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“Ô abre alas, Que eu quero passar...”


EDITORIAL

Pressão É natural que os personagens da vida pública, incluindo representantes de autarquias e de associações de moradores, olhem com redobrado interesse para o que se publica, onde e como se publica – bem como para o que deixa de ser publicado. Daí decorre que algumas vozes venham alegar supostas conspirações na abordagem ou falta de abordagem dos assuntos que os afetam. Tudo no melhor estilo da “pós-verdade”, um neologismo que define a surreal ideia de que os fatos em si interessam menos do que o efeito que eles causam. Por mais exatos que sejam os fatos, a alguém pode sempre interessar que eles sejam publicados com outras cores, em outra página, com mais ou menos espaço, com esta ou aquela paginação, com maior ou menor tendência opinativa, defendendo ou deixando de defender, atacando ou deixando de atacar seja lá o que for. Há também quem aponte a mera manipulação do veículo de comunicação, quase sempre em construções verbais que incluem o “fulano botou na revista”, como se “a revista” fosse um repositório em que fulano, beltrano e cicrano podem “botar” o que lhes interessa. Mas é na tentativa de obter – ou “botar na revista” – qualquer coisa que atenda a “pós-verdade” de cada um que por vezes a pressão ganha ares de intimidação. A isso um veículo de comunicação responde aferrando-se ainda mais aos fatos. O recado está dado. A carapuça disponível.

Guadalupe O muro que delimita os loteamentos de Vilas do Atlântico e do Miragem, na altura da rua Praia de Guadalupe, pode vir abaixo ainda este mês se não houver decisão judicial ou do Ministério Público em contrário, depois de muitos anos de controvérsia sobre a questão. Quem defende a derrubada aponta vantagens para o trânsito entre o Miragem e Vilas do Atlântico, hoje travado nas imediações das escolas e de um posto de gasolina, além do acesso mais rápido desde Buraquinho a um centro comercial e de serviços. Quem quer que o muro permaneça de pé aponta as desvantagens de se criar um corredor de tráfego intenso numa alameda residencial estreita, originalmente projetada para ser uma via sem saída. O quer que venha a ser decidido, fica mais uma vez bem explicado que o licenciamento de empreendimentos geradores de tráfego tem consequências para a Carlos Accioli Ramos Diretor-editor viabilidade – já nem apenas para a qualidade – da vida na cidade.

Redundância Qualquer aviso de suspensão no fornecimento de água em partes de Lauro de Freitas no período diurno, como aconteceu no fim de janeiro, para serviços de manutenção, resulta redundante. Ocorre que Lauro de Freitas, orla de Vilas do Atlântico incluída, já passa o ano inteiro sem abastecimento de água durante todo o período do dia. O fornecimento só acontece, de fato, durante a noite. Nos meses de verão o volume do fornecimento ainda é reduzido, justamente quando o consumo aumenta na região da orla. Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 3


cena da cidade

Mande sua foto registrando algum flagrante inusitado da cidade, com breve descrição, para redacao@vilasmagazine.com.br

areia limpa Em plena manhã de domingo, trator da prefeitura de Salvador recolhe lixo na faixa da praia de Ipitanga que agora pertence à capital

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­ tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


REGISTROS & NOTAS

Grupo Criando Asas prepara peça com jovens especiais

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ovens e adultos especiais integrados pelo grupo Criando Asas apresentaram em janeiro um ensaio geral aberto ao público da peça “Sonhos de uma noite de verão”, produzida e representada por eles mesmos. Sob a coordenação de Roquelina Magnólia (dir.), com o apoio de Bárbara Menezes e a colaboração de diversos voluntários, a peça ainda passará por outros ensaios antes de estrear, em 21 de março, no Dia Internacional da Síndrome de Down. Taxista em Lauro de Freitas há 20 anos, Roquelina envolveu-se com a causa dos jovens com necessidades especiais depois que passou a educar uma “sobrinha filha”, como ela a chama, desde os onze anos. O grupo Criando Asas começou em 2012 na Marisa Pitanga, escola pública municipal que atende crianças especiais e depois criou mesmo asas próprias. “Meu mundo quase invisível”, em 2015, foi a primeira peça do grupo. Cacai Bauer – retratada na edição de dezembro de 2016 da Vilas Magazine – foi a atriz principal daquela montagem. Houve uma apresentação da peça até no Espaço Xisto, em Salvador, na semana dedicada às pessoas com deficiência. O objetivo da atividade teatral, explica Roquelina, é promover a autonomia, estimulando a criatividade e elevando a autoestima dos jovens. O grupo, que ensaia todas as quartas-feiras no Cine Teatro de Lauro de Freitas – em recesso até depois do carnaval – busca apoio oficial pelo menos para o transporte dos jovens. “Há mães que vêm de Vida Nova empurrando a cadeira de rodas” para que o filho possa participar das atividades, conta Roquelina. Por eles, “haveria ensaio todos os dias”, tão relevante é o grupo no cotidiano de cada um.

VISITA Reinaldo Fernandes Neves Rocha assumiu a gerência geral da agência do Bradesco de Vilas do Atlântico. Funcionário da instituição a 28 anos, o profissional visitou a sede da revista Vilas Magazine, sendo recebido pelo Diretor-Editor Accioli Ramos

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REGISTROS & NOTAS

Prestígio consolidado O cantor e compositor Tuca Fernandes (“das antigas” de Vilas do Atlântico - seus pais foram pioneiros no loteamento) consolida seu prestígio junto aos foliões baianos e mineiros, com apresentações todos os dias de Carnaval: dia 22, (quarta), no Camarote Harém; dia 23 (quinta), no Camarote do Nana; dia 24 (sexta), no Camarote Skol; dia 25 (sábado), Carnaval de Belo Horizonte (MG); dia 26 (domingo), o cantor comanda o seu Bloco Balada, no circuito Barra/Ondina (compra de abadás na Central do Carnaval); dia 27 (segunda), Carnaval de Lambari (MG) e dia 28 (terça), no Camarote Salvador. Famoso por inúmeros sucessos que marcam a história do Carnaval de Salvador, Tuca Fernandes faz muito sucesso dentro e fora da folia, dentro e fora dos limites da Bahia. Resultado de um trabalho qualificado e meticulosamente profissional, voltado para seus fãs. “Essa é a minha galera”, celebra, feliz.

Escola Acalento celebra 15 anos A Escola Acalento celebra em 2017, 15 anos de funcionamento em Lauro de Freitas. Primeira escola a trabalhar com a Pedagogia Waldorf na região, materializando um grande sonho da pedagoga Miriam Teles (abaixo, em sala de aula com alunos) – algo que não se imaginava para a região a poucos anos – que ressalta a grande contribuição das crianças, dos pais, dos docentes, colaboradores e da comunidade local. Algumas ações serão desenvolvidas para marcar o histórico: no dia 14, a escola fará uma celebração interna em uma dia de atividades comemorativas, iniciando-se com uma entrega de rosas aos pais. Dia 18, a escola promove um evento aberto, com palestras, música e apresentações variadas. A Escola Acalento revisita neste ano seus 15 anos de história, que se iniciou apenas com um berçário e pequenas salas de educação infantil, e cresceu para hoje se estabelecer uma instituição local com projeto arquitetônico icônico e arrojado que compreende berçário, salas até o 7º ano e amplo espaço para as crianças, jovens e pais. 6 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

Novo projeto coletivo defende meio ambiente na Praia de Ipitanga O grupo Amigos e Moradores de Ipitanga (AMI) realizou em janeiro a primeira atividade do Projeto Onda do Bem, distribuindo sacos de lixo a banhistas e a comerciantes da praia. O grupo promete dar continuidade às atividades e levar à prefeitura de Lauro de Freitas as observações que fez. O grupo constatou que a praia de Ipitanga “está repleta de resíduos de construção e com o passeio todo quebrado”. De acordo com eles, “há vegetação alta encobrindo roedores e demais vetores de doenças”. A AMI defende que se adote regras para os comerciantes – “são eles que devem responder pelos seus produtos que são jogados no chão”, diz o grupo – e quer fiscalização urgente para o que identificaram como lançamento de esgoto na praia. De acordo com Juno Sardeiro, membro do grupo, a ideia da Onda do Bem é enfrentar os “desafios ambientais do bairro”, unindo forças para cuidar da praia de Ipitanga, “que há longas datas foi esquecida pela administração pública”. Sardeiro explica que o AMI é um grupo voluntário, apartidário, “que surgiu do anseio dos moradores em lutar por um bairro melhor, acompanhando e cobrando das autoridades o que lhes é devido, exercendo portanto a cidadania”.


cidade

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Estação Aeroporto do metrô fica pronta em dezembro

nova data para entrega da estação aeroporto do Metrô é dezembro próximo, colocando os limites de Lauro de Freitas nos trilhos a partir de 2018. A obra da Linha 2, com mais de sete mil operários trabalhando, está dentro do cronograma. Quando ficar pronta, a nova linha vai permitir que o trajeto entre o aeroporto e o acesso norte de Salvador seja percorrido em 27 minutos, passando pelas 12 estações que compõem o trecho. Seis estações terão integração com terminais

de ônibus: Acesso Norte, Rodoviária, Pituaçu, Mussurunga, Aeroporto – e Lauro de Freitas, prevista dentro do projeto de expansão. A estação Lauro de Freitas, prevista para o Km 3,5 da Estrada do Coco, continua à espera do cumprimento de pressupostos contratuais, como o atingimento de determinado pico de passageiros na linha, sem previsão para ser construída. Com 87% das obras das estações concluídas, a primeira composição chegou à estação Pituaçu no mês passado. Ainda

foi só um teste, que partiu da estação Rodoviária e percorreu 6,2 Km, com paradas nas plataformas das estações Pernambués, Imbuí e CAB. O início da operação comercial do trecho está previsto para o fim do primeiro semestre. A viagem marcou o início dos testes operacionais da Linha 2 do metrô, na Paralela, que vai transformar Salvador na cidade com a terceira maior malha metroviária do país. Nessa viagem de teste, sem passageiros, foram avaliadas a movimentação do trem nos trilhos, possíveis ruídos e o desempenho da rede de energia, entre outros aspectos técnicos. Os testes seguirão até o fim do primeiro semestre. A estação Pernambués e as primeiras u Camila Souza

Metrô vai ligar o aeroporto ao acesso norte, em Salvador, em 27 minutos

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cidade

da Avenida Paralela - Imbuí, CAB e Pituaçu – já estão em fase final de retoques. Na estação de Pituaçu, a maior da Linha 2, também está sendo construído um Terminal de Integração com ônibus urbanos. No trecho seguinte, até Mussurunga, os trilhos já estão sendo instalados e, nas estações, estão sendo efetivadas as instalações hidráulicas e elétricas, fechamento lateral e montagem dos equipamentos das salas técnicas. As intervenções na região entre a Rodoviária e Pernambués incluem a construção de uma via expressa exclusiva para ônibus, abrindo uma ligação direta com o viaduto Raul Seixas e contribuindo para desafogar o trânsito no local. As intervenções no canteiro da Avenida Paralela incluem a construção de dez novas passarelas ao longo da via e três novos viadutos sobre a avenida, além da reforma e adequação de passarelas já existentes. Quem passa pela Paralela consegue ver as chamadas “estações típicas”, aquelas com estrutura similar que se repetem ao longo da Avenida Paralela, praticamente prontas, como Pernambués, Imbuí, CAB e Pituaçu, recebendo os retoques finais. Nessas estações típicas, iluminação e ventilação naturais são garantidas por aberturas nas cúpulas. A cor predomina no interior, potencializada pela luz natural diurna e iluminação artificial à noite. As graduações de amarelos e laranjas remetem às cores da paisagem natural e cultural de Salvador, fazendo parte de um projeto mais amplo que abrange o espectro de cores de todo o sistema. No exterior, a aplicação da cor cinza claro leva em conta a necessidade de reflexão da forte incidência solar nas superfícies metálicas. 8 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

