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VIVÊNCIA PUNK N° 1 – DEZ/2013 - 100% ANTIPILANTRA

TOMA TROUXA! MORRE COXA!


Nem mais nem menos, apenas punk! Essa talvez seja a melhor definição para esse zine. Trilhando um caminho que já foi anteriormente desbravado por outrxs punks em diferentes épocas e localidades, com maior ou menor dificuldade, mas sempre com inabalável desejo de liberdade. E hoje estamos aqui, tentando somar de alguma maneira para manter acesa a chama da rebelião que sempre foi uma característica do punk. O combustível para fazer cada linha deste fanzine foi o tesão, amor, ódio, frustração, desilusão e o desejo de mudanças radicais. Foi a saudade de pessoas que foram tiradas de nossas vidas por causa de ideias doentes, foram as boas lembranças de irmãos sequestrados pelo estado que não pune criminosos intolerantes, mas que nos pune quando decidimos nos defender; foram as sirenes, os gritos, o barulho das bombas e dos tiros, o sangue, as lágrimas, a dor, o medo, o cansaço e a revolta que estiveram presentes no agitado mês de junho e que ainda continua em muitas cidades; foram as (anti)músicas curtas, rápidas, simples e com letras que falam sobre a realidade de um mundo que caminha a passos rápidos para o buraco. Viver intensamente e da maneira que desejamos foi o combustível. Esperamos que esse zine venha a somar na cena punk, assim como tantas bandas, zines, distros e pessoas tem feito em uma infinidade de quebradas. Por um movimento punk mais político, coerente, combativo, solidário e amigo.

Agradecimentos: Maria José, China (pelo apoio e pelas dicas), Mao Punk, Tamires, Azeitona & Intervenção Zine, Subviventes, Téu & Para Raio da Desgraça.

Zine dedicado aos punks Vareta, Tomás, Tarzan, Johni e Lagarto, todos vitimados pela violência de quadrilhas intolerantes que agem impunemente nas ruas das grandes cidades, e ao Dibotas e Val, que mesmo estando longe fisicamente, se fazem presentes em nossas correrias.

“Como afogar explosões de rebelião das grandes massas condenadas? Como prevenir essas possíveis explosões? Como evitar que essas maiorias sejam cada vez mais amplas se o sistema não funciona para elas? Excluindo-se a caridade, sobra a polícia.” Trecho do livro As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano.

Contato: vivenciapunk@zipmail.com.br


AFINAL, O QUE É O PUNK? RESPONDA A SI MESMX, SE PUDER! Por Mao Punk De vez em quando procuro algum material, informe ou arte punk na internet e nas redes sociais, afinal, todo espaço serve de oficina para a voz libertária. Fico satisfeito em ver que o movimento punk ainda (e sempre) produz eventos interessantes, divulga ideias e está ativo. Mas em contrapartida, ainda encontro e vejo certas coisas que me deixam um tanto frustrado! É triste procurar materiais punx e encontrar referências de tretas, ofensas e outras coisas desagradáveis. Claro, é inevitável que haja divergência de ideias e posturas dentro do movimento punk, já que nunca foi e jamais será a intenção do punk ser padronizado. Eu mesmo tenho meu ponto de vista, minhas convicções e minhas adversidades a certas coisas com as quais não concordo. Mas se tem algo que não se pode ignorar a respeito do movimento é o incrível espaço que ele nos permite de refletir, repensar, mudar... Será que nós perdemos nossa capacidade de autorreflexão e é mais fácil simplesmente ofender e tretar ao invés de lidar com as divergências de forma madura? Não tenho a mínima intenção de fazer campanha para que todxs deem as mãos como se não houvesse sérias divergências de ideias entre punx. Seria ridículo intentar isso e até mesmo hipócrita, já que também discordo de muita coisa. Mas se por um lado não há necessidade de darmos as mãos em um ato de hipocrisia, também não há necessidade de tretas e ofensas que só tornam o movimento punk mal visto aos olhos da sociedade. Não somos molekxs briguentxs e rebeldes sem causa! Somos parte de uma cultura que enfrenta a massificação do ser humano, que pensa por si, que estampa na forma de agir a autenticidade do indivíduo, a liberdade de pensar, o respeito à diversidade! Foda-se essa história de quem é “punk de verdade”! Temos que aprender que verdade e mentira são conceitos individuais. E é justamente isso que nos permite debater e aprender constantemente com as diferenças. É justamente isso que nos traz mais equilíbrio e nos faz crescer e enfrentar com segurança tudo aquilo que nos confronta. É justamente isso que nos torna rebeldes conscientes e indomáveis. Tudo que sei sobre o movimento punk é que ele sempre foi, é e será o espaço onde mais posso aprender como indivíduo. Sei que é um movimento que aprecia a paz, a justiça, o respeito! E se queremos manter o punk vivo dentro de nós, temos que ter a ciência de que nós erramos a todo momento. Temos que ter a consciência de que o erro dx próximx não é diferente do erro que carregamos dentro de nós mesmx. Menos tretas e discussões, mais segurança e reflexões. Cada umx é cada umx, mas o respeito é para todxs! ÊRA PUNK! Saudações Libertárias!


GOOD NIGHT DECRADI 2.0 FLEX Por Treva D-Krädii – Texto original publicado no Intervenção Zine n° 2 São Paulo é uma das maiores cidades do mundo, conhecida por sua vida noturna, gastronomia, cultura, feiras, grafites, futebol, trânsito caótico e por aí vai. E de uns anos para cá, também é conhecida por algo que tempos atrás seria impensável: crimes de ódio. Esses crimes começaram de maneira organizada no início dos anos 90, com o surgimento das primeiras gangues assumidamente neonazistas na Grande SP. Vale lembrar que quadrilhas de carecas já praticavam atos de intolerância, mas em menor número e de maneira desorganizada, nem sempre tendo repercussão na mídia. E uma rápida pesquisada na internet para ver que a situação só vem piorando com os anos. No início, esses crimes eram pichações racistas e/ou homofóbicas, depois passaram a agressão a punks, negrxs, nordestinxs, jovens pertencentes a outras “tribos urbanas”, homossexuais e profissionais do sexo (na lógica do estado paulista, seres humanos descartáveis, por isso a falta de interesse em prevenir, investigar e combater esse tipo de crime). Essa indiferença do poder público aliada a falta de informação e apatia da população, acabou por ajudar na estruturação dessas quadrilhas de extrema-direita. De um número insignificante de integrantes no início dos anos 90, para um pequeno exército insano e covarde na metade da década passada. E o pior é que esse exército não para de crescer, absorvendo uma juventude alienada. E é claro, ainda contando com a falta de interesse do estado em combater esses grupos e de uma mídia que ao invés de informar, faz apenas reportagens sensacionalistas que acabam seduzindo mais jovens idiotizados para essas quadrilhas. Mas uma parte da sociedade civil cobrou o estado e este criou a decradi (delegacia de crimes raciais e delitos de intolerância), uma delegacia pseudo especializada em grupos intolerantes, mas que no decorrer dos anos mostrou ser inútil. No início, essa delegacia tinha outro nome e outra função: monitorar em São Paulo a atividade política de grupos tidos como radicais. Era muito comum nas primeiras manifestações antiglobalização a presença de policiais tentando persuadir manifestantes. Com o aumento dos crimes de ódio, o foco mudou, passando a ser o combate a grupos intolerantes. E logo de cara já demonstraram a inaptidão para o assunto, já que qualquer pessoa (principalmente se fosse punk) detida em manifestação era levada para uma delegacia e muitas vezes fichada e encaminhada para a pseudo delegacia especializada. Ora, se a função era investigar crimes de ódio, por que fichar pessoas detidas em manifestações? Por aí já é possível ter uma ideia da capacidade de trabalho das pessoas envolvidas, capacidade que perdura até hoje. No decorrer dos anos, a decradi foi um tiro no pé, falhando sistematicamente no combate aos crimes de ódio. Confundiram tudo e todos, fazendo uma salada ideológica, especializandose em desculpas esfarrapadas e entrevistas bizarras, a maioria feita pela delegada margarete barreto, onde o nível intelectual da entrevistada e do entrevistador deixava muito a desejar, garantindo assim o certificado ISO de incompetência e má fé para ambos. Teoricamente, essa delegacia existe para investigar, combater e prevenir a prática de crimes de ódio e sempre que possível auxiliar as vítimas. E olha que a lista de possíveis vítimas é grande: homossexuais, negrxs, nordestinxs, punks, migrantes, imigrantes, usuárixs de drogas, moradorxs de rua, militantes de esquerda, skinheads antifascistas (não confundir com carecas e boneheads/white power, que são os responsáveis pelos crimes em questão) e qualquer pessoa que esses grupos acharem não serem dignas de existir. Sim, esses grupos negam o direito de existir das pessoas e a forma que eles têm para negar esse direito é usando a violência gratuita, que gera medo e muita vez resulta em morte.


