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METRÔ JÁ LIGA O AEROPORTO AO CENTRO DE SALVADOR R

A Revista de Lauro de Freitas e Região

Ano 20 | Edição 232 Maio de 2018 32.000 exemplares

JOANES QUALIDADE DA ÁGUA É BOA ATÉ A REPRESA FALTA ABRIR AS COMPORTAS


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A revista de Lauro de Freitas & Região

www.vilasmagazine.com.br Facebook: VilasMagazine.Online Instagram: @VilasMagazine Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42708-790. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (diretoria@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (comercial@vilasmagazine.com.br) Assistentes: Leandra Almeida e Vanessa Silva (comercial@vilasmagazine.com.br) Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br) Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (DRT 6851/MG), coordenador Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (freelancer), Raymundo Dantas PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br TIRAGEM: 32 MIL EXEMPLARES. Im­pressão: Log & Print Gráfica e Logística S. A. (Vinhedo/SP)

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­ io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­ bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


EDITORIAL

Sem limites

O Tribunal de Justiça da Bahia deferiu em 26 de abril uma liminar impetrada pela Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa da Bahia para suspender a votação de um projeto de lei sobre limites municipais. A questão que envolve Lauro de Freitas e Salvador também é tratada no texto – e chegou a ir a plenário dois dias antes. A bancada de oposição acha que é necessário maior debate e conhecimento do assunto por parte da população das cidades envolvidas. O texto da ação argumenta que seria necessário fazer um plebiscito e o tribunal concordou. A prefeita Moema Gramacho (PT), de Lauro de Freitas, já havia defendido a realização desse mesmo plebiscito caso não se chegasse a um acordo com a prefeitura de Salvador. Mas isso foi quando o presidente da Assembleia, deputado Ângelo Coronel (PSD), dizia que o tema não seria pautado para votação enquanto Moema e ACM Neto não chegassem a um entendimento.

SOS Ipitanga

O sofisma de que o rio Joanes precisa de socorro urgente apenas dramatiza uma situação que está devidamente gerenciada pelos órgãos competentes. O rio é limpo, conforme atesta o permanente monitoramento do Inema em relação à qualidade da água (leia à página 20). A gestão da Área de Proteção Ambiental Joanes-Ipitanga há muitos anos acompanha as ameaças ao manancial, que existem e precisam ser combatidas, mas ainda não comprometeram a qualidade da água no Joanes ou nas represas que abastecem Salvador e região. A Embasa tem se mostrado rigorosa no controle da ocupação das margens, por exemplo. Sujo é o Ipitanga, rio que há muito tempo grita por socorro e que chega a Buraquinho sem a devida contribuição da água do Joanes, sempre represada. É da lei que se mantenha um fluxo mínimo a jusante das barragens, mas não é a abertura das comportas que vai sanear o Ipitanga – esse sim, desesperado por um SOS que parece não interessar à suposta militância ambientalista.

Piscinões A construção dos piscinões para amortecimento de enchentes ao longo do rio Ipitanga e afluentes tem potencial para se tornar a mais importante obra de todos os tempos na cidade. Não só poderá acabar com os alagamentos em tempos de chuva, como vai proteger as margens do rio com os parques lineares e nos seis reservatórios. Se ainda por cima oferecer alternativas de lazer, será um bônus. Sequestro de espaço público A área de recuo na fachada de estabelecimentos comerciais pertence aos imóveis e pode ser tratada como “estacionamento exclusivo para clientes em compras”. Mas o meio-fio que essas vagas sequestram é público. Já passou da hora de as autoridades colocarem um ponto final nesse abuso. E o abuso é tamanho, que muitos estabelecimentos colocam cones, reservando o espaço, que é público, para seus clientes. Mobilidade A abertura da estação Aeroporto do metrô, um marco para a mobilidade Carlos Accioli Ramos metropolitana na conurbação Lauro de Freitas-Salvador, adiciona pressão sobre a adminisDiretor-editor tração municipal para resolver o sistema de transporte local. Na prática, a integração dos bairros ao metrô ainda vai ser feita apenas pelos ônibus das linhas metropolitanas. Já é possível ir do aeroporto à Lapa, na capital, em 35 minutos e com todo o conforto que o metrô oferece. Mas ir de Itinga a Vilas do Atlântico ou de Ipitanga a Portão continua a ser uma saga a bordo de micro-ônibus que já não estão ao alcance de adjetivos. Isso para não mencionar o transporte clandestino em carros particulares. A prefeitura está tratando do assunto, “finalizando o formato da licitação do transporte municipal”. A prefeita Moema Gramacho tem mostrado interesse no fator qualidade, no wifi, no ar-condicionado da futura frota. O Metrô também tem promessas a cumprir: o transbordo dos ônibus para julho – e a estação Lauro de Freitas, na segunda ponte do Ipitanga, para quando der. E não vamos esquecer Portão, o final de linha do metrô que realmente interessa à cidade. A estação Aeroporto é uma conquista inequívoca, mas está longe de encerrar o assunto. Maio de 2018 | Vilas Magazine | 5


q CIDADANIA

A Lauro de Freitas que eu quero....... Eu quero para Lauro de Freitas o saneamento básico urgente, porque não é possível que em pleno século 21 a Prefeitura de Lauro de Freitas continue permitindo que os esgotos e resíduos sólidos sejam despejados nos rios, como no Sapato, sem qualquer tipo de fiscalização. Márcia Neves, coordenadora da Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico.

Parabens por mais essa iniciativa da revista Vilas Magazine, estimulando a participação, cidadania e a politização da comunidade. Ao lado desse básico desejado ao País, alem da probidade, espero que os nossos gestores públicos sejam mais ativos do que contemplativos, que não dependam de provocação. Que sejam atuantes por combustão espontânea! Exemplificando, um caso gritante: é no mínimo incompreensível verificar-se que talvez a pior pavimentação asfáltica da cidade perdure há anos na rua onde funciona o anexo da Camara Municipal, com os escritórios dos vereadores, no loteamento Varandas Tropicais, denotando descaso ou absoluta falta de prestígio junto ao Executivo, que, por sua vez, também se mostra alheio ao problema. Lafayette de Azevedo Pondé Filho. Vilas do Atlântico. O que desejo para onde resido, é que asfaltem as ruas, já que há muitos anos não acontece um asfaltamento decente. Transitamos em ruas cheias de tampões, que é a maneira como asfaltam nos últimos anos. Uma vergonha. Anos atrás, perto das eleições, asfaltavam as ruas, o que não acontece mais. Utilizam os recursos (IPTU, multas, etc.) e asfaltam as ruas de outros locais da cidade. Não é justo. Afinal, também pagamos IPTU e não vemos o retorno para o nosso bairro. Afinal, a prefeita é prefeita da cidade toda. Desejo também que seja implantado nas ruas um espaço para quem utiliza bicicletas, que são muitas, principalmente no horário de final de tarde. Maria Emilia B. Stumpf, residente há 25 anos em Villas do Atlântico. 6 | Vilas Magazine | Maio de 2018

Sou professor aposentado, com graduação superior, com registro na Delegacia Regional (DR-8), Salvador - BA e escritor. Considero um privilégio (de poucos) receber, gratuitamente, uma revista como a Vilas Magazine: excelente qualidade gráfica, artigos contendo temáticas importantes, esclarecedoras e atuais, além dos imperdíveis Classificados Boa Dica. Parabéns ao publisher Carlos Accioli Ramos e toda a sua equipe. Acreditando e concordando que “Cidadania não se pratica apenas com questionamentos, mas sugerindo soluções...” (Edição 231, Abril de 2018), segue, anexo, a minha primeira contribuição (a título de sugestão) à governante municipal: implantação de um programa de coleta seletiva de lixo residencial nos condomínios de Lauro de Freitas. Anexo: Cartilha de Educação Ambiental e Sustentabilidade - MEC. Anacleon Alves Barbosa. A Lauro de Freitas que eu quero é a que tenha um povo que saiba votar, que tenha governantes honestos e com amor à nossa terra, para que possamos contar com o poder público. Que nossas famílias tenham paz e se acabe de vez com a poluição sonora em nossa cidade. Lourival Baptista Neto, empresário.


Participe. Envie sua opinião para o e-mail redacao@vilasmagazine.com.br (até o dia 20 de cada mês)

Quero uma Lauro de Freitas onde a Cultura seja uma das prioridades de investimento público, pois a partir daí teremos resultados concretos de cidadania. Duzinho Nery, Diretor de Teatro e Produtor Cultural.

Eu tenho um sonho de ver nossas crianças brincando novamente de pedalinho no Rio Sapato, e voltar a apreciar a Praia de Vilas do Atlântico limpa e organizada. Carlos Knittel, empresário, ex-coordenador-geral da Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico.

Jaime Ferreira (de cabelos brancos, em pé) participando de uma ação do Rotary Club Lauro de Freitas, para plantio de mudas nas margens do rio Sapato, em Vilas do Atlântico Que o político gestor do município seja humilde e voltado para atender a população, conforme suas necessidades e que aprenda o servir; Que receba seus salários do erário e viva apenas deles, como tantos outros cidadãos brasileiros; Que seja humanitário com os que sofrem, com os animais e respeite a natureza, principalmente na manutenção dos rios. Jaime de Moura Ferreira. Residente há 35 anos em Vilas do Atlântico.

A Lauro de Freitas que eu quero... investe massivamente em educação e cultura. Pois, esses são os pilares para construir cidadãos conscientes, politizados e atuantes na sociedade. Conhecer e preservar nossa realidade cultural é de suma importância. Lauro de Freitas possui um legado único e forte. Porém, essas histórias não estão nos livros, apenas em pequenos registros e tradição oral. Conscientizar a população a respeito de nossa cultura e matriz afro-latina, através do lazer, teatro, dança, música e projetos sociais, é uma necessidade. Afinal, um povo que não possui acesso à cultura e educação, perde sua própria identidade. Yasmin Morais tem 17 anos, é escritora, atriz do Grupo A Loca de Teatro e estudante da Faculdade de Comunicação da UFBA. Publica suas obras literárias no blog: “Minha Doce Paranoia”. Moradora do Caji, reside em Lauro de Freitas desde a infância.

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Registros & Notas

ARTE NA PRAÇA Realizada em 28 de abril, na praça central de Lauro de Freitas, a Mostra de Artes do Colégio Paraíso Kids mostrou o trabalho desenvolvido pelos alunos da instituição ao longo do primeiro trimestre do ano letivo. Tendo como tema a arte francesa, a vernissage se tornou a celebração de todo um trabalho realizado em suas diversas etapas: preparação, desenvolvimento, execução e exposição. “Desenvolvemos de maneira interdisciplinar a temática

que norteia o ano letivo: “muda-se o homem, para mudar o mundo”, disse Valéria Vaz, diretora da instituição (no centro, da foto ao lado, com integrantes da ALALF). A arte francesa é uma técnica de sobreposição de lâminas de uma gravura. A imagem plana é trabalhada em relevo dando a ela uma profundidade. Esse trabalho é semelhante à decoupage, técnica que usa sobreposições para decorar o ambiente. Na vernissage foram expostos mais de 150 quadros e os alunos realizaram diversas apresentações sobre a experiência de criação de suas obras. O evento teve o apoio da prefeitura de Lauro de Freitas (SECULT, SEGOV e SEDUR), da Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas (ALALF) e da revista Vilas Magazine. Na semana anterior, a instituição promoveu a 2ª Mostra Científica, com o tema: “A importância da mulher na ciência”. As feiras e mostras de ciências são conhecidas como atividades pedagógica e cultural com elevado potencial motivador do ensino e da prática científica no ambiente escolar. “A melhor maneira de se aprender é praticando, ler bons livros, revistas, assistir sempre as aulas com atenção, participar de eventos em outras instituições. Essas práticas nos fornecem vastos conhecimentos, mas só conseguimos aprender verdadeiramente quando colocamos em prática os conhecimentos adquiridos. Estas ações buscam cumprir o nosso compromisso de educar, informar e transformar as pessoas para a construção de uma sociedade capaz de enfrentar os novos desafios”, declara Valéria Vaz.

SOLIDARIEDADE Mais Salvador Norte arrecada 2,5 toneladas de alimentos Clientes do Salvador Norte Shopping deram mais um show de solidariedade. Nos dias 14 e 15 de abril, quando aconteceu o Mais Salvador Norte, evento ao ar livre com programação para toda a família, foram arrecadadas mais de 2,5 toneladas de alimentos não perecíveis, que serão entregues a três instituições sociais: a Associação Casa De Caridade Adolfo Bezerra de Menezes – Accabem, o hospital Martagão Gesteira e o Lar Vida. Ainda como parte do compromisso socioambiental do empreendimento, foram distribuídas mais de mil mudas de plantas durante o evento, através da parceria com a Battre - Bahia Transferência e Tratamento de Resíduos. O Mais Salvador Norte foi certificado pela Neutralize Carbono ao investir na redução de emissões de gases de efeito estufa referente à energia elétrica consumida. 8 | Vilas Magazine | Maio de 2018


Colégio Perfil promove palestra sobre o futuro do emprego e das profissões A convite do Colégio Perfil, de Vilas do Atlântico, o professor Daniel Moscardo, 34 anos, da Google Partner Foreducation EdTech, mostrou no mês passado como as mudanças sociais e tecnológicas criam novas dinâmicas no mundo do trabalho e geram novos modelos de negócios. O Colégio Perfil é atualmente a única escola parceira Foreducation na Bahia, com o programa de transformação Going Google. A palestra ‘Futuro do Emprego e das Profissões’, foi pensada para enriquecer a experiência educacional dos alunos, mas houve também uma sessão só para os pais. Em um bate papo informal, Daniel Moscardo mostrou como a tecnologia está criando novas formas de consumir produtos e serviços e como essas formas estão criando novas necessidades. Nessa nova era, ter um bom produto ou serviço é obrigação para qualquer empresa. Então começam a valer ainda mais as experiências. E viver a experiência é o que mais interessa à nova geração. A “economia da escassez”, em que o que mais importava era acumular bens, ficou para trás. Wilson Abdon, diretor executivo do Colégio Perfil, lembra da reação de um grupo de alunos que assistia à palestra. “Meia dúzia levantou a mão quando se quis saber quem queria montar uma empresa, mas todos levantaram a mão quando a proposta foi fazer um mochilão pelo mundo”, disse. E por que? “Pelos ‘perrengues’ que a gente vai passar”, foi a resposta dos adolescentes. Perrengue (uma situação complicada na gíria jovem) também é uma experiência e, como tal, desejada.

