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PARQUE ECOLÓGICO VIVE NOVA TENTATIVA DE

RECUPERAÇÃO


p vai bem

q vai mal

O canteiro central da Estrada do Coco ganha um visual mais colorido, com a implantação de floreiras, do Km 4,5 ao Km 5,5, pela Prefeitura. As flores que são responsáveis pela harmonização e paisagem urbanística da cidade são regadas duas vezes ao dia e recebem manutenção e recuperação caso haja atos de vandalismo ou colisão de veículo.

Acredite: Cidadão (se é que pode ser assim classificado) construiu um passeio irregular com rampa, em cima de uma das faixas da rua Jorge Farias, em Ipitanga, causando transtornos aos moradores da rua, seus vizinhos. Após notificar o transgressor, a Prefeitura corrigiu o absurdo. A Rua Jorge Farias, que antes era de barro, foi pavimentada e urbanizada em novembro do ano passado pela Prefeitura.

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsa­ bilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Con­ selho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos pro­ dutos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


Editorial Não há milagre O Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) de Lauro de Freitas permanece uma promessa não cumprida num ambiente em que o planejamento de obras públicas costuma ser exercício de ficção. Bradar pela conclusão da obra dificilmente vai conduzir a resultados. Não é de pressão da opinião pública que o assunto precisa, embora seja legítimo espernear. No caso do SES, consta que o governo rompeu contrato, anos atrás, com a empresa respon­ sável porque a obra não andava no ritmo desejável. Que seja. Em geral, ocorre coisa diferente. Empreiteiras aceitam contratos que sabem ser inexequíveis já planejando reivindicar aditivos que quase sempre são concedidos. O governante quer mais é entregar a obra. O problema aparece quando o dinheiro é curto ou simplesmente inexistente e os aditivos são negados. Não havendo milagre que toque obras sem recursos, o canteiro para e o poder público rescinde contratos. Ato contínuo a questão é judicializada e lá se vão alguns anos. Encerrada a demanda, abre-se nova licitação, que pode muito bem ser mal calculada e não atrair interessados. Meses de espera se seguem até que mais uma licitação aconteça. Quando ela finalmente ocorre é preciso ver se os governos realmente têm aquela verba para desembolsar. Não é porque está no orçamento que ela necessariamente existe. Se houver queda de receita, não há solução a não ser contingenciar a despesa e aguardar melhores dias. Não há milagre.

Espetáculo circense

Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

Foi intensamente criticado nos veículos de imprensa de escala nacional o “espetáculo circense” da votação da admissibilidade do impeachment na Câmara, em abril. Um sem número de deputados foi ao microfone dedicar o voto a Deus, à família, aos filhos este e aquele, à esposa, deixando de lado as razões para votar desta ou daquela maneira, como se de inspiração divina vivesse a nossa (laica) República. A presença de deputados junto ao microfone, durante horas sob os holofotes da televisão em rede nacional também mereceu condenação em todo debate político de mesa de bar. Em épocas de Copa do Mundo, os analistas dão lugar a técnicos de futebol. Os técnicos, con­ tudo, não escolhem os convocados, não são responsáveis pelo time, muito menos pelo 7 a 1 da Alemanha ou pela campanha vexatória da era Dunga. Já os analistas políticos de ocasião votaram e colocaram na Câmara cada um dos 513 deputados. Foram todos eleitos. O plantel do Congresso Nacional é nada menos que o retrato do eleitorado brasileiro, doa a quem doer. Lamentável. A deputada Raquel Muniz (PSD-MG), traduziu com fidelidade um sem número de mandatos anacrônicos, ao dedicar seu voto a administração do marido, prefeito de Montes Claros (MG), declarando “que o Brasil tem jeito e que o prefeito Ruy Muniz mostra isso para todos nós com sua gestão”. No dia seguinte, o marido foi preso pela PF por falcatruas e desvios de verbas para a saúde e educação no seu município. Que há de tudo por lá, do melhor ao pior, ficou transparente. Mas também há o pior do impen­ sável, caso do cidadão que usou o microfone para enaltecer a memória de um notório torturador, a quem dedicou seu voto. Como todos os outros, ele também foi eleito. A grande maioria dos parlamentares votou se reportando a família, mostrando claramente que eles estão lá apenas pelos seus interesses pessoais, não pelos do País. Uma realidade abso­ lutamente vergonhosa. Se aquilo foi um espetáculo circense, quem pagou o ingresso e continua garantindo a féria somos nós. Até quando? Maio de 2016 | Vilas Magazine | 5


Registros & Notas

Manhã de lazer

O colégio SartreCoc realizou no domingo 10 de abril, mais um Ciclist SEB, ocupando as ruas de Vilas do Atlântico com muito brilho e colorido, reunindo professores, funcionários, alunos e suas famílias, que aproveitaram suas bicicletas para pedalar à vontade, do Vilas Tênis Clube até à Unidade Monet, no loteamento Miragem. Além de serviços, como food truck e fit dance, a ação também teve mobilização na luta contra o mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus, abraçando a campanha #SaiZika.

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HOMENAGEM O empresário Gustavo Candotta (centro) foi agraciado pelo Rotary Club Lauro de Freitas com um título de reconhecimento Compa­ nheiro Paul Harris, que homenageia pessoas que contribuem com as ações solidárias do Rotary. Gustavo fundou o Interact, o Rotaract e integrou o Rotary Club Lauro de Freitas, estando temporariamente afastado, por conta de suas atividades profissionais, sem, no entanto, abandonar o ideal do Rotary. O presidente do clube, José Bonifácio Silveira Gomes destacou que a homenagem a Candotta, “espelha um valor intangível, em reconhecimento a sua passagem consagradora pelo Rotary Club Lauro de Freitas”.


Atletismo beneficente Comemorar 50 anos em grande estilo e ajudar quem realmente pre­ cisa, é a proposta da corrida Amigos do Professor Ribeiro, que acontece no próximo dia 22, a partir das 9 ho­ ras, na Praia de Ipitanga. Podem se inscrever homens e mulheres de oito a 90 anos, mediante doação de um quilo de alimento não perecível ou um pacote de 200 gramas de leite em pó. O evento é organizado por Van­ derlito Ribeiro (dir.), o professor Ri­ beiro. Amante do atletismo, Ribeiro já participou de mais de 300 corridas no Brasil e 70 pelo mundo, a exemplo das Maratonas de Nova York e Boston, e Meia Maratona da França. “São 35 anos dedi­ cados ao atletismo e através dessa corrida quero despertar o interesse de todos pelo esporte”, destaca. Os alimentos e sacos de leite arrecadados durante as inscri­ ções serão doados para a instituição de idosos, Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes – ACCABEM, localizado em Itinga, Ribeiro faz trabalho voluntário de reabilitação (RPG) desde 2013. Inscrições podem ser feitas de 12 a 21. Mais infor­ mações pelo tel.: (71) 3378-2133.

Espaço musical As empresárias Andrea Menegatti e Norma Barbosa celebram a inauguração da filial do Conservatório de Musica Schubert em Vilas do Atlântico, trazendo na baga­ gem 30 anos de tradição em Salvador.

Tayná Borges Luz, gerente de Relacionamento Prime da agência do Bradesco de Vilas do Atlântico, participou em São Paulo, com profissionais de todas as regiões do Brasil, do Programa de Avaliação de Desempenho 2015, promovido pela instituição. Talentosa, trouxe na baga­ gem uma premiação especial, que vai se juntar às demais, con­ quistadas nos sete anos de atu­ ação profissional no Bradesco.

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cidade

Parque Ecológico de Vilas do Atlântico permanece sonho adiado

A

falta de pessoal, de equipamentos, de ferramentas básicas e até de serviços de limpeza pública são alguns dos obstáculos enfrentados pela equipe do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico. Mas o próprio domínio público do parque permanece um desafio para Jorge Neto e Cláudio Ferreira. Há cerca de dois meses, desde que foram contratados pela prefeitura, eles se desdobram para colocar alguma ordem num pequeno trecho do parque, compreendido entre a entrada principal, na praça da avenida Praia de Itapoan e a secretaria de Políticas para as Mulheres, na avenida Praia de

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Pajussara. O restante do parque continua impenetrável. “Em um mês fizemos o que não fizeram em nove meses aqui”, conta Neto – “no facão e na tesoura de poda, na guerra e na vontade de trabalhar”. Vontade é quase tudo o que ele tem à disposição até agora. A antiga trilha, que circundava o par­ que, está hoje tomada pela vegetação e pela invasão das residências limítrofes. São verdadeiros quintais improvisados, além de depósitos de lixo. “Esse trecho beirando as residências, praticamente está todo cercado”, diz Jorge – “cada um fez seu quintal”. Em alguns “dá para a gente entrar”. Ao trecho do parque em

que há um lago eles ainda não chegaram “porque aí já tem que passar por dentro das, ‘propriedades”. O pessoal pode pen­ sar que é invasor, que é bandido. E pode haver invasores que facilmen­ te atacariam a equipe, como já aconte­ ceu. Certa vez eles toparam com pessoas que “ameaçaram dar tiro”, conta Cláudio. O parque não conta com qualquer tipo de vigilância. No pequeno trecho em que Neto e Cláudio conseguem trabalhar foi constru­ ída em anos recentes uma passarela de madeira sobre o que já foi um brejo, cheio de espécies exuberantes e de origens va­ riadas, como os oitizeiros que agonizam


Professor Jaime Ferreira (esq.) e Cláudio Ferreira, auxiliar do parque: fazendo planos. Ao lado, concha acústica: potencial espaço de lazer e cultura deixado ao abandono

em meio a cipós, como que implorando por cuidados. O lugar impressiona pela beleza na­ tural, apesar da falta de limpeza. Claudio explica que a vegetação natural do par­ que é de restinga, não mata atlântica, embora tenham sido levadas para lá espécies desse bioma. Jorge Neto mostra uma muda de pau-brasil que traz na mão: próximo à entrada principal do parque há viveiros que ele quer recuperar. Já houve uma horta e até um orquidário, com piso caprichosamente decorado. “Isto aqui eu vou plantar para depois a gente introduzir aqui e nos arredores da cidade”, anima-se.