E você, possível vítima dessas quadrilhas de carecas e boneheads, que paga seus impostos, saiba que seu dinheiro é usado para custear a estrutura usada por essa delegacia, estrutura sem utilidade real. Seu dinheiro, como em muitos outros casos, está sendo jogado fora! E para provar que seu dinheiro está sendo desperdiçado e que essa delegacia não é o porto seguro que a delegada margarete barreto quer fazer com que todxs acreditem, segue uma pequena lista de vacilos: - a delegacia funciona de segunda a sexta-feira, das 09h00mim às 19h00min (durante o fim de semana da Parada do Orgulho LGBT rola um plantão). A maioria esmagadora dos crimes de ódio ocorre a partir da noite de sexta até o início da madrugada de segunda, horário que a delegacia está fechada. A vítima de uma agressão vai ter que registrar o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima e esperar, na melhor das hipóteses e dependendo da condição física pós-agressão, até a manhã de segunda para ir à delegacia pseudo especializada e ser atendidx por quem na teoria (e apenas na teoria), entende sobre o assunto. Tempo mais que o suficiente para o agressor fugir para outro país; - são poucos investigadores para cuidar de todos os crimes que ocorrem na Grande SP, sem contar que confrontos entre torcidas de futebol também são considerados crimes de ódio. Isso significa muito serviço para poucas pessoas e com pouquíssima vontade e capacidade de trabalhar; - o conhecimento que possuem sobre com o que estão lidando é muito pequeno, basta perguntar a qualquer pessoa que já esteve na delegacia. Para combater esses grupos intolerantes, é necessário estudo, saber o que pensam, como agem e por aí vai. Fica a impressão de que o conhecimento da equipe foi adquirido vendo reportagens sensacionalistas na tv; - a delegacia pseudo especializada diz ter um serviço de inteligência para monitorar a internet, principalmente redes sociais, para evitar possíveis ataques. É ingenuidade acreditar que crimes sejam planejados e combinados em rede social, mas se estão, é prova irrefutável de incompetência e má fé monitorarem a internet, ver algo suspeito e não investigar (ou investigar de qualquer jeito), na sequência ter que lidar com um crime executado e depois aparecer na tv tentando explicar mais um vacilo profissional. A não ser que a escumalha direitista seja formada por peritos em informática que consigam apagar todo seu rastro virtual. E rastro virtual não deixa cheiro, o que complica ainda mais o trabalho dos investigadores; - em 2011, ao menos oito eventos que aconteceram na cidade de São Paulo poderiam resultar em violência devido à presença dessas quadrilhas. Apenas em um deles a delegacia pseudo especializada apareceu, evento que ocorreu dias após um punk ser assassinado a facadas na porta de uma casa noturna. A delegada apareceu na mídia dizendo que o ocorrido tinha sido uma briga marcada pela internet (mentira, já que no local iria rolar a apresentação de uma banda punk, o que não tem nada a ver com carecas e boneheads, ficando claro que a presença desses dois grupos só é justificada pelo desejo de promover algum ato de violência). Vou deduzir que o serviço de inteligência estava de folga, por isso não avisou os investigadores, que por sua vez, não apareceram no local nem avisaram a pm (só para constar, a organização do evento solicitou reforço policial temendo violência, mas a pm só apareceu quando tudo tinha acalmado. Segundo informações, após o confronto, a quadrilha intolerante foi abordada pela polícia numa rua próxima, mas entre elxs havia um pm e foram liberadxs sem maiores problemas. Isso tem cheiro podre de conluio entre decradi, pm e quadrilhas intolerantes). A ausência de policiamento no local facilitou a vida da escória intolerante que apareceu em grande número para promover sua violência tão característica e depois fugiram sem serem importunadxs. Talvez a delegacia tenha visto algo na internet e não deu atenção, justamente por ser incompetente, na melhor das hipóteses;


- segundo uma fonte da área jornalística, a decradi é o fim de feira do dhpp (divisão de homicídios e proteção à pessoa). Isso explica, em parte, o funcionamento da delegacia e a capacidade de fazer nada dos seus funcionários; - a delegacia, representada pela delegada margarete barreto, mentiu e muito na imprensa. A pessoa em questão adora estar em evidência na mídia e por anos pensou com o ânus e defecou com a boca em suas entrevistas decoradas. As entrevistas pareciam ser um bate papo de botequim, com perguntas simples e respostas superficiais e mentirosas. Em nenhuma oportunidade ela foi realmente questionada sobre os resultados de seu trabalho, sobre o aumento dos ataques intolerantes entre outras coisas. Eram entrevistas de cartas marcadas e a única vez que ela correu o risco de ser questionada (para um programa daquela emissora musical que não existe mais) recusou-se a dar entrevista. Até a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos foi entrevistada, mas a delegada acovardou-se, preferiu o silêncio e esperou por uma entrevista mais de acordo com seus propósitos mentirosos. Sua medíocre existência transformou em um inferno a vida de muita gente; - nos últimos três anos, coletivos, indivíduos libertários e pessoas que acreditam em um mundo onde caibam vários mundos e usando termo antifascista para se identificarem, têm participado de diversos atos, entre eles a Parada do Orgulho LGBT e Feira Cultural LGBT, em ambos os casos convidados pela organização. Mesmo assim, sempre ocorrem problemas com as polícias civil e militar, que tentam impedir a participação. É necessária a interferência de pessoas ligadas à organização dos eventos para que antifascistas possam participar sem serem importunadxs. E nesse ano, segundo informações (não confirmadas) de ativistas da luta LGBT, a delegacia juntamente com o ministério público conseguiu barrar a participação oficial de antifascistas na Feira Cultural LGBT, alegando que “essas pessoas respondem na justiça por crimes de intolerância”. Diria que má fé é pouca coisa! É claro que a delegacia não é a única responsável pela continuidade desse tipo de crime. As leis são brandas quando o assunto é intolerância, isso quando existe lei, basta vermos que a criminalização da homofobia ainda está sendo discutida. E a mídia corporativa tem uma parcela enorme de culpa, já que prefere fazer reportagens burras ao invés de denunciar o problema. Nem a mídia independente ligada à esquerda parece dar a devida atenção a este problema, pelo menos até o momento que militantes passaram a ser hostilizadxs durante as manifestações de junho. Após as mortes ocorridas em março/2012 durante um confronto entre torcidas organizadas, foi por água o discurso de competência e seriedade da “jeguelegada”. Mesmo alguns veículos da mídia corporativa questionaram a eficácia das ações preventivas que ela dizia fazer. Caiu a máscara de delegada durona e competente e ficou à mostra uma delegacia que não cumpre o que diz fazer, totalmente perdida e despreparada. Para a sorte dela e de seus jagunços, os episódios de intolerância que ocorreram de lá para cá não chegaram a grande mídia, favorecendo a vida mansa da delegacia. É claro que se ela for entrevistada, vai dizer que o trabalho intensivo e eficaz feito é que provocou uma redução nesse tipo de crime e o fato de não ter notícias na grande mídia é a prova disso. Sacomé, uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade. Eventualmente, mas muuuuuuuiiito eventualmente, a delegacia acerta o alvo e consegue impedir algum ataque ou prender alguém (mesmo que isso não signifique nada para a segurança de possíveis futuras vítimas). Claro que quando isso acontece é transformado em algo hollywoodiano, com presença de impressa, entrevistas, reportagens especiais e todo aquele circo a que tem direito a medíocre equipe policial. Parece-me que esse acertar o alvo está mais relacionado a falta de medo dxs quadrilheirxs em esconder suas ideias e crimes do que competência da delegacia.


Depois dessa confusão envolvendo as torcidas, a “jeguelegada” deixou a delegacia (ou foi espirrada, segundo boatos) e foi tentar carreira no mundo do crime com uma candidatura a vereadora pelo psdbosta. A meliante não conseguiu ser eleita, tendo o voto de 4.512 simpatizantes do crime (0,08% dos votos), ficando como suplente de qualquer outrx merda. Mas para a tristeza da verdade e da competência, a dita cuja voltou para o seu cargo frente à delegacia pseudo especializada. Se a decradi realmente estivesse ciente de sua função e trabalhasse para coibir essas quadrilhas intolerantes, poderia vir a ser uma ajuda, já que qualquer pessoa pode ser vítima dessxs criminosxs. Mas ela tem uma forma de trabalho tendenciosa, não soma nada na luta contra a intolerância. E mesmo que somasse, para que houvesse um combate eficaz seria necessário um judiciário com outra postura perante esses crimes e a população deveria cobrar com afinco a punição para esses quadrilheiros. Esses grupos crescem e se fortalecem na indiferença das pessoas. E o pior de tudo, isso é apenas a ponta do iceberg. Essa juventude direitista não passa de bucha de canhão, massa de manobra para algo bem maior que envolve empresários, políticos, policiais entre outras assombrações. Para xs integrantes dessas quadrilhas, usar a violência para negar ao próximo o direito de existir é política e eles vivem por isso. Para combater essa doença que chamamos de intolerância é necessário informação, educação e combatividade. Acreditar que uma delegacia com poucxs e incompetentes funcionárixs seja capaz de inibir esses grupos é como acreditar no coelhinho da páscoa. Até porque a delegacia é um órgão do estado e a intolerância sempre gosta de caminhar atrelada ao estado. Basta vermos como o estado tem tratado xs dependentes químicos da Cracolândia, as ocupações, xs privados de liberdade, as lutas sociais em geral, as pessoas em situação de risco e por aí vai. Uma população consciente dos perigos nefastos que a intolerância traz inibe a ação desses grupos, fazendo com que eles pensem duas vezes antes de saírem dos bueiros. Aí é só jogar chumbinho e controlar a praga que a extinção há de chegar. POR UMA CIDADE TOLERANTE, QUE RESPEITE A DIVERSIDADE! CONTRA A INTOLERÂNCIA, PELA LIBERDADE!

Ps.: só para ter uma ideia do nível da equipe, uma pessoa que esteve lá algumas vezes citou uma conversa absurda que teve com um investigador. Num certo momento de uma “conversa informal”, o investigador começou a contar causos de sua mocidade, da época que fazia rolê com uns doidos nos anos 80. Conversa vai, conversa vem, disse que num rolê na zona leste de Sampa trombou os integrantes do Sepultura (na época adolescentes de no máximo quinze anos de idade) que tocavam pela primeira vez na cidade. Segundo o tal investigador, ao encontrar a banda e mais algumas pessoas que os acompanhavam, intimaram e ameaçaram dar uns tabefes para mostrar quem é que manda. Nesse momento o investigador foi interpelado pela pessoa que lá estava, que disse saber que nesse ocorrido os integrantes da banda também foram assaltados (o que é verdade e pode ser provado por reportagens que saíram em fanzines da época). Pois é, tem como confiar?