Charme e aconchego marcam o Sui, novo restaurante de Lauro de Freitas Culinária deliciosa com cardápio de peixes, frutos do mar, risotos e massas artesanais em um ambiente charmoso, com decoração sofisticada. Essa é a proposta do Sui, novo restaurante de Lauro de Freitas, que tem à frente da cozinha o chef ítalo brasileiro Aurélio Agazzi, conhecido pelo trabalho autoral no Preta e na Osteria dell’Agazzi. “Brasileiros em sua essência, meus pratos possuem identidade, pois buscam a valorização dos ingredientes frescos, produzidos localmente”, explica o chef. O resultado é uma explosão de sabores para o paladar de quem prova, por exemplo, o Espaguete ao Molho de queijo Gouda e Camarão ou o Risoto de Cordeiro. Sem falar das moquecas, ensopados e carnes, que aliam sabores regionais a ingredientes da gastronomia atual. Para acompanhar a refeição, o Sui possui uma excelente carta de vinhos a serem harmonizados com os pratos do cardápio. E, para finalizar, não saia sem provar o sorvete de coco verde, feito lá mesmo, ou o bonnet de chocolate com sorvete de pitanga. Sim, é para dar água na boca! Restaurante Sui (www.restaurantesui.com.br). Av. Santos Dummont, térreo do Aero Empresarial (em frente ao Hospital Aeroporto, sentido Salvador). Funcionamento: quinta a domingo, para almoço, das 12 às 16h e jantar, das 19 às 23h. Estacionamento gratuito e privativo. Aceita todos os cartões


Registros & Notas

NELMARE CUNHA

Alice Marques Accioli provocou um entusiasmado séquito formado pelos pais, Leonardo e Érica, avós, tios, padrinhos e admiradores, e juntos subiram a colina sagrada do Bomfim, na manhã de 14 de abril, para celebrar seu batismo, rito sagrado que dá início à sua vida no cristianismo.

Contramestre Lilu Pimenta lança livro ‘CAPOflora faunaEIRA, uma arte brasileira´ Com texto da capoeirista, contramestra de capoeira, educadora e pesquisadora Lilu Luísa Pimenta e ilustrações elaboradas por 46 mulheres e crianças praticantes de capoeira, oriundas de diferentes realidades sociais, CAPOflora faunaEIRA: uma arte brasileira teve lançamento duplo em abril: na escola Acalanto, em Lauro de Freitas e na Casa da Mandinga, no Pelourinho, em Salvador. “Acredito que esse livro guarda certa relevância para a valorização da identidade cultural de um município tao envolvido com a capoeira como Lauro de Freitas. A aceitação é grande no cenário nacional e internacional. Fomos convidados a lançar o livro, que é bilíngue, em Lausanne e Zurique (Suíça). Partiremos no fim deste mês”, declara Lilu. Segundo ela, a obra “apresenta um poema ilustrado com desenhos/reflexões sobre episódios da história da formação do povo brasileiro em diálogo com a fauna e a flora do país, e através da capoeira, resultando em um livro repleto de vida, expressões e figuras coloridas”. O projeto e o livro foram viabilizados com recursos públicos do Fundo de Cultura e Secretaria da Fazenda da Bahia através do Edital Setorial Culturas Populares: Capoeira, da Secretaria de Cultura da Bahia e do Centro de Culturas Populares Identitárias. O livro possui uma cota de 150 livros para distribuição gratuita aos grupos de capoeira do país. Para cada grupo, e filiais de um mesmo grupo, será doado um exemplar mediante disponibilidade do produto, até o total de 150 livros. Para solicitar um exemplar do livro, o representante do grupo deve enviar email para capoflorafaunaeira@ hotmail.com (a distribuição gratuita para grupos de capoeira está sujeita à disponibilidade do produto). Uma segunda cota de 150 livros para distribuição gratuita será destinada às escolas públicas da Bahia. Esta distribuição está sob responsabilidade da SeCult.

Casa Conceito 2018 acontece de julho a setembro em Salvador

Profissionais do mercado de arquitetura & decoração baiano atenderam ao convite da empresária Andréa Velame e marcaram presença no lançamento da Casa Conceito 2018, no mês passado. A mostra de decoração será realizada de 23 de julho a 2 de setembro em dois imóveis erguidos numa área verde de mais de 11 mil metros quadrados, no Horto Florestal. Para fazer a curadoria da mostra, Andréa convocou o jornalista especializado em arquitetura e design, Sérgio Zobaran, carioca, radicado em São Paulo, e responsável pela curadoria das edições da Casa Black, mostra de luxo realizada em São Paulo. Sérgio Zobaran e Andréa Velameu 10 | Vilas Magazine | Maio de 2018

LUCAS ASSIS


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q CIDADE

Estação do metrô já liga o aeroporto ao Centro de Salvador

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ntrou em operação no final de abril a estação Aeroporto do Metrô, com capacidade para 17 mil passageiro/hora, com integração provisória ao transporte rodoviário metropolitano. A passarela de acesso à estação tem capacidade para nove mil pedestres/ hora. A demanda prevista com a operação plena das linhas 1 e 2, que o governo deu por concluída no mês passado, é de 500 mil passageiros/dia útil. O metrô agora totaliza 33 quilômetros de extensão.

Durante a cerimônia de inauguração da estação Aeroporto, o governador Rui Costa anunciou já para este mês a continuidade das obras do metrô – em direção a Águas Claras/Cajazeiras. “Em maio, iremos publicar a licitação das obras de mais cinco quilômetros de extensão e de duas estações do metrô, partindo da Estação Pirajá, seguindo para a região da Brasilgás, na BR-324, e próximo à área onde será a nova rodoviária, em Águas Claras/ Cajazeiras, que deverão ser concluídas

em 24 meses”, disse. O serviço de “shuttle” entre o aeroporto e a nova estação também já está em funcionamento. No Brasil, além de Salvador, apenas Recife e São Paulo contam com serviço de metrô interligando um aeroporto ao Centro da cidade. A estação tem mais de nove mil metros quadrados de área construída, dois bicicletários com um total de 108 vagas, quatro escadas rolantes, dois elevadores, piso tátil e sinalização em braile nos corrimãos. Interligadas ao Centro de Controle Operacional da CCR Metrô Bahia e à Sala de Supervisão Operacional da Estação há 139 câmeras de vigilância. A estação Aeroporto funciona no mesmo horário de todo o sistema, das 5h à meia-noite, u ALBERTO COUTINHO

Vista aérea da estação Aeroporto: falta entregar a estação de transbordo

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q CIDADE

inclusive feriados e finais de semana. A tarifa é de R$ 3,70. A viagem inaugural, em fase de testes, aconteceu em dezembro de 2017, mas o terminal de transbordo dos ônibus só deve ficar pronto em julho próximo. Até lá, a integração dos modais continua a acontecer na estação Mussurunga, potencialmente adiando as condições para a expansão da linha de metrô até a estação Lauro de Freitas, no Km 3,5 da Estrada do Coco – ou avenida Santos Dumont – em frente ao shopping center que está construção. Mesmo que o terminal de transbordo já estivesse em funcionamento, o transporte municipal ainda não faria parte do sistema integrado. A prefeitura de Lauro de Freitas ainda está “finalizando o formato da licitação do transporte municipal para ampliar as opções de integração”. Para que o governo da Bahia comece a pensar nas obras é necessário que a estação Aeroporto atinja o volume de seis mil passageiros por hora-pico durante seis meses consecutivos. Depois disso, a CCR Metrô Bahia, concessionária do sistema, tem mais seis meses para apresentar estudos. Os termos fazem parte do contrato de concessão. No ano passado, Luiz Valença, presidente da CCR Metrô Bahia, acreditava que essas condições estariam presentes em julho deste ano. Na época, o início da operação da estação Aeroporto estava previsto para dezembro. Mesmo sem o terminal de transbordo em funcionamento, os usuários de Lauro de Freitas e municípios do entorno

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MANU DIAS

O governador Rui Costa na inauguração da estação Aeroporto: próxima etapa será Cajazeiras

já contam com a tarifa única, embora nenhuma linha de ônibus tenha sido extinta. “A diferença é que os passageiros terão a opção de pegar o metrô vazio, na primeira estação, ao invés de ir para a estação Mussurunga”, explicou Olinto Borri, secretário de Trânsito e Transporte de Lauro de Freitas. Um “terminal de transporte provisório” foi instalado na avenida Gerino de Souza Filho, sentido Salvador. É nesse ponto que passam os ônibus em direção à estação Mussurunga do Metrô desde que o terminal de transbordo começou a ser construído. “O passageiro do transporte metropolitano vai parar numa área coberta, com wi-fi e recuo para os ônibus estacionarem com segurança e fazer o embarque e desembarque, com acesso à passarela até o metrô”, explicou Borri. No sentido Lauro de Freitas, “em cima do viaduto, foram instalados pontos de ônibus que atenderão quem chega à estação Aeroporto” vindo de Salvador.

Em cima do viaduto que liga Salvador a Lauro de Freitas a quarta faixa será dedicada exclusivamente aos ônibus. A quarta faixa exclusiva e o terminal provisório serão desativados depois da abertura do terminal de transbordo, prevista para julho. Os passageiros das linhas metropolitanas terão direito à integração com o uso dos cartões do Metrô, SalvadorCard ou Metropasse, pagando apenas uma tarifa. De acordo com a CCR, depois da estação Aeroporto o metrô seguirá por cima do rio Ipitanga, ao longo da avenida Beira Rio, até encontrar novamente a Estrada do Coco. Segundo a prefeita Moema Gramacho (PT), os trilhos serão elevados sobre o leito do rio, sem a canalização do curso d’água. Ao lado do futuro shopping center será construído outro terminal de ônibus para transbordo que, juntamente com o terminal da estação Aeroporto, vai se tornar ponto de confluência do transporte rodoviário metropolitano para o entorno de Lauro de Freitas.


Procon abre unidade em Lauro de Freitas

U

ma nova unidade do Procon deve começar a atender os consumidores em Lauro de Freitas a partir de julho, prazo previsto para a implantação de uma unidade da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor na cidade. A elaboração do arcabouço legal, treinamento da equipe e apoio para implantação do órgão no município conta com o apoio da prefeitura. De acordo com o Procurador Geral, Kívio Dias, a expectativa é que a unidade local do Procon esteja em funcionamento dentro de 90 dias. Filipe de Araújo Vieira, superintendente estadual do órgão, destaca a im-

portância de ter uma unidade em Lauro de Freitas em três frentes: “ações educativas voltadas para consumidores e fornecedores, atendimento ao público recebendo reclamações dos consumidores e buscando realizar conciliações e fiscalizações nos estabelecimentos comerciais”. Coordenador da superintendência, Gleydson Faleiro explica que o trabalho inicial de um Procon é promover a educação de consumidores e fornecedores. “Palestras, cursos, visitas a estabelecimentos comerciais, reuniões com entidades representativas de fornecedores, são formas eficientes de realizar a educação

Kívio Dias, Filipe Vieira e Gleydson Faleiro (a partir da esq.): unidade de Lauro de Freitas em 90 dias para o consumo, que inquestionavelmente tem a capacidade de alterar drasticamente a qualidade do mercado”. Para Kívio Dias, entre outros aspectos o Procon tem como característica de atuação a agilidade e rapidez para compor acordos entre fornecedores e consumidores. “Isso evita que demandas menos complexas sejam levadas ao Poder Judiciário, onde, infelizmente, a solução pode ser mais demorada”, disse.

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q CIDADE

Observatório Social recebe adesão da Unime e Maurício de Nassau

O

presidente Nacional da Rede Observatório Social do Brasil, Ney da Nóbrega Ribas, esteve em Lauro de Freitas em abril para a assinatura dos termos de convênio entre o OSB Lauro de Freitas e as faculdades UNIME e Maurício de Nassau. Foi assinado também o termo de adesão para implantação do Observatório Social do Brasil de Camaçari com seção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ribas estava acompanhada da diretora executiva nacional do OSB Roni Enara, que falou aos convidados durante a cerimônia para apontar, entre outras coisas, que o site “Transparência Lauro de Freitas” (http://transparencia.laurodefreitas.ba.gov.br/) tinha dados de receita

lançados no dia 12 de abril com data do dia seguinte. Os dados estavam de fato referenciados à data de 13 de abril, apenas tendo sido lançados um dia antes no site. No pé da página há um link sobre a “atualização das informações no Portal da Transparência” onde se lê que o portal tem diversas fontes de informações que podem ser atualizadas de maneiras e datas diferentes e que há também informações históricas que podem ou não sofrer alteração. A informação pede que “caso haja dúvidas em relação às datas de atualização das informações”, o cidadão entre em contato através do Fale Conosco, em link disponível no próprio site. O acesso ao site da Transparência Lauro de Freitas

pode ser feito diretamente, pelo endereço próprio, ou por meio de link na página principal da prefeitura na Internet. De acordo com a segunda avaliação do Ministério Público Federal, de maio de 2016, a Transparência de Lauro de Freitas (nota 6,7) já estava acima da média nacional (5,21), embora ainda longe da desejável nota 10. Desde então o portal da transparência local ganhou nova versão e endereço próprio, além de ter sido ampliado no intuito de atender aos 16 quesitos propostos pelo MPF – incluindo dar publicidade ao salário de cada funcionário público. Uma Portaria municipal de janeiro deste ano também trouxe maior transparência ao disciplinar, no âmbito da Controladoria Geral do Município, a tramitação interna de todos os processos administrativos sobre pedidos de acesso a informações baseados na Lei Federal de Acesso à Informação. Em palestra de Ney Ribas durante o evento, o Observatório Social do Brasil voltou a apresentar a sua história, a metodologia e os resultados alcançados.

