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Estação Lauro de Freitas do metrô deve chegar em 2018 R

A Revista de Lauro de Freitas e Região

Ano 19 Edição 223 | Agosto de 2017 32.000 exemplares

FARMÁCIA

FOTO: DULLA / ABRIL COMUNICAÇÕES S/A

DAS PLANTAS

Lauro de Freitas consolida ocupação urbana no 55º aniversário de sua emancipação política. A igreja de Santo Amaro de Ipitanga, construída no século 16 pelos jesuítas, é a maior referência histórica da cidade. O conjunto arquitetônico foi tombado pelo Iphan, em 1944

28 plantas testadas e aprovadas constam do primeiro guia brasileiro de fitoterápicos, com indicações para problema na coluna, virose e asnsiedade, dentre outros


seja seu remédio.

- Hipócrates -

Todo pai deseja ver seu filho saudável. Para Hipócrates, considerado pai da medicina, não há segredo: saúde é sinônimo de boa alimentação. Ainda hoje, esse conselho é passado de geração a geração, preservando a sua essência: o cuidado paterno.

H O RÁ RIO S D E FU N CIO N A MEN TO :

SEG U NDA A SEX TA : 8 h às 1 9 h 3 0 • SÁ B A DOS: 8 h às 1 5 h

AV. PRAIA D E ITAPUÃ, N º 1 3 4 1  CAS A AMARE L A E N T RE O BE LVE D E RE CE N T E R E O BRAD E S CO  LOJ A V ILAS 7 1 3 3 6 9  1 8 7 4 • LOJ A V ITÓR IA 7 1 3 0 1 4  2 3 3 4 • LOJ A P ITUB A 7 1 3 2 4 8  9 5 3 5

newtab.com.br

Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento


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EDITORIAL

Boas Notícias

J

ulho é sempre tempo de lembrar a emancipação política de Lauro de Freitas, no dia 31, que leva às celebrações oficiais, na verdade mais uma oportunidade para oferecer espetáculos musicais em praça pública durante o fim de semana. A rigor, ninguém se dá ao trabalho de refletir nem sobre emancipação, nem política nem Lauro de Freitas. A discussão gira mesmo é em torno da escalação das bandas que subirão ao palco. Os anos passam – já vamos no 55º – e a narrativa da história que aguarda resgate se repete sem que os responsáveis políticos se mexam para dar conta desse recado. Defender a herança cidadã dos 459 anos de Santo Amaro de Ipitanga tornou-se um exercício romântico que nem à tribuna dos eleitos parece mais interessar. Questões mais candentes ocupam os dias dos nossos representantes. Há o novo shopping center, que vai gerar ainda mais trânsito, mas também mais comércio, mais empregos e mais impostos. Há o metrô chegando ao aeroporto sem a integração com o transporte público rodoviário definida. Há a ciclovia para construir e motoristas para educar no respeito aos ciclistas, pedestres e entre eles mesmos. Há o novo núcleo urbano periférico, planejado para as margens da via expressa, que está ficando pronta. Há o futuro hospital metropolitano, estrutura de grande porte a ser construída ali para as bandas de Areia Branca. Há o Parque Ecológico reaberto, para onde as famílias tem corrido em busca do seu metro quadrado de lazer em espaço público. Há a drenagem da Lagoa da Base para resolver sem despejar o fluxo no Sapato. Há o sistema de esgotamento sanitário que precisa ser concluído e há os cursos d’água que apodrecem um pouco mais todos os dias, contaminando também as praias. Há os superlativos índices de criminalidade do município e o debate sobre a propriedade dos rankings. E há ainda os buracos no asfalto, que são o que realmente interessa resolver, na opinião da maioria dos cidadãos eleitores do lado de cá da Estrada do Coco. Num cenário de grandes conquistas em infraestrutura – até mesmo a intenção de concluir o sistema de esgotamento sanitário é melhor que intenção nenhuma – neste 31 de julho talvez a cidade tenha festejado a consolidação do padrão urbano. Lauro de Freitas nunca mais será Santo Amaro de Ipitanga Carlos Accioli Ramos Diretor-editor e vamos mudar de conversa. As boas notícias agora chegam todas revestidas em concreto, por cima de asfalto novo, enfeitadas pela sinalização adequada das vias públicas ou afagando calçadas desobstruídas para a circulação de pedestres, embaladas pelo policiamento sempre crescente e muito mais infraestrutura urbana. Nisso e no show de Margareth Menezes domingo à noite na praça, encerrando as comemorações da emancipação.

Zoneamento postal A prefeita Moema Gramacho (PT) fez um apanhado, no final de julho, sobre as ações da prefeitura e do governo do estado para o município. Além de abordar todas as preocupações listadas acima, acrescentou uma boa notícia: de acordo com um representante dos Correios, em setembro já se poderá consultar uma listagem dos vários códigos de endereçamento postal de Lauro de Freitas na internet. Se nada mais acontecer este ano na cidade, mas desta vez realmente sair o zoneamento postal, a cidade já se dará por satisfeita. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 3


NESTA EDIÇÃO A revista de Lauro de Freitas & Região

www.vilasmagazine.com.br Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42700-000. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (accioliramos@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (alvaro@vilasmagazine.com.br). Assistentes: Leandra Almeida e Vanessa Silva (comercial@vilasmagazine.com.br) Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br). Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (DRT 6851/MG), coordenador Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (freelancer), Raymundo Dantas. PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br TIRAGEM: 32 MIL EXEMPLARES. Im­pressão: Log & Print Gráfica e Logística S. A. (Vinhedo/SP)

REGISTROS & NOTAS...Págs. 6 e 7 CIDADE...Págs. 8 a 20 l Estação de Lauro de Freitas do metrô pode ser viável em 2018 l Parque ecológico de Vilas do Atlântico abriga múltiplas atividades l Proerd forma 872 jovens em Lauro de Freitas l Base Comunitária de Segurança promove atividade multidisciplinar l Sinal analógico de TV será desligado em 27 de setembro l Vídeos sobre desligamento do sinal analógico podem render prêmios l Mutirão de cirurgias marca reabertura do hospital Jorge Novis

GERAL...Págs. 21 a 23 l Governo federal resolve presumir honestidade dos cidadãos l Tartaruga despigmentada já pode ser visita no Tamar da Praia do Forte l Venezuelanos votam em plebiscito em Vilas do Atlântico

TURISMO & LAZER...Págs. 24 a 29 l Mato Grosso. Trilhas e cachoeiras para todos os gostos

DECORAÇÃO...Págs. 30 e 31 l Revestimentos cerâmicos aplicados em móveis

JARDINAGEM...Págs. 32 e 33 l Alimentos saudáveis ao alcance das mãos ESPECIAL - VIDA SAUDÁVEL...Págs. 34 a 43

Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.

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l A nova farmácia das plantas

COMPORTAMENTO...Págs. 44 e 45 l Apesar de riscos, testosterona em gel ganha espaço em academias l Medicamento segue regra de venda distinta SAÚDE & BEM-ESTAR...Págs. 46 a 49 l Cigarro e má higiene aumentam chances de ter câncer de boca l Urinar muitas vezes ao dia é sintoma de bexiga hiperativa l Perda da sustentação da bexiga afeta mulheres obesas

BELEZA & ESTÉTICA...Págs. 50 e 51 l Salões de beleza sem cuidados podem trazer doenças a clientes

EMPRESAS & NEGÓCIOS...Págs. 52 e 53 l 10 direitos do trabalhador em caso de demissão após reforma trabalhista

CLASSIFICADOS BOA DICA...Págs. 55 a 112 l Seção de facilidades e serviços disponibilizando profissionais nos segmentos de Saúde & Bem-Estar, Gastronomia, Festas, Educação, Casa & Decoração, Serviços Gerais, Auto & Cia e Imóveis. Consulte índice geral por segmento na página 55. l Tribuna do Leitor....Pág. 113 l Tábua das Marés / Telefones Úteis....Pág. 114 l Mapa de Vilas do Atlântico....Pág. 115


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REGISTROS & NOTAS Posse no Rotary Club Lauro de Freitas Centro

O Rotary Club Lauro de Freitas Centro, empossou, em 15 de julho, sua diretoria para o ano rotário 2017/18. Munyr Matos Choucate assumiu a presidência do Conselho Diretor, substituindo Lindolfo Oliveira, que assume como secretário da nova gestão, ao lado de Neuza Andrade (diretora de Protocolo), Marcia de Mattos, Marcos Nicolia e Maria Maraglai. O RCLF Centro vem desenvolvendo dois projetos básicos: musical e de caligrafia, ambos realizados em escolas municipais.

Festança para um ‘boa praça’ uA pequena e acolhedora Paraopeba, em Minas Gerais, ‘tremeu’ com os festejos celebrando os 70 anos de um de seus filhos: Ilton Freitas, comemorados no aconchegante clube campestre Tarumã. Ilton fugiu do afago dos amigos de Lauro de Freitas – conquistados tanto pela sua postura como pessoa afável e atenciosa, quanto como profissional ético e correto, na condução dos negócios como diretor da Lagos Seguros –, e foi comemorar a data no torrão natal, cercado pela família e amigos.

Hospital Jorge Novis é reaberto pela Prefeitura Com equipamentos de alta tecnologia, o Hospital Municipal Jorge Novis foi reaberto na última semana de julho, pela Prefeitura de Lauro de Freitas. Localizado no bairro de Itinga e com formato de hospital dia, a unidade que tem capacidade para realizar até 200 cirurgias por mês, recebe agora em agosto o Mutirão de Cirurgias (leia matéria na pág. 19). Na unidade já está em funcionamento o laboratório de análises clínicas, com equipamento de ponta e capacidade para até 300 exames/dia. Entre os exames oferecidos estão os de rotina, como hematologia, sumário de fezes e urina, mas vai disponibilizar também exames mais complexos, como o de Vitamina D e citologia oncótica e bioquímica. O laboratório vai atender as demandas do hospital e das unidades básicas de saúde do município.

HUMBERTO FILHO

BAIXIO / Passaporte de Lazer pVisitantes podem desfrutar de um novo produto voltado para o destino Baixio, na Linha Verde. Lançado pela Baixio Turismo, o Passaporte de Lazer possibilita montar quantos passeios o interessado escolher na grade diária de programações, pagando taxa única. As opções variam entre caminhadas guiadas à barra do Rio Inhambupe, Lagoa Azul (acima), visita ao Meliponário, tour em duas lagoas (com veículo 4x4) – Lagoa Verde e Lagoa da Panela –, com direito a stand up paddle e caiaque), tour na Lagoa da Panela e o novo tour Por do Sol. “Os clientes saem da Pousada Aldeola, vão ao Morro da Vista para observar Baixio de forma panorâmica e ainda recebem explicações sobre a flora e a fauna local”, enfatiza Claúdia Simões, gestora de operações turísticas da Prima Empreendimentos Inovadores.

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u Dia 12 acontece a quinta edição da Feira Artesanal, iniciativa que tem como proposta a comercialização de alimentos naturais e produtos artesanais sem lactose, sem glúten, sem refinados, produtos orgânicos, diretamente pelos seus produtores. No dia da feira também acontecem atividades lúdicas e motoras para as crianças. Local: Associação Escola Sabiá, rua Joaquim Cruz Rios, 11, Ipitanga, em Lauro de Freitas. Mais informações com os organizadores pelo zap 71 98805-4750 ou emails isartori@ gmail.com e feiraartesanalssa@gmail.com


SAC Móvel está fazendo recadastramento biométrico do TRE no Salvador Norte Shopping Carreta do SAC Móvel está atendendo no estacionamento do Salvador Norte Shopping até o dia 11 de agosto, de segunda-feira a sexta-feira, de 8h às 17h30, exclusivamente para recadastramento biométrico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). São distribuídas 140 senhas por dia, sendo que 40 delas são para atendimento prioritário. Para ser atendido, o eleitor deve portar um documento oficial com foto, a exemplo de RG, CNH, carteira profissional, passaporte, carteira de reservista ou certificado de alistamento militar original, além de um comprovante de residência recente. Aqueles que tiveram os dados cadastrais alterados, por qualquer motivo, devem levar um documento comprobatório de alteração das informações. O recadastramento biométrico é obrigatório e tem como prazo máximo o dia 31 de janeiro de 2018. O objetivo do TRE-BA é atingir cerca de 3 milhões de eleitores identificados biometricamente, em todo o Estado, até 2018. Estão obrigados a fazer o recadastramento todos os eleitores, inclusive aqueles cujo voto é facultativo (analfabetos, eleitores com idade entre 16 e 18 anos e os maiores de 70 anos de idade). O cidadão que não fizer o recadastramento dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral terá o título cancelado. Outros locais para agendamentos estão disponíveis no site da Rede SAC (www.sac.ba.gov.br), do aplicativo para celulares SAC Mobile e dos totens SAC Fácil, localizados nas unidades de atendimento. O recadastramento poderá ser feito também na Central de Atendimento ao Público ou nos cartórios eleitorais, ambos instalados na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), na 1ª Avenida do CAB. Para dúvidas, a Saeb disponibiliza os números 0800 071 5353 (fixo) e 4020 5353 (móvel).

Empresa baiana desenvolve aplicativo para controlar ponto de domésticos Na semana do Dia Internacional do Trabalho Doméstico, comemorado em 22 de julho, uma empresa baiana apresentou uma ferramenta digital destinada a controlar e gerenciar com precisão os horários de trabalho dessa categoria. Trata-se de um aplicativo para celular, chamado QRPoint For Home, da empresa Facile Tecnologia e Inovação. Para “bater o ponto”, o funcionário abre o aplicativo no seu próprio smartphone, insere o PIN de quatro dígitos e tira uma “selfie”. O patrão, também por smartphone, pode assim confirmar a geolocalização do trabalhador e verificar o registro facial. O aplicativo também permite que o empregador consulte sempre que quiser os horários de chegada e saída de seus empregados e ainda faz cálculos automáticos de horas, horas extras e adicionais noturnos. O custo varia conforme o número de empregados. Para controlar o ponto de até três, são R$ 59,90 por ano. Entre as mudanças trazidas pela chamada PEC das Domésticas às relações de trabalho entre empregadores e empregados domésticos está a obrigação do registro dos horários de trabalho. Para a empresa, a folha de ponto manual pode gerar erros, imprecisões e trazer insegurança jurídica.