Humanidade Por Karl Straight Pessoas estão morrendo de fome em todos os lugares do mundo, sem moradia, sem terra para plantar, sofrendo como párias perdidos. Não podemos esquecer a dor destas pessoas! Olha o povo ao teu lado, escravo do capitalismo. O futuro é uma ilusão que temos executado há tempos! Como esta verdade não nos causa tanto espanto e ao mesmo tempo nos assombra, trazendo em nosso interior um mundo dominado pelo egoísmo e medo. E por causa destas fragilidades, a humanidade é assim. Famílias desamparadas, fome, crianças abandonadas, doenças, guerras, infortúnios em geral. Num momento de silêncio, reflita, use sua consciência. Pelas pessoas que morrem nessa rotina lentamente, em todas as quebradas. Não tenho palavras para expressar minha tristeza ao ver as pessoas tentando sobreviver, sem perceberem que estão agonizando neste purgatório (ou inferno?). Existe só uma diferença entre pobres e a classe dominante: os primeiros sobrevivem, enquanto os outros vivem e gozam do melhor que se pode ter. Podemos contemplar isso face a face e isso precisa ser mudado. Eu pensei algumas vezes em me calar e não dar respostas ao que vejo todos os dias no mundo. Os governantes carrascos usam essa pesada angústia para crucificar o povo. O erro é que ficamos parados e focando no que não funciona. Infelizmente o nosso inimigo sabe o que se passa dentro de nós e também sabe o potencial que existe em cada um de nós. E faz de tudo que pode para matar esta semente de revolta para mudarmos o mundo. As forças a nosso favor são maiores do que as contrárias. Continue acreditando, lutando e mantendo-se ativo. Todos nós possuímos os dons, os talentos e os sonhos de mudanças. Não permita que a complacência e a indiferença o impeça de ver, pois muito melhor é lutar e dizer no final que a esperança é verdadeira!

ENTREVISTA: SUBVIVENTES Por Treva

1 - Pra quem não conhece, conte um pouco da história da banda.

Abutre - A banda Subviventes foi formada em 1988 com a difusão de outras três bandas existentes na época, Rajadas (punk rock na qual eu tocava guitarra), os Miseráveis (punk onde Daniel Miranda tocava bateria, ex-integrante do Subviventes e que atualmente toca em outra banda), e por último DZK, que na época tinha como integrantes Bozó e Vera, que saíram e se juntaram a nós, Abutre e Daniel, com o propósito de fazer um som diferente das bandas da época, fazer um som mais trabalhado e engajado nos ideais libertários. Com o tempo foram saindo integrantes, primeiro saiu a Vera, assim Bozó assume o vocal e Cleiton a guitarra solo, depois de um tempo Bozó sai e Abutre assume o vocal, mas por pouco tempo, pois Cleiton se torna o vocal e Rafael entra na guitarra base, formação que durou muitos anos e que chegou a gravar os dois primeiros trabalhos da banda. Anos após, Daniel deixa a banda e Vermeio assume a bateria. Por último Cleiton deixa a banda, assumindo o vocal Alex (Galeão). Nesse período de 25 anos a bando lançou três CDs e atualmente esta finalizando o seu quarto trabalho até o final desse ano.


2 - Ainda rolam influências de outras bandas ou conforme o som foi amadurecendo e ganhando cara própria, isso deixou de acontecer? Alex - Mesmo após 25 anos, sempre é bom ter uma influência e não nos esquecermos das raízes.

3 - Subviventes possui letras inteligentes, mesmo tratando de assuntos que são característicos em bandas punks. Existe o desejo de que a pessoa leia e reflita sobre a letra ou o ato de escrever se tornou mais pessoal com o tempo, tendendo a agradar mais a banda? Abutre - A banda sempre faz músicas e letras que agradem os integrantes, curtimos nosso trabalho, mas o propósito principal é fazer com que as pessoas ouçam e reflitam sobre os temas das músicas e suas condições reais de vida. Já ouvimos pessoas que curtem a banda nos dizer que nossas músicas salvaram suas vidas, cara! Isso é muito foda de se ouvir e nos incentiva a continuar e fazer letras positivas, mas ao mesmo tempo cobrando uma melhoria social para nós e todas as pessoas que aspiram por dignidade e liberdade.

4 - Nos últimos anos, o mercado da música em geral mudou muito. O compartilhamento digital se tornou regra e a compra do material físico se tornou exceção. Como a banda lida com isso? Alex - O mercado da música realmente mudou muito e hoje em dia é difícil bandas viverem da venda de CDs, mesmo assim ainda encontramos muitas pessoas que têm o nosso trabalho em compartilhamento digital e querem adquirir o material físico. Nosso próximo trabalho será colocado para baixar assim que for lançado. 5 - O clipe da música “Já Basta” ficou bem legal. Onde vocês gravaram e quem produziu? Alex - Há tempos estávamos discutindo sobre fazer um clipe, quando Rafael Melo, fotógrafo e amigo que sempre está nos acompanhando, se propôs a concretizar essa ideia. O clipe foi gravado em um estúdio aqui em Santo André chamado 74 CLUB, mais conhecido como estúdio do Pezão.

6 - Nos anos 90 a banda participou juntamente com o pessoal da Carniça Punk do Programa Livre. Naquele tempo, era mais difícil conseguir espaço na mídia corporativa para divulgar o som e as ideias. Quais lembranças vocês guardam dessa participação? Abutre - Sim! Era um tempo muito difícil de divulgar as bandas e muito mais os ideais do movimento punk, porém o pessoal da época batalhava muito e se interessava em fazer com que o Punk crescesse como movimento mesmo e para isso precisávamos divulgar as ideias, no entanto usando as bandas seria mais fácil. A experiência foi muito boa, houve uma boa repercussão, pois conseguimos nos aproximar de outros grupos punks que eram “inimigos” na época e tocar em vários lugares que não seria possível se não tivesse rolado esse programa, mas o melhor foi o fim das tretas entre Punks do ABC e Punks da City.

7 - Vocês tiveram a oportunidade de dividir o palco com inúmeras bandas gringas e sempre tem uma troca de ideias. Alguma dessas bandas merece destaque pela humildade? Abutre - Todas as bandas gringas que tocamos foram fodas, porém o pessoal do GBH e Rasta Knast foram fodas, humildade total. Na época, Daniel (baterista) foi chamado pelo batera do


GBH para tocar na bateria dele e o vocal cantou um som do Stiff com nós; o Rasta Knast em Campinas foi muito bom, já Vibrators são mais reservados, mas uma puta banda e de atitude. Anti-Nowhere League tivemos pouco tempo para trocar ideias. A banda Ataque 77, os caras chegaram o tomar quase dois litros de bombeirinho com a gente, ou seja, todas as bandas que tocamos juntos são pessoas comuns, seres humanos, a única diferença é que tocam um som que nós curtimos muito.

8 - 2013 foi um ano atípico. A ventania que começou em junho com uma série de manifestações em Sampa acabou por se espalhar pelo Brasil e chacoalhou as estruturas. E esse chacoalhar trouxe de volta a direita brasileira, que muita gente acreditava estar adormecida. Como combater essa direita que em muitos casos, trabalha em silêncio e quando aparece já é tentando dar o bote? Abutre - A direita sempre trabalhou dessa forma, aparece para tomar proveito das situações que possam levá-los ao poder. Nesse caso de junho, eles quiseram se aproveitar do espírito nacionalista que paira nos ares do país por conta da copa do mundo. Aos meus olhos, isso é até “bom”, pois coloca em discussão a ideia de que os ideais não existem mais, que está se proclamando o fim da história e o capitalismo é o vencedor que perdurará para sempre. O fantasma de Fukuiama tremeu com essas manifestações, trazendo de volta a ânsia de uma mudança real, com black bloc, ALF e outras vertentes libertárias, pois até em Marxismo libertário eu ouvi falar. É assim que se combate a direita, com a presença das forças anti-direita para mostrar que a luta de classes ainda existe.

9 - Mesmo o movimento punk sendo libertário, volta e meia aparecem pessoas com discurso direitista no rolê. Essas pessoas se dizem punks, usam o visual, escutam as bandas e até conseguem frequentar alguns lugares sem grandes problemas e isso pode ser um indicativo que há algo errado na “engrenagem ideológica” do rolê. Seria falta de martelarmos mais na questão política ou é o excesso de informação que provoca curto circuito no cérebro de algumas pessoas e aí surgem essas aberrações? Abutre - O movimento punk é muito complexo, existindo várias vertentes por aí, e às vezes algumas sem ideal, pois as pessoas são atraídas pelo som e até mesmo pelo fato de participar de uma gangue. Sempre tentamos passar para os Punks a importância de ideais libertários, porém sempre há aqueles que não assimilam isso. Em 1994, os Anarcopunks em reuniões acerca da união do movimento Punk, queriam que o pessoal se reunisse em frente à biblioteca de São Paulo, pois lá havia muitos livros para os Punks se informarem sobre o anarquismo. No entanto, alguns Punks preferiam ir para a galeria do rock, acredito que por saudosismo, mostrando pouco interesse nos ideais. As pessoas que chegam com ideias de direita sempre acabam mostrando sua cara e logo entram em grupos fascistas. No início é difícil identificar esses indivíduos, mesmo porque o movimento Punk é um movimento aberto e qualquer pessoa pode se intitular Punk. Acredito que isso sempre acontecerá, mas é sempre bom martelar mais acerca dos ideais libertários em meio ao movimento e tentar fortalecer isso.

10 - O movimento punk sempre esteve muito presente no ABC. Bandas, eventos, publicações e uma movimentação política dentro do possível marcaram a trajetória do punk na região desde seu surgimento. E como está nos dias de hoje? Abutre - O movimento no ABC sempre foi forte e mais engajado ideologicamente, acredito por ser um lugar onde sempre estiveram presentes as lutas da classe trabalhadora e por ter um histórico de luta no passado. Os punks do ABC eram e continuam sendo parte dessa classe, pois trabalham nas empresas metalúrgicas da região e fizeram parte das lutas contra a ditadura militar nos finais dos anos 70 e começo dos anos 90. Destarte o punk já ganhava um caráter revolucionário a priori, por exemplo, a cena punk de 1985 foi de extrema importância para o movimento no Brasil, porque nessa época a cena de São Paulo e do Brasil em geral era "fraca" e o ABC estava com força total, pois eram punks de toda região do ABC, Mauá, Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão, etc. Somavam quase 500 integrantes, ou seja, movimento vivo e em ação, eram feitos zines, shows, manifestações etc. Confesso que sinto falta disso na atualidade.