Verão em Vilas do Atlântico também tem turismo ocasional

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turismo da Bahia vai bem neste verão, apesar de tudo. Praia do Forte, Trancoso, Morro de São Paulo, Barra Grande e Lençóis estão na preferência dos turistas quando o assunto é Bahia. De acordo com dados do setor

de Estatística da Secretaria do Turismo, mais de cinco milhões de turistas virão ao estado no verão 2017. Entre as 13 zonas turísticas, vários municípios estão com a ocupação hoteleira entre 95% e 100%, como Porto Seguro, Mata de São João,


Victor Leme, da barraca Araruama: “tu­ristas de Brasília, Goiânia e região Centro-Oeste gostam de veranear em Vilas do Atlântico”

Cairu, Maraú e Lençóis. Tanta procura pelas belezas baianas acaba beneficiando também Lauro de Freitas, que não está entre os destinos promovidos pelas agências governamentais, mas vai se consolidando como alternativa para famílias que fogem do turismo de massa e dos resorts “plastificados”. A definição é de Maria Agustin, advogada de Brasília que escolheu Vilas do Atlântico para passar uma semana de férias neste verão. Ela e sua família vieram com mais cinco pessoas, de outra família. Alugaram uma casa próxima à praia e investem tudo o que podem em diversão. O perfil residencial de Vilas do Atlântico pode ser uma vantagem para quem não aprecia o “movimento de manada” que acontece todos os anos em direção a Porto Seguro ou à Praia do Forte, mas também quer vir à Bahia. Pela mesma razão, também há quem prefira frequentar a praia entre segunda e sexta-feira e nunca nos feriados. Enquanto loteamento residencial, Vilas do Atlântico não tem estrutura para

receber turismo de massa, mas o aluguel de residências por temporada acaba por atender os visitantes. A praia, atrativo natural, transforma-se no centro das atenções e os bares e restaurantes do bairro funcionam como ponto de apoio para os eventuais turistas. Victor Leme, dono da barraca Araruama, confirma a disposição dos turistas de aproveitar a praia e a infraestrutura da barraca. “Passam o dia todo na praia, aproveitam tudo”, diz. Para ele, tem havido maior afluência de turistas de Goiânia e Brasília, além do Oeste baiano. De acordo com Victor, o movimento não aumentou em relação a anos anteriores, mas também não caiu – o que já é uma boa notícia. A preocupação de comerciantes e turistas, mas principalmente dos moradores, neste verão, está relacionada à ausência de fiscalização. De Ipitanga a Buraquinho, as praias têm sido ocupadas por vendedores ambulantes que na verdade se fixam no gramado, como um ponto comercial, oferecendo mesas e

cadeiras e até cozinhando alimentos em churrasqueiras. É fora dos fins de semana que os veranistas podem aproveitar as praias, sempre lotadas aos sábados e domingos.

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cidade

Fotos Danilo Magalhães

Dia de Santo Amaro de Ipitanga mantem tradição popular de cortejo cultural na cidade

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s 408 anos de Santo Amaro de Ipitanga foram comemorados no fim de semana de 14 e 15 de janeiro com o tradicional cortejo de grupos culturais e a missa solene na Igreja Matriz em homenagem ao santo padroeiro que deu nome à cidade. Grupos de dança e percussão, além dos tradicionais capoeiristas e baianas cumpriram o percurso do final de linha dos ônibus até a praça da Matriz sob sol intenso. Do domingo, houve a costumeira carreata até a comunidade de São 10 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

Pedro levando a imagem. A devoção ao santo remonta ao surgimento de Santo Amaro de Ipitanga, fundada pelos Jesuítas em 1578 e que mudaria de nome em 1962, quando da emancipação do município, para Lauro de Freitas.


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cidade

Transporte escolar exige cuidados na contratação do serviço

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início do ano escolar traz sempre a preocupação com o serviço de transporte de crianças para as escolas, cada vez mais necessário para famílias que não dispõem de tempo para levar e trazer os estudantes elas mesmas. E que mãe, pai, não ficam preocupados ao entregar uma criança aos cuidados de um estranho, ainda por cima para transitar pela cidade? Com o intuito de assegurar a qualidade do serviço em todo o país, vem sendo discutida a padronização dos veículos utilizados, mas muitos dos prestadores do serviço não gostam da ideia. Em Lauro de Freitas a categoria também é contra a padronização. Motoristas de transporte escolar argumentaram, no ano passado, durante uma manifestação, que a nova norma criaria obstáculos para a classe, já que haveria custos para a aquisição do veículo padronizado.

A exigência do uso de cadeirinhas de segurança para crianças no transporte escolar, outra medida de qualidade – e segurança – foi suspensa no final do ano passado. Em carros de passeio, o uso de cadeirinhas de segurança para crianças é obrigatório desde 2010. A norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de julho de 2015, que tem o objetivo de garantir segurança, previa que no início de 2016 as cadeirinhas seriam obrigatórias para o transporte escolar de crianças com até sete anos e meio. Manifestações em contrário acabaram levando a um primeiro adiamento, para 1º de janeiro deste ano. As dificuldades econômicas e técnicas para a adaptação dos atuais veículos escolares foram as razões apresentadas para a suspensão da exigência. Além disso, haveria pouca disponibilidade de cadeirinhas com cinto de segurança subabdominal. Van do transporte escolar: padronização ainda é um objetivo distante

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O Contran avaliou ainda que será necessário realizar maiores estudos para verificar se é possível adaptar as cadeirinhas aos veículos atualmente em circulação. A padronização dos veículos viria resolver também esse problema. Enquanto as autoridades não chegam a uma conclusão sobre o que interessa à segurança dos passageiros de transporte escolar, seguir os conselhos de especialistas pode ser muito útil. Os órgãos de defesa do consumidor costumam ir bem além do regramento legal para garantir aos pais ou responsáveis uma escolha segura baseada na experiência dessas entidades. O professor Ricardo Maurício Freire Soares, que já chefiou a Superintendência de Proteção ao Consumidor (Procon) da secretaria de Justiça da Bahia, começa por recomendar que os pais verifiquem se o motorista tem habilitação categoria D, curso de transportador escolar pelo Detran e licença para trabalhar. Para estar qualificado, o motorista precisa ter mais de 21 anos, não ter cometido nenhuma infração gravíssima no trânsito nem ser reincidente em infrações médias nos últimos doze meses. Soares recomenda também que os pais solicitem o número da licença do motorista para conferir a autorização no departamento de transporte público da cidade. Muito além de negociar preços e combinar horários, os responsáveis pela criança devem ficar atentos à segurança do veículo, à sua regularidade – e também à idoneidade do motorista na hora da contratação. De acordo com a legislação, o veículo do transporte escolar precisa ter características específicas, tais como as placas vermelhas e estar registrado como veículo de passageiros. O veículo precisa passar por inspeção periódica para a averiguação dos itens obrigatórios e de segurança, circular com extintor de incêndio com capacidade mínima de quatro quilos e ostentar uma faixa amarela com a inscrição “escolar”


em toda a extensão das partes laterais e na traseira. O número de inscrição na prefeitura deve estar pintado nas laterais. Tacógrafo – que registra a velocidade – lanternas de luz branca, fosca ou amarela, dispostas nas extremidades da parte superior dianteira, e lanternas de luz vermelha na extremidade superior da parte traseira são equipamento obrigatório. Os cintos de segurança devem ser em número igual ao da lotação do veículo. Caso contrário, alguém acabará circulando sem cinto. Os vidros devem possuir limitadores de abertura, que deve ser de, no máximo, 10 centímetros e dispositivos próprios para a quebra ou remoção de vidros em caso de acidente. Mesmo que todos os itens estejam em ordem, ainda é válido pedir referências a outros pais e à direção da escola. Outra boa dica é conferir as condições de higiene e conforto do veículo. De acordo com os órgãos de defesa do consumidor, se a própria escola prestar o serviço ou o tiver indicado, torna-se responsável pela qualidade, mediante o princípio da responsabilidade solidária. O consumidor poderá, à sua escolha, reclamar seus direitos diretamente da escola e ou do serviço de transporte escolar. Se o serviço for prestado em desacordo com as regras vigentes, o consumidor tem direito à devolução do valor pago, monetariamente atualizada, ou ao abatimento proporcional do preço. Antes de fechar o contrato também é bom ver as condições da prestação do serviço e se inclui o período de recuperação ou curso de férias, para não ter surpresas depois. O prestador de serviços de transporte coletivo escolar deve respeitar as regras do Código Nacional de Trânsito (CNT), além da legislação do município. Pelo CNT, os veículos de transporte escolar autorizados pelo Detran precisam, por exemplo, ter registro como veículo de passageiros. Ideal e acessível O veículo ideal para o transporte de estudantes já existe e é fabricado

“Pais devem ve­ri­­ficar se o motorista é habilitado na ca­tegoria D, se tem curso de transportador escolar pelo Detran e licença para trabalhar”. Ricardo Maurício Soares: Doutor e Mestre em Direito pela Universidade Federal da Bahia

no Brasil desde 2008 seguindo padrões definidos pelo governo federal para o programa “Caminho da Escola”, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia. A prefeitura de Lauro de Freitas adquiriu no ano passado dois micro-ônibus nesse padrão, ao custo de R$ 150 mil cada um. Trata-se do “Ônibus Urbano Escolar Acessível”, uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação. A proposta do governo era criar um veículo com possibilidade de adaptação ou de adequação do mobiliário e das instalações dependendo da quantidade de estudantes com deficiência ou restrição

de mobilidade a serem beneficiados com o veículo em cada município. Como os modelos existentes não atendiam à necessidade, investiu-se no desenvolvimento de um novo conceito de ônibus de pequeno porte, com comprimento total de sete metros, capacidade de carga de no mínimo duas toneladas e construído com características específicas para uso em vias pavimentadas – além de ser dotado de elementos que o tornam acessível aos estudantes com deficiência ou restrição de mobilidade, podendo transportar até 26 estudantes sentados. O veículo também possui os equipamentos necessários para apoio aos passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida, como plataforma elevatória veicular, áreas reservadas para a acomodação da cadeira de rodas com o seu ocupante ou cão guia, poltronas preferenciais, com cinto de segurança subabdominal, sistema de comunicação para informação aos estudantes com deficiência visual ou auditiva e comunicação visual interna e externa, com simbologia específicas e sinalização tátil de todas as informações e orientações disponíveis. O modelo atende diversas demandas, bastando substituir o mobiliário. Para isso, foi desenvolvido com quatro configurações de mobiliário flexível, podendo possuir de uma a quatro áreas reservadas para a acomodação da cadeira de rodas com o seu ocupante ou cão guia.