Toneladas de areia da praia cobriram os gramados, atravessaram o calçadão de Vilas do Atlântico e chegaram às escadas de acesso nas alamedas, na noite de 3 para 4 de julho, devido à ventania. O Instituto Nacional de Meteorologia estimou que as rajadas de vento naquela madrugada chegaram a 59 km/h. A velocidade média nesta época do ano não costuma passar dos 10 Km/h. A ventania causou o mesmo transtorno também em Ipitanga e na orla atlântica de Salvador. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 7


CIDADE

Estação Lauro de Freitas do metrô pode ser viável em 2018

A

estação Lauro de Freitas do metrô, no Km 3,5 da Estrada do Coco, exatamente em frente ao shopping center que está em construção (onde hoje existe a loja Insinuante), pode começar a sair do papel no final de 2018. Para que o governo da Bahia comece a pensar nas obras é necessário que a estação Aeroporto atinja o volume de seis mil passageiros por hora-pico durante seis meses consecutivos. Depois disso, a CCR Metrô Bahia, concessionária do sistema, tem mais seis meses para apresentar estudos. Os termos fazem parte do contrato de concessão. “Acredito que lá para julho do ano que vem essas condições estarão presentes”, disse Luiz Valença, presidente da CCR Metrô Bahia no mês passado. A demanda prevista com a operação plena das linhas

1 e 2 é de 500 mil passageiros/dia útil. De acordo com apresentação feita pela empresa, depois da estação Aeroporto o metrô seguirá por cima do rio Ipitanga, ao longo da avenida Beira Rio, até encontrar novamente a Estrada do Coco. De acordo com a prefeita Moema Gramacho (PT), os trilhos serão elevados

sobre o leito do rio, sem a canalização do curso d’água. Ao lado do shopping center será construído um terminal de ônibus para transbordo que, juntamente com o terminal da estação Aeroporto, vai se tornar ponto de confluência do transporte rodoviário metropolitano para o entorno de Lauro

Novo sistema viário no Km 0 da Estrada do Coco prevê viaduto sobre os trilhos do metrô 8 | Vilas Magazine | Agosto de 2017


Estação Lauro de Freitas: em frente ao novo shopping center da Estrada do Coco. Luiz Valença e Moema Gramacho (dir.): ônibus de qualidade é essencial para o sucesso do metrô

de Freitas. A concessionária não forneceu ainda detalhes da futura estação de ônibus e de metrô, mas no mês passado revelou a conformação final do sistema viário da Estrada do Coco no entorno da estação Aeroporto – que deve entrar em operação até dezembro. Confirmando o que a Vilas Magazine adiantou em setembro do ano passado, as intervenções incluem a construção de um viaduto no Km 0 da Estrada do Coco, no sentido Salvador-Lauro de Freitas, logo após a entrada do aeroporto. O acesso ao novo viaduto, projetado para cruzar a linha do metrô e retomar a Estrada do Coco pouco antes da estação, será feito por novas faixas de rodagem, já em construção. No espaço da pista hoje usada por quem chega a Lauro de Freitas será instalado o viário do metrô. As obras prometem estrangular ainda mais, pelos próximos meses, o já complicado trânsito da Estrada do Coco, levando a prefeitura a sugerir rotas alternativas para ir e voltar de Salvador: por Ipitanga, via Stela Maris e por Areia Branca, via BA-526 (CIA-Aeroporto). O projeto, apresentado pela concessio-

nária durante um evento organizado pela prefeitura em Lauro de Freitas, mostra mais dois viadutos a construir sobre a linha do metrô. O primeiro na chamada “rua das concessionárias”, que liga o bambuzal do aeroporto à Estrada do Coco e o segundo na avenida 2 de Julho – ambos já depois da estação, para permitir o acesso das composições a um pátio de manobras e à futura estação Lauro de Freitas. A concessionária revelou também o projeto arquitetônico da estação de ônibus que fará o transbordo para o metrô – reformulado por insistência do exprefeito Márcio Paiva, que não queria um equipamento menos bonito na entrada da cidade. Para manter no lugar o marco do município, também conforme queria o ex-prefeito, a estação de ônibus terá apenas dez baias. O projeto inicial previa localização mais próxima do aeroporto e com apenas três baias para ônibus, mas a concessionária chegou à conclusão de que a demanda de passageiros será muito superior à inicialmente prevista e resolveu criar um terminal de ônibus maior e que

poderá ser ampliado no futuro. Como a estação Aeroporto será o fim da linha 2 do metrô, pelo menos por enquanto, é para lá que vão confluir as linhas de ônibus de Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho e outros municípios. Segundo a prefeitura de Lauro de Freitas, o terminal terá capacidade para 105 mil passageiros por dia e até 70 ônibus por hora. A estação será servida por um sistema de passarelas que vai ligar a avenida Gerino Souza Filho ao terminal de ônibus e este ao metrô. Uma outra passarela irá do metrô ao ponto de embarque e desembarque do “shuttle” – a linha de ônibus circular que vai ligar ao aeroporto internacional. De acordo com a CCR, serão veículos de plataforma baixa e com ar condicionado.

A promessa do poder público é rever a qualidade dos ônibus que atendem a população, do outro lado da estação do metrô. De acordo com José Eduardo Ribeiro Copello, da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), “o governo está atento a isso”. A agência reguladora está preparando melhorias para o transporte metropolitano, segundo afirmou. AR-CONDICIONADO E WIFI Servida apenas por linhas metropolitanas e pelos micro-ônibus das cooperativas, Lauro de Freitas ainda não tomou decisões a respeito da integração do transporte rodoviário coletivo ao metrô – medida u Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 9


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essencial para viabilizar o sistema. Em Salvador, mais de 300 linhas de ônibus metropolitanos e urbanos já estão integradas ao metrô. O passageiro paga apenas um bilhete, por meio do Metropasse, SalvadorCard ou do cartão de integração da CCR Metrô, utilizando os dois modais. Membros das cooperativas de microônibus que transitam por Lauro de Freitas aproveitaram o que seria uma coletiva de imprensa sobre o metrô, no mês passado, para cobrar apoio da prefeita, mas Moema Gramacho preferiu tratar do tema “em outra ocasião”. Garantindo que “faremos a integração, sim”, a prefeita não deu detalhes de como isso se daria. Também em julho, a prefeitura criou um “grupo de trabalho” para tratar do assunto. De acordo com a prefeitura, o governador Rui Costa (PT) fez referência, durante reunião com Moema Gramacho, à criação de um sistema auxiliar de alimentação por ôni-

Obras da estação Aeroporto: conclusão prevista para dezembro

bus, “relativo aos cinco quilômetros em que ele pretende colocar ônibus com ar condicionado e wifi para integrar com o metrô no município”. Metade dos atuais usuários do metrô já fazem uso da integração com ônibus, pagando apenas uma passagem, segundo a concessionária. Na integração urbana é possível também usar o ônibus, metrô e outro ônibus em seguida, pagando apenas uma tarifa, desde que seja no intervalo de duas horas. Na integração metropolitana o período de uso sobe para três horas, mas as combinações possíveis são apenas metrô-ônibus ou ônibus-metrô. Luiz Valença, presidente da CCR Metrô Bahia, prega uma mudança de hábito: deixar o carro em casa para usar

O governador Rui Costa em reunião com a prefeita: ônibus com ar-condicionado e wifi 10 | Vilas Magazine | Agosto de 2017

o transporte público. “O carro não cabe mais em cidade nenhuma”, disse. É preciso melhorar a qualidade do transporte rodoviário coletivo, exigindo veículos com ar condicionado, inclusive, acrescentou. Com isso, acredita ele, as pessoas “vão deixar o carro em casa”. Para quem usa a bicicleta como meio de transporte, Moema Gramacho prometeu pelo menos 20 Km de ciclovia – a construir de imediato com recursos da prefeitura. A boa notícia é que todas as estações do metrô contam com bicicletários – embora comportem apenas 100 unidades. Se o estacionamento para bicicletas promete se revelar exíguo diante da demanda, principalmente se as ciclovias forem construídas, mais preocupante é o estacionamento para carros – conforme lembrou o vereador Roque Fagundes (PT). Ele pediu medidas para organizar o espaço público no entorno do metrô “para não estrangular a cidade da estação para dentro”. Diante da qualidade do atual transporte coletivo na cidade, é previsível que até quem não usava o carro para ir trabalhar em Salvador agora passe a usálo para ir até a estação de metrô, gerando uma demanda por espaço para estacionamento – gratuito, em via pública. Valença ainda sublinhou que o “metrô muda a realidade urbana”, e garantiu que a cidade de Lauro de Freitas será outra. No entorno, previu o presidente da CCR Metrô Bahia, “haverá novos serviços ofertados pelo poder público e iniciativa privada”.


ELOI CORRÊA / GOVBA

TRÊS ANOS O trajeto do Aeroporto ao Acesso Norte, no Iguatemi, em Salvador, será feito em 27 minutos, segundo prevê a CCR Metrô Bahia. O intervalo entre os trens na linha 2, que servirá o aeroporto a partir de dezembro, está hoje em cinco minutos. Na linha 1, que tem maior demanda, já é de 4 minutos. São 40 composições no sistema, todas já recebidas pela concessionária, com capacidade para mil passageiros cada uma. Das 23 estações previstas, 15 já estão em operação, transportando 125 mil passageiros por dia em integração com 11 terminais de ônibus sob a tarifa de R$ 3,60. As linhas funcionam das 5h à meianoite, inclusive em feriados e nos fins de semana. O início da operação do trecho Rodoviária-Pituaçu aumentou em 25% o número de usuários, com a expectativa de alcançar 180 mil usuários por dia.

Metrô em operação: do aeroporto ao Iguatemi em 27 minutos Segundo a concessionária, a tendência é registrar crescimento gradual. Ao longo de três anos, completados em junho, o sistema de Salvador transportou mais de 35 milhões de passageiros em 20 quilômetros de malha metroviária. De

acordo com a empresa, é a “maior obra de mobilidade urbana em execução no Brasil” e também a de execução mais rápida – depois que a CCR Metrô Bahia assumiu o projeto. A conclusão, com a entrega da estação Aeroporto, está prevista para o final de 2017. Será o terceiro maior sistema de metrô do país, somando 42 km, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

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O parque infantil, sempre muito concorrido aos fins de semana, recebe mais de mil visitantes por domingo

Parque Ecológico recebe pedidos para realização de atividades

O

Parque Ecológico de Vilas do Atlântico começou a receber atividades de particulares que solicitam o uso gratuito do espaço. Em julho, uma organização espiritual ofereceu massagens gratuitas no quiosque do “espaço zen”. Amélia Luiza Poli, que veio visitar a família em Lauro de Freitas, elogiou a iniciativa. “uma raridade um espaço como esse num parque público”, disse. Mas o que faz mesmo sucesso é o parquinho infantil, sempre lotado aos fins de semana. Os pais vivem o desafio de acompanhar a correria dos pequenos de um brinquedo para o outro. Mais de mil pessoas passam por lá aos domingos, de acordo com Alexandre Marques, secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Lauro de Freitas. Ele continua planejando ações para o parque e pretende reabrir uma trilha para caminhadas. Além disso, começa a definir um calendário de atividades propostas por pessoas interessadas em usar os espaços. Em agosto, por exemplo, haverá sessões diárias de yoga, meditação ou Tai Chi Chuan. Às terças e quintas, das 16h às 17h, Luciano Oliva comanda a yoga. As sessões de meditação, com Siddhartharishi, são de terça a sexta-feira, sempre das 9h às 10h e aos sábados de manhã. Para o Tai Chi Chuan é Cláudio Carvalho que ocupa o espaço zen, às quartas e sextas-feiras, das 16h às 17h e aos sábados e domingos das 9h às 10h. Para os sábados, das 16h às 17h, o trio programou palestras. Interessados em agendar espaços no parque ou conhecer a eventual programação devem falar com Carol, na secretaria de Meio Ambiente, pelo telefone 3369-9134, das 8h às 14h. O parque funciona de terça a domingo, das 8h às 17h. Embora o portão principal fique fechado, a entrada pelo edifício da administração funciona ao longo daquele horário. 12 | Vilas Magazine | Agosto de 2017


O secretário Alexandre Marques com as filhas no parque: ganhando dinamismo

LAURO DE FREITAS

55 ANOS MAIS EXCELÊNCIA E QUALIDADE EM SAÚDE

ISTA OBR

MAN

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71 3261-1314 Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 13


CIDADE

Proerd forma mais 872 jovens em Lauro de Freitas

O

Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) da Polícia Militar formou mais 872 jovens em Lauro de Freitas, em evento organizado pelas Companhias Independentes de Polícia Militar (CIPM) 52ª e 81ª, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Durante a cerimônia, na quadra poliesportiva do Centro Educacional Fênix, as melhores redações foram premiadas e houve distribuição de camisetas e bonés para os formandos. O Proerd é executado nas escolas públicas e particulares, por policiais militares treinados e preparados para utilizar uma metodologia especial-

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Formandos fazem festa na cerimônia de formação do Proerd mente voltada para o público-alvo, formado por crianças e adolescentes, na tentativa de levá-los a tomar decisões seguras e responsáveis diante da oferta de drogas. Os índices de saúde escolar do IBGE relativos ao período de 2009 a 2015 indicam uma redução na experiência com álcool entre os estudantes do 9º ano do ensino

fundamental – faixa dos 13 aos 15 anos – em Salvador, mas registram deterioração de 35% no cenário da experiência com drogas entre os estudantes da rede pública. Para o comandante da 52ª CIPM, Major PM Fabrício Oliveira, a cerimônia de formatura do Proerd sempre gera satisfação nos policiais e nas famílias dos jovens formandos. “Fa-


zemos nosso trabalho de levar segurança pública para as ruas e desenvolvemos projetos como esse, de prevenção, para que esses meninos não sejam seduzidos pela vida fácil das drogas”, disse. O programa é uma adaptação do norte-americano “Drug Abuse Resistence Education” – ou DARE – criado em 1983 na Polícia de Los Angeles, Califórnia. No Brasil, o Proerd começou a ser executado em 1992, pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Hoje é adotado em todo o Brasil e em outros 57 países. Mais de 450 mil crianças e adolescentes de 5.251 escolas públicas e particulares já foram formados pelo Proerd desde a sua implantação na Bahia, em 2003. Com o surgimento da epidemia de abuso de opioides – basicamente analgésicos de farmácia, heroína e drogas sintéticas – nos Estados Unidos, vários estados americanos renovaram a aposta no DARE, que havia sido praticamente abandonado há sete anos por supostamente não apresentar resultados. Agora, mais recursos foram alocados aos programas. No mês passado, o Procurador-Geral dos Estados Unidos Jeff Sessions, que atua como Ministro da Justiça, enalteceu o retorno do programa, destacando que a overdose de drogas é hoje a principal causa de mortes de americanos com menos de 50 anos. Só em 2016 foram quase 60 mil vítimas. Falando para a plateia da 30ª Conferência de Treinamento do programa, no Texas, Sessions defendeu que “não é suficiente que as drogas perigosas sejam ilegais” – e que é necessário “torná-las também inaceitáveis”. Para ele, é preciso criar “um clima cultural que seja hostil ao abuso de drogas”. ESTATÍSTICAS No Brasil, alguns estudos apontam que o Proerd alcança resultados positivos em relação à autoestima, autocuidado e resistência à pressão dos pares. As perspectivas dos jovens em relação ao uso de drogas também sofrem impacto, de acordo com acadêmicos. Em Santa

Catarina, onde mais de 1 milhão de jovens já passou pelo programa, trabalho acadêmico de 2014 concluiu que o Proerd contribui para o processo de aprendizado de conteúdos que favorecem relações mais amistosas entre os alunos e o encaminhamento de situações de conflitos entre os mesmos. Dados estatísticos também podem ajudar a avaliar a efetividade do programa, embora não se possa atribuir diretamente ao Proerd, por falta de estudos, eventual alteração ou manutenção dos cenários. O fato é que, no espaço de seis

anos, o IBGE registrou uma queda de quase dez pontos percentuais no número de estudantes de Salvador do 9º ano do ensino fundamental – na faixa dos 13 aos 15 anos – que haviam tomado bebida alcoólica. A experiência refere-se sempre aos 30 dias anteriores à pesquisa. A queda foi registrada um pouco por todo o país, reduzindo também a média entre as capitais. Segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (2015), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25% da- u Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 15


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queles estudantes pesquisados em Salvador havia tomado álcool – taxa que alcança 29% se consideradas apenas as escolas da rede pública, mas 16,5% na rede privada. A média das capitais é de 23%. Três anos antes, na pesquisa anterior (2012), quando a média das capitais era de 26%, mais de 30% dos jovens de 13 a 15 anos em Salvador havia tomado álcool. E em 2009 eles eram 34,5% – a média das capitais era de 27%. DROGAS O que praticamente não mudou naqueles seis anos em Salvador foi a taxa de adolescentes cursando o 9º ano que já haviam consumido drogas: 6,3% em 2009, 6,4% em 2012 e 6,1% em 2015. A média das capitais, no mesmo período variou de 8,7% (2009) para 7,3% (2012), piorando depois para 10,6, em 2015. A estabilidade do índice geral em Salvador, contudo, esconde uma deterioração do cenário nas escolas públicas, onde o percentual dos adolescentes do 9º ano que já experimentaram drogas subiu 35% naqueles seis anos. Eles eram 5,7% em 2009, mas 7,3% em 2012 e 7,9% em 2015. Já nas escolas privadas, a evolução do índice é inversa: 9,5% em 2009, 3,6% em 2012 e 2,6% em 2015, numa queda de 73% no mesmo período. O índice das escolas públicas de Salvador, embora permaneça o pior entre todas as capitais nordestinas, só não se deteriorou como em Porto Alegre (RS), que lidera as estatísticas da pesquisa pelo aspecto mais negativo para a saúde dos adolescentes. Os gaúchos viram a situação piorar bastante entre 2009 e 2015 quanto à experiência dos mais novos com drogas ilícitas, mais que duplicando os índices: de 7,5% em 2009 para 12% em 2012 e 16,7% em 2015. 16 | Vilas Magazine | Agosto de 2017

Base Comunitária de Segurança faz acampamento e promove o teatro

O

s alunos da Base Comunitária de Segurança (BCS) de Itinga viveram um fim de semana de aventuras com a realização do terceiro acampamento dos Anjos Marrons, em Subaúma, na região de Entre Rios, em julho (foto acima). Quarenta crianças atendidas pela BCS tiveram contato com a natureza, além de tratarem de primeiros socorros, astronomia, nós, amarras e técnica de rapel e escalada. Também aprenderam a utilizar fogos, fogões e a diferença entre esquentar, iluminar e cozinhar. A intenção foi colocar em prática os conhecimentos transmitidos pela base sobre a arte de acampar. Os alunos dormiram em barracas e fizeram caminhadas noturnas com olhos vendados, em que a tarefa era aprender a confiar nos colegas. A BCS de Itinga teve o auxílio do grupo Desbravadores da Mata Escura e dos pais dos alunos, que acompanharam de perto a aventura. O curso de arte de acampar, promovido pelo projeto Anjos Marrons desde 2015, é ministrado pelo soldado Adriano Pereira de Jesus. A ideia do acampamento é trabalhar o raciocínio dos estudantes, para que saibam lidar com as mais diversas situações. “O objetivo é ver as crianças se superarem”, afirma. Adriano explica que notas altas na escola e bom comportamento são condições indispensáveis para participação no acampamento. São “exigências que utilizamos como mecanismos para que a meninada se dedique mais aos estudos e seja disciplinada”, explica. Uma outra ação da BCS de Itinga, também em julho, levou trinta jovens para ver o espetáculo “Ninhos – Performance para grandes

pequenos”, da Balangandança Cia, na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador. A intenção do espetáculo é aproximar jovens e crianças da dança contemporânea, com foco no corpo e no movimento. Com idades entre 12 e 18 anos, os adolescentes são integrantes do projeto Vidas em Cena, desenvolvido pela BCS de Itinga. Às terças, quintas e sextas-feiras, no período da tarde, eles participam de aulas de iniciação teatral. O projeto foi criado há três anos pelo soldado Luide Prins, formado em teatro pela Ufba, com o objetivo de fomentar a cultura na área da BCS. “Eles acompanham todo o processo de iniciação teatral, passando por métodos como cenografia, jogos de improvisação, maquiagem, dança, canto e interpretação”, conta Prins. “Não temos a intenção de formar atores, mas proporcionar a esses jovens o contato com a arte” – e sublinha: “este tipo de atividade é fundamental na formação do indivíduo”. Como parte do projeto, os alunos formaram o grupo de teatro “Junto e misturado”. O grupo foi selecionado para o Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana, que acontece de 1º a 12 de outubro, quando apresentará uma releitura da peça ‘Arena Conta Zumbi’, de Augusto Boal (1931-2009), que trata da luta dos quilombolas de Palmares. O espetáculo também será encenado dia 8 de agosto, no Cine Teatro Lauro de Freitas, em comemoração dos cinco anos de fundação da unidade de segurança.