Assinatura de termo de convênio j

para implantação de Observatório em Camaçari: Ney Ribas (esq) e Paulo Carneiro, presidente da OAB Camaçari e coordenador de Prática Jurídica da Unime

j A tela das receitas no site da k

Transparência Lauro de Freitas: aviso no pé da página indica que as informações que podem ser atualizadas de maneiras e em datas diferentes Participantes do evento posa l

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para fotos: Unime e Maurício de Nassau no voluntariado


De acordo com Ribas, tudo começou com Eduardo Araújo, “nosso mentor” em Maringá (PR). Araújo foi o idealizador da metodologia dos OS, fundador e primeiro presidente da entidade. Para Ribas, que recomendou acompanhar as licitações do município, “há falta de capacitação técnica nas comissões de licitação, nem sempre por má fé”. Ribas também incentivou os membros do OS Lauro de Freitas a “visitar os almoxarifados da prefeitura, fazer fotos, perguntar como funciona a gestão da frota”. Observatório Social do Brasil é uma entidade sem fins lucrativos presente em mais de 127 municípios de 19 estados. A atuação consiste no controle social da administração pública, por meio do mo-

k nitoramento de todas as compras, desde a fase de licitação até a entrega ou execução do produto ou serviço licitado, além da realização de programas de educação fiscal para a população. Todo o trabalho é realizado e mantido por voluntários, sendo que no Brasil mais

de três mil pessoas atuam no combate à corrupção e a ineficiência na aplicação dos recursos públicos. Apenas nos últimos anos, de acordo com a entidade, mais de R$ 2 bilhões já foram economizados para os cofres públicos devido à atuação dos Observatórios Sociais.

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q CIDADE

Abertura das comportas no Joanes vira pauta da Assembléia Legislativa

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represa Joanes 1, no Jambeiro, voltou a verter em função do excesso de água, em abril, devolvendo a vida ao rio – na hora errada. “Em vez de abrirem as comportas para o rio correr o ano inteiro, dando espaço para o excesso em tempo de chuva, temos agora o Joanes complicando o escoamento do Ipitanga na maré alta, o que facilita os alagamentos”, disse o vereador Antônio Rosalvo (REDE). Ele inspecionou a barragem com o deputado estadual Joseildo Ramos (PT), acompanhados do vereador Tito Coelho (PPS) e do secretário de Administração de Lauro de Freitas, Ailton Florêncio. Antônio Rosalvo defende a reabertura das comportas desde que elas foram lacradas. Membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, Joseildo Ramos apoia gestões do vereador para convencer a Embasa a reabrir as comportas, repondo o fluxo normal do Joanes até Buraquinho. “Vamos iniciar um debate em torno do tema”, disse o deputado, prometendo levar o assunto à Comissão do legislativo estadual.

O Rio Sapato em frente ao Vilas Tênis Clube: apesar da sujeira e da elevação do nível, não houve transbordamento 18 | Vilas Magazine | Maio de 2018

A ideia é não só minimizar os alagamentos, “mas manter o fluxo ecológico mínimo” do rio Joanes, disse Ramos, atenuando o impacto do rio Ipitanga na qualidade da água em Buraquinho (leia à pág 20). A limpeza da barragem para aumentar o volume de água acumulada e manter a segurança do abastecimento é uma das hipóteses a discutir. Para haver alagamentos em Lauro de Freitas bastam algumas horas de chuva forte, como em abril. A avenida Luiz Tarquínio voltou a alagar no trecho de acesso a Vilas do Atlântico e em Pitangueiras, além de diversas transversais. A região continua à espera da conclusão das obras de ampliação do Canal do Horto Florestal, que nasce em Portão – o que deveria eliminar a sobrecarga do Canal dos Irmãos, na Luiz Tarquínio. As parcelas até aqui realizadas do contrato 0292722-85, consumindo quase R$ 1 milhão, de acordo com a Caixa Econômica Federal, não foram capazes de evitar a inundação de abril. Iniciada em 2010, a obra foi interrompida em 2011 e retomada em 2017. Mais de R$ 300 mil foram repassados pela Caixa para a obra em dezembro do ano passado. A construção do sistema de amortecimento de enchentes, com seis “piscinões” no rio Ipitanga, obra assinada em abril pelo governador Rui Costa (PT) também prevê a ampliação do Canal do Horto (leia à página 22). Em Vilas do Atlântico, apesar da elevação do nível no rio Sapato, que continua com mato e baronesas, não houve transbordamento, mas naquele mesmo dia a Defesa Civil de Lauro de Freitas atendeu 44 ocorrências em outras partes da cidade.


A avenida Luiz Tarquínio no acesso a Vilas do Atlântico: apesar de obras, alagamentos continuam a acontecer

De acordo com a prefeitura, o volume de chuva que caiu foi o esperado para todo o outono. Nos dois dias seguintes outras sete ocorrências foram registradas, incluindo a queda de uma árvore no Miragem. Foram alagamentos localizados, queda de árvores e de um muro, além dos habituais deslizamentos de terra. De acordo com

a prefeitura, no ano passado a Defesa Civil já havia identificado a fragilidade do muro que desabou em um condomínio no Caji e notificou os responsáveis. Segundo os moradores, a construtora do prédio foi acionada, mas “nenhuma providência foi adotada”. A Defesa Civil fez a limpeza das encostas para cobrir as áreas de risco com lona plástica e orientar obras de contenção.

EDGAR COPQUE

O deputado Joseildo Ramos (segundo à esquerda) com os vereadores Antônio Rosalvo (esq) e Tito Coelho e o secretário Ailton Florêncio na represa do Jambeiro: abertura das comportas em discussão

Muro de condomínio que desabou no Caji foi identificado pela Defesa Civil no ano passado Maio de 2018 | Vilas Magazine | 19


q CIDADE

Rio Joanes tem água limpa até encontrar o Ipitanga

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qualidade da água nos rios Ipitanga e Joanes é considerada boa no trecho anterior a Lauro de Freitas. Só depois das represas – onde a Embasa capta água para consumo humano – é que os cursos d’água passam a ser poluídos. É o que mostra a medição periódica do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) há dez anos. O trecho do Joanes a jusante da barragem, que tem a qualidade da água comprometida, não contribui para o abastecimento. Dos cinco pontos do Joanes periodicamente monitorados pelo Inema desde 2008, três apresentam, historicamente, quase sempre boa qualidade da água: em São Sebastião do Passé (JOA 050 e JOA 200) e em Simões Filho (JOA 400) – medido já depois da afluência do rio Camaçari. Já no ponto de monitoramento após a represa Joanes 1 (JOA 600), no Jambeiro, a qualidade oscilava entre regular, boa e ruim até 2012 – quando as comportas foram fechadas. A partir daí, seis de sete medições apontaram boa qualidade da água remanescente, mas apenas até 2016. A poluição do Joanes, longe de ser um problema da região metropolitana, ocorre apenas em Lauro de Freitas. Mas é no ponto JOA 900, sob a ponte da Estrada do Coco, que o Joanes sempre apresentou qualidade ruim da água. Ali o Joanes já recebe a poluição do rio Ipitanga, que é limpo nas barragens (IPT 500), mas sujo em Lauro de Freitas. No ponto IPT 600, que fica sob a ponte do Km 3,5 da Estrada do Coco, onde está sendo construído um shopping center, 80% das medições dos últimos dez anos registram qualidade ruim ou péssima da água. Com o fechamento das comportas na barragem Joanes 1, é esse o único fluxo que o Joanes recebe depois do ponto JOA 600 até desaguar na praia de Buraquinho.

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q CIDADE

Piscinões do Ipitanga saem do papel para amortecer enchentes

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governador Rui Costa assinou em abril a ordem de serviço para início da obra dos seis piscinões que devem reduzir as enchentes e alagamentos nos períodos de chuva em Lauro de Freitas. O projeto foi revelado em primeira mão pela Vilas Magazine em 2013 e anunciado no ano passado pela prefeita Moema Gramacho (PT). O investimento é de R$ 169 milhões, entre projeto executivo e obras físicas, que incluem a recuperação de nove canais de macrodrenagem ao longo de cerca de 14 quilômetros e a construção de seis reservatórios de amortecimento – os piscinões – que serão usados como parques urbanos em tempo de estiagem. A capacidade de escoamento do rio Ipitanga também será ampliada. O projeto não prevê intervenções no leito do rio Joanes. Os piscinões são uma solução de combate a enchentes aplicada no país desde os anos 90. A função da estrutura é armazenar temporariamente um eventual excesso de águas pluviais, evitando o transbordamento de cursos d’água (veja gráfico na página ao lado). Todo o trecho do rio Ipitanga entre a segunda ponte da Estrada do Coco e o rio Joanes deverá ter a calha ampliada pelo desassoreamento do leito. Grandes bueiros de 2,2m O governador Rui serão implantados na altura do Km 3,5 – Costa no evento onde será construída a estação do metrô de assinatura da Lauro de Freitas. Seis canais de macrodreordem de serviço nagem serão construídos ou ampliados,

incluindo o Caji da Urbis, Jardim dos Pássaros e Santa Júlia, Jaraguá e Horto, Lagoa dos Patos e Fazendão. Apesar de beneficiar principalmente Lauro de Freitas, onde o Ipitanga transborda e de acordo com os dados do edital de pré-qualificação da Conder, um dos parques estará u 22 | Vilas Magazine | Maio de 2018


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q CIDADE

no Centro de Lauro de Freitas, três no limite com Salvador e outros dois logo após a represa Ipitanga 1, em Cassange e São Cristóvão. Um dos maiores parques previstos no projeto inicial seria o Rosa dos Ventos, que ocupará a área em frente à cabeceira da pista do aeroporto internacional, na Estrada do Coco, ao longo de um trecho de 450 metros do Ipitanga e que receberá o terceiro piscinão dos seis que serão construídos. O primeiro será no futuro Parque Sítio das Palmeiras, em Cassange, Salvador, nas imediações da avenida Aliomar 24 | Vilas Magazine | Maio de 2018

Baleeiro. O segundo será construído no Parque Beira Rio, no bairro do Parque São Cristóvão, 700m a jusante do reservatório anterior. Já em Lauro de Freitas, o quarto piscinão estará situado no Parque Alameda dos Ingazeiros, que incluirá a maior parte da área entre a via alternativa e a avenida Dois de Julho, início da futura via expressa para a praia de Ipitanga. O Alameda dos Ingazeiros começa 2,5 Km depois do Rosa dos Ventos e segue até a parte de trás do ginásio municipal de esportes e Restaurante Popular. É nessa área que a prefeitura pretendia construir

o Centro Administrativo de Lauro de Freitas, um prédio que abrigaria o Executivo e o Legislativo. Embora a maior parte do trecho esteja efetivamente incorporado a Lauro de Freitas, ainda é formalmente território de Salvador, assim como o Parque da Mata, ao longo de um trecho do rio Itinga, a cerca de 1,8 km a montante do Ipitanga. Ali seria construído o quinto piscinão. O sexto e último ocupará uma grande área das margens do rio Caji-Picuaia, a cerca de 1 Km a montante do Ipitanga, entre Vida Nova e o Caji-Caixa d’Água. Virá a ser o Parque das Águas.


Oito radares previstos para dentro de Vilas do Atlântico

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ovos 37 radares passarão a multar os motoristas menos atentos de Lauro de Freitas a partir deste mês – oito deles dentro de Vilas do Atlântico, provavelmente em substituição a alguns dos inúmeros quebra-molas do bairro. É a primeira vez que equipamentos de controle de velocidade serão instalados dentro de Vilas do Atlântico, onde já é impossível desenvolver velocidades maiores que as regulamentares. Três radares estavam previstos para a avenida Praia de Itapoan. Os outros cinco estão destinados às avenidas Praia de Tramandaí – onde funciona o final de linha dos ônibus – Praia de Guarujá, Praia de Guarapari, Praia de Pajussara e Praia de Itamaracá. A avenida Praia de Copacabana também pode receber um radar, apesar da via não constar do edital de licitação da prefeitura de Lauro de Freitas – que deve pagar R$ 534 mil por mês pela ope-

ração dos novos equipamentos. Radar de velocidade na Mais de 15 mil notificações Estrada do Coco: agora de multas de trânsito foram também dentro de Vilas emitidas pela prefeitura no ano do Atlântico passado, relativas a infrações registradas no primeiro semestre. Quase 900 são multas por estacionar em local proibido. Mais da metade, quase oito mil notificações, está relacionada a excesso de velocidade, uma infração média que rende R$ 130,16. Se todas as multas forem consideradas válidas depois de eventual recurso, a prefeitura arrecada mais de R$ 1 milhão só por excesso de velocidade. Os novos radares vêm somar-se aos atuais, passando a totalizar 58. Só na avenida Santos Dumont, a Estrada do Coco, seriam mais de 20 os radares em operação. A rua Priscila Dutra, acesso ao Miragem, também tinha um radar previsto. Três equipamentos estariam na avenida Luiz Tarquínio e outros dois na avenida Ministro Antônio Carlos Magalhaes, acesso a Buraquinho. As avenidas Fortaleza e da Gaia, em Itinga e a rua São Cristóvão, em Portão, terão dois radares cada uma. Três radares estavam planejados para a rua Dr. Gerino de Souza Filho, que liga Itinga ao Jambeiro em paralelo à avenida Santos Dumont. E a avenida Santo Amaro de Ipitanga, antiga Dejanira Maria Bastos, pode receber mais um. A Maria Isabel dos Santos, mais conhecida como avenida Beira Rio, e a Dois de Julho, que liga a Santos Dumont ao Centro, teriam dois radares cada uma. Na Luiz Felipe de Souza Leão, a popular Via Alternativa, haveria três radares para vigiar o limite máximo de 60 Km por hora. Os seis radares restantes serão do tipo de registra avanço de sinal vermelho e parada sobre a faixa de pedestres. Um deles estará em Itinga e os demais no Centro.

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q MEIO AMBIENTE

Apoio popular marcou temporada de desova de tartarugas marinhas

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ncerrada oficialmente no final de março, a temporada reprodutiva das tartarugas marinhas nas praias do litoral brasileiro foi a primeira com ninhos mantidos nas praias de Lauro de Freitas. De um total de 253 ninhos nas praias monitoradas na Região Metropolitana de Salvador, 44 estavam em Vilas do Atlantico, 32 em Ipitanga e 177 no Flamengo, Stela Maris e Itapuã. O grande marco desta temporada, para a equipe do Tamar, “foi o apoio e a receptividade da população”, resultado da nova metodologia de monitoramento implantada nas praias de Lauro de Freitas e Salvador. Até a temporada anterior, as desovas que aconteciam no trecho entre o farol de Itapuã e Buraquinho eram transferidas para a praia de Busca Vida, por ser uma área mais preservada, visando garantir o sucesso de nascimento das tartarugas marinhas.