Um parque infantil também foi ten­ tado naquele espaço em anos recentes. Uma corda tirolesa para crianças aguarda em abandono que o parque tenha públi­ co. “Há cidades procurando um espaço como este e não têm”, diz o professor Jaime Ferreira, 72 anos, morador de Vilas do Atlântico e ambientalista militante. Há três anos ele propôs à prefeitura todo um “projeto de requalificação” que resultaria num “Parque da Cidadania”, com ativida­ des educativas e culturais. Segundo ele, “vários secretários mu­ nicipais se apresentaram para executar”, diz Ferreira. “O desenvolvimento dessa requalificação seria, obrigatoriamente, sistêmico, ou seja, desenvolvido por di­ versas secretarias”, mas nada aconteceu. No final do ano passado ele elaborou

outro projeto, agora para requalificação da praça de acesso, que ganhou até proposta de nome: João Ubaldo Ribeiro. O professor deu-se ao trabalho de medir ele mesmo a praça e destinar cada canto a uma função. Ele sonha com um pequeno palco para apresentações artís­ ticas variadas, por exemplo. Até recentemente o espaço, que é pú­ blico, estava ocupado por duas enormes bancas de verduras e um bar. Hoje serve de abrigo ocasional a famílias sem teto. “A verdade é que esse complexo, parque e praça, passados mais de três anos, continua indisponível para a população de Lauro de Freitas e Vilas do Atlântico”, lamenta o professor. Responsáveis pela nova tentativa de colocar ordem no parque, Neto e Cláudio u

Puxadinho de quintal: de acordo com Neto, invasão de área pública

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Jorge Neto, responsável pelo parque: só “no facão e na tesoura de poda, na guerra e na vontade de trabalhar” Entulho junto aos muros das residências limítrofes: limpeza necessária. Ao meio, passarela de madeira no parque ecológico: projetos abandonados; e abaixo, as tartarugas do “posto avançado” do Tamar: perdidas em meio à palha dos coqueiros

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estão empenhados. Enquanto não chegam as ferramentas, equipamento e pessoal prometidos pela secretaria de Meio Ambiente, eles fazem planos – o que ainda é grátis. “Não queremos ficar no trivial, queremos dar um passo além”, diz Cláudio. “Pretendemos fazer um lago para peixes, uma oficina de reciclagem”. A intenção é integrar as áreas verdes públicas de Vilas do Atlântico – declaradas Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) há cinco anos. Limpar a pequena área do parque que eles tentam res­ tabelecer já seria um feito relevante. Logo no final da trilha que restou desocupada pelas invasões, a poucos metros do edifício da prefeitura, uma pilha de entulho vem aumentan­ do ao longo do tempo. A pilha de lixo mais visível é vizinha também da concha acústica, construída em anos anteriores e que hoje acumula sinais de deterioração. Mais adiante, a poda dos coqueiros, feita pela prefeitura cerca de quinze dias antes, continua à espera de ser recolhida. “A gente não pode trabalhar com isto aqui”, lamenta Neto. Algumas árvores também foram podadas recentemente para elevar a copa e permitir a cir­ culação, mas os restos continuam por lá. “Quando você poda a árvore, arrasta e leva o galho in­ teiro, não fica sujeira nenhuma”, explica Jorge Neto. “Mas quando você poda e deixa arriada lá no chão a tendência é secar e as folhas caírem, o que vai aumentar muito mais o trabalho e automaticamente o tempo para ser concluído”, ensina. Em meio à palha da poda dos coqueiros, de repente surgem esculturas de tartarugas em escala natural. São as mesmas que um dia enfeitaram uma área pública cercada por uma guarita, em Vilas do Atlântico. O espaço foi inaugurado pela prefeitura em junho de 2011 como “posto avançado do Tamar”. A ideia era retomar o espaço dando-lhe uma destinação, qualquer destinação.Abandonado o “posto avançado”, as tartarugas de fibra de vidro foram bus­ car abrigo no parque, longe da praia, mas não tiveram melhor sorte: continuam à espera de visitantes.


NOSSA OPINIÃO A praça da entrada principal do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico, na av. Praia de Itapoan, continua abandonada, inclusive mantendo o resto das construções irregulares que havia ali. O piso de pedra portuguesa está cada vez mais degradado e os canteiros acumulam mato. O espaço vai, aos poucos, sendo tomado por veículos que passaram a utiliza-lo como estacionamento. Local privilegiado, no chamado “centro” de Vilas do Atlântico, a praça é o retrato fiel do parque a que deveria dar acesso.

Descarte de lixo e entulho traz perigo para aeronaves Na tentativa de impedir o despejo de en­ tulho e lixo na cabeceira da pista do aeroporto internacional de Salvador, ficou interditado o acesso à via que contorna o muro da Base Aérea. O problema agora é que um dos blo­ queios, no lado de quem vem de Ipitanga, é formado por – lixo e entulho. Conforme de­ nunciado pela revista Vilas Magazine e avisa uma pintura antiga no muro do aeroporto, depositar material na cabeceira da pista re­ presenta risco grave à segurança de voo. Aves de todos os tipos são atraídos pelo lixo. Se forem sugadas pelas turbinas ou colidirem com a fuselagem, podem levar à queda de aeronaves.

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cidade

Associações de moradores defendem preservação das barracas de praia

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Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (AMOVA) quer propor à Justiça Federal um “modelo de gestão compartilhada da orla do loteamento” como alternativa à derrubada das barracas de praia – solicitada pelo Ministério Público Federal em outubro de 2011, logo após a desocupação de Ipitanga. A ideia é entregar a gestão da orla aos próprios moradores, em relação direta com a União, sem passar pela prefeitura de Lauro de Freitas. Janaína Ribeiro, presidente da entidade, sublinha que “o foco não é defender ou não a permanência das barracas”.

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Viviane Sales

O projeto da entidade, contudo, apesar de “pautado e alinhado aos objetivos do Projeto Federal Orla Brasil”, que manda desocupar a faixa de areia, prevê “a manuten­ ção das barracas e equipa­ mentos exatamente no local onde estão instaladas hoje”, com ajustes sanitários e ar­ quitetônicos. A Justiça Federal voltou ao assunto no final de março, ao realizar uma audiência de conciliação em torno da Ação Civil Pública que requer a demo­ lição das barracas também em Lauro de Freitas. A desocupação das praias ocorre há anos, por ação do MPF e da União, em todo o litoral brasileiro. Na última assembleia da Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva), quando a presidente da AMOVA fez parte da mesa, ao lado da coordenadora-geral Verônica Tambon, ficou combinada uma ação conjunta das entidades na próxima audiência da Justiça sobre o tema, prevista para este mês. “Não estamos defendendo barraca de praia, estamos defendendo um modo de vida”, disse Janaína Ribeiro na assembleia. Para a AMOVA, Vilas do Atlântico represen­ ta “um modelo de sucesso já existente há 35 anos com ocupação eficiente, pacífica, ordenada e de baixo impacto ambiental”. Ribeiro inclui os “donos dos equipamentos/ barracas” no coletivo que contribui “para o equilíbrio desse ecossistema social que é o cerne da orla de Vilas do Atlântico”.

Salva e Amova firmam posição pela manutenção das barracas, com foco em gestão própria

Se a entidade evita fazer uma defesa direta da permanência das barracas de praia, embora as inclua no projeto de gestão própria, o prefeito Márcio Paiva (PP) declarou, também no mês passado, que é “totalmente contra” a derrubada das barracas. “Vou brigar até o último oxi­ gênio”, afirmou durante evento. Para ele, as barracas “não descaracterizam” a praia. É da prefeitura, entretanto, o projeto que propõe a retirada das barracas e a construção de um calçadão na orla de Vilas do Atlântico, revelado pela Vilas Magazine em dezembro de 2013. Pequenos

quiosques no calçadão subs­ tituiriam as barracas, que há quase cinco anos o Ministério Público quer derrubar. Os 13 quiosques, com dois pontos de venda cada um, seriam implantados na faixa da orla pertencente à União, fora da areia. Para dar lugar às estru­ turas, em Vilas do Atlântico as residências da orla perderiam parte da área que atualmente ocupam junto ao calçadão. O projeto previa ainda a construção de um gabinete da prefeitura com módulos de apoio da polícia, bombeiros e limpeza pública no terreno existente entre Vilas do Atlântico e Ipitanga e diversos equipamen­ tos de lazer ao longo do calçadão. Para Buraquinho, onde os barraquei­ ros também terão que desocupar a faixa de areia, já está previsto que as barracas se mudem para a praça. Para o trecho de Ipitanga que pertence a Lauro de Freitas não há projeto conhecido. Na parte da praia que pertence a Salvador as barracas foram demolidas em 2011. Há quase cin­ co anos a prefeitura de Lauro de Freitas propõe alternativas para a orla da cidade sem alcançar consensos.

Prefeito Márcio Paiva

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cidade

Vacinação contra H1N1 segue até o dia 20 em Lauro de Freitas

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rossegue até o dia 20 a campanha nacional de vacinação contra a síndrome respiratória aguda grave pela Gripe A, mais conhecida como H1N1 – uma doença provocada pela mutação do vírus da gripe. De acordo com o Boletim Epidemio­ lógico de Influenza do Ministério da Saúde, até 26 de março de 2016 foram registrados 444 casos de H1N1 no país. Este ano, até o início de abril, 153 pessoas já teriam morrido em consequência da doença, seis delas na Bahia, onde foram confirmados 25 casos da gripe, um deles em Lauro de Freitas. A campanha de vacinação, prevista para começar em 30 de abril, foi ante­ cipada em Lauro de Freitas. Desde o dia 18 de abril a vacina vem sendo oferecida nos postos de vacinação, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30. Na rede pública, a vacinação contra influenza é destinada a alguns grupos prioritários: crianças com mais de seis meses e menos de cinco anos, gestantes,

puérperas, idosos com mais de 60 anos, profissionais da saúde, povos indígenas e pessoas portadoras de doenças crônicas e outras doenças que comprometam a imunidade. As autoridades de saúde recomen­ dam que a população adote medidas de prevenção da gripe, tais como lavar as mãos várias vezes ao dia, proteger tosse e espirro com lenços descartáveis, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter os ambientes ventilados, evitar contato próximo com pessoas com sinto­ mas de gripe e evitar aglomerações em ambientes fechados. As pessoas devem procurar um serviço de saúde ao perce­ ber os primeiros sintomas da gripe. Em Lauro de Freitas, o dia D da vacina­ ção aconteceu no sábado, 30 de abril, em vários pontos. Além de escolas públicas e unidades de saúde, seis supermercados participaram da ação. Em Vilas do Atlân­ tico, a sede da secretaria de Políticas para Mulheres, na avenida Praia de Pajussara também dispensou vacinas. Edmar de Paulo

Causador da gripe H1N1 usa as células do nosso corpo para se reproduzir e nasceu no organismo dos porcos; saiba como se prevenir: O que é gripe? A gripe (ou influenza) é uma doença provocada por um vírus e costuma ser mais forte que um resfriado. Os sintomas são febre, congestionamento de vias res­ piratórias, dores de cabeça e no corpo. Os vírus que causam a gripe podem ser do tipo influenza A ou influenza B. O que é vírus? São organismos que invadem células de outros seres (pessoas, bichos e até plantas!) e as utilizam para se multiplicar. Dessa forma, mais vírus são “criados”. A boa notícia é que nosso corpo tem células de defesa, que combatem esses seres microscópicos. O que é H1N1? O H1N1 é um vírus do tipo influenza A e é o causador da gripe H1N1, conhecida popularmente como “gripe suína”. Ela recebeu esse nome porque nasceu nos porcos. O primeiro caso em humanos foi registrado em 2009, no México.