Veículos projetados especificamente para transportar estudantes são mais seguros e têm recursos de acessibilidade

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cidade

Prefeitura arrecada R$ 1,2 milhões de multas de trânsito em 37 dias

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ais de oito mil multas de trânsito foram aplicadas pela prefeitura de Lauro de Freitas no espaço de pouco mais de um mês, no final do ano passado – uma média diária de 233 autuações. A relação foi publicada pelo município no mês passado, dando a notificação por entregue e determinando prazo até 22 de fevereiro para apresentação de defesa. Se todas as multas forem confirmadas, o município poderá ter arrecadado mais de R$ 1,2 milhão em apenas 37 dias de fiscalização de trânsito – ou mais de R$ 30 mil por dia, em média. Ao final de um ano, mantido o mesmo ritmo, a arrecadação com multas pode representar mais de R$ 14 milhões de receita para a prefeitura – quase 10% do total da arrecadação tributária prevista para 2017. A maior parte dessa verba vem de infrações cometidas na Estrada do Coco – também chamada avenida Santos Dumont. Os radares de velocidade distribuídos pelos 7,5 Km da via é que produziram, entre novembro e dezembro de 2016, a imensa maioria da receita: cerca de R$ 1,1 milhão em autuações. Grande parte delas deverá ser paga por motoristas que voltavam do Litoral Norte depois de um fim de semana de verão e não aliviaram o acelerador depois de cruzar o Joanes. O primeiro radar está a cerca de 200 metros da cabeceira da ponte. A partir dali e até o aeroporto, a velocidade máxima permitida é de 60 Km/h. Outros radares espreitam os incautos ao longo do trecho. Só no fim de semana de três e quatro de dezembro foram aplicadas 1628 multas na cidade. Outras 1220 foram colhidas no último fim de semana de novembro. No dia 10 de dezembro, um sábado, 704 14 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

Radar na Estrada do Coco: motoristas que voltam do Litoral Norte são fregueses regulares


infrações foram registradas. A Estrada do Coco como fonte de receita é uma ideia que tem quase três anos, quando o governo cedeu o trecho urbano de 7,5 Km à prefeitura. O município aceitou o encargo de manter o trecho de rodovia com recursos próprios até 2019, ficando responsável também pela fiscalização de trânsito. A expectativa do então secretário de Trânsito Moyses Mustar era que as multas de trânsito colhidas na Estrada do Coco pagassem pela manutenção. A vantagem era poder integrar a via à malha de trânsito da cidade, promovendo as alterações necessárias sem depender do governo. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) estimava, há cinco anos, que a substituição de pavimento, melhoria de acostamentos e revigoramento de asfalto podem custar cerca de R$ 1 milhão por quilômetro de uma rodovia, todos os anos. Diante da arrecadação agora prevista, o município pode ter feito um bom negócio. Mas nem só de excesso de velocidade na Estrada do Coco vive a arrecadação pelas infrações de trânsito em Lauro de Freitas. A fiscalização autuou motoristas também por outras 47 infrações diferentes, somando mais de R$ 90 mil em multas no mesmo curto período. Uma das infrações mais populares no município é também uma das mais rentáveis para a prefeitura, pagando R$ 880 por deslize, ainda na Estrada do Coco: transitar com o veículo por cima de marcas de canalização. No final do ano passado, 31 autuações foram registradas em nome de motoristas que pensam que a sinalização horizontal é meramente decorativa. Mais de R$ 27 mil poderão entrar nos cofres da cidade por conta desse equívoco. Estacionar em cima da calçada, outro hábito local, pode ter rendido mais de R$ 14 mil ao município. Naquele mesmo espaço de tempo, 76 multas foram aplicadas, um pouco por toda a cidade. Estacionar em outros locais igualmente proibidos parece ser costume de quem

transita por Lauro de Freitas, com 47 infrações registradas – ou pouco mais de uma por dia, em média. Motoristas flagrados segurando, manuseando ou utilizando um telefone celular enquanto dirigiam deverão responder por outros R$ 20 mil em multas.

Foram 102 autuações entre novembro e dezembro, quase três por dia. Há ainda raridades. No dia 30 de novembro de 2016 às 7h16, por exemplo, alguém foi multado por “dirigir o veículo com o braço do lado de fora”. A distração rende multa de R$ 130,16.

Prejuízo causado por buracos é responsabilidade do Poder Público

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quele buraco no asfalto que você não viu, mas sentiu pesadamente na suspensão do carro, traz o nome do prefeito ou prefeita à ponta da língua quase automaticamente. E não é por acaso. De fato, é responsabilidade do Poder Público manter as vias de circulação em boas condições de tráfego, sem buracos. Aquele buraco tem dono – ou dona. Nas vias urbanas ou rurais do município, é a prefeitura quem responde pelo mau estado de conservação. A União e o Estado precisam se preocupar com a buraqueira das estradas federais e estaduais. Nas rodovias que estão sob contrato de concessão à iniciativa privada, quem paga o prejuízo que um buraco causar é a concessionária. Não por acaso, essas estradas estão sempre muito bem cuidadas. Acionar na Justiça o Poder Público que lhe cobra impostos, para cobrar dele o prejuízo causado, é tão simples como processar a concessionária que lhe cobra o pedágio. O fundamento legal é claro: se houver um dano decorrente da falta de conservação de vias de circulação, é dever do Poder Público indenizar a vítima. Está no art. 1º, § 3º, do Código de Trânsito Brasileiro e no art. 37, § 6º, da Constituição Federal. Abrir uma ação judicial dá trabalho e a espera por resultados pode parecer eterna, mas se todos os cidadãos prejudicados pela falta de conservação das vias fizessem o mesmo, logo o Poder Público descobriria que é mais barato cobrir aquele buraco no asfalto do que pagar o prejuízo de todos. Provar que o dano foi causado à suspensão talvez não seja viável, mas acidentes de gravidade variada também acontecem por conta de buracos e outros defeitos nas vias de circulação e esses podem ser documentados.

Buracos nas ruas causam prejuízos que o contribuinte pode cobrar Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 15


cidade

Prefeitura de Lauro de Freitas reabre unidades de Saúde Danilo Magalhães

Levantamento sobre infestação pelo Aedes agora é obrigatório

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prefeitura de Lauro de Freitas reabriu em Atendimento à janeiro o primeiro dos 15 postos de saúde população já foi que estavam fechados desde a gestão retomado na Unidade passada. Na Unidade de Saúde da Família do de Saúde da Família Chafariz, entre Lagoa dos Patos e Vila Praiado Chafariz na, funcionam duas equipes de Programa de Saúde da Família (PSF), cada uma com médico generalista, pediatra, enfermeiro, dentista e nutricionista. O posto também vai oferecer tratamento para tuberculose. As unidades Irmã Dulce, em Portão e Espaço Cidadão, em Itinga, também foram reabertas. Outros três postos serão reabertos este mês. A meta da atual gestão é atingir 100% de cobertura da atenção básica de saúde. A construção do Hospital Metropolitano, obra do governo do estado, deve ser iniciada este ano em área próxima à Via Metropolitana, com 330 leitos, maior e mais bem equipado que o Hospital Geral Menandro de Faria. O reforço da Policlínica Regional de Simões Filho, em fase de execução, também dará atendimento à população de Lauro de Freitas, com consultas em especialidades e procedimentos de média e alta complexidade. De acordo com a prefeitura, os pacientes de Lauro de Freitas serão atendidos com hora marcada e terão transporte assegurado pelo governo.

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Levantamento Rápido do Índice de Infestação para Aedes aegypti (LIRAa), ferramenta criada para identificar os locais com focos do mosquito nos municípios, passa a ser obrigatório para todas as cidades com mais de dois mil imóveis (caso de Lauro de Freitas). O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito Aedes aegypti. Até o mês passado, o levantamento era feito a partir da adesão voluntária dos municípios. Os municípios que não realizarem o levantamento não receberão a segunda parcela do Piso Variável de Vigilância em Saúde, recurso extra que é utilizado exclusivamente para ações de combate ao mosquito. Em 2017, o Piso Variável de Vigilância em Saúde é R$ 152 milhões e será liberado aos gestores locais em duas etapas. Para municípios com menos de dois mil imóveis, o repasse do recurso extra dependerá da realização do Levantamento de Índice Amostral (LIA). Já o repasse do Piso Fixo de Vigilância em Saúde não depende da realização do levantamento. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chikungunya, repassado mensalmente a estados e municípios. O piso fixo aumentou 83% nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões para R$ 1,70 bilhão em 2016. Para 2017, a previsão é de o orçamento do fixo chegue a R$ 1,96 bilhão. No último LIRAa, realizado no segundo semestre de ano passado, 2.284 municípios participaram do levantamento, o que representa apenas 62% das cidades com mais de dois mil imóveis. (Leia mais, na pág. 30).


carnavilas

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Carnavilas homenageia os 50 anos do Tropicalismo

sétima edição do Carnavilas, que marca a folia momesma do bairro no estilo dos mais antigos carnavais, está programada para o sábado dia 18 de fevereiro. A concentração será no Vilas Tênis Clube, às 18h. Mantendo a tradição, Almir Neto e seus parceiros organizam um cortejo com banda de sopros que vai percorrer Vilas do Atlântico. No retorno ao clube, como no ano passado, haverá espetáculo com uma banda. Este ano o Carnavilas homenageia o Tropicalismo, movimento que completa 50 anos. A Tropicália, como também é chamada, surgiu em 1967 no Festival de Música Popular Brasileira em que Caetano Veloso cantou “Alegria, Alegria” e os Mutantes, com Gil, mostraram “Domingo no Parque”. O Carnavilas, que nunca tocou temas do Axé, muito mais comuns no carnaval da Bahia, desta vez investe ainda mais nas marchas dos anos 60 e 70, construindo construindo uma tradição Almir Neto e Marcelo Melo (esq.), dois dos organizadores do Carnavilas. Acima, foliões do bairro marcam presença todos os anos no bloco A banda de sopros (abaixo) é marca registrada do cortejo e Decor, Shopping Canoas, e no mercado Pão Express, em Vilas do Atlântico; e na Edward Calçados & Acessórios, no Shopping Estrada do Coco. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 30241455, 99125-0061 e 98699-4353.

uma tradição de “carnaval para as famílias”. A Tropicália estará presente tanto no repertório da banda de sopros do cortejo como no da banda que vai animar a festa no clube. Almir Neto lembra que o Carnavilas é uma oportunidade para as novas gerações conhecerem as antigas marchinhas, o carnaval de rua e suas características, com bonecos, palhaços e animadores do evento, além de propiciar a participação de crianças e idosos no “trenzinho” que acompanha o cortejo. A expectativa dos organizadores é que este ano 700 pessoas participem do evento, mesmo número de 2016, quando a festa cresceu. No ano anterior foram 450 os foliões. Como todos os anos, o Carnavilas recolhe um quilo de alimentos não perecíveis por cada camisa vendida. Os alimentos são depois doados à Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes (Accabem), em Itinga. Os ingressos, a R$ 35 para compra antecipada mais um quilo de alimentos, podem ser adquiridos no Restaurante Donana e na M2 Home Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 17


CULTURA

Personagens populares ilustram calendário cultural do município

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anto Amaro de Ipitanga é uma fonte abundante de artistas, sobretudo da cultura popular tradicional. Foi o que ficou evidente na cerimônia de lançamento da primeira edição do Calendário Mestres da Cultura Popular de Lauro de Freitas, uma homenagem aos verdadeiros doutores do saber. A Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas (ALALF) e a escola municipal Ana Lucia Magalhães, contando com o apoio do poder público municipal e de empresas locais, reconheceram o trabalho de 12 personalidades laurofreitenses, que representam diferentes expressões

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culturais e artísticas do município. Para o idealizador e coordenador do projeto, professor Antonio Claudio, coordenador educacional da escola Ana Lúcia Magalhães, “o calendário reconhece e valoriza a atuação dos mestres da cultura popular, que tanto contribuíram e ainda colaboram para o fortalecimento da identidade cultural da nossa cidade, salvaguardando para as futuras gerações as nossas raízes, tradições, cultura e história”. Cerca de dezentos alunos da Escola Municipal Ana Lucia Magalhães realizaram um diagnóstico, entrevistando antigos moradores, resgatando os principais

mestres da cultura popular da cidade. Na última etapa foi produzido um calendário, com 12 mestres (cada mestre representando um mês), com foto e um breve resumo sobre sua história. Uma forma de reconhecimento e valorização dos mestres da cultura popular. Com tiragem de 1.000 exemplares, o calendário está sendo distribuído gratuitamente em escolas da cidade, órgãos públicos e comunidade.


marivaldo paixão

Alunos entrevistaram os personagens populares da cidade

Durante o lançamento, no auditório da Unime, na noite de 13 de janeiro, teve também exibição de vídeos de entrevistas com os personagens, realizadas pelos alunos da instituição de ensino. Domingos da Cruz, que há mais de 50 anos carrega a arte de traçar a palha, na produção de balaios comentou: “Fiquei bastante emocionando com a homenagem, ainda mais sendo entrevistado e conduzido ao palco por minha neta, aluna da escola. Não esperava tamanho reconhecimento”. A solenidade foi conduzida pelo professor Antonio Cláudio (dir.), que também integra a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas (ALALF) e os alunos Tamara Vitória e Caíque Barbosa.