A nova metodologia, implantada em 2017, idealizada pelo coordenador técnico do Projeto TAMAR de Arembepe, Eduardo Saliés, consiste em manter os ninhos nos locais reais de postura. O projeto começou com a análise dos dados obtidos em vários anos de monitoramento das praias, o levantamento dos principais atores da região e as possíveis ameaças que poderiam comprometer o sucesso de eclosão dos ninhos. O principal objetivo da mudança de metodologia é retomar importantes áreas de nascimento para os filhotes de tartaruga marinha, assim como envolver a população na proteção destes animais ameaçados de extinção. E funcionou: as pessoas protegeram ativamente os ninhos, demarcando provisoriamente com o que tinham à mão e deixando recados para outros moradores. “Este trabalho de recuperação de áreas de desova em região urbana é inédito no Brasil”, destaca Nathalia Depois de avisar o Tamar, deixaram recado no casco da tartaruga para ninguém mexer ali Moradores dedicaramse a marcar e proteger ativamente os ninhos com o que tinham por perto

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Sem poder chamar o Tamar imediatamente, alguém demarcou o ninho e deixou o recado Berchieri, bióloga da base Arembepe do Tamar. “Parabenizamos toda população da região metropolitana de Salvador pelos bons resultados”, disse – “é um ganho para a conservação marinha e para toda sociedade”. A equipe do Tamar continua em atividade na região, atendendo as ocorrências e acompanhando o nascimento dos últimos ninhos marcados nas praias – inclusive em Lauro de Freitas. “Em setembro retomamos o monitoramento das praias e seguimos contando com o apoio de toda população para que a próxima temporada nos traga mais resultados positivos e muitos filhotinhos ao mar”, comemora a bióloga. Ela orienta a população a entrar em contato com o Tamar pelos números 98127-0038 ou 999790392 caso encontre rastros de fêmeas ou de filhotes ou animais encalhados.


q CULTURA

Legado de Mãe Mirinha de Portão preserva cultura de matriz africana

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undado em 23 de abril de 1948, o Terreiro de São Jorge Filho da Goméia marcou 70 anos de história, com um seminário realizado em abril para homenagear Mãe Mirinha de Portão (21/12/24 – 18/02/89) em torno da preservação da cultura de matriz africana. O terreiro é tombado como Patrimônio Cultural do Estado da Bahia desde 2004. Mãe Mirinha é uma das matriarcas citadas na obra de referência “Mulheres Negras do Brasil”, de Schumaher e Vital Brazil (2007), que trata do papel da mulher negra na história e na construção da identidade nacional. No seminário, Lúcia Neves, a Mãe Lúcia de Portão, neta e herdeira de Mãe Mirinha, destacou a necessidade que a

cultura de matriz africana tem de cultivar seus grandes nomes para preservar a própria herança cultural. O propósito do evento foi retratar e reconhecer a história de uma das Mameto Nkisi mais importantes da Bahia. Mirinha teria sido iniciada na religião em 17 de outubro de 1937, aos 12 anos, quando morava com a madrinha em Salvador. Filha de santo de Joãozinho da Goméia, símbolo de preservação da cultura Banto na Bahia, Altanira Maria Conceição Souza, a Mãe Mirinha, teve papel de destaque também na vida de Portão, desenvolvendo amplo trabalho social e atuando sempre junto ao poder público por melhorias na comunidade. A relevância de Mãe Mirinha para Portão e Santo Amaro de Ipitanga ficou registrada em “História viva: exposiREPRODUÇÃO

pMãe Mirinha de Portão em cena do filme Tenda dos Milagres, de 1977 tMãe Lúcia, herdeira de Mãe Mirinha: cultivar os grandes nomes para preservar a herança

ção da história de vida de Mãe Mirinha de Portão”, de 2012, do Projeto Cultural Afro Bankoma. A construção do Hospital Menandro de Faria, por exemplo, ainda hoje o único hospital geral da cidade, nasceu das gestões de Mãe Mirinha junto ao então governador Roberto Santos. João Alves Torres Filho, o Joãozinho da Goméia, por sua vez filho de Manuel Severiano de Abreu, Jubiabá – outra figura lendária do candomblé baiano – é tido como o primeiro pai de santo a perceber o poder da comunicação, muitas vezes por meio de polêmicas, usando-o para diminuir a discriminação, realidade muito mais grave há 70 anos. Amiga de Jorge Amado, Mãe Mirinha participou das filmagens de Pastores da Noite, de Marcel Camus (1975) e de Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos (1977). Nomes como Hugo Carvana, Antônio Pitanga e Grande Otelo, que atuam nos filmes, ajudaram a propagar a cultura negra da Bahia em todo o país e no exterior. O roteiro de Tenda dos Milagres menciona o terreiro “da Mirinha do Portão”, onde uma rara sequência registra uma festa com a Mameto Mirinha a presidir. No contexto dos anos 70, quando se começava a discutir a inclusão social da população negra – e a combater a negação da realidade racista brasileira – a participação da mãe de santo no filme ainda hoje é objeto de pesquisa. Maio de 2018 | Vilas Magazine | 27


q TURISMO

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ano era 1968. Enquanto parte do mundo se levantava contra regimes autoritários, o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, acompanhado do guitarrista Keith Richards, passeava quase anônimo durante o verão do então bucólico vilarejo de Arembepe, no litoral norte de Salvador. Nascia em seguida a aldeia hippie de Arembepe. Situado entre as dunas que separam o mar do hoje enfraquecido rio Capivara, o local tem atualmente cerca de 25 casas e 60 moradores. Camuflados em meio à restinga, os bangalôs são uma mistura de barro, pedras e garrafas de vidro, que remetem à Casapueblo, em Punta Ballena, no Uruguai. Quase ninguém, hoje, é do tempo em que a agitação cultural tomava conta desta espécie de universo paralelo, de acordo com o artesão Walter Cezar, 62, que vive na casa do artista plástico local Luiz Lourenço. Natural da cidade de Tucano, no sertão baiano, Cezar passou a frequentar a aldeia nos idos de 1980. “O auge foi por volta de 1970. Na década seguinte, todos estavam na cidade, na luta contra a ditadura”, conta. Hoje, a aldeia é frequentada por turistas e moradores dos distritos vizinhos e de Salvador. Ainda assim, há um distanciamento entre o “mundo exterior” e a comunidade, de acordo

Arembepe mantém viva a tradição de reduto hippie na Bahia

RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

Casa na Aldeia Hippie 28 | Vilas Magazine | Maio de 2018

com a artesã Hozana Silva, 42, nascida em uma cabana no local. “Ser hippie tem a parte boa, que é ser livre, mas também tem a parte ruim, que é ser discriminado, ser olhado de uma maneira diferente pelas pessoas”, diz Hozana. “A gente tenta se aproximar da sociedade, mas lidamos muito com o preconceito, o que nos força a viver quase isolados. A gente quer que as pessoas venham mais, conheçam nossa cultura e valorizem nosso trabalho.” Na vila, é possível fazer uma parada no bar do Alceu, que oferece uma conversa boa, e comprar um adereço no Centro de


Praia do Piruí e suas piscinas naturais

Após 50 anos da visita de Mick Jagger, aldeia abriga remanescentes que vivem do artesanato

RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

Artesanato, que é o principal ganha-pão da comunidade. Outra opção é fazer uma visita à casa onde o artesão Cezar mantém a sua oficina, além de um acervo de livros e discos à venda. Na cheia, o rio Capivara convida para um banho. Distrito de Camaçari, Arembepe está a 20 quilômetros de Lauro de Freitas, pela Estrada do Coco. PRAIAS Mas, diferentemente da badalada praia do Forte, Arembepe oferece ao viajante opções de preços mais baixos.

No centro nervoso de frente para o mar, fica a igreja de São Francisco de Assis, erguida no início do século 20, e um leque de pequenas lojas, mercadinhos e lugares que servem comida típica. Um dos lugares mais populares é o restaurante Mar Aberto, com vista para o mar e pratos a partir de R$ 27. Para quem estiver em busca de isolamento, a opção é seguir para a praia do Piruí, onde piscinas naturais, formadas na maré baixa, contrastam com ondas ideais para a prática do surf. No fim de semana, só duas barracas funcionam na orla. Vale levar um kit básico com guarda-sol e cadeiras. Ali se encontram u Maio de 2018 | Vilas Magazine | 29


q CIDADE TURISMO

Entrada da Aldeia Hippie RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

MAURICIO MERCER / FOLHAPRESS

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Praia do Piruí

RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

Dunas da Aldeia hippie

Recifes de Arembepe

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RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

Praia do Piruí atrai a prática do surfe

Placa do projeto Tamar na Praia do Piruí as opções de hospedagem mais tranquilas, entre elas a pousada A Capela, com diárias que vão de R$ 280 a R$ 430. Ao longo de toda a costa de Arembepe também é possível avistar marcações que sinalizam a existência de ninhos com ovos de tartarugas marinhas. O centro local do Projeto Tamar oferece museu interativo, tanques de observação dos bichos e visitas guiadas, que devem ser agendadas com antecedência, pelo email cv.arembepe@tamar.org.br. Outra atração popular é a praia do Canto, mais ao norte da aldeia hippie. Separado do rio Capivara por uma colina de dunas, o pedaço é conhecido por abrigar

uma bancada de corais. OCUPAÇÃO HIPPIE Os moradores atuais da aldeia hippie buscam ocupar o local com apresentações musicais, mostras cinematográficas e exposições. “Hoje, a gente luta para que a comunidade se torne patrimônio cultural”, afirma o artesão Walter Cezar. Com esse intuito, membros da Associação dos Comerciantes e Prestadores de Serviço de Arembepe espalharam pelas praças banners que contam a história local aos visitantes. Segundo Claudia Giudice, 52, membro da entidade, há projetos “em fase de conversa” com o poder público para

manter agenda de celebração dos 50 anos da aldeia. “A gente está tentando fazer uma série de eventos para colocar luz sobre esse lugar e, obviamente, trazer turistas que ajudem a aldeia a ficar viva”, diz Giudice, que nasceu em São Paulo e mudou para Arembepe em 2013. “O movimento hippie teve força muito grande no Brasil, chegou aqui no contexto histórico da ditadura. Com isso, a aldeia atraiu gente muito interessante em vários verões. Isso não pode ser esquecido, porque parte da nossa música, da nossa poesia e da nossa história está ligada a esse movimento.” Franco Adailton / Folhapress. RAUL SPINASSÉ / FOLHAPRESS

Praia ao lado do centro de Arembepe

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Ser mãe aos 20, 30, 40 e 50 Saiba quais são as vantagens e desvantagens conforme a faixa etária

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iologicamente, o melhor período para gerar um bebê é na faixa dos 20 e 30 anos, fase em que a mulher é mais fértil e que o corpo tende a responder melhor à gestação e à adaptação da maternidade. Mas isso não impossibilita a gravidez entre mulheres de 40 e 50 anos, principalmente porque quem opta em retardar o momento de ser mãe tem muito mais suporte para encarar uma gravidez a partir dos 35 anos já que, com o avanço da medicina, fatores que antes eram considerados impeditivos já não são mais. Dar à luz uma criança deve ser uma

escolha consciente, pois exige disposição física, tempo, estabilidade emocional e preparação psicológica para encarar a responsabilidade e curtir cada fase da gestação. A coordenadora psicossocial na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, com Rita Calegari, explica que em cada uma dessas fases a mulher tem vantagens e desvantagens específicas. Veja quais são: MÃE AOS 20 A mulher é jovem, tem muita energia e tende a se recuperar melhor do parto e das horas mal dormidas à noite. Como não teve tanto tempo de desenvolver uma carreira profissional, pode também ter maior disponibilidade de tempo ou preocupações menores com o estresse gerado

por atividades relacionadas ao trabalho. No entanto, essa incerteza com o trabalho e sustento poderá ser uma desvantagem – já que a mamãe poderá ser dependente de uma rede de apoio (pais ou marido/companheiro) e isso nem sempre é tranquilo para a mulher (algumas se sentem desconfortáveis por depender financeiramente de alguém, o que pode afetar a autoestima). Outra desvantagem é a imaturidade – com pouca experiência de vida, a mulher da faixa dos 20 ainda sofre com os próprios altos e baixos emocionais típicos do início da idade adulta e, o fato de se tornar responsável por outra vida pode ser estressante para algumas mulheres. Outro problema desta fase é que os relacionamentos ainda são jovens ou houve pouca experiência afetiva, tornando a vida a dois uma “tacada de sorte”. Por fim, essa faixa etária é uma fase em que os jovens gostam de curtir, viajar e badalar – o que não combina com um bebê. MÃE AOS 30 Ter filhos nessa faixa etária pode ser bem equilibrado, já que a mulher teve mais tempo para estabelecer vínculos afetivos, experimentar relacionamentos, passear, viajar e estudar. A carreira profissional pode estar em ascensão, mas já melhor definida. O corpo é jovem o suficiente para dar conta das atribuições múltiplas da maternidade, mas mais maduro e estabilizado do que aos 20 – inclusive do ponto de vista emocional. Pode ocorrer alguma tensão relacionada ao momento de engravidar, como o receio de não conseguir, ou em razão das demandas profissionais,

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especialmente quando o cargo requer viagens constantes ou horários indefinidos. Também pode ser difícil para alguns casais conciliar os planos financeiros, como comprar uma casa ou trocar de carro, com as despesas de um filho.

O elo entre a mãe e o bebê

MÃE AOS 40 Com o avanço da medicina e a inserção da mulher no mercado de trabalho, a cada ano mais mulheres optam por engravidar aos 40. Nesta faixa etária, é comum que a carreira já esteja estabilizada e, normalmente, é nessa idade que algumas mulheres sentem o desejo de se dedicar a alguém. Nem sempre essa maturidade emocional coincide com um relacionamento estável – é uma faixa onde muitos relacionamentos já se dissolveram e a mulher nem sempre tem o “cara certo” ou disposição para esse investimento a dois. Ou, ainda, o “cara certo” já tem filhos dos relacionamentos anteriores e lidar com o meu, o seu e o nosso pode exigir alguma resiliência.

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MÃE AOS 50 Ter filhos nessa faixa pode ser um “sopro” de renovação, a vida ganha outro movimento e a casa fica mais agitada. Nem sempre as mães dessa faixa etária têm disposição para o pique das crianças e podem apresentar alguns problemas de saúde típicos da idade e que podem dificultar o acompanhamento das travessuras de um bebê em desenvolvimento. Além disso, nessa faixa etária as mães costumam ser muito mais tolerantes com as crianças, o que pode gerar alguns problemas de disciplina infantil. No entanto, por serem mais experientes, essas mães não se intimidam e se dedicam muito naquilo que estão dispostas. Independente de qualquer fator, idade, vantagem ou desvantagem, ser mãe é um momento único na vida de uma mulher e requer atenção especial à saúde da mamãe e do bebê.