Vacinação nos postos de saúde começou antes em Lauro de Freitas

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Qual a diferença entre H1N1 e outras gripes? Os sintomas são os mesmos. O grande problema dessa gripe H1N1 é que, como


o vírus é bem recente, nosso corpo ainda não sabe muito bem como combatê-lo. Como se prevenir? O H1N1 se aloja no sistema respiratório e é transmitido por meio de gotículas (como a saliva, por exemplo). Como essas gotinhas são pesadas, elas não ficam muito tempo suspensas no ar e caem em superfícies, como mesas e objetos, ao alcance das mãos. Por isso, lavá-las com água e sabão é o principal modo de prevenção. O vírus pode sobreviver de 8 horas a 3 dias ao ar livre. Como funciona a vacina? A vacina contém uma versão mais leve do vírus. Assim, o corpo “conhece” a doença e fica sabendo como combatê-la no futuro. Crianças de até nove anos que nunca tomaram a vacina devem tomar duas doses, com um intervalo de 30 dias entre elas; para quem é maior de nove anos ou já tomou a vacina, a dose é única. Onde encontrá-la? A rede pública disponibiliza a vacina para crianças menores de cinco anos, idosos, mu­ lheres grávidas e quem tem doenças graves. Ela também pode ser encontrada em hospitais e laboratórios particulares, mas, devido à grande procura, está em falta em muitos deles Unidades de saúde da Prefeitura de lauro de freitas com postos de vacinação: UFS Vila Praiana UFS do Centro UFS Irmã Dulce - Portão UFS Noel Alves da Cruz - Portão UFS Vila Nova - Portão UFS Vida Nova UFS Antonio Carlos Rodrigues - Areia Branca UFS Manoel José Pereira - Capelão UFS Padre João Abel - Jambeiro UFS Cidade Nova - Itinga UFS Israel Moreira - Itinga UFS São Judas Tadeu - Itinga UFS Jardim Independência - Itinga UFS Parque São Paulo - Itinga UFS Espaço Cidadão - Itinga Clínica da Família - Areia Branca

Programa “praia acessível” recebe deficientes em Vilas do Atlântico

Fotos: viviane sales

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Vander Santos (centro) com Faculdade Maurício de Nas­ convidados do primeiro dia do sau inaugurou em abril, em programa e o prefeito Márcio parceria com a prefeitura de Paiva. Abaixo, criança toma banho Lauro de Freitas, o programa “praia de mar em cadeira flutuante com acessível”, destinado a proporcionar o auxílio de estudantes. a experiência de praia a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A iniciativa original é da Universidade Maurício de Nassau (Uninassau), em Pernambuco, onde o programa “praia sem barreiras”, premiado nacio­ nalmente, acontece há três anos em parceria com a prefeitura do Recife e de outros municípios pernambucanos. Na esfera estadual o programa ocorre no âmbito do “turismo acessível” da Empresa Pernambucana de Turismo. Mais de 3,6 mil pessoas já foram atendidas pelo projeto em Pernambuco. O projeto está baseado na Barraca da Gávea, em Vilas do Atlântico. A pro­ messa da prefeitura é oferecer equipamento e assistência aos interessados todos os sábados, domingos e feriados, das 8h às 15h, por prazo indefinido, com cadeiras de roda flutuantes e esteiras que possibilitam o acesso ao u

Como a doença chegou ao Brasil? A principal hipótese é que pessoas que contraíram a gripe H1N1 no início do ano no hemisfério norte, quando lá é inverno, vieram ao Brasil nos últimos meses – e fizeram com que a doença se espalhasse no país. Maio de 2016 | Vilas Magazine | 15


cidade

Portal da Transparência de Lauro de Freitas deixa a desejar

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mar, além de práticas recreativas e esportivas com adaptação, como fres­ cobol e vôlei, com acompanhamento de uma equipe. Na prefeitura de Lauro de Freitas o setor responsável pela parceria é o departamento de Acessibilidade do Gabinete do Prefeito, chefiado por Vander dos Santos, que é cadeirante. Ele elogiou a iniciativa do prefeito Márcio Paiva (PP) pela criação do de­ partamento. “Estamos nos dedicando a este projeto desde o início do ano passado e a intenção é elevar a au­ toestima dessas pessoas não só pelo acesso à praia, mas também o con­ vívio com outras pessoas”, afirmou. De acordo com Haslã Duda, diretor da Maurício de Nassau em Lauro de Freitas, a parceria com a prefeitura local pretende fortalecer a inclusão de deficientes na cultura da praia. “A iniciativa irá permitir a integração [entre] instituição de ensino superior, comunidade e poder público e quem sai ganhando são todos os envolvi­ dos, nossos alunos, os professores e principalmente todas as pessoas com deficiência”, disse. Os alunos do curso de fisioterapia da faculdade atuam no projeto. 16 | Vilas Magazine | Maio de 2016

com.br/prefeitura/laurodefreitas/), mas quem quiser consultar ali, por exemplo, os “recursos recebidos” pela prefeitura recebe um pedido de desculpas e o aviso “nenhum registro localizado”. AVALIAÇÃO De acordo com levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão do governo federal que avalia o cumprimento da Lei de Acesso à Informa­ ção (LAI), o estado da Bahia está entre os “mais transparentes” do Brasil, ao lado do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins e o Distrito Federal. Segundo o MPF, entretanto, a Bahia está entre os últimos colocados: seria o quarto estado menos transparen­ te do país, à frente apenas de Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul, de acordo com dados de 2015. As notas do MPF e da CGU só coin­ cidem no que se refere aos governos municipais da Bahia, que estão entre os menos transparentes do país. No con­ junto de 1.587 cidades avaliadas pelo governo federal, as menos mal colocadas são Itabuna (nota 9,44), Elísio Medrado Valdir Simão, da CGU: não cabe ao governo federal fiscalizar a lei de acesso

elza fiúza / abr

Haslã Duda, diretor da Maurício de Nassau: todos saem ganhando

mais recente Mapa da Transpa­ rência, organizado pelo Ministério Público Federal (MPF) no ano passado, coloca Lauro de Freitas entre os municípios menos transparentes do Brasil, com nota de 5,7, numa escala de zero a dez. Entre os municípios baianos, Lauro de Freitas está em 57º lugar, ao lado de outros três municípios do inte­ rior e bem atrás de Mulungu do Morro, a 487 Km. A pequena cidade da Chapada Diamantina conquistou o primeiro lugar na Bahia, com nota 8,3. As notas atribuídas pelo MPF resultam da avaliação dos portais da transparência dos 5.568 municípios e 27 estados brasi­ leiros. O exame levou em conta aspectos legais e boas práticas de transparência e foi feito com base em questionário elaborado pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA). O objetivo é medir o grau de cumprimento da legislação, por parte de municípios e estados. A prefeitura de Lauro de Freitas man­ tém na sua página oficial dois banners que remetem a um “portal da transparência pública”, mas ambos resultam no aviso de que “há um problema no certificado de segurança do site” e que “isso pode indicar que alguém está tentando enganar você ou roubar informações que você envia ao servidor”. E completa: “você deve fechar este site imediatamente”. O cidadão mais corajoso, decidindo ignorar o aviso, en­ contra na página seguinte acesso a tabelas de receitas e despesas que um leigo em contas públicas dificilmente decifrará. Um outro endereço, na guia “transpa­ rência” oferece na verdade acesso a pu­ blicações do Diário Oficial (https://io.org. br/ba/laurodefreitas/transparencia). Há ainda um terceiro endereço dispo­ nível (http://ba.portaldatransparencia.


(8,33) e Vitória da Conquista (7,22). Dos 91 municípios baianos incluídos, 59 ob­ tiveram pontuação zero. Para o MPF, as cidades baianas me­ recem nota 3,29 (de zero a dez) – abaixo até da média nacional, que também é muito ruim: 3,92. Os municípios mais transparentes estão em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na Paraíba. Em todo o país, apenas 29 municípios obtiveram nota máxima em transparência na avaliação da CGU, o que equivale a menos de 2% do total de cidades avalia­ das. Conforme a pesquisa, 822 cidades obtiveram notas entre zero e 0,99 por não terem regulamentado a LAI ou pela inexistência de canais para fornecer in­ formações à sociedade. Os dados fazem parte da segunda edi­ ção da Escala Brasil Transparente (EBT). O indicador mede o grau de transparência em estados e municípios e o cumprimen­ to da legislação. Foram avaliados 1.613 entes federativos, incluindo todos os es­ tados e capitais. Alguns municípios foram selecionados por amostragem. Lauro de Freitas não está entre eles. Foram avaliadas as informações disponibilizadas e pedidos de dados nas áreas de saúde, educação e assistência social. A nota é calculada levando em conta a regulamentação da Lei de Acesso (25%) e a existência de transparência passiva (75%). Segundo a CGU, o percentual de mu­ nicípios com notas entre 9 e 10 mais que triplicou em relação à primeira avaliação. Apesar disso, de acordo com o ministro da CGU Valdir Simão, mais da metade dos mu­ nicípios ainda não cumprem a lei. Simão lembrou que a CGU não tem atribuição de fiscalizar o cumprimento da lei de acesso nos estados e municípios.

p Tela do Portal da Transparência de Lauro de Freitas: nota 5,7 de zero a dez

p Resultado de busca por “recursos

recebidos” no Portal da Transparência da Imprensa Oficial baiana: nenhum registro localizado

q Aviso de segurança no

acesso ao Portal da Transparência de Lauro de Freitas: inibidor

Maio de 2016 | Vilas Magazine | 17


cidade

Obra de drenagem da Lagoa da Base continua parada

A

pesar do Termo de Acordo e Com­ promisso (TAC) assinado pela prefeitura de Lauro de Freitas em fevereiro, as obras de drenagem da Lagoa da Base continuam paradas. Os canteiros na avenida Amarílio Thiago dos Santos foram desmontados e não ficou mais qualquer maquinário. Para os moradores da Lagoa da Base e rua da Irmandade, a obra significa o fim dos alagamentos, inclusive dentro das residências de quase quatro mil famílias sempre que ocorrem chuvas mais fortes. Restam apenas dois poços que acu­ mulam água e sujeira, um deles obstruin­ do o tráfego em meia pista da avenida. A base da obra, montada na rua Elza Paranhos, em Ipitanga, ao lado do rio Sapato, continua desocupada. O aviso de que a obra está interditada continua lá.