Sinal analógico de TV será desligado em 27 de setembro

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desligamento do sinal antigo em Lauro de Freitas, Salvador, demais municípios da Região Metropolitana e no Recôncavo estava previsto para o mês passado, mas foi adiado para 27 de setembro devido a dificuldades técnicas na produção de kits para adaptação ao sinal digital. O kit, composto por antena, conversor de sinal e controle remoto, é gratuito para os beneficiários de programas sociais do Governo Federal, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Tarifa Social de Energia Elétrica e outros. O agendamento da retirada do kit pode ser feito no site http://www.sejadigital.com.br A pressa em desativar o sinal analógico está ligada à necessidade das empresas de telecomunicações, que querem ativar a tecnologia 4G da rede celular na faixa de 700 mega-hertz no ano que vem em todo o país. A transição vem sendo feita aos poucos, por região. Em São Paulo, por exemplo, o sinal é exclu-

sivamente digital desde março e em Brasília, desde novembro do ano passado. O desligamento do sinal analógico em todo o território brasileiro deve ocorrer até o fim de 2018. O total de domicílios com aparelho de televisão que não têm antena parabólica, nem TV por assinatura, nem digital aberta u

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vem caindo desde 2013, quando somavam 28,5% do total. Mas em 2015 ainda havia 13 milhões de residências – quase 20% do total – com acesso apenas ao sinal analógico aberto, correndo o risco de ficar sem o serviço de TV depois da migração para o sinal digital. Os números são do Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, divulgado em dezembro do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quem recebe canais abertos através de sistemas de TV por assinatura pode ser impactado na recepção de alguns canais após o desligamento do sinal analógico, mas não por conta da tecnologia. É que a exibição dos canais abertos de televisão pelas operadoras de TV por assinatura passou a depender de autorização de cada emissora.

Vídeos sobre desligamento do sinal analógico podem render prêmios

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studantes das redes pública e privada de Lauro de Freitas e outras 19 cidades do Recôncavo e do entorno de Salvador poderão participar de um concurso promovido pela Seja Digital, a entidade que cuida da transição do sinal analógico para digital nas transmissões da TV aberta. Podem participar do concurso alunos regularmente matriculados no ensino fundamental, do 1° ao 9° ano, sem limitação de idade. Os trabalhos, sempre em vídeo, terão o tema “Seja digital e não deixe ninguém ficar para trás”. Opropósito da entidade é motivar crianças e adolescentes para prestarem apoio às pessoas das suas comunidades no processo de migração para o sinal digital, informando e orientando sobre a mudança da tecnologia de TV de forma didática. Como a inscrição no concurso depende da postagem dos vídeos em redes sociais, só nessa etapa a entidade já consegue divulgação efetiva e gratuita do tema. O desafio é ter o máximo de residências preparadas para o sinal digital quando o analógico for desligado na região, no dia 27 de setembro. As inscrições devem ser feitas no site https://alunodigital.tv.br até o dia 11 de agosto. Os vídeos vencedores serão anuncia-

Vídeos feitos com o celular também estão valendo para o concurso

dos no dia 1º de setembro. Cada estudante poderá participar com apenas um projeto e em apenas uma das três categorias estabelecidas.A participação pode ser individual ou em grupos. No caso da participação em grupos apenas um integrante pode fazer a inscrição do concurso. O regulamento completo pode ser consultado no mesmo site. A categoria 1 – “Seja um Youtuber” – é para alunos do 1º ao 4º ano. Aqui as crianças podem produzir vídeos que explicam passo a passo, por exemplo, o que fazer com a TV antiga para receber o sinal digital, como fazer o agendamento e retirar um kit se uma família participa de programas sociais do governo federal, como instalar um kit de conversão ou como sintonizar os canais digitais. Na categoria 2 – “Você é o repórter” – para alunos do 5º ao 7º ano, os vídeos contam histórias de pessoas que estão realizando o processo da conversão para o sinal digital. Pessoas que têm apego por sua TV de tubo, pessoas que já adquiriram seus kits ou que possam falar da diferença entre a TV analógica e digital são exemplos de conteúdo para essa categoria. Vale tambémmostrar pessoas que ainda não entenderam o processo de migração para o sinal digital. A terceira categoria é para alunos do 8º e 9º anos: “Você é o jornalista”. São vídeos com narrativas de histórias relevantes.

COMUNICADO

O Shopping Estação Villas, comunica a quem interessar, que o shopping possui alvará de habite-se número: 32144/12 emitido em 18/12/12 pela Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas. Portanto, reiteramos que o shopping está apto a servir a toda e qualquer modalidade de serviço. Estamos esperando por você! Venha montar seu négocio. A direção.

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Exemplos de possibilidades: a reciclagem de TV de tubo, o impacto da TV digital no cotidiano de pessoas com deficiência visual ou auditiva, as vantagens da TV digital ou a história da TV no Brasil. Os vídeos poderão ser realizados em qualquer tipo de equipamento que produza imagens em movimento – câmera de vídeo, câmera de foto digital, câmera de celular, animação feita no computador ou qualquer outro – e devem ser obrigatoriamente postados em uma rede social, Facebook ou Youtube, gerando um link que precisa ser incluído na inscrição online. A premiação acontece em duas etapas. A primeira fica por conta de uma comissão julgadora e vai premiar os três primeiros colocados de cada categoria. O 1º lugar rende uma TV de 40 polegadas, o 2º, uma de 32 polegadas e 3º lugar um kit conversor de sinal. Para motivar as escolas a engajar os alunos, as três com maior número de inscrições também serão premiadas com uma TV de 40 polegadas. Por meio de votação popular serão premiados também os vídeos de maior sucesso em cada categoria, participando apenas os três primeiros colocados selecionados pela comissão julgadora em cada uma das categorias. Os vencedores da votação popular terão como prêmio um tablet com chip de dados gratuito por um ano.

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Mutirão de cirurgias marca reabertura do hospital Jorge Novis

m “mutirão de cirurgias” programado para este mês vai realizar 500 intervenções de vesícula, hérnia, útero e miomas em Lauro de Freitas. A iniciativa é uma parceria entre a prefeitura e o Governo do Estado. O procedimento começa pelas pré-consultas para triagem, entre os dias 2 e 4 de, a partir das 7h e até o último paciente, em u

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CIDADE

GERAL

LEONARDO RATTES

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unidades móveis estacionadas em frente ao Restaurante Popular, no Centro. As cirurgias serão realizadas no Hospital Municipal Jorge Novis, a partir do dia 8. Além de reduzir a fila de cirurgias no município nesses procedimentos, o mutirão marca a reabertura do Hospital Municipal Jorge Novis, em Itinga. “Esse é o primeiro mutirão de muitos que pretendemos fazer com várias outras especialidades”, disse a prefeita Moema Gramacho (PT). Serão atendidos pacientes com indicação médica para a cirurgia, com cadastro na Secretaria Municipal de Saúde ou que tenham exames laboratoriais que comprovem a necessidade da intervenção. Para a pré-consulta o paciente deve levar seus documentos e exames laboratoriais já realizados. Quem vai se submeter ao exame de USG, exigido para a cirurgia de vesícula, deve estar em jejum. As pacientes que farão cirurgia de histerectomia devem levar exame preventivo.

Governo resolve presumir honestidade dos cidadãos

cidadão brasileiro, até aqui tratado pelo serviço público como suspeito à primeira vista, passou a gozar de “presunção de boa-fé” – pelo menos na esfera federal. Com a publicação do decreto presidencial 9094/2017, no mês passado, os órgãos e entidades da administração pública federal ficam proibidos de exigir do cidadão a apresentação de documentos comprobatórios da regularidade da situação, atestados, certidões ou quaisquer outros – salvo disposição legal em contrário. As normas valem também para pessoas jurídicas. Caso precisem da papelada, os guichês da burocracia federal devem obtêla por conta própria junto aos órgãos que tiverem a informação. E se não conseguirem, bastará uma simples declaração escrita e assinada pelo próprio cidadão para comprovar a regularidade dos documentos apresentados. Para acessar documentos com informações sigilosas, o burocrata terá que obter autorização prévia do cidadão. A autenticação de cópias de documentos também não precisa mais passar pelas filas de espera dos cartórios. O próprio servidor público federal que receber as cópias dos documentos poderá fazer a autenticação, mediante simples conferência e comparação com o documento original. O decreto determina ainda que os órgãos prestadores de serviços devem facilitar o compartilhamento de informações, inclusive usando uma linguagem clara, sem “siglas, jargões e estrangeirismos”. Na mesma canetada, o governo federal obriga toda a burocracia a elaborar uma “Carta de Serviços”, expondo, de maneira descomplicada e transparente, os serviços oferecidos e como acessá-los. A obrigação é que informem até mesmo os usuários que gozam de prioridade, o tempo de espera para atendimento, o prazo para a realização do serviço e a forma de recebimento e resposta de reclamações. Se o usuário avaliar que foi mal atendido, poderá apresentar – nem tudo mudou – um A peregrinação por formulário de reclamação, chamado “Simplifique!”. repartições públicas Mas o dispositivo do decreto que promete fazer atrás de documentos mais sucesso é o que manda a burocracia federal inpara obter outros formar “os procedimentos para atendimento quando o documentos pode sistema informatizado se encontrar indisponível”. A ter chegado ao fim mais odiada resposta em qualquer repartição – “o VALTER CAMPANATO / ABR

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sistema está fora do ar” – não poderá mais ficar por isso mesmo. Pelo menos em tese. A cultura burocrata brasileira tem sido alvo de estocadas esparsas pelo menos desde os anos 70, quando o governo do general João Figueiredo criou o Programa Nacional de Desburocratização. A ideia era eliminar “formalidades e exigências cujo custo econômico ou social seja superior ao risco” envolvido. Os mesmos termos constam do artigo primeiro do decreto publicado no mês passado. Atestados de vida, de residência, de dependência econômica, de bons antecedentes, idoneidade moral ou pobreza deixaram de ser exigidos naquela época, sendo substituídos pelas declarações ou certidões – que agora também deixaram de ser responsabilidade do cidadão apresentar. Uma antiga resolução que dispensava o reconhecimento de assinaturas nos documentos entregues aos guichês federais também foi posta em prática, reduzindo à metade o movimento dos cartórios para esse tipo de serviço. A luta contra a burocracia no Brasil, entretanto, permanece longe de ser vencida. Um estudo recente da Endeavor, organização sem fins lucrativos dedicada ao empreendedorismo em 27 países, mostra alguns dos superlativos nacionais nesse contexto. A regularização de um imóvel, por exemplo, leva em média 153 dias. Pelas contas da Endeavor, um empreendedor precisa preencher, em média, 7,6 fichas nos demonstrativos de apuração do ICMS, quantidade que varia conforme o estado, podendo chegar a 19 fichas. E isso pode piorar a qualquer momento: no espaço de três anos, entre janeiro de 2012 e dezembro de 2014, foram publicados, em média, 202 decretos de atualizações tributárias por estado. Nem mesmo para se enredar nesse cipoal burocrático o cidadão encontra facilidade. No Brasil são necessários, em média, 129 dias para abrir uma empresa – e a espera alcança 304 dias em um município gaúcho, de acordo com a ONG.

CONTRASTE A tartaruga despigmentada da Praia do Forte, ao lado de outra com a pigmentação normal: exemplar raro demanda cuidados

Tartaruga despigmentada já pode receber visitas no Tamar

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ma tartaruga-verde (Chelonia mydas) que nasceu sem a coloração da espécie foi transferida no mês passado para as piscinas de visitação pública na base do Projeto Tamar na Praia do Forte. Ainda muito jovem, a tartaruga rara continua sendo estudada. Com 4,5 kg e 34 cm de casco, a tartaruguinha já se alimenta bem. A veterinária do Projeto Tamar, Thaís Pires, conta que a tartaruga tem mínimas chances de sobreviver na natureza por causa da anomalia genética, chamada de leucismo, que diminui a pigmentação da pele e do casco. A falta do padrão cromático natural impede a tartaruga de se esconder dos predadores, reduzindo ainda mais as já pequenas chances de sobrevivência dos filhotes de tartaruga no mar. Estima-se que apenas um ou dois em cada mil filhotes sobrevivam até a idade adulta no ciclo de vida das tartarugas marinhas. Isto acontece de forma natural, já que os filhotes servem de alimento para uma grande diversidade de animais,

incluindo caranguejos, polvos, aves marinhas e peixes de todos os tipos. Assim, a camuflagem é importante, principalmente na fase juvenil. Além disso, se fogem aos padrões naturais, elas não conseguem nem mesmo atrair um companheiro ou companheira. O gênero do exemplar despigmentado continua desconhecido. Mas, sob cuidados especiais, a pequena tartaruga já pode receber visitas e deve continuar a viver na base do Tamar, ajudando os pesquisadores a compreender o fenômeno, que é raro em tartarugas marinhas. Colocada em um espaço exclusivo, só para ela, a tartaruga especial pode ser vista todos os dias das 8h30 às 17h30, no Museu da Tartaruga Marinha, na Praia do Forte. O Projeto Tamar protege tartarugas marinhas no Brasil desde 1980, trabalhando na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, em 25 localidades e cerca de 1.100 quilômetros de praias. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 21


GERAL

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Venezuelanos também votaram em Vilas do Atlântico

idadãos venezuelanos residentes em Lauro de Freitas, Salvador e outros municípios do entorno, participaram da consulta popular extraoficial promovida no dia 17 de julho pela frente de oposição ao presidente Nicolás Maduro na Venezuela e outros cem países. Segundo os organizadores, foram habilitados 667 pontos de votação, distribuídos em 602 cidades de todo o mundo onde residem venezuelanos. Em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com Marlon Rodriguez, um dos organizadores da votação, a única urna estava instalada em Vilas do Atlântico, na área da Pão Expresso. Cerca de 50 pessoas eram esperadas. Érika Alezard, que reside no Brasil há 20 anos, foi uma delas. Em todo o Brasil, milhares de venezuelanos teriam votado no plebiscito. Rodriguez, a esposa Carol e os três filhos do casal residem há sete anos no Brasil. A deterioração da situação política e econômica na Venezuela, já naquela época, serviu de incentivo para a família se mudar de vez para a Bahia, aproveitando uma oportunidade de emprego. Diego Hernandez, 23 anos, administrador de empresas, foi um dos venezuelanos mais jovens a votar na urna de Vilas

