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ANO 4 | EDIÇÃO 12 | JUN/JUL/AGO 2012

ENTREVISTa Martha Medeiros dá a receita para ser feliz por nada INFÂNCIa Cuidado com o uso exagerado dos jogos eletrônicos

Equilíbrio Para o yogue Akal Muret Singh, alinhar os pontos vitais do corpo é o caminho para viver bem

aRTES MaRCIaIS Saiba porque elas fazem tanto sucesso nas academias


Baixe um leitor QR Code e descubra a ATI mais pr贸xima de voc锚.


ACADEMIAS DA TERCEIRA IDADE MAIS ESPORTE. MAIS SAÚDE PRA VOCÊ. Implantadas na atual administração, as Academias da Terceira Idade se transformaram em um projeto vitorioso voltado para a prevenção em saúde. As ATIs trabalham a capacidade aeróbica, alongamento e fortalecimento da musculatura e destinam-se principalmente aos idosos, muito embora sejam utilizadas também por jovens e adultos. Coordenada pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, a primeira Academia foi instalada na Praça Augusto Leite, no bairro do Tirol, em 2009. Hoje, totalizam 21 unidades instaladas em praças e alamedas públicas atraindo cidadãos em busca de melhor qualidade de vida. Experiências realizadas em outras cidades do país, nas quais equipamentos semelhantes já foram implantados, dão conta de que o número de consultas e o consumo de remédios entre pessoas acima dos 60 anos de idade foram reduzidos em cerca de 30%, de acordo com levantamentos realizados por unidades de saúde próximas às academias. Até o final do ano, Natal vai contar com mais de 50 ATIs.


editorial

Giovanna Reis

Expediente

Edição nº 12 | jun/jul/ago/2012

No pain, no gain!

6 Sem sofrimentos, sem ganhos. Não tinha consciência disso quando, no início do ano, me propus o desafio de correr a meia maratona do Rio de Janeiro. Na época, tinha voltado a correr, ainda com foco nas provas de 5km. Mas, tudo bem, teria 7 meses pela frente para treinar e evoluir. Tempo suficiente para conquistar o “up-grade” de categoria. Os meses foram passando e não conseguia manter a frequência nos treinos. Não tinha me preparado para sentir dor. Depois de cada treino mais puxado, paralisava e só voltava a treinar depois que as dores iam embora. Faltando 8 semanas para a prova, participei de uma corrida de rua. Tinha me inscrito nos 10 km, mas parei nos 5km e vi a minha meta de correr a meia maratona se distanciando. Foi naquele dia que decidi que iria fazer as pazes com a dor. Aceitá-la como uma etapa da evolução, do crescimento. Como num passe de mágica, tudo mudou. Na semana seguinte, corri 8km, na outra 10, depois 12... Correr dói. Viver dói. Quantas vezes abrimos mão dos nossos objetivos para não enfrentar a dor? EM REVISTA

Essa edição da Viver Bem em Revista traz uma reportagem sobre mudanças. Sair da zona de conforto dói muito. Mas abre novas oportunidades na vida. Numa entrevista especial, Martha Medeiros fala sobre felicidade. Falamos ainda sobre o momento certo de parar de dirigir. Os reflexos mudam com o passar dos anos e deve doer muito aceitar que chegou a hora de entregar a direção para outra pessoa, não é verdade? Equilibrar corpo e mente é a melhor maneira para conviver com as dores da vida. Nossa reportagem de capa fala sobre os pontos vitais do corpo e traz dicas de como mantê-los alinhados para deixar a vida fluir. Mas, voltando a minha meta, ontem fiz os meus primeiros 15km. Dói tudo e, por incrível que pareça, estou curtindo isso e ansiosa para os 21km, quando vai doer muito mais. Não virei masoquista. Só aceitei que a dor faz parte do processo, de todo processo. E a certeza agora é essa: se tá doendo é porque vem coisa boa por aí! Boa leitura!

Direção geral Juliana Garcia e Patrícia Guedeville Coordenação editorial Juliana Garcia Textos Eugênio Bezerra e Taciana Chiquetti Revisão Márcia Melo Fotos Ramón Vasconcelos Projeto Gráfico Carlos Soares Diagramação GR Design Editorial www.grdesigneditorial.com.br Comercial GGTec Produções Impressão Impressão Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Fale conosco 84 3213.8592

Juliana Garcia

viverbememrevista@ggtec.com.br


maturidade

equilíbrio

meio ambiente

saúde

comportamento

entrevista

infância

alimentação

qualidade de vida

beleza

18 20 24 28 32 36 40 50 56 60

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Sumário ANO 4 | EDIÇÃO 12 | JUL/JUL/AGO 2012

24 Capa Akal Muret Singh Foto: Ramón Vasconcelos

60

Alimentação Quem disse que toda salada é saudável? Maturidade Saiba quando é hora de parar de dirigir EM REVISTA


viver bem

Os vencedores

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Viver bem pra mim é...

1.

“Fazer valer a pena todas as oportunidades que nos são dadas e ser feliz!” Paulo Alencar, 40 anos

“Mente tranquila. Com a cabeça no lugar o corpo funciona.” Manoela Lobo, 33 anos

6. 7.

4.

“Ser feliz sem precisar de motivos especiais.” Ivânia Costa, 33 anos

“É viver com alegria, disposição e esperança. Longe de rancor, mau humor e tristeza. É viver cada dia como se fosse único e valorizar as pequenas coisas.” Giovanna de Oliveira Lima

EM REVISTA

Os nomes dos 10 vencedores da promoção Viver Bem 10 anos foram divulgados no programa de 9 de junho. Cada um deles vai ganhar a oportunidade de mudar de hábitos e conquistar uma vida mais saudável. A mudança vai começar com uma sessão de Detox e uma consulta nutricional na Revivare. Em seguida, a equipe da Persona Avaliação Física fará a análise corporal, o teste da pisada e a orientação sobre o programa de exercício físico. A malhação durante 3 meses será feita na academia Wm Fitness. Os vencedores também irão participar de uma oficina de culinária funcional com a nutricionista Graça Moraes e, ao final dos 3 meses, vão fazer uma transformação no visual, no Chic Coiffeur. Confira a lista dos vencedores e o que Viver Bem significa para cada um deles.

2.

3.

“Estar em paz comigo mesma, pois isso reflete e contagia quem está a minha volta.” Cláudia Vasconcelos

“Ter saúde, família e amigos. Estar bem comigo mesma e, assim, o universo vai sempre conspirar a meu favor.” Maria Sonialice

8.

“Comer o que me dá prazer ao paladar e não faz mal à saúde, lavar a alma de todo o estresse numa aula de spinning e ter muita saúde para aproveitar o melhor da vida, que são os amigos e minha família amada.” Kívia Dantas Alves, 26 anos

“Acordar bem cedo para fazer exercício físico, cuidar do meu filho, trabalhar sem estresse e voltar à noite pra casa pra namorar com o maridão.” Ana Karina Guedes, 34 anos

9.

5.

“Ter Jesus no coração, saúde e viver em paz.” Elitânia Torres, 53 anos

“Poder ajudar todos a ficarem de bem com a vida.” Heveline Lemos, 27 anos

10.


Fotos: divulgação

Novidades na telinha Em maio, o programa ganhou um novo cenário, nova abertura, vinhetas e a trilha sonora foi reformulada. Além das mudanças no visual, os telespectadores podem conferir, no último sábado de cada mês, uma entrevista no estúdio com espaco para enviarem suas perguntas aos profissionais entrevistados.

9

Programa especial Para comemorar o aniversário, uma edição especial do Viver Bem foi exibida no dia 12 de maio. A gravação ocorreu no Parque das Dunas e trouxe uma retrospectiva, com entrevistas de pessoas que fizeram parte da história do Viver Bem e conseguiram mudar de hábitos nesses 10 anos.

SUA OPINIÃO “Amei a reportagem “Perigo na mesa”. Já fui vítima de contaminação e acho um assunto inesgotável, matéria ótima!” Helga Oliveira, via twitter “Muito esclarecedora a reportagem sobre Alzheimer. Vocês nos orientaram sobre o diagnóstico e sobre como lidar com o paciente. Meus pais têm a doença e toda informa-

ção sobre ela é bem vinda.” Kaio alves, por email “O conteúdo da íltima edição merece aplausos. Li tudo e fiquei com gostinho de quero mais. Parabéns.” Suelda Cardoso, por email “Sou mãe de um único filho e sempre me questionei se essa seria uma boa escolha. A reportagem sobre

esse assunto tirou um peso das minhas costas e esclareceu muitas dúvidas.” Bianca Goes, por email “Parabéns pelos 10 anos de sucesso. Acompanho o programa desde o início e agradeço por tudo. Hoje posso bater no peito e falar que eu sei viver bem.” Lena andrade, por email

PROGRaMa VIVER BEM - SÁBaDO, 9H, Na TV PONTa NEGRa - WWW.GUIaVIVERBEM.COM.BR - TWITTER: @PROG_VIVERBEM

EM REVISTA


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Conexão especial A edição que marcou a comemoração do aniversário do programa foi realizada no dia 19 de maio e superou o sucesso das edições anteriores. Apesar da chuva intensa, o público marcou presença , comprovou que se movimentar é preciso e que Viver Bem é o que todo mundo quer! A programação começou com uma aula do professor de yôga Akal Muret Singh, que está ministrando um curso de Kundalini Yôga na UFRN e aproveitou para demonstrar aos participantes do Conexão os benefícios que a prática dessa aula proporciona para a saúde e o bem estar de todos. Respiração, meditação e mantras compôem a aula de Kundalini Yoga EM REVISTA


Fotos: Dalianny Galvão

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1. As professoras Marivani Rocha e Danielle Flor, do Espaço Vivo, comandaram a aula de dance pilates. 2. Distribuidora Natures sempre levando opções saudáveis para alimentar os atletas do Conexão. 3. Kako Dravena comandou uma divertida aula de dança. 4. Equipe da Forever Living realizou hidratação facial. 5. A fisioterapeuta Ingrid Menezes realizou sessões de acupuntura. 5

EM REVISTA


Cedida

As dores do corpo e da alma

artigo

Por Ana Cecilia Kaliniewicz - ana-cecilia@hotmail.com

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A dor inaugural do ser humano é a dor do nascimento, em que há a separação do bebê da sua mãe é a dor do desamparo. A partir daí a dor e o amor nos acompanham para o resto da vida. No decorrer do meu percurso profissional passei a observar um elevado número de pacientes com sintomatologia voltada para o corpo, sendo frequentemente apontadas como fonte de dor, frustração e sofrimento, constituindo um meio de expressão do mal estar contemporâneo. As pessoas estão desenvolvendo uma relação de intimidade com a dor e com seus traços depressivos, dificultando, assim,uma conceituação precisa e técnica. Isso reforça a intolerância do sujeito com a dor. Assim, as dores passam a ser insuportáveis, como se as pessoas não se permitissem vivenciá-la. Vivemos numa sociedade depressiva, que consagrou os fármacos como uma solução adequada para lidar com o sofrimento psíquico,ainda que seus “resultados mágicos’’ promovam certo “engessamento’’, distanciando o indivíduo das causas do seu padecer. O ser humano deprimido, atingido no corpo e na alma pela tristeza e apatia do vazio existencial, apresenta dificuldade nas terapias atuais.