O TAC assinado pela prefei­ tura com o governo do estado e associações de moradores estabelecia que o alvará para o reinício da obra seria emitido 48 horas após a assinatura do docu­ mento. Já o licenciamento am­ biental permaneceu pendente. A Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova) e a Sociedade de Amigos do Lo­ teamento de Vilas do Atlântico (Salva) recusaram-se a assinar o TAC. As entidades representati­ vas dos moradores não concor­ dam com a obra porque, com a água pluvial, seria despejado no Sapato e em direção às praias, também o esgoto doméstico não tratado que corre na região da

Dos antigos canteiros de obras na av. Amarílio Thiago dos Santos restaram dois poços que acumulam água e lixo. A placa de interdição da prefeitura de Lauro de Freitas continua no canteiro de Ipitanga, hoje desocupado

Lagoa da Base. Um “Sistema Provisório Tomada de Tempo Seco” foi proposto pelo governo para interceptar o esgoto na própria rede pluvial quando não chovesse em excesso, bombeando-se os dejetos para um emis­ sário. Na ocorrência de chuvas, a ideia é que o volume de água dilua o esgoto que inevitavelmente vai chegar ao rio Sapato, à foz do Joanes e às praias. Especialistas associados às entidades de moradores de Vilas do Atlântico defen­ dem que a drenagem da região deve ser feita em direção à bacia do rio Ipitanga, à qual a Lagoa da Base naturalmente pertence – e não revertida para o Sapato. Já o governo do estado argumenta que a paralisação do projeto implica na devolução ao governo federal dos R$ 3,5 milhões já gastos ali, além da perda dos R$ 23,8 milhões destinados à obra. O termo final do contrato de repasse de recursos para a obra vence no mês que vem. 18 | Vilas Magazine | Maio de 2016


Acidentes anunciados

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irigir na contramão tornou-se um hábito na avenida Luiz Tarquínio Pontes. Na entrada principal de Vilas do Atlântico, a falta de qualquer tipo de sinalização facilmente induz o motorista a erro. Em vez de contornar a rotatória, a tendência é seguir em frente. Se a intenção das autoridades de trânsito é mesmo essa, falta sinalização é na saída do bairro. Já na esquina com o loteamento Varandas Tropicais, acesso à Estrada do Coco, a contravenção é clara, mas a tentação de cometê-la ainda maior e muito frequente. Para seguir em direção ao Centro agora é preciso subir até o posto de combustível e fazer o retorno. Há quem resolva “cortar caminho”. Até que um dia o caminho venha a ser cortado e um acidente aconteça.

COMUNICADO AO MERCADO ANUNCIANTE Reiteramos aos nossos clientes anunciantes que o pagamento da publicação de anúncios deve ser efetuado exclusivamente na rede bancária, com boleto bancário. Não recebemos, em qualquer circunstânia, pagamentos na sede da revista. Maio de 2016 | Vilas Magazine | 19


mundo animal

Lei de proteção animal cria regras para criadores e veterinários

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Câmara Municipal de Lauro de Freitas aprovou por unanimidade, no mês passado, o Projeto de Lei 74/2015, que estabelece políticas de proteção e cuidados aos animais, além de sanções e penalidades administrativas para aqueles que maltratarem os bichos. A lei foi proposta pelo vereador Antônio Rosalvo (REDE), presidente da Câmara Municipal, com base em ação da Rede de Mobilização pela Causa Animal (Remca). Para Victor Quilici, assessor do presidente da Câmara, também filiado à REDE, membro da Remca e ativista dos direitos dos animais, a lei “é um avanço inquestionável no sentido de acabar com os abusos e maus-tratos aos animais”. O diploma legal seguiu para sanção do prefeito Márcio Paiva (PP). A nova lei estende-se por 55 artigos. Em apenas um deles lista nada menos que 40 situações consideradas maus tratos aos animais, a exemplo de “manter [animais] presos por correntes, cordas, cabos ou similares por período superior a uma hora diária”. Também ficou proibida “a apresentação de espetáculo circense ou similar e festas urbanas que tenham como atrativo a exibição de animais de qualquer espécie”. Cortar orelhas e caudas com fins meramente estéticos, bem como a “ergotomia”, o corte do chamado “quinto dedo” dos cães são atos que passam a ser igualmente passíveis de punição em Lauro de Freitas. Quem descumprir a lei está sujeito a multas que vão de R$ 600 para o guardião – o dono – do animal a R$ 2.400 para o estabelecimento responsável. Veterinários estão sujeitos a multa de R$ 1.200. As multas dobram de valor na reincidência, 20 | Vilas Magazine | Maio de 2016

levando à suspensão e depois à cassação da licença de funcionamento, no caso de pessoas jurídicas. Recolher as fezes dos animais nas vias públicas passa a ser obrigação legal do guardião, que agora não poderá mais “conduzir o animal em vias públicas sem o uso de coleiras e guias adequadas ao seu tamanho e porte”. Também está na lei que o bicho seja comandado por alguém “com idade e força suficiente para controlar seus movimentos”. Se o animal for “bravio”, o dono deve garantir que ele não possa fugir, agredir pessoas ou outros animais. Deve também afixar “em local visível ao público placa indicativa da existência de animal bravio no imóvel com tamanho que permita sua leitura à distância”. Condomínios A nova lei local mexe também com a vida nos condomínios, chegando a garantir aos animais o

VOCÊ VIU MARLEY? A cadelinha Yorkshire, Marley (foto), de oito anos, está desaparecida desde o dia 8 de abril. Ela se perdeu, nas imediações do Hotel Malibu, em Vilas do Atlântico. Os donos, desolados, agradecem qualquer informação sobre Marley, pelos tels.: (71) 981210770/99262-0084.

O vereador Antônio Rosalvo (REDE) - centro - e membros da Remca após a votação do projeto de lei

direito de usar o elevador. Em Lauro de Freitas agora configura “constrangimento ilegal decisão de assembleia que obriga o condômino a transitar pelas escadas e não pelo elevador do condomínio quando acompanhado por seu cão ou gato”. Além disso, foram declarados sem efeitos quaisquer artigos de convenções condominiais ou de regimentos internos de condomínios que proíbam a existência de animais nas residências que compõem o condomínio – nem mesmo relacionadas a porte ou quantidades de animais. A lei decidiu permitir que o condomínio estabeleça regras “apenas no que concerne às áreas coletivas”, excetuado o uso do elevador.


Redução de crimes violentos em Lauro de Freitas rende prêmio a policiais

Fotos: Camila Souza / GOVBA

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Stelecom realiza ações voltadas a inibir trotes para PM e Bombeiros

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úmeros como o 190, 193 e 197 ou ainda os internacionais 911 (Estados Unidos) e 122 (países europeus), que são telefones disponibilizados para qualquer cidadão, no território baiano, realizar ligação gratuitas em casos de urgência e emergência, estão sendo utilizados para trotes, crime que pode resultar de um a três anos de pena. Enquanto as equipes perdem tempo ao atender uma ligação falsa, alguém realmente precisando de ajuda pode ser prejudicado. Somente no Centro Integrado de Comunicação (Cicom), vinculado à Superintendência de Telecomunicações (Stelecom), da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP), e é responsável por receber ligações da capital e região metropolitana, são atendidos 11 mil telefonemas por dia, 40% deles, trotes. A coordenadora de gestão da qualidade da Stelecom, que funciona no Centro Administrativo da Bahia (CAB), capitã PM Micheline Costa (foto abaixo), informa que um conjunto de medidas é desenvolvido pela superintendência com o intuito de inibir esta prática

criminosa, que inclui atividades de conscientização, educativas e também repressivas. “Ao receber as ligações de trote, fazemos um cadastro prévio [com os números]. Portanto, já sabemos de onde partem. Então, retornamos a ligação para os referidos números com o objetivo de orientar os responsáveis pela linha telefônica”. Pessoas com problemas mentais e crianças em idade escolar estão entre as que mais fazem ligações falsas ao Cicom. A capitã afirma ainda que nem sempre as equipes conseguem entrar em contato com o responsável pela linha telefônica. “Nesses casos, informamos o número do telefone para a unidade de Polícia Judiciária para que faça a apuração. Também realizamos palestras nas escolas sobre esta demanda”. Para agendar uma visita à Stelecom ou solicitar uma palestra nas unidades de ensino, as escolas devem entrar em contato pelo telefone (71) 3115-9396. Após receber as ligações no posto de telefonia (call center), os atendentes direcionam a chamada para o teledespacho, de onde profissionais da Polícia Militar da Bahia (PMBA), Corpo de Bombeiros, Departamento de Polícia Técnica (DPT) e da Polícia Civil fazem o encaminhamento das chamadas para as unidades, de acordo com o perfil de cada ocorrência.

Área Integrada de Segurança Pública (AISP) de Lauro de Freitas registrou em 2015 uma redução de 25,5% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em relação a 2014, de acordo com dados da secretaria de Segurança Pública da Bahia. Foi a terceira maior redução proporcional, atrás das AISP da Pituba, em Salvador (57,1%) e Santa Maria da Vitória (28,9%). Os CVLI englobam, além de homicídios, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Na média do estado, os crimes violentos tiveram diminuição de 1,1% no ano passado, em comparação com o ano anterior. Além das três primeiras, alcançaram significativa diminuição das ocorrências as AISP de Brumado (24,3%), Rio Real (23,8%), Ilhéus (22,3%), Eunápolis (21,5%), Itapuã, em Salvador (21%), Tancredo Neves (20,7%) e Feira de Santana (20%). Outras 11 áreas registraram diminuição nos CVLI. Os índices foram divulgados pela secretaria de Segurança Pública com o anúncio de que quase dez mil servidores do estado receberão este mês o Prêmio por Desempenho Policial (PDP) pelo atingimento de metas na diminuição dos CVLI. A premiação referente à atuação dos servidores em 2015 atinge R$ 15 milhões. Além de policiais lotados na Secretaria da Segurança Pública, o prêmio é destinado a servidores das polícias Militar, Civil e Técnica. “Implantamos na polícia baiana uma metodologia que dá certo em grandes empresas do setor privado”, explicou o secretário Maurício Barbosa, responsável pela Segurança Pública. “É uma profissão estressante, com altos riscos e que exige uma dedicação 24 horas” – reconheceu. Para ele, “o PDP busca motivar e valorizar esse importante serviço público”. A meta para o ano passado, largamente atingida, era obter uma redução de 6%. Havia ainda uma submeta que ia de 3% a 5,9%. O prêmio já era pago desde 2012 desde que o estado todo atingisse a meta. Este ano o governo regulamentou o atingimento de metas por AISP e faixas de gratificação que dependem do desempenho de cada área. O prêmio pode render até R$ 2,4 mil adicionais por semestre para os cargos de nível superior. amanda oliveira / GOVBA

Ação policial: redução de CVLI atende metas estabelecidas pelo estado

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carreiras

Coach: apesar da crise, profissão ganha novos adeptos no país Thiara Reges Freelancer para a Vilas Magazine

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auta certa nas últimas edições de qualquer tablóide, a crise política que o Brasil enfrenta nos últimos meses tem gerado reflexos negativos em diversos setores da sociedade, sobretudo o econômico. Empresas passando por reajustes e adequações, isso quando não são obrigadas a fechar as portas, e consequentemente, índices de desempregos preocupantes. Mas cenários adversos por vezes nos revelam surpresas interessantes. As necessidades mudam e isso possibilita o crescimento de alguns seguimentos e carreiras, caso nítido do coach, que se apresenta como uma alternativa que falta na hora de concretizar projetos tão desejados. Ouvido pela primeira vez ainda no período medieval, o termo coaching é de origem inglesa, mas na cidade de Kócs, na Hungria, era usada para designar carruagem de quatro rodas. Seus condutores eram chamados de coacher. Em 1830, o termo passou a ser usado em universidades para nomear professores e mestres que auxiliavam os estudantes na preparação de testes. Mas foi em 1950 que passou a ser usado para definir habilidades de gerenciamento de pessoas, quando foram introduzidas as primeiras técnicas de desenvolvimento pessoal e humano. Nesse período já se valorizava as competências e a melhoria do indivíduo, e o coach era o profissional responsável por esse treinamento e aperfeiçoamento. Timothy Gallwey é um dos

