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Editorial Aquecimento global Esta edição traz um tema sempre associado ao noticiário internacional, em imagens que sugerem realidades distantes, como um ataque terrorista na Europa. É o tipo de assunto que o brasileiro acha que não lhe diz respeito. Em se tratando de meio ambiente, tudo se torna ainda mais nebuloso: muitos acham que o combate à poluição é uma espécie de “corrente do bem”, coisa de gente que fala com plantas, sem maiores consequências. Para provar precisamente o oposto, a Vilas Magazine abre espaço para as projeções da Climate Central, uma entidade de jornalistas e pesquisadores, em relação ao inevitável aumento do nível dos oceanos (págs. 20 a 25). É importante perceber que tudo o que se discute este mês na COP21, em Paris, afeta diretamente a vida de cada um nós, no nosso próprio quintal. Estamos lidando, como de hábito, com fatos: haverá ainda maior degelo das calotas polares e o mar vai avançar para espaços que qualquer leitor desta revista poderá reconhecer nos mapas. A vida no planeta, como a conhecemos hoje, vai mudar. Muito ou mais ainda, depende de nós. O aquecimento global é um problema também seu, fale você com plantas ou não.

Praia liberada

Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

O prefeito Márcio Paiva (PP) tomou para si a responsabilidade de corrigir a baderna instalada nas praias da cidade – e resolveu. Aconteceu depois de publicada reportagem nesta Vilas Magazine sobre o estado geral da nossa orla. Registre-se, por justo, que está nos planos do prefeito fazer pelas praias bem mais do que permite um simples decreto municipal, mas é nessa encruzilhada que as boas intenções colidem com a realidade: simplesmente não há orçamento. Sobrou, contudo, para fazer propaganda da UPA24h de Itinga em outdoors pela cidade, como se fosse despesa essencial. Quem sabe seja.

Vereador Alexandre Marques explica

A esperança venceu o medo, o cinismo venceu a esperança, o escárnio venceu o cinismo, mas o crime não vencerá a Justiça. Cármen Lúcia, ministra do Superior Tribunal Federal.

O vereador Alexandre Marques contesta a nota publicada neste espaço, na edição de outubro e pede para explicar sua versão sobre a informação. A seguir, a versão do vereador: “Venho esclarecer a informação inverídica de que reivindiquei o ‘posto de secretário de saúde do Município – que distribui milhares de empregos públicos’, uma vez que nunca solicitei a gestão da Secretaria de Saúde do município. Ocorre que, fui convidado, há cerca de três meses atrás, pelo Excelentíssimo Senhor Prefeito, Márcio Paiva, a ocupar o referido cargo, convite este que me deixou surpreso e honrado, pois é fruto da credibilidade do meu mandato junto à população laurofreitense. Outra retificação que se faz necessária, refere-se ao fato de que, ‘ameacei de ser oposição ao governo caso não assumisse esta ou qualquer outra secretaria’. Quem me conhece sabe que este tipo de conduta não reflete a minha postura de vida, muito menos política. O Prefeito declinou do convite após manifestação de alguns vereadores da base aliada, contrários à indicação de meu nome para a secretaria, o que não me causou espanto, embora a justificativa, por eles apresentada, não tenha sido convincente. Busco fazer do meu mandato um meio de trabalho sério na defesa de alcançar o bem comum, através da busca constante de melhores condições de vida para nossa população, sempre respeitando e valorizando a confiança depositada em minha pessoa, através do voto popular”. Feito. Réplica será fielmente considerada.

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INFORME PUBLICITĂ RIO

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Informativo mensal de serviços e facilidades, distribuído gra­ tuitamente nos domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais da Es­trada do Coco e entornos (Lauro de Freitas, Ipi­tanga, Miragem, Buraquinho, Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba), www.vilasmagazine.com.br Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã. Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabiliRua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. dade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. CEP 42700-000. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos accioliramos@vilasmagazine.com.br publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos alvaro@vilasmagazine.com.br A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade Assistentes: Leandra da Cruz Almeida e Vanessa dos Santos e Silva pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, Contatos: comercial@vilasmagazine.com.br nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (gerente) produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do financeiro@vilasmagazine.com.br mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – ConAssistente: Leda Beatriz Gazineo comercial@vilasmagazine.com.br selho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos proTratamento de imagens e CTP: Diego Machado dutos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade Redação: Rogério Borges (coordenador) Este manual é baseado na norma FSC STD 50001 V.1.2 e a aplicação dos logos é permitida a Plural Editora e Gráfica por de ser se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. certificada FSC e os materiais poderão serAlessandro publicadas apósTrindade a aprovação do organismo certificador da Plural. Colaboradores: JaimesóFerreira, Leite (charge). Thiara No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade Reges (free lancer) das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios Redução máxima PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos Modelo 2: Modelo 1: 0xx71 /total. 3379-2206Tamanho / 3379-4377 mínimo de 67,5 mm de largura e 32,5 mm de altura total. Tamanho mínimo de 108 mm de largura3379-2439 e 22,2 mm de altura causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br 67,5 mm 108 mm Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – FaciTiragem desta edição: 32 MIL EXEMPLARES lidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas 22,2 mm 32,5 mm no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda. Im­pressa na Plural Indústria Gráfica (SP). Este produto é impresso na PLURAL com papel certificado FSC ® - garantia de manejo florestal responsável - e com a tinta ecológica Agri-Web™. O selo Qualidade Ambiental ABTG comprova a sustentabilidade dos processos gráficos.

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Aplicação do Selo FSC (Paisagem) + Agri-Web + ABTG

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Registros & Notas

Foi aprovado na Câmara de Vereadores de Lauro de Freitas, o projeto que concede ao deputado federal Cacá Leão o título de cidadão laurofreitense, de autoria dos vereadores Aline Oliveira e Antônio Rosalvo. Nascido em Salvador, Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão possui forte ligação com a cidade de Lauro de Freitas, onde cresceu, estudou, atuou profissionalmente e sempre foi morador.

Parceria do Rotary com Instituto GBarbosa beneficia quatro associações comunitárias Fruto da parceria entre o Rotary Club Lauro de Freitas e o Instituto GBarbosa, foi concluída a etapa de arrecadação de brinquedos, com um saldo de 222 brinquedos, que foram distribuídos à quatro associações comunitárias assistidas pelo Rotary, no município: Associação Beneficente do Amor à Criança (Creche Maria Ferreira), 60 unidades; Creche Tia Tonha, 77 unidades; Creche Emily Ferreira, 55 unidades; e Escola e Creche Rotary de Quingoma, 30 unidades. A próxima etapa, envolvendo arrecadação de alimentos não perecíveis e materiais de limpeza e higiene, se encerra este mês.

1º ano Heloisinha, toda serelepe, na sua festinha de primeiro aniversário, em 16 de novembro, paparicada pelos pais, Elton e Andressa Nogueira e o irmão, Henrique.

Novo espaço

eduardo freire

Cacá Leão ganha cidadania laurofreitense

Os empresários Gessi Menezes e Rafael Gui­ marães inauguraram em Vilas do Atlântico, no final de novembro, a M2 Home & Decor, no shopping Canoas, voltada para o seg­ mento de decoração.

Dupla dinâmica

A dupla formada por Felipe Tambom e Ragno Machado (esq. p/ direita), de Vilas do Atlântico, ficou em terceiro lugar na primeira etapa do campeonato baiano de futevôlei, realizada na barraca de Pipa, na Praia do Flamengo, em outubro. Com essa conquista a dupla assume o terceiro lugar no ranking baiano de futvôlei na categoria principal. As duplas vencedoras da primeira etapa foram Vitinho/Ovelha e Lucas/Caniggia (campeã e vice, respectivamente).

Teatro Joaquim Nery Numa cidade carente de espaços culturais como Lauro de Freitas, o Teatro Joaquim Nery, no Miragem, representa uma opção importante. Com capacidade para 311 pessoas, o teatro faz parte do Colégio Sartre-COC, que considera aquele espaço cultural “uma contribuição para a disseminação da cultura”, surgindo como “mais uma opção de lazer para a região”. O espaço foi reformado em agosto do ano passado, mas já recebeu alguns espetáculos interessantes do circuito comercial, como “O Circo de Só Ler”, “O Mundo mágico dos Contos de Fadas” e “Quem souber Morre”, do famoso ator Ricardo Castro. Em novembro recebeu o seu primeiro espetáculo musical, com a cantora Joana, celebrando seus 35 anos de carreira. A programação para este mês prevê espetáculos como “A Caixa de Brinquedos” e Renato Piaba, comemorando 20 anos de carreira. O Shopping Paralela não está cobrando pelo estacionamento em suas dependências, de quem almoça no centro comercial. A medida está valendo desde o início de novembro e segue por tempo indeterminado.

Juventude no pódio Dois pugilistas de Lauro de Freitas subiram no pódio do Campeonato Brasileiro de Boxe, realizado em Aracaju, no início de novembro. Rubens Diego dos Santos (“Manchinha”) sagrou-se vice-campeão na categoria até 52 kg e Elias Roberto ficou em terceiro lugar na categoria até 69 kg. Os atletas, apoiados pela Prefeitura de Lauro de Freitas, são treinados pelo técnico “Reizinho”. A competição contou com a participação de mais 200 atletas de várias partes do país. A primeira dama do município, Adriana Paiva, recepcionou os jovens atletas, no retorno à cidade.

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Registros & Notas

Deputado pede abertura de unidade da Desenbahia no Litoral Norte Representante do Litoral Norte na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Alex Lima (PTN) pediu ao presidente da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Otto Alencar Filho, a instalação de uma Gerência de Negócios na região. “Uma agência de fomento na região vai financiar a agricultura, as pequenas empresas e ajudar os pequenos produtores”, defendeu o deputado. O parlamentar justificou a solicitação, ressaltando a importância econômica da região para o desenvolvimento da Bahia. “O Litoral Norte tem crescido bastante com investimentos turísticos, mas também com grande potencial na agropecuária. Na região temos pequenos produtores, uma indústria de coco, a Frysk, no município do Conde, além da alta produção de laranja”. O presidente Otto Alencar Filho se comprometeu a conversar com empresários e entidades representativas do Litoral Norte para avaliar a proposta.

Jovens do Rotaract sediam evento regional em Lauro de Fretas O Rotaract Club Lauro de Freitas foi anfitrião do 10º Encontro Nordestino de Rotaract Clubs, o ENERC, realizado de 31 de outubro à 2 de novembro, reunindo 120 participantes de várias regiões do Brasil. Com o intuito de promover a troca de ideias, experiências, projetos sociais e informações para o fortalecimento do programa Rotaract Club na região Nordeste, o evento teve como seu principal objetivo desenvolver atividades de cooperação e amizade entre os participantes, unindo clubes e pessoas que vivenciam realidades similares. Ostentação foi o nome escolhido para o encontro deste ano, valorizando as riquezas imateriais durante toda a programação, tais como: família, saúde, natureza, amizade e ideias, e estes temas foram enfatizados em três dias de diversão e companheirismo.

Empório Cheiro & Pão abre unidade em Guarajuba A empresária Lúcia Cotrim (acima), amplia o raio de ação do Empório Cheiro & Pão, para o Litoral Norte, com a abertura de um espaço gastronômico na loja de conveniência do Posto Paraíso, em Guarajuba. A empresária foi convidada a implantar naquele espaço uma extensão do seu qualificado em­ preendimento que funciona em Buraquinho, fazem seis anos, muito prestigiado pela comunidade.

Lançamento literário Para sediar o evento, o Rotaract Club Lauro de Freitas contou com o apoio do Rotary Club Lauro de Freitas, Núcleo de Senhoras do Rotary, revista Vilas Magazine, Espaço Uniser, Boliche Vilas, Vilas Bureau, Euzaria e Velho Chico, e aos patrocinadores Expanjet Sul, MTR Consultoria, Riobel, Odontovillas, Line Bar, Gelo Líder, Casa de Carnes Santa Barbara, Casa do Queijo, Atlântica Delicatessen, Galeria dos Pães, Leo Madeireira, Belo Ferragens, Paraíso da Construção, St. Michel Café e Confeitaria, Merk Abate, Feirão de Embalagens, Ponto das Polpas, JPEG e Onda das Águas.

A Feira Tropical realiza sua segunda edição em Vilas do Atlântico, dias 11, 12 e 13, no Vilas Tênis Club. O evento, além de gastronomia, moda e artesanato, traz um leque de opções de entretenimento e cultura, com o intuito de movimentar a comunidade local trazendo mais opções de lazer. Vale a pena.