EM REVISTA

Porém, como só pensar e investir no caminho dos remédios? Precisa-se da fala como algo libertador, assim como o espaço terapêutico é um excelente caminho para lidar com a dor. É muito importante o alívio da dor. Porém, não se deve ir pelo caminho desenfreado e sem critérios dos analgésicos, cada vez mais potentes, em busca da abolição do sofrimento, causando ideia de um prazer sempre possível e ilimitado, correndo-se o risco de nos tornar meros espectadores de catástrofes por terem sido caladas as vozes que poderiam significá-las. É visível o surgimento de novas patologias onde os sintomas, ao fixar-se no corpo, “roubam’’ o lugar da fala. É fundamental verbalizar a dor e encontrar palavras para expressá-la, ocasionando a tomada de consciência da origem da dor, dessa forma podendo promover a cura ou lidar melhor com as suas dificuldades. Uma dor insuportável impede o sujeito de falar dela, porém existem remédios que têm o efeito de normalizar comportamentos e eliminar os sintomas mais dolorosos do sofrimento psíquico, sem dar a possibilidade do indivíduo compreender a significação. A dor remete o indivíduo as suas experiências mais primitivas

de desamparo, da mesma forma que diante da ausência de uma lesão, o sofrimento é também acompanhado por sensação corporal, difusa ou localizada. Dessa maneira,quando o indivíduo se permitir sentir a dor, poderá descobrir o que a mesma tem a dizer. O “Enigma da Esfinge’’, de Tebas, nos lembra muito o “Enigma da Dor’’, pois em ambos encaixa-se a fatídica intimação: “Decifra-me ou te devoro’’. No contexto atual, identificamos a necessidade de inclusão do profissional de psicologia nos tratamentos de dores, especialmente as dores crônicas, justamente pela necessidade de escuta diferenciada e cuidadosa, que dê suporte ao desamparo e as demandas psíquicas implícitas na queixa dolorosa. O sujeito dolorido não pode abdicar de sua subjetividade em qualquer circunstância da doença, sendo necessário ajudá-lo a se reconhecer e agir como sujeito da sua própria história, reescrevendo-a, ao considerar-se capaz de identificar as fontes de sua dor e do seu prazer. É importante essa possibilidade de se abrir espaço para a fala para dar vazão a dor, desafogar o que tanto lhe dói no corpo e na alma. E você que está lendo esse artigo, sente dor?


Álvaro Rocha

William Marinho Professor de Educação

Pergunte ao personal 14

1. Existe algum tipo de abdominal que acabe com aquela gordura em volta do umbigo? Patrícia Jordão – por email O abdominal não acaba com a gordura localizada nesta região. A intenção deste exercício é fortalecer os músculos para dar um maior sustento ou firmeza ao nosso corpo nas atividades que executamos diariamente. O que acaba com essa gordura é dieta e exercícios físicos regulares. A disciplina é fundamental quando o assunto é eliminar gordura, portanto treine e aguarde com paciência os resultados. 2. Faço musculação há muito tempo. Estou grávida e não queria parar de treinar. Vou colocar a saúde do meu bebê em risco? Dayane Medeiros – por email A comunidade científica já comprovou que a musculação para gestantes traz inúmeros benefícios à saúde, tanto da mãe quanto do bebê. No entanto, a intensidade deve ser de leve a moderado. Antes de começar comunique ao seu médico sobre a prática da musculação, ele acompanhará a evolução sua e de seu bebê. Procure uma boa orientação na academia onde você treina e com certeza seu bebê nascerá com muita saúde e disposição. 3. Gosto de correr, mas sou magro. Os treinos intervalados são indicados para mim? Luís Gustavo – por email Em toda atividade física o treino intervalado é a melhor opção para adquirir resistência e melhorar o

EM REVISTA

Física, formado pela Universidade Potiguar. Atua

como

personal

trainner e compõe a equipe de profissionais da academia WM Fitness.

rendimento do praticante. Os intervalos consistem em alternar a intensidade do exercício entre tiros num ritmo de moderado a forte e pausas de recuperação em ritmo leve. Porém é sempre bom lembrar que o seu corpo tem limites, respeite-os sempre. Faça esse treino duas ou três vezes por semana que você terá ótimos resultados. 4. Vou queimar a mesma quantidade de calorias se pedalar na ergométrica ou na bicicleta de rua? João Marcello – por email Na minha opinião, o trabalho realizado na rua é bem mais eficaz porque encontramos uma maior resistência para o exercício (subidas, decidas, asfalto e areia) promovendo um esforço maior e o estímulo que você terá também será bem diferente do que estar sentado na “bike” dentro de uma academia ou em casa. Tudo vai depender da intensidade de sua atividade. Quanto maior for a intensidade do exercício mais calorias irá gastar. No entanto, é importante respeitar os limites de seu corpo, o seu nível de condicionamento. Toda atividade física deve ser gradativa. 5. Como reduzir aquela gordurinha embaixo do braço, ao lado do sutiã? Janete Leal – por email O remédio para toda gordurinha localizada é a ênfase que você dá na musculatura desejada. Portanto ,treine bastante os músculos que compõem esta região e com o tempo você conseguirá ótimos resultados. Peça orientação a seu professor, isso fará toda diferença na hora dos resultados.


consciência 16

Meditação da unidade O fim do sofrimento da separação

EM REVISTA

“Somos todos um, um só planeta onde todas as espécies celebram a vida, uma só humanidade”. Quem ousaria dizer que não? Parece tão óbvio, tão lindo... Mas não é assim que vivemos. A “unidade” é uma boa ideia, mas não é assim que sentimos a vida. Nossa rotina põe à mesa dezenas e dezenas de exemplos da falta de sensibilidade para com o outro, da destruição da natureza, das guerras por ideologias, crenças e mercados. São ilustrações de como vivemos, não a partir de um sentido de “somos todos um”, mas sim levando o slogan “cada um por si”. Ao invés de nos sentirmos “um com o todo”, nos vemos separados de nós mesmos. O que você ouve internamente deixa ressoar a pergunta

“quem sou eu?”. Caminhamos por aí com a clara noção de que somos separados uns dos outros e transformamos o viver num jogo interminável e doloroso de defesa do que construímos como “minha identidade”. O outro é uma ameaça! O inferno é o outro! Mas muitos estão acordando para o fato de que viver a vida desta maneira é estar em um “estado alterado de consciência”. Afinal, não é possível que seja este o destino de glória e bem-aventurança a que a existência nos convida. Algo aconteceu ao longo do processo civilizatório que nosso cérebro foi configurado para preferir a competição à colaboração, a guerra ao amor. Acumulamos, entretanto, tamanha carga de sofrimento e senso


DEPOIMENTO

Devam Bhaskar, doador da Nayana Diksha

de falta de propósito no viver que parece haver uma voz que em nome de toda a humanidade grita “basta!”. A boa notícia é que uma nova configuração neurobiológica está ocorrendo para todos aqueles que fazem das práticas da meditação e outras similares uma corrente constante de alinhamento pessoal com o estado de unidade (amor, confiança, criatividade, saúde, bons relacionamentos), desmantelando as motivações egóicas que habitualmente os conduziam a um estado permanente de conflito (diálogos internos cheios de vingança e rancor, ações destrutivas, padrões repetitivos, relacionamentos em frangalhos). Dentre estas práticas, ganham adeptos em todos os países a Diksha (transmissão e energia divina através da imposição das maõs dos canalizadores sobre a cabeça dos praticantes) e a Meditação da Unidade (pela qual a energia divina se intensifica quando os iniciados para este fim a transmitem através de seus olhos – Nayana Diksha). Estas práticas, trazidas ao ocidente pelos avatares Sri Amma e Sri Bhagavan (fundadores da Universidade da Unidade Índia), estão transformando a vida de milhões. Devam Bhaskar é jornalista, instrutor da Oneness University e um dos 24 meditadores que foram iniciados por Amma e Bhagavan em todo o mundo para oferecer esta Diksha ainda mais poderosa, mais intensa.

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Fotos: cedidas

“Ao invés de nos sentirmos ‘um com o todo’, nos vemos separados de nós mesmos. O que você ouve internamente deixa ressoar a pergunta ‘quem sou eu?’”

“Não é possível traduzir completamente em palavras o que foi a experiência de receber a Diksha transmitida pelos olhos ou Nayana Diksha. Minha intenção aqui é contagiar você totalmente para que possa entender a dimensão desse presente que estamos recebendo. Após a meditação preliminar, fechamos os olhos e quando os abrimos, olhamos fixamente nos olhos de Bhaskar. Aquela pessoa brincalhona de minutos atrás havia desaparecido. Estava diante de um ser em êxtase. A princípio não senti nada, mas gradativamente senti meus olhos arderem e ficarem muito pesados, como quando fiz exame oftalmológico sob o efeito do colírio usado para dilatar pupilas. Senti algo denso sobre minha cabeça, que foi percorrendo todo o meu corpo. Enquanto isso acontecia, fui “murchando” e me encolhendo toda. Se pudesse fazer uma analogia, diria que uma espécie de scanner mapeou todo o meu corpo físico, preenchendo e desocupando espaços internos. Algo parecido com isso: uma combinação perfeita entre o que precisava “sair” e o que precisava “entrar”. Aí veio uma paz inenarrável, jamais experimentada. Um silêncio, um preenchimento. Plenitude...”

Élcia luz é terapeuta, instrutora da Oneness University e realiza workshops de formação de Doadores de Diksha em Natal, RN. Semanalmente realiza encontros para doação de diksha. Mais informações: amalaluz@gmail.com.

EM REVISTA


1. Você segue algum ritual para manter a beleza da pele e do cabelo ? Para a pele eu tomo Roacutan porque sempre tive muita espinha e também uso protetor solar. Para o cabelo procuro usar shampoo e condicionador indicados pelo meu cabeleireiro para mantê los hidratados. 2. Como é a sua alimentaçao diária ? Faço 4 a 5 refeições diárias orientadas por uma nutricionista. 3. Qual a sua atividade fisica preferida ? Faço musculação com um personal trainner. 4. O que gosta de fazer nas horas livres ? As horas livres são sempre dos meus filhos, passeando ou viajando. 5. Como será a Flávia daqui a 20 anos ? Não tenho como prever. Mas procuro me cuidar, fazendo exames periodicamente e fazendo exercicios para envelhecer com saúde. 6. O que é VIVER BEM pra você ? É cuidar do físico e do mental. Fazer bem para pessoas ao meu redor e dar o melhor de mim no meu trabalho. EM REVISTA

Flávia Diniz Ela nasceu em Brasília e veio morar em Natal no ano 2000. A empresária Flávia Diniz tem 27 anos e aos 15 anos começou a atuar como garota propaganda da Rede de Óticas Diniz. Há 3 anos, ela passou a integrar a administração da empresa. Mãe de dois filhos, Adam e Lana, ela consegue conciliar bem o trabalho com a vida pessoal. E não abre mão dos cuidados com a saúde e o bem estar.

Foto: cedida

beleza 18


SAÚDE E INOVAÇÃO SEMPRE FIZERAM PARTE DO NOSSO DIA A DIA. AGORA FARÃO PARTE DO SEU. Para você ter uma vida mais saudável, oferecemos qualidade, inovamos no design, fachada e recepção, trazendo beleza e conforto desde o início, além dos nossos equipados laboratórios de manipulação onde é garantida toda segurança e excelência dos nossos produtos. E agora, para a sua comodidade, você liga para o nosso call center e encontra profissionais prontos para atendê-lo, buscando as receitas diretamente na sua casa. É mais facilidade, qualidade e bem-estar para você. Venha formular com a gente.

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qualidade de vida 20

Artes marciais Por Taciana Chiquetti

Um golpe certeiro para nocautear de uma s贸 vez o sedentarismo e o estresse

EM REVISTA


Fotos: Ramón Vasconcelos

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Na academia Hi-Fit as aulas de artes marciais atraem homens e mulheres

Perder calorias, ganhar força e aliviar a tensão: qualidades importantes que a maioria das pessoas procura em uma atividade física. Por oferecer, ao mesmo tempo, todas estas vantagens, as artes marciais estão fazendo cada vez mais sucesso nas academias de Natal. E detalhe: para um público diversificado que inclui, até mesmo, as mulheres. Na academia Hi-Fit, por exemplo, além de existir MMA (Mixed Martial Arts – o antigo “Vale Tudo”), boxe e muay thai, a ideia é oferecer, em breve, mais uma modalidade - o jiu jitsu - e, com isso, atender aos vários pedidos de quem malha ou pretende malhar na academia. “Neste ano, a demanda dobrou, por isso resolvemos investir ainda mais nas artes marciais por aqui”, conta o proprietário, Stênio Bezerra. A cobertura televisiva do UFC, maior evento de MMA do mundo,

foi o divisor de águas para a popularização do esporte, que tem diversos brasileiros entre os melhores praticantes do planeta. Na categoria peso médio, Anderson Silva, Vítor Belfort e Wanderley Silva honram o país, assim como Júnior Cigano, no pesado, e José Aldo, na categoria pena. Há também potiguares que, atualmente, se destacam no mix de artes marciais: Renan Barão, que vai disputar o cinturão interino da categoria peso galo, no dia 21 de julho, no UFC 149, no Canadá; Roni Marques, no médio; e Gleydson Tibau, no leve. Todos são prata da casa do Rio Grande do Norte. “Este é o esporte que mais cresce no mundo, porque é completo. No MMA, estão os atletas mais preparados, que são bons em todas as habilidades que cada arte marcial individualmente proporciona, ao mesmo tempo”, observa Stênio.