A edição de 2017 do Calendário Mestres da Cultura Popular de Lauro de Freitas foi impressa na Gráfica Tiposet e homenageia os seguintes personagens: Janeiro: D. Badinha (Terno de Reis Resgate/Boi Janeiro); Fevereiro: Mestre Tranquilino (repentista e cordelista); Março: Girlene Neves (artesã de Pano da Costa); Abril: Mestre Paizinho (samba de viola de 12 cordas); Maio: Mestre Portela (artista plástico/Bumba Caranguejo); Junho: Mestre Touro (pescador/mobilizador cultural); Julho: Celindo Jesus “Lindão” (tradições populares Caretas); Agosto: Artêmio da Luz (Teatro Bambolê/Arrasta Jegue/Chapéu com Gravata); Setembro: Domingos Ferreira da Cruz, (artesão de balaios e repentista); Outubro: D. Nicota (Terno de Reis /Boi Realce); Novembro: Mestre Sergio (capoeirista/mobilizador cultural); Dezembro: D. Aideê (Terno de Reis/Dança do Fogo/Boi Estrela Dalva/Grupo Azânia).

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empresas & negócios

Economia e finanças asseguram liderança de Lauro de Freitas

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ntre os municípios baianos com mais de 100 mil habitantes, Lauro de Freitas apresentou o melhor “índice de performance socioeconômica”, de acordo com a mais recente avaliação da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), uma autarquia do governo do estado. Os dados referem-se

a 2013, numa série histórica de três anos – anterior ao atual período de recessão – mas mostram a disparidade entre a performance econômica e a social dos municípios. O bom resultado de Lauro de Freitas (0,782) é praticamente todo devido à performance econômica e financeira da

cidade, já que nos outros dois quesitos – educação e saúde – Lauro de Freitas não aparece nem entre os primeiros 30 colocados. A dimensão Economia e Finanças do índice é composta por quatro indicadores que traduzem o dinamismo do mercado de trabalho e da atividade produtiva dos municípios. Nesse aspecto, Lauro de Freitas garantiu o sexto lugar entre todos os municípios, com desempenho “muito alto”: nota 0,907 – à frente de Camaçari (0,904) e de Luiz Eduardo Magalhães (0,886). No grupo dos municípios com mais

O que te impede de realizar seus sonhos? José Roberto Marques

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ual o seu maior sonho? Conhecer a Europa, encontrar o amor da sua vida e formar uma família, montar o seu próprio negócio, ser um grande líder em uma multinacional, fazer uma faculdade em outro país, mudar de cidade ou largar tudo e todos e viver viajando com uma mochila nas costas? O que falta para realizar seus sonhos? Seja qual for o seu sonho, saiba que apenas você é capaz de fazer com que ele se torne realidade. Por isso, se ainda não foi possível fazer com que o seu maior sonho se torne realidade, reflita um pouco e pense em tudo que o está impedindo de realizar seu desejo. Agindo dessa forma, será possível eliminar tudo que está inibindo suas conquistas e vitórias, encontrando os verdadeiros motivos, será possível seguir adiante e colocar em prática tudo que é preciso para alcançar os objetivos. Como identificar as barreiras que te impedem de realizar seus sonhos? Comece prestando atenção nas pessoas que estão a sua volta. Quando você 20 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

comenta de alguma vontade, desejo ou sonho, como elas reagem? Existe compreensão por parte dessa pessoa em relação ao seu desejo? Ou existe desconforto, questionamento e imposição de dificuldades? A partir disso, observe como você reage quando o comportamento de uma dessas pessoas é negativo. Você logo desiste e encontra dificuldades que antes não tinha visto? Ou você nem liga e continua com seus planos? São com essas observações que se torna possível enxergar de onde vem as barreiras que estão impedindo você de realizar seus sonhos. Por isso, veja quais são os principais fatores que influenciam as pessoas a não realizarem seus desejos e alcançar seus objetivos: l Ignorar Sua Própria Vontade Geralmente, as pessoas que se sabotam e ignoram suas próprias vontades, são pessoas que preferem agradar outras pessoas a fazer aquilo que é a sua maior vontade. Não se mostrar e não impor seus desejos e vontades de forma saudável pode ser uma barreira que impede você de conquistar seus sonhos. Diante disso, comece a falar o que

está pensando, fale suas vontades, seus sonhos e tudo aquilo que deseja, passe a fazer coisas pequenas que você queira, ainda que outra pessoa diga que não goste ou não queira. Dê prioridade às suas vontades, mesmo que isso acabe desagradando outras pessoas. Pense que você não precisa estar presente em todos os encontros chatos de família ou de amigos que não tem muito haver com você. Faça o que você tem vontade e com o tempo verá que realizar o seu sonho está muito mais fácil que antes. l Fazer Comparações Ao se comparar com outras pessoas sempre se colocando menor, no sentido de inferioridade, consequentemente sua autoestima fica baixa, a insegurança e o medo tomam conta do seu estado emocional, e com isso, seus desejos e sonhos são “jogados para escanteio”. E o que fazer? Comece a perceber quantas vezes você se compara a outras pessoas, e como essa comparação é feita, você se inferioriza? Tente valorizar seus pontos positivos, mantenha o foco e procure não se comparar a ninguém, e se ainda assim se encontrar em meio a


Comércio e serviços, ponto forte de Lauro de Freitas, sustentam a melhor performance econômica e financeira entre os maiores municípios baianos Renato Araújo / ABr

uma comparação, pare e reconheça que isso não está certo, aos poucos as comparações vão diminuindo e com isso sua autoestima vai aumentando, seu medo vai sumindo e a vontade de realizar seus sonhos volta. l Seguir Regras Criar, estabelecer ou seguir regras nem sempre é conveniente. Muitas vezes, as melhores ideias são extintas porque as pessoas possuem medo de violar algumas regras que muitas vezes a sociedade impõe. Quando as regras são avaliadas como ‘normas sociais’, é fundamental que as pessoas parem e pensem que se deixar levar por essas regras, pode ser um caminho sem volta. Uma sugestão para quem costuma agir dessa forma é tentar mostrar seu ponto de vista antes das pessoas, é tentar liderar um grupo de pessoas ou debater

de 100 mil habitantes, Lauro de Freitas ficou em terceiro lugar de Economia e Finanças, atrás apenas de Salvador e Feira de Santana. No ranking geral dos maiores, o dinamismo do mercado de trabalho e da atividade produtiva local foi superior a Camaçari (0,778 pontos), Salvador (0,767), Eunápolis (0,743) e Juazeiro (0,741). Embora em 2010 o município de Lauro de Freitas apresentasse uma performance apenas mediana (0,680), os indicadores melhoraram muito nos anos seguintes, de acordo com o estudo da SEI, alcançando o topo em 2013. O Índice de Performance Socioeconômica dos Municípios Baianos (IPESE), com série histórica 2010-2013, é uma atualização dos antigos indicadores Índice de Performance Econômica u

sobre um assunto sem desistir na primeira opinião contrária. l Ser Perfeccionista É natural que as pessoas queiram fazer tudo da maneira correta, mas exagerar no perfeccionismo não é saudável. Pessoas perfeccionistas não gostam de arriscar e tem medo de cometer erros, consequentemente deixam seus sonhos e desejos de lado. Algumas pesquisam dizem que o perfeccionismo exagerado pode levar a pessoa ao caminho da depressão, ansiedade e paralisia. Por isso, deixar de lado a armadura e viver a vida de maneira mais leve, relevando alguns deslizes e passando por cima de bobagens do dia a dia, fazendo aquilo que você verdadeiramente gosta, pode ajudar na realização de alguns sonhos. l Exagerar no trabalho Se manter sempre ocupado e exausto é uma barreira que as pessoas criam como “justificativa”

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para boicotar seus sonhos. Muitas vezes, as pessoas que trabalham demais, ou os Workaholics, sofrem em suas vidas pessoais e entram de cara no trabalho para evitar a solidão e a tristeza. A solução para deixar de lado tudo que está te impedindo de seguir rumo aos seus sonhos sempre será: Passar a fazer aquilo que tem vontade, sem deixar que as pessoas interfiram com ações ou opiniões, se agrupe a pessoas que goste de fazer o mesmo que você esteja ao lado de pessoas que torçam verdadeiramente para o seu crescimento pessoal e profissional, trabalhe o seu pensamento positivo, aprenda a relevar coisas fúteis e se importe apenas com o que realmente faz sentido. José Roberto Marques é presidente do IBC - Instituto Brasileiro de Coaching

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(IPE) e Índice de Performance Social (IPS). O IPESE é um indicador sintético composto por três dimensões: duas sociais – Educação e Saúde e uma de natureza econômica – Economia e Finanças. O indicador foi elaborado com a finalidade de ser um instrumento de monitoramento e avaliação de políticas públicas, medindo a capacidade e a qualidade com que um município oferta certos serviços básicos à população. O indicador segue uma escala de resultados que varia entre zero a um. Para efeito de categorização, os índices resultados de cada município são ordenados conforme uma faixa de classificação: desempenho “muito baixo” – indicador abaixo de 0,299; desempenho “baixo” – indicador entre 0,300 e 0,499; desempenho “médio” – entre 0,500 e 0,699; desempenho “alto” – entre 0,700 e 0,899; e desempenho “muito alto” – indicador acima de 0,900. O município que apresentou a melhor performance entre todos os municípios baianos em 2013 foi Mata de São João, com um indicador de 0,841 pontos. O município destacou-se por apresentar um desempenho “muito alto” (0,992) na dimensão Economia e Finanças, mas também “alto” (0,857) na dimensão Educação e desempenho e “médio” (0,675) na saúde. Os melhores na dimensão Saúde, que engloba sete indicadores em dois blocos, teve como os principais destaques Maetinga (0,768 pontos), Jaborandi (0,758), Guanambi (0,742), Dom Macedo Costa (0,742) e Paramirim (0,737). Entre os maiores municípios baianos, com mais de 100 mil habitantes, apenas Juazeiro conseguiu figurar entre os 30 melhores, em nono lugar. O Índice do Nível de Educação (INE), composto por cinco indicadores em dois blocos, teve melhor desempenho em 2013 em Governador Mangabeira (0,870 pontos), Laje (0,866), Irecê (0,859), Sapeaçu (0,858) e Mata de São João (0,857). Na dimensão Educação nenhum dos municípios mais populosos conseguiu alcançar as 30 primeiras colocações do ranking. 22 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

Ricardo Eletro deixa Lauro de Freitas para investir em Camaçari

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centro de distribuição da Ricardo Eletro e Insinuante, que funcionava na Estrada do Coco, em Lauro de Freitas, está de mudança para Camaçari. Naquele espaço, com acesso pela avenida Luiz Tarquínio, em frente à Unime, deverá ser erguido um centro de convenções e diversos prédios comerciais. De acordo com a prefeitura de Camaçari, a Ricardo Eletro vai investir R$ 50 mi-

lhões e gerar entre 300 e 350 empregos diretos no município vizinho. O início das operações deve acontecer já este mês. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, Sérgio Vilalva, explica que a empresa tinha pressa em se mudar de Lauro de Freitas. “Sabendo disso, conseguimos viabilizar a instalação junto a empresários locais, em forma de parceria”, disse. Vilalva acrescentou que as portas da pasta estão “escancaradas”

Confiança do consumidor tem forte crescimento em janeiro

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expectativa de melhora da ­economia, aliada à queda da inflação e a redução das taxas de juros contribuíram para o aumento de 6,2 pontos no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em janeiro deste ano, passando a 79,3 pontos. A reversão do quadro de queda da confiança do consumidor compensou a maior parte das perdas acumuladas nos dois últimos meses do ano e que chegou a 6,7 pontos. Os dados relativos à Sondagem de Expectativas do Consumidor foram

divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e permitiu que o indicador retornasse aos patamares próximos aos de setembro do ano passado. Segundo a FGV, houve em janeiro uma acomodação das avaliações dos consumidores em relação à situação presente, aliada a uma expectativa menos negativa em relação ao futuro no que se refere a economia, finanças, emprego, compras, inflação e taxa de juros. Com isto, o Índice da Situação Atual avançou 2,9 pontos, para 68,1 pontos, enquanto o Índice de Expec-


Postos SAC Camaçari e Candeias ampliam horário de funcionamento

C Centro de logística na Via de Ligação: prefeitura de Camaçari viabilizou parceria para atender Ricardo Eletro

para quem quiser ir trabalhar em Camaçari. A Ricardo Eletro deve se instalar em um galpão pré-existente na área da Via de Ligação, onde já estão a central de distribuição da GBarbosa, a Votorantim, a Farmácia Santana e outras empresas.