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pioneiros quando no assunto. Em sua carreira assessorou grandes personalidades do esporte e empresas de ponta, como IBM, Apple, Coca-Cola, entre outras. Seu método é conhecido como The Inner Game, ou O Jogo Interior, e seus livros são referência em todo mundo. Coaching é apenas para empresários? Em 2015 o coaching já configurava como a 15ª das 42 profissões de maior destaque no Brasil. Mas, apesar de sua maior frequência nas empresas, hoje existe coach que atenda as mais diversas necessidades, como orientações de carreira, finanças, emagrecimento e até para gestantes. É nesse cenário que surge o trabalho de Jéssica Costa, 32, coach em maternidade. A formação em coaching veio como agregador para as atividades já desenvolvidas por sua empresa, que tem por objetivo o pleno exercício da mater-

Jéssica Costa despertou para a busca de um aperfeiçoamento em coaching após o seu dia-a-dia da maternidade

nidade, de forma equilibrada, através do autoconhecimento para criação e educação dos filhos. “O despertar para a busca de um aperfeiçoamento em coaching surge após a minha gestação, na realidade do dia-a-dia da maternidade, associado as minhas funções enquanto empresária atuante diretamente com maternidade, bebês e famílias. Nesta vivência percebi um grande ruído na comunicação das famílias, sobretudo por parte das mães, no que tange se conhecer para saber orientar.” Com formação também em baby planner, consultoria do sono e psicologia da gravidez, parto e puerpério, Jéssica ressalta que “Coaching é um processo que você trabalha com foco no outro, buscando o autoconhecimento. Como é algo novo, o início de tudo é explicar o que o processo significa e como ele pode lhe ajudar. Só faz um processo de coaching quem

O publicitário Lucas destaca que foi atraído pelo poder do coaching em ajudar as pessoas


consegue entender o que realmente é”. Self 1 x Self 2 Com objetivo claro de equilibrar o presente e traçar metas para o futuro do coachee (cliente), os profissionais tem sempre o cuidado de alertar que o trabalho não se assemelha ao tratamento de psicólogo ou o acompanhamento com um terapeuta. Lucas Nery, 30, coaching de vida & carreira, ressalta que o sucesso do processo de coaching “depende diretamente da parceria e do contato direto, mas estando claro que o coach nunca vai chegar para o coachee e dizer o que ele tem que fazer. Trata-se de uma relação onde o profissional vai despertar em seu cliente, através de técnica e ferramentas, a percepção do seu empoderamento sobre as coisas”. Para Lucas, todos somos capazes de alcançar nossos objetivos, e quando isso não está acontecendo é preciso olhar para dentro, pois somos nossos maiores sabotadores. “Tim Gallwey em seus estudos definiu que nossas ações são guiadas por duas fases de nossa mente, o ‘Self 1’, nosso lado pessimista e sabotador, e ‘Self 2’, o lado positivo, que diz ‘você consegue!’. Mas não é o coach que vai lhe apontar esses momentos. Cada um precisa se conhecer para então manter o foco em seu objetivo”, complementa. Publicitário, Lucas destaca que foi atraído pelo poder do coaching em ajudar as pessoas. “Cada feedback que o coachee lhe passa e que é possível perceber o desenvolvimento do mesmo, é muito gratificante. Acredito que o segredo de tudo é ter foco. Vamos pensar em uma empresa: não é trabalhar mais que vai fazer com que você se destaque, mas sim, trabalhar melhor, com foco no que realmente gera resultados.”

Para ser um coach seja antes um coachee “Há 14 anos passei pelo meu primeiro processo de coaching. Naquela ocasião não existia de minha parte nenhuma intenção de ser um coach. Fiz todo o processo na condição de coachee e foi um momento que tive a oportunidade de entender uma série de coisas sobre mim.”

Wladmir Martins, atua como coach há 12 anos, e destaca que o rápido crescimento da profissão pode estar atrelada, inclusive, ao cenário político/econômico do país. “À medida que avançamos nessa crise as pessoas começaram a buscar so­luções, tanto para crescimento em suas car­reiras como também uma fonte de renda extra”

Wladmir Martins, 47, atua como coach há 12 anos, e destaca que o rápido crescimento da profissão pode estar atrelada, inclusive, ao cenário político e econômico do país. “À medida que avançamos nessa crise econômica as pessoas começaram a buscar soluções, tanto para crescimento em suas carreiras como também uma fonte de renda extra”. Um coach iniciante pode receber de 150 a 300 reais por sessão, e sua rentabilidade mensal pode chegar a 12 mil reais, informação que reforça a importância de alguns cuidados antes de contratar um coach, como verificar referências com outros clientes e experiência profissional. “Existe um boom no mercado sobre o coaching, todo mundo está querendo pegar carona nessa onda, porém nem todos tem a formação necessária para realizar a atividade, o que faz com que muitas pessoas que buscam o serviço acabem frustradas. Mas acredito que o próprio mercado, a médio prazo, fará uma seleção e manterá ativos aqueles que realmente se dedicam à profissão”, completa. Depois de anos trabalhando com estatística, hoje Wladmir atua no Executive Coaching, Coaching de Carreira e Life Coaching, e defende que o coaching foi uma das melhores coisas que aconteceu em sua vida. “Para ser um coach capacitado, é fundamental ter sido coachee anteriomente. Isso foi um grande diferencial para eu ser um profissional hoje. E fazer esse papel de poder trazer as pessoas para um processo de mudança e depois perceber que alcançaram seus resultados é impressionante”, finaliza.

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turismo

Maravilha Mutante No rio ou no oceano, Aracaju exibe cenários que se transformam, de casarões a ilha que dura algumas horas

divulgação

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A partir desse ponto do rio, mais alguns minutos de barco levam à chamada Ilha dos Namorados. O extenso banco de areia tem o rio Vaza-Barris de um lado e o oceano Atlântico de outro. Diz a lenda que, certa vez, um casal foi à ilha, mas esqueceu de amarrar o barquinho. Sem ter como voltar, ficou alguns dias ali. O lugar, porém, acabou ganhando o nome para sempre. Antes de voltar, guarde um momento para se refrescar e relaxar em uma das disputadas redes dentro da água. O passeio de catamarã (croadogore.com.br; R$ 60 por pessoa), incluindo as paradas na Croa e na ilha, leva em torno de cinco horas pelo rio, que, além de belezas naturais, guarda histórias. O Vaza-Barris nasce no sertão baiano e deságua no litoral sergipano. A guerra de Canudos (1896-97) aconteceu em suas margens, na Bahia. Em Sergipe, dizem que o nome do rio é consequência da Segunda Guerra, quando navios naufragaram e seus barris vazaram na região. Atualmente, são calmas e mornas as águas em que se banham os turistas. NA BEIRA DA PRAIA Se o sol e as caminhadas fizerem você suar, um suco de mangaba ajuda a baixar a temperatura. Na hora da fome, prove um caranguejo – no pastel ou na casquinha. A orla de Atalaia, ponto de encontro com entretenimento para todas as idades (boa parte gratuitos), tem também variedade nos cardápios. A praia é marcada pela extensa faixa de areia até o mar. A cor da água, mais escura – chamada ali de perolada –, é resultado da influência dos afluentes do rio Sergipe. Mas isso não prejudica o banho ou a paisagem. À beira-mar, a sequência de atrativos chama a atenção. Quadras e pista de skate são, geralmente, frequentadas por moradores, mas o turista pode usar, sem custo. Pelo caminho, monumentos relembram a história. O dos Formadores da Nacionalidade homenageia, e deixa lado a lado, nomes como Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Dom Pedro 2º e Getúlio Vargas. Já o Espaço de Convivência e Cultura destaca, em um grande círculo, personalidades sergipanas. Ainda na orla, o Oceanário de Aracaju, do projeto Tamar, tem aquários de água doce e salgada, além de tanques com tubarões e tartarugas. E a famosa Passarela do Caranguejo, também em Atalaia, é um corredor gastronômico com o crustáceo em variadas receitas. Para acompanhar a comida típica, forró – que u entra pela madrugada.

Abrigos na Croa do Goré, no leito do rio Vaza-Barris, no povoado Mosqueiro,em Aracaju

Encontro das Águas Variação da maré muda paisagem e faz ilha surgir por alguns instantes, enquanto influência de rio dá cor ao mar em Aracaju

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Tiradentes no monumento Formadores da Nacionalidade

Livia Marra / Folhapress

uiosques montados no meio da água e uma ilha banhada por rio e oceano anunciam que a diversão em Aracaju vai além das praias. E, em alguns casos, só dura algumas horas por dia. Na Croa do Goré, no leito do Vaza-Barris, no povoado Mosqueiro, o cenário muda aos poucos, embalado pela maré, e o rio abre espaço para uma faixa de areia – com direito a mesas e petiscos. Logo a água que estava abaixo dos joelhos fica na altura da canela. Em pouco tempo, é possível caminhar. O acesso é por lancha ou catamarã, e o trajeto é cercado por manguezais. Na Croa (banco de areia), um bar flutuante serve bebidas e comidinhas. Mas as mesas e cadeiras só chegam conforme a água baixa. Apesar do movimento de turistas, o lugar é um convite para nada fazer, aproveitando a paisagem. Quando a água desce, o homenageado do lugar, o goré (um pequeno crustáceo, “parente” do caranguejo) aparece e vira alvo de câmeras, até se esconder em pequenos buracos na areia. A água é salgada, e, com a maré mais alta, águas-vivas tornam-se eventuais visitantes.

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turismo

Três mercados reúnem sabores e cores da capital

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s cores das frutas e os artesanatos enchem os olhos de visitantes nos mercados de Aracaju. Lado a lado, são três os espaços – uma boa maneira de conhecer a cultura e os sabores locais. O mercado Albano Franco é uma espécie de grande feira popular, onde cheiros se misturam. Há vegetais, diferentes tipos de pimentas, ração, roupas. Mas as frutas típicas são o destaque do local. Ele fica separado dos outros dois mercados pela praça Hilton Lopes, conhecida por ser palco do Forró Caju, evento que faz parte dos festejos juninos. O complexo formado pelo Thales Ferraz e pelo Antonio Franco reúne cultura e culinária. Além de lembrancinhas, é possível encontrar tradicionais livros de cordel, pequenas barbearias misturadas a lojinhas de artesanato, ervas medicinais e restaurantes e boxes com castanhas de vários tipos, rapadura e queijos. Os mercados estão no centro histórico da cidade. Por lá, se vê a Ponte do Imperador, por exemplo. O pequeno ancoradouro foi construído em 1860, na margem do rio Sergipe, para receber a visita de Dom Pedro 2º e sua comitiva. A estrutura, hoje sem uso, fica em frente à praça Fausto Cardoso, região onde ficam o palácio de mesmo nome, antiga sede da Assembleia Legislativa, e o Olímpio Campos, antiga sede do governo e atualmente um museu.