“Este é o esporte que mais cresce no mundo, porque é completo (MMA)” Stênio Bezerra, proprietário da Hi-Fit EM REVISTA


“Já perdi seis quilos, muitas medidas, melhorei minha capacidade cardiovascular e estou muito mais ativo” Diego Saraiva, analista de sistemas

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Inspiradas neles, muitas pessoas querem uma opção diferente de atividade física - mais completa e nada monótona. O analista de sistemas Diego Saraiva, de 28 anos, que começou a praticar há seis meses, já testemunha bons efeitos em seu corpo e mente. “Estava totalmente sem condicionamento físico, após uma cirurgia. Muito sedentário. Neste tempo de prática, já perdi seis quilos, muitas

medidas, melhorei minha capacidade cardiovascular e estou muito mais ativo”, conta. “As pessoas querem mais condicionamento físico e queimar calorias e ficam satisfeitas com os resultados das artes marciais. Mas é preciso esclarecer que se trata de um processo de médio e longo prazo. A partir de um ano é que se começa a perceber o desenvolvimento”, frisa o professor de muay thai, Augusto Severo, que abandonou a hotelaria para seguir a carreira nas academias, há onze anos. As vantagens da atividade que mais cresce na Hi-Fit são muitas: grande perda de calorias (tanto quanto uma aula de spinning, por exemplo - outra “febre” das academias na capital potiguar), ganho de força muscular, aumento na autoconfiança para se defender, descarga de agressividade.

Além de tudo isso, as artes marciais são muito estimulantes. “O principal mito em torno das artes marciais é o de se machucar e brigar com alguém, mas esta mentalidade vem mudando. Nosso foco é o do exercício físico e não o de formar lutadores”, explica o proprietário da academia. Diante deste cenário, o público feminino vem se animando com a possibilidade de praticar algo diferente. É o caso da geóloga Júlia Malta, de 26 anos, que faz muay thai há um ano e meio e sente a diferença. “Sempre me interessei por artes marciais. Fiz judô, boxe e capoeira quando era criança e resolvi retomar. O muay thai é mais dinâmico do que a musculação, por isso estou sempre motivada a praticá-lo”, diz, informando que sente os músculos do braço muito mais enrijecidos e a barriga bem mais sequinha.

“O muay thai é mais dinâmico do que a musculação, por isso estou sempre motivada a praticá-lo” Júlia Malta, geóloga EM REVISTA


Toda semana, mulheres buscam informações sobre as modalidades marciais na academia, demonstrando interesse crescente. Mas os homens ainda dominam o esporte. Tal realidade pode ser modificada à medida em que a atividade for compreendida em sua plenitude e que a distinção entre “violência” e “agressividade” fique mais clara para as pessoas. Afinal, o propósito da prática de todo esporte é principalmente vencer a si mesmo. Hi-Fit Av. Odilon Gomes de Lima, 1796 Capim Macio Fone: 84 3207-2252 STUDIO HI 30 Av. Hermes da Fonseca, 659 - Tirol. Fone: 84 3221-2240 www.hifit.com.br

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alimentação 24

É preciso ficar atento aos ingredientes para não transformar a “mocinha” das dietas numa grande vilã

EM REVISTA

Por Taciana Chiquetti


Era uma vez uma princesa muito bela, esguia e saudável. Sua beleza e saúde tinham uma explicação: ela se alimentava muito bem e adorava comer uma colorida salada todos os dias... Esta história inventada tem seu fundo de verdade. As saladas realmente são ótimas para ajudar a emagrecer e contribuem muito para a saúde. No entanto, dependendo de como são preparadas, elas podem não passar de um ilusório conto de fadas. Saladas também engordam - passam de uma verdade inquestionável a uma lenda, que ludibria qualquer dieta - basta acrescentar alguns ingredientes sem moderação. A verdadeira salada saudável deve diversificar folhas claras e escuras (como, por exemplo, rúcula e alface, alface roxa e alface americana, acelga e alface) e incluir frutas e legumes. “Observar as folhas da época é uma boa dica, porque estão mais frescas e mais baratas”, orienta a nutricionista Graça Moraes. Ela explica que existem três tipos de saladas: verde/ simples - que mistura somente as folhas claras e escuras; de acompanhamento - que agrega ao prato principal, como saladas de batata, grãos, leguminosas e sementes; e saladas compostas - que substitue uma refeição e inclui folhas, legumes, frutas e proteínas. Os três tipos devem ser utilizados de acordo com a proposta da refeição, preferencialmente sendo consumidas no início da mesma. Além disso, variar cores e ingredientes é fundamental. Alguns itens são vilões - lobos vestidos de vovozinha - que descaracterizam a salada e a levam de heroína a bandida da dieta. Pães, torradas, azeitonas e alcaparras (que contém muito sal), molho inglês, mostarda, catchup e molhos cremosos (com adição de maionese e creme de leite e muito glutamato monossódico) são os principais. “Eles viciam o paladar e fazem com que a pessoa deseje comer mais”, frisa Graça. Até o famoso azeite extra-virgem, com acidez menor ou igual a 0,5 (ótimo para potencializar a absorção das vitaminas e minerais) e os molhos saudáveis, que vamos ensinar nesta reportagem, devem ser moderados: apenas duas colheres de sopa para temperar.

Fotos: Ramón Vasconcelos

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“Observar as folhas da época é uma boa dica, porque estão mais frescas e mais baratas” Graça Moraes, nutricionista EM REVISTA


Passo a passo

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Preparar uma salada funcional é muito mais que combinar cores em um refratário. Alguns passos devem ser observados. O primeiro é a higienização. “Quando chegamos do supermercado, devemos colocar as verduras na geladeira por duas horas, antes de lavar. Passado o tempo, devemos lavar e retirar as partes danificadas das folhas e colocar em uma solução de hipoclorito de sódio (sendo uma colher de sopa por litro de água) por 20 minutos”, orienta a nutricionista. Depois, é preciso repetir este processo de imersão com água e vinagre. Em seguida, lave as folhas em água corrente. Outra dica é rasgar os itens verdes com as mãos e não cortá-los com faca, o que evita a oxidação. Misturar as folhas com ervas, como manjericão, também dará outro aspecto à salada. O próximo passo é cuidar dos molhos. Azeites aromáticos com dentes inteiros de alho no vidro, por exemplo, dão um paladar diferenciado. Graça também recomenda mais três receitinhas rápidas de molhos, com aromas deliciosos e muito saborosas: misturar, no liquidificador, alho, manjericão (rúcula ou salsa) e azeite; mel, shoyo, limão ou laranja e azeite; e aceto balsâmico, azeite e páprica doce. Deu água na boca, mesmo em se tratando de salada? Se você provar, com certeza, concordará que é possível uma salada que não engorda ser prazerosa ao paladar. Substituir a maionese por iogurte diminui as calorias e mantém o prazer. A dica é misturar iogurte, mostarda, mel e salsinha e colocar esta pastinha nas folhas, legumes e frutas harmoniosamente distribuídos na saladeira. Continuando com o quesito “substituição sem sofrimento”, os pães e torradas devem ter menos manteiga quando tostados e, preferencialmente, ser integrais, pois contém mais fibras. E o toque final na salada pode ser com sementes (como as de gergelim, girassol e linhaça) - que devem ser tostadas, em porções iguais, em uma panela com sal e orégano para liberar o aroma e batidas na função “pulsar” do liquidificador até virar uma farofinha - ou ainda com castanhas picadas grosseiramente. Crocância garantida! A farofa de sementes pode ser doce também e usada nas saladas de frutas. Para isso, ao invés de sal e orégano, acrescente açúcar mascavo e acione o pulsar. Com estas medidas simples, a salada nossa de cada dia será muito mais saudável e verdadeira. E a dieta terá o tão esperado final feliz! EM REVISTA

SALADA DE CAMARÕES INGREDIENTES: - 15 camarões médios - 1 xícara (chá) de manga em cubos - 6 folhas de r��cula - 8 folhas de alface americana - 6 castanhas de caju picadas - 1 colher (sobremesa) de gengibre - 1 colher (sopa) de salsa picada MOLHO: - ¼ de xícara (chá) de azeite de oliva - 2 colheres (sopa) de suco de limão - 1 colher (sobremesa) de mel - 1 colher (chá) de molho de soja Modo de preparo: Tempere os camarões com sal, pimenta e refogue. Para fazer o molho, misture o azeite, o mel, o molho de soja, o limão e o gengibre. Em um refratário, arrume as folhas e a manga. Acrescente os camarões e as castanhas. Regue a salada com o molho e sirva em seguida. OUTRa OPÇÃO DE MOLHO - 1 xícara (chá) de iogurte - 2 colheres (sopa) de suco de limão - 1 colher (chá) de mostarda - 2 colheres (sopa) de azeite - Sal a gosto - Junte todos os ingredientes e bata até obter uma mistura homogênea.


infância 28

O uso dos jogos eletrônicos e computadores é cada vez mais precoce e isso pode ser muito prejudicial para o desenvolvimento das crianças

Geração hi-tech

Por Taciana Chiquetti

EM REVISTA


Fotos: Ramón Vasconcelos

Uma cuidadora moderna, mas totalmente contrária às recomendações da “babá ideal”, Supernanny é personagem do reality show que enfatiza o limite e a disciplina no desenvolvimento saudável das crianças. Depois da aula, algumas crianças ficam aos cuidados dela: a babá “lan house”. É o caso de Arthur Gabriel Farias, de sete anos de idade, que fica quase todas as tardes entretido com jogos eletrônicos e não os troca por quase nenhuma outra atividade. “A lan house é um tipo de babá nos momentos em que eu não tenho com quem deixá-lo. Mas, mesmo em casa, em nossa companhia, ele gosta de jogar”, relata a mãe Priscilla Lorraine. “Veterano”, Arthur adora os games desde os três anos de idade. Com recursos tecnológicos cada vez mais atraentes, os jogos usam as mais perfeitas representações da realidade, 3D, movimentos diversos, jogos em rede e acabam por atrair a atenção das crianças cada vez mais cedo. E tudo é motivo ou forma de barganha para conseguir jogar mais um pouquinho. “Vá tomar banho!”, Priscilla recomenda. “Mas, depois posso jogar, mãe?”, pleiteia o garoto. Mesmo admitindo que gosta de atividades ao ar livre e da presença dos amigos, quando sai de casa, geralmente é motivado para...advinha? Jogar! As crianças, colegas de Arthur, se reúnem de casa em casa com este objetivo comum. “É muito divertido e não tenho mais medo das cenas, porque estou acostumado. Já vi um monte de vezes”, relata o garoto, que concedeu a entrevista atento a um jogo bem sangrento, por sinal. “Comecei a me preocupar quando a professora me chamou a atenção para os desenhos de Arthur: todos sobre jogos. Bonecos lutando, armas... Além disso, ele também não fica atento às aulas por estar pensando nos jogos e percebo também que ele está mais estressado, introspectivo e impaciente”, observa a mãe, admitindo a necessidade de ajuda de um psicólogo para corrigir o comportamento do filho.