Dezembro chega com boas-novas no segmento literário baiano, com o lançamento de “Plenilúnio”, sétima obra do escritor-poeta Lúcio de Oliva. Este novo novo álbum do autor, já experiente no campo da poesia, como nos livros anteriores, além de poemas contém um conto de ficção sobre um velhinho contador de histórias numa pacata pracinha. Com esta obra, de 243 páginas contendo 200 poemas e 1 conto, o autor ultrapassa a barreira de mil poemas publicados. Editado pela Etherna Editorial, o livro pode ser encontrado na Livraria Cultura, no 2º piso do Salvador Shopping. Plenilúnio vem a ser o estágio quando a lua atinge a plenitude de seu esplendor, o que simplesmente chamamos de lua cheia.

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Cidade

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Governo do Estado quer tratar da expansão de Salvador para Lauro de Freitas

uestões como os vetores de expansão de Salvador e sua confluência com Lauro de Freitas, consideradas estruturantes, passaram a fazer parte das preocupações do governo do Estado, que produziu o documento “A cidade e Plano Diretor: Contribuições ao processo do PDDU de Salvador”. O objetivo da secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia é “pensar a cidade de forma integrada e planejada”, contribuindo para a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador. A respeito do novo sistema viário – que permitirá uma ocupação maior do vetor norte, no entorno da Paralela – o governo anota que a minuta da prefeitura de Salvador para a revisão do PDDU não propõe “diretrizes para o uso e ocupação do solo, o que favorece a especulação imobiliária”. O governo não divulgou preocupações nesse sentido, mas o adensamento urbano de Salvador na conurbação com Lauro de Freitas tem impactos diretos na estrutura local, do trânsito à segurança pública, passando pelos serviços públicos, em especial de saúde. O explosivo crescimento populacional de Lauro de Freitas – cerca de 44% entre 2000 e 2010 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – contrasta com os 9,5% de Salvador no mesmo período e é apontado como origem dos mais graves problemas locais, com destaque para os índices de violência. A capital cresce transferindo população e problemas para as cidades vizinhas, em especial Lauro de Freitas, sem que estas sejam levadas em conta no planejamento urbano e socioeconômico, nem mesmo enquanto parte da região metropolitana. O documento apresentado à prefeitura de Salvador foi produzido depois de reuniões com representantes de movimentos u

Lauro de Freitas cresceu cerca de 44% entre 2000 e 2010, e Salvador 9,5% no mesmo período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo projeções demográficas divulgadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da secretaria do Planejamento da Bahia, Lauro de Freitas terá mais de 254 mil habitantes, novos 63 mil moradores, daqui a 15 anos – num crescimento de 33%. Já a capital baiana apresentará uma taxa média de crescimento geométrica de aproximadamente 0,52%

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Agnaldo Novais

Cidade sociais, entidades sindicais, acadêmicos, pesquisadores e conselhos profissionais. “Salvador é uma das principais capitais do País e precisa de um PDDU condizente com a sua importância econômica e que reflita as reais demandas da população”, afirma o secretário Carlos Martins, que também preside o Conselho Estadual das Cidades (ConCidades) – e de onde teria partido a iniciativa. O Grupo de Trabalho “Planeja Salvador” foi então criado para discutir temas como mobilidade, saneamento e meio ambiente, integração, Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), Centro Antigo – e centralidade metropolitana. A escolha dos temas partiu da constatação de que haveria uma “fragilidade da Minuta do PDDU na sua abordagem e da consequente necessidade de um maior aprofundamento”, de acordo com comunicado. Na opinião do “Planeja Salvador”, sob

O secretário Carlos Martins, que também preside o Conselho Estadual das Cidades (ConCidades) – e de onde teria partido a iniciativa, está preocupado com Salvador

o ponto de vista ambiental, a minuta não trata devidamente da proteção dos mananciais, manguezais e áreas de preservação dos remanescentes de Mata Atlântica – outro tema que afeta o vetor norte da capital. Se o presente já não é promissor, o futuro é menos ainda. De acordo com projeções demográficas divulgadas pela Superinten-

dência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da secretaria do Planejamento da Bahia, Lauro de Freitas terá mais de 254 mil habitantes, novos 63 mil moradores, daqui a 15 anos – num crescimento de 33%. Já a capital baiana apresentará uma taxa média de crescimento geométrica de aproximadamente 0,52%.

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Prefeitura proíbe eventos na orla e disciplina trânsito no acesso às praias

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á não existe o barraco de churrascos que ilustrou a reportagem da Vilas Magazine sobre a orla da cidade na edição de novembro (print à dir.). Logo depois de publicada a foto o prefeito Márcio Paiva (PP) decidiu editar decreto proibindo, entre outras coisas, “a utilização de facões, facas, churrasqueiras, chapas, espetinhos, GLP, garrafas de vidro e utensílios afins ao logo dos calçadões e faixas de areia das praias de Vilas do Atlântico, Buraquinho e Ipitanga” – exceção feita a comerciantes devidamente formalizados. Para garantir o cumprimento do decreto de ordenamento da orla, o próprio prefeito, cercado de auxiliares, tem comparecido ao calçadão de Vilas do Atlântico aos domingos. Está proibido também, durante os finais de semana e feriados, o estacionamento de qualquer tipo de veículo automotor

nas alamedas de acesso à praia de Vilas do Atlântico. Apenas veículos de moradores e do comércio formal poderão circular nessas ruas – estes últimos por tempo determinado para carga e descarga, em observância a legislação especifica. O bloqueio de acessos às residências é uma das queixas mais antigas dos moradores das ruas que dão acesso à praia, juntamente com a poluição sonora. Agora ficou proibida a realização de eventos com fins comerciais ou lucrativos em residências da orla da cidade, exceto no Réveillon, desde que com prévia autorização da prefeitura. Para mostrar que falava sério, no mês passado Márcio Paiva já mandou acabar com diversas festas em u

Cidade

Verão encontra nova orla em Salvador e novos barracos em Vilas do Atlântico

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prefeitura de Salvador inaugurou no mês passado mais um trecho da nova orla da capital. A infraestrutura de requalificação urbana chegou a Itapuã e Piatã, com direito a espetáculo de Danilo Caymmi em homenagem seu pai, Dorival Caymmi, nome da nova praça. A próxima etapa deve chegar a Ipitanga, recentemente devolvida por Lauro de Freitas aos cuidados de Salvador. O projeto arquitetônico divulgado por aquela prefeitura para a ponta norte da cidade mostra grandes espaços para atividades ao ar livre, muito ao estilo do Projeto Orla de Lauro de Freitas – que se encontra parado, sem que se saiba por quê. Nas praias da cidade, apesar de todas as decisões judiciais anteriores, continuam de pé as velhas barracas. Ao lado da barraca Buraco da Velha agora há um popular barraco de churrascos. Ao público do barraco soma-se o crescente movimento de banhistas que chegam em ônibus fretados para usufruir os gramados e a sombra dos coqueiros durante almoços trazidos de casa. O intenso movimento de vendedores ambulantes na areia e no calçadão completa um quadro que tende cada vez mais ao caótico. É nesse contexto que a prefeitura de Lauro de Freitas anuncia que uma

“comissão de gestores conversou com comerciantes de barracas de praia e fez um levantamento das principais necessidades da orla” em Vilas do Atlântico e Buraquinho. De acordo com a prefeitura, as necessidades da orla ”serão elencadas para que sejam realizadas as melhorias”. Algumas delas foram desde logo listadas: revitalização dos mirantes dos guarda-vidas, intensificação da limpeza, manutenção e requalificação da iluminação pública e de calçadas, reforço da segurança com a Guarda Municipal, cadastramento e fiscalização de vendedores ambulantes e a intensificação de ações de fiscalização para coibir o descarte irregular de resíduos sólidos, sobras de obras e construções. A “requalificação da iluminação pública e de calçadas” é uma das mais antigas reivindicações de quem frequenta a praia de Vilas do Atlântico e tem que conviver com os buracos na pedra portuguesa. A iluminação do calçadão, projetada para cumprir a lei ambiental de proteção às tartarugas marinhas, vai perdendo essa função com adaptações improvisadas. Já o “cadastramento e fiscalização de vendedores ambulantes” é medida anteriormente tentada sem resultado algum. Vem aí mais um típico verão na orla de Lauro de Freitas.

De cima para baixo: 1 - Iluminação do calçadão: improvisação fora das normas de proteção ambiental. 2 - “Comissão de gestores” da prefeitura caminha no calçadão elencando necessidades 3 - Movimento de praia no calçadão esburacado: Projeto Orla foi esquecido 4 - Ao lado da barraca Buraco da Velha, no calçadão de Vilas do Atlântico, agora há uma “churrascaria”. Com outros barracos, vai favelizando o que já foi um dos cartões postais do litoral norte baiano

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Ademilson Céo

Cidade residências da orla e próximas a ela, em Vilas do Atlântico. A ação teria rendido até mesmo a apreensão de equipamentos de som. Os ônibus fretados que chegavam a Vilas do Atlântico todos os fins de semana agora não podem mais circular ou estacionar, nem no bairro, nem em Ipitanga ou Buraquinho – um desafio para a fiscalização de trânsito que ainda será conferido. Caminhões, trailers e outros veículos de grande porte foram igualmente banidos. A exceção fica por conta dos ônibus que se dirigem a hotéis e pousadas, que podem parar por 15 minutos para embarque ou desembarque de passageiros. A avenida Praia de Copacabana e suas transversais, a praça da rua Carlos Conceição, em Buraquinho e as ruas Elza Paranhos e Vereador José Barbosa dos Reis, em Ipitanga, foram nominalmente inscritas no decreto como vias de estacionamento proibido para os ônibus de excursão ou turismo.

Prefeito Márcio Paiva no calçadão de Vilas do Atlântico: conferindo o decreto O Decreto Municipal nº 3.910/2015 foi publicado no dia 17 de novembro e está disponível para consulta no endereço https://goo.gl/TQZSQr. A legislação deveria

ser parte de uma ação mais abrangente da prefeitura, planejada para todos os fins de semana do verão que se aproxima. Falta encontrar os recursos financeiros.

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Lauro de Freitas revoga todas as licenças de táxi

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s 308 permissões de exploração de serviço de táxi existentes em Lauro de Freitas serão revogadas em 31 de dezembro próximo e um processo seletivo simplificado será lançado para preencher o mesmo número de vagas, possivelmente com os mesmos taxistas. Os taxistas preferiam continuar a prestar serviços pelo regime de concessão e chegaram a realizar um protesto na Estrada do Coco. De acordo com a prefeitura, a revogação das permissões atende Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público (MP) da Bahia. O MP queria fazer cumprir o pressuposto constitucional de que todo serviço público deve ser licitado e não concedido a pessoas por livre escolha do gestor. O processo seletivo também traz exigências para quem explora o serviço de táxis em Lauro de Freitas. A licença específica para prestar o serviço terá que evidenciar o vínculo entre o motorista e um único veículo, por exemplo e os veículos poderão ter até cinco anos de uso – ou oito no caso dos que possuem atualmente a concessão da prefeitura, habilitando

toda a frota atual a participar do processo. A nova legislação trouxe mais um benefício para os taxistas, agora autorizados a circular com a bandeira 2, mais cara, em horário integral durante os meses de dezembro. A fiscalização dos serviços de táxi, principalmente em defesa dos usuários, é responsabilidade da prefeitura de Lauro de Freitas. A secretaria de Transporte e Trânsito, entretanto, preferiu destacar que “a pasta continuará cooperando com a classe de trabalhadores taxistas que exploram o serviço”. Um “ponto” de taxis surgiu na esquina da rua Praia da Paciência com a av. Praia de Itapoan, em Vilas do Atlântico (foto abaixo), por vezes ocupando os dois lados da rua e provocando a interrupção do trânsito. Não há sinalização no local que autorize o estacionamento de táxis, nem ação conhecida da fiscalização do município.