Durante a gestação ele começa a ser desenvolvido e se reforça depois do nascimento chegada de um bebê muda a rotina de toda a família e, sobretudo, da futura mamãe, que tem que reorganizar seus horários e tarefas desde o início da gestação. Já com o impacto da notícia de que um ser está sendo gerado por ela, a mulher desenvolve um vínculo de carinho, amor e afeto que requer preparação psicológica. Durante os meses de gestação, o elo entre mãe e feto – por mais que ele ainda não possa compreender – já começa a ser desenvolvido por meio de carinhos na barriga, conversas e a sensação de que ele é desejado, como salienta a psicóloga Salete Arouca, do Hospital e Maternidade Santa Joana. “Trata-se de um processo de comunicação complexo e, ao mesmo tempo, sutil, que torna possível esta troca íntima e profunda. O vínculo é de extrema importância para o feto, pois faz com que ele se sinta desejado e amado, o que é

fundamental para que ele continue se desenvolvendo de forma harmoniosa e saudável”. Depois do nascimento, instantaneamente o vínculo fica mais intenso assim que mãe e filho se reconhecem, porém seu fortalecimento é gradativo. “Além do olhar, o toque é muito importante. As atividades entre mãe e bebê, por mais simples que pareçam, são fundamentais para que as conexões se estabeleçam e a relação seja consolidada”, ressalta Salete. Segundo a psicóloga, o melhor exemplo de atividade que integra a dupla é ainda a mais natural na rotina diária de uma nova mãe: a amamentação. “É o momento mais importante, pois é quando são estimulados mecanismos sensoriais, hormonais, fisiológicos, imunológicos e emocionais. Na amamentação, o bebê procura o olhar da mãe e busca seu toque. A mãe, por sua vez, faz carinho, conversa, canta. E mesmo que não haja a possibilidade de amamentar, o momento em que a mãe oferece alimento ao seu bebê é importante, por proporcionar proximidade, afeto e segurança”, diz a

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Gravidez: mitos e verdades Especialista esclarece 10 perguntas mais comuns feitas em seu consultório

A especialista. Parte do dia-a-dia, as trocas de fraldas e roupinhas também são uma opção válida e produtiva, onde estão presentes os olhares, conversas e toques. A mamãe pode tornar esse momento divertido para ela e para o bebê e incluir conversas, massagens e olhares, o que também estimulará o desenvolvimento motor e intelectual do filho. Já no banho, a psicóloga Salete Arouca diz que a melhor dica é segurar o bebê no colo e tornar tudo mais interativo. “Dessa maneira ele poderá sentir a mãe junto dele, sentir seu cheiro, se divertir. É uma ótima oportunidade para criar laços e passar um tempo de qualidade com o bebê”. Outras alternativas que fortalecem o vínculo entre mãe e bebê são a shantala (técnica indiana de massagem), que é uma ótima maneira de aproximá-los ainda mais, pois com ela existe a troca de amor e carinho; exercícios físicos com o bebê também podem ser praticados, como por exemplo a ioga, que pode ser voltada para os dois, com muito toque, massagem e balanços, criando uma integração e contato entre a mãe e o bebê, com momentos para meditar e relaxar.

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gestação é um período em que a mulher passa por diversas emoções e é natural surgirem dúvidas, principalmente quando se trata do primeiro filho. Para esclarecer as principais dúvidas das gestantes, o Ginecologista e Obstetra do Hospital e, Maternidade São Cristóvão, Fabio Muniz, respondeu as 10 perguntas mais questionadas em seu consultório:

Fazer exercícios grávida prejudica o bebê? Quais tipos de exercício são indicados? Exercícios físicos aumentam a sensação de bem-estar e consciência das transformações corporais durante a gravidez. É importante que o exercício seja acompanhado por um educador físico e tenha liberação de seu médico. Para as gestantes que já praticavam atividade física, a intensidade deve ser reduzida em

1/4. As gestantes que iniciarão a atividade devem começar com caminhadas entre 15 e 20 minutos. A frequência cardíaca não deve ultrapassar os 140 batimentos por minuto. Dentre as atividades recomendadas estão as caminhadas, natação, ginástica sem impacto, hidroginástica, RPG e alongamento. É possível engravidar na menopausa? O que caracteriza a menopausa é a ausência da menstruação e depois de confirmado este diagnóstico, não é possível engravidar por meios naturais. Pode ocorrer de a mulher engravidar no período que antecede a menopausa, pois a menstruação pode ficar irregular, mas eventualmente a mulher ovula, e se não utilizar algum método contraceptivo poderá engravidar. Quem tem o bico invertido terá problemas na amamentação? O que se deve fazer? Sim, gestante com mamilos planos terão mais dificuldade para amamentar, pois a “pega” será prejudicada. Existem


mamilos que apresentam uma pseudoinversão e com uso de conchas mamilares e leve manipulação podem exteriorizar. O formato da barriga indica o sexo do bebê? O formato da barriga não indica o sexo do bebê. Barriga pontuda não é sinal de que seja menino e nem barriga redonda significa que será menina. Embora disseminado pela sabedoria popular, estudos não comprovam esta teoria” Sexo durante a gravidez faz mal e pode antecipar o parto? O sexo em condições normais não faz mal nem desencadeia o trabalho de parto prematuro. Existe restrição em situações anormais, como na ameaça de aborto, risco de trabalho de parto prematuro ou quando ocorre a ruptura da membrana amniótica. Quais os principais cuidados que a gestante deve ter durante a gravidez? A participação do companheiro e da família é fundamental. O acompanhamento pré-natal é de extrema importância, pois permitirá a identificação de situações de risco à gravidez. É indicado, também, o acompanhamento de um médico que esclarecerá dúvidas referentes as alterações fisiológicas ou patológicas da gravidez como também da adoção de medidas comportamentais e dietéticas benéficas à evolução da gravidez saudável. Grávidas podem fumar ou ingerir bebidas alcoólicas? Qual o risco para o bebê? Jamais. Além de trazer sérios riscos para a saúde materna, fumar pode causar aborto espontâneo, parto prematuro, recém-nascidos de baixo peso e morte fetal. Estudos demonstram que crianças de sete anos (filhos de fumantes) apresentam atraso no aprendizado quando comparados a filhos de não fumantes. A gestante que vive em ambiente poluído

pela fumaça do cigarro também pode apresentar os mesmos problemas. Não se deve ingerir bebida alcoólica em nenhuma quantidade. Estudos feitos nos EUA mostram que o álcool é umas das principais causas de retardo mental em recém-natos. Ingerir bebida alcoólica na gravidez, além de ocasionar problemas obstétricos, pode levar a síndrome alcoólica fetal, causando baixo peso, déficit mental, deformidades cardíacas e do sistema nervoso central. A gestante pode pintar ou descolorir o cabelo? E usar alisantes ou fazer escova progressiva? Embora não exista comprovação científica de que as tinturas, ondulações e processos químicos afetem o bebê, os produtos utilizados contêm, na sua maioria, amônia, um produto com forte odor que pode causar mal estar e pode ser absorvida em pequena quantidade pelo couro cabeludo. Produtos que contenham chumbo em sua formulação também devem ser evitados. A opção fica

por conta de tinturas que não utilizem estes produtos e os reflexos e luzes que não atingem o couro cabeludo. A hena pode ser utilizada desde que não tenha chumbo na composição. Porque usar salto alto é um risco? Na gravidez salto alto apresenta maior risco, considerando possíveis tonturas, sonolência, dificuldade motora e vertigens que são sintomas comuns deste período. Os calçados devem ser confortáveis, de materiais flexíveis, sem aperto ou bico fino. Deve-se preferir solados emborrachados, prevenindo escorregões e quedas. Pode consumir carne crua, como sashimi e carpaccio? A maior preocupação com relação à carne crua é a toxoplasmose, doença típica de animais domésticos que pode levar danos ao feto. Durante o pré-natal, se for constatado a ausência de anticorpos contra a toxoplasmose, a recomendação é evitar o contato com animais e a ingestão de carne crua ou mal passada.

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Desejos dão origem a mitos Nutricionista esclarece alguns mitos, como as consequências de desejos não atendidos

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omo manter uma alimentação sau dável durante e depois da gestação e como isso pode influenciar a saúde do bebê em fase de amamentação são sempre dúvidas das mamães. A nutricionista Alice Mami Hayashi, destaca que é importante uma nutrição equilibrada da mamãe para o desenvolvimento do bebê, em todas as etapas da sua vida. Ela observa que as práticas alimentares das mulheres durante os períodos de gestação e aleitamento são influenciadas por diversos fatores, inclusive crenças, mitos populares e tabus, que, em sua maior parte, não têm respaldo científico. “O problema maior é que a restrição ou alteração da prática alimentar da futura mamãe em função desses mitos ou tabus pode provocar transtornos e carências nutricionais que irão interferir diretamente no crescimento e desenvolvimento do feto, bem como na lactação, que é a fase da produção e manutenção do leite materno.” Um dos mitos é que a grávida deve comer por dois e se não tiver um desejo atendido, o bebê vai nascer com alguma marca. “Esse é um dos mitos mais populares que existem. Em algumas culturas acredita-se, inclusive, que a coloração de alguns alimentos pode manchar a pele do bebê, e que alimentos “quentes” podem provocar aborto. A analogia com o aspecto dos alimentos também exerce grande efeito na exclusão de alguns deles, como, por exemplo, acreditar que comer ovos faz com que o bebê nasça careca ou que

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comer pata de caranguejo provoca máformação das pernas da criança”, conta. Alice explica que não existem justificativas científicas para a exclusão desses ou outros alimentos durante a gravidez e a amamentação. “É recomendável que o peso e o estado nutricional da gestante sejam acompanhados, para evitar que uma dieta inadequada resulte em obesidade ou desnutrição”, explica Alice. Muitas mulheres acreditam que o consumo de determinados alimentos pode provocar gases, cólicas e até assaduras nas crianças, pois afetaria o leite materno. No Pará, por exemplo, as grávidas evitam comer, em uma mesma refeição, carne e frutos do mar com receio de que isso faça mal. Em outras regiões do Brasil, as lactantes não amamentam nos primeiros dias após o parto porque acreditam que o leite materno é “venenoso” ao bebê. “Na realidade, o leite materno produzido nos primeiros dias após o parto (colostro) é rico em anticorpos e confere imunidade ao bebê”, alerta. De fato, tudo o que a mãe ingere e o organismo metaboliza, em parte chega ao leite materno. Porém, isto não significa que certamente fará mal ao bebê. “Com exce-

ção do consumo de bebidas alcoólicas, não se encontra respaldo científico suficiente que justifique a restrição total do consumo de refrigerantes, alimentos com cafeína, aditivos ou gordura, frutas ácidas, abóbora, cebolinha, repolho, alho, couve-flor, aspargos, peixes, carne de porco, feijão, abacate, ovo, leite, chocolate, pimenta e temperos picantes, que podem ser consumidos moderadamente dentro de uma alimentação balanceada”, destaca. Outro mito é que comer canjica e beber cerveja preta aumenta a quantidade e fortalece o leite materno. “Ao contrário do que muitos imaginam, não existe leite fraco. Todas as mulheres, mesmo desnutridas, produzem leite com a mesma composição nutricional, capaz de satisfazer as necessidades do recém-nascido”, avisa. Algumas crenças culturais ou familiares, segundo a nutricionista, ressaltam a importância de consumir canjica, cerveja preta, leite, chá de folhas de algodoeiro, líquidos em abundância, mingau de arroz, caldos de galinha, feijão, peixe ou carne, açaí, sopa de fubá e arroz doce para auxiliar o aleitamento materno, mas não há explicações científicas de como seria a ação desses alimentos.


Mães se dão melhor no trabalho Nutricionista esclarece alguns mitos, como as consequências de desejos não atendidos

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onciliar família, filhos e trabalho não é uma tarefa nada fácil. Mas há décadas a mulher conquistou essa habilidade e vem mostrando que pode administrar com maestria sua profissão assim como seu lar e dependentes. Luciano Salamacha - um dos especialistas em gestão de carreiras mais requisitado entre as companhias no Brasil, doutor em administração e professor da FGV Management - aponta talentos típicos de mães que destacam a mulher no mundo empresarial e favorecem os negócios. “Mamães têm capacidade de estabelecer e gerenciar relacionamentos interpessoais em prol da união familiar. No mercado de trabalho, isso se traduz no fortalecimento da equipe e traquejo para driblar diferenças pessoais”, destaca.