omo forma de garantir o suprimento às demandas dos cidadãos, a rede SAC vem realizando uma série de ações para otimizar e ampliar os atendimentos nas unidades com maior procura. Incluídos nessas ações estão os postos de Candeias e Camaçari, que a partir desta quarta-feira (25/01) passam a contar com horários estendidos para o atendimento de demandas específicas. Em Camaçari, o usuário que necessitar dos serviços do Detran, do SineBahia, ou, ainda, de emissão de carteira de identidade, contará com a ampliação de 1h30 no funcionamento, podendo ser atendido das 7h às 17h, Já em Candeias, aqueles que precisarem dos serviços relativos à emissão de RG contam com duas horas a mais no expediente, que funciona até as 16h. Essa mudança sazonal é parte dos esforços da rede SAC para atender ao aumento no fluxo de demandas dos cidadãos, comum nesta época do ano. Complementam a iniciativa ações como disponibilidade de horário agendado no período vespertino para as unidades do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista, na capital, e de Itabuna, no sul do Estado, bem como o suporte das unidades itinerantes do SAC Móvel, com rotas que atendem em pontos estratégicos da capital e do interior. A unidade de atendimento da Rede SAC em Lauro de Freitas funciona no Shopping Passeio Norte, piso G1 (Estrada do Coco, em frente ao lojão da Insinuante) e atende de segunda a sexta, das 7h às 15h30, com horário agendado. Para mais informações sobre horários de atendimento, rotas do SAC Móvel e documentos necessários para a prestação dos serviços, a Saeb disponibiliza o endereço www.sac.ba.gov. br, os números 0800 071 5353 (telefone fixo) e 4020 5353 (telefone móvel) e o aplicativo SAC Mobile. Interessados também podem agendar atendimento no portal, no aplicativo SAC Mobile ou nos guichês de atendimento do SAC Fácil no próprio posto SAC.

tativas subiu 8,3 pontos, atingindo 88,1. A coordenadora da Sondagem do Consumidor, Viviane Seda Bittencourt, comentou os dados de janeiro da pesquisa e a reversão da tendência da posição dos consumidores sobre a economia brasileira. “A alta da confiança em janeiro está relacionada às expectativas de melhora do ambiente econômico com a queda na inflação e a aceleração do movimento de redução das taxas de juros prevista no curto prazo”, disse. A economista chama a atenção para a melhora da expectativa, que acontece mesmo com os níveis de incerteza ainda altos e as perspectivas para o mercado de trabalho se mantendo ruins neste primeiro semestre. “Mas as boas notícias da virada de ano aumentaram as chances

de uma recuperação da confiança (ou, por enquanto, alívio da desconfiança) nos próximos meses”, explicou. Satisfação do consumidor Com a mudança do quadro verificado pela FGV na Sondagem de Expectativas, a satisfação do consumidor com relação à situação financeira familiar atingiu 61,6 pontos, uma variação de 4,3 pontos em relação ao mês anterior, quando atingiu o mínimo histórico ao fechar em 57,3 pontos. Dentre os quesitos integrantes do Índice de Confiança do Consumidor, aquele que mede o grau de otimismo em relação à situação econômica nos seis meses seguintes foi o que mais contribuiu para a alta da confiança em janeiro. O indicador subiu 8,4 pontos, recuperando parte das

perdas de -9,6 pontos ocorridas nos últimos dois meses. Comparando os resultados por faixas de renda, houve, segundo a FGV, aumento da confiança em todos os níveis, com a faixa de renda familiar mensal entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, contribuiu para o aumento do Índice de Confiança do Consumidor. Nesta faixa de renda familiar, houve uma variação de 11,3 pontos, elevando o indicador a 83 pontos – o maior nível desde janeiro de 2015. Na Sondagem de Expectativas do Consumidor relativa a janeiro, a FGV coletou informações em 2.086 domicílios entre os dias 2 e 21 de janeiro. A próxima divulgação da Sondagem do Consumidor ocorre este mês.

Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 23


seus direitos

Tire dez dúvidas sobre o saque da grana do FGTS

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esde que o governo anunciou a liberação do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de empregos antigos, são muitas as dúvidas sobre o saque do dinheiro. Os detalhes sobre o acesso dos trabalhadores a esse dinheiro vêm sendo divulgados pouco a pouco e, para ajudar na compreensão dessas medidas, listamos dez perguntas sobre o saque do fundo. Com a decisão, o governo espera jogar de R$ 30 bilhões a R$ 41 bilhões nas mãos dos trabalhadores, apostando no pagamento de dívidas e no estímulo ao consumo.

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O dinheiro será liberado pela Caixa entre os dias 13 de março e 14 de julho. O saque vai variar conforme o mês de aniversário do trabalhador. Para conseguir sacar, é necessário ter trabalhado com carteira assinada e ter o contrato até 31 de dezembro de 2015. Quando um trabalhador deixa um emprego ou é demitido, a conta em que o patrão depositava o Fundo de Garantia fica inativa. São essas contas que poderão ser acessadas. O trabalhador já consegue saber quanto tem disponível em todas as contas vincula-

das ao seu PIS. A consulta pode ser feita no site do FGTS (www.fgts.gov.br). Depois de informar o número do PIS, será necessário cadastrar uma senha. O site vai trazer o extrato de todas as contas do trabalhador no FGTS, inclusive a do emprego atual. Nas contas anteriores, preste atenção na data de movimentação, que indicará se o dinheiro poderá ou não ser sacado. Entre as perguntas que o governo ainda não respondeu está a se haverá um prazo para o trabalhador retirar o dinheiro. Fernanda Brigatti / Folhapress.


Estado anuncia tabela de pagamento do funcionalismo público para 2017

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edição de 12 de janeiro do Diário Oficial do Estado da Bahia traz a tabela de pagamento dos servidores para 2017. A exemplo do ano passado, os salários serão pagos em lote único, sempre no último dia útil de cada mês, conforme cronograma da Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA). A segunda parcela do 13º será depositada no dia 20 de dezembro. A medida permite que os servidores do Governo da Bahia tenham melhor planejamento de suas contas e vai na direção contrária de alguns estados, que têm estabelecido maior número de lotes, além do parcelamento do pagamento. O secretário da Fazenda, Manoel Vitório, ressalta que “muitos estados brasileiros passam por situação dificílima. Há os que parcelam salários dos servidores e os que sequer sabem quando pagarão o 13º salário. A Bahia está en-

tre as exceções por ter implantado uma agenda coerente para enfrentamento da crise”. Entre as ações consideradas essenciais para enfrentar esse momento de desempenho negativo da economia brasileira, acrescenta Vitório, estão a ampliação dos investimentos e a qualificação dos gastos públicos. Em 2016, os investimentos chegaram a R$ 3,189 bilhões, contra R$ 2,198 bilhões de 2015, o que representa um incremento de 45,09%. O Governo desembolsa, por mês, de acordo com a Sefaz-BA, o valor líquido de R$ 1,35 bilhão com o pagamento da folha. São aproximadamente 274 mil servidores, entre ativos, aposentados e pensionistas, informa a Secretaria da Administração (Saeb), que coordena a operação mensal de processamento dos dados da folha, realizada por todas as unidades administrativas do Estado.

TABELA DE PAGAMENTO 2017 JANEIRO.............. 31 FEVEREIRO.......... 24 MARÇO............... 31 ABRIL.................. 28 MAIO.................. 31 JUNHO................ 30 JULHO................. 31 AGOSTO.............. 31 SETEMBRO.......... 29 OUTUBRO............ 31 NOVEMBRO......... 30 13º.................20/12 DEZEMBRO.......... 29

Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 25


turismo

BAHIA

De norte a sul, litoral baiano é uma se­quência caprichada de praias com piscinas naturais, dunas e rios, intercaladas com vilarejos isolados, muvucas e resorts

PRAIA DO FORTE A 50 quilômetros de Salvador, Praia do Forte é um dos destinos mais disputados do Litoral Norte. Bem estruturada, a Vila pertence aos pedestres e, é claro, ao excessivo número de ambulantes. Automóveis não circulam por lá. Há um bocado de pousadas e resorts. Entre os principais, estão duas unidades da Iberostar, que juntas oferecem quase 1.200 apartamentos na praia, e o Tivoli Ecoresort, que conta com 287 quartos e estrutura com spa. Bons restaurantes e programas para toda a família completam o cardápio. Sem falar nos encantos do movimento da maré, que, quando baixa, deixa piscinas naturais de água morninha, garantindo a festa da criançada e dos marmanjos. Com faixa de areia clara, alguns trechos rochosos e muitos coqueiros, a orla se estende por 14 quilômetros de praia preservada. Tudo gira em torno da Vila,

Praia do Forte que fica perto do farol, onde turistas e nativos costumam se concentrar ao redor de barraquinhas e bares. Quem caminhar mais ou menos 15 minutos pelo lado esquerdo vai alcançar um trecho conhecido como Papa-Gente, cheio de recifes formando piscinas naturais. Nos extremos do lado norte, o mar se abre para outra freguesia: a dos surfistas. Casa de tartaruga Vale ficar atento às estacas numeradas que, ao longo da orla, sinalizam Roberto de Oliveira/Folhapress

Praia do Forte

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ninhos de tartarugas marinhas. Foi ali que nasceu o Projeto Tamar, instituição que, há mais de 35 anos, cobre 1.100 quilômetros do litoral brasileiro, para estudar e proteger esses animais ameaçados. É difícil desassociar o Tamar da Praia do Forte. Na sua sede principal, um dos principais pontos turísticos da região, há aquários e tanques onde vivem quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas da costa nacional: tartaruga-verde, tartaruga-cabeçuda, tartaruga-de-pente e tartaruga-oliva. Entre outubro e abril acontece o maior espetáculo: filhotes saem dos ninhos e seguem em direção ao mar. Fora da areia e da água, as pessoas se cruzam nas lojas, nos restaurantes e nos cafés da Alameda do Sol, artéria principal da Vila. Durante o dia, o movimento é grande na praça da igreja de São Francisco, ao lado da praia, onde baianas vendem acarajé, pais de santo dão – ou melhor, negociam – bênçãos e turistas se movimentam ao sabor do ócio. Ao cair da noite, o burburinho muda para a outra extremidade: o ponto de


Costa dos Coqueiros

encontro é o Bar do Souza, famoso pelos bolinhos de peixe e pelas noites embaladas por axé – no caso, a “music”. Vale tirar o comecinho de uma manhã para visitar o castelo Garcia D’Ávila. Cercado pelo verde da mata atlântica e voltado para o mar, tem um jardim de coqueirais onde restam ruínas e uma pequena capela da construção original, que começou em 1551. Uma gigantesca figueira dá as boas-vindas e um empurrãozinho na imersão histórica naquela que é considerada uma das primeiras fortificações do país. O fim da tarde é o momento perfeito para contemplar o movimento da Praia do Forte, onde a garotada bate sempre um baba para depois se refrescar nas águas iluminadas pelo pôr do sol.

Mauricio Mercer/Folhapress

Esse trecho do litoral norte da Bahia é cheio de atrações à beira-mar. Há praias para todos os estilos de viajantes: para quem curte ondas, para os que preferem as piscinas naturais, para os amantes das areias desertas, para quem gosta da sombra dos coqueirais, para quem se encanta com a mata atlântica. Em todas elas, água de temperatura sempre agradável (quentinha). Lagoas, rios e dunas ajudam a desenhar a paisagem. Há uma série de lugares visitáveis, seja para um passeio de um dia, seja para uma esticada. Em Arembepe, parte da orla é protegida por recifes, que formam piscinas na maré baixa. Barquinhos de pescadores rabiscam o mar em frente à vila. Quem busca por sossego deve ir durante a semana. Nos fins de semana e feriados, a praia fica muito muvucada, assim como outras próximas. Uma ideia é reservar um tempo para visitar a Aldeia Hippie, lugar que ganhou

fama por ter sido endereço dos Novos Baianos – o grupo musical com Moraes Moreira, Baby do Brasil (antes Baby Consuelo), Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, que fez sucesso nos anos 1970 e que voltou a excursionar pelo país. Formada pelo encontro entre rio e mar, a bonita Barra de Jacuípe está ali pertinho. Depois da praia do Forte, outra parada para quem se amarra em alternar o banho entre água salgada e água doce é Imbassaí, com sua pequenina península de areia, formada por um rio que corre paralelo ao mar. Adiante estão Sauípe e seus complexos hoteleiros. A seguir, Massarandupió, habitat naturista, e Sítio do Conde, com suas praias desertas. Mangue Seco é a última praia no extremo norte baiano, já na fronteira com Sergipe. Cenário da novela “Tieta”, inspirada na obra de Jorge Amado, tem dunas e rios, não bastasse o mar. Muita gente opta por conhecê-la num bate e volta, mas é bom que se diga: u Mangue Seco merece mais.