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Cidade

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Audiência pública de CPI do Senado investiga assassinato de jovens em Lauro de Freitas

auro de Freitas recebeu no mês passado, de forma inédita, uma audiência pública de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal. A senadora Lídice da Mata (PSB) veio acompanhada dos senadores Humberto Costa e Lindenberg Farias (PT) para investigar o assassinato de jovens, em especial os negros, numa das cidades do país em que eles mais são assassinados. A função, mais simbólica da agenda da CPI do que propriamente investigativa, serviu para dar visibilidade institucional a um tema que a revista Vilas Magazine traz com frequência ao noticiário, mas que as autoridades preferem tratar de forma lateral. Com a plateia do Cine Teatro de Lauro

de Freitas lotada, Lídice da Mata conduziu a audiência dando espaço inclusive a testemunhos pessoais de mães de jovens assassinados em ações policiais. Por sua vez, o Coronel PM Sérgio Baqueiro destacou a perda de vidas na corporação, lamentando a parca solidariedade oferecida à tropa quando morre um policial militar. Presente à audiência da CPI, o prefeito Márcio Paiva (PP) destacou o acelerado crescimento populacional de Lauro de Freitas como fator essencial dos altos índices de criminalidade local – o que encontra guarida na realidade (leia matéria à página 9). Participaram ainda a delegada Cleuba Regina Teles, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia

Civil da Bahia, que discordou do diagnóstico segundo o qual morrem assassinados principalmente os jovens negros. Teles estabeleceu diferença entre pardos e negros para afirmar que os primeiros são maioria entre as vítimas e garantir que o DHPP investiga todos os assassinatos independentemente de raça. Outras 24 pessoas fizeram depoimentos durante a audiência, incluindo a deputada federal Moema Gramacho (PT) e os estaduais Marcelino Galo (PT) e Fabíola Mansur (PSB), além de representantes de movimentos sociais, de entidades ligadas ao movimento negro e do Ministério Público do Estado da Bahia. De parte a parte, com exceções, os pronunciamentos e testemunhos confirmaram uma dinâmica de confronto civil e de guerra urbana em andamento, conforme

Jovem negro caminha no calçadão de Vilas do Atlântico entre guardas municipais de coturno e farda camuflada: padrão de relações

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e Sergipe morreram, respectivamente, 8, 11 e 5 policiais – números sempre muito inferiores aos da Bahia.

Audiência da CPI do Senado no Cine Teatro: dinâmica de confronto destacado pela Vilas Magazine na edição 202, de novembro. Um novo relatório sobre os índices de violência no país, desta vez produzido pela própria Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, abordou a vitimização de policiais militares e civis e a letalidade da ação policial – as chamadas “intervenções legais” que resultam em mortes. Estas últimas estão no foco central da CPI do Assassinato de Jovens. O indicador revela tanto uma situação de vulnerabilidade dos policiais como altas taxas de conflito entre os policiais e a população, com a Bahia registrando 98 policiais mortos num único ano, o maior número de todo o país. No Ceará, que tem a maior taxa de homicídios do país em 2014, nenhum policial havia morrido no ano anterior. No Piauí, Rio Grande do Norte

Intervenções legais Ao mesmo tempo, “coincidentemente”, anota o relatório, os municípios da Bahia também tiveram o maior número de “intervenções legais” – mortes causadas por policiais, às vezes descritas como “autos de resistência” – “e o Estado apresentou uma porcentagem relativamente alta de população agredida pela polícia”. A Bahia é o estado nordestino em que mais se registrou “intervenções legais” em 2013. De acordo com o relatório, o município em que proporcionalmente mais ocorreram mortes ocasionadas por policiais foi Lauro de Freitas, com uma taxa de 7,59 – contra taxas de 2,74 em Salvador ou 3,85 em Simões Filho. A taxa de “intervenções legais” em Lauro de Freitas contrasta com o baixo efetivo policial em relação à população registrado para o município. De acordo com o diagnóstico governamental, a Bahia tem um policial para cada 280 habitantes – a melhor relação da região. Já Lauro de Freitas tem um policial para cada 525 habitantes, a terceira pior relação do estado, logo depois de Camaçari e Vitória da Conquista. Outro indicador trazido pela Pesquisa Nacional de Vitimização são as “agressões e extorsões que a população sofreu de

policiais”, conforme consta do diagnóstico governamental, apontando onde a polícia “é mais violenta com a sociedade”. Os dados fornecidos estão apenas em nível estadual. A Bahia não aparece entre “as piores situações encontradas quando tomamos em conta os estados de outras regiões”. Lauro de Freitas é destaque nacional também no indicador de mortalidade por homicídios entre jovens de 12 a 29 anos, com o segundo pior índice entre todos os municípios do país com mais de 100 mil habitantes. O dado, relativo a 2010 e publicado pela Vilas Magazine em 2013, consta do Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJViolência) apurado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) a pedido da Secretaria Nacional de Segurança Pública. No estudo divulgado no mês passado, o governo inclui o elevado percentual de jovens na população como uma das “grandes causas de homicídios no Brasil”, já que, de acordo com especialistas citados, “a relação entre idade e crime seria um dos poucos fatores invariantes entre as condições sociais e culturais em todos os grupos sociais e em todos os tempos”. A existência de um percentual alto de jovens na população, por si só, poderia ser um indicativo dos fatores de risco de homicídios, principalmente aqueles associados a gangues e drogas, tendo em conta ainda que a maior parte dos aliciados para traba- u

Viviane Sales

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Cidade carla ornelas

Prefeitura embarga eventos irregulares em residências de Vilas do Atlântico

D lhar com o tráfico de drogas é de jovens, segundo afirma o relatório. Abordagem policial Distante das teorias de segurança pública, a quase totalidade dos participantes da audiência da CPI estava preocupada com as abordagens policiais violentas em comunidades pobres – o chamado “baculejo” – ponto de partida das “intervenções legais” que frequentemente resultam em mortes. O governo da Bahia já demonstrou interesse em tratar de procedimentos, por exemplo acolhendo o primeiro Encontro Interestadual de Especialistas em Técnicas de Abordagem Policial. O evento foi realizado no mês passado, no Centro Panamericano de Judô, em Lauro de Freitas, reunindo cerca de 100 policiais baianos, de Sergipe e de Alagoas. Durante três dias houve discussões teóricas e estratégicas, além de oficinas e aulas práticas. A ideia era que, ao final do curso, cada especialista se tornasse um agente multiplicador do conhecimento adquirido. Organizado pelo Comando de Policiamento Especializado (CPE), unidade da Secretaria da Segurança Pública do Estado, o evento faz parte da campanha “Blitz é Bom” e discutiu ainda aspectos legais e culturais das técnicas atualmente empregadas. O objetivo é padronizar as ações policiais em todo o estado, considerando exemplos de

Policiais militares participam de encontro sobre técnicas de abordagem em Lauro de Freitas: “baculejo” a ser banido

sucessos de outros estados. Núcleos de Direitos Humanos Outra medida recente do governo do estado é a implantação de Núcleos de Direitos Humanos e Justiça Comunitária (NUDH) nas áreas das Bases Comunitárias de Segurança, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (Uneb). Serão sete núcleos implantados inicialmente, um deles em Lauro de Freitas. Quatro em Salvador, nos bairros de Tancredo Neves, Nordeste de Amaralina, Subúrbio Ferroviário e Bairro da Paz e dois no interior do estado, em Feira de Santana e Vitória da Conquista. O valor do investimento anunciado para 2016 nessas ações é de R$ 4,8 milhões. O projeto, anunciado pelo governador Rui Costa (PT) como uma das ações sociais prioritárias do Pacto pela Vida – programa de segurança pública – tem como objetivo implantar ações de proteção social para crianças, adolescentes, jovens e famílias que se encontram em situação de risco pessoal e social. A iniciativa vai levar serviços como mediação de conflitos, atendimentos jurídicos e encaminhamentos para a rede de proteção social.

e acordo com a prefeitura de Lauro de Freitas, a fiscalização municipal impediu no mês passado a realização de um evento numa residência de Vilas do Atlântico classificado como “irregular”. Teria sido “uma espécie de gravação de DVD musical”, na rua da Praia Funda, em Vilas do Atlântico. Em outro evento, na rua Praia de Paquetá a prefeitura informa ter notificado responsáveis e apreendido equipamentos sonoros. As residências de Vilas do Atlântico não podem abrigar eventos, de acordo com legislação municipal recentemente publicada (leia à página 11). Além disso, teria havido denúncias de poluição sonora, confirmadas no momento da vistoria dos fiscais da prefeitura. Para denunciar eventos irregulares e poluição sonora as pessoas podem ligar para o “Disque Denúncia” municipal no número 153. O licenciamento de eventos em outras áreas da cidade pode ser solicitado por meio do site da secretaria de Planejamento, http://seplan.laurodefreitas.ba.gov.br/. A montagem de palcos e eventos de qualquer natureza em áreas públicas, a exemplo de festas de largo, espetáculos, beneficentes, esportivos, culturais ou religiosos, precisa ser autorizada pela prefeitura. O licenciamento é exigido também para eventos em áreas privadas, como bares e restaurantes.

Palco estava armado, com equipamentos pesados, para mais uma “festa do arromba” no calçadão de Vilas do Atlântico

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Polícia Rodoviária apreende van clandestina

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Banco de Serviços sai do Centro mas ganha qualidade

Banco de Serviços da prefeitura de Lauro de Freitas ganhou novo espaço, mais amplo e melhor equipado que o anterior, que funcionava no Centro, junto à prefeitura. A nova localização, na rua Silvandir Chaves nº 108, uma transversal da Estrada do Coco que leva ao Caji-Caixa d’Água, é menos conveniente para quem depende de transporte público, mas a comodidade das instalações é maior. A Silvandir Chaves é a primeira rua depois do Hospital Geral Menandro de Faria, para quem segue na Estrada do Coco sentido Salvador. O Banco de Serviços está instalado no “Empresarial Torres Business”, que agora é também o endereço da Secretaria da Fazenda, Secretaria de Governo, Procuradoria Geral do Município e Controladoria Geral do Município. O Banco de Serviços recebe impostos municipais, incluindo o ISS Autônomo e atende todas as demandas ligadas à secretaria da Fazenda: alvarás de funcionamento, certidões, consulta de processos, dívida ativa, atualização de endereços, emissão de segunda via de IPTU, TFF, ISS e ISS Autônomo, emissão de preços públicos e taxas, documentos de arrecadação dos débitos inscritos em dívida ativa e emissão de extratos, entre outros serviços.

Pedro Moraes / GOVBA

Novas instalações do Banco de Serviços: mais comodidade

e acordo com a prefeitura de Lauro de Freitas, o Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv) apreendeu no final de outubro, Km 3 da Estrada do Coco, uma van que estaria realizando transporte clandestino de passageiros. A ação aconteceu com apoio de fiscais de Transporte da prefeitura e o veículo recolhido ao pátio do Detran. A prefeitura alertou usuários do transporte público de passageiros para as consequências negativas de utilizar vans clandestinas. O estado de conservação dos veículos, supostamente fiscalizado pela prefeitura, seria um dos riscos. A falta de capacitação e de habilitação de condutores, outro.

GAROTA ITINGA Carolaine Oliveira, 18 anos, foi escolhida para representar o bairro de Itinga no Concurso Garota Base Comunitária de Segurança, promovido pela Polícia Militar da Bahia. A jovem concorreu com outras nove garotas, entre elas Stefane Helen e Alana Correia, com 20 e 17 anos respectivamente, também moradoras do bairro, que ficaram em segundo e terceiro lugar. O projeto foi criado pela PM para atrair o público feminino na perspectiva de policiamento comunitário, integração social e oportunidade. A final do concurso, uma das muitas ações do programa estadual Pacto pela Vida, acontece dia 17, no Hotel Fiesta, em Salvador.

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Geral

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s moradores do loteamento Marisol, depois de anos reivindicando infraestrutura urbana à prefeitura de Lauro de Freitas, agora perderam a paciência com a prefeitura de Salvador, que administra a área desde o fim de 2014. Em novembro, uma manifestação de rua movimentou a comunidade para reivindicar o cumprimento das promessas feitas quando Salvador assumiu a administração da área. Apesar de pertencer à capital há cerca de 50 anos, quem recolhia IPTU e relegava o bairro ao abandono era o município de Lauro de Freitas. Agora quem cobra impostos é Salvador, mas o abandono continua. Só mudou o

valor do IPTU: de acordo com os moradores, houve casos com até 4.000% de aumento. Várias reuniões aconteceram com representantes do município vizinho, “mas nada de concreto aconteceu”, verifica Marcos Cardim, morador da área. Uma das lideranças do movimento que reivindica melhorias básicas para o Marisol, Cardim lembra que a única conquista, até agora, foi a extensão do percurso dos ônibus até o Centro Panamericano de Judô. As ruas, sem pavimentação, continuam à espera de obras de macrodrenagem e do asfalto. A cada inverno o drama dos alagamentos se repete no Marisol, inclusive com residências

Mônica Bichara

Moradores do Marisol cobram infraestrutura prometida pela prefeitura de Salvador j 1 e 2) Moradores do Marisol caminham em protesto, chamando atenção para os problemas do bairro. 3)Placa da prefeitura de Salvador foi usada para denunciar o descumprimento das promessas. Marcos Cardim (dir.): o único avanço foi estender o percurso dos ônibus até o Centro Panamericano de Judô, na praia de Ipitanga.