Outra característica que enaltece a mulher-mãe é o talento para desenvolver diversas atividades ao mesmo tempo, aprimorado por força da necessidade da gestão do lar, do ambiente familiar. Salamacha explica que o mercado empresarial, atualmente, necessita mais do que especialistas profundos em apenas uma pequena área ou de generalistas que conhecem um pouco de tudo. “Na verdade, hoje, as organizações demandam de pessoas que têm uma visão geral. Que sejam capazes de responder com profundidade por áreas que são vitais para a sobrevivência da companhia e, ao mesmo tempo, possuem conhecimento superficial para atuar em áreas periféricas. E a maternidade é um grande capacitador desse talento”, complementa o especialista. A sensibilidade materna também é um fator que favorece os negócios e o ambiente de trabalho nas corporações. Como principal gestora da família desde o

início da humanidade, a mãe está sempre atenta a pequenos detalhes que possam fazer a diferença na sobrevivência e saúde da sua família. “Em atividades como na área financeira, controladoria e contabilidade, as profissionais que são mães têm alto grau de confiabilidade sobre as tarefas realizadas, comparando com o desempenho de outros perfis da equipe”, explica Salamacha. Atenção à imagem pessoal em prol das relações interpessoais e grandes negócios. A maternidade desenvolve o cuidado com a apresentação pessoal e comportamental. A dedicação na formação de uma imagem positiva é um componente importante para se estabelecer relações, inclusive de natureza comercial. “É por isso que boa parte das áreas de comunicação visual, identidade visual e marketing nas organizações são confiadas às mulheres”, justifica o especialista em neurociência voltada aos negócios. Capacidade de resiliência e perseverança típica de mãe é outra característica destacada. Com a maternidade, as mulheres demonstram grande poder de assimilar ocasiões adversas e reverter aspectos negativos para situações otimistas e melhores, em defesa de suas crias quando se trata da família, e de suas criações no âmbito corporativo. Salamacha salienta ainda benefícios para o engajamento e expansão de equipe. “Quem nunca ouviu a expressão: em coração de mãe sempre cabe mais um? Na prática, no âmbito familiar, ela é facilmente compreendida. E no mercado de trabalho ela também se aplica favoravelmente. A maternidade habilita a mulher a sempre unir as pessoas que gosta e envolver com sentimentos saudáveis”, comenta. O especialista em gestão de carreiras ressalta que, de modo geral, a natureza feminina posiciona a mulher como uma profissional multifacetada, capaz de desempenhar três ou quatro funções ao mesmo tempo e com genialidade. E a maternidade aprimora esse talento. Maio de 2018 | Vilas Magazine | 37


Ser fitness traz benefícios É cada vez mais comum futuras mamães manterem ou iniciarem atividades físicas

N

o decorrer da gravidez, muitas mães, além de ficarem atentas aos cuidados com o filho, preocupam-se com sua saúde física. As que são esportistas têm medo de perder o condicionamento, já as mais sedentárias receiam ficar com o corpo muito diferente após o nascimento do bebê. O personal trainer Daniel Iatski e a triatleta Luca Glaser, explicam que os exercícios trazem benefícios e não precisam ser interrompidos durante a gravidez. Luca, que participa de provas de triathlon desde os nove anos de idade, teve uma mudança brusca em sua rotina de treinos pesados. A atleta descobriu que esperava a pequena Maya quando estava prestes a participar do Ironman World Championship, uma das maiores e mais importantes competições de triathlon do mundo, que ocorreu em outubro de 2017, em Kona, no Havaí. A partir daí, Luca Glaser, que tem um blog em seu nome, deu uma pausa nas postagens sobre competições e passou a dividir suas experiências na coluna Mommy To Be. “Assumi a maternidade e virei mamãe fitness!”, diz. Ela conta que, quando soube da gravidez, também descobriu no consultório médico que poderia continuar a treinar, porém, com certos cuidados extras. Mesmo com a liberação da ginecologista, Luca fez uma escolha: “no Mundial, eu já estaria com 12 semanas. Se eu não soubesse da gravidez, eu participaria, mas com a notícia da chegada da neném, achei loucura fazer uma prova que exige até 38 | Vilas Magazine | Maio de 2018

mesmo de quem compete normalmente, imagine com um bebê na barriga! Foi a melhor decisão que tomei.”, relata. No entanto, a atleta conta que não deixou de praticar exercícios. “Fiz bastante spinning, musculação, natação e adorei as aulas de yoga! Eu só parei com a corrida, porque achei desnecessário continuar depois que a barriga cresceu um pouquinho”. O personal trainer Daniel Iatski, que já elaborou o treino de dezenas de grávidas, conta que a cada ano que passa é mais comum ver gestantes praticando atividade física nos parques e também nas academias. “Há muito tempo foi quebrado o tabu de que o mais indicado é o repouso. A manutenção da vida ativa faz uma gestação e um bebê mais saudáveis”, afirma. De acordo com Iatski, o yoga, praticado por Luca Glaser, é uma ótima atividade para as mamães, pois aumenta a flexibilidade, a consciência corporal, o domínio respiratório e auxilia no controle emocional com a meditação. O profissional ainda recomenda pilates, alongamento, caminhada, natação, hidroginástica e musculação, uma das melhores atividades para gestantes. “A musculação é prescrita individualmente, levando em

consideração as limitações e aptidões. Proporciona a manutenção ou até mesmo o aumento da massa muscular, melhora da postura, controle da glicemia, aumento da consciência corporal, dentre outros benefícios”, explica. O corpo da mãe sofre uma série de mudanças ao longo da gestação. Daniel explica que até a maneira de caminhar é alterada, resultado de uma compensação postural para reequilibrar o centro de gravidade do corpo, que agora tem o abdômen projetado para frente. “O aumento da massa corporal e toda essa mudança na postura resulta em uma maior sobrecarga nos joelhos. Trabalhar o aumento da massa muscular em membros inferiores e a flexibilidade minimiza grande parte dos riscos de lesão. Assim como evitar atividades de muito impacto ou caminhadas de longa duração”, esclarece. Segundo o personal trainer, caso a gestante tenha um descolamento ou rompimento precoce de placenta ou aumento excessivo da pressão arterial, é recomendada a suspensão das atividades, pois o exercício pode agravar o quadro, podendo prejudicar o bebê e a mãe. Por isso, um acompanhamento médico regular é essencial.


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q EMPRESAS & NEGÓCIOS

Sua empresa conhece o eSocial? E as obrigações de segurança e saúde do trabalho?

Os documentos fiscais, previdenciários e trabalhistas passaram a ser enviados de modo unificado, simples e padronizado através do eSocial, para a Receita Federal, interligados ao MTE, a Caixa Econômica e a Previdência Social, e então a fiscalização e

Luiz Alcaya e Paulo Reis

O

eSocial é um Sistema de Escrituração Digital das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas, instituído pelo Decreto nº 8.373/14, com a finalidade de unificar, padronizar a transmissão, validação, armazenamento e distribuição destas informações, constituindo ambiente nacional composto por escrituração digital administrado pelo governo federal. Na prática, os documentos físicos ou eletrônicos que a empresa mantinha disponível à fiscalização dos órgãos competentes, agora serão enviadas, periodicamente, para a plataforma do eSocial de forma unificada e padronizada, e assim, ficarão disponíveis para a Receita Federal, Previdência Social, o Ministério do Trabalho e Emprego e Caixa Econômica. Se houverem erros ou inconsistências, a empresa será autuada automaticamente. A implantação do sistema começou em 1º de janeiro deste ano para as empresas com faturamento apurado acima de 78 milhões. Já para as demais empresas, empregadores e contribuintes, a data inicial será 1º de julho. Porém, as informações de SST – Segurança e Saúde do Trabalho, a obrigatoriedade ocorrerá seis meses após o início da implantação. No caso, para as empresas com faturamento abaixo de 78 milhões, o envio das informações de SST será 1º janeiro de 2019. A prestação das informações ao eSocial inclui o empregado doméstico, a empresa e os que forem a eles equiparados em lei, o segurado especial, inclusive em

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relação a trabalhadores que lhe prestem serviço, as pessoas jurídicas de direito público da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, e as demais pessoas jurídicas e físicas que pagarem ou creditarem por si rendimentos sobre os quais tenha incidido retenção do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF, ainda que em um único mês do ano-calendário. A composição do eSocial é feita por eventos decorrentes de obrigações

a autuação serão automáticas. fiscais, previdenciárias e trabalhistas, cujos arquivos deverão ser transmitidos em meio eletrônico estabelecendo um processo de automatização de várias obrigações acessórias, tais como livro de registro de empregado, folha de pagamento, MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais), GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à

Raymundo Dantas Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

Profissionais de venda

A

cada dia mais me convenço de que o sucesso nas vendas do varejo está bastante ligado à competência do seu pessoal no trato com o cliente. Essa linha de frente precisa ser um time de profissionais do entusiasmo. É preciso prepará-los para isso, levá-los a criar dentro da loja um clima agradável, “pra cima”, um astral positivo e contagiante. Esse é o ambiente que estimula compras e fideliza clientes. Mas como chegar lá? Creio que para ser um profissional de vendas entusiasmado, o colaborador precisa

adquirir três crenças básicas : a) Acreditar no produto que se vende. Crer sinceramente que comercializamos boas mercadorias, conhecer sua aplicabilidade, sua qualidade. Acreditar na verdade do seu preço, na sua adequação, crer na vantagem econômica que o cliente está tendo quando compra em nossa loja, etc. Ninguém consegue vender um produto sem acreditar nele, sem desejar também consumi-lo. Só aquele que crê na mercadoria consegue contaminar um consumidor com seu entusiasmo. b) Acreditar na sua empresa, na seriedade do negócio, na parceria com


Previdência Social), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), ASO (Atestado de Saúde Ocupacional), CD/SD (seguro-desemprego) entre outras obrigações. Porém, o grande gargalo do eSocial é a documentação referente a SST - Segurança e Saúde no Trabalho, áreas que poucas pessoas conhecem, mas que todo CNPJ deve possuir. Desta forma, lança luz sobre a qualidade da documentação gerada no mercado e a falta de gestão das informações. A seguir, alguns eventos específicos e outros que requerem variáveis de Segurança e Saúde no Trabalho: EVENTOS INDIRETOS: S-2200 - Cadastramento Inicial do Vínculo; S-1060 Tabela de Ambientes de Trabalho; S-1200 Remuneração de trabalhador vinculado ao Regime Geral de Previdência Social; S-2190 Admissão de Trabalhador; S-2230 Afastamento Temporário; S-2299 Desligamento. EVENTOS DIRETOS: S-2210 Comunicação de Acidente de Trabalho; S-2220 Monitoramento da Saúde do Trabalhador; S-2240 Condições Ambientais do Trabalho - Fatores de Risco; S-2241 Insalubridade, Periculosidade e Aposentadoria Especial.

seu patrão, na responsabilidade da firma, no cumprimento da palavra empenhada, etc. Ninguém se sente bem, jogando em time perdedor ou com gente de caráter duvidoso. Ao contrário, o colaborador que confia em sua empresa age com segurança e transmite confiança ao cliente. c) Acreditar em si mesmo, na sua competência profissional, na sua capacidade de entender o cliente, de ajudá-lo a encontrar satisfação na compra. O profissional que atende clientes precisa ser autoconfiante, seguro e tranquilo. Precisa sentir-se senhor das informações sobre o produto, preços, localização. Precisa ser capaz de informar, mas também de explicar, argumentar, raciocinar com o cliente. Conseguir isto não é impossível! Senão vejamos: Em primeiro lugar recrute para esses cargos somente pessoas que tenham gosto para servir. Gente que gosta de gente, que tem prazer em ajudar, informar, que gosta de se sentir útil aos outros. Essa é

Há algum tempo o governo federal direciona suas ações para o uso inteligente da informação e, em Segurança e Saúde no Trabalho ao lidar de forma organizada através da coleta de dados padronizados, seguida da estruturação desses dados transformando-os em informação (dados com significação) permitirá através da análise, síntese e crítica a geração de conhecimento e consequente uso inteligente. Assim, não se trata apenas de adequação de processos informáticos, mas fundamentalmente a preparação de uma enorme massa de dados para seu potencial uso das mais variadas formas e por diversos atores. No âmbito da Receita Federal pode-se prever claramente qual o potencial uso, especialmente na presença da recente tributação da Segurança e Saúde no Trabalho através do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). O atual cenário mostra, na sua grande maioria, um inexistente ou deficiente uso da informação de SST pelas empresas, incluindo aquelas de pequeno, médio ou de grande porte, exigindo um posicionamento em direção ao potencial, eficiente e eficaz uso da informação de SST e não apenas uma adequação de processos informáticos refletindo uma visão reducionista do tema. LUIZ ALCAYA e PAULO REIS, são médicos do trabalho (isoconsultoria.sst@gmail.com / contato@sis.com.br).

a base psicológica de um profissional de atendimento. Fatores como pontualidade, disciplina, obediência, etc., são importantes, mas não garantem um bom desempenho nas vendas. Precisa-se de algo mais. Boa expressão verbal, bom humor e certa dose de ambição também ajudam muito. Depois é preciso treinamento. Treinamento permanente, diário, mantendo-os atualizados quanto a tudo: produtos, promoções, normas da casa, regras de atendimento, etc. Não se pode partir do pressuposto de que eles sabem a profissão. Tudo muda rapidamente e quem não se atualiza fica fora do mercado. O treinamento também se estende à resolução de problemas. É preciso que os colaboradores que atendem possam resolver certas situações, sem que precisem sempre encaminhar o cliente para o patrão ou o gerente. Diminua a rotatividade. É bom ir mantendo seu pessoal, pois sai mais barato e é mais seguro. Até porque quando o colabo-

rador é mesmo competente, termina por ser conhecido e querido por um certo número de clientes, o que ajuda na fidelização. A troca constante de empregados dificulta a montagem de um bom time. Além disso não pense que lá fora haja muita gente melhor do que os que você já tem em casa. No mais, é preciso que o colaborador se sinta considerado, respeitado pela empresa. Isso se consegue sendo correto para com eles, ouvindo-os e fazendo-os participar como grupo responsável pelas atribuições que têm. É o respeito mútuo que gera a confiança e reforça a liderança e, por consequência, a autoridade de um patrão ou um gerente. Um estilo participativo de gestão trará a motivação e o compromisso, que levam ao entusiasmo. Mas a avaliação de todo esse esforço quem fará é o cliente, aumentando sua satisfação em visitar sua loja, voltando sempre e comprando mais.

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q SAÚDE & BEM-ESTAR

“Pacientes e médicos ainda sabem pouco sobre câncer”, diz oncologista

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Recentemente a oncologia clínica foi reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Medicina. Qual a relevância prática disso? Sergio Simon - A importância prática é que o câncer, a partir de 2030, vai ser o maior responsável por mortes no Brasil. Então ainda precisamos aumentar muito o número de oncologistas no país. Temos pouco mais de 2.000 profissionais para cuidar de 200 milhões de pessoas. É pouco. Como a população está vivendo mais tempo e a incidência de vários tipos de câncer tem aumentado, vamos precisar treinar e certificar um grande número de profissionais.

KARIME XAVIER / FOLHAPRESS

acientes acreditam em chazinhos curativos e médicos ainda não têm conhecimento suficiente sobre o câncer, o que atrasa tratamentos. Esse é o panorama oncológico no país, segundo Sergio Simon, que recentemente assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc). Simon afirma que a desinformação de pacientes sobre o câncer não é uma característica exclusivamente brasileira e que é difícil fazer com que as pessoas entendam que tratamentos alternativos, como a fosfoetanolamina (conhecida popularmente como “pílula do câncer”), não têm ação significativa sobre a doença e não podem ser usados como terapias principais. O novo presidente da Sboc, diz também que, além de clínicos gerais precisarem de mais treinamento oncológico, é necessário haver mais multidisciplinaridade na área.

Sergio Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc)

Faltam oncologistas no país? Sem dúvida. Há cidades relativamente grandes que ainda não dispõem de um serviço estruturado de oncologia. O acesso à radioterapia é outro problema. Temos filas de espera que ultrapassam seis meses. Evidentemente, é péssimo para o paciente, porque a doença não fica parada.

menos uma ideia básica da área. Mas acho que o sistema como um todo precisa melhorar. É preciso que os não oncologistas, principalmente os clínicos gerais, saibam mais oncologia do que eles sabem. Muitas vezes o paciente está na frente do médico e não tem os exames pedidos de maneira correta, o que impede um diagnóstico precoce com maior chance de cura.