Cultura se espalha pelas ruas e em museus Instituições reúnem folhetos de cordel, queijadas e artesanatos, que fazem parte da paisagem da capital. Com entrada gratuita, complexo cultural usa projeções em 360º para fazer exposições hi-tech e interativas Livia Marra / Folhapress

Praça São Francisco, em São Cristóvão, cidade histórica famosa pelas queijadas

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Livia Marra / Folhapress

Tartaruga em tanque do Oceanário, na or­la da cidade. Caranguejo (esq.), tem presença marcante na culinária da cidade. Livia Marra / Folhapress

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e interagir com moradores de qualquer cidade é a melhor forma de conhecer a cultura local, negociar com um feirante, trocar rimas com repentistas e ouvir expressões e sotaques diferentes são uma experiência ainda mais rica na capital sergipana. Tanto que virou museu. Em Aracaju, o Museu da Gente Sergipana (grátis; museudagentesergipana.com.br) leva o visitante a uma imersão em hábitos e cenários, com diferentes atrações interativas. Em uma delas, que lembra uma feira, por exemplo, o vendedor virtual Josevende responde ao visitante. Em outra, basta escolher os ingredientes em uma mesa virtual para “montar” pratos e conhecer receitas típicas, como a famosa queijada de São Cristóvão, de origem portuguesa. A cidade histórica é conhecida pela guloseima feita com coco ralado e ovos. Para conhecer efetivamente o povo sergipano, o visitante “embarca” em um túnel com projeções feitas em 360º. A sequência de imagens faz com que o banco, em formato de barquinho, pareça que está em movimento. Entre outras atrações, há uma brin-

cadeira de amarelinha que aciona vídeos com as principais festas populares do Estado. Outra ferramenta usada é um grande jogo da memória, que associa trechos de músicas e poemas. cultura popular Pertinho do museu, o Centro Cultural de Aracaju também tem entrada gratuita e merece visita. Localizado no prédio da antiga alfândega, o local tem exposições e uma biblioteca especializada em obras sobre a cultura local. A surpresa está na lúdica e colorida Sala da Cultura Popular, repleta de Livia Marra / Folhapress

Pião em mesa interativa do Museu da Gente Sergipana

brinquedos, bonecos do Mamulengo do Cheiroso (grupo teatral fundado nos anos 1970 na região) e folhetos de cordéis. Mas é na rua que a cultura popular se torna mais pulsante. Na orla de Atalaia, Carlos da Silva Bastos, 58, vende artesanato há 38 anos – e, por isso, é apontado como um dos mais antigos artesãos. Bastos afirma que é preciso se adaptar sempre. Começou vendendo bijuterias, fez quadros e, atualmente, aposta em quadrinhos que usam cascas de ostras e pinturas feitas em tampinhas de refrigerante, que são vendidas como ímãs de geladeira. “Vendo hoje para comer amanhã”, afirma o artista, que demora cerca de cinco horas para terminar uma das tampinhas. DICAS Mangará (Av. Beira Mar, 1024, Praia 13 de julho. Tel.: 79 3246-2874). Culinária nordestina com variedade de saladas, carnes e doces, em um ambiente alegre, com decoração rústica. Restaurante do Gonzaga (Mercado Antonio Franco. Tel.: 79 9949-2191). Ambiente muito simples, com destaque para a excelente comida caseira preparada pela dona Carminha, esposa do Gonzaga. Café da manhã e almoço. Restaurant Potyguar (Av. Hermes Fontes, Salgado Filho. Tel.: 79 3214-4995. Especiaslizado em carne de sol, que vem à mesa ao gosto do cliente: magra, média ou gorda, acompanhadas com paçoca, farofa d´água, feijão de corda e macaxeira. Não deixe de provar a carne de sol na nata.

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EF

B5

equilíbrio Terça-Feira, 29 De Março De 2016

VIDA SAUDÁVEL

> cevadinha > centeio > cereal de fibras > lentilha > grão-de-bico

q Lá em baixo

o que é índice glicêmico?

É um fator que mede a glicose presente em um alimento e está atrelado ao nível de açúcar circulante no sangue. Quanto mais rápido um carboidrato ingerido entra na corrente sanguínea, maior será seu índice glicêmico

combinAções PArA reduzir o índice glicêmico dAs refeições

Dietas fogem da contagem de calorias e se concentram em manter o índice glicêmico Por que das refeições baixo para reduzir a fome Frutas

Macarrão

Fotos Fotolia

Alimentos de bAixo índice glicêmico

Pedaço de queijo branco ou castanha-do-pará

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mAntê-lo bAixo?á anos

os nutricionistas tentam desafiar o apego das pessoas à contagem de calorias. A batalha é inglória em parte porque é reconfortante ter um dado fixo que pode ser economizado e negociado. Um dos caminhos em voga, mas enfatizado em dietas para diabéticos desde os anos 1980, é o índice glicêmico. Embora não ofereça umiogurte, da­dolinhaça, tãochia preciso quanto as calo­rias, nutricionistas dizem que ou proteína do soro do leite carne ou alimentos de apresentar esse conceito aosempacientes tende a ser maisvegetais eficiente do que simplesmente pó (Whey Protein) alto índice glicêmico dizer “tenha uma alimentação variada”, ainda que a conclusão seja essa. O índice glicêmico está atrelado ao nível de açúcar que circula no sangue.Quando mais Alimentos de será seu JULIANA CUNHA rápido um carboidrato ingerido é digerido e entra na corrente sanguínea, maior médio índice DE SÃO PAULO índice glicêmico.Na prática, funciona como uma medida de velocidade. glicêmico Há anos os nutricionistas tentam desafiar o apego dasA base de contagem é o pão branco, considerado um alimento de índice > massas100. integraisAlimentos pessoas à contagem de calo> pão de aveia rias. A batalha é inglória > pão integral deembaixo índice têm até 55, os moderados, até 69. parte porque é reconfortante > pão de centeio tipo 2 e geram ter um dado fixo que pode ser“Picos de açúcar estão associados a uma maior ocorrência de diabetes > batata-doce economizado e negociado. > farelo de aveia um cheio de açúcar. O Um dos caminhos em vo-efeito rebote. O fígado produz insulina para neutralizar um alimento > arroz integral ga, mas enfatizado em dietas é rapidamente digerido, gerando fome e incentivando a pessoa a buscar um novo para diabéticos desde osalimento anos Vegetais e 1980, é o índice glicêmico. leguminosas pico de açúcar”, explica a nutricionistas Karyna Pugliese – sem parentesco com a blogueira Embora não ofereça um dado tão preciso quanto as > ervilha verde fitness de mesmo sobrenome. calorias, nutricionistas dizem > beterraba que apresentar esse conceitoSegundo ela, picos glicêmicos também levam ao aumento da gordura visceral, > feijão que reveste se na corrente sanguínea. Pa- tômago. 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Se estou num restaurante e não tem arroz integral, mas dura poucas horas no es- afirma Pugliese. alteração dos níveis de glicoPicos de açúcar contribuem para o acúmulo de gordura e criam um efeito rebote em que o corpo produz insulina frequentemente, gerando fome excessiva

Vegetais > alcachofra > brócolis > repolho > couve-flor > aipo > couve > pepino

> berinjela > alface > cogumelo > espinafre > broto de alfafa > nabo > tomate > abobrinha

Frutas > ameixa fresca

> cereja > pera > pêssego > morango > goiaba > tangerina

> nectarina > maracujá

LÁ EMBAIXO

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MesMo que capaz de feitos assombrosos, o cérebro humano parece deslizar na racionalidade. Decisões que envolvem ganhos e perdas de dinheiro são um desses terrenos particularmente escorregadios. Por exemplo: você preferiria ga-

Probabilidades, decisões e historinhas suzana herculano-houzel

contudo, correr riscos é bom para quem está quase bem, mas uma péssima decisão para quem estava saindo da pindaíba, porque a chance de voltar para ela é grande. Para tomar boas decisões, basta um cérebro que consiga representar


equilíbrio o que é índice

> cevadinhaÉ um fator que mede a glicose presente em um glicêmico? alimento > centeio e está atrelado ao nível de açúcar circulanteÉ um nofator sangue. > cereal de fibras que mede > lentilha a glicose presente Quanto mais rápido um carboidrato ingerido > grão-de-bico em umentra alimentona e atrelado ao nível corrente sanguínea, maior será seu índice está glicêmico. de açúcar circulante no sangue. Quanto mais rápido um carboidrato ingerido entra na corrente Picos de açúcar contribuem para o acúmulosanguínea, de gordura maior será seu índice glicêmico e criam em efeito rebote em que o corpo produz insulina

POR QUE MANTÊ-LO BAIXO?

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Fotos Fotolia

O QUE É ÍNDICE GLICÊMICO?

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Frutas

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mAntê-lo bAixo?

Picos de açúcar contribuem para o acúmulofibra de gordura tudo bem, posso equilibrar com feijão e alguma e criam um efeito e que isso não vai estragar minha dieta.” rebote em que o corpo produz insulina O problema do índice glicêmico é a quantidade frequentemente, gerando fomeal de fatores que interferem nele. Um macarrão excessiva

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dente, por exemplo, tem um índice menor que o da mesma massa quando bem cozida. Do mesmo modo, o índice da batata-doce é moderado, masJULIANA o doCUNHA purê de batata-doce já nem tanto. “Como qualquer dado Vegetais DE SÃO PAULO não é usá-lo isoladamente. Um alimento é muito mais nutricional, a intenção > alcachofra assim como é muito mais do que suas calorias ou > brócolis do que seu índiceHáglicêmico, anos os nutricionistas tentam desafiar o apego das > repolho vitaminas”, afirma Pugliese. pessoas à contagem de calo> couve-flor

