matriz (base central da ação dramática) está bem exposto na estrutura?

Esse conflito está no local adequado? Ele é dramaticamente forte?

A resolução do conflito é satisfatória ou deixa algo pendente no ar?

A maneira como foi desenvolvida a estrutura mostrou-se criativa, harmoniosa e convincente?

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5. Diálogos

O diálogo é o intercâmbio discursivo entre os personagens. É o corpo da comunicação

numa obra audiovisual. Serve para caracterizar os personagens, dar informações sobre a história e posicionar a mensagem dentro da ação. As possibilidades de utilização dos diálogos e das narrações são muito variadas, mas deve-se prestar atenção em alguns pontos fundamentais: num vídeo o texto é para ser falado, o que o torna diferente de diálogos literários. A escolha léxica precisa estar de acordo com a cultura do personagem. Cada classe social emprega sua própria terminologia. Em vídeo a imagem predomina. Se algo pode ser mostrado, elimina-se essa informação no diálogo.

É pela palavra que se move o mundo, que o político inflama a nação, que a criança emo-

ciona seus pais, ou que um mal-entendido destrói uma relação. Pela palavra Deus criou o mundo e o pregador pode encaminhar pessoas a Jesus Cristo. A palavra é agente da emoção. Por meio da palavra os personagens conferem o tom da trama, contando uma história ou dando informações sobre um produto. Escrever bons textos pressupõe sensibilidade.

“A coisa dita qualifica quem diz. Assim, se você usa um diálogo rebuscado, repleto de ter-

mos ininteligíveis, podemos imaginar o seu personagem como um juiz, e não como um mecânico. Se carrega nas gírias, ele pode ser jovem. Se o diálogo é repetido, cheio de clichês e cacoetes verbais, pensamos em um jogador de futebol e não em um acadêmico. Com emoção exagerada, adjetivos delicados que praticamente choram, pode ser uma garota que tomou um fora, nunca um machão. Um diálogo com sotaque sempre remete a uma pessoa do interior. Assim, antes de construir a fala do personagem, conheça-o. Conheça o seu perfil, a educação, o comportamento dos mais variados tipos humanos, do traficante ao padre” (Tiago Barreto, Vende-se em 30 segundos p85.)

6. Trilha sonora

“Se os olhos são as janelas da alma, os ouvidos são as portas que levam a ela”. Tiago

Barreto. A música tem a chave para abrir muitas portas e conduzir o espectador ao local onde o roteirista imaginou para ele. O som traz consigo imagens, sensações, lembranças, traumas e

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Televisão | 149 valores guardados no mais íntimo da alma humana. A música não serve apenas para emocionar. Ela pode contribuir para o riso, para a surpresa, para a misericórdia e para a reflexão. As trilhas podem permanecer durante todo o vídeo ou podem figurar em pontos específicos, para aumentar a dramaticidade. Como tudo num roteiro, a trilha deve ter uma razão para existir. Não deve ser encaixada apenas porque é bonita. Em alguns casos, o máximo de impacto exige silencio.

Conclusão

As considerações apresentadas neste capítulo não têm por objetivo resolver as dificulda-

des inerentes ao trabalho de produzir vídeos. Essa é tarefa árdua, para poucos. O foco deste texto não foi direcionado aos produtores, cinegrafistas ou editores que realizam um trabalho técnico e especializado, mas a todas as pessoas que têm boas idéias e podem contribuir para a criação de projetos bem fundamentados, com boas idéias e olhares criativos sobre as necessidades humanas e espirituais de nossos dias.

Com a facilidade de acesso aos equipamentos de vídeo, a tarefa de produzir não é a mais

difícil. Complexo é criar com inovação e conteúdo. Por essa razão o foco aqui não se concentrou nas técnicas de edição ou iluminação, mas na reflexão sobre a criação, conteúdo e mensagem. Os equipamentos são carros sem motorista. É preciso saber conduzi-los. Nenhuma câmera ou ilha de edição será capaz de atingir o coração da alma ferida se uma mente criativa e iluminada pelo Espírito Santo não lhe dirigir o olhar.

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Bibliografia BARRETO, Tiago. Vende-se Em 30 segundos: manual do roteiro para filme publicitário. São Paulo: Senac, 2004. COMPARATO, Doc. Da Criação ao Roteiro. São Paulo: Editora Artemídia ROCCO, 1995. REY, Marcos. O Roteirista Profissional – Televisão e Cinema. São Paulo: Editora Ática, 2001. FIELD, Syd. Manual do Roteiro: os Fundamentos do texto cinematográfico – Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. AYAN, Jordan. AHA!.3ª Ed. São Paulo: Negocio Editora, 2001. BARRETO, Roberto Menna. Criatividade no Trabalho e na Vida. 2ª Ed. São Paulo: Summus Editorial, 1997. PREDEBON, José. Criatividade: Abrindo o lado Inovador da mente. 4ª Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2002. LEVINSON, Jay Conrad. Criatividade de Guerrilha. Rio de Janeiro: MAUAD, 2004. DE MASI, Domenico. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

Fontes: •

http://www.films.com.br/oito.htm

http://www.roteirista.com/index.htm

http://www.roteirosonline.com.br/Paginamestre.htm

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Pontes de Esperança, Capítulo 8