11 - O que pode ser feito para ajudar a melhorar a cena punk no geral? Abutre - Acredito que deveríamos martelar, como já dissemos, na conscientização do movimento e direcionar os Punks para o ideal anarquista, retomar o cenário que vivemos em 85 aqui no ABC e repensar as questões das drogas no movimento, pois Punk drogado na minha opinião é só um drogado e não existe movimento consciente se ele estiver adoecido pelas drogas, que diga-se de passagem, é coisa de burguês. O movimento tem que ser focado nas causas que ele acredita ser melhor não para o Punk, mas sim para todo o corpo social. Em Santo André temos a Casa da Lagartixa Preta que tem aulas sobre anarquismo, cursos que contam como é ser anarquista e suas responsabilidades. No entanto não se vê Punk lá, é preciso saber o que os Punks de hoje estão querendo, lutar ou curtir.

12 - 25 anos de punk não são 25 dias. Valeu a pena? Abutre - Valeu muito a pena porque o Punk salvou nossas vidas. A minha pelo menos foi o movimento que me ensinou a ser um homem de bem e em contra partida me livrou do marasmo de ser uma pessoa comum que aceita tudo que o sistema impõe, pois o Punk me ensinou a ser critico, a questionar, ouvir e não ser ganancioso. Levou-me a conhecer o anarquismo, estudá-lo e enxergar que eu não tenho nada a compartilhar com o Estado, pelo contrário, tenho que tomar uma postura contra ele e divulgar que nenhum homem de bem tem nada a compartilhar com Estado. A banda também nos trouxe muitas alegrias e muitas amizades e isso tudo não se compra e nem se acha, está sendo um privilégio e tomara que dure mais 25 anos.

13 - O micro-ônibus “caixotão” continua na atividade? Vermeio - Sim, o "Caxotão" continua na ativa, porém precisa de alguns acabamentos na reforma que nós mesmos estamos fazendo. Tínhamos planos em comprar uma Kombi ou uma Van, mas através de um site achamos este micro-ônibus (Invel) fabricado nos anos 70 e com a ajuda de mais dois amigos (Buck e Morça) resolvemos comprá-lo. O ônibus possui 14 lugares, ou seja, podemos transportar até três bandas. Algumas bandas já viajaram com a gente por várias cidades do interior, inclusive a banda finlandesa "Rattus"

14 - Alguma mensagem final para xs punks que estão lendo esse zine? Abutre - Acredito que a resposta número 11 já é uma mensagem, mas vamos reforçá-la: a todos Punks e libertários que nos acompanham. A luta sempre enaltece o lutador, a derrota é não lutar. Por isso nunca deixe de exigir seus direitos e de cumprir os seus deveres, não deixem de sonhar, pois sem sonho não temos o que realizar, valorize a liberdade, lute por ela, pois é o nosso valor máximo. Força e saúde a todos!

http://www.subviventes.com/


GIGS Por Treva Nem Tudo é Carnaval (Pelo Fim do Pão e Circo): Ataque à Jugular, Holocausto Sonoro, Sarjeta, Excomungados, Atentado, Spat – 09/02/2013 – Ocupação São João - São Paulo/SP Carnaval, verão e cidade vazia. Foi nesse clima que rolou esse evento de dois dias na Ocupação São João. Para quem não conhece a cidade, essa ocupa fica bem no Centro, e como outros tantos prédios da região, estava fechado, deteriorando, com dívidas e não cumprindo função social, enquanto pessoas moram nas ruas. Felizmente diversos grupos organizados lutam por moradia, mesmo tento que enfrentar o lobby dos interessados numa possível especulação imobiliária na região, o judiciário frouxo, a mídia suja e a truculência policial. Como costumam dizer “quem não luta tá morto!” O evento foi realizado no sábado e domingo de carnaval e eu estive no primeiro dia. O ingresso era um quilo de alimento não perecível que seria doado para as famílias da ocupa. Além dos alimentos, moradores tiveram a chance de vender comes e bebes, gerando renda extra. E fora a diversão com a música, rolou oficina de fanzines, brincadeiras entre outras coisas para xs moradorxs. Essa resenha foi feita tempos depois do evento, então a ordem das bandas pode não ser a correta, mas acredito que isso não faça diferença para quem está lendo. Para felicidade geral, um bom público (que poderia ter sido melhor) apareceu e prestigiou todas as bandas. Ataque à Jugular e Holocausto Sonoro foram as primeiras, e apesar do calor, público e banda mandaram bem. Na sequência teve Sarjeta, que perdi por estar no bar me hidratando. Voltei quando a banda terminava a sua última música, e pela cara do pessoal, o bagulho continuou bem. Excomungados é sempre uma incógnita. Nunca sabemos o que pode acontecer, se é que vai acontecer. E dessa vez não foi diferente. Contando com a participação da Edwiges (Menstruação Anárquica) na bateria, a banda fez um set 100% avacalhado (como sempre!), com tudo aquilo que é o charme da banda: muitos erros, improvisações, participações especiais inusitadas, discursos irônicos, distribuição de hóstias, tudo embalado pelo punk rock. Na sequência veio o Atentado, com nova formação e com uns toques de metal, dando peso extra ao som da banda. Essa nova formação parece ter dado um gás para os moleques depois de vários problemas e de um tempo parados. Fechando a primeira noite do evento, tivemos a banda Spat. Totalmente desconhecida do público, esses escoceses estiveram fazendo um rolê pelo sul do Brasil graças a um contato que possuem. Pelo que fiquei sabendo, depois do giro pelo sul, os caras estavam querendo tocar em Sampa, mas não tinham nada marcado, até que o Fabião (Sarjeta) surgiu, fez a ponte com o contato da banda e eles acabaram vindo para Sampa para essa única apresentação. Apesar de desconhecidos, não é sempre que se paga um quilo de alimento para ver seis bandas, sendo uma gringa. E a galera não se importou por não conhecer, agitando muito durante todo o set. E para quem curtiu a banda, ainda tinha CDs a preços convidativos à venda. Esse foi um evento foda! Organizado de maneira independente, sem interesses comerciais, unindo política, apoio mútuo e diversão para punks e moradorxs da ocupação. Mas como nem tudo é belo nesse rolê, a nota triste fica por conta de pessoas que horas antes do início do


evento estiveram no prédio criando boatos infundados sobre os envolvidos na organização. Não gostar das pessoas ou da proposta que as mesmas acreditam ser correta é normal, discordar faz parte. Mas usar isso como desculpa para criar mentiras e prejudicar muita gente é vergonhoso! Não é prejudicar apenas quem estava organizando, mas quem queria colar e mesmo o pessoal da ocupa, que além dos alimentos, grana do bar, perderia dois dias de diversão, atividades e convivência com outras pessoas. E quando pensamos que essa atitude escrota veio de pessoas que acreditam ser a vanguarda do anarquismo e da vivência libertária, torna o ocorrido ainda mais desprezível. Tirando a fita escrota citada acima, o primeiro dia do evento foi muito bacana para todo mundo que esteve presente.

Leptospirose e Los Crudos – 08/03/2013 – Centro Cultural da Juventude – São Paulo/SP Depois de 16 anos, um pouco menos de cabelo, rugas e quilos a mais, Los Crudos voltou a tocar nessa terrinha e, de quebra, nas terrinhas vizinhas da parte sul da América. No Brasil, tocaram em Campinas, Santos, Bragança Paulista e duas gigs em Sampa, sendo uma delas rolê fechado, pique festa de revista que cuida da vida de celebridades. Sacomé, não é porque a pessoa escuta punk, toca punk, que vai gostar de estar ao lado de punks. Coisas do hardcore bundelho paulistano. Voltando ao que interessa, o CCJ estava lotado, cerca de 300 pessoas (a gig era de graça). Boa parte delas não tinha idade para ver a banda na sua primeira passagem pelo Brasil. Era uma galera que cresceu ouvindo a banda, filosofando sobre as letras e que nem sonhava em ver ao vivo. A abertura ficou por conta da banda Leptospirose, que não vi por estar fazendo aquela social básica com xs amigxs e pensando onde gastar a grana que eu não tinha na banquinha de material (por sinal, tinha variedade, preço justo e até coisas de graça). Para falar que não vi nada, presenciei um som, para sacar a agitação. O local ainda não estava completamente cheio e o caos ainda não estava instalado, mas pareceu que a galera estava curtindo a banda. Poucos minutos de enrolação para arrumar as coisas no palco, coração disparado e na sequência, tome atropelo!!! Puta que pariu, que banda foda ao vivo! Nada parecido com essas coisas escrotas cheias de pose, marra e discurso fajuto decorado da net. Ali era espontaneidade e hardcore punk. Entre as músicas, Martin sempre mandava uma ideia para o pessoal. E antes que alguém venha me perguntar sobre o que ele falava, já digo que não prestei atenção porque nos intervalos, essa carcaça velha que vos escreve aproveitava para respirar e repetir mentalmente o mantra de que os 20 anos de idade mental me ajudariam a aguentar o mosh pit. E deu certo! A banda tocou por cerca de 45 minutos. Talvez pudessem ter tocado por mais tempo, mas esse set curto ajudou a manter o nível de energia da banda e público. Foi gente correndo, voando, caindo e trombando para todo lado que estava foda! Pessoalmente, não me agrada a ideia de bandas que acabam ou dão um tempo e anos depois voltam como se fossem uma novidade imperdível. Exemplos não faltam e em boa parte dos casos, essas voltas são medonhas, não passando de bandas covers de si mesmas. Mas com os Crudos o bagulho realmente parece honesto. Pela intensidade da apresentação e pelo histórico das pessoas envolvidas, esse retorno, mesmo que temporário, foi muito bem vindo.