Recifes de Arembepe, na Costa dos Coqueiros

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turismo

Praia e Vila de Trancoso, na Costa do Descobrimento

Fernando Vivas /Ag. A Tarde/Folhapress

Costa do descobrimento Quem desembarca sozinho, com um mochilão nas costas e pouco dinheiro no bolso em Porto Seguro a princípio pode desanimar. Tudo parece caro demais. A cidade é um dos dez locais mais visitados do país e fica perto de Trancoso, destino “hype” que virou um reduto de famosos. Mas em parte do litoral sul da Bahia, conhecido como Costa do Descobrimento – onde aportou a comitiva de Pedro Álvares Cabral pelos idos de 1500 –, é possível gastar pouco e ver praias desertas com natureza intacta. Um ônibus sai de Porto Seguro e chega às margens da Vila de Caraíva – descoberta por hippies nos anos 1970. Para pisar no povoado de pescadores ainda é preciso atravessar um rio de barco. O lugar por si só encanta. As ruas são de areia, não há carros – só carroças, que funcionam como táxis. As casas são multicoloridas. O vilarejo está sobre uma península. Do lado esquerdo, é banhado pelo rio homônimo e, do direito, pelo mar. As águas doce e salgada se encontram na praia da Barra, frequentada por praticantes de stand-up paddle. Perto dali está a praia de Barra Velha, com uma longa extensão

de recifes próximos à areia, que formam piscinas naturais. É ali que também está uma das maiores aldeias de índios pataxós. Na alta temporada, eles fazem apresentações folclóricas. Seguindo pela orla de Caraíva a pé, pode-se, com muita disposição, acessar outra vila bem isolada: Corumbau, distrito da cidade de Prado. São 12 km de caminhada sobre uma areia fofa e debaixo de um sol a pino. O trajeto, com três horas de duração, é um convite para tomar muitos banhos no mar esverdeado. O maior atrativo do lugar é o Pontal, faixa de areia que adentra o mar ao longo de 500 metros. Além de dividir as águas mais quentes das mais frias, é lá que acontece o melhor pôr do sol da região. Ainda rústica, Corumbau não tem uma rede de pousadas estruturada. Quem quiser ir mais longe precisa pegar a rodovia BA-001, a partir de Porto Seguro, e entrar na rota do Cacau para chegar a Itacaré (ainda no litoral sul).No lugar, com ruas de paralelepípedo, dá para percorrer quatro praias urbanas (Resende, Tiririca, Costa e Ribeira), que atraem surfistas com suas ondas gigantescas. Mas o local que mais chama a atenção está fora desse circuito: é a “Prainha”, que reúne ondas e cachoeira.

Ernesto Rodrigues/Folhapress

rubens chaves/Folhapress

A vila e o rio de Caraíva

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península de itapagipe

datado do período colonial, é um pequeno colosso. Vazio de turistas, traz uma das panorâmicas mais lindas de Salvador e Ilha de Itaparica. O Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat sucede ao Fortim de São Felipe, reedificado no Governo Geral de João de Lencastre (1694-1702) e concluído em 1742, no governo do Vice-rei d. André de Melo e Castro (1735-49)

fotos: Mauro Akin Nassor/Fotoarena/folhapress

Entardecer na calma Praia da Ribeira, em Salvador. A cidade baixa é um lugar esquecido por quem visita Salvador e até mesmo por muitos baianos. Seu ponto mais visitado é a igreja do Bonfim, mas a região da Península de Itapagipe merece sempre uma visita. Dois lugares na orla da Ribeira se destacam, além da praia em si. O primeiro é a Sorveteria da Ribeira, que desde 1930 é referência de qualidade. Sabores, como tapioca (antes de a tapioca virar moda) são imperdíveis. Outro lugar especial é a oficina de azulejos do artista Prentice, um homem idoso completamente tomado pela sua arte. Seus temas variam de santos católicos a orixás africanos, passando por desenhos tipicamente portugueses. Sua própria oficina e casa onde mora são uma

experiência por si só, na medida em que revelam todo o estilo “lisboeta-baiano” da virada dos século 19 para o 20, marca de grande parte da cidade baixa em Salvador. A praia do Monte Serrat (ou avenida da Boa Viagem), uma pequena baía dentro da baía de Todos os Santos, está um pouco adiante da igreja do Senhor do Bonfim. Afora a praia de água tranquila o forte de Nossa Senhora de Monte Serrat (dir.),

u Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 29


saúde

D

esde que o surto de febre amarela foi identificado em Minas Gerais – quase 100 casos com pelo menos 40 mortes foram confirmados – a preocupação com a doença e a procura por vacinas cresceram em todo o país, mas a Bahia está quase toda fora da área de risco. Apenas o Oeste e o extremo sul baianos estão listados pelas autoridades de saúde (veja no quadro na outra página os municípios atingidos). O atual surto de febre amarela é chamado de selvagem porque os casos registrados ocorrem em regiões rurais ou de mata, transmitidos pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. Não foi detectada a transmissão da doença pelo Aedes aegypti, comum em centros urbanos. Para quem vai viajar para as áreas com risco de febre amarela, a recomendação é se imunizar com pelo menos 10 dias de antecedência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que apenas uma dose da vacina já é suficiente para a proteção por toda a vida. No entanto, como medida adicional de proteção, o Brasil adota um esquema de duas doses da vacina: uma aos noves meses de idade e um reforço aos quatro anos. Apesar das doses recebidas na primeira infância, o ministério recomenda vacinação imediata para todas as pessoas que vivem em áreas rurais nas regiões com risco da doença e nas cidades que vivem surto de febre amarela. Quem nunca recebeu imunização contra a doença também deve procurar um posto de saúde. Os sinais e sintomas mais comuns da doença são febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos que duram, em média, três dias. Nas formas mais graves da doença, podem ocorrer icterícia (olhos e pele 30 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2017

amarelados), insuficiências hepática e renal, manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados. Não há transmissão direta de uma pessoa infectada para outra pessoa. A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus, que pode levar o indivíduo infectado à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. De acordo com Ministério da Saúde, a doença é transmitida por mosquitos e comum em macacos, que são os principais hospedeiros do vírus. A doença possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão: silvestre e urbano. Nos dois casos, o vírus transmitido é o mesmo, assim como os sintomas da doença. O que difere um ciclo do outro é o mosquito transmissor. No ciclo silvestre da febre amarela, os macacos são os principais hospedeiros do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os principais na América Latina. Quando o mosquito pica um macaco doente, tornase capaz de transmitir o vírus a outros macacos e também ao homem. Nesse ciclo, o homem é um hospedeiro acidental quando entra em áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre pelo mosquito Aedes aegypti, comum nas cidades e que também transmite a dengue, o vírus Zika e a Chikungunya. O que está acontecendo no Brasil é um surto, não uma epidemia, porque, de acordo com o Ministério da Saúde, o aumento do número de casos da doença

Wilson Dias

Lauro de Freitas está excluída da área de risco da febre amarela

acima do normal ocorre em regiões específicas, sem espalhamento. Já a epidemia se caracteriza quando um surto acontece em diversas regiões. Risco urbano De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando a disseminação do mosquito – a mesma medida de combate à dengue, ao vírus Zika e àChikungunya. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. A única forma de evitar a doença é através da vacinação. No Brasil, o imunizante é desenvolvido pelo laboratório Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz, desde 1937.


Vacinação: estoques de vacina estão normais para as situações recomendadas

Recomendação Segundo o Ministério da Saúde, todos os estados estão abastecidos com a vacina e o país tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendadas. A vacina é recomendada para moradores de toda a região Norte e Centro-Oeste, parte do Nordeste (Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), do Sudeste (Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e do Sul (oeste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A recomendação de vacinação para o restante do país continua a mesma: toda pessoa que reside em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e pessoas que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata dentro dessas áreas, deve

se imunizar. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças que baixam a imunidade – como lúpus, câncer e HIV –, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo. Não há nenhum tratamento específico contra a doença. O médico deve tratar os sintomas, como as dores no corpo e cabeça, com analgésicos e antitérmicos. Remédios que contenham ácido acetilsalicílico (AAS e Aspirina) devem ser evitados, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.

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CASA & DECORAÇÃO

Território Neutro Cores como branco, bege e cinza conquistam espaço nos quartos de bebê, que podem se adaptar às diferentes fases da infância

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divulgação

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em rosa nem azul. A tendência na decoração de quartos de bebê são cores neutras, como branco, bege e cinza. “O estilo clean, mais moderno, vem com força”, diz a arquiteta Monica Larsson. Além de conferir mais tranquilidade ao cômodo, tons claros em paredes e em móveis ajudam a aumentar a vida útil da decoração. “Com uma base neutra, é mais fácil ir transformando o quarto de acordo com o crescimento da criança”, afirma. A arquiteta Selma de Sá Moreira destaca o cinza, antes visto como “baixo astral”, como uma das novidades para quartos infantis. “Cores vibrantes devem ficar restritas a enfeites e brinquedos.” A tendência se confirma também em relação ao desenvolvimento infantil. “O ambiente não precisa ser insosso, mas é melhor um espaço mais neutro”, diz a educadora Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia. “Cabe à família prover a diversidade de estímulos ao longo do dia, não na hora de dormir.” Moreira ressalta que o ambiente não deve ter excesso de estímulos, para que o bebê não fique muito agitado. “O quarto tem que ser o universo de descanso dele”, diz. Fóz concorda. “O bebê precisa de estímulo, mas não o tempo todo. Às vezes o ambiente tem tantos incentivos que acaba por prejudicar o sono da criança. Ela abre os olhos e entra em pânico, não entende o que são aqueles bichos coloridos.” O arquiteto Jéthero Cardoso de Miranda defende que uma das paredes sejam mais vibrante. “Não é preciso fazer do cômodo um carnaval, mas dá para ter um papel de parede com diferentes cores e formas.” Segundo os especialistas, o maior erro dos pais ao montar o quarto é não analisar bem o espaço. “Muitas vezes, só depois de comprar os móveis eles percebem que sobram poucas áreas para a circulação”, diz Moreira. A arquiteta Camila Bianchi dá uma dica: “Vale desenhar a planta do cômodo, usando as medidas

de forma proporcional, e tentar encaixar Projeto da arquiteta Ana os móveis, antes da compra”. Yoshida para quarto de Na disposição do quarto, é recobebê, com paredes em mendado que o berço fique longe de tons neutros e detalhes portas e janelas. Perto do trocador, coloridos prateleiras deixam à mão kit de higiene, fraldas e roupas. A poltrona de amamentação deve ser escolhida pelo conforto, já que a mãe vai passar longos períodos sentada ali. A cadeira ideal tem apoio para os cotovelos, encosto para a cabeça e uma altura que possibilite que os pés alcancem o chão. Para os revestimentos, a preferência são materiais fáceis de limpar. Pisos vinílicos são uma boa opção, porque também são térmicos – bons para brincadeiras no chão. Para a iluminação, uma boa solução é o interruptor com dimmer, que permite a regulagem da luz. Outra dica é colocar um abajur abaixo da linha do berço, que permite aos pais enxergar a criança à noite sem despertá-la. E QUANDO CRESCE? No quarto de bebê, prevalece o gosto dos pais. Mas, à medida que cresce, a criança também começa a manifestar suas preferências. Segundo Moreira, é possível repaginar o cômodo e atender aos desejos do filho sem gastar muito. “A personalização pode vir nos detalhes.” Larsson complementa: “Hoje, a criança gosta de um personagem, amanhã, de outro. Vale mais a pena fazer um quarto temático apostando em brinquedos e acessórios, como colchas, almofadas, quadros e adesivos”. Decoração reflete estímulo à autonomia Em vez do berço, um colchão no chão. O mobiliário do cômodo, adequado ao tamanho da criança, permite que ela tenha acesso a tudo, dos brinquedos


VITRINE

Veja ideias de móveis que acompanham o crescimento dos bebês e mudam de acordo com as necessidades da família

Cama Era uma Vez A cama de madeira pode ser usada em duas posições: baixa, lembra um castelinho, com bandeirinhas de MDF; quando elevada, ganha espaço para brincadeiras, e as hastes das bandeirinhas se tornam de graus.