As faculdades de medicina têm alguma relação com isso? As faculdades no Brasil ainda não incluíram a oncologia como um currículo específico no currículo médico. Algumas já têm cursos de oncologia estruturados e os estudantes têm pelo

Recentemente o senhor se tornou presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Quais os planos da gestão? Uma das funções da sociedade, provavelmente a mais importante, é a interação junto às entidades governamentais

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para estabelecer tratamento oncológico de qualidade no sistema público. Para que o acesso seja o menos díspar possível em relação ao sistema privado. As novas drogas são caríssimas e os benefícios que elas trazem às vezes são de menor importância para o paciente. Essa análise do que vale a pena pagar, o que se traduz num benefício real de sobrevida e qualidade de vida para o paciente, é um exercício difícil. Mas o que não podemos permitir é que várias doenças no sistema público não tenham nenhum tratamento moderno à disposição. Um exemplo é o câncer de rim e o câncer de pulmão com mutação genética. São doenças que no sistema público de saúde estão totalmente desassistidas. Totalmente? Elas têm um tratamento totalmente

fora de qualquer padrão internacional. O câncer de pulmão com mutação do EGFR é um câncer que, em geral, ocorre em não fumantes. Essa doença com mutação tem um tratamento bastante específico feito por via oral, que é altamente eficaz, bem menos tóxico, mas é um tratamento ainda caro, da ordem de R$ 4 a R$ 5 mil por mês. A maioria dos pacientes no sistema público nem sequer é testada para a mutação. Economicamente, é possível atualizar tratamentos sem onerar de forma desproporcional o sistema de saúde? A análise farmacoeconômica evidentemente pende para um aumento dos gastos. Mas medicações mais modernas são mais eficazes e você precisa levar isso em consideração. Para tratar um tipo de câncer de mama, as pacientes

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com doença metastática até dez anos atrás viviam em média de 20 meses. Com o tratamento moderno, elas passaram a viver 56 meses. Uma mulher poder viver cinco anos em média com doença metastática ao invés de um ano e meio é muito importante. Sabemos que a gestão pública do dinheiro não é muito eficaz. Talvez tenha um trabalho de gestão melhor que precise ser feito, talvez pela centralização de compras para o país inteiro, pela construção de laboratórios centrais específicos para testagem rápida dos tumores. Vi isso no Nepal. O senhor viu algo que poderia servir de inspiração para o Brasil? A testagem de tumores de pulmão para mutação do EGFR é feita para todos os pacientes a um custo muito barato em um laboratório na Índia. O tratamento u

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q SAÚDE & BEM-ESTAR

Mas existe a vontade por parte dos laboratórios de fazer esse tipo de acordo? Acho que é possível. Um laboratório que faz anticorpos não vendia para o governo, que então decidiu pagar o tratamento em 2014. O preço diminuiu em 70% para a compra centralizada para o governo. Sentar com o laboratório e falar que os pacientes serão tratados e é necessário um preço especial para o sistema público é uma articulação política importante que precisa ser feita. A população em geral desconhece informações corretas sobre o câncer? Isso é universal. As pessoas sabem pouco e acabam inventando histórias e fantasias. Chamou a atenção nessa pesquisa [estudo recente da Sboc] que poucas pessoas sabem algo sobre câncer de intestino, um dos mais prevalentes no país. Obesidade é outra coisa importante. As pessoas precisam saber que obesidade e sedentarismo são causas importantes de vários tipos de câncer, como de mama, de endométrio, de pâncreas. Qual o mito que você mais escuta no dia a dia clínico? A força dos tratamentos alternativos, como chazinhos e a fosfoetanolamina, tem uma influência grande sobre a população. Até podem ser usados, mas isso não deve fazer com que o paciente evite tratamentos tradicionais. Esse tipo de mito de que tratamentos naturais conseguem curar é ruim. Temos uma grande dificuldade de fazer as pessoas entenderem que a fosfoetanolamina não tem atividade em praticamente nenhum paciente. Phillipe Watanabe / Folhapress.

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que aqui sai por R$ 4 mil lá custa US$ 60 por mês, cerca de R$ 200. Se o governo estivesse disposto a sentar com os laboratórios e comprar a medicação para o país inteiro, acho que daria para chegar em preços bem próximos disso.

Vacinação contra a gripe segue até junho nos postos de saúde

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omeçou no final de abril e segue até 1º de junho a Campanha Nacional de Vacinação contra o vírus Influenza, da gripe. A vacina é gratuita e o chamado Dia D de mobilização nacional deve ocorrer em 12 de maio. Em Lauro de Freitas, todos os postos de saúde reservaram salas específicas com atendimento das 7h às 16h. Não é necessário apresentar o cartão de vacinação. Devem ser imunizados idosos a partir de 60 anos, crianças de seis meses a cinco anos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes e mulheres até 45 dias pós-parto, além de presidiários e funcionários do sistema prisional. Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais também devem receber a dose. Neste caso, é preciso apresentar uma prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crôni-

cas do Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar os postos de saúde em que estão registrados para receber a vacina, sem a necessidade de prescrição médica. As autoridades de saúde afirmam que a vacina é contraindicada para pessoas com histórico de reação anafilática prévia em doses anteriores ou pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) diz que esses pacientes também podem receber a vacina influenza e que alergias a ovo, mesmo graves como a anafilaxia, não são mais contraindicação nem precaução. Em qualquer caso, essas pessoas devem procurar um médico para maiores orientações. A SBIm diz que reações anafiláticas são extremamente raras e que em caso de sintomas não esperados, como febre muito alta, reação exagerada, irritabilidade extrema, sinais de dor abdominal, recusa alimentar e sangue nas fezes, en-


tre outros, a recomendação é procurar imediatamente o médico ou serviço de emergência para atendimento e para que sejam descartadas outras causas. Após a aplicação da vacina, podem ocorrer, de forma rara, dor, vermelhidão e endurecimento no local da injeção. As manifestações, segundo o Ministério da Saúde, são consideradas benignas e os efeitos costumam passar em 48 horas. “Fazemos um apelo para que pais levem seus filhos aos postos de vacinação”, disse Regina Coeli, diretora de Vigilância em Saúde da prefeitura. De acordo com ela, “crianças abaixo de cinco anos estão mais suscetíveis a complicações provocadas pela gripe, podem desenvolver casos graves da doença”. Segundo o Ministério da Saúde, a dose protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, conforme determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo o H1N1 e o H3N2. O Brasil já contabilizou 286 casos de influenza este ano, até o início de abril. Desse total, 117 casos e 16 óbitos foram provocados pelo vírus H1N1, responsável pela pandemia de 2009. Boletim divulgado pela Secretaria da Saúde da Bahia aponta quatro mortes confirmadas em todo o estado, sendo três em Salvador e uma em Lauro de Freitas. Já o H3N2, menos conhecido, registrou, até o momento, 71 casos e 12 mortes no país. Há poucos meses, uma mutação desse mesmo vírus provocou a morte de centenas de pessoas no Hemisfério Norte, sobretudo nos Estados Unidos., De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a influenza tem diversos subtipos e é causada por mais de um tipo de vírus, classificados como A e B. Os subtipos A que mais frequentemente infectam humanos são o H1N1 e o H3N2. A gripe é uma das viroses mais frequentes no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% da população seja infectada anualmente por algum tipo de vírus influenza e que 1,2 bilhão de pessoas apresentem risco elevado para complicações relacionadas à doença. Entre elas, 385 milhões de idosos acima de 65 anos, 140 milhões de crianças e 700 milhões de pessoas com doenças crônicas. As vacinas influenza disponíveis no Brasil são todas feitas

POSTOS DE SAÚDE EM LAURO DE FREITAS Unidade de Saúde da Família Manoel José Pereira Rua Direta do Capelão, Capelão. Tel.: 3291-5106 Unidade de Saúde Municipal Irmã Dulce Rua do Meio, Portao. Tel.: 3369-9294 Unidade de Saúde da Família Cidade Nova Lot. Cidade Nova, Itinga. Tel.: 3252-6499 Unidade de Saúde da Família Jambeiro Rua da Praça, Jambeiro. Tel.: 3291-4459 Unidade de Saúde da Família Parque São Paulo Rua K, Parque São Paulo, Itinga. Tel.: 3251-8150 Unidade de Saúde da Família São Judas Tadeu Lot. Pérola Negra, Itinga. Tel.: 3378-1723* Unidade de Saúde da Família de Caji Vida Nova Av. Djanira Maria Bastos, Vida Nova. Tel.: 3288-5950* Unidade de Saúde Antonio Carlos Rodrigues Rua do Centro, Areia Branca. Tel.: 3291-8839 Unidade de Saúde da Família Santa Bárbara Rua Bernadete J. Brito, Itinga. NÃO APLICA Unidade Básica de Saúde Pr. Israel Moreira Lot. Jardim Pouso Alegre, Itinga. Tel.: 3251-8244 Unidade de Saúde da Família Noel Alves da Cruz Solar Uni]ao, Portão. Tel.: 3369-9890 Unidade de Saúde da Família de Vila Nova Rua Florisvaldo Conceição, Portao. Tel.: 3369-9226 Unidade de Saúde da Família Espaço Cidadão Rua Direta do São Cristovão, Itinga. Tel.: 3251-8240* *Números não atendiam, durante os dois últimos dias que antecederam o fechamento desta edição (26 e 27/4/18). com vírus morto, portanto inativadas e não podem causar doenças. Até quatro anos atrás estavam disponíveis no país apenas as vacinas trivalentes, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B. As novas vacinas contemplam uma segunda cepa B. A vacina utilizada na campanha de vacinação este ano é a trivalente, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B linhagem Victoria. A SBIm recomenda o uso preferencial, sempre que disponível, da vacina quadrivalente, pelo seu maior espectro de proteção. Entretanto, estando essa indisponível, a trivalente deve ser utilizada rotineiramente, especialmente em grupos de maior risco para o desenvolvimento de formas graves da doença.

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q SAÚDE & BEM-ESTAR

Tirando onda da depressão Marcelo Zorzanelli

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os 21 anos, tive o dia mais feliz da minha vida até ali: fui diagnosticado com depressão clínica. Não é uma tentativa de fazer graça, apesar do título. Qualquer um dos 11,5 milhões de brasileiros (segundo a ONU) que sofremos de depressão pode garantir que este é um dia de alívio. Saber o que está acontecendo é o primeiro vaga-lume dentro do túnel escuro e frio. Você nasce, fica criança, dá umas gargalhadas, encanta os parentes, faz amiguinhos na escola... Até que um dia não sai para brincar na rua, fica em casa perguntando se seu bonequinho está triste porque a mãe dele não está por perto e começa a chorar porque ele não responde. E por aí vai. Um dia, mais tarde, sua alma está oca e nem as lembranças ternas da infância dobram o canto da sua boca para cima. Ela se instalou. Sobre o primeiro episódio de esperança no túnel, eu preferi vaga-lume à proverbial “luz no fim” não por alguma tentativa de ser poético, Deus me livre; é que a primeira luz só vai aparecer, pálida, lá pelo ponto em que os primeiros tratamentos, sejam eles remédios ou terapia, comecem a fazer efeito. Mas o tempo passa e o céu se abre. Uma coisa cômica na depressão quando se é veterano (estou nessa há 14 anos) é o dia em que você percebe que não adianta andar em direção ao fim do túnel. Todo dia constroem mais túnel no fim do túnel, então o único jeito é continuar andando. Por isso acho que é mais jogo rir da depressão, mesmo durante a crise (isso exige prática e uma saudável falta de pudor em parecer louco). Gosto de uma equação do professor de meditação americano Shinzen Young que diz: sofrimento é igual à dor multiplicada pela resistência. Resistir no sentido de fazer oposição à existência do so-

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frimento. Em português: aceita que dói menos. Porque, quando os dias ruins aparecem com duas malas sem avisar, você tem menos chances de se degenerar numa crise existencial quando não tenta discutir com os pensamentos ruins. Quando não os leva a sério. Outra coisa engraçada da depressão é que, uma vez fora da crise, é divertido lembrar de quando até mexer as pernas começava a ser um incômodo. Não estou falando de andar, me refiro a quando você está preso à cama e o atrito das pernas contra o lençol inspira uma surpreendente vontade de chorar. Aconteceu comigo algumas vezes. Seja sincero: isso é hilariante. E damos graças ao diagnóstico porque ele pode ser nossa desculpa para ser esquisito sem culpa. Ele é uma espécie de distintivo que você pode começar a usar dentro de casa sem ser incomodado. Se sua tia vier perguntar por que você não toma banho há três dias e está comendo sorvete direto do pote no sofá de cabeça para baixo, é só dar uma carteirada: “Você sabe com quem está falando? Eu tenho depressão clínica! Olha na Wikipedia. E pega pra mim um Cheetos daquele que fede e suja o sofá todo”. (Nos Estados Unidos é melhor ainda. Lá o nome da doença é general depression e você já começa com uma patente militar altíssima). O pior diabo é aquele que você não conhece, diz uma máxima que devo estar citando errado. Flutuar no caldeirão de neuroses de um episódio depressivo pela primeira vez é uma das piores sensações que eu já tive. Você pesquisa a internet e em pouco tempo contraiu (na imaginação) câncer no cérebro, esquizofrenia, síndrome do pânico, doença de Chagas, infarto no miocárdio e medo de avião. Pede ajuda aos pais e ouve que a filha da vizinha da sua tia perdeu a mãe aos dois anos, foi atropelada, esfaqueada e atropelada novamente, o cabeleireiro destruiu seu cabelo com uma chapinha de formol e ainda assim ela tem três empregos e cursa duas faculdades. Depois do diagnóstico e dos primeiros passos, depois de ter de se tornar um ser humano um pouquinho melhor (inclusive se levando menos a sério) para sobreviver, você consegue até rir dos desavisados que dizem coisas como “mas ontem você parecia tão bem” e “você também precisa se esforçar!”. Meu amigo, você não sabe o esforço que eu já tive que fazer para não enfiar uma chave de fenda no meu tímpano quando você fez a cara de quem ia falar essa frase. Acredito que nós, brasileiros, atingimos há muito tempo a autossuficiên-


cia em ignorância sobre os transtornos mentais. A depressão é a cabeça de chave, mas pouco se fala sobre a ansiedade, o estresse pós-traumático (num país mais violento que zonas de guerra), síndrome do pânico, fobias, etc. Fazer piada banaliza e ajuda a diminuir o estigma. Os antidepressivos, usados em praticamente todos esses transtornos, são os segundos na fila de remédios mais vendidos no Brasil, só atrás dos analgésicos. E as pessoas ainda cochicham a respeito. A depressão é uma doença que, se não tratada, tem muitas chances de terminar em suicídio. No Brasil, são 30, em média, por dia. Mais que as vítimas de Aids e da maioria dos casos de câncer. Acredito que o tabu deve ser atacado com pressa e até hoje não conheci nada melhor que uma piada para desmoralizar algo. Numa sociedade evoluída, o humor fala sobre as coisas que as pessoas pensam mas não dizem, por preconceito ou pressão social. Vamos, portanto, rir da desgraça. Desde que você, claro, já tenha buscado um psiquiatra, uma terapia e esteja em tratamento. Quando a coisa não estiver nem um pouco divertida (você sabe do que eu estou falando), tente encontrar alguém com senso de humor no Centro de Valorização da Vida em todas as redes sociais e no telefone 188. Fale, não importa com quem seja. Num caso extremo, vá a uma emergência hospitalar. Queremos você contando como chegou lá de moletom sujo de molho de tomate, um tênis de cada cor e fingiu estar tendo um ataque cardíaco para não ter que conversar com alguém na fila. MARCELO ZORZANELLI é jornalista e um dos autores do site Sensacionalista