A batalha é inglória em Juliana Cunha /rias. Folhapress. parte porque é reconfortante ter um dado fixo que pode ser economizado e negociado. Um dos caminhos em voga, mas enfatizado em dietas para diabéticos desde os anos 1980, é o índice glicêmico. Embora não ofereça um dado tão preciso quanto as calorias, nutricionistas dizem que apresentar esse conceito > berinjela aos pacientes tende a ser > alface mais eficiente do que sim> cogumelo plesmente dizer “tenha uma > espinafre alimentação variada”, ainda > broto de alfafa que a conclusão seja essa. > nabo O índice glicêmico está > tomate atrelado ao nível de açúcar > abobrinha que circula no sangue. Quando mais rápido um carboidraFrutas to ingerido é digerido e entra na corrente sanguínea, maior > ameixa fresca será seu índice glicêmico. Na prática, funciona como uma medida de velocidade. A base de contagem é o pão branco, considerado um alimento de índice 100. Alimentos de baixo índice têm até 55, os moderados, até 69. “Picos de açúcar estão associados a uma maior ocorrência de diabetes tipo 2 e geram um efeito rebote. O fígado produz insulina para neutralizar um alimento cheio de açúcar. O alimento é rapida> cereja mente digerido, gerando fo> pera me e incentivando a pessoa a > pêssego buscar um novo pico de açú> morango car”, explica a nutricionistas > goiaba Karyna Pugliese —sem paren> tangerina tesco com a blogueira fitness de mesmo sobrenome. Segundo ela, picos glicêmicos também levam ao aumento da gordura visceral, que reveste os órgãos e se concentra na barriga. Uma dieta de baixo índice > nectarina glicêmico busca minimizar a > maracujá alteração dos níveis de glico> aipo > couve > pepino

carne ou vegetais

alimentos de alto índice glicêmico

LÁ EMBAIXO Dietas se concentram em manter o índice glicêmico das refeições baixo para que a digestão seja mais lenta

se na corrente sanguínea. Para isso, não é preciso cortar os alimentos de alto índice. “Basta evitar o consumo de carboidratos isolados, acrescentando um acompanhamento rico em gorduras e proteínas ou aumentando a quantidade de fibras da refeição”, diz Pugliese. O importante é que a refeição como um todo tenha um índice glicêmico moderado, não que cada um dos alimentos seja de baixo índice. Alimentos de alto índice glicêmico são os suspeitos de sempre: farinha refinada e doces, por exemplo, além de elementos mais respeitáveis como melancia e manga. “Toda dieta deve cortar farinha branca e doces. Mas se não quiser cortar, é melhor comer a sobremesa depois do almoço do que um doce solitário no meio do dia”, diz ela. A lógica é: dê ao corpo algo mais difícil de digerir para retardar o processo entre colocar a comida na boca e receber um jato de glicose no sangue. Um macarrão com molho de tomate, por exemplo, é digerido como um foguete. Adicione um pouco de carne e brócolis e o processo ficará mais lento. Aquela salada de fruta do lanche parece inofensiva, mas dura poucas horas no es-

tômago. Acrescentando um iogurte ou comendo um pedaço de queijo em seguida, sua digestão será retardada. Quem leva a dieta muito a sério começa a equilibrar até uma inocente maçã, cujo índice é de apenas 52. “Se como um mamão, coloco chia por cima. Se como uma maçã, acompanho com uma castanha-do-pará”, conta a psicóloga Tatiana Borges, 34, que perdeu 2,5 kg em um mês. Para ela, pensar no índice glicêmico funciona porque parece mais palpável. “É fácil incorporar o conceito e replicá-lo em toda refeição. Se estou num restaurante e não tem arroz integral, tudo bem, posso equilibrar com feijão e alguma fibra e que isso não vai estragar minha dieta.” O problema do índice glicêmico é a quantidade de fatores que interferem nele. Um macarrão al dente, por exemplo, tem um índice menor que o da mesma massa quando bem cozida. Do mesmo modo, o índice da batata-doce é moderado, mas o do purê de batata-doce já nem tanto. “Como qualquer dado nutricional, a intenção não é usá-lo isoladamente. Um alimento é muito mais do que seu índice glicêmico, assim como é muito mais do que suas calorias ou vitaminas”, afirma Pugliese.

Alimentos de médio índice glicêmico > massas integrais > pão de aveia > pão integral > pão de centeio > batata-doce > farelo de aveia > arroz integral

Vegetais e leguminosas > ervilha verde > beterraba > feijão > grão-de-bico

Frutas > abacaxi > banana > maçã > uva > laranja > damasco

Alimentos de Alto índice glicêmico > farinha branca > arroz branco > pão branco > massas > doces > tapioca

Vegetais > abóbora > batata-inglesa > milho

Frutas > manga > uva > melancia > frutas secas

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MesMo que capaz de feitos assombrosos, o cérebro humano parece deslizar na racionalidade. Decisões que envolvem ganhos e perdas de dinheiro são um desses terrenos par-

Probabilidades, decisões e historinhas suzana herculano-houzel

contudo, correr riscos é bom para quem está quase bem, mas uma péssima decisão para quem estava saindo da pindaíba, porque a chance de voltar para ela é grande.


VIDA SAUDÁVEL

CHÁ-VERDE POWER Sucessor do chá-verde, o matcha tem 137 vezes mais antioxidante e aparece em receitas de doces e até mesmo em drinques – só que custa mais

M

oída após um cultivo especial, a mesma folha do cháverde dá origem a um pó que pode ser consumido na forma de infusão ou misturado aos alimentos. É o matcha, o chá mais vendido nos Estados Unidos no ano passado, e que tem apresentado resultados interessantes em pesquisas. Em testes com ratos, observou-se que o matcha pode reduzir os níveis de colesterol total e triglicerídeos e aumentar o colesterol bom, além de acelerar a perda de gordura corporal e a circunferência da cintura e prevenir alguns tipos de câncer, segundo a nutricionista Juliana Burger. Ele contém cafeína, que proporciona sensação de alerta, além de catequinas, fitoquímicos que ajudam a prolongar o pico de energia gerado pelos alimentos. Graças ao aminoácido L-teanina, o matcha tem ainda efeito antiestresse e neuroprotetor. Relaxante, diminui a produção de cortisol, melhora o humor e atua sobre as ondas alfa – um tipo de onda cerebral ligado à tranquilidade. “Os efeitos mais comprovados são a prevenção do câncer por conta dos antioxidantes, que previnem danos à estrutura celular, e o controle do peso, por conta da ação termogênica da cafeína”, diz a nutricionista Flávia Noeli de Souza Infante. Na produção do matcha, as folhas da Camellia sinensis são protegidas do sol com lona um mês antes da colheita. Depois de colhidas, elas são enroladas e expostas ao vapor d’água. Secam naturalmente, sofrendo oxidação e preservando seus polifenóis naturais. No fim, são moídas e transformadas em um pó verde vivo. Com 137 vezes mais antioxidantes do que o chá-verde, o matcha tem um gosto parecido com o de seu concorrente, só que menos amargo, e pode ser usado em receitas e outras bebidas. No entanto, para obter os benefícios, seria preciso ingerir pelo menos três xícaras (ou 6 g de pó de chá) por dia durante três meses. O preço não é ameno: 30 gramas de matcha puro não saem por menos de R$ 23, o equivalente a R$ 138 por mês para seguir a quantidade recomendada. Há opções de bebidas e preparações à base de matcha, como sucos de saquinho e cappuccinos. “Além de serem quase todos cheios de açúcar e ingredientes artificiais, não dá para saber a quantidade de chá que se está consumindo nesses produtos”, alerta Burger. Já as cápsulas têm somente o chá –boa opção 30 | Vilas Magazine | Maio de 2016

para quem não gosta do sabor. Só custam mais caro. Não muda nada consumir o matcha em uma bebida quente ou fria. “Misturá-lo a sucos de frutas cítricas ou espremer um limão no chá melhora sua absorção por conta do pH ácido e da vitamina C”, explica Infante. Já o uso culinário pode trazer perda de catequinas, mas não há estudo que estabeleça o nível de perda. “Tudo indica que em cozimentos a até 100°C a perda seja baixa”, diz a nutricionista. O pó já virou até ingrediente de drinques. “Tem um pigmento interessante e o sabor levemente amargo combina com destilados. É possível fazer drinques mais leves com ele, escolhendo bebidas de teor alcoólico menor e adoçando com agave”, diz o mixologista Marco de la Roche. O chá estimula a produção de


CAPACIDADE ANTIOXIDANTE POR GRAMA DE ALIMENTO

enzimas hepáticas, o que pode amenizar o efeito do álcool. “Mas não chega a compensar o consumo”, esclarece Infante. Mais de 40% da produção mundial de matcha vem da província de Shizuoka, no Japão. Atualmente, o país chega a produzir mais de 1.780 toneladas do produto ao ano. No Brasil, o matcha já era vendido em mercados da Liberdade (bairro japonês de São Paulo), mas só a partir de 2014 é que passou a ser importado em massa e comercializado por marcas locais. Hoje o Brasil importa mais de dez toneladas por mês. Juliana Cunha / Folhapress.

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viver bem

Intestino irritável atrapalha a digestão e causa dores

D

oença que ainda não tem causa conhecida, a SII (síndrome do intestino irritável) vem levando cada vez mais pessoas para o consultório do gastroenterologista com queixas de dor e outras sensações que reduzem sua qualidade de vida. O coloproctologista Alexandre Fonoff explica que, por uma série de fatores, o sistema digestivo da pessoa que tem a SII funciona de maneira diferente do normal e que, por isso, ou o processo de digestão causa diarreia ou prisão de ventre. “Alimentos já em fase de digestão, fermentação gasosa e volume fecal incomodam excessivamente, além do habitual”, explica. Os principais sintomas dessa doença são prisão de ventre ou diarreia, ou as duas coisas juntas, distensão abdominal, excesso de gases e desconforto. “Esses sintomas tendem a aliviar com o ato de evacuar”, afirma a gastroenterologista Cinara Oliveira. Não existem exames que confirmem ou não a SII, pois a doença não causa nem é resultado de nenhuma lesão do organismo. Para diagnosticá-la, os médicos recorrem a uma série de exames para

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descartar outras doenças, como o câncer. Também não há cura. Mas, a partir do diagnóstico, existem tratamentos eficazes para controlar os sintomas. Segundo os médicos, a indicação depende do quadro da pessoa. “O paciente pode ter apenas um ou todos os sintomas já descritos. Para cada sintoma há uma possibilidade grande de medicamentos”, diz Fonoff. O mais importante, de acordo com os especialistas, é que a pessoa procure o médico sempre que os sintomas se tornarem inconvenientes a ponto de reduzir sua qualidade de vida. “Boa parte dos pacientes tem medo de estar com doença mais grave ou câncer. E só de saber que não é, os sintomas melhoram muito ou são mais tolerados”.

Conhecer a causa ajuda no controle O autoconhecimento com relação à doença é um fator importante para evitar crises. Por isso, é importante identificação dos fatores desencadeantes, como os alimentos e as situações que causemansiedade ou estresse. “Quanto à dieta, identifique quais compostos nutricionais ou associações alimentares causam a crise e procure reduzir o consumo”, afirma o coloproctologista Alexandre Fonoff.

Bárbara Souza / Folhapress.

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viver bem

C

Cuidados com os dentes são diferentes na terceira idade

om uma série de modificações pelas quais o corpo passa ao envelhecermos, os dentes e a gengiva necessitam de cuidados diferentes na terceira idade. Essa nova forma de cuidar da boca pode ser necessária devido a alterações próprias da idade, uso de remédios ou doenças que danificam os dentes.