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Mônica Bichara

Mônica Bichara

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Mutirão da Justiça negocia dívidas tributárias com desconto

C invadidas pela água. A comunidade reivindica ainda sistema de esgotamento sanitário, melhoria na iluminação e segurança pública. No panfleto distribuído durante as manifestações de novembro, a comunidade acusa a prefeitura de Salvador de “anunciar com estardalhaço, por meio de placas espalhadas pelo loteamento” o início imediato de todos os serviços sem ter cumprido qualquer promessa. “Continuamos na lama, buracos, poeira”, afirmam.

idadãos e empresas podem pagar dívidas de impostos como ICMS, IPVA e IPTU durante mutirão de negociação fiscal, em Lauro de Freitas. O Tribunal de Justiça do estado, o governo local e a prefeitura promovem acordos, de aManda OLiVeira/GOVba 9 a 11 de dezembro e de 14 a 18 de dezembro das das 8h às 17h, para quitação de dívidas estatuais e municipais. Mesas de negociação serão instaladas no antigo Banco de Serviços, ao lado da Câmara Municipal, na praça João Thiago dos Santos, com participação de juízes e conciliadores. O mutirão “Acordo Legal” prevê descontos de até 85% sobre juros e multa e parcelamento de ate 60 vezes. Poderão ser negociados, entre outros, débitos de ICMS, IPVA, ITD, IPTU, ISS, TFF e TRSD. Parte do Programa Nacional de Governança termo de cooperação do Diferenciada das Execuções Fiscais, de iniciativa ‘acordo Legal’ foi assinado da Corregedoria Nacional de Justiça, o programa entre a Justiça e o governo revê prazos de pagamento. O objetivo é reduzir o volume de processos de execução fiscal em trâmite. O TJ-BA espera também aprimorar a governança das varas por meio da gestão estratégica dos processos, permitir aumento da arrecadação, promover a cidadania tributária e estimular a população a manter a situação fiscal em dia. Mutirões já foram realizados em Salvador, e outros estados, arrecadando mais de R$3 bilhões e resultando em mais de 100 mil processos baixados, segundo a Corregedoria.

AVISOS & EDITAIS

editaL n° 001/2015 Abertura de inscrições para seleção de candidatos ao Curso de Capacitação em Mediação, Conciliação extrajudicial e arbitragem e instutoria em Mediação, Conciliação e arbitragem aprovado pela Comissão de Estudo e Planejamento e da Coordenação Geral e Pedagógica dos Cursos. PeríOdO de inSCriÇÕeS: de 1º/12/2015 a 20/2/2016. VaLOr da inSCriÇÃO: R$ 100,00 (cem reais). MaiS inFOrMaÇÕeS: Tels.: (71) 3379-1956 / 98612-8554. Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 19

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A orla de Vilas do Atlântico, com aumento de 2 ºC e 4 ºC na temperatura global dentro de 85 anos: em mais 200 anos, na melhor das hipóteses a praia se transfere para o rio Sapato

Exclusivo

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Projeção mostra avanço dramático do mar em Lauro de Freitas

e você é proprietário de uma residência nas avenidas Praia de Itamaracá, Praia de Guarapari ou Praia de Guarujá poderá deixar para os seus descendentes uma casa à beira-mar, bem de frente para a praia. Já se você mora nas avenidas Praia de Copacabana, Praia de Tambaú ou Praia de Mucuripe, trate de se mudar nos próximos 200 anos porque até lá estará tudo debaixo d´água devido ao aumento do nível do mar – se nada for feito para reduzir as emissões de poluentes no planeta.

O aumento da temperatura média do globo terrestre, causado pelas emissões de carbono, está levando ao degelo nos polos e consequente elevação do nível do mar. Mesmo que alguma coisa seja feita a partir de agora para que a temperatura média aumente apenas 2ºC – em vez dos 4ºC previstos – até o ano 2100, toda a avenida Praia de Copacabana acabará debaixo d´água, embora a Tambaú se salve. Nesse cenário menos catastrófico, a praia estará onde hoje existe o rio Sapato.

A projeção é da Climate Central, uma organização de pesquisa e jornalismo sem fins lucrativos que oferece informação científica sobre a mudança climática no planeta. O objetivo é alertar o público e os responsáveis pela formulação de políticas climáticas e de produção de energia. A organização desenvolveu uma ferramenta que permite prever a elevação do nível do mar em todas as áreas costeiras do planeta segundo dois cenários prováveis: aumento da temperatura média em 2ºC

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ou 4ºC até 2100. Se você ficou preocupado – porque mora na av. Praia de Copacabana – ou muito animado, porque tem casa na Itamaracá, leve em conta que o horizonte de 200 anos é apenas uma estimativa. Os cientistas avisam que é mais fácil prever a quantidade de gelo que vai derreter nos polos do que a velocidade em que esse gelo derreterá. Muitos outros fatores desconhecidos podem acelerar ou retardar esse prazo em centenas de anos. Certo mesmo é que o nível do mar está subindo e vai subir muito mais ainda, não importa o que se faça, porque algum grau de poluição ambiental ainda existirá por muito tempo no planeta. O esforço é apenas para reduzir o aumento da temperatura, não para eliminá-lo. Quem gosta da arquitetura do Centro

Panamericano de Judô, em Ipitanga, por exemplo, deve se apressar para fazer uma visita. Em qualquer caso, de acordo com a projeção, ele vai sumir sob as águas. Na melhor das hipóteses, metade da rua Elza Paranhos ficará submersa e será possível mergulhar no Atlântico pulando do muro do aeroporto. Já Buraquinho simplesmente deixará de existir. Onde hoje existe um bairro inteiro haverá uma bela baía, com a foz do rio Joanes transferida para a ponte da Estrada do Coco – isso no cenário mais otimista. No pior cenário, com aumento de 4ºC em vez de 2ºC, a baía de Buraquinho será a porta de entrada de um grande estuário, transformando Lauro de Freitas numa península. Parte do litoral de Camaçari irá se transformar numa ilha que vai de Busca Vida à entrada de Arembepe. A vila mesmo, vai

para debaixo de água, haja o que houver. Dê adeus também a Guarajuba, a Itacimirim e à Praia do Forte. A BA-099 vai se transformar numa bela estrada à beira-mar. COP21 A elevação da temperatura em apenas 2ºC é um objetivo internacional de longa data e corresponde ao que muitos especialistas consideram um sucesso no controle das emissões de gases de efeito estufa. O aumento de 2ºC corresponde, nesta análise, a um aumento de 4,7 metros no nível do mar. Um aquecimento de 4ºC, que acontecerá se nada for feito, corresponde a uma elevação de 8,9 metros no nível do mar. Algo entre 2ºC e 4ºC deverá resultar como compromisso internacional na Conferência do Clima que acontece em Paris, França, u Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 21

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Buraquinho deixa de existir, dando lugar a uma baía e talvez a um estuário

até 11 deste mês – a COP21. O atual compromisso dos países na redução das emissões aponta para um aquecimento de 3ºC, ou 6,4 metros no nível dos oceanos. Para a maioria das ilhas do planeta – e para a orla de Lauro de Freitas e Camaçari – bom mesmo seria limitar o aquecimento global a 1,5ºC. Mesmo assim, o oceano subiria 2,9 m. As projeções levam em conta o aquecimento causado apenas por dióxido de carbono, um poluente ambiental de longo prazo. Se nada mudar – nem mesmo para pior – o planeta será submetido a uma carga de 2,4 gigatoneladas de carbono por volta de 2100 – ou 3,67 vezes o mesmo peso de gás carbônico. Isso corresponde a 3,3ºC de elevação no aquecimento e 7,1 metros a mais no nível dos oceanos. Esses números são estimativas centrais numa larga escala de possibilidades, avisam os cientistas. Mas se nada mudar, a quantidade de emissão de poluentes continuará a aumentar em 2100. O objetivo da COP21 é obter um mínimo de redução nas emissões de carbono em todo o planeta, limitando o aumento da temperatura a 2,3ºC (cinco metros de elevação nos oceanos). As emissões de poluentes atingiriam o auge por volta de 2060 e depois cairiam. Na improvável hipótese de os governantes dos grandes países poluidores – China e Estados Unidos – assumirem o compromisso

de cortar mais a poluição ambiental, poderíamos limitar o aquecimento global a 1,7ºC (2,6 metros). O pico aconteceria em 2040. O melhor cenário possível – e também o menos provável por afetar criticamente a economia da maioria do planeta – seria um corte radical nas emissões, limitando o aquecimento a 1,1ºC (2,4 metros) – o que poderia salvar a avenida Praia de Copacabana, mas

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não as residências da orla. Nesse caso, o auge das emissões seria atingido dentro de cinco anos, declinando daí em diante, até chegar a zero em 2080. Depois disso ainda seria necessário remover carbono da atmosfera em grande escala – o que pode ser extremamente difícil e caro, pelo menos a partir da tecnologia atual.

Parte da orla de Camaçari vira ilha, o restante vai para baixo d´água No mapa, Jauá e Arembepe

A projeção para este mês de dezembro de 2015 aponta um aquecimento acumulado de 0,8ºC e 1,6 metros de elevação no nível dos oceanos. E continuamos jogando poluentes na atmosfera a uma taxa que vem aumentando quase todos os anos. Os efeitos da atual elevação dos oceanos já são visíveis em largas áreas costeiras do nordeste brasileiro, com calçadões e mesmo casas destruídas pelo avanço do mar. O aumento já verificado causou impactos ainda maiores no resto do mundo: quase metade das calotas polares do Ártico derreteram, milhões de hectares de árvores no Oeste americano morreram devido a pragas relacionadas ao calor e os maiores glaciares no Oeste da Antártida – com dezenas de milhões de metros cúbicos de gelo – começaram a se desintegrar. Mesmo que os níveis de carbono parassem de aumentar hoje, a temperatura continuaria a subir em cerca de 0,5ºC. China Diminuir em Lauro de Freitas os efeitos da catástrofe já contratada para todo o mundo depende essencialmente do que decidirem os dirigentes dos países que mais poluem o planeta. O mesmo é dizer que a China – país que mais emite carbono – decidirá quem u vai morar à beira-mar em Vilas do Atlântico daqui a 85 anos. Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 23

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Em Ipitanga, desaparece o Centro Panamericano de Judô: o mar chega à pista do aeroporto

É real a esperança de que a China embarque na redução dos poluentes, mesmo à custa de se prejudicar economicamente, porque a China será também o país mais afetado pela futura elevação dos oceanos. Cerca de 145 milhões de pessoas vivem hoje em áreas que estarão submersas em 2100 se a temperatura subir os 4ºC previstos. Se o aumento ficar limitado a 2ºC, cerca de 64 milhões de chineses ainda terão que se mudar, mas o desastre fica consideravelmente reduzido. Outras 12 nações têm mais de 10 milhões de pessoas, cada uma, vivendo em locais que estão em risco – principalmente India, Bangladesh, Vietnam, Indonésia e Japan. Já nos Estados Unidos, 25 milhões a 34 milhões de pessoas poderiam ser afetadas pelo aquecimento de 4ºC, incluindo a maioria dos residentes em mais de 1,5 mil cidades, 25 delas com mais de 100 mil habitantes. Limitar o aquecimento a 2ºC pode reduzir o número de afetados em mais de 10 milhões.

perto do centro de conferências. O desafio do clima, sempre relegado a um tema próprio de “ecochatos”, é um dos mais complexos que o mundo alguma vez enfrentou, mas as alterações climáticas encontram-se agora no topo da agenda global e dos líderes de países, cidades, setor privado, sociedade civil e religiões.