às roupas. Inspirado na filosofia de ensino criada no início do século 20 pela educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), esse tipo de quarto tem sido escolhido por muitos pais que querem estimular a autonomia dos filhos. “O quarto deve ser um ambiente em que a criança se sinta à vontade para explorar”, diz Sonia Maria Braga, psicopedagoga e presidente da Organização Montessori do Brasil. “É importante que ela possa acordar e pegar brinquedos sem depender de um adulto.” Para isso, a segurança tem que pautar todo o projeto do quarto. Objetos pesados e sacos plásticos, por exemplo, têm de ser evitados. Os móveis devem estar

Poltrona Thrukl Uma poltrona de amamentar, que vira uma escrivaninha e, em seguida, uma mesa, sem necessidade de ser remontada. Tem também uma lousa, e o futon vem na medida solteiro

Cadeira Tripp Trapp A cadeira infantil de madeira, projeto escandinavo de 1972, é projetada para se ajustar à mesa de jantar, para crianças de várias idades e tamanhos.

firmes e bem fixados, para que a criança possa se apoiar. As tomadas e quinas também precisam estar protegidas. “É claro que a supervisão de um adulto é necessária, mas a criança tem de ser a dona do ambiente”, diz a psicopedagoga. “O espaço tem de permitir o desenvolvimento e estimular a criatividade.” A gerente administrativa Regina Santos, 39, conheceu a metodologia montessoriana quando a filha Sofia, 2, tinha seis meses. “Estudei bastante e comecei a aplicar os conceitos que faziam sentido à minha família”, conta. Aos poucos, adaptou o quarto. Incluiu brinquedos sensoriais – de vários tipos de materiais – e, em seguida, instalou uma estante de 60 cm de altura em que

Berço flex O berço 9 em1 pode se transformar em cama de solteiro, cama auxiliar e cômoda, virar dois criados-mudos ou uma escrivaninha.

pudesse deixá-los acessíveis à filha. A última mudança, recentemente, foi a troca do berço pela cama no chão. “Não fiz antes porque meu marido e minha mãe não concordavam com a ideia”, diz. “Mas, agora, a Sofia já está maior e acho que seria perigoso deixá-la no berço.” Segundo Braga, um pequeno colchão já pode ser usado pelos bebês. “O berço é um agente limitador e funciona quase como uma prisão”, diz. “Não há como a criança se machucar se estiver no chão.” Já o arquiteto Jéthero Cardoso de Miranda, professor da Faap e do Centro Universitário Belas Artes, discorda: “O berço dá segurança ao bebê e aos pais. Aconselho a mudar só após os dois anos.” Carolina Muniz / Folhapress.

lançamento

Docol lança novos purificadores de água A Docol acaba de lançar a linha de purificadores de água DocolVitalis. Os produtos para cozinha se destacam pela água límpida que fornecem e pela eficiência contra impurezas e bactérias. Para atestar a pureza da água, os produtos foram avaliados sob os critérios mais rígidos do INMETRO. A presença do selo certificador na embalagem é a garantia de qualidade para o consumidor. Entre os requisitos analisados estãoa eficiência na ação contra impurezas e a eliminação de bactérias - para todos, a linha DocolVitalis recebeu notas máximas. Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 33


beleza & estética

Cabelo bonito no verão Produtos com filtro solar e muita hidratação são essenciais para evitar os danos aos fios causados por raios de sol, mar e piscina

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Rivaldo Gomes / Folhapress

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ão é somente a pele que precisa de cuidado reforçado durante os dias de calor. O cabelo também sofre com os raios solares e necessita de proteção para não ficar danificado. “Os raios solares queimam os fios, isso é comprovado. No verão, a intensidade dos raios é muito maior”, diz o cabeleireiro Marcos Dal Bello. O que acontece é que o sol tira a proteção natural dos fios, responsável pelo brilho e pela maciez. “O contato com os raios UVB é o principal responsável pela degradação da queratina, a proteína que compõe a estrutura dos fios. Os danos a essa substância deixam o cabelo mais frágil, quebradiço e ressecado”, conta o cabeleireiro Diego Queiroz. A agressão é ainda maior quando somada aos malefícios causados pela água do mar e da piscina, que detonam os fios e os deixam porosos e desidratados. “O sal faz com que as cutículas do cabelo fiquem abertas e retira toda a hidratação, seja a natural ou a sintética”, avisa o “hair stylist” Érico Poloni. Na piscina, o cloro altera o PH do fio, retira ingredientes como lipídios e oxida e causa desbotamento em todos os tipos de coloração – principalmente nos loiros. Mas não é preciso deixar de sair de casa nem abrir mão de aproveitar as férias. Alguns cuidados são eficientes para evitar os danos. “No verão, o correto e indicado é hidratar mais o cabelo – pelo menos uma vez por semana – e proteger


Mirian Goldenberg e selar os fios antes da exposição aos raios solares”, diz Marcos Dal Bello. É recomendado o uso de produtos com proteção solar. “É essencial utilizar aqueles que permanecem nos cabelos, para que os fios sejam protegidos. O mercado de cosméticos tem várias opções, como os sem enxágue e os finalizadores. Mas, após a mulher entrar no mar ou na piscina, deve reaplicar o produto”, recomenda Poloni. É o que faz a modelo fitness Letícia Mazzoneto, 21 anos, que cuida com carinho das madeixas. “Além de utilizar xampus específicos para o meu tipo de cabelo, faço hidratações, uso água termal e passo óleo de coco às vezes, antes de dormir, para nutrir os fios”, conta. Letícia Mazzoneto, modelo fitness: “Uso xampus específicos para o meu tipo de cabelo, faço hidratações, uso água termal e passo óleo de coco às vezes, antes de dormir, para nutrir os fios”. Os óleos são bem-vindos quando passados levemente após uma escova, para ajudar a selar as cutículas, mas não ajudam na proteção. “A reação química do PH da água do mar ou da piscina vai agir de qualquer maneira”, aponta o Dr. Cabelo. E, se os fios ficarem ressecados, é hora de investir em hidratações em casa e também nas profissionais feitas em salão, que são mais intensas e que ajudam a nutrir e a fortalecer as madeixas. Laís Oliveira / Folhapress.

Mirian Goldenberg é antropóloga, professora titular da UFRJ. miriangoldenberg@uol.com.br

Eu sou culpada por envelhecer? Enquanto uns lutam contra o tempo, as pessoas mais felizes são as que estão fora dos padrões de juventude

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or que você não faz uma cirurgia para corrigir as pálpebras caídas? E preenchimento ao redor dos lábios para tirar o bigode chinês? Tenho sofrido um bombardeio de perguntas perturbadoras como estas, especialmente por parte de algumas amigas. Elas insistem que eu preciso, urgentemente, fazer algumas “correções” nas pálpebras, pescoço e seios, além de lipoaspiração e aplicação de botox, lifting facial e outros procedimentos disponíveis no mercado da beleza. Até recentemente as perguntas feitas para quem estava pensando em fazer uma cirurgia plástica eram: Por que você quer fazer a operação? Você acha que vale a pena correr o risco de ficar deformada e até mesmo de morrer? Hoje, as perguntas mudaram e sou testemunha de um massacre sobre as mulheres: Por que você não faz uma plástica? Você não quer parecer mais jovem? A resposta mais óbvia é que eu tenho medo de ficar com a “cara plastificada”. Mas elas dizem: Ninguém vai perceber, fica muito natural. Digo que receio as complicações pós-operatórias. Elas são contundentes: É só fazer com um excelente cirurgião, não tem riscos. Falo que não sou tão vaidosa quanto elas, que só uso filtro solar e nem sei como fazer uma maquiagem básica. Elas reagem indignadas: Você não quer ficar dez anos mais jovem? Você é culpada por estar ficando uma velha! A verdadeira resposta é que eu acredito que os velhos são lindos. Não consigo achar que uma pele esticada e um nariz perfeito são mais bonitos do que as rugas que contam a história de uma vida plenamente vivida. Tenho o hábito de ficar observando as pessoas em todos os lugares. Adoro ir à praia só para ver corpos de todos os tipos, tamanhos, cores e idades. As pessoas que eu acho mais bonitas, e que parecem mais felizes, são justamente aquelas que estão completamente fora dos padrões de beleza e de juventude. Apesar de ter muitos medos com relação ao meu envelhecimento, decidi investir o meu tempo, o meu dinheiro e a minha energia nos meus projetos de vida, e não me angustiar tanto com as transformações inevitáveis do meu corpo. Afinal, se eu acredito que é possível inventar uma bela velhice, por que faria uma cirurgia plástica para fingir que sou mais jovem? Feliz 2017 para todos: velhos de hoje e os velhos de amanhã! Fevereiro de 2017 | Vilas Magazine | 35


COMPORTAMENTO

Preciso comer devagar? Estudos buscam elo entre mastigação e obesidade; alimentação apressada e incorreta pode aumentar ingestão de calorias e piorar encaixe da mordida

“A

mor, come devagar”, “Filho, mastigue mais vezes”, “Cara, você praticamente engoliu a comida”... Cresci ouvindo broncas e conselhos como esses. Quando eu prestava um pouco mais de atenção, diziam que eu havia engordado por causa dessa minha afobação alimentar. Quem sabe? Faltava uma explicação científica convincente. Talvez agora ela exista. Depois de aprender um pouco sobre enzimas digestivas, ainda no ensino médio, ganhei um argumento para tentar refutar quem questionava minha voracidade ao comer: com o bolo alimentar não tão bem macerado, seria mais difícil que as enzimas entrassem em contato com ele, “privando” o organismo de aproveitar todo o potencial energético da comida – evitando, assim, o acúmulo na forma de gordura. (Enzimas são proteínas responsáveis por facilitar algumas reações químicas no organismo, como a transformação de amido em glicose, ou proteínas em aminoácidos, por exemplo.) Mas minha alegria durou pouco. Logo depois me contaram que, ao comer rápido demais, não dá tempo de o estômago avisar o cérebro de que já está cheio. Faz sentido: a comunicação nervosa entre o cérebro e vísceras é muito mais lenta do que aquela entre cérebro e músculos. Para mexer um braço, leva uma fração de segundo. Para uma sensação estomacal chegar – ou deixar de chegar, no caso de uma dor – ao cérebro, leva minutos. Dessa forma, ganha respaldo aquela clássica abordagem nutricional de comer folhas e salada crua antes da parte mais calórica da refeição (com arroz, massas e