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do Atlântico, juntamente com seu irmão Samuel, 21, estudante de engenharia. Há dez anos no Brasil, a família mora em Buraquinho. Como várias outras, a família Hernandez também veio para o Brasil por causa da crise no seu país e por haver surgido uma oportunidade de emprego no Polo Petroquímico de Camaçari. Diego tinha apenas 13 anos quando deixou a Venezuela, mas lembra que “já havia falta de carne, leite” e das corridas aos supermercados sempre que alguém avisava de um abastecimento recente. Agora se preocupa com os avós, que ainda residem lá e que estão “sem acesso a remédios”. Para Samuel, “participar da votação é o mínimo que podemos fazer”. Apesar de ter saído muito novo de seu país, sentese ligado à pátria e diz que ficou feliz por fazer a parte dele. Realizada à margem do poder eleitoral oficial, a votação foi considerada um plebiscito pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e consistia em aferir se os cidadãos concordam ou não Venezuelano votantes em Vilas do Atlântico: 98% de apoio à oposição

com o processo constituinte proposto pelo governo Maduro. Os redatores da nova Constituição seriam eleitos no último dia 30, de acordo com novos critérios, que a oposição considera favorecer o chavismo. Os votantes responderam a outras duas perguntas: se as Forças Armadas devem defender a atual Constituição e se querem eleger um novo governo de unidade nacional. Sem a participação dos chavistas, que criticaram a realização da consulta, os resultados mostraram 98% de apoio às propostas da oposição. Foram às urnas, de acordo com a organização, cerca de sete milhões de votantes, mais de um terço do eleitorado venezuelano. Para o processo, a MUD habilitou 2.030 “pontos soberanos” em todo a Venezuela, com 14.404 mesas de votação e mais de 47 mil pessoas credenciadas, além de 80 mil voluntários. Segundo a reitora da Universidade Central da Venezuela, Cecilia Garcia Arocha, a participação foi alta, levando-se em conta que havia sete vezes menos mesas de votação do que numa eleição nacional e que o plebiscito foi organizado em duas semanas, por 50 mil voluntários e sem a estrutura do governo. Arocha integra o grupo de acadêmicos que monitorou a consulta popular. Já o presidente Nicolás Maduro considerou o resultado do plebiscito “desmoralizante” comparado com a participação na simulação para a eleição da Assembleia Nacional Constituinte. A oposição pretendia boicotar a votação do dia 30, por considerá-la uma manobra de Maduro para reescrever a Constituição e se perpetuar no poder, apesar da crescente insatisfação da população com o desabastecimento e a inflação anual de mais de 700%. A crise econômica, agravada pela queda do preço do petróleo, principal produto de exportação venezuelano, determinou a vitória da oposição nas eleições legislativas de 2015. Pela primeira vez em 18 anos de governos socialistas, os oposicionistas controlam o Congresso. Mas suas decisões têm sido anuladas pela Suprema Corte que, segundo a oposição, é aliada de Maduro.


ESPAÇO ABERTO

A necessária conscientização da defesa dos direitos da pessoa com deficiência Suely Calixto Caldas

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Semana Nacional da Pessoa com Deficiência e/ou múltipla é comemorada há muitos anos no período de 21 à 28 de agosto em todo Brasil. A Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (FENAPAES) fez uma enquete e elegeu o tema “Pessoa com Deficiência: direitos, necessidades e realizações” para nortear as reflexões em 2017. A escolha do tema não poderia ser mais adequado, visto que a dignidade humana e os direitos fundamentais da pessoa com deficiência realmente precisam ser intensivamente lembrados, devido a uma sociedade que vive uma inclusão ilusória, com um legado de muitos e muitos anos de exclusão e negação das diferenças. Historicamente essas pessoas atravessaram longos períodos de banimento e exclusão total, segregação institucional (confundidos como doentes mentais) e uma fase denominada de integração, resultante de um movimento unilateral, quando tentaram, com muito esforço, adaptaremse sem muito apoio a uma sociedade que tentava a todo custo ‘ajustá-los’ a padrões de normalidade elegidos por critérios dicotômicos. Na sonhada era da inclusão podese perceber que apesar de muitas conquistas e exceções, muitos direitos não são garantidos no que se refere a proteção constitucional. Estatísticas do IBGE confirmam que PcD no Brasil não têm acesso a escola, transporte público, trabalho e demais atividades tão necessárias a todos os cidadãos. Se pensar em qualidade a situação agrava-se, pois esses serviços não atendem de fato as necessidades reais. Assim, PcD levam suas vidas en-

frentando muitas adversidades, as quais decorrem principalmente das barreiras atitudinais construídas pelo temor à diferença. Cabe lembrar, por exemplo, que o nazismo pautou-se na diferença para uma politica de extermínio, sob a defesa de uma raça pura e superior e eliminação das demais. Faz-se necessário que neste século possa-se ir além das críticas, como a feita ao legado nazista, e um bom começo para a eliminação de barreiras atitudinais seria perceber que o ser humano não pode ser tratado de forma genérica como se não tivesse as suas peculiaridades, tampouco rotulado de normal e anormal. Nesse cenário, PcD, dentre outras categorias vulneráveis, devem ser vistas como seres únicos, como aliás todos os seres humanos são, ao considerar suas particularidades. A generalização da deficiência gera discriminações e na maioria das vezes nega as potencialidades. Cabe ressaltar, para ilustrar a falta de efetivação de direitos e a dificuldade de perceber a peculiaridade e potencialidade do outro, a situação vivida por Guilherme Ortins, ao solicitar a cidadania portuguesa, concedida inclusive a sua irmã com quem pretendia viver. O governo português negou seu direito por duas vezes consecutivas alegando tratar-se de uma pessoa incapaz e inválida. Contudo, trata-se de um jovem com síndrome de Down que leva uma vida produtiva, empregado no McDonald’s, sendo elogiado pelos seus colegas devido ao excelente desempenho das suas funções. Percebe-se nessa situação enfrentada por esse jovem, que o Direito Internacional do Direito Humano, mediante inúmeros instrumentos internacionais de proteção foram feridos, inclusive a Convenção sobre os Direitos das PcD, principalmente no seu Artigo 32, que trata da cooperação internacional. Esse fato ameaça os tratados internacionais de proteção que refletem

sobretudo, uma nova consciência ética contemporânea, na medida em que um consenso internacional acerca de temas centrais dos direitos humanos, na busca de estabelecer o mínimo de parâmetros protetivos ao mundo globalizado, não é considerado. Sociedades complexas, como as contemporâneas, não podem delimitar fronteiras, pois contêm diferentes etnias, raças, religiões, e por isso geram muita diversidade e peculiaridades. Sendo assim, os problemas do convívio com as diferenças tornam-se tão grandes que não haverá uma solução mágica, única e completa... Todavia, a saída não estará no fechamento de fronteiras e nem muito menos em delimitar toda essa complexidade em um único molde repressivo. Com as PcD, um outro erro tão grave quanto o da repressão, é o da invisibilidade, ao serem imperceptíveis ao outro que passam e não as veem... O que é inadmissível, até porque a deficiência não pode ser mais vista como algo que reside unicamente no individuo, como se ele portasse em si sozinho um fardo, mas como resultado da interação entre indivíduos e o seu meio ambiente, que poderá tornar-se mais acessível, inclusive com as inovações tecnológicas em constante evolução. Resta a sociedade aprender com as diferenças e as peculiaridades, para interagir com mais dignidade de forma que cada cidadão possa colaborar um com o outro, numa troca em que todas as partes se beneficiem, sem o risco da exclusão, da invisibilidade e delimitação de fronteiras. Suely de Melo Calixto Caldas é pedagoga, especialista em Educação Especial - Uneb Mestra em Educação - Ufba. Membro do Rotary Club Lauro de Freitas.

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TURISMO & LAZER

Mergulhos em cachoeiras e rios com a companhia de aves, peixes e outros bichos são a base da via­gem à natureza da Chapada dos Gui­marães e da vila Bom Jardim

MATO GROSSO COISA DE LOUCO

Ufoturistas e viajantes em busca de interação com a natureza encaram trilhas no cerrado cercadas por rochas, nascentes e sequências de cachoeiras, uma mais bonita que a outra

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ORELHÃO E SUVENIR O que há então é contemplação à beira das grades, restaurante, quiosque de suvenires e orelhão em forma de arara. O acesso ao mirante é feito pela entrada principal do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no km 50 da rodovia MT-251. A portaria é uma ruína moderna, obra abandonada há quase dez anos e em fase de “replanilhamento”, como esclareceu depois por telefone Marcus Ogeda, coordenador de infraestrutura turística da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. 24 | Vilas Magazine | Agosto de 2017

ROGNER GIUGNI / FOLHAPRESS

ocaina do Inferno era o nome original da principal imagem ligada à Chapada dos Guimarães. A queda-d’água de 86 metros virou mais uma das cascatas “Véu de Noiva” que jorram pelo Brasil. Foi rebatizada pelo arcebispo Aquino Correa (1885-1956), primeiro mato-grossense a entrar na Academia Brasileira de Letras. Nota-se. É um nome comum para a cachoeira sem par, circundada por paredões erodidos à moda chapadense, frequentada por araras de vozes estridentes e cores idem. Pena estar vetada ao contato íntimo. Em 2008, um grupo de jovens em excursão desceu a trilha até o lago ao pé do Véu da Noiva e foi surpreendido em pleno banho pelo desabamento de uma rocha de arenito. Uma garota morreu. Agora, visitantes ficam protegidos da Bocaina do Inferno. E vice-versa.


Lagoa das Araras, Bom Jardim

O carro fica no estacionamento e encara-se uma trilhinha de 550 metros de preferência levando chapéu, protetor solar e água porque, mesmo no outono, a vegetação é baixa, não faz sombra, e a Chapada é quente. Ainda que sua temperatura seja considerada “amena” e chegue a atingir cinco graus abaixo da registrada em Cuiabá (por causa dos ventos e da altitude, 800 metros acima do nível do mar), o sol castiga até em junho. Véu da Noiva visto, incrível. Não é a coisa mais emocionante nesse lugar que ostenta 450 cachoeiras catalogadas, sete delas no parque. Pela lateral da portaria se faz o acesso a outras belezas mais palpáveis: Cachoeirinha e dos Namorados, uma a uns 50 metros da outra. Chega-se a elas entrando na trilha de 1.200 metros no máximo até o meio-dia, e só depois de ler a placa com recomendações de segurança e assinar um “termo de conhecimento de risco”. O caminho é uma transição entre o cerrado – paisagem mais encardida de árvores baixas e tons terrosos – para a mata de galeria dos livros de geografia, corredores verdes sempre acompanhando cursos de riozinhos. Quase no fim da trilha há muretas e degraus de pedra já cobertos por vegetação, restos de ocupação descaracterizante que incluía restaurante, churrascos dominicais, o diabo. Farofas do passado; agora, nem fumar se fuma. Depois de uma sequência de cipós grossos pendendo de árvores finas e altas surge a Cachoeirinha. Uma queda de 15 metros, formada pelo rio Coxipozinho, com prainha e piscina rasa. Parece que você mergulhou num calendário da seicho-no-iê, especialmente se houver uma população de borboletas rebuscando a cena. Caipiras urbanos piram e levam picadas de mosquitopólvora, o “porvinha”. Ao lado, a cachoeira dos Namorados, formada pelo córrego Piedade, com queda de sete metros, é outro banho certo. A cortina de espuma escorrega pela escarpa de ponta a ponta e dá para andar e se esconder atrás dela, talvez daí o nome romântico. PARAÍSO DE MALUCO A caça à água doce segue pelo Circuito das Cachoeiras, também conhecido por Caminho das Águas (muita coisa na Chapada tem mais de um nome), passeio que exige guia e agendamento. u Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 25


Isso porque há um teto de carga diária definido para todo ponto de visita localizado dentro da reserva. São 144 pessoas no máximo no caso desse roteiro, informa a analista ambiental Cintia da Câmara Brazão, chefe do parque, que tem 32.630 hectares e é administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O circuito de seis quilômetros, ida e volta, exige caminhada de umas cinco horas. Dá em recompensa, sem falar no caminho em si, seis quedas-d’água e piscinas naturais formadas pelo córrego Independência. É tudo liberado para mergulho, com exceção da cachoeira Independência, também chamada cachoeira dos Malucos, porque, informou o guia Vitório Santos, da agência Confiança, uma moçada alternativa arrepiava os locais nos anos 1980 praticando naturismo naquele éden. Malucos, ufoturistas, pesquisadores, ambientalistas, fotógrafos e produtores de TV são atraídos pela Chapada, a borda do Planalto Central, o “coração da Améri-

HELOÍSA HELVÉCIA / FOLHAPRESS

TURISMO & LAZER

ca do Sul”, como diz a propaganda. Culpa das paredonas avermelhadas pela ação do óxido de ferro no arenito, das formações esculpidas no vento, da concentração de nascentes, grutas, vales, e de tudo estar assentado sobre uma das placas geológicas mais velhas da Terra, com sítios arqueológicos e signos das mutações espalhados: fósseis, pinturas rupestres, conchas. Chapada foi geleira, mar, deserto. Mas o que nutre mais o papo místico lá é a polêmica sobre a cidade ser ou não ser o centro geodésico do continente, o HELOÍSA HELVÉCIA / FOLHAPRESS

Mirante Morro dos Ventos, em condomínio rural na Chapada dos Guimarães

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Cachoeira dos Namorados, uma quedad´água de sete metros de altura formada pelo córrego Piedade, na região da Chapada dos Guimarães

“ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico” no qual desceria de um disco voador “um índio”, na canção homônima de Veloso. Só que o centro fica mesmo em Cuiabá. O que há, na face sul dos paredões chapadenses, é uma plaquinha com um marco de altitude, loucamente cultuada, em um mirante com vista para a planície pantaneira. INFERNO E CÉU Pode pular esse, porque mirantes não faltam. Entre eles, o Portão do Inferno é o mais cercado de misticismo. E cercado também por tapumes de zinco, em razão da degradação ambiental e do risco de desabamentos. São formações rochosas à beira de um precipício de mais de 50 metros cuja entrada fica em frente a uma curva letal da MT-251, que liga Cuiabá à Chapada, bem no limite entre os municípios. Tirando acidentes de carro, quedas fatais e suicídios recorrentes ali – e tirando umas histórias de almas e a lenda segundo a qual o magnetismo do lugar traga tudo para baixo –, é um pecado o Portão do Inferno estar fechado à visitação. De lá dá para ver, preservadas no arenito, dunas de areia do deserto extinto,


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coisa de mais de 150 milhões de anos. Por ora você só testemunha, através da cerca de arame, o fóssil de uma lanchonete pintada de vermelho com a marca da Coca-Cola. Logo depois do Portão do Inferno, na mesma rodovia, vem a Porta do Céu (também falam “lá na Mata Fria” referindo-se ao lugar), uma parada da estrada antiga onde viajantes alimentavam os animais e rezavam. Às margens há rochas figurativas estranhas, que parecem talhadas por gente, como a Pedra do Camelo e a Pedra do Sapo. Esta última foi vítima recente de um ato de vandalismo redundante. Acharam bacana fixar um sapo de cimento em cima da escultura natural que lembra o anfíbio, moldada por chuva, vento e sabe-se lá por quantos milhões de anos. Já a estátua de ET que recebe o turista na entrada da Casa do Mel Buriti foi feita por humanos mesmo. Trata-se de um complexo com apiário, pousada, lanchonete, piscina, lojinha e, o principal, muita visão panorâmica. De lá sai a Trilha do Mel (ou dos Dinossauros): pagam-se R$ 20 para percorrer seis quilômetros, ida e volta, de cara para formações esculturais. O apicultor Sidarta Spíndola, arrendador da propriedade da família, administrador da trilha e testemunha ocular de objeto voador não identificado tem ali 120 caixas de abelhas. Ele diz que é “muito difícil tirar mel

Casal de araras sobre a cachoeira Véu da Noiva (abaixo)

do cerrado”. Por isso vale provar, valorizar e levar o tipo silvestre, com favo, que custa R$ 38 o vidro. O gosto salgado do cerrado está representado na versão chapadense do arroz de carreteiro: carne seca fatiada, frita, refogada, depois cozida com arroz em panela de ferro e levada à mesa com farofa de banana e feijão. O nome do prato é Maria Izabé, conforme o cardápio do restaurante Morro dos Ventos. Fica em condomínio rural, a um quilômetro da cidade. Em frente há uma plataforma de aço que avança no abismo sobre aqueles cânions sem fim. O melhor cenário de selfie até agora. Só que o pôr do sol acontece no ponto de maior altitude da Chapada, 860 metros. É um mirante a 17 quilômetros do centro, dentro de uma fazenda. Há uma estrada de terra e um bar onde se paga alguma coisa

antes de tomar uma trilha de 800 metros que leva a uma passarela e a um deque de madeira de onde se tem a visão mais completa desses relevos loucos. Pode ser que haja um casal de noivos posando para o álbum, ou um povo da ioga fazendo aula ao ar livre. Da plataforma você vê a depressão cuiabana, o Pantanal, o rio Cuiabá, o lado mais fotogênico do morro de São Jerônimo, que para alguns é “aeroporto de óvni”, a capital do Estado. Cuiabá sinaliza o fim do show quando acende todas as luzes. É a deixa para vestir o agasalho, caprichar no repelente e pegar a trilha de volta. O dia acabou no bem batizado mirante do Alto do Céu. u ROGNER GIUGNI / FOLHAPRESS

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O rio Triste, cercado de mata ciliar e próprio para flutuação, que fica numa fazenda a 17 km de Bom Jardim

O rio Triste, cercado de mata ciliar e próprio para flutuação, que fica numa fazenda a 17 km de Bom Jardim

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BANHO DE TRANSPARÊNCIA Você flutua em águas claras, interage com os peixes e se acaba nas trilhas; parece Bonito, e é lindo

“A

água é sempre morna.” O guia incentiva os visitantes a entrar no rio, mas nem precisa. São convites suficientes a transparência, mostrando os cardumes de peixes, e o tom de verde, doado pelo leito de calcário. O rio Triste é um dos pontos de mergulho de superfície em uma região próxima à Chapada dos Guimarães que despontam como destino com alto potencial turístico. Fica na Fazenda Água Branca, em Rosário Oeste, a 17 km de Bom Jardim, vila que é distrito de Nobres (MT) e cujo slogan é “Bom Jardim é lindo” – para se comparar a Bonito, em Mato Grosso do Sul.