“Comecei a me preocupar quando a professora me chamou a atenção para os desenhos de Arthur: todos sobre jogos” Priscilla Lorraine, mãe de Arthur EM REVISTA

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Consequências do exagero

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Os sinais dados pelo menino são comuns, segundo a psicóloga Kátia Bezerra, que vivencia muitos casos semelhantes em seu consultório. “Geralmente, o excesso de interesse por jogos vem associado a outras dificuldades de comportamento, como sintomas de ansiedade, queda no rendimento escolar, distúrbios de sono, agressividade, falta de interesse pelas atividades cotidianas e até mesmo certo prejuízo quanto à sociabilidade, em casos mais graves”, explica. “Perder, para ele, é algo ruim. Quando acontece, ele se recusa a continuar jogando. Arthur não tolera frustração e se mostra agressivo nestas situações”, detecta Priscilla. Os jogos acabam sendo um canal para a expressão da energia agressiva. O comportamento compulsivo por jogos preocupa os pais, que, na maioria das vezes, não sabem como intervir e cada vez mais solicitam orientações de profissionais para saber como ajudar o filho. “Mas há uma diferença entre o excesso de interesse e ‘vício’, pois a dependência implica em prejuízo social, das atividades cotidianas. Estes casos são mais incomuns, porque a família naturalmente não permite, por exemplo, que uma criança deixe de ir à esco-

la ou não se alimente para estar diante de um vídeo-game. No caso de adolescentes, é um pouco mais difícil exercer o controle para alguns pais”, frisa. O desafio, portanto, é colocar limites em mais este item contemporâneo da tão complexa educação dos filhos: limitar o uso do computador e do vídeo-game, no melhor estilo Supernanny, e propor alternativas de entretenimento saudáveis para a criança. Brincando, a criança se comunica com o mundo a sua volta. As brincadeiras mais indicadas pelos psicólogos são as que estimulam o raciocínio e a afetividade. Resgatar a contação de histórias e as brincadeiras em conjunto com a criança, por exemplo, pode ser uma solução simples que se tornará hábito muito mais atrativo para os filhos, justamente por proporcionar o contato com os pais – algo não tão frequente na rotina hoje em dia. Por mais interessante que um jogo eletrônico se apresente, não há nada mais prazeroso para uma criança do que o carinho e a atenção de seus genitores. Para identificar se seu filho está passando da conta, a recomendação da psicóloga Kátia Bezerraé o mesmo olhar cuidadoso utilizado para lidar com qualquer outro problema. Questione-se: como está o desenvolvimento do meu filho? O que tem em excesso e o que está em falta? “Nenhum pai quer ver seu filho com dificuldades, nem ‘viciado’ em nada e, por esse motivo, é preciso atenção amorosa, impondo limites. Vídeo-game é inevitável, porque o mundo mostra isso. Se há uma criança que não sabe jogar, pode até ser excluída pelos amigos. Mas da mesma forma que é bom jogar vídeo-game, é ótimo ler, andar de bicicleta, correr, saltar e jogar bola. Uma boa dica é sempre investir naquilo que falta, naquilo que a criança precisa desenvolver. Assim, corre-se menos riscos de entregar-se aos exageros”, resume a psicóloga. Equilíbrio continua sendo a palavra mais recomendada quando o assunto é educação.

“Geralmente, o excesso de interesse por jogos vem associado a outras dificuldades de comportamento” Kátia Bezerra, psicóloga EM REVISTA


TESTE PARA AVALIAR O GRAU DE DEPENDÊNCIA DA INTERNET Recentemente, Kimberly Young, pesquisadora da Universidade de Pittburg, nos Estados Unidos, desenvolveu um teste para avaliar o vício em internet. Trata-se da primeira medida validada e confiável de uso dependente da grande rede. Mais voltado aos adultos, o teste pode ajudar em uma autoavaliação ou também pontuar algumas observações relacionadas ao comportamento de seu filho. Para os dependentes, a internet tem o mesmo efeito das drogas do tipo antidepressivo, que traz a sensação de euforia e felicidade. O teste é um questionário com 20 itens que mede os graus leve, moderado e severo do vício. Para avaliar seu grau de dependência, responda às perguntas a seguir usando a escala abaixo. Depois, some os pontos e veja o resultado. 0 - Não se aplica 1 - Raramente 2 - Às vezes 3 - Frequentemente 4 - Geralmente 5 - Sempre 1. Com que frequência você acha que passa mais tempo na internet do que pretendia? 2. Com que frequência você deixa para depois as tarefas para passar mais tempo online? 3. Com que frequência você prefere a emoção da internet a sair com um amigo ou amiga? 4. Com que frequência você constrói novas amizades usando a internet? 5. Com que frequência outras pessoas em sua vida se queixam sobre a quantidade de tempo que você passa online? 6. Com que frequência suas notas ou tarefas da escola são afetadas pelo tempo que você passa online? 7. Com que frequência você checa suas mensagens na internet antes de qualquer outra coisa que você precise fazer? 8. Com que frequência seu desempenho na escola é prejudicado por causa da internet? 9. Com que frequência você fica na defensiva ou guarda segredo quando alguém lhe pergunta o que você faz online?

10. Com que frequência você bloqueia pensamentos perturbadores sobre sua vida com pensamentos leves de internet? 11. Com que frequência você se pega pensado em quando você vai se conectar novamente à internet? 12. Com que frequência você se flagra pensando como a vida sem internet seria chata, vazia e sem graça? 13. Com que frequência você explode, grita ou se mostra irritado (a) se alguém lhe incomoda enquanto você está online? 14. Com que frequência você dorme pouco por ficar logado durante a madrugada? 15. Com que frequência você se sente preocupado (a) com a internet quando está offline? 16. Com que frequência você se pega dizendo “só mais alguns minutos” quando está online? 17. Com que frequência você tenta diminuir a quantidade de tempo que fica online e não consegue? 18. Com que frequência você tenta esconder quanto tempo você está online? 19. Com que frequência você opta por passar mais tempo online em vez de sair com outras pessoas? 20. Com que frequência você se sente deprimido (a), mal-humorado(a) ou nervoso(a) quando está offline e esse sentimento vai embora assim que você volta a se conectar à internet? RESULTaDO 20-49 pontos Você é um usuário mediano da internet. Pode ser que às vezes você navegue um pouco demais na web, mas você tem controle sobre isso. 50-79 pontos Você tem passado por problemas ocasionais ou frequentes por causa da internet. Você deve avaliar com cuidado o impacto disso em sua vida. 80-100 pontos O uso abusivo da internet está provocando problemas significativos em sua rotina. Você deve encarar os problemas causados pelo uso que você faz da internet e procurar ajuda especializada.

EM REVISTA

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Fotos: divulgação

entrevista 32

Esquecer a palavra “felicidade” é o primeiro passo para ser “feliz por nada”

Martha Medeiros EM REVISTA


33 Por Taciana Chiquetti Depois do livro “Divã”, que fez sucesso também no cinema, a escritora Martha Medeiros quase que dispensa apresentações. Careta para umas coisas, liberal para outras, machista em relação a alguns assuntos, feminista em relação a outros, madura em determinadas ocasiões, infantil em outras e íntegra, acima de tudo, ela mesma se descreve como um “mosaico”. Gaúcha, colunista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre-RS, e de O Globo, do Rio de Janeiro-RJ, conquista legião de leitores pela maneira simples e acessível com que trata, especialmente, temas da vida humana. O último livro “Feliz por Nada” foi o mote desta entrevista. Pergunta após pergunta e resposta após resposta, o mosaico foi se formando sem a pretensãode defini-la, mas de compartilhar com os leitores as ideias de quem acredita que viver bem é valorizar as relações entre as pessoas e ser livre para fazer escolhas.

Viver Bem em Revista - Seu novo livro “Feliz por Nada” destaca um tema não muito comum na mentalidade das pessoas, que geralmente condicionam a felicidade a alguma conquista, geralmente concreta. Você acredita que é possível realmente se sentir feliz por nada? De que maneira? Martha Medeiros - É uma questão de estado de espírito, de não levar-se tão a sério. Não se pode condicionar a felicidade à posse de bens materiais ou a troféus na prateleira. É preciso ter uma atitude mais grata: só o fato de ter nascido já é uma honra, quantos não tiveram a chance? Óbvio que problemas a gente vai ter sempre, a vida nunca estará 100% em dia - isso é irreal. Acho que a felicidade passa pela consciência disso, pela aceitação disso. Aliás, a palavra felicidade deveria ser riscada do mapa, porque ela carrega uma pressão insana. O que as pessoas deveriam buscar é uma satisfação pessoal, algo que é muito íntimo e que não depende de aplausos da “plateia”. Mas é importante salientar que estamos falando de pessoas que vivem um cotidiano dentro de uma suposta

“normalidade”, com alguns problemas de amor, de dinheiro, mas não com problemas de caráter trágico. VBR - Você fala muito, em suas crônicas, sobre simplicidade nas relações humanas e nas percepções da vida. Para você, viver de maneira simples é o segredo para viver bem? MM – Acho que sim, mas isso não significa fazer voto de pobreza, viver franciscanamente. Se a pessoa pode se dar ao luxo de viajar, de morar bem, de tomar bons vinhos, ulalá! Sou totalmente a favor de a gente se presentear, se mimar – caso tenha condições para isso sem se atolar em dívidas. O importante é PENSAR de maneira simples. Não valorizar bobagens e frescuras. Não se preocupar tanto com o que os outros pensam. Não se deixar levar por uma vaidade patética. Não fazer drama por qualquer coisa. Não cair na cilada de achar que ter poder é algo importante. Não ser competitivo a ponto de perder os escrúpulos. E, principalmente, nunca perder a noção de que a família, os amigos e os amores é que são nossos EM REVISTA


“O que a gente precisa é não ter medo de ser quem é, não se deixar levar por ideias prontas, por tendências de comportamento e muito menos ficar dependente da aceitação dos outros” bens mais preciosos, o resto é bom, mas não imprescindível.

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VBR - Como selecionou as crônicas do livro? Tem preferência por alguma? MM - A cada nova coletânea, releio tudo o que publiquei nos últimos anos e vou retirando o que ficou muito datado ou aqueles textos que já não gosto tanto. Mantenho os que ainda podem gerar alguma reflexão. Gosto muito de “Carta ao Rafael”, que apesar de ter sido escrito em homenagem ao nascimento do meu sobrinho, traz um conteúdo que serve para todos nós. Aliás, é o que me faz gostar também de “Carta ao João Pedro”, irmão mais velho do Rafael, hoje com seis anos – essa crônica para o João Pedro está no meu livro “Coisas da Vida”. VBR - Qual é a importância das terapias psicológicas e holísticas para melhorar a qualidade de vida? Você acha possível viver bem, atualmente, sem ter acesso a elas? MM - Cada um procura as ferramentas que melhor lhe servem, não existe fórmula nem mágica. O que a gente precisa é não ter medo de ser quem é, não se deixar levar por ideias prontas, por tendências de comportamento e muito menos ficar dependente da EM REVISTA

aceitação dos outros. Costumamos generalizar tudo, esquecendo a força da individualização. Segmentamos as pessoas por tribos e isso engessa, confina. Eu sou careta para umas coisas, liberal para outras, machista em relação a alguns assuntos, feminista em relação a outros, madura em determinadas ocasiões, infantil em outras, e isso não me rouba a integridade. A gente é mesmo assim, um mosaico. Só não podemos cochilar numa questão: é proibido fazer mal aos outros. Se a gente consegue levar isso à risca, o resto fica muito fácil de lidar. VBR - Você faz análise ou utiliza algum tipo de terapia? Qual? MM - Muitos acham que sou expert no assunto, até porque escrevi um livro chamado Divã (que faz 10 anos esse ano), mas a verdade é que só agora estou fazendo terapia, pela primeira vez, e adorando. Uma consulta por semana, para higienizar a mente. Estou numa fase da vida que não quero mais arrastar correntes, quero seguir meu caminho com cada vez mais leveza e a terapia ajuda muito nesse propósito. VBR - Qual seria sua recomendação ou conselho para atingirmos a condição de “feliz por nada”? MM - Olha, sem querer ser mórbi-

da: todos nós vamos morrer e a vida é um flash, um sopro. Ter consciência disso ajuda um bocado. Óbvio que é preciso encontrar maneiras de conviver bem em sociedade, pois fazemos parte de um grupo, temos que nos ajudar mutuamente, mas, no que se refere a nossa relação com a gente mesmo, para que se atormentar tanto? Vai dar em nada! (risos) VBR - Quais as principais utopias sobre a felicidade na sociedade contemporânea? O que, hoje em dia, mais compromete a liberdade das pessoas em serem felizes gratuitamente? MM - Volto a dizer: esquecer a palavra felicidade é o primeiro passo. Isso é uma convenção que mais inferniza do que estimula. Se fosse para resumir o prazer de existir em uma palavra, eu optaria por independência. Acho fundamental batalhar pelo nosso sustento, lutar por nossas opiniões e ideias, procurar, dentro do possível, não depender de ninguém. Dessa forma, tudo o que a gente fizer e sentir será absolutamente verdadeiro. VBR - O que é felicidade para você? MM - É isso. Ser independente, fazer minhas escolhas livremente e ter muitos e reais afetos: meus pais, minhas filhas, meus amigos, meus ex-