Custo desenvolvimento Cerca de 45 mil terão participado da conferência de Paris-Le Bourget, a 21ª dedicada ao tema. Há 20 mil pessoas credenciadas. As demais poderão participar de debates, visitar exposições e ver filmes numa área dedicada à sociedade civil que será construída

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Durante o processo de preparação da conferência, mais de 150 países submeteram metas nacionais de redução da emissão de carbono para a atmosfera. Juntos, esses países respondem por 90% das emissões globais. Um acordo em Paris seria um ponto de partida decisivo no modo como todos os países – atuando em conjunto, com base num

Parte da orla de Camaçari vira ilha, o restante vai para baixo d´água No mapa, praia de Guarajuba

acordo transparente e legal – traçarão um caminho para limitar o aumento da temperatura global em 2ºC. Sem um acordo global será impossível limitar o aquecimento do planeta. As chamadas Contribuições Internacionais Nacionalmente Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), constituem a proposta de cada país para formar uma base de redução de emissões de poluentes. O ponto central da conferência de Paris, contudo, não é convencer os governantes a reduzir a emissão de poluentes, mas decidir quem vai pagar o custo da consequente redução da atividade econômica e da substituição de tecnologias sujas. Para isso, deverá ser estabelecido um pacote de financiamento destinado aos países em desenvolvimento. A expectativa é que os países desenvolvidos expliquem como concretizar o compromisso assumido na Conferência de Copenhague de mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para apoiar os países em desenvolvimento. O investimento para o período pós 2020 também deverá ser debatido. O debate econômico é, afinal, o único que interessa tanto aos países desenvolvidos e maiores poluidores, quanto aos menos desenvolvidos e que reivindicam, no fundo, o direito de poluir para se desenvolver – ou serem ressarcidos por abrir mão dessa meta. Aconteça o que acontecer, de acordo com as projeções da Climate Central, a orla como a conhecemos vai deixar de existir. Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 25

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ESPECIAL | NATAL Para a Igreja, ele deveria ser o principal símbolo dO Natal

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em Papai Noel, nem o pinheiro decora do. Embora essas figuras tenham sido incorporadas aos festejos natalinos, é o Presépio que deveria ser o centro das atenções, especialmente para os católicos, pois ele é a representação do nascimento de Jesus, celebrado em 25 de dezembro. O coordenador geral do secretariado arquidiocesano de pastoral da Arquidiocese de São Paulo, padre Tarcisio Marques Mesquita, argumenta que ele fala por si próprio. “É a catequese visual. Ele tem mais conteúdo católico por representar a cena de nascimento de Jesus, que veio para salvar a humanidade”, salienta. Tarcisio destaca que a figura atual do Papai Noel, criada por uma marca de refrigerante, o pinheiro cheio de bolinhas e todas as demais ornamentações estão muito mais ligadas ao aspecto festivo, e até mesmo comercial, do que propriamente a

O PRESÉPIO

“chegada de Jesus para salvar a humanidade”, reforça. Ele lamenta que Jesus e seus ensinamentos são muito pouco lembrados, especialmente por aqueles que não estão

muito ligados à religião. “O que se tem hoje vai na contramão do que deveria ser. Precisamos, nesta época, reforçarmos que precisamos de mais soli-

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ESPECIAL | NATAL dariedade, fraternidade. Com o tempo isto foi se apagando e dando espaço para uma festança e com bebedeiras, em muitos casos. O propósito não deveria ser este. Deveríamos comemorar o nascimento do Salvador de outra forma.” A ORIGEM Presépio, na língua portuguesa, significa estrebaria, curral, estábulo. Foi em um local assim que Jesus nasceu em Belém. Ele foi criado por São Francisco de Assis em 1223, na Itália. Na época, a Igreja proibia dramas litúrgicos, mas uma dispensa foi obtida. A encenação serviu para Francisco de Assis mostrar para camponeses de Greccio como foi o nascimento de Jesus. Os moradores foram convidados para a missa e ao chegarem à gruta encontraram a cena do nascimento vivenciada por pastores e animais. Depois da morte de São Francisco, os frades Franciscanos continuaram a encenação utilizando imagens e aos poucos ela foi se espalhando pelo mundo. No Brasil, teria sido o jesuíta José de Anchieta o primeiro a criar a cena, em 1552, para índios e colonos portugueses.

As figuras do Presépio  Menino Jesus: É o filho de Deus.  Virgem Maria: É a mãe de Jesus, considerado o filho de Deus pelos cristãos.  São José: Carpinteiro, é considerado o pai adotivo de Jesus.  Gruta: É o local simbolizado pelo presépio. Era o estábulo onde os animais eram guardados e também onde se alimentavam durante a noite.  Manjedoura: local onde se coloca comida para os animais no estábulo. Ela foi usada como cama para Jesus.  Um burro e um boi: por ser um estábulo, o local onde Jesus nasceu abrigava estes animais.  Pastores e ovelhas: eles estavam nas proximidades no nascimento de Jesus, aguardando para seguir viagem conduzindo

seus rebanhos.  Anjos: Os anjos anunciam aos pastores o nascimento de Jesus e eles se dirigiram até a gruta.  Estrela de Belém: Foi ela que guiou os três Reis Magos quando Jesus Cristo nasceu. Especula-se que seria um cometa.  Três Reis Magos: Os três Reis Magos - Gaspar, Baltasar e Belchior - representam os povos pagãos. Eram considerados sábios. Estes três nomes simbolizam as raças distintas. Eles vieram do Oriente conduzidos pela estrela. Chegaram à cidade de Belém, local de nascimento de Jesus trazendo presentes: mirra, ouro e incenso. O ouro representava a realeza, a mirra era símbolo da paixão e o incenso é oferecido a Deus: representa a divindade de Jesus.

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ESPECIAL | NATAL DECORAÇÃO NATALINA

NA ÚLTIMA HORA

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ode parecer estranho, mas há quem acabe deixando para amanhã e não consegue fazer a decoração natalina, seja por motivos pessoais ou de trabalho. Quando se dá conta, o tempo ficou curto demais. E ficou curto até para ir em uma loja comprar alguns itens decorativos e enfrentar filas e mais filas. Segundo a arquiteta e decoradora paulista Érica Salguero, há uma forma de resolver o problema usando a criatividade. Uma alternativa é aproveitar os materiais disponíveis em casa, dando a eles um novo uso. É uma boa solução para reciclar e ainda ajudar o meio ambiente. “Coisas feitas em casa trazem personalidade e contam histórias. Você pode usar folhas, fitas, gravetos, velas, papelão, balas, chocolate e flores para criar uma guirlanda, por exemplo”, explica. Não deu tempo de comprar a tradicional Árvore de Natal, envolva aquela bela planta que já enfeita a sua sala durante todo o ano com delicadas luzes. Outra proposta, mais moderna e divertida, segundo Érica, é desenhar uma árvore com o pisca-pisca na parede ou usar uma escada com apoio duplo e decorá-la com plantas, laços, fitas, luzes e velas. “Para divertir a criançada, que tal confeccionar pequenas árvores de natal feitas de revistas e pintadas à mão? Ficam um charme no aparador”, sugere. Usar outros técnicas, como círculos de bolinhas coloridas coladas na parede, é outra alternativa. Para quem tem

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ESPECIAL | NATAL

Outras Dicas

muitos livros, uma proposta é empilhá-los no formato de uma árvore natalina e depois dar o toque especial com as luzes pisca-pisca, sempre tomando cuidado de revisar o cordão para saber se não há risco de um curto, afinal as luzes estarão sobre um material altamente inflamável. Veja outras dicas.

 Envolva a planta que enfeita a sala com pisca-pisca, ou use as luzes para desenhar uma árvore na parede  Velas conferem um clima de aconchego ao ambiente. Perfumadas ou não, elas podem ser colocadas em mesas de centro, laterais ou qualquer outro cantinho da casa para dar um charme. Velas de sete dias ganham vida se envolvidas com canela em pau e um belo laço ou ainda, com flores da época  Janelas ganham um importante papel na decoração. Você pode desenhar flocos de neve usando cola quente, criar com canetas de escrever em vidro, pendurar pinhas com uma fitinha colorida ou até mesmo, fazer um bandô com folhagens  Flores, pinhas e velas são ótimas para arranjos de mesa. Se você pretende sair um pouco dos clássicos verde e vermelho, opte pelo branco, prata e dourado, que imprimem elegância à mesa  Outra boa ideia é fazer uma decoração com uma bomboniere cheia de doces ou frutas secas e também transformar garrafas de vinho em lindos vasos  Para finalizar a decoração, as cadeiras também podem ser enfeitadas com laços de fitas que sobraram de outros Natais

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ESPECIAL | NATAL

Peru e lasanha de vegetais são boas opções para ceia de Natal Carnes magras e sem pele, salada e suco garantem um jantar rico em vitaminas sem perder o sabor

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ugir dos alimentos gordurosos na ceia de Natal não é uma tarefa fácil, mas, com força de vontade, é possível. O segredo de uma ceia com alimentos saborosos, ricos em vitaminas e saudáveis é o equilíbrio e a moderação na hora de cozinhar e de comer. “É a época do ano em que as pessoas aproveitam para comer o que for possível, mas não é bem assim. É importante manter o equilíbrio no prato, trocar alimentos que são mais ricos e vão deixar a ceia saborosa”, explica a nutricionista Mirian Martinez. Para uma ceia saudável, a escolha da carne também é importante. O ideal é optar por carnes magras, como peru, lombo e bacalhau. A carne do peru ajuda na redução do colesterol. Porém, a pele é gordurosa – o indicado é retirá-la e comer preferencialmente a parte do peito. Já em relação ao chester, uma das

tradições das festas natalinas, é preciso ter cuidado por causa dos hormônios. “O indicado é comer somente quando a embalagem mostra que o produto foi tratado de maneira orgânica”, afirma a especialista. Fuja das frituras e abuse das saladas. Os legumes e a lasanha de vegetais podem ser uma boa e saborosa combinação. O arroz branco pode ser substituído pelo integral, por ser mais rico em fibras. É possível acrescentar sementes, como castanhas, nozes e frutas secas. Para a sobremesa, frutas, como pêssego, ameixas e figo. E prefira os sucos aos refrigerantes e bebidas alcoólicas. O equilíbrio no prato também vale quando a refeição for feita fora de casa. Para isso, escolha salada, legumes, somente um carboidrato (arroz ou massa) e lembre-se de também tirar a pele da carne de peru. “ O ideal é ter uma alimentação leve durante o dia e comer a cada três horas para não ter muita fome no momento da ceia”, diz Mirian. Amanda Gomes / Folhapress.

Use a criatividade para deixar a

MESA LINDA PARA A CEIA

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ai receber convida dos para a Ceia de Natal e quer deixar a mesa linda sem gastar muito? Depois da troca de presentes, a Ceia é a principal atração da noite e é necessário caprichar para receber bem os convidados. Para decorar a mesa, conforme decoradoras, não é necessário gastar muito e, em alguns casos, dá para fazer sem gastar nada, já que todo mundo tem em casa artigos que podem ser utilizados na decoração. A decoradora da MF Mesas Finas, Quênia Cruz, de Curitiba (PR), aposta na criatividade. Segundo ela, a tradicional toalha pode ser deixada de lado. “Vamos usar jogos americanos. A mesa ficará mais leve”, diz. Outra sugestão é aproveitar as taças que ficaram desparelhas do jogo devido a quebras. “Invertidas, elas funcionam muito bem como castiçais”, ensina, salientando que guirlandas pequenas podem ser usa- u

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ESPECIAL | NATAL das para a ornamentação delas. Enfeites florais preenchem o centro de mesa que se completa com o uso de sousplats (suporte para pratos) e flores artificiais como portaguardanapos. “Misturar jogos de taças diferentes não é proibido e dá um toque especial na decoração.” Para a decoradora mineira Sandrâ Inês, a simplicidade é o ponto principal. “Independente do tamanho da mesa, o ideal é fazer uma decoração simples, para que a atenção seja toda voltada para os participantes da Ceia”, afirma. Sandrâ destaca que no caso de ser usada toalha é importante tomar cuidado para não deixar a mesa visualmente poluída. Fica mais charmoso utilizar uma toalha lisa e deixar para os objetos decorativos e louças o papel de destaque. “No centro da mesa um arranjo simples e baixo, que pode ser artificial ou elaborado com frutas, completa o cenário com velas e flores”, destaca. Para que for usar taças como castiçais, Sandrâ sugere colocar dentro uma flor natural ou artificial. “Quem não tiver taças, pode fazer castiçais com copos. Fica charmoso”, afirma. Se você não tiver um espaço tipo aparador para colocar a comida em um local separado da mesa principal, priorize o espaço para as comidas, caso contrário você

irá correr o risco de seus enfeites ficarem recheados de comida quando os convidados forem se servir. A publicitária catarinense Milena Luisa, de Florianópolis, que se dedica a dar dicas diversas em seu site Sementinha de Gente, chama a atenção para um aspecto: se os pratos preparados para a Ceia forem ser colocados sobre a mesa principal, é necessário

ser econômico na decoração. “O ideal é ter outro móvel, um aparador, para colocar os alimentos, deixando a mesa livre para as louças e para os objetos de decoração”, diz. Outra dica dela é marcar os lugares na mesa. “É muito usado nas decorações americanas. Boas ideias de marcadores podem ser bonecos de Papai Noel, anjos ou elementos semelhantes aos da árvore.”