Entender raiz da depressão pode ajudar a criar novos remédios Ricardo Alberto Moreno

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entre as doenças médicas, a depressão é uma das mais importantes causas de morbidade (adoecer) e mortalidade. Ela ocorre em ambos os gêneros, em todas as idades e níveis sociais. Apesar da variedade existente de antidepressivos, de 20% a 30% dos pacientes tratados não atinge a recuperação completa e outros até mesmo desenvolvem depressão resistente. O motivo disso é a característica heterogênea da síndrome depressiva, com sintomas e sinais complexos que comprometem todo o organismo – algo que ainda não é completamente compreendido pela medicina. Outro ponto é que antidepressivos apresentam uma janela de tempo de duas a quatro semanas entre o início do tratamento e o efeito terapêutico. No caso de uma droga ineficaz, isso pode significar mais sofrimento, incapacitação, e tentativas de suicídio. Em uma fração considerável dos casos de depressão tratados com antidepressivos, porém, há melhora logo nas primeiras semanas, o que tem um bom valor preditivo para o sucesso no tratamento. Em contrapartida, caso não haja resposta parcial em até quatro semanas, são poucas as chances de resposta ou remissão. É recomendado a alguns pacientes o uso contínuo de antidepressivos – é o caso de quem tem depressão crônica (por mais de dois anos), episódios com tentativas de suicídio ou com sintomas psicóticos e depressões recorrentes, por exemplo. A depressão tornou-se um problema médico tratável farmacologicamente, tal qual o diabetes e a hipertensão, a partir da descoberta acidental da ação antidepressiva de drogas (iproniazida e imipramina) inicialmente pesquisadas para o tratamento de tuberculose, na década de 1950. Essas substâncias atuavam modificando o metabolismo de substâncias cerebrais – os neurotransmissores monoaminas –, aumentando a disponibilidade dessas moléculas no cérebro e assim facilitando a comunicação entre os neurônios. Desde então houve o desenvolvimento de diversas moléculas a fim de tentar driblar os efeitos colaterais sem perder a eficácia apresentada pelas drogas anteriores. Para uma boa prática clínica recomenda-se usar o antidepressivo em dose terapêutica, incrementando-a conforme eficácia e tolerabilidade até a dose máxima indicada pela posologia, por um tempo de no mínimo 6 a 8 semanas antes de considerar que o paciente seja resistente ao composto. Em caso de retirada da medicação, esta deve ser gradual para evitar o aparecimento de sintomas de descontinuação abrupta. Desinformação, preconceito e estigma em relação a problemas psiquiátricos são uma realidade no mundo todo. A forma de combater isto é através da educação da sociedade com informações precisas e objetivas baseadas em evidências científicas. Talvez a pesquisa de novas drogas possa dar um grande salto quando soubermos mais sobre a fisiopatologia da depressão (onde, no organismo, está a raiz da doença). RICARDO ALBERTO MORENO é doutor em psiquiatria e coordenador do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

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q VIVER BEM

Redução de massa muscular pode virar doença em idosos

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perda da massa muscular é inevitável no envelhecimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a sarcopenia – o nome clínico da doença – atinge 46% da população brasileira acima dos 80 anos. “A sarcopenia é mais comum do que se imagina. O mundo estudou muito a

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doença dos ossos, e não deu a devida importância à sarcopenia. Mas, hoje, já é encarada como um mal que tem que ser combatido”, diz o fisiatra (médico especialista em fisiatria ou Medicina Física e de Reabilitação) Roberto Rached. O problema é encarado de duas formas. Na primária, ocorre uma evolução

natural como envelhecimento da pessoa. Já a secundária é decorrente de outras causas, como hipertensão, diabetes, sedentarismo, por exemplo. “Muitas vezes você vê pessoas sedentárias, que têm grande perda de massa muscular. Algumas pessoas parecem gordas, mas quando é avaliada a massa muscular, vê que ela é muito diminuída”, explica o médico Paulo Cesar Ribeiro, presidente da Comissão de Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital Sírio-Libanês (SP).


Essa falta de massa muscular, além de deixar o idoso mais exposto a outras doenças, também faz com que aumente o perigo de uma queda. Quanto mais idoso, maiores serão as consequências de um tombo. “Ter melhor qualidade de vida, mantendo a alimentação saudável e fazendo atividades físicas, a pessoa minimiza essa perda de massa muscular”, diz Ribeiro. No tratamento, dependendo do caso, são usados suplementos alimentares para reforçar a musculatura. Porém, os médicos fazem um alerta: “Esse tipo de suplemento pode causar uma sobrecarga renal e hepática. Se o paciente não tem contraindicações, tudo bem. Mas sempre com acompanhamento médico”, diz Rached.

vida, como um atleta, não escapam da sarcopenia. Porém, elas têm uma vantagem. “Quando essa pessoa começa a perder massa, ela tem uma reserva muscular. Se mantiver uma vida saudável, vai perder muito menos. Mas depende do que fará na vida. Se parar, perderá massa como outra qualquer”, diz o médico Paulo Cesar Ribeiro. Emerson Vicente / Folhapress. IMAGEM: ACERVO DEPOSITPHOTOS

ATIVIDADE FÍSICA AUMENTA A RESERVA Pessoas que fizeram atividade física constante ao longo da

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q VIVER BEM

Noite de sono ideal depende do que a pessoa faz acordada Ter rotina antes de ir dormir, preparar o quarto e deitar-se na posição correta são dicas para dormir bem

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que as pessoas fazem ou deixam de fazer durante o dia pode influenciar, e muito, na qualidade e na quantidade de sono durante a noite. Por isso, especialistas defendem a realização de um ritual diário associado ao sono antes de ir dormir, o que inclui o ambiente, o horário, a roupa e até o que se come ou se bebe. Segundo a bióloga Claudia Moreno, vice-presidente da Associação Brasileira do Sono, é essencial que as pessoas estabeleçam uma rotina antes de ir dormir. “Esse ritual varia de pessoa para pessoa, mas é essencial se preparar para dormir”, diz. Como cada um tem um ritmo e necessidades específicas, Claudia ressalta que não é possível estabelecer a mesma regra para todos. Porém, sugere algumas condições básicas de um ritual. Preparar o quarto, tomar banho, trocar a roupa, beber um leite morno e apagar, aos poucos, as luzes são algumas das dicas para dizer ao cérebro que já é hora de dormir. COMIDA E LUZ Mas também é necessário evitar algumas atitudes, como atividade física e comidas pesadas, que atrapalham a qualidade do sono (veja quadro na outra página). O otorrinolaringologista Edilson Zancanella, coordenador do Departamento de Medicina do Sono da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, ressalta que é à noite que o hormônio do sono (chamado de melatonina) começa a ser liberado pelo organismo, por isso a importância de ter um ambiente adequado para dormir bem. “A luz inibe a liberação da melatonina. Por isso que não é recomendável usar celular ou outros aparelhos antes de dormir. Essa luz engana o cérebro e adia o início do sono”, afirmou Zancanella. ‘VIRO E LEVANTO A NOITE INTEIRA’ As consequências de uma noite mal dormida são falhas na memória, dificuldade de concentração, sonolência excessiva durante o dia e irritabilidade. É o que a dona de casa Lindinalva Silva Reis, 64 anos, 50 | Vilas Magazine | Maio de 2018


PERGUNTAS E RESPOSTAS Por quanto tempo eu devo dormir por noite? Varia, dependendo da idade. Em geral, para adultos, entre sete e nove horas Ouvir música relaxante ajuda a dormir? No geral, ajuda. Evite se você fica muito atento à música e não consegue dormir Se eu costumo dormir vendo um filme, por exemplo, por que não é aconselhado assistir à TV antes de dormir? Ao despertar, a luminosidade da TV ou um programa podem atrapalhar o sono regular. O ideal é não ter o aparelho no quarto Usar tapa-olhos e tapa-ouvidos todos os dias para dormir é prejudicial? Não atrapalha. Cuidado na colocação e retirada dos tapa-ouvidos Meu trabalho impede que eu tenha um hábito de ir dormir todas as noites no mesmo horário. O que posso fazer? É preciso sempre se adequar ao horário mínimo de horas de sono. Se houver insônia, é preciso individualizar o problema buscando tratamento com um especialista

sente todos os dias depois que sai da cama. Ela tem dificuldade para dormir e, quando dorme, também não consegue engatar o sono a noite toda. “Viro de lado, mudo de posição, levanto e tento voltar a dormir, mas não consigo. A noite inteira é assim”, diz ela, que ainda não investigou a dificuldade para dormir. Regiane Soares / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@hotmail.com

A mentira

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mentira constitui fração da vida dos seres humanos, que fazem parte de um convívio social. Assim pensando, todos mentem. O que se busca é a identificação dessa mentira, que pode ser mal-intencionada, inofensiva e jocosa. Quando ela se traduz como uma afirmação contrária à verdade (dicionário), produz grande estrago para a pessoa alvejada e, sem dúvidas, é ofensiva; porém, existem aquelas que são delatadas para evitar punições, por insegurança, pela falta de compreensão de seus atos e até fantasiosas, que podem ser consideradas inofensivas, geralmente liberadas pelas crianças. Também tem a sátira, quando as palavras têm excesso na fala, em um tom jocoso, com propósito humorista. Assim, a mentira tem seu peso para quem a injeta. É contra os padrões morais evoluídos; é considerada pecado em muitas religiões; antiética; pode gerar conflitos; busca a hipocrisia; define exageros e excessos; e trai a confiança entre as pessoas. É evidente que a classificação da mentira está diretamente relacionada com a versão de quem narra e, também, o momento e situação em que ela é divulgada. Algumas pessoas apresentam uma mentira baseada em informações falsas, podendo ser considerada um erro desprezível, quando não atinge a pessoas. Outras podem mentir para encerrar um encontro social indesejado; e também para informar

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a doença de uma pessoa moribunda. São consideradas mentiras convencionais ou permissíveis. No entanto, a maioria das mentiras é de má fé, tem um endereço específico e representa declarações desorientadoras. Neste momento, de avanço tecnológico, surge a mentira apelidada de “fake news”, geralmente exposta por inconformados, na busca de denegrir fatos ou pessoas. No nazismo ocorreu a mentira ideológica, quando Joseph Paul Goebbels (militar, político, alemão, Ministro da Propaganda do 3º Reich – 29/10/1897 – 1º/5/1945) deixou registrado: “é mais fácil as pessoas acreditarem numa grande mentira, dita muitas vezes, que uma pequena verdade, dita apenas uma vez”. Sem dúvidas, a mentira de Goebbels queria ganhar vantagens e prejudicar os cidadãos considerados “sem sangue puro”. Existe uma grande diferença entre a mentira dos adultos e das crianças. Para os primeiros, identifica-se o falso e tenta enganar os outros, gerando a desonestidade e dissabores. Para os segundos representa o desconhecimento da verdade. Alguns seres humanos mentem para manter o poder (político, social, econômico e intelectual) e levam essa situação muito a sério. Dizem que isso é uma “mentira social”. A mentira exige muita criatividade do mentiroso, pois é necessário sustentar essa situação com outras mentiras. No entanto chegará o dia que a verdade vem à tona, pois é muito difícil alguém suportar uma mentira por muito tempo. Daí vem a expressão popular “mentira tem pernas curtas”. Para os mentirosos contumazes ou delinquentes, quando se quer obter a verdade da situação, usa-se a máquina que desvenda o mistério: o polígrafo.

Segundo George Orwell, escritor e jornalista da Índia Britânica (25/6/1903-21/1/1950) “para fazer cumprir mentiras do presente será necessário apagar as verdades do passado”. Há alguns anos, utilizava-se o “dia mundial da mentira”, 1º de abril, para se pregar peças em companheiros e amigos, desavisados. Atualmente, pelo nível de mentiras, desfaçatez e enganação existentes, já não acontece esse fato, ou rarearam as oportunidades. Certas pessoas, consideradas amadoras em mentira, ao pronunciar dizeres falsos, apresentam expressões faciais e no corpo, principalmente com rubor no rosto e olhos desfigurados. Interessante é que alguns animais, também, mentem. Não com palavras, mas com gestos, inclusive para perpetuarem suas vidas. A mentira é o antônimo da verdade, por isso sempre produz o medo do injustificado. Também, faz acumular uma enorme carga negativa para os seres humanos (que produzem ou recebem), muito difícil de se desfazer. Alguns chegam a perder a credibilidade e honra. Geralmente a mentira vem de pessoas conhecidas e, bem pior, quando surge de seres considerados amigos. Os mentirosos não são acreditados, quando falam a verdade, pois, geralmente apresentam a imagem da mentira. Transmitem a “cara da mentira”. São pródigos em juras infundadas. A mentira danifica o pensamento de quem a cria e deixa as pessoas injustiçadas com sérias machucaduras. Sem dúvidas, quebra a confiança e amizade entre os seres visados.

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Vilas Magazine | Ed 232 | Maio de 2018 | 32 mil exemplares  

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