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E se equipara mesmo em atrações naturais. Não se compara em reconhecimento e infraestrutura, o que para alguns é ponto contra, mas para outros é a favor. A flutuação por 1.200 metros de rio cercado de mata ciliar é feita depois de uma trilha de meio quilômetro. Sem repelente ou protetor, para não sujar o Triste. Segue a lista do que é preciso: snorkel, colete, máscara, sapatilha – e guia local. Flutuar com o Bugio é mesmo um passeio. Ele dá nome aos bois, apresenta ao visitante os peixes com os quais vai dividir a experiência de ser levado pela água sem fazer força: piraputanga, curimbatá, dourado, piau. O guia também avisa se você estiver viajandão e sujeito a trombar num tronco ou pedra, ou se não perceber a arraia, difícil de dar as caras. Bugio é uma figura. Gosta de mostrar as moedas que recebeu de gringos, colou

em papel e sob as quais escreveu o nome de cada país. Tudo em Bom Jardim exige guia, pagamento e agenda, o que pode chatear um forasteiro menos sistemático. Para qualquer passeio é preciso comprar o voucher único em uma das agências. O mergulho de superfície no Triste dura uma hora e meia e custa R$ 100 por adulto. O modelo, inspirado em Bonito, tem dois objetivos, segundo Vicente Campos, presidente do Conselho Municipal de Turismo e pioneiro na exploração do lugar. Um é garantir a arrecadação para a cidade (uma porcentagem vai para o fundo de turismo), e outro é controlar a visitação. “É a forma de evitar o excesso de pessoas nas atrações naturais e também gerar empregos para filhos de colonos, que são os nossos guias.” AQUÁRIO ENCANTADO A vila de Bom Jardim era a sede de uma fazenda de 50 mil hectares, comprada por um carioca. Como ele não


pagou o empréstimo feito para o negócio, a terra foi tomada pelo Banco do Brasil. Nos anos 1980, Dante de Oliveira (aquele das Diretas-Já, 1952-2006), então ministro da Reforma Agrária do Sarney, dividiu aquilo em lotes de até cem hectares, chamando para o assentamento 700 famílias de várias partes do país. A 12 quilômetros da vila, no meio da mata de transição entre cerrado e vegetação amazônica fica o Aquário Encantado, com nome e visual de desenho animado. Na piscina límpida de seis metros de profundidade tem a nascente do rio Salobra para espiar, além dos peixes. O rio está a 300 metros, dentro de uma fazenda, como tudo. Antes disso há um restaurante, o receptivo onde o turista pega equipamento de flutuação e segue em uma carreta puxada por trator até a trilha de um quilômetro, pela qual se topa com um bico-de-brasa aqui, uma seriema lá, um macaco. Ao lado fica o Refúgio Água Azul, onde uma das diversões é a tirolesa de 20 metros com queda no rio. Outra é apenas mergulhar na água que passa de azul-turquesa a verde, dependendo da hora. Tem quem sinta “formigamento” no banho. São peixes miúdos que parecem mordiscar o corpo da pessoa, estão tirando células mortas da sua pele. Os locais chamam o bicho de “tiquira”, mas quem der um Google só vai achar cachaça com esse nome. O refúgio tem plataforma, passarela e escadinha de madeira, até aí tudo bem. Mas fixaram, no deque rústico, uma fileira de bancos de ônibus. Plástico velho e alumínio no meio do santuário. Parece até

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Borboletas na piscina natural ao pé da Cachoeirinha, que é formada pelo rio Coxipozinho, na Chapada dos Guimarães. Abaixo: No centro da cidade, montaria e a igreja Santana, resto da arquitetura colonial

intervenção artística. Bem mais perto do lugarejo fica o Balneário do Estivado, com prainha, piscina natural cheia de peixes e quiosque com telhado de sapé para comer e beber. É calmo, ao menos numa segunda-feira. Emoção mais forte é a cachoeira Serra Azul, na fazenda do Sesc. Mas a trilha de 800 metros com quase 500 degraus exige

condicionamento. Só para quem pode. Para todos existe a lagoa das Araras. O antigo açude, criado para o gado beber, virou ponto de observação de pássaros, com mirantes. No fim do dia, as aves voltam para os ninhos construídos no oco dos caules das palmeiras mortas. É interessante chegar bem antes da confusão de araras, para só ficar contemplando a coleção de buritis duplicada no espelho d’água, as garças, os gaviões-casaco-de-couro. O silêncio é quebrado aos poucos por maritacas, periquitos e outros bichos até a apoteose, quando as donas do pedaço vão aparecendo aos pares, na maior gritaria. Heloísa Helvécia / Folhapress. HELOÍSA HELVÉCIA / FOLHAPRESS

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DECORAÇÃO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Revestimentos cerâmicos aplicados em móveis Aplicação de porcelanatos e ladrilhos hidráulicos no mobiliário ganha força no décor

P

orcelanatos, ladrilhos hidráulicos e demais revestimentos cerâmicos podem ter mais de uma função. Além de serem aplicados em paredes, pisos ou até mesmo escadas, ganham uma nova forma de olhar para a cerâmica: o uso em mobiliário. Os porcelanatos trazem uma grande vantagem ao serem aplicados em tampos de mesas, bancos e bancadas: apresentam baixa porosidade – o que evita acúmulo de sujeira, proliferação de mofo e aparecimento de manchas –, resistência química e mecânica a variações de temperatura, facilidade de instalação, limpeza e manutenção e alta durabilidade. “Os revestimentos cerâmicos ainda trazem versatilidade na utilização das peças, como em

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ambientes molháveis e molhados, quando aplicados em locais como bancos de praças e floreiras”, explica Simone Lourensi, coordenadora de design e portfólio do Grupo Eliane. Além disso, o setor de revestimentos oferece grande cartela de produtos com variedades de cores, modelos e estilos, desde peças mais artísticas até àquelas que remetem à materiais naturais. O Grupo Eliane, detentor das marcas Eliane Revestimentos, Eliane TEC e Decortiles, além dos porcelanatos traz ainda os ladrilhos hidráulicos que também podem ser aplicados em superfícies reunindo a beleza e a versatilidade de um produto feito artesanalmente e à base de cimento. Na imagem acima, os ladrilhos da coleção Calu


Mar, assinados pela artista plástica Calu Fontes para a Decortiles, paginam a mesa de refeições. A linha Calu Mar traz elementos muito presentes no trabalho da artista, como o ouriço, peixes, vegetação marinha, anêmonas, búzios e o movimento espiral das conchas. A Eliane TEC – braço do Grupo Eliane responsável por desenvolver produtos e serviços de engenharia para grandes obras – aposta nas bancadas executadas em revestimentos cerâmicos. Para a melhor visualização do design estético das placas (reduzindo a necessidade de junções de muitas peças, por exemplo), é indicado optar por porcelanatos de grandes formatos para bancadas. Na imagem acima, foi aplicado o Mont Blanc AC 60 x 120 cm, que tem como inspiração a beleza dos assimétricos veios das pedras naturais, trazendo para o ambiente o estilo neoclássico em reverência ao tradicionalismo. Já o porcelanato Place da Eliane Revestimentos foi usado na parede (imagem à direita) e também no tampo da mesa lateral, criando uma continuidade visual e harmônica no ambiente, reforçando a versatilidade da placa. O produto é inspirado na força do mármore branco com veios marcantes, em uma superfície que encanta e faz referência a nobreza da pedra clássica com o brilho natural. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 31


plantas “como se cuida de um bebê”. Na casa de Norma, que, além de couve, colhe alecrim, hortelã e manjericão (usado na alimentação fresco e em JARDINAGEM conserva), a dedicação nunca foi um empecilho. “Eu adoro. É relaxante”, comenta. As plantas entraram na rotina da funcionária pública como uma terapia. No dia a dia, ela reserva um tempo à noite para aguar. O mesmo aconteceu com a família de Rafael. Para manter o plantio, as tarefas foram divididas. “Além de economizar na feira, o que não era o mais importante, já que o foco era alimentação orgânica e fresca, a horta possibilitou a interação das pessoas da casa”, lembra. “É o que chamamos de hortoterapia”. Os interessados em aprender sobre manutenção de hortas urbanas podem participar do curso que Rafael e Noeme organizarão no dia 26, no sítio Mangará, em Camaçari. Eles vão ensinar a preparar a terra, escolher o local ideal para as plantas e quais são as melhores hortaliças diante das condições de sol, sombra e água. Cada um leva para casa uma muda. O custo é de R$ 120.

Noeme ressalta que é preciso se dedicar às plantas

Alimento saudável ao alcance das mãos

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FOTOS MILA CORDEIRO / AG. A TARDE

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ela manhã, ainda em jejum, a audiCOLHEITAS FREQUENTES As plantas entraram na rotina da funtora fiscal Norma Lúcia, 50 anos, coÉ consenso entre os profissionais da cionária pública como uma terapia. No lhe uma folha de couve, na horta do área que a chave do sucesso para plan- dia a dia, ela reserva um tempo à noite CURTAS seu apartamento, na Graça, em Salvador. tas frondosas e colheitas frequentes é, para aguar. A hortaliça, batida todos os dias com suco Henrique alémQueiroga/ da iluminação O mesmo aconteceu com a família de Divulgação solar, a dedicação do de limão, foi plantada e regada por ela. proprietário. Se faltarDuratex tempo no dia a dia painéis Rafael. Para plantio, as tarefas lança à manter modao brasileira Estilo vintage Ter alimentos frescos e orgânicos à para a rega, é bom deixar para começar foram divididas. “Além de economizar na pauta a decoração mesa, com a vantagem de decidir a hora no inverno, quando chove mais. Já que no feira, o que não era o mais importante, O estilo de vida dos brasileiros tiva do consumo consciente; tirá-los doanos pé, é possível mesmo na ci- verão a temperaturaserviu aumenta e a água para já aque era dos alimentação orgânica A de moda dos 70 já rede inspiração no-o foco marcas tempo, que remedade. Nos últimos anos, muita gente tem evapora mais rápido do solo. e fresca, a horta possibilitou a interação tornou às casas brasileiras há va linha de painéis de madeira te à história; e tecnologia, que investido em hortas caseiras “Os casos que nãoda sãoDuratex, bem-sucedidos da acasa”, “É o que algum tempo, com móveis e adaptadas que acabadas de pessoas ser seria casa lembra. do futuro. eletrodomésticos em estilo lançada. A proposta é que as às condições dos imóveis que possuem. têm a ver com a falta de irrigação, que chamamos de hortoterapia”. peças nas representem vintage. Um detalhe, como As hortaliças (entre elas, rúcula, agrião, se relaciona com a correria cidades”, mais do que o mobiliário da casa para um puxador em formato de alface, salsa, coentro e couve) são indica- explica Rafael. concha, pode agregar valor e os moradores, traduzam asSaiba como começar das para quem começar a plantar, A opinião é reforçada por Noeme Car-e fazer, ou maneiras de viver descontração aoquer mobiliário, a cultivar uma horta em casa explica Rafael Brasileiro, 24, formado pelo valho, 62 anos, conselheira do Instituto seja, as experiências do ser Os painéis foram como explica a arquiteta Mapasso para Instituto Permacultura da Bahia. de Permacultura da Bahia, paraAquem é está divi-primeiro rina Dubal,deque acaba de criar humano. coleção pensados paramontar um projeto com esta caracteem cinco mostruários: in-uma horta em casa é escolher o Mais práticas para o cultivo (porque preciso se dedicar àsdida plantas “como se representar as rística: “Móveis vintage Lojas especializadas precisam de menos luz quesolar e tem um cuida de um bebê”. teração, que evoca a família erecipiente. bram com a seriedade, dando o compartilhamento; brasilicom apelo estético ciclo curto de colheita), as folhas são muito Na casa de Norma, que, além de cou- oferecem jardineiras charme e personalidade. Os dade, focada na diversidade maneiras de ver e que caem bem na decoração do imóvel. usadas na alimentação, o que pode motivar ve, colhe alecrim, hortelã e manjericão puxadores podem ser o decultural e nas cores que a na- fazer, ou seja, o Mas, se o objetivo for usar a criativio cuidado dos moradores. “Uma boa dica é (usado na alimentação fresco e em conAmbiente criado pela talhe protagonista em um mótureza oferece; equilíbrio, dade e economizar, é possível modo de vidareutilizar plantar o que as pessoas costumam comer Marina serva), a dedicação nunca foi um empe-da perspecarquiteta Dubal vel minimalista”. pensado a partir embalagens plásticas. Outra opção é e começar com poucas espécies”, opina. cilho. “Eu adoro. É relaxante”, comenta.