Adquirindo o Panetone Solidário, para sua família e/ou para doar a seus funcionários e amigos, você contribui com as ações sociais do Rotary Club Lauro de Freitas, em comunidades carentes do município, como creches, associações comunitárias, suporte à Escola Rotary de Quingoma além de ajudar a abastecer o banco de necessidades especiais, com cadeiras de rodas, cadeiras de banho, muletas, andadores, dentre outros equipamentos. A revista Vilas Magazine apoia e é parceira nessa ação do Rotary. Informações pelos telefones 3379-4377 / 3379-2206 / 3379-2439. 32 | Vilas Magazine | Dezembro de 2015

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ESPECIAL | NATAL dá para fazer algo diferente

FUGINDO DO PADRÃO

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1) Fugindo da tradicional combinação, vermelho e verde, o designer optou por uma mesa tropical. Na decoração foram usados: nozes, cascas de árvores, bananas verde, limão e frutas escuras com toalha de juta elementos que todos têm em casa. O arranjo do centro da mesa é uma mistura de lírios brancos, mini-palmeira, corujas de Murano arrematadas com cascas de árvores.

2) Com estilo provençal, esta mesa é harmonicamente composta por rosas, folhas e pássaros. O centro de mesa é uma composição com taças - vinho e champanhe - que conferem elegância e ao mesmo diversão. A toalha branca como fundo permite várias combinações de louça. Aqui, a neutralidade casou perfeitamente com o sousplat de búzios com conchinhas.

eceber os convidados para as festas de final de ano é um ritual que deve ser feito com muito amor e dedicação. Cada detalhe deve ser pensado para que proporcione praticidade e aconchego a todos os convidados. O designer de interiores Moreno, dá dicas simples e criativas de mesas para ocasiões especiais.

3) O ar marítimo predomina nesta composição. A cor alegre das rosas faz contraponto com o verde presente nos pratos e guardanapos. Uma opção divertida para dispor os talheres é usar um copo simples cheio de arroz. E se tiver uma panela de pedra, ela pode virar um belo centro de mesa.

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Solidariedade

Comboio Esperança, uma lição de solidariedade

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osso senhor Jesus Cristo que lhe ‘alumeie”. O português não está correto, mas a frase traz um significado muito importante: sinceridade, humildade e agradecimento, virtudes que um grupo de pessoas, formado por empresários, profissionais liberais e colaboradores de vários segmentos, irmanados pelo prazer de servir, fortalecem a cada visita que fazem em regiões muito pobres de municípios do sertão baiano, levando um pouco de alívio para comunidades carentes. Foi através de uma reportagem exibida pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, em abril de 1998, que retratava a grande estiagem na região de Monte Santo, sertão da Bahia, que os empresários Edgar Regis e Wilson deram início ao Comboio Esperança, projeto que já atendeu milhares de famílias da Bahia, em 17 anos de atuação. FOTOS: ARQUIVO COMBOIO ESPERANÇA

O primeiro Comboio partiu no mês seguinte, em maio de 98, direto para as regiões de Euclides da Cunha, Bendengó e Canudos. “Não teve um que foi naquela primeira caravana que não tenha chorado. O que encontramos foi muito triste e só reforçou a necessidade de mantermos a iniciativa sempre viva”, destaca Wilson. Desde então o grupo faz quatro visitas por ano às comunidade do sertão baiano. O sertão é muito grande, e a escolha dos locais que serão atendidos segue alguns critérios, dentre eles, estar num raio de cerca de 300 km, partindo de Salvador, e uma cidade próxima, com estrutura para abrigar as mais de 35 pessoas que seguem em caravana. Dentre as regiões mais atendidas estão Campo Formoso e Umburanas, esta última registra o 7° pior IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano), com dados dos Censos 1991, 2000 e 2010 da Bahia, mas a caravana já passou por Uauá, Monte Santo, Lamarão, Itapicuru, Biritinga, Barrocas, Serrinha, Cícero Dantas e Paulo Afonso. Como se trata de um grupo de amigos que se encontram para fazer o bem, o Comboio Esperança não recebe doações governamentais, de ONG’s, tão

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Inspire-se e com já a fazer o bem!

pouco doações em dinheiro, vindas de quaisquer caminhos, e mesmo assim tem conseguido, de forma anônima, levar para as comunidades carentes não apenas alimentos, remédios, roupas e utensílios, mas também serviços na área da saúde, em odontologia. Nem sempre a arrecadação é suficiente para a todos, e é aí que acontece uma das lições mais importantes: a própria comunidade, que tem tão pouco e passa por tantas carências, decide quem está mais necessitado daquele item, e que será beneficiado com a doação. As doações em dinheiro, feitas pelos membros do Comboio, são usadas exclusivamente para compra de cestas básicas, brinquedos e ajuda no material odontológico. Cada integrante do Comboio é responsável por suas despesas com hospedagem, combustível e alimentação. Hoje, o grupo que antes era u Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 35

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formado exclusivamente de homens, conta com a participação feminina da odontóloga Ana, que superou a falta de estrutura e desconforto da estrada e dos locais. Ela se apaixonou pelo Comboio, pela forma leve e carinhosa de fazer o bem, e o Comboio se apaixonou por ela, sua força e desprendimento de fazer tantos atendimentos de saúde em um único dia, devolvendo o sorriso à pessoas que talvez jamais fossem beneficiadas. Momentos marcantes se mantém vivos na memória de cada integrante, e cada nova viagem é recheada de surpresas, novas histórias e emoções em profusão, o que supera todo o cansaço dos três ou quatro dias que o grupo passa na estrada, enfrentando muita poeira, vias precárias, se deparando com uma realidade que apenas o contato direto é capaz de traduzir. Edgar não esqueçe um episódio: após entregar uma cesta básica para uma senhora, ela, muito satisfeita, passa a mão em sua cintura e oferece: “O senhor aceita um cafezinho?” Edgar agradece e pergunta se tem. Ela responde: “agora sim!”, na certeza de que na cesta teria o desejado café. A seca na Bahia Dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) apontam que no início de novembro de 2015, 147 municípios decretaram situação de emergência, o que significa que 1,8 milhões de pessoas na Bahia foram atingidas diretamente pela seca. Esse é o mesmo número de pessoas que sofreram com a estiagem durante todo o ano de 2014. A falta de água impacta diretamente na produção de alimentos e geração de renda, visto que a economia no interior da Bahia gira em torno da agropecuária de subsistência. “Entrei no Comboio com a expectativa de participar apenas uma vez. E pela primeira vez eu vi o que mostrava nos livros de história, os rios secos. Em São Paulo, não se tem noção disso. Participo do Comboio há 12 anos”, destaca Gerônimo. Na segunda semana deste mês, uma nova caravana do Comboio Esperança segue da capital para o sertão. São 340 km até Jacobina, cidade com população estimada em 2015 em 84 mil habitantes e 3136° no ranking do IDHM 2010. “Sabemos que essas doações não resolvem definitivamente os problemas dessas comunidades, mas ameniza, e muito. E é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. Um amigo meu disse que um Comboio vale mais que um ano de terapia. No fundo, nós vamos por nós mesmos”, finaliza Wilson.

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“Fiquei de boca aberta ao ver o trabalho do Comboio. Um integrante era advogado, outro engenheiro, outro empresário e lá éramos todos iguais. A proposta do Comboio é ajudar. Ninguém está indo pra lá pra se promover, e isso me cativou.” Fred. “Todo mundo tem aquela vontade de ajudar um pouco, mas muita gente não consegue tirar alguns dias para exercer a solidariedade. A nossa diferença é que vamos mesmo.” Godeiro. “Deixamos de estar com nossas famílias em casa no final de semana e vamos para locais de difícil acesso, um trabalho árduo, mas extremamente gratificante.” Wilson. “Me impressiona as pessoas mendigando entre elas mesmo. Um que tem um pouquinho doando pra quem não tem nada.” Gerônimo. “Tem gente que nunca dormiu num colchão, nunca bebeu uma água gelada, uma água filtrada.” Marcelo. – “E quando a gente não vem, vocês fazem o quê? – Ficamos esperando vocês. E torcendo pra nossa comunidade ser contemplada de novo. – E a gente agradece a quem? Quem mandou vocês? – Agradeça a Deus mesmo, a gente só veio entregar”. Godeiro conversando com uma moradora. “E eu particularmente me envolvo muito com criança, principalmente depois que minha filha nasceu. Me toca muito a carência delas, precisando de uma roupinha, de um carinho, porque é onde a gente encontra esperança. Certa vez entreguei uma boneca a uma menina e ela já estava com outra, porque ganhou de outro amigo. Ela estava muito alegre e perguntei o porquê de tanta alegria. E ela respondeu que nunca havia ganhado uma boneca. E agora tinha duas. E nós compramos por R$4 ou R$5 … [pausa - emocionado] … E quando chego em casa no domingo, vejo que minha filha não tem onde guardar tanto brinquedo. A gente fica até constrangido de ver uma situação dessa e não poder fazer muita coisa.” Marcelo. “Tem gente que doa e não vai. Tem gente que vai apenas para trabalhar, sem doar nada. Não existe valor mínimo, cada um doa o que pode. E acreditem, o tempo também é uma doação.” Alvinho.

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ESPAÇO ABERTO

Por uma nova Assembleia Nacional Constituinte José Nilton Carvalho Pereira

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atual crise econômica brasileira só se resolve, de modo consistente, com uma nova Constituinte. Sonho possível ou apenas utopia? Acontece que o pesadelo está apenas começando. Com eleições municipais em 2016, espera-se o pico da crise para 2017. O país, hoje, é ingovernável, independente de partidos ou grupos políticos no poder. Eis apenas dez motivos: 1) Enquanto sobram políticos que pensam nas próximas eleições, faltam estadistas que pensem nas próximas gerações; 2) Os políticos - não todos - pensam muito no bolso, pouco no país e muito pouco na biografia; 3) Confunde-se política de governo com política de Estado: as empresas estatais pertencem cada vez mais a grupos políticos, e cada vez menos ao Estado; 4) A dívida interna brasileira já ultrapassa 65% do PIB e continua crescendo. Nosso país é como uma família que ganha R$ 2.000,00 por mês e gasta muito mais, em dívidas consignadas ou vinculadas; 5) No Brasil, segundo a revista EXAME (out/2015), a cada minuto sete pessoas ficam sem emprego (país a caminho da fome); 6) Partidos em excesso: com mais de 35 partidos políticos, nenhum país poderá ser feliz; 7) O Itamarati foi praticamente desmontado: jamais nossa política externa foi tão frágil, contraditória, inconsistente ou aparelhada politicamente; 8) Alguns segmentos recebem dinheiro público, mas não são fiscalizados e não pagam impostos; 9) Crescimento contínuo do corporativismo de grupos insaciáveis, carimbando despesas vinculadas; 10) Ainda sobre receitas vinculadas: o PIB dá apenas para pagar salários e juros.