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carnes, por exemplo): a saciedade trazida pela salada impediria a pessoa de se esbaldar nas calorias do que vem a seguir. E se uma pessoa tem uma mastigação demorada (facilitando que o cérebro receba o sinal da saciedade) e, apesar disso, não tritura tão bem o alimento (impedindo uma boa absorção dos nutrientes)? Seria o melhor dos mundos para não engordar? Provavelmente não, de acordo com os resultados de um estudo recém-publicado na revista especializada “Appetite”. Ao estudar 231 adolescentes com e sem sobrepeso (entre 14 e 17 anos), pesquisadores brasileiros constataram que as meninas com uns quilinhos a mais tendem a apresentar esses dois comportamentos. A pesquisa não consegue estabelecer uma relação causal entre tipo de mastigação e a obesidade, mas serve para que os cientistas consigam elaborar hipóteses que ajudem a explicar o fenômeno. Essa observação não vale para os meninos, que, em média, tem uma força quase 50% maior que aquela das garotas, além de mastigarem mais vezes por minuto e, talvez como consequência disso, levarem cerca de 20% menos tempo para executar a cotidiana tarefa de comer um biscoito de chocolate recheado. A líder do estudo, a professora do campus de Diadema da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Paula Midori Castelo, diz que a ideia desse projeto era ver se obesos realmente mastigam diferente. “Tem muita coisa que parece crendice”, diz. Ela enumera uma série de atitudes deletérias para a formação de um “bolo alimentar ideal”. Uma é ingerir bebida

para “empurrar” a comida. Outra é abusar de molhos e caldos nas refeições. Leva um ponto negativo também quem precisa cortar uma maçã e outros alimentos duros em pedaços menores para conseguir mastigá-los. O hábito de usar só um lado da boca para mastigar também é ruim – como as adolescentes com sobrepeso também tendem a fazer. Pode surgir uma descompensação, dificultando o encaixe dos dentes e “entortando” a mordida com o

passar do tempo – condição conhecida como maloclusão. pizza Em uma busca pela fração de culpa pela obesidade atribuível à mastigação, dois pesquisadores da Universidade de Iowa fizeram um estudo interessante:


deixaram os voluntários comerem pizza à vontade em três sessões distintas. Só que na segunda eles deveriam mastigar 50% mais vezes e na terceira 100% mais vezes. O resultado: 9,5% e 14,8% menos pizza ingerida, respectivamente. A pesquisa está no “Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics” Para alguém acostumado a manter a comida pouquíssimo tempo na boca, pode ser um remédio amargo prolongar a “estadia”, mas parece que funciona, se a pessoa souber se controlar. E tem ao menos uma explicação possível: um outro estudo, chinês, publicado em 2011 no “American Journal of Clinical Nutrition” verificou que quanto mais ciclos mastigatórios, mais se altera a produção de alguns hormônios importantes para a sensação de saciedade (lembra da comunicação entre estômago e cérebro?): o nível de grelina diminui e o de colecistocinina (CCK)

DA BOCA PARA DENTRO

Conheça um pouco mais sobre mastigação MÚSCULOS Para acontecer, a mastigação depende de alguns músculos, especialmente o masseter e também outros, como o bucinador e o temporal. FORÇA Mulheres não tem os músculos tão fortes, fazem mais ciclos mastigatórios e o processo acaba levando mais tempo. RAPIDEZ Apesar de não haver evidência científica de que uma alta velocidade para mastigar e engolir o alimento cause obesidade, o hábito é questionado por especialistas. LÍQUIDO Mesmo porque aí aparece outro hábito a ser evitado: o uso de líquidos para ‘empurrar’ a comida esôfago abaixo. Eles dificultam a formação do bolo alimentar. SACIEDADE Além disso, ao comer depressa, mesmo que a absorção dos nutrientes seja prejudicada, ingere-se mais comida porque a sensação de saciedade demora a ocorrer. DE UM LADO PRO OUTRO O ideal é que o bolo alimentar seja movimentado de um lado para o outro, demandando atividades dos dois lados da arcada dentária e dos músculos que a movimentam. TORTO O hábito de mastigar de um lado só, observado em adlescentes com sobrepeso, pode no futuro causar uma alteração no encaixe da mordida e no formato da boca. VERTICAL Um estudo mostrou que obesos, diferentemente de pessoas com peso normal, tendem a mastigar mais ‘verticalmente’, causando uma má-formação do bolo alimentar.

e de GLP1 aumentam, provocando menos ingestão calórica. Os especialistas são categóricos ao dizer que a mastigação e a velocidade de ingestão são apenas alguns dos possíveis fatores que podem contribuir para a obesidade (outros são o tipo de dieta e fatores genéticos, por exemplo). Ao que tudo indica, porém, não são fatores que podem ficar do lado de fora da equação durante o esforço de entender a doença.

SALIVA A saliva deve ser misturada ao bolo alimentar. Ao mastigar bilateralmente, a produção do líquido é maior e se evita formação de bolhas. ESÔFAGO Um bolo alimentar malformado, com pedaços inteiros de alimentos, pode causar lesões no esôfago e piorar a absorção de nutrientes no trato gastroentestinal.

Gabriel Alves / Folhapress.

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vida saudável

Ronco é principal sintoma de parada respiratória à noite

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em todas as pessoas que roncam têm parada respiratória, mas a maioria das pessoas que sofrem com as interrupções da passagem de ar apresenta esses ruídos durante o sono. Quando essas paradas duram mais de dez segundos e ocorrem várias vezes ao longo da noite, é sinal de que a pessoa tem apneia do sono, uma doença que pode trazer complicações como distúrbios de memória e impotência sexual, e, em alguns casos, até levar à morte. “Muita gente nem Essas interrupções sabe que tem apneia. Quem percebe são os podem ser sinais pais e parceiros”, diz o da apneia do sono, otorrinolaringologista doença que pode até Fausto Nakandakari. levar pessoa à morte “Para descrever essas paradas, as pessoas costumam dizer que parecia que o outro estava engasgando ou sufocando.” Para o neurologista Shigueo Yonekura, a comparação tem sentido. “A pessoa desperta cada vez que tem apneia, para buscar ar. Muitas vezes nem se dá conta que faz isso, mas é como se ela passasse a noite toda sendo estrangulada”, diz.


Esses múltiplos despertares sobrecarregam o coração, levam à pressão alta e impedem o descanso. Por isso, segundo os especialistas, entre as queixas mais comuns estão irritabilidade, sonolência e dificuldade de concentração e memorização. “A apneia leva à hipertensão, que leva ao derrame e ao infarto, que podem levar à morte”, explica Yonekura. O neurologista conta que obesos e homens com mais de 40 anos são os mais atingidos pela doença. As causas da apneia são várias. Segundo Nakandakari, geralmente o mecanismo da doença é assim: língua e musculatura da garganta ficam relaxadas, diminuindo o espaço para passagem do ar. O tratamento nunca é feito com remédios para dormir, que podem agravar o quadro.

sono vigiado em exame Para detectar a apneia do sono, os médicos pedem um exame chamado polissonografia, feito em um laboratório. A pessoa dorme em cama, mas tem seu corpo todo monitorado por equipamentos. O otorrino Fausto Nakandari diz que, apesar do ambiente estranho para a pessoa, o resultado é bem confiável. Quanto mais paradas a pessoa tem por hora, mais grave é a doença. Gislaine Gutierre / Folhapress.

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vida saudรกvel

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Usar chinelos na praia ajuda a evitar doenças contagiosas Areia contaminada pode levar banhista a ter infecções. Perigo também está em área com esgoto e animais esgoto desemboca na praia, pois todas essas doenças podem estar ali”. O médico dá outra dica: manter sempre álcool gel por perto para higienização das mãos e pés. Azzam avisa sobre o perigo da brincadeira de enterrar alguém na areia da praia. “Pode levar a graves infecções no estômago e no intestino, pois a areia pode entrar na boca, sem querer”. Ele orienta evitar ficar com roupa de praia molhada por muito tempo, pois isso facilita o surgimento de micoses. Paula explica que cada enfermidade tem seus sintomas característicos (detalhes no quadro), mas a coceira é um sinal em comum. “É indicado que se vá ao médico”, explica a dermatologista. gil ramos

A

ndar de chinelo na praia pode evitar o aparecimento de várias doenças, em especial as micoses. A dica é de especialistas, que alertam também para a necessidade de o banhista prestar atenção aos sinais de que a área está contaminada. Fezes de animais e esgoto a céu aberto podem esconder os agentes infecciosos que trazem as doenças. As mais comuns são micoses (infecção por fungo), bicho geográfico (larva que anda debaixo da pele), bicho do pé (quem pisa em areia infectada por pulga é contaminado) e gastroenterite aguda (inflamação do estômago e dos intestinos ao mesmo tempo). “Essa é uma das razões pela qual algumas praias proíbem os cães, por exemplo. As fezes deles podem transmitir micoses e bicho geográfico”, afirma a dermatologista Paula Cristina Sanches. O médico otorrinolaringologista Jamal Sobhi Azzam afirma que o cuidado na prevenção das doenças começa com o planejamento da viagem. “Procurar praias com água limpa é recomendado. Nunca deixar a criança brincar perto da região onde o

Pomadas aliviam os sintomas Os tratamentos indicados para essas infecções são, em geral, feitos com pomadas ou cremes, que aliviam sintomas de coceira e dores, ou remédios via oral, diz o otorrinolaringologista Jamal Sobhi

BOM EXEMPLO Recolher fezes do animal de estimação, em ambiente público, demonstra respeito pelo espaço comum

Azzam, da clínica Jamal. “Compressas frias ajudam a aliviar mais rapidamente os sintomas. É preciso também manter alimentação saudável e balanceada, pois o corpo bem nutrido fica mais resistente às infecções.” Tatiana Cavalcanti / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

Até quando?

E

ste é um artigo para reflexão. Algumas pessoas podem não concordar. No entanto, o objetivo é se fazer uma análise de nossos procedimentos, atitudes e valores éticos e morais, identificados em nossa existência que, sem dúvidas, são a base de nossas orientações para com outros seres. “Pessoas do bem” existem muitas, porém, acomodadas, contemplativas, amedrontadas e indecisas. Martin Luther King Jr se expressou: “O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética e sim o silêncio dos bons” Assim, fazemos alguns questionamentos a nós mesmos. Até quando... ...Abafaremos as necessidades dos outros com doações enganosas? ...Abdicaremos de elogiar os outros, por ciúmes ou pequenez? ...Absorveremos o descontrole e desregramento de familiares, companheiros e amigos, para evitar conflitos? ...Aceitaremos o despreparo de pessoas que nos cercam, para evitarmos ser interpretados como donos do conhecimento ou arrogantes? ...Acolheremos o desencanto da vida, sem pensarmos em mudanças? ...Admitiremos selecionar e julgar os outros, sem critérios claros? ...Aplaudiremos o discurso mais bonito, ao invés da ação exemplar? ...Assistiremos e nos acomodaremos com a triste situação existente, que representa o conceito dos po-

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derosos? ...Assumiremos nossos erros e equívocos, mesmo que nos gerem desconfortos? ...Bateremos nas coisas rotineiras, ao contrário de analisarmos, com profundidade, a situação geral? ...Buscaremos, de forma descomedida, o aumento dos valores materiais, em detrimento dos valores morais? ...Cantaremos canções que visam ganhos, diferentemente daquelas que embalam a alma? ...Construiremos casas luxuosas, para abrigar lares fragilizados ou desfeitos? ...Continuaremos gastando e nos endividando, de forma desregrada? ...Criticaremos as ações dos outros, quando as mesmas são realizadas por nós? ...Deixaremos para amanhã o ler, aprender, conversar e orar? ...Demonstraremos que nossos es-

forços ou trabalhos imaginários são superiores aos de outras pessoas? ...Desaprenderemos os ensinamentos ultrapassados, para substituí-los por novos, mais coerentes? ...Desceremos ao nível dos desmandos dos ocupantes de poderes, para evitarmos ser taxados como radicais? ...Desconheceremos a situação crítica que vivemos, por questões de comodidade? ...Emudeceremos ante a desigualdade entre os seres humanos, para evitarmos polêmicas? ...Exigiremos dos outros elogios por nossas realizações, para massagear nosso ego? ...Evitaremos defender o meio ambiente e a causa animal, para não sermos criticados por terceiros? ...Ficaremos na escuridão, ao invés de acendermos luzes, mesmo que sejam apenas velas? ...Lutaremos pela conquista do muito ter, mantendo em declínio o já combalido ser? ...Manteremos nossas avaliações e pontos de vista, tão estreitos? ...Permaneceremos no nosso conforto e acomodação, indiferentes ao sofrimento da humanidade? ...Rechaçaremos uma amizade pura, em troca de conluios de interesses ou ganhos de poder? ...Registraremos que a soberba e a vaidade dominam nossos outros sentimentos? ...Viraremos o rosto para não vermos o que está ocorrendo? ...Votaremos em políticos por amizade, indicação de amigos ou interesses pessoais? Até quando?

Vilas Magazine | Ed 217 | Fevereiro de 2017 | 32 mil exemplares  

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