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VANTAGENS

Alimentos à mesa A principal vantagem de manter uma horta em casa é poder consumir verduras frescas e orgânicas

Farmácia Viva É possível manter uma colheita de ervas medicinais para usar no dia a dia

Reconexão Ter uma pequena plantação também possibilita aproximação e reconexão entre o homem e a natureza, e com o processo de produção de alimentos

DESVANTAGENS Noeme ressalta que é preciso se dedicar às plantas

aproveitar as jardineiras Noeme ressalta de concretosconstruídas em alguns prédios e muitas que é preciso vezes sem uso. às se dedicar Complantas o local definido, é preciso preparar o solo. Rafael, formado pelo Instituto de Permacultura da Bahia, atenta para Norma tem pessoas adquirem o fato de que muitas uma horta terra vegetal, que é pobre em nutrientes, no seu como único recurso. apartamento

Rega Diária O cuidado exigido, que pode tomar de 30 minutos a uma hora por dia, talvez seja a principal barreira para quem não encontra tempo livre no dia a dia Pragas Pequenos insetos que destroem as plantações, como as diferentes espécies de pulgões, são frequentes no espaço urbano, um ecossistema em desequilíbrio O ideal é empregá-la em menor proporção (30% da composição total), com húmus de minhoca (30%) e pó de coco (40%), que funciona como estrutura drenante e permite que as raízes respirem. Existe a opção de iniciar o plantio com mudas já germinadas ou sementes. É importante escolher sementes orgânicas para que a produção não seja comprome-

tida por agrotóxicos industriais. Frutas exigem mais espaço para o desenvolvimento das raízes. São recomendadas para quem tem um quintal maior ou para uma horta na área compartilhada do prédio. Hortaliças são mais práticas. Já ervas, como tomilho e boldo, exigem incidência solar direta por quatro horas diárias. Simone Melo / Ag. ATarde,

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VIDA SAUDÁVEL | ESPECIAL

A NOVA FARMÁCIA DAS PLANTAS Documento inédito cataloga os 28 fitoterápicos mais comuns no Brasil e promete dar fôlego e respaldo à classe dos produtos naturais

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Texto: André Biernath. Fotos: Dulla. Conteúdo licenciado pela Abril Comunicações S/A

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edicamentos feitos a partir de folhas, sementes, cascas, frutos e flores são sucesso de crítica e público há milênios e constituem parte importante da cultura de diversos povos. Quando pensamos no Brasil, a coisa toma uma proporção assustadora: nosso país possui a maior flora do planeta, com mais de 43 mil espécies descritas. “Dessas, 10 mil têm algum potencial terapêutico”, estima a nutricionista Vanderli Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia. Apesar de tanta riqueza, políticas de incentivo a essa classe costumavam ser escassas por aqui. Mas as coisas começaram a mudar nos últimos dez anos, quando o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e introduziu 12 fármacos do gênero no Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa é uma importante estratégia de atenção ao indivíduo e de inclusão social”, acredita o médico Renato Alves, diretor do Departamento de Assistência


Farmacêutica do ministério. Para dar continuidade ao trabalho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou no final do ano passado, o Memento Fitoterápico, obra que reúne informações científicas de 28 plantas medicinais. “Até então, não existia um documento oficial que orientasse o profissional de saúde a prescrevê-las”, conta o farmacêutico José Carlos Tavares, coordenador do comitê que redigiu o artigo e professor da Universidade Federal do Amapá. A iniciativa ganhou elogios. “A publicação expande o conhecimento na área e valoriza a sabedoria popular”, afirma o farmacêutico César Augusto Caneschi, da Fundação Presidente Antônio Carlos de Ubá, em Minas Gerais. A ideia é que o material, disponível no site da Anvisa, também quebre preconceitos que pairam sobre os fitoterápicos. Há quem diga, por exemplo, que as plantas são inofensivas, não acarretam efeitos colaterais e não servem para confrontar doenças mais sérias. Não é por aí. “Elas carregam substâncias que podem tratar uma série de problemas. Porém, se usadas de maneira errada, causam, sim, reações adversas”, chama a atenção a bióloga Maria Thereza Gamberini, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Portanto, seu uso deve ser feito com responsabilidade e sob orientação médica, como é praxe entre os remédios sintéticos convencionais. Nas próximas páginas, mapeamos as 28 espécies que integram o documento. Se bem indicadas, elas podem prestar serviço em diversos contextos que assolam o corpo e a mente - de queimadura a ansiedade e colesterol alto.

RAÍZES FORTES A parte da planta que absorve os nutrientes da terra é matéria-prima de uma porção de fitoterápicos

CIMICIFUGA Actaea racemosa Também conhecida como black cohosh, é utilizada há séculos pelos povos da América do Norte. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Alívio dos sintomas da menopausa, como fogachos, suadouro, vermelhidão, alterações de humor, ansiedade e depressão. Contraindicação: Alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes da fórmula, grávidas e portadores de insuficiência hepática. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

GENGIBRE Zingiber officinale Muito comum na culinária por seu gosto picante, o gengibre é prescrito por médicos da Índia e da China desde a Antiguidade. Forma de uso: Cápsula, comprimido, extrato, tintura e pó. Indicação: Alivia enjoo, náusea e vômitos, dificuldade de digestão e sensação de mal-estar ao viajar de navio, carro ou avião. Contraindicação: Crianças e quem tem pedras na vesícula biliar, irritação estomacal ou hipertensão. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

KAVA-KAVA Piper methysticum A raiz, descoberta pelo navegador inglês James Cook (1728-1779), promove o relaxamento muscular. Forma de uso: Cápsula, comprimido ou extrato. Indicação: Estágios leves e moderados de ansiedade e insônia. O uso, porém, está restrito a oito semanas, no máximo. Contraindicação: Grávidas, mulheres que estão amamentando, crianças menores de 12 anos, indivíduos com depressão ou doenças no fígado, como hepatite e icterícia. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 35


XXXXXXXX VIDA SAUDÁVEL | ESPECIAL

RAÍZES FORTES

EQUINÁCEA Echinacea purpurea Opção terapêutica dos índios americanos para picadas de cobra e infecções, está nas farmácias dos Estados Unidos desde 1930. Forma de uso: Cápsula, comprimido e raiz seca. Indicação: Ajuda na prevenção e no combate (como coadjuvante) de resfriados. Contraindicação: Pacientes com esclerose múltipla, aids, tuberculose e doenças autoimunes no geral. Alérgicos, grávidas e crianças também devem evitá-la. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

VALERIANA Valeriana officinalis Os valepotriatos, substâncias da planta, agem no sistema nervoso central e aliviam o estresse. Forma de uso: Cápsula, comprimido, extrato ou tintura. Indicação: Sedativo moderado com efeito hipnótico. Também tem valor no tratamento de distúrbios do sono que estão associados à ansiedade. Contraindicação: Alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes da fórmula, crianças menores de 12 anos, grávidas e mulheres que estão amamentando. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

COMO ESCOLHER O REMÉDIO Disponível no SUS

ALHO Allium sativum O bulbo que surge a partir da raiz é base de um dos fármacos com propriedades mais variadas. Forma de uso: Tintura, extrato e cápsula. Indicação: Ajuda a combater bronquite, asma, sintomas de gripe e resfriado, colesterol alto, hipertensão e aterosclerose (lesões nas paredes dos vasos sanguíneos). Contraindicação: Grávidas, indivíduos com gastrite, úlceras, hipertireoidismo, distúrbios na coagulação, alérgicos ao alho e antes ou depois de cirurgias. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. 36 | Vilas Magazine | Agosto de 2017

GARRA-DO-DIABO Harpagophytum procumbens O nome um tanto sinistro dessa planta de origem africana vem do formato de seus galhos e folhas. Forma de uso: Cápsula ou comprimido. Indicação: Dores moderadas nas articulações e incômodos agudos nas costas, com destaque para a região lombar da coluna. Contraindicação: Pessoas com cálculos biliares, menores de 18 anos, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum dos compostos. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Orientações para não cair em pegadinhas ao comprar um fito A primeira dica é evitar feiras e barracas de rua que vendem garrafadas e outros itens do gênero. “Procure estabelecimentos onde trabalhe um profissional da saúde como o técnico farmacêutico”, sugere o bioquímico Carlos Rocha Oliveira, coordenador da Pós-Graduação em Fitoterapia e Produtos Naturais da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Vale priorizar empresas e fabricantes com número de registro na Anvisa. É possível conferir esse código na própria embalagem do fármaco. Caso você cultive plantas medicinais em casa, é essencial perguntar a opinião do seu médico antes de ingeri-la de alguma maneira, mesmo que seja para amenizar incômodos aparentemente simples.


SEMENTES EM CÁPSULA Elas podem germinar a solução para três problemas de saúde bastante comuns

CASTANHA-DA-ÍNDIA Aesculus hippocastanum A escina, substância que marca presença nesta semente, fortalece os vasos sanguíneos. Forma de uso: Cápsula, comprimido e gel. Indicação: Fragilidade dos cabelos e insuficiência venosa, que pode ocorrer em quadros de varizes nas pernas ou hemorroidas. Contraindicação: Crianças, alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes do fitoterápico e pacientes com insuficiência renal ou hepática. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Disponível no SUS

SOJA GUARANÁ Paullinia cupana Fruto tipicamente brasileiro, é encarado como medicamento e tônico revigorante pelas tribos indígenas amazônicas há séculos. Forma de uso: Cápsula e comprimido. Indicação: Atua contra fraqueza e cansaço crônico e estimula o cérebro. Contraindicação: Crianças, alérgicos, pessoas com hipertensão, arritmia cardíaca, gastrite, úlcera, cólon irritável, infecções renais, hipertireoidismo, cirrose e predisposição a espasmos musculares. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Glycine max Os grãos originários do Oriente estão consagrados como alternativas para amenizar alguns incômodos da menopausa quando a reposição hormonal tradicional não surte o efeito desejado ou é contraindicada. Forma de uso: Cápsula. Indicação: Alívio dos sintomas da menopausa, caso do fogacho e do suor excessivo. Contraindicação: Crianças menores de 12 anos e alérgicos ou sensíveis a algum dos componentes do fitoterápico. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 37


XXXXXXXX VIDA SAUDÁVEL | ESPECIAL

DO TALO À FOLHA Da lista elaborada pela Anvisa, há apenas um fitoterápico que é fabricado a partir da planta inteira

ERVA-DE-SÃO-JOÃO Hypericum perforatum Vegetais que florescem no mês de junho costumam receber esse nome no Brasil por causa das festas juninas. Mas a espécie com efeito medicinal vem da Europa. Forma de uso: Cápsula, comprimido e tintura. Indicação: Depressão leve e moderada. Contraindicação: Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum componente do remédio e, principalmente, depressivos graves. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

COMO SURGE UM FITO? O desenvolvimento de um medicamento desses deve passar por etapas rigorosas NA BOCA DO POVO Geralmente, tudo começa com relatos populares sobre a administração de determinada planta para uma doença. FOCO NO DETALHE A partir daí, os cientistas pesquisam a fundo as características e o mecanismo de ação do extrato vegetal. PRIMEIROS EFEITOS Após essa investigação, têm início os testes com células no laboratório e nas cobaias. EM VOLUNTÁRIOS Se os resultados forem satisfatórios, são feitos estudos com seres humanos para garantir a segurança e a eficácia. NO MUNDO REAL Com todas as evidências em mãos, a fórmula é submetida à aprovação da Anvisa. Se a agência der o ok, ela pode ser comercializada. 38 | Vilas Magazine | Agosto de 2017


CASCAS GROSSAS A camada superficial do tronco guarda princípios ativos especiais para fazer frente a males que acometem o intestino e a pele

BARBATIMÃO Stryphnodendron adstringens Abundante no Cerrado brasileiro, era chamado pelos índios de ibá timbó, cujo significado é “árvore que aperta”. Isso tem a ver com a capacidade adstringente encontrada na casca da árvore. Sua semente é altamente tóxica. Forma de uso: Creme e pomada. Indicação: Ação cicatrizante. Contraindicação: Não deve ser usada quando há necessidade de retirar fluidos corporais por meio de drenos inseridos na pele. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. Disponível no SUS

Disponível no SUS

UNHA-DE-GATO

CÁSCARA-SAGRADA

Uncaria tomentosa Os incas, antigo povo que habitava o Peru, já se valiam do extrato do vegetal para melhorar o aspecto de ferimentos e amenizar descompassos intestinais. Substâncias como a mitrafilina e a pteropodina respondem por suas capacidades terapêuticas. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Anti-inflamatório. Contraindicação: Grávidas e mulheres que estão amamentando. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Rhamnus purshiana Essa planta norte-americana tem vocação para ajudar o intestino, mas não caia na história de que é solução milagrosa para emagrecer. Forma de uso: Cápsula, comprimido, tintura, extrato e fluido. Indicação: Constipação intestinal ocasional. Contraindicação: Crianças, grávidas, mulheres amamentando, pessoas com cólicas, hemorroidas, náuseas, doença de Crohn, desidratação, constipação crônica, insuficiência renal, hepática e cardíaca. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 39


XXXXXXXX VIDA SAUDÁVEL | ESPECIAL

ENTRE FLORES E FRUTOS Suas qualidades vão muito além de gosto, aroma e beleza: eles podem conter substâncias com potencial medicinal

UMA CLASSE, DOIS TIPOS Recentemente, a Anvisa dividiu a categoria das plantas medicinais em dois grupos. Entenda a diferença entre eles MEDICAMENTO FITOTERÁPICO Entram aqui os fármacos que passaram por todas as fases de pesquisa com células, cobaias e seres humanos. Geralmente, são extratos potentes prescri-

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CALÊNDULA

CAMOMILA Matricaria chamomilla Existem diversas espécies disponíveis. As mais importantes delas são a camomila-vulgar e a camomilaromana. O camazuleno, óleo essencial de sua flor, responde por seus inúmeros pontos positivos. Forma de uso: Infusão, extrato seco ou fluido, cápsula e comprimido. Indicação: Alivia espasmos, ansiedade e atua como sedativo leve. Tem efeito anti-inflamatório na boca. Contraindicação: Grávidas e alérgicos à planta. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Calendula officinalis A popular malmequer é largamente empregada em cosméticos e trata feridas, varizes, traumatismos, furúnculos... Forma de uso: Infusão, tintura, extrato, gel, creme e pomada. Indicação: Anti-inflamatório, cicatrizante e antisséptico para pele e mucosas. Contraindicação: Alérgicos e sensíveis a algum componente do remédio, grávidas, mulheres que estão amamentando. Não deve ser aplicado em crianças sem supervisão de um especialista. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

TREVO-VERMELHO Trifolium pratense Largamente encontrado na África, na Ásia e na Europa, faz parte da farmácia tradicional indiana. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Melhora dos sintomas da menopausa, dor nas mamas e tensão prémenstrual (TPM). Contraindicação: Grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos e sensíveis, crianças menores de 12 anos e portadores de doenças hormonais (como os distúrbios na tireoide e diabete). Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

SENE

tos para problemas de saúde mais sérios - por isso, precisam de receita médica. Fazem parte do grupo ginkgo biloba e valeriana. PRODUTO TRADICIONAL FITOTERÁPICO Abarca as espécies que não passaram por toda a batelada de estudos, mas possuem registros de ancestralidade, ou seja, documentos que comprovem um histórico de utilização superior a 30 anos. Não há necessidade de prescrição do especialista para adquirir um deles. É o caso da calêndula e da unha-de-gato.

Senna alexandrina Ele tem propriedades fitoterápicas estudadas desde o século 9. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Constipação intestinal ocasional. Contraindicação: Crianças menores de 12 anos, grávidas, mulheres que estão amamentando ou em período menstrual, alérgicos à planta, indivíduos com desidratação, hemorroida, apendicite, insuficiência renal, hepática e cardíaca, constipação crônica e outros distúrbios intestinais. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

SAW-PALMETTO Serenoa repens Os frutos dessa pequena palmeira típica da América do Norte são lotados de ácidos graxos e fitosteróis. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Tratamento dos sintomas da hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento da próstata por razões que não têm a ver com um câncer. Contraindicação: Crianças, alérgicos à planta, pessoas com infecções no fígado e nos casos avançados da doença. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 41


XXXXXXXX VIDA SAUDÁVEL | ESPECIAL

FOLHAS PRECIOSAS É o grupo com mais representantes e aplicações farmacêuticas no Memento Fitoterápico brasileiro

BOLDO-DO-CHILE Peumus boldus Os pastores dos Andes notaram que carneiros melhoravam da prisão de ventre quando consumiam a planta. Daí sua fama. Forma de uso: Infusão, cápsula e comprimido. Indicação: Melhora a digestão por aumentar a secreção de bile, fluido importante para a quebra dos alimentos. Contraindicação: Crianças, alérgicos, grávidas, mulheres que estão amamentando e quando há doença em fígado, vesícula biliar ou pâncreas. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

BABOSA

Disponível no SUS

Aloe vera Existem mais de 200 espécies desta leguminosa originária da África, mas apenas quatro são seguras para consumo humano. Atenção: não há evidências de que suas garrafadas ajudem a superar o câncer. Forma de uso: Gel e pomada. Indicação: Cicatrizante de ferimentos na pele e em queimaduras de primeiro ou segundo grau. Contraindicação: Alérgicos ou sensíveis a algum componente da babosa. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. Disponível no SUS

ESPINHEIRA-SANTA Maytenus ilicifolia Quercetina, campferol e maetanino são os elementos responsáveis pelo alívio da azia. Seus poderes foram comprovados numa série de estudos realizados em universidades brasileiras. Forma de uso: Cápsula, comprimido e infusão. Indicação: Combate dificuldades de digestão, tem ação antiácida e protege a mucosa do estômago. Contraindicação: Grávidas, mulheres que estão amamentando e crianças com menos de 6 anos. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica. 42 | Vilas Magazine | Agosto de 2017


GINKGO

CAVALINHA

ALECRIM-BRAVO

Ginkgo biloba A árvore nasce no Japão e na China, alcança até 40 metros de altura e vive mais de 4 mil anos. Forma de uso: Cápsula, comprimido e extrato. Indicação: Cãibra, vertigem e zumbidos decorrentes de problemas na circulação sanguínea. Contraindicação: Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos ou sensíveis a algum componente da planta, pacientes com distúrbios de coagulação ou que tomam anticoagulantes. Necessidade de receita médica: Exige prescrição médica.