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As mais comuns são a inflamação da gengiva e doenças que afetam as estruturas que sustentam os dentes na boca. “As doenças de gengiva têm influência genética [predisposição da pessoa], mas sua principal causa é a placa bacteriana”, afirma a dentista Chantal A. Bispo Tambara. De acordo com ela, com o tempo, o metabolismo dos idosos passa a não ser


tão eficiente para a defesa dos dentes e gengivas. “Somado a isso, os idosos têm mais dificuldade motora para higienização e mais elementos que retêm placa bacteriana na boca, como, por exemplo, as próteses e restaurações”, exemplifica Chantal. Segundo especialistas, a visita ao dentista deve ser feita duas vezes por ano e os cuidados odontológicos variam de acordo com as condições que o idoso apresentar. “O acompanhamento deve ser mais frequente e o dentista deve saber lidar com os riscos e as necessidades de pacientes em tratamento médico para doenças do corpo, como diabetes, arritmias, insuficiências cardíacas, doenças renais”, ressalta.

Bactérias da boca causam pneumonia Se os idosos têm más condições de saúde bucal, podem ter um comprometimento da sua alimentação, o que piora a qualidade de vida. A perda de dentes também pode causar impactos emocionais negativos, até depressão. Os especialistas ressaltam ainda que existem evidências de que bactérias da boca podem levar a doenças mais graves, como as do coração e pneumonia. O dentista Sérgio Kignel dá mais dois exemplos. Pacientes que se tratam contra o câncer e que, por isso, podem apresentar quadro de má nutrição, ter o processo de cicatrização alterado, perda da capacidade de sentir sabores, diminuição da resistência às infecções.

“Já os pacientes portadores de artrite apresentam perda da habilidade manual necessária para uma completa higiene bucal e os diabéticos têm alta prevalência de cáries múltiplas e doenças nas gengivas.” Bárbara Souza / Folhapress.

COMUNICADO AO MERCADO ANUNCIANTE Reiteramos aos nossos clientes anunciantes que o pagamento da publicação de anúncios deve ser efetuado exclusivamente na rede bancária, com boleto bancário. Não recebemos, em qualquer circunstânia, pagamentos na sede da revista. Maio de 2016 | Vilas Magazine | 35


moda & beleza

Robson Ventura / Folhapress

Livre-se dos pelos A depilação a laser elimina os pelos definitivamente; quem prefere a tradicional deve ficar atento a questões de higiene

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om o fim do verão, as clínicas de depilação a laser começam a ficar ainda mais cheias. Como para passar pelo procedimento de remoção definitiva é preciso que a região fique sem pegar sol por um período, muita gente espera a estação para iniciar o tratamento. É o caso da empresária Bruna Cacia, 28 anos, que, cansada da depilação tradicional, decidiu comprar um pacote de sessões para eliminar os pelos da axila. “Tenho pele sensível, por isso, a lâmina e algumas ceras me machucam.” Ela optou por iniciar a depilação definitiva pela região, mas disse que, se gostar, quer fazer em outras partes do corpo. A técnica quase não tem contraindicações, mas a profissional Hendyl Nascimento faz uma ressalva: “Peles negras não podem fazer a depilação a laser, pois a máquina não diferencia a cor da pele da do pelo. Então, existe o risco de queimaduras”. Apesar disso, a fisioterapeuta Luciene Maria de Paula explica que alguns aparelhos já possuem um mecanismo de regulagem do comprimento e da intensidade da luz. “Isso permite que mulheres de pele morena ou negra possam fazer a depilação sem risco algum.”

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Sobre o procedimento dar ou não alergia, as profissionais dizem que é pouco provável, mas pode ocorrer. A fisioterapeuta Juliana Cuban explica que realiza um teste nas clientes antes do procedimento. “A região é avaliada e, antes do início, damos três disparos de luz e esperamos uma hora para ver como a pele responde ao laser”, revela. Apesar do preço da depilação definitiva ser, no total, mais caro do que a tradicional, Bruna prefere pensar a longo prazo. “Se eu contar o quanto já gastei e ainda gastaria com isso, acho que vale bastante a pena.” Os preços por sessão variam de R$ 59 a R$ 250, e, normalmente, são necessárias pelo menos dez etapas. Mas há locais que fecham pacotes e dão descontos. Depilação tradicional Para quem não abre mão da visita ao salão de beleza para se depilar, as opções de ceras e os tipos de técnica também só aumentam. Ainda existe, no entanto, uma campeã de preferência. “Nos salões, a maioria opta pela cera quente. A fria é mais usada em casa, em uma situação de emergência”, aponta a depiladora Ana Carolina Oliveira de Freitas. As mulheres que escolhem a cera quente devem tomar cuidado com dois aspectos. Primeiro, é importante se certificar de que a cera esteja em uma temperatura adequada, para evitar queimaduras. Segundo, é a questão da higiene. “A cliente deve sempre checar se a profissional trabalha com materiais descartáveis: espátula, cera, luva, papel de maca e pinça”, afirma a depiladora Michelene Viana.


A dermatologista Silvia Schmidt explica que o uso de produtos reaproveitados pode, sim, trazer riscos à saúde. “Essa reutilização pode transmitir uma série de doenças, inclusive hepatite tipo C e HIV, além de dar verrugas e infecções bacterianas.” O uso contínuo da cera também pode trazer um outro problema: “É possível que cause flacidez, principalmente nas áreas de pele mais mole, como o buço e os lábios vaginais”, alerta a dermatologista Tatiana Jerez. Um incômodo gerado pela depilação são os pelos encravados. “Isso ocorre quando a ponta do pelo faz uma curva e entra novamente na pele. Para diminuir a ocorrência, a mulher deve realizar uma suave esfoliação no local. Isso faz com que o

pelo fique mais livre”, explica Bel Takemoto, dermatologista do setor de cosmiatria da Faculdade de Medicina do ABC/SP. Quem faz uso de cremes com ácidos deve avisar à profissional antes de depilar. “Nesses casos, provavelmente a técnica que utiliza a linha ou a pinça serão a melhor opção”, afirma a dermatologista Silvia Schmidt. Para a depilação de rosto, a pinça tem, aos poucos, sido trocada pela linha. A estudante Flávia Lacerda, 23 anos, conheceu a técnica há alguns meses e gostou. “Acho que o design da sobrancelha dura mais e sinto que minha pele fica menos vermelha.” Luzia Costa, especialista em estética, diz que a técnica agride menos a pele do rosto. “Em geral, ela não tem contraindi-

cações. O que pode ocorrer é foliculite, uma espécie de inflamação, mas é bem raro.” Entre os benefícios está a higiene, já que a linha não é reutilizada. “Além disso, ao depilar, não é retirada a camada superficial da pele nem são usados produtos químicos nocivos”, explica o cosmetólogo Rafael Ferreira. Julia Couto / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

Desesperança

A

sociedade, de modo geral, está desorientada, trocando rabo por cabeça, porém necessitando de uma saída. Falta-lhe a compreensão mundial. Trazendo o assunto para o nosso querido Brasil, parece-me que os seres humanos, individualmente ou em instituições, passaram a fazer pouco apreço dos valores morais, éticos e espirituais e vivem isolados como se as leis, doutrinas, recomendações e humanização fossem coisas de outros planetas. Dessa forma, agem por desespero, alimentam a solidão, mostram-se em atitudes impensadas e buscam alternativas indesejáveis. Quando não atingem à depressão, vivem em cansaço constante, dias cinzentos e dificuldades para vencer a inércia. Por que dessa indecisão, dessa falta de motivação, dessa falta de alegria de viver? De onde vem essa situação, que não lhes permitem enxergar o horizonte que brilha? Sabemos que o nosso país atravessa um momento muito difícil, em todos os aspectos pessoais e institucionais, inclusive na família, que é a base da formação dos seres humanos. Porém, é do conhecimento de todos que nós somos os construtores de nossa existência e não devemos deixar o mundo se voltar contra nós. Precisamos acreditar que “o momento da madrugada mais escuro precede o nascimento de um novo dia”. Não deixemos que as coisas boas em nossa volta desapareçam de nossa vida. Prestemos atenção à expressão

38 | Vilas Magazine | Maio de 2016

de Victor Hugo (escritor, poeta e dramaturgo francês – 26/2/1802 – 22/5/1885): “A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero”. Culpar os outros, não me parece o correto, afinal, também fazemos parte desse contexto. Poderemos gerar uma falsa polarização e introspecção induzida. A desesperança significa incapacidade, dificuldade para gerir emoções, melancolia, má-vontade e dúvidas. Assim, o desesperançado torna-se um pária social. E, o que é pior, a desesperança sempre traz consequências, principalmente: rompimento com amigos, separação de casamentos, discórdia com a família e sensação de vazio. Para os estudiosos e pensadores a desesperança é a “falta das emoções que comandam nossas ações” e, se assim for, induz nosso cérebro a procurar recursos alternativos, para passar o tempo. Não deixemos que a desesperança cubra, com véu negro, o nosso querido Brasil. Entendo que, se a situação jurídica, legislativa, executiva, social e econômica do Brasil não é, neste momento, aplausível, então deveremos promover, mesmo que isoladamente, mudanças em nossos comportamentos, atitudes e razão de ser, a fim de oferecer algo diferente aos nossos semelhantes, ao meio ambiente e ao nosso País. Não concordo com os brasileiros que dizem e fazem se mudar para outro país. Parece-me que seja trocar uma prisão por outra pior. Para os que estão em plena atividade deverão continuar fazendo o que manda suas competências (atividades profissionais, intelectuais, entrevistas, conferências, debates, ações sociais, etc. sem moderação

exagerada). Talvez, seja necessário mudar o foco de cada um, a fim de não estimularmos a sensação de caos. Desesperar-se facilmente é absorver um mundo de inquietudes. É demonstrar fragilidade ante às mudanças. É acovardar-se perante os acontecimentos, que precisam de nossa vontade e competência para enfrentá-los. Porém, devemos combatê-los não em interesse próprio, mas, acima de tudo, buscando as melhores condições para a sociedade, como um todo. Neste momento, deveremos buscar nosso Deus, não importa qual seja, e conversar muito com Ele, a fim de que nossos caminhos sejam mais iluminados e que nossas intenções sejam abençoadas. Lembremos que nossa felicidade jamais será plena, enquanto ainda existir infelicidade de outros. Por isso, dentro do nosso coração deve prevalecer a fé, a esperança e o amor espontâneo. Retornando o assunto para o nosso Brasil, entendo que algo de extraordinária significação está para acontecer. Durante toda minha existência, nunca vi tantos brasileiros interessados na atual situação do Brasil e, o que é mais significativo, na mudança do sistema político, no combate à corrupção e na manutenção da democracia. É evidente que existem exceções. Assim, para a felicidade de um povo alegre, hospitaleiro e de muita fé, espero que o sol do novo dia volte a brilhar no nosso horizonte. Dessa forma, nunca deixemos que a desesperança nos domine. Sempre devemos acreditar que, para tudo, existe uma saída. E que o bem ou o mal jamais duram eternamente.

Vilas Magazine | Ed 208 | Maio de 2016 | 32 mil exemplares  

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