Queers & Queens Festival: Anti-Corpos, Hellsakura, Teu Pai Já Sabe? – 10/03/2013, Dynamite Pub – São Paulo/SP Foi o segundo ano desse evento, tendo apresentações nos sábados e domingos do mês de março, numa mostra de bandas de diversas vertentes roquísticas, mas todas de alguma forma engajadas na luta contra a homofobia. E tudo de graça! Domingão preguiçoso, mas tinha Teu Pai já Sabe? para salvar a tarde. Mas antes rolou Anti-Corpos e hellsakura. A primeira não vi por estar papeando do lado de fora e a segunda fiz questão de não ver por ser um ícone do loserismo paulistano. Vergonha alheia é pouca! O TPJS encerrou a domingueira. Quem já viu a banda ao vivo ou algum vídeo pode notar que mesmo quando o bicho pega na roda, as pessoas estão sempre sorrindo. E isso muitas vezes faz falta nos rolês, quando vemos pessoas exercitando sua babaquice distribuindo cotoveladas e chutes maldosos nas rodas e ainda reclamam e choram quando são repreendidas ou levam uns tabefes. Voltando ao rolê, mesmo com a casa não estando lotada, a banda tocou com toda energia e felicidade que lhe é característica, mandando muito bem nas ideias entre os sons e deixando todo mundo feliz. Apesar da resenha sem vergonha, o evento foi muito bacana e com uma proposta que deveria interessar a todo mundo.

3° Ugra Zine Fest: Tuna e Morto Pela Escola – 07/04/2013 - Centro Cultural São Paulo – São Paulo/SP Você pode estar se perguntando do por que da resenha de um evento que não é punk estar em um fanzine punk. Pois é, talvez você não saiba, mas a cena punk e fanzines são coisas que sempre andaram juntas, já que a mídia corporativa sempre foi escrota, boicotando bandas ou detonando a cena. Enfim, se tiver interesse, dê uma pesquisada na internet. Voltando ao evento, essa terceira edição foi realizada no CCSP, o maior e mais conhecido centro cultural da cidade, o que mostra a evolução do bang. Espaço amplo, dezenas de expositores, debates, oficinas, exposição, palestras, vídeos, shows e o melhor, tudo de graça (menos os zines). Quem ainda achava que fanzine é apenas fotocopiado, quebrou a cara. Alguns trabalhos são tão caprichados que mais parecem revistas e abordando os mais diversos assuntos, de música a quadrinhos, passando por culinária e política. Zines para todos os gostos e bolsos. Não sei como foi no sábado, mas para minha surpresa, faltou público no domingo. Esse é o tipo de evento que era para estar lotado, com filas para entrar, para apreciar as banquinhas, para ver as bandas. Mas ao invés disso rolou o mesmo de sempre, um público abaixo do esperado (pelo menos pra mim) e ausência quase que total de pessoas envolvidas com culturas que dizem amar zines. Depois do rolê impresso, era hora de do rolê musical. Nunca tinha colado no CCSP para ver banda, mas foi interessante. Tudo bonito, organizado, som legal, mas ver banda tocando punk/hc sentado é bem estranho. Talvez pelo público pequeno e heterogêneo, esse tenha optado por permanecer sentado apreciando o barulho. Tuna e Morto Pela Escola mandaram bem, apesar da frieza do público que se limitava a aplaudir. Enfim, rolê bacana com bandas legais, muita coisa para ver e aprender. E azar de quem não foi.


Esgoto, Juventude Maldita, Herdeiros do Ódio, Pé Sujus, Lama – 21/04/2013 – Galpão Estúdio – Ferraz de Vasconcelos/SP Bandas gringas tocando nessa terra torta não é novidade. Já nos acostumamos a ver flyers com eventos realizados em casas noturnas e ingressos com preços fora da realidade punk. Normalmente esses eventos são realizados por meia dúzia de pessoas interessadas em viver da cultura punk, numa relação escrota entre promotores, algumas bandas, casas de shows e veículos de comunicação metidos a independentes. Na real, é um todomundoboqueteandotodomundosemfim, onde só a cena perde. Felizmente, sempre rolaram eventos organizados por pessoas do rolê e para pessoas do rolê, onde o punk como cena é o que importa. E essa gig que teve o Lama foi um exemplo. Várias pessoas e coletivos envolvidos na organização tornaram possível esse evento. E pensar que no mesmo dia teve uma conhecida banda cover gringa tocando em Sampa. Um ótimo público apareceu para prestigiar o evento e por incrível que pareça, a grande maioria ficou dentro do pico para ver todas as bandas. Quem é de fora pode não entender o que quis dizer, mas o lance é que esse costume escroto de colar nos eventos só para ver a banda principal impregnou em SP. Muitas vezes, bandas tocam para meia dúzia de pessoas enquanto a maioria fica do lado de fora fazendo social, cuidando da vida alheia e por aí vai. O rolê começou com o Esgoto, banda velha de guerra que todo mundo ouviu falar, mas nem todo mundo viu ao vivo, fazendo com que suas apresentações sejam sempre concorridas. Depois teve Juventude Maldita, que quase roubou o doce dos gringos, com a plateia agitando muito. Na sequência veio Herdeiros do Ódio e Pé Sujus, ambas com nova formação, mas com tudo para darem certo nessa nova caminhada. Fechando o rolê, Lama. Na boa, quando penso em Finlândia me vem à cabeça outras bandas. Sei lá, rolou até um pouco caso com os tiozinhos, tipo “vou ver a banda porque já estou aqui.” Quebrei a cara! A apresentação foi foda, galera e banda agitando muito. Se está com alguma dúvida, saca esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=k_A0VgeRcxY . Melhor ver o vídeo do que ficar lendo uma resenha meia boca. O som terminou umas 21h30min, facilitando o retorno de todo mundo (só para lembrar, era domingo). Ao final, eram visíveis os sorrisos e a cara de satisfação de todxs com mais um rolê bacana com preço decente, sem tretas e sem pilantras (ou quase, já que sempre aparece um tonto boqueteiro de careca que fica de canto e sem visú como se ninguém fosse notar). Enfim, que venha outros eventos como esse. A cena merece

Komboza do Conhecimento: Ingovernáveis, Esgoto, K.R.H., 1984, Estrogenias, Ktarse, Reação Ideológica – 01/05/2013 – Bar da Eva – São Paulo/SP Refrescando a memória: em 2012, um estudante da USP foi assassinado dentro do campus durante uma tentativa de assalto. Os acusados seriam moradores da comunidade São Remo, que fica ao lado do campus. Depois desse episódio, somado as denúncias de tráfico e assassinatos de coxas na cidade, a comunidade sofreu na mão na polícia, comendo o pão que o diabo amassou sob os olhares complacentes do governo estadual, mídia e sociedade. Muita gente falando besteiras como retirar os moradorxs do local ou fechar os portões do campus que dão acesso à comunidade. Vale lembrar que parte dos fregueses das biqueiras é formada por estudantes da USP e houve denúncias de ligação entre traficantes e o batalhão da pm


responsável pelo policiamento na USP e na comunidade. Moradorxs da comunidade que trabalham na universidade relataram na época terem dificuldade para entrarem no campus. Na real, aos olhos da classe média, a São Remo serve apenas para fornecer a mão de obra para realizar o trampo que ninguém deseja e a droga para embalar a juventude que estuda numa das maiores universidades do país, mas não serve para frequentar nem estudar lá. O evento em questão era para ajudar a biblioteca itinerante da comunidade e foi solicitada a doação de um livro em bom estado. Foi uma sacada muito bacana, bem melhor do que ficar naquelas porras de manifestações do dia do trabalhador, onde aparece meia dúzia de punks e um batalhão da puliça para reprimir. O local do som foi ao lado do Bar da Eva e de uma das entradas para a universidade, num lugar de fácil acesso. Após um atraso básico, o som começou com os Ingovernáveis. A banda é nova em tempo de existência e na idade dos integrantes (tirando o Rocero do Vingança ’83 que estava dando uma força na bateria) e segue uma linha similar ao The Casualties. Na sequência teve Esgoto, que não constava no flyer, mas apareceu para tocar. Interessante ver os punks agitando durante a apresentação da banda e os locais só observando. Durante as apresentações de K.R.H. e 1984 pareceu-me que o público estava um pouco disperso, mesmo assim as duas bandas representaram. Encerrando a parte barulhenta do evento, teve Estrogenias, outra banda nova em tempo de existência e na idade das integrantes. Foi a primeira vez que vi a banda, mas chapei! Punk tosco, desafinado, sem ensaio e sem frescura, do jeito que deve ser! Segundo o flyer, ainda teria a participação dos grupos de rap Ktarse e Reação Ideológica, mas como já estava cansado, saí fora. Saldo do dia: uma porrada de livros arrecadados, diversão, conversa, interação com a comunidade e som. Bem melhor do que ficar zanzando pra cima e pra baixo nas ruas do Centro gritando slogans batidos e com a puliça no pé enchendo o saco. Que venham outros primeiros de maio nessa pegada.