Equisetum arvense Seus ramos alongados e delgados lembram o rabo de um cavalo - daí sua nomenclatura. Forma de uso: Cápsula, comprimido, tintura com álcool e infusão. Indicação: Diurético, ou seja, aumenta a secreção e a excreção de urina. Contraindicação: Crianças, grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos a algum componente da planta e pessoas a quem se recomenda a ingestão reduzida de líquidos, caso de portadores de insuficiência cardíaca ou renal. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

Lippia sidoides Encontrado no Nordeste do Brasil, o alecrim-bravo (ou alecrim-pimenta) não é a mesma espécie do tempero culinário. Forma de uso: Sabonete líquido, gel, infusão e tintura. Indicação: Anti-inflamatório e antisséptico da cavidade oral, trata infecções na pele e no couro cabeludo causadas por fungos ou ácaros. Contraindicação: Grávidas, mulheres que estão amamentando, crianças com menos de 2 anos, dependentes de álcool e diabéticos. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

ALCACHOFRA

Disponível no SUS

Cynara scolymus Seu nome vem do árabe e significa, literalmente, “planta espinhuda”. Cápsula, comprimido, infusão e extrato. Forma de uso: Ajuda na digestão e evita gases. Indicação: Coadjuvante na prevenção da aterosclerose (placas de gordura nos vasos), no controle de colesterol alto e no tratamento da síndrome do intestino irritável. Contraindicação: Grávidas, mulheres que estão amamentando, alérgicos e quando há obstrução do ducto biliar. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

MARACUJÁ Passiflora incarnata O gênero passiflora abrange mais de 400 espécies vegetais. Seus poderes calmantes vêm dos flavonoides da folha. Forma de uso: Planta in natura, cápsulas, extrato e tintura. Indicação: Sedativo leve, tem ação contra a ansiedade. Contraindicação: Grávidas e quando o indivíduo está tomando outros fármacos com efeito sedativo ou antidepressivo. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

GOIABEIRA Psidium guajava No interior do Brasil, o chá de suas folhas e ramos novos é tradicionalmente empregado para tratar enfermidades intestinais em crianças. Forma de uso: Infusão, cápsula, extrato e comprimido. Indicação: Tratamento de diarreia aguda não infecciosa e enterite (inflamação do intestino delgado) provocada pelo rotavírus. Contraindicação: Alérgicos ou sensíveis à planta. Necessidade de receita médica: Isento de prescrição médica.

POTENCIAL DE SOBRA Em 2016, foram vendidas quase 8 bilhões de unidades de fitoterápicos no país “O emprego de plantas medicinais na Europa, especialmente na Alemanha, é muito superior ao do Brasil”, compara a farmacêutica Tania Mari Bresolin, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Mas a tendência é que o interesse se intensifique nos próximos anos. Segundo o Ministério da

Saúde, a busca por soluções naturais subiu 161% de 2013 a 2015 no SUS. De acordo com dados da IMS Health e da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, o mercado de extratos de folhas, raízes e afins cresceu 12% de 2014 para 2015 por aqui. Dados de 2016, devem apontar uma tendência de queda, embora o faturamento das empresas tenha aumentado. Hoje esses remédios representam só 5% do total de vendas do setor farmacêutico. Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 43


COMPORTAMENTO

Apesar de riscos, testosterona em gel ganha espaço em academias

muito bom. Me sinto muito mais forte e a libido aumentou absurdamente”, diz. “Pesquisei bastante e até pedi a opinião de médicos e nutricionistas”, diz.

Medicamento é indicado para tratar insuficiência hormonal, mas se tornou objeto de abuso

PROBLEMAS Para ele, que usou o medicamento por menos de um mês, houve efeitos colaterais importantes: “Senti muita tontura e dores de estômago e cheguei até a passar mal. Outra coisa foi a irritabilidade, algo natural da testosterona. Eu tento pensar: ‘Calma que eu estou tomando esse negócio...” Aí eu respiro fundo e tento manter o controle emocional da situação. Ainda bem que sou um cara bem tranquilo.” Além desses efeitos colaterais mais

Entre as complicações estão enjoo, problemas de pele e na próstata, irritabilidade e maior risco de infarto e de AVC

U

m medicamento na forma de gel é o mais novo objeto de desejo e de abuso por fisiculturistas, atletas e lutadores que buscam um atalho farmacológico na obtenção de mais músculos e disposição. Diferente de outras formulações à base de testosterona, o Androgel, da farmacêutica Besins, é vendido sem a necessidade de retenção de receita, o que, na prática, significa livre comércio nas drogarias. “Em toda academia tem alguém que vende anabolizante, é fácil de conseguir. Mas eu não queria tomar injeção e esse [Androgel] dá pra comprar na farmácia e

é aplicado sobre a pele”, disse um professor de muay thai na faixa dos 30 anos que não quis se identificar. Segundo um exame laboratorial, sua testosterona estava abaixo do limite inferior esperado, de 300 nanogramas por decilitro (ng/dl). Ao somar, por conta própria, o resultado do exame com a percepção que andava cansado, resolveu testar o produto. Ele conta que usou o Androgel ao longo de 20 dias, em uma dose abaixo do que seria geralmente recomendada. “Me senti melhor, mais disposto. Não sei se foi o psicológico [efeito placebo], que a gente sabe que existe, mas me senti bem. Não sei se quero usar mais, mas certamente recomendaria para um amigo”, afirma. Um personal trainer que também pediu para não ter o nome revelado diz ter feito uma escolha “consciente” ao empregar o Androgel: “Nunca tinha usado nada e pra mim o resultado foi

Medicamento segue regra de venda distinta

P

or ser uma formulação em gel de uso tópico, o medicamento An­ dro­gel não segue a mesma regulamentação de formulações injetáveis de testosterona e de outros medicamentos anabolizantes. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a depender da demanda da sociedade ou caso a Polícia Federal detecte uso irregular ou maior necessidade de controle, é possível que o medicamento passe a ser vendido com

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retenção da receita médica. Essa discussão, porém, ainda não acontece no âmbito da agência. Para Archimedes Nardozza, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, é um “absurdo” que não se retenha na farmácia a receita do Androgel. “A gente vive brigando com a Anvisa: a testosterona é a mesma! Agora as pessoas ‘descobriram’ o gel e que não é necessário ter receita para comprá-lo.” “Mesmo para a Desins [laboratório], não é algo bom. Apesar de ter mais vendas, a

Tudo que se

consegue muito rápido não se mantém. Isso vale tanto para perder peso quanto para obter massa magra” Liliane Oppermann, médica nutróloga

imagem do remédio fica manchada”, afirma Nardozza. Para o ginecologista César Fernandes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a apresentação em gel é “biologicamente interessante”. “Diferentemente da substância em um comprimido, que tem que passar pelo fígado – onde a droga é metabolizada e pode perder potência –, a formulação em gel permite que ela chegue sem alterações na corrente sanguínea”, explica o médico. Para ele, também existe o problema de


imediatos, outros podem surgir, como acne, aumento da próstata (maior risco de câncer), infarto e ginecomastia (aumento da glândula mamária em homens). “Mas há médicos que já receitam outro remédio, se for o caso, para tomar junto e evitar a ginecomastia”, afirma o personal trainer. “Uma complicação importante é que o organismo saudável pode simplesmente parar de produzir naturalmente a testosterona – o que pode até levar à infertilidade”, adverte Archimedes Nardozza, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia. Para atletas que usam a droga para melhorar a performance, também há preocupação com exames antidoping, já que a concentração do hormônio no sangue pode subir a um nível acima dos 900 ng/ dl – limite superior na faixa de normalidade para homens. “Tudo que se consegue muito rápido, da noite para o dia, não se mantém. Isso vale tanto para dieta para perder peso quanto para a obtenção de massa magra”, diz a médica nutróloga Liliane Oppermann. “O timing é importante – ninguém fica forte em um mês. E, se fica, é com prejuízo para a saúde.” “Não acho que seja ingenuidade dessas pessoas. É querer ser espertinho, não querer ir ao médico”, diz. Liliane explica que a escolha da dieta e dos suplementos alimentares – e medicamentos, se for o caso – que vão ajudar alguém a alcançar seus objetivos é individual. São levados em conta fatores como a rotina diária e o histórico familiar para doenças como câncer, por exemplo. Gabriel Alves / Folhapress.

não haver formulações seguras de testosterona em gel para mulheres – que fisiologicamente têm menos do hormônio no sangue. O uso por elas pode causar virilização indesejada do corpo feminino e outros riscos. Em nota, a farmacêutica Besins Healthcare afirma que “realiza junto aos médicos um trabalho educativo com o objetivo de informá-los sobre o uso do Androgel para o tratamento do hipogonadismo [masculino]”. Com relação aos pacientes, “a empresa oferece informações sobre seus produtos, conforme a bula aprovada pela Anvisa, quando é acionada através de seu Serviço de Atendimento ao Consumidor”. Gabriel Alves / Folhapress.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

Cigarro e má higiene aumentam chances de ter câncer de boca

O

s médicos são unânimes em dizer: o cigarro é a principal causa de câncer de boca. São cerca de 15 mil casos por ano no Brasil, e a maioria deles é relacionada ao consumo de tabaco. Segundo dados do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), 60% dos pacientes com câncer de boca são ou já foram fumantes. “A principal causa do câncer de boca é o tabaco. A bebida também contribui, mas o número maior vem do cigarro”, diz Rafael Schmerling, oncologista do Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista. Além disso, a falta de higiene

também deixa a pessoa exposta a esse tipo de doença, segundo os médicos. “É uma doença que provem de alguns costumes, como tabagismo e alcoolismo, mas também é ocasionada por falta de higiene bucal. Às vezes, próteses mal adaptadas também podem causar algum tipo de tumor na boca”, afirma o cirurgião dentista Edson Myai. Assim como o câncer de mama, o autoexame é essencial para que a pessoa possa detectar alguma anomalia na região bucal. Se notar algo de diferente, um médico tem que ser procurado o quanto antes. “A diferença da herpes para um cân-

cer de boca é que a herpes não demora para curar. Se a pessoa for negligente, o problema pode ser maior. Qualquer lesão nova na boca tem que ser avaliada”, diz Schmerling. O tratamento para esse tipo de câncer é a cirurgia. O paciente ainda pode ser levado a uma quimioterapia ou radioterapia. Segundo Myai, a mutilação causada pelo procedimento cirúrgico aumenta conforme a demora para tratar o tumor. “Quanto mais cedo for diagnosticado, menor é a mutilação. Numa mutilação maior, o paciente tem a cura, mas perde um monte de coisa, o prazer da alimentação, por exemplo”, diz Schmerling. “Não é uma doença que está na mente da pessoa, mas não é tão incomum. Porém, a perspectiva de cura é grande”, completa o oncologista. Emerson Vicente / Folhapress.

CONVERSANDO SAÚDE COM O NOB Parar de fumar: um benefício para toda a vida. Não é nenhuma novidade, mas é sempre importante lembrar: o tabagismo está na origem de 90% dos casos de câncer de pulmão e os fumantes têm cerca de 20 vezes mais probabilidade de desenvolver a doença. O cigarro representa um risco potencial para vários tipos de câncer e nem o fumante passivo está livre desse mal. Mas o que nem todo mundo sabe é que, ao parar de fumar, os benefícios aparecem quase que instantaneamente, aumentando rapidamente a qualidade de vida do ex-fumante. Em 20 minutos, a pressão arterial

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volta ao normal e a frequência do pulso cai aos níveis normais. Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue chegam aos valores normais e o nível de oxigênio aumenta. Em 24 horas, o risco de se ter um acidente cardíaco relacionado ao fumo diminui. Em 48 horas, as terminações nervosas começam a se recuperar de novo e os sentidos de olfato e paladar melhoram. De 2 semanas a 3 meses, a circulação sanguínea melhora consideravelmente. Caminhar torna-se mais fácil e a função pulmonar melhora em até 30%. A partir de 1 a 9 meses, os

sintomas comuns em fumantes, como tosse, rouquidão e falta de ar, ficam mais tênues. Os cílios epiteliais iniciam o crescimento e aumentam a capacidade de eliminar muco, limpando os pulmões. A pessoa fica mais disposta para realizar atividades físicas. Em 5 anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fuma um maço de cigarros por dia diminui em pelo menos 50%. Em 15 anos, podemos dizer que os riscos são praticamente iguais aos de uma pessoa que não fuma.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

E

Urinar muitas vezes ao dia é sintoma de bexiga hiperativa

nvelhecimento pode levar a pessoa a ter vontade de urinar mais de oito vezes ao dia e até durante a noite. Esses são sinais típicos da bexiga hiperativa, que não é uma doença, mas um sintoma que indica outra causa. “Não dá para dizer que a bexiga hiperativa é consequência normal do envelhecimento, mas a incidência aumenta com a idade”, diz o urologista Marcos Paulo Freire. Isso acontece por vários motivos. Seja porque o sistema que envia ao cérebro os sinais de vontade de urinar já

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não funciona bem, seja porque a bexiga perdeu sua elasticidade e com pouco líquido já desperta a vontade. Freire diz que é importante que idosos com esses sinais vão ao médico. “Sei que alguns ficam com vergonha, até porque, às vezes, vaza um pouco de urina, mas há como tratar isso”, diz. O diagnóstico é baseado na conversa com um médico, como explica o urologista Alex Meller, da Universidade Federal de São Paulo. O médico pode pedir que a pessoa anote todas as vezes que vai ao

banheiro, em uma espécie de diário, e pode, eventualmente, pedir exames de laboratório. Meller diz que, além da vontade urgente de urinar, a pessoa com bexiga hiperativa costuma soltar pouco líquido de cada vez. Ela pode também não conseguir segurar a urina até chegar ao banheiro. Fazer exercícios que ajudem a programar as idas e a segurar a bexiga faz parte do tratamento inicial. Cada passo do tratamento avança ou não conforme a necessidade. E a cura total vai depender de eliminar a causa, se isso for possível. Meller diz que quase sempre a bexiga hiperativa é resultado de outra doença. Uma bem comum é infecção urinária. Tratada, saem os sintomas.


Outra é o diabetes. Importante é buscar tratamento. Ao menos para ter melhoras. ANSIEDADE TAMBÉM PODE SER CAUSA O urologia Alex Meller diz que muitas mulheres, com medo de terem infecção urinária, evitam segurar a urina, indo muitas vezes ao banheiro. Isso pode levá-la a ter um quadro igual ao de quem tem bexiga hiperativa. Com ansiosos, pode ocorrer a mesma coisa. A depressão pode ser associada a esse mal, mas a medicina ainda não explica as razões. Gislaine Gutierre / Folhapress.

Perda da sustentação da bexiga afeta mulheres obesas Fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, a obesidade também influencia o surgimento de problemas associados, como a incontinência urinária e cistocele, popularmente conhecida por bexiga baixa. A incontinência urinária tem alta prevalência na população e afeta de maneira significativa a qualidade de vida. Estima-se que 20% das mulheres acima de 40 anos apresentem algum grau do problema. A cistocele ocorre devido à perda da sustentação da bexiga feita pelos músculos e ligamentos da pelve. Um dos primeiros sintomas é a incontinência urinária. “Em torno de 40% das pacientes com incontinência urinária apresentam algum tipo de prolapso vaginal”, comenta o urologista Fernando Almeida. Considera-se fator de risco mulheres cujo Índice de Massa Corporal (IMC) esteja acima dos 26. O IMC é padrão internacional para avaliar o grau de obesidade e pode ser calculado dividindo o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros). “A relação entre obesidade e incontinência urinária foi notada quando pacientes emagreceram após a cirurgia de redução de estômago, relatando que não mais perdiam urina”, explica o especialista. No entanto, se estiver caracterizada uma queda da bexiga, emagrecer não é o suficiente para solucionar o problema. Neste caso é necessário realizar cirurgia para sustentar o órgão. “Há diversas técnicas disponíveis, entre elas a inserção de uma tela que faz as vezes da sustentação muscular”, conclui o médico. Vale ressaltar que o exame clínico é uma das principais formas de diagnóstico podendo ser auxiliado por outros procedimentos, como estudo urodinâmico, ultrassonografia e ressonância magnética.

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BELEZA & ESTÉTICA

Salões de beleza sem cuidados podem trazer doenças a clientes

O

cliente que não tem por hábito verificar as condições e qualidade dos produtos que usa em salão de beleza pode acabar pegando doenças, como micose e hepatite.