Não há dinheiro para investimentos. A cruel CPMF é mais um falso silogismo. Serviria apenas para aliviar um doente terminal por poucos anos. E a crueldade está em retirar mais de 30 a 50 bilhões de reais, anualmente, do setor privado - que investe - para o setor público, hemiplégico ou paralisado. É inútil: serve apenas como fuga (ou boi de piranha), para disfarçar provisoriamente a essência da crise. Acrescente-se que nosso país sempre foi e tem sido socialmente injusto e mentalmente atrasado: n Foi o último país das Américas a abolir a escravatura; n Enquanto a Universidade de Lima (Peru) é de 12/5/1551 – Universidade Nacional Maior de São Marcos, a primeira Universidade brasileira é do segundo decênio do século 20; n Não temos uma única Universidade entre as 200 melhores do mundo; n Já chegamos a ser a quinta economia global, mas não temos um só prêmio Nobel; n Telefone no Brasil era tão raro - até 1990 - que se considerava um bem a ser transmitido por herança; n Perdemos a revolução tecnológica, mas depois avançamos. Ainda assim, nesse campo, somos considerados um país perdedor, no centro de uma profunda crise econômica. A atual Constituição brasileira, um tanto contraditória – em parte traz avanços, em parte já nasceu atrasada –, é de matiz parlamentarista, mas vigora em regime presidencialista. É corporativista, com viés socialista – isso em 1988, mas o muro de Berlim caiu um ano depois, alterando a ordem mundial. Ninguém espere solução permanente com a Constituição que aí está. O Brasil precisa de um novo pacto federativo, e isso só será possível com uma nova Constituinte, em que lideranças éticas possam traçar um destino de equilíbrio social e grandeza para o país. Só existe paralelo ou semelhança à atual crise brasileira no tempo da Regência do padre Feijó (1835). Observem que, nos últimos meses, o Brasil vem sendo dirigido, de fato, pelo regente ‘Lula Feijó’. Estamos retornando às insurgências

do Império? Em parte estamos em melhor situação: somos a sétima maior economia do mundo (embora em decadência), porém muitas instituições democráticas ainda funcionam (como Deus é brasileiro, mandou a Venezuela primeiro), mas não temos lideranças confiáveis. Faltam os pacificadores dos anos 30 do século 19 e um adolescente (como o futuro imperador Pedro 2º). Faltam líderes como Leonel Brizola (“Lula é a UDN de macacão e tamanco”) ou como o brilhante retórico Carlos Lacerda, no último período Vargas (“Esse homem não pode ser candidato; se for candidato, não pode ser eleito; se for eleito, não pode governar; se governar, não pode terminar o governo”. Não deu outra). Falta um Osvaldo Aranha, presidente da segunda Assembleia da ONU, o maior líder civil da Revolução de 1930 que, humildemente, cedeu o posto de chefia à Getúlio Vargas. O Brasil foi e tem sido ingrato com Osvaldo Aranha, que se lembra dele, muito mais, por um prosaico filé. Contudo, seu reconhecimento internacional é incontestável: inspirou o Brasil e a América do Sul a lutar contra Hitler; presidiu o nascimento da ONU; criou o Estado de Israel (onde ele é reverenciado com um semideus; aqui, é apenas um aranha). Faltam líderes como Ulisses Guimarães (“Há uma aritmética fascista na qual 5 é igual a 0...”). Muitas lideranças, hoje, não falam; quando falam, quase ninguém entende; quando calam, o silêncio até preenche uma lacuna (aula de oratória neles! Isso depois de aulas de ética, ao melhor estilo dos grandes líderes mundiais: “Fazer política para servir, e não para servir-se”). Repita-se: hoje, muitos líderes políticos brasileiros falam melhor quando calam. E são tantos que sabem disso que quase nunca abrem a boca. Devem estar realizados. Feliz é o ser humano que tem consciência do tamanho de mediocridades. O Brasil do futuro poderá ter vergonha da geração do presente, que destruiu a economia e valores essenciais à convivência social. Nossos políticos, hoje, ou não estudam ou não

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aprendem. E, quase sempre, não aprendem porque não estudam. O pior é que muitos, mesmo sem estudar, aprendem demais em pouco tempo. E haja prisões, processos, sentenças. Nunca é tarde relembrar: dom Pedro 2º governou o Brasil por quase meio século e morreu pobre, em Parias, no humilde Hotel Bedford, na Madelaine, mas com o zelo de repousar a cabeça para a eternidade sobre um travesseiro que trouxera com terra brasileira. Seu último desejo: “Paz e prosperidade para o Brasil.” Nosso ‘republicano’ governo não mandou um só representante ao seu funeral, que entretanto, foi patrocinado pela França, com direito a um crucifixo enviado pelo Papa e acompanhado por cerca de 120 mil pessoas, equiparável ao do escritor Victor Hugo. Enquanto a orquestra continua tocando no ‘titanic tupiniquim’, o regente Lula reclama da elite branca de olhos azuis, mas vive cercado da mais fina flor dos atuais bilionários brasileiros – um novo “sorriso da sociedade” do início do século 20 -, o que é digno de fazer inveja aos mais abastados nobres europeus da Belle Époque. O iluminado humorista gaúcho dos primeiros setenta anos do século 20 – Aparício Torelly, autodesignado Barão de Itararé, afirmava e repetia, em transcrição livre: “Um problema do Brasil é que muitos políticos confundem a vida pública com a privada” (mau cheiro). E ainda existe a trágica (e quase surrealista) crise social. No Brasil de 2015, segundo se noticia, a cada 30 minutos uma pessoa é assassinada nas capitais. Mais de 60 mil são assassinados por ano (isso é guerra civil, ou não?). Atualmente, na Síria e em outros países em conflitos devastadores, mata-se menos que em nosso país. Hoje, no Brasil, o culpado parece ser quem morre brutalmente assassinado, e não os que matam. Isso é,

ou não surreal? Nós, brasileiros, estamos em pesadelo permanente. Mas continuamos dormindo, “dormindo profundamente”, como no poema de Manuel Bandeira, o genial lírico do Modernismo. Aos otimistas de plantão (e me incluo entre eles), seguem apenas alguns contraexemplos positivos, que abrem a janela da esperança nacional: n A arquitetura vanguardista de Oscar Niemeyer e o movimento Concretista, a partir de 1956, no comando de Décio Pignatari e dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos; n A Bossa Nova (início dos anos 60), que semeou no mundo inteiro a música brasileira; n A campanha educativa pelo controle do fumo e do cigarro, com surpreendentes resultados aos olhos do mundo; n Esqueça o futebol do presente, mas hosanas ao futebol do passado (pentacampeão do mundo, com alguns dos melhores jogadores de todos os tempos); n Temos a Amazônia – pulmão do planeta – e variados recursos naturais; n Somos um dos países que mais produzem alimentos na atualidade. Ainda em sentido otimista, é bom lembrar que o Brasil é um gigante continental, e países assim não quebram. Convém observar o que os ingleses fizeram com a China durante e após a Guerra do Ópio (séc. 19). E ainda levaram Hong-Kong ‘de sobremesa’, durante 150 anos, mas nem assim a China quebrou. Hoje, sobe ao pódio como a segunda economia mundial. Em tempo de esperança, é preciso relembrar o genial Millor Fernandes: “O Brasil só não caiu ainda no buraco, porque o país é maior do que o buraco”. E quem será o próximo presidente? No Brasil - em tempos de crise -, em geral o futuro mandatário da nação não está entre os agentes do atual tabuleiro político.

José Nilton Carvalho Pereira é 2.º vice-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação, foi Conselheiro Estadual de Educação (1991-06), diretor e membro benemérito da Academia Baiana de Educação. É diretor do Colégio Apoio de Vilas do Atlântico.

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Decoração

Cozinha tradicional vira espaço gourmet

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m ambiente que combina cozinha, sala de jantar e sala de estar é a melhor definição para o espaço gourmet, um local onde é possível ter maior privacidade para bem receber e que virou item obrigatório nos novos empreendimentos imobiliários. Nos imóveis antigos, cozinhas tradicionais são transformadas. Mas para que o espaço alcance este status é preciso dispor de projetos de arquitetura e de decoração que revelem a personalidade do proprietário e seja equipado com mobiliário e eletrodomésticos adequados para receber, reunir e compartilhar bons momentos. Para os arquitetos Nicholas Bruny e Natália Souza, a demanda pela implantação de espaço gourmet atende a uma tendência em imóveis de alto luxo, nos quais as construtoras incluem como item básico instalações elétricas e hidráulicas em varandas e/ou cozinhas para que o novo ambiente seja instalado posteriormente. “Muitos clientes cujos apartamentos não dispõem de varandas, ou quando estas são muito reduzidas, vêm transformando cozinhas tradicionais em cozinhas gourmet, modelo típico americano, com balcão tipo ilha,onde a cozinha é parte integrante dos ambientes de estar. Este é o caso dos imóveis de um quarto (tipo estúdio), dois quartos”, diz Nicholas Bruny. TENDÊNCIA Novos projetos de arquitetura já incluem o ambiente para receber amigos e familiares.

CRIE ESPAÇO GOURMET FUNCIONAL E AGRADÁVEL PROJETO Contrate um profissional para definir se é mais adequado transformar uma varanda num espaço gourmet ou ampliar a sala, criando o novo ambiente INDISPENSÁVEIS A área deve ser ocupada com fogão industrial, coifa, frigobar, geladeira ou freezer, adega climatizada e bancada que permita a confraternização de convidados a sua volta

Revestimentos dão um toque especial na decoração

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PEÇAS SUBSTITUEM LADRILHOS HIDRÁULICOS As peças da Santa são alternativa aos ladrilhos hidráulicos, feitos à mão, e, como são de porcelanato, possuem grande resistência, inclusive sendo utilizados em bares e restaurantes.

Espaço gourmet inspirado em um armazém COMPLEMENTOS Equipamentos como churrasqueira e forno de pizza também são adequados para o ambiente ADICIONAIS Forno micro-ondas, forno elétrico, balcão frigorífico e chopeira MOBILIÁRIO Os móveis devem garantir beleza e funcionalidade ao espaço BASE DE PREPAROS Altura, distância e ergonomia da bancada são fundamentais CORES É recomendável mesclar tons claros e escuros, neutros e quentes

Vista da varanda Quando o imóvel dispõe de uma pequena varanda, uma tendência apontada pelo arquiteto é a varanda aberta, protegida por um toldo ou por uma cobertura de lona. Ao longo da balaustrada é montado um balcão de concreto e, além de desfrutar das criações do anfitrião, o convidado pode desfrutar de uma bela vista. O arquiteto Artur Ataíde, acrescenta que um toque pessoal do proprietário vem na forma do mobiliário. “Entre 50% e 80% dos clientes optam por tons mais alegres, seja com ladrilhos coloridos ou com móveis diferenciados do resto da residência, criando um ambiente no qual, ao mesmo tempo, se tem a segurança da residência e a impressão de estar fazendo uma refeição fora de casa”, avalia Ataíde. Ele diz que o prazo médio para elaborar um projeto executivo fica entre 10 e 15 dias, as o prazo da execução da obra vai depender do espaço encontrado e da intervenção que será necessária para criar o espaço gourmet que atenda o cliente. Aspecto fundamental na decoração do espaço gourmet, o revestimento vem sendo aprimorado pelos fabricantes, especificamente para este fim. Nathalia Maule, arquiteta da Santa, fábrica de ladrilhos do Grupo Villagres, explica que a empresa foi fundada na década de 1930 e atualmente trabalha com tecnologia de impressão full HD, que se reflete na qualidade do acabamento e no design das peças. “São dez linhas para atender aos mais diversos projetos de revestimento, e o projeto 2015 traz padrões geométricos”, informa, ressaltando que a pesquisa na fábrica é baseada em antigos azulejos europeus. Marjorie Moura / Ag. A Tarde.

O balcão facilita a interação com os convidados Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 41

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Comportamento

Tatuado e arrependido Embora tenham melhorado, as técnicas de remoção de tatuagens ainda estão longe da perfeição, além de doerem e serem caras; retirar nome de ex-namorado é um clássico dos consultórios

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inguém faz uma tatuagem já pensando em se submeter a um monte de sessões doloridas de laser e gastar um bom dinheiro para retirá-la. Mas arrepender-se é comum: até 50% dos tatuados gostariam de voltar atrás, segundo estudo da revista médica inglesa “Lancet”. Felizmente, a remoção melhorou muito nas últimas décadas. Lasers ultrarrápidos apagam melhor e com menos sessões as tatuagens, especialmente as coloridas, que dão mais trabalho. O processo, porém, está longe de ser fácil. Costuma doer, custa caro – pode chegar até R$ 3 mil –, há risco de cicatrizes e não é possível afirmar que a retirada será completa, diz Valeria Campos, assessora do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “As tatuagens amadoras, como aquelas feitas em presídios ou mesmo na praia, saem mais facilmente porque são superficiais. Já as profissionais nem sempre podem ser removidas totalmente. Mesmo com lasers mais modernos não podemos garantir 100%”, afirma. Para evitar uma remoção – ou sofrer o menos possível com ela

Quando você mexe na tatuagem, pode expor mais o organismo à tinta e acabar gerando uma alergia. Valeria Campos, dermatologista 42 | Vilas Magazine | Dezembro de 2015

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[Depois dos 40 anos,] a caveira fica meio murcha, a orquídea já não tem a mesma cor...Gabriel Gontijo, dermatologista

–, as dicas dos dermatologistas são: 1) Por mais óbvio que possa parecer, pense bem antes de tomar a decisão; 2) É preferível fazer tatuagens pretas, mais fáceis de serem apagadas com o laser; 3) Pense ainda mais sobre tatuar o nome de namorados ou namoradas, e prefira fazer esse tipo de tatuagem com tinta preta, pelo motivo acima. Como se casos notórios de celebridades que tatuam e depois removem os nomes dos amados não servissem de exemplo, apagar esse tipo de lembrança é o pedido campeão nos consultórios, segundo Campos. “Mas, cada vez mais, os nomes mais tatuados têm sido os dos filhos.” Gabriel Gontijo, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que a maioria dos pedidos de remoção de tatuagem acontece depois dos 40 anos, quando as pessoas deixam de se identificar com o desenho. “A caveira fica meio murcha, a orquídea já não tem a mesma cor...” alergia Mas, se fazer uma tatuagem envolve riscos (como infecções, contaminações por meio da tinta e alergias), a remoção não está isenta deles. Segundo estudo da revista médica “Lancet”, sabe-se pouco sobre o “destino” fisiológico ou toxicológico dos pigmentos da tatuagem depois do uso do laser. “Quando você mexe na tatuagem, pode expor mais o organismo à tinta e acabar gerando uma alergia”, diz Valéria Campos. Nesse caso, o recomendável é continuar a retirada até o fim e usar medicamentos contra a reação. O interessado em remover uma tatuagem também precisa estar ciente que o desenho pode ficar escuro antes de ser retirado, nas primeiras sessões. E que pode doer bastante, a ponto de precisar até de anestesia injetável. Mariana Versolato / Folhapress.