-amores e os que virão. VBR - Como a literatura pode ajudar na qualidade de vida das pessoas? MM - A literatura salva a pessoa da estreiteza da vida. Ensina a pensar. Te coloca no lugar do outro e isso elimina preconceitos. Literatura diverte, amplia o vocabulário, abre horizontes, preenche tua solidão, faz com que você nunca mais reclame que está perdendo tempo. Quem carrega um livro consigo não perde tempo nunca. Pode estar dentro de um ônibus, numa sala de espera, aguardando o filho sair da escola, não estará perdendo tempo. Lendo, estará vivendo. VBR - De que forma seu estado interno (de bem estar ou melancolia) interfere na prática de sua escrita? Como você se inspira para escrever? MM - Ao contrário de muitos escritores, estar bem comigo mesma me faz trabalhar com mais entusiasmo, mais dinamismo, mais vigor. A tristeza me inspira, mas não no ato. Levo ela pra passear ou fico com ela na reclusão do meu quarto, me aquieto. Quando ela passa, eu volto pro computador. Ela pode vir a ser matéria-prima para a literatura (muitas vezes é), mas não é minha fonte de energia. Não que eu precise ser uma boba alegre pra escrever, mas escrevo melhor quando estou mais segura dos meus sentimentos. VBR - Como você define seu estilo literário? MM - Não há nada que me deixe mais desconfortável do que me definir. Sei

lá... escrevo de forma simples, direta, sem hermetismos, vou direto ao ponto. Creio que sou comunicativa, mas não sei se isso pode ser classificado como um “estilo”. Sinceramente, não penso em nada disso quando estou escrevendo. Estilo, no meu caso, é algo que não planejo nem teorizo a respeito. VBR - Quais os próximos planos em andamento para suas produções? Há alguma previsão de visita à Natal-RN? MM - Lançarei, daqui a um mês, uma pequena história de ficção chamada “Noite em Claro”. Gosto muito desse texto, ele foi escrito há uns 9 anos, mas estava preso, inédito dentro do meu computador por ser muito breve, não havia onde publicá-lo. Pois agora a L&PM está editando uma coleção pocket chamada “64 Páginas”, justamente para textos curtos, e finalmente ele vai pra rua. E no segundo semestre devo lançar um livro só com relatos de viagens. Viajar a lazer é meu grande prazer na vida. Já circulei pelo Brasil todo, mas agora é tempo de ficar mais em casa trabalhando (é o único lugar onde escrevo) e de viver a vida sem tantos compromissos profissionais. O único evento literário que participarei em 2012 será a Feira Panamazônica, em Belém do Pará, em setembro. Não é tão longe de Natal...

“Já circulei pelo Brasil todo, mas agora é tempo de ficar mais em casa trabalhando (é o único lugar onde escrevo) e de viver a vida sem tantos compromissos profissionais. O único evento literário que participarei em 2012 será a Feira Panamazônica, em Belém do Pará, em setembro. Não é tão longe de Natal...”

VBR - Se você não fosse escritora, seguiria alguma carreira na área de psicanálise, psicologia? MM - Provavelmente, sim. Tenho fascinação pela mente humana, por tudo o que faz a gente ser como é, agir do jeito que age. É um mistério que me instiga. EM REVISTA

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comportamento 36

Por Taciana Chiquetti

Bem-vinda, mudança! Trilhar um novo caminho pode ser o divisor de águas na sua vida “Eu sou assim, sempre fui assim e pronto!” ou “Nasci deste jeito e vou morrer deste jeito” ou “Todos na minha família seguiram por este caminho e eu também”. Essas são frases típicas da “Síndrome de Gabriela” – personagem de Sônia Braga, na novela antiga Gabriela, cuja trilha sonora trazia na letra frases como estas. No sentido inverso, observando a natureza, por exemplo, conclui-se que a mudança – de opinião, de crenças, de formas, de cores, de estado, de local e todas as outras – é o rumo essencial da vida. “A condição imutável é uma ilusão criada pelo homem para suportar a angústia diante do novo e desconhecido. O medo é saudável como um dispositivo de proteção, mas quando ultrapassa o limite, compromete nosso crescimento. Mudar é permitir-se amadurecer”, analisa a psicóloga Jordana Celli. Discordando completamente do “modelo Gabriela”, que evidencia pensamentos ainda comuns nas pessoas e EM REVISTA

que revelam a resistência à mudança, a médica Vera Barreto tem se tornado especialista em romper paradigmas e, atualmente, tem como missão inspirar os outros a ter uma vida melhor, de olho no autoconhecimento. Sua rotina foi constantemente alterada por ela própria ou pela vida: já passou por três casamentos, coleciona profissões (médica, professora de inglês e consultora financeira) e viveu lutos marcantes, como o de seu pai, assassinado. “Há somente três coisas na vida que são certas: a morte, o pagamento de imposto e a mudança. A mudança é a ordem natural da vida. Temos que incorporá-la. O problema é que fomos criados para nos acostumarmos ao que é o nosso ‘normal’ e ficar vivendo em uma situação confortável para a mente”, resume. Ela compara o processo de mudança a nadar em uma piscina. Se você está no centro da piscina, tem duas opções: voltar à borda que já conhece ou nadar a mesma distância e chegar a uma nova


Cedida

“Parei de pensar no que eu perdi e comecei a observar meus ganhos. Tive que desfazer as malas emocionais e acabou o luto” Girlaine Caldas, ger. de marketing

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rículo tão intenso de mudanças, mas começou recentemente a fazer as pazes com as transformações. Sempre morou no Rio de Janeiro e trabalhava há 16 anos na mesma empresa até ser convidada a assumir uma nova função em outro shopping, administrado pela companhia, fora de seu Estado. Em apenas um mês, deixou a “cidade maravilhosa” e se instalou na “cidade do sol”, com seu filho Pedro, de 9 anos, sem nem mesmo se despedir da antiga casa. “Esta mudança mexeu com minha vida em todos os sentidos. Os primeiros três meses não Cedida

borda. “Quando estamos no meio da piscina é que precisamos de ajuda, muitas vezes, para seguirmos em frente. A dor da mudança é saudável e depende de como a encaramos. O que é muito pesado geralmente é também muito libertador”, exemplifica a médica. Ao contrário de Vera, a carioca Girlaine Caldas, gerente de marketing de shopping, não tem um cur-

“A dor da mudança é saudável e depende de como a encaramos. O que é muito pesado geralmente é também muito libertador” Vera Barreto, médica EM REVISTA


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“O medo é saudável como um dispositivo de proteção, mas quando ultrapassa o limite, compromete nosso crescimento. Mudar é permitir-se amadurecer”

Ramón Vasconcelos

foram fáceis: senti muita saudade da família e dos amigos. Então, resolvi fazer um trabalho mental, que foi a base para eu compreender meus pensamentos distorcidos. Comecei a enxergar o lado bom”, relata. Diminuir o ritmo do dia a dia, poder almoçar em casa, ter tempo para fazer atividade física e desfrutar de outros atributos que somente uma cidade menor oferece foram alguns dos benefícios encontrados por Girlaine ao avaliar a nova fase de sua vida. “Mudei o foco. Parei de pensar no que eu perdi e comecei a observar meus ganhos. Tive que desfazer as malas emocionais e acabou o luto”, diz. Pouco tempo depois, mais familiares também aderiram à capacidade de adaptação de Girlaine e também passaram a morar em Natal. E ela, hoje, se sente cada vez mais em casa – mesmo longe de casa – e está muito mais preparada para as novas mudanças que virão. Resistir às transformações, mesmo insatisfeito com a atual realidade, é mais comum do que se imagina e traz efeitos funestos. “As pessoas não se sentem felizes, mas também não rompem com a situação que lhes aprisiona e, com isso, acabam adoe-

Jordana Celli, psicóloga

cendo no corpo físico”, conta a psicóloga Jordana Celli. Ela alerta ainda que o equilíbrio é fundamental: nem agir com impulsividade, se lançando a qualquer mudança sem avaliá-la previamente, nem resistir rigidamente a uma nova condição de vida. Tanto Vera quanto Girlaine concordam que uma existência camaleônica trouxe, para o repertório de experiências, importantes ensinamentos e aprimorou a capacidade delas de adaptação, tornando-as mais

flexíveis. “Tenho amor pela mudança. Todas elas são boas, porque nos trazem ensinamentos”, diz Vera. Para mudar com elegância e êxito, uma recomendação é sair de si e ajudar o próximo, verificando que existem inúmeras outras perspectivas, ampliando os horizontes. Sempre que estiver no meio da piscina, antes de decidir qual a direção da próxima braçada é importante respirar fundo e perguntar a si mesmo: “Como posso ser melhor?”

PARA MUDAR: 1) Entenda que o medo de mudar é uma reação normal, mas que deve ser vencido. 2) Trabalhe perdas e lutos, buscando acolhimento e aceitando a realidade. 3) Descubra novas formas para se viver. 4) Estabeleça metas possíveis 5) Busque um estilo de vida produtivo.

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saúde 40

Alergias

Apesar de não ter cura, é possível controlar as crises e viver bem

Foi-se o tempo que alergias eram doenças específicas do inverno, por causa do aumento da umidade. A exclusividade acabou, embora com a chegada da estação mais fria do ano os casos, de fato, aumentem. Atualmente, alergia virou epidemia e é frequente em qualquer época do ano. “Isso ocorre porque nosso sistema imunológico não está preparado para tantas mudanças de hábitos, como por exemplo morar em apartamentos e, com isso, ter menos atividades ao ar livre; modificações nos hábitos alimentares, aumentando a ingestão de aditivos e o uso excessivo de antibióticos ”, argumenta a alergologista Simone Diniz. Até mesmo a redução

de alergias são crônicos. “As alergias interferem diretamente na qualidade de vida do paciente, que, muitas vezes, tem sua vida social e profissional comprometida e a qualidade de sono prejudicada”, alerta. Os principais alérgenos são os inaláveis (poeira, ácaros, fungos), alimentares, medicamentos e insetos. As alergias mais comuns são a asma, a rinite e a dermatite atópica (lesões na pele caracterizadas por vermelhidão, coceira, descamação e desidratação excessiva). A Organização Mundial de Alergia estima que 400 milhões de pessoas tenham rinite alérgica e 300 milhões, asma, com um custo econômico calculado como

Por Taciana Chiquetti

EM REVISTA

no número de filhos e a abundância na variedade de vacinas contribuem para este cenário. “O nosso sistema imunológico ficou praticamente sem ter do que se defender e considera tudo estranho. Em algumas situações ataca até as nossas próprias células (doenças auto imunes)”, explica. Cerca de 40% da população possui um ou mais tipos de alergia, que atinge todas as faixas etárias - de crianças a idosos. É o que afirma a World Allergy Organization (WAO - Organização Mundial de Alergia). Hoje em dia, segundo dra. Simone, a alergia se tornou um problema de saúde pública, uma vez que o custo do tratamento é alto e muitos tipos


Fotos: Ramón Vasconcelos

maior do que o da tuberculose e o do HIV/AIDS juntos. “Nas crises, realmente a alergia compromete minha vida. Quando acordo espirrando, me coçando ou com início de asma, sei que naquele dia não poderei trabalhar ou estudar. Tenho que ficar de repouso, como se eu estivesse gripada”, relata a publicitária Louise Marinho, de 22 anos, que começou a apresentar os sintomas mais fortemente quando era pré-ado-

lescente. A acupuntura e o uso de anti-histamínicos foram os tratamentos mais efetivos, segundo ela, que admite interrompê-los, de vez em quando. “Sei que não é suficiente, mas é o que posso fazer na correria do dia a dia”, admite a jovem que padece do “kit completo” – rinite, dermatite e asma. As doenças associadas às alergias, as chamadas comorbidades, também incomodam. Algumas delas são: refluxo gastroesofágico, sinusite e otite.