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“Não é costume do cliente verificar a validade do produto que usará no salão. Muitas vezes esse produto pode estar vencido, causando problemas”, diz a dermatologista Shirlei Borelli, membro

da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Produtos vencidos podem causar irritações e alergias. Outro problema recorrente é a falta de esterilização dos materiais, como alicate de cutícula, por exemplo. “Um objeto contaminado pode transmitir qualquer doença relacionada com o sangue, como micose, hepatite C e, em alguns casos, até mesmo o HIV”, diz a dermatologista


use sabonete antibacteriano para fazer essa limpeza. Carolina Mourão. Pesquisa feita Produtos vencidos recentemente mostrou que e equipamentos sem BARBA TAMBÉM PRECISA TER MUITA ATENÇÃO a grande maioria dos salões Com a nova onda de barbearias modernas, é muito de beleza não esteriliza seus esterilização são os comum ver homens lotando os salões. E também é preciso materiais. cuidado. Lâminas, somente descartáveis e máquinas, só Para Shirlei, a maneira como fatores que mais esterilizadas. E há jeito certo para evitar a irritação da pele. é feito o tratamento das unhas expõem a riscos “A irritação é causada pela forma como se faz a barba. Tem requer mais atenção. “No Brasil, que ser feita no sentido que cresce o pelo, não ao contrário”, é costume tirar a cutícula das unhas de uma maneira mais agressiva, que causa ferimentos diz a dermatologista Shirlei Borelli. Emerson Vicente / Folhapress. nas unhas. Se o material utilizado não estiver esterilizado, existe o risco de transmissão de doenças. Além disso, cria uma infecção muito dolorosa ao redor da unha”, diz a profissional, Classificados que recomenda esterilização até nos equipamentos que leva Saúde & Bem-Estar de casa. “Ele precisa estar esterilizado. Só de ficar de canto, em Páginas 56 a 78 desta edição casa, o material acumula sujeira e bactérias”, afirma. Há quem

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Agosto de 2017 Festas

Educação

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EMPRESAS & NEGÓCIOS

Negociação é primordial na reforma trabalhista aprovada Rúbia Oliveira

O

presidente Michel Temer ­san­cionou em 13 de julho o projeto de reforma trabalhista aprovado pelo Congresso Nacional. As novas regras entram em vigor quatro meses após a sua publicação, conforme previsto na nova legislação. A reforma foi votada e aprovada por 50 votos a 26 (e uma abstenção) em 11 de julho no plenário do Senado. Como foi aprovada sem alterações, o governo ainda poderá editar uma Medida Provisória com novas alterações na lei trabalhista. A alternativa foi negociada para acelerar a tramitação da proposta no Congresso, que diante de uma perspectiva de derrota, se comprometeu em alterar através de medida provisória os trechos que ficaram sem definição. A minuta de alteração foi enviada ao Congresso no dia 13 de julho, com os pontos da Medida Provisória (MP) que fará alteração na reforma trabalhista sancionada. Os principais são: valor de indenização por dano moral, trabalho intermitente, jornada 12 a 36, sindicato em negociação coletiva, gestantes e lactantes, trabalho autônomo sem exclusividade, imposto sindical, dano extrapatrimonial. A reforma já sancionada trouxe mais liberdade nas negociações entre empregado e empregador, obedecendo alguns limites. Férias e jornada de trabalho poderão ser flexíveis, optando sempre a forma que

for mais vantajosa para as partes; o trabalho poderá ser feito em casa ou em viagem; horas extras poderão ser pactuadas e haverá banco de horas; o empregado poderá ter participação nos lucros e remuneração por produtividade. Em síntese: A palavra chave da reforma foi negociação. A negociação e não a Justiça do Trabalho, será a primeira instância nas reivindicações de divergências. Hoje a lei e a burocracia desestimulam o emprego num país, que está com 13 milhões de desempregados. Alguns direitos foram preservados e não podem ser negociados, os principais são: FGTS, salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, benefícios previdenciários, licença-maternidade. A mudança foi grande, muitos pontos foram alterados, havia realmente que mudar a legislação, a economia mudou, a cultura social mudou. A reforma foi aprovada e sancionada com alterações que trouxe em alguns quesitos, falta de limite nas relações de trabalho, não sabemos se haverá prejuízos reais aos trabalhadores, somente a experiência poderá dizer se valeu a pena. Em conclusão, existe a falácia que a flexibilização/reforma das leis trará maiores ofertas de emprego, porém o que me faz vislumbrar, maior oferta de emprego é a melhora da economia. A reforma ainda sofrerá alterações, a legislação foi modernizada, e somente a experiência poderá dizer se valeu a pena.

Rúbia Oliveira é advogada, pós-graduada em Direito Público, pela Faculdade Baiana de Direito e em Direito do Trabalho, pela Faculdade Unopar. Especialista em Controle da Administração Pública pela Faculdade Baiana de Direito e graduada em Direito, pela Faculdade Baiana de Ciências, e em Administração, pela Faculdade de Tecnologia Empresarial. E-mail: rubia.bahia@bol.com.br

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10 direitos do trabalhador em caso de demissão após reforma trabalhista

pesar da economia já apresentar melhoras, ainda é grande o temor de muitos trabalhadores em relação a possibilidade de serem os próximos demitidos e com a Reforma Trabalhista a preocupação é ainda maior, já que essa terá impacto nos direitos nesse caso. Ponto importante a ser lembrado é que as mudanças só devem começar a valer em novembro. Contudo, mesmo que ocorra a demissão depois desse prazo o trabalhador continuará a ter uma série de direitos que permitem um fôlego inicial para retomar a busca por uma melhor colocação profissional. “Esses são direitos trabalhistas garantidos pela Constituição, contudo, existem os casos das demissões por justa causa, nas quais os trabalhadores perdem parte dos direitos citados abaixo, quando ocorre alguma conduta considerada inaceitável pelo empregador, desde que seja comprovado que ela ocorreu”, conta o advogado trabalhista Gilberto Bento Jr. Contudo, fora as exceções, após a reforma trabalhista, quais os direitos trabalhistas garantidos aos trabalhadores em caso de demissão? O profissional detalhou os seguintes: 1) QUANDO O EMPREGADOR DEVE PAGAR A RESCISÃO: Salvo se empresa combinar por escrito data diferente com o trabalhador, quando o aviso prévio for indenizado, deve pagar até 10 dias após a dispensa, e quando o aviso prévio for trabalhado, tem que pagar no primeiro dia útil após a dispensa.

2) SALDO DE SALÁRIO: Deve ser pago na proporção aos dias trabalhados no mês da demissão. Isto é, o salário mensal, dividido por 30 e multiplicado pelo número de dias trabalhados. Com ou sem justa causa. 3) AVISO PRÉVIO: Pode ser indenizado ou trabalhado, o empregador tem a opção de avisar ao trabalhador sobre a demissão com 30 dias de antecedência ou, pagar o salário referente a esses 30 dias sem que o empregado precise trabalhar. 4) AVISO PRÉVIO INDENIZADO PROPORCIONAL: Instituído por lei no fim de 2011, quando a dispensa é sem justa causa, para cada ano trabalho, há acréscimo de três dias no aviso prévio, com limite de adicional de até sessenta dias, portanto, no máximo o aviso prévio poderá ser de noventa dias. 5) FÉRIAS E ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE 1/3:


Raymundo Dantas Todo mês trabalhado dá direito à uma proporção de férias, que equivale a um salário inteiro, mais um terço. Após um ano de trabalho, este valor deve ser pago independente do motivo da dispensa. Só não será pago caso haja faltas não justificadas e outras infrações constatadas. 6) 13º SALÁRIO: Deve ser pago todo fim de ano ou em época combinada em convenção coletiva. Caso ocorra dispensa, com ou sem justa causa, deve ser pago na proporção dos meses trabalhados, ou seja, divida o valor do salário por 12 meses para saber o valor proporcional de um mês trabalhado, e multiplique pela quantidade dos meses que trabalhou, para chegar o valor correto. Lembrando que as datas de pagamento podem ser negociadas. 7) FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO - FGTS: Só para quem foi dispensado sem motivo, nasce o direito de sacar os valores do FGTS, incluindo o depósito correspondente ao aviso prévio e outras verbas pagas na rescisão. O FGTS atualizado corresponde a aproximadamente um salário por ano. 8) MULTA DE 40% SOBRE O SALDO DO FGTS: Nas demissões sem justa causa, o empregador por lei deve pagar uma multa de 40% do valor depositado no FGTS do trabalhador. Após a reforma trabalhista esse direito continua igual e não pode ser alterado por acordo entre empresa e trabalhador, mas observamos que agora nasce o direito de demissão acordada onde a empresa paga multa de 20% e o trabalhador pode sacar 80% do valor depositado. 9) LIBERAÇÃO DE GUIAS PARA SAQUE DE SEGURO DESEMPREGO: Nos casos de dispensa sem justa causa, se o empregado trabalhou o tempo necessário exigido por lei, tem o direito de solicitar as guias para receber seguro desemprego, estas guias devem vir junto com o TRCT – Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho. Esse direito pode sofrer alterações após a reforma trabalhista, e vai variar de acordo com os novos contratos de trabalho. 10) HOMOLOGAÇÃO DA RESCISÃO: A obrigação de homologação sindical após a reforma trabalhista não existirá mais. No entanto, sobre a obrigação de homologação da dispensa após 12 meses no Ministério do Trabalho a nova lei ainda não é clara.

Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

Cliente tirano ou amigo freguês?

H

oje em dia, não há palestra que se escute, nem livro ou revista que se leia, onde a palavra “cliente” não seja mencionada. Todo mundo fala em cliente, em atendimento a cliente, em serviço ao cliente. Fica até parecendo que se trata de mais uma moda na administração. Aliás, a rigor, a mensagem não é nova. Sempre se falou, no comércio, que “o cliente é o patrão”, ou que “o cliente tem sempre razão”, etc. Mas convenhamos, havia sempre um pouco de demagogia nessas frases. Afinal todos nós sabemos que não é bem assim! Embora sabendo que dependemos do cliente para sobrevivermos e crescermos, é também certo que ele nunca chegou a ser o patrão, e que nem sempre tem razão. Ora, o que mudou então, para justificar essa nova onda de preocupação com o cliente ? Na verdade, o que mudou foi o próprio cliente. Ele hoje é mais arisco, mais inconstante. Mais informado, muda de opinião com facilidade. Está mais exigente porque está mais esclarecido. É mais analisador e, por isso, menos fiel. E, além disso, com a crise econômica, ficou mais pobre e inseguro quanto ao futuro. Assim, aprendeu a discutir seus direitos, presta atenção aos prazos de validade dos alimentos, à quantidade de produto que a embalagem contém. Divide o preço pelo peso para melhor comparar o valor de produtos concorrentes. Visita outras lojas, para comparar os preços. Sabe dos seus direitos, tem um Código de Defesa do Consumidor que é muito avançado, enfim, é outro cliente, diferente

daquele do passado. E nós precisamos conhecer bem esse nosso cliente, porque precisamos fazer com que ele volte a ser “freguês”. Lembra-se de quando tínhamos freguês? E o que era o freguês? Nada mais do que um cliente cativo e multiplicador. Cativo, porque só comprava na nossa loja. Multiplicador, porque nos recomendava aos amigos, fazia nossa propaganda gratuita. Os tempos mudaram, mas continua sendo possível manter o freguês e até transformar em fregueses esses clientes que andam por aí. Precisamos estabelecer uma comunicação mais intensa com os clientes, para melhor conhecermos seus desejos, hábitos de consumo, gostos e preferências, de modo a melhor cativá-los. Mas também necessitamos utilizar essa comunicação para informá-los do que temos a oferecer. Para fazer com que eles percebam a atenção que lhes damos, os preços que praticamos, a qualidade dos nossos serviços e produtos, em suma, para que percebam que, em nossa loja, o dinheiro deles vale mais ! Só que não dá para enganar! É preciso que tudo isso seja mesmo verdade. E aí é que entra a preocupação que todos estão tendo com o tal cliente: ele está nos obrigando a repensar toda a nossa loja e nossos serviços. É uma trabalheira, sem dúvida. Mas não dá para escapar! De qualquer sorte, os resultados são grandemente compensadores. Afinal, é muito melhor trabalhar para o freguês amigo, do que viver sobressaltado à mercê do cliente tirano! Agosto de 2017 | Vilas Magazine | 53


Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

E

mbora a vergonha seja uma emoção e, muitas vezes, transfigura a consciência humana, parece que nem todos os seres racionais exercitam essa dádiva. O que leva o ser humano a não se envergonhar de algumas de suas práticas fora dos padrões sociais? Vários apresentam suas atitudes, princípios e valores de forma extravagante, identificando o não exercício desse donativo divino. Alguns até se conscientizam do que estão fazendo. A maioria exibe atos que ferem a si, aos outros ou ao seu grupo, achando normal sua maneira, muitas vezes desconhecendo essa expressão humanitária. Sem dúvidas, a vergonha é uma comoção e pode contribuir para a evolução social dos humanos, quando a ela é reconhecida. Certas pessoas exercem suas atividades dentro de normas e princípios estabelecidos, tendo vergonha de ultrapassá-los. No entanto, outras atuam sem qualquer escrúpulo ou pudor, se expondo publicamente, não levando em consideração que o pudor faz parte da vulnerabilidade humana. A vergonha poderá ser provocada pela pessoa ou por outras. Quando pela própria pessoa, registra-se um sentimento penoso por ter cometido deslizes e o pejo instiga a essa procurar mil desculpas e defesas para encobrilos e justificá-los, ou um ‘buraco para se esconder’, a exemplo da avestruz. Quando é estimulada por terceiros, poderá ser verdadeira ou falsa. Neste último caso dá-se a violação de valores externos e internos, podendo ocorrer a destruição da dignidade da pessoa atingida, acrescentando a humilhação,

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A vergonha desonra e infâmia. Nesse caso, é lamentável. Pior, quando esse embaraço é público, tornando-se um ato indecoroso, que provoca a indignação da pessoa atingida e daqueles que o conhecem de perto e esse ato se torna difícil de cicatrizar. A vergonha é um dos pilares da socialização dos seres humanos, pois é necessária para estabelecer limites, em algumas pessoas, e pode formar a consciência. Em países asiáticos (Japão e China, principalmente) foi estabelecida a “cultura da vergonha”, que exprime a situação dos viventes, quando praticam alguma atitude que lhes causam desonra ou à sua família, obrigando-os ao suicídio. Rui Barbosa, intelectual baiano, jurista, escritor, orador (5/11/1849, Salvador/BA; 1º/3/1923, Petrópolis/RJ) sempre foi um defensor tanto da honra quanto da vergonha. Em uma de suas frases, expressouse: “maior que a desonra de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado”. Para determinados seres humanos os acontecimentos de sua família, grupo e religião criam-lhes a vergonha pelo que ocorre e sentem, internamente, mais pejo que os provocadores. Também, nessa situação, situam-se os fatos amorosos, sociais e políticos, com resultados extravagantes para esses viventes. Lamentavelmente, segundo a imprensa diária, a vergonha é substituída pelo cinismo, mentira e imprudência para os nossos representantes dos três poderes republicanos, gerando a indignação de alguns da nossa sociedade. Os filhos podem ter vergonha de seus

genitores. Uns, por serem excluídos da sociedade de valores, quando os pais não possuem as condições materiais exigidas pelos ambientes sociais; e outros pelo comportamento dos seus benfeitores, como transgressão de valores e princípios éticos, embriaguez, desregulação, descumprimento das normas sociais e leis estabelecidas. Sem dúvidas, essas crianças sofrem demais, principalmente nas escolas, que recebem a humilhação do bullying. A vergonha, segundo os estudiosos, representa a adrenalina no sistema nervoso, identificada, para alguns, pela umidade das mãos, tremedeira, gaguejar, rubor inoportuno, etc. Essa situação demonstra a confissão de mal procedimento, revelação de fraqueza e dificuldades diversas, quase sempre denotando, fisicamente, um rosto corado. No entanto, tem pessoas que fazem caso da vergonha e conseguem controlar essa adrenalina. A vergonha está muito ligada ao grupo de convivência do ser humano, pois, em determinados ajuntamentos ela é mais praticada que em outros, sem haver a questão da culpa e de cobranças. Também, está muito ligada à atuação do líder. Basta que ele considere que a prática do mau comportamento não seja um atentado para o grupo, então é liberada e alguns dos componentes o seguem, instalando-se a deterioração do convivente. Dessa forma, a vergonha se configura em dois aspectos diferentes, conforme a prática: irresponsabilidade, caráter descompassado e desapego à dignidade, ou, ajustamento social, respeito ao próximo e condições indispensáveis para a prática do bem.

Vilas Magazine | Ed 223 | Agosto de 2017 | 32 mil exemplares  

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