Apocalyptipunx 1: Dischaos, Helvetin Viemärit, Pröjjetö Macabrö – 24/05/2013 – Cidadão do Mundo – São Caetano do Sul/SP Sexta-feira razoavelmente fria, mas com um puta evento. Infelizmente, isso parece não ser mais motivo para que uma parte dxs punks da Grande SP saiam de suas casas. Parecem curtir mais fazer rolê na internet, baixando toneladas de músicas que não vão escutar, cuidar da vida alheia em rede social e tirar fotos mostrando muita “fodãozice”. Pois é, enquanto muita gente ficou em casa, uma galera ligeira colou em São Caetano para apoiar um evento organizado por punks e para punks, começando e terminando cedo, ingresso e material a preço bacana, flyer lindo e fugindo da mesmice de serem sempre as mesmas bandas tocando. Com um pouco de atraso, o Dischaos começou a brutal noite. Detonaram um set curto, mas intenso, com muito peso, agradando quem já estava no local e azar de quem ainda permanecia na rua. Na sequência teve o Helvetin Viemärit. Nunca tinha visto a banda e fiquei impressionado. Pra começar, as letras são em finlandês e na boa, se cantar já deve ser algo complicado, imagina fazer isso nesse idioma. Muita rapidez e peso com vocais gritados, tudo aquilo que tanto gostamos. Encerrando a noite, rolou o Pröjjetö Macabrö. Vale lembrar que a banda é de Recife e que vir de lá para cá não tem metrô na esquina, é rolê monstro! Acho que isso seria um bom motivo para que o pessoal tivesse colado em peso para apoiar o evento. Está rareando a vinda de bandas de outros estado para cá e se continuar assim, logo ninguém mais terá interesse em


tocar na Grande SP. Voltando ao som, o bagulho é destruidor! Como não curtir uma banda que diz algo do tipo “se deus existe, nós somos seu inimigo!” Apenas duas pessoas fazendo um barulho fuderoso e mandando uma ideia legal entre os sons. A exemplo das outras bandas deram uma acelerada no set para que o evento terminasse cedo, assim todo mundo poderia utilizar o transporte público. Enfim, a gig foi show de bola! Quem não colou, perdeu! E quem colou com certeza curtiu e teve a oportunidade de ver uma banda de uma quebrada distante que talvez não volte a tocar por aqui tão cedo. É como estava escrito no flyer, “Let’s pogo before it’s too late”.

Contra Cultura Resiste: Sarjeta, Juventude Maldita, Olho Maldito; 07/06/2013, Estúdio Noise Terror – São Paulo/SP Reclamar da qualidade dos rolês se tornou uma prática comum na cena punk da Grande SP. Em muitos casos essas reclamações são pertinentes, em outros são apenas desculpas para justificar a não presença das pessoas. E uma das reclamações mais comuns é sobre a despolitização das gigs, que só rola som e que nunca tem aquele algo a mais, tipo um debate ou exposição de zines. Pessoalmente, acredito que colar numa gig apenas para curtir as bandas e trocar uma ideia com o pessoal também seja válido, já que quase todo mundo rala a bunda durante a semana e tem o direito de se divertir no fim de semana. O lance seria dosar corretamente o som e esse algo a mais que muita gente curte e é necessário, porque o punk sem política é apenas visual. E visual até banda emo têm! Mas o que acontece quando rola um evento com esse algo a mais que tanto se fala? Acontece aquilo que xs pessimistas sempre esperam: colam as mesmas pessoas de sempre, por que quem reclama de tudo ficou em casa vivendo o punk/anarquia/rebelião e fazendo política na frente do PC. Mas como ainda tem gente insistente, o Coletivo Artificina juntamente com o Estúdio Noise Terror agilizaram esse evento pra lá de bacana. Bandas, lançamento e distribuição do zine Resistência Antifascista (http://issuu.com/carolinedinola/docs/resistencia_antifascista_contra_a_h) e de outros, poesias, discotecagem, projeções e exposição. O público que foi chegando de maneira tímida nessa sexta-feira com temperatura baixa, superou a expectativa (pelo menos a minha). O atraso que rolou foi até interessante, já que deu tempo de ficar papeando, lendo os zines e sacar a exposição, que se não estou enganado, tinha uns trampos do Thiago, do Gabriel Sossai e Goma Ilustrada. A primeira banda a tocar foi a Sarjeta. Rolou um atraso para começar, mas a banda acelerou o set e mesmo com alguns problemas, rolou tudo de boa. Na sequência veio Olho Maldito e a apresentação foi jogo ganho. Caso alguém ainda não saiba, é uma espécie de confraternização de integrantes das bandas Juventude Maldita e o Fábio do Olho Seco. Nessa noite quem esteve responsável pelas baquetas foi o Douglinhas (Massacre em Aplhaville e Ódio Social). Vários sons da Juventude Maldita e Olho Seco, todo mundo agitando feliz, mas o barulho precisava acabar por causa do horário. Mesmo assim, tocaram todo o set para a felicidade geral. Após as apresentações da banda, ainda rolou um discotecagem noite adentro, tendo na vitrola Índio (Condutores de Cadáver), Orlando (do Noise), Aliado Dux, Laura PMA (Histeria) e São Paulo Paranoia, mas nem fiquei para essa parte do rolê. Enfim, outro evento bacana, com muita coisa legal, provando que apesar das pessoas que fazem questão de enlamear o rolê com fofocas, patifaria, boicote ou porque acreditam fazer parte de uma casta superior, ainda há esperança para a cena de SP.


Chaoz Day Festival 2013 – 23/08/2013 – Cidadão do Mundo – São Caetano do Sul/SP O Chaoz Day 2013 tinha tudo para ser foda, já que foi um evento quase itinerante, rolando em três cidades (São Caetano do Sul, Guarujá e Ferraz de Vasconcelos) do estado de São Paulo. Com algumas pequenas mudanças na seleção das bandas, nos três eventos tocaram entre oito e dez bandas de diversas regiões do país e uma gringa, tudo por um preço acessível. Compareci somente no primeiro rolê e não sei como foram os outros. Por isso, tudo que está escrito aqui se refere única e exclusivamente ao evento que rolou em São Caetano do Sul. Entonces, para não perder o hábito, o fest foi mais do mesmo. Pouco público, uma galerinha nova, sem noção e sem educação embaçando na porta, tentando conseguir desconto no valor da entrada, mas que momentos antes estavam na outra calçada bebendo e cheirando. Todo mundo fazendo cara de bravx, mas na real é só pose, porque quando a gente passa do lado sente o cheiro de bundamolice, que é insuportável. Talvez o fato de ser uma sexta-feira com a temperatura caindo, a proximidade razoável entre as três cidades e algumas polêmicas envolvendo as pessoas responsáveis pela organização tenham afastado o público. Isso é triste, porque bandas que vieram de longe tocaram quase que só para pessoas das outras bandas, porque punk que pagou para entrar foram poucxs. Mesmo assim, Total Silence, Guerra Urbana, Para Raio da Desgraça, Mollotov Attack, The Squintz, Die Nakse Bananen tocaram com garra e deram o melhor de si. E quem estava lá curtiu, agitou, cantou, trocou ideia e sorriu. E ainda tinha umas banquinhas vendendo material por preços convidativos. De negativo, além da ausência de punks, foi um atraso escroto (que no final foi útil, porque se tivesse começado no horário iria terminar muito cedo e teríamos uma longa espera por transporte) e a ausência do Atos de Vingança e Luta Armada que não tocaram. Enfim, quem colou teve a oportunidade de conhecer bandas e pessoas que nem sempre tem a chance de colar em SP, mas que fazem parte da cultura punk e a vivem em quebradas distantes. E para xs parasitas que ficam na porta esmolando, cena punk não é isso!!! Informação vocês possuem, o que falta é vergonha na cara e proceder!

Nekröllapse, Stench of Death, Fear of the Future, NÓIA, Besthöven - 06/09/2013 - Triball Underground – Barueri/SP Nos tempos da pré-história, era só colar em alguma loja de discos no Centro de Sampa, olhar os cartazes, pegar uns flyers e escolher qual seria o rolê do fim de semana. Hoje em dia isso é impossível, já que tudo foi para o mundo virtual e flyer impresso é raridade. E ficar uns dias sem pescoçar rede social é chance de perder rolê e foi quase isso que rolou com essa gig monstro. Só descobri no dia, ao entrar no feicebuqui e ver o flyer, que de cara achei que era enganação e que seria bom pesquisar para confirmar. Confirmação feita, hora de ver se alguém ia colar e toda aquela ladainha básica de antes do rolê. Cheguei no pico depois da 00h00min. O lugar é uma casa noturna, palco estranho, mas tudo bacaninha e bonito de se ver, menos os preços dos comes e bebes. Há quase um ano o Besthöven tocou nesse lugar e foi estranho ver o pico vazio. As explicações são muitas, mas não vem ao caso agora. O que importa é que dessa vez xs punks compareceram em bom número, surpreendendo muita gente.


Quando entrei, o Nekröllapse estava na reta final de sua apresentação. Vi duas músicas, stench pesadão que parece prensar a gente contra a parede, altamente influenciado pelas vertentes mais podres do metal. Na sequência veio Stench of Death, que foi foda! Já tinha visto a banda outras vezes, mas agora impressionou, soando brutal! Intervalo entre as bandas, hora de ver a fartura de material à venda e o que comer/beber. Achei carinho os preços dos produtos que encheriam minha barriga e optei por jejuar. Sacomé, entre comer e comprar material, melhor alimentar os ouvidos. Nisso, Fear of the Future já estava começando seu set. Hardcore punk simples, como era feito antigamente. E como simples não significa ruim, a banda surpreendeu este que vos escreve e que nunca tinha visto uma apresentação, ainda mandando no final um cover de Rescues in Future, se não estou confundindo. Nessa hora o cansaço já estava batendo em muita gente e tratei de arrumar um lugar para encostar e descansar. Arrumei um lugar na parte superior da casa, e entre uma cochilada e outra, tentei ver o NÓIA. Grind bruto e sem frescura. Encerrando o rolê, Besthöven, dessa vez contando com Mané do Stench of Death na bateria e Felipe da Leprose/Fear of the Future no baixo. Deve ser um puta trampo ter banda nessa pegada, escolher pessoas para tocarem, ensaiar a distância e tentar fazer tudo minimamente certo. Pois é, e dá certo! Achei o set um pouco curto, visto o tanto de sons que a banda possui, mas nem de longe estragou o rolê. Talvez uma maior animação por parte do pessoal fosse bacana, mas como o palco é pequeno, Fofão e Felipe (assim como aconteceu nas outras bandas) ficaram na pista, o que pode ter intimidado a galera a agitar de verdade. Sem contar que o cansaço era visível na cara de todo mundo. Mesmo assim, a apresentação foi bacana. Saldo mais que positivo para um rolê descoberto horas antes, sem tretas, com bandas diferentes, pessoas diferentes e de quebra, vivências de rolê punk também diferentes.