“Nas crises, realmente a alergia compromete minha vida”

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Louise Marinho, publicitária

Tratamento O aspecto mais importante do tratamento é persistir nele – algo que não é tão fácil, exige disciplina e tenacidade, porque em geral o tratamento é a longo prazo. “O principal objetivo do tratamento é a prevenção, que consiste desde o controle do ambiente até uso de medicamentos de uso regular ou intermitente”, observa a especialista. A imunoterapia específica (vacina) é eficaz, mas nem todos pacientes tem indicação de fazê-la. A dica é procurar um especialista e atentar para o detalhe de que a vacina tem que ser específica para cada pessoa e que o tempo de tratamento varia de 3 a 5 anos. “O excesso de produtos de limpeza, o tabagismo passivo e a limpeza do ar condicionado devem ser observados. Quem tem asma não pode viver em um ambiente de fumantes, com exposição a cheiros fortes e com o acúmulo de poeira nos aparelhos de ar condicionado”, diz a alergologista.

A manutenção deve ser feita a cada seis meses e a limpeza do filtro precisa acontecer semanalmente. Quem tem dermatite deve ficar atento aos sabonetes, hidratantes e protetores solares, que devem ser prescritos por um médico. A hidratação diária é fundamental. Apesar destas orientações gerais, dra. Simone destaca que é necessário sempre individualizar o tratamento e procurar não interrompê-lo. A alergologista resume a situação de alguém que tem alergia: “é tratar ou tratar!”. A opção deve ser pela qualidade de vida.

simonedinizoliveira@gmail.com

“O principal objetivo do tratamento é a prevenção, que consiste desde o controle do ambiente até uso de medicamentos de uso regular ou intermitente” Simone Diniz, alergologista EM REVISTA


Produtos para alérgicos

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Depois de perceber um aumento significativo na procura, a Biocosméticos foi uma das pioneiras, em Natal, a trabalhar com uma linha completa de produtos hipoalergênicos. A loja, localizada em Petrópolis, conta com mais de 20 itens da marca Alergoshop, uma das mais conceituadas no mercado. São shampoos e condicionadores, desodorantes, sabonetes, hidratantes, cremes para barbear, repelentes, protetor solar, esmaltes e maquiagens diversas. Além dos itens destinados às alergias na pele, há ainda as capas anti-ácaro para colchão e travesseiro e o espaçador para a bombinha de asma, peça colocada para um melhor aproveitamento do medicamento. Os clientes podem encontrar, também, a solução ADF Plus, para higienização do ambiente, que elimina ácaros, fungos e bactérias. Esses produtos ideais para quem tem rinite, bronquite, sinusite e asma.

“Já trabalhamos com esses produtos hipoalergênicos há dez anos, porque sempre foi difícil encontrá-los na cidade. A procura sempre é grande” Isabelle Louise, empresária EM REVISTA

Os hipoalergênicos mais procurados atualmente são as capas, os desodorantes, a maquiagem e os esmaltes especiais. “Já trabalhamos com esses produtos hipoalergênicos há mais de dez anos, porque sempre foi difícil encontrá-los na cidade. A procura sempre é grande”, conta a proprietária da Biocosméticos, Isabelle Louise. Por causa do sucesso nas vendas, a

Biocosméticos passou a disponibilizar mais um produto diferenciado: a solução para bijuterias. O identificador e o isolante de níquel são ideais para quem tem alergia a esses acessórios. Biocosméticos Av. Prudente de Morais, 393, loja 4 – Petrópolis (próx. a Paulident) Fone: 3201-0102 E-mail: biocosmeticosrn@ig.com.br


Sua confiança nos transformou em referência. A Prontoclínica de Olhos acaba de adquirir sua nova plataforma cirúrgica, a mais moderna do Norte-Nordeste, para correção de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Ela é composta pelo alegretto de última geração para correção de ametropias e do laser de femtossegundo que é usado para execução do flap, o que torna a cirurgia totalmente realizada por laser e aumenta a sua precisão.


saúde 44

Pioneirismo na saúde Por Taciana Chiquetti

Novo equipamento do Instituto de Radiologia de Natal é referência no diagnóstico de problemas cardíacos

EM REVISTA

Natal agora conta com um equipamento de última geração – o único aparelho de cintilografia do coração do Rio Grande do Norte, disponível no Instituto de Radiologia de Natal, em Petrópolis. A gama câmera é um dos mais modernos da Medicina Nuclear, que se destaca pelo conforto ao paciente e pela rapidez e precisão do exame para detectar obstruções nas artérias coronárias. “Em um equipamento de cintilografia convencional, o exame demorava cerca de 30 minutos. Com o gama câmera dedicada ao coração, bastam cinco minutos. Assim, oferece todos os recursos, tecnologia e qualidade de imagem para um diagnóstico muito mais preciso”, explica o médico Robson Macedo. Como exemplo, se um paciente procura um especialista com dores no


Fotos: Ramón Vasconcelos

peito, o cardiologista pode suspeitar de obstrução nas artérias e recomendar o exame, que avalia as repercussões das possíveis obstruções. Com isso, a conduta médica será muito mais adequada e ágil. A demanda por exames cardíacos é grande no Instituto de Radiologia de Natal, e que confirma como as doenças do coração são comuns nas pessoas atualmente. Somente de cintilografia do coração, são realizados cerca de 300 procedimentos por mês. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares, juntamente com a diabetes, a obesidade e as

doenças respiratórias são as que mais matam no mundo. Os ataques cardíacos e os infartos do miocárdio são responsáveis pelo falecimento de cerca de 12 milhões de pessoas por ano. A hipertensão e outras doenças cardíacas matam, por sua vez, 3,9 milhões de pessoas. A tecnologia tem papel fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e contribuir para a prevenção ou intervenção precoce. Outro exemplo recente no Instituto de Radiologia que mostra os avanços e o pioneirismo foi o caso de um exame do coração feito por ressonância magnética à distância.

Dr. Robson foi contatado por um médico de Recife-PE e, juntos, eles realizaram o procedimento via internet em um paciente de 51 anos de idade, que havia sofrido um enfarto. “Foi a primeira vez no estado do Rio Grande do Norte que fizemos algo desta forma. Foi um sucesso, pudemos definir o grau da insuficiência cardíaca e do comprometimento do coração, assim como as sequelas. Com o diagnóstico dado, o paciente pôde ser encaminhado para a fila de transplante”, conta. Com a conexão já estabelecida, será possível, a partir de agora, realizar o procedimento em conjunto com qualquer hospital do Brasil.

“O diferencial deste equipamento é que ele é específico para o coração. Assim, oferece todos os recursos, tecnologia e qualidade de imagem para um diagnóstico muito mais preciso” Robson Macedo, médico EM REVISTA

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Divulgação

saúde 46

Cirurgia simples é o caminho para tratar de vez o nariz entupido

Por Taciana Chiquetti

Respirando aliviado “Tinha crises horrorosas de espirros e não conseguia respirar. Ou eu comia ou respirava” Naíse Correia, bancária

EM REVISTA

Respirar aliviado é uma das recomendações mais frequentes nos piores ou melhores momentos da vida. Mas e quando os simples atos de inspirar e expirar escapam de nossa própria vontade e do nosso comando? A queixa de má qualidade respiratória faz parte do dia a dia dos otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos de face, Niro Reis e Paulo Eduardo. As estatísticas confirmam o que os médicos vivenciam na prática: no Brasil, cerca de 33% da população tem rinite alérgica. “E a tendência é aumentar. Poluição, dieta inadequada e o uso de ar condicionado, que acumula fungos, são alguns dos fatores que favorecem a doença”, explica Paulo. O ambiente refrigerado de seu local de trabalho e a umidade da cidade de Natal sentenciavam e praticamente condenavam a qualidade de vida da bancária Naíse Azevedo Alves Correia, de 52 anos. Desde criança, ela apresentava problemas respiratórios, como rinite e sinusite, comprovados

por tomografia computadorizada e já estava dependente de medicamentos descongestionantes e anti-alérgicos. A gaveta ao lado da cama estava repleta deles. “Todos os testes de alergia davam positivo. Eu era alérgica até mesmo a dinheiro e moedas. Tinha crises horrorosas de espirros e não conseguia respirar. Ou eu comia ou respirava. Quando os testes deram positivo, pensei: ‘vou ter que morar em uma bolha’”, relata, confirmando que procurou todos os tipos de tratamento para livrar-se do problema e viver uma vida normal - de acupuntura e homeopatia às formas de intervenção mais convencionais. A obstrução nasal é comum em pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos. As rinites são processos inflamatórios da mucosa do nariz. No caso das alérgicas, assim que o componente que causa a alergia entra em contato com a mucosa do nariz, a produção de muco aumenta, a concha nasal incha, o na-


Fotos: Ramón Vasconcelos

“A maior vantagem do procedimento é que o problema não volta mais. Conseguimos resolvê-lo de uma vez” Niro Reis, otorrinolaringologista

riz fica obstruído e a pessoa começa a espirrar. O desvio de septo nasal (estrutura formada por cartilagem e osso, recoberta por mucosa, que divide o nariz em duas cavidades) atrapalha o fluxo nasal. E a sinusite compromete a drenagem dos seios paranasais, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz. Em algumas pessoas, o líquido pode ficar acumulado nestes locais, provocando uma inflamação. Essas são as principais causas do chamado “nariz entupido”. Depois de passar pela crise mais violenta de todos os tempos, Naíse procurou dr. Niro e dr. Paulo no hospital. A indicação foi de cirurgia para desobstrução nasal, incluindo o desvio de septo, rinite e sinusite crônica. Mesmo temerosa no início,

Naíse topou se submeter ao procedimento. “Foi tão simples, nem dormi no hospital e já saí respirando”, conta a bancária que, um dia, já foi alérgica a dinheiro. A primeira atitude quando chegou em casa, enfim respirando, foi livrar-se da gaveta repleta de todos os medicamentos que já não surtiam mais efeitos. As gotinhas, afinal, trataram a consequência e não a causa do problema. O método diferenciado oferecido pelos especialistas, atualmente, representa cerca de 70 a 80% das cirurgias de desobstrução nasal que chegam para eles. “A maior vantagem do procedimento é que o problema não volta mais. Conseguimos resolvê-lo de uma vez”, observa Niro Reis. “O procedimento também pode ser associado, se o paciente desejar, a uma rino-

plastia (cirurgia plástica de nariz), no mesmo ato cirúrgico”, frisa Paulo. Praticamente um procedimento ambulatorial, com anestesia local (como a utilizada nos consultórios odontológicos) e sedação, que não permite que o paciente sinta, veja ou fique acordado durante a cirurgia, não há sangramento relevante durante o processo. Por este motivo, dispensa o uso de tamponamento e o paciente sai da cirurgia respirando no mesmo dia. “Existe ainda muito estigma em cima de procedimentos de desobstrução nasal. Mas quando as pessoas comprovam que a técnica é simples e muito menos agressiva do que pensavam, o problema está solucionado”, concluem os médicos. Além de comprometer o simples ato de respirar, quem padece de obstrução nasal também não consegue dormir e nem se alimentar adequadamente, com isso sua qualidade de vida fica significativamente comprometida. A filha de Naíse acabou herdando o problema da mãe e também sente os sintomas de nariz entupido. “Como agora sei o que fazer para respirar aliviada, não vou deixar que ela demore tanto a procurar um tratamento eficaz”, finaliza.