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Comportamento

A INOCÊNCIA DO GLÚTEN Pessoas saudáveis não vão emagrecer ao deixar de comer a substância, mas intolerância ainda não é totalmente compreendida

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e há alguns anos só não comia glúten quem não podia – os celíacos –, agora há quem corte a proteína em busca de uma alimentação mais saudável. Mas estudos e especialistas apontam que deixar de comê-la não tem efeitos sobre a saúde. As atrizes Bruna Marquezine e Juliana Paes recorrem a uma dieta sem glúten para emagrecer. Até o atual melhor tenista do mundo, o sérvio Novak Djokovic, defende em seu recém-lançado livro “Sirva Para Vencer: A Dieta Sem Glúten Para a Excelência Física e Mental” (editora Évora) uma dieta livre da proteína. O que ocorre é que o glúten está presente em derivados do trigo, do centeio, da cevada, do malte e da aveia. Ou seja, pão, macarrão, cerveja e vários alimentos industrializados como bolachas e torradas.

Quem deixa de comer esses alimentos, apontam os médicos, muitas vezes acaba perdendo peso – não por causa do glúten em si, mas porque pão, cerveja e bolacha não são exatamente as comidas mais saudáveis. “Você acaba fazendo uma reeducação alimentar, porque presta mais atenção no que está comendo e corta muitos alimentos industrializados da dieta”, diz Jane Oba, médica gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. intolerância Os entusiastas do glúten rebatem, porém, que não se trata apenas de peso. Muita gente alega sentir algum tipo de desconforto após ingerir algum produto que leva glúten na fabricação: inchaço

e desconforto abdominal, gases, estufamento. O empresário Fernando Nakamura, 29, é uma dessas pessoas. Ele, que não é celíaco, sofreu com cólicas e gases desde criança. Decidiu então tentar uma dieta sem glúten e não tem mais os sintomas. “O primeiro mês que fiquei sem o glúten já foi uma maravilha. Às vezes uma cervejinha ou outra escapa, mas tento seguir a dieta.” A publicitária Bete Cidreira, 53, também diz que passou a sentir menos inchada e mais disposta quando cortou o glúten da alimentação. Essas pessoas não são celíacas – uma doença autoimune desencadeada por um dos componentes do glúten que leva a um grave processo inflamatório –, mas podem ter algum tipo de intolerância. O problema é que não se sabe exatamente como se daria tal intolerância no organismo. “Não há um consenso sobre o assunto. Mas onde há fumaça há fogo, e alguns

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pesquisadores estão tentando entender qual é a origem de tantos sintomas”, diz Fanny Dantas de Lima, médica alergista e imunologista clínica do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. Pesquisas recentes apontam que talvez os responsáveis pelo desconforto sejam os “Fodmaps” – sigla em inglês para oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e poliois fermentáveis –, carboidratos que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas. “Esses nutrientes não são quebrados como deveriam durante a digestão, então são fermentados pelas bactérias intestinais, o que acaba resultando na sensação de estufamento, inchaço e gases”, afirma Jane. Não há relação entre os “Fodmaps” e o glúten, mas eles estão presentes em alguns alimentos em comum. Há “Fodmaps” em comidas sem glúten como a maçã e o abacate, mas também em pães, bolos, biscoitos ou cereais contendo trigo. Já banana, uva, tangerina, leite de soja e tapioca são exemplos de alimentos pobres em “Fodmaps” – mas, novamente, não há certeza entre os médicos sobre os impactos das substâncias no organismo. Para Sophie Deram, nutricionista da USP, a recomendação mais geral que se pode fazer não é cortar produtos da dieta, mas sim apostar em uma alimentação mais variada. “Dietas restritivas demais são insustentáveis a longo prazo e aumentam a ansiedade”, afirma. Até porque uma dieta completamente livre de glúten não é barata: um pacote de 90 gramas de bolachas sem a substância custa cerca de R$ 8, e uma garrafa de 600 ml de cerveja sem glúten custa, em média, R$ 18. Gabriel Malta / Folhapress. Moacyr lopes júnior / Folhapress

Marcelo Fonseca / Brazil Photo Press / Folhapress

Fernando Nakamura, com produtos sem glúten A atriz Bruna Marquezine recorre a uma dieta sem glúten para emagrecer

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Viver Bem

Doença familiar faz colesterol ser alto até em magros e crianças

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colesterol alto está associado ao estilo de vida desregrado, com maus hábitos alimentares, falta de atividade física e obesidade, por exemplo. Mas nem sempre essas são as causas. Uma doença genética, que passa de pai para filho, faz o colesterol ficar alto mesmo em pessoas magras, sem vícios, que praticam atividades físicas e que têm uma boa dieta alimentar. “O fígado dessas pessoas tem dificuldade de remover o LDL [colesterol ruim] do sangue desde o nascimento”, diz o cardiologista Raul Santos, diretor da Unidade

Clínica de Lípides do Incor (Instituto do Coração de São Paulo). Dessa forma, o acúmulo de placas de gordura nas veias que levam o sangue ao coração começa já na infância. “Portadores da doença têm tem 13 vezes mais risco de ter doença do coração do que as pessoas normais. No caso dos homens, até os 40 anos, se não tratar, um em cada quatro vai ter alguma doença cardíaca”, alerta. “É claro que o risco pode aumentar se a pessoa fumar, beber, tiver hipertensão.” Por isso, a endocrinologista e metabologista Andressa Heimbecher Soares

alerta para a necessidade de se fazer o rastreamento nos parentes diretos (pai, mãe, filhos, irmãos) ao se perceber que o colesterol total está acima de 300 mg/dl ou que o colesterol ruim (LDL) passou de 210mg/dl. “Todos os parentes devem ser avaliados com relação ao colesterol e, também, realizar algumas avaliações como nas artérias do coração e nas que levam sangue ao cérebro). O teste ergométrico pode ser um bom exame de partida”, afirma Andressa. Segundo Raul Santos, o tratamento inclui doses maiores de dois medicamentos indicados para a redução do colesterol. “A adesão à dieta alimentar de baixo colesterol e a prática de atividades físicas regulares são fundamentais no tratamento da doença.” Bárbara Souza / Folhapress.

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uma bactéria que causa a úlcera e que tem sido apontada como precursora do câncer gástrico. Trabalhos científicos também mostram que ele ajuda a manter a pressão arterial regulada e a diminuir o colesterol “ruim” (LDL). Como o aquecimento acima de 50º C destrói seus princípios ativos, o recomendável é consumi-lo cru, no tempero de saladas, por exemplo. BOA DICA / macarrão u Macarrão com ovos, que por ter ovo concentra mais colesterol que os outros tipos de massa

BOA DICA / alho u Muitas propriedades terapêuticas vêm sendo atribuídas pela cultura popular ao alho. Nem todas, no entanto, são comprovadas cientificamente. Pesquisas recentes mostram que alguns de seus componentes, como a alicina, inibem Dezembro de 2015 | Vilas Magazine | 47

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

O professor

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ediquei muitos anos de minha existência à atividade docente. Primeiramente, pelos extraordinários exemplos que se mostraram em minha vida; em segundo, pelo significado intrínseco da docência; e, por último, porque desejei passar para os meus alunos o que recebi dos meus mestres. Jamais me saiu da memória minha professora do primário, Brasília Maria de Castro, da Escola Nossa Senhora da Penha, na Ribeira de Itapagipe, que a tinha como uma deusa, dispensando-a muito amor, carinho e respeito. Porém, cascudo, puxão de orelha, palmatória e castigo faziam parte do seu ensinamento. Nunca houve qualquer desaprovação pelos alunos e pais. Sem dúvidas, a vida é a escola da verdade e da transformação, no entanto, além da educação doméstica, o professor deverá ser o instrumento indispensável, para que essa transformação aconteça, de maneira mais plausível. O professor sempre foi considerado como “vitrine” e responsável pelos que educa e orienta. A lista de adjetivos estabelecida para os professores é muito longa e complexa, porém, os “sete pilares da sabedoria” deverão estar, intrinsecamente, na sua personalidade e formação: conhecimento, disciplina, educação, ética, honestidade, humildade e integridade. Apaixonado pelo que faz, sempre criativo, com novas ideias, consciente do quanto não sabe, mas disposto a aprender, capacitado para interferir na atividade psíquica do aluno e interpretar o contraditório, quando adquirirá a confiança mútua e conseguirá modelar o aluno.Esse é o desenho do professor.

Também, o professor é um mediador, multidimensional, portador de potencialidades e energias específicas, a fim de transferir o que sabe e aprender com os alunos o que ensina. No processo ensino/aprendizagem, o professor é responsável pelo ensino, enquanto os alunos pelo aprendizado. No entanto, o acompanhamento psicológico dos alunos, diálogo verdadeiro, dedicação extrema e respeito mútuo, muito contribuirão para a solidificação desse processo. Sem dúvidas, a profissão docente, no nosso País, enfrenta muitas dificuldades, entre as quais, baixa remuneração, burocracias a cumprir, defasagem no sistema de ensino, violência moral e física na sala de aula, pequeno reconhecimento social, heterogeneidade das turmas, avaliação equivocada da sociedade e pouco apoio dos familiares. Porém, o professor não pode desanimar diante desses desafios e se entregar, cada vez mais, na preparação dos alunos para voos mais altos, disciplinados e livres. Na realidade, o verdadeiro professor é uma mistura de escultor, jardineiro, cirurgião e monge. Deve possuir um histórico de vida plausível, que lhe possibilite a conscientização e humanização dos alunos. Jamais transferir problemas e estar preparado para construir pontes entre o seu conhecimento e dos discentes. Acima de tudo resgatar sonhos e fazê-los acontecer. Para Paulo Freire, “a educação é o ato de amor e coragem, sustentada pelo diálogo, na discussão e no debate”. Completa: “a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor”. Assim, cabe ao professor a reflexão, a flexibilidade, redimensionamento e recriação do saber, para que a educação não se transforme em um depósito de infor-

mações. O bom professor traz o aluno para a intimidade do seu pensamento e conhecimento. E como isso acontece? Na busca permanente da formação da amálgama entre os valores morais e éticos dos professores e dos alunos. Jamais o professor deverá mostrar preconceito para com os seus alunos, principalmente os de origem física, psicológica, racial e social. A verdadeira escola, altar de atuação do professor, deve ser um ambiente de aprendizagem, com grande pluralidade cultural; troca de informações e interação entre os seres humanos; e a preparação para a vida evoluída. Na atualidade, os alunos são beneficiados com o avanço tecnológico, que lhes facilita o aprendizado e os torna mais independentes. Porém, os discentes não poderão desrespeitar os professores, falar mal da sua escola, desviar-se da disciplina estabelecida e desprezarem a experiência e vivência dos seus mestres, pois essas situações os desqualificam e reduzem a oportunidade de construir a amizade interpessoal, entre seus companheiros e professores. Os alunos devem saber que o futuro de nosso País está em suas mãos e, para tanto, devem se esforçar para adquirir a elevada cognição, que lhes garantirão o título de jovens esforçados e brilhantes, devidamente preparados para o sucesso pessoal e profissional. Por fim, a qualidade dos professores está estreitamente análoga ao relacionamento e cultura familiar dos alunos, que, em muitos casos, tornam-se mais um desafio para os docentes. Brindemos a esse profissional que, mesmo enfrentando todas as dificuldades, acima citadas, ainda representa a origem da formação de todos os demais profissionais. Atentemos para o Japão, por exemplo, que o professor é o único profissional reverenciado pelo Imperador.

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Vilas Magazine | Ed 203 | Dezembro de 2015 | 32 mil exemplares  

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