Pacto Social, Herdeiros do Ódio, Olho Maldito, ARD, Rattus - 15/09/2013, Estúdio Noise Terror – São Paulo/SP Ao acordar todo escangalhado na segundona, a primeira coisa que pensei foi “pqp, que rolê fodástico!” Um dia que irá ficar gravado na memória de todxs que lá estiveram, pois participaram de um evento memorável. Sabe aquela ideia de rolê unido, com camaradagem, respeito, apoio a cena e todo esse papo que na maioria das vezes parece ser furado, pois foi isso que rolou. Puta clima festivo, todo mundo sorrindo, interagindo, várias gerações de punks (até alguns bangers e skins apareceram). Aquele rolê sonho de consumo que dificilmente acontece, dessa vez rolou e foi show de bola! E se alguém tiver dúvidas, é só procurar pelas trocentas fotos que o pessoal postou e vai ver qual foi do rolê. Com um atraso básico, a festança começou com o Pacto Social, que no dia anterior tinha dividido o palco com o Rattus e outras bandas em Ferraz de Vasconcelos/SP. Apesar do lugar ainda não estar cheio, a banda mandou bem e fez com que o pessoal agitasse. Na sequência teve Herdeiros do Ódio, e apesar de ter mais gente no lugar, a galera ficou dispersa, fazendo aquela social que todo mundo adora. Mesmo assim não se deixaram abater e tocaram com garra, agradando quem estava lá prestigiando. Nessa altura do campeonato, o Noise estava abarrotado e o calor era quase insuportável. O pessoal se espremia nas áreas externas enquanto o som não recomeçava. Quando o Olho


Maldito começou a tocar, parece que todxs quiseram ficar na frente do palco. A banda mandou seu set Juventude Maldita/Olho Seco com todo mundo cantando e agitando muito. Mesmo com o Demente avisando que os dias e noites do Noise estavam correndo risco de terminar, o pessoal não se deixou levar pela tristeza. E ainda rolaram a participação do Ariel e do Douglas, ambos dos Invasores de Cérebros. Pausa para descansar, se hidratar, jogar conversa fora e aguardar o ARD. Pena que muita gente preferiu continuar descansando ao invés de prestigiar uma banda das antigas e que veio de longe para tocar. E quem perdeu vai se arrepender. Com o iminente fechamento do Noise Terror e a escassez de espaços para bandas não comerciais tocarem, é possível que fique muito complicado para bandas de outros estados tocarem em Sampa. Por isso, a chance de ver ARD era imperdível! Sem contar que uma das pessoas que possibilitaram a vinda do Rattus foi o Gilmar, baixista do ARD. Inclusive a banda vai lançar um split com os finlandeses. Voltando ao som, mesmo com a maioria dxs presentes descansando, a banda tocou seu set com garra. Quem perdeu, há de se arrepender e muito! E para encerrar a festança, Rattus. Quando a banda começou os primeiros acordes, o caos se instalou no lugar. Mesmo com o espaço acanhado, punks agitaram como se estivessem num grande salão, até com alguns arriscando voos. Por ter 35 anos de estrada, o set foi um tanto curto, mas se considerarmos que eram 23h00min de domingo, é justificável. Mesmo assim, a galera ficou até o fim. Após o término da apresentação, quem não estava com pressa para sair fora continuou no lugar para mais fotos, brindes, sorrisos e conversas. E diferente do que aconteceu sete anos atrás, dessa vez não teve enquadro monstro, nem detidos e nem passação de pano por parte da polícia para pilantras. Foi tudo de boa! Se realmente o Estúdio Noise Terror fechar, fará muita falta para a cena punk e mesmo para o underground em geral, já que espaços alternativos são raros nessa cidade. Mas a despedida foi em grande estilo.

Apocalyptipunx 2: Stench of Death, Dischaos, Mácula, Calamie – 20/09/2013 – Cidadão do Mundo – São Caetano do Sul/SP Segunda edição do evento, novamente contando com bandas de outras quebradas, divulgação legal, flyer original, ingresso a preço acessível, banquinhas vendendo materiais diversos e clima amistoso. O único problema foi a ausência de público, que ramelou grandiosamente na missão. Os motivos para isso acontecer com frequência sabemos de cor e salteado. Talvez seja o momento de uma reflexão para vermos se esse caminho que estamos seguindo nos levará a algum lugar e se esse lugar será interessante para nós enquanto punks e para a cena. Voltando ao evento, a baixa no rolê foi Stench of Death, que não tocou. Quem começa o som foi Dischaos, estreando nova a formação, que continua a detonar. Na sequência teve Mácula, que detonou um crust altamente influenciado por black metal, com o vocal mandando ideias bem legais entre os sons. Para fechar a noite teve Calamie. A banda é da Suíça e se vacilar, muita gente nem imagina do que se trata. Para ter uma ideia, em alguns momentos o som parecia um Black Sabbath nuclear, lento e extremamente pesado, com algumas poucas partes rápidas. Segundo o guitarrista, o vocalista não pode vir para essa turnê, ficando para ele a responsa do vocal. Só que como ele mesmo disse, não consegue tocar e cantar, então ficou só na guitarra e o bang virou instrumental. E olha que ficou muito lega!


Pois é, foi outro evento bacana para poucxs pessoas. Sei lá, pode até ser melhor assim, poucxs pessoas, mas interessadas, sem clima ruim, olhares tortos e verdades absolutas individuais (ou “panelais”) sendo vomitadas para todos os lados. Mas não deixa de ser estranho o que acontece na cena da Grande SP, eventos legais sendo ignorados enquanto no mundinho virtual todo mundo reclama da falta de espaços e de gigs. Lembrando que “viver” o punk em rede social não conta, isso é parasitar! Se isso que anda acontecendo é viver o punk e ser uma ameaça real, ferrou de vez! A reflexão se faz urgente!

Diskarrego, O Cúmplice, Sistema Sangria, Cad – 27/09/2013 – Estúdio Noise Terror – São Paulo/SP Sexta-feira com garoa, frio e evento contanto com bandas que correm por fora na cena. Ou seja, tudo indicava rolê vazio, como tantos outros que temos presenciado. Felizmente uma galera razoável apareceu para prestigiar a gig, uma das últimas no local antes do fechamento. O pessoal foi chegando muito timidamente e mesmo com um atraso básico, não foi suficiente para que as pessoas chegassem ao pico a tempo de ver todas as bandas. E sobrou para a primeira banda, Diskarrego, que tocou para poucas pessoas. Mais sorte teve O Cúmplice, que tocou com a casa um pouco mais cheia. A banda é mais ligada ao rolê straight edge, o que teoricamente poderia deixá-la deslocada na gig. Aparentemente, nem a banda nem o pessoal levou isso em conta. Fizeram um set sem enrolação, dando uma acelerada para que as outras bandas pudessem tocar sem problemas com o horário. Já com o local mais cheio, Sistema Sangria também mandou um set acelerado e curto. Mesmo com mais pessoas no local, o frio parece ter congelado todo mundo, fazendo com que as pessoas apenas assistissem as bandas. E essa frieza predominou em todas as apresentações. Para encerrar, teve Cad. A banda é da Eslováquia e essa foi sua segunda visita ao país e a terceira apresentação na cidade nessa turnê, o que acabou dividindo o pessoal. O bemhumorado guitarrista/vocalista, trajando uma peita do Iron Maiden, arriscou algumas palavras em português ao anunciar as músicas, arrancando risadas de todxs. Mesmo o grind/crust gringo não foi o suficiente para fazer a galera agitar, que se limitou a aplaudir. Enfim, bandas bacanas, flyer foda, preço condizente com a realidade e galera apoiando. É assim que se fortalece uma cena.

Eat War, Discrepante, KRH, DER, Test, Social Chaos, Agathocles – 20/10/2013 – Galpão Studio – Ferraz de Vasconcelos/SP Depois de seis anos, Agathocles volta ao Brasa para mais um rolê monstro. Na primeira vez que vieram, tocaram em Sampa no mesmo dia que o Coringão foi rebaixado. Resumo da história: não me lembro de nada desse evento, porque estava tão triste que nem conseguia prestar atenção no que acontecia no palco. Só pensava em ir para casa, abraçar minha mãe (se ela estivesse viva depois de tamanha tragédia) e chorar pensando no quanto iriam me aporrinhar nos meses seguintes. E olha que nessa época ninguém se preocupava com a questão do bullying. Mas como o tempo é o melhor remédio, seis anos se passaram, Coringão saiu da segundona, ganhou vários títulos regionais, brasileiros, conquistou o continente e