“O procedimento também pode ser associado, se o paciente desejar, a uma rinoplastia (cirurgia plástica de nariz), no mesmo ato cirúrgico” Paulo Eduardo, otorrinolaringologista EM REVISTA

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educação 48

Nutrindo-se de novos conhecimentos Por Taciana Chiquetti

A proposta do Nutre - Núcleo de Treinamento e Ensino – é promover conhecimento e capacitação em um ambiente que estimule ações empreendedoras e desenvolva ferramentas essenciais para enfrentar a competitividade do mercado. “As instituições de ensino preparam o aluno, no entanto é preciso continuar investindo em qualificação e manter-se atualizado. É justamente este complemento que constitui nossa proposta”, explica a diretora do Núcleo, Edneide Medeiros Bezerra. Para atingir este objetivo, dois aspectos foram colocados em foco: a qualidade no EM REVISTA

ensino e a infraestrutura diferenciada. Localizado em um ponto privilegiado da Avenida Salgado Filho, em frente à Arena das Dunas, o Nutre dispõe de instalações modernas com professores e palestrantes que são referências em técnicas de aprendizagem acelerada. O Nutre oferece em suas instalações uma estrutura que conta com salas de aula com 25 lugares, sala de informática com 20 máquinas de última geração e auditório que tem capacidade para 100 pessoas. Todos os ambientes são climatizados e equipados com teto acústico, sonoriza-

ção, projeção multimídia e internet, banda larga e Wi-Fi, que viabiliza vídeoconferências e cursos online. O projeto comporta, ainda, consultório para treinamento multidisciplinar informatizado e equipamentos de precisão científica para avaliação da composição corporal, incluindo a bioimpedância tetrapolar. Nos itens gastronomia e nutrição funcional, disponibiliza cozinha moderna devidamente equipada para aulas teórico-práticas com técnica de degustação. Na área social, possui estrutura completa para eventos corporativos, exposições e lançamento de produtos.


Fotos: Ramón Vasconcelos

Auditório com capacidade para 100 lugares com projeção multimídia, sonorização, teto acústico, acesso à internet e sala de informática com 20 computadores de última geração

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Dentro do conteúdo de formação, o Nutre garante uma vasta e dinâmica programação de cursos de extensão, pós-graduação, atualização e aprimoramento. Além de cursos de informática e idiomas voltados para os objetivos específicos de cada área ou profissão. Os treinamentos corporativos são desenhados de acordo com a necessidade de cada cliente. O espaço poderá ser utilizado também para reuniões e convenções empresariais, que contarão com toda assessoria durante a realização dos eventos. Considerando a importância do empreendedorismo e da qualificação

profissional, esse espaço representa mais uma conquista e traduz a relevância de investir na melhoria da formação. O Nutre acredita que esta fórmula é o melhor caminho para superar desafios e metas, atingindo projeção no mercado com segurança e eficácia. Nutre – Núcleo de Treinamento e Ensino Av. Salgado Filho, 2021 Lagoa Nova, Natal-RN Fone: (84) 3206.6263 contato@nutrebrasil.com.br www.nutrebrasil.com.br

“As instituições de ensino preparam o aluno, no entanto é preciso continuar investindo em qualificação e manter-se atualizado” Edneide Medeiros Bezerra, diretora do NUTRE EM REVISTA


meio ambiente 50

Vai e volta: Como funciona a Logística Reversa? Por Eugênio Bezerra

Para especialistas, este é o mecanismo que vai salvar o planeta das montanhas de lixo eletrônico

EM REVISTA


“Ser ambientalmente correto afeta a satisfação do cliente. Se você não faz porque é ambientalista, faça pelo lucro e pela imagem da empresa. O que é lixo, hoje, pode valer dinheiro, se for bem empregado no futuro”

cado?” Não é uma dúvida facilmente sanada. Todos os dias, nos inserimos um pouco mais no capitalismo. É impossível fugir do sistema, mas é necessário que mostremos um pouco de ideologia humanitária e responsabilidade socioambiental. No que se trata das empresas, há uma evidente tendência de que as legislações associadas ao meio ambiental caminhem na direção de fazer com que os produtores assumam a responsabilidade por todo ciclo de vida de seus produtos. Ou seja, ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega do bem aos clientes e do impacto que estes produzem no ambiente. Apenas isso já justificaria a prática da logística reversa, mas a consciência ecológica que nós, consumidores, estamos desenvolvendo nos faz cobrar das empresas que diminuam o máximo possível os impactos negativos de suas atividades na natureza. Isso incita as companhias a criar estratégias que tem como objetivo mostrar uma imagem de instituição ecologicamente correta.

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Cedida

Depois de muito tempo usando e abusando dos recursos naturais para satisfação de nossos caprichos e hábitos de consumo, hoje em dia é crescente a discussão sobre temas como desenvolvimento sustentável, consumo solidário e economia verde. Dentro desse contexto, uma prática que vem ganhando força é a logística reversa. Fica mais fácil entender se conceituarmos por partes. A logística é tão somente o gerenciamento do fluxo de materiais do seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. É o caminho que ele percorre de um ponto ao outro. A logística reversa acontece quando o cliente manda os materiais de volta ao produtor. Isso pode acontecer através de reciclagem, reuso, recall, devoluções de pilhas, baterias de celulares, garrafas de vidro, entre outros. Desse modo, é fácil chegar à conclusão de que o fluxo contrário de produtos gera custos aos fabricantes, logo pode-se formular a questão: “por que a logística reversa beneficia todos os lados das relações de mer-

Gailen Vick, presidente da RLA - Reverse Logistics Association EM REVISTA


O papel das empresas A preocupação da logística reversa (LR) é fazer com que esse material sem condições de ser reutilizado retorne ao seu ciclo produtivo ou para o de outra indústria como insumo, evitando uma nova busca por recursos na natureza e permitindo um descarte ambientalmente correto. Parece simples e inteligente, mas o processo ainda não funciona bem no Brasil. São vários os fatores, dentre eles a famosa e desgastante burocracia governamental. Além da pressão dos fabricantes para que essa legislação não seja colocada em prática. Muitas empresas não enxergam a logística reversa como um processo fundamental. Na realidade, toda vez que volta um produto para o seu local de origem há um processo logístico reverso, porém não dando a devida im-

presas não prestam muita atenção nisso, especialmente porque não têm consciência de quanto dinheiro poderia ser economizado com a adoção da prática. “Ser ambientalmente correto afeta a satisfação do cliente. Se você não faz porque é ambientalista, faça pelo lucro e pela imagem da empresa. O que é lixo, hoje, pode valer dinheiro,

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portância para essa prática perde-se muito financeiramente. É imprescindível que haja uma conscientização junto às empresas produtoras e toda a população. Um exemplo de acúmulo de entulho acontece nos Estados Unidos. As pessoas normalmente têm duas ou três garagens em casa, sendo uma delas desviada de sua função principal: vira depósito de entulhos. Boa parte deles é formada por equipamentos velhos e sem uso, guardados, porque não se sabe o que fazer com aquilo. Quem conta isso é Gailen Vick, presidente da RLA - Reverse Logistics Association, um especialista de mercado que conhece bem os gastos do país com logística reversa de mais de US$ 750 bilhões por ano, mas que afirma, categoricamente, que as em-

“A conscientização e a destinação ambientalmente adequada de um produto podem trazer, a esse consumidor, o entendimento sobre uma marca muito mais responsável e direta do que qualquer comercial” André Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee EM REVISTA


se for bem empregado no futuro”, afirma. Mas além do desconhecimento do assunto, existe ineficiência na própria implementação da LR, que exige, de fato, uma estrutura complexa para recolher, armazenar e tratar resíduos e um investimento inicial alto. Logística reversa é a estratégia que, na visão de André Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – permite um aumento de participação da empresa no mercado a partir de um programa de take back. “A conscientização e a destinação ambientalmente adequada de um produto podem trazer, a esse consumidor, o entendimento sobre uma marca muito mais responsável e direta do que qualquer comercial. É uma aposta no consumo consciente”, diz André.

FAÇA A SUA PARTE: • Somente doe equipamentos eletrônicos para alguém que você sabe que vai usá-los; • No momento da aquisição, prefira máquinas com várias funções e guarde as notas fiscais que são garantia para devolução do objeto em caso de defeito ou mal funcionamento; • Procure sempre produtos que consumam menos energia; • Não compre produtos de origem duvidosa, sem garantia e responsabilidade sócio ambiental; • Se não for usar o seu equipamento eletrônico, deixe-o desligado; • Imprima somente o necessário. Além de economizar papel, você aumenta a vida útil da impressora; • Leia atentamente as informações contidas nas embalagens de produtos eletrônicos; • Não guarde as pilhas usadas dentro de casa, leve-as para um posto de coleta (lojas revendedoras). O vazamento de baterias pode causar danos à saúde. Prefira pilhas e baterias recarregáveis. O mesmo cuidado deve ser adotado com as lâmpadas fluorescentes no descarte do material por conta do vapor de mercúrio.

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Autobraz é destaque em responsabilidade ambiental Mais do que os produtos oferecidos por uma empresa, os consumidores estão procurando atualmente conhecer os valores nos quais as companhias acreditam. Pesquisas com os clientes demonstram o quanto a sustentabilidade vem sendo importante na hora de decidir onde comprar. É o que a concessionária Autobraz, em Natal, vem apurando sistematicamente por meio de seus levantamentos. No caso de concessionárias, os clientes querem, cada vez mais, ter uma vida motorizada, mas sem se esquecer dos cuidados com o meio ambiente. Pensando nesta demanda, gerente geral da Fiat Autobraz, Francisco Wolgrand, começou um trabalho efetivo de responsabilidade ambiental desde 2008. A empresa passou a adotar a coleta seletiva de resíduos sólidos, separando metais, plásticos, vidros e papéis com destinação direcionada para sua reciclagem; distribuir mensalmente mudas de árvores e cartilhas informativas aos clientes; promover palestras com temas “pró-meio ambiente” para funcionários; substituir sacolas plásticas utilizadas na embalagem de peças por sacolas EM REVISTA

Fotos: Ramón Vasconcelos

meio ambiente 54

Selo Verde A coleta seletiva é uma das ações que consolidam a responsabilidade ambiental

confeccionadas em papel reciclado; eliminar o uso de estopas e buchas na oficina, substituindo-as por toalhas laváveis; e utilizar um método diferenciado e ecologicamente correto no tratamento de água para lavar os autos, por meio de caixa separadora instalada na tubulação de saída para a rede de esgoto. O resultado das ações não demorou a vir e, no ano seguinte, a Autobraz se tornou a primeira no Brasil, entre as mais de 500 concessionárias Fiat, a conquistar o Selo Verde, emitido pelo Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), que trabalha com certificações diversas. “Fomos pioneiros e, depois disso, a Fiat colocou a questão ambiental como padrão para as concessionárias. O IQA verificou nossos processos por meio de um checklist de 80 itens e passamos sem nenhuma não conformidade”, relata a gerente de qualidade da Autobraz, Roberta Paiva. Para o ano de 2012, uma nova auditoria do instituto está prevista para o próximo mês de agosto - momento em que o Selo Verde deverá ser renovado, porque as práticas não somente continuaram desde quando foram

iniciadas como foram aprimoradas com o passar do tempo. “Nossa proposta não é só vender carros, mas passar uma cultura de gestão ambiental para os clientes, que valorizam muito esta prática, se surpreendem com as iniciativas e sempre nos apoiam”, destaca Roberta, enfatizando que as ações ambientalmente corretas representam um diferencial quantos aos valores da empresa e especialmente quanto ao atendimento aos clientes. Autobraz Av. Romualdo Galvão, 1700 Lagoa Nova Fone: (84) 4006-5000 Fax: (84) 3234-5500


Pontos vitais

equilíbrio 56

Por Taciana Chiquetti

Entenda como o alinhamento dos chacras contribui para o bem estar do ser humano

Quem nunca se sentiu sem energia, como se estivesse vivendo em câmera lenta, opaco e sem luz própria? É sabido que somos mais que carne e osso, mais que uma mente pensante e um coração que se emociona. Temos alma. Há uma dimensão espiritual, de energia além da matéria, em todo ser humano. Logo, se nesta situação de baixa, fizéssemos uma foto do corpo energético humano, nela estariam reveladas, provavelmente, uma ou mais desordens nos centros energéticos: os chacras. Se um dos pontos de energia está em desequilíbrio, as funções correspondentes estarão recebendo menos impulso vital e tendem a ficar defasadas. Sinal certo de vulnerabilidade física e emocional, que compromete a qualidade de vida. É o que expli-

EM REVISTA

ca o professor de kundalini yoga, há mais de 30 anos, Akal Muret Singh. “Muitas vezes, esta disfunção é tão coletiva que não é vista como disfunção. É quando falamos ‘o ser humano é assim mesmo’. É a patologia de ser normal”, alerta. Para ele, as ausências geralmente revelam um potencial e é justamente neste paradoxo que reside a importância do equilíbrio dos chacras na vida. “Sempre sentimos falta do que nós podemos”, diz. Os chacras – que, em sânscrito, significa “roda” ou “disco giratório” – são pontos energéticos distribuídos pelo corpo que captam, armazenam e distribuem força vital para todas as funções psíquicas e fisiológicas. Temos sete principais e mais importantes. Cada um, responsável por uma função específica.