novamente o mundo. E o Agathocles volta para cá, para finalmente eu ver uma das minhas bandas favoritas. A expectativa era grande para esse evento. Sete bandas, preço justíssimo (bacana terem acabado com a frescura de ingressos com diferentes valores dependendo do lote. Isso lembra balada vip e se a ideia é romper com os padrões, comecemos com situações que envolvem a cena), evento organizado pela Contra-Ataque Produções, local que é a cara do underground... só faltou avisar punks e bangers. Pois é, parece até má vontade da minha pessoa, mas aconteceu novamente. Eu sei que muita gente não curte grindcore/mincecore/crust/stench porque é rápido e/ou pesado demais e por isso não colaram. Mas tem uma parcela significativa de zé ruelas que vivem reclamando no feicebuqui sobre preços de ingressos, que som/zine e demo tape tem que ser de graça, que ficam com aquele discurso chulé pró-pobreza, mas que devem ter ficado em casa para economizarem alguns trocados para irem ver as bandas gringas trazidas por produtores inescrupulosos, que cobram preços abusivos no ingresso, que em muitos casos não se preocupam com a segurança de quem cola (se vacilar, facilitam para a pilantrada fazer a limpa no local) o e/ou convidam para tocar bandas com ligações sexuais com quadrilhas intolerantes. Mas pra quem é tá bom. Você aí deve estar pensando “porra mano, e a gig?” Calma porque eu ainda não terminei de reclamar. Outra coisa escrota que virou lei nas gigs daqui é ficar do lado de fora papeando enquanto as bandas tocam. Apoiar a cena, conhecer outras bandas e outras propostas sonoras, conhecer outras pessoas, isso não importa mais. A pessoa paga pelo ingresso e se vacilar, não vê nenhuma banda porque fica do lado de fora falando sobre os mesmos assuntos com as mesmas pessoas. Estupidez? Falta de bom senso? Sem noçãozice? Ainda não descobri. Bom, como a galera curte pagar e ficar sem ver as bandas, com maior ou menor intensidade, todas as bandas sofreram com isso. Mas quem ficou no veneno foi Eat War; Primeira banda a tocar depois de um atraso cabuloso, muita gente ainda nem tinha chegado e quem estava por lá continuou do lado de fora, com meia dúzia de pessoas prestigiando a dupla. Vergonhoso! Era evidente a decepção das bandas ao tocarem com a maioria do público (entenda-se público no sentido pejorativo, tipo bunda mole que nem sabe onde está e só vai para farrear na baladinha) do lado de fora. Em algumas conversas que a gente pegava de orelhada também se percebia a decepção pela ramelada dxs punks em não aparecer. Mesmo assim, TODAS as bandas deram o melhor de si, tocando com garra e demonstrando respeito por quem estava lá prestigiando. E fechando a noite desgracenta, teve os gringos. Mesmo com quase todo mundo dentro do Galpão, o bagulho não encheu, o que acabou fazendo o mosh pit ficar bem sussa. A banda é de uma simplicidade absurda, trocou ideia com quem chegasse junto, tirou fotos e detonou no palco. O vocalista/baixista Jan mandava várias ideias entre os sons, falou sobre religião, fachos e fez uma menção aos protestos que tem rolado no nosso quintal. Prova que o cara está antenado com o que acontece no mundo e não fica apenas cantando sobre coisas que muitas vezes nem acredita ou vive, como acontece com algumas bandas panquis daqui. E como o horário já estava adiantado, algumas pessoas começaram a sair fora para não perderem o transporte público, o que ajudou a ferrar mais um pouco a gig. Enfim, como o rolê do Agathocles na terrinha é longo, espero que a banda tenha melhor sorte em outras gigs e que a galera apareça para prestigiar. Porque viver a cena também é colar nos eventos e interagir com outras pessoas e não apenas ficar em rede social postando imagem de gambé correndo do bloco negro em manifestação que a pessoa nem participou.


Helvetin Viemärit, Social Chaos, Gerk – 18/12/2013 – Zapata – São Paulo/SP Um dos últimos eventos do ano, bandas legais e preço justo no ingresso e no material à venda. Mas antes da barulheira, rolou o esquenta na frente da tv vendo o vexame do Atlético/MG. Depois do jogo, ainda teve uma mesa redonda para discutir a “varzeabilidade” da participação do Galo no mundial interclubes. Bom, com toda essa atividade pré-som, rolou problema na atividade pós-jogo e cheguei atrasado, não vendo o Helvetin Viemärit. Só lamentos. E lamento também a falta de pessoas interessadas em prestigiar essa gig. Tudo bem que era uma quarta-feira, que o som não foi tão divulgado, o clima natalino de merda, mas esse não comparecimento é constante e não deixa de ser preocupante. A produção contracultural, seja ela qual for, tem sido desvalorizada e deixada de lado pelas pessoas que deveriam ser as mais interessadas em sua existência. Do jeito que a coisa vai, logo não teremos mais gigs, zines, bandas, gravações e todo mundo vai ficar fazendo rolê no feicebuqui, postando foto do tipo “olha que rolê foda! Todo mundo aqui no meu quarto agitando um som e fazendo revolução!” Voltando ao som, na sequência teve Social Chaos, brutal como sempre. Apesar da agressividade da banda, rolou pouca agitação, com o pessoal se limitando a assistir e aplaudir. E para encerrar a noite, os hermanos do Gerk, já conhecidos na área (estiveram tocando aqui ano passado). A banda veio de um rolê pelo velho continente e aterrissou aqui para algumas gigs. Mesmo com o local meia boca, a banda detonou um set curto, porém energético. Fico imaginando o caos que teria sido se o lugar estivesse cheio. Coisas de Sampa. E para minha felicidade, ainda ganhei um adesivo da banda. Pois é, rolê bacanérrimo para encerrar o ano. Sorte dxs punks, bangers e doidxs em geral que colaram. E que venha 2014.

RESENHA Por Treva

Para Raio da Desgraça – Para Raio da Desgraça A banda Para Raio da Desgraça surgiu em dezembro de 2009 na região de Porto Alegre/Canoas. Depois de algumas mudanças na formação, estabilizou-se com Léoguitarra/vocal, Pijama-guitarra, Téü-baixo, Sauro-bateria/vocal. Entre as influências constam Bastards, Discharge, GBH, Mob 47, Extreme Noise Terror, Anti Cimex, Gism, The Varukers, Riistetyt e Wolfbrigade. Ou seja, só coisa boa! Esse primeiro CD que leva o nome da banda foi gravado e lançado em 2012. Todxs sabem das dificuldades de se gravar material com qualidade, mas a banda superou esse problema. A qualidade está muito boa, cd silkado, encarte em papel bacana com letras traduzidas para o inglês e fotos. São sete sons que em alguns momentos lembra algo entre Anti Cimex e Riistetyt, rápido, pesado e com alguns solos de guitarra. É claro que não significa que seja uma cópia, outras influências estão presentes. Nenhuma banda necessita recriar a roda para ser interessante, basta ser honesta no que faz e honestidade tem de sobra aqui. Quanto as letras, são mais


diretas, fugindo daquele pretenso eruditismo dxs cientistas sociais, tratando sobre assuntos que realmente entendemos e vivemos. Os destaques ficam para Nada Além da Madrugada, Miséria S/A e Olho Por Olho. Enfim, apesar da facilidade de se baixar música, esse é um CD que vale a pena ser adquirido, seja pela qualidade ou para estar ajudando a manter a cultura punk e conhecendo outras bandas. https://www.facebook.com/prdd2013?fref=ts

Poesias Marginais Por Karl Straight Revoluções Mudam Tudo

Olhos Fechados

Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros. Cômodo, comodismo, comodidade, conformismo, conformar-se, conforme. Palavras que significam que quando você as é, as têm, as usa, as habita, as propaga, você não sai do lugar.

De olhos bem fechados. Orgia de dançantes com máscaras Empreendem os donos deste mundo de políticos imundos, Num horror com horríveis tristes caras.

Quando se é ou se faz a figura destas você se torna marionete das possibilidades, das circunstâncias. E a partir de então não se é mais senhor de si.

Ignorados O que morre e não se vê e não foge da verdade nem caminha pela noite da inveja E se nasce é somente por nascer E se resiste é esquecido ou talvez ignorado E se esconde entre as brechas da mentira Entre muros de presídios

Mascaram-se as verdades do mundo de fome e misérias, pobreza extrema É da estirpe da burguesia De olhos bem fechados nós estamos, Ainda que saibamos que existimos. Ao nascermos nós morremos, desistimos.

Entre prédios abandonados Entre favelas e barracos O que mora nos jardins ensolarados, mas têm medo de morrer E ninguém chora suas mentiras burguesas Até lá te contenta com as sobras pois o prato é individual. A fome, essa sim é coletiva, irrestrita não queremos a avareza da justiça nem a glória do soldado mas a faca da vingança.


Jovens O que são os jovens a não ser arrogantes? Jovens, a mentira corre em suas veias Jovens são o futuro do mundo O que será do mundo nas mãos destes Jovens de mentes vazias? Jovens, quanto preconceito e diferença entre si Jovens, quantos pensamentos contraditórios em vocês eu vi. Abram os olhos e verá o mundo de verdades, neste mundo que há de odiar! Pessoas vivem nas calçadas, Este mundo te fecha os olhos. Jovens, que só veem as modas e suas futilidades? Jovens, realmente não se importam com nada! Jovens, velhos, agora realmente veem o que deixaram para trás? Velhos, jovens, escravos do sistema? Velhos, os atuais jovens são espelhos desta sociedade falida. Jovens, o que lhes sobram além de seguir envelhecendo em direção ao final? Jovens, com suas bebidas e drogas que fazem sua lavagem cerebral estúpida Jovens vazios, apenas contente-se e continue seguindo.

Seu Futuro

Povo sem opinião, sem desejo de luta Sem coragem de se opor a essa maldita imposição Abra teu ouvido e escute! Levante a cabeça e lute! Não se adapte a esse meio, abra tua boca e mude Seja quem você quiser, não omita os teus conceitos Você faz os teus deveres, mas nem sabe os teus direitos. Eles querem te entreter, entupir, enumerar te manter extasiado que é pra você não notar Que a cabeça é tua, pense! Não se esconda, enfrente! É normal ser diferente. Ainda espero para ver uma terra fértil de paz Nunca vou me conformar com este estado de mentiras, de governantes ladrões. Não quero mais viver com medo, reprimido, em segredo, controlando minhas ideias. Sei que eu mereço mais que repúdio é a justiça natural. Não adianta tentar evitar, desviar, mudar o caminho...sempre acaba acontecendo! Vamos eternamente bater uns nos outros até conseguir flutuar juntos em paz.

Vagando nas Ruas

Aos Outros

Vagando pelas ruas Na chuva, no frio Almas vivas, ainda em seus corpos... decadentes Com o medo expresso em seus olhares Todos passam Ninguém para. Não há ajuda, não existe dó A identidade se perdeu no tempo. O individualismo impera A sociedade oprime

Não estou pedindo para que seja meu amigo, não preciso de você. E pouco me importa sua opinião patética, seu porco capitalista. Deixe-me em paz com a pouca sanidade que me resta. Quero que o mundo que você faz de mentira morra! Vou atrás do que me faz feliz. Só um idiota completo morre de tédio A vida é uma só para você fazer dela um rascunho. Viva sua vida e pare de vive na sua mentira, no seu mundo de fantasia.

Vivos ainda, porém não mais que almas.


Capa cópia  

Cultura Punk

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