Os sete chacras

Fotos: Ramón Vasconcelos

O primeiro chacra ou chacra da raiz (Muladhara), localizado na região do períneo, provê energia para satisfazer as necessidades básicas do indivíduo e da espécie. Quando está obstruído, a pessoa apresenta baixa vitalidade, evita a realidade, não consegue levar seus projetos adiante, nem se sustentar. Fica incapaz de organizar sua vida material. Quando está descontrolado, o indivíduo fica ligado demais à matéria, alimenta a inveja, a cobiça, avareza, fica preso aos prazeres da vida material. O segundo chacra ou chacra sexual (Svadhisthana) fica na região púbica e está relacionado à capacidade de adaptação, flexibilidade, relacionamentos e sexualidade. Em desordem, a pessoa sente dificuldade em expressar as emoções e receber afeto ou pensa apenas em satisfazer seus desejos, o que pode levá-lo

a desenvolver distúrbios sexuais. Mais acima do umbigo está o plexo solar ou umbilical (Manipura), que gerencia o poder pessoal, autoconfiança, agressividade e criatividade. Quando está em desequilíbrio, a pessoa apresenta falta de ânimo e de força de vontade, vive na dependência dos outros ou se torna um exibicionista. Na parte superior do corpo localiza-se o quarto chacra, o cardíaco (Anahata), no centro do peito, que provê energia de amor incondicional, sentimentos de estar em sintonia com a vontade e sensação de ser ‘um com todos’ (unicidade). Em descontrole, o sujeito pensa somente na satisfação de seus desejos pessoais e nunca se sente amado. Na região da garganta fica o chacra laríngeo (Visuddha), relacionado à comunicação, ao uso da palavra e à responsabilidade consigo mesmo. Quando há disfunção, a pessoa

não consegue expressar seus talentos e teme dizer o que sente. Entre os olhos, na área popularmente chamada de “terceira visão”, está o chacra frontal (Ajna), associado à glândula pituitária (ou hipófise - glândula que produz importantes hormônios e já foi reconhecida como glândula-mestra do sistema nervoso), que provê energia para a clareza mental, intuição, concentração e influencia na capacidade de realizar objetivos. Vibrando de forma errônea, o indivíduo tende a ter ideias em excesso e leva adiante conceitos distorcidos. No topo da cabeça, constituindo o sétimo chacra (Sahasrara), está localizado o coronário, que rege as experiências de infinitude. Está associado à dimensão espiritual, livre e incondicional do ser humano. Desequilíbrio neste chacra pode levar a pessoa a ser materialista, viver fantasiosamente ou ainda não se sentir acolhido no mundo em que vive.

“Muitas vezes, esta disfunção é tão coletiva que não é vista como disfunção. É quando falamos ‘o ser humano é assim mesmo’. É a patologia de ser normal” Akal Muret Singh, professor de kundalini yoga EM REVISTA

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Em busca do equilíbrio

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Diversos tipos de terapias holísticas, como reiki, terapia com cristais, cromoterapia (terapia das cores), meditação e a prática de yoga, são formas para se obter a harmonização dos vórtices de energia. Quando estão equilibrados, os chacras giram com ritmo e sincronia, porém, com o organismo comprometido, eles ficam acelerados ou lentos demais. Resultado: perda de energia vital. Alimentação balanceada, exercícios físicos, descanso suficiente e práticas religiosas, sem dúvida, contribuem, mas é preciso olhar para uma dimensão mais sutil do ser humano. Um chacra bloqueado é a consequência de uma desarmonia interior causada por nossos pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, desejos e ações de baixo teor vibratório, como pessimismo, mágoa, rancor, inveja, egoísmo, orgulho, vingança, ódio e vícios em geral. Para Akal, é possível chegar a um estado de amor incondicional e, neste apogeu amoroso, a organização energética completa do ser se consolida, sinônimo de saúde, plenitude e bem estar. “Precisamos identificar os momentos em que sentimos que, ao responder a uma situação, poderíamos ter feito melhor, de modo mais completo. Isso sinaliza a necessidade de um aumento na carga energética dos chacras, com harmonia e potencialização”, explica, citando a kundalini yoga como dinamizadora da vitalidade orgânica e psíquica. A respiração absorve a energia vital e os movimentos distribuem esta energia para os pontos energéticos. Todas as terapias e bons hábitos são recomendados e necessários para a conquista da harmonização dos pontos vitais, mas para que o equilíbrio permaneça na vida das pessoas é fundamental uma reforma íntima – mudar paradigmas, vencer crenças limitadoras e pensamentos disfuncionais é preciso.

“Precisamos identificar os momentos em que sentimos que, ao responder a uma situação, poderíamos ter feito melhor, de modo mais completo” Akal Muret Singh, professor de kundalini yoga

CONHECENDO MAIS OS CHACRAS: CHaCRa 1° 2° 3° 4° 5° 6° 7°

COR

SIGNIFICaDO DO NOME

ELEMENTO

GLÂNDULaS

Vermelho Laranja Amarelo Verde Azul Claro Azul Índico Violeta

Estrutura da base Fundamento de si próprio Cidade das pedras preciosas Intocado - O som não produzido Centro da pureza Poder ou comando intuitivo Lótus das mil pétalas

Terra Água Fogo Ar Éter Todos Universo cósmico

Supra renais - Cóccix Baço - sacro Pâncreas Coração - Timo Tireóide - Paratireóide Pituitária - Hipófise Pineal - Epífese

EM REVISTA


maturidade 60

É preciso ficar atento aos sinais do envelhecimento para saber a hora certa de parar de dirigir

Por Taciana Chiquetti

EM REVISTA

Motorista ou carona?


“Dirigir, para mim, é liberdade! Amo dirigir, é minha vida. Quer me ver chateada? Dê minha direção para outra pessoa!” Fotos: Ramón Vasconcelos

Maria Aparecida Freire, aposentada

Liberdade! É com esta palavra e com este ponto de exclamação que a aposentada Maria Aparecida Câmara Freire, já integrante da terceira idade, define o ato de guiar seu próprio automóvel. Habilitada pela primeira vez em 1972, começou a dirigir bem antes, incentivada pelo marido, e a primeira estrada que desbravou foi a BR 101, rumo a Recife, para visitar familiares que moravam no estado vizinho. “Dirigir, para mim, é liberdade! Amo dirigir, é minha vida. Quer me ver chateada? Dê minha direção para outra pessoa!”, declara a bisavó, que, motorizada, realiza todas as atividades, sendo a preferida levar e buscar os bisnetos na escola. A bisa-motorista, sonhada por qualquer mãe ou pai atarefado pelo dia a dia, integra o grupo dos 342.391 idosos, com mais de 60 anos, que dirigem no Rio Grande do Norte, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RN) - número que não constitui a minoria nas estatísticas do órgão (veja a tabela). Apesar dos riscos, nem sempre idoso no volante é perigo constante. Ao contrário do que muitos imaginam, a maioria dos acidentes não são causados por esta parcela da população. Em Natal, dos condutores envolvidos em acidentes, apenas 6% tem mais de 60 anos. Já entre os vitimados, este percentual é maior: 9,13% das vítimas de acidentes de trânsito tem esta faixa etária. “Sou muito atenciosa no trânsito e acho que existe muita falta de educação. Buzinar já mostra quem você é. Mas tenho muita sorte, nunca encontrei quem me xingasse”, conta. Porém, apesar da história bem sucedida de dona Cida - que orgulha-se em dizer que, em todos esses anos, recebeu apenas uma única multa e nunca bateu o carro - dirigir na terceira idade deve ser um assunto levado a sério, tanto pelo idoso como pelos seus familiares. Afinal, o desempenho cognitivo muda com o passar do tempo. EM REVISTA

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Sinais de alerta

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Até os 75 anos, o desempenho cognitivo deve ser normal, mas, após esta idade, geralmente há uma velocidade mais lenta no processamento da informação no cérebro, além de dificuldade de aprendizagem e esquecimentos banais, sem impacto na funcionalidade. “Geralmente, no processo do envelhecimento, há comprometimento em vários sistemas que podem interferir na capacidade plena de guiar um veículo, como redução da acuidade visual e auditiva, diminuição de reflexos, problemas articulares, redução da capacidade de tomar decisões, uso de medicamentos, entre outros aspectos”, explica o geriatra Gustavo Rêgo. Para manter a atividade de guiar um carro por mais tempo, o acompanhamento médico visando detectar os riscos iminentes (déficits visuais, auditivos, alterações cognitivas, diminuição da flexibilidade, artrose, uso de medicamentos inapropriados, alterações cardiovasculares e pulmonares) é recomendado aos idosos. “A família deve estar muito atenta aos sinais, como batidas frequentes (carro amassado), paciente se perdendo no trânsito, muitas infrações. Sugiro que as famílias acompanhem mais atentamente a forma de dirigir de seus idosos para perceber a exata situação da direção e das condições de tráfego”, aconselha. A sensação descrita por dona Cida quando liga a chave do carro e sente o motor funcionar é comum nas pessoas mais velhas, por isso muitas delas não desejam parar de dirigir. “Um número considerável de pacientes demonstra muita resistência a deixar de dirigir e aceitar que um filho, motorista ou taxista o leve e traga dos seus compromissos”, confirma o médico. No entanto, é preciso encarar a realidade da limitação. “O impacto emocional de um acidente, seja ele com ou sem vítimas fatais, tanto com ou sem lesão corporal, é algumas vezes o divisor de águas entre dirigir e a hora de suspender a prática para uma pessoa da terceira idade”, informa. O esforço mental está diretamente relacionado com a aprendizagem, já que aprender é modificar o cérebro com a experiência. Muitos institutos, como o Cérebro Melhor (www.cerebromelhor.com.br), pregam a necessidade dos exercícios para o cérebro (que estimulam memória, raciocínio, atenção) assim como existem os exercícios físicos para o corpo. Manter o cérebro ativo é uma maneira de minimizar os prejuízos decorrentes da idade avançada. Para manter a saúde cognitiva por um longo tempo, dr. Gustavo dá as dicas: manter atividade física, controlar EM REVISTA

“Um número considerável de pacientes demonstra muita resistência a deixar de dirigir e aceitar que um filho, motorista ou taxista o leve e traga dos seus compromissos” Gustavo Rêgo, geriatra

doenças crônicas (como diabetes e hipertensão) e exercitar a mente com estimulação cognitiva (terapia ocupacional). É importante o acompanhamento de um geriatra para detectar os riscos e corrigir os fatores que podem, no futuro, tomar uma carteira de motorista mais cedo. Maria Aparecida diz que ainda não sente os efeitos da idade na sua prática de dirigir, mas assegura que, quando não tiver mais condições, vai mudar para o banco do carona, sem maiores traumas.

HABILITADOS NO RN - 2012 FaIXa ETÁRIa (aNOS) 18|---------|29 30|---------|41 42|---------|53 54|---------|59 Acima de 60 anos Total

QUaNTIDaDE

%

165.221 192.363 138.881 42.502 58.580 597.547

27,6 32,2 23,2 7,1 9,8 100,0

Fonte: Setor de Habilitação/Setor de Estatística - DETRAN/RN



Guia Viver Bem - 12